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Numero do processo: 10980.008019/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
Atribuem-se efeitos infringentes aos embargos de declaração quanto o se julgamento acarretar em alteração no resultado do julgamento originário.
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
Prescreve a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 2202-004.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, atribuindo-lhes efeitos infringentes para, sanando a contradição apontada no acórdão embargado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive, e nas competências anteriores a essa, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Atribuemse efeitos infringentes aos embargos de declaração quanto o se julgamento acarretar em alteração no resultado do julgamento originário. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. Prescreve a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, atribuindolhes efeitos infringentes para, sanando a contradição apontada no acórdão embargado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive, e nas competências anteriores a essa, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 80 19 /2 00 7- 46 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10980.008019/200746 Acórdão n.º 2202004.961 S2C2T2 Fl. 244 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interposto nos autos do processo nº 10980.008019/200746, em face do acórdão nº 2302002.049, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 16 de agosto de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos alegando contradição entre o dispositivo legal apresentado na conclusão do voto do acórdão e daquele no resultado do julgamento, visando que seja esclarecido se a aplicação é do art. 150, § 4º ou do art. 173, I, ambos do CTN. Em Despacho de Admissibilidade foi assim relatado pelo Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF: “Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2302002.049, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 214 e ss), julgado na sessão plenária de 16.08.2012, cuja ementa abaixo se transcreve: SERVIDOR PÚBLICO COMISSIONADO. VINCULAÇÃOCOMPULSÓRIA AO RGPS NA QUALIDADE DE SEGURADOEMPREGADO.A Emenda Constitucional nº 20/98 fez inserir na estrutura do art. 40 da CF/88o parágrafo 13, o qual impôs ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, sua filiação compulsória ao regime geral de previdência social, na qualidade de segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITADO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN.O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Encontrase homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10980.008019/200746 Acórdão n.º 2202004.961 S2C2T2 Fl. 245 3 Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN.PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DENOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOSOBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte DA TEMPESTIVIDADE DOS EMBARGOS O processo foi encaminhado à PGFN em 10/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 231). De acordo com o disposto no §9º do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após esta data; portanto os embargos foram tempestivamente interpostos em 22/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 235). DA ADMISSIBILIDADE Alega o embargante que o aresto proferido incorre em contradição, nos seguintes termos, resumidamente: A partir da análise dos autos, constatase contradição entre o resultado do acórdão, localizado abaixo da ementa, e a conclusão exposta no voto condutor do julgado ... Temse, portanto, que a contradição reside no dispositivo legal aplicável para a contagem da decadência. Enquanto no resultado do julgamento constou a informação de que a Turma deliberou pela aplicação do art. 173, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial, no voto condutor do acórdão utilizouse a regra inscrita no art. 150, § 4º do CTN para fins de contagem da decadência (dispositivo constante também na ementa). Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado esclareça qual foi o resultado do julgamento. Isto é, qual dispositivo legal considera aplicável à hipótese: o art. 150, § 4º ou o art. 173, I, ambos do CTN.” O Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF entendeu pela admissibilidade dos embargos, sob os seguintes fundamentos: “Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão proferida por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10980.008019/200746 Acórdão n.º 2202004.961 S2C2T2 Fl. 246 4 qualidade de Presidente da Seção a qual o referido colegiado estava subordinado. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Da contradição É manifesta a contradição apontada, sendo necessário o devido saneamento para esclarecimento da regra decadencial aplicada. Assim, os embargos devem ser admitidos para sanar a contradição. Conclusão Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração, submetendo os autos novamente à apreciação, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante. Considerando que o colegiado que proferiu a decisão embargada foi extinto, encaminhese o processo para novo sorteio, no âmbito dos colegiados da 2a Seção do CARF, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento.” Assim, os Embargos de Declaração foram admitidos, para que fosse sanada a contradição apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo ainda os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Os aclaratórios foram admitidos para fins de submeter os autos novamente à apreciação, para o fim de sanar o vício apontado pela Embargante. Conforme disposto no Despacho de Admissibilidade é manifesta a contradição apontada e, diante disso, necessário o devido saneamento para esclarecimento da regra decadencial aplicada. A Embargante refere que "a contradição reside no dispositivo legal aplicável para a contagem da decadência. Enquanto no resultado do julgamento constou a informação Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10980.008019/200746 Acórdão n.º 2202004.961 S2C2T2 Fl. 247 5 de que a Turma deliberou pela aplicação do art. 173, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial, no voto condutor do acórdão utilizouse a regra inscrita no art. 150, § 4º do CTN para fins de contagem da decadência (dispositivo constante também na ementa)". O voto do acórdão embargado é claro no sentido de reconhecer a decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN. Assim, entendeuse pela não aplicação do disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, conforme trecho abaixo transcrito: "[...] Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 08 dias do mês de dezembro de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançaria, tão somente, as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse homologados tacitamente todos os créditos associados às obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, circunstância que extirpa da Fazenda Pública o direito potestativo de constituir o crédito tributário a elas correspondente. [...]" Ainda no voto, temse que a conclusão deste proferido pelo Conselheiro Relator, foi pelo reconhecimento da decadência de todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive. Ou seja, aplicandose o disposto no artigo art. 150, §4º do CTN. Vejamos: "4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive, e nas competências anteriores a essa." Acrescentase que na ementa do acórdão embargado consta a seguinte redação quanto a tal matéria: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO LANÇAMENTO. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Encontrase homologado tacitamente o lançamento relativo a parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização." Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10980.008019/200746 Acórdão n.º 2202004.961 S2C2T2 Fl. 248 6 No entanto, constou, inversamente ao colocado no voto, conclusão do voto e ementa do julgado, que a conclusão do julgamento seria a seguinte: "ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Houve o reconhecimento da fluência do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN." Em consulta a ata de julgamento, disponível no site do CARF, verificase que na ocasião foram julgados três processos do mesmo contribuinte: Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Relator(a): ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo: 10980.008019/200746 Recorrente: ESTADO/PR DEP DE IMPRENSA OFICIAL ESTADO e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 2302002.049 Decisão: Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Houve o reconhecimento da fluência do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I do CTN. Verificase que segundo a ata, o resultado do julgamento corresponde ao colocado no acórdão. Assim, cotejando o que foi colocado no voto do Relator e sua conclusão, assim como na ementa, há necessidade de sanar tal contradição. Havendo, portanto, dúvida do que realmente restou decidido naquela sessão de julgamento, imperioso que se faça a análise da decadência. Passo a analisar a matéria. Entendo por acompanhar o já exposto na conclusão de voto do Conselheiro Relator Arlindo da Costa e Silva proferida no acórdão cujo embargos ora se analisa. Na ocasião do julgamento, assim ele havia exposto em seu voto: "Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados tenham sido contempladas com recolhimentos antecipados das respectivas contribuições previdenciárias aplicase o regime assentado no §4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita." Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10980.008019/200746 Acórdão n.º 2202004.961 S2C2T2 Fl. 249 7 Ademais, prescreve a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Saliento que conforme fl. 84, a Fiscalização refere que examinou documentos do contribuinte, sendo que dois merecem destaque: GFIP e comprovantes de recolhimento. Ademais, a fl. 87 dos autos, a Fiscalização assim menciona: "O contribuinte efetuou recolhimentos de contribuições previdenciárias em todas as competências do período fiscalizado.". Portanto, comprovada a realização de pagamento antecipado, razão pela qual deve ser aplicada a regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, nos termos da Súmula CARF nº 99. Desse modo, deve ser acolhida a preliminar de decadência, sendo excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive, e nas competências anteriores a essa. Impõese, por tais razões, a retificação do resultado do julgamento, atribuindose efeitos infringentes ao presente embargos de declaração. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, atribuindolhes efeitos infringentes para, sanando a contradição apontada no acórdão embargado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, inclusive, e nas competências anteriores a essa, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720755/2015-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011
IR-FONTE. PAGAMENTO POR CONTA E ORDEM. INTERMEDIAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
A intermediação de pagamentos não legitima a tributação de IR-Fonte em face da contribuinte que atuou por conta e ordem da empresa contratante, esta sim quem assumiu o ônus dos pagamentos, tomou a dedução fiscal e que seria a responsável pelas transferências dos recursos.
Havendo, então, erro de identificação do sujeito passivo, nulo o Auto de Infração por vício material.
Numero da decisão: 1201-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, por maioria. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Neudson Cavalcante Albuquerque, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Efigênio Freitas Júnior. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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PAGAMENTO POR CONTA E ORDEM. INTERMEDIAÇÃO. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A intermediação de pagamentos não legitima a tributação de IRFonte em face da contribuinte que atuou por conta e ordem da empresa contratante, esta sim quem assumiu o ônus dos pagamentos, tomou a dedução fiscal e que seria a responsável pelas transferências dos recursos. Havendo, então, erro de identificação do sujeito passivo, nulo o Auto de Infração por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso, por maioria. Acompanharam pelas conclusões os conselheiros Allan Marcel Warwar Teixeira, Neudson Cavalcante Albuquerque, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Efigênio Freitas Júnior. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 55 /2 01 5- 76 Fl. 1738DF CARF MF 2 Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração (fls. 1.515/1.520) que exige IRFonte de 35%, com base de cálculo reajustada, acrescido de multa de ofício de 75% e juros Selic, em razão da fiscalização enquadrar determinados rendimentos transferidos por intermédio do contribuinte, no anocalendário de 2011, como "pagamentos sem causa", nos termos do artigo 61 da Lei no 8.981/1995. Esses rendimentos foram incluídos em DIRF, no código 1708 (prestação de serviços), e tiveram os beneficiários identificados de acordo com o seguinte quadro: RAZÃO SOCIAL CNPJ VALOR PAGO IRRF DIRF FM CONSULTORIA 13.583.293/000129 R$ 5.039.200,00 R$ 75.588,00 COMARK 05.510.339/000151 R$ 3.916.300,00 R$ 58.744,50 PRC PARTICIPAÇÕES 39.906.383/000105 R$ 3.680.000,00. R$ 55.200,00 JC COSTA PROJETOS 07.743.267/000118 R$ 880.000,00 R$ 13.200,00 MUNA BASSIT 10.194.931/000121 R$ 3.767.750,00 R$ 56.516,25 BYB ASSESORIA 11.048.864/000108 R$ 1.469.750,00 R$ 22.046,25 Segundo as informações prestadas pela Recorrente durante a fiscalização, e de acordo com os documentos juntados nas respostas às intimações, a BYB Assessoria e a MunaBassit teriam recebidos os montantes em questão por serviços de prospecção, apresentação, consultoria e estruturação de Cédulas de Crédito Bancário (CCB) emitidas pela empresa Eliane S/A, CNPJ 86.532.538/000162, serviços estes que foram intermediados pela Recorrente. Já a JC Costa Projetos, a PRC Participações e a FM Consultoria teriam recebido valores em face da prestação de serviços de prospecção, apresentação, consultoria e assessoria comercial, também intermediados pelo Banco Original (Recorrente), por ocasião da estruturação de Cédulas de Crédito Imobiliário (CCI) emitidas pela empresa Laima Participações Ltda, CNPJ 01.884.422/000130. Finalmente, os valores pagos a Comark dizem respeito a serviços de prospecção, apresentação, consultoria e assessoria na estruturação tanto das CCB emitidas pela Eliane quanto as CCI emitidas pela Laima e operacionalizadas pela Recorrente. De acordo com o TVF (fls. 1.522/1.537), porém, referidos serviços de intermediação não teriam sido comprovados pela Recorrente e, conseqüentemente, os pagamentos daí decorrentes foram considerados "carentes de causa". Nas palavras do auditor fiscal responsável pelo lançamento: 4. ANÁLISE DOS FATOS E LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 16327.720755/201576 Acórdão n.º 1201002.764 S1C2T1 Fl. 3 3 4.1 Cédulas de Crédito Bancário emitidas pela Eliane S/A O Banco Original emprestou recursos à Eliane por meio das Cédulas de Crédito Bancário (CCB). A Cédula de Crédito Bancário é o título de crédito mais utilizado no mercado financeiro, tendo sido instituído pela medida provisória 1925 de 11 de novembro de 1999, que foi sendo reeditada até que em 2004 foi introduzida nos artigos 26 a 45 da Lei n. 10.931. Pode ser emitida por pessoa física ou jurídica, na forma cartular (em papel) ou escritural, em favor de uma instituição do Sistema Financeiro Nacional, representando uma promessa de pagamento, em dinheiro, decorrente de operação de crédito de qualquer modalidade. A instituição do Sistema Financeiro Nacional em favor da qual é emitida a CCB é a Instituição Registradora da operação. A operação totalizou R$ 25.000.000,00, distribuídas em 05 CCBs, de números de 100 a 104. Alega o Banco Original que, para a consecução de tal operação, houve a necessidade de contratar a Bassit, a BYB e COM&MARK para prospecção, apresentação, distribuição e mediação de tais cédulas. Para tanto, pagou/entregou recursos às três empresas no valor de R$ 5.625.500,00, efetuando a retenção e recolhimento dos IRRF incidentes na operação. Comprovou os pagamentos juntando as transferências bancárias, os contratos firmados, aditamentos e as Notas Fiscais de Serviços emitidas. Na mesma data em que efetua os pagamentos, debitando a conta 8.1.1.57.00.4.007.3 (despesa de comissões), faz o estorno das despesas utilizando como contrapartida a conta 4.1.1.20.00.4.001.5 (depósito pessoa jurídica), fazendo com que tais dispêndios não impactassem as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Arguiu que fez os estornos, tendo em vista que os encargos com as comissões foram suportados pela Eliane. A Eliane demonstrou, em seus esclarecimentos à fiscalização, não ter conhecimento de outros intervenientes na operação, alegando que a intermediação de toda a operação ficou sob responsabilidade de contratação do Banco Original. Juntou cópias das CCBs, lançamentos contábeis da operação, bem cópias dos extratos bancários comprovando a disponibilização das quantias contratadas bem como a dedução em sua conta corrente das comissões de estruturação das citadas CCBs. No contrato e no aditamento assinado entre o Banco Original e a Bassit, bem como nas Notas Fiscais emitidas (pela Bassit), o CNPJ mencionado não é o da Eliane. Na descrição dos serviços há a citação da emissão de cédulas bancárias por parte da Eliane, porém com outro CNPJ. Quanto às Notas Fiscais emitidas pela Bassit em novembro de 2011, constatase que estão em desacordo com a legislação do Município de São Paulo, cidade à qual a Bassit está circunscrita para efeito de cumprimento de suas obrigações acessórias no tocante ao recolhimento do Imposto sobre Serviços. A obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal Fl. 1740DF CARF MF 4 Eletrônica no Município de São Paulo está prevista na Lei n° 14.097, de 08 de dezembro de 2005. Mais especificamente, por meio da Instrução Normativa SF/SUREM n° 10, de 10 de agosto de 2011 ficou estabelecido que: "Artigo 1° A emissão de Nota Fiscal de Serviços Eletrônica NFSe é obrigatória para todos os prestadores dos serviços, independentemente da receita bruta de serviços" A COM&MARK e BYB, sediadas também na cidade de São Paulo, na mesma ocasião, emitiram Notas Fiscais Eletrônicas, em consonância com a legislação em vigor na cidade de São Paulo. Tanto no contrato quanto nas Notas Fiscais consta como serviço prestado pela Bassit a "distribuição e mediação de títulos (cédulas de crédito bancário) emitidas pela Eliane". A Classificação Nacional de Atividade Econômica da Bassit constante em seu cadastro na Receita Federal do Brasil é 6612 605, agente de autônomo de investimento, cuja atividade está prevista para o anocalendário de 2011 na Instrução CVM n° 434, de 22 de junho de 2006. Estabelecem os artigos primeiro e segundo da referida norma: Art. 1° A atividade de agente autônomo de investimento é regida pelas normas constantes da presente Instrução. Art. 2° O agente autônomo de investimento é a pessoa natural que obtém registro na Comissão de Valores Mobiliários CVM, para exercer, sob a responsabilidade e como preposto de instituição integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários, a atividade de distribuição e mediação de valores mobiliários. Parágrafo único. Os agentes autônomos de investimento podem constituir pessoa jurídica para o exercício da atividade referida no caput, observados os requisitos desta Instrução. A Bassit Agente Autônomo de Investimentos LTDA, CNPJ 10.194.931/000121 nunca esteve autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários a exercer qualquer atividade no mercado de valores mobiliários. Muna Bassit, CPF n° 005.567.93820, responsável nos cadastros da Receita Federal do Brasil pela Bassit Agente Autônomo de Investimentos, esteve autorizado a exercer a citada atividade perante a CVM no período de 11/04/2002 a 30/03/2007, quando teve a sua autorização cancelada a seu pedido. Em 29/07/2008 formalizou pedido de autorização, o qual foi indeferido. A Bassit foi intimada e reintimada a prestar esclarecimentos sobre a operação de empréstimo à Eliane. Não ofereceu resposta. Os sistemas da Receita Federal do Brasil não apontam a entrega da DIPJ do anocalendário de 2011, nem tampouco pagamentos de DARFs referentes aos recolhimentos de tributos no mesmo período, podendose inferir que tais comissões não foram oferecidas à tributação. Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 16327.720755/201576 Acórdão n.º 1201002.764 S1C2T1 Fl. 4 5 A COMARK alega que prestou serviços de prospecção e apresentação da Eliane S/A ao Banco Original, fato este que a Eliane desconhece face aos esclarecimentos prestados. Como aceitar que foi feita a prospecção e apresentação, se a própria empresa prospectada e apresentada não a menciona em suas respostas? A BYB (atual Enterprise), por sua vez, não informa e nem detalha seu relacionamento com o Banco Original e afirma que prestou serviços de consultoria e assessoria na estruturação das Cédulas de Crédito Bancário, que nada mais são do que espécie de mútuo entre a Eliane e o Banco Original. Ou seja, a Eliane S/A, empresa operando no mercado nacional e internacional, com mais de 50 anos de existência, faturamento de mais de R$ 500.000.000,00 de reais em 2011, e o Banco Original necessitaram de 03 intermediários para que uma simples operação de empréstimo fosse feita. A Eliane não os conhece, e o Banco Original, instituição financeira com produtos sofisticados, autorizada a funcionar como Banco Múltiplo pelo Banco Central, necessita, para consecução da operação, contratar empresas, cujo porte ou atividade não evidenciam conhecimentos ou expertise para tal. Não são essas as causas dos pagamentos e da entrega dos recursos efetuados. 4.2 Cédulas de Crédito Imobiliário da Laima Participações A Cédula de Crédito Imobiliário (CCI) foi instituída pelo artigo 18 da Lei n° 10.931/94. Representa um crédito cuja origem se dá a partir da existência de direitos de crédito imobiliário com pagamento parcelado. O credor emite a cédula facilitando, desta forma, a cessão do crédito. A CCI transforma um contrato particular em um título passível de negociação, que independe da vontade do devedor. Foram emitidas 3 CCI totalizando o valor de R$ 64.000.000,00. Os registros das mesmas foram feitos na CETIP, tendo o Banco Original atuado como registrador, agente de pagamento e custodiante. Em seus esclarecimentos sobre os pagamentos à COM&Mark, JC Costa, PRC e FM Consultoria, o Banco Original juntou os contratos de prestação de serviços, notas fiscais emitidas e comprovantes dos desembolsos efetuados. Segundo as informações constantes nos documentos citados, o Banco Original pagou/entregou recursos no valor de R$ 12.840.000,00 com tais serviços. Na mesma data em que efetua os pagamentos, debitando a conta 8.1.1.57.00.4.007.3(despesa de comissões), faz o estorno das despesas utilizando como contrapartida a conta 4.1.1.20.00.4.001.5 (depósito pessoa jurídica), fazendo com que tais dispêndios não impactassem as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Arguiu que fez os estornos, tendo em vista que os encargos com as comissões foram suportados pela Laima. Nos "Instrumentos Particulares de Emissão de Cédulas de Créditos Imobiliários Fracionárias (n°s 1, 2 e 3) com Garantia Real Imobiliária sob a Escritural e Outras Avenças" não há qualquer menção ou presença dos supostos prestadores de serviços mencionados. Fl. 1742DF CARF MF 6 Na diligência efetuada perante à Laima, esta informou que as CCI foram alienadas ao Postalis . Alegou não ter condições de declinar quem seriam os intervenientes em função de haver pendência judicial (Execução das CCI proposta pela Postalis). Asseverou que na referida ação seria realizada perícia contábil para a averiguação do real destino dos valores envolvidos na transação. Consta em sua missiva entregue à fiscalização: "Desta feita, somente após a realização da citada perícia contábil supracitada, teremos condições de informar a quem e por qual razão foram realizados os pagamentos a título de intermediação da operação". Foi prolatada sentença nos embargos à execução proposta pela Laima. O Juízo da 20a Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo decidiu pela extinção da execução sem o julgamento do mérito (artigo 267, VI do Código de Processo Civel). Entendeu a Juíza responsável pelo processo que a questão necessita ser analisada pelo juízo arbitral, conforme avençaram as partes por ocasião da alienação das CCIs. Foi interposto recurso pelo Postalis, encontrandose o processo atualmente no Tribunal de Justiça de São Paulo para apreciação da apelação. Nos documentos juntados pela Laima, consta a "Proposta de Prestação de Serviços para Coordenação e Estruturação de Operação" feita pela empresa COM&MARK, CNPJ 05.510.339/000151, em 08 de abril de 2011 (e aceita pela Laima quatro dias após). A "Proposta" está assinada tanto pelo representante da Laima (cujo reconhecimento de firma ocorreu na mesma data da assinatura) quanto pelo representante da Com&Mark . Na citada proposta está previsto que a Comark terá exclusividade na estruturação da operação. A FM Consultoria, quando questionada sobre seu relacionamento comercial no anocalendário de 2011 com o Banco Original, respondeu tratarse de consultoria e assessoria na estruturação das CCI emitidas pela Laima, que por sua vez, afirma não conhecer tal intermediário. A FM Consultoria iniciou suas atividades em 2011, tendo como objeto social a consultoria em gestão empresarial. Desde sua abertura, segundo as informações oferecidas pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil, não prestou serviços à outras instituições financeiras. A alegada prestação de serviços colide com as informações juntadas pela própria Laima, uma vez que consta na "Proposta de Prestação de Serviços" com a Com & Mark que esta teria exclusividade na estruturação das CCI. A PRC e JC Costa também foram intimadas a informar e detalhar o relacionamento comercial com o Banco Original em 2011. Não o fizeram. Limitaramse a juntar cópias dos contratos firmados com o Banco Original, Notas Fiscais dos serviços prestados e cópias dos lançamentos nos livros contábeis demonstrando o oferecimento à tributação dos valores recebidos. Em ambos os contratos (iguais) o objeto da prestação de serviços consiste na "consultoria e assessoria comercial que visam à prospecção de negócios, junto a clientes interessados em adquirir créditos oriundos de Cédulas de Crédito Imobiliário, Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 16327.720755/201576 Acórdão n.º 1201002.764 S1C2T1 Fl. 5 7 ("Clientes Prospectados") a serem emitidas pela empresa Laima Participações Ltda....". A cláusula quatro dos referidos contratos condiciona as validades dos referidos compromissos à efetiva indicação de clientes pela JC Consultoria e PRC. Intimados a esclarecer quem seriam os clientes apresentados ao Banco Original interessados em adquirir créditos oriundos das CCIs emitidas pela Laima, a PRC e seu sócio não foram localizados, tendo os correios informado a mudança de domicílio de ambos. A JC Costa informou que, junto com a PRC, apresentou a Comark ao Banco Original. Tal informação não tem nenhuma consonância com os documentos e informações apresentados. PRC e JC Costa foram contratados para apresentar clientes interessados em adquirir créditos oriundos das CCIs emitidas pela Laima. A COMARK, segundo as informações prestadas, prestou serviços ao Banco Original apresentando a Laima e o assistindo na estruturação das citadas CCI. A JC Costa assina em 15/08/2011 o contrato de prestação de serviços que tem como objeto principal a apresentação de clientes em interessados em adquirir créditos das CCI emitidas pela Laima. Alega que apresentou a Comark, que já havia assinado contrato com o Banco Original há mais de 30 dias cujo objeto foi a apresentação da Laima e a estruturação das CCI emitidas pela Laima. A mesma situação ocorre com a PRC, uma vez que a JC Costa assegura que a apresentação da Comark foi feita por ela em conjunto com a PRC. Não são estas as causas dos pagamentos/entrega de recursos efetuados à FM Consultoria, à PRC e à JC Costa. Estabelece o artigo 61 da Lei n° 8.981/95 (artigo 674 do RIR/99): "Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o §2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. §2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3° O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. " Não estão comprovadas as causas dos pagamentos/entrega de recursos efetuados pelo Banco Original às empresas acima mencionadas. A Eliane e a Laima não sabem quem são os intermediários de suas operações, sendo que, pela descrição dos respectivos serviços prestados, não é aceitável tal desconhecimento, até pelos valores envolvidos. As informações Fl. 1744DF CARF MF 8 constantes nas notas fiscais e nos contratos firmados pelo Banco Original não condizem com as informações coletadas nas diligências efetuadas. O número de intervenientes para a emissão das CCB e das CCI e os valores pagos pelos supostos serviços não são os usuais para estas operações. Os fatos apresentados se subsumem ao contido no §1° do artigo 61 da Lei 8.961/95. [...] 5. Cálculo do IRRF O cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte, de acordo com o previsto no artigo 674 do RIR/99 está demonstrado no quadro abaixo: A empresa apresentou impugnação (fls. 1.573/1.592) ao lançamento. Como preliminar, sustenta que: (i) houve erro de sujeição passiva. Nesses termos, aduz que os referidos pagamentos foram suportados, em realidade, pelas sociedades Eliane S.A. e Laima Participações Ltda. ("DEVEDORES"), tanto que foram escriturados pelas referidas sociedades como despesas próprias; e (ii) houve vício na capitulação legal na qual se baseia o Auto de Infração, uma vez que o §1Q do art. 61 estendeu a aplicação da tributação mencionada no caput do artigo aos pagamentos efetuados sem a comprovação da operação ou da causa que lhe deu origem. A jurisprudência majoritária, tanto na esfera administrativa como na esfera judicial, posicionamse no sentido de que a aplicabilidade do §1Q do art. 61 da Lei 8.981/95 tem como premissa básica a de que a operação ou a causa haverá de ser ilícita, entendendose como Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 16327.720755/201576 Acórdão n.º 1201002.764 S1C2T1 Fl. 6 9 ilícita a aquisição de bens ou serviços lastreados em notas fiscais falsas ou ainda operações consideradas ideologicamente falsas, onde os beneficiários finais não são aqueles identificados. No mérito, argumenta que: (iii) ao contrário do quanto relatado pela fiscalização, a empresa Eliane em nenhum momento alegou não ter conhecimento de outros intervenientes na estruturação das CCB, tendo ela, inclusive, autorizado os pagamentos de comissões e tomado a dedutibilidade do dispêndio; (iv) os erros pontuais nas notas fiscais da empresa Bassit, assim como a ausência de autorização da CVM no âmbito da atuação desse prestador jamais poderiam ter siso utilizados como fundamento para caracterizar o pagamento como sem causa; (v) a existência de três intermediários no contexto de emissão do CCB é razoável e justificada nesse caso concreto; (vi) com relação à emissão das CCI pela Laima Participações, afirma que a existência de uma ação de execução da Postalis em face da Laima não guarda qualquer relação com a emissão dos títulos; (vii) restou comprovado que a Recorrente figurou como registrador e custodiante dos títulos e a Laima recebeu os recursos oriundos da emissão no mercado; (viii) o fato de não haver no Instrumento Particular de Emissão de Cédulas de Créditos Imobiliários qualquer menção ou presença dos prestadores de serviços mencionados é até natural, uma vez que, além de não haver a necessidade ou exigência legal de mencionálos, eles sequer são partes da operação de emissão das CCI's; e (ix) quanto à alegação de que o valor das comissões não seriam usuais, embora não seja fator determinante para caracterizar um pagamento sem causa, há controvérsias. As empresas de consultoria que intermediam negócios desse porte calculam seus honorários com base em percentual de êxito, podendo chegar a valores maiores do que uma instituição financeira, por exemplo, cobraria a título de comissão; e (x) a multa de ofício de 75% sobre o valor de IRRF de 35% é incabível. Em Sessão de 28 de abril de 2017, a 10a Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou a impugnação parcialmente procedente, exonerando apenas as exigências relativas ao pagamento efetuado à Comark em 21/11/2011, no valor de R$287.500,00. A ementa desse julgado (fls. 1.636/1.660) foi assim redigida: IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a Fl. 1746DF CARF MF 10 responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU RELATIVOS A OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO SOBRE A EXIGÊNCIA DE 35% DO IRRF. É aplicável multa de ofício de 75% sobre a exigência de 35% do IRRF previsto no art. 61 da Lei n.º 8.981/95, tendo em vista que a alíquota de 35% se refere ao imposto de renda incidente sobre pagamento sem causa ou cuja operação não foi comprovada e a multa de ofício representa uma penalidade aplicada em razão de a contribuinte ter se enquadrado no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Cientificada da decisão de piso em 26/07/2017 (fls. 1.663), o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1.666/1.702) em 25/08/2017 (cf. fls. 1.665). Reitera as alegações de defesa e questiona determinados pontos do Acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço e passo a apreciálo. Conforme visto, o cerne da questão consiste em verificar, primeiramente, se a Recorrente de fato poderia ter sido qualificada como sujeito passivo do IRFonte. Caso positivo, ou seja, caso seja verificado que não houve erro de sujeição passiva, necessária se faz a análise acerca da legitimidade do enquadramento dos pagamentos enquanto pagamentos sem causa. Pois bem. Nessa situação particular, restou demonstrado que a Recorrente é instituição financeira que figurou como custodiante nas duas operações de emissão de títulos que ampararam os referidos pagamentos, quais sejam: (i) Cédulas de Crédito Bancário (CCB), no valor total de R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais), emitidas pela empresa Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos (“Eliane”); e Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 16327.720755/201576 Acórdão n.º 1201002.764 S1C2T1 Fl. 7 11 (ii) Cédulas de Crédito Imobiliário (CCI), no valor total de R$ 64.000.000,00 (sessenta e quatro milhões de reais), emitidas pela empresa Laima Participações Ltda. (“Laima”). Restou comprovado, ademais, que ambas as operações de fato ocorreram e, ainda, que os pagamentos feitos na forma de comissões às empresas envolvidas, e cujas causas foram questionadas, somam R$ 15.511.450,00 (ou seja, 17,42% da soma das duas operações). Outro fato da maior relevância é que o próprio fisco atesta que tais pagamentos foram assumidos pelas próprias empresas emissoras dos títulos (Eliane e Laima), empresas estas que, inclusive, reconheceram as despesas incorridas a esse título no resultado do anocalendário dos pagamentos (2011) e se aproveitaram da respectiva dedução fiscal. As questões que se colocam, portanto, são as seguintes: poderia a Recorrente, intermediadora das operações que geraram os pagamentos, ter sido considerada sujeito passivo do IRFonte? Do ponto de vista jurídico, seria ela, a Recorrente, a fonte pagadora no presente caso? E a resposta para essas duas indagações são negativas. Primeiro porque a própria fiscalização verificou que quem assumiu o ônus econômico dos pagamentos e quem deduziu contabilmente e fiscalmente os dispêndios foram as empresas emitentes dos títulos; segundo porque a fiscalização atestou que a Recorrente tem por finalidade intermediar operações financeiras, tais como as que geraram os pagamentos de comissões; e terceiro porque nunca foi colocado em xeque que a Recorrente agiu por conta e ordem na liquidação financeira das operações. Percebese, aqui, uma clara contradição na qualificação da Recorrente como sujeito passivo. Isso porque, caso seja reconhecido que foi o Banco a efetiva fonte pagadora, como superar a dedução fiscal pelas empresas emitentes do título? Faria sentido a manutenção de IRFonte para uma empresa que demonstrou ter atuado como intermediadora de clientes que se beneficiaram da dedução e sequer foram autuados por glosa de despesas? Evidentemente que não. Ora, não faz o menor sentido a fiscalização, ciente de que a Recorrente não suportou o ônus econômico da operação, ciente de que as operações de emissão dos Certificados não foram simuladas, ciente de que houve localização e diligências que ratificam que as empresas emitentes dos títulos inclusive se beneficiaram da dedução fiscal das despesas com os pagamentos e ciente da rastreabilidade dos pagamentos, ter autuado a instituição financeira, mera intermediadora. A autoridade fiscal responsável, com a máxima vênia, jamais poderia ter confundido a figura jurídica "fonte pagadora" com a figura jurídica "intermediadora" da liquidação financeira das operações. São coisas inconfundíveis. Com razão a Recorrente quando assim se manifesta: [...] a própria Autoridade Fiscal confirmou, por meio da documentação apresentada durante a Fiscalização Fl. 1748DF CARF MF 12 (escriturações contábeis e fiscais, incluindo o LALUR de 2011) que o Recorrente em nenhum momento deduziu tais despesas (fls. 580/623 e 625/645), tendo sido os valores suportados e deduzidos tão somente pela Eliane e Laima. Em outras palavras, quem efetivamente arcou e reconheceu o pagamento dos valores relativos às comissões às Empresas envolvidas na estruturação das CCB e CCI foram ELIANE e LAIMA, que, exercendo seu devido direito, trataram contabilmente tal ônus como despesa própria, não havendo que se falar na aplicação do artigo 128 do Código Tributário Nacional, como pretende o v. acórdão recorrido. Com efeito, o contribuinte (Banco Original) atuou por conta e ordem das empresas emissoras dos Certificados. É justamente por isso que elas, tomadoras dos serviços financeiros correspondentes, não tinham maiores detalhes de quem efetivamente seria ou deveria ser subcontratados. Não obstante, a própria CSRF1, ao analisar a tributação pelo IRFonte de empresas que efetuavam pagamentos de benefícios por meio de cartões corporativos (como aqueles intermediados pela empresa Incentive House, caso este que acabou sendo bastante divulgado), tem entendimento firme no sentido de que tal tributo deve ser cobrado da empresa que suporta o ônus econômico (patrocinadores nos casos) dos benefícios concedidos, e não da intermediadora das operações, que apenas faz jus à uma comissão prevista contratualmente. Nesse sentido, forçoso concluir que a comprovação cabal da intermediação do pagamento, como é o caso, não legitima a tributação de IRFonte em face da "fonte pagadora" que atuou por conta e ordem de empresas idôneas e identificados, as quais, repitase, inclusive tomaram a dedutibilidade. O presente Auto de Infração, contudo, ao eleger a Recorrente, que comprovadamente figurou como intermediadora das operações que geraram os pagamentos, incorreu em erro de identificação do sujeito passivo, erro este que enseja a nulidade da autuação por vício material, em razão do não cumprimento do artigo 142 do CTN2. Mas, não é só. Ainda que se entenda que não há erro de identificação do sujeito passivo, o presente Auto de Infração contém outro grave erro de critério jurídico, qual seja, o não cumprimento de que o fato relatado se subsume à hipótese normativa do artigo 61 da Lei no 8.981/95. Mais precisamente, a fiscalização parece ter confundido a "não comprovação do serviço" que seria causa de glosa em face do artigo 299 do RIR/99 com "pagamento sem causa", o que são coisas distintas. 1 Por exemplo Acórdão 9202.004.334, dentre outros. 2 Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 16327.720755/201576 Acórdão n.º 1201002.764 S1C2T1 Fl. 8 13 Como se sabe, o ônus de provar o direito da dedução fiscal de dado serviço é do contribuinte, sob pena de glosa. Já o ônus de provar a hipótese de "pagamento sem causa" é do fisco, o que se faz mediante comprovação de dolo, fraude ou simulação, situações estas que impedem rastrear e cobrar os tributos sobre a renda (lucro) do efetivo beneficiário. Nessa situação concreta, os pagamentos tiveram sua causa devidamente comprovada por meio de contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamento. Além disso, as operações creditícias foram implementadas de maneira regular, sendo os pagamentos de comissões feitos apenas a beneficiários identificados, cuja inidoneidade nunca foi levantada, o que a meu ver revela, mais uma vez, a improcedência da autuação nos termos em que instruída. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. O voto do Ilustre Relator conduziu a decisão do colegiado para a exoneração do lançamento tributário de IRRF, com alíquota de 35%, sobre pagamentos sem causa identificada. O fundamento primeiro do voto condutor seria o erro na identificação do sujeito passivo, considerando que o contribuinte autuado agiu apenas como intermediário do pagamento, uma vez que este agiu por conta e ordem das empresas que eram suas clientes (Eliane S/A e Laima Participações). O segundo fundamento para a exoneração do lançamento, alternativo ao primeiro, seria um erro de critério jurídico na aplicação da norma, quando teria sido feita uma confusão entre a "não comprovação do serviço", apontada pela fiscalização, com o "pagamento sem causa", hipótese legal de incidência. Acompanhei o Ilustre Relator na exoneração do lançamento tributário, mas o fiz com outros fundamentos, fato que dá ensejo à presente declaração de voto. Fl. 1750DF CARF MF 14 Entendo que não há erro na identificação do sujeito passivo. O contribuinte autuado é o responsável pelo IRRF, uma vez que os pagamentos que lhe deram origem referemse a serviços contratados por este e os prestadores desses serviços emitiram notas fiscais contra este. Ademais, os serviços que deram ensejo aos pagamentos são necessários à atividade empresária do contribuinte autuado, ainda que essa atividade seja a prestação de serviços a terceiros. É certo que a origem econômica da riqueza transferida nos pagamentos em tela está nos clientes do contribuinte autuado, até onde se alcança, mas isso não altera a responsabilidade jurídica tributária do contribuinte autuado no exercício de sua atividade empresária, independentemente da forma com a qual os seus clientes escrituraram contabilmente os correspondentes pagamentos. Salientese que, ao que tudo indica, os clientes do contribuinte autuado contrataram um serviço de natureza financeira de relativa complexidade sem assumirem qualquer responsabilidade sobre as etapas a serem vencidas, seja operacionalmente ou financeiramente, vinculando o pagamento ao resultado final, qual seja, a emissão dos títulos de crédito. Assim, a obrigação tributária relativa às subcontratações que deram origem ao lançamento tributário deve ser atribuída a quem fez as subcontratações, como é o ordinário. Também não posso concordar com o entendimento de que a fiscalização confundiu "não comprovação do serviço" com "pagamento sem causa", pois entendo que o serviço está comprovado e que a causa do pagamento está a ele associado, considerando os contratos e as notas fiscais apresentadas, bem como a natureza dos serviços que deram ensejo ao pagamento. Assim, também não concordo com a fiscalização quando esta afasta a causa apontada nos contratos apresentados, com o único fundamento de que os clientes do contribuinte autuado não conheciam as empresas por ele subcontratadas. Salientese que a fiscalização sequer joga dúvida sobre a efetiva prestação dos serviços subcontratados, nem sobre a congruência entre estes e o serviço que o contribuinte autuado comprometeuse a prestar para seus clientes. O quadro fático que se apresenta possui uma coerência entre fatos, posições e valores que não podem ser afastadas pela presunção simples, adotada pela fiscalização, de que os clientes deveriam conhecer as empresas subcontratadas pelo contribuinte autuado. Por tais razões, entendo que o lançamento tributário deve ser exonerado, dandose provimento ao recurso voluntário, conforme a providência apontada no voto condutor. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1751DF CARF MF
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Numero do processo: 13977.000230/2003-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998
NORMAS PROCESSUAIS. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA.
Não comprovada a existência, à época da transmissão da DCTF, de autorização judicial no processo judicial informado na DCTF para a compensação e reconhecendo o direito creditório, deve ser mantido o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova.
Numero da decisão: 3402-006.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Maria Aparecida Martins de Paula que davam provimento ao Recurso para cancelar a autuação em razão do trânsito em julgado da decisão judicial.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA. Não comprovada a existência, à época da transmissão da DCTF, de autorização judicial no processo judicial informado na DCTF para a compensação e reconhecendo o direito creditório, deve ser mantido o lançamento eletrônico que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Maria Aparecida Martins de Paula que davam provimento ao Recurso para cancelar a autuação em razão do trânsito em julgado da decisão judicial. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 02 30 /2 00 3- 34 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13977.000230/200334 Acórdão n.º 3402006.301 S3C4T2 Fl. 143 2 Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis, até aquela fase processual: Trata o presente processo da impugnação ao lançamento constante no Auto de Infração de fls. 7 e 8, integrado pelos demonstrativos de fls. 9 a 13, o qual exige da interessada retro identificada o pagamento da importância de RS 18.941,08, a título de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, referente ao terceiro e quarto trimestres do anocalendário 1998, acrescida da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a autuação deuse em virtude da falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme consta no Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar. Conforme Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados, temse que, em face da falta de comprovação do processo judicial n° 98.200.46335, não se confirmaram as vinculações informadas pela contribuinte (compensação sem DARF — outros — PJU) nas retro mencionadas DCTF. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1 a 4, instruída com os documentos de fls. 5 a 26, fundamentandose nas razões sintetizadas a seguir. Inicialmente, informa que foi detentora de um crédito originado pelo pagamento a maior do PIS, tendo procedido a compensação de seu crédito com débitos do próprio PIS; que são verdadeiras as informações prestadas nas DCTF, pelo que não procede a ocorrência de "processo judicial não comprovado". Cita jurisprudência, que aponta no sentido de que a compensação é iniciativa do sujeito passivo, sendo desnecessário requerimento à autoridade administrativa, bem como acerca da questão da semestralidade da indigitada contribuição. A impugnante defende a tese de que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador. Acrescenta que se a base de cálculo for corrigida, resultará em aumento da carga tributária, sem lei que autorize e em desconformidade com o propósito no parágrafo único do art. 6° da LC n° 7, de 1970. Diante disso, requer que seja conhecida a presente impugnação e, consequentemente, seja anulado o Auto de Infração. Ao prestar a Informação Fiscal de fls. 103 a 105, a autoridade competente da DRF/BLUMENAU manifestase pela procedência integral do lançamento, haja vista que, pela sistemática de apuração estabelecida no provimento judicial de 1ª instância, não existem créditos a compensar, nos seguintes termos: Deste trabalho resultou o extrato denominado "Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas — 8109— PIS Faturamento" (11s. 93/101), o qual demonstra que os pagamentos efetuados pelo contribuinte, considerando a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13977.000230/200334 Acórdão n.º 3402006.301 S3C4T2 Fl. 144 3 sistemática de apuração utilizada (regime da mensalidade com correção monetária da base de cálculo), conforme derradeiro provimento judicial, sequer foram suficientes para quitarem todos os débitos da exação. O último débito (parcialmente) quitado correspondeu ao PA 03/1995 (fis. 100/101). Este resultado devese ao fato de que a apuração dos débitos, nos termos da LC 7/70 (naquilo que ela não tenha sido alterada, qual seja, alíquota de 0,75% e base de cálculo = faturamento), sem a aplicação da semestralidade, implicou em uma majoração da alíquota não compensada com correspondente redução da base de cálculo (as receitas operacionais não divergiram significativamente do faturamento). Portanto, nesta sistemática de apuração, não há créditos a serem compensados com débitos posteriores, razão porque os valores exigidos no lançamento devem ser integralmente mantidos. (sublinhas do autor) Cientificada da manifestação da autoridade administrativa, a interessada assevera que, mesmo após o advento da Lei n° 7.691, de 1988, cabe a aplicação da semestralidade, sem correção monetária da base de cálculo, uma vez que tal lei não alterou a LC n° 7, de 1970; que, em vista disso, a impugnação é totalmente procedente. Por meio do acórdão nº 0715.153, de 13 de fevereiro de 2009 (fls. 120 a 123), a 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento efetuado. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.134 a 139), alegando, em síntese: I) Modificação do critério jurídico adotado no lançamento (falta de comprovação do processo judicial indicado na DCTF); II) Violação aos artigos 170 e 170A do CTN, visto que a compensação independeria de autorização administrativa e trânsito em julgado; III) Desnecessidade da comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito; IV) Que a compensação foi regular e legal. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13977.000230/200334 Acórdão n.º 3402006.301 S3C4T2 Fl. 145 4 Conforme relatado, tratase de Auto de Infração eletrônico de PIS, relativo a revisão de DCTF referente ao terceiro e quarto trimestres do anocalendário 1998, com a acusação de falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, e ocorrência "Proc. jud. não comprova". A Recorrente alega a modificação do critério jurídico adotado no lançamento, visto que consta expressamente como fundamento do Auto de Infração a falta de comprovação do processo judicial indicado na DCTF; a violação aos artigos 170 e 170A do CTN, visto que a compensação independeria de autorização administrativa e trânsito em julgado; a desnecessidade da comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito; e que a compensação processada seria regular e legal. O tema é recorrente neste Conselho. Tratase da velha discussão de Auto de Infração eletrônico, com a informação “Proc. Jud. não comprova”. As decisões deste Conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, majoritariamente apontam no sentido de se considerar improcedente o lançamento com fundamentação “proc. jud. não comprova”, quando for comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF e quando houver decisão, ainda que precária, autorizando a compensação: NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. (Acórdão 9303006.675, sessão de 12 de abril de 2018, relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade do PIS, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. (Acórdão 9303003.307, sessão de 25 de março de 2015, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) COMPENSAÇÃO VIA DCTF Se na data da compensação o contribuinte levoua a cabo com créditos embasados em vigente decisão judicial, embora precária, deve a Administração aceitala, apenas certificandose da liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação. Isso porque a decisão judicial, no caso, é anterior a vigência da LC 104/2001, que trouxe ao CTN o art. 170A. (Acórdão 9303007.491, sessão de 16 de outubro de 2018, relator Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13977.000230/200334 Acórdão n.º 3402006.301 S3C4T2 Fl. 146 5 Entretanto, no presente caso não havia autorização judicial à época da declaração, ainda que precária, para que o sujeito passivo efetuasse a compensação. O processo judicial 98.200.46335 informado nas DCTF, não havia transitado em julgado à época em que tais declarações foram apresentadas (03/11/1998 e 29/01/1999), o que só veio a ocorrer em 05/02/2002, e não havia qualquer decisão precária autorizando a compensação, visto que a inicial foi indeferida. Dessa forma, constatase que o fundamento utilizado no lançamento eletrônico “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, e a ocorrência "Proc. jud. não comprova" não podem ser afastados. Não havia à época das declarações decisão judicial autorizando a compensação, e os valores requeridos ainda não eram líquidos e certos, violando o disposto no art. 170 do CTN. Ou seja, o processo judicial informado não comprovava a compensação declarada, e efetivamente havia uma declaração inexata, conforme apontado pela autoridade fiscal. Não há que se falar em modificação de critério jurídico adotado no lançamento, mesmo com a comprovação da existência da ação judicial indicada. Ainda que existente, o processo judicial não autorizava o procedimento adotado pelo contribuinte e não comprovava a compensação efetuada. O fundamento do lançamento permanece o mesmo, e foi confirmado pelo julgador a quo: “No caso presente, quando procedeu a compensação informada nas DCTF, a interessada ainda não detinha decisão judicial transitada em julgado que lhe assegurasse, de forma liquida, certa e definitiva, o crédito contra a Fazenda Nacional. Com isso, adotou conduta dissonante com a retro citada previsão legal, o que torna irregular a compensação promovida, independentemente de, posteriormente, ter a contribuinte acabado por ver reconhecido seu direito creditório na via judicial.” A ocorrência “Proc. Jud não comprova” corresponde tanto a processo inexistente quanto a processo existente, mas que não prova a informação prestada na DCTF. Quanto à alegação de desnecessidade de autorização administrativa e trânsito em julgado para a compensação, a Recorrente teria razão caso houvesse uma decisão judicial, ainda que precária, autorizando o procedimento. A IN SRF 21/97 trazia o seguinte procedimento para o processamento da compensação: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. (...) Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. (...) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13977.000230/200334 Acórdão n.º 3402006.301 S3C4T2 Fl. 147 6 § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) No caso em questão, à época das transmissões das declarações, a Recorrente não possuía autorização judicial expressa para realizar as compensações em questão, num claro descumprimento das normas legais e regulamentares para o processamento da compensação. Não se trata de exigir o trânsito em julgado, conforme determina o artigo 170A do CTN, que veio ao mundo jurídico com a edição da Lei Complementar 104/2001, mas de qualquer decisão autorizando o feito. Como não havia, à época, qualquer decisão judicial que permitia a compensação, à Administração deveria seguir o disposto nas leis 8.383 e 9.430 e suas normas procedimentais. Também não procede a alegação de que seria desnecessário a comprovação da existência de liquidez e certeza do crédito. Tratase de um imperativo do artigo 170 do CTN para a compensação. Acrescentese, também, que a Recorrente teve conhecimento da infração que lhe foi imputada tanto que se defendeu, expressamente, dela em todas as fases recursais, impugnação e recurso voluntário, não configurando em qualquer cerceamento de seu direito de defesa, que ensejaria a nulidade. Portanto, entendo que o lançamento efetuado deve ser mantido pela inexistência de processo judicial que autorizasse a compensação efetuada à época. Ante o exposto, nego provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.951433/2009-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 14 33 /2 00 9- 09 Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 15374.951433/200909 Acórdão n.º 9303007.944 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.592, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de PIS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.592 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 15374.951433/200909 Acórdão n.º 9303007.944 CSRFT3 Fl. 4 3 Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 15374.951433/200909 Acórdão n.º 9303007.944 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 15374.951433/200909 Acórdão n.º 9303007.944 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 15374.951433/200909 Acórdão n.º 9303007.944 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005450/2005-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COFINS
Ano-calendário
NULIDADE - PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO - INEXISTÊNCIA
Constatados os procedimentos formais necessários para a fiscalização, deve-se
indeferir o pleito de nulidade do contribuinte.
SUMULA 5°/2CC - AUDITOR FISCAL - INSCRIÇÃO NO CRC - DESNECESSIDADE
Conforme determina a Súmula 5' do 2CC, "0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador."
CREDITAMENTO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO - 1AUSÊNCIA DE
PROVAS - IMPOSSIBILIDADE. 0 sistema não cumulativo! do PIS e Cofins
apenas viabiliza o creditamento se comprovada a utilização/finalidade dos
insumos. Esta espécie de crédito tributário deve ser analisada caso a caso,
pois depende, enormemente, da atividade de cada contribuinte.
DECISÃO JUDICIAL - APLICAÇÃO RESTRITA AO SEU OBJETO. A
decisão proferida contra o alargamento da base de cálculo da Lei no 9.718/98
apenas se aplica ao período abrangido por este dispositivo legal.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE - TIPICIDADE
CERRADA - CONFISCO - PRESUNÇÃO DE VALIDADE - SÚMULA N° 2/2° CC
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de
inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis
regularmente editadas segundo o processo constitucional gozám de presunção
de constitucionalidade e de legalidade. Aplicação da Súmula n° 2: "
Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar
sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária."
TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS
0 art. 13 da Lei n° 9.065/1995 dispõe expressamente que, para fatos
geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre
tributos não pagos no vencimento serão calculados com base na taxa SELIC
acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê
que os juros morat6rios serão calculados à taxa de 1% ao mês apenas se a lei
não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1°). No caso, a Lei no 9.065/1995
dispôs de modo diverso. As questões constitucionais não estão no escopo
deste tribunal administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.095
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : COFINS Ano-calendário NULIDADE - PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO - INEXISTÊNCIA Constatados os procedimentos formais necessários para a fiscalização, deve-se indeferir o pleito de nulidade do contribuinte. SUMULA 5°/2CC - AUDITOR FISCAL - INSCRIÇÃO NO CRC - DESNECESSIDADE Conforme determina a Súmula 5' do 2CC, "0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador." CREDITAMENTO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO - 1AUSÊNCIA DE PROVAS - IMPOSSIBILIDADE. 0 sistema não cumulativo! do PIS e Cofins apenas viabiliza o creditamento se comprovada a utilização/finalidade dos insumos. Esta espécie de crédito tributário deve ser analisada caso a caso, pois depende, enormemente, da atividade de cada contribuinte. DECISÃO JUDICIAL - APLICAÇÃO RESTRITA AO SEU OBJETO. A decisão proferida contra o alargamento da base de cálculo da Lei no 9.718/98 apenas se aplica ao período abrangido por este dispositivo legal. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE - TIPICIDADE CERRADA - CONFISCO - PRESUNÇÃO DE VALIDADE - SÚMULA N° 2/2° CC A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozám de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Aplicação da Súmula n° 2: " Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS 0 art. 13 da Lei n° 9.065/1995 dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento serão calculados com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê que os juros morat6rios serão calculados à taxa de 1% ao mês apenas se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1°). No caso, a Lei no 9.065/1995 dispôs de modo diverso. As questões constitucionais não estão no escopo deste tribunal administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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Yamada S/A - Comércio e Indústria Recorrida DRJ - Belem/PA ASSUNTO: COFINS Ano-calendário NULIDADE - PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO - INEXISTÊNCIA Constatados os procedimentos formais necessários para a fiscalização, deve- se indeferir o pleito de nulidade do contribuinte. SUMULA 5°/2CC - AUDITOR FISCAL - INSCRIÇÃO NO CRC - DESNECESSIDADE 1 Conforme determina a Súmula 5' do 2CC, "0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da ! escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador." CREDITAMENTO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO - 1AUSÊNCIA DE PROVAS - IMPOSSIBILIDADE. 0 sistema não cumulativo! do PIS e Cofins apenas viabiliza o creditamento se comprovada a utilização/finalidade dos insumos. Esta espécie de crédito tributário deve ser analisada caso a caso, pois depende, enormemente, da atividade de cada contribuinte. DECISÃO JUDICIAL - APLICAÇÃO RESTRITA AO SEU OBJETO. A decisão proferida contra o alargamento da base de cálculo da Lei no 9.718/98 apenas se aplica ao período abrangido por este dispositivo legal. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE - TIPICIDADE CERRADA - CONFISCO - PRESUNÇÃO DE VALIDADE - SÚMULA N° 2 /2° CC A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozám de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Aplicação da Súmula n° 2: " Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." 41W FA :IOLA CASSIANO Processo n° 10280.005450/2005-66 Acórdão n.° 2101-00.095 TAXA SELIC - PREVISÃO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE DE ANALISAR ASPECTOS CONSTITUCIONAIS 0 art. 13 da Lei n° 9.065/1995 dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento serão calculados com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê que os juros morat6rios serão calculados à taxa de 1% ao mês apenas se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1°). No caso, a Lei no 9.065/1995 dispôs de modo diverso. As questões constitucionais não estão no escopo deste tribunal administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. QA0454)lia - vOl40AX JbSEFk MARIA COELHO MARQUES Presidente Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça, José Antonio Francisco Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para o fim de constituir debito de Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em virtude de apuração de diferenças entre o valor escriturado e aquele declarado/pago em relação aos 'fatos geradores compreendidos no período de 01/02/2004 a 31/03/2005. Inconformada com a autuação a Recorrente apresentou uas razões de impugnação às fls. 917/983, nas quais alega, conforme sintetizado pelo relatório da decisão de primeira ins -0116a administrativa: "a) 0 lançamento é surpreendente, pois que a impugnante sempre cumpriu e cumpre tempestivarnente suas obrigações tributárias, especialmente no tocante à Cofins 07. 919). b) A não observância pelo órgão fiscalizador dos preceitos insculpidos no CTN, no Decreto n° 70.235, de 1972, e nas disposições da legislação especifica levam a nulidade do ato administrativo (fl. 920). Nesse passo, uma das exigâncias para 2 S2-CIT1 FL 1.560 Processo n° 10280.005450/2005-66 52-CITI Acórdão n.° 2101-00095 Fl. 1.561 iniciar o procedimento fiscal é a cientificaglio do contribuinte de' que será fiscalizado, mediante Termo de Início de Fiscalização, o qual inexistiu, deixando-se de observar formalidade essencial e obrigatória, de ordem pública. Cita tese doutrinária que corroboraria sua assertiva al. 921). Também a lavratura do termo de Encerramento é formalidade essencial e obrigatória, sendo que sua omissão ou inexatidão vicia o procedimento fiscal, como se verijica no caso concreto (11. 938). c) 0 exame da escrituração contábil deve ser procedida privativamente por contador habilitado no Conselho respectivo, razão pela qual deveria ser o autuante profissional que revestisse tais requisitos. Decorre, pois, a nulidade do procedimento fiscal, pela incapacidade técnico-legal do agente (fls. 922 e 924). Refere jurisprudência que guardaria pertinência com o tema. d) Não obstante haver recebido os demonstrativos dos valores do Auto de Infração, esses nada demonstram com a clareza necessária a sua compreensão, omitindo os motivos de fato, não indicando a metodologia de cálculo empregada e os dispositivos legais especificos supostamente infringidos, limitando-se a mero relato de fatos imputados a impugnante, tomando-os por verdade absoluta, sem qualquer prova fisica e inequívoca 925), restando inquinado de nulidade o lançamento, por conter erro material. A inexistência de motivos vicia o ato administrativo, verificando-se esta quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido gr. 928). Nesse mesmo sentido, o Termo de Encerramento do procedimento fiscal indica que houve a verificação por amostragem do cumprimento das obrigações tributárias, evidenciando-se a ausência dos pressupostos à sua validade (fl. 936). 0 auto de infração não pode resumir-se a simples informação do agente, devendo exibir robustos e concretos elementos comprobatórios da existência do crédito, ao passo que nenhuma prova há nos autos, que se resume a conjeturas de fatos. E patente o cerceamento do direito de defesa da impugnante, um vez que o auto de infração não discriminou cada espécie de receita a ser alcançada pelo lançamento fiscal, com sua efetiva e incontestável comprovação. Não foi juntado um único documento que seja que comprove o tanto quanto sustentado, não bastando a simples alegação de que houve falta de recolhimento de Cofins por diferença a menor na base de cálculo respectiva; padecendo de nulidade o auto de infração por embasar-se no arbítrio e na presunção da autoridade fiscal, sem amparo na lei. Afirma que 'presumindo e demonstrando que o crédito tributário foi constituído con, base em depósitos bancários não comprovados porque inexistentes que levariam ao acréscimo patrimonial a descoberto, como se fez demonstrar alhures, o agente fiscal cerceou o direito de defesa da Impugnante no Auto de Infração combatido, devendo, em decorrência disto, ser o mesmo declarado nulo" (tl. 932). Doutrina, jurisprudência e julgados administrativos são mencionados. PvL S2-CIT1 Fl. 1.562 Processo n° 10280.005450/2005-66. Acórdão n.° 2101-00095 e) A indicação dos motivos de fato e os dispositivos legais específicos, supostamente infringidos, não correspondem realidade dos acontecimentos. 0 dispositivo normativo apontado no lançamento é genérico, não guardando proximidade com os fatos ocorridos, restando violada a tipicidade tributária 933/936). fi A divergência apurada e que resultou nas diferenças lançadas congrega valores que não guardam relação material e jurídica com a hipótese de incidência, porque desconsideradas compensa cães efetuadas pela impugnante quando identificou a existência de créditos não cumulativos de Cofins. Parte dos créditos de Cofins foi apurada de forma -extemporânea, calculando-se e alocando-se contabilmente os mesmos depois da sua ocorrência e disponibilidade. Tais fatos teriam ocorrido nas competências de 07, 10 e 12/2004 e 01 a 03/2005, sendo que os mesmos não foram incluídos nas Dacon de suas competências, muito embora as retificações das mesmas já estarem sendo procedidas quando da finalização do procedimento fiscal. Deve ser anulado o lançamento, uma vez que se refere a tributo regularmente compensado e, portanto, extinto (fis. 939/941). g) Houve glosa indevida de créditos não cumulativos relativos prestagdo de serviços de transporte (fretes), ferindo-se de morte o principio da não cumulatividade. 0 regime não cumulativo do PIS e da Cofins não pode ser restringido, porquanto o legislador constituinte não estabeleceu nenhuma restrição à aplicação desse prin-:ipio, o que ocorre com determinados dispositivos das Leis es 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, cuja limitações não foram recepcionadas pela Emenda Constitucional n° 42. 0 frete é componente integrante e indissociável da cadeia de comercialização, compondo o custo das mercadorias als. 941/954). h) A base de cálculo considerada não guarda relação material e jurídica com a hipótese de incidência determinada pela legislação de regência. A Lei n` 9.718, de 1998, ao ampliar o conceito de faturamento criou nova fonte de manutenção e financiamento da seguridade social, padecendo, contudo, de vicio de con.slitucionalidade, uma vez que editada sob a égide da redação anterior do art. 195 da Constituição Federal (lis. 954/959). Há, também, inconstitucionalidade da Lei n°9.718, de 1998, em face de haver alterado disposições da Lei Complementar n° 7, de 1970, violando os princípios da hierarquia das normas e da segurança jurídica (l1s. 960/964). i) Existia (e ainda persiste), à época do pretenso fato gerador da obrigação tributária, liminar judicial dispensando a impugnante do recolhimento da Cofins sobre a parte de suas receitas que deram origem ao lançamento, que assim caracteriza-se como ato ilegal e atentatório ao Estado Democrático de Direito, uma vez que se encontrava impedida a autoridade fiscal de promover o formalização do crédito, tratando-se de ato que ofende ao princípio da razoabilidade (fls. 964/970). 4 Processo n° 10280.005450/2005-66 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00095 I Fl. 1.563 j) A multa imposta pelo pretenso descumprirrzento da obrigação principal é excessiva, afrontando o principio do não confisco, violando o direito de propriedade e a livre iniciativa, razão pela qual deve ser afastada ou reduzida, a no máximo 30% do valor lançado. Refere a inconstitucionalidade e ilegalidade da multa aplicada e cita jurisprudência (Jls. 971/974). I) A taxa SELIC não é passível de utilização ern matéria tributária, uma vez que corresponde a taxa de juros, representando fator de remuneração financeira, não servindo para corrigir débitos de qualquer natureza, ferindo o principio da legalidade e vulnerando o art. 150, Ida Constituição Federal. 0 art. 161, § I°, do CTN estabelece que, se a lei não dispuser em contrário, os juros serão de I% ao ?lies, sendo que a lei ordinária que estabeleceu o uso da taxa SELIG encontra-se contrária a lei complementar, pois esta só autorizou juros diversos de 1% se lei estatuir ern contrário, sendo que, para que a lei estabeleça taxa de juros diversa, essa taxa deverá ser criada, o que não é o caso da taxa SELIC. Cita jurisprudência emanada do STJ em apoio de sua assertiva (fls. 974/981). 3.Em face de tais alegações, requer seja reconhecida a inexistência do crédito tributário, seja declarado nulo o lançamento e, caso assim não se entenda, seja reduzida a multa e os juros lançados, protestando provar o alegado por todos os meios de prova admitidas em direito." Após analisar as razões da Recorrente, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Belem, proferiu o acórdão n° 01-9.541, por meio do qual manteve o auto de infração da forma como lançado, verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2005 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. A competência do auditor fiscal para. proceder ao exame da escrita da pessoa jurídica é atribuída por lei, não lhe sendo exigida a habilitação profissional típica de contador. 5 Processo no 10280.005450/2005-66 S2-C1T1 Acórdão n • ° 2101-00.095 Fl. 1.564 DESCRIÇÃO DOS FATOS. CAPITULAÇÃO LEGAL GENÉRICA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade do auto de infração quando este indica, dentre outras, a base normativa ern que se funda a pretensão fiscal. Ainda quando a capitulação legal apresente-se caracterizada pela generalidade, mas se faça presente o perfeito l enquadramento do tipo fiscal, com minudente descrição dos fatos, que possibilite ao contribuinte seu amplo direito de defesa, descabe falar-se em vicio do lançamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Na sistemática não cumulativa, a Cofins incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas incluídas as receitas operacionais e não operacionais, inclusive receitas financeiras, uma vez que in existe dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo respectiva. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INS UMOS. No cálculo da Cofins não cumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas relacionadas, por exemplo, a fretes. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A incidência de multa de mora e a exigência da taxa Selic, como juros moratórias, encontram supedâneo na legislação vigente, inexistindo qualquer vício no lançamento em face de os haver observado, no exercício de sua atividade vinculada, a autoridade fiscal." Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário — 11s. 1083/1159, por meio do qual reiterou as alegações inicialmente trazidas em sua impugnação, seja no tocante As preliminares argüidas: (i) ausência de termo de inicio e de encerramento da fiscalização; (ii) necessidade de o auditor federal ser contador habilitado pela CRC; (iii) cerceamento de defesa por falta do correto enquadramento legal e de provas; (iv) erro na capitulação com afronta ao principio da tipicidade cerrada; seja em relação ao mérito: (v) compensação de débitos com créditos extempordineos d COFINS nos termos do sistema não cumulativo; (vi) desconsideração dos créditos decorrentes do serviço dc frete em geral e especificamente para transporte de insumos; 6 Processo n° 10280.005450/2005-66 Acórdão n.° 2101-00.095 (vii) efeito confiscatório resultante da limitação do aproveitamento dos créditos decorrentes dos serviços de transporte; (viii) equiparação ao crédito presumido de IPI, em que a própria Receita Federal opina pelo aproveitamento do crédito decorrente do serviço de frete; (ix) sentença transitada em julgado proferida nos autos do processo judicial n° 1999.39.00.009583-5 e a inconstitueionalidade da majoração da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS trazida pela Lei n° 9.718/98; (x) inconstitucionalidade da multa e dos juros SELIC. o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora 0 Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim como relatado, a Recorrente alega preliminares clue levariam nulidade do auto de infração e devem ser analisadas em primeiro lugar. (i) ausência de termo de inicio e de encerramento da fiscalização Em primeiro lugar alega a Recorrente que o procedimento de fiscalização é nulo ern razão de inexistir Termo de Inicio e de Encerramento de Fiscalização. Realmente, viabilizar que os agentes fiscais atuem livremente, sem obedecer as regas administrativas que lhe são impostas pelo próprio 61.g -do ao qual estão vinculados, é fazer letra morta a segurança jurídica constitucionalmente prevista. Todavia, este não é o caso, dos autos. Após analisar os documentos formadores deste processo administrativo, verifiquei que os procedimentos que formalizam uma fiscalização foram devidamente observados pelos auditores fiscais. 0 primeiro documento apresentado pela fiscalização foi lo Mandado de Procedimento Fiscal —Fiscalização n° 02.1.01.00-2001-00717-5 (fls. 01), por Meio do qual se iniciou a fiscalização do IRPJ do ano de 2000. Em razão das verificações Obrigatórias dos últimos 5 anos, os demais tributos também foram analisados por meio do cotejo das declarações e registros contábeis. Em virtude de inconsistências constatadas entres os valores escriturados e aqueles efetivamente declarados/recolhidos, em novembro/2005 foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal — Complementar n° 02.1.01.00-2001-00717-5-1 (fls. 02). - 0 Termo de Inicio de Verificação do Recolhimento de Tributos e Contribuições referente às verificações obrigatórias, foi expedido após o primeiro MPF, em 18/12/03, quando a fiscalização iniciou a análise das verificações obrigatórias. Em razão da ausência de identidade entre os registros contábeis e as declarações ao Fisco, foi que houve a S2-C1T1 Fl. 1.565 Processo n° 10280.005450/2005-66 Acórddo n •° 2101-00.095 S2-C1T1 FL 1.566 necessidade de um MPF especifico, autorizando a fiscalização do PIS e Cofins de determinado período. Vários foram os Termos de Intimação e Re-Intimação da Recorrente para apresentação de documentos e manifestação acerca das constatações da fiscalização. Ern relação ao Termo de Término da Fiscalização, a própria intimação do auto de infração, que foi realizada pessoalmente, tendo sido intimado o diretor da companhia, por si só é suficiente. Ante o exposto, nego provimento a alegação de nulidade com base em suposto vicio formal. (ii) necessidade de o auditor federal ser contador habilitado pela CRC Em relação a este tópico não são necessárias muitas digressões, sendo que já está pacificado, neste Egrégio Conselho de Contribuintes, o entendimento de desnecessidade de o auditor federal ser contador habilitado pelo Conselho Regional de Contabilidade — CRC. . Neste sentido, cito a Súmula n° 5, verbis: "0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não The sendo exigida a habilitação profissional de contador." Em razão dos argumentos aduzidos, voto no sentido de negar provimento alegação da Recorrente. (iii) cerceamento de defesa - falta de enquadramento legal e de provas Neste ponto, a Recorrente pretende a nulidade da autuação sob o argumento de que a legislação indicada no auto de infração como infringida não é suficiente para tipificar a sua conduta. Alega que a indicação foi genérica e insuficiente. Ademais, faltariam provas para a constatação do fato que lhe foi imputado. Sem razão a Recorrente. A análise dos autos é suficiente para verificar que a autoridade administrativa atuou com zelo, trazendo a colação as declarações fiscais e os registros contábeis, além de intimar diversas vezes a empresa para esclarecimentos e apresentação dos documentos necessários a contrapor os fatos alegados. Adoto, ainda, por razões de decidir, a fundamentação da decisão de primeira instância administrativa que analisou especificamente a questão: "A impugnante sustenta que haveriam sido omitidos os motivos de fato na lavratura do lançamento, deixando-se de evidenciar, item por item, as bases da autuação, não se indicando a metodologia de cálculo empregada, faltando ao lançamento a clareza necessária it sua compreensão, bem como não haveriam sido carreados aos autos elementos ,concretos comprobatórios da existência do crédito, acarretando verdadeiro cerceamento ao seu direito de defesa. Processo n° 10280.005450/2005-66 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00095 Fl. 1.567 Verifica-se, contudo, em mero exame dos autos, que integram o auto de infração cientificado à contribuinte as planilhas de fls. 822/861, das quais consta minudente descrição, mês a riles, das operações trazidas a base de cálculo da obrigação tributária (receitas de códigos 5.12 e 6.12, receitas de prestação de serviço, receitas de aluguéis, receitas financeiras, receitas operacionais e não operacionais), das exclusões apuradas e empreendidas (entradas de mercadorias bonificadas, devoluções, cancelamentos e receitas isentas) e de todos os cálculos, constantes de demonstrativos analíticos, efetuados para apuração do tributo devido, de tal forma a permitir, inclusive a leigos, a compreensão dos fatos que deram azo ao lançamento. Verifica-se, ainda, que embora a impugnante afirme desconhecer os fatos e a metodologia empregada no levantamento fiscal, a verdade é que, como comprovam os Termos de fls. 197/198, 511 e 819/820, foi reiteradamente chamada, no curso da ação fiscal, a manifestar-se acerca das Planilhas em questão, sendo-lhe expressamente franqueada a possibilidade de apontar divergências, omissões ou falhas que viesse a detectar, faculdade da qual inclusive fez uso, em mais de uma oportunidade (documentos de fls. 357 e 714), apontando divergências que foram prontamente acatadas pela autoridade fiscal (17. 511 e 819). Nota-se também que, encaminhadas para análise e manifestação prévia (fls. 819/820), encontra-se nas planilhas finais, referentes a Cofins Não Cumulativa de 02/2004 a 03/2005, em cada uma delas (fls. 821/861), a aposição da assinatura do contador e procurador da interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Procuração Pública de fl. 06), que as visou e nelas não verificou qualquer divergência em relação a escrita da representada. Logo, é de causar mesmo estranheza que, havendo colaborado ativamente com a confecção dos demonstrativos de cálculo em tela, passe a contribuinte, de forma súbita, a argüir a obscuridade destes, os quais, reafirme-se, apresentam disposição metódica de todos os passos tendentes ao cálculo do tributo devido, facilmente inteligíveis. De outro lado, quanta a alegada ausência de "elementos concretos compro batórios da existência do crédito", cumpre referir que a matéria de prova que comporta o caso sob exame, no interesse da ação fiscal, prende-se à demonstração das receitas sumariadas nos demonstrativos de fls. 833, 859, trazidas a composição das respectivas bases tributáveis. Nesse aspecto, também resta evidenciado, nos autos, que não assiste qualquer razão à impugnante. Com efeito, no que diz respeito as receitas identificadas, nos referidos demonstrativos, como "Receitas Códimos 5.12/6.12", relacionadas de forma analítica nas planilhas "Faturamento Mensal Conforme Livros Fiscais de AP. ICMS", tem-se a declaração da autoridade fiscal de que as mesmas foram extraídas dos Livros do sujeitos passivo (o de Apuração do ICMS, mais especificamente), tratando-se de elemento que se encontra, notoriamente, a disposição da impugnante que, acaso 9 Processo n° 10280.005450/2005-66 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00095 Fl. 1.568 houvesse encontrando qualquer divergência, poderia facilmente comprová-la. Afora este aspecto de caráter geral, encontra-se a LI. 357 dos autos declaração emitida pelo contador e procurador da interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil ue confirma tratar-se de receitas que se acham em • conformidade com os registros fiscais da impugnante, a qual somente poderia infirmar sua própria declaração com a trazida aos autos de elementos de prova do alegado, o que não se deu na espécie. Quanto ás receitas de presta cão de serviço, receitas de alicztráis, receitas financeiras e receitas operacionais e não - operacionais, tern-se a declaração da autoridade fiscal, nos referidos demonstrativos, de que as mesmas foram extraídas dos "Balancetes Mensais Apresentados (Cópias Anexas)" e, efetivamente, encontram-se estampadas em tais Balancetes, trazidos aos autos como Anexo I, as receitas em questão, em • exata correspondência de valores, como se pode exemplificar indicando-se o cotejo entre os valores lançados a fl. 833 (Demonstrativo Apuração da Base de Cálculo da Cofins Não Cumulativa de Fevereiro a Dezembro de 20042), relativamente ao mês 02/2004, e às fls. 44 e 46 do Anexo I (Balancetes da impugnante para o período 01/02/2004 a 29/02/2004). Antecipe-se ix in2pugnante, a propósito, que o balancete é uma das demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela pessoa jurídica (como se infere do art. 163 da Lei le 6.404, de 1976 — Lei das SA —, além de outros dispositivos desta Lei), devendo ser elaborado com base na escrituração da companhia, e devendo exprimir com clareza a situação do seu patrimônio e as mutações ocorridas (caput do art. 176 da Lei n° 6.404, de 1976). Nesse mesmo sentido, a Norma Brasileira de Contabilidade — Técnica (NBC T) n°2.7, dispõe que o balancete de verificação do raziio é a relação de contas, com seus respectivos saldos, extraída dos registros contábeis em determinada data. Esclareça-se, ainda, eu impugnante, que as Normas Brasileiras de Contabilidade, expedidas com fundamento na competência atribuida pelo Decreto-Lei n°9.295, de 1946, estabelecem regras de conduta profissional e ' procedimentos técnicos a serem observados quando da realização dos trabalhos previstos na Resolução CFC n° 560, de 1983, ern consonância corn os principios fundamentais de Contabilidade, sendo que a inobservcincia de Normas Brasileiras de Contabilidade constitui infração disciplinar, sujeita as penalidades previstas nas alíneas "c", "d" e "e" do art. 27 do Decreto-lei n°9295. de 1946. Assim sendo, evidenie é que foram carreados aos autos elementos concretos comprobatórios das bases de cálculo utilizadas pela autoridade fiscal as fls. 822/861. Assinale-se, ainda, que a verificação por amostragem do cumprimento das obrigações tributárias, a que se refere a autoridade fiscal, diz respeito aos conceitos relacionados a Esta tistica Descritiva, e não aos de Estatística Indutiva. Ou seja, 4k. 10 S2-C1.T1 Fl. 1.569 Processo n° 10280.005450/2005-66 Acárdao n.° 2101-00.095 o Fisco, partindo da verificação fcitica do inadimplemento de determinadas obrigações tributcirias, não deduziu a existência de outras obrigações tributárias igualmente nab adimplidas. 0 que fez foi, tão somente, formalizar a relação jurídico-tributária, via auto de infração, das obrigações tributcirias não cumpridas nos períodos amostrados. Cumpre elucidar à impugnante, por Ultimo, que o presente processo administrativo fiscal não trata ou guarda qualquer relação com "depósitos bancários não comprovados ou acréscimo patrimonial a descoberto", fazendo-se desprovida de qualquer sentido ou pertinência sua afirmação, nesse sentido, constante da pega impugn atória, aft 932. A conclusão óbvia que resta, em face dos fatos acima expostos, é que inexiste o cerceamento do direito de defesa argüido pela I impugnante." (destaquei) Em vista do exposto, nego provimento à alegação da Recorrente. (iv) erro na capitulação com afronta ao principio da tipicidade cerrada Da mesma forma não procede a alegação de erro de capitulação legal. É cediço que a lei é genérica, os fatos é que são específicos. Assim, ainda que o Idispositivo legal indicado seja genérico, referindo-se a infração e estando a situação Mica devidamente demonstrada, não há que se falar em nulidade. No caso em apreço os fatos foram esclarecidos A Recorrente em várias oportunidades, ao menos a cada Intimação . e Re-Intimação de apresentação de documentos e esclarecimentos. As planilhas demonstrativas não deixam dúvidas do que foi autuado, e tal assertiva é ainda corroborada pela Recorrente que apresenta Recurso Voluntário de mais de 100 páginas. Impossível alguém escrever 100 páginas sem saber do que está se defendendo, sendo certo que a defesa é especifica e cita situações iinicas da Recorrente, sua atividade, suas notas fiscais, suas peculiaridades. Logo, nego provimento A. preliminar aduzida. Analisada:, as preliminares aduzidas, passo a considerar as argumentações de mérito trazidas pela Recorrente. (v) compensação de débitos com créditos extemporâneos de COFINS nos termos do sistema não cumulativo Alega a Recorrente, dentre seus argumentos, que parte dos valores autuados não existem, resultam da desconsideração, por parte do Agente Fiscal, da compensação extemporânea de créditos tributários de PIS e Cofins, créditos estes decorrentes de insumos do sistema não cumulativo. A prova, alega a Recorrente, foi indicada pela própria Delegacia de Julgamento nos termos da decisão de primeira instância: "Cumpre consignar, contudo, que o presente argumento, nos moldes em que coligido, faz-se inoponivel ao lançamento, haja vista que, primeiramente, trata-se de matéria a qual não dispensa prova material, não se havendo desincumbido a 11 Processo n° 10280.005450/2005-66 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.095 Fl. 1.570 defendente de demonstrar a existência de tais créditos, como comprovam os documentos que fez juntar aos autos (fls. 1110/1146), incidindo na espécie a máxima de que alegar e não comprovar é o mesmo que não alegar. De outro lado, a' metodologia que haveria sido empregada pela contribuinte para' "apuração e aproveitamento" de tais créditos, ao que descreveu,' não se mostra adequada a finalidade colimada.' Argumenta a Recorrente que os documentos de fls. 1110/1146 seriam suficientes para comprovar a existência de seus créditos. Após computar os autos, constatei que os documentos mencionados são cópias do livro razão da empresa, razão pela qual concordo com a decisão de primeira instancia administrativa que concluiu pela insuficiência de provas. Ressalto que não se trata de limitar a compensação de créditos de PIS e Cofins extemporâneos, ou de restrições ao sistema não cumulativo. Os créditos não aproveitados, desde que respeitado o prazo de 5 anos, podem ser utilizados po isteriormente,mas preciso que sejam devidamente comprovados. O sistema não cumulativo para PIS e COFINS é complexo e os créditos apenas são admissíveis se estiverem vinculados à atividade da empresa. A única forma de a fiscalização constatar o direito ao crédito é a apresentação, pela Recorrente, de documentação suporte suficiente para a comprovação de que os insumos geradores do crédito estão vinculados ao seu objeto social. No caso em apreço não houve qualquer comprovação neste sentido, apenas a indicação de folhas do livro razão que justificam o não recolhimento das contribuições por compensação. Nestes termos, por ausência de provas, indefiro o pleito da Recorrente. (vi) desconsideração dos créditos decorrentes do serviço de frete em geral e especificamente para transporte de insumos Assim como já esclareci cm julgados anteriores, tenho entendido que a não cumulatividade do PIS/Cofins é diversa daquele sistema não cumulativo ate então conhecido, relativo ao IPI e ICMS. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o inicio de sua "existência", pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPJACMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença toma evidente a distinção dos regimes nã O cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito no cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase l em que ele se encontre), estar-se-á diante da cumulação de carga tributária. 0 reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. 12 Processo n° 10280.005450/2005-66 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00095 Fl. 1.571 Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições refere-se à receita da pessoa jurídica. E em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco, in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), sac) Paulo: IOB Thomsom, 2004: "Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IP.1" é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir, a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto 'receita 'e não 'produto'." O critério "receita", ao contrário do critério "produto", não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, "um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa". lnexiste tributo de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto, de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI/ICMS que pretende a compensação de "imposto sobre imposto", importando-se com o valor despendido a titulo de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a titulo de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidênCia tributária. contribuinte terá direito ao credito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a titulo de PIS/Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributdriO. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte tell direito á. grandeza de 9,25% de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não e o valor gasto a titulo de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPVICMS. Tenho para mim que o legislador infra-constitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação especifica, ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz I de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Assim, o sistema não cumulativo do PIS/Cofins pretende a desoneração da receita das empresas por meio da concessão de créditos aos contribuintes, credito estes que justamente por serem benefícios, devem estar expressamente previstos em lei. São estes créditos que estão em discussão nos presentes autos, pois alega a Recorrente que o valor devido não está correto em virtude da existência de credito decorrente de gastos com o transporte de mercadorias adquiridas para revenda (o que laqui denomino "frete normal") e de gastos com transporte entre seus estabelecimentos, centro de distribuição e ponto de venda (o que aqui denomino "frete intermediário"). 13 S2-CITI Fl. 1.572 Da legislação depreende-se que alguns créditos expressamente previstos em lei são objetivos e aplicáveis para qualquer pessoa jurídica que esteja no sistema não cumulativo de PIS/Cofins - itens IV a X do artigo 3° das Leis n° 10.637/02 e 11.033/03 - cito como exemplo: energia elétrica, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, etc). 0 crédito pleiteado pela Recorrente não se encontra dentre estes créditos "universais". Cada espécie de crédito pleiteado pela Recorrente tem urna fundamentação legal. 0 crédito decorrente do frete normal está pautado no inciso I do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, enquanto aquele resultante do frete intermediário, fundamenta-se no inciso II deste IrieS1110 artigo 3° Passo a analisar o credito decorrente do frete normal. Dispunha o inciso I do art. 3° das Leis n° 10.637/02 - PIS (replicados no artigo 3° da 10.833/03 que trata da não cumulatividade da Cofins) quando da ocorrência dos fatos geradores autuados: "Art. .32 Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: LEGISLAÇÃO EM 2002: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação as mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 30 do art. 1°; LEGISLAÇÃO EM 2004: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação as mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3' do art. 12 desta Lei; e (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) b) no § 1 2 do art. 20 desta Lei; (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) O credito previsto no inciso I do artigo 3' das Leis 10.637/02 e 10.833/03 é aplicável para as pessoas jurídicas que tem, como objeto, apenas a atividade comercial, a compra e venda de produtos. Neste sentido, nos termos da lei, conferem direito a credito os bens adquiridos para revenda. Assim, para aproveitar o crédito de PIS/Cofins não cumulativo as empresas comerciais têm que comprovar que o valor pleiteado decorre de custo com mercadorias adquiridas para revender a terceiros. A Recorrente pleiteia valores referentes a fretes que teriam 'sido realizados para transportar os bens que adquiriu para revenda. Desenvolve, portanto, o raeiocinio de que tais despesas representam custo de aquisição do produto que sera. comercializado. Correto o raciocínio teórico da Recorrente. A questão, no caso, é contábil. Neste sentido cito trecho do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações,6a Edição, Editora Atlas, página 119, autores: Eliseu Martins, Sérgio Iudibibus e Ernesto Rubens Gelbcke: 14 4k Processo n° 10280.005450/2005-66 Acórdão n.° 2101 -00095 "Um primeiro aspecto a ser considerado sobre o custo no caso de matérias-primas e outros itens dos estoques, exceto os produtos em processo e acabados, é saber o que representa e o que inclui tal custo. Esses tipos de itens tem normalmente seu custo identificado pela documentação e compra (Notas Fiscais etc). Todavia, o conceito de custo de aquisição é que deve englobar o preço do produto comprado, mais os custos incorridos adicionalmente, até estar o item no estabelecimento da empresa. Neste sentido, os custos de embalagem, transporte e seguro, quando por conta da empresa, devem ser considerados como parte do custo de aquisição e debitados a tais estoques." Entendo, portanto, que o custo do frete do transporte do bem adquirido para revenda, do vendedor até a Recorrente, é custo de aquisição e pode dar direito a credito desde que reste comprovado que: (i) a despesa foi suportada pela Recorrente e (ii) trata-se efetivamente de mercadoria para revenda. Ocorre que, no caso em apreço, a Recorrente não realizou as provas necessárias para justificar o crédito. Os documentos acostados aos autos lido são suficientes para se constatar tais fatos, o crédito de PIS/Cofins cumulativo depende de provas especificas. • I • A atividade da Recorrente é extremamente diversificada sendo que parte dos produtos que comercializa, mesmo que sejam bens para revenda, não geram créditos por estarem inseridas em exceção legal: "I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias -e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3° do art. 1° A titulo de exemplificação, não concedem credito produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, autopeças, entre outros. Logo, não se admite a certeza do crédito pela simples anexação dos conhecimentos de transporte, do livro de registro de entradas ou do razão. Tais provas são insuficientes e não vinculam o objeto transportado à mercadoria revendida, assim como a natureza desta mercadoria. Desta forma, indefiro as alegações da Recorrente bm razão de não ter sido demonstrada a existência do credito pleiteado. Melhor sorte não alcança o crédito decorrente do frete intermediário. Dispunha o inciso II do art. 3 0 das Leis n° 10.637/02 - PIS (replicados no artigo 30 da 10.833/03 que trata da não cumulatividade da Cofins) quando da ocorrência dos fatos geradores autuados: • "Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: LEGISLAÇÃO EM 2002: if - bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; LEGISLAÇÃO EM 2003: w S2-CITI Fl. 1.573 Processo e 10280.005450/2005-66 Acórdão n.° 2101-00095 15 52-C1T1 Fl. 1.574 II — bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços', inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei n° 10.684, de 30.5.2003) LEGISLAÇÃO EM 2004: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 22 da Lei n2 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004)". A meu ver, o fato de a desoneração ser da receita significa que o crédito não é limitado aos insumos que tenham contato com o produto final ou à atividade industrial. Todas as atividades têm direito a crédito no sistema P1S/Cofins cumulativo, é preciso 'que: (i) o contribuinte esteja no regime não-cumulativo; (ii) adquira insumo que tenha sido tributado; (iii) tal insurno seja utilizado na prestação de serviços, na produção ou fabricação de produtos destinados .6. venda. 0 limitador do credito passa a ser a atividade da empresa, que definirá quais insumos são essenciais para a consecução de seu objeto social. Assim, se a empresa for produtora, importam os insumos relacionados à produção dos produtos. Se for fabricante, os custos com fabricação. Ainda, se for prestadora de serviços, sera necessario verificar os componentes imprescindíveis para que o serviço seja prestado. De qualquer forma, para o aproveitamento do crédito, é imprescindível a criação de determinado serviço ou produto pela empresa. Neste sentido, empresa que não produz nada (mercadoria ou serviço) não pode utilizar crédito decorrente de insumos no que se refere ao PIS/Cofins não cumulativo. E é exatamente esta a situação em análise. A Recorrente é empresa do ramo do comércio varejista, possui grandes lojas e magazines (fls. 1165/1167— Conforme se verifica do seu estatuto social, a Recorrente não é prestadora de serviços e não possui produção ou fabricação, apenas compra e revende mercadorias fabricadas por terceiros, exceção feita ao item VII, -fabricação de confecções do vestuário em gem!, cama mesa e banho, além de refrigerantes em seus diversos tipos, água mineral e móveis em geral, atividade industrial prevista na razão social". Isto 6, a única hipótese de se conceder créditos decorrentes do custo com fretes intermediários seria se houvesse a comprovação de que tais fretes transportaram insumos utilizados na atividade fabril da Recorrente. Todavia, não há qualquer denionstração neste sentido. Ou seja, se a Recorrente tivesse comprovado adequadamente a razão pela qual fez a contratação dos fretes, teria êxito em seus argumentos, todavia, não é possível, da verificação dos documentos acostados, saber qual foi a utilização dos transportes, se vinculado Processo n° 10280.005450/2005-66 Acórdão n.° 2101-00095 16 Processo ri ° 10280.00545012005-66 52-CITI Acórdão n.° 2101 -00.095 Fl. 1.575 atividade incentivada ou não. Desta forma, indefiro o pleito da Recorrente, seja para o frete em geral, ou especifico para insumos, por falta de comprovação das alegaçõeg. (vii) efeito confiscatório resultante da limitação do aproveitamento dos créditos decorrentes dos serviços de transporte Em relação as alegações de confisco em virtude da limitação ao aproveitamento dos créditos pleiteados pela Recorrente importa registrar que a via administrativa não é apta para discutir a constitucionalidade das normas tributárias, conforme já pacificado por este Egrégio Conselho de Contribuintes: "SÚMULA No 2 0 Segundo Conselho de Contribuintes não e competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributtiria." - Ademais, o credito tributário é beneficio, e para poder usufruir o contribuinte tem que atender os pressupostos legais. A intenção do legislador não foi desonerar o simples comerciante, mas incentivar o produtor, fabricante, criador de serviços. A simples "intermediação" por assim dizer aqueles que nada criam, apenas vendem, não estd contemplada entre os beneficiados, razão pela qual não sofrem "confisco" por não terem a si aplicado o crédito tributário. (viii) equiparação ao credito presumido de IPI, em que a própria Receita Federal opina pelo aproveitamento do crédito decorrente do serviço de frete Conforme esclareci ao tratar do crédito de PIS/Cofins, apesar de possuírem algumas similaridades, não há identidade entre a não cumulatividade do IIPI/ICMS e do . PIS/Cofins. Da mesma forma, afirmo que o crédito presumido de IPI (que em verdade nada mais é do que crédito de PIS/Cofins) difere-se totalmente, em relação à sistemática, do credito do sistema não cumulativo. Em virtude deste fato, não é possível aproveitar o entendimento que a Receita Federal externou naqueles casos para estes. (ix) sentença transitada em julgado - processo n° 1999.39.00.009583-5 e a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS trazida pela Lei n° 9.718/98 Em relação à alegação de aplicação, ao caso in concreto, da decisão judicial proferida nos autos do processo judicial n° 1999.39.00.009583-5, acertado O entendimento trazido pela decisão de primeira instância administrativa. A discussão judicial 'girou em torno da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo trazido pela Lei n° 9.718/98, que alterou de faturamento para totalidade de receitas a base de cálculo do PIS/Cofins e a presente autuação alcançou períodos submetidos h. Lei n° 10.637/02, estando o contribuinte já sob o regime da não cumulatividade. Cito a decisão de primeira instância: "0 provimento jurisdicional a que se refere, contudo, vincula-se ao pedido formulado na lide, no sentido de que as autoras "sejam autorizadas a recolherem o PIS e a COFINS, tomando por base de cálculo aquela prevista na Lei Complementar n° 70/94.), sem as regras previstas na Lei 9.718/98" al. 1134). Por sua vez, a parte dispositiva da respectiva sentença limita-se FABIOLA CASSIA1 KE a MIDAS 0 Processo n° 10280.005450 12005-66 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.095 Fl. 1.576 a "autorizar os autores a utilizar, ern relação aos recolhimentos efetuados a partir de 1° de fevereiro de 1999, a base de cálculo da COFINS e do PIS prevista na Lei Complementar n° 70/91 j" N. 1145). Logo, dúvida não há de que o present lançamento, que se refere a débitos de PIS não cumulativo, 1 apurados nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, não encontra qualquer óbice em face da tutela judicial em apreço, a qual não alcança a nova normatizacdo conferida à matéria, exibindo objeto diverso daquele tratado no presente processo administrativo, inexistindo, no caso concreto, qualquer ofensa ao principio da razoabilidade. Aliás, registre-se que o argumento colacionado pela impugnante faz-se mesmo despropositado, na medida em que, embora sustente a incidência da Lei Complementar n° 70, de 1991, por força da tutela judicial em questão, ela própria, na apuração do PIS devido, aplica e invoca a aplicação das regras da não cumulatividade introduzidas pela Lei n° 10.637, de 2002, incidindo em clara contradição lógica." (destaquei) Inexistente, portanto, qualquer relação entre o presente processo administrativo e citado processo judicial. No tocante as alegações de inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo melhor sorte não assiste à Recorrente, uma vez que se trata de matéria estranha aos autos. (x) inconstitucionalidade da multa e dos juros SELIC. No tocante à incidência da foulta na grandeza de 75%, também não está com razão a Recorrente. A penalidade está legalmente prevista, e seus aspectos constitucionais deverão ser discutidas em seara própria, diversa do âmbito administrativo, nos termos, inclusive, da Súmula n°2 do Segundo Conselho de Contribuintes. Finalmente, com relação à alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, o art. 13 da Lei n° 9.065/1995 dispõe expressamente que, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. Por sua vez, o Código Tributário Nacional prevê qu e. os juros 'moratórios serão calculados A. taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1°). No caso, a Lei dispôs de modo diverso, estando, também, em consonância com o CTN. Fica claro, portanto, que não há qualquer ilegalidade no cálculo dos juros de mora efetuado com base na taxa SELIC e que possível inconstitucionalidade deverá ser discutida judicialmente — Súmula n°2 do Segundo Conselho de Contribuintes. I Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso no que se refere ãs alegações de constitucionalidade e CONHEÇO das demais matérias para o fim de NEGAR PROVIMENTO dos demais argumentos. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009 18
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000411/2004-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/08/2003
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº103. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme disposição da Súmula CARF nº 103. No caso concreto, não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, a qual, por tratarse de norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, 17 de agosto de 2007, quando era estabelecido limite de alçada inferior àquele.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS VALORES EXONERADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A interpretação do inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, afasta a atualização monetária dos tributos e encargos de multa para a verificação do limite de alçada para o recurso de ofício.
Numero da decisão: 9303-008.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 29/08/2003 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº103. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme disposição da Súmula CARF nº 103. No caso concreto, não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, a qual, por tratarse de norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, 17 de agosto de 2007, quando era estabelecido limite de alçada inferior àquele. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS VALORES EXONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. A interpretação do inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, afasta a atualização monetária dos tributos e encargos de multa para a verificação do limite de alçada para o recurso de ofício.
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Súmula CARF nº 103 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FAZYFIL COMERCIO DE LINHAS E AVIAMENTOS LTDA ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/08/2003 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº103. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme disposição da Súmula CARF nº 103. No caso concreto, não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, a qual, por tratarse de norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, 17 de agosto de 2007, quando era estabelecido limite de alçada inferior àquele. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS VALORES EXONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. A interpretação do inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, afasta a atualização monetária dos tributos e encargos de multa para a verificação do limite de alçada para o recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 04 11 /2 00 4- 27 Fl. 1279DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de multa por dano ao erário, em face de interposição fraudulenta, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, no valor de R$ 845.453,81. A contribuinte foi cientificada da autuação em 23/04/2004 (efl. 392). A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 21/05/2004, às e fls. 406 a 413. A 2ª Turma da DRJ/FNS apreciou a impugnação em 17/08/2007, prolatando o acórdão nº 0710.456, às efls. 1212 a 1228, no qual, por maioria de votos, decidiu anular o lançamento, por este não conter a descrição correta e clara dos fatos que possibilitem a identificação exata da matéria tributável. Além disso, nos termos da legislação então vigente, Decreto nº 70.235/1972, art. 25§ 1ºe art. 34, inc. I e Portaria MF nº 375 de 07/12/2001, o Presidente daquela Turma recorreu de ofício ao então Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Já o recurso de ofício foi analisado na 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 18/09/2009, às efls. 1239 a 1243, que, no acórdão nº 3101 00.246, por unanimidade de votos, dele não conheceu, conforme se pode verificar pela ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. LIMITE DE ALÇADA. Não se conhece do recurso de oficio interposto, quando o crédito tributário exonerado situase abaixo do limite de alçada fixado pela Portaria MF nº 3. de 03 de janeiro de 2008 (Publicado no D.O.U de 07/01/2008). O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Recurso especial da Fazenda Intimada do acórdão nº 310100.246 em 20/01/2011 (efl. 1253), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às efls. 1254 a 1259, em 24/01/2011 (efl. 1266). Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10074.000411/200427 Acórdão n.º 9303008.203 CSRFT3 Fl. 1.280 3 A Procuradora, em seu recurso, apóiase nos acórdãos paradigmas nº 105 17.306 e nº 20171.110. Nos paradigmas tratarseia de valores exonerados após atualização monetária, e não em valor originário como no acórdão recorrido, sendo este valor referente a fato gerador de 2003 e a decisão de 2007, certamente atingindo o limite de alçada. Em 06/02/2012, o então Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de admissibilidade nº 3100032, às efls. 1267 e 1268, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, deu seguimento ao recurso apenas com base no acórdão 10517.306, pois o de nº 20171.110 fora prolatado em época na qual vigia legislação distinta. Por meio do Edital de Intimação nº 42, de 26/06/2012, publicado no Diário Oficial da União, Seção 3, em 11/07/2012 (efl. 1274), a contribuinte foi intimada para ciência do acórdão nº 310100.246 e do Despacho nº 3100032 relativos aos recursos do presente processo, sem apresentar qualquer manifestação nos autos até o momento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso voto por conhecêlo. A matéria sobre a incidência da nova norma processual com relação ao limite de alçada, já foi muitas vezes enfrentada no CARF, encontrandose pacificada pela edição da Súmula CARF nº 103, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A questão que também propõe a Procuradora referente a apreciação do limite de alçada em face da atualização do crédito em litígio, não enfrentada em nenhum dos acórdãos que deram base à precitada Súmula CARF nº 103, me parece igualmente inaceitável. Entendo que bastaria apreciar a evolução do inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 PAF, para que se verifique não mais haver tratamento de atualização monetária dos valores lançados naquele dispositivo, senão observemos: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo ou de multa de valor originário, não corrigido monetariamente, superior a vinte vezes o maior salário mínimo vigente no País; Fl. 1281DF CARF MF 4 I exonerar o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário de valor total (lançamentos principal e decorrentes), atualizado monetariamente na data da decisão, superior a 150.000 (cento e cinqüenta mil) Unidades Fiscais de Referência (Ufir).(Redação dada pela Medida Provisória nº 367, de 1993) I exonerar o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário de valor total (lançamentos principal e decorrentes), atualizado monetariamente na data da decisão, superior a 150.000 (cento e cinqüenta mil) Unidades Fiscais de Referência (Ufir).(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Iexonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes)a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda;(Redação dada pela Medida Provisória nº 1.602, de 1997) I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...). O inciso I, em sua redação original expressamente afastava a correção monetária do limite de alçada. Posteriormente, com o advento da UFIR, a indexação foi posta na norma, mas já a partir de 1997, passada a era da indexação da economia em face da anterior inflação desenfreada, desaparece a indexação pela UFIR e estabelecese um valor em moeda com base em ato do Ministério da Fazenda, afirmando sempre que a exoneração é do pagamento de tributo e encargos de multa, sem citar qualquer correção ou juros sobre eles. Já o artigo 1º da Portaria MF nº 3 de 03/01/2008, vigente à época do julgamento do acórdão nº 310100.246, repetia a redação do PAF, apenas definindo o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Logo, com a devida vênia da Procuradora, não há como aceitar a correção pretendida. Além disso, a leitura do brevíssimo relatório e do curto voto do único paradigma admitido, às efls. 1263 e 1265, respectivamente, não permite a certeza de o citado "valor exonerado, atualizado até 24/10/2008", tratarse de uma obrigatoriedade ou apenas de um reforço de argumento, segundo o qual, ainda que atualizado não atingiria o limite de alçada da Portaria aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10074.000411/200427 Acórdão n.º 9303008.203 CSRFT3 Fl. 1.281 5 Fl. 1283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962495/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.805
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
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Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 49 5/ 20 08 -1 3 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10880.962495/200813 Resolução nº 3201001.805 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.642. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10880.962495/200813 Resolução nº 3201001.805 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10880.962495/200813 Resolução nº 3201001.805 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10880.962495/200813 Resolução nº 3201001.805 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001467/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ
Exercício: 2005.
OMISSÃO DE RECEITA. EXTRATOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO
LEGAL. REQUISITOS.
A norma que permite a presunção legal de omissão de receitas para créditos bancários cuja origem não é explicada pelo contribuinte exige a análise individualizada destes ingressos. A intimação que indaga sobre créditos bancários sintetizados não atende aos requisitos estabelecidos no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005.
NULIDADE.
É nulo o auto de infração lavrado em contradição com a base legal apontada. É nulo o auto de infração que não apresenta provas do que afirma. É nulo auto de infração que evidencia forte possibilidade de erro grosseiro de apuração da ordem de 100 vezes os possíveis fatos tributáveis.
Numero da decisão: 1101-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o
lançamento, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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SI-CITI Fl. 855 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.001467/2009-41 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.786 — la Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 9/8/2012 Matéria Auto Infração IRPJ Recorrente Plastiplex Plásticos Ltda Recorrida 7' Turma da DRJ em São Paulo II I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 2005. OMISSÃO DE RECEITA. EXTRATOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. REQUISITOS. A norma que permite a presunção legal de omissão de receitas para créditos bancários cuja origem não é explicada pelo contribuinte exige a análise individualizada destes ingressos. A intimação que indaga sobre créditos bancários sintetizados não atende aos requisitos estabelecidos no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005. NULIDADE. É nulo o auto de infração lavrado em contradição com a base legal apontada. É nulo o auto de infração que não apresenta provas do que afirma. É nulo auto de infração que evidencia forte possibilidade de erro grosseiro de apuração da ordem de 100 vezes os possíveis fatos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. 1 CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Processo n° 19515.001467/2009-41 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 856 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, João Carlos de Figueredo Neto, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação a auto de infração. Em 19/05/2009, é lavrado termo de verificação fiscal (proc. fls. 656 a 662). No relatório a fiscalização diz que intimou e reintimou a empresa a apresentar livros e documentos. Informa que solicitou os extratos bancários e, frente ao não atendimento, solicitou RMF. Explica que intimou a empresa a esclarecer a origem de alguns ingressos nas contas bancárias e que, como não teve resposta, lavrou o auto de infração por omissão de receitas (proc. fls. 663 a 684). Diz que a receita declarada foi de R$ 7.131.788,78, a movimentação financeira com base nos extratos foi de R$ 1.625.363.694,71, e a diferença encontrada de R$ 1.618.231.905,93. Foi aplicada a sistemática do lucro arbitrado e a multa foi majorada em 50%. Em 28/05/2009, o contribuinte é cientificado, por correspondência com AR do auto de infração e termo de encerramento (proc. fls. 690 a 693). Foram intimados Sergio Mauro Trachtenbeg, Valter Orlando de Vecchi, e Antonio de Lima. Em 26/06/2009, o contribuinte apresenta impugnação (proc. fls. 694 a 698, 716 a 720, 737 a 741, 759 a 763). Diz que recebeu os autos de infração desacompanhados do relatório de verificação fiscal e isso impede sua defesa. Pede a entrega do termo de verificação e de outros documentos, com a conseqüente reabertura de prazo para defesa. Alega que a cobrança feita no auto de infração não abateu os valores de tributos pagos. Sustenta que os extratos deveriam ter sido enviados e diz que o lançamento não corresponde a sua movimentação financeira. Em 8/10/2009, a 7a Turma da DRJ em Sao Paulo considera improcedente a impugnação (proc. fls. 786 a 794). 0 voto condutor diz que o auto não é nulo porque foram atendidos os requisitos legais e não houve cerceamento de defesa, pois o contribuinte demonstra conhecer a acusação. Adiciona que as reclamações do contribuinte são quanto a fatos anteriores ao lançamento, na fase de investigação. Fala da presunção legal de omissão de receita estabelecida no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, e que o contribuinte nem na impugnação comprovou a origem dos depósitos. Diz que não há porque descontar os impostos pagos do lançamento, porque este foi feito com base nos depósitos não explicados. Explica que não é possível fazer juizo de constitucionalidade em julgamento administrativo. Em 08/12/2009, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fl. 809). Em 5/01/2010, o contribuinte apresenta seu recurso voluntário, onde repete seus argumentos (proc. fls. 811 a835). 2 Processo n° 19515.001467/2009-41 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 857 Adiciona que continua sem poder se defender, pois documentos importantes não constam dos autos. Explica que não recebeu o termo de verificação, quando da ciência do auto, e que os AR não comprovam que tal documento tenha sido anexado ao auto. Afirma que devem ser apresentados tal termo e as memórias, e deve ser reaberto prazo pata defesa. Reclama que não teve vistas dos extratos bancários do Banco do Brasil, do Banco de Boston e do Banco Ital. Alega que não há nos autos extratos do Banco do Brasil de 04/06/2004 a 31/12/2004, do Banco de Boston de 02/01/2004, e do Banco hail de 14/01/2004 a 31/12/2004. Adiciona que na há memória de cálculo relativa a movimentação junto ao Banco Bradesco, Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Banco Itadbank (Boston) e Banco Sudameris. Diz que, apesar de não poder analisar na integra a autuação por causa destas falhas de instrução, os valores lançados não coincidem com os valores existentes nos extratos de diverso bancos. Argumenta que, mesmo considerando apenas os extratos trazidos aos autos, a apuração da fiscalização é inconsistente. Diz que movimentou as seguintes contas: Banrisul — Ag. 0112 — c/c 6.015131.0-8 Bco Safra — Ag. 1800 — c/c 019.213-2 Sudanneris — Ag. 0688 — c/c 01248-3000-0 Unibanco —Ag. 7356 c/c 260.579-7 Bco Real — Ag. 0372 — c/c 1.726830-1 Itaii —Ag. 0734 c/c 56.900-7 Bradesco — Ag. 0313 c/c: 88.665-1 Bradesco —Ag.: 0501 c/c : 141.489-5 Bank Boston — Ag. Sumaré c/c: 96.5642-09 Banco do Brasil — Ag. 3320 c/c. 10046-3 Sobre as contas, afirma que "em todas elas verifica-se que os valores lançados pela D. Autoridade Fiscal não se coaduna com os números e valores que constam dos extratos". Argumenta que as distorções são de até 100 vezes o valor real da conta. Alega que o fiscal considerou 2 contas no Banco do Brasil. Afirma que s6 movimentou 1 dessas contas, que é a conta n° 10046-3, agência 3320. Explica que mesmo considerando a conta n° 10046-3, a fiscalização somou R$ 6.966.874,84, enquanto a soma correta é R$ 6.505.673,88. Diz que o Fisco apurou R$ 708.532.862,00 na conta inexistente, que deve ser retirado do auto de infração. Informa que a fiscalização apurou valores maiores do que os existentes nos extratos, em todos os meses. Exemplifica com os meses de janeiro e de fevereiro, dizendo que: No mês de JANEIRO/04 o Fisco lançou o total de movimentação de R$ 39.285.234,00. A movimentação encontrada nos extratos 3 Processo 11' 19515.001467/2009-41 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 858 para o mês de JANEIRO/04, real e comprovada, foi de R$ 372.852,34. Em FEVEREIRO/04 o Fisco lançou o valor total de movimentação de R$ 41.089.670,00. A movimentação encontrada nos extratos para o mês de FEVEREIRO/04, real e comprovada, foi de R$ 410.896,70. Estas ocorrências, ou seja, o aumento dos valores lançados em muitas vezes, mais de 100 vezes até, ocorreu em todos os demais meses, até o final do exercício. Faz reclamação semelhante quanto à apuração feita com base nos extratos do Banco Real. Informa que o total de créditos no ano é de R$ 526.191,20, mas a fiscalização lançou R$ 52.619.120,00. Apresenta tabela indicando o valor do extrato e o valor considerado pela fiscalização, da conta 1726830-1, agência 0372, Banco Real (conforme extratos de fls. 206 a 258): 'Vies Descrição Vr.Real. Extrato Vr.AI Jan-04 Sem movimento Fev-04 Doc- D 1.000,00 100.000,00 Financiamento 4.016,68 401.668,00 Mar-04 Financiamento 12.867,68 1.286.768,00 Abr-04 Financiamento 2.220,96 222.096,00 Mai-04 Lib. Garantida 78.700,00 7.870.000,00 Jun-04 Financiamento 49.107,41 4.910.741,00 Lib. Garantida 90.000,00 9.000.000,00 Jul-04 Financiamento 5.394,10 539.410,00 Lib. Garantida 3.100,00 310.000,00 Ago-04 Sem movimento Set-04 Sem movimento Out-04 Lib. Garantida 159.000,00 15.900.000,00 Nov-04 Doc — D 2.000,00 200.000,00 Dep. Cheque 246,47 24.647,00 Dez-04 Lib. Garantida 32.000,00 3.200.000,00 Ch. Devolvido 45.537,90 4.553.790,00 TOTAL 526.191,20 52.619.120,00 Diz que o mesmo vicio ocorre em relação aos extratos do Banco Safra. Afirma que "o mês de JANEIRO/04, em que a D. Autoridade Fiscal lançou o valor de 44.582.484001 sendo que o total de créditos de movimentação bancária do contribuinte para o mesmo mês (JANEIRO), conforme consta nos extratos fls. 427/457, foi de RS 483.293,87". Argumenta que é provável que o mesmo deve ter ocorrido nos extratos dos demais bancos, mas como não dispõem da memória de cálculo do fiscal, não pode fazer esta verificação. Ratifica que "não foram disponibilizadas as memórias de cálculo dos seguintes bancos: BRADESCO, BANCO DO ESTADO DO R. GRANDE DO SUL, ITAU BANK (BOSTON), BANCO SUDAMERIS". Pede que seja disponibilizada a memória de cálculo, para que possa apontar as divergências. Informa que "só com _as divergências até este momento 4 Processo n° 19515.001467/2009-41 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 859 verificadas, nos três bancos acima (Real, Brasil e Safra) já se verifica uma redução de R$ 1.304.724.977,90". Explica que existem outras falhas na apuração do Fisco. Diz que não foram excluídas as transferências entre contas do mesmo titular. Cita diversos exemplos de créditos no Banco do Brasil decorrentes de transferência entre contas não excluídos (proc. fls. 823 a 826). Informa que o total das transferências entre contas, só no Banco do Brasil, é de R$ 1.542.000,00. Diz que a mesma situação se repete no Banco Real e Safra. Diz que no total são R$ 2.442.400,00 de transferências entre contas da empresa. Adiciona também que existem 2 casos de valores lançados em duplicidade (extratos fls. 159 a 163) no Banco do Brasil, totalizando R$ 32.663,70. Alega que a fiscalização considerou os créditos decorrentes de transferências on line entre empresas do grupo (a Plastipex Tecnologia em Polímeros Ltda.), que decorriam de contrato de mútuo entre as empresas, em um total de R$ 443.970,00. Argumentando que o Fisco considerou também os empréstimos e mútuos bancários, cujas garantias foram as liquidações de cobrança de titulo, já consideradas pela fiscalização. Lista diversos ingressos que corresponderiam a mútuos bancários. Diz que também foram considerados, indevidamente, os cheques devolvidos. Explica que, no caso do Banco hail, deve ser afastado os créditos decorrentes de "redução de saldo devedor". Resume por banco todas as falhas que mencionou e totaliza o valor a ser expurgado do lançamento em R$ 1.313.11.201,60. Pede que o julgamento seja convertido em diligencia "para que a D. Autoridade Fiscal apresente as memórias de cálculo dos seguintes bancos: BRADESCO, BANCO DO ESTADO DO R. GRANDE DO SUL, ITAU BANK (BOSTON), BANCO SUDAMERIS, abrindo-se prazo para que o contribuinte faça a conferência e apresente eventuais divergências entre os valores constantes dos extratos e lançados no AI, complementando a impugnação e o Recurso". No mérito, pede provimento ao recurso, naquilo que demonstrou não ser receita. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Constata-se no termo de verificação fiscal (proc. fls. 656 a 662) que a auditoria iniciou focando as operações de compra e venda da empresa, sendo feitas diversas intimações para obtenção dos livros e documentos. Também, constata-se que a fiscalização não logrou obter todos os elementos que solicitou, acabando por lavrar termo de embaraço fiscalização onde descreve o que solicitou e o que não foi atendido (proc. fls. 59 a 61). A partir deste momento, verifica-se que a fiscalização mudou seu foco para a movimentação financeira. Em 01/12/2008, é lavrada intimação solicitando que o contribuinte justifique "as movimentações financeiras relativas ao ano calendário de 2004" (proc. fls. 63 a 66). Nesta intimação, são indicados o total dos ingressos mensais, para os bancos Banrisul, Bradesco, Itau, Real, Safra, Sudameris e Unibanco — obtidos com base na CPMF. Consta da intimação que o total movimentado pelo contribuinte, calculado com base na CPMF, foi de R$ 18.028.589,47. 5 Processo n° 19515.001467/2009-41 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 860 Na seqüência, o contribuinte é intimado a apresentar, no prazo de 5 dias, todos os seus extratos bancários do ano de 2004 (proc. fls. 70 e 71). Também é solicitado que identifique "os agentes envolvidos em cada transação, isto é, quem efetuou e quem recebeu o pagamento, a transferência bancária, que uma das pontas sempre deve se referir à fiscalizada". 0 contribuinte solicita prorrogação de prazo e a fiscalização solicita e obtém a emissão de RMF para diversos bancos. Conforme relatório fiscal (proc. fl. 660), em 17/02/2009, o contribuinte foi intimado para justificar as origens dos créditos bancários relativos ao ano de 2004. Como o contribuinte não esclareceu os ingressos, em 19/05/2009, foi lavrada a autuação com base na presunção legal de omissão de receitas por crédito bancário cuja origem não é justificada. Consta do relatório fiscal os totais por trimestre e por tipo de ingresso (cobrança, TED, DOC, depósito, etc.), que totalizam R$ 1.618.231.905,93 no ano de 2004 (proc. fls. 660 e 661). No entanto, o relatório não indica em quais folhas do processo encontra- se a mencionada intimação. Pesquisando nos diversos volumes dos autos, encontra-se intimação lavrada em 17/02/2009, solicitando ao contribuinte "justificar as origens dos créditos (abaixo) relativos as Movimentações financeiras, no Ano Calendário 2004 e apresentar todos os contratos originais que derem suporte as operações de empréstimos realizadas no período, bem como a relação das garantias oferecidas", no prazo de 5 dias (proc. fls. 619 a 654). Constata-se que tal intimação indica os créditos por totais mensais, por banco e por tipo de operação e totaliza R$ 1.618.231.905,93. Portanto, é com base no não atendimento de tal intimação que é aplicada a presunção legal de omissão de receitas e é feito o lançamento que monta a R$ 301.876.647,21. Porém, tal lançamento está repleto de vícios e por isso deve ser anulado. Inicialmente, cabe destacar o despropósito de se intimar o contribuinte a esclarecer todos os seus ingressos em bancos, sem ter alguma razão que justifique tal indagação. Ao lado disto, a concessão de prazo de 5 dias para o atendimento demonstra não haver interesse da fiscalização na resposta, mas mero (pretenso) cumprimento de formalidades para aplicar a presunção legal de omissão de receitas. Ademais, conforme a fiscalização informou em uma intimação, a movimentação financeira do contribuinte, projetada a partir da CPMF, era de R$ 18.028.589,47. No entanto, a fiscalização apura em outra intimação o total de ingressos na ordem de R$ 1.618.231.905,93 e adota tal valor como o total de receitas omitidas. Ora, frente a um conflito de tal ordem de valores, a fiscalização deveria ter esclarecido este aspecto, para evitar onerar o contribuinte e a Administração com algum erro grosseiro de processamento de dados. Apenas esses aspectos, já seriam suficientes para declarar a nulidade do lançamento. Porém, no caso concreto existem outros graves vícios. Como acima dito, a fiscalização solicitou RMF para diversos bancos. Assim, foram juntados aos autos os extratos fornecidos pelo Banco do Brasil para a conta 10.046-3, em atendimento da RMF (proc. fls. 151 a 192). ..?„arando-se estes extratos com a intimação 6 Processo n° 19515.001467/2009-41 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 861 mencionada (proc. fls. 619 a 654), confirma-se que a intimação totalizou os valores, ao invés de indagar por cada crédito individualmente. Portanto, a fiscalização não atendeu aos requisitos legais que permitem a presunção legal. De fato, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, exige que os créditos sejam analisados individualmente e não agrupados. Cabe transcrever o dispositivo legal (grifos para destacar): Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados eni conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hail e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido sera considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente a época ern que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 50 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas sera efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 60 Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas sera 7 Processo n° 19515.001467/2009-41 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.786 Fl. 862 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Além disso, analisando os autos, também constata-se que só foram juntados extratos do Banco do Brasil para conta 10.046-3 e apenas até o mês de junho de 2004. Assim, não constam dos autos extratos que justifiquem as indagações sobre o segundo semestre. Também, não constam dos autos extratos de uma eventual segunda conta no Banco do Brasil, mencionada na intimação, que totalizaria R$ 708.532.862,00 de créditos a justificar (proc. fls. 626 a 631). Deste modo, a fiscalização sequer apresenta provas do que acusa, o que implica na nulidade do auto de infração. Também, analisando os extratos do Banco Real juntados (proc. fls. 242 a 258) constata-se que os valores indicados na intimação, estão sumarizados e são 100 vezes maiores (proc. fls. 631 e 632) do que os constantes dos extratos. Isso mostra a imprecisão da apuração fiscal. Além desses vícios, que são suficientes para declarar nulo o auto de infração, o contribuinte apresentou no seu recurso voluntário uma série de outros problemas, que possivelmente são procedentes, mas não em montante suficiente para, no mérito, dar provimento total ao recurso. Por estas razões, voto por declarar nulo o auto de infração do IRPJ e seus reflexos. Sala das Sessões, 9 de agosto de 2012. Carlos Eduardo de A4nireiro 8
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Numero do processo: 19740.000272/2006-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2002
FALTA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO PIS COFINS -PREVIDÊNCIA FECHADA.
A base de cálculo da contribuição social (PIS E COFINS) das entidades de previdência privada fechadas é constituída das receitas operacionais típicas, com deduções e exclusões previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 3302-006.423
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: Relator
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A base de cálculo da contribuição social (PIS E COFINS) das entidades de previdência privada fechadas é constituída das receitas operacionais típicas, com deduções e exclusões previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 72 /2 00 6- 78 Fl. 741DF CARF MF 2 Relatório O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos autos de infração de Cofins e de PIS, fls. 238/246 e fls. 247/255, respectivamente, em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento nos períodos de apuração compreendidos entre os meses 01/2001 a 06/2002. Exigese, para a Cofins, principal de R$ 1.375.487,25, que acrescido de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 3.525.098,82 e, no caso do PIS, contribuição de R$ 298.022,19, totalizando, com multa de ofício e juros moratórios, R$ 763.771,19. Integra o auto de infração o “Termo de Verificação Fiscal” de folhas 256 a 271. Neste, no item de ‘IV’ (fls. 260 a 266) foi exposta a legislação da Cofins e do PIS aplicável às entidades fechadas de previdência complementar. Os valores recolhidos de PIS e COFINS, constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 80 a 87), mostraramse compatíveis com os informados pelo contribuinte em sua resposta de fls. 29 a 33. Entretanto, esses valores recolhidos (constantes também da coluna "Valores Devidos" dos documentos apresentados pelo contribuinte em fls. 31 a 33) foram obtidos das bases de cálculo apuradas pela FAPES (linha "Base de Cálculo apurada pela FAPES" em fls. 25 a 27), e em desconformidade, portanto, com a base de cálculo da IN n° 170/2002 (linha "Base de Cálculo SRF (IN 170)" também em fls. 25 a 27). Quanto à declaração de débitos por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), verificase sua ausência para tanto para o PIS como para a COFINS, para os períodos de apuração de maio e junho de 2002 e, somente em relação à COFINS, para todo o ano de 2001. Para os demais períodos de apuração abrangidos pela ação fiscal, verificase a compatibilidade dos débitos declarados em DCTF (fls. 58 a 79) com os recolhimentos efetuados (fls. 80 a 87). Igualmente, os valores declarados a título de PIS e COFINS nas fichas 19C e 20C das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos anosbase de 2001 e 2002 (fls. 38 a 57), mostraramse idênticos aos constantes da linha "Base de Cálculo apurada pela Fapes" da planilha de fls. 25 a 27. Assim, o que se verifica é a compatibilidade entre os valores declarados (tanto por meio de DCTF como por meio de DIPJ) e recolhidos pela FAPES. Entretanto, como já visto, a base de cálculo utilizada para se apurar esses valores declarados e recolhidos mostrouse incompatível com as normas de regência do PIS e da COFINS, quais sejam, aquelas previstas nas Leis n° 9.701 e 9.718 de 1998 e na Instrução Normativa n° 170/2002, que as regulamentou (interpretou). Assim, à folha 268 foram apuradas as receitas indevidamente excluídas na apuração das bases de cálculo efetuada pela interessada, quais sejam: receitas de aluguéis e rendimentos equiparados da carteira imobiliária, o resultado positivo na reavaliação de investimentos imobiliários e os ganhos/lucros na venda de investimentos imobiliários constantes das linhas de mesmo nome na planilha de fls. 25 a 27 e dos balancetes de fls. 88 a Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19740.000272/200678 Acórdão n.º 3302006.423 S3C3T2 Fl. 3 3 211. Sobre estas receitas foram apurados a Cofins e o PIS devidos (ver tabela folha 269), os quais foram objeto lançamento de oficio. Cientificada em 04/08/2006, a interessada apresentou em 31/08/2006 as impugnações de fls. 274 a 284 e 323 a 333, nas quais alega, em síntese: ü Que, ao ser lavrado, em 04 de agosto de 2006, o auto de infração, já se haviam passado mais de 5 (cinco) anos de todos os fatos geradores anteriores a 04 de agosto de 2001. Assim, com relação a tais fatos geradores decaiu o fisco do direito de proceder ao lançamento, descabendo quanto a eles o auto de infração, independente de qualquer outra consideração. ü Que os dispositivos da Lei 9.718/98 que ampliaram a base de cálculo tanto do PIS , como da COFINS, são inconstitucionais, já que, quando essa lei foi promulgada, o artigo 195, da Constituição Federal dispunha que as contribuições sociais só poderíam alcançar a receita resultante do faturamento e não a totalidade das receitas. ü Que as reavaliações dos imóveis não podem ser tributadas pela COFINS, nem mesmo à luz da Lei n° 9.718/98, por não constituírem receitas. Também o ganho de capital na venda de imóveis escapa da tributação, igualmente, por não se tratar de receita. ü Argui, por fim, a ilegalidade da exigência de juros de mora calculados pela taxa SELIC. Em 20 de junho de 2011, através do Acórdão n° 1335.590, a 4a Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Entendeu a Turma que: ü Ante a constatação da existência de pagamentos antecipados para todos os períodos de apuração lançados (fls. 80 a 87), e tratandose de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, é de se aplicar a regra decadencial do §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, que determina que após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito; ü Considerandose que a ciência ao Auto de Infração deuse em 04/08/2006, encontravase decaído o direito de lançar as contribuições referentes às competências janeiro/2001 a julho/2001, devendose anular os lançamentos correspondentes; ü São exatamente as receitas relacionadas nos incisos I, II e III do parágrafo único do artigo 32 da Lei n° 10.637/2002 que foram objeto do lançamento em discussão. Consequentemente, por expressa Fl. 743DF CARF MF 4 determinação legal, as exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, somente são permitidas para os fatos geradores ocorridos a partir de agosto/2002; ü Notese que o CTN é bastante claro ao tratar sobre o percentual de juros de mora, dispondo que somente deve ser aplicado o percentual de 1 % ao mês calendário, quando a lei não dispuser de modo diverso. Assim, fica a critério do poder tributante o estabelecimento, por lei, da taxa de juros de mora a ser aplicada sobre o crédito tributário não liquidado no seu vencimento. A FAPES foi cientificada do Acórdão de Impugnação, pessoalmente, em 30/09/2011 (folhas 438). A FAPES apresentou Recurso Voluntário em 17/10/2011, de folhas 445 à 452. Foi alegado resumidamente: ü Como se viu, em face da inconstitucionalidade do parágrafo 1° da Lei 9.718/98, as bases de cálculo do PIS e COFINS continuaram a ser as estabelecidas na legislação anterior, alcançado exclusivamente o faturamento nas vendas de mercadorias e/ou serviços; ü No presente caso, os itens tributados incluem reavaliações de bens e ganhos de capital na venda de imóveis, que não seriam alcançados pelas duas exações mesmo se o § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98 não fosse inconstitucional; ü Obviamente, reavaliações de imóveis não constituem receitas. A Recorrente pede vênia para se reportar ao que se contém sobre o assunto em suas impugnações. Assim, ainda que a malsinada inconstitucionalidade não existisse, as reavaliações não fariam parte das bases de cálculo do PIS e COFINS; ü Por outro lado, o inciso IV do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718/98 exclui da basé de cálculo dos dois tributos “a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente”. A Recorrente não é uma empresa imobiliária. Logo, os imóveis em seu patrimônio fazem parte do ativo permanente. Daí que o ganho de capital na sua venda, que é parte dessa receita, não estaria sujeito a PIS e COFINS, mesmo se o parágrafo 1°, do artigo 3° da Lei 9.718/98 fosse constitucional; ü Como se vê, qualquer que seja o ângulo sob o qual se focalize a questão, estamos diante de uma autuação completamente equivocada, impondose assim a reforma da decisão recorrida, na parte em que a manteve. Pede, assim, a Recorrente seja dado provimento ao presente recurso, de modo a que, reformada a decisão recorrida, seja integralmente anulado o auto de infração, julgando se improcedente a ação fiscal. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 19740.000272/200678 Acórdão n.º 3302006.423 S3C3T2 Fl. 4 5 Em 28 de dezembro de 2012, através da Resolução n° 3403000.408, a 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para o sobrestamento do julgamento, em razão do disposto no parágrafo 1° do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual prevê que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B”. Pois, nada obstante seja discutível a possibilidade de equiparar pura e simplesmente os fundos de pensão às demais instituições financeiras visto que as entidades de previdência complementar em muitos aspectos se distanciam deste enquadramento, o fato é que o próprio Supremo Tribunal Federal entende que o julgamento da mesma questão em relação aos fundos de pensão deve esperar o julgamento da referida repercussão geral, relativa às entidades financeiras. É isto o que se verifica no Recurso Extraordinário n° 444.601, em que a Segunda Turma do STF decidiu que o recurso, interposto por uma entidade de previdência provada deveria ser sobrestado para aguardar o julgamento da Repercussão Geral no RE n° 609.096 (acórdão proferido nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 444.601, Relator Ministro Gilmar Mendes, julgado em 13/03/2012, publicado no DJe 062, divulgado em 26/03/2012 e publicado em 27/03/2012). Transcrevese despacho exarado, em 30/12/2013, às folhas 484 do processo digital: Tendo em vista a Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1° e 2° do art. 62A do Anexo II à Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, devolvamse, de ordem, os presentes autos ao Conselheiro ivan allegretti, para prosseguimento. Em vista da renúncia do Relator, foi feito novo sorteio. Petição datada de 24 de janeiro de 2019, juntada à partir das efolhas 633, alegou fato superveniente: a coisa julgada formada na Ação Declaratória n° 0020471 58.2006.4.02.5101. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Fl. 745DF CARF MF 6 Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte em 17 de outubro de 2011, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 30 de setembro de 2011. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. Inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Passase à análise. OS FATOS QUE EMBASAM A PRESENTE AÇÃO FISCAL A Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES FAPES, instituída pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, é entidade fechada de previdência complementar, pessoa jurídica de direito privado, com fins não lucrativos, dotada de autonomia administrativa e financeira, organizada sob a forma de Fundação, regendose por este Estatuto, respectivo Regulamento e pelas normas legais vigentes. Após uma primeira intimação, em 18 de fevereiro de 2005, foi o contribuinte reintimado a apresentar os demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo determinada pela Instrução Normativa n° 170/2002, para o período de janeiro de 2001 a julho de 2002 (fl. 09). Em 07 de março de 2005, através da CARTA DIRSUP017/2005 (fls. 10 e 11), o contribuinte apresentou demonstrativos de PIS e COFINS (fls. 12 a 15), esclarecendo que não incluía em suas bases de cálculo os rendimentos de aluguéis, reavaliações e ganho de capital com imóveis, por entender que seriam aplicações financeiras pertencentes ao Programa de Investimentos da entidade, destinado ao pagamento de aposentadorias, pensões, pecúlios e resgate, e portanto não integrantes das bases de cálculo daquelas contribuições, conforme inciso III do §6° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 (acrescentado pela MP 2.15835, de 24 de agosto de 2001). Acrescentou ainda que, a fim de evitar problemas com o Fisco, recolheu o PIS e a COFINS incidentes sobre esses rendimentos apenas no mês de julho de 2002, quando do advento da IN 170/02, tendo parado, contudo, de fazêlo nos meses subsequentes, por força do artigo 35 da Medida Provisória n° 66/02 (posteriormente convertida na Lei n° 10.637/02). Assim, em virtude de não ter apresentado, até aquela data, os demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da COFINS de acordo com o anexo da IN 170/2002 (na medida em que os apresentados anexos à carta citada no parágrafo anterior relacionavamse apenas aos valores recolhidos pelo contribuinte sem incluir os rendimentos de imóveis de forma explícita vide modelo da Instrução Normativa em fls. 235 e 236), em 18 de março de 2005 foi o contribuinte novamente reintimado através do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 16 a 18. Em 21 de março de 2005, através da Carta DIRSUP032/2005 (fl. 19), o contribuinte apresentou os demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 20 a 22) parcialmente de acordo com os códigos contábeis constantes do anexo da IN n° 170/2002. Notese que, nesses demonstrativos, passaram a ser incluídas as Receitas de Aluguéis e Rendimentos Equiparados da Carteira Imobiliária (grupo contábil 6.1.3) com sinal negativo nas Exclusões, aumentandose assim a base de cálculo das contribuições. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 19740.000272/200678 Acórdão n.º 3302006.423 S3C3T2 Fl. 5 7 Em 29 de abril de 2005 ocorreu nova reintimação, sendo que também foram solicitados os demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da COFINS em meio magnético (fls. 23 e 24). Este último Termo foi atendido através da planilha de fls. 25 a 27, em que finalmente os demonstrativos com as bases de cálculo do PIS e da COFINS são apresentados de acordo com todos os grupos contábeis do anexo da IN n° 170/2002. Notase alguma discrepância de valores entre essa planilha e a constante em fls. 20 a 22, em especial em relação aos recursos coletados previdenciais, de código contábil 3.1 (vide mês de janeiro de 2001, por exemplo), sendo que a primeira (de fls. 25 a 27), por ser compatível com os balancetes de fls. 88 a 211, foi utilizada como base para o lançamento. Através do Termo de Intimação Fiscal de 21 de setembro de 2005 (fl. 28), foi solicitado ao contribuinte a memória de cálculo mensal dos valores pagos de PIS (código de recolhimento 9558) e de COFINS (código de recolhimento 9562) quando da opção pelo Regime Especial de Tributação (RET) estabelecido pela Medida Provisória n° 2.222/01. /] Tal solicitação foi atendida pela Carta DIRSUP078/2005 (fls. 29 e 30), em que são listados os valores já recolhidos de PIS e de COFINS (fls. 31 a 33), tanto por ocasião da anistia concedida pela MP n° 2.222/01, como através da incidência sobre a folha de pagamento, no caso da primeira contribuição. Da legislação aplicável. Aproveitase explicação basilar do Acórdão de Impugnação, folhas 432 e seguintes do processo digital: O faturamento das entidades fechadas de previdência complementar é composto por receitas registradas na contabilidade de acordo com Resolução CGPC n° 5, de 30 de janeiro de 2002, do Conselho de Gestão da Previdência Complementar, compondo, respectivamente, os grupos de contas do “Programa Previdencial” (do grupo de contas n° 3.0.0.0.00.00), do “Programa Assistencial” (do grupo de contas n° 4.0.0.0.00.00), do “Programa Administrativo” (do grupo de contas n° 5.0.0.0.00.00) e do “Programa de Investimentos” (do grupo de contas n° 6.0.0.0.00.00). Com fundamento na Lei n° 9.718/98, a partir de 01/02/1999, todas essas receitas compõem a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS, com as devidas exclusões/deduções legais. Posteriormente, a base de cálculo do PIS e da Cofins incidente sobre a receita das entidades fechadas de previdência complementar foi detalhada através do que determina a IN SRF n° 170, de 04/07/2002, fundamentada no disposto no inciso V do art. 1° da Lei n° 9.701, de 17 de novembro de 1998, no art. 2° e no art. 3°, caput e §§ 1°, 5°, 6°, inciso III, 7° e 9° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2002. Fl. 747DF CARF MF 8 O “Programa de Investimentos” (6.0.0.0.00.00) é o que recebe recursos dos outros três programas (além do “previdencial” e 7do “administrativo”, os do “Programa Assistencial”, em entidades que também prestam serviços de assistência à saúde de seus associados), por meio de transferências interprogramas, e os destina às aplicações financeiras. Num segundo momento, esses recursos e os possíveis ganhos advindos das aplicações efetuadas são repassados aos programas de origem. O § 6°, III, do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, introduzido pela Medida Provisória n° 1.807, 28 de janeiro de 1999, estabelece: “Art. 3°(...) (...) § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no parágrafo anterior, poderão excluir ou deduzir: (...) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates: (...)" (Grifouse) Quanto a essa possibilidade, o § 7° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, também introduzido pela Medida Provisória n° 1.807, de 1998, previu: “§ 7° As exclusões previstas nos incisos II a IV do parágrafo anterior restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras que não excedam o total das provisões técnicas, constituídas na forma fixada pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP. ” (Grifouse) A Medida Provisória n° 1.99114, de 11 de fevereiro de 2000, reedição da Medida Provisória n° 1.807, de 1999, apresentou pequena modificação na redação do § 7°, da seguinte forma: “§ 7° As exclusões previstas nos incisos II a IV do parágrafo anterior restringem se aos rendimentos de aplicações financeiras que não excedam o total das provisões técnicas, constituídas de acordo com o disposto na legislação vigente. ” (Grifouse) Já pela Medida Provisória n° 1.99115, de 10 de março de 2000, houve outra modificação no mesmo § 7° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1999, que passou a dispor: “§ 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do parágrafo anterior restrinsemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. ” (Grifouse) Fl. 748DF CARF MF Processo nº 19740.000272/200678 Acórdão n.º 3302006.423 S3C3T2 Fl. 6 9 Em sua essência, essa redação, apenas com a modificação de “parágrafo anterior” para “§ 6°” (pela Medida Provisória n° 2.11332, de 21 de junho de 2001), é a que permanece vigente, pormeio daMedidaProvisórian°2.15835, de 24 de agosto de 2001. A IN SRF n° 215, de 07/10/2002, detalhou as exclusões/deduções na apuração da base de cálculo das citadas contribuições preconizadas não\ publicada no DOU de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002. Art. 35. As entidades fechadas de previdência complementar poderão excluir da base de cálculo das contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins, além dos valores já previstos na legislação vigente, os referentes a: i. rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; ii. receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates: iii. o resultado positivo auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II. (...) Art.63. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: a partir de 7 de outubro de 2002, em relação aos arts. 31 e 49; a partir de 7 de dezembro de 2002, em relação aos arts. I2 a 11; a partir de l2 de janeiro de 2003, em relação aos arts. 12, 37, 40 a 45 e 48; a partir da data da publicação desta Medida Provisória, em relação aos demais artigos. (Grifouse) No item 24 da exposição de motivos da medida provisória constou: "24. O art. 35 promove ajustes na determinação da base de incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas pelas entidades fechadas de previdência complementar, em conformidade com as peculiaridades desse setor. ” (Grifou se) Evidenciase, portanto, que o art. 35 da Medida Provisória n° 66, de 2002, contém um ajuste na determinação da base de cálculo, ou seja, uma modificação introduzida para atender às peculiaridades do setor, permitindo uma nova exclusão da base de cálculo, o que, por conseguinte, não alcança fatos geradores pretéritos. Fl. 749DF CARF MF 10 Corroborando esse entendimento, quando da conversão da medida provisória na Lei n° 10.637, de 2002, foi acrescido o parágrafo único ao dispositivo, tratando justamente dos fatos geradores pretéritos: “Art. 32. As entidades fechadas de previdência complementar poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, além dos valores já previstos na legislação vigente, os referentes a: i. rendimentos relativos a receitas de aluguel, destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; ii. receita decorrente da venda de bens imóveis, destinada ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e resgates; iii. resultado positivo auferido na reavaliação da carteira de investimentos imobiliários referida nos incisos I e II. Parágrafo único. As entidades de que trata o caput poderão pagar em parcela única, até o último dia útil do mês de novembro de 2002, com dispensa de juros e multa, os débitos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, São as receitas relacionadas nos incisos I, II e III do parágrafo único do artigo 32 da Lei n° 10.637/2002 que foram objeto do lançamento em discussão. É alegado nos itens 4 e 5 do Recurso Voluntário: Os autos de infração foram lavrados com base no § 1° do artigo 3° da Lei 9.718/98, dispositivo esse que ampliou as bases de cálculo do PIS e COFINS para alcançarem não mais apenas o faturamento nas vendas de mercadorias e/ou serviços, mas a totalidade das receitas. Esse dispositivo teve a sua inconstitucionalidade proclamada pelo Supremo Tribunal Federal, por conflitar com o artigo 195 da Carta Magna, com a redação vigente ao ser promulgada a Lei 9.718/90. Tomo por esteio o Acórdão de Recurso Voluntário n° 3401003.272, da lavra do Ilustre Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, da 1a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF: O contraditório tem por foco a determinação se as receitas acima listadas deveriam ou não compor a base de tributação do PIS e da COFINS de uma entidade de previdência privada fechada. É tema de profundas análises e intensos debates, especialmente quando se tem em mente o conteúdo da decisão do STF contida no RE 582.235/MG. As entidades de previdência privada foram incluídas entre as pessoas sujeitas ao PIS e à COFINS com base na receita mensal. É de se reconhecer que, exceto o previsto no art. 1° da Lei n. 9.701/1998 e no inciso III do § 6° do art. 3° da Lei n. 9.718/1998 Fl. 750DF CARF MF Processo nº 19740.000272/200678 Acórdão n.º 3302006.423 S3C3T2 Fl. 7 11 conjugado com os §§ 7° e 8° desse mesmo artigo , a lei não autorizou exclusões da base de cálculo diferentes das previstas às demais. As entidades de previdência privada devem administrar seus recursos, e para tanto devem desenvolver meios para não só assegurar a expressão e valor econômico, patrimonial e financeiros desses recursos, mas procurar aperfeiçoálos, obter seu crescimento e qualificação. São atividades essenciais de sua missão e objeto social administrar esses recursos em aplicações e em investimentos que possam proporcionar melhores condições de cumprir seu propósito de previdência privada. Essas atividades lhe são operacionais, constituem suas ações operacionais, necessárias, sejam na forma de administrar uma carteira imobiliária como fonte de rendimento de alugueis, ou de compra e venda de propriedades, ou de aplicações em fundos e outros tipos de investimentos. A meu ver, os rendimentos indicados pela autoridade fiscal são, sim, receitas de suas atividades para o cumprimento essencial de sua missão e de seu objeto de empreendimento societário, e correspondem ao que a lei estabelece como tributável pelo PIS e pela COFINS e que devem compor a sua base de cálculo. O vocábulo faturamento posto no texto legal deve significar a receita decorrente do exercício de suas atividades necessárias ao cumprimento de seu objeto. Invocar um sentido comercial (venda de bens e de prestação de serviços) é desviarse da teleologia da lei, sugerindo que ela estaria criando tipo de sociedades que estariam excluídas da sua abrangência, como se fosse um propósito de criar tratamento privilegiado ou não isonômico para um tributo destinado ao social. Este é o sentido que tenho conseguido ler nas Decisões emanadas do STF. Esse sentido nada tem haver com a ideia de alargamento da base de cálculo como discutido a partir do § 1° do artigo 3°a da Lei n. 9.718/1988, e já declarado inconstitucional. Por essas razões que considero que não incorre em ilegalidade a inclusão dessas receitas na tributação do PIS e da COFINS. Ao contrário, elas devem ser tributadas, pelo que dispõem os artigos 2°, 3° e 8° dessa Lei, c/c Lei 8.212. A Recorrente assim conclui nos itens 9 a 11 do Recurso Voluntário:: Portanto, é perfeitamente possível o reconhecimento na esfera administrativa da inconstitucionalidade do parágrafo 1o da Lei 9.718/98, dela resultando que, como diz o voto acima transcrito, até o advento da Lei 10.637/02, de 30 de dezembro de 2002, quanto ao PIS, e da Lei 20.833, de 29 de dezembro de 2003, quanto a COFINS, as duas exações alcançavam apenas e tão somente o faturamento nas vendas de mercadorias e ou serviços. Fl. 751DF CARF MF 12 Os períodos abrangidos pelas autuações são anteriores a essas duas leis., Por outro lado, os valores tributados consistem em reavaliações, aluguéis e ganhos de capital com imóveis. Trata se, portanto, de valores que nada têm a ver com o faturamento na venda de mercadorias e/ou serviços, do que resulta não serem eles alcançados pelas duas exações no período a que se referem as autuações. Acresce assinalar que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 não se aplicam à Recorrente, que continua regida pela legislação anterior a elas, consoante artigos 8, I, da primeira, e 10, I, da segunda. A base de cálculo do PIS/PASEP e da Cofins incidente sobre a receita das entidades fechadas de previdência complementar, e vigente desde fevereiro de 1999, foi detalhada através do anexo da Instrução Normativa SRF n° 170, de 04/07/2002. Ou seja, essa Instrução Normativa veio apenas regulamentar texto de lei já vigente, sendo de caráter interpretativo e aplicandose retroativamente à data de vigência da lei regulamentada. Outra não é a conclusão a que se chega ao lerse a introdução da citada Instrução Normativa, que estabelece suas normas tendo em vista o disposto no inciso V do art. 1° da Lei n° 9.701, de 17 de novembro de 1998, no art. 2° e no art. 3°, caput e 55 1°, 5°, 6°, inciso III, 7°, e 9° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2002. Assim, a forma de apuração do PIS e da COFINS das entidades de previdência privada complementar, para o período objeto da fiscalização janeiro de 2001 a julho de 2002), dáse conforme o anexo da IN n° 170/2002, que aplicase retroativamente, por ter caráter interpretativo. Salientese que, nessa apuração, são incluídas, dentre as exclusões e com sinal negativo (tendo assim o efeito de aumentar a base de cálculo) as receitas de aluguéis e rendimentos equiparados da carteira imobiliária, o ganho de capital na venda de investimentos imobiliários, assim como o resultado positivo na reavaliação de investimentos imobiliários (grupo contábil 6.1.3 do plano de contas dessas entidades). Quanto à alegação de que é perfeitamente possível o reconhecimento na esfera administrativa da inconstitucionalidade do parágrafo 1o da Lei 9.718/98, a Súmula CARF nº 2 assim se pronuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A coisa julgada formada na Ação Declaratória n° 0020471 58.2006.4.02.5101. Em petição juntada às efolhas 633, itens 08 a 10, foi alegado que: 8. Parte da cobrança (valores de PIS e COFINS das competências de novembro de 2001 em diante) deve ser prontamente desconstituída em razão de trânsito em julgado na Ação Declaratória n° 002047158.2006.4.02.5101, ajuizada em 25.10.2006, na qual restou expressamente reconhecido o direito da Recorrente de submeterse ao regime das Leis Complementares 7/70 e 70/91, inclusive no que se refere aos 5 (cinco) anos anteriores à propositura da ação, afastandose a incidência do PIS e da COFINS com base na Lei 9.718. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 19740.000272/200678 Acórdão n.º 3302006.423 S3C3T2 Fl. 8 13 9. O fundamento jurídico do pedido da Recorrente na Ação era de que, sendo inconstitucional a cobrança com base no conceito de faturamento do art. 3°, §1° da Lei 9.718/98 (um dos fundamentos da autuação ora combatida) e, portanto, assumindose que faturamento corresponde apenas às receitas resultantes da venda de mercadorias e/ou serviços, a ora Recorrente não estaria obrigada ao recolhimento de PIS/COFINS com base na referida lei, tendo em vista, inclusive, a ausência de atividade empresarial com fins lucrativos. 10. Assim, a ação tinha por objeto o reconhecimento da conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.inconstitucionalidade do §1°, do art. 3°, da Lei 9.718/98 e a declaração da inexistência de qualquer relação jurídica, desde 01/02/99, com a União que resultasse na obrigatoriedade de pagamento de PIS e de COFINS pela entidade. Como se depreende do item 09 transcrito acima, o objeto da Ação Declaratória n° 002047158.2006.4.02.5101 possui objeto genérico dispare do objeto da presente ação fiscal. Com estas considerações, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950267/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/1999
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.164
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/1999 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 02 67 /2 00 8- 09 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.950267/200809 Acórdão n.º 3402006.164 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1630.171, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.950267/200809 Acórdão n.º 3402006.164 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.950267/200809 Acórdão n.º 3402006.164 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.950267/200809 Acórdão n.º 3402006.164 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 78DF CARF MF
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