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Numero do processo: 11516.720207/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
Afora as exceções legais (impossibilidade, por motivo de força maior, de apresentação oportuna; referência a fato ou direito superveniente; ou destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado pelo sujeito passivo.
DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NOVAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO.
Como decidido em primeira instância, o contribuinte não impugnou os fundamentos da autuação relacionada à despesa considerada indedutível, de maneira que se consolidou no âmbito administrativo. Novas alegações veiculadas em segunda instância não podem ser conhecidas em face da preclusão.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexo, em razão da íntima relação de causa e efeito.
PAGAMENTO MENSAL DE IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA.
A aplicação concomitante da multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL e da multa de ofício pela falta de pagamentos dos mesmos tributos na apuração anual com base no lucro real não é admissível quando as multas incidem sobre uma mesma base imponível.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12).
Numero da decisão: 1103-000.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar (i) o lançamento de IR fonte, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, e (ii) a multa isolada, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura. A exigência relativa à subvenção foi mantida por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira, que votaram pela sua exclusão quanto aos anos-calendário 2007 e 2008. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata divergiu quanto ao não conhecimento das razões de recurso relativas à glosa de despesas. A incidência de juros sobre multa de ofício foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Manoel Mota Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Recorrente INTELBRAS S.A INDÚSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados caracterizamse como subvenções para investimento apenas quando concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimento econômico, de forma que tais benefícios fiscais não se enquadram em tal categoria quando sequer é possível se extrair tal intenção dos respectivos atos normativos e de concessão. Os estímulos fiscais, quando não atrelados a investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, revestemse das características próprias das subvenções correntes ou para custeio. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NOVAS ALEGAÇÕES. PRECLUSÃO. Como decidido em primeira instância, o contribuinte não impugnou os fundamentos da autuação relacionada à despesa considerada indedutível, de maneira que se consolidou no âmbito administrativo. Novas alegações veiculadas em segunda instância não podem ser conhecidas em face da preclusão. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexo, em razão da íntima relação de causa e efeito. PAGAMENTO MENSAL DE IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. A aplicação concomitante da multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL e da multa de ofício pela falta de pagamentos dos mesmos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 07 /2 01 1- 71 Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.585 2 tributos na apuração anual com base no lucro real não é admissível quando as multas incidem sobre uma mesma base imponível. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EXCLUSÕES INDEVIDAS. NÃO IMPUGNAÇÃO. Como decidido em primeira instância, o contribuinte não impugnou os fundamentos da autuação relacionada à despesa considerada indedutível, de maneira que se consolidou no âmbito administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRRF. BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO E RESPECTIVA CAUSA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. A identificação, pela própria fiscalização, dos beneficiários dos pagamentos efetivados pela pessoa jurídica, infirma o lançamento a título de IRRF. De igual forma a comprovação da operação e a respectiva causa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Afora as exceções legais (impossibilidade, por motivo de força maior, de apresentação oportuna; referência a fato ou direito superveniente; ou destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar (i) o lançamento de IR fonte, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, e (ii) a multa isolada, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura. A exigência relativa à subvenção foi mantida por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira, que votaram pela sua exclusão quanto aos anoscalendário 2007 e 2008. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata divergiu quanto ao não conhecimento das razões de recurso relativas à glosa de despesas. A incidência de juros sobre multa de ofício foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Manoel Mota Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.586 3 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, IRRF, Multa e Juros isolados, relativos aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 (fls.699/754), com ciência do contribuinte em 29/04/11 (fls.708, 715, 728, 737, 746 e 752). No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, as infrações foram assim descritas: 1. IRPJ “001 PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS VINCULADAS. Valor apurado conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “002 SUBVENÇÕES – CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA. Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação recebidas no período de apuração, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “003 – MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “004 – JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA (IRPJ) Juros isolados conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “001 SUBVENÇÕES – CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA. Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes referentes à incorporadora NOVA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA ente JULHO/2007 e DEZEMBRO/2007, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; 2. CSLL “001 Falta de recolhimento da CSLL – Valor apurado conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.587 4 Falta de recolhimento da CSLL – Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação recebidas no período de apuração, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “001 – MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “002 – JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA (CSLL). Juros de mora sobre Contribuição Social não recolhida, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; “001 – CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes referentes à incorporadora NOVA SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA ente JULHO/2007 e DEZEMBRO/2007, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; 3. IRRF “001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/PAGAMENTOS SEM CAUSA – Valor apurado conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”; No “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (fls.653/698), a autoridade fazendária consignou, em síntese: Das informações sobre o estabelecimento fiscalizado o contribuinte foi contemplado com benefícios fiscais na forma de crédito presumido de ICMS, conferidos pelos Estados de Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais, sendo que em 2007 promoveu um reenquadramento contábil dos lançamentos de tais incentivos dos anos calendário 2005 e 2006, quando os classificou como subvenção para investimento; “Antes da retificação contábil, o Crédito Presumido era calculado sobre o imposto informado nas notas fiscais de venda de seus produtos e o registro do ICMS efetivamente devido era realizado pelo seu valor líquido. Portanto, na Demonstração do Resultado do Exercício a Despesa de ICMS incidente sobre as vendas representava o ônus que o contribuinte efetivamente havia suportado. Após a mudança do critério contábil, [...], todo o valor do ICMS destacado nas notas fiscais, inclusive a parcela não recolhida em decorrência do crédito presumido concedido como incentivo fiscal pelos Estados, foi deduzido do Resultado do Exercício, consequentemente reduzindo as bases de cálculo do IRPJ (imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Em contrapartida o valor do crédito presumido de ICMS passou a ser registrado como Reservas de Capital – Subvenções para Investimento em seu Patrimônio Líquido”; Das receitas oriundas de benefícios fiscais os benefícios fiscais não se caracterizariam como subvenções para investimento, vez que: “(a) Não existe por parte dos subvencionadores (os estados) a intenção de que esses recursos sejam destinados para investimento”; (b) os incentivos não são aplicados pelo beneficiário (a INTELBRAS) na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, requisitos essenciais das subvenções para investimento; (c) recursos recebidos e classificados Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.588 5 como subvenção para investimento foram destinados à remuneração do capital dos acionistas da companhia”; Das legislações estaduais que concedem os incentivos os Decretos nº 2.870/2001 (Santa Catarina) e 5.372/2002 (Paraná) estabelecem requisitos para o gozo dos benefícios fiscais, dentre os quais o fato de o contribuinte ser beneficiário de incentivos do IPI estabelecidos pela Lei nº 8.248/91; o Decreto nº 5.906/06 fixou condições para que as sociedades do setor de informática e automação pudessem pleitear a isenção ou redução de IPI previstas na Lei nº 8.248/91, a exemplo de contrapartidas obrigatórias, na forma de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento em tecnologia da informação; “...de um total de R$ 88.717.106,17 recebidos a título de Crédito Presumido de ICMS, entre 2006 e 2008, apenas R$ 7.553.700,00 representam efetivamente, segundo a contabilidade da fiscalizada, contrapartidas aos incentivos recebidos”; os gastos com atividade de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação não se enquadram no conceito de “expansão e ampliação do empreendimento econômico”, conforme Parecer Normativo CST nº 112/78, pelos seguintes aspectos: “(a) Não existem, na Lei 8.248/91 ou nas leis estaduais, exigências quanto à expansão ou ampliação de empreendimento econômico; (b) Não existem projetos de expansão ou ampliação aprovados junto aos governos dos estados. No estado de Santa Catarina, por exemplo, os Atos de concessão às fls.479 e 498, previstos no Anexo II, art.142, §1º, do RICMS/SC, sequer mencionam esse tipo de condição”; os Decretos estaduais não determinam a aplicação dos recursos além dos já previstos na Lei nº 8.248/91, de maneira que os gastos realizados com pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, obrigatórios para o gozo da redução do IPI devido, não se constituiriam contrapartida para os créditos presumidos de ICMS. Assim, aqueles dispêndios seriam aplicados em tais atividades, independentemente do crédito presumido de ICMS, tendo em conta os requisitos da Lei nº 8.248/91; Das decisões dos tribunais sobre as subvenções para custeio e investimento decisões judiciais, em que foram adotados os conceitos de “Subvenção para Custeio” e “Subvenção para Investimento” contidos no Parecer Normativo CST nº 112/78, não acolheram as pretensões dos contribuintes. Por exemplo: (a) decisão sobre crédito presumido de ICMS concedido a fabricantes de equipamentos de informática pelo Estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de excluir os incentivos da base de cálculo do IRPJ e CSLL (TRF – 4ª Região, Primeira Turma, processo nº 1110113.2009.404.7100, julgamento em 15/12/10); (b) decisão que não acolheu recurso para que créditos de PIS e Cofins não cumulativos não integrassem as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (TRF – 3ª Região, Quarta Turma, processo nº 2007.03.00.087086 – AI 310037, Julgamento em 19/02/09); também o Superior Tribunal de Justiça (Segunda Turma, RE nº 1.128.206/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Acórdão publicado em 21/10/10), adotou integralmente como razão de decidir o Parecer Normativo CST nº 112/78. Especificamente, quanto às Subvenções para Investimento, seriam “aquelas que, recebidas do Poder Público, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado”, devendo estar presente a “condição de concomitância e absoluta correspondência entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos”, conforme Solução de Consulta SRRF 7ª RF nº 251, de 24/06/04, Decreto nº 3.000/99 e Parecer Normativo CST nº 112/78; Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.589 6 Das imobilizações da fiscalizada o total do benefício fiscal no período fiscalizado (R$88.717.106,17) superou exponencialmente as imobilizações realizadas (R$31.966.727,29), bem como a variação do mesmo imobilizado entre agosto/2005 e novembro/2010 (R$10.445.821,73); as imobilizações não podem ser compreendidas, ainda que parcialmente, como contrapartidas aos incentivos recebidos, pois estes não se configuram como Subvenções para Investimento. Os incentivos careceriam de duas das três características básicas inerentes àquela espécie de subvenção: “(a) Inexiste a intenção dos subvencionadores (os estados de SC, PR) de destiná los para investimento. No contexto da disputa de mercados e, dentro deste, a incontestável ‘guerra fiscal’, chega a ser ofensivo à inteligência mediana negar o que, de fato, se busca neste tipo de auxílio estatal: competitividade, lucratividade e rentabilidade, resultados diretamente vinculados à remuneração do capital privado; (b) Inexiste também a efetiva e específica aplicação da subvenção (pela INTELBRAS) em investimentos previstos em implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, pelo simples fato de que esta não é uma condição presente nas legislações estaduais que concedem estes benefícios”; Da indevida exclusão de Subvenções para Custeio das bases de cálculo do IRPJ e CSLL o contribuinte, ao considerar como Subvenção para Investimento o que efetivamente é Subvenção para Custeio, deduziu indevidamente como custo ou despesa, parte do ICMS não recolhido em decorrência do crédito presumido concedido pelos Estados; as Subvenções para Custeio, nos termos do art.392, I, do RIR/99, devem ser computadas na determinação do lucro operacional; sendo ainda caracterizadas como receitas, conforme art.44, V, da Lei nº 4.506/64; para que Subvenções para Investimento possam ser excluídas da base de cálculo, devem apresentar as seguintes características, conforme art.38 do Decretolei nº 1.598/77: “ recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público; possuírem destinação específica para investimentos em implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; sincronismo entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica do empreendimento econômico; deve ser registrada contabilmente em conta de reserva de capital que poderá somente ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social”; Da distribuição disfarçada da subvenção para os acionistas os incentivos, na realidade, beneficiaram acionistas da sociedade, conforme descrição às fls.678/685; conforme análise de registros contábeis e Atas de Assembleias Gerais e Extraordinárias, a companhia teria distribuído as subvenções disfarçadamente, em afronta aos artigos 443 e 545 do RIR/99; “Os registros contábeis em Reservas de Capital, relacionados à subvenção para investimento, precisam estar, necessariamente, vinculados à ativação do Empreendimento Econômico Projetado. Se essa vinculação não existir, o lançamento contábil pode se constituir em mera manobra contábil para, indiretamente, produzir resultados que irão remunerar (no curto prazo ou em período distante) o capital privado dos sócios/acionistas de determinada empresa. No caso da companhia fiscalizada, essa manobra produziu resultados imediatos e só foram facilmente identificados porque os fatos que foram objeto de registro na contabilidade ocorreram em eventos (assembléias) localizados dentro do espaço de tempo alcançado pela auditoria. Neste contribuinte, especificamente, tornouse possível desnudar a artificialidade Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.590 7 dos lançamentos que objetivavam resgatar prejuízos já amortizados ou desconstituir reserva já realizada com o objetivo de gerar desoneração tributária sem previsão legal”; Da despesa indedutível pagamento à pessoa vinculada por serviços não comprovados os pagamentos relacionados a um adiantamento contabilizado para Tida Consultoria Ltda, no valor de R$ 421.000,00, “...foram depositados em contas bancárias dos administradores do contribuinte, conforme resposta ao Termo de Intimação 008, juntada às fls 587 a 588”; o lançamento contábil realizouse em 31/07/08, na conta “Adiantamento a Fornecedor’, sendo que a assinatura do contrato de prestação de serviços celebrado com a Tida Consultoria Empresarial Ltda (fls.579/583) deuse apenas em 29/08/08; “As notas fiscais emitidas pela TIDA Consultoria, de nº 00001 e 00002, (fls. 583 e 584) foram emitidas em 30/09/2008 e 31/10/2008, respectivamente, ambas no valor de R$261.629,50 e totalizam o montante previsto no contrato”; o valor de R$ 421.000,00 foi “lançado na conta de adiantamento Comissões – TG Brasil Representações Ltda. Dessa forma, foi estornado o lançamento contábil de 31/07/2008, fazendo constar, na contabilidade, em 30/09/2008, o adiantamento a TIDA na conta ‘11310005 – Adiantamento a Fornecedores’ – R$ 421.000,00, conforme pode ser visto no documento elaborado pela empresa juntado às fls.586”; concluise, pelos fatos abaixo, que não ocorreu a efetiva prestação dos serviços pela TIDA Consultoria Empresarial Ltda à Intelbrás: “1) A empresa TIDA adquiriu personalidade jurídica somente em 12/08/08, com o Registro do Ato Constitutivo na Junta Comercial nesta data, fls.589 a 597, sendo que o Contrato inicialmente citado foi firmado em 04/08/2008. Portanto, em 31/07/2008, não havia possibilidade jurídica da TIDA ter recebido, em adiantamento, recursos por conta de serviços a serem prestados, pois a mesma sequer existia; 2) As sócias dessa empresa são as esposas dos administradores contemplados pelos recursos desembolsados pela Intelbrás em 31/07/2008. Portanto, mais uma prova de que os beneficiários pelos valores desembolsados foram os administradores da fiscalizada; 3) Acrescentese o fato de o Contrato de Prestação de Serviços firmados entre as partes ter sido assinado em 29/08/2008. Que certeza a Intelbrás teria de receber os serviços se ela antecipa o montante a pagar sem mesmo ter formalizado Contrato nesse sentido? 4) Ressaltese ainda, as reversões realizadas em 30/09/2008 e 31/10/2008, de provisões para pagamento de participação nos lucros dos administradores (para o 1º semestre/2008), nos valores exatos de R$ 261.629,50, conforme lançamentos na conta 2.01.03.05.01 – Particip. Nos Resultados a Pagar, às fls. 598”; as despesas contabilizadas na conta “41510020 – Serviços de Terceiros” correspondem a retiradas de diretores e administradores da Intelbrás, sendo tais valores não dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL; Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.591 8 Do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos não identificados os valores líquidos pagos aos administradores sujeitamse à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, nos temos do art.674 do RIR/99; Da multa isolada por falta de recolhimentos por estimativa a contabilização indevida da Subvenção para Investimento como Subvenção para Custeio ocasionou a redução das estimativas apuradas, de sorte que é cabível a multa de 50% (cinquenta por cento) sobre o que deixou de ser recolhido mensalmente; Dos juros isolados são cabíveis juros isolados em decorrência da falta de pagamento das estimativas apuradas; Das glosas de exclusões indevidas nas bases de cálculo da CSLL acerca de tal infração, a fiscalização assim discorreu: “No curso dos trabalhos constatouse que a contribuinte informou incorretamente o valor de R$5.180.690,68, relativo ao Lucro Líquido antes da CSLL em 31/12/2006, na linha 01 da Ficha 17 da DIPJ do anocalendário de 2006 (fl.45). Segundo o Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL constante do Livro de Apuração do Lucro Real, LALUR, nº 15, (fls.600) onde transcreve os controles de apuração das Bases de Cálculo, o valor correto é de R$ 8.767.746,30. A diferença corresponde ao valor dos Juros sobre o Capital Próprio. Portanto, antes de quaisquer ajustes esclarecemos que o valor que está sendo considerado como base de cálculo negativa apurada pelo contribuinte em 31/12/2006 é de R$ 2.316.518,01. Constatouse, também, que a contribuinte excluiu indevidamente da base de cálculo da CSLL o valor das Receitas de Exportação ao Mercado Externo e à Zona Franca de Manaus, consoante lançamentos constantes nos Livros de Apuração do Lucro Real, LALUR, onde transcreve os controles de apuração das Bases de Cálculo, conforme quadro resumo abaixo: Período Base de cálculo Apurada no LALUR Exclusão indevida – Ação Judicial Base de Cálculo ajustada 31/12/2005 1.275.535,87 10.239.221,88 8.963.686,01 31/12/2006 2.316.518,01 8.610.162,54 6.293.644,53 31/12/2007 3.108.044,78 9.718.783,92 6.610.739,14 31/12/2008 64.665.794,15 9.883.056,27 54.782.737,88 Cópias das páginas do LALUR que contêm as bases de cálculo apuradas encontramse às fls.599 a 604. A contribuinte informou em suas DCTF débitos com exigibilidade suspensa em razão de depósitos judiciais realizados até o período de apuração de novembro/2007 relativos ao Mandado de Segurança nº 2004.72.0088250. Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.592 9 A motivação informada pela contribuinte para a exclusão de tais valores e os depósitos judiciais é o Mandado de Segurança ingressado junto à 2ª Vara Federal de Florianópolis, processo nº 2004.72.0088250 (fls. 605 e 606) no qual pleiteava a concessão de uma medida liminar para que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis se abstenha de cobrar do impetrante a CSLL e CPMF sobre as receitas auferidas com a exportação, e ao final afastar a incidência da CSLL e CPMF sobre tais receitas, por estarem, a seu ver, alcançadas pela imunidade prevista no §2º do art.149 da CF, com a redação conferida pela EC nº 33/2001. Na apreciação da matéria o Poder Judiciário não acatou a tese defendida pela contribuinte indeferindo a liminar, (fls.610), denegando a segurança, (fls.609), e negando provimento à apelação, (fls.611). Interpôs um Recurso Extraordinário junto ao TRF4, que foi admitido, (fls.615). No momento está suspensa a apreciação do Recurso Extraordinário RE 473.170, até a apreciação do RE 564.413/SC, ao qual já foi reconhecida a existência de repercussão geral, (fls. 617). Como se demonstra acima, as exclusões procedidas pela contribuinte não estão amparadas por decisão judicial, portanto procedemos, de ofício, às seguintes glosas: a) do saldo de base de cálculo negativa relativa ao ano calendário de 2005, transportando do livro nº 14, no valor de R$ 1.275.535,86, constante da folha 69 do LALUR nº 15, parte B; b) das exclusões procedidas nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, constantes do quadro acima.” Os lançamentos foram parcialmente mantidos pela Terceira Turma da DRJ – Florianópolis (SC), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.1.138/1.217): SUBVENÇÃO ESTADUAL. INCENTIVOS FISCAIS. ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções correntes ou para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. PARECERES NORMATIVOS. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA COMPLEMENTAR DE LEI. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. As orientações e definições contidas em atos Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.593 10 normativos, por constituírem normas complementares da legislação tributária (art. 100 do CTN) e refletirem o entendimento da Administração Tributária, devem ser seguidas pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, nos termos do disposto no inciso V do art. 7º da Portaria nº 341, de 12/7/2011, do Ministro de Estado da Fazenda (disposição anteriormente constante no art. 7º da Portaria nº 58, de 17/3/2006, do Ministro de Estado da Fazenda). LUCRO REAL ANUAL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA MENSAL. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. POSSIBILIDADE. BASES DE CÁLCULO DISTINTAS. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. É possível a aplicação conjunta de multa isolada e multa de ofício vinculada ao tributo, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas, além de serem determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. Não há impedimento legal para o lançamento da multa isolada após encerrado o anocalendário. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa isolada pela falta de recolhimento do imposto estimado mensalmente é exatamente o montante deste tributo estimado que deixou de ser recolhido. Não está sujeita à limitação do imposto apurado no ajuste. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO DE JUROS DE MORA ISOLADOS, SOBRE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO RECOLHIDAS. INEXIGIBILIDADE POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais (de IRPJ e de CSLL), apurada em procedimento de ofício, enseja a aplicação (apenas) de multa isolada, não cabendo a cobrança de juros de mora isolados (de ofício) uma vez que, encerrado o anocalendário, não se lançam de ofício os valores representativos das antecipações de imposto/contribuição apurados pelo regime do lucro real anual. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Tratandose da mesma Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.594 11 matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). No julgamento, afastaramse apenas os juros de mora isoladamente exigidos, não tendo havido interposição de recurso de ofício. Devidamente cientificado do acórdão em 15/05/12 (fl.1.230), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 05/06/12 (fls.1.231/1.303), em que alega, em síntese: o objetivo da concessão de incentivos fiscais seria colocar determinado setor ou região em condições de competição com os demais setores e regiões, de maneira que, ao atrair empreendimentos para seus domínios, os Estados estariam fomentando investimentos, independentemente de contrapartidas, eventualmente fixadas; as Subvenções para Custeio seriam aquelas “...conferidas com o claro e único objetivo de auxiliar as empresas a fazerem frente a suas despesas correntes ou a desenvolverem suas operações”, sem qualquer finalidade de impulsionar investimentos para desenvolver região ou setor; as Subvenções para Investimento demandariam uma conduta ativa (investimento) pelos beneficiários, sendo “...conferidas pelo Poder Público com a finalidade de estimular investimentos de empresas, para quem há a transferência de capital”; teria havido incremento de suas atividades no período autuado, sendo que os agentes fazendários desconsideraram as imobilizações comprovadas; “...o incremento da expansão de um empreendimento não se mede única e exclusivamente com investimentos em bens do ativo imobilizado: há de ser considerado, no período incentivado, o aumento expressivo do número de contratações de empregados, o aumento de capital de giro, o aumento de investimentos registrados no ativo permanente, a expansão do próprio parque fabril etc., elementos esses que foram exaustivamente comprovados pela documentação já acostada aos autos (Doc.12 da Impugnação)”; o capital decorrente do incentivo fiscal teria sido empregado em sua atividade econômica, com notório aumento de seu patrimônio e ampliação de seu empreendimento; para que uma subvenção caracterizese como Subvenção de Investimento não seria necessário este ocorrer por meio de contrapartidas estabelecidas pelo legislador. “...a natureza de investimento decorre muito mais da intenção/objetivo do Poder Público ao concedêla, visando incremento do patrimônio do beneficiário, do que de eventual contrapartida estabelecida para o contribuinte fazer jus ao incentivo servindo como modo de estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; a intenção dos legisladores paranaenses e catarinenses o desenvolvimento de tais Estados; o Parecer Normativo CST nº 112/78 não definiria investimento “em expansão e ampliação de empreendimento econômico” como investimento “em projeto aprovado ou em ativo fixo do beneficiário”; em razão de o Parecer Normativo CST nº 142/73, por expressa determinação do Parecer Normativo CST nº 112/78, aplicarse apenas a situações anteriores à entrada em vigor do Decretolei nº 1.598/77, seria descabida a interpretação da fiscalização no sentido de que a exclusão de dada subvenção do lucro real e da base de cálculo da CSLL condicionarseia à aplicação do incentivo no ativo fixo; Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.595 12 a expressão “aplicação em bens ou direitos” não seria sinônima de “aplicação em projeto específico aprovado ou em bens e direitos para o ativo permanente”; “O que caracteriza os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados do Paraná e Santa Catarina como subvenção para investimento, ressaltase, é a intenção dos respectivos legisladores ao concedêlo, para atração de implantação e empreendimentos econômicos, de forma a impulsionar o desenvolvimento regional, e não as contrapartidas por ele exigidas”; decisões administrativas iriam de encontro às conclusões da fiscalização (acórdão nº 1103 00.555, de 20/10/11; nº 140100.455, de 23/02/11; 10809.767, de 13/11/08; nº 10709.492, de 17/09/08; e nº 910100.566, de 17/05/10); ao analisar o mesmo benefício fiscal concedido pelo Estado do Paraná, o CARF considerara que os créditos presumidos de ICMS configurariam Subvenção para Investimento (acórdão nº 110100.661, de 31/01/12); “...a própria Receita Federal do Brasil já se manifestou anteriormente no sentido de que os créditos presumidos de ICMS são subvenções para investimento, conforme se observa da ementa da Solução de Consulta nº 318, de 05 de abril de 2012”; o Parecer Normativo CST nº 112/78 definiria subvenção para investimento “...como aquela que requer investimentos mediante ‘implantação ou expansão de empreendimentos econômicos’ com base em correta interpretação do artigo 38, §2º, do DecretoLei nº 1.598/77”; conforme acórdãos nº 10809.767, de 13/11/08, e 10709.492, de 17/09/08, proferido pelas Oitava e Sétima Câmaras do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, o Parecer Normativo CST nº 112/78 teria fixado interpretação em desacordo com o art.38 do Decretolei nº 1.598/77, na redação conferida pelo Decretolei nº 1.730/79; o benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina objetivaria atrair indústrias de bens e serviços de informática, para fins de investimento na região, conforme artigos 142 e seguintes do Anexo 2 do Regulamento do ICMS – RICMS/SC. Os investimentos requeridos pela Lei nº 8.248/91, que dispõe sobre os incentivos fiscais relacionados ao IPI, deveriam ser concentrados em tal unidade da federação. Seria inverídica a conclusão fiscal de que o regime firmado com a Secretaria de Fazenda não estabeleceria qualquer condição à fruição do benefício fiscal, vez que se obrigava “...a destinar parcela de seu faturamento à Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina – FAPESC”. Ao conceder crédito presumido e exigir em contrapartida investimento em pesquisa e desenvolvimento, o legislador estadual “...visou aprimorar/qualificar a mão de obra regional e fomentar o estudo/a análise científica local”. Ainda que a legislação estadual estabeleça como requisito para o gozo do benefício a industrialização de produtos que atendam às disposições da Lei federal n º 8.248/91, tal fato não descaracterizaria a subvenção como sendo de investimento, vez que o benefício fiscal estadual vincularseia à realização de investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, mas, diferentemente, do benefício do IPI, apenas no Estado de Santa Catarina; quanto ao benefício fiscal concedido pelo Estado do Paraná, inicialmente de titularidade da Nova Soluções em Informática, sociedade incorporada em 2007, o legislador estabeleceu requisitos que se relacionariam ao desenvolvimento do Estado mediante atração de indústrias do setor de informática, em especial: “a realização de investimento em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação em centros ou institutos de pesquisas ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; a realização de Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.596 13 investimentos em atividades internas da empresa relativas a pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação”. O próprio Decreto estadual nº 1.922/2011, que atualizou os percentuais do benefício, confirmaria que o crédito presumido seria concedido a título de Subvenção para Investimento; não teria havido qualquer artifício contábil relacionado à imputação de distribuição disfarçada de reservas, sendo que os recursos permaneceram nas contas integrantes do capital social da companhia e os lançamentos contábeis foram realizados com base na legislação de regência; uma vez demonstrado que os benefícios fiscais tratarseiam de Subvenções para Investimento, a autuação decorrente da glosa dos pagamentos realizados à Tida Consultoria Ltda, considerados pela fiscalização como realizados aos administradores da Intelbrás, não prosperaria, “...Isso porque, uma vez mantido como correto o procedimento efetuado pela Recorrente – não tributação dos valores de subvenção para investimento – as bases do Lucro Real e da CSLL deverão ser refeitas por essa fiscalização, de modo que o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL sejam mantidas, não resultando em imposto a pagar pelas adições com pagamentos a pessoas vinculadas, mas apenas e tãosomente retificação dos prejuízos e bases negativas na parte B do LALUR”. Ademais, ao exigir contribuição previdenciária sobre tais valores, que foi objeto de parcelamento, a fiscalização os considerou como valores pagos a título de remuneração a administradores, devendo, por isso, ser dedutíveis; acerca do IRRF sobre pagamentos a pessoas físicas, ao considerálos como remuneração a administradores, com a respectiva identificação nominal e de valores recebidos, a fiscalização não poderia falar em pagamento sem causa e consequente tributação à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), com reajustamento da base de cálculo prevista no art.674 do RIR/99. Restando clara a causa dos pagamentos, qual seja a distribuição de resultado a administradores, inexistiria subsunção dos fatos àquela norma, conforme decisões administrativas proferidas à luz de um contexto fático em que evidente era a causa do pagamento (acórdãos nº 10516.954 e nº 110200.073); a respeito das glosas relacionadas à exclusão da base de cálculo da CSLL das receitas decorrentes de exportação e de vendas à Zona Franca de Manaus, “...ao final do julgamento do presente processo, caso se confirme a improcedência dos lançamentos de IRPJ/CSLL sobre subvenção para investimento, nada será devido a título da adição dessas despesas, resultando zero de CSLL a pagar sobre tais adições”; seria indevida a exigência concomitante de multa isolada por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativa e multa de ofício proporcional, conforme já decidido administrativamente (acórdãos nº 10196.688, 10196.669 e CSRF/0105.788). Além do mais, “...quando do recolhimento das estimativas de 2006, os créditos presumidos de ICMS foram tratados como receita e estavam refletidos nos valores das estimativas, de forma que, ainda que fosse possível a aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício de 75%, para esse período evidentemente não haveria configuração de infração sujeita a multa isolada”; não caberia a exigência de juros sobre multa de ofício, vez que o art.44 da Lei nº 9.430/96 não faria menção a tal incidência, não se podendo sustentála com base no art.61, §3º, da Lei nº 9.430/96, como já decidido, inclusive, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 910100.722, de 08/11/10). Ao final, o Recorrente protestou pela comprovação de suas alegações “...por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários”. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.597 14 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. PRELIMINAR Da juntada posterior de documentos Importa sublinhar que no processo administrativo tributário as provas devem, em regra, ser apresentadas quando da impugnação, conforme dispõem os artigos 15 e 6, III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: ..... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). No âmbito deste Conselho, em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, passouse a aceitar provas apresentadas até o início do julgamento, o que não implica em automático acolhimento de pedido para possibilitar nova dilação probatória. O pleito do Recorrente em tal sentido deve ser fundamentado. Na hipótese, à míngua de qualquer indício de que o contribuinte esteve impossibilitado de apresentar novas provas que corroborassem sua tese, rejeitase o pedido de juntada posterior de documentos. MÉRITO Dos créditos presumidos de ICMS O cerne da discussão diz respeito à identificação da natureza jurídica de créditos presumidos de ICMS, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, concedidos pelos Estados do Paraná e Santa Catarina. Enquanto a fiscalização entende que se tratam de Subvenções para Custeio, a serem necessariamente computados na determinação do lucro operacional, o contribuinte Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.598 15 sustenta que tais benefícios enquadrarseiam como Subvenções para Investimento, não podendo, portanto, ser levados à apuração. Dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26/03/99): Art.392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art.44, inciso IV); ..... Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. ..... Art.545. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam os arts. 546, 547, 551, 554, 555, 559, 564 e 567 não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, §3º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I). §1ºConsideramse distribuição do valor do imposto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, §4º, e DecretoLei nº 1.825, de 22 de dezembro de 1980, art. 2º, §3º): I a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; II a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. §2ºA inobservância do disposto neste artigo importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, sem prejuízo da incidência do imposto sobre o lucro distribuído, quando for o caso, como rendimento do beneficiário, e das penalidades cabíveis (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, §5º, DecretoLei nº 1.825, de 1980, art. 2º, §2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.599 16 §3ºO valor da isenção ou redução, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real. (destaquei) Relativamente às Subvenções para Investimento, decorrentes de benefícios fiscais, enquadramse aqueles concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, desde que, por exemplo, sejam registrados como reserva de capital a somente ser utilizada para absorver prejuízos ou incorporação ao capital social. Fazse necessário contextualizar no tempo a tributação das receitas consideradas pela fiscalização como Subvenções para Investimento. Para tanto, considerando a precisão e detalhamento com que o assunto foi tratado pela I. Conselheira Edeli Pereira Bessa (voto vencido no acórdão nº 110100.661, de 31/01/12), peço vênia para expor ao Colegiado suas considerações: “[...] O Parecer Normativo CST nº 112/78 traça a evolução histórica da interpretação acerca da incidência tributária do IRPJ sobre as receitas decorrentes de subvenção, partindo do que dispunha a Lei nº 4.506/64: Art 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Frente a este cenário legal, o Parecer Normativo CST nº 142/73 havia firmado interpretação de que seriam também tributáveis as subvenções recebidas como compensação de investimentos em ativo fixo na execução de programa de estímulo à industrialização, sob os seguintes fundamentos: 1. Dúvidas são levantadas sobre a tributabilidade de recursos financeiros que, com base no ICM incidente sobre suas operações, as empresas recebam de uma das Unidades da Federação, como compensação de investimentos em ativo fixo na execução de programa de estímulo à industrialização. 2. Não somente nessas circunstâncias, mas sempre que recebam recursos públicos ou privados não exigíveis, vinculados ou não a recolhimento de impostos, as empresas devem computálos como receita bruta operacional, conforme estabelece o Regulamento do Imposto de Renda em seu art. 157, letra d, in verbis: "Art. 157. Integram a receita bruta operacional (Lei nº 4.506, art. 44. ): (...) Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.600 17 d) as subvenções correntes para custeio ou operação recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 3. A atividade estatal de carrear para a empresa recursos financeiros para custeio ou operação identificase, sem dúvida, no plano orçamentário, com a ajuda financeira do poder público às empresas privadas com autorização de lei especial, conceituada e classificada na Lei de Orçamento, como subvenção (Lei nº 4.320/64, art. 12, §§ 2º e 3º, item II, combinados com o art. 19). 4. Em correspondência a aludidos dispêndios públicos subvencionais devem ser feitos na empresa os registros contábeis dos valores respectivos, na época em que se tornarem disponíveis para a empresa, inclusive na hipótese do item 1. 5. Isto porque, no sistema de incentivo fiscal referido no item 1, pelo recolhimento ou compensação com créditos, operase a extinção do crédito tributário relativo ao ICM. Enquanto o percentual relacionado com o referido imposto representa simplesmente um parâmetro para o cálculo dos recursos financeiros a serem recebidos. 6. Por outro lado, é de se esclarecer que, quando as inversões, em ativo fixo, forem compensadas com recursos públicos não exigíveis serão excluídas do ativo imobilizado para efeito de correção monetária conforme estabelece o art. 266 , letra a, do Regulamento do Imposto de Renda. À mesma época, o Parecer Normativo CST nº 107/75 reiterou a incidência do imposto de renda sobre a receita decorrente de subvenção estatal, sem distinguila em razão de sua destinação, e detalhou aspectos da dedutibilidade do imposto utilizado como veículo para concessão do incentivo: 1. Indagase sobre o tratamento fiscal que deve ser dado à parcela do imposto sobre a circulação de mercadorias que, a título de incentivo fiscal, é depositada em conta vinculada, sujeita à liberação ou não, dependendo do cumprimento de determinada condição. 2. O comando geral do §1º do art. 162 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 58.400/66 e, também, do novo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02 de setembro de 1975, define como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações e operações exigidas pela atividade da empresa. 3. A parcela depositada, como parte do ICM incorrido que é, da mesma forma que a outra parte recolhida diretamente ao Tesouro estadual, é despesa dedutível no exercício da ocorrência do fato gerador respectivo. 4. Se assim não fosse e o contribuinte somente no momento do descumprimento da condição, e conseqüente Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.601 18 transformação do depósito em renda do Estado, considerasse tal parcela como despesa, esta não poderia ser deduzida para efeito do imposto de renda em virtude do princípio de independência de exercícios. 5. Por outro lado o condicionamento legal de que tais despesas só sejam dedutíveis se seu pagamento se efetivar durante o exercício de correspondência está plenamente satisfeito in casu, porquanto na data em que deva ser cumprida a condição esta ou será satisfeita, tornandose efetiva a isenção, ou deixará de sêlo, e o depósito se transformará automaticamente em renda do Tesouro estadual. Desta maneira, não há como a quitação do tributo deixar de ocorrer no prazo legal de cumprimento da obrigação principal. 6. Salientese, porém, que, ocorrendo o inadimplemento da condição resolutiva, nada mais haverá para se deduzir, porquanto o dispêndio já foi computado tempestivamente na apuração do lucro tributável, conforme item 3 supra. 7. Por fim, como já definiu o Parecer Normativo CST nº 142/73, cumprida a condição e liberado o depósito, devem tais recursos integrar a receita bruta operacional da empresa, no exercício de sua liberação, ex vi do art. 155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda/75. Contudo, o panorama legal alterouse significativamente com a edição do Decretolei nº 1.598/77, que tratou distintamente as subvenções para investimento: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.602 19 incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (negrejouse) Inicialmente foi editado o Parecer Normativo CST nº 2/78 alterando a interpretação veiculada no Parecer Normativo CST nº 142/73, de forma a estabelecer que as subvenções de investimentos, quando atendidos os requisitos legais, não integrariam o lucro tributável. Vejase: 1. Examinase se as subvenções recebidas pelas pessoas jurídicas, para financiamento de suas atividades normais e para a realização de investimentos, devem ou não integrar a receita bruta operacional e qual o tratamento fiscal a que estão sujeitas. 2. Excetuados os casos de empréstimos e de adiantamentos para aumento de capital, as transferências de recursos podem assumir as seguintes hipóteses: 2.1 Destinadas a cobrir déficits ou custear operações correntes; 2.2 Destinadas a programas especiais, com duas aplicações alternativas: 2.2.1 custeio; 2.2.2 investimentos, que poderão: a) permanecer no ativo da empresa; b) serem entregues à pessoa que forneceu os recursos ou a uma outra pessoa de direito público; 2.3 Ser repassada a outra empresa para aplicação: a) sem qualquer retomo de bens, direitos ou capital, apenas suscetíveis de fiscalização; b) com retomo sob a forma de direito de propriedade sobre os investimentos realizados. 3. O art. 44, inc. IV, da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, reproduzido no art. 155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02 de setembro de 1975, estabelece que integram a receita bruta operacional as subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 4. Com efeito, as subvenções mencionadas nos subitens 2.1 e 2.2.1, destinadas à cobertura de déficits ou ao custeio de operações correntes, deverão integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica, por força do disposto no art.155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda/75, e as despesas necessárias à atividade da Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.603 20 empresa serão dedutíveis na apuração do lucro sujeito à tributação. 5. Relativamente aos recursos recebidos a título de subvenção para investimento, poderão deixar de integrar a receita operacional da empresa beneficiária, uma vez que o art. 44, inc. IV, da Lei nº 4.506/64 somente se refere às subvenções correntes para custeio ou operação como destinadas a compor a receita bruta operacional das pessoas jurídicas. Há que se destacar, porém, algumas condições a serem observadas pelas empresas beneficiárias de subvenções para investimentos: 5.1 Subvenções para investimentos que devam permanecer no ativo da empresa Nos casos em que a subvenção recebida seja destinada à aplicação em bens ou direitos que devem permanecer no ativo da empresa, os recursos recebidos ou colocados à sua disposição deverão ser registrados como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou aumentar o capital social, não podendo, neste último caso, haver restituição de capital aos sócios, sob pena de a pessoa jurídica obrigarse a recolher o imposto sobre a importância distribuída. As quotas de depreciação, amortização ou exaustão, porventura contabilizadas e referentes aos bens ou direitos adquiridos com as subvenções, serão dedutíveis na apuração do lucro real. 5.2 Subvenções para a realização de investimento a ser entregue à pessoa jurídica que forneceu os recursos, ou a uma outra pessoa jurídica de direito público Nos casos em que a subvenção recebida seja destinada à aplicação em obras públicas ou investimentos semelhantes, que devam permanecer no ativo da pessoa jurídica que recebeu os recursos, esta poderá: 5.2.1 contabilizar a contrapartida pelo recebimento dos recursos em conta do passivo exigível e os dispêndios efetuados em conta do ativo realizável, como aplicações em bens de terceiros; terminado o empreendimento, as contas ativas e passivas seriam encerradas, mediante débito à conta do passivo exigível e crédito à conta do ativo realizável; ou 5.2.2 tratandose de entidade cujo balanço deva obedecer aos padrões e normas constantes da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, contabilizar a transferência recebida como receita e as aplicações efetuadas diretamente em contas de despesa, hipótese em que as receitas e despesas assim escrituradas deverão ser excluídas na apuração dos resultados, para efeito de determinar o lucro sujeita à tributação. 5.3 Recursos recebidos para serem repassados a outra pessoa jurídica Na hipótese do recebimento de recursos a serem repassados a outra pessoa jurídica, para serem aplicados em despesas de custeio ou em investimentos, a Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.604 21 empresa que recebe os recursos e os repassa, não os computará como receita operacional, devendo a contrapartida pelo recebimento ser feita em conta do passivo exigível; quando do repasse dos recursos à pessoa jurídica destinatária será debitada em conta do ativo realizável, encerrandose ambas as contas quando da comprovação da aplicação dos recursos. 6. Assinalese que, em qualquer caso, se a transferência recebida for superior às aplicações realizadas, e se a diferença passar a pertencer à empresa, o valor dessa diferença deverá integrar a receita bruta operacional do períodobase em que for concluído o empreendimento. 7. Outra modalidade de receita de que se beneficiam certas pessoas jurídicas, em geral empresas públicas, representada pelo recebimento de um percentual dos dividendos que cabem a União nos resultados de outras pessoas jurídicas, recursos esses não vinculados a aplicações específicas, enquadrase nas normas do art. 155, letra d, do Regulamento do Imposto de Renda/75, devendo, portanto, integrar a receita bruta operacional da empresa beneficiária para efeito de determinar o lucro sujeito à tributação. 8. No que se refere às subvenções para investimentos, fica modificado o entendimento expresso no item 2 do Parecer Normativo CST nº 142, de 27 de setembro de 1973. Todavia, na medida em que tal modificação foi vinculada especificamente ao item 2 do Parecer Normativo CST nº 142/73, que tratava da tributação dos valores recebidos com base no ICM, fezse necessária a edição do Ato Declaratório Normativo CST nº 02/78, que assim estabeleceu: O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o contido no Parecer CST nº 1952/78, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, e demais interessados, que a parcela do ICM depositada em conta bancária vinculada, a título de incentivo fiscal, sujeita a liberação mediante o cumprimento de condição, constitui receita operacional do ano de sua eventual liberação, devendo ser submetida à tributação pelo imposto de renda, mesmo quando aplicada em bens do ativo imobilizado. O Parecer Normativo CST nº 2/78, publicado no Diário Oficial de 16 de janeiro de 1978, ao modificar o entendimento do item 2 do Parecer Normativo CST nº 142/73 não o fez com relação aos recursos financeiros recebidos com base no ICM incidente sobre as operações da empresa. Relativamente a esses recursos permanecem em vigor, portanto, as conclusões do mencionado Parecer Normativo CST nº 142, de 27 de setembro de 1973. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.605 22 Diante deste contexto, e também abordando as disposições da Lei nº 4.506/64 e do Decretolei nº 1.598/77, bem como as normas de Direito Financeiro, presentes na Lei nº 4.320/64, e a doutrina acerca do conceito de subvenções, o Parecer Normativo CST nº 112/78 concluiu que a lei, até a edição do Decretolei nº 1.598/77, apenas havia firmado a tributação das subvenções para custeio, sem se manifestar acerca das subvenções para investimento. E, sob a premissa de que o referido Decretolei tomou por tributáveis estas receitas, salvo se atendidas as condições legais, o Parecer Normativo CST nº 112/78 exteriorizou a interpretação estes requisitos. Inicialmente mencionou a necessidade de manutenção deste valor em conta de reserva de capital, para que a subvenção não fosse objeto de distribuição, bem como declarou que a norma apenas se refere a recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público, aspectos que não estão em debate nestes autos. Já na seqüência, o Parecer trata das características da subvenção para investimento, nos seguintes termos: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 142/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.606 23 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. Nestes termos, além de esclarecer que as disposições da letra “b” do §2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77 trata de "transferências de capital”, decorrentes, por exemplo, da obrigação contratual de garantir os valores registrados no balanço patrimonial da pessoa jurídica que teve o seu patrimônio líquido, parcial ou totalmente, transferido para outros sócios ou acionistas – o que não guarda pertinência com o presente litígio –, o Parecer Normativo CST nº 112/78 encerrou sua análise inicial com a seguinte conclusão: 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei nº 4.506/64 e Decretolei nº 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva. A abordagem seguinte teve por foco hipóteses de isenções e reduções de impostos, com vistas a identificar se elas se caracterizam como subvenções para investimento. O Parecer Normativo CST nº 112/78 excluiu deste conceito isenções ou reduções de IPI destinadas, apenas, a diminuir o custo do bem adquirido; reduções de imposto de renda instituídas como compensação de custos ou despesas de instituições financeiras; e isenções, reduções ou destinações do IRPJ, por não afetarem o lucro real. De outro lado, admitiu como subvenção para investimento hipótese específica da atividade de mineração, bem como reduções de ICM, estas últimas nos seguintes termos: 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.607 24 benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. 3.7 É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do ICM. O contribuinte deverá ter cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes, todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento. Para além disso, o Parecer Normativo apenas abordou incentivo específico do setor siderúrgico e a correção monetária de contas que registrem bens oriundos de subvenção, bem como esclareceu que a aplicação da norma interpretada alcança todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, e não apenas as sociedades anônimas. Disse, ainda, que o Decretolei nº 1.598/77 produziu efeitos a partir do exercício de 1978, convalidando a aplicação do Ato Declaratório Normativo CST nº 10/78 e do Parecer Normativo CST nº 142/73 às subvenções anteriores àquela vigência, bem como declarando a aplicabilidade, a qualquer situação, dos itens 2, 6, 7 e subitens 5.2 e 5.3, bem como dos itens 3, 4 e subitem 5.1, f. Daí as conclusões do Parecer Normativo CST nº 112/78, a seguir reproduzidas: 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b”, do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.608 25 b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; V As ISENÇÕES, REDUÇÕES ou DEDUÇÕES do Imposto de Renda devido pelas Pessoas Jurídicas não poderão ser tidas como subvenção para investimento; VI O § 2º do artigo 38 do Decretolei nº 1.598/77 aplica se a todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real; e VII As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, que registrem bens oriundos de SUBVENÇÕES, são corrigidas monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decretolei nº 1.598/77. Estas as premissas, portanto, para apreciação do litígio presente nestes autos [...]” Apesar de o Parecer Normativo CST nº 112/78 não ser de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, ao contrário do que ocorre, por exemplo, no âmbito das DRJ, suas diretrizes, por auxiliarem na solução do litígio, não podem de pronto ser desconsideradas. Nos termos do art.38, §2º, do Decretolei nº 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei nº 1.730/79, Subvenções para Investimento não computadas na determinação do lucro real podem ser caracterizadas “...inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. Assim, quando decorrentes de incentivos tributários, exsurge a vinculação entre a sua concessão e o “estímulo” à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Ao conceder o benefício fiscal, não seria outra a intenção do ente federativo, senão fomentar em seu território o desenvolvimento econômico. Nesse contexto, pouco importa, para fins de aplicação da legislação do IRPJ e da CSLL, que um Estado, como forma de estimular a manutenção de um determinado empreendimento econômico, ao conceder redução ou mesmo isenção do ICMS, indique, no respectivo ato de concessão, que os respectivos valores que deixarem de ser carreados aos cofres públicos consistirão em “Subvenção para Investimento”. Conforme a legislação federal, para serem considerados como tais, devem necessariamente estimular a implantação ou Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.609 26 expansão de empreendimentos econômicos. Inócuo, portanto, à solução da presente controvérsia, o fato de o Estado do Paraná, no Decreto nº 1.922/11, ter disposto que o crédito presumido de ICMS seria concedido a título de Subvenção para Investimento. Considerando a gama de incentivos fiscais concedidos pelos entes federativos a título de crédito presumido de ICMS, é um equívoco considerálos, ampla, geral e irrestritamente, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, como Subvenções para Investimento. As particularidades do caso concreto, e a aplicação do Direito dele não se divorcia, é que informam a natureza jurídica de tais estímulos tributários estaduais quando se busca a adequada incidência da legislação federal. Vejamos, por exemplo, que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 1.128.206PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julg. 05/10/10, DJe 21/10/10), ao se debruçar sobre um caso de exclusão de créditos de PIS/Cofins para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, assentou a necessidade, para fins de caracterização como Subvenção para Investimento, de a aplicação dos recursos obtidos a partir de incentivos fiscais vincularse a projeto ou empreendimento aprovado pelo Poder Público, nos termos do respectivo voto condutor: “(...) Nem se diga também que os referidos créditos teriam a natureza jurídica de subvenções para investimento, de modo a serem excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por força do art. 38, §2º, do DecretoLei n. 1.598∕77. Isto porque os créditos de PIS∕Cofins não possuem tal característica, na medida em que os recursos obtidos pela sua implantação não têm a sua aplicação vinculada a nenhum projeto ou empreendimento aprovado pelo Poder Público. A este respeito, vejase a conceituação de subvenções para investimento, na ótica do IRPJ: EMENTA: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO As subvenções para investimentos, que podem ser excluídas da apuração do lucro real, são aquelas que, recebidas do Poder Público, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Desta forma, incentivos fiscais recebidos como compensação por inversões fixas previamente realizadas pelo beneficiário, não são passíveis de enquadramento como subvenção para investimento, na ótica do imposto de renda, por não atenderem à condição de concomitância e de absoluta correspondência entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos (MF∕SRF∕SRRF7º Solução de Consulta nº 251, de 24 de junho de 2004, Decreto nº 3.000, de 26∕03∕1999, artigo 443; Parecer Normativo CST nº 112, de 29∕12∕1978).” (destaquei). Idêntico enfoque vem sendo conferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com jurisdição sobre o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, sendo estes dois últimos os Estados que concederam os benefícios fiscais em questão. Para a sua Primeira Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.610 27 Turma, os créditos presumidos de ICMS, para fins de aplicação da legislação do IRPJ e da CSLL, são considerados como Subvenções para Investimento quando o incentivo vinculase à “aplicação dos recursos em bens ou investimentos específicos ou à expansão do empreendimento econômico”: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS, COFINS, IRPJ E CSLL. NATUREZA JURÍDICA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. PREVISÃO LEGAL. COMPENSAÇÃO. ..... 4. O crédito presumido classificase como um incentivo fiscal de ordem financeira, ou seja, consiste em transferência de renda do Estado para o setor privado, uma espécie de subvenção destinada a estimular determinado setor produtivo, visto que os incentivos fiscais têm a mesma consequência financeira das verdadeiras subvenções, as quais gravam a despesa pública. A renúncia fiscal, portanto, caracteriza uma subvenção de custeio. 5. O Regulamento do Imposto de Renda de 1999 exclui, para o fim de determinação do lucro real, somente as subvenções para investimento, de acordo com os requisitos especificados na norma. Com efeito, as subvenções de investimento constituemse subvenções especiais, possuindo como nota fundamental a destinação à aplicação específica em determinados bens ou direitos, para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Diferentemente, as subvenções de custeio ou operação são a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas. 6. No caso, este crédito presumido de ICMS restou estabelecido sem qualquer vinculação do benefício à aplicação dos recursos em bens ou investimentos específicos ou à expansão do empreendimento econômico. Não há como enquadrálos, portanto, na modalidade especial de subvenção de investimento, uma vez que se trata tãosomente de auxílio às despesas, como uma subvenção de custeio. Dessa maneira, conquanto os valores recebidos a título de subvenção não façam parte da receita bruta, integram o lucro operacional, na forma do artigo 392, inciso I, do RIR/99. 7. Assim, os valores ressarcidos a título de crédito presumido devem ser adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 28 da Lei nº 9.430/1996), porquanto decorrem de outras receitas operacionais (...)” (AC 2006.72.14.0028106/SC, Primeira Turma, Rel. Joel Ilan Paciornik, Julg. 08/06/11, DE 16/06/11). (destaquei) Mencionese, ainda, em igual sentido, o julgamento realizado pelo mesmo TRF da 4ª Região (AG – Agravo de Instrumento, Processo nº 5006813232011.404.000, Rel. Otávio Roberto Pamplona, Julg. 07/06/11, D.E. 07/06/11) relacionado a estímulos concedidos pelo Estado de Santa Catarina (Lei nº 13.992/07 e Decreto nº 105/07), quando a sua Segunda Turma, lastreada no Parecer Normativo CST nº 112/78, definiu que os contornos do benefício fiscal são essenciais à solução da controvérsia: Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.611 28 “(...) Como bem demonstraram as partes, o Decreto nº. 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR, de fato dá tratamento diferenciado aos valores obtidos a título de subvenções por pessoas jurídicas. Há as subvenções de caráter geral, para custeio ou operação, recebidas tanto de pessoas jurídicas de direito privado como de pessoas jurídicas de direito público, ou ainda, de pessoas naturais e que expressamente devem ser computadas na determinação do lucro operacional, por força do art. 392, I, do RIR, e as chamadas subvenções para investimento, as quais não são computadas na determinação do lucro, conforme autorizado pelo art. 443 do RIR. Em relação a esta última, a definição de critérios caracterizadores foi estabelecida pela própria Administração Tributária, mediante o Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação CST nº. 112, de 1978, segundo o qual: ..... De acordo com o mencionado Parecer, para ser excluída da base de cálculo do IR, além dos requisitos contábeis, a subvenção para investimento deverá ser proveniente exclusivamente do Poder Público, sob perfeita sincronia entre a intenção do agente concedente com a ação do beneficiário. Deverá, ainda, ser dirigida diretamente à pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, além de ter efetiva e específica aplicação nos investimentos previstos ou na expansão do empreendimento projetado. Assim, é possível concluir que para ter o caráter para investimento a subvenção depende, dentre outros, da integral aplicação dos recursos concedidos no projeto econômico que motivou a subvenção. Apesar de tratarse de normatização sem força de lei, expedida pela própria Administração Tributária, na ausência de regulamentação ordinária, tenho que tal Parecer se enquadra no conceito de legislação tributária, na forma do artigo 96 do Código Tributário Nacional. O programa PróEmprego, instituído pelo Governo do Estado de Santa Catarina para Lei nº. 13.992 e regulamentado pelo Decreto nº. 105, ambos de 2007, concede aos seus participantes tratamento tributário diferenciado no que concerne ao ICMS, na forma de diferimento do imposto em determinadas operações. A rigor, há dúvida até mesmo se tal forma de benefício se enquadra no conceito geral de subvenção, pois se trata de diferimento, assim, não exclui a obrigação tributária e o pagamento do tributo, apenas promove a redução parcial dos custos e despesas, mediante condição resolutiva, uma vez que descumpridas as condições estabelecidas, o beneficiário é excluído do programa. Mas o requisito principal que o Programa PróEmprego parece não cumprir é o da efetiva e específica vinculação do produto da subvenção com o projeto de implantação ou expansão do empreendimento econômico planejado pelo beneficiário. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.612 29 É certo que nos termos da Lei nº. 13.992/2007 e Decreto nº. 105/2007, o programa se destina a incentivar empreendimentos de relevante interesse sócioeconômico situados ou que venham se instalar no Estado de Santa Catarina, e, além de outras condições para o enquadramento, há a apresentação de projeto detalhado do empreendimento com cronograma físico financeiro, metas de faturamento e de oferta de mãodeobra, bem como a permanência depende da execução do referido cronograma (artigos 2º, IV e 6º, I, do Decreto nº. 105/2007). Entretanto, falta nos citados dispositivos legais a obrigação expressa da total aplicação dos recursos provenientes da subvenção nos específicos projetos aprovados, o que não impede, como bem salienta a autoridade impetrada, a utilização dos respectivos recursos como formação de capital de giro, por exemplo. Não bastasse isso, a própria legislação de regência obriga o enquadrado no programa no compromisso de contribuição financeira ao Fundo PróEmprego, criado pela Lei Complementar nº. 249, de 2003, equivalente a 2,5% do valor mensal da exoneração tributária decorrente, durante a vigência do tratamento tributário diferenciado (art. 19 do Decreto nº. 105/2007). Ou seja, o próprio programa determina a destinação de parte dos recursos dele decorrentes para fim diverso do projeto econômico aprovado. Dessa forma, não é possível afirmar que o tratamento tributário diferenciado de ICMS, na forma do Programa PróEmprego, amoldase ao conceito de subvenção para investimento, a possibilitar a exclusão dos valores respectivos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.” (destaquei) In casu, os benefícios fiscais foram concedidos por Santa Catarina e Paraná, fazendose necessário analisar os respectivos atos concessórios. Quanto ao Estado de Santa Catarina, a fiscalização, no item 6 do “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (“As legislações estaduais que concedem os incentivos”), reproduziu o art.143 do Decreto nº 2.870/2001 (Regulamento do ICMS): "Art. 143. Os benefícios previstos nesta Seção somente se aplicam à indústria de bens e serviços de informática que, cumulativamente: I industrialize produtos que atendam as disposições contidas na Lei federal n° 8.248, de 23 de outubro de 1991; II invista em pesquisa e desenvolvimento, no Estado de Santa Catarina, os percentuais livres determinados na Lei federal n° 8.248, de 1991; III REVOGADO. IV REVOGADO. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.613 30 Parágrafo único. As normas aplicáveis ao enquadramento de produtos para fins de habilitação aos benefícios previstos nesta Seção serão definidas em portaria do Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável.” A Seção a que se refere o supracitado art.143 diz respeito às “Operações Realizadas por Indústrias de Bens e Serviços de Informática” (Seção XXX) que em seu artigo 142 trata do crédito presumido de ICMS nos seguintes termos: Art. 142. À indústria produtora de bens e serviços de informática que atenda aos requisitos previstos nesta Seção fica facultado, em substituição aos créditos efetivos do imposto, o aproveitamento de crédito presumido, observado, ainda, o disposto no art. 23. § 1° A fruição do benefício depende da concessão de regime especial deferido pelo Diretor de Administração Tributária. § 2° O pedido de concessão deverá ser instruído com, no mínimo: I documentos que comprovem o cumprimento das exigências contidas no art. 143; II REVOGADO. III outros documentos julgados necessários pela autoridade concedente. IV – identificação comercial dos produtos cujo incentivo seja pleiteado, com breve descrição das funcionalidades e do processo produtivo básico, e a respectiva classificação fiscal. § 3° O regime especial poderá estabelecer prazo, não superior a 2 (dois) anos, para que o solicitante comprove o atendimento da condição estabelecida no inciso I do art. 143. § 4° A não comprovação do cumprimento do disposto no § 3°, no prazo estabelecido, implica o não reconhecimento do benefício previsto nesta Seção, obrigando o beneficiário ao recolhimento do imposto dispensado, juntamente com os acréscimos legais. § 5º Observado o disposto no Capítulo V do Regulamento, o tratamento tributário previsto nesta Seção não prejudica o aproveitamento de crédito nos seguintes casos: I – relativo à saída de mercadoria não contemplada pelo benefício; II – relativo ao estoque de matériaprima, material secundário e intermediário, oriundos de transferência interestadual para implantação de novo estabelecimento no Estado de Santa Catarina, por contribuinte que seja signatário de protocolo de intenções firmado com o Estado, desde que previsto no regime especial de que trata o § 1º, no qual poderão, como forma de incentivar o desenvolvimento da atividade no Estado e proteger a economia estadual, ser definidas outras condições e garantias. § 6º Não será concedido regime especial na hipótese de o contribuinte possuir débito para com a Fazenda Estadual. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.614 31 Nos Pareceres que propuseram o deferimento do crédito presumido (fls.479/497), notase a concessão do aproveitamento do crédito em percentuais distintos, a depender do cumprimento ou não das disposições da Lei federal nº 8.248/91. Vejamos que até mesmo poderseia conceder crédito presumido tomando por base a saída de produtos de informática que não atendessem a tais disposições. Além disso, a concessão do benefício condicionavase à manutenção dos índices de atividade econômica, sem apelo à implantação ou expansão de empreendimento. In verbis: “[...] DO CRÉDITO PRESUMIDO 1.1 Fica facultado à Requerente, na saída de produtos de informática resultantes da industrialização e que atendam às disposições contidas na Lei federal nº 8.248, de 1991, o crédito presumido de que trata o art.142, no valor equivalente a 96,5% (noventa e seis inteiros e cinco décimos por cento), calculado sobre o imposto devido pela operação própria. 1.2 Fica facultado à Requerente, na saída de produtos de informática resultantes da industrialização e que não atendam as disposições contidas na Lei federal nº 8.248, de 1991, a utilizar o crédito presumido de que trata o art.142, calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, nos seguintes percentuais: I – 79,42% (setenta e nove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 17% (dezessete por cento); II – 70,84% (setenta inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 12% (doze por cento); III – 50% (cinquenta por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 7% (sete por cento). ..... 7. CONSIDERAÇÕES GERAIS 7.1 O aproveitamento de crédito presumido autorizado neste Regime Especial deve respeitar o disposto no art.23 do Anexo 2 do RICMSSC/01. 7.2 Fica condicionado o prazo de um ano, a contar do ciente deste ato, para que o Contribuinte comprove as condições estabelecidas nos incisos I a III do art.143, sob pena do não reconhecimento dos benefícios deste regime especial, obrigandose ao recolhimento do imposto dispensado, juntamente com os acréscimos legais. 7.3 Durante toda a vigência deste Regime, além das condições previstas nos artigos 142 a 146 do Anexo 2 e do artigo 10 do Anexo 3, os benefícios ficam condicionados: a) à pontualidade dos pagamentos dos créditos tributários, inclusive parcelamento, sob pena de recolhimento do imposto na Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.615 32 forma regulamentar prevista para a importação, independentemente de intervenção fiscal; b) à manutenção dos índices de atividade econômica e de emprego apresentados por seus estabelecimentos neste Estado, no início da vigência deste Regime, consideradas as contingências atinentes ao ramo da atividade em que atua a empresa [...]”. (destaquei) Quanto ao crédito presumido de ICMS do Estado do Paraná, o Decreto nº 5.375/02, que introduziu alterações no Regulamento do ICMS, dispôs: “Art. 3º Fica concedido crédito presumido, opcionalmente ao previsto na Lei n. 13.214, de 29 de junho de 2001, ao estabelecimento industrial que atenda às disposições do art. 4º da Lei Federal n. 8.248, de 23 de outubro de 1991, por ocasião da saída dos produtos adiante discriminados, que estejam relacionados em portaria conjunta dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, baixada por força do art. 6º do Decreto Federal n. 792, de 2 de abril de 1993, ou do art. 2º da Lei n. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto Federal n. 1.885, de 26 de abril de 1996, no percentual que resulte na carga tributária correspondente a 3%: ..... Parágrafo único. A opção pela utilização do crédito presumido de que trata este artigo fica condicionada: a) à celebração de termo de acordo, na forma dos arts. 78 a 84, que estabelecerá os demais requisitos para a fruição do benefício; b) a que haja a indicação, no documento fiscal correspondente à operação, dos dispositivos da legislação federal pertinente e do número do termo de acordo referido na alínea anterior; c) a indústria tenha seus projetos de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação aprovados mediante portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia; d) a indústria realize investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme definido no art. 11 da Lei Federal n. 8.248/91, sendo que: 1. percentual não inferior a 1%, de que trata o inciso I do parágrafo único do referido art. 11, deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; 2. percentual não inferior a 2,7% dos investimentos fixados no referido art. 11, deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no § 5º do art. 9º do Decreto Federal n. 3.800, de 20 de abril de 2001.” Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.616 33 De igual forma, o crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado do Paraná, condicionavase ao preenchimento de determinados requisitos, especificamente quanto ao atendimento das disposições da Lei Federal n. 8.248, de 23 de outubro de 1991, entre as quais a realização de investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação (art.11). Postos os atos de concessão estaduais, importa, como já antecipado, identificar o tratamento conferido pela legislação do IRPJ e da CSLL a tais incentivos locais. Rememorando, para que tais valores possam ser considerados como “Subvenção para Investimento”, é necessário, à luz do Decretolei nº 1.598/77, que tenham sido concedidos para estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Este é o primeiro ponto a ser verificado. Com a devida vênia a entendimentos contrários, não pode ser absoluto o entendimento de que bastaria identificar a mera intenção de o Estado conceder os créditos presumidos com o objetivo de fomentar investimentos. Para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, repitase, fazse necessário haver a contrapartida, por exemplo, em expansão do empreendimento econômico. Como esclarecem Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi (in Imposto de renda das empresas. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2011, pp. 269 271), a subvenção do art.443 do RIR/99, ao contrário da Subvenção para Custeio, prevista no art.392, que pode ser utilizada para adquirir mercadorias, matériasprimas ou pagar demais custos ou despesas operacionais, não é tributável porque sua destinação é exclusivamente para investimentos (aquisição de imóvel, máquinas etc.). Apesar de os benefícios fiscais serem concedidos por um Estado com o objetivo de, por exemplo, manter determinado empreendimento em seu território, fomentando a geração de empregos, inclusive indiretos, e o desenvolvimento ou manutenção de determinado setor produtivo, no contexto da chamada “guerra fiscal”, a legislação tributária federal apenas autoriza a não inclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, caso visem a estimular a “implantação ou expansão de empreendimento”, o que, à luz dos atos normativos de concessão não foi o caso. Por exemplo, projetos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia aprovados, bem como investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação nos termos do art.11 da Lei nº 8.248/91, não necessariamente representam a implantação ou expansão de empreendimento. O fato de um determinado percentual ser necessariamente voltado ao fomento de atividades desenvolvidas por centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede em determinados Estados, não atesta qualquer implantação ou expansão de empreendimento do contribuinte. O benefício fiscal pode até mesmo não ser suspenso na hipótese de os recursos, que deixaram de ser carreados aos cofres dos entes federativos locais, serem aplicados em despesas de custeio, cabendo tal decisão aos Estados. Contudo, necessariamente, em tal hipótese, devem ser incluídos na apuração do IRPJ e da CSLL. A concessão do benefício fiscal estadual não se atrela a eventuais reduções de tributos federais. Estas, só acontecem à vista do preenchimento de requisitos específicos estabelecidos pelo legislador federal. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.617 34 Daí a importância de uma vez mais frisar que o desate da questão submetida a este Colegiado não prescinde das particularidades do caso concreto. No curso da auditoria, apurouse, em que pese o montante de R$88.717.106,17 a título de crédito presumido, que apenas R$ 7.553.700,00 teria efetivamente representado contrapartida aos incentivos estaduais recebidos (fl.248): 2006 ® R$ 1.745.522,00 2007 ® R$ 2.338.409,00 2008 ® R$ 3.469.769,00 Total ® R$ 7.553.700,00 Verificase, ainda, que tais contrapartidas referemse a dispêndios com Pesquisa e Desenvolvimento, contabilizadas nas seguintes contas: 41190005 – Pesquisa Conveniada – Normal; 41190010 – Pesquisa Conv. NO/NE/COInstituto; 41190015 – Pesquisa Conveniada – Universidade; 41190020 – Pesquisa Conv.Depósito FNDCT; 41190030 – Depósito FAPESC. Para a fiscalização, tais gastos não poderiam ser considerados realizados para “expansão e ampliação do empreendimento econômico”, pois: (a) não haveria na Lei federal nº 8.248/91 ou mesmo nas leis estaduais exigências quanto à expansão ou ampliação do empreendimento econômico; e (b) não existiria qualquer projeto de expansão ou ampliação aprovados perante os governos estaduais. Considerando que os gastos realizados em pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação seriam obrigatórios para o gozo da redução do IPI devido (Lei nº 8.248/91), o dispêndio de R$ 7.553.700,00 não consistiu em contrapartida vinculada aos créditos presumidos de ICMS, pois tais aplicações seriam realizadas independentemente dos benefícios estaduais. Também da comparação entre os valores de crédito presumido e todas as imobilizações ocorridas entre janeiro/2006 e dezembro/2008, notase uma diferença de R$56.750.378,88 (fls.674/675). Ainda assim, não é possível afirmar, pelas provas carreadas aos autos (fls.257/414), que se trataram necessariamente de investimentos previstos na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos do contribuinte. Também não se pode extrair dos dispositivos normativos estaduais a intenção de os Estados terem concedido os benefícios fiscais para necessariamente verem implantado ou expandido, em seu território, determinado empreendimento econômico do contribuinte. No caso do Estado de Santa Catarina, exigiuse somente que o beneficiário industrializasse produtos nos termos da Lei Federal nº 8.248/91 ou investisse em pesquisa e desenvolvimento, no território catarinense, os percentuais determinados naquela Lei Federal, exigências que o contribuinte poderia já estar cumprindo. Como visto, o crédito presumido poderia ser concedido até mesmo quando a industrialização dos produtos de informática deixasse de atender às disposições contidas naquela Lei Federal. Ainda com base nos Pareceres Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.618 35 de concessão, os benefícios condicionavamse à pontualidade dos pagamentos dos créditos tributários e à manutenção dos índices de atividade econômica e de emprego pelos estabelecimentos do beneficiário. Quanto ao Estado do Paraná, conclusão idêntica se extrai das disposições do supracitado Decreto nº 5.735/02, que introduziu alterações no Regulamento do ICMS daquele ente federativo. Não se descarta que os legisladores estaduais, como sustenta o Recorrente, possam ter visado ao desenvolvimento de seus Estados, o que, naturalmente, consistiria no mínimo esperado por seus eleitores. Entretanto, ao menos à luz dos mencionados atos normativos de concessão, os benefícios não se atrelaram à implantação ou expansão de empreendimento econômico. Cumpre esclarecer, tendo em vista a alegação do Recorrente em sentido contrário, que os benefícios ora em discussão dissociamse por completo daquele instituído pelo Estado da Bahia, tratado por esta Terceira Turma Ordinária (acórdão nº 1103 00.555, de 20/10/2011), que afinal, por maioria, concluiu pelo provimento do recurso voluntário. Tal dessemelhança foi bem percebida pela I. Conselheira Edeli Pereira Bessa, relatora do voto vencido do acórdão nº 110100.661, de 31/01/12, que também tratou do crédito presumido concedido pelo Estado do Paraná, nos termos do mesmo Decreto Estadual nº 5.735/02, e, por tal motivo, justifica ser citada uma vez mais, desta feita não apenas para enriquecer o debate, mas para adotar as seguintes considerações como razões de decidir neste voto: “[...] A leitura do art. 3º do Decreto Estadual nº 5.375/2002 permite constatar que este ato não estabeleceu qualquer contrapartida específica em investimentos por parte da beneficiária. Seu caput concede o crédito presumido ao estabelecimento industrial que atenda as disposições do artigo 4º da Lei Federal nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, e as condições expressas em seu parágrafo único são meramente formais, reportandose à realização de investimentos conforme definido no art. 11 da Lei Federal nº 8.248/91, e apenas direcionando a efetivação de uma parcela destes investimentos no Estado do Paraná, quer em centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, quer no próprio estabelecimento industrial beneficiário. Os Termos de Acordo de Regime Especial também nada trazem acerca de contrapartidas específicas em investimentos. Suas cláusulas apenas estabelecem obrigações acessórias para que a beneficiária faça jus ao incentivo, disciplinando a forma de emissão de notas fiscais e de escrituração do crédito presumido, e definindo o prazo do regime especial. Assim, não há qualquer evidência de vinculação entre a receita percebida com o benefício fiscal e as aplicações em pesquisa e desenvolvimento, com vistas à sua pretendida caracterização como subvenção para investimento. Aliás, os contornos de tais aplicações em pesquisa e desenvolvimento somente se revelam quando se cogita da isenção de IPI e da depreciação acelerada de máquinas e equipamentos, previstos na Lei nº 8.191/91, estendidos à contribuinte em razão da Lei nº 8.248/91 [...]. A ementa da Lei nº 8.248/91 evidencia o seu objetivo: Dispõe sobre a capacitação e competitividade do setor de informática e Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.619 36 automação e dá outras providências. Tratase, ali, de mecanismos que buscam garantir a competitividade da indústria nacional, ante a concorrência com importações, favorecendo os produtos aqui fabricados com redução de tributos sempre que o sujeito passivo assegurar o mínimo de nacionalização do processo produtivo. Em outras palavras, o benefício fiscal é concedido em razão da natureza do produto comercializado, e não em contrapartida a investimentos a serem feitos para expansão ou modernização do empreendimento econômico. ..... Admitir, como pretende a recorrente, que a pessoa jurídica de direito público, ao conceder isenção ou redução de impostos em favor de uma empresa para que ela realize operações em seu território, sempre tem a intenção de atrair investimentos, dispensaria a análise dos atos concessivos do benefício, e exigiria, tão só, a prova de que a beneficiária tinha a intenção de realizar ou realizou algum investimento. Contudo, desvincular o investimento realizado da exigência do subvencionador simplesmente anula a possibilidade de se cogitar de outro tipo de subvenção que não para investimento, pois basta qualquer ação ou intenção do subvencionado, independentemente de sua motivação, evidenciando que investimento houve, para afirmar que o benefício fiscal teria a natureza de subvenção para investimento, e assim afastar sua tributação. Vejase que, admitindose esta interpretação, tão simples seria a caracterização da subvenção como de investimento, que bastaria assim declarála no ato concessivo, como, inclusive, passou a constar a partir de 2011, como destacado pela recorrente em sua sustentação oral, ao reportarse a recentes atos editados pelo Estado do Paraná: ..... Distinguese o presente caso de outros nos quais a discussão cingese à integralidade da aplicação, em investimentos, dos recursos decorrentes do benefício fiscal concedido ao sujeito passivo. Como visto, não há qualquer exigência de que o benefício obtido seja necessariamente aplicado em investimentos, de forma que eventuais investimentos realizados pela contribuinte não podem ser admitidos sob esta motivação [...]. [...] o entendimento do CARF no sentido de que a subvenção para investimentos é todo valor transferido por entes governamentais para estimular o desenvolvimento de empreendimentos econômicos, independentemente da aplicação desses recursos em bens do ativo imobilizado ou projetos aprovados, passa, antes, por evidências de que o incentivo foi, de fato, concedido para implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, circunstância ausente no presente caso. Outro não é o contexto no qual foi proferida a recente manifestação do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, exposta em voto vencedor exarado no julgamento do processo administrativo nº 13502.001207/200777 (Acórdão nº Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.620 37 110300.555), invocado pela recorrente em seus memoriais. Deste voto extraise a exposição dos fatos ali sob apreciação, e a conclusão final ali expendida: Pois bem. A recorrente recebera incentivos fiscais "condicionados” à feitura de empreendimentos no Estado da Bahia, na forma de crédito presumido de ICMS. Conforme o Decreto estadual/BA 4.316/95: ..... E, para receber o crédito presumido de ICMS, a recorrente teria de cumprir as "condições” previstas no mesmo Decreto estadual 4.316/96: ..... Em relação à recorrente, a intenção do Estado de subvencionar empreendimentos é acusada no Protocolo de Intenções firmado entre aquela e o Estado da Bahia: ..... E a intenção ou propósito do Estado da Bahia de subvencionar investimentos, em relação à recorrente, materializouse na formalização do Protocolo de intenções (a bem ver, do contrato) à vista do citado Decreto estadual/BA 4.316/95: ..... Mais. Ainda que não houvesse tal protocolo de intenções e a formalização deste, a conclusão não seria afetada. Esclareço. Suponhase que determinado Estado resolvesse conceder crédito presumido de determinada grandeza sob a "condição” de lá ser instalado certo empreendimento ou ampliação deste, sem dimensionar o valor das inversões de capital a serem feitas. Por óbvio que isso só seria concedido, se e na medida em que aquele empreendimento venha a ser ''gerador" de ICMS devido, em montante tal que supere o valor do crédito presumido. Do contrário, não haveria razão para esse custo econômico do Estado. Por sua vez, para o contribuinte também pereceria sentido se assim não fosse, pois, do contrário, de nada adiantaria o crédito presumido (pois não seria restituível, nem cedível, e nem compensável com outros tributos estaduais). Também, em uma hipótese tal: o caráter desse custo econômico, desse incentivo fiscal, seria de subvenção para investimento, e não de subvenção para custeio. Diante de todas as considerações que deduzi acima, reiterando as vênías ao nobre relator, não hesito em afirmar e não me resulta dúvida de que o incentivo fiscal em questão, no caso, o crédito presumido de ICMS, constitui subvenção para investimento. E a contrapartida da escrituração contábil do ativo crédito presumido de Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.621 38 ICMS é registrável e foi registrada em reservas de capital no patrimônio líquido, não sendo receita. Especificamente quanto à parte final do excerto acima, cabe destacar que o caso presente não se enquadra na hipótese ali aventada, pois não há a mencionada "condição” de lá ser instalado certo empreendimento ou ampliação deste, ainda que sem dimensionar o valor das inversões de capital a serem feitas. Como dito, as condições para a concessão do benefício aqui em debate concentramse na mera aplicação, no Estado do Paraná, de parte das despesas com pesquisa e desenvolvimento, às quais a interessada já estava obrigada para fazer jus aos benefícios da lei federal. É possível que a subvenção tenha incrementado o capital de giro da empresa, e com este os investimentos em pesquisa e desenvolvimento podem ter sido realizados, promovendo o desenvolvimento de novos conhecimentos, técnicas e aprimoramento de mãodeobra. Mas não havia o compromisso firmado entre o Estado do Paraná e a recorrente, garantindo que assim ocorresse, de forma que é irrelevante se a interessada promoveu o desenvolvimento regional eventualmente buscado pelo legislador paranaense ao instituir o crédito presumido de ICMS, pois esta intenção não foi formalmente manifestada e vinculada aos efeitos financeiros daquele benefício. Por esta razão, também, não havia motivo para a autoridade fiscal reconhecer o incremento do ativo imobilizado da Recorrente, e assim questionar apenas o excedente. Como dito, na medida em que não houve exigências da pessoa jurídica de direito público neste sentido, os eventuais investimentos promovidos pela beneficiária não se prestam a alterar a natureza da subvenção. Neste sentido as palavras do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no caso antes referido: mesmo numa subvenção em que se receba dinheiro e o beneficiário o destine a algum empreendimento, se a subvenção for dada com intenção de cobrir despesas ordinárias ou para giro normal da empresa, a subvenção será de custeio ou corrente, e não de investimento. A vontade manifestada pelo Estado do Paraná está atrelada à finalidade da Lei nº 8.248/91, e somente pode ser interpretada como subvenção para custeio [...]”. (destaquei) Assim, mesmo para quem entende que não haveria a necessidade de a implantação ou expansão de empreendimento econômico do beneficiário dos incentivos fiscais estaduais serem concretizadas com tais recursos que deixaram de ser carreados aos cofres estaduais, a condição relacionada à intenção dos entes federativos ao concedêlos para tais fins não se mostrou presente no caso em debate. A alegação do Recorrente de que ao conceder incentivos fiscais um Estado estaria necessariamente fomentando investimentos é plausível e coerente, pois inimaginável que o estímulo à fixação de uma sociedade empresarial em seus domínios não buscasse Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.622 39 incrementar determinado setor econômico e, em uma avaliação global, não fosse vantajosa para o próprio ente federativo. Porém, a situação tratada nos autos vai além. Como posto exaustivamente, importa saber à vista de situações individuais, particularizadas, se os créditos presumidos foram concedidos, a título de “estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”. Tal finalidade não emerge dos atos normativos e concessórios estaduais. Por isso, não se aproveita a alegação do Recorrente de que o incremento de um empreendimento não se mediria única e exclusivamente por investimentos em bens do ativo imobilizado, pois deveria ser considerado, “...no período incentivado, o aumento expressivo do número de contratações de empregados, o aumento de capital de giro, o aumento de investimentos registrados no ativo permanente, a expansão do próprio parque fabril etc.”. Quando de trata de sociedade empresárias, natural é se buscar a evolução dos negócios, o que não significa que esteja vinculada necessariamente à concessão de benefícios fiscais, mormente quando ausentes exigências por parte do Poder concedente relacionadas a tal incremento. Como supratranscrito, “eventuais investimentos promovidos pela beneficiária não se prestam a alterar a natureza da subvenção”. Considerando que o contribuinte estava ativo, não é incomum, mesmo sem a concessão dos créditos presumidos de ICMS, como ocorrido no pretérito, que tenha adquirido bens classificados no ativo permanente e contratado mais empregados, tudo em um cenário de perfeita normalidade empresarial. Contudo, repitase, tais ocorrências são insuficientes para que os valores a título de crédito presumido, ainda que verdadeiramente sejam desprovidos de “carimbo”, feliz expressão empregada pelo I. Cons. Marcos Shigueo Takata (acórdão nº nº 110300.555), possam ser considerados como Subvenções para Investimento. O Doc.12, anexo da impugnação, tratase do Ofício nº 0253/2011, expedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), remetido ao diretor da Intelbras, por meio do qual informa que a aplicação dos recursos por esta repassada à FAPESC estaria vinculada a temas de interesse da área de informática (fls.1.113/1.116), com a relação dos seguintes beneficiários finais e respectivos projetos implementados: Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia PROJETO DE REQUALIFICAÇÃO DA INCUBADORA MIDI TECNOLÓGICO: PREPARAÇÃO PARA OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO CERNE DE QUALIDADE DE INCUBADORAS Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações de SC I FÓRUM SUCESUSC DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA II FÓRUM SUCESUSC DE GOVERNANÇA CORPORATIVA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Blumenau Polo Tecnológico de Informática ENTRA 21 BLUSOFT PROGRAMA ENTRA 21 PROGRAMA ENTRA 21 BLUSOFT 20082009 Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.623 40 Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA INOVASC – PROGRAMA CATARINENSE DE MOBILIZAÇÃO EM PROL DA INOVAÇÃO PARA COMPETITIVIDADE PRÊMIO SINAPSE: INDUÇÃO DE EMPREENDIMENTOS INOVADORES SUPORTE À CONSOLIDAÇÃO DE PRODUTOS INOVADORES DE EMPRESAS NASCENTES Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária CIÊNCIA DA FAVELA OS DESAFIOS NA IMPLANTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROMOÇÃO DE SOLUÇÕES INOVADORAS E INCLUSÃO SOCIAL PARA COMUNIDADES SOCIALMENTE EXCLUÍDAS DESENVOLVIMENTO DO EQUIPAMENTO ELETRÔNICO SET TOP BOX WORKSHOP INOVAÇÃO: FERRAMENTA ESTRATÉGICA PARA UMA COMPETITIVIDADE SUSTENTÁVEL XXX CONGRESSO NACIONAL DE MATEMÁTICA APLICADA E COMPUTACIONAL. Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina FOMENTO À INOVAÇÃO EM NOVAS EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA Fundação de Estudos e Pesquisas SócioEconômicos PESQUISA E DESENVOLVIMENTO E AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM BASEADO EM SOFTWARE LIVRE Fundação Sofville MISSÃO BRASILEIRA À XXIV CONFERÊNCIA MUNDIAL DE PARQUES E INCUBADORAS Fundação Universidade Regional de Blumenau XIV SEMINCO – SEMINÁRIO DE COMPUTAÇÃO Ordem dos Economistas do Estado de Santa Catarina PARTICIPAÇÃO NO XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE ECONOMISTAS Ao contrário do que vislumbrou o Recorrente, tal informação apenas confirma a tese de que os incentivos, quanto ao Estado de Santa Catarina, não estariam vinculados a qualquer expansão ou implementação de empreendimento econômico do contribuinte, mas apenas a contrapartidas de fomento a projetos de pesquisa dos quais não se verifica qualquer vinculação com o autuado. Ainda compondo o Doc.12 da impugnação, consta uma lista de funcionários, de junho/2002 a abril/2011, denominada “Evolução do Número de Funcionários” (fl.1.117), e cópias do “Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED” (fls.1.118/1.136). Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.624 41 Como já exposto anteriormente, tais informações não auxiliam na caracterização dos recursos a título de crédito presumido como Subvenções para Investimento. Quanto às alegações do Recorrente, direcionadas contra o teor do Parecer Normativo CST nº 112/78, que, como posto no início deste voto, sua validade vem sendo reconhecida pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça e em julgados do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, igualmente não influenciam na solução da controvérsia, vez que se consubstancia em uma dada interpretação. Cabe lembrar que a autuação, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, também se fundamentou no art.392 do RIR/99 e o art.38, §2º, do Decretolei 1.598/77. Por fim, considerando que os benefícios não podem ser considerados como Subvenção para Investimento, nos moldes do art.443 do RIR/99, pois não se vincularam a estímulo ou expansão de empreendimentos, sequer se podendo extrair tal intenção dos atos normativos e de concessão expedidos pelos Estados do Paraná e de Santa Catarina, deixase, por desnecessário, de analisar o extenso arrazoado da fiscalização quanto ao suposto emprego de artifícios contábeis para disfarçar a distribuição das subvenções aos acionistas, que, nas palavras das autoridades fazendárias, objetivou “...driblar a vedação literalmente estabelecida nos arts. 443 e 545 do RIR/1999”. Desde logo, fica o alerta de que, em caso de suposta interposição de recurso especial pelo contribuinte, com eventual admissibilidade e acolhimento pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais da tese de que os incentivos caracterizarseiam como Subvenções para Investimento, a análise dos requisitos estatuídos nos artigos 443 e 545 do RIR/99 passa a ser imprescindível ao deslinde da controvérsia, vez que, uma vez não contemplados, podem obstaculizar o deferimento do pleito do Recorrente. Por exemplo, os I. Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Fábio Nieves Barreira, vencidos neste julgamento, entenderam, mesmo acolhendo a tese da defesa quanto à natureza dos incentivos fiscais estaduais, que quanto ao anocalendário 2006 o contribuinte não conseguira comprovar o preenchimento dos demais requisitos legais de modo que não poderia excluir os valores da tributação do IRPJ e da CSLL. Por todas as razões acima, mantémse a autuação quanto ao ponto. Da despesa indedutível – pagamento realizado à Tida Consultoria Ltda Afirmou a fiscalização no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (item 12.2): “[...] A fiscalizada realizou, em sua escrituração contábil, um lançamento de adiantamento no valor de R$ 421.000,00, na data de 31/07/2008, para a empresa Tida Consultoria Ltda., CNPJ 10.282.787/000185. No entanto, os pagamentos relativos à essa prestação de serviços foram depositados nas contas bancárias dos administradores da empresa, conforme resposta ao Termo de Intimação 008, juntada às fls 587 a 588: Nome Valor ANÍBAL DOS SANTOS TAVARES 68.000,00 JORGE LUIZ GRUNSCHY 69.000,00 Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.625 42 RAFAEL BOEING 69.000,00 ALTAIR ÂNGELO SILVESTRI 215.000,00 Total 421.000,00 De acordo com a resposta da fiscalizada, o lançamento contábil relativo a esse desembolso foi feito na conta de adiantamento a fornecedor, em 31/07/2008, como "Antecipação lançada a TG Brasil Representações Ltda.”, em lançamento no seguinte formato: D – 11310010 Adiantamento Comissões C – 11120010 Itaú S/A 421.000,00 Ocorre que, a assinatura do "Contrato de Prestação de Serviço” entre a INTELBRÁS e a TIDA Consultoria Empresarial Ltda, às fls.579 a 583, dáse apenas em 29 de agosto de 2008. As notas fiscais emitidas pela TIDA Consultoria, de n° 00001 e 00002, (fls.583 e 584) foram emitidas em 30/09/2008 e 31/10/2008, respectivamente, ambas no valor de R$261.629,50 e totalizam o montante previsto no contrato. A contabilização dos valores constantes nestas NF's foi feita debitando a conta de Despesa "41510020 Serviços de Terceiros”, e creditando as contas de passivo "Fornecedores Nacionais” e "Retenção Nota Fiscal a Recolher” fl.585. A liquidação dos valores lançados no passivo (Fornecedores Nacionais) foi precedida de acertos contábeis, haja vista que o valor "adiantado” (R$ 421.000,00) consta lançado na conta de adiantamento Comissões TG Brasil Representações Ltda. Dessa forma, foi estornado o lançamento contábil de 31/07/2008, fazendo constar, na contabilidade, em 30/09/2008, o adiantamento a TIDA na conta "11310005 Adiantamento à Fornecedores” R$ 421.000,00, conforme pode ser visto no documento elaborado pela empresa juntado às fls 586. A diferença a ser liquidada (soma dos valores das NF's, menos tributos retidos e menos o adiantamento), no valor de R$ 70.078,58, foram pagos por meio de três cheques, conforme pode ser conferido no mesmo documento elaborado pela empresa juntado às fls.585. Mas, qual seria a vinculação entre a empresa TIDA e os administradores da empresa que receberam o valor de R$ 421.000,00 em 31/07/2008? Por que foi contabilizado o adiantamento desse valor numa conta de outra empresa nessa data? A resposta a estas questões comprovam a inexistência da efetiva prestação de serviços, pela TIDA Consultoria Empresarial Ltda à Intelbras, conforme descrição abaixo: 1) A empresa TIDA adquiriu personalidade jurídica somente em 12/08/2008, com o Registro do Ato Constitutivo na Junta Comercial nesta data, fls.589 a 597, sendo que o Contrato inicialmente citado foi firmado em 04/08/2008. Portanto, em 31/07/2008, não havia possibilidade jurídica da TIDA ter Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.626 43 recebido, em adiantamento, recursos por conta de serviços a serem prestados, pois a mesma sequer existia; 2) As sócias dessa empresa são as esposas dos administradores contemplados pelos recursos desembolsados pela Intelbras em 31/07/2008. Portanto, mais uma prova de que os beneficiários pelos valores desembolsados foram os administradores da fiscalizada; 3) Acrescentese o fato de o Contrato de Prestação de Serviços firmados entre as partes ter sido assinado em 29/08/2008. Que certeza a Intelbras teria de receber os serviços se ela antecipa o montante a pagar sem mesmo ter formalizado Contrato nesse sentido? 4) Ressaltese ainda, as reversões realizadas em 30/09/2008 e 31/10/2008, de provisões para pagamentos de participação nos lucros dos administradores (para o 1º semestre/2008), nos valores exatos de R$ 261.629,50, conforme lançamentos na conta 2.01.03.05.01 Particip. Nos Resultados a Pagar, às fl. 598. Fica comprovado, assim, que a companhia desembolsou recursos na remuneração dos Administradores, que não correspondem à remuneração mensal fixa dos mesmos, buscando contornos legais para justificar esses desembolsos. Em vista da seqüência dos fatos relatados e documentos produzidos, está comprovado que as despesas contabilizadas na conta "41510020 Serviços de Terceiros” não correspondem a serviços prestados e sim a retiradas de Diretores e Administradores da empresa. De acordo com os artigos 302 e 357, §único, do Decreto 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) estes valores são indedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto de renda, sendo, portanto, glosados. De mesma sorte, esses valores não podem ser deduzidos na base de cálculo da CSLL, haja vista a tributação reflexa que esta contribuição tem com o imposto de renda da pessoa jurídica.” Como acentuado no acórdão recorrido, a rigor não houve impugnação específica quanto ao ponto. Apenas o autuado teria subordinado a manutenção da infração ao desfecho a ser dado à questão das subvenções, a exigir que a fiscalização refizesse as bases de cálculo, o que, no seu entender, implicaria apenas em retificação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, sem exigência de tributo. A análise da matéria sequer foi devolvida à segunda instância de julgamento, não podendo ser agora conhecida. Ainda que assim não se entendesse, o fato é que o Recorrente não se insurgiu especificamente contra a conclusão da DRJ, de que teria deixado de impugnar a imputação fiscal. Apenas em tal hipótese, poderseia permitir a abertura da discussão, ainda que a conclusão desta Terceira Turma Ordinária fosse pela devolução dos autos à primeira instância para o enfrentamento do mérito da infração. Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.627 44 Uma vez consolidada a infração no âmbito administrativo pela ausência de impugnação, a apresentação de novas alegações de defesa pelo Recorrente não produz qualquer efeito, até mesmo porque se trata de matéria preclusa. Por conseguinte, mantémse a autuação. Do IRRF No Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (item 12.3), a a exigência do IRRF foi assim fundamentada: “12.3 – Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos não identificados. Além da glosa nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL de R$523.259,00 (correspondente aos dois valores de R$261.629,50) indevidamente lançados como despesas dedutíveis, a fiscalizada está sujeita à autuação de IRRF incidente sobre os valores líquidos pagos aos sócios. Os valores pagos aos administradores são considerados líquidos, cabendo o reajustamento dos respectivos rendimentos para efeitos de cálculo do imposto devido. O Art. 674 do RIR/99 assim determina a incidência desta tributação: Art. 674. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.(Lei 8.981/95, art. 61) §1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Desta forma os valores líquidos pagos aos administradores comporão a infração, ajustados da seguinte forma: DIRETOR GLOSA Vr. Líquido Recebido BC Reajustada ANÍBAL DOS SANTOS TAVARES 84.516,89 68.000,00 16,15% 104.615,38 JORGE LUIZ GRUNSCHY 85.759,79 69.000,00 16,39% 106.153,85 RAFAEL BOEING 85.759,79 69.000,00 16,39% 106.153,85 ALTAIR ÂNGELO SILVESTRI 267.222,53 215.000,00 51,07% 330.769,23 TOTAL 421.000,00 100% 647.692,31 Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.628 45 A despeito da confusão feita pela contribuinte, a glosa da despesa indedutível será feita nas datas dos efetivos pagamentos, posto que o IRPJ e CSLL são apurados anualmente. A irregularidade e infração supra descritas têm reflexos na legislação previdenciária que deram origem a autos de infração específicos de contribuição previdenciária, contidos no processo administrativo 11516.720353/201105.” Por sua vez, o Recorrente sustenta que não poderiam tais valores ser considerados sem causa, vez que trataram de remuneração a administradores, inclusive com a identificação de cada um deles, não se podendo falar em pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Quanto aos beneficiários dos pagamentos, foram perfeitamente identificados: Srs. Aníbal dos Santos Tavares, Jorge Luiz Grunschy, Rafael Boeing e Altair Ângelo Silvestri. Por conseguinte, não pode subsistir a infração, caso tenha sido imposta com base no caput do art.674 do RIR/99, o que parece não ser o caso, até porque a fiscalização empregou como título “Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos não identificados”. Assim, tudo indica que a infração foi tipificada no art.674, §1º, do RIR/99. Porém, resta a dúvida. As autoridades fiscais enquadraram a situação fática como entrega de recursos a terceiros ou sócios, sem comprovação da operação, ou sem a comprovação da causa? Considerando a afirmação fiscal de que “...a fiscalizada está sujeita à autuação de IRRF incidente sobre os valores líquidos pagos aos sócios”, o que, em conjunto com outra assertiva, de que “Os valores pagos aos administradores são considerados líquidos”, é possível se concluir pela ocorrência das operações, restando como fundamento da autuação a não comprovação da causa de tais pagamentos. Acontece que, mesmo se os valores recebidos pelos administradores não representem a sua remuneração mensal, a própria fiscalização afirmou que tinham tal natureza. Vejamos: “Fica comprovado, assim, que a companhia desembolsou recursos na remuneração dos Administradores, que não correspondem à remuneração mensal fixa dos mesmos.” Acrescentese, como visto no trato da infração anterior, que tais parcelas foram glosadas exatamente por terem sido consideradas como retiradas dos administradores que não correspondiam à remuneração mensal fixa por prestação de serviços (art.357, parágrafo único). Logo, com razão o Recorrente ao afirmar que a causa foi devidamente esclarecida pela própria fiscalização, não podendo subsistir o lançamento do IRRF. Das glosas das exclusões indevidas nas bases de cálculo da CSLL Sob tal título, a fiscalização assim descreveu a infração: “(...) No curso dos trabalhos constatouse que a contribuinte informou incorretamente o valor de R$ 5.180.690,68, relativo ao Lucro Líquido antes da CSLL em 31/12/2006, na linha 01 da Ficha 17 da DIPJ do anocalendário de 2006 (fl. 45). Segundo o Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.629 46 constante no Livro de Apuração do Lucro Real, LALUR, n° 15, (fls. 600) onde transcreve os controles de apuração das Bases de Cálculo, o valor correto é de R$ 8.767.746,30. A diferença corresponde ao valor dos Juros sobre o Capital Próprio. Portanto, antes de quaisquer ajustes esclarecemos que o valor que está sendo considerado como base de cálculo negativa apurada pelo contribuinte em 31/12/2006 é de R$ 2.316. 518,01. Constatouse, também, que a contribuinte excluiu indevidamente da base de cálculo da CSLL o valor das Receitas de Exportação ao Mercado Externo e à Zona Franca de Manaus, consoante lançamentos constantes nos Livros de Apuração do Lucro Real, LALUR, onde transcreve os controles de apuração das Bases de Cálculo, conforme quadro resumo abaixo: Período Base de Cálculo Apurada no LALUR Exclusão indevida Ação Judicial Base de Cálculo ajustada 31/12/2005 1.275.535,87 10.239.221,88 8.963.686,01 31/12/2006 2.316.518,01 8.610.162,54 6.293.644,53 31/12/2007 3.108.044,78 9.718.783,92 6.610.739,14 31/12/2008 64.665.794,15 9.883.056,27 54.782.737,88 Cópias das páginas do LALUR que contém as bases de cálculo apuradas encontramse às fls. 599 a 604. A contribuinte informou em suas DCTF débitos com exigibilidade suspensa em razão de depósitos judiciais realizados até o período de apuração de novembro/2007 relativos ao Mandado de Segurança n° 2004.72.0088250. A motivação informada pela contribuinte para a exclusão de tais valores e os depósitos judiciais é o Mandado de Segurança ingressado junto à 2ª Vara Federal de Florianópolis, processo n° 2004.72.0088250, (fls. 605 e 606) no qual pleiteava a concessão de uma medida liminar para que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis se abstenha de cobrar do impetrante a CSLL e CPMF sobre as receitas auferidas com a exportação, e ao final afastar a incidência da CSLL e CPMF sobre tais receitas, por estarem, a seu ver, alcançadas pela imunidade prevista no §2º do art. 149 da CF, com a redação conferida pela EC n° 33/2001. Na apreciação da matéria o Poder Judiciário não acatou a tese defendida pela contribuinte indeferindo a liminar, (fls.610), denegando a segurança, (fls.609), e negando provimento a apelação, (fls 611). Interpôs um Recurso Extraordinário junto ao TRF4, que foi admitido, (fls.615). No momento está suspensa a apreciação do Recurso Extraordinário RE 473.170, até a apreciação do RE 564.413/SC, ao qual já foi reconhecida a existência de repercussão geral, (fls. 617). Como se demonstra acima, as exclusões procedidas pela contribuinte não estão amparadas por decisão judicial, portanto procedemos, de ofício, às seguintes glosas: Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.630 47 a) do saldo de base de cálculo negativa relativa ao ano calendário de 2005, transportado do livro n° 14, no valor de R$ 1.275.535,86, constante da folha 69 do LALUR n° 15, parte B; b) das exclusões procedidas nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, constantes do quadro acima. ..... Após as infrações constatadas, os saldos remanescentes de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL são constituídos dos valores constantes nos demonstrativos às fls. 649 a 652.” Desde a impugnação, o contribuinte não se insurgiu com relação a tal infração. Simplesmente, afirmou que em razão dos valores relativos aos créditos presumidos de ICMS serem considerados Subvenção para Investimento, ao serem refeitas as bases de cálculo negativas da CSLL, tese que sustentou, não restaria qualquer valor a pagar, mas tão somente retificação dos resultados negativos. No seu entender, “...a discussão quanto à natureza da subvenção recebida pela Impugnante e sua não tributação pelo IRPJ e pela CSLL consiste em matéria prejudicial, de forma que até o julgamento dos presentes autos tornase impossível a exigência de valores a título de CSLL”. Vêse, com clareza, que desde a primeira instância o autuado não se insurgiu quanto às glosas das exclusões, da base de cálculo da CSLL, das receitas de exportação e à Zona Franca de Manaus, de maneira que tal matéria sequer pode ser conhecida em segunda instância. No acórdão a quo, outra não foi a conclusão: “B) DESPESA INDEDUTÍVEL PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS VINCULADAS, POR SERVIÇOS NÃO COMPROVADOS (f. 689 a 693, e f. 806 a 810) ..... À f. 807, como relatado, a impugnante subordina a própria ocorrência desta infração ao desfecho que vier a ter a questão das subvenções, e assim afirma: ..... Como visto, não há impugnação específica dessa infração mas, tãosomente sua subordinação ao que vier a ser decidido no tocante às subvenções, de tal sorte que, mantida a exigência fiscal àquele título, mantémse a presente exigência nesta instância administrativa de julgamento. ..... C) GLOSAS DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS NAS BASES DE CÁLCULO DA CSLL (f. 810/811) Também aqui a impugnante subordina a impugnação desta infração ao resultado do julgamento da principal, relativa à dedução das subvenções, como se nota no trecho que novamente se transcreve, observandose que a requerente repete referirse este trecho ao já abordado caso dos “pagamentos a pessoas vinculadas”, como destacado: (...)” (destaquei) Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.631 48 Das multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas Em decorrência das infrações apontadas, a fiscalização reajustou as bases de cálculo estimadas do IRPJ e da CSLL, tendo procedido ao lançamento das multas isoladas por insuficiência de recolhimento no curso dos anoscalendário 2006 a 2008. Afirmou a fiscalização: “Com a inclusão dos valores considerados pela fiscalização como receita de Subvenção para Custeio, as bases de cálculo dos citados tributos foram aumentadas, gerando um valor maior dos mesmos. Conforme consta nas DIPJ's relativas aos anoscalendário de 2006 a 2008, o contribuinte optou pela apuração do IRPJ pela forma prevista no art.2º da Lei n° 9.430/96 (pagamento por estimativa com apuração anual do imposto). O pagamento por estimativa prevê a hipótese de que a base de cálculo do imposto seja determinada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (obedecidas as observações constantes na legislação, conforme o caso), chamada de base de cálculo presumida. Mesmo para o anocalendário 2008, em que a apuração das bases de cálculo é resultado de ajuste no LALUR, a infração verificada repercutiu no valor do imposto devido em cada mês. ..... Dessa forma, o Auto de Infração, que integra este Termo, constituiu os valores das multas isoladas demonstradas no "Demonstrativo da Multa e dos Juros Isolados”, às fls. 631 a 642. Elaboramos também o "Demonstrativo do IRPJ e CSLL devidos sobre Receita Bruta e Acréscimos”, às fls. 643 a 648, que evidenciam os valores que a contribuinte estava obrigada a recolher, em decorrência de sua opção. Os valores apontados no demonstrativo supra mencionado foram transcritos para o "Demonstrativo da Multa e dos Juros Isolados”, de forma a limitar a aplicação da multa e juros isolados às bases de cálculo efetivas, sobre as quais a contribuinte estaria obrigada a recolher IRPJ e CSLL por estimativa (Receita Bruta e Acréscimos).” O Recorrente, por sua vez, sustenta, em síntese, que a manutenção da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas representaria a imposição de dupla penalidade pelos mesmos fatos, não podendo subsistir concomitantemente com a multa de ofício proporcional, conforme assim decidido em vários julgados administrativos. Além disso, quanto ao anocalendário 2006 seria incabível a multa isolada, pois não teria havido recolhimento a menor de estimativas, pois “...os documentos acostados aos autos demonstram que a Recorrente inicialmente tratou os créditos presumidos de ICMS como espécies de subvenção Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.632 49 para custeio, registrandose o resultado, sendo que só no anocalendário 2007, após verificar que, em verdade, configuravamse como subvenção para investimento, retificou seus lançamentos contábeis e apurações fiscais”. A respeito deste último argumento, de que não teria havido recolhimento a menor de estimativas, o Recorrente deixou de comproválo, não tendo infirmado a apuração constante dos demonstrativos de fls.631/634, quando, inclusive, foram considerados os valores das estimativas recolhidas e declaradas em DCTF em 2006 (linhas “IRPJ recolhido e confessado em DCTF” e “CSLL recolhida e confessada em DCTF”). Em razão das infrações apuradas, nítido é que os recolhimentos à época não foram suficientes, de modo que se justifica a imposição da multa calculada sobre a diferença das bases de cálculo apuradas. Quanto à possibilidade de exigência concomitante de multa isolada por falta/insuficiência do recolhimento de estimativas e multa proporcional ao tributo devido ao final do respectivo anocalendário, reitero meu entendimento esposado em vários votos no sentido de ser possível à luz do sistema jurídico vigente. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece hipóteses de incidência distintas para a multa proporcional e a multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas. São previsões não excludentes, de tal modo que podem ser exigidas concomitantemente, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativas para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: .... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Há vários julgados administrativos neste sentido, proferidos por colegiados do CARF, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.633 50 “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). A base de cálculo, por sua vez, é apurada mês a mês, não se relacionando com o tributo apurado ao final do anocalendário. Nos dizeres da decisão a quo: “[...] Ainda que a autuada defenda o contrário, as multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de naturezas distintas de molde que sua aplicação cumulada não configura bis in idem. De fato, a multa exigida isoladamente decorre da falta de recolhimento as estimativas mensais devidas ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do períodobase. Por sua vez a multa de ofício é exigida sobre o valor do IRPJ e da CSLL anual que deixaram de ser recolhidos. Tanto são independentes as penalidades que pode haver a imposição de uma sem que haja o nascimento da outra; caso, por exemplo, que ocorre quando a contribuinte deixa de recolher as estimativas mas tenha apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, como deflui da leitura da inciso IV, §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” Complemento que a obrigatoriedade da antecipação mensal somente é afastada mediante a elaboração de balancetes acumulados e mensais de suspensão e redução dos recolhimentos devidos, não havendo qualquer disposição que suporte a interpretação de que a antecipação não seria devida. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.634 51 A multa isolada em questão decorre da falta de cumprimento da obrigação tributária de pagamento mensal das estimativas, sendo completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída ao final do anocalendário. Mantémse, por conseguinte, as exigências das multas isoladas. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, deve ser apreciada a insurgência do Recorrente, pois, como muito bem colocado por ele: “...o fato de não haver menção expressa nos lançamentos a respeito dessa atualização não é o bastante a afastar a legitimidade de a Recorrente posicionarse contrariamente à atualização da multa de ofício pela taxa SELIC (...). Até porque, é certo que, caso sejam julgados procedentes os lançamentos de forma definitiva, o processo baixará para origem e a unidade fiscal de jurisdição da Recorrente (...) emitirá a cobrança, não cabendo mais nesse momento qualquer tipo de contraditório, o que tornaria, impossível o combate dos juros sobre a multa em tal oportunidade”. Em que pese os argumentos aviados quanto à exigência, não podem ser acolhidos, pois, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício é autorizada pelo Código Tributário Nacional, que em seu artigo 161 dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (destaquei) Não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.635 52 Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, os seguintes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.636 53 tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao percentual, não cabe mais discussão. O cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, havendo, inclusive, enunciado de súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por fim, cabe ressaltar que o decidido no lançamento de IRPJ aplicase ao auto de infração de CSLL, dada a íntima relação de causa e efeito existente. Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.637 54 Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de juntada posterior de provas e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a autuação a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.638 55 Voto Vencedor Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Redator Designado. Como visto acima, o i. Relator votou pela manutenção da parcela da exigência relativa à multa isolada por falta de pagamentos de IRPJ e CSLL com base em estimativas mensais. Ao seu ver, a referida penalidade "decorre da falta de cumprimento da obrigação tributária de pagamento mensal das estimativas, sendo completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída ao final do anocalendário." Em que pese o seu respeitável voto, não é essa a interpretação que tem orientado majoritariamente os julgados deste Conselho. Encontrase consolidado na jurisprudência administrativa o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação conjunta, sobre a mesma base imponível, das multas previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 e daquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa (art. 44, §1º, IV), prevista para aplicação isoladamente do tributo, observandose as alterações introduzidas pelo art. 14 da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007. Os julgados abaixo bem exemplificam a mencionada jurisprudência: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão 10322.217) PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA PELA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal. (Acórdão 108 07.493) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão CSRF/0104.987)” Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.720207/201171 Acórdão n.º 1103000.885 S1C1T3 Fl. 1.639 56 Assim, deve também ser excluída da exigência a parte relativa à multa isolada. Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir as exigências relativas ao (i) IRRF e (ii) à multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e de CSLL. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/06/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15504.014635/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - EFEITOS
Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no mérito, determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disciplinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - EFEITOS Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EXCLUSÃO DO SIMPLES EFEITOS Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 35 /2 00 8- 56 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 204 3 inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no mérito, determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disciplinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – TALENTO JÓIAS LTDA contra Acórdão nº 0242.791 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações acessórias, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.170.2798, com valor inicial de R$ 34.158,68, retificado para R$ 27.701,69. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.170.279 8, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 12/2002 a 12/2003. Em relação ao objeto social da empresa, o Relatório Fiscal do conexo processo principal AIOP nº 37.170.2852, Processo nº 15504.014641/200811, informa a atividade produção de jóias: Assim sendo, uma das modificações observadas ocorreu através da 11' alteração contratual de 17.10.00, JUCEMG no 2541837 de 10.11.00, que incluiu ao objeto social da empresa a atividade produção de jóias. Esta atividade de produção de jóias foi excluída através da IT alteração contratual de 01.08.2006, JUCEMG n° de 17.08.2006: "...ficam excluídas as atividades a produção de jóias, prestação de serviços de ourivesaria e design, redesenho, conserto e incluída a atividade de licenciamento de marcas próprias". (...) foi realizado o enquadramento da sociedade na atividade econômica preponderante e no correspondente grau de risco, observandose os estabelecimentos existentes e desconsiderando se os segurados empregados que prestavam serviços em atividadesmeio, para, ao final, concluir que no período de 12/2002 a 6/2003 a atividade preponderante era a de produção de jóias, enquanto a partir de 7/2003 era a de comercialização de artigos de joalheria. Em 7/2003, a sociedade extinguiu o departamento de operação da produção, transferindo os empregados para a sociedade Geórgia Ltda, CNPJ nº 03.554.462/000149, pertencente ao mesmo grupo empresarial. O Relatório Fiscal do conexo processo principal AIOP nº 37.170.2852, Processo nº 15504.014641/200811, mostra que a empresa foi excluída do SIMPLES a partir de 01.01.2002: 10 A Talento Jóias Ltda. foi optante do SIMPLES, sendo excluída pela Secretaria da Receita Federal a partir de 01.01.2002, por incorrer na situação excludente prevista na Lei n° 9.317, de 05.12.1996, Artigo 90, IX, de acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 205 5 11Mantevese como optante do SIMPLES até 07/2003 em relação aos atos praticados referentes às contribuições previdenciárias (recolhimentos e informações em GFIP) para todos os estabelecimentos, exceto, o 38.551.792/000599, cuja competência considerada se estendeu até 10/2003; Em relação aos fatos geradores, informa o Relatório Fiscal do conexo processo principal AIOP nº 37.170.2852, Processo nº 15504.014641/200811: 14.10 exercício de atividade remunerada pelos segurados empregados e contribuintes individuais em 12/2002 e no ano de 2003; 14.2 0 exercício de atividade remunerada pelos segurados empregados na produção própria de 12/2002 a 06/2003, conforme consta da conta: 1.1.3.02 Produção Própria, sub conta: 1.1.3.02.004 Custo mãodeobra sobre produção, código de levantamento MOP; 14.30 fornecimento de ticket alimentação aos seus empregados, sem convênio com o PAT Programa de Alimentação do Trabalhador em 12/2002 e 2003; 14.4A prestação de assistência médica aos seus empregados em desacordo com a legislação tributária previdenciária em 12/2002 e 2003. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. O Relatório Fiscal também menciona a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. A Recorrente teve ciência do AIOA em 20.11.2008, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 23, é de 12/2002 a 12/2003,. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Cientificado do Auto de Infração em 20/11/2008, fls. 3, o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 66, apresentou impugnação em 22/12/2008, fls. 40 a 65, contestando o lançamento. Recapitula os fatos e alega que a exigência do tributo, se juridicamente adequado, somente seria possível a partir da data da notificação do contribuinte da exclusão do Simples, conforme entendimento jurisprudencial esposado pelo Superior Tribunal de Justiça. Sustenta, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN, que a atuação da fiscalização não poderia se estender a períodos anteriores a junho de 2003, pois a ação fiscal se iniciou em 2 de junho de 2008, em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal. Defende que se a cobrança da obrigação tributária principal não pode ocorrer há mais de cinco anos da data de início da ação fiscal, muito menos há a possibilidade de verificação do cumprimento das obrigações acessórias. Argumenta que a multa aplicada é inválida, pois a fiscalização fundamentouse em dispositivo legal revogado, ainda que existisse, de fato, previsão em norma regulamentar. Pondera que a norma regulamentar deve se ater fiel e subordinadamente à lei. Assinala que havendo alteração legislativa que venha a favorecer o contribuinte, no que se refere à imposição de multa, é obrigatória a aplicação da norma mais benéfica. Requer que as intimações sejam encaminhadas ao impugnante e aos advogados. Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 6/4/2010, fls. 93 a 95, o processo foi baixado em diligência fiscal para que a autoridade lançadora esclarecesse o porquê de a base de cálculo da rubrica “Alimentação sem o PAT” apresentar valores divergentes dos apurados no cálculo da obrigação principal, o motivo pelo qual se utilizou a base de cálculo da retirada pro labore para o cálculo da multa aplicada, haja vista que esses valores foram declarados em GFIP, além de ressalvar o fato de aplicar ao presente processo, se cabível, as alterações efetuadas nos processos de Debcad nºs 37.170.2836 e 37.170.2852. Em 29/7/2011, fls. 98 a 99, a autoridade lançadora elaborou informação fiscal para atendimento da diligência, e assim se manifestou: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 206 7 _ os valores referentes à retirada pro labore foram retirados do Auto de Infração da obrigação principal e do cálculo da multa aplicada no CFL 68. _ anexa na presente informação fiscal o cálculo da multa, contemplando a retificação feita no processo 15504.014641/200811 e o limite máximo para aplicação da multa. _ o valor da multa aplicada é de R$26.877,94, correspondente a 100% da contribuição não declarada, respeitandose o limite estabelecido na Lei nº 8.212/91, artigo 32, §4º. O contribuinte tomou ciência do relatório fiscal da diligência em 5/8/2011, fls. 122, fato este que se aplica aos solidários (JR Participações Ltda, 26/8/2011, fls. 124; Geórgia Ltda, 26/8/2011, fls. 126; Geo Agropecuária Ltda, edital, fls. 134) e aos advogados (fls. 128, 26/8/2011). Em 14/1/2013, fls. 141, a Equipe de Processos Fiscais da DRF/BHE elaborou despacho para encaminhar o processo à DRJ/BHE, frisando que o contribuinte e os sujeitos passivos solidários não se manifestaram sobre o resultado da diligência fiscal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0242.791 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, de acordo com o Ato Declaratório de Exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. JURISPRUDÊNCIA NÃO VINCULANTE. O autuado não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do artigo 173, I, do CTN. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. REVISÃO DE OFÍCIO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL COM Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 FUNDAMENTO EM ATO DECLARATÓRIO APROVADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. REFLEXO NA OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. É revista de ofício a obrigação tributária principal relativa a auxílio alimentação pago in natura, lançado sob o fundamento de falta de inscrição no PAT, em razão de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. Por ter sido excluído da exigência contida na obrigação tributária principal, o auxílio alimentação não pode ser utilizado como fato gerador no cálculo da multa por descumprimento de obrigação instrumental. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. PAGAMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DILIGÊNCIA FISCAL. REFLEXO NA OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. Deve ser excluído da obrigação tributária principal o levantamento para o qual se constatou em diligência fiscal a existência de pagamento anterior ao início do procedimento fiscal. O levantamento excluído da exigência contida na obrigação tributária principal não pode refletir no cálculo da multa por descumprimento de obrigação instrumental. SAT/RAT/GILRAT. ESTABELECIMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. REFLEXO NA OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. Em razão de a contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT ter sido revista no cálculo da obrigação tributária principal, uma vez que a cobrança deve ser feita levandose em consideração o grau do risco da atividade de cada estabelecimento, tal alteração deve refletir no cálculo da multa por descumprimento de obrigação instrumental. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, inexistindo determinação legal expressa para que as intimações sejam dirigidas aos procuradores. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 207 9 A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser efetuada no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte ou, no caso de não pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor da multa será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte e manter em parte o crédito tributário, no valor de R$27.701,69, nos moldes da planilha de fls. 143, Anexo I – CFL68. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Em relação à decadência, a decisão de primeira instância assim de manifestou: No caso dos autos em questão, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, a definição do termo inicial do prazo de decadência, regra geral, há de ser o previsto no artigo 173, I, do CTN. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da decadência aplicação do art. 150, § 4º, CTN em função de recolhimentos feitos à título de contribuição social previdenciária. (ii) Dos efeitos da exclusão do SIMPLES Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 De acordo com a respeitável decisão recorrida, a Recorrente foi excluída do Simples em 01/01/2002, por ter incorrido na situação excludente prevista no art. 9o , IX da Lei n° 9.317/96. Deste modo, o entendimento da Receita Federal foi no sentido de que os efeitos da tributação à Seguridade Social deveriam ter como marco inicial a data da ocorrência da situação, qual seja, 01/01/2002. Entretanto, tal decisão não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente somente foi notificada de sua exclusão do Simples em agosto de 2003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Ademais, aceitar a retroatividade dos efeitos oriundos da exclusão do SIMPLES é ser complacente com a ofensa ao direito adquirido, uma vez que a Recorrente operou todo o ano de 2002 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. (iii) Contribuição ao SAT/RAT/GILRAT inconstitucionalidade De acordo com o art. 202 do Decreto n° 3.048/993, as alíquotas do SAT/RAT variam de 1% (um por cento) a 3% (três por cento), conforme o grau de risco de acidentes de trabalho das empresas leve, médio ou grave Imperioso ressaltar que o Decreto Regulamentar da Previdência Social n 3.048/99 não traz os conceitos de atividade preponderante, ou risco de acidente do trabalho leve, médio ou grave, elementos essenciais à cobrança da exação. Destarte, enquanto não houver lei determinando a abrangência destas expressões, tornase impossível a exigência da referida contribuição. Com efeito, no Direito Tributário vigora o princípio da estrita legalidade, segundo o qual todos os elementos necessários à cobrança do tributo devem vir previstos em lei, conforme preceitua o art. 97 do Código Tributário Nacional (...) A lei deve esgotar os elementos necessários à identificação do fato gerador da obrigação tributária e o quantum do tributo, sem que caibam poderes à autoridade para, à sua livre vontade, estabelecer dados ausentes. Porém, o art. 22 da Lei n° 8.212/92, ao definir a contribuição para o financiamento dos benefícios decorrentes do grau de risco da atividade laboral, acabou concedendo poderes para o exercício da discricionariedade pela Administração. Imperioso que o legislador defina com precisão os elementos essenciais da norma jurídica tributária, a fim de que não subsista à Administração qualquer margem de discricionariedade. Portanto, ainda que a, a contribuição em tela não pode ser exigida com fundamento no disposto em decreto, por falta de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 208 11 competência para supriras lacunas da lei admitida a constitucionalidade do art. 22 da Lei n° 8.212/91. Com base em todas estas razões, é de se concluir ser absolutamente nula a autuação fiscal lavrada contra a Recorrente, no que lhe exige o recolhimento da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laboral decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.170.279 8, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 12/2002 a 12/2003. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 209 13 constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 210 15 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Alegações de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 211 17 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011: Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Contribuição ao SAT/RAT/GILRAT inconstitucionalidade Analisemos. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Neste ponto, a questão de fundo enfrentada pela Recorrente está centrada que enquanto não houver lei determinando a abrangência das expressões (as alíquotas do SAT/RAT variando de 1% a 3%, conforme o grau de risco de acidentes de trabalho das empresas leve, médio ou grave), tornase impossível a exigência da referida contribuição, ademais sendo exigida por Decreto. De modo que tanto a exigência do SAT/RAT via Decreto, tanto o art. 22, Lei 8.212/1991 ao conceder poderes à Administração em termos de edição de alíquotas de SAT/RAT decorrem de inconstitucionalidades. Em que pese tal argumentação da Recorrente, as considerações acerca de apreciação de inconstitucionalidades foram apreciadas no tópico (B) acima, com a observação expressa da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (i) Da decadência aplicação do art. 150, § 4º, CTN em função de recolhimentos feitos à título de contribuição social previdenciária. Analisemos. Em relação à decadência, a decisão de primeira instância assim de manifestou: No caso dos autos em questão, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, a definição do termo inicial do prazo de decadência, regra geral, há de ser o previsto no artigo 173, I, do CTN. Discordo do posicionamento da decisão de primeira instância. Senão, vejamos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 212 19 crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de Fl. 199DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 213 21 (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AIOA nº. 37.170.2798 com o correlato processo principal AIOP nº 37.170.2852, Processo nº 15504.014641/200811. No processo AIOP nº 37.170.2852, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 34 a 35, apresenta recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS entre as competências 08/2003 a 13/2003, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Temos que a ciência do AIOA ocorreu em 20.11.2008 e as competências objeto do lançamento são 12/2002 a 12/2003. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (ii) Dos efeitos da exclusão do SIMPLES De acordo com a respeitável decisão recorrida, a Recorrente foi excluída do Simples em 01/01/2002, por ter incorrido na situação excludente prevista no art. 9o , IX da Lei n° 9.317/96. Deste modo, o entendimento da Receita Federal foi no sentido de que os efeitos da tributação à Seguridade Social deveriam ter como marco inicial a data da ocorrência da situação, qual seja, 01/01/2002. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 Entretanto, tal decisão não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente somente foi notificada de sua exclusão do Simples em agosto de 2003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Ademais, aceitar a retroatividade dos efeitos oriundos da exclusão do SIMPLES é ser complacente com a ofensa ao direito adquirido, uma vez que a Recorrente operou todo o ano de 2002 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. Analisemos. Conforme já debatido em sede de primeira instância, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 7 de agosto de 2003, o Recorrente foi excluído do Simples a partir do dia 01.01.2002, às fls. 115: Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n 2 425.859. de 07 de agosto de 2003 Declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) o contribuinte que menciona. O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. no uso da competência que lhe confere o parágrafo 3 º do artigo 15 da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, Incluído pelo artigo 32 da Lei n2 9.732. de 11 de dezembro de 1998, e tendo em vista o disposto nos artigos 9 2 . 12. 14, inciso I. e 15 da Lei na 9.317. de 1996. com suas alterações posteriores. declara: Art. 1 º Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: TALENTO JÓIAS LTDA CNPJ: 38.551.792/000185 Data da opção pelo Simples: 01/01/2000 • Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 600.017.47649 , CNPJ 64.256.183/0001 93 Data da ocorrência: 31/12/2001 . Fundamentação legal: Lei n2 9.317, de 05/12/1996: art. 9 2 . IX; art.12; art.14. I; art.15, II. Medida Provisória 'n2 2.158 34, de 27/07/2001: art.73. Instrução Normative SRF n 2250. de . , 26/11/2002: art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24. II. c/c parágrafo único. .• Art. 2º A exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 n2 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. Art. 3º Poderá o contribuinte, dentro do prazo de trinta dias contados a partir da recebimento deste Ato, manifestar sua Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 214 23 inconformidade, por escrito, nos termos do Decreto:'.n 70.235. de 7 de março de 1972: e suas alterações posteriores, relativamente à exclusão do Simples. ao Delegado da Receita Federal de sua jurisdição , por meio do formulário Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples(SRS), disponível na página da Secretaria da Receita Federal na Internet (www.receita.fazenda.gov.br/publico/formularios/srs.rtf), ou em suas unidades,assegurados o contraditório e a ampla defesa. Art.4 º Não havendo manifestação no prazo previsto no artigo anterior, a exclusão do Simples ' tornarseá definitiva. Ora, conforme a fundamentação do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 07 de agosto de 2003, o art. 16 da Lei 9317/1996 determina a sujeição das pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES às regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, enquanto que o art. 15, Lei 9317/1996 delimita o marco temporal a partir do qual ocorre a produção dos efeitos da exclusão do SIMPLES, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9 o ; ( Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998 ) ( Vide Lei nº 10.925, de 2004 ) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9 o desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9 o desta Lei. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 Art. 16 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A argumentação do Recorrente no sentido dos efeitos da exclusão pudessem ser contados a partir da notificação da exclusão do Simples, em agosto/2003, não pode prosperar porque contraria os arts. 15 e 16 da Lei 9317/1996, os quais, ademais, fundamentaram o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 07 de agosto de 2003. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (C) Da matéria não impugnada Após as Preliminares, considerandose também a tributação já anteriormente afastada pela decisão de primeira instância, restou a ser discutido apenas as competências 11/2003 e 12/2003 em relação ao Código de Levantamento FP3 Assistência médica com reflexos no cálculo da presente obrigação acessória. Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, percebese que não foram argüidas pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, as matérias objeto do Código de Levantamento FP3 Assistência Médica, com reflexos no cálculo da presente obrigação acessória. Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da discussão das matérias de direito não discutidas neste momento processual do Recurso Voluntário. DO CÁLCULO DA MULTA A questão de fundo se reflete no cálculo da multa, daí ser necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014635/200856 Acórdão n.º 2403002.383 S2C4T3 Fl. 215 25 Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.170.2798 a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) No mérito, determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911157/2012-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 57 /2 01 2- 86 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911157/201286 Acórdão n.º 3801003.354 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10850.003236/2007-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 23 6/ 20 07 -2 5 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.003236/200725 Resolução nº 3801000.672 S3TE01 Fl. 173 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração janeiro de 2003, no valor de R$ 2.173,52. O pedido foi apresentado em 24/12/2007, em formulário (fl. 2), para solicitar a restituição do “pagamento” de Cofins referente à ampliação da base de cálculo, implementada pelo parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. Como o referido “pagamento” teria ocorrido por compensação, e não por pagamento com DARF, não teria sido possível transmitir o PER eletronicamente. O despacho decisório de fls. 50/55, não reconheceu o direito creditório e indeferiu o pedido, por falta de embasamento legal. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 58. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 59/66, para alegar que: I. A discussão da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; II. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; III. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 89/91). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.003236/200725 Resolução nº 3801000.672 S3TE01 Fl. 174 3 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.003236/200725 Resolução nº 3801000.672 S3TE01 Fl. 175 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.003236/200725 Resolução nº 3801000.672 S3TE01 Fl. 176 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.003236/200725 Resolução nº 3801000.672 S3TE01 Fl. 177 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins, período de apuração de janeiro/2003, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, período de apuração de janeiro/2003, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, bem como verifique a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.003236/200725 Resolução nº 3801000.672 S3TE01 Fl. 178 7 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10865.000870/2002-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 e 68, integrado pelos demonstrativos de fls. 66 e 67, pelo qual se exige a importância de R$43.737,05, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 1998. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 75, instruída com os documentos de fls. 76 a 79, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 86): O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração e apresentou impugnação de fls. 75/79. Em sua defesa, o contribuinte limita-se à alegação de que nada deve à Receita Federal do Brasil, o que havia esclarecido em correspondência anteriormente entregue, cuja cópia junta. Na referida correspondência, o impugnante alega desconhecer a movimentação financeira apresentada pelo Fisco e relata fatos de sua vida pessoal, no intuito de demonstrar a incompatibilidade entre sua trajetória pessoal e os rendimentos que vieram a ser lançados pela fiscalização. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-26.310 (fls. 84 a 88), de 10/07/2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 27/08/2008 (vide AR de fl. 91), o contribuinte interpôs, em 19/09/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 92, expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 3 3 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 08, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 29/11/2010, veio numerado até à fl. 93 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos ans-calendário 1998 (vide Auto de Infração anexado às fls. 3 e 68). Numa análise preliminar dos autos, observa-se que os extratos bancários que compõem o presente processo foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Informação Fiscal de fls. 62 a 65. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 5 5 aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 trata-se de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo - acessado em 13/08/2012 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 6 6 II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideram-se não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543-B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguarda-se a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestando-se recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideram-se prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543-B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha- se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543-B do CPC). Ressalte-se que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citando-se como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Conclui-se, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 7 7 julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10865.000870/2002-32 Resolução n.º 2202-00.286 S2-C2T2 Fl. 8 8 DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626Ag-R-AgR, 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902539/2012-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2009
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/10/2009 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 39 /2 01 2- 47 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902539/201247 Acórdão n.º 3801003.535 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902539/201247 Acórdão n.º 3801003.535 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$18.045,77. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902539/201247 Acórdão n.º 3801003.535 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/10/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902539/201247 Acórdão n.º 3801003.535 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/10/2009 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902539/201247 Acórdão n.º 3801003.535 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902539/201247 Acórdão n.º 3801003.535 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10480.720258/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passou-se a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplica-se ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Cite-se como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontrava-se alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Thiago Taborda Simões Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 58 /2 01 0- 12 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o relator. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Thiago Taborda Simões – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por FUNDAÇÃO PEDRO PAES MENDONÇA, em face de acórdão que manteve integralmente o Auto de Infração n. 37.221.3340, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a terceiros e incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais declaradas em GFIP, em decorrência do não reconhecimento da isenção que declarava a recorrente ser possuidora relativamente à cota patronal. Consta do relatório fiscal que foi constatado que a Fundação Pedro Paes Mendonça é portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS 0253, datado de 16/12/2002, o qual foi renovado, em face da Resolução Nº 7, de 03/02/2009, publicada no DOU de 04/02/2009 – Seção 1 – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Conselho Nacional de Assistência Social, que trata dos deferimentos de pedidos de renovação de CEBAS, na forma do art. 37 da MP nº 446, de 07/11/2008: 2389 – Processo nº 71010.000066/200894 – Fundação Pedro Paes Mendonça – Recife/PE – CNPJ: 24.134.777/000107 – Período de validade desta renovação:18/01/2008 a 17/01/2011 – Área de Atuação: Assistência Social.” Também fora verificada pela fiscalização a existência de Certidão expedida pelo Ministério da Justiça em18/11/2009 com validade até 30/04/2010, a qual certifica que a instituição Fundação Pedro Paes Mendonça, CNPJ 24.134.777/000107, declarada de utilidade pública federal (DOU de 15/05/2007), apresentou seu relatório circunstanciado de serviços e o demonstrativo de receitas e despesas referente 2008. Todavia, fora constatado que Fundação não dispõe do Ato Declaratório de Isenção de contribuições previdenciárias, de vez que não requereu a isenção à Receita Federal do Brasil. Tal fato gerou divergência entre os valores devidos a título de contribuições e os valores efetivamente declarados em GFIP e/ou recolhidos em GPS, razão pela qual foi lavrado o presente Auto de Infração. O relatório fiscal esclarece, ainda, que a multa aplicada e que foi considerada mais benéfica foi a multa de mora de 24% acompanhada da multa do AI 78, lançada em Auto de Infração apartado. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 12/03/2010 (fls. 02). Em continuidade ao processo administrativo, o contribuinte foi intimado a do v. acórdão recorrido, contra o qual interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o disposto no art. 55, §1.º, da Lei 8.212/91 não se aplica ao caso dos autos, porque trata de isenção, enquanto que a situação em exame é de imunidade, que deve ser potencializada. Sendo imunidade e não isenção, a Lei referida não pode ser aplicada porque a matéria Fl. 372DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 "imunidade", na qualidade de "limitação constitucional do poder de tributar", é afeta à lei complementar por força do art. 146, II, da Constituição Federal (in casu, o art. 14 do CTN, conforme precedentes do STJ e ex Conselho de Contribuintes); 2. que para o lançamento o fiscal apegouse a uma burocracia que, absolutamente desnecessária, chegou a ser revogada com o advento da Lei 12.101/09; 3. que a nova legislação substituiu o Ato Declaratório da isenção pela certificação, que nada mais é do que a própria renovação do CEBAS, o que possuía a recorrente, conforme documentação acostada aos autos; 4. que a expedição do Ato Declaratório não cria direito novo, possuindo caráter meramente declaratório e como tal gera efeitos ex tunc, de modo que, a certificação obtida pela recorrente tem o condão de suprir a ausência do indigitado Ato Declaratório, devendo ser aplicada retroativamente em respeito ainda aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, eficiência, boafé e economia. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO A presente demanda compreende o lançamento de contribuições previdenciárias em decorrência do não reconhecimento em favor da recorrente da isenção à conta patronal, por não possuir o Ato Declaratório, em razão da ausência de requerimento junto à SRFB, nos termos do art. 55, § 1o da Lei 8.212/91, a seguir transcrito: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Da análise da tese objeto do recurso voluntário, inicialmente há de se consignar que para o usufruto da benesse da isenção à cota patronal das contribuições previdenciária, deve a pessoa jurídica, obrigatoriamente, preencher cumulativamente os requisitos elencados no art. 55, supra, não sendo passível de acatamento o argumento de que, por estar coberta pelo manto da imunidade, estaria fora do alcance da incidência das regras dispostas na Lei 8.212/91. A corroborar tal conclusão, a própria Constituição Federal, art. 195, §7º, vincula a concessão do benefício ao atendimento das exigências estabelecidas em lei. Art. 195. (.....) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. ( grifo nosso) Logo, a adoção de referido entendimento –a não submissão aos ditames do art. 55 da Lei 8.212/91 por certo não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Pelos mesmos motivos, também não há que se entender que a recorrente possa ufuruir da isenção sem que tenha feito o requerimento do Ato Declaratório junto ao INSS, por se tratar de mero procedimento burocrático, sob pena de estarse negando vigência à legislação tributária devidamente editada e válida no mundo jurídico. Por mais que tal ato possua teor declaratório e não constitutivo, na forma em que defende a recorrente, a toda evidência se trata de uma condição imposta e determinada por Lei para que a isenção lhe seja garantida e propriamente reconhecida pelo INSS, sendo válida para todos os fins e devendo ser observada pela recorrente, na esteira do entendimento deste Eg. Conselho, a seguir retratado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 5 7 No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. Recurso Voluntário Negado (Rel. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, sessão de 17/04/2012, processo 10510.004205/200912) Por fim, ao que se refere a edição da Lei 12.101/09, tenho que a revogação da necessidade de requerimento do Ato Declaratório é condição que não poder retroagir para beneficiar a recorrente no presente caso, por não estarem presentes quaisquer das condições descritas no art. 106, III, do CTN, a seguir: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Não vislumbro que a revogação da exigência do requerimento ao INSS, como disposto no revogado art. 55, § 1o, da Lei 8212/91, pela Lei 12.101/09, seja condição abarcada por qualquer das alíneas do inciso II, do art. 106 do CTN, por absoluta inadequação a qualquer delas. Além disso, o presente lançamento, apesar de efetuado sob a égide da Lei 12.101/09, mesmo tendo sido observada o procedimento ditado por referida Lei, reportase a fatos geradores ocorridos antes de sua promulgação, de sorte que em face do disposto no art. 144 do CTN, resta claro, a toda evidência, que devem ser considerados, para fins de Fl. 376DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 cumprimento dos requisitos da isenção, os comandos do art. 55 da Lei 8.212/91, não havendo, pois, que se falar em retroatividade das regras de direito material. Reza o art. 144 do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. A tese objeto do recurso voluntário, portanto, somente teria o condão de prosperar, de modo a restar permitida a desconsideração da necessidade do requerimento da isenção ao INSS, se o presente lançamento tratasse de fatos geradores de contribuições a partir da vigência da Lei 12.101/09, o que não ocorre. No mesmo sentido confirase recente precedente, de lavra da Em. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva, que Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Não importa cerceamento do direito de defesa, a apuração de contribuições com base em FPAS, da qual a empresa já tem conhecimento acerca de seu enquadramento, tendo em vista fiscalizações anteriores. A alegação de erro de base de cálculo não tem o condão de refutar o lançamento, quando apurada a base em documentos do próprio recorrente e o mesmo não traz qualquer outro documento para refutar que a base apurada encontrase equivocada. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado DIREITO A ISENÇÃO EFEITOS DA LEI 12.101/2009 As exigências previstas na lei 12.101/2009, produz efeitos a partir de sua publicação, regendose em relação aos fatos geradores anteriores a sua emissão as regras contidas no art. 55 da lei 8.212/91, não havendo que se falar em aplicação retroativa de seus dispositivos para restabelecer isenção. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 377DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Thiago Taborda Simões, Redator Designado. Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange ao direito da Recorrente, enquanto entidade de assistência social, ao gozo da isenção prevista pela Lei n° 8.212/91, divergimos da conclusão. Da Premissa Constitucional Inicialmente, patente a observância do texto constitucional sobre a matéria, ao dispor sobre a imunidade tributária concedida às entidades de assistência social: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A norma prescrita pelo dispositivo supra possui eficácia contida ao passo que concede à lei ordinária a competência de regulamentação quanto aos critérios a serem atendidos pela entidade beneficente de que trata a imunidade tributária. Tais critérios, entretanto, conforme decisões já proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, dizem respeito à forma de constituição da entidade para que possa ser considerada entidade beneficente de assistência social: “Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar.” (Supremo Tribunal Federal, ADI 1802 MC / DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence). De outro lado, o comando previsto no parágrafo 7° do artigo 195 da CF/88 remete à lei o estabelecimento dos requisitos à sua concessão, lei complementar, como estatuído no artigo 146 da Carta Política, pois a ela cabe regular as limitações constitucionais ao poder de tributar (CF, art. 146, II). Sendo assim, os requisitos estabelecidos para fruição da imunidade não devem ser aqueles dispostos no artigo 55 da lei n° 8.212/91, mas sim no Código Tributário Nacional, artigo 14, porquanto o mesmo possui força de lei Complementar. O art. 14 do CTN dispõe: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Tais requisitos, inquestionavelmente e de acordo com o próprio relatório fiscal, a Recorrente atendia, o que justifica o gozo da imunidade tributária concedida pelo texto constitucional. Do Direito à Isenção O já revogado art. 55 da Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre a isenção de contribuições previdenciárias em favor de entidades de assistência social, previa: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Fl. 379DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 7 11 Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) (...)” O art. 55 da Lei n° 8.212/91, regulamentando a norma constitucional prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, estabeleceu os requisitos a serem atendidos pela entidade de assistência social para o gozo da imunidade. Nos termos do dispositivo acima, dentre os requisitos necessários a concessão do benefício está o requerimento junto ao INSS, que terá o prazo de 30 dias para apreciar. No caso em tela, todavia, a Recorrente, apesar de apresentar todas as características inerentes a uma entidade beneficente de assistência social, inclusive o CEBAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, deixou de atender a formalidade estabelecida no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91 e, diante de tal situação, a autoridade fiscal decidiu por autuála sob a justificativa de que a mesma não estaria apta ao gozo da isenção. Não entendemos assim. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 No caso em tela, o § 1° do art. 55, da Lei n° 8.212/91 estabelecia formalidade segundo a qual só poderia gozar do benefício de isenção quem protocolasse requerimento nesse sentido junto ao INSS. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Vale dizer que se trata de situação peculiar em que a lei anterior previa formalidade que de tão dispensável fora revogada e não substituída por qualquer outra medida da mesma natureza. No mesmo sentido, o CARF decidiu em situação parecida, em relação a Ato Declaratório Ambiental para fins de isenção do ITR: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. (CARF, PAF 10675.003353/200503, Acórdão 9202002.171, Relator Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. Sessão 26/06/2012) Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. Dos efeitos retroativos do CEBAS Não obstante a superação da questão nos termos supra, necessária a análise da questão ainda sob a ótica da natureza da entidade. A entidade de assistência social para que assim possa ser considerada, depende de fornecimento de certificação, nos termos da Lei n° 12.101/09. Demonstrado cumprimento de todos os requisitos previstos na referida lei, a entidade recebe certificação Fl. 381DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 8 13 denominada CEBAS – Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social. É a partir desse reconhecimento que a entidade passa a gozar da imunidade tributária prevista na Constituição Federal: “Art. 1° A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei.” “Art. 3° A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 (doze) meses de constituição da entidade, o cumprimento do disposto nas Seções I, II, III e IV deste Capítulo, de acordo com as respectivas áreas de atuação, e cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos: I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1°; e II preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidade sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas. Parágrafo único. O período mínimo de cumprimento dos requisitos de que trata este artigo poderá ser reduzido se a entidade for prestadora de serviços por meio de convênio ou instrumento congênere com o Sistema Único de Saúde SUS ou com o Sistema Único de Assistência Social SUAS, em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema.” Nos termos da Lei n° 12.101/09, portanto, para que a entidade possa ser contemplada com a Certificação e, consequentemente, com a isenção de contribuições previdenciárias, é necessário se demonstre que no período mínimo de 12 meses após a sua constituição tenha cumprido os requisitos previstos em lei. A partir disso, realizando interpretação literal da norma supra é possível concluir – de forma equivocada – que o gozo da isenção estaria restrito à data da concessão do CEBAS e, por conseqüência, a entidade de assistência social, durante os primeiros 12 meses de constituição, estaria obrigada ao recolhimento de contribuições previdenciárias. Tratarseia a concessão, portanto, de ato constitutivo, com efeitos a partir de então. Por outro lado, analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator): Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial. Passo a sua análise. Entendeu o Tribunal Regional Federal da 4ª Região que basta a entidade possuir o Atestado de Registro no Conselho Nacional de Serviço Social CNSS para que seja considerada de fins filantrópicos. Afirma, ainda, que o deferimento pelo CNSS do recadastramento e do pedido de emissão do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos opera efeitos ex tunc. Conclui, portanto, que "resta incontroverso que o Hospital é uma entidade de fins filantrópicos que preenche os requisitos necessários, pois o fato de não possuir o Certificado de Entidade de Filantropia, não lhe retira essa qualidade que lhe confere o benefício do privilégio fiscal" (fl. 135). Respaldou, outrossim, o seu raciocínio na assertiva de que apenas o art. 14 do CTN, por se tratar de Lei Complementar, é que poderia regulamentar o art. 195, § 7º da Constituição da República, afastando, por conseguinte, o art. 55 da Lei nº 8.212/95, que prevê a obrigatoriedade do Certificado de Filantropia. A título de ilustração colaciono o voto condutor recorrido: (...) Irresignada, a autarquia sustenta que "nem o art. 55 da Lei nº 8.212/91, nem a Lei 9.532/97, regularam as imunidades, porque são leis ordinárias, por isso, seus dispositivos que contém favores fiscais condicionantes a determinados requisitos objetivos, estabeleceram simples ISENÇÕES, perfeitamente admissíveis de serem concedidas por lei ordinárias" (fl. 150). O certificado de filantropia serve para que o ente governamental reconheça a existência de entidade que realiza trabalho de cunho social e constituir a certeza jurídica necessária para o gozo da imunidade inscrita no § 7º do artigo 195 da Carta de República. É esse documento que exterioriza o direito a fruição deste favor fiscal, certificado e imunidade mantém intrínseca ligação. (...) Por outro lado, o atestado que certifica a instituição como de fins filantrópicos e o seu decreto como de utilidade pública federal, têm eficácia meramente declaratória e, portanto, operam efeitos ex tunc. Nesse sentido, colaciono recente precedente desta Turma acerca do tema: "PREVIDENCIÁRIO – CERTIFICADO DE UTILIDADE PÚBLICA – ISENÇÃO. 1. Esta Corte, acompanhando precedente do STF (RE 115.5108), tem entendido que o certificado que reconhece a entidade como filantrópica, de utilidade pública, tem efeito ex tunc, por se tratar de um ato declaratório. 2. Isenção das contribuições previdenciárias anteriores à expedição do certificado. 3. Recurso especial improvido" (REsp 755540/RS, Rel. Min. Eliana Calmon DJ 12.09.05). Fl. 383DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10480.720258/201012 Acórdão n.º 2402003.247 S2C4T2 Fl. 9 15 Ante o exposto, dou provimento, em parte, ao recurso especial. É como voto” Ainda: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM COM FUNDAMENTO EXCLUSIVAMENTE INFRACONSTITUCIONAL. EXPEDIÇÃO DO CERTIFICADO DE FILANTROPIA. EFEITOS EX TUNC. NATUREZA DECLARATÓRIA. "Não tendo os pressupostos revelados pelo art. 55 da Lei n. 8212/91 a característica de conferir novo status à entidade de fins filantrópicos, senão de evidenciálos, em tempo posterior, não há que se falar em existência de crédito tributário oriundo do não pagamento da contribuição patronal, por instituição que lhe é imune" (REsp n. 413.728/RS, DJU 02.12.02, Rel. Min. Paulo Medina). Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ, REsp 432.286/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 07/08/2003) Neste mesmo sentido, são exemplos de decisões que expressam o posicionamento pacífico firmado no âmbito do E. STJ: REsp 1.027.577/PR, 2ª Turma, Minª. Eliana Calmon, DJe de 26.02.2009; AgRg no REsp 756.684/RS, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 02.08.07; REsp 413728/RS, Rel. Ministro PAULO MEDINA, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/10/2002, DJ 02/12/2002, p. 283; AgRg no REsp 579549/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/08/2004, DJ 30/09/2004, p. 223; AgRg no REsp 382136/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/03/2004, DJ 03/05/2004, p. 95. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. Conclusão Por todo o supra exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele dou provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por THIAGO TABORD A SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011254/2005-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS.
Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial..
LEI NO. 9.718, ART, 3O PAR. 1O. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA. OUTRAS RECEITAS
Os ingressos decorrentes da cessão onerosa de ICMS são considerados outras receitas, não tributáveis pela declaração de inconstitucionalidade do art. 3o par. 1o. da Lei no. 9.718/98
Numero da decisão: 3302-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial.. LEI NO. 9.718, ART, 3O PAR. 1O. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA. OUTRAS RECEITAS Os ingressos decorrentes da cessão onerosa de ICMS são considerados outras receitas, não tributáveis pela declaração de inconstitucionalidade do art. 3o par. 1o. da Lei no. 9.718/98
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TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial.. LEI NO. 9.718, ART, 3O PAR. 1O. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA. OUTRAS RECEITAS Os ingressos decorrentes da cessão onerosa de ICMS são considerados outras receitas, não tributáveis pela declaração de inconstitucionalidade do art. 3o par. 1o. da Lei no. 9.718/98 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 12 54 /2 00 5- 40 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJPORTO ALEGRE/RS: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 4 a 11 em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento e receitas não computadas na base de cálculo do PIS (faturamento), conforme relatório de fls. 14 a 17, resultando na exigência de crédito tributário no valor total de R$ 37.317,08. Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 155 a 177, na qual alegou, em síntese: As transferências de créditos de ICMS para terceiros não podem ser enquadradas no conceitos de receita, pois os valores transferidos decorreriam de um beneficio fiscal, legalmente e constitucionalmente assegurado. Acrescenta que os respectivos créditos de ICMS são originários de exportações e que a impugnante, empresa exportadora, seria beneficiária de imunidade constitucional. Conclui que os créditos decorrentes de ICMS não configurariam receita pois seriam tributo, já embutido nos insumos pagos, portanto, já teria inclusive servido de base de cálculo para as contribuições PIS e COFINS recolhida pelo fornecedor dos insumos. Questiona a constitucionalidade do alargamento do conceito de faturamento e da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, que argumenta ser indevido conforme doutrina e jurisprudência que cita para amparar seu entendimento. Combate, também, a aplicação dos juros de mora calculados pela taxa Selic, alegando, novamente ofensa à legalidade e à constitucionalidade. Argumenta que a Lei nº 9.065/95, que instituiu esta cobrança, seria inválida por ter natureza remuneratória e exorbitar em seus percentuais ante o limite constitucional. Novamente, cita e transcreve doutrina e jurisprudência administrativa para embasar seus argumentos. Ao final, requer o provimento de sua impugnação, com o cancelamento integral do presente lançamento.” Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.011254/200540 Acórdão n.º 3302001.639 S3C3T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, e considerar exigível a matéria não impugnada. Intimada em 15/12/2010, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 13/01/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Passamos agora a discutir tais pontos abordados no recurso voluntário em questão: 1. DA INCLUSÃO DOS VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS: Prosseguindo, vejo então que a análise de mérito no presente processo restringese primordialmente sobre a exigibilidade ou não de PIS sobre os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros. A recorrente alega em sua peça que tais transferências não se caracterizam como receita, e mesmo se receita fosse, seria proveniente de exportações, isenta de tributação por parte de PIS e COFINS. Contudo, no que tange a esse tema controverso, tenho que razão assiste ao contribuinte, posto que a cessão de créditos do ICMS tratase de operação meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. No entanto, previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica – em especial quando o própria contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos –, desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Assim, em verdade, tal operação não transitou em contas de resultado, e nem representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial, utilizando se de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seu(s) fornecedor(es), mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS ou COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela PIS ou COFINS. Nesse sentido decidiu a antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade, como adiante, no Acórdão no. 20180.505, de 15 de Agosto de 2007: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” 2. Da alegação de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei 9.718/98 Nesse mister, independentemente da tese anterior, acerca da impossibilidade de tributarse essa cessão onerosa de ICMS na base do PIS por não constituirse em receita, no caso, o lançamento fora lavrado sob a égide da Lei no. 9.718/98. Logo, tais receitas estariam abarcadas pelo art 3o, parágrafo 1o, já declarado inconstitucional, ou seja, doulhe provimento também por essa via. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.011254/200540 Acórdão n.º 3302001.639 S3C3T2 Fl. 4 5 Por todo exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. É como voto, Sala das Sessões, em 25 de Maio de 2012 GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10907.002591/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 26/12/2003 a 20/12/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 26/12/2003 a 20/12/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido.
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 91 /2 00 8- 65 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 324 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 255.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal. Depreendese da leitura da descrição dos fatos (fls. 07 a 08) e dos demais documentos constantes dos autos, que a interessada deixou de registrar os dados de embarque no Siscomex de mercadorias despachadas através das Declarações de Despacho de Exportação (DDE) relacionadas às fls. 23 a 33, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado nos documentos juntados aos autos, telas de consulta do Siscomex (fls. 34 a 210), as mercadorias foram embarcadas, mas os “dados de embarque” no Siscomex foram registrados após o prazo legal de 7 dias para tal registro, implicando na infração citada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por atracação, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. O enquadramento legal foi feito alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66 (fls. 11), apesar de a fiscalização entender estar configurado o embaraço de acordo com o artigo 44 da Instrução Normativa nº 28/1994 conjuntamente com a infração de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada nos prazos estabelecidos pela RFB. Regularmente cientificada (fl. 212), a interessada apresentou impugnação de folhas 214 a 230, que apresenta os seguintes argumentos: a multa não pode ser aplicada à impugnante, agência marítima, mas tão somente ao transportador marítimo internacional ou ao agente de carga, este entendido como o agente que opera na modalidade “NVOCC”, na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas. não é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que é mera agência de navegação marítima da Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 325 3 empresa transportadora, não sendo responsável tributária nem se equiparando a transportadora. Cita textos doutrinários acerca das funções desempenhadas pelos agentes marítimos como auxiliar na armação e no transporte marítimo. Traz também decisões dos tribunais e a Súmula do extinto TFR 192 no sentido do exercício do agente marítimo que não se equipara ao transportador. Conclui que o agente marítimo age em nome do armador, com este não se confundindo, não podendo, por isso, ser pessoalmente responsável pela autuação. A autoridade fazendária não pode se valer de posterior alteração da redação do art. 37 pela Instrução Normativa nº 510 de 14/02/2005, para interpretar que a expressão “imediatamente” deve ser entendida como um prazo de 7 (sete) dias. Ao assim agir, viola flagrantemente o princípio da irretroatividade da norma tributária. Não houve embaraço à fiscalização e cita decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento – DRJ/SPOII. Há ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração e, no mérito, seja julgado integralmente improcedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/12/2003 a 20/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima, caracteriza a infração contida na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Impugnação Procedente em Parte Foram afastadas as multas aplicadas sobre exportações que foram objeto de DDE a posteriori, em face de que, no entendimento do órgão de primeira instância, o transportador não teria meios para promover a prestação de informações no prazo regulamentar. Tal matéria não é alvo de recurso de ofício. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 326 4 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Penso que razão assiste à Recorrente pois a conduta que lhe é imputada, com a devida licença, é atípica. De fato, as operações relativas ao presente litígio ocorreram entre 26/12/2003 e 20/12/2004, quando a Instrução Normativa SRF nº 510, de 15/02/2005 ainda não havia entrado em vigor. Até então, não havia norma que disciplinasse o prazo para prestação de informações acerca dos dados de embarque. Os fundamentos que me conduziram a tal conclusão foram brilhantemente expostos pelo Conselheiro José Luiz Novo Rossari, no votocondutor do acórdão 3202 000.341, que adoto como razão de decidir: Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 327 5 O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 328 6 prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, têmse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não se encontra, em quaisquer dos códigos pátrios, norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade de dias, meses ou anos. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 329 7 mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória no 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 4/6 e 27/6/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua argüição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração e julgo prejudicadas as diversas outras alegações da recorrente, por não influírem na solução da lide. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 329DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.002591/200865 Acórdão n.º 3102002.074 S3C1T2 Fl. 330 8 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723554/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA
Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminares rejeitadas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt, que proviam o recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte.
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 35 54 /2 00 9- 91 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Acórdão n.º 2202002.690 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, MARCELO CERQUEIRA CESAR, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$65.826,78, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, os seguinte pontos extraídos do relatório da autoridade recorrida: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia.Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A DRJSalvador ao apreciar as razões da contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Acórdão n.º 2202002.690 S2C2T2 Fl. 4 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeita, a contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos: Da Responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia, da inexistência de conduta hábil a aplicação da multa. Do efeito vinculante da resposta a consulta administrativa, tornando temerária a manutenção da multa. Da nulidade do lançamento, pela forma inadequada de apuração da base de cálculo do tributo lançado; Entende o recorrente que ao invés de ter feito o lançamento isolado em cada valor de “URV” recebido, deveria ter refeito as três Dirfs (2004, 2005, 2006) do contribuinte, a fim de apurar mês a mês os valores do imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos; O cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas do imposto de renda das épocas próprias da percepção dos rendimentos; Da não incidência de IR sobre os juros moratórios e compensatórios; Da natureza indenizatórias da “URV” que se sobressai, conforme já decidiu a respeito o Supremo Tribunal de Justiça. Da ilegitimidade da União Federal, uma vez que por determinação expressa da Constituição, o produto do crédito tributário que deu origem ao presente processo é de propriedade da Fazenda Pública do Estado da Bahia; Da violação do princípio constitucional da isonomia. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Acórdão n.º 2202002.690 S2C2T2 Fl. 5 7 Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723554/200991 Acórdão n.º 2202002.690 S2C2T2 Fl. 6 9 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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