Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13888.916044/2011-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 28/02/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 28/02/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13888.916044/2011-28
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829592
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.149
nome_arquivo_s : Decisao_13888916044201128.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13888916044201128_5829592.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
id : 7112956
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011360559104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13888.916044/201128 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.149 – 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 28/02/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 44 /2 01 1- 28 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 9303006.149 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.815, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 9303006.149 CSRFT3 Fl. 4 3 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 9303006.149 CSRFT3 Fl. 5 4 "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 9303006.149 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 9303006.149 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902606/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.902606/2009-15
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5831377
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.047
nome_arquivo_s : Decisao_10120902606200915.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10120902606200915_5831377.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7128296
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011371044864
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-02-19T16:51:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-02-19T16:51:39Z; Last-Modified: 2018-02-19T16:51:39Z; dcterms:modified: 2018-02-19T16:51:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-02-19T16:51:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-02-19T16:51:39Z; meta:save-date: 2018-02-19T16:51:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-02-19T16:51:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-02-19T16:51:39Z; created: 2018-02-19T16:51:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2018-02-19T16:51:39Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-02-19T16:51:39Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902606/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.047 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP COFINS ELETRÔNICO Recorrente UNIDROGAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 26 06 /2 00 9- 15 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10120.902606/200915 Acórdão n.º 3401004.047 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10120.902606/200915 Acórdão n.º 3401004.047 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723802/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008,2009, 2010
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS
CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS.
COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO.
A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008,2009, 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.723802/2011-59
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856083
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.333
nome_arquivo_s : Decisao_15504723802201159.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 15504723802201159_5856083.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho- Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7242995
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011447590912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1602; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 207 1 206 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.723802/201159 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.333 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MOISES DO SOCORRO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008,2009, 2010 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 38 02 /2 01 1- 59 Fl. 212DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 3 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2008 a 2010, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 12.904,64, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de glosa de deduções pleiteadas a título de despesas médicas (R$ 16.000,00, R$ 21.424,00 e R$ 4.000,00, exercícios 2008 a 2010, respectivamente, referentes aos profissionais Márcia Maria Lopes de Oliveira, Mardeline Moreira Rocha e José Cícero Dias Leite, por falta de comprovação da efetividade dos desembolsos) e despesas com instrução (R$ 1.308,00, R$ 1.485,00 e R$ 2.708,94, exercícios 2008 a 2010, respectivamente, por se referirem a gastos com cursos de idiomas, despesas não dedutíveis). Cientificado do lançamento em 5/10/2011 (fls. 106 e 107), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 109 a 114), em 27/10/2011. Manifesta concordância com imposto apurado em decorrência de glosa de despesas com instrução, porém informa que efetuou o depósito do montante integral do crédito tributário apurado e requer, preliminarmente, que lhe seja concedido o benefício da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Contesta as glosas das despesas médicas ponderando que os recibos apresentados demonstram a efetividade dos serviços e correspondentes desembolsos. Assevera que, em outras ocasiões, recibos emitidos pelos mesmos profissionais já foram aceitos para justificar deduções de despesas médicas. Informa que são profissionais de extrema confiança e registra sua certeza de que teriam informado os valores recebidos nas respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física. De qualquer sorte, entende que caberia à autoridade fiscalizadora diligenciar neste sentido, em caso de dúvidas. Argumenta que efetuava os pagamentos em dinheiro e que tais despesas estão compatíveis com seu perfil sócioeconômico. Relativamente às despesas tidas com o profissional José Cícero Leite de Castro, no valor de R$ 4.000,00 (exercício 2010), afirma que juntou as cópias dos respectivos cheques nominais, bem como declaração do profissional atestando o recebimento e informando os serviços prestados. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 15504.723802/201159 Acórdão n.º 2202004.333 S2C2T2 Fl. 208 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), negou provimento à Impugnação (fls. 150/153), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE DISPENSA. Inexiste previsão legal para a dispensa da multa de ofício em decorrência da expressa concordância com a autuação após a ciência do lançamento. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EFETIVIDADE PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DA PROVA. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas quando o sujeito passivo é intimado a comprovar a efetividade dos desembolsos e deixa de apresentar documentos aptos a fazê lo. Cientificado (AR fls. 176), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 162/169), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) fatura emitida pela Fundação Benjamin Guimarães relativa à internação hospitalar do Recorrente (fls. 170/171) ; b) Extrato do Banco do Brasil (fls. 174); É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratado pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os Fl. 214DF CARF MF 4 isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas,psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 215DF CARF MF Processo nº 15504.723802/201159 Acórdão n.º 2202004.333 S2C2T2 Fl. 209 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos) A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: Assim, o ônus da prova do direito às deduções pleiteadas é do sujeito passivo que deve tomar todas as cautelas a fim de demonstrar, indubitavelmente, que faz jus ao benefício em discussão. Havendo questionamento por parte da autoridade fiscalizadora quanto à efetividade dos desembolsos alegados, cabe ao sujeito passivo carrear aos autos elementos de prova aptos a comprovarem que efetivamente arcou com as despesas declaradas. Na ausência esses elementos, como no caso, são estéreis argumentos relativos à capacidade financeira do sujeito passivo para arcar com as despesas ou mesmo a invocação de deduções não fiscalizadas em exercícios diversos do em lide. Igualmente inócuas declarações firmadas pelos profissionais, eis que tais declarações são passíveis de confecção a qualquer tempo e não são hábeis a provar, perante terceiros (como o Fisco), os fatos ali declarados (Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil, CPC, art. 368, parágrafo único). Quanto às cópias de cheques juntadas, registrese que essas não são as microfilmadas, fornecidas pela instituição bancária (fl. 148), já constavam dos autos (fl. 79), não sendo hábeis à convicção de que teriam sido objeto de desconto pelo profissional e, portanto, aptas a afastarem o motivo determinante da autuação (falta de comprovação da efetividade do desembolso). Intimado da referida decisão, a contribuinte, juntou, em fase recursal, os documentos de fls. 170/174 por meio dos quais procura sanar as objeções apontadas na decisão recorrida. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 216DF CARF MF 6 Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Independente da documentação trazida aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, entendo que a documentação juntada à Impugnação é suficiente para justificar a dedução das despesas médicas. Com efeito o Recorrente juntou à Impugnação os seguintes documentos: a) Declaração da GEAP Fundação de Seguridade Social de que a Sra Onilda Maria Cerqueira de Oliveira (cônjuge), Ronaldo Cerqueira de Oliveira e Rogério Cerqueira de Oliveira (filhos maiores inválidos) são dependentes do servidor Moisés do Socorro Oliveira; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 15504.723802/201159 Acórdão n.º 2202004.333 S2C2T2 Fl. 210 7 b) Laudo médico do psiquiatra Sandoval de Castro filho, CRMMG 6969 atestando que Rogério Cerqueira de Oliveira é portador de "quadro psiquiátrico crônico, de prognóstico sombrio quanto a sua cura, que, quando em fase aguda, tornase ameaçador para sociedade." sendo, portanto, necessário seu tratamento "em regime de internação hospitalar por tempo indeterminado, não sendo no momento indicado o seu tratamento em regime ambulatorial.(fls. 119); c) Certidão de Curatela do interditado Rogério Cerqueira de Oliveira (fls 120) emitida pela 2ª Vara de Família de Belo Horizonte; d) Recibos médicos e declarações de fls 121/147; e) Cheques nominais ao médico José Cícero Dias Leite (fls. 148) Ademais, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9202003.528, concluiu que a apresentação de recibos médicos, corroborados por laudos, fichas e exames sobre os quais não tenha sido apontado qualquer indício de falsidade são suficientes para autorizar a dedução mesmo que não tenha sido comprovada a efetividade dos pagamentos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido." De acordo com o voto do Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, a exigência da comprovação dos pagamentos é prevista como uma forma alternativa de comprovação. Vale dizer, quando o contribuinte não possuir os recibos, laudos, etc, a legislação confere a ele a faculdade de comprovar os gastos, nestes termos: Observese, que a exigência pretendida pela fiscalização, corroborada pelo Acórdão recorrido, qual seja, a existência de cheques nominativos e/ou extratos bancários é contemplada pela legislação de regência de maneira alternativa. Em outras Fl. 218DF CARF MF 8 palavras, estabeleceu o legislador que tais provas deverão ser exigidas na falta de documentação comprobatória da prestação e pagamento dos serviços médicos e/ou outros. Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, de fls. 25/30, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. (grifamos) No caso dos autos, não foi apontado qualquer indício de falsidade nos mencionados documentos juntados, motivo pelo devem ser aceitos para comprovação da despesa. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.728160/2014-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO.
A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição
municipal ou estadual.
Numero da decisão: 1001-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinatura digital)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18470.728160/2014-50
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843826
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.345
nome_arquivo_s : Decisao_18470728160201450.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 18470728160201450_5843826.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinatura digital) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7174219
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011463319552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.728160/201450 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.345 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente JB2L ALIMENTACAO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinatura digital) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 81 60 /2 01 4- 50 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18470.728160/201450 Acórdão n.º 1001000.345 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46 a 81) interposto contra o Acórdão nº 1669.201, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 40 a 43), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRAZO PARA OPÇÃO. A ME ou a EPP só poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade antes de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ e observado o prazo de até 30 (trinta) dias, contado do último deferimento de inscrição municipal ou estadual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Este processo trata de Pedido de Inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do CNPJ, protocolizado pela contribuinte em epígrafe em 26/09/2014 (fls. 2). Alega que registrou seu contrato social na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 24/01/2014, mesma data em que foi obtido o cadastro no CNPJ. Acrescenta que, a partir de então, passou a providenciar os demais registros obrigatórios. Informa que o alvará de licença foi concedido pelo município do Rio de Janeiro somente em 11/09/2014. Alega que está dentro do prazo de trinta dias contados da data de liberação da última inscrição para solicitar o ingresso no Simples Nacional. Ante o exposto, requer sua inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 18470.728160/201450 Acórdão n.º 1001000.345 S1C0T1 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II por meio do despacho decisório de fls. 19. A autoridade a quo alega que a contribuinte poderia manifestar sua opção pelo Simples Nacional somente antes de decorridos 180 dias da data de abertura constante do CNPJ. Assim, tendo sido solicitada a opção após o prazo legal, foi indeferido o pedido. Cientificada do despacho decisório em 17/10/2014 (fls. 22), a contribuinte apresentou, em 07/11/2014, a manifestação de inconformidade de fls. 24 e 25. Alega que solicitou o ingresso no Simples Nacional em 12/09/2014, um dia depois da obtenção do alvará. Argumenta que seguiu todas as exigências e formalidades exigidas para legalização da empresa, tendo sido a demora causada pela Prefeitura do Rio de Janeiro." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que deva ser considerada a data do efetivo inicio de suas operações como data de "Início de Atividades" e não a data constante no seu cartão de CNPJ; e que o atraso para a opção pelo SIMPLES se deu em virtude da burocracia da Municipalidade do Rio de Janeiro em expedir o alvará de funcionamento.. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte torna a alegar em seu Recurso que a data correta a ser considerada como "início de atividade" seria a data da efetiva inauguração de suas operações, e não a data de abertura da empresa constante no cartão do CNPJ. Quanto a este ponto a decisão de piso já tratou detalhadamente, razão pela qual tomo a liberdade de transcrevêla: " Tendo sido a manifestação de inconformidade apresentada com a observância do prazo estipulado no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e atendidos os demais requisitos legais, dela se toma conhecimento. A Lei Complementar n° 123/2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispõe que a opção pelo Simples Nacional darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN. Lei Complementar n° 123/2006: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 18470.728160/201450 Acórdão n.º 1001000.345 S1C0T1 Fl. 5 4 “Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário.” Por sua vez, a Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional n° 94/2011, regulamentou a opção ao Simples Nacional, cujos excertos abaixo transcritos aplicamse ao caso: Resolução CGSN n° 94/2011: “Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, §2º) (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, §3º) I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) § 7º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º)” (g.n.) Portanto, a Resolução estabelece duas condições concomitantes: a opção pelo Simples Nacional deverá ser feita em até 30 dias depois do último deferimento de inscrição estadual ou municipal e não poderá ser feita após decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante no CNPJ. Cabe ressaltar que a Resolução CGSN nº 94/2011 não prevê exceção a essa regra, cabendo à autoridade julgadora de 1ª instância administrativa dar cumprimento às normas legais e regulamentares, conforme preceituado no art. 116 da Lei nº 8.112/90, e no art. 7º, inciso V, da Portaria do Ministro da Fazenda nº 341/2011, disciplinadora da constituição das turmas e do funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.112/1990: “Art. 116. São deveres do servidor: (...) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 18470.728160/201450 Acórdão n.º 1001000.345 S1C0T1 Fl. 6 5 III – observar as normas legais e regulamentares;” Portaria MF nº 341/2011: “Art. 7º São deveres do julgador: (...) V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos.” Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade." Conforme magistralmente exposto na decisão de piso, a adoção da data de abertura da empresa, constante no cartão do CNPJ, como termo inicial para o prazo de 180 dias para a opção do SIMPLES na qualidade de empresa em início de atividade se dá por expressa determinação legal, não cabendo ao julgador desobedecer tal disposto. Sobremais, ainda poderiase adicionar ao que já foi colacionado o art. 2º da Resolução CGSN nº 94/11: "Art. 2º Para fins desta Resolução, considerase: (...) IV empresa em início de atividade aquela que se encontra no período de 180 (cento e oitenta) dias a partir da data de abertura constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º) V data de início de atividade a data de abertura constante do CNPJ. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º) (...)" Notese que a Resolução CGSN nº 94/2011 é literal, logo em seus primeiros dispositivos já determina expressamente o que deve ser entendido como "Empresa em início de atividade", para os fins deste regulamento. Logo, seria ilegal qualquer interpretação que subvertesse esse sentido. Assim, não há como se acolher as alegações da contribuinte quanto ao dever de se usar a data de inauguração de sua loja como marco inicial. Ademais, igualmente não há que se acolher a justificativa de que a demora se deveu por conta da burocracia em se conseguir o alvará de funcionamento por parte da autoridade municipal. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18470.728160/201450 Acórdão n.º 1001000.345 S1C0T1 Fl. 7 6 Ora, cada Município tem autoridade para estabelecer seus procedimentos e medidas de controle e fiscalização que acharem adequados no tocante à gestão dos novos estabelecimentos que operam dentro de seus limites. Se a municipalidade entendeu que as requisições apresentadas pela Recorrente careciam de reparos e/ou achou por bem pedir novos documentos e esclarecimentos, tais exigências estão dentro de seu regular poder. Tal situação é algo a que todas as empresas estão sujeitas, por sua conta e risco. No âmbito jurídico não existe um prazo objetivo para que o Município conclua esta atividade. Destarte, não há que se falar em permitir a Opção ao SIMPLES requerida pela Recorrente fora do prazo em decorrência do "atraso" por parte da autoridade municipal, porquanto não houve qualquer ilegalidade quanto a isso. Vejase, qualquer crítica quanto a burocracia e morosidade deste processo deve ser feita no campo político, a este julgador cabe tão somente aplicar as normas como estão postas, e não modificálas ou dizer como elas "deveriam ser". Assim, diante de todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. (assinatura digital) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15943.000104/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002.
O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-004.253
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15943.000104/2009-98
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840350
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.253
nome_arquivo_s : Decisao_15943000104200998.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 15943000104200998_5840350.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7166486
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011470659584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15943.000104/200998 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.253 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. FORNECEDORES INIDÔNEOS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. Recorrente VITAPELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, “A”, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 01 04 /2 00 9- 98 Fl. 31795DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 3 2 julgamento do processo 15943.000105/200932. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de Cofins não cumulativa. Esse pedido foi indeferido e as compensações transmitidas não homologadas, sob a justificativa de que a apuração de Cofins, calculado sobre o faturamento mensal, não estaria correta, pois o contribuinte teria deixado de incluir determinadas receitas e considerado determinados créditos, de forma indevida. De acordo com a Fiscalização, os itens questionados e que acabaram por gerar o indeferimento do pedido de ressarcimento de saldo credor podem ser agrupados da seguinte forma pela: (i) receitas de insubsistência de passivo; (ii) receitas de descontos obtidos; e (iii) utilização de créditos sobre operações comerciais irregulares . Após ter sido cientificada da decisão de indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1460.621. Cientificado desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, no qual requer a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto de pedido de ressarcimento, pelas seguintes alegações: (i) a Recorrente defende a regularidade das operações de aquisições de insumos que foram glosadas e a necessidade de aplicação do entendimento firmado no Acórdão proferido pela Primeira Seção nos autos do processo nº 10835.721527/201254, por ser o processo em questão, segundo a Recorrente, reflexo do processo que já foi julgado; (ii) com relação aos descontos obtidos, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matéria prima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim; constatado algum problema relacionado a matériaprima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005; (iii) com relação à acusação de omissão de receita por insubsistência de passivo, a Recorrente explica a formação do passivo, que vem do ano de 2000, e defende a inocorrência de fato gerador; e (iv) por último, a Recorrente pede a aplicação da Taxa Selic sobre os valores objeto do pedido de ressarcimento. Fl. 31796DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 4 3 Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e, em 07/11/2017, a Recorrente apresentou petição informando que havia ingressado com medida judicial e obtido decisão que deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 500048412.2017.4.03.0000, para determinar à parte agravada, a União, que "aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como o faça com observância do decidido pelo E. STJ no Resp repetitivo nº 1.148.444/MG". É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.248, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 15943.000105/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.248): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recorrente ingressou com medida judicial e obteve decisão a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. Quanto à primeira determinação, observase seu cumprimento com a colocação em pauta do Recurso Voluntário na primeira oportunidade e o seu julgamento nesta sessão. Quanto à segunda determinação, o entendimento firmado no STJ é relativo à legitimidade do direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos. No julgamento em questão, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, o e. STJ afirmou que "o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" e que "a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora Fl. 31797DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 5 4 efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS". Este Colegiado já está vinculado ao entendimento em referência, assim como outros expressos em decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e em decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça, em outros julgados realizados sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força de dispositivo regimental (artigo 62, inciso II, alínea "b", do Regimento Interno do CARF), de modo que, seja por observação ao Regimento Interno deste orgão, sob pena, inclusive de perda de mandato, conforme artigo 45, inciso VI, do Regimento Interno, seja por observação à determinação judicial, o julgamento aqui ora realizado seguirá o entendimento firmado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.148.444/MG. De toda sorte, essa afirmação não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01, que prevê: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Glosas relativas às aquisições de fornecedores Sobre essa primeira matéria, a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas de nove fornecedores, quais sejam: (1) Curtama Indústria e Comércio Ltda.; (2) Frigorífico Altamira Ltda.; (3) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (4) J A Comércio de Couros Ltda.; (5) José de Carvalho Lima Junior; (6) Lacerda Couros Ltda., (7) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (8) Vanderlei João de Oliveira; e (9) Volmir Sofiatti ME, pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida após exame dos fundamentos de cada glosa e da constatação de que o Recorrente não teria apresentado documentação "comprovando que as referidas pessoas jurídicas (empresas) realmente realizaram atividades econômicas e financeiras, nos períodos de competência objetos do ressarcimento pleiteado. Também não apresentaram as respectivas DIPJs, DCTFs e Dacons, comprovando que operaram regularmente e de conformidade com a legislação tributária vigente, que dispunham de capacidade econômica e financeira e de instalações capazes de suportar as operações de armazenagem e comercialização de couro cru, no volume de operações representadas pelas notas fiscais emitidas no período, objeto do ressarcimento pleiteado". Entretanto, o conjunto probatório exigido na decisão recorrida parece ser além do razóavel para que a Recorrente pudesse fazer jus ao direito Fl. 31798DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 6 5 de crédito, pois demandaria da Recorrente a obtenção de um conjunto de informações que está sob o domínio do seu fornecedor e não da Recorrente, sendo certo que cabe ao Fisco e não à Recorrente a fiscalização de toda a situação econômica e fiscal da fornecedora. Diante disso, sobre a matéria, o parâmetro que deve ser observado é o parâmetro legal, disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços". Logo, em regra, a declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito, mas esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. Em decorrência, a jurisprudência das Turmas de Direito Público do STJ se firmou no sentido de que "o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação"1. Fixadas essas idéias, examinamse os fundamentos apresentados pela Fiscalização para não aceitar o direito de crédito e os argumentos do contribuinte para defender esse direito. Com relação a um grupo de 5 (cinco) fornecedores, composto por Curtama Indústria e Comércio Ltda., J A Comércio de Couros Ltda.; Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida, amparada nas conclusões da Fiscalização, apresenta os seguintes fundamentos para a manutenção da glosa. Em relação a Curtama Indústria e Comércio Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, considerando a omissão na entrega a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do ano calendário de 2008, ausência de registro contábil e fiscal de pagamentos aos transportadores autônomos, transporte este que teria sido suportado pelo fornecedor, e incompatibilidade entre veículo utilizado, mini van Asia Topic, com a carga e peso transportados. 1 AgRg no AREsp 260.278/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 18/06/2014. Fl. 31799DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 7 6 Em relação a J A Comércio de Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, por ter a empresa apresentado para o anocalendário de 2008 a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) na situação inativa, ausência de comprovação de pagamento por parte do Recorrente e incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Lacerda Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, pois a DIPJ do ano calendário de 2008 informava que não teria sido realizada nenhuma operação e por incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Vanderlei João de Oliveira, a decisão recorrida manteve a glosa apenas com base na incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados. Por último, em relação a Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida aponta omissão na entrega de DIPJ do ano calendário de 2008, que o pagamento pelas aquisições teria sido feito por cessão de crédito bancário e que a empresa foi inabilitada a partir de 21/07/2010, portanto, quase dois anos depois do período das aquisições tratadas nos autos deste processo. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de uma lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, um conjunto maior de fornecedores foi analisado, reportandose o julgador para análise dos 5 (cinco) fornecedores aqui examinados as conclusões a que já havia chegado em relação aos fornecedores "11. A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda" e "13. Aracouro Comercial Ltda". Nesse sentido, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram. A incompatibilidade entre veículo e carga e peso, por exemplo, é explicada pela colocação de forma equivocada de informações na nota fiscal, como lá demonstrado. Fl. 31800DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 8 7 Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade. Além disso, apesar de indícios levantados, não há informação de que o Fisco tenha declarado a inaptidão dos fornecedores em referência. Apenas um deles, Volmir Sofiatti ME, teve a inaptidão declarada, mas em período posterior ao ano de 2008. Diante disso, naquele processo, os julgadores afirmaram que: "Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%". Para o presente processo, as informações levantadas pelo Fisco e que foram acolhidas pela decisão recorrida não me parecem suficientes para afastar a idoneidade das notas fiscais emitidas e a regularidade das operações em relação a todos os fornecedores, com exceção do fornecedor "J A Comércio de Couros Ltda." em relação ao qual a Fiscalização solicitou a apresentação dos comprovantes de pagamentos, que não foram oferecidos pela Recorrente. Diante disso, proponho ao Colegiado afastar todos as glosas do primeiro grupo, com exceção da relativa ao fornecedor a "J A Comércio de Couros Ltda.". Com relação ao fornecedor "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.", a acusação é dividida em dois motivos: com relação às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, embora intimada, a Recorrente não teria apresentado a comprovação do pagamento; e, com relação às notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055, haveria incompatibilidade entre veículo utilizado e carga e peso transportados. Com relação a esse fornecedor, a Recorrente defende que a única acusação é a questão da incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados, trazendo entendimento da Primeira Seção no processo já referenciado, no sentido de que não poderia haver lançamento em relação a esse fornecedor, conforme a seguir: "De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 419420) restringese ao fato de que, com relação a algumas notas fiscais, o suposto transporte das mercadorias teria sido efetuado em veículo incompatível para o transporte de cargas, e, com relação a outras, que o contribuinte teria deixado de apresentar o comprovante de pagamento. Fl. 31801DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 9 8 Estas questões já foram anteriormente abordadas, pelo que pedese vênia para não repetir os argumentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Realmente, como já afirmado, a acusação de incompatibilidade de veículo e carga/peso transportados não importa concluir, no caso, pela inidoneidade das operações, tendo em vista a possibilidade de colocação errônea de dados nas notas fiscais, como narra a decisão da Primeira Seção. Todavia, de forma diferente do que fora lá decidido, entendo que em processo que decorre de indeferimento de pedido de ressarcimento, no qual há intimação para comprovação de pagamento, para fins de demonstração da idoneidade e regularidade da operação, caberia à Recorrente fazer essa prova. Como não há prova do pagamento nas operações relativas às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, proponho ao Colegiado manter a sua glosa, afastando em relação às demais operações desse fornecedor. Com relação ao fornecedor "Henriques Comércio de Couros Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pela acusação de ausência de pagamento por transporte e incompatibilidade entre veículo e carga/peso transportados, elemento que já se afirmou acima não é suficiente para a conclusão pela inidoneidade. Especificamente em relação às notas fiscais 367 e 369, a decisão recorrida manteve a glosa pois os cheques foram sustados, em razão de desacordo comercial entre as partes. Já as notas fiscais 310; 311; 416; 417; 418; e 419 os pagamentos foram efetuados por terceiros, mediante cessão de crédito bancário. A Recorrente, no que se refere a esse fornecedor, defende a superficialidade da Fiscalização, ausência de acusação de inidoneidade e que as cessões de crédito são operações regulares, citando a decisão da Primeira Seção que assim afirmou: 44. Henriques Comércio de Couros Ltda. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 402404) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Com relação a duas notas fiscais (367, no valor de R$ 5.400,00, e 369, no valor de R$ 14.850,00), destacara o fisco que o cheque 151871 do Banco do Brasil S/A fora, por ordem do emitente, “sustado” em 17/03/2009, em face de “desacordo comercial”. Entretanto, já em sede de impugnação, o contribuinte trouxera aos autos o comprovante da transferência bancária posteriormente efetuada, em 01/04/2009, pelo valor total de R$ 20.250,00, em nome do citado fornecedor (fls. 25510). Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Fl. 31802DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 10 9 Como se verifica, a matéria foi tratada na sua integralidade naquela decisão e, diante dos fatos e análises ali colocados, proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Com relação ao fornecedor "José de Carvalho Lima Junior", a decisão recorrida manteve a glosa, por inabilitação do fornecedor junto a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, por incompatibilidade de veículo com carga/peso transportados, ausência de registros de pagamentos aos transportadores e ausência de declaração de receitas na DIPJ pelo fornecedor do ano de 2008. A Recorrente defende que esse fornecedor só foi declarado não habilitado a partir de 26/03/2010, data posterior às operações realizadas pela Recorrente, afirmando que, mesmo após o falecimento do Sr. José de Carvalho Lima Junior, a empresa continuou funcionando, sendo administrada pelo Sr. Reginaldo de Carvalho Siqueira, amparandose novamente no que restou decidido no Processo Administrativo nº 10835.721527/201254. Naquele processo, restou decidido que a Recorrente era um típico adquirente de boafé tratado pela doutrina e jurisprudência, pelos motivos a seguir: "De todo o exposto, dúvidas não restam quanto à inidoneidade dos documentos emitidos em nome de José de Carvalho Lima Júnior após o seu falecimento. Contudo, as diligências efetuadas não demonstraram que não houvesse comercialização de couro, antes ao contrário. O Sr. Reginaldo declarou que fazia a administração da empresa de José de Carvalho Lima Júnior, comprando e vendendo couros, e administrando o pessoal. Perguntado sobre seus clientes em 2009, respondeu que “quase 100% Vitapelli”, e que as vendas eram todas a prazo, de até 120 dias. E que, com relação à forma de recebimento pelas vendas, os pagamentos, pela Vitapelli, eram feitos em cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Nos autos há fotos do couro na salgadeira do Sr. Reginaldo, tiradas pelo fisco. A empresa pode até não ter registrado seus funcionários, mas o fisco constatou que havia funcionários no local. Nos documentos anexados pelo fisco relativos ao fornecedor José de Carvalho Lima Júnior (fls. 67697993) e ao fornecedor Reginaldo de Carvalho Siqueira (fls. 1475914871), constam cópias de diversos cheques emitidos nominalmente a ambos (muitos com a aposição da expressão “bom para ...”, indicando uma data bem posterior à de sua emissão), bem como de documentos de cobrança bancária em favor de ambos fornecedores, a confirmar as alegações do Sr. Reginaldo quanto à forma de pagamento. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa / sucessão fraudulenta. Aliás, nem mesmo o contador, que estava mais próximo dos fatos, tinha conhecimento, de acordo com as declarações que prestou ao fisco. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do Fl. 31803DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 11 10 adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Sem procedência, portanto, o lançamento fiscal relativo a este fornecedor". Portanto, por já ter sido demonstrada a regularidade das operações realizadas por esse fornecedor com a Recorrente, devem ser afastadas as acusações que amparam a glosa do direito de crédito da Recorrente, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Por último, com relação ao fornecedor "Frigorífico Altamira Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pelo seguinte motivo: "Intimado a comprovar os pagamentos das notas fiscais referentes as suposta aquisições dos insumos (couro cru), recebida a intimação, o interessado não a atendeu. Também, intimado, não apresentou a planilha de movimentação das mercadorias discriminadas nas notas fiscais". A Recorrente faz referência à decisão da Primeira Seção e que teria juntado no Recurso Voluntário documentação comprobatória dos pagamentos, com a juntada de razão mensal. Embora o conjunto dos elementos não tenha sido suficiente para sustentar o lançamento, no presente processo, entendo que caberia à Recorrente fazer prova do pagamento, que continuou sem amparo. Às fls. 7.339 dos autos, no parecer da fiscalização, há a informação de que foi glosado em relação ao 4ª Trimestre de 2008 a quantia de R$270.000,00. Contudo, não há na documentação contábil oferecida pela Recorrente o registro de pagamentos realizados em favor desse fornecedor. Há, na realidade, pagamentos em favor de outro fornecedor, "Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda.". Além disso, mesmo que existissem pagamentos em favor do fornecedor correto, seria oportuno e necessário, para fins de demonstração do direito pleiteado, que o Recorrente fizesse o cotejo entre valores glosados, notas fiscais e transferências realizadas, a fim de evidenciar e atestar a regularidade do direito de crédito pleiteado. Dessa forma, por carência probatória nesse item, proponho ao Colegiado manter a glosa realizada. Glosas relativas a descontos Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a glosa, pois "os descontos (abatimentos), segundo consta do Parecer às fls. 7.377/7.400, parte integrante do despacho decisório recorrido, não decorreram de antecipações de pagamentos, mas de ato liberatório dos fornecedores a favor do interessado". Assim, a decisão recorrida entendeu que tais abatimentos constituiriam outras receitas operacionais sujeitas à contribuição para o PIS sob o regime não cumulativo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Em sua defesa, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que Fl. 31804DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 12 11 adquire de fornecedores sua principal matériaprima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim, constatado algum problema relacionado a matéria prima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005. Com razão a decisão recorrida, pois o abatimento ou desconto obtido pela Recorrente não possui natureza jurídica de desconto incondicional, passível de exclusão da base de cálculo das contribuições nos termos do artigo 1o, parágrafo 3o, inciso V, “a”, da Lei no 10.637/2002, portanto, não é mero redutor do preço pago pelos seus insumos. Além disso, não possui natureza de receita financeira. Primeiro, pela própria narrativa da Recorrente fica clara a natureza de desconto condicional dos valores por ela recebidos, pois o gatilho para que a Recorrente receba tais valores é justamente evento futuro e incerto a verificação de que existem inconsistências nos produtos entregues , o que configura uma condição, nos termos do artigo 121 do Código Civil. Assim, tais valores não podem ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Isso porque a condição superveniente à realização da compra e venda ou prestação de serviços não é capaz de alterar o valor da operação ou preço do serviço já ajustado pelas partes para o negócio jurídico já ocorrido, quando já incidiu a norma de tributação, estabelecendo a relação entre o sujeito passivo e o Estado credor. Segundo, não se verifica a natureza de receita financeira, para fins de reconhecimento de aplicação de alíquota zero, pois os valores recebidos não se qualificam como nenhuma das formas de receita financeira prevista no artigo 373 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo qualquer elemento de aproximação que pudesse permitir uma equiparação. Ante o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Glosas relativas ao passivo insubsistente Na decisão recorrida, a glosa relativa a esse item foi mantida, pelos seguintes motivos: "A insubsistência do passivo configura omissão de receitas, mediante simulação de uma suposta aquisição de quotas ou ações do interessado, por parte da Siro Invest S.A., e com isto lograr transferir para o patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado, valores que estavam registrados no seu passivo contábil. Este mesmo interessado (impugnante) foi autuado, em relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sobre esta mesma matéria, ou seja, por omissão de receita decorrente da insubsistência do passivo. Fl. 31805DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 13 12 Os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram formalizados por meio do processo administrativo nº 10835.721527/201254. No julgamento da impugnação interposta pelo interessado contra estes tributos, a 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo suas exigências. Assim, levandose em conta que esta matéria (insubsistência de passivo) já foi objeto de julgamento por parte desta DRJ e, ainda, por economia processual e celeridade do processo, adoto o mesmo voto proferido, naquele processo, pelo Ilustre Julgador Antônio Carlos Trevisan, transcrito a seguir: (...)" Como se verifica, a matéria já havia sido julgada de forma contrária à Recorrente naquele mesmo processo, da Primeira Seção, por ela citado, para afastar as glosas deste processo. Em sua defesa, a Recorrente explica a operação societária por ela realizada, informando que acumulou dívidas com uma sociedade denominada Rebel Import and Export Company que, por sua vez, celebrou uma cessão desse crédito com a sociedade denominada Siro Invest S/A. Após, a Recorrente e a Siro Invest S/A decidiram transformar esse passivo em participação societária, mediante a transformação da Recorrente em sociedade por ações e a subscrição, pela Siro Invest S/A, de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil ações) pelo valor de R$ 35.240.000,00. Em seguida, a Recorrente argumenta que em nenhum momento os valores da operação transitaram pelo resultado em 2008, "pois ainda que prevalecesse o entendimento de que o referido montante não tem subsidio para ser registrado como ágio, o valor deveria recompor o passivo originário, nos anos de 2000 a 2007, uma vez que o passivo de fato existe". Com isso, a Recorrente afirma que a liquidação desse passivo no ano de 2008 não constituiu base de cálculo da contribuição e não é fato gerador da contribuição. Contudo, a matéria já foi decidida pelo CARF, tendo efeitos meramente reflexos no pedido de ressarcimento. Naquela oportunidade, a Primeira Seção entendeu que: "Ora, tudo o quanto acima relatado dá pleno respaldo à acusação fiscal de omissão de receitas. Demonstrou o fisco de forma contundente que toda a operação de suposta aquisição de quotas ou ações da fiscalizada pela Siro Invest não passou de mera simulação, bem como que a suposta dívida para com a Siro Invest também não era real, tratandose, portanto, de passivo inexistente. A alegação da recorrente no sentido de que os fatos narrados não se enquadrariam em nenhuma das situações previstas pelo art. 281 do RIR/99, que trata dos casos de “Passivo Fictício” e “Insubsistência do Passivo”, porque não seria possível presumir a existência de obrigações já pagas ou inexistentes, não pode prosperar. O fisco não presumiu a inexistência do passivo, senão antes reuniu um forte conjunto de indícios sérios, graves e convergentes, que Fl. 31806DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 14 13 apontam para a conclusão quanto à inexistência do alegado passivo. Incumbia à recorrente trazer elementos igualmente fortes e suficientes para infirmar a acusação fiscal, o que não fez". Dessa forma, considerando que a Seção competente para julgar a omissão de receitas de IRPJ e CSLL já apreciou a matéria e os efeitos daquela decisão são reflexos ao pedido de ressarcimento que deu origem ao processo ora em julgamento tendo em vista que uma vez decidido que houve simulação e omissão de receitas, a conseqüência é o lançamento das quantias a título de IRPJ e CSLL e a não aceitação da base de cálculo considerada pela Recorrente para fins de PIS/COFINS diante do reconhecimento da omissão de receitas no processo administrativo nº 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Por último, com relação à aplicação da taxa SELIC ao pedido de ressarcimento, entendo pela sua impossibilidade, tendo em vista a expressa vedação legal, prevista nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: "Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15 . Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei." Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas relativas aos seguintes fornecedores: Curtama Indústria e Comércio Ltda., Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME; "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda." (apenas notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055); "Henriques Comércio de Couros Ltda."; e "José de Carvalho Lima Junior". " Importante observar que, na solução do presente litígio, serão aplicados os mesmos critérios adotados na decisão do paradigma, que acatou as conclusões a que chegou a Primeira Seção do CARF no julgamento do processo 10835.721527/201254 (Acórdão 1102 001.075), para: afastar as glosas que tiveram por fundamento a realização de pagamentos mediante cessão de créditos; afastar as glosas que tiveram por fundamento a incompatibilidade entre veículo, carga e peso transportado. Todavia, no caso do paradigma, por tratarse de pleito de ressarcimento/compensação, o colegiado decidiu manter as glosas motivadas pela falta de comprovação dos pagamentos. No presente processo as glosas relativas às aquisições de fornecedores englobaram as seguintes empresas: (1) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda.; (2) Comercial de Couros Nobre Ltda.; (3) Comercial ZML Ltda.; (4) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda.; (5) Frisbbel de Itap Frig. de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda. ME; (6) José Maria da Cruz; (7) Lacerda Couros Ltda., (8) Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda.; (9) M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (10) Manos Couro Ltda ME; (11) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; e, (12) Souza Jesus Com. de Fl. 31807DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 15 14 Carnes e Couros Ltda. ME; conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVeCF) às fls. 7.303/7.385, Parecer às fls. 7.389/7.411, e Despacho Decisório às fls. 7.412, de cujas ciências o interessado foi intimado em 10/11/2010. O presente pleito é relativo ao 3º trimestre de 2008 (01/07/2008 a 30/09/2008). Observandose as planilhas das glosas efetuadas pelo Fisco para cada um dos fornecedores, com as respectivas motivações indicadas em cada uma das planilhas (fls. 7102 a 7175 do processo digital), constatase que, para os fornecedores relacionados a seguir, não houve glosa motivada por falta de comprovação de pagamento. Frisese: não houve glosa, sob essa motivação, de notas fiscais escrituradas no período de apuração do presente pleito. Desta forma, no presente processo, devem ser afastadas as glosas das aquisições efetuadas em relação aos seguintes fornecedores: Alves & Matos Comércio de Couros Ltda Comercial de Couros Nobre Ltda Comercial ZML Ltda.; 2 Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frisbbel de Itap Frig. de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda José Maria da Cruz Lacerda Couros Ltda. ME; Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; Manos Couro Ltda ME Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME Por outro lado, da mesma forma que no julgamento do paradigma, serão mantidas as glosas motivadas pela falta de comprovação de pagamento em relação às notas fiscais listadas a seguir (escrituradas no período de apuração deste processo): a) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda Nota Fiscal nº 212 (fl. 7104 do processo digital) b) Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda Nota Fiscal nº 7 (fl. 7147 do processo digital) Em resumo, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário nas matérias dos descontos obtidos após a realização da operação comercial, do passivo insubsistente, e da aplicação da taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento, e dar parcial provimento quanto às glosas relativas às aquisições de fornecedores, nos seguintes termos: 1) afastar as glosas relativas aos fornecedores: Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, Comercial de Couros Nobre Ltda, Comercial ZML Ltda, Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda, Frisbbel de Itap Frig. de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda, José Maria da Cruz, Lacerda Couros Ltda. ME, Leatherpar Comércio e Representações de Couros, 2 Com relação ao fornecedor Comercial ZML Ltda, também foi afastada a "Glosa Majoração de Preço" ( planilha de fl. 7078), pelas razões expostas no item 15 do Acórdão 1102001.075 (páginas 38 a 40 do acórdão). Fl. 31808DF CARF MF Processo nº 15943.000104/200998 Acórdão n.º 3401004.253 S3C4T1 Fl. 16 15 M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda Ltda, Manos Couro Ltda ME, Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda, Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME. 2) manter as glosas, apenas, em relação às notas fiscais nº 212 (de Alves & Matos Comércio de Couros Ltda.), e nº 7 (de Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda). assinado digitalmente Rosaldo Trevisan Fl. 31809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.011334/2008-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
INSUBSISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA DRJ QUANDO ALTERA OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA
O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 INSUBSISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA DRJ QUANDO ALTERA OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.011334/2008-55
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841757
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.257
nome_arquivo_s : Decisao_10830011334200855.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830011334200855_5841757.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
id : 7172956
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011491631104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 234 1 233 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.011334/200855 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.257 – 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria IRPF VÍCIO NO LANÇAMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO CARLOS BUZZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 INSUBSISTÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA DRJ QUANDO ALTERA OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA O defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em função da existência de erro substancial no ato de ofício, cometido na determinação da matéria tributável. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 13 34 /2 00 8- 55 Fl. 234DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 20 de novembro de 2012, a Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado, cujo Acórdão nº 2801002.782 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DO FATO GERADOR. NULIDADE. É nula, por vício material, a notificação de lançamento que não identifica perfeitamente o fato gerador da obrigação correspondente, descrevendo incorretamente os fundamentos que ensejaram a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, tempestivo, em que requer a reforma do acórdão, restabelecendose o lançamento em sua integralidade, sob alegação de que a decisão diverge do Acórdão nº 210101.413, que manteve o lançamento, afastando a alegação de nulidade e excluindo da autuação apenas as despesas escrituradas em livro caixa devidamente comprovadas que atenderam os requisitos previstos na legislação. A PFN requer também que, caso seja decidido pela nulidade, seja declarada a ocorrência de vício formal. Nesse aspecto, apresenta como acórdãos paradigmas os de nº s 20309.332 e 3102000.780. Cientificado o contribuinte, apresentou tempestivamente contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial. Importa ressaltar que o presente processo tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 29.491,54, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2005, dedução indevida de despesas lançadas no Livro Caixa. É o relatório. Voto Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10830.011334/200855 Acórdão n.º 9202006.257 CSRFT2 Fl. 235 3 Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Não entendo merecer reparos, pelos seus próprios fundamentos a decisão a quo, que que a Autoridade julgadora alterou os fundamentos utilizados pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento, atuando aquela como se estivesse investida na função desta. O excerto transcrito abaixo, extraído do acórdão recorrido, esclarece a questão: Verificase que o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual do ano calendário 2004, rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, no total de R$ 68.250,00 tendo como fonte pagadora “Clientes Diversos” (fl. 168) e como natureza da ocupação: “profissional liberal ou autônomo sem vínculo de emprego. Não há nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil provas de ser o impugnante trabalhador assalariado. A consulta a DIRF de fl. 178 recupera apenas a informação de que o contribuinte recebe rendimentos de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social, devidamente declarada. Assim, deve ser acatada a alegação do interessado de ser profissional autônomo, podendo gozar da dedução de despesas escrituradas em livro caixa, desde que devidamente comprovadas e atendendo a legislação específica sobre o tema. O fundamento do lançamento não encontra, a meu ver, amparo na legislação do imposto de renda. É o que se extrai do art. 150, § 2º I, do RIR/1999, cuja redação é a seguinte: Art.150.As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei nº1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1º São empresas individuais: alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); (...) §2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei nº5.844, Fl. 236DF CARF MF 4 de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); A leitura dos trechos em destaque revela que o contador que exerce, individualmente, a sua profissão não é equiparado às pessoas jurídicas. Anoto, no entanto, que o fato de o contador contratar, como empregado, outro profissional da área contábil não desqualifica, de per si, o exercício individual de sua atividade. A individualidade no exercício da profissão do contribuinte somente restaria desqualificada, em meu entendimento, se a Autoridade lançadora, de forma objetiva, descaracterizasse os elementos fáticos jurídicos da relação de emprego (pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação) e comprovasse que os dois profissionais envolvidos se associaram na prestação dos serviços, o que, definitivamente, não restou evidenciado nos autos pela Autoridade lançadora. Nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Outrossim, no âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). Acrescento, por oportuno, que no caso presente é de grande relevância a distinção entre vício formal e vício material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal, o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10830.011334/200855 Acórdão n.º 9202006.257 CSRFT2 Fl. 236 5 que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. No caso concreto, ocorreu um equívoco na identificação do fato gerador da obrigação correspondente, ocasionando um erro na exteriorização dos fundamentos que levaram a Autoridade fiscal a constituir o crédito tributário, o que configura, a meu ver, vício material na feitura do ato de lançamento. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo). Entretanto, este não é o entendimento da maioria presumida do colegiado que grifa , no presente processo ser despicienda determinação do tipo de vício e, em qualquer circunstancia, o princípio pas de nullité sans grief, ou princípio do prejuízo, deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.728334/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir erro material apontado sem atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.170
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los para o fim de sanar os erros materiais, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir erro material apontado sem atribuição de efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18470.728334/2013-01
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840901
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.170
nome_arquivo_s : Decisao_18470728334201301.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
nome_arquivo_pdf_s : 18470728334201301_5840901.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los para o fim de sanar os erros materiais, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
id : 7167769
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011506311168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.728334/201301 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.170 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de dezembro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSO FÍSICA IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado DAGUIMAR DE OLIVEIRA CORREA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir erro material apontado sem atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 83 34 /2 01 3- 01 Fl. 167DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos para o fim de sanar os erros materiais, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 18470.728334/201301 Acórdão n.º 2401005.170 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de decisão prolatada no nº 2401004.591 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), da lavra da Conselheira Maria Cleci Coti Martins (fls. 152/156), em sessão de julgamento realizada em 7 de fevereiro de 2017, que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação previdenciária podem ser tributados pelo regime de competência, conforme decisão em recurso repetitivo do STJ REsp 1118429/SP. Recurso Voluntário Provido. Alega a embargante contradição no julgado, pois a parte teria requerido a improcedência total do Auto de Infração e não a sua adequação ao julgado do Recurso Especial no. 1.118.429/SP mencionado no Acórdão ora embargado, para que o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveria ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Assim, entende que a decisão de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário está contraditória, pois o provimento deveria ser apenas PARCIAL AO RECURSO. Em despacho de fls. 163/164, os Embargos de Declaração foram admitidos, motivo pelo qual o processo foi devolvido para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF 4 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito Conforme se destaca do Recurso Voluntário apresentado (fls.139/148), diferente do que aduziu a Embargante, o contribuinte pleiteou a revisão do Imposto de Renda sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente para que o cálculo fosse efetuado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos. Dessa forma, não vejo a contradição da forma como apontada pela Embargante. No entanto, cabe ressaltar que em virtude de pleito da contribuinte relacionado aos juros, a decisão embargada asseverou que em outro julgado do STJ, proferido no REsp. nº 1227133/RS, firmouse entendimento de que a exoneração de tributação sobre juros de mora só se aplicaria ao caso de rescisória trabalhista, o que não seria o caso dos autos. Constatase dessa forma que o provimento foi parcial. Nesse ponto, deve ser sanado o erro material no Acórdão apenas para que no dispositivo sintético (fl. 152) passe a constar RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Conclusão Ante o exposto, conheço DOU PROVIMENTO aos embargos de declaração para sanar erro material, sem atribuirlhe efeito modificativo. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15169.000137/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 23/02/2000 a 25/10/2000
LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DA PROVA. DESCABIMENTO.
Inexistindo neste momento processual os fundamentos que ensejaram a autuação e sobretudo a prova que deu suporte ao referido lançamento, impossibilitando o cotejo do conjunto probatório que deu suporte à ação fiscal com as razões e provas trazidos pela recorrente, torna-se insubsistente o lançamento pela inexistência da prova trazida na autuação.
Numero da decisão: 3302-005.367
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 23/02/2000 a 25/10/2000 LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DA PROVA. DESCABIMENTO. Inexistindo neste momento processual os fundamentos que ensejaram a autuação e sobretudo a prova que deu suporte ao referido lançamento, impossibilitando o cotejo do conjunto probatório que deu suporte à ação fiscal com as razões e provas trazidos pela recorrente, torna-se insubsistente o lançamento pela inexistência da prova trazida na autuação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15169.000137/2015-11
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854830
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.367
nome_arquivo_s : Decisao_15169000137201511.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 15169000137201511_5854830.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7234208
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011547205632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 42 1 41 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15169.000137/201511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.367 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2018 Matéria AI.CPMF Recorrente COOPERATIVA DE CREDITO DE LIVRE ADMISSAO DO TRIANGULO MINEIRO LTDA SICOOB ARACOOP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/02/2000 a 25/10/2000 LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DA PROVA. DESCABIMENTO. Inexistindo neste momento processual os fundamentos que ensejaram a autuação e sobretudo a prova que deu suporte ao referido lançamento, impossibilitando o cotejo do conjunto probatório que deu suporte à ação fiscal com as razões e provas trazidos pela recorrente, tornase insubsistente o lançamento pela inexistência da prova trazida na autuação. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 01 37 /2 01 5- 11 Fl. 42DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira CPMF, fls. 01/06, pelo qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$13.694,45, sendo R$5.984,48 de contribuição. Depreendese da "DESCRIÇÃO DOS FATOS ..." que o mote do lançamento foi a falta da retenção e do recolhimento da CPMF, conforme declaração de instituição financeira (fl. 04), em face de a contribuinte ter se manifestado contrariamente à retenção da CPMF de que trata o artigo 45 da Medida Provisória 2.113 30/2001 e artigo 17 da IN/SRF n° 42/2001, ou encerrado sua contacorrente. Às fls. 09/15, impugnação cujos argumentos de defesa foram descritos segundo o articulado abaixo: I DA TEMPESTIVIDADE IIDOS FATOS III MÉRITO' Em seu artigo IV PEDIDO com base no disposto no inciso III do artigo 8o da Lei n° 9.311/1996, a contribuinte renova que é zero a alíquota da CPMF sobre as movimentações financeira por ela realizadas, vez que tiveram por escopo atender o seu objetivo social. Ao final pugna pelo reconhecimento do caráter confiscatório da multa aplicada. E o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 23/02/2000/, 22/03/2000, 19/04/2000, 24/05/2000, 21/06/2000, 19/07/2000, 23/08/2000, 20/09/2000, 25/10/2000 CPMF. ALÍQUOTA ZERO. NÃO APLICAÇÃO. A incidência da alíquota zero para a CPMF, prevista no art. 8o da Lei n° 9.311, de 1996, somente abrange os lançamentos que comprovadamente se refiram ao objeto social do sujeito passivo, nos termos da Portaria n° 134, de 1999, do Ministro da Fazenda. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, em recurso voluntário, afirma a empresa que foi cientificada da decisão em 08/12/2.006 (sexta Fl. 43DF CARF MF Processo nº 15169.000137/201511 Acórdão n.º 3302005.367 S3C3T2 Fl. 43 3 feira), via carta registrada ECT, apresentando o Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF em 29/12/2006, fls.27/36, arguindo em síntese: 1) Tem a natureza jurídica sui generis, qual seja: sociedade cooperativa regida pela Lei n° 5.764/71 e sendo ao mesmo tempo instituição financeira regulamentada pela Lei nº 4.595, de 1964, o recolhimento e a retenção da CPMF da impugnante quando da prática de atos financeiros de sua titularidade como acontece com o objeto da presente autuação/impugnação, está disciplinada no artigo 8º, § 3º da Lei nº 9.311, de 1996. 2) Referido artigo foi regulamentado através do artigo 3º da Portaria MF nº 139, de 1999. 3) A conta corrente n° 0096.003.5020016, mantida pela Recorrente junto à agência local da CEF Caixa Econômica Federal na cidade de Araguari, conforme declaração acostada ao presente processo doe n° 03 já anexado e citada no próprio voto do julgador primevo, destinase única e exclusivamente a movimentação financeira de titularidade da Recorrente, movimentação esta realizada somente por meios de cheques, visando o repasse de recursos para o Bancoob Banco Cooperativo do Brasil dentro do objeto social da Recorrente. 4) Da movimentação da citada conta corrente é que decorreu a autuação pelo suposto não recolhimento da CPMF, recolhido indevido, já que fruto de movimentação financeira de titularidade de instituição financeira estritamente vinculado ao seu objeto social nos exatos termos do disposto no artigo 8o, III da Lei n° 9311/96 c/c o artigo 3º da Portaria MF n° 134, de 1999. 5) Operação típica de repasse de recursos obtidos pela Recorrente junto ao BANCOOB para serem aplicados junto aos cooperados da ora Impugnante nos exatos termos do previsto em seu Estatuto Social, artigo 2º, III já transcrito nesta defesa. 6) Portanto existente o fato gerador do tributo, porém o mesmo por se constituir nos termos legais como relacionado, diretamente, com o objeto social da Impugnante e dada a sua condição de instituição financeira, julgou por bem o legislador instituir alíquota zero para estes atos, portanto, existente uma espécie de não incidência sobre esta movimentação financeira. 7) Devemos aplicar o preceito do artigo 112 do CTN, ou seja, na dúvida deve se decidir pelo contribuinte. 8) Existe prova cabal de que as movimentações financeiras objeto da autuação foram realizadas na CEF em virtude do objeto social da Recorrente, portanto, com incidência de alíquota zero. 9) A carta do Gerente da CEF é clara neste sentido. Como exercente de função pública, seu palavra tem fé pública e não pode ser elidida por simples argumentos citados pela Delegacia de julgamento. Cita respeitável doutrina, bem como jurisprudência e ao final argui o caráter confiscatório da multa. Fl. 44DF CARF MF 4 Conforme despacho de fl. 20, a seguir transcrito, verificase que houve a reconstituição do presente processo: O presente processo foi formalizado para fins de reconstituição do processo administrativo fiscal 10675.002796/200315, conforme despachos de fls. 02, 04 e 05. Esse processo referese ao lançamento, de ofício, de débitos referentes à CPMF, cuja ciência se deu em 30/09/2003. No intuito dessa reconstituição, encaminhese à SAFIS/DRF/UBL para anexar os documentos relativos à ação fiscal , bem como do auto de infração, que originou o crédito tributário controlado no processo 10675.002796/200315 (FM 274, conforme se observa da análise dos documentos de fls. 15 a 19). É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Tendo em vista que houve a reconstituição do processo nº 10675.002796/200315 (número antigo), conforme indicação da capa do processo apensado, porém inexistindo nos autos reconstituídos, processo nº 15169.000137/201511, ora relatado, as principais peças processuais, notadamente o auto de infração, bem como os atos de ciência do acórdão da DRJ, com vistas a garantir o exercício do contraditório e ampla defesa, considerase como se tempestivo fosse, o Recurso Voluntário de , fls.27/36. MÉRITO Observase dos autos que os fundamentos da decisão de piso estão a seguir delineados: A impugnação é tempestiva, dado o AR de fl. 08, revestese dos requisitos de sua admissibilidade como tal, portanto, dela conheço. No mérito, a solução do litígio passa pelo exame do disposto no art. 8º, inciso III, da Lei n° 9.311/1996, integrante do enquadramento legal: Lei n° 9.311, de 1996: Art. 8º A alíquota fica reduzida a zero: (...) III nos lançamentos em contas correntes de depósito das sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, das sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, das sociedades de investimento e fundos de investimento constituídos nos termos dos arts. 49 e 50 da Lei n° 4.728, de 14 de julho de 1965, das sociedades corretoras de mercadorias e dos serviços de liquidação, compensação e custódia vinculados às bolsas de valores de mercadorias e de futuros, e das Fl. 45DF CARF MF Processo nº 15169.000137/201511 Acórdão n.º 3302005.367 S3C3T2 Fl. 44 5 instituições financeiras não referidas no inciso IV do art. 2°, bem como das cooperativas de crédito, desde que os respectivos valores sejam movimentados em contas correntes de depósito especialmente abertas e exclusivamente utilizadas para as operações a que se refere o §3°deste artigo; (...) § 3° O disposto nos incisos III e IV deste artigo restringese a operações relacionadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre as que constituam o objeto social das referidas entidades. (grifei) O disposto no inciso III do artigo 8o da Lei n° 9.311/1996 implica que a aplicação da alíquota zero da CPMF está condicionada especificamente aos lançamentos em contas correntes de depósitos mantidas pelas entidades nele referidas, dentre as quais a contribuinte, na qualidade de cooperativas de crédito. Mas não é só. Como ressalva o § 3o do mesmo artigo, a aplicação da alíquota zero condicionase a que os respectivos valores sejam movimentados em contas correntes de depósito especialmente abertas e exclusivamente utilizadas para as operações vinculadas às operações relacionadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre as que constituam o objeto social das referidas entidades. Percebese, portanto, que a alíquota zero para o cômputo da CPMF não é atributo subjetivo, cuja aplicação dependa somente da natureza da pessoa jurídica. Ademais,, tratandose de comando de direito excepcional, aquele diploma legal definidor de hipóteses de sua aplicação deve ser estritamente interpretado, até porque nele há disposição expressa inibidora de outras interpretações, nos termos do artigo 108 do CTN. Assim, somente as contas de depósitos que fossem abertas e exclusivamente movimentadas para as operações especificadas em ato do Ministro da Fazenda (Portaria n° 134, de 11/06/1999, posteriormente revogada pela MF n° 227, de 2002), dentre aquelas que constituíssem o objeto social da entidade, submetemse à tal alíquota. Ainda que o exercício das atividades vislumbradas estatutariamente qualificasse a impugnante ao benefício da alíquota favorecida, a ela caberia demonstrar com precisão que os valores movimentados sobre os quais se exige a CPMF tem a essência das operações relacionadas nos citados atos do Ministro da Fazenda. Observo, embora constitua prova direta dos fatos ali afirmados, as informações prestadas pela Caixa Econômica Federal no documento de fl. 04 são passíveis de contraprova a ser oferecida pela autuada. No entanto, a tese de defesa de que suas Fl. 46DF CARF MF 6 movimentações bancárias estariam albergadas pela alíquota zero está órfã de lastro documental que a sustentasse, e.g., dos seus extratos bancários. Saliento que tais informações, motivadoras da atuação fiscal, prestadas pela instituição financeira onde a autuada mantinha conta corrente de depósitos à época dos fatos geradores, deram se em razão do disposto no art. 45 da Medida Provisória n° 211330, de 2001. O referido comando determina às instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF a apuração e o registro dos valores devidos a título de CPMF no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção, posteriormente revogada. O artigo comanda ainda o encaminhamento da CPMF devida relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas. A fim de satisfazer essa prescrição legal, as instituições bancárias mantêm registros cadastrais de seus clientes e identificam a natureza dos lançamentos que efetuam nas correspondentes contas de depósitos. Dessa forma, se a própria instituição bancária na qual a autuada movimentou recursos financeiros reconheceu, no documento de fl. 04, a ocorrência do fato gerador da CPMF em operação não sujeita à alíquota zero, caberia à impugnante exibir as provas que reformassem as informações prestadas pela entidade responsável pela retenção do tributo, o que não se configurou na espécie. A par disso, em que pese a declaração prestada pelo Gerente Geral da Agência da Caixa Econômica Federal em Araguari MG, além de conflitar com as informações prestadas pela CEF, peca pelo seu conteúdo impreciso, não tendo o condão de ilidir o feito fiscal.(grifei). Quanto à multa de ofício aplicada, descabe a pecha do seu caráter confiscatório atribuída pela contribuinte. Não fosse o embasamento legal que a pautou, esclareçase que em função das limitações do poder de tributar de que trata a seção II, do Título VI, da Constituição da República, especificamente no inciso IV, do seu artigo 150, somente é vedado utilizar tributo com efeito de confisco, não estando ali contempladas as penalidades, vez que a multa não está inserta no gênero tributo — artigo 5o do CTN. Por todo o exposto, como a situação fática foge às hipóteses e condições de aplicação de alíquota zero veiculadas no art. 8o da Lei n° 9.311, de 1996, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE o lançamento.(grifei). Ocorre que verificase da peça recursal, que além da questão jurídica há também questões fáticas a serem apreciadas, no entanto, inexistindo o auto de infração, com a fundamentação pertinente à referida autuação, ainda que a reconstituição tenha colacionado aos autos o documento, intitulado de "Registro de Procedimento Fiscal", fl.21, com os valores decorrentes do lançamento, não se pode inferir o teor da fundamentação utilizada na autuação, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 15169.000137/201511 Acórdão n.º 3302005.367 S3C3T2 Fl. 45 7 tampouco as provas colacionadas na referida autuação, a teor das disposições do 1artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, assim inexistindo neste momento processual os fundamentos que ensejaram a autuação e sobretudo a prova que deu suporte ao referido lançamento, impossibilitando assim o cotejo do conjunto probatório que deu suporte à ação fiscal com as razões e provas trazidos pela recorrente, tornase insubsistente o lançamento pela inexistência da prova trazida na autuação. Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 1 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifei). Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018783/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.
A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA.
Demonstrada a ocorrência de sonegação aplica-se a multa qualificada.
MULTA AGRAVADA.
A falta de prestação de quaisquer esclarecimentos sobre os depósitos bancários autoriza o agravamento da multa aplicada.
Numero da decisão: 2301-005.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer em parte do recurso voluntário, exceto nas alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 02/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de sonegação aplica-se a multa qualificada. MULTA AGRAVADA. A falta de prestação de quaisquer esclarecimentos sobre os depósitos bancários autoriza o agravamento da multa aplicada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.018783/2009-21
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853734
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.199
nome_arquivo_s : Decisao_15504018783200921.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDREA BROSE ADOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 15504018783200921_5853734.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer em parte do recurso voluntário, exceto nas alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora EDITADO EM: 02/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7219890
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011574468608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 7.749 1 7.748 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018783/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.199 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de março de 2018 Matéria DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente KÁTIA FARIA LISBOA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. A Lei Complementar 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei 5.869/73). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de sonegação aplicase a multa qualificada. MULTA AGRAVADA. A falta de prestação de quaisquer esclarecimentos sobre os depósitos bancários autoriza o agravamento da multa aplicada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 87 83 /2 00 9- 21 Fl. 7749DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer em parte do recurso voluntário, exceto nas alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 02/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0226.453 (e fls. 703/716), proferido pela 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que, em sessão de 16/04/2010, julgou improcedente a impugnação apresentada. A contribuinte teve contra si lavrado auto de infração referente ao IRPF, Anocalendário 2005, decorrente da tributação de rendimentos apontados como omitidos provenientes de valores creditados em contas correntes ou de poupança, mantidas no Banco Bradesco S/A, cuja origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, consoante Termo de Verificação Fiscal (TVF) e anexos, totalizando o valor de R$ 27.063.346,46. Cientificada em 03/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação de efls. 682/697, que foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, mantendose o lançamento tributário na sua totalidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 7750DF CARF MF Processo nº 15504.018783/200921 Acórdão n.º 2301005.199 S2C3T1 Fl. 7.750 3 A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. CONSTITUCIONALIDADE. A DRJ tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal apenas quando esse tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A apreciação da constitucionalidade e da legalidade das normas vigentes é da competência privativa do Poder Judiciário. Ao julgador administrativo cabe, em face do Poder Regrado, somente aplicar as leis e normas vigentes. MULTA. A multa de oficio qualificada e agravada, no percentual total de 225%, será aplicada sempre que houver, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, concomitantemente à falta de apresentação de esclarecimentos prevista no inc. I do § 2° da Lei n° 9.430, de 1996. PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Impugnação Improcedente Cientificada da decisão em 07/05/2010 (efl. 720), apresentou, em 28/05/2010, o recurso voluntário de efls. 721/748, em que repisa as alegações da impugnação, que são resumidas a seguir: a) preliminar de ilegalidade da quebra do sigilo fiscal e bancário; b) não comprovação inequívoca da omissão de receitas; c) impossibilidade de se auferir renda com base em Depósitos Bancários; d) impossibilidade de manutenção da multa aplicada, porque baseada em informações obtidas por meios ilícitos; e) efeito confiscatório da multa aplicada, e, por fim; f) requer que seja reformada a decisão proferida no Acórdão nº 0226.453 5ª Turma da DRJ/BHE, julgando improcedente o auto de infração e o crédito tributário nele Fl. 7751DF CARF MF 4 consubstanciado, por todos os fundamentos expostos, e, alternativamente, se mantida a autuação, o recálculo da multa e juros de mora. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Sendo tempestivo o recurso voluntário, dele conheço e passo a sua análise. Quebra de Sigilo Bancário Apesar da irresignação da contribuinte com a quebra do seu sigilo bancário, verificase que o mesmo se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001), portanto dentro dos limites legais. Em relação à legalidade dos diplomas referenciados, este Órgão Administrativo já se posicionou, nos termos da Súmula CARF nº 35: O art. 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, em 24/02/2016, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da LC 105/2001, bem como sua aplicação retroativa: RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. Fl. 7752DF CARF MF Processo nº 15504.018783/200921 Acórdão n.º 2301005.199 S2C3T1 Fl. 7.751 5 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Tanto a Súmula como o entendimento jurisprudencial são de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do arts. 45, VI e 62, § 2º do RICARF (Portaria MF 343/2015). Da análise dos autos, constatase que procedimento de fiscalização transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário da recorrente. Sem razão. Mérito Depósitos Bancários A recorrente assevera que "A autoridade fiscal não tem o ônus legal de provar, mas o dever constitucional de investigar e provar suporte fático tributário, o que não Fl. 7753DF CARF MF 6 ocorreu no presente caso, em atendimento às exigências dos princípios da legalidade, da motivação e da própria definição legal de lançamento (art. 142 do CTN)." Continua que, "Além da constatação de créditos ocorridos nas contas correntes da Recorrente, haveria necessidade de comprovação do nexo causal entre eles e o fato que representasse efetiva omissão de receitas para que o lançamento fiscal fosse considerado procedente." Também entende que haveria a necessidade de consumo da renda/sinais exteriores de riqueza para que houvesse a incidência de IR. Alega que "Os depósitos bancários constituirão sempre apenas indícios de renda tributável, cabendo à autoridade fiscal, no exercício do dever de prova e investigação inerente à atividade de lançamento (art. 142 do CTN), demonstrar a efetiva existência de renda consumida através de sinais de exteriorização de riqueza, o que não foi realizado na presente autuação." Cita Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos TFR. Ocorre que o lançamento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada encontra suporte no art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Tal dispositivo institui uma presunção legal relativa, ou seja, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Cabe, por sua vez, Fl. 7754DF CARF MF Processo nº 15504.018783/200921 Acórdão n.º 2301005.199 S2C3T1 Fl. 7.752 7 ao contribuinte demonstrar, através de documentação hábil e idônea, que tal presunção mostra se inverídica. Conforme explicitado no TVF, a contribuinte foi intimada diversas vezes, durante o procedimento fiscalizatório, a demonstrar a origem dos depósitos bancários em suas contas, e em nenhum momento, nem mesmo na fase litigiosa, apresentou qualquer documento comprobatório que pudesse comprovar tal origem. Também a necessidade de consumo da renda não prospera, conforme entendimento já sumulado por este Conselho nos termos da Súmula nº 26, de observância obrigatório pelos conselheiros deste órgão: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Além das súmulas já mencionadas, outras súmulas editadas por este Conselho, relacionados à matéria Depósitos bancários foram devidamente aplicadas ao caso concreto, especialmente as seguintes: Súmula CARF nº 29 (VINCULANTE): Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Portanto, o lançamento realizado deve ser mantido na sua íntegra. Sem razão à recorrente. Multa aplicada Sobre a aplicação da multa qualificada e agravada, extraise do TVF as seguintes considerações: 1.56. Outrossim, verificamos ainda que a contribuinte não informou a percepção de quaisquer rendimentos tributáveis próprios, uma vez que, na DIRPF/2006, apresentada em conjunto com seu cônjuge, no modelo simplificado, foram declarados rendimentos tributáveis líquidos no valor de apenas R$ 10.188,00, pagos não à fiscalizada, mas a seu cônjuge, pela Fl. 7755DF CARF MF 8 empresa Mineração Lisboa Ltda., como relatado previamente. Contudo, a omissão de rendimentos apurada no presente procedimento fiscal totalizou a avantajada importância de R$ 26.965.565,06 (vinte e seis milhões e novecentos e sessenta e cinco mil e quinhentos e sessenta e cinco reais e seis centavos). 1.57. Diante da vultosa omissão de rendimentos apurada no procedimento fiscal, fica patente e indubitável que a contribuinte omitiu informação à autoridade fazendária, ao deixar de informar, na DIRPF/2006, a percepção de quaisquer rendimentos tributáveis próprios, no anocalendário de 2005. 1.58. Assim sendo, resta claro que a contribuinte praticou conduta definida como sonegação no art. 71 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, reproduzido abaixo, a qual evidencia seu intuito de fraudar a legislação tributária, impedindo que a autoridade fazendária tivesse conhecimento da percepção pela mesma, no anocalendário de 2005, de rendimentos tributáveis que não foram informados na correspondente declaração de ajuste anual do IRPF: "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." 1.59. Além disso, conquanto repetidamente intimada, através do Termo de Início de Fiscalização n°. 146/2009 e dos Termos de Intimação Fiscal de n°s. 181/2009 e 250/2009, dos quais foi regularmente cientificada pela via postal, a contribuinte não prestou quaisquer dos esclarecimentos exigidos pela Fiscalização, visto que em tempo algum se dignou a comparecer ao procedimento fiscal. 1.60. Considerando, pois, que a contribuinte não atendeu, nos prazos marcados, as intimações para prestar esclarecimentos e presente o evidente intuito de fraude, definido no artigo 71 da Lei n°. 4.502 de 1964, sobre todo o imposto de renda decorrente da apuração dos rendimentos omitidos foi aplicada a multa de ofício no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), conforme previsto no inciso I combinado com os parágrafos 1° e 2°, inciso 1, todos do art. 44 da Lei n°. 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n°. 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n°. 11.488, de 15 de junho de 2007. "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 7756DF CARF MF Processo nº 15504.018783/200921 Acórdão n.º 2301005.199 S2C3T1 Fl. 7.753 9 II ......................................................................................................... ................................. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 10 deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos;" A contribuinte, por sua vez, considera inaplicável a multa porque o lançamento está baseado em documentos obtidos por meios ilícitos e por não ter a obrigação de prestar informações que representem quebra de seu sigilo bancário ou do de terceiros. Ainda defende tratarse de multa com caráter claramente confiscatório. Conforme descrito no TVF e transcrito acima, ficou constatada a prática de sonegação fiscal, o que autoriza a qualificação da multa nos termos do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96. Também é descrito de forma minuciosa no TVF que, mesmo intimada, por diversas vezes, a recorrente não prestou quaisquer esclarecimentos acerca dos depósitos em suas contas bancárias, o que também autoriza o agravamento da multa nos termos do §2º do art. 44 do mesmo diploma legal. Portanto, considero que as multas foram aplicadas seguindo os estritos ditames legais, não havendo porque serem revistas. Quanto à alegação de confisco, por tratarse de análise da constitucionalidade da norma aplicada, não cabe a este Conselho pronunciarse, a teor da Súmula CARF nº 2, portanto, deixo de conhecer do Recurso neste quesito. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pedido alternativo A recorrente pleiteia, em pedido subsidiário, o recálculo da multa e juros. Entretanto, a cobrança de multa e juros foi aplicado nos termos da legislação aplicável aos tributos federais, não havendo qualquer fundamento para seu recálculo. Ademais a cobrança de juros é matéria já sumulada por este Conselho: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem razão à recorrente. Fl. 7757DF CARF MF 10 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário, exceto nas alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 7758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001327/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR.
Numero da decisão: 2201-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11052.001327/2010-90
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5833489
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.061
nome_arquivo_s : Decisao_11052001327201090.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11052001327201090_5833489.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7134242
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011613265920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 151 1 150 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11052.001327/201090 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.061 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente LOGIN LOGISTICA INTERMODAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 27 /2 01 0- 90 Fl. 151DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias que deveriam ter sido retidas pela empresa de seus segurados, incidentes sobre a remuneração percebida. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.271.5091, devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 702.898,39 em valores consolidados em dezembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2007 , ocorreu em 17 de dezembro de 2010, conforme se verifica às folhas 02. Em 14 de janeiro de 2011, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls. 52). Em 13 de agosto de 2013, a 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1258.483 (fls. 107), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FOLHA DE PAGAMENTOS. PLR. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. DESCUMPRIMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INTEGRAÇÃO. Integra o salário de contribuição a parcela da folha de pagamentos, relativa à participação nos lucros e resultados, concedida em desacordo com a lei específica de regência, no que diz respeito à quantidade de parcelas. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 109): "Tratase, no presente processo, de crédito constituído pela fiscalização, mediante a lavratura do Auto de Infração nº 37.274.5091, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, a cargo dos segurados, destinadas ao Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 152 3 financiamento da Seguridade Social, no período de 01/2007 a 12/2007. 2. No relatório fiscal de fls. 33/50 a fiscalização informou, em síntese, que: 2.1. A empresa forneceu alimentação e ticket alimentação em desacordo com a lei, ou seja, deixando de comprovar a adesão ao PAT, sendo esta circunstância impeditiva para a afastar a incidência da contribuição previdenciária; 2.2. A empresa realizou pagamentos a título de PLR em desconformidade com a legislação previdenciária, que dispõe sobre a não integração da referida verba no salário de contribuição, quando obedecida a lei específica, no caso, a Lei 10.101/00; 2.3. Constatou que os valores pagos a título de PLR na conta contábil 353012006, nos meses de 01, 02 e 03/2007, ocorreram em periodicidade superior ao que determina a lei de regência. Além disso, apesar de intimada, a autuada não prestou todos os esclarecimentos solicitados, como o motivo do pagamento maior que o estabelecido no acordo e a falta de individualização das verbas recebidas, por empregado beneficiado; 2.4. A Autuada não respeitou as regras acordadas, realizando o pagamento de PLR maior que o estabelecido na cláusula 4ª, § 4º do Termo de Acordo, que limitava em 6 (seis) saláriosbase a participação de cada empregado; 2.5. Os valores pagos a título de PLR não foram incluídos nas folhas de pagamentos, nem declarados em GFIP, razão pela qual houve a lavratura dos correspondentes autos pelo descumprimento das obrigações acessórias; 2.6. Realizou a comparação das multas para aplicar a mais benéfica, considerando as alterações decorrentes da MP 449/08, de maneira que aplicou multa de ofício no percentual de 75 % nas competências 04 a 10/2007 e 12/2007 e multa de mora no percentual de 24% mais o AI 68 nas demais competências, conforme explicitado no item 41 do relatório fiscal. 3. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 53/63, aduzindo que: 3.1. Não desvirtuou o instituto da PLR, que foi concedida em consonância coma a legislação, sendo ilegítima a incidência de contribuição. Ainda que tenha sido desrespeitado o limite individual de pagamento prevesito no Termo de Acordo, é lícito concluir que o limite não é requisito essencial para a configuração do PLR, até porque a lei sequer previu um teto; 3.2. Ademais o não atendimento ao limite individual implicaria na incidência de contribuição apenas sobre a parcela em patamar superior ao estabelecido no acordo; Fl. 153DF CARF MF 4 3.3. A periodicidade do pagamento superior a duas vezes deve ser verificada em relação aos mesmos beneficiários, a fim de caracterizar a habitualidade. Ocorre que tal circunstância não deveria ter sido aventada, porque o fisco não individualizou os pagamentos efetuados; 3.4. Requer a produção de prova pericial para comprovar a ausência de reiteração dos pagamentos; 3.5. Não apresentou o comprovante de adesão ao PAT devido à exigüidade do prazo, além de que ao fisco cabe intimar os órgãos administrativos para obter os documentos, de maneira que se faz necessária a realização de diligência. 3.6. Em se tratando de alimentação in natura oferecida ao empregado não há que se falar em contraprestação pelo trabalho, mas de verba indenizatória, como restou pacificado pelo STJ, não sujeita à incidência de contribuição previdenciária. 4. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 18 de agosto de 2014, por meio de acesso ao seu domicílio tributário eletrônico, consoante se observa pelo despacho de folhas 117, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 120) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Segundo a Recorrente, ao indeferir o pedido de perícia, formulado em sua impugnação ao lançamento, a decisão de piso cerceou seu direito de defesa (fls. 122): "Ocorre que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a realização da perícia era indispensável para a demonstração de que a Suplicante não efetuou pagamentos, a título de PLR, aos seus empregados, em intervalos inferiores a seis meses. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 153 5 Inclusive, a própria fundamentação do acórdão consignou que a Suplicante não teria logrado êxito em comprovar a suas alegações referentes à periodicidade dos pagamentos realizados o que, registrese, seria feito através da prova indeferida. Senão, vejase excerto extraído do julgado: "A lei não é expressa em afirmar que o limite máximo das parcelas deve ser perquerida individualmente, mas, ainda que assim se admitisse, a Impugnante não provou sua alegação, conforme impõe o artigo 16, III do Decreto n" 70.235/82" (fl. 04 do acórdão destacamos). Por sua vez, somente mediante a realização de perícia contábil poderseia confirmar, ou não, a alegação da ora Recorrente, uma vez que, do exame dos lançamentos nos livros próprios, e dos demais controles financeiros e contábeis seria possível identificar a qual período/anobase se relacionam os pagamentos e quais os segurados que, eventualmente, perceberam a PLR nos três meses do ano de 2007. A elucidação destes dados respaldaria a alegação de inexistência de pagamentos em desacordo com a periodicidade legal, uma vez que (a) dentre as parcelas pagas, em 2007, havia a PLR de 2006 (de modo que, por se tratarem de períodos de apuração distintos, inexiste, quanto a PLR de 2007, mais de dois pagamentos no ano), nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato, bem como que (ii), a despeito de terem ocorrido três pagamentos, não há, dentre eles, situação na qual um mesmo beneficiário tenha percebido a verba nas três ocasiões, justificandose um terceiro pagamento diante de circunstâncias específicas (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Não se trata, outrossim, sequer de prova meramente documental, pois tais evidências dependeriam de um exame técnico da contabilidade e controles financeiros da empresa, sobretudo quanto a vinculação do gasto a um dado período de apuração. Sendo, portanto, essencial a realização da perícia para a comprovação das alegações da Recorrente, e tratandose do meio probatório apto a tal mister, era e rigor o deferimento da prova pericial pleiteada, e sua negativa, data vênia, constitui inequívoco cerceamento do seu direito de defesa, caracterizando ofensa ao artigo 5o, inciso LV, da CR/88, bem como ao artigo 2o da Lei n.° 9.784/99" Não verifico a nulidade apontada. Cabe razão ao julgador de piso no tocante ao indeferimento do pedido de perícia. Recordemos a decisão recorrida (fls. 112): "19. A realização de perícia somente se justifica diante da necessidade de se obter parecer especializado sobre questões específicas, imprescindíveis ao deslinde do processo. No presente caso, as questões enfrentadas dispensam a realização Fl. 155DF CARF MF 6 de perícia, o que se pode verificar pelos quesitos apresentados pela Impugnante, bastando para tanto, que exibisse os documentos e esclarecimentos requeridos pela autoridade fiscal, ou juntasse o acervo probatório aos autos para análise do julgador, portanto, indefiro o pedido." Segundo a decisão recorrida, o indeferimento do pedido de perícia decorre de sua desnecessidade, uma vez que não se trata de questões específicas que exijam parecer especializado. Há que se concordar. Alega a Recorrente a necessidade de produção de prova pericial como meio de prova de que os pagamentos a título de PLR, em mais de duas vezes ao ano, não foram realizados aos mesmos segurados, e sim, a segurados distintos, uma vez que foram pagos a grupos diversos de empregados a cada vez. Ora, a comprovação de tal fato se dá com simples planilha extraída da contabilidade da empresa e cotejada com a folha de pagamento. Não se pode anuir com a necessidade de um parecer de um profissional especialista para tal comprovação. Não obstante o exposto, é mister não olvidar que o deferimento de prova pericial está disciplinado no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário. Recordemos sua dicção: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." Não foram observadas do ponto de vista material, pela Recorrente, tais exigências. Embora tenha havido a indicação do profissional, verificase que a qualificação do mesmo não é compatível com uma perícia contábil, o que demonstra a logicidade dos argumentos acima expostos, no sentido da desnecessidade de tal prova pericial, posto que segundo o próprio apelante tal perícia pode ser realizada por alguém que não possui formação profissional específica. Logo, não se pode deferir a perícia requerida. Preliminar de cerceamento de defesa rejeitada. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Segundo o apelo, não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, posto que houve observância dos requisitos legais. Vejamos seus argumentos (fls. 124) "Conforme registrado, a DRJ/RJ1 entendeu que o pagamento da PLR daSuplicante aos seus empregados, por ter sido realizado nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, estaria em Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 154 7 descompasso com as normas preconizadas pela Lei n°10.101/00, uma vez que a redação original do artigo 3o, § 2, do referido diploma,vedava a distribuição da PLR em intervalos inferiores a seis meses e por mais de duas vezes ao ano. Não assim. Cabe insistir, em primeiro lugar, que não prevalece a assertiva do r.aresto no sentido de que, mesmo admitidas suas justificativas a respeito da efetivação de pagamentos em suposto desacordo com a periodicidade legal, não teria a Recorrente delas feito prova, haja vista que tal ausência deve ser imputado à ilegítima recusa do órgão julgador em determinar a realização de prova pericial contábil, único meio,repitase, de se elucidar as questões fáticas sumarizadas no item 8 (oito) do presente recurso. Neste sentido, e ante a premissa de que acabará sendo oportunizada à Recorrente a realização da perícia outrora requerida, os fatos que através dela serão confirmados afastam a pretendida classificação da verba paga como forma de remuneração estratégica, e não autêntica distribuição de lucros e resultados, prevista no artigo 7o, inciso XI, da CR/88. Com efeito, em que pese tenham ocorrido três pagamentos, no próprio ano de 2007, e em intervalo inferior a seis meses, o sentido óbvio da vedação contida no artigo 3o, § 2o, da Lei n.° 10.101, é o de vedar seja o segurado beneficiado pelo pagamento de PLR por mais de duas vezes, ao ano, e em intervalo inferior a seis meses que indique prenúncio de habitualidade. Circunstâncias estas que, portanto, tem de ser analisadas sob o ponto de vista de cada beneficiário, e não de maneira genérica, como o fez a fiscalização e a r. DRJ. E, in casu, como já adiantado, não houve pagamento da PLR a um mesmo empregado em mais de duas vezes no ano, ou em periodicidade inferior a seis meses, entre cada pagamento. Repitase, a principal causa de ter havido pagamentos em três meses distintos durante o primeiro semestre de 2007 referese à circunstância de que em cada um desses meses terem sido contemplados grupos distintos de empregados, classificados de acordo com o cargo exercido na empresa. Ademais, outros elementos também justificam a circunstância de terem sido efetuados pagamentos nos três primeiros meses de 2007, tais como (i): ter havido o pagamento da própria PLR, relativa a 2006, cuja data prevista é fevereiro de 2007, nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato e (ii) ter havido o creditamento da PLR a beneficiários diversos dos anteriormente contemplados (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Fl. 157DF CARF MF 8 Naturalmente, dentro da liberalidade de negociação entre empresas, empregados e Sindicatos, não há nenhum empecilho em estipular regras de pagamento da PLR que, atendendo ao objetivo do legislador, segreguem os pagamentos a tal título durante o exercício fiscal sem que um mesmo segurado seja contemplado repetidas vezes. (...) Por fim, ainda que tenha sido desrespeitado o limite individual de pagamento, previsto no Termo de Acordo celebrado para este fim, é lícito concluir que o atendimento a este limite não consiste requisito essencial para a configuração, ou não, da PLR, até porque sequer prevista a necessidade de um teto de pagamento na Lei n.° 10.101/00. Em rigor, as normas estipuladas no acordo, caso descumpridas, ensejam eventual responsabilidade entre as partes, mas não têm o condão de desnaturar a natureza dos pagamentos realizados, pois se cuida de regra acessória, estipulada dentro da esfera de liberdade do empregador e de seus empregados. Portanto, o seu adimplemento, ou não, afeta tão somente o montante a ser distribuído e a forma de participação dos empregados, mas não o seu caráter desvinculado da remuneração. (...) Ademais, o não atendimento ao supracitado limite de pagamento, quando muito, implicaria com que a incidência fiscal recaísse, apenas, sobre a parcela paga em patamar superior a tal limite, posto que o valor restante, creditado que foi em conformidade com as regras contratuais (i.é., dentro do limite), está em perfeita sintonia com os requisitos legais e contratuais Naturalmente, não se pode emprestar um mesmo tratamento jurídico à parcela paga em atendimento a este limite e àquela que o supera. Caso contrário, estarseia afrontando o citado princípio da razoabilidade, haja vista que a consequência jurídica pretendida (desconsideração de todo o crédito como PLR) é desproporcional à sua causa (desconformidade parcial do pagamento, em relação à parcela que superou o limite)." (negritos e sublinhados concomitantes são meus) Inicialmente, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 155 9 De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Fl. 159DF CARF MF 10 Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 156 11 Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, Fl. 161DF CARF MF 12 ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 157 13 cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos)" Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou Fl. 163DF CARF MF 14 resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Recordemos a acusação fiscal, no ponto em questão (fls. 39): "A contabilização da Participação nos Resultados foi realizada através da conta 353012006 "Remuneração variável participação no resultado" sob a qual foi solicitado através de intimação "Explicação por escrito assinada pelo responsável legal a respeito da conta 353012006 Remuneração variável participação no resultado, ao que se refere, como funciona e os beneficiários com valores recebidos/creditados por data" que foi parcialmente atendida com a seguinte informação prestada pelo representante da empresa Sr. Enio de Carvalho em 01/10/2010 "As contas 353012003 e 353012006 pertencem ao Grupamento de Despesas Gastos com o Pessoal, do Plano de Contas da Companhia, e tem por função o registro contábil das despesas com pessoal oriundas de adicionais por acordo..." Ocorre que foram lançados valores nesta conta nos meses 01/2007, 02/2007 e 03/2007, em periodicidade superior ao que determina a Lei 10.101 em seu art. 39 § 2e que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além disso, o "Termo de Acordo sobre a Participação nos Resultados" deter parágrafo 4Q da cláusula A que o valor máximo a ser pago a cada empregado a título de Participação nos Resultados será limitado a 6 (seis) salários base, o que foi desrespeitado conforme demonstra abaixo,alguns pagamentos que foram informados pelo contribuinte, conforme anexo V" (destaques não constam do relatório fiscal). Não assiste razão ao Recorrente. Como visto em nosso esforço teórico, ao descumprir o acordo firmado entre as partes, ajuste este que contou com a anuência sindical, e efetuar pagamento de valores superiores ao acordado, a Recorrente contrariou preceito da norma isentiva, atraindo, forçosamente, a incidência tributária. Contrariou, uma vez mais, ao pagar em mais de duas vezes no mesmo ano civil, valores a título de PLR. Nem se diga que tais pagamentos não foram realizados aos mesmos segurados, posto que tal argumentação não veio acompanhada das necessárias provas. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11052.001327/201090 Acórdão n.º 2201004.061 S2C2T1 Fl. 158 15 Forçoso recordar que esses mesmos argumentos não foram comprovados na impugnação, sendo motivo determinante para a manutenção do lançamento pelo julgador de primeira instância. Ora, caso tais alegações fossem comprováveis, bastaria, ao contribuinte diligente, elaborar planilha, com lastro em sua folha de pagamento e registro contábeis, que demonstrassem tal situação. Ao reverso, preferiu a Recorrente arguir cerceamento de defesa pelo indeferimento de produção de prova pericial, o que examinamos acima. Mister realçar que no tocante ao pagamento acima dos valores estipulados, a única alegação recursal de que não há na Lei nº 10.101/00, tal óbice ofende comando explicito de norma isentiva, o que atrai, infalivelmente, a incidência tributária. Portanto, não merece reparo a decisão de piso. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Nada mais havendo no recurso voluntário, o que demonstra a concordância da Recorrente com os demais pontos do acórdão de impugnação, passo a conclusão. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
