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Numero do processo: 13811.721615/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PRESCRIÇÃO.
A restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave deve ser pleiteada, exclusivamente, mediante a apresentação de DIRPF retificadora, extinguindo-se o direito de pleiteá-la no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 2201-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto.
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 03/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PRESCRIÇÃO. A restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave deve ser pleiteada, exclusivamente, mediante a apresentação de DIRPF retificadora, extinguindo-se o direito de pleiteá-la no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. RECURSO NEGADO.
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DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PRESCRIÇÃO. A restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave deve ser pleiteada, exclusivamente, mediante a apresentação de DIRPF retificadora, extinguindose o direito de pleiteála no prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. RECURSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto. assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 03/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 16 15 /2 01 3- 01 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso contra acórdão 0251.016 da 9ª Turma da DRJ/BHE, de 11 de novembro de 2013, fls.49/53, que julgou improcedente a manifestação de conformidade oferecida contra pedido de restituição, referente ao ano calendário de 2007. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório da DERAT/DIORT/EQPIR PF (fls. 36/38), que indeferiu o pedido de restituição de Imposto de Renda formulado pelo contribuinte, no ato representado por sua curadora, acostado às fls. 2/3. O contribuinte pleiteou a restituição do Imposto de Renda retido sobre rendimentos auferidos no ano calendário 2007, sob o fundamento de que os valores recebidos não são tributáveis em virtude da isenção a que tem direito, por ser portador de moléstia grave prevista na Lei n. 7.713, de 1988. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo proferiu o despacho decisório, indeferindo o pleito do contribuinte. Fundamentou sua decisão ressaltando que a restituição do imposto retido só poderia ser pleiteada mediante entrega de Declaração Retificadora e que o Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007 continha as “orientações detalhadas sobre como proceder à declaração dos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis recebidos no ano de 2006.” Cientificada do Despacho Decisório em 24/05/2013, a representante legal do contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 42/43, em 11/06/2013 (AR de fl.42). Alega que o processo inicial foi protocolizado em setembro de 2012, solicitando a restituição do imposto referente aos últimos 5 anos, isto é, desde 2007. Diz que foi instruída no CAC Santo Amaro a fazer somente o processo dos 13º salários, em relação ao qual já foi atendida, e que, acerca dos demais rendimentos, deveria fazer a retificação das declarações dos anos de 2007 a 2011. As retificações foram feitas, sendo que, por desconhecimento, o campo dos rendimentos tributáveis não foi zerado. Novamente retificadas, apenas as restituições relativas aos anoscalendário Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13811.721615/201301 Acórdão n.º 2201003.005 S2C2T1 Fl. 69 3 2008 a 2011 foram devidamente recebidas. Defende que o pedido de restituição relativo ao ano calendário de 2007 foi apresentado corretamente porque só soube do “corte” deste anocalendário já em 2013, por demora do Órgão da Receita e por falha nas informações. Rebate que, “ (...) pouco importa o que diz o Manual de Preenchimento de Ajuste Anual do exercício 2007 para a declaração dos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis recebidos no ano de 2006, haja vista que o pedido referese ao ano calendário de 2007, portanto posterior.” Requer a procedência da impugnação e a restituição do imposto relativo ao ano calendário 2007, exercício 2008 Ciente da decisão em 09 de dezembro de 2013, conforme fls.55, oferece as razões de recurso de fls.58/59, em 08 de janeiro de 2014, onde informa que o pedido inicial foi protocolado em agosto de 2012, solicitando os 05 anos de direito , a partir de 2007. Comenta que no CAC Santo Amaro houve instrução para fazer somente o processo dos 13ºs salários, no qual foi solicitado celeridade devido a idade avançada do interessado (86 anos) e que foi atendido. O funcionário limitouse a dizer que fosse feita a retificação dos anos 2007 a 2011, fornecendo apenas um impresso e dizendo que era funcionário do INSS e não sabia dar mais detalhes. Assim, sem informação, repetiu os valores dos campos tributáveis da declaração, pois não havia informação de que retificar significava zerar os campos dos rendimentos, razão pela qual os mesmos foram repetidos. Reclama da falta de esclarecimento e que o fisco deveria disponibilizar atendimento pessoal personalizado. Simplesmente atender com prioridade não significa dar o atendimento às prerrogativas garantidas aos idosos pela constituição Federal, principalmente nos casos inerentes aos portadores de alienação mental, como é o caso em questão, inclusive pelo fato de que ela, representante legal do marido, também é idosa. Repete que protocolou o pedido em 26/08/2012, portanto tempestivamente. Pede que seja processada sua restituição do ano calendário de 2007. Em sorteio de 09/12/2015, fls.104, recebo o processo. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 Como anteriormente relatado tratase de pedido de restituição interposto por Elísia Rogério Félix, curadora provisória de Anésio Félix, aposentado e portador de alienação mental, desde o ano de 2006, conforme laudo de fls. 05. Em 20/03/13 a recorrente protocola o processo com vistas a ver restituído o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre proventos de aposentadoria/pensão/reforma, recebidos no ano calendário 2007, para servidor acometido por moléstia grave, nos termos do artigo 6º da Lei 7.713/88,com redação dada pelas Leis nº 8.541/92, nº 9.250/95 e nº 11.052/2004. A curadora registra que desconhecia a correta forma de declarar os rendimentos isentos devido à presença de moléstia grave. E quando tomou ciência de que deveria zerar a rubrica Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica e informar os rendimentos isentos em campo específico , não havia tempo hábil para retificar a declaração do exercício de 2007, via sistema, a razão do presente pedido. A Recorrente pleiteia se lhe restitua o valor do imposto de renda retido no ano calendário de 2007, por todo valor pago (R$39.791,84) conforme declaração retificadora de fls.27. Todavia, a declaração ali inserta encontrase com um valor de imposto a restituir de R$ 612,51. E como apontado tanto no despacho decisório quando no acórdão recorrido, a Lei n.º 7.713/88, art. 6º, incisos XIV e XXI, com redação dada pelas Leis nº 8.541/92, nº 9.250/95 e nº 11.052/2004, dispõe: (...) Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença deParkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (...)” Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 13811.721615/201301 Acórdão n.º 2201003.005 S2C2T1 Fl. 70 5 Por seu turno, a A Instrução Normativa SRF nº 900, publicada no DOU de 31/12/08, e vigente em 26/08/2012, época da transmissão da declaração retificadora do exercício 2007 (fls. 10), assim dispõe: “(...) Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; (...) Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). (...) Art. 10. Não ocorrendo a devolução prevista no art. 8º ou a dedução nos termos do art. 9º, a restituição do indébito de imposto de renda retido sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, bem como a restituição do indébito de imposto de renda pago a título de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), será requerida pela pessoa física à RFB exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF. § 1º Na hipótese de rendimento isento ou nãotributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a restituição do indébito de imposto de renda será pleiteada exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF retificadora. Nessa conformidade não há como acolher ao pedido da Recorrente, motivo pelo qual NEGO provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa MonteiroIvete 3"#)*#()$,%,3"0 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721448/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior e Paulo Mateus Ciccone.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 437 1 436 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721448/201260 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.364 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de junho de 2016 Assunto Recorrente BANCO SANTANDER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 44 8/ 20 12 -6 0 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 438 2 Relatório Trata o processo de auto de infração para cobrança do IRPJ no valor de R$ 27.395.371,20, e da CSLL no valor de R$ 9.862.333,63, ambos com multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2007. Por oportuno, transcrevo a descrição dos fatos relatada pela Delegacia de Julgamento, fls. 317/335, esclarecendo que o auto de infração aponta 03 (três) infrações, a saber: "Infração 1. Custos ou despesas não comprovadas; Infração 2. Perdas recebimento de créditos. Requisitos legais. Inobservância; Infração 3. Regime de escrituração. Inobservância. Antecipação de despesas. A respeito das infrações, consta no Termo de Constatação Fiscal: o procedimento fiscal ocorreu sobre o Banco ABN AMRO Real S/A (Banco ABN), da qual a Interessada é sucessora por incorporação. a Interessada foi intimada a detalhar o valor de OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS LINHA 30, FICHA 05B, da DIPJ2008, indicando o nome, código COSIF e os saldos das contas que compuseram este valor; em resposta, a Interessada apresentou demonstrativo analítico das contas que formaram o mencionado montante; dentre outros valores componentes deste montante estão as parcelas intituladas "DESCONTOS CONCEDIDOS", no total de R$317.159.022,85, conforme demonstrativo de fls.98; o Banco ABN informou que os lançamentos efetuados nestas contas "possuem características similares de abatimentos concedidos aos devedores na liquidação de operações de crédito". a Interessada foi intimada a identificar os descontos concedidos nas contas constantes no demonstrativo acima, de forma individualizada por devedor, título, valor, vencimento, informando para cada um deles o fundamento legal específico, nos termos do disposto nos artigos 9°. ao 12 da Lei n°.9.430/96; na ausência de resposta, foi reintimada, sem atendimento satisfatório; a Interessada foi intimada a tomar ciência da constatação pelo não atendimento das intimações anteriores e para que apresentasse os descontos concedidos de forma que pudessem ser verificados os requisitos de dedutibiilidade da Lei n°9.430/96; em resposta encaminhou a composição analítica das despesas de desconto concedido de forma individualizada por devedor, com os campos necessários para a classificação das perdas em operações de crédito do art. 9o da Lei n°.9.430/96; da análise da composição analítica apresentada pela Interessada, constatouse que do total dos "DESCONTOS CONCEDIDOS" de R$317.159.022,85, a Interessada só apresentou informações referentes a R$304.013.422,93; assim, o valor de R$13.145.599,92 não foi comprovado com a apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, dando margem à autuação deste valor, (infração 0001); Fl. 438DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 439 3 conforme Anexo "ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO ANALÍTICA APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE" às fls.114, (última coluna), dentre os valores apresentados pela Interessada deduzidos em 2007, o valor de R$87.273.407,29 referese à total da despesa indedutível por não ter preenchido os requisitos previstos nas alíneas do artigo 9°., parágrafo 1°., da Lei n°.9.430, de 1996, e não adicionada ao Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL em 2007, (falta de procedimento judicial para o recebimento da perda, infração 0002); da mesma forma, com base no mesmo anexo de fls.114, constatouse a postergação de pagamento de IRPJ e CSLL, em decorrência da antecipação de despesas, na ordem de R$38.939.785,40, deduzidas em 2007, somente dedutíveis em 2008 pelos critérios de dedutibilidade da Lei n°9.430/96, (falta de decurso de prazo, infração 0003). A Interessada tomou ciência do lançamento em 21122012, apresentando impugnação em 22012013, alegando, em síntese: inaplicabilidade dos requisitos estabelecidos pela Lei n°9.430/96 aos descontos concedidos, uma vez que trata o caso de perdas efetivas e não de perdas provisórias, sendo pacífico o entendimento da atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que os critérios prescritos no aludido diploma legal são aplicáveis apenas às perdas provisórias; a justificativa para a possibilidade de dedução imediata na hipótese prevista no parágrafo 1°., do inciso I, do artigo 9°. da Lei n°.9.430/96 é o fato de que a perda na qual já existe declaração de insolvência contra o devedor já se configurou como uma perda efetiva, não remanescendo qualquer possibilidade de recebimento do direito creditório; tanto assim é que, o mencionado artigo prevê, para outras situações nas quais ainda existe possibilidade de recebimento do direito creditório após o seu vencimento (perdas provisórias), meios de cobrança a serem comprovados como esgotados, a fim de que possa haver o registro como perda pelo credor; o segundo argumento capaz de comprovar que as prescrições contidas no artigo 9°., da Lei n°.9.430/96 se referem apenas às perdas provisórias diz respeito à impossibilidade de ingresso de ação judicial ou procedimento de cobrança administrativa para aqueles créditos cuja liquidação já foi realizada com desconto (perdas efetivas); tal conclusão tem base no fato de que, para o ingresso de qualquer tipo de ação judicial é necessária a comprovação das condições da ação, estabelecidas no artigo 3°., do Código de Processo Civil, CPC, representadas pelo interesse de agir, a legitimidade "ad causam" e a possibilidade jurídica do pedido, isso porque, a ausência de comprovação de tais requisitos implica na extinção do processo sem o seu julgamento de mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do CPC; nesse sentido, transpondo as disposições do CPC para o presente caso verificase a impossibilidade de se comprovar, por exemplo, a manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento dos direitos creditórios nos quais foram concedidos descontos para a sua liquidação, uma vez que para tais situações inexiste interesse de agir para ingresso ou manutenção de ação judicial; deveras, ao observar que a lide perdeu o seu objeto em razão da liquidação da operação de crédito, não haveria outra alternativa ao juiz senão a determinação de extinção do processo, motivo pelo qual se comprova mais uma vez que as condições estabelecidas no artigo 9°. da Lei n° 9.430/96 se aplicam exclusivamente às perdas provisórias; Fl. 439DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 440 4 a mesma lógica é aplicável para os casos onde se exige a comprovação da manutenção da cobrança administrativa para os casos onde ocorreu a liquidação da operação de crédito com descontos concedidos. Ora, a partir do momento em que ocorreu a liquidação da operação de crédito, na qual foi concedido um desconto em favor do devedor para que a obrigação fosse cumprida, é impossível exigir que a Impugnante mantenha a cobrança administrativa sobre esse mesmo devedor; de fato, seria totalmente incoerente da parte de qualquer pessoa jurídica manter os dados de seus clientes em cadastros de serviço de proteção ao crédito ou com títulos protestados em cartório sabendo que a operação já foi liquidada mediante a concessão de desconto; caso isso ocorresse, a Impugnante estaria causando aos seus clientes um dano moral, uma vez que prejudicaria a análise de crédito de seus antigos devedores com relação ao mercado de concessão de crédito, situação essa inadmissível; além disso, o CARF já se posicionou reiteradas vezes no sentido que os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na Lei n° 9.430/96 são aplicáveis apenas as perdas provisórias e não às perdas definitivas, decorrentes de descontos concedidos para a liquidação de operações de crédito; ainda que se admita que os requisitos estabelecidos pela Lei n° 9.430/96 sejam aplicáveis ao presente caso, a Fiscalização não considerou a dedutibilidade dos valores, cujos vencimentos ocorreram há mais de 5 anos, os quais estão listados às fls.143. Assim, tendo por base que a dedutibilidade dos créditos vencidos há mais de 5 anos é permitida conforme disposto no parágrafo 4°., do artigo 10, da Lei n° 9.430/96, não cabe a autuação; os descontos concedidos nos valores de R$13.145.599,92 e R$87.273.407,29, na liquidação de operações de crédito subsumemse, integralmente, ao objeto social de uma instituição financeira, conforme consta no artigo 4°. do seu contrato social, anexo, e transcrito às fls.144, sendo, portanto despesas necessárias nos termos da legislação; é preferível às instituições financeiras renegociar a dívida com os seus devedores, com o objetivo de agregar liquidez aos direito creditórios da instituição financeira, ao invés de arcar com altas despesas para a cobrança e recuperação de créditos inadimplidos; em outras palavras, a concessão de descontos para recebimento de dívidas vencidas, bem como a cessão de direitos creditórios, estão intimamente ligadas ao seu objeto social, motivo pelo qual os valores decorrentes do deságio sofrido em tais operações constituem despesas operacionais, dedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99; além disto, para parte das despesas glosadas, no montante de R$2.199.650,04, foi comprovado o cumprimento dos requisitos previstos pelo artigo 9°., da Lei n°.9.430/96, conforme faz prova a planilha ilustrativa de fls.149, de onde é possível extrair os nomes dos devedores, os valores originais das dívidas e dos descontos concedidos, bem como o ajuizamento das respectivas ações judiciais, conforme documento que anexa; tendo por base que restou comprovado que não se aplica as regras previstas no artigo 9°., da Lei n°.9.430/96, não poderia a Fiscalização alegar que os valores de até R$5.000,00, cujas perdas ocorreram a partir de julho de 2007, só poderiam ser deduzidos no anobase de 2008 e que, para os valores entre R$5.000,00 e R$30.000,00, cujas perdas se tornaram dedutíveis há mais de um ano, haveria uma parcela cuja dedutibilidade ocorreria apenas em 2008; Fl. 440DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 441 5 portanto, não cabe a alegação da Fiscalização que teria havido antecipação de despesas para 2007, que seriam dedutíveis apenas em 2008, pois, não estava obrigada a seguir os critérios previstos na Lei n° 9.430/96; ainda que se admita a ocorrência de antecipação de despesas, os cálculos utilizados pela Fiscalização não são válidos, pois, constatase a inexistência no Termo de Verificação Fiscal, bem como nos autos de infração lavrados, de memória de cálculo capaz de comprovar claramente qual foi o critério utilizado para se apurar os montantes de R$9.734.946,35 e R$ 3.504.580,69, referentes, respectivamente, aos IRPJ e à CSLL recolhidos a maior no ano calendário de 2008, bem como os valores de R$7.444.326,95 e R$2.679.957,71, referentes aos IPRJ e a CSLL apurados como pagos no anocalendário de 2007; tal fato gerou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que todos os argumentos de defesa passaram a ser baseados em presunções a respeito de como a Fiscalização elaborou os cálculos da postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL supostamente devidos; assim, quanto muito podese presumir que a Fiscalização imputou o suposto imposto pago a maior em 2008 com o montante supostamente devido no anocalendário de 2007, considerandose a multa de mora no percentual de 20%; ocorre que, caso tivesse ocorrido a antecipação de despesas, deveria a Fiscalização ter adicionado o seu montante ao lucro líquido do período de apuração em que houver ocorrida a dedução e excluílo do lucro líquido do período de competência, nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 02/96; portanto, além da ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório, os créditos tributários supostamente devidos são ilíquidos e incertos; falta de previsão legal para atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas; impossibilidade de lançamento de multas na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão; é ilegal a cobrança de juros sobre a multa. A impugnação do contribuinte foi julgada IMPROCEDENTE, cuja ementa restou consignada nos termos seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Tendo por base que as despesas, perdas e exclusões têm o condão de reduzir o lucro líquido e, conseqüentemente, o crédito tributário, é ônus da contribuinte comproválas de forma irrefutável. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem Fl. 441DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 442 6 comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Documentos hábeis e idôneos são aqueles que contêm uma prova direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa. Devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à convicção da efetiva ocorrência do fato, devendo, preferencialmente, serem subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações. DESCONTOS CONDICIONAIS. DEDUÇÃO. Descontos condicionais não encontram amparo legal para dedução por revelarem flagrante liberalidade. RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. PERDAS. DEDUTIBILIDADE. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica somente poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se forem cumpridas as regras previstas no artigo 9°., da Lei n°.9.430, de 1996. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. CÁLCULO. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL de infração constatada na autuação do IRPJ, e negado provimento à impugnação referente ao lançamento deste, negase também em relação à impugnação daquela, em virtude da relação de causa e efeito que os une. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Desta decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 443 7 Voto O contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo legal, e a sua representação é regular, e por isso dele conheço. A pesar de o contribuinte ter apresentado ao fisco a alegação de que os valores apontados, ou ao menos a grande maioria deles (304 de 317 milhões) são provenientes de DESCONTOS CONCEDIDOS, o fisco insistiu em que o contribuinte apresentasse prova de que tais despesas atenderam aos requisitos dos artigos 9o ao 12 da Lei 9.430/96, relativamente ás chamadas perdas temporárias. O contribuinte, por sua vez, por considerar que se trata efetivamente de descontos concedidos para o pagamento dos créditos, deixou de apresentar tais provas. Aliás, não haveria sentido em apresentar demonstrativos de cobrança judicial ou extrajudicial se o credito foi recebido pelo contribuinte, com desconto, mas foi. Não teria nenhum cabimento manter ação judicial de valores pagos. Por outro lado, o fisco, entendendo que não se trata de desconto incondicional, posto que o desconto concedido pelo contribuinte estava "condicionado" ao pagamento da divida, as despesas não seriam então dedutíveis. Contudo, há entendimento neste Conselho Administrativo, no qual em principio me filio, de que essa classe de descontos concedidos para o recebimento de créditos das instituições financeiras são sim dedutíveis do IRPJ e CSLL. Essa questão da dedutibilidade dos descontos concedidos para recebimento de créditos foi analisada no Acórdão 10195.469, de 26 de abril de 2006. No voto condutor a Relatora demonstra que a dedutibilidade dos descontos concedidos não se subordina às regras do art. 9º da Lei nº 9.430/96, uma vez que os descontos são perdas definitivas, e o art. 9º da Lei nº 9.430/96 trata de perdas provisórias, isto é, da possibilidade de deduzir perdas ainda não ocorridas. A conferir: Acórdão nº10195.469, de 26 de abril de 2006: “ O julgador de primeira instância (....) manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizandose como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 444 8 Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda.Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado.As disposições dos §§ 8º e 9º do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 9º da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor,mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados (perdas definitivas).De fato, o § 7º do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportálas,sendo debitadas a despesas emcaso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O parágrafo 8º do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos(conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitaçãoao devedor. Da mesma forma, o § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que, em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas.” (grifos no original) Pois bem. De duas alternativas para o caso, haverá uma: ou a) o fisco deixou de oportunizar ao contribuinte a oportunidade de fazer prova de seu alegado, ou seja, de que tais descontos efetivamente foram descontos concedidos para o recebimento de créditos, e neste caso o auto é insubsistente, ou; b) deve o presente processo baixar em diligencia para que o contribuinte tenha efetivamente a oportunidade de provar seu alegado e, caso este Conselho entenda por bem aplicar o precedente acima, reconheça os créditos efetivamente comprovados como sendo DESCONTOS CONCEDIDOS; Me parece, em atendimento ao Principio da busca da Verdade Material, mais razoável a segunda opção e é nesse sentido o meu voto. Assim sendo, proponho que o presente processo seja baixado em diligência para que a unidade preparadora: 1o) intime o contribuinte para apresentar demonstrativo relativo aos créditos cedidos a terceiros, compreendidos no presente processo, e toda a documentação, registros Fl. 444DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721448/201260 Resolução nº 1402000.364 S1C4T2 Fl. 445 9 fiscais e contábeis, que comprovem a efetividade dos descontos concedidos por ele, demonstrando claramente os pagamentos, contratos e demais documentos hábeis para tanto. 2o) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora elaborar um relatório circunstanciado sobre os fatos analisados; 3o) cientifique o sujeito passivo do resultado da diligência para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Entendo que, uma vez concluída a diligência acima, será possível julgar definitivamente o recurso interposto. É o meu voto Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 445DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10314.003768/2007-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
A multa prevista no art. 633, III, b, do RA/2002 é inaplicável ao caso por ausência de tipificação e também porque a conduta da recorrida não traduz descumprimento de requisito de controle da importação.
RECURSO ESPECIAL DA PGFN NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.523
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A multa prevista no art. 633, III, b, do RA/2002 é inaplicável ao caso por ausência de tipificação e também porque a conduta da recorrida não traduz descumprimento de requisito de controle da importação. RECURSO ESPECIAL DA PGFN NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 37 68 /2 00 7- 30 Fl. 12455DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivamente apresentado pela Fazenda Nacional, com amparo no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em face do Acórdão n° 3102001.494, de 22/05/2012, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Regimes Aduaneiros Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: PRELIMINAR – Nulidade – Cerceamento do Direito de Defesa. Não caracteriza. MÉRITO. A fiscalização apurou que parte das mercadorias importadas sob regime de drawback suspensão não foi utilizada nos produtos exportados. Foi constatado, ainda, que não houve nacionalização dos mesmos. O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Inaplicável por ausência de tipificação. Recurso Voluntário provido em parte. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão da exclusão da multa por descumprimento do controle de importações, no regime de drawback suspensão. Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma no recurso, o Acórdão nº 303 34.168, que tem a seguinte ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 11/05/1995 a 11/05/1996, 26/02/1996 a 26/02/1997 Ementa: DRAWBACK. Importações com suspensão dos tributos incidentes em virtude do regime aduaneiro especial. PRELIMINAR: Inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento de bens para seguimento do recurso nos termos do § 2° art. 33 do Decreto n° 70.235/72. INOCORRÊNCIA. Não comprovação em tempo hábil do adimplemento de compromisso do ato concessório. Exigibilidade de multa pelo descumprimento do controle administrativo das importações. Fl. 12456DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 9303003.523 CSRFT3 Fl. 714 3 Ocorrência tipificada no art. 526, IX do Regulamento Aduaneiro/1985 (Decreto n° 91.030/85) combinado com o art. 36 da Portaria DECEX nº 24/92. O acórdão recorrido decidiu por afastar a multa, sob o entendimento de que falta tipicidade à conduta do contribuinte que não comprova as importações e exportações no prazo previsto em Portaria editada pela Secretaria do Comércio Exterior, por não se enquadrar no art. 633, III, b, do Decreto nº 4.543/2002. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma conduta perpetrada pelo contribuinte no regime drawback suspensão: considerou configurada sua tipicidade, nos termos do art. 526, IX, do Decreto nº 91.030/85, cuja redação é a mesma do art. 633, III, b, do Decreto nº 4.543/2002. Dado seguimento ao recurso especial, a recorrida oferece contrarrazões, em que aponta a ausência de efetiva divergência entre os julgados em tela, por conta da ausência de tipicidade da conduta da ora recorrida; e ainda traz jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes em que a aludida multa é afastada por afrontar o princípio geral da tipicidade. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Em primeiro plano, cumpre registrar que a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma apontado está cabalmente evidenciada, na medida em que a mesma conduta do contribuinte descumprimento do prazo para comprovar o regime do drawback foi imputada pela auditoriafiscal em ambos os contenciosos administrativos e as soluções dadas pelos colegiados deste segundo grau são totalmente opostas. Quanto ao argumento da recorrida, de ausência de tipicidade de sua conduta, tal questão preliminar se confunde com o mérito do expediente, porquanto para enfrentála é necessário adentrar na análise dos fatos em cotejo com o tipo penal tributário aplicado, e bem por isso deve ser afastado o argumento por ora e enfrentado adiante neste voto. A PGFN sustenta que o descumprimento de requisito do controle da importação, constante das Portarias da Secretaria de Comércio Exterior, que regulamentam o regime de drawback, estabelecendo inclusive prazos de comprovação das importações e exportações, caracteriza hipótese legal de aplicação da multa prevista na norma do 633, III, b, do Decreto nº 4.543/2002: “Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei 37, de Fl. 12457DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 1966, art. 169 e § 6º, com a redação dada pela Lei 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: (...) b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6º, com a redação dada pela Lei 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); O tipo penal da multa aplicada, lastreado no DL nº 37/66, art. 169, III, d, também constava no RA/85 (art. 526, IX) e sempre foi bastante discutível sob o aspecto da tipificação cerrada que o direito tributário requer, inclusive dando margem a muitas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de afrontar o princípio geral da tipicidade: DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A utilização no mercado interno de insumo importado sob regime de Drawback deve ser procedida na forma do art 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91030, de 1985. O art. 526, IX não é aplicável por absoluta falta de tipificação. Recurso especial negado Acórdão CSRF/0305.332 Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando MULTA CONTROLE ADMINISTRATIVO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. PRINCIPIO DA TIPICIDADE DA NORMA LEGAL Não há que se falar em aplicação da multa capitulada no art. 526, inciso IX do RA, uma vez que a infração apontada não trouxe beneficio ao contribuinte nem sequer prejuízo ao Tesouro, sendo incabível a aplicação de multa em virtude do princípio da tipicidade da norma penal. Recurso especial negado. Acórdão CSRF/0304.215 Relator Carlos Henrique Klaser Filho Insta dizer que o Regulamento Aduaneiro atual, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, não traz mais essa previsão de multa pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, fazendo crer que essa multa, apesar de prevista no DL nº 37/66, caia em desuso, pela falta de regulamentação para cobrança. A esse passo, penso necessário aprofundar o exame das condutas da recorrida que ensejaram o lançamento da multa ora discutida, por serem, segundo a auditoriafiscal, Fl. 12458DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 9303003.523 CSRFT3 Fl. 715 5 descumprimento de um requisito de controle da importação (Relatório fiscal, fls. 230, 235 e 240): falta de atendimento do prazo para comprovar as importações e exportações vinculadas ao regime (60 (sessenta) dias da data final do Ato Concessório); falta de atendimento do prazo para comprovação das operações vinculadas ao regime e do prazo para efetivação da nacionalização de mercadoria; não houve até o presente momento qualquer registro de exportação para a comprovação do regime; Em vez de controle das importações, o sítio da Receita Federal do Brasil menciona Sistema Administrativo das Importações Brasileiras. O sistema administrativo das importações brasileiras encontrase disciplinado atualmente pela Portaria SECEX nº 23, de 14 de julho de 2011, e compreende as seguintes modalidades: a) Importações Dispensadas de Licenciamento; b) Importações Sujeitas a Licenciamento Automático; e c) Importações Sujeitas a Licenciamento Não Automático. Como se pode inferir do disciplinamento supra, controle administrativo das importações representa a autorização do governo para importar. A realização de uma importação está condicionada ao cumprimento de exigências legais e regulamentações administrativas formuladas pelos órgãos de controle nas respectivas áreas (segurança nacional, proteção à indústria nacional, proteção ao consumidor, à saúde, ao meio ambiente, à fauna e à flora, etc). Notase que a Portaria SECEX mencionada consolida em um único documento todas as normas emitidas pela SECEX sobre o tratamento administrativo das importações e exportações e sobre o regime especial de drawback. Dito isso, e voltando a atenção para as condutas da recorrida que ensejaram o lançamento da multa em discussão, temse que as faltas de atendimento de prazo para comprovação das operações vinculadas ao regime do drawback estão mais para descumprimento de requisito do regime especial de drawback do que propriamente descumprimento de controle da importação, pois que nenhum licenciamento foi glosado pela Fiscalização. Ainda nesse diapasão, vale atentar para as hipóteses mencionadas no tipo penal em aberto aplicado à recorrida, art. 633, III, b, do RA/2002, transcrito acima, uma vez que todos são requisitos de controle da importação que tem algo em comum e apontam para um possível requisito a ser descumprido. Assim é que o possível requisito a ser descumprido não está compreendido na alínea "a" do inciso III: a) pelo embarque da mercadoria depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, de mais de vinte até quarenta dias (Decreto lei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 2, e § 6o, Fl. 12459DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e Na alínea "b" do inciso II: b) pelo embarque de mercadoria antes de emitida a licença de importação ou documento de efeito equivalente (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); Nem no inciso IV: IV de dez por cento sobre o valor aduaneiro, pelo embarque da mercadoria, depois de vencido o prazo de validade da licença de importação respectiva ou documento de efeito equivalente, até vinte dias (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "a", item 1, e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o). Notasse, pois, que todas as hipóteses aventadas têm a ver com licença de importação, e nada a ver com prazos para comprovação de importações ou exportações, donde também se infere que a multa aplicada não condiz com a conduta da recorrida. No vinco do exposto, NEGO provimento ao recurso especial da PGFN. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 12460DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.101669/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE
Tendo a contribuinte protocolado tempestivamente a sua impugnação, revela-se nula a decisão proferida pelo colegiado julgador a quo, que deixou de conhecer a impugnação, por considerá-la intempestiva.
Numero da decisão: 1401-001.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a
decisão de primeira instância por considerarem a impugnação tempestiva e determinar novo julgamento para analisar as razões de mérito, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE Tendo a contribuinte protocolado tempestivamente a sua impugnação, revela-se nula a decisão proferida pelo colegiado julgador a quo, que deixou de conhecer a impugnação, por considerá-la intempestiva.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE Tendo a contribuinte protocolado tempestivamente a sua impugnação, revela- se nula a decisão proferida pelo colegiado julgador a quo, que deixou de conhecer a impugnação, por considerá-la intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância por considerarem a impugnação tempestiva e determinar novo julgamento para analisar as razões de mérito, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. Ausente justificadamente a conselheira Livia De Carli Germano. 1 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 153-154: Trata o presente processo do Auto de Infração nº 0023045 (fl. 42/63), lavrado pela DEFIC/RJ, através do qual foi consubstanciada exigência relativa à CSLL no valor de R$ 554.047,78 acrescida da multa de ofício 75% e dos juros moratórios cabíveis. A autuação resultou de procedimento de auditoria interna da DCTF na qual foi apurada “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”. O anexo Ib – Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF (fl. 49/58) discrimina os débitos informados e os pagamentos que não foram localizados. A discriminação do crédito tributário devido, código da receita, período de apuração e capitulação legal encontram-se relacionados à fl. 59. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou em 18/09/2003 a impugnação de fl. 02/09, juntamente com os documentos de fl. 10/74, na qual alega que: • Apresenta sua defesa ao Auto de Infração lavrado em 18/06/2003 (doc. 04), com ciência à autuada em 19/08/2003, com fundamento nas razões fáticas e jurídicas a seguir expostas; • Houve, na verdade, equívoco na composição dos débitos em todos os períodos exigidos, pois, claramente, os valores dos DARF foram considerados em duplicidade nos períodos em questão, o que majorou indevidamente o montante total exigido pela Fazenda Nacional; • As guias DARF relativas aos débitos exigidos foram quitadas tempestivamente, conforme os documentos em anexo. Logo, não prospera a exigência de juros calculados pela taxa Selic à exação aqui contestada; • Por seu turno, a multa de ofício exigida pela autoridade fiscal também carece de substrato fático e jurídico; • Ante os argumentos expostos, requer a autuada que seja o presente auto de infração declarado improcedente. De acordo com o Despacho de fl. 92 proferido pela DICAT/DRF RJI em 22/08/2011, foi efetuada revisão do lançamento que resultou no DARF de fl. 91 (com valor principal de R$ 517.362,81 e valor de multa de R$ 388.022,12, acrescido de juros de mora calculados até 31/08/2011). Cientificada do Despacho em 24/08/2011 (cópia do A.R. – fl. 93), apresentou a interessada em 23/09/2011 petição de fl. 2 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 108/125, juntamente com os documentos de fl. 126/137), por meio do qual argúi em síntese que: • No Despacho proferido, não houve manifestação sobre os fundamentos da defesa apresentada, não tendo sequer apresentado motivação e fundamentos jurídicos, cerceando manifestamente o direito de defesa da interessada, sendo causa de nulidade da decisão; • Da mesma forma, não houve análise das provas juntadas aos autos, vício absoluto que cerceia o direito de defesa da interessada; • Quanto ao mérito, o auto de infração lavrado em face da impugnante se funda basicamente em valores informados nas DCTF com vinculação de DARF onde “supostamente” os pagamentos não foram localizados; • Todavia, houve manifesto equívoco por parte da Fiscalização, pois, ao não reconhecer as guias DARF já recolhidas, restou por cumular indevidamente os débitos; • Além disso, a autuação não deve prosperar, pois vários débitos foram considerados em duplicidade nos períodos contestados no auto de infração, como demonstra; • Afirma ainda ser completamente descabida a aplicação da multa e dos juros no caso presente; • Protesta, outrossim, pela juntada de novos documentos, pela realização de perícia contábil e sustentação oral na ocasião do julgamento por órgão colegiado. Por meio do Despacho de fl. 141, em 17/10/2011, os autos foram encaminhados à DRJ/São Paulo para julgamento dos débitos parcialmente procedentes. Em 09/11/2011 (Despacho DRJ/RPO/SECOJ nº 0960/2011), os autos foram restituídos à DICAT/DRF RJI, por não haver informação a respeito da falta de digitalização do processo e, ainda, tendo em vista a competência para julgamento do processo caber à DRJ/Rio de Janeiro I. Os autos foram enviados para digitalização no e-Processo (Despacho de fl. 147) e, posteriormente, para a DRJ/RJ1 para julgamento. Foram juntados ao presente Processo Administrativo por esta Turma de Julgamento Consulta Postagem (fl. 149) e cópia do A.R. do Auto de Infração nº 23045 (fl. 150). A 1ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deixou de conhecer a impugnação apresentada, por intempestiva, por meio do Acórdão nº 12-45.122, que recebeu a seguinte ementa, fls. 151: 3 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Considera-se intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência do Auto de Infração. A impugnação apresentada fora do prazo legal não será apreciada, salvo se suscitada a preliminar de tempestividade. Não sendo esta acolhida, deixa-se de examinar as demais questões arguidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O citado Acórdão ressalvou o direito da contribuinte de interpor recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no tocante somente à tempestividade da impugnação. O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 11/07/2013, conforme AR de fls. 166 e apresentou recurso voluntário em 09/08/2013 (v. fls. 170-196), requerendo que este colegiado: 1 - Decrete a nulidade da decisão recorrida, a qual não conheceu da Impugnação originariamente interposta, desconsiderando os efeitos da ocorrência da "Revisão de Ofício de Lançamento", de modo que os autos sejam remetidos ao Órgão Julgador de primeiro grau para que considere a revisão de lançamento efetuada e proceda a análise do mérito dos argumentos à impugnação à revisão do lançamento, ofertada em 23/09/2011, oportunizando à Recorrente a interposição dos recursos inerentes, em conformidade com a legislação dos processos administrativos fiscais federais. 2 - Dê provimento integral ao presente Recurso acolhendo-se os fundamentos jurídicos aqui apresentados em razão do (i) pelo primado do informalismo moderado, (ii) pela ausência de prejuízo ao erário e (iii) pela vedação ao comportamento contraditório da Administração; a fim de se preservar o princípio da ampla defesa e contraditório, insculpidos no 5o , inciso LV, da CF/88, sob pena de nulidade absoluta. É o relatório. 4 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a impugnação apresentada pela recorrente foi considerada intempestiva, razão pela qual o colegiado julgador a quo não conheceu daquela peça de defesa. Em sua peça recursal, a recorrente invocou os seguintes argumentos: (a) nulidade da decisão recorrida, que não conheceu da Impugnação originariamente interposta, desconsiderando os efeitos da ocorrência da "revisão de ofício” do lançamento; (b) o primado do informalismo moderado, (c) a ausência de prejuízo ao erário e (d) a vedação ao comportamento contraditório da Administração; a fim de se preservar o princípio da ampla defesa e do contraditório. Assiste razão à recorrente. Compulsando os autos, constato que a unidade de origem, ao tomar conhecimento da primeira impugnação, procedeu, de ofício, à revisão do lançamento, eis que verificou que parte dos débitos exigidos no auto de infração original não eram procedentes. Conforme bem apontado pela recorrente, o procedimento de revisão do lançamento adotado pela Dicat-DRAUD-DRFB/RJ encontra fundamento de validade no artigo 243, incisos I e IV, da Portaria do Ministério da Fazenda n° 203/2013, que estabelece o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, verbis: Art. 243. As Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário - Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário - Secat e às Seções de Controle e Acompanhamento Tributário - Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: I - realizar as atividades de controle, cobrança e revisão do crédito tributário, inclusive do acompanhamento dos parcelamentos convencionais e especiais, no âmbito de sua competência; (...) IV - efetuar a revisão de ofício dos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, no âmbito de suas competências; Em tendo realizado a revisão do lançamento (fls. 86), a Dicat-DRAUD- DRFB/RJ tratou de abrir novo prazo de 30 dias (através da intimação realizada em 5 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 24/08/2011 - fls. 93) para que a Recorrente impugnasse o novo lançamento. E a nova impugnação foi apresentada em 23/09/2011 (protocolo da 2ª impugnação). Portanto, sua impugnação foi tempestiva. Tendo a contribuinte protocolado tempestivamente a sua impugnação, revela- se nula a decisão proferida pelo colegiado julgador a quo. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância por considerar a impugnação tempestiva e determinar novo julgamento para analisar as razões de mérito. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 6 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11050.721100/2011-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/05/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.672
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 31/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 11 00 /2 01 1- 65 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 233 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.818. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 234 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 235 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 236 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 237 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 238 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 239 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 240 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 241 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 242 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.721100/201165 Acórdão n.º 9303003.672 CSRF‐T3 Fl. 243 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13971.001177/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO NEGADA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.
Comprovada a existência de atividade vedada, não deve ser deferido o pedido de opção pelo Simples Federal.
Numero da decisão: 1302-001.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO NEGADA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Comprovada a existência de atividade vedada, não deve ser deferido o pedido de opção pelo Simples Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.001177/200772 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.878 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria Simples Federal Recorrente MOACYR DEMARCHI O ELETRECISTA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO NEGADA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Comprovada a existência de atividade vedada, não deve ser deferido o pedido de opção pelo Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 11 77 /2 00 7- 72 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 0127.179 da 2ª Turma da DRJ de Belém (PA), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano Calendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA Comprovada a existência de atividade vedada, ocorre a impossibilidade de opção ao Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio O acórdão recorrido ratificou o Ato Declaratório Executivo nº 107, de 26/08/2009, (fls.38), do Delegado da Receita Federal do Brasil de Blumenau SC, por meio do qual determinouse a exclusão da recorrente do Simples Federal (fl.33). Tal decisão fundamentouse nas disposições do art. 9°, inc. XII, alínea “f”, da Lei n° 9.317/96, com efeitos a partir de 01/01/2004, nos seguintes termos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão de obra. Consideraramse as seguintes informações contidas no relatório fiscal de fls.28/30: Com base no contrato de prestação de serviços firmado com a empresa NATIONAL STARCK & CHEMICAL INDUSTRIAL LTDA., em 01/06/1994, assim como no seu 4º aditivo contratual, datado de 01/11/2005 (fls. 12/23), MOACYR DEMARCHI ME comprometeuse a disponibilizar trabalhadores, nas funções de eletricistas, para a execução de serviços de manutenção elétrica nas dependências da contratante. Tais atividades foram realizados através de locação de mão de obra, pois, além dos serviços terem sido exclusivamente executados nas dependências da contratante e sob o comando e fiscalização desta, tinham sua remuneração ajustada em função da quantidade de horas trabalhadas, isto é, através da proporção "hora/homem" trabalhada. A intimação do acórdão da DRJ deuse em 17/12/2013, fl. 65. O recurso voluntário foi interposto em 16/01/2014, fl. 90 e subscrito pelo próprio recorrente. Documentos referentes à representação legal às fls. 67 e 68. Em suas razões de recurso, a recorrente cita os seguintes termos do objeto do contrato, com base nos quais sustenta que não havia cessão de mão de obra, em síntese: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 4 3 a) os serviços eram realizados com base em projetos, plantas, ordens de manutenção; havia documentos que definiam o que devia ser feito; os documentos indicavam as diretrizes para a realização dos serviços; não havia subordinação ao supervisor de manutenção; b) a recorrente havia sido contratada para executar serviços de manutenção elétrica no parque fabril da contratada, por seis meses; estava obrigada a refazer por sua conta e ônus os serviços não conformes, inclusive repondo os materiais perdidos; c) devia fornecer os equipamentos e ferramentas para a realização dos serviços; d) cada parte nomeava um representante para acompanhamento, coordenação e solução dos assuntos questões e problemas técnicos; e) não havia comando e fiscalização exclusivo da contratante. Apresenta algumas cláusulas do contrato citado. Apresenta decisões e doutrina. A recorrente apresenta notas fiscais de prestação de serviços com o objetivo de demonstrar que não havia exclusividade na prestação de serviços. Requer, assim, sejalhe concedida oportunidade de emendar a petição de manifestação de inconformidade e de juntar tais documentos. Ao final, requer o provimento do recurso e a inclusão no Simples. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente e está regularmente representada. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. A recorrente foi incluída no Simples Federal em 01/01/2004 (Despacho Decisório ARF/Brusque nº 06/2007 fls. 09 e 10). Foi excluída em 01/04/2007, em virtude do exercício de atividade econômica vedada (DRF Blumenau, Despacho Decisório, fls. 24/26. Passou por Diligencia Fiscal n°. 09379327 finalizada em 24/04/2007. A fiscalização foi realizada após o recebimento de pedido de restituição de retenções e recolhimentos de Contribuição Previdenciária efetuados, de 01/2004 a 12/2005, por empresa contratante, em decorrência de pagamentos por prestação de serviços de manutenção e instalação elétrica. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 5 4 Preliminarmente, a recorrente alega que seria devido o aditamento da petição de manifestação de inconformidade, com base no princípio da verdade material. Sustenta que não havia exclusividade na prestação de serviços e, por consequência, não havia cessão de mão de obra. Na tentativa de assim demonstrar, a recorrente apresenta notas fiscais de prestação de serviços de manutenção e instalação elétrica, e reparação de equipamentos elétricos emitidas em favor de contratantes. Assim, com base em tais notas fiscais e com os referidos argumentos requereu autorização para emendar a petição de manifestação de inconformidade e juntar tais documentos. Observase que a tal emenda e juntada não implicariam, por si só, novo julgamento por parte da DRJ. Na realidade, a recorrente pretende que, à vista dos referidos documentos e alegações, a DRJ profira nova decisão. No entanto, somente por meio do reexame de mérito é que seria possível obterse a reforma do acórdão recorrido, o que está sendo viabilizado por meio desse reexame em sede de recurso voluntário. Assim, voto pelo indeferimento do pedido preliminar, eis que, diz respeito ao mérito do caso, o qual passa a ser analisado em sequência. O Relatório Fiscal destaca que, em diligência presencial realizada na empresa que contratou a recorrente, constatouse que “todos os empregados da empresa Moacyr Demarch O Eletricista ficam à disposição do supervisor de manutenção elétrica nos diversos setores da empresa” contratante, Nacional Starch & Chemical Industrial Ltda. Também foi constatado que todo o material necessário para a execução dos serviços é fornecido pela contratante. Com base nessa realidade, a fiscalização concluiu que os códigos CNAE corretos e precisos para a recorrente são os seguintes que, por sua vez, estavam vedados à opção pelo Simples Federal: CNAE FISCAL (Tabela 1.0) 45411/00 – INSTALAÇÕES ELÉTRICAS a partir do início das atividades recorrente, em 01/09/1993. CNAE FISCAL (Tabela 2.0) 33139/99 – MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAIS ELÉTRICOS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE (Classe: Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos elétricos). Além desse enquadramento legal, a fiscalização concluiu que, na verdade, não se tratava de contratação de serviços, mas sim, cessão de mão de obra da recorrente para a Nacional Starch & Chemical Industrial Ltda., sobre essa conclusão destacamse os seguintes termos do Relatório Fiscal: “9. Também é vedada a opção ao SIMPLES as atividades com cessão de mãodeobra quando os empregados ficam à disposição e sob o comando da contratante dos serviços de acordo com o Parecer COSIT nº 69 de 10/11/1999, no item 4 dos fundamentos legais: 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 6 5 uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Na locação de mãodeobra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratos ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. 10. A atividade desenvolvida pela empresa MOACYR DEMARCH O ELETRICISTA em relação à contratante de serviços NATIONAL STARCH & CHEMICAL INDUSTRIAL LTDA., caracteriza cessão de mãodeobra nos termos do § 3º da Lei nº 8.212 de 24/07/1991: § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/1998) 11. De fato, são prestados serviços contínuos, com os segurados à disposição da empresa tomadora de serviços, dentro das dependências da empresa tomadora de serviços. (...) 13. De fato, verificase que no caso concreto: 13.1. O contrato estipula a execução de serviços de mãodeobra na manutenção elétrica; 13.2. A empresa locadora realiza os trabalhos sem a obrigação de executar a obra completa (não há empreitada, e sim cessão deobra); 13.3. A contratada assume a responsabilidade de contratação de empregados sob sua exclusiva responsabilidade, conforme previsto em contrato; 13.4. Os empregados contratados pela locadora ficam à disposição da tomadora; 13.5. A tomadora detém o total comando das tarefas. O Relatório Fiscal foi analisado pela DRF que ressaltou as seguintes disposições contratuais constatadas na diligência presencial realizada na referida empresa contratante: “com base no contrato de prestação de serviços firmado com a empresa NATIONAL STARCK & CHEMICAL INDUSTRIAL LTDA., em 01/06/1994, assim como no seu 4º aditivo contratual, datado de 01/11/2005 (fls. 12/23), MOACYR DEMACHI ME comprometeuse a disponibilizar trabalhadores, nas funções de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 7 6 eletricistas, para a execução de serviços de manutenção elétrica nas dependências da contratante. Tais atividades foram realizadas através de locação de mão de obra, pois, além dos serviços terem sido exclusivamente executados nas dependências da contratante e sob o comando e fiscalização desta, tinham sua remuneração ajustada em função da quantidade de horas trabalhadas, isto é, através da proporção ‘hora/homem’ trabalhada “ Além desses pontos ressaltados no Relatório Fiscal e na Decisão da DRF existem cláusulas e condições específicas no contrato firmado pela recorrente e a National Starck & Chemical Industrial Ltda. que são relevantes para a conclusão sobre esse caso, as quais transcrevemos a seguir: CLÁUSULA VIII – PESSOAL EMPREGADO PARÁGRAFO 1 – As pessoas destacadas pela CONTRATADA para execução dos serviços, deverão ser previamente indicadas a CONTRATANTE com apresentação de documentação que comprove categoricamente seu vínculo empregatício, ou autorização da CONTRATADA para prestação do serviço, sendo que desde já a CONTRATADA assume total responsabilidade pelos mesmos. PARÁGRAFO 2 – Diariamente, as pessoas destacadas para execução dos serviços pela CONTRATADA, para entrarem no parque industrial da CONTRATANTE, deverão se identificar registrando seu horário de entrada e saída em cartão ponto, sob pena de ser vedado o seu ingresso, sem que assista qualquer direito de reclamação por parte da CONTRATADA ou de alegação para rescisão deste contrato. PARÁGRAFO 3 Além disso, todos os empregados da CONTRATADA, deverão portar sempre, ou ter ao seu alcance, desde o primeiro dia de trabalho, a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), preenchida e atualizada, e o cartão de identificação de segurado da Previdência Social. CLÁUSULA X – SEGURANÇA E DISCIPLINA A CONTRATADA comprometese a fazer com que seus empregados obedeçam as normas internas da CONTRATANTE e de todas as normas de segurança de trabalho concernentes a prestação dos serviços, utilizando equipamentos de segurança necessários à execução dos serviços contratados. PARÁGRAFO 2 – Os empregados da CONTRATADA não poderão ultrapassar as demarcatórias do local determinado para execução dos serviços, as quais serão determinadas pelo Departamento de Segurança ou outro setor indicado, antes de seu início. PARÁFRAFO 3 – Todo o pessoal envolvido na execução dos serviços não poderá usar vestimentas ou tomar atitudes que afetem os bons costumes e a moral, devendo outrossim, acatar e respeitar toda e qualquer ordem da guarda de segurança Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 8 7 industrial ou outro setor da CONTRATANTE que estiver de serviços nas imediações do local demarcado para execução dos serviços. PARÁGRAFO 4 – Não será tolerado qualquer tipo de agressão física ou moral bem como brincadeiras de mau gosto entre o próprio pessoal envolvido na execução dos serviços ou entre estes e empregados ou dirigentes da CONTRATANTE. PARÁGRAFO 5 Somente será permitido ao pessoal envolvido na execução dos serviços contratados fumar nos locais pré determinados. PARÁGRAFO 6 – Somente será permitida a instalação do rancho de materiais ou uso de vestiários, instalações sanitárias, cozinha e refeitórios que forem previamente determinados pela CONTRATANTE. CLÁUSULA XII – DOCUMENTAÇÃO E ENCARGOS PARÁGRAFO 1 Todos os encargos tributários, trabalhistas, ISSQN, previdenciários e de FGTS decorrentes deste contrato, exceto aqueles que a legislação vigente impuser, expressa e compulsoriamente à CONTRATANTE, serão de inteira responsabilidade da CONTRATADA, sem que lhe assista qualquer direito a reembolso. PARÁGRAFO 2 A CONTRATADA se obriga, a proceder o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social e FGTS, calculadas e/ou descontadas sobre os salários pagos a seus empregados relativos à prestação dos serviços contratados, inclusive o seguro de acidentes de trabalho, em guia separada, em que fará menção deste fato e da qual entregará a via CONTRATANTE, imediatamente após o pagamento apresentado dos serviços prestados, todos os comprovantes dos recolhimentos do período. PARÁGRAFO 3 – A CONTRATADA assume desde já, toda responsabilidade pelas reclamatórias judiciais que seus funcionários possam arguir contra a CONTRATANTE, sendo que não havendo qualquer pronunciamento por parte da CONTRATADA a defesa será propostas pela CONTRATANTE os valores das despesas da mesma serão considerados títulos executivos contra a CONTRATADA, autorizada sua execução judicial. 4º ADITIVO 6. Todos os serviços ajustados na cláusula primeira do presente contrato serão executados por pessoal devidamente habilitado e sob a responsabilidade da "CONTRATADA", a qual não poderá, sem a expressa concordância da "CONTRATANTE", subcontratar ou transferir a terceiros as obrigações assumidas neste aditivo. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 9 8 11. A CONTRATANTE reconhece expressamente, que os funcionários da CONTRATADA não são empregados, mandatários ou procuradores da "CONTRATANTE" e, em consequência, não poderão assumir obrigações em nome dela, exceto as previstas neste aditivo, o mesmo ocorrendo com relação aos sócios da CONTRATADA. 12. Correrá por conta e exclusiva responsabilidade da CONTRATADA, todas as obrigações trabalhistas, fiscais e previdenciárias dos seus funcionários e prepostos, bem como as ações relativas a acidentes de trabalho. 13. É de responsabilidade da CONTRATADA respeitar e fazer com que seus funcionários e prepostos observem as normas e procedimentos de segurança e medicina do trabalho existentes na CONTRATANTE e aquelas em vigor através da legislação aplicável, onde se incluem as Normas Regulamentares do Ministério do Trabalho. 17. Em caso de dano causado por funcionário ou preposto da CONTRATADA à CONTRATANTE", seja por imprudência, negligência, imperícia ou dolo, a CONTRATANTE poderá descontar dos honorários pagos à CONTRATADA a importância correspondente ao dano, independentemente das medidas judiciais que poderão ser tomadas. De tais cláusulas e condições destacamse os seguintes pontos relevantes para a apreciação do caso: a recorrente estava obrigada a apresentar à empresa contratante, os nomes dos trabalhadores e seus documentos, previamente à realização de serviços nas instalações da contratante (CLÁUSULA VIII – PESSOAL EMPREGADO PARÁGRAFO 1). Essa obrigatoriedade de a contratante ter prévia ciência de quem seriam os empregados a serem disponibilizados pela contratada indica que a contratante poderia recusar empregados disponibilizados pela recorrente. Essa realidade fática, que envolve, em outras palavras, a possibilidade de a contratante direcionar à contratada o profissional que prestará os serviços de instalação e manutenção elétrica, é própria dos contratos de locação de mão de obra. Ressaltese que, a recorrente não apresentou argumento algum a esse respeito, isto é, qual teria sido, exatamente, o motivo de o contrato prever tal condição, previamente à prestação de serviços. Ainda sobre a Cláusula VIII, verificase, nos termos do Parágrafo 2o., que diariamente as pessoas destacadas para execução dos serviços pela recorrente, para entrar no parque industrial da contratante, deveriam se identificar registrando seu horário de entrada e saída em cartão ponto, sob pena de ser vedado o seu ingresso, sem que assista qualquer direito de reclamação por parte da recorrente ou de alegação para rescisão deste contrato. O registro de entrada e saída em cartão ponto, pelos empregados da recorrente, no estabelecimento da contratante, expressamente contratado, para pagamento homem/hora, indica, da mesma forma, que em realidade havia locação de mão de obra. Normalmente, as empresas meramente prestadoras dos referidos serviços, o fazem mediante emissão de ordens de serviço e não pagamento por hora trabalhada. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 10 9 Outro ponto não demonstrado pela recorrente, que contraria sua tese, refere se à cláusula XI Fiscalização, Parágrafo 1 do contrato que previa: "cada parte poderá nomear um representante legal para acompanhamento, coordenação e solução, dos assuntos, questões e problemas técnicos, e para os entendimentos sobre aspectos de qualquer natureza, atinentes aos serviços contratados." Sobre essa faculdade de nomear ou não representante específico, destacase que não há nos autos informação alguma ou prova de que realmente a recorrente constituía um interlocutor específico o que seria fundamental para se demonstrar que as tarefas não eram passadas diretamente pela contratante aos empregados da contratada. A comprovação dessa nomeação de um representante da recorrente para passar demandas aos empregados da contratada era essencial para afastar a subordinação direta desses empregados a preposto da contratante. Da mesma forma, essa providência era fundamental para se demonstrar à fiscalização, nos trabalhos in loco, que os empregados da contratada não permaneciam sob a direção e a dependência da contratante. Dizse permanência sob a direção e dependência da recorrente, também, pelo fato de a recorrente não ter apresentado (embora tenha alegado) nenhum projeto, planta, ordens de manutenção; não juntou documento algum que pudesse definir o que devia ser realizado; não há documento indique as diretrizes para a realização dos serviços. Ao contrário, as evidências colhidas pela fiscalização demonstram que a recorrente mantinha à disposição da empresa contratante, em suas dependências, trabalhadores que realizavam serviços de manutenção e instalação elétrica, além de reparos em máquinas e equipamentos elétricos, para os quais a contratante necessitava de forma permanente e sistemática dos trabalhadores da recorrente. Sobre essa permanência dos empregados da recorrente à disposição da contratante, destacase, inclusive, que havia regras para a instalação vestiários, instalações sanitárias, cozinha e refeitórios, específicos para os trabalhadores disponibilizados pela recorrente (CLÁUSULA X – SEGURANÇA E DISCIPLINA – PARÁGRAFO 6). Cotejandose tais cláusulas e condições contratuais com o Relatório Fiscal, verificase que os fatos e as ocorrências constatados in loco pelo Auditor Fiscal da RFB vão além das disposições formalmente contratadas. O dia a dia da recorrente e de seus empregados, em relação à contratante não condizem, exatamente, com os termos do contrato. A verdade material, portanto, não está em conformidade com o contrato. Notese que, na forma constatada pela fiscalização, o fato de os trabalhadores vinculados à recorrente permanecerem diariamente nas instalações da contratante, durante todo o horário comercial; por vários meses, sempre à disposição da contratante para atender a qualquer chamado para a realização de manutenção, instalação, reparação elétrica, configura cessão de mão de obra, em conformidade com as normas legais e regulamentares vigentes à época dos fatos, a seguir transcritas: Lei n° 9.317/96, com efeitos a partir de 01/01/2004, nos seguintes termos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.001177/200772 Acórdão n.º 1302001.878 S1C3T2 Fl. 11 10 XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão de obra. Parecer COSIT nº 69 de 10/11/1999, no item 4 dos fundamentos legais: 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Na locação de mãodeobra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contatar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratos ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Lei nº 8.212 de 24/07/1991: Art. 31. § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não cm a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/1998). Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário por entender que, de fato e de direito, havia entre a recorrente e a contratante em questão, relação contratual de cessão de mão de obra, a qual, nos termos das disposições legais e regulamentares retro transcritas, impede a recorrente de ser incluída no Simples, ratificandose o acórdão recorrido. É como voto. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001716/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004,2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo obscuridade no Acórdão embargado, precisa ser sanada
POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL -
A postergação de tributo pago a menor, sem considerar os acréscimos legais, será efetuada obedecendo-se à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais que deixaram de ser pagos, no caso, os juros de mora, ensejando sobre o saldo, por ventura remanescente após a aplicação da imputação proporcional, a cobrança da multa de ofício proporcional. A alteração legislativa da Lei nº 9.430/96 não retirou eficácia à imputação proporcional que ainda vige e é um procedimento válido e permitido pelo ordenamento jurídico.
Numero da decisão: 1401-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade e integrar a decisão embargada com as razões de decidir expostas no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Havendo obscuridade no Acórdão embargado, precisa ser sanada POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL A postergação de tributo pago a menor, sem considerar os acréscimos legais, será efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais que deixaram de ser pagos, no caso, os juros de mora, ensejando sobre o saldo, por ventura remanescente após a aplicação da imputação proporcional, a cobrança da multa de ofício proporcional. A alteração legislativa da Lei nº 9.430/96 não retirou eficácia à imputação proporcional que ainda vige e é um procedimento válido e permitido pelo ordenamento jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos, sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade e integrar a decisão embargada com as razões de decidir expostas no voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 16 /2 01 0- 61 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO interpostos pelo Contribuinte em que se alega obscuridade no Acórdão nº 1401000.957, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário e restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. POSTERGAÇÃO. Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária (art. 9º da Lei n. 9.430/96). Sendo a glosa feita unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, mas quando em períodos posteriores provouse nos autos que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) foram atendidas, impõese a necessidade cobrança apenas do pagamento postergado do imposto e da contribuição, na forma de juros selic, que se deu com a dedução antecipada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTITUÍDO PELO ART. 8° DA MP N° 1.807/99 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. CABIMENTO. A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Nesse sentido, tal crédito tema a mesma natureza da base negativa da CSLL, prestandose assim para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício como se base negativa ainda o fosse até limite de 30%. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para: I) Por unanimidade de votos, recompor a base de cálculo da CSLL com o aproveitamento do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, envolvendo no caso todas as infrações; II) Por maioria de votos, cancelar as infrações I, II, II para considerar Fl. 951DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401001.600 S1C4T1 Fl. 1.039 3 somente os efeitos da postergação, na forma apenas de juros de mora, calculados até 31/12 do ano em que se deu a postergação. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Victor Humberto da Silva Maizman que davam provimento integral a este item. O Contribuinte tomou ciência do referido Acórdão em 14/05/2015 e interpôs os presentes embargos no dia 19/05/2015. Em seu arrazoado, alega obscuridade do Acórdão embargado deduzido a partir da forma com que foi executado. Segundo a Embargante, o Acórdão embargado reconheceu a ocorrência de postergação integral e a necessidade de cobrança apenas de juros de mora pelo período da postergação. Não obstante, ao implementar essa decisão a Delegacia de origem, após calcular os juros de mora devidos pelo período postergado, realizou a imputação de valor pago ao valor que seria devido com esses juros, razão pela qual em lugar de exigido somente o valor desses juros, como decidido por esta C. Câmara e decorre da previsão expressa dos arts. 6°. S 7° do DL 1.598/77 e 43 da Lei n° 9.430/96. apurou um saldo de principal de IRPJ e CSLL, cujo pagamento está a exigir acrescido ainda da multa de oficio e juros de mora (vide demonstrativos anexos doc. 02). É o relatório. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos, mas para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência contradição apontada. Analisando os autos, verifiquei que assiste razão à embargante em relação à obscuridade apontada o que enseja dúvida na execução do Acórdão. É que aparentou que o Acórdão fez a liquidação e já deu a postergação integral, concluindo assim que não haveria imposto nem multa de ofício sobre saldo remanescente. Porém, agora esclarecendo e sanando a obscuridade, sem razão à embargante no que se refere à conclusão chegada por ela e, portanto, correto o procedimento executado pela autoridade executora do Acórdão. É de se ver. Quando o Acórdão enfatizou a cobrança apenas do juros de mora foi meramente para se contrapor a não cobrança da multa de mora e assim o fez considerando o valor efetivamente postergado. Por óbvio, que se o pagamento a posteriori foi a menor, sem considerar a ocorrência do juros de mora, como foi o caso, o saldo remanescente de imposto, calculado por imputação proporcional, enseja mesmo a cobrança de multa de ofício que lhe é peculiar no acompanhamento do lançamento do principal, conforme legislação de regência. Quanto ao outro questionamento de que na liquidação se utilizou a imputação proporcional e esta não existe mais, discordo da embargante. Apesar de haver ainda controvérsia sobre a matéria, em função de alteração legislativa da Lei nº 9.430/96, posiciono me no sentido de que a imputação proporcional ainda vige e é um procedimento válido permitido pelo ordenamento jurídico. A imputação proporcional nada mais é que considerar a necessidade de que os acréscimos legais também ganhem espaço proporcional ao seu montante devido no processo de amortização de um débito pago fora do prazo. A metodologia utilizada pela Receita Federal é que melhor cumpre os estritos termos da lei, seguindo o disposto no art. 163 do CTN, que comanda a vinculação da imputação à ordem crescente dos prazos de prescrição dos débitos, bem assim considerando também que os débitos não pagos em seus respectivos vencimentos devam ser acrescidos dos encargos moratórios devidos (multa e juros de mora). Sobredita metodologia de cálculo está também prevista no § 1º do art. 28 e no parágrafo único do art. 37 da Instrução Normativa nº 460, de 18/10/2004, bem assim nos outros subsequentes atos legais que a substituíram. Acrescentese que a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, estabelece parâmetros que devem ser observados nos procedimentos de compensação tributária, e autoriza a Secretaria da Receita Federal a fixar os critérios necessários para sua aplicação, como se vê pela transcrição abaixo: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401001.600 S1C4T1 Fl. 1.040 5 Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. [...] Art. 37. Na compensação de ofício, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos e encargos legais, na forma da legislação de regência, até a data: [...] Parágrafo único. A compensação de ofício do débito do sujeito passivo será efetuada obedecendose à proporcionalidade entre o principal e respectivos acréscimos e encargos legais. (Grifei) Tudo quanto foi dito aqui também é reforçado pelo Parecer PGFN/CAT/N0 74/2012, que abaixo se transcreve apenas parte relevante do seu teor com o qual concordo inteiramente: A consulta informa que as DRJs que adotam a postura atrás descrita ‐ consistente em lançar simplesmente a multa de mora sem efetuar qualquer imputação de pagamento na situação aqui em prisma ‐ invocam, em supedáneo, a interpretação que este órgão jurídico conferiu à alteração promovida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, no artigo 44 da já citada Lei n° 9.430, de 1996, e que se encontra no Parecer PGFN/CAT/CDA/N° 795/2008, de 14 de fevereiro de 2008. Cumpre, pois, examinar o tópico. O artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, acima referido, cuida, basicamente, das situações em que é cabível a aplicação de multa nos lançamentos de ofício efetuados SRFB quando constatado que o tributo não foi pago dentro do respectivo prazo. Essa multa ‐ que o jargão apelidou de multa de ofício ‐ somente incide naquela exata espécie de lançamento, no que, assim, diferencia‐se da multa de mora, cuja incidência sobre o débito não pago na data aprazada se dá, como já vimos, imediatamente e por força da própria lei, sem a necessidade da prática de qualquer ato pela autoridade administrativa. Em sua redação original, tal preceito previa a imposição da citada multa de ofício ‐nos percentuais de 75% ou de 150% (conforme tivesse havido, ou não, intuito de fraude pelo contribuinte), a incidir sobre o valor do tributo ou contribuição ‐ quando fosse constatada pelo Fisco Federal alguma das seguintes situações: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 (i) falta de pagamento ou recolhimento do tributo ou contribuição; (ii) pagamento ou recolhimento de tributo ou contribuição após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; (iii) falta de declaração; e (iv) declaração inexata. 138. Confira‐se a indigitada redação original, na parte que interessa: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Esclareçase que esse procedimento não muda se, além dos encargos da mora, outros devem incidir sobre o débito não pago no vencimento, quando assim previstos em lei. II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 19641, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo, mas sem o acréscimo de multa de mora; [...]." Importante consignar que, nesse regime, quando o débito tributário federal era pago depois do vencimento, mas sem que o contribuinte nele incluísse o valor da multa de mora ‐ que é precisamente a situação de fato objeto da consulta da SRFB ‐, o que acontecia é que, por força do inciso II do § 1° do artigo 44 retrotranscrito não havia lançamento de tributo ‐ nem, diga‐se, dos juros de mora incidentes entre a data do vencimento e a do pagamento ‐, mas apenas da multa de ofício2, a ser cobrada, como ordenado nesse inciso II, de forma isolada. Em tal regime, como se percebe, não se fazia qualquer imputação proporcional de pagamento, o que, já se vê, representava significativo distanciamento do sistema previsto no artigo 163 do CTN, por nós exposto. É certo que a falta de lançamento de resíduo de principal, de resíduo de juros de mora e de resíduo de multa de mora e de acréscimos legais sobre eles ‐ que haveria de ser feito caso efetuada a imputação proporcional de pagamento ‐, era como que "compensada" pela incidência de elevado percentual (75%, ou 150% quando houvesse fraude) que se fazia aplicar (note‐se bem) sobre o próprio valor pago do débito tributário (pago, evidentemente, após o Esses dispositivos têm o seguinte teor: "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." "Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou 1urídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." 2 Acrescida, ela, de juros de mora, nos termos do já citado § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401001.600 S1C4T1 Fl. 1.041 7 vencimento). Mesmo assim, é evidente o distanciamento desse regime em relação ao sistema imposto pelo artigo 163 do CTN em matéria de imputação de pagamento.3 Registre‐se, a latere, que essa formatação legal estava associada àquilo que se denominava imputação linear de pagamento, que se pretendia aplicável nos casos de pagamento insuficiente para saldar o débito tributário composto por mais de um elemento (em que se enquadra o caso de pagamento do débito após seu vencimento sem incluir o valor da multa de mora, que é, reitere‐se, o de que se trata na consulta que estamos examinando). Chamava‐se linear essa forma de imputação porque levava em conta o preenchimento, efetuado pelo próprio contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ele pagava, a destempo, o débito tributário. Pode‐se ver a associação entre a imputação linear e a formatação original do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, mediante o seguinte exemplo: pagando o contribuinte, em MAI 2012, a quantia de 10.000 reais, correspondente ao valor do débito tributário devido na data de vencimento (MAI 2009) ‐, sem incluir, portanto, o valor da multa de mora ‐, e escrevendo, naturalmente, 10.000 reais na linha do DARF correspondente ao principal, não se fazia, àquela época, nenhuma imputação a título de multa de mora, ou seja, considerava‐se imputado o pagamento exclusivamente ao principal, lançando‐se a multa de ofício, de 75% (ou 150%, se houvesse fraude), sobre os 10.000 reais. Tal procedimento não era ‐ insta dizê‐lo com todas as letras ‐ condizente com os ditames do artigo 163 do CTN, porque representava simples acatamento de pretendida imputação feita pelo próprio contribuinte, tendo a imputação linear, de resto, sido objeto de expresso rechaço por este órgão jurídico no Parecer PGFN/CDA/N° 1936/2005, acima referido, com conclusão no sentido da obrigatoriedade de observância da imputação proporcional (ainda que, como já dito, se tenha trilhado ali caminho interpretativo diverso daquele que aqui utilizamos). Eis, então, que, por força do artigo 14 da já referida Lei n° 11.488, de 2007, veio a se modificar radicalmente esse regime. Com a nova redação que se seu deu ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, restou suprimida, do inciso I do caput do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a expressão "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória". Desse modo, tal hipótese (que é a versada na consulta) deixou de ensejar a aplicação da prefalada multa de ofício (de 75% ou de 150%, conforme o caso), sendo, outrossim, revogado o inciso II do § 1° do mesmo artigo 44, que ordenava, como já apontamos, a cobrança de forma isolada dessa multa. Confira‐se a nova dicção do artigo 44, no trecho que interessa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica; § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Sem contar a acerba crítica que mereceu de parte da doutrina, à luz do princípio da proporcionalidade, por se tratar de elevados percentuais incidentes, como dito, sobre valor pago de débito tributário. Vide, sobre o assunto, inter alia: HUGO DE BRITO MACHADO SEGUNDO (Sanções Tributárias, às pp. 192230 da obra coletiva coordenada por HUGO DE BRITO MACHADO, Sanções Administrativas Tributárias, São Paulo: Dialética, 2004, pp. 215217) e SCHUBERT DE FARIAS MACHADO (Sanções Tributárias, às pp. 445465 da mesma obra coletiva antes referida, pp. 454455). Fl. 956DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado) II (revogado) [...]. 149. Com isso, passou ser plenamente aplicável a imputação proporcional na hipótese aqui versada, representando, assim, o novo regime importante avanço legislativo no cumprimento dos ditames do artigo 163 do CTN. Eis porque tem razão a SRFB ao afirmar, em sua consulta, que a alteração promovida no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n° 11.488, de 2007, veio viabilizar a imputação proporcional de pagamento na hipótese nela versada ‐ deixando‐se de lado a chamada "imputação linear". Dito isto, entendemos que estão respondidas as questões da Receita Federal do Brasil. É o que submeto à consideração superior. Portanto, nada a ser reparado na metodologia de imputação utilizada pela Receita Federal no tratamento da postergação e o pleito da interessada não pode ser acolhido. Por todo o exposto, ACOLHO EM PARTE os embargos apenas para sanar a obscuridade completando os seus fundamentos, mas sem lhes emprestar efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 957DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13502.001279/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/09/2011
RELAÇÃO DE ACESSORIEDADE E DEPENDÊNCIA ENTRE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO LANÇAMENTO. TODAS AS EXIGÊNCIAS LEGAIS FORAM ATENDIDAS NO LANÇAMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. REQUISITOS PRESENTES E DEMONSTRADOS. CRÉDITO DE VALOR LÍQUIDO E CERTO, POIS DETERMINADO EM LEI. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente ALLPARTS SERVICOS E COMERCIO DE PECAS MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/09/2011 RELAÇÃO DE ACESSORIEDADE E DEPENDÊNCIA ENTRE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO LANÇAMENTO. TODAS AS EXIGÊNCIAS LEGAIS FORAM ATENDIDAS NO LANÇAMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. REQUISITOS PRESENTES E DEMONSTRADOS. CRÉDITO DE VALOR LÍQUIDO E CERTO, POIS DETERMINADO EM LEI. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 79 /2 01 0- 10 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 129 2 Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 130 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.285.9020, CFL.30, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 06 e 07, com período de apuração de 01/2006 a 12/2007, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 09 e 10. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 01/10/2010, conforme AR, de fls. 66. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 71 a 77, recebida, em 03/11/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 79 a 83. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 86 a 88. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 15030.698 6ª, Turma DRJ/SDR, em 16/05/2012, fls. 89 a 99. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 07/05/2013, conforme, AR, de fls. 102. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 105, recebida, em 04/06/2013, com razões recursais, acostadas, as fls. 106 a 110, acompanhada do documento, de fls. 111 a 118. As teses recursais que podem ser sumariadas estão a seguir descritas, as que não comportam julgamento estão esclarecidas no voto. Mérito. · que o auto de infração em tela está intimamente ligado aos autos de infração 37.285.9100 e 37.285.9135, onde foram lançadas as contribuições supostamente devidas e realizada a glosa de compensação, porém tais obrigações principais inexistem, não havendo cabimento para a autuação da obrigação principal, revelase Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 131 4 descabida a imputação pelo descumprimento de obrigação acessória, devendo essa ser julgada improcedente; · que o auto de infração apresenta vícios, pois os valores considerados para apuração da multa foi genericamente informado, não estando juntados documentos que comprovem a ocorrência do fato gerador e nem identificada a pessoa física remunerada, sendo induvidoso que o auto deve estar instruído com documentos hábeis a demonstrar o fato gerador, devendo o agente lançador demonstrar detalhadamente a composição dos valores considerados; · que sendo peça acusatória o auto deve conter todos os elementos que certifiquem a materialidade da infração, bem como os valores, visando a realização da defesa, cita Alberto Xavier, Mary Elbe Gomes, apresentadose o auto de infração em desacordo com a legislação, pois não identifica a composição dos valores exigidos, havendo falta de clareza e precisão da documentação, o que viola a legalidade e inviabiliza o direito ao contraditório e à ampla defesa, cita o artigo 5º, LV, da CF, Roque Antônio Carrazza, faltando liquidez e certeza do quantum lançado, cabendo o reconhecimento da nulidade da infração; · Dos pedidos e requerimentos: a) provimento do recurso, julgando nula a infração; bem como em ordem sucessiva b) que o auto seja julgado improcedente, baixandoo nos sistemas de controle da RFB. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 123, bem como a indicou no despacho, de fls. 124. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 124 e 125. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 22/01/2015, Lote 01, fls. 126. É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 132 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 343/2015 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 133 6 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 134 7 que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Mérito. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. Não fosse isso suficiente o parágrafo único, do artigo 175, da Lei 5.172/66 estabelece, que a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias, ou seja, as obrigações acessórias existem, ainda, que a principal não subsista. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 135 8 Art. 175. omissis: I omissis; II omissis. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente Além disso, o auto de infração em tela nada ter a ver com a existência ou não das obrigações principais dos créditos 37.285.9100 e 37.285.9135, pois a infração aqui autuada é a não inclusão em folha de pagamento da remuneração prólabore do sócio, bem como dos prestadores de serviços identificados na contabilidade da empresa, conforme consta do REFISC, o que se transcreve abaixo. 5. Ao analisar as folhas de pagamentos e Livros Diários N° 010 e 011 dos anos de 2006 e 2007 a fiscalização constatou que não foram incluídos em folhas de pagamentos: 5.1. Retiradas de prólabore feitas nas competências 03/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 11/2006, 12/2006 e 01/2007 pelo sócio e lançados nos Livros Diários a débito das contas de despesa administrativa 3.02.001.0001.00001 (00415 RETIRADAS DE PROLABORE) e da conta de custo dos serviços prestados 3.01.003.02.0019 (01110RETIRADA DE PROLABORE); 5.2. Prestadores de serviços pessoas físicas e todos os valores pagos aos mesmos nas competências 01/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 07/2007. Tais valores de remunerações foram lançados nos Livros Diários a débito das contas de despesa administrativa 3.02.001.0001.00032 (00446SERVICOS DE TERCEIROSPF) e da conta de custo dos serviços prestados 3.01.003.02.0002 (01092SERVICOS DE TERCEIROSPF). Verificase dos contratos sociais, de fls. 23 a 26 e 27 a 31, respectivamente, 2001 e 2007, as informações que a seguir exponho. CONTRATO SOCIAL 2001: CLAUSULA TERCEIRA: DA GERENCIA DA SOCIEDADE A gerência da Sociedade é mantida na pessoa do Sócio Juvenal Mello Neto, que independentemente de caução e livre de prestação de contas, representará a sociedade judicial e extrajudicialmente, ativa e passivamente, podendo constituir mandatários, com a cláusula ad judicia e ad negocia. obs: a retirada prólabore está prevista no contrato social de 1990 cláusula 7, uma vez que a cláusula quinta do contrato de 2001, assim dispõe: CLÁUSULA QUINTA: Permanecem em vigor as demai:s cláusulas e condições contratuais Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 136 9 CONTRATO DE 2007 2a . O capital social é de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), divididos em 200.000 (duzentos mil) cotas de R$ 1,00 (um real) cada uma, integralizadas em moeda corrente do País, assim subscritas: JUVENAL MELLO NETO 185.000 (cento e oitenta e cinco mil) cotas, de RS 1.00 (um real) cada uma, perfazendo o total de R$ 185.000,00 (cento e oitenta e cinco mil reais). MARCELO BARBOSA MELLO 15.000 (quinze mil) cotas, de R$ 1,00 (um real) cada uma, perfazendo o total de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). 5a. A administração da sociedade cabe a todos os sócios em conjunto e/ou separadamente com os poderes e atribuições de administração, autorizado o uso do nome empresarial, vedado, no entanto, em atividades estranhas ao interesse social ou assumir obrigações seja em favor de qualquer dos cotistas ou de terceiros, bem como onerar ou alienar bens imóveis da sociedade, sem autorização do outro sócio. A simples leitura deixa claro que a sociedade por obvio é administrada por trabalhadores e como tal nos termos da legislação submetessem ao sistema do RGPS, segundo prescrição legal e assim devem estar inseridos na folha de pagamento, ainda, que específicas para a categoria de segurados. O que demonstra que, ainda, que não haja a obrigação principal por já ter sido adimplida ou por isenção ou anistia a obrigação acessória deveria ter sido cumprida. Enganase a recorrente não há motivos para a discriminação de valores nesse auto de infração, uma vez que tal auto não depende da apuração de valor algum, pois o quantum debeatrur da multa é fixo e estabelecido em lei, ou seja, cuidase de uma multa de valor tarifado pela lei, bastando a verificação de sua ocorrência para a incidência de tal valor e nada mais. O agente lançador de forma simples e clara deixou demonstrado na Relatório Fiscal da Multa, de fls. 08, essa situação. Ficou demonstrado de forma simples que o fato gerador e o pagamento de remuneração a sócio via retirada prólabore, bem como as pessoas físicas durante o período fiscalizado. No que tange aos demais segurados prestadores de serviços, conforme pagamentos localizados nos registros contábeis da empresa não se pode exigir do fisco que os identifique, pois a própria empresa diz não poder fazêlo, não cabe ao fisco identificar que a própria empresa tomadora dos serviços e ora recorrente, não é capaz de identificar. 7. Foram solicitados pela fiscalização os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados nas duas contas 3.02.001.0001.00032 (00446SERVICOS DE TERCEIROSPF) e 3.01.003.02.0002 (01092SERVICOS DE TERCEIROSPF). A empresa informou, por escrito, que não tem tais comprovantes Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 137 10 de pagamentos. Por essa razão, não foi possível identificar os prestadores de serviços pessoas físicas. (destaquei). Tal exigência implicaria em transferir ao fisco ônus do contribuinte, bem como traria um benefício indevido ao contribuinte, pois beneficiariase de seu própria inação, nos termos do artigo 186, da Lei 10.406/2002. EMEN: PROCESSUAL CIVIL.TRIBUTÁRIO.AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN.AUSÊNCIADE INDICAÇÃO DA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA E DA INFRAÇÃO DENUNCIADA. PROIBIÇÃO DO VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM. 1. Hipótese em que autorarecorrente pediu a declaração da inexistência de relação jurídica válida que possa obrigála ao pagamento da multa moratória, nos recolhimentos dos tributos federais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal e INSS que serão efetuados, com os acréscimos da correção monetária e juros moratórios, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração de não recolher na data de vencimento o tributo devido, conforme o benefício da denúncia espontânea. Defende que a Lei n. 9.430/96, art. 61, e a Lei n. 8.212/91, art. 35, teriam revogado o art. 138 do CTN ao fazerem menção à multa moratória para a hipótese de pagamentos em atraso de tributos e contribuições sociais. Não indica, contudo, os tributos objeto da denúncia espontânea. 2. Refutase a alegação de que o caso é de "tributo não declarado e não pago", pois não há nos autos qualquer menção a nenhuma das espécies tributárias nem a fatos ou atos determinados, mas apenas a vontade de ver declaradas inconstitucionais as disposições da Lei n. 9.430/96 e da Lei n. 8.212/91, que instituem a multa moratória para os casos de pagamento em atraso de tributos e contribuições sociais. Assim, em verdade, a autora recorrente pretende é uma autorização judicial, extensível a qualquer espécie delançamento tributárioe a qualquer espécie tributária, para decotaremse os valores referentes às multas moratórias de débitostributáriosjá vencidos, e que irão ser pagos. Porém, não havendo nenhuma indicação de fato, ou ato preciso, nem sobre qual espécie tributária se refere a pretensão, não há como se alegar que o caso enseja a aplicação do art. 138 do CTN. A parte recorrente não pode se beneficiar de sua própriatorpeza.Proibição do venire contra factum proprium. 3. Diante das peculiares alegações da recorrente, é importante lembrar que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária" (art. 161 do CTN) e que "denúncia espontânea da infração" enseja, no mínimo, a indicação da infração. 4. Agravo regimental não provido. AGA 200702924796AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 996102. BENEDITO GONÇALVES. STJ. PRIMEIRA TURMA. DJE DATA:03/09/2009 ..DTPB. (grifei). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13502.001279/201010 Acórdão n.º 2202003.251 S2C2T2 Fl. 138 11 O auto de infração lançado está dentro de todas as determinações legais, que regem a espécie. O presente lançamento tributário é de uma simplicidade impar, bem como sua clareza é solar e a precisão é de fácil observação. A Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA,de fls. 02, o Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 06 e 07, bem como Relatório Fiscal da Multa, de fls. 08, e, ainda, os documentos anexados, as fls. 18 a 62, deixam apresentados todos os elementos e informações exigidas pelas legislação, no que se refere ao lançamento. Assim, no presente caso inexiste qualquer empecilho ao exercício do direito da ampla defesa e do contraditório, bem como supramencionado o valor do lançamento está definido em lei é aplicado de forma clara, estando composto pelos documentos mencionados e com valor fixado por lei, o que afasta qualquer ausência de certeza e liquidez do lançamento. Com os esclarecimentos acima rejeito todos os pedidos, pois os argumentos apresentados não são suficientes, assim como não encontram guarida na legislação para alterar o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15758.000134/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
GANHO DE CAPITAL. LEGALIDADE.
Sujeita-se ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-002.987
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GANHO DE CAPITAL. LEGALIDADE. Sujeitase ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. Nos exatos termos da Súmula CARF nº 2, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 01 34 /2 00 9- 91 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 103/109, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 536.991,90, calculado até 27/02/2009. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Quanto ao Depósito bancário Possuía um salão para eventos, onde prestava serviço de Buffet e toda movimentação financeira da empresa era realizada, através de duas Contas Correntes pessoa física do Banco HSBC agência 00209, Contas nº.0000411290 e nº. 0000410951. A duas Contas Correntes tinham como objetivo a entrada do pagamento aos fornecedores do Buffet, ou seja, despesas provindas do Buffet e recebimento dos eventos, tudo pago exclusivamente com o dinheiro dos clientes contratantes. No entanto, a diferença do valor (pagamento ao serviço realizado) entre o recebido dos clientes contratantes para o pagamento dos fornecedores e das despesas do Buffet, foi informada em declaração de 2006/2005 e entregue junto a Delegacia da Receita Federal. A Receita Federal apurou o total da movimentação bancária erroneamente porque a apuração correta deveria ser sobre a diferença entre o valor depositado para pagamento dos fornecedores e das despesas e o valor correspondente a empresa de Buffet do Contribuinte. A movimentação bancária é uma mera presunção de valores, contudo não prova a aquisição de renda do Contribuinte. No entanto, a base probatória da Receita Federal se submete a avaliação da movimentação bancária, através da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, o que não tem sustentação, pois baseiase em mera declaração e indícios precários. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15758.000134/200991 Acórdão n.º 2201002.987 S2C2T1 Fl. 3 3 Os depósitos em Conta Corrente não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósito SOMENTE é admissível quando ficar comprovado o NEXO CAUSAL entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento. Cita várias jurisprudências em sua defesa. Quanto ao Ganho de Capital O Contribuinte realizou um contrato de compra e venda no valor de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinqüenta mil reais) foi considerado pela Receita Federal o valor de R$ 167.400,00 (cento e sessenta e sete mil e quatrocentos reais) totalizando um ganho a de capital de R$ 482.600, 00 (quatrocentos e oitenta e dois mil e seiscentos reais) e com o imposto devido de R$ 72.390.00 (setenta e dois mil e trezentos e noventa reais). O Contribuinte é casado sob o regime de comunhão universal de bens, com Sueli Fernandes Sobral Paulino e o imóvel pertence ao casal, entretanto o Auto de Infração determina a renda do imóvel apenas a um deles, ou seja, ao Contribuinte autuado, mas ambos tiveram o ganho de capital. O sujeito passivo do Imposto de Renda direto é aquele que obtêm um acréscimo patrimonial. Desta forma, tanto o Contribuinte como a sua esposa obtiveram o cada um a sua metade ideal. O Fiscal Federal ao elaborar o Auto de Infração autuou apenas o Contribuinte pela a venda do imóvel, omitindose em relação a esposa. A omissão do Contribuinte leva a Anulação do Auto de Infração em decorrência ao ERRO DE FATO. O Pedido Requer a nulidade do auto de infração nº 0811400/2008/003952, acolhendo: 1 O Pedido de desconsideração da movimentação bancária como Rendimento Tributável pela falta de prova; 2 O Pedido de Erro de Fato pela Omissão; 3 O Mérito. E que seja Expedida a Certidão Negativa de Débito de Pessoa Física para regulamentar a situação fiscal do Contribuinte no exercício 2006 anobase 2005, fazendo a Plena Justiça. A 11ª Turma da DRJ/SP2 julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. GANHO DE CAPITAL. Está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 24/10/2011 (fl. 207) e, em 03/11/2011, interpôs o recurso de fls. 209/248, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2005. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Em seu apelo alega o suplicante que “ ... era proprietário de um salão destinado a Eventos, onde prestavase serviços de Buffet. Todavia a movimentação financeira da empresa era realizada, através de duas Contas Correntes pessoa física do Banco HSBC agência 00209, Contas n°.0000411290 e n°.0000410951”. Assevera ainda que “... a diferença do valor (pelo pagamento ao serviço realizado do Buffet) entre o recebido dos clientes contratantes para o pagamento dos fornecedores e das despesas do Buffet, foi informada em declaração de 2006/2005 e entregue junto a Delegacia da Receita Federal”. De pronto, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 257DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15758.000134/200991 Acórdão n.º 2201002.987 S2C2T1 Fl. 4 5 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual não há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cumpre ainda esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Ademais, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Sobre a alegação de ofensa ao princípio constitucional do desenvolvimento econômico, impende anotar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme ficou assentando na Súmula CARF nº 02, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Inaplicável, também, a alegação de ofensa a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, visto que a Súmula foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Portanto, constatada a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, consoante determina o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, correta a exigência fiscal constituída nos exatos termos consagrados pelo art. 142 do CTN. Ressaltese que o recorrente, além das questões de direito mencionados em sua defesa, não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. É de se esclarecer, ainda, que independentemente da boa fé do contribuinte, a obrigação tributária é ex lege, ou seja, o laço obrigacional tributário abstrai a vontade do sujeito passivo e o vincula ao pagamento do crédito tributário correspondente. Portanto, considerando que não há qualquer lei que mitigue a responsabilidade do sujeito passivo pelo pagamento do imposto de renda, mantémse, pois, a exigência em exame. Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Alega o recorrente que é casado sob o regime de comunhão universal de bens com Sueli Fernandes Sobral Paulino; entretanto o Auto de Infração autuou apenas o contribuinte pela a venda do imóvel, omitindose em relação à esposa. Pois bem, relativamente à alegação supra, sem querer ser repetitivo, cumpre reproduzir os bem lançados fundamentos da decisão de primeira instância, que considero bastantes para afastar a pretensão do recorrente, pedindo vênia para a transcrição: Muito embora o contribuinte e o seu cônjuge terem apresentado declaração de rendimentos em separado no exercício de 2006, ano calendário de 2005, o contribuinte ora fiscalizado é quem declarou os bens comuns ao casal e como conseqüência foi exigido o imposto sobre Ganhos de Capital de conformidade com o disposto nos Arts 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142, todos no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999, mediante o lançamento de ofício, cujo imposto, aqui referido, foi apurado no formulário Ganhos de Capital e juntados às Fls.96, portanto correto levantamento como tal. De fato, de acordo com o art. 22 da IN SRF nº 84/2001, nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo e o imposto pode ser recolhido em nome de cada cônjuge, na proporção de cinquenta por cento para cada um, ou em nome de um deles, pela totalidade. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 259DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15758.000134/200991 Acórdão n.º 2201002.987 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13654.720210/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. A comprovação do pagamento incumbe ao contribuinte interessado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. A comprovação do pagamento incumbe ao contribuinte interessado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 72 02 10 /2 01 2- 17 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13654.720210/201217 Acórdão n.º 2202003.356 S2C2T2 Fl. 53 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 24), complementandoo ao final: Para Nazaré Cardoso Fausto, já qualificada nos autos, foi lavrada a Notificação de Lançamento, às fls. 11 a 14, exigindo o crédito tributário de R$ 11.924,14, atualizado até 30/11/2011. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2010 (fls. 16 a 20). Conforme informações, à fl. 12, a contribuinte, regularmente cientificada, não atendeu à intimação. Assim, procedeuse ao lançamento de ofício, pois “confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 24.089,97 ...” Cientificada da notificação em 01/06/2012 (vide fl. 21), a interessada apresentou impugnação de fl. 02, em 06/06/2012, instruída pelos elementos de fls. 05 a 07, na qual alega que os rendimentos tidos por omitidos correspondem a honorários advocatícios pagos, informados inclusive “no campo 60 nas despesas advogados conforme recibo anexo.” [original em caixa alta] Ao analisar a impugnação, fixou a DRJ em Juiz de Fora/MG, em resumo, que: ... trouxe a interessada a nota fiscal de fl. 06, emitida por Sudatti e Martins Advogados Associados, no valor de R$ 24.089,971, referente a “serviços advocatícios prestados”, bem como cópia do comprovante de depósito de fl. 07, na qual se verifica a transferência de recursos da notificada para o escritório de advocacia. Todavia, não há nos presentes autos quaisquer documentos, relativos à ação judicial, com referências aos associados do citado escritório. Notese ainda que a nota fiscal não faz referência específica a nenhum processo nem foi juntada a cópia do contrato de prestação de serviços, o que fatalmente poderia auxiliar no deslinde da questão em foco. (...) Em assim sendo, a ausência de outros elementos que caracterizem algum(ns) dos sócios de Sudatti e Martins Advogados Associados como patrono(s) no processo judicial impossibilita que o montante alegadamente pago a título de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13654.720210/201217 Acórdão n.º 2202003.356 S2C2T2 Fl. 54 3 honorários seja subtraído do valor bruto tributável decorrente da ação a ser informado na Declaração de Ajuste Anual 2010. Assim, decidiu a instância recorrida pela improcedência da impugnação. Cientificada dessa decisão em 21 de novembro de 2013 (AR na folha 30), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04 de dezembro de 2013 (protocolo na folha 32), onde repisa que recebeu, em 2009, precatórios decorrentes do processo 2007.61.26.0041150 e pagou o valor de R$ 24.089,97 a título de honorários advocatícios à empresa Suddati e Martins Advogados Associados, conforme documentação que anexa. Diz que os valores constantes de sua DIRPF/2010 estão corretos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). DA DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. A controvérsia, até aqui, cingese à questão da comprovação do pagamento de honorários advocatícios, para efeitos de dedução do montante recebido em decorrência de ação judicial. A DRJ, em primeira instância, reconhecendo a possibilidade de dedução, entendeu pela improcedência da impugnação porque reputou as provas apresentadas pela contribuinte insuficientes para levar à convicção de que o valor de R$ 24.089,97, pago aos advogados do escritório Sudatti e Martins Associados, tinha relação com o montante de R$ 80.299,90, levantado junto à Caixa Econômica Federal, em fevereiro de 2009. Juntamente com o recurso, a contribuinte traz novos documentos, dentre os quais destaco a declaração de folha 36, que complementa as informações faltantes na Nota Fiscal de folha 06, analisada pelo Julgador recorrido. Em tal declaração, firmada por Sudatti e Martins Advogados Associados (advogados João Sudatti e Aldeni Martins), os mesmos informam que a quantia de R$ 24.089,97 que lhes foi paga, conforme Nota Fiscal emitida, referese à Ação Ordinária objetivando o recebimento de aposentadoria por invalidez, pela contribuinte aqui recorrente, através do processo 2007.61.26.0041150, que tramitou pela 3ª Vara Federal de Santo André/SP. Ao final, a contribuinte recebeu, a título de prestações acumuladas, naquele processo, o montante de R$ 80.229,90. Realizei pesquisa no sítio eletrônico da Justiça Federal, Seção Judiciária de São Paulo, e verifiquei que existe o processo de nº 2007.61.26.0041150, sendo exeqüente Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13654.720210/201217 Acórdão n.º 2202003.356 S2C2T2 Fl. 55 4 Nazaré Cardoso Fausto (Advogado Audeni Martins) e executado o INSS, distribuído em 27/07/2007, com último movimento em 11/09/2009. (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/) Nas folhas 37 e seguintes, existe uma memória de cálculo feita pela Dataprev/INSS, em nome de Nazare Cardoso Fausto e referência ao mesmo processo judicial supracitado. Assim, entendo que, considerando o conjunto probatório e as evidências aqui mencionadas, de fato a contribuinte recebeu o montante de R$ 80.299,90 em decorrência de ação judicial (comprovante de levantamento emitido pela CEF na folha 07) e pagou aos advogados o valor de R$ 24.089,97 (comprovante de depósito fl. 07, nota fiscal fl. 06 e declaração fl. 36). Portanto, sua declaração de rendimentos estaria correta, nesse ponto. CONCLUSÃO. Pelo exposto, entendo comprovado o pagamento de honorários advocatícios, que são dedutíveis do montante recebido em decorrência da ação judicial, e assim VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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