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Numero do processo: 13508.000360/2008-16
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE PARCELAMENTO NO PRAZO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo, em seu art. 78, prevê que em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. No parágrafo segundo do mesmo dispositivo, estabelece que o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Sendo assim, ante a apresentação de pedido de parcelamento e conseqüente renúncia do direito de recorrer, voto pelo não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por desistência
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PARCELAMENTO NO PRAZO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo, em seu art. 78, prevê que em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. No parágrafo segundo do mesmo dispositivo, estabelece que o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Sendo assim, ante a apresentação de pedido de parcelamento e conseqüente renúncia do direito de recorrer, voto pelo não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrente SILVIO JOSE SANTANA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PARCELAMENTO NO PRAZO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo, em seu art. 78, prevê que em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. No parágrafo segundo do mesmo dispositivo, estabelece que o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Sendo assim, ante a apresentação de pedido de parcelamento e conseqüente renúncia do direito de recorrer, voto pelo não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por desistência Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 8. 00 03 60 /2 00 8- 16 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 13508.000360/200816 Acórdão n.º 2402003.531 S2C4T2 Fl. 314 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão do Recorrente, na qualidade de Dirigente Público do Município de Maragogipe, ter apresentado GFIP (Guia de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2005 a 06/2005. O Município de Maragogipe apresentou impugnação alegando a ilegitimidade passiva do dirigente público e nulidades. Ao final requereu o cancelamento do AIIM (fls. 29/43). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), ao analisar o processo (fls. 51/56), julgou o lançamento procedente. Às fls. 59/60 o Recorrente protocolou petição informando ter firmado parcelamento dos valores discutidos e, como conseqüência, requereu o arquivamento do processo com a respectiva baixa na distribuição. Os autos foram remetidos ao CARF (fls. 70) sob a informação de que havia sido interposto recurso voluntário, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Às fls. 70 dos presentes autos há informação emitida pela Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana de que fora interposto recurso voluntário contra Decisão Notificação n° 04.401.4/0513/2006, com posterior encaminhamento à 2° CC/MF/DF para julgamento. Ante isto, às fls. 71, os autos foram encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ocorre, entretanto, que a petição de fls. 59/60 considerada como sendo Recurso Voluntário, em verdade, é petição apresentada pelo Contribuinte na qual informa ter firmado com o INSS parcelamento da dívida em questão e, ao final, requer o arquivamento do processo. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo, em seu art. 78, prevê: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Sendo assim, ante a apresentação de pedido de parcelamento e conseqüente renúncia do direito de recorrer, voto pelo não conhecimento do recurso. É o voto. Thiago Taborda Simões Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 18470.732803/2012-06
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 32 80 3/ 20 12 -0 6 Fl. 15786DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO SEREDE SERVIÇOS DE REDE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisões proferidas pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamentos formalizados em 19/12/2012, exigindo créditos tributários pertinentes ao IRPJ e à CSLL devidos nos trimestres do anocalendário 2009 (valor total de R$ 8.648.008,66), bem como à Contribuição ao PIS e à COFINS devidas nos meses do anocalendário 2009 (valor total de R$ 1.404.470,46). Consta da decisão proferida nos autos do processo principal nº 18470.732803/201206 o seguinte relato: Este acórdão tem por objeto julgar as impugnações apresentadas pela interessada contra os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cuja exigência total equivale a R$6.370.047,16, considerando consectários legais calculados até dezembro de 2012. Os lançamentos tributários foram efetuados com base na sistemática de apuração baseada no lucro real trimestral, tendo em conta opção formalizada pela fiscalizada. O auto de infração está juntado às fls. 3347, enquanto o “Termo de Verificações Fiscais”, que contém a descrição dos fatos que deram suporte à autuação, encontrase às fls. 3336/3346. A fiscalização realizou, no curso do mesmo procedimento de auditoria, lançamento de ofício de PIS e COFINS que, apesar de lastreado nos mesmos elementos de prova, foram formalizados em processo autônomo, de número 18470.732907/201211. De maneira a garantir efetividade ao disposto no art. 9º, §1º, do Decreto 70.235/1972 (redação dada pelo art. 113 da Lei 11.196/2005) e na Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, o processo de número 180470.8732907/201211 seguirá apensado ao presente processo, garantida a preservação de todos os efeitos processuais correspondentes. As infrações apontadas pela fiscalização no presente processo foram classificadas em dois grupos, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 3348: (a) custos não comprovados e (b) exclusões indevidas. Quanto ao tópico “custos não comprovados”, a fiscalização entendeu como não suficientemente comprovados vários lançamentos relativos às contas contábeis “aluguel de veículos”, “aluguel de equipamentos”, “combustíveis e lubrificantes” e “serviços 0800 empresas associadas”, de maneira que procedeu à glosa dos valores correspondentes e recomposição dos tributos devidos. O demonstrativo dos valores glosados, mês a mês, para cada uma das contas analisadas, está apresentado à fl. 3342. A discriminação das razões adotadas pela fiscalização em relação a cada um dos itens glosados está apresentada às fls. 3339/3341. Já o tópico “exclusões indevidas” diz respeito à análise de um único registro: a exclusão, pela contribuinte, do valor de R$536.193,00 a título de “outras exclusões”, na formação do lucro real do 2º trimestre de 2009. Após análise dos lançamentos contábeis que circunscreveram esta exclusão – originariamente associados a reversão do saldo da conta de provisão denominada “Grat Part Empreg” , a fiscalização entendeu que “a provisão não foi utilizada para Fl. 15787DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 4 3 absorver os gastos provisionados ‘participação dos empregados’, além de reduzir saldo inexistente da conta Outros Adicionais (...)”. Diante de tal interpretação, a fiscalização promoveu a recomposição do lucro real do período, desconsiderando a exclusão em tela. Na impugnação juntada às fls. 4625/4656, a autuada insurgese contra a totalidade do auto de infração. Em linhas gerais, a contribuinte alega o que segue (ver fl. 4627): 1) Com a devida vênia, o Fisco fez exigências absurdas para a comprovação de gastos corriqueiros, de baixo valor individual e absolutamente normais e usuais na atividade fim da impugnante, tais como combustível, aluguel de veículos, faturas telefônicas, etc. 2) Além disso, a despeito de ter fiscalizado apenas o primeiro trimestre de 2009 (o que se comprova pelos termos de intimação que precederam o lançamento), glosou custos e despesas incorridos em todo o anocalendário muito embora não tenha pedido sequer um documento para o 2º, 3º e 4º trimestre de 2009; 3) De todo modo, a impugnante possui documentação apta a demonstrar a efetividade dos custos e despesas necessárias incorridos ao logo do anocalendário 2009; e 4) Por fim, a exclusão da reversão de provisões não dedutíveis efetuada pela empresa (conta nº 21170200 – “Grat Part Empreg) é legítima, pois se trata de provisões comprovadamente oferecidas à tributação em período anterior, razão pela qual deve ser cancelada esta glosa”. Com forte no argumento listado no item “2” acima, a impugnante requer, preliminarmente, que seja reconhecida a nulidade da autuação, relativamente ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2009. Quanto ao mérito, e de acordo com argumentação apresentada de maneira pormenorizada nos itens 4 e 5 da impugnação (fls. 4631 a 4655), reclama a insubsistência de todas as glosas realizadas pelo auditorfiscal, de forma que requer o cancelamento integral do lançamento de ofício. Sucessivamente (item 4.6 da impugnação) reclama incorreção dos valores das glosas. Subsidiariamente, requer que o processo seja baixado em diligência para análise dos documentos juntados aos autos na fase de impugnação, caso o órgão julgador não reconheça de pronto a efetividade da argumentação apresentada. Protesta, ainda, “pela posterior juntada de documentos que eventualmente se façam necessários a esclarecer a autoridade julgadora, nos termos do art. 16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972”. A exigência formalizada no processo apenso nº18470.732907/201211 decorre da repercussão, na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, da falta de comprovação dos registros antes mencionados consignados nas contas contábeis de “aluguel de veículos” e “aluguel de equipamentos”. A impugnação apresentada naqueles autos guardou os mesmos contornos daquela oposta contra as exigências formalizadas no processo principal. A Turma julgadora afastou apenas as glosas referentes a: 1) locação de veículos registrada na contas nº 21120120 (Fornecedores Pessoa Física); 2) alugueis de veículos celebrados com Companhia de Locação das Américas e com Unidas S/A; e 3) parte dos gastos com aquisições de combustível. A reversão das glosas do segundo item repercutiu nas exigências de IRPJ e CSLL, bem como de Contribuição ao PIS e da COFINS. As decisões foram assim ementadas: · Processo principal nº 18470.732803/201206: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 15788DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 5 4 Anocalendário: 2009 NULIDADE. AUTOS DE INFRAÇÃO. A preliminar de nulidade deve ser rejeitada se os autos de infração apresentam todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e se não foram verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 GLOSA DE DESPESAS. Para que as despesas sejam admitidas como dedutíveis, devem ser atendidos os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Além disso, devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. Cabível a reforma do lançamento de ofício, nos casos em que a análise dos elementos de prova complementares trazidos aos autos na fase de impugnação certificaram o atendimento aos requisitos em questão. REVERSÃO DE PROVISÃO. No período em que a provisão não dedutível for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. O direito à exclusão pressupõe, de um lado, a comprovação de que a despesa com a criação da provisão fora adicionada no exercício de sua geração e, de outro, a existência de lançamentos contábeis que certifiquem que houve a efetiva reversão contábil da provisão criada anteriormente. O lançamento contábil realizado a débito da conta de provisão e a crédito a contas de despesas distintas daquelas que deram origem à provisão não caracteriza “reversão” da provisão originalmente criada. Como conseqüência, os lançamentos havidos a crédito de contas de despesas são insuscetíveis de exclusão na apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL, devido à identidade de causas. · Processo reflexo nº 18470.732907/201211: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CUSTOS. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Os custos necessários à realização da atividade e da manutenção da fonte produtora somente podem gerar créditos da contribuição se previstos na legislação e cuja Fl. 15789DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 6 5 escrituração contábil estiver devidamente comprovada por documentos hábeis e idôneos, de forma a confirmar a fidedignidade dos fatos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CUSTOS. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Os custos necessários à realização da atividade e da manutenção da fonte produtora somente podem gerar créditos da contribuição se previstos na legislação e cuja escrituração contábil estiver devidamente comprovada por documentos hábeis e idôneos, de forma a confirmar a fidedignidade dos fatos. Ambas decisões foram submetidas a reexame necessário. Cientificada em 15/10/2014 (fl. 5371) da decisão de primeira instância proferida no processo principal nº 18470.732803/201206, a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/11/2014 (fls. 5384/5429). Relatando o procedimento fiscal, a contribuinte destaca que somente lhe foi exigida a apresentação de documentos pertinentes ao 1º trimestre de 2009, e ainda com referência a apenas parte dos lançamentos das contas 41500050, 41200200, 41500020 e 41302058. Assevera que, na medida do possível, atendeu às solicitações fiscais, pedindo dilação de prazo para levantar os demais documentos, mas a Fiscalização entendeu que a documentação apresentada não era hábil a comprovar as operações e assim glosou todos os custos e despesas registrados nas contas em referência e ao longo de todo o anocalendário 2009. Aduz que, além de impugnar a exigência em 18/01/2013, apresentou petição em aditamento à impugnação em 28/05/2013, juntando uma série de outros documentos, porém não sabe porque a Receita Federal não juntou esta petição aos autos. O julgamento de 1ª instância, assim, apreciou apenas a impugnação de 18/01/2013, e acertadamente cancelou parte das glosas promovidas, mantendo, porém, as glosas de outros custos e exclusão. Frente a tal contexto conclui que toda a autuação deve ser cancelada, pelos seguintes motivos: a) o auto de infração é parcialmente nulo, pois a despeito de a fiscalização ter rejeitado a documentação relativa a apenas parte dos custos e despesas registrados contabilmente para o primeiro trimestre de 2009, o Fisco glosou não só o total das contas fiscalizadas, mas também os gastos registrados nessas contas para todo o ano calendário, muito embora não tenha pedido sequer um único documento para o 2º, 3º e 4º trimestres de 2009; b) com a devida vênia, o Fisco fez exigências absurdas para a comprovação de gastos corriqueiros, de baixo valor individual e absolutamente normais e usuais na atividade fim da Recorrente, tais como combustível, aluguel de equipamentos e faturas telefônicas. c) de todo modo, a Recorrente possui documentação apta a demonstrar a efetividade dos custos e despesas necessárias incorridos ao longo do anocalendário 2009; d) subsidiariamente, o julgamento da DRJ é nulo, pois não levou em consideração toda a documentação juntada aos autos pela Recorrente; e) por fim, a exclusão da reversão de provisões não dedutíveis efetuada pela empresa (conta nº 21170200 "Grat Part Empreg) na apuração do lucro real é legítima, pois se Fl. 15790DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 7 6 trata de provisões comprovadamente oferecidas à tributação em período anterior, razão pela qual deve ser cancelada essa glosa. Em 14/01/2015 a contribuinte recebeu cópia parcial do processo apenso nº 18470.732907/201211 (fl. 3945 do processo apenso) e em 15/01/2015 seu patrono teve vistas dos autos (fl. 3953), tomando conhecimento da decisão de 1ª instância ali proferida e apresentando, em 10/02/2015, recurso voluntário (fls. 3960/3982 do processo apenso), no qual aduz razões semelhantes às acima expostas, pleiteando o cancelamento da exigência pelas razões sintetizadas às alíneas "b", "c" e "d", acima transcritas. Por meio de despacho de saneamento (fl. 13491 do processo principal) esta Conselheira e Presidente deste Colegiado, determinou o retorno dos autos à origem para que a contribuinte fosse regularmente cientificada da decisão de 1ª instância proferida no processo apenso nº 18470.732907/201212, promovendose também a atualização dos sistemas informatizados de controle do crédito tributário ali constituído. Promovida a ciência por via postal conforme aviso de recebimento de fls. 4253/4254 do qual não consta a data de recebimento, bem como a ciência pessoal em 17/11/2015 na forma do documento de fl. 4256 do processo apenso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/11/2015, ratificando a defesa antes apresentada (fls. 4287/4351 do processo apenso). Tal petição foi recebida com a ressalva de que a procuração estaria vencida, mas em 30/11/2015, embora discordando da exigência feita, a contribuinte juntou novos documentos de representação para ratificar os atos antes praticados (fls. 4358/4379 do processo apenso). Por fim, em 02/03/2016 a contribuinte apresentou petição acompanhada de documentos juntados às fls. 13499/15784, denominados "Razões de Julgamento", discorrendo sobre os elementos apresentados e reiterando pedido de diligência para que se analise a documentação juntada no recurso, e seja dado provimento ao recurso voluntário. Fl. 15791DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 8 7 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre preliminarmente apreciar a arguição de nulidade das decisões de 1ª instância proferidas nos processos principal e apenso. A recorrente junta às fls. 5459/5477 do processo principal e às fls. 4037/4043 do processo apenso, petições dirigidas à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro e protocoladas em 28/05/2013, antes de proferidas as decisões de 1ª instância em 28/01/2014. Ambos documentos apresentam o mesmo carimbo de recepção: Tal protocolo, por sua vez, guarda relativa semelhança com o padrão adotado aqueles apresentados nas impugnações e nos recursos voluntários: As petições, porém, se efetivamente recebidas, não foram oportunamente juntadas aos autos antes do julgamento de 1ª instância. A autoridade julgadora de 1ª instância, por sua vez, manifestandose acerca do pedido de posterior juntada de documentos nos termos do art. 16, §4º, "a" do Decreto nº 70.235/72, expressamente consignou que nada havia sido apresentado depois da impugnação: A impugnação ao lançamento é o momento processual adequado para a apresentação das provas que a contribuinte entender cabíveis, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. De qualquer forma, e tendo em vista especialmente a ausência de manifestação posterior da impugnante, perde objeto o pedido em questão. Em circunstâncias semelhantes, depois da conversão do julgamento em diligência para confirmação da efetiva entrega da petição e do destino dado aos documentos, este Colegiado concluiu que, nos termos do art. 16, §6º do Decreto nº 70.235/72, os documentos apresentados depois da impugnação somente são apreciados, em primeira análise, pela autoridade julgadora de 2ª instância, caso a apresentação se verifique depois de proferida a decisão de 1ª instância. Se os documentos são apresentados antes da decisão de 1ª instância, a falta de sua apreciação caracteriza preterição do direito de defesa e impõe, nos termos do art. Fl. 15792DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18470.732803/201206 Resolução nº 1302000.412 S1C3T2 Fl. 9 8 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, para que outra seja proferida contemplando, também, referidos aditamentos. Tal decisão integra o Acórdão nº 1302001.734, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Anulase a decisão de 1ª instância se constatada a não apreciação de documentos que, apresentados em aditamento à impugnação antes de proferida a decisão, deixaram de ser juntados oportunamente aos autos. Ainda, confirmada a alegada falta de intimação regular de um dos responsáveis tributários para impugnação da acusação fiscal, tal procedimento deve ser desenvolvido antes do retorno dos autos à autoridade julgadora. Assim, também aqui necessária se faz a CONVERSÃO do julgamento em diligência para que o CAC/Barra da Tijuca/RJ confirme se houve aditamento às impugnações por meio das petições juntadas por cópia às fls. 5459/5477 do processo principal e às fls. 4037/4043 do processo apenso, juntando os documentos correspondentes a estes autos. Caso a autoridade preparadora não localize na repartição, ou em juntada a outro processo administrativo, as petições que teriam sido apresentadas, a contribuinte deve ser intimada a apresentar, na unidade local, o original de suas contrafé para que a autoridade competente, examinandoas, manifestese acerca de sua autenticidade, além de juntar aos autos cópia das vias protocoladas detidas pela contribuinte e dos documentos a elas anexados. Prestadas as informações requeridas, das quais a cientificada deve ser cientificada com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, os autos devem retornar a este Conselho para que se prossiga na apreciação dos recursos voluntário e de ofício aqui interpostos nos processos principal e apenso. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 15793DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 17546.000392/2007-27
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1993 a 30/11/2002
MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF confere ao lançamento legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF válido torna nulo todo o procedimento.
Mandado de Procedimento Fiscal somente se perfectibiliza com a ciência do sujeito passivo e somente serão válidos os atos fiscais praticados após a sua emissão e devida cientificação.
REPRESENTANTE LEGAL MUNICÍPIO
O Município é representado por seu Prefeito ou procurador, nos termos do inciso II, do artigo 12 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.832
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular lançamento, por vício formal, por falta de Mandado de Procedimento Fiscal válido quando do lançamento, ocasionando cerceamento de defesa, nos termos do contido no inciso II do artigo 59, do Decreto n.º 70.235/72, porque o contribuinte não foi cientificado de que estava sob ação fiscal.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere ao lançamento legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF válido torna nulo todo o procedimento. Mandado de Procedimento Fiscal somente se perfectibiliza com a ciência do sujeito passivo e somente serão válidos os atos fiscais praticados após a sua emissão e devida cientificação. REPRESENTANTE LEGAL MUNICÍPIO O Município é representado por seu Prefeito ou procurador, nos termos do inciso II, do artigo 12 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular lançamento, por vício formal, por falta de Mandado de Procedimento Fiscal válido quando do lançamento, ocasionando cerceamento de defesa, nos termos do contido no inciso II do artigo 59, do Decreto n.º 70.235/72, porque o contribuinte não foi cientificado de que estava sob ação fiscal. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 92 /2 00 7- 27 Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000392/200727 Acórdão n.º 2302002.832 S2C3T2 Fl. 683 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, foi lavrada e cientificada ao Presidente da Câmara Municipal de Amparo em 19/09/2006, e referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviço ao contribuinte, no período de 01/1993 a 11/2002, visto que o Município não possui Regime Próprio de Previdência Social. Esta NFLD é substitutiva da de n.º DEBCAD 35.543.2374, lavrada em 13/10/2003 e tornada nula pelo Acórdão n.º 63/2006, de 26/01/2006, pela 4ª CaJ do CRPS, por vício formal, em função de erro na identificação do sujeito passivo. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para apreciação fiscal acerca das alegações expendidas na peça de defesa. Informação Fiscal de fls. 345/346, propôs a retificação do crédito lançado para aquelas argumentações que se mostraram procedentes. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e manifestouse novamente ratificando os termos da defesa. Às fls. 671, a DRJ propõe nova diligência, para que sejam enviadas cópias do processo para a Prefeitura Municipal, uma vez que a notificação foi assinada apenas pelo Presidente da Câmara Municipal, que não possui personalidade jurídica. A decisão exarada pela DRJ, diz: “Parecenos ponto pacifico, portanto, que o sujeito passivo da relação jurídica instaurada com a lavratura da presente NFLD seja o Município. Logo, inadmissível seja a Câmara Municipal responsável pelos débitos contraídos junto a Receita Previdenciária, já que é meramente órgão do Município, não possuindo personalidade jurídica para contrair obrigações” O Município foi cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e lhe foi aberto prazo para apresentar impugnação, o que o fez argüindo a nulidade da notificação, posto que não teve ciência do início do procedimento fiscal intentado. Acórdão de fls. 549/568, pugnou pelo provimento parcial do lançamento, excluindo da notificação o período que não constava da primitiva NFLD substituída, o período até 09/1998, pela homologação tácita constante do artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional, as remunerações relativas aos segurados tratados como aposentados e vários outros valores que foram confirmados como indevidos pelo Auditor Fiscal, na diligência de fls. 345/346. Ainda inconformada, a Câmara Municipal apresentou recurso voluntário argüindo em apertada síntese: Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a) que as competências de 10/1998 a 13/1998 não podem ser mantidas porque não havia a obrigatoriedade do recolhimento contributivo para a previdência do servidor estatutário antes da Emenda Constitucional n.º 20, de 16/12/1998; b) para as competências 01/1999 e 02/1999, nada é devido porque foram feitos recolhimentos; c) o saláriomaternidade não pode ser glosado porque o benefício iniciou quando valia a regra de que era pago pela empresa e compensado; d) que nas competências 10/2001, 13/2001 e 01/2002, os valores não podem integrar o salário de contribuição porque são valores transferidos internamente entre servidores, não configurando fato gerador; e) requer o provimento do recurso. O Município apresentou recurso intempestivo reiterando os termos expostos na defesa apresentada pela Câmara Municipal. É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000392/200727 Acórdão n.º 2302002.832 S2C3T2 Fl. 684 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO Compulsando os autos, verifiquei que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, FLS. 182; Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, FLS. 183, e TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal, FLS. 184, foram efetivamente lavrados em nome do autuado, MUNICÍPIO DA ESTÂNCIA HIDROMINERAL DE AMPARO – CÂMARA MUNICIPAL, mas não foram cientificados a quem de direito, ou seja o Prefeito Municipal, que representa o Município. No trâmite do processo administrativo , a Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, converteu o julgamento em diligência, através da Resolução de fls. 503/507, porque a Câmara Municipal sabidamente não possui personalidade jurídica, sendo vinculada e dependente do Município, para que fossem entregues a este, as cópias da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e aberto prazo de defesa, assim dizendo: “Pelas razões acima expendidas, este Relator entende que a notificação ao Presidente da Câmara Municipal de Amparo, comprovada às fls. 01, resulta de todo ineficaz para a geração dos efeitos jurídicos que são próprios do ato administrativo de lançamento, eis que a legitimidade passiva, in casu, é tão somente do Município de Amparo. – Embora seja grave o vicio aqui apontado, entendemos que ele é perfeitamente sanável mediante o encaminhamento, ao referido Município, de cópia de todas as folhas deste processo — da primeira até as relativas à presente Resolução —, com a conseqüente abertura do prazo de que cuida o § 2° do art. 243 do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999. Todavia, não comungo da maneira explicitada para sanar o vício. Entendo que os documentos constantes das fls. 182 e 183, do processo, Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação para a Apresentação de Documentos endereçados à Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de Amparo Câmara Municipal, não se encontram assinados por quem de direito e assim não se prestam para sustentar o lançamento em questão. A falta de ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório se constitui em vício insanável. A legislação vigente, Decreto n. 3.969/2001, exige emissão e ciência do MPF para a instauração do procedimento de fiscalização, conforme vemos a seguir. Decreto n. 3.969/2001 ... Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por servidores habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração previdenciária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Art. 4 o O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. É de se notar, pela legislação retrocitada, que do MPF será dada ciência ao contribuinte na forma do disposto pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ou seja , por intimação pessoal, via postal, ou por edital, quando se mostrarem, as outras duas formas, improfícuas. Portanto, resta evidente que o Mandado de Procedimento Fiscal somente se perfectibiliza com a ciência do contribuinte e, igualmente, só terão validade os atos fiscais praticados após a sua emissão e devida cientificação. Entendo que não assiste razão à corrente que se filia à tese de que a falta de ciênciado MPF não é causa de nulidade do lançamento, eis que o procedimento fiscalizatório restou maculado, pois quando da emissão do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos e da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito não havia MPF válido que os sustentasse, ocorrendo, sim o cerceamento de defesa do contribuinte que ainda não tinha sido comunicado oficialmente que estava sob ação fiscal. Desta forma, o processo deve ser anulado por cerceamento de defesa, nos termos do contido no inciso II do artigo 59, do Decreto n.º 70.235/72, pois a ausência de MPF válido, quando da formal solicitação de documentos que sustentaramo lançamento de débito, inviabiliza todo o procedimento fiscalizatório. A legislação em vigor exige a precedência de Mandado de Procedimento Fiscal para a prática da ação fiscal e por tudo que foi exposto, não basta a emissão do MPF, mas é exigência legal que do mesmo seja dada ciência ao contribuinte para perfectibilizar o inicio do procedimento fiscal. No caso em questão, o sujeito passivo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito advinda da ação fiscal instaurada pelo MPF é o Município da Estância Hidromineral de Amparo Câmara Municipal, que é representado por seu Prefeito ou procurador, nos termos do inciso II, do artigo 12 do Código de Processo Civil: Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000392/200727 Acórdão n.º 2302002.832 S2C3T2 Fl. 685 7 Art. 12. Serão representados em juizo, ativa e passivamente: (...) II o Município, por seu Prefeito ou procurador; Entretanto, não foi dada ciência ao sujeito passivo do início da ação fiscal, de forma que todo o procedimento fiscalizatório restou maculado, pois quando do lançamento fiscal não havia MPF válido que o sustentasse, ocorrendo sim o cerceamento de defesa do contribuinte que ainda não tinha sido comunicado oficialmente que estava sob ação fiscal e foi notificado. Ademais, como já disse não consta dos autos o TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos cientificado ao sujeito passivo. A falta de solicitação dos documentos para o sujeito passivo torna nula a notificação, porque houve claro cerceamento de defesa. Se o sujeito passivo nem foi intimado a apresentar os documentos, não pode ser notificado por débito lançado sem o seu conhecimento. Quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. No caso presente o contribuinte foi notificado sem ter ciência de que estava sob ação fiscal e sem a intimação pessoal para a apresentação dos documentos a que estava obrigado. Por todo o exposto, o processo deve ser anulado por vício formal por falta de Mandado de Procedimento Fiscal válido quando do lançamento, ocasionando cerceamento de defesa, nos termos do contido no inciso II do artigo 59, do Decreto n.º 70.235/72, porque o contribuinte não foi cientificado de que estava sob ação fiscal. A legislação em vigor exige a precedência de Mandado de Procedimento Fiscal para a prática da ação fiscal e, por óbvio, o mesmo deve estar válido com assinatura do sujeito passivo. Por todo o exposto, Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Voto por anular .o lançamento Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13609.000176/2004-04
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003
PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI 1\12 8.212/91.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o
prazo de decadência conta-se do fato gerador, nas hipóteses de
haver pagamento antecipado e inexistir dolo, fraude ou
simulação.
SÚMULA N° 1 - CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo
sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade
processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o
mesmo objeto do processo administrativo.
PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. DESCONTOS
CONDICIONAIS.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA
A impetração de ação judicial (mandato de segurança) contra a
exigência do PIS não-cumulativo, nos termos da Lei n° 10.637, de
2002, implicou renúncia às instância administrativa, em relação
ao lançamento efetuado com fundamento nesta lei.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PERÍCIA
NEGADA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Desnecessário recorrer-se a especialista para esclarecer pontos
que estão perfeitamente demonstrados nos autos do processo.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITOS
JUDICIAIS PARCIAIS.
A multa de oficio e os juros de mora devem incidir apenas sobre
o montante dos débitos não cobertos pelo depósito judicial.
Recursos de oficio e voluntário negados
Numero da decisão: 203-12.736
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria votos, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, afastou-se a decadência. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Eric Moraes de Castro e Silva e Jean Cleuter Simões Mendonça; II) em relação à concomitância das ações judiciais: a) por maioria de votos reconheceu-se a concomitância na ação judicial MS n° 2003.38.00.015963-8. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (Relator). Designado o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais para redigir o voto vencedor; e b) por maioria de votos, reconheceu-se a concomitância na ação judicial n° 96.0030773-3. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva e Luis Guilherme Queiroz Vivacqua (Suplente); e c) por unanimidade de votos reconheceu-se a concomitância de objeto nas ações judiciais NºS 96.0002204-6 e MS n° 1999.38.00002980-5; e III) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, quanto às demais matérias, inclusive quanto ao Recurso de Oficio.
Nome do relator: Odassi Guerzoni Filho
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '-n,W- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 13609.000176/2004-04 Recurso n° 138.234 Voluntário Matéria PIS - Auto de Infração (cumulativo e não-cumulativo) Acórdão n° 203-12.736 Sessão de 11 de março de 2008 Recorrente BMB - BELGO MINEIRA BEKAERT ARTEFATOS DE ARAME LTDA. E DRJ -BELO HORIZONTE/MG Recorrida DRJ EM BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003 PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. DEZ ANOS. LEI 1\12 8.212/91. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência conta-se do fato gerador, nas hipóteses de haver pagamento antecipado e inexistir dolo, fraude ou simulação. SÚMULA N° 1 - CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. DESCONTOS CONDICIONAIS. Nos termos do inciso I, § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.718, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo os descontos incondicionais concedidos., AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA A impetração de ação judicial (mandato de segurança) contra a exigência do PIS não-cumulativo, nos termos da Lei n° 10.637, de 2002, implicou renúncia às instância administrativa, em relação ao lançamento efetuado com fundamento nesta lei. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PERÍCIA NEGADA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INOCORRÊNCIA. CONFERE COM O ORIGINAL Desnecessário recorrer-se a especialista para esclarecer pontos Brasília, ./6"' I 041 / dg que estão perfeitamente demonstrados nos autos do processo. Marilde Irsirla de Oliveira t?'--"- IS Mat. Siape 91650 , . , 1 4- Processo n° 13609.000176/2004-04 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 917 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS PARCIAIS. A multa de oficio e os juros de mora devem incidir apenas sobre o montante dos débitos não cobertos pelo depósito judicial. Recursos de oficio e voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria votos, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, afastou-se a decadência. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Eric Moraes de Castro e Silva e Jean Cleuter Simões Mendonça; II) em relação à concomitância das ações judiciais: a) por maioria de votos reconheceu-se a concomitância na ação judicial MS n° 2003.38.00.015963-8. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (Relator). Designado o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais para redigir o voto vencedor; e b) por maioria de votos, reconheceu-se a concomitância na ação judicial n° 96.0030773-3. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva e Luis Guilherme Queiroz Vivacqua (Suplente); e c) por unanimidade de votos reconheceu-se a concomitância de objeto nas ações judiciais 'Vs. 96.0002204-6 e MS n° 1999.38.00002980-5; e III) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso, quanto às demais matérias, inclusive quanto ao Recurso de Oficio. '111111111111111DAIN x DALTON CESA ' CO Nei !' e :, MIRANDA Vice-Presidente no exercício • a Presidência / 14 ir iJOSÉ ADÃO VIT • Ar. b E MORAIS Relator-Designado ir Participou, ainda, do presente julgamento, o Alexandre Kern (Suplente). Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. f MF-SEc---7.----iND0 coR-ELF-IO:-DE CONTRIBUINTES CO2,2FERE COM O ORIGINAL BrasíliaLE. / 04/.._ I '.9i Marilde Ctasfrto de Oliveira Iat. Swe 91650 1,, - 2 , Processo n° 13609.000176/2004-04 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 918 • OUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE CO, O Of0G114/11. Grastfin, 1---0-g- hiarilc1.5a C . 21? chie Cjilvetra-abe i IRelatório Trata o presente julgamento de analisar argumentação contida no Recurso Voluntário que se insurge contra decisão proferida pela 1a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 7.000, de 18/10/2004, que, em relação ao Auto de Infração impugnado, rejeitou o pedido de perícia formulado e da preliminar de decadência suscitada para o lançamento relativo ao mês de fevereiro de 1999, julgando procedente o lançamento, exceção feita à aplicação da multa de ofício e dos juros de mora incidentes sobre valores depositados judicialmente relacionados aos períodos de fevereiro de 1999 a dezembro de 2003, afastados. O Auto de Infração foi cientificado à contribuinte em 30/03/2004, montando a R$ 5.896.202,46, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%, para a exigência da contribuição ao PIS/Pasep na modalidade cumulativa, relativamente aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a 30/11/2002, e, na modalidade não-cumulativa, relativamente aos períodos de apuração de dezembro de 2002 a dezembro de 2003. O Fisco considerou irregular a não inclusão na base de cálculo da contribuição (cumulativa) os valores relativos ao ICMS sobre as Vendas, a Abatimentos e a Variação de Obrigações e promoveu o lançamento dos valores devidos em cada mês, excluídos os recolhimentos efetuados por DARF e os valores depositados judicialmente, estes somente no montante integral, por conta de ações ordinárias interpostas pela autuada. Em relação à modalidade não-cumulativa, o Fisco apurou diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago a partir de inconsistências na formação da base de cálculo, quais sejam: a inclusão indevida no montante dos créditos dos gastos com Energia Elétrica nos meses de dezembro de 2002 a janeiro de 2003, e a exclusão indevida da receita com Vendas de Bens do Permanente no mês de dezembro de 2002. Reproduzo a seguir a trechos da parte final do Relatório elaborado pela decisão recorrida que bem traduz os demais aspectos da autuação e da impugnação. O contribuinte impetrou a Ação Ordinária n°96.00.30773-3, visando a compensação dos valores recolhidos a maior com base nos Decretos- Leis n"s 2.445/88 e 2.449/88; a Ação Ordinária n° 96.00.02204-6, questionando a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS; o Mandado de Segurança n° 1999.38.00002980-5, contra a aplicação da Lei n° 9.718/98; e o Mandado de Segurança n° 2003.38.00.015963-8, questionando as alterações no recolhimento do PIS determinadas pela Lei n° 10.637/02. Sobre a Ação Ordinária n° 96.00.30773-3, foi constatado que o contribuinte suspendia os débitos utilizando-se de créditos pleiteados nessa ação, passando a recolher o PIS, através de DARF, somente a partir do mês de junho/2001. A empresa obteve decisões favoráveis na primeira e segunda instâncias. Atualmente o processo encontra-se no"..--- r 4 3 1 c . .iF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL , Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasuia._Icti_ o (5) CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 919 f-Marilde C ineo de Oliveira Mat. Siape 91650 STF aguardando o julgamento do recurso extraor, znario interposto pela Fazenda Nacional. Os valores informados nas DCTF como suspensos foram desconsiderados e constituídos sem a exigibilidade suspensa, pois, como não transitou em julgado a ação, o contribuinte não poderia compensar de imediato os débitos (parecer PGFN n° 679/2001). Quanto à Ação Ordinária n°96.00.02204-6, o contribuinte não obteve êxito na primeira e nem na segunda instâncias, estando o processo atualmente aguardando o julgamento para o seguimento dos recursos especial e extraordinário interpostos pela empresa. Houve o depósito judicial dos valores devidos no montante integral, exceto para o mês de junho/1999 (depósito a menor) e a partir do mês de dezembro/2002, pois não foi utilizada a alíquota de 1,65% conforme estipulado na Lei n° 10.637/02. Nos meses em que os depósitos estavam corretos, os débitos foram constituídos em outro Auto de Infração com a exigibilidade suspensa (art. 151, II, do C7'N). Para os demais meses, os débitos foram lançados pelo valor total, excluindo-se apenas os valores recolhidos em DARF. No que se refere ao Mandado de Segurança n° 1999.38.00002980-5, o contribuinte obteve sentença de primeira instância procedente, mas a União recorreu e o TRF deu provimento à apelação, cassando a sentença (Acórdão publicado em 02/10/2001). Atualmente encontra-se pendente de julgamento, no STF, o recurso extraordinário interposto pela empresa. Em relação ao Mandado de Segurança n° 2003.38.00.015963-8, não foi deferida a liminar e a sentença julgou o pedido improcedente. O processo encontra-se no TRF para julgamento da apelação interposta pela empresa. (..) Como enquadramento legal, foram citados: arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 07/70; arts. 2°, I, 8 0, I, e 90 da Lei n°9.715/98; arts. 20 e 3° da Lei n°9.718/98; arts. 2°, I, "a" e parágrafo único, 3°, 10, 23, 59 e 63 do Decreto n° 4.524/02. Irresignado, tendo sido cientificado em 30/03/2004 (fl. 05), o autuado apresentou, em 29/04/2004, acompanhadas dos documentos de fls. 392/648, as suas razões de defesa (fls. 367/391), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, argúi a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário, uma vez que o lançamento somente efetivou-se em 29/03/2004, mais de cinco anos após a ocorrência do fato gerador de fevereiro de 1999. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes acerca do assunto, firmando o entendimento de que deve ser observado o prazo qüinqüenal previsto no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN, uma vez que a contribuição em foco se sujeita ao regime do lançamento por homologação. Aduz que, levando-se em conta os depósitos judiciais efetivados nos autos das Ações Ordinárias n's 96.00.02204-6 e 96.00.030773-3 e do/---- e' r ‘; 4 .AF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília /g / / C7 g CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 920 Marilde Cursino de Oliveira Mat. Siape 91650 Mandado de Segurança n° 1999.38.00002980-5, não há hipótese de depósito a menor da contribuição. Isso porque realizou, durante o trâmite da Ação Ordinária n°94.00.02204-6, o depósito da parcela do PIS incidente sobre o ICMS; no caso da Ação Ordinária n° 96.00.030773-3, das importâncias vincendas de PIS; e nos autos do Mandado de Segurança, da parcela da contribuição incidente sobre outras receitas que não o faturamento. A única divergência que pode ser apurada refere-se ao valor tomado como base de cálculo, em razão das supostas infrações cometidas (exclusão de valores lançados nas contas Abatimentos e Variações de Obrigações; inclusão, no cálculo dos créditos do PIS, do valor da energia elétrica adquirido em dezembro/2002 e janeiro/2003; e exclusão do valor da receita da venda de bens do ativo permanente em dezembro/2002). Afirma que, a partir de dezembro de 2002, efetuou o depósito judicial de PIS à aliquota de 1,65%, incidente sobre a base de cákulo apurada. Dessa forma, o fisco desconsiderou, no cálculo das importâncias que estariam sub judice, valores regularmente depositados, em dissonância com o princípio da verdade material. Informa que, durante o trâmite da Ação Ordinária n° 96.00.030773-0, efetuou a compensação das quantias indevidamente recolhidas nos moldes dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88 com parcelas vincendas do PIS, mas, por outro lado, depositou judicialmente os valores que deixaram de ser recolhidos em função dessa compensação, o que acarretou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário respectivo, nos termos do art. 151, II, do CTN Entende que não há impedimento na realização dessa compensação, ainda que não transitada em julgado a decisão proferida na ação judicial, pois, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o procedimento de compensação que prevê o art. 66 da Lei n°8.383/91, é um mero incidente do processo de lançamento, já que o próprio contribuinte apura o valor devido e realiza o encontro de contas. A Receita Federal, por sua vez, poderá, dentro do prazo de decadência, efetuar o lançamento dos valores que tenham sido indevidamente compensados, já que esse procedimento efetivado pelo contribuinte não terá o condão de extinguir o crédito tributário. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Complementa que o único pressuposto exigido para efetivar a compensação é a realização de pagamentos a maior, não havendo necessidade de autorização judicial ou o trânsito em julgado de decisão nesse sentido. A existência de pagamentos a maior está comprovada em função da edição da Resolução do Senado ri° 49/95 e em virtude de decisão transitada em julgado favorável, reconhecendo a ilegitimidade da exigência do PIS na forma dos citados Decretos-Leis (fls. 640/648). Ressalta que em nenhum momento o fisco apontou incorreções na compensação efetuada, limitando-se a glosar o procedimento em face da ausência de decisão transitada em julgado. Além disso, somente com a edição da Lei Complementar n° 104/01 restou vedada a compensação antes do trânsito em julgado que a autorizasse e, dessa forma, não estava impedida de proceder à referida compensação, já que a Ação Ordinária pleiteando a compensação foi impetrada anteriormente à entrada em vigor do art. 170-A do CTN. Acrescenta, transcrevendo decisão do Conselho de Contribuintes, que 5 1 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESk. CONFERE COM O ORIGINAL , Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília, 15"'/ O/ / Og CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 921 Matilde Cursin de Ofiveira L Mat. Siepe 91650 a autuação deveria ter ressalvado o fato que os valores de PIS que deixaram de ser recolhidos foram objeto de depósito judicial, estando, dessa forma, com a sua exigibilidade suspensa. Argumenta que os valores lançados na conta 4.5.11 - Abatimentos, na qual se encontram valores referentes a descontos condicionais conferidos a seus clientes, em função do volume de compras efetivadas por estes em determinado período, foram devidamente incluídas na base de cálculo do PIS, em estrita obediência à legislação aplicável. Para exemplificar esse fato cita o mês de abril de 1999. Por outro lado, ainda que determinados abatimentos tenham sido excluídos da base de cálculo, é ilegítima a incidência do PIS sobre eles, já que decorrem de descontos nas vendas, representando receitas que não foram recebidas. Assim, a teor dos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 ou da Lei Complementar n° 7/70, essas importâncias devem ser excluídas da base de cálculo, pois, se for mantida, a incidência do PIS equivale a real confisco, vedado pelo art. 150, IV, da CF/1988. Cita solução de consulta da SRF no sentido de só ser passível de tributação a receita efetivamente auferida pela empresa. Aduz que é equivocado o entendimento do fisco de que os valores contabilizados a débito nas contas de variações cambiais de créditos, assim como aqueles registrados como crédito nas contas de variações cambiais de débito, representariam receitas financeiras, sendo passíveis de tributação pelo PIS. Informa que foram desconsideradas exclusões da base de cálculo de valores relativos a débitos em contas de variação cambial ativa, fato que ensejou a presente exigência fiscal. Em relação a créditos que tem a receber, principalmente os decorrentes de exportações promovidas, tanto as variações cambiais positivas quanto as negativas são registradas na mesma conta contábil, mediante lançamentos a crédito ou a débito. Dessa forma, só há hipótese de receita financeira depois de excluídos os lançamentos a débito, pois tal procedimento é inerente à sistemática de apuração das receitas de mesma natureza. A viabilidade de exclusão das despesas financeiras de origem cambial está expressamente contemplada no art. 9° da Lei n° 9.718/98, que autoriza serem as variações monetárias consideradas, para efeito do PIS, "como receitas ou despesas financeiras" Aduz que, se a legislação autoriza a exclusão das vendas canceladas, tributando-se o faturamento pelo seu valor líquido, pelas mesmas razões o PIS deve incidir sobre o valor líquido das receitas financeiras. O fato de a legislação de regência ter consignado ser irrelevante a classificação contábil das receitas para fins de incidência do PIS não significa que seja possível desconsiderar os ajustes a débito em contas de receitas quando da apuração da exação. Na hipótese de débitos contraídos em moeda estrangeira ou mesmo contratados em reais vinculados à variação cambial, entende que os lançamentos contábeis são, na realidade, meros ajustes da expressão em reais de determinada dívida. Apenas quando da efetiva liquidação do débito poderá ser apurado um ganho. Assim, só é passível de tributação a receita efetivamente auferida pela empresa. 6 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.. CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n° 13609.000176/2004-04 Bras (Jia. / SI_a_g I (7 tí? CCO2/CO3. Acórdão n.° 203-12.736 1 1%" Fls. 922q Marilde Cursi . •e Oliveira Mat. Siape 91650 Acrescenta que apura suas receitas e despesas segundo o regime de competência, mas não se pode aplicar tal regime a um não resultado, uma mera expectativa de receita, algo que dependa de um futuro, algo incerto, duvidoso. Nesse sentido, transcreve decisão da SRF. Além disso, não há que se ter como devida a exigência de contribuição sobre receitas financeiras derivadas de variações cambiais e 1 monetárias, porque tais variações são um parâmetro de aferição da representação formal de um mesmo item patrimonial, segundo o critério da paridade entre a moeda estrangeira e a nacional. Assim, conforme entendimento doutrinário que apresenta, para a caracterização de determinado ingresso contábil como sendo receita devem coexistir uma causa jurídica hábil e a capacidade de agregar um elemento novo ao patrimônio do contribuinte. No caso das receitas financeiras derivadas de variações monetárias e cambiais, não há hipótese de elemento patrimonial novo a justificar a incidência do PIS, sob pena de violação ao art. 195, I, da CF/1988. Argumenta que o art. 30 da Lei n° 10.637/02, além de autorizar a apropriação de créditos oriundos de energia elétrica - o que restou vetado - estabelece, em seu inciso II, a possibilidade de aproveitamento de créditos originados de "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes" e que, no caso de empresas industriais, a energia elétrica consiste em um de seus principais insumos, pois é essencial para a movimentação de máquinas e, conseqüentemente, para a fabricação dos produtos finais. No caso do ICMS, a energia elétrica enseja os créditos respectivos, por se tratar de importante insumo. Ressalta que o veto ao respectivo dispositivo, cuja mensagem transcreve, foi motivado pela inclusão, dentre as hipóteses de creditamento, dos serviços de telecomunicações, tendo sido ressalvada a necessidade de permanência do direito ao crédito de energia elétrica. Acrescenta que em solução de consulta da SRF, foi considerado que o frete pelo transporte de mercadorias poderia ser utilizado como crédito do PIS não-cumulativo, apesar de ' não existir, na redação original da Lei n° 10.637/02, disposição expressa a esse respeito, somente introduzida com a Lei n°10.833/03. No que se refere à exclusão de bens integrantes do ativo permanente da base de cálculo da contribuição em dezembro/2002, considerando que a Lei n° 10.637/02 não tratou dessa matéria, em função do veto presidencial, nem tampouco revogou, de forma expressa, o art. 3°, §20, IV, da Lei n°9.718/98, conclui que este dispositivo legal encontrava-se em pleno vigor em dezembro/2002, autorizando a exclusão pretendida, a teor do art. 2°, §2°, da Lei de Introdução ao Código Civil. Ademais, posteriormente foram editadas normas legais que autorizaram o aproveitamento de créditos oriundos de energia elétrica, assim como a exclusão das receitas da alienação do ativo permanente da base de cálculo do PIS, quais sejam, arts. 1°, §3°, II, e 3 0, III, da Lei n° 10.833/03, e art. 1° da MP n° 107/03, o que autoriza sua aplicação retroativa, em beneficio do contribuinte, conforme jurisprudência do STJ que transcreve. )......___ 7 Á . MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1: IN s CONFERE COM O ORIGINAL * Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília, /6`ii ny 1 bi CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 .at- Fls. 923 Matilde Cursino de Oliveira Mat. Siape 91650 Requer a produção de prova pericial para exame dos comprovantes de depósito judicial e para a confirmação de que foram devidamente incluídos na base de cálculo do PIS os valores referentes aos descontos concedidos, enumerando quesitos e nomeando perito. Por fim, requer o cancelamento da exigência fiscal e, sucessivamente, que seja reconhecida a decadência do período de apuração de fevereiro de 1999.. Apreciando os termos da Impugnação, a DRJ acatou parcialmente em decisão assim ementada: Contribuição para o PIS/Pasep. O prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social - entre elas o PIS - encontra-se fixado em lei. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. A partir do período de apuração de fevereiro de 1999, o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de aplicações financeiras, inclusive as variações cambiais ativas, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo. Os descontos passíveis de exclusão da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do PIS, são aqueles concedidos incondicionalmente, assim definidos como parcelas redutoras do preço de venda, ou seja, somente quando constarem das notas fiscais de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente a partir de 1° de fevereiro de 2003, o valor total da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica pode ser considerado crédito na apuração do PI S não-cumulativo. Para os fatos geradores da contribuição para o PIS, na modalidade não-cumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003, a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica integra a respectiva base de cálculo. A multa de oficio e os juros de mora devem incidir somente sobre a diferença não depositada judicialmente. Indefere-se pedido de perícia, quando sua realização afigurar-se prescindível para o adequado deslinde da questão a ser dirimida. (destaques meus) Na parte exonerada da autuação a DRJ recorreu de oficio a este Colegiado. No Recurso Voluntário, os argumentos da autuada foram, em resumo: / -/-**--,------ ' 8 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília, 15't 02/ / 0 2 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 924 Matilde Cursm: de Oliveira Mat &coe 91650 que houve o cerceamento ao seu direito de defesa, caracterizado pelo fato da decisão recorrida não ter deferido o pedido de perícia, a qual evidenciaria o erro do Fisco em não considerar tanto recolhimentos da contribuição quanto depósitos judiciais efetuados, bem como em relação à inclusão de Descontos Concedidos na base de cálculo; - que a decadência atingiu o lançamento relativo ao mês de fevereiro de 1999, e que não pode prevalecer o entendimento de que o artigo 45 da Lei n° 8.212, estabeleceria o prazo decadencial de dez anos; - que não se configurou a renúncia à discussão administrativa o fato de ter ajuizado a recorrente medidas judiciais questionando a compensação dos valores recolhidos a maior com base nos Decretos-Leis ds. 2.445 e 2.449, de 1988, a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep, a aplicação da base de cálculo instituída pela Lei n° 9.718, de 1998, bem como as alterações no recolhimento do PIS/Pasep determinadas pela Lei n° 10.637, de 2002. Entende a recorrente que isso somente poderia prevalecer no caso de ter ela buscado o judiciário para contestar o lançamento, o que não ocorreu, vez que tais medidas antecederam-no. Aduz ainda que não vê identidade de objeto e de causa de pedir entre as ações judiciais referentes ao PIS/Pasep e a Impugnação ao Auto de Infração; - que a não inclusão na base de cálculo dos valores relativos à rubrica Abatimentos não se confirma, mas, que fosse o caso, ainda assim não deveria prevalecer, pois se referem a valores que não foram recebidos, e, portanto, não teria havido a configuração do fato gerador; - que a contabilização das variações monetárias deve ser efetuada pelo seu valor líquido, isto é, ativas menos as passivas, fazendo-se incidir a contribuição somente sobre o montante positivo, a teor da leitura que faz do disposto no artigo 9° da Lei n° 9.718, de 1998 e da analogia em relação às vendas e as vendas canceladas. Ainda dentro desse tópico, que a variação monetária decorrente da variação cambial não pode ser considerada como receita financeira, visto que os seus efeitos não atingem a substância do crédito ou do débito, mas sim a sua representação financeira, o que não implica em ingresso de receita. Assim, a incidência da contribuição sobre tal rubrica configuraria em violação ao disposto no artigo 195, I, b, da Constituição Federal; - que o inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, permite o aproveitamento dos créditos calculados sobre os gastos com energia elétrica, visto que referido dispositivo trata de insumos e a energia elétrica que utiliza é essencial para a movimentação de suas máquinas e equipamentos que fabricam o seu produto final. E que a intenção do legislador sempre foi a de permitir o aproveitamento do crédito da energia elétrica, conforme se observa nas razões do Veto Presidencial; - que o argumento de que não haveria dispositivo específico para permitir a utilização de créditos de energia elétrica não poderia prevalecer, haja vista o posicionamento da Superintendência Regional da 6' Região Fiscal que, em resposta à consulta formulada, entende que os pagamentos de valores a título de frete pelo transporte de mercadorias "... podem ser considerados no cálculo do direito ao crédito do PIS/Pasep não-cumulativo, a despeito de não existir na redação original da supracitada Lei n° 10.637/02, disposição expressa a esse respeito, somente introduzida coma publicação da Lei n°10.833/03"; 9 • Processo n° (3609.000176/2004-04 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 925 - que, não obstante reconheça a existência de Veto Presidencial a dispositivo que excluía da incidência da contribuição a receita de Venda de Bens do Ativo Permanente, a lei n° 9.718, de 1998, por meio de seu artigo 3°, § 2°, IV, autorizava expressamente tal exclusão. Assim, tal dispositivo somente poderia ter sido revogado expressamente e não mediante a simples edição de norma genérica posterior que não dispusesse a respeito, a teor do que trata o artigo 2°, § 2°, da Lei de Introdução ao Código Civil. Assim, em dezembro de 2002, a regra que permitia a exclusão das ditas receitas da base de cálculo estavam em pleno vigor; - que, ademais disso, o fato de ser sido editado norma superveniente autorizando a exclusão de tal receita da base de cálculo — artigos 1°, § 3°, II, e 3°, III, da Lei n° 10.833, de 2003, e artigo 1° da MP n° 107/2003, restaria autorizada a sua aplicação retroativa, a teor de entendimento do STJ que menciona, no REsp 30774/PR, de 23/06/1997; - que não se configurou a existência de depósitos judiciais feitos abaixo do valor devido da contribuição por conta da utilização de alíquota distinta da devida, e que a única diferença refere-se ao valor da base de cálculo em razão das supostas infrações apontadas; e - que o disposto no artigo 66 da Lei n° 8.383, de 1991, estaria a autorizar o seu procedimento de compensação — créditos do PIS/Pasep recolhido com base nos Decretos-Leis n's. 2.445 e 2.449, de 1988, com as contribuições vincendas do próprio PIS/Pasep, independentemente de trânsito em julgado da ação judicial correspondente. Até porque, adiciona, o dispositivo legal que vedou a compensação do indébito antes do trânsito em julgado — artigo 170 da Lei Complementar n° 104, de 2001 — se deu em data posterior aos seus procedimentos de compensação, ou seja, quando da Ação Ordinária n° 96.0030773-0. Arrolamento de bens às fls. 897/898. Relatório Fiscal do Grupo de Ações Judiciais da DRF em Sete Lagoas/MG, datado de 05/02/2007 (fls. 910/914) informa sobre a ocorrência do trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.002980-5/MG, em sede do STF, por meio do qual a autuada obteve o reconhecimento judicial de que é inconstitucional o artigo 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, ou seja, de que não podem ser incluídas na base de cálculo da contribuição devida ao PIS/Pasep as receitas que não aquelas originárias do seu faturamento. É o Relatório. TRIBUINTES MF.SEGUNDO CONFERE COM O Gitt3 oe Matilde-G(4v de Olivair.Mat .5 .apo 91650 “ IO 1 . Processo n° 13609.000176/2004-04 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 926 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, /6" / O (-1 / 02 P‘Maúlde Cu...ino de Oliveira i Mm. Slc!:“:,. 91650 Voto Vencido Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator 1 O recurso é tempestivo pois, cientificado da decisão da DRJ em 13/12/2006, a interessada apresentou o recurso voluntário em 11/01/2007. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Haveremos que deliberar sobre o Recurso Voluntário e sobre o Recurso de Oficio. No Recurso Voluntário, as matérias postas foram: cerceamento do direito de defesa, em face da recusa ao pedido de perícia; decadência do lançamento relativo ao mês de fevereiro de 1999; não configuração da renúncia à discussão administrativa relativamente aos temas ICMS na base de cálculo, Alargamento da base de cálculo, Direito à auto- compensação de débitos do PIS/Pasep, Alterações nas regras do PIS/Pasep em face da Lei n° 10.637, de 2002; Inclusão de Receitas de Abatimentos na base de cálculo; Apuração das variações monetárias pelo valor líquido; Indevida caracterização das variações cambiais como receitas; Aproveitamento de créditos sobre gastos com energia elétrica; Exclusão da base de cálculo das receitas com vendas de itens do ativo permanente; e Ausência de recolhimentos e de depósitos judiciais feitos a menor. Decadência do lançamento relativo ao mês de fevereiro de 1999 Tenho comigo que o prazo para a constituição do crédito tributário relativo ao PIS/Pasep é de dez anos, contados da data do fato gerador. No presente caso, os fatos geradores objetos de lançamento estão compreendidos no período de março de 1996 a dezembro de 2002. Assim, tendo sido o Auto de Infração cientificado ao sujeito passivo em 30/03/2004, não foram os referidos lançamentos atingidos pela decadência. Sendo o PIS/Pasep um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o sujeito passivo obriga-se a antecipar o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, à luz do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Segundo este parágrafo o prazo é de cinco anos, "Se a lei não fixar prazo à homologação..." No caso do PIS, o art. 45, I, da Lei n° 8.212/91 pôs fim à condição ao definir, fixar o prazo de dez anos, em vez da norma geral de cinco anos estipulada no CTN, verbis: "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II - ...." Observe-se que a norma inserta no inciso I do art. 45 da Lei n° 8.212/91 corresponde à do art. 173, I, do CTN, com a diferença de que a Lei Complementar estabelece regra geral, a atingir todos os tributos para os quais lei específica não determine prazo especial, 1---------:::----11 • , •.--SEGUNDO co[j o DE CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília, /6, 041 / OS? CCO2/CO3. Acórdão n.° 203-12.736 ge Fls. 927 Marilde Cu, ; do OliveiraL_________L_, enquanto que a Lei n° 8.212/91 é própria das contribuições para a Seguridade Social. Assim, tanto o art. 173, I, do CTN, quanto o art. 45, I, da Lei n° 8.212/91, devem ser lidos em conjunto com o art. 150, § 4°, do CTN, de forma a se extrair da interpretação sistemática a norma aplicável aos lançamentos por homologação, segundo a qual o termo inicial do prazo decadencial é o dia de ocorrência do fato gerador, em vez do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A despeito de posições divergentes, entendo que o art. 146, III, "b", da Constituição Federal, ao estatuir que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre decadência, não veda que prazos decadenciais específicos sejam determinados em lei ordinária. Apenas no caso de normas gerais é que a Constituição exige lei complementar. Destarte, enquanto o CTN, na qualidade de lei complementar, estabelece a norma geral de decadência em cinco anos, outras leis podem estipular prazo distinto, desde que tratando especificamente de um tributo ou de uma dada espécie tributária. É o que faz a Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre as contribuições para a seguridade social. Ressalte-se a dicção do art. 146, III, "b", da Constituição, segundo o qual "Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". Este dispositivo constitucional não se refere, especificamente, aos prazos decadencial e prescricional. Inclusive, o prazo de decadência e prescrição geral de cinco anos até poderia não constar do CTN. Neste sentido as palavras de Roque Antonio Carraza, in Curso de Direito Constitucional Tributário, São Paulo, Malheiros, 2P edição, 2005, p. 871 a 873: "De fato, também a alínea 'b' do inciso III do art. 146 da CF não se sobrepõe ao sistema constitucional tributário. Pelo contrário, com ele deve se coadunar, inclusive obedecendo aos princípios federativos, de autonomia municipal e da autonomia distrital. O que estamos querendo dizer é que a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributária, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Carta Suprema) nem, por outro, descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas tributantes. O legislador complementar não recebeu um 'cheque em branco' para disciplinar a decadência e a prescrição tributárias. Melhor esclarecendo, a lei complementar poderá determinar (.) que a decadência e a prescrição são causas extintivas de obrigações tributárias. (.) estabelecer dies a quo destes fenômenos jurídicos, não de modo a contrariar o sistema jurídico, mas a prestigiá-lo. (..) elencar as causas impeditivas, suspensivas e interruptivas da prescrição tributária. (.) Todos esses exemplos enquadram-se, perfeitamente, no campo das normas gerais em matéria de legislação tributária. Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada 'economia interna', vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. (.) Eis, porque pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria da própria entidade tributante. Não de lei complementar. (..) Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e de prescrição das 'contribuições previdenciárias', são, agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei n°8.212/91, que,fr„, 12 , MF-SEGUNDO CONSELCONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL ' Processo e 13609.000176/2004-04 Brasília,____ j_q/ Og CCO2/CO3Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 928 911.4Marido Cu. trio de 01é..eira Mat. Siape 91650 segundo procuramos demonstrar, passam pe o teste da constitucionalidade." Nesta linha também o pronunciamento de Wagner Balera, in As Contribuições Sociais no Sistema Tributário Brasileiro, obra coletiva coordenada por Hugo de Brito Machado, São Paulo, Dialética/ICET, 2003, p. 602/604, quando, comentando acerca da função da lei complementar, afirma, verbis: É certo, que, com a promulgação da Constituição de 1988, o assunto ganhou valor normativo, notadamente pelo que respeita ao disposto na alínea c do inciso III, do transcrito art. 146, quando cogita da disciplina concernente aos temas da prescrição e da decadência. Alias, importa considerar que o tema, embora explicitado pela atual Constituição, não é novo quanto a esse ponto especifico. Quando cuidou das normas gerais, a Constituição de 1946, dispondo acerca dos temas do direito financeiro e de previdência social admitia (art. 5°, XV, b, combinado com o art. 6°) que a legislação estadual supletiva e a complementar também poderiam cuidar desses mesmos assuntos. 1, Convalescem, também agora, no ordenamento normativo brasileiro, as competências do legislador complementar — que editará as normas gerais — com as do legislador ordinário — que elaborará as normas especificas — para disporem, dentro dos diplomas legais que lhes cabe elaborar, sobre os temas da prescrição e da decadência em matéria tributária. A norma geral, disse o grande Pontes de Miranda: "é uma lei sobre leis de tributação". Deve, segundo o meu entendimento, a lei complementar prevista no art. 146, III, da Superlei, limitar-se a regular o método pelo qual será contado o prazo de prescrição; dispor sobre a interrupção da prescrição e fixar, por igual, regras a respeito do reinicio do curso da prescrição. Todavia, será a lei de tributação o lugar de definição do prazo de prescrição aplicável a cada tributo. (.) A norma de regência do tema, nos dias atuais, é a Lei de Organização e Custeio da Seguridade Social, promulgada aos 24 de julho de 1991. (destaques meus). No caso, tendo sido o auto de infração cientificado ao contribuinte em 30/03/2004, o lançamento do crédito tributário do mês de fevereiro de 1999 não foi atingido pela decadência. Concomitância de objeto A recorrente entende que não se configurou sua renúncia à discussão administrativa relativamente aos temas ICMS na base de cálculo, Alargamento da base de cálculo, Direito à auto-compensação de débitos do PIS/Pasep, Alterações nas regras do PIS/Pasep em face da Lei n° 10.637, de 2002, o fato de ter interposto medidas judiciais sobre ,fr--- 13 1.1,-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13609.000176/2004-04 0'1 oç CCO2/CO3Brasília Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 929 Marilde Cu ino de Oliveira Mat. Siape 91650 tais temas, primeiro, por que tais ações antecederam à lavratura deste auto de infração e, segundo, porque, de acordo com suas próprias palavras, verbis, (..) a discussão jurídica travada nestes autos envolve questões específicas que não são objeto das medidas judiciais aforadas pela ora Recorrente". Massima vênia, a recorrente não tem razão. Primeiro, porque conforme o quadro resumo abaixo, elaborado com base em documento fornecido pela própria recorrente no curso da ação fiscal (fls. 116/119), as questões que motivaram o presente lançamento são exatamente as mesmas discutidas por ela junto ao Poder Judiciário, exceto a matéria relacionada à conta de Abatimentos, a saber: Ajuizam. Tipo de ação e I Objeto da ação judicial I Objeto do Auto de número Infração 1Declaração de inconstitucionalidade da 1 inclusão das parcelas relativas ao 1 Ordinária n° ICMS na base de cálculo da j 30/01/1996 96.0002204-6, !Contribuição ao PIS/Pasep instituída ¡Inclusão do ICMS na ¡ j com depósitos I pela Lei Complementar n° 7/70, para ;base de cálculo judiciais que seja reconhecido o direito de 1 excluir o valor do 1CMS na base de 1 cálculo da contribuição ao PIS/Pasep. 1 Ver reconhecido o direito à 1 compensação dos valores recolhidos 1 Não acatamento da indevidamente a título de PIS/Pasep, I auto-compensação na parte que excedeu o valor devido 1 Ordinária n° ¡pela falta de trânsito com fulcro na Lei Complementar n° em julgado96.0030773-3, e I 7/70, contra contribuições vincendas , com depósi I no . 06/11/1996 Ida mesma exação, na forma do artigo inclusãotos o judici ais das ento, obrigações I 66 da Lei n° 8.383/91, sem as I lanç portanto, dos valores I restrições impostas pela Instrução vinc endas COMO Normativa tidos va n° 67/92, com correção ¡indevidamente monetária integral calculada desde a 1 compensados. ! data dos recolhimentos indevidos até a 1 data da efetiva compensação. • ,• • MS n° Direito de continuar recolhendo o 1 ¡Inclusão na base de 1999.38.00.00 i PIS/Pasep de acordo com a legislação 1 , calculo cie receitas 01/02/1999 1 2980-5, com ¡anterior à Lei n° 9.718/98, afastando- 'financeiras e de 1 depósitos J se o aumento de base de cálculo . vanaçoes monetárias. I judiciais previsto neste diploma. (Ver reconhecido o direito de não se 1•.•• MS n° submeter ao recolhimento da 1.•• 12/03/2003 I 2003.38.00.01 ¡contribuição ao PIS/Pasep nos termos 1 Glosa de créditos 5963-8 I da Lei n° 10.637, de 2002, ou, 1:• sucessivamente, o direito de se utilizar 1 F-SEGUN---li-30W-----------NSELHO DE CONTRISUNTES CONFERE COMO ORIGINAL . Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília,_22_/..22 og CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 . Fls. 930 jeMedido C ino de Oliveira Mat. Siape 91650 — .. , -- Ajuizam. , Tipo de ação e 1 - Objeto da ação judicial Objeto do Auto de i número Infração , créditos oriundos de variações monetárias passivas, da depreciação e••• ! amortização de equipamentos i adquiridos antes de 1°/12/2002 e de , , serviços de transporte. Tirante a última das ações impetradas pela autuada — relacionada às alterações promovidas pela Lei n° 10.637, de 2002, em que, malgrado os meus esforços, não consegui identificar com segurança a concomitância de objetos - indubitavelmente, para as demais, restou caracterizada a concomitância, e a teor da Súmula n° 1, aprovada na Sessão Plenária do Segundo Conselho de Contribuintes em 18/09/2007, publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, verbis, "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". (grifei) Neste ponto, ressalvo que divirjo parcialmente da decisão recorrida quando a mesma considera que o tema "Variações das Obrigações" não faria parte dos questionamentos 1 da autuada no Poder Judiciário. Ora, as tais Variações de Obrigações estão contidas no grupo das Variações Monetárias, que, por sua vez, por se incluírem no conceito de Receitas Financeiras, se inserem contexto da questão envolvendo o alargamento da base de cálculo, I tema esse objeto de ação judicial específica. Assim, diferentemente do posicionamento adotado , . pela DRJ, tal tema não será conhecido, ao menos na parte em que se relaciona ao PIS/Pasep na modalidade cumulativa. Em face do exposto acima, nego provimento em relação às matérias para as quais houve a concomitância de objeto. Inclusão de valores da conta Abatimentos na base de cálculo Segundo o Auto de Infração, o contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores constantes da conta 4.5.11 — Abatimentos. Por outro lado, a autuada explica, em resposta a Termo de Intimação Fiscal, à fl. 114, que, verbis, "(..) a empresa concede um desconto aos clientes, vinculado à quantidade de produtos que são vendidos. Os lançamentos nesta conta, trata-se de descontos que foram concedidos no ano em questão, sendo a conta-partida clientes. Esclarecemos que para o cálculo do PIS e do Cofins a empresa não deduz estes descontos na base de cálculo, deixando de utilizar de um direito, por entender não ser este um desconto incondicional" (sic). Na impugnação, entretanto, a autuada diz, no item 13, fl. 376, que, verbis, "(...) foram devidamente incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep, em estrita obediência à legislação aplicável, conforme se infere nas Planilhas ora anexadas". Invoca como exemplo ilustrativo de seu procedimento o mês de abril de 1999. Não foi exatamente isso que ocorreu. 5 '• LiF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL , Processo n° 13609.000176/2004-04Brasília 16-# CCO2/CO3 Cq YAcórdão n.° 203-12.736 , / / 0 Fls. 931 Marilde Cursin de Oliveira1. . Mat. Siape 91650 O mês de abril de 1999, tomado como exemplo p, a recorrente não serve de paradigma, haja vista que a conta Abatimentos não registrou qualquer valor neste mês (cf. Planilha da Base de Cálculo das Contribuições, à fl. 39). Por outro lado, quando tomamos como exemplo os meses de dezembro de 1999 (fl. 39), de janeiro e de fevereiro de 2001 (fl. 41), e de janeiro de 2002 (fl. 42), nos quais há valores positivos registrados na referida rubrica contábil, constatamos, da análise feita nas planilhas elaboradas pela própria recorrente, às fls. 633/636) que, efetivamente a autuada NÃO os incluiu na base de cálculo da contribuição, mostrando-se correto, portanto, o procedimento do fiscal autuante. Argumento subsidiário utilizado pela recorrente para questionar tal inclusão na base de cálculo é o de que tais lançamentos não implicam no auferimento ou no recebimento de receitas, o que não configuraria a ocorrência do fato gerador. Também não pode prosperar tal entendimento, haja vista que é fato incontroverso, reconhecido por ela própria, que se trata de descontos condicionais, quando a legislação permite a exclusão da base de cálculo apenas dos descontos incondicionais, a teor do inciso I, § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.718, de 1998, verbis: § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o artigo 2°, excluem-se da receita bruta: 1— as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, (..) (grifei) Pelo exposto, não deve ser acolhida a argumentação da recorrente quanto a este tema. Variações de Obrigações (Regime da Lei n° 10.637/2002) Enfrento este tema — a não inclusão na base de cálculo das variações das obrigações — na premissa de que uma parte se relacione com o PIS/Pasep na modalidade não- cumulativa, ou seja, sob os auspícios da Lei n° 10.637, de 2002 e não mais da Lei n° 9.718, de 1998, que, como visto acima, está sendo discutida judicialmente pela empresa. A analogia buscada pela recorrente para demonstrar que esse tipo de receitas não caracteriza o auferimento de renda, ou mesmo ingresso de recursos - e, para isso, cita o exemplo das vendas brutas, das quais a legislação permite a exclusão das devoluções — não lhe socorre, vez que há norma expressa tratando da incidência, qual seja o artigo 1° da Lei n° 10.637, de 2002, verbis, Art. l° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Assim, se a conta contábil que registra as variações das obrigações for alimentada com valor que representa uma receita financeira, tal como se dá quando, por exemplo, a obrigação em moeda estrangeira sofre os efeitos de uma desvalorização dessa moeda em face do Real, ou, quando o direito a receber em moeda estrangeira sofre uma valorização dessa moeda em face de nossa, esses valores haverão de ser contabilizados a crédito da conta de receitas e, portanto, considerados na base de cálculo da contribuição, independentemente de ter havido o registro, na mesma conta, de despesas ou perdas cam iais. ,16 , . -àGUNIDO CONSELri0 OE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL , Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília, j 6-' / õ g /Q CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 932 II' Matilde Cu : • 'O OINeita Mat. Siape 91650 Deve ser mantido, portanto, o entendimento da decisão recorrida. , Aproveitamento de créditos calculados sobre gastos com energia elétrica (Regime da Lei n° 10.637/2002) Passamos agora a tratar de matéria relacionada ao PIS/Pasep na modalidade não- cumulativa, em que é permitida a utilização de créditos para reduzir o montante da contribuição a ser efetivamente recolhida. O Fisco glosou parte do crédito sobre insumos adquiridos na fabricação de produtos destinados à venda, utilizados pela autuada para reduzir o montante da contribuição do PIS/Pasep nos meses de dezembro de 2002 e de janeiro de 2003, originada dos gastos com energia elétrica. Entendeu o Auditor-Fiscal que a permissão para tal aproveitamento só surgiu novamente — antes, havia sido incluída em artigo da Lei n° 10.637, de 2002, que recebera o veto presidencial — quando da edição da Medida Provisória n° 107, de 10/02/2003. A recorrente se vale de três argumentos: o primeiro, que a intenção do legislador era a de, originalmente, permitir o aproveitamento dos créditos com os gastos de energia elétrica, mas, que, apenas pelo fato de a redação ter recebido uma alteração de última-hora, incluindo uma nova rubrica de gastos — telecomunicações — fez com que tal dispositivo fosse vetado pelo Presidente da República. Prova disso, segundo ela, é que tal permissão voltou quando da edição da MP n° 107, de fevereiro de 2003. O segundo, é que, não obstante inexista dispositivo legal expresso amparando o seu pleito, ao menos para os meses de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, tal fato não consistiu em óbice para que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6 a Região Fiscal, em resposta à consulta formulada, manifestasse o entendimento de que os pagamentos a título de frete pelo transporte de mercadorias poderiam gerar créditos a serem aproveitados. Por fim, o terceiro argumento, é o de que a energia elétrica consiste em verdadeiro insumo para a sua atividade. Não obstante todos os três argumentos sejam bem plausíveis, especialmente pelo fato de que tal faculdade foi recuperada quando da edição da MP n° 107, entendo que deve prevalecer a observância ao princípio da legalidade, de modo que a inexistência de norma expressa para os períodos em questão impede a fruição do beneficio por parte da autuada. Exclusão da base de cálculo das receitas com vendas de itens do ativo permanente (Regime da Lei n° 10.637/2002) Nesse caso, a autuada retirou da base de cálculo da contribuição o valor das vendas que efetuou de itens de seu ativo permanente no mês de dezembro, período em que ocorreu a mesma situação descrita no tópico anterior, qual seja, o de ter ficado desguarnecido de dispositivo legal que autorizava a sua exclusão. Refiro-me ao disposto no inciso II, do parágrafo 3°, do artigo 1°, da Lei n° 10.637, de 2002, que, tratando justamente da exclusão da base de cálculo das receitas de vendas do item do ativo permanente, recebera o veto presidencial. Neste caso, a exemplo do relatado no tópico anterior, tal exclusão foi resgatada quando da edição da MP n° 107, de 2003, de maneira que, a partir de então, passou a ser permitida a referida exclusão da base de cálculo. /,..., , 17 - MF-SEGUNDO CONSELHO DE CON TRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13609.000176/2004-04 Brasília, -i6j, OY 1 051 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 933 '12 ...--,.............. Marilde Curs1 Oliveira r Mat. Siape 91650 Assim, também neste caso há que ser observado o princípio constitucional da legalidade, devendo ser mantida a decisão da DRJ e, portanto, rechaçada a pretensão da recorrente. Insuficiência depósitos judiciais e Recurso de Ofício A Recorrente repete os mesmos argumentos da peça impugnatória no sentido de que, levando-se em conta o universo dos depósitos efetivados em todas as medidas judiciais, não haveria a hipótese de depósito a menor da contribuição e que essa imputação decorreu de o fiscal ter desconsiderado os valores efetivamente depositados por ela. No entanto, os quadros elaborados pelo Fisco às fls. 50/54 estão a demonstrar claramente que, quando os depósitos judiciais se deram no montante integral da matéria questionada, como foi o caso da ação envolvendo o ICMS - ao menos na quase totalidade dos períodos dos anos de 1999 (fl. 50) e 2002 (fl. 53), e na totalidade dos períodos dos anos de 2000 e 2001 (fls. 51 e 52), o montante do depósito foi considerado para fins de constituição do crédito tributário. Por outro lado, quando os desconsiderou, o fez diante da constatação de que os mesmos não haviam se dado no seu montante integral; e isso também restou evidenciado nos referidos quadros demonstrativos. Isso não significa que a desconsideração para os depósitos das outras duas ações judiciais implique em prejuízo ao contribuinte, vez que, em obtendo a vitória na lide junto ao Poder Judiciário, tais valores depositados lhe serão restituídos e, no caso de derrota, serão aproveitados na amortização do débito fiscal. Como bem deixou consignado a DRJ, o depósito judicial expressa garantias apenas ao contribuinte, e não à Fazenda, que, se desejar mesmo garantir-se para a obtenção do valor disputado em juízo no caso de derrota do contribuinte, deve constituir o crédito tributário por meio de lançamento, até para prevenir-se quanto aos efeitos da decadência. Correto, pois, a decisão da DRJ, na parte em que a mesma recorreu de ofício a este Colegiado - mantendo o lançamento, porém exonerando a multa de oficio e os juros de mora, para os casos em que restou comprovado o depósito judicial em montante parcial do crédito, a teor do quadro demonstrativo que elaborou às fls. 796/797 do Acórdão. Nego, portanto, provimento ao Recurso de Oficio. Perícia x cerceamento ao direito de defesa Pelos mesmos fundamentos esposados pela decisão recorrida, nego provimento ao recurso na parte que o mesmo pugna por uma perícia, haja vista que as provas produzidas pelo Fisco, bem como os demonstrativos por ele elaborados, estão a dispensar a tarefa de se recorrer a um técnico. Primeiro, que, em relação aos valores da conta Abatimentos, restou claro, inclusive, com exemplos - no tópico específico de meu voto, acima - que a autuada não 1 os incluiu na base de cálculo da contribuição, e, segundo, por que os quadros de fls. 50/54, da lavra do Fisco, estão a evidenciar claramente os montantes dos valores devidos e os dos depósitos judiciais efetuados. Nego, repito, o pedido de perícia, não vislumbrando a ocorrência do cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. ,..- . 18 Processo n° 13609.000176/2004-04 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.736 Fls. 934 Conclusão Em face de todo o exposto, não conheço do recurso na parte em que verificada a concomitância de objeto - ICMS na base de cálculo, Alargamento da base de cálculo, Direito à auto-compensação de débitos do PIS/Pasep - e, na parte conhecida, afasto as prejudiciais de decadência e de cerceamento do direito de defesa, negando-lhe o pedido de perícia, e, nas demais matérias, nego provimento ao recurso. Por outro lado, dou provimento ao Recurso de Oficio. Sala das Sessões, em 11 d março de 2008 • e ti DAS SI GUERZONI FI O 1 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL AS". g / 02 h/adir/Pino de 0Iiveira Mat. Siape 91650 19 Processo n° 13609.000176/2004-04 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-11736 F1s. 935k‘rieSSEGUNDO CONSE'i ' •cooreaE co..hCoN ONTRII2UINTES c.);-< GiNAL eras% • Marlicto ets,:-.14) ofi • fcsovetra Voto Vencedor Conselheiro, JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator-Designado Relativamente à concomitância de matéria oposta às instâncias administrativas e à esfera judicial, em relação à cobrança da contribuição para o PIS não-cumulativo, lançada para o período de competência de 1° de dezembro de 2002 e 31 de dezembro de 2003, e ação judicial questionando a exigência dessa contribuição com fundamento na Lei n° 10.637, de 2002. Conforme se verifica dos autos e constou do relatório deste julgamento, a requerente interpôs ação judicial, Mandado de Segurança n° 2003.38.00.015963-8, contra a exigência da contribuição para o PIS não-cumulativo, nos termos da MP n° 66, de 22 agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com vigência a partir de 1° de dezembro de 2002. Ora, o lançamento em discussão, para o período de 1° de dezembro de 2002 a 31 de dezembro de 2003, conforme constou do auto de infração, teve como fundamento legal a Lei n° 10.637, de 2002, arts. 1 0, 2°, 3°, 4° e 5°.' Assim, demonstrada a concomitância de matéria oposta na instância administrativa e na esfera judicial, não cabe, na instância administrativa, o julgamento do lançamento referente aos fatos geradores do período de competência de 1° de dezembro de 2002 a 31 de dezembro de 2003, conforme decidiu a DRJ em Belo Horizonte. Portanto, se a decisão judicial transitada em julgado for favorável à requerente, ou seja, se for reconhecida a ilegalidade da exigência da contribuição para o PIS nos termos daquela lei, o lançamento referente àquele período de competência será cancelado e não há que se falar em exigência crédito. Caso contrário, se a decisão for desfavorável a ela, reconhecendo a legalidade da cobrança do PIS com base na referida lei, o crédito tributário será exigido imediatamente de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado. Sala das Sessões, em 11 de março de 2008 JOSÉ ADÃO VÃO R) DE MORAIS ar/ 20 Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 35011.000627/2007-09
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. PRODUÇÃO DE PROVAS.
As provas devem ser apresentadas no momento da fiscalização e da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES.
Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I, § 5°, do art. 2° da Lei n° 6.830/1980.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA Nº 28 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no momento da fiscalização e da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. Os co-responsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de co-responsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I, § 5°, do art. 2° da Lei n° 6.830/1980. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA Nº 28 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado.
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APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTOS. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no momento da fiscalização e da impugnação, sob pena de preclusão, salvo nos casos previstos em lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. Os coresponsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de coresponsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I, § 5°, do art. 2° da Lei n° 6.830/1980. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA Nº 28 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 06 27 /2 00 7- 09 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35011.000627/200709 Acórdão n.º 2402003.718 S2C4T2 Fl. 200 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 08/02/2007 (fl. 71), decorrente do não recolhimento dos valores referentes às contribuições devidas pelos segurados empregados, no período de 13/2004 e 13/2005. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 75/139) requerendo a total improcedência da autuação. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, ao analisar o processo (fls. 146/157), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que: (i) configura suposta prática de crime de apropriação indébita ter retido e não recolhido a contribuição devida pelos segurados empregados; (ii) as informações constantes no Discriminativo Analítico de Débito demonstram de forma clara os valores que estão em aberto; (iii) compete ao contribuinte comprovar os fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito da Fazenda; e (iv) o contribuinte não trouxe aos autos novos elementos probatórios. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 160/192), alegando que (i) houve violação ao princípio da ampla defesa o fato da autoridade tributária não ter oportunizado um novo prazo para apresentação de documentos adicionais no momento da fiscalização; (ii) como os créditos existentes ultrapassam os débitos exigidos, deve ser reconhecido o direito de compensação; (iii) a taxa SELIC não pode ser utilizada para a correção dos créditos tributários; (iv) a multa aplicada é confiscatória; (v) é ilegal a inclusão de sócios como responsáveis tributários; e (vi) inexiste razão para a lavratura de representação fiscal para fins penais. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente sustenta que houve violação ao princípio da ampla defesa pelo fato da autoridade tributária não ter oportunizado um novo prazo para apresentação de documentos adicionais no momento da fiscalização. Contudo, como é possível observar do relatório fiscal (fls. 61/68), instada a se manifestar por ocasião da fiscalização, a Recorrente apresentou de forma deficitária os documentos indispensáveis para a correta análise da regularidade fiscal da empresa. Neste ponto, é importante observar a previsão contida no art. 233 do Decreto nº 3.048/99, in verbis: “Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira”. Assim, considerando que a própria Recorrente não logrou comprovar, através da documentação necessária, a regularidade dos seus pagamentos, não restou outra alternativa ao Fisco que lançar de ofício a importância devida. Portanto a alegação de suposta violação do princípio da ampla defesa não deve prosperar, haja vista que foi (e continua sendo) oportunizada à Recorrente a via administrativa adequada através da qual pode discutir a correta exigibilidade ou não dos créditos tributários que lhe foram lançados. A Recorrente também alega que como os créditos existentes ultrapassam os débitos exigidos, deve ser reconhecido o direito de compensação. Neste contexto, em que pese a empresa sustente que possui créditos suficientes para saldar todo o seu passivo tributário, esta se limita a simples afirmações sem comprovação (fl. 165), não trazendo qualquer justificativa ou documento probatório demonstrando a sua existência. Dessa forma, não merece provimento o recurso apresentado nestes pontos. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35011.000627/200709 Acórdão n.º 2402003.718 S2C4T2 Fl. 201 5 Na sequência, a Recorrente pretende discutir a legalidade e a inconstitucionalidade da taxa SELIC, afirmando que não poderia ser utilizada para a correção dos créditos tributários, e da multa aplicada, uma vez que seria confiscatória. Todavia, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Assim, considerando que a exigência das contribuições em tela se deu com observância às normas legais pertinentes, deixo de apreciar as alegações da Recorrente quanto às supostas ilegalidades e inconstitucionalidades. Quanto a alegação da indevida responsabilização dos sócios, cabe esclarecer que os coresponsáveis mencionados pela fiscalização não foram enquadrados como responsáveis solidários e não figuram no pólo passivo do presente lançamento. A relação de coresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidade identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I, § 5º, do art. 2° da Lei n° 6.830/80, que estabelece o seguinte: "Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros”; Assim, considerando que a relação dos coresponsáveis não implica na imediata responsabilização pessoal dos sócios, não merecem provimento as alegações da Recorrente neste ponto. Por fim, a Recorrente afirma que inexiste razão para a lavratura de representação fiscal para fins penais. Ocorre que, segundo a Súmula CARF nº 28, este Conselho não é competente para analisar questões referentes ao processo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação acima. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10950.004313/2008-17
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO.
AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CABIMENTO.
No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas.
TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Excluem-se da base de cálculo do crédito presumido as transferências de matéria-prima de produção própria entre as filiais, por não terem sido gravadas com as contribuições que o benefício visa a ressarcir.
CULTIVO DE CANA-DE-AÇÚCAR. ATIVIDADE AGRÍCOLA. INSUMOS EMPREGADOS. GLOSA.
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido.
CONCEITO DE INSUMO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164 - Súmula STJ nº 411)
Numero da decisão: 3403-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer (i) o direito à inclusão, no cálculo do benefício, do custo das aquisições dos produtos químicos adicionados ao caldo de cana na cadeia de produção de açúcar, devidamente comprovados nos autos; (ii) o direito ao abono de juros Selic, calculados desde a data de apresentação do pedido de ressarcimento até a data do efetivo ressarcimento, sobre os valores de crédito presumido deferidos nesta decisão e (iii) o direito de incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do benefício apurado pelo regime alternativo, vencidos nesta parte os Conselheiros Alexandre Kern (relator) e Antônio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC no 10.264.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CABIMENTO. No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas. TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIA-PRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Excluem-se da base de cálculo do crédito presumido as transferências de matéria-prima de produção própria entre as filiais, por não terem sido gravadas com as contribuições que o benefício visa a ressarcir. CULTIVO DE CANA-DE-AÇÚCAR. ATIVIDADE AGRÍCOLA. INSUMOS EMPREGADOS. GLOSA. O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164 - Súmula STJ nº 411)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer (i) o direito à inclusão, no cálculo do benefício, do custo das aquisições dos produtos químicos adicionados ao caldo de cana na cadeia de produção de açúcar, devidamente comprovados nos autos; (ii) o direito ao abono de juros Selic, calculados desde a data de apresentação do pedido de ressarcimento até a data do efetivo ressarcimento, sobre os valores de crédito presumido deferidos nesta decisão e (iii) o direito de incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do benefício apurado pelo regime alternativo, vencidos nesta parte os Conselheiros Alexandre Kern (relator) e Antônio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC no 10.264. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CABIMENTO. No regime alternativo, geram direito ao crédito presumido de IPI as aquisições de pessoas físicas. TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAPRIMA ENTRE FILIAIS. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido as transferências de matériaprima de produção própria entre as filiais, por não terem sido gravadas com as contribuições que o benefício visa a ressarcir. CULTIVO DE CANADEAÇÚCAR. ATIVIDADE AGRÍCOLA. INSUMOS EMPREGADOS. GLOSA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CONCEITO DE INSUMO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. VINCULAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 43 13 /2 00 8- 17 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ABONO DE JUROS. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Art. 62A do RICARF REsp 993164 Súmula STJ nº 411) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer (i) o direito à inclusão, no cálculo do benefício, do custo das aquisições dos produtos químicos adicionados ao caldo de cana na cadeia de produção de açúcar, devidamente comprovados nos autos; (ii) o direito ao abono de juros Selic, calculados desde a data de apresentação do pedido de ressarcimento até a data do efetivo ressarcimento, sobre os valores de crédito presumido deferidos nesta decisão e (iii) o direito de incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do benefício apurado pelo regime alternativo, vencidos nesta parte os Conselheiros Alexandre Kern (relator) e Antônio Carlos Atulim. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento a Dra. Denise da Silveira Peres de Aquino Costa, OAB/SC no 10.264. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição nº 20177.81962.140504.1.1.016883 (fls. 01 a 264), cujo crédito se refere ao ressarcimento de Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, sob o regime alternativo introduzido pela Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 315, de 3 de abril de 2003, referente ao 1º trimestre de 2004. Cumulativamente, transmitiu as Declaração de Compensação DComp arroladas na fl. 360, pretendendo extinguir débitos próprios pela vida de sua compensação com o crédito pleiteado, parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR (Despacho Decisório de fls.469 a 479), reconhecendo crédito no montante de R$ 672.090,13, a ser deduzido do saldo negativo do crédito presumido do IPI, apurado no 4º trimestre de 2003 (R$624.624.09), resultando em saldo positivo disponível para ressarcimento/compensação de R$ 47.466,04 (fls.469 a 479). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 487 a 519, por meio da qual concorda com a classificação no ativo imobilizado dos gastos com insumos Fl. 798DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 798 3 na fase de adequação de preparo do solo e reconhece que insumos usados na fase de plantio de canadeaçúcar foram equivocadamente incluídos e devem ser excluídos, mas controverteu, resumidamente: a) o cômputo de saldo negativo de crédito presumido de 2003; b) a glosa dos gastos com insumos na formação da lavoura, notadamente as fases de cultivo e tratos culturais (fertilizantes e defensivos agrícolas), corte e transporte, conforme laudo técnico, já que é sociedade agroindustrial e que exerce atividade rural (extração e exploração vegetal e animal); c) a glosa do custo dos insumos adquiridos a pessoas físicas, especificamente a canadeaçúcar, d) a glosa do custo dos insumos de uso industrial, lubrificantes para uso industrial e agrícola, materiais diversos, itens para manutenção geral, combustíveis, peças e materiais para manutenção de máquinas agrícolas, haja vista a autorização na Lei nº 10.276, de 2001, porque não haveria memória de cálculo para vinculação dos gastos, mas há o laudo descritivo da atividade, juntado; e) a glosa dos gastos com lubrificantes de uso agrícola, combustível, peças e materiais utilizados na manutenção de máquinas agrícolas e caminhões, que se caracterizariam como materiais intermediários, pois não se integram ao produto final, mas são consumidos no processo industrial, especialmente na fase de corte e transporte da canadeaçúcar; f) a glosa de créditos relativos a transferências de matériaprima; g) o abono de juros calculados pela taxa Selic para que seja mantido o valor do pleito no tempo, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração, devendo ser utilizada a analogia com o instituto da restituição, Em 18/11/2009 os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, sem o reconhecimento de direito creditório e sem a homologação das compensações vinculadas. O Acórdão nº 1426.761, fls. 725 a 738, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, somente é admitida a inclusão na respectiva base de cálculo de custos de aquisição de energia elétrica e de combustíveis utilizados no processo industrial; devem ser observadas, outrossim, as restrições preconizadas na Lei n° 9.363, de 13 de Fl. 799DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 4 dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto ás aquisições de insumos de pessoas físicas ou transferidos de estabelecimentos filiais, de insumos sem comprovação documental e de bens não correspondentes à verdadeira acepção de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS OU TRANSFERIDOS DE ESTABELECIMENTOS FILIAIS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, ou a transferências de insumos de filiais, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. ADMISSIBILIDADE. AÇÃO DIRETA SOBRE 0 PRODUTO. Somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, representam aquisições passíveis de integrar a base de cálculo do beneficio fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estimulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa Selic, por ausência de autorização legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/RPO/SP em 08/01/2010. Em 05/02/2010 apresentou Recurso Voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls.741 a 768), repisando os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Em 01/03/2010, apresentou desistência parcial das compensações tratadas no presente processo, para inclusão dos débitos no Parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, (fl.770). Em 13/08/2010, o contribuinte apresentou novo requerimento, esclarecendo os débitos a serem incluídos no parcelamento, demonstrados a seguir: DCOMP TRIBUTO PA VENCIMENTO VALOR 06517.08710.270704.1.3.018214 0561 10/01 24/10/01 41,81 14406.88825.240504.1.3.011170 0561 12/03 10/12/03 52,71 14406.61427.101103.1.3.011170 0561 01/04 07/01/04 118,59 14406.61427.101103.1.3.011170 0561 02/04 11/02/04 699,72 14406.61427.101103.1.3.011170 0561 03/04 05/03/04 8,47 14406.61427.101103.1.3.011170 0561 04/04 07/04/04 28,10 22897.17795.190504.1.3.015761 0561 05/04 19/05/04 771,92 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 799 5 DCOMP TRIBUTO PA VENCIMENTO VALOR 22897.17795.190504.1.3.015761 0588 05/04 19/05/04 1.756,84 14406.88825.240504.1.3.011170 0588 05/04 26/05/04 805,30 06517.08710.270703.1.3.018214 1708 05/02 08/05/02 506,43 06517.08710.270703.1.3.018214 1708 05/02 15/05/02 22,50 06517.08710.270703.1.3.018214 1708 05/02 22/05/02 240,30 22897.17795.190504.1.3.015761 1708 05/04 19/05/04 21,75 06467.07108.140704.1.3.014536 2089 06/04 30/07/04 99,55 42162.99070.220704.1.3.018951 2172 05/01 15/06/01 54.988,70 42162.99070.220704.1.3.018951 2172 01/02 15/02/02 15.959,87 23139.20740.140504.1.3.010401 2172 03/04 14/05/04 17.600,00 06467.07108.140704.1.3.014536 2172 06/04 15/07/04 11,94 06467.07108.140704.1.3.014536 2372 06/04 30/07/04 35,84 22897.17795.190504.1.3.015761 5979 05/04 19/05/04 14,95 22897.17795.190504.1.3.015761 5987 05/04 19/05/04 23,93 23139.20740.140504.1.3.010401 8109 04/04 14/05/04 3.800,00 12879.25483.070604.1.3.010987 8109 05/04 15/06/04 56.400,00 03239.96259.090704.1.3.011567 8109 06/04 15/07/04 59.000,00 06467.07108.140704.1.3.014536 8109 06/04 15/07/04 2,59 Permanecem litigiosas as seguintes compensações: DCOMP TRIBUTO PA VENCIMENTO VALOR 03239.96259.090704.1.3.011567 2089 2ºtrim/04 30/07/04 900.000,00 12879.25483.070604.1.3.010987 2172 05/04 14/06/04 260.600,00 03239.96259.090704.1.3.011567 2172 06/04 15/07/04 273.000,00 23139.20740.140504.1.3.010401 9331 04/04 14/05/04 401.533,96 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 741 a 768 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO2ª Turma nº 1426.761, de 18 de novembro de 2009. Conforme relatado, cuidase de pedido de ressarcimento de CPIPI, sob a modalidade alternativa da Lei nº 10.276, de 2001. O requerente é sociedade produtora exportadora de produtos derivados da canadeaçúcar (açúcar e álcool), atividade rural na produção da canadeaçúcar e a atividade industrial quando da transformação da canade açúcar em açúcar. Abordo as questões controvertidas na mesma ordem em que foram apresentadas no recurso voluntário. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Gastos com insumos na formação da lavoura Segundo o parecer técnico anexado pela recorrente, seu processo produtivo constituise de uma fase agrícola e de uma fase industrial. Ainda segundo o referido laudo, a fase agrícola se inicia com o preparo e correção do solo, seguido do plantio das mudas de cana. Em seguida iniciase a fase de tratos culturais que perdura por todo o ciclo da cultura, que pode se estender por até 8 anos sem necessidade de replantio. Nos tratos culturais estão incluídas atividades destinadas à aplicação de fertilizantes, nematicidas e inseticidas, correção do solo, controle biológico de pragas e maturadores. Posteriormente, seguese a etapa de queima do canavial para facilitar o corte da cana e o transporte dessa matériaprima para a indústria. O recorrente, nesse contexto, rechaça a exclusão do processo produtivo das fases de cultivo e tratos culturais na canadeaçúcar, corte e transporte e por conseqüência a exclusão dos insumos nela utilizados e consumidos, alegando que seu direito tem amparo na Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, a qual teria reconhecido o direito ao crédito presumido em relação a produtos agrícolas. A propósito, a Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, regulamenta a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que se refere ao regime de CPIPI original, mas não à modalidade a que aderiu o recorrente, decorrente da Lei nº 10.276, de 2001. Ainda que a INSRF nº 23, de 1997 o socorresse, o art. 5 , 2 , apenas reconhece o direito ao crédito presumido em relação a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens oriundos da atividade rural quando adquiridos de pessoas jurídicas. Independentemente de o STJ ter declarado a ilegalidade desse dispositivo, ele não ampara o direito alegado pela recorrente, pois, no caso dos créditos pleiteados, em relação à atividade agrícola, os insumos não são oriundos da atividade rural. Tratase de pneus, combustíveis, lubrificantes e peças de reposição, produtos industrializados que não se enquadram na previsão contida no art. 5 , 2 , da INSRF nº 23, de 1997. A verificação da existência ou da inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase agrícola do processo produtivo do açúcar e do álcool deve socorrerse nas leis que instituíram o incentivo. O art. 1º, 1º, da Lei nº 10.276, de 2001, ao dispor sobre a base de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, referiuse a matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Já o 5º do mesmo art. 1º dispõe que se aplicam ao regime alternativo as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Nesse passo, o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se aplique subsidiariamente a legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A legislação do IPI não dispõe expressamente sobre o conceito de produção, mas estabelece os conceitos de estabelecimento produtor (art. 3º da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964), de operação de industrialização (art. 4º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002) e de produto industrializado (art. 3º do RIPI/2002). Nos termos do art. 3º da Lei nº 4.502, de 1964, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Segundo o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o Fl. 802DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 800 7 recondicionamento). Por sua vez, o art. 3º do RIPI/2002 define produto industrializado como sendo o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Desses enunciados legais inferese que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma operação , ou seja, uma atividade que consista em transformar, beneficiar, montar, acondicionar ou recondicionar. Embora o laudo técnico trazido aos autos tenha se esforçado em tentar demonstrar que a fase agrícola integra o processo produtivo do açúcar e do álcool, é de clareza vítrea que o cultivo da canadeaçúcar é um processo biológico, que não se enquadra no conceito legal de operação de industrialização previsto no art. 4º do RIPI/2002. Não se tratando o cultivo da cana de uma operação de industrialização, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Além disso, a defesa não contestou a afirmação da fiscalização no sentido de que os gastos na fase agrícola haviam sido ativados. Com efeito, da fundamentação do despacho decisório extraise o seguinte excerto: “(...) 25. O interessado, em seu cálculo original aproveita todos os gastos na formação da lavoura canavieira, incluindo mudas, defensivos, corretivos de solos, fertilizantes, peças para máquinas, lubrificantes, energia elétrica, combustíveis para maquinários e materiais diversos aplicados à formação desta. 26. Em vista do assunto discorrido nos incisos 18 e 19, constata se que a própria interessada, em seu balancete do mês de dezembro de 2003, cópia anexa às fls. 461, classifica o custo dispendido [sic] com máquinas e equipamentos instalações industriais, recepção de cana, preparo da cana, veículos industriais, veículos rurais, veículos pás, etc., e também as lavouras formadas de cana estão classificadas no imobilizado da empresa inclusive recebendo as devidas quotas de exaustão, conforme se verifica no referido balancete. Com este procedimento, de considerar o custo da formação da lavoura de cana em seu imobilizado, aplicando inclusive as quotas de exaustão, a empresa acata a determinação contida no Parecer Normativo CST n° 65, de 06 de novembro de 1979, acima citado. (...) (fl. 474) Portanto, por mais esse motivo não é possível reconhecer o direito de crédito em relação aos insumos utilizados na fase agrícola, sob pena do mesmo insumo gerar duplo benefício: a dedutibilidade como despesa operacional e a recuperação do crédito via escrita fiscal do IPI. Aquisições de pessoas físicas A insurgência recursal não merece guarida. A glosa das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem a pessoas físicas, não contribuintes das contribuições que o benefício Fl. 803DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 8 visa a ressarcir, está correta. Não havendo incidência dessas contribuições nas respectivas aquisições de insumos, não o que ressarcir. Não se invoque o REsp nº 993.164 e a vinculação do julgamento determinada pelo art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. Conquanto o STJ tenha decidido em sede de recurso repetitivo, no REsp referido, que a Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, é ilegal, na parte em que excluiu do cálculo as aquisições de pessoas físicas, não se pode olvidar que no caso concreto o contribuinte optou pelo regime alternativo da Lei nº 10.276, de 2001, regulamentado pela INSRF nº 315, de 2003, não infirmada pela decisão do STJ. O art. 1º, 1º da Lei nº 10.276/2001, estabelece com todas as letras que (negrito na transcrição): “(...) § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...)” Assim, no regime alternativo a própria lei instituidora estabelece expressamente que somente aquisições sujeitas à incidência das contribuições é que estão aptas a integrarem a base de cálculo do crédito presumido. Mantenhase a glosa das aquisições de insumos a pessoas físicas. Canadeaçúcar transferida de estabelecimentos filiais O recorrente invoca a redação do art. 1º da Lei de regência para pugnar pelo direito ao crédito na entrada de insumos em transferência de outras filiais. Alega que o fato dos insumos terem sido recebidos por transferências não significa que não sofreram a incidência das contribuições e, ademais, não existiria previsão legal para a exclusão das transferências de canadeaçúcar ocorrida entre filiais. A argumentação expendida para as glosas das aquisições a pessoas físicas aplicase também às entradas por transferência de estabelecimentos filiais de canadeaçúcar. A documentação fiscal emitida com o CFOP 1.151 (transferência para industrialização: entradas de mercadorias recebidas em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa, para ser utilizadas em processo de industrialização) atesta inexistir percussão das contribuições em questão nos ingressos da matéria prima transferida. Portanto, essas transferências de canadeaçúcar não atendem aos requisitos legais, uma vez que as operações de transferência de canadeaçúcar de produção própria entre Fl. 804DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 801 9 estabelecimentos da mesma empresa não configura faturamento suscetível de incidência das contribuições. Mantenhase a glosa. Direito ao crédito presumido em relação a produtos intermediários O Despacho Decisório de fls. 469 a 479 deu conta de que, em decorrência da não apresentação dos gastos relativos a "peças e materiais" utilizados na manutenção industrial, ficou impossibilitada a determinação das peças utilizadas na manutenção industrial, bem como seu custo. Nenhum demonstrativo adicional instruiu a Manifestação de Inconformidade. O recorrente insurgese conta a essa exclusão de peças e materiais utilizados na manutenção industrial, alegando que o laudo técnico apresentado descreve perfeitamente a utilização desses materiais e que as planilhas elaboradas destacam o seu custo. A insurgência recursal, assim como foi na Manifestação de Inconformidade, é vazia, pois não apontou especificamente em que documento estão esses “valores”, ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Quanto ao laudo técnico apresentado, sua análise revela que a preocupação da assessoria técnica em demonstrar que o consumo dos produtos intermediários ocorreu no processo produtivo do açúcar e do álcool e não que esse consumo se deu em contato físico direto com os produtos fabricados, tal como exige o Parecer Normativo CST nº 65 de 05 de novembro de 1979 (D.O.U.: 06.11.1979), que explica o sentido lato do conceito de insumo adotado pela legislação do IPI. Revela também que o parecerista não se preocupou em demonstrar se esses produtos preenchiam ou não os requisitos que obrigam o contribuinte a ativálos. Contudo a leitura de certos detalhes encontrados na redação do parecer e o uso do senso comum permitem verificar se os produtos intermediários são ou não consumidos em contato físico direto com os produtos em fabricação. Exemplo disso são os lubrificantes e o grafite em pó, que segundo o parecer são empregados nas moendas, bomba centrífuga, bomba helicoidal, redutor de velocidade, compressor de ar, turbina e centrífuga de ar. Tratandose de produtos destinados à lubrificação das máquinas, é óbvio que não são consumidos em contato direto com o açúcar e o álcool produzidos, caso contrário contaminariam esses produtos e tornariam o açúcar imprestável para o consumo humano e o álcool impróprio para ser Fl. 805DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 10 empregado em motores de combustão interna. Assim, é evidente que os lubrificantes e o pó de grafite empregados na fase industrial não se enquadram nos requisitos legais. O mesmo se diga quanto à maioria dos materiais citados no parecer (material de proteção individual correias e correntes transportadoras rolamentos arruelas parafusos porcas discos de desbaste, de corte, lixas e esmeril gases acetileno, argônio, oxigênio, star gold C25 e GLP chapas de açocarbono soldas eletrodos taliscas de açocarbono juntas de borracha rosetas gaxetas grafitadas mangueira hidráulica etc.). As descrições das etapas em que se subdivide o processo industrial revelam que esses produtos são destinados à manutenção dos bens de produção da empresa, pois são consumidos como decorrência do desgaste natural do maquinário, por atritos, movimentos e choques de uns em relação aos outros e não por ação direta sobre o açúcar e o álcool em fabricação. Não estão aptos a gerar crédito presumido, pois não se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65,de 1979. Por outro lado, o parecer demonstra que alguns produtos químicos são de fato consumidos em contato direto com o açúcar em fabricação, pois são adicionados diretamente ao caldo da cana para regular o pH, eliminar espumas, eliminar bactérias, facilitar a floculação ou a decantação. Além disso, o fato de serem adicionados ao caldo da cana nas diversas fases do processo permite inferir que esses produtos químicos não são de ativação obrigatória, pois são consumidos em prazo inferior a um ano. Não se olvide que a safra da canadeaçúcar dura em torno de 6 a 7 meses (nas regiões sul e sudeste vai de maio a novembro de cada ano). São aptas a comporem a base de cálculo do benefício as aquisições dos seguintes produtos intermediários: a) cal virgem utilizada na regulação do pH e na lavagem da cana na mesa alimentadora b) bactericida pulverizado desde a esteira 1 até o 6 terno (conjunto de três cilindros espremedores) para eliminar agentes contaminantes do processo de produção bactericida organossulfuroso ou quaternário de amônia, aplicado no tanque de caldo misto c) antiespumante aplicado sobre a espuma formada quando o tanque está próximo ao transbordamento d) anidrido sulfuroso gasoso (SO2 enxofre) aplicado ao caldo misto na torre de sulfitação para aumentar a acidez e clarificar o açúcar e) cal virgem e ácido fosfórico adicionados ao tanque de caldo caleado f) polímero aplicado nos decantadores de sólidos e filtro de lodo para facilitar a precipitação dos sólidos g) alcalinizante de vapor e antincrustante adicionados ao caldo préevaporado no préevaporador h) modificador de viscosidade utilizado nos cozedores a vácuo e cristalizadores. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 802 11 Cabe esclarecer que neste trimestre ou não houve produção de álcool (produto N/T) ou, se houve, não foi efetuada qualquer glosa a esse título, haja vista que nada foi mencionado a respeito no Despacho Decisório. Assim, os produtos químicos acima mencionados são apenas aqueles aplicados na produção de açúcar. Abono de juros Selic ao valor do ressarcimento Relativamente à atualização pela taxa Selic, a questão se tornou pacífica na esfera administrativa a partir do advento do art. 62A do Regimento Interno e do julgamento proferido pelo STJ no RESP nº 1.035.847, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, cuja ementa apresenta o seguinte teor: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 807DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 12 Destaco que, no contexto dessa decisão, o Despacho Decisório de fls. 469 a 479 representou oposição à fruição do CPIPI, quanto à inclusão, na base de cálculo do benefício, dos custos de aquisição dos produtos químicos admitidos no cálculo neste julgamento. Constrangido pelo art. 62A do RICARF, reconheço o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela Autoridade Tributária, posteriormente deferido no curso deste processo, calculada pela taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido. Conclusões Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir no cálculo do benefício o custo das aquisições dos produtos químicos adicionados ao caldo de cana na cadeia de produção de açúcar, devidamente comprovados nos autos, e para abonar juros Selic, calculados desde a data de apresentação do pedido de ressarcimento até a data do efetivo ressarcimento, sobre os valores de crédito presumidos deferidos nesta decisão. Sala de sessões, em 27 de março de 2014. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 803 13 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Externo no presente voto as razões da divergência em relação ao entendimento do relator, exclusivamente no que se refere às aquisições de pessoas físicas. No voto vencido, defendese a inaplicabilidade do REsp no 993.164/MG ao caso concreto analisado nos autos, visto que o REsp não trata do regime alternativo previsto na Lei no 10.276/2001. E que em tal regime alternativo, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista a expressa disposição legal do art. 1o, § 1o da referida lei. O REsp no 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, e, portanto, vinculante em relação aos julgamentos deste tribunal administrativo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, tem a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 14 (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 804 15 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o voto vencido afirma que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata de questão diversa em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput : I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos Fl. 811DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 16 creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motiva o voto vencido a apontar que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, se aproxima da apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.004313/200817 Acórdão n.º 3403002.892 S3C4T3 Fl. 805 17 Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Fl. 813DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN 18 Assim, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer os créditos referentes a aquisições de pessoas físicas no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Rosaldo Trevisan Fl. 814DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 09/04/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 19709.000007/2007-67
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (01/07/2014), em substituição à Presidente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (01/07/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Magalhães Peixoto, Tânia Mara Paschoalin, Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (01/07/2014), em substituição à Presidente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (01/07/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Magalhães Peixoto, Tânia Mara Paschoalin, Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Eivanice Canário da Silva. Relatório Trata o presente processo de cobrança de parte do débito de ITR/1997, do imóvel de código de n° 1.165.5160, resultante de auto de infração no qual foram glosadas as áreas declaradas de reserva legal e preservação permanente. A contribuinte impugnou tempestivamente a autuação relativamente às glosas e também relativamente à área de pastagem, mas a DRJ manteve a cobrança. A interessada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 09 .0 00 00 7/ 20 07 -6 7 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 19709.000007/200767 Resolução nº 2801000.016 S2TE01 Fl. 147 2 interpôs, então, recurvo voluntário ao Terceiro Conselho de Contribuintes questionando as mesmas matérias. O Conselho deu somente provimento parcial ao recurso, através do Acórdão n° 30333.429 (folhas 15 a 25), pois não reconheceu a parte do recurso relativa à área de preservação permanente por se tratar de matéria já discutida pela contribuinte na via judicial. Com relação à área de reserva legal o recurso foi acolhido, mas a União entrou com recurso especial. Como a parte da reserva legal ainda está sendo questionada, o débito relativo a essa parte foi suspenso e continuou a ser cobrado no processo n° 10108.000089/200159 e o restante do valor, no montante de R$ 48.970,86, foi apartado para o presente processo. A contribuinte entrou, então, com requerimento para que a cobrança do ITR, relativa a glosa da área de preservação permanente, fosse também suspensa, tendo em vista que a Sentença em Mandado de Segurança foi favorável à empresa. Foi deferido o pedido através do Parecer n° 415/2007, as folhas 88/89, suspendendo a cobrança no valor de R$ 12.808,58 relativamente à área de preservação permanente que foi apartada para o processo n° 19709.000009/200756, prosseguindo a cobrança de R$ 36.162,28 no presente processo. A contribuinte não se conformando ainda com a cobrança entrou novamente com outro pedido, as folhas 93/128, solicitando a suspensão, com base no artigo 28 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, da cobrança do débito de ITR cobrado no presente processo, tendo em vista a inexatidão do acórdão n° 30333.429 do Terceiro Conselho de Contribuintes que não levou em consideração a área de pastagem guerreada no recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. A contribuinte solicita a suspensão da cobrança em tela tendo em vista a inexatidão do acórdão n° 30333.429 do Terceiro Conselho de Contribuintes, que não levou em consideração a área de pastagem guerreada no recurso, discutida no processo n° 10108.000089/200159. Face ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para que este processo seja apensado ao processo nº 10108.000089/200159, com o objetivo de que sejam apreciados conjuntamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13432.000019/87-98
Data da sessão: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 1992
Ementa: DESPESAS NÃO RELACIONADAS COM A ATIVIDADE
DA EMPRESA, SEM MENÇÃO DE NOME DO COMPRADOR C/DATAS DE PAGAMENTOS - e NÃO COMPROVAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM
DOCUMENTOS BABEIS E IDONEOS - Tributados
nos exercícios sociais a que competirem.
Correção monetária sobre despesas glosadas
em exercício anterior ensejam a tributação
do excesso de correção monetária
exercícios subsequentes.
Numero da decisão: 103-08.938
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau
Nome do relator: Sonia Nacinovic
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ementa_s : DESPESAS NÃO RELACIONADAS COM A ATIVIDADE DA EMPRESA, SEM MENÇÃO DE NOME DO COMPRADOR C/DATAS DE PAGAMENTOS - e NÃO COMPROVAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM DOCUMENTOS BABEIS E IDONEOS - Tributados nos exercícios sociais a que competirem. Correção monetária sobre despesas glosadas em exercício anterior ensejam a tributação do excesso de correção monetária exercícios subsequentes.
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Sessão de—a-de...01ãXQQ-de 19.19.... ACÓRDÃO N9-19.3.=0.....938 Rememong 93.070 - IRPJ - EXS: DE 1985 e 1986 • Recorrente A SERTANEJA DISTRIBUIDORA DE AUTOMÓVEIS LTDA. Recoaid DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM NATAL - RN IRPJ - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. DIREITO DE DEFESA. E nula a decisão de primeiro grau que, não apreciando todas as matérias impugnadas pelo sujeito passivo; inobserva o princípio do du- plo grau de jurisdição. Quantificada parte da matéria tributária apenas na contestação fis- cal, ocorre o aperfeiçoamento do lançamento e, no caso, deve ser reabertó o prazo para no va impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por A SERTANEJA DISTRIBUIDORA DE AUTOMÓVEIS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau. Sa das Sessões, em 13 de março de 1989 11 41, -4 CABRAL ;RESIDENTE . EBAS 0 is yrico• 1-4-0.?" UES CABRAL 411 RELATOR - g r AP-- VISTO EM UIZ CALOS P A PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE 'IS MAR 1989 NACIONAL "Ir Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Con- selheiros: AYRES DE OLIVEIRA, LUGIO RIBEIRO, DICLER DE ASSUN- ÇÃO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e BRAZ JANUÁRIO PINTO; AUSENTE POR MOTIVO J STIFICADO O CONSELHEIRO ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA. • ' . •- . , A, - .4- yek-41k -1.ec SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROcESS0 N9 13432/000.019/87-98 RECURSO N9: - 93.070 ACORDAON% - 103-08.938 RECORRENTEW A SERTANEJA DISTRIBUIDORA DE AUTOMÓVEIS LTDA. RELATÓRIO Contra a pessoa jurídica de direito privado: A SERTANEJA DISTRIBUIDORA DE AUTOMÓVEIS LTDA.,inscrita no C.G.C.-MF sob o n9 08.134.975/0001-14, foi lavrado o auto de infração de fls.1023 com respaldo no que restou apurado pela fiscalização do tributo, con- forme constatado "TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL", fls. 1017 a 1020, que pode ser assim resumido: al suprimentos de caixa para integralização do au mento de capital social, sem comprovação da efetiva entrega do numerário; bi glosa de despesas operacionais devido a . fal- ta de comprovação ou por desnecessárias; eL passivo exigível não comprovado. Inaugurada a fase litigiosa do procedimento, o que ocorreu com a protocolização da peça impugnatória de fls.1037 a 1043, capeando a documentação constante ãs fls.1044/1058, foi prOferi da decisão pela autori de julgadora singular, cuja ementa tem esta redação:40_ ddr 4, Processo n9 13432/000.019/87-98 2.sumo Nesw nrouw Acórdão n9 103-08.938 "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURIDICA - A não comprovação, com documentação hábil e idónea (comn cidencia de datas e valores), do efetivo ingre; so do numerário no Caixa da empresa e da sua efe- tiva entrega, pelos subscritores, bem como da o- rigem dos recursos, leva à presunção de que os mesmos tiveram origem em receita omitida. As des- pesas dedutivets são as usuais e necessárias atividade da empresa e á manutenção da fonte pro- dutora e devem ser comprovadas com documentos há- beis e idôneos. A permanáncia, no passivo, de o- brigações j, a pagas e/ou não comprovadas, caracte- riza omissao de receita. Ação fiscal procedente, em parte." Cientificada dessa decisão em 22/07/1988, no dia 19 de agosto seguinte a contribuinte apresentou suas razões de recurso a- esta Segunda Instância Administrativa, conforme peti- ção de fls. 1130/1134, cujo inteiro teor passo a ler em Plenário, para conhecimento por parte dos Senhores Conselheiros. É o relatório. VOTO Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Relator: O recurso foi manifestado no prazo legal. Conhe- ço-o por tempestivo. Analisando-se as peças que integram o presente processado, pode-se constatar que foram omitidos, no "Termo de Encerramento de Ação Fiscal", os valores constantes dos itens a- baixo relacionado: ak Nota Fiscal de Marpas S.A., constante do item 3, inciso b.2, as fls. 1018; bi refeições efetuadas pelo sócios, item 4 letra a , fls. 1018;47 SERVIÇO MOUCO VEDEM Processo 1W 13432/000.019/87-98 Acórdão 1W 103-08.938 c) comprovantes inábeis, item 4, letra b, fls.... 1018; O total indicado como despesas glosadas no ano- -base de 1985, exercício de 1986, relativo ao item 3, no valor de Cr$ 1.400.573, não corresponde â soma das parcelas enumeradas pe- la fiscalização com aquela que restou omitida, cujo valor seria de Cr$ 298.000. O resultado da referida soma atinge Cr$ 1.430.073, o que demonstra erro na quantificação da matéria tributaria. As omissões mencionadas nas letras h e c acima , não-permitiram que a então impugnante pudesse apresentar, explici -lamente, argumentações a respeito das matérias correspondentes razão pela qual às fls.1043 destes autos, constam referências ge- néricas sobre a glosa das despesas com refeições e viagens. Somen te na contestação fiscal é que restaram explicitadas as causas da glosa e as correspondentes importáncias, o que resulta, no mínimo em aperfeiçoamento do lançamento tributário. Em seu recurso a este Conselho sustenta a autua- da is verhts: "Ressalte-se que as despesas com refeições não foram julgadas, muito embora tenham sido man- tidas pela decisão recorrida, num h_desrespeito ao art. 59, inciso lido Decreto n9 70.235/72.° Tem procedência a argumentação expendida pela re corrente. Com efeito, ainda que possam ser considerados gen-erice os argumentos apresentados na inicial, conforme ressaltado ant riormente, o fato é que a contribuinte impugnou a matéria trilo ria, e da decisão proferida pela autoridade julgadora monocrat não consta qualquer referência à glosa das despesas com refei, e aquela cuja documentação foi considerada inalai'. Este Conselho tem decidido que a omissão, pz cisão a 252, de fundamentos que ensejaram a manutenção da t çao de matérias impugnadas pelo sujeito passivo, acarreta - dade do ato decisório, devendo ser proferida nova decisão Ar '5 regras constantes do creto n9 70.235, de 1972. "4 samommx»„Emmu. Processo n9 13432/000.019/87-98 4. AcOrdão n9 103-08.938 No caso sob exame, como ocorreram outras irregula ridades na fase do lançamento, entendo que além da nulidade da decisão recorrida, deve ser reaberto o prazo para nova impugnação, face ao aperfeiçoamento ocorrido coma contestação fiscal de fls. 1,111 a 1114-v. VOTO, pois, pela nulidade da decisão a quo, em ra zão,do flagrante cerceamento do direito de defesa, e para que se- ja fornecida cOpia da contestação fiscal ã contribuinte, reabrin- do-se-lhe o . prazo parnova Impugnação. Brasidia CDPY em 13 de março de 1989. SEBASTIÃO egrÁn.,Es CABRAL - RELATOR. • 04( • LISC/ Page 1 _0052400.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1 _0052900.PDF Page 1 _0053100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10314.008623/2007-25
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal.
DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciando-se a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação/fornecimento ao mercado interno, estabelecido no Ato Concessório.
DRAWBACK INTERMEDIÁRIO.
Somente serão aceitos para comprovação do Regime de Drawback Suspensão, Registros de Exportação (RE) com as informações do fabricante-intermediário, do produto-intermediário e do número do Ato Concessório do fabricante-intermediário no campo 24 (dados do fabricante), à época da exportação, de forma a permitir o efetivo controle aduaneiro.
DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO.
A autuação fiscal relativa ao descumprimento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, submodalidade fornecimento no mercado interno, deverá ser cancelada quando seu único fundamento for a nulidade do Ato Concessório declarada pelo DECEX e posteriormente anulada por esse mesmo órgão.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA.
A exigência dos juros de mora decorre de lei e estes, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. A cobrança dos encargos moratórios deve ser feita com base na variação acumulada da SELIC, como determinado por lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 3101-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitada pela defesa, e, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que ficou vencida, juntamente, com os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo; e no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, na parte referente às importações realizadas ao amparo do Ato Concessório nº 2002/0028121. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo que davam provimento total. Fez sustentação oral o advogado Celso Costa, OAB/SP nº 148.255, representante do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Valdete Aparecida Marinheiro Voto vencido.
EDITADO EM: 30/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciando-se a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação/fornecimento ao mercado interno, estabelecido no Ato Concessório. DRAWBACK INTERMEDIÁRIO. Somente serão aceitos para comprovação do Regime de Drawback Suspensão, Registros de Exportação (RE) com as informações do fabricante-intermediário, do produto-intermediário e do número do Ato Concessório do fabricante-intermediário no campo 24 (dados do fabricante), à época da exportação, de forma a permitir o efetivo controle aduaneiro. DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. A autuação fiscal relativa ao descumprimento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, submodalidade fornecimento no mercado interno, deverá ser cancelada quando seu único fundamento for a nulidade do Ato Concessório declarada pelo DECEX e posteriormente anulada por esse mesmo órgão. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. A exigência dos juros de mora decorre de lei e estes, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. A cobrança dos encargos moratórios deve ser feita com base na variação acumulada da SELIC, como determinado por lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
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Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação/fornecimento ao mercado interno, estabelecido no Ato Concessório. DRAWBACK INTERMEDIÁRIO. Somente serão aceitos para comprovação do Regime de Drawback Suspensão, Registros de Exportação (RE) com as informações do fabricanteintermediário, do produtointermediário e do número do Ato Concessório do fabricante intermediário no campo 24 (dados do fabricante), à época da exportação, de forma a permitir o efetivo controle aduaneiro. DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. A autuação fiscal relativa ao descumprimento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, submodalidade fornecimento no mercado interno, deverá ser cancelada quando seu único fundamento for a nulidade do Ato Concessório declarada pelo DECEX e posteriormente anulada por esse mesmo órgão. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. A exigência dos juros de mora decorre de lei e estes, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 86 23 /2 00 7- 25 Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 2 prazo legal. A cobrança dos encargos moratórios deve ser feita com base na variação acumulada da SELIC, como determinado por lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitada pela defesa, e, por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que ficou vencida, juntamente, com os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo; e no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, na parte referente às importações realizadas ao amparo do Ato Concessório nº 2002/0028121. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo que davam provimento total. Fez sustentação oral o advogado Celso Costa, OAB/SP nº 148.255, representante do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Valdete Aparecida Marinheiro – Voto vencido. EDITADO EM: 30/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: Tratase de auto de infração por descumprimento do regime aduaneiro especial de drawback suspensão e pela falta de recolhimento de tributos incidentes na importação. Com relação ao Ato Concessório n° 20040205924 (drawback intermediário), afirma a fiscalização que houve descumprimento do regime, pela não comprovação das exportações previstas para o adimplemento do ato concessório. Cobrouse por este auto os tributos suspensos e os devidos acréscimos legais. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10314.008623/200725 Acórdão n.º 3101001.430 S3C1T1 Fl. 4 3 Com relação ao Ato Concessório nº 20020028121 (drawback para fornecimento no mercado interno), tendo sido o mesmo declarado nulo pela SECEX, foram cobrados todos os tributos não recolhidos no momento da importação, acrescidos dos devidos acréscimos legais. Intimada do Auto de Infração em 03/09/2007 (fl. 01), a interessada apresentou impugnação e documentos em 02/10/2007, juntados ás fis. 890 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário, com relação às declarações de importação de números 02/07074121 e 02/07074873. Fundamenta sua tese no art. 150, § 4° do CTN. 2. Alega que, com relação ao Ato Concessório n° 20040205924, foi cumprido o compromisso de exportação, havendo apenas erro formal no preenchimento do RE pela não vinculação do número do ato concess6rio no campo próprio (no campo 25 em vez de no campo 24). Alega ainda que a fiscalização não diligenciou em nenhum momento no sentido de verificar o efetivo cumprimento do regime. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. 3. Com relação ao Ato Concessório n° 20020028121, questiona o resultado do processo administrativo da SECEX n° 52500.000428/200619, que considerou nulo o referido ato. Discorre sobre os fundamentos jurídicos da decisão e cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. 4. Alega ser incabível a cobrança de juros, multa e correção monetária. Baseia sua argumentação no art. 100 do CTN. Alega que cumpriu com todas as normas regulamentares atinentes ao regime de drawback. 5. Alega a inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios. 6. Requer, por fim, que seja cancelada a autuação em seu principal, juros e multas. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, lançando seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. NULIDADE. Declarada a nulidade do ato concessório de drawback, é inválido o regime aduaneiro suspensivo e são exigíveis os tributos aduaneiros incidentes sobre a importação. Não recolhidos os tributos pela interessada, é procedente a exigência dos mesmos, acrescidos de juros Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 4 de mora, e a aplicação das multas previstas nos artigos 44 e 45 da Lei nº9.430/1996. DECADÊNCIA. DRAWBACK SUSPENSÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial para contagem do prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, será o 1° dia do ano seguinte ao do recebimento do Relatório (final) de Comprovação de Drawback, emitido pela Secex e encaminhado à SRF, para cientificação quanto ao inadimplemento do compromisso de exportação. Lançamento Procedente Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário (fls. 13601412 do eprocesso) onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação e aduz a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fl. 1413 do e processo. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1419 1434 do eprocesso), requerendo negativa ao apelo da recorrente e manutenção da decisão recorrida. Diante dos argumentos trazidos pela recorrente e pela Fazenda Nacional, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, em sessão realizada em 19/10/2009, houve por bem converter o julgamento em diligência para: (i) verificação no SISCOMEX da indicação do Ato Concessório 20040205924 no RE originário apresentado pela empresa Prensas Schuler; e (ii) manifestação da DECEX acerca dos efeitos da Lei 11.732/2008, bem como acerca da revogação do Ato Concessório 20020028121 (Decisão DECEX nº 356/2007). Em atendimento ao disposto na Resolução 3101.00.061, a unidade de origem anexou o Ofício nº 579/DECEX (fls. 1474 do eprocesso) e informação do Serviço de Fiscalização Aduaneira III da IRF/São Paulo (fls. 1475 do eprocesso). A recorrente apresentou manifestação ao resultado da diligência às folhas 14801488 do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Preliminar Em decorrência da anterior diligência determinada e sugerida pelo Conselheiro Luiz Roberto Domingo não ter sido satisfatória, proponho a conversão do presente processo em diligência na forma do proposto anteriormente. Valdete Aparecida Marinheiro Conselheira Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10314.008623/200725 Acórdão n.º 3101001.430 S3C1T1 Fl. 5 5 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados por alegada ausência de pagamento de Imposto de Importação, Imposto sobre Produto Industrializado, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Importação e Contribuição para o Programa de Integração Social – importação, em decorrência de descumprimento de Regime Aduaneiro Especial de Drawback, relativamente a 2 Atos concessórios distintos, emitidos em nome da Recorrente, quais sejam: (1) Ato Concessório 20040205924 (drawback intermediário); e (2) Ato Concessório 20020028121 (drawback para fornecimento no mercado interno). Com relação ao Ato Concessório 20040205924, a autoridade lançadora alega descumprimento do Regime Especial de Drawback pela Recorrente, uma vez que não houve vinculação do registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório concedido. Com relação ao Ato Concessório 20020028121, a autoridade lançadora alega que a Decisão DECEX nº 356/2007 cassou, inclusive com efeitos retroativos, o Regime Especial de Drawback da Recorrente, de modo a permitir a imediata exigibilidade dos valores não recolhidos em razão do benefício de suspensão dos tributos aduaneiros. O principal fundamento para a prolação da decisão do DECEX foi o fato de que a licitação internacional vencida pela Recorrente não ter sido promovida por entidade mencionada no parágrafo único do artigo 1º da lei 8.666/93, o que pretensamente seria um requisito nos termos do Ato Declaratório Interpretativo nº 12/2007 e da Lei 8.032/90. A recorrente alega, em síntese: em preliminar ao mérito, (i) a nulidade da decisão proferida pelo órgão julgador de 1ª instancia frente à competência da autoridade administrativa para analisar lançamento tributário; em preliminar de mérito, (ii) a decadência; (iii) o efetivo cumprimento do Ato Concessório nº 20040205924 (Drawback intermediário), porquanto a falta de aposição de RE no campo 24 consubstancia mero erro formal; (iv) a validade e impossibilidade de cassação com efeitos retroativos do Drawback para Fornecimento no Mercado Interno Ato Concessório n° 20020028121 e a aplicação do art. 100 do Código Tributário Nacional, para exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; e (v) a ilegitimidade da aplicação da taxa SELIC para o cômputo dos juros moratórios. Da preliminar de diligência Por entender que a diligência determinada através da Resolução 3101.00.061 foi atendida pela unidade de origem, com a anexação do Ofício nº 579/DECEX (fls. 1474 do eprocesso) e com a informação do Serviço de Fiscalização Aduaneira III da IRF/São Paulo (fls. 1475 do eprocesso), essa turma de julgamento rejeitou a preliminar de diligência suscitada pela Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 6 Da alegada nulidade da decisão proferida pelo órgão julgador de 1ª instancia frente à competência da autoridade administrativa para analisar lançamento Quanto à alegação de que o r. Acórdão seria nulo porque não houve apreciação dos fundamentos e provas trazidas pela Recorrente, não encontra razão a recorrente. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos na impugnação, devendo manifestarse de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. No presente caso, o ilustre relator do acórdão recorrido apresentou a fundamentação para não conhecer das alegações da impugnante acerca da legalidade da decisão proferida no processo administrativo do SECEX n° 52500.000428/200619: falta de competência legal da Secretaria da Receita Federal do Brasil e consequentemente daquela instância julgadora, vinculadas ao Ministério da Fazenda, para conhecer de recurso contra decisão administrativa exarada por órgão vinculado a outro ministério, qual seja, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, visto que a Lei nº9.784/1999 dispõe que o recurso administrativo é dirigido à autoridade prolatora da decisão que, não se retratando, o submete à autoridade hierarquicamente superior. A SECEX integra a estrutura do Ministério do Desenvolvimento, de sorte que é absolutamente incompetente qualquer órgão do Ministério da Fazenda para reformar uma decisão proferida por aquele Departamento. Da decadência A questão da decadência no regime aduaneiro especial de Drawback já foi pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que passou a adotar o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. No Acórdão n° 930300.147, de 11 de agosto de 2009, cujo voto condutor foi do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, colho os fundamentos da aplicação do regime jurídico da decadência com base no art. 173, inciso I: “A primeira questão que se apresenta a debate diz respeito à decadência para lançamento do crédito tributário quando o sujeito passivo encontrasse ao abrigo de regime aduaneiro especial em que o lançamento fiscal não pode ser feito enquanto durar o RAE. Aqui, não se pode falar em homologação de pagamentos ou de atos preparatórios efetuados pelo sujeito passivo, pois, na vigência do regime, não há lançamento ou atos preparatórios a serem praticados. Desta feita, o § 4° do art. 150 não se aplica ao caso em discussão, o qual é regido pelo disposto no inciso I do artigo 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. De outro lado, temse que, nas hipóteses de drawback, modalidade suspensão, o lançamento não pode ser efetuado na data da importação vinculada ao ato concessório, em virtude da suspensão, mas, tão somente, a partir do momento em que se encerra o regime, posto que, até essa data, o sujeito passivo poderia adimplir as condições, e, com isso, resolver a pertinente obrigação tributária. [...]” Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10314.008623/200725 Acórdão n.º 3101001.430 S3C1T1 Fl. 6 7 Inobstante, o STJ já pacificou o entendimento acerca da contagem do prazo decadencial, quando o contribuinte não antecipa o pagamento, como é o caso: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 8 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) O Regulamento Aduaneiro atualmente em vigor trata do tema, no mesmo sentido, em seu artigo 752, verbis: Art. 752 [...] 3º. no regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. Aplicando esse entendimento ao presente caso, temos o Ato Concessório 20020028121, com validade de 13/08/2002 a 04/02/2006, e o Ato Concessório 20040205924, com validade de 20/10/2004 a 20/10/2005. Portanto a contagem do prazo decadencial iniciou se em 01/01/2007 para o Ato Concessório 20020028121, e em 01/01/2006 para o Ato Concessório 2004020592. Como a ciência do lançamento de ofício deuse em 03/09/2008, tornase improcedente o argumento trazido pela contribuinte de que o crédito tributário já havia decaído. Do Mérito Drawback Intermediário Ato Concessório n° 20040205924 O Ato Concessório nº 20040205924 foi registrado em 25/08/2004, com validade de 20/10/2004 a 20/10/2005, e seu status no sistema de controle do DECEX era “INAD. TOTAL” (fls. 1181 do eprocesso). Tratase de Drawback intermediário, definido como uma operação especial de drawback, concedido na modalidade suspensão, que se caracteriza pela importação de mercadoria, por empresas denominadas fabricantesintermediários, destinada a processo de industrialização de produto intermediário a ser fornecido a empresas industriais exportadoras, para emprego na industrialização de produto final. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10314.008623/200725 Acórdão n.º 3101001.430 S3C1T1 Fl. 7 9 Foram autorizadas as importações de insumos para utilização na produção do produto intermediário, classificado na NCM 85371090, denominado de “Sistemas de Automação para prensas Schuler”. As importações vinculadas ao referido Ato Concessório de Drawback foram as seguintes: DI 04/10603532, data do registro 20/10/2004; DI 04/10624742, data do registro 20/10/2004; e DI 04/10791029, data do registro 25/10/2004. Os itens importados ingressaram no estabelecimento da recorrente acobertados pelos seguintes documentos: Notas Fiscais de Entrada nº029655, emitida em 27/10/2004, nº029598, emitida em 21/10/2004, e nº029677, emitida em 28/10/2004. A recorrente alega que cumpriu todos os requisitos para a fruição do benefício do drawback intermediário, com o fornecimento do produto intermediário (sistemas de automação) para a empresa PRENSAS SCHULER S.A, conforme Notas Fiscais de Venda nªs 20056, 20748, 21524, 21532, 21587, 23546, 23563, 25306, 27144, 28981, 32127, 32129, 32130, 32131, 32134, 35693, 36091, 36100, 36101, 36132, 36133, 36134, 36135, 42692, 32693, 35697, 36096, emitidas nos meses de novembro e dezembro de 2004. Alega que a empresa exportadora PRENSAS SCHULER S.A, exportou o produto final em que foram empregados os sistemas de automação fabricados pela Recorrente, apresentando a Nota Fiscal de Venda expedida em 04/01/2005 (fls. 1308 do eprocesso), e que a efetiva exportação ocorreu através do Registro de Exportação RE n° 05/0086803001, averbado em 20/01/2005. Analisando os elementos probatórios dos autos, inclusive aqueles apresentados na diligência fiscal proposta por esse órgão julgador, constatamos que a empresa efetuou 3 importações amparadas pelo referido Ato Concessório, e, com a finalidade de encerrar tal Ato, informou à SECEX o RE 05/0086803001, como sendo a exportação que cumpriria o compromisso firmado no Ato Concess6rio. Acontece que, consultando as informações prestadas no próprio RE, à época da exportação, vemos que o mesmo não foi vinculado ao Ato Concessório n° 20040205924 em nenhum campo, nem no campo 24, o que seria correto, nem no campo 25, conforme alegado pela recorrente, motivo pelo qual a SECEX não o aceitou. A glosa total da única exportação em cumprimento ao Ato Concessório implica na Inadimplência total do mesmo. Foi exatamente o status que a SECEX atribuiu ao Ato Concessório analisado, que a fiscalização ratifica na auditoria fiscal. A alegação da recorrente de que o Ato Concessório em questão foi vinculado ao RE 05/0086803001, mas em campo errado (campo 25 ao invés do campo 24), e que posteriormente foi retificado o erro, conforme constatado pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira III da IRF/São Paulo, em atendimento à diligência fiscal determinada por esse órgão julgador (fls. 1475 do eprocesso), não reflete no adimplemento do referido Ato Concessório de Drawback, visto que à época da exportação (considerando a data de averbação em 10/02/2005) não havia nenhuma referência no RE 05/0086803001 do Ato Concessório 20040205924. Conforme consta do próprio RE, as informações do campo “25 OBSERVAÇÃO/EXPORTADOR”, onde foram incluídas informações sobre o fabricante/intermediário Siemens Ltda, e a referência ao Ato Concessório 20040205924, foram efetuadas após a averbação do referido RE, conforme informação do campo “26 MENSAGENS DE ADVERTENCIA” do próprio RE (fls.859 do eprocesso): “ALTERACAO OBSERVAÇÃO EXPORTADOR APÓS AVERBACAO”. A falta da indicação do Ato Concessório de Drawback 20040205924 no RE 05/0086803001, no devido campo 24 do RE ou em qualquer outro campo, à época da exportação, impediu a verificação da fiscalização aduaneira e a comprovação de que o produto exportado utilizava o produto intermediário alegadamente fornecido pela recorrente, impedindo a comprovação do adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback e o devido controle aduaneiro. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 10 Além desse fato, a Nota Fiscal nº 086199 (fls. 1308 do eprocesso), emitida pela empresa exportadora PRENSAS SCHULER S.A, relativo à exportação em questão, da maneira como se apresentava preenchida (mesmo com a carta de retificação apresentada – fls.1309 do eprocesso), não assegura que os produtos exportados tenham sido produzidos com a utilização de produtos intermediários fabricados pela SIEMENS, e não faz referência ao AC nº 20040205924, mas sim a outro Ato Concessório, o de número 20040066576, estranho à lide. Outro fato comprova a alegação da fiscalização e o inadimplemento do referido Ato Concessório de Drawback: a retificação do campo 24 do RE 05/0086803001, constatado pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira III da IRF/São Paulo, em atendimento à diligência fiscal determinada por esse órgão julgador, efetivamente processou à informação do Ato Concessório em questão no devido campo (24DADOS DO FABRICANTE), mas acrescentou uma observação de suma relevância no campo 25 OBSERVAÇÃO/EXPORTADOR: “DECLARAMOS SOB A PENA DA LEI QUE O PRESENTE REGISTRO DE EXPORTAÇÃO (RE) NÃO FOI UTILIZADO PARA A COMPROVAÇÃO DE COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO VINCULADO AO ATO CONCESSÓRIO DE DRAWBACK NR. 20040205924, NEM EM NENHUMA OUTRA COMPROVAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO CONCEDIDO A ESTA EMPRESA” (fls. 1471 do eprocesso). Tanto a alteração do campo 25OBSERVAÇÕES quanto do campo 24 DADOS DO FABRICANTE foram efetuadas após a averbação do RE (fls.1472 do e processo). A menção expressa da participação do fabricanteintermediário no Registro de Exportação (RE) é prevista no Art. 101 e a vinculação do RE ao Ato Concessório é mandamento do artigo 141, ambos da Portaria SECEX nº 14/2004. Quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da mercadoria importada o Ato Concessório será considerado inadimplido. O ANEXO “G” da Portaria SECEX nº 14/2004, trata da exportação vinculada ao regime de drawback, com os seguintes mandamentos: [...] 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Operação do SISCOMEX Exportação, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). [...] 7. Quando, na industrialização do produto, houver a participação de produtointermediário, a industrialexportadora deverá consignar no campo 24 (dados do fabricante) do RE: I CNPJ do fabricanteintermediário; II NCM do produtointermediário; III Unidade da Federação onde o fabricanteintermediário se situa; IV número do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, do fabricanteintermediário; Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10314.008623/200725 Acórdão n.º 3101001.430 S3C1T1 Fl. 8 11 V quantidade do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final, na unidade da NCM; VI valor do produto intermediário efetivamente utilizado no produto final, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra ptax vigente na dia útil imediatamente anterior à emissão da Nota Fiscal que amparou o fornecimento. Ainda que se aceitasse a informação retificada do RE após a sua averbação (o que violaria o Controle Aduaneiro), tal informação seria insuficiente para comprovar o adimplemento do regime, visto que não foram consignados em nenhum campo as informações previstas nos incisos II, III, V e VI, do item 7 do ANEXO “G” da Portaria SECEX nº 14/2004. Portanto, não merece reparo o entendimento da fiscalização, que considerou o Ato Concessório de Drawback nº 20040205924 inadimplido, sendo devido o lançamento dos tributos suspensos com os acréscimos legais. Drawback Fornecimento no Mercado Interno Ato Concessório n° 20020028121 Dentre as submodalidades previstas na legislação, existe aquela denominada DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO, com previsão legal no artigo 5° da Lei n° 8.032/90, alterada posteriormente pela Lei n ° 10.184/01: Art.5º O regime aduaneiro especial de que trata o inciso II do art. 78 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado às importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no Pais, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. Essa submodalidade de Drawback tem por objetivo proporcionar à empresa nacional maior competitividade nas Licitações Internacionais, uma vez que poderão ser aplicadas às importações de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à industrialização, no pais, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, sem o ônus dos tributos devidos na importação sujeita ao Regime Comum. Nessa submodalidade de drawback, além do resultado cambial positivo esperado, as operações vinculadas ao drawback devem atender aos seguintes requisitos, para a fruição do benefício: (1) existência de Licitação Internacional; (2) vinculação entre as importações realizadas e o fornecimento a ser realizado no mercado interno; (3) fabricação no Brasil das máquinas e equipamentos pelo beneficiário do regime; (4) fornecimento das Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 12 máquinas e equipamentos fabricados no País pelo vencedor da licitação internacional (ou subcontratado, desde que previsto contratualmente) ao licitante; (5) pagamento do fornecimento com recursos oriundos de moeda conversível, totalmente proveniente de financiamento externo (ou BNDES com recurso externo) obtido pela empresa licitante; (6) resultado cambial positivo das operações de importação e exportação, propiciando o ingresso de divisas no mercado nacional. Em 30 de junho de 2008 foi editada a Lei nº 11.732, de natureza interpretativa, que tratou do conceito e do requisito de licitação internacional para fins de beneficio do Drawback Mercado Interno: Art 3° Para efeito de interpretação do art. 5° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, licitação internacional é aquela promovida tanto por pessoas jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado. § 1° Na licitação internacional de que trata o caput deste artigo, as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público deverão observar as normas e procedimentos previstos na legislação especifica, e as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado, as normas e procedimentos das entidades financiadoras. §2° (VETADO) §3° Na ausência de normas e procedimentos específicos das entidades financiadoras, as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado observarão aqueles previstos na legislação brasileira, no que couber. § 4º (VETADO) §5º O Poder Executivo regulamentará, por Decreto, no prazo de 60 (sessenta) dias contados da entrada em vigor da Medida Provisória 418, de 14 de fevereiro de 2008, as normas e procedimentos específicos a serem observados nas licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado do setor privado a partir de 1° de maio de 2008, nos termos do caput e parágrafos deste artigo, sem prejuízo da validade das licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado até esta data. O Decreto n° 6.702, de 18 de dezembro de 2008, regulamentou o art. 3° da Lei nº 11.732, de 30 de junho de 2008, e instituiu normas e procedimentos aplicáveis ás licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado do setor privado. Art. 1° A importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados a fabricação, no Pais, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, sob amparo do regime aduaneiro especial de que trata o art. 5° da Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990, será necessariamente precedida de licitação internacional, conforme as disposições deste Decreto. Parágrafo único. O fornecimento de que trata o caput, decorrente de licitação internacional, é aquele realizado integralmente contra pagamento com recursos oriundos de moeda conversível proveniente de Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 10314.008623/200725 Acórdão n.º 3101001.430 S3C1T1 Fl. 9 13 financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. Art. 2° Considerase licitação internacional, para efeito deste Decreto, o procedimento promovido por pessoas jurídicas de direito público e por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado, destinado à seleção da proposta mais vantajosa a contratante, observados os princípios da isonomia, da impessoalidade, da publicidade, da probidade, da vincula vão ao instrumento convocatório, da ampla competição e do julgamento objetivo. ,¢ 1 ° As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público obedecerão its normas e procedimentos previstos na legislação especifica. §* 2° As pessoas jurídicas de direito privado do setor privado obedecerão as normas e procedimentos específicos das entidades financiadoras, ou, na sua falta, as disposições deste Decreto. O Ato Concessório de Drawback nº20020028121 foi registrado em 26/02/2002, com validade de 13/08/2002 a 04/02/2006, e referiase a essa submodalidade de drawback: drawback para fornecimento no mercado interno. No procedimento fiscal, foi constatado que, após a instauração de Processo Administrativo na Secretaria de Comércio Exterior para revisão referido Ato Concess6rio, o Departamento de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, através da Decisão DECEX nº 356/2007 cassou, inclusive com efeitos retroativos, o Regime Especial de Drawback da Recorrente, de modo a permitir a imediata exigibilidade dos valores não recolhidos em razão do benefício de suspensão dos tributos aduaneiros. Dessa forma, a fiscalização efetuou o lançamento dos tributos suspensos vinculados às importações amparadas pelo referido Ato Concessório de Drawback, por ter sido considerado NULO o Ato Concessório em questão, a partir de sua validade inicial, conforme extraise do Relatório Fiscal (fls.223225 do eprocesso). Apenas essa alegação consta do Auto de Infração: a nulidade do Ato Concessório nº20020028121. O fundamento para a prolação da decisão do DECEX foi o fato de que a licitação internacional vencida pela Recorrente não ter sido promovida por entidade mencionada no parágrafo único do artigo 1º da lei 8.666/93, o que pretensamente seria um requisito nos termos do Ato Declaratório Interpretativo nº 12/2007 e da Lei 8.032/90. Entretanto, com a edição da Lei nº 11.732/2008, de natureza interpretativa, e do Decreto n° 6.702/2008, a questão da licitação internacional ficou esclarecida. Em atendimento ao disposto na Resolução 3101.00.061, a unidade de origem anexou o Ofício nº 579/DECEX de 28/11/2011 (fls. 1474 do eprocesso), através do qual aquele órgão concedente informou sobre a anulação da Decisão n° 356/DECEX/2007 e do restabelecimento do Ato Concessório de Drawback n° 20020028121. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 14 Portanto, como o fundamento do Auto de Infração relativo ao descumprimento do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, submodalidade Fornecimento no mercado interno, Ato Concessório nº 20020028121, foi a nulidade do referido Ato Concessório declarada pela Decisão DECEX nº 356/2007, e que essa cassação foi anulada conforme informação do Ofício nº 579/DECEX de 28/11/2011 (fls. 1474 do eprocesso); como a questão da licitação internacional já foi esclarecida com a edição da Lei nº 11.732/2008, de natureza interpretativa, e do Decreto n° 6.702/2008, considerando que a licitação internacional seria aquela promovida tanto por pessoas jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado; e que nenhum outro requisito para a fruição do regime foi analisada e seu descumprimento comprovado nos autos pela fiscalização, o crédito tributário referente às importações realizadas vinculadas ao Ato Concess6rio n° 20020028121, deverá ser cancelado. Da aplicação da taxa SELIC Quanto ao argumento de inaplicabilidade dos juros SELIC para fins tributários, a jurisprudência administrativa já firmou entendimento contrário, quando caracterizada a inadimplência, conforme Súmula CARF nº 4, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A exigência dos juros de mora decorre de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento. Existindo a mora, devem ser consignados no lançamento os encargos legais cabíveis, de acordo com o disposto no artigo 161 do CTN, seja qual for o motivo determinante da falta. Portanto, não deve ser afastada a aplicação dos juros de mora nos autos de infração objetos do presente processo administrativo fiscal, e a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), de acordo com a súmula 4 do CARF. CONCLUSÕES Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 23 de julho de 2013. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [Assinado digitalmente] Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Numero do processo: 19515.001438/2006-37
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
ART. 29 DO DECRETO 70.235/72. AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão sobre ponto crucial apontado pelo contribuinte (Súmula CARF nº 29) fulmina a decisão recorrida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a nulidade da decisão recorrida e remetendo o processo a DRJ a fim de que seja analisada a violação da Súmula CARF No. 29 do CARF, conforme alegado pelo Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão sobre ponto crucial apontado pelo contribuinte (Súmula CARF nº 29) fulmina a decisão recorrida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a nulidade da decisão recorrida e remetendo o processo a DRJ a fim de que seja analisada a violação da Súmula CARF No. 29 do CARF, conforme alegado pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 38 /2 00 6- 37 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente, no anocalendário 2002, os registros de suas transações bancárias, os dados complementares obtidos através de CPMF e a documentação cedida pelo recorrente, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido ano calendário. O recorrente foi intimado do Termo de Início de Fiscalização, em 11/01/06, requisitando a apresentação de: a) relação do(s) nome(s), do(s) banco(s), nº de agência e nº de conta corrente, de todas as instituições financeiras que manteve conta no período de 2002; b) extratos bancários de conta corrente, aplicações financeiras, cadernetas de poupança e todas as contas mantidas em seu nome, cônjuge e dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de 2002; c) documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos depósitos bancários efetuados nas contas correntes mantidas em seu nome, bem como a tributação dos mesmos (fls. 1213). Em 27/01/06, o recorrente informou à fiscalização que sua família encontrava se em viagem, e solicitou a prorrogação do prazo para que os documentos fossem solicitados às instituições financeiras quando regressassem (fl. 16). A solicitação foi deferida. Posteriormente, o recorrente apresentou: a) declaração contendo os nomes dos bancos, os quais mante conta corrente, suas agências e números (fl. 18); b) extratos bancários (fls. 3181); c) DIRPF/2002 (fls. 1930). Em 15/05/06, o recorrente foi intimado a informar e comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme relação de créditos anexa ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 8293). O contribuinte, em 02/06/06, requereu a dilação do prazo (fl. 95), ao argumento de que grande parte da origem dos recursos haveria de ser atribuída à “empresa” com atividades encerradas. A fiscalização concedeu a dilação do prazo por 20 dias, após esse prazo o contribuinte não se manifestou, motivo pelo qual foi encerrado o procedimento de fiscalização. 2 Notificação do Lançamento Em 13/07/06, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 110115), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes aos quais, o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O crédito tributário restou constituído no montante de R$ 731.056,79, incluídos IRPF, multa estabelecida ao patamar de 75% e juros moratórios. O contribuinte tomou ciência da notificação em 27/07/06 3 Impugnação Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.001438/200637 Acórdão n.º 2202002.759 S2C2T2 Fl. 241 3 Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 119138) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a fiscalização não observou que a conta nº 61.367/3, Banco Bradesco, é uma conta conjunta, e não intimou os cotitulares; b) houve movimentação financeira durante o ano de 2002, nos Bancos Bradesco (R$ 1.252.660,17) e Itaú (R$ 9.997,87), enquanto os rendimento declarados são da ordem de R$ 169.256,97 (dos quais R$ 24.760,00 tributáveis e R$ 144.496,07 isentos, visto que a principal atividade do contribuinte é de sócio diretor de pessoa jurídica, cujos lucros distribuídos são isentos na declaração de pessoa física); c) há vários depósitos e movimentações de valores pequenos que o contribuinte, pessoa física não era obrigado a escriturar sua vida financeira, não tinha mais como identificar detalhadamente. Além do mais, a conta do Banco Bradesco, é uma conta conjunta com outra pessoa física, com movimentação em separado, o que impedia o fiscalizado de identificar todas as transações, pois desconhece a origem dos depósitos e saques efetuados pelo outro co responsável pela conta bancária; d) em entrevista com a fiscalização foi informado que parte dos depósitos feitos em nome do recorrente na conta do Banco Bradesco, se referiam aos lucros distribuídos pela pessoa jurídica da qual era sócio, e que já haviam sido tributados na contabilidade da empresa, sendo isentos de tributação na pessoa física. Foi explicado ainda que não havia como lembrar e comprovar documentalmente cada movimentação na conta, principalmente dos valores menores. E foi observado que o outro titular da conta também deveria ter sido intimado para prestar esclarecimento, pois quando há conta conjunta, normalmente, para fins de CPMF, só aparece o CPF do primeiro titular, que figura como se toda a movimentação financeira lhe dissesse respeito, o que não é verdade; e) a fiscalização desconsiderou os valores recebidos durante o ano base, e constantes de sua declaração de rendimentos, tais como recebimento de pró labore de empresas, lucros distribuídos, valor relativo a venda de imóvel, e valores relativos a restituição de capital social em razão de extinção de uma pessoa jurídica da qual era sócio. A movimentação financeira foi totalmente adicionada aos rendimentos declarados, como se tais rendimentos não estivessem incluídos na citada movimentação. Dessa forma, o recorrente está sendo tributado em duplicidade, inclusive em relação aos seus rendimentos inseridos na declaração; f) segundo a fiscalização teriam sido expurgados apenas os valores decorrentes de devolução de cheques de terceiros depositados, resgates de aplicações financeiras e estornos diversos feitos pelo banco, além de transferência interbancárias do próprio fiscalizado, e valores já tributados e de identificação equivocada. Entretanto, não há, no auto de infração, identificação desses valores, com a demonstração detalhada de como teria sido feito tal expurgo, o que certamente é motivo de cerceamento do direito de defesa do contribuinte; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 g) segundo se verifica dos quadros constantes do TVF, o total da movimentação financeira dos bancos Bradesco, Itaú e HSBC totalizava no ano, o valor de R$ 1.252.660,17, e os rendimento declarados no ano calendário totalizaram R$ 169.256,07. Se tais valores tivessem sido expurgados do total de depósitos bancários, teríamos um saldo líquido de R$ 1.083.404,10. Como após os expurgos de cheques devolvidos, estornos e resgates de aplicações financeiras a fiscalização chegou a um valor líquido de R$ 1.163.817,79, a conclusão é que nem mesmo os rendimentos informados na DIRPF foram considerados, tributandose novamente todos os depósitos bancários, numa inconcebível bitributação; h) houve cerceamento do direito de defesa e ilegalidade no caso das contas conjuntas onde o fisco não examinou individualizadamente os depósitos nem intimou os demais titulares a prestarem informações; i) havendo conta conjunta, há que se intimar todos os titulares, para identificarem a origem dos recursos; j) considerados mês a mês determinados valores, como sendo receita omitida, e tributados esses valores, estes devem servir de prova para justificas futuros depósitos em contas bancárias dos mesmos titulares; k) inexiste, na legislação vigente, em relação às pessoas físicas, qualquer obrigação no sentido de manterem escrituração regular ou registro de suas operações. Isso nos leva a interpretar que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a desconsideração de recursos comprovados ou tributados para dar respaldo aos valores depositados/creditados em contas bancárias, ainda que de forma parcial, independentemente de coincidência de datas e valores; l) o recurso omitido em janeiro no valor de R$ 216.346,58 foi tributado em fevereiro; a omissão em fevereiro no valor de R$ 31.779,98 foi totalmente coberta pelos recursos anteriores, restando saldo para o mês seguinte no valor de R$ 184.566,69; a omissão detectada em março no valor de R$ 142.083,71 foi totalmente coberta pelos recursos anteriores, restando como saldo remanescente de R$ 42.482,98; m) o descabimento de aplicação de penalidade calçada em presunção: a lei autoriza em alguns casos, que se presuma omissão de receita, e que se divida esse quantum proporcionalmente ao número de titulares de conta conjunta, mas não autoriza que se presuma a prática da infração de declaração inexata; Em anexo foi juntado documento do Banco Bradesco informando que a conta nº 61.367/3 foi de titularidade do recorrente e do Sr. Júlio Cesar Ferreira Nunes, no período de de 09/2001 à 02/2003 (fls. 141) 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade, (fls. 153173) mantendo a exigência fiscal de IRPF. Os fundamentos foram os seguintes: a) os argumentos referentes à inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de normas não são oponíveis à instância julgadora administrativa, pois a Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.001438/200637 Acórdão n.º 2202002.759 S2C2T2 Fl. 242 5 autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle da legalidade do lançamento tributário; b) de acordo com o art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação; c) são improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares de Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naquele litígio; d) não cabe os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal. Não há nele vício que comprometa a validade do lançamento. Ao contrário do que entende o impugnante, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72; e) o interessado teve, sim, conhecimento não só de tudo o que contém o auto de infração e partes integrantes, mas também do processo como um todo, pois lhe foi oportunizada vista dos autos; f) a partir de 01/01/97, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021/90, com a edição da Lei nº 9.430/96. A partir dessa data, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considera ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando a necessidade de demonstrar os sinais exteriores de riqueza requeridos pela Lei nº 8.021/90; g) a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase, por outro lado, de presunção juris tantum, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. No caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto: diante do indício de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operou a inversão do ônus da prova, cabendo ao interessado, a partir de então, prova a inocorrência do fato ou justificar sua existência; h) ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada; i) o objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Desta forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/96; j) as razões oferecidas pelo recorrente, desacompanhadas de provas documentais hábeis e idôneas, não têm o condão de elidir a tributação. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa, precluindo o direito do impugnante que deixar de fazêlo. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz, de acordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72; k) restou evidenciado através dos documentos acostados aos autos que o intenso trabalho de fiscalização carreou aos autos provas, de modo a basear a autuação em fatos incontroversos e irrefutáveis, que tiveram relevância e efeitos jurídicos na esfera tributária. Sendo assim, não há como se acatar as alegações de que nada restou comprovado a seu respeito que viesse a justificar a presente autuação, haja vista que as inúmeras provas constantes dos autos apontamno como sujeito passivo da relação obrigacional tributária, por aquisição de disponibilidade econômica de renda, em decorrência das práticas elencadas e evidenciadas nos autos do presente processo; l) equivocase o contribuinte na interpretação do que ordena o art. 42 da Lei nº 9.430/96, no que diz respeito a desconsiderar depósitos inferiores a R$ 12.000,00, pois o dispositivo citado somente se enquadraria nos casos em que o total dos depósitos bancários de origem não comprovada ultrapassasse R$ 80.000,00, e não somente aqueles inferiores a R$ 12.000,00; m) a multa de ofício está prevista no art. 44, I e II, e § 2º da Lei nº 9.430/96, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 10/03/09, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 201217), repisando os argumentos da impugnação, e acrescentando os seguintes: a) a autoridade julgadora desconsiderou todas as alegações apresentadas, pois (i) embora a impugnação não estivesse calçada em alegações de inconstitucionalidade de lei, teceu considerações sobre esse assunto; (ii) não se manifestou a cerca da ausência de intimação do co titular da conta bancária; (iii) não considerou a manifestação do Banco Santander que Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.001438/200637 Acórdão n.º 2202002.759 S2C2T2 Fl. 243 7 afirma que a conta nº 61.367/3 foi de titularidade do recorrente e do Sr. Júlio Cesar Ferreira Nunes, no período de 09/2001 à 02/2003; b) para que fosse excluída a autuação da conta conjunta onde o segundo titular sequer foi intimado, o Relator se limitou a entender que se os Conselhos de Contribuintes e outras DRJs assim entendem, a DRJ/BEL tem de seguir esse entendimento; c) o entendimento de que só serão desconsiderados depósitos de limite individual inferior a R$ 12.000,00, se o limite global do ano for inferior a R$ 80.000,00, fere o princípio da igualdade tributária. Todos os contribuinte têm direito à exclusão de cheques inferiores a R$ 12.000,00 até o limite de R$ 80.000,00 por ano, se houver excesso, este será considerado tributo; Em anexo, foram juntadas cópias de cheques (fls. 220227). É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 PRELIMINAR: Da Conta Conjunta O recorrente sustenta que a fiscalização não observou que a conta nº 61.367/3, do Banco Bradesco, é uma conta conjunta e não intimou os cotitulares, motivo pelo qual os valores glosados referentes a essa conta devem ser excluídos da base de cálculo. Assiste razão ao contribuinte. Nos termos do Decreto 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência para anular o ato, esta está explicitada na Lei 9.784/99: Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. No caso em análise, verificase que: a) consta dos autos carta emitida pelo Banco Bradesco (fl. 141), informando que a conta bancária nº 61367, da agência 03057, possuía durante o período de 09/2001 à 02/2003 dois cotitulares, o recorrente e o Sr. Júlio Cesar Ferreira Nunes; b) existe entendimento sumulado (Súmula CARF nº 29) no sentido de que todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos bancários nela efetuados; c) não há nos autos qualquer evidência de que o cotitular foi intimado a comprovar a origem dos depósitos. Todavia, ainda que a questão da cotitularidade da referida conta tenha sido incitada pelo recorrente em sede de Impugnação, a decisão recorrida (fls. 153173) mantevese omissa neste ponto. Saliento que o art. 42, da Lei nº 9.430/96 permitiu à Fazenda Nacional lançar Imposto sobre a Renda com base em depósitos bancários, quando, após intimação do contribuinte, não seja comprovada a origem destes rendimentos. Tal disposição criou presunção de renda omitida quando a verdadeira origem dos rendimentos não é elucidada. Contudo, diversos regramentos regem esta prerrogativa, conforme pode ser apreendido da leitura do dispositivo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.001438/200637 Acórdão n.º 2202002.759 S2C2T2 Fl. 244 9 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Deve ser grifado o § 6º, vez que o ponto nevrálgico da análise do lançamento passa por ele. Conforme carta emitida pelo Banco Bradesco (fl. 141), a conta bancária em questão — nº 61367, da agência 03057 — possuía durante o período de 09/2001 à 02/2003 dois cotitulares, o recorrente e o Sr. Júlio Cesar Ferreira Nunes. Verificase, ao compulsar os autos, que somente o recorrente foi intimado a apresentar esclarecimentos; ou seja, foi desrespeitado parte do regramento específico que autoriza o lançamento nesta modalidade. A consequência desta falha foi pacificada no âmbito deste Conselho, através da súmula CARF nº 29: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Contudo, considerando que a decisão recorrida possui lacuna, no que refere à ausência de intimação do cotitular para comprovar a origem dos depósitos bancários, entendo que a mesma implica em cerceamento do direito de defesa do recorrente. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo a nulidade da decisão recorrida e remetendo o processo à DRJ, a fim de que seja analisada a violação à Súmula 29 do CARF, conforme alegado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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