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Numero do processo: 10850.001599/2007-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.052
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 76 1 75 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.001599/200726 Recurso nº 500.256 Resolução nº 2801000.052 – 1ª Turma Especial Data 13 de maio de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LUIZ AUGUSTO DURAN Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Padua Athayde Magalhaes, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Carlos Cesar Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, e Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 35/37, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente de glosa do valor de R$ 24.601,06, indevidamente deduzido a título de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal. Na descrição dos fatos de fls. 36 foi ressaltado que a respectiva dedução prescinde de processo judicial de divórcio, e que neste caso o contribuinte Fl. 155DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.001599/200726 Resolução n.º 2801000.052 S2TE01 Fl. 77 2 e sua companheira admitem viver em regime de união estável. Foi apurado um imposto suplementar de R$ 4.629,79 mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01/13, juntamente com os documentos de fls. 14/34, acatada como tempestiva, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 42): 1 um dos princípios administrativos é o da legalidade; 2 ocorrendo a separação do casal, ou mesmo dentro do lar, a falta de assistência material obriga a prestação de alimentos; 3 o art. 24, da Lei 5.478/68 possibilitou ao devedor de alimentos tomar a iniciativa e judicialmente oferecer alimentos; 4 a oferta de alimentos não é uma das causas de rompimento da sociedade conjugal; 5 não existe disposição legal que subordine o pedido de alimentos a circunstância de estarem os cônjuges efetivamente separados de fato. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/São PauloII julgou o lançamento procedente (fls. 41/46), nos termos da ementa a seguir reproduzida: PENSÃO ALIMENTÍCIA AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS ART 24, DA LEI 5.478/68 CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM O CÔNJUGE E FILHOS NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Pagamentos realizados em virtude de acordo homologado judicialmente, nos autos de Ação de Oferta de Alimentos, conforme previsão contida no art. 24, da Lei 5.478/68, quando a pessoa responsável pelo sustento da família não deixe a residência comum, não possuem natureza de obrigação de prestar alimentos e, portanto, não podem ser utilizados para a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, como pensão alimentícia. Tais pagamentos são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro entre os cônjuges e entre estes e os filhos e não do dever obrigacional de prestar alimentos. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Aquele órgão julgador entendeu que é inerente à natureza dos alimentos que a unidade familiar tenha se rompido e que o responsável pelo sustento do lar tenha se ausentado Fl. 156DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.001599/200726 Resolução n.º 2801000.052 S2TE01 Fl. 78 3 da residência comum, pois, do contrário, não se pode dizer que se trata de prestações alimentares, mas sim de obrigações próprias entre os pais e os filhos e entre os cônjuges. Considerou que, no presente caso, por estar mantida a unidade familiar e não caracterizada, conforme estabelecido pelo art. 24, da Lei n° 5.478/68, a saída da residência do responsável pelo sustento da família, mas sim uma mera transferência profissional de uma cidade para outra, as despesas a que o contribuinte faz jus para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda são aquelas inerentes aos deveres familiares, quais sejam: dedução com os dependentes (cônjuge, filhos etc), despesas médicas e despesas com instrução por serem estas mais específicas. E que o fato de existir a homologação judicial do acordo não altera a natureza de suas despesas, em razão de não ter havido saída efetiva nem tampouco o animus de o contribuinte deixar a residência em comum com sua família. Diante dos argumentos acima expostos concluiu que são estas características do fato concreto em exame que demonstram, às claras, que os pagamentos efetuados não possuem a natureza própria das despesas com pensão alimentícia e não podem se beneficiar de deduções irrestritas da base de cálculo do imposto. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 13/07/09, fls. 50, o interessado apresentou o Recurso de fls. 51/66, juntamente com os documentos de fls. 67/75, alegando que: a) desde a data de 19 de julho de 2001 não mais voltou a viver em união estável com Renata Aparecida Quiles Aguilar e que, não havendo litígio entre as partes e nem pendência a respeito dos bens a serem partilhados, decidiu o casal de comum acordo pela separação, não julgando necessário recorrer ao Poder Judiciário, haja vista já existir homologação judicial acerca dos alimentos a serem prestados pelo alimentante às alimentadas; b) as verbas em questão enquadramse no conceito de pensão alimentícia, sendo que existe decisão judicial determinado o seu pagamento e o respectivo desconto na folha de pagamento do alimentante em prol dos alimentados, com base no art. 16 da Lei n° 5.478/68, e que o descumprimento de ordem judicial caracteriza crime de desobediência, sujeito à prisão; c) a Receita Federal enganase ao tentar interpretar que o termo "deixar a residência", utilizada no artigo 24 da citada lei, que significa o rompimento da convivência (sic), pois a lei não menciona que será preciso explicar o motivo pelo qual o responsável pelo sustento está deixando ou afastandose do lar, bem como também a Receita não pode questionar uma decisão judicial, pois, se assim o fizer, estará cometendo crime de desobediência; d) um dos princípios administrativos é o da legalidade, e o agente público está impedido de criar hipóteses de incidência para que haja tributação, o que só a lei pode fazer; Fl. 157DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.001599/200726 Resolução n.º 2801000.052 S2TE01 Fl. 79 4 e) a oferta de alimentos não se constitui em uma das causas de dissolução da sociedade, como pode ser observado pela leitura do art. 1.571 do Código Civil; f) não há disposição legal que subordine o pedido de alimentos a circunstâncias de estarem os cônjuges efetivamente separados de fato; g) os valores pagos a título de pensão alimentícia neste caso não se tratam de mera liberalidade, mas sim por ordem do Poder Judiciário, decorrentes de acordo homologado judicialmente; h) as pensões pagas por liberalidade, no entendimento da Receita Federal, são aquelas em que não há decisão judicial ou acordo homologado judicialmente; i) o Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda já decidiu que a pensão alimentícia, para fins de imposto de renda, caracterizase pela quantia recebida pelo donatário, em acordo judicial, e glosas de deduções a título de pensão alimentícia devem ser invalidadas, desde que a dedução tenha ocorrido em cumprimento de decisão judicial, tendo citado acórdãos nesse sentido; j) o Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda já decidiu que que as importâncias pagas a título de pensão, inclusive a prestação de alimentos provisórios, ou seja, aqueles decorrentes da Lei 5.478/68, em face de normas do Direito de Família ou as admissíveis pela Lei Civil, sempre em decorrência de decisão ou acordo judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. k) o regime de união estável em que vivia com Renata Aparecida Quiles Aguilar se desfez há mais de cinco anos e, portanto, os almentos pagos, decorrentes da decisão judicial, são legítimos e constantes; l) que há comprovação e previsão legal para a dedução da pensão alimentícia de imposto de renda, prevista dentro do Direito de Família e, neste caso, a interpretação acerca da natureza dos alimentos pagos por ele, por se tratar de um conceito do direito privado, cabe, exclusivamente ao Juiz de Direto e não ao funcionário público (auditor), a análise judicial, nos termos dos arts. 108 e 109 do CTN, que, segundo seu entendimento, admitem a interpretação por autoridade competente somente em matéria tributária; m) solicita a análise da cópia de acórdão n° 1725.601 da 8a Turma da DRJ/SPOH, anexada ao recurso, referente ao processo n° 13855.002404/200622, afirmando que naquele caso a pessoa é casada e vive sob o mesmo teto, o que não é o seu caso; Diante do exposto acima requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal em discussão. É o Relatório. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.001599/200726 Resolução n.º 2801000.052 S2TE01 Fl. 80 5 Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima Como não consta a data de recebimento do recurso, consideroo tempestivo, e, por atender as demais condições de admissibilidade, merece ser conhecido. A dedução dos pagamentos relativos à pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF está prevista no art. 4°, II, da Lei n° 9.250/95, que constitui a matriz legal do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 – RIR/99, in verbis: Decreto n° 3.000/99 – RIR/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Assim, para que faça jus à dedução acima, o contribuinte deve provar que a pensão alimentícia é decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que os valores pagos a esse título foram desembolsados. O primeiro dos dois requisitos acima mencionados encontrase atendido, posto que o interessado anexou cópia da petição inicial relativa à ação consensual de fixação de alimentos (fls. 16/18), e do Ofício de fls. 27, em que consta ter sido homologado judicialmente o valor da pensão alimentícia em 66% dos rendimentos líquidos do contribuinte. Convém Fl. 159DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10850.001599/200726 Resolução n.º 2801000.052 S2TE01 Fl. 81 6 ressaltar que a aludida pensão foi estabelecida em face das normas do Direito de Família, pois fundamentada no art. 24 da Lei n° 5.478/68, que dispõe sobre ação de alimentos, in verbis: Lei n° 5.478/68 Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimentos a que está obrigado. Todavia, em relação ao segundo requisito essencial para a dedução a título de pensão alimentícia, a comprovação dos respectivos desembolsos, não há como afirmar, com certeza, que o interessado não o atendeu, pois não consta nos autos qualquer intimação nesse sentido. Diante do exposto acima os autos devem retornar à repartição de origem a fim de que a fiscalização intime o contribuinte a comprovar o pagamento da pensão alimentícia no ano de 2004. Por tais razões, voto por converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 160DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721613/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. EFEITOS INFRINGENTES. INOCORRÊNCIA
Acolhem-se em parte os embargos declaratórios, apenas para integrar os fundamentos omissos, quando as omissões constatadas não tiverem o condão de alterar a decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-001.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada, com as razões de decidir expostas no item A do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini Carvalho. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. EFEITOS INFRINGENTES. INOCORRÊNCIA Acolhem-se em parte os embargos declaratórios, apenas para integrar os fundamentos omissos, quando as omissões constatadas não tiverem o condão de alterar a decisão embargada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada, com as razões de decidir expostas no item A do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini Carvalho. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. EFEITOS INFRINGENTES. INOCORRÊNCIA Acolhemse em parte os embargos declaratórios, apenas para integrar os fundamentos omissos, quando as omissões constatadas não tiverem o condão de alterar a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada, com as razões de decidir expostas no item A do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Aurora Tomazini Carvalho. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 16 13 /2 01 1- 29 Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão embargada, fls. 1482148: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 09.1.01.002009020245, com autorização para reexame do anocalendário de 2006 (fls. 002 e 006), foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Auto de Infração de IRPJ 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 356377), exige o recolhimento de R$ 88.532.702,12 de imposto, R$ 66.399.526,60 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 34.044.808,62 de juros de mora, além de R$ 51.578.116,71 de multa de ofício isolada. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das seguintes infrações: 3.1. glosa de despesas desnecessárias e não usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, relativas a perdas apuradas em operações de swap contratadas para proteção (hegde) de investimentos na Argentina e contra obrigações decorrentes de empréstimos, conforme descrito no item “b” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR de 1999: [...] 3.2. glosa de encargos financeiros desnecessários e não usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, relativos a juros e variação cambial pagos sobre empréstimos em moedas nacional e estrangeira, porquanto os recursos captados acabaram sendo integralmente aplicados no mercado financeiro, ao invés de serem direcionados aos investimentos aos quais se destinavam, conforme descrito no item “c” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR de 1999: [...] 3.3. falta de tributação dos lucros disponibilizados pelas controladas no exterior ALL Argentina e Boswells (Uruguai), tendo no caso da ALL Argentina sido invocado tratado internacional para evitar a dupla tributação, conforme descrito no item “d” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721613/201129 Acórdão n.º 1401001.589 S1C4T1 Fl. 3 3 art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278 e 394 do RIR de 1999, art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e art. 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com as alterações introduzidas pelo art. 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000: [...] 3.4. falta de contabilização do ganho de capital apurado na integralização do aumento de capital da JPESPE Empreendimentos e Participações Ltda., mediante conferência das ações das controladas Brasil Ferrovias S/A e Novoeste Brasil S/A, conforme descrito no item “e” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, II, 251, 418 e 426 do RIR de 1999: [...] 3.5. glosa de despesa indedutível com amortização de ágio constituído, com fundamento econômico em valor de rentabilidade futura, por ocasião da integralização em 31/12/2003 do aumento de capital da LOGISPAR Logística e Participações S/A, cujo encargo de amortização passou a ser deduzido do lucro real a partir da incorporação dessa investida em 29/09/2006, porquanto decorrente de operações societárias sem substância econômica e sem a necessária independência entre as partes envolvidas, conforme descrito no item “a” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 249, I, c/c 324, §§ 2º e 4º, e 325 do RIR de 1999: [...] [...] 3.6. parcela da amortização do ágio da LOGISPAR Logística e Participações S/A que vinha sendo contabilizada como encargo e adicionada ao Lalur até a incorporação dessa controlada, em 29/09/2006, cujo valor acumulado passou a ser indevidamente excluído, na determinação do lucro real, a partir de outubro/2006, conforme descrito no item “a” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247 e 250 do RIR de 1999: [...] 3.7. compensação de prejuízos fiscais em montante superior ao saldo remanescente após a compensação do valor das infrações descritas nos itens anteriores, observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado, conforme descrito ao final do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 250, III, 509 e 510 do RIR de 1999: Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 [...] 3.8. multa de ofício isolada exigida em decorrência da falta/insuficiência de pagamento do imposto de renda devido por estimativa, conforme descrito ao final do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999 e art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: [...] Autos de Infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL de fls. 378392 exige o recolhimento de R$ 30.924.269,39 de contribuição e R$ 23.193.202,05 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além de R$ 12.018.673,45 de juros de mora. 5. O auto de infração de CSLL de fls. 393403 exige o recolhimento de R$ 962.351,82 de contribuição e R$ 721.763,87 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, além de R$ 242.512,66 de juros de mora e de 18.568.148,68 de multa de ofício exigida isoladamente. 6. Decorrem das mesmas infrações de deram causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), e têm como fundamento o disposto nos arts. 2º, e §§, e 3º (com a redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, arts. 57 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações dos arts. 1º e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A 1ª Turma da DRJ Curitiba, por unanimidade, não acatou as preliminares e, no mérito, julgou procedentes em parte os lançamentos, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 11221125: [...] A parcela exonerada do crédito tributário foi submetida à análise deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto n o artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo artigo 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificada do referido Acórdão em 14/11/2011 (fls. 1211), a contribuinte apresentou em 12/12/2011 o recurso voluntário de fls. 12121364, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721613/201129 Acórdão n.º 1401001.589 S1C4T1 Fl. 4 5 Este colegiado, em sessão de julgamento realizada em 04 de março de 2015, decidiu por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação à falta de contabilização do ganho de capital apurado na integralização do aumento de capital da JPESPE; 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação ao ágio interno na Logispar; 3) Por maioria de votos, DAR provimento em relação as operações remanescentes de hedge. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto; 4) Por maioria de votos, DAR provimento em relação à glosa de encargos financeiros, relativos a juros e variação cambial pagos sobre empréstimos em moedas nacional e estrangeira. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto; 5) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação à tributação dos lucros disponibilizados pelas controladas no exterior ALL Argentina e Boswells (Uruguai). Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; 6) Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para ajustar a compensação de 30% (trinta por cento) do valor remanescente da base de cálculo apurada após o julgamento; 7) Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para cancelar as estimativas não pagas em relação ao anocalendário de 2006; 8) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação a estimativas não pagas em relação ao anocalendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; 9) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação aos juros sobre a multa de oficio; 10) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Cientificada do Acórdão em 16/09/2015, a PGFN em 25/09/2015 apresentou embargos de declaração (fls. 15361538), que foram recebidos nos termos do art. 65, §1º, do Anexo II da Portaria MF no 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. A embargante alegou omissão e contradição no Acórdão nº 1401001.396, proferido pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária (fls. 14771533), relativamente às seguintes matérias: a) omissão quanto à justificativa para afastamento do art. 47 da Lei nº 4.506/64, mencionado pelo art. 13 da Lei nº 9.249, para fins de concluir pela impossibilidade de cômputo na base de cálculo da CSLL das despesas consideradas desnecessárias; b) contradição em razão da aplicação da Súmula CARF nº 105, considerando que a multa isolada relativa a 2006 foi lançada com base nas disposições surgidas após a edição da MP nº 351/2007. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Os embargos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. A Arguição de omissão quanto à justificativa para afastamento do art. 47 da Lei nº 4.506/64 Ao apreciar o recurso de ofício, assim se manifestou a decisão embargada acerca da, fls. 1511: […] a decisão de piso também cancelou outras duas parcelas do lançamento referente a esta contribuição, pelo fato de a legislação de regência não prever a adição à base de cálculo da CSLL do valor correspondente às despesas desnecessárias ou não usuais. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1194: 184. [...] como inexiste no artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1995, e nos demais diplomas legais citados qualquer determinação para adição à base de cálculo da CSLL do valor das despesas desnecessárias e não usuais ou normais para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, não há como se manter a glosa das perdas em operações de hedge e das despesas financeiras não necessárias tratadas nos itens “b” e “c” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459). Considero inteiramente correto o entendimento adotado pelo colegiado julgador a quo, razão pela também em relação à CSLL considero que o presente recurso de ofício merece ser indeferido. Em sua peça de embargos, assim se manifestou a PGFN, fls. 15371538: […] a e. Turma não justificou o afastamento do art. 47 da Lei n º 4.506/64 mencionado pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95. O referido art. 47 da Lei nº 4.506/64 é bastante claro ao determinar que as despesas desnecessárias à atividade da empresa também não seriam passíveis de dedução. Confirase: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. [...] (Destaque nosso) Ora, as despesas que não forem necessárias não podem ser consideradas como despesas operacionais. Logo, não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL, isto é, não podem Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721613/201129 Acórdão n.º 1401001.589 S1C4T1 Fl. 5 7 interferir no resultado do exercício para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. Percebese, pois, que, assim como ocorre em relação ao IRPJ, as despesas consideradas desnecessárias não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL. Não assiste razão à embargante. Vejamos a íntegra do caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95 (grifado): Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: O aludido art. 47 da Lei nº 4.506/64, devidamente transcrito pela PGFN em sua peça de embargos, apenas estabelece o conceito de despesas operacionais. No entanto, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, revelase irrelevante o aludido conceito, conforme expressamente referido no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Tratase de entendimento já consagrado no âmbito desta CARF, conforme revelam os seguintes julgados (grifado): CSLL – LANÇAMENTO DECORRENTE. As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Na matéria em que não há disposição específica quanto à CSLL, e tratandose da mesma matéria fática, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no principal (que tratase de IRPJ). Recurso Voluntário nº 130.570, Relatora Tânia Koetz Moreira – Oitava Câmara, Sessão do dia 06/11/2002 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTRO – AC. 1995 CSLL – DESPESAS DESNECESSÁRIAS. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO – IMPROCEDÊNCIA – A base de cálculo da CSLL é o resultado do período, apurado na forma da legislação comercial, ajustado na forma da legislação específica (artigo 2º da lei nº 7.689/1988). As despesas desnecessárias são indedutíveis para o IRPJ, não o sendo para a CSLL por falta de expressa previsão legal, desde que comprovadas por documentos hábeis e idôneos. Recurso de ofício não provido. Recurso nº 139549 – Relator Caio Marcos Cândido – Primeira Câmara, Data da Sessão: 27/01/2005. CSLL – BASE DE CÁLCULO As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Acórdão 1401000.962 – Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos, Data da sessão 10 de abril de 2013. Assim sendo, em relação ao presente tema, considero que os embargos merecem ser conhecidos e acolhidos em parte, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem efeitos infringentes B Arguição de contradição em razão da aplicação da Súmula CARF nº 105, considerando que a multa isolada relativa a 2006 foi lançada com base nas disposições surgidas após a edição da MP nº 351/2007 Sobre o tema, assim se manifestou a decisão embargada, fls. 1529: A recorrente protestou contra aplicação concomitante da multa de ofício isolada de 50% com a multa de ofício de 75%, que entende terem sido aplicadas sobre as mesmas infrações. Assiste parcial razão à recorrente. Em relação ao anocalendário de 2006, devese observar o disposto na Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Somente é possível a aplicação concomitante da multa isolada por estimativa e da multa de ofício, após a edição da Medida Provisória 351/2007, publicada no DOU em 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. Diante do exposto, em relação a este tema, dou provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a exigência da multa isolada sobre estimativas não pagas em relação ao anocalendário de 2006. Assim se manifestou a embargante, fls. 1538: […] oportuno registrar que o acórdão recorrido afastou o emprego da multa isolada relativa ao ano de 2006, por considerar ilegítima a sua aplicação com a multa de ofício. Sustentou que seria aplicado o entendimento contido na Súmula CARF nº 105. Eis o teor da citada Súmula: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Destaque nosso) Contudo, cabe registrar que a multa isolada relativa ao ano de 2006 foi lançada já com fundamento no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96, ou seja, foi reduzido o seu percentual para 50%. Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.721613/201129 Acórdão n.º 1401001.589 S1C4T1 Fl. 6 9 Assim, mostrase contraditória, a ligação do caso concreto ao conteúdo da Súmula CARF nº 105, pois o lançamento da multa isolada relativa a 2006 foi efetuado com base nas disposições surgidas após a edição da MP nº 351/2007. Não assiste razão à recorrente. Não obstante o lançamento da multa isolada ter feito expressa referência ao art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96, é forçoso concluir que o fundamento desta exigência, em relação ao anocalendário de 2006, foi o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, vigente na data de ocorrência do fato gerador. A aplicação do percentual previsto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 somente se deu por força do princípio da retroatividade benigna, expressamente previsto no art. 106, II do CTN. A regra legal aplicável no anocalendário de 2006, contudo, foi a prevista no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, único em vigor na data de ocorrência do fato gerador. Afinal, o art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 somente entrou em vigor com a edição da MP nº 351/2007. Consequentemente, em relação ao presente tema, considero que os embargos merecem ser conhecidos e acolhidos em parte, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem efeitos infringentes. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher parcialmente os presentes embargos, sem efeitos infringentes, apenas para integrar a decisão embargada, com as razões de decidir expostas no item A do presente voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13899.000199/2007-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2002
DECADÊNCIA - IRPF - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O lançamento de ofício sem prévio pagamento do imposto devido atrai a aplicação do art. 173, I, DO CTN.
Numero da decisão: 9202-003.745
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar ao Colegiado de origem para análise das demais questões do recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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O lançamento de ofício sem prévio pagamento do imposto devido atrai a aplicação do art. 173, I, DO CTN. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendo o processo retornar ao Colegiado de origem para análise das demais questões do recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 01 99 /2 00 7- 35 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial referese a pedido de Análise de Divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão 220200.188, proferido pela 2º Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento/CARF. Importa esclarecer que o processo foi saneado às fls. 467/468 para correção de numeração das páginas, pois houve erro no momento da digitalização do processo que iniciou seu trâmite em papel. Assim, para evitar erro de análise, possui a seguinte numeração, conforme despacho saneador: “O processo que, originalmente, tramitou em papel, foi digitalizado e possui a seguinte composição no sistema eprocesso:1. Volume (I) – numeração manual de 1 a 200; 2. Volume (II) – numeração manual de 201 a 400; 3. Volume (III) –numeração manual 444 a 465; 4. Despacho (parecer sobre admissibilidade de embargos); 5. Despacho – Outros –Análise de Informação em Embargos; e 6. Documentos Diversos – Outros – Recurso Especial da Fazenda Nacional (numeração manual 445 a 465). Constatase que o processo digital contém as seguintes irregularidade carentes de saneamento: a. não constam o acórdão recorrido e os embargos opostos pela Fazenda Nacional, cuja localização nos autos corresponderia ao intervalo de folhas de número 401 a 443 da numeração manual, as quais não constam do processo digitalizado; e b. os documentos indicados nos itens 5 e 6 da listagem acima foram anexados ao processo digital em duplicidade, uma vez que já estavam anexados no Volume (III) referido no item 3 acima.” Passo ao relatório, como foi assim apresentado no acórdão recorrido (fls. 558/564 e 429/435 anotação manual): “Em desfavor do contribuinte, FABIO KENDJY TAKAHASHI. foi lavrado o auto de infração de fls. 288/292, acompanhado do Termo de Constatação e Encerramento Parcial da Fiscalização de fls. 283/285 relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas, anoscalendário 2000, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao período de 01/2000 a 12/2002 (fls. 01 e 02). O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: ‘Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes no BRADESCO e no BANESPA, e na conta poupança no Bradesco no DIA 19/01/00, no período de 2000, conforme Termo de Constatação e Encerramento Parcial da Fiscalização Fiscal...’ A ciência do auto de infração foi dada por via postal na data de 28/12/2006 (fls.294). Em 29/01/2007, o interessado apresentou a impugnação de Fl. 652DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 9202003.745 CSRFT2 Fl. 9 3 fls.291/311 (anotação manual), na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente: ‘Da Preliminar Argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento relativamente ao anocalendário de 2000, tendo em vista o decurso do prazo decadencial contado pela regra contida no artigo 150 do Código Tributário Nacional que trata do lançamento por homologação, combinado com o artigo 173, I, do mesmo diploma legal, que se refere ao lançamento de ofício. Do Mérito O impugnante questiona a autuação levada a efeito com base em extratos bancário, mediante quebra de sigilo bancário. Acrescenta, ainda, que a origem dos recursos estaria em doações feitas por seu pai, que foram declaradas nas épocas próprias, conforme documentações que carreia os autos. Em relação à quebra de sigilo, colaciona jurisprudência judicial sobre a impossibilidade de retroação da Lei 10.174/2001 e da Lei Complementar 105/2001e, ainda, dos efeitos da Súmula 182 do extinto TER. Aduz, ainda, que, mesmo após a vigência dos citados diplomas legais, a administração fazendária continua impedida de considerar ingressos financeiros nas contas bancárias como rendimentos tributáveis sem que haja demonstrativo de utilização, pelo titular do depósito bancário; em consumo ou aquisição de bens para a demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou ainda, a comprovação de que tais depósitos sejam efetivos rendimentos auferidos. Cita acordão do Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido. No tocante à comprovação da origem de recursos, aduz que, tendo feito constar as doações recebidas de seu pai na declaração de bens e direitos, afastase a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, pois caso contrário, o contribuinte não teria informado ao Fisco. Contesta, ainda, os valores apurados, uma vez que não coincidem com a realidade. Alega que algumas importâncias foram transferidas de uma conta para outra, cuja titularidade era o contribuinte e, ainda, por algumas vezes o contribuinte emprestava a sua conta bancária ao seu pai, na qual alguns clientes deste, depositavam valores atinentes a custas judiciais e despesas processuais, pois o mesmo é advogado.’ Em 27 de fevereiro de 2008, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento de São Paulo Proferiram Acórdão DRJ/SPOII Nº 23.577 que, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, conforme a ementa a seguir: ‘ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 RETROAÇÃO DE LEI. INOCORRÊNCIA. São licitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente A. época da ocorrência do procedimento de fiscalização. O artigo 1º da Lei n° 10.174/2001, assim como a Lei Complementar 105/2001, disciplinam o procedimento de fiscalização e não os fatos econômicos investigados, podendo ser aplicados aos procedimentos iniciados ou em curso a partir de sua edição, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos (CTN, art;144, § 1°). Tratase de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM Para comprovar a origem de recursos utilizados em depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, a prova deve ser hábil e idônea. Para restarem plenamente comprovadas, as doações em dinheiro recebidas do pai devem, além de estar consignadas tempestivamente nas declarações de ajuste anual do donatário e do doador, ter a demonstração da transferência dos recursos do patrimônio deste para o do primeiro. Lançamento Procedente’ Devidamente cientificado acerca do teor do supracitado Acórdão, em 26/03/2008, conforme AR de fls. 409, o contribuinte se mostrando irresignado, apresentou, em 25/04/2008, o Recurso Voluntário, de fls. 412/416, reiterando as razões da sua impugnação, as quais já foram devidamente explicitadas anteriormente no presente relatório.” Em análise ao Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 558/564 e 429/435 anotação manual) deu provimento à insurgência do Contribuinte acatando a preliminar de decadência, declarando extinto o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário em questão, deixando de apreciar o mérito. Considerou que “o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos, deduções indevidas e infrações tributarias que ocorreram ao longo do ano de 2000, previsto no art. 150, parágrafo 4°, do CTN é de 1° de janeiro de 2001, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado ate a data de 31/12/2005, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2000”. Irresignada, a União (Fazenda Nacional) apresentou Embargos de Declaração (fls. 568/571 e 439/442 anotação manual), arguindo omissão no Acórdão da Turma Ordinária, sob o fundamento de que o acórdão embargado não se pronunciou sobre a existência de pagamento nem tampouco sobre a incidência do art. 173, I, do CTN, estando consolidado na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos), de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente naquelas competências onde houve pagamento parcial das contribuições devidas e que, em contrapartida, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173,1, do CTN. Conforme Despacho de fl. 421 (fl. 444, anotação manual), os Embargos de Declaração foram rejeitados. A Fazenda Nacional, na sequência, interpôs o Recurso Especial de fls. 447 a 456 (numeração manual), o qual foi admitido (fls. 573/575) por apontar corretamente ementas de outras turmas do CARF, as quais manifestaram entendimento divergente ao do Acórdão recorrido, no sentido de que, “a depender da existência de pagamento antecipado, deve ser aplicado ou o art. 150, § 4º do CTN, ou o art. 173, I, também do CTN”. Ressaltou a Recorrente haver “erro material”, conforme expõe: “Tratase de auto de infração de IRPF relativo aos anos calendários de 2001 e 2002 (E NÃO 2000, CONFORME AFIRMOU EQUIVOCADAMENTE O ACÓRDÃO RECORRIDO), sendo que a ciência do contribuinte acerca do lançamento se deu em 30/03/2007 (vide fls. 217) (E NAO 28/12/2006 CONFORME AFIRMOU EQUIVOCADAMENTE 0 ACÓRDÃO RECORRIDO).” Fl. 654DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 9202003.745 CSRFT2 Fl. 10 5 Assim, o Recurso Especial da União debate, PORTANTO, os anos calendários 2001 e 2002. Intimado, o contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 582/588), vindo os autos conclusos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo administrativo fiscal de Auto de Infração lavrado em 27/12/2006 (ou 30/03/2007 (vide fls. 217)), O acórdão recorrido acatou a preliminar de decadência, declarando extinto o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário em questão, deixando de apreciar o mérito. Considerou que “o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os rendimentos omitidos, deduções indevidas e infrações tributarias que ocorreram ao longo do ano de 2000, previsto no art. 150, parágrafo 4°, do CTN é de 1° de janeiro de 2001, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado ate a data de 31/12/2005, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2000”. RESSALTO AQUI QUE COMPULSANDO OS AUTOS HÁ REALMENTE UM ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO DA TURMA ORDINÁRIA, COMO FOI INFORMADO NO RECURSO ESPECIAL SOBRE OS PERÍODOS DISCUTIDOS NOS AUTOS SE REFEREM AO ANOCALENDÁRIO DE 2001 E 2002, E NÃO 2000, E SOBRE A DATA EM QUE FOI LAVRADO – 30/03/2007 E NÃO 27/12/2006. O Recurso Especial da Fazenda Nacional insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de IRPF cujo auto de infração discute a omissão de receita pela existência de depósitos bancários não declarados. Aplico aqui a tese referendada pela súmula 38 deste órgão de que o Fato Gerador do IRPF se dá em 31 de dezembro de cada ano, e não mensalmente, sendo os Fl. 655DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 recolhimentos mensais, mera antecipação do que será apurado e consolidado em 31 de dezembro de cada ano, vejamos: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja parte da renda foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe por força do entendimento jurisprudencial firmado pelo STJ, se houve ou não adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Há informação precisa nestes autos de que o contribuinte no momento da declaração de ajuste anual referente aos anos calendários em que foi autuado, indicou sua situação como contribuinte isento, não tendo realizado nenhum pagamento a título de Imposto de Renda Pessoa Física. Desse modo, assiste razão a alegação esposada no recurso da Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, cuja aplicação é cogente nos casos de Fl. 656DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13899.000199/200735 Acórdão n.º 9202003.745 CSRFT2 Fl. 11 7 lançamento de ofício, em que o contribuinte não tenha realizado pagamento do tributo devido, nem parte dele, mesmo que o débito seja advindo de um tributo inicialmente sujeito a lançamento por homologação. Essa inclusive, é a orientação firmada no RE 973.733SC , cuja natureza da decisão advinda de repetitivo de controvérsia, vincula este órgão julgador por força do artigo 62 do RICARF. Da análise do referido julgado, transcrito acima, resta definido que não tendo havido o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 173, I do CTN. O art. 173, I, do CTN é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento de ofício e aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, bem como aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando o contribuinte não faça o pagamento no prazo. Tratase, portanto, de regra geral só excepcionada pelo prazo de homologação de pagamento realizado tempestivamente de tributo sujeito a lançamento por homologação. Para contagem do prazo o lançamento de ofício pode ser efetuado quando ocorre o fato gerador de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando decorre o prazo para a apresentação de declaração nos casos de tributo sujeito a lançamento por declaração ou quando vence o tributo sujeito a lançamento por homologação sem que o contribuinte tenha efetuado o seu pagamento. O prazo de cinco anos para o lançamento terá início no primeiro dia do ano subsequente a tais ocorrências. Qualquer lançamento realizável dentro de certo exercício (e que não seja efetivamente implementado nesse exercício) poderá ser efetuado em cinco anos após o próprio exercício em que se iniciou a possibilidade jurídica de realizálo." (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. Saraiva, 15" ed., 2009, p. 406) Assim, considerando que o lançamento do IRPF se consolida em 31 de dezembro de cada ano, e que a intimação do lançamento de ofício por auto de infração se deu em março de 2007 no que se refere aos anos calendários 2001 e 2002, contado o prazo decadencial com base no art. 173, I do CTN, mister se faz que seja afastada a DECADÊNCIA equivocadamente aplicada, devendo estes autos retornarem a instância inferior para julgamento do mérito. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 657DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.006851/2005-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001, 2002
Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES
IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA
LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da
área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas
arnbientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o
condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO.
LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE
INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente.
ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS - SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR O VALOR DO SIPT.
Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, é meio hábil para contraditar
o valor arbitrado a partir do SIPT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.609
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para deferir a exclusão da área tributável das áreas de Preservação Permanente (40 hectares) e de reserva legal (205 hectares), nos exercícios 2001 e 2002, e reduzir o Valor da Terra Nua de RJ.1.277.859,42 para R$ 1.080.524,34, no exercício 2001 (item 16 do Demonstrativo de Apuração do ITR do exercício 2001 — fl. 13), nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas arnbientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS - SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, POD A CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para deferir a exclusão da área tributável das áreas de Preservação Permanente (40 hectares) e de reserva legal (205 hectares), nos exercícios 2001 e 2002, e reduzir o Valor da Terra Nua de RJ.1.277.859,42 para R$ 1.080.524,34, no exercício 2001 (item 16 do Demonstrativo de Ap..--a ão cio ITR do exercício 2001 — fl. 13), nos termos do voto do Relator. i i GIOV • ' I I CHRIST Y ,• 4,k ' ES -I POS - Relator e Presidente '' EDI r ADO EM: 16/0:/ 11! P. iciparam do . -- - , e À gamento os Conselheiros Núbia de Matos Moura, • Ewan Teles Aguiar, • . -... • aurícin ' .4 alho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, i Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e e '. anni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte Copec Construções e Pecuária Ltda, CNPJ/MF n° 21.019.203/0001-08, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 24/05/2005, auto de infração (fls. 03 a 08), com ciência postal em 1°/06/2005 (fl. 79), a partir de ação fiscal iniciada em 20/04/2005 (fls. 17 a 19). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: . IMPOSTO R$ 6.386,11 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.789,57 Conforme o demonstrativo de apuração do ITR lançado (fls. 13 e 14), vê-se que a autoridade fiscal revisou as DITRs-exercícios 2001 e 2002, do imóvel Fazenda Riacho Fundo, NIRF n° 4.405.655-9, perpetrando as seguintes alterações: • exercício 2001 (fl. 13) 2 Processo n° 10680.006851/2005-21 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.609 Fl. 298 o glosa total da área de preservação permanente - APP (120,0 hectares); o glosa parcial da área utilizada na atividade rural com produtos vegetais (de 76,0 hectares para 38,0 hectares), reduzindo o grau de utilização da propriedade de 98,0% para 82,8%, o que não teve o condão de alterar a alíquota do imposto (0,3%); o majoração do valor da terra nua de R$ 238.985,01 (232,91/ha) para R$ 1.277.859,42 (R$1.245,36/ha). • exercício 2002 (fl. 14) o glosa total da área de preservação permanente - APP (120,0 hectares); o glosa parcial da área utilizada na atividade rural com produtos vegetais (de 76,0 hectares para 31,0 hectares), reduzindo o grau de utilização da propriedade de 98,0% para 82,1%, o que não teve o condão de alterar a alíquota do imposto (0,3%); o majoração do valor da terra nua de R$ 238.985,01 (232,91/ha) para R$ 1.272.893,76 (R$ 1.240,52/ha). Pelo que se apreende da leitura do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, a área de preservação permanente foi glosada em decorrência da apresentação extemporânea do Ato Declaratório Ambiental, o qual somente foi protocolizado em 03/05/2005; a área utilizada com produtos vegetais foi glosada parcialmente em face da ausência de quantificação delas em laudo técnico, tendo sido acatadas as áreas declaradas à Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais; e houve glosa total dos valores das benfeitorias em decorrência de o contribuinte não ter apresentado laudo técnico. Por fim, o valor da terra nua foi arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal — SIPT, já que o contribuinte, intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação da terra nua (fls. 09 a 12). Compulsando os autos, vê-se que o ADA apresentado não discrimina qualquer área de preservação permanente, porém anota uma área de reserva legal de 205,0 hectares (fl. 69). Ainda, foi apresentada uma planta topográfica do imóvel, subscrita pelo Engenheiro Charston de Sousa Pereira, CREA/MG 68.218/D, com a discriminação total de uma área de reserva legal de 206 hectares, com data de 11/11/2004 (fl. 30). Aqui se percebe que há discriminação de áreas de reserva legal à margem de cursos d'águas (matas ciliares), as quais deveriam ser de preservação permanente, conforme o art. 2° do Código Florestal. O contribuinte juntou documentação de averbação cartorária dessa área (fls. 32 a 62). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Anexo à impugnação, o contribuinte acostou Laudo Técnico elaborado pelo Engenheiro José Flávio de Oliveira Alves (fls. 102 a 130), com plantas topográficas respectivas, no qual atesta a existência de áreas de reserva legal de 205,0 hectares, de ;\ preservação permanente de 40,0 hectares, as quais estariam preservadas desde o ano de 2001. Ll 3 /7/ Ainda que o valor do imóvel, declarado pelo produtor rural, pela avaliação expedita, estaria correto, sendo adequado o valor de R$ 232,10 por hectare de terra nua. Por último, juntou-se um ADA retificador (fl. 131), protocolizado em• 1°/0712005, com a discriminação das áreas de preservação permanente (40,0 hectares) e reserva legal (205,0 hectares). A P Turma de Julgamento da DRJ-Brasília (DF), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 187 a 200, consubstanciada no Acórdão n° 03-23.554, de 05 de dezembro de 2007. • Na decisão acima, apesar de se reconhecer à averbação tempestiva da área de reserva legal (205 hectares, não declarada nas DITRs-exercícios 2001 e 2002), aliada a documentação para comprovação dos 40 hectares da área de preservação permanente, não se acatou a exclusão dessas áreas em decorrência da apresentação extemporânea do ADA retificador. Já quanto à avaliação da terra nua, o Laudo Técnico foi rejeitado, já que não seguiu a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.653-3), bem como pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aquele do SIPT. • O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 27/02/2008 (fl. 206). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 27/03/2008 (fl. 294). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 1. a área de reserva legal (205 hectares) se encontra averbada há mais de 10 anos e a de preservação permanente (40 hectares), comprovada pela documentação acostada aos autos. Ora, como é cediço, o ADA • não é o único meio de comprovação de tais áreas, sendo que a jurisprudência, judicial e administrativa, tem afastado sua exigência; no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação fisica das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, • segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas" (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT refere-se ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela Emater-MG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma • fonte de informação, qual seja, a Emater-MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT. Este recurso voluntário compôs o lote n° 04, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 02/12/2009. Processo n° 10680.006851/2005-21 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.609 Fl. 299 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 27/02/2008 (fl. 206), quarta-feira, e interpôs o recurso voluntário em 27/03/2008 (fl. 294), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 28/03/2008, sexta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passa-se a apreciar a defesa do item I (áreas de reserva legal e de preservação permanente). Inicialmente, aqui se entende como obrigatória a apresentação do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e utilização limitada (áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e cobertas por floresta nativa) da área tributável pelo ITR, como exigido pelo art. 17-0, § r, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória), e também se exige a averbação à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis das áreas de reserva legal, como anotado no art. 16, § 8°, do Código Florestal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Entretanto, as leis acima citadas não fixam prazo para o implemento das condições formais citadas e, dessa forma, deve ser acatado o ADA e a averbação cartorária extemporâneos, desde que haja alguma prova adicional de que as áreas de proteção ambiental (e que são excluídas da tributação do ITR) existiam no exercício auditado. No caso destes autos, a averbação da área de reserva legal (205 hectares) foi feita em período pretérito a 2001, primeiro dos exercícios auditados, como inclusive reconhecido pela decisão recorrida (fl. 194). Ademais, a reserva legal constou do ADA retificador (fl. 131), que mesmo extemporâneo, é meio hábil para deferimento do beneficio tributário. Já no tocante à área de preservação permanente — APP (40 hectares), essa consta do ADA referido, sendo que o Perito asseverou que a vegetação da APP encontrava-se preservada desde o ano de 2001, como se poderia constatar pelo porte da vegetação e a ausência de vestígios de desmatamento ou destoca (fl. 115). Assim, deve-se também excluir a APP da incidência do ITR. Em ambas as situações acima, a averbação cartorária tempestiva da área de reserva legal e a informação do Perito fazem a prova adicional da existência das áreas isentas, não podendo tal realidade ser obstada apenas pelo ADA extemporâneo. O entendimento acima tem sido seguidamente confessado por este relator no âmbito desta Turma de Julgamento, como pode ser visto no Acórdão n° 2102-00.528, sessão de 1 14 de abril de 2010, por maioria, que restou assim ementado: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, • condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de •preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. Dessa forma, deve-se excluir da área tributável, nos exercícios 2001 e 2002, a APP de 40 hectares e a área de reserva legal de 205 hectares. Agora, passa-se a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas" (Recurso n°135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT refere-se ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela Emater-MG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater-MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT.). No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria • alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. 6 Processo n° 10680.006851/2005-21 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.609 Fl. 300 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores . informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita _Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.653-3) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. Para vergastar a decisão acima, além da nulidade antes rejeitada (impossibilidade da utilização do SIPT em decorrência da pretensa ausência de publicidade das fontes do SIPT), o recorrente traz Laudo Técnico complementar, no qual busca demonstrar que o valor do SIPT se referiria ao preço de terras comercializadas e não ao da terra nua, como inclusive se poderia ver pelos formulários preenchidos pela Emater-MG, atendendo solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater-MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT. Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como - se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 -, em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio refere-se ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela Emater-MG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.653-3, vigente desde 30/06/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. V/.- (V - <------ ' _ _ É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utiliza-se a modalidade que mais favorece ao contribuinte. Inclusive, no âmbito da • tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (.) 5Ç 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. No caso aqui em debate, para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), pode-se arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR, sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município. Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento, pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VTN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001). Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso, para deferir a exclusão da área tributável da APP (40 hectares) e da reserva legal (205 hectares), nos exercícios 2001 e 2002, e reduzir o Valor da Terra Nua de R$ 1.277.859,42 para R$ 1.080.524,34, no exercício 2001 (ite s do Demonstrativo de Apuração do ITR do exercício 2001 —fl. 13). Sala d. Sessões, em 13 de maio de 2010 Giovanni Chri ./ sti, è i dfrs Campos • f /, j / 8
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901155/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
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Numero da decisão: 3302-003.116
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Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AUMENTO DE DÉBITO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação de declaração de compensação não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado em declaração anterior, conforme disposto no artigo 59 da IN SRF nº600/2005. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de cinco anos contados do pagamento antecipado ao pedido de restituição pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência requerida com a finalidade de suprir a falta de apresentação de provas no momento processual oportuno deve ser indeferida. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 15 5/ 20 06 -9 5 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901155/200695 Resolução nº 3302003.116 S3C3T2 Fl. 330 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de declarações de compensação sob os nº 04047.12998.250603.1.3.040626 e 21580.69112.130208.1.3.047595. O Despacho Decisório de efl. 82 indeferiu a DCOMP 04047.12998.250603.1.3.040626 por falta de apresentação do Livro Razão relativo às receitas que integraram a base de cálculo demonstrada, de modo a comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, e indeferiu a DCOMP 21580.69112.130208.1.3.047595 por decadência do direito de repetição do indébito tributário. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em preliminares, a necessidade de suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação fora indeferida e, no mérito, reconhecer a legitimidade do indébito pleiteado mediante a juntada de novas partes do Livro Razão, relativo às contas de receita, ou, alternativamente, a realização de diligência fiscal, em homenagem ao princípio da verdade material. Quanto ao indeferimento da DCOMP nº 21580.69112.130208.1.3.047595 por decadência do direito de repetição, alegou que o crédito pleiteado já havia sido informado na DCOMP retificadora 14806.53945.261006.1.7.040369, única e exclusivamente com o fito de incluir a atualização pela taxa Selic não informada na DCOMP original DCOMP 04047.12998.250603.1.3.040626. Entretanto, pelo fato de a Receita Federal ter glosado este instrumento, por “razões suas”, a recorrente se viu obrigada a apresentar a DCOMP complementar de nº 21580.69112.130208.1.3.047595, embora já informara o crédito na DCOMP não admitida, dentro do prazo do artigo 168, inciso I do CTN. A Décima Sexta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 12 59.066, com a seguinte ementa: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901155/200695 Resolução nº 3302003.116 S3C3T2 Fl. 331 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. REPETIÇÃO DO INDÉBITO DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de tributo pago em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de realização de perícia quando esta for prescindível. É de se considerar prescindível a realização de perícia requerida com a finalidade de suprir a falta de apresentação de provas na impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade e pugnando pelo conhecimento de toda a documentação já produzida no processo 10380.901169/200617, o qual seria o processo principal de toda a verificação relativa à matéria de direito objeto de diversas DCOMPs protocoladas, e caso a documentação não fosse suficiente, pela realização de diligência. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O processo trata de indeferimento de duas declarações de compensação: DCOMP nº 04047.12998.250603.1.3.040626 e 21580.69112.130208.1.3.047595. A DCOMP nº 21580.69112.130208.1.3.047595 foi indeferida por decadência do direito de repetição. Por seu turno, a recorrente alega que esta DCOMP não teve a finalidade de fazer compensação nova, mas apenas de fazer constar a atualização do crédito tributário informado na DCOMP nº 04047.12998.250603.1.3.040626. Informa que transmitiu a DCOMP retificadora Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901155/200695 Resolução nº 3302003.116 S3C3T2 Fl. 332 4 14806.53945.261006.1.7.040369 para constar a atualização monetária, tendo sido indeferida pela Receita Federal por “questões suas” e que devido a este indeferimento, se viu obrigada a transmitir a DCOMP complementar nºº 21580.69112.130208.1.3.047595. Destacase, de início, que a DCOMP retificadora nº 14806.53945.261006.1.7.040369 não foi admitida, pois apresentou aumento de débito em relação à original transmitida de nº 04047.12998.250603.1.3.040626, efl. 263, de acordo com o artigo 59 da IN SRF nº600/2005: Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. O impedimento justificase porque a data de valoração da compensação na retificadora é a data da original transmitida, e por isso o débito compensado não pode ser alterado sob pena de se considerar a nova DCOMP como original e nova data de valoração, conforme art. 61 da IN SRF nº 600/2005: Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a inadmissão da DCOMP retificadora nº 14806.53945.261006.1.7.040369 não foi por “questões” da Receita Federal, mas porque, de fato, se tratava de nova compensação e não de retificadora, o que implicaria nova data de valoração dos créditos. Por outro lado a DCOMP nº 21580.69112.130208.1.3.047595 compensa débitos originais de PIS de outubro/2002 no valor de R$ 1.302,16 e PIS de novembro/2002 de R$ 1.578,83, enquanto a DCOMP original de nº 04047.12998.250603.1.3.040626 compensa valores originais de PIS de outubro/2002 de R$ 23.805,49, PIS de novembro/2002 de R$ 22.522,47, PIS de janeiro/2003 de R$ 575.750,61 e PIS de fevereiro/2003 de R$ 229.251,34, ou seja, a DCOMP de final 7595 se afigura nova compensação, pois compensa novos débitos e não os mesmos referidos na DCOMP de final 0626. Concluise, portanto, que, primeiro, a DCOMP 14806.53945.261006.1.7.04 0369 não foi, acertadamente, admitida e, destarte, não produziu efeitos legais. Segundo, a DCOMP 21580.69112.130208.1.3.047595 representa nova compensação e, portanto, demanda análise distinta da DCOMP nº 04047.12998.250603.1.3.040626 quanto ao prazo de repetição do crédito pleiteado. No caso, tendo a DCOMP sido transmitida em 13/02/2008, referente a crédito constante de recolhimento em 31/07/2002, configurase o decurso do prazo Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901155/200695 Resolução nº 3302003.116 S3C3T2 Fl. 333 5 estabelecido no artigo 168, inciso I do CTN, aplicável aos pedidos administrativos pleiteados após 9/06/2005, em consonância com a Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Ressaltase, ainda, que a recorrente poderia ter efetuado declarações de compensação há mais de cinco anos da data do pagamento indevido ou a maior, desde que tivesse efetuado o pedido de restituição dentro do prazo de cinco previstos no CTN, conforme disposto nos artigos 26 e 27 da IN SRF nº 600/2005, o que, entretanto, aparentemente não ocorreu: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. [..]§ 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. Concernente à DCOMP nº 04047.12998.250603.1.3.040626, o despacho decisório decidiu pelo indeferimento pela falta de provas, precisamente, pela falta de apresentação do Razão relativo às contas contábeis de receita, necessárias para a verificação da legitimidade do direito creditório. A recorrente pugna pela aplicação do princípio da verdade material, alegando ter juntado as contas de receitas da Cofins de maio/2002, e a necessidade de se conhecer a documentação anexada ao processo 10380.901169/200617 e, caso a documentação não seja suficiente, alega, ainda, a necessidade de realização de diligência. Inicialmente, a recorrente alega que o fundamento das declarações de compensação foi objeto de processo de consulta de nº 10380.000375/200357, cuja solução lhe foi favorável no sentido de que a aplicação da sobretarifa de que trata o §1º do artigo 4º da MP nº 14/2001 deveria compor a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins dos períodos em que ocorressem o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a sobretarifa e não em dezembro/2001, conforme determinado pela Resolução ANEEL nº 72/2002. A própria solução de consulta indicou os procedimentos previstos na IN SRF nº 210/2002 para a recuperação dos Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901155/200695 Resolução nº 3302003.116 S3C3T2 Fl. 334 6 tributos e abordou apenas o ano de 2001, embora a recorrente afirmou ter efetuado o mesmo procedimento em alguns meses de 2002. Para demonstrar seu direito, a recorrente apresentou em manifestação de inconformidade, demonstrativo da base de cálculo do período do crédito, Razão de 2003 contendo lançamentos relativos a tributos e contribuições compensáveis, incluindo históricos de PIS/Pasep e Cofins retidos, a recuperar, compensação de PIS/Pasep e Cofins, Razão da conta de retenção de PIs/Pasep e Cofins de 31/12/2001 a 31/12/2003. Afirmou ainda, em recurso voluntário, ter juntado o Livro Razão relativo às contas de receitas de maio/2002, embora tal documento, além de não ter sido localizado, não diz respeito ao período do crédito em discussão, ou seja, dezembro de 2001. Reafirmou, ainda, a necessidade de conhecimento das provas juntadas ao processo 10380.901169/200617, o qual conteria a consulta formulada no processo 10380.000375/200357, as planilhas de cálculo do PIS e da Cofins relativa aos períodos de dezembro/2001, janeiro, fevereiro, março, maio e agosto/2002, livro Razão de contas do ativo do anocalendário de 2003. Destacase que a recorrente apresentou um demonstrativo referente a PIS/Pasep de dezembro de 2001, efl. 41 relacionando os valores de receita operacional, encargo emergencial, receita financeira, acréscimos por atraso – Encargo Emergencial, Diferimento de Receita órgãos públicos – Adição, Diferimento de Receita órgãos públicos – Exclusão, valor retido – Lei 9.430, valor compensado e valor recolhido em DARF. Pelos documentos constantes no processo, podese comprovar o valor do PIS retido em dezembro/2001, efls. 50. Em relação aos demais valores, os documentos não são suficientes à sua comprovação, como se depreende do excerto extraído do voto condutor do acórdão da DRJ: "30. Do exame da documentação apresentada pela interessada à Autoridade Fiscal que apreciou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs 16928.66410.250603.1.3.047774 e 35146.74024.130208.1.3.045789, verificase que no demonstrativo de apuração da base de cálculo da Cofins referente ao mês 12/2001, não foi informado quais receitas compõem as parcelas que integram o cálculo nos títulos: receita operacional, receita financeira, receita não operacional, diferimento da receita – órgãos públicos – adição e diferimento da receita – órgãos públicos – exclusão. Também, não foi anexada aos autos a documentação contábil que pudesse comprovar os valores informados nesse demonstrativo, conforme solicitado na Intimação Fiscal. 31. Na manifestação de inconformidade, a impugnante informa ter anexado o Livro Razão das contas de receitas que integram a base de cálculo da Cofins de dezembro de 2001 (Doc. 09, fls. 261 a 263). Ocorre que, ao contrário do informado, tal documentação não foi trazida aos autos. 32. Sem essa comprovação, não há como se afirmar qual seria o valor devido da Cofins no mês 12/2001, tampouco reconhecer ser o valor recolhido maior que o efetivamente devido." De fato, dadas as peculiaridades do caso concreto, a recorrente deveria ter juntado as cópias do Livro Razão de todas as contas de receita, contas de recebimentos de Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901155/200695 Resolução nº 3302003.116 S3C3T2 Fl. 335 7 receitas, o controle extracontábil relativo às adições e exclusões decorrentes das receitas auferidas em face de órgãos públicos, bem como o detalhamento relativo às exclusões relativas às parcelas objeto da consulta realizada à Secretaria da Receita Federal. Por outro lado, dos documentos informados como constantes do processo 10380.901169/200617, a consulta formulada no processo 10380.000375/200357 e o demonstrativo de cálculo foram aqui juntados, sendo que o Livro Razão do ano de 2003 é irrelevante para se apurar o direito creditório de dezembro de 2001, objeto desta lide. O que, na realidade, constatase, é que a recorrente teve oportunidade de demonstrar a base de cálculo na análise da compensação, em manifestação de inconformidade e, por fim, no recurso voluntário, quando já possuía conhecimento, pela decisão da DRJ, do que seria necessário para comprovar suas alegações, não se desincumbindo do ônus que lhe cabe quanto à comprovação do indébito tributário, nos termos do artigo 170 do CTN, dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 333 do vigente Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73. Quanto ao pedido de diligência fiscal, a recorrente não logrou êxito em demonstrar a impossibilidade de juntar as provas necessárias nos três momentos que lhe foram oportunizados, mormente após a decisão da DRJ, a qual especificou os pontos não comprovados. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10480.720006/2015-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DA LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Restou devidamente comprovado nos autos o acesso do recorrente a todas as informações e todos os documentos referentes à Notificação de Lançamento, de modo que a própria impugnação por ele apresentada reflete o conhecimento de todas as matérias em litígio.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE, SÚMULA N.º 63 DO CARF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS.
Sujeitam-se ao imposto sobre a renda os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave reconhecida por laudo médico oficial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, quando não forem decorrentes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Deve ser permitida a dedução de despesa com a instrução apenas quando devidamente comprovada e observados os requisitos impostos pela legislação.
DESPESAS MÉDICAS MAJORADAS. SUPOSTO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
É objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, sendo irrelevante a comprovação ou não de que a majoração indevida da dedução de despesas médicas foi decorrente de um erro de digitação.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL.
A multa aplicada pelo fisco decorre de previsão legal (artigos 961 a 963 do RIR/1999), descabendo ao Conselho perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não, sob a ótica do princípio da proporcionalidade, pois tal situação esbarraria na análise da constitucionalidade das normas legais, o que confronta o disposto no Enunciado de Súmula n.º 2 do CARF.
Numero da decisão: 2201-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INEXISTÊNCIA. Restou devidamente comprovado nos autos o acesso do recorrente a todas as informações e todos os documentos referentes à Notificação de Lançamento, de modo que a própria impugnação por ele apresentada reflete o conhecimento de todas as matérias em litígio. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE, SÚMULA N.º 63 DO CARF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS. Sujeitamse ao imposto sobre a renda os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave reconhecida por laudo médico oficial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, quando não forem decorrentes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser permitida a dedução de despesa com a instrução apenas quando devidamente comprovada e observados os requisitos impostos pela legislação. DESPESAS MÉDICAS MAJORADAS. SUPOSTO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. É objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, sendo irrelevante a comprovação ou não de que a majoração indevida da dedução de despesas médicas foi decorrente de um erro de digitação. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 06 /2 01 5- 90 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 A multa aplicada pelo fisco decorre de previsão legal (artigos 961 a 963 do RIR/1999), descabendo ao Conselho perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não, sob a ótica do princípio da proporcionalidade, pois tal situação esbarraria na análise da constitucionalidade das normas legais, o que confronta o disposto no Enunciado de Súmula n.º 2 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 15/12/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2011, anocalendário 2010, devido aos seguintes fatos: a) omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 169.336,89 (cento e sessenta e nove mil trezentos e trinta e seis reais e oitenta e nove centavos) recebidos pelo titular e/ou dependentes da fonte pagadora Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção de Imposto de Renda. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.720006/201590 Acórdão n.º 2201003.158 S2C2T1 Fl. 108 3 b) glosa do valor de R$ 16.804,20 (dezesseis mil oitocentos e quatro reais e vinte centavos) indevidamente deduzido a título de despesas com instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução; c) glosa do valor de R$ 20.207,16 (vinte mil duzentos e sete reais e dezesseis centavos) indevidamente deduzido a título de despesas médicas por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para dedução (Polícia Militar). Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 a 17 acompanhada de vários documentos solicitando, em síntese, o cancelamento integral do lançamento, bem como alegando que a autoridade fiscal está equivocada quanto à omissão de rendimentos, tendo em vista a comprovação da moléstia grave, a partir de 05/11/2009 e sua reforma em 30/08/2014. No que se refere às despesas de instrução, aduz o contribuinte que a comprovação dos pagamentos é desnecessária, considerando a abrangência do período de isenção e do direito à restituição. Quanto às despesas médicas, diz ter ocorrido falha digital não observada por ele na colocação do ponto e da vírgula, resultando na informação equivocada do valor de R$ 22.452,40, e não do valor correto de R$ 2.245,24, reiterando a sua condição de isenção por ser portador de moléstia grave. Por fim, pugna o contribuinte pelo cancelamento integral do lançamento, pela restituição do valor integral apurado em DAA corrigido e atualizado de 05/11/2009 até 30/08/2014 e, subsidiariamente, pela redução de 50% do valor da multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro manteve o crédito tributário, em sua totalidade, com a seguintes considerações: a) depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Não obstante o documento de fl. 29, expedido em 15/09/14 pela Junta Superior de Saúde da Polícia Militar de Pernambuco (fls.29), atestar que o contribuinte é portador de doença com CID C82 (Linfoma não Holdigkin folicular) e C8 (Linfoma nãoHoldigkin difuso), enfermidade enquadrada na categoria genérica de neoplasia maligna, com a anotação de préexistência desde 05/11/2009, fato é que não restou cumprido o primeiro requisito; b) com relação à dedução indevida com despesas de instrução, o contribuinte limitouse a afirmar que seus rendimentos gozam de isenção em decorrência da condição de portador de moléstia grave e, muito embora solicite seja afastada a glosa em análise, não trouxe qualquer comprovação das despesas informadas; c) cabe ao interessado a comprovação dos fatos alegados em sua impugnação, a qual deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa, nos termos dos Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 arts. 15 e 16, do Decreto 70.235, de 1972, não sendo eficazes as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio de prova adequado; d) conforme também já reconhecido pelo próprio Contribuinte em sua Impugnação, foi indevidamente majorado o valor da dedução declarada, o que resultou na dedução indevida de R$ 20.207,16, tendo em vista que a despesa de fato efetuada, de R$ 2.245,24, foi considerada comprovada pela Fiscalização; e) resta incabível a aplicação, seja do percentual de redução de 50% da multa de ofício, seja do percentual de redução de 40% da mesma, como pretendido pelo interessado, pois estes percentuais apenas cabem ser adotados nas hipóteses de pagamento e parcelamento, respectivamente, no prazo legal da impugnação, o que não ocorreu. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário no qual o contribuinte sustentou que: a) não foi intimado para se manifestar sobre o fato contido na decisão impugnada; b) independente das declarações, o fato é que todo valor descontado no período retroativo da isenção, deverá ser devolvido ao impugnante; c) ninguém pode ser punido por fato não previsto em lei e esta assegura a isenção total, permanente e definitiva ao contribuinte acometido por moléstia grave, conforme laudo médico, em período nele especificado e, mais, torna indevida toda e qualquer retenção dos valores descontados nos vencimentos do contribuinte à título de IRPF; d) o parecer normativo da Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco n.º 002/2012 FUNAPE, de 05/03/2012 defere e assegura o direito em favor do recorrente no período integral compreendido; e) a multa aplicada praticamente alcança o fato principal de sus suposta aplicação, tornandose uma efetiva extorsão, com efeito de fisco, o que é totalmente inconstitucional; f) tem isenção a contar da data na qual a doença foi contraída, independentemente se esta se deu quando o servidor estava em atividade ou já aposentado; g) o princípio da legalidade fora severamente violado, posto que a aplicação sumária de multa por fato estranho e difuso ao processo de isenção fere o direito ao contraditório, ao exercício à ampla defesa e o princípio constitucional da legalidade, uma vez que o recorrente não foi intimado a se manifestar sobre qualquer fato contido da decisão ora impugnada, ao revés, fora intimado porque retificou a sua declaração de imposto de renda IRPF/2011, conforme orientação obtida no atendimento da Receita Federal; h) a discussão não é a aposentadoria ou a atividade do servidor quanto à tributação de seu imposto de renda, mas sim o fato de o Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.720006/201590 Acórdão n.º 2201003.158 S2C2T1 Fl. 109 5 mesmo ter sido acometido de neoplasia maligna, o que por si só lhe garante o benefício da isenção a contar da data de identificação da moléstia em laudo da Junta Superior de Saúde, em 05/11/2009; i) resta desproporcional a multa exorbitante aplicada em desfavor do recorrente,violando o princípio da proporcionalidade, inclusive diante do direito à isenção do recorrente; j) houve falha de digitação no valor das despesas médicas, onde deveria constar R$ 2.245,24, constou R$ 22.452,40; l) seja desconsiderada a glosa da despesa com instrução devido ao direito à isenção por moléstia grave e também por ter sido comprovada a relação de parentesco/dependente com os quais efetuou as despensas com instrução nos estabelecimentos elencados. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Da devida intimação do contribuinte Alega o recorrente que o princípio da legalidade fora severamente violado, posto que a aplicação sumária de multa por fato estranho e difuso ao processo de isenção fere o direito ao contraditório, ao exercício à ampla defesa e o princípio constitucional da legalidade, uma vez que o recorrente não foi intimado a se manifestar sobre qualquer fato contido da decisão ora impugnada, ao revés, fora intimado porque retificou a sua declaração de imposto de renda IRPF/2011, conforme orientação obtida no atendimento da Receita Federal. Quanto a tais argumentos, cumpre salientar que o contribuinte foi devidamente intimado, conforme demonstra o AR de fl. 66, bem como as informações constantes da Notificação de Lançamento juntada pelo próprio contribuinte em sede de impugnação, na qual estão descritos de maneira pormenorizada todos os fatos e descrições legais, nos termos do disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcritos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Desse modo, não se vislumbra violação à legalidade, ao contraditório e à ampla defesa, tendo em vista que, conforme se verifica dos autos, houve a devida intimação do contribuinte acerca da Notificação, inclusive sendo oportunizada a apresentação de impugnação e, posteriormente, de recurso voluntário, em atendimento à legislação de regência. Da omissão de rendimentos tributáveis indevidamente declarados como isentos Conforme se verifica dos autos, restou comprovado o acometimento pelo contribuinte de moléstia grave, desde 05/11/2009, contudo a sua reforma se deu apenas no ano de 2014, em consonância com a Portaria FUNAPE n.º 2784 de 2014. Aduz o recorrente que faz jus ao direito à isenção, a contar da data na qual a doença foi contraída, independentemente do fato de o servidor estar na atividade ou já estar aposentado. Assevera também o contribuinte que ninguém pode ser punido por fato não previsto em lei e esta assegura a isenção total, permanente e definitiva ao contribuinte acometido por moléstia grave, conforme laudo médico, em período nele especificado e torna indevida toda e qualquer retenção dos valores descontados nos vencimentos do contribuinte à título de Imposto de Renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.720006/201590 Acórdão n.º 2201003.158 S2C2T1 Fl. 110 7 Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Dessa forma, considerando a ausência do cumprimento do requisito referente à natureza dos rendimentos, no período autuado, pois a reforma ocorreu apenas no ano de 2014, inexiste direito à isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Desse modo, em obediência ao disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, no art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e no Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, descumpridos os requisitos legais necessários à concessão da isenção, não assiste razão ao contribuinte. Da ausência de comprovação das despesas com instrução Com relação à glosa das despesas com instrução, alega o recorrente que seja desconsiderada tal glosa devido ao direito à isenção por moléstia grave e também por ter sido comprovada a relação de parentesco/dependente com os quais efetuou as despesas com instrução nos estabelecimentos elencados. Como restou ponderado anteriormente, o contribuinte não faz jus à isenção, pois não preencheu concomitantemente os requisitos legais concessivos do direito pleiteado. Sobre a alegação de comprovação das despesas com os dependentes, apenas houve a juntada dos documentos referentes à relação de dependência, mas não houve a comprovação das despesas por meio da documentação solicitada na intimação. Portanto, como não constam nos autos documentos aptos à demonstração dos efetivos pagamentos e da realização da prestação dos serviços, a glosa deve ser mantida. Da dedução indevida de despesas médicas Conforme relatado, foi efetuada a glosa do valor de R$ 20.207,16 (vinte mil duzentos e sete reais e dezesseis centavos) indevidamente deduzido a título de despesas médicas por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para dedução (Polícia Militar). Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.720006/201590 Acórdão n.º 2201003.158 S2C2T1 Fl. 111 9 Sustenta o recorrente que tal glosa decorreu de um erro de digitação, quando da declaração, pois, equivocadamente, no lugar de R$ 2.245,24 de despesas médicas, foi digitado o valor de R$ 22.452,40. Como bem delineado no acórdão recorrido, a responsabilidade pelas infrações à legislação tributária é objetiva, nos termos do que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O instrumento para a correção de eventuais erros é a declaração retificadora, antes da notificação do lançamento, conforme o art. 147, § 1º, do CTN: §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, não há reparos a se fazer no lançamento em análise, tendo em vista que, de fato, fora pleiteada a dedução em valor maior que o devido, não sendo o suposto "erro de digitação" hábil a elidir a responsabilidade pelo respectivo crédito tributário, devendo ser mantida a glosa de despesas médicas, conforme efetuada. Da multa de ofício Alega o contribuinte que resta desproporcional a multa exorbitante aplicada, inclusive diante do direito à isenção do recorrente. Superada à questão relativa à isenção, pois como demonstrado não assiste esse direito ao contribuinte, cabe esclarecer que a multa aplicada pelo fisco decorre de previsão legal (artigos 961 a 963 do RIR/1999), descabendo ao Conselho perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não, sob a ótica do princípio da proporcionalidade, pois tal situação esbarraria na análise da constitucionalidade das normas legais, o que confronta o disposto no Enunciado de Súmula n.º 2 do Conselho: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10950.720799/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. LANÇAMENTO IMEDIATO.
Diante da inobservância dos requisitos legais do direito à isenção decorrente do art. 195, § 7°, da Constituição, impõe-se a imediata lavratura de auto de infração, a partir do relato dos fatos caracterizadores do não atendimento dos requisitos legais para o gozo da isenção,
LITISPENDÊNCIA. CONEXÃO
Não se comprovando a litispendência, não há razão para vincular as motivações de processos distintos.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional - CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
RO Negado e RV Provido em parte
Numero da decisão: 2301-004.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício; vencidos o relator e os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior; (2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) reconhecer a decadência com base no art. 150, § 4º do CTN, e (b) afastar a multa qualificada (competências 12/2008 e 13/2008), vencidos o relator e os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior; (3) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I ,da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza ; pela tese "b" Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isto, as multas restaram mantidas, como consta no lançamento. Designados para redigir o voto vencedor: quanto à decadência e à multa qualificada, o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; quanto às multas relacionadas à GFIP, a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espindola Reis, Fabio Piovesan Bozza, Julio Cesar Vieira Gomes e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. LANÇAMENTO IMEDIATO. Diante da inobservância dos requisitos legais do direito à isenção decorrente do art. 195, § 7°, da Constituição, impõe-se a imediata lavratura de auto de infração, a partir do relato dos fatos caracterizadores do não atendimento dos requisitos legais para o gozo da isenção, LITISPENDÊNCIA. CONEXÃO Não se comprovando a litispendência, não há razão para vincular as motivações de processos distintos. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional - CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. RO Negado e RV Provido em parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.854 1 2.853 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.720799/201059 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2301004.590 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE SAÚDE E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. LANÇAMENTO IMEDIATO. Diante da inobservância dos requisitos legais do direito à isenção decorrente do art. 195, § 7°, da Constituição, impõese a imediata lavratura de auto de infração, a partir do relato dos fatos caracterizadores do não atendimento dos requisitos legais para o gozo da isenção, LITISPENDÊNCIA. CONEXÃO Não se comprovando a litispendência, não há razão para vincular as motivações de processos distintos. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 07 99 /2 01 0- 59 Fl. 2854DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. RO Negado e RV Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício; vencidos o relator e os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior; (2) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) reconhecer a decadência com base no art. 150, § 4º do CTN, e (b) afastar a multa qualificada (competências 12/2008 e 13/2008), vencidos o relator e os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior; (3) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I ,da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza ; pela tese "b" Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior e pela tese "c" Julio Cesar Vieira Gomes e Amílcar Barca Teixeira Júnior; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pelo voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Fabio Piovesan Bozza; com isto, as multas restaram mantidas, como consta no lançamento. Designados para redigir o voto vencedor: quanto à decadência e à multa qualificada, o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; quanto às multas relacionadas à GFIP, a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Bellini Junior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Fl. 2855DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.855 3 Souza Espindola Reis, Fabio Piovesan Bozza, Julio Cesar Vieira Gomes e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Fl. 2856DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Relatório Na forma do laborioso Relatório Fiscal às fls. 2.111 a 2.195, a autoridade autuante expressou em 688 itens o crédito constituído sobre os fatos geradores de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados com vínculos de emprego e contribuintes individuais com trabalho por conta própria a serviço do sujeito passivo. Conforme o item 2 do Relatório Fiscal às 2.111, o período da constituição do crédito está contido nas competências 01/2005 a 13/2008. " 2, o débito objeto do presente AI teve como origem o levantamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações efetivamente pagas aos segurados empregados com vínculos de emprego e contribuintes individuais com trabalho por conta própria a serviço do sujeito passivo no período de 01/2005 a 13/2008." A ementa do Acórdão 0639.881 a 5 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiva ( PR) DRJ/CTA , em 20 de março de 2013 abaixo colacionada , traduz em síntese as matérias julgadas cujja decisão também se transcreve em seguida: " DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO. Não havendo omissão ou obscuridade capaz de impossibilitar, no todo ou em parte, o exercício da ampla defesa, não prospera a alegação de cerceamento de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 ISENÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. LANÇAMENTO IMEDIATO. Diante da inobservância dos requisitos legais do direito à isenção decorrente do art. 195, § 7°, da Constituição, impõese a imediata lavratura de auto de infração, a partir do relato dos fatos caracterizadores do não atendimento dos requisitos legais para o gozo da isenção, sendo desnecessária a emissão de Ato Cancelatório ou de Ato Declaratório Executivo. DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA VINCULANTE. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO CTN. Fl. 2857DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.856 5 A teor da Súmula Vinculante nº 08 do STF, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do grupo econômico de fato demanda a evidenciação da atuação conjunta, seja por subordinação ou coordenação dos integrantes do grupo." ACÓRDÃO ” Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar, nos termos do Voto do Relator, procedente em parte a impugnação conjunta apresentada, em razão: (a) da procedência em parte da prejudicial de mérito, declarandose a decadência do direito de constituição do crédito tributário em relação ao: (a1) Auto de Infração n° 37.330.2410, da única competência lançada, 01/2005; (a2) Auto de Infração n° 37.283.3748, das competências 01/2005 a 08/2005, 11/2005 e 13/2005; e (a3) Auto de Infração n° 37.330.2401, das competências 12/2005, 01/2006, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 09/2006, e 10/2006; (b) da redução da multa de ofício no Auto de Infração n° 37.330.2401 de 225% para 112,2%; (c) da exclusão da responsabilidade decorrente do art. 13 da Lei n° 8.620, de 1993, aos sócios Sr. Jorge Abou Nabhan e a Sra. Ana Maria Pletsch Nabhan, mantida, entretanto (e até a competência 08/2008), a responsabilidade decorrente do art. 134, III, do CTN; e (d) da exclusão da responsabilidade solidária da empresa Pletsch & Nabhan, do Sr. Jorge Abou Nabhan, inclusive a responsabilidade por força do art. 135, III, do CTN, e da Sra. Ana Maria Pletsch Nabhan nas competências 09/2008, 10/2008, 11/2008, 12/2008 e 13/2008; mantendo em parte o crédito tributário exigido. Considerandose que, além das declarações de decadência explicitadas acima e da redução da multa de ofício aplicada no AI n° 37.330.2401, houve exoneração de sujeito passivo solidário em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) em relação aos AIs n° 37.283.3748 e 37.330.2401 (exclusão da responsabilidade decorrente do art. 13 da Lei n° 8.620, de 1993; e exclusão das responsabilidades solidária e pessoal a partir competência 09/2008), recorro de ofício da presente decisão, por força do disposto no art. 34, I e § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, e no art. 1° da Portaria MF n° 3, de 2008 " Fl. 2858DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 DO RELATÓRIO A QUO Em razão do extenso Relatório Fiscal, bem como da impugnação interposta de igual volume, o julgador a quo , ainda que tenha tentado , não pode deixar de produzir vasto relatório traduzido às fls 2.740 a 2.749. Compulsei os autos e do sobredito relato do julgador a quo, extraio os trechos abaixo: " 1. O presente processo (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fl. 2108) tem por objeto impugnação aos Autos de Infração n° 37.283.3748 (Folha de Rosto, fl. 2221), referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2005 a 12/2008 e valor de R$ 3.157.462,60, consolidado em 06/10/2011, n° 37.330.2401 (fl. 2203), referente às contribuições dos segurados, no período de 12/2005 a 12/2008 e valor de R$ 34.282,74, consolidado em 06/10/2011, e n° 37.330.2410 (fl. 2205), referente à diferença de acréscimos legais e de multa de mora, na competência de 02/2005 e no valor de R$ 10,57, consolidado em 06/10/2011, lavrados contra a FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE SAÚDE, acima identificada, e conta os solidários PLETSCH & NABHAN LTDA, CNPJ nº 77.446.573/000178, e ANA MARIA PLETSCH NABHAN, CPF: nº 686.536.03972, e contra o solidário e pessoalmente responsável JORGE ABOU NABHAN, CPF: nº 200.498.97934. Apenas para as competências 12 e 13/2008 aplicouse multa de ofício, agravada e qualificada, nos moldes traçados pela Medida Provisória 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009. 2. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados, com lastro no art. 32 da Lei n° 12.101, de 2009, estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 2111/2195) e nos demais anexos dos Autos de Infração n° 37.283.3748, n° 37.330.2401 e n° 37.330.2410 (fls. 01/2195, fornecidas aos autuados em mídia magnética, quando da cientificação dos lançamentos, fl. 2242). Na ação fiscal, a fiscalização lavrou Representação Fiscal para Fins Penais. 2.1. Sustentando o não atendimento dos requisitos legais para gozo de isenção (Lei n° 8.212, de 1991, art. 55, IV e V; Lei n° 12.101, de 2009, art. 29, I, II, IV, V e VII; e Lei n° 5.172, de 1966, art. 14), a fiscalização lavrou os autos de infração em tela (Lei n° 12.101, de 2009, art. 32; e Decreto n° 7.237, de 2010, art. 45), efetuando os lançamentos (com multa de mora ou multa atual agravada e qualificada, hipótese esta em que se acrescentou o n° 2 ao título do levantamento) por meio dos seguintes levantamentos: 1 CI – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS GFIP 2 DAL – Diferença de acréscimos legais Fl. 2859DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.857 7 3 DR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL RAZÃO 4 EM – REMUNERAÇÃO EMPREGADOS GFIP 5 FR PAGAMENTOS DE FRETES 6 NC – AGENTES NOCIVOS GFIP 7 SE – CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS 1 CI consideradas as bases de cálculo sobre as remunerações dos contribuintes individuais declaradas em GFIP para cálculo de contribuições patronais 2 DAL considerada a base de cálculo da diferença de acréscimos legais no recolhimento em atraso da competência 01/2005 3 DR consideradas bases de cálculo da contribuição patronal as diferenças de remunerações escrituradas para os contribuintes individuais no Livro Razão, porém não declaradas em GFIP pelo sujeito passivo e cujos segurados não atingiram o limite máximo do salário de contribuição do Regime Geral de Previdência Social em outros empregadores. Para o ano de 2005, as bases de cálculo foram arbitradas pelos valores declarados na DIRF para os meses de janeiro, julho, agosto e novembro, uma vez apresentados os Livros Diário e Razão de dezembro apenas. 4 EM consideradas as bases de cálculo sobre as remunerações dos segurados empregados declaradas nas GFIP's ou na escrituração contábil em competências sem GFIP da competência 13 para cálculo de contribuições patronais e para terceiros 5 FR consideradas bases de cálculo de contribuições patronais as diferenças de remunerações escrituradas para os contribuintes individuais transportadores autônomos no Livro Razão, porém não declaradas em GFIP pelo sujeito passivo ; 6 NC foram consideradas as bases de cálculo do adicional de RAT por exposição a agentes nocivos sobre a remuneração de segurados com aposentadoria especial de 25 anos declarada na GFIP para cálculo de contribuições patronais; e 7 SE consideradas bases de cálculo as diferenças de remunerações escrituradas para os contribuintes individuais no Livro Razão, porém não declaradas em GFIP pelo sujeito passivo e cujos segurados não atingiram o limite máximo do salário de contribuição do Regime Geral de Previdência Social em outros empregadores para calculo de contribuições dos segurados. Fl. 2860DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 3. Cientificados do lançamento em 27/12/2011 (fls. 2220/2242), todos os autuados (FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE SAÚDE, PLETSCH & NABHAN LTDA, ANA MARIA PLETSCH NABHAN e JORGE ABOU NABHAN), em petição conjunta, apresentaram a impugnação de fls. 2244/2272, em 25/01/2012 (fl. 2244), DA IMPUGNAÇÃO Outra vez se aproveita os registros a quo na forma abaixo transcrita: "a) Litispendência. Por força do Ato Declaratório n° 98, afastou se a imunidade do Art. 150, VI, alínea "c" e § 2o, da Constituição da República de 1988. O ato foi mantido em primeira instância administrativa, pendendo recurso ordinário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no processo n° 10950.004285/201052. Assim, considerandose que o lançamento foi efetuado para se evitar a decadência e que o provimento do recurso ordinário ensejará a perda de objeto do presente processo, requer o sobrestamento do feito até julgamento do recurso interposto no processo n° 10950.004285/201052. b) Cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do contraditório, da eficiência e da causalidade. O ato administrativo do lançamento deve identificar, precisamente, as bases de cálculos e agrupar os fatos geradores das espécies de incidência das contribuições previdenciárias, de modo a oferecer clareza e segurança jurídica aos impugnantes, evitandose exercício mental e trabalho exaustivo no agrupamento, seleção e consolidação de cada valor tributável. O método adotado no Relatório Fiscal eletrônico viola os princípios da eficiência (CR, art. 37, caput) e da causalidade (CTN, art. 142). Não se apresentou o usual "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL" escrito, mas DVD com mais de cinco mil documentos, relatórios e demonstrativos, a ponto de os impugnantes não acompanharem o raciocínio fiscal. Os autos de infração espelham apenas os valores do principal, juros de mora e multas, sem demonstrar os elementos da perspectiva dimensível de incidência das contribuições, tendo a fiscalização consolidado, a seu modo, as bases de cálculos e fatos geradores, concentrados nos registros eletrônicos. O critério da exposição dos fatos fiscais impediu os impugnantes de agregar e consolidar fatos geradores e identificar as alíquotas. A identificação das bases de cálculos e fatos geradores registrados em DVD exige paciência, tempo e disposição até a compreensão dos registros, principalmente para quem não dispõe de recursos técnicos e de meios de operar um sistema de dados complexos, no interesse da defesa. Fl. 2861DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.858 9 Portanto, o Relatório Fiscal na mídia (DVD) traduz evidente "cerceamento do direito de defesa" e viola o princípio do contraditório. c) Diligência e perícia. Diante dos princípios da boa fé e da razoabilidade, requer diligência e perícia para se identificar e constatar o conteúdo dos documentos registrados em mídia digital (em especial os fatos geradores e as bases de cálculo) e os fatos omitidos sobre a história e regime jurídico da Fundação. Indica perita e formula afirmativas do que deva ser provado. No propósito de justificar os pontos questionados, alega fazerse necessária a constatação física, inclusive dos valores dos bens adquiridos, além de se esclarecer as omissões da fiscalização a este respeito. d) Decadência. O conjunto de lançamentos cientificados no dia 28/12/2011 indica a constituição das contribuições federais e previdenciárias sobre bases de cálculos e fatos geradores dos anos calendários de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009. Sem ter tempo e meios para identificálos dentre os mais de cinco mil documentos constantes do DVD, os impugnantes pugnam pela decadência do período base de 2005 (CTN, art. 173, I cinco anos contados de 01/01/2006 a 01/01/2011). Além disso, há decadência dos fatos geradores nos meses de 01/2006 a 11/2006, conforme previsto no caput do art. 173 c/c o art. 150, § 4o do CTN e respaldado na Jurisprudência do Poder Judiciário, tendo havido, ainda que parcialmente, pagamento antecipado. e) Das multas confiscatórias. Sem considerar o regime jurídico da Fundação impugnante, a fiscalização aplicou multa pecuniária punitiva, de natureza confiscatória e juridicamente indevida. Ao invés de transferir recursos diretamente, os Municípios adotaram o contrato de "CONCESSÃO" e "COMODATO", imputando ao impugnante Jorge Abou Nabhan a responsabilidade extraadministrativa de prover a Fundação Pública FHISA de recursos federais e estaduais necessários à manutenção. Apesar de atípicos, esses negócios jurídicos foram referendados pelas Curadoras das Fundações. O próprio Consórcio dos Municípios propôs a remuneração extra Administrativa a ser paga pela Fundação ao impugnante Jorge, via prestadora Pletsch & Nabhan, prevista na cláusula quinta, letra "b" do contrato de "comissão", conjugada com o art. 7o, parágrafo único, letra "e" dos Estatutos de 1992 da Fundação. A ausência nos registros contábeis na Fundação prova a carência de receitas transferidas dos orçamentos dos Municípios, do anocalendário de 1992 ao anocalendário de Fl. 2862DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 2008. O desvio de finalidade foi provocado apenas e tãosomente pelos Municípios, responsáveis pela manutenção da Fundação, não se podendo atribuir dolo aos impugnantes. O lançamento foi efetivado após dezenove anos da celebração dos contratos de "concessão" e "comodato" em 22/09/1992. Assim, além de se referendar o negócio jurídico, as comissões adquiriram efeitos de direito adquirido e prática reiterada no decurso do tempo (CTN, artigos 100, III e parágrafo único e 108, III). O Curador de Fundações atual, na época da reforma dos Estatutos da Fundação em 10/10/2000, teve a oportunidade de fiscalizar os vergastados contratos, não tendo decretado a nulidade das avenças (Código Civil, arts. 167 e 168). A conduta dos impugnantes não configura "simulação" ou "conluio". O Relatório Fiscal conclui por "dolo motivador de sonegação", mas não examina fatos, indícios e provas e nem a origem ou o regime jurídico da Fundação. Se houve dolo, debite se à conduta e ação oculta dos Municípios integrantes do Consórcio instituidor da Fundação Pública, gestores dos entes de direito público e verdadeiros agentes autores da conduta omissiva, por deixarem de manter a Fundação. Na verdade, valeramse da habilidade do impugnante Jorge. Por uma "comissão", estaria ele obrigado a angariar recursos públicos dos Governos Estadual e Federal e a tocar a Fundação, sem o uso de verbas dos Municípios. Conluio, simulação, dolo de dano ou sonegação não podem ser imputados aos impugnantes. Pois, não deram causa e motivo. Foram forçados a gerir a Fundação em regime de escassez de recursos, imposta pelos Municípios instituidores, apesar da obrigação de mantêla como prevêem as Leis Municipais. O arranjo arquitetado pelo Consórcio dos Municípios, versados nos contratos de "comodato" e "comissão", dirigiase à finalidade certa, evitar o uso de recursos dos orçamentos próprios, com a utilização apenas de recursos da União e do Estado, como previsto na CR de 1988, art. 30, Inciso VII, e na Lei n° 8.080, de 1990, artigos 4o e 10. Os Municípios integrantes do Consórcio são os que devem figurar no pólo passivo (CTN, artigos 116, I, II e seu parágrafo único, e 121, par. único, I e II). São eles, os motivadores do desvio de finalidade ao induzirem o impugnante Jorge Nabhan em erro e o levarem a buscar recursos públicos da União Federal e do Estado, mediante "comissões" pagas pela própria Instituição, com a finalidade de desonerálos da obrigação de manter a Fundação, por eles mesmos criada para atender exigência constitucional. De resto, os impugnantes invocam o princípio do "In dúbio pro contribuinte", previsto no art. 112 do CTN. f) Impugnação ao Ato Declaratório. O Ato Declaratório n° 98 não pode prosperar. Isso porque, considerou as causas e a realidade da Fundação, fugindo do princípio da interpretação axiológica e integrativa e presumindo a prática de danos ao Fl. 2863DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.859 11 patrimônio da Fundação para arredar a instituição da isenção, com base em interpretação literal e em meras irregularidades na escrita (CTN, art. 14, III). Além disso, o Ato Declaratório n° 98 não tem o condão de autorizar o lançamento tributário, sendo inconstitucional o art. 32 e parágrafos da Lei 9.430, de 1996, uma vez que a limitação do poder de tributar demanda lei complementar e suspender não se confunde com cassar ou anular o benefício, não podendo a lei atribuir efeito retroativo ao ato de suspensão da imunidade. g) Pedido. Preliminarmente, pedem o sobrestamento do julgamento até decisão do recurso ordinário interposto no processo n° 10950.004285/201052, a nulidade do processo e dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa e violação ao princípio do contraditório. Em preliminar de mérito, pede e a declaração de decadência, em face dos arts. 173, I, e 150, §§ 1° e 4°. No mérito, pedem o cancelamento dos lançamentos e a descaracterização do "dolo de conduta" e "dolo de danos" imputados aos impugnantes e o reconhecimento da inocorrência de infração ao art. 150, VI, “c”, da CR, de 1988, ou aos arts. 9°, IV, "c", e 14 do CTN, bem como o não cabimento da suspensão retroativa da imunidade Além disso, postulam o reconhecimento de que a responsabilidade solidária imputada não encontra respaldo na segurança jurídica, não sendo cabível a vinculação da sociedade empresária Pletsch & Nabhan Ltda, do Sr. Jorge Abou Nabhan, e da Sra. Ana Maria Pletsch Nabhan, sendo as provas constantes dos autos suficientes para se atribuir tal responsabilidade aos Municípios integrantes do Consórcio. Requerem, por fim, diligência e perícia, a fim de reordenar, quantificar mês a mês os fatos geradores e apurar se houve ou não transferências de recursos dos orçamentos dos Municípios integrantes do Consórcio mantenedor para a Fundação Pública impugnante. Requerem, ainda, deferimento do prazo de sessenta dias para o apensamento dos laudos periciais da diligência. 4. Em face do disposto no art. 2° da Portaria RFB n° 666, de 2008, processos n° 10950.723751/201183, n° 10950.723752/201128 e n° 10950.723754/201117 foram desapensados (fls. 2450/2455). 5. Em 30/05/2012 (fl. 2460), os impugnantes protocolaram a petição conjunta de fls. 2460/2522, acompanhada dos documentos de fls. 2523/2737, alegando, em síntese, que: a) Com lastro no art. 3°, III, da Lei n° 9.784, de 1999, requerem a apreciação dos documentos e da petição contraditando as convicções da autoridade lançadora acerca das bases de cálculo e fatos geradores das exações lançadas. Fl. 2864DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 b) Em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foram efetuados os lançamentos das hipotéticas infrações à legislação tributária (do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, CPSINSS, multa e juros), tendo o Delegado da Receita Federal do Brasil em Maringá expediu o Ato Declaratório Executivo DRF/MGA n° 98 de 2010. Sem meios e possibilidade de conciliar os valores distribuídos pelos anos calendários de 2005 a 2009, os impugnantes se valeram de auditor particular para localizar e reproduzir os demonstrativos do Lucro Líquido e CSLL, do Lucro Real e o IRPF, extraídos da mídia em DVD. Definidas essas bases de cálculo, causa e finalidade do processo n° 10950.724423/201102, fundado no Ato Declaratório n° 98, de 2010, a fiscalização instituiu o lançamento das contribuições previdenciárias, DEBCADs n° 37.330.2401, 37.330.2410 e 37.283.3748. Em razão das infrações imputadas, aplicouse a multa máxima de 225%. c) Preliminarmente, as contribuições previdenciárias lançadas não prosperam pela ilegalidade do Ato Declaratório n° 98, de 2010, por não ser retroativa a suspensão e por ser inconstitucional o § 5° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, e do art. 14 da Lei n° 9.532, de 1997, bem como do contido no Decreto n° 2.194, de 1997, e Parecer PGFN/CRF n° 439, de 1996. Há também decadência. As legislações do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS exigem o pagamento antecipado. Logo, deve ser observada a regra do art. 150, § 4°, combinado com o art. 173, ambos do CTN, bem como do art. 38 da Lei n° 8.383, de 1991. d) A Fundação foi constituída para operar sob o regime jurídico de “fundação de direito público”, por estar ao abrigo das leis municipais autorizadoras de sua instituição e manutenção com recursos dos respectivos orçamentos, atendendo exigências Apresentam Escritura Pública de Declaração, celebrada em 18/02/2009, em que Arlei Hernandes de Biazzi esclarece motivos, causa e finalidade do surgimento da Fundação; bem como as leis municipais autorizando a instituição e manutenção da Fundação. No entanto, o Promotor de Justiça Curador das Fundações, quando da reforma do Estatuto Social, no ano de 2000, retirou a condição de fundação pública, bem como a obrigatoriedade dos Municípios manterem a Fundação. No dia 22/08/2008, o Promotor e Curador das Fundações ajuizou Ação Civil Pública com pleito de intervenção na administração da Fundação, tendo sido deferida liminar. Apesar da alteração do regime jurídico, os contratos de “concessão” e “comodato” (firmados) foram mantidos até a celebração do primeiro contrato de locação em 11/06/2007, eis que celebrados de boafé (CC, art. 422) em 22/09/1992 com base na autorização constante da letra “e” do parágrafo único do art. 7° do Estatuto Social de 28/10/1992, não se podendo alterar os conceitos e formas de direito privado (CTN, arts. 109 e 110). Fl. 2865DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.860 13 O “contrato de concessão” foi aceito pelo Consórcio de Municípios, aprovado no visto instrumental de 28/10/1997 da Promotora Curadora das Fundações e levado ao Registro de Títulos e Documentos. A comissão de 17% consubstanciavase em contraprestação mensal paga pela Fundação Hospitalar à sociedade empresária "Pletsch & Nabhan Ltda" ex Jorge Abou Nabhan & Cia. Ltda , pelo uso do acervo de bens de ativo do HOSPITAL CIANORTE. A fiscalização deixou de considerar a causa, motivo e finalidade da constituição da "Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde FHISA", ou seja, uma forma de remunerar o patrimônio da Concessionária. No ano de 2006, debateuse no Conselho Diretor da Fundação a mudança do contrato de concessão para um contrato de locação, conforme atas. Em 11/06/2007, após catorze anos, oito meses e onze dias, entrou em vigor contrato de locação, não concordando o Curador de Fundações com o valor do aluguel mensal fixado (inicialmente R$ 42.285,30 e depois R$ 41.000,00), o que ensejou avaliação pela empresa Iwata & Iwata – Imóveis. Revisto o contrato de locação em 28/10/2010 (aluguel de R$ 32.000,00), os montantes depositados em juízo foram liberados. Além disso, Pletsch & Nabhan Ltda renunciou aos créditos (R$ 258.251,46) das “comissões” lançadas até o primeiro contrato de locação. O Auditor Agnaldo Aparecido de Souza denunciou em Relatório de Auditoria Específica da Fundação o estorno no razão contábil. As comissões foram estornadas nos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme anexos I a XI – razão contábil – da conta “comissão”, tendo a empresa Pletsch & Nabhan Ltda renunciado a um milhão de reais consignado em contrato de confissão de dívidas. O estorno justificou a transação em que as partes ajustaram o segundo contrato de locação e a Fundação liberou os aluguéis depositados judicialmente. A fiscalização atribuiu aos valores pagos e creditados à sociedade Pletsch & Nabhan Ltda interpretação analógica e inadequada às taxativas hipóteses de incidência da “distribuição disfarçada de lucros” (Decreto n° 3.000, de 1999, art.s 464, I a V, e 466, VI; e CTN, art. 14, I e § 1°) As comissões não se enquadram nos incisos I a VI do art. 464 do Decreto n° 3.000, de 1999, ou nos arts, 60 a 62, do Decretolei n° 1.598, de 1977, alusivos à hipótese de "Distribuição Disfarçada de Lucro". Meritório exemplo vem das locações de lojas em "shopping center", onde o locatário (terceiro) suporta o aluguel mensal equivalente a um "percentual” sobre a receita operacional bruta (vendas) do estabelecimento, aplicandose o § 3o do citado art. 464 do Decreto n° 3.000, de 1999. Em 11/06/2007, passou a vigorar contrato de locação, tendo o “aluguel’ substituído a “comissão”. A fiscalização glosou os Fl. 2866DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 "alugueis" creditados pela locatária "Fundação", a favor da locadora "Pletsch & Nabhan Ltda", violado o direito de propriedade da locadora e ignorando os valores depositados em juízo considerando "Distribuição disfarçada de lucro" o dobro do valor devido, exigindo o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em excesso de exação. A sociedade empresária "Pletsch & Nabhan Ltda" participou da constituição da Fundação, por ato de seu administrador "Jorge Abou Nabhan", tendo bens da sociedade integrado o contrato de comodato. Assim, Jorge Abou Nabhan cedeu móveis e imóveis para que a Fundação (a ser mantida pelo Consórcio dos Municípios) pudesse operar. Por isso, assinou o Estatuto Social, aprovado em Assembléia Geral em 28/10/1992, na condição de cofundador. No dia 05/12/1992, a Promotora Curadora de Fundações referendou a constituição da Fundação (Atestado n° 01). Formalizado e publicado o ato constitutivo, o Estatuto Social foi registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas em 15/10/1992. Não se aplica o artigo 64 do Código Civil, de 2002, em face do regime jurídico da fundação instituída com a promessa de ser mantida com recursos públicos, orçamentários. A mesma fundação que, por ato inconfessável do Douto Curador, seria transformada em instituição privada. A constituição garante o direito de propriedade. No caso da pretendida desapropriação, manifestada pelo Douto Curador nas Atas da Fundação, seria necessário o depósito judicial prévio, antecipado, do justo e equitativo valor periciado, antes de ato judicial outorgar a investidura na posse direta ou indireta. A sociedade empresária "Pletsch & Nabhan Ltda" supria a Fundação das necessidades urgentes de dinheiro. Sem a detida atenção na auditagem dos empréstimos rotativos nos registros contábeis da Fundação, tendo a fiscalização incluído parcelas dos empréstimos nas bases de cálculos tipificadas como hipótese de incidência em "Distribuição Disfarçada de Lucro” para as exações do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, o que se refletiu nos lançamentos das CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A partir do razão contábil da Fundação, constante da mídia em DVD, apurase que a conciliação da conta empréstimos financeiros com os extratos bancários das contas de movimentos da "Pletsch & Nabhan Ltda" e com as contas de movimentos da Fundação, comprovam que os cheques da "Pletsch & Nabhan Ltda" foram entregues a título de empréstimos e depositados nas contas bancárias de movimento da "Fundação". Por outro lado, os cheques sacados das contas de movimentos bancários da "Fundação", se referem às devoluções dos recursos tomados de empréstimos. Valores devolvidos e depositados nas contas bancárias da "Pletsch & Nabhan Ltda." Anexo neste feito fiscal, os extratos de movimentos bancários, reproduzidos em "scanners". Tais documentos provam os saques e correspondentes depósitos das operações de débito/créditos, Fl. 2867DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.861 15 envolvendo empréstimos a título gratuito e as restituições feitas pela "Fundação" à "Pletsch & Nabhan Ltda". Sem verificar as obras civis realizadas sob o patrocínio do Ministério da Saúde e a cessão dos valiosos terrenos em comodato e sem anotar as origens e dispêndios dos recursos dirigidos nas aquisições dos equipamentos médicos, a fiscalização agregou em “Distribuição Disfarçada de Lucro" valores da manutenção e conservação dos imóveis locados e dos bens de ativo da Fundação. A inclusão das despesas de manutenção de imóveis e equipamentos sob o regime de "comodato e locação" na hipótese de "Distribuição Disfarçada de Lucro" viola os mais elementares princípios de direito constitucional, civil e tributário, bem como nega vigência ao pacto comutativo do contrato de locação e comodato. Muito embora o contrato de locação exiba a cláusula impondo à locatária a obrigação de reparar os bens locados, as construções incorporadas o foram com recursos do Ministério da Saúde e tem pela frente vinte e cinco anos de uso, até o esgotamento da vida útil das construções. Além disso, há o contrato adesivo de "comodato", em que a locadora cedeu para uso, sem ônus pela comodatária, dois valiosos imóveis em que foram erguidas construções subsidiadas, padecendo de tipificação legal o enquadramento na figura da "Distribuição Disfarçada de Lucro". Por fim, nos anos calendários de 2005, 2006, 2007 e 2008, incluiuse como "Distribuição Disfarçada de Lucros", com incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sobre gastos de viagens indispensáveis ao desenvolvimento da atividade da Fundação. Na função de presidente, o Sr. Jorge, assiduamente, teve de comparecer a Repartições Públicas do Ministério da Saúde, Câmaras dos Deputados e Senado da República em Brasília DF, como provam os inúmeros convênios celebrados com a FUNASA e órgãos dos governos federal e estadual. A anormalidade na classificação e registros contábeis apontadas pela fiscalização devese à imperícia dos contadores. A confusão nos lançamentos de créditos e débitos entre a "Pletsch & Nabhan Ltda" e a "Fundação” deu azo aos títulos divergentes nos lançamentos, porém justificáveis. São induvidosos os erros de fato ou de tipo excludente da manifestação volitiva ou intencional de afrontar qualquer dispositivo da legislação tributária. Há ausência do dolo caracterizador do tipo “distribuição disfarçada de lucro”. Os sócios não se confundem com a sociedade (CC de 1916, art. 20; e CC de 2002, arts. 40 a 50, 981 a 985, 1.052 e 1.060). Somente a empresa "Pletsch & Nabhan Ltda" pode receber a carga das responsabilidades subsidiária e solidária e não os Fl. 2868DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 sócios (Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan), não cabendo arrolamento de bens dos sócios. A responsabilidade dos sócios demanda a dissolução irregular da sociedade empresária (Pletsch & Nabhan) e a transferência dos bens corpóreos e incorpóreos do ativo para os seus domínios. Somente nestas condições assumiriam a responsabilidade pelos débitos tributários da sociedade extinta e não os da Fundação (CTN, artigos 124, II, 128, 137, VI, e 135, III). O inciso VII, do art. 79, da Lei 11.941, de 2009, revogou o art. 13, da Lei n° 8.620, de 1993, não havendo responsabilidade subsidiária e solidária, além de militar em favor dos responsáveis a decadência até novembro de 2006. A graduação máxima da multa expropria o patrimônio da Fundação, uma entidade reconhecidamente beneficente e de socorro aos necessitados. O lançamento se socorre da analogia, mas seu uso é vedado para se exigir tributo (CTN, art. o art. 108, I, e § I). Por isto, pugnam pela aplicação do princípio do "in dúbio" pró contribuinte (CTN, art. 112, I a IV). O art. 150, inciso IV, da CR não ampara o confisco decorrente da pretensão de se expropriar bens imóveis, edificações e móveis do Hospital ocupado pela Fundação, de propriedade da "Pletsch & Nabhan Ltda", na eleição dos sócios responsáveis tributários, bem como o acervo dos bens imóveis e móveis de propriedade da Fundação. e) Requerem: (1) a aplicação ex nunc do Ato Declaratório n° 98, de 2010, bem como a inconstitucionalidade do § 5o, do art. 32, da Lei n° 9.430, e do art. 14, da Lei n° 9.532, de 1997, declarada na ADI n° 18023; (2) decadência fundada nos Arts. 150, § 4o, e 173, "caput"; (3) a legalidade do contrato de concessão, bem como a dedutibilidade das comissões geradas até dezembro do ano de 2005; (4) legalidade do contrato de locação e a dedutibilidade dos alugueres nos anos de 2006 a 2008; (5) a legalidade das operações de empréstimos em conta corrente, sem juros e correção, concedidos pela "Pletsch & Nabhan Ltda" à "Fundação”; (6) a legalidade dos custos operacionais e a dedutibilidade da "manutenção e reparos" dos bens locados e de outros adquiridos pela Fundação; (7) a legalidade e a dedutibilidade das despesas de viagens do Presidente Jorge Abou Nabhan; (8) a exclusão da responsabilidade tributária dos sócios: Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan; (9) a liberação dos bens imóveis arrolados; e (10) o cancelamento da MULTA excessivamente graduada. f) Considerando que a Corte Administrativa de Recursos Fiscais CARF, entende que a impugnação oposta em face do Ato Declaratório n° 98, de 05 de novembro de 2010, deverá ser julgada juntamente com os lançamentos de ofícios e impugnados, requerem a Vossas Excelências se dignem avocar Fl. 2869DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.862 17 do CARF o retorno do Recurso Voluntário no PAF n° 10950.004285/201052, na expectativa de reapreciação nesta impugnação. g) Por fim requerem perícia, auditoria e prazo para investigar e analisar os fatos geradores, capitulação legal e bases de cálculos distribuídos pelos 5.000 itens e mais gravados nos seis (6) DVDs. 6. É o relatório. " DO RECURSO VOLUNTÁRIO Guerreando o "decisisum" a aquo, na forma do documento de fls. 2.797, a autuada interpôs Recurso Voluntário reiterando em parte as alegações que fizera em sede de impugnação.. Fl. 2870DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 Voto Vencido Conselheiro IVACCIR JÚLIO DE SOUZA DO RECURSO DE OFÍCIO Em razão de divergir na questão da decadência bem como das multas aplicadas, conheço do Recurso para DAR PROVIMENTO PARCIAL .. DA DECADÊNCIA Conforme o item 2 do Relatório Fiscal às 2.111, o período da constituição do crédito está contido nas competências 01/2005 a 13/2008. " 2, o débito objeto do presente AI teve como origem o levantamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações efetivamente pagas aos segurados empregados com vínculos de emprego e contribuintes individuais com trabalho por conta própria a serviço do sujeito passivo no período de 01/2005 a 13/2008." Embora nos itens 34, 37 e 39 do Relatório fiscal conste registro de que a autuada efetuara recolhimentos para a rubrica segurados por todo período levantado , o I. julgador a quo não os reconheceu para efeito de pagamentos antecipados na analise do auto de infração da parte da empresa : "34.O sujeito passivo efetuou recolhimentos a maior nas Guias da Previdência Social GPS's em relação aos valores declarados nas GFIP's consideradas para as bases de cálculo nas competências 01/2005, 07/2005, 08/2005, 10/2005, 12/2005, 01/2006, 02/2006, 04/2006 a 12/2006, 01/2007 a 04/2007, 07/2007, 08/2007, 13/2007 e 13/2008 (folhas 193 e 194), os quais foram considerados créditos nos lançamentos (folhas 2045 a 2049, 2059 a 2062 e 2069 a 2073), pois não foram efetuadas compensações destes valores recolhidos com os valores devidos e declarados posteriormente. 37.As GFIP's declaradas com o código FPAS 639 contém apenas os valores devidos de contribuição previdenciária descontada dos segurados a serviço do sujeito passivo, conforme previsto na alínea “a” do inc. I do caput do art. 216 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999. 39.Devido não ter ocorrido antecipação do pagamento e nem declaração das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, no levantamento dos débitos foi considerado o prazo decadencial determinado pelo inc. I do caput do art. 173 da Lei Fl. 2871DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.863 19 nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN. " Na condução do voto a quo , o i. Julgador arrazou conforme o abaixo : "10.1. O lançamento veiculado no AI n° 37.283.3748 (período de 01/2005 a 12/2008) resulta da constatação de não preenchimento dos requisitos legais da isenção decorrente do art. 195, § 7°, da Constituição Federal, ensejando a configuração da ausência de recolhimento das contribuições, a atrair a incidência do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. 10.2. Nesse contexto, deve ser acolhido o pedido de decadência (Lei n° 5.869, de 1973, art. 269, IV) até a competência 11/2005 e da competência 13/2005, eis que a competência 12/2005 tornou se passível de lançamento tãosomente no exercício de 2006, o que autoriza o lançamento em 27/12/2011, data de cientificação do AI n° 37.283.3748. 10.3. O AI n° 37.330.2401 envolve contribuições dos segurados no período de 12/2005 a 12/2008, tendo havido pagamento antecipado, conforme DD (fls. 2054/2058) e RADA (fls. 2059/2062), nas competências 12/2005, 01/2006, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 09/2006 e 10/2006. 10.4. Em face da Súmula Vinculante n° 8 do TST, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda, em 18 de agosto de 2008, esclarecendo que, para fins de cômputo do prazo de decadência das contribuições previdenciárias, na hipótese de pagamento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4º, da Lei n° 5.172, de 1966, exceto quando comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, casos em que se aplica o artigo 173, inciso I da Lei n° 5.172, de 1966. 10.5. Em relação às contribuições dos segurados, a fiscalização não imputou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, delineando tais situações apenas no contexto dos contratos de concessão, comodato e locação e com vista à indevida caracterização da isenção, apesar de ter duplicado no DD (fls. 2058) o percentual da multa de 75% para 150% na competência 12/2008. 10.6. Assim, em relação ao AI n° 37.330.2401, o prazo decadencial deve ser contado da data de ocorrência do fato gerador, a ensejar a configuração da decadência do lançamento pertinente às competências 12/2005, 01/2006, 02/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 09/2006 e 10/2006. 10.7. O lançamento de diferença decorrente de recolhimento a menor de acréscimos legais e de multa de mora da guia da competência 01/2005, recolhida a menor em 11/02/2005, Fl. 2872DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 veiculado no AI n° 37.330.2410, restou atingido pela decadência, ainda que se considere o art. 173, I, do CTN. " Reiterando que conforme o item 2 do Relatório Fiscal às 2.111, o período da constituição do crédito está contido nas competências 01/2005 a 13/2008, considerando que ocorreram recolhimentos antecipados na forma dos itens 34, 37 e 39 do Relatório fiscal , aplicase às autuações o previsto na súmula n 99 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF por entender que qualquer recolhimento na competência tem o condão de representar pagamento antecipado , verbis: "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Na forma do encimado, considerando que o contribuinte fora notificado por Aviso de Recebimento AR, em 27/12/2011, fls. 2.235, os créditos constituídos para as competências 11/2006 e anteriores foram fulminadas pelo Instituto da Decadência em obediência ao comando da Súmula 99 do CARF . DO CÁLCULO DAS MULTAS Os itens 54 a 56 revelam o procedimento utilizado para o cálculo das multas. " 54.Foi efetuada a comparação entre as multas por descumprimento de obrigação acessória e para as competências 02/2006, 04/2006 a 06/2006, 08/2006 a 12/2006, 01/2007, 04/2007, 07/2007, 09/2007, 02/2008 a 04/2008 e 06/2008 a multa mais benéfica ao sujeito passivo é pela legislação anterior no CFL 68 e para as competências 12/2005 a 01/2006, 03/2006, 07/2006, 13/2006, 02/2007, 03/2007, 05/2007, 06/2007, 08/2007, 10/2007 a 01/2008, 05/2008 e 07/2008 a 11/2008 prevalece a legislação atual pelo CFL 78 (folhas 523 e 524). 55.Após a definição das multas aplicáveis pelo descumprimento de obrigação acessória, foi efetuada a comparação geral entre a soma da multa de mora anterior mais o CFL 68 com a soma da atual multa de ofício com o CFL 78 (folhas 531 a 534). 56.Na comparação geral prevaleceram a multa de mora anterior isoladamente ou a multa de mora anterior mais o CFL 68, de maneira que para as competências 12/2005 a 11/2008 não foi aplicada a atual multa de ofício e os valores do CFL 78 (folhas 528 a 530)." É relevante notar que não se faz referência ao contido nos comandos dos arts 35 e 35A da Lei 8.212 Multa por descumprimento de obrigação por descumprimento de obrigação principal. Fl. 2873DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.864 21 Neste sentido, às fls. 2.064 e 2.203, o Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD registra que a recorrente fora autuada na forma do art. 35 , I, II e III da LEI 8.212/91. Isto ficou consignado no Auto de Infração DEBCAD 37.330.2401 . Conforme os registros de fls. 2.201, para o DEBCAD: 37.283.3748 e DEBCAD: 37.330.2401 aplicaramse multa de ofício e de mora. Aduz que o período levantado se traduz nas competências 01/05 a 12/2008. Nos DISCRIMINATIVO DO DÉBITO de fls. 2.018 e 2055 , se revela que o percentual aplicado foi de 24%. DO LANÇAMENTO DO FATO GERADOR E DA LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009 que transformou em lei a Medida Provisória MP n° 449. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. " MULTA DE OFÍCIO Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Fl. 2874DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 Isto posto, considerando que o crédito fora constituído para o período 01/2005 a 13/2008, somente se observa estabelecer, compulsóriamente, multa de ofício para a competência 12/08, inclusive, em diante indepedente de quadro comparativo. Na forma do registro dos Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” Assim, muito embora o crédito tenha sido constituído e lançado de ofício , após emissão da sobredita MP 449/2008, entendo que esta não alcança lançamentos pretéritos como os em comento que se reportam ao período 01/05 a 11/2008 . Desse modo, em razão de tudo que foi exposto, entendo que é pertinente o recálculo da multa cujo valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: Fl. 2875DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.865 23 “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA PRELIMINAR DE LITISPENDÊNCIA E DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Para plena efetividade , trago à lume os pedidos da recorrente: "22. Ante o exposto, os Recorrentes pedem aos Excelentíssimos Senhores Julgadores e integrantes da egrégia Seção do Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), os seguintes: a. Dignemse reconhecer a relação jurídica nas razões desse Recurso Voluntário, declarem a irretroatividade ex tune", do Ato Declaratorio Executivo n° 98, da DRFJ/Maringá/PR, de 5.11.2010,e restabeleçam a imunidade tributária da Fundação/Recorrente, dos anoscalendarios de 2005 a 2008, ante a força "erga omines"do provimento CAUTELAR deferida em Plenário do SupremoTribunal Federal e declarem, afinal, cancelados e nulos os lançamentos de ofício e autuações notificadas no dia 26.12.2011. b. Dignemse reconhecer a relação jurídico tributária consignadas nas razões desse Recurso Voluntário, declarem restabelecida a imunidade tributária outorgada Fundação/Recorrente (CRFB/88, Art. 150, VI, "c"), do dia 1.1.2009 para frente, com base no direito readquirido (CRFB/88, Art. 5o, inciso XXXVI), e reformar o v. Acórdão "a quo" e declarem nulos e cancelados os Lançamentos das contribuições de erceiros, competências de01/2009 a 12/2009. c. Dignemse reavaliar o pleito dos Recorrentes e declarem a DECADÊNCIA dos lançamentos, a partir dos meses dos fatos geradores das obrigações tributárias e previdenciárias constatados até novembro de 2006: cinco (5) anos da aquisição do direito ao pleito concluído na notificação aos 28.12.2011, demonstrado no quadro acima; Fl. 2876DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 d. Dignemse analisar e reconhecer a conexão e continência (CPC, art. 105, do CPC), deste PAF n° 10950.720799/201159, já ■nstruído o contraditório (CF/88, Art. 5o, LV), relativos aos debates da ilegalidade e inconstitucionalidade dos lançamentos tributários e da suspensão da imunidade pelo ADE n° 98, do MD Delegado da DRFB de Maringá PR; avoquem e decrete, a conexão com o PAF n° 10950.004285/201052, processado na Ia Seção, 2a Turma Especial do CARF, MD Relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão, no interesse da prolação de Decisão única, supressão de trabalho e conflito de decisões dos temas: administrativos e tributários da mesma natureza e espécie. Como se nota nos pedidos, a autuada centra seu arrazoado na tese de que o Ato Declaratório Executivo n° 98, da DRFJ/Maringá/PR, de 5.11.2010 deva ser desconsiderado e como conseqüência a autuação em comento ficaria maculada de nulidade . Pediu conexão e litispendência com o processo n° 10950.004285/201052. Tendo sido determinada a suspensão da imunidade da Recorrente mediante o Ato Declaratório Executivo DRF Maringá nº 98, de 05 de novembro de 2010, a autuada interpôs impugnação ao ATO expressa no processo de n° 10950.004285/201052. Assim , descabe aqui o enfrentamento dasquelas alegações ora reiterada em grau de recurso. Ademais, é relevante constar que consulta aos sistemas fornecem resposta de que o sobredito processo já fora julgado e no " decisium" , em 09 de abril de 2014, os Conselheiros da 2ª Turma Especial da Primeira Sessão de Julgamento deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por unanimidade exararam o Acórdão n 1802002.111 NEGANDO PROVIMENTO ao recurso. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES ENFRENTADAS EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO De plano, ao enfrentar o Recurso de Ofício, alhures, ressaltei que corroborava em parte os argumentos a quo. No que se refere ao mérito do presente Recurso Voluntário, para realçar , importa então alguns esclarecimentos. O "caput" do art. 2° do Estatuto Social da Recorrente define a autuada na qualidade de fundação, regendose pelo Código Civil. Desta forma, para criar uma fundação , o novo Código Civil Brasileiro, introduzido pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, vigente desde 11 de janeiro de 2003, determina em seu art. 62 e seguintes: "Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrála. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituirse para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. Fl. 2877DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.866 25 Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferirlhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial." O novo código cria a dotação de bens para a persecução da finalidade declarada como condição para a criação da Fundação. A mera elaboração e assinatura de um estatuto não faz nascer uma fundação, mas a própria destinação de bens para uma finalidade especifica. Na forma do art. 64 se estabelece a obrigatoriedade da transferência de propriedade, ou outro direito real, como o usufruto, desses bens. À época da instituição da Fundação essas mesmas normas existiam também no antigo Código Civil, de 1916 (artigos 24 e 25). Mesmo após ter restado consignado em Ata que o Estatuto da Fundação deveria sofrer alterações para se adequar à realidade do novo Código Civil o instituidor e presidente Jorge Abou Nabhan e sua cônjuge AnaMaria Pletsch Nabhan, mantiveram a propriedade do imóvel e não transferiram para a Recorrente, mantendo assim irregularmente o contrato de concessão. Não tendo sido cumprida a obrigação , embora tenha sido alterada a forma de repasse financeiro para a empresa do presidente com a mudança do contrato de concessão para contrato de aluguel, o descumprimento as determinações do novo Código Civil continuaram. Ressaltese que ainda que no papel os serviços hospitalares e de saúde estivessem sendo prestados pela Fundação, de fato eles continuaramsendo prestados pela empresa do senhor Jorge Abou Nabhan. Relevante ressaltar que fica patente o total domínio da FUNDAÇÃO pelo senhor Jorge Abou Nabhan na leitura da ata da assembléia geral ordinária do conselho diretor/ fiscal da entidade, realizada em 13/7/2007 , onde se lê: "(...) O Dr. Jorge Nabhan explicou aos presentes sobre a elaboração do Contrato de Aluguel entre a Pletsch & Nabhan, o qual já está pronto, assinado. (...) Após colocado em votação o presente contrato foi aprovado por todos os membros do conselho presente. Ainda com a palavra, o Dr. Jorge explicou que caso ele faça doação dos seus bens para a Fundação, ele se tornará Presidente Vitalício da entidade (...)". Vejase ainda que na ata da assembléia realizada em 15/8/2008 constou que "(...) Dr. Jorge falou aos presentes sobre o estudo da alteração estatutária onde a Fundação Hospitalar de Saúde poderá se tornar Fundação Nabhan, sendo o Conselho Diretor formado pela família Nabhan e convidados". Os pagamentos sob a forma de aluguel caracterizam no caso entrega de dinheiro da Fundação ao senhor Jorge Abou Nabhan nos anos de 2007 e 2008, significando distribuição de renda e a não aplicação de seus recursos na manutenção de seus objetivos Fl. 2878DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 institucionais, configurando ofensa às normas veiculadas no art. 14 do Código Tributário Nacional e no art. 12, § 2°, da lei n° 9.532/1997. Compulsando tudo que foi analisado em sede de impugnação e ainda os sobreditos argumentos, sou de corroborar o decisium a quo excetuando o os prazos decadenciais e o procedimento para cálculo da multas aplicadas conforme os motivos colacionados no enfrentamento do Recurso de Ofício. CONCLUSÃO DO RECURSO DE OFÍCIO, Conheço do Recurso para divergir da PRELIMINAR DECADÊNCIA e , com fulcro na Súmula 99 deste Conselho , reconhecer decaídos os créditos constituídos para as competências 11/2006 e anteriores, inclusive. NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO PARCIAL divergindo tão somente no que diz respeito às penalidades determinando que até a competência 11/2008 se efetue o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião da liquidação do crédito for postulada pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conheço do Recurso para NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 2879DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.867 27 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Com todas as vênias ao relator, apresento o voto divergente vencedor quanto à qualificação da multa de ofício e a regra decadencial. Recurso voluntário: Multa qualificada Pois bem, a autoridade lançadora entendeu que se está diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ressalto que no caso sob exame a qualificação da multa teve por fundamento a celebração de contratos com a recorrente, que segundo a fiscalização visaram desviar recursos de suas finalidades institucionais. Segue transcrição da decisão recorrida: 13.5. Sustentando a inocorrência de conluio, simulação ou dolo envolvendo a Fundação, a empresa Pletsch & Nabhan Ltda, o Fl. 2880DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 Srs. Jorge Abou Nabhan e a Sr. Ana Maria Pletsch Nabhan, a impugnação reconhece que os Municípios induziram “o Impugnante (Dr. Jorge Nabhan) em erro, motivandoo a buscar recursos públicos mediante “comissões” pagas pela própria instituição incidentes sobre receitas, excluindo delas as receitas havidas dos próprios “recursos públicos da União Federal e do Estado”, por ele agenciada.”, bem como que o “arranjo e os negócios jurídicos atípicos receberam aprovação das Curadoras de Fundações Dra. Loriane Zaniolo e Dra. Margareth Mary Pansolin Ferreira”, tendo as “Doutoras Promotoras lançaram respectivas assinaturas nos contratos de COMISSÃO e COMODATO, celebrados no dia 22/09/1992”. 13.6. Para a fiscalização (itens 57 a 61 do Relatório Fiscal), a configuração de conluio e de sonegação resulta dos contratos de concessão, comodato e locação, este celebrado quando ainda vigoravam os contratos de concessão e comodato, tendo sido firmado (formalmente em 11/06/2007) pela Fundação e pela empresa Pletsch & Nabhan Ltda com data retroativa e para ter efeitos a partir de janeiro de 2007, a afastar a os contratos de concessão e comodato, conforme atestam as Atas 004 e 006 de 2007 do Conselho Diretor/Fiscal da Fundação, realizadas em 24 de abril de 2007 e 13 de julho de 2007. 13.7. Como já mencionado no presente voto, o contrato de concessão evidencia a existência de conluio para a sonegação das contribuições da empresa pela indevida caracterização da isenção prevista no art. 195, § 7°, da Constituição. 13.8. Conluio e sonegação resultam também do contrato de locação, na medida em que afasta o direito à indenização por benfeitorias necessárias (exceto as que importem em segurança) e úteis, desviandose recursos que deveriam ser aplicados exclusivamente na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da Fundação e configura vantagem para a empresa Pletsch & Nabhan Ltda e para seus sócios Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan, tendo a fiscalização demonstrado a existência de benfeitorias com recursos próprios da Fundação contabilizadas como ativo. Contudo, entendo que no presente caso não ficou demonstrada o dolo do recorrente em sonegar tributo. Como se pode constatar pela transcrição acima, o caso tem muito mais relação com outra finalidade que não a evasão tributária, embora mais para diante é possível, no caso de se considerar que os representantes da instituição violaram o disposto no artigo 55 inciso IV da Lei nº 8.212/91, que se entenda que a entidade deixou de gozar da imunidade tributária, mas não está demonstrado que sua intenção tenha sido a redução de tributos. A eventual lesão ao erário público na relação entre a entidade com órgãos estaduais, municipais ou da União do sistema do SUS, embora juridicamente reprovável, não configura dolo tributário: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) ... Fl. 2881DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.868 29 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) O dolo específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos, é o intuito evidenciado em ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Sob minha ótica, as circunstâncias dos autos não justificam a exasperação da penalidade. Nada foi escondido da fiscalização. Por tudo, entendo que não está configurada e demonstrada nos autos o dolo específico com finalidade de reduzir tributo. Assim, voto pela redução da multa de ofício para o percentual de 75%. Recurso de ofício: Decadência Como conseqüência da consideração acima, divirjo também do fundamento para a aplicação do artigo 173, I por remissão do artigo 150, §4º parte final ambos do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Portanto, deve ser mantida nesta parte a decisão recorrida. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário também quanto a redução da multa de ofício ao percentual de 75%. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes – relator Fl. 2882DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Redatora Designada. Multa O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 2883DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.869 31 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2884DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário que é o caso conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 2885DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10950.720799/201059 Acórdão n.º 2301004.590 S2C3T1 Fl. 2.870 33 a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) ... Portanto, entendo que a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. É como voto. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 2886DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, As sinado digitalmente em 24/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10735.004774/2002-49
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998,
31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998,
31/08/1998, 30/09/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999,
31/03/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999,
31/01/2000
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. , NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade no acórdão de primeira instância que, ao
contrário do alegado no recurso, apura o valor devido da
contribuição lançada com base nas DC'TF apresentadas pelo
contribuinte e nos valores comprovadamente recolhidos.
COFINS. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS DECLARADAS E
RECOLHIDAS A MENOR. ERRO NA APURAÇÃO. PROVA.
A demonstração de erro na declaração ou na apuração efetuada
no âmbito do auto de infração cabe ao contribuinte, que deve
fazê-la de forma específica e clara.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.922
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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MaL Supe 91745 e '44 '14 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • :" SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n• 10735.004774/2002-49 Recurso n° 134.072 Voluntário Ge4ntentes Matéria Cofins sootacoe-serno 0*%° I I is Acórdão n° 201-80.922 661:32-3" pubna Sessão de 13 de fevereiro de 2008 Recorrente COTY BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA. Recorrida DRJ em Belo Horizonte - MG Assumo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/03/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/01/2000 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. , NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade no acórdão de primeira instância que, ao contrário do alegado no recurso, apura o valor devido da contribuição lançada com base nas DC'TF apresentadas pelo contribuinte e nos valores comprovadamente recolhidos. COFINS. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS DECLARADAS E RECOLHIDAS A MENOR. ERRO NA APURAÇÃO. PROVA. A demonstração de erro na declaração ou na apuração efetuada no âmbito do auto de infração cabe ao contribuinte, que deve fazê-la de forma específica e clara. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. hW, MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PtDCES90 n° 10735.004774/2002-49 CONFERE COM O CRIG.NAL CCO2/C01 Acórdão n.° 20140.922 ..410 • Brunia, Fls. 268 • SÍMOSiXDosa Mat.: Siape 91745 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. I 0110491/4 bikK74W0\ • SE A MARIA COELHO MARQtV Presidente JOS /0T !..s CISCO R ;) ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. 2 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTWBUINTES Processo n° 10735.004774/2002-49 CONFERE CCM O CR1GNAL CCO2/C0 1 Acórdão n.° 201-80.922 ernita.___dt! Py t -2ackf Fls. 269 Sivio SW8arbosa Mal.: Siape 91745 Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 233 a 235) apresentado em 21 de fevereiro de 2005 contra o Acórdão n2 9.517, de 3 de outubro de 2005, da DRJ em Belo Horizonte - MG (fls. 214 a 220), que, relativamente a auto de infração de Cofins, considerou procedente em parte o lançamento. A ementa do Acórdão, do qual foi dado ciência à interessada em 27 de janeiro de 2006, foi a seguinte: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/12/1997 a 31/01/2000 Ementa: As multas de oficio são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o reconhecimento de sua inconstitucionalidade. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Lançamento Procedente em Parte". O auto de infração foi lavrado em 17 de dezembro de 2002 e referiu-se aos períodos de janeiro de 1997 a janeiro de 2000. De acordo com o termo de fls. 77 e 78, foram apuradas diferenças não recolhidas da contribuição pela comparação dos valores calculados a partir da base de cálculo informada pela interessada e os valores informados em DCTF. Além disso, a partir da Lei n2 10.147, de 2001, "os produtos que o contribuinte em tela fabrica e revende foram incluídos no que se chama de regime de tributação por aliquota diferenciada (ou concentrada), sendo que só incide PIS e Cofins em uma etapa da cadeia produtiva". Assim, os valores foram excluídos da receita bruta. No recurso, alegou a interessada que o lançamento não teria motivação, que deveria apontar "a causa e os elementos determinantes na prática do ato administrativo". A seguir, referiu-se à "valoração da prova constante dos autos", afirmando que o Acórdão deveria ser reformado, "pois se verifica pela documentação apresentada, consistente nas DCTFs e guias Datf, a demonstração do efetivo recolhimento dos valores informados nas declarações enviadas à Receita Federal, embora em alguns casos, não tenha sido feita a indicação de valores de 'saldo a pagar' no caso especifico das declarações (DCTF)" relativas ao 42 trimestre de 1997 e ao ano de 1998 (valores vinculados a créditos equivalentes) e aos anos de 1999 a 2000 (ausência de informação sobre recolhimento). 4" 3 • MP • SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n° 10735.004774/2002-49 CCO2/C01 Acórdão n.° 201 -80.922 Brunis, ,dy/ oy izsat Fls. 270 SIMeiss—orWool>0sa Mat. Slape 91745 Acrescentou que teria ocorrido erro no preenchimento das declarações, o que, segundo a jurisprudência administrativa, não ensejaria lançamento de oficio. Ademais, a ausência de análise da documentação apresentada pela autoridade julgadora de primeira instância representaria cerceamento do direito de defesa. É o Relatório. n If` 4 Processo °n 10735.004774/2002-49 CCO2/C01MI' -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESAcórdão n.• 201-80.922 CONFERE CCM O ORIGINAL Fls. 271 BrosIka. ,o07' SMoadsa Mat . Siape 91745 Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. No tocante à nulidade do lançamento, ao contrário do alegado no recurso, houve clara motivação e indicação das razões que o justificariam. A Fiscalização comparou os valores apurados a partir das informações obtidas da documentação apresentada pela interessada em quadros demonstrativos detalhados. Informou que as diferenças seriam lançadas, excetuando-se os valores sujeitos à alíquota diferenciada. Esse é exatamente o papel que cabe à Fiscalização. A justificativa do porquê de as diferenças apuradas não terem sido declaradas ou pagas cabe ao contribuinte, que deve verificar as razões por que não foram incluídas na apuração. Quanto ao Acórdão da DRJ, ao contrário do afirmado no recurso, a primeira instância considerou todos os pagamentos efetuados e levou em conta as informações constantes dos documentos apresentados na impugnação. Esclareça-se que, ainda que não houvesse apresentado tal documentação, as autoridades fiscal e julgadora teriam conhecimento dos fatos nela evidenciados por simples consulta aos sistemas eletrônicos, o que implica que as informações contidas na documentação foram confirmadas. Tanto é assim que a DRJ cancelou os valores já recolhidos e a interessada, no recurso, não soube indicar quais valores é que teriam deixado de ser informados. Pelo contrário, admitiu que não haveria "indicação de valores de 'saldo a pagar' no caso específico das declarações (DCIT)" relativas ao 42 trimestre de 1997, ao ano de 1998 (valores vinculados a créditos equivalentes) e aos anos de 1999 a 2000 (ausência de informação sobre recolhimento), conforme apontado no relatório. Alegou, entretanto, que teria ocorrido erro nas declarações, o que não ensejaria lançamento. Entretanto, não é todo tipo de erro que não pode redundar em lançamento. O tipo de erro a que se referiram os acórdãos citados pela interessada são exatamente aqueles que causam, por si sós, o lançamento. Em outras palavras, o tributo foi apurado corretamente, apesar do erro. Portanto, corrigindo-se o erro, verificar-se-ia não haver falta de declaração ou recolhimento. V 41W1/4' 5 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR:BUINTES • Processo rr 10735.004774/2002-49 CONFERE COM O ORIG1NAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.922 it___Brasilia, Fls. 272 , 1 1200f? ' sRvio b ibosa Mat.: Sape 91745 Esse era o caso, por exem lu, de o contribuinte, na declaração do ITR, indicar incorretamente e a menor área que deveria ser excluída do cálculo. Ao se efetuar o lançamento, a apuração resultará em imposto a maior do que o devido. Demonstrando tratar-se de erro e corrigindo-se o valor da área para a correta, o lançamento será considerado improcedente. Entretanto, quando o contribuinte erra ao informar valores que provoquem falta de declaração ou recolhimento, o lançamento, ao apontar o erro ou não o levar em consideração, indica a falta de declaração ou recolhimento. Em caso semelhante ao ilustrado anteriormente, se o contribuinte informasse uma área a maior, a apuração resultaria em imposto a menor do que o devido. O lançamento, assim, ao corrigir a área para a correta irá constituir crédito tributário devido e não recolhido. No caso dos autos, a interessada não indicou de forma específica como teriam ocorrido os supostos erros, limitando-se a reproduzir o que fora declarado nas DCTF. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. ,1i JOSi• ';/ w t • • NCISCO i é o f t,' 6 Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722477/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 01/01/2011
PLR. DIRETORES SEM VINCULO EMPREGATÍCIO. INAPLICABILIDADE DA LEI DO PLR. PROGRAMA DESTINADO A EMPREGADOS. BENEFÍCIO CONCEDIDO SEM ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 01/01/2011 PLR. DIRETORES SEM VINCULO EMPREGATÍCIO. INAPLICABILIDADE DA LEI DO PLR. PROGRAMA DESTINADO A EMPREGADOS. BENEFÍCIO CONCEDIDO SEM ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 442 1 441 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.722477/201325 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.164 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria CP: REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO; CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO SAT/GILRAT/ADICIONAL; TERCEIROS. Recorrente TRACBEL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 01/01/2011 PLR. DIRETORES SEM VINCULO EMPREGATÍCIO. INAPLICABILIDADE DA LEI DO PLR. PROGRAMA DESTINADO A EMPREGADOS. BENEFÍCIO CONCEDIDO SEM ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 24 77 /2 01 3- 25 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 443 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 444 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 51.001.5182, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.001.5190, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 78 a 83, com período de apuração de 01/2010 a 12/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 160 e 161. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 05/09/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03 e 40. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 190 a 210, recebidas, em 03/10/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 190, estando acompanhada dos documentos, de fls. 211 a 301. Consta, as fls. 303 a 306, Termo de Transferência de Crédito Tributário, o qual informa que foram transferidos para o PAF Nº 13603.722919/201333, o valores ali indicados. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1448.951 7ª, Turma DRJ/RPO, em 27/02/2014, fls. 317 a 328. A impugnação foi considerada procedente em parte e foi excluído de ambos os Autos de Infração, o levantamento “PL – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS SE”. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 339 a 355, recebido, em 13/05/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 339, acompanhado dos documentos de fls. 356 a 408. As razões recursais são as que seguir constam de forma sumariada. Preliminares. · que a participação nos lucros matéria ventilada pelo artigo 7º, inciso XI, da CR é desvinculada da remuneração e tal norma é de eficácia plena, cita decisão do STJ, doutrina de Arnaldo Sussekind e outros e não sendo o PLR remuneração cuida de parcela não integrante da contribuição previdenciária; · que o entendimento do órgão fiscal e julgador a quo de que a Lei 10.101/2000 não se aplica ao diretor não empregado está equivocada, pois tal benefício é de índole constitucional, sendo um garantia do Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 445 4 trabalhador urbano e rural, estando desvinculado da remuneração, cita precedentes do STJ, TRF, diz, ainda, que os artigos 190 e 201, da Lei 6.404/74, se encaixa na hipótese de não incidência da Lei 8.212/91, cita precedentes do CARF e decisão do TRF3, estando afastada por previsão constitucional a incidência de contribuição previdenciária da PLR, uma vez que está não tem caráter remuneratório, independentemente, do vínculo entre empregador e trabalhador, devendo o acórdão guerreado ser declarado improcedente; · Dos pedidos e requerimentos: a) acolhimento dos argumentos recursais; b) julgando o recurso procedente; c) reconhecendose a impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de PLR; d) reformandose a decisão guerreada; e) cancelandose o auto de infração. O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ, conforme comprovante de recebimento de AR Nº JG 428525313 BR, de fls. 411, com recebimento, em 11/04/2014. A autoridade preparadora reconheceu e a tempestividade do recurso, fls. 412. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 413. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 11/09/2014, Lote 09, fls. 414. É o Relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 446 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminares. A norma de regência do PLR é clara em estabelecer que este é desvinculado da remuneração, mas o problema está em verificar se a natureza jurídica daquilo que se está pagamento, realmente, se subordina a rubrica PLR. Com base no relatório fiscal do auto de infração aquilo que a empresa pagou e chamou de PLR não pode ser assim considerado, uma vez que não atende as determinações legais para a configuração do pagamento como PLR. O agente fiscal lançador, assim se pronunciou sobre a questão, veja a transcrição. 4.1. O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR do sujeito passivo não atende aos requisitos da Lei n° 10.101 de 19/12/2000, principalmente, porque não estipula nenhum indicador de metas individuais. 4.1.1. Ressaltese que, o PLR apresentado apenas se limitou a fixar percentuais de participação em função do lucro líquido obtido no exercício e faturamento bruto mínimo alcançado pela empresa. A leitura do programa anexado, as fls. 172 a 175, item 5 e 6, confirmase o que dito pelo agente lançador, isto é, apenas a fixação de percentuais para a distribuição. A jurisprudência sobre a matéria não pensa de modo diferente, ou seja, não atendido os requisitos da lei disciplinadora do PLR os valores distribuídos não ostentam essa natureza e assim são passíveis de tributação é o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese o aresto. EMEN: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS. NECESSIDADE. 1. A teor da Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 447 6 jurisprudência desta Corte, somente a existência de omissão relevante à solução da controvérsia, não sanada pelo acórdão recorrido, caracteriza a violação do art. 535 do CPC, o que de fato ocorreu na hipótese em apreço. 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Omisso o Tribunal de origem quanto à observância dos requisitos estabelecidos na Medida Provisória 794/94 e na Lei n. 10.101/00, apesar da oposição de embargos de declaração. Caracterizada a violação do art. 535 do CPC. Recurso especial provido .EMEN: (RESP 201101578480, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:11/05/2012 DTPB:.) (destquei). Ausente de dúvidas que os valores distribuídos não atendem as determinações e assim são tributáveis. Penso de forma análoga aos que me antecederam e para mim é ausente de dúvidas que as disposições da Lei 10.101/2000 referemse, exclusivamente, aos empregados. A constatação dessa conclusão é muito simples, apesar do caput, do artigo 7º, da CRFB/88 citar uma expressão mais abrangente "trabalhadores" que com certeza não inclui apenas empregados, verificase que diversos de seus incisos são aplicáveis, exclusivamente, aos empregados, tais como: inciso – I; II; III; XI; XXVI; XXVIII; XXIX, pois os direitos genéricos, que se referem a outros trabalhadores, estão claramente definidos no parágrafo único desse mesmo artigo e no artigo 39, parágrafo 3º, mas em momento algum em qualquer deles se inclui o contribuinte individual – autônomo. Não fosse suficiente a Lei 10.101/2000 em diversos de seus dispositivos cita apenas o empregado, uma leitura do texto esclarece isso. · Artigo 2º ...empresa e seus empregados..., inciso 2º convenção ou acordo coletivo. · Artigo 3º ... remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista... Os destaques acima não deixam dúvidas que se está a cuidar de relação de emprego. A distribuição de lucros a diretores não empregados deve atender as determinações da Lei 6.404/76 e necessariamente depende de previsão estatutária, não se aplicando a eles a Lei 10.101/2000. Aliás, isso é visível em todas as decisões judiciais transcritas pela recorrente em seu recurso, haja vista que elas se referem de forma exclusiva a empregados, o que por si só desmistifica as alegações da recorrente e as infirmam, observese as passagens das citações da recorrente a seguir transcritas. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 448 7 Os trechos acima transcritos foram extraídos das citações da recorrente em sua peça recursal e todas fazem direta citação e relação ao PLR como devido a empregados. O Supremo Tribunal Federal – STF na decisão abaixo, também faz essa relação, observese. EMENTA: MANDADO DE INJUNÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA (ART. 7., XI, CF/88). PRELIMINAR DE INCOMPETENCIA E DE ILEGITIMIDADE ATIVA. Não compete ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar mandado de injunção impetrado contra o Instituto Nacional de Seguridade Social e a Caixa Econômica Federal. Ainda que fosse de ser admitido na lide o Congresso Nacional, não poderia a impetração prosperar, já que não cabe a própria empresa postular direito constitucional reconhecido em favor dos empregados. Agravo regimental improvido. (MIAgR 403, ILMAR GALVÃO, STF.) (destaquei). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13603.722477/201325 Acórdão n.º 2202003.164 S2C2T2 Fl. 449 8 Destarte, não demonstrado que o suposto programa PLR atenda as exigências da lei de regência, bem como demonstrado que tal programa é destinado aos empregados, não vislumbro razões para acatar as alegações da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.004403/2001-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005.
Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência.
Numero da decisão: 9202-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Consoante a mesma jurisprudência, em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e deduzido anteriormente à vigência da mencionada Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, restando, in casu, assim, afastada a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 44 03 /2 00 1- 73 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 186 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2801001.032, prolatado pela 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de outubro de 2010 (efls. 136 a 144). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a decadência, determinandose o retorno dos autos à autoridade julgadora de 1a. instância, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 ABONO. MAGISTRADOS FEDERAIS. RESOLUÇÃO STF No 245/2002. RENDIMENTO NÃO TRIBUTÁVEL. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. No caso dos autos, o contribuinte tem o direito de pleitear a restituição de valores porventura cobrados a maior, cabendo exercêlo no prazo de cinco anos contados a partir do ato administrativo consubstanciado pela Resolução n° 245, do Supremo Tribunal Federal, publicada no DJ de 17 de dezembro de 2002. Decadência Afastada. Decisão: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência, determinando o retorno dos autos à DRJ para apreciação das razões de mérito. Vencidas as Conselheiras Tânia Mara Paschoalin e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro Carlos César Quadros Pierre votou pelas conclusões. Enviados os autos à PGFN para fins de ciência da decisão, ocorrida em 23/02/2011 (efl. 150), insurgindose contra esta, a Fazenda apresenta, em 10/03/2011 (efl. 153), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 154 a 161). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 07/07/2009 , no Acórdão CSRF 930300.810, de lavra da 3a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e em relação ao Acórdão 20310.874, datado de 30/03/2006, de lavra da 3a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, cujas ementas e decisões são a seguir transcritas, visto que adotados como paradigma, na forma do art. 67, §7o. do referido Anexo II ao RICARF. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 187 3 Acórdão CSRF 930300.810 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Decisão: por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan (VicePresidente Substituto). Acórdão 20310.874 PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente prescreve em cinco (5) anos contados da extinção do crédito tributário caracterizada pelo pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, c/c art. 150, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, pela ocorrência da decadência ao direito de pedir restituição. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Valdemar Ludvig e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva que, pela aplicação do prazo decenal definido pelo STJ, consideravam ocorrida a decadência apenas em relação aos pagamentos efetuados antes de 30/08/92 Após citar jurisprudência divergente adicional (Acórdãos 10515.157 e CSRF 0400.810), alega a Fazenda Nacional, em seu recurso: a) serem inafastáveis, no caso, as previsões contidas nos arts. 156, 165, inciso I e 168, caput e inciso I da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), que estabelecem que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contado da extinção do crédito tributário (pagamento); b) Cita a recorrente o Ato Declaratório SRF no. 096, de 26 de novembro de 1999, que ampararia sua tese, ressaltando que deva ser respeitado como norma integrante da legislação tributária, se tratando de ato normativo que tem caráter vinculante para a administração tributária, a partir de sua publicação, conforme os artigos 100, I e 103, I, do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. No que tange ao questionamento eventualmente suscitado pelo contribuinte acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade dessa norma, tratase de questão cujo exame é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não cabendo discussão administrativa sobre o ponto; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 188 4 c) que cabe, na forma do art. 146, III, "b" da CRFB, à lei complementar dispor sobre normas de prescrição e decadência tributária. Assim, não tendo o CTN, ao dispor sobre a matéria em seu art. 165 c/c art. 168, diferenciado os prazos decadenciais em função da motivação do pagamento indevido, não cabe ao intérprete fazer tal distinção, sendo que qualquer solução que não observe os dois dispositivos estaria desprovida de qualquer amparo jurídico ou legal. Ressalta que, no momento em que foi recolhido indevidamente o tributo, no outro dia o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário para pleitear a restituição dos valores, em respeito ao princípio da actio nata; d) Entende que interpretar diversamente de seu entendimento resultaria em insegurança jurídica e violadora do princípio da legalidade; e) Salienta que a interpretação acima propugnada mereceu amparo legal, na forma do art. 3o. da Lei Complementar no. 118, de 09 de fevereiro de 2005, tornandose, a partir de então, indefensável considerar como dies a quo, para fins de contagem do prazo decadencial em questão, qualquer outra circunstância que não o pagamento antecipado. Ainda a propósito, entende que o mencionado art. 3o. também se aplica a ato ou fato pretérito, uma vez que tratase de norma expressamente interpretativa, conforme disciplinado no art. 4o. da mesma Lei Complementar no. 118, de 2005; Requer, assim, que o Recurso Especial seja admitido e que, no mérito, lhe seja dado provimento, reconhecendose a prescrição do direito à restituição do IRPF, contada a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. O recurso foi admitido através de despacho de efls. 169 a 172 Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 31/01/2013 (efl. 178), o autuado quedou inerte quanto à apresentação de recurso de sua iniciativa ou de contrarrazões ao pleito Fazendário (efl. 179). Posteriormente, buscouse verificação, pela autoridade preparadora, acerca da existência de parcelamento dos débitos em litígio no âmbito da Lei no. 11.941, de 2009, tendo a Delegacia de origem negado a existência de tal parcelamento (efl. 183). Voltam, assim, os autos a esta CSRF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à tempestividade do recurso e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adentrando o mérito, reproduzo, inicialmente os principais dispositivos necessários à análise do deslinde, a saber, arts. 106, 156, inciso I, 165 e 168, do Código Tributário Nacional (Lei no. 5.172, de 1996) e arts, 3o. e 4o. da Lei Complementar no. 118, de 2005, expressis verbis: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 189 5 CTN (...) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (...) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...) (...) (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 190 6 II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. LC 118/2005 (...) Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1odo art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o,o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966– Código Tributário Nacional. (...) Inicialmente, ressalto meu posicionamento pessoal no sentido de que até o advento da Lei Complementar no. 118, de 2005, em linha com o recorrido, cheguei a me convencer, em situações fáticas como a do caso sob análise (onde determinado pagamento, inicialmente tido como devido, tornase indevido posteriormente, por força de Resolução do STF que reconheça a não incidência do tributo), acerca da inaplicabilidade da interpretação de caráter literal propugnada pelo recorrente e pelos paradigmas aqui colacionados (qual seja, a de que, em não havendo exceção à motivação do pagamento indevido no texto legal, teria de se contar sempre o prazo decadencial a partir do dies a quo estabelecido pelo art. 168, I do CTN, ou seja, a partir da data da extinção pretérita do crédito tributário). Baseava meu convencimento, fundamentalmente, nas inconsistências geradas, pela citada interpretação, no sistema jurídicotributário como um todo, ao permitir que, por exemplo: a) determinado contribuinte se visse privado de sua restituição por via administrativa, sempre que a autoridade judicial se manifestasse, de forma definitiva, no sentido de determinado tributo ser indevido, somente 5 anos ou mais após seu recolhimento (extinção por pagamento), sem que, assim, tivesse havido qualquer inércia de parte do contribuinte (sendo a inércia do detentor do direito, em meu entendimento, núcleo do instituto decadencial); b) houvesse, nesta hipótese, como corolário, tratamento antiisonômico entre os contribuintes que não recolheram o tributo à época em que era considerado devido pela Administração (o qual não mais seria objeto de lançamento, a partir da posterior caracterização de não incidência) e aqueles que recolheram os tributos devidamente (que se encontrariam, como visto acima, nesta hipótese, impossibilitados de ter o montante indevidamente pago restituído, dado o lapso temporal ocorrido até o reconhecimento do indébito). Destarte, em situações como esta sob exame, em que o tributo recolhido se tornara, indevido, para fins de aplicação do art. 165, I, do CTN, por ato definitivo do Poder Judiciário posterior ao momento de pagamento (in casu, a Resolução STF no. 245, de 2002), Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 191 7 entendia como perfeitamente defensável, repitase, até o advento da Lei no. 118, de 2005, que se entendesse que o dies a quo para fins de contagem do prazo decadencial seria o da publicação do ato que determinou a posterior não incidência do tributo recolhido, (no caso, da Resolução STF no. 245, de 2002) convergindose, assim, para o ensinamento conceitual doutrinário de necessidade de inércia do detentor do direito para fins de caracterização da decadência, bem como, simultaneamente, evitandose os as inconsistências supramencionadas. Todavia, apesar dos sólidos fundamentos que motivam a tese acima, entendo que a esta altura, ou melhor a partir da edição da Lei Complementar no. 118, de 2005, tal posicionamento não mais merece guarida, por dois fundamentos, que passo a expor: a) Primeiro, de se observar que, contrariamente ao caso do CTN (Lei Complementar no. 5.172, de 1966), editado à época em que se torna difícil afirmar se teria ou não o legislador ponderado acerca de situações como a sob análise (repitase, onde se discute repetição de tributo inicialmente devido, posteriormente considerado indevido por força de ato emanado de autoridade judicial), cediço que, à época da edição desta nova Lei Complementar no. 118, , já se encontrava bastante difundida a polêmica acerca da data inicial de contagem do prazo decadencial que aqui se aborda. Tal consideração faz com que, em meu entendimento, tenha o legislador, na nova LC, conscientemente optado por referendar as inconsistências acima (ou seja, na nova LC, o legislador "quis fazer" a interpretação de que se deve considerar o dies a quo como o do pagamento indevido antecipado, independente de motivação), de forma a que se deva agora abrir mão da interpretação sistemática que respaldava a interpretação acima, em prol de uma interpretação literalteleológica, a qual notese, passou também a ganhar respaldo jurisprudencial no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, através dos Embargos de Divergência ao REsp 435.835SC; b) Adicionalmente, agora como razão de decidir principal do presente voto, devese notar a necessária observância dos membros deste Conselho às decisões emanadas julgados do STJ e do STF, quando da adoção da sistemática prevista, respectivamente, nos arts. 543C e 543B do Código de Processo Civil de 1973, na forma do art. 62, §2o. do Anexo II ao atual RICARF, verbis: RICARF Anexo II (...) Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesta seara específica, de especial relevância para o caso é o decidido pelos mencionados Tribunais Superiores no âmbito, respectivamente, do REsp 1.002.932/SP e RE Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 192 8 566.621/RS, analisando ambos os julgados já especificamente os ditames da mencionada Lei Complementar no.118, de 2005, verbis. REsp 1.002.932/SP PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005,aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art.106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005(AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas.{nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Dasintertemporale Recht, vol. 22, System des deutschenbürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita,nesse sentido, decisão de tribunal de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 193 9 Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili,in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente"(Traité de droit constitutionnel, 3a. ed., vol. 2o., 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ...SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando:"tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável.E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao nº 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA(Teoria della retroattività delle leggi, 3a. ed., vol. 1o., 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachari, di Aubry e Rau, vol. 1o. e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L"interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA(loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 194 10 tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa."Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que:"Pouco importa que o legislador,para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito"(Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)."(Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho,in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a. ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). (g.n.) 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. (g.n.) 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997,revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida.Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 195 11 RE 566.621/RS DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art.4º, segunda parte, da LC118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art 543B §3o. do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. De se notar que, ainda que tais julgados, repitase, de obediência mandatória neste Conselho, rechacem, em linha com o defendido pela PGFN, o dies a quo para contagem Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 196 12 do prazo decadencial estabelecido pelo vergastado (publicação, no caso, da Resolução STF no. 245, de 2002), simultaneamente, todavia, jogam por terra a necessária retroatividade incondicional do art. 4o. defendida pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 106, II do CTN. O que se conclui da teor das ementas acima é que, a partir da declaração de inconstitucionalidade da parte final do referido art. 4o. da LC no. 118, de 2005, inconstitucionalidade esta que emana dos julgados vinculantes supra, a solução atualmente a ser adotada neste Conselho, a partir da edição da referida Lei Complementar no. 118, de 2005, é, no caso de repetição de indébito vinculada a pagamento indevido: a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC no. 118, de 2005 (que ocorreu em 09.06.05): o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; b) relativamente aos pagamentos anteriores à 09.06.05: o prazo para repetição obedece ao regime previsto no sistema anterior prevalecente no STJ (tese dos 5 mais cinco), a saber, contandose um prazo de 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário, acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação (perfazendo um prazo total para repetição de 10 anos, a partir do fato gerador). Noto que ainda que inicialmente tenha o julgado vinculante do STJ, como tive oportunidade de me manifestar em outro feito julgado nesta mesma sessão, limitado inicialmente a ação de restituição, no caso de indébito ainda não repetido naquela data e cujo fato gerador ocorrera há mais de 5 anos da vigência da referida lei (limitação irrelevante naquele outro feito, visto que o indébito foi ali repetido antes de 2005), noto ter referida limitação, baseada no art. 2028 do Código Civil de 2002 (e que, no presente caso, ganharia relevância), sido rechaçada pelo julgado vinculante do STF. Neste sentido já se manifestou inclusive o Pleno deste Conselho, de forma unânime, na forma do Acórdão Pleno 9900000.382, de 28/08/12, cuja ementa e decisão são transcritas a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1986 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13808.004403/200173 Acórdão n.º 9202003.954 CSRFT2 Fl. 197 13 Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, Assim, aplicandose a solução acima ao caso em questão, verifico que o pagamento indevido (pagamento antecipado) ocorreu durante o anocalendário de 1998, ou seja, anteriormente à vigência da Lei Complementar no. 118, de 2005, com fato gerador ocorrido, assim, em 12/1998 (consoante efls. 04 e 18). Por sua vez, o pedido de restituição foi protocolizado em 10/02/2006 (efl. 66). Desta forma, in casu, deve ser considerado como prazo decadencial o lapso de 10 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, na forma das decisões vinculantes e solução acima. Considerado tal prazo, o pedido poderia ter sido protocolizado até 12/2008, restando, assim, afastada a decadência do pedido deduzido em 02/2006, de efl.66. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, devendose retornar o processo à DRF de origem para manifestação acerca das demais questões de mérito não abordadas, por conta da declaração de decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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