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Numero do processo: 10680.015466/2003-11
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: COFINS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS.
Valores meramente contabilizados em receita segundo o regime de competência, mas que não tenham representado efetivamente receitas
realizadas. Impossibilidade de se exigir a incidência sobre expectativa de receita decorrente de variação cambial, eis que se trata de evento futuro e incerto.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.162
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo no Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 10680.015466/2003-11 201-126.728 Especial do Procurador COF1NS 02-03.162 06 de maio de 2008 FAZENDA NACIONAL TELEMIG CELULAR COF1NS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. Valores meramente contabilizados em receita segundo o regime de competência, mas que não tenham representado efetivamente receitas realizadas. Impossibilidade de se exigir a incidência sobre expectativa de receita decorrente de variação cambial, eis que se trata de evento futuro e incerto. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior do Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a intey . o presente julgado. Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 0 8 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Praga (Presidente), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Guri ão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado), Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmir Sandri (substituto convocado). ( Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 201-78.721, de 19 de outubro de 2005, cuja ementa, na parte recorrida, se transcreve a seguir: (--) VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA FINANCEIRA. MOMENTO DA APURAÇÃO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Por determinação legal e para fins de apuração da Cofins, considera- se receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato. No regime de competência, mensalmente ajusta-se a variação cambial ativa de cada contrato desde a data da contratação, de modo a preservar a base de cálculo real da exceção. Não existe previsão legal para excluir a variação cambal passiva da base de cálculo da Cofins.Recurso provido. No entender da Camara recorrida, as variações monetárias ativas das obrigações da ora recorrida, decorrentes das oscilações cambiais, verificadas Ines a mês, durante a vigência dos respectivos contratos, não devem compor a base de cálculo da Cofins. Consta das conclusões da decisão recorrida: Assim, com essas considerações, dou provimento ao recurso interposto, determinando que seja observado o procedimento contábil de mensalmente estornar o valor da variagdo contabilizada até o Ines anterior, refazendo-a, desde a data de abertura do contrato até o final do mês de competência, preservando a base de cálculo real da exação, fazendo incidir a indigitada contribuição sobre a efetiva receita auferida pelo contribuinte. No entender da Camara recorrida, as variações monetárias ativas das obrigações da ora recorrida, decorrentes das oscilações cambiais, verificadas Ines a mês, durante a vigência dos respectivos contratos, não devem compor a base de cálculo da Cofins. A Fazenda Nacional defende que (sic) " as variações monetárias ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da COFINS, e, se tributadas pelo regime de competência, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. (fl. 361) 0 recurso foi admitido pelo Despacho n° 201-462, de fl. 364, sob entendimento de terem sido cumpridos os requisitos de sua admissibilidade. A interessada foi cientificada do recurso especial, optando por apresentar contra-razões (fls. 370/404). Em primeiro lugar, alega ausência de demonstração fundamentada da contrariedade á. lei ou A. evidência da prova. Que (sic) " Não consta no recurso especial ora contrarrazoado ao menos a simples indicação de um dispositivo de lei, nem referência eventual evidência de prova, que tenham sido contrariados pelo v. acórdão recorrido." Que, Processo n.° 10680.015466 12003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 4 (sic) A Fazenda Nacional optou por tecer alegações genéricas, que não justificam, de modo algum, a- revisão do acórdão proferido pela C. I" Camara do 2° Conselho de Contribuintes. Em segundo lugar, traz a par da discussão a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos da ação ordinária n° 1999.34.00.031491-0 (RE n° 446.239/DF), proposta pela recorrida, que declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Aduz a interessada (11.375) que não há que se falar em renúncia administrativa isto porque (SIC) " Ora, no processo judicial a causa de pedir foi a inconstitucionalidade da extensão da base de cálculo além do faturamento, ao passo que, no presente processo, se discute o conteúdo de receita. Muito embora não tenha ocorrido renúncia à esfera administrativa, a declaração do Supremo Tribunal de inconstitucionalidade do art. 30, parágrafo I°, da Lei n° 9.718/98, em recurso extraordinário interposto pela recorrente, implica o cancelamento da exigência No mais, a interessada reproduzindo os argumentos expostos alegados anteriormente em sua defesa deduz deduziu, fundamentalmente, que: (i) as receitas financeiras apontadas são decorrentes das variações monetárias de suas obrigações, em função da taxa de câmbio, à. medida que os valores correspondentes são efetivamente realizados, ou seja, são considerados na apuração da base de cálculo da Cofins apenas os valores relativos às efetivas receitas auferidas, procedimento que está em consonância com a Lei n° 9.718/98; (ii) considerações meraMente econômicas ou um lançamento contábil à conta de receita não caracterizam a hipótese de incidência da Cofins; (iii) a Lei n° 9.718/98 prescreve que a receita bruta deve ser entendida independentemente da classificação contábil adotada; (iv) a doutrina e a jurisprudência administrativa reconhecem que a receita deve ser oferecida à tributação quando definitivamente adquirido o direito ao seu recebimento e quando não mais pendente de qualquer condição suspensiva ou de eventos futuros e aleatórios; (v) as variações cambiais intermediárias, decorrentes das oscilações do câmbio, verificadas, mês a mês, entre a assinatura do contrato e a data de seu vencimento, não podem ser consideradas isoladamente como receitas, na medida em que se manifestam em caráter absolutamente transitório e não definitivo; (vi) argumenta acerca da impossibilidade de tributarem-se meras recuperações de despesas financeiras, em função da ausência de capacidade contributiva e por não representarem receitas efetivas; (vii) afirma que a recuperação de despesa de variação cambial não representa, a rigor, uma reversão de provisão operacional, impondo-se a aplicação do disposto no art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.718/98; (viii) entende que o art. 31 da MP n° 1.858-10/99 aplica-se às variações cambiais consideradas no auto de infração, porquanto, como as respectivas operações não estavam liquidadas nos meses em que ocorreram as contabilizações, e não foram liquidadas até o final do ano de 1999, eram valores que correspondiam à hipótese legal que alude a excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada. Requer a interessada, ao final, com base nas preliminares bem como das razões de mérito expostas, seja mantido o acórdão recorrido. E o Relatório. ( Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 5 Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora O recurso especial interposto atende As foinialidades legais sendo que dele conheço. Em primeiro lugar afasto a preliminar de ausência de demonstração fundamentada da contrariedade A lei ou A evidencia da prova. Que (sic) " Não consta no recurso especial ora contrarrazoado ao menos a simples indicação de um dispositivo de lei, nem referência a eventual evidência de prova, que tenham sido contrariados pelo v. acórdão recorrido." Que, (sic) A Fazenda Nacional optou por tecer alegações genéricas, que não justificam, de modo algum, a revisão do acórdão proferido pela C. I" Câmara do 2° Conselho de Contribuintes. Por se tratar de interpretação da norma jurídica, a análise da contrariedade A lei, se confunde com a análise propriamente do mérito recursal. 0 cerne da questão discutida no presente processo diz respeito ao "momento" de inclusão na base de cálculo da Cofins, das variações cambiais e as receitas financeiras. importante ressaltar que a análise da presente discussão, é na essência inócua, eis que a interessada possui ação própria (RE 446.239-7) com o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei no 9.718/98 (veja-se fl. 374 e 441/440). Na prática, inexiste a figura da chamada renúncia administrativa, muito embora a ação judicial acabe resolvendo a presente lide por ser mais abrangente o objeto discutido naquela instancia. Assim, repita-se, o que se discute nos autos é o momento em que a "receita" proveniente da variação cambial deve ser oferecida A. tributação, enquanto que na ação judicial da interessada, é se a receita (independentemente do momento do reconhecimento) deve integrar ou não, a base de cálculo da contribuição. Tendo em vista o exposto, ainda que prejudicado, a presente análise, por amor ao tecnicismo processual, faço As considerações a seguir expostas. Dispõe o artigo 9 0 da Lei n° 9.718/98, o qual estabeleceu a equiparação das variações cambiais (ativas e passivas) a receitas e despesas financeiras, inclusive para fins de cálculo da Cofins, que: "Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de cambio ou de indices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso." Compulsando os autos em espeque, verifica-se que a exigência fiscal insculpida no lançamento de oficio decorre da flutuação do dólar em dividas da contribuinte, estas contabilizadas pelo regime de competência. Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 6 As variações cambiais, de forma geral, compreendem as atualizações do valor atribuído a direitos (ativos) e obrigações (passivos) do contribuinte, decorrentes da variação da taxa de câmbio, em virtude de disposição legal ou contratual. Com fundamento na Lei n° 9.718/98 (antes da análise de ineonstitucionalidade do STF ao § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98) passou-se a exigir, a partir de 10 de fevereiro de 1999, a contribuição sobre a totalidade das "receitas auferidas" pela pessoa jurídica. A questão ao meu ver está em se definir o conceito de "variação cambial" dentro do conceito de "receita auferida". Não existe, no Ordenamento Jurídico Brasileiro, norma que, expressa e textualmente defina o conceito de receita. Nesse sentido, veja-se a lição do Jurista Ricardo Mariz de Oliveira: 1 Não obstante a ausência de definição legal acerca do conceito de receita, a Lei das S/A detennina, em seu artigo 177, que a escrituração da companhia deve ser mantida em registros pennanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. A contabilidade define receita como o acréscimo bruto de ativos (bens e direitos) sem qualquer contrapartida que resulte no aumento do passivo da entidade que a reconhece (obrigações perante terceiros ou perante a sociedade). A esse respeito, devem-se mencionar os ensinamentos do Professor Hello de Paula Leite 2 : "receitas são acréscimos brutos de ativos que são obtidos sem a ampliação das dividas ou capital da empresa" . Também relevante, é o entendimento do ilustre Professor Sérgio de Ludicibus sobre receita: "6 a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em detenninado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio liquido, considerado separadamente da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio liquido provocados pelo esforço em produzir tal receita ". 3 Ambos os entendimentos doutrinários guardam em si o conceito de que receita corresponde ao aumento do ativo de uma entidade. Oriundo do ingresso de bens e ou direitos sem que para isso essa mesma entidade incorra em determinado tipo de obrigação ou na perda de outros bens ou direitos. Nada obstante a importância das definições trazidas â. presente, é importante ressaltar que determinada mutação patrimonial não pode ser definida como receita (aumento de ativo, sem aumento do passivo) em decorrência apenas da forma pela qual foi contabilizada, in Repertório JOB de Jurisprudência n° 01/2001 , Caderno 1 — p. 33 - "Ora, não existe qualquer norma em direito que diga o que se considera ser 'receita' em geral ou que define em tese as características da entidade conhecida pelo nome de 'receita'. Ilá, Sim inúmeras referências à receita: em inúmeros dispositivos do ordenamento jurídico, contidos nos mais variados diplomas legais, e também em regulamentos de natureza infra-legal mas nenhum deles explicita o que seja uma receita ou o critério para que algo possa ser identilicto como tal" 2 in "Contabilidade para Administradores", Ed. Atlas, 4.a Edição, Sao Paulo, 1997, p. 55. 3 In "Teoria da Contabilidade", Ed. Atlas, 4.a Edição, Sao Paulo, 1995, p. 118 e 119. Processo n.0 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 FN. 7 nos teimos do que pretendeu o legislador, de acordo com a determinação havida no § 1°, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98: "§ 1° -Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. " (grifos, não do original) Veja-se que a lei fala em "receitas auferidas". Auferida, de auferir, quer dizer "receber" 4, recebida. Portanto, enquanto não "auferidas" não estariam na tipicidade descrita na lei. No mais, faz-se necessário verificar se a mutação patrimonial enquadra-se na definição de receita, se representa, efetivamente, uma receita, para posterionitente, contabilizá- la como tal. A forma é ou não receita. Em sendo receita, irrelevante será a fonna de contabilização. Não o inverso. É possível definir o conceito jurídico de receita, como sendo- a entrada, o ingresso de bens e ou direitos (acréscimo patrimonial bruto) auferido pela pessoa jurídica, de cunho econômico, inclusive aqueles que não sejam decorrentes da atividade preponderante da empresa (do cumprimento do seu objeto social) como, por exemplo, os resultados de aplicações financeiras, ou os ganhos extraordinários. É necessária, porém, a ressalva de que não é qualquer entrada que deve ser considerada como receita. Isto porque, existem entradas que ingressam de maneira provisória na pessoa jurídica, nela não permanecendo. Nesse sentido, citem-se os ensinamentos do Professor Geraldo Ataliba em suas considerações sobre a diferenciação entre ingressos e receitas, no que tange à atividade estatal: "Sob a perspectiva jurídica, costuma-se designar por entrada, todo o dinheiro que entra nos cofres públicos, seja a que titulo for. Nem toda entrada, entretanto, representa uma receita. É que muitas vezes o dinheiro ingressa a titulo precário e temporariamente, () Já receitas, silo entradas definitivas, de dinheiro que pertencem ou passam a pertencer ao Estado e das quais ele dispõe (..). " 5 Desta maneira, interpretando-se analogicamente o conceito de receita no direito privado, há que se concluir, necessariamente, que a este, além da noção de acréscimo/plus ao patrimônio, não se pode atrelar o caráter de precariedade e temporariedade. O caráter precário e temporal é inerente As variações de natureza cambial, enquanto os ativos e/ou passivos, ao qual se referem, não forem liquidados e/ou quitados. Assim, para fins de quantificação da base de cálculo das contribuições sociais PIS e da COFINS (totalidade das receitas auferidas) só podem ser consideradas as entradas que ingressam na sociedade, aumentando seu patrimônio, a titulo definitivo. Em nenhum momento a legislação estabelece que a adoção do regime de competência para contabilização das variações cambiais implicaria a impossibilidade de se deduzir os estornos das receitas de variação monetária ativa. Aliás, muito pelo contrário, 4 Miehaellis — Moderno Dicionário da Língua PortugLicsa —Melhoramentos. 5 In "Apontamentos de Ciência das Finanças, Direito Financeiro e Tributário"Ed. Revista dos Tribunais, SP, 1969, pags 25 e26. • Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 8 estabeleceu o disposto no parágrafo 1°, do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158-35, que "A opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência". Com efeito, quando a legislação estabelece que todas as variações cambiais poderão ser reconhecidas pelo regime de competência, não determinou que, neste caso, as pessoas jurídicas não poderiam mais excluir as parcelas das receitas financeiras decorrentes de variação monetária dos direitos de crédito, em função da taxa de câmbio, submetida A. tributação excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada. E nem poderia, vez que não é o critério utilizado pelos contribuintes para a contabilização dos fatos ocorridos que determina o fato tributável, mas sim os limites impostos pela Lei. Diga-se, a regra-matriz de incidência é quem determina, quais os fatos jurídicos passíveis de tributação. No caso da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre a variação cambial, a lei autoriza a tributação somente do resultado positivo auferido quando efetivamente recebido. Assim, se para auferir este resultado o contribuinte contabilizou as variações cambiais utilizando-se do regime de caixa, ou do regime de competência, este fato é absolutamente irrelevante para fins de tributação. A adoção do regime de competência não obriga a pessoa jurídica a considerar • como receita resultados positivos da variação cambial, sujeitos a evento futuro e incerto. Nesse sentido, são as conclusões que ora adoto como se fossem minhas fossem, a que chegaram o advogado José Cassiano Borges e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Lucia Américo dos Reis, em trabalho publicado na revista Dialética de Direito Tributário, já no mês de outubro/2004 - n° 109, págs. 57/64 sobre a matéria em análise. Para tanto, reproduzo excertos da obra: VII. Conclusões Uma vez que a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep não podem incidir sobre expectativa de receita decorrente de variação cambial, eis que se trata de evento futuro e incerto, nada impede que a empresas optem, pela apuração das variações monetárias segundo o regime de competência, deduzindo as variações negativas das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido -CSLL e do Imposto de Renda, sem que ofereça a tributação pela Cofins e pelo PIS/Pasep as variações monetárias positivas. A nosso ver, não há nesse procedimento qualquer contradição, já que as empresas não esteio utilizando simultaneamente o regime de competência para o imposto de renda da pessoa jurídica e a Contribuição Social sobre Lucro Liquido - CSLL e o de caixa para a Cofins e o PIS/Pasep, mas apenas o regime de competência para todos esses tributos, eis que a pessoa jurídica não pode recolher tributo sobre algo que não constitui renda, muito menos receita. . Obvio que, na hipótese de que no momento em que se der o vencimento do Contrato de empréstimo em moeda estrangeira Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 9 for apurada variação cambial positiva em relação ao momento inicial do empréstimo, deverá a empresa, independentemente de qualquer movimento de caixa, oferecer a receita gerada por essa .variação a tributação pela Cofins e pelo PIS/Pasep, pois, nesse momento o que era anteriormente simples expectativa de receita se transforma em autêntica receita, porém nunca antes. Há que se ressaltar para concluir que o procedimento acima mencionado, além de não ser contraditório, está em plena consonância com o Principio da Prudência ou do Conservadorismo, de que trata o art. 10 da ResolUçã o n° 750, de 29 de dezembro de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, cujo teor transcrevemos: "Art. 10. 0 Principio da Prudência detérmina adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os do Passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o Patrimônio Liquido. § 1 ° O Principio da Prudência impõe a escolha da hipótese de que resulte menor patrimônio liquido, quando se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos demais Princípios Fundamentais de Contabilidade. § 2° Observado o disposto no art. 7°, o Principio da Prudência somente se aplica ás mutações posteriores, constituindo-se ordenamento indispensável a correta aplicação do Principio da Competência. § 3° A aplicação do Principio da Prudência ganha ênfase quando, para definição dos valores relativos cis variações patrimoniais, devem ser feitas estimativas que envolvem incertezas de grau variável." justamente pelo Principio da Prudência que a empresa deve reconhecer contabilmente a expectativa de despesa quando provável e a receita apenas quando auferida, sendo esse o principio que impõe o não-reconhecimento de expectativa de receita potencialmente decorrente de variações cambiais positivas incidentes sobre empréstimos em moeda estrangeira. Em conclusão, somos da opinião que o procedimento adotado pela maioria das empresas, ao optar pelo regime de competência e ao reconhecer somente os ganhos da variação cambial efetivamente realizados, para fins de tributação pelo PIS, Cofins, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido -CSLL, não só está de pleno acordo com os princípios contábeis universalmente aceitos como também com a própria legislação tributária. Processo n.° 10680.015466/2003-11 Acórdão n.° 02-03.162 Fls. 10 CONCLUSÃO: Em face ao acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das SessZies, em 06 de maio de 2008. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ
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Numero do processo: 10875.002627/98-65
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/10/1993 A 30/04/1998
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA.
É inadmissível recurso especial relativamente a matéria que não tenha sido prequestionda no recurso voluntário e não tenha sido analisada pelo acórdão recorrido
Recurso Especial do Contribuinte Não Conecido
Numero da decisão: CSRF/02-03.424
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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ADMISSIBILIDADE. AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. MATÉRIA NÃO PREQUESTIONADA. É inadmissível recurso especial relativamente a matéria que não tenha sido prequestionada no recurso voluntário e não tenha sido analisada pelo acórdão recorrido. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Anto o Praga - Presidente Maria ,cút,,Gct, It/CbCXYLA.,/,./C-e_ - fosefa Coelho Marques - Relatora Editado em: 17/06/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, (\./ Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso especial do contribuinte (fls. 338 a 354) apresentado em 7 de abril de 2004 contra o Acórdão if- 203-09.918 (fls. 325 a 334), da 3 Câmara do 2' Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao seu recurso voluntário, nos seguintes termos: "NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, há renúncia às instâncias administrativas, não mais cabendo, nestas esferas, a discussão da matéria de mérito, . debatida no âmbito da ação judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade, quando ausentes os pressupostos para tal ocorrência previstos no Decreto n' 70.235/72, regulador do Processo Administrativo Fiscal. Preliminar rejeitada. PIS. CRÉDITOS DECORRENTES DOS DECRETOS N'S 2.445/88 E 2.449/88. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos contados da Resolução d- 49/95 do Senado Federal que declarou inconstitucionais aqueles dispositivos. SEMESTRALIDADE. Tendo em vista a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no âmbito administrativo, impõe-se reconhecer que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória n' •1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Recurso não conhecido, em parte, por opção pela via judicial, e provido parcialmente na parte conhecida. Recurso provido em parte" Requereu inicialmente a Recorrente que o julgamento do recurso fosse sobrestado até a matéria ser apreciada pelo Poder Judiciário. Acrescentou a Recorrente que o . mérito da matéria teria sido contraditoriamente "debatido e analisado". Citou ementas de acórdãos segundo os quais caberia o sobrestamento e aflimou que, nos termos da Portaria MF n' 55, de 1998, a apresentação de ação judicial implicaria a desistência do recurso, o que não se aplicaria ao presente caso, em que a ,k,\....,apresentação da ação judicial foi anterior. 2 Processo n° 10875.002627/98-65 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.424 Fl. 388 A seguir, tratou da demonstração da concomitância entre de objetos entre a ação judicial apresentada e a matéria constante dos presentes autos. Mimou que as decisões judiciais ter-lhe-iam sido favoráveis e em face da "decisão supra mencionada, o direito à compensação da contribuição ao PIS com o próprio PIS, pleiteada naqueles autos, está em julgado". Quanto ao mérito do recurso, alegou que a Câmara recorrida não analisou o 'mérito da questão da "correção monetária", que não seria discutida judicialmente. A seguir, citou ementas de acórdãos relativos à incidência de correção monetária e de juros Selic na compensação. Quanto à compensação, alegou que teria restado reconhecido o direito aos créditos e que, assim, teria direito à compensação. Em relação ao prazo para o pedido, alegou que seria de dez anos, nos termos do Decreto-Lei 2.052, .de 1983, de 1983, art. 3'. O recurso foi admitido apenas parcialmente pelo despacho de fls. 362 a 364, na parte relativa ao sobrestamento do julgamento processo até o trânsito em julgado da ação judicial. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contra-razões de fls. 379 a 383, alegando que "o pedido de suspensão do processo administrativo não foi apreciado pela Câmara a quo", faltando, assim, o necessário pré-questionamento. Quanto às alegações da Recorrente, afirmou que entendimento contrário já seria pacifico no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais É o relatório. ãr 3 Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora Alega a Fazenda Nacional que a matéria não teria sido prequestionada, razão pela qual não poderia ser objeto de recurso especial. De fato, tal alegação não constou do Recurso, muito embora a Recorrente tenha se referido à ação judicial já na impugnação, quando poderia ter apresentado a tese de que o processo deveria ser suspenso. A condição de prequestionamento da matéria vem explicitada no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n 147, de 2007, em seu art. 17, V, que considera incabível a interposição de agravo contra despacho que tenha indeferido o seguimento de recurso especial na hipótese em questão. Portanto, o recurso foi indevidamente admitido, razão pela qual voto por não conhecer do recurso. Ob/OUtt ". Josefa Maria Coelho Marques 4
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Numero do processo: 35464.000311/2007-81
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional,
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2302-000.113
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanha o relator somente nas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1994 a 31/12/1994 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior acompanha o relator somente nas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. LIEGE LACROIX THOMASI — Presidenta ,51 0.n IAN SATO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar da Silva Vidal (suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi (presidenta). /1 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em decorrência do instituto da responsabilidade solidária da Recorrente como contratante, pelo pagamento de remuneração a segurados envolvidos na execução de serviços tidos como prestados mediante cessão de mão de obra, respondendo a Recorrente solidariamente com a executora de tais serviços pelas obrigações previdenciárias. A Recorrente foi cientificada da lavratura da NFLD em 03101/2005 (fis.30) e a prestadora de serviços em 03/01/2005 (fis.28). Somente a Recorrente apresentou impugnação tempestiva (fis„32/42) com documentos. Às fis.69174 consta uma solicitação de diligência para apurar se as guias juntadas constavam no conta coffente. Em decorrência da informação fiscal foi reaberto prazo para defesa a Recorrente e a prestadora de serviços. A DN julgou o lançamento procedente (fis,114/128) e a Recorrente, inconformada, apresentou recurso, alegando em síntese: o - precária fundamentação da NFLD; o - inexistência de cessão de mão de obra; A SRP apresentou contra-razões juntada às fis.155/157 e a Recorrente apresentou manifestação em 02/06/2009 argüindo a aplicação da decadência, É o Relatório. Voto Conselheiro ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame da questão preliminar suscitadas pela recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exnio Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° 1,569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva N5C\constitucional de lei complementar 2 Processo n° 35464,000311/2007-81 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.113 Fl 168 Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de ,fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4', 173 e 174 do CTN Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8. 212/91, por violação do art. 146, Hl, b, da Constituição, e do parágrafo único do ar!, 5" do Decreto-lei n° 1..569/77, .frente ao § 1" do art.. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11 Ai?, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004).. Lei n° 11,417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei 17°' 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas . federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 3 § lO enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto, Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento em 03101/2005, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições da presente NFLD. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2009. / .(0 SATO - Relatora N.„ )k 4
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000145/2007-71
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/08/2006
OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS -DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II), no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 31/08/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS -DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/08/2006 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 173, I do CTN. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 01 45 /2 00 7- 71 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II), no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000145/200771 Acórdão n.º 2401002.522 S2C4T1 Fl. 399 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo a contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, a cota dos segurados e terceiros, no período 04/2000 a 08/2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 134/149, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas pela empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos aos seus segurados empregados e contribuintes individuais. Informa ainda o RF que, consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome". Inconformada com a decisão de fls. 364 a 368 que julgou procedente o lançamento a empresa recorre à este conselho alegando em síntese: Em sede preliminar pugna pela decadência do lançamento. No mérito aduz que, nas contribuições previdenciária o lançamento é por homologação, se não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, evidente que não havia como registrar as contribuições. Afirma que para a mesma competência existem 5 (cinco) outras notificações pelo mesmo fato gerador, flagrantemente em "bis in idem" e ainda que outros 04(quatro) AI são aplicações de multas pelos mesmos fatos geradores. Continua alegando o seguinte: “Há que se ressaltar que a empresa passa por dificuldades financeiras, somente não foi baixada, mas não está em funcionamento, posto que, para dar baixa na mesma, existem valores a ser pagos e esta não os possui. Algumas irregularidades sem a vontade livre e consciente de causar prejuízo ao erário configuram inexigibilidade de conduta diversa, eis que de todas as formas tenta manter seu quadro de funcionários, sem ter de proceder demissões. (...) a indisponibilidade de recursos da empresa para honrar os compromissos fiscais da empresa no período correspondente ao vencimento das obrigações, torna impossível à ora Impugnante agir de outra forma. Não há dolo em não pagar, não há crime ou desejo de causar prejuízo ao erário. Há sim necessidade de manter a empresa e os empregos. Nunca os sócios buscaram causar prejuízo ao fisco, que Federal, Estadual ou Municipal. O que ocorre é que para manter a empresa funcionando e isto possui o lado social, pois esta empresa cumpre Fl. 410DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 sua função social, às vezes necessário se faz deixar de pagar algumas coisas, neste caso foram os tributos. “ Conclui: “Assim, é lícito entender por inculpável o sujeito, ,diante da inexigibilidade de outra conduta que, por se tratar de hipótese não.descrita na lei, configurase em uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade.” Por fim, sustenta a impossibilidade de cumulação da taxa SELIC com juros de mora, citando jurisprudência acerca do assunto. Requer o provimento do recurso, julgando improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000145/200771 Acórdão n.º 2401002.522 S2C4T1 Fl. 400 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES A preliminar de decadência suscitada em sede de recurso merece acolhimento parcial. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi lavrada em abril de 2007, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições lançadas referemse às competências intercaladas entre 07/2000 a 05/2006, o que fulmina parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 173, I do CTN, em face da fraude constatada, devendo ser excluídas do lançamento as contribuições lançadas até a competência 11/2001 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 DO MÉRITO Embora a recorrente afirme que no período do lançamento não haviam empregados registrados na empresa naquela ocasião, razão pela qual não havia como registrar as contribuições, temos que, conforme consta no relatório Fiscal, a presente autuação fora lavrada em nome da recorrente em face da empresa Teones Laurindo Fernandes Plástico em face a constatação de fraude. Vejamos o contido no Relatório: “...consoante teor do Ofício DRT/9 n° 391/2005, de 27/12/2005, encaminhado pela Delegacia Regional Tributária de Araçatuba à Receita Previdenciária em Araçatuba (cópia fls. 59/69), a empresa Teones Laurindo Fernandes Plásticos teve sua inscrição estadual cassada em 25/02/2002, junto ao Posto Fiscal de Penápolis, com efeitos a partir de 10/11/2000, tendo em vista a sua constituição ser considerada fraudulenta, cuja atividade era uma extensão da empresa Pevi Comercial Ltda e cuja administração da nova empresa era exercida exclusivamente pelos titulares da Pevi Comercial Ltda., figurando o titular apenas como um mero "presta nome" Tal fato, em nenhum momento fora questionado pela recorrente, seja na defesa de primeira instância, seja no recurso ora sob análise, o que implica em aceitação tácita da imputação à ela feita pela fiscalização. Sobre as manifestações acerca da situação financeira da empresa, que justificaria a falta de recolhimentos das obrigações previdenciárias, este conselheiro não deve tecer maiores comentários sobre o assunto. Não cabe ao julgador administrativo adentrar em aspectos subjetivos sobre a situação financeira das empresas autuadas, mas sim, verificar a correta aplicação da Lei no lançamento fiscal, o que no presente caso, também não foi rebatido pela recorrente. No mais, entende o contribuinte que deva ser afastada a incidência de Juros e a Multa SELIC cumulativamente por ser ilegal e inconstitucional. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais. Sobre este aspecto, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º do Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 17460.000145/200771 Acórdão n.º 2401002.522 S2C4T1 Fl. 401 7 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Federal “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, Acolher a preliminar de decadência parcial até a competência 03/2002 e no mérito Negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 10768.009611/99-08
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1989,1990,1991,1992
NORMAS PROCESSUAIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional peo STF, com posterior Resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado nº 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abre-se ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição de indébito
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.900
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado) e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989,1990,1991,1992 NORMAS PROCESSUAIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional peo STF, com posterior Resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado nº 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abre-se ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição de indébito Recurso especial negado.
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Numero do processo: 13864.000206/2007-04
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004,2005
IRPF - GLOSAS DE DESPESAS - RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO
A responsabilidade pelo recolhimento do IRPF decorrente de glosa de despesas indevidamente deduzidas pelo contribuinte é sempre sua, independentemente do fato de suas Declarações de Ajuste Anual terem sido elaboradas por um terceiro contratado para este fim.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE -JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
Numero da decisão: 2102-000.356
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzida multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Roberta de Azeredo F. Pagetti
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MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Vistos, relatados e discutidos_os presentes autos. ACORDAM os Mçmbros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso^para reduzida multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do voto da Relatora 0 5 FEV 2010 ES CAMPOS - Presidente Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Vanessa Pereira Rodrigues Domeñe e Marcelo Magalhães Peixoto (Suplente Convocado). Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 85/99 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas deduzidas por ele a título de: a) despesas com dependente, nos anos de 2003 e 2004; b) despesas médicas, nos anos de 2003 e 2004; c) despesas com instrução, nos anos de 2003 e 2004; e d) doações aos fundos da criança e do adolescente, no ano de 2004. Sobre as glosas de despesas médicas e com instrução foi aplicada a multa qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 109/113, por meio da qual requereu o reconhecimento da insubsistência do Auto de Infração por não ter praticado o ato infracional nele capitulado. Caso assim não fosse, pugnou pela dedução do valor correspondente à multa e aos juros de mora, por serem ilegais e inconstitucionais. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, inclusive com a qualificação da multa para parte das infrações. Entenderam que o contribuinte deixou de questionar de forma específica as infrações apontadas no Auto, e que sua impugnação era genérica e não trazia provas ou quaisquer outros elementos que permitissem a revisão do lançamento. Foram rejeitados os pedidos de ilegalidade e inconstitucionalidade dos acréscimos moratórios incidentes sobre o lançamento, bem como o de retificação das declarações apresentadas. Quanto à multa qualificada, decidiram também pela sua manutenção, eis que a conduta reiterada do contribuinte de deduzir de sua Declaração de Ajuste Anual despesas que sabidamente não suportara justificaria a sua aplicação. Consideraram, por fim, como não impugnadas as glosas de dependentes, despesas médicas, com instrução e de incentivo, ressaltando que o referido crédito tributário deveria ser apartado para cobrança. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 140/142, por meio do qual reiterou que não agiu com culpa, pois suas declarações eram elaboradas por terceiro e ele não tinha conhecimento dos procedimentos legais do imposto de renda, razão pela qual não poderia ser penalizado. Alegou que enquanto ele - cidadão honesto e trabalhador - era penalizado por um erro que não cometeu, aquele que de fato lesara o Fisco continuava perambulando pela cidade como se nada tivesse ocorrido. Esta pessoa que elaborou suas declarações utilizara as mesmas informações e pessoas físicas e jurídicas para elaborar diversas outras declarações de Imposto de Renda. 1 Processo n° 13864.000206/2007-04 Acórdão n.° 2102-00J56 S2-C1T2 Fl. 165 Pugnou ainda pela desqualificação da multa, justamente porque não fora ele o responsável pela elaboração das declarações, e por isso não poderia ser penalizado por uma multa com caráter confiscatório. Mencionou decisões já proferidas pelo Poder Judiciário, por meio das quais restou reconhecida a impossibilidade de utilização de tributos com efeito de confisco. Reiterou os pedidos contidos em sua impugnação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O recurso é tempestivo, pois o Recorrente foi cientificado da decisão recorrida em 11 de dezembro de 2007, e o recurso foi interposto em 19 de dezembro de 2007, e preenche os requisitos da lei, por isso dele conheço. Trata-se de lançamento para exigência de IRPF em razão de diversas glosas efetuadas sobre despesas deduzidas pelo Recorrente em suas Declarações de Ajuste Anual dos anos de 2003 e 2004. O Recorrente defende - desde sua impugnação - que não poderia ser responsabilizado pelas infrações em comento, tendo em vista que não foi ele quem elaborou as declarações de ajuste, mas sim um profissional contratado. Quanto ao mérito das despesas glosadas, ele não teceu quaisquer comentários, o que levou os membros da DRJ em São Paulo a considerar a matéria como não impugnada. De fato, o cerne da discussão trazida a este Conselho é a responsabilidade do Recorrente sobre as infrações das quais é acusado. Como relatado, sua defesa se limita à alegação de falta de responsabilidade sobre a infração, e ainda sobre a necessidade de redução e/ou exclusão da multa aplicada ao lançamento. Estas são as questões a serem enfrentadas por esta Turma julgadora. Quanto à alegada falta de responsabilidade do Recorrente sobre as infrações, segundo sua defesa, ele não poderia ser penalizado por um erro que não fora cometido por ele. Tal alegação, contudo, não merece acolhida. Isto porque, ainda que o Recorrente tenha delegado o trabalho de elaborar suas Declarações de Ajuste Anual a um terceiro, este fato não o eximiria do correto cumprimento dos deveres legais aos quais está obrigado. Assim, se um terceiro estava encarregado do trabalho de elaborar tais declarações, ele o fez em nome do Recorrente, razão pela qual quaisquer obrigações 1 decorrentes de eventuais equívocos nestas declarações deverão ser exigidas em nome do próprio Recorrente, e não em nome do terceiro (que agiu como um preposto seu). Saliente-se que no âmbito do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento efetuado em nome do Recorrente, não há que se imputar quaisquer responsabilidades a terceiros, tal medida - se for o caso - deverá ser tomada no âmbito próprio (esfera cível). Diante destas considerações, deixo de acolher o pedido do Recorrente, no que diz respeito à sua falte de responsabilidade sobre as infrações em comento. Por outro lado, pugna o Recorrente pela exclusão da multa de oficio aplicada ao lançamento. No que diz respeito a este pedido, é preciso antes de mais nada salientar que não existe previsão legal para a exclusão da multa nos casos de lançamento de ofício. Como dito, na medida em que o Recorrente é o responsável pelas infrações cometidas, é cabível a aplicação desta multa. Entretanto, sobre uma parte do Auto de Infração atacado foi aplicada a multa de ofício qualificada (de 150%), notadamente sobre as infrações relacionadas à glosa de despesas médicas e com instrução. Resta analisar, então, se a referida qualificação é cabível ou não na hipótese em exame. Da leitura do Auto de Infração, é possível depreender que as justificativas da autoridade lançadora para tal qualificação foram as seguintes, in verbis: Considerando que as despesas médicas referentes às prestadoras de serviço relacionadas em Termo de Constatação Fiscal foram consideradas como inexistentes pelo contribuinte e que as prestadoras negaram, em resposta a Termo de Intimação, a existência de qualquer relação de serviço com o contribuinte, ficou evidenciado intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, e por isso a multa de oficio passou a ser de cento e cinqüenta por cento, conforme parágrafo 1° do artigo 44da Lei 9.430/96. Considerando que o contribuinte negou a existência dos gastos com instrução declarados, afirmando não ter desembolsado os referidos valores, considerando, também, os históricos do contador responsável pelo preenchimento das declarações e de sua clientela, e ainda que, o contribuinte não pode se eximir da responsabilidade pela infração, alegando desconhecimento, ficou evidenciado intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, e por isso a multa de oficio passou a ser de cento e cinqüenta por cento, conforme parágrafo I o do artigo 44daLei 9.430/96. Da leitura destes trechos, fica evidenciado que a própria autoridade lançadora reconhece que o contribuinte desconhecia as despesas deduzidas em suas Declarações - tendo negado a existência das mesmas - e que, em ambos os casos, o contador que as elaborou é que (...) (...) Processo n" 13864.000206/2007-04 Acórdão n.° 2102-00356 S2-C1T2 Fl. 166 seria o responsável pela inserção destas informações nas declarações. Esta conclusão é corroborada pelos fatos que motivaram a fiscalização em questão. O documento de fls. 09/12 demonstra que a Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos tomou conhecimento - através de diversos contribuintes que acabaram prejudicados - de que um contador de nome Rogério da Conceição Vasconcelos era o responsável pelo preenchimento de inúmeras declarações nas quais pleiteava deduções indevidas em nome dos contribuintes que o contratavam. Foi assim que teve início a fiscalização que culminou com o lançamento em exame. De todos os documentos constantes dos autos, fica claro que o referido profissional foi o efetivo responsável pela elaboração das declarações e, conseqüentemente, o responsável por eventuais fraudes, já que se houve falsificação de documentos ou quaisquer outras fraudes, elas foram executadas pelo contador, e não pelos contribuintes que o contrataram. Há que se diferenciar, aqui, a responsabilidade pelo pagamento do imposto (esta é do Recorrente, inquestionavelmente) da responsabilidade criminal, já que se crime houve, este foi perpetrado pelo já referido contador. A jurisprudência deste Conselho vem se manifestando de forma reiterada no sentido de que a qualificação da multa de ofício somente se justifica quando restar suficientemente comprovada a ocorrência de uma das hipóteses legais para tanto. A norma legal que ampara a aplicação da referida multa é o art. 44, inc. II da Lei n° 9.430/96, que determina: Art.44.Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II-cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos não constantes do original) Os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Lei 4502/64, por seu turno, assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 5 // - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da leitura de tais artigos, é forçoso concluir que só pode ser exigida a multa de 150% (multa qualificada) aos lançamentos de ofício em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte - e não a todo e qualquer lançamento de ofício. Os motivos utilizados pela autoridade fiscal para qualificar a multa aplicada no caso em exame foram corroborados pela decisão recorrida, e se pautaram no fato de que o Recorrente pleiteara, em suas declarações de Ajuste, despesas não efetivas, e ainda em razão do "histórico" da atuação do contador contratado por ele. Como se vê, em nenhum momento foi demonstrada qualquer intuito de fraude por parte do Recorrente. Ao contrário, restou reconhecido que o responsável por incluir tais despesas nas declarações foi o contador contratado pelo Recorrente, e não ele próprio. Por isso é de se aplicar a jurisprudência deste Eg. Conselho, como se depreende da ementa abaixo transcrita: "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. C) Preliminar acolhida." (RV n" 146.368, Rei. Cons. Naury Fragoso Tanaka, julgado em 12.09.2005, 2 a Câmara, I a Conselho) Assim, entendo que não restou caracterizada nos autos, a efetiva existência do intuito de fraude, necessária à qualificação da multa de oficio, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, razão pela qual a multa deverá ser desqualificada na hipótese em exame. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para reduzir a multa qualificada para 75%. Sala das Sessões, em 29 de outubro de 2009.29 de outubro de 2009 6
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Numero do processo: 10880.016561/00-71
Data da sessão: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: EMENTA — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Existindo contradição entre o voto e o dispositivo do julgamento, os embargos de declaração devem ser acolhidos para sanar a contradição.
Numero da decisão: CSRF/03-06.143
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos para, rerratificar o Acórdão n.° SRF/03-05.413, de 12 de novembro de 2007, ora embargado, e DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A Conselheira Anelise Daudt
Prieto acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Numero do processo: 19814.000405/2006-03
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 27/04/2006
EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIAS. FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA.
Na exportação de mercadorias defeituosa e importação em substituição, atendida os requisitos da Portaria MF n° 150/82 afasta a incidência de tributos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-001.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 27/04/2006 EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIAS. FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA. Na exportação de mercadorias defeituosa e importação em substituição, atendida os requisitos da Portaria MF n° 150/82 afasta a incidência de tributos. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 27/04/2006 EXPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIAS. FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA. Na exportação de mercadorias defeituosa e importação em substituição, atendida os requisitos da Portaria MF n° 150/82 afasta a incidência de tributos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 04 05 /2 00 6- 03 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase o Recurso Voluntário manifestado contra o acórdão que julgou procedente lançamento apontado em auto de infração referente a Contribuições pra o Programa de Integração Social – PIS do período de apuração de 10/08/2001 a 31/12/2005. A motivação do lançamento decorreu do entendimento da fiscalização de que a Portaria MF n° 150/82 trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia, que apresentarem defeito de fabricação dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Assevera a inexistência de laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma prevista pela Portaria MF n° 150/82, capaz de comprovar a imprestabilidade da mercadoria objeto de importação em substituição àquelas exportadas. Afere também que teria sido importado equipamento distinto daqueles exportados para substituição devido a defeitos. Em sendo assim, trancrevese o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos fatos: “Relatório. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, em ato de conferência aduaneira a que se refere o artigo 504 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 e, à vista do que determina a Portaria MF n° 150/82, entende a fiscalização que o Importador não faz jus aos direitos pleiteados, para importação dos bens objetos da DI de n° 06/04831603, registrada em 27/04/2006, fls. 83/94, sem a incidência do Imposto de o e Imposto sobre Produtos Industrializados, na forma do disposto no artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, pelas razões a seguir (neste Processo estão sendo cobrado o PIS/COFINS na Importação): O importador submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos nos R.E.s de fls. 31/41, fundamentando sua petição inicial na Portaria MF n° 150/82, modificada pelas Portarias MF n's 326/83 e 240/86. Destacou a fiscalização que a Portaria MF n° 150/82, trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Analisando os autos, não consta laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma da Portaria MF n° 150/82, que comprove a imprestabilidade da mercadoria substituída. Embora o interessado tenha especificado, no Campo 25, dos REs (RE n° 05/17103221 a 11) — Observações do Exportador as DI de Nacionalização, na análise das referidas DI, fls. 61/74, Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000405/200603 Acórdão n.º 3403001.851 S3C4T3 Fl. 12 3 podemos observar que não foram importados os Amplificadores destacados nos REs, nem tampouco placas ali descritas. Consta ainda no campo 25 dos REs em destaque LI n° 05/19365973 — "DE ACORDO COM LAUDO TÉCNICO EMITIDO PELA SGS, O AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA DE 40 w, CUJO PART NUMBER TTF1580A, NÃO É MAIS FABRICADO E SERÁ SUBSTITUÍDO PELO PART NUMBER CLF1772F, QUE APRESENTA A MESMA FORMA, FUNCIONALIDADE E AJUSTE”. Entretanto, constatou a fiscalização que não existe nenhum LAUDO TÉCNICO emitido pela SGS. As folhas 107 e seguintes do presente processo encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77996/2005, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01 (um) amplificador de potência 40w 800mhz, Part Number TTF1580A e 01 (um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o amplificador de potência Part Number TTF1580A e o amplificador P/N CLF 1772F", e que "de acordo com os resultados de inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TTF1580A e o amplificador PN CLF 1772F". As L.I.s foram deferidas sem a apresentação do necessário laudo técnico, portanto, contrários ao que determina a Portaria MF n° 150/82. Segundo entendimento da fiscalização, na alteração do Part Number da mercadoria, principalmente tratando de bens de informática e telecomunicações, tais como: placas, disco rígido, amplificador de potência, o novo bem traz consigo inovações tecnológicas, face à rapidez nas evoluções tecnológica dessa área, tanto em software quanto em hardware, impondo uma depreciação acelerada tendo em vista da sua obsolescência. Equipamentos importados em substituição com novo Part Number, vem com tecnologia atualizada, mais avançada, ou também poderão vir bem recondicionados ou manufaturados, como material, impossível de ser analisado no ato do desembaraço, visto não dispormos do País, de Laboratórios de Análise que possa detectar defeitos em componentes eletrônicos de placas, discos rígidos e outros bens da área de informática e telecomunicações. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitido pela SUS com a alegação de que: "O amplificador de potência 40w 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A e por isso, Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 está sendo substituído pelo Part Number CLF1772F", de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82, mercadoria idêntica. Quanto ao contrato, entende a fiscalização que entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício de não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL). Isso porque, tratase de Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores e, conserto definido do módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento". Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. Em sua Petição inicial, o Interessado "REQUEREU A CONCESSÃO DE REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA, com fundamento no artigo 402, parágrafo primeiro do Regulamento, Aprovado pelo Decreto 4543/2002 c/c Portaria MF 675/1994, para conserto, reparo ou restauração dos referidos equipamentos, o que lhe foi concedido Através da Petição, protocolada em 04/05/2006, fls.82, a interessada solicita a "REIMPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS OBJETOS DA D.I. n° 06/04831600, SEM INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS" fundamentando seu pedido na Portaria 150/82, modificada pelas Portarias MF 326/83 e 240/86. A D.I. “06/04831603, de 27/04/2006, juntada às fls. 83/94, não identifica detalhadamente (Descrição Detalhada da mercadoria) com Part Number e Número de Série dos AMPLIFICADORES DE POTÊNCIA DE 40W, importados SEM INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS”, seja pela Portaria MF 150/82 ou pelo que determina o artigo 74, inciso II e 409 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 Os dispositivos legais citados tratam somente de exportação temporária, em nenhum momento fala de substituição de mercadorias nos termos da Portaria MF n° 150/82. Por fim, cabe destacar que, conforme citado pela fiscalização, em recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo n° 10831.008937/200355, ficou constatado, através de documentos da própria empresa, "Packing List" com valor FOB das mercadorias, encontrados no interior dos respectivos volumes", trazendo com isso, valores muito superiores aos declarados nas importações, cujas mercadorias, naquele momento estavam sendo despachadas em regime de exportação temporária para conserto, levando a fiscalização a detectar fortes indícios de subfaturamento nas importações, conforme demonstrado às fls. 04/05 do Auto de Infração. Entre outros, conforme fls. 03 do Auto de Infração, encontravase no Packing List, o preço do Amplificador de Potência de 40W, no valor de US$ 15.473,00. (negritei) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000405/200603 Acórdão n.º 3403001.851 S3C4T3 Fl. 13 5 Em vista disso, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 01 a 26, para a cobrança da COFINS e PIS na importação e multas de ofício. Ciente do Auto e Infração, em 12/07/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 204/215, onde em síntese alegou: o procedimento adotado pela Impugnante na exportação para substituição dos equipamentos insertos nas DIs foi analisado pela fiscalização aduaneira, concluindo erroneamente que a Impugnante não faz jus ao benefício consistente no não recolhimento das contribuições do PIS e à COFINS, ante os seguintes argumentos: (i) ausência de laudo técnico a amparar as exportações para substituição; (ii) que o contrato de garantia celebrado entre a Impugnante e o fabricante dos equipamentos sujeitos a reparo não ampara a substituição de 10 peças e equipamentos sem a incidência de tributos; (iii) que a mera alteração de Part Number dos equipamentos implica na inovação tecnológica dos mesmos; e (iv) diferença de valores entre os equipamentos objeto da presente autuação fiscal e outros importados anteriormente pela Impugnante; forçoso concluir que o conjunto da autuação levada a efeito, não se sustenta, possivelmente pela especificidade da matéria em comento. É o que se passa a demonstrar; todos os requisitos previstos na Portaria MF n° 150/82, foram cumpridos, o que torna insubsistente e sem nenhum proveito econômico para a Impugnante qualquer tentativa de promover a cobrança dos impostos incidentes na reposição de tais equipamentos; alega a fiscalização que as exportações para substituição procedidas pela Impugnante foram feitas sem o respaldo de laudo técnico, exigido pela Portaria MF n° 150/82; a Impugnante apresentou laudo técnico, elaborado pela empresa SGS do Brasil Ltda. Multinacional de renome mundial, presente em mais de 136 países e de idoneidade incontestável; referido laudo, denominado Relatório e Inspeção, teve por objetivo apresentar o resultado da inspeção realizada pela empresa nos equipamentos defeituosos embarcados para substituição ser promovida pela Motorola Inc., com o fito de identificar defeitos ou imprestabilidade ao fim a que se destina, concluindose que "a partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam." (Doc. 02) grifou; o laudo técnico foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX.. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Fl. 375DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma (fls.208); o laudo técnico emitido pela empresa SGS do Brasil Ltda., no qual atesta a imprestabilidade dos equipamentos remetidos para substituição mediante exportação prevista na Portaria MF n° 150/82 faz parte integrante do referido processo de exportação para substituição; a Portaria n° 150/82, não exige descrição detalhada da mercadoria, Part Number e número de série, país de origem, etc.; ainda que assim não fosse, é certo que os equipamentos exportados pela Impugnante para substituição tiveram suas descrições detalhadas no referido laudo, o que torna inconteste a possibilidade da fiscalização aduaneira identificar os equipamentos imprestáveis para uso e sujeitos à substituição; além do laudo, a Impugnante requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos; isso porque, alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição tiveram alterado o número de seu Part Number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos, (Doc. 03); a alteração de Part Number não traz qualquer inovação funcional e tecnológica nos equipamentos, que mantém a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos; a Portaria que disciplina a exportação de equipamentos para substituição foi publicada no ano de 1982, época em que a tecnologia era incipiente; a Impugnante possui com a empresa fabricante dos equipamentos substituídos Motorola Inc. contrato de garantia o que torna sem sentido, em termos comerciais, que a fabricante incremente a tecnologia de equipamentos suportados por garantia sem a cobrança de qualquer contraprestação; os equipamentos defeituosos foram substituídos por outros de mesma capacidade e função; para justificar o alegado subfaturamento, pautase na existência de um "packing list" cujo valor declarado é superior àqueles declarados nas importações ora analisadas. Tais argumentos, todavia, são desprovidos de qualquer fundamento fático e legal, (cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes); o método de valoração aduaneira adotado pela Impugnante, cumulado com o acordo comercial estabelecido entre as partes pressupõe que a empresa autuada deverá considerar o preço efetivamente praticado na importação dos equipamentos e não aquele relacionado no referido "packing list", o que afasta integralmente o alegado subfaturamento e das mercadorias; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000405/200603 Acórdão n.º 3403001.851 S3C4T3 Fl. 14 7 não se pode deixar de mencionar que a Impugnante, até os dias atuais, á a única empresa que opera com referida tecnologia no Brasil, o que a coloca na condição de empresa importadora de grande quantidade dos equipamentos objeto da inspeção aduaneira e autuação fiscal aqui combatida. (Doc. 05); a fiscalização aduaneira não possui sequer parâmetros de comparação dos preços praticados pela Impugnante com outras empresas do ramo de telecomunicações a amparar qualquer alegação de subfaturamento; nos casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia não há prazo estipulado para a exportação das mercadorias imprestáveis ao fim a que se destinam, razão pela qual, à vista do contrato de garantia dos equipamentos importados, o direito da Impugnante à exportação para substituição daqueles imprestáveis para uso, se, cobertura cambial, está garantido pela Portaria MF n° 150/82; requer o cancelamento das cobranças intentadas, com o conseqüente arquivamento dos autos deste contencioso administrativo. É o Relatório”. Na fase recursal acrescentou o inconformismo em relação à exigência juros incidente sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim tomo conhecimento. Os fatos motivadores da autuação são: o descumprimento das normas estipuladas pela Portaria do Ministério da Fazenda de número 150/82; Inexistência do laudo técnico expedido por Instituição idônea que pudesse comprovar diversos requisitos necessários a exportação e importação dos equipamentos em substituição aos defeituosos e invalidade do CONTRATO OU PROGRAMA DE GARANTIA ESTENDIDOS Programa de Manutenção de Módulos PósGarantia, é o que se vê do relatório fiscal: “imprestabilidade da mercadoria substituída, onde se destaca: descrição detalhada da mercadoria, com respectivo P/N e N/S, Fabricante, País de Origem, Data de Fabricação, Prazo de Vida Útil, assim como, a descrição detalhada do defeito ou motivo de sua imprestabilidade para o fim a que se destina. Ademais, embora o interessado tenha especificado no Campo 25 da RE n° 05/1710322001 a 011, OBSERVAÇÕES DO EXPORTADOR: DI DE NACIONALIZAÇÃO 98/02611352, no Fl. 377DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 presente processo não vislumbramos a existência de tal documento e sim, as D.I.s n 01/02958518 registrada em 23/03/2001 e DI nr 98/02033553, registrada em 06/03/1998 conforme comprovam os documentos de fls. 35 a 49 presente processo "Às folhas 81/86 do presente processo, encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77 996/2005F, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01(um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number TTF1580A e um amplificador de potência 40W 800 MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o 010 amplificador de potência P/N TTF1580A e o amplificador P/N CLF1772F , e que de acordo com os resultados da inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TIF1580A e o amplificador P/N CLF1772F" Ainda informamos que em destaque no Campo 25 Observações/Exportador da RE 05/1710221 a 11, encontrase em destaque, LI n° 05/19365973 "DE ACORDO COM LAUDO TÉCNICO EMITIDO PELA SGS, O AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA DE 40W, CUJO PART MUMBER TTF1580A, NÃO É MAIS FABRICADO E SERÁ SUSBTITUIDO PELO PAR NUMBER CLF1772F, QUE APRESENTA A MESMA FORMA, FUNCIONALIDADE E AJUSTE" Ora, em auditoria fiscal constatamos que na realidade não existe nenhum LAUDO TÉCNICO EMIDITO PELA SGS, e sim, um SIMPLES RELATÓRIO DE ISNPECAO IS 77 996/2005 F, onde a empresa emitente do referido documento se baseou em documentação fornecida pela MOTOROLA, destacando no item 5. como RESULTADOS DE INSPEÇÃO: 5.1 ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o am.li :cad. P/N TTF1580A e o amplificador P/N CLF1772F. Outro ponto destacado no auto de infração se refere: DO CONTRATO OU PROGRAMA DE GARANTIA ESTENDIDO Programa de Manutenção de Módulos Pós Garantia Entendo, s.m.j., que tal contrato entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício da não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL), senão vejamos: a) Tratase de um Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores; Conserto definido do Módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento b) relacionado ao Sistema de Alimentação de energia CC, dentre eles: amplificadores, dupliexadores, circuladores,...; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000405/200603 Acórdão n.º 3403001.851 S3C4T3 Fl. 15 9 c) O que é fornecido Todos os módulos de substituição fornecidos terão um novo número de série. Notase que não se fala em novo Part Number ,cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor”. Afirma a decisão de chão que os requisitos autorizativos de importação de bens defeituosos sem incidência da tributação encontra fixado pela Portaria MF n° 150/82, segundo se lê do voto, veio estabelecer as condições obrigatórias para a fruição do benefício da não incidência tributária. Consubstanciando os fundamentos do voto, transcreveu as condições impostas pela Portaria MF. 150/82: "Fica autorizada a reposição de mercadoria importada que se revele, após o seu despacho aduaneiro, defeituosa ou imprestável para o fim a que se destina, por mercadoria idêntica, em igual quantidade e valor. 2. A autorização condicionase à observância dos seguintes requisitos e condições: a) a operação deve realizarse mediante a emissão, pela CACEX, de guia de exportação vinculada à guia de importação, sem cobertura cambial; b) o defeito ou imprestabilidade da mercadoria deve ser comprovado mediante laudo técnico, fornecido por instituição idônea (redação dada pela Portaria MF n° 240/86); c) restituição ao exterior da mercadoria defeituosa ou imprestável previamente ao despacho aduaneiro da equivalente destinada à reposição. 2.1 A guia de exportação e de importação vinculadas somente será fornecidas pela CACEX à vista do laudo técnico referido e da 4ª via da declaração de importação que comprove a importação respectiva." Em relação à existência do laudo técnico não há dúvida alguma de que existe e teria sido apresentado a CACEX para fornecimento da declaração de importação, tanto é verdade que há registro na descrição do auto de infração quanto a sua existência, apesar da insatisfação demonstrada em relação ao conteúdo. A exigência contida na letra “b” da Portaria MF 150/82 se refere obrigatoriedade da apresentação do laudo, parecer esse emitido pela empresa SGS do Brasil S/A, relação ao qual não se estabeleceu qualquer rusga quanto à idoneidade da instituição, portanto, aparentemente restou cumprido à risca a determinação da Portaria supra mencionada. O fato de o fisco entender que o mesmo deveria ter sido elaborado contemplando certos detalhe configura entendimento subjetivo e pessoal desautorizado caracterizar descumprimento de requisito essencial previsto em norma administrativa. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 Se os elementos apontados no laudo não guardam estreita relação com a realidade é diferente de exigência por parte do fisco que gostaria de ver a descrição em conformidade com sua ótica. Os elementos vinculados à imprestabilidade da mercadoria substituída, fabricante, pais de origem, data de fabricação, prazo de vida útil, e, a descrição detalhada do defeito ou motivo, se imprescindíveis cabia a ele na qualidade de autoridade fiscal solicitar a contribuinte informações complementares, mesmo posterior à importação dos equipamentos, em que pese o laudo ter sido aceito pelo Òrgão emissor da autorização de exportação e importação. Um das condições para se obter autorização era da apresentação do laudo ao Órgão encarregado da expedição da declaração de importação, quando apresentado, sem qualquer restrição foram emitidas os documentos necessários à efetivação da troca dos produtos sem incidência dos impostos e contribuições pertinentes a importações. O segundo motivo capaz de justificar e manter o lançamento encontra fulcrado no CONTRATO OU PROGRAMA DE GARANTIA ESTENDIDO Programa de Manutenção de Módulos PósGarantia. A Autoridade Fiscal autuante desconsiderou o contrato de garantia estendida sob a parda razão de ser exclusivo com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos (motorola USA), prorrogável ano a ano com novos valores, concerto definido do módulo. Ao contrapor a esse argumento, assevera a Interessada que o defeito nos equipamentos não foram constatado após o despacho aduaneiro de importação, apto a justificar a impossibilidade de sua remessa ao exterior a titulo de exportação temporária para substituição. Diz que a exceção encontra no item 3 da Portaria 150/82 assegura esse direito no momento que os mesmos vierem apresentar defeitos: “3.2. Excetuamse da exigibilidade do atendimento dos prazos fixados neste item, a critério exclusivo da CACEX, os casos de reposição de mercadorias Comprovadamente amparada em contrato de garantia”. De fato da interpretação do conteúdo do item 3.2 retromencionado, impõe concluir no sentido de que, quando se tratar de casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia não há prazo estipulado para a exportação das mercadorias imprestáveis para os fins que foram adquiridos. Se ao disciplinar internamente as condições permitidas à exportação dos produtos defeituosos excetuou os casos comprovadamente amparado em contrato de garantia, cuja autoridade de decidir foi autorgado a CACEX, ao emitir o documento fundamental ao processo de substituição afasta a presunção destacada no julgamento de piso que estranhou a substituição motivada por defeito sete anos após importação: “... de o que chama a atenção é o fato de que as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro de exportação para substituição dos bens descritos nos R.E.s foram importadas através de D.I. registradas em 1998/2001 (número das D.I. destacados no RE), ou seja, a interessada solicita a substituição de mercadorias importadas há mais de 7 (sete) anos, o que já de pronto, devemos destacar, não deveria ter sido atendida tal solicitação, ou seja, reexportar mercadoria nos termos da Portaria n° 150/82”. Os documentos colecionados com o auto de infração dão notícia que a importação ocorreu em 2006, isso é, no mesmo ano da lavratura do auto de infração. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19814.000405/200603 Acórdão n.º 3403001.851 S3C4T3 Fl. 16 11 Portanto, tenho como certo que o processo de exportação dos produtos defeituosos e importação novos equipamentos foram realizados em conformidade com o que dispõe a Portaria 150/82. Assim sendo, voto no sentido de conhecer e dar provimento para cancelar o lançamento. É como voto. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 35346.001038/2003-24
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/06/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Numero da decisão: 2301-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular o despacho decisório, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento ao pleito revisional, nos termos do voto da Relatora. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Luiz Fernando Sachet. OAB: 18.429/SC.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Mauro José Silva - Declaração de voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular o despacho decisório, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento ao pleito revisional, nos termos do voto da Relatora. Declaração de voto: Mauro José Silva. Sustentação oral: Luiz Fernando Sachet. OAB: 18.429/SC. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 34 6. 00 10 38 /2 00 3- 24 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fls. 579 a 590, contra Acórdão 230100.503, fls.567 a 575, que negou provimento, por unanimidade, aos recursos de ofício e voluntário. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão/obscuridade no acórdão, proferido pela Primeira Turma Ordinária, desta Câmara de julgamento. Inicialmente, alega que a defesa foi apresentada intempestivamente pelo sujeito passivo, e que não consta, dos autos, informação no sentido de que não tenha ocorrido expediente fazendário normal na quartafeira de cinzas, dia 19/03/2003, quando, tradicionalmente, é ponto facultativo na Administração Federal. Defende que impõese a correção das distorções processuais verificadas, decretandose a nulidade da decisão proferida sem atentarse para a intempestividade da defesa apresentada. Alega, ainda, que é inegável que o acórdão do CRPS que negou provimento ao recurso voluntário, fls. 239/244, restou definitivo na instância administrativa, e que o DespachoDecisório de fls. 536/538 desrespeitou não apenas a definitividade de decisão administrativa da qual não mais cabia recurso, mas também a organização hierárquica dos órgãos administrativos para julgamento e revisão de suas decisões. Argumenta que, mesmo que houvesse algum equívoco no lançamento, a via franqueada ao sujeito passivo é apenas a judicial, não cabendo quaisquer outras digressões na seara administrativa, uma vez tornado definitivo o acórdão proferido pela Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, fls. 239/244. Ressalta que, inobstante não haja nos autos qualquer anulação do acórdão do CRPS (fls. 239/244) ou pedido de revisão do mesmo, este órgão colegiado conheceu do recurso voluntário de fls. 549/565, que promoveu nova rediscussão da matéria já julgada definitivamente na seara administrativa e sobre ele proferiu novo julgamento de mérito, sem se manifestar expressamente sobre os pontos acima declinados. Por fim, a recorrente solicita que os embargos sejam conhecidos e providos. É o relatório. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35346.001038/200324 Acórdão n.º 2301002.846 S2C3T1 Fl. 601 3 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros, Relatora A FAZENDA NACIONAL opôs Embargos de Declaração contra o Acórdão 230100.503, fls.567 a 575, que negou provimento, por unanimidade, aos recursos de ofício e voluntário, por entender que houve omissão/obscuridade no acórdão, proferido pela Primeira Turma Ordinária, desta Câmara de julgamento. Alega que o acórdão do CRPS que negou provimento ao recurso voluntário, fls. 239/244, restou definitivo na instância administrativa, e que o DespachoDecisório de fls. 536/538 desrespeitou não apenas a definitividade de decisão administrativa da qual não mais cabia recurso, mas também a organização hierárquica dos órgãos administrativos para julgamento e revisão de suas decisões. De fato, verificase a omissão/obscuridade alegada pela embargante, pois, em que pese esta Relatora ter informado que já havia uma decisão do CRPS no processo, o voto condutor do acórdão embargado omitiu o fato de que não houve pedido de revisão ou embargos contra a referida decisão Entendo que assiste razão à embargante quando afirma que, havendo decisão do CRPS, não poderia a então SRP reformar a decisão de primeira instância anterior por meio do Despacho Decisório, como também não caberia recurso dessa nova decisão. A Portaria 520/2004, vigente à época, estabelecia que: CAPÍTULO VIII Das Nulidades Art. 31. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Dessa forma, entendo que o Despacho Decisório nº 23.401.4/38/2007 (fls. 536 a 538) é nulo, pois a autoridade de primeira instância não tinha competência para anular a DN quando já havia uma decisão do CRPS. Contudo, a Portaria 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, vigente até 27/08/2007, quando foi revogada pela Portaria 323/2007, dispunha que: Art. 32. O INSS pode, em qualquer fase do processo, reconhecer o direito do interessado e reformar sua decisão, deixando de encaminhar o recurso à instância competente. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 (...). § 3º Quando o reconhecimento do direito ocorrer após o julgamento do recurso, o processo, acompanhado das razões do novo entendimento, será encaminhado à instância julgadora para fins de reexame da matéria e, se for o caso, proferir nova decisão. Verificase que, em 22.03.07 (fls. 268 a 272), a empresa notificada apresentou pedido de retificação da base de cálculo utilizada pelo agente fiscal, o que ensejou a realização de diligência por meio da qual a autoridade lançadora reconheceu que se equivocou na apuração da base de cálculo da contribuição lançada e emitiu DADR de fls. 525. Portanto, entendo que o pedido de retificação feito pela notificada deva ser tratado como pedido de reexame da matéria, uma vez que foi formulado ainda na vigência da Portaria 88/2004. E, diante da constatação que, de fato, conforme verificado dos documentos apresentados pela empresa após o julgamento em última instância administrativa e do resultado da diligência realizada, a fiscalização se utilizou, equivocadamente, como base de cálculo da contribuição lançada, do valor registrado na conta contábil “PROVISÃO PARA COMPLEMENTO DE APOSENTADORIA”, entendo que a retificação do crédito é oportuna e pertinente, devendo ser revista a decisão de segunda instância para que seja alterada a base de cálculo utilizada pela fiscalização, nos termos propostos no parecer retificador emitido pela Fiscalização. Com relação ao argumento de que a defesa foi apresentada intempestivamente pelo sujeito passivo, entendo que razão não assiste à embargante, uma vez que a primeira instância administrativa conheceu da impugnação, o que demonstra que a defesa foi considerada tempestiva pela autoridade julgadora monocrática. Cumpre observar, ainda, que, tradicionalmente, na quartafeira de cinzas, não há expediente normal na Administração Federal. Assim, por serem parcialmente procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos, em parte, os embargos opostos pela Fazenda Pública, para suprir a omissão apontada e não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher em parte os embargos opostos, para anular o DespachoDecisório, não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, e conhecer do pedido de reexame formulado pela empresa notificada para darlhe provimento. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 38DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35346.001038/200324 Acórdão n.º 2301002.846 S2C3T1 Fl. 602 5 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva Conselheiro Mauro José Silva: Tratamos aqui de Embargos de Declaração interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão deste Colegiado que consta de fls. 567/575. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Inicialmente, portanto, devemos verificar se estão presentes os requisitos para apresentação dos Embargos. A Embargante apresentou duas omissões como fundamento para apresentação do recurso. A primeira, diz respeito à intempestividade da impugnação ao lançamento. Segundo a embargante, a recorrente foi cientificada em 28/02/2003, fls. 01, e apresentou sua primeira defesa em 20/03/20003, e tal defesa foi apontada em fls. 153 como intempestiva, porém a DecisãoNotificação de fls. 157/177 tratou a defesa como tempestiva. O Acórdão Embargado teria omitidose quanto a esta questão. Ao contrário do apontado em fls. 153, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva do Distrito Federal concluiu acertadamente pela tempestividade da defesa, fls. 159. Como esta foi apresentada na sextafeira que antecedeu carnaval de 2003, a contagem do prazo somente se iniciou em 06/03/2003 e não em 05/06/2003, pois os prazos somente podem iniciar e terminar em dia normal de funcionamento da repartição, conforme art. 34, §§2º e 3º da Portaria 520/2004. Como quartafeira de cinzas é sabidamente um dia de funcionamento anormal da repartição, o prazo somente se iniciou na quintafeira, 06/03/2003. Tomando tal dies a quo, os quinze dias encerraram em 20/03/2003, data na qual a defesa foi apresentada. Assim, inexistente a intempestividade da primeira defesa alegada pela Fazenda Nacional. A segunda omissão seria a irregularidade processual do feito. O Acórdão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) emitido em 05/03/2004 e cientificado em 10/11/2004, 239/244 e 247, teria atingido a definitividade na esfera administrativa, sendo que o pedido de retificação apresentando pela recorrente em 02/03/2007 não encontraria respaldo na Fl. 39DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 legislação que disciplina a matéria, posto que sua fundamentação no art. 26 da Lei 6.830/80 é totalmente alheia à processualística fiscal. Tem razão a Fazenda Nacional quando alega que o art. 26 da Lei 6830/80 não ampara o pedido de retificação apresentado em 02/03/2007. No entanto, naquela época estava em vigor a Portaria MPS 88/2004 (Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) que previa o pedido de revisão de Acórdão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em seu art. 60 o pedido de revisão nos seguintes termos: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; II – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV – for constatado vício insanável. (...) § 3º O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4º Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contrarazões. (...) Da leitura acima, extraímos que o pedido de revisão podia ser apresentado pela parte e pelo INSS e que não havia prazo para sua apresentação. Como a recorrente apresentou pedido de revisão fundado no surgimento de laudo pericial de dezembro/2004, podemos assumir seu fundamento no inciso III do art. 60 da Portaria 88/2004. Assim, a partir daquele pedido, os autos deveriam ter sido encaminhados ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) para análise do pedido de revisão. Ocorre que houve a análise pelo órgão julgador de primeira instância com pedido de diligência e posterior emissão de nova Decisão. Fora de dúvida que se trata de decisão emitida por órgão incompetente para tanto e padece de vício de nulidade, conforme art. 31, inciso II da Portaria 520/2004. Tal declaração de nulidade resultaria na nulidade de todos os atos subseqüentes. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35346.001038/200324 Acórdão n.º 2301002.846 S2C3T1 Fl. 603 7 Porém, o ato administrativo pode ser convalidado se a convalidação for praticada por autoridade competente, nos moldes do art. 55 da Lei 9.784/99, in verbis: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público, nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Com a apresentação de Recurso Voluntário à DN de fls 536/538, bem como com a interposição de Recurso de Ofício, toda a matéria constante do pedido de revisão foi analisada por este Colegiado, sucessor do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) conforme previsto no art. 49 da Lei 11.941/09. Com a emissão do Acórdão de fls. 567/575 podemos que considerar que houve a convalidação do ato administrativo que analisou o pedido de revisão fundado no inciso III do art. 60 da Portaria 88/2004, passando a existir um Acórdão do CARF, sucessor do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que enfrentou as razões do pedido de revisão. Como a alteração do crédito tributário foi recomendada pela própria autoridade fiscal de modo a ajustálo à realidade fática, não há qualquer possibilidade disso representar lesão ao interesse público. Por outro lado, atende ao solicitado pela recorrente. Assim, restariam atendidas todas as partes envolvidas, bem como estaríamos decidindo em harmonia com o princípio da eficiência e a garantia constitucional da duração razoável do processo. Ocorre que o Acórdão de 567/575 não faz menção à convalidação, o que, entendemos, configura omissão que deve ser sanada pelos presentes Embargos. Assim, votamos por acolher parcialmente os Embargos de Declaração para retificar a decisão de fls. 567/575, anulando a DN de fls. 536/538, por vício de competência, não conhecer os Recursos de Ofício e Voluntário, mas acatar integralmente o conteúdo DN de fls. 536/538, convalidandoo como resposta ao pedido de revisão, com fundamento no inciso III do art. 60 da Portaria MPS 88/2004 c/c art. 49 da Lei 11.941/09 e art. 55 da Lei 9.784/99. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 41DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 29/09/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10820.000420/00-04
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 04 20 /0 0- 04 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 472 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.445, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção Fl. 552DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10820.000420/0004 Acórdão n.º 9900000.484 CSRFPL Fl. 523 3 entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 491, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões a fls. 498 e segs.. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10820.000420/0004 Acórdão n.º 9900000.484 CSRFPL Fl. 524 5 REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na Fl. 555DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 05/04/2000, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador. Razão pela qual entendo atingido pela prescrição apenas a pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativos aos fatos geradores de 09/1989 a 03/1990, e concluo ser tempestivo o pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 04/1990. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para acolher a preliminar de prescrição da pretensão à restituição de valor pago a título de Finsocial relativo relativos aos fatos geradores de 09/1989 a 03/1990, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para enfrentamento do mérito do pedido de restituição dos pagamentos a título de Finsocial relativos aos fatos geradores a partir de 04/1990 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10820.000420/0004 Acórdão n.º 9900000.484 CSRFPL Fl. 525 7 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 557DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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