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Numero do processo: 11000.746408/2023-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2021
COMPENSAÇÃO DE IRRF
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual, pode ser deduzido o imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo desde que comprovado. Restando comprovada a retenção, resta autorizada a dedução.
Numero da decisão: 2002-009.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator
Assinado Digitalmente
MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura (substituto[a] integral) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL
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Restando comprovada a retenção, resta autorizada a dedução. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura (substituto[a] integral) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). RELATÓRIO Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.260 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11000.746408/2023-42 2 Trata-se na origem de notificação de lançamento de IRPF decorrente de apuração de compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal relatado pela Fiscalização, a infração foi assim detalhada: "Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatou- se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 122.329,24, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Parâmetro DIRF DARF: não recolhimento do IRRF em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) pela fonte pagadora. O contribuinte é sócio proprietário, presidente e representante da fonte pagadora. Conforme DIRF, o total de débito de IRRF (Código 0561) da fonte pagadora é de R$ 627.607,07. Porém, o contribuinte comprovou em DCTF o total de R$ 486.607,07. Assim, faltou R$ 141.000,00.” A DRJ ao analisar a impugnação apresentada pelo sujeito passivo proferiu a seguinte decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2021 COMPENSAÇÃO DE IRRF Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual, pode ser deduzido o imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo desde que comprovado. Os rendimentos recebidos a título de juros sobre o capital próprio, assim como o correspectivo IRRF, não são passíveis de informação na Declaração Anual de Ajuste. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Entendeu a DRJ que o sujeito passivo não logrou êxito em infirmar a presunção de veracidade das informações constantes no sistema de controle de valores pagos de pessoa física. Irresignado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que apresenta diversas telas de sistemas (DCTF e DIRFs) e sustenta que: Importa dizer que em sua decisão, os julgadores citam trecho de colaboração da Fiscalização que menciona que “conforme DIRF, o total de débito de IRRF (Código 0561) da fonte pagadora é de R$ 627.607,07. Porém, o contribuinte comprovou em DCTF o total de R$ 486.607.07. Assim, faltou R$ 141.00,00.” No entanto, como Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.260 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11000.746408/2023-42 3 também apresentado na decisão, esclarecemos que o valor de R$ 627.607,07 não é atribuído unicamente ao código 0561, mas sim é relativo ao somatório dos códigos 0561 (R$ 486.607,07) e do código 5706 (R$ 141.000,00) conforme DCTFs e DIRFs anexadas em processo anterior, assim como de acordo com tela abaixo anexada a decisão: (...) É equivocado atribuir o valor de R$ 627.607,07 unicamente ao código 0561, pois tal valor estaria em desacordo com DIRF e DCTFs. Inexiste, portanto, valor adicional de R$ 141.000,00 a ser recolhido se não aquele relativo ao código 5706 referente aos Juros Sobre Capital Próprio (JSCP), o qual declararam não ter sido comprovado pagamento. Para tanto, adicionamos a seguir tabela que resume valores pagos e compensados através de PER/DCOMP relativos ao código 5706, com totalizador tanto para empresa quanto para o interessado. (...) Ainda relativo ao JSCP, rebatendo a informação de que o mesmo não teria sido tributado na fonte à alíquota de 15% e que veio a ser compensado indevidamente na Declaração de Ajuste Anual, pode-se observar nas telas acima que consta valor total tributável de R$ 352.695,52 atribuído ao interessado, sobre o qual foi efetivamente descontado IRRF de 15% conforme legislação vigente, no valor de R$ 52.904,33, restando líquido o montante de R$ 299.791,19 tal qual consta em comprovante de rendimentos da fonte pagadora. Tal valor, de forma líquida, fora corretamente lançado na declaração do contribuinte, não havendo, portanto, compensação indevida. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre compensação indevida de IRRF A fiscalização informa o seguinte: O contribuinte é sócio proprietário, presidente e representante da fonte pagadora. Conforme DIRF, o total de débito de IRRF (Código 0561) da fonte pagadora é de R$ 627.607,07. Porém, o contribuinte comprovou em DCTF o total de R$ 486.607,07. Assim, faltou R$ 141.000,00.” Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.260 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11000.746408/2023-42 4 Registra que: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatou- se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 122.329,24, referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Analisando a DAA do recorrente, constata-se que o contribuinte ao informar os rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, no caso da fonte pagadora CORTUME KRUMENAUER S.A, anota o valor de R$ 493.500,00 como rendimentos recebidos e o valor de R$ 122.329,24 como valor de IRRF. Já no campo destinado a informar os valores recebidos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva, anota o valor de R$ 299.791,19, como juros sobre capital próprio da empresa CORTUME KRUMENAUER S.A. A DRJ, utilizando os dados apurados pela fiscalização, em especial a informação acima transcrita de que o total devido pela fonte pagadora de IRRF (Código 0561) seria de R$ 627.607,07. Considerando que o Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, além de ser informado pelo princípio da verdade material, deve atender formalidade moderada, com adequação entre os meios e os fins, assegurando-se aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardando-se o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam a exigência legal. Ademais, é o próprio decreto, mais precisamente no § 4º de seu art. 16, que autoriza o recepcionamento de novas provas nas hipóteses ali elencadas. Assim, considerando que a documentação trazida aos autos com o recurso possui o condão de se contrapor aos fundamentos da decisão recorrida, em especial a documentação pertinente à DIRF da fonte pagadora CORTUME KRUMENAUER S.A, admito as provas carreadas acima elencadas. Analisando a documentação apresentada, verifica-se que a fiscalização e a DRJ por consequência, incorreram em erro ao considerar que o valor total devido pela fonte pagadora CORTUME KRUMENAUER S.A no código 0561 seria o importe de R$ 627.607,07, quando na verdade, inclusive com as informações apontadas pela DRJ, seria de R$ 486.607,07 e que a diferença (R$ 141.000,00) é o valor do imposto calculado sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio no código 5706. No caso concreto do contribuinte recorrente, entendo que as declarações prestadas em sua DAA se encontram em consonância com as informações contidas na DIRF (fls. 83, 84, 88 e 90) apresentada pela fonte pagadora CORTUME KRUMENAUER S.A. Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.260 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11000.746408/2023-42 5 De acordo com a DIRF (fls. 83 e 84) restou comprovada a retenção de R$ 122.329,24 (código 0561) de IRRF em relação ao contribuinte. E em relação ao pagamento de juros sobre capital próprio, considerando a DIRF de fls. 88 e 89, verifica-se que o contribuinte, no campo próprio, declarou apenas o valor líquido auferido em tal natureza. De se concluir que em nenhum momento o contribuinte se aproveitou do imposto que incidiu sobre rendimentos de juros sobre capital próprio. Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dou provimento. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 127DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000061/90-44
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 203-00.133
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY
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FAZENDA E PLANE.JAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . nQ 13401.000061/90-44 Rf'~Cl\tr~:)o rlQ Dil:igf~ncia nQ Reco •.•.ente • OB.546 ;.:~O~:l--OO.133 USH-IA UHI~Cl ,. R E L A T O R I Cl A empv"esa em e~)igl"afe -fc)j, a'j"tLlacla:, (:()llf(Jl'"me (:!ocLlOlen'to (:Ie 'f~ls;., 01, em (:!eCIJV'r@ncj,a (:Ie i:)]"O(::e(:1j,fnen "t(:) fis;ca:L, :j.llS"taI1V"ad() 1')0 fll8sn10!, (:)11(10 -f'(:):i (ietec:'ta(ia (:)Ol:L3!5ffiJ (:le Irel:ej.ta DP(':':'V'':\ c:i. (]n.:',t:i. !I C..::'"1""':'" c: t(.:.:, I" i z.,';\d-:;l, POI" c)m:i.~:;!:;~~lDdE:' cC)jnpj"',':\~:; ,I :i.n"fr':i.n(J in(:!(:) de~:;~;a "fcJy'(na (:)av"t:lqc) :!.Q, ~)airáqira'f:(J :Lg~ (:!(] Dnl...., ng :1..,94()/82:r c/c:: art" 22 (:!() D"l...n nu 2n397/~37p Blr.t" 2Q (i(:) F~~~(:(JI~]:~~(ajJI"c)vad(] pe:l.(:) I)ec:re.tc) j'19 92u69~)/~~l6)" :[Ol~)l.lgr)an!jc) .teillpe~~;.t:j.vaij)el'l.te () 'fei.to, () l"e(~t.ler'erl.te :()I'l!ij.~âc)(1e 1"e11exD (:1(:) j)I"e~~~erlte r)r'()ce~;~;()e qLlO a~;; :i. ni' l"'~:'t ~(:.::(,:.~~~ ~";"I.pon "!:.~':\d E\ ~;~ !"lO P 1"'0 CC:'E.~:;.o''''mE~tI" :i. 1. {: (;({C) ~':\iJ~:;D:I.u tEtín(,:'!n t.e! :L,"!','" l)r'C)e:edef)tp:)~ (::(Jfl'fc)yrne ~5el"á (jeillol'ls.tr'ac!c) Oill ~;;IJa (:le'1:e~5a,. F~ecILlel~ ~~eja o p 1"c:'sE'n t.(~':' (:J Alj.t(:)l~ (J() 'f'e:L.tc) J.n'1:DI"in()Ll às 'f::l:~" J.2/:1.4!, e~;(::].al'ec:efl(:lc) !:Il,le (:) 1:)I"()c:e~;~;(:)""(lla.tl~iz ()lr:i.g:Lj'l(:)l~"'~;e de '.lfn j)e(:!j,(jC) e:le d :i. 1 i (J (~ "J c: :i. .(:'1. p/,'(I" .:,( .,:\ pu. v' E'. I" E( d (':'! ~;;. t :i. n ~':\~;:~-YC) cl (.:.:, :l." O O ~.:.'! t. C)n (.:,:L.:':\d {':\~;:. c! (.:.:, .:":\c]U. b D !' :L!TIPDI,.t-:'"dD~:; cc)m :i.:::.c'n~;:~XD de.:.:' d:i. r"'c-:':i. to'::'. (.:-:,:"!) cujo J:i.'.-/!"D ,j,;::, (.:.:,~::.c: i" :i. t ti. l' '/:\ ~;:ACI cI {':"t .:":"1. U t. Li. ':\cJE~ n ~.\'C) c()n ~::.-1:. D. 1:"1. I:':':' n t. :' .:":i. cl E\ d Co:' {: .:':\ J ri":(.:.~I" i.:: ,,\ d ':J j''':l. ':\ ~i c1.::\:f. ,':'l, Pl'''(-:':'~::.Uf'j~i~'((C:' 1(':'(,:,1.:':"1.1 1--' df':' que:' 'fU(',',-(il'l dc-~~::.</:i.:':\d.:','.~::- ':':"'.j:)I'(,::,::,,;:':'nt,:":-"c!D';':, pc.:':!.::\ \'(.::'C(:)I ...!...,..:.:.nt.~.::'~l [:,:'n"!:.~.:.:'nd(.:,:'i..Jd(J ql..l.(':' t'. ()(i"I:L':: ..;-~,(() elE' C:C:lmpi".":'.':~ '1::i.(:c:).11:)21"'f'e:i. a~)el.).te (::al'0(::-tOi':I.za(:ia" .. ,_ .. U'::.' • t. I'" ~':'_.\. ':':".!')"t (-:;1 1": -!:.() d :l. ::;-1:)::':':'1""\;:~..:":"t cl U .:':\U )) I" (J CC!~:: :::_c:: d.;.:.:' :::F:r:',.'J:: -f,:",\,::c.:.:' .::, 'f.n'!::i.iTI.:',: (;;)1'"]".;:.:1,':-, i::, ::,:.:,"i ::':':':1. C) (.:, ::.[ :i. ~~:.t.(':':'l"! t.':::' ":.:'i'"! '1:. i"C:, :-',.::' (:1 ::"::.{~H)~::. ::.,' .':\ 'o:: 'f:l. .::" '::./.:./' .::' ('I,..., .... :::.. c: u_ j" .:::-C' i-i ::, !""!i' ::.ii'1' :.:i. i"'-''" . :1, •r, • • " .~.' •• _.' l. • MINIST£RIO OA ECONOMIA, FAZENOA E PLANEJAMENTO SEGUNOO CONSELHO OE CONTRIBUINTES Processo ng 13401.000061/90-44 Diligéncia nQ 203-00.133 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTI~O BORGES TAQUARY ComD ~:;l~ DbS(-;~lrva!1 tl"e"\ti:\'-'~:;(':'~ df~ m(':\:i.!::. um PI"()C:E'S~:;.c) lC\n~;:ad(Jcomo c1{o:,~col"I"f..~ntí!.':' d(~.:,'fi.sC:.i:\l:i.:r.a~i:~~Ddo IF~P\'J" Embol",a ente-::.'nc!{;\ qUf::' .:":...5 dr.~c::i.~J.(~(.:.:.~:;c1c-:,~:;trz.~'~::,nâo (.;..~:;tE'.:iç';\m nec:essalr:i.afnen'te Virl(:llla(ja~; às q\Je 'forern" proferidas no (jit(:~ II p"'OC:f.:.':!SSD-"mE~ t 1'-j. :<: II :' t~';..mbém v(.:-:,n!lo (?nt(~~nden cID qUE'~, n (':1. m(~:i() ,.-:i. ,';\ d n~::. (::aso~~, ()S elefnentc)s deste lj:LtiolC) nlLlito cc)ntl"j.~)Lle(ll ~)ara o fnel,hor esc].alreciment(] e cleslinde ela olatév":ia aqLl:i tra"tada" !:::ntl"p c:.~s~:j.(.;~sf~l(~.~mf..:ntos!I :i.nc:lu:i. ....~:;c:.: D. dF~c::i.~:j.~rC)de.: (lI ti m;.\ :i. ns t{~\nc::i.(':1. acl in i. n:i.~j.ti" (;\t. :i. va nC) Ii P I"D c:f..~~5so....m(.:\ti" :i. Z Ii ~l c:c)n~:;tl b<.:; tE\l1 (:::i, ad <:\ I") () c:o I" t"f'~<':;POI') cIE'r) .t..(,:-:-E•.(:Ó I"c! f.\C) cIo I::'I~':i.l1'I(':'~i r'o Con ~:;e:::.~ll-)() (:1(.:.~ Con tl":i..bu:i.n tc.~s" A~:;s:i, iH sE'nc! (}!I (.:.: te.:.:-!')clt) em \I :i. s te\ (':'~5 con <.;; :i. cl f'~I"E\~f:)(:2~:; aCILli emi.tj,das, PI~c)ponh() (~lle se cOllver.ta o ,julgafnerl.to (jo l~e(:UI~~5(J (:,~m c!il:i.9(:~~nc::i.i;\junte] (\ I"t:.~pal"t:i.~;:g\nc1c:~ DI":i,çj[.~m P<;\I"(:i. que a mf!.,~~:;ma ~:;(.:.~ (:I:i.glle (:10, .tâo :L090 clj.sp()nha elos l"e'fev'ielo~; elefnel'lt(J~;!I incJ.usive ela cI (.~c:i, ~:;~'K()clC) F' l":i. i1H~'::i. I"C) Co\") ~:;(,~:I.!'lo c1(.:.~Con tl":i. bu :i, \") tC~~:;!Ip 1"DV:i. d (.:,:,!") c::i.a 1'"' i:\ ~:;Ui:'. anexa~roJ ao IJresente ~)rc)cess;o:, lJ(:)l~(:ÓI:)j.B:I l:)al"a a ,:iá rnenciOl'lBcla fj.I')al:i.clade, (Jevo:Lvellcio ....o:1 em !:~eqlj:l(:la~a e~~'ta (;~mar'a., 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 12448.917628/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3401-002.857
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade administrativa esclareça: (i) se efetivamente ocorreu o pagamento em duplicidade da Contribuição; (ii) se já ocorreu a utilização dos créditos de eventual pagamento efetuado em duplicidade; (iii) se utilizado o crédito, esclareça como se deu esta utilização e (iv) se há existência de saldo remanescente destes créditos ainda não utilizados. Elabore-se, ao final, relatório fiscal conclusivo acerca dos resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado ao contribuinte para, assim o querendo, se pronunciar no prazo de 30 dias, apresentando suas considerações a respeito do resultado da diligência, podendo, caso assim o queira, apresentar planilha detalhada, documentos hábeis e esclarecimentos complementares, a fim de comprovar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do feito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.853, de 19 de setembro de 2024, prolatada no julgamento do processo 12448.917629/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Ana Paula Giglio – Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Laércio Cruz Uliana Júnior, Leonardo Correia Lima Macedo, George da Silva Santos, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Giglio.
Nome do relator: ANA PAULA PEDROSA GIGLIO
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Elabore-se, ao final, relatório fiscal conclusivo acerca dos resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado ao contribuinte para, assim o querendo, se pronunciar no prazo de 30 dias, apresentando suas considerações a respeito do resultado da diligência, podendo, caso assim o queira, apresentar planilha detalhada, documentos hábeis e esclarecimentos complementares, a fim de comprovar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do feito. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.853, de 19 de setembro de 2024, prolatada no julgamento do processo 12448.917629/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os julgadores Laércio Cruz Uliana Júnior, Leonardo Correia Lima Macedo, George da Silva Santos, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Giglio. Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.857 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.917628/2012-18 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada, relativa ao Pedido de Ressarcimento de CIDE Remessa ao exterior, oriundo de pagamento indevido ou a maior. A Manifestação de Inconformidade foi proposta contra o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação de crédito proveniente de pagamento tido como indevido de CIDE. De acordo com o relatório fiscal (Despacho Decisório), a autoridade fiscal constatou a inexistência do crédito, tendo em vista que tal valor já teria sido utilizado para a quitação de outros débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Diante dessa não homologação, foi exigido o valor principal, multa e juros. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em apertada síntese, se insurgiu contra a decisão nos seguintes pontos: - o crédito pleiteado seria proveniente de pagamento a maior de CIDE - Enfatiza que teria direito ao crédito pleiteado conforme DCTF retificadora apresentada para o referido período; - pagamento teria sido feito indevidamente (erro no preenchimento), conforme estariam a demonstrar os Livros Razão e Diário transmitidos por meio do Sistema Público de Escrituração Digital –SPED. Identificado; - o erro no preenchimento da DCTF teria sido corrigido ao apresentar declaração retificadora onde desvinculou o DARF ora analisado; - não teria ocorrido prejuízo ao Erário, tendo em vista que na data da transmissão da PER/DComp a parte possuiria créditos suficientes para compensar os débitos exigidos. Requereu o reconhecimento do direito creditório relativo ao pagamento indevido, a homologação da compensação efetuada e a cessação da cobrança do crédito que estaria sendo quitado através da Per/DComp apresentada. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil indeferiu integralmente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Irresignada, a parte veio a este colegiado, através do Recurso Voluntário, no qual alega em síntese as mesmas questões levantadas na Impugnação, acrescidas do seguinte ponto: Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.857 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.917628/2012-18 3 - caso seja do entendimento do órgão julgador não haver documentos suficientes para comprovar o direito de crédito deve o presente processo ser convertido em diligência, para que, em nome da verdade material, a Recorrente possa demonstrar a procedência do seu pedido. É o relatório. VOTO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Com base na análise do processo 12448.917629/2012-62 envolvendo a empresa Wedo do Brasil Soluções Informáticas Ltda. e a não homologação da compensação declarada no Per/DComp nº 21891.14051.270710.1.3.04- 3751, seguem os itens que precisam ser esclarecidos na diligência solicitada tendo em vista a argumentação trazida pela recorrente: Verificação da Existência do Crédito: Detalhamento do DARF de Referência: Confirmar a existência do crédito no valor de R$ 31.801,00 referente ao DARF de CIDE, código 8741, período de apuração 31/10/2009, com data de arrecadação em 12/11/2009. A Receita Federal argumenta no Despacho Decisório a inexistência do referido crédito, mas a empresa insiste que o recolhimento foi efetuado em duplicidade, conforme os livros contábeis transmitidos via SPED. Correção na DCTF: Impacto da Retificação da DCTF: Analisar a eficácia da DCTF retificadora do 2º semestre de 2009, transmitida em 08/10/2012, onde o DARF foi desvinculado, buscando caracterizar o recolhimento como indevido. A diligência deve confirmar se essa retificação foi aceita pela Receita Federal e como ela impacta o crédito pleiteado. Compensação e Homologação: Verificação do Per/DComp Inicial e Final: Esclarecer o número do Per/DComp inicial e último, sendo relevante revisar o Per/DComp nº 25724.33174.130510.1.3.04-5201 e os demais relacionados ao caso para validar a sequência de compensações realizadas e se foram homologadas. Justificativa para Não Homologação: Entender detalhadamente a razão pela qual a Receita Federal não homologou a compensação, considerando Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.857 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.917628/2012-18 4 a alegação de inexistência de crédito e verificando se todos os procedimentos e prazos foram respeitados. Cálculos de Juros e Multas: Correção dos Cálculos: Solicitar novos cálculos de juros e multas, considerando os valores envolvidos e possíveis correções após a retificação da DCTF. Verificar se a taxa Selic foi aplicada corretamente e se os valores informados batem com os documentos contábeis apresentados. Elabore-se, ao final, relatório fiscal conclusivo acerca dos resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado ao contribuinte para, assim o querendo, se pronunciar no prazo de 30 dias, apresentando suas considerações a respeito do resultado da diligência, podendo, caso assim o queira, apresentar planilha detalhada, documentos hábeis e esclarecimentos complementares, a fim de comprovar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do feito. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade administrativa esclareça: (i) se efetivamente ocorreu o pagamento em duplicidade da Contribuição; (ii) se já ocorreu a utilização dos créditos de eventual pagamento efetuado em duplicidade; (iii) se utilizado o crédito, esclareça como se deu esta utilização e (iv) se há existência de saldo remanescente destes créditos ainda não utilizados. Elabore-se, ao final, relatório fiscal conclusivo acerca dos resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado ao contribuinte para, assim o querendo, se pronunciar no prazo de 30 dias, apresentando suas considerações a respeito do resultado da diligência, podendo, caso assim o queira, apresentar planilha detalhada, documentos hábeis e esclarecimentos complementares, a fim de comprovar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do feito. Assinado Digitalmente Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Fl. 228DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902332/2015-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014
FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL.
Os artigos 22 e seguintes do RIPI/2010 assegura o direito ao estabelecimento industrial de creditar-se do IPI recebidos em devolução ou retorno e determinam algumas exigências formais para o creditamento. Requisito legais atendidos. Fornecedores optantes pelo Simples Nacional.
Numero da decisão: 3002-003.265
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reformar o despacho decisório para reconhecer o direito ao crédito de IPI de todas as notas fiscais comprovadas como de retorno ou devolução glosadas em razão dos fornecedores serem optantes pelo Simples Nacional. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.263, de 10 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.902327/2015-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Marcos Antonio Borges – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Catarina Marques Morais de Lima, Gisela Pimenta Gadelha, Keli Campos de Lima, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente)
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL. Os artigos 22 e seguintes do RIPI/2010 assegura o direito ao estabelecimento industrial de creditar-se do IPI recebidos em devolução ou retorno e determinam algumas exigências formais para o creditamento. Requisito legais atendidos. Fornecedores optantes pelo Simples Nacional.
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Os artigos 22 e seguintes do RIPI/2010 assegura o direito ao estabelecimento industrial de creditar-se do IPI recebidos em devolução ou retorno e determinam algumas exigências formais para o creditamento. Requisito legais atendidos. Fornecedores optantes pelo Simples Nacional. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reformar o despacho decisório para reconhecer o direito ao crédito de IPI de todas as notas fiscais comprovadas como de retorno ou devolução glosadas em razão dos fornecedores serem optantes pelo Simples Nacional. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.263, de 10 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.902327/2015-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Catarina Marques Morais de Lima, Gisela Pimenta Gadelha, Keli Campos de Lima, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente) Fl. 6028DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.265 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.902332/2015-97 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório reconheceu parcialmente os créditos relativos ao ressarcimento de IPI e, consequentemente homologou parcialmente as compensações declaradas. A Delegacia da Receita Federal homologou parcialmente as compensações declaradas em razão de glosas de crédito: i – gerados por aquisições de produtos cujos fornecedores são optantes pelo regime do Simples Nacional; e, ii – relativos a compras de bens para ativo imobilizado e relativos a compras e transferências de material para uso ou consumo. Cientificada do despacho, a ora Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade alegando que as notas fiscais de emitentes optantes pelo Simples documentam operações de retorno de produtos cujas saídas haviam sido tributadas pelo ora Recorrente, motivo pelo qual o crédito do IPI no retorno é legítimo. Ao analisar a questão, este Conselho, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual defende a possibilidade de creditamento do IPI na medida em que o mesmo se referia ao retorno de mercadoria, e não de aquisição de fornecedor no Simples Nacional. Requer ainda a realização de diligência. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Inicialmente, afasto o pedido de diligência formulado pela Recorrente. Além de desnecessário ao presente caso, a justificativa utilizada para a sua realização seria a necessidade de a Autoridade Fiscal averiguar e conhecer a operação de exportação, matéria essa absolutamente estranha ao presente processo. Fl. 6029DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.265 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.902332/2015-97 3 O cerne da discussão posta em análise por este C. CARF é a possibilidade ou não de creditamento de IPI sobre notas fiscais emitidas por empresas sujeitas ao regime do Simples Nacional. A Lei Complementar nº 123/2006 é clara quanto à vedação ao crédito na aquisição de fornecedores optantes pelo Simples: Art.23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. A vedação ao crédito também se encontra expressa no art. 228 do RIPI/2010. Portanto, é incontroverso que as aquisições de fornecedores inscritos no Simples Nacional não dão direito a crédito de IPI. No caso, alega a Recorrente que o creditamento não teria se dado em razão da aquisição de fornecedores do Simples Nacional, e sim em operações de retorno posteriores a operações de remessa efetuadas pela própria Recorrente. Em que pese tais alegações, a DRJ afastou o direito ao creditamento sob o seguinte fundamento: Ocorre que o exame dos demonstrativos anexados às manifestações de inconformidade, sob o título “Anexo 2”, reproduzidos no final deste voto, mostra que as operações consideradas “retorno” pelo manifestante se referem, na verdade, a: remessa para assistência técnica, com posterior retorno; remessa para acoplamento em produto a ser fornecido, com posterior retorno; remessa para teste, com posterior retorno; remessa para empréstimo, com posterior retorno; remessa reposição em garantia, com retorno; retorno de embalagem recebida de terceiros; retorno mercadoria recebida em demonstração; retorno de mercadoria recebida para empréstimo; e remessa para industrialização por encomenda. Percebe-se que as diversas operações mencionadas no item precedente não se identificam com as hipóteses do mencionado art. 229 do RIPI, de 2010, motivo pelo qual não é possível acolher a manifestação de inconformidade, para reverter as glosas de créditos atribuídos a operações com optantes pelo Simples Nacional, que não dão direito a crédito, conforme art. 228 do mesmo RIPI, de 2010. Portanto, é incontroverso que as operações aos quais tiveram o creditamento do IPI glosados referem-se à remessa com posterior retorno. Fl. 6030DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.265 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.902332/2015-97 4 Ocorre que, a vedação ao creditamento de IPI com fornecedores inscritos no Simples Nacional se dá em operações de aquisição, o que, conforme acima demonstrado, não é o caso sob análise. Portanto, em razão das operações objeto do presente processo serem de retorno, resta afastada a vedação prevista no artigo 228, do Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010) que assim dispõe: Art. 228. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo Simples Nacional, de que trata o art. 177, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem (Lei Complementar no123, de 2006, art. 23,caput ). O creditamento no retorno das mercadorias se dá quando a remessa originária foi tributada pelo IPI. Nestes casos, o creditamento do retorno nada mais é do que uma glosa do IPI pago naquela saída originária. Tal racional é completamente diferente daquele utilizados para a aquisição de fornecedores optantes pelo SIMPLES. No caso de aquisição, evita-se o creditamento de remetente que tem a tributação do IPI diferenciada e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. No caso de retorno ou devolução, o racional é tão somente a necessidade de glosa dos valores de IPI pagos quando da remessa. Não à toa, a seção II do RIPI/2010 traz na subseção “I – Dos Créditos Básicos”, a vedação prevista no artigo 228, e, em outra subseção, a “II – Dos créditos por Devolução ou Retorno de Produtos” a sistemática de creditamento para os casos de devolução ou retorno de produtos. Tanto é assim que o RIPI/2010 prevê até mesmo a possibilidade de creditamento do IPI em retorno feito por pessoa física ou jurídica que não são contribuintes do IPI. Vejamos: Art. 232. Quando a devolução for feita por pessoa física ou jurídica não obrigada à emissão de nota fiscal, acompanhará o produto carta ou memorando do comprador, em que serão declarados os motivos da devolução, competindo ao vendedor, na entrada, a emissão de nota fiscal com a indicação do número, data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto relativo às quantidades devolvidas. Tal possibilidade corrobora o entendimento de que a sistemática para o creditamento no caso de retorno ou devolução independe da sistemática de tributação ao qual o remetente (em devolução) está inserida. Fl. 6031DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.265 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.902332/2015-97 5 O creditamento do IPI em razão do retorno ou devolução tem regramento próprio e está sujeito ao disposto nos artigos 229 e seguintes do RIPI/2010, que assim determinam: Art. 229. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditar-se do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial(Lei nº 4.502, de 1964, art. 30). Art. 231. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: I- pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem como indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; e II - pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; Os dispositivos acima transcritos deixam claro o direito aos estabelecimentos industriais de creditar-se do IPI recebidos em devolução ou retorno, e determinam algumas exigências formais para o creditamento, que, no que se refere a emissão das notas fiscais, quais sejam: 1 - Pelo estabelecimento que fizer a devolução: emissão de nota fiscal com: o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem como a indicação imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; 2- Pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: emissão de nota fiscal com menção do fato nas vias das notas fiscais originárias. A comprovação de tais requisitos foi feita pela ora Recorrente quando da juntada, às fls. 20/54, da relação e cópia de todas as notas fiscais objeto de glosa em razão do fornecedor ser optante pelo Simples Nacional. Por fim, cumpre destacar que as glosas referentes a compras de bens para ativo imobilizado e relativos a compras e transferências de material para uso ou consumo não foram objeto da Manifestação de Inconformidade, motivo pelo qual foi considerada não impugnada. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário no sentido de reformar o despacho decisório para reconhecer o direito ao crédito de IPI de todas as notas fiscais glosadas em razão dos fornecedores serem optantes pelo Simples Nacional. Fl. 6032DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.265 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.902332/2015-97 6 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reformar o despacho decisório para reconhecer o direito ao crédito de IPI de todas as notas fiscais comprovadas como de retorno ou devolução glosadas em razão dos fornecedores serem optantes pelo Simples Nacional. Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente Redator Fl. 6033DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920101/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69, OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF.
Dado o trânsito em julgado do RE 574.706, sob repercussão geral – Tema 69, pelo Supremo Tribunal Federal, é de observância obrigatória por este Tribunal Administrativo a exclusão do ICMS destacado da base de cálculo das contribuições.
Numero da decisão: 3402-012.189
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Tema 69 do Supremo Tribunal Federal. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-012.189, de 17 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10980.920099/2012-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Jorge Luis Cabral – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Bernardo Costa Prates Santos (substituto[a] integral), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral (Presidente). Ausentes, momentaneamente, a conselheira Anna Dolores Barros De Oliveira Sá Malta e o Conselheiro Bernardo Costa Prates (substituto).
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69, OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. Dado o trânsito em julgado do RE 574.706, sob repercussão geral – Tema 69, pelo Supremo Tribunal Federal, é de observância obrigatória por este Tribunal Administrativo a exclusão do ICMS destacado da base de cálculo das contribuições.
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REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69, OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. Dado o trânsito em julgado do RE 574.706, sob repercussão geral – Tema 69, pelo Supremo Tribunal Federal, é de observância obrigatória por este Tribunal Administrativo a exclusão do ICMS destacado da base de cálculo das contribuições. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Tema 69 do Supremo Tribunal Federal. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402- 012.189, de 17 de setembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10980.920099/2012- 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Jorge Luis Cabral – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Bernardo Costa Prates Santos (substituto[a] integral), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Jorge Luis Cabral (Presidente). Ausentes, momentaneamente, a conselheira Anna Dolores Barros De Oliveira Sá Malta e o Conselheiro Bernardo Costa Prates (substituto). Fl. 55DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.189 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.920101/2012-16 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem quanto ao Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, relativo ao fato gerador de 31/01/2003. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. O contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, além da apresentação de provas da existência do crédito. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo integral conhecimento. Cinge-se a controvérsia no direito ao crédito oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, relativos ao último trimestre de 2003, conforme pleito administrativo do contribuinte mediante transmissão de PERDCOMP. O despacho decisório e a decisão da DRJ entenderam pela inexistência do crédito, posto que ambas as decisões administrativas foram proferidas em data anterior ao trânsito em julgado do RE 574.706, sob repercussão geral – Tema 69, julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Na oportunidade, o Supremo entendeu pela exclusão das contribuições, no mérito, no ano de 2017, contudo, pendente o julgamento dos embargos para modulação de efeitos e determinação de qual ICMS deveria ser excluído – se o Fl. 56DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.189 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.920101/2012-16 3 destacado ou efetivamente recolhido nas diferentes operações realizadas nas etapas da cadeia operacional. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15-03-2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Entendeu o Supremo que o direito de excluir o ICMS das contribuições, antes de 15 de março de 2017, só seria aplicável àqueles contribuintes que ajuizaram o tema, ou que já haviam feito tal exclusão de forma administrativa, tendo ocorrido o trânsito em julgado em 09 de setembro de 2021. EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E CONFINS. DEFINIÇÃO CONSTITUCIONAL DE FATURAMENTO/RECEITA. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE DO JULGADO. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. ALTERAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA COM EFEITOS VINCULANTES E ERGA OMNES. IMPACTOS FINANCEIROS E ADMINISRTATIVOS DA DECISÃO. MODULAÇÃO DEFERIDA DOS EFEITOS DO JULGADO, CUJA PRODUÇÃO HAVERÁ DE SE DAR DESDE 15.3.2017 – DATA DE JULGAMENTO DE MÉRITO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 574.706 E FIXADA A TESE COM REPERCUSSÃO GERAL DE QUE “O ICMS NAO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS” - , RESSALVADAS AS AÇÕES JUDICIAIS E PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS PROTOCOLADAS ATÉ A DATA DA SESSÃO EM QUE PROFERIDO O JULGAMENTO DE MÉRITO. EMBARGOS PARCIALMENTE ACOLHIDOS. (RE 574706 ED, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 13-05-2021, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-160 DIVULG 10-08-2021 PUBLIC 12-08-2021) Nesse sentido, entendo que não há que se falar em manutenção da decisão de primeira instância, sendo o direito da exclusão do ICMS da base de cálculo das Fl. 57DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.189 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.920101/2012-16 4 contribuições certo ao contribuinte, e de aplicação obrigatória por este Tribunal, por força do artigo 99, do Regimento Interno do CARF, publicado pela Portaria MF 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Portanto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, reconhecendo-se o crédito pleiteado pelo contribuinte, no limite do montante efetivamente existente. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Tema 69 do Supremo Tribunal Federal. Assinado Digitalmente Jorge Luis Cabral – Presidente Redator Fl. 58DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11000.727904/2021-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO.
Estando o crédito tributário constituído no rigor da lei (art. 142 do CTN), devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade.
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019
PIS/PASEP. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO.
Os juros moratórios de pagamentos atrasados também são classificados como receita financeira, enquanto os juros da devolução de cobrança tributária indevida são tratados como recuperações de custos dentro da receita bruta operacional.
BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS.
Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda.
A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE.
O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR.
Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING
As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas.
CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
As máquinas e equipamentos locados para utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO.
Os juros moratórios de pagamentos atrasados também são classificados como receita financeira, enquanto os juros da devolução de cobrança tributária indevida são tratados como recuperações de custos dentro da receita bruta operacional.
BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS.
Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda.
A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE.
O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR.
Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING
As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas.
CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
As máquinas e equipamentos locados para utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003.
Numero da decisão: 3402-012.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (I) por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do Recurso Voluntário em relação (a) aos argumentos relativos ao caráter confiscatório da multa de 75%, por incidência da Súmula CARF nº 2, e (b) à aplicação indevida de alíquota zero em vendas de informática (programa de inclusão digital), por incidência da Súmula CARF nº 1 (concomitância), e (ii) em rejeitar a preliminar do Auto de Infração, para, na parte conhecida, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: II) por unanimidade de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas referentes às despesas de aluguel de máquinas; III) por maioria de votos, para (i) reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas com fretes entre o Centro de Distribuição (CD) e as lojas, mas desde que atendidos os requisitos da lei, dentre os quais ter sido o dispêndio suportado pelo vendedor, ter sido realizado por pessoa jurídica domiciliada no País e terem sido tributadas as referidas operações pelas contribuições PIS/COFINS, vencidos neste ponto, os conselheiros Jorge Luís Cabral e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertiam as glosas; (ii) NÃO reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas com IPTU e condomínio, vencida, neste ponto, a conselheira Mariel Orsi Gameiro; e (iii) NÃO afastar o lançamento de ofício sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS sobre os valores aos descontos originados de acordos promocionais junto aos fornecedores, vencida, neste ponto, a conselheira Cynthia Elena de Campos (relatora); e IV) por voto de qualidade, para NÃO reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas aduaneiras, vencidos, neste ponto, os conselheiros Jorge Luís Cabral, Bernardo Costa Prates Santos e Mariel Orsi Gameiro. Designado para redigir o voto vencedor relativo ao tópico III). (iii) o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Assinado Digitalmente
Cynthia Elena de Campos – Relatora
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luís Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Bernardo Costa Prates Santos (substituto integral), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no rigor da lei (art. 142 do CTN), devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO. Os juros moratórios de pagamentos atrasados também são classificados como receita financeira, enquanto os juros da devolução de cobrança tributária indevida são tratados como recuperações de custos dentro da receita bruta operacional. BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE. O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR. Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As máquinas e equipamentos locados para utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO. Os juros moratórios de pagamentos atrasados também são classificados como receita financeira, enquanto os juros da devolução de cobrança tributária indevida são tratados como recuperações de custos dentro da receita bruta operacional. BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE. O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR. Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As máquinas e equipamentos locados para utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003.
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REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no rigor da lei (art. 142 do CTN), devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO. Os juros moratórios de pagamentos atrasados também são classificados como receita financeira, enquanto os juros da devolução de cobrança tributária indevida são tratados como recuperações de custos dentro da receita bruta operacional. Fl. 4085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 2 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE. O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR. Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), Fl. 4086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 3 por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As máquinas e equipamentos locados para utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO. Os juros moratórios de pagamentos atrasados também são classificados como receita financeira, enquanto os juros da devolução de cobrança tributária indevida são tratados como recuperações de custos dentro da receita bruta operacional. BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Fl. 4087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 4 Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE. O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR. Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As máquinas e equipamentos locados para utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para Fl. 4088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 5 comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (I) por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do Recurso Voluntário em relação (a) aos argumentos relativos ao caráter confiscatório da multa de 75%, por incidência da Súmula CARF nº 2, e (b) à aplicação indevida de alíquota zero em vendas de informática (programa de inclusão digital), por incidência da Súmula CARF nº 1 (concomitância), e (ii) em rejeitar a preliminar do Auto de Infração, para, na parte conhecida, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: II) por unanimidade de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas referentes às despesas de aluguel de máquinas; III) por maioria de votos, para (i) reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas com fretes entre o Centro de Distribuição (CD) e as lojas, mas desde que atendidos os requisitos da lei, dentre os quais ter sido o dispêndio suportado pelo vendedor, ter sido realizado por pessoa jurídica domiciliada no País e terem sido tributadas as referidas operações pelas contribuições PIS/COFINS, vencidos neste ponto, os conselheiros Jorge Luís Cabral e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertiam as glosas; (ii) NÃO reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas com IPTU e condomínio, vencida, neste ponto, a conselheira Mariel Orsi Gameiro; e (iii) NÃO afastar o lançamento de ofício sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS sobre os valores aos descontos originados de acordos promocionais junto aos fornecedores, vencida, neste ponto, a conselheira Cynthia Elena de Campos (relatora); e IV) por voto de qualidade, para NÃO reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas aduaneiras, vencidos, neste ponto, os conselheiros Jorge Luís Cabral, Bernardo Costa Prates Santos e Mariel Orsi Gameiro. Designado para redigir o voto vencedor relativo ao tópico III). (iii) o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Redator designado Fl. 4089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 6 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luís Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Bernardo Costa Prates Santos (substituto integral), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o v. Acórdão nº 110-007.766, proferido pela 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal 10 que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação na parte levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa, e julgou improcedente a peça de contestação quanto aos demais temas, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado e não pago é constituído de ofício, com o acréscimo da multa de 75% do valor da contribuição não recolhida. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS/JUDICIAIS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 NULIDADE. São válidos os lançamentos de ofício efetuados por autoridade competente, com observância dos requisitos materiais e formais para a prática de atos dessa natureza, em relação aos quais também se observaram os princípios do contraditório e da ampla defesa. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser acompanhada das provas que possuir, sendo que o interessado tem o ônus da prova acerca daquilo que alega. Fl. 4090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 7 LITÍGIO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa a renúncia às instâncias administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos na discussão judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, com efeito vinculante para a Receita Federal do Brasil - RFB, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Para o creditamento, não é necessário contato ou incorporação ao produto, mas sim o vínculo ao processo produtivo ou à prestação do serviço. TRIBUTO SUJEITO A REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DESCONTADOS. LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. Na exigência fiscal de tributo sujeito a regime de não cumulatividade, a distribuição do ônus probatório deve ser feita em conformidade com as peculiaridades deste regime. Ao Fisco compete a prova do direito da Fazenda Pública em face da Contribuinte, devendo a fiscalização, portanto, fazer a prova das bases de cálculo quando não admita como válidos os valores informados pelo sujeito passivo. Já ao sujeito passivo compete a prova dos fatos modificativos ou extintivos daquele direito, devendo este, portanto, fazer a prova da legitimidade e Fl. 4091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 8 do montante dos créditos da não cumulatividade utilizados para descontar do tributo devido. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. INSUMOS. CRÉDITO. Bens e serviços aplicados na fase de comercialização de produtos não são considerados insumos, não dando, pois, direito a desconto de crédito na apuração do PIS ou Cofins na modalidade não cumulativa. Na atividade de revenda de bens, as despesas comerciais e financeiras, como taxas de administração de cartões, comissões de vendas, gastos com emissão de cupons fiscais e outras relacionadas não fazem parte do valor dos bens comercializados e não podem integrar a base de cálculo do crédito como insumos. CRÉDITO. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. O aluguel somente gera direito a crédito na apuração do PIS e da Cofins devidos segundo a modalidade não cumulativa quando referente a máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Não há previsão legal de crédito para gastos com estruturas de eventos, locação de banheiros químicos e máquinas de café. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESA COM ALUGUEL. IPTU. A legislação de regência permite o crédito sobre as despesas com aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. A despesa com o IPTU do imóvel alugado e taxas de condomínio não se confundem com aluguel, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita o desconto de crédito correspondente. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país, para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos ou centros de distribuição da pessoa jurídica não geram direito a créditos a serem descontados do PIS ou da Cofins devida. O mesmo se aplica às despesas de armazenagem, só passíveis de creditamento quando contratados fretes e armazenagem para entrega direta aos clientes que adquiriram a mercadoria. CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. Para o ramo de atividade de supermercados, não há previsão do desconto de créditos para os gastos de vigilância, remoção de entulho, limpeza, lavagem de uniformes e serviços sobre pallets. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Fl. 4092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 9 Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou rateio fundamentado. Na atividade preponderantemente comercial, para descontos de crédito de limpeza na atividade de padaria, os gastos respectivos devem atender esta condição. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange tão somente a embalagem de apresentação, que se agrega ao produto durante o processo produtivo. A embalagem de transporte não se configura como insumo. CRÉDITO. DESPESAS PORTUÁRIAS E ADUANEIRAS. Gastos com despachantes, manuseio de container, armazenagem marítima, carregamento e descarregamento e outras, não podem ser descontadas como crédito em conjunto com os fretes e armazenagem nas operações de venda. No caso de importação, os gastos devem estar vinculados ao bem importado para integrar o custo de aquisição e o crédito é calculado com base no valor utilizado para o cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação ou Cofins-Importação recolhidas na entrada no território nacional acrescido, quando for o caso, do valor do IPI vinculado à importação. CRÉDITO. REVENDA. SUPORTE DE INFORMÁTICA. Os gastos de manutenção, suporte e licenças de informática e software, utilizados no controle gerencial ou vendas, não podem ser objeto de crédito na atividade comercial. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no Fl. 4093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 10 julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, com efeito vinculante para a Receita Federal do Brasil - RFB, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Para o creditamento, não é necessário contato ou incorporação ao produto, mas sim o vínculo ao processo produtivo ou à prestação do serviço. TRIBUTO SUJEITO A REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DESCONTADOS. LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. Na exigência fiscal de tributo sujeito a regime de não cumulatividade, a distribuição do ônus probatório deve ser feita em conformidade com as peculiaridades deste regime. Ao Fisco compete a prova do direito da Fazenda Pública em face da Contribuinte, devendo a fiscalização, portanto, fazer a prova das bases de cálculo quando não admita como válidos os valores informados pelo sujeito passivo. Já ao sujeito passivo compete a prova dos fatos modificativos ou extintivos daquele direito, devendo este, portanto, fazer a prova da legitimidade e do montante dos créditos da não cumulatividade utilizados para descontar do tributo devido. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS. INSUMOS. CRÉDITO. Bens e serviços aplicados na fase de comercialização de produtos não são considerados insumos, não dando, pois, direito a desconto de crédito na apuração do PIS ou Cofins na modalidade não cumulativa. Na atividade de revenda de bens, as despesas comerciais e financeiras, como taxas de administração de cartões, comissões de vendas, gastos com emissão de cupons fiscais e outras relacionadas não fazem parte do valor dos bens comercializados e não podem integrar a base de cálculo do crédito como insumos. CRÉDITO. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. O aluguel somente gera direito a crédito na apuração do PIS e da Cofins devidos segundo a modalidade não cumulativa quando referente a máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Não há previsão legal de crédito para gastos com estruturas de eventos, locação de banheiros químicos e máquinas de café. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESA COM ALUGUEL. IPTU. A legislação de regência permite o crédito sobre as despesas com aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. A despesa com o IPTU do imóvel alugado e taxas de condomínio não se confundem com Fl. 4094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 11 aluguel, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita o desconto de crédito correspondente. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país, para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos ou centros de distribuição da pessoa jurídica não geram direito a créditos a serem descontados do PIS ou da Cofins devida. O mesmo se aplica às despesas de armazenagem, só passíveis de creditamento quando contratados fretes e armazenagem para entrega direta aos clientes que adquiriram a mercadoria. CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. ATIVIDADE COMERCIAL. Para o ramo de atividade de supermercados, não há previsão do desconto de créditos para os gastos de vigilância, remoção de entulho, limpeza, lavagem de uniformes e serviços sobre pallets. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou rateio fundamentado. Na atividade preponderantemente comercial, para descontos de crédito de limpeza na atividade de padaria, os gastos respectivos devem atender esta condição. INSUMOS. EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange tão somente a embalagem de apresentação, que se agrega ao produto durante o processo produtivo. A embalagem de transporte não se configura como insumo. CRÉDITO. DESPESAS PORTUÁRIAS E ADUANEIRAS. Gastos com despachantes, manuseio de container, armazenagem marítima, carregamento e descarregamento e outras, não podem ser descontadas como crédito em conjunto com os fretes e armazenagem nas operações de venda. No caso de importação, os gastos devem estar vinculados ao bem importado para integrar o custo de aquisição e o crédito é calculado com base no valor utilizado para o cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação ou Cofins-Importação recolhidas na entrada no território nacional acrescido, quando for o caso, do valor do IPI vinculado à importação. CRÉDITO. REVENDA. SUPORTE DE INFORMÁTICA. Fl. 4095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 12 Os gastos de manutenção, suporte e licenças de informática e software, utilizados no controle gerencial ou vendas, não podem ser objeto de crédito na atividade comercial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão proferida pela DRJ: Trata o presente dos lançamentos de ofício relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Programa de Integração Social (PIS), na modalidade não-cumulativa, fls. 3083 a 3102, referentes ao período 07/2017 a 07/2019. O lançamento das contribuições para os diversos períodos somou R$ 87.389.734,68 (Cofins não-cumulativa) e R$ 19.334.619,80 (PIS não- cumulativo). O total geral dos autos de infração, com a multa de ofício de 75% (passível de redução) e juros moratórios, totalizou R$ 203.812.663,24. A fiscalização abarcou todo o período anual de 2017 a 2019, embora em alguns meses não tenha resultado em lançamento de ofício, devendo o contribuinte ajustar os saldos de créditos do regime não cumulativo. A autuada é empresa que atua no comércio varejista e atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, na exploração do ramo denominado de supermercados (Wal-Mart, que atua ou atuou com as marcas BIG, Nacional, entre outras). A ampla gama de atividades previstas no contrato social pode ser vista nas fls. 3253 a 3255. Apura o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pelo lucro real e o PIS e Cofins pela sistemática não cumulativa. O relatório de ação fiscal (RAF) descreve o procedimento realizado, as glosas e a apuração dos tributos (fls. 3033 a 3082). Diversos anexos detalham as infrações. A partir dos valores informados na EFD – Contribuições (Escrituração Fiscal Digital), foi feita a auditoria dos valores declarados de PIS e Cofins, com referência na escrituração (ECD – escrituração contábil digital) e documentos e arquivos entregues a partir dos termos de intimações fiscais (TIF). Foram constatadas determinadas infrações que podem ser sintetizadas nos seguintes itens: (1) receita operacional tributada como financeira; (2) receita não tributada decorrente de acordos promocionais; (3) aplicação indevida de alíquota zero na venda (programa de inclusão digital); (4) aproveitamento indevido de créditos em variados itens (abaixo discriminados). Quanto ao item (1), não foram tributadas receitas de vendas, consideradas e tributadas como receitas financeiras e, nos primeiros meses, como sujeitas à alíquota zero. Trata-se de valores de acréscimos ou juros decorrentes de vendas, receitas operacionais. No item (2) foram autuados ganhos decorrentes de variados acordos celebrados com fornecedores. Na sistemática não cumulativa é registrada a entrada dos produtos adquiridos e escriturado o crédito respectivo. Posteriormente, é registrado crédito para com os fornecedores e redução do Fl. 4096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 13 passivo, em prática usual no ramo supermercadista. A prática gera desequilíbrio na sistemática não cumulativa, uma vez não se tratar de descontos incondicionais, dependendo de serviços e condições. Tampouco há ajustes nos créditos apurados. São descritas as diversas contas, bem como informados casos de autuação anteriores. A infração (3) decorre da auditoria nos ajustes de redução ou acréscimo de créditos (blocos M 110/210/510/610) e nas receitas tributadas à alíquota zero ou monofasia (blocos M 400 e 800). Pelas respostas às intimações ou exames das contas, constataram-se vendas de equipamentos de informática em geral (notebooks, teclados, computadores, mouses) com atribuição de alíquota zero. A chamada Lei do Bem que atribuiu alíquota zero para esses bens vigorou até 12/2015. A fiscalização examinou duas ações judiciais, em relação às quais não foram constatados efeitos para a empresa que impedissem a tributação. Ainda seguindo o RAF, foi constatado creditamento indevido (infração 4) escriturado nos seguintes itens (Bloco F da EFD-Contribuições): a) Em armazenagem e fretes nas operações de vendas – foram glosadas despesas com vigilância, despesas aduaneiras, remoção de entulho, serviços de limpeza e assessoria e fretes de transferência entre unidades; b) Em serviços utilizados como insumos – referente às despesas ou taxas com cartão de crédito e despesas de condomínios, retirados por se tratar de gastos administrativos e comerciais; c) Em bens utilizados como insumos – sem previsão para despesas de natureza comercial e financeira, como as descontadas de comissões sobre vendas (representação comercial) e gastos com transferência eletrônica de fundos; d) Em aluguel de prédios – glosadas as despesas com o IPTU nos imóveis locados; e) Quanto aos aluguéis de máquinas e equipamentos – glosa de locações de máquinas de café, de banheiros químicos e lonas para eventos; f) Quanto às outras despesas – excluídos os gastos de natureza administrativa, comercial e acessória, a saber restauração de pallets, limpeza de uniformes, manutenção e suporte de informática, manutenção de software, desenvolvimento e licença de programas. Os anexos acompanham o RAF com as planilhas demonstrativas, além das planilhas e arquivos não pagináveis gerados no curso da auditoria fiscal. Os quadros no RAF consolidam os valores obtidos pela fiscalização. Os saldos e créditos foram aproveitados para desconto da contribuição, resultando em valores devidos a partir de julho de 2017. O saldo de créditos restou modificado, devendo ser ajustado pela empresa. A empresa foi cientificada da autuação em 24/11/2021 (fl. 3115). Apresentou impugnação ao lançamento em 22/12/2021 (fls. 3121 a 3567). De início, relata os fatos. Fl. 4097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 14 Questiona, primeiro, a cobrança de PIS e Cofins sobre os juros de vendas pagas em atraso por seus clientes. Cita a decisão do STF que fixou como inconstitucional a incidência de IRPJ e CSLL sobre os valores atinentes à taxa Selic recebidos em razão de repetição de indébito tributário. A conclusão, aplicável aqui, é de que os juros moratórios têm natureza indenizatória. Cita também o julgamento do STF no Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706, no regime de repercussão geral, aplicável ao PIS e Cofins. A partir daí, concluí ser receita uma grandeza econômica referente a certos fatos que ocorrem no patrimônio de uma empresa que modificam o seu estado de riqueza própria (patrimônio líquido), alterando esse valor para mais (no caso das receitas) ou para menos (despesas e custos). Receita, portanto, comporta ingressos no patrimônio da empresa que têm efeito de acrescer, de maneira definitiva, o seu patrimônio líquido. Além do mais, já está afastada a hipótese de que os juros moratórios teriam natureza de lucros cessantes. Assim é que: Logo, por todas as razões expostas, os juros moratórios não estão sujeitos ao PIS e à COFINS por não representarem acréscimo ao patrimônio e terem natureza indenizatória. Mas ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas por hipótese, os valores representam receitas financeiras, sendo tributados pelas alíquotas comuns do PIS e da COFINS. Ainda seguindo a impugnação, quanto ao segundo item acima, em breve resumo, se insurge contra a tributação, que não poderia ser validada por citações de soluções de consulta. O auto de infração é nulo por carecer de fundamentação jurídica para esta autuação, em clara violação ao art. 142 do CTN. Não é mencionada na autuação quais as condições ou eventos de que dependeriam os descontos, ou ainda qual o serviço prestado, que fundamentam a tributação. Não é apresentado o fundamento jurídico para tributar os descontos, deixando de cumprir, em especial, os princípios da motivação e legalidade. Ressalta, acerca do mercado varejista e da natureza dos descontos, usuais na atividade desempenhada: 57. O Impugnante é uma das maiores redes varejistas do mercado e vende produtos das maiores indústrias do Brasil e do mundo, com ampla estrutura e expertise no setor. Como todos os concorrentes, mantém com seus fornecedores acordos comerciais padrão típicos do mercado varejista, que preveem a concessão de descontos para formação do preço do produto comercializado. ..................................... 64. Independentemente do nome que se dê ao Acordo Comercial a que ele esteja atrelado, esses abatimentos previamente fixados são os elementos que definem o preço do produto comercializado. Um desconto concedido pelo fornecedor, para a adquirente, o Impugnante, representa a definição do preço do produto, um redutor do custo da mercadoria adquirida. Deve-se atentar aos conceitos e limites do que seja receita. Somente assim pode ser considerada a operação que, de fato, revele ingresso de riqueza nova que se integre ao patrimônio do contribuinte de maneira positiva e definitiva. A Fl. 4098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 15 irrelevância da denominação contábil vem para esclarecer que o tratamento contábil não prevalecerá sobre a natureza jurídica. É a contabilidade que reflete o direito, e não o inverso. O STF já decidiu que o registro contábil não determina a base de cálculo dos tributos. Somente há receita, quando há efetivo acréscimo patrimonial. Nos termos utilizados: 79. Esse esclarecimento é bastante relevante porque, ao contrário do que alega a D. Fiscalização para legitimar o Auto de Infração, o fato de uma parte das contas autuadas terem sido denominada receita não altera a realidade da operação. Não se acredita que o Fisco, ao se deparar com a receita indevidamente classificada em conta redutora de custo iria se conformar tão só com a denominação dada pelo contribuinte. Iria certamente investigar a respectiva natureza jurídica da rubrica e não lavrar Auto de Infração somente tomando por base a nomenclatura da conta. ..................................... 84. Portanto, no caso concreto, o fato de parte desses descontos serem registrados em conta denominada “receitas”, como sustenta a D. Fiscalização, não representa, por si só, aumento de patrimônio líquido, porque deve-se investigar a natureza daqueles registros e não só a sua nomenclatura. ..................................... 93. Não há dúvidas de que os descontos que o Impugnante pactuou com seus fornecedores não representam aumento de patrimônio em função de decréscimo do passivo. Sob a perspectiva do Impugnante, os descontos pactuados em suas compras são elementos da formação do preço, diminuindo o custo das mercadorias adquiridas e não resultam, de maneira alguma, no exercício de uma atividade que vai gerar imediata receita dela decorrente. ..................................... 100. O que se concluiu é que, de forma evidentemente contrária ao conceito de receita, o Impugnante adquire as mercadorias com os descontos previamente negociados e o valor com desconto, sob o enfoque do adquirente, representa um decréscimo do valor de aquisição e, por consequência, uma redução no valor do ativo (mercadoria, o elemento patrimonial) que será registrado, estando fora da hipótese de incidência do PIS e da COFINS. Como dispõe o art. 110 do CTN, a lei tributária não pode alterar o conteúdo, definição e alcance dos institutos do direito privado. Cita pareceres de renomados juristas e jurisprudência sobre a matéria. Sustenta que os descontos pactuados entre empresas varejistas e seus fornecedores representam redução do custo da aquisição de mercadorias, que não se correlacionam com a hipótese de incidência do PIS e da COFINS, no conceito constitucional e legal reconhecido. Ainda sobre este item da autuação, a caracterização do desconto como incondicional independe de destaque em nota fiscal. Os descontos pactuados com os fornecedores foram previamente acordados, constam de contratos e não dependem de evento futuro e incerto. Nada é demonstrado, exceto uma linha de uma conta. Porém, tal ponto é irrelevante, uma vez que o desconto é redutor de custo, antítese de receita, e porque os requisitos de incondicionalidade aplicam-se Fl. 4099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 16 somente aos fornecedores (e não compradores). Também é totalmente improcedente a caracterização como prestação de serviço, uma vez que só há compra e venda, obrigação de dar. Os requisitos da prestação de serviço não estão presentes. Com a redução de custos, não há ingressos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica. Jurisprudência é citada. A reversão da alíquota zero aplicada em venda de mercadorias do Programa de Inclusão Digital (“Lei do Bem”) também é indevida. A impugnante está dando cumprimento à decisão proferida em ação coletiva da ABINEE (nº 0067400- 26.2015.4.01.3400). O entendimento judicial pela não revogação antecipada da Lei do Bem foi mantido pelo STJ a todos os membros da cadeia. Caso não mantida a alíquota zero aos varejistas, a decisão não produziria efeitos: 202. Assim, não há dúvidas de que o Impugnante estava obrigado a manter os incentivos da Lei do Bem em razão da determinação contida na decisão proferida na Ação Coletiva nº. 0067400-26.2015.4.01.3400 ajuizada pela ABINEE, sob pena de descumpri-la, pois se comercializasse aos consumidores finais os aludidos produtos sem tais incentivos ele seria anulado por completo. ..................................... 209. A jurisprudência do A. STJ é no sentido de que o art. 109, § 2º da CF autoriza a propositura de ação contra a União no Distrito Federal, de modo que não há que se admitir a aplicação descontextualizada do art. 2º-A da Lei nº 9.494/97 para promover restrição territorial indevida e para obstar o direito dos associados domiciliados em outras unidades da federação de se valer de decisão coletiva em demanda proposta nessa Seção Judiciária, cuja competência é em todo o território nacional. Quanto às glosas de créditos, em preliminar, alega nulo o auto de infração, por não preencher os requisitos (como do art. 142 do CTN), incidindo em vício material. A fiscalização não indicou a matéria tributável nem trouxe fundamento legal para as rubricas: remoção de entulho; serviço de limpeza, serviço de assessoria; transferência eletrônica de fundos; armazenagem e frete na operação de venda (contratos de serviços terceirizados). Exemplos são citados, como na transferência eletrônica de fundos, em que a fiscalização se limita a colecionar uma planilha como os valores, sem sequer descrever a natureza do item ou razão da glosa. A fiscalização presumiu fatos jurídicos que deveriam ter sido por ela apurados. Ainda seguindo a impugnação, aborda de início o fundamento constitucional da não cumulatividade para as contribuições e a decisão do STJ no Resp nº 1.221.170/PR. É indevida a limitação aos créditos defendida pela fiscalização, que não poderia ser limitada às atividades industriais e de prestação de serviços, em detrimento da atividade comercial. A Ministra Regina Helena Costa refere a necessidade de análise da atividade econômica do contribuinte como um todo e cita precedentes judiciais que concedem créditos às atividades comerciais. Além do erro na premissa jurídica, a autuação equivoca-se na premissa fática, uma vez Fl. 4100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 17 que a autuada também exerce atividade de produção/fabricação (açougue, delicatesse, padaria, peixaria etc.). Em específico, também questiona a integralidade das glosas, em resumo: Armazenagem e fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa: Primeiro, o uso da IN RFB 1.911/2019 é descabido, seja por não refletir a correta interpretação da norma legal, seja por ser posterior aos fatos geradores. Os centros de distribuição são imprescindíveis e possuem diversas funcionalidades (que aborda), não sendo possível exercer a atividade do contribuinte sem eles. Tais gastos são parte da operação de venda e, também, são insumos, necessários para a atividade exercida. Despesas aduaneiras: Glosa genérica, com fundamento em solução de consulta e que não especifica o que tratou. Trata-se de gastos com despachantes, manuseio de container, armazenagem marítima, descarregamento, demurrage e frete interno pagos à PJ e que compõem o custo de aquisição de mercadorias importadas para revenda. Todos são dispêndios necessários, relacionados à armazenagem ou frete, inclusive, quando no caso de atender a fiscalização aduaneira (cita contrato com empresa Tecon Rio Grande). Despesas com segurança e vigilância de lojas: A atividade da impugnante exige grandes galpões e volumes extraordinários de mercadorias. Trata-se de vultoso custo necessário. Despesas de remoção de entulho, serviço de limpeza e assessoria: Claro vício material ao apenas citar termo. Padrões de limpeza e higiene são necessários e cumprem determinação da Anvisa. Tal também se aplica à limpeza de uniformes. A impugnante também é fabricante de produtos alimentícios. A remoção de entulho também decorre de obrigação legal (Lei 12.305/2010 e Decreto 7.404/2010). Despesas com comissões de cartões de crédito (vendas a prazo) e cupons: São insumos da atividade e a glosa fere a não cumulatividade, uma vez que as operadoras oferecem a receita recebida à tributação do PIS e Cofins. A impugnante também oferece à tributação a totalidade de suas vendas. São serviços essenciais, sendo indispensáveis para operacionalizar vendas, hoje. Os cupons fiscais são exigência legal. Despesas com IPTU e condomínio: A locação é um negócio jurídico bilateral e oneroso e todos os valores foram pagos em benefício do proprietário do imóvel (locador). O condomínio é um encargo da locação, que possuí natureza acessória, assim como o IPTU (contratos são citados). Comissões sobre vendas e transferência eletrônica de fundos: A interpretação deve ser realizada de forma casuística, ou seja, analisando-se detidamente a atividade-fim específica de cada contribuinte, e não com base em uma solução de consulta, genericamente. A atividade comercial pode aferir crédito. São formalizados contratos de representação comercial para a venda “porta a porta” Fl. 4101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 18 de seus produtos, com várias tarefas na intermediação com clientes, que assumiram ainda maior vulto com a pandemia. Despesas de aluguel de máquinas e equipamentos: Exemplo de carência investigativa é o contrato com Nômade Produções (citado trecho). Não se trata de “locação de lonas”, mas de verdadeira estrutura completa para realização da atividade de comercialização, incluindo instalações elétricas e outros. No demais, também a limitação aos créditos viola o princípio da não cumulatividade. Outras despesas: Os atos normativos não podem ser aplicados retroativamente, como a IN que fundamenta a autuação. Ocorre que sem os pallets não seria possível realizar o transporte de mercadoria e serviços, sendo necessário restaurar as suas estruturas. Quanto aos ativos intangíveis: 496. Referidos softwares são utilizados, especialmente, para registrar o preço dos produtos; realizar o controle e movimentação de estoque; registrar a quantidade de produtos comercializados; emitir Notas Fiscais; realizar o controle de validade dos produtos e etc. ..................................... 498. Sem o devido investimento em tecnologias e suas constantes manutenções, as operações do Impugnante não teriam condições de prosperar. ..................................... 504. Vale mencionar ainda que alguns equipamentos de informática são exigidos inclusive pela legislação tributária, como é o caso dos emissores de cupom fiscal (ECFs), sendo proibida a venda de mercadorias sem a emissão de notas fiscais por meio dos referidos bens, e o descumprimento de tais obrigações acarreta a imposição de multas. Aliás, praticamente todo o cumprimento de obrigações acessórias também em âmbito fiscal se submete a controle informatizado por exigência legal (notas fiscais eletrônicas, arquivos magnéticos, etc). ..................................... 513. Pois bem. É evidente que os softwares e os demais sistemas de informática ora questionados pela D. Fiscalização são indispensáveis às atividades do Impugnante (notadamente varejistas), pois é por meio destes que são operacionalizadas quase que a totalidade das suas vendas. A impugnante cita jurisprudência administrativa e judicial. Quanto aos acréscimos, alega que a multa de 75% não é proporcional, adequada e necessária, possuindo caráter confiscatório. Também é indevida a imposição de juros sobre a multa de ofício, seja por falta de fundamento ou porque o enquadramento legal oferecido não autoriza tal imposição, que afronta o princípio do não confisco. Por último, pede julgar improcedente o lançamento fiscal e, sucessivamente, seja afastada a multa de ofício e sejam aplicados juros de mora apenas em relação ao principal. Protesta pela posterior juntada de quaisquer documentos que se façam necessários. A lista de anexos da impugnação consta da fl. 3242 e inclui pareceres Fl. 4102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 19 dos juristas Hugo de Brito Machado e de Humberto Ávila e precedentes e peças da ação coletiva ABINEE nº 0067400-26.2015.4.01-3400. A unidade de origem atesta a tempestividade da impugnação e encaminha para apreciação. O processo é encaminhado a esta DRJ10 pelo órgão centralizador dos processos em litígio. Em 12/04/2019, foi entregue petição (fls. 3773-3778) informando existir erro na atualização do débito para fins de cobrança, nos cálculos da RFB. Às fls. 3883 foi prestada a Informação ECOJ2 – 12.439/2022, esclarecendo que, no que se refere ao lançamento do PIS/COFINS sobre a receita bruta auferida na venda dos bens contemplados na Lei 11.196/2005(programa inclusão digital), foi declarado a definitividade, com a ressalva de que somente estão suspensos os débitos por medida judicial até 31/12/2018, nos termos da decisão do STJ. Às fls. 3888 foi prestada nova Informação Fiscal, com os quadros demonstrativos com evidenciação de valores de lançamentos dos tributos PIS e Cofins sobre receita com a venda de bens contemplados na Lei 11.196/2005 (Programa de Inclusão Digital) incluídos no processo. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância em 29 de julho de 2022 (sexta-feira) por meio de acesso ao processo administrativo via e-CAC. Em 29/08/20222 foi apresentado o Recurso Voluntário, através do qual, com os mesmos argumentos da peça de impugnação, foram apresentados os seguintes pedidos: 456. Diante de todo o exposto, o Recorrente requer seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para o fim de reformar o v. acórdão, cancelando-se, integralmente, o crédito tributário constituído pelo Auto de Infração, por qualquer um dos fundamentos apresentados. 457. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas por hipótese, o Recorrente requer, no mínimo, o afastamento da multa e dos juros sobre a multa. 458. Por fim, o Recorrente protesta pela sustentação oral do presente recurso, nos termos do Regimento Interno desse E. Tribunal, requerendo seja previamente intimada na pessoa de suas representantes legais a seguir relacionadas: Daniella Zagari Gonçalves (OAB/SP nº 116.343), Juliana Jacintho Caleiro (OAB/SP nº 237.843) e Danielle Barroso Spejo (OAB/SP nº 297.601), todas com endereço eletrônico em dani@mmso.com.br e com endereço profissional na Rua José Gonçalves de Oliveira, nº 116, 5º andar, São Paulo – SP. Após, o processo foi encaminhado para inclusão em lote de sorteio. É o relatório. Fl. 4103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 20 VOTO VENCIDO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade 1.1. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. 1.2. Todavia, conheço parcialmente do recurso, não conhecendo do argumento relativo ao caráter confiscatório da multa de 75%, uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, na forma prevista pela Súmula CARF nº 2. 1.3. Igualmente não conheço do recurso com relação ao argumento sobre aplicação indevida de alíquota zero em vendas de informática (programa de inclusão digital), tendo em vista a incidência de concomitância, na forma prevista pela Súmula CARF nº 1. Em síntese, concluiu a Fiscalização que a Recorrente aplicou indevidamente alíquota zero na venda de mercadorias/produtos em função dos benefícios do Programa de Inclusão Digital (“Lei do bem”). Esclareceu que foram constatadas vendas de equipamentos de informática em geral (notebooks, teclados, computadores, mouses) com atribuição de alíquota zero. A chamada “Lei do Bem” que atribuiu alíquota zero para esses bens vigorou até 12/2015. A fiscalização examinou duas ações judiciais, em relação às quais não foram constatados efeitos para a empresa que impedissem a tributação. Neste ponto a DRJ não conheceu da impugnação em função da aplicação da Súmula CARF nº 1, uma vez que o Recorrente possui ação judicial individual com relação à discussão concreta (questionamento da revogação antecipada dos benefícios da “Lei do Bem” para os produtos de informática). De fato, consta nos autos o Mandado de Segurança nº 5078278- 93.2015.4.04.7100/RS (fls. 3843 a 3882), ajuizado pela Recorrente, com o seguinte objeto: WMS Supermercados do Brasil Ltda. impetrou mandado de segurança em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre - RS, objetivando o reconhecimento de que possui direito líquido e certo à fruição do benefício fiscal estabelecido pelos artigos 28 a 30 da Lei n.º 11.196/2005, em sua redação original, determinando-se à autoridade coatora que se abstenha de exigir o pagamento de PIS e COFINS em relação à receita bruta decorrente da venda a varejo de produtos de tecnologia, informática e comunicação, consoante previsto nos artigos referidos da Lei n.º 11.196/2005 e regulamentado pelo Decreto n.º 5.602/2005. Postulou, sucessivamente, o reconhecimento de que possui direito à Fl. 4104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 21 isenção das contribuições mencionadas ao menos em relação aos produtos que possui em estoque e que tenham sido adquiridos na vigência da redação original dos artigos 28 a 30 da Lei n.º 11.196/2005. Requereu, ainda, a concessão de medida liminar, nos termos do art. 7º da Lei n.º 12.016/2009. Está correta a decisão da DRJ que não tomou conhecimento da questão de mérito em discussão, cuja matéria foi submetida à apreciação do Poder Judiciário. Este é o teor da Súmula CARF nº 01, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Destaco o PARECER COSIT Nº 07/2014, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. Fl. 4105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 22 A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decreto-lei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decreto-lei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. e-processo nº 10166.721006/2013-16. Portanto, considerando que a matéria em referência foi submetida ao Poder Judiciário, não há como tratá-la nesta esfera administrativa. 2. Preliminarmente 2.1. Nulidade do Auto de Infração A Recorrente pede a nulidade do auto de infração por falta de fundamentação jurídica, violando o art. 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que não foram especificadas as condições ou eventos que justificariam a tributação dos descontos, nem o serviço prestado, descumprindo os princípios da motivação e legalidade. Argumenta que a Fiscalização procedeu à glosa de créditos por presunção, sem fundamentar as razões pelas quais não foram considerados os respectivos créditos de PIS e COFINS. Alega, ainda, que o Acórdão recorrido é nulo por ausência de comprovação suficiente da materialização da infração. Sem razão à defesa. Conforme relatado acima, a Fiscalização descreveu o procedimento realizado, as glosas e a apuração dos tributos (fls. 3033 a 3082). Diversos anexos detalham as infrações. A partir dos valores informados na EFD – Contribuições (Escrituração Fiscal Digital), foi feita a auditoria dos valores declarados de PIS e Cofins, com referência na escrituração (ECD – escrituração contábil digital) e documentos e arquivos entregues a partir dos termos de intimações fiscais (TIF). Por sua vez, igualmente observou a DRJ de origem que o Relatório Fiscal aborda a sistemática não cumulativa das contribuições, destacando o crédito sobre mercadorias adquiridas para revenda e a aplicação da alíquota sobre todas as receitas empresariais, independentemente da denominação. O documento também esclarece as questões levantadas nas intimações, assim como a resposta da empresa sobre as contas tributadas. Fica evidente a separação temporal entre as aquisições e o posterior registro dos descontos. A interpretação dos ganhos como patrimoniais Fl. 4106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 23 é devidamente explicada. As soluções de consulta e decisões servem de apoio para considerar os valores dos acordos promocionais como receitas, sem serem o fundamento legal da tributação. Ademais, a DRJ abordou expressamente que o direito a descontar crédito sobre insumos se restringia às hipóteses em que aplicados na prestação de serviços ou na fabricação de bens destinados à venda, situações essas diversas da ora sob análise. Com isso, igualmente não há omissão da DRJ alegada pelo Recorrente relativa à ausência de motivação da manutenção da glosa dos créditos indicados na peça recursal. Constata-se, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu na estrita observância dos ditames contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, tendo sido observados todos os requisitos essenciais previstos em lei para ao final se aplicar a penalidade cabível. Da mesma forma, não omissão na análise deste litígio por parte da DRJ de origem. O lançamento foi devidamente cientificado aos sujeitos passivos, instaurando-se a fase litigiosa do procedimento com a apresentação tempestiva das impugnações, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Os fatos que ensejaram a instauração do procedimento estão demonstrados pela Autoridade Fiscal, bem como a indicação do direito em que se baseiam com suficiente especificidade, de modo a delimitar com clareza o objeto da autuação e permitir a plenitude da defesa. Tanto é que a Recorrente demonstrou em defesa que teve plena compreensão do objeto da autuação. Outrossim, o Decreto nº 70.235/1972 (que dispõe sobre o procedimento administrativo fiscal, dentre outras), em seu artigo 59 assim estabelece: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 4107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 24 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Portanto, os argumentos da defesa não estão entre as hipóteses previstas para que seja declarada a nulidade da autuação, motivo pelo qual afasto a preliminar suscitada pela defesa. 3. Objeto do litígio Versa o presente litígio de auto de infração lavrado para exigência da Contribuição para o PIS/Cofins no valor de R$ 203.812.663,24, incluindo multas e juros. A autuada é empresa do setor varejista e atacadista, apura o IRPJ pelo lucro real e o PIS/Cofins pelo regime não cumulativo. A auditoria cruzou dados da EFD-Contribuições e ECD, identificando as seguintes infrações: (i) Tributação incorreta de receitas operacionais como financeiras; (ii) Receita não tributada de acordos promocionais; (iii) Creditamento indevido em diversos itens, como armazenagem, fretes e aluguéis. Como mencionado acima, o lançamento de ofício foi mantido pela DRJ de origem, que não conheceu a impugnação referente à terceira parte do auto de infração devido à concomitância com ação judicial (relacionada à aplicação indevida da alíquota zero na venda de mercadorias/produtos com base nos benefícios do Programa de Inclusão Digital – "Lei do Bem") e, na parte conhecida, julgou pela improcedência da Impugnação. Delimitado o objeto deste litígio, passo à análise da controvérsia: 4. Mérito 4.1. PIS e Cofins sobre os juros de vendas pagas com atraso Concluiu a Fiscalização que a Recorrente tributou valores recebidos a título de juros de mora decorrente de atraso de pagamento efetuados por clientes como receitas financeiras quando deveria ter incluído tais valores na base tributável do PIS e COFINS não cumulativos. A Recorrente contesta a cobrança de PIS e Cofins sobre os juros de vendas pagas com atraso, argumentando que esses juros têm natureza indenizatória, conforme decisão do STF que afastou a incidência de IRPJ e CSLL sobre valores da taxa Selic em repetição de indébito. Cita também o julgamento do STF no RE nº 574.706, que define receita como ingressos que aumentam o patrimônio líquido de forma definitiva, o que não seria o caso dos juros moratórios, já descartados como lucros cessantes. A DRJ manteve a autuação, concluindo que: (i) os juros em decorrência de pagamentos extemporâneos efetuados pelos clientes da Contribuinte integram a base de cálculo Fl. 4108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 25 do PIS e da COFINS, tendo em vista que fazem parte da receita auferida em razão da venda de produtos; (ii) os juros não decorrem da lei, mas sim de disposição das partes, não havendo como atribuir aos juros contratuais a natureza indenizatória. A matéria em questão é objeto do REsp 2.065.817-RJ, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, cuja tese foi firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça através do Tema 1237, com a seguinte redação: Os valores de juros, calculados pela taxa SELIC ou outros índices, recebidos em face de repetição de indébito tributário, na devolução de depósitos judiciais ou nos pagamentos efetuados decorrentes de obrigações contratuais em atraso, por se caracterizarem como Receita Bruta Operacional, estão na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS cumulativas e, por integrarem o conceito amplo de Receita Bruta, na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas. No RESP a questão submetida a julgamento trata sobre a possibilidade de incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre os valores de juros, calculados pela taxa SELIC, recebidos em face de repetição de indébito tributário, na devolução de depósitos judiciais ou nos pagamentos efetuados por clientes em atraso. O Acórdão do STJ foi proferido com a seguinte Ementa: RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC (OU OUTROS ÍNDICES) RECEBIDOS EM REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO, NA DEVOLUÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS OU NOS PAGAMENTOS EFETUADOS POR CLIENTES EM ATRASO. 1. Conforme a autonomia do Direito Tributário positivada no art. 109, do CTN, a definição dos efeitos tributários dos institutos de direito civil se submete à norma tributária. Sendo assim, quando se está a falar da percepção da verba por pessoas jurídicas, os juros, sejam moratórios (danos emergentes na repetição de indébito tributário ou lucros cessantes nas demais hipóteses como pagamentos de clientes em atraso), sejam remuneratórios (produto do capital investido ou devolução de depósitos judiciais), recebem classificação contábil tributária consoante a legislação em vigor que assim dispõe: 1.1. Os juros remuneratórios - categoria que abrange os juros SELIC incidentes na devolução dos depósitos judiciais - são Receitas Financeiras (remuneração do capital) integrantes do Lucro Operacional, consoante o disposto no art. 17, do Decreto-Lei n. 1.598/77 e o art. 9º, da Lei n. 9.718/98, portanto integrantes do conceito maior de Receita Bruta Operacional. 1.2. Já os juros moratórios: 1.2.1. Se recebidos em face de repetição de indébito tributário - categoria que abrange os juros SELIC incidentes na repetição de indébito tributário - são, Fl. 4109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 26 excepcionalmente, recuperações ou devoluções de custos (indenizações a título de danos emergentes) integrantes da Receita Bruta Operacional, consoante o disposto no art. 44, III, da Lei n. 4.506/64; e 1.2.2. Se auferidos nas demais hipóteses de inadimplemento -categoria que abrange os juros incidentes sobre os pagamentos efetuados por clientes em atraso - são Receitas Financeiras (indenizações a título de lucros cessantes) integrantes do Lucro Operacional, consoante o disposto no art. 17, do Decreto-Lei n. 1.598/77 e o art. 9º, da Lei n. 9.718/98, portanto integrantes do conceito maior de Receita Bruta Operacional. 2. Ainda que se entendesse inaplicável o disposto no art. 44, III, da Lei n. 4.506/64, aos juros moratórios, subsistiria a aplicação do art. 17, do Decreto-Lei n. 1.598/77 e do art. 9º, da Lei n. 9.718/98, que os classificaria como Receitas Financeiras, sendo que todas as Receitas Financeiras também integram o conceito maior de Receita Bruta Operacional. 3. Desta forma, a lei tributária estabelece expressamente que o aumento do valor do crédito das pessoas jurídicas contribuintes em razão da aplicação de determinada taxa de juros, seja ela qual for, por força de lei ou contrato, atrelada ou não a correção monetária (como o é a taxa SELIC), proveniente de ato lícito(remuneração) ou ilícito (mora) possui a natureza de Receita Bruta Operacional, assim ingressando na contabilidade das empresas para efeitos tributários. Precedente repetitivo: REsp. n. 1.138.695 / SC, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22.05.2013 e juízo de retratação julgado em em 26.04.2023. 4. Essa natureza jurídico-tributária dos juros (de mora ou remuneratórios) como Receita Bruta Operacional os coloca dentro da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sob os regimes cumulativo (base de cálculo Receita Bruta Operacional ou faturamento) e não cumulativo (base de cálculo Receita Bruta em sentido amplo ou total). 5. A condição dos juros de mora na repetição do indébito tributário como verba indenizatória a título de dano emergente - Temas nsº 808 e 962 da Repercussão Geral do STF, RE nº 855.091 e RE nº 1.063.187 e Tema nº 505/STJ, Juízo de Retratação no REsp. n. 1.138.695 / SC - pode lhes retirar a natureza jurídica de renda ou lucro, relevante para o IRPJ e para a CSLL, mas não lhes retira a natureza de Receita Bruta a qual é determinante para o deslinde da causa para as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. 6. Os temas sob exame já receberam inúmeros julgamentos no sentido da tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, a saber: 6.1. Quanto à incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre os valores de juros recebidos em face de repetição de indébito tributário: AgInt no REsp. n. 2.078.075/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em Fl. 4110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 27 26.02.2024; AgInt no REsp. n. 2.072.441/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 26.02.2024; AgInt no REsp. n. 2.077.970/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 09.10.2023; AgInt no REsp. n. 2.048.559/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 04.09.2023; AgInt nos EDcl no REsp. n. 1.981.418/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 28.08.2023; AgInt no REsp. n. 2.048.949/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26.06.2023; AgInt no REsp. n. 1.997.791/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 26.06.2023; AgInt no AREsp. n. 1.928.961/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Paulo Sérgio Domingues, julgado em 02.05.2023; AgInt no REsp n. 1.960.914/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09.05.2022; AgInt no REsp n. 1.983.647/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do Trf5), julgado em 15.08.2022, dentre outros; 6.2. Quanto à incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre os valores de juros recebidos na devolução de depósitos judiciais: AgInt no REsp. n. 2.081.723/RS , Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18.02.2023; AgInt no REsp. n. 2.056.642/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14.08.2023; AgInt no REsp. n. 1.921.174/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 26.09.2022; AgInt no REsp. n. 1.967.695/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09.05.2022; EDcl no AgInt no REsp. n. 1.916.374/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 20.06.2022; AgInt no REsp. n. 1.973.486/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 09.05.2022; AgInt no REsp. n. 1.944.055/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 08.03.2022; EDcl no AgInt no REsp. n. 1.920.229/SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 16.11.2021; EDcl no AgInt nos EDcl no REsp. n. 1.922.734/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 22.11.2021; AgInt nº REsp. n. 1.920.034/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 11.10.2021, dentre outros; 6.3. Quanto à incidência das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre os valores de juros auferidos nos pagamentos efetuados por clientes em atraso: AgInt no REsp. n. 2.052.035/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 21.08.2023; AgInt no REsp. n. 2.053.675/PE, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 02.10.2023; AgRg no REsp. n. 1.260.812/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19.04.2016; AgRg no REsp. n. 1.461.557/CE, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 16.09.2014, dentre outros. 7. Tese proposta para efeito de repetitivo proveniente do julgamento conjunto do REsp. n. 2.065.817/RJ, REsp. n. 2.075.276/RS, REsp. n. 2.068.697/RS, REsp. n. 2.116.065/SC e REsp. n. 2.109.512/PR: "Os valores de juros, calculados pela taxa SELIC ou outros índices, recebidos em face de repetição de indébito tributário, na devolução de depósitos judiciais ou nos pagamentos efetuados decorrentes de Fl. 4111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 28 obrigações contratuais em atraso, por se caracterizarem como Receita Bruta Operacional, estão na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS cumulativas e, por integrarem o conceito amplo de Receita Bruta, na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas". 8. Recurso especial da FAZENDA NACIONAL provido. O Ministro Mauro Campbell Marques destacou que o entendimento do STJ é consolidado quanto à natureza dos juros em diferentes contextos e, sejam moratórios ou remuneratórios, são classificados pela legislação tributária. Assim concluiu o STJ no julgamento em referência: “Do conjunto normativo temos que os juros remuneratórios – categoria que abrange os juros SELIC incidentes na devolução dos depósitos judiciais – são Receitas Financeiras (remuneração do capital) integrantes do Lucro Operacional, consoante o disposto no art. 17, do Decreto-Lei n. 1.598/77 e o art. 9º, da Lei n. 9.718/98, portanto integrantes do conceito maior de Receita Bruta Operacional. Já os juros moratórios: i) Se recebidos em face de repetição de indébito tributário – categoria que abrange os juros SELIC incidentes na repetição de indébito tributário – são, excepcionalmente, recuperações ou devoluções de custos (indenizações a título de danos emergentes) integrantes da Receita Bruta Operacional, consoante o disposto no art. 44, III, da Lei n. 4.506/64; e ii) Se auferidos nas demais hipóteses de inadimplemento – categoria que abrange os juros incidentes sobre os pagamentos efetuados por clientes em atraso – são Receitas Financeiras (indenizações a título de lucros cessantes) integrantes do Lucro Operacional, consoante o disposto no art. 17, do Decreto-Lei n. 1.598/77 e o art. 9º, da Lei n. 9.718/98, portanto integrantes do conceito maior de Receita Bruta Operacional”. Em síntese, o relator enfatizou que “os valores de juros, calculados pela taxa Selic ou outros índices, recebidos em face de repetição de indébito tributário, na devolução de depósitos judiciais ou nos pagamentos efetuados decorrentes de obrigações contratuais em atraso, por se caracterizarem como receita bruta operacional, estão na base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins cumulativas, e, por integrarem o conceito amplo de receita bruta, estão na base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins não cumulativas”. No presente caso, aplico a decisão proferida pelo STJ, para o fim de considerar que os juros recebidos de clientes em atraso integrem a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, motivo pelo qual mantenho o lançamento de ofício neste ponto. 4.2. Receita não tributada de acordos promocionais Fl. 4112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 29 Concluiu a Fiscalização que a Recorrente excluiu indevidamente da base tributável do PIS e da COFINS valores referentes a descontos sobre as compras realizadas junto aos seus fornecedores. Entendeu que que tais valores têm natureza jurídica de receita e que, portanto, deveriam compor a base de cálculo de tais contribuições. Com isso, foram autuados ganhos decorrentes de variados acordos celebrados com fornecedores, considerando o Auditor Fiscal que, na sistemática não cumulativa é registrada a entrada dos produtos adquiridos e escriturado o crédito respectivo. Posteriormente, é registrado crédito para com os fornecedores e redução do passivo, em prática usual no ramo supermercadista. A prática gera desequilíbrio na sistemática não cumulativa, uma vez não se tratar de descontos incondicionais, dependendo de serviços e condições. Tampouco há ajustes nos créditos apurados. São descritas as diversas contas, bem como informados casos de autuação anteriores. Argumenta a defesa ser essencial considerar os conceitos e limites de receita, que só pode ser caracterizada por um ingresso de riqueza novo e definitivo no patrimônio do contribuinte. A denominação contábil é irrelevante, pois o tratamento contábil não se sobrepõe à natureza jurídica. A contabilidade reflete o direito, e não o contrário. O STF já determinou que o registro contábil não define a base de cálculo dos tributos, sendo receita apenas o que resulta em efetivo aumento patrimonial. Justifica, ainda, que a caracterização do desconto como incondicional independe de seu destaque na nota fiscal. Os descontos acordados com os fornecedores constam de contratos e não dependem de eventos futuros. Não há evidência de irregularidade, sendo irrelevante uma simples linha de conta, já que o desconto reduz custos, o que é oposto à receita. A incondicionalidade aplica-se apenas aos fornecedores, não aos compradores. Além disso, a caracterização do desconto como prestação de serviço é improcedente, pois não há prestação, apenas compra e venda. Com a redução de custos, não ocorre ingresso financeiro no patrimônio da empresa. A DRJ de origem igualmente manteve o lançamento neste ponto, por entender que: (i) houve acréscimo patrimonial decorrente dos descontos previstos nos acordos comerciais, seja em função de serem valores descontados a posteriori dos fornecedores, descasados da venda, seja porque os ganhos obtidos dos fornecedores estão relacionados às atividades da empresa; e (ii) os descontos não são incondicionais e que deveriam ser tributados pelo PIS e COFINS também porque não constaram em nota fiscal. Com razão à defesa. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça analisou a matéria através do julgamento ao RESP nº 1.836.082, cujo v. Acórdão foi proferido com a seguinte Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. ARTS. 1º, CAPUT, § 3º, V, A, DAS LEIS NS. 10.637/2002 E 10.883/2003. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA Fl. 4113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 30 COFINS. INGRESSO PATRIMONIAL NOVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS POR VAREJISTA COM DESCONTO CONCEDIDO POR FORNECEDORES. PARCELA REDUTORA DO CUSTO QUE NÃO CARACTERIZA RECEITA DO COMPRADOR. CONTRAPARTIDA DO ADQUIRENTE PARA OBTENÇÃO DO ABATIMENTO NÃO CONSTITUI PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II – O tribunal de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Não existência de omissão, contradição ou obscuridade. III – Consoante previsto nos arts. 1º, § 3º, V, a, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.883/2003, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, nº regime não cumulativo, consiste no total de receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, razão pela qual o conceito jurídico de receita não se vincula àquele veiculado pela ciência das finanças. Precedente do STF. IV – Nas relações comerciais entre agentes econômicos, o adquirente de mercadorias para revenda despende valores com a compra de produtos para desempenho de sua atividade empresarial, sendo desinfluente a natureza jurídica dos descontos obtidos do fornecedor para a incidência das contribuições em exame quanto ao varejista, porquanto rubrica modificadora da receita de quem vende e redutora dos custos do comprador. V – A pactuação de contrapartida a cargo do revendedor para a redução da quantia paga ao fornecedor constitui forma de composição do preço acordado na transação mercantil, motivo pelo qual não pode ser dissociada desse contexto para figurar, autonomamente, como a contraprestação por um serviço. VI – Os descontos concedidos pelo fornecedor ao varejista, mesmo quando condicionados a contraprestações vinculadas à operação de compra e venda, não constituem parcelas aptas a possibilitar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS a cargo do adquirente. VII – Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. O STJ decidiu que os descontos concedidos por fornecedores ao varejista não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da Cofins. A relatora, Eminente Ministra Regina Helena Costa considerou que esses descontos, mesmo quando condicionados a contraprestações, são redutores do custo de aquisição de mercadorias e não configuram receita tributável. Fl. 4114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 31 A Relatora destacou que a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo é o total de receitas auferidas, mas existem exceções, como os descontos incondicionais. Citou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e a Súmula 457 do STJ, que excluem esses descontos da base de cálculo. Além disso, a Relatora observou a divergência entre os Tribunais Regionais Federais sobre a natureza dos descontos condicionados, destacando que, no caso analisado, o TRF da 5ª Região considerou que a redução de preço deveria integrar a base de cálculo. Todavia, explicou que “somente sob o ponto de vista do alienante, os descontos implicam redução da receita decorrente da transação, hipótese na qual, caso condicionais, poderão ser incluídos na base de cálculo das contribuições sociais em exame”. Seguindo o mesmo posicionamento da Primeira Turma do STJ, entendo por afastar o lançamento de ofício neste ponto, uma vez que deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores referentes aos descontos sobre as compras realizadas pela Recorrente junto aos fornecedores. 4.3. Creditamento indevido em diversos itens, como armazenagem, fretes e aluguéis A Fiscalização procedeu a glosas sobre os créditos originados das seguintes despesas: Armazenagem e fretes nas operações de vendas: foram glosadas despesas com vigilância, despesas aduaneiras, remoção de entulho, serviços de limpeza e assessoria e fretes de transferência entre unidades; Em serviços utilizados como insumos: referente às despesas ou taxas com cartão de crédito e despesas de condomínios, retirados por se tratar de gastos administrativos e comerciais; Em bens utilizados como insumos: sem previsão para despesas de natureza comercial e financeira, como as descontadas de comissões sobre vendas (representação comercial) e gastos com transferência eletrônica de fundos; Em aluguel de prédios: glosadas as despesas com o IPTU nos imóveis locados; Quanto aos aluguéis de máquinas e equipamentos: glosa de locações de máquinas de café, de banheiros químicos e lonas para eventos; Quanto às outras despesas: excluídos os gastos de natureza administrativa, comercial e acessória, a saber restauração de pallets, limpeza de uniformes, manutenção e suporte de informática, manutenção de software, desenvolvimento e licença de programas. Fl. 4115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 32 A Recorrente contesta as glosas invocando o fundamento constitucional da não cumulatividade das contribuições e a decisão do STJ no Resp nº 1.221.170/PR, argumentando que a limitação de créditos pela fiscalização às atividades industriais e de serviços é indevida, afetando a atividade comercial. Sustentou que a Eminente Ministra Regina Helena Costa enfatiza a análise da atividade econômica do contribuinte como um todo e menciona precedentes que reconhecem créditos para atividades comerciais. Além disso, a autuação erra ao ignorar que a empresa também realiza atividades de produção, como açougue e padaria. A DRJ manteve as glosas efetuadas por concordar com a Fiscalização que: (i) Somente prestadores de serviços e industriais poderiam registrar créditos de insumos em suas atividades e que, portanto, determinados dispêndios não poderiam ser considerados insumos da atividade do Recorrente; e (ii) O creditamento não teria respaldo na legislação de regência. 4.3.1. Do conceito de insumo Através do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça concluiu que, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, conforme a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Em síntese, a partir da decisão definitiva do STJ, restou pacificado que, no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o crédito deve ser calculado sobre os custos e despesas sobre bens e serviços intrínseco à atividade econômica da empresa. Todavia, o conceito de insumos delimitado pelo STJ tem pouca aplicação no caso em questão, uma vez que se trata de uma empresa comercial varejista, sendo que a regra do inciso II do art. 3° das leis que regem as contribuições não cumulativas refere-se a processos de produção ou fabricação de bens, ou à prestação de serviços. Inclusive, como bem observado no Acórdão nº 9303-014.666, ao examinar a matéria envolvendo empresa comercial através do julgamento do AgInt no REsp n. 1.804.057/CE, o STJ esclareceu expressamente: Para haver a aplicação das teses do repetitivo Resp. n. 1.221.170 – PR (Primeira Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 22.02.2018), onde foi definido o conceito de insumos para fins de creditamento nas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, é preciso que a empresa que deseja enquadrar determinado bem ou serviço como insumo: 1º) Demonstre que realiza qualquer processo produtivo ou prestação de serviços; e 2º) Demonstre que esse Fl. 4116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 33 bem ou serviço é aplicado direta ou indiretamente no processo produtivo ou prestação de serviços; e 3º) Demonstre que esse bem ou serviço é essencial ao processo produtivo ou prestação de serviços. Além disso, o creditamento do valor relativo ao bem ou serviço não pode ser objeto de nenhuma outra vedação ou autorização legal específicas. 3. A empresa não demonstrou desenvolver qualquer processo produtivo ou prestação de serviço onde as referidas embalagens (sacolas de supermercado) fossem utilizadas, conforme o exigem os arts. 3º , II, das Leis n. n. 10.637/2002 e 10.833/2003 (“bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”). Também a Corte de Origem afastou a sua essencialidade (das sacolas) ao registrar que os produtos do supermercado podem ser revendidos sem as referidas sacolas, o que afasta o sucesso no teste de subtração referido no precedente repetitivo que seria forma apta a demonstrar a essencialidade. Tais constatações, inclusive, afastam a aplicação da invocada Solução de Consulta DISIT/SRRF08 n o 204, 28 maio de 2010, que se refere a dispêndios com a aquisição de material de embalagem utilizado no produto destinado a venda ao fim do processo produtivo. (...) 6. O recurso que insiste em atacar tema já julgado em sede de recurso repetitivo é manifestamente inadmissível, devendo ser penalizado com a multa de 1%, sobre o valor atualizado da causa, prevista no art. 1.021, § 4 o , do CPC/2015. Precedentes: (...)” (AgInt no Resp n. 1.804.057/CE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 1/10/2019, Dje de 4/10/2019) Portanto, as empresas que efetuam revenda de mercadorias são amparadas pelo inciso I do art. 3º das mesmas leis de regência, que versam sobre bens adquiridos para revenda. Este Colegiado recentemente enfrentou a matéria através do Acórdão nº 3402- 011.954, de relatoria da ilustre Conselheira Mariel Orsi Gameiro, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2015 CRÉDITO DE COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. EMPRESA REVENDEDORA DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE. As empresas dedicadas à atividade comercial de revenda de bens, por não possuírem processo produtivo nem prestarem serviços, não fazem jus a créditos sobre insumos. Não há lugar, no inciso II do art. 3º das leis de regência das contribuições não cumulativas, para operações que não sejam de produção/fabricação de bens ou prestação de serviços, sendo indevido o uso da terminologia “insumos” em operações nas quais não se demonstre o cumprimento de três condições: (a) a realização de processo produtivo ou prestação de serviços; (b) que o bem ou serviço é aplicado direta ou Fl. 4117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 34 indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços; e (c) que o bem ou serviço é essencial/relevante ao processo produtivo ou à prestação de serviço. Sobre a matéria, peço vênia para reproduzir os fundamentos do r. voto condutor do Acórdão nº 3402-011.954, acima já citado: A fiscalização glosou o aproveitamento de créditos relativos às despesas com publicidade e propaganda, e taxas e comissões das vendas com cartões de crédito e débito, em razão da impossibilidade de se aplicar a não-cumulatividade às empresas que se dedicam às atividades empresariais varejista e atacadista, posto que não se utilizam de insumos na revenda de bens. Com o devido respeito às posições contrárias existentes neste Tribunal Administrativo, no mesmo caminho percorrido pela fiscalização, entendo pela impossibilidade das empresas que exploram atividade varejista ou atacadista aproveitarem créditos de PIS e Cofins considerados insumos. A interpretação que se dá, inclusive em decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, extrapola não só os termos contidos no inciso II, artigo 3º, das Leis 10.637 e 10.833, como também o entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, no Resp 1.221.170, que fincou o conceito de insumo sob a guarida das características de essencialidade e relevância. Para as atividades comerciais varejistas e atacadistas, reserva-se a aplicabilidade do inciso I, do artigo 3º, das normas supramencionadas: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) No mesmo sentido, o parecer COSIT nº 05/2018, como bem citado pela decisão de primeira instância: 2. INEXISTÊNCIA DE INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL 40. Nos termos demonstrados acima sobre o conceito definido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. 41. Destarte, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3Ç da Lei nç 10.637, de 2002, e da Lei nç 10.833, de 2003). Ainda, vale citar o entendimento majoritário das câmaras baixas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Fl. 4118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 35 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO ART. 3°, II, DA LEI N° 10.833/2003. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL/VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de comércio/varejista, não é possível a apuração de créditos da nãocumulatividade da COFINS, com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, porquanto a hipótese normativa desse dispositivo é voltada especificamente às pessoas jurídicas industriais ou prestadoras de serviços. Por não produzir bens, tampouco prestar serviços, devem ser mantidas as glosas de todos os dispêndios sobre os quais a empresa comercial/varejista tenha tomado créditos do regime nãocumulativo como insumos. CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DE SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula CARF nº 125: “No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003”. PROVA. ESCRITURAÇÃO FISCAL. NOTAS FISCAIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 26, Decreto n.º 7.574/2011) PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. (Acórdão nº 3401-010.746, julgado em 28 de setembro de 2022, relatoria do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2016 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO ART. 3°, II, DA LEI N° 10.833/2003. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL/VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de comércio/varejista, não é possível a apuração de créditos da não- cumulatividade da COFINS, com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, porquanto a hipótese normativa desse dispositivo é voltada especificamente às pessoas jurídicas industriais ou prestadoras de serviços. Por não produzir bens, tampouco prestar serviços, devem ser mantidas as glosas de todos os dispêndios sobre os quais a empresa comercial/varejista tenha tomado créditos do regime não-cumulativo como insumos. INSUMO. INEXISTÊNCIA. ATIVIDADE COMERCIAL. O conceito de insumo, definido pelo STJ no julgamento do RE 1.221.170/PR está vinculado à atividade de prestação de serviço e à fabricação ou produção de bens. Inexiste insumo na atividade comercial. CRÉDITO. DESPESAS COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA. Fl. 4119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 36 Inexiste direito a desconto de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, na modalidade insumo, em relação à atividade comercial. CRÉDITO. ATIVIDADE COMERCIAL. Os gastos com combustíveis e lubrificantes, manutenção de equipamentos, material de limpeza, seguros e materiais de consumo não geram créditos nas atividades comerciais. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO ATIVO IMOBILIZADO. BENS UTILIZADOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. ART. 3°, VI, DA LEI N° 10.833/2003. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese normativa do art. 3º, VI da Lei n.º 10.833/2003 não atinge os bens utilizados na atividade comercial, se referindo às máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS PRÓPRIOS OU DE TERCEIROS. Os dispêndios com construção e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros devem ser levados ao ativo imobilizado somente gerando créditos não cumulativos calculados sobre os valores de depreciação mensal dos bens utilizados nas atividades da empresa. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. TAXAS PAGAS A ADMINISTRADORAS DE CARTÕES. IMPOSSIBILIDADE. As despesas relativas a serviços prestados por administradoras ou operadoras de cartões de crédito e/ou débito, incorridas por pessoa jurídica no exercício de atividade comercial, não geram direito a crédito, no regime não-cumulativo do PIS e da Cofins, por falta de previsão legal. CRÉDITO. REVENDA DE MERCADORIAS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Tratando-se de pessoa jurídica que tem como atividade principal a revenda de mercadorias, valendo-se de uma estrutura ampla e diversificada de estabelecimentos, as despesas incorridas nas operações de transferência de mercadorias entre eles se inserem no contexto mais amplo de operações de venda, uma vez se destinarem exatamente à viabilização da comercialização final, devendo os fretes se encontrarem devidamente comprovados, observados os demais requisitos da lei. NÃO-CUMULATIVIDADE. “ENCARGOS FINANCEIROS” SUPORTADOS PELO LOCATÁRIO. IMPOSSIBILIDADE As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, tal como o IPTU, TAXA DE CONDOMÍNIO, FUNDO DE RESERVA contratualmente estabelecidas, NÃO integram o custo de locação nos termos do art. 22 da Lei nº 8.245/1991, portanto NÃO devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. MULTA APLICÁVEL Tributo não declarado e não pago é constituído de ofício, com o acréscimo da multa de 75% do valor da contribuição não recolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 37 (Acórdão nº 3201-011.541, julgado em 28 de fevereiro de 2024, relatoria do Conselheiro Márcio Robson Costa) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2015, 2016, 2017, 2018 INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. ATIVIDADE COMERCIAL/VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. LEIS n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Na atividade de comércio/varejista, não é possível a apuração de créditos da não- cumulatividade da COFINS, com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, porquanto a hipótese normativa desse dispositivo é voltada especificamente às pessoas jurídicas industriais ou prestadoras de serviços. Por não produzir bens, tampouco prestar serviços, devem ser mantidas as glosas de todos os dispêndios sobre os quais a empresa comercial/varejista tenha tomado créditos do regime não-cumulativo como insumos. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. A base de cálculo das contribuições não cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. FRETE. OPERAÇÃO DE VENDA. CREDITAMENTO. Entende-se por “operação de venda”, para fins de interpretação do inciso IX do artigo 3° e inciso II do artigo 15 da Lei n° 10.833/2003, apenas a venda em si, última etapa da produção, quando há a efetiva entrega da mercadoria ao adquirente/comprador. (Acórdão nº 3301-014.003, julgado em 16 de abril de 2024, relatoria da Conselheira Jucileia de Souza Lima) E, enfim, destaco posicionamento recente da Câmara Superior: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA PARA CADA TEMA SUSCITADO. CONHECIMENTO PARCIAL. Para que o recurso especial seja conhecido em sua totalidade, é necessário que o recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de acórdão paradigma que, enfrentando questão fática semelhante, aplique de forma diversa a legislação apontada. No caso, o recurso especial interposto pelo Contribuinte não comprova o dissenso jurisprudencial em relação a dispêndios com embalagens de acondicionamento, tendo em conta que apresenta paradigmas que não indicam situações fáticas semelhantes à apreciada no acórdão recorrido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 Fl. 4121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 38 CRÉDITO DE COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. EMPRESA REVENDEDORA DE MERCADORIAS. IMPOSSIBILIDADE. As empresas dedicadas à atividade comercial de revenda de bens, por não possuírem processo produtivo nem prestarem serviços, não fazem jus a créditos sobre insumos. Não há lugar, no inciso II do art. 3º das leis de regência das contribuições não cumulativas, para operações que não sejam de produção/fabricação de bens ou prestação de serviços, sendo indevido o uso da terminologia “insumos” em operações nas quais não se demonstre o cumprimento de três condições: (a) a realização de processo produtivo ou prestação de serviços; (b) que o bem ou serviço é aplicado direta ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços; e (c) que o bem ou serviço é essencial/relevante ao processo produtivo ou à prestação de serviço. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. DESPESAS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Somente são admitidas as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, não estando contempladas na legislação (inciso IV do art. 3º da Lei no 10.833/2003) aquelas referentes a locação de veículos para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. SITUAÇÃO FÁTICA IDÊNTICA. MESMAS RAZÕES DE DECIDIR UTILIZADAS PARA A COFINS. Aplicam-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP as mesmas razões de decidir aplicáveis à COFINS, quando os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. (Acórdão nº 9303-014.666, julgado em 21 de fevereiro de 2024, relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan) Isto posto, entendo que a atividade exercida pelo contribuinte em questão não lhe permite a aplicação do inciso II, do artigo 3º, das Leis 10.637 e 10.833, de modo que, voto pela manutenção das glosas relativas às despesas com publicidade e propaganda e despesas com taxas e comissões das vendas com cartões de crédito Cumpre observar que, seguindo a mesma linha, não poderiam ser validados como crédito os gastos com vigilância e segurança, bem como limpeza, remoção de entulhos, assessoria Fl. 4122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 39 e despesas aduaneiras, cuja restrição está prevista, inclusive, no ITEM 168, “a” e “i” do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018, que assim prevê: 168. Como características adicionais dos bens e serviços (itens) considerados insumos na legislação das contribuições em voga, destacam-se: a) somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens; (...) 4) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI). Neste sentido, cito igualmente a SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 46, DE 03 DE FEVEREIRO DE 2023, assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 248, DE 2019, E À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 84, DE 2020. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO QUE MANTÉM PADARIA, AÇOUGUE E RESTAURANTE. UNIFORMES. ITENS DE HIGIENE. O supermercado que mantém, entre outras atividades, padaria, açougue e restaurante, quanto aos créditos da não cumulatividade da Cofins: a) é permitida a apuração na modalidade aquisição de insumos em relação aos Fl. 4123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 40 uniformes e itens de higiene utilizados na padaria e no restaurante, quando integrarem por imposição legal o processo de produção de bens a serem vendidos nesses setores do supermercado; b) é vedada a apuração de créditos em relação aos uniformes e aos itens de higiene utilizados no açougue, por não haver produção de bens nesse setor e por não se enquadrarem essas despesas em qualquer outra hipótese prevista em lei que permita o respectivo creditamento. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 156, DE 2020, E À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 173, DE 2020. NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. NÃO INCIDÊNCIA As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta, para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da própria nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. As bonificações em mercadorias que configurem desconto incondicional estão excluídas da base de cálculo da Cofins não cumulativa tanto do fornecedor quanto do adquirente da mercadoria. Quando as bonificações forem concedidas em nota fiscal própria de bonificação caracterizam doação, não configuram auferimento de receita para a empresa doadora e, portanto, não compõem a base de cálculo das Cofins (no caso da donatária, a doação recebida deve compor a base de cálculo da referida contribuição). SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 380, DE 2017. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE. O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins. O frete na aquisição de mercadorias a serem revendidas, quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no País e suportado pelo adquirente, integra o custo de aquisição da mercadoria e poderá gerar crédito da Cofins se for permitido o creditamento dos bens adquiridos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO QUE MANTÉM PADARIA, AÇOUGUE E RESTAURANTE. EMBALAGENS. O supermercado que mantém, entre outras atividades, padaria, açougue e restaurante, quanto aos créditos da não cumulatividade da Cofins: a) as despesas com o acondicionamento do produto final em embalagens adequadas e íntegras nos setores de padaria e restaurante do supermercado são exigidas pela legislação específica do setor de produção de alimentos para que o produto possa ser disponibilizado à venda, sendo, portanto, passíveis de gerar Fl. 4124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 41 crédito na modalidade de insumos para esses setores ainda que incorridas após a produção do bem. b) é vedada a apuração de créditos em relação às embalagens utilizadas no açougue, por não haver produção de bens nesse setor e por não se enquadrarem essas despesas em qualquer outra hipótese prevista em lei que permita o respectivo creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR . Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º; IN RFB nº 2.121, de 2022, arts. 175 a 178; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 2018, RDC Anvisa nº 257, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 248, DE 2019, E À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 84, DE 2020. Fl. 4125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 42 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO QUE MANTÉM PADARIA, AÇOUGUE E RESTAURANTE. UNIFORMES. ITENS DE HIGIENE. O supermercado que mantém, entre outras atividades, padaria, açougue e restaurante, quanto aos créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep: a) é permitida a apuração na modalidade aquisição de insumos em relação aos uniformes e itens de higiene utilizados na padaria e no restaurante, quando integrarem por imposição legal o processo de produção de bens a serem vendidos nesses setores do supermercado; b) é vedada a apuração de créditos em relação aos uniformes, aos itens de higiene e às embalagens utilizados no açougue, por não haver produção de bens nesse setor e por não se enquadrarem essas despesas em qualquer outra hipótese prevista em lei que permita o respectivo creditamento. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 156, DE 2020, E À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 173, DE 2020. NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. NÃO INCIDÊNCIA As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta, para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, apenas quando constarem da própria nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. As bonificações em mercadorias que configurem desconto incondicional estão excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas tanto do fornecedor quanto do adquirente da mercadoria. Quando as bonificações forem concedidas em nota fiscal própria de bonificação caracterizam doação, não configuram auferimento de receita para a empresa doadora e, portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (no caso da donatária, a doação recebida deve compor a base de cálculo da referida contribuição). SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 380, DE 2017. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. FRETE. O frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. O frete na aquisição de mercadorias a serem revendidas, quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no País e suportado pelo adquirente, integra o custo de aquisição da mercadoria e poderá gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep se for permitido o creditamento dos bens adquiridos. Fl. 4126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 43 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO QUE MANTÉM PADARIA, AÇOUGUE E RESTAURANTE. EMBALAGENS. O supermercado que mantém, entre outras atividades, padaria, açougue e restaurante, quanto aos créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep: a) as despesas com o acondicionamento do produto final em embalagens adequadas e íntegras nos setores de padaria e restaurante do supermercado são exigidas pela legislação específica do setor de produção de alimentos para que o produto possa ser disponibilizado à venda, sendo, portanto, passíveis de gerar crédito na modalidade de insumos para esses setores ainda que incorridas após a produção do bem; b) é vedada a apuração de créditos em relação às embalagens utilizadas no açougue, por não haver produção de bens nesse setor e por não se enquadrarem essas despesas em qualquer outra hipótese prevista em lei que permita o respectivo creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SUPERMERCADO. ESCOLTA. TRANSPORTE DE VALORES. ALUGUEL DE SOFTWARE UTILIZADO PELO SETOR ADMINISTRATIVO. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SACOLAS DESTINADAS AO CONSUMIDOR. Os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Contribuição para o PIS/Pasep para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º e 15; IN RFB nº 2.121, de 2022, arts. 175 a 178; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 2018, RDC Anvisa nº 257, de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONSULTA TRIBUTÁRIA. DESCRIÇÃO GENÉRICA. INEFICÁCIA. Declara-se a ineficácia da consulta que não descrever completa e exatamente a hipótese a que se refere. Dispositivos Legais: Instrução Normativa RFB nº 2.058, de 2021, art. 27, inciso XI. A Solução de Consulta em referência apresentou a seguinte conclusão: Fl. 4127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 44 57 Diante do exposto e com base na legislação citada, soluciona-se a presente consulta, vinculando-a parcialmente à Solução de Consulta Cosit nº 380, de 2017, à Solução de Consulta nº 248, de 2019, à Solução de Consulta Cosit nº 84, de 2020, à Solução de Consulta Cosit nº 156, de 2020, e à Solução de Consulta Cosit nº 173, de 2020, e declara-se a sua ineficácia parcial, nos seguintes termos: 57.1 não há créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre insumos na atividade de comercialização de bens, já que a hipótese de apuração de créditos sobre insumos está relacionada às atividades de fabricação ou produção de bens e de prestação de serviços; 57.2 a modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade das contribuições, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas; 57.3 o supermercado que mantém, entre outras atividades, padaria, açougue e restaurante, quanto aos créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: 57.3.1 é permitida a apuração na modalidade aquisição de insumos em relação aos uniformes e itens de higiene utilizados na padaria e no restaurante, quando integrarem por imposição legal o processo de produção de bens a serem vendidos nesses setores do supermercado; 57.3.2 as despesas com o acondicionamento do produto final em embalagens adequadas e íntegras nos setores de padaria e restaurante do supermercado são exigidas pela legislação específica do setor de produção de alimentos para que o produto possa ser disponibilizado à venda, sendo, portanto, passíveis de gerar crédito na modalidade de insumos para esses setores ainda que incorridas após a produção do bem; 57.3.3 é vedada a apuração de créditos em relação aos uniformes, aos itens de higiene e às embalagens utilizados no açougue, por não haver produção de bens nesse setor e por não se enquadrarem essas despesas em qualquer outra hipótese prevista em lei que permita o respectivo creditamento; 57.4 as bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta, para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, apenas quando constarem da própria nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento; 57.4.1 as bonificações em mercadorias que configurem desconto incondicional estão excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas tanto do fornecedor quanto do adquirente da mercadoria. Quando as bonificações forem concedidas em nota fiscal própria de bonificação caracterizam doação, não configuram Fl. 4128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 45 auferimento de receita para a empresa doadora e, portanto, não compõem a base de cálculo das contribuições em análise (no caso da donatária, a doação recebida deve compor a base de cálculo das referidas contribuições); 57.5 as despesas de marketing não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas; 57.6 o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; 57.6.1 o frete na aquisição de mercadorias a serem revendidas, quando contratado com pessoa jurídica domiciliada no País e suportado pelo adquirente, integra o custo de aquisição da mercadoria e poderá gerar crédito se for permitido o creditamento dos bens adquiridos. 57.7 os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas; 57.8 declara-se, com base no art. 27, inciso XI, da IN RFB nº 2.058, de 2021, a ineficácia do questionamento acerca da possibilidade de creditamento das despesas com logística e fidelidade, por ser uma questão genérica, sem descrever completa e exatamente a hipótese a que se refere. Portanto, mantenho a glosa sobre os créditos originados de gastos com vigilância e segurança, limpeza, remoção de entulhos, assessoria, despesas aduaneiras e comissões de cartões de crédito. 4.3.2. Armazenagem e fretes Argumenta a defesa que a IN RFB 1.911/2019 é inadequada, pois não reflete a interpretação correta da norma e é posterior aos fatos. Os centros de distribuição são essenciais para a operação e devem ser considerados insumos. Justifica que tais despesas são fundamentais para o funcionamento das atividades da empresa, assegurando que os produtos estejam disponíveis em todas as lojas da região e permitindo sua distribuição para posterior comercialização. Assim, o frete entre os Centros de Distribuição e as lojas constitui parte integrante do processo de venda. Fl. 4129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 46 Entendo que assiste razão à defesa neste ponto. Como observado pela Recorrente, o frete entre os Centros de Distribuição e as lojas, ou mesmo entre uma loja e outra, são parte da sua operação de venda, uma vez que, em uma cadeia comercial em que é efetuada a revenda de mercadorias, fica evidente que as mercadorias devem ser transportadas tanto do local em que foram adquiridas, quanto do Centro de Distribuição até as lojas. Não se trata, portanto, de simples transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa após produção, mas de frete e armazenagem na operação de venda de empresa atacadista, cujos bens foram adquiridos para revenda, o que é permitido pelo inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, desde que suportado pelo vendedor. A Contribuinte é uma pessoa jurídica que opera nos mercados atacadistas e varejistas, sendo que referidos dispêndios só podem ser interpretados como inerentes às operações de venda. Nesse sentido, admite-se o desconto de crédito em relação a fretes entre o Centro de Distribuição (CD) e as lojas, mas desde que atendidos os requisitos da lei, dentre os quais: (i) Ter sido o dispêndio suportado pelo vendedor; (ii) Ter sido realizado por pessoa jurídica domiciliada no País; (iii) Terem sido tributadas as referidas operações pelas contribuições PIS/Cofins. Reitero a SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 46, DE 03 DE FEVEREIRO DE 2023, a qual concluiu que o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, nos casos de bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pode gerar crédito da Cofins. Portanto, reverto as glosas sobre os créditos originados de despesas com fretes entre o Centro de Distribuição (CD) e as lojas, mas desde que atendidos os requisitos da lei, dentre os quais, (i) ter sido o dispêndio suportado pelo vendedor, (ii) ter sido realizado por pessoa jurídica domiciliada no País e (iii) terem sido tributadas as referidas operações pelas contribuições PIS/Cofins. 4.3.3. Despesas com IPTU e condomínio Argumenta a defesa que tais custos são acessórios ao contrato de locação e, portanto, dedutíveis. Sem razão à defesa neste ponto. Nem todo custo, despesa ou encargo incorrido pode ser considerado crédito a ser deduzido, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos depende exclusivamente dos custos, despesas e encargos classificados nos incisos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 4130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 47 Embora do ponto de vista do locatário faça sentido que o valor pago pelo aluguel inclua o IPTU dos imóveis alugados, essas despesas não se confundem com os aluguéis pagos. De acordo com o contrato de locação, uma das partes se compromete a ceder o uso e gozo de um bem não fungível em troca de uma retribuição. O IPTU, sendo um imposto municipal de responsabilidade do proprietário do imóvel, não deve ser considerado como despesa de aluguel, mesmo que o contrato particular estipule que o pagamento seja realizado pelo inquilino. Ademais, o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de se apurar crédito em relação a despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, inexistindo previsão no mesmo sentido quanto ao IPTU pago pelo inquilino. Neste sentido, cito a Solução de Consulta COSIT nº 647, de 27 de dezembro de 2017, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. IPTU ASSUMIDO PELO LOCATÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente dos processos de contabilização adotados pelo locatário, o IPTU pago por ele em virtude de disposição contratual não gera direito à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, IV. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. IPTU ASSUMIDO PELO LOCATÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente dos processos de contabilização adotados pelo locatário, o IPTU pago por ele em virtude de disposição contratual não gera direito à apropriação de créditos da Cofins. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, IV Portanto, mantenho tais glosas. 4.3.4. Comissões sobre vendas Argumenta a defesa que a análise deve ser específica à atividade do contribuinte, e as comissões são legítimas. Neste ponto, peço vênia para reproduzir os fundamentos expostos pelo ilustre julgador de primeira instância: Fl. 4131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 48 Em relação às comissões sobre vendas pagas a empresas de representação comercial, por exemplo, a Receita Federal do Brasil já se pronunciou algumas vezes por intermédio da COSIT. Veja-se: Solução de Consulta Cosit/RFB nº 31, de 30/03/2020 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. INSUMOS. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pessoa jurídica que explora atividade industrial, os valores pagos a outras pessoas jurídicas a título de comissão sobre vendas não geram direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep na modalidade aquisição de insumos, consoante o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA AO PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 5, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018, PUBLICADO NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 18 DE DEZEMBRO DE 2018. (grifos não constam no original) No inteiro teor do julgamento do STJ no REsp 1.221.170, o Ministro Mauro Campbell Marques, em aditamento ao seu Voto, é bastante claro ao adotar o entendimento vencedor, conforme conceito mais bem definido pela Ministra Regina Helena Costa, incorporando os equipamentos de proteção individual (EPI) aos insumos definidos em seu voto anterior: Desse modo, em novo aditamento ao voto, apenas faço uma pequena retificação para registrar que o retorno dos autos à origem também deverá se dar para a verificação dos equipamentos de proteção individual - EPI como insumos, isto é, se para o específico caso da empresa o são de aquisição obrigatória ou não, tudo isso considerando a estreita via da prova documental do mandado de segurança, que foi o instrumento aqui utilizado pelo contribuinte. Registro que o provimento do recurso deve ser parcial porque, tanto em meu voto, quanto no voto da Min. Regina Helena, o provimento foi dado somente em relação aos "custos" e "despesas" com água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e, agora, os equipamentos de proteção individual - EPI. Ficaram de fora gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões (gn). Portanto, a própria decisão paradigma, do STJ, deixou de fora os gastos comerciais. Veja-se que, mesmo que se aceite a elevada importância de tais gastos na atividade supermercadista, não se poderia alegar que não são relevantes na atividade de produção de alimentos apreciada pela STJ. A questão é que a previsão legal no item correspondente aos insumos, como restou definida, se refere ao processo produtivo. Há outros itens para os quais são previstos créditos nas leis respectivas, mas que não contemplam comissões de vendas ou taxas de cartões de crédito. Com os mesmos fundamentos demonstrados na decisão da DRJ de origem, mantenho a glosa em análise. Fl. 4132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 49 4.3.5. Despesas de aluguel de máquinas Argumenta a defesa que as locações devem ser reconhecidas como essenciais e relevantes para a realização de suas atividades de venda, tendo em vista a necessidade de estruturas para acondicionar bebidas e outros produtos, para que não haja perda do estoque. Alega, ainda, que se trata de locação de um espaço para a comercialização dos produtos, que se integra, em tudo, à hipótese de creditamento do art. 3º, IV da Lei nº 10.833/03. Com razão à defesa. As máquinas para acondicionar bebidas e outros produtos são equipamentos passíveis de crédito, cuja locação para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica (armazenamento de mercadorias para comercialização) é passível de creditamento na forma do art. 3º, IV, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, que assim prevê: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] IV – Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Por aplicação do dispositivo legal em referência, reverto as glosas referentes às despesas de aluguel de máquinas. 4.3.6. Outras despesas A Fiscalização glosou créditos originados de itens denominados de “Outras Despesas”, referentes a: (a) restauração de pallets (Item III.5.‘B’.2 do TVF) (b) limpeza de uniformes (Item III.5.‘B’.2 do TVF) (c) armazenagem e frete na operação de venda – contratos serviços terceirizados (Item III.5.‘B’.2. (i) do TVF); (d) despesas com venda a prazo (Item III.5.‘B’.2.(ii) do TVF); (e) manutenção e suporte técnico de equipamentos de informática (computadores, nobreak, impressoras, scaners), manutenção de software e programas, bem como desenvolvimento e licenças de programas (Item III.5.‘B’.2.iii do TVF) Justifica a defesa que os pallets são essenciais para o empilhamento de produtos, evitando que o peso de um danifique a integridade de outro produto. Fl. 4133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 50 Argumenta, ainda, que a manutenção e suporte técnico de informática igualmente é essencial para registrar o preço dos produtos, realizar o controle e movimentação do estoque e registrar a quantidade de produtos comercializados. Por fim, argumenta a defesa que os softwares são essenciais para registrar preços, controlar estoque, emitir notas fiscais e monitorar a validade dos produtos. Sem investimentos em tecnologia e manutenção, as operações do Impugnante não teriam sucesso. Equipamentos de informática, como emissores de cupom fiscal (ECFs), são exigidos pela legislação tributária, e a venda de mercadorias sem notas fiscais resulta em multas. A maioria das obrigações fiscais também depende de controle informatizado. Portanto, os softwares e sistemas questionados pela D. Fiscalização são indispensáveis para as atividades da Recorrente, especialmente para varejistas. Com relação aos custos com armazenagem e frete na operação de venda – contratos serviços terceirizados, reporto ao ITEM 4.3.2 deste voto. Com relação aos demais custos, reporto ao ITEM 4.3.1 deste voto, uma vez que, reitero, as empresas que efetuam revenda de mercadorias são amparadas pelo inciso I do art. 3º das mesmas leis de regência, que versam sobre bens adquiridos para revenda, o que não é o caso das despesas em referência. Inclusive, inexiste previsão legal para manutenção de equipamentos de informática (PDV, licenças de software e similares etc.), mesmo que se refira a dispêndio obrigatório por força de convênio. Reitero a conclusão da SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 46, DE 03 DE FEVEREIRO DE 2023, de que os custos com escolta, transporte de valores, aluguel de software utilizado pelo setor administrativo, taxas de cartões de crédito e sacolas destinadas ao consumidor não geram crédito da Cofins para as atividades realizadas pelo supermercado (comércio varejista, açougue, padaria, restaurante), por não configurarem insumos na produção de bens nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. Portanto, mantenho as glosas sobre tais custos. 4.4. Juros sobre multa de Ofício Pede a defesa para que não seja admitida a incidência de juros sobre a parcela da multa aplicada. Com relação aos juros sobre multa de ofício, aplica-se a Súmula CARF nº 108, que assim prevê: Súmula CARF nº 108 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Fl. 4134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 51 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, afasto o argumento em referência. 5. Dispositivo Ante o exposto, (i) conheço parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos relativos (i.1) ao caráter confiscatório da multa de 75% e (i,2) aplicação indevida de alíquota zero em vendas de informática (programa de inclusão digital), em razão de concomitância, incidindo a Súmula CARF nº 1. Na parte conhecida, dou parcial provimento ao recurso para (ii) afastar o lançamento de ofício sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS sobre os valores aos descontos originados de acordos promocionais junto aos fornecedores; e (iii) reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas com fretes entre o Centro de Distribuição (CD) e as lojas, mas desde que atendidos os requisitos da lei, dentre os quais, (iii.1) ter sido o dispêndio suportado pelo vendedor, (iii.2) ter sido realizado por pessoa jurídica domiciliada no País e (iii.3) terem sido tributadas as referidas operações pelas contribuições PIS/Cofins; (iv) reverter as glosas sobre os créditos originados de despesas de aluguel de máquinas. É como voto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos VOTO VENCEDOR Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, redator designado Tendo o Colegiado decidido, por maioria de votos, “não afastar o lançamento de ofício sobre a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS sobre os valores aos descontos originados de acordos promocionais junto aos fornecedores”, contrariando o que propunha a i. relatora, coube a mim a elaboração do voto vencedor em relação a esse ponto específico, o que passo a fazer em sucessivo. A i. relatora, com base no que decidido pelo STJ quando do julgamento do RESP nº 1.836.082, entendeu que os descontos concedidos por fornecedores aos varejistas não devem ser incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS ou da COFINS, uma vez que esses descontos, mesmo quando condicionados a contraprestações, são redutores do custo de aquisição de mercadorias e não configuram receita tributável. Fl. 4135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 52 E é nesse ponto que divirjo da i. relatora. Os descontos recebidos pelos varejistas de seus fornecedores, frutos de acordos promocionais, são, indubitavelmente, receitas e, por não se caracterizarem como descontos incondicionais, devem integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, conforme disciplinam o art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. É dessa forma que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem decidindo essa matéria em diversos julgados, inclusive naqueles que envolvem a própria Recorrente, como os que abaixo reproduzo as ementas (no que interessam): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se caracterizada a incondicionalidade do desconto. (Acórdão 3403-003.487, de 27/01/2015 – Processo nº 11080.726316/2010-89 – Relator: Rosaldo Trevisan – Recorrente: WMS Supermercados do Brasil Ltda) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 CONTAS CREDORAS. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO. As contas credoras que indicam ingresso de valores relacionados a bonificações e descontos, que não figuram em notas fiscais, e revelam caráter contraprestacional, não encontram guarida legal para exclusão da base de cálculo da COFINS. (Acórdão 3401-003.443, de 28/03/2017 – Processo nº 11080.735231/2012-53 – Redator designado: Rosaldo Trevisan – Recorrente: WMS Supermercados do Brasil Ltda) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se Fl. 4136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 53 enquadram nesta categoria as decorrentes da atividade empresarial definida no objeto social da contribuinte, tais como os descontos e bonificações relativos ao comércio das mercadorias. RECEITA. CONCEITO. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, decorrentes do seu objeto social, e que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. Neste conceito enquadram-se os descontos obtidos juntos a fornecedores, decorrentes das práticas de pedágio ou "rappel", devidas aos descontos obtidos, às mercadorias bonificadas e às recuperações com propaganda e marketing. (Acórdão 9303-007.403, de 18/09/2018 – Processo nº 11080.011290/2006-94 – Redator designado: Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Interessado: WMS Supermercados do Brasil Ltda) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. (Acórdão 9303-008.247, de 19/03/2019 – Processo nº 11080.735231/2012-53 – Relator: Rodrigo da Costa Pôssas – Recorrente: WMS Supermercados do Brasil Ltda) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2013 a 31/12/2014 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. NOVAS RECEITAS. ACORDOS PROMOCIONAIS. EVENTOS FUTUROS E INCERTOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os acordos promocionais relativos a concessões feitas ao comprador pelo fornecedor, geralmente vinculadas a desempenho e estratégias de vendas, são dependentes de eventos futuros e decorrem da atividade principal do sujeito passivo, qual seja, a revenda de mercadorias, não se confundindo com os descontos incondicionais concedidos em nota fiscal, compondo, portanto, a base de cálculo da contribuição. (Acórdão 3201-009.805, de 27/09/2022 – Processo nº Fl. 4137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 54 11065.721493/2018-14 – Relator: Hélcio Lafetá Reis – Recorrente: WMS Supermercados do Brasil Ltda) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 30/06/2013 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de apuração do valor tributável no regime da não-cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Acórdão 3202-002.196, de 16/12/2024 – Processo nº 11065.720018/2018-21 – Relatora: Juciléia de Souza Lima – Recorrente: WMS Supermercados do Brasil Ltda) O Acórdão recorrido analisou o mérito da discussão com profundidade e brilhantismo e, por concordar com as conclusões lá alcançadas, reproduzo as suas razões de decidir e as adoto como se minhas fossem: 4 DO MÉRITO: RECEITAS E DESCONTOS DOS FORNECEDORES Em apertada síntese, foram lançados valores cobrados de fornecedores e não incluídos na base de cálculo das contribuições. Trata-se de valores ou percentuais estabelecidos em contratos e implementados, nos casos objetos de tributação na presente autuação, por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores (ou da redução da dívida para com os mesmos). As receitas tributadas decorrentes dos acordos promocionais constam consolidadas em anexo do auto de infração e RAF e de quadro incluído no referido relatório. Os resultados (apenas parcialmente tributados), foram registrados nas seguintes contas contábeis: Apropriação das bonificações automáticas; Allowances automáticas host; Mercadoria com diferença de preço; Bonific recuperação mercadoria; Ajustes bonificação e acordos SIG; Recup custos logísticos back haul; Recup despesas out rec oper; Rec desp outras despesas opera; Recuperação despesas de fretes; receitas de promoções; receitas de promoções e publicidade. Os valores de uma das contas já foram parcialmente submetidos à tributação, tendo sido descontados da apuração pela fiscalização. A empresa se insurge integralmente contra a tributação. A alegação de nulidade já foi apreciada. A autuada pôde apresentar sua defesa, colecionando variados argumentos e a jurisprudência que entendeu favorável ao seu entendimento. A despeito da necessária independência do processo em apreço, em função da relevância e situação apresentada, no caso, é necessário um breve introito, até pela questão já ter sido apreciada por essa DRJ em processo anterior e pela Fl. 4138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 55 jurisprudência, no caso de supermercados, ter sido citada tanto no RAF quanto na impugnação. Tal tipo de situação, efetivamente, nem é exclusiva dos autos nem alguma inovação, especialmente no ramo de supermercado/hipermercado. Tampouco se apresentou apenas no regime não cumulativo das contribuições, uma vez que já havia litigância até mesmo para a sistemática cumulativa, a despeito de assumir ainda maior destaque no regime atual, como se verá. As práticas de desconto escalonado foram usualmente denominadas genericamente de “RAPEL (rappel)/PEDÁGIO”, originalmente referida a partir dos descontos variáveis à medida que subiriam em uma escala de vendas (imposição pelas grandes redes de supermercados de diversas exigências aos fornecedores, retribuída em dinheiro ou em mercadorias, sobre as compras que aqueles fazem dos seus produtos; melhor disposição da mercadoria dentro da loja – prateleira, publicidade etc.). A tributação desses valores tem sido questionada pelos integrantes do ramo. Era bastante comum, inclusive, anteriormente, a utilização de contas contábeis com os nomes “rapel”, “pedágio”, “receitas de pedágio” etc. No caso ora em apreço, a impugnante registra que a prática é comum no ramo. Visa a redução de preço. A negociação é comercial e estabelecida com cada fornecedor, em um mercado competitivo. A forma ou nome da conta não alteraria a relação do comprador com o fornecedor, que é de compra e venda de mercadorias com desconto previamente estabelecido em contrato. A impugnante não prestaria serviços. De fato, não faz sentido aqui adentrar nos méritos ou propósitos das relações da empresa com seus fornecedores. Não caberia questionar o teor sinalagmático das relações celebradas. Interessa aqui a natureza dos valores envolvidos em relação às repercussões fiscais. Os termos utilizados não são fundamentais, sejam chamadas pedágio, bonificações em descontos, reduções de passivo, recuperação de custos logísticos, receita de promoção publicidade, recuperação de despesas de fretes ou o que for. Importa, isto sim, a natureza dos valores em questão e a forma de contabilização adotada, no sentido de verificar a ocorrência de hipótese de incidência tributária. Embora os fornecedores e contratos/acordos sejam inúmeros, assim como as operações realizadas, a prática comum é estabelecer percentuais ou valores sobre compras a serem cobrados dos fornecedores. No período ora em exame, pelo menos com menção na autuação, não se verifica pagamentos dos fornecedores em boletos ou bonificações em mercadorias, o que já foi registrado em processos anteriores da autuada. Assim, a compra da mercadoria é feita e há um passivo com o fornecedor. Esse passivo não será integralmente pago. Os motivos, percentuais e momento da ocorrência são variados, envolvendo aumento de vendas, introdução de produto no mercado, margens de custo, necessidades de escoamento de produto específico, não recolhimento de produtos vencidos/deteriorados, participação em promoção ou abertura de nova loja da rede supermercadista, participação em datas especiais, exposição privilegiada em Fl. 4139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 56 gôndolas, utilização no interesse do fornecedor da logística do adquirente entre outros. Os valores reduzem o passivo e, ou não transitam, ou são excluídos, das contas submetidas à tributação do PIS e Cofins. Os efeitos, a princípio, são ajustados devidamente para o IRPJ/CSLL, com redução de custos, inexistindo autuação para esses tributos. No entendimento apresentado na impugnação, não há acréscimo patrimonial. Não há riqueza nova que se integre ao patrimônio de maneira positiva e definitiva. A operação não possui a natureza de receita. Mesmo eventual registro contábil como receita, não justificaria a tributação. O conceito de receita é jurídico. Pois bem, no item 2 deste voto, acima, já se examinou, nos limites do objetivo da presente decisão, o conceito de receita e as características do regime não cumulativo. Para acrescentar, interessa citar a definição de receita de Solon Sehn, com base na tradição de Baleeiro, acerca da receita pública, e de Hugo de Britto Machado: (...) receita constitui um ingresso de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. O STF também adotou tal conceito no RE 606.107/RS, nos seguintes termos: “Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas e condições” (gn – STF, RE 606.107, ementa, relatora Min. Rosa Weber). No caso presente, na forma como opera a empresa, é difícil interpretar que não ocorra acréscimo em seu patrimônio. Há diferença óbvia na situação patrimonial entre uma empresa que recebe a remuneração dos fornecedores e outra que não recebe. A receita corresponde ao fato modificativo aumentativo, na contabilidade. Difere do resultado, que contrapõe o fato modificativo diminutivo. Conceitualmente, a receita difere do lucro. A empresa ressalta não ser prestadora de serviços. Entretanto, reconhece o benefício para os fornecedores, que não darão "desconto de graça". Isso por certo não significa dizer que os acordos que resultam redução de preço não são salutares ou necessários em um mercado competitivo. Ocorre que, em decorrência dos acordos comerciais, por certo foi auferida receita, independentemente de denominada de serviços, comissionamento de vendas, ou o que for. Resta evidente que a empresa compradora tem efeito patrimonial positivo, o que pode ser percebido facilmente se feita a comparação, tanto com quem não teve o desconto, e pagou integralmente o fornecedor, quanto com quem forneceu desconto incondicional ou, de qualquer forma, registrou a compra por valor menor. Fl. 4140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 57 Ora, por ilustração, se um revendedor comprou mercadorias por R$ 100 em janeiro, registrando devidamente o correspondente custo e um passivo com o fornecedor, diga-se, em igual valor. Posteriormente, vende todas as mercadorias por R$ 120,00. No exemplo simples, temos uma receita de R$ 120,00. Para aferir o lucro, a variação positiva aumentativa seria confrontada com o fato modificativo diminutivo do patrimônio, correspondente ao custo de R$ 100,00. Se, digamos, em junho, no sexto mês após a compra das mercadorias para revenda, é operacionalizado e registrado um desconto do fornecedor, decorrente do contrato entre as partes, seja pelo aumento de vendas, entrega em local único, propaganda institucional, ou pelo acúmulo de vários, de R$ 15. O valor do passivo (devido) se alterou para R$ 85,00. Porém, os registros contábeis das compras já foram feitos. Eventualmente, já ocorreram vendas. Seria possível argumentar que o revendedor não teve ganho, que não houve acréscimo patrimonial? Ainda, se um revendedor descontou do valor a ser pago ao fornecedor esse valor de R$ 15,00 e outro não, a diferença na situação patrimonial de ambos é bastante óbvia. E mais, se, no mesmo momento da aquisição dos bens para revenda, foi devidamente registrado no documento fiscal correspondente um desconto de R$ 15,00, seria escriturado também um custo das mercadorias adquiridas (supermercado) para revenda de R$ 85,00 e um crédito das contribuições de R$ 7,86, a ser descontado do valor de PIS e Cofins devido, digamos, como exemplo, de R$ 11,10 (9,25% de 120,00). Outro, que não registrou o desconto incondicional no documento fiscal, teria um crédito a reduzir do PIS e Cofins de R$ 9,25 (9,25% de 100). Como argumentar que o valor descontado dos fornecedores a posteriori (após entrega das mercadorias para revenda) não é receita nova? No entendimento da empresa, os descontos são alheios à hipótese de incidência das contribuições, o que independe de sua caracterização. E, mesmo que fosse relevante, os descontos são redutores de custo (não contabilizada receita). O desconto incondicional, por sua vez, não precisaria obrigatoriamente constar da nota fiscal. Tal argumento não pode ser aceito. Antes, sobre a alegação acima, cumpre observar que, se a impugnante tivesse tratado os descontos como redutores de custo, esses valores teriam impacto direto na apuração dos créditos que se baseiam em custo de aquisição. De resto, como visto, o contribuinte obteve resultado patrimonial com a redução do passivo, ou não pagamento aos fornecedores. A forma de atuação da empresa é que fez com que o momento desse ganho fosse dissociado da compra (ou da entrada das mercadorias). Os ganhos obtidos dos fornecedores estão relacionados intrinsecamente às atividades da empresa, sendo elemento novo e positivo sobre o patrimônio (e sem agregar outra obrigação no passivo), relacionado às atividades operacionais. A previsão da legislação é para a exclusão dos descontos incondicionais, conforme art. 1º, § 3º, inciso V.a. das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Apenas estes são admitidos. O desconto para ser incondicional deve estar consignado nota a nota, não se admitindo seu cálculo a partir de percentuais ou estimativas sobre um Fl. 4141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 58 conjunto de compras ou operações. Entende a empresa que, como existe a previsão contratual prévia, já se sabe de antemão o valor que será objeto de desconto e, desse modo, teria natureza de incondicional. Cita Solução de Consulta que fornece alternativa para a condição de constar expresso na Nota Fiscal. Em acordos do tipo fidelidade, nos quais a base do desconto é o crescimento das vendas (e compras pela WMS), em comparação com situação anterior (ano, média), é visto imediatamente que as operações não tratam de descontos incondicionais. Alguns tipos de acordos dependerão de condições a serem apuradas, como total de paletes descarregados. A prática é que os pactos vão sendo feitos e os valores definidos. No caso mencionado pela fiscalização de “no show”, assim como no caso de não recolhimento de produtos vencidos ou perecidos, o fornecedor deixaria de cumprir uma obrigação, em tese ou contratualmente, dele, acordando com o desconto. A entrega centralizada, ao invés de em diversos pontos de vendas, poderia ser pactuada antes ou após as entregas, a princípio. A inclusão dos produtos dos fornecedores em publicidade ou promoções poderia ser acordada quando dos eventos. De toda a forma, as situações são variadas e se agregam com vistas a definir o desconto a ser efetivado. Ora, mesmo que a empresa destaque que os descontos são estabelecidos antes, em contrato, se já se soubesse, quando da emissão da nota, quanto será posteriormente descontado do fornecedor quando a autuada efetivar o pagamento, tal desconto já poderia constar da nota fiscal. A dissociação temporal e contábil entre as operações, como já dito, decorre da forma de proceder da empresa, mesmo que se constitua em prática usual no ramo, em função do volume e continuidade de compras. Na análise aqui estabelecida, não interessa o mérito do acordo ou das exigências de desconto. São acordos que serviram às partes. O que não é possível ignorar é a existência de ganho patrimonial quando da ocorrência do desconto. Ou pior, aceitar que cada um, vendedor ou comprador, individualmente, possam registrar o valor que entendem por bem, de acordo com suas peculiaridades, com o argumento que a nota fiscal não exaure o estabelecido no contrato. O fornecedor terá o registro de sua perda, seja na nota fiscal ou depois, seja como receita menor ou custos e despesas. Pode-se reconhecer a existência de um mercado competitivo no ramo, assim como que o sigilo possa ser importante para a empresa na negociação de preço. Porém, não é possível aceitar que o documento fiscal não possa referir a operação efetivamente realizada. Se assim fosse, a receita do fornecedor seria uma, o custo para o comprador seria outro, e teria que se perguntar a cada um em cada caso, não existindo coerência entre as informações e inviabilizando qualquer fiscalização. Dar o mesmo efeito de desconto incondicional ao caso que ora se examina, seria oferecer tratamento diferenciado e não isonômico. Comprador e vendedor devem registrar o mesmo valor de negócio. Fl. 4142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 59 O conceito de descontos incondicionais e a necessidade de eles constarem na nota fiscal de venda vem de longa data, desde a Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, no seu item 4.2: 4.2 – Descontos incondicionais são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifou-se). Tal orientação vem se repetindo para as empresas, o que pode ser obtido no Perguntas e Respostas para o preenchimento da DIPJ5. No mesmo sentido diversos Manuais orientadores de sociedades ou institutos tributários ou contábeis, em especial com orientações para os contribuintes. Veja-se, também o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da Fipecafi, 3ª edição, na página 501, onde se explica que: 24.2.2 Abatimentos A conta Abatimentos deve abrigar os descontos concedidos a clientes, posteriormente à entrega dos produtos, por defeitos de qualidade apresentados nos produtos entregues, ou por defeitos oriundos do transporte ou desembarque etc. Dessa forma, os abatimentos não se referem a descontos financeiros por pagamentos antecipados, que são atualmente tratados como despesas financeiras, e não incluem também descontos de preço dados no momento da venda, que são deduzidos diretamente nas notas fiscais. (...) A importância do documento fiscal está ligada, justamente, à coerência das informações, isonomia de tratamento e possibilidade de conferência. Veja-se que os efeitos financeiros não são neutros. O contrato estabeleceu obrigações mútuas, cabendo aos fornecedores pagarem valores ao comprador varejista, apartados na própria escrituração. A utilização de uma espécie de sistema de conta corrente de controle de valores com relação aos fornecedores não afeta a questão colocada no presente processo. Se os documentos fiscais escriturados não forem confiáveis para aferir a operação, cairíamos em situação de forte insegurança. Por isso mesmo, a escrituração faz prova em favor da empresa: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (RIR do Decreto 3.000/1999 ou art. 967 do RIR atual, Decreto 9.580/2018). Não é possível aceitar que o documento contábil/fiscal possa servir ou não para aferir os valores da operação de acordo com a conveniência. A empresa registra em sua impugnação: Fl. 4143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 60 65. Importante mencionar que não foi objeto do lançamento o crédito de PIS/COFINS registrado na aquisição desses produtos adquiridos com desconto, muito embora o I. Fiscal tenha feito a menção que o Impugnante registra créditos dos valores integrais das notas fiscais. Não se sabe ao certo o que buscou a D. Fiscalização ao fazer essa afirmação, mas, de todo modo, não é o objeto da autuação neste item. A glosa de créditos é objeto de outros itens deste processo. Assim, demonstra a empresa nítida preocupação com que seja contemplado na análise o aspecto da não cumulatividade das contribuições e a questão dos créditos. Isso neste ponto da impugnação, pois, quando da contestação das glosas de créditos reforça a apreciação dos princípios da não cumulatividade. Tergiversa a impugnante sobre a apuração de créditos no que tange aos descontos dos fornecedores. Ora, os créditos são apurados e registrados na EFD-Contribuições a partir dos valores dos bens adquiridos para revenda constantes dos documentos fiscais registrados na escrituração digital. Tal procedimento é padrão e a apuração de créditos é correta. Não há sentido no argumento de que a análise deve se restringir à consideração conceitual de receita, sem considerar os efeitos financeiros da operação ou a forma de apuração do regime não cumulativo. O conhecimento e a exploração de forma mais minudente dos efeitos da situação não prejudicam a apreciação do litígio, pelo contrário. O exemplo abaixo procura mostrar o efeito do não registro da receita quando da efetivação e escrituração da receita obtida com o desconto dos fornecedores. Parte-se da origem, a compra das mercadorias para revenda. Não é o caso de discutir o crédito da não cumulatividade, uma vez que já foi registrado antes dos descontos, mas sim de clarear o ganho patrimonial, e, assim, a receita obtida. Caso não tributada, restaria prejudicada a aplicação do princípio da não cumulatividade e a isonomia de tratamento entre casos análogos. Digamos, como ilustração, e por melhor visualização, que as alíquotas do PIS e Cofins somassem 10%. Veja-se o caso em que o custo de aquisição total, ao fim da operação, foi de R$ 900,00 (valor efetivamente pago aos fornecedores). Em três hipóteses equivalentes em termos financeiros: (a) uma hipótese, foi registrada a aquisição por 1.000,00, com desconto incondicional na nota fiscal de 100; (b) na segunda hipótese, o valor de aquisição foi 900; (c) na terceira, foi registrado 1.000,00 na aquisição e, posteriormente, foi registrado um desconto, reduzindo a dívida com o fornecedor para 900. Considerando vendas dos bens no valor de 1.200,00, em um modelo simples, a situação do PIS e Cofins não cumulativo poderia ser registrada como a do quadro abaixo: Fl. 4144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 61 Digamos que a empresa, na hipótese 3, ao operacionalizar o desconto de R$ 100,00, em momento posterior, registrasse um ajuste para reduzir o crédito em R$ 10,00 (10%), tendo em vista que havia se creditado sobre R$ 1.000,00, estaria resolvida a diferença. Caso contrário, deve-se registrar como acréscimo de receita o valor de R$ 100,00 (com acréscimo de R$ 10,00 no valor a pagar), correspondente ao ganho patrimonial incorporado de forma definitiva em função de ter operado desconto com o fornecedor, seja por exposição privilegiada, divulgação do produto em propaganda, não recolhimento de produtos vencidos ou qualquer das condições estabelecidas no contrato. O conceito de receita do Decreto-Lei 1.598/1977, atualizado, já foi transcrito no item 2 deste voto. Cumpre repisar através da transcrição do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018): TÍTULO V DA RECEITA BRUTA Art. 208. A receita bruta compreende (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, caput): I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II - o preço da prestação de serviços em geral; III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV - as receitas da atividade ou do objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas no inciso I ao inciso III do caput. Deve-se, ainda, guardar a ideia de que a receita equivale a um aumento da situação líquida da empresa, permanente, decorrente do seu esforço produtivo, da sua atividade empresarial. Como visto, tal é o conceito amplo validado pelo STF para as leis que implementaram a sistemática não cumulativa das contribuições. Ainda, se feito ajuste por parte da empresa, de alguma forma, submetendo o valor dos descontos dos fornecedores à tributação, mesmo que por redução dos créditos, descaberia a autuação. Os ajustes devem ser procedidos na modalidade Fl. 4145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 62 não cumulativa, seja em favor da empresa ou não. Veja-se o caso das devoluções de vendas tributadas, registradas após fechamento do mês. A empresa registrará um crédito correspondente, conforme a orientação da RFB. E, de fato, tal direito de crédito é exercido, uma vez que a tributação do valor da venda que veio a ser cancelada não deve ser mantido. Por óbvio, tal é uma forma de ajustar a tributação, quando já não seria possível alguma forma de estorno da receita correspondente aferida, mesmo que, tecnicamente, não se trate de um crédito propriamente dito. Por essas questões, é sempre importante verificar a apuração como um todo. Assim, no caso dos autos, o valor do desconto equivale ao “ganho” auferido pela contribuinte decorrente da exploração da atividade econômica. Ainda que o recurso correspondente não tenha, fisicamente, ingressado nos cofres do contribuinte, não há como negar que há um benefício patrimonial. A ementa da decisão do último processo da impugnante, apreciado de forma definitiva no Carf, já foi transcrita no item 1.1 deste voto. Transcreve-se, agora, apenas um trecho, por apropriado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que passem a fazer pedidos a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303- 008.247 – 3ª Turma; sessão de 19/03/2019). Em apoio ao entendimento ora adotado, cumpre transcrever, também, as seguintes decisões do Carf: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Fl. 4146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 63 (...) DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela Fiscalização com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte na impugnação. (...). (Acórdão 3302-001.160; sessão de 10/08/2011; 2a Turma, 3a Câmara, 3a Seção do Carf, proc. 10909.001469/2005-17). (grifou-se). ---------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que simplesmente passem a fazer pedidos (em qualquer quantidade, à sua revelia) a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré- acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto (em explícita opção, prevista em contrato, ao direto, em dinheiro) da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma Fl. 4147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 64 contraprestação, se não houver a necessária correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ACORDO DE NÃO-DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS IMPRESTÁVEIS PARA A VENDA. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Os descontos concedidos em troca do compromisso do comprador de não exigir do fornecedor, até certo limite, indenização pelas mercadorias em estoque defeituosas/danificadas, são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. (Acórdão 9903-005.849; sessão de 17/10/2017; 3a Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 11080.736093/2012-94). (grifou-se). ---------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria as decorrentes da atividade empresarial definida no objeto social da contribuinte, tais como os descontos e bonificações relativos ao comércio das mercadorias. RECEITA. CONCEITO. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, decorrentes do seu objeto social, e que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. Neste conceito enquadram-se os descontos obtidos juntos a fornecedores, decorrentes das práticas de pedágio ou "rappel", devidas aos descontos obtidos, às mercadorias bonificadas e às recuperações com propaganda e marketing. (Acórdão 9903-010.101; sessão de 11/02/2020; 3a Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 16682.720467/2013-19). (grifou-se). As referências, nas decisões citadas, sobre o não enquadramento da hipótese como receita financeira se explica por ter sido comum, pelo menos enquanto vigorava a alíquota zero para tais receitas, a alegação de que se tratariam destas, Fl. 4148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.371 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.727904/2021-35 65 pelo menos como alternativa. Pelo já visto até aqui, inclusive no item anterior deste voto, já se tem claro não se tratar de receitas financeiras, mas sim das receitas decorrentes de operações sucessivas da atividade empresarial da empresa, passíveis de tributação no regime não cumulativo das contribuições. Na fiscalização (RAF), é pontuado o fato de que, no período fiscalizado, a receita bruta correspondia a R$ 30 bilhões e que não houve nenhuma apuração de valores a pagar de PIS e Cofins. Por certo, trata-se de empresa de grande porte, com um volume muito grande de lançamentos e operações. Tal resultado decorre, em grande medida, da forma de operação dos acordos com os fornecedores, que contempla a apuração de créditos pelo valor da nota fiscal, com posterior registro dos descontos, em geral pela redução dos passivos. Essa sistemática permite a obtenção de ganhos líquidos nas operações sem a apuração de PIS e Cofins a pagar. Os descontos decorrem de acordos com benefícios mútuos com os fornecedores. Como antes demonstrado, a receita obtida decorre da própria forma de operar os descontos, registrados quando as mercadorias para revenda já foram transferidas para a impugnante (e o crédito respectivo no regime não cumulativo apurado). Não submeter tais valores à incidência das contribuições fere a não cumulatividade e implica tratamento diferenciado em relação a outros revendedores com idêntico resultado financeiro ou econômico. Dessa forma, há resultado patrimonial sem contrapartidas, observado no curso das atividades ordinárias da entidade, inexistindo hipótese para exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria, mantendo o lançamento feito pela Fiscalização sobre os descontos originados de acordos promocionais junto aos fornecedores. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Fl. 4149DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723351/2018-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2019
ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EXISTENTES. ÔNUS DA PROVA.
Se o interessado foi excluído do regime do Simples Nacional, cabe a ele comprovar que os débitos que motivaram o Ato de Exclusão do Simples estavam com a exigibilidade suspensa.
Não satisfeito o ônus da prova, a exclusão deve ser mantida.
Numero da decisão: 1001-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora
Assinado Digitalmente
Carmen Ferreira Saraiva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado e José Anchieta de Sousa.
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2019 ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EXISTENTES. ÔNUS DA PROVA. Se o interessado foi excluído do regime do Simples Nacional, cabe a ele comprovar que os débitos que motivaram o Ato de Exclusão do Simples estavam com a exigibilidade suspensa. Não satisfeito o ônus da prova, a exclusão deve ser mantida.
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DÉBITOS EXISTENTES. ÔNUS DA PROVA. Se o interessado foi excluído do regime do Simples Nacional, cabe a ele comprovar que os débitos que motivaram o Ato de Exclusão do Simples estavam com a exigibilidade suspensa. Não satisfeito o ônus da prova, a exclusão deve ser mantida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado e José Anchieta de Sousa. Fl. 194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.707 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.723351/2018-91 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 07-46.659 (fls. 95 a 98) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO nº 3759259, de 31/08/2018, que excluiu a recorrente do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2019 (fls. 51). A exclusão foi motivada pela existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme previsto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2019 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL. HIPÓTESE. Acarreta a exclusão de ofício do Simples Nacional, a existência de débitos com exigibilidade não suspensa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A recorrente foi intimada em 04/08/2020 (fls. 119) e apresentou recurso voluntário em 02/09/2020 (fls. 101 a 118) sustentando, em síntese: i) que os débitos apontados pela Fiscalização estavam sendo discutidos em mandado de segurança com depósito em juízo dos valores; ii) que os débitos ‘em cobrança’ também foram parcelados; iii) violação aos princípios da proteção da confiança e o cumprimento do princípio da boa-fé porque todos os débitos em discussão na RFB e na PGFN foram discutidos no mandado de segurança e incluídos no parcelamento; iv) violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Os autos vieram a julgamento e por meio da Resolução nº 1001-000.529 (fls. 122 a 126) foi convertido em diligência à Unidade de Origem para intimar a recorrente para apresentar provas que os débitos apontados no ADE estavam, ou não, com a exigibilidade suspensa. A recorrente foi intimada em 27/12/2023 (fls. 131) e apresentou informações (fls. 135 a 137) e documentos (fls. 138 a 188). Os autos retornaram a julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora Da admissibilidade Fl. 195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.707 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.723351/2018-91 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais A recorrente sustenta que os débitos apontados pela Fiscalização, tanto aqueles relacionados à Receita Federal do Brasil, quanto aqueles PGFN, foram incluídos em parcelamento e estavam sendo discutidos em mandado de segurança, com depósito em juízo dos valores, conforme prova feita por ocasião da conversão do julgamento em diligência. A decisão recorrida julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob o fundamento de que os débitos previdenciários não teriam sido incluídos no parcelamento e continuavam inadimplidos. Conforme consta no Ato Declaratório Executivo DRF/RPO nº 3759259, de 31/08/2018, que excluiu a recorrente do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2019 (fls. 51), a exclusão foi motivada pela existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme previsto no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006, que foram separados em 3 grupos: 1) 1º GRUPO 2) 2º GRUPO 3) 3º GRUPO Fl. 196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.707 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.723351/2018-91 4 A decisão recorrida buscou seu fundamento justamente no 2º GRUPO (débitos previdenciários), pois não teriam sido incluídos no parcelamento PERT-SN, instituído pela LC 162/2018 e, assim, não estavam com a exigibilidade suspensa. Cinge-se a controvérsia, então, em saber se os débitos do 2º Grupo estavam incluídos naqueles com a exigibilidade suspensa, por força da inclusão no parcelamento e discussão no mandado de segurança. De acordo com a LC nº 162/2018, o Programa Especial de Regularização Tributária das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte optantes pelo Simples Nacional (Pert-SN) inclui os débitos de que trata o § 15 do art. 21 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que assim menciona: Art. 21. Os tributos devidos, apurados na forma dos arts. 18 a 20 desta Lei Complementar, deverão ser pagos: (...) § 15. Compete ao CGSN fixar critérios, condições para rescisão, prazos, valores mínimos de amortização e demais procedimentos para parcelamento dos recolhimentos em atraso dos débitos tributários apurados no Simples Nacional, observado o disposto no § 3º deste artigo e no art. 35 e ressalvado o disposto no § 19 deste artigo. O art. 13 da LC nº 123/2006, por sua vez, assim esclarece: Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ; II - Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo; III - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL; IV - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo; V - Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1o deste artigo; Fl. 197DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm#art21%C2%A715 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm#art21%C2%A715 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art18 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art18 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.707 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.723351/2018-91 5 VI - Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar; VII - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS; VIII - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS. § 1o O recolhimento na forma deste artigo não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: I - Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF; II - Imposto sobre a Importação de Produtos Estrangeiros - II; III - Imposto sobre a Exportação, para o Exterior, de Produtos Nacionais ou Nacionalizados - IE; IV - Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR; V - Imposto de Renda, relativo aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável; VI - Imposto de Renda relativo aos ganhos de capital auferidos na alienação de bens do ativo permanente; VII - Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF; VIII - Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS; IX - Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador; X - Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual; XI - Imposto de Renda relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica a pessoas físicas; XII - Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins e IPI incidentes na importação de bens e serviços; XIII - ICMS devido: (...) Da leitura das disposições acima, verifica-se que os débitos incluídos no PERT-SN não incluem dois tipos de débitos previdenciários: i) Contribuição para manutenção da Fl. 198DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art22 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.707 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.723351/2018-91 6 Seguridade Social, relativa ao trabalhador e; ii) Contribuição para a Seguridade Social, relativa à pessoa do empresário, na qualidade de contribuinte individual. O Ato Declaratório Executivo DRF/RPO nº 3759259, de 31/08/2018, que excluiu a recorrente do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2019 (fls. 51), por sua vez, menciona que os débitos previdenciários referem-se à divergência entre GFIP e GPS. Quanto aos débitos previdenciários, sabemos que a Constituição Federal prevê a instituição de contribuições sociais a serem pagas pelo trabalhador e demais segurados da previdência social e pelo empregador, empresa ou entidade a ela equiparada; incidindo sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício – arts. 149 e 195. No plano infraconstitucional, a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, instituiu as contribuições à seguridade social a cargo do empregado e do trabalhador avulso com alíquotas de 8%, 9% ou 11% (art. 20); e a cargo do contribuinte individual e facultativo com alíquota de 20% (art. 21) - ambas sobre o salário-de-contribuição. Outrossim, instituiu as contribuições a cargo da empresa com alíquota de 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial; e para o financiamento dos benefícios previstos nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e aqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, tendo alíquotas de 1%, 2% ou 3% (art. 22). Ao lado disso, o art. 33 da Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização o poder de lançar de ofício as importâncias devidas, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário. Entre as hipóteses do lançamento de ofício, tem-se aquela em que a Fiscalização apura divergências entre as informações constantes em GFIP x GPS. Os fatos geradores decorrem das informações prestadas pelo próprio contribuinte em GFIP. Os valores das bases de cálculo da contribuição previdenciária são consignados no referido documento. Todos estes dados, fornecidos pela própria empresa, são registrados no sistema informatizado da Previdência Social, que também registra os valores recolhidos em GPS. Nos termos do art. 225, §1°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP servem como base de cálculo das contribuições previdenciárias, e se constituem em termo de confissão de dívida, na hipótese do não-recolhimento. Assim, a partir do confronto entre as informações prestadas pelo contribuinte em GFIP e os valores efetivamente recolhidos em GPS, tem-se o quantum devido pelo sujeito passivo. Fl. 199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.707 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10840.723351/2018-91 7 Constatando-se o recolhimento a menor de contribuições sociais incidentes sobre remunerações creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, cujos fatos geradores foram declarados em Folha de Pagamento e GFIP, cabe à auditoria fiscal efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. Da análise das informações constantes, bem como aquelas produzidas quando da conversão do julgamento em diligência, observa-se que a recorrente não comprovou que os débitos destacados aqui como GRUPO 2 referem-se a débitos previdenciários incluídos no SIMPLES NACIONAL, não havendo razão para reforma da decisão recorrida. Essa era, efetivamente, a prova que cabia à contribuinte, sem que dela tenha se desincumbido. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 200DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10983.913188/2017-41
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.
Não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa.
CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. MATERIAIS, PARTES E PEÇAS REPOSIÇÃO DE EQUIPAMENTOS EMPREGADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os bens, custos e despesas essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. Os gastos com materiais, partes e peças de máquinas e equipamentos, utilizadas para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte geram créditos na apuração do PIS e COFINS.
MULTA REGULAMENTAR. EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. PARECER NORMATIVO Nº 03/2013.
Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível;
A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS.
A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA.
O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO DE QUEIJO.
Conforme se extrai das notas complementares do subcapítulo 1905, encontram-se compreendidos na referida posição o pão comum, pão de glúten, pão ázimo, as torradas, pão tostado e produtos semelhantes, bretzels, bolachas e biscoitos, waffles, os produtos de pastelaria, quiche, pizzas, produtos alimentícios crocantes sem açúcar.
O pão de queijo não possui produto análogo ao rol acima que pudesse levar a uma classificação 1905.9090 (outros), já que nesta classificação residual o produto teria que “pertencer/equiparar” aos demais produtos do subcapítulo 1905, o que não se verifica. A classificação do pão de queijo no NCM 1902.1100 (Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo que contenha ovos) mostra-se a classificação fiscal mais adequada.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COXINHAS DE FRANGO.
Resta bastante óbvio que “coxinhas de frango” não se enquadram na classificação NCM 1902.30.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma coxinha de frango não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.30.00 - Outras massas alimentícias.
A classificação fiscal correta tanto pode ser aquela proposta pelas autoridades fiscais, no caso, na posição 16.02, cujo texto é “Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue”, quanto na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”.
Numero da decisão: 3402-012.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos: (i) para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas referentes às despesas de fretes incorridas com as transferências de matérias-primas e embalagens entre estabelecimentos, desde que devidamente identificadas nas contas contábeis informadas pela Recorrente nº Recurso Voluntário; (ii) para afastar o lançamento sobre os encargos de depreciação e amortização ocorridos após 30.04.2004; e (iii) para afastar a multa regulamentar prevista no art. 57, inciso III, alínea “a” da Medida Provisória nº 2.158-35/2001; e II) por maioria de votos: (i) para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas: (a) sobre locação de empilhadeira, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essa glosa; e (b) relativas aos “kit felicidade”, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essas glosas; (ii) para manter a classificação das carnes nº capítulo 02 do Sistema Harmonizado, conforme defendia a Recorrente, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que dava razão à Fiscalização; e (iii) para manter as glosas sobre: (a) as despesas de fretes incorridas com as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos, vencidas, neste tópico, as conselheiras Anna Dolores Barrros de Oliveira Sa Malta e Cynthia Elena de Campos (relatora), que revertiam essas glosas; (b) os serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída, movimentação cross docking, vencidas, nestes tópicos, as conselheiras Anna Dolores Barrros de Oliveira Sa Malta e Cynthia Elena de Campos (relatora), que revertiam essas glosas; e (c) os serviços de consultoria para eficientização de energia elétrica, vencida, neste tópico, a conselheira Cynthia Elena de Campos(relatora), que revertia essa glosa. A conselheira Mariel Orsi Gameiro acompanhou pelas conclusões em relação ao tópico II).(i).(b), tendo manifestado a intenção de apresentar declaração de voto em relação a esse tópico. Designado para redigir o voto vencedor relativo aos tópicos II).(iii).(a), II).(iii).(b) e II).(iii).(c) o conselheiro Jorge Luís Cabral. A Conselheira Mariel Orsi Gameiro não apresentou declaração de voto, motivo pelo qual considera-se não formulada, nos termos do art. 114, §7º do RICARF, aprovado pela Portaria/MF nº 1.364, de 21 de dezembro de 2023.
Assinado Digitalmente
Cynthia Elena de Campos – Relatora
Assinado Digitalmente
Jorge Luis Cabral – Presidente e Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Jorge Luis Cabral (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. MATERIAIS, PARTES E PEÇAS REPOSIÇÃO DE EQUIPAMENTOS EMPREGADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os bens, custos e despesas essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. Os gastos com materiais, partes e peças de máquinas e equipamentos, utilizadas para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte geram créditos na apuração do PIS e COFINS. MULTA REGULAMENTAR. EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. PARECER NORMATIVO Nº 03/2013. Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS. A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA. O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO DE QUEIJO. Conforme se extrai das notas complementares do subcapítulo 1905, encontram-se compreendidos na referida posição o pão comum, pão de glúten, pão ázimo, as torradas, pão tostado e produtos semelhantes, bretzels, bolachas e biscoitos, waffles, os produtos de pastelaria, quiche, pizzas, produtos alimentícios crocantes sem açúcar. O pão de queijo não possui produto análogo ao rol acima que pudesse levar a uma classificação 1905.9090 (outros), já que nesta classificação residual o produto teria que “pertencer/equiparar” aos demais produtos do subcapítulo 1905, o que não se verifica. A classificação do pão de queijo no NCM 1902.1100 (Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo que contenha ovos) mostra-se a classificação fiscal mais adequada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COXINHAS DE FRANGO. Resta bastante óbvio que “coxinhas de frango” não se enquadram na classificação NCM 1902.30.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma coxinha de frango não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.30.00 - Outras massas alimentícias. A classificação fiscal correta tanto pode ser aquela proposta pelas autoridades fiscais, no caso, na posição 16.02, cujo texto é “Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue”, quanto na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”.
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HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e Fl. 6365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 2 vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. MATERIAIS, PARTES E PEÇAS REPOSIÇÃO DE EQUIPAMENTOS EMPREGADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os bens, custos e despesas essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. Os gastos com materiais, partes e peças de máquinas e equipamentos, utilizadas para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte geram créditos na apuração do PIS e COFINS. MULTA REGULAMENTAR. EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. PARECER NORMATIVO Nº 03/2013. Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS. A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA. Fl. 6366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 3 O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO DE QUEIJO. Conforme se extrai das notas complementares do subcapítulo 1905, encontram-se compreendidos na referida posição o pão comum, pão de glúten, pão ázimo, as torradas, pão tostado e produtos semelhantes, bretzels, bolachas e biscoitos, waffles, os produtos de pastelaria, quiche, pizzas, produtos alimentícios crocantes sem açúcar. O pão de queijo não possui produto análogo ao rol acima que pudesse levar a uma classificação 1905.9090 (outros), já que nesta classificação residual o produto teria que “pertencer/equiparar” aos demais produtos do subcapítulo 1905, o que não se verifica. A classificação do pão de queijo no NCM 1902.1100 (Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo que contenha ovos) mostra-se a classificação fiscal mais adequada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COXINHAS DE FRANGO. Resta bastante óbvio que “coxinhas de frango” não se enquadram na classificação NCM 1902.30.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma coxinha de frango não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.30.00 - Outras massas alimentícias. Fl. 6367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 4 A classificação fiscal correta tanto pode ser aquela proposta pelas autoridades fiscais, no caso, na posição 16.02, cujo texto é “Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue”, quanto na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos: (i) para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas referentes às despesas de fretes incorridas com as transferências de matérias-primas e embalagens entre estabelecimentos, desde que devidamente identificadas nas contas contábeis informadas pela Recorrente nº Recurso Voluntário; (ii) para afastar o lançamento sobre os encargos de depreciação e amortização ocorridos após 30.04.2004; e (iii) para afastar a multa regulamentar prevista no art. 57, inciso III, alínea “a” da Medida Provisória nº 2.158-35/2001; e II) por maioria de votos: (i) para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas: (a) sobre locação de empilhadeira, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essa glosa; e (b) relativas aos “kit felicidade”, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essas glosas; (ii) para manter a classificação das carnes nº capítulo 02 do Sistema Harmonizado, conforme defendia a Recorrente, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que dava razão à Fiscalização; e (iii) para manter as glosas sobre: (a) as despesas de fretes incorridas com as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos, vencidas, neste tópico, as conselheiras Anna Dolores Barrros de Oliveira Sa Malta e Cynthia Elena de Campos (relatora), que revertiam essas glosas; (b) os serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída, movimentação cross docking, vencidas, nestes tópicos, as conselheiras Anna Dolores Barrros de Oliveira Sa Malta e Cynthia Elena de Campos (relatora), que revertiam essas glosas; e (c) os serviços de consultoria para eficientização de energia elétrica, vencida, neste tópico, a conselheira Cynthia Elena de Campos(relatora), que revertia essa glosa. A conselheira Mariel Orsi Gameiro acompanhou pelas conclusões em relação ao tópico II).(i).(b), tendo manifestado a intenção de apresentar declaração de voto em relação a esse tópico. Designado para redigir o voto vencedor relativo aos tópicos II).(iii).(a), II).(iii).(b) e II).(iii).(c) o conselheiro Jorge Luís Cabral. A Conselheira Mariel Orsi Gameiro não apresentou declaração de voto, motivo pelo qual considera-se não formulada, nos termos do art. 114, §7º do RICARF, aprovado pela Portaria/MF nº 1.364, de 21 de dezembro de 2023. Fl. 6368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 5 Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Jorge Luis Cabral – Presidente e Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Jorge Luis Cabral (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 07-44.142, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Trata-se de Pedido de Ressarcimento (PER) eletrônico, de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não cumulativa, vinculados à receita de mercado externo, apurados no 4º trimestre-calendário de 2013, no valor de R$ 2.949.899,55. O crédito solicitado foi utilizado em Declarações de Compensação (DCOMP). Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento de que se trata foi indeferido e as compensações a ele vinculadas não homologadas, como segue: Do procedimento fiscal Fl. 6369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 6 Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte relativos ao quarto trimestre de 2013. No decorrer das verificações foram detectados fatos que constituem infrações à legislação tributária, que acarretaram a glosa de créditos a descontar informados em Dacon e o lançamento de valores de PIS/Pasep e de Cofins não considerados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais e não declarados em DCTF, adiante descritos. Também foram detectados fatos que se relacionam a incorreções na prestação de informações na EFD-Contribuições. Todos os assuntos relacionados aos créditos e débitos do PIS/Pasep e da Cofins do período foram tratados no relatório fiscal do Auto de Infração, que serviu como base para os Despachos Decisórios gerados, razão pela qual os processos correspondentes serão julgados em conjunto, como segue: A Autoridade fiscal informa: que foram utilizadas as informações contidas nos arquivos da EFD-Contribuições transmitidos ao SPED; os créditos presentes na EFD-Contribuições, relativos às linhas 1 a 7 das Fichas 06A e 16A do Dacon, foram apurados a partir da totalização dos registros A170, C170, C190, C500 e D100, F100, e correspondentes registros filhos quando foi o caso; o Dacon foi preenchido com base nestas informações, conforme cópia da totalização das linhas 1 a 7. Informa, ainda, que os fretes informados em resposta ao item 14 da intimação Seort/EAC2 nº 2017/525 (fl.150) não contêm indicador que os identifique como fretes de aquisições, de vendas ou de transferência , etc. , mas, pela verificação relativa à correta descrição das contas contábeis utilizadas constatou-se a baixa confiabilidade da informação. Não há informação no campo COD_CTA - Código da conta analítica contábil debitada/creditada dos registros D101/D105 na enorme maioria das vezes. E que, assim, a melhor forma de tratar o assunto é pela totalização dos itens das linhas 1 a 7 e tratamento agrupado, sendo abatidas do total informado as glosas realizadas. Informa que foram totalizados os créditos das linhas 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 das fichas 6A e 16A do Dacon e analisados em conjunto e que esta totalização foi comparada ao somatório das informações presentes na EFD-Contribuições com Código de Situação Tributária (CST) 56 – Operação com Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Tributadas e Não- Tributadas no Mercado Interno e de Exportação. Ressalta que nenhum outro CST relativo a créditos básicos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins foi encontrado na EFD-Contribuições. E, ainda, que a contribuinte incluiu informações sobre aluguel de bens e imóveis na EFD-Contribuições. Fl. 6370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 7 A autoridade fiscal descreve o procedimento de verificação e identificação dos valores glosados e informa: que ao final dos procedimentos resumidamente descritos, apenas as notas fiscais que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas; todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nas planilhas localizadas no arquivo não-paginável inserido através do Termo de Anexação de Arquivo Não-Paginável - GLOSAS 04- trim 2013 de folha 774, arquivo GLOSAS 04-2013.xlsx, na planilha correspondente, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado, salvo em relação às glosas de itens informados de forma consolidada nos registros C191 e C195, onde consta o número da linha na EFD- Contribuições onde foi informado o crédito glosado. Passa, então, a discriminar as glossas efetuados que seguem conforme indicadas no relatório fiscal. 1) IV.III.4.1 Fretes Foram glosados as seguintes despesas com serviços de fretes: a. os valores contabilizados como serviços de fretes em relação aos quais não foi possível identificar a aplicação do serviço; b. itens sem qualquer informação de contabilização; c. dos valores totalizados nos arquivos apresentados em resposta à intimação fiscal, foram excluídos os valores contabilizados em contas que denotam não se tratar de insumos; como fretes entre as unidades da empresa (fretes de distribuição, que não se confundem com frete de venda), fretes de tratamento de resíduos, fretes de bens de uso permanente, ajuda de custo em transferência, programa de valorização de funcionários, malote e correio e diversos outros. A autoridade fiscal acrescenta que os fretes de distribuição cuja conta sintética era fretes de vendas, representando saída de produtos vendidos, não foram glosados. Foram glosados os fretes de distribuição cuja conta totalizadora era de fretes de distribuição (contas 510488, 510530, 510536, 510539, 510545, 510546, 530291). 2) IV.III.4.2 Demais assuntos das linhas 1 a 7 a. aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, listadas na planilha Aliq Zero ou NT; b. aquisições de bens e serviços não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do inciso II dos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, conforme a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, parágrafos 64 e 68; c. aquisição de bens adquiridos com suspensão das contribuições: sem direito a crédito regular (alíquota de 1,65% ou 7,6% ) por força das Leis nºs 12.058/2009 e 12.350/2010, INs RFB nºs 977/2009 e 1.157/2011, que determinam suspensão obrigatória nestes casos – situação tratada em conjunto com o crédito presumido das atividades agroindustriais; d. alugueis de veículos, que não estão incluídos no inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, conforme Solução de Consulta vinculante Cosit nº 1/2014; Fl. 6371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 8 e. operações realizadas entre unidades da contribuinte (transferências) que não geram qualquer direito creditório, apesar da utilização de CFOP relativos a compra e venda de produtos. 3) IV.III.4.3 Fichas 6A e 16A – Linha 09 – Sobre Bens do Ativo Imobilizado (com base nos Encargos de Depreciação) a. depreciação de bens com data de incorporação anterior a 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei 10.865, de 30/04/2004; b. bens que foram incorporados após o término de cada mês do trimestre, portanto sem direito a depreciação naquele período; 4) IV.III.5- Fichas 6A e 16A – Créditos presumidos - ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 22 – Ajustes Positivos de Créditos Linha 23 – (-) Ajustes Negativos de Crédito Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal Linha 27 – Ajustes Positivos de Créditos Linha 28 – (-) Ajustes Negativos de Créditos a. Creditamento incorreto baseado nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2004 i. Aquisições de pessoas físicas Foram glosados créditos presumidos sobre aquisições de pessoas físicas destinadas a revenda (CFOP 1102). Os valores dessas aquisições estão identificados no arquivo anexado pelo Termo de Anexação de Arquivo Não- Paginável - GLOSAS 04-trim 2013 de folha 774, arquivo GLOSAS 04-2013.xlsx, na planilha Presumido sobre REVENDA PF. ii. Suspensão obrigatória - art. 2º da IN RFB 977/2009 A autoridade fiscal relata que glosou as aquisições que deveriam ter sido informadas com suspensão, que era obrigatória, mas que foram informados como tendo CST-56 e crédito de 1,65% para PIS e 7,6% para Cofins. b. Crédito Presumido da Lei nº 10.925/2004 O auditor fiscal informa que glosou créditos em relação a alguns bens adquiridos pela contribuinte que ainda são também regulados pela Lei nº 10.925/2004, seja por não estarem listados na Lei nº 12.350/2010, seja por não estarem na exceção do art. 57, na redação dada pela Lei nº 12.431/2011 e terem sido utilizados como insumos de bens que não são regulados por esta lei (por exemplo, produtos do capítulo 16). O crédito (soma dos créditos apurados a 5,55% e 9,25%) foi corrigido, sendo estornado o valor que excedeu ao cálculo do crédito presumido permitido pela Lei 10.925/2004, tendo em vista que não foi admitido nenhum crédito relativo à Lei 12.350/2010. Fl. 6372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 9 Com relação aos itens carnes in natura, classificadas nas posições da NCM 0203, 0207 e 0210.1 Ração Outros Animais e insumos para ração, classificados na subposição da NCM 2309.90, informa que nenhum crédito foi admitido baseado na Lei 10.925/2004 porque o art. 57 da Lei 12.350, com a redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011, estabelece que “a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou aos produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM”. c. IV.III.5.1 Créditos Presumidos da Lei nº 12.058/2009 e IN RFB nº 977/2009 Informa que a contribuinte à época dos fatos adquiria bovinos vivos (posição 01.02 da NCM – animais vivos da espécie bovina) e produzia/industrializava e exportava produtos classificados na subposição 0201.3000 (OUTS CARNES BOV. DESOSS. FRESC OU REFRIG.), o que a enquadrava na Lei nº 12.058, art. 32, inc. I como adquirente de bovinos vivos, enquadrando-se também no art. 33, §3º, fazendo jus a descontar créditos calculados à alíquota de 3,8% da Cofins apurada e de 0,825% da Contribuição para o PIS/Pasep apurada, ambos sobre o valor das aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM. Entretanto, considerando que restou claro o fato que a contribuinte industrializava os bovinos vivos, posição 01.02 da NCM, que adquiria, passa a apontar as vedações ao crédito relativos s suas aquisições de carnes: iii. Em relação ao Créditos Presumidos da Lei nº 12.058/2009, glosou todos os valores relativos à aquisição de carnes, com fundamento no art. 34, §1º, da Lei nº 12.058/2009 – que vedava a apuração de crédito presumido sobre a aquisição de carnes por pessoa jurídica que industrializasse os bovinos vivos que adquirisse iv. Quanto ao crédito do art. 6º da IN RFB nº 977/2009, a contribuinte não faz jus uma vez que se enquadra na vedação do parágrafo único do mesmo artigo, da mesma forma acima descrita em relação ao art. 34, §1º da Lei 12.058/2009; Consta, ainda: v. que as informações prestadas pela interessada na resposta ao item 19 da Intimação SEORT/EAC2 nº 2017/525, arquivos anexados nas fls. 151/152, (informações sobre a compra de bois vivos e de carne, com apuração de crédito presumido) não são compatíveis com o efetivamente apurado na EFD- Contribuições, sendo verificada importante diferença apenas com relação ao informado para as compras de carne bovina e que, assim, foi apurado o crédito efetivo a estornar com base no que foi realmente informado na EFD-Contribuições; vi. que a contribuinte apurou créditos com CST 56 e utilizou alíquotas de 7,6% para Cofins e 1,65% para Contribuição para o PIS/Pasep; tais créditos são indevidos pois, por força do inciso XIX do art. 1º da Lei nº 10.925/2004, com a redação da Lei nº 12.839/2013, as carnes bovinas eram tributadas à alíquota zero naquele período e não tinham direito a este creditamento. d. IV.III.5.2 Créditos Presumidos da Lei nº 12.350/2010 e IN RFB nº 1.157/2011 Fl. 6373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 10 i. Em relação ao crédito presumido do art. 5º da IN RFB nº 1.157/2011, a contribuinte incorreu na vedação destacada no parágrafo único do mesmo artigo: realizou operação de venda de bens da posição 01.03, 01.05, 10.05, 23.04, 23.06 e 23.09.90, sem tributação, bens estes listados nos incisos I a III do caput do art. 2º; ii. Em relação ao crédito presumido do art. 6º da IN RFB nº 1.157/2011, a contribuinte incorreu na vedação destacada no parágrafo único do mesmo artigo: pois é notório que a contribuinte está enquadrada em pessoa jurídica “que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM”, conforme preconizado no inciso III do caput do art. 3º e no §1º do art. 56 da Lei 12.350/2010; A autoridade fiscal informa, que a interessada, quando intimada a esclarecer como se operava o controle diferenciado de estoques e de registro dos créditos - previsto no art. 14 e art. 15 da IN 977/2009 e artigos 13 a 15 da IN 1.157/2011 -, respondeu que “quanto ao controle diferenciado de estoques, não há como segregar as aquisições previstas nas IN...”. Acrescenta que a interessada também não apresentou qualquer consulta ou medida judicial que pudesse justificar seu procedimento diante de tal obrigação imposta pela legislação. Conclui que, tendo em vista a obrigação de interpretação literal da legislação, uma vez não cumprida a obrigação acessória, o crédito presumido não é passível de apuração. e. IV.III.5.3 Créditos Presumidos da Lei 12.865/2013, art. 31 Relata a autoridade fiscal que a sistemática descrita pela contribuinte para a apuração do crédito presumido está correta, mas que, porém, em relação ao início do cálculo do crédito presumido, no mês de outubro de 2013, há um equívoco. Isso porque a Lei nº 12.865/2013 foi publicada em 10/10/2013 e somente é permitido o crédito em relação às vendas ocorridas a partir desta data, ou seja, no mercado interno, aquelas cuja data de movimento seja igual ou posterior a 10/10/2013 e, no mercado externo, aquelas nas quais a transferência de propriedade tenha ocorrido desta data para frente. Informa que do relatório do sistema DW Aduaneiro verifica-se que neste período, nas vendas ao mercado externo, somente foram utilizadas as cláusulas Incoterm Carriage Paid To, Cost And Freight, Cost, Insurance And Freight, Free Carrier, Free OnBoard, sendo que em todas elas, a data de embarque constante do sistema Siscomex é a data de transferência de responsabilidade pela carga. E que, assim, só são aptas a gerar o crédito presumido em tela aquelas cujas datas de embarque tenham ocorrido a partir de 10/10/2013, devendo ser glosados os créditos relativos a operações ocorridas antes desta data. Salienta que em relação ao mercado externo, apenas as operações relativas à DDE nº 21310683549, Incoterm Cost And Freight, data de embarque 03/10/2013 é que foram glosadas. E que, para manter a coerência da apuração, as notas fiscais relativas a compra de óleo e as relativas a devoluções de vendas, cujas datas de movimento foram anteriores a 10/10/2013, também foram excluídas do cálculo. Na sequência a autoridade fiscal traz a consolidação dos créditos presumidos (item IV.III.5.4 do relatório fiscal ) e a apuração dos créditos reconhecidos (IV.IV). Fl. 6374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 11 Passa então a tratar da omissão de receitas, as quais não serão aqui relatoriadas em razão de não tratar o presente processo de Auto de Infração. Da manifestação de inconformidade Da preliminarmente nulidade do despacho decisório: Ofensa ao Artigo 142 do CTN e ao Princípio da Verdade Material por conta da Superficialidade do Trabalho de Fiscalização A interessada reclama que o procedimento adotado para análise do direito creditório é nulo em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para reconhecimento do crédito, pois foi pautado sem a devida análise de todos os documentos necessários a formar a correta convicção fiscal. Aduz que, no caso concreto, o procedimento de investigação da regularidade do direito creditório foi motivado sem a devida análise documental, o que resultou no indevido não reconhecimento do crédito. Aduz que caberia à Autoridade Fiscal discriminar quais glosas ensejaram a cobrança das contribuições e quais glosas ocasionaram a não homologação das compensações, mas que, contudo, não foi apresentado a origem dos valores ali postos, assim como não fez qualquer menção a quais seriam as pretensas infrações que embasariam a composição dos montantes ali mencionados. Defende que, ante a impossibilidade de se apurar ao certo quais valores se referem a cada um dos processos, tem-se a nulidade do despacho decisório, pois a Autoridade Fiscal, ao assim proceder, deixou de “determinar a matéria tributável” e “calcular o montante do tributo devido”. Conclui que a falta de análise de seu direito creditório viola o artigo 142 do CTN e o princípio da verdade material. Do conceito de insumo A impugnante, antes de passar a contestação da glosas, tece algumas considerações acerca do conceito de insumo adotado pela legislação do Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Inicialmente, afirma que embora as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que regulamentaram o regime não cumulativo dessas contribuições em âmbito infraconstitucional, façam menção à expressão “não-cumulatividade”, esse instituto não foi implementado em sua plenitude, pois as aludidas leis preferiram listar taxativamente as operações que geram e as que não geram direito ao crédito. Defende que da leitura dos incisos e parágrafos do artigo 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, em conjunto com o artigo 195, inciso I, alínea b, e § 12, da Constituição Federal, sugere que a racionalidade que está por detrás da escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito para desconto de PIS/Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita. E que, assim, de acordo com o atual posicionamento do STJ sobre o tema, são considerados insumos os bens e serviços essenciais e relevantes à atividade da empresa (objeto social), empregados direta ou indiretamente na operação, cuja subtração obste, dificulte ou deprecie a atividade ou acarrete em perda de qualidade, eficiência dessa atividade. Fl. 6375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 12 Da glosa de serviços de fretes Em contestação às glosas de serviços de frete, a interessada, inicialmente, alega que “os gastos relacionados à transferência de insumos ou produtos entre estabelecimentos da Impugnante ou para armazenagem” são insumos devido a sua “essencialidade ao processo produtivo ou relevância à atividade da empresa”, como definido pelo STJ, independentemente de se tratar de transporte de produto acabado. Acrescenta: que os “insumos e produtos da Impugnante devem ser transportados de forma refrigerada entre seus estabelecimentos e também aos estabelecimentos varejistas” por imposição normativa estabelecida pelo Ministério da Agricultura e pela ANVISA; que “as transferências realizadas para remessa e retorno de armazenamento e para deslocamento entre estabelecimentos” contribuem para a sua atividade produtiva; que os créditos decorrentes da transferência de “produtos acabados” também devem ser reconhecidos como legítimos, “seja porque são essenciais ao processo produtivo, seja porque integram o processo de venda”, sendo permitido o crédito com base no inciso IX, art. 3º, da Lei nº 10.833/03; que nos casos em que “os locais de produção (ainda que realizada por terceiros) diferem dos locais de distribuição das mercadorias, o frete entre tais estabelecimentos também é essencial e relevante à sua atividade”. Na sequência passa a discorrer sobre a essencialidade e relevância dos fretes em função da “indispensabilidade na consecução de suas atividades”. Da glosa de aquisições de bens sujeitos à alíquota zero A impugnante alega que o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que lhe vendeu os bens, devido a alíquota zero, não implica afirmar que tal bem não está sujeito à tributação. Defende que, dessa forma, tendo em vista que os insumos adquiridos sujeitos à alíquota zero não se subsomem ao artigo 3º, § 2º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, devem suas aquisições ser integralmente consideradas para fins de creditamento. Argumenta que a natureza da alíquota zero se assemelha a da isenção: “há a incidência da norma e, em face da mitigação de algum dos aspectos que compõe a regra matriz de incidência, não há crédito tributário a se pagar”. Por conta disso, defende que “é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta”. Da glosa de serviços que não se enquadram no conceito de insumo A impugnante defende o direito ao crédito em relação aos serviços de transbordo, operador logístico, movimentação de saída, movimentação cross docking alegando que tais serviços são custos logísticos que, se ausentes, inviabilizariam a consecução das atividades da Impugnante. Explica: que as despesas compreendem a armazenagem de produtos que devem ser devidamente acondicionados sob temperaturas adequadas (conforme exigência do Ministério da Agricultura e da ANVISA); os serviços de armazenagem, Fl. 6376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 13 desdobram-se nos serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída e movimentação cross docking, estes vinculados àquele para assegurar o correto acondicionamento dos produtos. Conclui que, por conta disso, mesmo se tratando de serviços que integram a cadeia comercial após o término do ciclo produtivo, tais serviços são passíveis de creditamento, tendo em vista sua essencialidade e relevância na consecução das atividades da Impugnante. Em relação à glosa do serviço de carga e descarga, menciona que a própria RFB admitiu que dispêndios relacionados com carga e descarga pagos à pessoa jurídica nº Brasil geram direito a crédito, nos termos da Solução de Divergência nº 15/07. E também que, além dos serviços por ela tomados, realizou a locação de imóveis para a consecução de suas atividades fabris (como câmaras frigoríficas), conforme contrato celebrado com a empresa ZILLI TRANSPORTES LTDA. (doc. 5). A impugnante explica: que a consultoria de “eficientização energética” da qual é tomadora é vinculada à produção de margarina e outras gorduras e “se presta ao monitoramento de energia nos contêineres antes da realização da exportação das mercadorias”; os contêineres devem ser refrigerados, conforme determinação da ANVISA e do Ministério da Agricultura. Defende que tais despesas são consideradas insumos e passíveis de creditamento de PIS/Cofins dada a “relevância do serviço tomado para a execução das atividades da Impugnante”. Com relação aos demais bens e serviços dos quais foram aproveitados créditos de PIS/Cofins (tais como café, lanches, vale alimentação, telefone, eventos, estacionamento, taxa condominial, mudança de funcionários e custos administrativos), a Impugnante informa que optou pela quitação do débito exigido mediante sua compensação com créditos de tributos administrados pela RFB, conforme doc. 6. Desta feita, ante a quitação do débito relativo a essa parcela do lançamento fiscal, requer seja extinta parte do valor exigido, por conta do disposto no artigo 156, inciso II, do CTN. Da glosa de gastos com locação de veículos A impugnante informa que das 373 operações glosadas, locou empilhadeiras em 369 operações (ou seja, apenas 4 operações se referem à locação de veículos). Defende o direito ao crédito alegando que empilhadeiras são máquinas e sua locação é passível de creditamento de PIS/Cofins, tendo em vista que o artigo 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 permite o creditamento de gastos relativos a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”. Explica que as empilhadeiras, por possuírem hastes de suspensão de objetos, “são responsáveis, dentre outros, por movimentar os pallets carregados de mercadorias e inserir as caixas dentro dos caminhões que as transportarão”. Em sendo assim, “há de ser reconhecida a essencialidade da despesa incorrida com a locação da referida máquina” que consistem de veículos “utilizados para movimentar os materiais essenciais ao processo produtivo da Impugnante”. Fl. 6377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 14 Quanto à locação de “veículos de passeio”, destinados aos vendedores dos produtos por ela fabricados, alega que, embora não se enquadrem como máquinas e equipamentos, são relevantes à atividade da Impugnante, já que os vendedores dependem de tais veículos para negociar com os compradores. Da glosa de encargos com depreciação de bens do ativo imobilizado A impugnante alega que o “fato gerador” dos créditos escriturais de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, previstos no artigo 3º, inciso VI, § 1º, inciso III, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dá-se no mês em que são apurados os encargos de depreciação e amortização, sendo indiferente o momento de aquisição do bem depreciado. Mas que, contudo, o artigo 31 da Lei nº 10.865/04 – que instituiu tal vedação – já foi declarado inconstitucional pelo Poder Judiciário, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança nº 2005.70.00.000594-0/PR. Saliente que, entretanto, nesse momento, não requerer que seja declarada a inconstitucionalidade do mencionado diploma legal pela Administração Fiscal, mas, sim, que os Órgãos Julgadores Administrativos(DRJ e CARF) apliquem o entendimento já exarado pelo Poder Judiciário, no sentido de permitir a depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004. Quanto à glosa da depreciação dos bens incorporados após o término de cada mês do trimestre, argumenta que é imperioso reconhecer a total ausência de prejuízo ao Erário, uma vez que, embora tenha havido um erro de inobservância do regime de competência, tal erro acarretou tão somente uma antecipação de créditos, isto é, foi recolhido o tributo em valor inferior em determinado período, mas, em momento posterior, o valor foi destinado aos cofres públicos. Dos créditos presumidos da atividade agroindustrial (item IV.III.5 do TDPF) 1) Créditos Presumidos da Lei nº 12.058/09 e da IN RFB nº 977/09 (item IV.III.5.1 do TDPF) A impugnante defende o direito ao crédito alegando que a vedação à tomada de créditos presumidos decorre somente da aquisição de produtos que serão utilizados em processos industriais para a formação de bens que serão vendidos no mercado interno com suspensão da incidência das contribuições. E que a venda de bens para o mercado externo – caso da Impugnante – não está sujeita à restrição em questão por razões extrafiscais: o legislador visa estimular a indústria exportadora. No mais, alega que a autoridade fiscal também apresentou um óbice inexistente: a falta de segregação das aquisições de gado vivo. Afirma que no curso da fiscalização explicou que o tal controle é impossível, na medida em que partes de um mesmo animal são destinadas tanto para a exportação como para o mercado interno. Defende que diante da impossibilidade prática de segregação de qual parte do animal é destinada a qual mercado, compete à autoridade fiscal fiar-se no elemento de prova mais óbvio e confiável: o percentual da receita auferido no mercado interno e aquele auferido em operações de exportação. Por fim, aduz Fl. 6378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 15 que tal óbice não poderia ser apresentado, pois não encontra respaldo na Lei nº 12.058/2009, que não exige o controle de estoque como requisito legal para a concessão dos créditos presumidos. Acrescenta que a autoridade fiscal também questionou a tomada de créditos ordinários (não presumidos) em virtude da suposta submissão da receita de vendas desses bens à alíquota zero e informa que a improcedência dessas alegações foi tratada pela Impugnante no item II.2.2.2.1 desta Impugnação, reiterando a Impugnante as razões lá expostas. 2) II.2.4.2 – Créditos Presumidos da Lei nº 12.350/10 e da IN RFB nº 1.157/11 (item IV.III.5.2 do TDPF) A impugnante defende o direito ao crédito alegando que a vedação crédito presumido pode ser calculado sobre as operações de exportação, pois a vedação contida nº parágrafo único do artigo 5º da Instrução Normativa nº 1.157/2011 afeta somente operações praticadas no mercado interno, não existindo proibição sobre o cálculo de créditos presumidos em operações de exportação. A intenção do legislador foi exatamente estimular e não onerar as exportações, reconhecendo o princípio de política tributária aplicável pela grande maioria dos países: evitar a exportação de tributos. Menciona que, além de interpretar erroneamente as vedações previstas nos parágrafos únicos dos artigos 5º e 6º da Instrução Normativa nº 1.157/2011, a autoridade fiscal também apresentou um óbice inexistente: a falta de segregação das aquisições de gado vivo. 3) II.2.4.3 – Créditos Presumidos do artigo 31 da Lei nº 12.865/13 (item IV.III.5.3 do TDPF) A impugnante alega que a autoridade fiscal adotou critérios equivocados para determinar se o fato relevante para a concessão do crédito presumido teria ocorrido antes ou depois desse marco temporal. Tomou como base para determinação da observância do critério temporal não o momento de auferimento da receita tributável ou em que incorrida a despesa creditável (momento correto), mas elementos formais que nada se relacionam com o fato juridicamente relevante, quais sejam, informações contidas no Siscomex que não refletem o auferimento da receita tributável ou o momento em que incorrida a despesa creditável. Afirma que tal equívoco decorre da não compreensão de que o critério temporal eleito pelo legislador não foi a data constante em Nota Fiscal ou no Siscomex, mas o período em que auferida a receita, base para cálculo do crédito presumido, conforme se nota pela leitura de trechos do artigo 31 da Lei nº 12.865/2013. Aduz que, nesse caso, não se deve questionar a data em que emitidos documentos que comprovem venda ou transferência de propriedade para fins de determinação do marco temporal a partir do qual o crédito presumido é válido, mas sim se a receita sobre a qual ele foi calculada foi auferida a partir de outubro Fl. 6379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 16 de 2013 ou não. Com efeito, a Contribuição ao PIS e a Cofins têm incidência mensal, sendo que o artigo 1º da Lei nº 10.833/2003 (que reproduz a regra do artigo 1º da Lei nº 10.637/2002) dispõe que a contribuição incide sobre o total das receitas auferidas no mês. Na sequência a interessada passa a impugnar os valores lançados em razão da omissão de receitas, argumentos que não serão aqui relatoriados, haja vista o presente processo não tratar de Auto de Infração. Pedido A interessada requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, cancelando-se o despacho decisório para que seja deferido o PER e homologadas as Dcomp. A Contribuinte foi intimada da decisão em data de 22/08/2019 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de e-fls. 2015), apresentando o Recurso Voluntário em 20/09/2019 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de e-fls. 2017), com pedido de cancelamento dos autos de infração e, subsidiariamente, para que seja afastada a multa regulamentar. Após, o processo foi encaminhado para inclusão em lote de sorteio. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Preliminarmente 2.1. Da Contestação de Todas as Glosas Consta no acórdão recorrido que a Contribuinte não contestou as seguintes glosas: - dos valores contabilizados como serviços de fretes em relação aos quais não foi possível identificar a aplicação do serviço; das despesas com serviços de fretes dos itens sem qualquer informação de contabilização; os fretes contabilizados em contas que denotam não se tratar de insumos, como fretes de tratamento de resíduos, fretes de bens de uso permanente, fretes de refeições, fretes contabilizados em custo de sinistros e diversos outros; Fl. 6380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 17 - créditos calculados pelas alíquotas previstas nas Leis nº 10.833/2003(Cofins), 10.637/2002 (PIS) ou Lei nº 10.925/2004 de bens não mais regulados por essas leis; - crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas destinadas a revenda (CFOP 1102); - créditos informados como decorrentes Lei nº 12.350, mas que ainda são regulados pela Lei nº 10.925/2004; - correção do crédito presumido permitido pela Lei nº 10.925/2004; - gastos com serviços de alimentação (lanches, vale alimentação), comunicação (telefone), querosene de aviação, eventos, estacionamento, taxa condominial, transporte de veículos, indenização de contratos, mudança de funcionários, custos administrativos e diversos outros bens e serviços não considerados insumos (transporte especial, tábuas, avaliação, socorro na estrada, etc). - as diferenças dos valores de compras de carne bovina informados pela interessada e o efetivamente apurado na EFD-Contribuições; Diante do entendimento pela ausência de impugnação, o ilustre julgador a quo deixou de analisar tais matérias, considerando definitivo o lançamento sobre a glosa dos valores a estas correspondentes. Por sua vez, argumentou a defesa que as glosas em referência foram contestadas, especificando em razões recursais da seguinte forma: Com relação aos fretes, a glosa foi contestada no item II.2.2.1 da Manifestação de Inconformidade, no qual alegou que todo tipo de frete, independentemente de sua finalidade e natureza, gera direito a crédito, pois ou deve ser classificado como insumo nos termos dos artigos 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ou deve ser tratado como frete em operação de venda, cujo creditamento é autorizado pelo artigo 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. Foram especificadas algumas hipóteses de fretes nos itens II.2.2.1.1 a II.2.2.1.3, o que não significa que deixou de impugnar os demais, mas tão somente optou por dar detalhes de algumas operações de frete. De fato, analisando a peça de Manifestação de Inconformidade, é possível verificar que os fretes foram contestados pela defesa, inclusive com relação ao fato de a refrigeração dos produtos decorrer de obrigação normativa estabelecida pelo Ministério da Agricultura e pela ANVISA. Entendo que a impugnação da glosa sobre os fretes, na forma como procedeu a defesa, não impede a análise dos argumentos pela DRJ de origem e, caso entendesse pela ausência de comprovação do direito creditório, poderia o julgamento resultar em improcedência por falta de provas, e não em ausência de conhecimento por falta de contestação. Com relação aos créditos calculados pelas alíquotas previstas nas Leis nº 10.833/2003 (Cofins), 10.637/2002 (PIS) ou Lei nº 10.925/2004 de bens não mais regulados por essas leis, argumentou a Recorrente que as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal foram Fl. 6381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 18 expressamente contestadas no item II.2.4 (Créditos Presumidos: Atividades Agroindustriais), mais especificamente no item II.2.4.2 (Créditos Presumidos da Lei nº 12.350/10 e da IN RFB nº 1.157/11) de sua Impugnação, em que a sistemática adotada pela Autoridade Fiscal foi rejeitada. Com relação ao crédito presumido sobre aquisição de pessoas físicas destinadas a revenda (CFOP 1102), argumentou a Recorrente que tal glosa igualmente foi expressamente contestadas pela Recorrente no item II.2.4 de sua Manifestação de Inconformidade (Créditos Presumidos: Atividades Agroindustriais). Constata-se da peça de Manifestação de Inconformidade que tais glosas foram de fato contestadas nos itens mencionados pela defesa, conforme redação abaixo reproduzida: II.2.4 – Créditos Presumidos: Atividades Agroindustriais (item IV.III.5 do TDPF) 271. A Autoridade Fiscal glosou créditos presumidos da Contribuição ao PIS e da Cofins calculados pela Impugnante com base em três diferentes leis: (i) Lei nº 12.058/09; (ii) Lei nº 12.350/10; e (iii) Lei nº 12.865/13. 272. As razões para a improcedência de cada uma das glosas serão tratadas, respectivamente, nos itens II.2.4.1, II.2.4.2 e II.2.4.3 desta Impugnação. Com relação aos gastos com serviços de alimentação (lanches, vale alimentação), comunicação (telefone), querosene de aviação, eventos, estacionamento, taxa condominial, transporte de veículos, indenização de contratos, mudança de funcionários, custos administrativos e diversos outros bens e serviços não considerados insumos (transporte especial, tábuas, avaliação, socorro na estrada, etc), argumentou a Recorrente que parte desses itens foi contestada no item II.2.1.2 da Manifestação de Inconformidade, em que foi demonstrada a incorreção do conceito de insumo utilizado pela Autoridade Fiscal. Esclareceu também que a parcela restante não foi contestada, pois efetuado o recolhimento dos tributos devidos, acrescidos de juros e multa, conforme informado no item II.2.2.2.2.c de sua Impugnação. Com relação às diferenças dos valores de compras de carne bovina informados pela interessada e o efetivamente apurado na EFD-Contribuições, argumentou a defesa que tal diferença teve como resultado a glosa de um valor superior de créditos fundada em suposta impossibilidade de a Recorrente apurar os créditos presumidos da Lei nº 12.0582/2009 (item IV.III.5.1 do TVF – Créditos Presumidos da Lei nº 12.058/2009 e IN RFB nº 977/2009 – página 45 do TVF): Fl. 6382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 19 Esclareceu ainda que tal glosa foi especificamente contestada no item II.2.4.1 de sua Manifestação de Inconformidade (Créditos Presumidos da Lei nº 12.058/09 e da IN RFB n 977/09), o que, de fato, consta na peça de defesa. Com relação à omissão de receita por incorreção da EFD-Contribuições, esclareceu a defesa que tais notas fiscais estão relacionadas também com a discussão da classificação fiscal das mercadorias, o que foi objeto dos itens II.2.5 e II.2.6 de sua Impugnação. Em suma, analisando a peça de Impugnação, é possível verificar que realmente foram contestadas as matérias apontadas pelo ilustre julgador de primeira instância. E tanto é que a decisão recorrida expressamente adentrou em tais matérias, analisando todos os itens contestados pela Contribuinte. Portanto, no mérito serão analisados os argumentos da defesa com relação às glosas e demais itens incluídos objeto deste litígio. 2.2. Da alegada ofensa ao artigo 142 do CTN e Inversão do Ônus da Prova Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração por ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que, em se tratando de autos de infração e tendo a defesa declarado de maneira devida seus créditos em declarações fiscais e contábeis (DCTF, DACON, EFD- Contribuições), cabe ao Fisco o ônus de provar as incorreções existentes na escrituração contábil e fiscal do contribuinte, não cabendo o lançamento para cobrança de PIS/Cofins em decorrência da reclassificação fiscal de diversos produtos na NCM, sem apresentar fundamentos técnicos amparados em laudos emitidos por pessoa especializada para amparar a autuação. Em síntese, o pedido de nulidade tem por argumento principal a superficialidade da análise das informações necessárias para a apuração dos créditos tributários, bem como da falta de fundamentação em laudo técnico, o que, inverte o ônus da prova de forma indevida e fere o princípio da verdade material. Sem razão à defesa. Fl. 6383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 20 Em que pese a imprescindível análise pela Unidade Preparadora sobre a participação dos itens identificados como insumos, além de partes e peças indicadas como bens do ativo imobilizado utilizados no processo produtivo da empresa, entendo que não é causa para que seja declarada nulidade do lançamento de ofício. Com relação às omissões de receitas, entendo que não há o enquadramento nos casos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, que assim estabelecem: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Com relação ao ônus da prova, é importante frisar que não obstante se tratar de lançamento de ofício, é do Contribuinte o encargo de comprovar os requisitos sobre o direito invocado para manutenção dos créditos glosados, na forma prevista pelo artigo 373, I do Código de Processo Civil. Neste sentido, colaciono as decisões abaixo ementadas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Fl. 6384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 21 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedido formulado, a demonstrar o direito do contribuinte, ele se obriga a apresentá-los para comprovar o seu direito, caso contrário se sujeita à análise de seu pedido destituída de provas. ÔNUS DA PROVA Cabe a defesa do ônus dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 3403-003.392 – PAF nº 13869.000095/00-40 – Relator: Conselheiro Antonio Carlos Atulim) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (Acórdão nº 9303-007.218 – PAF nº 10840.909854/2011-86 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. (Acórdão nº 9303-002.562 – PAF nº 10120.904658/2009-26 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) Por tais razões, afasto a preliminar invocada em defesa e passo à análise da controvérsia apresentada em relação ao mérito. 3. Mérito Fl. 6385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 22 3.1. Da análise dos critérios de relevância e essencialidade sobre os insumos indicados pela Contribuinte 3.1.1. Do conceito de insumo Versa o presente litígio de Pedido de Ressarcimento (PER) eletrônico, de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não cumulativa, vinculados à receita de mercado externo, apurados no 4º trimestre-calendário de 2013, no valor de R$ 2.949.899,55. O crédito solicitado foi utilizado em Declarações de Compensação (DCOMP). Conforme Relatório Fiscal relativo ao procedimento de fiscalização dos tributos PIS e COFINS apurados pela contribuinte no período de outubro a dezembro de 2013, cuja conclusão serviu de base para os Despachos Decisórios e Auto de Infração objetos dos seguintes processos: A Recorrente tem como objeto social a atividade no mercado interno e externo de industrialização, comercialização varejista e atacadista, exploração de alimentos em geral, principalmente os derivados de proteína animal e produtos alimentícios que utilizem a cadeia de frio como suporte de distribuição; industrialização de rações, nutrimentos e suplementos alimentares para animais, de óleos vegetais, gorduras e laticínios; bem como, a exploração, conservação, armazenamento, ensilagem e comercialização de grãos; a prestação de serviços de alimentação em geral; a prestação de serviços de transporte, logística e distribuição de cargas e alimentos em geral, entre outros. Segundo a defesa, desenvolve suas atividades em maior escala com industrialização de produtos de origem animal, passando pela criação, abate, produção, até o transporte ao seu consumidor final (ou até o porto para a posterior exportação das mercadorias). A controvérsia posta neste litígio trata sobre a necessária análise sobre os insumos que deram origem ao direito creditório pleiteado, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, pelo qual o Egrégio Superior Tribunal de Justiça concluiu que, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, conforme a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 6386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 23 Em síntese, a partir da decisão definitiva do STJ, restou pacificado que, no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o crédito deve ser calculado sobre os custos e despesas sobre bens e serviços intrínseco à atividade econômica da empresa. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, acatando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara uma interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." (sem destaques no texto original) Fl. 6387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 24 Destaco, ainda, o Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018, proferido com a seguinte Ementa: Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Por tais razões, para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, o conceito de insumos passou a abranger todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou impeça a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Delimitado o alcance do conceito de insumo que deverá ser considerado em julgamento ao presente caso, passo à análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente, o que faço adotando a premissa de que se trata de uma empresa que tem por atividade econômica a produção de alimentos para consumo humano e, portanto, que exige atenção especial às regras sanitárias específicas, sem as quais, por questões óbvias, resta impedida a efetividade de suas operações. Fl. 6388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 25 Em razões recursais a Recorrente descreveu o processo produtivo com relação aos cárneos, frango, suínos, leite e seus derivados, manteiga, creme de leite UHT, leite UHT, leite em pó e composto lácteo em pó. Igualmente foram apresentadas as seguintes comprovações: (i) Relatório explicativo das operações relativas às linhas de produção da Recorrente; (ii) Relatório explicativo da metodologia de elaboração de laudos técnicos de itens e alocações de serviços nas linhas de produção da Recorrente; (iii) Laudos técnicos dos materiais utilizados; e (iv) Laudos técnicos de serviços contratados. Delimitado o alcance do conceito de insumo que deverá ser considerado em julgamento ao presente caso, passo à análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente, o que faço adotando a premissa de que se trata de uma empresa que tem por atividade econômica a produção de alimentos para consumo humano e, portanto, que exige atenção especial às regras sanitárias específicas, sem as quais, por questões óbvias, resta impedida a efetividade de suas operações. 3.2. Fretes Conforme decisão recorrida, foram glosados os valores contabilizados em contas que denotam não se tratar de fretes de insumos e nem de fretes de venda de mercadorias, tais como fretes entre as unidades da empresa (fretes de distribuição, que não se confundem com fretes de venda), fretes de tratamento de resíduos, fretes de bens de uso permanente, ajuda de custo em transferência, programa de valorização de funcionários, malote e correio e diversos outros. Igualmente foram glosados os valores contabilizados como serviços de fretes em relação aos quais não foi possível identificar a aplicação do serviço, bem como as despesas com serviços de fretes dos itens sem qualquer informação de contabilização. Argumentou a defesa que os fretes que deram origem aos créditos pleiteados se tratam daqueles diretamente relacionados às atividades da Recorrente como, por exemplo, para aquisições de bens utilizados como insumos, uma vez que a essencialidade das despesas com frete fica evidente dentro do complexo ciclo produtivo da empresa, pois os bens são produzidos em um determinado estabelecimento e, posteriormente, são remetidos a outro em caminhões refrigerados que mantém o produto na condição térmica em que foi produzido. Conforme informações constantes dos autos, os fretes em referência são realizados desde o ciclo produtivo da empresa até a venda das respectivas mercadorias (art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), os quais são realizados por meio de transportes especiais, Fl. 6389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 26 com vistas à manutenção da integridade e qualidade de seus produtos, sob pena de não se ter um alimento apto ao consumo humano. De acordo com a defesa, a manutenção da refrigeração dos produtos é exigência legal estabelecida pelo Ministério da Agricultura e pela ANVISA, a exemplo dos arts. 1°, 3° e 4° Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984 (necessidade de manutenção da temperatura durante todas as fases do processo produtivo – produção até comercialização – incluindo o transporte do produto), o item 8.2, anexo, da Portaria MAPA nº 368/97 (controle da temperatura dos alimentos na fase de transporte) e o item 8.8.2 da Portaria ANVISA nº 326/97. O ilustre julgador a quo manteve a glosa com a seguinte conclusão: Ocorre que a questão da essencialidade e relevância do gasto para fins de aferição do direito ao crédito (decisão do STJ – RE nº 1.221.170/PR), como visto no item 3.1 deste voto, é pertinente tão somente para os gastos previstos no inciso II do art. 3º das leis, ou seja, aquisição de bens e serviços “utilizados como insumo na... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. E somente podem ser considerados insumos bens e serviços aplicados e utilizados tão somente no processo produtivo da empresa, do qual resultará o serviço prestado ou o bem destinado à venda. Não há, portanto, que se falar em insumo em relação a bens e serviços aplicados fora do processo de produção do bem ou da prestação do serviço objeto da atividade fim da empresa. E este é o caso dos serviços de “fretes entre as unidades da empresa (fretes de distribuição, que não se confundem com fretes de venda)”, ora em análise. (...) Igualmente não procede o argumento da impugnante, de que os créditos decorrentes da transferência de “produtos acabados” são legítimos por “integram o processo de venda”, sendo permitido o crédito com base no inciso IX, art. 3º, da Lei nº 10.833/03. É que a hipótese de crédito prevista no referido inciso, como deste resta claro, se aplica no caso de o vendedor/produtor arcar com o custo do transporte de bens “na operação de venda”, ou seja, refere-se a um custo específico (crédito) vinculado a uma determinada operação de venda (receita). Não é aplicável, portanto, aos transportes dos bens produzidos pela empresa entre suas unidades (entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição ou ainda de um centro de distribuição para outro), mas do transporte de mercadoria específica, referente a uma determinada operação de venda, de uma unidade da empresa vendedora ao estabelecimento do adquirente. Sobre isso, cite-se a Solução de Divergência Cosit nº 12/2008, cuja ementa foi transcrita no relatório fiscal. Assim, em não existindo previsão legal de tomada de crédito em relação a fretes contratados para deslocamento de insumos, produtos acabados ou em Fl. 6390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 27 elaboração entre diferentes estabelecimentos da empresa, há que se manter a glosa. Entendo que assiste razão à defesa: Como mencionado acima, as atividades da Contribuinte são realizadas para o comércio de produtos de origem animal resfriados, frigorificados, as quais estão submetidas à regulamentação de órgãos públicos de controle e fiscalização, tais como ANVISA, Ministérios da Saúde e da Agricultura, com atuação direta do Serviço de Inspeção Federal na exigência de conformidades com regras de higiene, limpeza, conservação e qualidade, sob pena de condenação (perda) dos produtos, interdição de setores e dos próprios estabelecimentos frigoríficos. A título de exemplo de normas reguladoras, a defesa apresentou os seguintes normativos: Resolução nº 10/1984, do Ministério da Agricultura, com instruções sobre a conservação de produtos industrializados perecíveis até a chegada ao consumidor final; Portaria SVS/MS nº 326/1997: estabelece controle sanitário de alimentos com o objetivo de proteger os consumidores mediante a adequação às boas práticas de fabricação de alimentos; Resolução nº 275/2002, da ANVISA: que dispõe sobre o Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos. O Decreto nº 30.691, de 29 de março de 1952, vigente na época dos fatos (2014), que aprovou o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Lei nº 1.283, de 18 de dezembro de 1950), posteriormente revogado pelo Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017, estabeleceu as normas que regulam, em todo o território nacional, a inspeção e a fiscalização industrial e sanitária de produtos de origem animal, destinadas a preservar a inocuidade, a identidade, a qualidade e a integridade dos produtos e a saúde e os interesses do consumidor, executadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nos estabelecimentos registrados ou relacionados no Serviço de Inspeção Federal. Vejamos o que dispõe o Decreto em referência: Art. 2º Ficam sujeitos a inspeção e reinspeção previstas neste Regulamento os animais de açougue, a caça, o pescado, o leite, o ovo, o mel e a cêra de abelhas e seus produtos o subprodutos derivados. § 1º A inspeção a que se refere o presente artigo abrange, sob o ponto de vista industrial e sanitário a inspeção "ante" e "post-mortem" dos animais, o recebimento, manipulação, transformação, elaboração, preparo, conservação, acondicionamento, embalagem, depósito rotulagem, trânsito e consumo de Fl. 6391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 28 quaisquer produtos e subprodutos, adicionados ou não de vegetais, destinados ou não à alimentação humana. Vejamos, ainda, o que dispõe a Portaria nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprovou o Regulamento Técnico; "Condições Higiênicos-Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos": 8.8 – Armazenamento e transporte de matérias-primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria-primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam. 8.2.2. – Os veículos de transportes pertencentes ao estabelecimento produtor de alimento ou por contratado devem atender as boas práticas de transporte de alimentos autorizados pelo órgão competente. Os veículos de transporte devem realizar as operações de carga e descarga fora dos locais de fabricação dos alimentos, devendo ser evitada a contaminação dos mesmos e do ar por gases de combustão. Os veículos destinados ao transporte de alimentos refrigerados ou congelados devem possuir instrumentos de controle que permitam verificar a umidade, caso seja necessário e a manutenção da temperatura adequada. Destaco igualmente a Resolução RDC ANVISA nº 275 de 21 de outubro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos. Vejamos: 2. DEFINIÇÕES Para efeito deste Regulamento, considera-se: 2.1. Procedimento Operacional Padronizado - POP: procedimento escrito de forma objetiva que estabelece instruções seqüenciais para a realização de operações rotineiras e específicas na produção, armazenamento e transporte de alimentos. Este Procedimento pode apresentar outras nomenclaturas desde que obedeça ao conteúdo estabelecido nesta Resolução. O Anexo II da Resolução RDC acima, prevê entre a lista de verificação das boas práticas de fabricação em estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos, as conformidades o transporte do produto final (ITEM 4.5). Fl. 6392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 29 Para análise sobre os critérios da essencialidade e relevância de tais despesas, destaco o voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (sem destaques no texto original) Como já mencionado neste voto, reitero que os Itens 16 e 17 da NOTA SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, o qual direciona o conceito de insumos adotado pelo STJ, devendo ser observado o “teste de subtração” a que se refere o voto do Eminente Ministro Mauro Campbell Marques, sendo que a “definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo”. Outrossim, ao tratar sobre o conceito de insumo definido pelo Eg. STJ, o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5/2018 abordou os gastos com frete posteriores ao processo produtivo da seguinte forma: 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). Fl. 6393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 30 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. 21. O teste de subtração proposto pelo Ministro Mauro Campbell, segundo o qual seriam insumos bens e serviços “cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes” (fls 62 do inteiro teor do acórdão), não consta da tese acordada pela maioria dos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, malgrado possa ser utilizado como uma importante ferramenta indiciária na identificação da essencialidade ou relevância de determinado item para o processo produtivo. Vale destacar que a aplicação do aludido teste, mesmo subsidiária, deve levar em conta os comentários feitos nos parágrafos 15 a 18 quando do teste resultar a obstrução da atividade da pessoa jurídica como um todo. 22. Diante da abrangência do conceito formulado na decisão judicial em comento e da inexistência nesta de vinculação a conceitos contábeis (custos, despesas, imobilizado, intangível, etc.), deve-se reconhecer esta modalidade de creditamento pela aquisição de insumos como a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. Fl. 6394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 31 23. Ademais, observa-se que talvez a maior inovação do conceito estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça seja o fato de permitir o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados, como vinha sendo interpretado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 24. Nada obstante, salienta-se que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente. Consequentemente, os bens e serviços empregados posteriormente à finalização do processo de produção ou de prestação não são considerados insumos, salvo exceções justificadas, como ocorre com a exceção abordada na seção GASTOS APÓS A PRODUÇÃO relativa aos itens exigidos pela legislação para que o bem ou serviço produzidos possam ser comercializados. (...) 5. GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo- se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. 57. Nada obstante, deve-se salientar que, por vezes, a legislação específica de alguns setores exige a adoção pelas pessoas jurídicas de medidas posteriores à finalização da produção do bem e anteriores a sua efetiva disponibilização à venda, como ocorre no caso de exigência de testes de qualidade a serem realizados por terceiros (por exemplo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro), aposição de selos, lacres, marcas, etc., pela própria pessoa jurídica ou por terceiro. 58. Nesses casos, considerando o quanto comentado na seção anterior acerca da ampliação do conceito de insumos na legislação das contribuições efetuada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça em relação aos bens e serviços Fl. 6395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 32 exigidos da pessoa jurídica pela legislação específica de sua área de atuação, conclui-se que tais itens são considerados insumos desde que sejam exigidos para que o bem ou serviço possa ser disponibilizado à venda ou à prestação. 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. Considerando a singularidade da cadeia produtiva da Recorrente, demonstrada nas explicações trazidas em razões recursais, bem como das exigências traçadas pelas normas sanitárias, é de flagrante a constatação de que os fretes em análise se enquadram nos critérios de essencialidade e relevância, cuja subtração resulta em perda da qualidade, além de infringir disposições legais dos órgãos sanitários, a exemplo dos normativos acima citados. Com relação aos fretes sobre transferências de embalagens e matérias-primas, entendo que na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda, nos termos do artigo 3º, II da Lei nº 10.833/2003, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (grifos não originais) Os fretes em referência são essenciais e relevantes para a atividade da empresa Recorrente, uma vez que estão vinculados às etapas de industrialização do produto e seu objeto social e, com isso, podem ser inseridos no conceito de insumos em razão da essencialidade ao processo produtivo, nos moldes definidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Neste sentido já decidiu este Tribunal Administrativo em processos da mesma Contribuinte, a exemplo do v. Acórdão nº 3302-007.270, de relatoria do Ilustre Conselheiro Raphael Madeira Abad, proferido no Processo Administrativo Fiscal nº 11080.907193/201590, cuja Ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 6396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 33 Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. CRÉDITO DE PIS. Os custos com os serviços de transporte intercompany de matérias-primas, produtos intermediário e produtos acabados, com os serviços realizados nos navios e nos portos tendentes a retirar as mercadorias dos porões e destiná-las à empresa, bem como os valores dispendidos com aluguéis de imóveis, máquinas e caminhões utilizados na indústria, aquisição de embalagem, aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI), movimentação de materiais, armazenagem e tratamento de resíduos geram créditos de PIS quando demonstrado que são essenciais e relevantes para a atividade do contribuinte. No mesmo sentido já se posicionou a Câmara Superior, a exemplo dos acórdãos abaixo citados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. Geram direito aos créditos da não cumulatividade, a aquisição de serviços de fretes utilizados para a movimentação de insumos e produtos em elaboração no próprio estabelecimento ou entre estabelecimentos do contribuinte. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. (Acórdão nº 9303-008.058) Fl. 6397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 34 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303-007.283). Com relação aos fretes sobre transferências de produtos acabados, assim demonstrou a defesa em razões recursais: 188. Como se verifica do TDPF, alguns dos créditos da Recorrente que foram glosados se referem às seguintes contas contábeis: (i) 510488 (“Fretes Distribuição Refrigerados Carnes”), (ii) 510536 (“Fretes Distribuição Carga Seca”), (iii) 510545 (“Fretes Distribuição RDA/RCA/RA – Lácteos Refrigerados”), (iv) 510546 (“Fretes Distribuição RDA/RCA/RA – Lácteos Secos”), (v) 510530 (“Fretes Distribuição Kit’s”), (vi) 530291 (“Fretes Distribuição”), e (vii) 510539 (“Fretes Distribuição Refrigerados Lácteos”). 189. Ocorre que, nos casos mencionados, o serviço de frete tomado pela Recorrente tem por objeto transferir o produto acabado (carnes ou lácteos, por exemplo) de seus centros de distribuição para empresas varejistas (supermercados, por exemplo), para que os produtos sejam disponibilizados ao consumidor final. Veja-se, para tanto, o esquema exemplificativo abaixo: 190. Neste caso, nota-se que o frete refrigerado é essencial/relevante para a consecução das atividades da Recorrente, eis que, sem tal serviço, o produto acabado não alcançaria o consumidor final e não manteria suas condições Fl. 6398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 35 sanitárias e qualitativas. Deste modo, tem-se de rigor o reconhecimento ao direito creditório em favor da Recorrente. 191. Contudo, não bastasse isso, a própria Autoridade Fiscal reconheceu que a Recorrente tem direito ao crédito relativo aos “fretes distribuição refrigerados carnes”, eis que a Fiscalização se manifestou no sentido de ser permitido o creditamento de PIS/Cofins relativo aos “fretes de venda de mercadorias” (pág. 22 do TDPF). 192. Isso porque, da análise do esquema acima apresentado, verifica-se que o frete ora em discussão está diretamente relacionado à venda dos produtos, pois, sem sua inclusão na cadeia comercial, as carnes refrigeradas simplesmente não são vendidas ao consumidor final. Ou seja, está-se diante de “fretes de venda de mercadorias” cujo ônus foi suportado pelo vendedor, sendo, portanto, passíveis de creditamento de PIS/Cofins nos termos do inciso IX das Leis nº 10.833 e 10.637, conforme reconheceu a própria Autoridade Fiscal. Considerando as regras sanitárias acima citadas, bem como a exceção prevista no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5/2018, tem-se que os custos de frete de mercadorias de produtos acabados geram o direito ao crédito das contribuições, uma vez que são considerados insumos para o desenvolvimento das atividades da Contribuinte. Observo que tais fretes são serviços intermediários e necessários, sendo possível o enquadramento como fretes em operações de vendas, considerando as necessidades específicas de armazenamento para conservar a qualidade do produto até o destino final. Neste sentido, destaco as seguintes decisões já proferidas em processos administrativos da mesma Contribuinte, abaixo citados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Além disso, deve ser considerado tratar-se de frete na “operação de venda”, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei n.º 10.833/2003. PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. Fl. 6399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 36 Os créditos decorrentes do princípio da não-cumulatividade do ICMS, apurados de forma presuntiva, não se constituem em receitas da pessoa jurídica e não integram a base de cálculo do PIS não-cumulativo. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado que há a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo da contribuição social em razão da não-cumulatividade do próprio ICMS. A Relatora entendeu tratar-se de um incentivo fiscal. (Acórdão nº 9303-009.485 - PAF nº 11686.000350/2008- 96- Relatora: Conselheira Vanessa Marini Cecconello) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2006 a 30/09/2006 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". (Acórdão nº 9303-007.843 - PAF nº 11686.000378/2008-23- Relatora: Conselheira Vanessa Marini Cecconello) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Fl. 6400DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 37 Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". (Acórdão nº 9303-007.105 - PAF nº 11686.000374/2008-45 - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) Destaco os fundamentos que embasaram o r. voto condutor da do v. Acórdão nº 9303-007.105, acima citado, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170/PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Faz-se a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os Fl. 6401DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 38 estabelecimentos da empresa são de matéria-prima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401-002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegar-se a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matérias-primas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzem-se os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Veja-se que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matéria-prima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); 2. Remessa para industrialização da matéria-prima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazená-los por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, deve-se prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Fl. 6402DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 39 Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (sem destaques no texto original) Neste mesmo sentido já se posicionou a Câmara Superior deste Tribunal Administrativo, a exemplo dos acórdãos cujas Ementas abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIO. EXPORTAÇÃO. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do contribuinte, destinados à exportação, inclusive, para a formação de lote, constituem despesas na operação de venda e dão direito a créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303-007.286 - PAF nº 13971.001080/2004-17- Contribuinte: Bunge Alimentos S/A – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. REMESSA PARA DEPÓSITO OU ARMAZÉM GERAL. Fl. 6403DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 40 Cabe à constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, inclusive os de mercadorias ou produtos acabados para remessa para depósito fechado ou armazém geral. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. (Acórdão nº 9303-009.715 - PAF nº 13971.720236/2009-77 - Contribuinte: Bunge Alimentos S/A – Relatora: Conselheiro Tatiana Midori Migiyama) Portanto, nos termos da fundamentação acima, reconheço o direito de crédito da Contribuinte em relação aos fretes de transferência de mercadorias entre suas unidades, seja com relação às matérias-primas, embalagens, bem como de produtos acabados. Por tais razões, reconheço o direito de crédito da Contribuinte em relação aos fretes de transferência de mercadorias entre suas unidades, seja com relação às matérias-primas, embalagens, bem como de produtos acabados, desde que devidamente lançados nas respectivas contas contábeis e comprovados mediante documentação fiscal, cabendo à Unidade de Origem apurar os créditos por ocasião da liquidação desta decisão. 3.3. Serviços de Carga/Descarga, Transbordo, Operador Logístico, Movimentação de Saída e Movimentação Cross Docking Sustenta a defesa que são insumos os serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída, movimentação cross docking, uma vez que são custos logísticos que, se ausentes, inviabilizariam a consecução das atividades da Recorrente. Esclarece que as despesas relativas aos serviços supracitados compreendem a armazenagem de produtos, que são oriundos da industrialização de bens de origem animal e que, por consequência, devem ser devidamente acondicionados sob temperaturas adequadas, conforme exigência do Ministério da Agricultura e da ANVISA. Observa, ainda, que os serviços de armazenagem, por seu turno, desdobram-se em outros serviços que estão diretamente vinculados àquele para assegurar o correto acondicionamento dos produtos em temperaturas adequadas e, se o caso for, em ambiente de umidade controlada. Estes desdobramentos são justamente os serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída e movimentação cross docking. Explicou a defesa que o cross docking é um sistema em que os bens entram e saem de um centro de distribuição de maneira célere, de maneira a otimizar a execução das atividades Fl. 6404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 41 da empresa, em razão da desnecessidade de armazenar os produtos no centro de distribuição, de modo a permitir uma rápida passagem das mercadorias que chegam para a expedição destas para os clientes. Para melhor compreensão. Justificou que, além de acelerar a distribuição dos produtos – o que diminui a perda por perecimento –, o cross docking permite a expansão das atividades, tendo em vista o maior número de clientes (revendedores) e consumidores que poderão ser atendidos. A operação foi ilustrada da forma abaixo: Com isso, esclarece que, embora tais serviços integrem a cadeia comercial após o término do ciclo produtivo, ainda assim os serviços de armazenagem e seus desdobramentos (carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída e movimentação cross docking – que foram glosados pela Autoridade Fiscal) são essenciais e relevantes à consecução das atividades da Recorrente, eis que, sem eles, seus produtos não seriam adquiridos pelo consumidor final em perfeitas condições para consumo. Por outro lado, o ilustre Julgador a quo entendeu que tais bens e serviços são utilizados fora do processo de produção do bem destinado à venda e, portanto, não podem ser considerados como insumos. Assiste razão à defesa. Reitero o r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e Fl. 6405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 42 inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. E, como já mencionado neste voto, reitero que os Itens 16 e 17 da NOTA SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, o qual direciona o conceito de insumos adotado pelo STJ, devendo ser observado o “teste de subtração” a que se refere o voto do Eminente Ministro Mauro Campbell Marques, sendo que a “definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo”. Considerando os fundamentos já demonstrados neste voto com relação às despesas com fretes e, diante da singularidade da cadeia produtiva da Recorrente, demonstrada nas explicações trazidas em razões recursais, é de flagrante constatação que os itens sob análise de fato são utilizados para conservação dos produtos até a destinação para consumo humano, motivo pelo qual se enquadra nos critérios de essencialidade e essencialidade, cuja subtração resulta em perda da qualidade, além de infringir disposições legais sanitárias. Portanto, deve ser revertida a glosa sobre tais itens. 3.4. Serviços de Consultoria de Eficientização de Energia Elétrica A Autoridade Fiscal também glosou os créditos relativos aos serviços de consultoria para eficientização de energia elétrica, considerando que tais despesas não se enquadram no conceito de insumos. A DRJ, por sua vez, manteve a glosa por entender que para um bem ser considerado insumo, deve ser aplicado diretamente no processo produtivo do produto destinado à venda. Sustenta a defesa que tal despesa se refere ao custo de energia cobrado por dia em um container que é exportado. Explica que a consultoria em referência é vinculada à produção de margarina e outras gorduras, considerando o monitoramento de energia nos contêineres antes da realização da exportação das mercadorias e, portanto, essencial e relevante, uma vez que os contêineres devem ser refrigerados, conforma determinação da ANVISA e do Ministério da Agricultura, razão pela qual o monitoramento permite a adoção de práticas sustentáveis na consecução das atividades da Recorrente. Fl. 6406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 43 Considerando as mesmas razões demonstradas no item anterior com relação às exigências sanitárias, entendo que igualmente deve ser revertida a glosa relacionada a tais despesas. 3.5. Outros Bens e Serviços Em relação aos demais bens e serviços dos quais foram aproveitados créditos de PIS/Cofins (como café, lanches, vale-alimentação, telefone, eventos, estacionamento, taxa condominial, mudança de funcionários e custos administrativos), a Recorrente informa que optou pela quitação do débito exigido mediante compensação com créditos de tributos administrados pela RFB, conforme doc. 6 da Impugnação. Assim constou no Acórdão recorrido: Com relação aos demais bens e serviços dos quais foram aproveitados créditos de PIS/Cofins (tais como café, lanches, vale alimentação, telefone, eventos, estacionamento, taxa condominial, mudança de funcionários e custos administrativos), a impugnante não contesta a glosa de valores, limitando-se a informar que optou pela quitação do débito exigido mediante sua compensação com créditos de tributos administrados pela RFB, conforme doc. 6. Desta feita, ante a quitação do débito relativo a essa parcela do lançamento fiscal, requer que seja extinta parte do valor exigido, por conta do disposto no artigo 156, inciso II, do CTN.Sobre isso, somente cabe dizer que, nos termos do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia, mesmo que acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim é que qualquer eventual pagamento ou compensação efetuada pela fiscalizada durante ou após o procedimento de fiscalização não afasta o lançamento. De fato, não está configurado o instituto da denúncia espontânea, o qual é caracterizado pela conduta do contribuinte antecipada a qualquer ato administrativo por parte da autoridade competente, resultando no benefício do recolhimento apenas do montante principal, acrescido de juros de mora e sem incidência da multa, na forma estabelecida pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. Considerando que o recolhimento ocorreu após a lavratura do auto de infração, mantenho as respectivas glosas, devendo o valor pago ser apurado por ocasião da liquidação desta decisão. 3.6. Locação de Empilhadeiras e Veículos Foram glosadas as despesas com aluguéis de veículos, concluindo a Fiscalização que não estão incluídos no inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, conforme Solução de Consulta vinculante Cosit nº 1/2014. Fl. 6407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 44 Justificou a Recorrente que das 373 operações autuadas, locou empilhadeiras em 369 operações, sendo apenas 4 operações se referem à locação de veículos. As empilhadeiras foram ilustradas em razões recursais da seguinte forma: Sustenta a Recorrente que a empilhadeira possui, predominantemente, a função de transporte e empilhamento de cargas e mercadorias em fábricas, depósitos, armazéns etc. – ou seja, é um veículo que viabiliza o transporte da carga e seu empilhamento. Explicou que tais empilhadeiras, por possuírem hastes de suspensão de objetos, são responsáveis, dentre outros, por movimentar os pallets carregados de mercadorias e inserir as caixas dentro dos caminhões que as transportarão. Está correta a defesa com relação à incidência do artigo 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, que permite o creditamento de gastos relativos a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica”. Portanto, afasto a glosa sobre os créditos originados de locação de empilhadeira. Com relação à locação de “veículos de passeio”, destinados aos vendedores dos produtos por ela fabricados, está correta a decisão recorrida ao concluir que tais despesas não se enquadram nos critérios de relevância e essencialidade, passíveis de gerar os créditos pleiteados, motivo pelo qual mantenho a glosa sobre este item. 3.7. Produtos adquiridos com alíquota zero Alega o Recorrente que, apesar do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ter vedado a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, no caso da isenção, esta vedação aplica-se tão-somente quando os bens ou serviços são revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 6408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 45 Argumentou que a lei prevê a possibilidade da apropriação de créditos das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre insumos isentos, quando estes são revendidos ou utilizados em produtos posteriormente tributados. Prossegue afirmando que: 215. Apesar de, no presente caso, estarmos diante de bens que, frise-se, se encontram no campo de incidência das contribuições, mas cuja alíquota é zero, e, portanto, que são aptos a gerar créditos de PIS/Cofins, caso assim não se entenda, deve-se estender as conclusões supra – isto é, que somente não haverá direito a crédito os bens ou serviços isentos quando estes forem revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços igualmente não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições – às hipóteses de alíquota zero. 216. Isso porque a natureza da isenção se assemelha a da alíquota zero, exaustivamente explicada acima: há a incidência da norma e, em face da mitigação de algum dos aspectos que compõe a regra matriz de incidência, não há crédito tributário a se pagar. (...) 220. Frise-se, ainda, que a pretensão da Fiscalização em não conceder o crédito em tela fere o próprio princípio da não cumulatividade das contribuições, como igualmente bem apontado pelos autores acima mencionados, ao dizer que “se a Consulente não pudesse creditar-se do insumo (input) isento, pagaria pelo seu produto (output) um PIS/COFINS de 9,25%, sem crédito! Nesse caso, não estaria nem no regime cumulativo nem no não cumulativo, mas no supercumulativo, o que além de ser um absurdo lógico-deôntico, caracterizaria confisco, vez que esse tipo de tributação não encontra previsão em lei”16. 221. Por todo o exposto, verifica-se que não merece prosperar o entendimento trazido pela Fiscalização, tendo em vista que o fato de tais insumos estarem sujeitos à alíquota zero não significa dizer, em nenhuma hipótese, que o dito insumo não está sujeito à incidência de PIS/Cofins, tal como explicita a primeira parte do mencionado dispositivo legal. Ad argumentandum tantum, caso assim não se entenda, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Sem razão. Vejamos o que consta do dispositivo legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 6409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 46 § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De acordo com o texto normativo, a vedação ao crédito aplica-se a bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Nesse sentido, um produto tributado à alíquota zero não está sujeito a tal pagamento, o que contradiz a alegação do Recorrente de que essa vedação “somente pode estar se referindo à não incidência, imunidade ou isenção”, desconsiderando a possibilidade de aplicação a produtos sujeitos à alíquota zero. Diferentemente da isenção, que configura uma não incidência específica e depende de lei para sua concessão, a alíquota zero ocorre quando há incidência tributária, mas com aspecto quantitativo nulo, podendo ser instituída ou revogada por decreto do Poder Executivo. Além disso, a isenção pode ser restrita a regiões ou grupos específicos, enquanto a alíquota zero tem aplicação geral, vinculada ao produto. Embora isenção, imunidade, não incidência, suspensão e alíquota zero compartilhem o efeito prático de afastar o pagamento do tributo, esses institutos possuem naturezas jurídicas distintas e não podem ser utilizados de maneira indistinta, como se fossem equivalentes Quanto ao segundo argumento do Recorrente, de que a aquisição dos insumos seria tributada à alíquota zero e, por isso, estaria sujeita à regra geral de apropriação de créditos, tal entendimento não prospera. O art. 3º, § 2º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 veda expressamente o desconto de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, sem restringir-se a bens considerados não tributados. Por tais razões, mantenho a decisão recorrida neste ponto. 3.8. Do Crédito Presumido Com relação ao crédito presumido, a Autoridade Fiscal concluiu que todos os valores creditados relativos aos bens tratados na Lei 12.058/2009 e IN RFB 977/2009 devem ser estornados porque ou havia suspensão na sua aquisição (obrigatória), conforme art. 4º da citada instrução normativa, acima transcrito, e todas as condições para a suspensão estavam presentes, ou tratava-se de bem sujeito a alíquota zero por força das alterações introduzidas na Lei nº 10.925/2004 pela MP 609/2013 ou pela Lei 12.839/2013. Por outro lado, o crédito presumido não era permitido porque a contribuinte estava enquadrada nas vedações à apropriação ao crédito Fl. 6410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 47 previstas no art. 34, §1º, da Lei nº 12.058/2009, artigo 5º e 6º da IN RFB nº 977/2009, art. 5º e 6º da IN RFB nº 1.157/2011. Assim foi justificada a autuação sobre o crédito presumido em referência: IV.III.5.1. Créditos Presumidos da Lei nº 12.058/2009 e IN RFB nº 977/2009 A partir de 1º de novembro de 2009, conforme art. 37 da Lei nº 12.058/2009, “não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM.” A citada Lei nº 12.058/2009 sofreu diversas alterações. Em 21/12/2010, a Lei nº 12.350 alterou os artigos 32 a 34 desta Lei. Assim, à época dos fatos tinha o seguinte enunciado: Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I - animais vivos classificados nas posições 01.02 e 01.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM; (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) [Vigente a partir de 10/07/2013] Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I - não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011)II - aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) [Vigente a partir de 10/07/2013] [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda mercadorias com a suspensão do pagamento da Fl. 6411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 48 contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins prevista no inciso II do art. 32, poderá descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1º É vedada a apuração do crédito de que trata o caput deste artigo nas aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do caput do art. 32 desta Lei.(destacamos) [...] Art. 37. A partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, às mercadorias ou produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1 da NCM.” Relativamente a este assunto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa nº 977/2009, que foi alterada pela IN RFB nº 1.157/2011, com produção de efeitos já a partir de 01/01/2011. (...) A contribuinte adquiria bovinos vivos, produzia e exportava à época dos fatos, por exemplo, produtos classificados na subposição 0201.3000, o que a enquadrava na Lei 12.058, art. 32, inc. I como adquirente de bovinos vivos, enquadrando-se também no art. 33, §3º, fazendo jus a descontar créditos calculados à alíquota de 3,8% da Cofins apurada e de 0,825% do PIS apurado, ambos sobre o valor das aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM. Fica bastante claro que a contribuinte industrializava os bovinos vivos, posição 01.02 da NCM que adquiria, sendo enquadrada como “pessoa jurídica mencionada no inciso II do caput do art. 32”, da Lei nº 12.058/2009. Desta forma, a ela se aplicava também o disposto no art. 34, §1º, da Lei nº 12.058/2009, que vedava a apuração de crédito presumido sobre a aquisição de carnes por pessoa jurídica que industrializasse os bovinos vivos que adquirisse. Também analisando este crédito presumido à luz da IN RFB nº 977/2009, previsto em seu art. 6º, conclui-se que a contribuinte não faz jus uma vez que se enquadra na vedação de seu parágrafo único, que estabelece que a apropriação do crédito presumido “é vedada às pessoas jurídicas de que trata o inciso II do caput do art. 3º”, as que industrializam bois vivos ou carnes de bovinos, situação esta pública e notória. Portanto, os valores presentes na EFD-Contribuições relativos a créditos que fossem relativos à aquisição de carnes devem ser glosados, porque este crédito era vedado na situação da contribuinte. Fl. 6412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 49 Ainda, a contribuinte foi intimada pela Intimação SEORT/EAC2 nº 2017/525, item 17 (fl. 98 e seguintes): (...) Em resumo, todos os valores creditados relativos aos bens tratados na Lei 12.058/2009 e IN RFB 977/2009 devem ser estornados porque ou havia suspensão na sua aquisição(obrigatória), conforme art. 4º da citada instrução normativa, acima transcrito, e todas as condições para a suspensão estavam presentes, ou tratava-se de bem sujeito a alíquota zero por força das alterações introduzidas na Lei nº 10.925/2004 pela MP 609/2013 ou pela Lei 12.839/2013. Por outro lado, o crédito presumido não era permitido porque a contribuinte estava enquadrada na vedação à apropriação do citado crédito conforme demonstrado acima. Assim, para efetivar as alterações decorrentes da glosa dos créditos relativas à aquisição de bens tratados na IN RFB nº 977/2009, foi alterada a linha 28 Ajustes Negativos de Créditos para incluir o estorno do crédito em tela, conforme item IV.III.5.4. adiante. Assim concluiu a DRJ de origem: Inicialmente, ao contrário do que pretende a contribuinte, no escopo da questão que aqui se trata, não há que se confundir a exoneração do contribuinte da obrigação de pagar o crédito tributário com a redução a zero da alíquota incidente sobre certos produtos. Não se pode negar que a isenção e a alíquota zero (assim como a imunidade e a não incidência) são institutos que, para o contribuinte, possuem o mesmo efeito: não pagamento de tributo. Contudo, a semelhança para por aí; em verdade, possuem inúmeras distinções entre esses institutos, tanto práticas como teóricas. Destarte, os institutos fiscais que, de uma forma ou de outra, livram o contribuinte do pagamento de tributos estão previstos em leis específicas e possuem critérios, condições e características próprias e distintas, conforme a feição pretendida pelo legislador. O crédito de que ora se trata é o apurado nos termos do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, artigo que estabelece as operações que geram crédito (dentre as quais as aquisições de bens destinados à revenda e de insumos) e, através do §2º, veda expressamente a tomada de crédito a partir da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Todavia, excepcionalmente, para os casos de aquisição de bens e serviços isentos, e somente neste caso, as leis preveem que tal vedação somente se aplica ante a condição de os bens adquiridos serem revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pelas contribuições; ficando, portanto, assegurado o direito ao crédito em relação a aquisição de bens ou serviços isentos nos caso de estes serem revendidos ou Fl. 6413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 50 aplicados em produtos ou serviços de cujas vendas resulte pagamento de contribuição. De se ver que quando quiseram vedar o direito e excetuar desta vedação, as leis o fizeram expressamente. Da hipótese de vedação a créditos, as leis expressamente afastaram da regra geral o caso das operações de aquisições de bens e insumos submetidos à isenção, quando vinculadas às receitas tributadas; silenciando em relação aos demais casos – dentre os quais as aquisições de bens sujeitos à alíquota zero - aos quais, à evidência, se aplica a regra geral posta. Assim é que não tem cabimento a tentativa da interessada de estender aos casos de aquisições de insumos submetidos à alíquota zero o permissivo legal posto para os casos de isenção. Por sua vez, argumentou a defesa que a vedação à tomada de créditos presumidos decorre somente da aquisição de produtos que serão utilizados em processos industriais para a formação de bens que serão vendidos no mercado interno com suspensão da incidência das contribuições. A venda de bens para o mercado externo – caso da Recorrente – não está sujeita à restrição em questão, inclusive, por razões extrafiscais: o legislador visa estimular a indústria exportadora. Afirma que apesar de a receita da exportação de bens não estar sujeita à incidência de PIS/Cofins por força de regra constitucional que as imuniza, não há qualquer vedação à tomada dos créditos presumidos em operações relacionadas às exportações, pois as vedações supostamente apontadas pela Autoridade Fiscal dizem respeito tão somente a vendas no mercado interno. Não são aplicáveis, portanto, às exportações. E no presente caso apurou-se créditos apenas sobre os bens destinados à exportação. Entendo que assiste razão à Autoridade Fiscal. Conforme o § 1º do art. 34 da Lei nº 12.058/2009, é vedada a apuração do crédito presumido previsto no caput desse artigo para aquisições realizadas por pessoas jurídicas descritas no inciso II do caput do art. 32, ou seja, aquelas que revendem ou industrializam bens classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 (animais vivos da espécie bovina e carnes bovinas). Da mesma forma, o § 1º do art. 56 da Lei nº 12.350/2010 proíbe a apuração do crédito presumido previsto no caput desse artigo para aquisições feitas por pessoas jurídicas mencionadas no inciso IV do caput do art. 54, que revendem ou industrializam bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 (animais vivos da espécie suína e aves). Com isso, não procede a alegação do Recorrente de que a glosa dos créditos decorreu de um suposto entendimento equivocado do Fisco, que teria negado o benefício devido à venda de bovinos vivos. Do mesmo modo, não se sustenta a justificativa de que possuía “absoluto conhecimento de que a vedação legal alcança apenas operações em que a aquisição do boi vivo não se configura como insumo” e que, por isso, “apropriou apenas o crédito presumido proporcional sobre os bois vivos adquiridos que, de fato, configuraram como insumo”. Fl. 6414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 51 O Relatório Fiscal evidencia que tanto a Lei nº 12.058/2009 quanto a Lei nº 12.350/2010 impõem vedações expressas à apuração do crédito presumido, seja para revenda, seja para utilização como insumo de animais e aves vivos. O art. 32, inciso II, da Lei nº 12.058/2009 e o art. 54, inciso IV, da Lei nº 12.350/2010 determinam a suspensão da incidência das contribuições sobre as receitas de revenda e industrialização desses produtos. Além disso, as aquisições desses animais vivos para revenda ou industrialização também ocorrem com suspensão das contribuições, conforme estabelecem o art. 32, inciso I, da Lei nº 12.058/2009 e o art. 54, inciso III, da Lei nº 12.350/2010. As vedações impostas encontram respaldo no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente argumenta que os dispositivos legais utilizados como fundamento para a glosa — art. 34, § 1º, da Lei nº 12.058/2009; art. 32, mencionado nesse parágrafo; art. 56, § 1º, e art. 54, inciso IV, da Lei nº 12.350/2010 — permitem a apuração do crédito presumido sobre bens adquiridos com suspensão das contribuições, desde que a saída desses bens não esteja sujeita à mesma suspensão. No entanto, a glosa não decorreu dessa circunstância, mas sim da aplicação das restrições expressamente previstas na legislação. Com efeito, uma pessoa jurídica tributada pelo lucro real que adquire mercadorias com suspensão do pagamento da contribuição para industrialização ou revenda tem direito ao crédito presumido, desde que a receita bruta da venda no mercado interno não esteja igualmente sujeita à suspensão. No entanto, conforme demonstrado no Relatório Fiscal, as glosas decorreram da incidência das vedações legais aplicáveis ao caso concreto, e não da forma de apuração do crédito. Portanto, a DRJ de origem está correta ao afirmar que a glosa decorre da inexistência do direito ao crédito presumido em razão das vedações legais vigentes, motivo pelo qual deve ser mantida nesse ponto. 3.9. Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado Foram glosados os créditos relativos a bens do ativo imobilizado, concluindo a Fiscalização que a Contribuinte (i) incorporou bens em data anterior a 01.05.2004 e, por conta disso, a depreciação contrariaria o artigo 31 da Lei nº 10.865/04, e (ii) incorporou bens após o término de cada mês do trimestre e, por conta disso, seria vedada a depreciação naquele período. 3.9.1. Incorporação de bens em data anterior a 01.05.2004 A defesa argumentou que o “fato gerador” dos créditos escriturais de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, conforme o artigo 3º, inciso VI, § 1º, inciso III, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ocorre no mês em que são apurados os encargos de depreciação e amortização, independentemente do momento de aquisição do bem depreciado. No entanto, alega que o artigo 31 da Lei nº 10.865/04, que instituiu a vedação para tais créditos, foi declarado Fl. 6415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 52 inconstitucional pelo Poder Judiciário no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança nº 2005.70.00.000594-0/PR. Esclarece a Recorrente que não está solicitando que a Administração Fiscal declare a inconstitucionalidade desse diploma legal, mas sim que os Órgãos Julgadores Administrativos (DRJ e CARF) apliquem o entendimento já estabelecido pelo Poder Judiciário. Especificamente, pede que seja permitido o aproveitamento dos créditos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, conforme o entendimento judicial. No julgamento do RE 599.316, submetido ao regime da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional o art. 31, caput, da Lei n° 10.865/2004. Em julgamento ao Tema 244, foi negado provimento ao recurso extraordinário, sendo fixada a seguinte tese: Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento da contribuição para o PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. Como observado pela defesa, considerando que os encargos de depreciação e amortização foram incorridos após 30.04.2004, deve ser reconhecido o direito creditório neste ponto. 3.9.2. Incorporação de bens após o término de cada mês do trimestre Argumenta a Recorrente que, ainda que se entenda que houve a incorporação de bens após o término de cada mês do trimestre, é imperioso reconhecer a total ausência de prejuízo ao Erário, uma vez que, no presente caso, ainda que, ad argumentandum, tenha havido um erro de inobservância do regime de competência, tal erro acarretou tão somente uma antecipação de créditos, isto é, foi recolhido o tributo em valor inferior em determinado período, mas, em momento posterior, o valor foi destinado aos cofres públicos. Afirma que ante a evidência da procedência do direito creditório, oriundo da depreciação de bens do ativo imobilizado, é inconteste que haja o aproveitamento desses créditos, o que acarreta necessariamente na homologação das declarações de compensação. Está correta a decisão recorrida ao observar que, considerando o princípio da legalidade, os argumentos da interessada não afastam a glosa, uma vez que o inciso III do §1º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/20031 tem por previsão que o crédito em referência há que ser determinado sobre encargos de depreciação incorridos no mês. 1 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: Fl. 6416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 53 3.10. Da Classificação Fiscal 3.10.1. Carne in natura Considerou o ilustre Auditor Fiscal que as carnes devem ser classificadas no capítulo 16 do Sistema Harmonizado, com enquadramento na posição da NCM 16.02. A autuação foi justificada pela conclusão de que “a correta classificação fiscal das mercadorias segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante na Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 08 de dezembro de 2011, não depende apenas da mercadoria ser ou não “in natura”, sendo necessário levar-se em conta todas as regras de classificação previstas na legislação”. Por sua vez, a Recorrente defende que a classificação fiscal dos produtos “carnes” se enquadra no Capítulo 2, sujeitas à alíquota zero, uma vez que são temperados com sal, condimentos e especiarias para conservação, sem adição de substâncias que alterariam a sua natureza química, mantendo seu estado “in natura". Reclama a defesa que não foi apresentado pela Fiscalização qualquer embasamento técnico para a reclassificação fiscal, bem como não foi indicada a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) adotada na reclassificação, além de não ter sido considerados fundamentos jurídicos relacionados ao tratamento diferenciado conferido aos produtos cárneos. Observo que a Requerente apresentou com o Recurso Voluntário um Laudo Técnico sobre as operações relativas às Linhas de Produção de sua atividade, especificando o ciclo de produção sobre os frangos, industrializados (presunto, linguiças frescas e cozidas, salsicha, mortadela, empanados, bacon, peito de peru), bem como com relação ao leite e derivados(manteiga, chocomilk, iogurtes), margarinas, perus, pratos prontos, rações, sobremesas, suínos, tortas salgadas, e normas sanitárias e demais exigências do Serviço de Inspeção Federal. Cumpre destacar que a classificação fiscal de mercadorias fundamenta-se nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, nas Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM), na Regra Geral Complementar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (RGC/TIPI), nos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), nos ditames do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh)2. Por sua vez, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) representam a interpretação oficial do SH oriunda da Organização Mundial das Alfândegas. Pelo § único do art. 1º III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês. 2 Art. 2º - In RFB nº 2057/2021 Fl. 6417DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 54 do Decreto nº 435/1992, “constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas, a RGI 1 deve ser analisada nos seguintes moldes: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Essas mercadorias são agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos os mais concisos possíveis, indicando a categoria ou o tipo dos produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobá-las ou enumerá-las completamente nos títulos daqueles agrupamentos. II) A Regra 1 começa, portanto, por determinar que os títulos “têm apenas valor indicativo”. Desse fato não resulta nenhuma conseqüência jurídica quanto à classificação. III) A segunda parte da Regra prevê que se determina a classificação: a) de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e b) quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara, e numerosas mercadorias podem classificar-se na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer às outras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as preparações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b) a frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destina-se a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Conseqüentemente, o alcance dessas posições não Fl. 6418DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 55 pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). (sem destaques no texto original) Como já mencionado, o ilustre Auditor Fiscal entendeu que as carnes devem ser classificadas no capítulo 16 do Sistema Harmonizado, com enquadramento na posição da NCM 16.02. Ocorre que o Capítulo 16 pertence à Seção IV, que trata de PRODUTOS DAS INDÚSTRIAS ALIMENTARES; BEBIDAS, LÍQUIDOS ALCOÓLICOS E VINAGRES; TABACO E SEUS SUCEDÂNEOS MANUFATURADOS. As Considerações Gerais do Capítulo 16 estão descritas da seguinte forma: O presente Capítulo compreende as preparações comestíveis de carne, miudezas (por exemplo: pés, peles, corações, línguas, fígados, tripas, estômagos) ou de sangue, bem como as de peixes (incluídas as peles), crustáceos, moluscos ou outros invertebrados aquáticos. O Capítulo 16 abrange os produtos desta espécie que tenham sido submetidos a uma elaboração de natureza diferente daquelas previstas nos Capítulos 2, 3 ou na posição 05.04 e que se apresentem: 1) Transformados em enchidos de qualquer espécie. 2) Cozidos por quaisquer processos: a água ou ao vapor, grelhados, fritos ou assados, com exceção, porém, dos peixes defumados, que podem ter sido cozidos antes ou durante a defumação (posição 03.05), dos crustáceos simplesmente cozidos em água ou vapor, mas que conservem ainda a casca (posição 03.06) e das farinhas, pós e pellets, obtidos a partir de peixes, crustáceos, moluscos ou de outros invertebrados aquáticos, cozidos (posições 03.05, 03.06 e 03.07, respectivamente). 3) Preparados ou conservados, na forma de extratos, sucos ou em vinha- d'alhos, preparados a partir de ovos de peixe tais como o caviar e seus sucedâneos, simplesmente revestidos de pasta ou de pão ralado (panados), trufados, temperados (por exemplo, com sal e pimenta), etc. 4) Finamente homogeneizados, apenas com produtos do presente Capítulo (carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos ou outros invertebrados aquáticos, preparados ou conservados). Estas preparações homogeneizadas podem conter uma pequena quantidade de fragmentos visíveis de carne, peixe etc., bem como uma pequena quantidade de ingredientes para tempero, conservação ou outros fins. A homogeneização propriamente dita não é suficiente para tornar um produto uma preparação do Capítulo 16. (sem destaques no texto original) A posição 16.02 está definida com o seguinte texto: “Outras preparações e conservas de carne, miudezas ou de sangue”, ou seja, produtos que se enquadram em preparações alimentícias, do tipo “refeições prontas”, o que não representa o estado “in natura”, refrigerada ou congelada. Fl. 6419DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 56 Por sua vez, a classificação fiscal adotada pela Recorrente compreende as posições da NCM nº 0202.3000, 0203.2900, 0207.1200, 0207.1400, 0207.2500 e 0207.2700, com os seguintes desdobramentos: NCM DESCRIÇÃO 0202-30-00 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0202 - Carnes de animais da espécie bovina, congeladas 3 Subposição 0202.30.00 - Desossadas 0203-29-00 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0203 - Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas. Subposição 0203.29.00 – Congeladas; Outras. 0207.1200 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.1200 - Não cortadas em pedaços, congeladas. 0207.1400 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.1400 - Pedaços e miudezas, congelados. 0207.2500 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, 3 Posição 0202 - Compreende as carnes congeladas dos animais da espécie bovina, domésticos ou selvagens, incluídos na posição 01.02. Fl. 6420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 57 frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.2500 - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.2700 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.2700 - Pedaços e miudezas, congelados. Constam nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – NESH, aprovado pela IN RFB nº 807/2008, com as alterações da IN RFB nº 1.260/2012, vigente à época dos fatos, os seguintes esclarecimentos: Capítulo 2 Carnes e miudezas, comestíveis Nota. 1.- O presente Capítulo não compreende: a) no que diz respeito às posições 02.01 a 02.08 e 02.10, os produtos impróprios para a alimentação humana; b) as tripas, bexigas e estômagos, de animais (posição 05.04), nem o sangue animal (posições 05.11 ou 30.02); c) as gorduras animais, exceto os produtos da posição 02.09 (Capítulo 15). CONSIDERAÇÕES GERAIS O presente Capítulo compreende as carnes em carcaças (isto é, o corpo do animal com ou sem cabeça), em meias-carcaças (uma carcaça cortada em duas no sentido do comprimento), em quartos, em peças, etc., as miudezas e as farinhas e pós de carne ou de miudezas de quaisquer animais (exceto peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos do Capítulo 3), próprios para a alimentação humana. A carne e as miudezas, impróprias para a alimentação humana, estão excluídas (posição 05.11). As farinhas, pós e pellets, de carne ou de miudezas, impróprios para a alimentação humana, estão igualmente excluídos (posição 23.01). (...) Distinção entre as carnes e miudezas deste Capítulo e os produtos do Capítulo 16. Fl. 6421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 58 Apenas se compreendem neste Capítulo as carnes e miudezas que se apresentem nas seguintes formas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas: 1) Frescas (isto é, no estado natural), mesmo salpicadas de sal com o fim de lhes assegurar a conservação durante o transporte. 2) Refrigeradas, isto é, resfriadas geralmente até cerca de 0°C, sem atingir o congelamento. 3) Congeladas, isto é, refrigeradas abaixo do seu ponto de congelamento, até o congelamento completo. 4) Salgadas ou em salmoura, ou ainda secas ou defumadas. As carnes e miudezas levemente polvilhadas com açúcar ou salpicadas com água açucarada incluem-se também neste Capítulo. As carnes e miudezas apresentadas sob as formas descritas nos números 1) a 4) acima incluem-se neste Capítulo, mesmo que tenham sido tratadas com enzimas proteolíticas (por exemplo, a papaína), no intuito de as tornar tenras, e mesmo que se apresentem desmanchadas, cortadas em fatias ou picadas. Por outro lado, as misturas ou combinações de produtos que se classificam em diferentes posições do Capítulo (as aves da posição 02.07 guarnecidas de toucinho da posição 02.09, por exemplo) continuam incluídas no presente Capítulo. As carnes e miudezas, pelo contrário, incluem-se no Capítulo 16, quando se apresentem: a) Em enchidos e produtos semelhantes, cozidos ou não, da posição 16.01. b) Cozidas de qualquer maneira (cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas), ou preparadas de outro modo, ou conservadas por qualquer processo não mencionado neste Capítulo, compreendendo as simplesmente revestidas de pasta ou de farinha de pão (panados), as trufadas ou temperadas (por exemplo, com sal e pimenta), incluindo a pasta de fígado (posição 16.02). (...) 02.02 - Carnes de animais da espécie bovina, congeladas. 0202.10 - Carcaças e meias-carcaças 0202.20 - Outras peças não desossadas 0202.30 - Desossadas Esta posição abrange as carnes congeladas dos animais da espécie bovina, domésticos ou selvagens, incluídos na posição 01.02. 02.03 - Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas. 0203.1 - Frescas ou refrigeradas: 0203.11 - - Carcaças e meias-carcaças 0203.12 - - Pernas, pás e respectivos pedaços, não desossados 0203.19 - - Outras 0203.2 - Congeladas: 0203.21 - - Carcaças e meias-carcaças Fl. 6422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 59 0203.22 - - Pernas, pás e respectivos pedaços, não desossados 0203.29 - - Outras Esta posição abrange as carnes, frescas, refrigeradas ou congeladas, dos porcos das espécies domésticas ou selvagens (javalis, por exemplo). Inclui também o toucinho entremeado (isto é, o que apresenta ‘camadas de carne) e o toucinho com uma camada de carne aderente. (...) 02.07 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 0207.1 - De galos ou de galinhas: 0207.11 - - Não cortadas em pedaços, frescas ou refrigeradas 0207.12 - - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.13 - - Pedaços e miudezas, frescos ou refrigerados 0207.14 - - Pedaços e miudezas, congelados 0207.2 - De peruas ou de perus: 0207.24 - - Não cortadas em pedaços, frescas ou refrigeradas 0207.25 - - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.26 - - Pedaços e miudezas, frescos ou refrigerados 0207.27 - - Pedaços e miudezas, congelados 0207.3 - De patos, de gansos ou de galinhas-d'angola (pintadas*): 0207.32 - - Não cortadas em pedaços, frescas ou refrigeradas 0207.33 - - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.34 - - Fígados gordos (“foies gras”), frescos ou refrigerados 0207.35 - - Outras, frescas ou refrigeradas 0207.36 - - Outras, congeladas Em análise ao RELATÓRIO EXPLICATIVO DAS OPERAÇÕES RELATIVAS ÀS LINHAS DE PRODUÇÃO DA BRF S.A., emitido pela Tyno Consultoria, bem como à Descrição do Processo Produtivo apresentada durante o procedimento fiscal4, é possível verificar que o produto analisado não passou por processo de cozimento, na forma indicada para a Posição 16.02, o que afasta o Capítulo 16 sobre os itens em análise. Vejamos o processo industrial ocorrido sobre os frangos após a sangria (ITEM 1.2.4 do Relatório Tyno Consultoria): (...) 4 Termo de Anexação de Arquivo Não-paginável - DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO – e-Fls. 121 Fl. 6423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 60 (...) (...) (...) Fl. 6424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 61 (...) (...) (...) (...) (...) (...) Fl. 6425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 62 Cumpre igualmente observar que em outros processos da mesma Contribuinte e sobre a mesma matéria, a exemplo do PAF nº 11516.723091/2018-07, igualmente julgado nesta sessão, foram apresentados Relatórios Técnicos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Tomando como exemplo o Relatório Técnico nº 000.288/20, relativo ao produto frango inteiro temperado congelado (sem miúdos), destaco as seguintes conclusões: Fl. 6426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 63 Da mesma forma, consta no Relatório Técnico nº 000.290/20, relativo ao produto Carne Temperada Congelada de Suíno (Lombo), a seguinte conclusão: Ou seja, igualmente concluiu o INT que o produto analisado não passou por processo de cozimento, o que afasta o Capítulo 16 sobre os itens em análise. Outrossim, cumpre observar que o NCM 1602.50.00 pertence à PREPARAÇÃO E CONSERVA DE CARNE DA ESPÉCIE BOVINA. A título de exemplos de produtos incluídos na Posição 16.02, vejamos as seguinte Soluções de Consultas referentes ao mesmo Código NCM: Fl. 6427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 64 SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF10 Nº 9, DE 30 DE JANEIRO DE 2014: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI: 1602.50.00 Mercadoria: Carne bovina cozida em vapor, desidratada, cortada em cubos, própria para consumo humano, do tipo utilizada na preparação de alimentos DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 16.02) e 6 (texto da subposição 1602.50) da Tipi aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011. (sem destaque no texto original) SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF10 Nº 10, DE 30 DE JANEIRO DE 2014: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI: 1602.50.00 Mercadoria: Carne bovina cozida em vapor (76%), desidratada, cortada em cubos, contendo proteína texturizada de soja, fécula de batata e aditivos, própria para consumo humano, do tipo utilizada na preparação de alimentos. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 16.02) e 6 (texto da subposição 1602.50) da Tipi aprovada pelo Decreto nº7.660, de 2011. (sem destaque no texto original) SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 98170, DE 31 DE AGOSTO DE 2022: Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 1602.50.00 Mercadoria: Preparação destinada à alimentação humana, constituída pela mistura e cozimento de trigo, água, leite, margarina e sal, com posterior sova e modelagem na forma de semicírculo, com recheio de carne (mais de 20%) e requeijão cremoso. O semicírculo assim obtido, denominado “risole de carne”, é mergulhado em água, empanado com farinha de rosca, congelado e apresentado em embalagens personalizadas de 1 kg. Dispositivos Legais: RGI 1 c/c Nota 1, “a”, do Capítulo 19 e RGI 6, da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e consolidadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018, com atualizações posteriores. (sem destaque no texto original) SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 98304, DE 08 DE DEZEMBRO DE 2022: Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 1602.50.00 Fl. 6428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 65 Mercadoria: Empanada (pastel de forno) congelada, para consumo humano após cozimento, composta de farinha de trigo, gordura vegetal, água, sal e açúcar, ovo pasteurizado, corante amarelo gema, farinha de rosca e flocos de milho, recheada com carne moída bovina (38%, em peso) cozida ao molho de tomate, apresentada em pacote com dez unidades de 130 g cada, denominada "empanada bolonhesa". Dispositivos Legais: RGI 1 (Nota 1, 'a', do Capítulo 19 e Nota 2 do Capítulo 16) e RGI 6, da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022. (sem destaque no texto original) Por sua vez, o NCM 1602.41.00 pertence à PERNAS E RESPECTIVOS PEDAÇOS. Vejamos as seguinte Soluções de Consultas referentes ao mesmo Código NCM: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 98.093, DE 18 DE ABRIL DE 2018: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 1602.49.00 Mercadoria: Pele de suíno cortada em pequenas tiras, salgada e frita, apresentada pronta ao consumo humano em embalagem plástica contendo 60 g, comercialmente denominada “torresmo suíno”. Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (texto da posição 16.02) e RGI/SH 6 (textos das subposições 1602.4 e 1602.49), da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores. (sem destaque no texto original) Destaco as seguintes considerações que sustentam os fundamentos da Solução de Consulta em referência: 8. A Nota 1 do Capítulo 16 dispõe que este Capítulo não compreende as carnes e miudezas preparados ou conservados pelos processos descritos no Capítulo 2: Nota 1 do Capítulo 16. 1.- O presente Capítulo não compreende as carnes, miudezas, peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos, preparados ou conservados pelos processos enumerados nos Capítulos 2, 3 ou na posição 05.04. 9. Por sua vez, as Considerações Gerais das NESH do Capítulo 2 dispõem que as carnes e miudezas (que é o caso das peles comestíveis) não se incluem neste Capítulo, mas, no Capítulo 16, quando se apresentem cozidas de qualquer maneira – cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas (posição 16.02). Fl. 6429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 66 “As carnes e miudezas, pelo contrário, incluem-se no Capítulo 16, quando se apresentem: a) Em enchidos e produtos semelhantes, cozidos ou não, da posição 16.01. b) Cozidas de qualquer maneira (cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas), ou preparadas de outro modo, ou conservadas por qualquer processo não mencionado neste Capítulo, compreendendo as simplesmente revestidas de massa ou de pão ralado (panados), as trufadas ou temperadas (por exemplo, com sal e pimenta), incluindo a pasta de fígado (posição 16.02).” (grifou-se) 10. Desta forma, a pele de suíno salgada e frita objeto da presente consulta se classifica, por aplicação da RGI/SH 1, na posição 16.02 cujo texto é: Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue. E esta posição apresenta os seguintes desdobramentos em nível de subposições. 16.02 Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue. 1602.10.00 - Preparações homogeneizadas 1602.20.00 - De fígados de quaisquer animais 1602.3 - De aves da posição 01.05: 1602.31.00 -- De peruas e de perus 1602.32 -- De aves da espécie Gallus domesticus 1602.39.00 -- Outras 1602.4 - Da espécie suína: 1602.41.00 -- Pernas e respectivos pedaços 1602.42.00 -- Pás e respectivos pedaços 1602.49.00 -- Outras, incluindo as misturas 1602.50.00 - Da espécie bovina 1602.90.00 - Outras, incluindo as preparações de sangue de quaisquer animais 11. Como se trata de uma preparação de miudeza (pele) da espécie suína, se enquadra na subposição de primeiro nível 1602.4 e, nesta, na residual 1602.49 – Outras, incluindo as misturas. Não estando tal subposição subdividida em itens ou subitens, a classificação do produto se encerra no código NCM 1602.49.00. Portanto, resta claro que a Posição 16.02, adotada pela douta Fiscalização, versa sobre preparações e conservas, abrangendo produtos como carne bovina cozida a vapor, rissoles de carne, empanada, torresmo, dentre outros, como demonstram as Soluções de Consulta acima citadas. Por tais razões, deve ser acatada a classificação fiscal adotada pela Contribuinte e, neste ponto, dar provimento ao recurso para manter a classificação das carnes no Capítulo 02 do Sistema Harmonizado. 3.10.2. Do Kit Felicidade (CHESTER) Perdigão Com relação à classificação fiscal do Kit Felicidade (CHESTER) Perdigão e Pão de queijo e Coxinha de Frango, peço vênia para reproduzir os fundamentos do r. voto condutor do v. Acórdão nº 3402-009.900, de relatoria do ilustre Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Fl. 6430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 67 proferido em julgamento ao PAF nº 11516.722531/2017-10, da mesma Contribuinte, cujas razões foram acompanhadas por esta relatora: V.2 DO KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO E OUTROS Alega o Recorrente que a classificação fiscal por ele adotada diz respeito ao produto principal que compõe o kit, com alguns complementos para manutenção do produto até o seu consumidor final (sal extra fino, água, glicose milho, tripolifostato sódico, glutamato monossódico, etc.), das embalagens e acessórios que lhe dão sustentação, (como o filme strech, ribbon, grampo alumínio, adesivo, injetável alça) e para o transporte (contoneira papel), de modo que não faz sentido o entendimento de que cada componente do produto tenha uma classificação fiscal diferente. Sustenta ainda que estes kits nada mais são do que os produtos in natura com uma embalagem de apresentação diferenciada para datas especiais, como o Natal, por exemplo, tanto que a produção destes kits concentra-se no final do ano (no caso em análise, no 3º trimestre/2012) para comercialização nas datas festivas de fim de ano. As bolsas térmicas compõe os referidos kits e servem como embalagem do produto, não devendo ter classificação específica (NCM 4202.92.00) como sustenta a Fiscalização. Os auditores-fiscais, por outro lado, fundamentaram a imputação nos seguintes termos: Verifica-se que KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGAO descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item 158367, BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD, trata-se de sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. (...) Assim, CHESTER INTEIRO ELAB (CHT), com os temperos que fazem parte DESTE produto, classifica-se na posição 1602.32.00 e a sacola térmica, na posição 4202.92.00. Os demais kits não foram informados na planilha Excel. A respeito de kits contendo aves, carnes e sacolas térmicas leia-se a Solução de Consulta nº 138 - SRRF/9ª RF/Diana, de 5 de junho de 2008, cuja ementa foi transcrita adiante, que trata de situação similar. Sem razão o Recorrente. Vejamos o que consta da RGI 5 e de suas respectivas notas explicativas: REGRA 5 Fl. 6431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 68 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para câmeras fotográficas, instrumentos musicais, armas, instrumentos de desenho, joias e artigos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificam- se com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos artigos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens que contenham mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. NOTA EXPLICATIVA REGRA 5 a) (Estojos e artigos semelhantes) I) A presente Regra deve ser interpretada como de aplicação exclusiva aos recipientes (receptáculos) que, simultaneamente: 1) Sejam especialmente fabricados para receber um determinado artigo ou sortido, isto é, sejam preparados de tal forma que o artigo contido se acomoda exatamente no seu lugar, podendo alguns recipientes (receptáculos), além disso, ter a forma do artigo que devam conter; 2) Sejam suscetíveis de um uso prolongado, isto é, sejam concebidos, especificamente, no que se refere à resistência ou ao acabamento, para ter uma duração de utilização comparável a do conteúdo. Estes recipientes (receptáculos) servem, frequentemente, para proteger o artigo a que se referem fora dos momentos de utilização (por exemplo, transporte, armazenamento, etc.). Estas características permitem diferenciá-los das simples embalagens; 3) Sejam apresentados com os artigos aos quais se referem, quer estes estejam ou não acondicionados separadamente, para facilitar o transporte. Os recipientes (receptáculos) apresentados isoladamente seguem o seu próprio regime; 4) Sejam do tipo normalmente vendido com os mencionados artigos; 5) Não confiram ao conjunto a sua característica essencial. II) Como exemplos de recipientes (receptáculos) apresentados com os artigos aos quais se destinam e cuja classificação é determinada por aplicação da presente Regra, citam-se: 1) Os estojos para joias (guarda-joias) (posição 71.13); 2) Os estojos para aparelhos ou máquinas de barbear elétricos (posição 85.10); 3) Os estojos para binóculos, estojos para miras telescópicas (posição 90.05); 4) As caixas e estojos para instrumentos musicais (posição 92.02, por exemplo); 5) Os estojos para espingardas (posição 93.03, por exemplo). Fl. 6432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 69 III) Pelo contrário, como exemplos de recipientes (receptáculos) que não entram no campo de aplicação desta Regra, citam-se as caixas de chá, de prata, que contenham chá ou as tigelas decorativas de cerâmica, que contenham doces. REGRA 5 b) (Embalagens) IV) A presente Regra estabelece a classificação das embalagens do tipo normalmente utilizado para as mercadorias que contêm. Contudo, esta disposição não é obrigatória quando tais embalagens são claramente suscetíveis de utilização repetida, por exemplo, certos tambores metálicos ou recipientes de ferro ou de aço para gases comprimidos ou liquefeitos. V) Dado que a presente Regra está subordinada à aplicação das disposições da Regra 5 a), a classificação dos estojos e recipientes (receptáculos) semelhantes, do tipo mencionado na Regra 5 a), rege-se pelas disposições desta última Regra. O próprio contribuinte reconhece que a sacola térmica não é um recipiente/receptáculo do tipo normalmente vendido com alimentos como o Chester. Tanto que em seu recurso afirma literalmente que esta sacola é uma “embalagem de apresentação diferenciada para datas especiais, como o Natal, por exemplo, tanto que a produção destes kits concentra-se no final do ano”. As autoridades fiscais também fundamentaram suas conclusões na Solução de Consulta nº 138/2008, com Ementa a seguir transcrita: “Solução de Consulta nº 138 - SRRF/9ª RF/Diana, de 5 de junho de 2008 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TIPI - Mercadoria 1601.00.00 Lingüiça de carne suína, apresentada embalada a vácuo em pacotes de 240g, componente de conjunto não caracterizado como "sortido" denominado "Kit Ave Maria". 1602.32.00 Frango temperado e congelado, peso aproximado de 2,9 a 3,1 kg, componente de conjunto não caracterizado como "sortido" denominado "Kit Ave Maria". 4202.92.00 Sacola térmica para acondicionamento de produtos alimentícios, com superfície exterior de PVC (policloreto de vinila) laminado, com alças, capacidade para 13 litros, componente de conjunto não caracterizado como "sortido" denominado "Kit Ave Maria". Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (textos das posições 16.01, 16.02 e 42.02) e 6 (textos das subposições 1602.3, 1602.32, 4202.9 e 4202.92) da Tabela de Incidência do IPI/TIPI, aprovada pelo Dec. nº 6.006/2006, subsídios NESH, aprovadas pelo Dec. nº 435/92 e atualizadas pela IN/RFB nº 807/2008.” Não obstante a classificação fiscal acima adotada e, considerando que o Relatório Fiscal que motivou o auto de infração vinculado a este processo, teve por conclusão o enquadramento na RGI/SH 1 (textos das posições 16.01, 16.02 e 42.02) e 6 (textos das subposições 1602.3, 1602.32, 4202.9 e 4202.92), quando deveria ter adotado a RGI5, cabe ser Fl. 6433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 70 afastado o lançamento de ofício neste ponto e, por consequência, as respectivas glosas sobre o produto “Kit Felicidade”, em análise. 3.10.3. Do Pão de queijo e Coxinha de Frango Igualmente com relação a tais itens, peço vênia para reproduzir os fundamentos do r. voto condutor do v. Acórdão nº 3402-009.900, acima citado: V.4 DOS PRODUTOS INFORMADOS COM NCM 1902 V.4.1 – DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PÃO DE QUEIJO (NCM 1902.1100) Alega o Recorrente que a Fiscalização, ao classificar seu produto “pão de queijo” na posição 1901.2000 (produtos tributados), afastando a classificação na posição 1902.1100 (produtos sujeitos à alíquota zero), parte da equivocada premissa de que este seria uma “preparação alimentícia de farinhas, na forma de pasta crua e congelada”, quando na verdade se trata de produto comercializado já pronto para consumo. Além disso, afirma ainda que não há como classificar o pão de queijo na posição 1905.9090, verbis: Conforme se extrai das notas complementares do subcapítulo 1905, reproduzidas no relatório fiscal às fls. 842/844, encontram-se compreendidos na referida posição o pão comum, pão de glúten, pão ázimo ou matzo, pão crocante denominado Knäckebrot, as torradas, pão tostado e produtos semelhantes, pão de especiarias, bretzels, bolachas e biscoitos, bolachas secas, bolachas e biscoitos adicionados de edulcorantes, bolachas e biscoitos salgados ou aromatizados, waffles, os produtos de pastelaria, merengues (suspiros), quiche, pizzas, produtos alimentícios crocantes sem açúcar. Nota-se que o pão de queijo não possui produto análogo ao rol acima que pudesse levar a uma classificação 1905.9090 (outros), já que nesta classificação residual o produto teria que “pertencer/equiparar” aos demais produtos do subcapítulo 1905, o que não se verifica. Por outro lado, a classificação do pão de queijo no NCM 1902.1100 (Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo que contenha ovos) mostra-se a classificação fiscal mais adequada. Como consignado na NESH, excluem-se desta posição apenas (a) as preparações, com exclusão das massas recheadas, contendo mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos, ou de outros invertebrados aquáticos, ou de uma combinação destes produtos (Capítulo 16) e (b) As preparações para sopas ou caldos e as sopas e caldos preparados, contendo massas (posição 21.04). Assim, sendo o pão de queijo composto de massa alimentícia não cozida, não recheada, nem preparada de outro modo, que contém leite e derivados, ovos e derivados da soja, e destinado ao consumo próprio, já preparado para consumo, está corretamente classificado na posição 1902.1100, fazendo jus à incidência da alíquota zero das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 1º, XVIII, da Lei nº 10.925/04, devendo ser afastada a cobrança das referidas contribuições. Fl. 6434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 71 A fundamentação trazida pelas autoridades tributárias para esta reclassificação foi a seguinte: Das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – NESH, aprovado pela IN RFB nº 807/2008, com as alterações da IN RFB nº 1.260/2012, vigente à época dos fatos, extraímos: (...) Preliminarmente cabe enfatizar que a posição 1902 refere-se a massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravióli, calzone e canelone; cuscuz, mesmo preparado. No entanto, o contribuinte informou nessa posição diversos outros itens, conforme relacionamos a seguir: a) Pão de queijo: classificam-se no código 1901.2000, quando se trata da pasta congelada ou mistura, que é o caso da BRF (conforme SC Coana nº 301/2015) ou no código 1905.9090, quando prontos para consumo. (...) Diversas Soluções de Consulta da RFB confirmam esse entendimento, como por exemplo, as Soluções de Consulta nº 14/2008, da Diana/7RF, 28/2011, 33/2011 e 42/2011 da Diana /9RF, 2/2013 e 4/2013 da Diana /6RF e SOLUÇÃO DE CONSULTA COANA Nº 301, DE 26 DE OUTUBRO DE 2015, cujas ementas foram transcritas abaixo: (...) “Solução de Consulta nº 42 - SRRF/9ª RF/Diana, de 12 de maio de 2011 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código Tipi: 1901.20.00 Mercadoria: Pão de queijo cru, congelado, fabricado com fécula de mandioca, queijo, óleo, margarina, sal, ovos e leite. Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (texto da posição 19.01) e RGI/SH 6 (texto da subposição 1901.20) da TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 2006, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores” “Solução de Consulta nº 2 – SRRF06/Diana, de 29 de janeiro de 2013 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS 1901.20.00 - Pão de queijo cru, congelado, fabricado com fécula de mandioca, queijo, óleo de soja, sal, ovos e leite. 1901.20.00 - Pão de queijo cru, congelado, fabricado com fécula de mandioca, queijo, óleo de soja, sal, ovos, leite e com recheios diversos representando 20% do produto (goiabada ou catupiry ou carne). Dispositivos Legais: Decreto 97.409 de 23/12/88. Decreto nº 435, de 27/01/1992. Decreto nº 7.660, de 23/12/2011, publicado no DOU de 26/12/2011. RGI-1ª (texto da posição 19.01) e RGI - 6ª (texto da subposição 1901.20) da Tabela de Incidência Fl. 6435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 72 do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH da posição 19.01. IN SRF nº 697, de 15/12/2006. IN RFB nº 807, de 11/01/2008. IN RFB nº 1.072, de 30/09/2010. IN RFB nº 1.202, de 19/10/2011. IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012.” “SOLUÇÃO DE CONSULTA COANA Nº 301, DE 26 DE OUTUBRO DE 2015 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código NCM: 1901.20.00 Mercadoria: Pão de queijo cru, congelado, moldado em porções de 25 g, à base de polvilho azedo, contendo ovos, manteiga e/ou margarina, óleo, leite em pó, soro de leite em pó, queijo, sal e água, acondicionado em embalagem plástica de 400g. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI/SH 1 (texto da posição 19.01) e RGI/SH 6 (texto da subposição 1901.20), da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 7.660, de 2011.” Vejamos as classificações propostas pelo contribuinte (NCM 1902.11.00) e pela Receita Federal (NCM 1901.20.00): Contribuinte: 19.02 - Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado. 1902.11.00 - Que contenham ovos Receita Federal: 19.01 - Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40%, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5%, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 1901.20.00 - Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 A classificação defendida pelo Fisco Federal implica que o produto, quando pronto, seja classificado na posição 1905: 19.05 - Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes. 1905.10.00 - Pão denominado knäckebrot 1905.20 - Pão de especiarias 1905.20.10 – Panetone 1905.20.90 – Outros Fl. 6436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 73 1905.3 - Bolachas e biscoitos, adicionados de edulcorante; waffles e wafers: 1905.40.00 - Torradas, pão torrado e produtos semelhantes torrados Analisando as notas complementares do Capítulo 19, constata-se que estas não auxiliam na resolução da lide: Capítulo 19 Preparações à base de cereais, farinhas, amidos, féculas ou leite; produtos de pastelaria Notas. 1.- O presente Capítulo não compreende: a) Com exclusão dos produtos recheados da posição 19.02, as preparações alimentícias que contenham mais de 20%, em peso, de enchidos, de carne, de miudezas, de sangue, de peixes ou crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos ou de uma combinação destes produtos (Capítulo 16); b) Os produtos à base de farinhas, amidos ou féculas (biscoitos, etc.), especialmente preparados para alimentação de animais (posição 23.09); c) Os medicamentos e outros produtos do Capítulo 30. 2.- Na acepção da posição 19.01, entende-se por: a) “Grumos”, os grumos de cereais do Capítulo 11; b) “Farinhas e sêmolas”: 1) As farinhas e sêmolas de cereais do Capítulo 11; 2) As farinhas, sêmolas e pós de origem vegetal, de qualquer Capítulo, exceto as farinhas, sêmolas e pós, de produtos hortícolas secos (posição 07.12), de batata (posição 11.05) ou de legumes de vagem secos (posição 11.06). 3.- A posição 19.04 não abrange as preparações que contenham mais de 6%, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, nem as revestidas de chocolate ou de outras preparações alimentícias que contenham cacau, da posição 18.06 (posição 18.06). 4.- Na acepção da posição 19.04, a expressão “preparados de outro modo” significa que os cereais sofreram tratamento ou preparo mais adiantados do que os previstos nas posições ou nas Notas dos Capítulos 10 e 11. Vejamos o que consta das NESH deste capítulo: CONSIDERAÇÕES GERAIS O presente Capítulo abrange um conjunto de produtos que têm, em geral, o caráter de preparações alimentícias, obtidas quer diretamente a partir dos cereais do Capítulo 10, quer a partir de produtos do Capítulo 11 ou a partir de farinhas, sêmolas ou pós alimentícios de origem vegetal de outros Capítulos (farinhas, grumos e sêmolas de cereais, amidos, féculas, farinhas, sêmolas e pós de fruta ou de produtos hortícolas), ou, ainda, a partir de produtos das posições 04.01 a 04.04. Inclui, também, os produtos de pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, Fl. 6437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 74 mesmo que na sua composição não entrem farinha, amido, fécula nem outros produtos provenientes dos cereais. (...) 19.01 19.01 - Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 1901.10 - Preparações para alimentação de lactentes e crianças de tenra idade, acondicionadas para venda a retalho 1901.20 - Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 – Outros I. Extratos de malte. (...) II. Preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. Esta posição compreende um conjunto de preparações alimentícias, à base de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, cuja característica essencial provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em peso ou em volume. A estes diversos componentes principais podem adicionar-se outras substâncias, tais como leite, açúcar, ovos, caseína, albumina, gorduras, óleos, aromatizantes, glúten, corantes, vitaminas, fruta ou outras substâncias destinadas a aumentar-lhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último caso, o teor em peso de cacau seja inferior a 40% calculado sobre uma base totalmente desengordurada (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). (...) As preparações da presente posição podem ser líquidas, em pó, em grânulos, em pasta ou apresentar-se sob qualquer outra forma sólida, como fitas e discos. (...) 19.02 - Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado. (...) Fl. 6438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 75 As massas alimentícias da presente posição são produtos não fermentados, fabricados com sêmolas ou farinhas de trigo, milho, arroz, batata, etc. Estas sêmolas ou farinhas (ou mistura de ambas) são, em primeiro lugar, misturadas com água e depois amassadas de forma a obter-se uma pasta, na qual se podem incorporar outros ingredientes (por exemplo: produtos hortícolas finamente picados, sucos ou purês de produtos hortícolas, ovos, leite, glúten, diástases, vitaminas, corantes e aromatizantes). A massa, em seguida, é trabalhada (por exemplo, por passagem à fieira e corte; laminagem e recorte; compressão; moldagem ou aglomeração em tambores rotativos) no intuito de se obterem formas específicas e predeterminadas (por exemplo, tubos, fitas, filamentos, conchas, pérolas, grânulos, estrelas, cotovelos e letras). No decurso desse trabalho, pode adicionar-se uma pequena quantidade de óleo. Em geral, a essas formas corresponde o nome do produto acabado (por exemplo, macarrão, talharim, espaguete, aletria). Para facilidade de transporte, de armazenagem e de conservação, em geral, estes produtos são dessecados antes da comercialização. Quando secos, tornam-se quebradiços. Esta posição compreende também os produtos frescos (isto é úmidos ou por secar) e os produtos congelados, por exemplo, os nhoques frescos e os ravioles congelados. As massas alimentícias desta posição podem ser cozidas, recheadas de carne, peixe, queijo ou de outras substâncias em qualquer proporção, ou preparadas de outra forma (apresentadas como pratos preparados, que contenham outros ingredientes, tais como produtos hortícolas, molho, carne). O cozimento tem por objetivo amolecer as massas, conservando-lhes a forma original. As massas recheadas podem ser inteiramente fechadas (por exemplo, ravioles), abertas nas extremidades (por exemplo, canelones) ou, ainda, apresentar-se em camadas sobrepostas, tal como a lasanha. Esta posição abrange também o “couscous”, que é uma sêmola tratada termicamente. O “couscous” desta posição pode ser cozido ou preparado de outra forma (com carne, produtos hortícolas e outros ingredientes, tal como o prato completo que leva o mesmo nome). (...) 19.05 - Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes. (...) A) Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau. Nesta posição estão compreendidos todos os produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos; os ingredientes mais vulgarmente utilizados são as farinhas de cereais, a levedura e o sal, embora possam conter igualmente outros ingredientes, tais como: glúten, fécula, farinhas de leguminosas, extrato de malte, leite, determinadas sementes como a da papoula, cominho, anis (erva- doce), açúcar, mel, ovos, gorduras, queijos, fruta, cacau em qualquer proporção, Fl. 6439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 76 carne, peixe, etc., e ainda os produtos designados por “melhoradores de panificação”. Estes últimos destinam-se, principalmente, a facilitar a manipulação da massa, a acelerar a sua fermentação, a melhorar as características ou a apresentação dos produtos e a prolongar a duração da sua conservação. Os produtos da presente posição podem também ser obtidos a partir de uma massa à base de farinha, sêmola ou pó de batata. Encontram-se compreendidos na presente posição: 1) O pão comum que, frequentemente, contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal. 2) O pão de glúten para diabéticos. 3) O pão ázimo ou matzo, fabricado sem fermento. 4) O pão crocante denominado Knäckebrot, que é um pão crocante, seco, apresentando-se, em geral, em placas delgadas de forma quadrada, retangular ou redonda, cuja superfície se apresenta com vários e pequenos orifícios. O knäckebrot é feito com uma massa à base de farinha (mesmo inteira), de sêmola ou de grãos de centeio, cevada, aveia ou de trigo, fermentada com leveduras, massa azeda ou outro tipo de fermento, ou ainda por aeração (insuflação*). O teor de água do produto não excede 10% em peso. 5) As torradas (tostas), o pão torrado e produtos semelhantes, torrados, mesmo em fatias ou ralados, que contenham ou não manteiga ou outras gorduras, açúcar, ovos ou outras substâncias nutritivas. 6) O pão de especiarias, que é um produto poroso, geralmente de consistência elástica, feito de farinha de centeio ou de trigo, edulcorante (por exemplo, mel, glicose, açúcar invertido ou melaço purificado), especiarias ou aromatizantes, que contenham, por vezes, também, gema de ovos ou fruta. Determinados tipos de pão de especiarias apresentam-se recobertos de chocolate ou de uma cobertura cristalizada, obtida a partir de preparações de gorduras e cacau. Outros tipos de pão de especiarias podem conter açúcar ou ainda apresentarem-se recobertos de açúcar. A partir das NESH do capítulo, pode-se concluir que não assiste razão ao Recorrente. O “pão de queijo” congelado, tal qual é por este produzido, tem clara afinidade com os produtos exemplificativos da posição 19.05, acima listados. O pão de queijo é um produto de padaria, assim como as demais variedades de pães citados, fato que pode ser comprovado pelos seus ingredientes e modo de preparo. Verifiquei a receita do pão de queijo tradicional em alguns sites especializados, obtendo os seguintes resultados: i) https://fornodeminas.com.br/produto/pao-de-queijo-tradicional/ INGREDIENTES: Polvilho, água, queijo, ovo integral pasteurizado, fécula de mandioca, óleo de soja, leite em pó integral, creme de leite, sal e soro de leite em pó. Fl. 6440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 77 ii) https://anamariabraga.globo.com/receita/pao-de-queijo-tradicional/ INGREDIENTES: 600 ml de água, 1 e 1/2 xícara (chá) de óleo, 1 e 1/2 xícara (chá) de leite, 1 colher (sopa) cheia de sal, 1 kg de polvilho azedo, 6 ovos e 150 g de parmesão ralado. O polvilho é outro nome de fécula de mandioca, conforme pesquisa no link https://pt.wikipedia.org/wiki/Polvilho: O polvilho, também chamado de fécula de mandioca, carimã ou goma, é o amido da mandioca. O polvilho azedo é um tipo modificado por processo de fermentação e secagem solar, apresentando características bem diversas do polvilho doce. É utilizado para diversos fins culinários, como o preparo da massa para o pão-de-queijo, bolinho típico de Goiás, de São Paulo, do Paraná, do Mato Grosso do Sul e até mesmo de Minas Gerais, e para a pamonha de carimã. Principal produtora é a cidade de Conceição dos Ouros, sul de Minas Gerais. Através do link https://paladar.estadao.com.br/noticias/receita,como-fazer-o- pao-de-queijo-perfeito,10000007904, verifiquei a função dos ingredientes: A função de cada ingrediente ● Polvilho | Os pães de polvilho azedo crescem um pouco mais e, quando esfriam, ficam mais secos. Os que levam polvilho doce são mais uniformes e densos. ● Queijo | Se for fresco, terá mais água, vai dar um pão mais pesado. Se for muito gorduroso, também. Quanto mais curado, melhor. Queijo bem duro, de ralar, é bom para pão de queijo. ● Gordura | Altera a textura da massa. Mais gordura deixa o pão mais macio. Gordura demais deixa o pão pesado. Pode ser óleo, manteiga e banha. ● Leite/água | A água e/ou o leite faz que o amido do polvilho inche e gelatinize – deixando a massa elástica. Com leite, ela fica mais pegajosa e mas difícil de modelar. ● Sal | Sua função é só mesmo dar gosto. A depender do queijo, ele pode ser dispensado da receita, por isso cuidado ao adicionar sal à massa. ● Ovo | Interfere na textura e leveza do pão. Ajuda o polvilho a estruturar a massa e é também responsável por reter os gases que se formam no miolo. Todos estes ingredientes são utilizados para fabricação de pães, conforme consta na NESH, já colacionada acima e que trago novamente em destaque: Nesta posição estão compreendidos todos os produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos; os ingredientes mais vulgarmente utilizados são as farinhas de cereais, a levedura e o sal, embora possam conter igualmente outros ingredientes, tais como: glúten, fécula, farinhas de leguminosas, extrato de malte, leite, determinadas sementes como a da papoula, cominho, anis (erva- doce), açúcar, mel, ovos, gorduras, queijos, fruta, cacau em qualquer proporção, carne, peixe, etc., e ainda os produtos designados por “melhoradores de panificação”. Fl. 6441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 78 Os produtos classificados na posição 19.02, defendida pelo Recorrente, possuem outra composição e modo de fabricação, conforme NESH respectiva: As massas alimentícias da presente posição são produtos não fermentados, fabricados com sêmolas ou farinhas de trigo, milho, arroz, batata, etc. Ora, como visto acima, o polvilho interfere no crescimento da massa, enquanto os ovos retém os gases que se formam no miolo, indicando claramente um processo de fabricação através da fermentação, característico dos pães, porém ausente nas massas alimentícias da posição 19.02, como descrito acima. Além disso, conforme consta da NESH, para facilidade de transporte, de armazenagem e de conservação, em geral, os produtos da posição 19.02 são dessecados antes da comercialização; quando secos, tornam-se quebradiços. Esta característica não existe nas misturas/pastas para a preparação do pão de queijo que foram reclassificadas, pois não são submetidas a esse processo de dessecação. Nesse contexto, correta a classificação fiscal atribuída pela Fiscalização, qual seja, 1901.20.00 - Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. V.4.2 – DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO SANDUÍCHE HAMB. E DA TORTA DE PEITO DE PERU E TORTA IOGURTE DE PALMITO E CATUPIRY Alega o Recorrente que classificou os sanduíches e as tortas que comercializa no NCM 1902.2000, que corresponde a massas alimentícias recheadas. Todavia, o acórdão recorrido manteve, equivocadamente, o entendimento da Autoridade Fiscal no sentido de que os sanduíches devem ser classificados na posição 1602 e as tortas na posição 1905. O Recurso Voluntário, neste tópico, apresenta os seguintes fundamentos: Conforme se extrai das considerações gerais da Posição 16 da NESH, “excluem-se deste Capítulo: a) As preparações alimentícias (com exclusão dos produtos recheados da posição 19.02), contendo mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos ou de outros invertebrados aquáticos, ou de uma combinação destes produtos (Capítulo 16).” Em outras palavras, ressalvados os produtos da posição 1902, que são os produtos da Recorrente, as demais preparações alimentícias com carne enquadram-se no capítulo 16. Verifica-se, ainda, que o capítulo da posição 16 abrange igualmente as preparações alimentícias compostas (incluídas as denominadas “refeições prontas”) contendo enchidos, carne, miudezas, sangue, peixes ou crustáceos, moluscos ou outros invertebrados aquáticos associados a produtos hortícolas e massas, molhos etc., desde que contenham mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixes ou crustáceos, moluscos ou de outros invertebrados aquáticos, ou de uma combinação desses produtos. Fl. 6442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 79 Nos produtos sanduíches e nas tortas comercializados pela Recorrente a carne e o peito de peru representam apenas parcela dos ingredientes do sanduíche, o que atrai a aplicação da classificação mais próxima da descrição apresentada pela NESH, que é o de massa alimentícia na posição 19.02. Igualmente, a torta de iogurte com palmito e catupiry por não se equiparar a qualquer dos produtos listados nas demais subposições (pães, bolachas, biscoitos, waffles e torradas), não pode ser classificada na posição 19.05, que trata exclusivamente de produtos de padaria ou pastelaria. Assim, estando os sanduíches e as tortas corretamente classificados na posição 1902 da NESH, sujeitas, por conseguinte, à incidência da alíquota zero prevista no art. 1º XVIII da Lei nº 10.925/04, não há como prevalecer a exigência das contribuições ao PIS e da COFINS, devendo ser afastada a sua cobrança pelos fundamentos exarados. Em relação às tortas, por tudo quanto já exposto no tópico antecedente, resta bastante óbvio que não se enquadram na classificação NCM 1902.20.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma torta de iogurte com palmito e catupiry não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.20.00 - Massas alimentícias recheadas (mesmo cozidas ou preparadas de outro modo). A classificação fiscal correta é justamente aquela proposta pelas autoridades fiscais, na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”. Isso porque, ao contrário do que afirma o Recorrente, as tortas são produtos de pastelaria. Vejamos a definição do termo “pastelaria” em links de dicionários acessíveis na internet: i) https://www.meudicionario.org/pastelaria substantivo feminino 1. ofício de pasteleiro 2. conjunto de iguaria feitos com massa de farinha recheada 3. estabelecimento onde se confeccionam e/ou vendem e consomem a mercadoria feita pelo pasteleiro (pastéis, empadas, tortas, etc) ii) https://edukavita.blogspot.com/2013/02/pastelaria.html 2. Definição de pastelaria Pastelaria refere-se ao estabelecimento onde são produzidos ou comercializados diferentes tipos de alimentos doces, como bolos, tortas, bolos, faturas e outros. iii) https://oquee.space/dicionario/pastelaria/ Fl. 6443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 80 1. Conjunto de bolos, doces ou outras iguarias doces ou salgadas feitas com massa de farinha (ex.: pastelaria doce; pastelaria salgada; a pastelaria exposta incluía bolos e salgados). 2. Arte, actividade ou ofício de confeccionar bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha (ex.: curso de pastelaria). 3. Estabelecimento de pasteleiro ou de quem faz bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha. iv) https://www.lexico.pt/pastelaria/ subst. f. 1. estabelecimento onde se fazem e/ou vendem bolos: comprar bolos na pastelaria. v) https://michaelis.uol.com.br/palavra/ne2n1/pastelaria/ 1 Conjunto de doces e salgados preparados com massa variada, prontos para o consumo. 2 Estabelecimento onde se fazem e/ou vendem esses produtos; pasteleiro, pâtisserie. vi) https://www.dicio.com.br/pastelaria/ substantivo feminino Pasta ou massa trabalhada, ornamentada de formas diversas e assada. [Por Extensão] Pastéis, tortas, empadas, massas cozidas em geral. Loja, mercadoria do pasteleiro. vii) https://dicionario.priberam.org/pastelaria substantivo feminino 1. Conjunto de bolos, doces ou outras iguarias doces ou salgadas feitas com massa de farinha (ex.: pastelaria doce; pastelaria salgada; a pastelaria exposta incluía bolos e salgados). 2. Arte, atividade ou ofício de confeccionar bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha (ex.: curso de pastelaria). 3. Estabelecimento de pasteleiro ou de quem faz bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha. 4. Local onde se pode tomar uma refeição ligeira. A NESH corrobora esse entendimento em diversas passagens, como por exemplo: i) Considerações gerais sobre o Capítulo 20 Estão excluídos deste Capítulo: (...) b) Os produtos de pastelaria (por exemplo, as tortas de fruta) que estão incluídos na posição 19.05. Fl. 6444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 81 ii) NESH da posição 82.15 - Colheres, garfos, conchas, escumadeiras, pás para tortas, facas especiais para peixe ou para manteiga, pinças para açúcar e artigos semelhantes. A presente posição compreende especialmente: (...) 4) As pás para peixe, as pás para pastelaria (para tortas, etc.), para morangos, aspargos, sorvetes, etc. iii) NESH da posição 84.38, item I.- MÁQUINAS E APARELHOS PARA AS INDÚSTRIAS DE PANIFICAÇÃO, PASTELARIA, BOLACHAS E BISCOITOS 7) Os aparelhos de pastelaria para dosar massas ou ingredientes nas formas, para fabricação de tortas, bolos, doces, etc. Além disso, o item 10 da NESH da posição 19.05 especifica como se compõem os chamados “produtos de pastelaria”: A) Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau. (...) Encontram-se compreendidos na presente posição: (...) 10) Os produtos de pastelaria, em cuja composição entram substâncias muito variadas: farinhas, féculas, manteiga ou outras gorduras, açúcar, leite, creme-de- leite (nata*), ovos, cacau, chocolate, café, mel, fruta, licores, aguardente, albumina, queijo, carne, peixe, aromatizantes, leveduras ou outros fermentos, etc. Em relação à classificação dos sanduíches no código NCM 1902.20.00, repita-se tudo quanto já dito para as tortas: por tudo quanto já exposto no tópico antecedente, resta bastante óbvio que não se enquadram nesta classificação, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, um sanduíche de carne, peito de peru, etc, não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.20.00 - Massas alimentícias recheadas (mesmo cozidas ou preparadas de outro modo). A classificação fiscal correta é justamente aquela proposta pelas autoridades fiscais, na posição 16.02, cujo texto é “Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue”. A classificação exata dependeria de informações adicionais que, conforme consta do Relatório Fiscal, não foram fornecidas pelo Recorrente. Contudo, tais informações apenas poderiam alterar a classificação a nível de item, pois a classificação a nível de capítulo, posição e subposição já está definida como 1602.32. Vejamos as subdivisões existentes a nível de item e subitem: Fl. 6445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 82 Como exemplo de quais seriam essas preparações, trago um citado na própria NESH, interpretando a aplicação da Regra 3.b): VII) Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. (...) Podem citar-se como exemplos de sortidos cuja classificação pode ser determinada pela aplicação da Regra Geral Interpretativa 3 b): 1) a) Os sortidos constituídos por um sanduíche composto de carne bovina, mesmo com queijo, num pequeno pão (posição 16.02), apresentado numa embalagem com uma porção de batatas fritas (posição 20.04): Classificação na posição 16.02. A Nota Complementar do Capítulo 16 esclarece o seguinte: 2.- As preparações alimentícias incluem-se no presente Capítulo, desde que contenham mais de 20%, em peso, de enchidos, de carne, de miudezas, de sangue, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos ou de uma combinação destes produtos. Quando essas preparações contiverem dois ou mais dos produtos acima mencionados, incluem-se na posição do Capítulo 16 correspondente ao componente predominante em peso. Estas disposições não se aplicam aos produtos recheados da posição 19.02, nem às preparações das posições 21.03 ou 21.04. As NESH, por sua vez, trazem a seguinte orientação, nas Considerações Gerais do Capítulo 16: O presente Capítulo abrange igualmente as preparações alimentícias compostas (incluindo as denominadas “refeições prontas”) que contenham enchidos, carne, miudezas, sangue, peixes ou crustáceos, moluscos ou outros invertebrados aquáticos associados a produtos hortícolas e massas, molhos etc., desde que contenham mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixes ou crustáceos, moluscos ou de outros invertebrados aquáticos, ou de uma combinação desses produtos. Se essas preparações contiverem dois ou mais dos produtos acima mencionados (carne e peixe, por exemplo), classificam-se na posição do Capítulo 16 correspondente ao componente predominante em peso. Em qualquer dos casos, o peso a considerar será o peso da carne, do peixe, etc. tal como se encontra na preparação e não o peso de tais produtos antes da confecção da preparação. (Convém, no entanto, notar que os produtos recheados da posição 19.02, os molhos, as preparações para molhos, os condimentos e temperos do tipo dos descritos na posição 21.03, bem como as preparações para sopas e caldos, as sopas e caldos preparados e as preparações alimentícias compostas, Fl. 6446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 83 homogeneizadas do tipo das descritas na posição 21.04, classificam-se sempre nestas posições). As NESH específicas para a posição 16.02, por sua vez, trazem a seguinte orientação: Estão, entre outros, incluídos nesta posição: (...) 5) As preparações alimentícias (incluindo as “refeições prontas”) que contenham, em peso, mais de 20% de carne, de miudezas ou de sangue (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). Excluem-se também da presente posição: a) As massas alimentícias (ravioli, etc.) recheadas de carne ou miudezas (posição 19.02). b) As preparações para molhos, os molhos preparados, os condimentos e os temperos compostos (posição 21.03). c) As preparações para caldos e sopas, caldos e sopas preparados, bem como as preparações alimentícias compostas homogeneizadas (posição 21.04). Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. V.4.3 – DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA COXINHA DE FRANGO Alega o Recorrente que classificou as coxinhas de frango que comercializa no NCM 1902.3000, que corresponde a “outras massas alimentícias”. Todavia, o acórdão recorrido manteve, equivocadamente, o entendimento da Autoridade Fiscal no sentido de que as coxinhas de frango devem ser classificados na posição 1602. O Recurso Voluntário, neste tópico, apresenta os seguintes fundamentos: Da mesma forma que fundamentada para os casos do sanduíche e da torta, o frango componente das coxinhas é apenas um dos ingredientes do produto final e amolda-se corretamente na classificação de outras massas alimentícias da NCM 1902.3000. Assim, sendo a NCM 1902.3000 a classificação mais próxima da composição do produto comercializado pela Recorrente, deve ser afastada a cobrança do PIS e da COFINS, uma vez que tais produtos sujeitam-se a incidência da alíquota zero, nos termos do art. 1º, XVIII, da Lei nº 10.925/04. Mais uma vez, por tudo quanto já exposto no tópico antecedente, resta bastante óbvio que “coxinhas de frango” não se enquadram na classificação NCM 1902.30.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma coxinha de frango não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e Fl. 6447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 84 canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.30.00 - Outras massas alimentícias. Quanto à classificação fiscal correta, entendo que tanto pode ser aquela proposta pelas autoridades fiscais, no caso, na posição 16.02, cujo texto é “Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue”, quanto na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”. Isso porque, em razão de tudo quanto já exposto nos tópicos antecedentes, a “coxinha de frango” é um “salgado”, produto típico de pastelaria, que pode ter recheio de carne, conforme consta da NESH: 10) Os produtos de pastelaria, em cuja composição entram substâncias muito variadas: farinhas, féculas, manteiga ou outras gorduras, açúcar, leite, creme-de- leite (nata*), ovos, cacau, chocolate, café, mel, fruta, licores, aguardente, albumina, queijo, carne, peixe, aromatizantes, leveduras ou outros fermentos, etc. Ocorre que, na NESH dessa mesma posição, há uma orientação para que o produto seja classificado no Capítulo 16, a depender da quantidade de carne nele contida: São excluídos desta posição: a) Os produtos que contenham mais de 20% em peso de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos ou de outros invertebrados aquáticos, ou de uma combinação desses produtos (por exemplo, preparações constituídas por carne coberta de massa) (Capítulo 16). As Soluções de Consulta apresentadas pelos auditores-fiscais deixam bem claro esse entendimento: “Solução de Consulta nº 33 - SRRF/9ª RF/Diana, de 17 de março de 2011 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TIPI: 1602.32.00 Mercadoria: Coxinha de frango, congelada, própria para a alimentação humana após ser empanada e frita, composta por farinha de trigo, manteiga, ovos, leite e recheio de carne de frango (23%, em peso), sem fermento, obtido pela mistura dos ingredientes, moldagem manual, pré-cozimento, congelamento e acondicionamento em embalagem com capacidade de 1kg. Dispositivos Legais: RGI-1 (Notas 1a) do Capítulo 19 e 2 do Capítulo 16 e texto da posição 1602) e 6 (texto da subposição 1602.32), da TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 2006.” Assim, uma “coxinha de frango com catupiry, por exemplo, provavelmente não alcançaria este percentual, e seria então classificada na posição 19.05. Não há nos autos informação sobre a composição de carne em percentual, impossibilitando uma classificação definitiva. Tal fato, contudo, não tem qualquer relevância para o Fl. 6448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 85 presente caso, pois em qualquer das 2 posições não há previsão de alíquota zero, o que implica restar caracterizado o fato impeditivo ao direito creditório pleiteado, nos termos do art. 373, II, do CPC. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. Considerando as mesmas razões detidamente demonstradas no r. voto acima, mantenho as glosas com relação a tais itens. 3.11. Multa Regulamentar A Fiscalização constatou que a contribuinte apresentou sua Escrituração Fiscal Digital da Contribuição - EFD-Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas. No item VI.III de seu relatório, a autoridade fiscal relata que a interessada, em sua resposta a intimação para esclarecer inconsistência verificada entre os valores totalizados das notas fiscais eletrônicas de saída e a totalização das informações prestadas na EFD-Contribuições nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, explicitamente concorda que está incorreta a EFD- Contribuições dos referidos meses, onde não constaram as saídas com CFOP 5105, 5117 e 5118, além de diversas outras notas fiscais. Sustenta a defesa que que não se tem a presença dos requisitos fático-jurídicos necessários para aplicação da Multa Regulamentar, pois o mero equívoco não autoriza sua imposição, conforme reconhecido no Parecer Normativo nº 03/2013. Sustenta, ainda, com fundamento na aplicabilidade do princípio da consunção no âmbito tributário, não pode prevalecer, em uma mesma autuação, a multa de ofício de 75% sobre o valor do tributo exigido e a multa regulamentar de 3% sobre os valores pretensamente omitidos ou informados equivocadamente, prevista na alínea “a” do inciso III do artigo 57 da MP nº 2.158- 35/01, pois esta (multa regulamentar) se encontra absorvida por aquela (multa de ofício), por força do princípio da consunção. Concluiu a DRJ de origem que a multa por descumprimento de obrigação acessória encontra suporte na alínea “a” do inciso III do art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35 (com a redação dada pela Lei nº 12.873/2012), que prevê que a multa, no percentual de 3% (três por cento), deve ser aplicada sobre o valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação às quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Neste ponto, observo que a mudança promovida pela Lei nº 12.873/2013, no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35 é clara no sentido de que a apresentação da EFD com omissões ou incorreções implica na infração e consequente multa. No mesmo sentido o Parecer Normativo COSIT nº 3, de 28 de agosto de 2015. Concluiu, ainda, que constatado que os fatos, comprovadamente ocorridos, subsomem-se ao referido dispositivo legal, tem-se como correto o procedimento fiscal e a consequente autuação, pelo descumprimento da obrigação legal de apresentar corretamente a escrituração fiscal. Ressaltese que é fato incontroverso o equívoco na prestação das informações, Fl. 6449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 86 conforme expressamente reconhecido pelo impugnante. Já a multa de ofício vinculada ao tributo, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é decorrente da falta de recolhimento do tributo apurado. Ou seja, ela é devida em função do descumprimento de uma obrigação principal, passando a compor esta obrigação juntamente com o tributo, consoante §1º, do art. 113, do CTN abaixo transcrito. A sua motivação é o não recolhimento de tributo devido. O objeto de penalização é o descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do artigo 16 da Lei nº 9.779/99, dispositivo esse em que o legislador outorgou competência à Receita Federal para dispor sobre essas obrigações, inclusive estabelecendo forma, prazo e condição para seu cumprimento. Deve ser aplicado o Parecer Normativo RFB nº 03/2013, que assim concluiu: a) Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; b) A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo. Considerando que os fatos geradores do presente litígio ocorreram no período de 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013, aplica-se a seguinte conclusão do Parecer Normativo em referência: Fundamentos 5. A novel alteração, desta feita pelo art. 57 da Lei nº 12.783, de 2013, ao reintroduzir no art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 2001, uma redação assemelhada à redação originária eliminando as remissões a “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”, retomou o escopo genérico do dispositivo, a fim de ser aplicado a quaisquer situações que decorram do descumprimento de uma obrigação acessória, quando inexista norma específica. Também foi eliminado o texto que determinava que os prazos para a apresentação dos documentos não poderiam ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação, bem como foram tratadas situações que envolvam pessoas jurídicas de direito público e novo regramento de infração pautado no tipo do regime tributário aplicável ao contribuinte. 6. Dessa forma, sem prejuízo da aplicação do entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, com observância do princípio “tempus regit actum” (art. 6º do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 - Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro - Lindb), e sem olvidar a aplicação do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, devem ser feitas as seguintes considerações em decorrência Fl. 6450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 87 da nova redação do art. 57 da Medida Provisória (MP) nº 2.158-35, de 2001, tendo-se em vista, ainda, a atualização de várias normas infralegais já adotadas pela Receita Federal do Brasil, em consonância com esta mais recente alteração legal: a) O aspecto material do art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.783, de 2013, retomou o escopo genérico de sua redação originária, e não contém mais, em seu aspecto material, as infrações relativas à não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”; b) O aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, é deixar de escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal quando exigido o sistema de processamento eletrônico, e não mais se encontra limitado pelo art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, de modo a abarcar, novamente (tal qual antes da Lei nº 12.766, de 2012), a não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital; b.1) Os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, em nenhum momento foram revogados e, portanto, mantiveram sua vigência mesmo no período de vigência da redação dada ao art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001, pela Lei nº 12.766, de 2012 ? conforme item 4.8. do Parecer Normativo Nº 3, de 2013 ?, o que implica (observadas as considerações do contido nos itens 4.1. a 4.7. do Parecer Normativo nº 3, de 2013) a validade, em tese, dos lançamentos efetuados com esse suporte legal no referido período; c) Os prazos de entrega para entrega de escrituração, demonstração e arquivo digital de forma ordinária não sofreram alteração quando da vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, tampouco na redação atual; d) O prazo previsto no § 1º do art. 19 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, na redação dada pela MP nº 2.158-35, de 2001, considerado derrogado tacitamente para a apresentação de arquivo, demonstração ou escrituração digital ou para prestar esclarecimento sobre eles (na redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, conforme alínea “g” do item 10 do Parecer Normativo nº 3, de 2013), não poderá ser invocado para essas mesmas situações, haja vista que a repristinação há que ser expressa (art. 2º, § 3 da Lindb), o que inocorreu, na espécie; e) Quanto às pessoas jurídicas omissas, como elas não optaram pelo regime presumido de apuração do lucro, tampouco do Simples Nacional, aplica-se a elas a multa relativa “às demais pessoas jurídicas” de que trata a alínea “b” do inciso I do art. 57 da MP nº 2.158-35, de 2001. Tendo em vista que a multa regulamentar foi aplicada neste litígio sobre os valores pretensamente omitidos ou informados equivocadamente e, diante da conclusão de que tal penalidade tem por aspecto material a não apresentação de “declaração, demonstrativo ou escrituração digital”, deve ser afastada do presente litígio. Fl. 6451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 88 4. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: a) Reverter as glosas referentes às despesas de fretes incorridas com as transferências de matérias-primas e embalagens entre estabelecimentos, desde que devidamente identificadas nas contas contábeis informadas pela Recorrente no Recurso Voluntário; b) Reverter a glosa com as despesas de fretes incorridas com as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos, desde que devidamente identificadas nas contas contábeis informadas pela Recorrente no Recurso Voluntário; c) Reverter a glosa sobre serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída, movimentação cross docking; d) Reverter a glosa sobre serviços de consultoria para eficientização de energia elétrica; e) Reverter a glosa sobre locação de empilhadeira; f) Reverter a glosa em relação aos “Kit Felicidade”; g) Afastar a glosa sobre os encargos de depreciação e amortização ocorridos após 30.04.2004; h) Manter a classificação das carnes no Capítulo 02 do Sistema Harmonizado; i) Afastar a multa regulamentar prevista no artigo 57, III, “a”, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. É como voto. Assinado digitalmente Cynthia Elena de Campos VOTO VENCEDOR Conselheiro Jorge Luis Cabral, redator designado Redijo voto vencedor, exclusivamente a respeito da posição da relatora de reconhecer o direito aos créditos decorrentes de despesas de fretes de produtos acabados e os Fl. 6452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 89 serviços de movimentação, serviços de carga e descarga – cross docking e repaletização, e serviços de consultoria para eficientização de energia elétrica, nas quais restou vencida. Peço vênia à Ilustre Relatora para discordar de sua posição sobre a possibilidade de reconhecimento dos créditos decorrentes de despesas com fretes de produtos acabados, por entender que o encerramento do processo produtivo afasta a possibilidade de reconhecimento deste tipo de despesa como insumo (inciso II, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), e que somente as mercadorias efetivamente vendidas (inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833), conforme passo a descrever a seguir. Com relação às glosas sobre fretes referentes a transferência de produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, precisamos nos socorrer novamente ao Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, onde encontramos no seu parágrafo 56, o seguinte texto: “56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (grifo nosso)” Vemos que estes fretes não podem ser abarcados pelo conceito de insumo, mesmo quando consideramos uma interpretação mais ampla da atividade produtiva da empresa, nos termos dos conceitos de essencialidade e de relevância. Mas a alegação da Recorrente é de que estes fretes são parte do valor do frete para a venda, conforme disposto no inciso IX, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2004. O artigo 3º, da Lei nº 10.833/2004, em seu inciso IX, assim trata a apuração de créditos nas operações de vendas: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)” Vemos que a Lei refere-se especificamente à venda, que é uma relação jurídica específica onde se procede à transferência onerosa da propriedade de alguma coisa a terceiro, como podemos verificar no artigo 481, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil. “Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.” Sendo assim, a única forma possível de se apropriar dos créditos previstos no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2004, seria a partir de despesas de frete relacionadas à transição do bem. Fl. 6453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 90 “Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda.(Código Civil)” Como podemos ver no artigo 493, transcrito acima, o frete na operação de venda envolve o contrato que prevê local de entrega diverso da situação do bem no momento da venda, não havendo nenhum destes requisitos, não há por que estender o alcance da previsão legal a algo além do que já foi exposto. A propósito, o julgamento do REsp 1.221.170/PR, apesar de ter objeto diverso, por tratar-se apenas do conceito de insumos, aborda a similaridade entre os conceitos contábeis relativos à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, e entendeu-se por não ampliar o alcance desta definição pois implicaria em equiparar um regime de apuração não cumulativo de tributo a uma apuração sobre o lucro, em claro desconcerto com o objetivo de se amainar os impactos de uma tributação naturalmente regressiva, enquanto na tributação sobre o lucro, a sua natureza é ser ela progressiva. Vemos este ponto claramente no Voto Vogal do Ministro Mauro Campbel Marques, no mesmo REsp 1.221.170/PR. “No caso concreto, a recorrente pretende deduzir créditos a título de insumos os "Custo Gerais de Fabricação" (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção de EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e as "Despesas Gerais Comerciais" (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões). Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, materiais de proteção de EPI, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" não são essenciais ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto. Pelas considerações expostas, com todas as vênias do Min. Relator, que adotou a posição mais ampla de creditamento associada aos custos para efeito de IRPJ a qual foi rechaçada na Segunda Turma, dele DIVIRJO PARCIALMENTE PARA CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para determinar o retorno dos autos à origem para que a Corte a quo analise a possibilidade de dedução de créditos em relação aos custos e despesas com água, combustível, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza conforme o conceito de insumos definido acima. É como voto.”(grifo nosso) Assim, o alcance dos créditos referentes às despesas e custos relacionados ao processo produtivo, ou negocial da empresa precisam ater-se apenas à previsão legal, sob pena de mudarem a natureza da apuração tributária não cumulativa, para uma apuração alterada sobre o lucro, visto que implicaria também na apropriação de todos as receitas reduzidas de todas as despesas e custos necessários, mas desta vez ao invés de formarem a base de cálculo sobre a qual Fl. 6454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 91 a alíquota do tribute incide, criaria uma tributação sobre o lucro pelos descontos de incidências tarifárias sobre todas as operações da empresa isolada e de forma individual, um ineditismo do Direito Tributário. De forma que entendo não caber o reconhecimento de créditos do PIS/COFINS decorrentes de despesas de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Quanto ao serviço de Movimentação, Serviços de Carga e Descarga e Operador Logístico e ainda os de consultoria de eficiência na utilização de energia elétrica em contêineres para a movimentação de cargas, são despesas necessárias à manipulação de cargas na armazenagem e transporte que importam em manutenção da temperatura de conservação dos produtos. Trata-se, portanto, da mesma situação em relação a gastos que são apropriados como insumos, mas são aplicados a produtos já acabados. No voto vencido, a ilustre relatora considera-os como essenciais ou relevantes em razão de serem objeto de normas fitossanitárias obrigatórias para a comercialização de produtos de origem animal para consumo humano. Pois precisam ser preservados da deterioração provocada especialmente por temperaturas inapropriadas para armazenagem e transporte. No entanto, o produto já se encontra em sua apresentação final para venda ao consumidor, não lhe cabendo a caracterização dos gastos a partir desta etapa como insumos, que devem ser considerados apenas em relação aos produtos em elaboração, ainda que se possa considerar em situações específicas que a elaboração possa estender-se para além do que se espera pelo senso comum. Mas mesmo que se considere que alguns gastos posteriores a conclusão da produção, e que são essenciais e relevantes para a disponibilização do produto para a venda, como por exemplo a elaboração de laudos determinados pela legislação aplicável, deve-se estabelecer um limite demarcatório do término da produção e que implicará no tratamento tributário adequado aos gastos que ocorrerem a partir daí, sob pena de considerar um processo produtivo que estende-se praticamente até o consumo final. A produção a meu ver encerra-se quando o produto está na sua apresentação final para a venda, nas embalagens que lhe forem próprias a comercialização pela perspectiva do comprador, atacado ou varejo, e superadas as exigência necessárias para o seu consumo naquilo a se possa atribuir ao fabricante, UP STREAM. As despesas e gastos de estocagem e de conservação, necessários à preservação da sua qualidade exigida para transporte e consumo, DOWNSTREAM, sendo estes decorrentes de obrigações legais ou de interesse do próprio fabricante para que se garanta o preço pretendido ou mesmo o interesse do comprador, não podem ser considerados mais como insumos, posto serem referentes a produtos já acabados. Fl. 6455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.105 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913188/2017-41 92 Por óbvio que, em decorrência das discussões jurídicas que determinaram os critérios de essencialidade ou de relevância para o estabelecimento do conceito de insumos para fins de apuração do PIS/COFINS, no regime não cumulativo, terem estendido o que se considera a produção especialmente nos casos de produtos sujeitos ao controle fitossanitário para um momento além daquele em se poderia reconhecer o produto final em sua apresentação de venda para o consumidor a que se destina, atacado ou varejo, serem especialmente polêmicas em relação aos produtos destinados ao consumo humano, entendo que as despesas e gastos relacionadas ao downstream de qualquer indústria não podem mais ser considerados como insumos. Assim, gastos e despesas para que produtos de papelão não se estraguem com a umidade, tanto na armazenagem como no transporte, são da mesma natureza que a refrigeração ou gastos logísticos relacionados a produtos que precisam destas providências para manterem a qualidade conseguida no final do processo produtivo e sua adequabilidade para o consumo. Voltando à questão da refrigeração necessária à transporte ou armazenagem de produtos perecíveis acabados, podem ter créditos de PIS/COFINS na sua apuração dentro do regime não cumulativo na classificação que lhe é própria, que seriam os gastos de frete e armazenagem nas operações de venda quando lhe for aplicável. Destaco que a armazenagem e frete de produtos acabados que não possam ser atribuídos à uma operação de venda não geram direito ao crédito de PIS/COFINS, conforme já discutimos acima. De forma que voto por manter a glosa destes três itens, conforme o dispositivo do julgamento deste processo, e acompanho a relatora nos demais. Assinado Digitalmente Jorge Luis Cabral Fl. 6456DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007543/90-76
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 203-00.138
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY
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Numero do processo: 10680.011614/2004-09
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COHNS.
Período de Apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000.
RECEITA. FATURAMENTO.
Serviço a faturar não configura receita realizada, só é considerada quando o produto ou serviços produzidos ou prestados são transferidos para pessoa jurídica ou física com anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento.
DECADÊNCIA.
O prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso provido em parte .
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3403-000.590
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o erro cometido na anotação do resultado do julgamento realizado em 25/05/2010, que passa a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até agosto de 1999, em razão da decadência, e para excluir das bases de cálculo da contribuição os valores relativos à "recuperação de despesas" e "serviços a faturar".
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COHNS. Período de Apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000. RECEITA. FATURAMENTO. Serviço a faturar não configura receita realizada, só é considerada quando o produto ou serviços produzidos ou prestados são transferidos para pessoa jurídica ou física com anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso provido em parte . Embargos acolhidos.
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S:3-C4T3 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680,011614/2004-09 Recurso n" 237.059 Embargos Acórdão n° 3403-00.590 — 4' Camara / 3' Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria COFINS Embargante RELATOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COHNS. Período de Apuração: 01/12/1998 a 31/12/2000. RECEITA. FATURAMENTO. Serviço a faturar não configura receita realizada, só é considerada quando o produto ou serviços produzidos ou prestados são transferidos para pessoa jurídica ou fisica com anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento. DECADÊNCIA. 0 prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de oficio é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso provido em parte . Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o erro cometido na anotação do resultado do julgamento realizado em 25/05/2010, que passa a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao eursZTE -ra-e cluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até agosto de 1999, em raz5 da decadência, e para excluir das bases de cálculo da contribuição os valores relativos à "recu açã de despesas" e "serviços a faturar" . Anto risidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayed, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegetti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração em face do r. Acórdão n. 3403-00.374, proferido na sessão realizada em 25 de maio de 2010, pela Terceira Turma da Quarta Câmara, em razão de erro material relativo ao resultado anotado que consignou provimento integral ao recurso, nos termos do voto do Relator. Em verdade o voto condutor foi no sentido de acolher a preliminar de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, e, deu provimento parcial para excluir da base de cálculo os valores relativos à "recuperação de despesas" e "serviços a faturar". do julgamento. Voto recurso. Concluiu pela necessidade de sanar o erro constante da notação do resultado o relatório. Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade e processamento, conheço do Trata-se de erro material passível de correção por meio de Embargos Declaratórios. 0 erro se refere tão-só quanto à anotação do resultado que devia ter sido de provimento parcial e o acolhimento de decadência. Examinando o voto do relator originário, constata-se que o mesmo votou no sentido de acolher a preliminar argüida da perda do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao período de 12/1998 a 08/1999, considerando que a recorrente tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 24 de setembro de 2004. No mérito, entendeu que os valores contabilizados a títulos de "recuperação de despesas" e "serviços a faturar" não integram a base de calculo para apuração da contribuição para a COFINS e PIS, pois o alargamento da base de cálculo previsto no parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei número 9.718/98 testou declarado inconstitucional. Sendo assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso interposto par a corrigir o erro material contido na anotação do resultado, devendo, portanto, constar o acolhimento da preliminar de decadência que rec nhecen a perda do direito da Fazenda 2 Processo n.10680.011614/2004-09 S3-C4T3 Acórdão n.° 3403-00390 ii 2 Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao período de dezembro de 1998 a agosto de 1999 e, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores referentes "recuperação de despesas" e "serviços a faturar". como voto. Domingos de Sá Filho 3
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