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Numero do processo: 10140.720529/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 2401-000.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-10T14:50:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-10T14:50:33Z; Last-Modified: 2021-10-10T14:50:33Z; dcterms:modified: 2021-10-10T14:50:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-10T14:50:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-10T14:50:33Z; meta:save-date: 2021-10-10T14:50:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-10T14:50:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-10T14:50:33Z; created: 2021-10-10T14:50:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-10-10T14:50:33Z; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-10T14:50:33Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10140.720529/2008-68 Recurso Voluntário Resolução nº 2401-000.895 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de setembro de 2021 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente SANDRA GOMES DA SILVA GOULART PEREIRA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - MS (DRJ/CGE) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar arguida e, no mérito, julgou procedente em impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 04-22.554 (fls. 120/128): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 20 52 9/ 20 08 -6 8 Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 2401-000.895 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.720529/2008-68 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ADA. AVERBAÇÃO. Por disposição legal, para serem consideradas isentas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. A área de reserva legal, além do ADA, necessita estar averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis, em data anterior à da ocorrência do fato gerador. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n° 4.771/1965 (arts. 2° e 3°), com as alterações da Lei n° 7.803/1989. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata da Notificação de Lançamento - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), de fls. 07/11, lavrada em 24/11/2008, que exige o pagamento de crédito tributário no montante total de R$ 1.197.190,57, exercício 2004, sendo R$ 514.787,83 de Imposto Suplementar, R$ 296.311,87 de Juros de Mora, e R$ 386.090,87 de Multa de Ofício, passível de redução, referente ao imóvel rural denominado “Fazenda Santo Eugênio”, cadastrado perante a RFB sob o NIRF 2.492.920-4, com área total declarada de 16.018,5 ha, localizado no município de Corumbá - MS. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 08/09) temos que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou as áreas declaradas de Preservação Permanente e Reserva Legal, bem como, o Valor da Terra Nua. Em consequência da não comprovação as áreas declaradas foram glosadas e o Valor da Terra Nua foi alterado de acordo com os valores constantes da Tabela SIPT. O Contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento, via Correio, em 05/12/2008 (fl. 12) e, em 02/01/2009, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 28/44, instruída com os documentos nas fls. 45 a 116, cujos argumentos estão sumariados no relatório do Acórdão recorrido. O Processo foi encaminhado à DRJ/CGE para julgamento, onde, através do Acórdão nº 04-22.554, em 19/11/2010 a 1ª Turma julgou no sentido manter em parte o crédito tributário, calculando-se os acréscimos legais devido, multa e juros, a partir da diferença de imposto de R$ 99.580,14. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 2401-000.895 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.720529/2008-68 O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/CGE, via Correio, em 19/05/2011 (fl. 134) e, inconformado com a decisão prolatada, em 17/06/2011, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 136/160, instruído com os documentos nas fls. 161 a 182, onde: 1. Preliminarmente, aduz a inexistência de intimação válida para apresentação de documentos, e afirma que a justificativa utilizado pela fiscalização para realizar o lançamento não ocorreu; 2. Se insurge contra a não manifestação da DRJ acerca da integralidade da impugnação apresentada, no tocante ao requerimento de retificação da área Total do Imóvel de 16.018,5 ha para 14.052,0 ha; 3. Questiona a diferença da área de Preservação Permanente, Reserva Legal e Área de Interesse Ecológico, o Grau de Utilização do imóvel rural e o Valor da Terra Nua; 4. Argui a inaplicabilidade da Multa de Ofício. É o relatório. VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Necessidade de Conversão em Diligência Trata o presente processo da exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício de 2004, referente ao imóvel denominado "FAZENDA SANTO EUGENIO". Segundo a fiscalização, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou as Área de Preservação Permanente, Área de Reserva Legal e o Valor da Terra Nua, que foi arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. A contribuinte contesta, desde a impugnação, a ausência de intimação para apresentação de documentos, alegando que o fundamento do lançamento, no sentido de que não Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 2401-000.895 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10140.720529/2008-68 foram apresentados documentos após regularmente intimada, não pode prevalecer, vez que não lhe foi oportunizado a apresentação das provas constantes da exigência fiscal. Desta feita, após as discussões durante a votação do Recurso Voluntário, o Colegiado entendeu que seria importante verificar qual o endereço eleito pela contribuinte em 2008 (época da fiscalização e da lavratura da Notificação de Lançamento), para fins de intimação relacionada ao ITR do imóvel objeto da Notificação de Lançamento. Dessa forma, para que não restem dúvidas, deve ser convertido o julgamento em diligência para que a unidade de origem proceda a juntada aos autos das Declarações de ITR dos anos de 2005 a 2008 (original e retificadora), bem como informe qual o endereço da contribuinte no cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para fins de ITR, à época da intimação para a apresentação dos documentos. A Recorrente deverá ser comunicada do resultado da diligência para se manifestar por escrito, caso queira. Após, retornem-se os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do Recurso Voluntário. Conclusão Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da Receita Federal: a) Proceda a juntada aos autos as Declarações de ITR dos anos de 2005 a 2008 (original e retificadora); b) Informe qual o endereço da contribuinte no cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para fins de ITR, à época da intimação para a apresentação dos documentos; c) Após o resultado da diligência, proceda a intimação da contribuinte para, caso queira, apresente sua manifestação. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901075/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.187
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que lhe seja juntado cópia do Relatório a ser produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo de nº 11080.728406/2012-76. Após, seja dada ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e o presente processo retorne para julgamento. Vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes que rejeitou a realização de diligência para julgar o mérito do Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para que lhe seja juntado cópia do Relatório a ser produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo de nº 11080.728406/2012-76. Após, seja dada ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e o presente processo retorne para julgamento. Vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes que rejeitou a realização de diligência para julgar o mérito do Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
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Após, seja dada ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e o presente processo retorne para julgamento. Vencida a Conselheira Mara Cristina Sifuentes que rejeitou a realização de diligência para julgar o mérito do Recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. A empresa acima qualificada, por meio de PER/DCOMP vem requerer ressarcimento e compensação de COFINS Não-Cumulativo. A DRF, por meio de Despacho Decisório Eletrônico, resolveu por homologar parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 01 07 5/ 20 12 -2 5 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.187 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901075/2012-25 De acordo com a Informação Fiscal, o contribuinte, empresa que atua na comercialização (compra e venda), tanto no mercado interno como para o exterior, de produtos agrícolas tais como, trigo, alpiste, arroz, feijão, lentilha entre outros, incluiu despesas sem amparo legal na base de cálculo dos créditos de Pis/Pasep não cumulativo e de Cofins não cumulativa, razão para as glosas efetuadas e, consequentemente, no presente caso, para o reconhecimento parcial do crédito pleiteado. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando: 1. Que a cobrança de que trata o presente processo decorre de glosa parcial de créditos de PIS/COFINS, formalizada no processo matriz, de nº 11080.728406/2012-76, ora em fase de julgamento. 2. Que as razões do indeferimento parcial da compensação requerida através do PER/DCOMP em tela estão integralmente apoiadas nas inferências fiscais extraídas daquele processo. 3. Que, considerando que no processo matriz as glosas foram integralmente contestadas, indiretamente, também está sob controvérsia a fundamentação do despacho decisório que não homologou o presente PER/DCOMP. 4. Com base nas "constatações" acima, repisou as arguições apresentadas no processo matriz, de nº 11080.728406/2012-76: 4.1. Preliminarmente: Que o Relatório de Atividade Fiscal não especifica a razão que fundamentou a glosa e nem se a glosa decorreu de custos, insumos vinculados à prestação dos serviços, às receitas de locação de equipamentos e armazéns ou a qual comercialização de mercadorias ou produtos, o que leva o lançamento à nulidade por cerceamento do pleno direito de defesa, a teor do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). 4.2. No mérito, que dentre os desembolsos glosados, existem muitos que correspondem a parcelas integrantes do custo de aquisição de bens para a revenda, bem como de custos dos serviços, o que possibilita o crédito, nos termos do art. 3º , I, da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002. 4.3. No que tange ao motivo da glosa pelo fato de a legislação não prever apuração e utilização de créditos vinculados a armazenagem, fretes e outras despesas de produtos vendidos com alíquota zero, que tal entendimento foi inferido com base em interpretação equivocada do assentado no inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002. 4.4. Mesmo admitindo-seque as glosas de créditos fossem legais, ainda assim as cobranças em decorrência das glosas não poderiam prosperar, pois a empresa possuía saldo credor originado de Créditos Vinculados a Operações de Importações suficientes para absorver as pretensas glosas. Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.187 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901075/2012-25 5. Requer que se mantenha a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada, nos termos do previsto no §5º do art 66 da IN RFB nº 900/2008, até o término do julgamento do processo matriz nº 11080.728406/2012-76, ou, caso a presente Manifestação seja submetida à decisão da DRJ, que o julgamento desta controvérsia seja mantido suspenso até o trânsito em julgado do processo matriz, ou que o presente processo seja apenso àquele para julgamento conjunto, adotando-se neste a impugnação do processo matriz, para, por derradeiro, deferir-se a compensação neste requerida por efetivos os créditos apresentados. A manifestação foi julgada improcedente pela DRJ. Cientificada a empresa apresentou Recurso Voluntário, onde alega, em síntese: - a cobrança de que trata o presente processo decorre de glosa parcial de créditos de PIS/COFINS, formalizada no processo matriz, de nº 11080.728406/2012-76; - as arguições já apresentadas na defesa dos processos matriz, a seguir sintetizadas: - nulidade por cerceamento do direito de defesa. A auditoria fiscal ignorou que os cutos que propiciaram os créditos glosados decorreram de duas atividades fim, comércio de cereais e prestação de serviço, e os autos não informam qual o motivo da glosa de cada custo; - indevida glosa sobre custos voltados: - à atividade de prestação de serviços; - à atividade comercial; - produtos sujeitos à alíquota zero; - da compensação do créditos glosados com créditos de importação. requer-se que essa Presidência determine seja mantido suspenso o julgamento e a exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada, até o término do julgamento dos processos matriz, de nº 11080.728406/2012-76 e nº 11080.731136/2015-23. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.187 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901075/2012-25 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Quanto em converter o julgamento do Recurso em diligência, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Compulsando os autos, constata-se que a homologação apenas parcial da compensação declarada, relativa a créditos da Cofins não cumulativa – Exportação, decorrera em parte da glosa de créditos da contribuição não cumulativa relativos à aquisição de serviços considerados pela Fiscalização como não enquadráveis no conceito de insumo, por não serem aplicados na fabricação de produtos destinados à venda. Da análise da referida compensação, apuraram-se débitos da contribuição que foram objeto de lançamento de ofício no bojo do processo nº 11080.728406/2012-76, também em julgamento nesta mesma reunião. O Recorrente se identifica como uma empresa privada que atua nos ramos de comercialização, importação, exportação de produtos agrícolas, prestação de serviços na condição de operadora portuária, prestação de serviços de armazenagem, carga e descarga de produtos, inclusive com beneficiamento para posterior comercialização. No contrato social, o objeto social da empresa encontra-se registrado da seguinte forma: IV - OBJETO SOCIAL CLÁUSULA 4ª. Que constitui o objeto social da empresa: a) a comercialização de produtos em geral; b) a exploração por conta própria do ramo de transporte de cargas via terrestre, fluvial e lacustre; c) navegação fluvial, marítima e de apoio portuário; d) corretagem de produtos agrícolas em geral; e) importação e exportação de produtos em geral; f) armazenagem de cereais em geral, por conta própria e de terceiros; g) operadora portuária; h) carga e descarga de embarcações, trens e caminhões; i) participação em outras sociedades, nas quais tenha interesses comerciais ou simples investimento; Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.187 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901075/2012-25 j) industrialização e/ou beneficiamento de grãos em geral; k) industrialização de adubos e fertilizantes; l) comercio de adubos e fertilizantes, corretivos e insumos agrícolas em geral; m) importação de produtos destinados à alimentação animal; n) locação de equipamentos; o) comércio atacadista de madeira e produtos derivados; p) fabricação de artefatos diversos de madeira, exceto móveis; q) estacionamento de veículos; r) testes e análises técnicas; s) apoio à produção florestal; t) a extração de madeira em floresta plantada; u) o cultivo de pinus; v) o cultivo de eucalipto. (destaques nossos) Verifica-se que, além de atuar no comércio de produtos em geral, inclusive agrícolas, a empresa presta serviços e beneficia produtos destinados à venda. No Anexo I do relatório da ação fiscal (Informação Fiscal), encontram-se identificados os serviços cujos créditos foram glosados, destacando-se os seguintes: serviços de limpeza de armazéns, frete sobre movimentação interna de trigo, serviço de expurgo, material de limpeza utilizado nos armazéns, coleta de resíduos sólidos, armazenagem de trigo, classificação e vistoria etc. A Fiscalização, amparada no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, glosou os créditos referentes aos serviços adquiridos, por considerar que eles não haviam sido utilizados como insumos na fabricação de bens destinados à venda. Eis alguns trechos do relatório fiscal: O contribuinte supra mencionado apurou créditos das contribuição para a Cofins decorrentes da não cumulatividade, calculados sobre despesas relativas a expurgo de matérias primas, limpeza de armazéns, serviços de supervisão e controle, entre outros listados em relação anexa, o que é vedado pela legislação pois não se enquadram no conceito de serviços utilizados como insumos, tão pouco os produtos químicos utilizados são insumos aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda. (...) Quanto aos serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pela supracitada Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Conforme se extrai dos excertos supra, a glosa dos créditos decorreu da constatação de que os bens e serviços utilizados como insumos não foram aplicados na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.187 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901075/2012-25 Contudo, conforme se verifica do referido dispositivo legal, transcrito a seguir, os bens e serviços passíveis de se enquadrarem como insumos geram direito a crédito também quando aplicados na prestação de serviços e não somente, como registrou a Fiscalização, quando consumidos na fabricação de bens, verbis: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.) Considerando os serviços que foram glosados, identificados em parte acima, é possível constatar que são verossímeis os argumentos do Recorrente no que tange ao seu enquadramento como insumos aplicados na prestação de serviços (serviços portuários, serviços de armazenagem, carga e descarga de produtos etc.), não se encontrando suporte normativo à restrição feita pela Fiscalização. No bojo do processo nº 11080.728406/2012-76 (auto de infração), a turma julgadora, em razão da necessidade de esclarecimentos adicionais, decidiu, por maioria, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade fiscal, tendo- se em conta o objeto social do Recorrente, que abrange a prestação de serviços, esclarecesse a não abordagem, no item “1” do relatório de ação fiscal que fundamentou a atuação, do direito a crédito de insumos (bens e serviços) aplicados na atividade de prestação de serviços, conforme autoriza o inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cuja disciplina não se restringe à produção ou fabricação de produtos destinados à venda. Registrou-se, também, no voto condutor da resolução do referido processo, que, havendo necessidade, o Recorrente fosse intimado a prestar esclarecimentos adicionais, bem como a produzir novos elementos de provas que se mostrassem necessários à elucidação dos fatos, como livros, notas fiscais, contratos etc., com a elaboração, ao final da diligência, de relatório conclusivo abarcando os seus resultados, que deveriam ser cientificados ao Recorrente, sendo-lhe oportunizado o prazo de 30 dias para se se manifestar, após o quê os autos deveriam retornar a este CARF para prosseguimento. Nesse sentido, a decisão tomada, nestes autos, foi no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que a eles se junte cópia do Relatório a ser produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo de nº 11080.728406/2012-76, após o quê, o contribuinte deverá ser cientificado para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e o presente processo retorne para julgamento. Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 3201-003.187 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.901075/2012-25 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que lhe seja juntado cópia do Relatório a ser produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo de nº 11080.728406/2012-76. Após, seja dada ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e o presente processo retorne para julgamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10183.901788/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO.
Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da contribuição não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO.
Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da contribuição não-cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003.
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção.
VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativos.
VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA.
Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS TRIBUTADOS.
A apuração de crédito de PIS não cumulativo, calculado sobre despesas de frete, é cabível apenas na hipótese de transporte de insumos sujeitos à tributação pelas contribuições.
PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE
O creditamento pelos insumos previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 abrange os custos com combustíveis utilizados pelo contribuinte nas máquinas agrícolas e demais equipamentos que participam de seu processo produtivo, gerando, portanto, direito a crédito.
NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. ARRENDAMENTO.
A apuração de crédito não cumulativo calculado sobre arrendamento de área rural para plantio e cultivo de produtos agropecuários, bem como benfeitorias da área arrendada, segue a mesma sistemática permitida para o aluguel de prédios.
Numero da decisão: 3201-008.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso para reverter a glosa, desde que atendidos os requisitos legais pertinentes à matéria, nos seguintes termos: I. Por unanimidade de votos, em relação a (i) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas na Assistência Técnica, Implementos agrícolas, Máquinas e Equipamentos, Mecânica, Serviços de Manutenção, e veículos pesados; (ii) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas nas aeronaves, desde que, as aeronaves seja utilizadas na produção agrícola, como por exemplo a aplicação de defensivos agrícolas; (iii) serviços de manutenção em máquinas, equipamentos e veículos pesados (trator, colheitadeira, filtragem de óleo das parrudas, trato); (iv) combustíveis e lubrificantes utilizados em pulverizadores e motobombas; (v) arrendamento de terras desmatadas e prontas a serem cultivadas totalizando 51.590,40 hectares; e (vi) depreciação dos caminhões utilizados para transporte de insumos agrícolas. II. Por maioria de votos, em relação a 1. partes e peças de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica utilizados em (a) veículos utilitários, exceto aqueles destinados ao apoio administrativo, e (b) armazenagem; 2. Combustíveis e lubrificantes destinados a equipamentos e veículos utilizados como apoio e suporte às fases de produção (incluindo a agrícola), exceto os de apoio administrativo; 3. Fretes tributados sobre as aquisições de insumos não tributados ; 4. Arrendamento de imóveis, exceto os destinados ao uso habitacional e comercial; 5. Encargos com depreciação de imóveis destinados a residência e alojamento, de veículos (exceto os destinados ao apoio administrativo), aparelhos de radiocomunicação. Vencida nas matérias, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes que negou provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.939, de 25 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10183.901786/2012-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da contribuição não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da contribuição não-cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativos. VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS TRIBUTADOS. A apuração de crédito de PIS não cumulativo, calculado sobre despesas de frete, é cabível apenas na hipótese de transporte de insumos sujeitos à tributação pelas contribuições. PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE O creditamento pelos insumos previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 abrange os custos com combustíveis utilizados pelo contribuinte nas máquinas agrícolas e demais equipamentos que participam de seu processo produtivo, gerando, portanto, direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. ARRENDAMENTO. A apuração de crédito não cumulativo calculado sobre arrendamento de área rural para plantio e cultivo de produtos agropecuários, bem como benfeitorias da área arrendada, segue a mesma sistemática permitida para o aluguel de prédios.
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CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.221.170/PR. NOTA SEI PGFN MF 63/2018 O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo sujeito passivo. STJ, REsp n.º 1.221.170/PR, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, e em face do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). E aplicação da NOTA SEI PGFN MF 63/2018. PEDIDO DE RESSARCIMENTO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. SUJEITO PASSIVO. Em pedidos de restituição/ressarcimento e em declarações de compensação, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez dos créditos pretendidos. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. DESPESAS DE FRETES. AQUISIÇÕES COM FIM ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É expressamente vedado pela legislação tributária o aproveitamento de crédito da contribuição não cumulativa, calculado sobre os custos de aquisições de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por parte da comercial exportadora, assim como sobre os respectivos fretes e demais despesas não vinculadas às exportações de produtos próprios. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Em regra, não geram créditos no regime da não-cumulatividade das contribuições as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. As aquisições de bens para revenda em operações que estão sujeitas à alíquota zero não geram direito ao crédito da contribuição não- AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 17 88 /2 01 2- 78 Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 cumulativa, por força da vedação estabelecida pelo art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os encargos de depreciação de veículos utilizados no transporte de insumos geram créditos no âmbito das contribuições não-cumulativas. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo podem gerar direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativos. VENDAS COM SUSPENSÃO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. Por força do art. 8º, § 4º, inciso II, e do art. 15, § 4º, ambos da Lei nº 10.925/2004, a pessoa jurídica cerealista, aquela que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou, ainda, aquela que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do § 1º do referido art. 8º, deverão estornar os créditos referentes à incidência não-cumulativa do PIS/COFINS, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência daquelas contribuições. Nesses casos, a expressa vedação legal ao aproveitamento de créditos de PIS/COFINS continua válida e vigente, não tendo sido afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF nº. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS TRIBUTADOS. Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 A apuração de crédito de PIS não cumulativo, calculado sobre despesas de frete, é cabível apenas na hipótese de transporte de insumos sujeitos à tributação pelas contribuições. PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS COMO INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE O creditamento pelos insumos previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 abrange os custos com combustíveis utilizados pelo contribuinte nas máquinas agrícolas e demais equipamentos que participam de seu processo produtivo, gerando, portanto, direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS. ARRENDAMENTO. A apuração de crédito não cumulativo calculado sobre arrendamento de área rural para plantio e cultivo de produtos agropecuários, bem como benfeitorias da área arrendada, segue a mesma sistemática permitida para o aluguel de prédios. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso para reverter a glosa, desde que atendidos os requisitos legais pertinentes à matéria, nos seguintes termos: I. Por unanimidade de votos, em relação a (i) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas na Assistência Técnica, Implementos agrícolas, Máquinas e Equipamentos, Mecânica, Serviços de Manutenção, e veículos pesados; (ii) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas nas aeronaves, desde que, as aeronaves seja utilizadas na produção agrícola, como por exemplo a aplicação de defensivos agrícolas; (iii) serviços de manutenção em máquinas, equipamentos e veículos pesados (trator, colheitadeira, filtragem de óleo das parrudas, trato); (iv) combustíveis e lubrificantes utilizados em pulverizadores e motobombas; (v) arrendamento de terras desmatadas e prontas a serem cultivadas totalizando 51.590,40 hectares; e (vi) depreciação dos caminhões utilizados para transporte de insumos agrícolas. II. Por maioria de votos, em relação a 1. partes e peças de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica utilizados em (a) veículos utilitários, exceto aqueles destinados ao apoio administrativo, e (b) armazenagem; 2. Combustíveis e lubrificantes destinados a equipamentos e veículos utilizados como apoio e suporte às fases de produção (incluindo a agrícola), exceto os de apoio administrativo; 3. Fretes tributados sobre as aquisições de insumos não tributados ; 4. Arrendamento de imóveis, exceto os destinados ao uso habitacional e comercial; 5. Encargos com depreciação de imóveis destinados a residência e alojamento, de veículos (exceto os destinados ao apoio administrativo), aparelhos de radiocomunicação. Vencida nas matérias, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes que negou provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.939, de 25 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10183.901786/2012-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Manifestação de Inconformidade em face do Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 38414.52471.200509.1.3.09-3976, relativos à COFINS - Incidência Não-Cumulativa, vinculados às receitas de exportação. Na manifestação de inconformidade o manifestante alega, em síntese, que: 2.1 do sistema não cumulativo de pis e cofins – direito ao ressarcimento dos créditos. 3.1 dos bens e serviços utilizados como insumos – conceito de insumos. 3.1.1 – da aquisição de peças/manutenção 3.1.2 - dos serviços utilizados como insumos 3.1.3 – dos combustíveis e lubrificantes –álcool/gasolina 3.2 - das aquisições de fretes s/compras de bens utilizados como insumos - adubo, fertilizantes, corretivos e sementes; 3.3 – energia elétrica; 3.4 – despesas de alugueis de prédios locados de pessoa jurídica – arrendamento de imóveis; 3.5 – dos créditos sobre encargos de depreciação – fls. 79; - veículos, radiocomunicação, prédios e benfeitorias, instalações elétricas; 3.6 – do estorno de créditos proporcionalmente as aquisições de mercadorias com fim específico de exportação; 3.7 – do estorno de créditos proporcionalmente as vendas com suspensão de pis e cofins; 3.8 – do aproveitamento de ofício dos créditos para dedução de débitos de pis e cofins – reunião dos processos; Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 IV – dos procedimentos para ressarcimento dos créditos não identificados pela fiscalização; V – previsão legal para a incidência da selic; - créditos escriturais; - créditos efetivos pagos em atraso ao contribuinte; - créditos não aproveitados em época oportuna por óbice do fisco. 5.1 – observação do princípio da isonomia na correção dos créditos; A manifestação foi julgada pela DRJ improcedente. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário do contribuinte, reversão das glosas quanto as(aos): (i) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas na Assistência Técnica, Implementos agrícolas, Máquinas e Equipamentos, Mecânica, Serviços de Manutenção, e veículos pesados; (ii) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas nas aeronaves, desde que, as aeronaves seja utilizadas na produção agrícola, como por exemplo a aplicação de defensivos agrícolas; (iii) serviços de manutenção em máquinas, equipamentos e veículos pesados (trator, colheitadeira, filtragem de óleo das parrudas, trato); (iv) combustíveis e lubrificantes utilizados em pulverizadores e motobombas; (v) arrendamento de terras desmatadas e prontas a serem cultivadas totalizando 51.590,40 hectares; e (vi) depreciações dos caminhões utilizados para transporte de insumos agrícolas, trata-se de parte incontroversa no processo, no julgamento da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma. Quanto às 1. partes e peças de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica utilizados em (a) veículos utilitários, exceto aqueles destinados ao apoio administrativo, e (b) armazenagem; 2. Combustíveis e lubrificantes destinados a equipamentos e veículos utilizados como apoio e suporte às fases de produção (incluindo a agrícola), exceto os de apoio administrativo; 3. Fretes tributados sobre as aquisições de insumos não tributados ; 4. Arrendamento de imóveis, exceto os destinados ao uso habitacional e comercial; 5. Encargos com depreciação de imóveis destinados a residência e alojamento, de veículos (exceto os destinados ao apoio administrativo), aparelhos de radiocomunicação, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Tendo sido designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, exponho na sequência o entendimento que prevaleceu no julgamento do Recurso Voluntário, no que diz respeito às glosas de créditos: por não se enquadrarem no conceito de insumos; frete que somente seria possível quando o insumo transportado também gerasse direito a crédito; relativosa despesa com arrendamento de áreas rurais, por falta de previsão legal; aos encargos de depreciação de bens classificados nos grupos “veículos”, “radiocomunicação”, “residência e alojamento”, trazendo a cronologia dos fatos relevantes para o deslinde da decisão. Vê-se que o cerne da lide envolve a matéria que se consubstancia nas razões que motivou o recurso voluntário, e que gira em torno do direito ao crédito do PIS e da COFINS relativamente aos gastos com estes custos e despesas relacionados acima, conforme dispõe a sistemática da não-cumulatividade para as contribuições, bem como art. 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os demais incisos e parágrafos deste artigo. De pronto, oportuno destacar que a relatora fez consignar em seu voto todo o arcabouço normativo e jurisprudenciais acerca da tomada de crédito vigente na sistemática da não- cumulatividade, em contraponto ao que fora adotado pela a fiscalização, quanto no 1 Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 acórdão recorrido, que utilizaram o conceito de insumos já afastado pelo STJ (REsp nº 1.221.170/P), estabelecido pelas INs SRF nº 247/02 e 404/2004. A Recorrente tem como atividade principal o plantio e cultivo de produtos agropecuários.A controvérsia gravita no fato se estes custos e despesasé passível docreditamento realizado pelo contribuinte, assim se deveria ser mantido ou não a glosa. No acordão recorrido a controvérsia restou assim explicitada: DRJ: Acórdão n.º 04-38.324 A controvérsia que envolve este ponto consiste no alcance do conceito de insumos. A requerente sustenta a tese de que, no âmbito do PIS não cumulativo, o conceito de insumo é amplo, compreendendo todos os gastos e despesas necessários à obtenção da receita. A autoridade administrativa, ao contrário, se inclina por entendimento mais restrito, pelo qual insumo compreenderia apenas a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, bens que efetivamente compõem ou se agregam ao produto final. Também se considera insumo a coisa que, mesmo não se agregando ao produto final, sofra alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, decorrentes da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Nesse sentido com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, discordo da sua conclusão em negar provimento ao recurso voluntário no que tange as matérias que restou vencida e que por maioria do colegiado se reverteu as glosas, como de praxe desde que atendidos os requisitos legais pertinentes à matéria. Nesse sentido passo a discorrer sobre elas: 1. partes e peças de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica utilizados em (a) veículos utilitários, exceto aqueles destinados ao apoio administrativo, e (b) armazéns. Consta na Informação Fiscal Seort DRF-Cuiabá nº 356/12 36. Nas planilhas apresentadas, o contribuinte informa a aquisição de diversos tipos de Peças e Partes de Reposição e/ou Serviços de Manutenção, sendo que no campo “Nome da Conta” essas aquisições de itens foram classificadas com as seguintes denominações: Aeronaves, Armazéns, Assistência Técnica, Implementos, Máquinas e Equipamentos, Mecânica, Serviços de Manutenção, Utilitários, Veículos Pesados (fls. 5528 a 5550). Todas essas aquisições de Peças e Partes de Reposição e/ou Serviços de Manutenção serão consideradas a partir de agora com a denominação genérica de Peças/Manutenção. 37. A título informativo cabe destacar que as aquisições de “Serviços de Manutenção” e “Assistência Técnica” que o contribuinte classificou como “Bens Utilizados como Insumos” serão consideradas respeitando a classificação adotada pelo contribuinte, ou seja, serão analisadas dentro do item “Bens Utilizados como Insumos” mesmo se tratando, na verdade, de aquisições de Serviços utilizados como Insumos. Essa medida foi adotada para facilitar a análise do pleito do contribuinte, evitando-se assim reclassificações que iriam tornar desnecessariamente mais complexa a análise a ser efetuada. 38. Conforme as diretrizes estabelecidas pela Legislação já anteriormente referida, as aquisições de bens efetuadas pelo contribuinte referentes a Peças/Manutenção de máquinas, equipamentos e veículos não atendem ao critério para caracterização como Insumos, uma vez que não trata de matéria- prima, produto intermediário ou material de embalagem (bens esses que Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 efetivamente compõem ou se agregam ao bem final produzido ou fabricado), também não se enquadrando na hipótese de serem bens que sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. 39. E os itens “Serviços de Manutenção” e “Assistência Técnica” informados pelo contribuinte também não se enquadram nas hipóteses de crédito pois não se trata de serviços efetivamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Como a própria classificação adotada pelo contribuinte indica se tratam de serviços realizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo de produção e não nos produtos produzidos pelo contribuinte. 40. Pelo exposto acima, os valores referentes ao grupo Peças/Manutenção (5528 a 5550) serão objeto de glosa. Entendeu que a ausência de qualquer parte e peça de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica dos armazéns, inclusive nos veículos utilitários (exceto aqueles destinados ao apoio administrativo), resultaria não só na parada destes utilitários,usados na área agrícola, como também afetaria negativamente o processo produtivo e/ou qualidade e, a própria atividade econômica da Contribuinte. Desta forma apoiando-se no conceito de insumos, no contexto das contribuições não- cumulativas, interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância, reverte-se as glosas. 2. Combustíveis e lubrificantes destinados a equipamentos e veículos utilizados como apoio e suporte às fases de produção (incluindo a agrícola), exceto os de apoio administrativo. Em relação a este item, penso que não careceria de maiores digressões, pois a reboque do que foi concluído no item anterior é coerente invocar o disposto no Inciso II do Art. 3º da Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a considerar o conceito contemporâneo de insumo: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Contudo mister se faz esclarecer o queconstou na Informação Fiscal Seort DRF-Cuiabá nº 356/12 a respeito destas rubricas: 69. Segundo as informações prestadas os combustíveis e lubrificantes são utilizados pelo contribuinte nas máquinas agrícolas e demais equipamentos que participam de seu processo produtivo, gerando, portanto, direito a crédito. Entretanto, a descrição apresentada para as atividades realizadas que se utilizam dos combustíveis “Álcool” e “Gasolina Comum” é diferente, cabendo as considerações abaixo. 70. O contribuinte declara que utiliza o combustível “Álcool” na seguinte atividade: “Utilizado nos veículos leves e utilitários que vão dar apoio às culturas de algodão, mlho e soja”, já o combustível “Gasolina Comum” é gasto na Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3i https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art37art3i Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 atividade de: “Utilizado nos equipamentos (motos e quadriciclo) utilizado no monitoramento e agricultura de precisão das culturas soja, milho e algodão e nas motobombas que abastecem os pulverizadores das mesmas culturas”. 71. As atividades de: apoio às culturas de algodão, milho e soja; e de monitoramento e agricultura de precisão das culturas soja, milho e algodão (efetuado por motos e quadriciclo), se tratam de atividades de suporte e apoio à produção de algodão, milho e soja, não sendo possível considerar essas atividades como de produção propriamente dita, hipótese em que existiria a direito a crédito. 72. Além da atividade de monitoramento já considerada, ocorre que em relação ao combustível “Gasolina Comum” o contribuinte informa que também o utiliza em motobombasque abastecem pulverizadores das culturas de soja, milho e algodão, atividade que geraria direito a crédito. Entretanto, contrariando disposição expressa do modelo de planilha que deveria ser apresentado (fl. 3863), o contribuinte não informou qual o percentual do combustível “Gasolina Comum” é consumida em cada atividade. 73. Não sendo possível, assim, se determinar o valor correspondente às aquisições referentes a atividade que permite a apuração de créditos. Devido a isso, o valor total das aquisições do combustível “Gasolina Comum” será considerado consumido em atividades que não geram direito a crédito. No tocante ao álcool e gasolina utilizado nas motobombas que abastecem os pulverizadores,a relatora aventa hipoteticamente, a possibilidade da tomada do crédito, porém assim como o fez a fiscalização, com a condicionante de que seja possível identificar o percentual utilizado. Tal condicionante foi afastada pela maioria dos conselheiros desta egrégia turma, que entenderem que tal percentual não seria relevante, certo que todas as motobombas são de uso exclusivo para produçãopropriamente dita. Por fim em relação ao álcool e gasolina, utilizados em atividades de apoio à produção, com uso de motos e quadriciclos, reverte-se as glosas, exceto o apoio a áreas administrativas Antes de prosseguir para os próximos itens que foram revertidos em sessão de julgamento, é imperioso reforçar que os critérios e conceitosque embasaram a Informação Fiscal Seort DRF-Cuiabá nº 356/12, foram aqueles regidos pelas INsn. 247/02 e n. 404/04, conforme legislação do IPI - Incorporação, direta ou indireta (desgaste ou consumo), ao produto final e não, repito, ao conceito contemporâneo de insumo, onde a essencialidade (imprescindibilidade) e relevância (importância), se ancoram para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 3. Fretes tributados sobre as aquisições de insumos não tributados. No acórdão a quon.º 04-38.324, contou: Com fulcro na informação do Seort, foram glosados os créditos apurados sobre despesas com fretes relativos a transporte de insumos não sujeitos à tributação pelo PIS, conforme dispõe o §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendeu a autoridade administrativa que o crédito de PIS relativo a frete somente seria possível quando o insumo transportado também gerasse direito a crédito, e desde que o pagamento do frete coubesse ao comprador. Portanto, uma vez que os produtos adquiridos (adubos, fertilizantes, corretivos de solo de origem mineral e sementes destinadas à semeadura e plantio) não ensejam pagamento de PIS, em face da aplicação da alíquota Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 zero, as despesas de frete relativas ao transporte de tais produtos não gerariam direito a crédito. Não por acaso o § 2º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 exclui, de modo expresso, a tomada de créditos de PIS e COFINS quando não há tributação na operação de entrada, e não quando a operação de saída é desonerada, in verbis: “Art. 3º, (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865/04)”. (Grifos aditados) Logo, apenas quando, na operação de entrada, os bens ou serviços não estiverem sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de alíquota zero ou isenção, na etapa anterior, ter-se-á a vedação de tomada de crédito nas vendas de bens (saída). Entretanto, no que se refere a compra de insumos sujeitos à alíquota zero, considera-se que há "essencialidade" do serviço de frete utilizado na aquisição de insumo em face da própria essencialidade do insumo transportado. A subtração do serviço de frete de aquisição do insumo privaria o processo produtivo da recorrente do próprio insumo, daí a essencialidade de tal serviço, independentemente do efetivo direito de creditamento sobre o insumo transportado. O que importa é que o bem transportado seja essencial ao processo produtivo de interesse, do que decorre a essencialidade da sua remoção até o estabelecimento onde ocorrerá o processo produtivo. Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. Dessa forma deve ser revertida a glosa, para reconhecer o crédito sobre os dispêndios realizados com fretes nas aquisições de insumos com alíquota zero, desde que pagos a pessoa jurídica etributados pelas contribuições. 4. Arrendamento de imóveis, exceto os destinados ao uso habitacional e comercial. Sobre esse tema a recorrente em síntese dispõe: Literalmente, a palavra arrendamento significa "Contrato ou aluguel pelo qual alguém cede a outrem, por certo tempo e preço, o uso e gozo de coisa não fungível", segundo a definição contida no Mini Dicionário Aurélio. O contrato de arrendamento rural é, portanto, aquele pelo qual o proprietário (arrendante) cede ao arrendatário, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de seu imóvel rural (no todo ou em parte, com ou sem benfeitorias e outros Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 bens), para que o arrendatário exerça atividade extrativa, agropecuária, agroindustrial ou mista, mediante retribuição certa ou aluguel. Seu traço característico é a contraprestação paga pelo arrendatário ao proprietário, na forma de aluguel, o que derroga o fundamento do Auditor Fiscal que arrendamento não é aluguel. Todavia, para que se evidencie que o crédito de despesas de arrendamento não deve ser glosado, é imperiosa a interpretação sistêmica do conceito editado pelo Regulamento do Estatuto da Terra acima transcrito, com as Leis 10.637/02 e 10.833/03. Analisando a legislação de forma sistêmica, é fácil inferir que não há qualquer restrição quanto à possibilidade de despesas com arrendamento de terras gerarem créditos de PIS/Cofins não-cumulativos, mesmo porque sem a terra é impossível o desenvolvimento das atividades da Contribuinte. Infere-se, também, que o legislador não restringiu o alcance da norma apenas para "prédios urbanos". Pelo contrário, ao determinar que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à aluguéis de "prédios", assim o fez para que a expressão compreendesse tanto "prédios urbanos" quanto "prédios rústicos". Assim, para comprovar o alcance da norma contida no art. 30, IV, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, que alberga, também, o arrendamento rural, importa verificar os diversos conceitos que envolvem a palavra "prédios" inserta no aludido inciso IV. A Lei n°. 4.504/64, que dispõe sobre o Estatuto da Terra, define imóvel rural como sendo "o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agro- industrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada". "Prédio rústico", por sua vez, é aquele que se destina, pelas suas características, à lavoura, ou à exploração agrícola, pecuária, extrativa ou mista, esteja ou não situado em zona rural. Portanto, da conjugação dos conceitos acima, de arrendamento rural e de prédio, pode-se extrair a conclusão de que o arrendamento, por ser equivalente a aluguel por definição legal (art. 3° do Regulamento do Estatuto da Terra), também está compreendido no inciso IV, do art. 3°, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, gerando o direito ao aproveitamento de crédito destas despesas, mesmo porque a definição de "prédio" também abrange o conceito de "prédio rústico", uma vez que a lei não criou qualquer disposição em sentido contrário limitando o direito da Contribuinte. Logo, ao contrário do que sustenta o nobre Auditor Fiscal, a concessão de tais créditos não amplia a diretriz estabelecida pela Legislação para incluir as despesas de arrendamento de áreas de imóveis rurais e suas benfeitorias entre as hipóteses de apuração de créditos, visto que a própria legislação, em sua interpretação mais literal, contempla a possibilidade de aproveitamento dos créditos oriundos de despesas de arrendamento, utilizadas nas atividades da Empresa. Assim, requer a contribuinte a manutenção dos créditos de PIS e Cofins sobre a totalidade dos arrendamentos rurais pagos a pessoas jurídicas. Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 Neste tópico, após ter discorrido sobre a possibilidade de crédito do arrendamento rural, assim restou proferido o voto da ilustre relatora: A fiscalização apurou que as áreas objeto de Arrendamento correspondem a terras desmatadas e prontas a serem cultivadas totalizando 51.590,40 hectares, um loteamento com construções residenciais e comerciais totalizando 120 hectares e uma área de 200 hectares em que existem as seguintes benfeitorias: unidades armazenadoras, uma beneficiadora de algodão e uma misturadora de adubos, bem como seus equipamentos e infraestrutura. Neste cenário, entendo que o arrendamento de imóveis rurais se caracterizam como custos do processo produtivo, devendo ser revertida a glosa. No entanto não se incluem nesse escopo a parte do arrendamento composta por loteamento de construções residenciais e comerciais e área de benfeitorias, que não são essenciais e relevantes para o processo produtivo. Assim reverto a glosa das terras desmatadas e prontas a serem cultivadas totalizando 51.590,40 hectares. Todavia, o Inciso IV do Art. 3 das Leis que regem o PIS e a COFINS, não restringe a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, neste inciso o legislador manifesta, serem utilizados nas “as atividades da empresa”: IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Tem razão a recorrente quando diz que é imperiosa a interpretação sistêmicado conceito editado pelo Regulamento do Estatuto da Terra (Lei Nº 4.504/64), com as Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesse sentido destaco o inciso VI do Art. 4º deste regulamento: Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agro- industrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; II - "Propriedade Familiar", o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e eventualmente trabalho com a ajuda de terceiros; III - "Módulo Rural", a área fixada nos termos do inciso anterior; IV - "Minifúndio", o imóvel rural de área e possibilidades inferiores às da propriedade familiar; V - "Latifúndio", o imóvel rural que: a) exceda a dimensão máxima fixada na forma do artigo 46, § 1°, alínea b, desta Lei, tendo-se em vista as condições ecológicas, sistemas agrícolas regionais e o fim a que se destine; b) não excedendo o limite referido na alínea anterior, e tendo área igual ou superior à dimensão do módulo de propriedade rural, seja mantido inexplorado em relação às possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio, com fins Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%204.504-1964?OpenDocument Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 especulativos, ou seja deficiente ou inadequadamente explorado, de modo a vedar-lhe a inclusão no conceito de empresa rural; VI - "Empresa Rural" é o empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro de condição de rendimento econômico ...Vetado... da região em que se situe e que explore área mínima agricultável do imóvel segundo padrões fixados, pública e previamente, pelo Poder Executivo. Para esse fim, equiparam-se às áreas cultivadas, as pastagens, as matas naturais e artificiais e as áreas ocupadas com benfeitorias; Diante todo o exposto a divergência foi aberta pelo Conselheiro Leonardo Andrade e foi acompanhada pela maioria do colegiado que reverteu a glosa em maior extensão, concedendo o arrendamento da área de 200 hectares em que existem as seguintes benfeitorias: “unidades armazenadoras, uma beneficiadora de algodão e uma misturadora de adubos, bem como seus equipamentos e infraestrutura” (informados na descrição da área arrendada que consta do contrato), fazendo parte, portanto, essas benfeitorias da área arrendada. 5. Encargos com depreciação de imóveis destinados a residência e alojamento, de veículos (exceto os destinados ao apoio administrativo), aparelhos de radiocomunicação. Em relação a estes bens que foram submetidos a depreciação, dispôs a relatora: Residência e alojamento Parte dos prédios e benfeitorias são residências e alojamentos, e também abrigo de máquinas, base para silo metálico, lavador de automóveis, etc. A partir dos esclarecimentos efetuados tem-se que parte dos prédios e benfeitorias são residências e alojamentos, que não é possível o crédito, já que não são essenciais ou relevantes para o processo produtivo. Por sua vez trata a recorrente: PRÉDIOS E BENFEITORIAS Neste grupo o auditor fiscal entendeu que os itens Residências e Alojamentos não teriam sido utilizados na produção, porém, estes itens se tratam de locais para alojamento dos funcionários responsáveis ao processo produtivo, portanto se tratam de itens imobilizados e essenciais ao desempenho das atividades da contribuinte. Dispõe Informação Fiscal Seort DRF-Cuiabá nº 356/12: 391. Os itens do grupo “MÓVEIS E UTENSÍLIOS”, por não estarem vinculados ao processo produtivo, foram objeto de glosa. Com toda vênia a ilustre relatora, o Inciso VII das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em conjunto com o Inciso III do § 1º, art. 3º, não se reserva a literal atividade produtiva, mas sim as atividades da empresa. No entanto adentrando no que estas Residências e Alojamentos se propõem, não restaram dúvidas para que a relatora restasse vencida, e por maioria o colegiado reverteu a glosa. Veículos Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 Dispõe Informação Fiscal Seort DRF-Cuiabá nº 356/12: 392. Os itens do grupo “VEÍCULOS”, composto de ônibus, motocicletas, automóveis, caminhões, por serem utilizados para a transporte de pessoas e insumos, foram considerados itens que não geram direito a crédito por não atenderem o requisito previsto em lei de serem utilizados na produção de bens destinados à venda. Corroborando esse entendimento de que os itens do grupo “VEÍCULOS” são utilizados para o transporte de pessoas e insumos, o contribuinte informa (fl. 5570) que utiliza veículo do tipo “caminhão” para o transporte de insumos agrícolas para a lavoura. 393. Cabe destacar novamente o comando estabelecido pela Lei nº 10.833/2003 que estabelece o direito a crédito referente à máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda; não podendo a autoridade administrativa ampliar esse direito a crédito para outras hipóteses não previstas em lei; na situação específica em análise, suposto direito a crédito que se refere a veículos utilizados no transporte de pessoas e insumos. Por sua vez trata a recorrente: VEÍCULOS Os itens classificados neste grupo (ônibus, motocicletas, automóveis e caminhões) se tratam de veículos utilizados no transporte de pessoas e insumos para as áreas de produção das fazendas, sendo que devido a grande extensão territorial dos imóveis rurais, estes veículos são extremamente necessários para possibilitar o deslocamento das pessoas e insumos. Por sua vez trata a relatora: Veículos Como os veículos são ônibus, motocicletas, e automóveis, que são utilizados para transporte de pessoas, não é possível o crédito, já que não cumprem os requisitos de essencialidade e relevância para o processo produtivo. Mais uma vez peço vênia a ilustre relatora! Entendo que não se esta a tratar de veículos de apoio as áreas administrativas, mas simde veículos utilizados no transporte de pessoas e insumos para as áreas de produção das fazendas, seja em linha com as demais glosas revertidas, seja pela compreensão da operação do contribuinte, corroborada pela sustentação oral do patrono em sessão. Importante frisar a grande extensão territorial dos imóveis rurais da recorrente, o que é corroborado inclusive pela área arrendada de 51.590,40 hectares, portanto é razoável imaginar que estes bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização nas as áreas de produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, seja plausível para a tomada de créditos. Nesse sentido reverto a glosa. Aparelhos de radiocomunicação Dispõe Informação Fiscal Seort DRF-Cuiabá nº 356/12: 390. Os itens do grupo “RADIOCOMUNICAÇÃO”, que segundo esclarecimento prestado pelo contribuinte (fl. 5570) são utilizados para georeferenciamento (que permite maior eficiência na produção), foram Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 considerados como itens que não se referem à produção propriamente dita, não gerando, portanto, direito a crédito. Por sua vez trata a relatora: A radiocomunicação é composta de receptor GPX, rádio de comunicação portátil, transceptor, etc. Com relação aos encargos de depreciação dos bens dos grupos de radiocomunicação, entendo que não há, nos autos, elementos de prova que possam elucidar, de forma suficiente e necessária, sua participação efetiva no processo produtivo. Nesse ponto, observe-se que, apesar das conclusões da decisão de primeira instância, em seu recurso voluntário, o sujeito passivo se limitou a repetir as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, eximindo-se de apresentar contestação específica e de instruir o processo com elementos de prova que pudessem demonstrar a natureza dos bens vinculados aos grupos de radiocomunicação. Por sua vez trata a recorrente: RADIOCOMUNICAÇÃO Os itens classificados neste grupo se tratam de bens utilizados em suas atividades fim, face a grande extensão territorial das fazendas, no georeferenciamento, permitindo maior eficiência na produção. Com as escusas reiterada a ilustre relatora, entendo que a radiocomunicação como termo genérico utilizado para definir o meio de comunicação, no caso concreto os receptores GPX,rádio de comunicação portátil, transceptor, etc.,por tudo que norteia a operação do contribuinte, como bens destinados ao ativo imobilizado e os encargos de sua depreciação, devem ser considerados na apuração dos créditos devidos. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas relativas a despesas com: 1. partes e peças de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica utilizados em (a) veículos utilitários, exceto aqueles destinados ao apoio administrativo, e (b) armazéns; 2. Combustíveis e lubrificantes destinados a equipamentos e veículos utilizados como apoio e suporte às fases de produção (incluindo a agrícola), exceto os de apoio administrativo; 3. Fretes tributados sobre as aquisições de insumos não tributados (frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero); 4. Arrendamento de imóveis, exceto os destinados ao uso habitacional e comercial; 5. Encargos com depreciação de imóveis destinados a residência e alojamento, de veículos (exceto os destinados ao apoio administrativo), aparelhos de radiocomunicação. Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-008.944 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.901788/2012-78 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso para reverter a glosa, desde que atendidos os requisitos legais pertinentes à matéria, nos seguintes termos: em relação a (i) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas na Assistência Técnica, Implementos agrícolas, Máquinas e Equipamentos, Mecânica, Serviços de Manutenção, e veículos pesados; (ii) partes e peças de reposição e/ou serviços de manutenção utilizadas nas aeronaves, desde que, as aeronaves seja utilizadas na produção agrícola, como por exemplo a aplicação de defensivos agrícolas; (iii) serviços de manutenção em máquinas, equipamentos e veículos pesados (trator, colheitadeira, filtragem de óleo das parrudas, trato); (iv) combustíveis e lubrificantes utilizados em pulverizadores e motobombas; (v) arrendamento de terras desmatadas e prontas a serem cultivadas totalizando 51.590,40 hectares; e (vi) depreciação dos caminhões utilizados para transporte de insumos agrícolas; (vii) partes e peças de reposição, de serviços de manutenção e de assistência técnica utilizados em (a) veículos utilitários, exceto aqueles destinados ao apoio administrativo, e (b) armazenagem; (viii) combustíveis e lubrificantes destinados a equipamentos e veículos utilizados como apoio e suporte às fases de produção (incluindo a agrícola), exceto os de apoio administrativo; (ix) fretes tributados sobre as aquisições de insumos não tributados; (x) arrendamento de imóveis, exceto os destinados ao uso habitacional e comercial; (xi) encargos com depreciação de imóveis destinados a residência e alojamento, de veículos (exceto os destinados ao apoio administrativo), aparelhos de radiocomunicação. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10735.000292/2002-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE.
Restando comprovado em diligência fiscal, que foram lavrados lançamentos em duplicidade com autuação anterior sobre os mesmos fatos geradores, o cancelamento do auto de infração é medida que se impõe.
Numero da decisão: 3402-008.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: MARIA MARLENE DE SOUZA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-08T06:44:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-08T06:44:48Z; Last-Modified: 2021-10-08T06:44:48Z; dcterms:modified: 2021-10-08T06:44:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-08T06:44:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-08T06:44:48Z; meta:save-date: 2021-10-08T06:44:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-08T06:44:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-08T06:44:48Z; created: 2021-10-08T06:44:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2021-10-08T06:44:48Z; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-08T06:44:48Z | Conteúdo => S3-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10735.000292/2002-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-008.973 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2021 Recorrente CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE. Restando comprovado em diligência fiscal, que foram lavrados lançamentos em duplicidade com autuação anterior sobre os mesmos fatos geradores, o cancelamento do auto de infração é medida que se impõe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 02 92 /2 00 2- 10 Fl. 908DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 13-31.805, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, que julgou parcialmente procedente a impugnação para o fim de manter a exigência do crédito tributário lançado, porém excluindo a incidência da multa de ofício no percentual de 75% sobre o principal lançado, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. PIS/PASEP. AUTO DE INFRAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição ou em decurso do prazo para se propor o ajuizamento de execução fiscal, quando O fisco encontra-se impedido de fazê-lo, em função das reclamações e recursos interpostos pelo sujeito passivo, que, nos termos da Lei de Normas Gerais e das regras que regem o processo administrativo fiscal, suspendem a exigibilidade do crédito tributário correspondente. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. É correta a autuação fundamentada na expressão “Proc jud não comprova”, quando sequer existe o processo judicial informado na DCTF, supostamente apto à suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, vinculados àqueles autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO. Embora o débito declarado, a principio, dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituem-se atos perfeitos, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancela-se a multa de lançamento de oficio. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata-se no presente processo do Auto de Infração de fls. 91/98, lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu (DRF/NIU/RJ), por intermédio do qual foi consubstanciada, em nome de filial da empresa de ordem (no CNPJ) 0080, exigência relativa à Contribuição para Programa de Integração Social - PIS/Pasep, abrangendo os períodos mensais de apuração de janeiro a março de 1997 (PA 01/1997 a 03/1997, vide fl. 95), no valor total de R$ 111.756,06 (principal da contribuição devida: R$ 41.419,83), incluindo multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o principal lançado, e juros de mora, calculados até 31/10/2001 (v. fl. 93). Fl. 909DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 Conforme relatório de fl. 94, intitulado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal - PIS/ 1997”, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna nas DCTF's do 1” trimestre do ano-calendário de 1997, na qual foi verificada a “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata " da Contribuição em referência, conforme especificado no Anexo III do Auto de Infração (fl. 96), tendo-se ainda especificado o seguinte contexto: Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no “Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Infilrmados na(s) DCTF " (Anexos Ia ou Ib), e/ou “Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos 11a ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” (Anexo III) e/ou no “Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar - Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as “Instruções de Pagamento " (Anexo V). Por sua vez, no Anexo I (v. fl. 95) acima citado, indica-se que não fora acatada a situação de “Exigibilidade Suspensa” para os débitos do PIS ora em comento, na forma em que os mesmos foram informados na DCTF, em função da Ocorrência “Proc jud não comprova”, indicando, portanto, que não se encontraria comprovada a existência do processo judicial n° 94.0008859-2, informado na DCTF, para fazer frente à suspensão da exigibilidade dos débitos do PIS informados naquela declaração (DCTF), motivando, nesses termos, a autuação que ora se examina. O enquadramento legal da autuação encontra-se especificado às fls. 94 e 96. Inconformado com o lançamento, o interessado apresentou a impugnação à inicial (fls. 01/26), recepcionada em l5/01/2002, na qual alega, em síntese, que: - o Auto de Infração de que trata o presente processo é nulo, pois o Fisco lançou contra a matriz do impugnante, junto ao (outro) processo n° l5374.00l96l/99-29 (doc. 01, fls. 41/5l), diversos valores referentes ao PIS, sendo que dentre estes encontram-se os valores lançados no presente Auto de Infração, até mesmo porque, de acordo com o art. 15, III, da Lei nº 9.779/99, a apuração e o recolhimento do PIS deve ser efetuada de forma centralizada, pela matriz da pessoa jurídica; - o Auto de Infração também deve ser considerado nulo, pois, dentre outros aspectos, ao tratar de trabalho de revisão das DCTF's, efetuado por meio eletrônico, foi subscrito por autoridade fiscal, que, pela evidência, não agiu nem participou do “fato administrativo”, inexistindo, portanto, ato jurídico de lançamento, mas mero factum machinae (ou, ainda segundo o impugnante, “fato da máquina” ou “fato mecânico”); - há vício de forma, ainda, pela ausência de audição ou de intimação do impugnante para a apresentação de esclarecimentos, conforme previsto nas normas que disciplinam os procedimentos de revisão de declarações (art. 149, do CTN; arts. 835 e 841, do RIR/99; IN SRF n° 94/97), comprometendo-se, dessa forma, o factum machinae de maneira absoluta; - também não é o caso de aplicação do disposto na alínea a do parágrafo único do art. 3°, da IN SRF n“ 94/97, na medida em que seria verdadeiramente absurdo considerar como infração “claramente demonstrada e apurada” a não localização do processo judicial pelo sistema mecanizado da Secretaria da Receita Federal, que não se presta para esta finalidade; Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 - além disso, caso o Delegado de Julgamento adentre no mérito da questão, não obstante a ausência de revisão das declarações do impugnante, estará, então, realizando por si próprio o trabalho de competência da fiscalização, suprimindo um grau de jurisdição, o que contraria os princípios norteadores da Administração Pública, e, em especial, o princípio do devido processo legal, ofendendo ainda o art. 37, da Carta Magna (CF/88), assim como a art. 3°, da Lei n° 9.784/99; - as autuações lavradas também ofendem o artigo 6°, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor (CDC, Lei n° 8.078/90); - por outro lado, o inciso I do an. 149, do CTN, impõe que qualquer revisão de lançamento só possa ser efetuada quando autorizada por lei, ocorrendo, todavia, que como a própria DCTF jamais foi instituída por lei, nunca poderia se submeter à revisão de lançamento; - no mérito, diga-se ainda que o Auto de Infração em questão é passível de cancelamento, porque durante o período questionado vigorou a Medida Provisória (MP) n° 1.212/95, e suas reedições, inconstitucional por perpetrar ofensa ao artigo 239, da Constituição Federal de 1988 CF/88), além de ter sido objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADIN n° 1.417/DF, relativamente ao artigo 18, que tratava do início da aplicabilidade da MP n° 1.212/95 aos fatos geradores ocorridos a partir de outubro/1995; - como durante todo o lapso temporal tido entre a primeira publicação da MP n° 1.212/95 e todas as outras que a sucederam - incluído neste período aqueles meses questionados no Auto de Infração em tela -, até a sua conversão na Lei n° 9.7l5/98, jamais houve - com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da MP em debate - a possibilidade do inicio da contagem do prazo nonagesimal para aplicação dos dispositivos contidos na MP em questão, é inexigível e indevido qualquer valor a título do PIS pelo impugnante; - em face do exposto, requer-se: i) seja cancelado o Auto de Infração, tendo em vista tratar-se de duplicidade de lançamento com o Auto de Infração de que trata o (outro) processo n° 15374.001961/99-29; ii) seja declarada a nulidade do Auto de Infração, na medida em que a revisão de lançamento foi efetuada de forma contrária à lei, sem intimação do impugnante para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos; iii) caso assim não se entenda, requer-se ainda o cancelamento do Auto de Infração, em face da inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 1.212/95. Às fls. 52/53 e 72/87, seguidas petições do contribuinte, dirigidas à unidade local de sua jurisdição, afirmando que os créditos tributários constantes do Auto de Infração de que trata o presente processo estariam sendo exigidos em duplicidade, em virtude de já ter sido lavrado um outro auto de infração contra a matriz da empresa, objeto; do processo n° 15374.001961/99-29, exigindo os mesmos créditos tributários constantes deste processo de Auto de Infração. E que, não obstante o lançamento em duplicidade, a matriz do requerente promoveu o pagamento do auto de infração de que trata o (outro) processo n° 15374.00l96l/99-29, nos termos constantes do artigo ll, da Medida Provisória (MP) n° 38, de 17/05/2002, conforme os Darf' s igualmente anexados às citadas fls. 72/87. Às fls. 120/152, a unidade preparadora anexou documentos extraídos do referido processo de auto de infração n° 15374001961/99-39, lavrado com suspensão de exigibilidade por força de discussão mantida pela empresa junto ao Mandado de Segurança (MS) n° 96.0022554-0/DF, questionando a exigência do PIS nos moldes da Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 MP n° 1.212/95, posteriormente convertida na Lei n° 9.715/98 (peças com o andamento da citada ação às fls. 154/167). À fl. 174, pronunciamento da autoridade competente sobre a eventual revisão do lançamento, determinando, com base no Despacho de fls. 168/169, o prosseguimento da exigência dos créditos tributários do Auto de Infração de que trata o presente processo, já que este diria respeito exclusivamente à parcela da contribuição declarada em DCTF, e não recolhida pelo contribuinte, enquanto o auto de infração de que trata o (outro) processo n° 15374001961/99-29 contemplaria somente a parcela da contribuição não declarada à época nas correspondentes DCTF's, tendo-se concluindo, nesses temos, não ter restado caracterizada a duplicidade aventada pelo contribuinte. Cientificado do procedimento de revisão de lançamento acima comentado em 27/04/2010 (v. fl. 175), o interessado interpôs nova impugnação (fls. 177/197), recepcionada em 26/05/2010, argumentando, em síntese que: - ao contrário do que alega o auditor fiscal no procedimento de revisão do lançamento, os valores discutidos nesta sede não foram lançados ou declarados em DCTF pelo impugnante, até mesmo porque a apuração e o pagamento do PIS têm de ser efetuados de “forma centralizada”, junto à matriz da pessoa jurídica, como determina o artigo 15, lll, da Lei n° 9.779/99, mas, como se depreende da DCTF anexada por cópia à impugnação (cf. fls. 199/275), não foi esse o caso, o que, por si só, é ilegal e já ensejaria a nulidade de todo esse procedimento; - ademais, não bastasse a ilegalidade da cobrança perante a filial, foi efetuado, no primeiro processo administrativo de auto de infração (n° 15374001961/99-29), o pagamento nos termos do artigo ll da MP n“ 38, de 2002, e, mesmo que assim não fosse, foi apresentada a impugnação, o que suspende a exigibilidade do tributo, conforme o art. 151, III, do CTN; - em casos idênticos, o mesmo impugnante obteve êxito em anular os lançamentos, pois, a exemplo do presente caso, a exação foi lançada em duplicidade (na sede e na filial), como comprova a decisão proferida no processo administrativo n° l0l20.0002l l/2002-18, que julgou improcedente o auto de infração respectivo, pelo fato de ter ocorrido o lançamento em duplicidade, o mesmo ocorrendo em todos os demais casos em que o recorrente foi cobrado na filial, por todo o Brasil, e os lançamentos foram anulados, a uma, porque o pagamento foi feito (nos termos da MP n° 38/2002), e, por outro lado, porque a cobrança deveria ter sido feita perante a matriz; - por outro lado, se acertada a opinião exposta na revisão de lançamento, como os débitos do PIS objeto de lançamento teriam sido declarados em DCTF, possuindo o caráter de confissão de dívida e dispensando o lançamento de oficio, o prazo prescricional deve começar a ser contado a partir da data de vencimento declarada pelo contribuinte, e, como venceram entre 14/02/1997 e 15/04/1997, os débitos em questão deverão ser decretados extintos pela ocorrência de prescrição (cf. art. 156, V, c/c art. 174, ambos do CTN); - nem se alegue que a exigibilidade dos créditos estaria suspensa por decisão judicial (MS n° 96.0022554-0), o que, em tese, impediria o ajuizamento da execução fiscal, uma vez que o resultado do citado mandado de segurança foi desfavorável ao impugnante, com decisão transitada em julgado em 28/07/2004; Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 - o auto de infração deve ser declarado nulo (o contribuinte reiterou, nesse sentido, todas as argumentações sobre a nulidade do lançamento, dispostas na sua impugnação às fls. 01/26); - assim sendo, requer-se o provimento da impugnação (fls. 177/197), para o fim de: declarar a nulidade e consequente cancelamento do Auto de Infração; reconhecer a sua improcedência, tendo em vista o lançamento em duplicidade com o auto de infração lançado contra a matriz (processo n° 15374001961/99-29); reconhecer a extinção de todos os débitos (CTN, art. 156, l), tendo em vista que foram pagos com fulcro na MP n° 38/2002; e declarar a extinção dos créditos tributários pela prescrição, uma vez que o prazo de 5 (cinco) anos a contar da hipotética confissão do débito em DCTF, ou ainda da cassação da decisão que decretou a suspensão da exigibilidade, passou em branco, sem o ajuizamento de execução fiscal. A Contribuinte recebeu a Intimação nº 005/2011 pela via postal em data de 28/01/2011, conforme Aviso de Recebimento de fls. 346 e interpôs o Recurso Voluntário de fls. 347 a 372 por meio de protocolo físico em data de 25/02/2011, pelo qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: i) EXTINÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO PAGAMENTO: - Conforme se lê da cópia da DCTF entregue no período em referência (primeiro trimestre de l997), esses valores jamais foram declarados pela Impugnante (conforme docs. já acostados ao processo), o que desconfigura completamente a tese levantada pela Autoridade que procedeu à revisão do lançamento. No quarto trimestre não foram declarados quaisquer débitos de PIS; - as parcelas do PIS cobradas por meio desse processo já são objeto do Auto de Infração e Imposição de Multa FM n° l5374.00l961/99-29. Por outro lado, é importante consignar que esse débito foi pago e está, portanto, extinto (CTN. art. 156, inc. I); - a Recorrente promoveu o pagamento da cobrança do PIS, referente ao período ora cobrado, nos estritos termos do artigo 11 da Medida Provisória 38 de 2002. Assim sendo, deve a presente autuação ser declarada nula, tendo em vista o efetivo pagamento do débito em questão (PIS, exercício de 1997), nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. ii) LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE: - a apuração e o pagamento do PIS têm de ser efetuadas “de forma centralizada” ou, em outros termos, junto à matriz da pessoa jurídica, como determina o artigo 15, inciso III da Lei 9.779/99. Como se depreende, não foi o caso, o que, por si só, é ilegal e já ensejaria a nulidade de todo esse procedimento; - No primeiro processo administrativo (n° l5374.0l96l/99-29) foi efetuado o pagamento e apresentada impugnação, o que suspende a exigibilidade do tributo, conforme dispõe o artigo 151, inciso lll do Código Tributário Nacional; - Em casos idênticos, a mesma Recorrente obteve êxito em anular os lançamentos pois, à exemplo do presente caso, a exação foi lançada em duplicidade (na sede e na filial), a exemplo do Processo Administrativo Fiscal Fl. 913DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 n° l0l20.0002l1/2002-18, que julgou improcedente o auto de infração respectivo, pelo fato de ter ocorrido lançamento em duplicidade. iii) EXTINÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO POR PRESCRIÇÃO: - em se tratando de exações com vencimento entre 14/2/97 e 15/4/97, para que não prescrevesse o direito ao ajuizamento da ação, o pedido inicial deveria ter sido formulado no máximo entre 14/2/2002 e 15/4/02, respectivamente, o que não ocorreu. Ainda levando em conta a questão de a exigibilidade ter sido suspensa por decisão judicial, o prazo teria se iniciado em julho de 2004 (transito em julgado da decisão desfavorável à Impugnante), findando, portanto, em 28 de julho de 2009. O auto de infração fo lavrado em data de 30/09/1999. iv) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: - A autoridade administrativa procedeu à autuação sem checar os documentos fiscais da Recorrente, sendo que deveria ter intimado para apresentar documentos e prestar esclarecimentos; - pelo simples fato de efetuar “lançamento eletrônico”, restou caracterizada a supressão de um grau de jurisdição, contrariando o Inciso LV, do Artigo 5° da Carta Constitucional, na medida em que a mesma autoridade executou o trabalho de fiscalização e de julgamentos, por ter praticado o trabalho que a própria fiscalização deixou de praticar; - configura-se nulidade absoluta desse procedimento mecânico, que desconsidera as peculiaridades dos contribuintes a ele submetidos. - O inciso I do art. 149 do Código Tributário Nacional impõe que qualquer revisão de lançamento só possa ser efetuada quando autorizada por lei. - Constatam-se, portanto, os seguintes vícios: (a) lncompetência: caracterizada quando o ato não se inclui nas atribuições legais de quem o praticou. Com efeito, quem efetivamente praticou o fato foi a máquina, não o servidor identificado; (b) Vício de forma: que consiste na omissão em observância irregular ou incompleta de formalidades indispensáveis à existência ou a seriedade do ato. A ausência de verificação e de audição do contribuinte entre outras formalidades indispensáveis comprometem o factum machinae de maneira absoluta. Além disso, a ocorrência do fato, pelas evidências e imobilidade não pode ser considerada séria. Por outro lado, o factum machínae não é ato - que, no caso, verifica-se inexistente. (c) Inexistência de motivos: que se constata quando a matéria de fato ou de direito, em que se deveria fundamentar o ato (quando existente) é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido. Ao analisar o processo, esta Relatora inicialmente propôs a Resolução nº 3402- 002.014, acatada por unanimidade pelo Colegiado, convertendo o julgamento do recurso em diligência para as seguintes providências: 2.3. Com isso, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: Fl. 914DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 1) Intimar a Recorrente para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, a cópia Integral do Mandado de Segurança nº 94.0008859-2/DF, informado em DCTF, bem como certidão de trânsito em julgado e certidão de inteiro teor do referido processo (certidão de objeto e pé); 2) Intimar a Recorrente para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, a cópia integral do Processo Administrativo Fiscal nº 15374.001961/99-29, que tem por objeto o Auto de Infração lavrado contra a Matriz da Contribuinte; 3) Proceda a análise do Mandado de Segurança nº 94.0008859-2/DF, do Processo Administrativo Fiscal nº 15374.001961/99-29, bem como do presente processo para averiguar possível duplicidade dos lançamentos de débitos de PIS; 4) Elaborar relatório conclusivo sobre os levantamentos mencionados nos Itens 1, 2 e 3; 5) Intimar a PGFN para manifestação que entender pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias. 2.4. Após, com ou sem resposta das partes, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. Através do Despacho de fls. 455, o i. Auditor Fiscal da equipe de controle do crédito sub judice SACAT JUDICIAL, encaminhou o processo para redistribuição ao contencioso/Equipe de ação judicial em análise do PAF nº 15374.001961/99-29; A Contribuinte foi intimada às fls. 469, apresentando cópia do processo administrativo em referência, e requerendo a prorrogação do prazo para juntada de cópia do feito judicial em razão da necessidade de desarquivamento. Às fls. 905 foi certificado o decurso de prazo sem atendimento do despacho de fls. 460-461, devolvendo os autos para prosseguimento através do despacho de fls. 906. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Conforme já analisado através da Resolução nº 3402-002.014, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 915DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 2. Mérito Versa o presente litígio de lançamento de ofício lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu, contra a Filial inscrita no CNPJ nº 15.102.288/0080-86, para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP referente ao período de apuração de 01/01/1997 a 31/03/1997, resultante de procedimento de auditoria interna nas DCTF's, pelo qual foi constatada a falta de recolhimento da contribuição. Consta no auto de infração que os valores foram apurados conforme “Demonstrativo de Apuração de Crédito do PIS/Faturamento, em razão de processo administrativo instaurado para constituição da referida contribuição, tendo em vista que não constam nas DCTF’s os valores pertinentes. Em síntese, a Autoridade Administrativa não acatou a informação da Contribuinte de que o débito de PIS estaria na situação de “Exigibilidade Suspensa”, na forma indicada na DCTF, tendo em vista a ocorrência “Proc jud não comprova”. A DRJ de origem manteve a autuação por igualmente concluir que o lançamento foi promovido porquanto a ação judicial nº 940008859-2/DF, informada em DCTF, não comprovaria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado, já que a ação efetivamente inexiste, conforme pesquisa realizada junto aos domínios do Poder Judiciário na internet (e-fls. 324 e 325), atestando não ter sido autuada qualquer ação com esta numeração. Colaciono abaixo as pesquisas em referência: Como já demonstrado em análise anterior, um dos principais argumentos da Recorrente é de que o Auto de Infração de que trata o presente processo é nulo, pois a Autoridade Fiscal lançou contra o estabelecimento Matriz, junto ao Processo Administrativo Fiscal nº l5374.00l96l/99-29 (e-fls. 46-56), diversos valores referentes ao PIS, sendo que dentre estes encontram-se os valores lançados no presente Auto de Infração e, nos termos do artigo 15, Fl. 916DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 III, da Lei nº 9.779/99, a apuração e o recolhimento do PIS deve ser efetuada de forma centralizada, pela matriz da pessoa jurídica. Alega, ainda, que em casos idênticos, obteve êxito em anular os lançamentos. Cita, como exemplo, a decisão proferida no Processo Administrativo Fiscal nº 10120.000211/2002-18, que julgou improcedente o auto de infração respectivo, pelo fato de ter ocorrido o lançamento em duplicidade. Diante de tais argumentos, incialmente esta relatora propôs a conversão do julgamento do recurso em diligência, possibilitando averiguar se os fatos geradores objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 15374.001961/99-29, realmente abrangem os valores lançados na autuação objeto do presente litígio, bem como averiguar sobre o pagamento informado nos autos para justificar o pedido de extinção do processo nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. A Resolução nº 3402-002.014 foi acatada por unanimidade por este Colegiado, nos termos já indicados no relatório deste voto. Em atendimento à Resolução e, antes de proceder à intimação da Contribuinte, a Equipe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da DRF de Volta Redonda/RJ, prestou as informações constantes do Despacho de fls. 460-461 nos seguintes termos: Trata-se de auto de infração de Pis (2986) períodos de apuração 01/1997 a 03/1997 o qual veio a esta SACAT-VRA para diligência nos termos de Resolução CARF 3402-002.014 de 22/05/2019, acostada às folhas 441 a 450 a qual propôs: 1) Intimar a Recorrente para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, a cópia Integral do Mandado de Segurança nº 94.00088592/DF, informado em DCTF, bem como certidão de trânsito em julgado e certidão de inteiro teor do referido processo (certidão de objeto e pé); 2) Intimar a Recorrente para apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, a cópia integral do Processo Administrativo Fiscal nº 15374.001961/9929, que tem por objeto o Auto de Infração lavrado contra a Matriz da Contribuinte; 3) Proceda a análise do Mandado de Segurança nº 94.00088592/DF, do Processo Administrativo Fiscal nº 15374.001961/9929, bem como do presente processo para averiguar possível duplicidade dos lançamentos de débitos de PIS; 4) Elaborar relatório conclusivo sobre os levantamentos mencionados nos Itens 1, 2 e 3; 5) Intimar a PGFN para manifestação que entender pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias. Processo foi distribuído a um AFRFB da equipe de controle do crédito sub judice SACAT JUDICIAL o qual, nos termos de despacho de folha 455, informou que “tendo em vista que não há decisão a ser tomada neste processo administrativo e que as diligências do CARF podem ser supridas pelo contencioso/Equipe de ação judicial em análise do PA 15374.001961/99-29 (FL.329) solicito redistribuição”. Processo foi a mim, ATRFB membro da equipe SACAT-JUDICIAL, redistribuído razão pela qual instrui o presente com as informações relativas às folhas 329 e 330 do processo 15374.001961/99-29, aqui acostadas às folhas 457 e Fl. 917DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 458, que propõe o encaminhamento do processo em comento à “DEFIC/RJO/RJ para ilação sobre a questão suscitada, qual seja, o PIS lavrado no Auto de Infração de fls. 13 a 24 corresponde ao faturamento isolado do estabelecimento matriz ou insere-se neste também os valores correspondentes a todas as filiais do contribuinte em foco?”. Em resposta ao questionamento acima, a DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO II- GRUPO 13, em despacho de folha 334, processo 15374.001961/99-29, aqui acostado à folha 459, informou que “após análise minuciosa da extensa documentação contábil apresentada em atendimento aos termos lavrados em 05/10/2006 e em 07/11/2006, a base de cálculo do Auto de Infração do PIS de fls. 13 a 22 é composta pelo somatório do faturamento dos meses de março de 1996 a dezembro de 1998 do estabelecimento matriz e de todas as filiais do contribuinte”. Isto posto, feitos os esclarecimentos acima, proponho o encaminhamento do presente à equipe do contencioso desta SACAT-VRA para as devidas intimações mencionadas na Resolução de folhas 441 a 450, com posterior devolução a esta SACAT-JUDICIAL para análise do Mandado de Segurança nº 94.00088592/DF, caso o contribuinte apresente documentação a ele pertinente. (sem destaques no texto original) Analisando as informações trazidas com a diligência, é possível constatar que o esclarecimento prestado pela Divisão de Controle e acompanhamento Tributário (DICAT) no Rio de Janeiro, é relevante e suficiente para a conclusão adotada neste voto, uma vez que se confirma o argumento da Recorrente, no sentido de que o Auto de Infração objeto do PAF nº 15374.001961/99-29 teve por base de cálculo o somatório do faturamento dos meses de março de 1996 a dezembro de 1998 do estabelecimento matriz e de todas as filiais do contribuinte. Igualmente foi certificado em tais informações que, não obstante a suspensão da exigibilidade por força de sentença proferida no Mandado de Segurança nº 96.22554-0, a Contribuinte procedeu ao pagamento daquela exigência fiscal com os benefícios concedidos pela Medida Provisória nº 38/2002, requerendo a desistência das respectivas ações judiciais. Observo que a mesma informação anexada às fls. 457-459 foi prestada em outros processos desta Contribuinte, a exemplo do PAF nº 10166.000246/2002-12, cuja autuação foi extinta através do v. Acórdão nº 202-19.306, proferido com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE. É nulo o auto de infração lavrado que exige crédito tributário constituído e extinto em outro processo administrativo, estando o fato expressamente atestado pela autoridade administrativa competente. Processo anulado. Fl. 918DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-008.973 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.000292/2002-10 Diante dos esclarecimentos prestados em diligência, confirmando que o PAF nº 15374.001961/99-29 tem por objeto o auto de infração relativo aos meses de março de 1996 a dezembro de 1998 do estabelecimento matriz e de todas as filiais do contribuinte, abrangendo, portanto, a Unidade da ora Recorrente e, uma vez que o crédito tributário constituído neste litígio se refere aos mesmos fatos geradores (01/01/1997 a 31/03/1997) e, estando aquela autuação extinta por pagamento, deve ser cancelada a autuação em análise por estar caracterizada a duplicidade de lançamento, resultando em inquestionável nulidade por vício material. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10805.720371/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PJ RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO CARACTERIZADO PELA ABSORÇÃO DO QUADRO FUNCIONAL DE OUTRA EMPRESA.
Mantém-se a exclusão do Simples Nacional, com base no inciso IX do §4º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006, no caso da empresa optante, sem auferir receita compatível, absorver o quadro funcional de outra empresa, caracterizando uma forma de desmembramento motivadora do impedimento de usufruir os benefícios do regime favorecido.
Numero da decisão: 1402-005.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PJ RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO CARACTERIZADO PELA ABSORÇÃO DO QUADRO FUNCIONAL DE OUTRA EMPRESA. Mantém-se a exclusão do Simples Nacional, com base no inciso IX do §4º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006, no caso da empresa optante, sem auferir receita compatível, absorver o quadro funcional de outra empresa, caracterizando uma forma de desmembramento motivadora do impedimento de usufruir os benefícios do regime favorecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 03 71 /2 01 2- 41 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720371/2012-41 Por bem descrever os fato, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), ao qual farei as complementações necessárias: Trata-se de exclusão do regime tributário do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/08/2009 comunicada à empresa acima identificada pelo Ato Declaratório Executivo – ADE N º 4, de 7 de março de 2013, emitido pelo delegado da DRF Santo André (SP) (fl. 108). (...) 2. O ato teve origem na representação formulada pelo auditor fiscal da Receita Federal do Brasil Copérnico Ferraz de Camargo Junior (fls. 2/5). Foi constatada em ação fiscal realizada na empresa Nova Gerty Com. Varej. De Prod de Hig. Pessoal Ltda EPP, CNPJ 07.388.232/000108, para verificar a regularidade da baixa, que houve a transferência, para a empresa representada, de 44 funcionários da baixada. Tais funcionários, em sua maioria, pertenciam anteriormente à Farmácia Nova Gerty Ltda, CNPJ 58.028.838/000173. As três empresas têm em comum a participação da sócia Denise Gonçalves de Oliveira, CPF 039.407.70833. : (...) 2.1 À fl. 6 do processo foi anexado pelo auditor um gráfico que demonstra de forma didática a movimentação de funcionários entre as três empresas (reprodução a seguir): Em 14 de março de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: Cientificada (AR fls. 144), a contribuinte apresenta o Recurso Voluntário de fls. 145/155, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720371/2012-41 Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme exposto no relatório, trata-se de exclusão do Simples Nacional por ter a autoridade fiscalizadora constatado que a Pro Ativa Marketing e Relacionamento Ltda é resultante de desmembramento da Nova Gerty, situação proibitiva para o gozo dos benefícios do Simples Nacional, prevista no inciso IX do §4º do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006: Essa situação foi identificada no procedimento fiscal determinado pelo MPF nº 811400-2010, derivado de solicitação para ENCERRRAMENTO DE ATIVIDADES/BAIXA – ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS, Processo nº 13820.000274/2010-77, no qual foram relatados os seguintes fatos: Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720371/2012-41 A Recorrente, por sua vez, procura contestar o trabalho fiscal com as seguintes alegações: a) A empresa FARMÁRCIA NOVA GERTY não é nem nunca foi optante pelo Simples Nacional e a transferência entre os empregados ocorreu antes da edição da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006. Assim não há que se falar em qualquer fraude ou ato espúrio e fraudulento nas transferências de empregados até junho de 2006 entre FARMÁCIA NOVA GERTY LTDA e a empresa NOVA GERTY COM. VAREJ. DE PROD. DE HIG. PESSOAL LTDA, pois sequer conhecida naquela época que seria editada a LC 123/06 b) Tanto a empresa NOVA GERTY quanto a Recorrente, que tinham em comum a participação da sócia comum Denise Gonçalvez Oliveira, poderiam estar no SIMPLES NACIONAL, não havendo qualquer manobra para redução artificial de tributos; c) Constata-se que ambas as empresas, mesmo somados seus faturamentos, se manteriam enquadradas no SIMPLES NACIONAL; d) Não houve desvio de finalidade ou abuso pela contribuinte que tem o direito de fazer sua gestão operacional de a lhe garantir os melhores resultados; Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720371/2012-41 e) A transferência de alguns funcionário da empresa NOVA GERTY COM. VAREJ. LTDA para a empresa PROATIVA MARKETING E RELACIONAMENTO LTDA não pode ser caracterizada como cisão ou qualquer outra forma de desmembramento diante das seguintes razões: e.1) a empresa NOVA GERTY explorava o ramo de “COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL e a atividade da recorrente constante do seu contrato social é “atividade de teleatendimento” e.2) Não houve localização no mesmo endereço e aproveitamento de instalações; e.4) Não houve aproveitamento ou transferência de clientela nem continuidade de fundo de comércio; Discordo das alegações da Recorrente. A alegação de que a transferência de empregados da FARMÁRCIA NOVA GERTY para a empresa NOVA GERTY ocorreu antes da publicação da Lei Complementar 123/06 parte do pressuposto de que tal situação não seria vedada na vigência da Lei nº 9.317/96. No entanto, tal situação está prevista no art. 9º, inciso VII da referida lei. Em relação às demais alegações, encontram-se prejudicadas por falta de provas. Isso porque, a Recorrente alega que o faturamento somado das duas empresas não seria impeditivo à opção pelo SIMPLES NACIONAL. No entanto, como alega e comprova o trabalho fiscal por meio juntada das Declarações prestadas pelas empresas, ambas declararam, durante vários exercícios, o faturamento zerado. Tal situação, em conjunto com a existência 44 empregados, constitui forte indício de simulação. Com efeito, como uma empresa pode sustentar sua atividade por vários exercícios sem qualquer faturamento e com vários empregados? Quanto às alegações de que a empresa NOVA GERTY explorava o ramo de “COMÉRCIO VAREJISTA DE PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL e a atividade da recorrente constante do seu contrato social é “atividade de teleatendimento” e, portanto, tratam- se de atividades distintas, também não são suficientes. Em primeiro lugar, porque a única prova juntada aos autos foram as declarações. Não há qualquer esforço probatório por parte da Recorrente para demonstrar que tratam-se de atividades distintas. Além disso, não há qualquer impedimento que o comércio varejista seja efetuado pela modalidade de teleatendimento. Em face do exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720371/2012-41 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 14485.001775/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
É cabível a oposição de embargos, recebidos como inominados, para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, quando a decisão proferida contiver inexatidões materiais por lapso manifesto, erros de escrita ou de cálculo, segundo o art. 66 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 2301-009.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanando a inexatidão material verificada no Acórdão no 2301-006.794, de 14/01/2020, excluir da planilha de e-fl. 855 a referência às notas fiscais nº 30.031 e 34.404.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. É cabível a oposição de embargos, recebidos como inominados, para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, quando a decisão proferida contiver inexatidões materiais por lapso manifesto, erros de escrita ou de cálculo, segundo o art. 66 do Anexo II do RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanando a inexatidão material verificada no Acórdão no 2301-006.794, de 14/01/2020, excluir da planilha de e-fl. 855 a referência às notas fiscais nº 30.031 e 34.404. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. É cabível a oposição de embargos, recebidos como inominados, para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, quando a decisão proferida contiver inexatidões materiais por lapso manifesto, erros de escrita ou de cálculo, segundo o art. 66 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanando a inexatidão material verificada no Acórdão no 2301-006.794, de 14/01/2020, excluir da planilha de e-fl. 855 a referência às notas fiscais nº 30.031 e 34.404. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão n° 2301-006.794 (e-fls. 849/856), proferido por esta turma, em sessão de 14/01/2020, cuja ementa e dispositivo restaram assim consignados na decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 17 75 /2 00 7- 96 Fl. 942DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.447 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14485.001775/2007-96 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2302- 003.296 de 13/08/2014, rerratiticar a decisão para incluir no voto a análise do item 2.3 do recurso voluntário (Ilegalidade da base de cálculo adotada pela fiscalização). Vencidos os conselheiros Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que votaram por converter o julgamento em diligência. O julgado passou a integrar o Acórdão nº 2302-003.296 (e-fls. 450 a 462), julgado na sessão de 13/08/2014, negando seguimento aos recursos de ofício e voluntário, com ementa igual à supratranscrita e parte dispositiva redigida nos seguintes termos: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que excluiu do lançamento as competências até 05/2000, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluiu, também, por nulidade decorrente de vício insanável, a Rubrica 11 Segurados do levantamento CI CONTRIB INDIVIDUAL CARTÃO CRED, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR de fls. 306/311, por erro na fundamentação legal que sustenta o lançamento nas competências de 04/2003 a 12/2005. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias já homologadas tacitamente, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional até a competência 09/2001, inclusive. A Fazenda Nacional foi cientificada da decisão (efl. 858) não apresentando recursos. Fl. 943DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.447 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14485.001775/2007-96 Cientificado da decisão em 02/09/2020 (Aviso de Recebimento de e-fl. 870), o Contribuinte opôs, tempestivamente, em 08/09/2020 (e-fl.928) os Embargos de Declaração de e- fls. 908 a 912, alegando em síntese: (a) Omissão: indicação de notas fiscais supostamente ausentes nos documentos acostados aos autos pela contribuinte, contrariando o que efetivamente consta nos arquivos; (b) Contradição interna e omissão: indicação de supostas pendências documentais relativas à parcela do lançamento já anulada pela DRJ; e (c) Omissão: análise do impacto, ainda que parcial, das informações contempladas pelos arquivos apresentados pela empresa, na base de cálculo do lançamento. O despacho de admissibilidade (e-fls. 933 a 939) deu seguimento parcial aos Embargos de Declaração opostos pela contribuinte, recebendo-os como Embargos Inominados, em relação ao erro material descrito na análise dos argumentos apresentados quanto à matéria “(a) Da Omissão: indicação de notas fiscais supostamente ausentes nos documentos acostados aos autos pela contribuinte, contrariando o que efetivamente consta nos arquivos”. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora. Os embargos de declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. O artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF - Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), assim dispõe: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Consoante já descrito, o despacho de admissibilidade (e-fls. 933 a 939) deu seguimento parcial aos Embargos de Declaração opostos pela contribuinte, apenas em relação ao erro material descrito na análise dos argumentos apresentados quanto à matéria “(a) Da Omissão: indicação de notas fiscais supostamente ausentes nos documentos acostados aos autos pela contribuinte, contrariando o que efetivamente consta nos arquivos”. Neste tópico a embargante alega que o acórdão foi omisso ao analisar os arquivos constantes do compact disk, uma vez que constou como não apresentadas as relações nominais dos funcionários e valores recebidos referente às notas fiscais nº 30.031 e 34.404, entretanto afirma que tais informações estão relacionadas na planilha apresentada, destacando nome do arquivo e linhas correspondentes. Fl. 944DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.447 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14485.001775/2007-96 Compulsando os autos sob apreciação, entendo que assiste razão à embargante, pois verifica-se que as relações nominais referentes às notas fiscais nº 30.031 e 34.404 constaram do Compact Disk apresentado, sendo imperiosa a correção do acórdão embargado para que os referidos documentos deixem de constar da planilha constante da e-fl. 855. Importa ressaltar, que a correção do vício apontado não traz qualquer impacto na base de cálculo apurada, uma vez que o acórdão embargado reconheceu que a omissão das relações de beneficiários identificada, prejudica a confiabilidade dos arquivos apresentados, razão pela qual deixou de considerá-los como prova apta a afastar os lançamentos apurados. Apenas em sede de recurso voluntário, o recorrente anexa as referidas relações nominais e sustenta novamente ilegalidade da base de cálculo adotada pela autoridade fiscal. Verifica-se do acima exposto, que foram envidados diversos esforços para que o contribuinte apresentasse a relação nominal dos beneficiários dos cartões de premiação. Contudo, o recorrente somente em sede de recurso as apresenta, sem sequer justificar as razões da impossibilidade de sua apresentação no momento oportuno. A apresentação dessas provas pelo impugnante deveria ter sido feita na impugnação, precluindo o direito de fazê-la em outro momento processual, salvo se ocorrer alguma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: (...) O recorrente não aponta em seu recurso, as razões que impossibilitaram a apresentação das relações nominais em momento oportuno e sequer comprova por meio de demonstrativos as incorreções existentes nos lançamentos fiscais. A inconsistência na base de cálculo poderia ter sido comprovada por meio de contratos de prestação de serviços, onde constam definidos os percentuais de comissão da operadora de cartões. Contudo, o recorrente intimado a comprovar em diversas ocasiões quedou-se silente quanto aos valores que supostamente deveriam ter sido deduzidos das notas fiscais utilizadas pela fiscalização na apuração das bases de cálculo do auto de infração. Assim, como citado na norma de regência, cabe ao recorrente indicar precisamente os pontos de discordância do lançamento e comprovar suas alegações, por meio de elementos hábeis para afastar a imputação da irregularidade apontada, que demonstrem a efetividade do direito alegado. Contudo, em respeito ao princípio da verdade material, analisando o conteúdo das planilhas contidas no compact disk (doc n.° 04), verifica-se que o arquivo apresentado está incompleto, pois não contempla as relações nominais de beneficiários referentes as seguintes notas fiscais lançadas pela autoridade fiscal: [...] A omissão das relações de beneficiários identificada, prejudica a confiabilidade dos arquivos apresentados, razão pela qual deixo de considerá-los como prova apta a afastar os lançamentos apurados. Veja-se que a contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, não apresentou os documentos solicitados durante a fiscalização ou na impugnação, fazendo-o de forma parcial apenas em sede recursal, razão pela qual foi rejeitada a alegação de ilegalidade da base de cálculo adotada pela fiscalização no acórdão embargado. Fl. 945DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.447 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14485.001775/2007-96 Por fim acrescento, que de acordo com a informação contida na planilha FC2001, consta como emissão da Nota Fiscal n o 30.031 a data de 29/09/2001, período excluído do lançamento em razão de decadência no Acórdão n o 2302-003.296 de 13 de agosto de 2014. Conclusão Ante ao exposto, voto por acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanando a inexatidão material verificada no Acórdão no 2301-006.794, de 14/01/2020, excluir da planilha de e-fl. 855 a referência às notas fiscais nº 30.031 e 34.404. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 946DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13227.720039/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 11 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.
A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
FARINHA DE TRIGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. VIGÊNCIA.
A redução da alíquota incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo, tem vigência a partir da data de publicação da Medida Provisória n° 433/2008.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO. Súmula CARF nº 2.
A multa de oficio que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
Numero da decisão: 1301-005.552
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora, de forma a reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felícia Rothschild, Rafael Taranto Malheiro, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 FARINHA DE TRIGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. VIGÊNCIA. A redução da alíquota incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo, tem vigência a partir da data de publicação da Medida Provisória n° 433/2008. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO. Súmula CARF nº 2. A multa de oficio que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria.
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 FARINHA DE TRIGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. VIGÊNCIA. A redução da alíquota incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo, tem vigência a partir da data de publicação da Medida Provisória n° 433/2008. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO. Súmula CARF nº 2. A multa de oficio que encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não pode ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadra-se na hipótese prevista pela norma. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 39 /2 00 8- 08 Fl. 2691DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da comprovação da origem dos depósitos, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação regente da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora, de forma a reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, José Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felícia Rothschild, Rafael Taranto Malheiro, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 218-287, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica-IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social-PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social- COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido-CSLL, ano(s)-calendário 2003, 2004 e 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 50.893.022,34, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 29/02/2008. Também integra os Autos de Infração o Termo de Verificação de Infração de folhas 164-216. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Fl. 2692DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 • Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; • Insuficiência de declaração e recolhimento do imposto e das contribuições sociais reflexas, relativos aos anos-calendário 2003 e 2004, apurados pelo confronto dos valores escriturados com os declarados/recolhimentos; • Omissão receita, ano-calendário 2005, apurada pela diferença entre a receita escriturada no Livro de Registro de Saída e a receita declarada; Extrai-se ainda dos autos que: 1. O contribuinte fora optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte -SIMPLES; 2. Fora excluído desse sistema especial de apuração de tributos, por meio do Ato Declaratório n° 01 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ji-Paraná/RO, publicado no Diário Oficial da União em 14 de fevereiro de 2008, com efeitos retroativos à 15/06/2001, por haver superado limite máximo de receita para o primeiro ano de atividade; 3. A receita escritura pelo contribuinte em sua contabilidade era muito superior à informada nas Declarações Anuais Simplificadas de Pessoa Jurídica - PJSI; 4. O lucro do contribuinte do ano-calendário 2005, foi arbitrado em razão da falta de apresentação dos livros Diário e Razão; 5. Os depósitos bancários não escriturados estão identificados nos Anexos I e II do Termo de Verificação de Infração; 6. Foi aplicada a multa de 112,5%, em razão do embaraço à fiscalização, caracterizado pelo(a): 1. Falta de apresentação do Livro Diário; 2.Falta de apresentação dos extratos bancários; 3.Atraso recorrente ao atendimento das intimações. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 28/03/2008 (fls. 219, 238, 258 e ) e apresentou sua impugnação em 24/04/2008 (fls. 294-299), na qual alegou em síntese que: 1. Os créditos bancários envolvem saques em espécie de suas contas para suprir eventual insuficiência de fundos de outras contas, bem como descontos de duplicatas, cheques devolvidos, empréstimos, etc.; 2. Fora apresentado à fiscalização, todos os Livros Fiscais e Contábeis, que demonstram toda movimentação real do contribuinte, conforme Diário dos anos de 2003, 2004 e 2005; 3. Os depósitos bancários embora possam refletir indícios de auferimento de receita, não se caracterizam, por si só, sua disponibilidade; 4. A movimentação bancaria não corporifica fato gerador do imposto de renda e qualquer outro tributo; 5. A Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos - TRF, considerou ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; 6. A apuração deveria ser embasada na documentação solicitada e entregue à fiscalização, quais sejam: Livros Apuração de Entrada e de Saída, Diário e Razão; Fl. 2693DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 7. A apuração do IRPJ e da CSLL está comprometida, pois o lucro de cada período está demonstrado no Livro Diário; 8. A tributação do PIS e da COFINS é indevida porque incidente sobre a receita da venda de farinha de trigo, atividade sujeita à substituição tributária, conforme demonstram as cópias das notas fiscais anexas. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a defesa da contribuinte, cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 FARINHA DE TRIGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. VIGÊNCIA. A redução da alíquota incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo, tem vigência a partir da data de publicação da Medida Provisória n° 433/2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 FARINHA DE TRIGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. VIGÊNCIA. A redução da alíquota incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo, tem vigência a partir da data de publicação da Medida Provisória n° 433/2008. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em manifestação anterior, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 2694DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 Conselheira Bianca Felicia Rothschild, Relatora. Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e, uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Em comparativos realizados entre a receita bruta declarada com valores movimentados em conta-corrente pelo contribuinte acima identificado, em relação aos ano(s)- calendário 2003, 2004 e 2005, foi verificada uma discrepância muito alta e injustificada, ensejando uma verificação mais profunda por parte da Receita Federal. Após o procedimento de fiscalização, foram lavrados Autos de Infração relativos IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, , no valor total de R$ 50.893.022,34, relativo às seguintes infrações: • Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; • Insuficiência de declaração e recolhimento do imposto e das contribuições sociais reflexas, relativos aos anos-calendário 2003 e 2004, apurados pelo confronto dos valores escriturados com os declarados/recolhimentos; • Omissão receita, ano-calendário 2005, apurada pela diferença entre a receita escriturada no Livro de Registro de Saída e a receita declarada; Extrai-se ainda dos autos que: 1. O contribuinte fora optante pelo SIMPLES; 2. Fora excluído desse sistema especial de apuração de tributos por haver superado limite máximo de receita para o primeiro ano de atividade; 3. A receita escritura pelo contribuinte em sua contabilidade era muito superior à informada nas Declarações Anuais; 4. O lucro do contribuinte do ano-calendário 2005, foi arbitrado em razão da falta de apresentação dos livros Diário e Razão; 5. Foi aplicada a multa de 112,5%, em razão do embaraço à fiscalização, caracterizado pelo(a): 1. Falta de apresentação do Livro Diário; 2.Falta de apresentação dos extratos bancários; 3.Atraso recorrente ao atendimento das intimações. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento e apresentou sua defesa, na qual alegou, em síntese, que: Fl. 2695DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 1. Os créditos bancários envolvem saques em espécie de suas contas para suprir eventual insuficiência de fundos de outras contas, bem como descontos de duplicatas, cheques devolvidos, empréstimos, etc.; 2. Fora apresentado à fiscalização, todos os Livros Fiscais e Contábeis, que demonstram toda movimentação real do contribuinte, conforme Diário dos anos de 2003, 2004 e 2005; 3. Os depósitos bancários embora possam refletir indícios de auferimento de receita, não se caracterizam, por si só, sua disponibilidade; 4. A movimentação bancaria não corporifica fato gerador do imposto de renda e qualquer outro tributo; 5. A Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos - TRF, considerou ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; 6. A apuração deveria ser embasada na documentação solicitada e entregue à fiscalização, quais sejam: Livros Apuração de Entrada e de Saída, Diário e Razão; 7. A apuração do IRPJ e da CSLL está comprometida, pois o lucro de cada período está demonstrado no Livro Diário; 8. A tributação do PIS e da COFINS é indevida porque incidente sobre a receita da venda de farinha de trigo, atividade sujeita à substituição tributária, conforme demonstram as cópias das notas fiscais anexas. A decisão de primeira instancia julgou improcedente a impugnação do contribuinte conforme razões a seguir expostas. Em sede de recurso voluntário, não houve juntada de novos documentos, mas simples reafirmação dos argumentos já trazidos anteriormente. Mérito Dado o contexto, em vista do disposto no § 3° do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 - RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento desta Relatora, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, in verbis: Da omissão de receitas depositadas em conta bancária A recorrente contesta a presunção de omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos créditos em conta bancária, por entender que a movimentação bancaria não corporifica fato gerador do imposto de renda e qualquer outro tributo. No caso, é oportuno analisar o que determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, com as modificações do artigo 4° da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, base do lançamento: Art.42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 2696DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3°Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6 o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. [...] Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$12.000,00 (doze mil reais) e R$80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Depreende-se, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Dessa forma, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na conta-corrente do contribuinte. Em outras palavras, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, tem-se a autorização para considerar ocorrido o "fato gerador" quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de "fato gerador", a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do "fato gerador" - as chamadas presunções legais , a produção de tais provas é dispensada. Fl. 2697DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, ipsis litteris: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os _ fatos: (...) IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. [destaquei] No texto abaixo reproduzido, extraído de "Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas" (Justec-RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. No que diz respeito à súmula 182, do extinto Tribunal de Recursos Federais, tenho que, além de não ser de observância obrigatória neste contencioso, está inoperante deste a vigência da Lei n° 9.430/96, conforme se observa pela ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. [...] 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou-se inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5, em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de "um amigo estrangeiro residente no Líbano" (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: "Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, deve-se observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. "[...] (Resp 792812/RJ, de 13/03/2007) [grifei] A recorrente ainda aduz que os depósitos bancários envolvem saques em espécie de suas contas para suprir eventual insuficiência de fundos de outras contas, bem como descontos de duplicatas, cheques devolvidos e empréstimos. Todavia, não traz provas de sua argumentação. Outrossim, a autoridade lançadora assevera que excluiu, da análise dos créditos bancários, os valores relativos a estorno de débitos, Fl. 2698DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 devolução de cheques, liberação de empréstimos e transferências entre contas de mesma titularidade. Razões porque se rejeita as argumentações da recorrente. Alega ainda a recorrente que os Livros Fiscais e Contábeis demonstram toda sua movimentação financeira. Ora, o lançamento da omissão de receita dos depósitos bancários decorre justamente da falta de comprovação de sua origem. Nos anos de 2003 e 2004, é suscitada inclusive a falta de contabilização das operações financeiras levadas à exação. De efeito, se a contabilidade demonstra toda sua movimentação financeira, cumpriria a recorrente indicar a correspondência entre os registros contábeis dessa receita e os créditos bancários levados à tributação. O que não fez. A autoridade lançadora identificou, individualmente, por meio dos Anexos I e II do Termo de Verificação de Infração (fls. 176-216), todos os créditos bancários para os quais a recorrente não logrou êxito em comprovar sua origem (fato indiciário). Nesse passo, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96, concluo que os depósitos sem origem comprovada presumem-se receitas omitidas, devendo, portanto, serem tributados. Da apuração do IRPJ e CSLL A recorrente contesta a apuração do IRPJ e da CSLL por entender que a base de cálculo destes tributos, o lucro, está devidamente registrada no Livro Diário. Rejeita-se de plano o argumento pois se o lançamento envolve a omissão de receita em todos os exercícios - e essa omissão não foi contestada com êxito pela recorrente - faz-se então necessária uma nova apuração do lucro tributável. Ademais, o lucro da recorrente, relativo ao ano-calendário 2005, foi arbitrado em razão da falta de apresentação dos Livros Diário e Razão. Medida que, se regularmente efetivada, tem caráter definitivo. Nesse aspecto, a recorrente nem sequer contesta os motivos do arbitramento do lucro. Da apuração do PIS e da COFINS Por fim, a recorrente alega que a tributação do PIS e da COFINS é indevida incidente sobre a receita da venda de farinha de trigo, atividade sujeita à substituição tributária, conforme demonstrariam as cópias das notas fiscais anexas. A exação do PIS e da COFINS tem duas origens: (i) a receita omitida, decorrente dos depósitos bancários, e (i i) a receita apurada a partir dos livros da recorrente. No que tange à receita dos depósitos bancários (de origem não comprovada), não há como afastar a exação, é que o art. 42 da Lei n° 9.430/96, ao estabelecer a presunção de omissão de receita, não ofereceu parâmetros para se presumir a natureza da receita omitida. O sujeito passivo, que possui várias atividades, que não só a venda de farinha de trigo (fl. 353), não comprovou que os depósitos bancários levados à exação foram derivados da venda de tal produto. No que se refere à receita escriturada, a recorrente, ao contrário do que alega, não traz as notas fiscais que supostamente comprovariam que a receita seria derivada da venda de farinha de trigo. Por fim, há de se esclarecer que não existe substituição tributária de PIS e COFINS sobre a receita da venda de farinha de trigo. O que há é a existência de alíquota zero dessas contribuições, nos termos do art. 1°, inciso XIV, da Lei n° 10.925/04: Fl. 2699DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 Art. 1° Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social -COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: [...] XIV - farinha de trigo classificada no código 1101.00.10 da Tipi; (Incluído pela Lei n° 11.787, de 25 de setembro de 2008) Ocorre que o benefício foi concedido a partir da edição da Medida Provisória n° 433, de 27 de maio de 2008, porém as receitas do lançamento são anteriores a essa data. Razões porque o argumento da recorrente deve ser rechaçado. Da conclusão Ante tudo exposto, voto no sentido de julgar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, mantendo os créditos tributários do processo. Multa confiscatória Em relação à multa, a Recorrente afirma que “a multa acessória chega a uma cifra exagerada, o que repita-se, caracteriza o CONFISCO, pois o principal é menor que o acessório.” Trata-se de argumento precluso, mas mesmo que fosse considerado como válido, não merece prosperar. Verifico que a multa de ofício aplicada tem fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme apontado nos autos de infração. Deixar de aplicar a multa de ofício por considerá-la confiscatória seria deixar de aplicar o referido dispositivo legal em razão de alegada inconstitucionalidade, o que é defeso às turmas julgadoras do CARF, as quais devem obediência à Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Multa Agravada A aplicação da multa agravada foi justificada no termo de Verificação Fiscal da seguinte forma(e-fl. 175): O contribuinte, intimado desde o Termo de Início de Fiscalização a apresentar o Livro Diário, não o fez até o final da ação fiscal. Intimado também desde o Termo de Início de Fiscalização a apresentar os extratos bancários, não o fez e houve o enquadramento no inciso I do art. 33 da Lei 9.430, de 27 de Dezembro de 1996, em que foi caracterizado embaraço à fiscalização. Além disso, o contribuinte reiteradamente não respeitava os prazos estipulados nos Termos de Intimação Fiscal, como pode ser verificado ao longo do presente texto, caracterizando pelos motivos acima expostos descrito no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ensejando a aplicação de multa de ofício de 112,5% sobre os tributos e contribuições lançados. Em relação ao tema, deve discutir-se sobre a possibilidade de agravamento da multa de ofício no caso de desatendimento, pelo sujeito passivo, de intimação para comprovar origens de depósitos bancários. Penso que não. Fl. 2700DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 É certo que o art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1.996, prevê o agravamento da multa nos casos que especifica. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II- apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III- apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Os inciso II e III evidentemente não se aplicam ao caso, e o inciso I refere-se a intimação para "prestar esclarecimentos". Entendo que a não apresentação de determinado livro diário ou desrespeito aos prazos dos termos de intimação não caracteriza “não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos”. Ademais, o não atendimento às intimações no prazo ou de forma incompleta não causou embaraço a fiscalização. Pelo contrario, a falta de apresentação enseja o lançamento, seja pela glosa das despesas, seja, no caso ora analisado, o lançamento com base em depósitos bancários de origens não comprovadas. O art. 42 da mesma Lei n° 9.430, de 1942 é claro quanto ao ponto: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, não comprovadas as origens dos depósitos bancários em caso de intimação, seja por apresentação de elementos de provas não aceitos como tal pela Autoridade Administrativa, seja simplesmente pela não apresentação de prova algum, a consequência é dada pela lei: a presunção de omissão de rendimentos, com a multa regular pela infração cometida. Desta forma, entendo que descabe aplicação do agravamento da multa. Conclusão Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL de forma a afastar o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 2701DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-005.552 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.720039/2008-08 Fl. 2702DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13882.720396/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2015
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO ANTES DA EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO.
Comprovado o pagamento pela contribuinte dos débitos que motivaram a sua exclusão do SIMPLES antes da emissão do Ato Declaratório de Exclusão deve ser este anulado.
Numero da decisão: 1402-005.810
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o ADE de exclusão, mantendo a recorrente no regime do SIMPLES NACIONAL.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO ANTES DA EMISSÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. Comprovado o pagamento pela contribuinte dos débitos que motivaram a sua exclusão do SIMPLES antes da emissão do Ato Declaratório de Exclusão deve ser este anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o ADE de exclusão, mantendo a recorrente no regime do SIMPLES NACIONAL. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 72 03 96 /2 01 4- 82 Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.810 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720396/2014-82 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG). Ao final, farei as complementações necessárias. Trata-se de Ato Declaratório Executivo pelo qual a contribuinte foi excluída do Simples Nacional (SN) em razão da existência de débitos com a Fazenda Pública federal de exigibilidade não suspensa. A manifestação de inconformidade pode ser assim resumida: "os débitos referentes a Inscrição 80.4.14.03294089 foram pagos no prazo e já foi comprovado junto a Receita Federal através do Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa." E o faz em tácita alusão ao único débito objeto do ADE, qual seja, de natureza não previdenciária junto à PGFN, acompanhado nos autos do processo 10860.502437/2014- 11. Em 04 de maio de 2016, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2015 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Materializada a hipótese legal de vedação ao Simples Nacional, sem que a contribuinte lograsse elidi-la, há que se manter a exclusão de ofício operada. Cientificada (AR fls.59) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 37, no qual reitera as alegações já suscitadas e requer a juntada, em fase recursal, do cancelamento promovido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 16/06/2016, bem como da certidão negativa de débitos. Em 15 de julho de 2020, esta turma decidiu converter o processo em diligência, por meio da Resolução nº 1402.001.129, para que a unidade de origem informasse “se a exclusão de inscrição em dívida ativa promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional se deu em virtude de pagamento ou parcelamento e se esses ocorreram antes ou até 30 dias após a emissão do Ato Declaratório Executivo que promoveu a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, manifestando-se por meio de relatório conclusivo” Em resposta, a DRF Sorocaba apresentou a informação de fls. 87 na qual concluiu: Em atendimento à Resolução nº 1402-001.129 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de fls. 77/80, informamos que a exclusão de inscrição em dívida ativa promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional se deu em virtude de pagamentos que ocorreram antes da respectiva inscrição e, portanto, antes da emissão do Ato Declaratório Executivo que promoveu a exclusão da Empresa do Simples Nacional, conforme despacho decisório (juntado cópia às fls. 82/83) constante do processo nº 10860.502437/2014-11, que vinculamos a este nesta data. É o relatório Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.810 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720396/2014-82 Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme exposto no relatório, trata-se de pedido de indeferimento ao Simples Nacional em razão da existência de débitos com a Fazenda Nacional, cuja exigibilidade não estaria suspensa. Em sua defesa alega a Recorrente que o débito apontado, já teria sido pago antes mesmo da inscrição em dívida ativa. A decisão recorrida, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade, adotando o despacho promovido pela SACAT da DRF Taubaté, no qual essa atesta a existência de débitos em aberto no processo nº 10860.502437/2014-11. Confira-se: À fl. 86 dos autos daquele processo 10860.502437/2014-11, há despacho que, pelas razões ali contidas, firmou o entendimento de que: [...] Trata-se de Pedido de Revisão de Débito Inscrito em DAU, referente aos débitos de Simples Nacional, código 3333, dos PA 04 e 05/2012. Por meio do Pedido de Revisão de Débito Inscrito a solicitante informa que pagou os débitos inscritos antes da inscrição. Em consulta aos sistemas do Simples Nacional, verifica-se que: - os recolhimentos apresentados (fls. 19) decorrem dos PGDAS-D Originais (01) e abarcam os entes/valores de ISS (PA 04/2012 - ISS – Taubaté - R$ 617,70 e ISS – Lorena - R$ 1.116,12 e PA 05/2012 – ISS – Jacareí – R$ 5.813,22): [...] - os débitos constantes na presente inscrição decorrem dos PGDAS-D Retificadores (02) e se referem ao ISS (PA 04/2012 – ISS – Guaratinguetá – R$ 1.733,82 e PA 05/2012 – ISS – Guaratinguetá - R$ 5.813,22): [...] Tendo em vista que a solicitante não recolheu os DAS pertinente aos PGDAS-D Retificadores (02), proponho o encaminhamento dos autos à PSFN/Taubaté com a indicação de manutenção da cobrança dos débitos constantes na Inscrição nº 80 4 14 032940-89." Com base naquele documento (cuja cópia encontra-se à fl. 29 dos autos do presente processo), a SACAT da DRF/Taubaté-SP reproduziu o juízo ali firmado. Nestes termos, por acompanhar aquele juízo de valor, VOTO no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Em 18/04/2016, a DRJ em Juiz de Fora proferiu o despacho de fls. 38, no qual determinou a baixa dos autos a unidade de origem para que essa verificasse a regularização dos débitos alegada pelo contribuinte. Confira-se: Trata-se de contestação à exclusão do Simples Nacional. Embora a contribuinte tenha feito Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, relativamente à inscrição 80414032940, objeto do ADE, fls. 2-20, processo 10860.502437/2014-11, os autos estão órfãos de prova de que efetivamente houve o regular parcelamento. Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.810 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720396/2014-82 Malgrado no despacho de fl. 30 ter sido proposto o encaminhamento dos autos à PSFN/Taubaté-SP, à razão de que a contribuinte não teria recolhido os DAS pertinentes ao PGDAS-D Retificadores, com indicação de manutenção da cobrança dos débitos constante na referida inscrição, fato é que os autos não seguiram para aquele destino. A realidade acima poderia até sugerir a não regularização da referida inscrição. No entanto, para se firmar o livre convencimento, reputo necessário baixar os autos à unidade de origem. Como propósito, que sejam adotadas as providências cabíveis no sentido de se instruir os autos com prova da verdade material sobre a regularização do parcelamento. Todavia, não constava dos autos qualquer manifestação quanto a diligência proposta, embora a decisão recorrida tenha adotado como fundamento manifestação anterior ao referido despacho. Em fase recursal, a contribuinte reiterou as alegações relativas ao pagamento e promoveu a juntada da Certidão Negativa de Débito de fls. 61, emitida em 18/12/2016, bem como a extinção da certidão de inscrição em dívida ativa efetuada em 16/06/2016 pela Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional (fls. 62/64). No entanto, pela análise dos referidos documentos, não foi possível identificar se o referido débito já estava quitado ou com a exigibilidade suspensa quando da emissão do Ato Declaratório de Executivo (fls.16), uma vez que este foi emitido em 03 de setembro de 2014. Diante desse fato, em 15 de julho de 2020, esta turma decidiu converter o processo em diligência, por meio da Resolução nº 1402.001.129, para que a unidade de origem informasse “se a exclusão de inscrição em dívida ativa promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional se deu em virtude de pagamento ou parcelamento e se esses ocorreram antes ou até 30 dias após a emissão do Ato Declaratório Executivo que promoveu a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, manifestando-se por meio de relatório conclusivo” Em resposta, a DRF Sorocaba apresentou a informação de fls. 87 na qual concluiu: Sendo assim, como os débitos que deram origem ao Ato Declaratório de Exclusão foram quitados antes da sua emissão, correta a manutenção do contribuinte no SIMPLES NACIONAL. Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.810 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13882.720396/2014-82 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10840.905406/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 27/10/2011
COMPENSAÇÃO. IRRF. REMESSAS PARA O EXTERIOR. REPATRIAÇÃO DOS VALORES. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO MANTIDA.
A não comprovação de que valores repatriados se referem a montantes remetidos para o exterior, cujos negócios jurídicos teriam sido cancelados, tem como efeito a impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado, com a consequente manutenção da não homologação.
Numero da decisão: 1402-005.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votava por converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-005.702, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10840.905403/2012-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 27/10/2011 COMPENSAÇÃO. IRRF. REMESSAS PARA O EXTERIOR. REPATRIAÇÃO DOS VALORES. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO MANTIDA. A não comprovação de que valores repatriados se referem a montantes remetidos para o exterior, cujos negócios jurídicos teriam sido cancelados, tem como efeito a impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado, com a consequente manutenção da não homologação.
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IRRF. REMESSAS PARA O EXTERIOR. REPATRIAÇÃO DOS VALORES. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO MANTIDA. A não comprovação de que valores repatriados se referem a montantes remetidos para o exterior, cujos negócios jurídicos teriam sido cancelados, tem como efeito a impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado, com a consequente manutenção da não homologação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votava por converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-005.702, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10840.905403/2012-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 54 06 /2 01 2- 94 Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.704 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.905406/2012-94 1. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, por meio do qual o referido Órgão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, de forma a não reconhecer o direito creditório em favor da Manifestante. I. Despacho Decisório (DD), Manifestação de Inconformidade (MI) e DRJ 2. Em análise ao PER/DCOMP apresentado pela Contribuinte, cujo objetivo é a compensação de débitos com créditos, em tese, recolhidos a maior, a autoridade fiscal lavrou despacho decisório, no qual não homologou a pretensão da Requerente. No documento, o agente atesta que, de acordo com o sistema da Receita, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois ele já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da Pleiteante. Em decorrência disto houve a notificação da Requerente para que regularizasse os débitos que não foram extintos em virtude da não homologação da compensação. 3. Irresignada com a decisão da Autoridade fiscal, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade dentro do prazo legal, o que levou a DRJ a reconhecer sua tempestividade. De forma resumida, a Manifestante requereu a reforma do DD, eis que, a) apesar de ter enviado numerário ao exterior, as operações objeto dos contratos não foram efetivadas, sendo integralmente repatriados/restituídos ao Contribuinte, razão pela qual este não teria incidido no fato gerador do tributo, sendo este inexigível; b) que das condutas narradas, por existirem indícios de “golpe”, há em curso procedimento de investigação junto à Polícia Federal. Apesar de ter cumprido com as obrigações acessórias, lançou posteriormente na DCTF, por meio de retificadora, que não possui qualquer valor de IRRF devido a título de remessas ao exterior, 4. A DRJ julgou pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, pois dentre os requisitos necessários para o reconhecimento do indébito, não houve comprovação nos fatos alegados, pois a DIRF não foi retificada, havendo assim incongruência entre as informações dessa Declaração e as informações da DCTF, mesmo que essa tenha sido retificada. II. Recurso voluntário 5. Da decisão da DRJ, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual argumenta, em síntese, que quase foi enganada em tentativa de fraude, que tinha por objetivo convence-la a remeter o valor indicado no Processo para o exterior. A Requerente afirma que os pagamentos, bem como as retenções foram assumidos por ela, sendo, portanto, detentora do ônus econômico. O valor foi efetivamente remetido, mas foi devolvido. Por ter sido devolvido, não houve a ocorrência do fato gerador. 6. Alega que possui inequívoca legitimidade do direito ao crédito, sendo necessária a observância do Princípio da Verdade Material, uma vez que fato gerador que justifica o IRRF não ocorreu, especialmente porque os serviços de consultoria não foram prestados e os valores devolvidos. Houve juntada do comprovante de devolução dos valores. Ressalta, inclusive, que o acórdão recorrido não contestou os fatos mencionados. Aduz que mero Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.704 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.905406/2012-94 erro formal deveria ser reconhecido e retificado de ofício pela autoridade a qualquer tempo e que apenas a DCTF configura confissão de dívida, e não a DIRF, a qual teria natureza informativa apenas. Assim sendo, a falta de retificação da DIRF não deveria obstar a compensação. Ao final, requer seja reformada a decisão da DRJ, para que seja a Manifestação de Inconformidade julgada procedente e que seja homologado integralmente o pedido de compensação objeto deste processo. 7. Não foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional. 8. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 III. Tempestividade e admissibilidade 9. Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72, e na constatação da data de intimação da decisão da DRJ bem como do protocolo do Recurso Voluntário, conclui-se que este é tempestivo. 10. Tendo em vista que o Recurso Voluntário atende aos demais requisitos de admissibilidade, o conheço e, no mérito, passo a apreciá-lo. IV. Fundamento do indeferimento por parte da DRJ 11. Da análise da decisão da DRJ, percebe-se que o fundamento para o indeferimento para a pretensão da Requerente foi que teria havido divergência entre os valores lançados na DCTF e na DIRF. Efetivamente há tal divergência, pois a retificação somente foi feita em relação à DCTF. Em que pese existir contradição, entende-se que ela não se constitui como óbice intransponível para que haja a comprovação do direito da Recorrente. Certamente, sempre que possível, devem as declarações ser retificadas, em conformidade com a realidade dos fatos, mas não são elas indispensáveis para o reconhecimento e exercício do direito, ainda mais em casos que, em virtude do prazo, não seja mais possível a retificação. A verdade material justifica tal entendimento, 1 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.704 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.905406/2012-94 devendo ela prevalecer sobre a verdade formal ou processual. Assim, a eventual comprovação do direito ao crédito pode ser feita pelos meios de prova. V. Comprovação do crédito 12. Há por parte da Recorrente afirmação de que assumiu o ônus financeiro em relação ao crédito, bem como que haveria inequívoca legitimidade em seu favor. Alega que comprova que os valores recolhidos a título de IRRF, bem como que não teria havido a ocorrência do fato gerador, portanto, seria devida a devolução do imposto recolhido na fonte. Antes da análise da assunção do ônus, há de ser examinada a existência do crédito em si. 13. Como visto no Relatório acima, a Recorrente alega que teria sofrido tentativa de fraude, na qual foi levada a efetuar a transferência de valor para o exterior. Como resultado da transferência, teria havido retenção na fonte, a qual se constitui como objeto de compensação. Ocorre que ao perceber o engodo, teria cancelado o negócio, sem haver qualquer prestação e a restituição do dinheiro enviado no exterior. A Contribuinte apresentou como comprovação de envio dos valores, conjuntamente com sua manifestação de inconformidade, os contratos de câmbio perante instituição financeira. Além disso, apresentou extrato bancário da mesma instituição que, apesar de conter diversas anotações, sobre vários assuntos, contem em seu bojo, na data especificada, os valores remetidos ao exterior. Com base nessa documentação e nos comprovantes de arrecadação juntados aos Autos há comprovação de que os valores foram efetivamente enviados, bem como o IRRF recolhido. 14. Quanto ao recebimento dos valores do exterior, ou seja, da repatriação daqueles montantes que teriam sido enviados em virtude da tentativa de fraude contra si, a Requente os indica no extrato bancário acima mencionado e, junto com o Recurso Voluntário, apresenta cópia da lista transações do razão, na conta “fornecedores nacionais”, também a escrituração do que seria o recebimento dos referidos valores. 15. De antemão, entende-se que a documentação acostada não é suficiente para confirmar que os valores recebidos correspondam aos da remessa. Isso porque, primeiramente, os valores são diferentes. A diferença entre os montantes não é pequena, o que pode ocorrer em virtude da alteração do câmbio dos dias. Contudo, a Requerente apenas citou a respeito, sem demonstrar efetivamente. Depois, no extrato há outros recebimentos do exterior, que não dizem respeito ao objeto do Processo, eventualmente a outro processo. Tais demonstrativos possuem o mesmo código do valor que seria repatriado. Isso demonstra que a Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.704 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.905406/2012-94 Contribuinte recebe, pelo menos esporadicamente, valores do exterior, o que faz com que a eventual repatriação não seja a única, nem uma exceção, caracterizando assim dúvida sobre se os valores indicados correspondem aos valores remetidos. Outro ponto seria que a fraude somente foi constatada depois da remessa, induzindo, portanto, à interpretação de que remessas e eventuais recebimentos de valores do exterior se constituem prática comum. Há ainda de se salientar que, diferentemente da remessa dos valores, sobre os quais se juntou contrato de câmbio, no recebimento não houve qualquer documento bancário, a não ser o extrato. A escrituração do razão não dá segurança necessária para afirmar que se trata do mesmo valor e não foi juntada cópia do procedimento policial de investigação. Assim, entende-se não haver documentação suficiente que comprove com segurança as alegações da Recorrente, não sendo comprovado, consequentemente, que o valor recebido seja o relativo às remessas ao exterior. 16. Quanto ao cancelamento dos serviços, que seriam objetos de fraude, a Contribuinte se limitou a afirmar que teriam sido cancelados, mas não houve apresentação de qualquer documentação a respeito, nem para comprovar a tentativa de fraude. 17. Com base nos argumentos acima, não deve ser reconhecido o crédito em favor da Recorrente, consequentemente, não há necessidade de se analisar a assunção do ônus financeiro da operação, que corresponderia a uma segunda fase no exame do direito. 18. Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGAR-LHE provimento, sob os fundamentos acima apresentados. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.704 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.905406/2012-94 Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.723245/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal e área de preservação permanente é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado.
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Os motivos ensejadores do lançamento e a fundamentação legal expressa no documento de constituição do crédito tributário limitam o litígio administrativo instaurado com a impugnação.
Numero da decisão: 2201-007.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator, que deu provimento apenas parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator Designado
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal e área de preservação permanente é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Os motivos ensejadores do lançamento e a fundamentação legal expressa no documento de constituição do crédito tributário limitam o litígio administrativo instaurado com a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator, que deu provimento apenas parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator Designado (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 45 /2 00 9- 05 Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou a impugnação procedente em parte. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Pela notificação de lançamento n° 06101/000131-2009 (fls. 01), o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito-tributário de RS 101.914,28, correspondente ao lançamento do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Nossa Senhora das Graças e Ceará” (NIRF 2.772.501-4), com área total de 451,1 ha, localizado no município de Rio Acima - MG. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais das infrações e o demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontram-se às fls. 02/05. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2004, iniciou-se com o termo de intimação de fls.06/08, para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - cópia do Ato Declaratório Ambiental - ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; - laudo técnico com ART/CREA, com memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2 o do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no art. 3 o desse código, com o ato do poder público que assim a declarou; - laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, tendo fundamentação/grau de precisão II e com os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, foram anexados os documentos fls. 11/12. Na análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas ambientais declaradas de preservação permanente (180,4 ha) e de reserva legal (67,7 ha), juntamente com a área servida de pastagem (128,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 202.600,00, arbitrando-o em R$ 1.293.917,20, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 42.608,09, conforme demonstrativo de fls. 04. Cientificado do lançamento em 15/07/2009 (fls. 14), o contribuinte protocolou em 12/08/2009, a impugnação de fls. 16/29, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls.30/144, alegando, em síntese: - discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, por glosar as áreas de preservação permanente e reserva legal informadas, comprovadas por laudo técnico e sem necessidade de ADA para isentá-las do ITR/2004; • - afirma ter ocorrido erro material na DITR/2004, tendo sido declarada quantidade incorreta de animais de grande porte existente (128), que deveria ser, como em 2005, de 84 cabeças para uma área de pastagens de 93,33 ha; - o VTN arbitrado não reflete o valor correto da terra, comprovado por laudo técnico com ART/CREA e em conformidade com a NBR 14653-3 da ABNT; - transcreve parcialmente a legislação de regência, em especial os §§ I o e 7° do art.lO da Lei 9.393/1996, acórdãos do Conselho de Contribuintes e do TRF-l 3 RF, para referendar seus argumentos. Ao final, o contribuinte requer seja acolhida a presente impugnação e revisto o lançamento contestado, para acatar as áreas ambientais declaradas, reconhecer uma área de pastagens de 93,33 ha e o VTN de R$ 1.764,88/ha, com repercussão no cálculo da multa isolada. Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 É o relatório. A decisão de piso (fls. 175/183) foi consubstanciada com a seguinte ementa: DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além de a área de reserva legal ter sido averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE PASTAGEM. Deverá ser mantida a glosa da área de pastagem informada na DITR/2004, por não ter sido comprovada com documentos hábeis a existência de rebanho no imóvel, no ano-base de 2003, no teor da legislação pertinente. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser revisto o VTN arbitrado pela autoridade fiscal, tendo sido apresentado laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART/CREA, demonstrando o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços de 01/01/2004, atendidos os requisitos das normas da ABNT. Intimado da referida decisão em 12/02/2010 (fl.188), o contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 02/03/2010 (fls.191/200), alegando, em síntese: - Para o gozo da isenção sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, não há qualquer disposição condicional prevista no inciso II do artigo 10 da Lei 9.393/96, que imponha o Ato Declaratório Ambiental, nem tampouco o seu registro junto à matrícula do imóvel. - Estão comprovadas pelo laudo técnico da lavra do Engenheiro Agrícola Gustavo Ferreira de Paula, inscrito no CREA/MG sob o n° 67055/D, o qual foi elaborado sob a sua responsabilidade técnica e conforme a NBR 14.653-3. - Com relação à área de pastagem declarada, a decisão administrativa também merece reforma, eis que, considerou que essa não foi comprovada nos autos. - O contribuinte possuía em 2003 na propriedade 84 vacas, portanto, 84 UA e a quantidade de gado está comprovada através do laudo pericial, sendo essa prova suficiente para confirmar o rebanho declarado pelo contribuinte. Por fim, para reconhecer como área de não-incidência do tributo as áreas de reserva legal e de preservação permanente, que perfazem um total de 248,1ha, reconhecer também como área de pastagem 93,33ha, referente ao número de Unidades Animal no local, devendo a procedência da impugnação também repercutir no cálculo da multa isolada, prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Voto Vencido Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do Ato Declaratório Ambiental (ADA) A Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Vejamos: Lei n° 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA em dois períodos distintos, que têm por marco o exercício de 2007. Nesse pressuposto, citado protocolo deveria se dar em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e de 1° de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao limítrofe e dali em diante respectivamente. Da Área de Reserva Legal No caso que se cuida, o ADA não foi aceito para fins de considerar as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal como isentas por ter sido verificada a intempestividade. De acordo com o art. 111, II, do Código Tributário Nacional, deve se dada interpretação literal às normas isentivas, razão pela qual o prazo fixado pela legislação é taxativo, não comportando dilações. Todavia, para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. No entanto, é exigida a averbação da reserva no registro de imóveis. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ n° 1.329/2016, tendo em vista jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional Para a glosa da área de reserva legal de 67,7 ha, a autoridade fiscal se baseou em dois requisitos. O primeiro consiste na averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outro seria a informação de tal área no requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. No que concerne às referidas obrigações, temos que a decisão recorrida não reconheceu o seu cumprimento, como se depreende dos seguintes excertos: Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Nos autos constam apenas o ADA/2006 e o ADA /2008 (fls. 11/12), protocolados no IBAMA em 02/10/2006 e 09/09/2008, respectivamente, não sendo, portanto, documentos hábeis para fins de exclusão das citadas áreas ambientais do ITR/2004. Como visto, resta claro ser imprescindível que as áreas de preservação permanente e de reserva legal sejam reconhecidas mediante ato do IBAMA ou, no mínimo, que seja comprovada a protocolização tempestiva do ADA, nos termos da intimação inicial (fls. 06/08). No que se refere à área de utilização limitada/reserva legal declarada (67,7 ha), há, ainda, a exigência específica, também prevista na intimação inicial: a averbação f tempestiva dessa área no registro de imóveis competente. Essa obrigação está prevista originariamente em lei, qual seja, na Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989, e foi mantida nas alterações posteriores. Dessa forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n° 9.393/1996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal à averbação tempestiva no registro de imóveis. O recorrente não cumpriu com a exigência de regular averbação da área no registro de imóveis. Em razão desse fato, ainda que a exigência do ADA seja desnecessária, o lançamento deve ser mantido. Transcrevemos abaixo o resumo conclusivo do documento: Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). Acorde com as constatações supra, entendo que a ausência da averbação da Área de Reserva legal no registro de imóveis constitui óbice para o atendimento do pleito do contribuinte, ainda que se reconheça a desnecessidade do protocolo do ADA. Da Área de Preservação Permanente De igual modo, em relação à Área de Preservação Permanente, o protocolo do ADA é dispensável, nos termos do citado Parecer PGFN/CRJ n° 1.329/2016. Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Referida área pode ser atestada por Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo habilitado que repousa às fls. 51/78, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fl.140). A própria decisão de piso, reconhece a existência do laudo, mas assevera não ser possível afastar a glosa relativa à Área de Preservação Permanente (APP) em função da inexistência de ADA tempestivo. Destarte, entendo que assiste razão ao recorrente, devendo ser afastada a glosa da APP, devendo ser restabelecida a área declarada de 180,4 hectares. Das Áreas de Pastagens Acorde com a fundamentação da decisão recorrida, entendo que as áreas de pastagens não foram comprovadas. Cumpre salientar que a mera informação da área de pastagem no Laudo Técnico não é suficiente para afastar a glosa efetuada. Restou ausente prova hábil e idônea para comprovar a existência da mencionada área, que poderia ser atestada por notas fiscais de aquisição do rebanho, cartão de vacina, movimentação do gado, atendimentos veterinários etc. Assim, entendo que não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe provimento parcial, restabelecendo a Área de Preservação Permanente (APP) declarada de 180,4 hectares. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator Designado Em que pese a pertinência das razões e fundamentos legais expressos no voto do Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente no que tange à Área de Reserva Legal, devendo-se manter integralmente suas considerações em relação aos demais temas, tudo em razão dos motivos que passo a expor. No caso sob análise, a Autoridade lançadora descreveu os motivos para glosar 67ha, declarados originalmente como sendo de Área de Reserva Legal, de forma absolutamente genérica, tendo sido utilizado exclusivamente o texto sugerido pelo sistema de Malha de ITR, sem qualquer complementação que pudesse melhor detalhar o motivo do lançamento neste caso. Com a ressalva de que tal Descrição restou idêntica à que motivou a glosa da Área de Preservação Permanente, conforme evidenciado na imagem abaixo, extraída de fl. 04. . Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Relevante verificar o conteúdo da Fundamentação Legal evidenciada na Notificação em comento, a qual, como dito acima, foi a mesma a justificar a glosa da Área de Preservação Permanente: Art. 10, §1º, Inciso II e Alínea “a” da Lei nº 9393/96 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei n° 6.938/1981, art 17-O, § 1º, com redação dada pelo art. 1º da Lei n° 10.165/2000; Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. RITR/2002, art 10, § 3º, inciso I; Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9960.htm#anexovii.3.11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9960.htm#anexovii.3.11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9393.htm#art10%C2%A71ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9393.htm#art10%C2%A71ii Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e IN SRF 256/2002, art 9º, §3º, inciso I; Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; Art 9 o § único da IN IBAMA n° 76/2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR-2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR - 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Assim, considerando a coincidência entre a descrição dos fatos e a fundamentação legal, aliada ao fato de que esta última se restringe exclusivamente a questão da exigência do ADA, não restam dúvidas de que o litígio em comento estaria restrito à falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Embora a necessidade de averbação da ARL à margem da escritura esteja incluída na Lei na nº 4.771, caso a Autoridade lançadora pretendesse lastrear o lançamento na falta de averbação da ARL à margem da matrícula, ainda que tivesse apresentado a mesma Descrição genérica, decerto traria na fundamentação legal os preceitos que tratam do tema, como, por exemplo, os contidos nos §1º do art. 11 da IN SRF nº 256 e, ainda, no §1º do art. 12 do Decreto 4.382/02 (RITR), já que ambos instrumentos normativos foram citados na Descrição, mas apenas apontando para a questão da exigência do ADA. Em sua impugnação, o contribuinte afirma que o motivo da glosa foi a não apresentação do ADA (conforme imagem abaixo), mas acaba por trazer para a lide administrativa tema que, originalmente, não compôs o contencioso fiscal, a saber, a falta de averbação da ARL à margem da matrícula do imóvel no Registro Geral de Imóveis. O Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm#art17o%C2%A75 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm#art17o%C2%A75 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10165.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10165.htm#art1 Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Lei nº 9.784/99 estabelece em seu artigo 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, o princípio da motivação e, em seu art. 38, prevê que os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. A questão da motivação toma caráter de tamanha importância que a lei citada no parágrafo precedente dedica ao tema um capítulo exclusivo (XII), determinando, em seu art. 50, inciso V, que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Por sua vez, a Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Portanto, no caso em apreço, o lançamento não tratou da questão da inexistência da averbação tempestiva da ARL à margem da escritura, sendo tal tema incluído do litígio administrativo por citação da defesa, na impugnação, o que se seguiu da manifestação da Autoridade julgadora de 1ª Instância e, ao final, pelo nobre Relator do processo no julgamento nesta Corte administrativa. Embora tenha sido acima citada a Lei 4.717/1965, não há de se falar em nulidade da autuação, devendo-se apenas limitar-se o litígio dele decorrente (falta da ADA), restando tal citação apenas para evidenciar a importância da correta motivação do lançamento, sendo certo que a motivação do Ato Administrativo vincula a Administração Púbica à existência e à veracidade dos motivos que o fundamentaram. Ainda que a questão já tenha sido suficientemente exposta pelo nobre Relator, em relação ao ADA, importante ressaltar que a legislação exige sua formalização, Contudo, a exigência de tal formalidade, exclusivamente para reconhecimento de isenção para ARL e APP para fatos geradores anteriores à vigência da Lei 12.651/2012, foi tema de manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, em que restou dispensada a apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como recomendada a desistência dos já interpostos, nos termos do Art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016, conforme se vê abaixo: 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR, AgRg no REsp 753469/SP e REsp nº 587.429/AL. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente, de reserva legal e sujeitas ao regime de servidão ambiental, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-007.971 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723245/2009-05 OBSERVAÇÃO 3: Antes do exercício de 2000, dispensa-se a exigência do ADA para fins de concessão de isenção de ITR para as seguintes áreas: Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, Áreas de Declarado Interesse Ecológico – AIE, Áreas de Servidão Ambiental – ASA, Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas e Floresta Nativa, com fulcro na Súmula nº 41 do CARF. Nos termos da legislação que rege a matéria, a manifestação acima não vincula a análise levada a termo por este Colegiado. Não obstante, estamos diante de um julgamento em segunda instância administrativa de litígio fiscal instaurado entre o contribuinte fiscalizado e a Fazenda Nacional, a qual já não mais demonstra interesse em discutir exigências calcadas na obrigatoriedade de ADA para os casos que cita. Assim, ainda que não vinculante, a observação de tal manifestação impõe-se como medida de bom senso, já que não parece razoável a manutenção da exigência fiscal sem que haja, por parte do sujeito ativo da relação tributária, intenção de continuar impulsionando a lide até que se veja integralmente extinto, por pagamento, eventual crédito tributário mantido. Ademais, a manutenção da exigência evidenciaria mácula ao Princípio da Isonomia, já que restaria diferenciado o tratamento da mesma matéria entre o contribuinte que, como o recorrente, já teria sido autuado, e aqueles que não estão sendo autuados pela mesma conduta nos procedimentos fiscais instaurados após a manifestação da PGFN. Neste sentido, considerando que a própria representação da Fazenda Nacional já se manifestou pela dispensa de apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como recomendada a desistência dos já interpostos, não se justifica a manutenção da exigência, para Áreas de Preservação Permanente, lastreada exclusivamente na exigência de formalização do ADA. Desta forma, considerando a já destacada coincidência dos motivos que levaram às glosas de APP e ARL, sendo a infração considerada improcedente para o APP, da mesma forma deve ser considerada para a ARL, não sendo possível manter tal exigência para esta última área ambiental lastreada em mácula não apontada pelo lançamento (registro à margem da matrícula). Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário em maior extensão, para reconhecer a improcedência da glosa da ARL. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital
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