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Numero do processo: 13603.001764/2001-64
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1991, 1992
ILL - SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS - DECADÊNCIA.
O marco inicial do prazo deodencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-000.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacio adas ao pl ito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allagi
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1991, 1992 ILL - SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS - DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo deodencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n° 63. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacio adas ao pl ito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento as/recurso. nr/r CARLOS ALB l tie F ' EIT BA1RRETO — Presidente / 4wjeaá GONÇALO BONE ' ALLAGE — Relator EDITADO EM:, 28 SET 200. Processo n° 13603.001764/2001-64 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.252 Fl. 77 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, do conselheiro Damião Cordeiro de Moraes (convocado). Relatório A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário n° 149.047, interposto pela contribuinte Açocon Indústria e Comércio Ltda., proferiu o acórdão n° 106-16.467, que se encontra às fls. 50-55, cuja ementa é a seguinte: DECADÊNCIA — REPETIÇÃO DO INDÉBITO — TERMO INICIAL DE ILL DECLARADO INCONSTITUCIONAL. O reconhecimento da não incidência de ILL de sociedade por quotas é atestada pela Instrução Normativa SRF n° 63, publicada no DOU de 25/07/97. Sob esse prisma, não havendo transcorrido entre a data do ato da administração tributária, e a do pedido de restituição, interregno temporal superior a cinco anos, é de se considerar a não ocorrência da decadência do crédito envolvido na postulação. Decadência afastada. A decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, relativamente a pagamentos efetivados entre 30/04/1990 e 31/05/1993, cujo pedido fora protocolizado em 22/11/2001, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem para o enfrentamento das demais questões de mérito, vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos e Ana Maria Ribeiro dos Reis, que negaram provimento ao recurso. Intimada deste acórdão em 08/07/2008 (fls. 57), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 60-68, onde defendeu, em apertada síntese, que: a) O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que o prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente pagos por sócios cotistas de sociedades limitadas a título de ILL tem como termo inicial a data de publicação da IN/SRF n° 63/97, ou seja, o dia 25/07/1997; L . b) Por sua vez, a 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão CSRF/02-02.088, assentou o posicionamento de que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I, 2 '"5 Processo n° 13603.001764/2001-64 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.252 Fl. 78 do CTN), ocorrido com o pagamento do tributo, sendo que o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação (naquele caso, o PIS dos Decretos-lei n's 2.445/88 e 2.449/88) não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem de não constituição do crédito tributário; c) Merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma; d) O termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição de tributos indevidos é a data da extinção do crédito tributário, que se dá de acordo com alguma das modalidades taxativamente elencadas pelo artigo 156 do CTN, e não da data da declaração de inconstitucionalidade da norma de incidência, ou do reconhecimento pela Administração que o tributo era indevido. Admitido o recurso por meio do Despacho n° DDF106149047_356 (fls. 70- 72), a contribuinte foi cientificada e deixou de apresentar contra-razões, conforme informou a repartição de origem às fls. 75. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pedir a restituição do ILL, determinando o retorno dos autos à DRJ de origem para o enfrentamento das demais questões de mérito. A insurgência da Fazenda Nacional cinge-se à questão cla decadência, sendo que os pagamentos do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido foram efetuados pela interessada entre 30/04/1990 e 31/05/1993, enquanto o protocolo do pedido de restituição ocorreu em 22 de novembro de 2001. O ILL, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, era tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, pois cabia ao contribuinte verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular e recolher o tributo devido, independentemente de qualquer iniciativa da autoridade administrativa, que apenas homologaria, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A regra geral relativa ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação resulta da interpretação dos artigos 150, § 40, 165, inciso I e 168, inciso I, todos do Código Tributário Nacional — CTN, os quais estão assim @. dispostos: 3 Processo n° 13603.001764/2001-64 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.252 Fl. 79 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (-) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. Da conjugação desses dispositivos legais conclui-se que, como regra, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o contribuinte tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para requerer a restituição de exação indevidamente recolhida. Ocorre, que para algumas hipóteses excepcionais, a jurisprudência, inclusive advinda da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem admitido um novo início de prazo decadencial, que não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. Tal posicionamento tem fundamento, principalmente, nos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da proibição do enriquecimento sem causa. Dentre as exceções consignadas pela jurisprudência, relevante destacar a declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal — STF, a expedição de Resolução do Senado Federal, prevista no artigo 52, inciso X, da Carta Fundamental ou, ainda, o reconhecimento, por parte do poder tributante, de que uma exigência tributária é indevida. Pelo entendimento prevalente no âmbito do Conselho de Contribuintes, a data em que ocorrer alguma dessas situações representa o dies a quo do prazo para que o contribuinte pleiteie a restituição de tributo indevidamente recolhido. • 4 I Processo n° 13603.001764/2001-64 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.252 Fl. 80 Com o objetivo de ilustrar essa afirmação, trago à colação as ementas dos seguintes acórdãos proferidos por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF-ILL. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL - A contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição / compensação de tributo pago indevidamente, por declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, inicia-se na data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenha-se dado em controle difuso de constitucionalidade, ou, ainda, na data da publicação de ato administrativo que estenda os efeitos da inconstitucionalidade a outros beneficiários. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.205, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, Acórdão CSRF/04-00.047, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08/05/2005) A restituição pretendida pela empresa está relacionada ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, previsto no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 35. O sócio-quotista, o acionista ou titular de empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 8% (oito por cento), calculada com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. No julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC, o Egrégio STF reconheceu a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, especificamente no que se refere à expressão "o acionista". Este acórdão gerou efeitos inter partes. 5 I Processo n° 13603.001764/2001-64 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.252 Fl. 81 Para conferir efeito erga omnes à decisão do Supremo Tribunal Federal, suspendendo a execução artigo 35 da Lei n° 7.713/88, no que diz respeito à expressão "o acionista", o Senado Federal fez publicar a Resolução n° 82, em 19/11/1996. Assim, restou reconhecida a inconstitucionalidade da exigência do ILL para as sociedades por ações. Para as demais empresas, que não as sociedades por ações, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 63, em 24/07/1997, em cujo artigo 1° está expresso que: Art. 1°. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Portanto, a Instrução Normativa n° 63/97 reconheceu o caráter indevido da exigência do ILL para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada, entre outras, desde que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração; não previsse a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Perfilhando o posicionamento dominante no âmbito deste Colegiado e diante do fato de que a interessada é sociedade por cotas de responsabilidade limitada, entendo que o dia 25/07/97 — data de publicação da IN SRF n° 63 — marca o início do prazo decadencial para a busca da devolução dos valores recolhidos a título de imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, pois é nesse momento que a Administração Tributária reconhece o caráter indevido do ILL para as demais empresas, que não as sociedades por ações. Considerando que o pedido de restituição em apreço foi efetuado em 22/11/2001 (fls. 01), há que se concluir que a decadência não atingiu o direito creditório pleiteado. Segundo penso, o acórdão recorrido deve ser confirmado. Destaco, ainda, que o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, não justifica a aplicação retroativa do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005, pois tal norma, evidentemente, não tem caráter interpretativo. Tenho como aplicável ao caso o principio constitucional da irretroatividade das leis, previsto no artigo 150, inciso III, alínea "a", da Carta da República. O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 só pode ser aplicado para fatos ocorridos a partir de 09/06/2005, o que não é o caso dos autos. g, 6 , I Processo n° 13603.001764/2001-64 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.252 Fl. 82 O próprio STJ, quando apreciou a questão, concluiu que "(.) 4. A Seção de Direito Público, no julgamento dos EREsp n. 327.043/DF, em 27.4.2005, afastou a aplicação do art. 3° da LC n. 118/2005 às ações ajuizadas até o término da vacatio legis de 120 dias." (Primeira Seção, EREsp n° 489.703/MG, Relator Ministro João Otávio' de Noronha, DJU de 10/10/2005, p. 211). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. $41;r1, Gonçalo Bonet • llage - Relator 7
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Numero do processo: 13507.000034/00-64
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário.
IRPF - PDV - RETENÇÃO INDEVIDA - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - JUROS - Na restituição do imposto de renda retido na fonte, que tenha origem na retenção indevida quando do recebimento da parcela relativa aos chamados planos de adesão voluntária - PDV, o valor a ser restituído será aquele apurado na revisão da declaração de ajuste anual, que deverá ser atualizado a partir da data da retenção nos termos da legislação pertinente.
Recurso especial parcialmente provido.
Numero da decisão: CSRF/04-00.525
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de de votos, dar provimento anteriores a 1º de janeiro de 1996, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que deu provimento integral ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Remis Almeida Estol
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ementa_s : IRPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. IRPF - PDV - RETENÇÃO INDEVIDA - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - JUROS - Na restituição do imposto de renda retido na fonte, que tenha origem na retenção indevida quando do recebimento da parcela relativa aos chamados planos de adesão voluntária - PDV, o valor a ser restituído será aquele apurado na revisão da declaração de ajuste anual, que deverá ser atualizado a partir da data da retenção nos termos da legislação pertinente. Recurso especial parcialmente provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de de votos, dar provimento anteriores a 1º de janeiro de 1996, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que deu provimento integral ao recurso.
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Numero do processo: 13054.000105/00-21
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO DOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa selic, por tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.
Recursos especial provido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.532
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turama da Câmara Superior de Recursos Fiscais: pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO DOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa selic, por tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especial provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turama da Câmara Superior de Recursos Fiscais: pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso.
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Numero do processo: 10909.002256/2001-71
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA.
Não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim e Corintho Oliveira Machado votaram pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim e Corintho Oliveira Machado votaram pela conclusão.
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Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ._ IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim e Corintho Oliveira Machado votaram pela conclusão. i ._ A l) .çi 6-‘--M CIA HELENA TRAJANO ,4 • ORLM - resi ente 1 , , 1\ 1, GU, CL CO(i),' ,k,' ,X1A,,,,,/,Lu,k,c3 :• MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - RelLtor EDITADO EM: 30/10/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Darnorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida i Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Leio em sessão o relatório da Resolução n° 302-1.387, de fls. 92 e 93, por entender que o mesmo resume bem os fatos até aquele momento processual. Em retorno da diligência determinada naquela ocasião, o julgamento deste recurso voluntário foi novamente convertido em diligência, em sessão de 11 de novembro de 2008, por não ter sido o contribuinte regularmente intimado do resultado da diligência realizada. Como resultado da diligência original, foi informado o seguinte: (i) quanto à existência de qualquer tipo de restrição à importação dos produtos debatidos nos presentes autos, utilizando a classificação indicada pela autoridade fiscal, à época da importação efetivada; NCM 3701.20.10 — para esta codificação existe a necessidade de Licença de Importação (LI) para mercadorias que se enquadrem nos bens indicados pelo inciso V do art. 4° do Decreto n° 5.171/04 ("máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, suas partes e peças de reposição, e películas cinematográficas virgens, destinados à indústria cinematográfica e audiovisual, e de radiodifusão. '9 NCM 3920.20.90 —para esta codificação existe a necessidade de Licença de Importação (LI) apenas para mercadorias que se •destinem a servir de embalagens de produtos alimentícios. (ii) quanto à sujeição dos produtos importados, à época, ao licenciamento não automático; ..., considerando o entendimento à época da importação, à exceção dos produtos e situações condicionados na resposta do questionamento do item (z), para ambas as NCM o licenciamento era automático. (iii) e, finalmente, quanto à comparação do valor dos tributos pagos pelo contribuinte nesta operação com o valor devido pela classificação declarada por este e com o valor devido conforme a reclassificação procedida; II DEVIDO DECLARADO II DEVIDO II DEVIDO ALÍQUOTA 18,5% (R$) RECLASSIFICADO (NCM RECLASSIFICADO (NCM 3701.20.10) ALÍQUOTA 3920.20.90) ALÍQUOTA 4,5% (R$) 18,5% (R$) 12.103,36 - 2.944,06 12.103,36 IPI DEVIDO DECLARADO IPI DEVIDO IPI DEVIDO - ALÍQUOTA 15% (R$) RECLASSIFICADO (NCM RECLASSIFICADO (NCM 3701.20.10) ALÍQUOTA 3920.20.90) ALÍQUOTA 18% (R$) 15% (R$) 2 Processo n° 10909.002256/2001-71 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.245 Fl. 114 11.629,04 12.306,17 11.629,04 Ou seja, o valor total dos tributos federais pagos pelo contribuinte é superior ao valor que seria devido caso o mesmo tivesse adotado a classificação apontada como correta pela fiscalização, considerando-se o valor aduaneiro de R$ 65.423,57 (histórico). Intimado, o contribuinte se manifesta às fls. 107 a 111, afirmando, resumidamente, que as informações prestadas pela autoridade responsável pela diligência confirmaram integralmente as teses e alegações do mesmo, confirmando que as mercadorias importadas não estavam sujeitas a Licenciamento não automático e requer a compensação do valor da multa recolhido. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449 de 03 de dezembro de 2008 e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009 requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator -- Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. O presente caso versa sobre a aplicação de Multa do Controle Administrativo, prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, fundado em violação do artigo 432 do mesmo diploma legal. Ocorre que, em verdade, o que ocorreu foi uma reclassificação fiscal de produto, que não era, originalmente, sujeito a Licenciamento não Automático. Toda a mercadoria importada estava declarada, com dizeres suficientes para sua correta verificação (incluindo o número de referência de cada produto, o que certamente permite sua correta identificação, a descrição fornecida pelo produtor estrangeiro e sua quantidade). Observe-se que a classificação original, adotada pela recorrente, gerava um recolhimento de impostos maior que aquele decorrente da classificação determinada pela autoridade fiscal e que mesmo com esta reclassificação não era necessário o Licenciamento não Automático. O Parecer Cosit n° 54, de 02 de outubro de 1998, estabelece que se aplique a multa por falta de Guia de Importação na hipótese em que durante a conferência aduaneira for encontrada mercadoria sujeita a licenciamento automático que não estiver declarada na DI; no presente caso, todas as mercadorias estavam declaradas, somente não tinham a classificação tarifária entendida como correta pela fiscalização. Noto ainda que o Ato Declaratório Normativo n° 12, de 21 de janeiro de 1997, que fundamenta o Auto de Infração, declara que "não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a 3 declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior — SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque `ex' exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." Ora, intuito doloso, quando a classificação tarifária adotada pelo contribuinte era mais onerosa que aquela considerada pela fiscalização torna-se quase improvável e certamente não provado nestes autos (não há sequer indicio disto), portanto, a hipótese excludente descrita no ADN n° 12/97, afasta a incidência da multa, ora debatida. Vale ressaltar, por fim, que em seu recurso o contribuinte alega que a classificação fiscal correta dos produtos, após uma análise mais profunda da questão seria uma terceira posição, contudo, este argumento em nada modifica as conclusões acima quanto à referida multa, já que também esta posição não sujeitaria o processo de importação ao licenciamento não automático. Quanto ao pedido de compensação do valor da multa formulado pelo contribuinte em sua manifestação acerca do resultado da diligencia, o mesmo deve ser indeferido por falta de base legal, devendo o contribuinte, se entender ser do seu interesse, formular o mesmo pedido, através do procedimento especifico definido em lei para tanto. Ademais, tal pedido não foi formulado quando da apresentação do recurso voluntário, o que por si só já impede o conhecimento do mesmo por este Colegiado. Por todo exposto, VOTO para conhecer o recurso e dar-lhe provimento. ViuLefut.03 MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA l • 4
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002861/2006-89
Data da sessão: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Apr 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81.
Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a
desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA.
Considerando-se que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota-se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área.
Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte
comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010.
Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.492
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, para restabelecer as áreas originalmente declaradas de preservação permanente de 7.799,70 hectares e de reserva legal de 12.999,50 hectares, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81. Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Considerando-se que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota-se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para restabelecer as áreas originalmente declaradas de preservação permanente de 7.799,70 hectares e de reserva legal de 12.999,50 hectares, nos termos do voto do Relator.
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10183.002861/2006-89 Recurso n° 338.997 Voluntário Acórdão n° 2101-00.492 — ia Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2010 Matéria ITR - Áreas de preservação permanente e de utilização limitada Recorrente RAMEZ ABOU RIZK Recorrida 1' TURMA/DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - 1TR Exercício: 2001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. • ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81. Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específico de permitir a redução da -;;;)Ç base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na foinia como estatuído pelo - art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Considerando-se que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota-se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para restabelecer as áreas originalmente declaradas de preservação permanente de 7.799,70 hectares e de reserva legal de 12.999,50 hectares, nos termos do voto do Relator. n dff , n (i},C, Alb MARCOS CLÂNDIÉT,;esi nte / ALE NDRE NAOKI NIS IOKA - Relator EDITADO EM: 1 8 JUN 2010 - Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Conselheira convocada), Odmir Femandes (Suplente convocado) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 362/425) interposto em 16 de maio de 2007 (fl. 478) contra o acórdão de fls. 335/357, do qual o Recorrente teve ciência em 19 de abril de 2007 (fl. 361), proferido pela ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 01/09, lavrado em 02 de agosto de 2006, em virtude do não recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2001, decorrente da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental, para efeito de comprovação da área de reserva legal e de utilização limitada. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 2001 • -- ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ÁREA DE RESERVA LEGAL. 2 Processo n° 10183.002861/2006-89 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.492 Fl. 522 Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao MAMA ou órgão conveniado, incide o imposto sobre as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente" (fl. 335/336). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 362/425, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário, aduzindo as mesmas razões da impugnação. Os Membros da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acordaram em converter o julgamento em diligência, determinando a apresentação de novo laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART e de acordo com as normas da ABNT, no qual deveriam constar as áreas de preservação permanente, discriminadamente (fl. 483). O Recorrente apresentou, então, "Laudo de Caracterização da Fazenda Guaporé quanto a área de preservação permanente - APP" (fls. 502/519). É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que as áreas de reserva legal e de preservação permanente estão devidamente comprovadas nos autos, em razão da apresentação da matricula do imóvel, devidamente averbada, bem como de laudo técnico, respectivamente. No mais, sustenta que a apresentação do ADA não possui suporte legal. Compulsando-se os autos do presente processo administrativo, verifica-sd\ que os Membros da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acordaram em converter o julgamento em diligência, determinando ao Recorrente a apresentação de novo laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART e de acordo com as normas da ABNT, no qual deveriam constar as áreas de preservação permanente, de foinia discriminada. 3 Em atenção à decisão do órgão julgador, o Recorrente apresentou a petição e os documentos de fls. 502/519, acostando, assim, "Laudo de caracterização da Fazenda Guaporé quanto a área de preservação permanente - APP" (fls. 504/519). Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município". Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 50 da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5 0, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4a ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não- incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do 1 [R serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e 4 Processo n° 10183.002861/2006-89 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.492 F1.523 condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do TTR, considerar-se-á: II [...] - área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: al de preservação permanente e de reserva leoal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo especifico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada "área de preservação peimanente" (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.° 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milare, as 'florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica" (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5a ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1° do art. 3°, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao 6 Processo n° 10183.002861/2006-89 S2-C1T1 Acórdão n." 2101-00.492 Fl. 524 regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo - oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7' deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV - vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1 0 O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2' A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3' deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3' Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4' A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I - o plano de bacia hidrográfica; II - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 52 O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e 7 II - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6 Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e 111- vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "h" e "c" do inciso I do § 2' do art. 1. § 7' O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § § 8' A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9' A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, fumado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de • sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. 2)\f2(.._ § 1 1 . Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (---) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, 111 e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5' e 6, deve adotar as seguintes alternativas, isolas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. 8 Processo 00 10183.002861/2006-89 S2-C1T1 Acórdão n•° 2101-00.492 F1. 525 § Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 22 A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 32 A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5' A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44-B. (...)" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). • ->K Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supressão [de _florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.° 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem„ explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das noinias relativas às áreas de preservação permanente 9 ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° do art. 16 da Lei n.° 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei n.° 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.° 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.° 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal n.° 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a titulo de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1' A utilização do ABA para efeito de redução do valor a pagar do ITR • opcional." - Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com lo Processo n° 10183.002861/2006-89 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.492 Fl. 526 o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterou-se a redação do §1° do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-0. (---) § 12 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81. Analisando-se, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, pode-se inferir que a mudança de paradigma deveu- se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir 2 que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizando-se, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, pode-se afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que peiniita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez-2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do 1TR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a \\ Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. 11 Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do 1TR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Quer-se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressalte-se, não é o caso. Nesse esteio, recorrendo-se à analogia para o preenchimento de referida lacuna, deve-se recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendo-se sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verifica-se que cumpre o escopo da 12 Processo n° 10183.002861/2006-89 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.492 Fl. 527 norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verifica-se que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplica-se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.189-49/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é petillitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou-se anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguint - procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: -\ "Em virtude da impossibilidade de proceder-se à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores — por não haver retroatividade —, recomenda-se que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA Exercício 2007 tornou-se ANUAL. É necessário, também, munir-se de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao lbama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural — pela não apresentação do ADA no Exercício devido —, à ela deverão ser apresentados." 13 Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: • "• Ato Declaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do 'barna relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Teimo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Orgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da • Área de Servidão Florestal; • Portaria do lbama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." • Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. • Diante de todo o exposto, verifica-se que, no presente caso, o Recorrente apresentou o ADA em 31/03/2006 (fl. 291), ou seja, após o início da fiscalização (27/03/2006, fl. 20). Não obstante, comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, correspondente a 50% do total da propriedade, ou seja, 12.999,50 ha., por meio da juntada de cópia autenticada da matrícula do imóvel com a respectiva averbação realizada em 14/09/1987 (fl. 430), isto, antes da data do fato gerador do imposto, conforme, aliás, reconheceu a própria autoridade lançadora (11. 06). 14 • Processo n° 10181002861)2006-89 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.492 Fl. 528 No que tange à área de preservação permanente, necessário se faz esclarecer que foram identificados números diferentes. Em respeito ao principio da verdade material, foi proferida a Resolução n.° 303-01.01.456, por meio da qual os Membros da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acordaram em converter o julgamento em _diligência, determinando ao Recorrente a apresentação de novo laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART e de acordo com as normas da ABNT, no qual deveriam constar as áreas de preservação permanente, de forma discriminada. Em atenção à decisão do órgão julgador, o Recorrente apresentou a petição e os documentos de fls. 502/519, acostando, assim, "Laudo de caracterização da Fazenda Guaporé quanto a área de preservação permanente - APP" (fls. 504/519). Não obstante, verifica-se que a área nele identificada é igualmente distinta das três outras anteriormente apontadas nos autos: (i) DITR (26/03/2002, fi. 12): 7.799,70 ha.; (ii) ADA (31/03/2006, fl. 32): 10.400,00 ha.; (iii) Laudo de Jacob Kaiser (fls. 34/50, de 24/04/2006): 9.417,4766 ha.; e (iv) Laudo de Klebis Cardoso de Sousa (21/05/2009): 10.334,1309 ha. (fls. 504/519). Verifica-se, portanto, que foi comprovada a existência da área de preservação permanente indicada pelo Recorrente na sua declaração, conforme se infere dos dois laudos apresentados, em que pese a diferença quanto à dimensão dessa área. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para restabelecer as áreas de preservação peimanente (7.799,70 ha.) e de utilização limitada (12.999,50 ha.) originariamente declaradas pelo Recorrente. Sala das Sessões-DF, em 16 abril de 2010 ,ry) Alexandre Naoki Nishioka • 15
score : 1.0
Numero do processo: 36266.004676/2004-31
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 26/08/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das
contribuições previdenciárias.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg.
Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal
SAT. ALÍQUOTA. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A alíquota do SAT é determinada pelo grau de risco da atividade preponderante exercida pela empresa, assim aferida pela alocação
em determinada função da maioria de seus empregados segurados.
MULTA DE MORA. A multa de mora é irrelevável, devendo ser aplicada no caso do lançamento de oficio.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.035
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para declarar decadentes as competências até 07/1999. No mérito, por unanimidade de votos, em
negar provimento ao recurso.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/08/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SAT. ALÍQUOTA. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A alíquota do SAT é determinada pelo grau de risco da atividade preponderante exercida pela empresa, assim aferida pela alocação em determinada função da maioria de seus empregados segurados. MULTA DE MORA. A multa de mora é irrelevável, devendo ser aplicada no caso do lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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" MINISTÉRIO DA FAZENDA Nf • ..I.1 ''''' ..• Zr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36266.004676/2004-31 , Recurso n° 151.474 Voluntário Acórdão n° 2402-00.035 — 4a Câmara / 2 Turma Ordinária , Sessão de 9 de julho de 2009 Matéria CONTRIBUIÇÁO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SPCOM COMÉRCIO E PROMOÇÕES S/A Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/08/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 40, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SAT. ALÍQUOTA. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A aliquota do SAT é determinada pelo grau de risco da atividade preponderante exercida pela empresa, assim aferida pela alocação em determinada função da maioria de seus empregados segurados. MULTA DE MORA. A multa de mora é irrelevável, devendo ser aplicada no caso do lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presente . .1, IP• 1 Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 304 ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadencia para declarar decadentes as competências até 07/1999. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. '7ARCE O OLIVEIRA - Presidente LO ic* NÇO E " RA 6c) PRADO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente), Rycard nrique Magalhães de Oliveira (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa (Su 2 Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 305 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado atinente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do Trabalho - GILRAT, correspondente ao enquadramento da empresa no grau de risco médio. Estas contribuições incidem sobre a remuneração de seus empregados, nos meses indicados em epígrafe, não recolhidas em sua integridade, na época própria, aos cofres previdenciários. Infere-se do Relatório Fiscal de fls. 81/82 e documentos anexos que os valores foram apurados com base em informações contidas nas Folhas de Pagamento das remunerações dos segurados empregados. No período do débito, a contribuição recolhida ou reconhecida pela empresa, através da GFIP - Guia de Recolhimento 'do FGTS e Informações à Previdência Social fora com base na alíquota de 1 %. Esse percentual está em desacordo com o disposto no art. 22, 11 da lei 8212/91 e alterações posteriores, segundo o qual a alíquota aplicável é de 2% para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidente de trabalho seja considerado médio. Foi relatado pela Auditoria Fiscal que a atividade preponderante da empresa, isto é, aquela que ocupa o maior número de segurados empregados é a atividade de telemarketing. Foi procedido o enquadramento desta empresa de acordo com a orientação do Anexo V do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3048/99, no código 74.99-3 - Outros serviços prestados principalmente às empresas. Tal código de enquadramento também é constante dos cartões do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica- CNPJ da empresa, fls. 83/84 (estabelecimentos: 0001 e 0002). Dentre as atividades enquadradas nesse código, segundo a Comissão Nacional de Classificação - CONCLA, encontra-se os serviços de telemarketing, sem comercialização de mercadorias, conforme anexo II, acostado às fls. 85/86 (Listagem contendo as atividades do código 74.99-3, segundo a Comissão Nacional de Classificação - CONC1A). A auditoria fiscal registra que o débito foi apurado com base nos valores de remuneração constantes das folhas de pagamento, e por se tratar de levantamento de diferença e percentual no enquadramento, aplicou-se a alíquota de 1 %.Foram deduzidos os valores confessados a título de GIRAT nos lançamentos de Débito Confessado - LDC's, n° 35.336.888- 1 e 35.336.889-0 realizados em 01/03/2000. O débito lançado no NFLD possui os seguintes códigos de levantamento e respectivos períodos: a)- ST - período de 07/1997 a 13/1998, anterior a im ão da GFIP- Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; , 3 Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 306 b)- STG - período 01/99, 03/99, 04/99, 07/99, 13/99, 02/00 a 06/00, 08/00 a 05/04 - período da vigência da GFIP- Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdencia Social que totaliza o montante de R$ 635.685 9 81 (Seiscentos e trinta e cinco mil e seiscentos e oitenta e cinco reais e oitenta e um centavos), consolidado em 26/08/2004. A recorrente apresentou tempestivamente defesa as fls. 104 a 123, desenvolvendo argumentação contra a autuação que lhe fora imposta. Inconformada com a decisão de Primeira Instância, que lhe foi desfavorável, recorre a autuada (fls.179 a 220) alegando: em sede preliminar da desnecessidade de depósito prévio pela inaplicabilidade de norma previdenciária inconstitucional; da decadência do direito de constituir o crédito tributário e da nulidade do NFLD, tendo em vista a ausência de clareza e objetividade das informações contida, bem como, ausência de fundamentação legal dos dispositivos que ensejaram a constituição do crédito tributário discutido. E, no mérito, sustenta a recorrente a improcedência da Ação Fiscal, a ilegalidade da exigência de juros pela Taxa Selic. A respeitável Decisão-Notificação exarada nos autos rejeitou as alegações suscitada na impugnação para declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário no importe de R$ 635.685,81 (Seiscentos e trinta e cinco mil e seiscentos e oitenta e cinco reais e oitenta e um cen s, consolidado em 26/08/2004. , É o rel ' . 4 Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.°2402-00.035 FI. 307 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Resta superada a preliminar suscita pela recorrente acerca da inexigibilidade de prévio depósito recursal sob pena de caracterizar flagrante cerceamento de seu direito sagrado de defesa. A notificada alega, em seu recurso, preliminar de decadência do débito sob o entendimento de que as contribuições subordinam-se aos prazos de prescrição e decadência previstos no CTN, nos termos do art. 146, III, da Constituição Federal. A fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguem-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Analisando a preliminar de decadência argüida, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n ° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração piiMi • mdireta, 5 Processo n°36266.004676/2004-31 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 308 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 40 ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em rega, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso em tela, trata-se de fatos geradores que obrigam a empresa recolher contribuições previdenciárias à Seguridade Social destinadas ao financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT. As empresas estão obrigadas a cumprir o disposto nos artigos 22, inciso II, artigo 30, inciso I, alínea "h" da Lei 8212 de 24 de julho de 1991. Nota-se que a empresa deixou de recolher apenas a diferença entre o percentual de 2% e o de 1% já que as atividades desenvolvidas pelos empregados enquadravam na escala "leve". A doutrina e a jurisprudência entendem que por estarem as contribuições sociais sujeitas ao lançamento por homologação, havendo pagamento pelo contribuinte o prazo decadência é o do artigo art. 150, § 4°, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ,f 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, iffi) considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O presente caso subsume ao comando do artigo 150, § 4 do Código Tributário Nacional, pois a empresa, ora recorrente, efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias pelo per,: • e 1%, logo, o prazo decadencial começa a fluir desde a ocorrência do fato gerador. r • 6 Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 309 Infere-se dos autos que a cientificação ao contribuinte da NLFD — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO deu-se em 26/08/2004 conforme consta de fl.01. Assim, de julho de 1999 acrescendo o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4 do CTN, chegamos a conclusão que o limite temporal para o fisco ter constituído este crédito era até o mês de julho de 2004, todavia, tal fato somente ocorreu, em verdade 27/08/2004, ou seja, ultrapassou quase um mês além do prazo. Portanto, concluo que a Previdência Social não possui mais o direito de constituir e lançar os créditos atinentes a competência de ST 07/97 a 07/1998, bem como os períodos de STG - 01/99; 03/99; 04/99; 07/99. No que tange à terceira preliminar de nulidade do Lançamento, tenho que a NFLD foi lavrada em estrito atendimento aos dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, conforme se atesta no Relatório Fiscal de fls. 81 e 82. Não merecem acolhidas as alegações iniciais da impugnante que a presente NFLD não contém a descrição clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e dos dispositivos legais aplicáveis ao caso. Com efeito, a NFLD foi elaborada de acordo com as normas e padrões estabelecidos pelo INSS e atende a todas as exigências do art.142 do CTN identificação do fato gerador, determinação da matéria tributável, o cálculo do valor montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, senão vejamos: São precisos os comandos "in verbis": "Art.37 (Lei 8.212/91).Constatado o não-recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32, a falta de pagamento de beneficio reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Medida Provisória n°449, de 2008)" Art. 142 (Lei 5.172/66). Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível 1 O não recolhimento da totalidade de contribuições devidas à Previdência Social em época própria ensejou a lavratura da NFLD, ante o descumprimento de obrigação principal por parte da empresa. Conforme se infere dos autos os fundamentos legais são claros e precisos, classificados de acordo com o tipo do débito e por ordem cronológica, sendo separados os fundamentos legais das contribuições, da multa, dos juros e do prazo de recolhimento. Assim tenho por descabida a alegação da recorrente acerca de cerceamento ,.....tfouide defesa, vez que a Notificação foi feita através de um inst mento válido e legal, que garante ao contribuinte o direito à ampla defesa e ao contra • " • . *. • 7 1 Processo n°36266.004676/2004-31 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 310 No que tange às contribuições ao SAT, não ocorreu, no caso, a alegada violação ao principio da legalidade. É o art. 22, inciso II da lei 8.212/91, conforme abordado pela Auditoria Fiscal em seu Relatório, que criou tal contribuição e definiu suas aliquotas. Esse artigo de lei delimitou a forma de enquadramento das empresas nas aliquotas, determinando que este enquadramento deva ser feito conforme a atividade econômica preponderante. Destarte, foi a lei que determinou todos os aspectos da hipótese de incidência da norma que fundamenta a contribuição ao SAT. A lei contém o aspecto material, territorial, temporal, pessoal e quantitativo (base de cálculo e aliquota), sendo delegada ao executivo apenas atribuição de definir como encontrar a atividade preponderante da empresa, o que não viola o principio da estrita legalidade: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II - para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei na 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 1998)". Quanto ao mérito, da análise dos autos exsurge que o auditor fiscal ao indicar o grau de risco a que estava submetida a maioria dos empregados segurados da recorrente, assim entendeu como atividade preponderante da empresa a prestação dos serviços de telemarketing sem a venda de mercadorias, o que o fez a determinar o enquadramento da empresa na aliquota de 2%, relativa ao nível médio de risco a que deveria estar sujeita a recorrente. Da simples análise do contrato social da recorrente, juntado às fls. 89/90, se verifica que o seu objeto social é o de : A) prestação de serviços de informações por mensagens gravadas e entretenimentos acessados através da rede pública de comunicações; B) prestação de serviços de telemarketing, ativo e receptivo, incluindo pesquisas de opinião; C)pesquisas de mercado e opinião; D) organização, promoção e montagem de feiras e exposições; E) Representação comercial de outras empresas sediadas no pais ou exterior; Ademais, de sua inscrição no CNPJ se percebe que a própria empresa declara no campo Código e Descrição da Atividade Econômica Principal o código 74.99-3-99, o mesmo, utilizado pelo auditor para o lançamento da diferença de 1% referente a aliquota do SAT. Logo, se faz imperiosa a manutenção do lançamento já que fica claro que a sua atividade preponderante é a de telemarketing, não se caracterizando qualquer ilegalidade quanto a possibilidade por ofensa ao principio da legalidadentes níveis de incidência 8 Processo n°36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 311 da contribuição, conforme colocado pelo Decreto e a teor daquilo que já julgado por este Conselho Administrativo nos autos do Recurso Voluntário n. 153.003, sessão de 02 de julho de 2008, relatora Ana Maria Bandeira, cujo excerto do voto que peço vênias para transcrever: "Quanto ao inconformismo da recorrente pelo fato de decreto estabelecer critérios para a definição do grau de risco da atividade preponderante, o mesmo não merece melhor sorte. O Princípio da Reserva Legal na esfera tributária, se traduz na obrigatoriedade de que todos os elementos integrantes da espécie tributária a ser instituída sejam minuciosamente descritos na lei, quais sejam: a descrição do fato gerador da obrigação principal e do seu sujeito passivo, a fixação da alíquota e da base de cálculo do tributo. Entende esta autoridade julgadora que a Lei 8.212/91 definiu todos os elementos acima descritos de forma a tornar legal a cobrança do SAT. Entende a recorrente que embora a lei tenha definido as alíquotas diferenciadas de 1% para risco leve, 2% para risco médio e 3% para risco grave, não estabeleceu os conceitos de risco leve, médio e grave. Ocorre que a Lei 8.212/91, no art. 103 expressamente previu que o Poder Executivo deveria regulamentá-la, o que foi feito com a edição do RPS —Regulamento da Previdência Social, Decreto 3.048/99; Ora, o regulamento é o ato administrativo de competência do Poder Executivo, conforme define o Art. 84, inciso IV da Carta Magna, e tem por finalidade detalhar, esmiuçar o conteúdo da lei propriamente dita. O regulamento é inferior, hierarquicamente, à lei, não podendo contrariá-la, mas sim descer a minúcias que à lei não seria adequado; O Decreto 3.048/99 estabelece a relação dos agentes nocivos e atividades com os correspondentes graus de risco, restando claro que a contribuição do SAT é totalmente devida e legal." No tocante à ilegalidade da incidência dos juros moratórios com base na taxa SELIC para a cobrança das contribuições sociais objeto da NFLD, melhor sorte não possui o recorrente. Cumpre lembrar que a sua aplicação decorre daquilo que claramente disposto no art. 34 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.528/97, confira-se: "Artigo 34: As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065/95, incidentes s o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irr gável." , 9 Processo n°36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 312 Não obstante a matéria já foi objeto de inúmeras discussões neste Eg. Conselho, quando então fora editada a Súmula n. 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, aplicável ao presente caso e cuja redação fora assim aprovada na sessão plenária de 18/09/2007: "SÚMULA N. 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federal. A multa de mora, por sua vez, também foi aplicada de forma correta e está em conformidade com o artigo 35, da Lei n° 8.212/91, não podendo ser relevável. De tudo que foi exposto, podemos concluímos que a empresa deve recolher a contribuição para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho à alíquota de 2%, correspondente ao risco médio, mesmo em suas filiais, pois o enquadramento da empresa no grau de risco deve ser feito conforme a atividade preponderante. Por fim, analisando a alegação de ilegalidade na aplicação da taxa de juros pela Selic ser inconstitucional não convence pelas seguintes razões: Não merecem também prosperar as considerações efetuadas pela Defendente em relação à aplicação da taxa SEL1C. A titulo de esclarecimento, descrevemos parte de argumentos utilizados pela nossa D. Procuradora Federal Débora Sotto, in Ação Ordinária n 2002.61.00.017645-8 - 150 VCF/SP, que entre outros assuntos, trata da aplicação da taxa SEL1C: que por determinação do artigo 13 da Lei n° 9.065 de 20/06/1995 os juros, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C, para tributos federais, acumulada mensalmente, passaram a ser aplicáveis a partir de 1° de abril de 1995 aos tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, inclusive no caso de parcelamento de débitos, bem como às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário. Assim, vê-se que os juros aplicáveis aos tributos, equivalentes à taxa SEL1C, foram instituídos por lei, em sentido formal e material- restou preservado, outrossim, o princípio da legalidade. Se o percentual dos juros varia mês a mês, isto ocorre nos precisos termos admitidos pela lei.0 valor mensal da Taxa SEL1C é fixado pelo COPOM - Comitê de Política Monetária, integrante da estrutura do Banco Central a quem a Constituição Federal atribuiu expressamente a competência para "comprar e vender títulos de emissão do Tesouro Nacional, com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de ju " . 4, §2°). 10 Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 313 Como bem observa a Subprocuradora - Geral da República Yedda de Lourdes Pereira, em sua manifestação no Resp n° 215. 881/PR, "por delegação constitucional, o Banco Central não só interfere como fixa taxas de juros e o SEL1C foi criado e teve definido seu critério de fixação por lei. Exerce com legitimidade suas atribuições e competências, não cabendo falar em ofensa à indelegabilidade tributária. Irrelevante, portanto, a impugnação ao Comitê de Política Monetária - COPOM - dado que, integrando a estrutura, o corpo do Banco Central, está compreendido na delegação constitucional deferida a este, na regularização da moeda e das taxas de juros. Logo, ao regimento interno do Órgão caberá definir as atribuições de cada Setor, sem outras. interferências externas". Conseqüentemente, há que se concluir que o argumento da indelegabilidade tributária é absolutamente improcedente, pois quem estabeleceu o percentual da taxa de juros foi o Poder Legislativo, pela edição da Lei 9065/95, e não o Poder Executivo, e a fixação das taxas mensais de juros pelo BACEN decorre de expressa disposição constitucional..." Impende esclarecer que tal disciplinamento legal em nenhum momento teve declarada a sua inconstitucionalidade/ilegalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo que a esfera 'administrativa não é o órgão competente para dirimir questões acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de uma lei. Em relação aos juros de mora na forma preceituada pelo parágrafo 3° do art. 192 da CF, ternos que tal previsão legal que limita a taxa de juros a 12% ao ano, não é auto- aplicável, dependendo de regulamentação por meio de Lei Complementar, já que não há no ordenamento definição de "juros reais". Portanto, a aplicação da Taxa SELIC para cálculo dos juros encontra expressa previsão na legislação previdenciária: art. 34 da Lei 8212/91. A multa de mora cobrada obedeceu as disposições legais vigentes, conforme demonstrado no relatório FLD - Fundamentos legais do Débito, na rubrica "ACRÉSCIMOS LEGAIS - MULTA" (fls. 72). O percentual é determinado pelo art. 35, 11 da lei n° 8.212/91, com redação determinada pela lei n° 9.528/97, sendo a multa obrigatória e irrevogável, sob pena de responsabilidade da autoridade lançadora. Nas Instruções Para o Contribuinte - IPC às fls. 02 e 03 está demonstrada as várias formas de pagamento e as reduções da multa de acordo com a data do pagamento da Notificação. Finalmente, a notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância da determinações legais vigentes, sendo que o lançamento teve por base o que prescreve a Lei n°. 8212/91 1, art. 15, I; art. 22, li, artigo 30, inciso I,"b" com as alterações posteriores. Sendo assim, os valores apurados pela Autoridade fiscal previdenciárias referentes as competências STG — 13/99;02/2000 a 06/2000; 08/2000 a 05/2004, não foram abrangidas pelo marco temporal da decadência, assim, consolidados e constituídos em tempo hábil. Processo n° 36266.004676/2004-31 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.035 Fl. 314 Nesse sentido CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta CONCLUSÃO: pelo exposto VOTO no sentido de acolher a preliminar de decadência suscitada, tão somente para excluir do lançamento os valores correspondentes ao período 07/1997 a 13/1998 e 01/99 a 07/99 nos termos do artigo 150, § 4° do CTN e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo-se o crédito relativo aos demais períodos. É como voto. Sala • as Sessões, em 9 de julho de 2009 • • L:0 - 111 ENÇO FERREIRA DO PRADO — Relator 19) 12
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006371/2007-96
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2007
Consolidado em: 05/12/2007
NFLD SOB N° 37.131.118-7
VALOR TOTAL DE R$ 189.159,64
EMENTA
DA RETENÇÃO
Empresa contratante, tomadora de serviços tem a obrigação legal de reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, bem como o RPS - Regime da Previdência Social, vi parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219, também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mão-de-obra e a obrigação de retenção de quem as usa.
DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS.
Base da autuação fiscal que não considera o vínculo de empregado de uma empresa para outra, mas considera a cessão de mão-de-obra, de conformidade com os contratos e a realidade fática, encontra arrimo legal.
DO CNAE
A autuação fiscal empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas encontra-se na legalidade.
DA COMPENSAÇÃO
Empresa que efetua compensação e diz ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, sob a alegação de que os valores incidiram sob parcelas indenizatória, não merece guarita, pois não as são.
DO GRUPO ECONÔMICO - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.212-1991
Configura grupo econômico sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas (CLT) e "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei."
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
O Regimento Interno do CARF, artigo 62, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento do afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
MATÉRIA NÃO COMBATIDA
Matéria não combatida na peça recursão, em não sendo matéria de ordem pública, como é o caso da multa, não merece avaliação.
No caso em tela a multa não anatematizada no Recurso Voluntário, razão pela qual deverá ser mantida, conforme resolveu a instância a quo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por voto de qualidade: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do grupo econômico a empresa Condomínio Costão do Santinho, excluindo-lhe da lide, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2007 Consolidado em: 05/12/2007 NFLD SOB N° 37.131.118-7 VALOR TOTAL DE R$ 189.159,64 EMENTA DA RETENÇÃO Empresa contratante, tomadora de serviços tem a obrigação legal de reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, bem como o RPS - Regime da Previdência Social, vi parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219, também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mão-de-obra e a obrigação de retenção de quem as usa. DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS. Base da autuação fiscal que não considera o vínculo de empregado de uma empresa para outra, mas considera a cessão de mão-de-obra, de conformidade com os contratos e a realidade fática, encontra arrimo legal. DO CNAE A autuação fiscal empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas encontra-se na legalidade. DA COMPENSAÇÃO Empresa que efetua compensação e diz ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, sob a alegação de que os valores incidiram sob parcelas indenizatória, não merece guarita, pois não as são. DO GRUPO ECONÔMICO - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.212-1991 Configura grupo econômico sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas (CLT) e "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei." INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O Regimento Interno do CARF, artigo 62, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento do afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO COMBATIDA Matéria não combatida na peça recursão, em não sendo matéria de ordem pública, como é o caso da multa, não merece avaliação. No caso em tela a multa não anatematizada no Recurso Voluntário, razão pela qual deverá ser mantida, conforme resolveu a instância a quo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por voto de qualidade: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do grupo econômico a empresa Condomínio Costão do Santinho, excluindo-lhe da lide, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2007 Consolidado em: 05/12/2007 NFLD SOB N° 37.131.1187 VALOR TOTAL DE R$ 189.159,64 EMENTA DA RETENÇÃO Empresa contratante, tomadora de serviços tem a obrigação legal de reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, bem como o RPS Regime da Previdência Social, vi’ parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219, também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mãodeobra e a obrigação de retenção de quem as usa. DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS. Base da autuação fiscal que não considera o vínculo de empregado de uma empresa para outra, mas considera a cessão de mãodeobra, de conformidade com os contratos e a realidade fática, encontra arrimo legal. DO CNAE A autuação fiscal empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE — Classificação Nacional de Atividades Econômicas encontrase na legalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 63 71 /2 00 7- 96 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 DA COMPENSAÇÃO Empresa que efetua compensação e diz ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, sob a alegação de que os valores incidiram sob parcelas indenizatória, não merece guarita, pois não as são. DO GRUPO ECONÔMICO INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.2121991 Configura grupo econômico sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas (CLT) e "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei." INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O Regimento Interno do CARF, artigo 62, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento do afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO COMBATIDA Matéria não combatida na peça recursão, em não sendo matéria de ordem pública, como é o caso da multa, não merece avaliação. No caso em tela a multa não anatematizada no Recurso Voluntário, razão pela qual deverá ser mantida, conforme resolveu a instância ‘a quo’. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por voto de qualidade: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em retificar a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do grupo econômico a empresa Condomínio Costão do Santinho, excluindolhe da lide, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 517 3 Relatório Por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) supra a Recorrente foi autuada na importância de R$ 189.159,64 (cento e oitenta e nove mil e cento e cinqüenta e nove reais e sessenta e quatro centavos), consolidado em 05 de dezembro de 2007, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 41/48, referese as contribuições sociais devidas, correspondentes a parte da empresa; ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT; as destinadas a outras entidades e fundos: SalárioEducação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae; e as de terceiros decorrentes de retenção em notas fiscais/faturas de prestação de serviços de empresas contratadas, no período de 10/2005 a 06/2007, correspondente aos seguintes fatos geradores: (a) Levantamento "FP — FOLHA DE PAGAMENTO" — diferenças apuradas nos recolhimentos das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e declaradas em GFIP; (b) Levantamento UNI — UNIQUE RECREAÇÕES E LAZER — prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, cujas atividades estão sujeitas a retenção prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, verificadas nas notas fiscais de serviços e contabilidade referentes a empresa Unique Recreações e Lazer Ltda.ME; Esclarece, o REFISC que o contrato com a empresa Unique Recreações e Lazer Ltda.ME era, até 09/2005, firmado entre essa e a Preference — Serv. de Adm. Cond. e Hotelaria Ltda (empresa do mesmo grupo econômico) que sofreu cisão e teve seu patrimônio vertido parcialmente para a notificada, inclusive as obrigações decorrentes do contrato aqui referido que passaram a ser cumpridas por esta. Informa, ainda, que o objeto do contrato era a prestação de serviços de recreação e entretenimento para os hóspedes da contratante, e que foi apresentado somente o contrato referente ao período de 15/03/2004 a 15/03/2005. Assevera que ficou evidenciado que a prestação de serviços ocorreu na forma de cessão de mãodeobra, visto que os empregados da contratada ficavam a disposição da contratante, em suas dependências, realizando serviços continuadamente e que apresentam relação com a atividade fim da contratante, no caso, Resort & Spa. Acrescenta que a obrigatoriedade da retenção consta do art. 31 da Lei n° 8.212,. de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998, e que os serviços em questão se referem à atividade de hotelaria. Relata, ainda, que embora não tenha havido destaque da retenção nas notas fiscais emitidas pela empresa cedente de mãodeobra, a contratante tem a obrigatoriedade de efetuar a retenção e o devido recolhimento. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 A partir da NF n° 54, emitida em 09/04/2007, consta o destaque da retenção porém, efetuado somente sobre 50% do valor total das notas fiscais, não sendo apresentado qualquer documento que de respaldo para a redução da base de cálculo. Os recolhimentos parciais foram deduzidos do montante devido, conforme RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 22/28. Com relação ao CNAE, consta do REFISC, que a notificada enquadrouse incorretamente no CNAE 63.304 — atividades de agências de viagens e organizadores de viagens, ou no CNAE 79.11 — 2/00 — Agência de viagens, quando o correto seria o código 55.115 — estabelecimentos hoteleiros, com restaurantes até 05/2007, e a partir de 06/2007, com a nova tabela CNAE Fiscal, o código 56.112/01 — restaurantes e similares, em razão de ser esta a atividade preponderante em decorrência de alocar o maior número de segurados da empresa. No item 7 do REFISC, fls. 47, o auditor informa que a empresa efetuou compensação na GPS da competência 01/2007, em razão desconsiderar indevidos os valores recolhidos sobre as rubricas 1/3 de férias e gratificações, pagos até 08/2006, nas folhasde pagamento. Todavia, em razão destas rubricas integrarem o salário de contribuição, os valores compensados foram glosados. Informa, ainda, o Relatório, que as empresas INPLAC — Indústria de Plásticos S.A, Santinho Empreendimentos Turísticos S.A, Costão Golf Ltda, Costão Adm. e Negócios Imobiliários Ltda, Costão Ville — Empreendimentos Imobiliários S.A, Condomínio do Complexo Turístico do Costão do Santinho e Preference Serv. de Adm. de Cond. e Hotelaria Ltda, juntamente com a notificada, são controladas direta ou indiretamente pela empresa ECAP — Empresa Catarinense de Administração e Participação Ltda, informando os percentuais de participação, constituindo um grupo econômico de fato, e, dessa forma, são atingidas pelo instituto da responsabilidade solidária, determinado na legislação vigente, sendo consideradas solidárias em relação ao crédito previdencidrio decorrente desta notificação fiscal.Consta do Anexo II do Relatório o organograma do grupo e o contrato de prestação de serviços de administração de condomínio firmado com a Preference. Notificada a Recorrente, tempestivamente apresentou impugnação, nas seguintes razões: 1) que o objeto do contrato entre a Unique e a Recorrente tem que apresentar relação com a atividade fim dela, razão pela qual, equivocadamente, para a fiscalização, o contrato firmado entre as partes teria ensejado vinculo empregatício ou relação de emprego entre Recorrente e os empregados da Unique, porque teria representado cessão de mãodeobra, uma vez que os serviços requeriam que "os empregados da contratada ficassem a disposição da contratante, em suas dependências, realizando serviços continuadamente e que apresentam relação com a atividade fim da contratante"; 2) que não é atribuição da fiscalização reconhecer vínculo empregatício entre o contribuinte e prestadores de serviços, para imputar débitos previdenciários; 3) que também não é competência da fiscalização desconsiderar contratos legítimos de prestação de serviços; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 518 5 4) que a fiscalização não levou em consideração as contribuições efetivadas pela Unique, de modo a evitar o enriquecimento sem causa justa da Previdência Social; 5) prescrição dos débitos apurados de 01 de 1999 à 11 de 2002, com base no artigo 173,I do CTN; 6) que as compensações efetuadas não são indevidas em razão de não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório; As empresas ECAP — Empresa Catarinense de Administração e Participação Ltda, INPLAC — Indústria de Plásticos S.A, Santinho Empreendimentos Turísticos S.A, Costão Golf Ltda., Costão Adm. e Negócios Imobiliários Ltda., Costão Ville — Empreendimentos Imobiliários S.A e Preference — Serviços de Administração de Condomínio e Hotelaria Ltda, apresentaram impugnação em conjunto, fls. 211/215, alegando em síntese, que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, é solidariedade de direito, que tem validade e eficácia apenas quando a lei que a estabelecer for interpretada de acordo com a constituição e o próprio CTN, não tendo qualquer valor jurídico as disposições de leis ordinárias, como a Lei n° 8.212/91, que indevidamente pretendam alargar as responsabilidades de sócios e dirigentes das pessoas jurídicas. Colaciona jurisprudência do STJ em que se discute o redirecionamento de execução fiscal ajuizada contra empresa para responsabilizar os sócios (Resp n° 717.717/SP (2005/00082838) — DJU de 08/05/2006. O Condomínio do Costão do Santinho apresenta impugnação ás fls. 116/119, alegando, além dos pontos apresentados pelas outras empresas, que se trata de pessoa jurídica sem finalidade lucrativa, formada por condôminos proprietários de frações ideais de condomínio, nos termos do Código Civil e da legislação especifica, não detendo capacidade jurídica para formar grupo econômico. A DRJ mantém o crédito tributário por unanimidade. Em 24 e 25 de julho de 2008 foram notificadas e no dia 22 de agosto foi protocolizado os recursos aviados pelas Recorrentes, onde sustentam as mesmas razões da impugnação, que passo analisar para decidir. Eis a síntese do necessário. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 6 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, Relator O recurso aviado é tempestivo e respeita a regra processual, razão pela qual merece ser recepcionado, passando a análise dos fatos e das razões jurídicas recursais. Antes porém, em que pese figurar no pólo passivo várias recorrentes, é possível analisar e julgar todos os recursos conjuntamente, abrangendo todos os quesitos levantados, o que passo a fazer nas seguintes rubricas: DA RETENÇÃO Vêse nos autos que o motivo da autuação trata das contribuições decorrentes da obrigatoriedade de a empresa contratante reter 11 % do valor bruto da nota fiscal ou fatura previstas no artigo 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91, cujo qual pedese vênia para transcrevê lo: Art. 31 — A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário,deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5° do artigo 33. .... Parágrafo 3 Para fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos,relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. O dispositivo legal acima não deixa margem de dúvida quanto a caracterização da cessão de mãodeobra, e, como sempre trago à baila, para os latinos, a clareza da lei cessa sua interpretação, como ocorre acima. Mas a legislação previdenciária não está substanciada tão somente na Lei 8.212 de 1991, pois o RPS – Regime da Previdência Social também moldura com exatidão a caracterização da cessão de mãodeobra e a obrigação de retenção de quem as usa. ‘Ex vi’ parágrafos 1 e 2, item IX do artigo 219: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 52 do art. 216. § 1 Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do Fl. 584DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 519 7 contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n2 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2 Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: .... IX copa e hotelaria; Para reforçar a legalidade do ato, urge dizer que a IN Instrução Normativa 03 de julho de 2005 regulamentava o procedimento na época do fato gerador: 140. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência fevereiro de 1999, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada, observado o disposto no art. 93 e no art. 172. Então há obrigatoriamente de reter 11% a empresa que enquadrar à legislação acima, razão pela qual entendo devida a autuação, neste quesito. DA INDEVIDA ALEGAÇÃO DE CONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO DOS FUNCIONÁRIOS DAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS E DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADOS. Alegouse que a fiscalização para substanciar a autuação considerou o vínculo empregatício dos funcionários das prestadoras de serviços com a contratante. Neste diapasão, diz que a fiscalização não tem poderes para fazer tal relação empregatícia. Todavia, não foi esta a base para autuação, pois, ao contrário do que alega, a fiscalização não considerou o vínculo, já que, com fulcro na legislação acima, foi considera a cessão de mãodeobra, de conformidade com os contratos e a realidade fática. As Recorrentes em momento algum alegaram que não havia vínculo contratual entre a tomadora e as prestadoras de serviços. Ao contrário, reconhecem a existência dos contratos. E, estes contratos é que foram considerados pela fiscalização para autuação, porque enquadramse nas obrigações de lei. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 8 O artigo 143 da Instrução Normativa n 3 é clara na definição do que seja ceder mão de obra, ‘in verbis’: 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1974. §1 Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. §2° Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. §3° Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 145. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: () VII hotelaria, que concorram para o atendimento ao hóspede em hotel, pousada, paciente em hospital, clinica ou em outros estabelecimentos do gênero; Parágrafo único. A pormenorização das tarefas compreendidas em cada um dos serviços, constantes nos incisos dos arts. 145 e 146, é exemplificativa. Art. 149. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. §1° 0 valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. §2° Para os fins do §1°, a contratada manterá em seu poder, para apresentar à fiscalização da SRP, os documentos fiscais de aquisição do material ou o contrato de locação de equipamentos, conforme o caso, relativos ao material ou equipamentos cujos valores foram discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. §3 Considerase discriminação no contrato os valores nele consignados, relativos ao material ou equipamentos, ou os Fl. 586DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 520 9 previstos em planilha à parte, desde que esta seja parte integrante do contrato mediante cláusula nele expressa. Art. 150. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: (Mt dada pela I N n• 20, de 11.01.07) I cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II trinta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; III sessenta e cinco por cento quando se referir à limpeza hospitalar e oitenta por cento quando se referir aos demais tipos de limpezas, do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Diante de toda a documentação colacionada nos autos, cujos quais serviram de espeque à fiscalização, que, considerando os dispositivos legais acima mencionados, depreendese da regularidade da responsabilidade tributária imposta e atribuída ao contratante de serviços quando os serviços contratados, arrolados no § 2° do artigo 219 do RPS. Ainda há de salientar que a fiscalização em momento algum considerou vínculo empregatício de funcionários da contratante com a contratada. Ao contrário, ficou bem claro que a relação contratual de prestação de serviços existentes entre as empresas foi o fato gerador da incidência da retenção prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, lançada na notificação. Por tudo isto julgo que o lançamento das contribuições foi feito de acordo com as normas vigentes, sendo os serviços prestados enquadrados no inciso IX do § 2° do art. 219 do RPS. DO CNAE A autuação fiscal foi empreendida em razão de diferenças de contribuições para o Sat/Rat (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) pelo fato de a Recorrente ter declarado em GFIP de forma equivocada o campo CNAE — Classificação Nacional de Atividades Econômicas. O fato é que a Recorrente enquadrouse como empresa de exploração de atividades de agências de viagens (CNAE 63.304 até 06/2007; e CNAE FISCAL 79.112/00, a partir de 07/2007), com grau de risco 1, alíquota 1%, quando o enquadramento correto, em razão da atividade preponderante, seria no CNAE 55.115 — estabelecimentos hoteleiros com Fl. 587DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 10 restaurantes — até 06/2007, grau de risco 2, alíquota 2%; e no CNAE FISCAL 56.112/01 — restaurantes e similares — a partir de 07/2007, grau de risco 1 — alíquota 1%. Mas, apesar da anomalia acima apontada a Recorrente não contesta o enquadramento efetuado pela fiscalização, nem as diferenças lançadas, insurgindose tão somente quanto a cobrança de valores apurados da referida diferença de CNAE no período de 01/99 a 11/2002, em razão da decadência qüinqüenal. Considerando que as competências lançadas na presente notificação, referente as diferenças de alíquota RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) compreendem somente os meses de 11/2006, 12/2006, 01/2007 e 02/2007, não procede a alegação da impugnante. DA COMPENSAÇÃO A fiscalização informa que na competência 01/2007, a empresa efetuou compensação, e dizer ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas (eventos) da folha de pagamento, intituladas 1/3 de férias e gratificações, pagas até 08/2006. Como esta rubricas integra o saláriodecontribuição previdenciária, a compensação foi glosada pela fiscalização, o que guarda legalidade. Todavia a Recorrente, defendese alegando que a glosa da compensação foi indevida em razão de que os valores compensados referiamse a contribuições recolhidas que incidiram indevidamente sobre parcelas de caráter indenizatório. Junta um parecer elaborado unilateralmente que esclarece a compensação de contribuições previdenciárias sobre parcelas identificadas como 1/3 sobre abono pecuniário de férias e Gratificações, não fazendo, contudo, em qualquer momento alusão a impugnante, ou a rubricas de sua folha de pagamento. Em outra palavras, não cabe avaliar o perleúdo parecer juntado porque trata de matérias diferentes, indenizatórias, do que se discute. Assim, também neste quesito, não assiste razão a Recorrente, razão pela qual julgo procedente a glosa efetuada. DO GRUPO ECONÔMICO – INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI 8.2121991 A fiscalização considerou que as empresas INPLAC — Indústria de Plásticos S.A, Santinho Empreendimentos Turísticos S.A, Costão Golf Ltda, Costão Adm. e Negócios Imobiliários Ltda, Costão Ville — Empreendimentos Imobiliários S.A, Costão do Santinho Turismo e Lazer Ltda , Condomínio do Costão do Santinho e ECAP — Empresa Catarinense de Administração e Participação Ltda, a responsabilidade solidária pelo crédito exigido, com fulcro no estabelecido no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/91, segundo o que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei." (grifouse). As mencionadas empresas, em fase de impugnação, assim como em peça recursiva separadas mas com o mesmo teor, contestam conjuntamente a caracterização do grupo econômico de fato, alegando que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, é solidariedade de direito, que tem validade e eficácia apenas quando a lei que a estabelecer for interpretada de acordo com a constituição e o próprio CTN, não tendo qualquer valor jurídico Fl. 588DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 521 11 as disposições de leis ordinárias, como a Lei n° 8.212/91, que indevidamente pretendam alargar as responsabilidades de sócios e dirigentes das pessoas jurídicas. Já o Recorrente Condomínio do Complexo Turístico do Costão do Santinho, tanto na impugnação como no presente Recurso, além desta questão, alega que é pessoa jurídica sem finalidade lucrativa, formada por condôminos proprietários de frações ideais de condomínio, nos termos do Código Civil e da legislação especifica, não detendo capacidade jurídica para formar grupo econômico. Em primeiro lugar temos que o argumento de que a Lei n° 8.212/91 estendeu erroneamente as responsabilidades de sócios e dirigentes das pessoas jurídica ultrapassa a competência deste Colegiado. É que esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes (curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 12 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, por não estar na competência deste Julgador, não posso apreciar a referida matéria. E referente a formação do grupo econômico considerado pela fiscalização, tenho que ele (grupo econômico) pode ser de direito, quando é formalmente constituído nos moldes do art. 265, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro, de 1976; ou pode se configurar em grupo de fato, como nas situações em que, apesar de não ser dotado de formalização legal, se constitui de empresas interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. No âmbito previdenciário, a Lei n° 8.212/91, ao tratar do grupo econômico, prevê a responsabilidade solidária entre as empresas que o compõem, ‘ex vi’ artigo 30: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem ás seguintes normas: (Redação dada pela Lei n°8.620, de 5.1.93) .... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; No dispositivo legal acima não se observa a expressão ‘Grupo Econômico’, que, no direito tributário, segundo o Código Tributário Nacional, para definir conceitos, permitese analogia, quanto dos princípios de direito privado, nos termos dos artigos 108, I e 109. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; ... Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Desta forma, no momento em que a Lei n° 8.212/91 menciona grupo econômico de qualquer natureza, necessariamente, não está contemplando apenas os grupos formalmente constituídos nos moldes do art. 265, da Lei n° 6.404/76, mas também os grupos de fato. Portanto é de se aplicar na Lei 8.212 de 1991 o conceito previsto no art. 3 °, § 2° da Consolidação das Leis do Trabalho, que não condiciona a consideração de grupo a existência de convenções formais nesse sentido, bastando que as empresas estejam sob a mesma direção, controle ou administração: Art. 2°... Fl. 590DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 522 13 § 2° Sempre que unia ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. E, reforçando a legislação acima temos ainda a IN Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) n° 03, de 14 de julho de 2005, ratifica esse entendimento em seu art. 748: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. No presente caso, com base no que foi exposto no Relatório Fiscal, corroborado pelos contratos sociais e alterações posteriores, estatutos e atas de assembléias, bem como o organograma de fls. 22, verificase que a ECAP detém 98,05 % de participação na Inplac; 99,9% na Santinho Empreendimentos Turísticos S.A; 99,9% na Costão Golf Ltda.; 60% na Costão Adm. e Negócios Imobiliários Ltda.; 99,9% na Costdo Ville — Empreendimentos Imobiliários S.A; 54,43% na Preference — Serviços de Administração de Condomínio e Hotelaria Ltda., sendo que a Inplac detém o restante; 4,17% na Costdo do Santinho Turismo e Lazer Ltda., que é controlada pela Santinho Empreendimentos Turísticos S.A. Vêse portanto que configurado está a formação do grupo econômico. Assim, evidenciandose a existência do grupo econômico, as empresas que o compõem ficam sujeitas aos efeitos jurídicos dessa relação, como a responsabilidade tributária solidária, que está expressamente prevista na Lei n° 8.212/91, de acordo com a autorização do CTN, conforme abaixo: CTN: Art. 124. Silo solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Lei n°8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n°8.620, de 5.1.93) ... Fl. 591DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 14 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Desta forma tenho que não há dúvida da formação do grupo econômico e, assim, correta a fiscalização de caracterizar a existência de um grupo econômico de fato formado pelas empresas ECAP — Empresa Catarinense de Administração e Participação Ltda, INPLAC — Indústria de Plásticos S.A, Santinho Empreendimentos Turísticos S.A, Costão Golf Ltda., Costdo Adm. e Negócios Imobiliários Ltda., Costão Ville — Empreendimentos Imobiliários S.A, Preference — Serviços de Administração de Condomínio e Hotelaria Ltda. e Costão do Santinho Turismo e Lazer Ltda. Todavia, o Condomínio Costão do Santinho, incluído indevidamente como responsável solidário em razão de ser administrado pela empresa Preference — Serviços de Administração de Condomínio e Hotelaria Ltda., tenho que não restou configurada sua participação no grupo econômico, sobretudo porque não tem personalidade jurídica própria e não possui atividade econômica. Finalmente, com todo respeito as peças recursivas, mas a Jurisprudência juntada não diz respeito ao assunto tratado que é a configuração de grupo econômico e não de responsabilidade de sócios em execução fiscal, conforme trata aquela interpretação. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em sua defesa, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão extra petita, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa matéria de ordem pública. Evoluo meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. A multa, antes pensava este singelo julgador, se tratar de matéria de ordem pública, e como tal não estavam sujeitas à preclusão, podendo ser alegadas e julgadas em qualquer momento do tramitar processual, influenciando decisiva e imperativamente na formação da coisa julgada. Mas, restavame, para um julgar percuciente, a definição do que seja matéria de ordem pública. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 523 15 Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: Fl. 593DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA 16 “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11516.006371/200796 Acórdão n.º 2301002.880 S2C3T1 Fl. 524 17 seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando oSr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante de todo exposto e de os Recursos aviados cumprirem as exigências processuais, deles conheço, para julgar procedente tão somente o Recurso proposto pelo CONDOMÍNIO COSTÃO DO SANTINHO, excluindolhe da lide, por não ter como configurar sua participação no grupo econômico, e, julgar improcedente os demais recursos, mantendo o crédito tributário apurado, inclusive a multa que não foi objeto de irresignação por parte da Reocorrente. É como voto, (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10120.001394/2006-12
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa: ARBITRAMENTO. CABIMENTO. O contribuinte, obrigado à
tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, está sujeito ao arbitramento do lucro.
ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. A jurisprudência do
Conselho de Contribuintes aceita as informações registradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS, como receita bruta conhecida.
MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco
declarações não verdadeiras, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia intuito de fraude. Presentes os pressupostos legais para qualificação da multa de oficio.
RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS-GERENTES. Tendo em sua gestão
sido praticado ato doloso que resultou em infração à lei tributária, é devida a responsabilização dos sócios-gerentes pelo créditos tributários, nos termos do art. 135, III, do CTN.
RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Comprovado nos autos que
houve aquisição "de fato" do fundo de comércio, com a continuidade da atividade anteriormente explorada é devida a responsabilização nos termos do art. 133, I, do CTN.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal à exigência da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1401-000.003
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da
Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: ARBITRAMENTO. CABIMENTO. O contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, está sujeito ao arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes aceita as informações registradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS, como receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco declarações não verdadeiras, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia intuito de fraude. Presentes os pressupostos legais para qualificação da multa de oficio. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS-GERENTES. Tendo em sua gestão sido praticado ato doloso que resultou em infração à lei tributária, é devida a responsabilização dos sócios-gerentes pelo créditos tributários, nos termos do art. 135, III, do CTN. RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Comprovado nos autos que houve aquisição "de fato" do fundo de comércio, com a continuidade da atividade anteriormente explorada é devida a responsabilização nos termos do art. 133, I, do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal à exigência da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA!_. •• ,.. yr .- 4- - -» CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10120.001394/2006-12 Recurso n° 154.068 Voluntário Acórdão n° 1401-00003 — C Câmara / l Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2009 Matéria IRPJ e OUTRO - Exs.: 2002 a 2004 Recorrente TIO JORGE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS Recorrida r TURMA/DRJ-BRAS1LIA/DF Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: ARBITRAMENTO. CABIMENTO. O contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, está sujeito ao arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes aceita as informações registradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS, como receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco declarações não verdadeiras, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia intuito de fraude. Presentes os pressupostos legais para qualificação da multa de oficio. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS-GERENTES. Tendo em sua gestão sido praticado ato doloso que resultou em infração à lei tributária, é devida a responsabilização dos sócios-gerentes pelo créditos tributários, nos termos do art. 135, III, do CTN. RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Comprovado nos autos que houve aquisição "de fato" do fundo de comércio, com a continuidade da atividade anteriormente explorada é devida a responsabilização nos termos do art. 133, I, do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se o decidido em relação ao lançamento do tributo principal à exigência da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de (1/( 1 . . Processo n°10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 553 votos, NEGAR provimento ao recurso, . e . . os do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / o MA/RCe. CIUS NEDER DE LIMA Pre- • nte c.— ALBERTINA SIIPA SANTOS E LIMA Relatora Formalizado em: •I 9 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Shigueo Takata, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes.. Relatório 1— DA AUTUAÇÃO Trata-se de lançamentos do IRPJ e CSLL dos anos-calendário de 2001 a 2003. O montante do crédito tributário constituído ultrapassa R$ 20 milhões, conforme demonstrativo de fls. 13. Em relação à infração de falta de recolhimento do IRPJ (e CSLL) apurado pelo lucro real no segundo trimestre de 2001, consignou o autuante, que a empresa escriturou os Livros Diário e Lalur do segundo trimestre de 2001, após iniciada a ação fiscal, em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal n° 3 e 4. A DIPJ desse ano-calendário somente foi entregue depois de iniciado o procedimento fiscal. Depois de verificar os livros e a declaração apresentados sob procedimento de oficio, a fiscalização confrontou os dados escriturados com os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, tendo constatado a falta de declaração e de recolhimento do IRPJ apurado pelo lucro real (e CSLL). Foi aplicada a multa qualificada por ter a empresa omitido informações à SRF e entregue DCTF do período declarando o IRPJ e a CSLL por estimativa e em valores bastante inferiores ao que seria devido com esta forma de apuração, não tendo sequer efetuado a escrituração e os balanços correspondentes, o que em tese configura crime contra a ordem tributária. 2 Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T 1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 554 Quanto à infração denominada de receitas operacionais — venda de produtos de fabricação própria, consignou o autuante, que ocorreu falta de recolhimento do IRPJ e CSLL apurados com base no lucro arbitrado por falta de escrituração, referentes ao 3° e 4° trimestres de 2001, e todos os trimestres de 2002 e 2003. O lucro foi arbitrado em razão de a contribuinte sujeita à tributação na forma do lucro real, não possuir e não ter apresentado escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, enquadrando-se no art. 530, I, do RIR199. Após diversas intimações para que a contribuinte apresentasse os Livros Diário, Razão e Lalur e para que os escriturasse, a empresa informou ter arbitrado o terceiro e quarto trimestres de 2001 e todos os trimestres do ano-calendário de 2002 e pediu mais 90 dias para terminar a escrituração para o ano de 2003. Não tendo sido apresentados os Livros do ano- calendário de 2003 a fiscalização arbitrou o lucro para esse ano-calendário. As bases de cálculo utilizadas pela fiscalização na apuração do IRPJ e da CSLL devidos nos trimestres arbitrados, foram as mesmas informadas nos demonstrativos denominados "informações prestadas à SRF", assinados pela contadora e pelo representante da empresa. Tais bases de cálculo concernentes às vendas de produtos de fabricação própria ajustadas pela exclusão de vendas, foram cotejadas com o constante dos Livros de Registro de Apuração do ICMS. As diferenças apuradas, as bases de cálculo, os pagamentos efetuados, os valores declarados em DCTF e as alíquotas aplicadas estão detalhadas nos demonstrativos denominados "composição da base de cálculo (apuração sintética), apuração de débito, pagamentos" e "demonstrativo de situação fiscal apurada". Como a empresa não havia entregue as DCTF e nem as DIPJ até à data do início da ação fiscal (17.12.2004), coube à fiscalização efetuar o lançamento do IRPJ e CSLL devidos. A aplicação da multa de 150% foi justificada por ter a empresa omitido informações ao fisco de débitos do IRPJ e CSLL por vários trimestres consecutivos, o que em tese, configura crime contra a ordem tributária. Da responsabilidade tributária: A empresa informou, sob procedimento fiscal, que encerrou suas atividades em 31.10.2003. Como a fiscalização verificou que as instalações industriais da TIO JORGE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, localizada na Quadra 08, Módulo 02, do Eixo Viário do Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia (DAIAG) continuavam em funcionamento, foi lavrado, em 29.11.2005, o TIF n° 7, onde a empresa foi intimada a: a) informar e comprovar, com documentação hábil e idônea, se a empresa, em decorrência da paralisação de suas atividades em 31.10.2003, efetuou a transferência dos bens constantes de seu ativo permanente e/ou de seus estoques de mercadorias para venda e informar a empresa adquirente. Respondeu que "embora a Tio Jorge tenha paralisado as suas atividades, não realizou a transferência do ativo permanente e muito menos de seu estoque, à época da paralisação. Aliás, sobre o estoque a empresa informou que o vendeu integralmente aos seus clientes, o que, poderia ser certificado por meio das notas fiscais de vendas lançadas em sua contabilidade". b) Informar e comprovar, com documentação hábil e idônea, se a indústria encontra-se paralisada ou se está em operação, identificando a empresa operadora, a forma contratual da operação, se operada por terceiros, e o período em que vem sendo utilizada. ,(() 3 Processo n° 10120.001394/2006-12 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 555 Respondeu que "a indústria encontra-se em operação, e a empresa que atualmente a utiliza responde pela seguinte denominação social: V.C.R. DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA. pessoa jurídica de direito provado, inscrita no CNPJ sob o n°03.337.160/0001-19, com sede na (...). A forma contratual é de arrendamento, e vem sendo realizado desde que a empresa Tio Jorge Industrial paralisou suas atividades, portanto, a utilização do parque industrial da referida empresa encontra-se em vigência desde 2003". Observou a fiscalização, que nos cadastros da SRF, o CNPJ mencionado tem como razão social TIO JORGE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e não V.R.C. DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Para esclarecer os fatos, a empresa fiscalizada foi intimada a (i) apresentar o contrato de arrendamento entre a VCR e a fiscalizada, referente à indústria desta última, (ii) apresentar recibos e comprovantes de pagamento do arrendamento, (iii) informar quais as empresas detentoras desde 01.01.2001 a 31.12.2005, da marca de arroz denominada "Tio Jorge". Respondeu que não conseguiu localizar o contrato de arrendamento firmado entre as empresas e que não foram localizados os recibos relativos ao arrendamento, e ainda que, ao que consta, devido à crise financeira porque passa a intimada, tais valores ainda não foram pagos. Ressalta a fiscalização que os sócios da TIO JORGE INDÚSTRIA e da TIO JORGE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, são os mesmos das duas empresas, não só atualmente como também durante todo o período de referência da ação fiscal (anos-calendário de 2001 a 2006), quais sejam: Vitor Rodrigues da Costa e Marcelo da Silva Duarte. Destaca ainda que não consta na Junta Comercial de Goiás, o registro de nenhum distrato social da TIO JORGE INDÚSTRIA. Os sócios também foram responsabilizados em razão de: (i) a fiscalização qualificou a multa e efetuou a representação fiscal para fins penais responsabilizando os sócios por atos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, (ii) tendo em vista que a autuada paralisou suas atividades e não foi constatado pelo fisco a existência de patrimônio da empresa capaz de garantir os créditos tributários lançados e nem foram verificados quaisquer recolhimentos relativos a esses créditos tributários ou a outros já lançados anteriormente (iii) art. 135, incisos III e V, do crN. Dessa forma, foram responsabilizados os sócios mencionados pelos tributos devidos pela autuada que detém o poder de administração da empresa, conforme cláusula 6 a do Contrato Social e cláusula l' da sua quarta alteração contratual. Concluiu a fiscalização que a autuada paralisou suas atividades em 31.10.2003, e em seu lugar passou a operar uma filial da empresa TIO JORGE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E IMPORTAÇAO EXPORTAÇÃO LTDA, de CNPJ 03.337.160/0010-00. As duas empresas têm os mesmos sócios e a marca de seu principal produto (Tio Jorge), de propriedade da autuada, sem que tenha havido qualquer documentação relativa a transferência ou cessão da marca entre as partes. 4 Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 556 Intimada a apresentar os contratos e o correspondente pagamento do arrendamento da indústria, o seu distrato social ou a comprovação da venda de seu fundo de comércio, a autuada não logrou apresentar ao fisco qualquer documento, o que evidencia, a continuidade administrativa, gerencial e de responsabilidade em que a paralisação da indústria, em tese, não passou de artificio formal e burocrático para eximi-la, e a seus sócios, do pagamento dos créditos tributários devidos à União. Desde o inicio dos trabalhos, a fiscalização foi atendida em escritório da TIO JORGE DISTRIBUIDORA localizado no Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia, local onde estão arquivados os livros contábeis e a documentação fiscal da autuada, ou nos escritórios da própria indústria, por funcionários da Distribuidora. A funcionária designada para atender a fiscalização (contadora e procuradora), foi funcionária da autuada e com a paralisação passou a ser funcionária da filial da TIO JORGE DISTRIBUIDORA. Esta utiliza também o mesmo nome de fantasia e a mesma marca do principal produto vendido pela empresa (TIO JORGE). Diante de tais fatos ficou caracterizado que a TIO JORGE DISTRIBUIDORA efetivamente adquiriu o fundo de comércio e sucedeu a TIO JORGE INDÚSTRIA nas operações industriais e comerciais relativas à industrialização de grãos. Cita os arts. 129 e 133 do erN. Dessa forma também foi responsabilizada a TIO JORGE DISTRIBUIDORA, CNPJ 03.337.160/0001-19. II— DA DECISÃO DA TURMA JULGADORA A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente. As ementas proferidas são as seguintes: ARBITRAMENTO. CABIMENTO. O contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, que não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, está sujeito à apuração ao arbitramento do lucro. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Incabível a aplicação do disposto no art. 535 do RIR/99, uma vez que era conhecida a receita bruta nos termos do definido no art. 279 do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco declarações inveridicas, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implifica qualificação da multa de oficio. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS-GERENTES. Tendo em sua gestão sido praticado ato doloso que resultou em infração à lei tributária, é devida a sua responsabilização pelo crédito tributários nos termos do art. 135, III, do CTIV. RESPONSABILIZAÇÃO DO SUCESSOR. Comprovado nos autos de houve aquisição DE FATO do fundo de comércio, com a continuidade da atividade anteriormente explorada, devida a responsabilização nos termos do art. 133, 1, do CM. SENTENÇA JUDICIAL. No que diz respeito às sentenças judiciais trazidas aos autos, dispõe o art. 472, do Código do s Processo n° 10120.001394/2006-12 S I -C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 557 Processo Civil, que "a setença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros". Então, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o sujeito passivo não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que os efeitos são inter partes e não erga omnes. JURISPRUDÊNCIA MINISTRA TIVA. Consoante o art. 100, II, do Código Tributário Nacional, as decisões dos órgãos colegiados de jurisdição administrativa não constituem normas complementares da legislação tributária, tampouco vinculam a administração, haja vista não existir lei que lhes confira a efetividade de caráter normativo. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por se tratar de lançamento refleto do IRPJ, tendo em vista decorrer de mesma matéria tributável e mesmos meios de prova, aplica-se a este o disposto para o principal. FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE O ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Matéria não impugnada nos termos do art. 17 do PAF. (ementa para o IRPJ e CSLL para o fato gerador de 30.06.2001). A ciência da decisão de primeira instância se deu em 15.08.2006 e o recurso foi apresentado em 12.09.2006. III — DO RECURSO VOLUNTÁRIO a) qualificação da multa de oficio Questiona a qualificação da multa (150%). Aduz que a imposição da penalidade é carente de fundamentação, que teria se dado aparentemente em decorrência de suposta falta de declaração e/ou de prestação de declaração inexata. Entende não ter sido demonstrado de forma cabal e irrefutável, que a contribuinte vinha agindo com intuito de fraudar o fisco e porque entende inexistir previsão legal para a aplicação da multa qualificada nas situações como as presentes. Afirma que para a conduta do qual é acusada "a prestação de declarações inexatas e/ou falta de declaração", a própria Lei 9.430/96, em seu art. 44, I, prevê a multa de 75%. Cita acórdãos deste Conselho: 101-94189, 103-21830, 103-21835, 101-92700 e 101- 93948). Diz que a suposta irregularidade praticada tem seu ponto na falta de informações à •SRF, e que isso por si só, não representa uma modalidade de infração fraudulenta, mas simplesmente de um caso de falta de declaração. Entende que a teoria de infração continuada não possui aplicabilidade na legislação do IRPJ e da CSLL. Ressalta que os valores devidos foram apurados pela fiscalização a partir das informações constantes de livros fiscais (Livro de apuração do ICMS) fornecidos pela própria contribuinte, que estavam devidamente escriturados. Destaca que o fato de a contribuinte ter escriturado corretamente os seus livros fiscais e te-los apresentado prontamente ao fisco, não se coaduna com a suposta ação dolosa, e que o dolo é elemento indispensável para a caracterização dos tipos contidos no art. 71 e seguintes da Lei 4.502/64, que se traduz na vontade consciente e deliberada do contribuinte iludir o fisco, promovendo adredemente a distorção ilícita das formas jurídicas, que se materializa com a falsidade ideológica e material. 6 . . • Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão me 1401-00003 Fl. 558 Afirma que a conotação de crime sustentada no lançameno é uma chantagem que visa forçar o pagamento do suposto crédito tributário, evidenciando utilização de meios vexatórios para cobrança de tributos, conduta repelida pelo art. 326, § 1°, do Código Penal Brasileiro. b) arbitramento do lucro Também questiona o arbitramento do lucro para o ano-calendário de 2003. Afirma que em momento algum se recusou a entregar os livros e que simplesmente solicitou prazo razoável para a apresentação dos mesmos. Entende ser inaplicável o arbitramento, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, pois, havendo a escrituração contábil, em condições de recomposição quanto à sua forma e conteúdo, e não ocorrendo a recusa de sua entrega por parte do contribuinte, seria inadmissível o arbitramento do lucro, cabendo à fiscalização em procedimento de auditoria, in loco, apurar a matéria tributável e conseqüentemente determinar a base de cálculo da exação. Cita ementas de acórdãos. Salienta que existe tratamento distinto no que se refere ao conhecimento ou não da receita. No presente caso tal diferença assume vital importância, visto que a legislação fiscal estabelece critérios para apuração da base de cálculo, quando a receita bruta é desconhecida. Aduz que a exemplo disso, o art. 51 da Lei 8.981/95, dispõe que o lucro, qando não conhecida a receita bruta, será determinado por meio de procedimento de oficio, mediante a utilização de uma das oito alternativas de cálculo, onde será aplicada a mais favorável ao contribuinte, em obediência ao princípio das interpretação benigna (art. 112 do CTN). Ressalta que o termo "conhecer", ali empregado, significa não pairar dúvidas Para a apuração do crédito devido neste caso, deveria ter sido adotada uma das alternativas ali enumeradas. No presente caso, onde a receita bruta não era conhecida por ocasião do arbitramento, afirma que os autuantes, contrariando a legislação de regência e fazendo tabula rasa da orientação jurisprudencial (administrativa e judicial) utilizaram-se de simples registro extraídos do Livro de Apuração do ICMS para a purar a receita bruta da empresa. Cita Súmula 182 do TRF, acórdão 90.01.16065-4-RO, do TRF I e acórdão 107-05469. Pede o cancelamento do lançamento ou a determinação de diligência com vistas a apurar a real base de cálculo, bem assim, os valores efetivamente devidos c) Responsabilidade pessoal por dívidas da sociedade Afirma que o motivo pelo qual os autuantes atribuíram responsabilidade aos sócios-gerentes da empresa pelo crédito tributário em questão não é suficiente para o mister, eis que não restou provado, nos autos, que estes tenham agido com excesso de mandato ou infringência à lei ou ao contrato social. Ressalta que se o simples inadimplemento das obrigações tributárias fosse suporte fático para aplicabilidade do disposto no art. 135 do CTN, a mera existência do executivo fiscal já justificaria a responsabilização dos sócios da pessoa jurídica. Entende que esse entendimento é inaceitável, pois a infração à lei referida no artigo em apreço, refere-se à violação das leis societárias que regulam a atividade do órgão e essa violação, como qualquer outra, necessita ser comprovada por meio de processo no qual seja assegurado a ampla defesa e as demais garantias processuais agasalhadas na CF. Cita jurisprudência e doutrina.. Destaca que, pelo princípio da autonomia patrimonial, ou princípio da entidade, as pessoas jurídicas têm existência distinta da de seus membros. Assim, os sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, a não ser, quando os diretores, os gerentes e os E!' . . Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00003 E. 559 representantes tenham agido, comprovadamente, com infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. Conclui que não tendo havido comprovação de quaisquer atos que importassem em violação do estatuo ou de leis societárias (art. 158, I e II, da Lei 6.404/76) não há que se falar em responsabilidade tributária dos sócios. d) Da responsabilidade por sucessão Argüi que não houve sucessão, pois não teria restado caracterizado nos autos, a transferência de fundo de comércio, sendo que tal transferência não se presume e deve ser devidamente comprovada pelo fisco. Afirma que houve uma relação locatícia, o que não é suficiente para gerar a responsabilidade por sucessão, conforme doutrina e jurisprudência que cita. Cita o acórdão 202-11305, para dizer que conforme decidiu o Conselho de Contribuintes, a responsabilidade do sucessor só se caracteriza "quando fica evidenciada, de forma inequívoca, a aquisição, por qualquer titulo, de fundo de comércio e a continuidade de sua exploração. Conclui que como no caso em discussão não houve tal comprovação inequívoca, se afigura descabida a responsabilização da reputada sucessora. e) Lançamentos decorrentes Estende a defesa aos lançamentos decorrentes e entende que não se fala no presente caso em aplicação do disposto no art. 17 do PAF, como fundamento pelo nobre relator do acórdão em debate. É o Relatório. Voto Conselheira - ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O sujeito passivo discute no recurso a base de cálculo do arbitramento, o arbitramento para o ano de 2003, a multa qualificada, a responsabilidade pessoal por dívidas da sociedade e a responsabilidade por sucessão. Portanto, o lançamento relativo ao 2° trimestre de 2001 não é objeto de discussão. Em relação ao lançamento relativo ao 3° e 4° trimestres de 2001 e ao ano- calendário de 2002, somente se discute a base de cálculo utilizada no arbitramento, uma vez que para esses anos-calendário, após a fiscalização ter intimado a empresa a escriturar os Livros Diário, Razão e Lalur, com sucessivas prorrogações de prazo, a contribuinte em 28.11.2005 informou ao fisco que não apresentaria os livros desses períodos e que decidiu-se pelo arbitramento do lucro. Quanto ao arbitramento relativo ao ano-calendário de 2003, não assiste razão à contribuinte, pois o mesmo teve tempo mais que suficiente para escriturar os Livros Diário, (Xe 8 Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 560 Razão e Lalur, uma vez que a primeira intimação pela qual foi intimada a escriturar tais livros foi efetuada em 17.05.2005. Em 28.11.2005, a empresa solicitou mais 90 dias para efetuar a escrituração do ano-calendário de 2003. Entendeu a fiscalização que foi dado prazo mais que suficiente para a reconstituição da escrituração e tendo sido concedido e prorrogado o prazo por diversas vezes, num total de 7 meses desde a primeira intimação para fazê-lo e de mais de um ano depois de iniciada a ação fiscal. Os autos foram lavrados em 06.03.2006. Entendo que a fiscalização deu prazo suficiente para que a empresa apresentasse os Livros Diário, Razão e Lalur, razão pela qual o arbitramento efetuado pela fiscalização é correto. Quanto à base de cálculo do arbitramento, consta nos autos que as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização na apuração do IRPJ e da CSLL devidos nos trimestres arbitrados, foram as mesmas informadas nos demonstrativos denominados "informações prestadas à SRF", assinados pela contadora e pelo representante da empresa. Tais bases de cálculo concernentes às vendas de produtos de fabricação própria ajustadas pela exclusão de vendas canceladas, foram cotejadas com o constante dos Livros de Registro de Apuração do ICMS. Assim, não se pode alegar que a receita bruta não era conhecida. As hipóteses de que trata o o art. 51 da Lei 8.981/95, somente se aplicam quando a receita bruta não é conhecida, entretanto, a jurisprudência deste Conselho de Contribuintes aceita as informações registradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS, como receita conhecida. Deve ser observado que houve o ajuste pela exclusão de vendas canceladas e a contribuinte não apresentou no recurso qualquer elemento que pudesse desmerecer o valor da receita conhecida utilizada pela fiscalização. Quanto à qualificação da multa de oficio concordo com o decidido pela Turma Julgadora, cujo trecho do voto, a seguir transcrevo: Diante das circunstâncias verificadas, em que o sujeito passivo, de forma reiterada, por três anos consecutivos, vinha ocultando do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos a recolher, apresentando declarações inverídicas, com montantes ínfimos de tributos devidos, ou deixando de apresentar as declarações, o fato constatado subsume-se à hipótese prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°9.430, de 1996. Entendo razoável considerar que a falta de declaração ou a declaração de tributos em valores muito inferiores ao devido em apenas um ano-calendário possa ser reputada a um equívoco por parte da contribuinte, não sendo possível, em conseqüência, garantir a presença da intenção de fraudar. Agora, cometer "equívocos" de forma continuada, por vários anos, coincidentemente sempre em prejuízo do Erário Público Federal, quando as informações necessárias para a apuração dos tributos constam de sua contabilidade (Livro Registro de Apuração do ICMS) e foram apresentadas ao Fisco Estadual, é prova mais que suficiente da intenção de não recolher ou recolher a menor os tributos devidos. A referida conduta ilícita, praticada continuamente, é, pois, por si só, suficiente para evidenciar o intuito de fraude e o dolo (PfP 9 Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 561 específico, sendo este o entendimento expresso pelo 1° CC no Acórdão n°107-07747, cuja ementa também destaca: O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular os tributos e contribuições e informa-lo nas Declarações prestadas à administração tributária, tomando como base para apuração uma parcela ínfima da receita bruta efetivamente auferida e escriturada em livros fiscais. Então, presente o intuito defraudar, é devida a qualificação da multa de oficio nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Quanto à responsabilização dos sócios e da empresa sucessora, transcrevo parte do campo "intimação" do auto de infração: Ficam tabém RESPONSABILIZADAS, neste ato, as pessoas físicas dos sócios com poderes de administração da empresa TIO JORGE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, acima identificada, ou seja, VICTOR RODRIGUES DA COSTA (.) e MARCELO DA SILVA DUARTE (..), bem como a empresa TIO JORGE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (.) através de seu representante legal, conforme detalhado na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (is), os quais receberão cópia deste auto de infração, ficando desde já, igualmente intimadas a recolher ou impugnar (.). Para a responsabilização dos sócios, a fiscalização justificou no campo "descrição dos fatos e enquadramento legal" do auto de infração, o seguinte: (i) por ter sido aplicada a multa de oficio qualificada e efetuada a representação fiscal para fins penais responsabilizando os sócios por atos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, (ii) a empresa autuada paralisou suas atividades e não foi constatado pelo fisco a existência de patrimônio da empresa capaz de garantir os créditos tributários lançados e nem foram verificados quaisquer recolhimentos relativos a esses créditos tributários ou a outros já lançados anteriormente (iii) não consta na Junta Comercial do Estado de Goiás, o registro de nenhum distrato social da autuada, (iv) conforme cláusula sexta do contrato social e na cláusula primeira da sua quarta alteração contratual, os sócios mencionados detém o poder da administração da empresa. O enquadramento legal para a responsabilização dos sócios é o seguinte: art. 135, III, do CTN e DL n° 1.598/77, art. 5°, V. Transcrevo referidos dispositivos: Art. 135, III, do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III — Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (ye 10 Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão n." 1401-00003 Fl. 562 DL 1598/77: Art. 5°. Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas, ou cindidas: V — Os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Conforme art. 135, III, do CTN, acima transcrito, há a determinação legal da responsabilização dos gerentes, diretores e sócios das pessoas jurídicas pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora que assim se expressou: A meu ver está clara a intenção do dispositivo no sentido de haver a necessidade de prática de ato ilícito de forma intencional por parte do sócio-administrador, seja violando as normas estabelecidos no contrato social, seja extrapolando os limites dos poderes estabelecidos no referido contrato ou em lei, seja violando qualquer lei a que a pessoa jurídica deva obediência, tributária ou não. Então, o ponto a ser analisado é a presença da intenção, do dolo. Na espécie, os sócios responsabilizados são os gestores da empresa, sendo, por óbvio, os responsáveis pela declaração a menor e/ou ausência de declaração de forma continuada. Não resta dúvida estar presente o intuito de fraudar, seja mediante ordem direta para cometimento das infrações, seja de forma indireta, ao conscientemente permitir o cometimento das mesmas por parte de seus subordinados. Não é possível crer que os sócios-administradores de uma empresa do porte da autuada não acompanhem os resultados da sua administração e o cumprimento das suas obrigações. O administrador somente responde com seu patrimônio quando é o responsável ou coaduna com ato fraudulento que represente uma violação da lei tributária. Se tivesse sido comprovado que apenas obedeceu ordens ou não tinha conhecimento da fraude, no meu entender o dispositivo do CTN não se aplicaria, haja vista não se confundir o patrimônio da empresa e dos seus membros. Então, devida a responsabilização dos sócios-administradores pelo crédito tributário ora discutido, com base no art. 135, 111, do CT1V. (.) Por fim, em que pese todo o exposto, seria suficiente a responsabilização dos sócios-administradores pelos créditos tributários apenas pelo fato de que o sujeito passivo deixou de it Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 563 funcionar sem proceder à sua liquidação junto à Junta Comercial, bem assim deixou de entregar declaração de rendimento no seu encerramento, haja vista o disposto no art. 5'; V, do Decreto-Lei n° 1.598/77 (art. 207 do RIR/99). Sobre sobre a responsabilidade por sucessão da empresa Tio Jorge Distribuidora, temos os seguintes fatos: • Houve a paralisação de atividades da autuada em 31.10.2003; • Em seu lugar passou a operar a indústria (filial) da empresa TIO JORGE DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA; • As duas empresas têm os mesmos sócios; • A marca de seu principal produto (arroz TIO JORGE) de propriedade da autuada vem sendo utilizada pela Tio Jorge Distribuidora; • Não foi apresentada qualquer documentação relativa à transferência ou cessão de marca entre as partes; • A autuada foi intimada a apresentar os contratos e o correspondente pagamento do arrendamento da indústria, o seu distrato social ou a comprovação da venda de seu fundo de comércio; não foi apresentado ao fisco qualquer documento, o que evidencia segundo a fiscalização, uma continuidade administrativa, gerencial e de responsabilidade; • Desde o inicio dos trabalhos, a fiscalização foi atendida em escritório da TIO JORGE DISTRIBUIDORA, local onde estão arquivados os livros contábeis e a documentação fiscal da TIO JORGE INDÚSTRIA, ou nos escritórios da própria indústria, por funcionários da distribuidora; • A contadora da Tio Jorge Distribuidora era funcionária da autuada até a sua extinção. À vista de todos esses fatos, a fiscalização concluiu que a TIO JORGE DISTRIBUIDORA efetivamente adquiriu o fundo de comércio e sucedeu a TIO JORGE INDÚSTRIA nas operações industriais e comerciais relativas à industrialização de grãos. O enquadramento legal mencionado nos autos é o seguinte: art. 129, 133 do CTN. Transcrevo esses dispositivos legais: Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, (Xe 12 . • Processo n° 10120.001394/2006-12 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00003 Fl. 564 relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Os fatos acima mencionados constituem um conjunto probatório com elementos graves, precisos e convergentes, que levam à conclusão de que o fundo de comércio foi adquirido pela TIO JORGE DISTRIBUIDORA, ficando caracterizada a sucessão e conseqüentemente, a responsabilidade pelos tributos e contribuições constituídos, nos termos do art. 133 do CTN acima transcrito. Estende-se o decidido em relação ao IRPJ à exigência da CSLL, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2009. ()Ci e, ALBERTINA S V SANTO DE LIMA 13 Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13406.000016/2002-71
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. São insumos para a produção de bens ou serviços as matérias-primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem assim conceituados na legislação do IPI.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não tem o condão de inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal.
ART. 62-A do RICARF. ART. 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática do 543-B e 543-C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, deu-se provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto as aquisições efetuadas por pessoas físicas, nos termos do voto da Relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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INSUMOS. São insumos para a produção de bens ou serviços as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem assim conceituados na legislação do IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não tem o condão de inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ART. 62A do RICARF. ART. 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática do 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário quanto as aquisições efetuadas por pessoas físicas, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 6. 00 00 16 /2 00 2- 71 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13406.000016/200271 Acórdão n.º 3401002.092 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, seguido de declaração de compensação, com fulcro na Portaria MF n. 38/97 e art. 42 da lei n. 9.532/97, referente ao 4º trimestre de 2001, no valor de R$ 448.843,70. No termo de informação fiscal, de fls. 521/535, a autoridade fiscal consignou que somente se enquadrariam no conceito de matéria prima (MP), material de embalagem (ME), e produto intermediário (PI), os itens relacionados no anexo I. Relata, ainda, que: o contribuinte apropriouse de todo o IPI pago e destacado nas notas fiscais, descurando do comando estatuído no art. 164, I do RIPI/2002 (por exemplo: máquinas, instrumentos, partes e peças, etc.); no período de outubro de 2001 a dezembro de 2003, a USIVALE calculou normalmente o crédito presumido, inclusive sobre as exportações, que são imunes, escriturou no RAIPI e o utilizou para compensar os débitos do IPI. Não satisfeita, ainda pleiteou a compensação dos mesmos créditos com débitos de outros tributos, conforme demonstram os processos relacionados no anexo II. A inserção constituiria crime contra a ordem tributária consoante art. 1º, II da Lei n. 8.137/90; após o aproveitamento dos créditos inexistentes, a USIVALE passou a lançar produtos adquiridos de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI. O cálculo foi efetuado de acordo com o art. 165 do RIPI, contudo, em cima de aquisições que não se enquadrariam no conceito de MP, PI e ME. Muitos foram inclusive adquiridos de micro empresas e empresas de pequeno porte, varejistas, optantes pelo SIMPLES e de estabelecimento industrial, conforme documentos anexados no processo n. 19647.007966/200602; os valores aproveitados pelo contribuinte não correspondem àqueles lançados. A fiscalização os apurou e consignou no processo n. 19647.007966/200602; o contribuinte aproveitouse do créditoprêmio de IPI, previsto no art. 1º do Decreto Lei n. 491/69, no valor de R$ 2.781.985,58, correspondente à 5% do valor das exportações efetuadas desde o início de suas atividades, em outubro de 2001. A USIVALE foi intimada para comprovar se os valores lançados que foram autorizados por decisão judicial, contudo, até a presente data, sem manifestações; Em despacho decisório a fiscalização somente autorizou o aproveitamento de R$ 11.369,98, de modo que as compensações relacionadas em fls. 3/4 foram homologadas até este valor. Devidamente cientificado, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em fls. 595/606, aduzindo em sede de preliminar que a decisão não obedeceu o disposto no art. 31 do Decreto n. 70.235/72, pois se utilizou de fundamentos de outro processo administrativo, razão pela qual requereu sua anulação. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 No mérito, defendeu que a motivação do indeferimento de grande parte do valor do crédito postulado consiste na não aceitação, no cômputo dos custos de produção de açúcar destinados à exportação, de valores referentes à aquisição de canadeaçúcar de pessoa física. Argumenta que a discussão reside na interpretação da Lei n. 9.363/96 e que o CARF já se pronunciou em outras circunstâncias no sentido de autorizar o aproveitamento do crédito presumido de IPI na aquisição de matériaprima de pessoas físicas. Defende, ainda, que a fiscalização não levou em consideração diversos outros produtos que não se agregam no ativo permanente, mas que sofrem desgaste em função da atividade industrial. Aduz que há a exigência de tributo (PIS/COFINS) em duplicidade (fls. 603/604) e que o pedido de compensação foi formulado antes da entrada em vigor da IN SRF n. 313/2003, que determinou a necessidade de preferência da compensação com IPI em relação aos demais tributos. Requereu a suspensão da exigibilidade do crédito, a nulidade da decisão, o reconhecimento do direito creditório a compensação dos débitos e o reconhecimento de cobrança em duplicidade. A DRJ em Recife/PE indeferiu a manifestação, mantendo o despacho decisório conforme se observa da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS. Os insumos admitidos no cálculo do valor do beneficio são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, assim conceituados pela legislação do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E DE PESSOAS FÍSICAS. Devem ser glosados os valores referentes a aquisições de insumos de cooperativas e de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida Como a ementa não é suficiente para esclarecer o real conteúdo do acórdão, trasladamos os seguintes uma parte da decisão: [...] Vêse que, de todas as razões expostas para o indeferimento no Termo de Informação Fiscal, o contribuinte, excetuada a alegação preliminar, limitou se a enfrentar a desconsideração, no cômputo do crédito presumido, de bens que não se enquadrariam, no entender da fiscalização, no conceito de MP, PI e ME, bem como na nãoaceitação, também no cômputo do mesmo crédito, de produtos adquiridos de pessoas físicas. [...] Com respeito à preliminar de nulidade, pela referência, como fundamento, do que consignado noutro processo administrativo, cumpre enfatizar, por primeiro, que a decisão prolatada pela autoridade a quo fundamentouse em documento inserido nos autos do mesmo processo, não de outro, como seria a situação à qual se referem as ementas de acórdãos reproduzidas na defesa. Em segundo lugar, não há qualquer dispositivo legal Fl. 759DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13406.000016/200271 Acórdão n.º 3401002.092 S3C4T1 Fl. 7 5 que proíba tal procedimento. Pelo contrário, até por uma questão de economia processual, não se deve exigir que a autoridade administrativa, ao proferir a decisão, reproduza, um a um, todos os argumentos formulados pela fiscalização e considerados para embasar a sua conclusão, tal como faculta o §1° do art. 50 da Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo âmbito federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Tributário Federal, por força do que preconizado no seu art. 69. [...] Somente se afigura cabível o ressarcimento, como crédito presumido de IPI, daquilo que antes se pagou. Caso contrário, a lei o teria dito expressamente, conferindo o crédito, ainda que ficticiamente, por exclusiva benevolência do legislador. [...] Dos insumos excluídos (ANEXO I) deixa claro que, embora alguns não sejam bens do ativo e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado (por exemplo: soda cáustica, tinta, eletrodo, cal virgem etc.) Outros, inclusive, como os automóveis, mesmo considerando aqui desnecessário ressaltar, devem ser classificados no ativo permanente imobilizado, nem de longe se afigurando possível computar o imposto que se pagou na aquisição para reduzir aquele gerado pelas saídas de produtos industrializados do estabelecimento que os produziu. Cumpre registrar, agora com relação à alegada duplicidade de exigências de PIS e COFINS, que o que se exige no presente processo são nada mais do que os débitos que o contribuinte pretendia compensar, não extintos em razão da insuficiência de crédito a ser ressarcido. Se, no auto de infração contra ele lavrado, também se exigiram os mesmos débitos, tal fato deve ser levado à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância, por ocasião de seu julgamento, se já instaurado o litígio na esfera administrativa, não sendo este o momento em que o assunto deve ser enfrentado. Devidamente notificado, o contribuinte retorna, tempestivamente, abordando em recurso voluntário, em apertada síntese, a mesma tese defendida na manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito, a anulação da decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento/compensação, a homologação da compensação e o reconhecimento da cobrança em duplicidade. É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora. Conheço do recurso por preencher os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cumpre esclarecer que a USIVALE limitouse a impugnar, no cômputo do crédito presumido, os bens que não se enquadrariam, no entender da fiscalização, no conceito de MP, PI e ME, e a não aceitação, também no cômputo do mesmo crédito, de produtos adquiridos de pessoas físicas. Desta forma, as demais matérias abordadas no termo de informação fiscal, que embasaram o reconhecimento de parcela do crédito pela fiscalização no despacho decisório, serão consideradas preclusas. Da preliminar de nulidade Acerca da preliminar de nulidade, defende o ora recorrente a preterição do seu direito de defesa devido à suposta falta de fundamentação do despacho decisório de fls. 558, a omissão dos motivos que ensejaram o indeferimento do pleito e acusa que a decisão teria sido embasada em fundamentos constantes em outro processo. Compulsando os autos, percebese que não há qualquer razão para o acatamento da preliminar que ora se analisa. A decisão foi suficientemente motivada e decorrente da análise do conjunto probatório carreado nos autos da presente demanda, não de outro processo. Ademais, por economia processual, o próprio despacho decisório explicita que a informação fiscal e seus anexos, de fls. 521/551, passam a integrar aquela decisão. O art. 50, §1º, da Lei n. 9.784/99 permite a concordância do ARFB com pareceres e demais documentos que possam embasar a decisão, tornandoo parte integrante desta: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ademais, não vislumbro qualquer preterição ao direito de defesa do contribuinte. Tanto é que ele compreendeu as razões para a não homologação da compensação e reconhecimento parcial do crédito, bem como, exerceu a ampla defesa e o contraditório, rebatendo todos os argumentos da fiscalização da forma que considerou mais pertinente. Desta feita, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Superada a preliminar, passemos à análise do mérito da causa. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13406.000016/200271 Acórdão n.º 3401002.092 S3C4T1 Fl. 8 7 Da aquisição de insumos de pessoas físicas e jurídicas Quanto a aquisição de insumos de pessoas jurídicas não contribuintes do PIS e da COFINS, O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Especial representativo de controvérsia (REsp 993.164, j. 13/12/2010), entendeu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não tem o condão de inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Nesse sentido, afastouse a restrição prevista na Instrução Normativa SRF nº 23/1997, de que o crédito presumido somente seria calculado com base em insumos adquiridos de contribuintes das contribuições sociais, de maneira que possibilitou o creditamento da aquisição de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Por inteligência do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, deverão os conselheiros reproduzir as decisões proferidas pelo STJ, em matéria infraconstitucional, no rito do art. 543C do CPC, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS∕PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363∕96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23∕97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS ÀTRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10∕STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363∕96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23∕97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363∕96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS∕PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38∕97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363∕96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23∕97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313∕2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419∕2004), assim preceituando: Fl. 762DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS∕PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23∕97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363∕96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS∕PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363∕96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS∕PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287∕RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433∕ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034∕PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021∕CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617∕CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733∕CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392∕RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367∕98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363∕96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392∕RN). 10. A Súmula Vinculante 10∕STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10∕STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica doprecedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847∕RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados Fl. 763DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13406.000016/200271 Acórdão n.º 3401002.092 S3C4T1 Fl. 9 9 por óbice do Fisco (REsp 1150188∕SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Da mesma forma, aquele Tribunal Superior elaborou recentemente, súmula a respeito do tema, a qual também merece transcrição: Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Nesse mesmo sentido, este conselho já decidiu da mesma forma, nos seguintes julgados: Acórdão 4303001.738 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, agosto/2012; Acórdão 310101.154 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, junho de 2012; Acórdão 4303 001.527 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária. Portanto, merece reforma o acórdão da DRJ neste ponto. Dos insumos O contribuinte, ora recorrente, tem como objeto social a produção de açúcar e álcool de canadeaçúcar. Para desempenhar sua atividade, adquire diversos insumos que se integram ao produto final, bem como, adquire com frequência peças de reposição que são consumidas durante o processo industrial. A fiscalização relacionou no anexo I os itens glosados que, no seu entender, não se adequariam ao conceito de MP, PI e ME. A DRJ entendeu que muito embora alguns não participem do ativo imobilizado da empresa e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado (por exemplo: soda cáustica, tinta, eletrodo, cal virgem etc.), fl. 707. A Lei 9.363/96, que instituiu o crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e da COFINS, informa o conceito de insumos para este caso, conforme seu art. 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Quanto ao conceito de insumos para IPI, há de se destacar que, além da previsão normativa acima citada, este conselho entende que é necessário que o bem seja consumido em contato direto com o produto. Esta conclusão pode ser tirada da Súmula n. 19, que segue: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Nesse sentido cito como precedente o Acórdão 20313120, Processo n. 11516.004178/200711, de 05/08/2008, in verbis: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/11/2002 a 31/12/2006 CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica o princípio da nãocumulatividade em relação ao IPI pago na aquisição de bens do ativo permanente, sendo, portanto, indevido o seu creditamento. IPI. CRÉDITOS FÍCTOS ORIGINADOS DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. APLICAÇÃO EM PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Não geram direito a créditos de IPI os insumos isentos, não tributados, ou sujeitos à alíquota zero, ainda que empregados em produtos tributados. SÚMULA Nº 12. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Incluemse nesta definição sumulada as aquisições de gás natural e carvão. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. Os conceitos de produção, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 02. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. SÚMULA Nº 03. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso negado. Portanto, podese extrair de todos os julgados e súmula acima, que é necessário que os insumos tenham contato direto com o produto para se enquadrarem no conceito de matériaprima ou produto intermediário e que a aquisição de bens do ativo imobilizado não são considerados insumos. Da cobrança em duplicidade Acerca da reclamação de cobrança em duplicidade, observase que o presente processo não trata de qualquer exigência, mas tãosomente dos débitos que o contribuinte pretendia compensar. Em razão da insuficiência de créditos do sujeito passivo, foi lavrado auto de infração para a cobrança dos créditos da Fazenda Nacional para com este, os quais não são objetos deste PAF. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13406.000016/200271 Acórdão n.º 3401002.092 S3C4T1 Fl. 10 11 CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e dar parcial provimento para reconhecer o direito ao creditamento em relação às aquisições de insumos de pessoas físicas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 17460.000125/2007-08
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2006
OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS -DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN.
ALEGAÇÕES ACERCA DE CONDIÇÕES FINANCEIRAS DA EMPRESA - NÃO CONHECIMENTO - Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO - Não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II), no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS -DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN. ALEGAÇÕES ACERCA DE CONDIÇÕES FINANCEIRAS DA EMPRESA - NÃO CONHECIMENTO - Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO - Não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN. ALEGAÇÕES ACERCA DE CONDIÇÕES FINANCEIRAS DA EMPRESA NÃO CONHECIMENTO Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 01 25 /2 00 7- 08 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II), no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000125/200708 Acórdão n.º 2401002.518 S2C4T1 Fl. 153 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo a contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a remuneração descontada dos segurados empregados, no período de 03/2001 a 08/2006, tendo o lançamento ocorrido em 04/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 51/60, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas aos segurados empregados. Os fatos geradores e os períodos do lançamento foram: FPR Folha de Pagamento de Empregados (03 a 11/2001 e 13/2001); FPG Folha de Pagamento de Empregados. Com Opção ao SIMPLES (01/2002 a 08/2003; 12/2003 a 01/2005); FPS Folha de Pagamento de Empregados. Com Opção ao SIMPLES (01/2004 a 01/2005; 07/2005 a 08/2006). Informa ainda o RF que, consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome". Inconformada com a decisão de fls. 95 a 99 que julgou procedente o lançamento a empresa recorre à este conselho alegando em síntese: Em sede preliminar pugna pela decadência do lançamento. Aduz que, nas contribuições previdenciária o lançamento é por homologação, se não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, evidente que não havia como registrar as contribuições. Afirma que para a mesma competência existem 5 (cinco) outras notificações pelo mesmo fato gerador, flagrantemente em "bis in idem" e ainda que outros 04(quatro) AI são aplicações de multas pelos mesmos fatos geradores. Continua alegando o seguinte: “Há que se ressaltar que a empresa passa por dificuldades financeiras, somente não foi baixada, mas não está em funcionamento, posto que, para dar baixa na mesma, existem valores a ser pagos e esta não os possui. Algumas irregularidades sem a vontade livre e consciente de causar prejuízo ao erário configuram inexigibilidade de conduta diversa, eis que de todas as formas tenta manter seu quadro de funcionários, sem ter de proceder demissões. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 (...) a indisponibilidade de recursos da empresa para honrar os compromissos fiscais da empresa no período correspondente ao vencimento das obrigações, torna impossível à ora Impugnante agir de outra forma. Não há dolo em não pagar, não há crime ou desejo de causar prejuízo ao erário. Há sim necessidade de manter a empresa e os empregos. Nunca os sócios buscaram causar prejuízo ao fisco, que Federal, Estadual ou Municipal. O que ocorre é que para manter a empresa funcionando e isto possui o lado social, pois esta empresa cumpre sua função social, às vezes necessário se faz deixar de pagar algumas coisas, neste caso foram os tributos. “ Conclui: “Assim, é lícito entender por inculpável o sujeito, ,diante da inexigibilidade de outra conduta que, por se tratar de hipótese não.descrita na lei, configurase em uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade.” Por fim, sustenta a impossibilidade de cumulação da taxa SELIC com juros de mora, citando jurisprudência acerca do assunto. Requer o provimento do recurso, julgando improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000125/200708 Acórdão n.º 2401002.518 S2C4T1 Fl. 154 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A irresignação da recorrente merece acolhimento,consubstanciado nos atuais entendimentos administrativos e jurisprudenciais. DAS PRELIMINARES A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em abril de 2007, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições lançadas referemse às competências intercaladas entre 07/2000 a 05/2006, o que fulmina parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 173, I do CTN, em face da apropriação indébita, devendo ser excluídas do lançamento as contribuições lançadas até a competência 11/2001. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 DO MÉRITO Embora a recorrente afirme que no período do lançamento não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, razão pela qual não havia como registrar as contribuições, temos que, conforme consta no relatório Fiscal, a presente autuação fora lavrada em nome da recorrente em face da empresa Teones Laurindo Fernandes Plástico em face a constatação de fraude. Vejamos o contido no Relatório: “...consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome" Tal fato, em nenhum momento fora questionado pela recorrente, seja na defesa de primeira instância, seja no recurso ora sob análise, o que implica em aceitação tácita da imputação à ela feita pela fiscalização. Sobre as manifestações acerca da situação financeira da empresa, que justificaria a falta de recolhimentos das obrigações previdenciárias, este conselheiro não deve tecer maiores comentários sobre o assunto. Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal, o que no presente caso, também não foi rebatido pela recorrente. No mais, entende o contribuinte que deva ser afastada a incidência de Juros e a Multa SELIC cumulativamente por ser ilegal e inconstitucional. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais. Sobre este aspecto, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º do Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000125/200708 Acórdão n.º 2401002.518 S2C4T1 Fl. 155 7 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Federal “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, Acolher a preliminar de decadência parcial até a competência 11/2001 e no mérito Negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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