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Numero do processo: 13896.908447/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. INDEFERIMENTO PELA UNIDADE DE ORIGEM POR RESTRIÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RESTRIÇÃO AFASTADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. NECESSIDADE DE RETORNO DO PROCESSO PARA APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ, CERTEZA E DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PLEITEADO PELA UNIDADE DE ORIGEM
Após afastar o óbice quanto a possibilidade de utilização do indébito de estimativa, a DRJ deveria devolver o processo à unidade de origem para fins de análise da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, dando oportunidade à interessada para apresentação de documentos e provas que fosse julgado necessário para comprovação do direito creditório pleiteado. Esse encaminhamento é necessário porque a competência original para apreciação da declaração de compensação é da unidade de origem, o que não foi realizado no presente caso, face à restrição imposta por norma infralegal derrogada.
Numero da decisão: 1201-005.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.068, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.907312/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. INDEFERIMENTO PELA UNIDADE DE ORIGEM POR RESTRIÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RESTRIÇÃO AFASTADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. NECESSIDADE DE RETORNO DO PROCESSO PARA APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ, CERTEZA E DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PLEITEADO PELA UNIDADE DE ORIGEM Após afastar o óbice quanto a possibilidade de utilização do indébito de estimativa, a DRJ deveria devolver o processo à unidade de origem para fins de análise da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, dando oportunidade à interessada para apresentação de documentos e provas que fosse julgado necessário para comprovação do direito creditório pleiteado. Esse encaminhamento é necessário porque a competência original para apreciação da declaração de compensação é da unidade de origem, o que não foi realizado no presente caso, face à restrição imposta por norma infralegal derrogada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201- 005.068, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.907312/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 84 47 /2 00 9- 80 Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, cujo crédito é relativo a pagamento indevido ou maior de CSLL, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução de IRPJ ou da CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL nos termos do art. 10 da Instrução Normativa RFB n° 900 de 2008. O relatório do acórdão recorrido resumiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. A Tuma julgadora a quo afastou a restrição para utilização de indébito relativo a pagamento indevido ou maior de IRPJ ou CSLL, mas julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que o contribuinte havia confessado débito de estimativa de CSLL no valor de R$ (...) e depois retificou a DCTF, zerando-a. Por não ter apresentado comprovação de que a base de cálculo de CSLL de estimativa do mês de maio de 2005 teria sido igual a zero, a DRJ entendeu que a Contribuinte não teria logrado demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificada do acórdão, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo nulidade porque a DRJ teria inovado nos fundamentos para a não homologação da compensação ao adotar outro fundamento para a decisão ao arguir que a Recorrente não teria comprovado a existência do indébito. A Recorrente também alegou nulidade da decisão de primeira instância por entender que a Turma julgadora não teria enfrentado todos os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade quanto à questão relativa à impossibilidade de exigência de multa e juros, caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação, conforme argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade. Quanto ao mérito, alegou a Recorrente que as informações que constam na DIPJ confirmariam que o recolhimento da estimativa mensal de CSLL fora indevida e que o valor recolhido não foi utilizado para composição do saldo negativo no final do período de apuração. Acrescentou que se a Turma julgadora a quo entendesse que os valores de estimativa mensais de CSLL informados na DIPJ não correspondiam à realidade, deveria ter requerido a realização de diligência para atestar tal fato. Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Para comprovação do alegado a Recorrente juntou memória de cálculo da apuração da CSLL do mês de maio, o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (doc. “Livros_1” anexo) e o balancete de verificação que lhe suporta (doc. “Livros_2”, anexo), para fins de comprovação do montante devido informado na DIPJ. Ressalvou a Recorrente que apesar de haver divergência entre os valores das bases negativas de CSLL informadas na DIPJ, no LALUR e na memória de cálculo da CSLL, todas teriam indicado que o valor do indébito restaria caracterizado e comprovado, sendo o correto o valor apurado na memória de cálculo. Requereu ao final que os documentos juntados em sede de recurso sejam admitidos e caso se entenda insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado, que seja o julgamento convertido em diligência. Elencou quesitos. Ao final, em caso de indeferimento dos seus pedidos e não reconhecimento do direito creditório pleiteado, que não incidisse multa e juros em relação ao débito objeto da compensação. Julgado o processo, a turma julgadora decidiu, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do v. acórdão, por ter deixado de apreciar a questão da exigência de multa e juros caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação. Foi então determinado o retorno do processo à DRJ para que fosse prolatada decisão complementar relativa à questão da exigência de multa e juros nos termos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em atendimento ao determinado, a 4ª Turma da DRJ/BHE prolatou o acórdão no qual manteve a cobrança de multa e juros sobre as compensação de estimativas não homologadas por constatar que a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento dos débitos tributários que pretendia ver extintos e o único argumento da Contribuinte para afastar a imposição da multa e dos juros pelo atraso foi que incorporou a empresa Du Pont Performance Coatings S.A e que quitou os débitos de IRRF e CSLL após a data do evento especial de incorporação ocorrido em 31 de outubro de 2005. Confira-se excerto da decisão: [...] Como visto, a interessada transmitiu a DCOMP em questão em data posterior à do vencimento dos débitos tributários que pretendia ver extintos. Portanto, é flagrante a mora em que ela incorreu e que determinou a cobrança da multa e dos juros ora contestados, mora esta que a interessada não nega. Em lugar disso, limita-se a assinalar haver incorporado “a sociedade DU PONT PERFORMANCE COATINGS S.A. ("INCORPORADA"), sucedendo-lhe em todos os direitos e obrigações”(grifo acrescido). E, efetivamente, assim ocorre, em face do artigo 132 do CTN, na condição de sucessora da incorporada Du Pont Performance Coatings S.A., segundo o qual ela deve responder por todos os tributos devidos por esta última – o que inclui, por óbvio, os consectários de multa e juros de mora, diante da máxima de que o acessório segue o principal, verdade tão auto evidente em direito quanto a assertiva euclidiana de que “entes iguais a um mesmo ente são iguais entre si”. Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Entretanto, aparentemente, a interessada alega não ser responsável pelos ônus decorrentes da mora em que incidiu a incorporada; esta é a única interpretação possível que se pode dar à alegação de haver quitado “por meio da DCOMP não homologada débitos de IRRF e CSLL após a data do evento especial de incorporação ocorrido em 31 de outubro de 2005”. Ora, este fragílimo argumento se esfacela ao chocar-se contra o artigo 132 do CTN; efetivamente, não há como assumir os débitos em mora da incorporada sem assumir o ônus de arcar com o pagamento da multa e dos juros que tal mora implica. Por outra face, a afirmação de que “débitos de IRPJ e CSLL” haveriam sido quitados pela via da transmissão de “DCOMP não homologada” não é apenas uma flagrante contradição em termos: constitui um verdadeiro absurdo, uma vez que, neste caso, não se implementou a condição que levaria à extinção de tais débitos, a teor do § 2º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Note-se, por oportuno, que a confissão de débito realizada a teor do § 6º do mencionado artigo 74 não implica o benefício do artigo 138 do CTN, quer em face da inafastável exigência de juros de mora, quer diante da constatação de que os tributos confessos não se encontram extintos por pagamento, como exige o dispositivo do códex. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou complemento ao Recurso Voluntário onde reproduz os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, reafirmando que apresentou a declaração de compensação tempestivamente, e tendo a compensação natureza de pagamento (ainda que indireto), não haveria que se falar em exigência de multa de mora, insistindo que tratar-se-ia, na espécie, de denúncia espontânea. Requer ao final o provimento do recurso com o reconhecimento da questão de mérito apontada no Recurso Voluntário inicialmente apresentado. Caso se entenda que as provas juntadas aos autos sejam consideradas insuficientes para comprovação do direito creditório alegado, ou ainda que não sejam admitidas as provas juntadas no recurso voluntário, que seja determinada diligência com o objetivo de: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; d) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. f) em caso de discordância, se abra prazo para manifestação da Recorrente, antes do julgamento de segunda instância. É o Relatório. Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade portanto dele conheço e passo a apreciá-lo. Há que se esclarecer, de início, que não obstante o recurso voluntário ter sido apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em 27 de julho de 2017, aquela turma julgadora não apreciou o mérito, senão apenas a questão de nulidade do acórdão da DRJ por esta ter deixado de apreciar os argumentos da Recorrente contra a exigência de multa e juros decorrentes da não homologação das compensações. Naquela oportunidade, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara decidiu apenas determinar o retorno do processo à DRJ para que esta apreciasse os argumentos da Recorrente contra a imposição da multa e prolatasse um acórdão complementar. Dessa forma passo a analisar o mérito. A Recorrente encaminhou DCOMP cujo crédito é relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL do PA 31/05/2005, no valor de R$ 1.330.821,00 apurado pela sua sucedida Du Pont Performance Coatings S.A (CNPJ 00.910.496/0001-30), incorporada em 31/10/2005. A compensação não foi homologada pela autoridade administrativa porque o crédito pleiteado é relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL e o indébito somente poderia ser utilizado para dedução da CSLL ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo do período nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 de 2005, o que levou a ora Recorrente a iniciar o presente contencioso administrativo fiscal. A DRJ afastou a restrição de utilização de indébito de estimativa no mesmo exercício do fato gerador, imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600 que impediu a homologação, pelo fato da Solução de Consulta Interna COSIT nº 19, de 5 de dezembro de 2011 ter afastado a restrição. Apesar de ter afastado o óbice quanto à possibilidade de utilização do suposto indébito de estimativa, a DRJ analisou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade e concluiu que não haveria comprovação por parte da Recorrente de que a base de cálculo de CSLL por estimativa em maio de 2005 teria sido igual a zero. Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Entendo que ao afastar o óbice quanto a possibilidade de utilização do suposto indébito de estimativa, a DRJ deveria devolver o processo à unidade de origem para fins de análise da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, dando oportunidade à Recorrente de apresentar os documentos e provas que fossem julgados necessário para comprovação do direito creditório pleiteado. Esse encaminhamento é necessário porque a competência original para apreciação da declaração de compensação é da unidade de origem, o que não foi realizado no presente caso, face à restrição imposta por norma infralegal derrogada 1 . Ao não devolver o processo para análise pela unidade de origem, impossibilitando sua apreciação, ensejaria a nulidade da decisão de primeira instância. Por tratar-se de compensação, há obrigatoriedade da análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado nos termos do art. 170 do CTN. Assim, este Relator entende que o processo deve ser encaminhado à unidade de origem para análise da liquidez e certeza e disponibilidade do crédito tributário. Em assim fazendo, há que ser contemplada a obrigatoriedade de verificação da liquidez e certeza do crédito tributário pela autoridade original legalmente competente para tal ato e observa-se o mandamento contido no §3º do art. 59 do Decreto 70.235/72 2 . Esse foi o entendimento da CSRF, em situação análoga a dos presentes autos, no acórdão 9101-005.197, no julgamento realizado em 09 de novembro de 2020. Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. AFASTAMENTO DO SUPOSTO ÓBICE LEGAL DO INDÉBITO E DA FORMAÇÃO DE CRÉDITO. MOTIVO EXCLUSIVO PARA DENEGAÇÃO PELA ORIGEM. NECESSIDADE DE RETORNO À UNIDADE LOCAL PARA NOVO DESPACHO DECISÓRIO. Se a não homologação da compensação pretendida pelo contribuinte, em sede de Despacho Decisório, foi arrimada, exclusivamente, na impossibilidade legal da existência de crédito formado por indébito de estimativa, e não foi oportunizado ao sujeito passivo o direito de demonstrar a existência e disponibilidade de seu direito creditório, quando superado aquele óbice, deve ser determinado o retorno autos para a Unidade Local da Receita Federal do Brasil para a devida análise da 1 A Instrução Normativa RFB 900/08 suprimiu a restição imposta pelo art. 10 da Instrução normativa RFB 600/2005. 2 §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 materialidade do direito creditório, retomando-se o processo administrativo a partir de então. Há que se observar, ademais, que além dos documentos que havia apresentado na manifestação de inconformidade (DIPJ, DCTF retificadoras e DARF), a Recorrente juntou em sede de recurso voluntário documentos contábeis e fiscais (balancetes, LALUR) e memória de cálculo de apuração da CSLL do mês de maio de 2005 para comprovação do direito creditório que alega possuir. Trata-se de prova inicial para comprovação do indébito. Por se tratarem de documentos que se prestam a comprovar o alegado na manifestação de inconformidade e não ensejarem inovação nos argumentos, entendo que devem ser conhecidos em homenagem ao princípio da verdade material. Além do mais, a própria Recorrente afirma que há divergência entre os valores das bases negativas de CSLL informadas na DIPJ, no LALUR e na memória de cálculo da CSLL, embora, segundo a mesma, todas tenham indicado que o valor do indébito restaria caracterizado e comprovado. Ou seja, é necessária a apreciação pela unidade de origem dos argumentos e provas juntados aos autos pela Recorrente e que lhe seja dado a oportunidade parta justificar as divergências. Da exigência de multa e juros A Recorrente irresigna-se contra eventual exigência da multa de mora e juros, em caso de não reconhecimento do direito creditório, por considerar que encaminhou a DCOMP tempestivamente. Reproduz no recurso voluntário o argumento expendido na manifestação de inconformidade: III) 3. Da Impossibilidade de exigência de multa e juros na remota hipótese de ser mantida a decisão de 1ª instancia, com a consequente manutenção da não-homologação da PERDCOMP. A Recorrente acredita que o Acordão será reformado, sendo reconhecido o seu direito creditório, com a consequentemente homologação da compensação efetuada. Contudo, em função do Princípio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na remota hipótese dos Ilustres Conselheiros entenderem que a improcedência deva prevalecer. De fato, no caso em tela não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a Recorrente quitou por meio da DCOMP não homologada, débitos de IPI após a data do evento especial de incorporação ocorrido em31 de outubro de 2005. Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Para melhor fundamentar a posição ora adotada, basta analisar o próprio conceito de mora contido no art. 394 do Código Civil, in verbis: Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Não há que se alegar mora da Recorrente ao extinguir o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou tempestivamente DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada, por si só, não é fato caracterizador de mora do contribuinte. Ou seja, a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a Recorrente, não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Deste modo, alternativamente, caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, a cobrança de multa e juros deve ser exonerada. (grifei) A Recorrente defende que a compensação tem a mesma natureza de pagamento, e a entrega da DCOMP caracterizaria denúncia espontânea, devendo ser afastados a multa e juros de mora. Entendo ser inapropriado apreciar-se o argumento da Recorrente antes da análise da liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário pleiteado pela unidade de origem. É que a competência do CARF nos casos de compensação de tributos é a análise do direito creditório pleiteado. Apenas como decorrência da decisão relativa ao crédito é que o CARF deverá se pronunciar acerca dos débitos. Se o direito creditório tributário não for reconhecido, ensejará a cobrança, pela unidade de origem, do principal e dos consectários legais que entender exigíveis. Se o direito creditório tributário for reconhecido, a unidade de origem analisará o valor do crédito tributário disponível, e se não for suficiente homologará apenas parcialmente os débitos declarados (o que evidentemente levará a unidade de origem a se posicionar sobre a cobrança de multa e juros de mora). Em ambos os casos será possível à Recorrente apresentar manifestação de inconformidade, que poderá ser analisado nas duas instâncias do contencioso administrativo fiscal, de modo que entendo inadequado o pronunciamento de uma situação hipotética, sem o posicionamento da autoridade administrativa. Além disso, a denúncia espontânea se caracteriza quando reporta débito não conhecido pelo FISCO. Assim, se o débito declarado na DCOMP Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 analisada nos presentes autos havia sido confessado anteriormente em DCTF, não há que se falar em denúncia espontânea. Pelo acima exposto não conheço do argumento da Recorrente quanto à alegação de denúncia espontânea. Por todo o acima exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. A unidade de origem poderá, caso entenda necessário, intimar a Recorrente a apresentar outros documentos para comprovação do direito creditório alegado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator (documento assinado digitalmente) Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.963528/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02-54.914 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada.
Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementando-o ao final:
Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2006 no valor de R$ 2.297.785,15.
Despacho Decisório da DRF
2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 948168132 anexado à fl. 75, que apurou:
2.1Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2006 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 2.951.906,60, para uma CSLL devida no valor de R$ 6.579.485,67. Neste contexto, a DRF não confirmou crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 disponível para utilização em DCOMP.
2.1.1O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontra-se anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF:
Parcelas não confirmadas estimativa mensal CSLL AC 2005
PA
Nº da DCOMP
Valor compensado
Valor não confirmado
Justificativa
JAN/2006
37926.38556.261007.1.7.03-9700
3.624.439,89
3.131.487,16
DCOMP homologada parcialmente
MAR/2006
04099.14899.280207.1.7.03-8378
535.034,88
535.034,88
DCOMP não homologada
MAR/2006
14315.24922.280207.1.3.03-7433
202.165,74
202.165,74
DCOMP não homologada
CSLL RETIDA NA FONTE parcela não confirmada
Retenção na fonte não comprovada/aproveitamento maior que ovalor retido
2.102.727,92
2.2.Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMPs, a DRF não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte.
Manifestação de Inconformidade
3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/08/2011, conforme documento à fl. 76. Irresignado, o contribuinte apresenta em 13/09/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 92 a 120, onde, em síntese, argumenta:
3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade.
3.2 Que a manifestante presta serviços na área de informática para empresas localizadas no Brasil e exterior. Quando do pagamento dos serviços prestados, as fontes pagadoras efetuam a retenção na fonte do IRPJ e da CSLL.
3.3 Informa que, submetida à tributação do imposto de renda pelo lucro real, apurou, no final do ano calendário de 2006, saldo negativo de IRPJ e CSLL, utilizado para pagamento das exações devidas no período, através da apresentação de DCOMPs. Não obstante o correto procedimento adotado pela manifestante, foi proferido Despacho Decisório não reconhecendo o crédito utilizado nas DCOMPs em análise neste processo, e como consequência, não homologou as compensações declaradas.
3.4 Todavia, não merece prevalecer o Despacho Decisório ora recorrido, porque:
Preliminar de nulidade
4. O Despacho Decisório é nulo por preterição do direito de defesa da ora manifestante. Invoca o art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008, a Lei nº 9.784, de 1999 e esclarecimentos apostos no sítio eletrônico da RFB para argumentar que a intimação prévia é procedimento obrigatório e precedente à emissão do Despacho Decisório. Aduz que a decisão pela não homologação da compensação e reconhecimento parcial do crédito sem a abertura de oportunidade para que o contribuinte apresente informações ou documentosjulgados necessários pela autoridade fiscal afronta o princípio da verdade material, além dos princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados no âmbito do processo administrativo fiscal. Ilustra com jurisprudência administrativa.
Saldo Negativo de CSLL
5. O valor da CSLL retida na fonte deduzida na DIPJ importou em R$ 4.561.681,79; o fisco confirmou somente a importância correspondente a R$ 2.458.953,87; o valor apurado pela manifestante encontra-se devidamente declarado em DIPJ pelos valores que deram suporte ao constante da DCOMP.
5.1. Acrescenta que, com as singelas justificativas do fisco a defesa da manifestante encontra-se prejudicada, em especial porque não têm, caso a caso, as razões que embasaram o feito fiscal, em especial porque o número de retenções ocorridas no referido ano é de quantidade considerável. Afirma que para confirmar que os valores estão corretos necessário seria uma conciliação discriminada e detalhada, com a comprovação documentalpertinente, baseada nos comprovantes de retenção na fonte recebidos pela manifestante.
5.1.1 Informa que não obstante essa conciliação não tenha sido feita pela fiscalização, a manifestante não conseguiu, até o momento, levantar todos os referidos comprovantes, devido à grande quantidade de empresas tomadoras de serviços. Destaca ainda que os comprovantes de retenção foram encaminhados para o arquivo inativo da manifestante, de modo que, não foi possível concluir o procedimento de localização e triagem destes documentos para suportar a conciliação mencionada. Neste contexto, protesta pela juntada posterior destes documentos, invocando a Lei nº 9.784, de 1999.
5.2 Contudo, argumenta acerca da glosa efetuada para o código 6190: ressalta que informou incorretamente o CNPJ da fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás; menciona a anexação do comprovante de rendimento e retenção correspondente.
5.2.1 Informa o cometimento do mesmo equívoco para o CNPJ 42.540.211/0001-67, da Eletrobrás Termonuclear S/A, cujo código declarado na PER/DCOMP foi o de 5952 e o correto seria o 6190.
5.3 Argumenta que cometeu erro de fato ao informar o CNPJ da fonte pagadora Comercialização Brasil S A CNPJ 04.973.790/0001-42 - e Companhia Paulista de Força e Luz - CNPJ 33.050.196/0001-88, as quais pertencem a um mesmo grupo econômico. Acrescenta que efetua o controle conjunto das transações com essas entidades, conforme comprovam cópia das contas contábeis anexas.
5.4 Quanto ao CNPJ 59.105.999/0001-86 - Whirlpool S/A - e suas filiais, argumenta que o total do crédito apurado pela manifestante encontra-se em consonância com os documentos fiscais anexos à presente manifestação. Informa que a fonte pagadora indicou em DIRF a retenção em dois códigos 5952 e 5987.
5.5. Para as fontes pagadoras 60.208.493/0001- 81 (Embraer Emp Bras de Aeron S/A) e 07.689.002/0001-89 (Embraer Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A), informa a anexação dos espelhos de contas contábeis e planilha demonstrativa para comprovar a retenção da CSLL no valor de R$ 369.034,24. Acrescenta que foi informado incorretamente o código de retenção quando do preenchimento da DCOMP.
5.6 Quanto à fonte pagadora n° 60.701.190/0001-04 Itaú Unibanco S.A., esclarece que foi informado incorretamente o código de retenção: enquanto na DIRF consta 5987, foi informado na DCOMP o código 5952.
6. Argumenta que há pequenas divergências dos valores constantes naDIPJ/PER/DCOMP e no próprio controle da contabilidade da Manifestante em relação às empresas São Paulo Alpargatas S/A e Marcopolo S/A, mas isso não impede o direito ao crédito das parcelas comprovadas, que deverá ser reconhecido pelos valores escriturados nas contas contábeis.
7. Acerca das demais glosas promovidas pela DRF, protesta pela juntada posterior de outros documentos para atestar a veracidade das informações declaradas. Argumenta que, considerando o grande número de retenções e fontes pagadoras existentes no período, requer a baixa do processo em diligência para confirmação de eventuais outras divergências decorrentes de erros de fato cometidos quando do preenchimento de suas declarações, tendo em vista o princípio da verdade material aplicável ao processo administrativo fiscal.
8. Acerca das estimativas compensadas com saldo negativo de períodosanteriores, informa que os Despachos Decisórios emitidos pela DRF, em trâmite nos processos 10880.926980/2011-29 e 10.880-940.491/2011-80, foram objeto de manifestação de inconformidade, o que demonstra ausência de decisão definitiva quanto ao crédito não homologado, de modo que, não pode servir de subsídio para o indeferimento da parcela do crédito utilizado. Ilustra com jurisprudência administrativa.
Inexigibilidade de acréscimos legais
9. Aduz que grande parte dos valores não ou parcialmente confirmados pelo fisco são decorrentes das retificações das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras após o encaminhamento dos comprovantes de retenção à manifestante. Neste contexto, é certo que a mesma não poderá arcar com os acréscimos legais decorrentes desta retificação, da qual não teve qualquer participação e não pode, por isso, ser prejudicada pela Administração Pública. Ilustra com jurisprudência administrativa.
9.1 Tendo em vista o grande número de DIRFs retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras, solicita realização de diligencia fiscal para apuração das DIRFs retificadoras que impactaram os valores informados pela manifestante, para que sejam excluídos os valores incidentes a título de acréscimos legais.
Do pedido
10. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade para:
- Declarar a nulidade do Despacho Decisório.
- Determinar a realização de diligência para confirmação dos valores declarados.
- Protesta pela juntada de novos documentos destinados a comprovar o crédito utilizado nas DCOMPs.
- O reconhecimento da integralidade do crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 e a homologação integral das compensações.
- A suspensão do procedimento de cobrança dos valores objeto das compensações efetuadas até a decisão final nos presentes autos.
- Requer, subsidiariamente, a exclusão dos acréscimos legais decorrentes das declarações retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras.
11. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide.
Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância considerou-a improcedente.
A recorrente foi intimada da decisão em 07 de maio de 2015 (fl. 8179), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 1740-1802 em 05 de junho de 2015.
Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que:
- o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas;
- na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário;
- erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de CSLL-fonte, mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1714 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.657.009,97);
- erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1715 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.353.271,29);
- considerando tais erros de fato, resume os números já incontrovertidos nos autos:
- alega que à fl. 1715 dos autos a própria DRJ, por meio da elaboração de uma tabela, se manifestou no mesmo sentido:
- das parcelas de crédito a título de retenção de CSLL que não foram reconhecidas pela DRJ. A primeira parte diz respeito a documentos não acatados pela DRJ. Aduz que há pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade), mas isso não poderia levar à glosa integral dos valores em questão. Reproduz tabela que demonstra as divergências apontadas:
- requereu ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de sua escrituração;
- em relação ao valor de CSLL retida na fonte, aduz que anexou em sede de recurso voluntário inúmeras cópias de notas fiscais que demonstrariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 1776-1778);
- em relação às estimativas compensadas mas objeto de não homologação, alega que os valores em questão já estão sendo alvo de cobrança nos processos 10880.926980/2011-29 e 10880.940491/2011-80, o que permitiria a homologação das estimativas no presente processo, sob pena de duplicidade de cobrança. Aduz que se não for reconhecido o crédito naqueles autos, procederá ao recolhimento dos débitos pertinentes. Alternativamente requer o sobrestamento do presente julgamento até a decisão administrativa irreformável naqueles dois processos;
- por meio do expediente de fls. 8216-8220, requereu a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I), bem como da documentação pertinente;
- discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2006, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2005, no total de R$ 4.561.681,79, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 492.952,73. Os R$ 3.868.687,78 de estimativas cujas compensações não foram homologadas adviriam de mera repercussão da análise do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2002 e que foram objeto de discussão no processo 11831.003413/2003-31. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 0016657-61.2009.403.6182 (Anexo III) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo II doc. 08);
- aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I p. 8 e 9);
- requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes;
- subsidiariamente, requereu que fossem realizadas diligências para averiguar a legitimidade de seu crédito, ou então o sobrestamento do feito até a decisão final a ser proferida nos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182.
É o relatório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Relatório SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02-54.914 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementando-o ao final: Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2006 no valor de R$ 2.297.785,15. Despacho Decisório da DRF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 948168132 anexado à fl. 75, que apurou: 2.1Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2006 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 2.951.906,60, para uma CSLL devida no valor de R$ 6.579.485,67. Neste contexto, a DRF não confirmou crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 disponível para utilização em DCOMP. 2.1.1O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontra-se anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: Parcelas não confirmadas estimativa mensal CSLL AC 2005 PA Nº da DCOMP Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2006 37926.38556.261007.1.7.03-9700 3.624.439,89 3.131.487,16 DCOMP homologada parcialmente MAR/2006 04099.14899.280207.1.7.03-8378 535.034,88 535.034,88 DCOMP não homologada MAR/2006 14315.24922.280207.1.3.03-7433 202.165,74 202.165,74 DCOMP não homologada CSLL RETIDA NA FONTE parcela não confirmada Retenção na fonte não comprovada/aproveitamento maior que ovalor retido 2.102.727,92 2.2.Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMPs, a DRF não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/08/2011, conforme documento à fl. 76. Irresignado, o contribuinte apresenta em 13/09/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 92 a 120, onde, em síntese, argumenta: 3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 3.2 Que a manifestante presta serviços na área de informática para empresas localizadas no Brasil e exterior. Quando do pagamento dos serviços prestados, as fontes pagadoras efetuam a retenção na fonte do IRPJ e da CSLL. 3.3 Informa que, submetida à tributação do imposto de renda pelo lucro real, apurou, no final do ano calendário de 2006, saldo negativo de IRPJ e CSLL, utilizado para pagamento das exações devidas no período, através da apresentação de DCOMPs. Não obstante o correto procedimento adotado pela manifestante, foi proferido Despacho Decisório não reconhecendo o crédito utilizado nas DCOMPs em análise neste processo, e como consequência, não homologou as compensações declaradas. 3.4 Todavia, não merece prevalecer o Despacho Decisório ora recorrido, porque: Preliminar de nulidade 4. O Despacho Decisório é nulo por preterição do direito de defesa da ora manifestante. Invoca o art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008, a Lei nº 9.784, de 1999 e esclarecimentos apostos no sítio eletrônico da RFB para argumentar que a intimação prévia é procedimento obrigatório e precedente à emissão do Despacho Decisório. Aduz que a decisão pela não homologação da compensação e reconhecimento parcial do crédito sem a abertura de oportunidade para que o contribuinte apresente informações ou documentosjulgados necessários pela autoridade fiscal afronta o princípio da verdade material, além dos princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados no âmbito do processo administrativo fiscal. Ilustra com jurisprudência administrativa. Saldo Negativo de CSLL 5. O valor da CSLL retida na fonte deduzida na DIPJ importou em R$ 4.561.681,79; o fisco confirmou somente a importância correspondente a R$ 2.458.953,87; o valor apurado pela manifestante encontra-se devidamente declarado em DIPJ pelos valores que deram suporte ao constante da DCOMP. 5.1. Acrescenta que, com as singelas justificativas do fisco a defesa da manifestante encontra-se prejudicada, em especial porque não têm, caso a caso, as razões que embasaram o feito fiscal, em especial porque o número de retenções ocorridas no referido ano é de quantidade considerável. Afirma que para confirmar que os valores estão corretos necessário seria uma conciliação discriminada e detalhada, com a comprovação documentalpertinente, baseada nos comprovantes de retenção na fonte recebidos pela manifestante. 5.1.1 Informa que não obstante essa conciliação não tenha sido feita pela fiscalização, a manifestante não conseguiu, até o momento, levantar todos os referidos comprovantes, devido à grande quantidade de empresas tomadoras de serviços. Destaca ainda que os comprovantes de retenção foram encaminhados para o arquivo inativo da manifestante, de modo que, não foi possível concluir o procedimento de localização e triagem destes documentos para suportar a conciliação mencionada. Neste contexto, protesta pela juntada posterior destes documentos, invocando a Lei nº 9.784, de 1999. 5.2 Contudo, argumenta acerca da glosa efetuada para o código 6190: ressalta que informou incorretamente o CNPJ da fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás; menciona a anexação do comprovante de rendimento e retenção correspondente. 5.2.1 Informa o cometimento do mesmo equívoco para o CNPJ 42.540.211/0001-67, da Eletrobrás Termonuclear S/A, cujo código declarado na PER/DCOMP foi o de 5952 e o correto seria o 6190. 5.3 Argumenta que cometeu erro de fato ao informar o CNPJ da fonte pagadora Comercialização Brasil S A CNPJ 04.973.790/0001-42 - e Companhia Paulista de Força e Luz - CNPJ 33.050.196/0001-88, as quais pertencem a um mesmo grupo econômico. Acrescenta que efetua o controle conjunto das transações com essas entidades, conforme comprovam cópia das contas contábeis anexas. 5.4 Quanto ao CNPJ 59.105.999/0001-86 - Whirlpool S/A - e suas filiais, argumenta que o total do crédito apurado pela manifestante encontra-se em consonância com os documentos fiscais anexos à presente manifestação. Informa que a fonte pagadora indicou em DIRF a retenção em dois códigos 5952 e 5987. 5.5. Para as fontes pagadoras 60.208.493/0001- 81 (Embraer Emp Bras de Aeron S/A) e 07.689.002/0001-89 (Embraer Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A), informa a anexação dos espelhos de contas contábeis e planilha demonstrativa para comprovar a retenção da CSLL no valor de R$ 369.034,24. Acrescenta que foi informado incorretamente o código de retenção quando do preenchimento da DCOMP. 5.6 Quanto à fonte pagadora n° 60.701.190/0001-04 Itaú Unibanco S.A., esclarece que foi informado incorretamente o código de retenção: enquanto na DIRF consta 5987, foi informado na DCOMP o código 5952. 6. Argumenta que há pequenas divergências dos valores constantes naDIPJ/PER/DCOMP e no próprio controle da contabilidade da Manifestante em relação às empresas São Paulo Alpargatas S/A e Marcopolo S/A, mas isso não impede o direito ao crédito das parcelas comprovadas, que deverá ser reconhecido pelos valores escriturados nas contas contábeis. 7. Acerca das demais glosas promovidas pela DRF, protesta pela juntada posterior de outros documentos para atestar a veracidade das informações declaradas. Argumenta que, considerando o grande número de retenções e fontes pagadoras existentes no período, requer a baixa do processo em diligência para confirmação de eventuais outras divergências decorrentes de erros de fato cometidos quando do preenchimento de suas declarações, tendo em vista o princípio da verdade material aplicável ao processo administrativo fiscal. 8. Acerca das estimativas compensadas com saldo negativo de períodosanteriores, informa que os Despachos Decisórios emitidos pela DRF, em trâmite nos processos 10880.926980/2011-29 e 10.880-940.491/2011-80, foram objeto de manifestação de inconformidade, o que demonstra ausência de decisão definitiva quanto ao crédito não homologado, de modo que, não pode servir de subsídio para o indeferimento da parcela do crédito utilizado. Ilustra com jurisprudência administrativa. Inexigibilidade de acréscimos legais 9. Aduz que grande parte dos valores não ou parcialmente confirmados pelo fisco são decorrentes das retificações das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras após o encaminhamento dos comprovantes de retenção à manifestante. Neste contexto, é certo que a mesma não poderá arcar com os acréscimos legais decorrentes desta retificação, da qual não teve qualquer participação e não pode, por isso, ser prejudicada pela Administração Pública. Ilustra com jurisprudência administrativa. 9.1 Tendo em vista o grande número de DIRFs retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras, solicita realização de diligencia fiscal para apuração das DIRFs retificadoras que impactaram os valores informados pela manifestante, para que sejam excluídos os valores incidentes a título de acréscimos legais. Do pedido 10. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade para: - Declarar a nulidade do Despacho Decisório. - Determinar a realização de diligência para confirmação dos valores declarados. - Protesta pela juntada de novos documentos destinados a comprovar o crédito utilizado nas DCOMPs. - O reconhecimento da integralidade do crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 e a homologação integral das compensações. - A suspensão do procedimento de cobrança dos valores objeto das compensações efetuadas até a decisão final nos presentes autos. - Requer, subsidiariamente, a exclusão dos acréscimos legais decorrentes das declarações retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras. 11. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância considerou-a improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 07 de maio de 2015 (fl. 8179), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 1740-1802 em 05 de junho de 2015. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: - o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; - na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; - erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de CSLL-fonte, mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1714 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.657.009,97); - erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1715 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.353.271,29); - considerando tais erros de fato, resume os números já incontrovertidos nos autos: - alega que à fl. 1715 dos autos a própria DRJ, por meio da elaboração de uma tabela, se manifestou no mesmo sentido: - das parcelas de crédito a título de retenção de CSLL que não foram reconhecidas pela DRJ. A primeira parte diz respeito a documentos não acatados pela DRJ. Aduz que há pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade), mas isso não poderia levar à glosa integral dos valores em questão. Reproduz tabela que demonstra as divergências apontadas: - requereu ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de sua escrituração; - em relação ao valor de CSLL retida na fonte, aduz que anexou em sede de recurso voluntário inúmeras cópias de notas fiscais que demonstrariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 1776-1778); - em relação às estimativas compensadas mas objeto de não homologação, alega que os valores em questão já estão sendo alvo de cobrança nos processos 10880.926980/2011-29 e 10880.940491/2011-80, o que permitiria a homologação das estimativas no presente processo, sob pena de duplicidade de cobrança. Aduz que se não for reconhecido o crédito naqueles autos, procederá ao recolhimento dos débitos pertinentes. Alternativamente requer o sobrestamento do presente julgamento até a decisão administrativa irreformável naqueles dois processos; - por meio do expediente de fls. 8216-8220, requereu a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I), bem como da documentação pertinente; - discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2006, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2005, no total de R$ 4.561.681,79, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 492.952,73. Os R$ 3.868.687,78 de estimativas cujas compensações não foram homologadas adviriam de mera repercussão da análise do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2002 e que foram objeto de discussão no processo 11831.003413/2003-31. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 0016657-61.2009.403.6182 (Anexo III) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo II doc. 08); - aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I p. 8 e 9); - requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes; - subsidiariamente, requereu que fossem realizadas diligências para averiguar a legitimidade de seu crédito, ou então o sobrestamento do feito até a decisão final a ser proferida nos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 52 8/ 20 11 -4 8 Fl. 10240DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.241 2 Relatório SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0254.914 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2006 no valor de R$ 2.297.785,15. DDeessppaacchhoo DDeecciissóórriioo ddaa DDRRFF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 948168132 anexado à fl. 75, que apurou: 2.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2006 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 2.951.906,60, para uma CSLL devida no valor de R$ 6.579.485,67. Neste contexto, a DRF não confirmou crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 disponível para utilização em DCOMP. 2.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: 2.2. Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP’s, a DRF não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte. MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/08/2011, conforme documento à fl. 76. Irresignado, o contribuinte apresenta em 13/09/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 92 a 120, onde, em síntese, argumenta: 3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2005 PA Nº da DCOMP Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2006 37926.38556.261007.1.7.039700 3.624.439,89 3.131.487,16 DCOMP homologada parcialmente MAR/2006 04099.14899.280207.1.7.038378 535.034,88 535.034,88 DCOMP não homologada MAR/2006 14315.24922.280207.1.3.037433 202.165,74 202.165,74 DCOMP não homologada CSLL RETIDA NA FONTE – parcela não confirmada Retenção na fonte não comprovada/aproveitamento maior que o valor retido 2.102.727,92 Fl. 10241DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.242 3 3.2 Que a manifestante presta serviços na área de informática para empresas localizadas no Brasil e exterior. Quando do pagamento dos serviços prestados, as fontes pagadoras efetuam a retenção na fonte do IRPJ e da CSLL. 3.3 Informa que, submetida à tributação do imposto de renda pelo lucro real, apurou, no final do ano calendário de 2006, saldo negativo de IRPJ e CSLL, utilizado para pagamento das exações devidas no período, através da apresentação de DCOMP’s. Não obstante o correto procedimento adotado pela manifestante, foi proferido Despacho Decisório não reconhecendo o crédito utilizado nas DCOMP’s em análise neste processo, e como consequência, não homologou as compensações declaradas. 3.4 Todavia, não merece prevalecer o Despacho Decisório ora recorrido, porque: Preliminar de nulidade 4. O Despacho Decisório é nulo por preterição do direito de defesa da ora manifestante. Invoca o art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008, a Lei nº 9.784, de 1999 e esclarecimentos apostos no sítio eletrônico da RFB para argumentar que “a intimação prévia é procedimento obrigatório e precedente à emissão do Despacho Decisório”. Aduz que “a decisão pela não homologação da compensação e reconhecimento parcial do crédito sem a abertura de oportunidade para que o contribuinte apresente informações ou documentos julgados necessários pela autoridade fiscal afronta o princípio da verdade material, além dos princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados no âmbito do processo administrativo fiscal”. Ilustra com jurisprudência administrativa. Saldo Negativo de CSLL 5. O valor da CSLL retida na fonte deduzida na DIPJ importou em R$ 4.561.681,79; o fisco confirmou somente a importância correspondente a R$ 2.458.953,87; o valor apurado pela manifestante encontrase devidamente declarado em DIPJ pelos valores que deram suporte ao constante da DCOMP. 5.1. Acrescenta que, com as “singelas justificativas” do fisco a defesa da manifestante encontrase prejudicada, em especial porque não têm, caso a caso, as razões que embasaram o feito fiscal, em especial porque o número de retenções ocorridas no referido ano é de quantidade considerável. Afirma que para confirmar que os valores estão corretos “necessário seria uma conciliação discriminada e detalhada, com a comprovação documental pertinente, baseada nos comprovantes de retenção na fonte recebidos pela manifestante”. 5.1.1 Informa que não obstante essa conciliação não tenha sido feita pela fiscalização, a manifestante não conseguiu, até o momento, levantar todos os referidos comprovantes, devido à grande quantidade de empresas tomadoras de serviços. Destaca ainda que os comprovantes de retenção foram encaminhados para o arquivo inativo da manifestante, de modo que, não foi possível concluir o procedimento de localização e triagem destes documentos para suportar a conciliação mencionada. Neste contexto, protesta pela juntada posterior destes documentos, invocando a Lei nº 9.784, de 1999. Fl. 10242DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.243 4 5.2 Contudo, argumenta acerca da glosa efetuada para o código 6190: ressalta que informou incorretamente o CNPJ da fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás; menciona a anexação do comprovante de rendimento e retenção correspondente. 5.2.1 Informa o cometimento do mesmo equívoco para o CNPJ 42.540.211/000167, da Eletrobrás Termonuclear S/A, cujo código declarado na PER/DCOMP foi o de 5952 e o correto seria o 6190. 5.3 Argumenta que cometeu erro de fato ao informar o CNPJ da fonte pagadora Comercialização Brasil S A – CNPJ 04.973.790/000142 e Companhia Paulista de Força e Luz CNPJ 33.050.196/000188, as quais pertencem a um mesmo grupo econômico. Acrescenta que efetua o controle conjunto das transações com essas entidades, conforme comprovam cópia das contas contábeis anexas. 5.4 Quanto ao CNPJ 59.105.999/000186 Whirlpool S/A e suas filiais, argumenta que o total do crédito apurado pela manifestante encontrase em consonância com os documentos fiscais anexos à presente manifestação. Informa que a fonte pagadora indicou em DIRF a retenção em dois códigos 5952 e 5987. 5.5. Para as fontes pagadoras 60.208.493/0001 81 (Embraer Emp Bras de Aeron S/A) e 07.689.002/000189 (Embraer — Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A), informa a anexação dos “espelhos de contas contábeis e planilha demonstrativa” para comprovar a retenção da CSLL no valor de R$ 369.034,24. Acrescenta que foi informado incorretamente o código de retenção quando do preenchimento da DCOMP. 5.6 Quanto à fonte pagadora n° 60.701.190/000104 Itaú Unibanco S.A., esclarece que foi informado incorretamente o código de retenção: enquanto na DIRF consta 5987, foi informado na DCOMP o código 5952. 6. Argumenta que “há pequenas divergências dos valores constantes na DIPJ/PER/DCOMP e no próprio controle da contabilidade da Manifestante em relação às empresas São Paulo Alpargatas S/A e Marcopolo S/A, mas isso não impede o direito ao crédito das parcelas comprovadas, que deverá ser reconhecido pelos valores escriturados nas contas contábeis.” 7. Acerca das demais glosas promovidas pela DRF, protesta pela juntada posterior de outros documentos para atestar a veracidade das informações declaradas. Argumenta que, considerando o grande número de retenções e fontes pagadoras existentes no período, requer a baixa do processo em diligência para confirmação de eventuais outras divergências decorrentes de erros de fato cometidos quando do preenchimento de suas declarações, tendo em vista o princípio da verdade material aplicável ao processo administrativo fiscal. 8. Acerca das “estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores”, informa que os Despachos Decisórios emitidos pela DRF, em trâmite nos processos 10880.926980/201129 e 10.880940.491/201180, foram objeto de manifestação de inconformidade, o que demonstra ausência de decisão definitiva quanto ao crédito não homologado, de modo que, não pode Fl. 10243DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.244 5 servir de subsídio para o indeferimento da parcela do crédito utilizado. Ilustra com jurisprudência administrativa. Inexigibilidade de acréscimos legais 9. Aduz que grande parte dos valores não ou parcialmente confirmados pelo fisco são decorrentes das retificações das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras após o encaminhamento dos comprovantes de retenção à manifestante. Neste contexto, “é certo que a mesma não poderá arcar com os acréscimos legais decorrentes desta retificação, da qual não teve qualquer participação e não pode, por isso, ser prejudicada pela Administração Pública”. Ilustra com jurisprudência administrativa. 9.1 Tendo em vista o grande número de DIRF’s retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras, solicita realização de diligencia fiscal para apuração das DIRF’s retificadoras que impactaram os valores informados pela manifestante, para que sejam excluídos os valores incidentes a título de acréscimos legais. Do pedido 10. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade para: Declarar a nulidade do Despacho Decisório. Determinar a realização de diligência para confirmação dos valores declarados. Protesta pela juntada de novos documentos destinados a comprovar o crédito utilizado nas DCOMP’s. O reconhecimento da integralidade do crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 e a homologação integral das compensações. A suspensão do procedimento de cobrança dos valores objeto das compensações efetuadas até a decisão final nos presentes autos. Requer, subsidiariamente, a exclusão dos acréscimos legais decorrentes das declarações retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras. 11. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 07 de maio de 2015 (fl. 8179), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 17401802 em 05 de junho de 2015. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: Fl. 10244DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.245 6 o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de CSLLfonte, mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1714 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.657.009,97); erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1715 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.353.271,29); considerando tais erros de fato, resume os números já incontrovertidos nos autos: alega que à fl. 1715 dos autos a própria DRJ, por meio da elaboração de uma tabela, se manifestou no mesmo sentido: Fl. 10245DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.246 7 das parcelas de crédito a título de retenção de CSLL que não foram reconhecidas pela DRJ. A primeira parte diz respeito a documentos não acatados pela DRJ. Aduz que há pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade), mas isso não poderia levar à glosa integral dos valores em questão. Reproduz tabela que demonstra as divergências apontadas: requereu ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de sua escrituração; em relação ao valor de CSLL retida na fonte, aduz que anexou em sede de recurso voluntário inúmeras cópias de notas fiscais que demonstrariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 17761778); em relação às estimativas compensadas mas objeto de não homologação, alega que os valores em questão já estão sendo alvo de cobrança nos processos 10880.926980/201129 e 10880.940491/201180, o que permitiria a homologação das estimativas no presente processo, sob pena de duplicidade de cobrança. Aduz que se não for reconhecido o crédito naqueles autos, procederá ao recolhimento dos débitos pertinentes. Alternativamente requer o sobrestamento do presente julgamento até a decisão administrativa irreformável naqueles dois processos; por meio do expediente de fls. 82168220, requereu a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I), bem como da documentação pertinente; discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2006, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de Fl. 10246DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.247 8 compensação com saldo negativo de CSLL de 2005, no total de R$ 4.561.681,79, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 492.952,73. Os R$ 3.868.687,78 de estimativas cujas compensações não foram homologadas adviriam de mera repercussão da análise do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2002 e que foram objeto de discussão no processo 11831.003413/200331. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo II – doc. 08); aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 8 e 9); requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes; subsidiariamente, requereu que fossem realizadas diligências para averiguar a legitimidade de seu crédito, ou então o sobrestamento do feito até a decisão final a ser proferida nos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182. É o relatório. Fl. 10247DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.248 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Passo à sua análise. 2 FATOS E DIREITO APLICÁVEL Além dos supostos erros de fato cometidos pela DRJ em relação ao resultado do julgamento, ementa e dispositivo da decisão, que teriam deixado de consignar créditos reconhecidos no bojo do voto condutor do aresto, na composição do saldo negativo pleiteado, houve dois pontos objeto de glosa, a saber: a) Estimativas compensadas: estimativas de CSLL que compõem o saldo negativo ora pleiteado não foram homologadas no exame dos processos nº 10880.926980/201129 e 10.940491/201180; b) CSLL retido na fonte: b1) há pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade). O quadro constante do recurso voluntário e já reproduzido no relatório deste voto resumem as divergências apontadas. A Recorrente requer ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de sua escrituração (o menor valor entre os indicados); b2) em relação ao valor de CSLL retida na fonte, a Recorrente anexou em sede de recurso voluntário inúmeras cópias de notas fiscais que demonstrariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 17761778). Esse colegiado, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, tem sopesado a preclusão do direito de apresentação de provas após já ter sido interposta impugnação ou manifestação de inconformidade. Até mesmo pelo disposto no art. 38 da Lei nº 9.784/991. 1 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 10248DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.249 10 No caso concreto, entendo inclusive restar justificada a apresentação extemporânea da documentação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72) em razão do longo prazo entre o período de apuração objeto do crédito alegado a decisão que homologou parcialmente as compensações declaradas. Desse modo, considerando que a grande quantidade de documentação apresentada na manifestação de inconformidade complementar e também junto ao recurso voluntário, não é possível aferir, neste momento, e sem o necessário contraditório, se realmente a Recorrente conseguiu comprovar que houve a retenção na fonte da CSLL, bem como se tais rendimentos foram efetivamente oferecidos à tributação. No que diz respeito às estimativas compensadas, não há necessidade de qualquer procedimento por parte da unidade de origem, uma vez que os valores em litígio já foram alvo de homologação de compensação no processo 10880.926980/201129, e a que diz respeito às compensações objeto do processo 10880.940491/201180 não poderiam ser analisadas neste momento em razão da diligência a ser realizada, conforme decidido por este colegiado nesta mesma assentada. Após a realização das diligências requeridas, no retorno dos presentes autos e também do processo 10880.940491/201180, as questões de mérito em relação a tal parcela de crédito requerido serão alvo de apreciação. Em relação à alegada acontradição entre os fundamentos do voto condutor do aresto, que consignam o reconhecimento de direito creditório, e a conclusão de tal voto, que encaminhou para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, de fato, assiste razão à Recorrente (também a ementa e a o resultado do julgamento indicam a improcedência da manifestação de inconformidade). Durante os debates este colegiado chegou a discutir a possibilidade de retornar os autos à turma julgadora de primeira instância para que se pronunciasse a respeito de tais contradições. Contudo, ao analisar a documentação, concluí que efetivamente os documentos apresentados corroboram os fundamentos do voto vencedor, tendo havido erro somente no registro das conclusões do voto e resultado do julgamento, muito provavelmente acompanhando o resultado proferido em todos os processos do mesmo contribuintes julgados na mesma assentada. Com base em tal constatação, em homenagem à duração razoável do processo, e por não haver qualquer prejuízo em assim proceder, este colegiado preferiu superar tal contradição, sendo que o indébito correspondente deverá ser alvo de reconhecimento quando do retorno dos presentes autos da diligência ora determinada. Fl. 10249DF CARF MF Processo nº 10880.963528/201148 Resolução nº 1402000.396 S1C4T2 Fl. 10.250 11 CONCLUSÃO Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem adote os seguintes procedimentos: 1. Em relação às divergências apontadas pela Recorrente e resumidas no examinar a documentação acostada nos docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade a fim de verificar se há créditos de CSLL passíveis de reconhecimento e ainda não deferidos até o momento. Exminar se há correspondência entre os documentos apresentados e a escrituração da Recorrente, consignando se é possível, ao menos, afirmar que os créditos constantes de sua escrituração possuem correlação com as retenções informadas em DIRF e nos demais elementos de prova apresentados pela Recorrente, ainda que hajana pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os documentos que comprovariam as retenções de CSLL. Por fim, deverá ainda verificar se os respectidos rendimentos foram efetivamente oferecidos à tributação, conforme determina a Súmula CARF nº 80; 2. Com base em toda a documentação já disponibilizada pela Recorrente, em especial a que se refere às notas fiscais relacionadas nas tabelas de fls. 1776 1778 reproduzidas no corpo do recurso voluntário, analisar se os elementos apresentados comprovariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98. Por fim, deverá ainda verificar se os respectidos rendimentos foram efetivamente oferecidos à tributação, conforme determina a Súmula CARF nº 80. 3. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório fiscal circunstanciado sobre o resultado de sua diligência. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo se prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 10250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721410/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 4960/4987), relativos ao período de 07/2010 a 12/2011, incluídos principal, juros de mora e multa no percentual de 75%. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 41 0/ 20 15 -9 1 Fl. 5183DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono abaixo o relatório do Acórdão da DRJ: A Fiscalização relata que a ação fiscal foi instaurada para verificar infrações reiteradas cometidas pela contribuinte nos períodos subseqüentes à autuação encerrada no processo administrativo nº 12898.000039/201039. Após citar a legislação de regência, a Autoridade Fiscal descreve a presente auditoria iniciada em 16/06/2014, na qual a contribuinte foi intimada a apresentar, entre outros documentos: estatuto social e alterações; demonstrativo detalhado de apuração mensal de Pis e Cofins, na forma de planilha impressa e em meio magnético, relativa ao período entre 07/10 a 12/11, especificando as contas contábeis que compõem as bases de cálculo das referidas contribuições; plano de contas e balancetes mensais analíticos, em meio magnético. Em exame preliminar da documentação apresentada, o Fisco constatou que, além dos documentos solicitados, a contribuinte encaminhou, também, documentos de apuração do Pis e da Cofins (calculado unicamente sob o regime nãocumulativo) na Sociedade em Conta de Participação (SCPCODESP), na qual figura como sócia ostensiva; bem como que apura o IRPJ sob a forma do lucro real, calculando as contribuições pelos regimes não cumulativo e cumulativo, este último utilizado na maior parte de seu faturamento; e que utilizou o regime de caixa na determinação da base de cálculo das contribuições devidas em ambas sociedades. A interessada foi intimada a justificar e comprovar o motivo pelo qual utiliza o regime cumulativo em grande parte de seu faturamento; a justificar e comprovar a opção pelo regime de caixa na determinação da base de cálculo das contribuições em ambas empresas; a apresentar todos contratos de prestação de serviço com seus clientes (em ambas empresas) e a apresentar o contrato social da constituição da SCP – CODESP. Em atendimento, a interessada: 1. esclareceu a adoção do regime de caixa na determinação da base de cálculo das contribuições de ambas empresas como sendo realizada na parcela das respectivas receitas decorrentes da construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, conforme art. 79 da Lei nº 9.718/98, fato confirmado pela Fiscalização, bem como que foi adotado o regime de competência em relação aos serviços prestados a sociedades de direito privado; 2. esclareceu que, em razão do seu objeto social (prestação de serviços de construção, montagem e engenharia de manutenção), apura as contribuições sob as duas sistemáticas (cumulativa e não cumulativa), de acordo com o art. 10, II e XX, c/c art. 15, V, ambos da Lei nº 10.833/03, justificando grande parte de seu faturamento sob o regime cumulativo, pois a maior parte de suas receitas são decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil; 3. Fl. 5184DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 4 3 apresentou os contratos de prestação de serviço com seus clientes, discriminados por apuração das contribuições pelo regime cumulativo, nãocumulativo e cumulativo e nãocumulativo, de cuja análise a Fiscalização concluiu: “que seus objetos versam sobre montagem e, principalmente, manutenção de sistemas mecânicos, elétricos, eletromecânicos, eletrônicos, hidráulicos e outros semelhantes”... “Nos contratos em que há menção à execução de serviços de obras civis, o núcleo do objeto contratual, em sua maioria, é a montagem ou a manutenção de sistemas ou equipamentos, restando como prérequisito complementar obras civis e outras tarefas. Além disso, não há nos contratos segregação da receita para cada tarefa, pois foram firmados mediante preço global”... “Desta forma, seguindo entendimento descrito no acórdão nº 1340.392, da 5ª Turma da DRJ/RJ2, e considerando que nenhum dos contratos tem por objeto obras de construção civil, em seu sentido específico, por esta razão as receitas deles derivadas devem ser tributadas pelo regime geral da não cumulatividade, e não submetidas ao regime excepcional da cumulatividade na hipótese prevista no art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/03”. A Fiscalização constatou, ainda, da análise dos demonstrativos de apuração das contribuições, juntamente com os documentos apresentados, que a contribuinte descontou, a título de créditos, valores calculados em percentuais correspondentes a alíquotas das referidas contribuições (Pis/Pasep = 1,65% e Cofins = 7,6%), aplicadas sobre valores de diversas notas fiscais de seus fornecedores, contabilizadas em várias contas de despesas operacionais, sem a devida previsão legal a esse benefício tributário. E que tais valores foram contabilizados a débitos das contas 1.1.3.06.0003 e 1.1.3.07.0003 (Recuperação Pis/Cofins – Serviços Prestados – Pessoa Jurídica) e a crédito de diversas contas de despesas operacionais, especificadas em planilhas de efls. 4363 a 4365. Intimada a esclarecer e justificar sobre a dedução de créditos oriundos de despesas operacionais sem a devida previsão legal, com apoio na documentação pertinente, a contribuinte apresentou a seguinte resposta: “No que tange a classificação, verificamos que as Notas Fiscais foram imputadas no sistema de controle de custos da Empresa MPE Montagens e Projetos Especiais com o “tipo contábil” de (consultoria/assessoria) erroneamente, onde o correto seria o “tipo contábil” que alocasse as mesmas na conta contábil as quais realmente pertencem (empreiteiros/engenharia). Em consideração ao embasamento legal, levando em consideração para crédito das referidas notas, usamos o que versa o art. 3º da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, em seu item 2º, que por ora transcrevemos, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados com relação a: “Bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, com as vedações previstas.” Entendemos que a classificação do direito creditório vai de encontro à definição de “Bens e serviços utilizados como insumo...”: Fl. 5185DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 5 4 1 Os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e 2 Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Como poderão observar, todos os serviços prestados estão diretamente ligados aos empreendimentos sendo o mesmo imprescindível para a execução dos Serviços Contratados pelo Cliente. Conforme solicitado, segue junto a esta, cópia das Notas Fiscais relativos à conta contábil 515.02.0003, as demais contas apontadas na TIF04 tiveram descontos das contribuições mensais a títulos de créditos (PIS/COFINS) erroneamente, devendo ser estornados.” Ao confrontar a documentação apresentada, relativa à conta 515.02.0003 –Auditoria/Assessoria Análise, com o razão contábil disponibilizado no Sistema Público de Escrituração Digital – Escrituração Contábil (SPED Contábil), a fiscalização constatou (além de notas fiscais contabilizadas erroneamente nesta conta, considerando que o correto seria a conta de Empreiteiros/Engenharia”; bem como a falta de diversas notas fiscais) documentos relativos a serviços que configuram despesas operacionais e administrativas não vinculadas a serviços prestados pela contribuinte a seus clientes, entre elas: prestação de serviços contábeis, serviços de assessoria empresarial, realização de cursos, consultoria administrativa, auditoria, entre outros (notas fiscais relacionadas na planilha de efls. 4818/4819). Reintimada a apresentar as notas fiscais faltantes, a contribuinte apresentou parte delas alegando que não encontrou as demais em seus arquivos, razão porque estaria entrando em contato com seus fornecedores para obtenção de segunda via, solicitando prorrogação de prazo para atendimento. Ao final do prazo prorrogado, a interessada alegou que alguns de seus fornecedores deixaram de atender o solicitado, justificando nova prorrogação de prazo, sendo que até o final da presente ação fiscal referidas notas fiscais deixaram de ser apresentadas, motivo pelo qual foram desconsideradas na apuração do Pis e da Cofins feita pela fiscalização. O crédito tributário foi apurado a partir dos demonstrativos preparados pela contribuinte (efls. 45/58 e 667/684), baseado nos documentos apresentados e na escrituração contábil (SPED), cujas respectivas bases de cálculo foram ajustadas pelos seguintes assuntos: (i) a empresa apurou a base de cálculo pelos regimes nãocumulativo e cumulativo, utilizando a maior parte de seu faturamento na apuração pelo regime cumulativo, porém, de acordo com o entendimento fiscal, as receitas auferidas no período devem ser tributadas pelo regime geral da nãocumulatividade; e (ii) foram glosados os valores deduzidos a título de créditos, calculados sobre diversas notas fiscais de fornecedores, contabilizadas como despesa operacional sem a devida previsão legal que dê direito a tal benefício tributário, conforme novo demonstrativo de apuração de efls. 4932/4949. Foram deduzidos os valores declarados em DCTF. Fl. 5186DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 6 5 Foram anexados aos autos apenas os documentos diretamente relacionados com as infrações apuradas e úteis ao entendimento da matéria. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 26/06/2015 (sextafeira). Inconformada, a interessada apresentou impugnação, por intermédio de seu representante legal, em 28/07/2015, acompanhada de documentos. Alega a tempestividade da defesa e faz um resumo dos fatos. Adentra na questão de direito, argumentando que o Acórdão nº 1340.392 da 5ª Turma da DRJ/RJ2, tomado como base pela fiscalização, diz respeito ao processo nº 12898.000039/201039, o qual ainda está em trâmite no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tendo sido convertido aquele julgamento em diligência, conforme Resolução do CARF. Entende que também no presente caso se faz necessária a diligência para reanálise dos contratos apresentados, pois os critérios de classificação dos serviços utilizados nestes autos – que são exatamente os mesmos externados no processo administrativo acima citado – não convergem com os critérios estabelecidos na legislação de regência, tal como consignado no voto daquela Resolução do CARF. Julga que o conceito de construção civil a ser levado em consideração é aquele definido por normas de caráter nacional, tal como a Lei Complementar nº 116/2003, item 7.02 da lista de serviços, de modo que, se não todos, ao menos grande parte dos contratos de prestação de serviços celebrados pela Impugnante é abarcada pelo preceito legal o qual determina que a receita decorrente da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil tem de ser tributada sob o regime cumulativo. Por tais razões, requer a conversão do julgamento em diligência, devendo, por ocasião da reanálise fiscal, serem levados em consideração todos os créditos computados na contabilidade, independentemente de terem sido informados ou não em DACON, nos termos da alegada Resolução do CARF. Ressalta duas questões em relação aos créditos apurados na sistemática nãocumulativa: (i) os créditos utilizados estão escorados no quanto previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e art. 2º da Lei nº 10.833/2003, sendo que todas as notas fiscais que embasaram os direitos creditórios tem origem (i.1) em bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado e (i.2) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço; tudo diretamente ligado aos empreendimentos, os quais são imprescindíveis para a execução dos serviços contratados pelos clientes. Além disso, (ii) como “os valores de PIS e COFINS relativos aos documentos não apresentados até o momento” foram “desconsiderados da apuração das referidas contribuições dos anos calendário de 2010 e 2011”, é essencial que todos os documentos Fl. 5187DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 7 6 trazidos aos autos até a data da realização da diligência sejam considerados no apontamento dos créditos a que a empresa faz jus, a bem do princípio da verdade material.” Por fim, questiona a multa de lançamento de ofício, dizendo que é excessiva e confiscatória, sendo de rigor a sua redução em obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência. Encerra, em suas palavras: “IV. DO PEDIDO Ante o exposto, demonstrado de forma inequívoca a insubsistência do ato administrativo exarado e a improcedência da ação fiscal, requer seja recebida e processada a presente impugnação e seja julgada procedente para o fim de (i) CONVERTERSE O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinandose à d. Fiscalização que promova nova análise dos contratos sob as premissas assinaladas na presente peça impugnatória; ou (ii) cancelar o Auto de Infração combatido in totum, tendo em vista a correição na classificação promovida pelo contribuinte. Em tempo, pedese o julgamento de procedência da impugnação, para o fim de (iii) se reexaminar a questão relativa aos créditos tributários oriundos do regime de nãocumulatividade, (iii.1) tanto em relação aos créditos tributários já corretamente apontados pelo contribuinte e glosados pela Autoridade Autuante – originados em “insumos” para a prestação de serviço da Impugnante – (iii.2) quanto por aqueles que se originarem em razão de eventual determinação dessa d. DRJ de submissão de determinado contrato ao regime nãocumulativo. Por fim, ad argumentandum tantum, requerse ao menos a revisão das multas aplicadas em razão da proporcionalidade e da irrazoabilidade com que foram aplicadas e tendo em conta a completa ausência de intenção do contribuinte em suprimir tributo indevidamente, eis que a discussão aqui existente tem por base mera discordância de conceitos jurídicos, o que não deve dar azo a multa tão elevada.” Em julgamento datado de 4 de abril de 2016, a DRJ Ribeirão Preto/SP negou provimento à impugnação da Contribuinte (Acórdão 1459.756), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 MONTAGEM. MANUTENÇÃO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. NÃO CUMULATIVO. As obras e os serviços de montagens e/ou manutenção de sistemas mecânicos, elétricos, eletromecânicos, eletrônicos, térmicos, termoelétricos, hidráulicos não estão circunscritos pelo conceito de Fl. 5188DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 8 7 obras de construção civil para fins de tributação pelo regime cumulativo das contribuições PIS/Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 MONTAGEM. MANUTENÇÃO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. NÃO CUMULATIVO. As obras e os serviços de montagens e/ou manutenção de sistemas mecânicos, elétricos, eletromecânicos, eletrônicos, térmicos, termoelétricos, hidráulicos não estão circunscritos pelo conceito de obras de construção civil para fins de tributação pelo regime cumulativo das contribuições PIS/Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É cabível a imputação da multa de ofício porquanto fundamentada na lei, sendo inaplicável o conceito de confisco constitucionalmente previsto, por não se revestir das características de tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada quanto ao resultado do julgamento pela DRJ, a Contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 5101a 5118), repisando os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I Da natureza dos contratos analisados pela fiscalização Para a recorrente, utilizandose de situação fática verificada no processo nº 12898.000039/201039, haveria a necessidade de se promover a baixa do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal, como ocorrido no processo mencionado, promovesse a análise dos contratos e procedesse à classificação das atividades contratadas pela recorrente. Pois bem. Conforme relatado pela própria recorrente (efl. 5112), por se tratar da mesma discussão, havendo somente a diferença quanto ao período de apuração, a sorte do presente processo deveria seguir a do de nº 12898.000039/201039: Fl. 5189DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 9 8 "Portanto, a rigor, o melhor cenário é que a sorte desse processo fosse determinada pela decisão final a ser tomada no P.A. referido como paradigma, de modo a dar prevalência, in caso, ao princípio da segurança jurídica. É direito do contribuinte saber de que modo deve agir para se conformar ao entendimento do Fisco (se entender ser ele regular)." No processo acima mencionado foi determinada diligência pela Resolução n. 3102000.278, nos seguintes termos: VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Fiscalização Federal proceda á classificação das atividades contratadas pela Recorrente à luz das considerações apresentadas. Outrossim, para as Contribuições que venham ser apuradas no Sistema NãoCumulativo, sejam levado sem contato dos os créditos computados na contabilidade da empresa, independentemente de terem eles sido informados ou não na DACON. As considerações para que se chegasse à conclusão pela necessidade de realização da diligência, feitas pelo I. Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, foram as seguintes: Em apertada síntese, o i. Julgador de primeira instância considerou que o objeto dos contratos firmados pela parte não poderia ser classificado como obra de construção civil pelas seguintes razões: (i) vários referemse a serviços classificados como montagem e não construção civil; (ii) em um dos casos, a Recorrente faz, além da montagem, basicamente, atividade de acompanhamento da parte classificada como construção civil; (iii) muitos tratamse de serviços de manutenção e restauração; (iv) outros de fornecimento de materiais e equipamentos eletromecânicos com respectiva montagem e (v) um deles de implantação de um sistema de telecomunicação. Conforme site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em se tratando de responsabilidade pelo pagamento do INSS, considerase obra da construção civil. Regularização de Obra de Construção Civil Obra de construção civil:é a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Por outro lado, o Decreto 7.708/12, ao instituir a Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio – NBS, que, conforme artigo 2º será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados, introduz definições relevantes para solução da lide, como segue. SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção (...) 1.0117.00.00 Serviços de montagem e edificação de construções pré fabricadas (...) Fl. 5190DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 10 9 SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Considerações Gerais (...) Capítulo 1Serviços de construção Notas (...) 4)Incluemse nas posições 1.0101, 1.0105, 1.0106, 1.0109, 1.0127, 1.0128 e 1.0138 e nas subposições 1.0107.2 e 1.0108.2, além dos serviços de construção, os serviços de reparo. (grifos meus) (...) Considerações Gerais O Capítulo 1 inclui todos os serviços de pré edificação; os serviços pertinentes a novas construções e os serviços pertinentes a reparos, alterações e restaurações de edifícios residenciais, não residenciais e trabalhos de engenharia civil. Os itens aqui classificados são os serviços essenciais no processo de edificação de diferentes tipos de construção e o resultado final das atividades de construção. Inclui também o aluguel de equipamentos para construção ou demolição de edifícios ou trabalhos de engenharia civil, com operador. (...) 1.0117 Serviços de montagem e edificação de construções pré fabricadas Nota Explicativa Aqui se classificam os serviços de instalação e montagem de edificações e de outras estruturas pré fabricadas, bem como os serviços de instalação de mobiliário urbano, como por exemplo, abrigos para ônibus e bancos em praças. Estão excluídos desta posição: 1Serviços de construção de estruturas, que se classificam na posição 1.0119; e 2Serviços de edificação de partes préfabricadas de aço para edifícios e outras estruturas, que se classificam em serviços de estruturas de aço estrutural da posição 1.0122. Dos excertos acima transcritos, pareceme que os critérios de classificação de serviços estabelecidos na legislação de regência determinam que se incluam no conceito de construção civil alguns dos serviços de montagem, reparo e manutenção rejeitados na decisão de primeira instância. Por outro lado, o Capítulo 20 do Anexo I do Decreto nº 7.708/12 especifica outros serviços, não passíveis de serem classificados no Capítulo 1, como construção. Capítulo 20Serviços de manutenção, reparação e instalação (exceto construção) Notas. 1)No presente Capítulo, entendese por: a)“manutenção” o ato de manter um bem no estado em que foi recebido, o que é feito por meio da reunião de ações técnicas e administrativas, evitando assim sua deterioração; b)“reparação” a ação corretiva efetuada com o intuito de consertar maquinário ou equipamentos, restabelecendo o desempenho original dos mesmos; c)“instalação” a montagem de maquinário ou equipamentos. Fl. 5191DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 11 10 2)Na posição 1.2001: a)são exemplos de “produtos metálicos”: aquecedores e caldeiras industriais; geradores, condensadores, superaquecedores e coletores de vapor; tubulações e partes auxiliares dos geradores de vapor; tanques e reservatórios, dentre outros; b)o termo “computador” abrange desde microcomputadores até computadores centrais (mainframe), incluindose aí os chamados super computadores; c)entendese por “veículo automotor rodoviário” todo veículo que circule por seus próprios meios, o que normalmente é feito por motor de propulsão, e que sirva, em regra, para o transporte viário de pessoas e coisas ou para tração viária de veículos utilizados para o transporte de pessoas e coisas; a expressão compreende ainda os veículos conectados a uma linha elétrica, porém que não circulam sobre trilhos. Os critérios orientam no sentido de que não sejam classificados como obras de construção civil os serviços de montagem, reparo, manutenção etc efetuados em equipamentos, máquinas, utensílios. De uma maneira geral, observase trataremse de serviços que não são realizados em bens imóveis, mas em bens móveis diversos. Esses pressuposto, como está claro, não convergem com os critérios adotados em primeira instância para classificação da atividade contratada pela Recorrente. Noutro vértice, a leitura do objeto dos contratos sugere que, pelo menos em alguns casos, a atividade contratada deve, mesmo, ser classificada no Capítulo 20 e não no Capítulo 1. De tudo isso, pareceme necessário o reexame das conclusões à luz das considerações acrescentadas no presente Voto, o que, inclusive, dará a chance à Fiscalização Federal de manifestarse, no mérito, sobre a classificação das atividades contratadas, o que não foi possível, em um primeiro momento, por conta do não atendimento, por parte do contribuinte, à intimação para apresentação de documentos. Por fim, acrescentese que o fato de o contribuinte figurar apenas como administrador da obra não me parece que seja razão para deixar de considerar a operação como uma obra de construção civil, ex vi o teor do inciso XX do artigo 10 da Lei 10.833/03. Assim, considerando que os contratos que fazem parte do presente processo, são similares aos apresentados no processo n. 12898.000039/201039, e, digase de passagem, foram apresentados à autoridade fiscal desde o início da fiscalização, entendo que no caso em comento deve ser aplicada a mesma solução. Vale ressaltar que no processo acima mencionado, a conclusão do relatório da diligência reclassificou vários contratos apresentados pela recorrente considerandoos como contratos de obra de construção civil e, consequentemente, suas receitas seriam submetidas ao regime cumulativo das contribuições. Destarte, entendo que os contratos abaixo relacionados, devem ser analisados sob a ótica do Decreto 7.708/12, descrita em parágrafos acima (planilha efls. 5149/5152): Fl. 5192DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 5193DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 13 12 II Dos Insumos Não obstante, verificase ainda que os créditos relacionados a insumos empregados na atividade da recorrente, trazidos em planilhas, declarações e registros contábeis, foram totalmente glosados pela fiscalização e mantidos na decisão de piso, sob o argumente de não se enquadrarem no conceito de insumo trazidos pela IN SRF n 404/2004. Para dirimir todas as peculiaridades que envolve a questão do crédito de PIS/COFINS, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018. "Pacificando" o litígio, o STJ julgou a matéria, na sistemática de recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 5194DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 14 13 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: Fl. 5195DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 15 14 "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]64. Feitas essas considerações, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadrase na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002[6], cumprindolhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Fl. 5196DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 16 15 Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. V Encaminhamentos 69. Ante o exposto, propõese seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, Fl. 5197DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 17 16 ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matériaprima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividadefim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento (questões estas que não possuem caráter definitivo e que podem ser revistas em julgamento administrativo) não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de serviços (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço malsucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal Fl. 5198DF CARF MF Processo nº 16682.721410/201591 Resolução nº 3302000.964 S3C3T2 Fl. 18 17 (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Os documentos trazidos pela recorrente no decorrer da fiscalização apontam a existência de aquisição de produtos utilizados como insumos pela recorrente no desempenho de suas atividades, entretanto, não há um detalhamento ou mapeamento de onde é utilizado o suposto insumo e qual seria sua função no processo produtivo Assim, necessário se faz que a recorrente demonstre no processo, de preferência em planilhas, onde quais são, onde são utilizados os produtos que entende ser insumos para a sua atividade, bem como indique a sua função. III Conclusão Desta feita, voto por converter o julgamento em diligência, para que (i) a autoridade fiscal proceda à classificação dos contratos descritos na planilha indicada acima no corpo do presente voto, à luz das considerações apresentadas sobre o conceito de serviços de construção civil do Decreto nº 7.708/12 e, (ii) intime a recorrente para demonstrar, de preferência em planilhas, quais são, onde são utilizados os produtos que entende como insumos para a sua atividade, além de indicar a sua função no processo produtivo. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 5199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000273/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 do STF. SÚMULA CARF. N.º 148.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante n.º 8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
Nos termos da Súmula nº 148, no caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS OU OMISSAS. TERMOS DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Nos termos do art. 32, inciso IV, § 5,°da Lei n° 8.212 /91, a empresa é obrigada também a "declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02.
DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto.
Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito.
Numero da decisão: 2301-009.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência das competências lançadas em 01/1999 a 11/2001(inclusive).
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Joao Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo César Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 do STF. SÚMULA CARF. N.º 148. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante n.º 8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Nos termos da Súmula nº 148, no caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN”. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS OU OMISSAS. TERMOS DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Nos termos do art. 32, inciso IV, § 5,°da Lei n° 8.212 /91, a empresa é obrigada também a "declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 02 73 /2 00 8- 44 Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência das competências lançadas em 01/1999 a 11/2001(inclusive). (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Joao Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo César Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo SONY BRASIL LTDA., contra Acórdão de Julgamento que julgou improcedente a impugnação. O auto de Infração, por descumprimento de obrigação acessória, ocorreu porque empresa deixou de informar em GFIP os fatos geradores correspondentes às contribuições previdenciárias de parte dos rendimentos de seu empregados, infringindo ao dispositivo previsto no art. 32, inciso IV, § 5,°da Lei n° 8.212 /91, combinado com art. 225, inc. IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Diante do Acórdão de julgamento de primeira instância (e-fl. 86 e seguintes), a recorrente interpõe Recurso Voluntário (e-fls. 118 e seguintes), alegando o seguinte: i) Decadência do direito creditório de parte do lançamento fiscal; ii) Impossibilidade da multa cobrada ser maior que a o valor da própria contribuição previdenciária; iii) Contesta o indeferimento de juntada de provas ao processo administrativo fiscal; Diante dos fatos narrados, é o breve relatório. Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, bem como é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. DO PEDIDO DE DECADÊNCIA Trata-se de pedido de decadência em autuação de obrigação acessória, onde a recorrente solicita aplicação do art. 150§, 4º do CTN. Entretanto, independente do recolhimento do tributo atrair a regra decadencial do citado artigo, por meio da obrigação principal, no presente processo a autuação diz respeito às obrigações acessórias, que possui aplicação da Súmula CARF n.º 148, in verbis: “Súmula CARF nº 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN”. Assim, no presente processo a regra aplicada deve ser a do artigo 173, inciso I, do CTN. Nesse sentido, a DRJ de origem entendeu que deveria ser aplicado o prazo decadencial de 10 (dez) anos. Prazo esse superado e não mais aplicado pelo STF e pelas Cortes judiciais e administrativas. Isso porque, em 11 de junho de 2008, o Plenário do Supremo Tribunal julgou o Recurso Extraordinário 559.943, de relatoria da Ministra Cármen Lúcia, com repercussão geral reconhecida, e concluiu que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária, incluída a relativa às contribuições previdenciárias, onde a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, nos quais havia sido fixado o prazo de dez anos para a prescrição das contribuições da seguridade social e a decadência do direito à sua cobrança. Segundo a conclusão da Corte Suprema, apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1”. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à Súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. O período autuado no presente processo refere-se às competências 01/01/1999 a 31/12/2006, e a intimação do lançamento fiscal se deu em 11.12.2007. Portanto, as competências de 1999, 2000 até novembro de 2001 (inclusive) estão atingidas pela decadência, devendo ser excluídos do auto de infração, mantendo as demais competências. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Trata-se de autuação por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV, e parágrafo 5, da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 9.528, de 10/12/1997, c/c o art. 225, inciso IV, § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 em razão da apresentação pela empresa de Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 Conforme se constata da legislação em vigor, é dever da contribuinte de elaborar ou apresentou GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Na sua falta, incorre a recorrente em infringência ao disposto no artigo 32 , IV , §5, o da Lei n° 8.212 /91, combinado com art. 225, inc. IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, in verbis: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) ( )" RPS "Art. 225. A empresa é também obrigada a: (ml IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 4° O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. A Lei, que é taxativa, não permite mera liberalidade de não aplicar a pena para os casos dos autos, sendo, portanto, devida a aplicação da multa pelo descobrimento da obrigação acessória, constituindo infração aos dispositivos já citados. Portanto, as demais competências devem ser mantidas. DA COBRANÇA DOS VALORES SER SUPERIOR AO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA Sobre o valor estar maior que a autuação principal decorre do fato de serem registros e exigências fiscais distintas sobre o mesmo fato gerador. Quanto ao alegado, pode-se verificar que os valores mencionados pela recorrente referem-se a períodos diferentes autuados, mas que são resultados das diferenças constates do DAD, na respectiva NFLD, conforme pode ser constatado por parte da transcrição abaixo: Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 Por outro lado, a análise da alegação de não confisco o CARF não é competente para analisar matéria de inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF 02 que dispõe que o CARF "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Ainda, este Conselho não é legitimado a analisar matérias Constitucionais, conforme se depreende do art. 26-A, do Decreto 70.235-72, in verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, a autuação deve ser mantida. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. Por fim, quanto ao tópico do pedido de perícia entendo que a recorrente apenas solicitou o pedido em sede de primeira instância que restou indeferido, reiterando o pedido em segunda instância. Ocorre que o ônus probatório no presente caso é do contribuinte. Ressalta-se que foram deferidos também prazos para que o contribuinte obtivesse a documentação alegada, sem, contudo, haver juntada aos autos. Ocorre que, o julgador pode deferir perícia ou diligência somente nos casos de dúvidas ou que possam esclarecer determinados procedimentos da autuação ou em situações que o recorrente não tem possibilidade de produzir a prova que se pretende. O que não é o caso dos autos. A prova deve ser trazida aos autos pelo contribuinte, não é ônus da administração pública ou da Fazenda a busca de provas do direito alegado pelo recorrente. Se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não faz sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. É elementar que a prova para infirmar a presunção deve ser produzida por quem tem interesse na demanda, que no caso é o contribuinte. Assim, indeferido o pedido de diligência ou perícia. Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não acolhendo as alegações de inconstitucionalidade de lei, para no mérito DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das competências 01/1999 a 11/2001(inclusive), mantendo as demais disposições da autuação. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10314.720313/2016-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012
PIS/PASEP E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.069
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semirames de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 PIS/PASEP E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 03 13 /2 01 6- 73 Fl. 909DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semirames de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1441.283, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2012. No Termo de Verificação Fiscal o autuante informa que os lançamentos de ofício decorreram das seguintes glosas de créditos do regime não cumulativo das referidas contribuições: a) inclusão indevida pelo sujeito passivo na Ficha 16A do DACON a título de “Outras Operações com Direito a Crédito” de valores referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins; Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10314.720313/201673 Acórdão n.º 3301005.069 S3C3T1 Fl. 910 3 b) créditos informados nos DACON a título de encargos de depreciação, utilizados na rubrica “Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação)”, cujos valores não foram comprovados pela contribuinte; c) créditos incluídos nos DACON na rubrica “Serviços Utilizados como Insumos” aproveitados indevidamente pela contribuinte por se tratar de aquisição de serviços de consultoria administrativa não diretamente relacionados à produção de bens e serviços. Cientificada dos lançamentos, a autuada apresenta impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Quanto o primeiro item do Termo de Verificação Fiscal, o ICMS devido pelas empresas não pode ser computado como fato agregado ao faturamento, devendose, para tanto, excluir seu respectivo valor das bases de cálculo do PIS e da Cofins; 2. O ICMS é inegavelmente um ingresso de valor, mas que não é próprio da empresa, nem mesmo tem a capacidade de afetar o patrimônio de forma positiva, de modo que não lhes são atribuíveis os conceitos de receita e, por via de consequência, de faturamento; 3. Corroborando essa tese, os ministros do Supremo Tribunal Federal, em recente julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.785, entenderam, por maioria, ser inconstitucional incluir o ICMS na base de cálculo da Cofins, por não ser aquele imposto grandeza que se enquadre no conceito de faturamento, uma das materialidades que autorizam a tributação pela contribuição à seguridade social; 4. Cita doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos, restando caracterizada, no presente caso, uma afronta ao artigo 195, I, da Constituição Federal; 5. Não se pode olvidar que a impugnante não pretende obter a inconstitucionalidade da matéria na esfera administrativa, visto que a própria Súmula nº 2 do CARF esclarece sua restrição, porém é certo que a discussão de tal matéria não envolve questão constitucional, mas sim respeito à hierarquia das normas já existentes, portanto, interpretação sistemática e teleológica do quanto exposto; 6. Há ainda que se observar a repercussão geral do referido RE nº 574.706 e seu sobrestamento na esfera administrativa consoante o Novo Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo na ausência de norma específica; 7. Inexiste legalmente previsão para o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC, e assim a sua utilização fere e viola a Constituição; 8. A capitalização de juros também é ilegal, tratandose da prática de anatocismo que viola a Súmula 121 do Egrégio Supremo Tribunal Federal; Fl. 911DF CARF MF 4 9. As multas impostas nos Autos de Infração também são ilegais, haja vista que as porcentagens aplicadas ferem os princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade, conforme doutrina e jurisprudência que transcreve; 10. Ao final, pleiteia o sobrestamento do feito por se tratar de matéria em Repercussão Geral no STF e, caso assim não se entenda, requer a total improcedência dos Autos de Infração lavrados, bem como o cancelamento ou a redução das multas impostas, e que, enquanto perdure a discussão administrativa do débito impugnado, a RFB se abstenha de quaisquer procedimentos de cobrança, em decorrência da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força do quanto disposto no artigo 151, inciso III, do CTN; 11. Requer, ainda, a produção de todos os tipos de prova em direito admitidos, inclusive a juntada de provas documentais. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A existência de questão pendente de julgamento no âmbito do Supremo Tribunal Federal não impede o julgamento administrativo de primeira instância, visto que o processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, em não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10314.720313/201673 Acórdão n.º 3301005.069 S3C3T1 Fl. 911 5 O ICMS integra a receita bruta da empresa e, em não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A limitação constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco não se refere às penalidades. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, defende: a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS ; o sobrestamento deste processo na esfera administrativa; a falta de previsão legal da taxa Selic; e não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Pugna pelo sobrestamento do feito e o reconhecimento da total da autuação. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 913DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A recorrente discorre sobre a questão do ICMS na base de cálculo das contribuições e aduz ter sido reconhecida a repercussão geral no Recurso Extraordinário (RE) 574.7069 e que o Plenário do STF decidiu que o ICMS não compõem a base de cálculo da PIS e da Cofins. Depois resume a situação no Supremo: (i) o RE nº 240.785 já foi definitivamente julgado pelo Plenário do STF a favor do contribuinte, no sentido de que o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS (decisão sem efeito vinculante, produzindo efeitos imediatos apenas às partes envolvidas); (ii) o ADC 18 encontrase no aguardo de julgamento, sem a eficácia de suspender os julgamentos; (iii) o RE nº 574.706, em que houve o reconhecimento da repercussão geral, ficou corroborado o entendimento que o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. O Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, hoje, transitado em julgado sob a ementa exposta a seguir, não tramitou sob a sistemática da repercussão geral. O ADC 18, no relato da recorrente, não está a suspender julgamentos. Pois bem, sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF, entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário em repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10314.720313/201673 Acórdão n.º 3301005.069 S3C3T1 Fl. 912 7 PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Fl. 915DF CARF MF 8 Levanta também, na mesma toada, que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. Quanto ao sobrestamento deste processo na esfera administrativa, decidiu a Delegacia de Julgamento, inexistir previsão para tanto. Traz em seu favor o princípio da oficialidade, o qual " obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final". Diz a recorrente que ante, o reconhecimento da repercussão geral no RE 574.7069, devese "sobrestar todas as demais causas com questão idêntica ", nos termos Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Registra também que o Novo Código do Processo Civil (NCPC) determina que ""Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional”, em seu art. 1.035, § 5º, e que "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente”, nos termos de seu art. 15. Não assiste razão à recorrente. Não há previsão legal para o sobrestamento, em particular na lei que rege o processo administrativo fiscal. O art. 1.035, § 5º , do NCPC não especifica alcançar o processo administrativo, como faz o mesmo diploma em seu art. 15. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10314.720313/201673 Acórdão n.º 3301005.069 S3C3T1 Fl. 913 9 Regimento Interno anterior do CARF, Portaria MF nº 256/09, art. 62A, § 1º, determinava que "Ficarão sobrestados os julgamento dos recursos sempre que o STF também sobrestar a julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B". Tal dispositivo fora incluído pela Portaria MF 586/10 e revogado pela Portaria MF 545/13, não mais constando do Regimento atual, Portaria 343/15, a demonstrar a intenção da Casa. Tem sido esta a posição deste Conselho: SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. PEDIDO INDEFERIDO. Inexiste previsão legal ou regimental que possibilite o sobrestamento de processo administrativo fiscal em face da existência de recurso judicial sob a sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. (CARF, 2º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 2402005.997, de 13/09/2017, rel. Mário Pereira de Pinho Filho). A recorrente alega ainda que a taxa Selic "não existe legalmente". Diz que não se deve confundir "chamada “remuneração de capital” com a “incapacidade momentânea de cumprir uma determinada obrigação fiscal" e ainda que "em momento algum a taxa SELIC foi definida por Lei de qualquer natureza", em "violação expressa aos princípios constitucionais da legalidade, anterioridade e segurança jurídica" (grifos do original). Tratandose de matéria constitucional, foge à competência deste CARF. Ainda assim, registrese que a Lei 9.065/97, art. 13, dá peso legal à dita Selic, o que é objeto da súmula 4 deste Conselho. Por fim, a recorrente pugna pela não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", sendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código, havendo, portanto, base legal para tal incidência. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 917DF CARF MF 10 Fl. 918DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.727563/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Relatório
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 27 56 3/ 20 12 -1 1 Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.291 2 Relatório Adoto integralmente o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ). "Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008, nos valores abaixo discriminados, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. TRIBUTO MONTANTE (R$) IRPJ 476.899,30 CSLL 150.687,68 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl 631 a 650 e Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 121 a 127) foram apurados os fatos abaixo descritos. GLOSA DE DESPESAS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GESTÃO HOTELEIRA Contas 3.4.87.3.02.04 "Fee de Gestão" 3.4.86.3.04.04 "Vendas Custos Gerais" 3.4.86.3.04.02 "Vendas Custo de Pessoal" 3.4.86.3.03.01 "Marketing/InstAdvertising" Foi verificada a existência do lançamento de despesas com histórico contendo "BRASTURINVEST INVESTIMENTOS TURÍSTICOS S/A" a título de "fee de gestão" e reembolso de despesas. Foi solicitada a documentação comprobatória das contas anteriormente citadas, bem como do critério de rateio adotado. O contribuinte encaminhou o Contrato de Prestação de Serviços de Gestão Hoteleira de 20/04/2004, celebrado entre sua controladora BRASTURINVEST INVESTIMENTOS TURÍSTICOS S/A, CNPJ n° 03.422.594/000117 e PESTANA MANGEMENT SERVIÇOS DE GESTÃO S/A, com sede na cidade de Funchal, Ilha da Madeira, Portugal. Na cláusula 1, consta que o segundo outorgante (PESTANA MANAGEMENT) comprometese a prestar ao primeiro outorgante (BRASTURINVEST INVESTIMENTOS TURÍSTICOS) dentre outros, serviços relacionados com a gestão de hotéis, consignados na conta 348730204 "Fee de Gestão", e serviços de publicidade e comercialização, descritos na cláusula 3, relacionados aos lançamentos nas contas 348630404 "Vendas Custos Gerais", 348630402 "Vendas Custo de Pessoal" e 348630301 "Marketing/Inst.Advertising". O contribuinte foi intimado a informar se houve remessa de recursos ao exterior e a apresentar a respectiva documentação comprobatória, sendo que em resposta datada de 04/05/2012 informou que "... não houve remessa de recursos para o exterior referente à PESTANA MANAGEMENT", encaminhando tão somente a cópia do contrato e notas fiscais que comprovariam a efetividade dos serviços, insuficientes para demonstrar que os mesmos foram efetivamente prestados. Restaram incomprovados os lançamentos abaixo relacionados, uma vez que o contribuinte não demonstrou a efetiva prestação dos serviços relacionados nas contas sobreditas, pela não apresentação de relatórios, laudos ou documentação equivalente que justifiquem de forma inequívoca a sua dedutibilidade (ver tabela na fl. 2.195 do eprocesso acórdão DRJ). Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.292 3 II. GLOSA DE DESPESAS DE ASSESSORIA COMERCIAL. Conta 34860202 Assessoria Comercial. Foram selecionados lançamentos referentes a despesas de assessoria comercial, com históricos relativos a serviços de informática e a serviços prestados por cooperativa de profissionais autônomos. Foi solicitada, em 02/12/2011, a apresentação da documentação comprobatória, porém o contribuinte limitouse a encaminhar cópias de notas fiscais referentes aos lançamentos, não aduzindo documentos que pudessem efetivamente comprovar a efetividade dos serviços prestados. Em 18/11/2012, foi feita nova solicitação de documentos, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços. O contribuinte encaminhou cópia do Contrato de Prestação de Serviços n° VERJ 015/05 relativo a prestação de serviços por cooperativa de profissionais autônomos e cópias das notas fiscais exigidas, tendo o referido contrato como objeto, conforme cláusula primeira, a prestação pela contratada de serviços especializados em vendas a serem especificados em anexo. Contudo, não foram apresentados relatórios, boletins de medição ou documentação equivalente que justifiquem o preenchimento dos citados requisitos de usualidade, normalidade e necessidade destas despesas. Não apresentou, também, o contrato referente aos serviços de informática. Restaram, assim, incomprovados os lançamentos abaixo relacionados, posto que o contribuinte não logrou demonstrar a efetiva prestação dos serviços: Data Valor (R$) Data Valor (R$) 15/01/2008 10.058,58 01/04/2008 78.740,44 01/02/2008 65.612,94 25/04/2008 10.802,09 05/03/2008 44.754,31 25/04/2008 13.514,96 24/03/2008 10.501,02 05/05/2008 55.455,19 Fundamentação Legal: artigo n° 299 do Decreto n°. 3000, de 26/03/1999, RIR/99, e o art. 13° da Lei 9.249/95. No Termo de Constatação consta um relato relativo a autuação de IOF, contudo tal assunto não faz parte deste Auto de Infração. A interessada se insurgiu, em 17/07/2012 (fl. 168), contra o disposto no Auto de Infração, do qual tomou ciência em 12/06/2012 (fl.128), através de impugnação (fl. 657 a 693), apresentando os argumentos que se seguem: • A BRASTURINVEST S/A, ora Impugnante, é sucessora, por incorporação, da fiscalizada RASH ADMINISTRAÇÃO DE HOTÉIS E TURISMO LTDA. Quanto ao período objeto do procedimento fiscal, a incorporada apresentou a DIPJ/2009, apurando IRPJ anual com base no Lucro Real. No que diz respeito às despesas lançadas sobre a Conta 34873024 — "Fee de Gestão", foram encaminhados o Contrato de Prestação de Serviços de Gestão Hoteleira, datado de 20.04.2012 celebrado entre a BRASTURTNVEST S/A (holding do Grupo Pestana no Brasil) e a PESTANA MANAGEMENT SERVIÇOS DE GESTÃO S/A (doravante, PM S/A), com sede na Cidade do Funchal, Ilha da Madeira, Portugal — empresa que, segundo a Fiscalização, é responsável pela prestação de serviços administrativos para as outras empresas do grupo Pestana. Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.293 4 A Fiscalização considerou, simploriamente, que seria PM S.A. o gestor e, pois, centralizador único das despesas administrativas compartilhadas do Grupo Pestana. De acordo com o aludido contrato, restou estipulado que o primeiro outorgante (BRASTURINVEST S/A) era o gestor da rede hoteleira do Grupo Pestana no Brasil. A BRASTURINVEST (doravante BRTV) efetivamente geria os Hotéis, sendo a centralizadora das tarefas e atividades administrativas de toda a rede hoteleira. Na cláusula 2, item 1, ficou claro que a PM S.A. funcionava como verdadeiro agente de suporte, a quem a BRTV recorreria sempre que houvesse quaisquer dúvidas quanto às regras de gestão (cf. letra "D"). Isso não quer dizer — como, aliás, quis induzir a Autoridade Autuante, que a PM S/A fosse a efetiva gestora dos Hotéis, nem que a BRTV não exercesse, em nome e em benefício dos demais Hotéis, a gestão e centralização das atividades administrativas e despesas correspondentes, todas consignadas nas contas n° 348730204 "Fee de Gestão"; n° 348630404 "Vendas Custos Gerais", n° 348630402 "Vendas Custo de Pessoal" e n° 348630301 "Marketing /Inst. Advertising". O custo da administração centralizada era objeto de rateio por todas as empresas do Grupo Pestana no Brasil, bem como eventuais despesas incorridas pela BRTV (por exemplo, remessas à PM S.A.) também eram objeto de posterior rateio. Quanto à ocorrência de remessa de recursos ou repasses ao exterior, foi informado à Fiscalização que não houve remessa direta entre a RASH e o PESTANA MANAGEMENT, mas somente um reembolso de despesas incorridas pela BRASTURINVEST S/A, que, na qualidade de empresa holding do Grupo Pestana no Brasil, arcava com as despesas de gestão hoteleira de todos os hotéis da rede Pestana no país, e administrava o reembolso da totalidade das despesas incorridas. Foram apresentados contrato e notas fiscais que comprovam a efetividade dos serviços incorridos. Em nenhum momento a Autoridade fez qualquer comentário quanto à idoneidade dos documentos. Quanto à conta de n° 34860202 "Assessoria Comercial", com históricos relativos a serviços de informática e a serviços prestados por cooperativa de profissionais autônomos, estes também foram objeto do Termo com ciência em 19.01.2012, que foi prontamente respondido mediante apresentação do Contrato de Prestação de serviços por cooperativas de profissionais autônomos n° VERJ 015/05 e cópia das notas fiscais exigidas. Apesar dos esforços da ora Impugnante, ainda não foram localizados os documentos referentes à prestação de serviços de informática. A Autoridade autuante, de maneira equivocada, alega, no que diz respeito às despesas de execução dos contratos vinculados as suas atividades preponderantes, que estas não seriam usuais, necessárias, ou imprescindíveis à manutenção da sua fonte produtora. O Fisco não pode imiscuirse na determinação de quais despesas, sob seu entendimento nítida subjetividade seriam indedutíveis. Não obstante a Autoridade autuante tenha se mantido inerte quanto a este exame absolutamente necessário, fazse de suma importância esclarecer sob qual fundamento foram contraídas as despesas. As despesas incorridas e glosadas encontramse totalmente vinculadas à sua atividade fim (ramo hoteleiro), sendo, portanto, usuais, necessárias e imprescindíveis à manutenção de sua fonte produtora, relativamente à venda de ocupação de quartos, em suma: hospedagem e lazer, de modo geral. Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.294 5 GESTÃO HOTELEIRA. A Impugnante apresentou à autoridade autuante Contrato de Prestação de Serviços de Gestão Hoteleira, celebrado com a PESTANA MANAGEMENT SERVIÇOS DE GESTÃO S/A. (PM S.A.), empresa pertencente ao Grupo Pestana. No contrato é nítido que a BRTV funciona na qualidade de Gestora dos Hotéis de toda a rede hoteleira. Não é pelo fato de o Contrato de Gestão ter definido que a BRTV é a gestora que a PM S.A. não fique diretamente responsável por algumas tarefas em benefício dos Hotéis e demais empresas do Grupo. É o que ocorre, por exemplo, quanto às despesas com Marketing, propaganda e publicidade, sendo imperioso justificar a razão para a previsão contratual que consta da Cláusula Oitava do referido Contrato de Gestão. Ainda que, relativamente às demais contas examinadas, a PM S.A., ocasionalmente, também fizesse e faça jus ao recebimento de valores à título de rateio de despesas — a Cláusula Oitava é genérica — convém esclarecer, outrossim, que a atuação de BRTV tem preponderância em algumas despesas (dentre as glosadas), o que não elimina a obrigação de — se assim tivesse ocorrido — ter que reembolsar a PM S.A. por ter incorrido em despesas em favor dos Hotéis e demais empresas do grupo no Brasil, as quais a BRTV estava incumbida de gerenciar. Tanto é assim que a BRTV tinha a obrigação de reembolsar os custos suportados pela PM S.A., conforme descrito na Cláusula 8 do aludido Contrato de Gestão Hoteleira A Impugnante BRASTURINVEST, com o Grupo Pestana (mais especificamente com PM S.A., presta serviços relacionados com a gestão de hotéis, atuando por conta e ordem, o que levou à Fiscalização a glosar despesas lançadas à título de reembolso: Conta 348730204 "Fee de Gestão"; Conta 348630404 "Vendas Custos Gerais"; conta 348630402 "vendas Custo de Pessoal"; Conta 348630307 "Marketing/Inst. Adverstising". A Impugnante, na qualidade de gestora dos serviços para o Grupo Pestana no Brasil, passou a centralizar todos os tipos de atividades (operacionais) da rede de Hotéis no Brasil. Os contratos, encargos, obrigações e despesas celebrados e incorridos no intuito de atender às necessidades ligadas à atividadefim das diversas empresas (leiase Hotéis) pertencentes ao Grupo Pestana,eram centralizados em BRASTURINVEST (BRTV), a qual contraía as obrigações perante terceiros, exclusivamente, em nome do Grupo. Conta n° 348730204 "Fee de Gestão". À época da Fiscalização, a Recorrente não foi capaz de encontrar o Contrato de Administração firmado entre BRASTURINVEST ('Administradora') e RASH (proprietária do Hotel Rio Pestana Atlântica). Nesta oportunidade, todavia, vem juntar a cópia do contrato que estipula que a BRASTURINVEST (' Administradora') se comprometeu a administrar o Pestana Rio Atlântica Hotel, de propriedade da RASH (Proprietária), prestando serviços que incluíam a manutenção dos Padrões de Qualidade na administração e serviços do Hotel: Indicação, contratação, treinamento, supervisão e apoio do gerente geral do Hotel e responsáveis operacionais; coordenação e supervisão da manutenção do Hotel, entre outros (Cláusula 2.01, letra "C"). Apresenta os documentos (Notas Fiscais, cópias de Livros Razão Analítico, tabela dos valores repassados, Notas Fiscais, além do Contrato) que atestam a efetiva prestação dos serviços. Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.295 6 Conta 348630307 "Marketing/Inst. Adverstising". Quanto às despesas com Marketing, Publicidade, propaganda em geral, o aludido contrato de Gestão prevê, na Cláusula 3, as linhas gerais para que a PM S.A. realize, em nome de BRTV, a divulgação dos Hotéis (publicidade, comercialização, marketing etc...). A PM S.A. comprometese, perante a Impugnante (BRTV), a incluir os hotéis no material promocional e publicitário da cadeia Pestana Hotel & Resorts, bem como a divulgar os hotéis. A PM S.A. incorre em despesas promocionais em benefício de todos os Hotéis Brasileiros, de modo que é absolutamente natural que BRTV apure e contabilize as despesas que cada uma das interessadas tem nos custos que aquela incorre a esse titulo, o que se encontra lançado na conta 348630307 —"Marketing/Inst. Adverstising". As notas fiscais anexas descrevem, pormenorizadamente, e comprovam a natureza dos serviços prestados por PM S.A.. Os assuntos relacionados nas Notas estão diretamente vinculados ao objeto do referido contrato, v.g., 'Direção Central de Vendas de Marketing'; 'ECommerce', 'Comunicação e Imagem'; 'Marketing, Comunicação e Relações Públicas', Salários de Pessoal (alocados à área de divulgação, publicidade e marketing institucional), e despesas afins, tal como relacionado nas referidas Notas Fiscais. Do cotejo entre o Contrato de Gestão colacionado e as Notas Fiscais anexas, já é possível inferir que as despesas contabilizadas estavam diretamente ligadas ao disposto no aludido contrato e relacionavamse, portanto, com a atividadefím do ramo de hotelaria, a saber, marketing e publicidade dos hotéis, no exterior. DESPESAS OPERACIONAIS. Depreendese, pois, sem maiores dificuldades, que tais despesas eram, sim, usuais, necessárias e normais. Tais despesas, vinculadas às supramencionadas contas, eram mesmo todas operacionais e, por se tratar de gastos imprescindíveis à Impugnante, devem ser consideradas dedutíveis. Tais despesas, por estarem vinculadas à atividadefim da Impugnante, apresentamse, conseqüentemente, como usuais, necessárias e imprescindíveis à manutenção de sua fonte de produção — ramo de turismo e hotelaria . Da Efetividade dos serviços prestados. Ônus probatório da Fazenda. Detém a autoridade administrativa tributária o onus probandi, a fim de subsidiar eventual Auto de Infração e imposição de Multa por ela lavrado. Estando as despesas devidamente escrituradas e apoiadas em documentos idôneos que já foram apresentados e que ora se anexam , e mais, restando devidamente comprovadas a contratação e a efetividade dos pagamentos às empresas beneficiadas, conforme se pode constatar, compete à fiscalização a imprescindível prova de que os documentos apresentados são inidôneos e que os dispêndios, por isso, não são dedutíveis. Falar em usualidade ou necessidade à manutenção da fonte produtora, além de não competir à Autoridade fiscal, foge à sua atuação, já que está nitidamente fora do contexto do ramo em que atua a ora Impugnante, mormente quando a referida autoridade não levantou suspeita quanto à idoneidade dos documentos apresentados. Ao apresentar os documentos requeridos pela Autoridade administrativa, incoerente seria obrigar a Impugnante a fazer prova de algo que, conforme já devidamente demonstrado, com supedáneo em documentação absolutamente idônea, já teria sido efetivado, devendo, caso assim entendesse a Autoridade administrativa de modo contrário, provar que o mesmo não se efetivou, ou seja, que em algum momento tal não se perfez. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.296 7 A jurisprudência maciça da Corte Administrativa quanto ao onus probandi, para fins de constatação da efetiva prestação dos serviços, para fins de dedutibilidade das despesas correspondentes, ainda é claro ao dispor acerca da obrigação da Fiscalização no sentido de apurar indícios contra o contribuinte, sob a forma, inclusive, de diligências contra o prestador dos serviços e emitente das Notas Fiscais. A lei é claríssima ao impor tais obrigações e ônus (efetivo) ao Fisco, como se verifica do artigo 276 do RIR/99. Verificase inadmissível, sob qualquer prisma, permitir que tais atos emanados pelas autoridades administrativas competentes gozem de presunção de veracidade, em razão da ausência e / ou da insubsistência de elementos probatórios. Caberia unicamente à Fiscalização indicar quais os documentos que entende ser imprescindíveis, além de nominálos e individualizálos. Não foi feito pelo fiscal qualquer questionamento quanto a idoneidade das provas. O trabalho da Fiscalização foi glosar despesas de serviços suportadas por documentos fiscais idôneos. Logo, deixou a Autoridade Administrativa de fazer prova quanto à não idoneidade de tais serviços, não havendo, assim, que se falar em irregularidade fiscal da Impugnante em comprovar que eram "bons" a suportar a pretendida dedutibilidade, quando a bem da verdade tal comprovação era ônus da Fazenda. Em tese, o que há é a mais nítida inversão do onusprobandi: desejou a Fiscalização imputar à Impugnante o dever de comprovar que a sua contabilidade, que a sua escrita fiscal e documentos de suporte seriam idôneos de modo a respaldar a dedutibilidade da despesa. DO CONTRATO DE RATEIO DE DESPESA ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. Conta n° 348630404 "VendasCustos Gerais"; Conta n° 348630402 "Vendas Custo de Pessoal". As despesas foram assumidas por BRTV, gestora dos hotéis, consoante descrição acima, e relacionamse a custos gerais para a promoção das vendas, bem como a custos de pessoal. Estas despesas comuns foram centralizadas junto à BRTV e, posteriormente, foram contabilizadas (ressarcimento/reembolso) por cada uma das empresas beneficiadas, conforme divisão constante da Comunicação Interna n° 018/2007. Ali resta consignado o percentual de rateio a ser apropriado para cada Hotel administrado. O critério utilizado está em estrita sintonia com o critério utilizado a nível mundial, qual seja, número de quartos ocupados em comparação com o total de quartos existentes. Se, de um lado, para a empresa centralizadora das despesas, o reembolso não constitui receita tributável, para as empresas beneficiadas, tal como a Impugnante, a despesa correspondente ao mencionado ressarcimento precisa ser dedutível, já que, como se viu, contempla atividadefim. No caso do reembolso de despesas, conforme se pode depreender, não há qualquer contrapartida, sob a forma da saída de um bem, produto ou prestação de serviço. Ainda que estejamos diante de Notas Fiscais de Serviços, o objeto destas é mesmo promover efetivo Rateio de Despesas Comuns, incorridas de forma centralizada pela Holding BRASTURINVEST, sendo certo que a Impugnante se valeu das Notas Fiscais em questão para corporificar a obrigação legal de contabilizar corretamente as despesas em que incorreu, ainda que geridas e centralizadas em beneficio das empresas do grupo econômico. Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.297 8 Reparese o conjunto probatório anexo. Nele é possível verificar, por conta examinada, mês a mês, as despesas incorridas, os critérios de rateio das mesmas, e em benefício da empresa que lhe aproveita, razão pela qual caberia um exame mais aprofundado nesse sentido para perceber que os mencionados valores, contabilizados como reembolsos, são as parcelas que cabiam à empresa RASH (contribuinte fiscalizado) nessa divisão, e em seu benefício. Nas fl. 206 a 210, constam demonstrativos com o rateio de despesas relativo a Março e junho /2008. Ora, como negar às despesas mencionadas, comprovadas através da vasta documentação anexa, que estas não se relacionam com a atividade de venda de ocupação de unidades habitacionais, se este é o core business da Impugnante? Será mesmo que despesas gerais com pessoal e com vendas não são essenciais (despesas operacionais, necessárias) à manutenção da fonte de produção e rendimentos da contribuinte? DAS DESPESAS DE ASSESSORIA COMERCIAL SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS. Glosa de Despesas na Conta n° 34860202 "Assessoria Comercial. Tais despesas são necessárias, usuais e imprescindíveis à manutenção da atividade da Impugnante. O contrato ora anexado (Contrato de Prestação de Serviços VERJ 015/05), referente a serviços prestados por cooperativas de profissionais autônomos, referese ao comumente denominado "time sharing", sendo certo que essa atividade é usual e corriqueira para empresas do ramo hoteleiro. Reparese do seu Anexo 001, que os serviços a serem prestados destinamse à vendas, justamente para ocupação das Unidades habitacionais detidas pela contratante, ora Impugnante. Com efeito, a sociedade Veritas Cooperativa de Profissionais Autônomos recebia como contraprestação pelos serviços executados, conforme contratado, um percentual (17%) dos valores apurados com a venda de ocupação de unidades. Sua obrigação era de resultado; quanto mais eficiente na venda de ocupação de unidades da Impugnante, maior a sua remuneração. O principal objetivo de tais serviços era a ocupação de unidades mediante funcionamento de sistema de tempo compartilhado (time sharing), o qual busca a comercialização do direito de ocupação de unidades habitacionais de complexos turísticos. A idéia é dividir em intervalos, ou pontos equivalentes, uma unidade de hotel ou resort e comercializálas separadamente. A Impugnante, titular do domínio e da posse de determinado Complexo Turístico, contrata um prestador de serviços para promover e comercializar o direito de ocupação das unidades habitacionais. Estas atividades poderiam estar sendo diretamente prestadas pelo próprio empreendedor, todavia, contratase um terceiro com maior expertise. Além do objetivo específico, a comercializadora tem por obrigação: vender o direito de ocupação das unidades para viabilizar a expansão; aumentar o fluxo de clientes na baixa temporada; garantir a rentabilidade e criar um fundo de reserva. Não há qualquer aspecto que descaracterize o liame existente entre a natureza de tais despesas com a atividade da Impugnante. A dedutibilidade das despesas é manifesta, justamente por estar intimamente relacionada à sua atividadefim. Requer, assim, a improcedência do auto que glosou as despesas lançadas sob contas n° 348730204 "Fee de Gestão", n° 348630404 "VendasCustos Gerais", 348630402 "Vendas Custo de Pessoal", 348630301 "Marketing/Inst. Advertising" e n° 34860202 "Assessoria Comercial", por se tratar de despesas necessárias, usuais e imprescindíveis à atividade da empresa. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.298 9 Requer, ainda, a juntada dos documentos anexos, todos comprobatórios do bom direito da Impugnante, protestandose, desde já, pela juntada posterior de outros documentos." Passo a complementar o relatório da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ). A decisão da supracitada DRJ, que restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. GASTOS COM GESTÃO HOTELEIRA E ASSESSORIA COMERCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. A dedutibilidade de despesas relativas à prestação de serviços impõe ao sujeito passivo a prova de que os referidos serviços foram efetivamente prestados e de que são normais, usuais e necessários à atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. Se a exigência da CSLL decorre da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada para a referida contribuição, no mérito, a mesma decisão proferida para o mencionado imposto, desde que não haja arguições específicas ou elementos de prova novos que conduzam a conclusão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Diante da improcedência de sua impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repete basicamente todos os seus argumentos iniciais de defesa. É o relatório. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.299 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo qual, dele conheço. Trata o presente processo de Autos de Infração de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2008. Neste período o contribuinte optou pelo Lucro Real anual, conforme consta na DIPJ/2008 (fl. 3 a 38). As despesas ocorreram na empresa RASH ADMINISTRAÇÃO DE HOTÉIS E TURISMO LTDA, que foi sucedida pela BRASTURINVEST S/A. Fundamentalmente, a fiscalização considerou como indedutíveis as despesas relativas a prestação de serviços de: a) gestão hoteleira, e; b) despesas de assessoria comercial. As despesas de gestão hoteleira estão lançadas na contabilidade da interessada na conta 348730204 "Fee de Gestão". Tal conta abrange as seguintes subcontas: 348630404 "Vendas Custos Gerais", 48630402 "Vendas Custo de Pessoal"; e 348630301 "Marketing/InstAdvertising". Estas despesas são relativas ao contrato de gestão hoteleira celebrado entre a Interessada e sua controladora PESTANA MANGEMENT SERVIÇOS DE GESTÃO S/A, sediada no exterior, em 20/04/2004. Quando intimado a apresentar documentação comprobatória das despesas, o contribuinte apresentou cópia do contrato e as notas fiscais correspondentes. Com relação às despesas relativas a Assessoria Comercial, estas estão lançadas na conta n° 34860202. Durante a fiscalização, a Interessada encaminhou somente cópia do Contrato de Prestação de Serviços VERJ 015/05, relativo a prestação de serviços por cooperativa de profissionais autônomos, e cópia de notas fiscais. A fiscalização não questionou a idoneidade dos documentos apresentados, mas considerou a documentação insuficiente para comprovar a efetividade da prestação dos serviços, bem como questionou (mesmo que comprovadas as despesas) que as mesmas não seriam úteis e necessárias para a atividade da empresa. A despesa, para ser considerada operacional e consequentemente dedutível, deve ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, ou seja, é a despesa sem a qual o empreendimento não pode ir adiante, são os dispêndios que possibilitam à empresa promover suas atividades. Portanto, os dispêndios relativos ao pagamento a outras empresas prestadoras de serviços só podem ser considerados como despesas operacionais, quando constar dos autos a comprovação de que os mesmos se realizaram em benefício da empresa. Não basta comprovar que a despesa foi assumida e que houve o desembolso, sendo indispensável comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Fazse mister, também, que haja comprovação da efetiva prestação do serviço, por meio de documentos hábeis e idôneos, sob pena de o desembolso se caracterizar como gasto por mera liberalidade e não ser considerado como dedutível. Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.300 11 Nas fl. 311 a 328, consta o contrato de gestão hoteleira entre a Interessada e a Pestana Management. Nas fl. 330 a 336, está inserta cópia do Razão com a contabilização das despesas relativas ao contrato de Administração entre a Pestana e o Rio Atlântico Hotel (fl.350 a 380). Destaquese que este último contrato não está assinado (fl.380). As Notas Fiscais de Serviços foram acostadas nas fl. 338 a 349. Estas notas de fato estão completamente ilegíveis, não sendo possível vislumbrar qualquer descrição de serviço, nem mesmo se estão relacionadas com as despesas lançadas. Atentese que as notas fiscais nesta situação, não comprovam a efetividade da prestação de serviços; havendo a necessidade da apresentação dos documentos outros, que descrevam minuciosamente os serviços prestados (principalmente no caso em comento, onde as notas fiscais estão ilegíveis), o que não foi feito. Nas fls. 382 a 386 há uma cópia do Razão Analítico relativo à conta 3.4.86.3.03.01 Marketing/Inst. Advertising. Nas fl. 387 a 411, há algumas faturas emitidas pela Pestana Management Serviços de Gestão S.A., que indicam apenas os valores de alguns serviços que supostamente teriam sido efetuados para a RASH, contudo não há nenhuma descrição dos serviços. Em nenhum item da autuação, fazse qualquer referência a uma possível inidoneidade dos documentos. O motivo da autuação é que estes documentos não são hábeis para comprovar a efetividade da prestação dos serviços. A decisão da DRJ, em virtude dessas constatações (falta de documentação hábil), entendeu por bem julgar improcedente a impugnação do contribuinte, deixando claro o "indeferimento de juntada de novos documentos" Mesmo reconhecendo a fragilidade de alguns documentos, também destaco que existem vários documentos regulares (contratos assinados e notas fiscais legíveis) que tão pouco foram aceitos como hábeis. Vejase, por exemplo, os contratos de fls. 7396 (PESTANA X BRASTURINVEST) e de fls. 94100 (RASH X VERITAS) e ainda as notas fiscais de fls. 101120. Assim, entendendo a preocupação da fiscalização no sentido de verificar a efetiva prestação de serviços, proponho baixar o processo em diligência, para que a Unidade Preparadora: a) circularize intimação junto aos prestadores de serviços em questão (PESTANA s/ gestão hoteleira e VERITAS s/ assessoria comercial) para que se manifestem, de seu lado, sobre a realização efetiva (ou não) dos serviços em discussão; b) em caso afirmativo, que apresentem documentos comprobatórios do alegado, especialmente em relação à PESTANA, as cópias de suas vias das notas de prestação de serviço tomados pela recorrente, posto que a via juntada por esta estão ilegíveis (fls. 338 349). c) a autoridade responsável pela diligência pode, se assim o desejar, questionar o sujeito passivo sobre qualquer tópico que seja considerado relevante, considerando que os documentos apontados foram trazidos pelo sujeito passivo; c) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora elaborar relatório circunstanciado, cientificando o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Uma vez esclarecidos esses fatos, entendo que o recurso estará em condições de ser julgado, primeiro para examinarmos se a documentação reunida prova ou não a efetividade dos serviços e, em seguida, se os serviços eventualmente comprovados se enquadram naqueles usuais e necessários para as atividades realizadas pela recorrente. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/201211 Resolução nº 1402000.375 S1C4T2 Fl. 2.301 12 É o meu voto. Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10120.729216/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.863
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de parcial deferimento do ressarcimento de crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela Fiscalização, em que se detectaram divergências em relação às informações prestadas pelo contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e nos arquivos digitais de notas fiscais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 29 21 6/ 20 12 -9 0 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10120.729216/201290 Resolução nº 3301000.863 S3C3T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado (i) cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação de causa e efeito existente entre este e o processo administrativo nº 10120.725.254/201516 (auto de infração), (iii) direito a crédito presumido decorrente da venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja e (iv) direito a crédito presumido referente à soja adquirida para produção de farelo. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.857, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10120.729209/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.857): 6. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. 7. Entretanto, diante da petição de fls. 245, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. CONCLUSÃO 8. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente ao crédito presumido da Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos ao crédito presumido da Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.729216/201290 Resolução nº 3301000.863 S3C3T1 Fl. 4 3 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu redistribuir o presente processo à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, por já existir processo vinculado a este por conexão (processo nº 10120.725254/201516). (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.003239/2008-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sun Sep 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃO COMPARADOS. NÃO CONHECIMENTO.
A ausência de similitude fático-jurídica entre aos acórdãos paradigmas e recorrido prejudica a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, ensejando, assim, o não conhecimento recursal.
Numero da decisão: 9101-005.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃO COMPARADOS. NÃO CONHECIMENTO. A ausência de similitude fático-jurídica entre aos acórdãos paradigmas e recorrido prejudica a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, ensejando, assim, o não conhecimento recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata-se de recurso especial (fls. 191/195) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (“PGFN”) em face do Acórdão nº 1803-01.440 (fls. 170/188), da 3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por meio do qual o Colegiado, por unanimidade de votos, deu integral provimento ao recurso voluntário. Transcreve-se abaixo a ementa dessa decisão: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 32 39 /2 00 8- 16 Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO IMPOSTO DE RENDA. Os rendimentos de aplicações financeiras, de renda fixa e variável, não compõem a base de cálculo para apuração do imposto de renda. Tudo segundo entendimento do fora disciplinado nos artigos 224 e 225 do RIR/99. Em resumo, o presente processo tem por origem o Auto de Infração de fls. 23/29, que exige multa isolada de IRPJ em decorrência de diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago a título de estimativas relativas aos períodos de apuração de 2005 a 2008. De acordo com o TVF (fls. 17/18): Como resultado da análise da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo supra identificado, conforme demonstrativos de sua escrituração contábil e fiscal, apresentados em atendimento à intimação de fls., em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, verificamos: 1 - Erro na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, para IRPJ e CSLL, sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE), para apuração da base de cálculo e consequente insuficiência dos valores mensais a recolher, por estimativa, nos períodos de apuração elencados nas planilhas anexadas às fls. 07 a 13, e folhas de continuação dos respectivos Autos de Infração. (...) A empresa apresentou impugnação (fls. 35/44), alegando, em síntese, que a fiscalização, ao reconstituir a apuração das estimativas do tributo, obteve uma base incorreta, tendo em vista que, ao contrário do que estabelece o §1° do art. 225 do RIR/99, indevidamente incluiu rendimentos de aplicações financeiras que superam em muito os valores encontrados como diferença. Argumenta, ainda, que, uma vez findo o ano-calendário e entregue a declaração de ajuste anual, não cabe ao fisco cobrar multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ, haja vista que se exauriu a capacidade contributiva. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, de acordo com o Acórdão nº 12-34.327 (fls. 120/122)., do qual extrai-se a seguinte passagem: No Termo, a fiscalização aponta que houve erro na aplicação do percentual de 8% sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE) na apuração da base de cálculo dos valores mensais a recolher por estimativa. Os valores lançados foram demonstrados nas planilhas de fls. 16/19. Do exame destas, verifica-se que, na parte superior da planilha, a fiscalização reproduz as planilhas elaboradas pelo próprio interessado (fls. 7/13), que demonstram o montante do IRPJ/estimativa por ele apurado e informado na DIPJ (ex. novembro/2005 - base de cálculo R$1.435.536,92 - fl. 70). O valor que serviu de base para lançamento de ofício foi apurado na parte inferior da planilha. Apenas a diferença de percentual (32% - 8% = 24%) sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE) constituiu base para cálculo da multa isolada lançada, como exemplificado abaixo: (...) Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 Portanto, não prospera a alegação de ter a fiscalização, ao reconstituir a apuração das estimativas do tributo, obtido uma base incorreta, ao incluir rendimentos de aplicações financeiras. As receitas financeiras constaram da base apurada pelo interessado e não foram objeto de lançamento de ofício. Os rendimentos e ganhos líquidos produzidos por aplicação financeira de renda fixa e de renda variável a que se referem o § 1°, do art. 225, do RIR/1999, são considerados na base de cálculo do imposto de renda mensal quando não houverem sido submetidos à incidência na fonte ou ao recolhimento mensal previstos nas regras específicas de tributação a que estão sujeitos (artigos 65 a 75 de Lei n° 8.981/1995), conforme art. 7°, I, e §, da IN 93/1997. As pessoas jurídicas que optam pelo lucro real anual têm que pagar, mensalmente, imposto de renda por estimativa. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa isolada. A multa isolada lançada encontra amparo legal no art. 44, II, b, da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei n" 11.488/2007, aplicada em face do art. 106, II, c, do CTN). A Autoridade Administrativa não dispõe de competência legal para examinar a constitucionalidade/legalidade de leis inseridas no ordenamento jurídico nacional (competência privativa do Poder Judiciário - art. 102, da Constituição). A diferença de percentual e os valores indicados pela fiscalização (relativos à prestação de serviço Representação na CCEE/MAE) não foram elididos. Deste modo, deve ser mantido o lançamento, efetuado de acordo com a legislação vigente, por não ter o interessado apresentado elemento de prova capaz de elidi-lo. Instado a pagar ou a recorrer, insurgiu a contribuinte com a apresentação tempestiva de recurso voluntário (fls. 126/140), recurso este que foi julgado integralmente procedente pelo referido Acórdão nº 1803-01.440 (fls. 170/188). De acordo com o voto condutor do Aresto: (...) Quanto ao mérito da demanda, cumpre aduzir que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da receita bruta, visto restar disciplinado nos artigos 224 e 225 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o que segue: “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único).” Ganhos de Capital e outras Receitas “Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º).” Contudo, embora as receitas financeiras não possam adentrar à base de cálculo, tal como disposto acima, a fiscalização acabou por seguir o erro apurado pelo contribuinte, em suas planilhas, e incluiu-as no cômputo da apuração do imposto em comento. Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 De igual modo, pude verificar que a fiscalização apurou erro na aplicação do percentual sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE). Nesse sentindo, e para esclarecer melhor a questão, entendo ser necessário recompor os cálculos, refazendo a referida planilha que foi aproveitada pela fiscalização para apuração da multa, ora em discussão. Assim, segue abaixo o demonstrativo das apurações e recolhimentos, bem como da autuação realizada pela fiscalização. Contudo, passo a considerar o percentual determinado pela fiscalização sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE), retirando da base de cálculo os valores de aplicações financeiras. No entanto, imperioso referir que afere-se, dessa nova recomposição da planilha, que a empresa recorrente acabou por pagar, no curso dos anos calendários em apreço, mais do que o devido, ainda que aplicada a diferença do percentual questionado. Segue planilhas dos meses e anos autuados: (...) Assim, tem-se que os valores de rendimentos de aplicações financeiras foram incorretamente adicionados à base de cálculo e ainda que se considerasse a multa isolada aplicada como devida, os valores recolhidos/pagos pela empresa recorrente superam os que foram levantados como diferença de base e aplicado como multa. Frente às planilhas refeitas, pode-se concluir que a empresa não é devedora dos valores ora lançados. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Intimada da decisão, a PGFN apresentou o recurso especial (fls. 191/195), sustentando que o acórdão em questão diverge do que restou decidido nos Acórdãos paradigmas nº s 1301-000.763 (fls. 222/239) e 1802-001.343 (fls. 196/221). Despacho de fls. 243/246 admitiu o Apelo nos seguintes termos: Alega a Recorrente que o posicionamento adotado no acórdão recorrido choca-se com a decisão proferida nos Acórdãos nº 1301-000.763, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, e nº 1802-001.343, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF. Em atendimento ao disposto no art. 67, § 7º do Anexo II do RICARF/2009, o Recurso foi instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos paradigmas, cujas ementas foram assim reproduzidas pela Recorrente: Acórdão n° 1301-000.763 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Períodos-base 1º, 2º, 4º e 4º trimestres de 2002. OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS – Correta a exigência incidente sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras, quando o contribuinte não logrou comprovar havê‑los oferecido a tributação.” Acórdão nº 1802-001.343 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ e CSLL.” A fim de melhor demonstrar a similitude fática e a divergência jurisprudencial, a Recorrente confrontou trecho do voto condutor dos acórdãos recorrido e paradigma nº 1802-001.343, nos seguintes termos, mantidos aqui os destaques: Acórdão recorrido Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 “Quanto ao mérito da demanda, cumpre aduzir que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da receita bruta, visto restar disciplinado nos artigos 224 e 225 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o que segue: (...)” Acórdão paradigma nº 1802-001.343 “A Recorrente alega que o imposto foi devidamente recolhido, por meio da incidência na fonte e ainda que se entenda o contrário, trata-se de receita não sujeita a tributação, haja vista a definição de faturamento que foi objeto de amplos debates no STF que entendeu somente ser possível a equiparação entre faturamento e receita bruta quando esta for definida e aplicada em sentido estrito, isto é, com exclusão de qualquer outra receita que não seja a decorrente da venda de mercadorias e serviços. Assim, entende inexigíveis os valores do PIS/PASEP e da COFINS conforme entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal. Ao teor do artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras serão acrescidos à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Aplicando‑se também à CSLL, por força do disposto no art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Observa‑se no Auto de Infração à fl. 325, que no Demonstrativo de Apuração do IRPJ – Lucro Presumido, foi compensado o valor de R$ 655,86 com o imposto devido referente ao 4º trimestre de 2003. Assim, corretos os lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL. ” Verifica-se que, de fato, recorrido e paradigmas versaram sobre situações em que se decidiu se incidiria ou não Imposto de Renda sobre rendimentos decorrentes de aplicações financeiras. Entretanto, enquanto no recorrido decidiu-se não haver incidência do Imposto de Renda sobre receitas financeiras, nos paradigmas entendeu-se que sobre tais rendimentos incidiria referido tributo. Ante o exposto, restou evidenciada a divergência jurisprudencial exigida para o prosseguimento do Recurso Especial. Chamada a se manifestar, a contribuinte ofereceu contrarrazões ao recurso especial da PGFN (fls. 259/266). A título de preliminar, alega que “os supostos paradigmas não confiram divergência em relação ao acórdão recorrido. As decisões tratam de apuração final do IRPJ pelo lucro presumido, enquanto o acórdão recorrido trata da apuração das estimativas mensais (Lucro Real Anual)”. No mérito, sustenta que nenhum reparo cabe à decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conhecimento O recurso é tempestivo e atendeu os demais requisitos legais. De uma análise mais atenta das decisões tidas como paradigmas, porém, entendo que a divergência jurisprudencial não restou caracterizada. Senão, vejamos. Nesse caso concreto, o que se discute é se os rendimentos provenientes de aplicações financeiras devem ou não ser computados pelo contribuinte – sujeito ao Lucro Real Anual - para fins de calcular as estimativas devidas a título de antecipação mensal de IRPJ. Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 Segundo a decisão recorrida, tais espécies de rendimentos, à luz dos artigos 224 e 225 do RIR/99, não devem compor a base de cálculo da estimativa, fato este que se mostrou suficiente para afastar a diferença apurada que deu azo à cobrança das multas isoladas aqui discutidas. O primeiro paradigma (Acórdão nº 1301-000.763 - fls. 222/239) diz respeito à autuação que exigiu IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), decorrente da constatação fiscal de que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, teria praticado: “(a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; (b) depósitos bancários originados em receitas operacionais não oferecidas à tributação, mediante informação na DIPJ respectiva, e (c) omissão de receita de rendimentos de aplicações financeiras (Termo de Verificação Fiscal às fls. 501/519)”. Especificamente quanto ao item “c”, da leitura do inteiro teor do acórdão é possível verificar que a contribuinte não questionou a incidência dos rendimentos financeiros para fins de IRPJ e CSLL, mas apenas em relação às contribuições ao PIS e COFINS. Tanto é assim que o acórdão assim julgou a matéria: (...) Sobre os rendimentos de aplicação financeira, alega a Recorrente que as exigências formalizadas para o PIS e a COFINS são improcedentes, eis que têm base no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, dispositivo julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse ponto, assiste razão à Recorrente, visto que o STF declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo imposto pelo apontado dispositivo. Assim, os rendimentos de aplicações financeiras não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) Como se nota, o julgado em questão não analisou a matéria aqui discutida, a qual, repita-se, consiste na obrigação ou não de um contribuinte sujeito ao Lucro Real Anual incluir ou não as receitas financeiras para fins de cálculo de estimativa mensal. O Acórdão nº 1301-000.763, portanto, não é hábil a demonstrar o dissídio. Isso se repete com o Acórdão nº 1802-001.343 (“segundo paradigma” - fls. 196/221), afinal ele tratou de situação fática que também não guarda nenhuma semelhança com a presente. Lá, discutiu-se, dentre outras matérias, omissão de receitas financeiras obtidas nos meses de novembro e dezembro de 2003, nos valores de R$ 191,61 e R$ 3.084,61, auferidas do Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S/A, tendo sido retido na fonte os valores de R$ 38,32 e R$616,92, conforme Dirf. Essa omissão restou na cobrança de IRPJ e CSLL relativos ao final do período de apuração, com base no lucro presumido e que foi considerada devida com fundamento no artigo 521 do RIR/99, in verbis: Ao teor do artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras serão acrescidos à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Aplicando-se também à CSLL, por força do disposto no art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Observa-se no Auto de Infração à fl. 325, que no Demonstrativo de Apuração do IRPJ – Lucro Presumido, foi compensado o valor de R$ 655,86 com o imposto devido referente ao 4º trimestre de 2003. Assim, corretos os lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL. Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 Também nesse caso, portanto, não há que se falar em similitude fático-jurídica com a situação presente. Conclusão Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.001205/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO-TRIBUTÁVEL (N/T).
A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não-tributável. Neste caso, em vista de que a exportação de produto classificado como não-tributável pela legislação do IPI não confere direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-009.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório apenas em relação aos insumos qualificados como sujeitos à alíquota zero, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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PRODUTO NÃO- TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não-tributável. Neste caso, em vista de que a exportação de produto classificado como não-tributável pela legislação do IPI não confere direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório apenas em relação aos insumos qualificados como sujeitos à alíquota zero, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 12 05 /2 01 0- 50 Fl. 779DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 Retorna à apreciação do colegiado recurso voluntário cujo julgamento teve início em sessão realizada em novembro de 2014. Na ocasião, o Conselheiro Fernando Cleto assim o relatou: Consta dos autos que o crédito tributário em questão refere-se a crédito presumido de IPI referente a aquisições de pessoas físicas, baseado em decisão proferida no Processo Judicial n° 2002.81.00.0013151 da empresa incorporada, no ano de 2002, Iracema Indústrias de Caju Ltda, CNPJ 05.866.835/000142, transitado em julgado em 19/07/2007, tendo como número do Processo de Habilitação do Crédito 10980.009854/200965. A DRF de origem não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI sob o argumento de que os produtos exportados pela contribuinte são classificados na TIPI como NT (não tributados), situação esta que não dá direito A. utilização do beneficio previsto na Lei n° 9.363/96. Acrescenta ainda, que a contribuinte inseriu nos cálculos para atualização dos valores dos créditos presumidos do IPI a taxa selic, cujo procedimento não encontra respaldo legal tendo em vista que o dispositivo que permite a correção pelos juros selic é exclusivo para repetição de pagamento indevido ou a maior de tributos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 338/354) contra a não homologação das compensações, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) o não reconhecimento do seu direito à. utilização do crédito presumido de IPI nos termos da Lei n° 9.363/96 viola de forma flagrante a sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n° 2002.81.00.0013151; b) após a recorrente ter tido reconhecido, de forma definitiva, o seu direito de se utilizar do beneficio do crédito presumido de IPI, não há como se alegar que o fato dos produtos por ela exportados serem classificados como NT não permite a utilização do beneficio em questão, pois toda a discussão quanto ao reconhecimento do direito da recorrente ao mencionado beneficio foram enfrentadas e resolvidas com definitividade no Mandado de Segurança; c) além do mais, inexiste restrição na Lei n° 9.363/96 para aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI a produtos classificados corno NT na TIPI. A recorrente é empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, não interessando se os seus produtos são notados como NT; d) no caso especifico da requerente, os produtos por ela exportados são aqueles resultantes do processo de beneficiamento da castanha de caju, o simples fato de seus produtos configurarem como NT na TIPI não é capaz de desnaturar a condição de empresa produtora, isto é, de empresa que realiza processo de industrialização; e) considerando que o direito ao ressarcimento equipara-se ao direito de restituição de qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal. o que de acordo com a disposição contida na legislação aplicável deve ser atualizado pela taxa selic. E, segundo jurisprudência tanto do STJ como do STF, na hipótese de o Fl. 780DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 crédito não ter sido utilizado em função de óbice criado pelo próprio Fisco, deve ser aplicada a atualização monetária em homenagem ao principio da não-cumulatividade, bem como para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. A DRJ houve por bem em não acolher as alegações da recorrente, mantendo a decisão proferida anteriormente, sob o argumento de que os produtos NT não ensejam o direito a crédito, bem como que o reconhecimento do direito a créditos de IPI limita-se aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 412/435), reiterando as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando, ao final a procedência do pedido de compensação dos créditos de IPI. Não houve apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este conselho para julgamento. É o relatório. Naquela assentada, o relator afirmou e concluiu: (...) Com efeito, como bem ressaltou a recorrente em suas razões, não cabe mais levantar, na esfera administrativa, se a recorrente tem ou não direito a se utilizar do benefício, pois toda a discussão do direito em questão já foi devidamente discutida no processo judicial, com resultado favorável ao contribuinte transitado em julgado. Ademais, se a decisão judicial concedeu o direito a crédito ao recorrente, como já explanado, não pode a administração negá-lo sob o argumento de que não se trata de crédito prêmio e sim de NT. Ora, negar-se a cumprir a decisão proferida no Mandado de Segurança é desrespeitar a liturgia das nossas cortes judiciais, o que, tenho certeza, não é esse o escopo desse Conselho. Assim sendo, a autoridade administrativa estaria limitada a aferir se o valor do crédito foi ou não apurado de forma correta de recorrente e não discutir se existe o direito ou não ao mencionado benefício, visto que este já foi sotrancado na esfera judicial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, determinando a remessa dos presente autos à DRJ para que se verifique se os valores apresentados pela recorrente estão corretos ou não. Fl. 781DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 Dessa proposição dissentimos o Conselheiro Fenelon Moscoso (Suplente convocado) e eu, tendo sido ela acompanhada pelos Conselheiros Robson Bayerl (Suplente convocado), Jean Cleuter e Angela Sartori. A diligência não foi cumprida a contento, manifestando-se a autoridade dela incumbida por meio de "Informação Fiscal" na qual, após "relatar" o processo conclui nos seguintes termos: (...) Concluindo, conforme o Acórdão nº 1434.802 da 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (ainda em vigor) os valores apresentados não estão corretos, uma vez que o contribuinte não tem direito ao crédito presumido de IPI por exportar produto NT independentemente das entradas serem de pessoas físicas (decisão judicial) ou jurídicas (IN 23/97). No entanto se o CARF decidir pelo provimento do recurso voluntário apresentado pela empresa faremos os cálculos nos termos do novo Acórdão. Sendo o que tínhamos a informar, sugerimos o retorno ao CARF para prosseguimento Em nova sessão de julgamento, realizada em 28 de janeiro de 2015, esta e. Turma decidiu por converter o julgamento em diligência quela sentada, esta e. Turma decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Nesta senda, entendo que não há elementos suficientes no presente processo para que se possa afirma categoricamente pela existência ou não do direito vindicado, cumprindo, mais uma vez, em homenagem ao princípio da verdade material, nova conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: 1. Que a diligência ora proposta seja realizada pela unidade de jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento produtor, onde se originaram os créditos ora requeridos; 2. Que seja verificado, no período de apuração objeto deste pedido de ressarcimento (janeiro/1997 a dezembro/2001), quais os produtos exportados pelo estabelecimento produtor, respectivas classificações fiscais na TIPI/TEC e alíquotas então vigentes; 3. Apartar o montante das exportações, no período, de produtos com notação NT (Não Tributados) e tributados com alíquota zero, se existentes; 4. Havendo produtos tributados com alíquota zero, proceder ao levantamento do direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 em relação a eles, considerando as aquisições de pessoas físicas, tal qual Fl. 782DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, cujas peças foram acostadas ao presente processo; 5. Informar se o crédito apurado na forma do item anterior foi, porventura, reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo e, em caso positivo, indicar o seu número; 6. Elaborar relatório circunstanciado das verificações realizadas, com as informações reputadas relevantes ao deslinde da presente demanda; 7. Abrir vista ao contribuinte do relatório elaborado e franquear-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Findo o procedimento, com ou sem sobredita manifestação, devolvam-se os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à diligência, a unidade de preparo informa o que segue: Atendimento ao Solicitado 6. Fundamentados nos documentos acima, na Lei nº. 9.363/96, instituidora do direito ao crédito presumido do IPI, e ao decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, apresentamos a seguir as informações e esclarecimentos solicitados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 7. Solicitação Item 2.1: Quais produtos exportados pelo estabelecimento produtor, respectivas classificações fiscais na TIPI/TEC e alíquotas então vigentes? 8. Atendimento Item 2.1: De acordo com todas as operações de exportação efetuadas pelo contribuinte no período de 01/01/1997 a 31/12/2001, conforme anexo PRODUTOS EXPORTADOS (SISCOMEX), os produtos exportados, sua classificação fiscal na TIPI/TEC e respectiva tributação IPI então vigente, estão relacionados no anexo intitulado PRODUTOS EXPORTADOS – CLASSIFICAÇÃO FISCAL E TRIBUTAÇÃO IPI. 9. Oportuno esclarecer que o total de 2341 itens exportados resultou das diferentes descrições dadas pelo contribuinte para cada produto; para melhor entendimento, os mesmos seguem abaixo agrupados de acordo com o código NCM declarado nos documentos de exportação: Fl. 783DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 10. Solicitação Item 2.2: Apartar o montante das exportações, no período, de produtos com notação NT (Não Tributados) e tributados com alíquota zero, se existentes. 11. Atendimento Item 2.2: A partir da classificação fiscal do IPI registrada em cada documento de exportação relacionado no anexo PRODUTOS EXPORTADOS (SISCOMEX), agrupamos os produtos exportados em NT/Não Tributados e Tributados Com Alíquota Zero e totalizamos os valores por ano da exportação, conforme abaixo: 12. O total exportado em todo o período, conforme a classificação fiscal do produto, foi consolidado na tabela a seguir: 13. Solicitação Item 2.3: Havendo produtos tributados com alíquota zero, proceder ao levantamento do direito ao crédito presumido previsto na Lei Fl. 784DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 nº. 9.363/96 em relação a eles, considerando as aquisições de pessoas físicas, tal qual decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151. 14. Atendimento Item 2.3: Constatada a existência da exportação de produtos tributados na TIPI/TEC com alíquota zero, efetuamos os cálculos dos valores do crédito presumido nos anos de 1997 a 2001 de acordo com o previsto na Lei nº. 9.363/96 e ao decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, que determinou considerar as aquisições de insumos de pessoas físicas, conforme mais adiante discriminado no DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. 15. Como inicialmente já informado, destacamos que os valores da Receita Bruta e das aquisições de insumos no mercado interno, considerando as aquisições de pessoas jurídicas e físicas, foram obtidos nas declarações de IRPJ do contribuinte relacionadas no item 6: 16. Assim, levando-se em conta os valores acima e de acordo com o previsto na Lei nº. 9.363/96 e ao decidido no MS 2002.81.00.0013151, o crédito presumido do IPI apurado em cada ano-calendário diligenciado resultou conforme a seguir: 17. Solicitação Item 2.4: Informar se o crédito apurado na forma do item anterior foi, porventura, reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo e, em caso positivo, indicar o seu número. 18. Resposta Item 2.4: O crédito apurado na forma do item anterior não foi reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo. A recorrente apresentou petição em que aduz: (i) que a diligência não foi cumprida adequadamente, haja visto que diligência proposta deveria ter sido realizada pela unidade de jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento produtor, onde se originaram os créditos ora requeridos, qual seja, SEORT/FORTALEZA, no entanto, sem qualquer explicação sobre o descumprimento da determinação do CARF, em evidente prejuízo à contribuinte, a diligência foi cumprida pelo SEORT/CURITIBA; Fl. 785DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 (ii) não há na legislação qualquer limitação ou vedação à concessão do crédito quando as exportações envolverem produtos não tributados – NT, pelo contrário, somente exige-se que a empresa seja produtora e exportadora, novamente, sem qualquer restrição a esses conceitos, sendo que a Recorrente, claramente se enquadra nessa condição. (iii) nos processos administrativos nº 10380.021193/99-63 e 10380.021192/99- 09 (cópia anexa), houve a verificação in loco do processo produtivo da Recorrente pela Receita Federal de Fortaleza, tendo concluído a fiscalização pelo reconhecimento do direito da contribuinte da utilização de créditos presumidos do IPI e verificado que os produtos exportados, em verdade, devem ser classificados com alíquota zero. (iv) a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, uma vez que existe divergência de entendimento entre a Delegacia da Receita Federal de Curitiba e a de Fortaleza quanto ao direito do benefício em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, relator 1. O Recurso é tempestivo e apresentado por procurador devidamente constituído, dele tomo conhecimento. 2. Inicialmente, no que diz respeito ao cumprimento da diligência pela SEORT Curitiba, entendo aplicável ao caso a inteligência da Súmula CARF n. 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 3. Nesse diapasão, se o Auditor-Fiscal de jurisdição diversa é competente para a lavratura do auto de infração, também me parece que ele o é para a resposta de eventual diligência fiscal relativa à autuação, razão pela qual, afasto a referida alegação. 4. Também é de se afastar a alegação quanto à concomitância entre o decidido no âmbito judiciário, e a questão ora debatida, haja vista que, conforme cópias da inicial e da sentença, é possível inferir que a quaestio juris submetida ao judiciário restringiu-se à ilegalidade do prescrito no art. 2º, §2º da Instrução Normativa nº 23/97, que restringia o crédito de insumos e matérias-primas adquiridas de pessoas físicas e cooperativas. 5. Assim, não há que se falar em eventual desrespeito à coisa julgada em decorrência da delimitação da matéria submetida ao poder judiciário, razão pela qual entendo deva ser afastado o fundamento. Fl. 786DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 6. Nesse contexto, desde logo devo pontuar que é aplicável ao caso a Súmula CARF n. 124: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). 7. Significa dizer que caso a Recorrente não comprove que os produtos eram classificados como alíquota zero e não NT, não há como reconhecer no CARF o direito ao crédito presumido. 8. Alega em sua manifestação de e-fls.756-762, que a Tabela TIPI vigente à época determinava como alíquota do IPI da castanha de caju acondicionada em embalagem a alíquota zero, veja-se: 9. Como se percebe, entretanto, apenas os produtos condicionados em embalagem de apresentação é que estão sujeitos à alíquota zero. Conforme perícia juntada pela própria recorrente às fls. 391-396: Fl. 787DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 10. Como se verifica, não se trata de embalagem de apresentação, ou ao menos não há provas nos autos que indiquem o contrário, de que se tratariam de embalagens de apresentação. Importante pontuar, que o mero fato de as embalagens apresentarem logomarca da empresa não desvirtua as embalagens como de transporte, e não de apresentação. 11. Assim, não pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado. Conforme temos nos manifestado, como por exemplo, no acórdão 3401-007.196, de minha relatoria: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO- TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não-tributável. Neste caso, em vista de que a exportação de produto classificado como não-tributável pela legislação do IPI não confere direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. 12. Por fim, quanto à alegação de inclusão da SELIC desde a data do protocolo do Pedido de Ressarcimento, entendo aplicável o entendimento esposado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543-C): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 788DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 13. Assim, de se reconhecer o direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. 14. Ante o exposto, voto por conhecer e no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório apenas em relação aos insumos qualificados como sujeitos à alíquota zero, nos termos da informação fiscal. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 789DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.730997/2018-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2019
MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.POSSIBILIDADE
Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo.
Numero da decisão: 3302-011.493
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.491, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 11080.730962/2018-06 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Paulo Regis Venter (Suplente), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Ausente o Conselheiro Vinícius Guimarães.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA.POSSIBILIDADE Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.491, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 11080.730962/2018-06 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Paulo Regis Venter (Suplente), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Vinícius Guimarães. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de lançamento de multa por compensação não homologada, tratada em outro processo administrativo. A multa foi lavrada com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 09 97 /2 01 8- 37 Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.493 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.730997/2018-37 de 27 de dezembro de 1996, com alterações posteriores, sendo-lhe exigida mediante a aplicação do percentual de 50% sobre a base de cálculo (valor não homologado). Notificada do lançamento, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, não há que se falar em imposição de penalidade antes do encerramento da diligência instaurada pelo Carf no processo de crédito, de sua notificação para manifestação e da decisão administrativa. A DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que a multa, por expressa previsão legal, deve ser mantida e que inexiste no ordenamento jurídico previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo suas alegações de defesa. Nos termos da resolução constante dos autos, o processo foi sobrestado até decisão definitiva do PA que originou a cobrança da penalidade aqui imposto. Definido aquele processo administrativo, o presente retornou para julgamento. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. De início, afasto as alegações da Recorrente quanto a impossibilidade de lançamento fiscal para cobrança da multa antes do julgamento do PA que a originou. Isto porque e, como bem pontou a decisão recorrida, inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário, senão vejamos: O lançamento da multa isolada decorreu da não homologação das compensações tratadas no processo administrativo nº 13851.901854/2011-05. Referido processo de crédito já foi analisado na primeira instância do contencioso administrativo, por meio do Acórdão nº 14-056.773, com o seguinte resultado: Manifestação de Inconformidade Improcedente. Configurada a hipótese de não homologação das compensações, ainda que pendente de decisão definitiva e independente da ocorrência de dolo, fraude ou má-fé, a multa isolada deve ser constituída de ofício porque inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Por outro lado, suspensa a exigibilidade dos débitos compensados, por conta da interposição de manifestação de inconformidade contra o ato de não homologação da compensação, ou recurso voluntário contra a decisão administrativa de primeira instância, a multa isolada aplicada Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.493 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.730997/2018-37 também estará com a sua exigibilidade suspensa, conforme previsto no § 18, art. 74, Lei nº 9.430, de 1996. No mais, constatasse que o PA que tratou da não homologação das compensações manteve o indeferimento do despacho decisório, ensejando, assim, a manutenção da cobrança da multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispõe: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
