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Numero do processo: 11516.003495/2009-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS INOMINADOS, CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO.
Acolhem-se os embargos inominados para dirimir contradição, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3002-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para substituir os termos da decisão por: "Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, tão somente, para corrigir o valor reconhecido pela DRJ, nas aquisições de peças e serviços de manutenção, para R$ 587,77 (quinhentos e oitenta e sete reais e setenta e sete centavos). Vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa que davam provimento para também reverter as glosas da aquisição de combustíveis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves."
(assinado digitalmente)
Paulo Regis Venter Presidente
(assinado digitalmente)
Mariel Orsi Gameiro Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mariel Orsi Gameiro, Carlos Alberto da Silva Esteves e Paulo Regis Venter (Presidente).
Nome do relator: MARIEL ORSI GAMEIRO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 EMBARGOS INOMINADOS, CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO DA DECISÃO. SANEAMENTO. Acolhem-se os embargos inominados para dirimir contradição, com efeitos infringentes.
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SANEAMENTO. Acolhem-se os embargos inominados para dirimir contradição, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para substituir os termos da decisão por: "Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, tão somente, para corrigir o valor reconhecido pela DRJ, nas aquisições de peças e serviços de manutenção, para R$ 587,77 (quinhentos e oitenta e sete reais e setenta e sete centavos). Vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa que davam provimento para também reverter as glosas da aquisição de combustíveis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves." (assinado digitalmente) Paulo Regis Venter – Presidente (assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mariel Orsi Gameiro, Carlos Alberto da Silva Esteves e Paulo Regis Venter (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos, adoto relatório utilizado no Acórdão 3002-001.525. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 95 /2 00 9- 81 Fl. 831DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.022 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.003495/2009-81 Por bem descrever os fatos, transcreve-se o relatório constante da decisão da DRJ: Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não-cumulativa, formalizado através do PER nº 2743.19908.111109.1.5.08-04, vinculado às receitas de exportação, referente ao 2° trimestre de 2007. Posteriormente a empresa apresentou a Declaração de Compensação — DCOMP nº 22948.40384.290708.1.3.08-7984. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi parcialmente deferido e a compensação a ele vinculada homologada até o limite do crédito reconhecido. Para a análise do crédito, a interessada foi intimada e apresentou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado. A partir da análise dos documentos apresentados, a Autoridade Fiscal, conforme relata, glosou, da base de cálculo do crédito informada pela contribuinte, as aquisições de produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 8° da IN SRF no 404/2004, no caso, itens cuja Nota Fiscal informa os Código Fiscal de Operações e Prestações - CFOP 1556 e 2556 (uso e consumo), 1653 e 2653 (combustíveis) e 1933 e 2933 (manutenção). Da Manifestação de Inconformidade A interessada defende o direito ao crédito em relação a peças de reposição e serviços de manutenção com base na legislação de regência e em soluções de consulta proferidas por órgão da RFB. Alega que “peças em geral (abraçadeira, acoplamento, adaptador, adesivo, broca, bucha, contator, correia, disjuntor, ampadas, mangueiras, parafuso, pilha, pinos, polia, reator, retentor, rolamentos, etc)”, são utilizadas na “reposição de peças já desgastadas nas máquinas e equipamentos utilizados no processo de industrialização, pois estas sofrem um grande desgaste no processo de serragem, secagem e confecção das varetas de madeira para moldura, produto final que será comercializado pela Contribuinte, precisando ser repostas regularmente”. Diz que apresenta em anexo planilha com a relação dos referidos materiais e serviços e cópia de notas fiscais de aquisição (Doc. 10), por amostragem. Quanto ao combustível, explica que “é utilizado nos caminhões próprios que transportam as matérias-primas (madeiras) adquiridas principalmente na região norte do Brasil. Sendo assim, fazem parte do custo de aquisição, ou seja, devem ser consideradas como insumos. É o relatório. A Quarta Turma da DRJ/FNS proferiu acórdão nº 07-40.809, em 11 de outubro de 2017 (e-fls. 1101/1118), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. Fl. 832DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.022 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.003495/2009-81 As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEL. CONDIÇÃO PARA CREDITAMENTO. A aquisição de combustível somente gera crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se o combustível for utilizado em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. O recorrente opõe embargos de declaração face ao acórdão (e-fl. 670/672), no qual alega ao quantificar o valor dos créditos incorreu em erro, pois conforme informado na tabela indicada na Manifestação de Inconformidade (fl. 3 da Manifestação de Inconformidade)e reproduzida preliminarmente, a base de cálculo objeto de glosa para tais itens perfaz omontante de R$ 74.929,56, o que importa em créditos de PIS (1,65%) no valor de R$ 1.236,33 e não R$ 292,50 como informou a Autoridade Julgadora no acórdão. A recorrente foi notificada em 09 de novembro de 2017 (e-fl. 987), e interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 1126/1145), no apenas repisa os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. O recurso voluntário foi parcialmente provido, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços Fl. 833DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.022 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.003495/2009-81 de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. COMBUSTÍVEL PARA TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA. O acórdão foi processado no sistema do CARF, contudo, com um equívoco em relação ao resultado: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, tão somente, para corrigir o valor reconhecido pela DRJ, nas aquisições de peças e serviços de manutenção, para R$ 2.707,32 (dois mil setecentos e sete reais e trinta e dois centavos). Vencidas as conselheiras Mariel Orsi Gameiro (relatora) e Sabrina Coutinho Barbosa que davam provimento para também reverter as glosas da aquisição de combustíveis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. Para respectiva correção, foram os presentes embargos opostos: Em sessão plenária de 15 de outubro de 2020, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3002-001.525. Formalizado o acórdão, foi identificado erro no resultado: ao invés de constar na ata de julgamento, o valor do crédito relativo às peças e serviços de manutenção de R$ 587,77 (valor correto), verifica-se o valor de R$ 2.707,32, que se refere a outro processo do mesmo contribuinte. Portando, é necessário corrigir supracitado valor, para que conste corretamente o valor de R$ 587,77. O artigo 66, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, estabelece que os erros verificados na decisão ensejam a oposição de Embargos Inominados, para correção mediante a prolação de um novo acórdão. Diante do exposto, proponho a reinclusão do processo em pauta de julgamento, para correção do número do acórdão. É o relatório, em síntese. Voto Conselheira Mariel Orsi Gameiro, Relatora. Os embargos são tempestivos, e para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. De fato, há um mero lapso na redação do resultado, que foi trocado no momento da publicação da ata, com outro processo do mesmo contribuinte. Formalizado o acórdão, foi identificado erro no resultado: ao invés de constar na ata de julgamento, o valor do crédito relativo às peças e serviços de manutenção de R$ 587,77 (valor correto), verifica-se o valor de R$ 2.707,32, que se refere a outro processo do mesmo contribuinte. Portando, é necessário corrigir supracitado valor, para que conste corretamente o valor de R$ 587,77. Ante o exposto, acolho os embargos, com efeito infringente, apenas para retificar sua parte dispositiva. Fl. 834DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.022 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.003495/2009-81 (assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro Fl. 835DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13639.720119/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) assim ementado: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2007 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DCOMP. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. É correta a homologação parcial da DCOMP quando o crédito informado é insuficiente para a compensação dos débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 39 .7 20 11 9/ 20 11 -1 7 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13639.720119/201117 Resolução nº 1402000.526 S1C4T2 Fl. 3 2 O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação apresentada por meio do PER/DCOMP, através do qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito nele declarado. Consta no Despacho Decisório: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. (...) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Cientificada do referido Despacho, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o débito compensado possui data de vencimento anterior a do pagamento fonte do suposto crédito. É o relato do necessário." A Recorrente inconformada com a decisão de 1ª Instância, apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: "[...] Percebam então os ínclitos Conselheiros que apesar de haver o crédito (efetivamente reconhecido pela RFB) não há que se falar em débito, já que todos os tributos envolvidos neste PERD/COMP foram efetivamente pagos [...]. O erro cometido pela Recorrente ao proceder a compensação em nada lesou a Fazenda Pública Federal já que os tributos não deixaram de ser pagos. [...] o que não se pode aceitar, por medida de justiça, é que a Recorrente passe de credora para devedora sendo certo e provado que realizou o pagamento a maior dos tributos. Certamente, por ser situação nada corriqueira e pelo fato da Recorrente não ter apresentado uma explicação satisfatória, o erro material cometido pela mesma vem sendo interpretado até o momento como de fato ela fosse devedora, o que não é. E por ter efetuado pontualmente o pagamento integral dos tributos referentes ao IRPJ do quarto trimestre do ano de 2006, é forçoso concluir que o crédito tributário foi extinto [...] pelo pagamento. Muito embora a Recorrente não possa mais realizar a compensação com o crédito [...], não há débito algum para ser compensado. [...] Mediante o exposto, demonstrada a integralidade do pagamento do débito do qual erroneamente se pediu a compensação, a Recorrente requer que seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja julgado improcedente o despacho decisório [...] anulandose os débitos cobrados neste processo." É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13639.720119/201117 Resolução nº 1402000.526 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402 000.512, de 21.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13639.720105/201195. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.512): O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. Em síntese, o Recorrente declara que, erroneamente, apresentou PERD/COMP para compensar débito integralmente pago. Anexou ao seu recurso cópia de DARF autenticado pela instituição bancária e comprovante de arrecadação emitido através do sítio da Receita Federal. Diante das alegações do Recorrente e dos documentos apresentados, apresentase a necessidade de diligência para confirmar o referido pagamento e verificar a (in)subsistência das compensações. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderá ser definitivamente formada a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que: 1. Pronunciarse sobre a procedência das alegações/documentos apresentados pela recorrente, confirmação do crédito alegado e a (in)subsistências das compensações. 2. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 3. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.720820/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a Recorrente a apresentar cópia integral da ação judicial nº 1020392-31-2018.4.01.3400.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a Recorrente a apresentar cópia integral da ação judicial nº 1020392312018.4.01.3400. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DComp) que compensou crédito proveniente de pagamento indevido da Cofins com débitos diversos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .7 20 82 0/ 20 11 -7 3 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 3 2 A DRF/FrancaSP, por meio do despacho decisório de fl. 396, não homologou a compensação. De acordo com o relatório de fls. 385/394, a requerente, em 10/09/2001, firmou contrato com a Fininvest para formação de uma joint venture financeira (Luizacred). No contrato, ficou estabelecida a cessão do direito de exclusividade nas operações de crédito da contribuinte à financeira, sem remuneração, e que o Magazine Luiza prestaria serviços à financeira, tendo direito à remuneração estipulada no acordo. Em meados de 2007 a contribuinte contratou serviços de auditoria externa, que concluiu que o contrato entre ela e a Fininvest teria efeitos tributários, em relação às contribuições sociais, diversos daqueles reconhecidos pela empresa à época. Sendo assim, de acordo com o relatório, a contribuinte: ...alterou a tributação da receita da prestação de serviços à Fininvest do regime nãocumulativo para o cumulativo, tendo inclusive retificado as DCTFs desde 2004 formalizando parcialmente este entendimento, já que não retificou as Dacons correspondentes. Isto porque em razão do acordo considerou a fiscalizada tratarse de contrato firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003 sujeito às condições estabelecidas na alínea b, do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/03, quais sejam: contrato com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços. Nesta nova interpretação, entende a fiscalizada que o contrato de prestação de serviços atende às condições para ter suas receitas tributadas pelo regime cumulativo. Cabe dizer que referido regime de tributação para a COFINS e PIS está regulamentado pela Instrução Normativa nº 658/2006. Nesta definese que preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Desta forma, a requerente, ao passar a considerar as receitas decorrentes desse contrato como tributadas pelo regime cumulativo, recalculou as contribuições devidas, apresentando DCTFs retificadoras a partir de 2004, contendo os débitos apurados no regime cumulativo, e diversos PER/DCOMP compensando esses novos débitos e outros valores devidos com o crédito relativo à diferença entre as contribuições calculadas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. No entanto, a fiscalização não concordou com o entendimento da auditoria externa com relação às receitas da prestação de serviços à Luizacred, pelos seguintes motivos: 1 Da repactuação do contrato com a incorporação de lojas novas pelo Magazine Luiza Além do acordo inicial firmado em 2001 que levantou as bases da “joint venture”, também foram celebrados contratos entre o Magazine Luiza e a Fininvest denominados Memorandos de Entendimento nos quais as partes estabelecem remuneração a ser paga pela financeira pela potencial geração de lucro decorrente do efetivo aumento do número de pontos de venda, conforme estabelecido. Apesar de haver disposição expressa nos Memorandos de Entendimento de que haveria remuneração de receita auferida pelo Magazine Luiza em decorrência da ampliação da sua rede de lojas, e de conter referência à negociação do direito de exclusividade pelo Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 4 3 Magazine para a Fininvest, não foram tratadas estas incorporações de lojas novas como alterando o contrato inicial. Consta nos Memorandos de Entendimento que parte da aquisição seria paga pela Luizacred por força do aumento do número dos pontos de vendas, afinal foram adquiridos os pontos de venda nas Lojas Madol, Lojas Arno Palavro, Base Lar Eletromóveis e Kilar Móveis e Decorações. Por estas aquisições as partes Magazine Luiza e Fininvest repactuaram o contrato inicial, eis que houve inclusive a remuneração extra em milhões de reais ao Magazine pelos novos pontos de venda e pela nova base de clientes envolvida em cada um dos memorandos de entendimento. (...) A leitura dos memorandos de entendimento nos permite a inequívoca conclusão de que se trata de repactuação do contrato anterior. (...) Mais ainda. Estabelecese inclusive um aditamento de dez anos no prazo dos direitos de exclusividade da Luizacred e no direito de preferência do Fininvest para as novas lojas abertas ou adquiridas. (...) Assim, o preço predeterminado em 2001 pelo contrato inicial foi refeito em cada um dos Memorandos de Entendimento em que a cadeia de lojas aumentou. 2 Da incompatibilidade entre o preço predeterminado legalmente definido e as receitas de serviços auferidas pelo Magazine Luiza Na consideração do que seja preço predeterminado, o conceito está amarrado com a manutenção dos valores recebidos para contratos firmamos antes de 31/10/2003. De acordo com o assentado, a legislação dos tributos em comento permitiu o reajuste de preços em casos delimitados. Quando há reajustes de preços, foi emoldurado pela lei como o conceito deve ser interpretado. (...) Interpretase da leitura que o preço predeterminado pode ser alterado apenas pela exceção acima disposta, vale dizer, em decorrência de variação de custos de produção. Tratase de índices oficiais de variação de preços, afinal a alteração deve refletir o custo de produção ou índice de correção monetária de insumos utilizados. Não se aplica ao caso em análise, isto porque o preço cobrado pelo serviço será sempre variável, pois se altera conforme o volume de contratos de financiamento gerados no mês e administrados pela estrutura do Magazine. A remuneração obtida pela auditada deriva da prestação de serviços de captação de financiamentos, tendo seu valor limitado em 6,8% do valor total dos contratos de financiamento gerados mensalmente. Assim, os valores fixos por operação estabelecidos no inciso I, do item 2.12.3 do acordo de associação não são aplicados, eis que a remuneração nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 sempre foi calculada sobre o volume financiado. (...) Desta forma, a remuneração pelo contrato não se trata de preço predeterminado, mas de receita que sofre variação em função do faturamento da fiscalizada com os serviços prestados. Este faturamento é afetado por cláusulas outras que custos de produção ou de insumos. Tratase de um percentual sobre o montante captado em financiamento para a financeira Fininvest. Como era de se esperar, este montante tem Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 5 4 acréscimo no tempo, seja em função da quantidade de clientes captados, como também em proporção com os valores captados de financiamento que aumentam em função de taxa de juros cobrada, ou da condição macroeconômica ao tempo do empréstimo, assim como outras variáveis de mercado. Descabe dizer que os valores recebidos seriam os fixados nos incisos do item I, do item 2.12.3, do acordo de associação. Isto porque no período em análise jamais foram aplicados os valores fixos, pois a cláusula I.2, do item 2.12.3 sempre foi aplicada no período. E esta cláusula prevê um índice variável de remuneração. Para que fosse admitido o reajuste de preços próprio dos contratos com preço predeterminado nos moldes fixados pela citada lei, a variação deveria decorrer de variação de custos, mas a variação de receitas decorre da variação dos contratos de financiamento captados diariamente com a clientela (...) O argumento de que se fosse mantida a mesma quantidade de lojas e os contratos de financiamento fossem os mesmos, também seria mantido o preço do contrato, não é cabível. Os preços fixados desde o início são variáveis no tempo, conforme demonstram as receitas mensais com os serviços. Em nada se aproximam do preço fixo definido em lei. O legislador quando assim o fez, objetivou manter as condições tributárias de contratos de longo prazo com preços fixados por produto ou predefinidos por período de execução contratual. 3 Da imunização dos efeitos fiscais sobre os preços fixados no contrato inicial com a Fininvest No contrato fixado com a Fininvest as partes neutralizaram os efeitos fiscais de tributos sob faturamento no inciso IV do item 2.12.3. Afinal, estipularam que “os valores previstos neste item não incluem os impostos incidentes sobre o faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças de mercado e reduções de custo por ganho de escala”. A cláusula acima ao estabelecer o preço do serviço sem considerar os tributos sobre a receita afasta nitidamente o caráter de preço predeterminado previsto na lei. Com a mudança da tributação não há desequilíbrio econômicofinanceiro, pois o preço acertado exclui os tributos. O próprio contrato estabelece o novo preço final juntamente com qualquer mudança do tributo. (...) ... o preço fixo estabelecido no contrato exclui os tributos sobre a receita, portanto qualquer mudança na tributação se reflete/refletiu imediatamente no preço final. Sendo assim, a fiscalização indeferiu os recálculos da contribuinte relativos à receita obtida junto à Luizacred e considerou os novos débitos referentes ao regime cumulativo das contribuições inexistentes, cancelando as DCTFs retificadoras e não homologou os PER/DCOMP contendo esse tipo de crédito. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 400/423, alegando, em preliminar, que o direito creditório ora discutido está relacionado com o processo nº 13855.721049/201151, em que foi apurado crédito tributário, em parte, em função das mesmas infrações apuradas no presente. Desta forma, inferiu que o presente depende da decisão final naquele processo, assim requer o sobrestamento do presente até que essa Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 6 5 decisão ocorra, por se tratar de questão prejudicial, a teor do art. 265, IV, do Código de Processo Civil (CPC). Quanto ao mérito, argumenta que o acordo entre a Luizacred e a requerente abrangeria dois contratos: Assim, verificase a existência de dois contratos perfeitamente autônomos: (i) cessão do direito de exclusividade da Requerente à Luizacred; e (ii) prestação de serviços pela Requerente à Luizacred que, ao final, irão compor, juntamente com os outros acordos constantes do Instrumento Particular de Associação um contrato do tipo coligado. Ou seja, todos esses "acordos" estarão congregados no mesmo instrumento contratual, qual seja, o Instrumento Particular de Associação. De fato, o aviamento da Requerente, ou seja, a sua incontestável reputação no mercado de comércio varejista de móveis e eletrodomésticos e a existência de um número expressivo de clientes que já utilizaram os seus serviços, produziu, entre outros, um bem propriamente dito, de inegável valor econômico e absolutamente autônomo, qual seja, a capacidade de atrair clientes para negócios diretamente relacionados a tal ramo de comércio. (...) Nesse sentido, observase que o acesso à exploração da carteira de clientes da Requerente para a contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor corresponde a um bem imaterial, integrante de seu fundo de comércio e passível de ser cedido a terceiros interessados. (grifei) Assim, conclui a impugnante, a cessão do direito de exclusividade, isto é, a cessão da exploração da carteira de clientes da requerente, configuraria uma alienação de um bem intangível, ou seja, de “ativo permanente” ou ativo nãocirculante, de acordo com nova denominação prevista na Lei nº 11.941, de 2009 (nova Lei das S/A) e em nada se confundiria com a prestação de serviços da contribuinte à Luizacred. Prossegue a postulante: Destaquese que o contrato originalmente firmado tem caráter de contrato coligado e, portanto, congrega diversas relações jurídicas em si. Uma delas, somente, é a prestação de serviços que a Autoridade Fiscal acredita ter sido repactuada. Em verdade, como ela própria verificou, tais Memorandos tratam do direito de exclusividade cedido pela Requerente à Luizacred e, como ativo intangível que é, sequer estaria sujeito à tributação pelo PIS e pela COFINS, pelas regras anteriormente citadas. Ou seja, sequer estarseia a discutir sua inclusão ou não nas regras de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. E, de fato, não é essa a discussão em voga. (grifos originais) Portanto, os valores repactuados nos memorandos citados pela fiscalização não têm relação com a prestação de serviços da contribuinte à Luizacred, mas sim com o direito de exclusividade anteriormente acordado, que, por se tratar de alienação de ativo permanente não é tributado pelas contribuições sociais. Quanto ao aditamento de dez anos no prazo de exclusividade, também alega que não há que se falar em prorrogação do contrato de prestação de serviços, porquanto a alteração somente atingiu a parcela adstrita à cessão do direito de exclusividade. Ainda que a prorrogação se referisse à prestação de serviço, não haveria que se falar em novação, pois esta pressupõe a existência de Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 7 6 obrigação anterior que se extingue com a constituição de nova, criação dessa nova obrigação em substituição à anterior e intenção de novar. Concluindo “que somente haveria novação se fossem operadas mudanças significativas na obrigação original, as quais atinjam um de seus três elementos essenciais (objeto, credor ou devedor) acima mencionados e haja efetivamente intenção de novar.” Quanto à prefixação do preço, alega que: ...o fato de estabelecer percentual sobre a totalidade das receitas decorrentes dos contratos não descaracterizaria a prédeterminação do preço, na medida em que o índice já representa uma prédeterminação em si mesmo. De fato, no presente caso, a remuneração descrita na cláusula 2.12.3 traz valores em reais por mês a serem pagos à Requerente pelos serviços prestados, sendo que o subitem I.2 estabelece limitação a tal remuneração a 6,8% do valor total dos contratos firmados. Tanto a remuneração ordinária quanto a cláusula limitante são perfeitamente prédeterminadas e buscam, justamente, a previsão e, mais importante, a manutenção do equilíbrio econômico do contrato no tempo, que é valor mais importante apregoado na norma do PIS e COFINS em comento. Não há, portanto, que se falar em sua não aplicação por não pré determinação do preço: ao contrário, a combinação da remuneração ordinária em Reais com a limitação a percentual da totalidade das receitas advindas dos contratos somente reforça e reafirma o caráter prédeterminado do instrumento firmado. (...) Ademais, não se alegue que a ampliação da cadeia de lojas representaria variação do preço. O aumento do esforço laboral, nesta, como em outra atividade econômica, pode e deve, ser melhor remunerada, Isso não significa reajuste do preço, mas pagamento proporcional ao esforço empenhado na execução de atividades. Por fim, argúi ainda a requerente que a fiscalização não teria reconhecido os créditos nas operações realizadas com a Zona Franca de Manaus (ZFM) por entender que o contrato com a Fininvest se conformaria à modalidade de preço prédeterminado. Após um breve histórico sobre a sistemática de creditamento pelas contribuições sociais sobre as compras originadas da ZFM, a contribuinte alega, em resumo, que se creditava à alíquota de 5,6% e, no momento em que atentou que estaria sob o regime misto – com receitas cumulativas e nãocumulativas –, passou a se creditar à alíquota de 9,25%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 8 7 de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa as alegações já apresentadas na impugnação e, em sede preliminar, alega a vinculação do presente processo ao Processo Administrativo nº 13855.721049/201151, que aguarda julgamento de recurso especial na Terceira Turma da Câmara Superior. Considerando a conexão dos processos pede a Recorrente que o julgamento do presente feito aguarde a decisão do Processo nº 13855.721049/201151. Os termos do pedido para que o presente processo aguarde a decisão final do processo conexo, foram assim detalhados no recurso voluntário. II.1 Da Dependência do Presente Processo com o Processo Administrativo n° 13855.721049/201151 Conforme alegado em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente pugnou pela necessidade de sobrestamento do presente processo administrativo até o deslinde do julgamento do processo administrativo n° 13855.721049/201151, que versa sobre crédito tributário constituído com base em suposta infração de PIS e COFINS decorrente, dentre outras questões, da alteração do regime de apuração das aludidas contribuições, gerando o crédito objeto do presente processo administrativo. Assim, dada a intrínseca relação entre os dois processos mencionados, a I. Turma Julgadora determinou o apensamento dos autos, conforme se depreende da leitura do acórdão ora combatido: de fato, o que for decidido em um processo afeta o outro, porquanto parte das infrações apuradas em um e outro são as mesmas. No entanto, tal problema foi solucionado com a apensação deste àquele, fato que determina que serão julgados simultaneamente, portanto desnecessário o sobrestamento'. (Fls. 7 do Acórdão da DPJ). Ademais, registrese que outros 34 (trinta e quatro) processos administrativos (listados na Carta n° 08213/DRF/FCA/SAORT/211/2013FDTC doe anexo) também guardam relação com o presente, eis que as decisões foram idênticas e, em atenção ao princípio da economia processual que informa o processo administrativo, também devem ser julgados em conjunto com o presente processo. Os processos mencionados foram os seguintes: 13855.720820/2011 73 13855. 903317/200937 13855. 904730/2009 19 13855.720934/2011 13 13855. 903318/200981 13855. 904745/2009 87 13855.903307/2009 00 13855. 903319/200926 13855. 904797/2009 53 Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 9 8 13855.903308/2009 00 13855. 903320/200951 13855. 904798/2009 06 13855.903309/2009 91 13855. 903321/200903 13855. 904799/2009 42 13855.903310/2009 15 13855.903716/200906 13855. 904800/2009 39 13855.903311/2009 60 13855.903717/200942 13855.907801/2009 83 13855.903312/2009 12 13855.904725/200914 13855.904802/2009 28 13855. 903313/2009 59 13855.904726/200951 13855.904803/2009 72 13855. 903314/2009 01 13855. 904727/200903 13855.904804/2009 17 13855. 903315/2009 48 13855. 904728/200940 13855.903718/2009 97 13855. Ç 03j 16/2009 92 13855. 904729/200994 De fato, a decisão da DRJ foi acertada, eis que a decisão de um processo está intrinsicamente relacionada ao outro, razão pela qual a Recorrente requer o regular processamento e julgamento dos presentes autos em conjunto com os autos do processo administrativo n° 13855.721049/201151 e os 34 processos análogos a este, mencionados na Carta n° 08213/DRF/FCA/SAORT/211/2013FDTC. A conexão do presente processo e do Processo nº 13855.721049/201151 foi reconhecida pela DRJ, determinando o julgamento em conjunto dos processos, conforme se verifica no trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão da primeira instância. Preliminarmente, a impugnante alega, que este processo, por conter infrações que também foram apuradas no processo nº 13855.721049/201151 que constituiu o crédito tributário das contribuições sociais para a contribuinte deveria ficar sobrestado até o julgamento desse processo, por considerar questão prejudicial. De fato, o que for decidido em um processo afeta o outro, porquanto parte das infrações apuradas em um e em outro são as mesmas. No entanto, tal problema foi solucionado com a apensação deste àquele, fato que determina que serão julgados simultaneamente, portanto desnecessário o sobrestamento. Sendo objeto de recursos voluntário o presente processo foi apensado ao processo nº 13855.721049/201151 e foram enviados a este Conselho para julgamento. Entretanto, quando do julgamento do processo nº 13855.721049/201151 pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção, o presente processo não foi julgado, sendo posteriormente desapensado e realizado novo sorteio para julgamento do recurso voluntário. Consultando o sistema eprocesso verificase que o Processo nº 13855.721049/201151 foi julgado pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção, que decidiu no Acórdão nº 3403003.385 dar provimento parcial ao recurso. A decisão foi objeto de embargos declaratórios que foram conhecidos e providos pela turma Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 10 9 somente para aclarar o julgamento não tendo efeitos infringentes. Não se conformando com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Especial que não foi admitido para prosseguimento, entretanto, a Recorrente, por não concordar com inadmissibilidade do recurso, impetrou o Mandado de Segurança nº 100417748.2016.4.01.3400, que foi liminarmente decidido de forma favorável a sua pretensão, sendo determinando por força da medida judicial, o prosseguimento do recurso especial. O Processo nº 13855.721049/201151 foi julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 26 de janeiro de 2017, formalizado no Acórdão nº 9303004.608. A Recorrente, considerando que o julgamento do processo nº 13855.721049/201151 ocorreu sem a participação completa do colegiado, buscou o Poder Judiciário, alegando irregularidade no julgamento em razão da quebra de paridade entre conselheiros representantes da Fazenda e dos Contribuintes. Em decisão liminar no Mandado de Segurança nº 100300197.2017.4.01.3400, o Juízo da 3ª Vara Federal Cível da SJDF determinou a realização de um novo julgamento, nos seguintes termos: Com essas considerações, defiro o pedido liminar para determinar que a autoridade coatora, ou quem suas vezes fizer, anule o julgamento do Recurso Especial interposto no Processo Administrativo n° 13855.721049/201151, devendo ser proferido um novo julgamento, a fim de seja assegurada a paridade prevista no Regimento Interno do CARF, até ulterior deliberação. Posteriormente referida liminar foi confirmada por Sentença, conforme decisão transcrita abaixo. Diante do exposto, confirmo o deferimento da liminar de fls. 759/763 e CONCEDO A SEGURANÇA para determinar que a autoridade coatora, ou quem suas vezes fizer, anule o julgamento do Recurso Especial interposto no Processo Administrativo nº 13855.721049/2011 51, devendo ser proferido um novo julgamento, a fim de seja assegurada a paridade prevista no Regimento Interno do CARF. Em cumprimento a decisão judicial, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, realizou novo julgamento na sessão do dia 12/04/2018, formalizado no Acórdão 9303006.689. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento, por entenderem que não incidem juros de mora sobre multa de oficio. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 11 10 Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, por (i) reconhecerem que a natureza do contrato celebrado entre a recorrente e a Fininvest S/A era de preço prédeterminado, (ii) pela não incidência do PIS e da Cofins em relação aos Juros sobre Capital Próprio JCP, e (iii) pela não incidência do PIS e da Cofins em relação às bonificações financeiras. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pelo conselheiro Valcir Gassen (suplente convocado). Com a seguinte ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO NÃO CARACTERIZADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM Zona Franca de Manaus depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime nãocumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições nãocumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546C do CPC. COFINS NÃOCUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 12 11 A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. COFINS NÃOCUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas préoperacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO NÃO CARACTERIZADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM Zona Franca de Manaus depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime nãocumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições nãocumulativas e deve ser tributado com alíquota Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 13 12 positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546C do CPC. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. PIS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas préoperacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. O julgamento do presente processo foi convertido em diligência para aguardar a decisão final do Processo 13855.721049/201151 na Câmara Superior. Concluído em instância final a decisão na CSRF o processo retorna para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13855.720820/201173 Resolução nº 3301001.092 S3C3T1 Fl. 14 13 Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Nos termos constantes do relatório, o presente processo possui vinculação umbilical com o processo nº 13855.721049/201151, que também foi objeto de recurso voluntário. Consultando o sistema eprocesso verificase que o Processo nº 13855.721049/2011 51, foi julgado pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que decidiu no Acórdão 9303006.689, por negar provimento aos argumentos da Recorrente, com a decisão que o contrato firmado entre a Recorrente e a Fininvest não é de preço predeterminado, mantendo assim, a autuação fiscal integralmente. Quanto a discussão sobre os juros moratórios, que na decisão da câmara baixa foi cancelado do lançamento com provimento parcial à impugnação da Recorrente, a Terceira Turma da Câmara Superior acatou o recurso especial da Procuradoria da Fazenda, reformando a decisão a quo para manter a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Na sustentação apresentada pela Recorrente durante a sessão de julgamento, foi informado a propositura na 21ª Vara Federal Cível da SJDF de ação judicial nº 1020392 31.2018.4.01.3400 contra a decisão prolatada no Processo Administrativo nº 13855.721049/201151. Segundo a Recorrente, está sendo discutido na esfera judicial a tributação a ser aplicada às operações entre a Recorrente e a Fininvest. Considerando que a mesma matéria é discutida no presente processo e que em confirmada o propositura da ação judicial e a discussão da mesma matéria no poder judiciário implica em renuncia da discussão da matéria na esfera administrativa, é essencial que cópia da ação judicial seja trazida aos autos para análise da admissibilidade do recurso voluntário e prosseguimento do julgamento do processo administrativo Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que unidade preparadora obtenha cópias da petição inicial e decisões judiciais referentes aos autos da ação judicial nº 102039231.2018.4.01.3400 em tramitação na 21ª Vara Federal Cível da SJDF e caso não seja possível, que a Recorrente seja intimada a apresentar as cópias dos documentos da referida ação judicial. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.015271/2008-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004, 2005
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA RESERVA REMUNERADA.
São isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, pelos portadores de doenças descritas na legislação de regência, desde que comprovadas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-004.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2004, 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA RESERVA REMUNERADA. São isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, pelos portadores de doenças descritas na legislação de regência, desde que comprovadas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA RESERVA REMUNERADA. São isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, pelos portadores de doenças descritas na legislação de regência, desde que comprovadas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Honório Albuquerque de Brito (Presidente), André Luís Ulrich Pinto e Marcelo Rocha Paura. Relatório Do Lançamento Trata o presente de Notificação de Lançamento (e-fls. 2/7), lavrada em 10/12/2008, em desfavor do recorrente acima citada, no qual a autoridade fiscal, durante procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, relativa aos exercícios de 2004 e 2005, formalizou o lançamento suplementar de ofício contendo a infração de compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 1.203,51 e R$ 1.278,85, respectivamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 52 71 /2 00 8- 77 Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 Da Impugnação O interessado apresentou a impugnação (e-fls. 27/39), alegando, em síntese, os seguintes argumentos, extraídos do relatório do julgamento anterior: Em 20.01.2009 o lançamento foi impugnado com os argumentos abaixo, em resumo, colocados. Depois de identificar-se diz que quando pertencente ao quadro de militares da reserva remunerada da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, foi vítima de infarto que provocou uma Insuficiência Coronariana Crônica e Miocardiopatia Isquêmica, moléstia grave prevista no artigo 6°, inciso XVI da Lei n° 7.713, de 1988 o que torna o contribuinte beneficiário da isenção de imposto de renda pessoa física. Informa que seguindo orientação da Receita Federal do Brasil e ciente de seu direito à isenção de pagamento de imposto, entregou declarações de ajuste retificadoras para todo o período a partir de 29.03.2003, data em que foi acometido da doença já mencionada. Em consequência, foi liberado pela malha fiscal o valor do imposto retido relativamente ao anos calendários de 2004, exercícios de 2005 e 2006, sendo que o valor apurado para o exercício de e 2005 foi resgatado e o referente a de 2006, foi "compensado com um débito de parcelamento existente em nome do impugnante, remanescendo um saldo a ser restituído". Porém, com relação à declaração retificadora do exercício de 2004, antes da sua liberação, o contribuinte foi intimado a apresentar à Receita Federal o comprovante de Reforma ou laudo pericial emitido por serviço médico da União, Estados, Distrito Federal ou Município, onde constasse a data em que a doença fora contraída e, nos casos de moléstias passíveis de controle, a validade do laudo pericial, nos termos do artigo 30 da Lei n° 9.250 de 1995. Apresentado o documentos solicitados, foi o impugnante comunicado que seu direito à isenção se deu a partir do mês da reforma junto à Polícia Militar e não da data do acometimento da moléstia grave, o que gerou o bloqueio dos valores de restituição pleiteados relativamente ao ano calendário de 2004. Diz que o bloqueio foi questionado no processo n° 10680.720861/2007-34, que em 27.11.2008 compareceu à Receita Federal para saber de seu andamento e que em 20.12.2008, após 08 meses do bloqueio, foi surpreendido com a lavratura do presente Auto de Infração, processo n° 710680.015162/2008-50 e Notificação de Lançamento objeto do processo n° 10680.015271/2008-77, cujos fatos geradores do lançamento e valores transcreve, passando, então a se defender do lançamento, propriamente dito. De início, requer o direito de preferência na tramitação de sua defesa, com fundamento do Estatuto do Idoso. Segue afirmando que há contradição no enquadramento legal da infração, porque há divergência entre a legislação citada na Notificação de Lançamento e o Termo de Verificação Fiscal o Auto de Infração e aquela descrita no Termo de Verificação Fiscal, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa. Diz que da análise do inciso XXXIII do Decreto n° 3000/99, depreende —se que para se fazer jus à isenção ali tratada, há que se atender a dois requisitos: a natureza dos valores recebidos, que devem ser decorrentes de proventos de Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 aposentadoria, reforma ou pensão e outro, que se relacione com a existência de moléstia grave tipificada no texto legal. Aduz que os documentos trazidos aos autos não deixam dúvidas que o acometimento da moléstia ocorreu em 29.03.2003, restando a discussão sobre a natureza das verbas recebidas da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais se estas foram recebidas a título de reforma ou se teriam outra natureza. Neste diapasão, faz um enorme arrazoado para defender a tese de que os rendimentos recebidos quando da reserva remunerada são da mesma natureza daqueles recebidos quando já publicado o ato de reforma, afirmando haver tão somente "nominações próprias em face de peculiaridades de que são titulares os membros das Polícias Militares e Forças Armadas. Entende, pelo que expõe, que as declarações retificadoras devem ser aceitas com a consequente nulidade da Notificação de Lançamento e restituição dos valores cobrados à título de imposto de renda pessoa física, sobre o valor do 130 salário. Com relação à multa de 20% aplicada ao débito, afirma que não pode ser responsabilizado pelo pagamento uma vez que os dados contidos nas declarações retificadoras não configuram omissão ou inexatidão e "sim apenas erro de interpretação", razão pela qual descabe a aplicação e cobrança da multa em apreço requerendo, em consequência sua exclusão do lançamento. Ao final, requer: - a declaração de nulidade da Notificação por contradição na previsão dos enquadramentos legais das peças que compõem ausência de notificação sobre o indeferimento das solicitações de restituição contidas nas declarações retificadoras. - deferimento do pedido de restituição integral do imposto retido pela Polícia Militar de Minas Gerais, nos valores apurados nas declarações de ajuste retificadoras, devidamente corrigidos e que, no caso de manutenção do lançamento, sejam dele excluídos os juros e a multa de 20% aplicada e - que seja retirado da Notificação Auto de Infração o imposto apurado sobre o valor do 13° salário relativo ao exercício de 2004, porque ainda não foi resgatado. Do Julgamento em Primeira Instância No Acórdão nº 02-32.415 (e-fls. 225/232), os membros da 9ª Turma de Julgamento, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, decidiram pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário e, do voto da relatora a quo, podemos destacar o seguinte: A impugnação atende às exigências de admissibilidade previstas nos artigos 15 e 16, do Decreto acima citado, razão pela qual dela se toma conhecimento. Consoante já descrito no Relatório deste Voto, o lançamento tem como fato gerador o valor do imposto de renda devido sobre o valor do décimo terceiro salário recebido da Polícia Militar de Minas Gerais, anos calendários de2003 e 2004, considerado pelo contribuinte como isentos porque, segundo afirma em sua defesa, é portador de doença grave —Insuficiência Coronária Crônica e Miocardiopatia Isquêmica, desde março 29 de 2003, enquadrando-se no artigo 6°, inciso XIV da Lei n° 7.713, de 1998. Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 A Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, editada para alterar a legislação do imposto de renda das pessoas físicas e dar outras providências, no seu artigo 8°, inciso I, determina que: ... No presente caso, tem-se que o impugnante juntou aos autos, quando instado a fazê-lo pela fiscalização, a cópia do Título de Reforma por incapacidade física expedido pelo Diretor de Recursos Humanos da Polícia Militar de Minas Gerais — documento de fls. 11, onde se acha firmado que a reforma motivada por incapacidade física, se deu a partir de 03.11.2005. Portanto, em obediência ao disposto no inciso XXXIII do artigo 39 do Decreto n° 3.000, de 1999, somente os proventos recebidos a partir da data da reforma são isentos de pagamento do imposto de renda pessoa física, não assistindo razão ao impugnante quando quer fazer crer que, por ter contraído a doença em março de 2003, e estando nessa data no quadro de oficiais da reserva, já fazia jus à referida isenção. Necessário esclarecer que não foram juntados aos autos nenhum laudo médico expedido na forma da legislação pertinente, que comprove que a aquisição da doença ocorrera em data anterior àquela apontada no Título de Reforma. Ao contrário, encontra-se juntado nas fls. 76 deste processo, um Laudo expedido pela Diretoria de Saúde - Junta Central de Saúde da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, assinado em 03.11.2005, com prazo de validade definitiva. Também de se registrar que o Instituto Nacional do Seguro Social reconheceu a incapacidade do impugnante, após análise de seu pedido apresentado em 17.11.2005 e o aposentou por invalidez a contar desta mesma data — doc. de fls. 98. Por conseguinte, não tendo sido provado nos autos, na forma da lei, que o direito à isenção do pagamento de imposto de renda pessoa física com fundamento na Lei n° 7.713, de 22.12.1988 ocorrera antes de 03.11.2005, sem reparos o feito fiscal. Assim é porque, nas declarações de ajuste do contribuinte ele somou ao imposto retido na fonte pela Polícia Militar, o valor do imposto relativo ao 13º salário, que é de tributação exclusiva, ou seja, não se sujeita ao ajuste anual requerendo sua restituição, enquanto de o pagamento do mesmo é devido, porque nos anos calendários de 2004 e 2004, não restou provado que o contribuinte fazia jus à isenção, como já exposto. No que concerne à discussão sobre a natureza dos proventos recebidos pelo impugnante quando na reserva remunerada e depois do Ato de Reforma, conforme já relatado a legislação tributária somente permite que a isenção incida sobre os rendimentos auferidos quando oficialmente e, na forma da lei, seja decretada a reforma, não havendo previsão legal para que sobre os rendimentos auferidos pelo militar acometido de doença grave quando se encontre na reserva remunerada seja abrangido pelo beneficio da isenção de que trata a Lei n° 7.713, de 1988. ... Do Recurso Voluntário Inconformado com o resultado do julgamento de 1ª instância e amparado pelo contido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, o interessado interpôs o recurso tempestivo (e-fls. 239/254), informando, em síntese o que segue: Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 Cinge-se a lide na controvérsia criada pelos auditores fiscais da Receita Federal de Minas Gerais, Seção Belo Horizonte, quanto ser devida ou não a isenção do Imposto de Renda sobre proventos originados da reserva remunerada, quando o militar é acometido de moléstia grave. Tal controvérsia existe por não prever a lei que isenta os portadores de moléstia grave, do Imposto de Renda, o termo "reserva remunerada" aplicável, somente, aos militares. Como se vê, as terminologias "reforma" e "reserva remunerada" são próprias dos militares, e de pouco conhecimento dos que integram a sociedade civil. Militares reformados — são militares aposentados, que não podem ser convocados para o serviço ativo, exemplo: em caso de guerra. Militares da reserva remunerada — são militares aposentados, que podem, a qualquer tempo, serem convocados para o serviço ativo, exemplo: em caso de guerra. Referidas terminologias, pelo que nos parece, não era de conhecimento do legislador à época da edição do Decreto n° 3000/99. O desconhecimento dos termos militares ocasionou uma injustiça àqueles servidores públicos que deram suas vidas pela segurança da sociedade. Hoje, quando o militar é acometido de moléstia grave tem que enfrentar longos processos, pagar advogado, e ainda, prazos enormes para ter declarado seu direito a isenção do Imposto de Renda dos proventos decorrentes da reserva remunerada. Imaginar o contrário, ou seja, que o militar da reserva remunerada não teria direito a isenção do Imposto de Renda, quando acometido de moléstia grave, seria dar tratamento diferenciado ao cidadão militar e ao cidadão civil. O dispositivo de lei mencionado, qual seja art. 39, inciso XXXIII do Decreto 3000/99, é claro, ao prever a aposentadoria para o civil. E, será, que para o cidadão militar cabível a previsão da isenção, apenas, para os reformados? Com certeza, doutos julgadores, esse não foi o intuito do legislador de estabelecer uma norma discriminatória, ao ponto, de dar tratamento diferenciado aos considerados iguais. Sabido é, que o militar da reserva remunerada, quando acometido de moléstia grave, preenche, todos, os requisitos para a reforma, sendo o entendimento de que o termo a quo para a isenção dos proventos de Imposto de Renda seja a data da declaração de reforma do militar um grande equívoco a ser sanado. ... Alega a relatora que "não foram juntados aos autos nenhum laudo médico expedido na forma da legislação pertinente, que comprove que a aquisição da doença ocorrera em data anterior àquela apontada no Título da Reforma. Ao contrário, encontra-se juntado nas fls. 76 deste processo, um Laudo expedido pela Diretoria de Saúde — Junta Central de Saúde da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, assinado em 03.11.2005, com prazo de validade definitiva." (grifos nossos). Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 Entretanto, doutos julgadores, o laudo de fls. 76 a que se reporta a Ilustre Relatora traz, claramente, a informação da data do acometimento da moléstia grave, conforme transcrição que se faz do documento: "Hipertenso, portador de Insuficiência Coronária Crônica e Miocardiopatia Isquêmica, foi vítima de Infarto Agudo do Miocárdio inferior em 29/03/2003 sendo submetido a PTCA (angioplastia) com stent." Referido documento se faz acompanhado de Laudo Médico da Junta Central onde, mais uma vez, o médico daquela referida junta atesta a data do acometimento da doença, conforme transcrição que se faz do documento: "É portador, até a presente data, de doença Isquêmica Crônica do Coração, CID I. 25, desde 29/03/2003 e que a referida moléstia se enquadra numa das especificações no artigo 6°, inciso XIV, da Lei 7713/88." Cabendo, ainda, destacar que a Junta Central de Saúde da Polícia Militar de Minas Gerais é um órgão oficial do Estado de Minas Gerais atendendo o referido laudo ao disposto na legislação, artigo 30, § 1°, da Lei 9250/95, quanto as exigência formais e materiais para comprovação do acometimento da moléstia grave. ... É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Rocha Paura, Relator. Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 1.203,51 e R$ 1.278,85, respectivamente. Do Mérito Da Isenção de Rendimentos por Moléstia Grave Bem, a base legal para isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, reserva, reforma ou pensão estão nos incisos XIV e XXI, do artigo 6º, da Lei 7.713/88,in verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI - os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (grifos nossos) A matéria também é tratada pelos incisos XXXI e XXXIII, do artigo 39, do Decreto 3.000/99, bem como é definida, em seus §§ 4º e 5º, a forma e o marco inicial para o reconhecimento destas isenções, in verbis: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI - os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (...) XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (grifos nossos) No caso, o julgamento anterior, manteve a infração pelos seguintes fundamentos (e-fls.230): Necessário esclarecer que não foram juntados aos autos nenhum laudo médico expedido na forma da legislação pertinente, que comprove que a aquisição da doença ocorrera em data anterior àquela apontada no Título de Reforma. Ao contrário, encontra-se juntado nas fls. 76 deste processo, um Laudo expedido pela Diretoria de Saúde - Junta Central de Saúde da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, assinado em 03.11.2005, com prazo de validade definitiva. ... No que concerne à discussão sobre a natureza dos proventos recebidos pelo impugnante quando na reserva remunerada e depois do Ato de Reforma, conforme já relatado a legislação tributária somente permite que a isenção incida sobre os rendimentos auferidos quando oficialmente e, na forma da lei, seja decretada a reforma, não havendo previsão legal para que sobre os rendimentos auferidos pelo militar acometido de doença grave quando se encontre na reserva remunerada seja abrangido pelo beneficio da isenção de que trata a Lei n° 7.713, de 1988. Vê-se claramente que a manutenção do crédito tributário deveu-se ao entendimento formado no julgamento anterior de que o interessado não apresentou nenhum laudo medico pericial com data anterior a 03/11/2005 e porque rendimentos oriundos da reserva remunerada não fazem juz à isenção estabelecida pela Lei nº 7.713/88. Em sede recursal, o recorrente reapresenta laudos médicos (e-fls. 255/256) já entregues com a sua peça impugnatória e contesta o entendimento de que a isenção, em julgamento nesta lide, não alcançaria os proventos recebidos da reserva remunerada. Após a análise do laudo reapresentado pelo interessado, verifica-se que o mesmo é portador de moléstia amparada pelo benefício de isenção, conforme a legislação acima, desde 29/03/2003. Verifica-se, ainda, que tal documento atende a todos os requisitos exigidos pela legislação, bem como ao previsto no enunciado da Súmula CARF nº 63, in verbis: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Relativamente à natureza dos rendimentos recebidos pelo sujeito passivo, informamos que embora haja diferenças conceituais entre os termos reserva remunerada e reforma, não se confundindo uma com a outra, a verdade é que ambas referem-se à inatividade do militar e, ainda, que a legislação não se refira expressamente aos proventos da reserva remunerada, não se pode conferir tratamento diferente ao dado aos reformados. Ademais, tal situação já encontra-se apaziguada, neste Conselho, conforme depreende-se do teor da Súmula CARF nº 43, in verbis: Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-004.397 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10680.015271/2008-77 Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Como visto, o interessado tem razão em suas argumentações de defesa. Conclusão Assim, voto pela exoneração integral deste lançamento. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11516.720338/2020-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2020
SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO DO SIMPLES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
Subsistindo os motivos que ensejaram o indeferimento da opção da empresa contribuinte pelo Regime Tributário do Simples Nacional, é medida que se impõe a ratificação do indeferimento.
Numero da decisão: 1001-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2020 SIMPLES. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO DO SIMPLES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Subsistindo os motivos que ensejaram o indeferimento da opção da empresa contribuinte pelo Regime Tributário do Simples Nacional, é medida que se impõe a ratificação do indeferimento.
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INDEFERIMENTO DA OPÇÃO DO SIMPLES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DÉBITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Subsistindo os motivos que ensejaram o indeferimento da opção da empresa contribuinte pelo Regime Tributário do Simples Nacional, é medida que se impõe a ratificação do indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 108-003.182 da 29ª Turma da DRJ08, de 28 de setembro de 2020 (fls. 70 a 73): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 03 38 /2 02 0- 40 Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.561 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.720338/2020-40 Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em relação ao indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional. Conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 32), a opção do contribuinte pelo Simples Nacional foi indeferida em razão da existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil e de débitos inscritos em Dívida Ativa da União (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não estava suspensa. [...] A ciência do Termo de Indeferimento ocorreu em 13/02/2020 (fl. 30). Em sua defesa, protocolada em 18/02/2020, o contribuinte requer a sua inclusão no Simples Nacional, sob a alegação de que os débitos indicados no Termo de Indeferimento foram pagos e/ou compensados antes de 31/01/2020. Aduz, ainda, que: a DCTF Retificadora foi entregue com as informações de todos os pagamentos e compensações referentes ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre/2015; a CSLL do 1º trimestre/2015 (R$ 31.337,49) foi paga por compensação (R$ 4.108,52) e o saldo de R$ 27.228,97, por meio de 3 Darf, em 30/04/2015 (R$ 9.076,32), 29/05/2015 (R$ 9.167,08) e 30/06/2015 (R$ 9.256,95); o IRPJ do 1º trimestre/2015 (R$ 84.939,19) foi pago por meio de 3 Darf, em 30/04/2015 (R$ 32.650,09), 29/05/2015 (R$ 32.976,59) e 30/06/2015 (R$ 33.299,85). Aduz, ainda, que apresentou pedido de revisão da inscrição nº 9121901838207, ainda em análise. Anexa documentos. Anexado o Despacho Decisório Malha DCTF nº 0002/2020 – LHB, de 14/02/2020 (fls. 33/35), que deferiu o pedido do contribuinte, para cancelar a 5ª DCTF Retificadora apresentada e liberar a transmissão da 6ª DCTF Retificadora. Anexado o Despacho Decisório nº 998/2020/REVFAZ-REVDEB-09ªRF-VR, de 04/05/2020, (fls. 56/58), que deferiu o pedido de revisão de débito inscrito em dívida ativa da União – IRPJ do 1º trimestre/2015, concluindo pela extinção do débito e seus encargos, com a respectiva baixa da inscrição 91219018382-07. Em 25/05/2020, a Equipe Regional do Simples Nacional, por meio do Despacho Decisório SIMPLES/BENFIS/SRRF9ªRF nº 1388/2020 (fls. 62/64), decidiu rever de ofício o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional relativa ao ano- calendário de 2020, para o fim de liberar a pendência que impediu o ingresso da empresa no Simples Nacional, somente em relação ao débito inscrito em dívida ativa da União, inscrição nº 91219018382-07, cujos fundamentos abaixo se transcreve: 5. Em relação ao débito inscrito em Dívida Ativa da União, Inscrição nº 9121901838207, conforme Despacho emitido pela Equipe REVFAZ/REVDEB 9ªRF, no processo nº 10136.871442/2019-70, foi concluído pela extinção do débito inscrito, de IRPJ, relativo ao 1º trimestre do ano-calendário 2015, com a respectiva baixa da inscrição em Dívida Ativa da União, devendo a pendência ser liberada no Simples Nacional, em relação a este débito. 6. Entretanto, em relação ao débito de CSLL, Período de Apuração 01/2015, conforme pesquisa ao Sistema DCTF, SIEF FISCEL, SIEF Documento de Arrecadação e SCC, constatou-se que, em que pese o contribuinte ter retificado a sua DCTF (processo nº 11516.720242/2020-81), os valores pagos em 30/04/2015, 29/05/2015 e 30/06/2015, não foram suficientes para liquidar o débito, tendo em vista que parte dos pagamentos foram utilizados para os PERDCOMPS nº 06734.78067.140915.1.3.04-6228, 37669.93021.140915.1.3.04- 4965 e 35352.87152.140915.1.3.04-8810, respectivamente, restando, portanto, saldo devedor para o débito citado. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.561 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.720338/2020-40 7. Assim, considerando que o contribuinte não regularizou a totalidade de suas pendências dentro do prazo estabelecido nos parágrafos 1º e 2º, inciso I, do art. 6º da Resolução do CGSN nº 94 de 2011, é cabível a revisão de ofício do Termo de Indeferimento de fl. 32 somente em relação ao débito inscrito em Dívida Ativa da União, Inscrição nº 9121901838207. A DRJ, por sua vez, julgou improcedente o pedido da empresa recorrente contido em sua impugnação (fl. 3), que intentava afastar o indeferimento de opção pelo SIMPLES NACIONAL (fl. 6) em decorrência de débitos tributários com exigibilidade não suspensa. Na fl. 19, consta relatório indicando existência de débito no “status”: “aguardando recebimento pela PGFN”, emitido em 13/02/2020. Face ao referido Acórdão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 61), requerendo a reconsideração do termo de indeferimento de opção pelo SIMPLES, considerando o valor “pequeno” e o fato de que o DARF teria sido pago (ainda que não tenha sido pago em janeiro). Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2.º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF n.º 329/2017, considerando-se tratar de análise quanto à inclusão da empresa no regime de tributação pelo Simples Nacional, desvinculada de exigência de crédito tributário ainda objeto de lide pendente de julgamento administrativo. Ainda, observo que o recurso é tempestivo (protocolado em 06 de novembro de 2020, fl. 78, face ao termo de ciência datado de 07 de outubro de 2020, fl. 77), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.561 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.720338/2020-40 Mérito Relativamente ao mérito, necessário indicar que remanesce como objeto de lide a identificação ou não do pagamento tempestivo do débito em cobrança já definitivamente constituído (exigibilidade não suspensa). Ocorre que a própria empresa contribuinte, na fl. 62, indica que somente quitou os débitos em 20/04/2020, data esta, portanto, posterior ao prazo legal para regularização em caso de interesse de opção pelo SIMPLES NACIONAL. Ademais, o argumento da recorrente no sentido de que o débito seria de “pequeno” valor não interfere na aplicação da norma, não sendo possível portanto a interpretação restritiva da norma, ao caso concreto, à luz do seguinte entendimento do STJ: Superior Tribunal de Justiça STJ - RECURSO ESPECIAL : REsp 1499898 RS 2014/0322668-2 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATUAÇÃO ADSTRITA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA OU RESTRITIVA NÃO PREVISTA EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. [...] 5. Em contrapartida ao princípio razoabilidade consagrado na instância de origem, "segundo o princípio da legalidade – art. 37, caput da Constituição Federal – a Administração está, em toda a sua atividade, adstrita aos ditames da lei, não podendo dar interpretação extensiva ou restritiva, se a norma assim não dispuser. Desta forma, a lei funciona como balizamento mínimo e máximo na atuação estatal"(REsp 603.010/PB, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ 8/11/2004). 6. É princípio de hermenêutica que não pode o intérprete excepcionar quando a lei não excepciona, sob pena de violar o dogma da separação dos Poderes. Logo, existindo prazos definidos em lei para o exercício de opção por parte do servidor pelo novo plano de carreira, não pode subsistir a interpretação dada pelos magistrados ordinários no sentido de que "os prazos ali fixados possuem finalidade meramente operacional e administrativa, não podendo servir para negar direitos ou causar prejuízos ao servidor" Nesses termos, considerando o entendimento supramencionado e a não regularização do débito no prazo legal, adoto, como razões de decidir aquelas já aduzidas pela DRJ, em especial, o artigo 6º, §2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 140, de 22/05/2018, que indica que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção (último dia útil do mês de janeiro), o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.561 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.720338/2020-40 Nesse sentido, não tendo sido verificada a regularização tempestiva do débito que deu ensejo ao indeferimento, o não provimento do Recurso Voluntário é medida que se impõe. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15165.723864/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE.
Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI).
Numero da decisão: 3401-009.353
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. Na importação por conta e ordem, é do real adquirente a legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS-Importação ou PIS/PASEP-Importação recolhidos por ocasião do registro da Declaração de Importação (DI). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.325, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 15165.721377/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ronaldo Souza Dias (Presidente), Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Gustavo Garcia Dias dos Santos e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos de PIS/COFINS incidentes na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços, supostamente recolhidos indevidamente ou a maior. Conforme o relatório da decisão de primeira instância trata-se de pedido de retificação de declaração de importação cumulado com pedido de restituição de crédito tributário referente à PIS/COFINS - importação, onde a empresa recorrente alega a inconstitucionalidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 38 64 /2 01 2- 30 Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.353 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.723864/2012-30 do art. 7.°, I, da Lei n.° 10.865/2004 e registra que há declaração de inconstitucionalidade desta norma legal pelo TRF da 4.a Região. Houve análise do pleito de retificação de DI e de restituição pela Delegacia da Receita Federal indeferindo a retificação e a restituição, bem como manifestação de inconformidade contra estas decisões. Cientificada a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o STF declarou a inconstitucionalidade na parte final do inciso primeiro do artigo 7° da Lei 10.865/2004, excluindo do aspecto quantitativo das contribuições securitárias o valor correspondente ao ICMS e das próprias contribuições devidas no mercado interno. Portanto, a decisão do STF caracteriza-se como questão prejudicial ao regular seguimento deste procedimento administrativo, devendo ser reconhecido e deferido o direito creditório ou, no mínimo, suspenso o trâmite até o trânsito em julgado do RE 559.937/RS. Alega também que o sujeito passivo das contribuições devidas na importação é o importador nos termos do art. 195, IV, da Constituição Federal, e artigo 5°, I, da Lei n° 10.865/04. Dessa forma, a Bluetrade ocupa o lugar de contribuinte de direito na operação de importação, posto que a importação é feita em seu nome. Junta julgado do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria e, por coerência, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao presente caso. Requer seja reformado o despacho decisório, deferindo-se o pedido de restituição e retificação”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do seu Acórdão, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada e manteve a decisão administrativa. A recorrente foi devidamente cientificada pelo recebimento da Intimação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cientificando a emissão da decisão recorrida. Não resignada com o deslinde desfavorável após o julgamento de primeira instância, a contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário, por meio do qual alega, em síntese, que: i. ingressou com pedido de restituição dos valores pagos à maior, em razão de que, quando da realização das importações, foi considerado para fins de base de cálculo da PIS/COFINS - importação, além do valor aduaneiro, o valor das próprias contribuições e o valor do ICMS nos termos do artigo 7, da Lei 10.865/2004, considerado inconstitucional; ii. teria direito ao deferimento integral de seu pedido de restituição, independentemente da modalidade de importação, porque existiria ilegalidade na cobrança em razão da mencionada inconstitucionalidade da base de cálculo da PIS/COFINS - importação prevista no referido art. 7°, sedimentada pelo STF no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.937, em março de 2013; iii. a Receita Federal teria emitido o Parecer Normativo Cosit/ RFB n° 1/2017 para regular a restituição dos valores recolhidos indevidamente, mas Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.353 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.723864/2012-30 haveria neste Parecer uma “nítida tentativa de restringir as restituições, ao impor óbice, que não encontra guarida na normativa constitucional, para a restituição dos valores pagos quando da importação por conta e ordem de terceiros”; iv. resta claro no do art. 5°, inciso I, da Lei n° 10.865/04 que o importador é o contribuinte do PIS-Importação e da COFINS-Importação, sujeito passivo da obrigação, quando da entrada dos bens em território nacional, de forma que, “por ser a importadora das mercadorias a Requerente faz jus ao pedido de restituição dos valores recolhidos a maior”; e v. o Superior Tribunal de Justiça já teria reconhecido que o importador tem direito à restituição dos valores pagos em decorrência da importação por conta e ordem, nos autos do Recurso Especial n° 1.528.035, e, em caminho inverso, o mesmo Superior Tribunal não reconheceria pleito do contribuinte de fato para solicitar ao poder público repetição de indébito, porque o contribuinte de fato não faria parte da relação jurídica-tributária e, “sendo assim, por coerência, se o contribuinte de fato não tem legitimidade para pleitear o indébito por não compor a relação jurídica, por obvio que o contribuinte de direito que compõe deve ter legitimidade para pleitear”. Nesses termos, “pugna, com o devido acatamento, pelo TOTAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO”. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Não há arguição de preliminares. Análise do mérito Como relatado, trata-se de questionamento da recorrente contra o indeferimento de Pedido de Restituição de PIS/PASEP-Importação que se alega ter sido recolhida a maior por ocasião do registro de três Declarações de Importação, por meio das quais a empresa teria formalmente figurado como importadora por conta e ordem de mercadorias a serem destinadas a terceiro adquirente, a saber: Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.353 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.723864/2012-30 Segundo a recorrente, o recolhimento a maior decorreria da inclusão indevida do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na base de cálculo da Contribuição, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Inicialmente cabe destacar que a questão da inconstitucionalidade de ICMS na base de cálculo da COFINS-Importação e do PIS/PASEP- Importação exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), RE n o 559.937/RS, já foi reconhecida pela Receita Federal (Parecer Normativo COSIT/RFB n o 1/2017), conforme ressalta a própria decisão recorrida, e não motivou o indeferimento do pedido formulado, como destaca o Despacho Decisório n o 25 /EAC-2/SEORT/DRFFNS/SC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis - SC (doc. fls. 209 a 212). O fundamento para a denegação da restituição vindicada pela recorrente foi o entendimento de que a Bluetrade Importação e Exportação Ltda. não seria parte legítima para requerer a compensação/restituição de diferenças do PIS e da Cofins pagas a maior em relação às Declarações de Importação objeto do pedido, visto que, na importação por conta e ordem de terceiros, somente o adquirente das mercadorias importadas revestiria a legitimidade necessária para pleitear o reconhecimento do direito creditório dos tributos pagos indevidamente ou a maior no registro da DI. Bem, há diversos julgados deste e. Conselho nos quais se manifesta o entendimento de que PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação não se constituem tributos que, por sua natureza, comportariam transferência do respectivo encargo financeiro e que o sujeito passivo das referidas contribuições não necessitaria comprovar à RFB que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente. Este tem sido o entendimento acolhido por esta c.Turma em julgados recentes. Nesses termos, penso que a importadora estaria legitimada a requerer a restituição do PIS/COFINS-Importação indevidamente recolhidos no registro da DI nas operações promovidas por conta própria. Não obstante, tal entendimento, a meu ver, não se aplica às operações promovidas por conta e ordem de terceiros. Como bem assentou a decisão administrativa que denegou a restituição, não se aplica à importação por conta e ordem o disposto no art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que, nesta modalidade de importação, não há repercussão de ônus financeiro pela natureza do tributo, mas em decorrência da relação contratual entre adquirente e importador, com gravame financeiro gerado pela operação suportado pelo primeiro (fls. 210 e ss.– destaques nossos): “Por sua vez, os procedimentos da Secretaria de Receita Federal do Brasil (RFB), inclusive os de reconhecimento do indébito tributário, se vinculam à decisão do STF em recurso extraordinário na sistemática do Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.353 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.723864/2012-30 art. 1.035 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015, (Código de processo Civil) – rito anteriormente disciplinado no art. 543-B da Lei n° 5.869/73, revogada –, a partir da manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), através de Nota Explicativa, em consonância com o disposto no art. 3° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 12 de fevereiro de 2014. O entendimento consta do Parecer Normativo Cosit/RFB n° 1, de 31 de março de 2017, que disciplina os procedimentos de reconhecimento de crédito passível de restituição, em razão da decisão proferida pelo STF no RE n° 559.937/RS. Segundo consta no referido Parecer, nos casos de importação por conta e ordem, o entendimento adotado pela RFB é o de que a legitimidade para o pedido de restituição é do adquirente, pois o importador atua apenas como um representante (prestador de serviços) perante o Fisco, por conta e ordem daquele, com recursos do adquirente. Logo, a conclusão é que o adquirente é quem de fato importa a mercadoria ou produto. O reconhecimento de que é o adquirente quem pode aproveitar os créditos provenientes do efetivo pagamento do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação no regime de apuração não cumulativa decorre do exposto nos art. 15 e 18 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004: (...) Por sua vez, não se aplica à importação por conta e ordem o disposto no art. 166 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que é voltado à restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro a terceiro. Na importação por conta e ordem não há repercussão de ônus financeiro, pela própria natureza do tributo, ao importador. Há uma relação contratual entre adquirente (encomendante) e importador (prestador de serviço), com gravame financeiro, gerado pela operação, suportado pelo primeiro. Nesse sentido, o Parecer Cosit n° 47, de 17 de novembro de 2003, dispõe que o art. 166 do CTN não buscou regular a restituição dos tributos objeto dessas transferências “voluntárias” de encargo financeiro, mas sim a restituição daqueles tributos que, em razão de sua natureza jurídica (base de cálculo e/ou fato gerador fixado na lei tributária que instituiu o tributo), comportam uma natural transferência de seu encargo financeiro do sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte de direito) a terceira pessoa (contribuinte de fato)”. O mesmo entendimento também foi adotado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção no Acórdão n o 3301-008.485, de interesse da mesma recorrente (grifei): “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/08/2012COFINS- IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. ADQUIRENTE CONTRATANTE. A legitimidade para pleitear restituição de valor pago a maior ou indevidamente, a título de COFINS Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.353 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.723864/2012-30 IMPORTAÇÃO, em caso de importação por conta e ordem, é do real adquirente que, por força de contrato, é o mandante da importação, aquele que efetivamente assume os custos da importação, embora o faça através de uma interposta pessoa.” (Acórdão n o 3301-008.485, de 26 de agosto de 2020 – Conselheiro Ari Vendramini) Ademais, ainda que se entenda que o importador possa deter legitimidade para pleitear restituição de PIS/COFINS – Importação em operações de importação por conta e ordem de terceiros, como sustenta a recorrente, penso que a possibilidade de tomada de créditos da não-cumulatividade pelo adquirente/encomendante inviabilizaria o pedido de restituição feito pelo importador, sob pena de duplicidade de utilização do valor a ser repetido. Cabe lembrar o teor do art. 18 da Lei n o 10.865/2004, que expressamente estabelece que, na importação por conta e ordem de terceiros, os créditos de PIS/COFINS-Importação são aproveitados pelo adquirente. Esse é o entendimento assentado no acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no AgRg no REsp 1.573.681/SC, nos termos da ementa abaixo transcrita (grifei): “AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.573.681 SC (2015/03130146) EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 211 DO STJ. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO PELO IMPORTADOR. PIS/COFINS- IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 18 DA LEI Nº 10.865/04. LIMITES SUBJETIVOS DO PROVIMENTO MANDAMENTAL. REVOLVIMENTO DO TÍTULO EXECUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. AÇÃO AUTÔNOMA. REVISÃO DO QUANTUM . INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. 1. Os arts. 244, 741, III, 474, 566 e 568 do CPC; 5º e 6º Lei nº 10.865/04; 119, 121, 123, 124, 127, 166 e 165 do CTN; e 6º da Lei nº 12.016/09, e as teses a eles relativas, não foram objeto de juízo de valor pelo tribunal de origem, o que impossibilita o conhecimento do recurso especial em relação a eles por ausência de prequestionamento. Incide, no ponto, o teor da Súmula nº 211 do STJ. 2. O art. 18 da Lei nº 10.865/04 dispõe que os créditos de que tratam os arts. 15 e 17 da referida lei serão aproveitados pelo encomendante. Nesse sentido, não é possível ao importador que realizou a operação por conta e ordem do terceiro repetir o indébito do tributo pago a maior, até porque os créditos já podem ter sido Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.353 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15165.723864/2012-30 utilizados pelo terceiro encomendante e, assim, não poderiam ser restituído ao importador sob pena de dupla repetição. O título judicial exeqüendo não poderia se referir às importações realizados por conta e ordem de terceiros, mas tão somente às operações realizadas pela própria empresa importadora. [...] 6. Agravo regimental não provido”. Nesse sentido, não vejo fundamentos para reformar da decisão administrativa ou do Acórdão recorrido. À vista de todo o exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.911544/2017-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do fato gerador: 28/02/2009
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem
pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício
pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando
presentes os seus requisitos.
Numero da decisão: 3302-007.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 15 44 /2 01 7- 41 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.436 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911544/2017-41 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) transmitido eletronciamente, referente a PIS indevidamente recolhida. A Derat São Paulo indeferiu o pedido por meio do despacho decisório, com o seguinte fundamento: “o crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição.” Cientificada dos lançamentos, a contribuinte, tempestivamente, apresentou sua defesa, para afirmar que após a transmissão do PER, teria transmitido a Declaração de Compensação identificada, com base no mesmo pagamento indevido. Alegou que teria retificado a DCTF posteriormente à transmissão do PER, evidenciando o pagamento a maior. Na conclusão, o contribuinte solicitou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos, a reforma o despacho decisório, de forma a afastar o indeferimento da restituição, e a juntada de novos documentos. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sustentando, preliminarmente, que não haveria que se falar em suspensão de exigibilidade de crédito, já que não há débitos passíveis de cobrança. Também afastou a possibilidade de juntada posterior de documentos. Na decisão, foi observado que o valor total requerido no PER ora analisado havia sido solicitado através de Declaração de Compensação, não restando saldo passível de restituição. Registrou ainda que não caberia rediscutir o mérito do direito creditório nesses autos, posto que tal análise teria ocorrido em outro processo administrativo, referente a Dcomp, devidamente identificados. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alega que o Pedido de Compensação referido na decisão da DRJ, que teria utilizado o crédito pleiteado, perdeu seu objeto, uma vez que os débitos correspondentes foram incluídos no Refis. Sustenta que aquela Dcomp não foi efetivamente homologada. Assim sendo, o direito ao ressarcimento remanesceria. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.436 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911544/2017-41 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.425, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.911543/2017-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.425): O Recurso Voluntário foi juntado aos autos em 21/03/2018, depois da ciência ocorrida em 23/02/2018, portanto a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. I – Mérito: Infere-se do presente processo que o contribuinte pode até ter razão quando expressa o seu inconformismo contra o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação dele objeto, por ter comprovado que o pedido de compensação no qual a Delegacia disse que estava incluído, entre outros valores, o indébito em questão, não produziu os efeitos a que se destinava, ou seja, a utilização do indébito. Todavia, como o motivo determinante da negativa do pedido de compensação invocado, se deu pela mesma razão, ou seja, porque os valores respectivos já haviam sido alvo de aproveitamento, através de um terceiro pedido de compensação, da mesma forma, improvado o direito à compensação. Não se trata de inversão do ônus da prova, mas do ônus original. Quem pleiteia a restituição de indébito tributário deve provar (a) que efetuou o pagamento: o contribuinte comprovou; (b) que o pagamento foi indevido, o contribuinte provou. Mas também está sujeito à comprovação de que não havia feito compensação anterior. Este último requisito não ficou comprovado nos autos. O contribuinte até conseguiu comprovar que o aproveitamento através do PER/DECON 32882.55549.251109.1.3.04-0809 foi anulado com a sua não homologação e com o subsequente pedido de parcelamento. Só que a não homologação do citado evento se deu praticamente pelo mesmo motivo: ou seja, os valores pretendidos já haviam sido compensados. Restou, pois, comprovar que, no primeiro Pedido de Compensação, não estava incluído valor de R$ 241.893,33. Destarte, apesar de tudo, mesmo que não seja porque o valor cuja compensação pretendida no presente processo tenha como base um pagamento indevido (disto parece não pairar dúvida), a verdade é que o desenlace envolve o exame, a um só tempo, de três pedidos de compensação, todos envolvendo pagamentos indevidos, parte dos quais é o indébito de que cuidam os presentes os autos. O contribuinte conseguiu se desincumbir de provar que o II Pedido de Compensação foi anulado, mas não produziu prova de que, no I, não estivesse, igualmente, inserido o valor a repetir. II - Da matéria de ordem pública: Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratar-se de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.436 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911544/2017-41 consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade. Consta que a declaração de compensação foi entregue no dia 16.10.2009. A decisão que declarou não compensável o referido indébito fiscal foi proferida em 05/04/2017 e a ciência se deu em 13/04/2017. Em consequência tornou-se definitiva, por homologação tácita, a compensação levada a cabo pela empresa contribuinte. Assim sendo, embora o argumento não tenha sido deduzido pela contribuinte, na duas fazes em que interveio nos autos (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), em obediência ao disposto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 entendo homologada tacitamente a referida compensação, e, em razão disto, tornou-se definitiva. Os acórdãos: 3003-000.068 e 3003-000.196 revelam a existência de precedentes, no sentido de que a decadência e a prescrição, por serem matérias de ordem pública, podem ser reconhecidas de ofício, a qualquer tempo, pelas autoridades julgadoras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por setratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05.APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL-COFINS Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. (Acórdão nº 3003-000.068). (grifou-se) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.436 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911544/2017-41 Por se tratar de matéria de ordem pública, a prescrição pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 11. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de apreciação de recurso, uma vez que, nesse caso, a exigibilidade do crédito está suspensa ex vi do art. 151, III, do CTN. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. AUTO COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS NORMATIVOS. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito, reconhecido por decisão judicial, exigia a apresentação de pedido instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal, com a consequente cobrança dos débitos indevidamente compensados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1997 PIS/PASEP. AUDITORIA EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. Recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, assim como a realização do encontro de contas consistente da compensação. Não há como ser afastada a autuação quando não restou comprovada, por meio da escrita fiscal, a compensação alegada. (Acórdão nº e 3003-000.196). (grifou-se) A hipótese é de decadência, uma vez que versa sobre homologação de compensação efetuada pela contribuinte, que a autoridade fiscal podia revisar no prazo de 5 (anos), findo o qual torna-se definitiva a extinção ocorrida sob condição resolutória. O dispositivo em comento tem o seguinte teor: “5 o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Pelos motivos acima, meu voto é pelo conhecimento e provimento do Recurso. É como voto. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.436 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911544/2017-41 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13706.005709/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO.
São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários, além de verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego.
Numero da decisão: 2401-009.811
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários, além de verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 25/28, ano-calendário 2004, que apurou imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista no valor de R$ 91.602,25. Foi compensado o IRRF no valor de R$ 2.748,06. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 57 09 /2 00 8- 61 Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.811 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.005709/2008-61 Em impugnação apresentada às fls. 3/11, a contribuinte alega que as verbas recebidas são indenizatórias, que a CEF agiu em desacordo com o Alvará de levantamento e reteve imposto de renda na fonte, esta retenção indevida acarretou erro material na declaração de rendimentos (o rendimento foi classificado como tributável, quando é isento). A DRJ/RJ2, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 13-40.137 de fls. 59/64, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VERBA DE REPRESENTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários, além de verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego. Inexistindo lei concedendo isenção, os valores recebidos a título de verba de representação devem ser ofertados à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 24/2/14 (Aviso de Recebimento – AR de fl. 70), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/3/14, fls. 74/83, que contém, em síntese: Afirma estar amparada por decisão judicial que a isentara da obrigação de pagar imposto de renda sobre verbas recebidas naquela demanda. Apresenta decisão do STF no sentido de que o órgão julgador prolator do título judicial é competente para decidir sobre a incidência, ou não, do imposto de renda. Alega que na decisão judicial proferida pelo Juízo da 16ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro restou decidido que não haveria a incidência de imposto de renda sobre o montante que fosse recebido pela recorrente em decorrência daquela demanda. Acrescenta que nos Alvarás de Levantamento expedidos no feito judicial (fls. 20/23) não havia qualquer determinação de retenção de imposto de renda pela fonte pagadora. Aduz que a CEF agiu em desacordo com a decisão judicial, retendo o imposto de renda sobre o total levantado, conforme guia de recolhimento. Reafirma que as verbas a serem recebidas pela recorrente em decorrência daquele processo teriam caráter indenizatório, não sujeitas ao imposto de renda, não havendo brecha para entendimento diverso. Entende que na decisão judicial não foi feita qualquer distinção quando à natureza das verbas recebidas pela recorrente, de moto que todas teriam caráter indenizatório, independentemente de se tratar de verba de representação ou sobre revisão salarial. Diz que a decisão recorrida partiu de especulação e julgou com base em presunção. Cita trecho do acórdão no qual consta “É possível, portanto, que tal verba tenha sido integralmente paga através do Alvará do ano de 2000, por exemplo [...]”. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.811 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.005709/2008-61 Argumenta que não poderia produzir prova negativa. Ademais esta não é necessária, vez que o próprio texto da decisão judicial classificou as verbas pagas como indenizatórias. Alega que agiu de forma transparente ao prestar informações ao fisco e considerou estar amparada por decisão judicial, transitada em julgado, que a exonerava da tributação do imposto de renda sobre as verbas indenizatórias que recebeu por meio de processo judicial. Requer seja anulado o auto de infração. Eventualmente, se mantida a exigência, requer seja afastada a multa de ofício, por não ter havido omissão de receita. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Insiste o recorrente na tese de que os valores recebidos têm caráter indenizatório. Colaciona-se aqui a análise efetuada no voto do acórdão recorrido: Para comprovar o alegado na impugnação, a Interessada apresenta exclusivamente os seguintes documentos: I) decisão interlocutória de fls. 16/19 da 1ª Instância da Justiça Federal nos autos do processo n.º 91.01351192, datada de 29/07/1994; II) Alvará de Levantamento datado do ano de 2000, apontando uma parcela de R$ 618.165,22 em favor da Interessada (fls. 20/21); III) Alvará de Levantamento em nome da Interessada, de 06/05/2004, no valor de R$ 90.443,09, com a indicação pelo Juiz Federal que assina o documento de que “havendo recolhimento de Imposto de Renda a ser pago na fonte, o recolhimento é automático mediante DARF que acompanha o alvará” (fl. 22); IV) Guia de Retenção do IRRF, emitido pela Justiça Federal, no valor de R$ 2.748,06, recolhido em 20/05/2004 (fl. 23). A decisão interlocutória de fls. 16/19 revela que a execução em questão proposta em face da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trata de dois pontos: I) verba de representação; e II) revisão no índice de 46% aplicado em face de revisão do quadro de salários da CVM. Está claro, portanto, que o montante total recebido pela Interessada em decorrência desta Execução não se limita a verbas supostamente indenizatórias, mas inclui também revisão salarial, que tem natureza incontroversa de rendimento tributável. A Interessada argumenta em sua impugnação que a decisão interlocutória de fls. 16/19 vedou o desconto de Imposto de Renda por se tratar de verbas de caráter indenizatório. Entretanto, a leitura desta decisão induz que o Juízo estava se referindo exclusivamente às verbas de representação, e não à revisão salarial também discutida e paga através da aludida Execução. Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.811 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.005709/2008-61 A Interessada não apresentou documentos processuais que comprovem que o montante residual recebido no ano-calendário 2004 é totalmente ou em parte relativo a tais verbas de representação. É possível, portanto, que tal verba tenha sido integralmente paga através do Alvará do ano de 2000 (fls. 20/21), por exemplo. Ressalte-se que, por ordem do próprio Juízo no Alvará de fl. 22, houve efetivamente retenção de IRRF em relação ao valor recebido em 2004, que encontra-se em lide no presente julgamento. Deve ser registrado, ainda, que a citada Execução não tem por objeto julgar o mérito da natureza tributária do rendimento recebido pela Interessada. A referida decisão de não descontar Imposto de Renda de uma parcela não comprovada do montante total devido se trata de uma mera decisão interlocutória datada de 1994 (dez anos antes do recebimento do rendimento em questão), efetuada com base em um questionamento incidental levantado pela CVM, e não pela própria Interessada. O Ato Declaratório Normativo n.° 3/1996, do Coordenador-Geral do sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, declara que: “a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.);” (grifou-se) A leitura do Ato Declaratório Normativo acima transcrito revela que a Execução n.º 91.01351192 não se enquadra na hipótese de renúncia às instâncias administrativas, pois: a) o referido processo judicial não tem por objeto a natureza jurídica do rendimento recebido; e b) a questão incidental da retenção do Imposto de Renda não foi levantada pela contribuinte, mas sim pela CVM. Portanto, conclui-se que o mérito sobre a natureza tributável do rendimento recebido pela Interessada no ano de 2004 decorrente da Execução n.º 91.01351192 deve ser analisado nesta instância administrativa, uma vez que não foi objeto específico de ação judicial por qualquer modalidade processual, apenas de forma incidental por pessoa distinta da Interessada sobre parte do montante total. Passando ao mérito da natureza tributável do rendimento auferido através do Alvará de Levantamento de 06/05/2004 (fl. 22), é improcedente a impugnação da Interessada. Conforme afirmado anteriormente neste voto, não está comprovado que o valor residual recebido em 2004 pela Interessada se refere exclusivamente à chamada “verba de representação”, pois a referida Execução também abrangia correção no índice de 46% aplicado em face de revisão do quadro de salários da CVM. Cabe ressaltar que grande parte do valor total recebido com base neste processo judicial foi pago por Alvará de Levantamento no ano de 2000. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999) assim dispõe sobre rendimentos considerados tributáveis: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: I - salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; (...) X - verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego;” (grifou-se) Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.811 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.005709/2008-61 Como se vê, são tributáveis quaisquer proventos ou vantagens, seja de natureza salarial ou a título de verba de representação (nome descrito pela decisão interlocutória de fls. 16/19). A lista contida no artigo acima não é exaustiva, mas sim exemplificativa. Para que um rendimento seja considerado isento é necessário que exista norma explícita isentando-o, nos termos do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966): “Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.” (grifou-se) No caso do tributo em questão, as verbas isentas constam no artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, e, da leitura desses dispositivos, constata-se que a verba recebida pela Interessada não consta em nenhum dos incisos. Afora as hipóteses ali previstas, quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de indenizações, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts. 111 e 176 do CTN. (grifo nosso) Conforme suficientemente tratado no acórdão recorrido, acima transcrito, as verbas que se apresentam (decorrente de diferença salarial e para representação) possuem caráter remuneratório e não são isentas do imposto de renda. Eventual dispensa do pagamento de imposto de renda sobre tais verbas somente seria acatada pela RFB se decorrente de decisão judicial. A decisão judicial juntada aos autos é uma decisão interlocutória sobre o laudo pericial, na fase de liquidação da sentença. Não foi apresentada a decisão proferida no processo de conhecimento. No item 8 de referida decisão judicial (fls. 16/19), verifica-se a afirmação de que “Quanto ao IR, não incide sobre verbas de caráter indenizatório, como é sabido”. Entretanto, da leitura de tal frase, não é possível afirmar se foi atribuído caráter indenizatório a todas as verbas tratadas no processo de conhecimento, ou para parte delas ou ainda, se para a totalidade delas. Aparentemente, partindo do pressuposto de que o juízo não faria tal afirmação na decisão se não fosse o caso dos autos, pode-se dizer que para pelo menos parte das parcelas foi atribuído caráter indenizatório, como inferiu o relator do acórdão recorrido. Tal fato poderia ser comprovado pela recorrente, se tivesse juntado aos autos a decisão proferida no processo de conhecimento que deu origem à liquidação de sentença citada. Portanto, não há que se falar em produção de prova negativa. No mesmo item 8 da referida decisão judicial, no parágrafo seguinte, ao tratar da contribuição para o INSS, a decisão determina que “[...] deve, anteriormente à pretendida dedução, ser apurado se as contribuições já descontadas sobre os salários e vencimentos dos autores não atingiu o limite máximo permitido”. Ora, em se tratando de verba remuneratória, sobre a qual poderia incidir contribuição social previdenciária (a menos que o contribuinte já tivesse feito a contribuição sobre o teto do salário de contribuição), dificilmente ela seria considerada indenizatória para fins de imposto de renda. Na verdade, o que se verifica é que muitas verbas que não são base de Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.811 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13706.005709/2008-61 incidência de contribuição previdenciária, ainda assim, são para fins de imposto de renda, como, por exemplo, a bolsa estágio ou de pós graduação. A afirmação de referido parágrafo leva a crer que pelo menos parte dos valores recebidos não foram considerados verbas indenizatórias. O Alvará de levantamento do valor pago em 2004 (parcela residual), fl. 22, faz menção expressa ao DARF que acompanha o Alvará, indicando a necessidade de recolhimento de Imposto de Renda retido na fonte, apontando que os valores pagos em 2004 não se referem a verbas com caráter indenizatório. Também não restou comprovado nos autos a que se refere esse valor residual recebido em 2004, já que grande parte dos valores referentes à ação judicial em questão foram recebidos em 2000. Desta forma, sem os dados referentes ao processo de conhecimento que levou à liquidação de sentença, para a qual o contribuinte apenas juntou aos autos a decisão interlocutória, não é possível formar convicção de que todos os valores recebidos são verbas indenizatórias. Pelo contrário, diante do acima exposto, infere-se que pelo menos parte dos valores recebidos não são verbas indenizatórias, especialmente os valores recebidos em 2004, para os quais o próprio Juízo determinou o recolhimento de imposto de renda na fonte. O recorrente se apega a uma frase da decisão interlocutória para defender seu alegado direito, mas não juntou aos autos os elementos essenciais, especialmente a decisão proferida no processo de conhecimento, que poderia respaldar suas alegações. Uma vez considerados os rendimentos como tributáveis, verifica-se a efetiva omissão dos rendimentos na DIRPF, estando correto o lançamento efetuado, acrescido de multa de ofício, não cabendo sua exclusão, como pede o recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726584/2019-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2020
EXCLUSÃO DO REGIME DO SIMPLES NACIONAL - EXISTÊNCIA DE DÉBITOS
A existência de débitos para com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS ou para com as Fazendas Públicas - Federal, Estadual ou Municipal, cuja a exigibilidade não esteja suspensa, é hipótese de exclusão do regime do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 07-47.027 da 6ª Turma da DRJ/FNS que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade (MI), apresentada, pela ora recorrente, contra o Termo de Exclusão (fl. 27), devido à existência de débitos para com a Fazenda Pública, cuja exigibilidade não estava suspensa. Em sua Manifestação de Inconformidade (MI), a ora recorrente alega ter liquidado o débito, relativo ao mês de competência 02/2019, em 30/07/2019. A DRJ baseia a sua decisão no fato de a ora recorrente não ter regularizado os débitos no prazo regulamentar: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 65 84 /2 01 9- 08 Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.505 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.726584/2019-08 No presente caso, constata-se que os débitos de divergência GFIP x GPS somente foram recolhidos em 24/12/2019, conforme despacho da Autoridade Preparadora de f. 34 e documentos de fls. 31 e 33 (períodos de apuração de 02/2019 e 09/2018, respectivamente). Assim, conclui-se que os débitos que motivaram a emissão do Termo de Exclusão não foram regularizados dentro do prazo legal concedido, qual seja o dia 31/10/2019. Cientificada em 24/07/2020 (fl.60), a recorrente apresentou o Recurso Voluntário (RV) em 11/08/2020 (fl. 41). Em seu RV, a recorrente afirma ter efetuado os recolhimentos em atraso, anexa Certidão Negativa e consulta, em 11/08/2020, demonstrando que estava enquadrada no regime do Simples. Requer que a exclusão seja revista face à situação de pandemia em que o país se encontra, cita notícia da Agência Brasil (fl.59) onde informa que a Receita Federal não excluiria as empresas inadimplentes do Simples Nacional, no ano de 2020 É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, por força da Portaria 543/2020, em vigor na ocasião, que suspendeu os prazos, para a prática de atos processuais, inicialmente, até 29 de maio de 2020, prorrogado, sucessivamente, para 31/08/2020, e como atende aos demais requisitos, determinados pelo Decreto 70.235/72, dele eu conheço. Inicialmente, cabe repisar que o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar – LC 123/2006, dispõe que: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte: V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; O parágrafo 2º, ao artigo 31, da LC 123/2006, dispõe que: §2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Verifica-se nos autos que a interessada foi devidamente cientificada em 01/10/2019, portanto, deveria ter regularizado a totalidade dos débitos até 31/10/2019. Verifica-se que os débitos somente foram recolhidos em 24/12/2019 (fl.34), bem depois do prazo legal. Quanto à alegação de que a Receita Federal não excluiria. do Regime do Simples, as empresas inadimples, no ano-calendário de 2020, ressalto que a exclusão da recorrente deu-se no ano de 2019, com efeitos a partir do ano-calendário de 2020, portanto, ainda que fosse o caso, tal regra não seria aplicável. Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.505 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.726584/2019-08 Assim, nego provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001342/2005-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. MULTA NO ATRASO DE ENTREGA DE DCTF. FALHA NO SISTEMA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. USO DE VIA POSTAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA DOS PARADIGMAS APRESENTADOS. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o Recurso Especial que apresenta como Acórdãos paradigmas decisões baseadas em arcabouçou fático, relevante para a matéria questionada, diverso daquele que se revela nos autos.
Numero da decisão: 9101-005.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob - Presidente. (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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CONHECIMENTO. MULTA NO ATRASO DE ENTREGA DE DCTF. FALHA NO SISTEMA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. USO DE VIA POSTAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA DOS PARADIGMAS APRESENTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial que apresenta como Acórdãos paradigmas decisões baseadas em arcabouçou fático, relevante para a matéria questionada, diverso daquele que se revela nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob - Presidente. (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 13 42 /2 00 5- 12 Fl. 383DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.697 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13603.001342/2005-12 Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 327 a 336) interposto pela Fazenda Nacional em face do v. Acórdão nº 3201-00.086 (fls. 318 a 324), proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste E. CARF, em sessão de 27 de março de 2009, que deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, cancelando a penalidade imposta à Contribuinte. Confira-se: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF - DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ENTREGA POR VIA POSTAL. Demonstrado que a entrega da declaração DCTF, deixou de ocorrer pelo único meio aceito pela legislação, por culpa exclusiva da administração, e não havendo a previsão expressa de meio alternativo, é aplicável à espécie, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos para entrega de documentos à RFB, dentre os quais, a via postal. Recurso Voluntário Provido. Em resumo, a contenda tem como objeto Autuação, impondo à Contribuinte multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do ano-calendário de 2004. Alega-se e demonstra-se que, na data de vencimento da entrega da referida obrigação acessória, os sistemas da Receita Federal do Brasil apresentavam falhas, tendo a Contribuinte postado a declaração em questão, por via postal, ainda no último dia do prazo legal. Rejeitada pelo Fisco a recepção de tal documento por tal meio alternativo, a Contribuinte ainda transmitiu eletronicamente a DCTF, mas com atraso. A seguir, para um maior aprofundamento, adota-se trecho do relatório do v. Acórdão de Recurso Voluntário, ora recorrido: (...) Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl. 22, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do ano-calendário de 2004, no valor de R$ 5.986,19. Como enquadramento legal foram citados: S 30 do art. 113 e art. 160 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN); art. 2ª e 6º da Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n. o 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decreto-lei n. o 2.124, de 13 de junho de 1984; art. r da Lei n. o 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência do lançamento se deu em 27/06/2005 (AR, fi. 33). Fl. 384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.697 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13603.001342/2005-12 Em 27/07/2007, foi apresentada a impugnação de fls. 1 a 5. Nela, alega-se que: - a DCTF foi entregue no prazo: - não foi possível transmitir a DCTF pela internet, em virtude de nenhum dos servidores da Receita Federal ter respondido ao pedido de conexão da impugnante; - em vista disso, visando ao cumprimento da obrigação no prazo previsto, a contribuinte encaminhou, por via postal, no dia 15/02/2004, o disquete contendo os arquivos da DCTF; - a hipótese de incidência da multa de que trata o art. r da Lei nº 10.426, de 2002, é a falta ou atraso na entrega da DCTF; - referida hipótese não se verifica no presente caso, já que a declaração foi comprovadamente encaminhada, dentro do prazo legal; - a autoridade competente, apesar de confessar seu recebimento, preferiu devolvê-la à impugnante; A contribuinte está livre da responsabilidade pela infração imputada, em razão de denúncia espontânea, conforme previsto no art. 138 do CTN; - a apresentação espontânea da DCTF via Internet se deu no dia 31/03/2005, antes, portanto, de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização pelo fisco, não se aplicando ao caso a exceção prevista no parágrafo único do dispositivo supra citado; -em abono de sua tese a impugnante invoca decisão do Conselho de Contribuintes e jurisprudência. A DRJ-Belo Horizonte/MG julgou procedente o lançamento fiscal (fls.40/43), nos termos da ementa transcrita adiante: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF. ENTREGA POR VIA POSTAL. A remessa, por via postal, de CD contendo DCTF não caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado, repisando os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória (fls.46/59). Pede, ao final, a improcedência do lançamento tributário. É o relatório. Como visto, a DRJ negou provimento à Impugnação da Contribuinte, entendendo ser devida a aplicação multa combatida, independentemente da sua conduta, em face das falhas de sistema eletrônico para recepção de dados. Inconformada, a ora Recorrida apresentou Recurso Voluntário a este E. CARF, reiterando seus argumentos. Fl. 385DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.697 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13603.001342/2005-12 Quando do julgamento de tal primeiro Apelo, entendeu a C. Turma Ordinária a quo, por unanimidade de votos, que era incabível a penalização da Contribuinte, cancelando a sanção por atraso na entrega da DCTF. Ao seu turno, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional não apresentou Embargos de Declaração, interpondo diretamente o Recurso Especial sob apreço, demonstrando a suposta existência de dissídio jurisprudencial, trazendo decisão deste E. CARF em que fora mantida a aplicação da mesma penalidade, mesmo quando demonstrado que os sistemas da Receita Federal do Brasil para recepção de dados estava fora do ar, pugnando que esta deveria ter sido essa a solução adotada pelo C. Colegiado a quo. Processado, o Recurso Especial da Fazenda Nacional teve seu prosseguimento determinado, através do r. Despacho de Admissibilidade de fls. 342 e 343, concluindo que verifica-se que ante as mesmas circunstâncias fáticas, foram obtidas decisões diametralmente opostas. No decisum paradigma, optou-se por manter a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, enquanto que no acórdão combatido decidiu-se afastar a aplicação da multa por considerar a ocorrência de culpa exclusiva da administração. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 376 a 379), defendendo a manutenção do v. Acórdão recorrido. Em seguida, o processo foi sorteado para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.697 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13603.001342/2005-12 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, Relator. Admissibilidade Reitera-se a tempestividade do Recurso Especial da Contribuinte, conforme atestado anteriormente no r. Despacho de Admissibilidade. Considerando a data de sua interposição, como igualmente antes já registrado, seu cabimento estava sujeito à hipótese regida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Conforme relatado, a Contribuinte, em suas Contrarrazões, não se insurge propriamente sobre o conhecimento. Contudo, verificando o v. Acórdão recorrido em confronto com o v. Acórdão trazido nº 302-38.631, como paradigma, entende-se ser cabível, aqui, uma análise mais aprofundada. Em suma, no v. Acórdão nº 3201-00.086, agora sob questionamento, ao julgar procedente o Recurso Voluntário da ora Recorrida, considerou não só que os sistemas da Receita Federal do Brasil para recepção de dados apresentavam problemas, mas também a conduta da Contribuinte diante de tal adversidade, incluindo o envio da DCTF por disquete, via postal. Confira-se: A DCTF em questão é referente ao 4° trimestre de 2004, e tinha como prazo final de entrega a data de 15/02/2005, tendo sido apresentada, entretanto, somente em maio de 2005. Alega a contribuinte que, no dia fatal para entrega da referida DCTF, qual seja, dia 15/02/2005, o sistema do SERPRO encontrava-se em pane, o que não permitiu a transmissão de dados, via internet, para entrega da Declaração. Diante disso, e por orientação verbal dos funcionários da Receita Federal, gravou os dados em meio magnético e encaminhou a DCTF via postal, mediante aviso de recebimento - AR, naquela mesma data (15/02/2005), conforme fazem prova as cópias juntadas às fls. 24/25. Informa que somente dois meses depois após a ocorrência dos problemas técnicos assinalados, a SRF editou o Ato Declaratório Executivo n°.24, de 08/04/2005, determinando que as DCTF entregues nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005 seriam consideradas entregues no dia 15 de fevereiro daquele ano. Por abordar matéria idêntica, entendo aplicável ao caso vertente o voto de lavra do i. Conselheiro desta Turma CELSO LOPES PEREIRA NETO, proferido nos autos do processo n°. 13683.000186/2005-20, Acórdão n°. 303- 35.385, o qual adoto como razões de decidir e abaixo transcrevo: Fl. 387DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.697 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13603.001342/2005-12 (...) Diante do exposto e considerando que: 1- a entrega, via internet, da declaração DCTF, deixou de ocorrer no dia 15/02/2005, por culpa exclusiva da administração, que não viabilizou o único meio de entrega previsto na legislação; 2- a legislação não previa meio alternativo para esta entrega, sendo aplicável, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos de entrega de documentos à SRF, entre os quais a via postal; 3. restou comprovado o envio da declaração, por via postal, na data limite para a entrega, qual seja, 15/02/2005; julgo que a recorrente cumpriu com sua obrigação de apresentar a DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, na data prevista na legislação, e que é incabível a multa aplicada. (destacamos) Como se observa do teor decisório do v. Acórdão recorrido acima transcrito, a conduta da Contribuinte de postar sua DCTF, em 15/02/2005, foi fundamental para a conclusão de que a recorrente cumpriu com sua obrigação de apresentar a DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, na data prevista na legislação. Noutro giro, o v. Acórdão nº 302-38.631, trazido como singular paradigma para o tema recursal, enfrentou circunstâncias em que a única conduta apurada daquele outro contribuinte foi a transmissão atrasada, em 3 (três) semandas, inclusive. Confira-se: Como bem destacou o julgador de primeira instância, o atraso na entrega da DCTF superou os três dias de prorrogação do prazo legal, concedidos pela Receita Federal em razão dos problemas técnicos em seu site, somente vindo a ser entregue cerca de três semanas após o prazo legal (fl. 20, in fine). Ademais, não há qualquer prova nos autos de que tenha havido obstrução à entrega da DCTF, decorrente da indicação por um serventuário, o que teria provocado o grande atraso no procedimento a ser seguido pela contribuinte naquela situação. Acresça-se a esse fato que se houve a convalidação pela Receita Federal das declarações enviadas nos três dias subseqüentes, prova-se que outros contribuintes que sofreram o mesmo imprevisto conseguiram enviar suas declarações sem problemas, e que o mesmo poderia ter sido feito pela Interessada. Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, mantendo a penalidade aplicada. Fica claro que nesse caso não houve qualquer tentativa do contribuinte em atender o prazo de entrega da Declaração, ainda que por outro meio. Conforme mencionado, a única conduta lá registrada foi a transmissão atrasada, com lapso de semanas. Fl. 388DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.697 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13603.001342/2005-12 Confrontando ambos os r. Julgados, sem margens para dúvidas, conclui-se que não existe a similitude fática necessária para configurar a hipótese regimental de cabimento do Apelo Especial, na medida em que a ocorrência considerada fundamental para o cancelamento da multa no presente caso, apontado como motivo central do ratio decidendi, não foi verificada no v. Acórdão paradigma. A análise de admissibilidade e conhecimento do Recurso Especial, seja manejado pelo contribuinte ou pela Fazenda Nacional, é tema objetivo, de pertinência processual e regimental – independentemente da correção ou improcedência do r decisum combatido. Posto isso, entende-se que os v. Acórdão acatado previamente como paradigma não satisfaz a hipótese do art. 67 do Anexo II, do RICARF para o conhecimento do Recurso Especial. Desse modo, o Apelo não pode ser conhecido e julgado. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 389DF CARF MF Documento nato-digital
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