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Numero do processo: 16327.001769/2006-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício.
Numero da decisão: 1801-000.615
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 88DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001769/200604 Acórdão n.º 180100.615 S1TE01 Fl. 84 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 01/05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$104.272,95, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao fato gerador de abril de 2006 vencido em 31/05/2006 e pago em 30/06/2006 antes que este valor fosse informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Restou esclarecido que o débito, código nº 2319, determinado sobre a base de cálculo estimada, foi pago após o vencimento, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora e por esta razão foi efetuada, de ofício, a imputação proporcional para apuração da exigência. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: incisos I, II e IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 22/11/2006, fl. 01, a Recorrente apresentou a impugnação em 20/12/2006, fls. 10/16, com as alegações abaixo sintetizadas. Argumenta que o pagamento do débito foi realizado ao amparo do instituto da denúncia espontânea e por esta razão não tem cabimento a aplicação da multa de mora (art. 138 do Código Tributário Nacional). Suscita que cumpriu com a obrigação tributária antes do início de qualquer procedimento de ofício e por esta razão não tem cabimento a aplicação da multa de mora. Tendo em vista o princípio da eventualidade, argúi que houve erro material na metodologia da imputação proporcional ao pagamento, já que considera como correto o valor de R$52.007,09. Interpreta a legislação de regência da matéria, indica princípios que supostamente foram violados e menciona entendimentos doutrinário e jurisprudenciais em seu benefício. Conclui Pelo exposto, requer o Impugnante que o presente auto de infração seja julgado totalmente improcedente e, por conseqüência, determinado seu cancelamento. Nestes termos. Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA DRJ/SPO I/SP nº 1617.790, de 14/07/2008, fls. 42/50: “Lançamento Procedente em Parte”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2006 FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001769/200604 Acórdão n.º 180100.615 S1TE01 Fl. 85 3 A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. ERRO DE CALCULO. Apuradas incorreções nos cálculos de imputação proporcional efetuados pela Fiscalização, o processo fiscal deve ser saneado por meio do recálculo do crédito tributário lançado de oficio. Notificada em 20/08/2008, fl. 53, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17/09/2009, fls. 54/60, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória, com exceção do erro material. Conclui Pelo exposto, requer a Recorrente que a decisão proferida em la. Instância administrativa seja reformada no que tange à exigência da multa de mora, a fim de que o presente auto de infração seja julgado totalmente improcedente e, conseqüentemente, seja determinado seu cancelamento. Termos em que. Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda da aplicação da multa de mora em relação ao tributo pago após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Relativamente à multa de mora, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001769/200604 Acórdão n.º 180100.615 S1TE01 Fl. 86 4 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A multa de mora tem natureza jurídica de penalidade aplicada por descumprimento da obrigação tributária principal dentro do prazo previsto na legislação. Excepcionalmente, o sujeito passivo pode recolher o tributo devido acrescido da incidência de juros de mora no trintídio a contar da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, desde que até então estivesse amparado por medida liminar. Atinente à denúncia espontânea, o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A denúncia espontânea da infração é uma exteriorização de vontade do sujeito passivo perante a Fazenda Pública, sem qualquer forma prevista em lei, aplicável somente ao cumprimento a destempo da obrigação tributária principal de tributo que não esteja regularmente declarado e antes de qualquer procedimento fiscal. No caso de sua caracterização afasta a aplicação da multa de mora e da multa de ofício. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 91DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001769/200604 Acórdão n.º 180100.615 S1TE01 Fl. 87 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/20101: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 1 Fonte: https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF; acesso em 23/03/2011. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001769/200604 Acórdão n.º 180100.615 S1TE01 Fl. 88 6 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inferese que a denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Este instituto também resta configurado no caso de o sujeito passivo, após efetuar a confissão parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. No presente caso, o lançamento se refere ao débito de IRPJ do fato gerador de abril de 2006 vencido em 31/05/2006 e pago em 30/06/2006 e antes que este valor fosse informado na DCTF, em conformidade com a informação fiscal constante no Auto de Infração, fl. 02. Restou esclarecido que o débito, código nº 2319, determinado sobre a base de cálculo Fl. 93DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 16327.001769/200604 Acórdão n.º 180100.615 S1TE01 Fl. 89 7 estimada, foi pago após o vencimento, acrescido da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora e por esta razão foi efetuada, de ofício, a imputação proporcional para apuração da exigência. Restou comprovado que a Recorrente procedeu ao pagamentos do tributo devido fora do prazo de vencimento antes de apresentar a DCTF em que houve a constituição formal do mencionado crédito tributário. Assim, há que se aplicar o instituto da denúncia espontânea para afastar a aplicação da multa de mora, porque o débito de IRPJ referente ao fato gerador de abril de 2006 foi efetivamente recolhido em 30/06/2006 acrescidos da incidência de juros de mora, fl. 02, antes que o crédito tributário correspondente tenha sido formalmente constituído e antes de qualquer procedimento de ofício. Por conseguinte o lançamento é improcedente. Em face de o exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 94DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 13063.000694/2008-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007
OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS.
Nos termos do § 9º-A do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluem-se não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. Nos termos do § 9º-A do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluem-se não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Especial do Procurador negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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BASE DE CÁLCULO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIMED SANTA ROSA SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇO MÉDICO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 3. 00 06 94 /2 00 8- 58 Fl. 955DF CARF MF 2 Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3403002.049, de 23/04/2013, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. APLICAÇÃO. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. CONCEITO. ALCANCE. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. PIS/COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CONTRATOS OPERACIONAIS OU DE MERA INTERMEDIAÇÃO. SISTEMÁTICA DE REPASSE NÃO DEMONSTRADA. Não foi demonstrado o vínculo jurídico que obrigaria o repasse dos valores pagos pelos usuários, por parte da operadora, aos prestadores dos serviços. PIS/COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. CO PARTICIPAÇÃO PAGA PELO USUÁRIO. O ingresso de valores na operadora, pagos pelos usuários a título de coparticipação, corresponde a uma receita variável, devendo ser tratado da mesma maneira que as receitas fixas mensais correspondentes à manutenção da cobertura do plano de saúde. Recurso parcialmente provido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido que entendeu pela dedução da base de cálculo de PIS/Cofins dos valores dos Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13063.000694/200858 Acórdão n.º 9303005.449 CSRFT3 Fl. 956 3 pagamentos que a operadora realiza para assegurar a cobertura prevista no plano de saúde, por meio dos quais se concretiza a assistência aos usuários, independente de se referir a contratantes/associados da própria operadora ou de outra operadora de saúde. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20401.913 e 20310.836. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fl. 902/907. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 921/929). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme se verifica das ementas dos acórdãos paradigmas prolatados pelo antigo Conselho de Contribuintes, o entendimento neles esposado foi o oposto do adotado no acórdão recorrido, conforme facilmente se percebe da simples leitura de suas próprias ementas: Acórdão nº 20401.913: (BASE DE CÁLCULO. CUSTOS ASSISTENCIAIS PRÓPRIOS. A exclusão de custos assistenciais próprios da base de cálculo da contribuição é indevida face à ausência de dispositivo legal que ampare tal exclusão. O que a lei permitiu foi a exclusão de custos incorridos pelas operadoras de planos de saúde cuja _r _ responsabilidade seja de terceiros. Acórdão nº 20310836: UNIMED. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 01/2002 A 12/2002. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º. MP Nº 2.15835/2001, ART. 2º. Aplicamse às cooperativas de trabalho que operam com planos de saúde o disposto no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, introduzido pelo art. 2º da MP nº 2.15835/2001, que permite deduzir da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins, a partir de dezembro de 2001, as coresponsabilidades cedidas, a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Todavia, em tais deduções não se incluem custos e despesas relativos aos eventos com os próprios associados, mas com associados de outras operadoras. Recurso negado. Fl. 957DF CARF MF 4 A matéria, contudo, encontrase hoje superada, uma vez que, com a edição da Medida Provisória MP n.º 619, de 2013 (convertida na Lei n.° 12.873, de 2013), introduziu se, no art. 3º da Lei da n.º 9.718, de 1998, o § 9ºA, segundo o qual, para efeito de interpretação, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse não apenas os despendidos com seus próprios beneficiários, mas também com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Eis a sua redação: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Portanto, devem ser levados em conta, na determinação da base de cálculo do PIS/Cofins, os valores despendidos com os próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. Eis algumas ementas de decisões deste Colegiado Administrativo que já adotaram o mesmo entendimento: COFINS CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições para a COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. A receita referente a comercialização de planos de saúde por empresa operadora desta modalidade de serviços está incluída na base de cálculo da COFINS por tratarse de prestação de serviços. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3102001.712, de 29/1/2013). IRPJ, CSLL – ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS – DISCRIMINAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. Na comercialização de planos de saúde, existe prestação de utilidade pela cooperativa a terceiros (usuários, na comercialização de planos de saúde), na medida em que os planos permitem o direito de usar serviços médicos e utilidades conexas de não cooperados. O contratante não paga simplesmente preço, através da cooperativa. Antes, paga preço à cooperativa, de modo que as relações econômicas relativas ao plano de saúde contratado se instalam entre o terceiro e a cooperativa, e não entre o terceiro e o cooperado. ((CARF, 1ª Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13063.000694/200858 Acórdão n.º 9303005.449 CSRFT3 Fl. 957 5 Seção, 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 1103 00.587, de 24/11/2011). OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE.NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Existindo previsão legal expressa no sentido de que as atividades desenvolvidas pelas operadoras de planos de saúde constituem prestação de serviços, a receita proveniente destas atividades incluise no faturamento, constituindo base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins. (CARF, 3ª Seção, ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403001.785, de 27/9/2012). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.905814/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2012
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 58 14 /2 01 2- 72 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10805.905814/201272 Acórdão n.º 3201003.124 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.987, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10805.905814/201272 Acórdão n.º 3201003.124 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10805.905814/201272 Acórdão n.º 3201003.124 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000432/2004-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente MADEM SA INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 32 /2 00 4- 25 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13016.000432/200425 Acórdão n.º 9303005.349 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330101.353, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13016.000432/200425 Acórdão n.º 9303005.349 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13016.000432/200425 Acórdão n.º 9303005.349 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13016.000432/200425 Acórdão n.º 9303005.349 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003789/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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score : 1.0
Numero do processo: 13609.722150/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
ARBITRAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. EXCESSO DE RECEITAS EM ANO ANTERIOR.
Cabe arbitramento do lucro quando o contribuinte opta indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, ao qual não estava autorizado, por ter excedido o limite de receitas no ano anterior, sem prejuízo de outros vícios que tornem a escrituração imprestável para a determinação do lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
Numero da decisão: 1201-001.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 ARBITRAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. EXCESSO DE RECEITAS EM ANO ANTERIOR. Cabe arbitramento do lucro quando o contribuinte opta indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, ao qual não estava autorizado, por ter excedido o limite de receitas no ano anterior, sem prejuízo de outros vícios que tornem a escrituração imprestável para a determinação do lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
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LUCRO PRESUMIDO. EXCESSO DE RECEITAS EM ANO ANTERIOR. Cabe arbitramento do lucro quando o contribuinte opta indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, ao qual não estava autorizado, por ter excedido o limite de receitas no ano anterior, sem prejuízo de outros vícios que tornem a escrituração imprestável para a determinação do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DECISÃO DE PISO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 21 50 /2 01 3- 01 Fl. 10203DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Contra a contribuinte acima identificada foram Lavrados autos de infração (fls. 4069/4161) relativamente aos anoscalendário de 2009 e 2010, exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 5.929.214,24 (fl. 4069), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 2.633.468,26 (fl. 4102), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 6.506.293,00 (fl. 4147) e Contribuição para o PIS no valor de R$ 1.409.696,84 (fl. 4132), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, em virtude das seguintes irregularidades: 01 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA; 02 RECEITA DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS E NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE; 03 RECEITA DA ATIVIDADE. RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. A fundamentação legal e as irregularidades estão descritas no respectivos autos de infração e nos Relatórios de Auditoria Fiscal de fls. 3371/3393 (anoscalendário de 2009 e 2010). Fl. 10204DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 4 3 Segundo consta do Relatório fiscal (fls. 3371/3393), o objeto da empresa é VENDA E DISTRIBUIÇÃO DE CARTÕES TELEFÔNICOS, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEFONIA e o TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS e o processamento fiscal foi motivado pela grande divergência entre a receita declarada à Receita Federal do Brasil e a movimentação financeira informadas nas Declarações de Informação Sobre Movimentação Financeira DIMOF relativamente ao período de 2008 a 2010. Ainda, segundo o mesmo termo, contra a empresa já haviam sido lavrados autos de Infração em 21 de março de 2013, com ciência postal em 22 de março de 2013, em virtude de omissões de receitas apuradas no anocalendário de 2008, cujos lançamentos estariam sendo controlados pelo processo nº 13609.720385/201351. No referido anocalendário a contribuinte teria extrapolado o limite de faturamento para permanecer no Lucro Presumido no anocalendário de 2009. O presente processo tratase de infrações apuradas nos anos calendário de 2009 e 2010. 1 – DO PROCEDIMENTO FISCAL Conforme Relatório Fiscal, o procedimento fiscal iniciouse em 01/10/2012 com a ciência do Termo de Início de fls. 31/32, por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar os seguintes documentos: 1. Arquivos de Registros Contábeis, em meio digital, conforme item 4.1 do Ato Declaratório Executivo (ADE) da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis) da SRF n° 15, de 23/10/2001 (redação do ADE/Cofis/RFB n° 25/2010)De 01/01/2008 até 31/12/2010; 2. Extratos bancários, relativos ao período a seguir indicado, em papel e em meio digital, de todas as contascorrentes, as aplicações financeiras e de cadernetas de poupança mantidas pela empresa junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior. De 01/01/2008 até 31/12/2010; 3. Livro Diário e Razão De 01/01/2008 até 31/12/2010; 4. Balanço Patrimonial (cópias) De 01/01/2008 até 31/12/2010; 5. Atos constitutivos da pessoa jurídica e alterações referentes aos últimos 5(cinco) anos de 01/01/2008 até 31/12/2010. Após ser novamente intimada, a contribuinte apresentou os seguintes documentos: • Cópias do balanço patrimonial de 2008, 2009 e 2010; • CD com arquivos digitais de 2008 a 2010; Fl. 10205DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 5 4 • Extratos Bancários Banco do Brasil janeiro de 2008 a Dezembro de 2 010; • Extratos Bancários Bradesco de Setembro de 2008 a Dezembro de 2009; • Extratos Bancários Banco Real março de 2 009 a dezembro de 2010; • Cópias dos atos constitutivos da pessoa jurídica e alterações contratuais; • Livros Diário e Razão de 2.008 a 2.010. Em razão da não apresentação da totalidade dos extratos bancários, a fiscalização solicitou a emissão da REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF) e, em atendimento, foram emitidas RMS para o BANCO DO BRASIL S/A, BANCO BRADESCO S/A, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, BANCO ABN AMRO REAL S/A e BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A. Da análise da documentação apresentada pela contribuinte verificouse que os faturamentos apresentados em seus livros Diários e Razões eram superiores aos valores declarados em DIPJ, que seus livros fiscais não continham a escrituração das contas referentes a suas movimentações bancárias e que havia em diversos períodos a existência de saldo credor de caixa. Em 15/12/2012 foi a contribuinte intimada (Termo de Intimação Fiscal n° 02) e reintimada em 24/01/2013 (Termo de Intimação Fiscal n° 03) a apresentar dos seguintes documentos: 1. Notas fiscais de aquisição e recibos de pagamentos escriturados na conta caixa do Diário no 1º trimestre de 2008 De 01/01/2008 até 31/03/2008; 2. Notas fiscais de prestação de serviço e notas fiscais de venda de produtos (todas as notas emitidas pela empresa no 1º trimestre de 2008) De 01/01/2008 até 31/03/2008; 3. Livro de Prestação de Serviços De 01/01/2008 até 31/12/2010; 4. Livro de Registro de Apuração do ISS ou livro/documento similar especificado pela legislação do município De 01/01/2008 até 31/12/2010; 5. Livro Registro de Apuração do ICMS De 01/01/2008 até 31/12/2010; 6. Livro Registro de Entradas, modelo 1 De 01/01/2008 até 31/12/2010; 7. Livro Registro de Saídas, modelo 2 De 01/01/2008 até 31/12/2010. Fl. 10206DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 6 5 Segundo o Relatório Fiscal, de posse das informações parciais repassadas pelas instituições financeiras, a fiscalização procedeu à conciliação dos lançamentos a crédito excluindo os valores oriundos de outras contas do contribuinte, o valor dos financiamentos obtidos junto ao banco, os valores de cheques devolvidos e cheques sem fundos e os estornos. Esclareceu a autoridade fiscal que em razão de não haver a escrituração das contas banco em sua contabilidade, a fiscalização tentou realizar a conciliação com a conta caixa, não sendo encontrado nenhuma coincidência de valores. Após a conciliação, os valores a crédito remanescentes foram individualizados em uma planilha e o contribuinte foi intimado em 15/02/2013 (Termo de Intimação Fiscal n° 04) a prestar os seguintes esclarecimentos: 1. Confirmar o valor do faturamento apurado pela fiscalização com base nos livros Diário e Razão apresentados à fiscalização, os quais são divergentes dos valores declarados em DIPJ. Segue abaixo o resumo da apuração realizada pela fiscalização, dos valores declarados em DIPJe das divergências apuradas; (...) 2. Justificar a existência de saldo credor de caixa presente em sua escrituração (Livro Diário e Razão) do ano de 2008, apresentada à fiscalização. Ressaltase que o saldo credor de caixa é presunção de omissão de receitas, conforme estabelece o Art 281 do RIR/99. Segue abaixo a relação diária com os saldos credores de caixa. (...) 3. Comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente conforme descrição individual dos lançamentos a crédito detalhados no ANEXO AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N. 04, o qual contém 167 (cento e sessenta e sete) páginas. A comprovação deverá se mediante apresentação de documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nessas operações. Em atendimento, a empresa apresentou os seguintes documentos: • Livro Registro de Apuração do ICMS 2008, 2009 e 2010; • Livro de Prestação de Serviços 2008, 2009 e 2010; • Livro Registro de Entradas 2008, 2009 e 2010; • Livro Registro de Saídas 2008, 2009 e 2010; • Notas Fiscais emitidas no primeiro trimestre de 2008 ; • Comprovante das despesas escrituradas no Livro Diário referente ao primeiro trimestre de 2008. Fl. 10207DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 7 6 Posteriormente, após a obtenção do restante dos dados sobre a movimentação financeira foi realizada a conciliação dos lançamentos a crédito excluindo os valores oriundos de outras contas do contribuinte, o valor dos financiamentos obtidos junto ao banco, os valores de cheques devolvidos e cheques sem fundos e os estornos. Após a conciliação, os valores a crédito remanescentes foram individualizados em uma planilha e o contribuinte foi intimado em 23/02/2013 (Termo de Intimação Fiscal n° 05) a prestar os seguintes esclarecimentos/documentos: Comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente conforme descrição individual dos lançamentos a crédito detalhados no ANEXO AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 05, o qual contém 16 (dezesseis) páginas. A comprovação deverá ser mediante apresentação de documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nessas operações. Destacase que os créditos desta intimação são complementares do ANEXO AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 04. Em atendimento, a contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos: Em resposta a Intimação n° 4 item 2, referente a saldo credor de caixa, que no final de cada mês era emitido uma nota fiscal em próprio nome da empresa para dar baixa em estoque, uma vez que os clientes não aceitavam receber as mercadorias com nota fiscal, por causa de valores que já estavam retidos pela companhia, com um valor prédeterminado de margem de lucro e para a empresa não perder as vendas para pequenos clientes que no final do mês representava bastante. Foi uma saída encontrada para não configurar venda sem notas fiscais. Os depósitos em conta Corrente eram depositados assim que os vendedores e entregadores recebiam os valores das mercadorias por causa do grande numero de assaltos ocorridos a estes empregados uma vez que não gostavam de receber boleto pela dificuldade de pagamento. () Respondendo ao Termo de intimação Fiscal n° 05 da Receita Federal, a qual solicita a comprovação de origem dos depósitos efetuados na conta corrente n° 784 agência 1066 do Banco 104, eram depósitos efetuados por vendedores externos de recargas de celulares prépago as quais eram vendidos no mercado e eles para não ficaram com valores em mãos sujeitos a serem assaltados. Era orientado a eles para que efetuassem depósitos na conta corrente citada na intimação. Sobre a resposta apresentada pela contribuinte a fiscalização assim se pronunciou: Fl. 10208DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 8 7 A resposta apresentada pelo contribuinte para o saldo credor de caixa e depósitos bancários de origem não comprovada estão desacompanhadas de quaisquer documentação de amparo. Por tratarse de presunção legal cabe ao contribuinte comprovar com a apresentação de documentação hábil e idônea a origem do saldo credor de caixa e dos depósitos bancários. Vale ressaltar que o contribuinte não se manifestou sobre o valor das receitas escrituradas e não declaradas constantes do item "1" do Termo de Intimação Fiscal n° 04. Em virtude de omissões de receitas no anocalendário de 2008, foram lavrados autos de infração (ciência em 22/03/2013) para exigência dos tributos devidos, sendo que os lançamentos estão sendo controlados pelo processo nº 13609.720385/201351. O contribuinte foi cientificado do Termo de Encerramento Parcial, no dia 22/03/2013, no qual foi ressaltado que a “FISCALIZAÇÃO PROSSEGUE PARA O PERÍODO DE 01/01/2009 A 31/12/2010”. De acordo com o que foi apurado, o contribuinte extrapolou o limite de faturamento para permanecer no Lucro Presumido a partir do anocalendário de 2009. No dia 24/04/2013 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 06, com ciência via postal em 29/04/2013, por meio do qual foi a contribuinte informada que, de acordo com os lançamentos efetuados por omissão de receita no ano calendário de 2008, a empresa extrapolou o limite de faturamento para permanecer no Lucro Presumido no ano calendário de 2009, tendo em vista que o faturamento no ano de 2008 atingiu o montante de R$ 83.975.619,45, conforme quadro demonstrativo que acompanhou o referido Termo. Diante disso, foi a empresa intimada a: Apresentar a escrituração contábil e fiscal (Livro Diário, Livro Razão e Livro de Apuração do Lucro Real) segundo as normas vigentes para as empresas optantes pelo Lucro Real, para os anoscalendário de 2009 e 2010. Vale ressaltar que os Livros Diário apresentados à fiscalização para os anos de 2009 e 2010 não apresentam nenhum lançamento referente à movimentação financeira e não estão registrados na Junta Comercial. Apresentar os Arquivos de Registros Contábeis, em meio digital, conforme item 4.1 do Ato Declaratório Executivo (ADE) da CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis) da SRF nº 15, de 23/10/2001 (redação do ADE/Cofis/RFB nº 25/2010) –De 01/01/2009 até 31/12/2010. Apresentar a relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, com respectivos valores, e cópia das escrituras e a relação de veículos integrantes do Ativo Imobilizado, com descrição, placa/chassis/RENAVAM e valor. (...) Foi esclarecido que a não apresentação da escrituração contábil e fiscal a que estão sujeitas as pessoas jurídicas Fl. 10209DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 9 8 obrigadas à apuração do Lucro Real autorizaria o arbitramento por parte da autoridade fiscal, conforme expressa o art. 530 do RIR/99. Apesar de ter sido novamente intimada para o mesmo fim, por meio do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal nº 07 (ciência via postal em 24/06/2013), a contribuinte não apresentou resposta a fiscalização e no dia 14/08/2013 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 08, com ciência via postal em 20/08/2013, informando que seria arbitrado o lucro da empresa com os dados disponíveis. De posse das informações apresentadas pela contribuinte e as repassadas pelas instituições financeiras, a fiscalização procedeu à conciliação dos lançamentos a crédito excluindo os valores oriundos de outras contas do contribuinte, o valor dos financiamentos obtidos junto ao banco, os valores de cheques devolvidos e cheques sem fundos e os estornos. Como não havia escrituração das contas banco em sua contabilidade a apuração do lucro foi feita pela sistemática do lucro arbitrado. Após a conciliação os valores a crédito remanescentes foram individualizados em uma planilha e a contribuinte intimada em 01/10/2013, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 09, a justificálos, juntamente com o Anexo ao Termo de Intimação Fiscal nº 09, entregue ao contribuinte em CDR, acompanhado do Recibo de Entrega de Arquivos Digitais. O contribuinte não apresentou resposta ao termo citado acima. 2 DO ARBITRAMENTO O contribuinte optou pela apuração do IRPJ nos anos calendário de 2009 e 2010 pela sistemática do Lucro Presumido, conforme se verifica pela sua DIPJ e pagamentos realizados. No entanto, no anocalendário de 2008 a receita bruta apurada pela fiscalização ultrapassou o limite permitido para opção pelo Lucro Real. Não tendo a contribuinte refeito a sua escrituração, apesar das várias oportunidades concedidas, a fiscalização, com fulcro no art. 530 do RIR/99, procedeu o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida a partir dos Livros Registro de Saídas, Livro Registro de Apuração do ICMS e Livro Registro de Apuração do ISS. Foram citados os seguintes motivos para o arbitramento: • O Livro Diário não foi registrado na junta Comercial como determina a legislação (art. 530, inciso I, do RIR/99); • O Livro Diário não possui a escrituração de sua movimentação bancária, tornandoo imprestável para a apuração do lucro real (art. 530, inciso II, do RIR/99); • O contribuinte não apresentou o Livro Registro de Apuração do Lucro Real (art. 530, inciso III, do RIR/99); Fl. 10210DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 10 9 • A empresa optou indevidamente pela apuração do Lucro Presumido, tendo em vista que sua receita foi superior a R$ 48.000.000,00 em 2008 e 2009 (art. 530, inciso IV, do RIR/99). 3 DAS INFRAÇÕES 3.1 RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS E NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE De acordo com os Livros Registro de Saídas nº 05 e 06, anos de 2009 e 2010, respectivamente, a fiscalização montou uma planilha com o número da nota fiscal, data e valor das operações, totalizados por mês. Esta planilha contabiliza os valores relacionados às atividades de venda de cartão telefônico (revenda de mercadorias) e serviço de transporte de carga conforme Anexo I ao Relatório de Auditoria Fiscal. Os totais da planilha e dos Livros de Saídas coincidem com os dados dos Livros Registro de Apuração do ICMS nº 05 e 06 anos de 2009 e 2010, respectivamente. Sobre os valores apurados em cada mês (quadro demonstrativo de fl. 3389) foi aplicado o percentual de 9,6% previsto para lucro presumido, equivalentes a 8% acrescidos de 20% em razão do arbitramento. 3.2 RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL De acordo com os Livros Registro de Apuração de ISS da Prefeitura de Santa Luzia referentes aos anos de 2009 e 2010 a contribuinte obteve neste período a receita bruta relacionada no quadro de fl. 3390. Sobre esses valores foi aplicado o percentual de 38,4%, equivalentes a 32% acrescidos de 20%. 3.3 OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O sujeito passivo não contabilizou seus depósitos bancários referentes aos anos calendário de 2009 e 2010 nos seus livros Diário. A fiscalização, após fazer a conciliação entre as contas e excluir os valores determinados pela legislação, intimou o contribuinte a justificar a origem dos créditos remanescentes por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 09 e seu anexo, o qual individualizou, por conta, data e valor os créditos existentes em seus extratos bancários. Não tendo a contribuinte apresentado resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 09, ou seja, não tendo comprovado a origem dos depósitos, os valores lançados a créditos relacionados no Anexo II ao Relatório de Auditoria Fiscal, foram levados à tributação como omissão de receita com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Em virtude das irregularidades descritas foram lavrados os autos de infração para exigência do IRPJ e os reflexos de CSLL, PIS e Cofins relativos ao período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010. Fl. 10211DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 11 10 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 4168/4173 alegando, inicialmente, ser Representante Exclusiva da Vivo S.A., para atendimento em área física exclusiva que envolve inúmeros municípios, AUFERINDO RESULTADO EM OPERAÇÕES DE CONTA ALHEIA, como INTERMEDIADORA DE NEGÓCIOS, nos termos do art. 519, III, b, do Decreto n° 3.000 (RIR/99). Esclareceu que opera na região concedida, através de seus vendedores e em nome da Operadora, como intermediária de negócios, sendo o produto de referidas transações são totalmente depositados na conta própria, e periodicamente são repassados à Concedente, até o montante das Notas Fiscais de entrada, menos os 8% de desconto que representa a sua comissão de vendas que é a receita bruta operacional sobre a qual deve ser calculado o Lucro Presumido, não podendo ir além sob pena de estar cobrando da Impugnante valores que serão em seguida cobrados da Operadora. Alegou que não está sujeita à tributação pelo Lucro Real e portanto não havia obrigatoriedade de apresentação do LALUR; que seus livros se prestam à sua contabilidade e não houve opção indevida pelo Lucro Presumido tendo em vista os valores que deviam ser alcançados pela base de cálculo; que descabe o enquadramento nos incisos I, II, III e IV do art. 530 do RIR/99 e todos os demais enquadramentos que se originara da falsa premissa de que houve opção indevida pela apuração do resultado pelo sistema do Lucro Presumido. Concluiu que uma vez provada a improcedência do arbitramento, não há que se falar em crédito tributário suplementar. Afirmou, mais uma vez, que a base de cálculo é a somatória das receitas auferidas (soma dos descontos obtidos a título de comissão das vendas) e não a totalidade das vendas efetuadas em nome da VIVO S.A. e concluiu que, sendo assim, não houve omissão de receitas, pois os valores dos depósitos bancários representam produtos de vendas à ordem da VIVO S.A. os quais são, periodicamente, repassados, conforme explicito nos extratos bancários. Requereu, no final, que seja declarada a procedência da impugnação para considerar nulo, de pleno direito, os autos de infração. Em sessão de 30 de janeiro de 2015, a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, mantendo os créditos lançados. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. O Recurso Voluntário foi recebido em 17 de março de 2014. Fl. 10212DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 12 11 Posteriormente, em março de 2015, quando os autos já estavam no CARF, a interessada protocolizou petição solicitando a juntada de documentos, procedimento repetido em abril de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano, convém ressaltar a intempestividade dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente. Com efeito, constatase que junto com o Recurso Voluntário, apresentado em 17 de março de 2014, a empresa trouxe aos autos algumas notas fiscais, boletos e extratos de pagamento (p. 4.313 a 4.512). Posteriormente, quando os autos já se encontravam no CARF, a interessada, representada por novo patrono, peticionou para juntar ao processo quase 6.000 páginas de documentos (!), sob o argumento de que trariam informações novas e relevantes para a análise do feito. Houve duas petições nesse sentido, em março de 2015 e abril de 2015, vale dizer, um ano depois de vencido o prazo para apresentação do Recurso Voluntário. Entendo que não há como acolher a pretensão da interessada e conduzo meu voto no sentido de não conhecer os argumentos formulados pela Recorrente nem tampouco aceitar os documentos anexados ao processo quando da interposição do voluntário ou em momento posterior, por serem intempestivos, com esteio nas disposições veiculadas pelos artigos 16, § 4º e 17 do Decreto n. 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Fl. 10213DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 13 12 A preclusão temporal para a apresentação de provas pode ser superada, portanto, quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido. e Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Para que não restem dúvidas, a razão de decidir quanto a este ponto se baseia na absoluta impossibilidade de se aceitar os documentos acostados, por força de expressa disposição legal. Não há justificativa para que a interessada, anos depois de concluída a fiscalização, simplesmente "despeje" no processo documentos (notas fiscais, boletos, comprovantes de pagamento, decisões de outros feitos e consulta ao fisco estadual), quando deveria têlo feito em momento oportuno. A preclusão temporal para a apresentação de provas somente pode ser superada quando demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses do comando ao norte reproduzido, o que não ocorre no caso sob análise. Aliás, verificase que foram diversas as intimações feitas pela autoridade fiscal, durante os trabalhos de auditoria, que duraram praticamente um ano. A fiscalização agiu de forma bastante diligente, como demonstram os seguintes excertos (destacaremos): Após a conciliação, os valores a crédito remanescentes foram individualizados em uma planilha e o contribuinte foi intimado em 15/02/2013 (Termo de Intimação Fiscal n° 04) a prestar os seguintes esclarecimentos: 1. Confirmar o valor do faturamento apurado pela fiscalização com base nos livros Diário e Razão apresentados à fiscalização, os quais são divergentes dos valores declarados em DIPJ. Segue abaixo o resumo da apuração realizada pela fiscalização, dos valores declarados em DIPJ e das divergências apuradas; (...) 2. Justificar a existência de saldo credor de caixa presente em sua escrituração (Livro Diário e Razão) do ano de 2008, apresentada à fiscalização. Ressaltase que o saldo credor de caixa é presunção de omissão de receitas, conforme estabelece o Art 281 do RIR/99. Segue abaixo a relação diária com os saldos credores de caixa. (...) 3. Comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente conforme descrição individual dos lançamentos a crédito detalhados no ANEXO AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N. 04, o qual contém 167 (cento e Fl. 10214DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 14 13 sessenta e sete) páginas. A comprovação deverá se mediante apresentação de documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) A resposta apresentada pelo contribuinte para o saldo credor de caixa e depósitos bancários de origem não comprovada estão desacompanhadas de quaisquer documentação de amparo. Por tratarse de presunção legal cabe ao contribuinte comprovar com a apresentação de documentação hábil e idônea a origem do saldo credor de caixa e dos depósitos bancários. Vale ressaltar que o contribuinte não se manifestou sobre o valor das receitas escrituradas e não declaradas constantes do item "1" do Termo de Intimação Fiscal n° 04. (...) Notase que após a mencionada intimação a autoridade fiscal produziu mais 4 (quatro) termos de intimação, informando ao contribuinte acerca do não atendimento às solicitações; ademais, o interessado também tomou ciência de que a ausência de comprovação documental levaria ao arbitramento do lucro, mas ainda assim não se manifestou. Curiosamente, sem ter sequer apresentado documentos ao tempo da impugnação, como permite a lei, apenas com o voluntário a defesa trouxe ao processo documentos, cuja imensa maioria foi acostada um ano depois de vencido o prazo para apresentação do recurso. Infelizmente, é costumeira a situação em que o contribuinte, intimado durante os trabalhos de fiscalização, deixa de atender às solicitações efetuadas, para, em momento posterior, apresentar documentos que infirmariam a autuação mediante arbitramento do lucro. No caso dos autos, não há motivo que justifique a apresentação extemporânea de documentos básicos, de fácil localização, como notas fiscais e comprovantes de pagamento do próprio interessado. Não se cuida de documentos de terceiros, mas de informações que foram solicitadas, por oito vezes, durante a fiscalização. Portanto, não serão aceitos ou sequer apreciados os documentos trazidos apenas no recurso voluntário (ou um ano depois dele), posto que o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentálos ao tempo dos trabalhos de auditoria. No mesmo sentido, somente serão conhecidos os argumentos formulados na impugnação e repisados no voluntário, que são aqueles sobre os quais se manifestou a decisão recorrida. Descarto, pois, qualquer alegação de nulidade, visto que não se verifica a presença de qualquer mácula prevista no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 10215DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 15 14 Com efeito, percebese que todos os procedimentos de fiscalização e os argumentos da decisão recorrida atendem aos pressupostos legais, razão pela qual não há de se falar em nulidade, mas apenas de inconformismo da Recorrente em relação ao que restou decidido. Quanto ao mérito, a Recorrente não contesta a apuração dos valores, mas sim o fato de que somente ficava com parte dos montantes depositados, a título de comissão pela revenda de cartões de operadora telefônica. Ocorre que um dos fundamentos para o arbitramento do lucro, pelo valor total dos depósitos (posto que durante a fiscalização a interessada não apresentou documentos para subsidiar suas alegações) decorre de infração quanto à sistemática adotada, pois no ano calendário de 2008 a empresa auferiu receita bruta superior a R$ 48.000.000,00, questão discutida em outro processo administrativo. Assim, a autoridade fiscal cumpriu o dever legal de apurar o lucro com base no arbitramento, pois presente a hipótese legal prevista no artigo 530 do Decreto n. 3000/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; (grifamos) Portanto, a empresa não poderia optar pelo lucro presumido e deveria manter a escrituração nos termos da lei, com destaque para os livros obrigatórios, como o Diário, o Razão e o LALUR. A fiscalização noticia que a empresa deixou de registrar o livro Diário na Junta Comercial, não apresentou o LALUR e também não escriturou no Diário a sua movimentação bancária, incorrendo também na hipótese do artigo 530, III, c/c o disposto no artigo 527 (que faz expressa menção à escrituração da movimentação bancária), ambos do Decreto n. 3.000/99. Fl. 10216DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 16 15 De se notar que os lançamentos com base no lucro arbitrado, efetuados pela autoridade fiscal, decorrem de comando normativo expresso, que se amolda perfeitamente aos fatos narrados nos autos, conforme duas hipóteses legais, que foram devidamente indicadas nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal. Ante a perfeita subsunção dos fatos às diretrizes normativas, aprecio e rechaço os argumentos trazidos pela Contribuinte contra a utilização do arbitramento pela autoridade fiscal. No que se refere à base de cálculo, aduz a Recorrente que não operava em nome próprio, mas em favor da Vivo, e que fazia jus a apenas 8% do valor que transitava por suas contas, a título de comissão. Como se sabe, a base de cálculo do lucro presumido e do lucro arbitrado consiste na aplicação de um percentual sobre a receita bruta, fixado de acordo com os coeficientes previstos pela legislação. Acerca do tema, o artigo 532 do RIR/99 estabelece que: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n º 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Com base no comando acima, a autoridade fiscal aplicou sobre a receita decorrente das atividades de venda de cartão telefônico (revenda de mercadorias) e sobre os serviços de transporte de carga o percentual de 8%, previsto para o lucro presumido, acrescido de 20% (Lei nº 9.249/95, artigo 16 e Lei nº 9.430, artigo 27, I), no total de 9,6%. Foi aplicado o percentual de 32% sobre a receita decorrente da prestação de serviços em geral, também acrescido de 20%, nos termos do que dispõe o artigo 519, §1º, do RIR. Em relação à infração principal, a base legal do auto de infração é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 10217DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 17 16 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. E isso foi feito à exaustão, como se depreende das intimações presentes nos autos, sem que o contribuinte apresentasse, à época, os documentos solicitados. Percebese que as intimações para comprovação da origem dos depósitos descrevem minuciosamente quais valores careciam de verificação, a exemplo do Termo n. 4, que contabiliza 167 páginas. Sobre a resposta formulada pela empresa a fiscalização assim se manifestou (destacaremos): A resposta apresentada pelo contribuinte para o saldo credor de caixa e depósitos bancários de origem não comprovada estão desacompanhadas de quaisquer documentação de amparo. Por tratarse de presunção legal cabe ao contribuinte comprovar com a apresentação de documentação hábil e idônea a origem do saldo credor de caixa e dos depósitos bancários. Vale ressaltar que o contribuinte não se manifestou sobre o valor das receitas escrituradas e não declaradas constantes do item "1" do Termo de Intimação Fiscal n° 04. Em virtude de omissões de receitas no anocalendário de 2008, foram lavrados autos de infração (ciência em 22/03/2013) para exigência dos tributos devidos, sendo que os lançamentos estão sendo controlados pelo processo nº 13609.720385/201351. O contribuinte foi cientificado do Termo de Encerramento Parcial, no dia 22/03/2013, no qual foi ressaltado que a Fl. 10218DF CARF MF Processo nº 13609.722150/201301 Acórdão n.º 1201001.860 S1C2T1 Fl. 18 17 “FISCALIZAÇÃO PROSSEGUE PARA O PERÍODO DE 01/01/2009 A 31/12/2010”. De acordo com o que foi apurado, o contribuinte extrapolou o limite de faturamento para permanecer no Lucro Presumido a partir do anocalendário de 2009. Concluise, portanto, que foram corretos os procedimentos de arbitramento, assim como a apuração da base de cálculo, de sorte que não há reparos a fazer aos lançamentos nem tampouco à decisão de piso, inclusive no que tange aos reflexos. Os lançamentos são perfeitos porque refletem as informações disponíveis para a autoridade fiscal ao tempo da auditoria, sendo impossível considerálos viciados por força do não atendimento de intimações regulares, que concederam ao interessado tempo mais do que suficiente para a apresentação de documentos que subsidiassem suas alegações. Como se trata de presunção de omissão de receitas, materializada pela não comprovação, no tempo e na forma devidos, das origens dos valores depositados em conta da interessada, não há como acolher a pretensão da Recorrente. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 10219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903152/2012-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.425
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 52 /2 01 2- 87 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.688, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903152/201287 Acórdão n.º 3402004.425 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001186/2010-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir conscientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada.
LEGITIMIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. A pessoa jurídica não pode pleitear, em nome próprio, a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 9101-002.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento em relação à multa qualificada e, (ii) por maioria de votos, em dar-lhe provimento quanto à responsabilidade dos sócios de fato da pessoa jurídica, para anular a parte da decisão recorrida que tratava da responsabilidade solidária, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe negou provimento nessa matéria. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado A.T. ATENDIMENTO CENTRAL LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Os requisitos para a qualificação da multa de ofício estão presentes na hipótese do contribuinte omitir conscientemente percentuais elevados de suas receitas de maneira reiterada. LEGITIMIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. A pessoa jurídica não pode pleitear, em nome próprio, a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em darlhe provimento em relação à multa qualificada e, (ii) por maioria de votos, em darlhe provimento quanto à responsabilidade dos sócios de fato da pessoa jurídica, para anular a parte da decisão recorrida que tratava da responsabilidade solidária, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que lhe negou provimento nessa matéria. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 86 /2 01 0- 22 Fl. 6817DF CARF MF 2 (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida A. T. Atendimento Central LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrida”) e outros, em face do acórdão n. 1301 001.600 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre os seguintes temas: 1) Multa qualificada. Omissão de receita. Montante de receita omitida. Conduta reiterada. 2) Possibilidade da pessoa jurídica apresentar recurso para exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo; 3) Aplicação da norma de responsabilidade do art. 124, I, do CTN. Em breve síntese, foi imputada à recorrida a prática de “sonegação/fraude”, tipificada no art. 71, I, da Lei n. 4.502/64, com a aplicação de multa qualificada (150%) e, ainda, a responsabilidade solidária dos sócios de fato. Como prova da sonegação supostamente realizada, a fiscalização verificou que o contribuinte omitiu receitas na declaração referente ao anocalendário de 2006, inclusive de forma a permanecer irregularmente no SIMPLES. A DRJ julgou a impugnação administrativa improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade (fls. 649 e seg. do eprocesso). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. Nada impede a utilização da presunção como meio de prova de omissão de receita. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. MULTA QUALIFICADA (150%). TAXA SELIC. Não compete à instância administrativa negar aplicação à legislação tributária vigente sob a alegação de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, prerrogativa do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. Provado que os administradores eram os sócios de fato da pessoa jurídica autuada, está correto atribuirlhes responsabilidade solidária passiva com base no art. 124, inciso I, do CTN. Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 19515.001186/201022 Acórdão n.º 9101002.986 CSRFT1 Fl. 6.819 3 AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente. Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (fls. 6.679 e seg. do eprocesso). As outras pessoas arroladas como responsáveis solidários não apresentaram recurso voluntário. Na decisão recorrida, por considerar que a simples omissão de receita não autorizaria a qualificação de multa de ofício, a Turma a quo deu parcial provimento ao recurso, de forma a desqualificar a multa de ofício para aplicar o percentual de 75%, declarar que a não comprovação, mediante documento hábil e idôneo, da origem de receita ou rendimento creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, se caracterizaria como omissão de receita, bem como afastou a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas (fls. 6.728 e seg. do eprocesso). Destacase o seguinte trecho do voto do i. Conselheiro Relator, que restou vencedor em relação a essas matérias, in verbis (fls. 6.747 do eprocesso): Diante disso, a utilização das disposições do Art. 124, inciso I do CTN para a configuração de responsabilidade do sócio/administrador, conforme apontado no Termo de Sujeição Passiva Tributária, contido às fls. 606, tem como fundamento, exclusivamente, as vantagens econômicas eventualmente auferidas pelo referido agente, sem considerar, na sua materialidade, quaisquer das hipóteses aqui então devidamente configuradas, de forma que, com todas as vênias, entendo, no caso, pela extrapolação, pelos agentes da fiscalização, do conceito próprio e definido em nosso sistema normativo a respeito da configuração do dito responsável solidário, sendo, aqui, então, necessária a indicação das disposições da decisão proferida no REsp 1101728 / SP, e, com isso, o reconhecimento da impossibilidade de sua manutenção na presente vertente, com base, então, nos fundamentos aqui esposados. (...) Por essas disposições, verificase que, obtendo os agentes da fiscalização as informações a respeito das movimentações financeiras realizadas nas contas correntes da fiscalizada e não tendo ela apresentado, ao tempo e modo devido, os específicos e devidos registros dos respectivos montantes em sua contabilidade com a comprovação de sua origem e natureza, perfeitamente válida, mais uma vez, se mostra a aplicação da presunção de omissão de receitas, da forma como efetivada, não se podendo aqui, portanto, deixarse de observar a especifica determinação legal aqui apontada. À fiscalizada, insistase, assistiria o direito de efetivamente desconstituir as presunções aplicadas, apresentando, quando devidamente intimada para tanto, as respectivas comprovações a respeito da origem e natureza dos apontados recursos, o que, mais uma vez, não se verifica no presente caso. Diante disso, perfeitamente válida e regular, no caso, se verifica a aplicação da presunção de omissão de receitas promovida na atuação realizada, não se havendo falar aqui, absolutamente, em qualquer invalidade das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96 (Súmula CARF no 2) e, ainda, em qualquer ofensa a princípios da razoabilidade, proporcionalidade, contraditório, ampla defesa ou qualquer outra disposição constitucional apontada. (...) No presente caso, o que se verifica, de fato, é que o lançamento efetivado tomara como base, exclusivamente, a efetiva ausência de registro das movimentações Fl. 6819DF CARF MF 4 financeiras, obtidas a partir da emissão das respectivas Requisição para Informação de Movimentação Financeira – RMF. De fato, aqui não se verifica a apresentação de nenhum outro fato que, isoladamente, pudesse considerar quaisquer das condutas contidas nas disposições dos referendados arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, sendo certo, e aqui completamente induvidoso, a completa e total impossibilidade de manutenção da qualificação da penalidade aplicada. Assim, em atenção às especificas disposições da mencionada Súmula CARF no 14, entendo assistir razão à recorrente neste particular, devendo, assim, ser efetivamente afastada a qualificação da penalidade aplicada, reduzindose, assim, o seu patamar para 75% (setenta e cinco por cento), nos termos aqui apontados. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI COMPLEMENTAR 105. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF No 2 Nos termos do art. 1, §3o da LC 105, a entrega de informações pelas instituições financeiras aos agentes da fiscalização, quando regularmente instaurado o competente processo administrativo fiscal respectivo, não constitui violação ao dever de sigilo. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO FISCAL. VALIDADE Nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. VALIDADE. SÚMULA CARF No 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS/ADMINISTRADORES. Na linha da consolidada jurisprudência nacional, a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (STJ EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). MULTA DE OFÍCIO. (DES)QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF No 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Cientificada das aludidas decisões, a PFN interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto aos seguintes pontos: a) expressiva quantia de receita omissiva apurada com base em depósitos bancários não comprovados; b) reiteração da conduta adotada pelo agente na omissão de receitas apurada com base em depósito bancário de origem não comprovada; c) isenção da responsabilidade solidária dos sócios administradores, inobstante a inexistência de recurso voluntário destes; d) responsabilidade do art. 124 do CTN. (fls. 6.754 e seg. do eprocesso): O recurso especial foi integralmente admitido por despacho (fls. 6.790 e seg. do eprocesso). Em breve síntese, a PFN alega em seu recurso: Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 19515.001186/201022 Acórdão n.º 9101002.986 CSRFT1 Fl. 6.820 5 a omissão de quantia expressiva de rendimentos da empresa de forma reiterada demonstraria o dolo em omitir informações do fisco; O recurso voluntário da pessoa jurídica não aproveitaria às pessoas físicas por falta de interesse processual, conforme o entendimento do REsp n. 1.347.627, julgado pelo STJ sob o regime dos recursos repetitivos. Teria ocorrido a preclusão do direito dos responsáveis de recorrer e, assim, a decisão da DRJ teria se tornado definitiva na esfera administrativa; “demonstrada a interposição de pessoas na constituição da pessoa jurídica, cabível a inclusão dos sócios de fato na sujeição passiva do crédito tributário com fundamento no art. 124, I do CTN, como ocorreu no caso em debate”. Não foram apresentadas contrarrazões. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. O recurso especial de divergência interposto pela PFN é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. A primeira matéria a ser analisada diz respeito à qualificação da multa. Vale observar o que consta no Termo de Constatação (efls. 467 e seg.): "Desde o inicio da presente ação fiscal constatouse, contudo, que a atividade da empresa registrada junto ao CNPJ, através do CNAEFiscal, na época dos fatos, é de "Laboratórios fotográficos", sob código 7420003. Já o objeto social do contribuinte, registrado em seus contratos sociais consolidados em 09/11/2004, 12/01/2005 e 26/08/2005, consta como: "A sociedade tem por objeto: a) servico̧ de encadernaçaõ e revelação fotográfico; b) comércio atacadista e varejista de materiais fotográficos e cinematográficos em geral; c) assessoria técnica e mercadológica relacionada com a atividade supra." Posteriormente, em 21/08/2006, o contribuinte retirou de seu, contrato social a atividade de comércio, passando a constar: "A sociedade tem por objeto: a) servico̧ de encadernaçaõ e revelação fotográfico; b) assessoria técnica e mercadológica relacionada com a atividade supra." (...) Notase, portanto, que o contribuinte dispunha, entre 2005 e 2006, de infra estrutura e realizava despesas e custos compatíveis com a execução efetiva de serviços de revelação de fotografias, confirmando sua condica̧õ de "laboratório fotográfico". Fl. 6821DF CARF MF 6 Foi observado ainda, durante a açaõ fiscal, que o contribuinte atuou principalmente na execuçaõ de servico̧s de revelaçaõ de fotografias de eventos de formaturas, tendo como clientes fotógrafos individuais e empresas organizadoras de eventos de formaturas. (...) Em atendimento As intimações para comprovação da origem dos depósitos bancários relativos ao anocalendário 2005, bem como para apresentação de livros contábeis e fiscais relativos ao ano calendário 2006, apesar de anteriormente ter apresentado "boletim de ocorrência" policial e alegado impossibilidade de exibição de livros e documentos, o contribuinte apresentou A RFB em 17/07/2009 folhas soltas identificadas "Livro Diário" e Livro Razão", referindose a reconstituição da escrita contábil do contribuinte relativa ao anocalendário 2006. A contabilidade apresentada, não encadernada, foi objeto de apreensão das folhas relativas ao Livro Razão de 2006 em 25/11/2009, tendo sido essas folhas (Livro Razão) juntadas aos Anexos X a XIV deste processo. A escrita contábil apresentada pela empresa, juntada aos Anexos X a XIV deste processo, foi imediatamente analisada, tendose constatado que o contribuinte registrou, nessa contabilidade, a quase totalidade dos lançamentos referindose a movimentos de recursos financeiros entre Caixa e Bancos, e viceversa, sem qualquer objetivo aparente para tais operacõ̧es. Alguns pagamentos efetuados, que podem ser demonstrados através de notas fiscais de terceiros emitidas em nome do contribuinte, foram contabilizados indevidamente como se fossem referentes a empréstimos concedidos pelo contribuinte na forma de pagamento de despesas de terceiros, apesar do documento comprobatório das despesas estar em nome do contribuinte. Supostamente, as despesas seriam da empresa PH — Photograph Fomento Mercantil Ltda, empresa cujo sócio majoritário e administrador é o Sr. Marcelo Francisco Rainho, CPF 106.583.48884, administrador do contribuinte durante o anocalendário 2006, empresa esta que havia sido indevidamente utilizada pelo contribuinte, na primeira contabilidade apresentada relativa ao ano calendário 2005 (fatos apurados através do processo administrativo No. 19515.000003/201051), como fornecedora de recursos na condição de mútuo, recursos estes que mostraramse insubsistentes. As referidas despesas, todavia, estão em nome do contribuinte, e não da empresa PH — Photograph Fomento Mercantil Ltda, como demonstram as cópias de notas fiscais obtidas em procedimentos de circularização e juntadas aos Anexos XVI a XXII deste processo. (...) A partir da análise da contabilidade apresentada pelo Contribuinte, conforme acima já detalhado, constatouse: a) a contabilidade apresentada pelo contribuinte não apresenta registro de receitas durante o anocalendário 2006, apesar da existência de provas de que a empresa exerceu atividades operacionais no período (movimentações financeiras, aquisições de insumos, utilizaçaõ de servico̧s de manutençaõ e assistência técnica, etc); b) a contabilidade apresentada registra as entradas de recursos em bancos como oriundas de Caixa, e as saídas de bancos (não relativas a pagamentos de taxas bancárias) como destinadas a Caixa (salvo poucas exceções registradas como operações de pagamentos de despesas de terceiros); todavia, a análise dos históricos dos lançamentos constantes dos extratos bancaŕios do contribuinte demonstra que as entradas de recursos em bancos decorrem de depósitos de cheques ou de transferências bancárias, e não de depósitos em dinheiro; notese que muitos lançamentos de depósitos permaneceram temporariamente bloqueados, indicando a necessidade de tramitação dos recursos por compensação, o que exclui a possibilidade de tratarse de depósitos em dinheiro; dessa forma, resta insubsistente a contabilização de tais entradas de Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 19515.001186/201022 Acórdão n.º 9101002.986 CSRFT1 Fl. 6.821 7 recursos em bancos como oriundas de Caixa, uma vez que os depósitos não foram feitos em dinheiro; c) foram identificadas, mediante procedimentos regulares de "circularização", notas fiscais indicando ocorrência de despesas e de compras de máquinas e equipamentos durante o anocalendário 2006, emitidas por terceiros em nome do contribuinte; todavia, tais notas fiscais não se encontram contabilizadas, ou encontramse registradas indevidamente como empréstimos a terceiros, e a contabilidade apresentada pelo contribuinte não indica a existen̂cia de recursos financeiros capazes de dar suporte a todas as aquisições; d) foram identificadas notas fiscais emitidas pelas empresas Noritsu do Brasil Ltda (CNPJ 54.259.411/000125) e Kodak Brasileitra Comércio de Produtos para Imagem e Serviços Ltda (CNPJ 61.186.938/000132), durante todo o ano calendário 2006, comprovando a aquisiçaõ, pelo contribuinte, de insumos necessários a revelação e ampliaca̧õ de fotografias, bem como materiais e peças de reposição e manutençaõ para equipamentos do tipo "minilab", assim como aquisições de equipamentos "minilab" entre 2001 e 2006; estas aquisições efetuadas pelo contribuinte, bem como os serviços de manutençaõ e assistência técnica realizados pelas empresas citadas neste parágrafo, comprovam a efetiva utilizaçaõ, pelo contribuinte, dos equipamentos profissionais do tipo "minilab", que tam por finalidade exclusiva a revelação e ampliação de fotografias, em concordância com a atividade do contribuinte registrada junto ao CNPJ; todavia, a contabilidade do contribuinte não reflete essas despesas e aquisições, e não demonstra os resultados financeiros das atividades operacionais exercidas no anocalendário 2006; e) a contabilidade apresentada a Fiscalização pela empresa PH — Photograph Fomento Mercantil Ltda, CNPJ 02.446.499/000190, demonstra que essa empresa não dispõe de capacidade financeira para ter fornecido ao contribuinte, durante os anoscalendário 2005 e 2006, recursos financeiros em valores releyantes para suportar as operações do contribuinte; f) foram identificadas transferências financeiras ocorridas em 2006 entre as duas empresas, relacionadas no "Demonstrativo de Transferen̂cias — CAD SP x PH", que faz parte integrante e indissociável deste Termo; estas transferências totalizaram, em 2006, R$ 1.101.488,00 oriundos da PH com destino a CAD SP, e R$ 735.192,88 oriundos da CAD SP com destino 6. PH; dessa constatação verificase que parcela significativa dos recursos financeiros aqui tratados foi repassada pela PH a CAD SP durante 2006 e não foi devolvida; esse montante permaneceu em contas bancárias da CAD SP, concluindose que os recebimentos oriundos da empresa "PH" referemse a valores descontados em operacõ̧es de "factoring" pela PH para clientes dos ramos de fotografia e eventos, tendo sido tais recursos repassados à CAD SP em pagamento por servico̧s prestados aos mesmos clientes das operacõ̧es de "factoring". (...) Tendo em vista que o contribuinte apresentou, à Receita Federal, Declaração Simplificada — PJSI relativa 3.0 anocalendário 2006 com receita declarada notoria e reiteradamente inferior à receita real auferida, bem como permaneceu indevidamente no regime do SIMPLES em 2006 e anos seguintes apesar de ter auferido excesso de receita sobre o limite do SIMPLES já em 2005, constatase a clara intenção do contribuinte de evitar que a administração tributária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador, restando configurada a situação prevista no art. 71, inc. I, da Lei 4.502/64. Constatouse, ainda, que o contribuinte agiu repetidamente, no curso da ação fiscal, no sentido de buscar evitar que a Fiscalização tomasse conhecimento dos verdadeiros fatos ocorridos, deixando de apresentar documentos, apresentando Fl. 6823DF CARF MF 8 contratos de mútuo e recibos que não refletem as operações realizadas, apresentando reconstituição de escrita contábil que não reflete as operações da empresa, também recaindo no disposto no art. 71, inc. I, da Lei 4.502/64. Em face disto, a multa de oficio decorrente do presente auto de infração passa a ser de 150%, conforme disposto no art. 44, inc. II da Lei 9.430/96 vigente à época dos fatos, posteriormente renumerada pela Lei 11.488/2007 passando a constar do art. 44, inc. I, em percentual duplicado conforme §1 ° do mesmo artigo.” O aludido artigo 44, da Lei 9.430/1996, apresentava a seguinte redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75%(Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. O artigo 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. É da essência da sonegação o propósito de ocultar, de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade administrativa a respeito da ocorrência do fato jurídico, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte. O dolo pode ser verificado em uma série de fatores que evidenciam a intuito de privar o Estado de arrecadação tributária a que faria jus. No presente caso, a questão reside em saber se os fatos descritos pelo acórdão a quo correspondem à figura da “sonegação”, de forma a confirmar o entendimento do agente fiscal, que qualificou a multa imposta ao contribuinte para 150%. Há um acervo de provas que torne “evidente” a pratica de atos dolosos, vocacionados a ocultar o fisco o conhecimento quanto à ocorrência do fato gerador (sonegação) ou mesmo fraudar a ocorrência deste? Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 19515.001186/201022 Acórdão n.º 9101002.986 CSRFT1 Fl. 6.822 9 Compreendo que sim. Conforme as apurações acima transcritas, há evidências de que houve dolo do contribuinte em privar a administração fiscal quanto ao conhecimento de receitas tributáveis obtidas, não apenas para que estas não se sujeitassem à tributação, mas também a fim de se enquadrar indevidamente no regime privilegiado do SIMPLES NACIONAL, com inserção de informações falsas em suas escritas contábeis e outros artifícios. A Súmula 14 do CARF, no caso, não é aplicável, pois há outros elementos além da omissão de receitas presentes e que conduzem ao preenchimento dos requisitos para a qualificação da multa. A segunda matéria a ser analisada consiste na legitimidade da defesa oferecida pela pessoa jurídica, em benefício de responsáveis solidários, a fim de excluílos do pólo passivo da exigência tributária. A PFN requer seja aplicado ao caso a norma de recurso repetitivo enunciada pelo e. Superior Tribunal de Justiça no acórdão n. 1.347.627/SP. Assim, com a ilegitimidade da pessoa jurídica recorrida para pleitear perante este Conselho a exclusão dos sócios do pólo passivo, a decisão recorrida deveria ser reformada. Em outros termos, requer a PFN que seja reconhecida a definitividade do acórdão prolatado pela DRJ, que concluiu pela responsabilidade solidária em questão, o qual não foi combatido por recurso próprio dos responsáveis, mas apenas por recurso voluntário da pessoa jurídica, ilegítima processualmente para tanto. A referida decisão prolatada pelo e. STJ restou assim ementada: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (REsp 1347627/SP, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/10/2013, DJe 21/10/2013) O voto condutor do aludido acórdão segue integralmente transcrito: “VOTO EXMO. SR. MINISTRO ARI PARGENDLER (Relator): Os autos dão conta de que, ordenado o redirecionamento da execução contra os sócios, a pessoa jurídica, originariamente acionada, interpôs agravo de instrumento no interesse deles. ‘Ninguém’ está dito no art. 6º do Código de Processo Civil – ‘poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei’. Quer dizer, a substituição processual depende de expressa previsão legal, e não há lei que autorize a sociedade a interpor recurso contra a decisão que, na execução contra ela ajuizada, inclua no polo passivo os respectivos sócios. Nesse sentido os precedentes do Superior Tribunal de Justiça (EDcl no AREsp nº 14308, MG, relator o Ministro Humberto Martins, DJe de 27.10.2011; REsp nº 793.772, RS, relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJe de 11.02.2009; AgRg no REsp 976768, MG, relator o Ministro Luiz Fux, DJe 07/05/2008) Voto, por isso, no sentido de conhecer do recurso especial e de negarlhe provimento. Após a publicação do julgado, oficiese aos Tribunais Regionais Federais e aos Tribunais de Justiça, com cópia do acórdão, para o cumprimento do art. 543C, § 7º, do Código de Processo Civil.” Fl. 6825DF CARF MF 10 Tenho dúvidas se o REsp n. 1.347.627/SP apresenta aplicação obrigatória ao caso concreto, especialmente porque se dirige a espécie bem delimitada de ação judicial, qual seja, embargos à execução. Contudo, me parece que o racional da aludida decisão deve ser acolhido no caso. Notese que o CPC/73 trazia conhecida regra em seu art. 6o, qual seja: Art. 6o. Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Aludida regra passou a constar no art. 18 do CPC/2015: Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. A observância da referida regra no presente caso decorre também do art. 15 do CPC/2015: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. No presente caso, a pessoa jurídica foi quem requereu, em nome próprio, a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da autuação fiscal, padecendolhe, portanto, legitimidade para tanto. Nesse seguir, voto no sentido de também dar provimento a essa parcela do recurso especial da PFN, de forma a restabelecer a responsabilidade tributária em questão. Resta, portanto, prejudicada a análise da terceira matéria. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso especial e, no mérito, para darlhe PROVIMENTO, para restabelecer a qualificação da multa de ofício para 150%, bem como a responsabilidade tributária afastada pela decisão recorrida. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 6826DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900235/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.576
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 35 /2 01 2- 72 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13819.900235/201272 Acórdão n.º 3302004.576 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.210. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13819.900235/201272 Acórdão n.º 3302004.576 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13819.900235/201272 Acórdão n.º 3302004.576 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13819.900235/201272 Acórdão n.º 3302004.576 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13819.900235/201272 Acórdão n.º 3302004.576 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13819.900235/201272 Acórdão n.º 3302004.576 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720170/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. EMPRESA CINDIDA NÃO EXTINTA. IMPOSSIBILIDADE.
As previsões contidas no artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decreto-lei nº 1.598/77 e do art. 207 do RIR/99 não devem se sobrepor ou mesmo ultrapassar os limites contidos no art. 132 do CTN, razão pela qual resta impossível a responsabilização tributária por sucessão da empresa que absorver parcela da empresa cindida mas não extinta como acontece na hipótese de cisão parcial.
Numero da decisão: 1201-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, sem efeitos infringentes, para integrar a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. EMPRESA CINDIDA NÃO EXTINTA. IMPOSSIBILIDADE. As previsões contidas no artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decreto-lei nº 1.598/77 e do art. 207 do RIR/99 não devem se sobrepor ou mesmo ultrapassar os limites contidos no art. 132 do CTN, razão pela qual resta impossível a responsabilização tributária por sucessão da empresa que absorver parcela da empresa cindida mas não extinta como acontece na hipótese de cisão parcial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, sem efeitos infringentes, para integrar a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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EMPRESA CINDIDA NÃO EXTINTA. IMPOSSIBILIDADE. As previsões contidas no artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decretolei nº 1.598/77 e do art. 207 do RIR/99 não devem se sobrepor ou mesmo ultrapassar os limites contidos no art. 132 do CTN, razão pela qual resta impossível a responsabilização tributária por sucessão da empresa que absorver parcela da empresa cindida mas não extinta como acontece na hipótese de cisão parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, sem efeitos infringentes, para integrar a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 70 /2 01 2- 31 Fl. 8289DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 82668267) contra a decisão proferida no Acórdão nº 1201001.469, de 10/08/2016, por meio do qual o colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, e, no que importa aos presentes embargos, por unanimidade de votos, afastou a responsabilidade da empresa Hipermarcas, nos termos do voto do Relator. A ementa encontrase assim redigida, no ponto que importa ao presente: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INOCORRÊNCIA DE ENCERRAMENTO DA EMPRESA CINDIDA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 132 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo ocorrido o encerramento das atividades da empresa cindida é inaplicável a regra de responsabilização tributária por sucessão prevista no art. 132 do CTN.” Aduz a embargante a existência de omissão no julgado. Transcrevese a seguir, excertos da exposição da embargante: “A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF afastou a responsabilidade solidária da empresa Hipermarcas, afirmando que o único fundamento legal utilizado, art. 132 do CTN, era incompatível com a cisão parcial. Vejamos: (...) Contudo, a análise dos autos indica que a Fiscalização também utilizou como fundamento legal, o art. 129 do CTN, o art. 5º do Decretolei nº 1598/77 e o art. 207 do RIR/99. Vejamos (TVF): (...) Registrese que o art. 5º do Decretolei nº 1598/77 e o art. 207 do RIR/99 expressamente atribuem responsabilidade às pessoas jurídicas em casos de cisão parcial. E sobre as suas aplicações, a e. Turma não se manifestou. (...) Em face do exposto, a União requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma, sanando a omissão, justifique o afastamento do art. 129 do CTN, do art. 5º do Decretolei nº 1598/77 e do art. 207 do RIR/99, também utilizados pela Fiscalização como fundamento legal para a responsabilização da empresa Hypermarcas S/A.” Fl. 8290DF CARF MF Processo nº 16561.720170/201231 Acórdão n.º 1201001.841 S1C2T1 Fl. 3 3 Os Embargos foram admitidos . É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise dos vícios apontados. Os presentes Embargos de Declaração se referem, basicamente ao fato do acórdão ora embargado ter efetuado a análise da responsabilidade tributária da empresa HYPERMARCAS tão somente do enfoque do art. 132 do CTN, ao passo que a fiscalização havia fundamentado a responsabilidade tributária também em outros dispositivos legais que são o artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decretolei nº 1.598/77 e o art. 207 do RIR/99. De fato, o acórdão ora embargado não se pronunciou acerca do artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decretolei nº 1.598/77 e do art. 207 do RIR/99, restando, portanto, procedente o argumento da ora Embargante quanto à omissão identificada. Assim, para fins de sanar tal vício do acórdão embargado, passo a fazer tal análise. Da responsabilidade tributária da empresa HYPERMARCAS à luz do artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decretolei nº 1.598/77 e do art. 207 do RIR/99 Para iniciar a análise da responsabilidade tributária da empresa HYPERMARCAS, transcrevo abaixo, as normas utilizadas como fundamento do fisco: "Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: (...) III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; (...) § 1º Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica: b) a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; " " Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º): Fl. 8291DF CARF MF 4 I a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; IV a pessoa física sócia da pessoa jurídica extinta mediante liquidação, ou seu espólio, que continuar a exploração da atividade social, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual; V os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º): I as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; II a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; III os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V." Pois bem. Do ponto de vista de hierarquia das normas, tenho que o art. 132 do CTN se sobrepõe aos demais dispositivos legais acima citados quanto à responsabilização solidária no caso de cisão. Isso porque, temos que o art. 146, inciso III da CF/88 prevê que cabe somente à Lei Complementar definir normas gerais em matéria tributária, incluindose a definição de contribuintes e, naturalmente, dos respectivos responsáveis. Ora, de nada adiantaria a reserva de definição de contribuinte à Lei Complementar e deixar um campo livre à Lei Ordinária para definir os responsáveis tributários. Se assim fosse, teria o legislador ordinária total liberdade para alcançar qualquer pessoa sob a alcunha de responsável. Neste sentido, temos que o CTN, que possui status de Lei Complementar, dispõe de forma exaustiva sobre as diversas formas de responsabilização tributária, seja solidária, pessoal ou por sucessão que é aquela que nos interessa no presente caso. A responsabilidade tributária por sucessão prevista no art. 132 do CTN, conforme já debatido nos autos deste processo e decidido no acórdão ora embargado, não prevê a cisão parcial como uma das possíveis hipóteses de responsabilização. Neste caso, a responsabilização da empresa que absorver a parcela cindida. Fl. 8292DF CARF MF Processo nº 16561.720170/201231 Acórdão n.º 1201001.841 S1C2T1 Fl. 4 5 Tendo em vista que o CTN que possui competência constitucional para tanto, não prevê a cisão parcial como hipótese de responsabilização tributária por sucessão, não poderia uma lei ordinária o fazêlo. Assim, entendo que as previsões contidas no artigo 5º, inciso III, e § 1º, alínea b, do Decretolei nº 1.598/77 e do art. 207 do RIR/99 não devem se sobrepor ou mesmo ultrapassar os limites contidos no art. 132 do CTN, razão pela qual entendo impossível a responsabilização tributária por sucessão da empresa que absorver parcela da empresa cindida mas não extinta como acontece na hipótese de cisão parcial. Contudo, no presente caso, é válido também fazer uma análise fática da situação à luz do Princípio da Razoabilidade. Isso porque, patrimônio da empresa autuada (Johnson & Johnson) somava à época um montante aproximado de R$ 3 bilhões e sofreu uma redução de R$ 1,6 milhão em razão da cisão parcial da parcela absorvida pela empresa Hypermarcas. Em outras palavras: a parcela cindida e absorvida pela empresa Hypermarcas correspondeu a cerca de 0,05% do PL da Johnson & Johnson. Vejam, são 0,05%. Por outro lado, o que se discute nos presentes autos é a possibilidade de responsabilização de uma empresa que adquiriu uma parcela de R$ 1,6 mio da empresa autuada por uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão. Não é preciso muito esforço para perceber a total ausência de razoabilidade em tal situação que não se justifica sob qualquer enfoque de análise. Diante de tais situações de fato e de direito presentes no presente caso, entendo deva ser mantida a decisão que afastou a responsabilização tributária por sucessão da empresa Hypermarcas. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados, sem efeitos infringentes, para integrar a decisão recorrida. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 8293DF CARF MF 6 Fl. 8294DF CARF MF
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