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Numero do processo: 11020.912440/2016-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2014
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.020
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2014 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 40 /2 01 6- 65 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.020 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912440/2016-65 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.020 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912440/2016-65 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.020 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912440/2016-65 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.020 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912440/2016-65 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.020 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912440/2016-65 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000271/2002-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
APURAÇÃO DO PIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/95. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A ADIN nº 14170, e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98
É pacífico nos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação, conforme julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3401-006.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 APURAÇÃO DO PIS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/95. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A ADIN nº 14170, e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98 É pacífico nos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação, conforme julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2.
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MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212/95. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A ADIN nº 14170, e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98 É pacífico nos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação, conforme julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 02 71 /2 00 2- 62 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13819.000271/200262 Acórdão n.º 3401006.178 S3C4T1 Fl. 154 2 convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Trata o presente processo de Auto de Infração n° 0001021, lavrado em 01/11/2001 e originado de procedimento eletrônico de auditoria interna, referente à DCTF do 1º trimestre do ano de 1997, às fls. 24/31. O crédito tributário lançado alcançou o montante de R$136.581,47, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2001, conforme detalhamento à fl. 25. A ciência do contribuinte se deu por via postal, na data de 28/12/2001, conforme Extrato do Processo à fl. 58. 2. Na "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL", à fl. 26, no campo 09 (Contexto), resta consignado que "Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I)". 3. Como parte integrante do Auto de Infração, o contribuinte recebeu um conjunto de informações sobre a autuação, em documento à fl. 24. Neste, consta a seguinte informação referente a este Anexo I: 1 Integram o Auto de Infração os seguintes anexos: Anexo I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS: Identifica os débitos e respectivas vinculações de créditos informadas pelo contribuinte, que não foram confirmadas pela Receita Federal. No caso de só terem sido informadas vinculações de pagamentos, este anexo não existirá, sendo suas informações supridas pelos anexos Ia ou Ib, conforme o caso. 4. O referido Anexo I se encontra à fl. 27, contendo a planilha "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS". Nesta planilha, na coluna "CRÉDITO VINCULADO TOTAL/PARCIALMENTE NÃO CONFIRMADO", consta a informação "Exigibilidade Suspensa", enquanto na coluna "DECLARADO NÚMERO DO PROCESSO", consta o número 97.00039234. Por fim, na coluna "OCORRÊNCIA", consta a informação "Proc jud não comprova". 5. O número constante da coluna "DECLARADO NÚMERO DO PROCESSO" se refere ao Mandado de Segurança (MS) nº 97.00039234, protocolado em 17/02/97, cuja Petição Inicial se encontra às fls. 33/39. Foi concedida a segurança ao contribuinte em caráter liminar, conforme decisão de fls. 40/41. Assim, o débito de PIS deste 1º trimestre de 1997 foi informado na DCTF transmitida pelo contribuinte na situação "Exigibilidade Suspensa", vinculado ao MS nº 97.00039234. 6. O sujeito passivo apresentou Impugnação ao Auto de Infração em 17/01/2002, às fls. 02/12, pedindo o cancelamento da autuação ou, subsidiariamente, fossem suprimidos os encargos de multa de ofício e juros SELIC. Alegou que a contribuição disciplinada pelas Leis nº 9.715/98 (Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições n° 1495, 1546, 1623, 1676 esta última convertida na Lei n° 9.715/98) e 9.718/98 se configurava em Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13819.000271/200262 Acórdão n.º 3401006.178 S3C4T1 Fl. 155 3 uma nova exação cuja instituição só seria possível nos termos do artigo 154 da Constituição Federal, onde é atribuída a competência residual da União para tanto. Assim, enquanto normas hierarquicamente inferiores, as alterações impostas ao PIS pela citadas leis ordinárias não poderiam sobreporse à Lei Complementar nº 7/70. 7. Em 03/07/2006 foi emitido Despacho pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERATSP), à fl. 50, encaminhando a Impugnação para análise do pedido de cancelamento da autuação à luz dos documentos juntados, tendo em vista existência de débitos com exigibilidade suspensa por Processo Judicial. 8. Em 28/06/2011, a "Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito SubJúdice", da DERATSP, proferiu o seguinte Despacho, à fl. 59: Este AIDCTF cuida de débitos de PIS, vinculados ao Mandado de Segurança n° 97.00039234. O pedido era o afastamento da MP 1.212/95 e reedições. Já há decisão transitada em julgado, de maneira desfavorável ao contribuinte. Portanto, quanto à medida judicial, os débitos são passíveis de cobrança. Na esfera administrativa há impugnação e revisão de lançamento a ser concluída. 9. Foi anexada, às fls. 51/54, Consulta Processual ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, onde se constata que o Acórdão (fls. 55/56) que deu provimento à Apelação e à Remessa Obrigatória para o fim de denegar a ordem transitou em julgado em 09/04/2001. 10. A 2ª Turma da DRJPorto Alegre (DRJPOA), em sessão datada de 19/02/2018, decidiu, por maioria de votos, no sentido de JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação, cancelando a penalidade de ofício e mantendo o restante do crédito tributário exigido, nos termos do Relatório e Voto que compõem o julgado. Foi exarado o Acórdão nº 1061.482, às fls. 67/69, in verbis: A autuada traz ao processo elementos da ação judicial indicada em DCTF, juntamente com cópia da ação judicial 97.00039234, na qual foi questionada a cobrança do Pis nos moldes da MP 1212/95, tendo já transitado em julgado de modo desfavorável ao contribuinte, tendo havido a baixa definitiva do mesmo. Antes de mais nada, é importante ressaltar que a Empresa não faz tentativa alguma de comprovar o crédito alegado, situação que constitui forte óbice a um deslinde favorável a seu pleito de extinção dos débitos pela compensação com direitos creditórios de PIS, necessidade probatória existente mesmo na hipótese de provimento judicial favorável. Isto porque o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser efetivada a restituição pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da impugnação devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, cabendo à interessada, quando da impugnação Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13819.000271/200262 Acórdão n.º 3401006.178 S3C4T1 Fl. 156 4 do lançamento, apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: (...) Na manifestação de inconformidade entregue, não é possível fazer nenhuma confrontação de dados se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, nem cabe ao Fisco procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art.373, do Novo Código de Processo Civil, abaixo transcrito (antigo art. 333): 11. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJPOA em 19/03/2018 (conforme AR a fl. 76), apresentou Recurso Voluntário contra esta decisão em 17/04/2018 (conforme AR a fl. 83), às fls. 85/88, no qual, basicamente, repetiu os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, pugnando pela inconstitucionalidade da Lei nº 9.715/98 desde sua origem, já que é resultado da conversão em lei da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições. Não faz qualquer referência aos juros pela taxa SELIC, questionados na Impugnação. 12. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 13. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 14. O recorrente sustenta a inconstitucionalidade da aplicação da Lei nº 9.715/98 desde sua origem, já que é resultado da conversão em lei da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições. Ocorre, no entanto, que de acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 15. Além disso, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 14170 e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98, que pretendia a aplicação de suas disposições aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/95. É pacífico em nossos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação. É o que verificamos da análise do julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual foi relator o Ministro Luiz Fux, e cuja publicação da decisão se deu em 29/04/2002, verbis: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. COBRANÇA DO PIS. ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MEDIDA PROVISÓRIA 1212/95 E SUCESSIVAS REEDIÇÕES. CONSTITUCIONALIDADE. PRAZO NONAGESIMAL. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13819.000271/200262 Acórdão n.º 3401006.178 S3C4T1 Fl. 157 5 A Lei Complementar nº 07/70 tem status de lei ordinária, podendo ser alterada por medida provisória, que tem força de lei. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que medida provisória é instrumento legislativo passível de reedição e idôneo para instituir e modificar tributos. O prazo de noventa dias de que trata o § 6º, do art. 195, da CF deve ser contado a partir da publicação da primeira edição da Medida Provisória 1212/95, hoje convertida na Lei nº 9715/98. Recurso improvido. 16. Portanto, é incorreto o entendimento da Recorrente de que o PIS já está disciplinado pela Lei Complementar 7/70 e somente outra lei complementar poderia alterar as suas regras, nunca uma medida provisória ou lei ordinária. A jurisprudência reconheceu e consolidou, a constitucionalidade das alterações normativas estabelecidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, com única ressalva em relação à data de início de sua validade – em razão da decisão do STJ – que foi firmada em 01/03/1996. 17. Há ainda que se destacar que a tese sustentada no recurso do contribuinte já foi apreciada pelo Poder Judiciário quando do julgamento do MS nº 97.00039234, impetrado pelo recorrente, e com decisão transitada em julgado que lhe foi desfavorável, como visto no Relatório deste Acórdão. 18. O contribuinte apresentou a DCTF do 1º trimestre de 1997 indicando que os débitos de PIS estavam com exigibilidade suspensa, e indicando o processo judicial referente ao MS nº 97.00039234 como fundamento para esta suspensão, uma vez que lhe havia sido concedida uma liminar. A partir de 09/04/2001 transitou em julgado decisão denegando a segurança, tornando os débitos passíveis de cobrança, e o processo judicial não mais comprovava a suspensão da exigibilidade (Ocorrência "Proc Jud Não Comprova"). 19. Nesse contexto, correta a autuação realizada para constituir o crédito tributário de PIS que estava com exigibilidade suspensa e possibilitar a sua cobrança, uma vez que, à época, estava vigente o art. 90 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24/08/2001, o qual determinou que se procedesse ao lançamento de todas as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. 20. A exegese do referido dispositivo era a de que apenas os “saldos a pagar” informados em DCTF constituiriam confissão de dívida. A cobrança dos demais valores, apurados como devidos e vinculados indevidamente a formas de extinção ou suspensão do crédito tributário, passaram a depender de procedimento de ofício: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13819.000271/200262 Acórdão n.º 3401006.178 S3C4T1 Fl. 158 6 21. Tal sistemática perdurou até a edição da MP nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP 2.15835 para dispensar o lançamento de ofício de débitos de tributos informados em DCTF. O art. 18 da referida MP assim dispôs: Art 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. 22. Assim sendo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.908768/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, aplicando-se o mesmo entendimento, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. TERMO INICIAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. DATA DO ENCONTRO DE CONTAS.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. No caso de oposição estatal por ação (glosa), revertida em sede de julgamento, cabe a aplicação da Taxa SELIC a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. No entanto, sendo o crédito utilizado em DCOMP, como no caso em análise, não há que se falar em atualização, pois aplicável a legislação da data do encontro de contas entre crédito invocado e débito compensado.
Numero da decisão: 3401-006.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito presumido de IPI em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, no regime alternativo de que trata a Lei no 10.276/2001.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, aplicando-se o mesmo entendimento, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. TERMO INICIAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. No caso de oposição estatal por ação (glosa), revertida em sede de julgamento, cabe a aplicação da Taxa SELIC a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. No entanto, sendo o crédito utilizado em DCOMP, como no caso em análise, não há que se falar em atualização, pois aplicável a legislação da data do encontro de contas entre crédito invocado e débito compensado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-26T23:43:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-26T23:43:43Z; Last-Modified: 2019-06-26T23:43:43Z; dcterms:modified: 2019-06-26T23:43:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-26T23:43:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-26T23:43:43Z; meta:save-date: 2019-06-26T23:43:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-26T23:43:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-26T23:43:43Z; created: 2019-06-26T23:43:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-06-26T23:43:43Z; pdf:charsPerPage: 2269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-26T23:43:43Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.908768/2010-55 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401-006.593 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Recorrente COMPANHIA SIDERURGICA PITANGUI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N o 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI N o 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp n o 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei n o 9.363/1996, aplicando-se o mesmo entendimento, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei n o 10.276/2001. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. TERMO INICIAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp n o 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. No caso de oposição estatal por ação (glosa), revertida em sede de julgamento, cabe a aplicação da Taxa SELIC a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp n o 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. No entanto, sendo o crédito utilizado em DCOMP, como no caso em análise, não há que se falar em atualização, pois aplicável a legislação da data do encontro de contas entre crédito invocado e débito compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito presumido de IPI em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, no regime alternativo de que trata a Lei n o 10.276/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 87 68 /2 01 0- 55 Fl. 170DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Relatório Versa o presente sobre o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 60 e 61 1 , datado de 27/05/2011, que analisa pedido de restituição/ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao primeiro trimestre de 2002 (PER de fls. 3 a 10, transmitido em 04/05/2006, invocando créditos presumidos no valor de R$ 164.016,32 - de um montante apurado de R$ 236.941,40), e, com base no parecer de fls. 45 a 51, reconhece R$ 92.267,67, o que é suficiente para cobrir o valor do crédito já utilizado em livro pela empresa (R$ 72.925,08), restando a ressarcir R$ 19.342,59. O fundamento das glosas reside na inclusão indevida, na base de cálculo do incentivo, para fins de apuração do custo dos insumos aplicados nos produtos exportados, do custo de aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas bem como o custo do carvão de produção própria, em desconformidade com a legislação de regência. Às fls. 52 a 55 consta DCOMP transmitida em 31/08/2006, utilizando integralmente o crédito invocado (R$ 164.016,32) para saldar débito de IRPJ com vencimento em 31/01/2006. Ciente do Despacho Decisório em 07/06/2011 (AR à fl. 65), a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 05/07/2011 (fls. 90 a 103), na qual argumentou, em síntese, que: (a) houve interpretação equivocada na norma infralegal (Instrução Normativa da RFB), como atestou o STJ no REsp n o 993.164/MG, mencionando ainda precedente do STF sobre a não cumulatividade (RE n o 212.484-2), e precedente do CARF (Acórdão CSRF n o 01- 0866, de 14/04/1989), assim como julgados referentes a créditos básicos (para sustentar que “a concessão do crédito presumido não está adstrita à hipótese de isenção, compreendendo-se também as hipóteses de aquisições de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero”); (b) que é devida correção monetária (pela Taxa SELIC) do montante a ser ressarcido (remetendo ao mesmo REsp n o 993.164/MG); e, portanto, (c) deve ser homologada a compensação e ressarcido o valor restante, corrigido pela Taxa SELIC. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 06/08/2013 (fls. 133 a 141), acordando-se unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) a argumentação em relação ao princípio da não cumulatividade e a créditos básicos não tem relação com a matéria constante no processo; (b) a matéria relativa ao direito de inclusão, na apuração do crédito presumido de IPI instituído pela Lei n o 9.363/1996 foi definitivamente julgada em sede de recurso repetitivo pelo STJ no acórdão citado pela empresa, mas tal decisão não se estende ao crédito pelo regime alternativo, instituído pela Lei n o 10.276/2001, em apreciação, no caso em análise, e que restringiu expressamente a incidência do benefício aos “custos sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput”; (citando precedentes do CARF em endosso: Acórdãos n o 3302-002.074, n o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (e-processos). Fl. 171DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 3302-001.931, n o 3101-000.744 e n o 3401-01.157); e (c) não incide correção à Taxa SELIC, pois a descaracterização do crédito como escritural ocorreu pela apresentação do pedido de ressarcimento e não por óbice do Fisco (situação tratada no REsp n o 1.035.847, na sistemática dos recursos repetitivos), que também é inaplicável no caso de compensação, na qual o encontro de contas se dá na data da DCOMP. Ciente da decisão de piso em 28/08/2013 (cf. AR de fl. 144), a empresa apresentou recurso voluntário em 20/09/2013 (fls. 146 a 164), reiterando o teor da manifestação de inconformidade (inclusive nas matérias sobre créditos básicos, que a DRJ já havia destacado serem de matéria alheia ao contencioso). O processo foi encaminhado ao CARF, pelo despacho de fl. 168, que atesta a tempestividade da peça recursal, em 27/09/2013, sendo a mim distribuído, por sorteio, em março de 2019. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Como se destaca no parecer que amparou o indeferimento do crédito, as glosas se referem a inclusão indevida na base de cálculo do crédito presumido de IPI do custo de aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas bem como o custo do carvão de produção própria, em desconformidade com a legislação de regência. A defesa, embora faça referência a ambas as operações glosadas, apenas invoca precedentes e argumenta no que se refere a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, trazendo ainda alegações referentes a não cumulatividade e a créditos básicos (que, por óbvio, não são aplicáveis a créditos presumidos, que não decorrem da cumulatividade, mas de benefício estabelecido em lei). Entendo, portanto, preclusa a discussão sobre créditos presumidos tomados em relação a carvão de produção própria, tema para o qual a recorrente não dedica argumentação específica, devendo prevalecer a glosa efetuada. Aliás, é de se destacar que a configuração da preclusão remonta à instância de piso. Cabe ainda salientar que as alegações relativas a eventual violação de princípios constitucionais encontram obstáculo neste colegiado administrativo: a Súmula CARF n o 2, que veda o afastamento de norma legal vigente em função de ter sido suscitada inconstitucionalidade. Assim, demandam análise específica deste tribunal administrativo dois temas tratados na via recursal: a tomada de crédito presumido em relação a aquisições de pessoas físicas no regime alternativo, e a possibilidade de correção, pela Taxa SELIC, do crédito presumido a eventualmente ressarcir. Recorde-se ainda que, conforme salienta o parecer que ampara o despacho decisório, são, ao todo, 9 processos administrativos referentes a demanda por ressarcimento: n o 10680.908765/2010-11, n o 10680.908766/2010-66, n o 10680.908767/2010-19, n o Fl. 172DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 10680.908768/2010-55 (o presente), n o 10680.908769/2010-08, n o 10680.908770-2010-24, n o 10680.908771/2010-79, n o 10680.908772/2010-13 e n o 10680.908773/2010-68. Desses, apenas o de n o 10680.908765/2010-11 não está sendo apreciado nesta sessão de julgamento (consultando o sistema e-processos, verifica-se que em tal processo a ciência da decisão de piso se deu em 01/04/2019, não tendo sido juntada até a presente data nenhuma peça recursal). Todos os processos são de teor semelhante, versando sobre os temas que trataremos a seguir. Das aquisições de pessoas físicas (REsp n o 993.164 e regime alternativo) A fiscalização glosou as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, e a DRJ endossou a glosa, entendendo que o precedente do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp n o 993.164/MG) trata da Lei n o 9.363/1996, e não do regime alternativo instituído pela Lei n o 10.276/2001. A recorrente, embora não acrescente nada novo em seu recurso voluntário, e sequer discuta as conclusões da DRJ, reitera sua peça inicial no sentido de que cabe o crédito presumido no regime alternativo (Lei n o 10.276/2001), embora o precedente citado mencione a Lei n o 9.363/1996. Nesse tema, entendemos assistir razão à recorrente. Colacione-se, inicialmente, o que entendeu o STJ, no REsp n o 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa Fl. 173DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria- prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar-se-ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a “ilegalidade” da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF n o 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor - 313/2003 e 419/2004), diante do texto do art. 1 o da Lei n o 9.363/1996: “Art. 1 o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." E o regime alternativo da Lei n o 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1 o , § 1 o : “Art. 1 o Alternativamente ao disposto na Lei n o 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1 o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” Fl. 174DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 O regime da Lei n o 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei n o 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei n o 9.363/1996 Lei n o 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1 o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1 o Alternativamente ao disposto na Lei n o 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. “Art. 1 o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. § 1 o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Veja-se que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei n o 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, guarda identidade com a apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp n o 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: “... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN), mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do Fl. 175DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ n o 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei n o 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei n o 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...) (REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis n o 9.363/1996 e n o 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Fl. 176DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão n o 3403-002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp n o 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei n o 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei n o 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1 o , § 1 o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos n o 3403-001.948 a n o 3403-001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar precedentes recentes e sempre unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantém-se a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos - art. 543-C do CPC.” (Acórdão n. 9303-004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 - unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantém-se a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos - art. 543-C do CPC.” (Acórdão n. 9303-005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 - unânime) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO ANÁLOGA, EM TESE, DE DECISÃO VINCULANTE DO STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que, a rigor, não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, originalmente regulada pela IN/SRF nº 69/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor- exportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo” (Acórdãos n. 9303-006.802 e 803, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 16.mai.2018 - unânimes) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMITE-SE POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96 E APLICAÇÃO DA DECISÃO VINCULANTE DO STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG) na sistemática de recurso repetitivo, no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como os produtores rurais pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor-exportador, e Fl. 177DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo.” (Acórdãos n. 9303-008.513 e 514, Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, sessão de 17.abr.2019 - unânimes) Ademais, recorde-se que o § 5 o do art. 1 o da Lei n o 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicam-se ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei n o 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5 o , é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei n o 10.276/2001. Nesse sentido, também, decisões recentes igualmente unânimes desta turma de julgamento: “CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI N o 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI N o 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001.” (Acórdãos n. 3401-004.457 a 459, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, sessão de 22.mar.2018 - unânimes) “CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp nº 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001.” (Acórdãos n. 3401-005.213 a 215, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, sessão de 26.jul.2018 – unânimes) “CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp nº 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001.” (Acórdão n. 3401-005.340, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sessão de 26.set.2018 - unânime) Assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário no que se refere a aquisições de pessoas físicas. Da atualização do crédito presumido Por fim, demanda a recorrente a atualização de seu crédito presumido, pela Taxa SELIC, tendo a decisão de piso negado o pleito, indicando que a descaracterização do crédito como escritural ocorreu pela apresentação do pedido de ressarcimento e não por óbice do Fisco (situação tratada no REsp n o 1.035.847, na sistemática dos recursos repetitivos), e que a Fl. 178DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 atualização é também inaplicável no caso de compensação, na qual o encontro de contas se dá na data da DCOMP. Na peça recursal, a exemplo de outros temas, limita-se a empresa a reproduzir o já demandado na peça vestibular de defesa. Neste tópico, cabe destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos a ressarcir é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não- cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), cabível seria a correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. Nesse sentido o posicionamento recente e unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), respeitado o prazo de 360 dias do pedido, em função de outro precedente vinculante do STJ (REsp n o 1.138.206/RS), estendendo-se a atualização até a data da utilização: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na Fl. 179DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.” (Acórdão n o 9303-006.250, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 26 jan 2018, maioria, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que dava provimento parcial para considerar como termo inicial a data da ciência do despacho decisório)” (grifo nosso) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.” (Acórdão n o 9303-007.925, Rel. Cons. Andrada Márcio Canuto Natal, sessão de 24.jan.2019, unânime - em relação ao tema).” (grifo nosso) Também nesse sentido as decisões desta turma de julgamento, igualmente unânimes: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.” (Acórdãos n. 3401-005.213 a 215, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, sessão de 26.jul.2018 – unânimes) É inconteste, assim, que é devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp n o 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. No caso de oposição estatal por ação (glosa), revertida em sede de julgamento, cabe a aplicação da Taxa SELIC a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp n o 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. No entanto, está-se aqui a tratar de pleito de utilização integral do crédito a ressarcir em compensação registrada pelo contribuinte. No presente processo, é preciso recordar que o pedido de ressarcimento (PER) data de 04/05/2006, e que, do valor demandado (R$ 164.016,32) foi reconhecida a quantia de R$ 92.267,67, que foi suficiente para cobrir o valor do crédito já utilizado em livro pela empresa (R$ 72.925,08), restando a ressarcir R$ 19.342,59. É preciso ainda destacar que foi transmitida DCOMP em 31/08/2006, utilizando o mesmo crédito de R$ 164.016,32. Portanto, o crédito a ressarcir decorrente da decisão aqui proferida deve ser, por solicitação do demandante, utilizado Fl. 180DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-006.593 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.908768/2010-55 na referida DCOMP, sendo aplicável a legislação da data do encontro de contas entre crédito invocado e débito compensado. Veja-se que o crédito solicitado em 04/05/2006 foi utilizado em compensação na data de 31/08/2006, data eleita pela empresa (e não pelo fisco) para o encontro de contas, não tendo a negativa de créditos afetado nem o débito, nem o crédito, indicados na DCOMP, a partir de tal data. A oposição estatal à utilização do crédito, que nasce somente em 30/05/2011, com o despacho decisório, não dilata a distância monetária entre débito e crédito, já assegurada à data do encontro de contas. Assim, além de não haver valor a efetivamente ressarcir nestes autos, valor esse que poderia estar sofrendo defasagem monetária a cada dia (elemento norteador do entendimento do STJ), o valor de crédito aqui reconhecido deve ser alocado à compensação pleiteada, em relação a débito que restou congelado monetariamente na data do encontro de contas. Essa situação (compensação) não se amolda ao julgado do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, que trata de ressarcimento de crédito, vítima de deterioração monetária. Dessarte, embora exista oposição estatal ilegítima (exclusivamente no que se refere ao montante cuja glosa foi aqui revertida), tal oposição sequer afetou a distância monetária entre débito e crédito em relação ao encontro de contas efetuado à data eleita pelo contribuinte para a transmissão da DCOMP. Houvesse efetivamente algum valor a ressarcir, que não tenha sido nem objeto de DCOMP nem utilizado na própria escrituração, na forma eleita pelo contribuinte, aí sim estariam presentes os requisitos para a correção decorrente dos entendimentos do STJ, a partir de 360 dias do pedido, em caso de oposição estatal ilegítima. Pelo exposto, o recurso voluntário não merece provimento, nesse aspecto. Considerações Finais - parte dispositiva Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito presumido de IPI em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, no regime alternativo de que trata a Lei n o 10.276/2001. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924144/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. PROVAS.
A apresentação de documentos outros, que não, e apenas, as DIRFs, desde que comportem as informações exigidas pela legislação de regência, é suficiente para comprovara a efetiva retenção do imposto de renda devido por antecipação, incidente sobre receitas financeiras, autorizando-se, destarte, o seu computo na formação do saldo negativo do contribuinte.
IRRF. DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA RETENÇÃO.
Apenas a prova da efetiva retenção do IR incidente sobre as aplicações financeiras autoriza a sua apropriação para fins de formação de saldo negativo, não se prestando para tanto, eventuais provisionamentos realizados pela própria fonte pagadora ou, eventualmente, pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1302-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. PROVAS. A apresentação de documentos outros, que não, e apenas, as DIRFs, desde que comportem as informações exigidas pela legislação de regência, é suficiente para comprovara a efetiva retenção do imposto de renda devido por antecipação, incidente sobre receitas financeiras, autorizando-se, destarte, o seu computo na formação do saldo negativo do contribuinte. IRRF. DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA RETENÇÃO. Apenas a prova da efetiva retenção do IR incidente sobre as aplicações financeiras autoriza a sua apropriação para fins de formação de saldo negativo, não se prestando para tanto, eventuais provisionamentos realizados pela própria fonte pagadora ou, eventualmente, pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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SALDO NEGATIVO. IRRF. PROVAS. A apresentação de documentos outros, que não, e apenas, as DIRFs, desde que comportem as informações exigidas pela legislação de regência, é suficiente para comprovara a efetiva retenção do imposto de renda devido por antecipação, incidente sobre receitas financeiras, autorizando-se, destarte, o seu computo na formação do saldo negativo do contribuinte. IRRF. DEDUÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA RETENÇÃO. Apenas a prova da efetiva retenção do IR incidente sobre as aplicações financeiras autoriza a sua apropriação para fins de formação de saldo negativo, não se prestando para tanto, eventuais “provisionamentos” realizados pela própria fonte pagadora ou, eventualmente, pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 41 44 /2 01 0- 29 Fl. 178DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação transmitido eletronicamente, por meio do qual pretendeu, a recorrente, o reconhecimento de direito creditório concernente a saldo negativo de IRPJ formado, em 2005, a partir, exclusivamente, de parcelas do IRRF incidente sobre rendimentos de natureza financeira. O crédito fora informado, in casu, na DCOMP 01261 64185.040106.1.3.02-2237, no valor de R$ 517.963,85 e, posteriormente, utilizado em diversos e sucessivos pedidos de compensação. De acordo com o Despacho Decisório, e respectivo relatório, juntado a e-fls. 48 e 49, foi reconhecida apenas parte deste direito, suficiente para quitar o débito informado na DCOMP original, mas insuficiente para quitar os débitos declarados nas demais DCOMPs. O montante total reconhecido alçou a monta de R$ 328.990,97. Regularmente cientificada dos termos do despacho supra, a recorrente opôs a sua manifestação de inconformidade em que, resumidamente, afirma que o valor de seu saldo negativo seria formado por valores retidos em conformidade com demonstrativos anexados à peça de insurgência (R$ 417.066,04) e por parcelas do IRRF incidente sobre a valorização de cotas de fundo de investimento, cujos rendimentos se sujeitariam ao regime de competência e que já teriam sido reconhecidos ao longo do ano de 2005 (R$ 100.897,92). Nesta hipótese, a comprovação da retenção do IRFonte teria se dado mediante registros contábeis de valores concernentes à provisão do IRRF e, ainda, por meio de extratos bancários. Instada a se pronunciar sobre o caso, a DRJ de São Paulo I houve por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, tal como se dessume da ementa abaixo reproduzida: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a ele fazer prova de que é titular desse direito. Cabe, aqui, uma explicação um pouco mais pormenorizada dos fundamentos adotados pela Turma a quo para não reconhecer o direito creditório remanescente, até para que se possa compreender, melhor, o próprio objeto do recurso voluntário. De fato, de acordo com o voto condutor do predito acórdão, entendeu-se, primeiramente, que somente as DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras seriam documentos hábeis e idôneos à comprovar a retenção do IR sobre as parcelas dos rendimentos declinados no feito, recusando, assim, a força probatória dos extratos trazidos ao processo. Outrossim, afirmara o D. Relator, os valores contabilizados como “provisões” não poderia ser utilizado para a formação do saldo negativo, já que somente o imposto efetivamente retido se prestaria para tal mister. Fl. 179DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 Pois bem. A empresa foi intimada do resultado do julgamento acima em 17/06/2015, tendo interposto o seu recurso voluntário em 17 de julho daquele mesmo ano, por meio do qual: a) tece considerações sobre a legislação que trata da tributação dos rendimentos financeiros (mormente a Lei 10.892/2004) a fim de explicar o que chama de descasamento entre o reconhecimento da receita – que se daria, obrigatoriamente, pelo regime de competência - e o momento da efetiva retenção, pelas fontes, do IR; b) passo seguinte, defende a força probandi dos informes de rendimentos apresentados no feito, sem a necessidade da confirmação dos valores ali descritos pelas respectivas DIRFs (acaso acolhido este pedido, a primeira parcela do crédito restaria integralmente reconhecida – R$ 417.066,04); c) quanto a segunda parcela do crédito (no valor de R$ 100.897,92), que não estaria, ali, pretendendo a dedução de provisões relativas ao IRRF mas, isto sim, de imposto efetivamente suportado ao longo do ano-calendário que, entretanto, apenas por força da sistemática contemplada na Lei 10.894/04, teria sido retido e recolhido em outro momento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, Relator. O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de cabimento, pelo que, dele, tomo conhecimento. I – Da força probandi dos documentos acostados à manifestação de inconformidade. De antemão cumpre registrar a estranheza que causa a assertiva constante do acórdão recorrido de que “quanto aos extratos bancários trazidos pela Impugnante e que teoricamente comprovariam as retenções pleiteadas relativas ao valor de R$417.066,04, mesmo com contas de chegada não se comprova os valores não confirmados através das Dirf’s. Além disso, não foram apresentados os informes de rendimentos, documentos hábeis para, também, provar as retenções. Também, neste caso deve ser mantida a glosa realizada”. Primeiramente, o que, de fato, quis afirmar o D. Relator do acórdão a quo? Que foram analisadas DIRFs (que não constam dos autos) e que os valores contidos nos documentos trazidos pelo recorrente não coincidem com aqueles hipoteticamente informados pelas fontes pagadoras? Ou a DRJ nega, pura e simplesmente, a força probatória dos aludidos documentos? Não há, vejam bem, nenhuma coerência lógica na primeira parte de assertiva acima reproduzida! Ou se admite apenas as DIRFs como documentos próprios a comprovar as retenções (e a alegação de que “mesmo com contas de chegada não se comprova os valores” não Fl. 180DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 passaria de um mero obter dictum), ou se reconhece a possibilidade de comprová-las a partir dos citados “extratos”. Outrossim, ainda que as informações apresentadas pela empresa contenham, em alguns casos, a descrição “Extratos Mensais”, não se está, objetivamente, diante de meros extratos bancários; pelos dados extraíveis destes documentos, em substância, estamos, verdadeiramente, diante de “informes de rendimentos” o que, ao fim e ao cabo, revela o erro da segunda parte da justificação proposta pelo acórdão recorrido. Como apropriadamente exposto pelo contribuinte, os informes de rendimentos são, sim, como reconhecido pela própria DRJ, documentos hábeis a comprovar a retenção na fonte do imposto. Tal afirmação está respaldada pelos ditames constantes do art. 943 do antigo RIR, invocado pela própria decisão recorrida. Veja-se: Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º. Notem que o aludido preceptivo, diferentemente do que sustentara a decisão a quo, não condiciona o reconhecimento do direito creditório à exibição, especificamente, de DIRF, mas, sim, à qualquer comprovação do rendimento o que, pela redação do dispositivo acima, pode, e deve ser reconhecido, quando da apresentação, v.g., do informe tratado linhas acima. E, vale o destaque, os documentos apresentados, em princípio, consignam exatamente as informações descritas pela IN 465/05 (vigente à época dos fatos aqui analisados) de sorte a, materialmente, identifica-los como “informes de rendimentos”, nos termos da aludida norma regulamentar. Com efeito, de acordo com a redação da predita IN, por meio de seu artigo 2º, II, o referido informe deveria ser fornecido "no caso de beneficiário pessoa jurídica, até o último dia útil do segundo decêndio subseqüente a cada trimestre do ano-calendário", devendo, nos termos do seu art. 3º, descrever “por mês, os rendimentos tributados, correspondentes ao rendimento bruto deduzido o IOF, e o respectivo imposto de renda retido na fonte” Notem que os “extratos” trazidos pela recorrente contêm, justamente, os seguintes dados (v. e.g, o “extrato de fundos” juntado à e-fls. 59 e 60): a) o nome ou beneficiário das aplicações financeiras; b) a indicação de valores em moeda corrente; c) a discriminação dos rendimentos pagos ou creditados por ocasião do resgate; d) o valor do imposto retido pela respectiva fonte. Fl. 181DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 Não só a decisão, neste ponto, peca pela falta de razoabilidade (tendo-se em conta a existência de informações suficientes para comprovar a retenção do IR), como, em verdade, desconsidera a natureza, materialmente verificável, dos aludidos documentos que, para além de dúvidas razoáveis, conformam o modelo de informes tratado pela citada IN 465/05. Dito isto, tomo a liberdade de reproduzir, a seguir, a planilha elaborada pela Recorrente à e-fl. 53: Para reconhecer, nesta parte, a procedência das alegações do insurgente, é necessário se fazer o cotejo entre as informações acima apresentadas e os extratos mencionados alhures. Neste passo, a título de exemplo, observa-se nos documentos apresentados a e-fl. 57 e 58 a informação da retenção do IR, pelo Unibanco, no mês de maio de 2005, no valor de R$ 760,77, devidamente refletido no demonstrativo acima reproduzido. O mesmo se verifica em relação a esta mesma instituição financeira quanto a retenção realizada em novembro (R$ 784,68). Tambem quanto aos rendimentos de aplicações custodiadas pelo ITAU, os extratos juntados à e-fls. 59/70 comprovam o IRFonte devidamente retido durante o período em análise, em absoluta conformidade com as informações constantes da planilha elaborada pelo contribuinte. A mesma situação é confirmada em relação às aplicações mantidas junto ao Bradesco e divisada pelos documentos anexados a e-fls. 71/84, ao Banespa (e-fls.85 e 86) e à Caixa Econômica Federal (e-fls. 87/88). Enfim, o Recorrente logrou demonstrar a retenção na fonte do valor total, no ano- calendário de 2005, de R$ 417.066,04. Agora, notem que, de acordo com o relatório de e-fl. 48, o motivo do indeferimento, parcial, do pleito compensatório se dera, exclusivamente, pela falta de comprovação; nem a Unidade Origem, nem tampouco a DRJ, ocuparam-se da comprovação do oferecimento dos valores dos rendimentos que produziram o IRRF à tributação; não por outra razão, ao processo sequer foi anexada a cópia da DIPJ da empresa. Considerando-se, neste particular, que não podemos modificar os fundamentos utilizados pelo despacho decisório, pena de inovação ilícita e contrária aos primados da ampla defesa, há que se considerar, aqui, como comprovado, nesta parte, o direito creditório pretendido pelo recorrente. Viu, de se ver, que a DRF reconhecera, do montante total pleiteado (R$ 517.963,85) a quantia de R$ 328.990,97; ao se prover o apelo quanto ao argumento em exame, reconhece-se, consentaneamente, um valor adicional de R$ 88.075,07. Fl. 182DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 II – Do problema da “provisão” para IRRF. É importante, desde logo, destacar que não estamos tratando, aqui, da provisão tratada pelo art. 249, I, do antigo RIR, nem tampouco daquelas tratadas pela Lei 6.404/78, art. 176, § 5º (em sua redação original), relativamente a própria contribuinte, mas, verdadeiramente, tal como posto no recurso voluntário, de uma “presunção” segundo a qual o IRRF fora retido... A lógica sustentada pela insurgente calca-se justamente no que ela chama de “descasamento” entre o regime de competência, aplicável aos rendimentos obtidos mês a mês, e o regime de caixa, afeito ao IRRF. E a causa de tal descasamento estaria estampada, justamente, nos preceitos da já citada Lei 10.892 que impôs, nos termos do seu art. 3º, a retenção e o recolhimento semestral do IRRF. Confira-se: Art. 3º A partir de 1º de outubro de 2004, a incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos a que se refere o art. 6º da Medida Provisória nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001, ocorrerá no último dia útil dos meses de maio e de novembro de cada ano, ou no resgate, se ocorrido em data anterior. Atentem-se, no caso, para a redação do dispositivo acima citado: o IRRF incidirá sobre as aplicações financeiras no último dia útil do mês de maio e de novembro. Isto é, a norma em testilha fixa, em verdade, o próprio aspecto temporal da “hipótese de incidência tributária” 1 ... em linhas gerais, até o advento das datas mencionadas no referido dispositivo, não há a constituição da exigência fiscal concernente ao Imposto a ser Retido pela fonte pagadora. Considerando-se, neste particular, as disposições do art. 943, § 2º, apenas a efetiva retenção (a despeito do seu concreto recolhimento) encerra o direito de compensar o imposto devido antecipadamente pelas empresas, sendo certo, outrossim, que esta retenção, a teor dos preceitos mencionados alhures (Lei 10.892) somente ocorrerá nas datas ali citadas. Ou seja, até lá, não se verifica, na hipótese, o fato jurígeno necessário à tipificação da norma preconizada pelos dispositivos do art. 773, I, do RIR (vigente à época dos fatos aqui tratados). Frise-se: mesmo que o contribuinte tenha, eventualmente, suportado o ônus de uma “liberalidade” por ventura intentada pela fonte pagadora, o fato típico descrito no art. 773, I, do RIR não ocorreu... E, notem, nos casos como, v.g., dos investimentos havidos junto ao Unibanco (e-fl 57), semelhante “provisionamento” sequer se concretizou! O valor de R$ 197,22 apontado na planilha de e-fl. 53 foi registrado, e apropriado, pelo recorrente por sua conta e risco, não se verificando, sequer, a assunção do ônus econômico. E, de outro turno, a “suscitada” presunção, tratada pelo apelo voluntário, não encontra qualquer guarida na legislação de regência. A mesma situação é observada em relação aos rendimentos descritos nos extratos emitidos pelo Itaú e Bradesco. Verdade seja dita, este “provisionamento” somente é observado nas aplicações custodiadas pela CEF, em que se vê, realmente, a descrição “IRRF/IOF provisionados”, os quais foram considerados pelo contribuinte na formação de seu saldo negativo. Aqui, todavia, ainda que a tese deduzida pareça fazer algum sentido, existem dois problemas a se considerar. 1 Ainda que estejamos tratando, objetiva e propriamente, da obrigação principal, a incidência do IRRF obedece à mesma lógica normativa de qualquer outra obrigação preconizada pelo direito posto. Fl. 183DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2189-49.htm#art6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2189-49.htm#art6 Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 Primeiramente que, como afirmado pelo próprio recorrente, o montante total a ser retido poderá divergir do valor inicialmente provisionado, já o que resgate antecipado dos rendimentos os sujeitará à outra alíquota que não considerada para a formação da citada “provisão”. Isto, per se, não infirma efetivamente o argumento do recorrente, já que, nesta situação, o valor final a ser retido será superior ao deduzido pela empresa. O segundo problema ora divisado, todavia, é que realmente põe uma pedra de toque sobre o assunto; com efeito, se considerarmos, e.g., os valores provisionados no mês maio (cujo IRRF será retido e recolhido até o final do mesmo ano, como se depreende da, por vezes mencionada, Lei 10.892), a empresa, segundo entendimento por ela defendido, os apropriará na competência em que realizada a provisão anteriormente tratada; todavia, ao final do ano, o informe de rendimentos a ser entregue pela respectiva fonte apontará, obrigatoriamente, o destaque e retenção do IR sobre aquelas receitas. Neste caso, há inegáveis riscos de que o contribuinte se “credite” novamente deste valor. Notem, particularmente no caso da CEF, que no mês de maio de 2005 houve um “provisionamento” no importe de R$ 8.955,41; tal como se observa da planilha elaborada pelo contribuinte, no mês novembro daquele mesmo ano houve a efetiva retenção de R$ 38.000,00. Ou seja, o montante anteriormente provisionado, por certo, compôs o valor do IRRF retido por ocasião dos resgates realizados pela recorrente no mesmo período... A tese, portanto, no caso vertente, acaso acolhida, encerraria um duplo aproveitamento dos valores retidos a título de IRFonte. A explicaçaõ acima, de toda sorte, serve, tão só, para apontar para a inexistência de uma “injustiça” ao se afastar a pretensão do recorrente, já que, como dito alhures, apenas o imposto efetivamente retido desafia a sua “compensação” com o saldo de imposto a pagar na data do respectivo ajuste. Daí que, ainda de forma concisa, a DRJ corretamente asseverou: 5.11. Quanto ao imposto provisionado, o mesmo, independentemente, do rendimento ter sido contabilizado pelo regime de competência e oferecido à tributação, não pode ser considerado para efeito de compensação com o IR devido no final do ano-calendário. 5.12. Somente é passível de compensação o IR efetivamente retido. Isto, porém, não impede que seja contabilizado, unicamente para efeitos contábeis, o imposto correspondente ao rendimento incorrido e contabilizado pelo regime de competência. Logo, a quantia glosada de R$100.897,92 deve ser mantida. Não há como dissentir de tal entendimento, ou, de outra sorte, inovaríamos a própria legislação pertinente, não havendo nada a se prover no caso. III – Conclusão. A luz de todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer um crédito adicional (além do já reconhecido pela Unidade de Origem) de R$ 88.075,07, homologando-se as compensações transmitidas até o limite do valor retro referido. (documento assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 184DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.731 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.924144/2010-29 Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920262/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 13/06/2003
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.069
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 13/06/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-03T11:31:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-03T11:31:26Z; Last-Modified: 2019-07-03T11:31:26Z; dcterms:modified: 2019-07-03T11:31:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-03T11:31:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-03T11:31:26Z; meta:save-date: 2019-07-03T11:31:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-03T11:31:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-03T11:31:26Z; created: 2019-07-03T11:31:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-03T11:31:26Z; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-03T11:31:26Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.920262/2012-00 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.069 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente GRAFICA E EDITORA POSIGRAF LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 13/06/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, o qual indeferiu o pedido de restituição efetuado por meio eletrônico (PER). Após análise automática foi proferido despacho decisório indeferindo o pedido. Como justificativa para o indeferimento foi apontado o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, referido valor teria sido totalmente utilizado na extinção de outro débito de contribuições (PIS e/ou Cofins). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 02 62 /2 01 2- 00 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.069 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920262/2012-00 Devidamente cientificada, a recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual relata que apurou crédito tributário de PIS e de Cofins em razão da declaração de inconstituicionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pela Supremo Tribunal Federal no RE 457553-1 em Sessão Plenária de 09/11/05 e aproveitou parte do referido crédito para compensar débitos, conforme lhe faculta o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Acredita que a razão de o PER haver sido indeferido estaria no fato de que referido crédito não consta nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. Explica que extinguiu os déditos de PIS e Cofins conforme declarado em DCFT e, posteriormente, com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras. Ocorre que no processamento do PER, o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstituicional incidente sobre as receitas financeiras. Por seu turno, embora tenha reconhecido a inconstitucionalidade apontada pela recorrente, e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Em sua decisão, observou que, para fins de deferimento de pedido de restituição, o recolhimento indevido ou a maior, em virtude da declaração de inconstitucionalidade de dispositivo relativo ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea. Novamente cientificada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que caso a Fiscalização entenda que a documentação apresentada pela recorrente não exaure a questão controvertida contida no Pedido de Restituição, com supedâneo na legislação de regência do processo administrativo fiscal, a Autoridade Administrativa pode determinar diligências com a finalidade de investigar e concluir o procedimento fiscal com o máximo de elementos para firmar a convicção que deve fundamentar o ato administrativo; (ii) não se alegue a impossibilidade de se admitir os documentos apresentados na atual etapa processual. Isto porque, somente por ocasião da prolação do acórdão recorrido, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, é que o direito creditório buscado pela recorrente foi indeferido com base na alegada ausência de comprovação dos recolhimentos da COFINS sobre as receitas financeiras; (III) que o crédito apurado diz respeito ao PIS/Cofins incidente sobre receitas financeiras; e (iv) qualquer conclusão diversa constituirá violação ao direito de defesa da contribuinte, resultando em vício insanável que gera a nulidade fixada no artigo 59, II do Decreto 70.235/1972: Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.069 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920262/2012-00 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.050, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920245/2012-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.050): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 27989.81927.250108.1.2.04-4061 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que com a declaração de inconstituicionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, surgiu o crédito oponível ao Fisco incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ R$ 6.135,06. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que não restou comprovado o direito almejado pelo contribuinte, por total ausência de documentos comprobatórios, cujas razões peço vênia para colacionar: Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da COFINS que deve ser afastado, é necessário que a contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. No caso presente, verificou-se que nenhum documento comprobatório que pudesse comprovar inequivocamente a ocorrência de pagamentos indevidos em razão do alargamento da base de cálculo foi apresentado pela requerente. A propósito, o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, dispõe que são aplicadas às manifestações de inconformidade as mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, previstas no Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 74. (...) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. E de acordo com o que estabelece o Decreto n.º 70.235, de 1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.069 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920262/2012-00 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Grifou-se As disposições do Decreto n.º 70.235, de 1972 foram consolidadas pelo Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, que mantém o entendimento da norma citada: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). (...) § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Além disso, é bom lembrar o que está disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, ou seja, de que o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Desse modo, tendo em vista que a manifestante não apresentou os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do indébito tributário, não há como reconhecer o direito creditório vindicado. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.069 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920262/2012-00 Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Fl. 88DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.069 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920262/2012-00 Por fim, não vejo que a decisão proferida por este relator, seja ela qual for, acarreta alguma hipótese de nulidade prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972, principalmente aquelas elencadas no inciso II, considerando inexistir despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.919891/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Exercício: 2017
"DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES.
O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado.
No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos.
Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-007.142
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2017 "DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-22T13:05:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-22T13:05:44Z; Last-Modified: 2019-07-22T13:05:44Z; dcterms:modified: 2019-07-22T13:05:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-22T13:05:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-22T13:05:44Z; meta:save-date: 2019-07-22T13:05:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-22T13:05:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-22T13:05:44Z; created: 2019-07-22T13:05:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2019-07-22T13:05:44Z; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-22T13:05:44Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.919891/2017-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.142 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2017 "DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 98 91 /2 01 7- 11 Fl. 149DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 Trata-se de processo administrativo no qual discute-se a tributação dos valores recebidos pela recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes. O reconhecimento do direito creditório foi requerido por meio de Pedido de Restituição Eletrônico – PER/DCOMP, no qual é alegado pagamento indevido e/ou a maior de contribuições, apontando-se o DARF correspondente. Conforme Despacho Decisório Eletrônico, o direito creditório não foi reconhecido com o fundamento de que o pagamento apontado foi integralmente utilizado, seja em alocação a débito confessado em declaração entregue pela contribuinte, seja em DCOMP transmitida pela contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, onde observa que tomou ciência de um total de 48 despachos decisórios de não homologação de indébitos de PIS e Cofins com a mesma fundamentação. Pede o reconhecimento da conexão e interdependência dos processos administrativos correspondentes e julgamento conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Argumenta que os créditos de PIS/COFINS foram aproveitados de forma extemporânea pela requerente e decorrem do pagamento a maior de PIS/COFINS, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes, o que motivou o pedido de restituição/compensação. Esclarece que, para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na forma denominada “interconexão de rede”, prevista nos dispositivos que menciona integrantes da legislação que rege os serviços de telecomunicações no âmbito da Anatel. Registra que a disponibilização da rede de telecomunicação para a Requerente é compulsória, por imposição legal e regulatória. Cita previsão legal de que as redes sejam interconectadas e de que haverá preço justo e adequado para esse uso da rede alheia. Nos casos em que a prestação do serviço de telecomunicação por parte da requerente envolve a cessão de meio de redes de um terceiro (doravante denominada genericamente de “interconexão de redes”), uma parte dos valores recebidos pela requerente dos seus clientes será necessariamente transferida a esse terceiro, como forma de remuneração por esse uso da rede. Portanto os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições, uma vez que esses valores não configuram receita da requerente, mas sim das outras operadoras que cederam as suas redes. Todavia, no entender da fiscalização, os valores pagos pela “interconexão de redes”, nada mais são do que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, havendo duas relações jurídicas distintas no caso, uma entre a requerente e os usuários e outra entre a requerente e as operadoras. Ou seja, os usuários não teriam relação jurídica com as operadoras cedentes, mas apenas com a requerente. Assim, os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede, ainda que repassados às operadoras cedentes, configurariam receita da requerente. Na sequência, procura fazer a distinção entre receitas e meros ingressos patrimoniais, para concluir que valores como aqueles recebidos e repassados a título de Fl. 150DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 interconexão de redes, que não incrementam o patrimônio da empresa, que simplesmente é obrigada, por lei ou por acordo, a arrecadar e a transferir tais valores para outra empresa, havendo um mero trânsito de numerário pelo caixa da empresa que arrecada. Tais valores, portanto, não podem ser considerados como receitas próprias, para fins de incidência das contribuições. Discorre também acerca de seu entendimento de que as receitas de interconexão configuram repasse a terceiros, sobre os quais não incidem tributos, não havendo necessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo. Cita decisões do CARF e decisão judicial do TRF da 4ª Região, bem como invoca, como discussão análoga, decisão acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, no RE 574.706, com repercussão geral. Também defende a ocorrência de dupla tributação de uma única prestação de serviço o que entende caracterizar bis in idem, invocando a sujeição das receitas decorrentes de prestação de serviço de comunicação à sistemática cumulativa (art. 8º, VIII, da Lei 10.637, de 2002, e art. 10 da Lei 10.833, de 2003). Em suas palavras há tributação pelo PIS/Cofins da receita total auferida pela requerente pela prestação do serviço de telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/Cofins pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada. Finaliza reprisando seus argumentos e pedindo a integral procedência do pedido de restituição. Após a análise do processo a DRJ não reconheceu o crédito pleiteado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consignando que receitas auferidas por empresas de telecomunicação (ainda que utilizem redes interligadas de outras operadoras) não têm sua exclusão prevista na determinação da base de cálculo estabelecida pela Lei nº 9.718, de 1998. Observou ainda que a interessada não trouxe aos autos qualquer documento que comprove a existência do crédito que pretende ver reconhecido. Registra que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ser restituído. Conforme consignado no acórdão, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito passível de restituição, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica do Pedido de Restituição e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de que se trata de um mero ingresso patrimonial e não uma receita, bem como que, ao contrário do entendimento esposado pela DRJ, não há necessidade de previsão legal para a exclusão da base de cálculo. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Fl. 151DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.140, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.919888/2017-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.140): O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual dele conheço. A discussão em torno da qual gravita o presente processo é sobre a composição da base de cálculo das contribuições, especificamente se os valores recebidos a título de interconexão telefônica a integram, ou não. Em ocasiões anteriores, a última dela em 31 de janeiro de 2018 Acórdão 3302-006.530 exarado no processo 10880.919894/2017-55, de Relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, tive a oportunidade de votar no sentido de que os referidos valores não integram a referida base de cálculo, em harmonia com o entendimento de outras Turmas deste Colegiado. Contudo, atualmente este entendimento é isolado, como se infere do julgamento do processo 10768.906953/200669, acórdão 3301005.669 proferido por unanimidade pela Primeira Turma desta mesma Câmara também no dia 31 de janeiro de 2019, Por esta razão, em homenagem à colegiabilidade, adoto e transcrevo o voto do Conselheiro Jorge Lima Abud, no qual restei vencido em 31 de janeiro de 2019, nesta Turma, ainda que com composição diversa, para admitir a inclusão da "Receita de Interconexão de Rede" na base de cálculo do PIS e da COFINS. "Para o adequado deslinde da questão é necessária uma abordagem a respeito da forma como as redes são organizadas como vias integradas de livre circulação. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. A organização dos serviços de telecomunicações está regulada pelo art. 146 da Lei n o 9.472, de 16 de julho de 1997, que assim estabelece: Art. 146. As redes serão organizadas como vias integradas de livre circulação, nos termos seguintes: - é obrigatória a interconexão entre as redes, na forma da regulamentação; - deverá ser assegurada a operação integrada das redes, em âmbito nacional e internacional; - o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo dever de cumprimento de sua função social. Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicar-se com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa Fl. 152DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 regra decorre das disposições contidas nos arts. 2 o e 3 o da Lei n~ 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, editadas, portanto, após a publicação da Lei n° 9.472, de 1997, que assim dispõe: Art. 2° As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluem-se da receita bruta: (Grifou-se) I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;- revogado pela alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991-18, de 09 de junho de 2000, atual Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001; III - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considera-se receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; deságio na colocação de títulos; perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II - no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das Fl. 153DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III - no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV - no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6° restringem-se aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I - imobiliários, nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de 1997; II - financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I - co-responsabilidades cedidas; II - a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III - o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (NR) Não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesse sentido, as Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que tratam da incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, em seus art. 8°, inciso VIII e art. 10, inciso VIII, assim dispõem: - Lei n° 10.637, de 2002. Art. 8° Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 6°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) - Lei n ° 10.833, de 2003. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) Transcreve-se os itens 13 a 16 da Solução de Consulta da COSIT de nº 06, de 31/03/2004: Fl. 154DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução de base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastando-se a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de cálculo não expressamente autorizados por lei. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chega- se ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores pagos ou repassados a outras operadoras pela “co-prestação dos serviços”. Desta forma, conclui-se que o legislador entendeu que os valores pagos pela “co-prestação de serviços”, nada mais é que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a empresa operadora teria que possuir instalações próprias, equipamentos, empregados etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. Cabe registrar ainda, por ser oportuno, que as notas fiscais/faturas emitidas, recentemente pelas concessionárias de serviços de telecomunicações aos usuários finais de seus serviços, deixam claro e evidente, e sem qualquer equívoco, que sobre os valores totais das contas/telefônicas faturadas aos usuários, incluem-se os custos das mencionadas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que outros setores da economia nacional devido à natureza de suas atividades também se sujeitam a disciplinamentos e regulamentos baixados pelo Poder Público, tais como: o de produção, transmissão e comercialização de energia elétrica, o de seguros, o de saúde, o de exploração de petróleo (onde existe o pagamento obrigatório de royalties), o de combustíveis líquidos gasosos, o de transportes coletivos (que se obriga ao pagamento de taxas de embarques). Sendo certo que os valores do PIS/Pasep e da Cofins são recolhidos sobre os 100% da receita bruta arrecadada. E, por fim, a conclusão: Conclusão 17. Diante do exposto, ... os valores pagos pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres, a título de “co-prestação de serviços”, por serem considerados despesas das operadoras, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No mesmo sentido, a Solução de Consulta DISIT / SRRF da 7 a Região, de n° 329, de 22 julho de 2004, está assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins RECEITA. CONCEITO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO. CUSTOS COM USO DE REDE ALHEIA PARA COMPLEMENTAÇÃO DE LIGAÇÃO TELEFÔNICA. roaming .Receita, que não se confunde com o lucro, significa o preço recebido pela prestação de serviço contratado de modo bilateral com o cliente, sem qualquer consideração a respeito dos custos e despesas necessários à prestação. Se o ajuste de vontade dá-se única e exclusivamente entre a operadora de telefonia e seu cliente, que não conhece e nem se relaciona com eventuais empresas cujas redes são necessárias para o complemento da ligação, o valor pago pelo segundo é receita exclusiva da primeira. Não é lícito às prestadoras de serviços de telecomunicações excluir da base de cálculo da contribuição os custos conhecidos como roaming . (destaques incluídos) Fl. 155DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 - A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS E AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES - A DISTINÇÃO ENTRE RECEITA E MEROS INGRESSOS PATRIMONIAIS. É alegado nos itens 19 e 20 do Recurso Voluntário: 19. Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não se configuram como receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não são "receitas" da Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. 20. Do ponto de vista jurídico, para que possa ser qualificada como "receita", a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica não deve ser meramente transitória, mas sim em caráter definitivo, como que se integrando e aumentando o patrimônio da entidade. E prossegue nos itens 24 a 27 do Recurso Voluntário: No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação. Em suma, os valores de interconexão são cobrados ou arrecadados por conta e ordem dos terceiros titulares efetivos desses ingressos, pois foram esses terceiros que viabilizaram uma parte do serviço de telecomunicação e deverão auferir e tributar a receita correspondente a essa parcela que executaram. Não se trata de equiparar receita a lucro, mas saber distinguir entre receitas verdadeiras e meros ingressos patrimoniais transitórios. Como dito no tópico anterior, não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. Fl. 156DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecê-la. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontra-se estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/2012 1 , que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A - Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 47 2 , de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontra-se estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/2011 3 , a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 157DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, deve-se levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não- correntes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, pode-se afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: Fl. 158DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4 . (os últimos destaque não constam dos originais). Com base nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços” representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. - AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO E O REPASSE A TERCEIROS - A NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO E A DESNECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. É alegado nos itens 34 a 37 do Recurso Voluntário: Cabe destacar que não há, no caso da interconexão de redes, uma duplicidade de relações jurídicas: uma primeira, entre a Recorrente e o seu cliente, e uma segunda, entre a Recorrente e outras operadoras de telecomunicação. O que existe é uma única relação jurídica incindível relativa à prestação do serviço de telecomunicação, que, para ser executada, depende da intervenção de um terceiro - outra operadora - que deve necessariamente ceder os meios de rede para que a prestação de telecomunicação se aperfeiçoe. Não há propriamente uma prestação do serviço de telecomunicação entre a Recorrente e a outra operadora. Na verdade, a outra operadora tem que compartilhar a sua rede para que a Recorrente possa prestar o serviço de telecomunicação. E será devidamente remunerada por esse uso. Considerar a interconexão de redes uma prestação de um serviço é, data venia, admitir que, quando a rede de mais de uma prestadora é acionada na prestação de um serviço de telecomunicação, tem-se não a prestação de um único serviço de telecomunicação, mas tantas prestações de serviços quantas forem as redes utilizadas. Esse raciocínio não faz qualquer sentido, tendo em vista que a prestação do serviço de telecomunicação se estabelece para que uma pessoa consiga transmitir uma mensagem a outra, por meio de um terceiro, que é o prestador do serviço. (Grifo e negrito próprios do original) Repisa-se: 4 SEHN, Solon. PIS-COFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 159DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. (...) - A DUPLA TRIBUTAÇÃO DE UMA ÚNICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO - O BIS IN IDEM TRIBUTÁRIO. É alegado no item 63 do Recurso Voluntário: Na prática, a tributação pelo PIS/COFINS das receitas de interconexão de rede implica um bin in idem tributário, isto é, a dupla imposição dessas contribuições sobre um único fato gerador consubstanciado na receita oriunda da prestação do serviço de telecomunicação. E prossegue nos itens 68 e 69 do Recurso Voluntário: Isso significa, portanto, que a receita da prestação do serviço de telecomunicação é tributada sem que haja a possibilidade de desconto de créditos decorrentes do tributo incidente sobre prestações de serviço necessárias àquela prestação do serviço de telecomunicação. Não há, pois, qualquer desconto de crédito sobre eventuais valores repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes. Daí porque se verifica que a tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica uma dupla incidência tributária de PIS/COFINS sobre uma mesma prestação de serviço. A argumentação de bis in idem não procede. Isso porque a empresa TIM CELULAR S.A. assume com outras operadoras uma dívida por utilização de redes interconectadas e esse fato não guarda qualquer relação com o pagamento da conta individual pelo cliente. Os dois fatos se revelam independentes. Mesmo que o cliente não pague ou atrase o pagamento de sua conta, a empresa TIM CELULAR S.A. permanece devedora da outra operadora cuja rede foi utilizada por seu cliente. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. Entendimento análogo foi adotado pela Primeira Turma da Terceira Câmara dessa Terceira Sessão, que também nega a pretensão da Recorrente de retirar as receitas de interconexão da base de cálculo das contribuições sociais, acórdão 3301005.669 proferido nos autos do processo 10768.906953/200669, verbis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. DESPESAS DE INTERCONEXÃO TELEFÔNICA - INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. A remuneração recebida dos usuários é preço do serviço de comunicação e as despesas incorridas pelas operadoras de telefonia para interconexão telefônica, Fl. 160DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.142 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919891/2017-11 utilizando-se de infraestrutura de telecomunicações de outra concessionária de serviço para a adequada prestação de seu serviço é despesa operacional da prestação de serviços, não podendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Do preço do serviço cobrado dos consumidores, a parcela repassada para outras empresas de telefonia compõem a receita bruta, não se tratando de mero ingresso financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes e Valcir Gassen, votaram pelas conclusões, para negar provimento em razão da aplicação do art. 62 do Regimento Interno do CARF que determina a reprodução nos julgados das decisões do STJ em repetitivo. Julgou-se suspeita a Conselheira Semírames de Oliveira Duro e não participou do julgamento. Desta feita, concordando com tais argumentos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011826/2003-25
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003
OBRIGATORIEDADE DO LANÇAMENTO.
O fato de a matéria encontrar-se sub judice não afasta a obrigatoriedade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento para constituição do crédito tributário, mesmo havendo decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Nesta hipótese, o crédito tributário lançado não será exigido do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.123
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Recorrente CLIVALE PROSAUDE IGUATEMI LTDA Recorrida DRJ em Salvador - BA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 OBRIGATORIEDADE DO LANÇAMENTO. O fato de a matéria encontrar-se sub judice não afasta a obrigatoriedade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento para constituição do crédito tributário, mesmo havendo decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Nesta hipótese, o crédito tributário lançado não será exigido do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ' ' • Q AO 0.3tea, •. • Á 1 • OS " A MARIA COELH9C). Presidente J., WALB JOSÉ DA LVA Relator n i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva, Fabíola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. o 4. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR g: •Processo n° 10580.011826/2003-25 1 CONFERE COM O ORIGINAL S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.123 Fl. 253 BrasIlia. Relatório Contra a empresa CLIVALE PROSAUDE IGUATEMI LTDA, já qualificada nos autos, foi lavrado auto de infração para prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento da Cofins relativa ao período de 01/02/1999 a 30/09/2003, tendo em vista que a autuada deixou de efetuar o recolhimento da exação em face de decisão proferida em sentença de Mandado de Segurança Coletivo, impetrado contra a União, visando eximir-se da aplicação da Lei n2 9.430/96, que entende inconstitucional na parte que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis. Inconformada com a autuação, no dia 30/12/2003, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no Relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 4' Turma de Julgamento da DRJ em Salvador - BA julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão n2 15-10.732, de 08/08/2006, cuja ementa abaixo transcrevo: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cotins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/1999, 01/09/1 999 a 31/10/1999, 01/01/2000 a 30/04/2000, 01/07/2000 a 31/08/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/02/2001 a 28/02/2001, 01/04/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2003 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Tratando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente à matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. JUROS DEMORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. São aplicáveis juros de mora equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. Lançamento Procedente." Ciente desta decisão em 13/09/2006 (AR de fl. 242), a interessada ingressou, no dia 13/10/2006, com o recurso voluntário de fls. 219/226, no qual alega, em apertada síntese, que o Fisco encontrava-se impedido de exigir o crédito tributário e de efetuar o lançamento, por força de decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário objeto da lide. Depois de cassada a decisão que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, nada impede o Fisco de efetuar o lançamento. Por isto não há porque realizar um lançamento precipitado, constrangendo o contribuinte com a lavratura de um auto de infração sobre um crédito inexigível. Wo1/4- e:f 2 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIL CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 10580.011826/2003-25 BrasfEa, tát./ / 09 S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.123 Fl. 25405 Na forma regimental, o recurso voluntário foi a "rn distribuído, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 251. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, contra a recorrente foi lavrado auto de infração, com suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força de decisão proferida em sede de mandado de segurança. O fato de a matéria encontrar-se sub judice não afasta a obrigatoriedade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento para constituição do crédito tributário e evitar os efeitos da decadência, pois a fluência do prazo decadencial ocorre independentemente de estar ou não suspensa a exigibilidade do crédito tributário ou de estar ou não o sujeito passivo litigando judicialmente. A inexigibilidade do crédito tributário, até que haja sentença judicial transitada em julgado, não impede de ser o crédito tributário correspondente devidamente constituído, salvo se houver ordem expressa impedindo a lavratura do auto de infração. Sobre o assunto, destaca-se o Parecer PGFN/CRJN/N 2 743, de 1988, em seu item 14: 14. Não constituído o crédito tributário, haverá a autoridade fiscal que preservar a obrigação tributária do efeito decadenciaL Incumbe-lhe, como dever de diligência no trato da coisa pública, constituir o crédito tributário pelo lançamento. (grifei) Ressalte-se que não cabe à Autoridade Fiscal decidir se deve ou não acatar as normas e atos legais vigentes e nem tampouco as argumentações sobre a conveniência da lavratura do auto de infração, como suscitou a impugnante, tendo em vista que a legislação que rege o lançamento tributário determina que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, é relevante mencionar ainda o Parecer PGFN/CRJN/N 2 1.064, de 1993: "EFEITOS DAS MEDIDAS JUDICMIS - LANÇAMENTO DIANTE DE CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — PARECER PGFN/CRIN/N° 1.064/1993 Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do artigo 142 e respectivo parágrafo único, do C7N. Urna vez én, W? 3 SEGUNDO—C"-SESEi-t:0--------- DE CONTR—Ii, CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°10580.011826/2003-25 Brasília, S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.123 Fl. 255 efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145 do CI7V c/c artigo 7° do decreto n° 70.235/1972), com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida, em função do disposto no artigo 151, IV, do CIN. Preexistindo processo fiscal à liminar concedida, deve aquele seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida." (grifei) Assim, conclui-se pela improcedência da argüição da nulidade do auto de infração, lavrado para constituir crédito tributário, ainda que sua exigibilidade esteja suspensa por medida judicial. No mais, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei ri' 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2009. •-n 1 WALB r • JOSE DA LVA (trk, Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: -) § 1' A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 4
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Numero do processo: 16327.000144/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.000145/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16327.000145/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 14 4/ 20 09 -6 0 Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Mensal. O interessado apresentou Impugnação na qual alega: 1) que até o anocalendário de 2006 entregara a DCTF com periodicidade semestral; porém, ao tentar transmitir por via eletrônica a DCTF referente ao 1º semestre de 2007, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB) não permitiu a entrega da DCTF semestral, orientandoa pela utilização do “PGD DCTF Mensal”; 2) inconformado com tal situação, em 04/10/2007, formalizou consulta perante a SRRF 8ª Região Fiscal, requerendo que se esclarecesse/atestasse que a consulente estava autorizada a entregar a DCTF semestral, que a impossibilidade do envio do arquivo decorria de erro/falha no sistema informatizado do órgão e que a multa por atraso na entrega da DCTF restaria afastada por força da consulta formulada; 3) em 23/11/2008, o contribuinte foi cientificado da resposta à sua consulta (Despacho Decisório SRRF/8º RF/Disit nº 45, de 10/03/2008), que teve a seguinte conclusão: 13. Posto isto declaro a ineficácia da consulta com base no art. 52, I, c/c art. 46 do Decreto nº 70.235, de 1972, dado não versar sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária, mas sobre a solução de problema concreto encontrado pela consulente para transmissão da DCTF semestral referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, uma vez que o programa não aceitou o documento, emitindo mensagem de obrigatoriedade de DCTF mensal, aparentemente não aplicável a seu caso, problemática essa que deveria ser solucionada por intermédio dos Centros de Atendimento ao Contribuinte – CAC, de sua unidade jurisdição, o qual, se não conseguisse encontrar solução imediata para a situação apresentada, deveria solicitar a intervenção dos órgãos superiores apropriados aos quais se subordina. 14. Quanto às condições a serem observadas para a apresentação da DCTF no ano de 2007, encontravamse claramente estatuídas nos arts. 3º a 5º da IN SRF nº 695, de 2006, não ensejando, em princípio, maiores dúvidas. 4) em face da resposta da Disit/SRRF08, em 23/12/2008, o interessado optou por entregar por via eletrônica as DCTF mensais relativas aos meses de janeiro de 2007 a setembro de 2008, o que ensejou a expedição automática da Notificação de Lançamento da Multa pelo Atraso na Entrega da DCTF ora combatida; 5) entende ser descabida a exigência da multa, uma vez que o contribuinte está devidamente enquadrado na hipótese de entrega semestral da DCTF e do DACON, e foi Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 4 3 obrigado a apresentar as DCTF mensais por força de um erro do sistema informatizado da RFB; 6) os seus DACON semestrais foram aceitos pelo sistema, a demonstrar que as DCTF semestrais também deveriam ser aceitas; 7) por ser entidade de previdência privada complementar, para fins de cálculo de receita bruta operacional, as contribuições vertidas para a entidade não são incluídas, estando a reclamante dentro do limite de receita bruta estabelecida no inciso I, do art. 3º, da IN SRF nº 695/2006; 8) e por também não estar enquadrada nas hipóteses dos incisos II e III da IN SRF 695/2006, não estava obrigada a entregar a DCTF mensal; 9) sendo assim, conclui que a presente cobrança deve ser cancelada, devendo a notificação de lançamento ser declarada nula. Analisando a impugnação apresentada, a decisão recorrida julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão a apresentou tempestivamente recurso voluntário, em resumo, aduzindo que: por ser entidade de previdência complementar não auferiria qualquer tipo de receita, pois apenas administra os fundos de seus beneficiários, portanto, não estaria obrigada à entrega de DCTF mensal exigida pelo art. 3º, inciso I, da IN SRF nº 695/2006, matéria que independeria de prova como havia argumentado a decisão de primeira instancia. E segundo a Dacon transmitida, a Fiscalização já teria meios para ter conhecimento da receita bruta por ela auferida ser inferior a R$ 30.000.000,00; os débitos declarados em DCTF seriam inferiores a R$ 3.000.000,00, ou seja, não estaria obrigada à entrega de DCTF mensal exigida pelo art. 3º, inciso II, da IN SRF nº 695/2006; inexistiu qualquer operação de incorporação, fusão ou cisão que implicasse a transmissão de DCTF mensal conforme previsto no art. 3º, inciso III, da IN SRF nº 695/2006; a multa por atraso na entrega da declaração seria indevida por diversas razões, a saber: a) erro exclusivo da administração que, erroneamente, não teria permitido a transmissão de DCTF semestral, sendo que o contribuinte adotou as providências necessárias para regularização, inclusive apresentando Consulta à RFB sobre o tema; b) como a consulta foi considerada não formulada, o contribuinte, não tendo outra opção, antes do trigésimo dia da ciência da solução de consulta, transmitiu as DCTF mensais, fato que acabou por ensejar a penalidade ora contestada; restaria comprovada sua boa fé com a conduta adotada; c) o erro da Receita Federal ficaria mais evidente ao ter aceitado a transmissão de DACON semestral relativa ao primeiro semestre de 2007, sendo que a IN SRF nº 590/2005, Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 5 4 em seu art. 2º, exigia que a periodicidade da entrega de DACON deveria ser o mesmo prazo observado para entrega da DCTF; requer, ao final, o cancelamento da cobrança com a declaração de nulidade do lançamento, uma vez que restaria demonstrado que a ausência de entrega da declaração decorreu de problemas do sistema da própria RFB que não permitiu a entrega da DCTF semestral, ainda que ela não fosse obrigada à transmissão de DCTF mensais. É o relatório. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1301000.686, de 16/05/2019, proferida no julgamento do Processo nº 16327.000145/200912, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301000.686): O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos legais para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte transmitia DCTF semestrais até o ano calendário de 2006 e, quando da sua tentativa de entrega de DCTF também semestral relativa ao primeiro semestre de 2007 o sistema da Receita Federal não permitiu sua transmissão, remetendolhe aviso que estaria sujeito à transmissão de DCTF mensal. A respeito do tema, assim constava na IN SRF nº 695/2006: Art. 3° Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III — sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Alega o contribuinte que não seria obrigado à transmissão da DCTF mensal por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses previstas no art. 3º da IN SRF nº 695/2006. Compulsando os autos, não há qualquer indício de que o contribuinte incidisse nas hipóteses dos incisos II e III do art. 3º da IN SRF nº 695/2006 que o obrigasse à entrega da DCTF mensal. Há de se analisar, pois, se procede o argumento da Recorrente de que não auferiria receitas por ser entidade de previdência complementar, ou seja, se realmente não teria como auferir receita superior a R$ 30 milhões em qualquer anocalendário. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 7 6 Isso porque, a meu ver, restou caracterizada a impossibilidade de o contribuinte transmitir a DCTF Semestral referente ao primeiro semestre de 2007 (doc. 4 da impugnação), por limitações do sistema, essa também aplicável em relação ao segundo semestre de 2007 e primeiro semestre de 2008. O prazo para entrega de da DCTF, segundo a alínea “a” do inciso II do art. 8º da IN SRF nº 695/2006, era o quinto dia útil do mês de outubro. Observase que a Consulta apresentada pelo contribuinte foi protocolada em 04/10/2007 (doc. 5 da impugnação), ou seja, não procede a afirmação da decisão de primeira instância de que não haveria provas que o contribuinte tentou transmitir a DCTF Semestral no prazo fixado na referida norma complementar. Por oportuno, é importante frisar que a apresentação de consulta não suspende o prazo para apresentação de declarações1. De todo modo, aguardou o contribuinte o resultado da consulta para verificar se haveria ou não erro no sistema da RFB. Entretanto, como a consulta envolvia questões sobre problemas operacionais do contribuinte para entrega de declaração , a Divisão de Tributação consideroua não formulada, e, não lhe restando outra alternativa, antes de 30 dias após a ciência da solução de consulta, o contribuinte procedeu à transmissão de todas as DCTF mensais do período. Frisese: não se tratou de opção do contribuinte, mas sim a única alternativa, já que o sistema não aceitava sua DCTF semestral, e, até mesmo ao arrepio da própria norma da Receita Federal, pois o parágrafo único do art. 13 da IN SRF nº 695/2006 determina que “Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado”, ou seja, o sistema deveria ter acatado a DCTF transmitida, realizando a cobrança, se fosse o caso, das multas por atraso na entrega das DCTF mensais, o que poderia, ao menos em tese, reduzir a penalidade aplicável. É importante frisar que a multa automática que foi gerada em relação à entrega em atraso da DCTF mensal não levou em consideração a obrigatoriedade do contribuinte de transmitir a declaração mensal, mas tão somente o atraso em sua transmissão. Por essa razão, não havia que se falar em prova, por parte do Fisco, de comprovação de que o contribuinte auferira mais de R$ 30 milhões de receitas no segundo anterior ao que se referia à DCTF a fim de se comprovar a obrigatoriedade da transmissão da declaração mensal. Por essas razões, entendo ser de extrema relevância analisar se o contribuinte aufere receitas, e, em caso afirmativo, se nos dois anos anteriores ao período a que se referem as DCTF transmitidas em atraso, se o montante de receitas supera R$ 30 milhões. Retornando a esse ponto, a respeito das entidades de previdência complementar auferirem ou não receitas, a 3ª Turma da CSRF firmou entendimento em sentido 1 Decreto nº 7.574/2011; Art. 89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 48 e 49; Lei no 9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3º). § 1º A apresentação da consulta: I não suspende o prazo: [...] b) para a apresentação de declaração de rendimentos; e [...] Fl. 598DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 8 7 afirmativo, conforme se observa no Acórdão nº 9303006.484, julgado na sessão de 13 de março de 2018, cujos principais fundamentos reproduzo a seguir: As entidades de previdência complementar estão sujeitas à contribuição para o PIS de Cofins, nos termos da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, que assim dispõe: "Art. 2°. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (destaque nãooriginal) Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). §2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixadoscomo perda, que não representem ingresso de novas receitas, oresultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor dopatrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados deinvestimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sidocomputados como receita; (... ) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...). §5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no §1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. §6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) (...); Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 9 8 III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (...); §7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6° restringe se aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (...); Ora, de conformidade com este diploma legal, as receitas contabilizadas sob as rubricas "custeio do programa administrativo" e "remuneração dos investimentos administrativos e custeio" decorrem de atividades operacionais das entidades de previdência privada e integram o faturamento destas pessoas jurídicas. Tais receitas não estão elencadas, no dispositivo legal transcrito acima, dentre aquelas passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. Ressaltese, ainda, que o faturamento das entidades de previdência privada corresponde à soma de todas as receitas decorrentes das atividades econômicas do seu objeto social, ou seja, suas receitas operacionais, dentre elas as de prestação de serviços tributadas nos lançamentos em discussão. Assim, a decisão do Supremo do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida nos Recursos Extraordinários n°s 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG que reconheceu a inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que havia ampliado a base de cálculo do PIS e da Cofins, não se aplica ao presente caso. Naquele julgamento o Ilmo. Sr. Ministro Cezar Peluzo do STF, assim, definiu faturamento: "Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação." (grifo nãooriginal) Ainda, segundo o Ilmo. Ministro, "se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 10 9 modo que tal produto entra no conceito de 'receita bruta igual a faturamento'". Dessa forma, independentemente do julgamento do STF que julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, dentre elas as entidades de previdência privada, estão sujeitas a esta contribuição nos termos da Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2° e 3°, ou seja, sobre o seu faturamento mensal correspondente à soma de todas as receitas oriundas de suas atividades típicas decorrente de seu objeto social. Outro não é o entendimento do STJ, conforme se verifica, por exemplo, no RESP nº 1.526.447/RS, cujos trechos de interesse de sua ementa, reproduzemse a seguir: [...]CONCEITO DE FATURAMENTO OU RECEITA. MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 284 DO STF. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS PREVISTAS NOS ARTS. 3º, § 6º, III, DA LEI Nº 9.718/98 E 1º, V, DA LEI Nº 9.701/98. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS PELOS PARTICIPANTES / BENEFICIÁRIOS E PATROCINADORES ÀS ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. RECEITAS OPERACIONAIS DAS REFERIDAS ENTIDADES. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E À COFINS. INTELIGÊNCIA DO ART. 69, § 1º, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 109/01. PRECEDENTE. [...]5. As únicas receitas das entidades de previdência complementar, além dos rendimentos auferidos com a aplicação das reservas técnicas, provisões e fundos constituídos na forma do art. 9º da Lei Complementar nº 109/01, correspondem às contribuições vertidas pelos participantes/beneficiários e patrocinadores, as quais elas utilizam não só para o pagamento dos benefícios, mas também para manterse em funcionamento. Vejase, portanto, que o argumento de que todas essas receitas são dos beneficiários é impróprio. Assim, caso as contribuições vertidas pelos participantes/beneficiários e patrocinadores não fossem tributadas como receitas das entidades de previdência complementar, haveria uma exoneração total de PIS/PASEP e COFINS de tais entidades. 6. A legislação específica aplicável às entidades de previdência complementar (Lei n. 9.718/98 e Lei n. 9.701/98) não traz isenção das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as receitas correspondentes às contribuições vertidas pelos participantes/beneficiários e patrocinadores, apenas permite determinadas deduções das respectivas bases de cálculo, a exemplo do disposto nos arts. 3º, § 6º, III, da Lei nº 9.718/98 e 1º, V, da Lei nº 9.701/98. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 11 10 7. O disposto no § 1º do art. 69 da Lei Complementar nº 109/01, que exclui a incidência de tributação e contribuições de qualquer natureza sobre as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, não se refere a tais entidades, mas sim àqueles que vertem as contribuições para elas, ou seja, a patrocinadora e os participantes/beneficiários. 8. À semelhança do caput, o § 1º do art. 69 da Lei Complementar nº 109/01 somente pode se referir às contribuições devidas pela patrocinadora e pelo participante/beneficiário, não aproveitando à entidade de previdência complementar aberta ou fechada. Na mesma linha o § 2º do referido dispositivo legal exclui a incidência de tributação e contribuições de qualquer natureza sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, tendo em vista que o valor da portabilidade é do participante/beneficiário, diferente das contribuições vertidas às entidades de previdência complementar que são receita operacional delas, pois dali é que elas tiram o seu sustento. 9. Indubitável a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre as receitas das entidades de previdência complementar, abertas ou fechadas, correspondentes às contribuições vertidas pelos participantes/beneficiários e patrocinadores. Precedente: AgRg no REsp nº 1.249.476/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 26.6.2012. (STJ REsp: 1.526.447 RS , Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, sessão de 01/12/2015) Nesse mesmo sentido, a própria IN SRF nº 247/2002, citada pelo contribuinte, depõe contra seu argumento. Vejase: Art. 29. As entidades fechadas e abertas de previdênciacomplementar, para efeito de apuração da base de cálculo dascontribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor:I da parcela das contribuições destinada à constituição de provisõesou reservas técnicas; II dos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursosdestinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão,pecúlio e de resgates; e III do imposto de renda de que trata o art. 2° da Medida Provisórion° 2.222, de 4 de setembro de 2001. Ora, se as entidades de previdência complementar podem excluir da base de cálculo de PIS e de Cofins determinadas rubricas, e considerandose que o fato gerador dessas contribuições é faturamento, sendo esse considerado como a receita bruta, é evidente que a Recorrente aufere receita bruta. Contudo, o fato de o contribuinte auferir receitas não significa, automaticamente, que estaria obrigado à entrega da DCTF mensal. Em seu recurso voluntário, contrapondose aos argumentos da DRJ (a teor do que dispõe o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), o contribuinte anexou cópia de seus Fl. 602DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 12 11 balancetes referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006 (a fim de comprovar que nos dois anos anteriores ao período a que se referem as DCTF mensais em questão não teria auferido receitas). Considerandose que o contribuinte afirma não auferir receitas, entendimento já superado neste voto, tornase inviável a análise dessas demonstrações financeiras diretamente no CARF. Por essas razões, entendo que o processo deva ser convertido em diligência a fim de que a unidade de origem possa aferir qual o valor das receitas auferidas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2005 e 2006, nos termos estabelecidos no precedente citado (Acórdão nº 9303006.484). 3 CONCLUSÃO Por essas razões, entendo que os autos não se encontram em condições de julgamento, devendo ser baixados em diligência a fim de que a autoridade fiscal designada: (i) dê ciência desta resolução à autuada, fornecendolhe cópia; (ii) apure as receitas auferidas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2006 e 2007, em conformidade com as orientações contidas no item anterior deste voto; (ii) ao final, elabore Relatório de Diligência2 concluindo sobre o valor das receitas auferidas nos períodos ora solicitados. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo se prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal designada: (i) dê ciência desta resolução à autuada, fornecendolhe cópia; (ii) apure as receitas auferidas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2006 e 2007, em conformidade com as orientações contidas no item anterior deste voto; (ii) ao final, elabore Relatório de Diligência concluindo sobre o valor das receitas auferidas nos períodos ora solicitados. 2 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 16327.000144/200960 Resolução nº 1301000.696 S1C3T1 Fl. 13 12 Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.907020/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/05/2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE
Não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não carreia aos autos a documentação comprobatória.
Numero da decisão: 3301-006.320
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE Não deve ser reconhecido o direito creditório, quando o contribuinte não carreia aos autos a documentação comprobatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 70 20 /2 00 9- 11 Fl. 673DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.320 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.907020/2009-11 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que apresentou DCTF retificadora referente ao mesmo período informando débito menor que o originalmente declarado; - todavia, o pagamento efetuado conforme Darf identificado, corresponde ao valor originalmente declarado; - desta forma, resta comprovada a efetiva existência e disponibilidade do crédito apontado no PER/DComp, tornando-se necessária a reformulação do despacho decisório; - e não há que se questionar o fato de a retificação da DCTF ter sido verificada após a entrega do PER/DComp, pelas seguintes razões; (i) o despacho decisório foi proferido em momento posterior ao processamento daquela retificação, de modo que a existência do crédito já era de conhecimento da Fiscalização; (ii) observância ao princípio da verdade material, ao qual se encontra vinculada a Fiscalização; - destaca ainda acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf (extinto Conselho de Contribuintes); - citando as disposições contidas no art. 11 da Instrução Normativa RFB n º 903/2008, assevera que o presente caso não se enquadra em nenhuma das situações previstas no § 2o, devendo a Fiscalização considerar todos os dados constantes das DCTF atualmente válidas, conforme definido em julgado da DRJ de Campo Grande, cujo acórdão reproduziu; - requer seja dado provimento à sua Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecida a existência do crédito postulado, homologando-se integralmente a compensação declarada; requer, subsidiariamente, caso se considere necessária a obtenção de maiores esclarecimentos ou apresentação de outros documentos, que seja determinada a realização de diligência nesse sentido; - por fim, requer a apreciação conjunta desse com os processos acima referidos. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, concluindo que, verificado que o suposto crédito apontado como pagamento indevido ou a maior foi integralmente utilizado para quitação de débito apurado no Dacon competente e confessado na DCTF original, não há como reconhecer o direito creditório postulado. Concluiu que a retificação da DCTF, nesse caso, não é suficiente, por si só, para comprovar a existência do crédito pretendido. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta o seguinte: i) Que, antes da emissão do Despacho Decisório, retificou DCTF, para indicar a ocorrência de pagamento a maior de COFINS. Observada a diferença a menor do valor retificado, restou caracterizado o pagamento indevido, que foi utilizado para liquidação de outros débitos. ii) As vendas de mercadorias no período foram realizadas por valores maiores do que os previamente acordados com os clientes, por diferentes motivos, tais como, diferenças Fl. 674DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.320 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.907020/2009-11 entre as quantidades solicitadas e as entregues ou entre o preço inicialmente acertado e o faturado. iii) Os clientes então emitiram "notas de débito" para ajustar os valores faturados a maior. As notas de débito foram analisadas e confirmada a ocorrência dos erros. Diante disto, retificou a apuração da COFINS do período, para deduzir os valores das notas de débito, o que redundou na apuração de pagamento a maior, compensável com débitos futuros. iv) Carreou aos autos os seguintes documentos comprobatórios: planilha com os totais dos valores faturados a maior no período de interesse, por cada uma das quatro áreas de negócio ("Controle Motor", "Centralina", "Eletrônica" e "Escapamentos"), incluindo o impacto total (aumento indevido do valor a pagar) no recolhimento da COFINS; para cada uma das quatro áreas de negócio, planilha com os valores originais faturados contra cada um dos clientes, o valor cobrado a maior e as diferenças produzidas nos tributos incidentes sobre o faturamento, inclusive COFINS; e notas de débito, extratos de "conta corrente fornecedor" e notas fiscais relativas às diferenças de faturamento ocorridas mês de apuração, relativos a uma das divisões de negócio. Cumpre destacar que, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, foram carreados a DCOMP, guia de pagamento (DARF) e DCTF Retificadora. É o relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 315, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13603.906201/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 315): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP). A unidade de origem verificou que o DARF correspondente ao suposto pagamento a maior (COFINS de julho de 2008) fora integralmente utilizado para liquidação de um débito de IPI. Em primeira instância, juntou aos autos a DCTF Retificadora de julho de 2008, em que demonstra valor devido de COFINS de R$ 875.643,01, e pagamento de R$ 926.228,60. E salienta que a fiscalização não levou-a em conta, apesar de protocolizada antes da emissão do Despacho Decisório. A DRJ não acatou o crédito, porque alegou que a DCTF Retificadora não era suficiente para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório, ainda mais no caso em tela, em que o DACON de julho de 2008, onde havia o demonstrativo da base de cálculo, Fl. 675DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.320 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.907020/2009-11 não havia sido retificado e, portanto, continuava demonstrando o valor original da COFINS devida (R$ 926.228,60). À manifestação de inconformidade, foram juntados DCOMP; guia de pagamento do valor de R$ 926.228,60 e DCTF Retificadora (com os valores do débito da COFINS, alterado para R$ 875.643,01, e do pagamento de R$ 926.228,60). No recurso voluntário, a recorrente explicou por que pagou mais COFINS do que deveria: o faturamento das vendas foi emitido por valores maiores do que os corretos, em razão de diferenças nas quantidades ou nos preços pré-acordados. Os clientes emitiram notas de débito, cujos valores, após análise e confirmação de sua adequação, motivaram a retificação da base de cálculo da COFINS, com apuração de pagamento a maior. E trouxe planilhas, identificando as diferenças em cada faturamento, as quais apontam como total pago a maior o valor do crédito pleiteado, isto é, R$ 50.585,58. A recorrente não trouxe toda a documentação necessária à comprovação da higidez de seu direito creditório, cujo ônus lhe cabe, nos termos do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil. Deveria ter trazido, adicionalmente, as apurações original e retificada, devidamente conciliadas com os livros contábeis, DCTF original e retificadora e guia de pagamento e DCOMP. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.726649/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE IMUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
É com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Inexistindo impugnação de responsáveis solidários, não há como conhecer os recursos voluntários apresentados por estes.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Deve ser afastada a responsabilidade tributária pelo crédito lançado, atribuída à pessoas jurídicas, quando não restar caracterizado, nos autos, a existência de grupo econômico ou o interesse comum (art. 124, I e II do CTN).
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. SÚMULA CARF Nº 109.
O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
CONTRIBUIÇÃO. DISCUTIDA EM JUÍZO. COMPENSAÇÃO. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. INDEVIDA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO.
Na hipótese de compensação indevida com créditos referentes à contribuição discutida em juízo e ainda não transitado em julgado, além de ofender ao disposto no art. 170 - A do CTN, resta caracterizada a falsidade prevista na norma, como fundamento para a aplicação da multa isolada de 150%, pois houve compensação de contribuição com créditos sabendo inexistente.
Numero da decisão: 2202-005.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento parcial somente para restabelecer a responsabilidade das pessoas jurídicas empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda. e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda., e Thiago Duca Amoni, que negou provimento a esse recurso. Acordam, também, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio e, em relação ao recurso voluntário da Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda., acordam, por maioria de votos, em negar provimento, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator) e Thiago Duca Amoni, que deram provimento parcial para afastar a multa isolada, aplicada no percentual de 150%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rorildo Barbosa Correia.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE IMUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Inexistindo impugnação de responsáveis solidários, não há como conhecer os recursos voluntários apresentados por estes. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Deve ser afastada a responsabilidade tributária pelo crédito lançado, atribuída à pessoas jurídicas, quando não restar caracterizado, nos autos, a existência de grupo econômico ou o interesse comum (art. 124, I e II do CTN). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. SÚMULA CARF Nº 109. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONTRIBUIÇÃO. DISCUTIDA EM JUÍZO. COMPENSAÇÃO. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. INDEVIDA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida com créditos referentes à contribuição discutida em juízo e ainda não transitado em julgado, além de ofender ao disposto no art. 170 - A do CTN, resta caracterizada a falsidade prevista na norma, como fundamento para a aplicação da multa isolada de 150%, pois houve compensação de contribuição com créditos sabendo inexistente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento parcial somente para restabelecer a responsabilidade das pessoas jurídicas empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda. e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda., e Thiago Duca Amoni, que negou provimento a esse recurso. Acordam, também, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio e, em relação ao recurso voluntário da Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda., acordam, por maioria de votos, em negar provimento, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator) e Thiago Duca Amoni, que deram provimento parcial para afastar a multa isolada, aplicada no percentual de 150%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE IMUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. É com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Inexistindo impugnação de responsáveis solidários, não há como conhecer os recursos voluntários apresentados por estes. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Deve ser afastada a responsabilidade tributária pelo crédito lançado, atribuída à pessoas jurídicas, quando não restar caracterizado, nos autos, a existência de grupo econômico ou o interesse comum (art. 124, I e II do CTN). CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 66 49 /2 01 4- 55 Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.405 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. SÚMULA CARF Nº 109. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONTRIBUIÇÃO. DISCUTIDA EM JUÍZO. COMPENSAÇÃO. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. INDEVIDA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida com créditos referentes à contribuição discutida em juízo e ainda não transitado em julgado, além de ofender ao disposto no art. 170 A do CTN, resta caracterizada a falsidade prevista na norma, como fundamento para a aplicação da multa isolada de 150%, pois houve compensação de contribuição com créditos sabendo inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento parcial somente para restabelecer a responsabilidade das pessoas jurídicas empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda. e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda., e Thiago Duca Amoni, que negou provimento a esse recurso. Acordam, também, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio e, em relação ao recurso voluntário da Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda., acordam, por maioria de votos, em negar provimento, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator) e Thiago Duca Amoni, que deram provimento parcial para afastar a multa isolada, aplicada no percentual de 150%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rorildo Barbosa Correia. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Redator designado Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.406 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários e de Recurso de Ofício apresentados nos autos do processo nº 10120.726649/201455, em face do acórdão nº 0741.088, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em sessão realizada em 12 de dezembro de 2017, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente as impugnações apresentadas pela contribuinte e responsáveis solidários. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: “Tratase o presente processo de dois Autos de Infração (AI) lavrados contra FORTESUL SERVIÇOS ESPECIAIS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA., formalizados nos DEBCAD nº(s) 51.059.0241 e 51.059.0250, decorrentes da compensação indevida de créditos previdenciários na Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social (GFIP), ocorrida nas competências 01/2009 a 12/2011. As impugnações apresentadas pelo contribuinte Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda) e pelas responsáveis solidárias Fortesul Manutenção e Serviços Ltda e Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda foram apreciadas pela 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da RFB em Florianópolis, no Acórdão nº 0737.961, de 18 de fevereiro de 2016, fls. 10841105, que, por unanimidade, julgou procedente a impugnação, conforme Ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. DÉBITO CONFESSADO. É incabível a formalização, por meio de lançamento, de crédito tributário já confessado, visto que tal procedimento não é condizente com a disciplina normativa vertida pela legislação de regência cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A decisão da autoridade competente declarando a ocorrência de compensação indevida e não homologando a mesma, na forma Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.407 4 estabelecida nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, é pressuposto essencial para o lançamento legítimo da multa isolada de 150% prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991. Na apreciação do Recurso de Ofício, a 1ª Turma da 2º Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do Acórdão nº 2201003.794, anexo às fls. 11981214. Ao fundamentar seu voto, o Relator, Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, contrariamente ao entendimento do acórdão recorrido, manifestou que não se vislumbrava, no presente caso, lançamento de ofício, determinando o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância, conforme excertos que ora se compila: (...) Não vejo outro caminho para a cobrança do crédito tributário a não ser o acima descrito de forma resumida. Ora, a glosa de compensação deve ser seguida da cobrança do crédito que deixou de ser pago, e não simplesmente inscrevêlo em dívida ativa sem a comunicação ao contribuinte da glosa de compensação e, consequentemente, da existência de valor que deverá ser pago. Não enxergo o ato da autoridade fiscal, no presente caso, como lançamento de ofício, mas sim uma cobrança decorrente da glosa de compensação indevida. A existência do débito é inegável; no entanto, o que está em jogo nesses casos é a real existência do crédito informado pelo contribuinte como suficiente para quitar o débito confessado. Se a fiscalização entende que o crédito é inexistente ou insuficiente, deve conceder ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório inerentes ao procedimento administrativo fiscal. Tanto que a própria Solução de Consulta Interna COSIT n° 03/2013 afirma: 17. No caso de insurgência do sujeito passivo contra a decisão de considerar a compensação indevida, seguese o rito processual previsto no Decreto n° 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do já reproduzido § 11 do art 89 da Lei n° 8.212, de 1991, que confere tal rito ã restituição das contribuições de que se trata. Conclusão 19. Ante o exposto, solucionase a Consulta Interna no 7, de 2009, respondendo à Disit/SRRF01 que: (...) e) No caso de ser a compensação de contribuições previdenciárias através da GFIP considerada indevida, pode a Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.408 5 autoridade fiscal, por ocasião de auditoria interna dos valores nela informados, glosálos total ou parcialmente, sem prejuízo da manutenção dos débitos confessados. f) Eventual contencioso decorrente da decisão da Administração Tributária de considerar a compensação indevida segue o rito processual previsto no Decreto n° 70.235, de 1972, com esteio nas disposições expressas do § 11 do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição das contribuições de que se trata, e dos arts. 77 a 80 da INRFB n° 1.300, de 2012. Assim, não há que se falar em duplicidade da cobrança, pois o débito aqui cobrado é justamente aquele declarado em GFIP pela contribuinte e não "outro" débito originado em novo lançamento de ofício. Também não deve prosperar afirmação de que, após a glosa, caberia a imediata inscrição em Dívida Ativa da União.do débito confessado em GFIP, nos exatos termos da própria Solução de Consulta Interna COSIT n° 03/2013. Portanto, entendo que encontrase equivocada a decisão recorrida, pois não enxergo defeito na cobrança do crédito tributário promovida nos presentes autos, haja vista a origem em glosa de compensação indevida, oportunidade em que deve ser de rigor a abertura do contraditório ao contribuinte e a instauração do processos administrativo previsto no Decreto n° 70.235/72. Neste sentido, para evitar a supressão de instância, devem os autos retornarem para a primeira instância de julgamento a fim de que sejam analisas as questões de mérito apresentadas pela contribuinte (devedora principal) e pelas responsáveis solidárias. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício para determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância a fim de que sejam apreciadas e julgadas as questões de mérito apresentadas pela contribuinte e demais responsáveis solidários. Em cumprimento ao decidido pelo CARF, o processo foi distribuído a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da RFB em FlorianópolisSC para apreciação das questões de mérito apresentadas pela contribuinte e pelos responsáveis solidários. Para tanto, cumpre trazer para o presente relato os fatos que permeiam o presente feito, apresentando, em síntese, as razões das Autuações e das impugnações dos interessados, para o que, adoto os termos do relatório do Acórdão nº 0737.961, de 18 de fevereiro de 2016, fls. 10841105, com os acréscimos que se fizerem necessários: Tratase de dois autos de infração lavrados contra a sociedade empresária FORTESUL Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda (DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250). Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.409 6 No auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias que, segundo a autoridade fiscal, foram indevidamente compensadas nas GFIP’s dos estabelecimentos da Autuada referentes às competências 11/2009 a 13/2011, juntamente com os acréscimos moratórios de que trata o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991, perfazendo o total de R$ 10.275.951,84 (consolidado em 18/08/2014). Já no auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0250 foi lançada multa isolada de 150% sobre os débitos que a autoridade lançadora aduz terem sido indevidamente compensados nas GFIP’s dos estabelecimentos da Autuada referentes às competências 11/2009 a 13/2011, perfazendo o total de R$ 10.011.104,12 (consolidado em 18/08/2014). Da análise dos autos, verificase que a auditorafiscal autuante manteve apenas a parcela das compensações que se refere a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias relativos às competências 02/2004 a 12/2011 efetuados sobre valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e sobre valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço). Tais créditos, segundo a autoridade lançadora, foram glosados em outro auto de infração (DEBCAD nº 51.059.0233 – Processo 10120.726648/201419), que deve ficar “sobrestado” até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança Individual nº 2009.35.00.0045739 – 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás, visto que em tal processo judicial foi prolatada sentença que declarou a inexigibilidade das contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), bem como declarou, ressalvando a restrição imposta pelo artigo 170A do CTN, o direito da Autuada compensar as contribuições sociais previdenciárias recolhidas indevidamente sobre tais verbas nos últimos 10 (dez) anos. Em relação a parcela das compensações que foi glosada, a autoridade lançadora ressalta que a Autuada não comprovou a existência de créditos compensáveis, porquanto se limitou a aduzir que se referem a recolhimentos efetuados sobre verbas (salário maternidade, férias e décimo terceiro salário) que, por força da legislação previdenciária, devem sofrer a incidência das contribuições sociais previdenciárias e para as quais a Autuada não apresentou nenhuma decisão judicial que declare a não incidência destas contribuições. A auditorafiscal autuante destaca, ainda, que, embora a sentença judicial tenha determinado que todos os recolhimentos feitos nos últimos 10 (dez) anos “a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos seus empregados nos 15 primeiros dias de ausência ao trabalho por Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.410 7 motivo de doença ou de acidente, bem como a título de adicional de um terço de férias”, poderiam ser compensados, aplicou o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário 566.621/RS (sessão plenária realizada em 04 de agosto de 2011), no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos definido na Lei Complementar nº 118/2005 deve incidir sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (09/06/2005), ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Os valores totais lançados referentes aos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250 correspondiam, respectivamente, na data da consolidação dos débitos (18/08/2014), aos montantes de R$ 10.275.951,84 (dez milhões, duzentos e setenta e cinco mil e novecentos e cinquenta e um reais e oitenta e quatro centavos) e R$ 10.011.104,12 (dez milhões, onze mil e cento e quatro reais e doze centavos). Devido a configuração, em tese, do crime de Falsificação de Documento Público (artigo 297, § 3º, inciso III, do Código Penal), a autoridade fiscal registrou que iria emitir Representação Fiscal para Fins Penais. Tendo em vista que a autoridade fiscal entendeu que as sociedades empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda (CNPJ 03.059.584/000169) e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda (CNPJ 12.796.829/000121) integram grupo econômico a que também pertence a Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), e que por isso devem responder solidariamente pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, as referidas empresas foram intimadas do lançamento destas autuações por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 120/121 (AR reproduzido às fls. 122/123) e de fls. 133/134 (AR reproduzido às fls. 135/136). Tendo em vista que a autoridade fiscal entendeu que a senhora Marly de França Eugênio e o senhor Odílio de França Filho, por força do disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional, devem responder solidariamente pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, os referidos senhores foram intimados dos lançamentos destas autuações por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 146/147 (AR reproduzido às fls. 148/149) e 159/160 (AR reproduzido às 161/162). Irresignada com os lançamentos, a Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda) apresentou a impugnação de fls. 600 a 646, instruída com os documentos de fls. 647 a 658. Alega que a exigência dos créditos tributários lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.025 0 é totalmente desprovida de qualquer fundamento legal. Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.411 8 Afirma que é prescindível a autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes do trânsito em julgado da decisão. Aduz que os artigos 66 da Lei nº 8.383/1991 e 74 da Lei nº 9.430/1996 prevêem a modalidade de compensação denominada sponte propria, de iniciativa exclusiva do contribuinte. Assevera que não há que se falar em ilegalidade ou ardil, já que estava autorizada a pela legislação tributária a efetuar as compensações glosadas. Ao tratar do disposto no artigo 170A do Código Tributário Nacional, diz que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico no sentido de que os valores pagos a título de salário maternidade, bem como a título de férias e 13º salário, não integram o campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Diz que “o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito”. Alega que, ao contrário do que entendeu a autoridade fiscal, tinha o direito de efetuar a compensação de recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre férias, terço constitucional de férias, salário maternidade e 13º salário, já que tais verbas não integram o campo de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Afirma que a não incidência da contribuição social previdenciária sobre tais verbas é inequívoca, “seja diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso, seja diante do assentado no julgamento do REsp nº 1.230.957RS, apreciado sob a sistemática do artigo 543C, e cuja decisão deve ser obedecida por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Colendo Conselho”. Aduz que estas verbas não correspondem a contraprestação por serviços prestados. Cita julgado da 1ª Seção do STJ onde restou afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre o salário maternidade e as férias usufruídas (REsp 1322945/DF). Assevera que é ilegal e inconstitucional a exigência de contribuição social previdenciária sobre valores pagos a título de salário maternidade. Alega que o saláriodecontribuição, mencionado no §2º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, é a base de cálculo da contribuição social previdenciária devida pelos segurados, e não a base de cálculo da contribuição patronal, conforme previsto no artigo 20 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.412 9 Cita julgado da Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região onde restou declarado que não incidem contribuições previdenciárias patronais sobre o valor do salário maternidade (AI nº 2001.05.00.0478344). Afirma que o disposto no §1º do artigo 57 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 fere o princípio da legalidade. Alega que o disposto no artigo 52, inciso III, alínea “i”, e no artigo 57, §8º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, é ilegal e inconstitucional. Cita julgado do Tribunal Regional Federal da 5ª Região onde restou declarado que não incide contribuição social previdenciária patronal sobre as verbas referentes ao salário maternidade, às férias e ao respectivo adicional de um terço (AC nº 8.627/CE). Cita julgado da 1ª Turma do STJ onde restou reconhecido que não há efetiva prestação de serviços pelo empregado tanto no saláriomaternidade quanto nas férias (AgRg no AI nº 1.420.247/DF). Diz que a Súmula 688 do STF foi editada à luz da redação original dos artigos 195, inciso I, e 201, § 4º, ambos da Constituição Federal, de que deveria incidir a contribuição previdenciária sobre o 13º salário em razão de se tratar de verba habitual. Afirma que é justamente a habitualidade da gratificação natalina e suas respectivas peculiaridades que afastam, sob pena de inconstitucionalidade e ilegalidade, a incidência das contribuições sociais previdenciárias. Alega que não há que se falar em incidência da contribuição social previdenciária sobre o 13º salário, já que esta verba, apesar de habitual, não é considerada para fins previdenciários (artigo 201, §§ 3º e 11, da CF, c/c o artigo 29, §3º, da Lei nº 8.213/1991). Diz que pensamento diverso deste acarretaria em indevida fonte de custeio sem a respectiva destinação (artigo 195, §5º, da CF). Assevera que o próprio STF, a despeito da Súmula 688, abriu a possibilidade de rediscussão da matéria (incidência de contribuições sociais �previdenciárias s ’re 13º salário). Cita que a legislação previdenciária preceitua que o 13º salário não deve ser considerado para fins de cálculo …¬ salário de benefício. Frisa que tanto o §5º do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal como o artigo 125 da Lei nº 8.213/1991 determinam que “nenhum benefício ou serviço da Previdência Social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio”. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.413 10 Alega que “se não pode haver a criação, majoração ou extensão de benefício previdenciário sem a respectiva fonte de custeio, do mesmo modo, ainda que via inversa, não se pode admitir que haja fonte de custeio (no caso a incidência da contribuição sobre o 13º salário) sem o correspondente benefício”. Aduz que não há que se invocar os princípios da solidariedade e da universalidade para exigir contribuições sociais previdenciárias sobre o 13º salário, “visto que até mesmo os meios de financiamento da Seguridade Social estão adstritos, obviamente, aos demais princípios e normas constitucionais”. Requer a conversão do julgamento em diligência, com esteio no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, para que se verifique “se os créditos tomados e cuja compensação restou glosada referemse aos valores pagos a título de salário maternidade, férias e décimo terceiro salário”. Diz que, ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada de 150% deve ser afastada, seja por inexistência de dolo, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e abusiva. Alega que agiu de boafé, pois submeteu todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Judiciário e do próprio Fisco. Afirma que “a realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo”. Diz que sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal e que em todas estas hipóteses deverá estar presente o dolo. Cita todos os requisitos que, no seu entendimento, são necessários para a configuração de sonegação fiscal, fraude e conluio. Frisa que o dolo não se presume, deve ser provado. Aduz que não existe fundamento legal para aplicação da multa isolada de 150%, já que o suporte normativo utilizado para fundamentar a decisão está sedimentado em meras instruções normativas. Assevera que no Sistema Tributário Brasileiro não há lugar para a imputação das chamadas infrações presumidas. Alega que a multa isolada de 150% viola o direito de petição, a garantia do devido processo legal, e os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Afirma que a multa isolada de 150% deve ser afastada ou no mínimo reduzida para 20%. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.414 11 Cita julgado do CARF (Acórdão nº 2401002.866) onde restou decidido que é "inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado”. Aduz que a multa isolada de 150% feriu o princípio constitucional do não confisco. Lembra que o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) preceitua que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Alega que “cabe à toda Administração Pública, ao decidir questões fiscais e recursos dos contribuintes, se pautar e orientar, de forma geral, pela jurisprudência emanada dos Tribunais, com o objetivo precípuo de evitar danos irreversíveis aos contribuintes e, no futuro, poupar o Erário do pagamento de altíssimos valores a título de ressarcimento e indenizações”. Assevera que a autoridade fiscal não deveria ter efetuado arrolamento de bens visto que o valor do crédito tributário exigido é inferior a 30% do seu patrimônio. Aduz que não há nos autos qualquer indício de que não teria condições de quitar os créditos tributários lançados e de que seu patrimônio não é suficiente para tanto. Requer que seja cancelado “todo e qualquer termo de arrolamento de bens formalizado ou tendente a ser expedido”. Afirma que o artigo 64 da Lei nº 9.532/1996, ao prever a figura do arrolamento de bens e direitos dos contribuintes, atentou contra a garantia do sigilo fiscal e o direito de propriedade (artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal). Diz que o arrolamento de bens representa também uma forma de coação ilegal para tentativa de satisfação forçada do crédito tributário. Alega que o arrolamento de bens causa enorme constrangimento moral e financeiro, já que, com o registro “do termo de arrolamento perante o cartório, órgão ou entidade competente e a menção na certidão de regularidade fiscal quanto à existência deste ônus, o contribuinte adquirirá, de forma antecipada, a pecha de inadimplente”. Assevera que “a imposição dirigida ao contribuinte acerca da obrigatoriedade da comunicação de todos e quaisquer atos de alienação, transferência ou oneração de bens à autoridade Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.415 12 administrativa, sob pena da propositura da medida cautelar fiscal, constituise em nítido constrangimento à realização de negócios com terceiros”. Diz que “não há como negar que tal arrolamento, mesmo que de forma indireta, constituise em verdadeiro ato de constrição do patrimônio do sujeito passivo, constrangimento este que, ainda que destinado à garantia de futura satisfação do crédito fiscal, não está a autoridade administrativa autoriza a pratica, na medida em que seus atos são desvestidos do atributo da autoexecutoriedade, sendo portanto, ato privativo da autoridade judicial”. Aduz que a previsão de registro do termo de arrolamento desrespeita o direito constitucional da privacidade. Afirma que o direito a privacidade está também protegido pelo artigo 198 do Código Tributário Nacional. Alega que o arrolamento de bens e direitos só tem lugar quando o crédito tributário estiver definitivamente constituído. Assevera que “enquanto não houver conclusão do processo administrativo que apura eventual ilícito tributário não se pode, de modo algum, atribuirse ao contribuinte a prática de algum crime fiscal”. Cita o teor da Súmula Vinculante nº 24 do STF e diz que a mesma se aplica a todos os crimes tributários, já que, havendo a mesma razão, deve ser aplicado o mesmo direito. Diz que a representação fiscal para fins penais, quando pendente recurso administrativo, sequer pode ser encaminhada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao Ministério Público Federal, conforme disposto no artigo 83, caput, da Lei nº 9.430/1996, e no artigo 3º da Portaria RFB nº 665/2008. Lembra que “mesmo futuramente constituído de forma definitiva o tributo, ainda se abrirá ao contribuinte a possibilidade de parcelamento ou pagamento integral, o que implica, respectivamente, suspensão da pretensão punitiva ou extinção da punibilidade (§§ 1º a 6º do citado artigo 83 da Lei nº 9.430/96”. Requer que a representação fiscal para fins penais seja mantida no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil até o esgotamento da via administrativa e do prazo para o contribuinte pagar e/ou parcelar o crédito eventualmente mantido. Requer, por fim, a anulação dos autos de infração hostilizados. Devidamente intimada dos lançamentos fiscais, a sociedade empresária Fortesul Manutenção e Serviços Ltda apresentou a impugnação de fls. 661 a 714, instruída com os documentos de fls. 715 a 724. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.416 13 Além de repetir todas as alegações e pedidos da Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), a sociedade empresária Fortesul Manutenção e Serviços Ltda assevera que deve ser anulada a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, visto que não teria se configurado grupo econômico. Alega, ainda, que o simples fato de existir grupo econômico de fato não tem o condão de fundamentar a imputação de responsabilidade solidária por crédito previdenciário. Devidamente intimada dos lançamentos fiscais, a sociedade empresária Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda apresentou a impugnação de fls. 727 a 780, instruída com os documentos de fls. 781 a 797. Além de repetir todas as alegações e pedidos da Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), a sociedade empresária Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda assevera que deve ser anulada a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, visto que não teria se configurado grupo econômico. Alega, ainda, que o simples fato de existir grupo econômico de fato não tem o condão de fundamentar a imputação de responsabilidade solidária por crédito previdenciário. Devidamente intimados dos lançamentos fiscais, a senhora Marly de França Eugênio e o senhor Odílio de França Filho deixaram transcorrer in albis o prazo para impugnação. Cumpre relatar, ainda, quanto à diligência fiscal comandada nos autos: Ao consultar o site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (www.trf1.jus.br), o então relator observou que, embora não tenha sido mencionado pela auditora fiscal autuante, na data em que foram lavrados os autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250 (18/08/2014), assim como até o momento da mencionada consulta, estava produzindo efeitos o acórdão prolatado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento do reexame necessário e das apelações apresentados contra a sentença proferida pela 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás no julgamento do Mandado de Segurança Individual nº 2009.35.00.0045739. Em tal acórdão, foi negado provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial e foi dado parcial provimento ao recurso da Autuada, para “reconhecer o direito de compensação, com débitos vencidos ou vincendos, sem a limitação imposta pelos arts. 170A, do CTN e 89, §3º, da Lei nº 8.212/91”, conforme demonstrado pela ementa do referido acórdão (disponível no site www.trf1.jus.br) reproduzida abaixo: Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.417 14 APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO NO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2009.35.00.0045739/GO Processo na Origem: 45191420094013500 RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL SOUZA PRUDENTE APELANTE: FORTESUL – SERVIÇOS ESPECIAIS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA ADVOGADO(S): NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES E OUTROS APELANTE: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: LUIZ FERNANDO JUCA FILHO APELADO(S): O(S) MESMO(S) REMETENTE: JUÍZO FEDERAL DA 1ª VARA GO EMENTA TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO PAGOS PELO EMPREGADOR QUE ANTECEDEM A CONCESSÃO DE AUXÍLIO DOENÇA E SOBRE O ABONO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS (1/3). VERBAS INDENIZATÓRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE. LIMITAÇÃO IMPOSTA PELO ART. 89, § 3º, DA LEI 8.212/91. IMPOSSIBILIDADE. DISPOSITIVO LEGAL REVOGADO. DÉBITOS VENCIDOS. INAPLICABILIDADE DO ART. 170A DO CTN. TAXA SELIC. PRELIMINARES DE DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO QUINQUENAL AFASTADAS. I Na espécie dos autos, não há que se falar em decadência, porquanto o ato coator expressa relação jurídica sucessiva e a impetração veicula pretensão declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, cujo caráter preventivo é reconhecido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça. II – “O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.418 15 no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.” (REsp nº 1.002.932/SP– recurso repetitivo). Em sendo assim, não merece reparos a sentença impugnada, que reconheceu a prescrição decenal, porquanto o presente mandamus foi ajuizado em 16/03/2009. III – Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado nos primeiros quinze dias de afastamento que antecedem a concessão do auxílio doença, seja por motivo de doença ou acidente e sobre o abono constitucional de férias (1/3), porquanto tais verbas se revestem de caráter indenizatório, não sendo consideradas contraprestação pelo serviço realizado. Precedentes do STF, STJ e desta Corte. IV – A remuneração de férias e salário maternidade possuem natureza salarial e, por isso, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes. V A compensação das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos empregados/segurados farse á com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, nos termos do disposto no art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007. VI – A compensação não deve se submeter à limitação imposta pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95, que alteraram o art. 89, § 3º, da Lei 8.212/91, porquanto houve a revogação do aludido dispositivo legal pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Precedentes da colenda Oitava Turma deste Tribunal. Nos termos do CTN e da remansosa jurisprudência de nossos Tribunais, a compensação poderá ocorrer com débitos vencidos ou vincendos. VII – Aplicase a taxa SELIC nos casos de repetição e compensação de tributos, nos termos da Lei 9.250/95, art. 39, § 4º, incidindo desde 1º de janeiro de 1996, que não pode ser cumulada com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. VIII Tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado do decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. Ademais, segundo a inteligência do art. 557, caput e respectivo §1º, do CPC, o relator negará seguimento a recurso manifestamente em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.419 16 ou de Tribunal Superior, ou ainda, estando a decisão recorrida em manifesta contrariedade à súmula ou à jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento, de pronto, ao recurso, pelo que se verifica, assim, a inaplicabilidade do art. 170A, do CTN, na espécie, diante da perfeita harmonia do acórdão desta 8ª Turma com o entendimento jurisprudencial consolidado nos colendos STF e STJ nesta matéria, a possibilitar a eficácia plena e imediata da garantia fundamental da razoável duração do processo (CF, art. 5º, LXXVIII e respectivo §1º) na materialização instrumental do processo justo. IX – Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União Federal e remessa oficial desprovidas. ACÓRDÃO Decide a Turma, à unanimidade, dar parcial provimento à apelação da impetrante e negar provimento ao apelo da União Federal (Fazenda Nacional) e à remessa oficial. Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – Em 16/09/2011. Desembargador Federal SOUZA PRUDENTE Relator Diante do exposto, restou evidente que a autoridade lançadora, ao lavrar os autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, não observou decisão judicial em vigor, já que, com base em entendimento diferente do adotado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento do reexame necessário e das apelações apresentadas no Mandado de Segurança Individual nº 2009.35.00.0045739/GO, considerou indevida, de pronto, a compensação de qualquer crédito relativo a competências anteriores a 02/2004. Observouse, dessa forma, que a fim de cumprir a decisão judicial em vigor no momento da lavratura dos autos de infração, se fazia necessária a análise da correção ou não dos valores que a Autuada afirma ter recolhido nas competências de 01/2000 a 01/2004 a título de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço). Ademais, verificouse que, caso fosse constatado que a Autuada realmente efetuou recolhimentos a estes títulos (contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3) referentes às competências de 01/2000 a 01/2004, se faria necessário, também, a especificação da parcela das glosas efetuadas no auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 que deveria ser cancelada por força da utilização de tais créditos na hipótese do STF e do STJ não reverterem o entendimento adotado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no sentido de Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.420 17 que a Autuada não estava submetida ao disposto no artigo 170A do CTN e de que, no presente caso, é aplicável o prazo decenal de prescrição para a repetição de indébito. Constatouse, também, que tal especificação se fazia necessária para que ficasse expressamente delimitada a parcela dos lançamentos efetuados no auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 que só poderia ser cobrada a partir da eventual concessão de efeito suspensivo ao recurso especial ou ao recurso extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão prolatado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento do reexame necessário e das apelações apresentadas no Mandado de Segurança Individual nº 2009.35.00.0045739/GO ou a partir da reforma deste acórdão no que tange a aplicação do artigo 170A do CTN e a definição do prazo de prescrição para compensação de recolhimentos indevidos. Além disso, verificouse que a especificação de tais valores se mostrava necessária para a apuração da parte da multa isolada de 150% aplicada no auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0250 que deveria ser declarada improcedente, visto que, em relação a eventuais créditos referentes às competências 01/2000 a 01/2004 relativos a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), não há que se falar em falsidade nas compensações declaradas em GFIP pela Autuada, já que, até a data da lavratura da referida autuação (DEBCAD nº 51.059.0250), ela (Autuada) era contemplada com decisão judicial que autorizava a não observância do artigo 170A do CTN e a aplicação do prazo de prescrição decenal para repetição de indébito. Diante das razões expendidas, e tendo em vista que não era possível somente com os elementos constantes nos autos apurar com certeza se a Autuada realmente detinha créditos referentes a competências anteriores a 02/2004 relativos a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), e que, consequentemente, não havia como apurar com certeza se parte das contribuições lançadas no auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 não podia, efetivamente, ser cobrada enquanto estivesse surtindo efeitos o acórdão prolatado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento do reexame necessário e das apelações apresentados no Mandado de Segurança Individual nº 2009.35.00.0045739/GO, bem como não havia como apurar se parte da multa isolada de 150% aplicada no auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0250 devia ser declarada improcedente de pronto, foi determinada a realização de diligência (fls. 808 a 813) para que a autoridade lançadora: I) verificasse se os Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.421 18 valores discriminados nas planilhas reproduzidas às fls. 186 a 214 a título de recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre os montantes pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os montantes pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), relativos às competências 01/2000 a 01/2004, realmente estavam corretos; e II) caso detectasse que a Autuada realmente possuía créditos referentes às competências 01/2000 a 01/2004 relativos a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), emitisse novos demonstrativos, nos moldes dos demonstrativos reproduzidos às fls. 553 a 572 (Demonstrativos das Compensações Efetuadas pelo Contribuinte), indicasse quais seriam os valores a serem glosados caso também fossem considerados como compensáveis tais créditos (créditos da Autuada referentes a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de um terço, relativos às competências 01/2000 e 01/2004). A autoridade fiscal, dando cumprimento ao pedido de diligência, emitiu o relatório fiscal complementar de fls. 816 a 823. No referido Relatório Complementar Fiscal, além do relato dos termos da diligência proposta pela 6ª Turma da DRJ/FNS, consta um apanhado do andamento processual e das decisões no âmbito do Mandado de SEgurança nº 2009.35.00.0045739 GO, ajuizado pela FORTESULSERVICOS ESPECIAIS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. Ainda, esclarece a autoridade lançadora, na oportunidade, que: (...) Novas planilhas demonstrativas foram elaboradas, em virtude de decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – DRJ/FNS, que julgou necessária a realização de diligência fiscal no processo COMPROT 10120.726649/201455. A fim de que o procedimento fiscal de diligência fosse instaurado e o processo citado periciado, foi providenciado Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal –TDPF nº 01.2.01.002015 003038, código de acesso 29076142. (...) Dessa forma, e em atenção a decisão em vigor, foram considerados os pagamentos efetuados 10 (dez) anos imediatamente anteriores ao ajuizamento da ação, impetrada em 16/03/2009, contados da seguinte forma: relativamente aos Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.422 19 pagamentos efetuados a partir da vigência da Lei Complementar 118/05 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova, sendo assim, aos pagamentos efetuados a partir de 10/06/2000. Os valores com créditos a título de recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias efetuados sobre o montante pago aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os montantes pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), foram extraídos das planilhas demonstrativas com memória de cálculo das compensações efetuadas, apresentadas pelo próprio contribuinte à época da auditoria fiscal, por ocasião de intimação em que foi oportunizado ao mesmo a possibilidade de justificar os valores com créditos utilizados em compensações realizadas pela empresa, sendo que tal documentação já se encontrava anteriormente anexada ao processo COMPROT 10120.726649/201455, às fls. 186 a 214. Os valores com os créditos considerados, foram novamente atualizados, com a aplicação de fator de correção, taxa SELIC acumulada mensalmente (índices previstos no § 4° do art. 89 da Lei n° 8.212/91, co m redação dada pela MP 449/2008), como encontrase discriminado por estabelecimento nas planilhas DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS PELO CONTRIBUINTE, refeitas nesta diligência fiscal. Informamos que, não houve créditos a serem considerados relativos aos estabelecimentos filiais CNPJ 02.576.238/000438 e CNPJ 02.576.238/000519, conforme memorial de cálculo apresentado pelo contribuinte, e que ainda houve valores a serem glosados como demonstrado em planilhas anexas. Também chamamos atenção para o fato de que houve levantamento de débito de contribuição previdenciária por parte da auditoria fiscal, somente a partir da competência 112009 até a competência 122011, período designado em Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.2.01.002013010630, e que portanto, as atuais alterações implementadas em planilhas demonstrativas dos créditos utilizados em compensações efetuadas pelo contribuinte, apenas impactaram quanto ao débito apurado nas competências 112009 e 122009, do estabelecimento CNPJ 02.576.238/000195. documentos a seguir relacionados: • Cópia de decisão emitida pela 5ª Turma da DRJ/FNS • Extrato de Consultas situação processual, site www.trf1.jus.br • Esclarecimentos prestados pela PGFN/GO • Consultas sistema informatizado RFB, contacorrente da Matriz e Filiais • PLAN01 a 05 – Planilhas Demonstrativas da Compensação realizada, com discriminação por estabelecimento dos valores compensados Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.423 20 corrigidos, e das glosas ocorridas, refeitas com créditos relacionados pela empresa e de acordo com a decisão do acórdão da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de 16/09/2011 • PLAN 06 – Planilha Demonstrativa da Multa Isolada Aplicada, revista. O sujeito passivo e os responsáveis solidários foram cientificados do Relatório Fiscal Complementar, conforme AR de fls. 880 a 886. O responsável solidário Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda., e os responsáveis pessoais Odilio de França Filho e Marly de França Eugênio apresentaram manifestações, acompanhadas de documentos de representação e cópias parciais do Mandado de Segurança nº 2009.35.00.0045739/GO, que se encontram anexadas, respectivamente, às fls. 891931 (mesma petição anexada às fls. 9961036 e 10391079), 934962 e 965993 Embora manifestandose em peças autônomas, os interessados, após o relato dos fatos, reproduziram as mesmas razões, em síntese: 1. Que o Relatório Fiscal Complementar não satisfaz à diligência, porque omitiuse com relação aos valores discriminados nas planilhas reproduzidas às fls. 186214, relativas às competências 01/2000 a 01/2004, e, ao final, emitiu novos demonstrativos de compensações em observância à prescrição decenal estabelecida pelo acórdão proferido pela 8ª Turma do TRF da 1ª REgião no processo nº 2009.35.00.004573 9. 2. Ressalta que as planilhas de fls. 186214, apesar de elaboradas exclusivamente pelo contribuinte, seguiram os termos da decisão judicial mencionada e jamais foram rechaçadas formalmente pela fiscalização tributária, além de nunca se ter demonstrado a ocorrência de inserção de dados falsos em GFIP e tampouco intenção de suprimir indevidamente valores devidos à titulo de tributos, o que afasta a exigência da multa de 150% contida no AI DEBCAD nº 51.059.0250. 3. Na conclusão, frisam que tem direito à compensação, com débitos vencidos ou vincendos, sem as limitações impostas pelos ats. 170A do Código Tributário Nacional e 89, parágrafo 3º, da Lei nº 8.212, conforme decisão proferida pela 8ª Turma do TRF1, quando do julgamento do recurso de apelação no Mandado de SEgurança de nº 2009.35.00.0045739; 4. Que o TRF1, na mencionada decisão, manteve o direito da impetrante de compensar os indébitos dos últimos 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação, e, em relação ao prazo prescricional, ficou assim definido: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.424 21 anterior, limitada, porém, ao máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. É o relatório.” A DRJ de Florianópolis entendeu pela parcial procedência da impugnação, mantendo o AI DEBACD n.º 51.059.0241, além de manter o valor de R$ 9.930.280,67 e exonerado o valor de R$ 80.823,45, a título de multa, nos termos das planilhas de fl.1281, as quais seguem abaixo colacionadas: Ainda, foi afastada a responsabilidade tributária imputada nos Termos de Sujeição Passiva Solidária no que diz respeito a: Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda (CNPJ 03.059.584/000169) e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda (CNPJ 12.796.829/000121). A contribuinte (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda.), inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário, às fls. 1348/1390, reiterando as alegações de impugnação, especialmente quanto a não incidência de contribuição patronal incidente sobre os valores pagos em situações que não há remuneração a título de salário maternidade, férias gozadas e décimo terceiro salário e ilegalidade de arrolamento de bens atrelados à dívida. Ademais, o referido recurso voluntário (de fls. 1348/1390) também é interposto por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio. A respeito do Recurso de Ofício, mencionase a fl. 1291 em que por meio de despacho de encaminhamento, informase que o sistema SIEF não permite informar Recurso de Ofício quando ocorre em função da exclusão da responsabilidade tributária de sujeito passivo solidário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator 1. Do Recurso de Ofício O recurso de ofício foi reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.425 22 Entenderam os julgadores da DRJ de origem por julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, MANTENDO EM PARTE o crédito tributário exigido, nos seguintes termos: a) julgar procedente o AI DEBCAD nº 51.059.0241; b) julgar parcialmente procedente a multa isolada exigida no AI DEBCAD nº 51.059.0250, mantendo o valor de R$ 9.930.280,67 e exonerando o valor de R$ 80.823,45, conforme planilha integrante do presente voto (padrão SIEF); c) afastar a responsabilidade Tributária imputada nos Termos de Sujeição Passiva Solidária às seguintes pessoas: Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda (CNPJ 03.059.584/000169) e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda (CNPJ 12.796.829/000121). (grifouse) Portanto, resta analisar se correta a exoneração do valor de R$ 80.823,45, bem como o afastamento da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda, 1.1 Exoneração do valor de R$ 80.823,45 (AI DEBCAD nº 51.059.0250) No caso dos autos, a DRJ de origem entendeu por parcialmente correta a aplicação da multa de ofício de 150%, devendo permanecer como exigível a multa sobre as contribuições previdenciárias glosadas, que não são objeto de discussão judicial. Compreendeuse que, com relação aos créditos objeto da discussão judicial, temse que na data da apresentação da GFIP, o procedimento do contribuinte estava em parte amparado por decisão judicial, que o autorizava a proceder a compensação do crédito em litígio antes do transito em julgado da sentença. Diante disso, em face do apontamento dos valores dos créditos do contribuinte que deveriam ter sido considerados na data do lançamento, porquanto estava amparado por decisão judicial, a DRJ entendeu por delimitar essa parcela, consolidada no levantamento CG Glosa de Compensação indevida, do auto de infração de DEBCAD nº 51.059.0241, nos termos que segue: Por tais razões, entendeu a DRJ por ser afastado do lançamento a parcela da multa de ofício relativa a tais compensações: Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.426 23 No entanto, diversamente ao exposto pela DRJ de origem, na data do envio das GFIP's acima (15/12/2009 e 05/01/2010), não havia decisão alguma nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.35.00.0045739 que permitisse que a contribuinte procedesse a compensação antes do trânsito em julgado. Portanto, inexistia decisão que afastasse o disposto no art. 170A do CTN. Salientase que somente o acórdão da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de 16/09/2011 é que assegurou o direito da contribuinte a compensação antes do trânsito em julgado. Vejamos o disposto à fl. 820/821 dos autos, em relatório de diligência complementar: "Ressaltamos uma vez mais, o teor do acórdão da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de 16/09/2011, que contemplava a autuada com decisão judicial que autorizava a não observância do artigo 170A do CTN, e a aplicação do prazo de prescrição decenal para repetição de indébito, era desconhecido da auditoria fiscal, sendo que, sequer a empresa, maior interessada, trouxe tal conhecimento aos autos, mesmo em momento de impugnação aos autos emitidos." (grifouse) Nada consta nos autos que a liminar, deferida em 20/03/2009, tenha assegurado tal direito. A sentença, datada de 10/03/2010, expressamente determinou a observância do artigo 170A do CTN. Diante disso, não há como afastar a multa isolada no valor de R$ 80.823,45 pelo argumento de que havia decisão judicial que permitisse a compensação antes do trânsito em julgado. No entanto, conforme se tratará mais adiante neste voto (item 2.6), a multa isolada não se mantém, razão pela qual não merece provimento o recurso de ofício neste tocante. 1.2 Da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda Conforme relatado, a autoridade fiscal entendeu que as sociedades empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda (CNPJ 03.059.584/000169) e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda (CNPJ 12.796.829/000121) integram grupo econômico a que também pertence a Autuada (Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda), e que por isso devem responder solidariamente pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 120/121 (AR reproduzido às fls. 122/123) e de fls. 133/134 (AR reproduzido às fls. 135/136). Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.427 24 A sociedade empresária Fortesul Manutenção e Serviços Ltda apresentou a impugnação de fls. 661 a 714, instruída com os documentos de fls. 715/724, onde alegou que deve ser anulada a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos lançados nos autos de infração de DEBCAD nº 51.059.0241 e nº 51.059.0250, visto que não teria se configurado grupo econômico. Discorre que nos AI não há qualquer referência a subordinação de uma empresa face à outra e sequer demonstrado vínculo entre as empresas. Salienta que a autuada presta serviços de vigilância e segurança e a impugnante serviços de manutenção. Que a localização das empresas não é a mesma, e que nada remete à coordenação entre as empresas. Alega, ainda, que o simples fato de existir grupo econômico de fato não tem o condão de fundamentar a imputação de responsabilidade solidária por crédito previdenciário. Discorre que para que outra pessoa seja incluída no pólo passivo da exigência fiscal, deve haver expressa previsão legal e desde que observados os limit‹ü estabelecidos pelo art. 128 do CTN. Nesse sentido, aponta: "Concluise, daí, que o Fisco, no ato de autuação, deve comprovar que as demais empresas do Grupo Econômico tenham colaborado para a consecução do fato gerador do tributo, não bastando como argumento ensejador da inclusão destas no polo passivo da exação a mera alegação de que estas fazem parte de um mesmo conglomerado societário". A sociedade empresária Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda apresentou a impugnação de fls. 727 a 780, instruída com os documentos de fls. 781 a 797, na qual apresenta os mesmos argumentos, acima expostos em síntese. Pois bem. Nos termos de Sujeição Passiva Solidária das pessoas jurídicas (fls. 120/121 Fortesul Serviços, Construção e Saneamento Ltda., fls. 133/134 Fortesul Manutenção e Serviços Ltda., fls. 146/147), consta a seguinte motivação para a atribuição da responsabilidade solidária: No exercido das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e no curso da ação fiscal iniciada em 16/12/2013, constatamos que ficaram evidenciadas relações jurídicas e comerciais, que configuram Grupo Econômico, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91 e do art. 124, inciso I do CTN, para as empresas relacionadas em Relatório de Vínculos. E que ainda, tornamse pessoalmente responsáveis, os representantes legais de pessoa jurídica de direito privado, na obrigação tributária resultante de infração de lei, de acordo com o art. 135 do CTN. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei n5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), e nos termos da seguinte legislação: 056 OBRIGAÇÕES DECORRENTES DA RESPONSABILIDADE SOLIDARIAGRUPO ECONÔMICO 056.04 Competências : 11/2009 a 13/2011 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, IX; Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 222 (com a redação dada pelo Decreto n. 4.032, de de 26.11.01). Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.428 25 Por sua vez, no Relatório Fiscal, a autoridade lançadora motivou a responsabilização nos seguintes termos: DOS CORESPONSÁVEIS Os coresponsáveis encontramse relacionados de acordo com período de atuação no Relatório de Vínculos. A empresa sob auditoria fiscal, FORTESUL SERVIÇOS ESPECIAIS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA, consta como coresponsável das empresas: FORTESUL – SERVIÇOS CONSTRUÇÕES E SANEAMENTO LTDA – CNPJ 03.059.584/000169 e FORTESUL MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 12.796.829/000121, no cadastro da SRFB. Além das participações societárias e denominação social, as participações de uma ou outra na administração de cada empresa citada, evidenciam relações jurídicas e comerciais entre si, como foi relatado pela auditoria realizada na empresa FORTESUL – SERVIÇOS CONSTRUÇÕES E SANEAMENTO LTDA– CNPJ 03.059.584/000169, MPF 01.2.01.002014 001066, em que a auditoria constatou coincidência de sócios e administradores, empresas sediadas em um mesmo endereço/quadra e com vinculação gerencial, o que constitui grupo econômico, nos termos do inciso IX do Art. 30 da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pelo artigo 2º, § 4º da Lei nº 9.719/98) e, portanto, solidárias no cumprimento das obrigações sociais, nos termos da legislação supramencionada e do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional.. Conforme relatado, as pessoas jurídicas Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda (CNPJ 03.059.584/000169) e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda (CNPJ 12.796.829/000121), requereram o afastamento da responsabilidade solidária, alegando que esta não restou caracterizada. No que se refere à solidariedade, o CTN prevê duas hipóteses de solidariedade tributária, estando dispostas no artigo 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Neste dispositivo podem ser vislumbrados dois tipos de responsabilidade solidária: a de fato, capitulada no art. 124, inciso I, do CTN, quando há interesse comum, e a de direito, disposta no art. 124, inciso II, do CTN, que não exige a presença do interesse comum, decorrente de lei específica. No caso em tela, a solidariedade foi atribuída por força dos incisos I e II do art. 124 do CTN. Ou seja, decorre do suposto interesse comum das empresas envolvidas e da aplicação de solidariedade prevista em lei específica. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.429 26 No que tange à responsabilidade decorrente da Lei (art. 124, inciso II), está fundamentada no artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, o qual dispõe que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pela obrigações tributárias, conforme reproduzido abaixo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Assim, diante da expressa previsão legal (artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91) de que empresas que integrem o mesmo grupo econômico devem responder solidariamente pelo recolhimento das contribuições, entendo que merece provimento o recurso de ofício neste tocante, de modo a restabelecer a responsabilidade das pessoas jurídicas empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda. e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda. 2. Dos Recursos Voluntários 2.1 Conhecimento. Quanto aos recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio, entendo que, por terem deixado transcorrer in albis o prazo para impugnação, descabe a apresentação de recurso por parte deles, seja quanto a infração em si, seja quanto a sua responsabilidade solidária. Ocorre que é com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Diante da inexistência de impugnação, não há como conhecer os recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio. Deste modo, não conheço dos recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio. Quanto ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte (Fortesul Serviços Especiais e Vigilância e Segurança Ltda.), verificase que este foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 2.2 Da preliminar de responsabilidade tributária dos sócios. Diante do não conhecimento dos recursos voluntários apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio, deixase de se analisar esta preliminar, haja vista que a contribuinte (Fortesul Serviços Especiais e Vigilância e Segurança Ltda.) pleitear direito alheio. 2.3 Glosa de compensação indevida Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.430 27 Consoante informações do Relatório Fiscal de fls. 44 e do Relatório Fiscal Complementar, o AI DEBCAD nº 51.059.0241 referese à contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, destinadas à Seguridade Social (incisos I, II e III do artigo 22 da Lei 8.212/91), que foram indevidamente compensadas pelo contribuinte. Explicitou a autoridade autuante no Relatório Fiscal, que para fins de lançamento foi mantida apenas a parcela das compensações que se refere a recolhimentos de contribuições sociais previdenciárias relativos às competências 02/2004 a 12/2011 efetuados sobre valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado e sobre valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço). Tais créditos, segundo a autoridade lançadora, foram glosados em outro auto de infração (DEBCAD nº 51.059.0233 – Processo 10120.726648/201419), que deve ficar “sobrestado” até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança Individual nº 2009.35.00.0045739 – 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Goiás, visto que em tal processo judicial foi prolatada sentença que declarou a inexigibilidade das contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados nos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou de acidente e sobre os valores pagos a título de adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço), bem como declarou, ressalvando a restrição imposta pelo artigo 170A do CTN, o direito da Autuada compensar as contribuições sociais previdenciárias recolhidas indevidamente sobre tais verbas nos últimos 10 (dez) anos. A fim de apurar os valores compensáveis (lançados para prevenir a decadência no AI DEBCAD nº 51.059.0233), a auditora fiscal autuante explicitou que, embora a sentença judicial tenha determinado que todos os recolhimentos feitos nos últimos 10 (dez) anos “a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos seus empregados nos 15 primeiros dias de ausência ao trabalho por motivo de doença ou de acidente, bem como a título de adicional de um terço de férias”, poderiam ser compensados, aplicou o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário 566.621/RS (sessão plenária realizada em 04 de agosto de 2011), no sentido de que o prazo prescricional de 5 (cinco) anos definido na Lei Complementar nº 118/2005 deve incidir sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (09/06/2005), ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Entendeu, assim, que como a ação do contribuinte foi ajuizada em 16/03/2009, data posterior à vigência da LC n° 118/2005, os recolhimentos indevidos efetuados antes de 16/03/2004 estão prescritos, em observância aos julgados do STF, nos quais fixou o entendimento de que para as ações ajuizadas a partir de 09.06.2005, o prazo prescricional será sempre de 05 (cinco) anos, a contar do pagamento indevido, independentemente de o pagamento ter sido anterior ou posterior ao início de vigência da Lei Complementar 118/2005. Assim, no AI DEBCAD nº 51.059.0241, no levantamento GC Glosa de Compensação Indevida, temos duas situações: a) créditos compensados sem decisão judicial que amparasse o direito do contribuinte (férias, salário maternidade e décimo terceiro salário); b) créditos relativos aos 15 primeiros dias do salário doença/acidente e 1/3 de férias, que já se encontravam prescritos. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.431 28 Já no o AI DEBCAD nº 51.059.0250 é exigida a multa isolada pela compensação com falsidade, uma vez que a autoridade lançadora entendeu, quando da autuação, que a Autuada Fortesul procedeu a compensação indevida dos referidos valores. Pois bem. Ocorre que o contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não foi definitivamente julgado pela Justiça, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) Observase que na época da realização das compensações o referido processo ainda não havia sido definitivamente julgado. Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, temse que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. Portanto, em conformidade com o dispositivo citado, e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Em relação a parcela das compensações que foi glosada e não são objeto de ação judicial (salário maternidade, férias e décimo terceiro salário), entendo que a contribuinte não comprovou a existência de créditos compensáveis, porquanto se limitou a aduzir que se referem a recolhimentos efetuados sobre verbas que, por força da legislação previdenciária, devem sofrer a incidência das contribuições sociais previdenciárias e para as quais a contribuinte não apresentou nenhuma decisão judicial que declare a não incidência destas contribuições. 2.4 Ação Judicial. Renúncia à via administrativa. Conforme já relatado, a contribuinte está discutindo judicialmente a incidência de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, nos autos do 2009.35.00.0045739. Apresenta a contribuinte a mesma argumentação para afastar o lançamento realizado. No entanto, a Súmula nº 01 deste Conselho assim dispõe: Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.432 29 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não conheço das alegações quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas em questão, diante da renúncia à instância administrativa. 2.5 Alegações de inconstitucionalidade. Em relação a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de apreciála, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". 2.6 Multa por compensação indevida. Entendo por afastar a multa isolada, aplicada em percentual de 150%, consoante restou decidido nos autos do processo administrativo fiscal nº 10530.721159/2014 31, julgado na sessão de 06.03.2018, acórdão nº 2202004.329, onde passei a adotar tal entendimento, por compreender que fazse necessária um adicional doloso para aplicação da referida multa, pois necessária a caracterização clara de falsidade Segue abaixo trecho do voto a ilustre Conselheira Relatora, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que bem tratou da matéria: "3)MULTA ISOLADA DE 150% REQUISITOS O Recorrente opõese também à incidência da multa isolada, de que trata o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, alegando, em síntese, que não estaria caracterizada a sonegação ou a máfé. Nesse ponto, entendo corretas as alegações do contribuinte. Isso porque o erro quanto a matéria jurídica (natureza indenizatória ou não das verbas e prescrição dos créditos) não se confunde com a fraude elemento essencial do tipo penal. Nesse sentido, valiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus nº 72.5848: CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ICMS ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS CREDITAMENTO FRAUDE. A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença de alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que se presume o consentimento viciado e objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito. Esclarecedor o seguinte trecho do voto do Ministro Relator Marco Aurélio: "conforme salientado pelo Juízo, ao proferir sentença absolutória, passouse ao fisco a informação de que o creditamento resultava da diferença de alíquota, isso mediante lançamento claro e preciso, nas respectivas guias. Como, então, falar em Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.433 30 fraude? O que houve foi impropriedade da interpretação conferida à legislação tributária, e isso pode acontecer, sem configuração de crime, na vida de qualquer contribuinte e, também, no atuar da própria Fazenda, o que, aliás, é repetitivo. A "informação falsa" que justifica a imputação da penalidade qualificada de 150% está relacionada a ocultação de fato e não questionamento sobre o seu significado jurídico. Essa distinção fundamental fica mais clara com os exemplos fornecidos por HUGO DE BRITO MACHADO em sua obra "Estudos de Direito Penal Tributário". Vejamos: Primeiro exemplo: dizer que ocorreu ou não ocorreu, um acréscimo patrimonial, em determinada empresa, é uma questão de fato. Dizer que esse acréscimo patrimonial está, ou que não está, determinado de acordo com a legislação tributária é uma questão de direito, como é também uma questão de direito saber se o dito acréscimo patrimonial é, ou não é, tributável pelo imposto de renda. Segundo exemplo: dizer que determinado produto industrializado tem determinadas características materiais, ou que não as tem, é uma questão de fato. Dizer que o mesmo produto está classificado nesta ou naquela posição da Tabela de Incidências do IPI é uma questão de direito. (...) Muitos outros exemplos podem ser citados. Importante, porém, é perceber que, nas questões de fato, a divergência não se estabelece a respeito do significado jurídico dos fatos, mas sobre os próprios fatos, nos aspectos perceptíveis independentemente de conhecimento jurídico. Dessa forma, para que se pudesse falar em "informação falsa" seria necessário demonstrar, por exemplo, que o Recorrente alegou o recolhimento de salário maternidade quando não possuía qualquer empregada. Inteiramente distinto é entender que o valor recolhido à título de salário maternidade não integra o salário de contribuição e, por isso, foi um recolhimento indevido." Portanto, entendo por afastar multa isolada, aplicada em percentual de 150%. 2.6 Do pedido de diligência. A solicitação para produção de provas e de diligências não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, salientase aqui, a inversão do ônus da prova pretendida pela contribuinte. Deste modo, rejeito o pedido de diligência suscitado pela contribuinte. 2.7 Do arrolamento de bens. Quanto ao Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, observamos que o mesmo se faz necessário em cumprimento ao artigo 64 e 64A da Lei nº 9.532/1997, com a alteração contida no Decreto nº 7.573/2011, e IN RFB nº 1.171/2011 e se destina apenas ao Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.434 31 acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo não servindo como forma de garantia de execução do crédito tributário ora impugnado. Ademais, cabe dizer que este órgão julgador é incompetente para apreciar o inconformismo externado pelo sujeito passivo. Neste sentido, citase a Súmula CARF nº 109, que assim dispõe: Súmula CARF nº 109 O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens. Improcedente o pedido da recorrente, portanto. 2.8 Da Representação Fiscal para Fins Penais. A Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP) constituise em instrumento próprio, pelo qual o auditorfiscal, em suas atribuições internas e externas, comunica ao Ministério Público a ocorrência, em tese, de ilícito penal (crime ou contravenção penal) para que seja instaurada a respectiva ação penal objetivando a apuração do ilícito. Nesse sentido, preceitua a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Improcedente o pedido da recorrente, portanto. 3. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial somente para restabelecer a responsabilidade das pessoas jurídicas empresárias Fortesul Serviços, Construções e Saneamento Ltda. e Fortesul Manutenção e Serviços Ltda. Quanto aos recursos voluntários, voto por não conhecer dos recursos apresentados por Odílio de França Filho e Marly de França Eugênio e, em relação ao recurso voluntário da Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda., dar provimento parcial para afastar a multa isolada, aplicada no percentual de 150% (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Redator designado Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.435 32 Solicito a devida vênia ao I. Relator, para discordar de seu voto na parte em que não foi acolhido o recurso de ofício, bem como foi dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela empresa Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda para afastar a multa isolada, aplicada no percentual de 150%. Decidiu o Relator, por afastar a multa isolada, aplicada no percentual de 150%, adotando o seguinte entendimento: "entendo por afastar a multa isolada, aplicada em percentual de 150%, consoante restou decidido nos autos do processo administrativo fiscal nº 10530.721159/201431, julgado na sessão de 06.03.2018, acórdão nº 2202004.329, onde passei a adotar tal entendimento, por compreender que fazse necessária um adicional doloso para aplicação da referida multa, pois necessária a caracterização clara de falsidade." Todavia, não penso da mesma forma no tocante ao afastamento da referida multa, pois, como pode ser observado no Relatório Fiscal (fls. 44/61) do Auto de infração, ora análise, o lançamento da multa isolada foi efetuado no percentual de 150% incidente sobre os valores indevidamente compensados, decorrentes do recolhimento de contribuições sobre parcelas cuja integração ao salário de contribuição ainda estava sendo discutida judicialmente pela Recorrente bem como sobre valores referentes a parcelas que não estavam sob proteção judicial: Restou comprovado portanto, que o sujeito passivo, ao arrepio da lei e sem sequer observar o que fora concedido em decisão de primeira instância, compensou indevidamente os valores demonstrados nas planilhas anexas, utilizandose de valores não definitivamente julgados, além de valores sem qualquer autorização judicial para tanto e utilizandose ainda de créditos atingidos pela prescrição.(fl. 50) Neste caso, para efeito de aplicação da multa isolada no percentual de 150%, exigese a comprovação de dois requisitos cumulativos: a) compensação indevida e b) falsidade de declaração, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 45/50), observase que os requisitos necessários para aplicação da referida multa foram demonstrados pela Autoridade Fiscal: a) o primeiro requisito, compensação indevida, foi demonstrado nos seguintes termos: O sujeito passivo, ao fazer inserir em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal do mesmo. (fl. 51). b) o segundo requisito, presença do elemento falsidade de declaração, a Fiscalização assim demonstrou: Pelo exposto, a postura do autuado amoldase perfeitamente a situação prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (D.O.U. de 30 de novembro de 1964). Com efeito, ali se diz: Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.436 33 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A todas as luzes, portanto, o Contribuinte prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira, e por consequência, falsa. (fl. 51). Embora, como pode ser observado no Relatório Fiscal, tanto a compensação indevida quanto a falsidade de declaração já foram bem delineadas pela Fiscalização, cabe observar ainda que, no tocante a falsidade de declaração, percebese que houve a intenção do sujeito passivo em alcançar o resultado pretendido, pois inseriu na GFIP informação relativa a um crédito que sabia (naquele momento em que se deu a inserção) não ser passível de compensação. Do mesmo modo, cabe registrar que o procedimento de compensação realizado pela Recorrente, além de ofender a norma geral prevista no art. 170A do CTN, contrariou frontalmente a norma individual e concreta contida na decisão judicial, na qual o juiz concedeu parcialmente a segurança pleiteada pela empresa (fl. 239), em que reconheceu o direito da impetrante em compensar os valores recolhidos indevidamente, mas restringiu que tal compensação somente poderia ser efetivada após o trânsito em julgado, conforme demonstrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de Goiás (fls. 830): A sentença concedeu parcialmente a segurança, para 1) declarar a inexigibilidade contribuição social incidente sobre os valores pagos aos empregados pela impetrante, nos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados por motivo de doença ou acidente, bem como a título de adicional de um terço de férias; 2) declarou o direito da parte impetrante de compensar os valores recolhidos indevidamente nos últimos 10 (dez) anos a tal título, somente dos valores que tenha a parte recolhido como contribuinte de falo, ou seja, sem o desconto posterior da remuneração de seus empregados, nos termos dos arts. 20 e 30, I, a, da Lei 8.212/1991, respeitada a restrição imposta pelo artigo 170A do CTN, de forma que a compensação deferida só poderá ocorrer após o trânsito em julgado da sentença, bem como a compensação das parcelas recolhidos a título dos tributos previstos no art. 2° da Lei 11.457/2007 não pode ser dar com outros tributos de natureza não providenciaria, conforme fundamentação da sentença. Ora, se os valores dos quais a empresa se julgava credora ainda estavam sendo discutidos em juízo, o crédito por ela informado em GFIP não se revestia do atributo certeza. Assim, sabendose que o crédito para ser compensado deve estar revestido dos atributos de liquidez e certeza, foi possível verificar que a falsidade ocorreu quando a contribuinte inseriu em GFIP informação relativa a um crédito que sabia ser inexistente, ilíquido ou incerto, naquele momento. Porquanto haja ações judiciais em curso nos tribunais superiores questionando a incidência de contribuições sobre as referidas parcelas, no atual entendimento Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.437 34 da Receita Federal do Brasil RFB, a única decisão que a vincula, posto que não há mais possibilidade de modificação, é aquela referente ao Aviso Prévio Indenizado, nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 249, de 23 de maio de 2017: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. JURISPRUDÊNCIA VINCULANTE. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.230.957/RS, no âmbito da sistemática do art. 543 C do Código de Processo Civil (CPC), afastou a incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado. Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 485, de 2016, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. A jurisprudência vinculante não alcança o reflexo do aviso prévio indenizado no 13º salário (gratificação natalina), por possuir natureza remuneratória, conforme precedentes do próprio STJ. No caso das parcelas as quais supostamente teria se originado o crédito utilizado pela Recorrente (o adicional de 1/3 de férias e a remuneração correspondente aos quinze primeiros dias de afastamento) a discussão judicial ainda não está concluída, posto que ainda se encontram pendentes de decisão, recursos extraordinários, nos quais o STF pode decidir em sentido diverso do STJ, reconhecendo a natureza remuneratória destas parcelas. E no caso das demais parcelas a título de saláriomaternidade e férias notase que não foram contempladas pela decisão judicial em foco. Neste sentido, cabe registrar que o Superior Tribunal de Justiça informa na sua página na internet que as questões decididas no RESP 1.230.957/RS encontramse sobrestadas, aguardando a decisão do STF a respeito do tema de repercussão geral nº 1631. À vista disso, resta claro que, apesar de as decisões judiciais pudessem provocar dúvidas quanto à incidência de contribuições sobre as parcelas acima mencionadas, elas ainda não conferem à contribuinte o direito de se julgar credora de eventuais recolhimentos de contribuições previdenciárias sobre tais parcelas. Assim, percebese que o crédito utilizado pela contribuinte não se revestia dos atributos de certeza e muito menos de liquidez no momento em que se deu a compensação. Embora havia indicativos de que, no futuro, as decisões dos tribunais poderiam ser favoráveis ao pleito da contribuinte, porém isto não a autorizava, de imediato, efetuar a compensação dos referidos créditos. 1 http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp 2. Houve necessidade de desmembramento do tema 478 por conter três temas autônomos (ns. 478, 737 e 738). REsp 1.230.957/RS sobrestado pelo Tema 163/STF (decisão da VicePresidência do STJ de 25/07/2014). Tema 163/STF Contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.438 35 Do mesmo modo, aponta ainda favoravelmente ao entendimento de que a Recorrente tinha consciência da ausência de liquidez e certeza do crédito de que se julgava possuidora, a existência da norma do CTN (art. 170A), que expressamente veda a compensação de tributos discutidos judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão, bem como a advertência em idêntico sentido efetuada no curso da ação judicial, como bem informada pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de Goiás (fl. 830). Por fim, devese ressaltar que os créditos utilizados na compensação não foram somente os decorrentes da sentença que concedeu parcialmente a segurança, para declarar a inexigibilidade contribuição social incidente sobre os valores pagos aos empregados pela impetrante, referente aos primeiros quinze dias de afastamento de seus empregados por motivo de doença ou acidente, bem como a título de adicional de um terço de férias. Notase que também foram consideradas como crédito as contribuições incidentes sobre as parcelas que não foram reconhecidas pela decisão de primeira instância (como o saláriomaternidade e férias), conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 45/50). Tudo isso demonstra que a empresa sabia ser o crédito por ela utilizado imprestável para a compensação, nos termos dos art. 170 e 170A do CTN, ou seja, os elementos objetivos da realidade apontam a vontade livre e consciente de se compensar valores dos quais não era credora, ou, no mínimo, não era credora ainda, posto que a decisão ainda não transitou em julgado. Ainda que a contribuinte entendesse que as parcelas não integram o salário de contribuição, resta patente a falsidade no momento que foi declarando em GFIP a existência de um crédito compensável, quando havia elementos comprobatórios fortes em sentido contrário. Pois além da importância do mérito a respeito da incidência ou não de contribuições sobre as parcelas em questão, é a consciência de que a discussão judicial ainda não havia se encerrado. Neste diapasão, convém registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF possui precedentes nos quais afirma a aplicabilidade da multa isolada de 150% nas hipóteses de compensação antes do trânsito em julgado, de tributos discutidos judicialmente, conforme o Acórdão nº 9202004.637 proferido pela 2ª Turma, em 25 de novembro de 2016. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/06/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a multa isolada de 150%, quando se constata falsidade por parte do Contribuinte, o que se caracteriza pela inclusão, na declaração, de créditos que o Contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja por não haverem integrado a base de cálculo das contribuições, seja pela compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais. No mesmo sentido, cabe citar também o Acórdão nº 2201003.597, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF, em 09 de maio de 2017, que manteve a multa isolada de 150% nas hipóteses de compensação antes do trânsito em julgado de tributos discutidos judicialmente. Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10120.726649/201455 Acórdão n.º 2202005.089 S2C2T2 Fl. 1.439 36 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2012 a 30/06/2014 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. O fato de o contribuinte ter sido autuado, anteriormente, pela realização de compensação, antes do trânsito em julgado de decisão judicial, evidencia que havia conhecimento sobre a impossibilidade de compensação, naquele momento, diante do óbice estabelecido pelo art. 170A do CTN. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, entendo como correta a aplicação da multa isolada de 150% sobre os valores relativos à compensação indevida. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário da Fortesul Serviços Especiais de Vigilância e Segurança Ltda. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Redator designado Fl. 1439DF CARF MF
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