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Numero do processo: 11080.728417/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido
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DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 84 17 /2 01 4- 18 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11080.728417/201418 Acórdão n.º 2202003.968 S2C2T2 Fl. 101 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.728417/201418, em face do acórdão nº 1662.881 julgado pela 20ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em São Paulo (DRJ/SPO), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 18/08/2014, contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício 2012, Ano Calendário 2011, tendo sido apurado o imposto de renda pessoa física de R$ 1.176,73, multa de mora de R$ 235,34 e juros de mora de R$ 232,87 (calculados até 29/08/2014), totalizando o crédito tributário de R$ 1.644,94. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foram constatadas as seguintes infrações: Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte: no valor de R$ 1.077,21, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas: Compensação indevida de carnê leão: no valor de R$ 99,52, referente à diferença entre o valor declarado de R$ 1.623,59 e o efetivamente comprovado de R$ 1.524,07, eis que os recolhimentos válidos para o período da DIRPF/2012 se referem a 01/02/2011 a 31/01/2012. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta a impugnação tempestiva de fls. 2/3, acompanhada de documentos, alegando, em síntese, que: os valores referentes à compensação de IRRF constam dos comprovantes de rendimentos e foram corretamente declarados conforme documentos anexos; a compensação de carnê leão foi corretamente declarada conforme cópia de 12 DARFs, em anexo. Solicita prioridade na análise da impugnação com base no Estatuto do Idoso. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11080.728417/201418 Acórdão n.º 2202003.968 S2C2T2 Fl. 102 3 A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação apresentada,sendo cancelada a glosa no valor de R$ 214,68, mantendo parcialmente o imposto suplementar apurado, conforme tabela de fl. 62, colacionada abaixo, devendo incidir os acréscimos legais, vejamos: Portanto, restou mantida a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pagadora Participações Automotivas Hummer Ltda., no valor de R$ 862,53. Ainda, ficou mantida a glosa de carnêleão, no valor de R$ 99,52. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário à fl 69 dos autos, onde requerer a reforma do acórdão quanto a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pagadora Participações Automotivas Hummer Ltda., no valor de R$ 862,53. Em anexo ao recurso voluntário, às fls. 70/94, apresenta diversos documentos para provar o seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A lide encontrase delimitada somente em relação a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte pagadora Participações Automotivas Hummer Ltda., no valor de R$ 862,53. Ocorre que a glosa de carnêleão, no valor de R$ 99,52, não foi objeto de recurso, tendo a DRJ de origem cancelada a glosa no valor de R$ 214,68, referente a empresa Workshop Comércio de Móveis Ltda. EPP. Cabe referir, antes de adentrar no mérito do recurso, que em relação aos documentos juntados em fase recursal, entendo que estes devem ser recebidos como prova do alegado pelo contribuinte, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. No caso, temse que a contribuinte recebeu da Participações Automotivas Hummer Ltda., CNPJ nº 09.016.306/000100, os seguintes valores no anocalendário de 2001: Mês Rendimento Bruto Valor comissão Imposto Retido Out R$ 3.750,00 R$ 225,00 R$ 287,51 Nov R$ 3.750,00 R$ 225,00 R$ 287,51 Dez R$ 3.750,00 R$ 225,00 R$ 287,51 Total R$ 11.250,00 R$675,00 R$ 862,53 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11080.728417/201418 Acórdão n.º 2202003.968 S2C2T2 Fl. 103 4 Assim, promovendose o desconto do rendimento bruto o valor da comissão, temse que o rendimento da contribuinte referente a esta locação em 2011 foi R$ 10.575,00, sendo lhe retido o valor de R$ 862,52 a título de IRRF. Para provar que sofreu o ônus da retenção, apresentou os seguintes documentos: · guias bancárias emitidas pela imobiliária ao locatário, às fls. 70/72, onde verificase que estava sendo realizado o desconto no valor do IRRF em cada mês no valor de R$ 287,51; · certidão de casamento, à fl. 74, onde comprova que é casada desde 09/10/1970 com o proprietário do imóvel (Sr. Renato Paulo Dall'Agnol); · comprovante de rendimentos de aluguéis da fonte pagadora Participações Automotivas Hummer Ltda,referente ao anocalendário 2011, à fl. 75, onde verificase que houve desconto de valor de comissão e valor referente a IRRF; · extratos da imobiliária, às fls. 77/85, onde é apresentada uma conta detalhada do quantum efetivamente recebido pela contribuinte e seu esposo no anocalendário 2011, sendo possível verificar que a contribuinte sofreu o ônus das retenções da fonte de imposto de renda. Registrase, por fim, que os rendimentos do imóvel eram rateados, em igual fração, entre a contribuinte e seu esposo. Portanto, considero que efetivamente demonstrado que a contribuinte sofreu o ônus da retenção do imposto de renda, devendo ser afastada a glosa por compensação indevida no valor de R$ 862,53. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.001555/2005-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/11/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. REQUISITOS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-005.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/11/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. REQUISITOS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. Recurso Especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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REQUISITOS DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 15 55 /2 00 5- 65 Fl. 287DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201001.923, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/11/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul.” Insatisfeita com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · O legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro país, nos moldes das operações comerciais efetivamente ocorridas, de que resultaram as importações efetuadas, visto que deve estar cristalinamente demonstrado que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, em conformidade com as normas citadas, o país Fl. 288DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 281 3 membro da ALADI signatário do acordo pactuado, segundo a Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem do Acordo 91; · O vínculo entre certificado de origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do acordo e legitima o gozo do benefício tarifário quanto à mercadoria importada; · Inferese então que, em face da ausência de qualquer dos requisitos exigidos pelos acordos internacionais ou da constatação de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, o Estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. Em Despacho às fls. 214 a 218, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo que, trouxe, entre outros: · Que o recurso não merece ser conhecido, eis que apenas anexou cópia dos acórdãos paradigmas, sem se limitar a descrever os precedentes que entende coo aplicáveis; · A triangulação comercial é prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; · No ordenamento jurídico brasileiro, o Certificado de Origem é documento suficiente para a comprovação da origem da mercadoria importada de país integrante da ALADI – para fins de tratamento tributário favorecido; · Restou incontroverso que a mercadoria importada foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil. Fl. 289DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso não deva ser conhecido, vez que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial nos termos do art. 67 do RICARF/2015. Ora, no acórdão recorrido foi consignada a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/11/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM. REDUÇÃO. Apresentadas as razões de fato e de direito que justifiquem eventual erro formal na divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, e demonstrado que o erro não prejudicou a verificação da certificação de origem, deve ser mantida o regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo do Mercosul.” Ademais, consta do voto desse acórdão (Grifos meus): “[...] No caso concreto, verificase que a Recorrente justificou, em sua defesa, a operação de triangulação comercial, na qual interpõe entre si e a PDVSA Petroleo y Gás, S.A. (PDVSA), a Petrobrás International Finance Company (Pifco), sendo essa a razão pela qual as invoices mencionadas nos certificados de origem eram emitida pela PDVSA contra a Pifco, e não contra a Recorrente. A Pifco figurava como agente pagador da Recorrente, mas o destino das mercadorias sempre foi o Brasil, uma vez que a Recorrente era a destinatária do propano adquirido na Venezuela. Argumenta a Recorrente que essa triangulação comercial é uma operação realizada rotineiramente por vários atores do comércio Fl. 290DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 282 5 internacional, não havendo qualquer ilegalidade na referida prática. Não havendo, pois, questionamento quanto às alegações fáticas da Recorrente, e sendo o único fundamento para o lançamento a constatação de erros formais em certificados de origem decorrentes da triangulação comercial por ela realizada, não há como prosperar o lançamento ora combatido. Se isso não bastasse, a fiscalização contrariou as normas de origem do Mercosul, vigente à época da importação, declarando inválida a certificação de origem de forma unilateral, sem antes consultar ao país exportador, para verificar se o Certificado era ou não idôneo.” Em síntese, vêse que resta claro que, no presente caso, prevaleceu a busca pela verdade material em relação ao apontamento da divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, eis que foi considerado pelo Colegiado que a indicação dessa divergência não prejudicou a verificação da certificação de origem e a procedência da mercadoria. O que conclui aquele Colegiado pela manutenção do regime de preferência e redução tarifária previsto no Acordo no âmbito da ALADI. Nos acórdãos indicados como paradigma, temse que, relativamente: a. Ao Acórdão 9303003.107: · O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: “[...] A questão trazidas a debate giram em torno dos efeitos da divergência entre certificado de origem e fatura comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional. Fl. 291DF CARF MF 6 As importações efetuadas ao abrigo benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi, para que gozem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. [...] Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação.” Fl. 292DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 283 7 · Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, eis que se entendeu o Colegiado do acórdão paradigma que: ü A apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador; ü A operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação · Ou seja, da mesma forma que o acórdão recorrido que entendeu que os documentos comprobatórios atestando a origem da mercadoria é essencial, tanto que após análise dos documentos comprobatórios, considerou a aplicação da redução tarifária. b. Ao Acórdão 30236741: · O Colegiado afastou a preferência tarifária, conforme voto do relator: “[...] No processo ora em análise, aquele Imposto foi recolhido sem a redução tarifária e a empresa, posteriormente, vem requerer a devolução do valor supostamente recolhido a maior. Mas, em tese, a matéria acaba sendo a mesma. Neste caso específico, a devolução pleiteada foi indeferida (indeferimento mantido em primeira instância de julgamento) porque uma terceira empresa, a Pifco – Petrobrás Internacional Finance Company, sediada nas Ilhas Cayman, país não membro e nem signatário da ALADI, figurou como “exportadora” na Declaração de Importação, sendo que a empresa Fl. 293DF CARF MF 8 venezuelana PDVSA PETROLEO Y GAS SA aparece, apenas como “Fabricante/Produtor”. Ademais, a Fatura Comercial que consta dos autos foi emitida pela Pifco (Invoice nº PIFSB – 380/98 – fl. 11), enquanto que o Certificado de Origem indica a Fatura Comercial nº 419710 e, como país exportador, a Venezuela. Não foi apresentada qualquer outra fatura. O Conhecimento de Embarque também faz menção à empresa venezuelana PDVSA Petróleo Y Gás S.A., uma vez que a mercadoria veio diretamente da Venezuelana para o Brasil.” · Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, vez que entendeu da mesma forma que o acórdão recorrido – que deverseia considerar os documentos comprobatórios para a aplicação da redução tarifária. Em vista de todo o exposto, por considerar que se tratam de entendimentos consonantes, entendo que não há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional Sendo assim, nesse caso, vêse claro que não há divergência entre os arestos, eis que se entendeu o Colegiado do acórdão paradigma que: · A apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador; · A operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação Ou seja, da mesma forma que o acórdão recorrido que entendeu que os documentos comprobatórios atestando a origem da mercadoria é essencial, Fl. 294DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 284 9 tanto que após análise dos documentos comprobatórios, considerou a aplicação da redução tarifária. Em vista de todo o exposto, por considerar que se tratam de entendimentos consonantes, entendo que não há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso essa conselheira seja vencida quanto ao não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda, passo a analisar o cerne da discussão – – qual seja, se, no caso vertente, devese ou não aplicar a preferência tarifária percentual. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Vêse que tal discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional ou se, independentemente da r. interveniência, deve ser adotada se a mercadoria for remetida diretamente do país produtor – Venezuela, no presente caso para o Brasil. Em relação à essa discussão e depreendendose da análise dos documentos comprobatórios acostados nos autos desse processo, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. O que, por conseguinte, devese manter a decisão do acórdão recorrido. Ora, a preferência tarifária é dada pelo Acordo Internacional firmado entre os países signatários – permitindo a fruição da preferência a atos comerciais quando as mercadorias objeto da comercialização forem originárias dos países signatários. Tal Acordo, inclusive, permite a intermediação, desde que seja preservada a integridade da mercadoria. Tanto é assim que foi efetivamente prevista hipóteses de exceções no art. 4º, da Resolução ALADI/CR 78 – Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto 98.836/90, in verbis: Fl. 295DF CARF MF 10 “CUARTO.Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algún país no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en tránsito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el tránsito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el país de tránsito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación.” (Art. 40, “b”, (ii) da Resolução ALADI nº 78 – Regime Geral de Origem da Aladi) “Quarto – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes com ou sem transbordo ou armanezamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (i) o Trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 285 11 (ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e (iii) não sofram durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação.” Tal dispositivo traz que se deve manter a preferência tarifária, quando preservada a origem da mercadoria importada, ou, quando menos, seja possível comprovar tal preservação de origem. Ademais, cabe trazer que pelos documentos analisados, embora tivesse ocorrido a triangulação comercial, as mercadorias foram transportadas diretamente da Venezuela para o Brasil. E a mercadoria foi originada da Venezuela, conforme atesta o Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria juntamente com a fatura emitida no país interveniente, conhecimento de embarque, acostados aos autos. O que, por conseguinte, não resta dúvida de que as mercadorias eram, procedentes da Venezuela e que, por óbvio, foram atendidos os requisitos para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Vêse que, no que tange à aceitação dos documentos comprobatórios apresentados pelo sujeito passivo, a própria Receita Federal do Brasil traz orientação em seu site http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachode importacao/topicos1/despachodeimportacao/documentosinstrutivosdo despacho/outrosdocumentos (Grifos meus): “Na importação de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, sua comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional (art. Fl. 297DF CARF MF 12 563 do Regulamento Aduaneiro). Assim, quando solicitada aplicação de preferência tarifária, os despachos de mercadorias originárias de países signatários destes acordos devem ser instruídos com Certificados de Origem, emitidos por entidade competente.” Ou seja, de que a comprovação da origem da mercadoria deve ser feita por qualquer documento idôneo. O que é o caso, haja vista que a própria autoridade fazendária não contesta sua não veracidade/oficialidade. Essa orientação está em consonância com o art. 434 do Regulamento Aduaneiro aplicável à época (Decreto 91.030/85), in verbis: “Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de País Membro da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação.” O que, por conseguinte, é de se entender que não se deve descaracterizar as operações realizadas sob o pálio do tratamento tributário favorecido. E forçoso entender, assim, que as operações não atenderam ao disposto no art. 4º, letra “a”, da Resolução nº 78. Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. O fato de os produtos terem sido faturados em país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido Fl. 298DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 286 13 emitido pelo país membro efetivo da ALADI Venezuela. E a carga veio diretamente para o país. Não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda somente porque o sistema SISCOMEX impede tais registros. No que tange à operação triangular, vêse ainda que a Resolução 232, promulgada pelo Decreto 2.865/98, passou expressamente a admitila. E a Resolução 252 manteve o mesmo regramento explícito em seu art. 9º, in verbis: “Nono – Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação.” Em vista de todo o exposto, considerando que todas as condições estabelecidas na legislação vigente foram observadas pelo sujeito passivo, visto a comprovação da origem das mercadorias. É fato incontroverso que a mercadoria importada foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil. O Certificado de origem faz referência expressa ao Bill of Landing no campo “observações” e, este, por sua vez, é claro ao mencionar que a carga vem direto para o país, assim como a respectiva fatura da Fl. 299DF CARF MF 14 PIFCO descreve exatamente a mesma carga, transportada no mesmo navio, na mesma viagem. É de se trazer que constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. E, no que tange à descrição, cabe insurgir com o art. 1º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI (Grifos meus): “Primeiro – A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro.” Tal dispositivo é claro ao trazer que a descrição dos produtos deverá coincidir com o produto negociado e com a fatura comercial que acompanha os documentos apresentados – o que é o caso. Proveitoso ainda mencionar que tal entendimento está consoante às decisões judiciais emanadas sobre o assunto. Frisese a jurisprudência exarada pelo TRF 1 (Grifos meus): PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 287 15 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisao de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” E, nesse sentido, a jurisprudência exarada pelo TRF5 (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. Fl. 301DF CARF MF 16 RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questinamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a indoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de Fl. 302DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 288 17 país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importacao por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país intergrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderira ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Tal decisão caminha junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". E ainda traz que o Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossível e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. É de se conferir ainda precedente do STJ (Grifos meus): Fl. 303DF CARF MF 18 “RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Tratase de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. 1 A PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o Fl. 304DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 289 19 trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, Fl. 305DF CARF MF 20 por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extraise do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Discordamos da il. Relatora. Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido decidiu que, no caso examinado, a divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial não prejudicou a verificação da Fl. 306DF CARF MF Processo nº 18336.001555/200565 Acórdão n.º 9303005.001 CSRFT3 Fl. 290 21 certificação de origem – daí entendeu aplicável o favor fiscal –, o acórdão recorrido, analisando idêntica operação de triangulação praticada pela mesma contribuinte, chegou a uma conclusão oposta, ou seja, que não era de se aplicar o benefício fiscal. A divergência, portanto, é patente. No mérito, não obstante a fatura comercial emitida pela PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY PIFCO faça referência à fatura da PDVSA, o número da fatura informado na declaração de origem – a emitida pela PDVSA – difere da que instruiu a DI – a emitida pela PIFCO – , sendo que é esta última que consta como empresa exportadora (sediada nas Ilhas Cayman, país não membro da Aladi). Acresçase o fato de que, conforme destacado no campo próprio do auto de infração, o certificado de origem emitido na Venezuela sequer relacionou a quantidade da mercadoria objeto da certificação (a fatura emitida pela PDVSA também não foi apresentada no despacho aduaneiro). Não houve, ademais, a entrega da declaração juramentada de que fala o artigo 9º do Anexo à Resolução Aladi nº 252, de 04/08/1999, cuja redação é a seguinte: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (g.n.) Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço e dou provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721457/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
Ementa:
ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento de assistência médica e odontológica em desacordo com o comando legal leva à sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. É requisito expresso em Lei que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título.
Numero da decisão: 2202-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Ementa: ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica e odontológica em desacordo com o comando legal leva à sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. É requisito expresso em Lei que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 57 /2 01 4- 93 Fl. 317DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito fazendário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, apresentou Impugnação que foi julgada improcedente. Ainda insatisfeita, interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 18/12/2014 foi formalizado auto de infração DEBCAD nº 51.033.4296 (fls. 58/73), DEBCAD nº 51.033.4300 (fls. 74/89), DEBCAD nº 51.033.4318 (fls. 90/106) e DEBCAD nº 51.033.4326 (fls. 107/120). Conforme o Relatório Fiscal (fls. 126/132 e docs. anexos fls. 133/137), ao longo da fiscalização constatouse que a empresa deixou de incluir na base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores referentes a (1) aviso prévio indenizado; (2) remuneração a contribuintes individuais, especificamente de dois diretores; e (3) assistência médica/odontológica, vez que não contempla todos os segurados da empresa. Intimada em 22/12/2014 (fl. 138), a Contribuinte apresentou Impugnação em 21/01/2015 (fl. 142/148 e docs. anexos fls. 149/217). A DRJ julgou improcedente a referida Impugnação no acórdão nº 1055.355, de 24/06/2015 (fls. 235/245) que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. Inexiste norma que autorize o sobrestamento do processo administrativo no julgamento de primeira instância. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição, para o segurado empregado, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por ele auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o respectivo saláriodecontribuição, há a necessidade de expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 318DF CARF MF Processo nº 19515.721457/201493 Acórdão n.º 2202003.903 S2C2T2 Fl. 318 3 Intimada em 10/09/2015 (fl. 262), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 30/09/2015 (fls. 265/273 e docs. anexos fls. 274/294), argumentando, em síntese: · Que a Recorrente aderiu a Mandado de Segurança ajuizado pela Associação Brasileira de Engenharia Industrial referente aos valores pagos a título de Aviso Prévio Indenizado, no qual se decidiu que não deve incidir contribuições previdenciárias sobre tais valores; · "Portanto, o processo administrativo, agora impugnado, há de ser suspenso, enquanto vigente a liminar, até a decisão final de nossa magna corte, o Supremo Tribunal Federal. Pois assim determina o art. 151, incisos IV e V do CTN, impondo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, para o contribuinte protegido por medida liminar contrária à determinada exação fiscal, como no caso presente." fl. 268; · Que a Contribuinte admitiu seu erro ao deixar de incluir dois diretores no sistema de folha de pagamento, já tendo efetuado o referido pagamento dos valores lançados, e juntou cópias das memórias de cálculo e do DARF às fls. 153/154, registrando que a decisão recorrida foi correta nesse tocante, vez que admitiu a exclusão desse crédito da fase litigiosa; · Que não incide contribuições destinadas a terceiros sobre os valores de assistência médica/odontológica destinadas a segurados empregados. Isso porque: "Apesar do art. 28 da Lei 8212/91 tratar do conceito de remuneração, sob a forma de salário de contribuição, a CLT [em seus arts. 457 e 458] fez de forma diferente, pois, literalmente, excluiu o pagamento de plano de saúde do conceito de salário e, por consequência, do conceito de remuneração, ou seja: não admite a interpretação do Plano de Saúde integrar o salário para os fins de cálculo da contribuição previdenciária." fl. 270; · Que o fato de o Plano de Saúde não ser oferecido a todos os empregados não altera a sua natureza, conforme as regras dos arts. 444, 458 e 461 da CLT; · Que não é possível conceber dois conceitos diversos para a noção de salário um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista , inclusive já tendo o STF rechaçado, no RE 166.722/RS, essa possibilidade. No mesmo sentido a jurisprudência do TST; e · Que a legislação tributária não pode alterar conceitos de direito. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A título de esclarecimento, é conveniente registrar que a lide se limita à análise da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de assistência médica. Efetivamente, a Recorrente admitiu e já pagou os valores referentes aos segurados não incluídos na base de cálculo e recorreu à via judicial em relação aos valores referentes a aviso prévio indenizado. Da suspensão do processo em decorrência da medida liminar Argumenta a Recorrente pela suspensão do presente processo em função da concessão de medida liminar em sede de processo judicial. Para tanto, junta as peças de Mandado de Segurança em que figura como Impetrante. A verdade é que, analisando a referida decisão judicial, não se observa qualquer no qual determinação para a suspensão da tramitação de processo administrativo, mas sim a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, aplicou a regra estabelecida no CTN, em seu art. 151, IV e V. Inclusive, é possível depreender da Súmula CARF nº 17 que a suspensão da exigibilidade do crédito não evita o lançamento mas apenas a imposição de multa de ofício , não suspendendo, igualmente, a tramitação de processo administrativo fiscal. Nessa esteira, impende registrar que este Conselho não tem competência para exigir qualquer crédito, mas tão somente para julgar a sua legalidade. Portanto, não há razão para suspender o presente processo administrativo, devendo ser dado seguimento ao julgamento, cabendo à unidade de cobrança adotar os procedimentos adequados referentes suspensão (ou não) da exigibilidade do crédito por decisão judicial. Observase, ainda nessa senda, que o crédito suspenso já foi apartado e transferido para outro processo por meio, conforme (fls. 296/299 e 316). Da assistência médica/odontológica A Contribuinte contesta, neste processo administrativo, especificamente a inclusão dos valores pagos a título de assistência médica/odontológica na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Argumenta que, conforme a CLT, tais valores não se configuram remuneração, não podendo ser dada interpretação diversa no seio do direito previdenciário. Mais, acrescentou que o simples fato de a assistência médica/odontológica não abarcar todos os seus empregados não lhe altera a natureza nem a converte em remuneração. Analisando a questão, a DRJ entendeu que a Contribuição Previdenciária incide sobre toda remuneração ofertada aos segurados, o que incluiria os valores referentes a assistência médica e odontológica. Esclareceu ainda que a Lei nº 8.212/1991, em seu art. 28, §9º, 'q', estabeleceu uma regra excepcional, qual seja, que não devem ser incluídos tais valores quando a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 19515.721457/201493 Acórdão n.º 2202003.903 S2C2T2 Fl. 319 5 Pois bem. Os argumentos da Contribuinte, em que pese interessantes e relevantes, não podem ser aceito no âmbito do processo administrativo. Efetivamente, o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, bem como o art. 62 do Anexo II ao RICARF, determinam que é proibido deixar de aplicar Lei. In casu, a verdade é que a Lei nº 9.528/197, ao alterar o §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, especificamente pela inclusão da alínea 'q', determinou a inclusão desses valores referentes à assistência médica na base de cálculo das Contribuições Previendiárias. Efetivamente: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Portanto, sem adentrar na análise valorativa da regra, e do seu confronto com a CLT, uma vez que não é permitido deixar de aplicar a Lei, o comando é expresso: se só estão excluídas essas hipóteses específicas, então os demais casos estão incluídos. O que é mais, a Lei expressamente configurou a assistência médica como hipótese de incidência quando criou a regra isentiva de que não estariam incluídos apenas os casos em que a assistência médica e odontológica abranja todos os empregados e dirigentes. Essa é a jurisprudência dessa casa, como se observa dos seguintes julgados: SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE SAÚDE. COBERTURAS DIFERENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o saláriode contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores, desde que todos os trabalhadores tenham acesso aos planos. (acórdão CARF nº 2401004.758, de 06/04/2017) ... ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 321DF CARF MF 6 O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, integra a base de cálculo do saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. (acórdão CARF nº 2301004.947, de 14/03/2017) ... PLANO DE SAÚDE. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o saláriode contribuição, ainda que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores. (acórdão CARF nº 2201003.333, de 20/09/2016) ... CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO. BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA. INCIDÊNCIA. Para a isenção de contribuição sobre os valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (acórdão CARF nº 2302 003.682, de 10/03/2015) Em suma, não é possível dar provimento ao Recurso Voluntário. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.721457/201493 Acórdão n.º 2202003.903 S2C2T2 Fl. 320 7 Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721820/2011-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA TRANSITADA EM JULGADO.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Não se conhece de recurso cujo objeto é a rediscussão de matéria já enfrentada e decidida pela Delegacia de Julgamento e a qual não foi oportunamente contraposta quando da apresentação do recurso voluntário pelo contribuinte.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA TRANSITADA EM JULGADO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Não se conhece de recurso cujo objeto é a rediscussão de matéria já enfrentada e decidida pela Delegacia de Julgamento e a qual não foi oportunamente contraposta quando da apresentação do recurso voluntário pelo contribuinte. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA TRANSITADA EM JULGADO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Não se conhece de recurso cujo objeto é a rediscussão de matéria já enfrentada e decidida pela Delegacia de Julgamento e a qual não foi oportunamente contraposta quando da apresentação do recurso voluntário pelo contribuinte. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 20 /2 01 1- 28 Fl. 1742DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Com base no relatório fiscal de fls. 1.042 a 1.060, esclareço que tarase de lançamento para constituição do crédito tributário referente a valores devidos nas competências Janeiro/2006 a Dezembro/2007, num total de vinte e quatro competências, concernentes às contribuições previdenciárias da EMPRESA (Debcad nº 37.353.8014), dos segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (Debcad nº 37.353.8022), bem como às contribuições sociais para OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (Debcad nº 37.353.8030), previstas no artigo 11, inciso II e parágrafo único, alíneas “a” e “ c “, da Lei 8212, de 24/07/91. Cobrase também multa por deixar de incluir em GFIP, nas épocas próprias, os valores pagos aos segurados contribuintes individuais. Foram lavrados ainda autos de infração para cobrança de multas decorrentes de outras obrigações acessórias (AI 38 PAF nº 19.515.721.821/201172 e AI 59 PAF nº 19.515.721.822/201117). Segundo o fiscal: 1.2 A Transcooper – Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste (antiga Transcooper – Cooperativa de Trabalho dos Profissionais no Transporte de Passageiros em Geral da Região Sudeste), é uma Sociedade Cooperativa de Trabalho formada por cooperados motoristas autônomos, que atua no ramo de transporte de Cargas e Pessoas, operando de Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 9202005.398 CSRFT2 Fl. 1.743 3 forma permissionária no município de São Paulo, nas regiões 01 ( Zona noroeste ), 02 ( Zona Norte ) e 04 ( Zona Leste ) e foi constituída em 11 de agosto de 1997, através da Assembléia Geral de Constituição desta mesma data, registrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo sob nº 1377, tendo por finalidade, dentre outras, a prestação de serviços aos seus Cooperados, mediante a contratação de serviços perante pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, representando e defendendo seus interesses junto aos Contratantes (artigo 3º do Estatuto Social, com as alterações posteriores, consolidado em 19/11/2010), constando essas informações no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ. 1.3 A Cooperativa, sendo permissionária do sistema de transporte coletivo concedida pela Secretaria Municipal de Transportes – SMT da Prefeitura do Município de São Paulo (Termos de Permissão nº 692/03, 693/03 e 695/03), é, substancialmente, uma prestadora de serviço público de transporte coletivo de passageiros, através de seus cooperados, sendo essa a sua atividade preponderante, bem como sua principal fonte geradora de recursos. Contribuinte apresentou impugnações as quais foram julgadas improcedentes. Inconformada a autuada apresentou recursos voluntários de fls. 1.500/1.527; 1.528/1.555; 1.556/1.581 e 1.582/1.596, individualizados por Auto de Infração, nos quais alega, em apertada síntese, que i) seus cooperados são contribuintes individuais e recolhiam as respectivas contribuições, individualmente, por carnês; ii) os cooperados e as pessoas físicas não prestam serviços à cooperativa, iii) a cooperativa não pode ser equiparada à empresa, de sorte que não há contribuição sobre os valores repassados a pessoas físicas, inclusive seus diretores; iv) ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa Selic; v) multa confiscatória; vi) quanto ao Auto de Infração n° 37.353.8030, relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (SEST/SENAT), incidentes sobre as remunerações dos cooperados, aduz que a Lei n° 8.706/93, ao instituir tais contribuições, ofendeu vários dispositivos constitucionais, sendo que a cooperativa não pode ser enquadrada no conceito de empresa de transporte rodoviário e vii) quanto ao Auto de Infração n° 37.283.6380, aduz que não está obrigada a apresentar GFIP, pois não há qualquer prestação de serviços por parte dos cooperados à cooperativa. A 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por voto de qualidade manteve o lançamento da obrigação principal e determinou que a multa relativa ao lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória fosse recalculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. O acórdão nº 2302002.973, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. Fl. 1744DF CARF MF 4 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). CONCEITO DE EMPRESA. COOPERATIVA DE TRABALHO. COOPERADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Nos termos do parágrafo unico do art. 15 da Lei n° 8.212/91, a cooperativa de trabalho equiparase à empresa, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Sendo assim, deve haver o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que lhes prestem serviços. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL QUE PRESTA SERVIÇO A EMPRESAS. DESCONTO E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A partir do advento da Lei n° 10.666/03, a empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Art. 4° da Lei n° 10.666/03 e artigo 30, I, a, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do artigo 33, § 5º, da Lei n° 8.212/91, o desconto de contribuição sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimada do acórdão a Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas. Requer seja dado total provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 9202005.398 CSRFT2 Fl. 1.744 5 legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35‑ A da MP nº 449/2008. Contribuinte apresentou contrarrazões e também o seu próprio recurso especial ao qual foi dado seguimento parcial para rediscussão apenas da seguinte matéria: conhecimento de ofício da decadência com a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de prequestionamento e no mérito, diante da ausência de pagamento, pela aplicação do art. 173, I do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Diante da relação de causa e efeito, analisarei primeiramente o recurso do contribuinte. Do Recurso do Contribuinte: Argumentando tratarse de matéria de ordem pública, requer o contribuinte o reconhecimento da decadência do lançamento em relação ao período de janeiro à outubro de 2006 por força da aplicação do art. 150, §4º do CTN, haja vista que sua intimação ocorreu apenas em 25 de novembro de 2011. Embora tenha sido apresentado acórdão paradigma no sentido da tese apresentada (decadência/ordem pública), entendo que há no presente caso situação peculiar que impede o conhecimento da divergência, isso porque estamos diante de matéria cuja discussão já transitou em julgado na esfera administrativa, fato não presente no caso julgado pelo acórdão paradigma. Conforme se observa da impugnação e do acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento, o contribuinte em sua primeira oportunidade de defesa trouxe, em sede de preliminar, pedido de declaração da decadência do período e 01/2006 a 10/2006. Referido pedido foi repetido nas defesas apresentadas para todos os lançamentos: Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que deve ser reconhecida a decadência relativa aos fatos geradores anteriores ao qüinqüênio legal, ou seja, aqueles ocorridos antes de novembro de 2.011, não se incluindo esta competência. Fl. 1746DF CARF MF 6 Assim sendo, deve ser observado no caso em exame pela autoridade administrativa que irá julgar a presente impugnação, a aplicação do disposto na Súmula Vinculante número 08, do STF, a fim de afastar a cobrança de valores atingidos pela decadência, pelas razões acima expostas. Por mais essas razões, há que se concluir pelo julgamento de improcedência do presente Auto de Infração. No acórdão de nº 1637.695, a 11ª Turma da DRJ/SP1, expressamente enfrentou e decidiu para inexistência da decadência: Da Decadência. Inocorrência. Em sua Impugnação, de forma sumariada, pretende a Defendente o reconhecimento da ocorrência da decadência tributária, com fundamento no art. 150, § 4º do CTN. Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do STF editou a Súmula Vinculante nº 8, de observância obrigatória pela Administração Pública, de acordo com a Lei nº 11.417/06, declarando inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, que estabelecia o prazo decenal para constituição dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias e àquelas destinadas aos “Terceiros”, a partir de tal advento, são de observância obrigatória para Administração Pública as regras gerais previstas no Código Tributário Nacional. Contudo, é de se observar que, de acordo com o citado art. 150, § 4º, do CTN, o lançamento por homologação tem como pressuposto básico a atuação do sujeito passivo consubstanciada na apuração do fato gerador e/ou no pagamento da respectiva obrigação surgida, tendo a Fazenda Pública que se pronunciar em 5 anos a contar da sua ocorrência, ou do contrário, considerar homologado e extinto o consequente crédito. Inocorrendo os requisitos mencionados, a decadência será regida pelo art. 173, inciso I. Nesse sentido, o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, estabeleceu orientação acerca da aplicação da legislação retromencionada aos crédito previdenciários: (...) No caso concreto, verificase que as autuações decorrem da falta de recolhimento das contribuições previdenciárias( patronal e dos segurados) e das destinadas a Outras Entidades incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (diretores eleitos, prestadores de serviços – pessoas físicas sem vínculo empregatício e cooperados) e, conforme mencionado no Relatório Fiscal, tais verbas não foram recolhidas nem, tampouco, informadas através da GFIP. A impugnação apresentada é no mesmo sentido, uma vez que o contribuinte não reconhece que os valores, que deu origem aos Autos ora em apreço, deveriam estar sujeitos à tributação. Desta forma, ao contrário do que pretende a Impugnante, uma vez que deixou de praticar oportunamente a atividade de Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 9202005.398 CSRFT2 Fl. 1.745 7 apuração, não apresentando ao Fisco as informações pertinentes ao tributo em questão por meio de GFIP e considerando que as presentes autuações dizem respeito, apenas, a contribuições não pagas, não há que se cogitar acerca de lançamento por homologação, mas sim de situação que exigiu lançamento de ofício, previsto no art. 149, especialmente no inciso V, do Código Tributário Nacional, ao qual se aplica o prazo decadencial determinado pelo art. 173, I, do mesmo diploma legal. (...) Portanto, entendese que o prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros também deve obedecer ao prazo decadencial de 05 anos previsto no CTN, em face da interpretação sistemática dos dispositivos supramencionados. Assim, nos Autos de Infração em tela, aplicase, em relação à decadência, a regra geral prevista no art. 173, inc. I do CTN. Tendo em vista que a competência inicial destes Autos de Infração é 01/2006, a Fazenda Pública poderia constituir o respectivo crédito tributário no período de 01/01/2007 a 31/12/2011, correspondente aos 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como os lançamentos foram cientificados ao Contribuinte em 24/11/2011, tais atos ocorreram, portanto, dentro do prazo legalmente previsto, não havendo que se falar em decadência, nem mesmo parcial. Assim, por tudo quanto articulado e demonstrado, não há que se reconhecer decadência do crédito objeto deste AI como pretendido pelo Impugnante. Mesmo a decadência tendo sido enfrentada em capítulo autônomo da decisão administrativa, o Contribuinte deixou, oportunamente, de tecer qualquer consideração ou discordância quanto ao entendimento daquele Colegiado. Não consta dos recursos voluntários apresentados qualquer consideração acerca da decadência. Embora tenha o entendimento de que matérias classificadas como de ordem pública possam e devam ser conhecidas de ofício pelos julgadores, especialmente no caso dos processos administrativos, e embora concorde que decadência seria um exemplo disso, no caso concreto a situação é diversa, pois a matéria em questão foi suscitada pelo Contribuinte e expressamente afastada pela instância de julgamento competente. Assim, não há que se falar em aplicação de ofício da decadência uma vez que esta é matéria já apreciada e cuja decisão se tornou definitiva, não podendo mais ser modificada no âmbito administrativo. Faço a ressalva que o entendimento da maioria do Colegiado é no sentido de ser, no caso do Recurso Especial, imprescindível o prequestionamento da matéria e a comprovação da divergência, não se admitindo o conhecimento de ofício de matérias de ordem pública em razão do recurso de divergência previsto no art. 67 do RICARF ser de cognição restrita. Analisando o inteiro teor do acórdão 3101001.69 citado no Recurso Especial, notamos que tal situação não foi apreciada por aquele Colegiado. Assim, percebese o grande distanciamento entre os acórdãos paradigma e recorrido. Fl. 1748DF CARF MF 8 Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso do Contribuinte. Do recurso da Fazenda Nacional: O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual reiterando o despacho nº 2300304/2014 – 3ª Câmara (fls. 1.643/1.648), dele conheço. O Recurso da Fazenda Nacional trata da controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 9202005.398 CSRFT2 Fl. 1.746 9 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 1750DF CARF MF 10 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 9202005.398 CSRFT2 Fl. 1.747 11 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 1752DF CARF MF 12 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 19515.721820/201128 Acórdão n.º 9202005.398 CSRFT2 Fl. 1.748 13 os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Fl. 1754DF CARF MF 14 Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Conclusão: Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Quanto ao Recurso da Fazenda Nacional, conheço e dou provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1755DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000840/2007-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRN
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA
A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o
contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art 138 do Código Tributário Nacional - CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre
diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso.
Numero da decisão: 1802-000.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA -9. -;Nti:E . .- l or‘ : '.'' •.. • .." '''''.'' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 'N,Z4V÷Vre;' Processo n° 11060.000840/2007-69 Recurso n" 159.839 Voluntário Acórdão n" 1802-00.590 - 2 0 Turma Especial Sessão de 3 de agosto de 2010 Matéria IRPJ Recorrente COOPERATIVA DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADOS DO CENTRO SUL DO RGS - SICREDI CENTRO SUL Recorrida la TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRN Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art 138 do Código Tributário Nacional - CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos e @ - atório e voto s ue ' Lt --0.-~-ite julgado. ,.....E>0. , '-"""---L-"---":"--- -P . •- -4 i ,.. res 4 - e / JoSe—de OiiVeira Ferraz C. ea - " e ator. EDITADO EM: o 2 SEI 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebello Brandão, João Francisco Bianco, 1 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à multa de mora., Ao quitar IRPJ trimestral após o vencimento, a Contribuinte deixou de recolher integralmente a multa de mora, e recolheu juros a menor. O auto de infração de fls. 13 a 21, entregue ao Sujeito Passivo em 20/03/2007, exigiu o valor destes acréscimos legais,. Quanto aos juros, desde a primeira instância não houve contestação por parte da Contribuinte, remanescendo litígio, portanto, somente em relação à multa de mora. A infração foi apurada com base nos dados da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do primeiro ao terceiro trimestres de 2002. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido AI, e com os demonstrativos a ele anexos, o débito recolhido em atraso e sem os devidos acréscimos são os de n° 257586339, 257586407 e 257586564 (cód. 1599 - IRPJ - OBRIGADAS AO LUCRO REAL - ENTIDADES FINANCEIRAS - BALANÇO TRIMESTRAL). Com a instauração da fase litigiosa, por meio da impugnação de fls. 1 a 9, a Contribuinte insurgiu-se contra a exigência fiscal, trazendo os seguintes argumentos, conforme apresentados na decisão de primeira instância, Acórdão n° 18-7.018, de fls. 58 a 64: (. ) sinteticamente, alega denúncia espontânea da infração, com recolhimento a destempo dos tributos declarados na(S) DCTF(s) indigitada(s), com acréscimo de juros de mora, e retificação das informações prestadas nas declarações fiscais, antes de qualquer procedimento fiscal, fato que, de acordo com o art, 138 do CTN; elidiria a aplicação de qualquer penalidade Cita e transcreve excertos de doutrina e de jurisprudência Brada o principio da legalidade e da hierarquia das normas, pugnando por interpretação mais favorável, em face da dúvida quanto à natureza e às circunstâncias do fato, Pede a procedência de sua impugnação e a desconstituição do crédito tributário. Conforme já mencionado, a DRJ Santa Maria/RS considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA, MULTA DE MORA A denúncia espontânea não exclui a incidência da multa compensatória, quando verificado atraso no pagamento do tributo. LANÇAMENTO DE OFICIO. FALTA DE CONTESTAÇÃO EXPRESSA. DEFINITIVIDADE. 2 Processo n° 11060 000840/2007-69 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00390 Fl. 2 Torna-se definitiva, na esfera administrativa, a parcela da exigência que não foi expressamente impugnada. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 01/06/2007, a Contribuinte apresentou em 22/06/2007 o recurso voluntário de fls. 68 a 79, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. É importante registrar que nas peças de defesa, a Contribuinte sempre busca enfatizar que o "auto lançamento" (prestação de informações na DCTF) ocorreu após a extinção do crédito tributário (pagamento). Assim, o pagamento teria sido feito espontaneamente, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal, e antes, inclusive, da declaração do débito na DCTF, o que reforçaria, segundo o seu entendimento, a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional. Este é o Relatório. f(\ 3 Voto Conselheiro Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Todas as questões suscitadas pela Recorrente dizem respeito à exigibilidade ou não da multa moratória no caso de recolhimento em atraso feito de forma espontânea. No presente caso, os juros de mora também não foram quitados no pagamento extemporâneo, de forma integral, e, por isso, as diferenças não recolhidas a esse titulo foram igualmente exigidas no auto de infração, juntamente com a multa de mora. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte informa que já efetuou o pagamento dos juros de mora não pagos ou pagos a menor, em 16/04/2007, conforme DARF à ti. 81 Sobre a exigibilidade da multa de mora, a Administração Tributária já manifestou o seu entendimento, por meio do Parecer Normativo CST n 0 61, de 26/10/1979, nos seguintes termos: "4 1- As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. 4 2- Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir, 4.3- A multa de natureza compensatória destina-se, diversamente, não a afligir o infrator; mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido, È penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórias O Conselho de Contribuintes também proferiu acórdãos sustentando que o art. 138 do CTN não afasta a incidência da multa de mora, conforme ementas a seguir: MULTA DE MORA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - O pagamento do imposto devido fora dos prazos . fixados pela legislação tributa. ria, ainda que espontaneamente, obriga ao acréscimo de multa e juros noratórios (Ac. 106-10930, de 23/09/1998) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ALCANCE DO ARTIGO 138 DO C'TN - É devida a multa de mora nos casos de recolhimento de tributos e contribuições com atraso, uma vez que o instituto da denúncia espontânea, protege o sujeito passivo, tão-somente da imposição 4 Processo n' I W60..000840/2007-69 S1-TE02 Acórdão n,' 1802-00.590 Fl 3 de multa punitiva, decorrente de procedimentos de oficio. (Ac, 105-13504, de 29/05/2001) DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO - MULTA DE MORA. Vencida e não paga a obrigação constitui em mora o devedor nos mesmos moldes de toda e qualquer obrigação civil, sendo portanto cabível a multa de mora mesmo que o tributo tenha sido recolhido espontaneamente. (Ac. 102-44873, de 20/06/2001) Além disso, encontra-se na doutrina manifestações consistentes que seguem essa mesma linha de entendimento. Registre-se aqui o pensamento de Paulo de Barros Carvalho: "Modo de exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela Autoridade Administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art., 138). A confissão do infrator; entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, § único), A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas - juros de mora e multa de mora - por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra", (Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 2a ed., São Paulo, Saraiva, 1986, pp. 322/3) Nesse mesmo passo, os ensinamentos de Fábio Fanucchi: atraso no recolhirnento de tributos, quando o sujeito passivo providencia a regularização de sua situação perante a Fazenda Pública, sem que a isto seja compelido por ação fiscal, dá como resultado a necessidade de aduzir à parcela tributária multas moratórias e juros de mora, conforme preceitos expressa e geralmente integrados nos textos das diversas legislações tributárias específicas (federal, estaduais e municipais). Estas são penalidades de natureza civil, simplesmente repositivas que pretendem colocar o valor do crédito em situação idêntica àquela que ele possuía à época em que o seu pagamento deveria ter sido satisfeito, ou, que pretendem ressarcir a Fazenda Pública dos prejuízos causados pelo atraso no recebimento de valores que lhe caiba deter elil época anterior" (Fábio Fanueehi, Curso de Direito Tributário Brasileiro,4 a ed., Resenha Tributária, p. 453) 5 Çlt De fato, a multa moratória pelo atraso no pagamento de tributo é uma "penalidade" de natureza civil, cujos contornos são melhor compreendidos à luz da Teoria Geral das Obrigações. Seu sentido não é apenas reforçar o vínculo obrigacional legal (pagamento no prazo), mas também estabelecer uma pré-liquidação de perdas e danos, cuja ocorrência se dá por uma presunção legal absoluta. Deste modo, a obrigação pecuniária, relativamente à multa de mora, surge pata o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, ainda que aquele intente, por exemplo, comprovar a inexistência de prejuízo real para a Fazenda Pública, posto que, em relação a isso, não cabe prova em contrário. E por esse mesmo motivo, não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora. Sua configuração jurídica é definitiva, urna vez que decorre diretamente da inobservância do prazo, e somente disso. A incidência da multa de oficio, ao contrário, dada a sua característica de verdadeira penalidade administrativa, fica condicionada a outros fatores, cuja ocorrência pode se dar após o vencimento do tributo, como a confissão do débito, a apresentação de pedido de parcelamento, o seu recolhimento extemporâneo, etc. Mas a multa moratória não, sua incidência independe de qualquer um destes fatos. Da mesma forma, também é irrelevante para a caracterização da mora (ou inadimplência) o fato de o débito vir a ser declarado em DCTF somente depois de realizado o pagamento extemporâneo. Com efeito, o desrespeito ao prazo legal para o recolhimento do tributo, uma vez configurado, não se desfaz em razão do cometimento de outras infrações à legislação tributária (p/ ex., omissão de informações ao fisco), estas sim passíveis de serem revertidas pelo instituto da denúncia espontânea. O próprio ST.T, ao editar a Súmula 360, em 27/08/2008, consolidou o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica à inadimplência, para fins de afastar a multa de mora: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Ainda com relação ao argumento de que os débitos só foram declarados após o pagamento extemporâneo, é preciso esclarecer, à parte o problema da extemporaneidade, que normalmente é isso o que ocorre, ou seja, os pagamentos são realizados, via de regra, antes da declaração dos débitos. Basta verificar que há tributos apurados mensalmente, ou com períodos de apuração ainda menores, enquanto que a maior parte dos contribuintes apresenta DCTF por períodos trimestrais. Sendo assim, a regra é que o débito seja pago antes mesmo de ser informado à Receita Federal, e nem por isso a falta de pagamento no prazo legal deixa de ser considerada como inadirnplência. Do contrário, haveríamos de entender que, por exemplo, o contribuinte que paga um tributo em atraso, mas antes da data para a entrega da DCTF, não está em mora, Lv 6 Processo rɰ 11060 000840/2007-69 SI-TM Acórdão n 1802-00,590 El 4 enquanto que se pagasse esse mesmo tributo após ter entregue a DCTF passaria, aí sim, a estar em mora e, somente nesse caso, excluído do art, 138 do CTN. Todavia, não é aceitável que se defina a mora do contribuinte pela entrega ou não da DCTF. Certamente, a inadimplência está configurada nas duas situações acima, ainda que a infração quanto ao prazo de recolhimento esteja (ou venha estar) acompanhada de outras infrações à legislação tributária, Nesse último caso, ou seja, havendo outras infrações, passa a ser aplicável o beneficio da denúncia espontânea, mas somente em relação a essas outras infrações. Esta é, a meu ver, a correta interpretação para a Súmula 360 do STJ. O fato é que para débitos regularmente declarados, a única infração que pode haver em relação à obrigação principal é a mora do contribuinte, e nenhuma outra. Assim, como o beneficio da denúncia espontânea não se aplica à mora, o STJ sumulou o assunto. Isso não implica dizer, entretanto, que a Súmula do STJ manifeste entendimento diverso em relação à mora pelo fato de ela estar acompanhada de outras infrações. Ou seja, uma vez revertidas essas outras infrações e evitada a punição administrativa prevista para elas, em razão da denúncia espontânea por parte do contribuinte, subsiste ainda a mora, dada a sua irreversibilidade, bem como a exigibilidade dos acréscimos legais dela decorrentes (juros e multa de mora). Finalmente, embora seja incomum o lançamento de oficio para se exigir multa de mora, e, ainda, isoladamente, é importante observar em relação a esse caso que os fatos geradores dos débitos em questão ocorreram durante a vigência da redação original do art. 44 da Lei 9,430/96, período em que a legislação adotava a imputação linear para os pagamentos. Assim, ultrapassado o prazo de vencimento do tributo, era dada a possibilidade de o contribuinte quitar apenas o principal, deixando em aberto as rubricas relativas aos acréscimos legais. E no caso de pagamento extemporâneo e sem os acréscimos legais, estando o débito declarado em DCTF como quitado, a Administração Tributária não podia fazer a imputação proporcional do pagamento, para que o remanescente do principal fosse exigido com base na própria DCTF, como acontece hoje em dia. A providência que cabia ao fisco em relação à ausência de recolhimento da multa de mora era a aplicação da penalidade isolada no percentual de 75% do valor do débito, conforme previsto no art. 44, § 1", II, da Lei 9.430/96, em substituição àquela. Entretanto, essa penalidade isolada deixou de existir com a edição da Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, e embora essa MP não tenha sido convertida em lei, a extinção da referida penalidade restou confirmada na MP n" 351, de 22/01/2007, convertida na Lei 11,488/2007. Portanto, a infração que estava prevista no dispositivo acima referido também deixou de existir. No caso, a solução da irregularidade foi dada pela própria lei. Ocorre q7ue, 7 como já assentado anteriormente, o problema da mora subsiste, uma vez que para pagar o tributo em atraso e sem a multa moratória (conduta que deixou de ser apenada), antes disso, o contribuinte já tinha incorrido em mora, ou seja, tinha deixado de pagar o tributo na data de vencimento, fato esse que é irreversível. Deste modo, considerando que estamos tratando de débitos sujeitos à regra da imputação linear, entendo correto o lançamento da multa moratória, com amparo, inclusive, no art. 43 da Lei 9,430/96. Esta, a meu ver, é a única forma possível para se exigir o crédito tributário correspondente aos acréscimos legais não recolhidos pela Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2010. Jo'Sãe Oliveira Peifaz Corrêa 8
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Numero do processo: 11080.723132/2009-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS
Os fretes na transferência de matérias-primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria-prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.
PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
Numero da decisão: 9303-005.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, (i) quanto a despesas com fretes de transferência de matéria-prima entre os estabelecimentos, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento e (ii) quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CONCEITO DE INSUMOS. Recorrentes SLC ALIMENTOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 32 /2 00 9- 23 Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 3 2 ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, (i) quanto a despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento e (ii) quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de Recursos interpostos pelo sujeito passivo e Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302002.784, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que acordaram dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1) Por maioria votos, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação: (i) à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins, (ii) em relação às despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos da Recorrente, (iii) em relação aos fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins; 2) Pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às despesas com pragas e armazenagem/serviços de terceiros; 3) Por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito relativo às despesas de fretes na transferência de produtos acabados. 4) Por unanimidade de votos, para negar provimento quanto à demais matérias. Foi consignada, assim, a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 5 4 adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE CARGAS x DESPESAS COM MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO. Vinculase a contribuinte à solução de consulta por ela formulada que decide que as despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesa de armazenamento. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO (ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO). Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que introduziu o parágrafo 2º, aos arts. 3º da Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS) e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (COFINS), há impedimento para apuração de créditos relativos às contribuições para o PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, suspensão e isenção) utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 6 5 Inexiste previsão legal para a utilização de créditos relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes, como forma de dedução para a apuração das Contribuições de PIS e Cofins não cumulativos. DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Na apuração do PIS e Cofins não cumulativos, é incabível o desconto de créditos calculados em relação ao valor incorrido no mês relativo aos aluguéis de veículos, posto não se confundir com o termo “máquinas” utilizados ao longo de toda legislação. CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presumese normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. Crédito concedido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acórdão proferido que reconheceu o direito ao crédito em relação às despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos e com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins. Traz em seu Recurso Especial, em síntese, que: · O regime da não cumulatividade busca desonerar a cadeia produtiva mediante a atribuição de crédito na aquisição dos insumos que serão utilizados no ciclo de produção de bens e serviços e esse é o entendimento dispensado ao creditamento das indigitadas contribuições tanto pela Lei 10.637/02, como pela Lei 10.833/03; · Referidas leis, ao definirem a possibilidade de creditamento de insumos, destacaram que estes serão, portanto, os bens e serviços, inclusive Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 7 6 combustíveis e lubrificantes, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; · As hipóteses de desconto de créditos na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas são exaustivamente estabelecidas pela Lei, não cabendo alteração por interpretação extensiva; · A título de interpretação e regulamentação do tema, a Receita Federal do Brasil editou as IN´s SRF 247/02 e 404/04, determinando que os bens e serviços utilizados como insumos e que ensejam o direito ao crédito destas contribuições devem: (i) ter interferido diretamente sobre o serviço ou produto vendidos, cuja receita de venda configurará base de cálculo dessas contribuições; (ii) ter sido utilizados na produção do bem ou na prestação do serviço que configuram a atividade fim da empresa, e não meras atividades acessórias. Em Despacho às fls. 3089 a 3090, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional apenas em relação ao direito de crédito de PIS não cumulativo sobre fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão da contribuição de PIS não cumulativo. Continuando, o sujeito passivo traz manifestação de que no âmbito do contencioso administrativo foi definitivamente julgado, em seu favor, o direito ao crédito em relação à aquisição de arroz em casca. O que requer que seja determinada a baixa do processo à instância de origem para apuração e disponibilização do valor do crédito já reconhecido – devidamente acrescido pela Taxa Selic desde a data do protocolo do Pedido de Ressarcimento e antes da apreciação do Recurso Especial interposto. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão que entendeu não haver direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos. Traz, entre outros, que é legítima a apropriação de crédito de frete para transferência de produtos para o Centro de Distribuição, eis que seria mero desdobramento de operação de venda, encontrando previsão legal nos arts. 3º, inciso IX e 15, inciso II, da Lei 10.833/03. Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 8 7 Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, aduzindo, entre outros, que: · Para se determinar o que seria insumo gerador do crédito do PIS e da Cofins é necessário verificar se o bem ou o serviço é essencial ao processo produtivo, ainda que dele não participe diretamente; · A essencialidade significa considerar todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; · O insumo não precisa ser necessariamente aplicado ou consumido no processo produtivo, podendo abranger os custos indiretos da produção, conforme ocorre com o tratamento de efluentes – resíduos industriais · O sujeito passivo tem como atividade econômica a industrialização, a comercialização, a exportação e a importação de produtos de alimentação; · Por vezes, contrata os serviços de prestação de transporte para o fim de remessa e retorno da matériaprima, que após sofrer determinada etapa de industrialização, retornará para a conclusão. A transferência de matéria prima são serviços que envolvem as etapas de industrialização e é parte fundamental do processo produtivo; · Quanto as despesas de fretes nas aquisições de bens com alíquota zero de PIS e Cofins, o sujeito passivo adquiriu produtos sujeito à alíquota zero e às suas expensas contratou prestação de serviços de transporte de tais mercadorias apurando crédito sobre tais despesas. · O creditamento observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Proveitoso trazer que consta dos autos desse processo: Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 9 8 · A discussão judicial motivada pelo sujeito passivo acerca da atualização do crédito concedido em acórdão de recurso voluntário e que não fora objeto de nova rediscussão nessa Câmara, eis que não houve interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional em relação à determinada parte concedida pela turma a quo; · Manifestação do sujeito passivo acerca da compensação pretendida pela autoridade fazendária ao desejar ver seu direito constituído em relação a parte que efetivamente “ganhou” de forma definitiva quando da decisão proferida pela Câmara abaixo, esclarecendo que os débitos que entende a autoridade já foram objeto de quitação com adesão ao PRORELIT. Em Despacho às fls. 3227 a 3229, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · Somente poderiam gerar direito a crédito da contribuição para o PIS as despesas com frete que estivessem estritamente relacionadas com operações de venda, a teor do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03; · Não há direito a crédito, já que se trata de uma etapa anterior à produção, sendo a fase de aquisição de insumos uma fase prévia, de modo que os gastos se referem à custo de aquisição e não a custo de produção (esses sim, podem ser considerados insumos). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos, eis que atendidos os pressupostos de Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 10 9 admissibilidade dispostos pelo art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. No que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se recordar que tal recurso, na parte admitida, traz a discussão acerca da constituição de crédito das contribuições em relação às Despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins. Quanto às discussões suscitadas pela Fazenda Nacional, para se comprovar o dissenso em relação à 1ª matéria foram colacionados como paradigmas os Acórdão nºs 3801 002.668 e 3301002.298. Depreendendose da leitura dos acórdãos indicados como paradigmas, é de se trazer que, no acórdão recorrido, foi concedido o crédito sobre os fretes de transporte de insumo matériaprima para depósitos/estabelecimentos do sujeito passivo. Enquanto, nos acórdãos indicados como paradigmas, decidiuse que os valores com gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor, bem como que os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, no qual se incluem os insumos não tributados, sujeitos a suspensão decorrente do crédito presumido ou alíquota zero, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. No que tange à discussão acerca da existência de créditos em relação aos fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, vêse que para se comprovar o dissenso foram colacionados como paradigmas do recurso os acórdãos 3801002.668 e 3301002.298. Da leitura dos arestos, temse que o acórdão recorrido decidiu que cabe crédito integral de PIS e Cofins não cumulativos sobre o frete, independentemente de o insumo transportado não ser tributado ou estar sujeito ao crédito presumido ou alíquota zero. Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 11 10 Enquanto, os acórdãos indicados como paradigmas contemplaram entendimentos divergentes – eis que se decidiu que os valores com gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor, bem como que os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, no qual se incluem os insumos não tributados, sujeitos a suspensão decorrente do crédito presumido ou alíquota zero, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. Em vista do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em sua integralidade. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, que ressurgiu com a discussão acerca do direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos. No que tange a esse tema, para se comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma no recurso, o acórdão 3301001.577 – o que cabe recordar que no acórdão recorrido entendeuse que não há previsão legal para a constituição de crédito de PIS e de Cofins sobre os valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto no acórdão paradigma entendeuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do sujeito passivo, pagas e/ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS e Cofins. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso interposto pelo sujeito passivo. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 12 11 Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 13 12 "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 14 13 inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 15 14 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vêse que a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 16 15 já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 17 16 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 18 17 em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 19 18 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 20 19 · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 21 20 respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 22 21 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 23 22 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que o sujeito passivo é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Passadas tais considerações, no que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, recordase que tal recurso traz a discussão acerca da constituição de crédito das contribuições em relação às Despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins. Tais fretes são essenciais para a atividade do sujeito passivo, pois estão vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, sendo enquadrados tais custos como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis 10.833/03 e 10.637/02. É de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. No caso vertente, o sujeito passivo adquiriu produtos sujeito à alíquota zero e às suas expensas contratou prestação de serviços de transporte de tais mercadorias apurando crédito sobre tais despesas. O que não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, que ressurgiu com a discussão acerca do direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 24 23 transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos, entendo que lhe assiste razão. Eis que os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 25 24 · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Dessa forma, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Em vista de todo o exposto, concluo pelo conhecimento de ambos os recursos: · Negandolhe provimento ao recurso da Fazenda Nacional; · Dandolhe provimento ao recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 26 25 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Fui designado redator somente da parte em que a relatora foi vencida no recurso especial da Fazenda Nacional no que se refere à possibilidade de aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre serviços de frete na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão das referidas contribuições. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, não concordo com suas conclusões de que é possível tal creditamento. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Conforme relatado o contribuinte adquire insumos com alíquota zero ou com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e pretende creditarse dos serviços de frete contratados para o transporte desses insumos. Porém como veremos mais a frente não há previsão legal para o aproveitamento destes créditos no regime da não cumulatividade. A partir destes fatos, importante transcrever os artigos da legislação que tratam do creditamento de PIS e Cofins. Transcrevo somente os artigos da Lei 10.833/2003, da Cofins, pois repetem basicamente o que dispõe a Lei 10.637/2002 do PIS. Lei 10.833/2003: Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 27 26 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Portanto da análise da legislação, entendo que o frete na aquisição de insumos só pode ser apropriado integrando o custo de aquisição do próprio insumo, ou seja, se o insumo é onerado pelo PIS e pela Cofins, o frete integra o seu custo de aquisição para fins de cálculo do crédito das contribuições. Não sendo o insumo tributado, como se apresenta no presente caso, não há previsão legal para este aproveitamento. Neste sentido destaco alguns trechos do voto vencido do acórdão recorrido, os quais espelham bem o meu entendimento a respeito do assunto: (...) Conforme já registrado alhures, repitase, sendo taxativas as hipóteses contidas nos incisos dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) referente à autorização de uso de créditos aptos a serem descontados quando da apuração das contribuições, somente geram créditos os custos e despesas explicitamente relacionados nos incisos do próprio artigo, salvo se os custos e despesas integrarem os valores dos insumos utilizados na produção de bens ou na Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 28 27 prestação de serviços, de acordo com a atividade da pessoa jurídica. Assim, se dá com os valores referentes aos fretes. Também já foi manifestado acima que, em conformidade com o prescrito no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.883/2003 (COFINS), somente em duas situações é possível creditarse do valor de frete para fins de apuração do PIS e COFINS: 1) Quando o valor do frete estiver contido no custo do insumo previsto no inciso II do referido art. 3º, seguindo, assim, a regra de crédito na aquisição do respectivo insumo; 2) Quando se trate de frete na operação de vendas, sendo o ônus suportado pelo vendedor, consoante previsão contida no inciso IX do mesmo artigo 3º. Se o frete pago pelo adquirente (como se dá no presente caso, segundo afirma a recorrente) compõe o valor do custo de aquisição do insumo e sendo este submetido à tributação do PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, então o crédito a ser deduzido terá como base de cálculo o valor pago na aquisição do bem, que, por lógica, incluirá o valor do frete pago na aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, posto que este valor do frete se agrega ao custo de aquisição do insumo. Para a apuração do crédito, aplicase, então, sobre tal valor de aquisição do insumo a alíquota prevista no caput do art. 2º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). É o que prescreve o dispositivo no §1º do art. 3º das leis de regência do PIS e COFINS não cumulativos: (...) Se o insumo tributado para as contribuições do PIS e Cofins, no entanto, está sujeito à alíquota zero ou à suspensão, o crédito encontrase vedado por determinação legal contida no Art. 3° §2° inciso II das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). (...) Tal orientação consta no ajuda do preenchimento da DACON, conforme destacou a auditora fiscal na sua informação fiscal que a seguir se transcreve: “O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda ou utilizados como insumos sendo essa a única forma que esses fretes entram na base de cálculo dos créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços utilizados como insumos e tal orientação inclusive consta do Ajuda do Dacon – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sóciais. AJUDA DO DACON – INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS À ALÍQUOTA DE 1,65% Linha 06A/01 – Bens para Revenda Informar nesta linha o valor das aquisições, efetuadas no mercado interno, de bens ou mercadorias para revenda. Atenção: 1) ... 2) ... Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 29 28 3) Integram o custo de aquisição dos bens e das mercadorias o seguro e o frete pagos na aquisição, quando suportados pelo comprador. Linha 06A/02 – Bens Utilizados como Insumos Informar nesta linha o valor das aquisições, efetuadas no mercado interno, de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (..) 3) Integram o custo de aquisição dos insumos o seguro e o frete pagos na aquisição, quando suportados pelo comprador”. Não obstante tenha a recorrente alegado que o transportador das mercadorias constitui fato distinto da aquisição dos insumos, não comprovou ter contratado diretamente este serviço. Contudo, mesmo que houvesse comprovado, tal alegação é irrelevante para o presente caso. Pois que, em sendo de fato operação distinta da aquisição dos insumos, não compondo o frete em questão o custo de aquisição dos insumos, tal frete não poderia servir de base de apuração de crédito para dedução do PIS e COFINS, por total falta de previsão legal, já que não estaria inserta em nenhuma das hipóteses legais de crédito referente à frete acima mencionadas, sendo indevida a sua dedução. (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a esta matéria. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 30 29 Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Considerei conveniente explicitar as razões do meu voto, que pode parecer contraditório com outros que proferi. Como acredito já ser de conhecimento pleno, adoto como critério para definição do crédito de insumos a execução do serviço durante o processo produtivo. Acolhoo, portanto, sempre que o processo já tenha iniciado e ainda não tenha acabado. Créditos em outras situações, só com expressa previsão legal. Por isso, tenho reiteradamente reconhecido a possibilidade de crédito relativo a fretes nas transferências entre estabelecimentos ocorridas após o início do processo produtivo, isto é, aquelas que se refiram a movimentações de produtos em elaboração, em que o processo se inicia em um estabelecimento e tem prosseguimento e conclusão em outro(s). Com esse mesmo critério, tenho negado tal crédito quando as transferências se referem a produtos já acabados, pois, nesse caso, o processo já está encerrado, não se podendo enquadrar como insumo o frete a ele relativo, e tampouco se aplicando ao caso, em meu entender, o crédito do frete em operação de venda, pois venda alguma ainda se consumou. E também o nego quanto ao frete pago na aquisição de matérias primas, quando o processo sequer se iniciou. Por fim, e a meu ver, nenhuma relevância tem para tal definição que o produto que está sendo transportado (ou aquele que dele resultará) sofra uma efetiva incidência da contribuição em tela, bastando que o frete em si o seja e esteja na sistemática da não cumulatividade. Com essas balizas em mente é que aceitei o crédito nas transferências entre estabelecimentos de produtos em elaboração, ainda que não sofram a incidência da contribuição, e o neguei nas outras duas hipóteses, também independente de ser ele tributado ou não. Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 11080.723132/200923 Acórdão n.º 9303005.156 CSRFT3 Fl. 31 30 Acredito não sejam essas, exatamente, as razões dos demais conselheiros que votaram dando provimento ao recurso do contribuinte e provimento parcial ao da Fazenda, daí a validade dessa declaração de voto. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 3269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000554/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. INOCORRÊNCIA.
Afasta-se a presunção de omissão de receitas quando o contribuinte comprova que o saldo credor da conta caixa apontado, na verdade, não ocorreu.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. INOCORRÊNCIA.
A cópia da escrituração contábil, contrato de mútuo e extrato financeiro são provas hábeis para comprovar as obrigações lançadas no passivo, afastando a presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício.
REMUNERAÇÃO INDIRETA. BENEFÍCIOS CONCEDIDOS A ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E ASSESSORES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO
Para que as despesas pagas pela pessoa jurídica sejam tributadas como remuneração indireta, é imprescindível que o fisco comprove que os gastos eram concedidos em benefício de administradores, diretores, gerentes e assessores.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS e COFINS)
Em razão da relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal.
Numero da decisão: 1201-001.780
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
EDITADO EM: 05/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a presunção de omissão de receitas quando o contribuinte comprova que o saldo credor da conta caixa apontado, na verdade, não ocorreu. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. INOCORRÊNCIA. A cópia da escrituração contábil, contrato de mútuo e extrato financeiro são provas hábeis para comprovar as obrigações lançadas no passivo, afastando a presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício. REMUNERAÇÃO INDIRETA. BENEFÍCIOS CONCEDIDOS A ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E ASSESSORES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO Para que as despesas pagas pela pessoa jurídica sejam tributadas como remuneração indireta, é imprescindível que o fisco comprove que os gastos eram concedidos em benefício de administradores, diretores, gerentes e assessores. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS e COFINS) Em razão da relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator EDITADO EM: 05/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.000554/201006 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201001.780 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ZAMIN AMAPÁ MINERAÇÃO S/A EM RECUPARACAO JUDICIAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. INOCORRÊNCIA. Afastase a presunção de omissão de receitas quando o contribuinte comprova que o saldo credor da conta caixa apontado, na verdade, não ocorreu. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. INOCORRÊNCIA. A cópia da escrituração contábil, contrato de mútuo e extrato financeiro são provas hábeis para comprovar as obrigações lançadas no passivo, afastando a presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício. REMUNERAÇÃO INDIRETA. BENEFÍCIOS CONCEDIDOS A ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E ASSESSORES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO Para que as despesas pagas pela pessoa jurídica sejam tributadas como remuneração indireta, é imprescindível que o fisco comprove que os gastos eram concedidos em benefício de administradores, diretores, gerentes e assessores. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS e COFINS) Em razão da relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes a mesma decisão proferida no lançamento principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 05 54 /2 01 0- 06 Fl. 1067DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator EDITADO EM: 05/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Por bem resumir a controvérsia, reproduzo parte do relatório da decisão de primeira instância (fls. 893/926): “A fiscalização entendeu que a interessada incorreu nas infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 271/286, parte integrante dos lançamentos, que resultaram na apuração de ofício de crédito tributário através dos seguintes autos de infração, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor do principal e de juros de mora: a) do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 288/294, no valor de R$2.496.338,91 de imposto; b) da contribuição para o PIS/Pasep, de fls. 295/300, no valor de R$213.634,63 de contribuição; c) da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins, de fls. 301/306, no valor de R$ 984.014,06 de contribuição; d) da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, de fls. 307/313, no valor de R$ 907.322,01 de contribuição; e e) do imposto de renda retido na fonte IRRF, de fls. 314/329, no valor de R$ 2.760.611,11 de imposto. 2. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 271/286 relata as infrações adiante discriminadas: Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 3 3 2.1. Omissão de receitas, caracterizada pela existência de saldo credor da conta "Caixa": 2.1.1. A interessada foi intimada a comprovar, com os respectivos documentos hábeis, dois lançamentos contábeis a crédito da conta "MMX Mineração e Metálicos S.A." que tiveram como contrapartida lançamento a débito na conta "Caixa", sendo o primeiro no valor de R$6.967.058,64, efetuado em 20/12/2006, e o segundo no valor de R$538.494,81, escriturado em 11/12/2006. 2.1.2. Com relação ao lançamento no valor de R$6.967.058,64, se limitou a apresentar o Razão da empresa MMX Mineração e Metálicos S.A. e comprovante de transferência eletrônica do valor do fornecedor, sem indicar para quem se destinava. Quanto ao valor de R$538.494,81, escriturado em 11/12/2006, apresentou o Razão da empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., onde consta o lançamento com o histórico "Pagto ref transf num para MMX Amapá", e extrato bancário da MMX Mineração e Metálicos S.A., com saída de recurso no dia 11/12/2006, com o histórico "pagamento de contas", também sem indicar a quem se destinavam tais recursos; 2.1.3. O saldo da conta Caixa foi recomposto, excluindo de seu saldo os lançamentos a débito não comprovados, e os eventuais saldos credores da conta "Caixa" foram considerados como receitas omitidas no momento de apuração de cada saldo credor, excluindo os valores já tributados em momentos anteriores. A receita omitida apurada também serviu de fundamento para os lançamentos da contribuição para o Pis, da Cofins e da CSLL. O enquadramento legal da infração mencionado no auto de infração do IRPJ é o seguinte: art. 24 da Lei n° 9.249/95; art. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso I, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); 2.2. Omissão de receitas com base em passivo fictício, caracterizada pela manutenção no passivo de obrigações não comprovadas: A interessada foi intimada a comprovar algumas rubricas registradas em suas contas do Passivo no balanço patrimonial de 31/12/2006, a título de "Empréstimos da MMX Mineração e Metálicos S.A.", nos valores de R$1.000.000,00 e R$50.000,00, "Salários a pagar", nos valores de R$157.000,00 e R$37.000,00, que teriam sido pagos por MMX Mineração e Metálicos S.A., e "Adiantamentos a fornecedores", no valor de R$4.200.000,00, também em favor de MMX Mineração e Metálicos S.A. A fiscalização entendeu que não foram apresentados os comprovantes das obrigações citadas, razão pela qual os valores não comprovados foram tributados como omissão de receitas. As receitas consideradas omitidas foram tributadas nos lançamentos da contribuição para o Pis, da Cofins e da CSLL. Enquadramento legal no lançamento do IRPJ: art. 24 da Lei n° Fl. 1069DF CARF MF 4 9.249/95; art. 40 da Lei n° 9.430/96; artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso II, e 288, do RIR/99; 2.3. Custos operacionais não comprovados: A interessada não comprovou com documentação hábil e idônea a operação e a causa a que se referem os custos relacionados na planilha de fl. 237. Tais custos foram glosados e, considerando que tais custos, apesar de não comprovadas as causas a ele relacionadas, foram efetivamente pagos, conforme planilha de fl. 238, tais pagamentos foram considerados sem causa ou por operação não comprovada, compondo a base de cálculo do IRRF, com o reajustamento previsto em Lei. Enquadramento legal: art. 674 do RIR/99; 2.4. Gastos considerados remuneração indireta: A interessada efetuou gastos com aluguel de táxi aéreo e de veículos, com alimentação e com a aquisição de mochila personalisada, conforme planilhas de fls. 239/255, que de acordo com o art. 358 do RIR/99 são considerados como remuneração indireta. Tais gastos foram escriturados como despesas transferidas para o Ativo Diferido, sem a identificação dos beneficiários e sem individualização dos mesmos, e tendo em vista que foram efetivamente pagos, tais pagamentos foram considerados remuneração indireta paga a beneficiário não identificado, compondo a base de cálculo do IRRF, com o reajustamento previsto em Lei. Foi alertado à interessada que tais despesas glosadas devem ser reduzidas do saldo do Ativo Diferido controlado no Lalur em 31/12/2009. Enquadramento legal: arts. 358, 622 e 675 do RIR/99; 2.5. Despesas escrituradas no Ativo Diferido mas pertencentes a outras empresas do mesmo grupo: A interessada escriturou no Ativo Diferido as despesas relacionadas na planilha de fls. 256, que, de acordo com a documentação apresentada, não podem ser consideradas como suas despesas, visto que, conforme documentos de fls. 227/236, foram emitidas/realizadas para outras empresas do grupo da interessada. Tais despesas, no valor total de R$2.450.521,69, devem ser reduzidas do saldo do Ativo Diferido controlado no Lalur em 31/12/2009 e, uma vez que foram efetivamente pagas, tais pagamentos foram considerados sem causa ou por operação não comprovada, compondo a base de cálculo do IRRF com o reajustamento previsto em Lei, conforme planilha de fls. 257/258. Enquadramento legal: art. 674 do RIR/99 2.6. Despesas/Custos escriturados no Ativo Diferido não comprovadas: A interessada escriturou no Ativo Diferido as despesas relacionadas na planilha de fls. 259/263, que não foram comprovadas. Tais despesas, no valor total de R$1.957.123,43, devem ser reduzidas do saldo do Ativo Diferido controlado no Lalur em 31/12/2009 e, apesar de não comprovadas, é certo que foram efetivamente pagas, razão pela qual tais pagamentos foram considerados sem causa ou por operação não comprovada, compondo a base de cálculo do IRRF com o Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 4 5 reajustamento previsto em Lei, conforme planilha de fls. 264/268. Enquadramento legal: art. 674 do RIR/99 2.7. Despesas indedutíveis levadas para o Ativo Diferido: A interessada escriturou as despesas relacionadas na planilha de fls. 269 na conta "Contribuições e Donativos" e as transferiu para o Ativo Diferido, no valor total de R$60.000,00, que de acordo com o art. 365 do RIR/99 são consideradas indedutíveis. Tais despesas devem ser reduzidas do saldo do Ativo Diferido controlado no Lalur em 31/12/2009. [...]5. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamentos através da petição de fls. 401/451, na qual alega, em síntese, o seguinte: Que a impugnação é tempestiva; Que a condição para a aplicação da presunção legal de omissão de receitas é a comprovação definitiva da ocorrência do fato índice, ou seja, a demonstração do fato presuntivo é condição inarredável para a constituição do fato presumido. Alega que a Fiscalização não teria comprovado a ocorrência dos fatos índices "passivo fictício" e "saldo credor de caixa", que autorizariam presumir a omissão de receitas; 5.3. Quanto à alegação de omissões de receitas com base em saldo credor de caixa, alega o seguinte: 5.3.1. Que na época de ocorrência dos fatos geradores objeto da autuação estava em fase préoperacional, não gerando receitas que possibilitassem o pagamento de suas obrigações. Assim, a prática adotada à época era fazer com que a empresa MMX Mineração e Metálicos S.A. pagasse diretamente aos fornecedores e prestadores de serviços pelas aquisições, custos e despesas da interessada. A MMX Mineração e Metálicos S.A. escriturava as movimentações através de crédito em conta bancária e a débito da conta de mútuo ativa perante a interessada, que por sua vez, efetuava os lançamentos, em sua maioria, a débito de ativo diferido ou adiantamento a fornecedores, com contrapartida a conta caixa. Complementando essa sistemática, a interessada debitava a conta Caixa e creditava a conta passiva perante a MMX Mineração e Metálicos S.A., fazendo com que a conta Caixa fosse utilizada de forma transitória e, na verdade, sem refletir a movimentação física de moeda através dos seus estabelecimentos. Entende a interessada que o procedimento de escrituração adotado é correto e admitido através do Parecer Normativo CST n° 347, de 1970; 5.3.2. Que durante a fiscalização apresentou os elementos suficientes para comprovar o lançamento de R$6.967.058,64, autuado pela fiscalização como saldo credor de caixa, a saber: (a) relação das quatro notas fiscais que correspondiam a adiantamentos a fornecedor; (b) cópias de 3 das 4 notas fiscais relacionadas; (c) extrato da MMX Mineração e Metálicos S.A. Fl. 1071DF CARF MF 6 que demonstra a saída, no dia 20/12/2006, de recursos de sua conta corrente do Banco Real, no valor de R$6.967.058,64; (d) razão da MMX Mineração e Metálicos S.A. demonstrando as movimentações efetuadas junto a conta de mútuo ativo perante a interessada; e (e) comprovantes das TED realizadas em favor da empresa ARG Ltda, referentes à diferença entre o valor das notas fiscais apresentadas e o valor do adiantamento realizado; 5.3.3. Que tais elementos não teriam sido suficientes para convencer a fiscalização, razão pela qual, visando demonstrar, de uma vez por todas, a efetividade do adiantamento realizado ao fornecedor A.R.G. Ltda, no montante de R$6.967.058,64, junta em anexo à impugnação os seguintes documentos: a) Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças, por meio dos quais é possível verificar que estava acordado entre ela e a empresa MMX Mineração e Metálicos S.A. a realização de operações de mútuo, em condições usuais de mercado, sempre que possível e necessário, visando o auxílio ao desenvolvimento de suas atividades, e que tal contrato, apesar de celebrado em 26/03/2007, ratifica e abarca, inclusive, operações realizadas no passado; b) contrato de prestação de serviços celebrado com A.R.G. Ltda para a prestação de serviços de construção civil; c) cópia das notas fiscais n°s 2432, 2444, 2456 e 2468, que foram geradas em decorrência do contrato e cujos pagamentos foram realizados em 2008, de forma parcial; d) tela do sistema de controle interno demonstrando que o adiantamento realizado à A.R.G. Ltda foi baixado mediante compensação em 4 parcelas de R$1.741.764,66 do valor de cada uma das notas fiscais elencadas; e) cópia de correspondência eletrônica interna, no qual é esclarecido que o adiantamento seria descontado em 4 parcelas a pedido da A.R.G. Ltda; e f) comprovantes dos pagamentos efetuados em 2008 à A.R.G. Ltda (transferências eletrônicas), referentes às notas fiscais 2432 e 2444; 5.3.4. Que o lançamento no valor de R$538.494,81, datado de 11/12/2006, também considerado omissão de receita por saldo credor da conta caixa, diz se referir a despesa de Laudêmio perante a Secretaria de Patrimônio da União SPU, e que apesar de o valor ter sido debitado e creditado na conta Caixa, não houve movimentação de numerário, visto que quem pagou tal valor foi a empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., conforme previsto no já mencionado Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças. Assim, a prova exigida demonstrando o trânsito físico de valores através de sua conta Caixa é uma prova impossível. Entende que a documentação apresentada no curso da ação fiscal permite visualizar que os valores foram pagos por MMX Mineração e Metálicos S.A. e que ela, ao invés de registrar em sua contabilidade apenas uma despesa contra uma obrigação contra a MMX Mineração e Metálicos S.A., optou por registrar uma entrada e saída de caixa transitória. Junta cópia do seu razão analítico, por meio do qual é possível verificar a movimentação contábil de débito e crédito através da conta caixa, conforme procedimento adotado à época, tudo em linha com o Parecer Normativo CST n° 347, de 1970; Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 5 7 5.4. Quanto aos lançamentos que ensejaram a autuação por omissões de receitas com base em passivo fictício, alega o seguinte: 5.4.1. No que diz respeito aos lançamentos contábeis a título de "Empréstimos da MMX Mineração e Metálicos S.A.", nos valores de R$1.000.000,00 e R$50.000,00, datados, respectivamente, de 23/03/2006 e 06/04/2006, alega ter apresentado durante a fiscalização cópias dos razões analíticos seus e da empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., bem como carta endereçada ao Banco Pactual, na qual a MMX Mineração e Metálicos S.A. solicita a transferência de R$900.000,00 para a conta corrente da interessada; mas que tais esclarecimentos não teriam sido suficiente para comprovar que o montante teria sido repassado pela MMX Mineração e Metálicos S.A.. Assim, a interessada faz novamente referência ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças, por meio do qual comprovaria a possibilidade de efetuar em sua escrituração os lançamentos contábeis mencionados. Além disso, apresenta juntamente com a impugnação cópias dos livros Razão das empresas envolvidas, que, segundo a interessada, deixariam claro que os recursos lhe foram entregues pela MMX Mineração e Metálicos S.A. e que comprovariam os lançamentos contábeis na conta de passivo, afastando a presunção por omissão de receitas com base em passivo fictício; 5.4.2. Com relação aos lançamentos na conta "Salários a pagar", nos valores de R$ 157.000,00 e R$ 37.000,00, que teriam sido pagos por MMX Mineração e Metálicos S.A., também alega ter apresentado durante a fiscalização cópias dos razões analíticos seus e da empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., mas que tais elementos, no entender da fiscalização, não teriam comprovado o passivo. Também neste caso a interessada reforça a argumentação relativa ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças, por meio do qual haveria a possibilidade de efetuar em sua escrituração os lançamentos contábeis mencionados, e apresenta juntamente com a impugnação cópias das telas de seus sistemas de gestão de pessoal, que, segundo ela, demonstrariam que existia a obrigação de pagamento de gratificação aos seus funcionários e assim, comprovado o passivo, afastar a presunção legal de omissão de receitas; 5.4.3. Que entende ter comprovado, durante a fiscalização, o lançamento da rubrica "Adiantamentos a fornecedores", no valor de R$4.200.000,00, em favor de U & M Mineração S.A.. Porém, não obstante os documentos apresentados, não foi este o entendimento da fiscalização, que entendeu que não estaria comprovado o adiantamento. Assim, menciona novamento o Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças, que a possibilitaria efetuar em sua escrituração os lançamentos contábeis mencionados, e apresenta com a Fl. 1073DF CARF MF 8 impugnação contrato de prestação de serviços celebrado entre ela e a U&M Mineração S.A. e primeiro aditivo ao contrato, no qual demonstra que contratou a empresa U&M Mineração S.A. para a prestação de serviços diversos de construção civil; cópia das notas fiscais n°s 1034, 1039 e 1047, oriundas do referido contrato; bem como cópia de tela de seu sistema interno de controle de títulos a pagar, na qual visa comprovar que o adiantamento realizado à U&M Mineração S.A. foi baixado mediante compensação em 3 parcelas, nos mesmos valores das notas fiscais já mencionadas; 5.5. Que a fiscalização considerou indedutíveis nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL determinados pagamentos, no valor total de R$225.695,27, sob o argumento que os mesmos não teriam sido comprovados. Contudo, sequer foi procedida à análise e comprovação, por parte da fiscalização, de que tais valores, de fato, foram escriturados como despesas operacionais e deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, entende a interessada que a falta de comprovação de que houve a dedução de tais rubricas como despesas operacionais leva à improcedência do lançamento e ainda ressalta que em relação a tais itens houve bitributação, já que tais valores foram também tributados como pagamentos sem causa, contudo sem que a Fiscalização comprovasse os efetivos pagamentos; 5.6. Que, ainda que se entenda que não houve a comprovação dos lançamentos contábeis que ensejaram a tributação por omissão de receitas (seja em razão de saldo credor de caixa ou de passivo fictício) e dos que geraram a glosa de custos no valor global de R$225.695,27, a fiscalização não poderia ter utilizado como fundamento jurídico para a constituição do crédito tributário a presunção legal de omissão de receitas ou tampouco ter glosado suas despesas, uma vez que no anocalendário de 2006 estava em fase préoperacional, situação que foi reconhecida pela própria fiscalização. Entende a interessada que na fase préoperacional não há auferimento de receitas sujeitas à tributação ou reconhecimento de despesas dedutíveis, e que caso entendesse que não foram comprovadas as despesas, deveria ter reduzido o Ativo Diferido, tal como o fez no que tange aos pagamentos classificados como remuneração indireta e pagamentos sem causa. Diz que a matéria é pacífica junto ao extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, citando jurisprudência administrativa. Complementa alertando para a necessidade de extinção dos créditos tributários do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, não havendo que se falar em ajuste no Lalur dos saldos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL; 5.7. Que a fiscalização não poderia ter tributado determinados dispêndios, tais como locação de aeronaves e veículos 4X4, a título de remuneração indireta nos termos do art. 358 do RIR/99, pois não houve a comprovação de que tais despesas foram em benefício de administradores, diretores, gerentes e seus assessores. O que se fez foi presumir o que teria que ser comprovado, ou seja, que tais gastos foram em benefício de seus administradores, gerentes e assessores. Também cita jurisprudência administrativa do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 6 9 5.8. Quanto aos valores tributados como pagamentos sem causa, a beneficiários não identificados ou por operação não comprovada, alega o seguinte: 5.8.1. Que apenas a demonstração inequívoca de que houve pagamento sem causa determinaria a aplicação da norma prevista no § 3° do art. 61 da Lei n° 8.981/95, passando a ser devido o IRRF à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada. Aduz que a fiscalização não comprovou que os lançamentos de despesas questionados foram efetivamente pagos por ela, sem contar que foram questionados lançamentos contábeis em contas de despesas sem a necessária análise de que tais pagamentos tiveram como contrapartida conta contábil de caixa ou banco, como se pode verificar nas planilhas de fls. 69/111, que possuem a coluna "contrapartida" em branco; 5.8.2. Que ainda que se entenda que a fiscalização comprovou os efetivos pagamentos, há contradição na ação fiscal, pois foram considerados sem causa pagamentos descritos como "Despesas escrituradas no ativo diferido correspondentes a despesas de outras empresas do grupo EBX até porque comprovados por meio das notas fiscais juntadas às fls. 225/234. Argumenta a interessada que a própria Autoridade Fiscal descreveu as causas das despesas incorridas, à fl. 283, como sendo referentes a despesas de outras empresas do grupo, razão pela qual não haveria como tributálas como pagamentos sem causa; 5.8.3. Que em relação a algumas glosas de custos e despesas (é citado expressamente o item 6 da autuação), além da glosa também se exigiu o IRRF à alíquota de 35% em razão de supostos "pagamentos sem causa" ou a "terceiros não identificados", o que, segundo a doutrina e a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é considerado como prática manifestamente ilegal, por configurar verdadeiro "bis in idem'"; 5.8.4. Que no passado a exigência do IRRF à alíquota de 35% prevista no § 3° do art. 61 da Lei n° 8.981/95 coexistiu com o artigo 44 da Lei n° 8.541/92, o qual previa que, "a receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica'". Entretanto, alega que este último dispositivo veio a ser revogado pelo art. 24 da Lei n° 9.249/96, representando a opção do legislador pela tributação segregada dos rendimentos das pessoas físicas e jurídicas; 5.9. Que, se alinhando com citações da doutrina, alerta para a natureza punitiva e de multa isolada do art. 61 da Lei n° 8.981/95; argumentando, por fim, sobre a impossibilidade de exigência de multa de ofício sobre a exigência do IRRF à alíquota de 35%, prevista no § 3° do art. 61 da Lei n° 8.981/95, Fl. 1075DF CARF MF 10 pois representaria incidência de multa de ofício sobre multa isolada. Cita jurisprudência administrativa sobre a matéria; 5.10. Que deve ser cancelada a cobrança dos juros com base a taxa Selic, por afrontar princípios jurídicos da Constituição Federal e do CTN; 5.11. Que é ilegal a incidência dos juros Selic sobre a parcela da multa de ofício. 6. Através da Resolução de fls. 659/660 o julgamento foi convertido em diligência, para que a Fiscalização atendesse ao seguinte: a. Apresentar documentos que comprovem que a interessada, ao apurar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2006, deduziu os custos relacionados nas planilhas de fls. 237 e 238; b. Apresentar elementos que comprovem que a interessada efetuou os pagamentos das despesas/custos relacionados nas planilhas de fls. 237, 254/256 e 262/266. 7. O resultado da diligência consta da informação fiscal de fls. 710/712, na qual a fiscalização relata, em síntese, o seguinte: 7.1. Quanto ao questionamento de que trata o item "a" da Resolução de fls. 659/660: 7.1.1. Que para comprovar que a interessada, ao apurar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2006, deduziu os custos relacionados nas planilhas de fls. 237/238, foram elaboradas as planilhas de fls. 571/574, com os lançamentos extraídos dos dois arquivos digitais apresentados à fiscalização (01/01/2006 a 13/10/2006) e (13/10/2006 a 31/12/2006), demonstrando, para cada conta envolvida, todos os lançamentos escriturados no ano de 2006, inclusive com o valor que foi transferido para o encerramento do exercício; para cada lançamento de custo questionado, suas contrapartidas; e o pagamento dos respectivos custos; 7.1.2 Que através das planilhas de fls. 575/581, contendo todos os lançamentos do dia 31/12/2006, com o histórico de "Encerramento de 2006", se verifica que os lançamentos com os saldos das contas dos custos, relacionados nas planilhas de fls. 235, tiveram como contrapartida a conta Lucro do Exercício Corrente. 7.2. Quanto ao questionamento de que trata o item "b" da Resolução de fls. 659/660: 7.2.1. Relativamente à planilha de fls. 236: Que para comprovar que a interessada efetuou os pagamentos dos custos relacionados na planilha de fls. 236, foram elaboradas as planilhas de fls. 571/574, já citadas, que demonstram, para cada custo, suas contrapartidas, bem como os lançamentos dos respectivos pagamentos. 7.2.2. Relativamente às planilhas de fls. 254/256: Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 7 11 7.2.2.1. Que para comprovar que a interessada efetuou os pagamentos das despesas/custos relacionados nas planilhas de fls. 254/256, foram elaboradas as planilhas de fls. 582/586, com os lançamentos extraídos dos dois arquivos digitais apresentados à fiscalização (01/01/2006 a 13/10/2006) e (13/10/2006 a 31/12/2006), demonstrando a) para cada lançamento de despesa/custo, suas contrapartidas; e b) os pagamentos das referidas despesas/custos. 7.2.2.2. Que através das planilhas de fls. 575/581, contendo todos os lançamentos do dia 31/12/2006 com o histórico de "Encerramento de 2006", se verifica que os lançamentos com os saldos das contas das despesas/custos relacionados nas planilhas de fls.254/256 tiveram como contrapartida a conta Diferido PréOperacional Proj. Macapá. 7.2.3. Relativamente às planilhas de fls. 262/266: Que para comprovar que a interessada efetuou os pagamentos das despesas/custos relacionados nas planilhas de fls. 262/266, foram elaboradas as planilhas de fls. 587/617, com os lançamentos extraídos dos dois arquivos digitais apresentados à fiscalização (01/01/2006 a 13/10/2006) e (13/10/2006 a 31/12/2006), demonstrando a) para cada lançamento de despesa/custo, suas contrapartidas; e b) os pagamentos das respectivas despesas/custos. 8. A interessada foi intimada do resultado da diligência em 22/07/2011, conforme AR de fl. 879, não apresentando argumentos de defesa a respeito da mesma. É o relatório.” Examinadas as razões de defesa, a Delegacia de Julgamento julgou os lançamentos parcialmente procedentes por meio de decisão assim ementada: “EMPRESA EM FASE PRÉOPERACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Durante o período que anteceder o início das operações sociais ou a implantação do empreendimento inicial, a empresa submetese às mesmas normas de tributação aplicadas às demais pessoas jurídicas, apurando seus resultados em obediência ao regime tributário por ela adotado, de acordo com a legislação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. INOCORRÊNCIA. Afastase a presunção de omissão de receitas com base na existência de saldo credor da conta caixa, se provado que determinado valor transitou de forma fictícia pelo Caixa, com lançamento a débito e a crédito no mesmo valor, uma vez que relativamente à operação não comprovada a recomposição do Fl. 1077DF CARF MF 12 saldo da conta deve recair sobre os lançamentos a débito e a crédito. Incabível a recomposição da conta Caixa pelo expurgo apenas do lançamento a débito, gerando saldo credor que, de fato, não ocorreu. PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS. Considerase comprovado o passivo se devedor e credor registraram a operação em suas respectivas contabilidades e não foi juntado aos autos qualquer elemento que desabone as respectivas escriturações. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação de custos e despesas operacionais, por meio de documentação hábil e idônea, sujeita a que tais parcelas sejam glosadas do resultado apurado. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2007 DESPESAS CONSIDERADAS REMUNERAÇÃO INDIRETA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO QUE SE DESTINAVAM A ADMINISTRADORES, DIRETORES, GERENTES E ASSESSORES. Para as despesas pagas pela pessoa jurídica sejam tributadas como remuneração indireta, é necessário que seja comprovado que as mesmas se destinavam conceder vantagens a administradores, diretores, gerentes e assessores. DESPESAS PAGAS PELA PESSOA JURÍDICA E PERTENCENTES A OUTRAS EMPRESAS DO MESMO GRUPO. DESCABIMENTO DA TRIBUTAÇÃO COMO PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Se a própria fiscalização esclarece a quem as despesas foram pagas e que se referem a outras empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, descabe a tributação do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, uma vez que foi identificada a causa e os beneficiários dos pagamentos. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Os pagamentos de despesas ou custos não comprovados documentalmente, ainda que já tenham sido objeto de glosa no resultado da pessoa jurídica, devem ser considerados pagamentos sem causa comprovada ou cujos beneficiários não foram identificados. Cabível a incidência do IRRF à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2007 Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 8 13 PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. Sendo decorrente das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ, aos lançamentos reflexos deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Já a parte dispositiva recebeu a seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 6a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I em DAR PROVIMENTO PARCIAL À IMPUGNAÇÃO, para, por unanimidade de votos: a) Julgar procedentes em parte os lançamentos do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ e da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, de modo a reduzir tanto o valor do prejuízo fiscal quanto da base negativa da CSLL apurados no exercício de 2007, anocalendário de 2006, ao montante de R$2.866.197,78; b) Julgar improcedentes os lançamentos da contribuição para o programa de integração social PIS e da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins; e c) Julgar procedente em parte o lançamento do imposto de renda retido na fonte IRRF, considerando devido o crédito tributário no valor de R$1.173.528,97, sobre o qual incidirá a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados de acordo com a variação da taxa Selic.” Como a decisão de piso exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributos e acréscimos legais em montante superior ao limite de sua alçada, a DRJ submeteu seu julgado ao reexame necessário. Já o contribuinte não interpôs recurso voluntário, informando (por meio de petições juntadas às fls. 956/957 e 1.060/1.063) que liquidou o saldo remanescente exigido por meio de compensação e pagamento. De acordo com os despachos de fls. 1006 e 1.037/1.038, os débitos remanescentes, após correção do valor correto envolvido (cf. Acórdão retificador de fls. 1.041/1.046), foram desmembrados para os processos administrativos 1615.720008/201597 e 10871.720010/201473. A presente lide, portanto, está limitada à apreciação do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1079DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Do saldo credor de caixa A fiscalização, segundo planilha de fl. 271, considerou dois lançamentos contábeis, efetuados na conta Caixa, não comprovados: (i) de R$ 6.967.058,64, efetuado em 20/12/2006; e (ii) de R$ 538.494,81, escriturado em 11/12/2006. Estes valores, então, foram considerados como receitas omitidas. A interessada esclareceu que, no ano base de 2006, estava em fase pré operacional, não gerando receitas que permitiriam quitar suas obrigações, o que a levou a contrair empréstimos com a empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., conforme Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avenças (fls. 509/518). Pelo que foi exposto na defesa, a MMX Mineração e Metálicos S.A. pagava diretamente os fornecedores da interessada, escriturando as movimentações através de débito da conta de mútuo. A contribuinte, por sua vez, registrava os lançamentos a débito de ativo diferido (ou adiantamento a fornecedores), com contrapartida a crédito da conta caixa. Em seguida debitava a conta Caixa e creditava a conta de passivo perante a MMX Mineração e Metálicos S.A.. Ou seja, pela adoção de tal procedimento, a conta Caixa figurou como uma conta meramente transitória, sem refletir a movimentação física de moeda. Nesse contexto, como bem frisou a decisão de primeira instância: “11.5.5. Com relação ao lançamento de R$6.967.058,64, a interessada apresenta, à fl. 205, extrato bancário da MMX Mineração e Metálicos S.A. que demonstra a saída, no dia 20/12/2006, de recursos de sua conta corrente do Banco Real, no valor de R$6.967.058,64. Fica evidente que tal movimentação financeira se relaciona com o adiantamento feito à empresa ARG Ltda., que prestava serviços à interessada, haja vista a coincidência entre data e, principalmente, o valor da movimentação financeira, que se revela igual ao valor do lançamento a débito na conta caixa da interessada. 11.5.6. No caso, independente da forma que a interessada escriturou a operação na conta caixa, entendo que é irrelevante que a movimentação tenha sido feita diretamente da MMX à ARG, como alega a interessada, ou que tenha efetivamente entrado os recursos na conta caixa para depois sair. Se a movimentação foi direta entre a MMX à ARG, não teria como ser comprovado o recebimento do numerário que ensejou o lançamento a débito da conta caixa, pois o mesmo não teria, de fato, ocorrido; porém, por outro lado, também não haveria que se falar em lançamento a crédito do caixa, pois a transferência Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 9 15 de recursos teria sido diretamente da MMX à ARG. Assim, seriam cancelados os lançamentos a débito e a crédito efetuados no razão da interessada, ambos no valor de R$6.967.058,64 (vide fl. 271), não alterando o saldo da conta de forma a figurar como credor. Vale lembrar que a fiscalização não esclareceu a origem do adiantamento à ARG Ltda. no valor de R$6.967.058,64, se proveniente da conta da interessada ou da MMX. 11.5.7. À fl. 204 consta também o livro razão da MMX Mineração e Metálicos S.A., demonstrando as movimentações efetuadas junto a conta de mútuo ativo perante a interessada, no qual consta o lançamento no valor de R$6.967.058,64. Há ainda outros elementos a reforçar o conjunto probatório juntado pela interessada: às fls. 567/578 constam documentos referentes aos pagamentos da interessada à ARG, demonstrando que o adiantamento realizado à A.R.G. Ltda foi baixado mediante compensação em 4 parcelas de R$1.741.764,66 do valor de cada uma das notas fiscais elencadas; cópia de correspondência eletrônica interna entre a interessada e a A.R.G. Ltda, no qual é esclarecido que o adiantamento seria descontado em 4 parcelas a pedido da A.R.G. Ltda; e comprovantes dos pagamentos efetuados em 2008 à A.R.G. Ltda (transferências eletrônicas), referentes às notas fiscais 2432 e 2444. 11.5.8. O mesmo raciocínio pode ser estendido ao lançamento a débito da conta caixa no valor de R$538.494,81, escriturado em 11/12/2006. A interessada esclarece que o valor se refere a despesa de Laudêmio perante a Secretaria de Patrimônio da União SPU, e que apesar de o valor ter sido debitado e creditado na conta Caixa, não houve movimentação de numerário, visto que quem pagou tal valor foi a empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., conforme previsto no já mencionado Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avencas e o Oitavo Aditivo ao Contrato Máster de Mútuos InterCompany e Outras Avencas. Assim, deveriam ser glosados não só o lançamento a débito, mas também o lançamento a crédito no mesmo valor, o que, mais uma vez, não geraria efeitos na conta caixa. 11.5.9. A interessada apresenta ainda comprovantes de lançamentos contábeis em sua escrituração e na escrituração da empresa MMX que são coincidentes em datas e valores com a operação, a saber: à fl. 583, o Razão da empresa MMX Mineração e Metálicos S.A., onde consta o lançamento com o histórico "Pagto ref transf num para MMX Amapá"; à fl. 212 o extrato bancário da MMX Mineração e Metálicos S.A., com saída de recurso no mesmo valor no dia 11/12/2006, com o histórico "pagamento de contas"; à fl. 580, a escrituração na conta caixa da interessada do valor de R$538.494,81 a débito e a crédito no dia 11/12/2006; o razão da interessada com o registro do passivo perante a MMX, à fls. 581; e o pagamento do laudêmio, à fl. 582.” Fl. 1081DF CARF MF 16 Como se percebe, a decisão de piso se certificou de que os lançamentos contábeis credores da conta caixa se anularam com o registro a débito na mesma conta, não havendo no que se falar em hipótese de omissão de receita por depósito bancário sem origem. Não vejo, portanto, razões para reformar a decisão nesse ponto. Do passivo fictício A fiscalização entendeu que não foram comprovados os seguintes lançamentos efetuados nas contas de Passivo no AC 2006, razão pela qual presumiu tratarse de omissão de receita: "Empréstimos da MMX Mineração e Metálicos S.A.", nos valores de R$ 1.000.000,00 e R$ 50.000,00; "Salários a pagar", nos valores de R$ 157.000,00 e R$ 37.000,00, assumidos por MMX Mineração e Metálicos S.A., e "Adiantamentos a fornecedores", no valor de R$ 4.200.000,00, também em favor de MMX Mineração e Metálicos S.A. Em sede de defesa, a contribuinte apresentou cópia do Livro Razão, bem como extrato financeiro da empresa MMX Mineração e Metálicos S.A. (fls. 213/225 e 587/589), que registram os aportes de recursos nos mesmos valores lançados em conta de passivo pela Recorrida. Ao analisar a documentação produzida pela Recorrida, assim se manifestou a decisão de primeiro grau: “11.6.4. A questão, portanto, se resume, basicamente, em determinar se as provas apresentadas pela interessada se prestam a confirmar os valores lançados no passivo. Neste sentido, vale lembrar que a avaliação do poder probatório de determinado documento pode variar de um observador para outro, sendo certo que enquanto para alguns, determinado documento pode ser suficiente para comprovar uma despesa ou lançamento em conta de passivo, para outros seriam necessários outros elementos complementares de prova. 11.6.5. Sobre a escrituração como meio de prova, convém citar os artigos 923 e 924 do RIR/99, os quais determinam que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais" e que "cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos registrados com observância do disposto no artigo anterior". Neste sentido, tem se que a escrituração do contribuinte é presumivelmente verdadeira, até prova em contrário. 11.6.6. Assim, não há como negar que relativamente a cada um dos itens do passivo considerados não comprovados pela fiscalização foi feito um lançamento contábil em cada um dos pólos envolvidos, no caso a interessada e a empresa MMX Mineração e Metálicos S.A. Foi constituido um passivo da interessada e, simultaneamente, um direito a receber da MMX. Em alguns casos a interessada juntou, inclusive, extratos bancários da MMX com lançamentos a débito em sua conta corrente, coincidentes em datas e valores com os lançamentos Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 10 17 contábeis da interessada, como, por exemplo, a cópia do extrato de fl. 22, demonstrando o débito do valor de R$4.200.000,00 da conta da MMX e a correspondência de fl. 214, em que a MMX autoriza ao Banco Pactual a efetivação de transferência do montante de R$900.000,00 em favor da interessada. 11.6.7. Portanto, para cada passivo registrado na contabilidade da interessada há um direito registrado na contabilidade da empresa da qual a mesma é devedora. Diante dos elementos das contabilidades apresentados, entendo que não há argumentos a conduzir ao entendimento de que o passivo não foi comprovado, se tanto o devedor quanto o credor registraram a operação em suas respectivas contabilidades e não foi juntado aos autos qualquer elemento que desabone as respectivas escriturações. 11.6.8. Diante do exposto, entendo que estão comprovados os valores lançados no passivo e, por conseguinte, voto pela improcedência dos lançamentos que têm como fundamento a omissão de receitas com base na existência de passivo fictício. 11.6.9. Vale lembrar que há contrato estabelecido entre as empresas envolvidas prevendo ajuda financeira mútua, conforme já abordado no item referente ao saldo credor de caixa.” De fato, a escrituração contábil, o contrato de mútuo com a empresa MMX e o extrato financeiro que identifica a transferência do numerário constituem provas hábeis para comprovar as obrigações lançadas no passivo, não havendo em que se falar em hipótese de omissão de receita. A decisão, portanto, também está correta nesse item e não merece reforma. IRRF Gastos considerados remuneração indireta A fiscalização considerou que os gastos com aluguel de táxi aéreo e de veículos, com alimentação e com a aquisição de mochila personalisada, detalhados nas planilhas de fls. 240/241, 244/245, 250/253 e 255, seriam remuneração indireta paga a beneficiário não identificado, devendo compor o valor tributável pelo IRFonte com base de cálculo reajustada. Ocorre, porém, que o fisco não comprovou que tais despesas de fato teriam sido incorridas em benefício de administradores, diretores, gerentes ou assessores da interessada, o que levou a decisão a quo a afastar a referida cobrança. Com efeito, o art. 74 da Lei n° 8.383/91 dispõe que: “Artigo 74 Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: Fl. 1083DF CARF MF 18 a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. §1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento.” Como se percebe, a aplicação desse dispositivo legal está restrita à hipótese de concessão de benefícios ou vantagens exclusivamente para pessoas que sejam enquadradas como administradores, diretores, gerente e seus assessores. Isso significa dizer que realmente caberia à fiscalização atestar e comprovar que os beneficiários dos pagamentos de fato possuíam tal qualificação. Vale dizer, constitui ônus do fisco a prova de que as despesas de veículos, aluguel e alimentação em questão foram efetivamente concedidas àquelas pessoas. Nesse caso concreto, porém, a fiscalização procedeu à tributação sem cumprir com o referido ônus probatório. E diante da ausência de comprovação de que os gastos de fato se destinaram às pessoas enquadradas como administrador, diretor, gerente ou assessores, a exigência do IRFonte enquadrada como remuneração indireta não tem como se sustentar. Dos lançamentos reflexos Os lançamentos referentes à contribuição para o PIS e COFINS tiveram como único fundamento a presunção de omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa e passivo fictício. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 11052.000554/201006 Acórdão n.º 1201001.780 S1C2T1 Fl. 11 19 Dessa forma, tendo em vista que a presunção de omissão de receitas foi afastada, também devem ser considerados improcedentes os lançamentos de PIS e COFINS, em razão da relação de causa e efeito. Já o lançamento da CSLL deve ser considerado procedente em parte, na mesma linha do que o do IRPJ. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1085DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901086/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 86 /2 01 3- 91 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901086/201391 Acórdão n.º 1302002.240 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.901086/201391 Acórdão n.º 1302002.240 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13830.901086/201391 Acórdão n.º 1302002.240 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924051/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS OBJETO DE PERDCOMP. EFEITO CASCATA. PERDCOMP.
O processo referente a Per/Dcomp relativa a créditos de saldos negativos anuais que dependem da confirmação das estimativas mensais dos tributos, devem ser apreciados posteriormente ou juntamente com aqueles que decidem sobre a compensação dessas estimativas com saldo negativos de período anteriores, uma vez que somente as estimativas efetivamente pagas e/ou cujas compensações foram homologadas podem compor o crédito de saldo negativo requerido.
Numero da decisão: 1201-001.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, que lhe davam parcial provimento, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 206.242,13. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS OBJETO DE PERDCOMP. EFEITO CASCATA. PERDCOMP. O processo referente a Per/Dcomp relativa a créditos de saldos negativos anuais que dependem da confirmação das estimativas mensais dos tributos, devem ser apreciados posteriormente ou juntamente com aqueles que decidem sobre a compensação dessas estimativas com saldo negativos de período anteriores, uma vez que somente as estimativas efetivamente pagas e/ou cujas compensações foram homologadas podem compor o crédito de saldo negativo requerido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, que lhe davam parcial provimento, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 206.242,13. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los- Relator. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS OBJETO DE PERDCOMP. EFEITO CASCATA. PERDCOMP. O processo referente a Per/Dcomp relativa a créditos de saldos negativos anuais que dependem da confirmação das estimativas mensais dos tributos, devem ser apreciados posteriormente ou juntamente com aqueles que decidem sobre a compensação dessas estimativas com saldo negativos de período anteriores, uma vez que somente as estimativas efetivamente pagas e/ou cujas compensações foram homologadas podem compor o crédito de saldo negativo requerido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos a Relatora e o Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, que lhe davam parcial provimento, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 206.242,13. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 40 51 /2 01 1- 85 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães Relatório 1. Trata o processo das Declarações de Compensação PER/DComp nº 08045.57874.230307.1.7.034994, de págs. 2/8, em que o contribuinte requer o crédito de R$1.352.063,66 de Saldo Negativo de Imposto de Contribuição Social Sobre o Lucro SN CSLL do período de apuração encerrado em 31/12/2005, para compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório págs. 9, 12/14, reconheceu o crédito de SN CSLL de R$928.172,42 e homologou parcialmente as compensações; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 15/29, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA DRJ/BEL emitiu o Acórdão nº 0126.924, de 22 de agosto de 2013, págs. 178/183, considerando improcedente a manifestação, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVA COMPENSADA COM SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. NÃO HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NO AJUSTE ANUAL. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. A não homologação de estimativa compensada com saldo de períodos anteriores implica impossibilidade de aproveitamento no ajuste anual e inexistência do direito creditório questionado. 3. Cientificado em 06/09/2013, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 27/09/2013, o recurso voluntário de págs. 188/204, acompanhado dos documentos de págs. 205/453. 4. Relata que as decisões administrativas não reconheceram R$423.891,25 de SN CSLL 31/12/2005, se devem ao não homologação das compensações das estimativas mensais de CSLL de 08 e 10/2005, declaradas nas Dcomp nº 00225.71979.300905.1.3.020207, 31006.69990.291105.1.3.025227 e 27906.21519.291105.1.3.021204, objetos dos processos administrativos nº 10880.917584/201020 e 10880.903035/200691. 5. Descreve a decisão DRJ, que negou o sobrestamento do processo até que aqueles sejam decididos e descreve a discussão em andamento relativa das Dcomp citadas, da qual este processo depende. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 4 3 6. Descreve o regime de apuração do CSLL que adota, que é de apuração anual com recolhimento de estimativas mensais, e disserta acerca da legislação e direito à compensação de SN CSLL e conclui: Estando, portanto, a análise das referidas Declarações de Compensação pendentes de julgamento, isto é, estando ainda em trâmite a discussão administrativa sobre os procedimentos realizados, é impossível se falar em não reconhecimento dessa parcela do crédito, posto que ela ainda se encontra com exigibilidade suspensa, nos exatos termos do artigo 151, III, do CTN. E mais que isso, o que se verifica no presente caso é que o resultado do julgamento final a ser proferido nos processos administrativos nº 10880.917584/201020 e 10880.903035/2006 91 não trará qualquer reflexo prático para o presente caso que não seja a homologação da compensação e extinção do crédito tributário, haja vista que: (i) havendo decisão favorável à esta Recorrente, as estimativas restarão definitivamente extintas via compensação e, portanto, aptas a dar suporte ao direito creditório ora em discussão (saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2007); ou (ii) havendo decisão desfavorável, a Recorrente será obrigada a realizar o pagamento do débitos lá indicado para compensação e não compensado (estimativa de CSLL relativa ao mês de novembro de 2007), com o que continuará a existir o lastro para o direito creditório objeto do presente processo. 7. E cita a Solução de Consulta Interna nº 18, de 13/10/2006, e Acórdãos do CARF que a aplicam, bem como decisões judiciais. Portanto, em se decidindo pelo prosseguimento desvinculado do presente processo administrativo, estarseá permitindo a ocorrência do bis in idem, porquanto, se vencida a Recorrente nos processos administrativos nº 10880.917584/201020 e 10880.903035/200691, o primeiro pagamento do tributo ocorreria por meio das cartascobrança a serem expedidas naqueles processos e, a segunda vez, neste processo, pelo não reconhecimento de tal pagamento para fins de assegurar a suficiência do direito creditório contestado nestes autos, o que não se pode permitir, sob pena de configurar bis in idem, figura jurídica amplamente rechaçada pelo nosso ordenamento. 8. E assevera a liquidez e certeza do crédito que utilizou nas compensações. Todavia, caso essa c. Turma Julgadora entenda que o fato de ainda não ter havido decisão definitiva nos processos administrativos nº 10880.917584/201020 e 10880.903035/2006 91, impediria o reconhecimento imediato da procedência do dos valores relativos às estimativas de CSLL dos meses de agosto e outubro de 2005 não confirmadas ,resultará, então, que nenhuma decisão poderá ser proferida no presente caso até o desfecho final dos processos acima referidos, por ser o presente caso verdadeira hipótese de conexão administrativa. (...) Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 5 4 Na hipótese deste E. Conselho não entender pela homologação das DCOMPs no 08045.57874.230307.1.7.034994, nos termos acima expostos ou, então, não suspender o julgamento do presente processo até o encerramento dos processos administrativos nº 10880.917584/201020 e 10880.903035/2006 91, ou, ainda, realizar o julgamento em conjunto de todos eles em razão da patente conexão, a fim de que não ocorra amesquinhamento do direito de defesa da ora Recorrente, passa se, na sequência, a demonstrar a correta extinção das estimativas de CSLL de agosto e outubro de 2005, por meio das DCOMPsdos créditos indicados no DCOMPs nos 00225.71979.300905.1.3.020207, 31006.69990.291105.1.3.02 5227 e 27906.21519.291105.1.3.021204, as quais são tratadas nos processos administrativos acima indicado. 9. E demonstra a correta extinção dos créditos de estimativas mensais de 2005, indicando de quais processos depende e explicando a tramitação e as razões de cada um deles, págs. 202/204, e conclui: Subsidiariamente, caso se conclua que não deve ser acatado o argumento desta Recorrente no sentido de que, de qualquer modo, o lastro para a inclusão da estimativa dos meses de agosto e outubro de 2005 já pode ser tido como certo e, assim, não se adentre ao mérito das compensações anteriores e desconsideradas pela Delegacia de Julgamento, é evidente que será preciso reconhecer, ao menos, que o resultado do presente processo depende diretamente do julgamento a ser proferido pela CARF nos autos dos processos administrativos nº 10880.917584/201020 e 10880.903035/200691, motivo pelo qual se espera: (i) seja determinada a suspensão do presente caso até o julgamento definitivo dos processos anteriormente referidos; ou (ii) a reunião de todos os aludidos processos administrativos, como forma de evitar a prolação de decisões contraditórias. Voto Vencido Conselheiro Eva Maria Los 10. A parcela do crédito requerido de SN CSLL 31/12/2005 não reconhecida foi de R$423.891,25, de estimativas mensais de 2005, cuja compensação não foi homologada: a. 08/2005 R$190.675,42, Dcomp nº 00225.71979.300905.1.3.020207, processo nº 10880.903035/200691; b. 10/2005 R$217.649,12, Dcomp nº 31006.69990.291105.1.3.025227, processo nº 10880.917584/201020; c. 10/2005 R$15.566,71, Dcomp nº 27906.21519.291105.1.3.021204, processo nº 10880.903035/200691. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 6 5 1 Processo nº 10880.917584/201020 11. Foi objeto de Acórdão CARF nº 1201001.645, de 11 de abril de 2017, com a seguinte decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. IRRF NÃO CONFIRMADO A retenção de Imposto de Renda na Fonte cujo direito creditório pleiteia não está comprovada por pagamentos relativos a retenções que efetuou sobre pagamentos que efetuou a outras pessoas jurídicas, por serviços prestados. SALDO NEGATIVO IRPJ. IEEF RECEITAS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Inexistindo comprovação de que parte dos rendimentos que deram origem às retenções componentes do saldo negativo 2002 foram oferecidos à tributação em 2001, mantémse a glosa. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido 12. Evidenciase que a estimativa CSLL de 10/2005, no valor deR$217.649,12, não foi extinta. 2 Processo nº 10880.903035/200691 13. Também foi objeto de Acórdão do CARF nº 1302001.418 da 1 ª Seção, 3ª Câmara, 2ª TO, em 04/06/2014, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 SALDO NEGATIVO DE LRPJ. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RECEITAS COMPUTADAS NO LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROVA. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ao restar comprovada a efetividade das retenções, e que os rendimentos a elas correspondentes foram oferecidos à tributação, ainda que em anos anteriores, em razão do regime de competência, o direito da interessada deve ser reconhecido. 14. Neste processo, os débitos de 2484 CSLL agosto e outubro/2005, foram extintos pela compensação. 3 Conclusão. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$206.242,13, cabendo homologar a compensação dos débitos declarados, até este novo limite de crédito. (assinado digitalmente) Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 7 6 Eva Maria Los Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Conforme restou comprovado, a parcela do crédito requerido a título de saldo negativo de CSLL de 31/12/2005, no valor de R$423.891,25, diz respeito às estimativas mensais apuradas no próprio ano de 2005, liquidadas por meio das seguintes compensações: 1) competência de agosto de 2005 valor de R$190.675,42, objeto da Dcomp nº 00225.71979.300905.1.3.020207 e processo nº 10880.903035/200691; 2) competência de outubro de 2005 valor de R$217.649,12, objeto de Dcomp nº 31006.69990.291105.1.3.025227 e processo nº 10880.917584/201020; e 3) competência de outubro de 2005 valor de R$15.566,71, objeto da Dcomp nº 27906.21519.291105.1.3.021204 e processo nº 10880.903035/200691. A fiscalização (acatada pela DRJ) glosou referidos montantes do total do crédito pleiteado pelo contribuinte, uma vez que sua forma de extinção – compensação – não teria sido homologada. Já o voto vencido reduziu parcialmente a exigência, afastando a cobrança relativa ao valor já homologado pelo CARF em um dos referidos processos. Nesse contexto, em que pese as mencionadas compensações de estimativas de CSLL não terem sido homologadas, fato é que inexiste evidências de que existem decisões definitivas sobre o assunto, considerando todas as instâncias e vias para a discussão. Não é difícil notar que, caso eventualmente um recurso voluntário ou especial, e até mesmo uma ação judicial eventualmente ajuizada pelo contribuinte, seja julgado procedente, a estimativa compensada deverá ser normalmente computado para fins de apuração do crédito de saldo negativo pleiteado. Também na pior das hipóteses, isto é, caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável à Recorrente, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico, devendo também ser incluída no cálculo do saldo negativo de CSLL de 2005. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano calendário de 2008 causa, ainda, o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. O que se tem, no caso, pois, é uma glosa indevida, que deve ser afastada sob pena de onerar o contribuinte diante de cobrança formulada em duplicidade. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 8 7 O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Vejase, a título exemplificativo, as ementas dos julgados abaixo: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem”. (Acórdão 1201001.054 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Luis Fabiano Alves Penteado, Sessão de 30/07/2014). “DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS COM CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DUPLA COBRANÇA. A compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive a composição do saldo negativo. Glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Mesmo que haja decisão administrativa não homologando a compensação de um débito de estimativa essa parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo”. (Acórdão nº 1803002.353 – 3ª Turma Especial, Relator Arthur Jose Andre Neto, Sessão de 23/09/2014). Nesse sentido, entendo que inexiste justificativa para a manutenção da glosa das estimativas de CSLL apuradas no ano de 2005, devendo os montantes correspondentes serem computados no crédito pleiteado pela Recorrente. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10880.924051/201185 Acórdão n.º 1201001.647 S1C2T1 Fl. 9 8 Dessa forma, voto por CONHECER do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725078/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.864
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 78 /2 01 2- 39 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10469.725078/201239 Acórdão n.º 3302003.864 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.431. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10469.725078/201239 Acórdão n.º 3302003.864 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10469.725078/201239 Acórdão n.º 3302003.864 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10469.725078/201239 Acórdão n.º 3302003.864 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10469.725078/201239 Acórdão n.º 3302003.864 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
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