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Numero do processo: 10930.906216/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.891
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.906216/201285 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.891 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO DILIGÊNCIA Recorrente DJ INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Cofins, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que a não homologação da compensação decorrera da não retificação da DCTF, que contemplasse a real demonstração dos valores efetivamente devidos e recolhidos conforme planilha acostada aos autos , equívoco esse decorrente de simples erro de fato. Segundo ele, não houvera, por parte da Receita Federal, aprofundamento da análise do pedido para fins de se comprovar o direito creditório pleiteado, o que poderia ser superado com a realização de diligência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 06 21 6/ 20 12 -8 5 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10930.906216/201285 Resolução nº 3302000.891 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos encetados na Manifestação de Inconformidade, merecendo destaque o requerimento da conversão do julgamento em diligência para que fossem analisados os documentos anexados, bem como o conceito de insumo por ele esposado. É o relatório. Voto. Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.881, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.906214/201296, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.881): 1. Admissibilidade. O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 2. As provas apresentadas. A Recorrente pleiteou o crédito objeto do presente Recurso Voluntário, contudo tal pretensão foi denegada por meio do Despacho Decisório de fls. 18, atacada por meio da Manifestação de Inconformidade de fls. 22 e, posteriormente pelo Recurso Voluntário. Analisando a referida Manifestação de Inconformidade é possível aferir que já nela o Contribuinte pugnou pela necessidade de análise da documentação contábil com o objetivo de aferir a legitimidade do crédito: "Por outro ângulo, se as informações e esclarecimentos que viessem a ser fornecidos não fossem satisfatórios para o adequado convencimento da mais absoluta legitimidade dos valores dos quais se pretende compensar, a RFB poderia, ainda, determinar o diligenciamento contábil e fiscal na empresa a fim de aferir a legitimidade do crédito do Contribuinte, situação esta que não se vislumbrou em razão da sumariedade da análise e do despacho prolatado pelo órgão." A Recorrente, quando da apresentação da já mencionada Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais, DCTF Retificadoras dentre outros documentos que razoavelmente entendeu comprovarem seu direito ao crédito pleiteado. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, em seu limite de discricionariedade, entendeu que tais documentos eram insuficientes e que o contribuinte não havia se desincumbido do seu dever de realizar a prova do seu direito. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10930.906216/201285 Resolução nº 3302000.891 S3C3T2 Fl. 4 3 Isto porque o artigo 16 do Decreto 70.235/72 estabelece que todas as provas devam ser apresentadas quando da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, na forma dos parágrafos 4º e 5º. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (destaques não constantes do original) Em Recurso Voluntário a Recorrente defendeu que a documentação era suficiente e que caso assim a referida DRJ não houvesse entendido, que deveria ter solicitado documentação que entendesse satisfatória. Também no próprio Recurso Voluntário a Recorrente requereu a juntada de documentos, bem como a conversão do julgamento em diligência, pretensão para a qual valeuse do artigo 18 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10930.906216/201285 Resolução nº 3302000.891 S3C3T2 Fl. 5 4 Este colegiado possui entendimento no sentido de que não é lícito ao Recorrente utilizarse da via do Recurso Voluntário como fase probatória, deixando para apenas nele trazer aos autos documentos que deveriam ter sido juntados quando da Manifestação de Inconformidade. Isto porque sendo o processo uma sequência concatenada de atos, a diligência em sede de Recurso Voluntário não pode se transformar em um subterfúgio para suprir eventuais inércias das partes quando à juntada de documentos na fase processual legalmente estabelecida para tanto, limitandose a um mecanismo para sanar dúvidas surgidas a partir da matéria submetida a análise, razão pela qual deve ser rejeitada no caso concreto. Contudo, este colegiado também admite que quando o contribuinte oportunamente apresenta, em sede de Manifestação de Inconformidade, os documentos que entende suficientes, mas que assim não são valorados pela DRJ, a ele é lícito trazer novos documentos em sede de Recurso Voluntário, ou mesmo pleitear por conversão do julgamento em diligência, sempre levando em consideração uma análise de "fumus boni iuris" ou, em outras palavras, da plausibilidade da alegação em relação à documentação trazida. No caso concreto, a recorrente sustenta que procedeu a recomposição da COFINS do período de apuração de agosto de 2010, dentro do período prescricional e encontrou créditos referentes a: " Bens para revenda; Bens utilizados como insumos; Serviços utilizados como insumos; Despesas de Energia Elétrica; Despesas de Aluguéis de Prédio Locados de PJ; Despesas de Aluguéis de Mercado e Frete sobre venda; Sobre bens do Ativo Mobilizado (Enc. Depreciação); Devolução de vendas sujeita a alíquota 7,60%; Crédito Presumido Relativo à Estoque de Abertura; Crédito relativo à Importação." A questão submetida à análise diz respeito ao hipotético direito de crédito daquilo que a Recorrente afirma subsumiremse ao conceito de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, independente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes (efls. 136). A Recorrente sustenta que possui direito a crédito sobre materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, bem como serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo (efls. 136). A fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, voto no sentido de converter o julgamento em Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10930.906216/201285 Resolução nº 3302000.891 S3C3T2 Fl. 6 5 diligência à repartição de origem para a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar a Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) Com base nestes documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar o Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) com base nesses documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904305/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.904301/2014-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.904301/201455, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 30 5/ 20 14 -3 3 Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10983.904305/201433 Resolução nº 1402000.792 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente requereu a análise dos documentos apresentados, alegou que esses confirmam o valor correspondente ao crédito, especialmente em função do princípio da verdade material, que norteia inúmeras decisões proferidas no procedimento administrativo fiscal. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "a manifestante não juntou aos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para comprovar a redução de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF", portanto uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda passível de restituição/compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, no qual requer a conversão do julgamento em diligência para manifestação do órgão fazendário acerca da documentação contábilfiscal juntada ao recurso, para comprovar a existência de crédito tributário. Argumenta em que pese o entendimento de que a Recorrente não tenha demonstrado seu direito creditório líquido e certo, tanto o poder judiciário como também o CARF tem prestigiado o princípio da Verdade Material, aceitando a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifeste sobre a juntada da documentação, objetivando respeitar procedimento processual, para posterior prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10983.904305/201433 Resolução nº 1402000.792 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.788, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.904301/2014 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.788): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. Em síntese, a recorrente alega que a documentação contábilfiscal apresentada comprova a existência do crédito tributário pleiteado. A recorrente requer a conversão do julgamento em diligência com fundamento no princípio da verdade material. Diante das alegações da recorrente e dos documentos apresentados, apresentase a necessidade de diligência para confirmar o referido crédito e verificar a (in)subsistência das compensações. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderá ser definitivamente formada a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que: Pronunciarse sobre a procedência das alegações/documentos apresentados pela recorrente, a confirmação do crédito alegado e a (in)subsistências das compensações. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 784DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720165/2016-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO GENÉRICA. NULIDADE.
A motivação genérica do lançamento fiscal representa descumprimento das exigências legais para a constituição do crédito tributário e implica o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, resultando na nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1302-003.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e não conhecer do recurso de oficio em face do acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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MOTIVAÇÃO GENÉRICA. NULIDADE. A motivação genérica do lançamento fiscal representa descumprimento das exigências legais para a constituição do crédito tributário e implica o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, resultando na nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e não conhecer do recurso de oficio em face do acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 65 /2 01 6- 59 Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.714 2 Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício frente ao Acórdão nº 0659.333, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 2.496 a 2.561), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE DO PROCEDIMENTO POR SUPOSTO NÃO APROFUNDAMENTO DA INVESTIGAÇÃO. REJEIÇÃO DA ALEGAÇÃO. A Autoridade Fiscal tem ampla liberdade para decidir quais investigações deve fazer. Não é a contribuinte quem decide quais diligências devem ser feitas ou qual o grau de profundidade das investigações durante a ação fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IRPJ. DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do anocalendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos eventuais recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo decadencial. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento questionado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Ressalvando a hipótese do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que versa sobre a edição de súmula vinculante na esfera administrativa, inexiste norma legal que atribua às decisões administrativas, no âmbito do processo administrativo fiscal a eficácia normativa prevista no CTN, dessa forma, elas têm eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. A extensão dos efeitos da jurisprudência judicial no âmbito da Secretaria da Receita Federal possui como pressuposto sua Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.715 3 previsão do Decreto nº 70.235/1972, que elenca as hipóteses de afastamento das normas legais vigentes. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DESPESAS OPERACIONAIS. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, é indispensável comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de serviços efetivamente prestados pelo beneficiário dos pagamentos e que as despesas atendem aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para o desenvolvimento das atividades da contribuinte. Excluise do lançamento as despesas comprovadas. CONVERGÊNCIA DA CONTABILIDADE BRASILEIRA ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE EFEITOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. Os ajustes contábeis efetuados em decorrência do processo de convergência da Contabilidade Brasileira às normas internacionais de contabilidade não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições e nem ter quaisquer outros efeitos tributários, razão pela qual é obrigatória a utilização, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AMORTIZAÇÃO/DEPRECIAÇÃO. Os gastos com projetos e serviços de construção e/ou remanejamento de obras que beneficiam rodovia objeto de concessão, como valas e dutos para fibra óptica, por representarem capital aplicado na aquisição de direitos deverão ser contabilizados no Ativo Imobilizado e sujeitos à amortização/depreciação. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DE IMPOSTO PELO SEU VALOR LÍQUIDO, APÓS COMPENSAÇÃO DO VALOR LANÇADO EM OUTRO PERÍODO. Uma vez comprovada a ocorrência de inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, o lançamento de diferença de imposto, decorrente da postergação do seu pagamento para período de apuração posterior ao em que seria devido, deve ser efetuado pelo valor líquido, depois de Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.716 4 compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção." O presente processo resulta de procedimento fiscal realizado junto à CONCESSIONÁRIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A (NOVADUTRA), por meio do qual foram constituídos créditos tributários referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), em relação ao ano calendário de 2011, em decorrência da constatação da infração de dedução de despesas com amortização em taxa superior à permitida pela legislação. A acusação, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.027 a 1.038, é que certos montantes considerados pelo sujeito passivo como despesas (as denominadas PARCELA 1 e PARCELA 3) deveriam, por sua natureza, haver sido registrados no Ativo e submetidas a amortização. A autoridade fiscal embasa o seu raciocínio no fato de que a NOVADUTRA explora, sob o regime de concessão, por um prazo total de 25 anos, a Rodovia BR 116, trecho Rio de JaneiroSão Paulo e respectivos acessos. Deste modo, do início do período fiscalizado até o final da concessão (28 de fevereiro de 2021), terseia um prazo de 120 meses para a amortização das despesas, conforme, inclusive, teria sido realizado pela autuada para parte de seus dispêndios, denominados pela autoridade fiscal como PARCELA 2. O TVF registra, ainda, que parte das despesas foi considerada indedutível devido à ausência de apresentação pela NOVADUTRA dos documentos que embasaram os lançamentos contidos em sua escrituração contábil. Em relação às situações em que foi apresentada a documentação comprobatória, a autoridade fiscal considerou dedutível a parcela correspondente à amortização prórata relativa ao período restante da concessão. A análise realizada, conforme descrição contida no TVF, é a seguinte: "A PARCELA 1 é composta de diversas contas, que correspondem a diversos fornecedores, conforme demonstrativo a seguir. Nele consolidouse o tratamento dado, o status de entrega de documentação comprobatória, montante consolidado de glosa, entre outros. Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.717 5 Assim, há R$ 546.708,93 de despesas glosadas por não apresentação dos documentos ou pela não consideração dos mesmos. Abaixo seguem alguns comentários acerca das razões que levaram esta fiscalização a conceder dedutibilidade parcial aos documentos apresentados. ITEM COMENTÁRIOS P1.0: DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. P1.1: OPTU EQUIPAMENTOS E SUPRIMENTOS INFORMATICA LTDA EPP CNPJ: 03.135.695/000162. CNAE 4751201 COMÉRCIO VAREJISTA ESPECIALIZADO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA. OPERANET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA. CNPJ: 14.103.679/000159. CNAE: 6209100 SUPORTE TÉCNICO E OUTROS SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO. SERVIÇOS EXECUTADOS: SERVIÇOS EM PEDÁGIO. P1.2: DATATRAFFIC CNPJ: 01.175.068/000174. CNAE: 4329 0104 MONTAGEM E INSTALAÇÃO DE SISTEMA E EQUIPAMENTOS DE ILUMINAÇÃO E SINALIZAÇÃO EM VIAS PÚBLICAS. SERVIÇOS EXECUTADOS: IMPLANTAÇÃO E AFERIÇÃO, INCLUÍDOS MÃO DE OBRA E MATERIAL. P1.3: CCBR CATEL CONSTRUÇÕES DO BRASIL LTDA. CNPJ: 66.686.221/000173. CNAE 4221904: CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES E REDES DE TELECOMUNICAÇÕES. SERVIÇOS EXECUTADOS: CONSTRUÇÃO E REMANGENTES DE REDES DE DUTOS PARA CABOS DE FIBRA ÓTICA, INCLUÍDOS MÃO DE OBRA E MATERIAIS. P1.4: DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. Por fim, as deduções correspondentes às contas 412101014 Serviços Médicos e Odontológicos; 412101015 Serviço de Limpeza; 412101016 Serviço de Vigilância; 412101018 Serviço de Transporte de Valores; 412101019 Serviço de Fretes e Carretos; 412101999 Ressarcimento de Danos ao Patrimônio; 412103001 Serviço de Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.718 6 Manutenção em Sistema de Pesagem; 412103002 Serv Manutenção em Sistema de Controle Ambiental; 412103012 – Serviço de Manutenção Elétrica; e, 412103013 Serviço de Manutenção Predial e de Instalações, foram consideradas independentemente de documentação comprobatória. Quanto à PARCELA 3 é composta de 12 notasfiscais da CPC (COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES EM CONCESSÕES CNPJ: 09.367.702/000263). Genericamente especificam os serviços de "valor da parcela fixa do gerenciamento de investimentos". Ora tais serviços não são manutenção ou operação e assim, não se poderia falar em dedução direta, como procedeu a fiscalização. Há que se lembrar também que a empresa tem atividade principal CNAE 6462000: holding de instituições não financeiras. E em que pese as alegações trazidas em resposta ao Termo n° 21, item III. C. 3, e ter juntado o contrato estabelecido entre a NOVADUTRA e a Divisão Engelog da CPC, não prospera o argumento de que tais gastos não deveriam ser ativados. Assim, o tratamento dado por esta Fiscalização a esta PARCELA 3 foi o que segue: Por fim, merece ainda destaque digno de menção é que a empresa já foi autuada por conta de inadequada amortização de despesas. Tal autuação, em instância recursal administrativa final foi mantido (sic), o que ensejou inclusive o parcelamento do montante cobrado (PAF nº 13808.001850/9995) por parte do contribuinte. Objetivando ilustrar o entendimento desta fiscalização, segue excerto da decisão do relator do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES / TERCEIRA CÂMARA que traduz o entendimento desta Fiscalização. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.719 7 O cerne da questão em apreço reside no fato da contribuinte não aceitar como premissa básica, que a natureza dos serviços necessários à manutenção de uma rodovia, são, de fato, em razão de sua própria gênese, compostas (sic) por bens materiais duráveis, com vida superior a um ano. Vários fatos comprovam tal assertiva. .................. O mais expressivo, (sic) é a própria obra da rodovia Presidente Dutra, enquanto obra civil, que pela sua magnitude, não comportaria tal ilação. .................. O segundo, tão expressivo quanto o primeiro, diz respeito ao prazo da concessão de 25 anos, onde a grandeza do prazo contratual se faz necessária para viabilizar o retorno dos investimentos relativos às melhorias incorporadas ao bem e à sua própria manutenção, que são, tanto quanto o prazo contratual em apreço, vultosos." O resumo dos valores glosados, considerada a amortização prórata, foi realizado do seguinte modo: (...) (...) Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.720 8 Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 1.096 a 1.216), que pode ser sintetizada a partir das seguintes passagens: "20. Todavia, e com as vênias devidas, os autos de infração não podem prevalecer, pois em franca e aberta violação ao art. 142 do CTN, na medida em que (a) não foram adequadamente motivados (não existe nos autos explicação detalhada para embasar e justificar a ativação dos valores em questão); (b) baseados em mera presunção (não houve a devida análise da natureza dos gastos em questão); (c) desprovidos dos elementos necessários para a prova materialidade da suposta infração tributária (não há prova que justifique a ativação dos valores, seja como ativo imobilizado, seja como ativo diferido); (d) autuou valores que não foram objeto de intimação fiscal específica; (e) deixou de apurar corretamente a matéria tributável (desconsideração dos efeitos da postergação do pagamento dos tributos); e (f) incorreu até mesmo em erros grosseiros quanto à identificação da data do fato gerador do IRPJ e da CSLL ora autuados. 21. Tudo isso a contaminar a própria essência e materialidade da acusação fiscal, sendo de rigor a decretação de sua insubsistência, independentemente de qualquer outra questão ou argumento de defesa. 22. Ainda que assim não fosse, o fato é que os gastos em questão não são ativos da Impugnante, pois (a) não estão atrelados a qualquer bem de seu imobilizado; (b) não aumentaram a vida útil de seus bens (condição para registro de ativo imobilizado); e, ainda (c) não estão diretamente vinculados à geração de receitas futuras (requisito para registro de ativo diferido). 23. Neste ponto, a Impugnante relembra que a autuação se refere ao anocalendário de 2011, período de aplicação do denominado Regime Tributário de Transição (‘RTT’ Lei n° 11.941/09), que determinava a apuração do lucro líquido do período de acordo com as normas societárias e contábeis vigentes até 31/12/2007, sem a observância das alterações veiculadas pela Lei n° 11.638/07. Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.721 9 24. De reverso, e como será amplamente comprovado a partir da análise detalhada de cada uma das contratações e atividades que originaram os referidos gastos, tratase de efetivas despesas incorridas no anocalendário de 2011, devidamente comprovadas, e necessárias para o desenvolvimento de suas atividades empresariais. (...) 27. Tudo a comprovar, em sua plenitude, a ausência de embasamento legal para a pretensa "ativação" dos respectivos valores, como indevidamente realizado pela fiscalização. 28. De toda forma, mesmo que se entendesse que, sob o ponto de vista societário/contábil, os gastos em questão deveriam ser "ativados", ainda assim a legislação fiscal (art. 324 do RIR/99) confere ao contribuinte a opção de deduzir os gatos integralmente no próprio exercício ou de ativálos para a amortização futura (a ativação, para fins fiscais, não é obrigatória). 29. Seja como for, ao menos em caráter subsidiário, a presente impugnação deverá ser acolhida para fins de (a) se reconhecer os efeitos da postergação do pagamento dos tributos autuados, conforme determinam o art. 6°, §4°, do Decretolei n° 1.598/77 e do Parecer COSIT n° 02/96; (b) de cancelar o auto de infração de CSLL, na medida em que as regras de apuração do lucro real não são automaticamente aplicadas à CSLL; e (c) cancelar a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio." A Impugnação traz, ainda, a alegação de decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2011, inclusive; e de não aplicação à CSLL da obrigação prevista no art. 324 do RIR/99. A decisão de primeira instância considerou inexistente qualquer violação ao art. 142 do CTN, posto que: (i) indicados, nos autos de infração, os dispositivos legais infringidos (o que deixaria clara a motivação para considerar necessária a "ativação" dos gastos e a impossibilidade de deduzilos diretamente na apuração do IRPJ e CSLL); (ii) juntadas as provas ao processo, de modo que o sujeito passivo pôde compreender a acusação e apresentar a sua defesa sem dificuldades; (iii) houve, sim, análise da natureza dos gastos, já que "a Fiscalização emitiu uma série de intimações à contribuinte, requisitando documentos e esclarecimentos, a fim de firmar sua convicção sobre o assunto"; (iv) houve intimação específica para a comprovação das despesas glosadas por falta de apresentação dos documentos comprobatórios; (v) a apuração dos tributos foi feita atendendo a periodicidade prevista na legislação. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.722 10 Registrou, ainda, a inexistência de fundamento para a anulação dos autos de infração, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. A decisão afastou a alegação de decadência, na medida em que os tributos foram objeto de apuração anual e a ciência ocorreu em 19/12/2016, quando o prazo decadencial se extinguiria em 31/12/2016. A apuração mensal se restringiu às estimativas, que são antecipações de pagamento do valor devido ao final do exercício. Em relação à despesas glosadas por falta de comprovação, a partir dos documentos apresentados com a Impugnação, o julgador a quo considerou comprovados R$ 538.596,17 do montante de R$ 546.708,93 apontado na autuação. No que tange à maior parte da autuação, relacionada com a dedução antecipada dos gastos que deveriam ser registrados no Ativo e submetidos a amortização/depreciação, com base no art. 179, IV, da Lei nº 6.404, de 1976, nas orientações contidas no Manual de Contabilidade do Serviço Público de Exploração da Infraestrutura Rodoviária Federal Concedida, e no art. 325, inciso I, alínea "b", do RIR/99, considerou que: (i) os gastos com as empresas OPTU Equipamentos e Suprimentos de Informática Ltda, Operanet Tecnologia da Informação Ltda e Data Traffic S.A. poderiam ser consideradas despesas necessárias à atividade, deduzidas diretamente da apuração do IRPJ e da CSLL; (ii) os gastos com a empresa CCBR – Catel Construções do Brasil Ltda "constituem um ativo a ser imobilizado, pois agregam valor à rodovia na qual as linhas de fibra óptica foram instaladas e, ao final do contrato de concessão, passarão a ser propriedade do Estado, não podendo ser retirados pela contribuinte, devendo, por esse motivo, ser amortizados até o fim do contrato de concessão", pelo que manteve a autuação; (iii) os gastos com a Companhia de Participações em Concessões (CPC) Engelog se à "coordenação, gestão, assistência técnica, consultoria e assessoria relacionados ao planejamento e elaboração de projetos", sendo que, por estarem vinculados a bem classificado no Ativo Imobilizado, sendo "fundamentais para colocar o ativo em condições de uso"), devem ser contabilizados no mesmo Ativo Imobilizado, conforme esclarecido na Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC nº 1.025, de 2005. A decisão considerou procedente, ainda, o requerimento da Impugnante, para descontar da exigência fiscal os valores já oferecidos à tributação, nos anoscalendário de 2012 a 2015, tendo em vista a inexatidão quanto ao período de escrituração da despesa, na forma do artigo 273 do RIR/1999 e Parecer Normativo Cosit nº 2, de 1996. O Acórdão entendeu aplicáveis à CSLL todas as conclusões adotadas em relação ao IRPJ, refutando a "alegação de que o art. 324 do RIR/1999 não serve de fundamento para suportar a glosa do excesso de despesas", tanto porque este dispositivo não foi apontado na autuação, quanto por conta das regras de apuração da CSLL, que tomam por base o lucro líquido, antes da provisão para o IRPJ. Por fim, sob o argumento de que os autos de infração indicariam a "incidência de juros apenas sobre o valor dos tributos lançados", não conheceu da alegação relativa à não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.723 11 A decisão afastou a obrigatoriedade dos precedentes administrativos e judiciais invocados pelo sujeito passivo e refez os cálculos da autuação, considerando os efeitos da postergação. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls. 2.572 a 2.669), no qual: a) suscitou a nulidade parcial da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, sob a alegação de que não foram apreciados argumentos autônomos de defesa. A sua tese é de que sustentou a existência de vício material no lançamento tributário, por não terem sido obedecidos os parâmetros estabelecidos no art. 142 do CTN (argumentos de mérito, segundo ele), enquanto a decisão recorrida analisou a alegação de nulidade do auto de infração, que não foi por ele aventada; b) arguiu, ainda, a nulidade parcial, sob o mesmo fundamento, por ter a decisão recorrida deixado de analisar o argumento relativo à "opção legal para 'ativação' dos valores para fins tributários"; c) repetiu as alegações trazidas na Impugnação referentes à violação ao art. 142 do CTN, decadência, ausência de obrigação de "ativar" os gastos apontados pela autoridade fiscal, e cancelamento do auto de infração da CSLL; d) contestou a manutenção pela decisão recorrida da glosa da despesa de R$ 8.112,16, a qual reputou como sendo despesa incorrida com aquisição de energia elétrica; e) em relação à não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, arrazoou que, ou se reconhece que os referidos valores não constam do lançamento original e como tal a sua cobrança não pode prosperar, por não ter havido a regular constituição do crédito tributário; ou se reconhece a competência do CARF para conhecer e apreciar tal matéria, fazendo o controle da legalidade de tal exigência; f) requereu que os efeitos da postergação reconhecidos pela decisão recorrida sejam calculados até a data do encerramento definitivo da discussão administrativa; g) por fim, pugnou pelo improvimento do Recurso de ofício. Em 21 de janeiro de 2019 (há dois dias, portanto), foi juntada aos autos a Petição de fls. 2.680 a 2.686, pela qual a Recorrente comunica o proferimento de sentença judicial que se relacionaria com a matéria do Recurso Voluntário, em especial a chamada PARCELA 3. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DO RECURSO VOLUNTÁRIO I.1. Do conhecimento do Recurso Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.724 12 O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de junho de 2017 (fl. 2.568), tendo apresentado Recurso Voluntário em 11 de julho de 2017 (fl. 2.570), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 1.069 a 1.076. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I.2. Da nulidade dos autos de infração Apesar do Recorrente haver suscitado, inicialmente, a nulidade da decisão de primeira instância, cabe analisar previamente a alegação por ela trazida, desde a Impugnação, em relação à nulidade dos autos de infração, por violação ao art. 142 do CTN. Como relatado, a Recorrente entende que os autos de infração não podem prevalecer, posto que o referido dispositivo legal teria sido violado, uma vez que: "(...), a autoridade administrativa (a) não motivou de forma adequada a razão da alegada necessidade de “ativação” dos valores em questão; (b) não se dseu ao trabalho de analisar a natureza dos gastos (lançamento baseado em mera presunção); (c) não cumpriu o seu ônus de provar a razão de “ativar” os referidos valores, seja como ativo imobilizado, seja como ativo diferido; (d) autuou valores, tidos como não comprovados, sem que expedisse qualquer intimação fiscal nesse sentido; (e) não apurou corretamente a matéria tributável (desconsideração dos efeitos da postergação do pagamento dos tributos); e (f) se equivocou até mesmo na identificação da data do fato gerador do IRPJ e da CSLL ora autuados. A decisão recorrida rejeitou todas as referidas alegações. De fato, o dispositivo legal invocado pela Recorrente estabelece regras gerais acerca dos elementos que devem estar presentes no documento de constituição do crédito tributário, na hipótese do lançamento de ofício: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." A ausência ou o equívoco em relação a um destes elementos, considerados essenciais, macula o auto de infração de vício insanável. Fl. 2724DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.725 13 Em adição, o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, traz requisitos do auto de infração em que se mesclam critérios materiais a critérios formais do lançamento: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Finalmente, o art. 59 dispõe as hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." A análise acerca da adequação do lançamento deve ser realizada, in casu¸a partir do conteúdo dos autos de infração de fls. 1.049 a 1.060, em conjunto com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.027 a 1.048. Assim, a autoridade fiscal principia, no item 3.2 tratando de valores que deveriam integrar o Ativo Diferido e de critérios de amortização: Prossegue, no item 3.3, tratando acerca de amortização e afirma haver utilizado para as denominadas PARCELA 1 e PARCELA 3 o mesmo critério de amortização que teria sido adotado pelo sujeito para a PARCELA 2 ("prazo de 120 meses de amortização do início do período fiscalizado até o fim da concessão"). Descreve, então, no item 3.4, o fundamento para a autuação: Fl. 2725DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.726 14 Posteriormente, em relação à PARCELA 1, apenas apresenta os valores glosados. Quanto à PARCELA 3, afirma o TVF: E adota, então, fundamentação de decisão anterior do Conselho de Contribuintes referente a bens que devem ser contabilizados no Ativo Imobilizado: Por sua vez, os autos de infração trazem como enquadramento da infração relativa ao IRPJ a "glosa de despesa por amortização indevida", indicando a seguinte fundamentação legal: (...) E para a CSLL, aponta "custos/despesas operacionais/encargos não dedutíveis": (...) Fl. 2726DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.727 15 O Acórdão recorrido rejeitou a alegação, nos seguintes termos: "201. Inicialmente destaco que a motivação foi exposta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1039 a 1048) e nos Autos de Infração (fls. 1049 a 1063), tendo o enquadramento legal sido corretamente informado nos autos, o qual reproduzo parcialmente abaixo: 202. Desse modo, ao incluir os arts. 324 e 326 do Decreto 3.000/1999 (RIR), a Autoridade Fiscal deixou clara a razão para “ativar” os valores examinados: (...) 203. Nesse ponto, entendo, ainda, que quando a Autoridade Fiscal utiliza a expressão “ativar”, mais do que indicar em qual grupo do Ativo os gastos deveriam ser contabilizados (imobilizado ou diferido), aponta para o fato de que certos gastos não deveriam ser deduzidos imediatamente na apuração do Lucro Real. Este é o cerne da questão. 204. Outrossim, destaco que é pacífico o entendimento de que a omissão parcial ou a imprecisão no enquadramento legal do fato ou da infração não acarreta nulidade do lançamento, se, a despeito dessa irregularidade, a descrição fática permitir ao sujeito passivo a compreensão dos fatos e da responsabilidade que lhe é imputada. 205. Assim, eventual imprecisão no Termo de Verificação Fiscal é totalmente superada pelo que demonstra o conjunto dos documentos juntados ao processo. 206. Tanto é assim que a interessada pôde apresentar, como apresentou, recurso rebatendo especificamente a matéria tratada nos Autos de Infração, ou seja, fica evidente que a impugnante teve a exata compreensão dos fatos que lhe foram imputados, não procedendo, de forma alguma, as afirmações da contribuinte relativas à falta de motivação para a constituição do lançamento tributário e à falta de comprovação das razões de “ativar” os referidos valores." Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.728 16 Não há como negar que os documentos de lançamento trazem alguma motivação. O seu grau de imprecisão, contudo, é algo que, ao meu ver, compromete irremediavelmente o direito de defesa do sujeito passivo e a constituição do crédito tributário. Em primeiro lugar, de fato, a autoridade fiscal não deixa claro se os valores das PARCELA 1 e PARCELA 3 deveriam ter sido contabilizados no Ativo Imobilizado ou Diferido. Ao contrário do alegado, tal fato é relevante, posto que as razões para tanto são diversas, e é a partir delas que deve ser feita pelo autuante e pelo autuado a instrução probatória, bem como a análise por parte do julgador. Como bem apontado, pelo sujeito passivo: "(...) cada grupo do ativo possui suas regras específicas para depreciação (ativo imobilizado, conforme a vida útil do bem a ser depreciado, nos termos do art. 183, §2º, da Lei nº 6.404/76 e da Instrução Normativa SRF nº 162/98) ou a sua amortização (ativo diferido, conforme geração de benefícios das receitas futuras, nos termos do art. 183, §3º, da Lei nº 6.404/76 e do art. 58, §1º, da Lei nº 4.506/64)" Vejase que, embora o TVF seja silente quanto ao fundamento legal da autuação, o Auto de Infração do IRPJ (como destacado pelo julgador a quo) aponta o art. 324 do RIR/99 (aplicável ao Ativo Diferido). Não obstante, o Acórdão recorrido aborda a matéria a partir do art. 325, inciso I, alínea "b", do RIR/99 (aplicável ao Ativo Imobilizado), e sequer citado no TVF ou nos Autos de Infração. Outrossim, o TVF não esclarece os fundamentos legais para a taxa de amortização adotada para cada uma das parcelas glosadas, e, jamais, trata de depreciação. O Acórdão recorrido, por outro lado, referese a amortização/depreciação. Tais fatos são apenas reflexos da generalidade da acusação, de modo que procedem os questionamentos realizados pela Recorrente: "Parcela 1: quais documentos foram analisados pela fiscalização? qual seria a natureza das despesas? qual histórico constante dos documentos? o que diz o objeto social dos prestadores de serviços? Existe alguma contradição com as atividades por eles desempenhadas? O que isso tem a ver com a ativação dos valores? enfim, por que os valores deveriam ser ativados? Parcela 3: por que não se poderia falar em dedução direta no resultado? qual seria então a natureza dos serviços? Fl. 2728DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.729 17 em que medida os esclarecimentos prestados pela Recorrente estariam equivocados? de quais pontos discorda a fiscalização? existe alguma incoerência ou vício no contrato de prestação de serviços firmado com a Engelog? enfim, por que os referidos gastos deveriam ser ativados?" Tanto é assim que a Recorrente, na sua Impugnação se defendeu de dois fundamentos (a inclusão no Ativo Imobilizado e a inclusão do Ativo Diferido): E como bem explicitou: Isto posto, entendo pela nulidade do lançamento por violação ao art. 142 do CTN, na medida em que deficiente a apuração do fato gerador e a determinação da matéria tributável; por violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, por vício na descrição do fato e na discriminação da disposição legal infringida; redundando em cerceamento do direito de defesa da Recorrente, causa de nulidade, à luz do art. 59 do mesmo Decreto. II DO RECURSO DE OFÍCIO II.1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Como relatado, por meio do Acórdão Recorrido, houve a redução da multa de ofício aplicada para o patamar de 75%. Nos termos Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Neste sentido, o recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola em muito o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 13864.720165/201659 Acórdão n.º 1302003.343 S1C3T2 Fl. 2.730 18 II.2 DO MÉRITO Em decorrência do reconhecimento da nulidade arguida no Recurso Voluntário, fica prejudicado o julgamento do Recurso de Ofício. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por ANULAR os Autos de Infração relativos ao IRPJ e à CSLL, e por não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720911/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
Numero da decisão: 3302-006.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a aplicação da alíquota de 60% sobre os créditos presumidos de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos nos produtos ali referidos, no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a aplicação da alíquota de 60% sobre os créditos presumidos de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 11 /2 01 3- 16 Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.202 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 3.0323.063: Tratase de Autos de Infração lavrados por insuficiência de pagamento das Contribuições para a Cofins no valor de R$ 45.665.064,02 e para o PIS no valor de R$ 9.658.700,94, além de Multa Isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido, prevista na Lei no 12.249/2010, perfazendo o Crédito Tributário total de R$ 93.514.965,20. Os lançamentos foram realizados à vista do contido no Termo de Verificação, fls.3013/3025. Inicialmente a fiscalização fez constar que não foram consideradas como insumos a aquisição de carne de gado para fins do cálculo do crédito de ressarcimento exportação, na medida em que tais aquisições gerariam crédito presumido da agroindústria. Também, a Auditorafiscal entendeu que somente os insumos ligados diretamente à atividade da empresa gerariam crédito, desconsiderando as compras os seguintes itens: genéricos, querosene de aviação, graxa, lubrificantes de veículos, fluído de freio, álcool combustível, abastecimento de veículo, serviços de lavagem de veículos, embalagens para autoclave, lubrificante, antiferrugem, óleo para transmissão e aditivo para radiadores. Além disso, glosou créditos dos insumos de serviços não ligados aplicados ou não consumidos na produção como descarga e empilhamento de lenha, análises ambientais, comissão na compra de gado, manutenção de veículos e máquinas não empregados diretamente na produção, serviços de rebobinamento de motores e esteiras. Ainda, glosou despesas de energia elétrica de CNPJ diversos do da impugnante, aluguéis pagos a pessoa física; estadia de veículos, fretes de produção como transferência de embalagens, transporte de pallets, de material de uso e consumo. A autoridade fiscal glosou despesas não relacionados diretamente ao processo de produção com manutenção de máquinas e equipamentos, bem como com mão de obra aplicada na manutenção de máquinas, ou seja, empilhadeiras, esteiras, pulverizadores, despesas com frota própria de veículos, manutenção hidráulica e elétrica, gastos com proteção de trabalhadores, controle de zoonoses, manutenção de equipamentos de laboratório de análises, despesas administrativas e com poços artesianos. Especificamente quanto ao crédito presumido de agroindústria, a Auditora onsiderouse que a impugnante adquire animal vivo e sobre as aquisições de gado a alíquota correta seria de 35%, tendo sido glosado do crédito os valores apresentados com base na alíquota de 60%. A autoridade fiscal finalizou o Termo de Verificação Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.203 3 Fiscal concluindo que os ressarcimentos dos pedidos relativos aos 3º e 4º trimestres de 2008 e do 1º e 3º trimestres de 2009 devem ser indeferidos e as Dcomp vinculadas não homologadas, além do deferimento parcial com a consequente homologação parcial das Dcomp dos períodos do 1º e 2º trimestres de 2008 e 2º e 4º trimestres de 2009. Os períodos acima foram tratados nos seguintes processos: Nº PROCESSO TRIBUTO TRIMESTRE ANO 16349.000467/200903 COFINS 1º 2008 16349.000477/200931 PIS 1º 2008 16349.000468/200940 COFINS 2º 2008 16349.000478/200985 PIS 2º 2008 16349.000469/200994 COFINS 3º 2008 16349.000479/200920 PIS 3º 2008 16349.000470/200919 COFINS 4º 2008 12585.720319/201171 PIS 4º 2008 12585.720320/201104 COFINS 1º 2009 12585.720325/201129 PIS 1º 2009 12585.720321/201141 COFINS 2º 2009 12585.720326/201173 PIS 2º 2009 12585.720322/201195 COFINS 3º 2009 12585.720327/201118 PIS 3º 2009 12585.720323/201130 COFINS 4º 2009 12585.720328/201162 PIS 4º 2009 Inconformada, a autuada apresentou a Impugnação de fls. 2805/2837, na qual argumenta que as glosas praticadas com relação aos créditos de exportação são ilegais, na medida em que todos os custos sejam eles diretos ou indiretos, geram direito ao crédito das contribuições e continua: De outro lado, também é equivocado o entendimento de que as vendas no mercado interno dariam direito ao crédito presumido com base na alíquota de 35% nas aquisições praticadas pela impugnante, mesmo porque no seu ramo de atividade a aquisição praticada pelos frigoríficos (estabelecimento de carne) é de 60%, especialmente porque sobreveio novel legislação que definiu em tavor da impugnante o direito ao creditamento com base nessa última alíquota. E inicia, no mérito: Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.204 4 Em primeiro lugar, com a devida vénia, é equivocado o entendimento da autoridade administrativa de que a contribuinte não faz jus ao ressarcimento dos insumos e dos serviços que não estejam diretamente ligados ao processo de produção. Neste sentido cita o advogado Marco Aurélio Greco, decisão do Carf e conclui que: Fica constatado o equivoco alegado pelo Órgão Federal, razão pela qual, ainda que os serviços e insumos relacionados no "Termo de Verificação Fiscal" não estejam diretamente ligados ao produto, tal fato não inviabiliza o creditamento. Entende que estadia de veículos, fretes de produção como transferência de embalagens, transporte de pallets, de material de uso e consumo não poderiam ter sido glosados, pois confronta a Lei n° 10.833/03 e também decisão da Quarta Câmara do antigo Conselho de Contribuinte, a qual transcreve. Argumenta que as glosas de energia elétrica e aluguéis estão incluídas no conceito de insumos e promete que “acostará aos autos os contratos de arrendamento e aluguéis que realizou.” Quanto ao crédito presumido da Lei n° 10.925/2004, entende que a alíquota é de 60%: Conforme acima se demonstrou a elevada monta exigida pelo Auto de Infração decorre da glosa do crédito presumido que foi calculado pela impugnante em 60% e, posteriormente, foi glosado pela Fiscalização que fixou a alíquota em 35%. Afirma que: Entretanto, a aquisição do frigorífico é a carne e não animal vivo para procriação (capítulo I da TIPI)! (...) A compra e venda só se aperfeiçoa com a tradição da mercadoria e a fixação do preço, o que, mais uma vez, demonstra que o insumo comprado pelo contribuinte é "carne" e não "animal vivo", vez que já fora abatido e limpo. Disserta sobre a “tradição”, a transferência do bem e argumenta que: Como a tradição da mercadoria e a fixação do seu preço somente ocorre após o abate do animal, concluise que a compra e venda se aperfeiçoa após a carcaça do animal morto ter sido pesada, o que comprova que o insumo da manifestante é carne e não bovino vivo. (...) Portanto, a manifestante NÃO COMPRA, como entendeu a fiscalização, animal vivo para procriação, reprodução ou engorda, que justificasse a incidência de 35% da alíquota sobre as aquisições. (...) O fato do boi, bovino ou mesmo o "animal vivo" entrar marchando nas dependências do contribuinte para o abate não descaracteriza que o produto adquirido foi carne. A contribuinte entende que a classificação considerada pela Auditora fiscal está equivocada: Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.205 5 Dessa forma, demonstrado que o insumo adquirido pela recorrente é "carne bovina" classificada no Capítulo 2 da Tabela do IPI, evidente o desacerto da decisão veiculada pelo despacho decisório aqui combatido, posto que se a contribuinte adquire carne que é classificada no Capítulo 2 da Tabela do IPI, a alíquota correta a ser aplicada sobre a base de cálculo do crédito presumido deve ser a de 0,99% e 4,56% do PIS e da COFINS, respectivamente, conforme mandam a o art. 8o, § 3o, I da Lei 10.925/04 e art. 8o, § Io, I, da IN n° 660/06 Cita a legislação que interpreta, mormente a Lei 10.925/04 e o artigo 8º: Isso porque em seu ramo de atividade (frigorífico) a impugnante industrializa CARNE e a destina à alimentação humana, o que lhe garante o direito ao ressarcimento do crédito presumido de COFINS e PIS (relativamente às carcaças e meias carcaças que são adquiridas de pessoa física e cooperativa), na forma do artigo 8o, I, § 3o da Lei 10.925/04, Tal entendimento se extrai da interpretação sistemática das leis que pautam o ramo de atividade dos frigoríficos, bem assim da recente jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Acórdão n° 3301001.635 e Acórdão n° 330100.980), que revela que a impugnante adquire carne (matéria prima/insumo — Capítulo 2 da NCM) e não animal vivo (Capítulo 1 da NCM) conforme entendeu a Fiscalização. Também, entende que atualmente estaria beneficiada com a alíquota de 60%: Seja como for, recentemente o artigo 33 da Lei 12.865/2013 acrescentou ao artigo 8° da Lei 10.925/04 o § 10, que esclarece que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados no processo de industrialização. Por fim, entende que os ressarcimentos devem ser corrigidos pela SELIC: Os créditos mencionados no "Termo de Verificação Fiscal" que foram glosados ilegalmente devem ser corrigidos pela SELIC, em razão da resistência oposta por ator ilegítimo do Fisco que, no caso dos autos, se verifica tanto pela demora na apreciação do pedido, quanto pelas glosas ilegais que foram perpetradas. Tal pretensão se alicerça na Lei 9.250/95 que, em seu artigo 39 § 4o, autoriza a aplicação de juros SELIC sobre os créditos objeto de restituição, contados a partir de 1o de janeiro de 1996: (...) Portanto, todo o crédito já reconhecido e os que serão ressarcidos com o provimento desta manifestação de inconformidade devem ser corrigidos pela SELIC, na forma do art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95. E manifesta o seu pedido: a) seja julgada procedente a presente impugnação tornando insubsistente o auto de infração pelas razões apontadas; b) seja anulado o entendimento apascentado no "Termo de Verificação Fiscal" que indeferiu ou deferiu parcialmente os créditos de ressarcimento, especialmente porque as glosas praticadas são ilegais, devendo os/valores glosados serem restituídos com a correção pela taxa SELIC, para p fim de que se opere o encontro de contas e sejam extintos os créditos tributário informados nas DCOMPS. Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.206 6 Finalmente protesta pela produção de provas, em especial, a juntada de novos documentos e perícia técnica, a fim de ratificar os fatos articulados na presente impugnação, tornando insubsistente o auto de infração pela inocorrência do fato gerador. Em 11 de fevereiro de 2016, a DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE BOI VIVO. PERCENTUAL APLICÁVEL. As aquisições de boi vivo conferem o direito de aproveitamento de crédito presumido, para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, mediante aplicação do percentual de 35% sobre as referidas compras, inteligência da norma prevista no inciso III, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE BOI VIVO. PERCENTUAL APLICÁVEL. As aquisições de boi vivo conferem o direito de aproveitamento de crédito presumido, para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, mediante aplicação do percentual de 35% sobre as referidas compras, inteligência da norma prevista no inciso III, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.207 7 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis. Cientificado da decisão em 30.01.2015 (fls.3.071), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 3.073 (fls.3.0733.130), reproduzindo, com exceção da preliminar de nulidade, as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito A matéria em litígio envolve as seguintes questões à serem dirimidas: i) direito ao crédito de bens e serviços utilizados no processo produtivo da Recorrente; e ii) qual a alíquota deve ser utilizado para cálculo presumido da agroindústria envolvendo a aquisição de produto animal para ser utilizado na fabricação do produto, 60% ou 35%. Feito estas consideração, passase à análise específica dos pontos controvertidos. II.1 Conceito de Insumo Inicialmente, insta tecer alguns comentários sobre o conceito de insumos para fins a analisar o direito ao crédito pleiteado pela Recorrente. Pois bem. Há três correntes que se formaram no ordenamento jurídico. A primeira, defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. E, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.208 8 Neste Conselho, é majoritário o entendimento retratado na terceira opção anteriormente citada, cuja justificativa se empresta do voto do conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, nos autos do PA 10925.001199200961: Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.209 9 Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS. O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.210 10 qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.211 11 Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, vale alimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Nesta seara, passase à análise dos créditos glosados pela fiscalização. II.1.a Créditos Glosados pela Fiscalização Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 2.7262.739, a fiscalização fundamentou a glosa dos bens e serviços utilizados pela Recorrente na apuração do crédito das contribuições com base nas seguintes premissas: A) BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS 33. A abrangência da definição de "insumo", tanto no caso da produção ou fabricação de produtos para revenda, como no da prestação de serviços, não pode ser interpretada como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, utilizados com insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 34. Assim, em relação aos insumos, foram desconsideradas as compras dos seguintes itens/mercadorias, conforme descrição e/ou código NCM dos arquivos digitais apresentados, por não estarem relacionados diretamente ao processo produtivo, não se enquadrando na definição de insumo: itens genéricos, querosene de aviação, graxa, lubrificante de veículos, fluído de freio, álcool combustível, itens N/D (sem descrição, abastecimento de veículo, serviços de lavagem de veículos embalagem para autoclave, lubirifcante antiferrugem, óleo para transmissão e aditivo para radiadores. 35. No caso das graxas, a Solução de Divergência nº 12/2007 afirma que não se consideram insumos diretos, para fins de desconto de créditos os materiais de limpeza de equipamentos e máquina, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. B) SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.212 12 36. Para que sejam passíveis de gerar créditos, os serviços devem ser prestados por pessoa jurídica brasileira e aplicados e/ou consumidos na produtção/fabricação do bem. Aplicamse ao caso as mesmas considerações feitas para bens utilizados como insumos. 37. Com base na amostragem de notas fiscais, foi constatada a apropriação de créditos de diversos serviços não enquadrados nos conceitos de insumos, como descarga e empilhamento de lenha, análises ambientais, comissão na compra de gado, manutenção de veículos e máquinas não empregados diretamente na porudção, serviços de rebobinamento de motores de esteiras. Foi também verifica a existência de notas fiscais de diversos CFOP e notas de serviços sem incidência de ICMS. 38. No intuito de verificar a pertinência dos serviços geradores dos créditos apropriados pela empresa, foram solicitadas planilhas em arquivo digital contendo descrição complementar do serviço, CFOP, conta contábil, entre outros dados para verificação da pertinência dos serviços ao processo produtivo. No entanto, não foram apresentados as planilhas complementares solicitada. C) DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA 40. Foram glosados valores referentes as faturas de energia elétrica com CNPJ diverso do contribuinte, não configurando o consumo no estabelecimento do contribuinte. D) ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA 41.Nesse item foi efetuado a glosa de valores de aluguéis pagos à pessoa física, uma vez que a lei veda a aquisição de tais créditos, consoante inciso IV do art.3º. E) DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. 43. Foi verificado que o contribuinte efetua a maior parte de suas vendas no mercado externo na modalidade FOB, não arcando assim com o ônus do frete internacional. Nesse caso, quando o adquirente arca com os custos do transporte, não é permitido o desconto de créditos pelo vendedor. Algumas das exportações, no entanto, são efetuadas em modalidades em que o frete fica por conta do exportador. Nesses casos, no entanto, observouse que o frete estava embutido no valor total das notas fiscais apresentadas, não sendo o ônus do vendedor. Cabe ressaltar, que em relação aos comprovantes de pagamento apresentados, visando a comprovação do ônus das despesas de frete e armazenagem peio contribuinte, não foi possível realizar a vinculação dos valores pagos à nota fiscal e conhecimento de transporte. Foram apresentados, em muitos casos, vários pagamentos vinculados à um único conhecimento e/ou nota fiscal ou vários conhecimentos vinculados a um único pagamento. Desse modo, não foi possível a vinculação de tais pagamentos. 44. Inicialmente, com base na amostragem de notas fiscais, foram encontrados dentre os valores alocados como frete, outros referentes à estadia de veículos, pedágio e outros itens não discriminados nas notas fiscais/ conhecimento de transporte. Já em relação às despesas de armazenagem nas vendas, foi verificada a existência de diversos tipos de despesas discriminadas nas notas fiscais apresentadas, incluindo monitoramento, seguro, estufagem, separação, etiquetagem, serviço de embarque, movimentação de carga, Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.213 13 descarga. Para as despesas anteriormente citadas, não há previsão legal para apropriação de créditos. 45. O entendimento é de que o conceito de armazenagem, bem como o de frete, não pode ser estendido para abarcar outras despesas, devendo ser especificado no documento. Desse modo, não há que se falar em ampliação do conceito, devendo o creditamento ficar restrito à hipótese legal. 46. Diante da necessidade e no intuito de verificar a pertinência de todos os valores alocados na rubrica, foi solicitada ao contribuinte planilha complementar com individualização de todos os itens discriminados na nota fiscal, e informações complementares sobre o frete, como origem e destino, se frete de produto acabado pósvenda ou prévenda, ainda frete de produto inacabado. 47. A solicitação foi atendida apenas parcialmente, sendo verificada a existência de valores referentes à estadia de veículos, fretes na produção, como transferências de embalagens, transporte de palbts, de material de uso e consumo, entre outros. Não foi apresentada a discriminação dos itens constantes das notas fiscais. 48. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos (Solução de Divergência n° 2/11 da COSIT). 49.Diante do exposto nos itens anteriores, foram glosados todos os valores apropriados na rubrica, com exceção dos fretes sobre compra de gados, considerados na rubrica 'crédito presumido da agroindústria". F) OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO 52. Nesse caso, cabe ressaltar, que não há previsão legal de itens a serem alocados na rubrica em questão. Assim, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos relativos à origem dos créditos apropriados. Nos esclarecimentos, informou então, que tais créditos seriam referentes à manutenção de máquinas e equipamentos e mão de obra aplicada na manutenção das máquinas. Desse modo, tais créditos seriam pertinentes às rubricas "bens utilizados como insumos" e "serviços utilizados como insumos". (...) 57. Diante da necessidade de maiores informações, foram solicitadas planilhas com descrição complementar da mercadoria ou serviço e CFOP para que pudesse ser verificada a pertinência dos créditos. As planilhas foram apresentadas parcialmente em relação ao período em análise. Em relação às notas fiscais solicitadas, parte não foi apresentada pelo contribuinte. 58. Com base na documentação parcialmente apresentada, foram verificadas diversas despesas, relacionadas à manutenção de máquinas e equipamentos não diretamente vinculados à produção, como empilhadeiras, esteiras, pulverizadores, despesas com frota própria de veículo, manutenção hidráulica, manutenção elétrica, gastos com proteção de trabalhadores, controle de zoonoses, manutenção de equipamentos de laboratório de análises, material de consumo, despesas administrativas, com poços artesianos, ou seja, Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.214 14 diversos serviços e bens não empregados diretamente na produção, foram alocados na presente rubrica. 59. Destarte, com base na informação acima, foram glosados todos os valores elencados na rubrica em questão. Por sua vez, a Recorrente, seja em sede de impugnação, seja em sede recursal, trouxe alegações genéricas, sem especificar a utilização de cada item em seu processo produtivo, dificultando, por assim se dizer, a análise desse julgador em relação aos bens e serviços e glosados pela fiscalização. Com todo respeito a Recorrente, suas as alegações são de ordem muito genérica, sem qualquer especificação de como esses itens seriam essenciais a sua atividade econômica e, em qual momento tais serviços são realizados, elementos esses imprescindíveis, para a devida verificação se enquadrarseiam no conceito de insumo adotado neste voto. Assim, diante da ausência de fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o inciso III, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, as alegações apresentadas pela Recorrente não se prestam para afastar a glosa realizada pela fiscalização. Deste modo, considerando que a Recorrente não trouxe o mínimo de subsídio para amparar seu direito, entendo que a glosa tratada neste tópico deve ser integralmente mantida. II.b Crédito Presumido da Agroindústria Nos termos do relatório fiscal, a fiscalização alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35%, a saber: 60 Diante da constatação, conforme notas fiscais apresentadas, de que as despesas de frete sobre compra de gado encontramse em notas fiscais independentes das notas fiscais de compra de gado, optouse por utilizar os valores contantes nas contas contábeis referentes a gado adquirido de pessoa jurídica e pessoa física, as quais apresentam também os valores referentes aos fretes. Desse modo, foram apurados na rubrica em questão os valores correspondentes à compra de gado e a fretes sobre compra de gado. 61 A lei não trata da apropriação de créditos referentes a fretes na aquisição de insumos, mas apenas dos fretes nas vendas. Contudo, a boa técnica contábil considera o frete na compra parte do custo da aquisição da mercadoria. Assim, como já dito anteriormente, tal entendimento é válido também para o frete relativo à compra de gado. Na atividade agropecuária, em relação aos custos com os insumos diretamente agregados ao produto final, e inexistindo vedação legal, é cabível o aproveitamento de créditos para fins de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, incluindo nesse caso as despesas com frete. Assim, o frete relativo à compra de gado deve acompanhar o crédito referente à aquisição do mesmo, fazendo parte do custo. 62 Cabe ressaltar que o contribuinte calculou todo o crédito presumido com base na alíquota de 60% aplicada somente sobre as aquisições de gado (NCM 01.02). No entanto, o cálculo desta fiscalização foi efetuado tendo como base a alíquota de 35%, aplicada no caso de aquisições de animais vivos da espécie bovina Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.215 15 (NCM 01.02), conforme previsão legal contida no inc. III, §3º do art, 8º da Lei nº 10.925/2004 (renumerado pela Lei nº 11.488/2007). 63 Foi constatada também a aquisição de insumos classificados no capítulo 2 da NCM, conforme arquivos digitais de notas fiscais, e que permitem a apuração do crédito presumido na alíquota de 60%, conforme previsão do inc. I , do §3º do mesmo artigo 8º. Por sua vez, a Recorrente argumenta que o percentual para os créditos presumidos seria de 60%, para os produtos por ela adquiridos, nos termos da Lei nº 10.925/04. Requer, ainda, seja aplicado o artigo 106, do CTN, considerando a alteração promovida pela Lei nº 12.865/2013, que acrescentou o §10º ao artigo 8º, da Lei nº 10.935/2004. Pois bem. Dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.865/2013: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.216 16 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o (Vide Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o (Vide Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Nos termos do inciso I, do §3º, do artigo 8, da Lei nº 10.925/2004, verificase que a alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.217 17 classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Já o § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, os insumos adquiridos pela Recorrente devem ser considerados à alíquota de 60%. No presente caso, as aquisições realizadas têmse insumos de origem animal, carnes de bois abatidos, que são utilizados para a fabricação de mercadorias de origem animal (carne) e bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes para alimentação humana ou animal, devem ser considerado insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. Ademais, razão assiste à Recorrente quanto a aplicação do artigo 106, do CTN. Isto porque, conforme preceitua o §10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, "para efeito de interpretação", logo, se trata de uma lei interpretativa, ela deve retroagir. Nesse sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplica se retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. (Acórdão 3301004277) *** CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. (Acórdão 3402004.904) Em resumo, deve indicir a alíquota de 60% para os produtos adquiridos pela Recorrente. Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 19515.720911/201316 Acórdão n.º 3302006.297 S3C3T2 Fl. 3.218 18 II.c Taxa Selic Em relação a incidência da Taxa Selic, a DRJ não conheceu do argumento suscitado pela Recorrente, por entender que a matéria em discussão nestes autos é tão somente o auto de infração e não ressarcimento, a qual a interessada fez confusão com "restituição". A Recorrente por sua vez, não ataca as conclusões da decisão recorrida, limitandose a reproduzir os argumentos explicitados em sua impugnação. Neste cenário, constatase a Recorrente não se insurgiu contra decisão que não do conheceu da matéria relacionado a Taxa Selic, ensejando, assim, a determinação contida no artigo § único, do artigo 42, do Decreto nº 70.235/72. III Conclusão Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a aplicação da alíquota de 60% sobre os créditos presumidos de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3218DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.918467/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.918461/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.918461/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.918461/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 18 46 7/ 20 09 -8 3 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.918467/200983 Resolução nº 1402000.768 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o r. Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, por ter constatado que o crédito tinha sido utilizado para pagamento de outros débitos da contribuinte. Para evitar repetições, colaciono o relatório do v. acórdão recorrido: No dia [...], a interessada transmitiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP [...], no qual informou possuir crédito oriundo do pagamento indevido do imposto de renda do 4º trimestre de 2003 (código de receita: 2089), no montante de R$ 7.684,47, que foi utilizado na compensação de débito fiscal próprio [...]. A compensação declarada não foi homologada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela DERAT/RJ [...]: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 31/12/2003 2089 7.761,31 29/02/2004 Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PERDCOMP. Cientificada do despacho decisório [...], a interessada apresentou [...]a manifestação de inconformidade[...]. Alegou, em síntese, o preenchimento equivocado da DCTF original do 4º trimestre de 2003, no que toca ao valor devido de IRPJ, equívoco esse corrigido na DCTF retificadora apresentada em 01/06/2009 [...]. Inconformada com a decisão do v. acórdão "a quo", a Recorrente interpôs Recurso Voluntário visando sua reforma, acostando aos autos nova DIPJ/04 retificada com a Número do pagamento Valor origina total Processo (Pr)/PERDCOMP (PD)/Débito (Db) Valor original utilizado 4315574208 7.761,31 Db. cód 2089 PA 31/12/2003 7.761,31 Valor total 7.761,31 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.918467/200983 Resolução nº 1402000.768 S1C4T2 Fl. 4 3 apuração do imposto de renda pelo regime de lucro presumido (oito por cento sobre a receita bruta para apurar a base de cálculo do IRPJ a ser tributado pelo lucro presumido nos termos do artigo 15 da Lei 9.249/95) e uma cópia da resposta da Consulta que tratou sobre a IN SRF 306/03 os quais esclareceu que os serviços prestados pela Recorrente se enquadram aos serviços hospitalares. Resumidamente, a Recorrente juntou aos autos sem sede de impugnação o pedido de compensação/restituição apresentado, o comprovante de arrecadação no valor de R$ 7.761,31 (código da receita 2089), a DCTF retificada apresentada em 01/06/2009, após ter sido proferido o r. Despacho Decisório e em sede de Recurso Voluntário a cópia da DIPJ/04 retificada para tributar o IPPJ pelo regime do lucro presumido sob a base de cálculo encontrada com a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta e a consulta sobre os serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15374.918467/200983 Resolução nº 1402000.768 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.763, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.918461/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.763): "O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. O r. Despacho Decisório não homologou a compensação requerida devido ao fato de o crédito apontado pela Recorrente ter sido utilizado para extinção de outros débitos da própria requerente. Em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente juntou cópia da DCTF retificada relativa ao quarto trimestre de 2003, cópia do DARF onde indica o crédito que entende objeto da lide, cópia da PER/DCOMP e apresenta alegação de que cometeu um equivoco no preenchimento da primeira DCTF onde indicou indevidamente o valor do débito e afirma que o crédito existe. A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade entendeu que a Recorrente não apresentou provas suficientes para desconstituir a fundamentação do r. Despacho Decisório relativo a utilização do mesmo crédito para quitar outros débitos pertencentes a ela. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente acrescenta alegação de que devido a resposta da consulta ter sido favorável a ela, onde aponta que presta serviços hospitalares nos termos do artigo 23 da IN SRF 306/2003 e por isso deveria apurar o IRPJ pelo regime do lucro presumido sob a base tributável encontrada na aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta nos termos do artigo 15, parágrafo primeiro, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/1995, retificou a DIPJ/04 e a DCTF relativa ao 4 (quarto) trimestre de 2003. Vejamos nas palavras da própria Recorrente. Desta forma, a matéria a ser discutida nos autos é relativa a possibilidade de se aceitar a entrega da DCTF durante o processo administrativo e após ter sido proferido o r. Despacho Decisório, bem como a possibilidade de se retificar a DIPJ antes do despacho decisório, para que tais documentos fiquem de acordo com a tributação do lucro presumido, bem como nos termos do benefício reconhecido pela Consulta. Vejamos a alegação da Recorrente abaixo. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15374.918467/200983 Resolução nº 1402000.768 S1C4T2 Fl. 6 5 Pois bem. Em relação a possibilidade da apresentação da DCTF em sede de Recurso Voluntário, em respeito ao princípio da busca da verdade material, entendo não verifico qualquer óbice. Inclusive, fazendo um paralelo da matéria analisada neste processo, esta C. Turma tem jurisprudência no sentido de que a DCTF pode ser retificada após o r. despacho decisório. A Título exemplificativo, segue ementa do v. acórdão que decidiu neste sentido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.918467/200983 Resolução nº 1402000.768 S1C4T2 Fl. 7 6 Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considera não homologada a compensação declarada. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTFs extingue se após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (Processo 10880.967614/201219) Terceira Seção de Julgamento. Sendo assim, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que: 1 encaminhese os autos para a autoridade fiscal para se manifestar sobre a existência do crédito pleiteado com base na DIPJ retificada e a DCTF retificada. 2 elabore relatório circinstânciado informando se com base na análise da DIPJ retificada, com a DCTF e a DARF a Recorrente tem direito a restituição do crédito. 3 caso se constate que a Recorrente tem direito ao crédito, informar se o montante pode absorver o débito que se pretende compensar. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, converto o julgamento em diligência. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.730190/2013-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 23/12/2008, 02/03/2009
REMESSAS PARA O EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO
Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si.
PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do § 1º do art. 674 do RIR/99. Ao fisco compete demonstrar a existência de pagamento ou entrega de recursos, e ao contribuinte, provar a efetividade da operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 2301-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) , Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: Relator
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TAXA DE CÂMBIO Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si. PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do § 1º do art. 674 do RIR/99. Ao fisco compete demonstrar a existência de pagamento ou entrega de recursos, e ao contribuinte, provar a efetividade da operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 01 90 /2 01 3- 42 Fl. 340DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) , Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Trata se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte em virtude de remessas feitas ao exterior e sobre distribuição de dividendos aos sócios da autuada. Após a apresentação da impugnação a DRJ/SP1 julgou parcialmente procedente a impugnação excluindo a multa de ofício conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 23/12/2008, 02/03/2009 Ementa: REMESSAS PARA O EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si. MULTA DE OFÍCIO. Deve ser cancelada a multa de ofício incidente sobre valores recolhidos anteriormente ao início do procedimento fiscal. DIPJ. AUSÊNCIA DE FORÇA PROBANTE. A DIPJ é obrigação acessória de natureza informativa, não possuindo, por si só, força probante das informações nela constantes, mormente quando sucumbem ao serem confrontadas com os dados extraídos da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo. PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10380.730190/201342 Acórdão n.º 2301005.443 S2C3T1 Fl. 333 3 Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do § 1º do art. 674 do RIR/99. Ao fisco compete demonstrar a existência de pagamento ou entrega de recursos, e ao contribuinte, provar a efetividade da operação ou a sua causa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada a autuada apresentou recurso a este conselho requerendo a reforma parcial da decisão de primeira instância sob os seguintes argumentos: Que o recolhimento do IRRF nas remessas feitas ao exterior teria sido realizado conforme DARF que acompanhariam esta impugnação. O IRRF devido sobre as referidas faturas, declarado na respectiva DCTF de janeiro/2009 (doc. n° 4), teria sido pago por meio dos DARF's com os códigos corretos (docs. n°s 5 e 6), os quais teriam sido calculados levando em consideração os valores resultantes da utilização da taxa de câmbio do dia 02/01/2009, que corresponderia ao dia do fechamento dos respectivos contratos de câmbio. A diferença de R$ 42.010,99, entre o valor do IRRF calculado e lançado de ofício (R$ 2.205.145,98), e aquele declarado e efetivamente recolhido pela Impugnante (R$ 2.163.135,00) decorreria da diferença entre as respectivas taxas de câmbio. Tal constatação indicaria na pior das hipóteses que o presente lançamento seria apenas parcialmente procedente, haja vista que diferença a recolher seria apenas de R$ 42.010,99, isto é, valor muito inferior ao consignado no auto de Infração ora impugnado. Tanto a legislação quanto a jurisprudência aplicável à matéria seriam claras no sentido de reconhecer que a taxa de câmbio que deveria ser considerada para fins de cálculo do IRRF seria aquela verificada na data da ocorrência do fato gerador, que poderia ser a data do fechamento do contrato de câmbio ou a data da efetiva remessa dos valores, tendo em vista que seria somente neste segundo momento em que ocorreria a disponibilidade jurídico econômica dos valores para a empresa beneficiária. A acusação de falta de recolhimento do IRRF incidente sobre as faturas n°s 910000539 e 910000540 seria manifestamente improcedente em todos os seus termos, uma vez que os valores recolhidos pela Impugnante a título de IRRF teriam sido realizados nos termos em que dispõe a legislação. Afirma que a diferença de cerca R$ 9 milhões apontada pela D. Fiscalização na distribuição feita aos seus sócios decorreria do lucro líquido da sua filial chilena (Comercializadora de Equipos y Materiales MABE Limitada MABE Chile), cujo lucro líquido teria sido devidamente tributado no Brasil pela equivalência patrimonial e teria sido cerca de R$ 14 milhões. O total de lucro líquido distribuível aos sócios no período autuado, considerando o lucro da MABE Chile, seria de aproximadamente R$ 43 milhões, não havendo que se falar em pagamento sem causa e, tampouco, na cobrança do IRRF, já que os dividendos seriam do imposto de renda. Fl. 342DF CARF MF 4 O entendimento da fiscalização de considerar que o pagamento realizado a aos citados sócios, teria supostamente excedido o lucro apurado em 2008, e não constituiria distribuição de dividendos, não poderia prosperar, uma vez que não teria sido considerado para fins de apuração do resultado relativo ao ano calendário de 2008, os lucros que o contribuinte teria auferido que seriam oriundos de sua participação em controlada situada no exterior. Conforme se infere pela análise das fichas 34 e 35 da DIPJ 2009 (ano calendário de 2008) (doc. n° 8), o impugnante seria detentor de participação na empresa COMERCIALIZADORA DE EQUIPOS Y MATERIALES MABE LIMITADA ("Mabe Chile"), situada no exterior (Chile), da qual detém 99,99% do capital social. Ao final do ano/calendário de 2008, a Mabe Chile teria apurado um lucro líquido no valor de R$ 14.370.404,70, o qual teria sido devidamente reconhecido e demonstrado na linha 13 da Ficha 35, da DIPJ/2009 da recorrente. Aduz que no anocalendário de 2008, a Mabe Chile teria disponibilizado ao impugnante o montante de R$ 14.819.082,53 à título de lucros, conforme demonstrado na Ficha 34 da DIPJ/2009 que teria sido adicionado ao Lucro Real, conforme se verifica pela análise da linha 08 da Ficha 09A da DIPJ/2009 e à base de cálculo da CSLL como poderia ser observado na linha 08 da Ficha 17 da DIPJ/2009. As demonstrações financeiras atestariam que o lucro apurado no ano calendário de 2008 pelo recorrente (na condição de controlador) teria sido R$ 43.712 milhares de reais. A fiscalização teria se equivocado ao não reconhecer na apuração do resultado apurado pelo recorrente no anocalendário de 2008, o lucro auferido em decorrência de participação que aquela detém no exterior, i.e., na Mabe Chile. Não teria havido prejuízo ao fisco, tendo em vista que o lucro disponibilizado pela controlada do exterior teria sido devidamente oferecido à tributação de IRPJ e CSLL, já que mencionado lucro teria sido adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. O mero erro no preenchimento de alguns campos da DIPJ por parte do recorrente, decorrente do fato de não ter reconhecido os lucros auferidos por sua controladora no exterior na ficha de demonstrações de resultado (ficha 06A da DIPJ/2009), não possuiria o condão de invalidar toda a apuração feita pela empresa e de anular o lucro efetivamente auferido e tributado pelo contribuinte. Entender o contrário seria privilegiar a forma em detrimento da essência e da verdade dos fatos. Em virtude do provimento parcial a DRJ apresentou recurso de Ofício de acordo com o artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, e pela Portaria MF nº 03/2008. É o relatório Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10380.730190/201342 Acórdão n.º 2301005.443 S2C3T1 Fl. 334 5 Os recursos são tempestivos e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DO RECURSO DE OFÍCIO Com relação ao conhecimento do recurso de ofício, vale lembrar que a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, assim dispõe: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário." Ocorre que conforme a Súmula CARF 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conforme resumido nas tabelas constantes no Acórdão da DRJ (fls. 237), o crédito exonerado foi de R$ 1.622.351,24 valor este que é inferior ao definido no art. 1º da Portaria MF nº 63/17, de modo que o recurso de ofício não deve ser conhecido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso tempestivo e presentes os pressupostos de admissibilidade. DO IRRF NAS REMESSAS FEITAS AO EXTERIOR PARA PAGAMENTO DA TECNIMONT Insurgese a recorrente sobre qual a taxa de câmbio a ser utilizada para apurar o IRRF, devido em decorrência de remessa de valores ao exterior. Entendeu a autoridade fiscal que deveria ser aplicada a taxa de câmbio do dia 30/12/2008 enquanto a recorrente defende que o correto seria a adoção da taxa de câmbio do dia 02/01/2009. Tal conflito, surge à partir da interpretação diversa entre a autoridade fiscalizadora e a recorrente do art. 3o da Lei no 9.816, de 1999, : Art. 3o Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si. A dúvida gerada por referido dispositivo legal se deve no momento de se definir quando seria então o dia a ser entendido "na cotação de venda, para a moeda, Fl. 344DF CARF MF 6 correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio". No caso prático sob análise temos as seguintes datas a serem levadas em consideração: a Fiscalização considerou que a data da solicitação do câmbio ao banco (02/01/2009) consubstanciaria a contratação da operação de câmbio, logo, o marco utilizado para a contagem regressiva dos dois dias úteis foi o dia 02/01/2009, o que levou a autoridade fiscal a tomar como parâmetro a cotação do dia 30/12/2008; Já a recorrente defende que a data da efetiva remessa do dinheiro ao exterior é que deve ser adotada como marco temporal, para fins de contagem dos dois dias úteis. Dessa maneira, a recorrente argumenta que os dois dias úteis deveriam ser contados regressivamente a partir do dia 06/01/2009, hipótese em que a cotação a ser considerada seria a do dia 02/01/2009. Em decorrência desta divergência de datas a serem consideradas como marco para fins de definição da taxa de câmbio aplicável na apuração da base cálculo, ocorreu a diferença encontrada pela fiscalização, vez que, em cada data a taxa de cotação era distinta. Ou seja, a data é a da contratação da operação de câmbio ou a da efetiva remessas de valores ao exterior. Para dirigir esta controvérsia, amparome à Solução de Consulta 98 SRRF/6ªRF/Disit, a qual peço vêniai para trascrevêla na íntegra: Processo nº Solução de Consulta nº 98 SRRF/6ª RF/Disit Data 4 de agosto de 2009 Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF FATO GERADOR. REMESSA PARA O EXTERIOR O Imposto de Renda Retido na Fonte, quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior, deve ser retido e recolhido no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, o que primeiro ocorrer. Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), art. 685, I; Solução de Divergência COSIT nº 4, de 25.04.2005. Relatório A consulente, PROTEGIDO POR SIGILO, formulou consulta sobre a interpretação da legislação do imposto de renda retido na fonte, expondo o que se segue. 2. Diz que, em decorrência de suas atividades, adquiriu software, PROTEGIDO POR SIGILO, fornecido por empresa estrangeira, em março de 2009, obrigandose a reter e recolher o imposto na fonte. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10380.730190/201342 Acórdão n.º 2301005.443 S2C3T1 Fl. 335 7 3. Mencionando o artigo 685 do RIR/99 e o art. 3º da Lei nº 9.816/99, expõe seu entendimento de que o momento da apuração do imposto a ser recolhido coincide com o segundo dia útil imediatamente anterior à celebração do contrato de câmbio (ou, se maior, da operação de câmbio em si) e não da data da contabilização do crédito em favor do prestador de serviços estrangeiro. 4. Aduz que, por outro lado, o Fisco tem manifestado que o fato gerador ocorre na primeira circunstância ocorrida, seja crédito, remessa ou pagamento. Como exemplo, cita a Solução de Consulta nº 133, de 26 de março de 2007. 5. Isso posto, pergunta se deve recolher o IRRF apurando a base de cálculo no segundo dia útil imediatamente anterior à celebração do contrato de câmbio (ou, se maior, da operação de câmbio em si), ou no momento da contabilização do crédito em favor do fornecedor, prestador de serviços estrangeiro. Fundamentos 6. O vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) dispõe: Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): (...) 7. No regime de arrecadação na fonte, o fato gerador da obrigação de reter e recolher o tributo se dá quando do crédito, pagamento, emprego, entrega ou remessa de rendimentos, o que primeiro ocorrer. A propósito, o Parecer Normativo CST nº 07, de 02/04/86 (DOU 08/04/86), dispõe: “DO FATO GERADOR (...) Momento da Ocorrência 10. Cada pagamento, entrega ou crédito tipifica um fato gerador autônomo, no instante mesmo de sua verificação. (...). ”8. O crédito, para estar juridicamente à disposição do beneficiário, deve ser incondicional, ou seja, não sujeito a termo ou a quaisquer condições de cuja implementação dependa o seu pagamento. O Parecer Normativo CST nº 121, de 31/08/73 (DOU de 24/09/73), esclarece: “Claro está que o regulamento (RIR) aí se refere aos créditos incondicionais, não sujeitos a termo, e, portanto, inteiramente à disposição do beneficiário, e não aos condicionados ou com vencimento previamente ajustado, porque estes não estão, ainda, juridicamente à disposição do contribuinte.” Fl. 346DF CARF MF 8 9. O crédito deve ser nominal ao beneficiário. Assim, o simples registro da obrigação em conta de provisões, ou outra conta genérica, não configura crédito a favor do beneficiário, porque esses valores não apresentam a certeza e a liquidez necessárias à conformação do fato gerador do imposto de renda, já que eventos futuros podem alterálos. (Parecer Normativo CST nº 27, de 19/12/84, DOU de 21/12/84). 10. Por outro lado, a Lei nº 9.816, de 23 de agosto de 1999, mencionada pela consulente, tem os seguintes comandos: Art. 1o As pessoas jurídicas poderão registrar, em conta do ativo diferido, o resultado líquido negativo decorrente do ajuste dos valores em reais de obrigações e créditos, efetuado em virtude de variação nas taxas de câmbio ocorrida no primeiro trimestrecalendário de 1999. Parágrafo único. O valor da despesa, registrada na forma deste artigo, deverá ser amortizado à razão de vinte e cinco por cento, no mínimo, por anocalendário, a partir de 1999. Art. 2o A pessoa jurídica que houver adotado o procedimento referido no artigo anterior deverá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, relativos ao primeiro trimestre calendário do ano de 1999, se tributada com base no lucro real apurado trimestralmente, ou ao ano/calendário de 1999, se tributada com base no lucro real apurado anualmente, a diferença entre o valor da despesa, registrado no ativo diferido, e o amortizado no mesmo período. Parágrafo único. O valor amortizado nos períodos de apuração subseqüentes ao da exclusão será adicionado ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido correspondentes ao mesmo período. Art. 3o Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si. Art. 4o A Secretaria da Receita Federal, no âmbito de sua competência, expedirá normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. 11. Para o anocalendário de 2009, não está correto afirmar, como faz a consulente, que “o momento da apuração do imposto a ser recolhido coincide com o segundo dia útil imediatamente anterior à celebração do contrato de câmbio (ou, se maior, da operação de câmbio em si) e não da data da contabilização do crédito em favor do prestador de serviços estrangeiro.” 12. Isso porque a mudança da base de cálculo do imposto de renda na fonte feita pela Lei nº 9.816, de 1999, não se aplica para os fatos geradores do Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10380.730190/201342 Acórdão n.º 2301005.443 S2C3T1 Fl. 336 9 imposto de renda na fonte ocorridos no ano de 2009. Essa interpretação se evidencia pela Exposição de Motivos da Medida Provisória (MP) nº 1.818, de 25 de março de 1999, que deu origem à Lei nº 9.816, de 1999: “2. Os arts 1º e 2º estabelecem normas que permitem que os efeitos das perdas suportadas pelas pessoas jurídicas, decorrentes da variação das taxas de câmbio ocorrida no primeiro trimestre do corrente ano, relativas a suas obrigações vinculadas a moeda estrangeira, possam, para fins societários, ser diferidas pelo prazo máximo de quatro anos, sem apresentar, contudo, qualquer alteração, relativamente aos seus efeitos tributários. 3. Também em decorrência das variações cambiais referidas no item precedente, o art. 3º estabelece regras para a determinação, em reais, de valores remetidos ao exterior, objetivando impedir a prática de expedientes que possibilitem o planejamento tributário ou a evasão de divisas.” (Grifado). 13. O item 3 da Exposição de Motivos da Medida Provisória (MP) nº 1.818, de 25 de março de 1999, que deu origem à Lei nº 9.816, de 1999, evidencia que a definição da base de cálculo do imposto na fonte prevista no art. 3º da Lei nº 9.816, de 1999, vinculase à rápida desvalorização da moeda nacional ocorrida no primeiro trimestre de 1999. 14. Nesse sentido, a interpretação constante da Solução de Divergência COSIT nº 4, de 25.04.2005, cuja ementa proclama: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ementa: O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando o beneficiário for residente ou domiciliado no exterior, deve ser retido e recolhido no momento da ocorrência do fato gerador do imposto – pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa. A base de cálculo do IRRF será o valor em reais, das transferências para o exterior, apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si, quando os fatos geradores ocorreram nos seguintes períodos: a) no primeiro trimestre de 1999, aplicandose às transferências efetuadas a partir de 26 de março de 1999; b) no anocalendário de 2001, aplicandose às transferências efetuadas a partir de 27 de setembro de 2001.” Conclusão Fl. 348DF CARF MF 10 15. À vista do exposto, respondo à consulente que, no regime de arrecadação na fonte, o fato gerador da obrigação de reter e recolher o tributo se dá quando do crédito, pagamento, emprego, entrega ou remessa de rendimentos, o que primeiro ocorrer. O art. 3º da Lei nº 9.816, de 1999, não se aplica aos fatos geradores do anocalendário de 2009. De análise da consulta acima colacionada entendo que fica resolvida a divergência que resultou na presente autuação, estando correto o entendimento do recorrente de que a considerou a data da efetiva remessa do dinheiro ao exterior. DO IRRF SOBRE DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS AOS SÓCIOS Defendese a recorrente contra a diferença de cerca R$ 9 milhões apontada pela D. Fiscalização na distribuição feita aos seus sócios decorrente do montante de R$ 40.994.696,05, a título de dividendos. Contudo, ao examinar os registros contábeis da recorrente, a Fiscalização verificou que os dividendos apurados no ano de 2008 corresponderiam somente a R$ 30.746.022,04. Do que foi apurado no procedimento fiscalizatório, e inclusive reconhecido pela recorrente, seus livros contábeis não ofereciam suporte para a distribuição de dividendos no montante de R$ 40.994.696,05, por esta razão autoridade fiscal constituiu crédito tributário relativo a IRRF, em decorrência dos valores injustificadamente repassados aos sócios da recorrente. Verificado isto, aplicouse o art. 923 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Neste aspecto, verificase que foram remetidos aos sócios, em 02/03/2009, R$ 40.994.696,05. O Fisco entendeu que os valores distribuídos aos sócios superiores a R$ 31.322.977,03, que estavam registrados na conta contábil Lucros Acumulados e na Ficha 06A da DIPJ, não poderiam ser dividendos e os considerou pagamento sem causa. A controvérsia reside no montante de lucros aptos a serem distribuídos aos sócios. A Fiscalização entendeu que apenas os lucros registrados na conta contábeis Lucros Acumulados e na Ficha 06A da DIPJ, no montante de R$ 31.322.977,03, poderiam ser distribuídos a título de dividendos. Porém, além desses lucros, que foram auferidos no país, também havia R$ 14.370.404,70 provenientes do lucro líquido obtido pela empresa controlada Comercializadora de Equipos Y Materiales Mabe Limitada (Mabe Chile), com sede no Chile, que foi informado na linha 13 da ficha 35 da DIPJ/2009. Portanto, em 2008 a empresa auferiu lucro suficiente para efetuar a distribuição de dividendos no valor de R$ 40.994.696,05. Consta dos autos (efls. 210 e 211) que, em 13/02/2009, os sócios, em assembleia cuja ata foi registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) em 05/05/2009, aprovaram o pagamento da distribuição de lucros até o dia 27/02/2009, na proporção da participação societária de cada sócio, sendo R$ 30.746.022,04 para a Marengineering do Brasil Construção e Administração de Projetos Ltda e R$ 10.248.674,01 para Efatec do Brasil Ltda. Os valores que a Fiscalização identificou como remetidos em 02/03/2009 correspondem exatamente à soma das parcelas de dividendos definidas na assembleia, ou seja, R$ 40.994.696,05. Entendo, então, que, a despeito da informação na Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10380.730190/201342 Acórdão n.º 2301005.443 S2C3T1 Fl. 337 11 Ficha06A da DIPJ e do que consta na conta Lucros Acumulados, havia lucros suficientes a serem distribuídos no montante remetido em 02/03/2009 e, portanto, não se tratou de pagamento sem causa. Ante ao exposto, Voto no sentido de Não Conhecer do Recurso de Ofício, Conhecer do Recurso Voluntário e no mérito Darlhe Provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913151/2009-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
RELATOR. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, por sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para fins de prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
Numero da decisão: 3001-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão em diligência suscitada pelos conselheiros Francisco Martins Leite Calvalcante e Renato Vieira de Avila. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 RELATOR. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, por sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para fins de prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
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DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeitase a diligência proposta pelo Relator quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, por sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para fins de prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão em diligência suscitada pelos conselheiros Francisco Martins Leite Calvalcante e Renato Vieira de Avila. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 31 51 /2 00 9- 74 Fl. 321DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de declaração de compensação n. 14202.58117.190508.1.3.04 00001 de créditos de COFINS do período de dezembro de 2003, no valor de R$ 23.360,04 (vinte e três mil trezentos e sessenta reais e quatro centavos). Despacho Decisório A autoridade fiscal concluiu por não estar comprovado o direito creditório de COFINS relativo a dezembro de 2003, afirmando que os pagamentos realizados foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, portanto, indeferiu o pedido de compensação. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, o recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório de COFINS e à compensação pleiteada. Existência de créditos de PIS e COFINS Alega o manifestante que possui o direito creditório informado na declaração de compensação em decorrência de recolhimento de PIS e COFINS a maior por conta de ajustes realizados em sua contabilidade, bem como que teria retificado as DIPJs respectivas, porém deixado de corrigir as DCTFs para constar tal informação, o que teria ocasionado o equívoco das autoridades fiscais em rejeitar o seu pleito. Por fim, o contribuinte alegou a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores relativos aos medicamentos utilizados na prestação de serviços, resultando em pagamento a maior das contribuições sociais, com base na decisão proferida na ação judicial n. 2005.83.00.00687898 da 1ª Vara Federal de Pernambuco. DRJ/REC A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1134.718 – 2ª Turma da DRJ/REC Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 322 3 Sessão de 25 de agosto de 2011 Processo 10480.913151/200974 Interessado HOSPITAL ESPERANÇA LTDA CNPJ/CPF 03.012.230/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS NORMATIVOS. OBSERVÂNCIA. A compensação tributária deve observar os requisitos normativamente exigidos, dentre os quais se insere, para os créditos que hajam sido judicialmente reconhecidos, a apresentação de prévio Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. INDÉBITO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito ao indébito exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. INDÉBITO. ONUS PROBANTE. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. O sujeito passivo, sobre o qual recai o ônus processual probante, deve apresentar as provas do direito ao reconhecimento do indébito questionado por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada, ressalvadas as hipóteses das alíneas "a" a "c", do art. 16, do Decreto n° 70.235/72. INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do indébito implica a nãohomologação da compensação em que ele foi utilizado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase de manifestação de inconformidade, fls. 11/14, protocolizada aos 18/11/2009 em face do Despacho Decisório com rastreamento nº 848571896, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Fl. 323DF CARF MF 4 Recife/PE (fl. 06, do qual a contribuinte tomou ciência aos 21/10/2009, fl. 89/90), que não homologou a compensação objeto da Declaração de Compensação (DCOMP) 14202.58117.190508.1.3.040001 (fls. 01/05). 2. Consoante se verifica às fls. 01/05, a ora recorrente, por meio de supradita DCOMP, declarou a compensação do débito a titulo da COFINS (código de receita: 2172), período de apuração: abril/2008, no valor de R$ 23.360,04, com conjecturado crédito, no montante original inicial de R$ 14.664,18, derivado de alegado pagamento a maior que o devido a titulo da COFINS (código de receita: 2172), período de apuração de 31/12/2003, vencimento: 15/01/2004, realizado aos 15/01/2004 no valor total de R$ 176.940,98. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, foi não homologada a supradita compensação, pois o pagamento acima discriminado, embora localizado nos sistemas informatizados da RFB, havia sido integralmente utilizado havia sido integralmente utilizado: uma parcela (R$ 164.534,55) na extinção do débito de COFINS do período de apuração de 31/12/2003, uma segunda parcela (R$ 1.128,04) na compensação do débito de que cuida a DCOMP n° 27895.23257.110504.1.3.043378 e o saldo (R$ 11.278,39) na compensação de que trata a DCOMP n° 01630.50781.151204.1.3.043660. 4. Contra referido Despacho Decisório, insurgese a contribuinte, argumentando que, tomando informações junto ao CAC da DRF/REC/PE, constatou que a conclusão de que o pagamento realizado teria sido totalmente utilizado para quitar débito da empresa decorreria do fato de que, embora tenha retificado sua DIPJ ao elaborar sua DCOMP, cometeu falha na retificação da respectiva DCTF para ajustála aos novos valores dos débitos apurados. 5. Aduz a recorrente que teria ocorrido apenas uma falha procedimental da empresa em não retificar sua DCTF, na qual constavam as informações dos débitos cuja DIPJ foi retificada, o que não anularia a existência do crédito decorrente de pagamento a maior em razão de ajustes em sua contabilidade para exclusão dos valores das receitas tributadas à alíquota zero para os hospitais. 6. Sustenta que a existência de pagamento a maior seria constatável pela simples verificação da DIPJ retificadora apresentada pela manifestante, cuja cópia anexa, na qual foram realizadas as seguintes alterações: (i) exclusão, da contribuição para o PIS e da COFINS originariamente apurados, de valores relativos a receitas de venda de medicamentos sujeitos à tributação monofásica utilizados na prestação de serviços do hospital; (ii) recálculo da contribuição para o PIS e da COFINS para os novos valores devidos, após o que, ao final, apurouse que os valores efetivamente pagos destas contribuições seriam maiores que os novos montantes devidos, tendo sido compensados os créditos apurados com débitos vincendos da empresa. 7. Defende que a possibilidade de exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COF1NS dos valores atinentes aos medicamentos utilizados na prestação de serviços hospitalares está prevista no art. 2°, da Lei n° 10.147/2000, que impôs, relativamente a estes tributos, incidência monofásica para a maioria dos medicamentos produzidos ou importados. 8. Explica que, na incidência monofásica, toda a tributação se concentra na indústria ou no importador, passando a serem tributadas à alíquota zero as saídas Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 323 5 de medicamentos realizadas pelos atacadistas e pelos varejistas e, desta forma, tomando o hospital o lugar do varejista na cadeia de comercialização, passou a se submeter à tributação sob a alíquota zero da contribuição para o PIS e da COF1NS, razão pela qual o procedimento adotado foi o de excluir das bases de cálculo das contribuições os valores relativos a medicamentos utilizados nas prestações de serviços constantes das faturas hospitalares emitidas. 9. Afirma a defendente que todo o procedimento realizado estaria amparado pela norma acima, e, ainda, por decisões transitadas em julgado, que reconheceram a possibilidade de exclusão das receitas auferidas com a venda de medicamentos, que teriam sido proferidas pelo TRF da 5ª Região e pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos da ação judicial no 2005.83.00.00687898 (sic), ajuizada pelo Sindicato dos Hospitais de Pernambuco, do qual a contribuinte afirma ser participe. 10. Reforça que o crédito da COF1NS relativo ao Despacho contestado teria sido gerado em conseqüência do envio, antes da entrega da Declaração de Compensação, da DIPJ retificadora, na qual constam os corretos valores das retenções na fonte, os quais podem ser confirmados pela própria Delegacia em seus sistemas informatizados e que o fato de o sujeito passivo ter incorrido em erro na retificação da DCTF que, tivesse sido alterada, poderia "liberar" os pagamentos para compensações constitui mera questão procedimental que não configura a inexistência de crédito do pagamento a maior, cabível na forma do art. 165, I, do CTN. 11. Em razão do exposto, requereu que a manifestação de inconformidade fosse julgada integralmente procedente para admitir o direito credit6rio atinente ao pagamento a maior realizado e, conseqüentemente, para homologar as compensações informadas no PER/DCOMP relacionados a este processo em que foram utilizados tais créditos. 12. À manifestação de inconformidade a recorrente anexou, apenas e tãosomente, cópias de: (i) Despacho Decisório (fl. 15); (ii) DARF recolhido (fl. 16); (iii) DCT'F (fls. 17/36); DACON (fls. 37/44); (iv) D1PJ (fls. 45/79); (v) instrumento de constituição societária (fls. 80/86); e (vi) documento de identificação (fl. 87). 13. Este julgador anexou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extratos emitidos nos sistemas DCTF/CONS (fls. 90/91), DACON (fls. 92/94); DIPJ (fls. 95/98), SIEF PER/DCOMP (fls. 99/101) e COMPROT (fls. 106/107. Juntou, ainda, segunda via dos Despachos Decisórios n° 791168308 e 790526732 (fls. 102/105) e cópias de 13 0 alteração contratual, de procuração e de documentos de identidade trasladadas das fls. 19/36v do processo administrativo n° 10480.908761/200927 (fls. 108/125). A DRJ considerou não ter ficado comprovado o pagamento a maior de COFINS como alegado pelo impugnante, bem como que não apresentou demonstrativo dos medicamentos utilizados em seus serviços hospitalares e que seriam impactados com a tributação monofásica à alíquota zero. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Fl. 325DF CARF MF 6 Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, o recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Existência de créditos de PIS e COFINS Aduz o recorrente que a DRJ desconsiderou a retificação realizada em suas DIPJs, onde informa o recolhimento a maior de PIS e COFINS, que teria sido ocasionado por ajustes em sua contabilidade. Ônus da prova, razoabilidade, proporcionalidade e verdade material Também argumentou que a Secretaria da Receita Federal do Brasil dispunha das informações necessárias para a análise de seu pleito, não podendo se falar em não apresentação de provas por parte do recorrente, bem como que a decisão dos julgadores de primeira instância ofende os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da verdade material. Por fim, o contribuinte alegou a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores relativos aos medicamentos utilizados na prestação de serviços, resultando em pagamento a maior das contribuições sociais, com base na decisão proferida na ação judicial n. 2005.83.00.00687898 da 1ª Vara Federal de Pernambuco. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o pedido de compensação de créditos de COFINS. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 03.08.2012, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 222, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que o recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 30.08.2012, conforme comprova o carimbo do CAC/DRF/REC à fl. 225, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 324 7 Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de compensação de créditos de COFINS do período de dezembro de 2003 no valor de R$ 23.360,04. O pedido está lastreado no suposto recolhimento a maior de PIS e COFINS, que teria o condão de conferir direito à compensação de débitos da contribuição social em questão e que estaria evidenciado nas retificações das DIPJs promovidas pelo recorrente, ainda que não tenha efetuado a correção das DCTFs respectivas. Da Conversão em Diligência Foi alegada a ocorrência de erro material que teria motivado a origem do crédito. Por este motivo, ante a alegada alegação de erro com a possibildiade de documentos que comprovem a correta formação da base de cálculo, justificase a conversão em diligência. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis Fl. 327DF CARF MF 8 pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 325 9 documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Fl. 329DF CARF MF 10 Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 326 11 PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Fl. 331DF CARF MF 12 Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação da base de cálculo da contribuição, apontando os valores incluídos em sua base de cálculo.. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Vencida a proposta de conversão em diligência, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 327 13 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos I. Conselheiros Relator e Francisco Martins Leite Cavalcante, que entenderam que o caso sob exame é passível de conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, tanto que a propuseram de ofício, posto que não tal intento não foi suscitado pelo recorrente, passo a seguir e resumidamente esclarecer meu entendimento contrário. Da desnecessidade da diligência De plano, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste Colegiado encontramse presentes nos autos; neste sentido cabe citar o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Esclareço que, não obstante referido dispositivo faz referência ao colegiado de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que, como já mencionei, não ocorre no presente caso. Da fundamentação O caso sob exame perpassa a questão que diz respeito à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, cuja delimitação do respectivo ônus depende a definição da maior parcela das responsabilidades na relação jurídicotributária. Nesse contexto, é fato que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, tratam do princípio fundamental do direito probatório, segundo o qual "quem acusa e/ou alega deve provar", obrigação, digase, que abarca tanto a autoridade fiscal, relativamente à demonstração da infração motivadora do ilícito tributário, a teor do prescrito na parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235 de 1972, quando determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”, quanto o contribuinte, cuja mesma legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, conforme dispõe o inciso III do artigo 16 do referido diploma legal, ao determinar que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Porém, o caso sob exame é de repetição de indébito, impondose, entretanto, algumas modificações, como a veremos a seguir. Fl. 333DF CARF MF 14 É entendimento comezinho que nos casos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é dever do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito, exigindose deste a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. Ou seja, por óbvio, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; pois sem referida evidenciação, o pedido repetitório resta prejudicado na sua origem. Não se duvide que as normas acima mencionadas, prevêem a realização de diligências e mesmo perícias, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos sujeitos passivos, mas é preciso deixar evidenciado que referida previsão não se presta para suprir o ônus da prova que incumbe as partes, posto que seu escopo é de ver elucidadas questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/recorrente; em outros termos, as diligências servem para esclarecer dúvidas específicas, e não para determinar que a autoridade fiscal competente, diante da falta de comprovação da existência de determinado crédito, venha suprir obrigação que cabia ao contribuinte. Em regra, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, muitas vezes está associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que o respaldem. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar seu registro (escrituração formal e legal), mas também indicar a que documentos este está associado; bem como é de fundamental importância, neste contexto, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja objetiva e clara suficiente para possibilitar a perfeita caracterização do negócio que pretende demonstrar como existente de fato. Logo, me filio aos que entende que não é tarefa do julgador, ainda mais de instância recursal, contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio; pois como já explanado, quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos e prova que evidenciam o indébito. Respaldado no entendimento acima expresso que convém salientar que não deve, diante de um pleito repetitório apresentado, a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado; pois as normas regulamentares de regência da matéria faculta é a situação segundo a qual apresentado o pedido e constatado que o contribuinte, por exemplo, demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais, demandar por diligências para dirimir tais questões duvidosas, e não transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao sujeito passivo no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é, com a devida vênia, isso que ocorreria nestes autos, se fosse acatada e, por consequência, promovida a diligência proposta; pois, a meu ver, tal promoção, da forma como pretendida, serviria para suprir irregularmente a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível, na medida em que o contribuinte é quem deveria ter envidado esforço para comprovar/demonstrar/evidenciar que seu pleito é factível. Dito isto, convém também trazer à discussão o rotineiro tema que ocupa os argumentos nas peças recursais apresentadas, qual seja, o da verdade material. É "lugar Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10480.913151/200974 Acórdão n.º 3001000.671 S3C0T1 Fl. 328 15 comum" assertivas defensivas pautadas no que se designou de "princípio da verdade material", segundo o qual é dever da autoridade fiscal a busca da verdade real; nesse passo, cabe elucidar que não obstante o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada prejudica o que se expôs alhures. É dizer, referido princípio a busca da verdade que ultrapassa a "verdade" dos fatos alegados pelas partes, mas para obter êxito em tal desiderato impõese que referida "busca" ocorra num ambiente em que, efetivamente, as partes atuem proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probundi. De outra forma dizendo, este princípio dirigese mais especificamente ao julgador administrativo, autorizando o a ir para além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando estes elementos induzem à suspeição segundo a qual determinados fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte alega, mas de uma outra qualquer, na medida em que, como sabese, o julgador não está vinculado às versões das partes. Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar, in casu, ao sujeito passivo recorrente, que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de transferir para a autoridade fiscal que analisa seu pleito repetitório, a obrigação por produzir prova que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pedido desde sua formalização inicial. Ainda de outro modo dizendo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é razoável se aceitar que um pleito, in casu, repetitório, seja proposto sem a minuciosa demonstração e comprovação da existência do indébito. Por fim, quanto aos documentos e feitos que o nobre Relator visa obter com sua proposta de diligência à autoridade fiscal competente, convém mencionar que segundo a legislação tributária, o que faz prova a favor do sujeito é, ex vi do artigo 923 do RIR de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais, acompanhada dos documentos hábeis que atestem a ocorrência dos fatos nelas registrados; pois, eventual escrituração contábilfiscal, efetuada sem base nos documentos que lhe dão suporte, é incapaz de atestar o que quer que seja, o que, por si só, torna impossível a aferição da existência de quaisquer créditos. É como penso. Da conclusão Com base em tais considerações, relativamente ao presente voto vencedor, decidiu o Colegiado, por voto de qualidade, por rejeitar a proposta de diligência do conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000216/2007-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DIRPF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SIMPLES ALEGAÇÕES
A simples argumentação não é suficiente para afastar a presunção de veracidade de que se reveste a Declaração de Rendimentos. Neste caso, cabe ao contribuinte trazer aos autos a prova de seus argumentos, pois, após o lançamento de oficio, a exclusão de rendimentos declarados exige a comprovação cabal de erro no preenchimento da declaração.
Numero da decisão: 2001-001.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ERRO PREENCHIMENTO Recorrente ADILSON GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DIRPF. ERRO DE PREENCHIMENTO. SIMPLES ALEGAÇÕES A simples argumentação não é suficiente para afastar a presunção de veracidade de que se reveste a Declaração de Rendimentos. Neste caso, cabe ao contribuinte trazer aos autos a prova de seus argumentos, pois, após o lançamento de oficio, a exclusão de rendimentos declarados exige a comprovação cabal de erro no preenchimento da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 02 16 /2 00 7- 13 Fl. 50DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento por meio da qual exigese do acima identificado contribuinte o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 441,89, referente ao ano calendário 2004, acrescido de multa de oficio de 75% e dos encargos legais devidos à época do pagamento. Conforme Descrição dos Fatos (fl. 03) a notificação se deu em razão de dedução indevida de despesas de instrução de dependente, no caso Maneia Bagio Gomes, que foi declarada como dependente na declaração de sua esposa. O autuado em sua impugnação ao lançamento admite ter cometido um erro e no intuito de justificálo alega desconhecimento das leis e falta de comunicação entre os cônjuges. Pede que seja afastado o lançamento da multa, ou em caso contrário, se propõe a pagar 50% do valor lançado. A DRJ Florianópolis manifestou seu entendimento no sentido de que o desconhecimento de obrigações impostas por lei não pode ser justificativa válida para eximir o contribuinte das penalidades relativas ao seu descumprimento. Extraise dos argumentos de defesa que o impugnante demonstra a pretensão de ter afastada a imposição fiscal com base no argumento de que desconhecia o correto procedimento a ser adotado, no entanto, ha que se dizer que não há como cancelar a penalidade objeto do presente processo. Não logrou êxito em afastar a exigência fiscal com seus encargos. Inconformado com a decisão, maneja Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos ventilados anteriormente, alegando desconhecimento da legislação e erro de preenchimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorreu da notificação recebida pelo contribuinte, o qual pleiteou a dedução das despesas com a instrução da filha quando esta foi declarada como dependente na declaração de ajuste da mãe. Alega desconhecimento da lei, erro no preenchimento da declaração e pede que seja exonerado pelo menos em 50% do crédito total lançado por falta de condições financeiras em arcar com o montante. Como foi amplamente esclarecido e muito bem colocado na decisão a quo, o desconhecimento de obrigações impostas por lei não pode ser justificativa válida para eximir o contribuinte das penalidades relativas ao seu descumprimento. Extraise dos argumentos de Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13963.000216/200713 Acórdão n.º 2001001.042 S2C0T1 Fl. 3 3 defesa que o impugnante demonstra a pretensão de ter afastada a imposição fiscal com base no argumento de que desconhecia o correto procedimento a ser adotado, no entanto, ha que se dizer que não há como cancelar a penalidade objeto do presente processo. Tendo em vista que tanto em sede de impugnação, quanto em sede de Recurso Voluntário, o que se tem nada mais é do que simples alegação do contribuinte, entendo que deve ser mantida a decisão a quo. Nesta senda, merece frisar que o processo administrativo se distingue do processo judicial, por suas regras próprias, respeitando as balizas do Texto Constitucional. Assim, provém a idéia de verdade processual, como um modo para o julgador entender como se deu o fato para aplicar a norma adequada ao caso concreto. Vejamos o que diz o Professor Marinoni: “Tamanha é a importância da verdade (e da prova) no processo, que Chiovenda ensina que o processo de conhecimento travase entre dois termos (a demanda e a sentença), por uma série de atos, sendo que ‘esses atos têm, todos, mais ou menos diretamente, por objeto, colocar o juiz em condições de se pronunciar sobre a demanda e enquadramse particularmente no domínio da execução das provas’. Na mesma linha de pensamento, Liebman, ao conceituar o termo ‘julgar’, assevera que tal consiste em valorar determinado fato ocorrido no passado, valoração esta feita com base no direito vigente, determinando, como consequência, a norma concreta que regerá o fato.” Especificamente, quanto ao postulado da Verdade Material e sua aplicação ao processo administrativo, esclarecedoras são as palavras do saudoso Hely Lopes Meirelles: “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valerse de qualquer prova lícita que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o Juiz devese cingir ás provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até final julgamento, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes que comprovem as alegações em tela.” Esta busca da verdade material infere, inclusive, a possibilidade de reformatio in pejus no julgamento dos recursos administrativos e garante o formalismo moderado, já que interessa saber o ocorrido no mundo fático, de maneira lícita, para atingir a realidade dos fatos na decisão administrativa e bem aplicar o direito positivo. O cerne da verdade real, no processo administrativo, tem por fundamento o princípio da supremacia do interesse público. Será um meio para, em harmonia com os demais princípios constitucionais, se chegar ao que aconteceu no mundo fático, para aplicar a legislação pertinente e resolver a lide. Em suma, a busca pela verdade, seja a formal ou material, temse que o regramento básico, com a garantia do contraditório e ampla defesa devem ser respeitados. As provas, em processos administrativos ou judiciais devem ser lícitas, de acordo com o regramento prático. Sabese que o procedimento não é um fim em si mesmo, sendo um meio Fl. 52DF CARF MF 4 para atingir um resultado eficaz, de demonstração ao julgador de fato ocorrido no passado, observada a boafé, lealdade processual e proporcionalidade. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o crédito tributário lançado de acordo com a Notificação de Lançamento juntada no presente processo. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003832/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Relatório e voto:
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone (Presidente) (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório e voto:
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score : 1.0
Numero do processo: 10580.003773/2002-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1997
COMPENSAÇÃO ALEGADA. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse o crédito que seria utilizado para extinguir o débito do processo, deve ser mantida a exigência do débito objeto da presente autuação.
Numero da decisão: 3302-006.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1997 COMPENSAÇÃO ALEGADA. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse o crédito que seria utilizado para extinguir o débito do processo, deve ser mantida a exigência do débito objeto da presente autuação.
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DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse o crédito que seria utilizado para extinguir o débito do processo, deve ser mantida a exigência do débito objeto da presente autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 37 73 /2 00 2- 98 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10580.003773/200298 Acórdão n.º 3302006.416 S3C3T2 Fl. 244 2 Por bem descrever os fatos do contencioso, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.185, de 20/03/2012, que adotou o relato da DRJ: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 21/30), originado de Auditoria Interna na DCTF do 2° trimestre de 1997, em que se constatou a falta de recolhimento/pagamento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 1.222,42, e declaração inexata, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 24 e dos Anexos I e III (fls. 25 e 26/27). Tendo tomado ciência do lançamento em 18/03/2002 (AR, cópia fl. 51), a autuada apresentou, em 17/04/2002, a impugnação de fls. 01/06, instruída com os documentos de fls. 07/48, cujo teor é sintetizado a seguir: • diz, inicialmente, que improcede o lançamento, já que não houve falta de recolhimento do PIS, mas sim compensação de débitos do PIS com créditos do próprio PIS, decorrentes de recolhimentos efetuados (planilha e darf, às fls. 32 e 34/40), conforme determinavam os DecretosLeis nºs 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, considerados indevidos, em razão da Resolução do Senado Federal n.° 49, de 09 de outubro de 1995; • sustenta, ainda, que as compensações foram realizadas com fulcro no art.66, da Lei n° 8.383, de 1991, e alterações posteriores, bem como de que o Fisco foi devidamente informado de tal procedimento através de Planilhas, Darf e DCTF (fls. 43/48); sustenta, de outra forma, que os valores informados como compensados na DCTF (cópia, fl. 43),referente ao mês de junho de 1997, são exatamente iguais aos valores cobrados no presente auto de infração, conforme passa a demonstrar à fl.04; • conclui, depois de discorrer sobre o seu direito à compensação, que as inconstitucionais majorações de alíquotas, introduzidas pelos DL nºs 2.445, e 2.449, ambos de 1988, geraram um crédito de PIS a seu favor, da mesma forma que o procedimento compensatório por ela efetuado preenche todos os requisitos da legislação que disciplina a compensação; • requer, ao final, após afirmar que o AI em questão padece de vícios de forma e de substância, o seu cancelamento e conseqüente arquivamento, face o recolhimento do IPI , mediante compensação, bem como a homologação de tal procedimento. Em face do despacho de fl. 55 o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10580.003773/200298 Acórdão n.º 3302006.416 S3C3T2 Fl. 245 3 Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento do PIS, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de oficio. Lançamento Procedente em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. A Resolução nº 3302000.185, de 20/03/2012 foi para que a autoridade preparadora verificasse a escrituração da compensação. Nesse sentido, o dispositivo contou com mais detalhes: a) a compensação noticiada foi devidamente escriturada na época própria; e, b) os créditos alegados pela contribuintes de fato existem e se são suficientes para a quitação do débitos alocado na compensação, levandose em conta o critério da semestralidade da base de cálculo; e, c) existem outras informações relevantes para a analise do presente feito. Após o resultado da diligencia, deve ser o contribuinte intimado para manifestarse a respeito do seu resultado. O i. relator assim fundamentou a necessidade de diligência: Ao contrario do que afirma a decisão recorrida entendo que a época da compensação efetuada, 1997, de fato havia possibilidade de a Recorrente efetuar a compensação de PIS com PIS, COFINS com COFINS e assim por diante. As compensações sob análise foram feitas na vigência da Instrução Normativa nº 21/97, que dispensava a apresentação de pedido ou declaração a Receita Federal, facultando ao contribuinte a compensação diretamente em sua contabilidade, senão vejamos: (...) No presente caso a Recorrente pretende comprovar, por meio de sua DCTF, que efetuou a auto compensação. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10580.003773/200298 Acórdão n.º 3302006.416 S3C3T2 Fl. 246 4 Contudo, não veio aos autos prova de que a contabilidade refletiu a compensação noticiada, bem como não há como aferir se existiam de fato os alegados créditos e se estes são suficientes para a compensação pretendida. Neste contexto entendo por bem baixar o processo em diligencia (...) Após intimação e reintimação da recorrente, veio aos autos a Informação fiscal em atendimento à Resolução nº 3302000.185, de 20/03/2012, com o seguinte conteúdo, em síntese: Objetivando acatar ao referido Despacho, e com fundamento no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) c/c o artigo 835, § 3º do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), foram emitidos documentos de intimação e reintimação, a fim de que fossem apresentados documentos comprobatórios da plena justeza do pleito (AR anexos aos autos com datas de ciência em 04/08/2017 e 26/10/2017, respectivamente) – fls. 220 a 227. O Contribuinte, contudo, não atendeu às intimações. (...) Em razão do não atendimento, inviabilizamse as condições para elaboração de relatório circunstanciado acerca do assunto, motivo pelo qual determinamos pela ciência da presente Informação ao Interessado, com posterior retorno dos Autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF Terceira Seção de Julgamento. Cientificada da informação acima, a recorrente manifestouse: (...) Ocorre que a empresa Contribuinte tem como objeto a prestação e serviços, e não operações de vendas de mercadorias. Sendo assim, por força do art. 3º, § 2º, da LC 7/70, sua contribuição com o Fundo de Participação era realizada através a dedução de 5% (cinco por cento) do IR devido ou se devido fosse, recolhendoo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda (art. 3º, “a” c/c art. 3º, § 1º), e não o critério de semestralidade de base de cálculo. Em outras palavras, como a empresa Requerente é prestadora de serviços a ela não se aplica o critério da semestralidade da base de cálculo para incidência do PIS, de sorte que a documentação exigida, não tem qualquer relação com os seus créditos, que são obtidos da apuração do IRPJ. Assim, a Requerente não verifica necessidade de apresentação de novos documentos, pois os créditos da Requerente estão baseados exclusivamente o Imposto de renda devido ou como se devido fosse, e as respectivas declarações de imposto de renda foram devidamente prestadas a Receita Federal em época própria, e portanto constam em seus arquivos, e documentos Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10580.003773/200298 Acórdão n.º 3302006.416 S3C3T2 Fl. 247 5 complementares, suficientes para se apurar o crédito, como Darfs e outros, já repousam neste processo administrativo. No entanto, caso sejam necessários outros documentos, requer o contribuinte que lhe seja feita a sua reintimação, para a apresentação do que entenderse necessário. (...) Após, o expediente retornou a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano à questão de fundo da lide. Como se viu, o contribuinte teve mais uma chance para comprovar a existência do crédito que seria utilizado para extinguir o débito do processo, todavia, o que se observou foi, num primeiro momento, o silêncio às intimações para tanto, e depois a negativa em cooperar com a diligência empreendida, ao argumento de que tais comprovações estariam nas declarações de imposto de renda devidamente prestadas a Receita Federal em época própria, e portanto constariam em seus arquivos. Corolário disso, é possível pronunciarse, conclusiva e fundamentadamente, pela manutenção da exigência do débito objeto da presente autuação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10580.003773/200298 Acórdão n.º 3302006.416 S3C3T2 Fl. 248 6 Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
