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Numero do processo: 13896.908447/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. INDEFERIMENTO PELA UNIDADE DE ORIGEM POR RESTRIÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RESTRIÇÃO AFASTADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. NECESSIDADE DE RETORNO DO PROCESSO PARA APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ, CERTEZA E DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PLEITEADO PELA UNIDADE DE ORIGEM Após afastar o óbice quanto a possibilidade de utilização do indébito de estimativa, a DRJ deveria devolver o processo à unidade de origem para fins de análise da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, dando oportunidade à interessada para apresentação de documentos e provas que fosse julgado necessário para comprovação do direito creditório pleiteado. Esse encaminhamento é necessário porque a competência original para apreciação da declaração de compensação é da unidade de origem, o que não foi realizado no presente caso, face à restrição imposta por norma infralegal derrogada.
Numero da decisão: 1201-005.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.068, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.907312/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. INDEFERIMENTO PELA UNIDADE DE ORIGEM POR RESTRIÇÃO DE UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RESTRIÇÃO AFASTADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. NECESSIDADE DE RETORNO DO PROCESSO PARA APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ, CERTEZA E DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PLEITEADO PELA UNIDADE DE ORIGEM Após afastar o óbice quanto a possibilidade de utilização do indébito de estimativa, a DRJ deveria devolver o processo à unidade de origem para fins de análise da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, dando oportunidade à interessada para apresentação de documentos e provas que fosse julgado necessário para comprovação do direito creditório pleiteado. Esse encaminhamento é necessário porque a competência original para apreciação da declaração de compensação é da unidade de origem, o que não foi realizado no presente caso, face à restrição imposta por norma infralegal derrogada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201- 005.068, de 17 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.907312/2009-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 84 47 /2 00 9- 80 Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, cujo crédito é relativo a pagamento indevido ou maior de CSLL, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução de IRPJ ou da CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL nos termos do art. 10 da Instrução Normativa RFB n° 900 de 2008. O relatório do acórdão recorrido resumiu os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. A Tuma julgadora a quo afastou a restrição para utilização de indébito relativo a pagamento indevido ou maior de IRPJ ou CSLL, mas julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que o contribuinte havia confessado débito de estimativa de CSLL no valor de R$ (...) e depois retificou a DCTF, zerando-a. Por não ter apresentado comprovação de que a base de cálculo de CSLL de estimativa do mês de maio de 2005 teria sido igual a zero, a DRJ entendeu que a Contribuinte não teria logrado demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificada do acórdão, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo nulidade porque a DRJ teria inovado nos fundamentos para a não homologação da compensação ao adotar outro fundamento para a decisão ao arguir que a Recorrente não teria comprovado a existência do indébito. A Recorrente também alegou nulidade da decisão de primeira instância por entender que a Turma julgadora não teria enfrentado todos os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade quanto à questão relativa à impossibilidade de exigência de multa e juros, caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação, conforme argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade. Quanto ao mérito, alegou a Recorrente que as informações que constam na DIPJ confirmariam que o recolhimento da estimativa mensal de CSLL fora indevida e que o valor recolhido não foi utilizado para composição do saldo negativo no final do período de apuração. Acrescentou que se a Turma julgadora a quo entendesse que os valores de estimativa mensais de CSLL informados na DIPJ não correspondiam à realidade, deveria ter requerido a realização de diligência para atestar tal fato. Fl. 302DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Para comprovação do alegado a Recorrente juntou memória de cálculo da apuração da CSLL do mês de maio, o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (doc. “Livros_1” anexo) e o balancete de verificação que lhe suporta (doc. “Livros_2”, anexo), para fins de comprovação do montante devido informado na DIPJ. Ressalvou a Recorrente que apesar de haver divergência entre os valores das bases negativas de CSLL informadas na DIPJ, no LALUR e na memória de cálculo da CSLL, todas teriam indicado que o valor do indébito restaria caracterizado e comprovado, sendo o correto o valor apurado na memória de cálculo. Requereu ao final que os documentos juntados em sede de recurso sejam admitidos e caso se entenda insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado, que seja o julgamento convertido em diligência. Elencou quesitos. Ao final, em caso de indeferimento dos seus pedidos e não reconhecimento do direito creditório pleiteado, que não incidisse multa e juros em relação ao débito objeto da compensação. Julgado o processo, a turma julgadora decidiu, por maioria de votos, reconhecer a nulidade parcial do v. acórdão, por ter deixado de apreciar a questão da exigência de multa e juros caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação. Foi então determinado o retorno do processo à DRJ para que fosse prolatada decisão complementar relativa à questão da exigência de multa e juros nos termos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em atendimento ao determinado, a 4ª Turma da DRJ/BHE prolatou o acórdão no qual manteve a cobrança de multa e juros sobre as compensação de estimativas não homologadas por constatar que a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento dos débitos tributários que pretendia ver extintos e o único argumento da Contribuinte para afastar a imposição da multa e dos juros pelo atraso foi que incorporou a empresa Du Pont Performance Coatings S.A e que quitou os débitos de IRRF e CSLL após a data do evento especial de incorporação ocorrido em 31 de outubro de 2005. Confira-se excerto da decisão: [...] Como visto, a interessada transmitiu a DCOMP em questão em data posterior à do vencimento dos débitos tributários que pretendia ver extintos. Portanto, é flagrante a mora em que ela incorreu e que determinou a cobrança da multa e dos juros ora contestados, mora esta que a interessada não nega. Em lugar disso, limita-se a assinalar haver incorporado “a sociedade DU PONT PERFORMANCE COATINGS S.A. ("INCORPORADA"), sucedendo-lhe em todos os direitos e obrigações”(grifo acrescido). E, efetivamente, assim ocorre, em face do artigo 132 do CTN, na condição de sucessora da incorporada Du Pont Performance Coatings S.A., segundo o qual ela deve responder por todos os tributos devidos por esta última – o que inclui, por óbvio, os consectários de multa e juros de mora, diante da máxima de que o acessório segue o principal, verdade tão auto evidente em direito quanto a assertiva euclidiana de que “entes iguais a um mesmo ente são iguais entre si”. Fl. 303DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Entretanto, aparentemente, a interessada alega não ser responsável pelos ônus decorrentes da mora em que incidiu a incorporada; esta é a única interpretação possível que se pode dar à alegação de haver quitado “por meio da DCOMP não homologada débitos de IRRF e CSLL após a data do evento especial de incorporação ocorrido em 31 de outubro de 2005”. Ora, este fragílimo argumento se esfacela ao chocar-se contra o artigo 132 do CTN; efetivamente, não há como assumir os débitos em mora da incorporada sem assumir o ônus de arcar com o pagamento da multa e dos juros que tal mora implica. Por outra face, a afirmação de que “débitos de IRPJ e CSLL” haveriam sido quitados pela via da transmissão de “DCOMP não homologada” não é apenas uma flagrante contradição em termos: constitui um verdadeiro absurdo, uma vez que, neste caso, não se implementou a condição que levaria à extinção de tais débitos, a teor do § 2º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Note-se, por oportuno, que a confissão de débito realizada a teor do § 6º do mencionado artigo 74 não implica o benefício do artigo 138 do CTN, quer em face da inafastável exigência de juros de mora, quer diante da constatação de que os tributos confessos não se encontram extintos por pagamento, como exige o dispositivo do códex. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou complemento ao Recurso Voluntário onde reproduz os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, reafirmando que apresentou a declaração de compensação tempestivamente, e tendo a compensação natureza de pagamento (ainda que indireto), não haveria que se falar em exigência de multa de mora, insistindo que tratar-se-ia, na espécie, de denúncia espontânea. Requer ao final o provimento do recurso com o reconhecimento da questão de mérito apontada no Recurso Voluntário inicialmente apresentado. Caso se entenda que as provas juntadas aos autos sejam consideradas insuficientes para comprovação do direito creditório alegado, ou ainda que não sejam admitidas as provas juntadas no recurso voluntário, que seja determinada diligência com o objetivo de: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; d) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. f) em caso de discordância, se abra prazo para manifestação da Recorrente, antes do julgamento de segunda instância. É o Relatório. Fl. 304DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário preenche os requisitos para sua admissibilidade portanto dele conheço e passo a apreciá-lo. Há que se esclarecer, de início, que não obstante o recurso voluntário ter sido apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em 27 de julho de 2017, aquela turma julgadora não apreciou o mérito, senão apenas a questão de nulidade do acórdão da DRJ por esta ter deixado de apreciar os argumentos da Recorrente contra a exigência de multa e juros decorrentes da não homologação das compensações. Naquela oportunidade, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara decidiu apenas determinar o retorno do processo à DRJ para que esta apreciasse os argumentos da Recorrente contra a imposição da multa e prolatasse um acórdão complementar. Dessa forma passo a analisar o mérito. A Recorrente encaminhou DCOMP cujo crédito é relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL do PA 31/05/2005, no valor de R$ 1.330.821,00 apurado pela sua sucedida Du Pont Performance Coatings S.A (CNPJ 00.910.496/0001-30), incorporada em 31/10/2005. A compensação não foi homologada pela autoridade administrativa porque o crédito pleiteado é relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL e o indébito somente poderia ser utilizado para dedução da CSLL ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo do período nos termos do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 de 2005, o que levou a ora Recorrente a iniciar o presente contencioso administrativo fiscal. A DRJ afastou a restrição de utilização de indébito de estimativa no mesmo exercício do fato gerador, imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600 que impediu a homologação, pelo fato da Solução de Consulta Interna COSIT nº 19, de 5 de dezembro de 2011 ter afastado a restrição. Apesar de ter afastado o óbice quanto à possibilidade de utilização do suposto indébito de estimativa, a DRJ analisou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade e concluiu que não haveria comprovação por parte da Recorrente de que a base de cálculo de CSLL por estimativa em maio de 2005 teria sido igual a zero. Fl. 305DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Entendo que ao afastar o óbice quanto a possibilidade de utilização do suposto indébito de estimativa, a DRJ deveria devolver o processo à unidade de origem para fins de análise da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado, dando oportunidade à Recorrente de apresentar os documentos e provas que fossem julgados necessário para comprovação do direito creditório pleiteado. Esse encaminhamento é necessário porque a competência original para apreciação da declaração de compensação é da unidade de origem, o que não foi realizado no presente caso, face à restrição imposta por norma infralegal derrogada 1 . Ao não devolver o processo para análise pela unidade de origem, impossibilitando sua apreciação, ensejaria a nulidade da decisão de primeira instância. Por tratar-se de compensação, há obrigatoriedade da análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado nos termos do art. 170 do CTN. Assim, este Relator entende que o processo deve ser encaminhado à unidade de origem para análise da liquidez e certeza e disponibilidade do crédito tributário. Em assim fazendo, há que ser contemplada a obrigatoriedade de verificação da liquidez e certeza do crédito tributário pela autoridade original legalmente competente para tal ato e observa-se o mandamento contido no §3º do art. 59 do Decreto 70.235/72 2 . Esse foi o entendimento da CSRF, em situação análoga a dos presentes autos, no acórdão 9101-005.197, no julgamento realizado em 09 de novembro de 2020. Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. AFASTAMENTO DO SUPOSTO ÓBICE LEGAL DO INDÉBITO E DA FORMAÇÃO DE CRÉDITO. MOTIVO EXCLUSIVO PARA DENEGAÇÃO PELA ORIGEM. NECESSIDADE DE RETORNO À UNIDADE LOCAL PARA NOVO DESPACHO DECISÓRIO. Se a não homologação da compensação pretendida pelo contribuinte, em sede de Despacho Decisório, foi arrimada, exclusivamente, na impossibilidade legal da existência de crédito formado por indébito de estimativa, e não foi oportunizado ao sujeito passivo o direito de demonstrar a existência e disponibilidade de seu direito creditório, quando superado aquele óbice, deve ser determinado o retorno autos para a Unidade Local da Receita Federal do Brasil para a devida análise da 1 A Instrução Normativa RFB 900/08 suprimiu a restição imposta pelo art. 10 da Instrução normativa RFB 600/2005. 2 §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Fl. 306DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 materialidade do direito creditório, retomando-se o processo administrativo a partir de então. Há que se observar, ademais, que além dos documentos que havia apresentado na manifestação de inconformidade (DIPJ, DCTF retificadoras e DARF), a Recorrente juntou em sede de recurso voluntário documentos contábeis e fiscais (balancetes, LALUR) e memória de cálculo de apuração da CSLL do mês de maio de 2005 para comprovação do direito creditório que alega possuir. Trata-se de prova inicial para comprovação do indébito. Por se tratarem de documentos que se prestam a comprovar o alegado na manifestação de inconformidade e não ensejarem inovação nos argumentos, entendo que devem ser conhecidos em homenagem ao princípio da verdade material. Além do mais, a própria Recorrente afirma que há divergência entre os valores das bases negativas de CSLL informadas na DIPJ, no LALUR e na memória de cálculo da CSLL, embora, segundo a mesma, todas tenham indicado que o valor do indébito restaria caracterizado e comprovado. Ou seja, é necessária a apreciação pela unidade de origem dos argumentos e provas juntados aos autos pela Recorrente e que lhe seja dado a oportunidade parta justificar as divergências. Da exigência de multa e juros A Recorrente irresigna-se contra eventual exigência da multa de mora e juros, em caso de não reconhecimento do direito creditório, por considerar que encaminhou a DCOMP tempestivamente. Reproduz no recurso voluntário o argumento expendido na manifestação de inconformidade: III) 3. Da Impossibilidade de exigência de multa e juros na remota hipótese de ser mantida a decisão de 1ª instancia, com a consequente manutenção da não-homologação da PERDCOMP. A Recorrente acredita que o Acordão será reformado, sendo reconhecido o seu direito creditório, com a consequentemente homologação da compensação efetuada. Contudo, em função do Princípio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na remota hipótese dos Ilustres Conselheiros entenderem que a improcedência deva prevalecer. De fato, no caso em tela não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a Recorrente quitou por meio da DCOMP não homologada, débitos de IPI após a data do evento especial de incorporação ocorrido em31 de outubro de 2005. Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 Para melhor fundamentar a posição ora adotada, basta analisar o próprio conceito de mora contido no art. 394 do Código Civil, in verbis: Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Não há que se alegar mora da Recorrente ao extinguir o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou tempestivamente DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada, por si só, não é fato caracterizador de mora do contribuinte. Ou seja, a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a Recorrente, não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Deste modo, alternativamente, caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, a cobrança de multa e juros deve ser exonerada. (grifei) A Recorrente defende que a compensação tem a mesma natureza de pagamento, e a entrega da DCOMP caracterizaria denúncia espontânea, devendo ser afastados a multa e juros de mora. Entendo ser inapropriado apreciar-se o argumento da Recorrente antes da análise da liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário pleiteado pela unidade de origem. É que a competência do CARF nos casos de compensação de tributos é a análise do direito creditório pleiteado. Apenas como decorrência da decisão relativa ao crédito é que o CARF deverá se pronunciar acerca dos débitos. Se o direito creditório tributário não for reconhecido, ensejará a cobrança, pela unidade de origem, do principal e dos consectários legais que entender exigíveis. Se o direito creditório tributário for reconhecido, a unidade de origem analisará o valor do crédito tributário disponível, e se não for suficiente homologará apenas parcialmente os débitos declarados (o que evidentemente levará a unidade de origem a se posicionar sobre a cobrança de multa e juros de mora). Em ambos os casos será possível à Recorrente apresentar manifestação de inconformidade, que poderá ser analisado nas duas instâncias do contencioso administrativo fiscal, de modo que entendo inadequado o pronunciamento de uma situação hipotética, sem o posicionamento da autoridade administrativa. Além disso, a denúncia espontânea se caracteriza quando reporta débito não conhecido pelo FISCO. Assim, se o débito declarado na DCOMP Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.073 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.908447/2009-80 analisada nos presentes autos havia sido confessado anteriormente em DCTF, não há que se falar em denúncia espontânea. Pelo acima exposto não conheço do argumento da Recorrente quanto à alegação de denúncia espontânea. Por todo o acima exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. A unidade de origem poderá, caso entenda necessário, intimar a Recorrente a apresentar outros documentos para comprovação do direito creditório alegado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à unidade de origem, para que esta analise a liquidez, certeza e disponibilidade do crédito tributário, com a emissão de um novo Despacho Decisório. Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator (documento assinado digitalmente) Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10880.963528/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Relatório SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02-54.914 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementando-o ao final: Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2006 no valor de R$ 2.297.785,15. Despacho Decisório da DRF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 948168132 anexado à fl. 75, que apurou: 2.1Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2006 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 2.951.906,60, para uma CSLL devida no valor de R$ 6.579.485,67. Neste contexto, a DRF não confirmou crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 disponível para utilização em DCOMP. 2.1.1O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontra-se anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2005 PA Nº da DCOMP Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2006 37926.38556.261007.1.7.03-9700 3.624.439,89 3.131.487,16 DCOMP homologada parcialmente MAR/2006 04099.14899.280207.1.7.03-8378 535.034,88 535.034,88 DCOMP não homologada MAR/2006 14315.24922.280207.1.3.03-7433 202.165,74 202.165,74 DCOMP não homologada CSLL RETIDA NA FONTE – parcela não confirmada Retenção na fonte não comprovada/aproveitamento maior que ovalor retido 2.102.727,92 2.2.Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP’s, a DRF não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/08/2011, conforme documento à fl. 76. Irresignado, o contribuinte apresenta em 13/09/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 92 a 120, onde, em síntese, argumenta: 3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 3.2 Que a manifestante presta serviços na área de informática para empresas localizadas no Brasil e exterior. Quando do pagamento dos serviços prestados, as fontes pagadoras efetuam a retenção na fonte do IRPJ e da CSLL. 3.3 Informa que, submetida à tributação do imposto de renda pelo lucro real, apurou, no final do ano calendário de 2006, saldo negativo de IRPJ e CSLL, utilizado para pagamento das exações devidas no período, através da apresentação de DCOMP’s. Não obstante o correto procedimento adotado pela manifestante, foi proferido Despacho Decisório não reconhecendo o crédito utilizado nas DCOMP’s em análise neste processo, e como consequência, não homologou as compensações declaradas. 3.4 Todavia, não merece prevalecer o Despacho Decisório ora recorrido, porque: Preliminar de nulidade 4. O Despacho Decisório é nulo por preterição do direito de defesa da ora manifestante. Invoca o art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008, a Lei nº 9.784, de 1999 e esclarecimentos apostos no sítio eletrônico da RFB para argumentar que “a intimação prévia é procedimento obrigatório e precedente à emissão do Despacho Decisório”. Aduz que “a decisão pela não homologação da compensação e reconhecimento parcial do crédito sem a abertura de oportunidade para que o contribuinte apresente informações ou documentosjulgados necessários pela autoridade fiscal afronta o princípio da verdade material, além dos princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados no âmbito do processo administrativo fiscal”. Ilustra com jurisprudência administrativa. Saldo Negativo de CSLL 5. O valor da CSLL retida na fonte deduzida na DIPJ importou em R$ 4.561.681,79; o fisco confirmou somente a importância correspondente a R$ 2.458.953,87; o valor apurado pela manifestante encontra-se devidamente declarado em DIPJ pelos valores que deram suporte ao constante da DCOMP. 5.1. Acrescenta que, com as “singelas justificativas” do fisco a defesa da manifestante encontra-se prejudicada, em especial porque não têm, caso a caso, as razões que embasaram o feito fiscal, em especial porque o número de retenções ocorridas no referido ano é de quantidade considerável. Afirma que para confirmar que os valores estão corretos “necessário seria uma conciliação discriminada e detalhada, com a comprovação documentalpertinente, baseada nos comprovantes de retenção na fonte recebidos pela manifestante”. 5.1.1 Informa que não obstante essa conciliação não tenha sido feita pela fiscalização, a manifestante não conseguiu, até o momento, levantar todos os referidos comprovantes, devido à grande quantidade de empresas tomadoras de serviços. Destaca ainda que os comprovantes de retenção foram encaminhados para o arquivo inativo da manifestante, de modo que, não foi possível concluir o procedimento de localização e triagem destes documentos para suportar a conciliação mencionada. Neste contexto, protesta pela juntada posterior destes documentos, invocando a Lei nº 9.784, de 1999. 5.2 Contudo, argumenta acerca da glosa efetuada para o código 6190: ressalta que informou incorretamente o CNPJ da fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás; menciona a anexação do comprovante de rendimento e retenção correspondente. 5.2.1 Informa o cometimento do mesmo equívoco para o CNPJ 42.540.211/0001-67, da Eletrobrás Termonuclear S/A, cujo código declarado na PER/DCOMP foi o de 5952 e o correto seria o 6190. 5.3 Argumenta que cometeu erro de fato ao informar o CNPJ da fonte pagadora Comercialização Brasil S A – CNPJ 04.973.790/0001-42 - e Companhia Paulista de Força e Luz - CNPJ 33.050.196/0001-88, as quais pertencem a um mesmo grupo econômico. Acrescenta que efetua o controle conjunto das transações com essas entidades, conforme comprovam cópia das contas contábeis anexas. 5.4 Quanto ao CNPJ 59.105.999/0001-86 - Whirlpool S/A - e suas filiais, argumenta que o total do crédito apurado pela manifestante encontra-se em consonância com os documentos fiscais anexos à presente manifestação. Informa que a fonte pagadora indicou em DIRF a retenção em dois códigos 5952 e 5987. 5.5. Para as fontes pagadoras 60.208.493/0001- 81 (Embraer Emp Bras de Aeron S/A) e 07.689.002/0001-89 (Embraer — Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A), informa a anexação dos “espelhos de contas contábeis e planilha demonstrativa” para comprovar a retenção da CSLL no valor de R$ 369.034,24. Acrescenta que foi informado incorretamente o código de retenção quando do preenchimento da DCOMP. 5.6 Quanto à fonte pagadora n° 60.701.190/0001-04 Itaú Unibanco S.A., esclarece que foi informado incorretamente o código de retenção: enquanto na DIRF consta 5987, foi informado na DCOMP o código 5952. 6. Argumenta que “há pequenas divergências dos valores constantes naDIPJ/PER/DCOMP e no próprio controle da contabilidade da Manifestante em relação às empresas São Paulo Alpargatas S/A e Marcopolo S/A, mas isso não impede o direito ao crédito das parcelas comprovadas, que deverá ser reconhecido pelos valores escriturados nas contas contábeis.” 7. Acerca das demais glosas promovidas pela DRF, protesta pela juntada posterior de outros documentos para atestar a veracidade das informações declaradas. Argumenta que, considerando o grande número de retenções e fontes pagadoras existentes no período, requer a baixa do processo em diligência para confirmação de eventuais outras divergências decorrentes de erros de fato cometidos quando do preenchimento de suas declarações, tendo em vista o princípio da verdade material aplicável ao processo administrativo fiscal. 8. Acerca das “estimativas compensadas com saldo negativo de períodosanteriores”, informa que os Despachos Decisórios emitidos pela DRF, em trâmite nos processos 10880.926980/2011-29 e 10.880-940.491/2011-80, foram objeto de manifestação de inconformidade, o que demonstra ausência de decisão definitiva quanto ao crédito não homologado, de modo que, não pode servir de subsídio para o indeferimento da parcela do crédito utilizado. Ilustra com jurisprudência administrativa. Inexigibilidade de acréscimos legais 9. Aduz que grande parte dos valores não ou parcialmente confirmados pelo fisco são decorrentes das retificações das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras após o encaminhamento dos comprovantes de retenção à manifestante. Neste contexto, “é certo que a mesma não poderá arcar com os acréscimos legais decorrentes desta retificação, da qual não teve qualquer participação e não pode, por isso, ser prejudicada pela Administração Pública”. Ilustra com jurisprudência administrativa. 9.1 Tendo em vista o grande número de DIRF’s retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras, solicita realização de diligencia fiscal para apuração das DIRF’s retificadoras que impactaram os valores informados pela manifestante, para que sejam excluídos os valores incidentes a título de acréscimos legais. Do pedido 10. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade para: - Declarar a nulidade do Despacho Decisório. - Determinar a realização de diligência para confirmação dos valores declarados. - Protesta pela juntada de novos documentos destinados a comprovar o crédito utilizado nas DCOMP’s. - O reconhecimento da integralidade do crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 e a homologação integral das compensações. - A suspensão do procedimento de cobrança dos valores objeto das compensações efetuadas até a decisão final nos presentes autos. - Requer, subsidiariamente, a exclusão dos acréscimos legais decorrentes das declarações retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras. 11. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância considerou-a improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 07 de maio de 2015 (fl. 8179), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 1740-1802 em 05 de junho de 2015. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: - o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; - na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; - erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de CSLL-fonte, mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1714 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.657.009,97); - erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1715 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.353.271,29); - considerando tais erros de fato, resume os números já incontrovertidos nos autos: - alega que à fl. 1715 dos autos a própria DRJ, por meio da elaboração de uma tabela, se manifestou no mesmo sentido: - das parcelas de crédito a título de retenção de CSLL que não foram reconhecidas pela DRJ. A primeira parte diz respeito a documentos não acatados pela DRJ. Aduz que há pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade), mas isso não poderia levar à glosa integral dos valores em questão. Reproduz tabela que demonstra as divergências apontadas: - requereu ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de sua escrituração; - em relação ao valor de CSLL retida na fonte, aduz que anexou em sede de recurso voluntário inúmeras cópias de notas fiscais que demonstrariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 1776-1778); - em relação às estimativas compensadas mas objeto de não homologação, alega que os valores em questão já estão sendo alvo de cobrança nos processos 10880.926980/2011-29 e 10880.940491/2011-80, o que permitiria a homologação das estimativas no presente processo, sob pena de duplicidade de cobrança. Aduz que se não for reconhecido o crédito naqueles autos, procederá ao recolhimento dos débitos pertinentes. Alternativamente requer o sobrestamento do presente julgamento até a decisão administrativa irreformável naqueles dois processos; - por meio do expediente de fls. 8216-8220, requereu a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I), bem como da documentação pertinente; - discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2006, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2005, no total de R$ 4.561.681,79, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 492.952,73. Os R$ 3.868.687,78 de estimativas cujas compensações não foram homologadas adviriam de mera repercussão da análise do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2002 e que foram objeto de discussão no processo 11831.003413/2003-31. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 0016657-61.2009.403.6182 (Anexo III) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo II – doc. 08); - aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 8 e 9); - requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes; - subsidiariamente, requereu que fossem realizadas diligências para averiguar a legitimidade de seu crédito, ou então o sobrestamento do feito até a decisão final a ser proferida nos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Relatório SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02-54.914 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementando-o ao final: Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2006 no valor de R$ 2.297.785,15. Despacho Decisório da DRF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 948168132 anexado à fl. 75, que apurou: 2.1Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2006 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 2.951.906,60, para uma CSLL devida no valor de R$ 6.579.485,67. Neste contexto, a DRF não confirmou crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 disponível para utilização em DCOMP. 2.1.1O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontra-se anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2005 PA Nº da DCOMP Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2006 37926.38556.261007.1.7.03-9700 3.624.439,89 3.131.487,16 DCOMP homologada parcialmente MAR/2006 04099.14899.280207.1.7.03-8378 535.034,88 535.034,88 DCOMP não homologada MAR/2006 14315.24922.280207.1.3.03-7433 202.165,74 202.165,74 DCOMP não homologada CSLL RETIDA NA FONTE – parcela não confirmada Retenção na fonte não comprovada/aproveitamento maior que ovalor retido 2.102.727,92 2.2.Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP’s, a DRF não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/08/2011, conforme documento à fl. 76. Irresignado, o contribuinte apresenta em 13/09/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 92 a 120, onde, em síntese, argumenta: 3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 3.2 Que a manifestante presta serviços na área de informática para empresas localizadas no Brasil e exterior. Quando do pagamento dos serviços prestados, as fontes pagadoras efetuam a retenção na fonte do IRPJ e da CSLL. 3.3 Informa que, submetida à tributação do imposto de renda pelo lucro real, apurou, no final do ano calendário de 2006, saldo negativo de IRPJ e CSLL, utilizado para pagamento das exações devidas no período, através da apresentação de DCOMP’s. Não obstante o correto procedimento adotado pela manifestante, foi proferido Despacho Decisório não reconhecendo o crédito utilizado nas DCOMP’s em análise neste processo, e como consequência, não homologou as compensações declaradas. 3.4 Todavia, não merece prevalecer o Despacho Decisório ora recorrido, porque: Preliminar de nulidade 4. O Despacho Decisório é nulo por preterição do direito de defesa da ora manifestante. Invoca o art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008, a Lei nº 9.784, de 1999 e esclarecimentos apostos no sítio eletrônico da RFB para argumentar que “a intimação prévia é procedimento obrigatório e precedente à emissão do Despacho Decisório”. Aduz que “a decisão pela não homologação da compensação e reconhecimento parcial do crédito sem a abertura de oportunidade para que o contribuinte apresente informações ou documentosjulgados necessários pela autoridade fiscal afronta o princípio da verdade material, além dos princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados no âmbito do processo administrativo fiscal”. Ilustra com jurisprudência administrativa. Saldo Negativo de CSLL 5. O valor da CSLL retida na fonte deduzida na DIPJ importou em R$ 4.561.681,79; o fisco confirmou somente a importância correspondente a R$ 2.458.953,87; o valor apurado pela manifestante encontra-se devidamente declarado em DIPJ pelos valores que deram suporte ao constante da DCOMP. 5.1. Acrescenta que, com as “singelas justificativas” do fisco a defesa da manifestante encontra-se prejudicada, em especial porque não têm, caso a caso, as razões que embasaram o feito fiscal, em especial porque o número de retenções ocorridas no referido ano é de quantidade considerável. Afirma que para confirmar que os valores estão corretos “necessário seria uma conciliação discriminada e detalhada, com a comprovação documentalpertinente, baseada nos comprovantes de retenção na fonte recebidos pela manifestante”. 5.1.1 Informa que não obstante essa conciliação não tenha sido feita pela fiscalização, a manifestante não conseguiu, até o momento, levantar todos os referidos comprovantes, devido à grande quantidade de empresas tomadoras de serviços. Destaca ainda que os comprovantes de retenção foram encaminhados para o arquivo inativo da manifestante, de modo que, não foi possível concluir o procedimento de localização e triagem destes documentos para suportar a conciliação mencionada. Neste contexto, protesta pela juntada posterior destes documentos, invocando a Lei nº 9.784, de 1999. 5.2 Contudo, argumenta acerca da glosa efetuada para o código 6190: ressalta que informou incorretamente o CNPJ da fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás; menciona a anexação do comprovante de rendimento e retenção correspondente. 5.2.1 Informa o cometimento do mesmo equívoco para o CNPJ 42.540.211/0001-67, da Eletrobrás Termonuclear S/A, cujo código declarado na PER/DCOMP foi o de 5952 e o correto seria o 6190. 5.3 Argumenta que cometeu erro de fato ao informar o CNPJ da fonte pagadora Comercialização Brasil S A – CNPJ 04.973.790/0001-42 - e Companhia Paulista de Força e Luz - CNPJ 33.050.196/0001-88, as quais pertencem a um mesmo grupo econômico. Acrescenta que efetua o controle conjunto das transações com essas entidades, conforme comprovam cópia das contas contábeis anexas. 5.4 Quanto ao CNPJ 59.105.999/0001-86 - Whirlpool S/A - e suas filiais, argumenta que o total do crédito apurado pela manifestante encontra-se em consonância com os documentos fiscais anexos à presente manifestação. Informa que a fonte pagadora indicou em DIRF a retenção em dois códigos 5952 e 5987. 5.5. Para as fontes pagadoras 60.208.493/0001- 81 (Embraer Emp Bras de Aeron S/A) e 07.689.002/0001-89 (Embraer — Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A), informa a anexação dos “espelhos de contas contábeis e planilha demonstrativa” para comprovar a retenção da CSLL no valor de R$ 369.034,24. Acrescenta que foi informado incorretamente o código de retenção quando do preenchimento da DCOMP. 5.6 Quanto à fonte pagadora n° 60.701.190/0001-04 Itaú Unibanco S.A., esclarece que foi informado incorretamente o código de retenção: enquanto na DIRF consta 5987, foi informado na DCOMP o código 5952. 6. Argumenta que “há pequenas divergências dos valores constantes naDIPJ/PER/DCOMP e no próprio controle da contabilidade da Manifestante em relação às empresas São Paulo Alpargatas S/A e Marcopolo S/A, mas isso não impede o direito ao crédito das parcelas comprovadas, que deverá ser reconhecido pelos valores escriturados nas contas contábeis.” 7. Acerca das demais glosas promovidas pela DRF, protesta pela juntada posterior de outros documentos para atestar a veracidade das informações declaradas. Argumenta que, considerando o grande número de retenções e fontes pagadoras existentes no período, requer a baixa do processo em diligência para confirmação de eventuais outras divergências decorrentes de erros de fato cometidos quando do preenchimento de suas declarações, tendo em vista o princípio da verdade material aplicável ao processo administrativo fiscal. 8. Acerca das “estimativas compensadas com saldo negativo de períodosanteriores”, informa que os Despachos Decisórios emitidos pela DRF, em trâmite nos processos 10880.926980/2011-29 e 10.880-940.491/2011-80, foram objeto de manifestação de inconformidade, o que demonstra ausência de decisão definitiva quanto ao crédito não homologado, de modo que, não pode servir de subsídio para o indeferimento da parcela do crédito utilizado. Ilustra com jurisprudência administrativa. Inexigibilidade de acréscimos legais 9. Aduz que grande parte dos valores não ou parcialmente confirmados pelo fisco são decorrentes das retificações das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras após o encaminhamento dos comprovantes de retenção à manifestante. Neste contexto, “é certo que a mesma não poderá arcar com os acréscimos legais decorrentes desta retificação, da qual não teve qualquer participação e não pode, por isso, ser prejudicada pela Administração Pública”. Ilustra com jurisprudência administrativa. 9.1 Tendo em vista o grande número de DIRF’s retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras, solicita realização de diligencia fiscal para apuração das DIRF’s retificadoras que impactaram os valores informados pela manifestante, para que sejam excluídos os valores incidentes a título de acréscimos legais. Do pedido 10. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade para: - Declarar a nulidade do Despacho Decisório. - Determinar a realização de diligência para confirmação dos valores declarados. - Protesta pela juntada de novos documentos destinados a comprovar o crédito utilizado nas DCOMP’s. - O reconhecimento da integralidade do crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL AC 2006 e a homologação integral das compensações. - A suspensão do procedimento de cobrança dos valores objeto das compensações efetuadas até a decisão final nos presentes autos. - Requer, subsidiariamente, a exclusão dos acréscimos legais decorrentes das declarações retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras. 11. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância considerou-a improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 07 de maio de 2015 (fl. 8179), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 1740-1802 em 05 de junho de 2015. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: - o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; - na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; - erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de CSLL-fonte, mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1714 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.657.009,97); - erro de fato constante no acórdão recorrido: a decisão da DRJ teria reconhecido parcela de crédito de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do julgamento e também na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1715 dos autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.353.271,29); - considerando tais erros de fato, resume os números já incontrovertidos nos autos: - alega que à fl. 1715 dos autos a própria DRJ, por meio da elaboração de uma tabela, se manifestou no mesmo sentido: - das parcelas de crédito a título de retenção de CSLL que não foram reconhecidas pela DRJ. A primeira parte diz respeito a documentos não acatados pela DRJ. Aduz que há pequenas divergências de valores entre aqueles escriturados e os valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de inconformidade), mas isso não poderia levar à glosa integral dos valores em questão. Reproduz tabela que demonstra as divergências apontadas: - requereu ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de sua escrituração; - em relação ao valor de CSLL retida na fonte, aduz que anexou em sede de recurso voluntário inúmeras cópias de notas fiscais que demonstrariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 1776-1778); - em relação às estimativas compensadas mas objeto de não homologação, alega que os valores em questão já estão sendo alvo de cobrança nos processos 10880.926980/2011-29 e 10880.940491/2011-80, o que permitiria a homologação das estimativas no presente processo, sob pena de duplicidade de cobrança. Aduz que se não for reconhecido o crédito naqueles autos, procederá ao recolhimento dos débitos pertinentes. Alternativamente requer o sobrestamento do presente julgamento até a decisão administrativa irreformável naqueles dois processos; - por meio do expediente de fls. 8216-8220, requereu a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I), bem como da documentação pertinente; - discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2006, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2005, no total de R$ 4.561.681,79, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 492.952,73. Os R$ 3.868.687,78 de estimativas cujas compensações não foram homologadas adviriam de mera repercussão da análise do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2002 e que foram objeto de discussão no processo 11831.003413/2003-31. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 0016657-61.2009.403.6182 (Anexo III) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo II – doc. 08); - aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 8 e 9); - requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes; - subsidiariamente, requereu que fossem realizadas diligências para averiguar a legitimidade de seu crédito, ou então o sobrestamento do feito até a decisão final a ser proferida nos Embargos à Execução nº 0028912-51.2009.403.6182. É o relatório.

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1402­000.396  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  04 de outubro de 2016  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  SAP BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Caio  Cesar  Nader  Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade  Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de  Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 63 52 8/ 20 11 -4 8 Fl. 10240DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.241            2 Relatório  SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art.  74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a  reforma do  acórdão nº 02­54.914 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou  improcedente a manifestação de inconformidade apresentada.  Por bem refletir os  fatos, adoto e  transcrevo o relatório da decisão de primeira  instância, complementando­o ao final:  Trata­se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo  Negativo de CSLL” apurado no AC de 2006 no valor de R$ 2.297.785,15.  DDeessppaacchhoo  DDeecciissóórriioo  ddaa  DDRRFF   2.   A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF  através do Despacho Decisório nº 948168132 anexado à fl. 75, que apurou:  2.1    Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2006 no PER/DCOMP,  foi confirmada a importância de R$ 2.951.906,60, para uma CSLL devida no valor  de  R$  6.579.485,67.  Neste  contexto,  a  DRF  não  confirmou  crédito  referente  ao  Saldo Negativo de CSLL AC 2006 disponível para utilização em DCOMP.  2.1.1  O  detalhamento  da  análise  do  crédito,  parte  integrante  do  Despacho  Decisório,  encontra­se  anexado ao  processo,  e  indica  que  parte  das  antecipações  indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF:  2.2.    Considerando a inexistência do crédito utilizado pelo contribuinte nas  DCOMP’s,  a  DRF  não  homologou  as  compensações  declaradas  pelo  contribuinte.  MMaanniiffeessttaaççããoo  ddee  IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee   3.     O  contribuinte  foi  cientificado  do  procedimento  aos  12/08/2011,  conforme  documento  à  fl.  76.  Irresignado,  o  contribuinte  apresenta  em  13/09/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 92 a 120, onde,  em síntese, argumenta:  3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade.   Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2005  PA  Nº da DCOMP  Valor  compensado  Valor não  confirmado  Justificativa  JAN/2006  37926.38556.261007.1.7.03­9700  3.624.439,89  3.131.487,16  DCOMP homologada  parcialmente  MAR/2006  04099.14899.280207.1.7.03­8378  535.034,88  535.034,88  DCOMP não homologada  MAR/2006  14315.24922.280207.1.3.03­7433  202.165,74  202.165,74  DCOMP não homologada  CSLL RETIDA NA FONTE – parcela não confirmada  Retenção na fonte não comprovada/aproveitamento maior que o  valor retido  2.102.727,92  Fl. 10241DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.242            3 3.2 Que a manifestante presta serviços na área de informática para empresas  localizadas no Brasil e exterior. Quando do pagamento dos serviços prestados,  as fontes pagadoras efetuam a retenção na fonte do IRPJ e da CSLL.  3.3 Informa que, submetida à tributação do imposto de renda pelo lucro real,  apurou, no final do ano calendário de 2006, saldo negativo de IRPJ e CSLL,  utilizado  para  pagamento  das  exações  devidas  no  período,  através  da  apresentação  de  DCOMP’s.  Não  obstante  o  correto  procedimento  adotado  pela  manifestante,  foi  proferido  Despacho  Decisório  não  reconhecendo  o  crédito  utilizado  nas  DCOMP’s  em  análise  neste  processo,  e  como  consequência, não homologou as compensações declaradas.  3.4  Todavia,  não  merece  prevalecer  o  Despacho  Decisório  ora  recorrido,  porque:  Preliminar de nulidade  4.  O Despacho Decisório  é  nulo  por  preterição  do  direito  de  defesa  da  ora  manifestante. Invoca o art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008, a Lei nº 9.784, de  1999  e  esclarecimentos  apostos  no  sítio  eletrônico  da RFB  para  argumentar  que “a intimação prévia é procedimento obrigatório e precedente à emissão do  Despacho  Decisório”.  Aduz  que  “a  decisão  pela  não  homologação  da  compensação  e  reconhecimento  parcial  do  crédito  sem  a  abertura  de  oportunidade  para  que  o  contribuinte  apresente  informações  ou  documentos  julgados  necessários  pela  autoridade  fiscal  afronta  o  princípio  da  verdade  material, além dos princípios da ampla defesa e do contraditório consagrados  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal”.  Ilustra  com  jurisprudência  administrativa.  Saldo Negativo de CSLL  5.  O  valor  da  CSLL  retida  na  fonte  deduzida  na  DIPJ  importou  em  R$  4.561.681,79;  o  fisco  confirmou  somente  a  importância  correspondente  a R$  2.458.953,87;  o  valor  apurado  pela  manifestante  encontra­se  devidamente  declarado em DIPJ pelos valores que deram suporte ao constante da DCOMP.  5.1.  Acrescenta  que,  com  as  “singelas  justificativas”  do  fisco  a  defesa  da  manifestante  encontra­se  prejudicada,  em  especial  porque  não  têm,  caso  a  caso, as razões que embasaram o feito fiscal, em especial porque o número de  retenções ocorridas no referido ano é de quantidade considerável. Afirma que  para  confirmar  que  os  valores  estão  corretos  “necessário  seria  uma  conciliação  discriminada  e  detalhada,  com  a  comprovação  documental  pertinente,  baseada  nos  comprovantes  de  retenção  na  fonte  recebidos  pela  manifestante”.  5.1.1  Informa  que  não  obstante  essa  conciliação  não  tenha  sido  feita  pela  fiscalização, a manifestante não conseguiu, até o momento,  levantar  todos os  referidos  comprovantes,  devido  à  grande  quantidade  de  empresas  tomadoras  de  serviços.  Destaca  ainda  que  os  comprovantes  de  retenção  foram  encaminhados  para  o  arquivo  inativo  da manifestante,  de modo  que,  não  foi  possível  concluir o procedimento de  localização e  triagem destes documentos  para suportar a conciliação mencionada. Neste contexto, protesta pela juntada  posterior destes documentos, invocando a Lei nº 9.784, de 1999.  Fl. 10242DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.243            4 5.2 Contudo, argumenta acerca da glosa efetuada para o código 6190: ressalta  que  informou  incorretamente  o  CNPJ  da  fonte  pagadora  Petróleo  Brasileiro  S/A  –  Petrobrás;  menciona  a  anexação  do  comprovante  de  rendimento  e  retenção correspondente.  5.2.1  Informa  o  cometimento  do  mesmo  equívoco  para  o  CNPJ  42.540.211/0001­67,  da Eletrobrás Termonuclear  S/A,  cujo  código  declarado  na PER/DCOMP foi o de 5952 e o correto seria o 6190.  5.3  Argumenta  que  cometeu  erro  de  fato  ao  informar  o  CNPJ  da  fonte  pagadora  Comercialização  Brasil  S  A  –  CNPJ  04.973.790/0001­42  ­  e  Companhia  Paulista  de  Força  e  Luz  ­  CNPJ  33.050.196/0001­88,  as  quais  pertencem  a  um mesmo  grupo  econômico.  Acrescenta  que  efetua  o  controle  conjunto das transações com essas entidades, conforme comprovam cópia das  contas contábeis anexas.  5.4  Quanto  ao  CNPJ  59.105.999/0001­86  ­  Whirlpool  S/A  ­  e  suas  filiais,  argumenta  que  o  total  do  crédito  apurado  pela manifestante  encontra­se  em  consonância  com  os  documentos  fiscais  anexos  à  presente  manifestação.  Informa  que  a  fonte  pagadora  indicou  em DIRF  a  retenção  em  dois  códigos  5952 e 5987.  5.5.  Para  as  fontes  pagadoras  60.208.493/0001­  81  (Embraer  Emp  Bras  de  Aeron  S/A)  e  07.689.002/0001­89  (Embraer  —  Empresa  Brasileira  de  Aeronáutica  S/A),  informa  a  anexação  dos  “espelhos  de  contas  contábeis  e  planilha demonstrativa” para comprovar a retenção da CSLL no valor de R$  369.034,24. Acrescenta que foi informado incorretamente o código de retenção  quando do preenchimento da DCOMP.  5.6  Quanto  à  fonte  pagadora  n°  60.701.190/0001­04  Itaú  Unibanco  S.A.,  esclarece que foi informado incorretamente o código de retenção: enquanto na  DIRF consta 5987, foi informado na DCOMP o código 5952.  6. Argumenta que “há pequenas divergências dos valores constantes na  DIPJ/PER/DCOMP  e  no  próprio  controle  da  contabilidade  da  Manifestante  em  relação  às  empresas  São  Paulo  Alpargatas  S/A  e  Marcopolo S/A, mas  isso não  impede o direito ao crédito das parcelas  comprovadas, que deverá ser reconhecido pelos valores escriturados nas  contas contábeis.”  7.  Acerca  das  demais  glosas  promovidas  pela  DRF,  protesta  pela  juntada  posterior  de  outros  documentos  para  atestar  a  veracidade  das  informações  declaradas.  Argumenta  que,  considerando  o  grande  número  de  retenções  e  fontes  pagadoras  existentes  no  período,  requer  a  baixa  do  processo  em  diligência  para  confirmação  de  eventuais  outras  divergências  decorrentes  de  erros de fato cometidos quando do preenchimento de suas declarações,  tendo  em vista o princípio da verdade material aplicável ao processo administrativo  fiscal.  8.  Acerca  das  “estimativas  compensadas  com  saldo  negativo  de  períodos  anteriores”,  informa  que  os  Despachos  Decisórios  emitidos  pela  DRF,  em  trâmite  nos  processos  10880.926980/2011­29  e  10.880­940.491/2011­80,  foram objeto de manifestação de inconformidade, o que demonstra ausência de  decisão definitiva quanto ao crédito não homologado, de modo que, não pode  Fl. 10243DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.244            5 servir de subsídio para o indeferimento da parcela do crédito utilizado. Ilustra  com jurisprudência administrativa.  Inexigibilidade de acréscimos legais  9. Aduz que grande parte dos  valores não ou parcialmente  confirmados pelo  fisco  são  decorrentes  das  retificações  das  DIRF’s  apresentadas  pelas  fontes  pagadoras  após  o  encaminhamento  dos  comprovantes  de  retenção  à  manifestante. Neste contexto, “é certo que a mesma não poderá arcar com os  acréscimos  legais  decorrentes  desta  retificação,  da  qual  não  teve  qualquer  participação  e  não  pode,  por  isso,  ser  prejudicada  pela  Administração  Pública”. Ilustra com jurisprudência administrativa.  9.1  Tendo  em  vista  o  grande  número  de  DIRF’s  retificadoras  apresentadas  pelas fontes pagadoras, solicita realização de diligencia fiscal para apuração  das  DIRF’s  retificadoras  que  impactaram  os  valores  informados  pela  manifestante,  para  que  sejam  excluídos  os  valores  incidentes  a  título  de  acréscimos legais.  Do pedido  10. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade para:  ­ Declarar a nulidade do Despacho Decisório.   ­  Determinar  a  realização  de  diligência  para  confirmação  dos  valores  declarados.   ­ Protesta pela juntada de novos documentos destinados a comprovar o crédito  utilizado nas DCOMP’s.   ­ O reconhecimento da integralidade do crédito referente ao Saldo Negativo de  CSLL AC 2006 e a homologação integral das compensações.  ­  A  suspensão  do  procedimento  de  cobrança  dos  valores  objeto  das  compensações efetuadas até a decisão final nos presentes autos.  ­ Requer, subsidiariamente, a exclusão dos acréscimos legais decorrentes das  declarações retificadoras apresentadas pelas fontes pagadoras.  11. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte,  o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide.  Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de  primeira instância considerou­a improcedente.  A recorrente  foi  intimada da decisão em 07 de maio de 2015 (fl. 8179),  tendo  apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 1740­1802 em 05 de junho de 2015.  Em  resumo,  a  Recorrente  reforça  seus  argumentos  apresentados  em  manifestação  de  inconformidade  e manifestação  de  inconformidade  complementar,  alegando  que:  Fl. 10244DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.245            6 ­ o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma  vez  que,  em  suposto  descompasso  com  o  disposto  no  art.  65  da  IN  RFB  nº  900/2008,  a  autoridade fiscal  teria deixado de realizar diligência  junto ao contribuinte, não o  intimando a  apresentar  a  documentação  pertinente,  antes  da  decisão  que  homologou  parcialmente  as  declarações de compensação apresentadas;  ­  na  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade  original,  não  teve  tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma  vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento  do  período  de  apuração  a  que  se  refere  o  saldo  negativo  pleiteado,  o  que  dificultou  sobremaneira a  localização dos documentos necessários. Requereu a  realização de diligência,  bem  como  a  admissão  de  novos  documentos  em  sede  de  recurso  voluntário.  Alega  que  o  indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a  nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a  juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase  instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca  da  verdade  material  e  do  formalismo  moderados,  requer  ainda  que  o  CARF  conheça  das  alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário;  ­  erro  de  fato  constante  no  acórdão  recorrido:  a  decisão  da  DRJ  teria  reconhecido parcela de crédito de CSLL­fonte, mas que foi desconsiderada na proclamação do  resultado  do  julgamento  e  também na  ementa  e  parte  dispositiva  da  decisão  (à  fl.  1714  dos  autos o voto condutor do aresto indica que haveria reconhecimento adicional de crédito no total  de R$ 1.657.009,97);  ­  erro  de  fato  constante  no  acórdão  recorrido:  a  decisão  da  DRJ  teria  reconhecido  parcela  de  crédito  de  estimativas  compensadas  com  saldo  negativo  de  períodos  anteriores mas que foi desconsiderada na proclamação do resultado do  julgamento e  também  na ementa e parte dispositiva da decisão (à fl. 1715 dos autos o voto condutor do aresto indica  que haveria reconhecimento adicional de crédito no total de R$ 1.353.271,29);  ­ considerando tais erros de fato, resume os números já incontrovertidos nos  autos:    ­  alega que  à  fl.  1715 dos  autos  a própria DRJ, por meio da  elaboração  de  uma tabela, se manifestou no mesmo sentido:  Fl. 10245DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.246            7   ­  das  parcelas  de  crédito  a  título  de  retenção  de  CSLL  que  não  foram  reconhecidas  pela DRJ. A  primeira  parte  diz  respeito  a  documentos  não  acatados  pela DRJ.  Aduz  que  há  pequenas  divergências  de  valores  entre  aqueles  escriturados  e  os  valores  consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17 anexos à manifestação de  inconformidade), mas isso não poderia levar à glosa integral dos valores em questão. Reproduz  tabela que demonstra as divergências apontadas:    ­ requereu ao menos o reconhecimento do valor de R$ 36.894,34 constante de  sua escrituração;  ­ em relação ao valor de CSLL retida na fonte, aduz que anexou em sede de  recurso  voluntário  inúmeras  cópias  de  notas  fiscais  que  demonstrariam  o  direito  de  reconhecimento de crédito adicional de R$ 722.180,98 (conforme tabelas de fls. 1776­1778);  ­  em  relação  às  estimativas  compensadas mas  objeto  de  não  homologação,  alega  que  os  valores  em  questão  já  estão  sendo  alvo  de  cobrança  nos  processos  10880.926980/2011­29  e  10880.940491/2011­80,  o  que  permitiria  a  homologação  das  estimativas no presente processo, sob pena de duplicidade de cobrança. Aduz que se não  for  reconhecido  o  crédito  naqueles  autos,  procederá  ao  recolhimento  dos  débitos  pertinentes.  Alternativamente requer o sobrestamento do presente julgamento até a decisão administrativa  irreformável naqueles dois processos;  ­  por meio  do  expediente  de  fls.  8216­8220,  requereu  a  juntada  de  Laudo  elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I), bem como da documentação pertinente;  ­ discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo  de CSLL  de  2006,  pleiteado  nos  presentes  autos,  havia  estimativas  objeto  de  declaração  de  Fl. 10246DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.247            8 compensação com saldo negativo de CSLL de 2005, no total de R$ 4.561.681,79,  tendo sido  confirmada  a  quitação  somente  de R$  492.952,73. Os R$  3.868.687,78  de  estimativas  cujas  compensações  não  foram  homologadas  adviriam  de  mera  repercussão  da  análise  do  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  de  2002  e  que  foram  objeto  de  discussão  no  processo 11831.003413/2003­31. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal  nº  0016657­61.2009.403.6182  (Anexo  III)  que  se  encontra  em  discussão  por  meio  dos  Embargos  à Execução nº 0028912­51.2009.403.6182  (Anexo  IV). Alega que no bojo de  tais  embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional  por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo II – doc.  08);  ­  aduz  que  o  Laudo  elaborado  pela  PricewaterhouseCoopers  conclui  no  mesmo sentido (Anexo I – p. 8 e 9);  ­ requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a  homologação das compensações correspondentes;  ­ subsidiariamente, requereu que fossem realizadas diligências para averiguar  a  legitimidade  de  seu  crédito,  ou  então  o  sobrestamento  do  feito  até  a  decisão  final  a  ser  proferida nos Embargos à Execução nº 0028912­51.2009.403.6182.  É o relatório.   Fl. 10247DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.248            9   Voto  Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  1 ADMISSIBILIDADE  O recurso é  tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade.  Dele, portanto, conheço.  Passo à sua análise.    2 FATOS E DIREITO APLICÁVEL  Além dos supostos erros de fato cometidos pela DRJ em relação ao resultado do  julgamento,  ementa  e  dispositivo  da  decisão,  que  teriam  deixado  de  consignar  créditos  reconhecidos no bojo do voto condutor do aresto, na composição do saldo negativo pleiteado,  houve dois pontos objeto de glosa, a saber:  a)  Estimativas  compensadas:  estimativas  de  CSLL  que  compõem  o  saldo  negativo  ora  pleiteado  não  foram  homologadas  no  exame  dos  processos  nº  10880.926980/2011­29 e 10.940491/2011­80;  b) CSLL retido na fonte:   b1)  há  pequenas  divergências  de  valores  entre  aqueles  escriturados  e  os  valores consignados nos comprovantes de retenção (conforme docs. 07 e 17  anexos  à manifestação  de  inconformidade).  O  quadro  constante  do  recurso  voluntário e já reproduzido no relatório deste voto resumem as divergências  apontadas. A Recorrente requer ao menos o reconhecimento do valor de R$  36.894,34 constante de sua escrituração (o menor valor entre os indicados);  b2)  em  relação  ao  valor  de CSLL  retida na  fonte,  a Recorrente  anexou  em  sede  de  recurso  voluntário  inúmeras  cópias  de  notas  fiscais  que  demonstrariam  o  direito  de  reconhecimento  de  crédito  adicional  de  R$  722.180,98 (conforme tabelas de fls. 1776­1778).  Esse colegiado, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, tem  sopesado  a  preclusão  do  direito  de  apresentação  de  provas  após  já  ter  sido  interposta  impugnação ou manifestação de inconformidade. Até mesmo pelo disposto no art. 38 da Lei nº  9.784/991.                                                              1 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres,  requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo.  § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão.  §  2o Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.    Fl. 10248DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.249            10 No  caso  concreto,  entendo  inclusive  restar  justificada  a  apresentação  extemporânea  da  documentação  (art.  16,  §  4º,  do Decreto  nº  70.235/72)  em  razão  do  longo  prazo  entre  o  período  de  apuração  objeto  do  crédito  alegado  a  decisão  que  homologou  parcialmente as compensações declaradas.  Desse  modo,  considerando  que  a  grande  quantidade  de  documentação  apresentada  na  manifestação  de  inconformidade  complementar  e  também  junto  ao  recurso  voluntário, não é possível aferir, neste momento, e sem o necessário contraditório, se realmente  a Recorrente conseguiu comprovar que houve a retenção na fonte da CSLL, bem como se tais  rendimentos foram efetivamente oferecidos à tributação.  No que diz respeito às estimativas compensadas, não há necessidade de qualquer  procedimento por parte da unidade de origem, uma vez que os valores em litígio já foram alvo  de homologação de compensação no processo 10880.926980/2011­29, e a que diz respeito às  compensações  objeto  do  processo  10880.940491/2011­80  não  poderiam  ser  analisadas  neste  momento em razão da diligência a ser  realizada, conforme decidido por este colegiado nesta  mesma assentada.  Após  a  realização  das  diligências  requeridas,  no  retorno  dos  presentes  autos  e  também do processo 10880.940491/2011­80, as questões de mérito em relação a tal parcela de  crédito requerido serão alvo de apreciação.  Em  relação à  alegada  acontradição  entre os  fundamentos do voto  condutor do  aresto, que consignam o  reconhecimento de direito creditório, e a conclusão de  tal voto, que  encaminhou para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, de fato,  assiste  razão  à  Recorrente  (também  a  ementa  e  a  o  resultado  do  julgamento  indicam  a  improcedência da manifestação de inconformidade).  Durante os debates este colegiado chegou a discutir a possibilidade de retornar  os  autos  à  turma  julgadora  de primeira  instância para que  se  pronunciasse  a  respeito  de  tais  contradições.  Contudo, ao analisar a documentação, concluí que efetivamente os documentos  apresentados  corroboram  os  fundamentos  do  voto  vencedor,  tendo  havido  erro  somente  no  registro  das  conclusões  do  voto  e  resultado  do  julgamento,  muito  provavelmente  acompanhando o resultado proferido em todos os processos do mesmo contribuintes julgados  na mesma assentada.  Com base em tal constatação, em homenagem à duração razoável do processo, e  por  não  haver  qualquer  prejuízo  em  assim  proceder,  este  colegiado  preferiu  superar  tal  contradição, sendo que o  indébito correspondente deverá ser alvo de reconhecimento quando  do retorno dos presentes autos da diligência ora determinada.      Fl. 10249DF CARF MF Processo nº 10880.963528/2011­48  Resolução nº  1402­000.396  S1­C4T2  Fl. 10.250            11 CONCLUSÃO  Isso  posto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  a  fim  de  que  a  unidade de origem adote os seguintes procedimentos:  1.  Em  relação  às  divergências  apontadas  pela  Recorrente  e  resumidas  no  examinar a documentação acostada nos docs. 07 e 17 anexos à manifestação de  inconformidade  a  fim  de  verificar  se  há  créditos  de  CSLL  passíveis  de  reconhecimento  e  ainda  não  deferidos  até  o  momento.  Exminar  se  há  correspondência  entre  os  documentos  apresentados  e  a  escrituração  da  Recorrente,  consignando  se  é  possível,  ao  menos,  afirmar  que  os  créditos  constantes de sua escrituração possuem correlação com as retenções informadas  em DIRF e nos demais elementos de prova apresentados pela Recorrente, ainda  que  hajana  pequenas  divergências  de  valores  entre  aqueles  escriturados  e  os  documentos  que  comprovariam  as  retenções  de  CSLL.  Por  fim,  deverá  ainda  verificar  se  os  respectidos  rendimentos  foram  efetivamente  oferecidos  à  tributação, conforme determina a Súmula CARF nº 80;  2.  Com  base  em  toda  a  documentação  já  disponibilizada  pela  Recorrente,  em  especial  a que  se  refere  às  notas  fiscais  relacionadas  nas  tabelas  de  fls.  1776­ 1778  reproduzidas  no  corpo  do  recurso  voluntário,  analisar  se  os  elementos  apresentados comprovariam o direito de reconhecimento de crédito adicional de  R$  722.180,98.  Por  fim,  deverá  ainda  verificar  se  os  respectidos  rendimentos  foram  efetivamente  oferecidos  à  tributação,  conforme  determina  a  Súmula  CARF nº 80.   3.  A  autoridade  fiscal  deverá  elaborar  relatório  fiscal  circunstanciado  sobre  o  resultado de sua diligência.  Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade administrativa poderá intimar o  contribuinte  a  apresentar  documentos  complementares  e  esclarecimentos  adicionais  antes  de  elaborar o relatório ora requerido.  Poderá  ainda  a  autoridade  fiscal  apresentar  os  esclarecimentos  que  julgar  necessários à melhor análise de tais fatos.   Ao final, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo­ se  prazo  de  30  dias  para  que,  querendo, manifeste­se  sobre  seu  conteúdo  (art.  35,  parágrafo  único, do Decreto nº 7.574/2011).  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator  Fl. 10250DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.721410/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório

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3302­000.964  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  26 de março de 2019  Assunto  AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  MPE MONTAGENS E PROJETOS ESPECIAIS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Deroulede ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).    Relatório Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  (“DRJ”)  de  Ribeirão  Preto/SP  que  julgou  improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao  PIS  e  de  COFINS  não  cumulativas,  consubstanciada  nos  autos  de  infração  em  questão  (fls  4960/4987),  relativos  ao período de 07/2010  a 12/2011,  incluídos principal,  juros de mora  e  multa no percentual de 75%.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 41 0/ 20 15 -9 1 Fl. 5183DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 3          2 Por  bem  consolidar  os  fatos  que  deram  ensejo  ao  lançamento  tributário  em  questão,  bem  como  os  argumentos  trazidos  pelo  contribuinte  em  sede  de  impugnação,  com  riqueza de detalhes, colaciono abaixo o relatório do Acórdão da DRJ:  A Fiscalização  relata  que  a  ação  fiscal  foi  instaurada  para  verificar  infrações  reiteradas  cometidas  pela  contribuinte  nos  períodos  subseqüentes  à  autuação  encerrada  no  processo  administrativo  nº  12898.000039/2010­39.  Após  citar  a  legislação  de  regência,  a  Autoridade  Fiscal  descreve  a  presente auditoria iniciada em 16/06/2014, na qual a contribuinte foi  intimada  a  apresentar,  entre  outros  documentos:  estatuto  social  e  alterações;  demonstrativo  detalhado  de  apuração  mensal  de  Pis  e  Cofins, na  forma de planilha  impressa e em meio magnético,  relativa  ao período entre 07/10 a 12/11, especificando as contas contábeis que  compõem  as  bases  de  cálculo  das  referidas  contribuições;  plano  de  contas e balancetes mensais analíticos, em meio magnético.  Em exame preliminar da documentação apresentada, o Fisco constatou  que,  além  dos  documentos  solicitados,  a  contribuinte  encaminhou,  também,  documentos  de  apuração  do  Pis  e  da  Cofins  (calculado  unicamente  sob o  regime não­cumulativo) na Sociedade em Conta de  Participação  (SCPCODESP),  na  qual  figura  como  sócia  ostensiva;  bem como que apura o IRPJ sob a forma do lucro real, calculando as  contribuições pelos  regimes não cumulativo  e cumulativo,  este último  utilizado na maior parte de seu faturamento; e que utilizou o regime de  caixa  na  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas  em ambas sociedades.  A interessada foi intimada a justificar e comprovar o motivo pelo qual  utiliza  o  regime  cumulativo  em  grande  parte  de  seu  faturamento;  a  justificar e comprovar a opção pelo regime de caixa na determinação  da base de cálculo das contribuições em ambas empresas; a apresentar  todos contratos de prestação de serviço com seus clientes  (em ambas  empresas)  e a apresentar o  contrato social da constituição da SCP –  CODESP.  Em atendimento, a interessada:  1. esclareceu a adoção do regime de caixa na determinação da base de  cálculo das contribuições de ambas empresas como sendo realizada na  parcela  das  respectivas  receitas  decorrentes  da  construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento  a  preço  predeterminado  de  bens  ou  serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, sociedade  de  economia  mista  ou  suas  subsidiárias,  conforme  art.  79  da  Lei  nº  9.718/98,  fato  confirmado  pela  Fiscalização,  bem  como  que  foi  adotado o regime de competência em relação aos serviços prestados a  sociedades  de  direito  privado;  2.  esclareceu  que,  em  razão  do  seu  objeto  social  (prestação  de  serviços  de  construção,  montagem  e  engenharia  de  manutenção),  apura  as  contribuições  sob  as  duas  sistemáticas (cumulativa e não cumulativa), de acordo com o art. 10, II  e  XX,  c/c  art.  15,  V,  ambos  da  Lei  nº  10.833/03,  justificando  grande  parte de seu faturamento sob o regime cumulativo, pois a maior parte  de  suas  receitas  são  decorrentes  da  execução  por  administração,  empreitada  ou  subempreitada  de  obras  de  construção  civil;  3.  Fl. 5184DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 4          3 apresentou  os  contratos  de  prestação  de  serviço  com  seus  clientes,  discriminados por apuração das contribuições pelo regime cumulativo,  não­cumulativo  e  cumulativo  e  não­cumulativo,  de  cuja  análise  a  Fiscalização  concluiu:  “que  seus  objetos  versam  sobre montagem  e,  principalmente,  manutenção  de  sistemas  mecânicos,  elétricos,  eletromecânicos, eletrônicos, hidráulicos e outros semelhantes”... “Nos  contratos em que há menção à execução de serviços de obras civis, o  núcleo  do  objeto  contratual,  em  sua  maioria,  é  a  montagem  ou  a  manutenção de sistemas ou equipamentos, restando como pré­requisito  complementar  obras  civis  e  outras  tarefas.  Além  disso,  não  há  nos  contratos segregação da receita para cada tarefa, pois foram firmados  mediante  preço  global”...  “Desta  forma,  seguindo  entendimento  descrito  no  acórdão  nº  1340.392,  da  5ª  Turma  da  DRJ/RJ2,  e  considerando  que  nenhum  dos  contratos  tem  por  objeto  obras  de  construção civil, em seu sentido específico, por esta razão as receitas  deles  derivadas  devem  ser  tributadas  pelo  regime  geral  da  não­ cumulatividade,  e  não  submetidas  ao  regime  excepcional  da  cumulatividade  na  hipótese  prevista  no  art.  10,  inciso XX  da Lei  nº  10.833/03”.  A  Fiscalização  constatou,  ainda,  da  análise  dos  demonstrativos  de  apuração  das  contribuições,  juntamente  com  os  documentos  apresentados,  que  a  contribuinte  descontou,  a  título  de  créditos,  valores  calculados  em  percentuais  correspondentes  a  alíquotas  das  referidas  contribuições  (Pis/Pasep  =  1,65%  e  Cofins  =  7,6%),  aplicadas sobre valores de diversas notas fiscais de seus fornecedores,  contabilizadas  em  várias  contas  de  despesas  operacionais,  sem  a  devida  previsão  legal  a  esse  benefício  tributário.  E  que  tais  valores  foram  contabilizados  a  débitos  das  contas  1.1.3.06.0003  e  1.1.3.07.0003 (Recuperação Pis/Cofins – Serviços Prestados – Pessoa  Jurídica)  e  a  crédito  de  diversas  contas  de  despesas  operacionais,  especificadas em planilhas de efls. 4363 a 4365.  Intimada a esclarecer e justificar sobre a dedução de créditos oriundos  de  despesas  operacionais  sem a  devida  previsão  legal,  com apoio  na  documentação  pertinente,  a  contribuinte  apresentou  a  seguinte  resposta:  “No que tange a classificação, verificamos que as Notas Fiscais foram  imputadas  no  sistema  de  controle  de  custos  da  Empresa  MPE  Montagens  e  Projetos  Especiais  com  o  “tipo  contábil”  de  (consultoria/assessoria)  erroneamente,  onde  o  correto  seria  o  “tipo  contábil” que alocasse as mesmas na conta contábil as quais realmente  pertencem  (empreiteiros/engenharia).  Em  consideração  ao  embasamento  legal,  levando  em  consideração  para  crédito  das  referidas  notas,  usamos  o  que  versa  o  art.  3º  da  Lei  10.637/2002  e  10.833/2003,  em  seu  item  2º,  que  por  ora  transcrevemos,  a  pessoa  jurídica poderá descontar créditos calculados com relação a:  “Bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis  e lubrificantes, com as vedações previstas.”  Entendemos que a classificação do direito creditório vai de encontro à  definição de “Bens e serviços utilizados como insumo...”:  Fl. 5185DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 5          4 1­ Os bens  aplicados ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado;  e  2  ­  Os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos na prestação do serviço.  Como poderão observar, todos os serviços prestados estão diretamente  ligados  aos  empreendimentos  sendo  o  mesmo  imprescindível  para  a  execução dos Serviços Contratados pelo Cliente.  Conforme  solicitado,  segue  junto  a  esta,  cópia  das  Notas  Fiscais  relativos à conta contábil 515.02.0003, as demais contas apontadas na  TIF04  tiveram  descontos  das  contribuições  mensais  a  títulos  de  créditos (PIS/COFINS) erroneamente, devendo ser estornados.”  Ao  confrontar  a  documentação  apresentada,  relativa  à  conta  515.02.0003  –Auditoria/Assessoria  Análise,  com  o  razão  contábil  disponibilizado  no  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  –  Escrituração Contábil (SPED Contábil), a fiscalização constatou (além  de  notas  fiscais  contabilizadas  erroneamente  nesta  conta,  considerando  que  o  correto  seria  a  conta  de  Empreiteiros/Engenharia”;  bem  como  a  falta  de  diversas  notas  fiscais)  documentos  relativos  a  serviços  que  configuram  despesas  operacionais  e  administrativas  não  vinculadas  a  serviços  prestados  pela  contribuinte  a  seus  clientes,  entre  elas:  prestação  de  serviços  contábeis,  serviços  de  assessoria  empresarial,  realização  de  cursos,  consultoria  administrativa,  auditoria,  entre  outros  (notas  fiscais  relacionadas na planilha de efls. 4818/4819).  Reintimada  a  apresentar  as  notas  fiscais  faltantes,  a  contribuinte  apresentou parte delas alegando que não encontrou as demais em seus  arquivos,  razão  porque  estaria  entrando  em  contato  com  seus  fornecedores  para  obtenção  de  segunda  via,  solicitando  prorrogação  de  prazo  para  atendimento.  Ao  final  do  prazo  prorrogado,  a  interessada  alegou  que  alguns  de  seus  fornecedores  deixaram  de  atender  o  solicitado,  justificando  nova  prorrogação  de  prazo,  sendo  que até o final da presente ação fiscal referidas notas fiscais deixaram  de  ser  apresentadas,  motivo  pelo  qual  foram  desconsideradas  na  apuração do Pis e da Cofins feita pela fiscalização.  O  crédito  tributário  foi  apurado  a  partir  dos  demonstrativos  preparados  pela  contribuinte  (efls.  45/58  e  667/684),  baseado  nos  documentos  apresentados  e  na  escrituração  contábil  (SPED),  cujas  respectivas bases de cálculo foram ajustadas pelos seguintes assuntos:  (i) a empresa apurou a base de cálculo pelos regimes não­cumulativo e  cumulativo, utilizando a maior parte de seu faturamento na apuração  pelo regime cumulativo, porém, de acordo com o entendimento  fiscal,  as  receitas  auferidas  no  período  devem  ser  tributadas  pelo  regime  geral  da  não­cumulatividade;  e  (ii)  foram  glosados  os  valores  deduzidos a  título de créditos, calculados sobre diversas notas  fiscais  de  fornecedores,  contabilizadas  como  despesa  operacional  sem  a  devida previsão legal que dê direito a tal benefício tributário, conforme  novo demonstrativo de apuração de efls. 4932/4949. Foram deduzidos  os valores declarados em DCTF.  Fl. 5186DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 6          5 Foram  anexados  aos  autos  apenas  os  documentos  diretamente  relacionados  com  as  infrações  apuradas  e  úteis  ao  entendimento  da  matéria.  A  contribuinte  foi  cientificada  dos  autos  de  infração  em  26/06/2015  (sexta­feira).  Inconformada,  a  interessada apresentou  impugnação,  por  intermédio  de  seu  representante  legal,  em  28/07/2015,  acompanhada  de  documentos.  Alega  a  tempestividade  da  defesa  e  faz  um  resumo  dos  fatos. Adentra na questão de direito, argumentando que o Acórdão nº  1340.392  da  5ª  Turma  da  DRJ/RJ2,  tomado  como  base  pela  fiscalização, diz respeito ao processo nº 12898.000039/2010­39, o qual  ainda  está  em  trâmite  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  CARF,  tendo  sido  convertido  aquele  julgamento  em  diligência, conforme Resolução do CARF.  Entende  que  também  no  presente  caso  se  faz  necessária  a  diligência  para  reanálise  dos  contratos  apresentados,  pois  os  critérios  de  classificação dos serviços utilizados nestes autos – que são exatamente  os mesmos externados no processo administrativo acima citado – não  convergem com os critérios estabelecidos na legislação de regência, tal  como consignado no voto daquela Resolução do CARF.  Julga que o conceito de construção civil a ser levado em consideração  é  aquele  definido  por  normas  de  caráter  nacional,  tal  como  a  Lei  Complementar  nº  116/2003,  item  7.02  da  lista  de  serviços,  de  modo  que, se não todos, ao menos grande parte dos contratos de prestação  de serviços celebrados pela Impugnante é abarcada pelo preceito legal  o  qual  determina  que  a  receita  decorrente  da  execução  por  administração,  empreitada  ou  subempreitada  de  obras  de  construção  civil tem de ser tributada sob o regime cumulativo.  Por  tais  razões,  requer  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  devendo,  por  ocasião  da  reanálise  fiscal,  serem  levados  em  consideração  todos  os  créditos  computados  na  contabilidade,  independentemente de terem sido informados ou não em DACON, nos  termos da alegada Resolução do CARF.  Ressalta  duas  questões  em  relação  aos  créditos  apurados  na  sistemática não­cumulativa:  (i) os créditos utilizados estão escorados no quanto previsto no art. 3º  da Lei nº 10.637/2002 e art. 2º da Lei nº 10.833/2003, sendo que todas  as notas fiscais que embasaram os direitos creditórios tem origem (i.1)  em bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que  não estejam incluídos no ativo imobilizado e (i.2) os serviços prestados  por pessoa  jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na  prestação do serviço; tudo diretamente ligado aos empreendimentos, os  quais  são  imprescindíveis  para  a  execução  dos  serviços  contratados  pelos clientes.  Além  disso,  (ii)  como  “os  valores  de  PIS  e  COFINS  relativos  aos  documentos  não  apresentados  até  o  momento”  foram  “desconsiderados  da  apuração  das  referidas  contribuições  dos  anos­ calendário  de  2010  e  2011”,  é  essencial  que  todos  os  documentos  Fl. 5187DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 7          6 trazidos  aos  autos  até  a  data  da  realização  da  diligência  sejam  considerados no apontamento dos créditos a que a empresa  faz jus, a  bem do princípio da verdade material.”  Por  fim,  questiona  a  multa  de  lançamento  de  ofício,  dizendo  que  é  excessiva e confiscatória, sendo de rigor a sua redução em obediência  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade. Cita  doutrina  e  jurisprudência.  Encerra, em suas palavras:  “IV. DO PEDIDO Ante o exposto, demonstrado de forma inequívoca a  insubsistência  do  ato  administrativo  exarado  e  a  improcedência  da  ação fiscal, requer seja recebida e processada a presente impugnação  e  seja  julgada  procedente  para  o  fim  de  (i)  CONVERTER­SE  O  JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando­se à d. Fiscalização  que promova nova análise dos contratos sob as premissas assinaladas  na  presente  peça  impugnatória;  ou  (ii)  cancelar  o  Auto  de  Infração  combatido  in  totum,  tendo  em  vista  a  correição  na  classificação  promovida pelo contribuinte.  Em tempo, pede­se o julgamento de procedência da impugnação, para  o fim de (iii) se reexaminar a questão relativa aos créditos tributários  oriundos do regime de não­cumulatividade, (iii.1) tanto em relação aos  créditos  tributários  já  corretamente  apontados  pelo  contribuinte  e  glosados pela Autoridade Autuante – originados em “insumos” para a  prestação de serviço da Impugnante – (iii.2) quanto por aqueles que se  originarem  em  razão  de  eventual  determinação  dessa  d.  DRJ  de  submissão de determinado contrato ao regime não­cumulativo.  Por fim, ad argumentandum tantum, requer­se ao menos a revisão das  multas aplicadas em razão da proporcionalidade e da irrazoabilidade  com  que  foram  aplicadas  e  tendo  em  conta  a  completa  ausência  de  intenção do contribuinte em suprimir tributo indevidamente, eis que a  discussão aqui existente tem por base mera discordância de conceitos  jurídicos, o que não deve dar azo a multa tão elevada.”  Em  julgamento datado de 4 de  abril  de 2016,  a DRJ Ribeirão Preto/SP negou  provimento à impugnação da Contribuinte (Acórdão 1459.756), nos termos da ementa a seguir  colacionada:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano­calendário:  2010, 2011 DILIGÊNCIA.  Indefere­se o pedido de diligência quando se trata de matéria passível  de  prova documental  a  ser  apresentada no momento  da  impugnação,  bem  como  quando  desnecessária  para  a  formação  da  convicção  da  autoridade julgadora.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Ano­calendário:  2010,  2011  MONTAGEM.  MANUTENÇÃO.  REGIME  DE  TRIBUTAÇÃO. NÃO CUMULATIVO.  As  obras  e  os  serviços  de  montagens  e/ou  manutenção  de  sistemas  mecânicos,  elétricos,  eletromecânicos,  eletrônicos,  térmicos,  termoelétricos,  hidráulicos  não  estão  circunscritos  pelo  conceito  de  Fl. 5188DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 8          7 obras  de  construção  civil  para  fins  de  tributação  pelo  regime  cumulativo das contribuições PIS/Cofins.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  COFINS  Ano­calendário:  2010,  2011  MONTAGEM.  MANUTENÇÃO.  REGIME  DE  TRIBUTAÇÃO.  NÃO  CUMULATIVO.  As  obras  e  os  serviços  de  montagens  e/ou  manutenção  de  sistemas  mecânicos,  elétricos,  eletromecânicos,  eletrônicos,  térmicos,  termoelétricos,  hidráulicos  não  estão  circunscritos  pelo  conceito  de  obras  de  construção  civil  para  fins  de  tributação  pelo  regime  cumulativo das contribuições PIS/Cofins.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.  É cabível a imputação da multa de ofício porquanto fundamentada na  lei,  sendo  inaplicável  o  conceito  de  confisco  constitucionalmente  previsto, por não se revestir das características de tributo.  INCONSTITUCIONALIDADE.  INSTÂNCIAS  ADMINISTRATIVAS.  COMPETÊNCIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade,  restringindo­se  a  instância  administrativa  ao  exame  da  validade  jurídica  dos  atos  praticados  pelos  agentes  do  Fisco.  Impugnação  Improcedente  Crédito  Tributário  Mantido  Irresignada  quanto  ao  resultado  do  julgamento  pela  DRJ,  a  Contribuinte  recorreu  a  este  Conselho (fls. 5101a 5118), repisando os argumentos apresentados em  sua impugnação.  É o relatório.    Voto  Conselheiro José Renato Pereira de Deus.  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  I ­ Da natureza dos contratos analisados pela fiscalização  Para  a  recorrente,  utilizando­se  de  situação  fática  verificada  no  processo  nº  12898.000039/2010­39, haveria a necessidade de se promover a baixa do presente processo em  diligência para que a autoridade fiscal, como ocorrido no processo mencionado, promovesse a  análise dos contratos e procedesse à classificação das atividades contratadas pela recorrente.  Pois bem. Conforme relatado pela própria recorrente (e­fl. 5112), por se tratar da  mesma  discussão,  havendo  somente  a  diferença  quanto  ao  período  de  apuração,  a  sorte  do  presente processo deveria seguir a do de nº 12898.000039/2010­39:  Fl. 5189DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 9          8 "Portanto, a rigor, o melhor cenário é que a sorte desse processo fosse  determinada  pela  decisão  final  a  ser  tomada  no  P.A.  referido  como  paradigma,  de  modo  a  dar  prevalência,  in  caso,  ao  princípio  da  segurança jurídica. É direito do contribuinte saber de que modo deve  agir para se conformar ao entendimento do Fisco (se entender ser ele  regular)."  No  processo  acima mencionado  foi  determinada  diligência  pela  Resolução  n.  3102­000.278, nos seguintes termos:  VOTO  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Fiscalização  Federal  proceda  á  classificação  das  atividades  contratadas pela Recorrente à luz das considerações apresentadas.  Outrossim,  para  as  Contribuições  que  venham  ser  apuradas  no  Sistema  Não­Cumulativo,  sejam  levado  sem  contato  dos  os  créditos  computados na contabilidade da empresa, independentemente de terem  eles sido informados ou não na DACON.  As  considerações  para  que  se  chegasse  à  conclusão  pela  necessidade  de  realização da diligência, feitas pelo I. Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, foram as seguintes:  Em  apertada  síntese,  o  i.  Julgador  de  primeira  instância  considerou  que  o  objeto  dos  contratos  firmados  pela  parte  não  poderia  ser  classificado como obra de construção civil pelas  seguintes  razões:  (i)  vários  referem­se  a  serviços  classificados  como  montagem  e  não  construção  civil;  (ii)  em  um  dos  casos,  a  Recorrente  faz,  além  da  montagem,  basicamente,  atividade  de  acompanhamento  da  parte  classificada como construção civil; (iii) muitos tratam­se de serviços de  manutenção e restauração; (iv) outros de fornecimento de materiais e  equipamentos  eletromecânicos  com  respectiva  montagem  e  (v)  um  deles de implantação de um sistema de telecomunicação.  Conforme  site  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  em  se  tratando  de  responsabilidade  pelo  pagamento  do  INSS,  considera­se  obra da construção civil.  Regularização de Obra de Construção Civil Obra de construção civil:é  a  construção,  a  demolição,  a  reforma,  a  ampliação  de  edificação  ou  qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.  Por  outro  lado,  o  Decreto  7.708/12,  ao  instituir  a  Nomenclatura  Brasileira de Serviços,  Intangíveis e outras Operações que Produzam  Variações no Patrimônio – NBS, que, conforme artigo 2º será adotada  como  nomenclatura  única  na  classificação  das  transações  com  serviços,  intangíveis  e  outras  operações  que  produzam  variações  no  patrimônio  das  pessoas  físicas,  pessoas  jurídicas  e  entes  despersonalizados, introduz definições relevantes para solução da lide,  como segue.  SEÇÃO  ISERVIÇOS  DE  CONSTRUÇÃO  Capítulo  1Serviços  de  construção (...)  1.0117.00.00  Serviços  de montagem  e  edificação  de  construções  pré­ fabricadas (...)  Fl. 5190DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 10          9 SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Considerações Gerais (...)  Capítulo 1Serviços de construção Notas (...)  4)Incluem­se  nas  posições  1.0101,  1.0105,  1.0106,  1.0109,  1.0127,  1.0128  e  1.0138  e  nas  subposições  1.0107.2  e  1.0108.2,  além  dos  serviços de construção, os serviços de reparo. (grifos meus)  (...)  Considerações  Gerais  O  Capítulo  1  inclui  todos  os  serviços  de  pré  edificação;  os  serviços  pertinentes  a  novas  construções  e  os  serviços  pertinentes  a  reparos,  alterações  e  restaurações  de  edifícios  residenciais, não residenciais e trabalhos de engenharia civil.  Os  itens  aqui  classificados  são  os  serviços  essenciais  no  processo  de  edificação  de  diferentes  tipos  de  construção  e  o  resultado  final  das  atividades  de  construção.  Inclui  também  o  aluguel  de  equipamentos  para construção ou demolição de edifícios ou trabalhos de engenharia  civil, com operador.  (...)  1.0117  Serviços  de  montagem  e  edificação  de  construções  pré­ fabricadas  Nota  Explicativa  Aqui  se  classificam  os  serviços  de  instalação  e  montagem  de  edificações  e  de  outras  estruturas  pré­ fabricadas, bem como os serviços de instalação de mobiliário urbano,  como por exemplo, abrigos para ônibus e bancos em praças.  Estão excluídos desta posição:  1Serviços  de  construção de  estruturas,  que  se classificam na  posição  1.0119; e 2Serviços de edificação de partes pré­fabricadas de aço para  edifícios  e  outras  estruturas,  que  se  classificam  em  serviços  de  estruturas de aço estrutural da posição 1.0122.  Dos  excertos  acima  transcritos,  parece­me  que  os  critérios  de  classificação  de  serviços  estabelecidos  na  legislação  de  regência  determinam que se incluam no conceito de construção civil alguns dos  serviços de montagem, reparo e manutenção rejeitados na decisão de  primeira instância.  Por  outro  lado,  o  Capítulo  20  do  Anexo  I  do  Decreto  nº  7.708/12  especifica  outros  serviços,  não  passíveis  de  serem  classificados  no  Capítulo  1,  como  construção.  Capítulo  20Serviços  de  manutenção,  reparação e instalação (exceto construção)  Notas.  1)No presente Capítulo, entende­se por:  a)“manutenção”  o  ato  de  manter  um  bem  no  estado  em  que  foi  recebido,  o  que  é  feito  por  meio  da  reunião  de  ações  técnicas  e  administrativas,  evitando  assim  sua  deterioração;  b)“reparação”  a  ação  corretiva  efetuada  com  o  intuito  de  consertar  maquinário  ou  equipamentos,  restabelecendo  o  desempenho  original  dos  mesmos;  c)“instalação” a montagem de maquinário ou equipamentos.  Fl. 5191DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 11          10 2)Na posição 1.2001:  a)são  exemplos  de  “produtos  metálicos”:  aquecedores  e  caldeiras  industriais;  geradores,  condensadores,  super­aquecedores  e  coletores  de  vapor;  tubulações  e  partes  auxiliares  dos  geradores  de  vapor;  tanques  e  reservatórios,  dentre  outros;  b)o  termo  “computador”  abrange  desde  microcomputadores  até  computadores  centrais  (mainframe),  incluindo­se  aí  os  chamados  super  computadores;  c)entende­se  por  “veículo  automotor  rodoviário”  todo  veículo  que  circule por seus próprios meios, o que normalmente é  feito por motor  de  propulsão,  e  que  sirva,  em  regra,  para  o  transporte  viário  de  pessoas  e  coisas  ou  para  tração  viária  de  veículos  utilizados  para  o  transporte  de  pessoas  e  coisas;  a  expressão  compreende  ainda  os  veículos  conectados  a  uma  linha  elétrica,  porém  que  não  circulam  sobre trilhos.  Os critérios orientam no sentido de que não sejam classificados como  obras  de  construção  civil  os  serviços  de  montagem,  reparo,  manutenção etc  efetuados em equipamentos, máquinas,  utensílios. De  uma  maneira  geral,  observa­se  tratarem­se  de  serviços  que  não  são  realizados em bens imóveis, mas em bens móveis diversos.  Esses  pressuposto,  como  está  claro,  não  convergem  com  os  critérios  adotados  em  primeira  instância  para  classificação  da  atividade  contratada pela Recorrente.  Noutro  vértice,  a  leitura  do  objeto  dos  contratos  sugere  que,  pelo  menos  em  alguns  casos,  a  atividade  contratada  deve,  mesmo,  ser  classificada no Capítulo 20 e não no Capítulo 1.  De tudo isso, parece­me necessário o reexame das conclusões à luz das  considerações acrescentadas no presente Voto, o que, inclusive, dará a  chance  à  Fiscalização  Federal  de  manifestar­se,  no  mérito,  sobre  a  classificação das atividades contratadas, o que não foi possível, em um  primeiro  momento,  por  conta  do  não  atendimento,  por  parte  do  contribuinte, à intimação para apresentação de documentos.  Por  fim,  acrescente­se  que  o  fato  de  o  contribuinte  figurar  apenas  como administrador da obra não me parece que seja razão para deixar  de considerar a operação como uma obra de construção civil, ex vi o  teor do inciso XX do artigo 10 da Lei 10.833/03.  Assim, considerando que os contratos que fazem parte do presente processo, são  similares  aos  apresentados  no  processo  n.  12898.000039/2010­39,  e,  diga­se  de  passagem,  foram apresentados à autoridade fiscal desde o início da fiscalização, entendo que no caso em  comento deve ser aplicada a mesma solução.  Vale  ressaltar que no processo acima mencionado, a conclusão do  relatório da  diligência  reclassificou  vários  contratos  apresentados  pela  recorrente  considerando­os  como  contratos de obra de construção civil e, consequentemente, suas receitas seriam submetidas ao  regime cumulativo das contribuições.  Destarte,  entendo  que  os  contratos  abaixo  relacionados,  devem  ser  analisados  sob a ótica do Decreto 7.708/12, descrita em parágrafos acima (planilha e­fls. 5149/5152):  Fl. 5192DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 12          11         Fl. 5193DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 13          12       II ­ Dos Insumos  Não  obstante,  verifica­se  ainda  que  os  créditos  relacionados  a  insumos  empregados na atividade da recorrente, trazidos em planilhas, declarações e registros contábeis,  foram totalmente glosados pela fiscalização e mantidos na decisão de piso, sob o argumente de  não se enquadrarem no conceito de insumo trazidos pela IN SRF n 404/2004.  Para  dirimir  todas  as  peculiaridades  que  envolve  a  questão  do  crédito  de  PIS/COFINS,  o  STJ  julgou  a  matéria,  na  sistemática  de  como  recurso  repetitivo,  no  REsp  1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018.  "Pacificando"  o  litígio,  o  STJ  julgou  a  matéria,  na  sistemática  de  recurso  repetitivo,  no  REsp  1.221.170/PR,  em  22/02/2018,  com  publicação  em  24/04/2018,  o  qual  restou decidido com a seguinte ementa:  EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002  E  404/2004,  DA  SRF,  QUE  TRADUZ  PROPÓSITO RESTRITIVO  E DESVIRTUADOR DO  SEU ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE  OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA  EXTENSÃO,  PARCIALMENTE  PROVIDO,  SOB  O  RITO  DO  ART.  543­C  DO  CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015).  1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido  no  art.  3o.,  II,  da  Lei  10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo.  2.  O  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte.  Fl. 5194DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 14          13 3.  Recurso  Especial  representativo  da  controvérsia  parcialmente  conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o  retorno dos autos à  instância de origem, a  fim de que se aprecie,  em  cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos  créditos  relativos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e  equipamentos de proteção individual­EPI.  4.  Sob  o  rito  do art.  543­C do CPC/1973  (arts.  1.036  e  seguintes  do  CPC/2015), assentam­se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de  creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­ cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003;  e  (b)  o  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Contribuinte.  ACÓRDÃO  Vistos,  relatados  e  discutidos  estes  autos,  acordam  os  Ministros  da  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  conformidade  dos  votos  e  das  notas  taquigráficas  a  seguir,  prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito,  conhecer  parcialmente  do  Recurso  Especial  e,  nessa  parte,  dar­lhe  parcial  provimento,  nos  termos  do  voto  do  Sr. Ministro  Relator,  que  lavrará o ACÓRDÃO.   Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves  e  Sérgio Kukina. O  Sr. Ministro Mauro Campbell Marques,  Assusete  Magalhães  (voto­vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria  (que  se  declarou  habilitado  a  votar)  votaram  com  o  Sr. Ministro  Relator.  Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão.  Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento).  NAPOLEÃO  NUNES  MAIA  FILHO  MINISTRO  RELATOR  A  PGFN  opôs  embargos  de  declaração  e  o  contribuinte  interpôs  recurso  extraordinário. Não obstante a ausência de  julgamento dos embargos  opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa:  Recurso  Especial  nº  1.221.170/PR  Recurso  representativo  de  controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN  SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos  critérios de essencialidade ou relevância.  Tese  definida  em  sentido  desfavorável  à  Fazenda  Nacional.  Autorização para dispensa de contestar e  recorrer com  fulcro no art.  19,  IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n°  502, de 2016.   Nota  Explicativa  do  art.  3º  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  nº  01/2014.  O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no  julgamento do  repetitivo, nos seguintes termos:  Fl. 5195DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 15          14 "42.  Insumos  seriam,  portanto,  os  bens  ou  serviços  que  viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação de  serviços  e  que neles  possam ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  resulte  na  impossibilidade  ou  inutilidade  da mesma  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  ou  seja,  itens  cuja  subtração  ou  obste  a  atividade  da  empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do  serviço daí resultantes.  43.  O  raciocínio  proposto  pelo  “teste  da  subtração”  a  revelar  a  essencialidade  ou  relevância  do  item  é  como  uma  aferição  de  uma  “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço.  Busca­se uma eliminação hipotética, suprimindo­se mentalmente o item  do  contexto  do  processo  produtivo  atrelado  à  atividade  empresarial  desenvolvida.  Ainda  que  se  observem  despesas  importantes  para  a  empresa,  inclusive  para  o  seu  êxito  no  mercado,  elas  não  são  necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo  com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés  objetivo.  [...]64.  Feitas  essas  considerações,  conclui­se  que,  por  força  do  disposto  nos  §§  4º,  5º  e  7º  do  art.  19,  da  Lei  nº  10.522,  de  2002,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  deverá  observar  o  entendimento do STJ de que:  “(a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a  eficácia do sistema de não­cumulatividade da contribuição ao PIS e da  COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003;  e  (b)  o  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo Contribuinte.  65. Considerando a  pacificação da  temática no  âmbito do  STJ  sob  o  regime  da  repercussão  geral  (art.  1.036  e  seguintes  do  CPC)  e  a  consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à  União, a matéria apreciada enquadra­se na previsão do art. 19, inciso  IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5]  (incluído pela Lei nº  12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016,  os  quais  autorizam  a  dispensa  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência  dos  já  interpostos,  por  parte  da  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional.  66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no  âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§  4º,  5º  e  7º  do  art.  19,  da  Lei  nº  10.522,  de  2002[6],  cumprindo­lhe,  inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art.  6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014).  67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu  abstratamente o conceito de insumos para fins da não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da COFINS.  Destarte,  tanto  a  dispensa  de  contestar  e  recorrer,  no  âmbito  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Fl. 5196DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 16          15 Nacional,  como  a  vinculação  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o  qual  afasta  a  definição  anteriormente  adotada  pelos  órgãos,  que  era  decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004.  68. Ressalte­se, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise  acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse  modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o Auditor­Fiscal  que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de  determinado  item  como  insumo  ou  não  para  fins  da  não­ cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a  adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no  RESP nº 1.221.170/PR, mas  não  estão obrigados  a,  necessariamente,  aceitar o enquadramento do  item questionado como  insumo. Deve­se,  portanto,  diante  de  questionamento  de  tal  ordem,  verificar  se  o  item  discutido  se  amolda  ou  não  na  nova  conceituação  decorrente  do  Recurso Repetitivo ora examinado.  V Encaminhamentos  69.  Ante  o  exposto,  propõe­se  seja  autorizada  a  dispensa  de  contestação  e  recursos  sobre  o  tema  em  enfoque,  com  fulcro  no  art.  19,  IV,  da Lei  nº  10.522,  de  2002,  c/c  o  art.  2º,  V,  da  Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:"  Em  seguida,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  analisando  a  decisão  proferida  no  REsp  1.221.170/PR,  emitiu  o  Parecer  Normativo  nº  5/2018,  com  a  seguinte  ementa:  Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES.   Conforme  estabelecido  pela  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para  fins  de  apuração de  créditos  da  não  cumulatividade  da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins deve  ser aferido à  luz dos  critérios da  essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de  bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa  jurídica.   Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento:   a)  o  “critério  da  essencialidade  diz  com  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente,  o  produto  ou  o  serviço”:  a.1)  “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo  ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes  prive  de  qualidade,  quantidade  e/ou  suficiência”;  b)  já  o  critério  da  relevância  “é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço, integre o processo de produção, seja”:  b.1)  “pelas  singularidades  de  cada  cadeia  produtiva”;  b.2)  “por  imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º,  inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.  Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a  possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo,  Fl. 5197DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 17          16 ou  seja,  reconhecendo o  insumo do  insumo  (item 3  do  parecer), EPI,  testes  de  qualidade de  produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item  4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item  5  do  parecer),  os  dispêndios  com  a  formação  de  bens  sujeitos  à  exaustão,  despesas  do  imobilizado  lançadas  diretamente  no  resultado,  despesas  de  manutenção  dos  ativos  responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares  em  bens  do  ativo  imobilizado  da  produção,  materiais  e  serviços  de  limpeza,  desinfecção  e  dedetização  dos  ativos  produtivos  (item  7  do  parecer),  dispêndios  de  desenvolvimento  que  resulte  em  ativo  intangível  que  efetivamente  resulte  em  insumo  ou  em  produto  destinado  à  venda  ou  em  prestação  de  serviços  (item  8.1  do  parecer),  dispêndios  com  combustíveis  e  lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matéria­prima em uma  planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matéria­prima, produtos intermediários  ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por  funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d)  veículos utilizados na atividade­fim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte  (item  10  do  parecer),  testes  de  qualidade  de  matérias­primas,  produtos  em  elaboração  e  produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer).  Por outro  lado,  entendeu que o  julgamento  (questões  estas que não possuem  caráter  definitivo  e  que  podem  ser  revistas  em  julgamento  administrativo)  não  daria  margem  à  tomada  de  créditos  de  insumos  nas  atividades  de  revenda  de  bens  (item  2  do  parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de  serviços (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou  para  entrega  ao  cliente  (nesta  última  situação,  tomaria  crédito  como  frete  em  operações  de  venda),  embalagens  para  transporte  de  produtos  acabados,  combustíveis  em  frotas  próprias  (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento  de  ativos  intangíveis  mal­sucedidos  ou  que  não  se  vinculem  à  produção  ou  prestação  de  serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços  etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço mal­sucedido),  contratação  de  pessoa  jurídica  para  exercer  atividades  terceirizadas  no  setor  administrativo,  vigilância,  preparação  de  alimentos  da  pessoa  jurídica  contratante  (item  9.1  do  parecer),  dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus  funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer),  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  fora  da  produção  ou  prestação  de  serviços,  exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida  e  volta  ao  local  de  trabalho;  c)  por  administradores  da  pessoa  jurídica;  e)  para  entrega  de  mercadorias  aos  clientes;  f)  para  cobrança  de  valores  contra  clientes  (item  10  do  parecer),  auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação  de serviços (item 11 do parecer).  Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do  Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela  empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item  do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento  estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a  sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como  critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável  à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja  pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de  artifício  difere  daquele  desempenhado  na  agroindústria),  seja  por  imposição  legal  Fl. 5198DF CARF MF Processo nº 16682.721410/2015­91  Resolução nº  3302­000.964  S3­C3T2  Fl. 18          17 (v.g.,equipamento de proteção individual ­ EPI), distanciando­se, nessa medida, da acepção de  pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na  execução do serviço.  Os documentos  trazidos pela  recorrente no decorrer da  fiscalização apontam a  existência de aquisição de produtos utilizados como insumos pela recorrente no desempenho de  suas  atividades,  entretanto,  não  há  um  detalhamento  ou  mapeamento  de  onde  é  utilizado  o  suposto insumo e qual seria sua função no processo produtivo  Assim, necessário se faz que a recorrente demonstre no processo, de preferência  em planilhas, onde quais são, onde são utilizados os produtos que entende ser insumos para a  sua atividade, bem como indique a sua função.  III ­ Conclusão  Desta  feita,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  (i)  a  autoridade fiscal proceda à classificação dos contratos descritos na planilha indicada acima no  corpo do presente voto, à luz das considerações apresentadas sobre o conceito de serviços de  construção  civil  do  Decreto  nº  7.708/12  e,  (ii)  intime  a  recorrente  para  demonstrar,  de  preferência em planilhas, quais são, onde são utilizados os produtos que entende como insumos  para a sua atividade, além de indicar a sua função no processo produtivo.  A  autoridade  fiscal  deverá  elaborar  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  a  respeito  dos  procedimentos  realizados,  dando  ciência  à  recorrente  para  que  esta,  desejando,  manifeste­se  em  30  dias,  prazo  após  o  qual  os  autos  devem  retornar  a  este  CARF,  para  prosseguimento do julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator.    Fl. 5199DF CARF MF

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Numero do processo: 10283.000273/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 do STF. SÚMULA CARF. N.º 148. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante n.º 8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Nos termos da Súmula nº 148, no caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN”. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS OU OMISSAS. TERMOS DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Nos termos do art. 32, inciso IV, § 5,°da Lei n° 8.212 /91, a empresa é obrigada também a "declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito.
Numero da decisão: 2301-009.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência das competências lançadas em 01/1999 a 11/2001(inclusive). (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Joao Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo César Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência das competências lançadas em 01/1999 a 11/2001(inclusive). (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Joao Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo César Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 do STF. SÚMULA CARF. N.º 148. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante n.º 8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Nos termos da Súmula nº 148, no caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN”. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS OU OMISSAS. TERMOS DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Nos termos do art. 32, inciso IV, § 5,°da Lei n° 8.212 /91, a empresa é obrigada também a "declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 02. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. MOTIVAÇÃO. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 02 73 /2 00 8- 44 Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 A motivação para a diligência requerida deve estar centrada na impossibilidade de o sujeito passivo possuir ou reunir as provas para as comprovações requeridas, o que não se nota no caso em concreto. Deve ser indeferido requerimento de diligência ou perícia quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e consequente julgamento do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a decadência das competências lançadas em 01/1999 a 11/2001(inclusive). (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Joao Maurício Vital, Wesley Rocha, Paulo César Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo SONY BRASIL LTDA., contra Acórdão de Julgamento que julgou improcedente a impugnação. O auto de Infração, por descumprimento de obrigação acessória, ocorreu porque empresa deixou de informar em GFIP os fatos geradores correspondentes às contribuições previdenciárias de parte dos rendimentos de seu empregados, infringindo ao dispositivo previsto no art. 32, inciso IV, § 5,°da Lei n° 8.212 /91, combinado com art. 225, inc. IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Diante do Acórdão de julgamento de primeira instância (e-fl. 86 e seguintes), a recorrente interpõe Recurso Voluntário (e-fls. 118 e seguintes), alegando o seguinte: i) Decadência do direito creditório de parte do lançamento fiscal; ii) Impossibilidade da multa cobrada ser maior que a o valor da própria contribuição previdenciária; iii) Contesta o indeferimento de juntada de provas ao processo administrativo fiscal; Diante dos fatos narrados, é o breve relatório. Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, bem como é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. DO PEDIDO DE DECADÊNCIA Trata-se de pedido de decadência em autuação de obrigação acessória, onde a recorrente solicita aplicação do art. 150§, 4º do CTN. Entretanto, independente do recolhimento do tributo atrair a regra decadencial do citado artigo, por meio da obrigação principal, no presente processo a autuação diz respeito às obrigações acessórias, que possui aplicação da Súmula CARF n.º 148, in verbis: “Súmula CARF nº 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN”. Assim, no presente processo a regra aplicada deve ser a do artigo 173, inciso I, do CTN. Nesse sentido, a DRJ de origem entendeu que deveria ser aplicado o prazo decadencial de 10 (dez) anos. Prazo esse superado e não mais aplicado pelo STF e pelas Cortes judiciais e administrativas. Isso porque, em 11 de junho de 2008, o Plenário do Supremo Tribunal julgou o Recurso Extraordinário 559.943, de relatoria da Ministra Cármen Lúcia, com repercussão geral reconhecida, e concluiu que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária, incluída a relativa às contribuições previdenciárias, onde a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, nos quais havia sido fixado o prazo de dez anos para a prescrição das contribuições da seguridade social e a decadência do direito à sua cobrança. Segundo a conclusão da Corte Suprema, apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1”. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à Súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. O período autuado no presente processo refere-se às competências 01/01/1999 a 31/12/2006, e a intimação do lançamento fiscal se deu em 11.12.2007. Portanto, as competências de 1999, 2000 até novembro de 2001 (inclusive) estão atingidas pela decadência, devendo ser excluídos do auto de infração, mantendo as demais competências. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Trata-se de autuação por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV, e parágrafo 5, da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 9.528, de 10/12/1997, c/c o art. 225, inciso IV, § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 em razão da apresentação pela empresa de Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 Conforme se constata da legislação em vigor, é dever da contribuinte de elaborar ou apresentou GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Na sua falta, incorre a recorrente em infringência ao disposto no artigo 32 , IV , §5, o da Lei n° 8.212 /91, combinado com art. 225, inc. IV e §4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, in verbis: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) ( )" RPS "Art. 225. A empresa é também obrigada a: (ml IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 4° O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. A Lei, que é taxativa, não permite mera liberalidade de não aplicar a pena para os casos dos autos, sendo, portanto, devida a aplicação da multa pelo descobrimento da obrigação acessória, constituindo infração aos dispositivos já citados. Portanto, as demais competências devem ser mantidas. DA COBRANÇA DOS VALORES SER SUPERIOR AO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA Sobre o valor estar maior que a autuação principal decorre do fato de serem registros e exigências fiscais distintas sobre o mesmo fato gerador. Quanto ao alegado, pode-se verificar que os valores mencionados pela recorrente referem-se a períodos diferentes autuados, mas que são resultados das diferenças constates do DAD, na respectiva NFLD, conforme pode ser constatado por parte da transcrição abaixo: Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 Por outro lado, a análise da alegação de não confisco o CARF não é competente para analisar matéria de inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF 02 que dispõe que o CARF "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Ainda, este Conselho não é legitimado a analisar matérias Constitucionais, conforme se depreende do art. 26-A, do Decreto 70.235-72, in verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, a autuação deve ser mantida. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. Por fim, quanto ao tópico do pedido de perícia entendo que a recorrente apenas solicitou o pedido em sede de primeira instância que restou indeferido, reiterando o pedido em segunda instância. Ocorre que o ônus probatório no presente caso é do contribuinte. Ressalta-se que foram deferidos também prazos para que o contribuinte obtivesse a documentação alegada, sem, contudo, haver juntada aos autos. Ocorre que, o julgador pode deferir perícia ou diligência somente nos casos de dúvidas ou que possam esclarecer determinados procedimentos da autuação ou em situações que o recorrente não tem possibilidade de produzir a prova que se pretende. O que não é o caso dos autos. A prova deve ser trazida aos autos pelo contribuinte, não é ônus da administração pública ou da Fazenda a busca de provas do direito alegado pelo recorrente. Se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não faz sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. É elementar que a prova para infirmar a presunção deve ser produzida por quem tem interesse na demanda, que no caso é o contribuinte. Assim, indeferido o pedido de diligência ou perícia. Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.343 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.000273/2008-44 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não acolhendo as alegações de inconstitucionalidade de lei, para no mérito DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das competências 01/1999 a 11/2001(inclusive), mantendo as demais disposições da autuação. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10314.720313/2016-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 PIS/PASEP E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semirames de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1 Fl. 909       1 908  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.720313/2016­73  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­005.069  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de agosto de 2018  Matéria  PIS/PASEP E COFINS  Recorrente  VIP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CAIXAS E PAPELÃO ONDULADO  LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012   PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  RECURSO  REPETITIVO. STJ.   Transitou em  julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR,  sob  a  sistemática  de  recurso  repetitivo,  que  deu  pela  inclusão  do  ICMS na  base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este  Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.   Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706,  que  tramita  sob  a  sistemática  da  repercussão  geral,  mas  de  caráter  não  definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela  Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012   PIS/PASEP  E  COFINS.  IDENTIDADE  DE  MATÉRIA  FÁTICA.  DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.  Aplicam­se ao lançamento da Cofins as mesmas razões de decidir aplicáveis  à PIS/Pasep, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação  fática.  Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 03 13 /2 01 6- 73 Fl. 909DF CARF MF     2   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semirames de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Votou pelas conclusões o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D'Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Cândido  Brandão  Júnior,  Ari  Vendramini,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.        Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  14­41.283,  proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador.   Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido,  em parte:  Trata  o  presente  processo  de  Autos  de  Infração  lavrados  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  que  pretendem a  cobrança da Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o  Programa de  Integração Social – PIS  relativas aos períodos de apuração de  janeiro a dezembro de 2012.   No  Termo  de  Verificação  Fiscal  o  autuante  informa  que  os  lançamentos de ofício decorreram das seguintes glosas de créditos do regime  não cumulativo das referidas contribuições:   a) inclusão indevida pelo sujeito passivo na Ficha 16A do DACON a  título de “Outras Operações  com Direito  a Crédito” de valores  referentes  à  exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins;   Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10314.720313/2016­73  Acórdão n.º 3301­005.069  S3­C3T1  Fl. 910          3 b)  créditos  informados  nos  DACON  a  título  de  encargos  de  depreciação, utilizados na  rubrica  “Sobre Bens do Ativo  Imobilizado  (Com  Base nos Encargos de Depreciação)”, cujos valores não foram comprovados  pela contribuinte;   c)  créditos  incluídos  nos  DACON  na  rubrica  “Serviços  Utilizados  como Insumos” aproveitados indevidamente pela contribuinte por se tratar de  aquisição  de  serviços  de  consultoria  administrativa  não  diretamente  relacionados à produção de bens e serviços.   Cientificada dos lançamentos, a autuada apresenta impugnação, sendo  essas as suas razões de defesa, em síntese:   1. Quanto o primeiro  item do Termo de Verificação Fiscal, o  ICMS  devido  pelas  empresas  não  pode  ser  computado  como  fato  agregado  ao  faturamento, devendo­se, para tanto, excluir seu respectivo valor das bases de  cálculo do PIS e da Cofins;   2.  O  ICMS  é  inegavelmente  um  ingresso  de  valor,  mas  que  não  é  próprio da empresa, nem mesmo tem a capacidade de afetar o patrimônio de  forma positiva, de modo que não lhes são atribuíveis os conceitos de receita  e, por via de consequência, de faturamento;   3. Corroborando essa tese, os ministros do Supremo Tribunal Federal,  em  recente  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785,  entenderam,  por  maioria,  ser  inconstitucional  incluir  o  ICMS  na  base  de  cálculo da Cofins, por não ser aquele imposto grandeza que se enquadre no  conceito de faturamento, uma das materialidades que autorizam a tributação  pela contribuição à seguridade social;   4. Cita doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos,  restando  caracterizada,  no  presente  caso,  uma  afronta  ao  artigo  195,  I,  da  Constituição Federal;   5.  Não  se  pode  olvidar  que  a  impugnante  não  pretende  obter  a  inconstitucionalidade da matéria na esfera administrativa, visto que a própria  Súmula nº 2 do CARF esclarece sua restrição, porém é certo que a discussão  de  tal  matéria  não  envolve  questão  constitucional,  mas  sim  respeito  à  hierarquia  das  normas  já  existentes,  portanto,  interpretação  sistemática  e  teleológica do quanto exposto;   6.  Há  ainda  que  se  observar  a  repercussão  geral  do  referido  RE  nº  574.706  e  seu  sobrestamento  na  esfera  administrativa  consoante  o  Novo  Código  de  Processo  Civil,  aplicado  subsidiariamente  ao  processo  administrativo na ausência de norma específica;   7. Inexiste legalmente previsão para o cálculo dos juros de mora com  base na taxa SELIC, e assim a sua utilização fere e viola a Constituição;   8. A capitalização de juros também é ilegal, tratando­se da prática de  anatocismo que viola a Súmula 121 do Egrégio Supremo Tribunal Federal;   Fl. 911DF CARF MF     4 9. As multas impostas nos Autos de Infração também são ilegais, haja  vista que as porcentagens aplicadas ferem os princípios do não confisco, da  capacidade contributiva, da  razoabilidade  e da proporcionalidade, conforme  doutrina e jurisprudência que transcreve;   10. Ao final, pleiteia o sobrestamento do feito por se tratar de matéria  em Repercussão Geral no STF e,  caso  assim não  se entenda,  requer  a  total  improcedência dos Autos de Infração lavrados, bem como o cancelamento ou  a  redução  das  multas  impostas,  e  que,  enquanto  perdure  a  discussão  administrativa  do  débito  impugnado,  a  RFB  se  abstenha  de  quaisquer  procedimentos de cobrança, em decorrência da suspensão da exigibilidade do  crédito  tributário por  força do quanto disposto no  artigo 151,  inciso  III,  do  CTN;   11. Requer,  ainda, a produção de  todos os  tipos de prova em direito  admitidos, inclusive a juntada de provas documentais.     O  citado  acórdão  decidiu  pela  improcedência  da  impugnação,  assim  ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012   RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.   A  existência  de  questão  pendente  de  julgamento  no  âmbito  do  Supremo  Tribunal  Federal  não  impede  o  julgamento  administrativo  de  primeira  instância, visto que o processo administrativo fiscal é regido por princípios,  dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o  processo até sua decisão final.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012   BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.   O  ICMS  integra  a  receita  bruta  da  empresa  e,  em não  havendo dispositivo  legal  que  assim  determine,  não  pode  ser  excluído  da  base  de  cálculo  da  Cofins.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012   BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.   Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10314.720313/2016­73  Acórdão n.º 3301­005.069  S3­C3T1  Fl. 911          5 O  ICMS  integra  a  receita  bruta  da  empresa  e,  em não  havendo dispositivo  legal  que  assim  determine,  não  pode  ser  excluído  da  base  de  cálculo  da  Contribuição para o PIS.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012   MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.   A  limitação  constitucional  que  veda  a  utilização  de  tributo  com  efeito  de  confisco não se refere às penalidades.   JUROS DE MORA. TAXA SELIC.   A  cobrança  de  débitos  para  com  a  Fazenda  Nacional,  após  o  vencimento,  acrescidos  de  juros moratórios  calculados  com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC, além de amparar­se em  legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código  Tributário Nacional.   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Inconformada  com  decisão  de  primeira  instância,  a  contribuinte  apresentou  recurso voluntário, no qual,  em síntese, defende: a exclusão do  ICMS da base de cálculo do  PIS ; o sobrestamento deste processo na esfera administrativa; a falta de previsão legal da taxa  Selic; e não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Pugna pelo sobrestamento  do feito e o reconhecimento da total da autuação.  Foi­me distribuído o presente processo para relatar e pautar.  É o relatório.                  Fl. 913DF CARF MF     6 Voto               Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator.    O  recurso  voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade1.  A  recorrente  discorre  sobre  a  questão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  das  contribuições e aduz ter sido reconhecida a repercussão geral no Recurso Extraordinário (RE)  574.706­9 e que o Plenário do STF decidiu que o ICMS não compõem a base de cálculo da PIS  e da Cofins. Depois resume a situação no Supremo:  (i)  o RE  nº  240.785  já  foi  definitivamente  julgado  pelo  Plenário  do  STF a favor do contribuinte, no sentido de que o ICMS não compõe a base de  cálculo  da  COFINS  (decisão  sem  efeito  vinculante,  produzindo  efeitos  imediatos apenas às partes envolvidas);  (ii) o ADC 18 encontra­se no aguardo de julgamento, sem a eficácia  de suspender os julgamentos;   (iii)  o  RE  nº  574.706,  em  que  houve  o  reconhecimento  da  repercussão  geral,  ficou  corroborado  o  entendimento  que  o  ICMS  não  compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS.    O Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, hoje, transitado em julgado sob a  ementa exposta a seguir, não tramitou sob a sistemática da repercussão geral. O ADC 18, no  relato da recorrente, não está a suspender julgamentos.  Pois bem, sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática  de  recurso  repetitivo,  pela  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  das  contribuições,  já  com  trânsito em julgado. Já o STF, entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário em  repercussão  geral, mas  em  caráter  não  definitivo,  pois  pende  de  decisão  sobre  embargos  de  declaração  protocolados  pela  Fazenda  Nacional.  É  o  que  detalha  decisão  recente  deste  Conselho:  PIS/COFINS.  BASE DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO DO  ICMS.  RECURSO  REPETITIVO.  STJ.  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  CARF.  REGIMENTO  INTERNO.  Decisão  STJ,  no  Recurso  Especial  nº  1144469/PR,  sob  a  sistemática  do  recurso  repetitivo,  art.  543­C  do  CPC/73,  que  firmou  a  seguinte  tese:  "O  valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe  seu  faturamento,  submetendo­se  à  tributação  pelas  contribuições  ao                                                    1  Ressalte­se  ser  desnecessário  responder  todos  as  questões  levantadas  pelas  partes,  em  já  havendo  motivo  suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o  , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315­DF, julgado de  8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi).  Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10314.720313/2016­73  Acórdão n.º 3301­005.069  S3­C3T1  Fl. 912          7 PIS/PASEP  e  COFINS,  sendo  integrante  também  do  conceito  maior  de  receita  bruta,  base  de  cálculo  das  referidas  exações",  a  qual  deve  ser  reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.  Em que pese o Supremo Tribunal Federal  ter decidido em sentido contrário  no Recurso Extraordinário nº 574.706 com  repercussão  geral,  publicado  no  DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se  refere o  art.  62,  §2º do Anexo  II  do Regimento  Interno do CARF, não é o  caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.  Recurso Voluntário Negado  (CARF,  3º  Seção,  4º  Câmara,  2º  Turma  Ordinária,  Ac.  3402­004.742,  de  24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).  Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a  sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep  e  da  Cofins,  deve  este  Conselho  observá­la,  nos  termos  do  seu  Regimento  Interno,  descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em  sentido  contrário,  em  recurso  extraordinário  de  repercussão  geral, mas  de  caráter não  definitivo, não tem o mesmo efeito.    Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da  decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos.  Ora,  se há pedido de modulação dos efeitos,  trata­se de atividade satisfativa,  incluíndo­se na  solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, pode­se afirmar que não  houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado.  A  embargante  ainda  suscita,  entre  outras  questões,  haver  erro  material  ou  omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não  possui: estabelecer conceito de receita bruta:  7.  Observe­se  que,  no  caso  dos  autos,  alguns  votos  da  corrente  vencedora2  [...]  concederam  grande  relevância  ao  fundamento  de  que  “receita  bruta”,  expressão  a  que  a  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  longo  de  inúmeros  julgados,  equiparou  ao  vocábulo  “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no  direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76.   8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal  linha  de  argumentação:  o  mencionado  dispositivo  legal  não  estabelece  qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração  do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e  serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva,  simplesmente,  permite  concluir  que  tais  expressões  se  referem  a  grandezas  diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra.  Fl. 915DF CARF MF     8 Levanta também, na mesma toada, que os votos vencedores "deixaram de  considerar o disposto no art. 12 do Decreto­Lei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos  vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta:   art. 12. A receita bruta compreende:   I ­ o produto da venda de bens nas operações de conta própria;   II ­ o preço da prestação de serviços em geral;   III ­ o resultado auferido nas operações de conta alheia; e   IV ­ as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não  compreendidas nos incisos I a III.   § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de:   (...)   III ­ tributos sobre ela incidentes; e   (...)   § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos  cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos  bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário.   § 5o Na receita bruta incluem­se os tributos sobre ela incidentes e  os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do  caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações  previstas no caput, observado o disposto no § 4o.  (Grifos do original).  Ainda  que  sejam  três  os  pilares  da  argumentação  da  corrente  vencedora,  apenas um deles tratando do conceito de receita, trata­se evidentemente de questão meritória.  Quanto ao sobrestamento deste processo na esfera administrativa, decidiu a  Delegacia  de  Julgamento,  inexistir  previsão  para  tanto.  Traz  em  seu  favor  o  princípio  da  oficialidade, o qual " obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final".  Diz  a  recorrente  que  ante,  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  no  RE  574.706­9,  deve­se  "sobrestar  todas  as  demais  causas  com  questão  idêntica  ",  nos  termos  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Registra  também  que  o  Novo  Código  do  Processo  Civil  (NCPC)  determina  que  ""Reconhecida  a  repercussão  geral,  o  relator  no  Supremo Tribunal  Federal  determinará  a  suspensão do processamento de  todos os processos  pendentes,  individuais  ou  coletivos,  que  versem  sobre  a  questão  e  tramitem  no  território  nacional”,  em  seu  art.  1.035,  §  5º,  e  que  "Na  ausência  de  normas  que  regulem  processos  eleitorais,  trabalhistas  ou  administrativos,  as  disposições  deste  Código  lhes  serão  aplicadas  supletiva e subsidiariamente”, nos termos de seu art. 15.  Não assiste razão à recorrente. Não há previsão legal para o sobrestamento,  em particular na lei que rege o processo administrativo fiscal. O art. 1.035, § 5º , do NCPC não  especifica  alcançar  o  processo  administrativo,  como  faz  o  mesmo  diploma  em  seu  art.  15.  Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10314.720313/2016­73  Acórdão n.º 3301­005.069  S3­C3T1  Fl. 913          9 Regimento Interno anterior do CARF, Portaria MF nº 256/09, art. 62­A, § 1º, determinava que  "Ficarão  sobrestados  os  julgamento  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  a  julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos  termos do art. 543­B". Tal dispositivo fora incluído pela Portaria MF 586/10 e revogado pela  Portaria MF 545/13, não mais constando do Regimento atual, Portaria 343/15, a demonstrar a  intenção da Casa. Tem sido esta a posição deste Conselho:  SOBRESTAMENTO  DO  PROCESSO.  PEDIDO  INDEFERIDO.  Inexiste  previsão  legal  ou  regimental  que  possibilite  o  sobrestamento  de  processo administrativo fiscal em face da existência de recurso judicial sob a  sistemática do art. 543­B do Código de Processo Civil.  (CARF,  2º  Seção,  4º  Câmara,  2º  Turma  Ordinária,  Ac.  2402­005.997,  de  13/09/2017, rel. Mário Pereira de Pinho Filho).  A  recorrente  alega  ainda que a  taxa Selic  "não existe  legalmente". Diz que  não  se  deve  confundir  "chamada  “remuneração  de  capital”  com  a  “incapacidade  momentânea de cumprir uma determinada obrigação fiscal" e ainda que "em momento algum a  taxa SELIC foi definida por Lei de qualquer natureza", em "violação expressa aos princípios  constitucionais da legalidade, anterioridade e segurança jurídica" (grifos do original).  Tratando­se  de  matéria  constitucional,  foge  à  competência  deste  CARF.  Ainda assim, registre­se que a Lei 9.065/97, art. 13, dá peso legal à dita Selic, o que é objeto da  súmula 4 deste Conselho.  Por fim, a recorrente pugna pela não incidência dos juros moratórios sobre a  multa  de  ofício.  O  art.  161  do  CTN  assevera  que  "o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", sendo  tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador,  tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113,  § 1º, e 139 do mesmo Código, havendo, portanto, base legal para tal incidência.    Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho ­ Relator                            Fl. 917DF CARF MF     10     Fl. 918DF CARF MF

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6485745 #
Numero do processo: 12448.727563/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.291          2   Relatório Adoto integralmente o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ).  "Em  decorrência  da  ação  fiscal,  foram  lavrados  autos  de  infração  para  exigir  da  interessada IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos no ano­calendário de 2008, nos valores abaixo  discriminados, acrescidos de multa de 75% e juros de mora.  TRIBUTO   MONTANTE (R$)  IRPJ  476.899,30  CSLL  150.687,68  DA AUTUAÇÃO  Conforme Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  de  fl  631  a  650  e Termo  de  Verificação e Constatação Fiscal (fl. 121 a 127) foram apurados os fatos abaixo descritos.  GLOSA  DE  DESPESAS  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  GESTÃO  HOTELEIRA Contas 3.4.87.3.02.04 ­ "Fee de Gestão" 3.4.86.3.04.04 ­ "Vendas ­ Custos Gerais"  3.4.86.3.04.02 ­ "Vendas ­ Custo de Pessoal" 3.4.86.3.03.01 ­ "Marketing/InstAdvertising"  Foi  verificada  a  existência  do  lançamento  de  despesas  com  histórico  contendo  "BRASTURINVEST INVESTIMENTOS TURÍSTICOS S/A" a título de "fee de gestão" e reembolso  de despesas. Foi solicitada a documentação comprobatória das contas anteriormente citadas, bem como  do critério de rateio adotado. O contribuinte encaminhou o Contrato de Prestação de Serviços de Gestão  Hoteleira  de  20/04/2004,  celebrado  entre  sua  controladora  BRASTURINVEST  INVESTIMENTOS  TURÍSTICOS  S/A,  CNPJ  n°  03.422.594/0001­17  e  PESTANA  MANGEMENT  ­  SERVIÇOS  DE  GESTÃO S/A, com sede na cidade de Funchal, Ilha da Madeira, Portugal.  Na  cláusula  1,  consta  que  o  segundo  outorgante  (PESTANA  MANAGEMENT)  compromete­se  a  prestar  ao  primeiro  outorgante  (BRASTURINVEST  INVESTIMENTOS  TURÍSTICOS)  dentre  outros,  serviços  relacionados  com  a  gestão  de  hotéis,  consignados  na  conta  348730204  ­  "Fee  de Gestão",  e  serviços  de  publicidade  e  comercialização,  descritos  na  cláusula  3,  relacionados aos lançamentos nas contas 348630404 ­ "Vendas ­ Custos Gerais", 348630402 ­ "Vendas  ­ Custo de Pessoal" e 348630301 ­ "Marketing/Inst.Advertising".  O  contribuinte  foi  intimado  a  informar  se  houve  remessa  de  recursos  ao  exterior  e  a  apresentar  a  respectiva  documentação  comprobatória,  sendo  que  em  resposta  datada  de  04/05/2012  informou  que  "...  não  houve  remessa  de  recursos  para  o  exterior  referente  à  PESTANA  MANAGEMENT", encaminhando tão somente a cópia do contrato e notas fiscais que comprovariam a  efetividade dos serviços, insuficientes para demonstrar que os mesmos foram efetivamente prestados.  Restaram  incomprovados  os  lançamentos  abaixo  relacionados,  uma  vez  que  o  contribuinte não demonstrou a efetiva prestação dos serviços relacionados nas contas sobreditas, pela  não  apresentação  de  relatórios,  laudos  ou  documentação  equivalente  que  justifiquem  de  forma  inequívoca a sua dedutibilidade (ver tabela na fl. 2.195 do e­processo ­ acórdão DRJ).  Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.292          3 II. GLOSA DE DESPESAS DE ASSESSORIA COMERCIAL. Conta 34860202  ­  Assessoria Comercial.  Foram  selecionados  lançamentos  referentes  a  despesas  de  assessoria  comercial,  com  históricos  relativos  a  serviços  de  informática  e  a  serviços  prestados  por  cooperativa  de  profissionais  autônomos.  Foi  solicitada,  em 02/12/2011,  a  apresentação  da  documentação  comprobatória,  porém o  contribuinte limitou­se a encaminhar cópias de notas fiscais referentes aos lançamentos, não aduzindo  documentos que pudessem efetivamente comprovar a efetividade dos serviços prestados.  Em  18/11/2012,  foi  feita  nova  solicitação  de  documentos,  tendo  sido  o  contribuinte  intimado a apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços. O contribuinte encaminhou cópia do  Contrato de Prestação de Serviços n° VERJ 015/05 relativo a prestação de serviços por cooperativa de  profissionais  autônomos  e  cópias  das  notas  fiscais  exigidas,  tendo  o  referido  contrato  como  objeto,  conforme cláusula primeira, a prestação pela contratada de serviços especializados em vendas a serem  especificados  em  anexo.  Contudo,  não  foram  apresentados  relatórios,  boletins  de  medição  ou  documentação  equivalente  que  justifiquem  o  preenchimento  dos  citados  requisitos  de  usualidade,  normalidade e necessidade destas despesas. Não apresentou, também, o contrato referente aos serviços  de informática.  Restaram,  assim,  incomprovados  os  lançamentos  abaixo  relacionados,  posto  que  o  contribuinte não logrou demonstrar a efetiva prestação dos serviços:  Data    Valor (R$)  Data    Valor (R$)  15/01/2008  10.058,58  01/04/2008  78.740,44  01/02/2008  65.612,94  25/04/2008  10.802,09  05/03/2008  44.754,31  25/04/2008  13.514,96  24/03/2008  10.501,02   05/05/2008   55.455,19  Fundamentação Legal: artigo n° 299 do Decreto n°. 3000, de 26/03/1999, RIR/99, e o  art. 13° da Lei 9.249/95.  No  Termo  de  Constatação  consta  um  relato  relativo  a  autuação  de  IOF,  contudo  tal  assunto não faz parte deste Auto de Infração.  A  interessada  se  insurgiu,  em  17/07/2012  (fl.  168),  contra  o  disposto  no  Auto  de  Infração,  do  qual  tomou  ciência  em  12/06/2012  (fl.128),  através  de  impugnação  (fl.  657  a  693),  apresentando os argumentos que se seguem:  •  A  BRASTURINVEST  S/A,  ora  Impugnante,  é  sucessora,  por  incorporação,  da  fiscalizada RASH ADMINISTRAÇÃO DE HOTÉIS E TURISMO LTDA. Quanto ao período objeto do  procedimento fiscal, a  incorporada apresentou a DIPJ/2009, apurando IRPJ anual com base no Lucro  Real.  No que diz respeito às despesas lançadas sobre a Conta 34873024 — "Fee de Gestão",  foram encaminhados o Contrato de Prestação de Serviços de Gestão Hoteleira, datado de 20.04.2012  celebrado  entre  a  BRASTURTNVEST  S/A  (holding  do  Grupo  Pestana  no  Brasil)  e  a  PESTANA  MANAGEMENT  ­  SERVIÇOS  DE  GESTÃO  S/A  (doravante,  PM  S/A),  com  sede  na  Cidade  do  Funchal,  Ilha  da  Madeira,  Portugal  —  empresa  que,  segundo  a  Fiscalização,  é  responsável  pela  prestação de serviços administrativos para as outras empresas do grupo Pestana.  Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.293          4 A  Fiscalização  considerou,  simploriamente,  que  seria  PM  S.A.  o  gestor  e,  pois,  centralizador único das despesas administrativas compartilhadas do Grupo Pestana.  De  acordo  com  o  aludido  contrato,  restou  estipulado  que  o  primeiro  outorgante  (BRASTURINVEST  S/A)  era  o  gestor  da  rede  hoteleira  do  Grupo  Pestana  no  Brasil.  A  BRASTURINVEST (doravante BRTV) efetivamente geria os Hotéis, sendo a centralizadora das tarefas  e atividades administrativas de toda a rede hoteleira.  Na cláusula 2, item 1, ficou claro que a PM S.A. funcionava como verdadeiro agente de  suporte, a quem a BRTV recorreria sempre que houvesse quaisquer dúvidas quanto às regras de gestão  (cf. letra "D").  Isso não quer dizer — como, aliás, quis induzir a Autoridade Autuante, que a PM S/A  fosse a efetiva gestora dos Hotéis, nem que a BRTV não exercesse, em nome e em benefício dos demais  Hotéis,  a  gestão  e  centralização  das  atividades  administrativas  e  despesas  correspondentes,  todas  consignadas nas contas n° 348730204 ­ "Fee de Gestão"; n° 348630404 ­ "Vendas ­ Custos Gerais", n°  348630402 ­ "Vendas ­ Custo de Pessoal" e n° 348630301 ­ "Marketing /Inst. Advertising".  O  custo  da  administração  centralizada  era  objeto  de  rateio  por  todas  as  empresas  do  Grupo Pestana no Brasil, bem como eventuais despesas incorridas pela BRTV (por exemplo, remessas à  PM S.A.) também eram objeto de posterior rateio.  Quanto  à  ocorrência de  remessa  de  recursos  ou  repasses  ao  exterior,  foi  informado  à  Fiscalização  que  não  houve  remessa  direta  entre  a  RASH  e  o  PESTANA  MANAGEMENT,  mas  somente  um  reembolso  de  despesas  incorridas  pela  BRASTURINVEST  S/A,  que,  na  qualidade  de  empresa holding do Grupo Pestana no Brasil, arcava com as despesas de gestão hoteleira de todos os  hotéis da rede Pestana no país, e administrava o reembolso da totalidade das despesas incorridas. Foram  apresentados contrato e notas fiscais que comprovam a efetividade dos serviços incorridos.  Em nenhum momento a Autoridade fez qualquer comentário quanto à  idoneidade dos  documentos.  Quanto à conta de n° 34860202 ­ "Assessoria Comercial", com históricos relativos a  serviços  de  informática  e  a  serviços  prestados  por  cooperativa  de  profissionais  autônomos,  estes  também foram objeto do Termo com ciência em 19.01.2012, que foi prontamente respondido mediante  apresentação  do  Contrato  de  Prestação  de  serviços  por  cooperativas  de  profissionais  autônomos  n°  VERJ  015/05  e  cópia  das  notas  fiscais  exigidas.  Apesar  dos  esforços  da  ora  Impugnante,  ainda  não  foram localizados os documentos referentes à prestação de serviços de informática.  A Autoridade autuante, de maneira equivocada, alega, no que diz respeito às despesas  de execução dos contratos vinculados as suas atividades preponderantes, que estas não seriam usuais,  necessárias, ou imprescindíveis à manutenção da sua fonte produtora.  O Fisco não pode imiscuir­se na determinação de quais despesas, sob seu entendimento  ­ nítida subjetividade ­ seriam indedutíveis.  Não  obstante  a  Autoridade  autuante  tenha  se  mantido  inerte  quanto  a  este  exame  ­  absolutamente necessário, faz­se de suma importância esclarecer sob qual fundamento foram contraídas  as despesas.  As despesas incorridas e glosadas encontram­se totalmente vinculadas à sua atividade­ fim (ramo hoteleiro), sendo, portanto, usuais, necessárias e imprescindíveis à manutenção de sua fonte  produtora, relativamente à venda de ocupação de quartos, em suma: hospedagem e lazer, de modo geral.    Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.294          5 GESTÃO HOTELEIRA.   A Impugnante apresentou à autoridade autuante Contrato de Prestação de Serviços de  Gestão Hoteleira, celebrado com a PESTANA MANAGEMENT ­ SERVIÇOS DE GESTÃO S/A. (PM  S.A.), empresa pertencente ao Grupo Pestana.  No contrato é nítido que a BRTV funciona na qualidade de Gestora dos Hotéis de toda  a rede hoteleira.  Não é pelo fato de o Contrato de Gestão ter definido que a BRTV é a gestora que a PM  S.A. não fique diretamente responsável por algumas tarefas em benefício dos Hotéis e demais empresas  do Grupo.  É  o  que  ocorre,  por  exemplo,  quanto  às  despesas  com  Marketing,  propaganda  e  publicidade, sendo imperioso justificar a razão para a previsão contratual que consta da Cláusula Oitava  do referido Contrato de Gestão.  Ainda  que,  relativamente  às  demais  contas  examinadas,  a  PM  S.A.,  ocasionalmente,  também fizesse e faça jus ao recebimento de valores à título de rateio de despesas — a Cláusula Oitava  é genérica — convém esclarecer, outrossim, que a atuação de BRTV tem preponderância em algumas  despesas (dentre as glosadas), o que não elimina a obrigação de — se assim tivesse ocorrido — ter que  reembolsar a PM S.A. por ter incorrido em despesas em favor dos Hotéis e demais empresas do grupo  no Brasil, as quais a BRTV estava incumbida de gerenciar.  Tanto é assim que a BRTV tinha a obrigação de reembolsar os custos suportados pela  PM S.A., conforme descrito na Cláusula 8 do aludido Contrato de Gestão Hoteleira  A Impugnante BRASTURINVEST, com o Grupo Pestana (mais especificamente com  PM S.A., presta serviços relacionados com a gestão de hotéis, atuando por conta e ordem, o que levou à  Fiscalização  a  glosar  despesas  lançadas  à  título  de  reembolso: Conta  348730204  ­  "Fee  de Gestão";  Conta 348630404  ­  "Vendas  ­ Custos Gerais";  conta 348630402  ­  "vendas Custo de Pessoal"; Conta  348630307 ­ "Marketing/Inst. Adverstising".  A  Impugnante,  na qualidade de gestora dos  serviços para o Grupo Pestana no Brasil,  passou a centralizar todos os tipos de atividades (operacionais) da rede de Hotéis no Brasil.  Os  contratos,  encargos,  obrigações  e  despesas  celebrados  e  incorridos  no  intuito  de  atender às necessidades ligadas à atividade­fim das diversas empresas (leia­se Hotéis) pertencentes ao  Grupo  Pestana,eram  centralizados  em  BRASTURINVEST  (BRTV),  a  qual  contraía  as  obrigações  perante terceiros, exclusivamente, em nome do Grupo.  Conta n° 348730204 ­ "Fee de Gestão".   À  época  da  Fiscalização,  a  Recorrente  não  foi  capaz  de  encontrar  o  Contrato  de  Administração  firmado  entre  BRASTURINVEST  ('Administradora')  e  RASH  (proprietária  do  Hotel  Rio Pestana Atlântica). Nesta oportunidade, todavia, vem juntar a cópia do contrato que estipula que a  BRASTURINVEST (' Administradora') se comprometeu a administrar o Pestana Rio Atlântica Hotel,  de propriedade da RASH (Proprietária), prestando serviços que incluíam a manutenção dos Padrões de  Qualidade  na  administração  e  serviços  do  Hotel:  Indicação,  contratação,  treinamento,  supervisão  e  apoio do gerente geral do Hotel e responsáveis operacionais; coordenação e supervisão da manutenção  do Hotel, entre outros (Cláusula 2.01, letra "C").  Apresenta os documentos (Notas Fiscais, cópias de Livros ­ Razão Analítico, tabela dos  valores repassados, Notas Fiscais, além do Contrato) que atestam a efetiva prestação dos serviços.  Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.295          6 Conta 348630307 ­ "Marketing/Inst. Adverstising".   Quanto  às  despesas  com  Marketing,  Publicidade,  propaganda  em  geral,  o  aludido  contrato  de Gestão  prevê,  na Cláusula  3,  as  linhas  gerais  para  que  a  PM S.A.  realize,  em  nome  de  BRTV,  a  divulgação  dos  Hotéis  (publicidade,  comercialização,  marketing  etc...).  A  PM  S.A.  compromete­se,  perante  a  Impugnante  (BRTV),  a  incluir  os  hotéis  no  material  promocional  e  publicitário da cadeia Pestana Hotel & Resorts, bem como a divulgar os hotéis.  A  PM  S.A.  incorre  em  despesas  promocionais  em  benefício  de  todos  os  Hotéis  Brasileiros, de modo que é absolutamente natural que BRTV apure e contabilize as despesas que cada  uma das interessadas tem nos custos que aquela incorre a esse titulo, o que se encontra lançado na conta  348630307 —"Marketing/Inst. Adverstising".  As notas fiscais anexas descrevem, pormenorizadamente, e comprovam a natureza dos  serviços prestados por PM S.A.. Os assuntos  relacionados nas Notas estão diretamente vinculados ao  objeto  do  referido  contrato,  v.g.,  'Direção  Central  de  Vendas  de  Marketing';  'E­Commerce',  'Comunicação e Imagem'; 'Marketing, Comunicação e Relações Públicas', Salários de Pessoal (alocados  à área de divulgação, publicidade e marketing institucional), e despesas afins, tal como relacionado nas  referidas Notas Fiscais.  Do  cotejo  entre  o  Contrato  de  Gestão  colacionado  e  as  Notas  Fiscais  anexas,  já  é  possível  inferir  que  as  despesas  contabilizadas  estavam  diretamente  ligadas  ao  disposto  no  aludido  contrato e  relacionavam­se, portanto, com a atividade­fím do  ramo de hotelaria,  a  saber, marketing e  publicidade dos hotéis, no exterior.  DESPESAS OPERACIONAIS.   Depreende­se,  pois,  sem  maiores  dificuldades,  que  tais  despesas  eram,  sim,  usuais,  necessárias  e  normais.  Tais  despesas,  vinculadas  às  supramencionadas  contas,  eram  mesmo  todas  operacionais  e,  por  se  tratar  de  gastos  imprescindíveis  à  Impugnante,  devem  ser  consideradas  dedutíveis.  Tais despesas,  por  estarem vinculadas  à  atividade­fim da  Impugnante,  apresentam­se,  conseqüentemente, como usuais, necessárias e imprescindíveis à manutenção de sua fonte de produção  — ramo de turismo e hotelaria .  Da Efetividade dos serviços prestados. Ônus probatório da Fazenda.  Detém  a  autoridade  administrativa  tributária  o  onus  probandi,  a  fim  de  subsidiar  eventual Auto de Infração e imposição de Multa por ela lavrado.  Estando as despesas devidamente escrituradas e apoiadas em documentos idôneos ­ que  já foram apresentados e que ora se anexam ­, e mais, restando devidamente comprovadas a contratação  e  a  efetividade  dos  pagamentos  às  empresas  beneficiadas,  conforme  se  pode  constatar,  compete  à  fiscalização  a  imprescindível  prova  de  que  os  documentos  apresentados  são  inidôneos  e  que  os  dispêndios,  por  isso,  não  são  dedutíveis.  Falar  em usualidade ou  necessidade  à manutenção  da  fonte  produtora, além de não competir à Autoridade fiscal, foge à sua atuação, já que está nitidamente fora do  contexto do ramo em que atua a ora Impugnante, mormente quando a referida autoridade não levantou  suspeita quanto à idoneidade dos documentos apresentados.  Ao  apresentar  os  documentos  requeridos  pela  Autoridade  administrativa,  incoerente  seria  obrigar  a  Impugnante  a  fazer  prova  de  algo  que,  conforme  já  devidamente  demonstrado,  com  supedáneo  em  documentação  absolutamente  idônea,  já  teria  sido  efetivado,  devendo,  caso  assim  entendesse  a Autoridade  administrativa  de modo  contrário,  provar  que  o mesmo  não  se  efetivou,  ou  seja, que em algum momento tal não se perfez.  Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.296          7 A jurisprudência maciça da Corte Administrativa quanto ao onus probandi, para fins de  constatação da efetiva prestação dos serviços, para fins de dedutibilidade das despesas correspondentes,  ainda  é  claro  ao  dispor  acerca  da  obrigação  da  Fiscalização  no  sentido  de  apurar  indícios  contra  o  contribuinte, sob a forma, inclusive, de diligências contra o prestador dos serviços e emitente das Notas  Fiscais.  A lei é claríssima ao impor tais obrigações e ônus (efetivo) ao Fisco, como se verifica  do artigo 276 do RIR/99.  Verifica­se  inadmissível,  sob  qualquer  prisma,  permitir  que  tais  atos  emanados  pelas  autoridades administrativas competentes gozem de presunção de veracidade, em razão da ausência e /  ou da insubsistência de elementos probatórios.  Caberia  unicamente  à  Fiscalização  indicar  quais  os  documentos  que  entende  ser  imprescindíveis,  além  de  nominá­los  e  individualizá­los.  Não  foi  feito  pelo  fiscal  qualquer  questionamento quanto a idoneidade das provas.  O trabalho da Fiscalização foi glosar despesas de serviços suportadas por documentos  fiscais idôneos. Logo, deixou a Autoridade Administrativa de fazer prova quanto à não idoneidade de  tais serviços, não havendo, assim, que se falar em irregularidade fiscal da Impugnante em comprovar  que eram "bons" a suportar a pretendida dedutibilidade, quando a bem da verdade tal comprovação era  ônus da Fazenda.  Em  tese,  o  que  há  é  a mais  nítida  inversão  do onusprobandi: desejou  a  Fiscalização  imputar  à  Impugnante  o  dever  de  comprovar  que  a  sua  contabilidade,  que  a  sua  escrita  fiscal  e  documentos de suporte seriam idôneos de modo a respaldar a dedutibilidade da despesa.  DO CONTRATO DE RATEIO DE DESPESA ENTRE EMPRESAS DO MESMO  GRUPO ECONÔMICO.   Conta n°  348630404  ­  "Vendas­Custos Gerais"; Conta n°  348630402  ­  "Vendas­  Custo de Pessoal".  As  despesas  foram  assumidas  por  BRTV,  gestora  dos  hotéis,  consoante  descrição  acima,  e  relacionam­se  a  custos  gerais  para  a  promoção das  vendas,  bem como  a  custos  de  pessoal.  Estas  despesas  comuns  foram  centralizadas  junto  à  BRTV  e,  posteriormente,  foram  contabilizadas  (ressarcimento/reembolso)  por  cada  uma  das  empresas  beneficiadas,  conforme  divisão  constante  da  Comunicação  Interna n° 018/2007. Ali  resta  consignado o percentual  de  rateio  a  ser  apropriado para  cada Hotel  administrado. O critério  utilizado  está  em  estrita  sintonia  com o  critério  utilizado  a  nível  mundial, qual seja, número de quartos ocupados em comparação com o total de quartos existentes.  Se, de um lado, para a empresa centralizadora das despesas, o reembolso não constitui  receita tributável, para as empresas beneficiadas, tal como a Impugnante, a despesa correspondente ao  mencionado ressarcimento precisa ser dedutível, já que, como se viu, contempla atividade­fim.  No  caso  do  reembolso  de  despesas,  conforme  se  pode  depreender,  não  há  qualquer  contrapartida, sob a forma da saída de um bem, produto ou prestação de serviço.  Ainda  que  estejamos  diante  de  Notas  Fiscais  de  Serviços,  o  objeto  destas  é mesmo  promover  efetivo  Rateio  de  Despesas  Comuns,  incorridas  de  forma  centralizada  pela  Holding  BRASTURINVEST,  sendo  certo  que  a  Impugnante  se  valeu  das  Notas  Fiscais  em  questão  para  corporificar  a  obrigação  legal  de  contabilizar  corretamente  as  despesas  em  que  incorreu,  ainda  que  geridas e centralizadas em beneficio das empresas do grupo econômico.  Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.297          8 Repare­se o conjunto probatório anexo. Nele é possível verificar, por conta examinada,  mês a mês, as despesas incorridas, os critérios de rateio das mesmas, e em benefício da empresa que lhe  aproveita,  razão  pela  qual  caberia  um  exame  mais  aprofundado  nesse  sentido  para  perceber  que  os  mencionados valores,  contabilizados como reembolsos, são as parcelas que cabiam à empresa RASH  (contribuinte fiscalizado) nessa divisão, e em seu benefício.  Nas fl. 206 a 210, constam demonstrativos com o rateio de despesas relativo a Março e  junho /2008.  Ora,  como  negar  às  despesas  mencionadas,  comprovadas  através  da  vasta  documentação anexa, que estas não se relacionam com a atividade de venda de ocupação de unidades  habitacionais, se este é o core business da Impugnante? Será mesmo que despesas gerais com pessoal e  com vendas não são essenciais (despesas operacionais, necessárias) à manutenção da fonte de produção  e rendimentos da contribuinte?  DAS DESPESAS DE ASSESSORIA COMERCIAL  ­  SERVIÇOS PRESTADOS  POR COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS.   Glosa  de Despesas  na Conta  n°  34860202  "Assessoria  Comercial.  Tais  despesas  são  necessárias, usuais e imprescindíveis à manutenção da atividade da Impugnante. O contrato ora anexado  (Contrato de Prestação de Serviços VERJ 015/05),  referente a  serviços prestados por cooperativas de  profissionais  autônomos,  refere­se  ao  comumente  denominado  "time  sharing",  sendo  certo  que  essa  atividade é usual e corriqueira para empresas do ramo hoteleiro.  Repare­se do seu Anexo 001, que os serviços a serem prestados destinam­se à vendas,  justamente para ocupação das Unidades habitacionais detidas pela contratante, ora Impugnante.  Com  efeito,  a  sociedade  Veritas  ­  Cooperativa  de  Profissionais  Autônomos  recebia  como  contraprestação  pelos  serviços  executados,  conforme  contratado,  um  percentual  (17%)  dos  valores apurados com a venda de ocupação de unidades. Sua obrigação era de resultado; quanto mais  eficiente na venda de ocupação de unidades da Impugnante, maior a sua remuneração.  O  principal  objetivo  de  tais  serviços  era  a  ocupação  de  unidades  mediante  funcionamento de sistema de tempo compartilhado (time sharing), o qual busca a comercialização do  direito de ocupação de unidades habitacionais de complexos turísticos. A idéia é dividir em intervalos,  ou pontos equivalentes, uma unidade de hotel ou resort e comercializá­las separadamente.  A  Impugnante,  titular  do  domínio  e  da  posse  de  determinado  Complexo  Turístico,  contrata um prestador de  serviços para promover e comercializar o direito de ocupação das unidades  habitacionais. Estas atividades poderiam estar sendo diretamente prestadas pelo próprio empreendedor,  todavia, contrata­se um terceiro com maior expertise.  Além do objetivo específico, a comercializadora tem por obrigação: vender o direito de  ocupação das unidades para viabilizar  a  expansão; aumentar o  fluxo de  clientes na baixa  temporada;  garantir a rentabilidade e criar um fundo de reserva.  Não há qualquer aspecto que descaracterize o liame existente entre a natureza de  tais  despesas  com a  atividade da  Impugnante. A dedutibilidade  das  despesas  é manifesta,  justamente  por  estar intimamente relacionada à sua atividade­fim.  Requer, assim, a improcedência do auto que glosou as despesas lançadas sob contas n°  348730204 ­ "Fee de Gestão", n° 348630404 ­ "Vendas­Custos Gerais", 348630402 ­ "Vendas­ Custo  de Pessoal", 348630301 ­"Marketing/Inst. Advertising" e n° 34860202 ­ "Assessoria Comercial", por se  tratar de despesas necessárias, usuais e imprescindíveis à atividade da empresa.  Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.298          9 Requer, ainda, a juntada dos documentos anexos, todos comprobatórios do bom direito  da Impugnante, protestando­se, desde já, pela juntada posterior de outros documentos."  Passo a complementar o relatório da DRJ no Rio de Janeiro I (RJ).  A decisão da supracitada DRJ, que restou assim ementada:  "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  IRPJ.  GLOSA  DE  DESPESAS.  GASTOS  COM  GESTÃO  HOTELEIRA  E  ASSESSORIA  COMERCIAL.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DA  EFETIVA  PRESTAÇÃO  DOS  SERVIÇOS.  A dedutibilidade de despesas relativas à prestação de serviços impõe ao sujeito passivo  a  prova  de  que  os  referidos  serviços  foram  efetivamente  prestados  e  de  que  são  normais,  usuais  e  necessários à atividade da empresa.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2008 CSLL. DECORRÊNCIA.  Se a exigência da CSLL decorre da mesma imputação que fundamentou o lançamento  do  IRPJ, deve ser adotada para a  referida contribuição, no mérito,  a mesma decisão proferida para o  mencionado  imposto,  desde  que  não  haja  arguições  específicas  ou  elementos  de  prova  novos  que  conduzam a conclusão diversa.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido"  Diante  da  improcedência  de  sua  impugnação,  o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário, em que repete basicamente todos os seus argumentos iniciais de defesa.  É o relatório.  Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.299          10 Voto  Conselheiro Demetrius Nichele Macei   O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade,  pelo qual, dele conheço.  Trata  o  presente  processo  de  Autos  de  Infração  de  IRPJ  e  CSLL  relativos  ao  ano­ calendário  de  2008.  Neste  período  o  contribuinte  optou  pelo  Lucro  Real  anual,  conforme  consta  na  DIPJ/2008 (fl. 3 a 38).  As  despesas  ocorreram  na  empresa  RASH  ADMINISTRAÇÃO  DE  HOTÉIS  E  TURISMO LTDA, que foi sucedida pela BRASTURINVEST S/A.  Fundamentalmente, a fiscalização considerou como indedutíveis as despesas relativas a  prestação de serviços de: a) gestão hoteleira, e; b) despesas de assessoria comercial.  As despesas de gestão hoteleira estão lançadas na contabilidade da interessada na conta  348730204 ­ "Fee de Gestão". Tal conta abrange as seguintes sub­contas: 348630404­ "Vendas ­ Custos  Gerais", 48630402 ­ "Vendas ­ Custo de Pessoal"; e 348630301 ­"Marketing/InstAdvertising".  Estas  despesas  são  relativas  ao  contrato  de  gestão  hoteleira  celebrado  entre  a  Interessada e sua controladora PESTANA MANGEMENT ­ SERVIÇOS DE GESTÃO S/A, sediada no  exterior, em 20/04/2004.  Quando  intimado  a  apresentar  documentação  comprobatória  das  despesas,  o  contribuinte apresentou cópia do contrato e as notas fiscais correspondentes.  Com relação às despesas relativas a Assessoria Comercial, estas estão lançadas na conta  n° 34860202. Durante a fiscalização, a Interessada encaminhou somente cópia do Contrato de Prestação  de Serviços VERJ 015/05, relativo a prestação de serviços por cooperativa de profissionais autônomos,  e cópia de notas fiscais.  A  fiscalização  não  questionou  a  idoneidade  dos  documentos  apresentados,  mas  considerou a documentação  insuficiente para comprovar a efetividade da prestação dos serviços, bem  como questionou (mesmo que comprovadas as despesas) que as mesmas não seriam úteis e necessárias  para a atividade da empresa.  A  despesa,  para  ser  considerada  operacional  e  consequentemente  dedutível,  deve  ser  necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, ou seja, é a despesa  sem  a  qual  o  empreendimento  não  pode  ir  adiante,  são  os  dispêndios  que  possibilitam  à  empresa  promover suas atividades. Portanto, os dispêndios relativos ao pagamento a outras empresas prestadoras  de  serviços  só  podem  ser  considerados  como  despesas  operacionais,  quando  constar  dos  autos  a  comprovação de que os mesmos se realizaram em benefício da empresa.  Não  basta  comprovar  que  a  despesa  foi  assumida  e  que  houve  o  desembolso,  sendo  indispensável comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso  mesmo, torna o pagamento devido.  Faz­se mister, também, que haja comprovação da efetiva prestação do serviço, por meio  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  sob  pena  de  o  desembolso  se  caracterizar  como  gasto  por  mera  liberalidade e não ser considerado como dedutível.  Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.300          11 Nas fl. 311 a 328, consta o contrato de gestão hoteleira entre a Interessada e a Pestana  Management. Nas fl. 330 a 336, está inserta cópia do Razão com a contabilização das despesas relativas  ao contrato de Administração entre a Pestana e o Rio Atlântico Hotel (fl.350 a 380). Destaque­se que  este último contrato não está assinado (fl.380).  As Notas  Fiscais  de  Serviços  foram  acostadas  nas  fl.  338  a  349.  Estas  notas  de  fato  estão  completamente  ilegíveis,  não  sendo  possível  vislumbrar  qualquer  descrição  de  serviço,  nem  mesmo se estão relacionadas com as despesas lançadas.  Atente­se que as notas fiscais nesta situação, não comprovam a efetividade da prestação  de  serviços;  havendo  a  necessidade  da  apresentação  dos  documentos  outros,  que  descrevam  minuciosamente os serviços prestados (principalmente no caso em comento, onde as notas fiscais estão  ilegíveis), o que não foi feito.  Nas fls. 382 a 386 há uma cópia do Razão Analítico relativo à conta 3.4.86.3.03.01  ­  Marketing/Inst. Advertising. Nas fl. 387 a 411, há algumas faturas emitidas pela Pestana Management ­  Serviços de Gestão S.A.,  que  indicam apenas os valores de alguns  serviços que  supostamente  teriam  sido efetuados para a RASH, contudo não há nenhuma descrição dos serviços.  Em nenhum item da autuação, faz­se qualquer referência a uma possível inidoneidade  dos  documentos.  O  motivo  da  autuação  é  que  estes  documentos  não  são  hábeis  para  comprovar  a  efetividade da prestação dos serviços.  A  decisão  da  DRJ,  em  virtude  dessas  constatações  (falta  de  documentação  hábil),  entendeu por bem julgar improcedente a impugnação do contribuinte, deixando claro o "indeferimento  de juntada de novos documentos" Mesmo reconhecendo a fragilidade de alguns documentos,  também  destaco que existem vários documentos regulares (contratos assinados e notas fiscais legíveis) que tão  pouco  foram  aceitos  como  hábeis.  Veja­se,  por  exemplo,  os  contratos  de  fls.  73­96  (PESTANA  X  BRASTURINVEST) e de fls. 94­100 (RASH X VERITAS) e ainda as notas fiscais de fls. 101­120.  Assim,  entendendo  a  preocupação  da  fiscalização  no  sentido  de  verificar  a  efetiva  prestação de serviços, proponho baixar o processo em diligência, para que a Unidade Preparadora:  a) circularize  intimação junto aos prestadores de serviços em questão (PESTANA ­ s/  gestão hoteleira  e VERITAS  ­  s/  assessoria  comercial)  para que  se manifestem, de  seu  lado,  sobre  a  realização efetiva (ou não) dos serviços em discussão;  b)  em  caso  afirmativo,  que  apresentem  documentos  comprobatórios  do  alegado,  especialmente  em  relação  à  PESTANA,  as  cópias  de  suas  vias  das  notas  de  prestação  de  serviço  tomados pela recorrente, posto que a via juntada por esta estão ilegíveis (fls. 338 ­ 349).  c) a autoridade responsável pela diligência pode, se assim o desejar, questionar o  sujeito  passivo  sobre  qualquer  tópico  que  seja  considerado  relevante,  considerando  que  os  documentos apontados foram trazidos pelo sujeito passivo;  c) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora elaborar relatório  circunstanciado, cientificando o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo,  se manifeste em 30  (trinta) dias,  com  fundamento no  artigo 35, parágrafo único, do Decreto  7.574|2011.  Uma vez esclarecidos esses fatos, entendo que o recurso estará em condições de  ser julgado, primeiro para examinarmos se a documentação reunida prova ou não a efetividade  dos serviços e, em seguida, se os serviços eventualmente comprovados se enquadram naqueles  usuais e necessários para as atividades realizadas pela recorrente.  Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.727563/2012­11  Resolução nº  1402­000.375  S1­C4T2  Fl. 2.301          12 É o meu voto.  Demetrius Nichele Macei ­ Relator  Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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7866696 #
Numero do processo: 10120.729216/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­000.863  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de setembro de 2018  Assunto  RESSARCIMENTO  Recorrente  CARAMURU ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  o  processo  seja  redistribuído,  por  conexão,  à  Primeira  Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira  (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Salvador  Cândido  Brandão  Junior,  Ari  Vendramini,  Semiramis  de  Oliveira Duro e Valcir Gassen.      Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto contra decisão de primeira  instância  que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão  da  repartição  de  origem  de  parcial  deferimento  do  ressarcimento  de  crédito  presumido  da  contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela  Fiscalização,  em  que  se  detectaram  divergências  em  relação  às  informações  prestadas  pelo  contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e  nos arquivos digitais de notas fiscais.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 29 21 6/ 20 12 -9 0 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10120.729216/2012­90  Resolução nº  3301­000.863  S3­C3T1  Fl. 3            2 Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  havia  alegado  (i)  cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação  de  causa  e  efeito  existente  entre  este  e  o  processo  administrativo  nº  10120.725.254/2015­16  (auto  de  infração),  (iii)  direito  a  crédito  presumido  decorrente  da  venda  com  suspensão  no  mercado interno de farelo de soja e (iv) direito a crédito presumido referente à soja adquirida  para produção de farelo.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade, afastando os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário e  requereu o  reconhecimento do seu direito,  repisando os mesmos argumentos de  defesa encetados na Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio o decidido na Resolução nº 3301­000.857, de 25/09/2018, proferida no  julgamento do  processo nº 10120.729209/2012­98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3301­000.857):  6.  O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  legais  de  interposição,  dele,  portanto, tomo conhecimento.  7.  Entretanto,  diante  da  petição  de  fls.  245,  apresentada  pela  recorrente,  verifica­se que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela  1ª  Turma  Ordinária  da  Quarta  Câmara  da  3ª  Seção  deste  CARF,  de  nº  10120.725254/2015­16.  CONCLUSÃO  8. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão,  para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.  Destaque­se  que,  não  obstante  o  processo  paradigma  se  referir  unicamente  ao  crédito presumido da Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos  termos ao crédito  presumido da Contribuição para o PIS.  Importa  registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e  jurídica  encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento  lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.729216/2012­90  Resolução nº  3301­000.863  S3­C3T1  Fl. 4            3 Portanto, aplicando­se  a decisão do paradigma ao presente processo,  em razão  da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu  redistribuir o presente processo à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF,  por já existir processo vinculado a este por conexão (processo nº 10120.725254/2015­16).  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira  Fl. 289DF CARF MF

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Numero do processo: 18471.003239/2008-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sun Sep 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃO COMPARADOS. NÃO CONHECIMENTO. A ausência de similitude fático-jurídica entre aos acórdãos paradigmas e recorrido prejudica a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, ensejando, assim, o não conhecimento recursal.
Numero da decisão: 9101-005.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI

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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃO COMPARADOS. NÃO CONHECIMENTO. A ausência de similitude fático-jurídica entre aos acórdãos paradigmas e recorrido prejudica a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, ensejando, assim, o não conhecimento recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata-se de recurso especial (fls. 191/195) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (“PGFN”) em face do Acórdão nº 1803-01.440 (fls. 170/188), da 3ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, por meio do qual o Colegiado, por unanimidade de votos, deu integral provimento ao recurso voluntário. Transcreve-se abaixo a ementa dessa decisão: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 32 39 /2 00 8- 16 Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO IMPOSTO DE RENDA. Os rendimentos de aplicações financeiras, de renda fixa e variável, não compõem a base de cálculo para apuração do imposto de renda. Tudo segundo entendimento do fora disciplinado nos artigos 224 e 225 do RIR/99. Em resumo, o presente processo tem por origem o Auto de Infração de fls. 23/29, que exige multa isolada de IRPJ em decorrência de diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago a título de estimativas relativas aos períodos de apuração de 2005 a 2008. De acordo com o TVF (fls. 17/18): Como resultado da análise da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo supra identificado, conforme demonstrativos de sua escrituração contábil e fiscal, apresentados em atendimento à intimação de fls., em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, verificamos: 1 - Erro na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, para IRPJ e CSLL, sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE), para apuração da base de cálculo e consequente insuficiência dos valores mensais a recolher, por estimativa, nos períodos de apuração elencados nas planilhas anexadas às fls. 07 a 13, e folhas de continuação dos respectivos Autos de Infração. (...) A empresa apresentou impugnação (fls. 35/44), alegando, em síntese, que a fiscalização, ao reconstituir a apuração das estimativas do tributo, obteve uma base incorreta, tendo em vista que, ao contrário do que estabelece o §1° do art. 225 do RIR/99, indevidamente incluiu rendimentos de aplicações financeiras que superam em muito os valores encontrados como diferença. Argumenta, ainda, que, uma vez findo o ano-calendário e entregue a declaração de ajuste anual, não cabe ao fisco cobrar multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ, haja vista que se exauriu a capacidade contributiva. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, de acordo com o Acórdão nº 12-34.327 (fls. 120/122)., do qual extrai-se a seguinte passagem: No Termo, a fiscalização aponta que houve erro na aplicação do percentual de 8% sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE) na apuração da base de cálculo dos valores mensais a recolher por estimativa. Os valores lançados foram demonstrados nas planilhas de fls. 16/19. Do exame destas, verifica-se que, na parte superior da planilha, a fiscalização reproduz as planilhas elaboradas pelo próprio interessado (fls. 7/13), que demonstram o montante do IRPJ/estimativa por ele apurado e informado na DIPJ (ex. novembro/2005 - base de cálculo R$1.435.536,92 - fl. 70). O valor que serviu de base para lançamento de ofício foi apurado na parte inferior da planilha. Apenas a diferença de percentual (32% - 8% = 24%) sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE) constituiu base para cálculo da multa isolada lançada, como exemplificado abaixo: (...) Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 Portanto, não prospera a alegação de ter a fiscalização, ao reconstituir a apuração das estimativas do tributo, obtido uma base incorreta, ao incluir rendimentos de aplicações financeiras. As receitas financeiras constaram da base apurada pelo interessado e não foram objeto de lançamento de ofício. Os rendimentos e ganhos líquidos produzidos por aplicação financeira de renda fixa e de renda variável a que se referem o § 1°, do art. 225, do RIR/1999, são considerados na base de cálculo do imposto de renda mensal quando não houverem sido submetidos à incidência na fonte ou ao recolhimento mensal previstos nas regras específicas de tributação a que estão sujeitos (artigos 65 a 75 de Lei n° 8.981/1995), conforme art. 7°, I, e §, da IN 93/1997. As pessoas jurídicas que optam pelo lucro real anual têm que pagar, mensalmente, imposto de renda por estimativa. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa isolada. A multa isolada lançada encontra amparo legal no art. 44, II, b, da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei n" 11.488/2007, aplicada em face do art. 106, II, c, do CTN). A Autoridade Administrativa não dispõe de competência legal para examinar a constitucionalidade/legalidade de leis inseridas no ordenamento jurídico nacional (competência privativa do Poder Judiciário - art. 102, da Constituição). A diferença de percentual e os valores indicados pela fiscalização (relativos à prestação de serviço Representação na CCEE/MAE) não foram elididos. Deste modo, deve ser mantido o lançamento, efetuado de acordo com a legislação vigente, por não ter o interessado apresentado elemento de prova capaz de elidi-lo. Instado a pagar ou a recorrer, insurgiu a contribuinte com a apresentação tempestiva de recurso voluntário (fls. 126/140), recurso este que foi julgado integralmente procedente pelo referido Acórdão nº 1803-01.440 (fls. 170/188). De acordo com o voto condutor do Aresto: (...) Quanto ao mérito da demanda, cumpre aduzir que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da receita bruta, visto restar disciplinado nos artigos 224 e 225 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o que segue: “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único).” Ganhos de Capital e outras Receitas “Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º).” Contudo, embora as receitas financeiras não possam adentrar à base de cálculo, tal como disposto acima, a fiscalização acabou por seguir o erro apurado pelo contribuinte, em suas planilhas, e incluiu-as no cômputo da apuração do imposto em comento. Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 De igual modo, pude verificar que a fiscalização apurou erro na aplicação do percentual sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE). Nesse sentindo, e para esclarecer melhor a questão, entendo ser necessário recompor os cálculos, refazendo a referida planilha que foi aproveitada pela fiscalização para apuração da multa, ora em discussão. Assim, segue abaixo o demonstrativo das apurações e recolhimentos, bem como da autuação realizada pela fiscalização. Contudo, passo a considerar o percentual determinado pela fiscalização sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE), retirando da base de cálculo os valores de aplicações financeiras. No entanto, imperioso referir que afere-se, dessa nova recomposição da planilha, que a empresa recorrente acabou por pagar, no curso dos anos calendários em apreço, mais do que o devido, ainda que aplicada a diferença do percentual questionado. Segue planilhas dos meses e anos autuados: (...) Assim, tem-se que os valores de rendimentos de aplicações financeiras foram incorretamente adicionados à base de cálculo e ainda que se considerasse a multa isolada aplicada como devida, os valores recolhidos/pagos pela empresa recorrente superam os que foram levantados como diferença de base e aplicado como multa. Frente às planilhas refeitas, pode-se concluir que a empresa não é devedora dos valores ora lançados. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Intimada da decisão, a PGFN apresentou o recurso especial (fls. 191/195), sustentando que o acórdão em questão diverge do que restou decidido nos Acórdãos paradigmas nº s 1301-000.763 (fls. 222/239) e 1802-001.343 (fls. 196/221). Despacho de fls. 243/246 admitiu o Apelo nos seguintes termos: Alega a Recorrente que o posicionamento adotado no acórdão recorrido choca-se com a decisão proferida nos Acórdãos nº 1301-000.763, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, e nº 1802-001.343, da 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF. Em atendimento ao disposto no art. 67, § 7º do Anexo II do RICARF/2009, o Recurso foi instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos paradigmas, cujas ementas foram assim reproduzidas pela Recorrente: Acórdão n° 1301-000.763 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Períodos-base 1º, 2º, 4º e 4º trimestres de 2002. OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS – Correta a exigência incidente sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras, quando o contribuinte não logrou comprovar havê‑los oferecido a tributação.” Acórdão nº 1802-001.343 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Os rendimentos auferidos em aplicações em fundos de investimento financeiro devem ser acrescidos ao lucro presumido para fins de tributação do IRPJ e CSLL.” A fim de melhor demonstrar a similitude fática e a divergência jurisprudencial, a Recorrente confrontou trecho do voto condutor dos acórdãos recorrido e paradigma nº 1802-001.343, nos seguintes termos, mantidos aqui os destaques: Acórdão recorrido Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 “Quanto ao mérito da demanda, cumpre aduzir que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da receita bruta, visto restar disciplinado nos artigos 224 e 225 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o que segue: (...)” Acórdão paradigma nº 1802-001.343 “A Recorrente alega que o imposto foi devidamente recolhido, por meio da incidência na fonte e ainda que se entenda o contrário, trata-se de receita não sujeita a tributação, haja vista a definição de faturamento que foi objeto de amplos debates no STF que entendeu somente ser possível a equiparação entre faturamento e receita bruta quando esta for definida e aplicada em sentido estrito, isto é, com exclusão de qualquer outra receita que não seja a decorrente da venda de mercadorias e serviços. Assim, entende inexigíveis os valores do PIS/PASEP e da COFINS conforme entendimento jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal. Ao teor do artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras serão acrescidos à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Aplicando‑se também à CSLL, por força do disposto no art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Observa‑se no Auto de Infração à fl. 325, que no Demonstrativo de Apuração do IRPJ – Lucro Presumido, foi compensado o valor de R$ 655,86 com o imposto devido referente ao 4º trimestre de 2003. Assim, corretos os lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL. ” Verifica-se que, de fato, recorrido e paradigmas versaram sobre situações em que se decidiu se incidiria ou não Imposto de Renda sobre rendimentos decorrentes de aplicações financeiras. Entretanto, enquanto no recorrido decidiu-se não haver incidência do Imposto de Renda sobre receitas financeiras, nos paradigmas entendeu-se que sobre tais rendimentos incidiria referido tributo. Ante o exposto, restou evidenciada a divergência jurisprudencial exigida para o prosseguimento do Recurso Especial. Chamada a se manifestar, a contribuinte ofereceu contrarrazões ao recurso especial da PGFN (fls. 259/266). A título de preliminar, alega que “os supostos paradigmas não confiram divergência em relação ao acórdão recorrido. As decisões tratam de apuração final do IRPJ pelo lucro presumido, enquanto o acórdão recorrido trata da apuração das estimativas mensais (Lucro Real Anual)”. No mérito, sustenta que nenhum reparo cabe à decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conhecimento O recurso é tempestivo e atendeu os demais requisitos legais. De uma análise mais atenta das decisões tidas como paradigmas, porém, entendo que a divergência jurisprudencial não restou caracterizada. Senão, vejamos. Nesse caso concreto, o que se discute é se os rendimentos provenientes de aplicações financeiras devem ou não ser computados pelo contribuinte – sujeito ao Lucro Real Anual - para fins de calcular as estimativas devidas a título de antecipação mensal de IRPJ. Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 Segundo a decisão recorrida, tais espécies de rendimentos, à luz dos artigos 224 e 225 do RIR/99, não devem compor a base de cálculo da estimativa, fato este que se mostrou suficiente para afastar a diferença apurada que deu azo à cobrança das multas isoladas aqui discutidas. O primeiro paradigma (Acórdão nº 1301-000.763 - fls. 222/239) diz respeito à autuação que exigiu IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), decorrente da constatação fiscal de que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, teria praticado: “(a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; (b) depósitos bancários originados em receitas operacionais não oferecidas à tributação, mediante informação na DIPJ respectiva, e (c) omissão de receita de rendimentos de aplicações financeiras (Termo de Verificação Fiscal às fls. 501/519)”. Especificamente quanto ao item “c”, da leitura do inteiro teor do acórdão é possível verificar que a contribuinte não questionou a incidência dos rendimentos financeiros para fins de IRPJ e CSLL, mas apenas em relação às contribuições ao PIS e COFINS. Tanto é assim que o acórdão assim julgou a matéria: (...) Sobre os rendimentos de aplicação financeira, alega a Recorrente que as exigências formalizadas para o PIS e a COFINS são improcedentes, eis que têm base no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, dispositivo julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse ponto, assiste razão à Recorrente, visto que o STF declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo imposto pelo apontado dispositivo. Assim, os rendimentos de aplicações financeiras não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) Como se nota, o julgado em questão não analisou a matéria aqui discutida, a qual, repita-se, consiste na obrigação ou não de um contribuinte sujeito ao Lucro Real Anual incluir ou não as receitas financeiras para fins de cálculo de estimativa mensal. O Acórdão nº 1301-000.763, portanto, não é hábil a demonstrar o dissídio. Isso se repete com o Acórdão nº 1802-001.343 (“segundo paradigma” - fls. 196/221), afinal ele tratou de situação fática que também não guarda nenhuma semelhança com a presente. Lá, discutiu-se, dentre outras matérias, omissão de receitas financeiras obtidas nos meses de novembro e dezembro de 2003, nos valores de R$ 191,61 e R$ 3.084,61, auferidas do Banco Comercial e de Investimentos Sudameris S/A, tendo sido retido na fonte os valores de R$ 38,32 e R$616,92, conforme Dirf. Essa omissão restou na cobrança de IRPJ e CSLL relativos ao final do período de apuração, com base no lucro presumido e que foi considerada devida com fundamento no artigo 521 do RIR/99, in verbis: Ao teor do artigo 521 do Regulamento do Imposto de Renda, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras serão acrescidos à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Aplicando-se também à CSLL, por força do disposto no art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Observa-se no Auto de Infração à fl. 325, que no Demonstrativo de Apuração do IRPJ – Lucro Presumido, foi compensado o valor de R$ 655,86 com o imposto devido referente ao 4º trimestre de 2003. Assim, corretos os lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL. Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.663 - CSRF/1ª Turma Processo nº 18471.003239/2008-16 Também nesse caso, portanto, não há que se falar em similitude fático-jurídica com a situação presente. Conclusão Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10980.001205/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO-TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não-tributável. Neste caso, em vista de que a exportação de produto classificado como não-tributável pela legislação do IPI não confere direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-009.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório apenas em relação aos insumos qualificados como sujeitos à alíquota zero, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO

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PRODUTO NÃO- TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não-tributável. Neste caso, em vista de que a exportação de produto classificado como não-tributável pela legislação do IPI não confere direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório apenas em relação aos insumos qualificados como sujeitos à alíquota zero, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araujo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 12 05 /2 01 0- 50 Fl. 779DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 Retorna à apreciação do colegiado recurso voluntário cujo julgamento teve início em sessão realizada em novembro de 2014. Na ocasião, o Conselheiro Fernando Cleto assim o relatou: Consta dos autos que o crédito tributário em questão refere-se a crédito presumido de IPI referente a aquisições de pessoas físicas, baseado em decisão proferida no Processo Judicial n° 2002.81.00.0013151 da empresa incorporada, no ano de 2002, Iracema Indústrias de Caju Ltda, CNPJ 05.866.835/000142, transitado em julgado em 19/07/2007, tendo como número do Processo de Habilitação do Crédito 10980.009854/200965. A DRF de origem não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI sob o argumento de que os produtos exportados pela contribuinte são classificados na TIPI como NT (não tributados), situação esta que não dá direito A. utilização do beneficio previsto na Lei n° 9.363/96. Acrescenta ainda, que a contribuinte inseriu nos cálculos para atualização dos valores dos créditos presumidos do IPI a taxa selic, cujo procedimento não encontra respaldo legal tendo em vista que o dispositivo que permite a correção pelos juros selic é exclusivo para repetição de pagamento indevido ou a maior de tributos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 338/354) contra a não homologação das compensações, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) o não reconhecimento do seu direito à. utilização do crédito presumido de IPI nos termos da Lei n° 9.363/96 viola de forma flagrante a sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n° 2002.81.00.0013151; b) após a recorrente ter tido reconhecido, de forma definitiva, o seu direito de se utilizar do beneficio do crédito presumido de IPI, não há como se alegar que o fato dos produtos por ela exportados serem classificados como NT não permite a utilização do beneficio em questão, pois toda a discussão quanto ao reconhecimento do direito da recorrente ao mencionado beneficio foram enfrentadas e resolvidas com definitividade no Mandado de Segurança; c) além do mais, inexiste restrição na Lei n° 9.363/96 para aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI a produtos classificados corno NT na TIPI. A recorrente é empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, não interessando se os seus produtos são notados como NT; d) no caso especifico da requerente, os produtos por ela exportados são aqueles resultantes do processo de beneficiamento da castanha de caju, o simples fato de seus produtos configurarem como NT na TIPI não é capaz de desnaturar a condição de empresa produtora, isto é, de empresa que realiza processo de industrialização; e) considerando que o direito ao ressarcimento equipara-se ao direito de restituição de qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal. o que de acordo com a disposição contida na legislação aplicável deve ser atualizado pela taxa selic. E, segundo jurisprudência tanto do STJ como do STF, na hipótese de o Fl. 780DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 crédito não ter sido utilizado em função de óbice criado pelo próprio Fisco, deve ser aplicada a atualização monetária em homenagem ao principio da não-cumulatividade, bem como para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. A DRJ houve por bem em não acolher as alegações da recorrente, mantendo a decisão proferida anteriormente, sob o argumento de que os produtos NT não ensejam o direito a crédito, bem como que o reconhecimento do direito a créditos de IPI limita-se aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 412/435), reiterando as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando, ao final a procedência do pedido de compensação dos créditos de IPI. Não houve apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este conselho para julgamento. É o relatório. Naquela assentada, o relator afirmou e concluiu: (...) Com efeito, como bem ressaltou a recorrente em suas razões, não cabe mais levantar, na esfera administrativa, se a recorrente tem ou não direito a se utilizar do benefício, pois toda a discussão do direito em questão já foi devidamente discutida no processo judicial, com resultado favorável ao contribuinte transitado em julgado. Ademais, se a decisão judicial concedeu o direito a crédito ao recorrente, como já explanado, não pode a administração negá-lo sob o argumento de que não se trata de crédito prêmio e sim de NT. Ora, negar-se a cumprir a decisão proferida no Mandado de Segurança é desrespeitar a liturgia das nossas cortes judiciais, o que, tenho certeza, não é esse o escopo desse Conselho. Assim sendo, a autoridade administrativa estaria limitada a aferir se o valor do crédito foi ou não apurado de forma correta de recorrente e não discutir se existe o direito ou não ao mencionado benefício, visto que este já foi sotrancado na esfera judicial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, determinando a remessa dos presente autos à DRJ para que se verifique se os valores apresentados pela recorrente estão corretos ou não. Fl. 781DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 Dessa proposição dissentimos o Conselheiro Fenelon Moscoso (Suplente convocado) e eu, tendo sido ela acompanhada pelos Conselheiros Robson Bayerl (Suplente convocado), Jean Cleuter e Angela Sartori. A diligência não foi cumprida a contento, manifestando-se a autoridade dela incumbida por meio de "Informação Fiscal" na qual, após "relatar" o processo conclui nos seguintes termos: (...) Concluindo, conforme o Acórdão nº 1434.802 da 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (ainda em vigor) os valores apresentados não estão corretos, uma vez que o contribuinte não tem direito ao crédito presumido de IPI por exportar produto NT independentemente das entradas serem de pessoas físicas (decisão judicial) ou jurídicas (IN 23/97). No entanto se o CARF decidir pelo provimento do recurso voluntário apresentado pela empresa faremos os cálculos nos termos do novo Acórdão. Sendo o que tínhamos a informar, sugerimos o retorno ao CARF para prosseguimento Em nova sessão de julgamento, realizada em 28 de janeiro de 2015, esta e. Turma decidiu por converter o julgamento em diligência quela sentada, esta e. Turma decidiu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Nesta senda, entendo que não há elementos suficientes no presente processo para que se possa afirma categoricamente pela existência ou não do direito vindicado, cumprindo, mais uma vez, em homenagem ao princípio da verdade material, nova conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: 1. Que a diligência ora proposta seja realizada pela unidade de jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento produtor, onde se originaram os créditos ora requeridos; 2. Que seja verificado, no período de apuração objeto deste pedido de ressarcimento (janeiro/1997 a dezembro/2001), quais os produtos exportados pelo estabelecimento produtor, respectivas classificações fiscais na TIPI/TEC e alíquotas então vigentes; 3. Apartar o montante das exportações, no período, de produtos com notação NT (Não Tributados) e tributados com alíquota zero, se existentes; 4. Havendo produtos tributados com alíquota zero, proceder ao levantamento do direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 em relação a eles, considerando as aquisições de pessoas físicas, tal qual Fl. 782DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, cujas peças foram acostadas ao presente processo; 5. Informar se o crédito apurado na forma do item anterior foi, porventura, reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo e, em caso positivo, indicar o seu número; 6. Elaborar relatório circunstanciado das verificações realizadas, com as informações reputadas relevantes ao deslinde da presente demanda; 7. Abrir vista ao contribuinte do relatório elaborado e franquear-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Findo o procedimento, com ou sem sobredita manifestação, devolvam-se os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à diligência, a unidade de preparo informa o que segue: Atendimento ao Solicitado 6. Fundamentados nos documentos acima, na Lei nº. 9.363/96, instituidora do direito ao crédito presumido do IPI, e ao decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, apresentamos a seguir as informações e esclarecimentos solicitados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 7. Solicitação Item 2.1: Quais produtos exportados pelo estabelecimento produtor, respectivas classificações fiscais na TIPI/TEC e alíquotas então vigentes? 8. Atendimento Item 2.1: De acordo com todas as operações de exportação efetuadas pelo contribuinte no período de 01/01/1997 a 31/12/2001, conforme anexo PRODUTOS EXPORTADOS (SISCOMEX), os produtos exportados, sua classificação fiscal na TIPI/TEC e respectiva tributação IPI então vigente, estão relacionados no anexo intitulado PRODUTOS EXPORTADOS – CLASSIFICAÇÃO FISCAL E TRIBUTAÇÃO IPI. 9. Oportuno esclarecer que o total de 2341 itens exportados resultou das diferentes descrições dadas pelo contribuinte para cada produto; para melhor entendimento, os mesmos seguem abaixo agrupados de acordo com o código NCM declarado nos documentos de exportação: Fl. 783DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 10. Solicitação Item 2.2: Apartar o montante das exportações, no período, de produtos com notação NT (Não Tributados) e tributados com alíquota zero, se existentes. 11. Atendimento Item 2.2: A partir da classificação fiscal do IPI registrada em cada documento de exportação relacionado no anexo PRODUTOS EXPORTADOS (SISCOMEX), agrupamos os produtos exportados em NT/Não Tributados e Tributados Com Alíquota Zero e totalizamos os valores por ano da exportação, conforme abaixo: 12. O total exportado em todo o período, conforme a classificação fiscal do produto, foi consolidado na tabela a seguir: 13. Solicitação Item 2.3: Havendo produtos tributados com alíquota zero, proceder ao levantamento do direito ao crédito presumido previsto na Lei Fl. 784DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 nº. 9.363/96 em relação a eles, considerando as aquisições de pessoas físicas, tal qual decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151. 14. Atendimento Item 2.3: Constatada a existência da exportação de produtos tributados na TIPI/TEC com alíquota zero, efetuamos os cálculos dos valores do crédito presumido nos anos de 1997 a 2001 de acordo com o previsto na Lei nº. 9.363/96 e ao decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, que determinou considerar as aquisições de insumos de pessoas físicas, conforme mais adiante discriminado no DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. 15. Como inicialmente já informado, destacamos que os valores da Receita Bruta e das aquisições de insumos no mercado interno, considerando as aquisições de pessoas jurídicas e físicas, foram obtidos nas declarações de IRPJ do contribuinte relacionadas no item 6: 16. Assim, levando-se em conta os valores acima e de acordo com o previsto na Lei nº. 9.363/96 e ao decidido no MS 2002.81.00.0013151, o crédito presumido do IPI apurado em cada ano-calendário diligenciado resultou conforme a seguir: 17. Solicitação Item 2.4: Informar se o crédito apurado na forma do item anterior foi, porventura, reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo e, em caso positivo, indicar o seu número. 18. Resposta Item 2.4: O crédito apurado na forma do item anterior não foi reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo. A recorrente apresentou petição em que aduz: (i) que a diligência não foi cumprida adequadamente, haja visto que diligência proposta deveria ter sido realizada pela unidade de jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento produtor, onde se originaram os créditos ora requeridos, qual seja, SEORT/FORTALEZA, no entanto, sem qualquer explicação sobre o descumprimento da determinação do CARF, em evidente prejuízo à contribuinte, a diligência foi cumprida pelo SEORT/CURITIBA; Fl. 785DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 (ii) não há na legislação qualquer limitação ou vedação à concessão do crédito quando as exportações envolverem produtos não tributados – NT, pelo contrário, somente exige-se que a empresa seja produtora e exportadora, novamente, sem qualquer restrição a esses conceitos, sendo que a Recorrente, claramente se enquadra nessa condição. (iii) nos processos administrativos nº 10380.021193/99-63 e 10380.021192/99- 09 (cópia anexa), houve a verificação in loco do processo produtivo da Recorrente pela Receita Federal de Fortaleza, tendo concluído a fiscalização pelo reconhecimento do direito da contribuinte da utilização de créditos presumidos do IPI e verificado que os produtos exportados, em verdade, devem ser classificados com alíquota zero. (iv) a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, uma vez que existe divergência de entendimento entre a Delegacia da Receita Federal de Curitiba e a de Fortaleza quanto ao direito do benefício em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, relator 1. O Recurso é tempestivo e apresentado por procurador devidamente constituído, dele tomo conhecimento. 2. Inicialmente, no que diz respeito ao cumprimento da diligência pela SEORT Curitiba, entendo aplicável ao caso a inteligência da Súmula CARF n. 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 3. Nesse diapasão, se o Auditor-Fiscal de jurisdição diversa é competente para a lavratura do auto de infração, também me parece que ele o é para a resposta de eventual diligência fiscal relativa à autuação, razão pela qual, afasto a referida alegação. 4. Também é de se afastar a alegação quanto à concomitância entre o decidido no âmbito judiciário, e a questão ora debatida, haja vista que, conforme cópias da inicial e da sentença, é possível inferir que a quaestio juris submetida ao judiciário restringiu-se à ilegalidade do prescrito no art. 2º, §2º da Instrução Normativa nº 23/97, que restringia o crédito de insumos e matérias-primas adquiridas de pessoas físicas e cooperativas. 5. Assim, não há que se falar em eventual desrespeito à coisa julgada em decorrência da delimitação da matéria submetida ao poder judiciário, razão pela qual entendo deva ser afastado o fundamento. Fl. 786DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 6. Nesse contexto, desde logo devo pontuar que é aplicável ao caso a Súmula CARF n. 124: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). 7. Significa dizer que caso a Recorrente não comprove que os produtos eram classificados como alíquota zero e não NT, não há como reconhecer no CARF o direito ao crédito presumido. 8. Alega em sua manifestação de e-fls.756-762, que a Tabela TIPI vigente à época determinava como alíquota do IPI da castanha de caju acondicionada em embalagem a alíquota zero, veja-se: 9. Como se percebe, entretanto, apenas os produtos condicionados em embalagem de apresentação é que estão sujeitos à alíquota zero. Conforme perícia juntada pela própria recorrente às fls. 391-396: Fl. 787DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 10. Como se verifica, não se trata de embalagem de apresentação, ou ao menos não há provas nos autos que indiquem o contrário, de que se tratariam de embalagens de apresentação. Importante pontuar, que o mero fato de as embalagens apresentarem logomarca da empresa não desvirtua as embalagens como de transporte, e não de apresentação. 11. Assim, não pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado. Conforme temos nos manifestado, como por exemplo, no acórdão 3401-007.196, de minha relatoria: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO- TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação "NT", correspondente a produto não-tributável. Neste caso, em vista de que a exportação de produto classificado como não-tributável pela legislação do IPI não confere direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. 12. Por fim, quanto à alegação de inclusão da SELIC desde a data do protocolo do Pedido de Ressarcimento, entendo aplicável o entendimento esposado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543-C): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 788DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-009.440 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.001205/2010-50 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 13. Assim, de se reconhecer o direito a atualização do crédito ressarciendo desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. 14. Ante o exposto, voto por conhecer e no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório apenas em relação aos insumos qualificados como sujeitos à alíquota zero, nos termos da informação fiscal. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 789DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 11080.730997/2018-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2019 MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.POSSIBILIDADE Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo.
Numero da decisão: 3302-011.493
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.491, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 11080.730962/2018-06 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Paulo Regis Venter (Suplente), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Vinícius Guimarães.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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COMPENSAÇÃO INDEVIDA.POSSIBILIDADE Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.491, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 11080.730962/2018-06 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Paulo Regis Venter (Suplente), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Vinícius Guimarães. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de lançamento de multa por compensação não homologada, tratada em outro processo administrativo. A multa foi lavrada com base no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 09 97 /2 01 8- 37 Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.493 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.730997/2018-37 de 27 de dezembro de 1996, com alterações posteriores, sendo-lhe exigida mediante a aplicação do percentual de 50% sobre a base de cálculo (valor não homologado). Notificada do lançamento, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, não há que se falar em imposição de penalidade antes do encerramento da diligência instaurada pelo Carf no processo de crédito, de sua notificação para manifestação e da decisão administrativa. A DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que a multa, por expressa previsão legal, deve ser mantida e que inexiste no ordenamento jurídico previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo suas alegações de defesa. Nos termos da resolução constante dos autos, o processo foi sobrestado até decisão definitiva do PA que originou a cobrança da penalidade aqui imposto. Definido aquele processo administrativo, o presente retornou para julgamento. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. De início, afasto as alegações da Recorrente quanto a impossibilidade de lançamento fiscal para cobrança da multa antes do julgamento do PA que a originou. Isto porque e, como bem pontou a decisão recorrida, inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário, senão vejamos: O lançamento da multa isolada decorreu da não homologação das compensações tratadas no processo administrativo nº 13851.901854/2011-05. Referido processo de crédito já foi analisado na primeira instância do contencioso administrativo, por meio do Acórdão nº 14-056.773, com o seguinte resultado: Manifestação de Inconformidade Improcedente. Configurada a hipótese de não homologação das compensações, ainda que pendente de decisão definitiva e independente da ocorrência de dolo, fraude ou má-fé, a multa isolada deve ser constituída de ofício porque inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Por outro lado, suspensa a exigibilidade dos débitos compensados, por conta da interposição de manifestação de inconformidade contra o ato de não homologação da compensação, ou recurso voluntário contra a decisão administrativa de primeira instância, a multa isolada aplicada Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.493 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.730997/2018-37 também estará com a sua exigibilidade suspensa, conforme previsto no § 18, art. 74, Lei nº 9.430, de 1996. No mais, constatasse que o PA que tratou da não homologação das compensações manteve o indeferimento do despacho decisório, ensejando, assim, a manutenção da cobrança da multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispõe: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital

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