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Numero do processo: 10831.006805/2003-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/05/2003, 05/06/2003
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, o que ocorreu no caso. Assim, provada a concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, declara-se a definitividade do lançamento.
Numero da decisão: 9303-009.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para declarar a definitividade do lançamento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao Conselheiro Demes Brito). Ausente o Conselheiro Demes Brito.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/05/2003, 05/06/2003 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, o que ocorreu no caso. Assim, provada a concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, declara-se a definitividade do lançamento.
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/05/2003, 05/06/2003 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, o que ocorreu no caso. Assim, provada a concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial, declarase a definitividade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para declarar a definitividade do lançamento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao Conselheiro Demes Brito). Ausente o Conselheiro Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 68 05 /2 00 3- 99 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10831.006805/200399 Acórdão n.º 9303009.583 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência impetrado pela Fazenda Nacional (fls. 954/962), admitido pelo despacho de fls. 965/966, contra o Acórdão nº 310100.415 (fls. 942/951), prolatado em 30/04/2010, assim ementado na parte objeto do recurso: ... A Fazenda insurgese contra o recorrido que, por maioria de votos, excluiu as penalidades aplicadas e juros moratórios decorrentes de reclassificação fiscal, mantida aquela pela fiscalização, ao entendimento de que havia outra consulta fiscal sobre mesma mercadoria, porém de diverso contribuinte, isso porque entendeu o recorrido que a consulta fiscal (no caso sobre classificação fiscal de mercadorias) tem natureza normativa. Tal entendimento se opõe ao paragonado (20215.874) que a consulta apenas vincula à administração ao consulente. Alega a Fazenda, em petição datada de 05/01/2011, que "a consulta vincula apenas a empresa consulente à classificação fiscal determinada à matéria consultada". Acresce que a consulta vinculase a mercadoria específica descrita pelo consulente, não sendo aquela objeto da consulta encartada no PAF 10166.011254/200111 (que ensejou a solução de consulta nº 83 da SRRF/1ª RF/DIANA) idêntica a mercadoria objeto da reclassificação fiscal. Alfim, por entender que não há como estender os efeitos de uma consulta de terceiros ao caso concreto, pede o provimento do recurso para restaurar os juros e as multas aplicadas. Intimada (fl. 969), a empresa não contraarrazoou no prazo regulamentar (fl. 917). Contudo, consta dos autos decisão do TRF3, de 05/07/2012, que deu provimento a apelação da empresa reconhecendo "que as mercadorias importadas pela impetrante (contribuinte) se enquadram na classificação tarifária n. 4901.00.00, como foi por ela procedido, a qual é reservada a livros e obras literárias e assemelhados, contemplados pela imunidade de tributação conferida pelo dispositivo acima transcrito". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que processado. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10831.006805/200399 Acórdão n.º 9303009.583 CSRFT3 Fl. 4 3 O auto de infração teve por escopo a reclassificação de mercadorias, Colectible Card Games CGC (coleção de impressos interativos), importadas pelas DI 03/04745078, 03/04745060 e 03/04299272, as quais foram classificadas pelo contribuinte na TEC 4901.99.00 (outros livros, brochuras e impressos semelhantes), classificação essa abarcada pela imunidade. Porém, entendeu o Fisco que a correta classificação seria 9504.40.00 (cartas de jogar), com alíquota superior a zero, dessa forma procedendo ao lançamento dos tributos incidentes na importação, acrescido dos encargos moratórios. No curso do iter processual o contribuinte ajuizou mandado de segurança questionando o crédito tributário lançado e pugnando pela correção da classificação fiscal por ele adotada. Ocorre, como relatado, que o TRF3 (fls. 990/997), em sede de apelação (acórdão publicado no DEJ em 20/07/2012 fl. 998), proveu o recurso do contribuinte reconhecendo como correta a classificação adotada pela empresa, em interpretação extensiva da imunidade aos livros. Interposto recurso especial, este não foi admitido. Agravado o despacho que inadimitiu o extraordinário, o STF (fls. 999/1001), monocraticamente, em 23/02/2016, conheceu do agravo, mas negou seguimento ao mesmo. Dessarte, aplicase ao caso o teor da Súmula CARF nº 01: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Dessa forma, ante o ajuizamento de ação judicial que abarca o objeto da presente exação, o lançamento tornouse definitivo. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso especial da Fazenda e doulhe provimento para declarar a definitividade do lançamento em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10831.006805/200399 Acórdão n.º 9303009.583 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 1024DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13817.000274/2003-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) confirme se houve recolhimento relativo aos períodos de janeiro a junho de 1998.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) confirme se houve recolhimento relativo aos períodos de janeiro a junho de 1998. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Transcrevo o relatório da decisão recorrida posta que fiel aos acontecimentos dos autos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 17 .0 00 27 4/ 20 03 -0 5 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13817.000274/200305 Resolução nº 3401001.856 S3C4T1 Fl. 86 2 Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrado em 16/06/2003, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 974.325,79, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confinnação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados nos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, protocolizou a impugnação de fls. 1, em 29/O7/2003, juntando os documentos de fls. 2/31. Afirma que impetrou o Mandado de Segurança n° 94.00082940 para verse desobrigado de recolher suas contribuições ao PIS pela Medida Provisória n° 1.212/95, recolhendoas de acordo com a Lei Complementar n° 7/70. Informa que em litisconsórcio com outras empresas ingressou com a Ação Ordinária n° 95 .0007155 O para compensar indébitos de Finsocial com contribuições devidas à Cofins. Requer o cancelamento do auto de infração. As fls. 61/62 a autoridade preparadora informa que no Mandado de Segurança n° 940008294O 0 contribuinte pleiteia tãosomente o direito de recolher a contribuição ao PIS nos moldes da Lei Complementar n° O7/70, afastando a aplicação dos Decretoslei n° 2.445 e 2.448, ambos de 1988. Acrescenta, então, que a sentença de 1° grau que concedeu a segurança foi confirmada por acórdão, que nada mencionou acerca de compensação. Indica que o acórdão transitou em julgado em 27/09/1995. Em seguida, a autoridade preparadora afirma que na Ação Ordinária n° 95.0007155O o contribuinte requer a compensação de contribuições recolhidas indevidamente ao Finsocial com contribuições devidas à Cofins; que foi proferida sentença que denegou a segurança, tendo em vista que a interessada é empresa prestadora de serviços; e que em 13/03/2001 transitou em julgado acórdão que confirmou a sentença de 1° grau. O acórdão recorrido ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. Ausente prova da compensação alegada, mantémse o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurarem hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e . n°11.19ó/2005. Lançamento Procedente em Parte A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que aduz que o direito ao Crédito está garantido em decisão transitada e julgada em Processo Judicial, cuja cópia compõem 0 processo e prova que a mesma é uma das postulantes do Processo. A Receita Federal não pode cancelar um crédito legalmente concedido pela Justiça sob a alegação da falta de apresentação dos DARF S de recolhimento das contribuições ao PIS utilizadas na compensação do COFINS, por possuir ela a Receita Federal em seus Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13817.000274/200305 Resolução nº 3401001.856 S3C4T1 Fl. 87 3 arquivos os referidos comprovantes de recolhimento, quanto muito poderia intimar a Contribuinte a apresentar tais documentos, o que não foi feito. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre ressaltar que a decadência é matéria de ordem pública cujo conhecimento de ofício se faz necessário, podendo ser conhecido ainda que não alegado. Isto posto, no presente caso, os períodos de janeiro a julho estariam decaídos visto que a notificação de lançamento somente se verificou em 03 de julho de 2003: É importante notar, entretanto, que embora tenha se formado entendimento de que nos casos de pedido de compensação ou restituição não se apliquem os arts. 150, §4º ou o art. 173, §1 do CTN, mas o art. 74, §5 da Lei nº 9.430/96 – nesse sentidos os acórdãos n. 9303 005.788, sessão de 21 de setembro de 2017 e 9303008.224, sessão em 19 de março de 2019 –, o caso concreto é anterior as alterações veiculadas pela MP 135/2003, posteriormente convertida na Lei n. 10.833/2003. Significa dizer, que à época dos fatos não existia a previsão de que o prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, tampouco se cogitava que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13817.000274/200305 Resolução nº 3401001.856 S3C4T1 Fl. 88 4 Necessário, no caso, a lavratura de lançamento de ofício, sujeito aos prazos previstos no CTN. Feitas essas considerações, em que pese meu posicionamento pessoal, o Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento que o art. 150, § 4 do CTN homologa o pagamento e não o ato de lançamento. Adotando tal premissa, necessário que se verifique se houve ou não o recolhimento de tributo referente aos períodos de apuração supracitados. Nesse contexto, entendo deva ser o julgamento convertido em diligência para que a unidade de preparo confirme se houve recolhimento relativo aos períodos de janeiro a junho de 1998 que confirmem a decadência relativa. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.000775/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço.
Numero da decisão: 2301-006.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 1774/1801) interposto em face do Acórdão nº 17-26.281 (e-fls 1749/1770) prolatado pela DRJ/SPOII em sessão de julgamento realizada em 10 de julho de 2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 75 /2 00 7- 60 Fl. 1809DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-26.281 Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1619/1628, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 2001 a 2005, respectivamente, exercícios 2002 a 2006, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 156.139,28, sendo R$ 54.628,01 referentes a imposto, R$ 81.942,00 referentes à multa proporcional e R$ 19.569,27 são cobrados a título de juros de mora, calculados até 28/09/2007. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 1627), foi apurada a seguinte infração: DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente: Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2001 R$ 9.968,32 150,00 31/12/2002 R$ 1.090,00 150,00 31/12/2003 R$ 15.786,91 150,00 31/12/2004 R$ 145.160,15 150,00 31/12/2005 R$ 26.641,90 150,00 Enquadramento Legal: Art. 11, § 3º, do Decreto-Lei nº 5.844/43; Arts. 8º, inciso II, alínea “a” e §§ 2º e 3º, 35 da Lei nº 9.250/95; Arts. 73 e 80 do RIR/99. No TERMO Nº 10 – CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE FISCAL, esclarece a autoridade lançadora que intimado regularmente às fls. 03/05, a comprovar documentalmente as despesas, bem como, apresentar prova do pagamento e da efetiva prestação dos serviços pelas empresas e/ou profissionais, o contribuinte não o fez ou o fez de forma parcial, restando sem comprovar, parte dos pagamentos. Igualmente, no mesmo período, foi constatado que o contribuinte utilizou-se de expediente não recomendável, ao deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda, despesas médicas pagas por serviços prestados a pessoas Não Dependentes, por isso indedutíveis , de acordo com a legislação de regência, conforme quadro demonstrativo de fls. 1615 e 1616. Com relação às Despesas Médicas constantes do quadro supracitado, observa que na busca da verdade dos fatos, a maioria dos profissionais/empresas ali relacionados foi intimada, para, entre outras coisas, confirmar a autenticidade dos documentos emitidos, a comprovar a efetividade da prestação dos serviços, a forma e o meio de recebimento do numerário em função dos serviços prestados, o que, entretanto, não restou comprovado devidamente, limitando-se a se manifestar da seguinte forma: No que tange aos profissionais/empresas Antranik Manissadjian, Carlos Kessner, Hosp Albert Einstein, Hosp Sírio Libanês, Kurt Faltin, Mercadante & Gonçalves, Márcia Ap Alves, Odonto Suny, Odontologia JG, Opa Oftalmologistas, Rolf Marcon, Joana Teixeira, Medclin, não se comprovou através de documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços, nem o recebimento de numerário parte Fl. 1810DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 dos profissionais e/ou empresas (parte ou total), conforme documentos anexos. Por seu turno, o fiscalizado não comprovou o efetivo pagamento das Despesas Médicas. Quanto aos pagamentos efetuados aos profissionais/empresas Antranik Manissadjian, Beatriz Costellesa, Clin Diagnóstico Imagem, CPR, Clin Marcelo Zugaib, Eliana Vaz, Fleury S/A, Hosp Albert Einstein, Mercadante & Gonçalves, Odonto Suny, Opa Oftalmologistas, SM Associados, Anita Taub, referem-se a serviços prestados a pessoas Não Dependentes do fiscalizado, portanto, as despesas são indedutíveis, na forma da legislação vigente. No que se refere aos pagamentos efetuados à Associação Alumi, trata-se de Despesas com Instruções e não Despesas Médicas, por isso, objeto de glosa. Em relação ao pagamento realizado à pessoa de Marisa Ramos, Opa Oftalmologistas, carece de base legal para dedução, pois se trata de honorários pagos a título de instrumentadora e a compra de lentes de contato. Da Multa Agravada e da Representação Fiscal Para Fins Penais Conclui o Auditor Fiscal que os documentos fiscais sob análise, da forma como se apresentam, são inidôneos para efeito do cumprimento da legislação tributária do IRPF, e não servem para comprovar deduções pleiteadas a título de DESPESAS MÉDICAS. Registra que no curso da ação fiscal foi dada ao contribuinte toda oportunidade para apresentar à fiscalização a efetiva prova dos pagamentos das Despesas Médicas, o que entretanto não logrou fazê-lo, em sua totalidade. Pelo exposto, entende cabível o lançamento tributário, por intermédio do Auto de Infração, com exigência do tributo IMPOSTO DE RENDA – PESSOA FÍSICA, acréscimos legais e multa agravada. Desta forma, com fulcro no Decreto nº 2.730/98 e Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005, a autoridade fiscal procedeu à lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, Processo 16004.000776/2007-12, por entender que os fatos verificados no curso da fiscalização demonstram práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária nos termos de artigo 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Da impugnação Cientificado da autuação em 31/10/2007(Aviso de Recebimento – AR, às fls. 1631), tempestivamente o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 1635/1662, instruída com os documentos de fls. 1663/1712, alegando, em síntese, que: - O feito fiscal mostra-se manifestamente inadequado e ilegal, eis que as deduções restaram devidamente comprovadas e ressalvados erros materiais, as deduções são autorizadas pela legislação de regência, bem como ilegal também a multa agravada de 150%, que somente pode ser aplicada em casos de fraude evidente, o que não ocorreu in casu, como também é improcedente a representação fiscal para fins penais e a alegação de recibo de favor; - Os valores glosados correspondem a uma parte ínfima (menos de 3%) do quantum deduzido a título de despesa médica em cada ano base, o que leva à conclusão de que o Impugnante logrou comprovar a totalidade das despesas, remanescendo, ressalvado 3 casos de erros materiais, a questão relativa às despesas médicas de sua esposa. Ademais, não se pode exigir do contribuinte pessoa física, o Fl. 1811DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 mesmo rigor dispensado às pessoas jurídicas que devem apresentar “contabilidade” e comprovação dos pagamentos; - Todas as despesas foram devidamente comprovadas por recibos e documentos, os quais contêm o nome do profissional, registro no órgão de classe, serviço prestado e até o número do cheque ou outros dados bancários, tendo sido inclusive comprovada a execução dos serviços pelos próprios médicos e profissionais intimados pela Receita. Não restando demonstradas pela autoridade fiscal a inexatidão ou falsidade dos documentos, bem como restando preenchidos os requisitos do art. 80, inciso II, do RIR/99, não há porque serem desconsiderados os recibos apresentados pelo Impugnante dos seguintes profissionais; a)Antranik Manissadjian (ano base 2004) Quanto à glosa do valor de R$ 41.300,00, sob a alegação de que não se comprovou por documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços, nem o recebimento do numerário por parte do profissional, bem como se trata de despesa com não dependente, cita a resposta do termo de intimação de fls. 940/941, dada pelo Dr. Antranik “a simples observância dos recibos, esclarece não só a quem foram prestados os serviços médicos, como também, em sua maioria consta o número do cheque e a instituição financeira, contra a qual foi emitido”. Salienta que o renomado médico presta serviços à família do Impugnante desde há muito, e principalmente que, parte dos pagamentos foram realizados em dinheiro devido à sua capacidade financeira, sendo que os pagamentos efetuados por cheques, restaram devidamente comprovados (fls. 637/641 e doc. 1); b) Associação Alumni (ano base 2001) Com referência à Associação Alumni, o Impugnante equivocou-se ao lançar tais despesas como despesas médicas, tratando-se meramente de erro material, o que não descaracteriza a dedutibilidade da despesa. Portanto, não há que prevalecer a multa de 150%, nem a alegação de meros recibos de favor, uma vez que a própria escola comprovou a prestação de serviços; c) Beatriz Elba Costellesa (ano base 2001, 2002) As despesas médicas declaradas como pagas à Beatriz Elba Costellesa, correspondem aos serviços que foram prestados ao próprio Impugnante e sua esposa. Ademais, além dos recibos em conformidade com o art. 80 do RIR/99, foram apresentados os comprovantes de pagamento; d) Carlos A. Kessner (ano base 2004) Os recibos foram emitidos de acordo com os requisitos legais para autorizar a dedução da despesa nele contida, bem como os serviços foram efetivamente prestados aos filhos do Impugnante (fls. 648/649), não havendo recibo emitido de forma graciosa, devendo ser afastada a glosa de R$ 7.903,86; e) Clínica de Diagnóstico Imagem (2001, 2003, 2004, 2005) Despesas médicas relativas aos filhos e esposa do Impugnante, devidamente comprovadas, devendo-se afastar a glosa dos valores R$ 804,00; R$ 810,00; R$ 2.379,35 e R$ 4.154,90, dos respectivos anos base, bem como a multa de 150% por tratar-se de recibos idôneos e não haver qualquer indício comprovado de fraude; Fl. 1812DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 f) CPR (ano base 2001) Trata-se de despesa realizada com a esposa do Impugnante, portanto sua dependente. Devidamente comprovada, devendo ser restabelecido o valor glosado de R$ 16,00 e afastada a multa de 150% por não haver comprovação de fraude ou indício de fraude (fls. 113); g) Clínica Professor Marcelo Zugaib (ano base 2001) Trata-se de despesa realizada com a esposa do Impugnante, portanto sua dependente, devidamente comprovada, devendo ser restabelecido o valor glosado de R$ 545,00 (fls. 129/130); h) Eliana Albiero Vaz (ano base 2003) Trata-se de despesa realizada com a esposa do Impugnante, portanto sua dependente. Devidamente comprovada, devendo ser restabelecido o valor glosado de R$ 640,00 (fls. 565/566); i) Fleury S/A (ano base 2001) Trata-se de despesa realizada com a esposa do Impugnante, portanto sua dependente. Devidamente comprovada, devendo ser restabelecido o valor glosado de R$ 458,32 (fls. 207 e 1154); j) Hospital Albert Einstein (ano base 2003 e 2004) Trata-se de despesa realizada com os dependentes do Impugnante, cuja efetiva prestação está devidamente comprovada na resposta ao termo de intimação às fls. 1485/1486, bem como os respectivos pagamentos, devendo ser restabelecidos os valores glosados de R$ 9.486,91 e R$ 2.379,97 (fls. 580 e 694/709). Confirmado o pagamento pelo Impugnante e a execução dos serviços, não há como falar em recibo de favor; k) Hospital Sírio Libanês (ano base 2004) Devido à grande quantidade de documentos a serem juntados, bem como de despesas médicas a serem deduzidas, relacionou por equívoco o pagamento de despesas hospitalares de pronto atendimento de sua serviçal, Fábia Alexandra Pinto, o qual por si só, pelo valor ínfimo não pode ser considerado como intuito de fraude (doc. 2); l) Kurt Faltin Júnior (ano base 2004, 2005) Tratam-se de serviços odontológicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que parte das despesas foi paga em dinheiro (fls. 718/719 e 901). Ademais, como bem ressalta o Dr. Kurt às fls. 1158: “os recebimentos ocorreram de forma parcelada do valor total dos honorários profissionais, através de cheques nominais e depósitos bancários”. Assim, deve ser admitida a dedução dos valores de R$ 15.807,72 e R$ 1.200,00; m) Mercadante & Gonçalves Médicos (ano base 2004) Tratam-se de serviços médicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que parte Fl. 1813DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 dos pagamentos foram efetuados em dinheiro (fls. 748/752). Intimada, a prestadora confirmou a prestação dos serviços e os nomes dos pacientes (fls. 1203/1210). Portanto, os serviços foram confirmados e afirmados pela prestadora de serviços e os nomes dos pacientes em extenso relatório (fls. 1203/1210) e correta a manutenção da dedução de R$ 8.100,00; n) Márcia Aparecida Alves Almeida (ano base 2004) Tratam-se de serviços odontológicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, confirmados pela médica às fls. 1175/1179, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que parte dos pagamentos foram efetuados em dinheiro (fls. 725 e doc. 3). Assim, correta a manutenção da dedução de R$ 7.903,86; o) Mariza Ramos Ária (ano base 2003) Os serviços de instrumentadora cirúrgica prestados ao filho do Impugnante caracteriza despesa médica, merecendo por isso ser dedutível (doc. 4); p) Odonto Suny S/C Ltda (ano base 2004, 2005) Tratam-se de serviços odontológicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, em especial, sua esposa, confirmados pela prestadora de serviços às fls. 1355/1365, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que no ano de 2005 os valores foram pagos em dinheiro, considerando que o Impugnante tem capacidade financeira para tanto. Assim, devem ser admitidos os valores glosados de R$ 9.700,00 e R$ 8.275,00 (fls. 755/759); q) Odontologia JG Kehyayan S/C (ano base 2004, 2005) Tratam-se de serviços odontológicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, confirmados pela prestadora às fls. 925/926, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que no ano de 2005 os valores foram pagos em dinheiro, considerando que o Impugnante tem capacidade financeira para tanto. Assim, devem ser admitidos os valores glosados de R$ 40.150,00 e R$ 3.250,00 (fls. 761/785); r) Opa Oftalmologia Paulista (ano base 2001, 2004, 2005) Tratam-se de serviços oftalmológicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que alguns valores foram pagos em dinheiro, considerando que o Impugnante tem capacidade financeira para tanto. Assim, devem ser admitidos os valores glosados de R$ 200,00 e R$ 1.500,00 (fls. 245, 786). Além disso, a mera não resposta do médico à intimação do Fisco não autoriza a glosa. Quanto à compra de lentes de contato, trata-se de prótese admitida como dedutível por lei, mas mesmo que não o seja, pelo valor ínfimo não pode ser considerado como intuito de fraude (fls. 921); s) Rolf Marcon Faltin (ano base 2004) Tratam-se de serviços odontológicos prestados ao Impugnante e seus dependentes, atestados pelo médico, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento, sendo que alguns dos valores foram pagos em dinheiro, considerando que o Impugnante tem capacidade financeira para tanto. Assim, deve ser admitido o valor glosado de R$ 7.903,86 (fls. 789); Fl. 1814DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 t) SM Associados Cirurgia da Face (ano base 2003) Trata-se de despesa realizada com a esposa do Impugnante, portanto sua dependente, devidamente comprovada, devendo ser restabelecido o valor glosado de R$ 4.500,00 (fls. 622); u) Anita Tauab (ano base 2005) Trata-se de equívoco do Impugnante, meramente um erro material, o qual por si só, não caracteriza fraude (fls. 818 e doc. 5); v) Joana Teixeira Portolese (ano base 2005) Trata-se de despesa realizada com dependente, devidamente comprovada, sendo que parte do pagamento foi efetuada em dinheiro, devendo ser restabelecido o valor glosado de R$ 1.992,00 (fls. 866/871); x) Medclin Neuroscience Assistência Médica Ltda (ano base 2005) Trata-se de despesa médica relativa a serviços prestados ao Impugnante e seus dependentes, com recibos emitidos na forma da lei e comprovantes de pagamento. Assim, deve ser admitido o valor glosado de R$ 5.320,00 (fls. 928/930). Todas as despesas deduzidas correspondem a serviços médicos prestados à esposa e filhos do Impugnante, como se verifica dos recibos apresentados, efetivos dependentes do Impugnante e que vivem sob sua exclusiva dependência econômica. Da leitura do art. 77 do RIR/99 depreende-se que as deduções efetuadas são permitidas, uma vez que os serviços médicos foram prestados para o próprio Impugnante, sua esposa e seus filhos, considerados dependentes, nos termos da legislação em comento; No caso em questão, a maior parte dos valores glosados correspondem a tratamentos médicos e exames realizados por Paula Balducci de Oliveira, esposa do Impugnante. Ocorre que as glosas foram efetuadas sob a alegação de não dependência porquanto a Sra. Paula, por uma questão legal, está obrigada a apresentar sua própria Declaração de Imposto de Renda, em virtude do fato de ser sócia de empresa; Não obstante isso, fato é que a Sra. Paula não aufere renda e vive às expensas do Impugnante, sendo sua dependente econômica de fato. Assim, as despesas médicas pagas pelo Impugnante hão de ser dedutíveis; A aplicação da multa qualificada de 150% decorreu da presunção do Agente Fiscal de que os documentos apresentados são inidôneos, são “recibos de favor”. Contudo, em nenhum momento foi comprovado que os recibos apresentados eram falsos ou que os mesmos foram apresentados com o intuito de fraude, ao contrário, examinando-se os autos verifica-se justamente o contrário; Não restando comprovada a fraude ou intuito evidente de praticá-la deve ser afastada a multa qualificada, posto que a mesma não admite presunção legal; Multa e juros só incidem quando da revisão resultar: em imposto apurado em revisão de ofício ou nos casos de restituição indevida; O feito fiscal nos anos base de 2004 e 2005 quando muito reduz o imposto a restituir e não pode por isso prevalecer o lançamento feito e a exigência imposta ao Fl. 1815DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 Impugnante por falta de base legal e de absoluta carência lógica: nos mesmos anos haveria imposto a pagar e imposto a restituir – o que é uma contradição lógica e legal; Acrescente a isso, o fato de que as declarações de Ajuste Anual Completa dos anos calendário 2004 e 2005 estão em processamento pelo quê não há que se falar em tributo devido, tampouco em multa – portanto, o erro de procedimento deve ser revisto e o lançamento refeito para afastar o lançamento do imposto e sucedâneos; Ao final, requer o reconhecimento da improcedência do Auto de Infração no que se refere aos valores glosados e também em relação à multa, bem como, protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos e a realização de diligências e perícias. Também requer que seja ressalvado o seu direito de ser notificado da juntada de qualquer documento pela autoridade fiscal, ou de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos, a fim de que possa se manifestar sobre os mesmos, sob pena de violação ao princípio do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa, além de representar inequívoca negativa de vigência ao princípio da verdade material. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-26.281 2.1. Ao julgar o lançamento procedente em parte, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe ao contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Comprovada, por meio de documentação hábil, a realização de parte das despesas médicas declaradas, restabelece-se a dedução correspondente. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O lançamento da multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos, que comprovem a presença de fatores subjetivos na conduta do contribuinte, de forma a demonstrar a intenção deste de obter os resultados que o artigo 72 da Lei 4.502/64 indica como caracterizadores da fraude, ou mesmo, que assumiu o risco de produzi-los. Na falta de tais elementos é de se aplicar a multa de ofício no percentual de 75%. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o requerimento de diligência, quando prescindível a sua realização para apreciação das matérias litigiosas. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada por motivo de força maior. 2.2. Acrescente-se excerto conclusivo do voto da decisão recorrida: Fl. 1816DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 Diante do acima exposto, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, devendo ser restabelecida a dedução no valor de R$ 16.300,00 para o ano-calendário de 2004 e reduzidas as multas qualificadas para 75%, nos termos do demonstrativo do crédito tributário, a seguir: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (em Reais) ANO CALENDÁRIO EXIGIDO EXCLUIDO MANTIDO IMPOSTO MULTA IMPOSTO MULTA IMPOSTO MULTA 2001 2.741,29 4.111,93 - 2.055,97 2.741,29 2.055,96 2002 299,75 449,62 - 224,81 299,75 224,81 2003 4.341,40 6.512,10 - 3.256,05 4.341,40 3.256,05 2004 39.919,04 59.878,56 4.482,50 33.301,16 35.436,54 26.577,40 2005 7.326,53 10.989,79 - 5.494,89 7.326,53 5.494,90 CONSOLIDADO 54.628,01 81.942,00 4.482,50 44.332,88 50.145,51 37.609,12 E demais acréscimos legais. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 1774/1801), após exposição da síntese dos fatos (e-fls. 1774/1778), inicia o tópico “V – DAS RAZÕES DE REFORMA” (e-fls 1778), deduzindo alegações acerca das provas apresentadas e da comprovação dos pagamentos (e-fls 1.778/1794), e também sobre a dedutibilidade das despesas de dependentes (e-fls. 1795/1796). Sustenta o não cabimento da multa nos anos-base 2004 e 2005 (e-fls. 1796/1801). 3.1. O quadro elaborado a seguir procura sintetizar a argumentação deduzida no tópico “V.1 Das provas apresentadas e da comprovação dos pagamentos” (e-fls. 1783/1794). Recurso Voluntário Beneficiário do pagamento alegação pedido (e-fls) a) Antranik Manissadjian (ano base 2004) despesa (esposa) prestação do serviço e comprovação do pagamento (cheques); parte paga em dinheiro Restabelecer valor glosado de R$ 41.300,00 1783 b) Associação Alumni (ano base 2001) erro material não descaracteriza dedutibilidade; Não há que prevalecer nem multa nem a glosa 1785 c) Beatriz Elba Costellesa (ano base 2001, 2002) serviços prestados ao Recorrente e esposa; apresentados recibos e comprovantes de pagamento Considerar dedutíveis os valores glosados de R$ 1.820,00 e R$ 1.090,00. 1786 d) Carlos A . Kessner (ano base 2004) despesa (filhos); recibos e declaração do médico (Fls 648/649) Afastar glosa de R$ 7.903,86 1786 e) Clínica de Diagnóstico Imagem (2001, 2003, 2004, 2005) despesa (filhos e esposa); recibos e pagamento comprovado Afastar glosa e multa 1787 f) CPR (ano base 2001) despesa (esposa) valor ínfimo Restabelecer valor glosado e afastar multa 1787 g) Clínica Professor Marcelo Zugaib (ano base 2001) despesa (esposa) Restabelecer valor glosado 1788 h) Eliana Albiero Vaz (ano base 2003) despesa (esposa) Restabelecer valor glosado 1788 i) Fleury S/A (ano base 2001) despesa (esposa) Restabelecer valor glosado 1788 j) Hospital Albert Einstein (ano base 2003 e 2004) efetiva prestação (fls 1485/1486) e comprovados pagamentos. Não há recibo de favor Restabelecer valores glosados 1789 Fl. 1817DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 k) Hospital Sírio Libanês (ano base 2004) erro (despesa da serviçal), valor ínfimo erro (intuito de fraude) 1789 l) Kurt Faltin Júnior (ano base 2004, 2005) serviços odontológicos; recibos, parte paga em dinheiro; dentista confirma serviços (Fls 1158) Manter a dedução 1789/1790 m) Mercadante & Gonçalves Médicos (ano base 2004) serviços prestados (recorrente e dependentes), recibos e comprovantes de pagamento; prestadora confirma Incorreta a manutenção da glosa. 1790 n) Márcia Aparecida Alves Almeida (ano base 2004) serviços odontológicos (recorrente e dependentes); recibos e comprovantes de pagamento; serviços confirmados (Fls 1175/1179); incorreta a glosa. 1791 o) Mariza Ramos Ária (ano base 2003) instrumentadora cirúrgica (filho) despesa médica dedutível 1791 p) Odonto Suny S/C Ltda (ano base 2004, 2005) serviços odontológicos (dependentes e esposa); recibos e comprovantes de pagamento. Prestador confirma (1355/1365) admitidos os valores glosados de R$ 9.700,00 e R$ 8.275,00 (fls. 755/759). 1792 q) Odontologia JG Kehyayan S/C (ano base 2004, 2005) serviços odontológicos (dependentes e esposa); recibos, uma parte paga em dinheiro, Prestador confirma (1355/1365) admitidos os valores glosados de R$ 40.150,00 e Ri$ 3.250,00 1792 r) Opa Oftalmologia Paulista (ano base 2001, 2004, 2005) recibos, parte paga em dinheiro; lente de contato (prótese) valor ínfimo devem ser admitidos os valores glosados de R$ 200,00 e R$ 1.500,00 (fls. 245, 788). 1793 s) Rolf Marcon Faltin (ano base 2004) recibos, paga parte em dinheiro, diz ter confirmação da execução deve ser admitido o valor glosado de R$ 7.903,86 (fls. 789). 1793 t) SM Associados Cirurgia da Face (ano base 2003) despesa (esposa) restabelecido o valor glosado de R$ 4500,00 1794 u) Anita Taub erro não há fraude 1794 v) Joana Teixeira Portolese (ano base 2005) despesa (dependente), parte paga em dinheiro Deve ser restabelecido o valor glosado de R$ 1992,00 1794 x) Medclin Neuroscience Assistência Médica Ltda (ano base 2005) recibos e comprovantes de pagamento deve ser admitido o valor glosado de R$ 5.320,00 (fls. 928/930). 1794 3.2. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 1801): VI. DO PEDIDO Em face do exposto, considerando que os documentos apresentados preenchem os requisitos legais (art. 80, inc. II, RIR/99) a ensejarem a dedução de despesas a título de despesa médica, bem como as mesmas foram prestadas ao próprio Recorrente e aos seus dependentes, é a presente para requerer seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, reconhecendo-se a total improcedência do Auto de Infração no que se refere aos valores glosados e, caso assim não entenderem, que exonerem o Recorrente, além dos itens que julgarem pertinentes de revisão, também em relação à multa de oficio Fl. 1818DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 lançada nos anos de 2004 e 2005, quando o Recorrente, por todos os modos, apresenta e apresentará IMPOSTO DE RENDA A SER-LHE RESTITUÍDO. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. O litígio devolvido ao Colegiado diz respeito ao lançamento de ofício que procedeu glosa de deduções pleiteadas a título de despesas médicas nas declarações de ajuste anuais relativas aos anos-calendário 2001 a 2005. 6. Faz-se a reprodução parcial de quadro inserto no documento intitulado “TERMO N° 10 - CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE FISCAL” (e-fls 1642/1643). Beneficiário do pagamento (despesas médicas) Ano Base 2001 Ano Base 2002 Ano Base 2003 Ano Base 2004 Ano Base 2005 a) Antranik Manissadjian (ano base 2004) 41.300,00 b) Associação Alumni (ano base 2001) 6.125,00 c) Beatriz Elba Costellesa (ano base 2001, 2002) 1.820,00 1.090,00 d) Carlos A . Kessner (ano base 2004) 7.903,86 e) Clínica de Diagnóstico Imagem (2001, 2003, 2004, 2005) 804,00 810,00 2.379,35 4.154,90 f) CPR (ano base 2001) 16,00 g) Clínica Professor Marcelo Zugaib (ano base 2001) 545,00 h) Eliana Albiero Vaz (ano base 2003) 640,00 i) Fleury S/A (ano base 2001) 458,32 j) Hospital Albert Einstein (ano base 2003 e 2004) 9.486,91 2.379,97 k) Hospital Sírio Libanês (ano base 2004) 131,53 l) Kurt Faltin Júnior (ano base 2004, 2005) 15.807,72 1.200,00 m) Mercadante & Gonçalves Médicos (ano base 2004) 8.100,00 n) Márcia Aparecida Alves Almeida (ano base 2004) 7.903,86 o) Mariza Ramos Ária (ano base 2003) 350,00 p) Odonto Suny S/C Ltda (ano base 2004, 2005) 9.700,00 8.275,00 q) Odontologia JG Kehyayan S/C (ano base 2004, 2005) 40.150,00 3.250,00 r) Opa Oftalmologia Paulista (ano base 2001, 2004, 2005) 200,00 1.500,00 480,00 s) Rolf Marcon Faltin (ano base 2004) 7.903,86 Fl. 1819DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 t) SM Associados Cirurgia da Face (ano base 2003) 4.500,00 u) Anita Taub 1.970,00 v) Joana Teixeira Portolese (ano base 2005) 1.992,00 x) Medclin Neuroscience Assistência Médica Ltda (ano base 2005) 5.320,00 Total 9.968,32 1.090,00 15.786,91 145.160,15 26.641,90 7. A argumentação deduzida no recurso conforme sintetizado no quadro apresentado no subitem 3.1 supra, defende que a apresentação dos recibos em observância aos requisitos legais, e a prestação dos serviços médicos em benefício do Recorrente e dos dependentes, inclusive sua esposa, se mostram aptas a autorizar a dedução das despesas glosadas pela fiscalização. 8. O entendimento deste Relator se alinha ao posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, tal como manifestado no Acórdão nº 9202-008.004 (data da sessão: 19/06/2019), com voto vencedor da conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Transcrevo a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. POSSIBILIDADE. A apresentação de recibos e declaração do profissional, por si só, não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, tais como provas da efetiva prestação do serviço e do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade do serviço, tampouco o pagamento da despesa, há que ser mantida a respectiva glosa. 9. Por esse modo, ausente a documentação relacionada à comprovação do pagamento, e constatada a circunstância impeditiva quanto à relação de dependência com a esposa, formo convicção no mesmo sentido da que chegou o Relator da decisão de primeira instância, e adoto como razões de decidir, os fundamentos do voto contido na decisão de primeira instância, que passo a transcrever: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-26.281 Das despesas médicas não comprovadas A autoridade lançadora glosou as deduções pleiteadas a título de despesas médicas correspondentes aos anos-calendário 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, constantes do demonstrativo de fls. 1615/1616, o que nos leva a reproduzir os dispositivos legais que regulam a matéria. O artigo 8º da Lei nº 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos determina: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: Fl. 1820DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) O artigo 73 e § 1º do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, assim estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretos-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos supracitados, cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitem-se como provas idôneas de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvidas quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só dos pagamentos, mediante cópia de cheques nominativos e de extratos bancários, mas também dos serviços prestados pelos profissionais, através de exames, laudos médicos, etc. Com efeito, foi solicitado ao interessado que apresentasse as devidas comprovações dos pagamentos e das realizações dos serviços, supostamente prestados pelos profissionais indicados nas declarações de ajuste. Em resposta, o contribuinte apresentou e comprovou pagamentos da grande maioria das despesas médicas pleiteadas, porém, parte dos pagamentos restou sem comprovação. Outrossim, foi constatado pela fiscalização que foram deduzidas despesas médicas pagas por serviços prestados a não dependente, portanto, indedutíveis de acordo com a legislação de regência. No que se refere à alegação de que parte dos pagamentos foram efetuados em espécie é possível que o contribuinte faça seus pagamentos em dinheiro, e não há nada de ilegal neste procedimento, o que ocorre, é que ao necessitar de alguma comprovação de pagamento, como no presente caso, não tenha como fazê-lo. Ademais, o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica se o fenômeno econômico não ficar provado. Neste sentido existe o respaldo de diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes: Fl. 1821DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 "IRPF - DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS - A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados (Ac. 1ºCC 102-44154/2000) IRPF - DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento ( Ac. 1º CC 102-43935/1999) IRPF - DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÃO - Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1º CC 104-16647/1998)" IRPF – ABATIMENTOS – GLOSA – DESPESAS COM DENTISTA – As despesas devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, de acordo com o disposto no art. 71 do RIR/80. Não logrando o contribuinte comprovar a veracidade do desembolso, prevalece a inidoneidade do documento apurada em diligência (Ac. 106.08.190/96). IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes, embora fornecidos por profissional habilitado, não correspondem a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovados os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte a dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por inidôneos os recibos.( Ac. 104-16.141/98) Cabe aqui ressaltar uma noção básica da teoria da prova no âmbito administrativo. Na busca da verdade material – princípio este informador do processo administrativo fiscal – forma o julgador seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. O julgador administrativo não está adstrito a uma pré-estabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo estabelecer sua convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem – desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Assim é no processo administrativo fiscal, porque nesta seara, a comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada. No âmbito dos ilícitos de ordem tributária dificilmente ter-se-á um documento que ateste, isolada e inequivocamente, a prática de tais ilícitos; tal prova única, aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que, como facilmente se infere, dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz — porque não pode ou porque não quer — é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Fl. 1822DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 Tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade lançadora e que não foram realizadas satisfatoriamente, por ocasião da fiscalização, conclui-se que as glosas vertentes se encontram perfeitamente embasadas. Diante de tais critérios, das alegações do Impugnante e da documentação trazida por ele aos autos na fase de contestação, deve-se analisar cada um dos profissionais e das empresas relacionados nos presentes autos. a) Antranik Manissadjian (ano base 2004) Os documentos acostados aos autos juntamente com a impugnação comprovam o efetivo pagamento dos valores de R$ 11.300,00 e R$ 5.000,00, ao Prof. Antranik Manissadjian, por serviços profissionais prestados, respectivamente, ao filho Theodoro e ao próprio Impugnante. Contudo, não logrou o contribuinte êxito em comprovar os efetivos pagamentos constantes dos recibos emitidos nos valores de R$ 8.000,00 (fls. 637) e R$ 7.500,00 (fls. 638). Quanto ao recibo emitido no valor de R$ 9.500,00 (fls. 641), ainda que reste comprovado o efetivo pagamento, este não será objeto de dedução, eis que a contrapartida refere-se aos serviços prestados à esposa do Impugnante que não consta como sua dependente na Declaração de Imposto de Renda – Ano Calendário 2004. Diante do exposto, deve ser restabelecida a dedução no valor de R$ 16.300,00, a título de despesa médica no ano calendário 2004, conforme demonstrativo abaixo: ANO CALENDÁRIO VALOR GLOSADO CONFORME AUTO DE INFRAÇÃO COMPROVANTES APRESENTADOS NA IMPUGNAÇÃO GLOSA MANTIDA 2004 R$ 145.160,15 R$ 16.300,00 R$ 128.860,15 b) Associação Alumni (ano base 2001) O próprio Impugnante admite que cometeu equívoco ao lançar despesas com instrução pagas à Associação Alumni como despesas médicas, devendo ser mantida a glosa. c) Beatriz Elba Costellesa (ano base 2001, 2002) As despesas médicas declaradas como pagas à Beatriz Elba Costellesa, carecem de comprovação do desembolso das quantias indicadas nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física do Impugnante – Anos calendário 2001 e 2002. d) Carlos A . Kessner (ano base 2004) Não foram carreadas aos autos qualquer comprovante do efetivo pagamento no valor de R$ 7.903,86 ao profissional em questão, devendo ser mantida a glosa correspondente. e) Clínica de Diagnóstico Imagem (2001, 2003, 2004, 2005) Também não restou comprovado o efetivo pagamento dos valores das Despesas médicas relativas aos filhos. No que tange às despesas em nome da esposa do Fl. 1823DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 Impugnante, como já dito acima, ainda que reste comprovado o efetivo pagamento, este não será objeto de dedução, eis que a contrapartida refere-se aos serviços prestados à esposa do Impugnante que não consta como sua dependente nas Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – Anos Calendário 2001, 2003, 2004, 2005. Glosa mantida. f) CPR (ano base 2001) Glosa mantida pelo mesmo motivo. A esposa não consta como dependente do Impugnante na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Impugnante – Ano Calendário 2001. g) Clínica Professor Marcelo Zugaib (ano base 2001) A esposa não consta como dependente do Impugnante na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Impugnante – Ano Calendário 2001. Glosa mantida. h) Eliana Albiero Vaz (ano base 2003) A esposa não consta como dependente do Impugnante na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Impugnante – Ano Calendário 2003, devendo ser mantida a glosa. i) Fleury S/A (ano base 2001) Mantida a glosa pelo mesmo motivo. A esposa não consta como dependente do Impugnante na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Impugnante – Ano Calendário 2001. j) Hospital Albert Einstein (ano base 2003 e 2004) Com relação a estas despesas, também não restou comprovado o desembolso, uma vez que o Impugnante não trouxe aos autos qualquer documento neste sentido e, por esta razão, permanece a glosa. k) Hospital Sírio Libanês (ano base 2004) O próprio Impugnante admite que informou na Declaração por equívoco o pagamento de despesas hospitalares de pronto atendimento de sua serviçal, Fábia Alexandra Pinto (Doc. 02). Logo, fica mantida a glosa. l) Kurt Faltin Júnior (ano base 2004, 2005) No que se refere a este profissional, o Impugnante não juntou aos autos a comprovação de seu efetivo pagamento. Glosa mantida. m) Mercadante & Gonçalves Médicos (ano base 2004) Pelo mesmo motivo, a não comprovação do efetivo pagamento, mantém-se a glosa. Fl. 1824DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 n) Márcia Aparecida Alves Almeida (ano base 2004) Também não restou comprovado o efetivo pagamento por parte do Impugnante, devendo ser mantida a glosa correspondente. o) Mariza Ramos Ária (ano base 2003) Da leitura do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, acima transcrito, depreende-se ser exaustiva a relação de profissionais indicados na alínea “a”, cujos pagamentos a eles efetuados são objeto de deduções, não havendo menção a instrumentadores cirúrgicos. Portanto, a dedução do pagamento efetuado à instrumentadora cirúrgica não encontra amparo legal. Glosa mantida. p) Odonto Suny S/C Ltda (ano base 2004, 2005) Não restou comprovado o efetivo pagamento dos valores das Despesas médicas relativas aos filhos. Quanto às despesas em nome da esposa do Impugnante, como já foi dito, ainda que reste comprovado o efetivo pagamento, este não será objeto de dedução, eis que a contrapartida refere-se aos serviços prestados à esposa do Impugnante que não consta como sua dependente nas Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – Anos Calendário 2004 e 2005. Glosa mantida. q) Odontologia JG Kehyayan S/C (ano base 2004, 2005) No que se refere a esta empresa, o Impugnante não juntou aos autos a comprovação de seu efetivo pagamento. Glosa mantida. r) Opa Oftalmologia Paulista (ano base 2001, 2004, 2005) Também, com referência a esta empresa, o Impugnante não juntou aos autos a comprovação de seu efetivo pagamento. Glosa mantida. No tocante às lentes de contato, que o Impugnante entende tratar-se de prótese admitida como dedutível por lei, vale ressaltar que no Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual – Modelo Completo – Ano Calendário de 2005, às fls. 53, verifica-se que não podem ser deduzidas as despesas com a compra de óculos, lentes de contato, aparelhos de surdez e similares. s) Rolf Marcon Faltin (ano base 2004) Da mesma forma, mantém-se a glosa por falta de elementos probantes do efetivo pagamento. t) SM Associados Cirurgia da Face (ano base 2003) A esposa não consta como dependente do Impugnante na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Impugnante – Ano Calendário 2001. Glosa mantida. v) Joana Teixeira Portolese (ano base 2005) Glosa mantida por falta de comprovação do efetivo pagamento. Fl. 1825DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 x) Medclin Neuroscience Assistência Médica Ltda (ano base 2005) Igualmente, com relação a esta empresa, o Impugnante não juntou aos autos a comprovação de seu efetivo pagamento. Glosa mantida. Da alegada dependência do cônjuge Em sede de impugnação, o contribuinte afirma que a maior parte dos valores glosados correspondem a tratamentos médicos e exames realizados pela Sra. PAULA BALDUCCI DE OLIVEIRA, sua esposa, sendo que as glosas foram efetuadas sob a alegação de não dependência porquanto a Sra. Paula, por uma questão legal, está obrigada a apresentar sua própria Declaração de Imposto de Renda, em virtude do fato de ser sócia de empresa. Com efeito, verifica-se que a Sra. PAULA BALDUCCI DE OLIVEIRA, CPF 074.415.598-39, esposa do Impugnante, entregou as Declarações de Ajuste Anuais, relativas aos anos calendário de 2001 a 2005, cujas cópias foram carreadas aos autos pelo interessado (fls. 1668/1688). A condição de sócia de empresa a obriga, nos termos da legislação vigente, à apresentação da declaração de ajuste anual, ainda que não tivesse auferido rendimentos tributáveis. Cabe, então, definir se, mesmo sendo sócia de empresa, a Sra. PAULA BALDUCCI DE OLIVEIRA poderia constar como dependente na declaração do Impugnante. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estatui que os cônjuges, na constância do casamento, poderão apresentar declaração em separado (art. 7º) ou, opcionalmente, em conjunto (art. 8º). Regem os dispositivos legais na parte que interessa a esta decisão: “Declaração em Separado Art.7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. (...)” “Declaração em Conjunto Art.8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. (...) §3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge.” Dos dispositivos legais transcritos depreende-se que, tratando-se de contribuintes casados obrigados à entrega da declaração, existem duas possibilidades para o cumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração de Ajuste Anual por parte do contribuinte e sua esposa. Uma das opções seria entregar as declarações em separado, até mesmo porque, conforme já demonstrado, a Sra. PAULA BALDUCCI DE OLIVEIRA incorreu em requisito que a obriga à apresentação das declarações de ajuste. Fl. 1826DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2301-006.424 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000775/2007-60 Outra opção consistiria em apresentar uma única declaração, em conjunto com o cônjuge, informando-a como dependente, desde que somados os seus rendimentos aos do declarante, para efeito de ajuste, e consignados os bens e direitos a ele pertencentes. Dessa forma, estaria suprida a obrigatoriedade da apresentação da declaração a que porventura estivesse sujeita o cônjuge e poderiam ser deduzidos os gastos com tratamentos médicos e exames realizados pela esposa. Pelo fato de a Sra. PAULA BALDUCCI DE OLIVEIRA haver entregado as Declarações de Ajuste Anuais em separado não é considerada dependente, o que impossibilita a dedução de despesas médicas por serviços médicos que lhe foram prestados na apuração do imposto de renda do Impugnante. (...) Do procedimento de revisão Os protestos do Impugnante pela revisão do lançamento em relação aos anos calendário 2004 e 2005 não merecem guarida. O Auto de Infração guerreado originou-se do descumprimento da obrigação verificado pela autoridade fazendária, ensejando o dever de se efetuar o lançamento. O Impugnante não ofereceu à tributação espontaneamente os valores das deduções não comprovadas, as quais foram apuradas em procedimento de auditoria fiscal. Efetuado o lançamento, a multa imposta é a de ofício prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/1996, que constitui penalidade pecuniária, já que não visa arrecadar mais tributo ou contribuição, mas sim desestimular a prática da ilicitude fiscal que visa coibir. Somente incorre na multa quem infringe a legislação tributária e o contribuinte, ao deixar de cumprir a lei, assumiu o ônus de sua conduta inadequada. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-26.281 CONCLUSÃO 10. Em vista do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 1827DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002245/2009-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à
contraprestação dos serviços de implantação de software prestados em favor da Universidade Federal de Santa Maria UFSM e de sua fundação de apoio, a FATEC Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à contraprestação dos serviços de implantação de software prestados em favor da Universidade Federal de Santa Maria UFSM e de sua fundação de apoio, a FATEC Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 45 /2 00 9- 20 Fl. 678DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 a 2008, para classificar como tributáveis rendimentos originalmente declarados como isentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$17.935,33, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 117 a 141), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 359 a 366): I. Lançamento, contra o contribuinte, de juros de mora já lançados contra a FATEC, bis in idem tributário. a) A Auditoria lançou, a débito do Contribuinte, juros de mora calculados pela taxa Selic incidentes sobre o Imposto de Renda lançado com base nas bolsas recebidas. b) Ocorre que, recentemente, juros de mora incidentes sobre a mesma base de cálculo, qual seja, Imposto de Renda da Pessoa Física, foram lançados contra a Fundação de Apoio á Tecnologia e Ciência. c) Os juros foram lançados contra a FATEC, juntamente com multa, em razão da falta de recolhimento do IR na fonte. Apesar de se tratar de um título de recolhimento diferente, eventualmente sob uma alíquota diferente, é óbvio que trata se do mesmo imposto que está sendo cobrado da contribuinte, sobre o mesmo fato gerador; logo, sendo idêntica a natureza do principal, idêntica é a natureza do acessório. Transcreve o disposto no art. 4o do CTN. d) Pelo exposto, requer a decretação da nulidade do Auto de Infração. II. Boafé. Uso arraigado da isenção nas fundações. Fiscalização dentro do período que não apontou irregularidade. Basicamente, o AFRFB encarregado do cumprimento do MPF apresentou, como motivo para o Lançamento de Ofício, a acusação de que o Contribuinte teria apresentado, nos anosbase afetados, "declaração inexata", fundamentando a opção no art. 841, III do RIR/99. Fl. 679DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 4 3 No caso, a "inexatidão" consistiria em "classificação indevida de rendimentos na DIRPF", consubstanciada pela declaração, na qualidade de rendimento isento, de bolsas recebidas pelo Contribuinte no período afetado. Ocorre que o Contribuinte, ao classificar suas Bolsas como rendimento não tributável, não errou nem agiu de máfé. Ao revés, seguiu orientação da Lei e de seus regulamentos, bem como das práticas reiteradamente adotadas pela DRF de Santa Maria na interpretação do alcance e da incidência da isenção concedida pelas leis 8.958/94 e 9.250/95 e seus regulamentos, notadamente o Dec. 5.205/04. Ou seja, não se trata de inexatidão; mas sim, da aplicação de uma interpretação juridicamente válida e até então pacificamente aceita, e compartilhada pelos próprios AFRFB lotados em Santa Maria. Vale dizer que o entendimento do contribuinte, que era também o da Receita, é no sentido de que suas bolsas são NÃOTRIBUTÁVEIS, embora a Declaração não lhe permita fazer diferença entre essa natureza e a de "receita isenta". Em 31 de maio de 2001, o Auditor Fiscal da Receita Federal Jorge Wagner Berguenmaier Corrêa intimou a Fundação, pelo MPF 1010300 2001 000714, referente às bolsas pagas, onde então verificou o cumprimento das obrigações fiscais. Logo, houve fiscalização sobre os mesmos fatos analisados pela presente autuação, sem que fosse apontada a suposta irregularidade agora lançada. Como houve fiscalização específica sobre o cumprimento das obrigações fiscais relativamente às bolsas de estudo e pesquisa, com análise de toda a documentação pertinente, restou consolidado o entendimento de que as bolsas em questão não sofrem a incidência do IRRF. Por conseguinte, este critério jurídico deve ser respeitado, até o momento em que a administração muda de entendimento. Como no caso em tela tratamos de modificação de interpretação jurídica, e não erro de fato, deve vigorar o entendimento que até então era aceito. Nesse sentido, o contribuinte cita a doutrina. Transcreve ementas da jurisprudência judicial. Pelo exposto, requer que, em face de ter o Contribuinte agido: A) com base em prática arraigada em situações de fato e de direito análogas ou idênticas; B) de ser tal prática aceita pelas autoridades competentes; C) de ter sido o sistema de bolsas da FATEC, no qual se origina a matéria de fato, ter sido sucessivamente fiscalizado em 1996, 2001 e 2005, com ênfase especial em 2001, e de não ter sido constatada nenhuma infração em tais ocasiões, corroborando a prática em vigor; D) de ter agido o Contribuinte de boafé, ao declarar suas bolsas como nãotributáveis, de acordo com o informe assim rotulado, que lhe foi entregue pela FATEC; E) de acreditar a contribuinte, assim como já interpretou a SRF, que as bolsas que recebeu são, de fato e de direito, nãotributáveis, como abaixo se comprovará. Seja o Auto de Infração Anulado, por conter multa e juros de mora indevidos, a teor do disposto no art. 100, § único do CTN. III. Efeito confiscatório art. 150, IV da CF Princípio dos motivos determinantes. O Auto de Infração deve ser anulado, por representar o uso indevido da legislação tributária com intenção confiscatória proibida pela Constituição Federal. Fl. 680DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 5 4 IV. Configuração dos requisitos para isenção Está ao abrigo da isenção preconizada pelas leis 8.958/94, 9.250/95 e pelo Decreto 5.205/04. Suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação; ou seja, sua declaração, nesse sentido e contexto, foi perfeitamente exata, afastando o fundamento principal do Lançamento de Ofício. A legislação invocada no AI como delimitadora da outorga de isenção: Lei 9250/95, Lei 8958/94 e Decreto 5.205/04 estabelece o seguinte conjunto de requisitos: 1. Que a bolsa seja caracterizada como doação (sendo, portanto, inadmitida a contraprestação de serviços, exceto no caso de extensão); 2.Que a bolsa seja de estudo, pesquisa ou EXTENSÃO; 3. Que os resultados do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão não revertam ECONOMICAMENTE para o doador da bolsa. A bolsa é uma doação em dinheiro, titulada, no caso em tela, pela FATEC como doadora e pelo contribuinte como donatário. De acordo com a legislação civil em vigor, o proprietário do dinheiro é seu possuidor, se o detiver em nome próprio. Destarte, sempre que houver faturamento, o legítimo proprietário do dinheiro é o faturante, e, portanto, se pagar bolsa a alguém, é o donatário legítimo. Em relação a esse donatário, portanto, é que todas as normas de relacionamento bilateral da doação serão aplicadas. A definição do que vem a ser bolsa de ENSINO, ou ESTUDO, ou EXTENSÃO, no caso em tela, deixa pouca margem para a hermenêutica. O Dec. 5.205/04 encarregouse de tal conceituação, adotando o sendo científico apropriado, de modo que pouco há que discutir: bolsa de ensino constituise em instrumento de apoio e incentivo a projetos de formação e capacitação de recursos humanos. Ou seja, tratase de incentivo ao ensinador. Salvo melhor juízo em contrário, ensinar é prestar serviço, e, novamente, da essência do instituto. Ou seja: tratase de uma prestação de serviços permitida, normalmente porque o discente não é a mesma pessoa que doa a bolsa. A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. Pelo último requisito, o doador da bolsa não pode obter benefício econômico com o resultado do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão; ou, em bom português, não pode obter LUCRO. Benefício econômico é aquele que permite sua apreciação em unidades monetárias, ou em vantagem competitiva que igualmente se traduz em vantagem financeira ou na sua potencialidade. Fl. 681DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 6 5 No caso de pesquisas, é comum a "encomenda". Um interessado no esclarecimento de dado fenômeno pede a pesquisa, paga por ela, e recebe seus resultados. A partir daí, dois podem ser os caminhos: ou o encomendante tornase monopolista do resultado, seja por cláusula de sigilo, seja por patente, ou o encomendante recebe um resultado que também será encaminhado ao domínio público através de tese, dissertação ou ensaio. No primeiro caso, ainda é de se lembrar que normalmente a encomenda é objeto de faturamento, ou seja, a Fundação tornase proprietária do meio de pagamento e, portanto, é a legítima doadora da Bolsa. No segundo caso, embora o encomendante receba uma contraprestação, um Resultado, a falta da exclusividade ou monopólio retira dessa contraprestação o caráter de benefício econômico, pois coisa que é de todos não concede vantagem especial a ninguém. É importante lembrar que o sistema de relacionamento Universidade Fundação Docente foi idealizado de modo que os institutos comuns da legislação civil permitissem o efeito isenção. A intermediação da Fundação destinase exatamente a evitar que o Docente estabeleça relacionamento direto com o Mercado, bem como a vincular os fins de sua atividade aospilares da educação superior Ensino, Pesquisa e Extensão. Quando a Fundação emprega Laboratórios e Recursos Humanos da Universidade para desenvolver atividades abrangidas pela Lei 8.958, é comum a inclusão de algum serviço no relacionamento com o Mercado; um serviço que nunca é a finalidade do projeto, mas normalmente serve como fonte de arrecadação para o desenvolvimento de estudos, pesquisas e extensão. Destarte, a Fundação aparecerá, na maioria dos casos, como doadora das bolsas, sem obter com isso nenhum proveito econômico nem contraprestação de serviços do docente. Sua interposição não é fraude, mas decorrência legítima de um sistema legal; e os seus contratantes não possuem relação alguma com o docente, eis porque podem receber seus serviços sem que se configure uma CONTRAPRESTAÇÃO. Concluindo, pelo disposto no art. 110 do CTN, as definições jurídicas empregadas na legislação civil não poderão ter sentido diferenciado no campo tributário. Ou seja, todas as definições atinentes ao direito dos contratos, em especial aos contratos de doação e prestação de serviços e às definições de prestação e contraprestação; ao direito das coisas, em especial à propriedade do dinheiro; à natureza das atividades universitárias, em especial à definição de ensino, pesquisa e extensão; não podem receber diferente sentido para definir obrigação tributária. Pelo exposto, IMPUGNA o sentido dado pelo AFRFB responsável pela autuação à legislação pertinente, por ser ofensivo à real aplicabilidade da isenção às bolsas em geral. V. Fundamento econômico da isenção favorecimento do PIB e do patrimônio público por via diversa da tributária A isenção é incentivo econômico e não meramente financeiro As isenções sempre são fundamentadas em um interesse do Estado que seja maior ou mais importante que a receita renunciada. Fl. 682DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 7 6 Dessa forma, a isenção serve para estimular o desenvolvimento de atividades econômicas incipientes; para estimular o desenvolvimento de certa região geográfica; para incrementar a capacidade competitiva de certo setor econômico em face da concorrência internacional; para combater crises; para privilegiar cidadão em situação fática especial, como certos doentes; e muitas outras razões da mais alta importância. No caso em tela, a isenção se presta a privilegiar o Docente que, por sua iniciativa, busca desenvolver as atividades nãoobrigatórias de ensino, pesquisa e extensão. Mais recentemente, o processo de inovação tecnológica foi oficialmente estatizado pela Lei 10.973, que igualmente trouxe importantes incentivos para os docentes universitários, além da bolsa. É perfeitamente claro que a incorporação de desenvolvimento e de capital intelectual à nação Brasileira é muito mais valiosa e importante que a renúncia fiscal consistente na isenção e é a sua razão de ser. Tratase de uma forma de arrecadação extrafiscal, acrescida de arrecadação reflexa decorrente de novos negócios e atividades baseados em tecnologia e conhecimento nacionais. Destarte, uma interpretação que anule a possibilidade de isenção vai de encontro ao sistema idealizado pelas leis 8.958 e 10.973, frustrando os objetivos estratégicos do Estado assim envolvidos, e, portanto, ofendendo a baliza teleológica da interpretação. VI. Relação de trabalho Art. 43 do RIR x Doação com encargos não incidência do IR Incompetência material da SRF O RIR/99 dá dois tratamentos possíveis a bolsas de estudo: ou a isenção, pelo art. 39, ou a tributação, pelo art. 43 , I. O caso de isenção e seus requisitos já foram exaustivamente analisados. O caso de tributação, ao contrário do que possa parecer, não é de mera aplicação alternativa dos dispositivos supracitados; mas cumulativa. Ou seja, não só a bolsa deve deixar de preencher os requisitos de isenção, mas também deve preencher os requisitos de tributação do art. 43 , I. Ou seja: a bolsa de estudo e pesquisa deve ser resultado de contrato de trabalho assalariado ou resultar do exercício de cargo, emprego ou função. Ocorre que a FATEC nunca toma a iniciativa de um projeto. Os projetos sempre são de iniciativa dos Professores, que possuem as equipes e a previsão dos recursos necessários para sua execução. Logo, tratase da primeira desconfiguração de incidência do IR. A segunda desconfiguração vem do fato que os Professores bolsistas não detém cargo, nem emprego nem função na FATEC. Não são contratados, nem formal nem informalmente, para prestar serviços. A relação entre as partes é totalmente voluntária, sem subordinação, dependência econômica ou obrigação de assiduidade. Fl. 683DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 8 7 A terceira vem do fato de que normalmente as ações que possam ser identificadas como contraprestação de serviços ficam ao encargo dos alunos, na qualidade de prática profissional, ou, a cargo dos empregados da FATEC. Ainda há o caso especial da Bolsa de Extensão, que não foi prevista no dispositivo supracitado, mas está prevista como isenta no dec. 5.205/04.Logo, ou a bolsa de extensão é isenta, ou, é caso absoluto de nãoincidência,por falta de previsão expressa (como fato gerador). Logo, observase que, uma vez que, no caso em tela, não estão preenchidos os requisitos para tributação, mesmo que eventualmente não se configure a isenção, a situação é de nãotributação pelo IR. Ademais, ao escapar, ao menos em tese, da hipótese de isenção, parece haver sério conflito de competência tributária entre o Estado do RS e a União. Isso porque as bolsas de pesquisa, salvo que sejam fraude ao contrato de trabalho (e este não é o caso), sempre são doação mesmo que com encargos. Como se pode observar do art. 43, I (supracitado), o mesmo é aplicável à bolsa não em função da mera contraprestação voluntária de serviço; mas da existência de vínculo jurídico de prestação de serviço entre o "doador" e o "donatário". Vejamos: O Contribuinte Donatário nunca teve vínculo jurídico nenhum para com a FATEC. Não mantém contrato de tipo nenhum com a mesma, não lhe deve subordinação, nem dependência econômica, nem assiduidade. Suas obrigações decorrentes do Projeto são apenas morais, para com a UFSM e ninguém mais. Vale dizer, se o Contribuinte deixar de executar as tarefas do Projeto, a Fatec nada pode fazer, exceto deixar de doar a bolsa no próximo mês. Mas não poderá exigir do Contribuinte que faça ou deixe de fazer qualquer tarefa. Igualmente, a UFSM também não o pode exigir. No mesmo compasso, se a FATEC deixar de lhe pagar as bolsas, a legislação não dá ao Contribuinte título jurídico para exigilas. Logo, estamos diante de doação, mesmo que, eventualmente, com encargo a favor de terceiro. Logo, se trata de uma hipótese de NÃOINCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA, mas pela razão suprema de não haver a incidência da legislação pertinente, conforme a lição da Teoria do Fato Jurídico de Pontes de Miranda. Em tese, pode incidir o ITCMD, instituído no RS pela Lei 8.821/89. Mas isso não diz respeito à Receita Federal. Pelo exposto, requer que o Auto de Infração seja integralmente anulado, por ter sido lavrado em ofensa às normas constitucionais e infraconstitucionais sobre competência tributária, e por ter aplicado Imposto de Renda sobre eventos, que, em tese, são fatos geradores de ITCMD do Estado do Rio Grande do Sul. VII. Amoldamento dos fatos à legislação em vigor Segundo a Fiscalização, os projetos que originaram a autuação, contém contraprestação de serviços, apresentam vantagem para o doador das bolsas e não são de pesquisa, motivo pelo qual as bolsas oriundas dos mesmos foram erroneamente classificadas como isentas; fato esse que consistiria em Fl. 684DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 9 8 "DECLARAÇÃO INEXATA", fazendo incidir, entre outros dispositivos, os arts. 43 e 841, II, do RIR/99 e o art. 44 , I, da lei 9.430. O contribuinte passa a descrever os projetos pelos quais ele recebeu bolsa, com o intuito de demonstrar que não ocorreu contraprestação de serviços, posto que o doador (FATEC) nada ganhou com as doações que fez ao impugnante. Pelo exposto, o contribuinte requer: A A juntada dos documentos comprobatórios em anexo aos autos do processo fiscal, para que seja encaminhado ao órgão competente para julgamento e surta seus efeitos legais; B A decretação da nulidade do Auto de Infração, de pleno direito, por: 1. Conter bis in idem tributário; 2. Ser resultante do uso indevido do sistema tributário federal com o fim de provocar efeito de confisco; 3. Resultar da aplicação indevida de multas e juros, contra contribuinte que seguiu orientação jurídica pacificamente aceita e emanada da SRF; 4. Resultar de conduta, em tese, penalmente típica, por ser presumivelmente de conhecimento da SRF e de seus prepostos o lançamento, contra outro Contribuinte, de parcelas que foram lançadas contra o impugnante; 5. Ter sido lavrado por autoridade incompetente para fiscalizar e tributar fatos geradores relativos à doação; C O reconhecimento de ser o Imposto de Renda nãoincidente sobre fatos geradores caracterizados como doação; D Alternativamente, que sejam as bolsas recebidas pelo Impugnante consideradas isentas do Imposto de Renda, em vista do entendimento da SRF que estava em vigor à época dos fatos geradores; E Sendo as bolsas consideradas nãoisentas, que sejam excluídos do auto os juros já cobrados da FATEC, como acima descrito; F Em vista da boafé do contribuinte, e da alteração de entendimento da SRF, que sejam excluídas as parcelas referentes a multa e juros de mora, na forma da legislação aplicável. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 358 a 370): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 e 2007 Ementa: NULIDADE. Fl. 685DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 10 9 Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorreu o acórdão. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 05/04/2011, a contribuinte apresentou, em 12/4/2011, recurso voluntário, onde afirma que: a) os requisitos legais para a isenção de bolsa são que ela seja caracterizada como doação EM QUALQUER DE SUAS FORMAS, INCLUSIVE COM ENCARGOS OU REMUNERATÓRIA; que seja de estudo, pesquisa ou EXTENSÃO; e que os resultados do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão não revertam ECONOMICAMENTE para o doador da bolsa; b) no caso de pesquisa, a proibição de contraprestação é clara e faz sentido, à medida que se trate de pesquisa "encomendada", de cujo resultado o encomendante se torne proprietário com direito ao monopólio de exploração do seu objeto, no sentido estatuído pela Lei de Patentes. Por outro lado, se a pesquisa gera dados ou conhecimentos não sigilosos nem sujeitos ao monopólio de exploração econômica, e notadamente se seus resultados são publicados em tese, dissertação, ensaio científico ou por qualquer outro meio, então nada impede que tais dados ou conhecimentos sejam TAMBÉM dados ao doador da bolsa ou ao encomendante da pesquisa; Fl. 686DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 11 10 c) a bolsa de extensão é um incentivo ao docente para que lidere o conjunto universitário no desenvolvimento prático da ciência, aproximando diretamente sua fonte a Universidade do destinatário por excelência de todo investimento público o Povo. Logo, é inconcebível pensar em extensão sem serviço, mas é lógico concluir que o serviço gerado pela extensão não é um fim em si mesmo, mas mera etapa da outorga dos resultados ou efeitos da ciência ao Povo; d) em nenhum dos projetos em análise, a FATEC ou a UFSM ficaram com o monopólio dos resultados da sua pesquisa, que foram publicados em centenas de artigos de âmbito nacional e internacional, tornandose públicos; e) o sistema de relacionamento Universidade Fundação Docente foi idealizado de modo que os institutos comuns da legislação civil permitissem o efeito isenção. A intermediação da Fundação destinase exatamente a evitar que o Docente estabeleça relacionamento direto com o Mercado, bem como a vincular os fins de sua atividade aos pilares da educação superior Ensino, Pesquisa e Extensão; f) não há vínculo obrigacional entre a FATEC, doadora, e o contribuinte, donatário, assim, mesmo não se configurando a isenção, estáse diante de caso de não tributação pelo IR. Nesse sentido, a FATEC não pode exigir que ele continue sua atividade de extensão, nem o contribuinte pode exigir que a instituição continue lhe pagando a bolsa; g) como doação com encargos, as bolsas recebidas não são atingidas pelo Imposto de Renda, porque não são da alçada da Receita Federal, mas sim da Receita Estadual; h) todos os projetos executados foram devidamente descritos na impugnação, apesar de ignorados pelo julgado recorrido, e reitera seu conteúdo; i) em quatro ações judiciais que analisaram o mesmo tema, foram proferidas decisões favoráveis aos contribuintes, sendo que duas já transitaram em julgado. Ao final, pugna pela anulação do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A recorrente, analista de sistemas de Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, informou, em suas declarações de rendimentos dos exercícios de 2005, 2006, 2007 e 2008 (fls. 17 a 31), rendimentos isentos nos valores de R$22.911,80, R$17.400,00, R$19.200,00 e R$22.200,00, respectivamente, classificandoos na rubrica “Bolsa de estudo e pesquisa, desde que não represente vantagem ao doador e não caracterize contraprestação de serviço”. Fl. 687DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 12 11 Intimada a comprovar a natureza isenta das verbas, informou trataremse de bolsas de extensão recebidas da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC. Contudo, a autoridade fiscal entendeu que tais rendimentos possuíam natureza tributável, por consistirem em vantagem para o doador e em retribuição à contraprestação de serviços, conclusão referendada pelo julgamento de 1a instância. No voluntário, a recorrente reafirma o caráter isento das verbas lançadas. Lançamento complementar: Após este lançamento, a fiscalização percebeu que tributou a menor o exercício de 2005, e por isso reabriu a fiscalização do período e lavrou auto de infração complementar, constante do processo no 11060.002930/200956, apensado a estes autos, que será apreciado na mesma sessão de julgamento. Legislação de regência: Segundo o art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o §4o do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (seu art. 4º). Por outro lado, o art. 176 do CTN determina que a isenção é sempre decorrente de lei, e seu art. 111, inciso II, exige que a sua outorga deve ser interpretada literalmente. Do mesmo modo, o §6o do art. 150 da Constituição Federal exige que qualquer isenção de impostos só possa ser concedida mediante lei específica. Assim, quando a renda auferida pelo contribuinte for enquadrada no conceito de rendimento tributável, tornase irrelevante a denominação que lhe foi dada, somente sendo lícito se falar em isenção quando esta for concedida de forma expressa pela lei. Para o pagamento em discussão, o art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de renda, fazendo um apanhado da legislação federal, determina a tributação das bolsas de estudo e de pesquisa (inciso I). Entretanto, o art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, traz os requisitos para que tais verbas possam ser consideradas isentas. Transcrevese o texto legal: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde Fl. 688DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 13 12 que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicosresidentes. (Incluído pela Lei nº 12.514, de 2011) Desta forma, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Assim, devese verificar se as verbas em discussão atendem, cumulativamente, a todos os requisitos acima elencados. Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação. Acrescentese que o simples fato dos rendimentos pagos se denominarem de bolsas de extensão não afasta a aplicação da isenção legal para bolsas de estudo e de pesquisa, desde cumpridos os mesmos requisitos. Neste processo, a recorrente foi remunerada por meio de bolsa de estudo e pesquisa conforme a Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994. Assim, para a correta compreensão do caso, é necessário se conhecer o conteúdo de parte dessa lei, com a redação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, bem como do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, como a seguir transcrevo: Lei n° 8.958, de 1994 Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas Fl. 689DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 14 13 atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. (...) Decreto n° 5.204, de 2004: Art.5o A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. (...) §2o A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art.6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) §3o A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. §4o Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. (...) Art.7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 690DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 15 14 Assim, é fato que a legislação que criou e regulamentou as fundações de apoio às instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica determinou que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão pagas aos professores daquelas instituições deveriam atender aos requisitos da lei isentiva, e portanto não deveriam ser tributadas pelo imposto de renda. Entretanto, na situação sob análise, concordo com a conclusão do lançamento e do acórdão a quo de que os pagamentos decorreram da contraprestação de serviços, como passo a esclarecer. Caso concreto: A recorrente é analista de sistemas da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, e participou de diversos projetos firmados entre a universidade e sua fundação de apoio, a FATEC Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência, sendo remunerada por meio de bolsas de estudo e pesquisa. Como veremos, as atividades exercidas não podem ser consideradas como de estudo ou pesquisa. Mas, como o recurso as classifica como atividades de extensão, e como a isenção fiscal também se aplica a bolsas de extensão, não haveria óbices à aplicação da isenção fiscal desde que atendidos os requisitos da lei isentiva. Como bem assentado pela contribuinte, em sua impugnação, é prática corrente dos Institutos Federais de Ensino Superior – IFES e de suas Fundações do Apoio o pagamento das remunerações na forma de bolsas. Contudo, apesar de instituídas com base na Lei n° 8.958, de 1994, há que se considerar que as bolsas de estudo sob análise possuem nítido caráter de contraprestação de serviços. De acordo com o recurso e com os documentos dos autos, a contribuinte participou dos seguintes projetos: a) Projeto “Rede Regional de Pesquisa e Desenvolvimento de Competências em Tecnologias da Informação e Comunicação” – 9.01.32 (fls. 39 a 44); b) Projeto “SIE na IFES TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA” – 9.59.25 (fls. 45 a 51v); c) Projeto “EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR NO INTERIOR DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL” – 9.59.34 (fls. 52 a 60); d) Projeto “SIE – UNIPAMPA” – 9.59.55 (fls. 61 a 68) . Entretanto, encontrei menção específica ao nome da contribuinte apenas nos projetos dos itens “b” e “d” (fls. 51 e 68), referentes à disponibilização, instalação, implantação e transferência da tecnologia do SIE Sistema de Informações para o Ensino em Instituições Federais de Ensino Superior. Assim, analisarei a possibilidade de pagamento por meio de bolsa desse tipo de serviço. Fl. 691DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 16 15 O documento de fl. 63, explica que as Universidades Federais de Santa Maria e de Pelotas atuam na implantação da Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA em dez cidades do interior do Rio Grande do Sul. Assim, o projeto do item “d” tinha como objetivo implantar nessas unidades o SIE Sistema de Informações para o Ensino, que é uma ferramenta de gerência já utilizada em outras 12 instituições de ensino. Esclarece ainda que o SIE é um software de gestão, que necessita de ajustes e implementação de funcionalidades específicas para cada unidade. Na fl. 63v, consta a informação de que o projeto seria financiado com recursos da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC), no valor de R$600.000,00, e na fl. 65, que esse valor seria gasto inteiramente com despesas de pessoal. Finalmente, na fl. 68, consta a informação de que a recorrente participou desse projeto na função de desenvolvimento com carga horária de 14 horas por 420 dias. A simples descrição do projeto demonstra tratar de serviço de implantação de sistema de informática a cargo da UFSM, financiado com recursos do Ministério da Educação, que não poderia jamais remunerar seus executores com bolsas de estudo, pesquisa e extensão. Há ainda que se observar que a contribuinte é analista de sistemas de UFSM, e que, nesse projeto, continua desempenhando essa mesma função em favor de sua instituição. Acrescentese que, em cada ano fiscalizado, as bolsas pagas pela FATEC equivaliam a um percentual entre 60% a 100% do total de rendimentos pagos pela UFSM. Não se trata, assim, de parcelas esporádicas e eventuais, mas de verdadeira complementação salarial, paga no decorrer de diversos anos, o que reforça a convicção de sua natureza remuneratória. Em sua defesa, a contribuinte descreve suas atividades como simples verificação da implementação do sistema, que seria realizada pelos empregados da FATEC, bem como a orientação aos alunos de informática da UFSM no estudo prático da implantação de sistemas de gestão. No seu entender, as bolsas denotariam seu caráter de doação, pois o serviço seria realizado mesmo sem sua participação, não possuindo a FATEC a obrigação de pagar tais verbas, nem a bolsista o poder de exigir seu pagamento. Apesar do esforço retórico, não consigo vislumbrar essa atividade eventual nos serviços descritos nos projetos. Ao contrário, os documentos descrevem o serviço de desenvolvimento de software, prestado em caráter duradouro por um longo período. A recorrente centra boa parte do seu recurso na importante função social das atividades exercidas, e na afirmação de que nem a UFSM nem a FATEC visavam ao lucro com o serviço, remunerado em percentuais bem abaixo do mercado. Certamente, não se pretende contestar a importância e a excelência dos serviços prestados à população. Mas o que se deve entender é que a imunidade com relação aos impostos das instituições de ensino não se estende para as remunerações pagas a seus prestadores de serviço. Fl. 692DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 17 16 Se os argumentos do recurso fossem válidos, isentos também seriam os salários pagos aos servidores da universidade. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de estudos e pesquisa à contribuinte constituem pagamento pelos serviços de implantação de software prestados em favor da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM e de sua fundação de apoio, a FATEC Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência. Decisões administrativas e judiciais: A recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corrobora o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. As decisões do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços. De modo contrário, recentes decisões desta 2a Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributável de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementa: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. (Acórdão nº 2102001.216, 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, sessão de 13/04/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos) Quanto à esfera judicial, de fato a recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas, sendo que algumas tratam de bolsas pagas pela FATEC e a UFSM. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a FATEC, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. Fl. 693DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11060.002245/200920 Acórdão n.º 2101002.090 S2C1T1 Fl. 18 17 A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas derivam de convênio da UFSM com o Sesu/MEC. Assim, os recursos se originaram da entidade que se beneficiou diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6o do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Conclusão: Convencido da natureza tributável das verbas em discussão, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 694DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0919.13393.OZR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO em 22/02/2013 09:37:25. Documento autenticado digitalmente por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO em 22/02/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 28/02/2013 e JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO em 22/02/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0919.13393.OZR0 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C1F8B9B8F7BB19BB88B5DACF1B5C3D4895406759 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11060.002245/2009-20. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11080.004235/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002, 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Restabelecido parte dos valores glosados por devidamente comprovado mediante documentos hábeis.
ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO.
A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2301-006.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as deduções de despesas médicas e de instrução nos termos e limites do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Restabelecido parte dos valores glosados por devidamente comprovado mediante documentos hábeis. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as deduções de despesas médicas e de instrução nos termos e limites do voto do relator. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 42 35 /2 00 6- 48 Fl. 331DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.423 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.004235/2006-48 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 295/313) interposto em face do Acórdão nº 10-13.325 (e-fls 271/279) prolatado pela DRJ/POA em sessão de julgamento realizada em 6 de junho de 2007. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: Através do Auto de Infração de fl. 36, acompanhado da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 37/40, demonstrativos, fls. 32/35, e Relatório Fiscal de fls. 44/46, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 35.057,55, após a revisão da declaração de ajuste anual dos exercícios de 2002 e 2003. O crédito tributário totaliza em R$ 83.214,34. O enquadramento legal e a legislação infringida constam do referido auto de Infração. Em sua defesa, fls.48/49, o contribuinte, primeiramente, insurge-se quanto a aplicação de multa de oficio e dos juros de mora, argumentando, em síntese, que a multa é exorbitante e juros abusivos. Apresenta os documentos em fls. 54/84, 88/89 e 103/131 para que sejam refeitos os cálculos do Auto de Infração. A fl. 98 o contribuinte solicita a tramitação prioritária do presente processo com base no Estatuto do Idoso. 2.1. Ao julgar o lançamento procedente em parte, para o fim de alterar o crédito tributário lançado, conforme demonstrativos de cálculo (e-fls 279)o acórdão tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 DEDUÇÕES - CONTRIBUIÇÃO A PREVIDÊNCIA OFICIAL - DEPENDENTES - PENSÃO JUDICIAL - DESPESAS MÉDICAS - DESPESAS COM INSTRUÇÃO Restabelecido parte dos valores glosados por devidamente comprovado mediante documentos hábeis. MULTA DE OFICIO - APLICABILIDADE A multa de oficio, prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de oficio, não podendo a autoridade administrativa furtar-se A sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC - Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa SELIC. SÚMULA n° 4 do 3° Conselho de Contribuintes - A partir de 10 de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 332DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.423 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.004235/2006-48 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 295/313), o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação e faz anexação de conjunto documental (e-fls. 315/327) para fins de comprovar a dedutibilidade de despesas médicas (e-fls 315) e com despesas de instrução (e-fls 317, 319, 321), solicitando o recálculo do crédito tributário apurado, a partir dos valores glosados face os documentos juntados (e-fls. 299). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. O litígio devolvido a este Colegiado diz respeito à dedutibilidade de despesas médicas e de instrução, cujos documentos comprobatórios foram anexados pelo Recorrente ao tempo da interposição do recurso voluntário, e por esta razão, a análise da dedutibilidade das referidas despesas não foi feita pela decisão de primeira instância. 6. Detendo-nos no objeto do litígio, vejamos como a decisão de primeira instância perfaz a análise das deduções (e-fls 275). No tocante as despesas médicas devem ser restabelecidas as importâncias de R$ 7.572,96 (ex. 2002) e R$ 1.500,0 (ex. 2003) fl.106. Os comprovantes juntados às fls. 57/69 comprovam as despesas com instrução incorridas no ano-calendário de 2001 com o filho do contribuinte, devendo, portanto, ser restabelecido o limite de R$ 1.700,00 fixados para o exercício em questão. Quanto ao exercício de 2003, não há nos autos comprovação de gastos com instrução. 7. O quadro apresentado a seguir traz esboço dos documentos apresentados na esfera recursal, com vistas ao pleito consistente em restabelecer deduções do imposto. e-fls Documentos comprobatórios apresentados na esfera recursal Valor Despesas Médicas 315 Declaração de valores pagos no ano de 2002 à Unimed Porto Alegre R$7.598,44 Despesas de instrução 317 Declaração de pagamentos em benefício do filho Elisandro em 2002 R$4.363,35 319 Declaração de pagamentos em benefício da filha Marcella em 2002 R$3.333,69 321 Declaração de pagamentos em benefício da filha Marcella em 2001 R$2.333,00 7.1. Com pertinência às despesas médicas, considero que o documento anexado às e- fls 315 tem aptidão para comprovar a efetivação do pagamento ao plano de saúde e, com isso, Fl. 333DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.423 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.004235/2006-48 há de ser restabelecida a importância de R$7.598,44 referente ao ano-calendário 2002 (Exercício 2003). 7.2. Com relação aos dispêndios com instrução, também estou convencido acerca da aptidão dos documentos anexados às e-fls 317, 319 e 321 para fins de comprovar as despesas com instrução incorridas com o filho Elisandro no ano-calendário 2002 (Exercício 2003) e com a filha Marcela nos anos-calendários 2001 e 2002 (Exercícios 2002 e 2003). Deste modo, devem ser restabelecidas as deduções em relação aos dois dependentes, Elisandro (Exercício 2003) e Marcella (Exercícios 2002 e 2003) até o limite fixado para cada exercício. Demais questões recursais 8. Pode-se divisar no recurso que são repisadas as alegações relacionadas ao inconformismo com a aplicação da multa de ofício e com a incidência de juros calculados pela Taxa Selic. Multa de Ofício 8.1. Com pertinência à cobrança da multa de ofício, esta decorre de estrita previsão legal, emanada pelo artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Taxa SELIC 8.2. Sobre a incidência de Juros de Mora com base na Taxa Selic, a matéria já está pacificada por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO 9. Em vista do exposto, VOTO por dar parcial provimento ao recurso, para fins de restabelecer deduções de despesas médicas (subitem 7.1 supra) e de despesas de instrução (subitem 7.2 supra). (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901879/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3301-006.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 79 /2 01 5- 45 Fl. 79DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.589 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901879/2015-45 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação encaminhada por meio do programa PER/DCOMP, na qual pleiteia-se o reconhecimento do direito creditório relativo à Cofins Cumulativa, bem como a compensação do(s) débito(s) discriminado(s). A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Devidamente cientificado, e irresignada com o indeferimento do seu pedido, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a DCTF não tinha sido retificada informando o verdadeiro valor devido, mas já foi alterada, conforme cópia em anexo. Pede a homologação do crédito, a desconsideração da cobrança e que seja intimada a prestar esclarecimentos caso haja alguma pendência que impossibilite o deferimento do seu pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.577, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 10680.900403/2015-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.577): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 02- 73.342 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/12/2010 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 80DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.589 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901879/2015-45 A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Trata-se de Per/DComp que tem por escopo compensar débito declarado com crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS cumulativa referente a fato gerador de 31/12/2010. Assim ficou consignado na decisão ora recorrida: A não homologação da compensação pleiteada, pela DRF de origem, foi motivada pelo fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido utilizado integralmente na quitação de débito de Cofins cumulativa relativo a 31/12/2010, não restando saldo creditório disponível para compensação. Verifica-se que na DCTF retificadora ativa, referente ao período de apuração de 31/12/2010, o contribuinte declara o débito no valor de R$ 10.448,30 e, consequentemente, o valor de R$ 10.448,30 fica vinculado ao Darf recolhido no valor principal de R$ 33.547,23, discriminado no Per/Dcomp, restando o saldo de crédito pleiteado. A DCTF retificadora ativa foi transmitida em 31/03/2015, ou seja, após a ciência do despacho decisório e dentro do prazo legal, levando-se em conta o disposto no art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional (CTN). O valor de Cofins cumulativa declarado no Dacon enviado em 04/02/2011 corresponde ao informado na DCTF original (R$ 33.547,23) e, portanto, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. Não houve entrega de Dacon retificador para o período em questão após 04/02/2011. Diante da negativa da autoridade administrativa fiscal, confirmada pela DRJ, o Contribuinte interpôs recurso em que sucintamente (fls. 214) informa que fez a DACON retificadora e requer: Considerando que cabe ao contribuinte sujeito passivo a demonstração efetiva existência do indébito, coube ao mesmo fazer a retificação da DACON 12/2010, no dia 29/06/2017, conforme recibo (anexo) informando a apuração correta. Acobertado pelo direito a interposição de recurso voluntário previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, requer a requerente que seja aceito a DACON retificadora, sendo homologado o direito do crédito e a desconsideração do termo de intimação. Salienta-se que a DACON retificadora (fls. 215) foi feita na mesma data da interposição do Recurso Voluntário. É notório que em pedidos de restituição/compensação de créditos tributários cabe ao requerente a demonstração de forma inconteste da existência do indébito, o que, com a simples apresentação de recibo de entrega da DACON não é suficiente para se comprovar a existência do crédito pleiteado e sua devida certeza e liquidez. Neste sentido cito trecho da decisão ora recorrida que bem pontua esse entendimento e serve como reforço às razões para decidir: Quando a DRF nega o pedido de compensação com base em declaração apresentada (DCTF) que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. À obviedade, Fl. 81DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.589 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901879/2015-45 documentos comprobatórios são documentos que atestem, de forma inequívoca, o valor, a origem e a natureza do crédito, visto que, sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Assim, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório e nem mesmo a explicação sobre a origem do crédito, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720045/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DESCARACTERIZADA.
Devem ser rejeitados os embargos quando descaracterizada a alegada omissão no julgado questionado.
Numero da decisão: 1201-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em rejeitar os embargos, por unanimidade.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DESCARACTERIZADA. Devem ser rejeitados os embargos quando descaracterizada a alegada omissão no julgado questionado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em rejeitar os embargos, por unanimidade. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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OMISSÃO DESCARACTERIZADA. Devem ser rejeitados os embargos quando descaracterizada a alegada omissão no julgado questionado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em rejeitar os embargos, por unanimidade. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratam-se de Embargos de Declaração (fls. 1.092/1.094), opostos pela PGFN sob a alegação de existência de omissão no Acórdão 1201.002.637 (fls. 1.077/1.090), assim motivada: Ao resumir as razões da autuação, o Colegiado assim se pronunciou: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 45 /2 01 4- 82 Fl. 1106DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.153 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720045/2014-82 A autoridade fiscal responsável pelo lançamento entendeu que a Recorrente: (i) teria indevidamente efetuado o cálculo do preço parâmetro com base no PRL20 para determinados produtos, quando o método aplicável seria o do PRL60, afinal os bens importados teriam sido aplicados à produção em razão da agregação de valor no país; (ii) não observou o método de cálculo do preço parâmetro previsto na IN SRF 243/2002; e (iii) deixou de deduzir o valor das contribuições ao PIS e COFINS para fins de cálculo do preço parâmetro desses bens importados. Ocorre que, no voto condutor do acórdão, a Turma restou omissa sobre a análise do terceiro ponto abordado na autuação, a saber, sobre a necessidade ou não de deduzir o valor das contribuições ao PIS e à COFINS para fins de cálculo do preço parâmetro dos bens importados. Nesse contexto, faz-se mister que o Colegiado se manifeste para esclarecer seu posicionamento. Por meio do despacho de fls. 1.097/1.099 referidos embargos foram admitidos com base na seguinte justificativa: Analisando-se o aresto embargado à vista da argumentação da embargante, conclui-se de fato ter ocorrido omissão no julgado, acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado o colegiado. De fato, não houve manifestação do colegiado acerca da questão mencionada no item ‘iii’ da exposição da embargante, acima transcrita (falta de dedução do valor das contribuições ao PIS e COFINS para fins de cálculo do preço parâmetro dos bens importados), sendo que tal matéria é autônoma, ou seja, independe do fato de se considerar aplicável ao caso o PRL-20 (como entendeu o colegiado) ou o PRL-60 (como entendeu o fisco e a decisão de primeira instância). Pelo exposto, e com fulcro no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos de declaração opostos, para que seja sanada a mencionada omissão. Os autos, então, foram a mim, Relator do Acórdão, redistribuídos para julgamento dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Fl. 1107DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.153 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720045/2014-82 O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração (fls. 461/472) que exigem IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2011, em razão de ajuste promovido pela fiscalização em relação à aplicação das regras de “preços de transferência” na importação. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 452/459): [...] As memórias de cálculo do Preço de Transferência apresentadas pela empresa mostram que ela optou pelo método PRL 20% para todos os produtos. Entretanto, verificou-se que alguns dos produtos ajustados pelo método PRL 20%, deveriam ter sido ajustados pelo método PRL 60%, por se tratar de bens importados aplicados à produção. [...] PREÇO PARÂMETRO PRL 20% O preço parâmetro dos produtos importados destinados exclusivamente à revenda, foi apurado pela empresa pelo método PRL – Preço de Revenda menos o Lucro calculado a 20%. Após as análises de todas as informações prestadas pela fiscalizada verificou-se que os produtos a seguir relacionados são produtos importados de pessoas vinculadas prontos para a revenda, que tiveram seu preço de transferência apurado com a adoção do Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de 20% - PRL 20%, de acordo com o determinado no art. 12, inc. IV, alínea “a”, da IN SRF nº 243/2002: [...] Não houve ajuste a ser efetuado neste caso. O cálculo do Preço Parâmetro unitário está detalhado no Demonstrativo de apuração - Preço Parâmetro PRL 20% (ANEXO 2). PREÇO PARÂMETRO PRL 60% Após as análises de todas as informações prestadas, verificou-se que grande parte dos produtos importados foi utilizada como insumo na produção de peças. Por isso, devem ter seus preços de transferência apurados com a adoção do Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60% - PRL 60%, de acordo com o determinado no art. 12, inciso IV, alínea "b", da IN SRF n° 243/2002. [...] Por meio do arquivo ‘participação insumo produto acabado II” (fl. 118), a empresa foi intimada a apresentar o custo de produção do produto acabado e a relação insumo produto anual. Nas memórias de cálculo, a fiscalizada informou a relação de produção. O demonstrativo do cálculo do percentual de participação da matéria-prima importada no produto acabado está no ANEXO 3. Os registros das vendas constam no arquivo “Vendas_TP_2011” (fl. 118), de 04/09/2014 e foram confrontados com as informações obtidas do sistema NFE – Nota Fiscal Eletrônica. Verificou-se que, em alguns casos, o valor deduzido dos tributos incidentes sobre as vendas, referente às contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, eram nulos. Trata-se de produtos enquadrados no artigo 3° da Lei 10.147/00, que dispõe sobre o crédito presumido do PIS e COFINS. Fl. 1108DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.153 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720045/2014-82 [...] No entendimento desta fiscalização, ao aderir ao referido regime especial a empresa apenas passa a ter o direito de deduzir um crédito presumido do montante devido, portanto, continua a incidência das contribuições. [...] Assim, foram calculadas as contribuições do PIS/Pasep e da Cofins para todas as vendas dos medicamentos - arquivo “Vendas_final_com PISCOFINS” (fl 119). Analisando o DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (fls. 451), verificou-se que a empresa informou na Ficha 04A – Cadastro de produtos sujeitos a alíquota diferenciada, a alíquota de 2,10% para o PIS e 9,90% para a COFINS; Com base nas informações apresentadas pela empresa foram apurados os preços parâmetros de cada um dos produtos revendidos, deduzindo-se o valor das contribuições do valor das vendas. Obteve-se, assim, o Preço Parâmetro, conforme Demonstrativo de apuração - Preço Parâmetro PRL 60% (ANEXO 4). APURAÇÃO DOS AJUSTES A apuração dos ajustes de Preço de Transferência dos produtos importados para revenda foi refeita, comparando-se o Preço Praticado com o Preço Parâmetro apurados por esta fiscalização, cabendo ajuste nos casos em que este último foi inferior ao Preço Praticado, observada a margem de divergência de 5% prevista no art. 38 da IN SRF 243/2002. Assim, obteve-se o novo valor total de ajuste de R$ 17.407.326,61, conforme consta do ANEXO 5 – Consolidação PRL20 e PRL60. [...] AJUSTE TOTAL APURADO – BASE DE CÁLCULO Em resumo, o total do ajuste a tributar, apurado por esta fiscalização, será de R$ 17.407.326,61, já deduzido o valor oferecido à tributação na DIPJ, conforme tabela a seguir. O valor de R$ 17.407.326,61 será adicionado ao Lucro Líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Como se percebe, os presentes Autos de Infração exigem, conforme atesta o quadro de ajuste acima, exclusivamente IRPJ e CSLL relativos à adição proveniente da aplicação do PRL60% pela fiscalização. Fl. 1109DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.153 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720045/2014-82 Apesar de existir motivação no TVF quanto à impossibilidade de dedução do PIS e COFINS no cálculo do PRL20% (além do de 60%), o fato é que não houve ajustes em relação ao método do PRL20% adotado pela Recorrente. Dessa forma, tendo em vista que o acórdão embargado afastou a aplicação do PRL60% ao caso concreto, e daí julgou o recurso voluntário totalmente procedente, o argumento quanto ao direito de deduzir o PIS e COFINS no preço parâmetro perdeu o objeto. O enfrentamento dessa discussão, na verdade, somente seria necessário se existisse algum ajuste decorrentes do PRL20% - o que não é o caso -, OU se o Colegiado tivesse entendido que o PRL60% seria de fato o método aplicável - o que também não é o caso. Isso significa dizer que, ao contrário da premissa adotada no despacho de admissibilidade dos presentes Embargos de Declaração, a questão acerca da falta de dedução do valor das contribuições ao PIS e COFINS para fins de cálculo do preço parâmetro dos bens importados não constitui matéria autônoma, razão pela qual não há que se falar em vício de omissão no julgado. De uma análise mais atenta ao caso concreto, portanto, verifica-se que a omissão arguida pela PGFN não restou caracterizada. Conclusão Em face do exposto, rejeito os embargos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721068/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCESSUAL CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO.
Configurada a ocorrência de concomitância de ações nas vias administrativa e judicial, discutindo-se o mesmo objeto, aplica-se o o disposto no art. 38, parágrafo único, da Lei n°6.830, de 22/09/1980, ante a renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-006.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Raimundo Cassio Goncalves Lima (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Configurada a ocorrência de concomitância de ações nas vias administrativa e judicial, discutindo-se o mesmo objeto, aplica-se o o disposto no art. 38, parágrafo único, da Lei n°6.830, de 22/09/1980, ante a renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa. RECURSO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Raimundo Cassio Goncalves Lima (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 10 68 /2 01 2- 84 Fl. 383DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em desfavor do recorrente, constante nos autos do processo nº 11516.721068/2012-84, relativo a: DBECAD TIPO PERÍODO VALOR 51.007.8770 Obrigação principal contribuições patronais incidentes sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho 01/2009 a 12/2011 R$ 1.450.098,52 Conforme descrito no relatório fiscal, fls., o fato gerador do levantamento corresponde ao pagamento de Notas Fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.876/99, cujas informações não foram declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A base de cálculo legal é o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e foi obtida analisando-se a conta contábil "2.0101.6.001 Convênio Médico, Odontológico e Farmacêutico", bem como das planilhas solicitadas e fornecidas pela contabilidade da entidade e das Notas Fiscais Faturas correspondentes, e estão discriminadas na planilha do "ANEXO I PLANILHA UNIMED". A Associação Catarinense do Ministério Público firmou contratos de prestação de serviços com a UNIMED DE FLORIANÓPOLIS Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 77.858.611/000108, contrato n° "0303", de 02/01/2000, e contrato n° "2567", de 01/06/2007. Preliminarmente foi verificada a modalidade de prestação de serviços, onde os mesmos depreendem grande risco ou risco global, sendo assim classificados os planos que asseguram atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares. Assim, foi aplicado o percentual de 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, como base de cálculo para a contribuição previdenciária. Foi verificado ainda que a entidade possui ação ordinária de n° 2008.72.00.0025877/SC, relativa à matéria em questão, onde foi facultado o depósito judicial, expedido através de despacho em 11/03/2008, conforme cópia em anexo. O depósito do montante integral, nos termos do art. 151, inciso II do CTN deve ser entendido como composto de principal, multa e juros. De acordo com o extrato dos depósitos judiciais apresentados, observou-se que: a) foram depositadas as contribuições incidentes sobre as Notas Fiscais Faturas de prestação de serviços emitidas pela UNIMED, a partir de 02/2008, apenas relativas às mensalidades do contrato 0303; Fl. 384DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 b) as contribuições incidentes sobre as faturas emitidas inerentes ao contrato “2567”, e as faturas com a descrição de “custo operacional” e “coparticipação” não foram depositadas. Constatou-se ainda que, nas competências 02/2008 e 12/2008, o depósito judicial foi realizado fora da data limite para o recolhimento das contribuições à Seguridade Social, devidas pelas empresas, conforme demonstrado nas planilhas do ANEXO I, sem os acréscimos legais decorrentes, ou seja, sem a multa e os juros. Confrontando, então, o montante dos depósitos judiciais efetuados com as contribuições devidas sobre os serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, constatou-se que foram realizados em montante parcial, conforme demonstrado na planilha do ANEXO I. Quanto às faturas emitidas com a descrição de "custo operacional" e "coparticipação", a entidade esclareceu que se trata de serviços efetuados fora da cobertura do plano e são cobrados dos segurados, sendo meramente uma repassadora dos valores que são descontados dos próprios, porém, as faturas foram emitidas diretamente contra a associação, e o ônus recai sobre a entidade. A Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 (DOU de 28/05/2009) instituiu novas diretrizes quanto ao valor da multa aplicada nos lançamentos de ofício de contribuições previdenciárias (art.35A, da Lei n° 8.212/1991), por falta de pagamento ou recolhimento (multa de mora) e por falta de declaração ou declaração inexata na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (multa por descumprimento de obrigação acessória). Relativamente aos fatos geradores lançados no presente auto de infração, nas competências 04/2007 a 12/2007, resultou ser mais benéfica ao contribuinte a multa de ofício, estabelecida pelo inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 DOU de 30/12/1996 (75% setenta e cinco por cento) que foi comparada com a soma da multa de mora do inciso II do art. 35 (24% vinte e quatro por cento) mais a multa por descumprimento de obrigação acessória, prevista no § 5º do art. 32, ambos da Lei n° 8.212/1991, cujos demonstrativos estão detalhados nas seguintes planilhas: "ANEXO II CÁLCULO DAS MULTAS" e "SAFIS Comparação de Multas". Ainda, relativamente aos fatos geradores lançados no presente Auto de Infração, nas competências 01/2007 a 03/2007 e 01/2008 a 11/2008, resultou ser mais benéfica ao contribuinte a multa (por descumprimento de obrigações acessórias) prevista no § 5º do art. 32, que foi somada à multa de mora do inciso II do art. 35 (24% vinte e quatro por cento), ambos da Lei n° 8.212/1991, cujo montante foi comparado à multa de ofício, estabelecida pelo inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 DOU de 30/12/1996 (75% setenta e cinco por cento), conforme auto de Infração de obrigações acessórias, e esclarecimentos no relatório correspondente "ANEXO III RELATÓRIO FISCAL DA MULTA APLICADA DEBCAD N° 37.362.5898" e nas planilhas demonstrativas citadas no item acima. A base de cálculo, a unidade monetária utilizada, as alíquotas aplicadas, as diferenças apuradas, os valores relativos a juros e multas, bem como a fundamentação legal dos lançamentos efetuados (além da citada neste relatório), encontram-se devidamente discriminados nos anexos Discriminativo do Débito DD, e Fundamentos Legais do Débito – FLD. Irresignada com a autuação, a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 133/163. Fl. 385DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 16-57.512 - 12 ª Turma da DRJ/SPO, às fls. 229/258, julgando improcedente a Impugnação apresentada e mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91. AÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE ÓBICE AO LANÇAMENTO. A existência de ação judicial não transitada em julgado, interposta pela empresa, cerca da exigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, implica a constituição do crédito tributário correspondente, com o fito de se prevenir a decadência, não havendo decisão que proíba tal procedimento. OBRIGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos no mês da emissão da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, em relação aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AÇÃO JUDICIAL. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Durante o curso de ação judicial em que se discute a obrigação previdenciária, a GFIP deve ser preenchida normalmente, de modo a evidenciar o valor da contribuição devida de acordo com a lei, e não aquele do qual a empresa se julga devedora. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, via de regra o prazo decadencial a ser aplicado no do CTN, sendo aplicado o prazo decadencial do artigo 150, §4º, do CTN somente quando o sujeito passivo apura o valor devido, presta informações ao fisco e antecipa o pagamento de contribuições, mesmo que parcialmente. Tratando-se de AI Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. Somente o depósito do montante integral nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É cabível o lançamento de juros e multa na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade não houver sido suspensa em virtude de depósito judicial do montante integral, antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada em virtude de determinação legal. Somente quando a multa prevista no artigo 32, parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, é aplicada isoladamente é que deve Fl. 386DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 ser comparada com a penalidade prevista no artigo 32ª da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, para fins de aferição da norma mais benéfica. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de perícias, quando entende-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SOBRESTAMENTO DO FEITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo haver sobrestamento dos autos sem que haja previsão normativa ou determinação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 267/294, repisando suas alegações em sede de Impugnação e respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: A Recorrente foi autuada por não ter recolhido a contribuição previdenciária, até então, teórica e supostamente, incidente sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho médico (Unimed) nas competências 01/2009 a 12/2011. De acordo com a RFB essa contribuição seria devida em razão do que dispõe o art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. PRELIMINARMENTE Alega em sede preliminar que houve decisão definitiva de mérito proferida pelo STF sobre a matéria em debate, declarando a inconstitucionalidade do inciso IV, do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, ao apreciar o RE 595.838, sob a sistemática de repercussão geral. Que diante desses fatos, todos os autos lavrados contra si deverão ser anulados e arquivados, tanto o AI de Obrigações Principais, Acessórias, Arrolamento e Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP. Assim, sem que seja necessário adentrar nos demais fundamentos deste recurso voluntário, requer a imediata aplicação do entendimento da Corte Constitucional, de modo a cancelar pronta e integralmente o lançamento que lhe é objeto em face ao que determina o artigo 53,§ 4º e artigo 62-A do Anexo II do RICARF. MÉRITO No mérito repisa os fundamentos de sua Impugnação, os quais não receberam tratamento adequado pela DRJ/SPO, para ao final requerer: O conhecimento deste recurso voluntário e, nos termos da preliminar, seja aplicado o entendimento do STF, para cancelar pronta e integralmente o presente lançamento, incluindo o PRINCIPAL, ACESSÓRIOS, ARROLAMENTOS E RFFP, que lhe estão relacionados. Fl. 387DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 Alternativamente, requer seja julgado totalmente procedente o recurso voluntário, para efeito de anular/cancelar integralmente os AI nº 51.007.8770 e, consequentemente, arquivar o PAF n° 11516.721068/201284 e, caso os fundamentos aqui delineados não sejam suficientes para o convencimento deste Colegiado, requer, nos termos do art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72, a realização de perícia contábil, que se justifica pela necessidade de comprovação das discrepâncias técnicas no trato dos registros contábeis que deram suporte à aplicação dos juros e multas. Para isso, indica como expert o contador Sérgio Francisco Soares (CRC 9364/02). Posteriormente, já em 11/06/2015, a Recorrente junta nova manifestação (fls. 330/335), informando que: Conforme se depreende da certidão e acórdãos anexos, o Poder Judiciário estabeleceu, em caráter definitivo, que a Recorrente não é devedora da exação fiscal que constitui o objeto dos presentes autos. Assim, ocorrendo a extinção do crédito tributário principal, obviamente, ficam também aniquilados todos os acessórios que eventualmente compunham este PAF. Diante do exposto, e em face ao que dispõe o art. 156, X do CTN, os arts. 53, § 4º e 78, § 2º do RICARF e a Súmula CARF nº 1, a Recorrente requer o imediato encerramento e arquivamento destes aos autos, uma vez que seu objeto (contribuições previdenciárias e respectivos acessórios), encontra-se integralmente extinto por decisão judicial transitada em julgado, em favor do Recorrente. Em continuidade, os autos foram remetidos para este E. CARF, ocasião em que foi proferido “Despacho de Distribuição por Conexão” pela Ilustre Presidente da 2ª Seção deste Tribunal Administrativo, às fls. 378/379, Dra Maria Helena Cotta Cardoso, sob os seguintes fundamentos: - O Processo nº 11516.721067/2012-30, foi distribuído por sorteio para esta Conselheira Relatora Na mesma ação fiscal também foi lavrado o auto de infração DEBCAD 51.007.877-0, referente ao período de 01/2009 a 12/2011, que versa sobre “obrigação principal contribuições patronais incidentes sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. O referido auto de infração consta do Processo nº 11516.721068/2012-84, que se encontra na Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap). Os processos em questão foram fundamentados em eventos idênticos, tendo sido gerados do mesmo procedimento fiscal. Por isso, os DEBCADS correspondentes constam do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) de ambos os processos (e-fl. 25, do Processo nº 11516.721068/2012-84, e e-fl. 48. Do Processo nº 11516.721067/2012-30). Resta, portanto, evidenciado tratarem-se de processos conexos, nos termos do inciso I do §1º do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Nessa situação, a solução indicada no § 2º do art. 6º do Anexo II é que o processo seja distribuído ao conselheiro que primeiro tenha recebido o processo conexo, ou o principal, quando para esse ainda não houver sido proferida decisão por colegiado de mesma hierarquia. Fl. 388DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 Desse modo, considerando que o Processo nº 11516.721068/2012-84 encontra-se na Disor/Cegap, foi determinada a distribuição para esta relatora, por conexão com o Processo nº 11516.721067/2012-30. É o Relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO No presente caso, como visto no relatório, há acórdão judicial, prolatado nos autos do Processo n° 2008.72.002.587-7, TRF 4ª Região, estabelecendo em caráter definitivo, que a Recorrente não é devedora da exação fiscal que constitui o objeto destes autos (fls. 337/342). Da análise dos documentos juntados, tem-se ainda que o referido decisum transitou em julgado em 23/03/2015, conforme se verifica da documentação constante às fls. 343. Nesta linha intelectiva, imperioso registrar, contudo, diante da constatação de concomitância do presente processo com ação judicial versando sobre a mesma matéria, que houve renúncia ao direito de análise no âmbito do administrativo por parte da Contribuinte. Efetivamente, a Súmula CARF nº 01 é expressa: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, diante da renúncia ao direito em debate, não conheço do recurso. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para NÃO CONHECER DO RECURSO em face da concomitância verificada. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Fl. 389DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.926 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11516.721068/2012-84 Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015060/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1102-000.211
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Segunda Seção de Julgamento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Relatório
Trata-se de recurso voluntário interposto por WAGNER DE OLIVEIRA BORGES contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/Belo Horizonte que concluiu pela procedência do lançamento efetivado.
O crédito tributário lançado, referente ao IRPF, devido no período de apuração correspondente ao ano-calendário de 2001, totalizou o valor de R$ 6.622,16.
A autuação é fundamentada na glosa de deduções informadas na declaração anual de ajuste, a título de despesas médicas, as quais não foram devidamente comprovadas.
Diante da impugnação interposta ao feito fiscal pelo contribuinte, a já mencionada 5ª Turma da DRJ/Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02-20.380, de 12 de dezembro de 2008, por meio do qual decidiu pela procedência do lançamento efetivado.
Assim figurou a ementa do referido julgado:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora.
Lançamento Procedente
Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em que pede a remissão do crédito tributário lançado.
É a síntese do necessário.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Segunda Seção de Julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por WAGNER DE OLIVEIRA BORGES contra acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/Belo Horizonte que concluiu pela procedência do lançamento efetivado. O crédito tributário lançado, referente ao IRPF, devido no período de apuração correspondente ao ano-calendário de 2001, totalizou o valor de R$ 6.622,16. A autuação é fundamentada na glosa de deduções informadas na declaração anual de ajuste, a título de despesas médicas, as quais não foram devidamente comprovadas. Diante da impugnação interposta ao feito fiscal pelo contribuinte, a já mencionada 5ª Turma da DRJ/Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02-20.380, de 12 de dezembro de 2008, por meio do qual decidiu pela procedência do lançamento efetivado. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em que pede a remissão do crédito tributário lançado. É a síntese do necessário.
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score : 1.0
Numero do processo: 13971.908781/2011-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos.
Numero da decisão: 9303-009.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 87 81 /2 01 1- 16 Fl. 21403DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.685 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13971.908781/2011-16 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão nº 3302-004.335, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso voluntário para (i) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); (ii) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e (iii) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). O colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 21404DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.685 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13971.908781/2011-16 O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. QUANTIDADE DE PRODUTO SAÍDA COM SUSPENSÃO MENOR DO QUE A ADQUIRIDA SEM CRÉDITO. ESTORNO PROPORCIONAL DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES COM CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de amparo legal e não atender o critério da razoabilidade, não há como ser admitida a glosa de créditos proporcional ao valor das aquisições de produto vendido com suspensão, se a quantidade desse produto adquirido sem crédito (com suspensão) for maior do que quantidade vendida com suspensão. O estorno proporcional de crédito somente é admitido na hipótese de as vendas com suspensão superarem as aquisições do produto com suspensão, o que não ocorreu nos presentes autos. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os Fl. 21405DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.685 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13971.908781/2011-16 gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS (MATÉRIA PRIMA E PRODUTOS EM PRODUÇÃO) ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. FRETE PROPORCIONAL ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. GLOSA RELATIVA À OPERAÇÃO DE VENDA RESTABELECIDA. GLOSA DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O FRETE PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ser diretamente dependente da manutenção da glosa do crédito calculado sobre o valor proporcional da aquisição do produto com crédito (operação tributada), a improcedência desta implica reconhecimento improcedência também da glosa do crédito calculado sobre o valor do frete proporcional a venda com suspensão também deve cancelada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o referido acórdão, sendo, em despacho de admissibilidade, dado seguimento ao recurso quanto à Fl. 21406DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.685 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13971.908781/2011-16 rediscussão da questão do direito aos créditos da não cumulatividade em relação a fretes na transferência de insumos e produtos inacabados entre estabelecimentos. Embargos de Declaração foram opostos pelo sujeito passivo ante o r. acórdão que, posteriormente, em despacho não foram admitidos. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, precedentes favoráveis. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, ressurgindo com a discussão acerca Da glosa vinculada às operações de transferências (Glosa 4.4.2.1 ); Da glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral (Glosa 4.4.2.2); Da glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda (Glosa 4.4.2.3), Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 4.4.4.2) e Da glosa vinculada às operações com suspensão (Glosa 4.4.4.1) - alíquota zero. Em Despacho às fls. 21385 a 21392, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecê-lo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do Fl. 21407DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.685 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13971.908781/2011-16 RICARF/2015 – Portaria MF 343/15. Que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho. Ventiladas tais considerações, quanto à lide posta em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja, possibilidade ou não de se constituir crédito da não cumulatividade sobre os gastos com fretes na transferência de insumos e produtos inacabados entre estabelecimentos, dou razão ao contribuinte. Vê-se que esse item encontra-se pacificado, nos termos da Nota SEI PGFN MF 63/18, eis que, aplicando-se o teste de subtração, não há como sustentar não se tratar de insumos tais fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos. Ora, com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 21408DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.685 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13971.908781/2011-16 Fl. 21409DF CARF MF
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