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Numero do processo: 10469.721640/2016-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para o reconhecimento da isenção sobre os proventos de aposentadoria/pensão a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, anteriormente ao período discutido.
Numero da decisão: 2201-004.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o reconhecimento da isenção sobre os proventos de aposentadoria/pensão a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, anteriormente ao período discutido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 16 40 /2 01 6- 89 Fl. 161DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 102/116, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), de fls. 82/92, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação decorrente de lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2015, anocalendário 2014, por meio da qual se exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 24.949,70, atualizado até 31/03/2016. Ante a clareza do relatório constante da decisão recorrida, peço a vênia para transcrever: Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – 2ª Retificadora, entregue pelo(a) interessado(a) em 13/02/2016, relativa ao exercício financeiro de 2015, quando foram constatadas as seguintes infrações, conforme a Descrição dos Fatos: 1) “Omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais”, no total de R$ 320.652,74. Constou da Descrição dos Fatos o seguinte esclarecimento: (...) 2) Dedução indevida de contribuição à previdência oficial, no valor de R$ 10.143,95, “ajustada, conforme fontes pagadoras e informações constantes em DIRF.” O contribuinte foi cientificado da autuação e apresentou impugnação por intermédio de seu procurador. Da Impugnação O Recorrente apresentou sua Impugnação em que alegou: Em decorrência de diagnóstico positivo à doença cardíaca incapacitante, surgida desde o ano de 2004, teve o contribuinte que proceder com seguidos trâmites legais à sua aposentadoria, bem como à devida restituição do IRRF, razão pela qual em 13/02/2016 seu contador enviou nova retificação da Declaração do exercício de 2015. Ocorre que o imposto apurado no Demonstrativo da Notificação, resultante de possível omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção do declarante/contribuinte, já foi devidamente pago à época da entrega da Declaração 1ª Retificadora. Já foram recolhidos R$ 29.112,71 em 08 (oito) quotas de R$ 3.639,08. O débito ora exigido é proveniente de procedimentos errôneos contábeis, vez que o contador zerou os dados do contribuinte junto à Receita Federal, com o fim de auferir a restituição. A doença deste contribuinte se deu em 2004 e, não, na data de sua avaliação pela Junta Médica do Estado, razão pela qual faz Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 162 3 jus à restituição de imposto de renda desde a contração da doença, como bem orienta a jurisprudência majoritária dos Tribunais dos Estados e dos Tribunais Superiores, devendo a isenção retroagir àquele ano. “Patente, por conseguinte, a não caracterização legal de omissões de rendimentos a título de máfé do contribuinte, que deve culminar na Nulidade da Notificação de Lançamento, bem como dos Demonstrativos do Crédito Tributário e Apuração do Imposto Devido, com suas respectivas multas de ofício e juros moratórios”. Dos rendimentos recebidos da Secretaria de Administração do Estado do Rio Grande do Norte houve o desconto de contribuição para a previdência oficial no valor de R$ 10.143,95. A impugnação foi processada e julgada. Da Decisão da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação procedente em parte, com as seguintes razões: Registrese que o notificado, nascido em 14/07/1954, contava com 60 (sessenta) anos de idade no anocalendário de 2014. Assim, nesse período, não faz jus à isenção para os proventos de aposentadoria recebidos pelos contribuintes com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, a teor do disposto no art. 39, XXXIV, do RIR/1999. Quanto à isenção do imposto de renda para os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave, cabem os seguintes esclarecimentos. O Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 1966), ao tratar da Interpretação e Integração da Legislação Tributária (Capítulo IV), assim dispõe em seu art. 111, inc. II: “Interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Segundo o art. 39, inciso XXXIII, do RIR/1999, c/c o art. 1º da Lei nº 11.052, de 2004, “não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, Fl. 163DF CARF MF 4 mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. [destaquei] Determinam os §§ 4º, 5º e 6º, do art. 39, do RIR/1999, que: § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). [destaquei] § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. [destaquei] § 6º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Reclama o impugnante da data considerada pela autoridade lançadora como início do benefício fiscal em comento, no caso, 29/09/2014. Baseouse a Fiscalização no Laudo Médio Pericial de fl. 681, emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte, no qual os emitentes, Dra. Jaqueline Barreto Borges, CRMRN 3675, e Dr. Saulo André Stabile da Silva, CRMRN 3009, membros da perícia médica do IPERN/Natal, afirmam que a cardiopatia grave acometida ao Sr. Otton Max Barreto Aragão (impugnante) foi diagnosticada em 29/09/2014. A seguir um excerto do citado Laudo Médico Pericial (Oficial): Diante do exposto, consideramos que o requerente é portador de patologia codificada no CID 10:I70.2 (aterosclerose das artérias das extremidades) e I50.0 (insuficiência cardíaca congestiva), configurando esta última, no caso específico, modalidade de CARDIOPATIA GRAVE, comprovada através de exames, desde 29 de setembro de 2014. [negritei] Ao contrário do que entendeu o peticionário, a autoridade fiscal agiu nos exatos termos da legislação tributária; e nem poderia ser diferente, haja vista a determinação expressa no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo o qual a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se perca de vista, ainda, que, em se tratando de isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 163 5 conforme já noticiado (art. 111, do CTN), não comportando elucubrações, na forma em que pretendida pelo impugnante. Ora, a data a ser considerada para início da fruição do benefício fiscal em comento é exatamente aquela indicada pelos médicos peritos no laudo oficial por eles emitido. Se outra foi a data, no entendimento do requerente, caberia aos médicos do serviço médico oficial dizêlo. E isto não foi feito. Recentemente, a RFB por intermédio da COSIT (Coordenação Geral de Tributação), emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11, de 28/6/2012, cuja conclusão, depois de reiterar esclarecimentos e orientações de SCIs anteriores, foi a seguinte: 15. Em face do exposto, podese afirmar que (...) Na situação sob exame, reiterese, o laudo médico oficial de fl. 68 foi emitido em 14/11/2014, indicando como data em que a doença foi diagnosticada o dia 29/09/2014. Dessa forma, no anocalendário de 2014, objeto da Notificação em apreço, os rendimentos amparados pela isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do RIR/1999, são aqueles percebidos pelo impugnante a partir de setembro/2014, tal qual registrado pela autoridade fiscal na Descrição dos Fatos de fl. 43. Resta, então, analisar a data em se deu a aposentadoria do contribuinte em relação a cada uma de suas fontes pagadoras. Vale notar, de plano, que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Prefeitura Municipal de Galinhos (R$ 124.987,50), em face do trabalho autônomo, de acordo com a DIRF (Declaração de Imposto de Renda na Fonte) dessa fonte pagadora, às fls. 77/78, enviada sob código de receita 0588 (rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício), não estão albergados pelas isenções a que já se fez referência, vez que não se tratam de proventos de aposentadoria. Igual entendimento se aplica aos rendimentos recebidos pelo impugnante a título de “resgate de previdência complementar – contribuição definida/variável – não optante pela tributação exclusiva” (código de receita 3223), segundo a DIRF enviada por Porto Seguro Vida e Previdência S/A (R$ 15.159,00), à fls. 71/72. Nesse ponto importa destacar que o valor informado em DIRF pela referida fonte pagadora não foi lançado como rendimento omitido na Notificação sob exame, mas, sim, indevidamente, como “dedução”, haja vista que integrou o total das “deduções declaradas” no item 3 (R$ 39.290,37) do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 45. Contudo, tal equívoco (que culminou por beneficiar o fiscalizado) não pode ser corrigido pela autoridade julgadora, por lhe faltar competência regimental para assim proceder, eis que agravaria a exigência inicial. Fl. 165DF CARF MF 6 Já os rendimentos pagos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, a título de “RRAAlimentar” (R$ 18.024,63), de acordo com a DIRF de fls. 79/80, constaram como tal da DAA/2015 – 2ª Retificadora, objeto de revisão, e não sofreram qualquer alteração por parte da autoridade fiscal. Resta, agora, analisar a data em que se deu a aposentadoria do interessado perante o Governo do Estado do Rio Grande do Norte (Secretaria da Administração) e a Prefeitura Municipal de Bento Fernandes. A DIRF enviada à RFB pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte (Secretaria da Administração), fls. 69/70, informa o pagamento ao contribuinte no montante de R$ 144.901,02 (com IRRF de R$ 24.755,14; previdência oficial de R$ 10.143,95; e pensão alimentícia de R$ 8.688,00). Segundo o requerente, a sua aposentadoria perante o Governo do Estado do Rio Grande do Norte (Secretaria da Administração) se deu em 14/06/2013, de acordo com a publicação no Diário Oficial do Estado nº 12.970, de 14/06/2013. O peticionário não trouxe a necessária documentação comprobatória de sua aposentadoria para análise desta autoridade julgadora. Contudo, verificase que a citada DIRF foi apresentada com o código de receita “3533 – Aposentadoria, Reserva, Reforma ou Pensão Pagos por Previdência Pública”. Dessa forma, há que se considerar que o rendimento recebido pelo contribuinte do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, no AC2014, no total de R$ 144.901,02, foi de fato provento de aposentadoria. Tendo em vista que sua moléstia grave foi diagnosticada em 29/09/2014, faz ele jus, a partir dessa data, ao benefício da isenção prevista no art. 39, XXXIII, do RIR/1999. E foi exatamente por esse motivo que a autoridade fiscal considerou como omitido o total de R$ 94.063,24 (rendimentos de janeiro a agosto), reconhecendo a isenção do imposto de renda para os rendimentos recebidos de setembro a dezembro de 2014. Correto, portanto, o trabalho fiscal. As deduções do rendimento recebido pelo contribuinte da mencionada fonte pagadora foram devidamente consideradas pela Fiscalização no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de fl. 45. Alegou o peticionário que não foi considerada a dedução de contribuição para a previdência oficial no valor de R$ 10.143,95, que teve descontado dos rendimentos que lhe foram pagos. Com efeito, tal valor consta da DIRF de fls. 69/70, na qual se baseou a autoridade fiscal. Ao contrário do que entendeu o interessado, o referido valor foi devidamente considerado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 45, no item 3 (total das deduções declaradas), como parcela redutora. Ocorre que a autoridade fiscal apenas fez um ajuste, conforme esclarecido na Descrição dos Fatos de fl. 44, a saber: “Contribuições à previdência oficial ajustadas, conforme fontes pagadoras e informações constantes em DIRF”. Portanto, nenhum prejuízo houve ao notificado. De outro lado, afirmou o impugnante que “mantinha com o Município de Bento Fernandes vínculo contratual de trabalho, tendo este, ao longo dos anos, declarado pormenorizadamente Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 164 7 seus rendimentos à Receita Federal do Brasil. Encontrandose este APOSENTADO POR INVALIDEZ desde 13/05/2015 (doc. em anexo). Último dia de trabalho 01/09/2014”. A DIRF enviada à RFB pela citada fonte pagadora, fl. 73, informa o pagamento ao contribuinte no montante de R$ 82.802,002, a título de “rendimentos do trabalho assalariado” (código de receita 0561). Contudo, não trouxe o requerente a indispensável documentação comprobatória de sua aposentadoria perante essa fonte pagadora, nãoobstante tenha dito que sua aposentadoria por invalidez teve início em 13/05/2015. Nesse contexto, temse que nos termos dos arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação conferida pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, compete ao(à) interessado(a) instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. Prejudicado o reclamo passivo quanto a esse aspecto. E foi a constatação, pela autoridade fiscal, de infração à legislação tributária cometida pelo interessado, que ensejou o lançamento ora questionado, inclusive com a aplicação da multa de ofício de 75%, conforme constou do Demonstrativo de fl. 36, a saber: Multa de ofício – Passível de redução: artigo 44, inciso I, e §3º, da Lei nº 9430/96, hoje com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, incidente sobre o imposto de renda pessoa física suplementar, apurado em decorrência da alteração do valor do imposto devido. A cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, está prevista no artigo 84, inciso I, da Lei nº 8.981/95, c/c o artigo 13 da Lei nº 9.065/95. (...) Portanto, a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser em percentual diferente de 1% (um por cento), bastando que uma lei ordinária assim o determine. Apenas no silêncio da lei é que a taxa de juros será de 1% (um por cento) ao mês. O assunto já foi definido no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) mediante a Súmula nº 4, aprovada na sessão de 8/12/2009, a saber: Súmula CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencia do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Fl. 167DF CARF MF 8 Em suma. Constatado o descumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte, reiterese, a autoridade fiscal, na sua atribuição/obrigação legal de zelar pela arrecadação dos tributos, nos termos do artigo 142 do CTN, tem o dever legal de exigir o crédito tributário com os acréscimos legais previstos em Lei, sendo incontroverso que não cabe às autoridades lançadora e julgadora qualquer discricionariedade relativa à aplicação, tanto da multa de ofício, quanto dos juros de mora. Contudo, argumentou o requerente que o imposto por ele recolhido aos cofres públicos, referente ao IRPF/2015, no total de R$ 29.112,71 em 08 (oito) quotas de R$ 3.639,08, apurado na DAA/2015 – 2ª Retificadora (entregue em 20/04/2015), não foi considerado quando da lavratura da Notificação ora impugnada. Com efeito, nos sistemas da RFB constam recolhimentos efetuados pelo requerente, relativos ao IRPF/2015, sob o código 0211 (quotas do IRPF), conforme a tela de fl. 81. Os indigitados recolhimentos foram realizados antes da lavratura da presente Notificação de Lançamento, ocorrida em 14/03/2016, razão pela qual deverão ser aproveitados para quitar o imposto de renda nela exigido, se ainda disponíveis. E tendo em vista que não há nos autos qualquer ato escrito capaz de excluir a espontaneidade do sujeito passivo à época em que efetuou os referidos recolhimentos, forçoso concluir que este procedimento se deu de fato espontaneamente, não devendo subsistir a multa de ofício aplicada pelo Fisco sobre o montante de imposto que já fora recolhido, na espécie, o próprio imposto suplementar de R$ 13.352,80. Disse o requerente que não houve máfé de sua parte. Contudo, em se tratando de matéria tributária, não importa se o sujeito passivo cometeu infração por equívoco, por descuido, por desconhecimento da legislação, pela complexidade técnica exigida para a elaboração da declaração, ou por não ter recebido orientações/documentos adequados. Em matéria tributária não há que se perquirir a intenção do agente, pois a responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não dependendo da aferição da existência de dolo ou culpa, conforme previsto no art. 136, do Código Tributário Nacional – CTN. A situação que emerge no presente caso é que o próprio impugnante deu causa à cobrança a ele imposta. Isso porque, anualmente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, no uso da competência que lhe é outorgada pelo art. 16 da Lei 9.779, de 1999, edita Instruções Normativas dispondo sobre a apresentação da Declaração de Ajuste Anual, estabelecendo forma, prazo e condições para o cumprimento da obrigação e o respectivo responsável que, salvo as exceções legalmente previstas, é o próprio sujeito passivo da obrigação principal. A responsabilidade dos contribuintes pela entrega à RFB da Declaração de Ajuste Anual é pessoal e intransferível. Vale notar que a escolha do profissional para elaborar a DAA e enviála à RFB é de inteira responsabilidade dos contribuintes, não podendo ser transferida ao Fisco. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 165 9 Tendo em vista que a omissão de rendimentos apontada pela autoridade fiscal está em consonância com as DIRFs enviadas à RFB pelas fontes pagadoras citadas na Descrição dos Fatos da Notificação sob exame, nenhuma alteração há que ser feita naqueles valores, eis que agiu acertadamente a Fiscalização. Quanto às decisões do Poder Judiciário, essas surtem os efeitos nelas previstos apenas em relação às partes envolvidas, não podendo ser estendidas a terceiros, estranhos ao processo judicial, excetuandose as inconstitucionalidades declaradas pelo Supremo Tribunal Federal – STF, nos termos do Decreto nº 2.346, de 13 de outubro de 1997, e as decisões do STF e do Superior Tribunal de Justiça – STJ, com efeito vinculante para a RFB, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, hipóteses que se não aplicam aos presentes autos. Ainda que assim não fosse, cabe destacara, a título argumentativo, que os julgados trazidos à colação pelo peticionário não se aplicam à presente situação. Cabe dizer, por fim, que todos os pedidos formulados pelo contribuinte no item IV de sua peça de defesa encontram resposta ao longo desse Voto. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento e tempestivamente, apresentou o recurso voluntário de fls. 102/116. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Com relação à questão do reconhecimento de que o Recorrente é portador de doença que se enquadra nos termos da Lei nº 7.713/88, art. 6º, incisos XIV e XXI restou incontroversa nos presentes autos. Entretanto, conforme ressaltado pela decisão recorrida, o Recorrente só passou a ser isento a partir de 29/09/2014. Tendo em vista que não trouxe outros documentos que comprovassem o contrário, o lançamento deve ser mantido, nos termos do que restou decidido na DRJ, motivo pelo qual, peço vênia para transcrever: Fl. 169DF CARF MF 10 Registrese que o notificado, nascido em 14/07/1954, contava com 60 (sessenta) anos de idade no anocalendário de 2014. Assim, nesse período, não faz jus à isenção para os proventos de aposentadoria recebidos pelos contribuintes com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, a teor do disposto no art. 39, XXXIV, do RIR/1999. Quanto à isenção do imposto de renda para os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave, cabem os seguintes esclarecimentos. O Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 1966), ao tratar da Interpretação e Integração da Legislação Tributária (Capítulo IV), assim dispõe em seu art. 111, inc. II: “Interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção”. Segundo o art. 39, inciso XXXIII, do RIR/1999, c/c o art. 1º da Lei nº 11.052, de 2004, “não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. [destaquei] Determinam os §§ 4º, 5º e 6º, do art. 39, do RIR/1999, que: § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). [destaquei] § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. [destaquei] § 6º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 166 11 Reclama o impugnante da data considerada pela autoridade lançadora como início do benefício fiscal em comento, no caso, 29/09/2014. Baseouse a Fiscalização no Laudo Médio Pericial de fl. 681, emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte, no qual os emitentes, Dra. Jaqueline Barreto Borges, CRMRN 3675, e Dr. Saulo André Stabile da Silva, CRMRN 3009, membros da perícia médica do IPERN/Natal, afirmam que a cardiopatia grave acometida ao Sr. Otton Max Barreto Aragão (impugnante) foi diagnosticada em 29/09/2014. A seguir um excerto do citado Laudo Médico Pericial (Oficial): Diante do exposto, consideramos que o requerente é portador de patologia codificada no CID 10:I70.2 (aterosclerose das artérias das extremidades) e I50.0 (insuficiência cardíaca congestiva), configurando esta última, no caso específico, modalidade de CARDIOPATIA GRAVE, comprovada através de exames, desde 29 de setembro de 2014. [negritei] Ao contrário do que entendeu o peticionário, a autoridade fiscal agiu nos exatos termos da legislação tributária; e nem poderia ser diferente, haja vista a determinação expressa no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo o qual a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se perca de vista, ainda, que, em se tratando de isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, conforme já noticiado (art. 111, do CTN), não comportando elucubrações, na forma em que pretendida pelo impugnante. Ora, a data a ser considerada para início da fruição do benefício fiscal em comento é exatamente aquela indicada pelos médicos peritos no laudo oficial por eles emitido. Se outra foi a data, no entendimento do requerente, caberia aos médicos do serviço médico oficial dizêlo. E isto não foi feito. Recentemente, a RFB por intermédio da COSIT (Coordenação Geral de Tributação), emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11, de 28/6/2012, cuja conclusão, depois de reiterar esclarecimentos e orientações de SCIs anteriores, foi a seguinte: 15. Em face do exposto, podese afirmar que (...) Na situação sob exame, reiterese, o laudo médico oficial de fl. 68 foi emitido em 14/11/2014, indicando como data em que a doença foi diagnosticada o dia 29/09/2014. Dessa forma, no anocalendário de 2014, objeto da Notificação em apreço, os rendimentos amparados pela isenção de que trata o art. 39, XXXIII, do RIR/1999, são aqueles percebidos pelo impugnante a partir de setembro/2014, tal qual registrado pela autoridade fiscal na Descrição dos Fatos de fl. 43. Fl. 171DF CARF MF 12 Resta, então, analisar a data em se deu a aposentadoria do contribuinte em relação a cada uma de suas fontes pagadoras. Vale notar, de plano, que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Prefeitura Municipal de Galinhos (R$ 124.987,50), em face do trabalho autônomo, de acordo com a DIRF (Declaração de Imposto de Renda na Fonte) dessa fonte pagadora, às fls. 77/78, enviada sob código de receita 0588 (rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício), não estão albergados pelas isenções a que já se fez referência, vez que não se tratam de proventos de aposentadoria. Igual entendimento se aplica aos rendimentos recebidos pelo impugnante a título de “resgate de previdência complementar – contribuição definida/variável – não optante pela tributação exclusiva” (código de receita 3223), segundo a DIRF enviada por Porto Seguro Vida e Previdência S/A (R$ 15.159,00), à fls. 71/72. Nesse ponto importa destacar que o valor informado em DIRF pela referida fonte pagadora não foi lançado como rendimento omitido na Notificação sob exame, mas, sim, indevidamente, como “dedução”, haja vista que integrou o total das “deduções declaradas” no item 3 (R$ 39.290,37) do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 45. Contudo, tal equívoco (que culminou por beneficiar o fiscalizado) não pode ser corrigido pela autoridade julgadora, por lhe faltar competência regimental para assim proceder, eis que agravaria a exigência inicial. Já os rendimentos pagos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, a título de “RRAAlimentar” (R$ 18.024,63), de acordo com a DIRF de fls. 79/80, constaram como tal da DAA/2015 – 2ª Retificadora, objeto de revisão, e não sofreram qualquer alteração por parte da autoridade fiscal. Resta, agora, analisar a data em que se deu a aposentadoria do interessado perante o Governo do Estado do Rio Grande do Norte (Secretaria da Administração) e a Prefeitura Municipal de Bento Fernandes. A DIRF enviada à RFB pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte (Secretaria da Administração), fls. 69/70, informa o pagamento ao contribuinte no montante de R$ 144.901,02 (com IRRF de R$ 24.755,14; previdência oficial de R$ 10.143,95; e pensão alimentícia de R$ 8.688,00). Segundo o requerente, a sua aposentadoria perante o Governo do Estado do Rio Grande do Norte (Secretaria da Administração) se deu em 14/06/2013, de acordo com a publicação no Diário Oficial do Estado nº 12.970, de 14/06/2013. O peticionário não trouxe a necessária documentação comprobatória de sua aposentadoria para análise desta autoridade julgadora. Contudo, verificase que a citada DIRF foi apresentada com o código de receita “3533 – Aposentadoria, Reserva, Reforma ou Pensão Pagos por Previdência Pública”. Dessa forma, há que se considerar que o rendimento recebido pelo contribuinte do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, no AC2014, no total de R$ 144.901,02, foi de fato provento de aposentadoria. Tendo em vista que sua moléstia Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 167 13 grave foi diagnosticada em 29/09/2014, faz ele jus, a partir dessa data, ao benefício da isenção prevista no art. 39, XXXIII, do RIR/1999. E foi exatamente por esse motivo que a autoridade fiscal considerou como omitido o total de R$ 94.063,24 (rendimentos de janeiro a agosto), reconhecendo a isenção do imposto de renda para os rendimentos recebidos de setembro a dezembro de 2014. Correto, portanto, o trabalho fiscal. As deduções do rendimento recebido pelo contribuinte da mencionada fonte pagadora foram devidamente consideradas pela Fiscalização no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de fl. 45. Alegou o peticionário que não foi considerada a dedução de contribuição para a previdência oficial no valor de R$ 10.143,95, que teve descontado dos rendimentos que lhe foram pagos. Com efeito, tal valor consta da DIRF de fls. 69/70, na qual se baseou a autoridade fiscal. Ao contrário do que entendeu o interessado, o referido valor foi devidamente considerado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 45, no item 3 (total das deduções declaradas), como parcela redutora. Ocorre que a autoridade fiscal apenas fez um ajuste, conforme esclarecido na Descrição dos Fatos de fl. 44, a saber: “Contribuições à previdência oficial ajustadas, conforme fontes pagadoras e informações constantes em DIRF”. Portanto, nenhum prejuízo houve ao notificado. De outro lado, afirmou o impugnante que “mantinha com o Município de Bento Fernandes vínculo contratual de trabalho, tendo este, ao longo dos anos, declarado pormenorizadamente seus rendimentos à Receita Federal do Brasil. Encontrandose este APOSENTADO POR INVALIDEZ desde 13/05/2015 (doc. em anexo). Último dia de trabalho 01/09/2014”. A DIRF enviada à RFB pela citada fonte pagadora, fl. 73, informa o pagamento ao contribuinte no montante de R$ 82.802,002, a título de “rendimentos do trabalho assalariado” (código de receita 0561). Contudo, não trouxe o requerente a indispensável documentação comprobatória de sua aposentadoria perante essa fonte pagadora, nãoobstante tenha dito que sua aposentadoria por invalidez teve início em 13/05/2015. Nesse contexto, temse que nos termos dos arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação conferida pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, compete ao(à) interessado(a) instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. Prejudicado o reclamo passivo quanto a esse aspecto. E foi a constatação, pela autoridade fiscal, de infração à legislação tributária cometida pelo interessado, que ensejou o lançamento ora questionado, inclusive com a aplicação da multa de ofício de 75%, conforme constou do Demonstrativo de fl. 36, a saber: Multa de ofício – Passível de redução: artigo 44, inciso I, e §3º, da Lei nº 9430/96, hoje com a redação dada pela Lei nº 11.488, Fl. 173DF CARF MF 14 de 2007, incidente sobre o imposto de renda pessoa física suplementar, apurado em decorrência da alteração do valor do imposto devido. A cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, está prevista no artigo 84, inciso I, da Lei nº 8.981/95, c/c o artigo 13 da Lei nº 9.065/95. (...) Portanto, a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser em percentual diferente de 1% (um por cento), bastando que uma lei ordinária assim o determine. Apenas no silêncio da lei é que a taxa de juros será de 1% (um por cento) ao mês. O assunto já foi definido no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) mediante a Súmula nº 4, aprovada na sessão de 8/12/2009, a saber: Súmula CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencia do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Em suma. Constatado o descumprimento de obrigação tributária pelo contribuinte, reiterese, a autoridade fiscal, na sua atribuição/obrigação legal de zelar pela arrecadação dos tributos, nos termos do artigo 142 do CTN, tem o dever legal de exigir o crédito tributário com os acréscimos legais previstos em Lei, sendo incontroverso que não cabe às autoridades lançadora e julgadora qualquer discricionariedade relativa à aplicação, tanto da multa de ofício, quanto dos juros de mora. Contudo, argumentou o requerente que o imposto por ele recolhido aos cofres públicos, referente ao IRPF/2015, no total de R$ 29.112,71 em 08 (oito) quotas de R$ 3.639,08, apurado na DAA/2015 – 2ª Retificadora (entregue em 20/04/2015), não foi considerado quando da lavratura da Notificação ora impugnada. Com efeito, nos sistemas da RFB constam recolhimentos efetuados pelo requerente, relativos ao IRPF/2015, sob o código 0211 (quotas do IRPF), conforme a tela de fl. 81. Os indigitados recolhimentos foram realizados antes da lavratura da presente Notificação de Lançamento, ocorrida em 14/03/2016, razão pela qual deverão ser aproveitados para quitar o imposto de renda nela exigido, se ainda disponíveis. E tendo em vista que não há nos autos qualquer ato escrito capaz de excluir a espontaneidade do sujeito passivo à época em que efetuou os referidos recolhimentos, forçoso concluir que este procedimento se deu de fato espontaneamente, não devendo subsistir a multa de ofício aplicada pelo Fisco sobre o montante de imposto que já fora recolhido, na espécie, o próprio imposto suplementar de R$ 13.352,80. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10469.721640/201689 Acórdão n.º 2201004.623 S2C2T1 Fl. 168 15 Disse o requerente que não houve máfé de sua parte. Contudo, em se tratando de matéria tributária, não importa se o sujeito passivo cometeu infração por equívoco, por descuido, por desconhecimento da legislação, pela complexidade técnica exigida para a elaboração da declaração, ou por não ter recebido orientações/documentos adequados. Em matéria tributária não há que se perquirir a intenção do agente, pois a responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não dependendo da aferição da existência de dolo ou culpa, conforme previsto no art. 136, do Código Tributário Nacional – CTN. A situação que emerge no presente caso é que o próprio impugnante deu causa à cobrança a ele imposta. Isso porque, anualmente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, no uso da competência que lhe é outorgada pelo art. 16 da Lei 9.779, de 1999, edita Instruções Normativas dispondo sobre a apresentação da Declaração de Ajuste Anual, estabelecendo forma, prazo e condições para o cumprimento da obrigação e o respectivo responsável que, salvo as exceções legalmente previstas, é o próprio sujeito passivo da obrigação principal. A responsabilidade dos contribuintes pela entrega à RFB da Declaração de Ajuste Anual é pessoal e intransferível. Vale notar que a escolha do profissional para elaborar a DAA e enviála à RFB é de inteira responsabilidade dos contribuintes, não podendo ser transferida ao Fisco. Tendo em vista que a omissão de rendimentos apontada pela autoridade fiscal está em consonância com as DIRFs enviadas à RFB pelas fontes pagadoras citadas na Descrição dos Fatos da Notificação sob exame, nenhuma alteração há que ser feita naqueles valores, eis que agiu acertadamente a Fiscalização. Quanto às decisões do Poder Judiciário, essas surtem os efeitos nelas previstos apenas em relação às partes envolvidas, não podendo ser estendidas a terceiros, estranhos ao processo judicial, excetuandose as inconstitucionalidades declaradas pelo Supremo Tribunal Federal – STF, nos termos do Decreto nº 2.346, de 13 de outubro de 1997, e as decisões do STF e do Superior Tribunal de Justiça – STJ, com efeito vinculante para a RFB, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, hipóteses que se não aplicam aos presentes autos. Ainda que assim não fosse, cabe destacara, a título argumentativo, que os julgados trazidos à colação pelo peticionário não se aplicam à presente situação. Nem mesmo haveria de se cogitar a aplicação das súmulas CARF nºs 43 e 63, verbis: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Fl. 175DF CARF MF 16 Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Entretanto, devemos reconhecer que o contribuinte pagou no momento certo o valor do tributo conforme comprovantes de arrecadação constantes nos presentes autos. Deste modo, a unidade preparadora deve descontar os valores pagos a título de Imposto de Renda, desde que o Recorrente não tenha solicitado e conseguido restituir o valor que foi pago. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721301/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 14/03/2013 a 22/11/2013
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3402-005.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 14/03/2013 a 22/11/2013 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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Recorrente SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/03/2013 a 22/11/2013 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 13 01 /2 01 5- 01 Fl. 285DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 lavrada em razão da interposição fraudulenta comprovada da empresa SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA S.A. (“SEGER”) em operações de comércio exterior que teriam sido de fato promovidas pela FRIGEL LATINO AMÉRICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS DE RESFRIAMENTO LTDA (“FRIGEL”). A multa decorrente da conversão da pena de perdimento1 é cobrada no Auto de Infração objeto do processo n.º 10983.721302/201547 igualmente posto em julgamento nesta sessão em julgamento. A autuação fiscal se respaldou nas informações prestadas pelas duas empresas no curso da fiscalização, concluindo que as importações incorridas pela SEGER em 2013 ocorreram com a FRIGEL como destinatário predeterminado, que inclusive procedia com adiantamentos a título de sinal. Como indicado no Relatório de Ação Fiscal: "Com o objetivo de investigar mais a fundo as importações realizadas pela Seger e cuja destinação era a empresa Frigel e sanar dúvidas que ainda não haviam sido esclarecidas pela empresa fiscalizada, em 22/05/2015, encaminhamos Termo de Início de Ação Fiscal (TIAFAdq), relativo ao TDPF 0925200.2015.000417, cuja ciência ocorreu em 28/05/2015 (ARTIAF Adq). Nesta Intimação, solicitamos que a Seger apresentasse cópia das Notas Fiscais de Entrada e de Saída que estariam relacionadas às vendas das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização, apresentar TODOS OS COMPROVANTES DE PAGAMENTO (onde apareça a data do recebimento e o valor) relativos à venda realizada, esclarecesse sobre como foi feita a programação das importações acima mencionadas e quem determinou quantidade e características das mercadorias importadas, além de explicar se existia uma destinação prévia para um cliente específico em cada operação de importação sob fiscalização e se existe algum contrato entre a SEGER e os clientes das mercadorias importadas. Em 15/06/2015, a Seger apresentou uma listagem discriminando todos os contratos de câmbio (e seus dados) celebrados com os exportadores constantes das declarações de importação sob fiscalização (Tabela Contrato Cambio). Em 17/06/2015, a empresa Seger respondeu ao Termo relativo ao TDPF 0925200.2015.000417 (RespTIAF Adq) : encaminhou cópia das notas fiscais de entrada e saída solicitadas; encaminhou uma tabela onde constam os valores recebidos da Frigel relativos às notas fiscais de saída emitidas (TabelaPagto) bem como seus comprovantes de depósito. Resposta sobre os itens restantes da intimação. Ainda, para coletar mais informações sobre as importações realizadas pela Seger, cujas mercadorias foram destinadas à Frigel, foi emitido o MPFD nº 0925200.2015.000441, em nome da empresa Frigel Latino América, em 22/05/2015, por meio do Termo de Intimação Fiscal 01/2015 (TI Frigel). No Termo de Intimação Fiscal nº 01/2015, foram solicitados os seguintes documentos e esclarecimentos: se a empresa mantém ou manteve algum contrato de fornecimento, ou de qualquer outra espécie, com a empresa SEGER, relativamente 1 Com fulcro no art. 23, inciso V, §§1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10983.721301/201501 Acórdão n.º 3402005.492 S3C4T2 Fl. 286 3 às importações efetuadas, detalhamento de como foi realizado o contato da empresa com a SEGER para efetuar a compra das mercadorias importadas (motivo de ter escolhido a SEGER como fornecedora data do pedido, nome do contato na empresa SEGER, detalhe do pedido, quantidade, etc), explicação sobre como foram feitos e comprovação (encaminhando a cópia dos comprovantes) dos pagamentos relativos às mercadorias importadas e adquiridas da SEGER e explicação sobre como se deu a entrega do produto importado pela SEGER à empresa. Em 18/06/2015, a Frigel respondeu às referidas solicitações (Resp Frigel), alegando que manteve relações comerciais com a empresa Seger, e que sua contratação se deu de forma verbal. Encaminhou uma planilha de pagamentos realizados à Seger (PlanilhaPagtosFrigel) e seus respectivos comprovantes. Informou também que o frete foi contratado e pago pela Seger." (efls. 22/23) "Os dados da citada tabela revelam que a maioria das notas de saída foram emitidas na mesma data da nota fiscal de entrada ou datas bem próximas. Isso nos revela que a mercadoria importada não chegou a fazer parte do estoque de mercadorias da empresa Seger, pois no dia em que a nota fiscal de entrada das mercadorias importadas foi emitida, o que representa a data da entrada destas mercadorias no estoque da empresa Seger, também foi emitida a nota fiscal de saída destas mercadorias para a empresa Frigel, ou seja, a mercadoria não chegou a constar do estoque de mercadorias da empresa Seger. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 1, tinham um destinatário predeterminado: a empresa Frigel Latino América. A Seger já sabia antes mesmo de seu despacho que a mercadoria importada seria destinada à empresa Frigel. Esse entendimento é corroborado pela própria resposta da empresa Seger, em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF Adq), abaixo transcrito e contido na resposta da Seger (Resp TIAF Adq): “As importações eram realizadas após a constatação da carência de oferta desses produtos no mercado de máquinas e equipamentos de resfriamento e identificação dos interessados para quem eram posteriormente revendidos.” Ocorre, que a única interessada nos produtos importados pela Seger era a empresa Frigel Latino América! Não é menos importante o fato de a maior parte das importações terem como fornecedor estrangeiro, declarado em todas as DI sob fiscalização, uma empresa sócia da Frigel no exterior, a empresa italiana Frigel Firenze SPA. Após a análise das declarações de importação (DI) e das respostas da própria empresa Seger, cristalino está que as mercadorias importadas por meio das declarações sob fiscalização tinham, antes mesmo de serem nacionalizadas no despacho aduaneiro, um destinatário prédeterminado: a empresa Frigel Latino América. E esse fato era conhecido pela empresa Seger no momento do registro destas declarações, oportunidade onde deveria ter sido informado à Receita Federal do Brasil quem era o real destinatário das mercadorias (Frigel Latino América). Logo, concluímos que a proximidade entre as datas de entrada e de saída das notas fiscais relativas às mercadorias importadas, amoldandose à figura de importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda, sendo que a fiscalizada declarou realizar importação “por conta própria” é o primeiro grande indício da ocultação dos reais adquirentes. Lembramos que esse indício é corroborado pela própria Seger, em sua resposta acima reproduzida, ao declarar que o interesse do destinatário das mercadorias importadas no mercado interno era manifestado antes do início da operação de importação, ou seja, antes de estas terem sido nacionalizadas." (efls. 25/26 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, que foi julgada improcedente pela 23ª Turma da DRJ/SPO, ementado nos seguintes termos: Fl. 287DF CARF MF 4 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/01/2013 A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. Cessão de nome. Ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 166) Intimada dessa decisão em 18/04/2016 (efl. 231), a empresa SEGER apresentou Recurso Voluntário em 18/05/2016 (efls. 234/274) alegando em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância em razão de sua omissão quanto a argumentos trazidos na Impugnação Administrativa quanto ao mérito e por inovar na argumentação (indicando uma quebra da cadeia de IPI); (ii) no mérito, indica a inexistência de interposição fraudulenta de terceiros no presente caso, diante: (ii.1) da não comprovação do dolo, necessária para a própria tipicidade da infração; (ii.2) do respaldo da fiscalização apenas em critérios subjetivos e em indícios, não comprovando a cessão de nome com o fim de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas, alegada na autuação. Sustenta que esses indícios já teriam sido afastados por este Conselho em conformidade com o Acórdão 3301002.638; (ii.3) da ausência de simulação na hipótese, sendo que adota política de redução de custos para eliminação de estoques (just in time) sendo que as mercadorias efetivamente entraram em seu estoque. Sustenta que a empresa assumiu risco no negócio, sendo que a SEGER sempre dispôs de capacidade econômico e financeira para realizar suas importações, sendo que a existência de um cliente potencial no mercado interno, cujo interesse pela compra era manifestado previamente à importação mediante o pagamento de um sinal, não elimina o risco da operação face a instância de contrato que previsse sanções em caso de desistência ou falência da empresa interessada na compra; (ii.4) a ausência de fraude tributária, fundamentada pela fiscalização na indevida utilização de benefício fiscal relativo ao ICMS, que teria sido adimplido em conformidade com a legislação estadual, inexistindo na hipótese uma operação interestadual como indicado pela decisão recorrida; (iii) a ausência de comprovação de dano ao erário e a desproporcionalidade entre a penalidade aplicada e a infração cometida; e (iv) a impossibilidade da aplicação cumulativa das multas de cessão de nome e a multa por conversão da pena de perdimento. Após ser dado cumprimento à Resolução n.º 3402001.159 para avocar o presente processo conexo ao processo principal n.º 10983.721302/201547, os autos foram direcionados para julgamento. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10983.721301/201501 Acórdão n.º 3402005.492 S3C4T2 Fl. 287 5 Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Atentando para o argumento preliminar suscitado pela Recorrente de nulidade da decisão de primeira instância, entendo que a ele cabe provimento, na forma a seguir exposta. Como relatado, sustenta a Recorrente que a decisão de primeira instância seria nula por ter deixado de analisar os argumentos de mérito trazidos na Impugnação Administrativa e por inovar na argumentação (indicando uma quebra da cadeia de IPI). Aponta a Recorrente que teriam deixado de ser analisados os seguintes argumentos: (a) que a SEGER teria incorrido em risco comercial para proceder com as importações objeto da autuação; (b) a ausência de obrigatoriedade de remissão às declarações de importação no fechamento dos contratos de câmbio e a vinculação do contrato de câmbio e a declaração de importação; (c) a comprovação que não houve ocultação dos participantes da operação de importação e a revenda no mercado interno; (d) as considerações de cunho temporal trazidas pela fiscalização (data da intenção de compra, proximidade das datas de emissão das noras fiscais de entrada e saída, tempo das mercadorias em estoque) não são determinantes para a qualificação da modalidade de importação; e (e) importação direta não é caracterizada pela realização de vendas pulverizadas. Atentandose para a r. decisão recorrida, observase que ela se enquadra nas mesmas circunstâncias já identificados em dois processos da mesma Recorrente (SEGER), na sessão de 19/04/2018, nos acórdãos 3402005.230 (processo de cessão de nome) e 3402 005.229 (processo de perdimento), ambos de minha relatoria. Isso porque ela segue um formato não ordinariamente aceito por esta Colenda Turma, como já tivemos a oportunidade de discutir nos Acórdãos n.º 3402004.875, de relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz e 3402004.134, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. De fato, a decisão aqui analisada foi proferida nos exatos moldes daqueles casos, com um longo, detalhado e genérico levantamento da legislação e dos procedimentos administrativos sobre o exercício dos controle aduaneiros. Inicialmente, evidencia a necessidade de confirmar a prática de interposição fraudulenta de terceiros para verificar a incidência da infração autuada neste processo de cessão de nome. Desenvolve em uma perspectiva geral, não relativa ao presente caso, qual a forma necessária para proceder com uma importação (habilitação no RADAR efls. 173), o combate às práticas de interposição fraudulenta de terceiros (efls. 174/177), o conceito de interposição em operação de importação e os elementos necessários para admitir uma prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros (efls. 178/194). Por sua vez, o trato específico das questões de mérito do presente processo teria sido feito quando da descrição dos fatos que embasaram a autuação fiscal entre as efls. 194/203. Contudo, como se observa da leitura dessas folhas, elas são uma reprodução ipsis litteris dos principais trechos do Relatório de Ação Fiscal (efls. 14/44). Em seguida, às efls. 203/205, o acórdão traz menção a uma possibilidade de desconsideração do 1º método de valoração aduaneira, que sequer consta do presente processo, Fl. 289DF CARF MF 6 fazendo inclusive menção à outra pessoa jurídica que sequer consta do presente processo (PLASTIC SYSTEMS LATIN AMERICA). Prosseguindo, adentra efetivamente em argumento específico trazido pela Recorrente, quanto à ausência de dano ao erário (efls. 205/214), ponto no qual novamente ingressa em questões que não se referem ao presente processo por não constar no Relatório de Ação Fiscal (sonegação de PIS/COFINS, quebra da cadeia de incidência do IPI, lavagem de dinheiro). Adentra na questão do benefício fiscal do ICMS (efls. 214/216) para ao final efetivamente enfrentar a discussão em torno da multa por cessão de nome cobrada cumulativamente à multa decorrente da conversão da pena de perdimento (efls. 216/223). Pela leitura da r. decisão recorrida é possível atestar que efetivamente os argumentos de mérito do processo, em torno da inexistência de interposição fraudulenta de terceiros no caso, não foram enfrentados. Com efeito, observase que a r. decisão recorrida efetivamente não adentrou nos pontos (a) a (e) indicados acima, da discussão instaurada na Impugnação em torno do mérito objeto da autuação. Diante disso que é possível adotar as considerações e a exata conclusão alcançada no mencionado Acórdão 3402004.875, de relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, de 30/01/2018, que passa a integrar as razões de decidir desse acórdão com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99: "De fato, com a simples alusão ao direito aduaneiro vigente e subsequente transcrição do TVF, as razões e documentos apresentadas como mérito nas defesas não foram sequer mencionadas no julgamento a quo (e.g. o impacto do acordo de parceria e distribuição na impossibilidade de se caracterizar as operações como importação por conta e ordem de terceiro; o aumento do limite da habilitação das empresas para operarem no comércio exterior; as vendas serem faturadas e recebidas pela Adaime, conforme notas fiscais, a diversos clientes além da Res Brasil; provas sobre a Res Brasil não ser a única responsável pelas negociações; e o risco operacional assumido pela Adaime). Com relação ao mérito, saliento que as razões são pertinentes ao bom julgamento desse processo, uma vez que, caso verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importações por encomenda (por não serem importações financiadas por empresa oculta nas operações), o lançamento poderia ser cancelado, conforme a jurisprudência desse Tribunal (Acórdão n. 3402002.275). (...) Dessarte, é hialino que não se trata de matéria que pode simplesmente deixar de ser analisada no julgamento administrativo, sob pena de restar configurada nulidade em função da omissão do órgão judicante. No caso, houve incontestável omissão da DRJ ao julgar as impugnações dos sujeitos passivos, sendo portanto nula, por preterição do direito de defesa dos sujeitos passivos, conforme já decidiu esse Colegiado, entre outros, nos seguintes casos: Acórdãos 3402003.029 e 3402003.047. Destaco abaixo a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa López2 sobre o tema: No processo administrativo fiscal, dentre as nulidade mais comuns podemse destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões de defesa e o não atendimento aos requisitos 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 558559. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10983.721301/201501 Acórdão n.º 3402005.492 S3C4T2 Fl. 288 7 formais do lançamento. Algumas dessas questões arguidas em preliminar são suficientes para a nulidade dos atos correspondentes e para a extinção de todo o processo administrativo, como a questão da ilegitimidade das partes; outras permitem o saneamento da irregularidade, como é o caso de cerceamento de defesa gerada pela falta indispensável da análise de uma tese arguida pelo contribuinte, ocasionando apenas a nulidade da decisão de primeira instância e o seu saneamento com a prática de ato novo. Efetivamente, ausência de análise dos citados argumentos e provas das impugnações, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria por este Conselho, estarseia atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico brasileiro, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. Nesse sentido o artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972 confere efetividade ao texto constitucional ao determinar que: Art. 59. São nulos (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, destaco que foi no intuito de coibir tal sorte de problema que o Novo Código de Processo Civil, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos essenciais da sentença, bem como as situações em que considera não fundamentada qualquer decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; (grifei) Resta a este Colegiado, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento a quo que pode ser percebido como supressão de instância administrativa, culminando em preterição do direito de defesa." (grifei) 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 291DF CARF MF 8 Assim, por uma deficiência na análise do mérito da Impugnação Administrativa apresentada nos presentes autos, deve ser declarada a nulidade da r. decisão recorrida. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão da 23ª Turma da DRJ/SPO, exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no artigo 59, §2º do Decreto n.º 70.235/724, destaco que deve a DRJ, em seu novo julgamento, guardar observância ao artigo 489, §1º do Código de Processo Civil/2015, analisando os argumentos e provas de defesa com relação ao mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. 4 "Art. 59 (...) § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo" Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.904975/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 139 1 138 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.904975/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.773 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria Restituição/Compensação Recorrente ZZSAP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 75 /2 01 0- 51 Fl. 139DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 120 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 101 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação –DCOMP – por meio da qual pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 4º trimestre calendário de 2003, conforme indicado na DCOMP nº 05618.24511.290905.1.3.018202 (fls. 92/941). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 87/88 e 91, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 81/86, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951137 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$147.225,48 Valor do crédito reconhecido: R$224,02 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11065.904975/201051 Acórdão n.º 3201003.773 S3C2T1 Fl. 140 3 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 95/96), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 89/90), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 141DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11065.904975/201051 Acórdão n.º 3201003.773 S3C2T1 Fl. 141 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias Fl. 143DF CARF MF 6 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11065.904975/201051 Acórdão n.º 3201003.773 S3C2T1 Fl. 142 7 Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 145DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configura a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11065.904975/201051 Acórdão n.º 3201003.773 S3C2T1 Fl. 143 9 Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001919/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE.
A devolução pelos Correios de Aviso de Recebimento com a informação de que a empresa contribuinte mudou de endereço, autoriza a intimação por edital. A petição apresentada após o respectivo prazo legal, não pode ser recebida como manifestação de inconformidade. Essa situação implica a não instauração do contencioso administrativo, impondo-se o não conhecimento do recuso voluntário.
Numero da decisão: 1302-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LITÍGIO NÃO INSTAURADO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE. A devolução pelos Correios de Aviso de Recebimento com a informação de que a empresa contribuinte mudou de endereço, autoriza a intimação por edital. A petição apresentada após o respectivo prazo legal, não pode ser recebida como manifestação de inconformidade. Essa situação implica a não instauração do contencioso administrativo, impondose o não conhecimento do recuso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 19 19 /2 00 3- 02 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 0811.330, de 10/08/2007, 4ª Turma da DRJ de Fortaleza (CE) que, por unanimidade de votos, não conheceram a Manifestação de Inconformidade da Recorrente. O acórdão recorrido registrou a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Intempestividade da Impugnação Considerase intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Impugnação não Conhecida Para concluir pela intempestividade da manifestação de inconformidade, a DRJ registrou o seguinte entendimento: No caso em comento, verificase que a ciência ao contribuinte do Despacho Decisório SEORT/IRPJ foi dada por meio do Edital n° 89 (fl. 87). Assim, nos termos do § 2o, inciso III, do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, é de se considerar cientificado o contribuinte quinze dias após a data de afixação do edital. Como esta se deu em 11 de julho de 2005 (segundafeira), acrescendose os quinze dias,'temse que o contribuinte foi cientificado da decisão denegatória de seu pedido em 26 de julho de 2005 (terçafeira). Logo, à luz do art. 15, do Decreto n° 70.235/72, efetuandose a contagem do prazo de 30 (trinta) dias, a partir da referida data, excluindose a data de início e incluindose a data de vencimento (art. 5o do PAF), o prazo final para o sujeito passivo ter apresentado a manifestação de inconformidade seria a data de 25 de agosto de 2005 (quintafeira). Verificase, porém, que a manifestação de inconformidade foi apresentada em 20 de outubro de 2005 (fls. 91/92), após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias estipulado pelo art. 15 do Decreto n° 70.235/72, configurandose, portanto, a intempestividade da manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório SEORT/IRPJ. Salientese, por oportuno, que a informação contida no verso do Edital não produz qualquer efeito processual, haja vista que a intimação do contribuinte foi dada por edital, nos termos da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, além de que a data nela aposta (20/09/2005) é posterior àquela em que se consumou a intimação e esgotado o prazo para a interposição da manifestação de inconformidade. Destarte, à luz, pois, do art. 14 do Decreto n° 70.235/72, a intempestividade da manifestação de inconformidade contra o indeferimento de seu pedido implica revelia, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 4 3 Com efeito, a manifestação de inconformidade, embora apresentada por parte legítima, é intempestiva, dela, pois, não tomo conhecimento. Em face do exposto, Voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade interposta pela contribuinte, por intempestiva. A recorrente foi intimada desse Acórdão (23/05/2008, sextafeira) e interpôs recurso voluntário tempestivamente (25/06/2008; o vencimento seria em 24/06/2008, mas naquele dia era feriado municipal e estadual, festas juninas, Portaria nº 855/2007, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão), cujas razões sintetizamos a seguir: A empresa incorporada pelo Recorrente apurou em 31/08/2002 saldo negativo de IRPJ relativamente àquele anobase no valor de R$11.924.782,29 (fls. 4/5, DIPJ/2002), o qual foi objeto de Pedido de Restituição e também de Declaração de Compensação em 24/09/2003 com débitos próprios de IRPJ e CSL (estimativa) relativos ao período de apuração 31/07/2003 (fls. 01), dando origem ao presente processo ao qual também foi anexado o PA n° 19647.001918/200350, que trata de DCOMP do mesmo saldo negativo de 31/08/02 com débitos próprios de PIS e COFINS relativos ao fato gerador ocorrido em 31/08/2003. Ao analisar referidos pedidos, o Serviço de Orientação e Análise Tributária solicitou o encaminhamento do feito ao Setor de Fiscalização (fls. 18) "tendo em vista haver ação fiscal em curso sobre o contribuinte interessado ". As fls. 80 dos presentes autos, embora expressamente reconhecendo a existência do saldo negativo no valor de R$ 11.924.782,29 para o ano de 2002, manifestase o Setor de Fiscalização no sentido de ser indevida a compensação declarada, nos seguintes termos: "a) Quanto ao crédito objeto do Pedido de Compensação — Ficha 12A — Linha 13 — DIPJ do anocalendário de 2002 (Cisão de 31/08/2002) no valor de R$11.924.782,29. Destacamos que em 22/07/2004, foi iniciada a Fiscalização na empresa acima identificada com base no MPF n° 2004001380, cujos trabalhos de fiscalização foram concluídos em 20/12/2004. Da referida ação fiscal, temos a relatar o seguinte: 1o Após análises da documentação de suporte do crédito de R$11.924.782,29, solicitado pela fiscalizada (doc. fls. 05), restou comprovado o crédito da empresa no referido montante, o qual foi compensado de ofício em 20/12/2004, no Processo n°19647.013200/200497, relativo ao Auto de infração do IRPJ e REFLEXOS (docfls. 38, 74); 2o Segue em anexo cópia do Termo de Verificação Fiscal e cópia do Auto de infração do IRPJ e REFLEXOS (doe. fls. 19/78). Face ao exposto, por se. tratar de crédito já compensado no Auto de Infração acima 'mencionado, o referido processo de Declaração de Compensação tornase indevido. Submeto à apreciação superior, com proposta de envio ao SEOR T DRF/Recife." Como se vê, embora a Fiscalização tenha reconhecido o crédito do Recorrente no valor de R$11.924.782,29, entendeu ser indevida a compensação porque, Fl. 722DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 5 4 segundo o i. auditor fiscal responsável pelo Relatório Fiscal, em 20/12/2004 foi lavrado auto de infração que originou o processo administrativo n° 19647.013200/200497. no qual são exigidos IRPJ e CSL, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, onde teriam sido utilizados os créditos compensados neste feito. Isto porque, quando daquele lançamento, o i. fiscal autuante "compensou" com o valor apurado a título de IRPJ no auto de infração o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/08/2002 no montante de R$11.924.782,29, que equivale exatamente ao saldo negativo indicado nos presentes autos como passível compensação, como se constata do próprio Termo de Verificação Fiscal, cuja cópia foi anexada às fls. 74 dos presentes autos, "verbis": "2.6) COMPENSAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ PAGO POR ESTIMATIVA NOS ANOS CALENDÁRIOS DE 2001 E 2002. Conforme verificamos, a fiscalizada apresentou crédito de IRPJ— Imposto de Renda Pessoa Jurídica, decorrente do Imposto de Renda pago por estimativa e Imposto de Renda retido na fonte, lançados nas DIPJs, dos Anos Calendários de 2001 e 2002 (apurados em 31/12/2001 e 31/08/2002), conforme consta das Fichas 12 A linha 18 — Imposto de Renda a Pagar, nos valores de R$ (11.425.920,30) eR$(l 1.924.789,29), respectivamente. Das verificações efetuadas nos documentos de apoio aos referidos créditos, apuramos os seguintes créditos decorrentes de IRPJ pago por estimativa e Imposto de Renda Retido na Fonte, a saber: DIPJ — Ano calendário 2001 Apuração 31/12/2001 (doc.fls. 1295/1369). R$11.413.421,21 DIPJ Ano calendário 2002 Apuração 31/08/2002 (doc.fls. 1246/1294). R$11.924.782,29 Face ao exposto, estamos procedendo à compensação dos referidos créditos tributários no Auto de Infração do IRPJ, nos respectivos períodos de apuração. " Paralelamente, nos presentes autos foi proferido o Despacho Decisório SEORT/IRPJ de fls. 68 no seguinte sentido: 1) Não homologo a compensação dos créditos de IRPJ com os débitos indicados às fls. 01, haja vista a inexistência dos créditos informados; 2) Determino a cobrança dos débitos não compensados constantes das declarações de compensação anexas ao mesmo." Em face do despacho decisório, apresentou o ora Recorrente manifestação de inconformidade demonstrando a improcedência de referida decisão, tendo em vista que: (i) as declarações de compensação são anteriores à lavratura do auto de infração que originou o processo n° 19647.013200/200497; e (ii) o crédito tributário objeto do auto de infração estava com exigibilidade suspensa (e assim permanece), pendendo de apreciação o recurso voluntário interposto naqueles autos, não havendo que se falar, exatamente por isso, em utilização efetiva dos créditos objeto de restituição neste feito naquele processo. Muito embora a tempestividade da manifestação em tela tenha sido expressamente reconhecida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, a r. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 6 5 decisão ora recorrida de fls. 115/118 houve por bem não conhecer da manifestação apresentada pelo ora Recorrente, por suposta intempestividade, estando assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Intempestividade da Impugnação Considerase intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Impugnação não conhecida." Tal decisão, contudo, não pode prosperar, como se passa a demonstrar. Ainda que assim não fosse, é patente a prejudicialidade entre o processo administrativo n° 19647.013200/200497 e as DCOMPs efetuadas nos presente autos, o que desde logo afasta a possibilidade de indeferimento das compensações pleiteadas enquanto não decidido aquele feito, o que também se demonstrará a seguir. (...) Contudo, no caso concreto, como se constata do AR juntado às fls. 85/86, embora tenha sido endereçada cópia do r. despacho decisório à empresa incorporada pelo Recorrente em 11/04/2005, aquela decisão nunca foi recebida, tanto que não consta qualquer assinatura no aviso de recebimento dos Correios, sendo certo que também não constam daqueles formulários de "AR" qualquer menção quanto ao motivo do não recebimento da correspondência. Aliás, dos próprios autos verificase que a praxe é que os Correios declarem o motivo da não entrega ou da devolução da correspondência, como se verifica do envelope recentemente encaminhado à ora Recorrente (fls. 123), em que consta não só o carimbo comprovando a sua devolução, como também o motivo da mesma: "MUDOUSE", sendo que neste caso a Delegacia no Recife diligentemente enviou nova intimação ao endereço correto. Ocorre que, no caso da intimação do r. despacho decisório, tendo verificado o não recebimento da correspondência pela empresa incorporada pelo Recorrente, o que se deduz pela ausência de qualquer assinatura do contribuinte no AR constante dos autos, a DRFRecife simplesmente determinou de pronto a intimação por edital, quando é certo que a simples devolução ao remetente da correspondência dirigida ao endereço da empresa não autoriza por si só a intimação por edital, sem qualquer outra diligência como por exemplo a intimação de seus acionistas, a teor do entendimento do E. Conselho de Contribuintes (citou acórdão do CARF). De fato, é absolutamente nula a intimação por edital realizada nestes autos, seja porque o contribuinte não se encontrava em local incerto e não sabido, seja porque dos autos não consta o motivo da suposta devolução da correspondência que encaminhou o r. despacho decisório, seja ainda porque para ser válida a intimação por edital, por se tratar de intimação ficta do contribuinte, deve ser precedida de todos os esforços da Administração para intimação pessoal ou por correio do sujeito passivo. De se observar que há nos autos a intimação pessoal do Recorrente em 20/09/2007 (fls. 87verso), de modo que é a partir daquela data e não de qualquer Fl. 724DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 7 6 outra que deve se deflagrar o prazo para a apresentação de manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo. Aliás, tanto é verdade que a própria Delegacia da Receita Federal não considerava o edital como intimação válida da decisão, que a própria SEORT considerou como tempestiva a manifestação de inconformidade apresentada, como se verifica do despacho de fls. 113, desconsiderando com isso o edital n° 89 (fls. 87) para fins de intimação do contribuinte. (...) Não bastasse isto, é de se ver que o edital acima referido foi afixado na própria sede da repartição, onde, por óbvio, sequer há plena circulação de pessoas, não servindo por isto a realmente dar publicidade da intimação pretendida. De fato, a mera fixação do edital em quadro interno da repartição pública não atende aos princípios norteadores do processo administrativo, pois não dá publicidade efetiva ao ato, como também tem entendido o E. Conselho como se verifica do teor do voto da i. Relatora Maria Cristina Roza da Costa no Recurso n° 120.257, já referido, e que foi seguido à unanimidade pelos demais Conselheiros da C. 2a Câmara do Segundo Conselho (transcreveu parte do voto). Diante de tais argumentos da recorrente, a Terceira Turma Ordinária, da Primeira Câmara da Primeira Seção do Carf, converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência (Resolução nº 1103000.131, de 11/02/2014), designando à DRF as seguintes providências: a) informar se o AR de fls. 188 se refere à ciência do Acórdão recorrido (em 23/05/2008) e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo; b) informar se o AR de fls. 90/91 se refere à ciência da intimação de fls. 89, relativa ao Despacho Decisório SEORT/IRPJ (fls. 87), e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo, entre outros; c) ainda quanto ao AR do item anterior ("b"), percebese inexistirem registros de entrega à destinatária ou de motivo de devolução. Esclarecer qual das duas hipóteses referidas ocorreu e juntar prova; d) trazer aos autos a "informação contida no verso do Edital" referida no voto condutor do acórdão contestado, tendo em vista não se encontrar na versão digitalizada deste processo, única disponível para o exame deste relator, o verso da referida peça (fls. 92); e) informar a data da incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda por Hipercard Banco Múltiplo S/A, a data da aprovação da operação pelo Banco Central e a data da comunicação formal à RFB da mudança de endereço ou da sua realização ex officio, da Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE, para a R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE. A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá (i) elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessária, (ii) entregar cópia do relatório à contribuinte e (iii) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo Fl. 725DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 8 7 único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento, a DRF apresentou o seguinte Relatório Fiscal de Diligência (fl. 444/446): a) "informar se o AR de fls. 188 se refere à ciência do Acórdão recorrido (em 23/05/2008) e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo"; Para a ciência do Acórdão recorrido houve tentativa de realização da ciência através da Intimação assinada em 05/12/2007 (fl. 126), mas a correspondência foi devolvida por mudança de endereço como demonstra o AR de fls. 127 (cópia frente e verso acostada às fls. 433/434) e envelope de postagem de fl. 128. Essa correspondência foi encaminhada para o endereço "Av. Caxangá, 3.841, sala 10, Iputinga". Posteriormente, resultando improfícua a intimação por via postal, foi dada ciência por meio do edital de fl. 130, conforme determina o § 1° do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972. O AR acostado à fl. 188 se refere à Intimação de fl. 126, pois não há nenhuma comunicação no processo com data compatível com a data consignada naquele comprovante, mas não há meio de comprovar materialmente o conteúdo. Desta vez a comunicação foi encaminhada ao endereço "Rua Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa Viagem", domicílio do Hipercard Banco Múltiplo S.A. b) "informar se o AR de fls. 90/91 se refere à ciência da intimação de fls. 89, relativa ao Despacho Decisório SEORT/IRPJ (fls. 87), e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo, entre outros"; O AR acostado às fls. 90/91 se refere a correspondência conjunta para intimações/comunicações distintas de três processos diferentes: 19647.000697/2004 83, 19647.001919/200302 e 19647,00357/200971 (mesmo envelope para comunicações diferentes). Na época da emissão da Intimação de fl. 89, 29/03/2005, realmente não havia preenchimento de informação mais detalhada a respeito do conteúdo da correspondência no AR. Porém, verificase que não há no processo outra comunicação compatível com a data de postagem do referido AR, 29/04/2005, além da Intimação de fl. 89. A despeito disso, não há como comprovar materialmente o conteúdo da correspondência. c) "ainda quanto ao AR do item anterior ("b"), percebese inexistirem registros de entrega à destinatária ou de motivo de devolução. Esclarecer qual das duas hipóteses referidas ocorreu e juntar prova"; Foi extraída, do processo 19647.000697/200483, cópia do envelope de postagem relativo à Intimação de fl. 89 (acostada à fl. 432); no referido envelope consta como motivo da devolução a mudança de endereço do destinatário. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 9 8 d) "trazer aos autos a "informação contida no verso do Edital" referida no voto condutor do acórdão contestado, tendo em vista não se encontrar na versão digitalizada deste processo, única disponível para o exame deste relator, o verso da referida peça (fls. 92)"; Foi extraída cópia, oriunda do processo físico, da informação constante no verso do Edital de fl. 92 (antes da digitalização: fl. 87) e acostada à fl. 431. e) "informar a data da incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda por Hipercard Banco Múltiplo S/A, a data da aprovação da operação pelo Banco Central e a data da comunicação formal à RFB da mudança de endereço ou da sua realização ex officio, da Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE, para a R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE". A data de incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda por Hipercard Banco Múltiplo S/A foi 29/07/2005. O pedido de baixa por incorporação foi feito em 24/09/2007 e o seu deferimento em 08/02/2008, conforme informações extraídas do sistema CNPJ (vide fls. 435/440). Para obtenção da data de aprovação pelo Banco Central da operação de incorporação, foi encaminhada solicitação através do Ofício SEORT/DRF/REC n° 121/2014, respondida pelo Ofício 13303/2014BCB/Deorf/Gabin com a informação de que tal aprovação ocorreu em 21/02/2007, com publicação no D.O.U. de 26/02/2007. Ainda segundo o sistema CNPJ, a mudança do endereço "Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE" para o endereço "R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE.." ocorreu em razão da incorporação (pedido em 24/09/2007, deferimento em 08/02/2008). Além da diligência acima destacada, cumpre ainda registrar as informações apresentadas pela recorrente, relativas aos fatos supervenientes relativos ao Proc. 19647.013200/200497, sobre o qual a recorrente alegou haver prejudicialidade, isto é, havia a necessidade de julgamento daquele processo previamente à apreciação deste. Assim destacam se os seguintes fatos e fundamentos apresentados pela recorrente. À vista do julgamento definitivo do referido Proc. 19647.013200/200497, também juntou a petição e documentos de fl. 514/537, dos quais transcrevemse as seguintes informações: (...) dar ciência a V.Sa. de que já foi proferida decisão definitiva nos autos do |Processo Administrativo n° 19647.013200/200497, a qual já foi inclusive implementada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife às fls. 1924/1932 e 2394/2395 daqueles autos, conforme cópias anexas (doc. 1.), tendo a Informação Fiscal lavrada reconhecido expressamente que: (i) em razão do provimento parcial do recurso voluntário interposto nos autos daquele Processo Administrativo foram recalculados e restabelecidos os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSL; e (ii) em razão do restabelecimento dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSL, restaram canceladas as compensações de ofício com os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendários de 2001 e 2002, realizadas pela fiscalização Fl. 727DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 10 9 quando da lavratura do auto de infração que deu origem ao Processo Administrativo, restabelecendose os respectivos saldos negativos. De se ressaltar que a compensação objeto do presente processo só não foi homologada em razão da inexistência do crédito indicado em face justamente da compensação de ofício procedida nos autos do Processo Administrativo n° 19647.013200/200497, agora cancelada. O referido acórdão nº 1201000.285, de 09/07/2010 da extinta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, proferido no referido Proc. 19647.013200/2004 97, registrou os seguintes termos em suas disposições finais: Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso da Contribuinte no que tange a matéria relativa à execução do crédito tributário lançado nos presentes autos, e por conhecer do restante da irresignação, para no mérito, dar lhe parcial provimento, de modo a: (i) no que tange à glosa relativa às deduções das contrapartidas de amortização do ágio vertido à contribuinte, manter a exigência de IRPJ apenas em relação às glosas relativas ao ágio vertido na operação de cisão de BPBR Empreendimentos Ltda. (itens 2.3.1 e 2.3.2 do Termo de Verificação Fiscal); e afastar integralmente as glosas relativas à CSLL em relação ambas as operações societárias; (ii) cancelar a glosa das despesas relacionadas aos encargos de manutenção da dívida assumida pela Contribuinte por ocasião da cisão ocorrida na BPBR Empreendimentos Ltda. em 16/04/2002; (iii) cancelar parcialmente os lançamentos reflexos de IRPJ e CSLL (Item 2.5 Glosa de Compensação de Prejuízos Fiscais e Item 2.6 Compensação no Auto de Infração IRPJ pago por estimativa nos anos calendários de 2001 e 2002, e Item 3.2 Compensação de Base Negativa da CSLL), que devem ser recalculado para refletir os cancelamentos das glosas de CSLL ora determinados; (iv) manter a apuração dos juros de mora pela taxa SELIC; e (v) cancelar a apuração de juros de mora sobre as multas aplicadas. Diante dessa determinação do referido Acórdão nº 1201000.285 (Proc. 19647.013200/200497), quanto ao recálculo para refletir os cancelamentos das glosas de CSLL, a DRF Recife recebeu os autos do Proc. 19647.013200/200497, bem assim os processos referentes às utilizações do crédito parcialmente reconhecido, nos termos do referido acórdão nº 1201000.285. Promoveu a abertura do Dossiê Eletrônico nº 10010.013267/0316 58, de 10/03/2016 (10/03/2016) e procedeuse às devidas verificações, quanto aos débitos efetivamente compensados e os valores que remanesceram para posterior cobrança, conforme Relatório de Informação Fiscal a seguir transcrito: Chegaram ao Setor de Liquidação do SEORT/DRFRecife diversos processos ligados ao contribuinte acima identificado, nos quais foram analisados créditos relativos a saldo credor de IRPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002, relativos aos exercícios 2002 e 2003. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 11 10 Verificouse que, conforme decisão prolatada pelo CARF nos autos do processo n° 19647.000697/200483, foi realizada diligência por parte da fiscalização desta delegacia junto ao contribuinte a fim de verificar os efeitos da decisão proferida no processo n° 19647.013200/200497, onde foram lavrados autos de infração de IRPJ que teriam influência sobre os créditos em análise naquele processo. Da realização da fiscalização foi elaborada informação fiscal informando que os créditos a que fazia jus a empresa, relativos aos anoscalendário 2001 e 2002 eram os abaixo relacionados. AnoCalendário Exercício Valor do Crédito apurado pela fiscalização Valor do Crédito Reconhecido pelo CARF 2001 2002 11.413.421,21 11.413.421,21 2002 2003 11.924.782,29 11.924.782,29 Reconhecendo a existência dos créditos conforme acima detalhados, o CARF deu provimento ao recurso voluntário e homologou as compensações declaradas pela empresa até o limite do crédito reconhecido. Assim, o processo retornou a este SEORT a fim de serem feitos os cálculos da compensação do crédito reconhecido, ciência à empresa e cobrança dos débitos acaso remanescentes após a compensação. Ao iniciar o cumprimento desta tarefa, verificouse a existência de diversos outros processos e PER/DCOMP cujos débitos se encontravam vinculados a estes mesmos créditos. Desta forma, a fim de cumprir fielmente a decisão do CARF e evitaremse prejuízos ao contribuinte e à Fazenda, farseia necessário que todas as compensações fossem apuradas de uma única vez com o valor dos créditos já reconhecidos e que o resultados desta compensação fosse informado em todos os processos relativos a estes créditos, inclusive aos que ainda estão em tramitação junto ao CARF, a fim de que os procedimentos de compensação se tornassem uniformes a todos os processos. A realização desta compensação em um único procedimento é necessária porque as datas de compensação devem seguir rigorosamente a ordem de apresentação dos débitos por meio dos processos ou PER/DCOMP. Do exposto, iremos, de início relacionar todos os processos que estão vinculados aos valores de crédito de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2001 e 2002, relacionados pela ordem em que as compensações foram apresentadas para fins de valoração das datas de compensação. Processos Vinculados ao Crédito do anocalendário 2001 Processo ou PER/DCOMP Localização 10480.006259/2002-32 CARF 10480.001670/2003-01 CARF 10480.003514/2003-76 CARF 01845.55 58.120803.1.3.02-1551 SEORT/DRF-Recife Processos Vinculados ao Crédito do anocalendário 2002 Processo ou PER/DCOMP Localização Fl. 729DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 12 11 19647.000357/2003-71 CARF 19647.001919/2003-02 [presente processo] CARF 19647.000697/2004-83 SEORT/DRF-Recife 14714.11783.040204.1.7.02-5804 SEORT/DRF-Recife 19570.10120.200204.1.3.02-2670 SEORT/DRF-Recife 19647.003910/2006-71 SEORT/DRF-Recife 19647.003912/2006-60 SEORT/DRF-Recife 19647.003911/2006-15 SEORT/DRF-Recife 38086.97562.240907.1.2.02-0595 SEORT/DRF-Recife Com base nos créditos reconhecidos pelo CARF para estes anos, foi realizado o confronto com estes e os débitos declarados pelo contribuinte nos diversos processos e PER/DCOMP. Da realização da compensação resultou o seguinte. Débitos compensados com Crédito do anocalendário 2001 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 13 12 Concluise que em relação aos créditos de IRPJ deferidos do anocalendário 2001, fo i possível a compensação de todos os débitos a ele vinculados e, ainda, remanesceu um crédito no valor original de R$ 1.365.102,98. Débitos compensados com Crédito do anocalendário 2002 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 14 13 Crédito do anocalendário 2002 utilizado na compensação Concluise, com relação a compensação dos créditos do anocalendário 2002 que estes não foram suficientes para quitar todos os débitos a ele vinculados e ainda sobraram débitos que não foram integralmente compensados cujos valores a cobrar encontramse discriminados na coluna SALDO na tabela discriminativa dos débitos declarados para compensação. CONCLUSÃO À vista do exposto, a fim de que sejam uniformizados os procedimentos de compensação envolvendo os créditos acima narrados e que se encontram em diversos processos espalhados por diversas instâncias processuais, determino que sejam juntados a cada um dos processos envolvidos nesta análise, cópia dos documentos componentes deste dossiê e desta informação a fim de que sejam adotados os procedimentos de cobrança e/ou compensação em relação aos débitos envolvidos e, também, a fim de que os julgadores do CARF que ainda realizarão a análise de outros processos que se encontram naquela instância sejam informados do resultado da análise dos mesmos créditos que foi realizada em outros processos para que se evitem julgamentos conflitantes. Ao Setor de Liquidação do SEORT para as providências a seu cargo. Esses os fatos e fundamentos relevante para o julgamento do presente caso. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 732DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 15 14 Como visto, a DRJ não conheceu a Manifestação de Inconformidade, por considerála intempestiva. Dessa forma concluiu que, não houve a instauração da fase litigiosa administrativa fiscal. Fundamentou essa conclusão, no fato de que a recorrente teria sido regulamente intimada por edital, tendo em vista que a respectiva intimação por via postal teria retornado sem cumprimento, em virtude de mudança de endereço. Observase que, a recorrente não apresentou na manifestação de inconformidade preliminar em defesa de seu entendimento de que seria tempestiva a sua manifestação de inconformidade. A recorrente não manifestouse sobre o motivo pelo qual apresentou manifestação de inconformidade, após o prazo legal de 30 dias (art. 15, Dec. nº 70.235/78). A apresentação preliminar de justificativas a respeito da tempestividade da petição é obrigatória, sob pena de a peça não ser considerada impugnação à decisão da DRF, conforme determinam as disposições do art. 56, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, verbis: Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [g.n.] Todavia, a DRJ não fundamentou suas razões de decidir em tais disposições legais. Considerou, para não conhecer a manifestação de inconformidade, o fato de a recorrente não apresentar, em 30 dias da intimação por edital, a manifestação de inconformidade. Por sua vez a referida Turma do Carf, que apreciou inicialmente as razões de recurso voluntário, conheceu o recurso por ser tempestivo e pelo fato de que a recorrente apresentou, dessa vez, preliminar com as justificativas pelas quais sustenta que seria tempestiva a manifestação de inconformidade. Para verificar a pertinência dos argumentos da recorrente, de que o edital seria nulo, pelo fato de não haver no aviso de recebimento dos Correios (fls. 90 e 91, abaixo reproduzido) informação alguma quanto ao efetivo cumprimento da intimação, via postal, como a seguir reproduzido, decidiuse por converter o julgamento em diligência: Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 16 15 Fl. 734DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 17 16 A recorrente alega que a DRF não teria envidado os esforços necessários para notificála. Disse que, diante da incorporação da Hipercard Administradora de Cartões pela Hipercard Banco Múltiplo seria facilmente encontrado o endereço da sede da incorporadora, como ocorreu por ocasião da intimação enviada para R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, Recife (PE). Não poderia terse limitado a uma única tentativa de intimação por via postal, no endereço que sabidamente não era mais a sede da empresa incorporada pela recorrente. Ressaltou que o nos avisos de recebimento dos Correios (acima reproduzidos), não há informação alguma dos Correios. Não há nos autos evidência alguma de que teria de fato ocorrido a intimação, por via postal. Vejase que os correios não registraram, sequer, "mudou se". Assim, sustenta que, em tal situação de reestruturação societária, caberia pesquisa por parte do fiscal para a regular intimação pela via postal e que, por não ter havido esse necessário empenho, seria nulo o edital, já que sequer houve anotação pelos Correios quanto ao resultado da tentativa de entrega da intimação. Nesse contexto, defende que o prazo legal de 30 dias para a manifestação de inconformidade só teria começado a fluir a partir da assinatura (20/09/2005) de seu representante, no verso do edital, conforme a seguir reproduzido e que, portanto, sua manifestação de inconformidade, protocolada em 20/10/2005, seria tempestiva e competente para instaurar o litigioso administrativo: Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 18 17 Conforme Relatório Fiscal de Diligência, a DRF informou, a respeito (fl. 444/446): Fl. 736DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 19 18 (...) b) "informar se o AR de fls. 90/91 se refere à ciência da intimação de fls. 89, relativa ao Despacho Decisório SEORT/IRPJ (fls. 87), e juntar prova, tendo em vista constar como "declaração de conteúdo" apenas a indicação do número deste processo, entre outros"; O AR acostado às fls. 90/91 se refere a correspondência conjunta para intimações/comunicações distintas de três processos diferentes: 19647.000697/2004 83, 19647.001919/200302 e 19647,00357/200971 (mesmo envelope para comunicações diferentes). Na época da emissão da Intimação de fl. 89, 29/04/2005, realmente não havia preenchimento de informação mais detalhada a respeito do conteúdo da correspondência no AR. Porém, verificase que não há no processo outra comunicação compatível com a data de postagem do referido AR, 29/04/2005, além da Intimação de fl. 89. A despeito disso, não há como comprovar materialmente o conteúdo da correspondência. c) "ainda quanto ao AR do item anterior ("b"), percebese inexistirem registros de entrega à destinatária ou de motivo de devolução. Esclarecer qual das duas hipóteses referidas ocorreu e juntar prova"; Foi extraída, do processo 19647.000697/200483, cópia do envelope de postagem relativo à Intimação de fl. 89 (acostada à fl. 432); no referido envelope consta como motivo da devolução a mudança de endereço do destinatário (a seguir reproduzido): d) "trazer aos autos a "informação contida no verso do Edital" referida no voto condutor do acórdão contestado, tendo em vista não se encontrar na versão digitalizada deste processo, única disponível para o exame deste relator, o verso da referida peça (fls. 92)"; Foi extraída cópia, oriunda do processo físico, da informação constante no verso do Edital de fl. 92 (antes da digitalização: fl. 87) e acostada à fl. 431. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 20 19 e) "informar a data da incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda. por Hipercard Banco Múltiplo S/A, a data da aprovação da operação pelo Banco Central e a data da comunicação formal à RFB da mudança de endereço ou da sua realização ex officio, da Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE, para a R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE". A data de incorporação de Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda. por Hipercard Banco Múltiplo S/A foi 29/07/2005. O pedido de baixa por incorporação foi feito em 24/09/2007 e o seu deferimento em 08/02/2008, conforme informações extraídas do sistema CNPJ (vide fls. 435/440). Para obtenção da data de aprovação pelo Banco Central da operação de incorporação, foi encaminhada solicitação através do Ofício SEORT/DRF/REC n° 121/2014, respondida pelo Ofício 13303/2014BCB/Deorf/Gabin com a informação de que tal aprovação ocorreu em 21/02/2007, com publicação no D.O.U. de 26/02/2007. Ainda segundo o sistema CNPJ, a mudança do endereço "Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE" para o endereço "R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE.." ocorreu em razão da incorporação (pedido em 24/09/2007, deferimento em 08/02/2008). A diligência demonstra, portanto, somente em 24/09/2007 a recorrente atualizou seu domicílio tributário de, "Av. Caxangá, 3841, SL 10, Iputinga, RecifePE" para o endereço "R. Ernesto de Paula Santos, 187, loja 1, Boa viagem, RecifePE.." Sendo assim, não há razão para as alegações da recorrente. Pois, em cumprimento à disposições do art. 23, inc. II, do Dec. nº 70.235/78, a seguir transcrito, a DRF encaminhou corretamente o Termo de Intimação para o endereço indicado pela própria recorrente: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Dessa forma, à vista das informações e evidências apresentadas no Relatório Fiscal de Diligência, não há como conhecer a manifestação de inconformidade, por ser intempestiva. Com relação à petição e documentos de fl. 613/678, de 17/10/2014, por meio da qual a recorrente alega a ocorrência de fato novo, verificase que a Informação Fiscal apresentada colacionada, também juntada por despacho da DRF, às fls. 685/710, registra que houve parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, nos autos do Proc. 19647.013200/200497, do qual originaramse os créditos utilizados pela recorrente neste processo para compensação de débitos. A Informação Fiscal registrou que o direito creditório reconhecido no referido Proc. 19647.013200/200497 é suficiente para compensar os débitos relativos aos fatos Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19647.001919/200302 Acórdão n.º 1302002.711 S1C3T2 Fl. 21 20 geradores de 2001. Conforme quadro que a DRF apresentou, não remanesceu débito a ser cobrado, referente a 2001, conforme a seguir transcrito: Desta forma, é correta a conclusão da recorrente de que perdeu seu objeto, o Auto de Infração que deu origem a este processo de cobrança. Assim, independentemente de não ter havido a instauração do litigioso administrativo, face à intempestividade da manifestação de inconformidade, como acima concluído, o fato é que, de qualquer forma, este processo perdeu seu objeto, em função da certificação pela DRF (consignado no referido Dossiê Eletrônico, Proc. 10010.013267/0316 58) quanto à existência de crédito em favor da recorrente, em valor suficiente para a extinção, por compensação, de todos débitos discutidos neste processo, referentes a 2001. Nesse sentido, mesmo reconhecendo que há fato novo que retira o objeto deste processo (cobrança de tributos por compensação mediante a utilização de créditos inicialmente considerados inexistentes, mas reconhecidos pelo Carf, com decisão transitada em julgado), o fato é que, não há como se admitir a petição de fls. 95 e 96, protocolada em 20/10/2005, como Manifestação de Inconformidade, por ter sido protocolada em prazo superior a trinta dias da intimação por edital. Por todo o exposto, voto por não acolher a preliminar relativa à tempestividade e, assim, voto por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001574/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1997
DECISÕES PROLATADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal.
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação.
Numero da decisão: 2402-006.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 15 74 /2 00 7- 15 Fl. 180DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (DRJ/BEL), relativo a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (52/88) em face da Notificação Fiscal de fls. 3 e seguintes. A DRJ/BEL considerou o lançamento improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1997 NFLD n° 35.818.1216. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VICIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II DO CTN. No lançamento substitutivo, em que o anterior foi anulado por vicio formal, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso II, do CTN. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN não abrange o direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído, pela ocorrência da decadência. O recurso de ofício foi motivado em razão do valor exonerado ultrapassar o valor de alçada estabelecido à época da decisão de primeira instância administrativa. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11522.001574/200715 Acórdão n.º 2402006.427 S2C4T2 Fl. 3 3 Em razão de os fatos até aqui narrados serem suficientes para a resolução da lide, deixo fazer referências a outras informações relativas ao lançamento, inclusive no que se refere a questões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator De início há que se esclarecer que a decisão recorrida considerou o lançamento improcedente com fundamento na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal a qual estabeleceu que “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”. A esse respeito, dispõe o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) [...] VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6º do art. 19. Os dispositivos acima reproduzidos, por si só, mostramse suficientes ao não conhecimento do recurso de ofício. Ainda que não o fossem, de acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º estabelece: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 182DF CARF MF 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A respeito do valor a ser considerado para fins de conhecimento de recurso de ofício, a Súmula CARF nº 103 esclarece ser aplicável o limite de alçada vigente na data de sua apreciação pela segunda instância administrativa. Vejamos: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Desse modo, tendo em vista que os valores lançado a título de tributo e encargos de multa são inferiores ao estabelecido na Portaria MF nº 63/2017 (vide documento de fl 3), mesmo que não se aplicasse ao presente caso o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522/2002, não haveria como se conhecer do apelo. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005707/2002-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002
Ementa:
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.Os pedidos de compensação com créditos de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação e, por conseguinte, não estão sujeitos à homologação tácita.
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-005.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para afastar a preliminar de homologação tácita das compensações, e, no mérito, não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância da discussão administrativa com a esfera judicial.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.Os pedidos de compensação com créditos de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação e, por conseguinte, não estão sujeitos à homologação tácita. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para afastar a preliminar de homologação tácita das compensações, e, no mérito, não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância da discussão administrativa com a esfera judicial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinícius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 57 07 /2 00 2- 61 Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.189 2 (Suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de pedido de compensação com créditos de terceiros protocolado em 13/12/2002. Apreciando tal pedido, foi elaborado o Parecer nº 356/2008 (efls. 33/39) que não homologou as compensações pelo fato de o pedido ter sido protocolado após 29/08/2002, na vigência da nova redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo artigo 49 da MP nº 66/2002, bem como em razão de o crédito não estar habilitado, de acordo com o artigo 3º da IN SRF nº 517/2005, com ciência em 17/07/2008. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou a homologação tácita ocorrida em 13/12/2007 e que possui o direito ao crédito de IPI, de acordo com as decisões proferidas nos MS nº 98.00166580 e 2001.51100010250, independentemente da superveniência da nova redação do artigo 74 da Lei nº 9430/1996, a violação da coisa julgada no MS nº 2001.51100010250, a irretroatividade da nova redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 para alcançar créditos gerados em períodos anteriores, a desnecessidade da habilitação prévia, a existência da ação rescisória não impede o cumprimento da coisa julgada, anteriormente à publicação da Lei nº 11.051/2004, não havia vedação à compensação com créditos de terceiros, com a cessão de créditos, o crédito deixou de ser de terceiro, falta de motivação do pedido de restituição. A DRJ proferiu o Acórdão nº 0922.345 (efls. 141 e ss) afastando a ocorrência da homologação tácita, atribuindo caráter meramente informativo à falta de habilitação de crédito mencionada no despacho e mantendo a nãohomologação em razão de que a decisão favorável obtida no MS nº 2001.51100010250 não ampara a recorrente após a vedação contida no caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, após a alteração promovida pelo artigo 49 da MP nº 66/2002. Inconformada, a recorrente reiterou as razões da manifestação de inconformidade, especialmente quanto à ocorrência da homologação tácita e do direito de compensar com créditos de terceiros, em decorrências das decisões obtidas nos mandados de segurança acima referidos, prospectando efeitos inclusive após a nova redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Na sessão de 19/08/2014, o julgamento foi convertido em diligência, mediante Resolução nº 3402000.685, para juntada de peças judiciais relativas à ação rescisória proposta em face do MS nº 98.00166580 e de outras decisões prolatadas na referida demanda. Em cumprimento, foram juntadas as peças da Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758, com a informação da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional/RJ nº 2º Região que todas as decisões proferidas na referida ação foram cassadas, estando os autos judiciais arquivados. Sobre a diligência, a recorrente apenas reiterou as alegações anteriores. Retornando ao CARF, foi proferido o Acórdão nº 3402002.959, ora embargado, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.190 3 Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. DECURSO DO PRAZO QUINQUENTAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Havendo decisão judicial transitada em julgado que reconheça o direito de compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o pedido de compensação regularmente formalizado deve ser apreciado em cinco anos a contar da data do seu protocolo, não podendo ser considerada como compensação não declarada. Decorrido o prazo quinquenal, é de se reconhecer a homologação tácita por força do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. REGIME APLICÁVEL. Em regra, o regime jurídico aplicável aos pedidos de compensação é aquele vigente à época em que os mesmos são formalizados. Excepcionalmente, quando há decisão transitada em julgado em sentido diverso, devese prestigiar o instituto da coisa julgada, afastandose o regime jurídico em vigor. Embora o instituto da coisa julgada não seja absoluto, a sua relativização deve ser parcimoniosa sob pena de fomentar insegurança jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/12/2002 a 31/12/2002 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não é vedado ao contribuinte invocar princípios constitucionais na esfera administrativa, desde que não o faça com o intuito de afastar norma tributária sob alegação de inconstitucionalidade. Da mesma forma, a doutrina e a jurisprudência são mecanismos lícitos que o contribuinte pode empregar para justificar a sua pretensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Os embargos alegaram omissão/contradição quanto aos limites da coisa julgada e cessação dos efeitos da coisa julgada, ao artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo artigo 49 da MP nº 66/2002 e o artigo 17 da Lei nº 10.833/2003. A embargante afirma que a decisão embargada foi omissa quanto à vedação legal de se considerar pedido de compensação administrativo com crédito de terceiro a teor do §12, inciso II, alínea "a" do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Os embargos alegaram, em suma, a cessação da coisa julgada em razão da superveniência da alteração legislativa no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e a não aplicação do instituto da homologação tácita à declaração de compensação efetuada. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.191 4 Os embargos foram admitidos sumariamente, tendo sido pautados para julgamento na sessão de 1º/07/2016, que foi convertido em diligência para que a recorrente se manifestasse sobre os embargos opostos e sobre a manifestação apresentada pela Fazenda Nacional quanto à decisão proferida em ação rescisória. Em resposta, a recorrente afirmou não ter havido qualquer omissão, contradição e obscuridade na decisão embargada, devendo os embargos serem rejeitados, que o despacho decisório considerou a compensação não homologada em razão da superveniência da alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 pelo artigo 49 da MP nº 66/2002; que à época da entrega da declaração de compensação, a alteração do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 11.051/2004, ainda não estava vigente, sendo sua aplicação retroativa vedada; que as decisões obtidas nos MS nº 98.00166580 e nº 2001.51.10.0010250 estabilizaram a possibilidade de creditamento e compensação com débitos de terceiros, não podendo legislação superveniente retroagir para desconstituir a decisão obtida. Na forma regimental,o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Os embargos tratam de cessação e limites da coisa julgada e da inobservância à vedação prevista no artigo 74, §12, inciso II, "a" da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Referido dispositivo foi introduzido pela Lei nº 11.051/2004, com vigência em 30/12/2004, conforme artigo 34, inciso III da mencionada lei. Defluise que não houve omissão quanto à aplicação do §12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, pela razão de que tal dispositivo não era vigente ao tempo da entrega da declaração, em 13/12/2002. Aliás, tal dispositivo não foi utilizado pela DRJ para afastar a ocorrência da homologação tácita, que a fundamentou no próprio caput do artigo 74 ao dispor que a compensação somente poderia ser utilizada com débitos próprios, concluindo que os pedidos de compensação com créditos de terceiros nunca poderiam ser convertidos em declarações de compensação, com fundamento nos itens 37 a 49 do Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005. Ocorre que o acórdão embargado entendeu pela homologação tácita, a partir da premissa de que a declaração de compensação fora entregue com créditos reconhecidos judicialmente em decisões transitadas em julgado, que afastariam, portanto, a premissa Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.192 5 utilizada pela DRJ de que o prazo de homologação tácita não se aplicaria a "declaração de compensação" de créditos vedados legalmente, conforme excertos abaixo: "Considerando que a motivação adotada no presente julgado alinhase com a posição defendida pela Recorrente, qual seja, a de que a Medida Provisória nº 66, de 2002, e normas subseqüentes, não poderiam alterar o direito garantido por decisão judicial transitada em julgado, afastase, de plano, a premissa básica que sustenta o despacho decisório e o acórdão recorrido, vale dizer, a impossibilidade de se contar prazo para pleitear a restituição/compensação de um crédito vedado pela legislação. Nesse sentido, é inexorável a conclusão de que os pedidos de compensação protocolizados antes de 17/07/2003 (cinco anos antes do despacho decisório) foram homologados tacitamente por força do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, e do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996. " Salientase que o acórdão embargado foi proferido em 15/03/2016, quando já existia decisão judicial proferida nos autos do MS nº 2001.51100010250 pela Juíza Federal Vanessa Simione Pinotti, suspendendo os efeitos do trânsito em julgado, conforme transcrito abaixo: JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO 01ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Processo nº 000102518.2001.4.02.5110 (2001.51.10.0010250) Autor: NITRIFLEX S/A COM/ IND/. Réu: DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE NOVA IGUACU. Decisão Tratase de embargos de declaração opostos pela impetrante em face da decisão de fls. 1533/1536, sustentando ter ocorrido omissão às normas processuais dos artigos 125, inciso I, 128 e 473 do CPC, ao argumento de que o Juízo não teria observado os princípios da igualdade e inércia, e que a decisão modificada pela ora impugnada fere decisão já preclusa. Alega, ainda, a existência de contradição, por ter considerado suspensa a exigibilidade do título executivo proferido neste processo em razão do ajuizamento de ação rescisória, já que não houve deferimento de efeito suspensivo pelo TRF. A impetrante aditou sua petição de embargos de declaração às fls. 1598/1601 requerendo que, se não houvesse o cancelamento da decisão ora embargada que, ao menos, houvesse a suspensão da exigência dos créditos de terceiros. Diante dos possíveis efeitos infringentes dos embargos de declaração, foi dada vista à Fazenda Nacional, que sustentou que os embargos não cumprem os requisitos do artigo 535 do Código de Processo Civil, diante da inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.193 6 Inexiste a omissão a normas processuais apontadas pela impetrante. A notícia da existência de ação rescisória tendo por objeto o título executivo da presente demanda foi trazida aos autos por certidão de servidor da Secretaria do Juízo (fls. 1464/1514), em momento posterior à prolação da decisão de fls. 1458/1459, que deferiu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários da sociedade que se pretende compensar com créditos da impetrante. Tratase, portanto, de fato até então desconhecido por esse Juízo, mas já sabido pelas partes desse feito. Frisese que ambas as partes já se manifestaram nesse processo após o ajuizamento e a apresentação de resposta na ação rescisória, porém não fizeram qualquer menção desse fato. Diante dessa nova situação, que, salientese, já era conhecida pelas partes dessa demanda, esse Juízo cuidou para que o princípio da efetividade da demanda, notadamente a ação rescisória, pudesse ser alcançado. Destaquese que o título executivo proveniente dessa ação permite que o crédito tributário que a impetrante tem para com o Fisco seja repassado a terceiros, que, conforme mesmo aduz a impetrante, são muitos. Além disso, como também já explicitado nesse feito, o cumprimento da aludida decisão é situação complexa e que exige uma série de procedimentos. Logo, na eventual hipótese de desconstituição do título executivo, no mínimo, demandará um lapso temporal razoável para se desfazer o encontro de contas já realizado. Por tudo isso e com escoro no poder geral de cautela, esse Juízo entendeu que a melhor forma de assegurar o princípio da efetividade da ação rescisória seria suspender o cumprimento do acórdão transitado em julgado a fim de que não houvesse prejuízo a qualquer das partes, respeitando, pois, a igualdade entre as partes. Nessa trilha, não se está decidindo para além da lide proposta a uma, porque a lide já restou decidida, havendo, inclusive, o trânsito em julgado; e, a duas, porque a emanação dos influxos do princípio da efetividade da ação rescisória permite que o magistrado, no uso do seu poder geral de cautela, adote as medidas que entenda necessárias para salvaguardar o resultado útil do processo, sob pena de a demanda restar decidida e aquele que tiver seus interesses acolhidos não conseguir executála. Cabe ainda ponderar que não se está a discutir questão já preclusa nesse feito, visto que, como dito, é matéria nova ao menos para esse Juízo e nesse feito. Por tudo isso, não há que se falar em omissão às normas processuais em foco. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.194 7 Com relação à contradição alegada, embora o egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região não tenha conferido efeito suspensivo à ação rescisória, não resta dúvida de que o Tribunal já assentou, no julgamento da apelação nº 2011.51.20.0011037, que a decisão do STJ que anulou o julgamento da rescisória “já restou reconhecida a nulidade do título [...] em razão da aplicação da teoria da causa madura em face de sentença terminativa e antes da vigência da Lei nº 10.352/01, que acrescentou o §3º ao art. 515 do CPC” (fl. 1529). Ademais, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região assentou que não há ofensa ao artigo 489 do Código de Processo Civil mesmo sem a concessão do efeito suspensivo prevista no referido dispositivo, visto que a decisão do Superior Tribunal de Justiça é mais que provimento precário, é julgamento de mérito de instância superior. Nem se alegue que a referida apelação nº 2011.51.20.0011037 não tem relação com a presente demanda, pois se trata de apelação em mandado de segurança no qual a impetrante daqueles autos pretende compensar seus débitos com créditos tributários da NITRIFLEX, tendo como causa de pedir o direito reconhecido no presente mandado de segurança. Por outro lado, deve ser reconhecida a contradição apontada pela embargante quando sustenta que, a despeito do estado de incerteza quanto à manutenção do título existente nesse feito, há, ainda, coisa julgada que, também, emite os seus efeitos. De fato, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, o título executivo subsiste, até que seja confirmada ou não sua eventual rescisão, emitindo, portanto, efeitos. Entretanto, não resta dúvida que a existência da ação rescisória põe em questão a certeza da coisa julgada produzida anteriormente, devendo ser analisados com cautela os efeitos do imediato cumprimento da sentença. Como dito, na hipótese dos autos, a execução imediata do título executivo permite a compensação de créditos da impetrante com débitos de outras sociedades empresariais. Caso cumprido imediatamente, eventual rescisão do julgado causaria, no mínimo, enorme transtorno e lapso temporal, haja vista que a Receita Federal do Brasil teria que rever um incalculável número de processos administrativos de compensação. Assim, forte no poder geral de cautela suprarreferido, nos termos do artigo 798 do Código de Processo Civil, entendo que deve ficar suspensa a exigibilidade da coisa julgada produzida nos presentes autos até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.195 8 Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros, respeitando, assim, a igualdade entre as partes. Diante do exposto, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E A ELES DOU PARCIAL PROVIMENTO para alterar a parte final da decisão de fls. 1533/1536, a partir de fl. 1536, que passa a constar com a seguinte redação: “Ademais, considerando a existência de ação rescisória a colocar em cheque a certeza do título executivo produzido nos presentes autos, não se pode realizar o cumprimento imediato do que restou decidido nesse processo. Por outro lado, tendo sido reconhecido o direito da impetrante em promover a compensação de seus créditos com débitos de terceiros, a coisa julgada produz efeitos, ao menos até o julgamento final da ação rescisória. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros. Dessa forma: TORNO SEM EFEITO a decisão de fls. 1363/1365, a fim de não mais impor à Administração o cumprimento imediato do acórdão prolatado neste feito; MANTENHO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários constantes dos Processos Administrativos 10880.720940/200616 e 10880.721107/200684; OFICIESE à 5ª Vara Federal de São João de Meriti, para ciência desta decisão e eventuais providências cabíveis; SUSPENDASE o presente mandado de segurança até julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872.” OFICIESE com a máxima urgência a Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu, bem como a Procuradoria da Fazenda de Nova Iguaçu, para ciência das modificações aqui produzidas. Publiquese. Intimemse. São João de Meriti, 18 de janeiro de 2016. VANESSA SIMIONE PINOTTI Juíza Federal Substituta 1ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Documento assinado eletronicamente Portanto, concluise que a última decisão proferida nos autos do MS 2001.51100010250 suspendeu os efeitos da coisa julgada no sentido de a Administração Tributária não ser compelida ao cumprimento do acórdão transitado, bem como suspendeu a Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.196 9 exigibilidade do crédito tributário compensado, até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Destarte, a coisa julgada no MS 2001.51100010250, em razão da aplicação da limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pelo artigo 49 da MP nº 66/2002), vedando a compensação com créditos de terceiros, é objeto de discussão judicial, sendo que o recurso voluntário não deveria ter sido conhecido nesta parte, embora o acórdão tenha se referido às ações judiciais. Assim, houve omissão da turma quanto à conhecimento da decisão que altera a premissa utilizada pela relator para aplicação da homologação tácita, uma vez que caso a ação seja desconstituída, tornaria a compensação entregue com créditos vedados. Quanto à alegação de omissão/contradição quanto aos limites e cessação da coisa julgada, em vista da nova redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo artigo 49 da MP nº 66/2002 e de acordo com o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, embora não vislumbre sua ocorrência, tendo em vista que o voto condutor reiterou em diversas passagens que o regime de compensação era o previsto no artigo 170 do CTN e nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996 e IN SRF 21/1997, quando da homologação do direito creditório pela NITRIFLEX e que a superveniência da MP nº 66/2002 não poderia alterar a coisa julgada, é certo que houve omissão quanto à impossibilidade de conhecimento da própria matéria, em vista da Súmula CARF nº 1. Depreendese, pois, que a discussão principal travada neste processo quanto à aplicação ou não da nova redação do artigo 74, alterado pela MP nº 66/2002, no sentido de vedar a entrega de declaração de compensação após 29/08/2002 com utilização de créditos de terceiros, foi levada ao Judiciário ante a decisão acima proferida no processo 2001.51.10.0010250 em 25/03/2014, determinando o cumprimento da coisa julgada, afastando qualquer óbice trazido pela Lei nº 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002). Destarte, novamente, não caberia a este conselho proferir julgamento de mérito sobre a matéria levada à discussão judicial, nos termos da Súmula CARF nº 1. Portanto, acolho os embargos quanto à cessação de efeitos da coisa julgada no MS 2001.51.10.0010250, em razão da decisão acima mencionada, sendo necessário novo julgamento relativo à homologação tácita, uma vez que calcada na existência de trânsito em julgado. Em preliminar, a recorrente alega a ocorrência de homologação tácita nos termos do §5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros foi protocolado em 13/12/2002 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 17/07/2008, portanto em mais de cinco anos. Esta matéria foi apreciada por esta turma no Acórdão nº 3302004.263, cujas razões expostas na Declaração de Voto elaborada pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento transcrevo abaixo e adoto como razão de decidir: “A presente declaração de voto cingese a questão preliminar, prejudicial de mérito, atinente a decadência do direito de lançar ante a ocorrência da homologação tácita da compensação Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.197 10 realizada pela recorrente com créditos terceiros no período de junho de 2001 a maio de 2002. A recorrente a alegou que, nos termos do art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, a autoridade administrativa tinha o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da formação do pedido, para homologar as compensações em apreço, porém, como a decisão não homologatória fora proferida em 10/6/2008, após 6 (seis) anos e meses, estaria consumada a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Equivocase a recorrente. O art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN trata da homologação tácita do lançamento em que há pagamento antecipado do tributo. No caso, além de não ter havido pagamento, mas compensação, não há que se falar homologação tácita do lançamento, haja vista que, por iniciativa própria, a recorrente procedeu a constituição dos débitos tributários compensados, por meio da DCTF. Assim, se os débitos foram devidamente constituídos, obviamente, a etapa de lançamento ou constituição do crédito está superada, portanto, a decadência suscitada pela recorrente é matéria superada e, portanto, estranha aos autos Dessa forma, resta saber se no caso em tela, de fato, houve a alegada homologação tácita das compensações em referência. Nesse sentido, previamente, cabe consignar que, até 01/10/2002, quando entrou em vigor a sistemática de compensação por declaração, introduzida pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não havia previsão legal para a homologação tácita da compensação. No período em que vigeu a redação originária do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterada pelos citados preceitos legais, e regulamentada pela da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, não havia prazo para homologação dos pedidos de compensação formulados pelos contribuinte. Tal previsão somente passou a existir com a novel alteração supra mencionada. A propósito do assunto em comento, é oportuno enfatizar que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, a compensação do crédito de terceiro não tinha (e continua não tendo) amparo legal. Nesse sentido, atualmente há determinação legal expressa (art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004) atribuindo o efeito de compensação não declarada a utilização de crédito de terceiro e tipificando tal conduta como infração sancionada com a multa fixada no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores. A despeito da falta de previsão legal, o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, em total afronta ao princípio da estrita legalidade, da supremacia do interesse público e da hierarquia das normas, num curto período de tempo, autorizou a Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.198 11 compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, com a seguinte dicção: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (...). (grifos não originais). [...] Ainda que desprovido de suporte legal, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigeu até 10/4/2000, data em que foi expressamente revogado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 041 de 07 de abril de 2000. Em consonância com as disposições legais vigentes, este ato normativo também proibiu a compensação de débitos de um sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros (art. 1º). Logo, diferentemente do alegado pela recorrente, na data em que ela formalizou as compensações em apreço, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, que, sem fundamento legal, autorizara a compensação com crédito de terceiros, já se encontrava expressamente revogado e, ao contrário do disposto no citado preceito normativo, o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 041, de 20002, passou expressamente a proibir essa modalidade de compensação, com os seguintes termos, in verbis: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória no 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. (grifos não originais) Cabe esclarecer ainda que, além dos pedidos de compensação de crédito com débitos próprios pendentes de análise em 1/10/2002, ainda existiam, em fase de análise, pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros formalizados até 9/4/2000, data do término da vigência do art. 15 da da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, aos quais foram assegurados, pela própria Administração Tributária, o direito de compensação até então vigente. De qualquer modo, não se pode desconhecer que o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 2002, estabeleceu um regramento Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.199 12 de transição para os pedidos de compensação pendentes de apreciação até 1/10/2002, nos termos do § 4º acrescido ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: “Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Em face das regras de transição anteriormente apresentadas, as questões a serem respondidas são as seguintes: os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, pendentes de análise em 9/4/2000, estão sujeitos a qual regramento? Ao que vigeu até 30/9/2002 ou ao vigente a partir de 1/10/2002, que introduziu o novel regime de compensação por declaração? Afirmativamente, tais pedidos ficaram submetidos à disciplina legal sobre compensação vigente em 9/4/2000 e que vigeu até 30/9/2002, pelos seguintes motivos: a) o novo regime de compensação aplicase apenas à “compensação de débitos próprios”, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002; b) a declaração de compensação, prevista na nova sistemática, deve ser entregue pelo próprio sujeito passivo detentor do crédito e do débito a serem compensados, nos termos do § 1º do art. da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002; e c) há previsão expressa no § 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004, no sentido de que a compensação de crédito de terceiros não se submete ao novel regime jurídico de compensação por declaração. Dessa forma, os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, formulados até 9/4/2000, pendentes de apreciação na data de início do regime de compensação declarada, por não atender a tais condições, obviamente, não se converteram em declaração de compensação. Assim, com muito mais razão, os pedidos de compensações com crédito de terceiro, formulados a partir de 10/4/2000, como no caso em tela, protocolados após a referida data, quando já não expressa vedação, inclusive, em atos normativos da Receita Federal, induvidosamente, inequivocamente, também não se converteram em declaração de compensação. Assim, os débitos compensados por meio dos citados pedidos não estão sujeitos ao regime de extinção sob condução resolutória da sua ulterior homologação, nem tampouco ao prazo de 5 (cinco) determinado para efetivação da homologação expressa, previstos no art. 74, §§ 2ºe 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.200 13 Além disso, por se trata de um direito subjetivo de natureza material, o regime jurídico da compensação realizada pelo contribuinte é aquele previsto na norma legal vigente na data do exercício desse direito (a data da compensação), logo, havendo mudança de regime jurídico, os novos preceitos legais somente se aplicam aos fatos e situações futuras (a partir da vigência). Tratase de aplicação da regra geral de direito intertemporal, prevista no art. 101 do CTN, combinado com o disposto no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. Nesse sentido, a doutrina de Hugo de Brito Machado1, explicitada no excerto a seguir reproduzido: (...). Em princípio, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Essa é a regra geral do chamado direito intertemporal. A lei incide sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente. Surgindo uma lei nova para regular fatos do mesmo tipo, ainda assim, aqueles fatos acontecidos durante a vigência da lei anterior foram por ela qualificados juridicamente e a eles, portanto, aplicase a lei antiga. (grifos do original) Não se pode olvidar que a norma jurídica, apenas em caráter excepcional, retroage para qualificar juridicamente os fatos ocorridos antes do início de sua vigência. No âmbito tributário, as hipóteses de retroatividade da norma são aquelas taxativamente enumeradas no art. 106 do CTN, em que não se incluem as situações ou fatos extintivos do crédito tributário por meio da compensação. Em relação ao procedimento de compensação, evidentemente, não pode ser diferente, uma vez que o regime de compensação a que tem direito sujeito passivo é aquele previsto na lei vigente na data da realização da compensação tributária, o que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, corresponde a data da entrega do pedido ou da declaração de compensação. No mesmo sentido, manifestouse a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), por meio do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/2005, em que concluiu pela inexistência de conversão em declaração de compensação dos pedidos de compensação fundados em créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos excertos relevantes transcrevese a seguir: V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS 38. Partindo do disposto no tópico anterior, é de se perquirir: e os pedidos de compensação com créditos de terceiro que, quando da 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28 ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 127 Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.201 14 entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (que incluiu o § 4º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96), encontravamse pendentes de análise pela SRF, estão sujeitos à nova disciplina da “declaração de compensação”? 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43.E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.202 15 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. 49. E mais, por também não observarem as condições estabelecidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela MP nº 66/02), resta claro que não podem ser convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Aplicase, pois, o entendimento retro exposto. 50. Por fim, cumpre chamar a atenção para o fato de que, com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no parágrafo anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam esta situação e que ainda serão objeto de análise no presente Parecer). (os últimos grifos não constam do original). No mesmo sentido, o entendimento esposado na Solução de Consulta Cosit nº 1, de 4 de janeiro de 2006, de onde se extrai os trechos dos enunciados da sua ementa a seguir reproduzidos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.203 16 TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃORECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data o protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. [...] (grifos não originais). Em suma, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por falta de amparo legal, o novo regime de compensação declarada não se aplica aos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, apresentados na ou após a vigência do art. 15 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, e pendentes de análise em 1/10/2002, data que entrou em vigor a nova sistemática de compensação por declaração.” Corroborando este posicionamento, o Acórdão nº 9101002.848, proferido pela CSRF em 12/05/2017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 11543.005707/200261 Acórdão n.º 3302005.551 S3C3T2 Fl. 1.204 17 declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Destarte, rejeita a preliminar argüida. No mérito, em relação à compensação, deixo de conhecer as alegações recursais quanto à possibilidade de se compensar débitos da recorrente com créditos de terceiros, uma vez que, verificada a concomitância com a esfera judicial, cabe apenas à unidade de origem o cumprimento das decisões judiciais vigentes. Diante do exposto, voto no sentido de acolher, parcialmente, os embargos de declaração opostos para sanar a omissão quanto à cessação dos efeitos do trânsito em julgado no MS nº 2001.51.10.0010250, com efeitos infringentes, para afastar a homologação tácita das compensações, e, no mérito, não conhecer o recurso voluntário, em razão da concomitância da discussão administrativa com a esfera judicial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1204DF CARF MF
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Numero do processo: 16408.000489/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 04 89 /2 00 7- 51 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 251DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 254DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 257DF CARF MF Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 9202006.932 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906944/2009-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3001-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato de Avila Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Renato de Avila Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 69 44 /2 00 9- 42 Fl. 121DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Renato de Avila Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Despacho Decisório Tratase de Dcomp apresentada com o fim de ver legitimada a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior. Ao ser analisado, verificouse que os pagamentos localizados serviram de quitação para débitos regularmente constituídos pelo contribuinte. Desta forma, a compensação não foi homologada, cientificandose a contribuinte, que apresentou suas razões de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente reconstruiu os eventos ocorridos, dentre os quais, merecem destaque, a origem do crédito posto em compensação e os meios de sua comprovação. Sinteticamente, houve a narrativa no sentido de configurar pagamento em duplicidade, no que se refere às retenções das contribuições (Pis, Cofins e Csl). Em que pese não ter realizado o destaque das retenções no momento da emissão da nota fiscal, a tomadora dos serviços efetivou as retenções devidas. Elaborou planilha explicativa da evolução do saldo credor a seu favor, demonstrando o pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção. Argumenta que retificou DCTF e DACON. Em preliminar, argumentou pela nulidade do Despacho Decisório, em face da ausência de motivação na denegação da compensação. Esta falta de fundamentação teria acarretado, segundo consta, restrição ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta pela legalidade da compensação levada a efeito, em especial no artigo 170 do CTN. DRJ/BHE A defesa apresentada pela recorrente foi recebida pela mencionada Turma de Julgamento a qual procedeu à análise do caso conforme a ementa a seguir transcrita: Acórdão 0253.440 2 ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.906944/200942 Acórdão n.º 3001000.432 S3C0T1 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar as fases ocorridas até o momento deste processo administrativo, é transcrito abaixo: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 842069955 emitido eletronicamente em 09/06/2009, referente ao PER/DCOMP nº 00238.97636.130406.1.3.048806. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$96,64, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 19/09/2005. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), Fl. 123DF CARF MF 4 art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 11/09/2009, alegando que, no exercício fiscal de 2005, houve duplicidade de recolhimentos do PIS, Cofins e CSLL, uma vez que teria emitido nota fiscal sem destacar a retenção dos 4,65 % de impostos sobre prestação de serviços e o tomador de serviço – IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – efetuou a retenção dos 4,65% referentes aos mencionados tributos. Após perceber o ocorrido, procedeu à regularização de acordo com o informe de rendimentos em anexo da IPEF e com a entrega da DCTF e PER/DCOMP. Alega que, segundo orientação do plantão fiscal, não mais poderia retificar o PER/DCOMP, e toda e qualquer alteração poderia ser feita mediante retificação da DCTF para alocação dos valores efetivamente corretos, líquidos e certos recolhidos aos cofres públicos em duplicidade. Assevera que foi elaborada planilha detalhando os pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, tendo sido feita a inserção dos valores na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao anocalendário de 2005. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do período foi retificado, o que corrobora com a assertiva do manifestante em ressaltar que esta quite com suas obrigações fiscais. Em preliminar, fazendo referência ao princípio da ampla defesa, salienta que, baseada na imposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ao proceder ao Despacho Decisório impondo ao contribuinte cobrança de impostos sem expor o fundamento de seu débito, ou a não adequação ao PER/DCOMP em virtude de não haver em sua conta corrente saldo a ser compensado, tornouse nulo o ato administrativo praticado pelo Auditor Fiscal. No mérito, cita legislação pertinente à compensação de tributos. Ao final, requer total provimento da impugnação apresentada, para o fim de cancelar o despacho decisório e o débito fiscal reclamado. Requer ainda lhe seja fornecido o extrato da conta corrente da empresa para fins de elucidar possíveis créditos em sua conta corrente. Após o resumo fático, extraise, do corpo do voto, trechos que demonstram a fundamentação da improcedência da defesa em primeira instância administrativa, consubstanciada, resumidamente, em deficiência probatória por parte da defesa da contribuinte. A seguir: o direito ao aproveitamento do valor retido na fonte depende da comprovação de que a receita correspondente integrou a base de cálculo do tributo. Nesse ponto, a planilha elaborada pelo contribuinte e as retificações da DCTF e do Dacon não são suficientes para atestar que na base de cálculo declarada foi incluída a receita auferida pelo contribuinte pela prestação de serviços ao IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13888.906944/200942 Acórdão n.º 3001000.432 S3C0T1 Fl. 123 5 Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente repisou o histórico apresentado na sua manifestação de inconformidade, em especial, o fato de ter realizado pagamento em duplicidade referente aos valores retidos a título de Pis, Cofins e CSL. Isto porque, não destacou, na emissão de suas notas fiscais, os valores a serem retidos por sua tomadora de serviços e, mesmo assim, esta reteve, corretamente, os valores a seu encargo. Provas Sob a alegação de insuficiência probante da documentação acostadas neste processo administrativo, alega que as notas fiscais foram juntadas no momento da apresentação de sua manifestação de inconformidade, mas que, não foram localizadas. Por este motivo, atribuído à Administração Pública requer a juntada da documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento em duplicidade dos valores devidos a título de retenções do Pis e Cofins. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: pagamento em duplicidade das retenções. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. Declaro parte não contestada da decisão guerreada, os trechos referente à nulidade do despacho decisório por deficiência na fundamentação do ato administrativo, excluindo da análise, portanto, o argumento do cerceamento ao direito defesa. Fundamentos Legais Invocados IN 482/04 Dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Fl. 125DF CARF MF 6 Art. 9º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna Da Retificação da DCTF Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração DOS FATOS O crédito decorre, segundo argumenta, do pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção, pelo tomador de serviços, de suas prestadora, no caso, a recorrente. Isto porque, a contribuinte declara não ter havido, em suas notas fiscais, as devidas retenções dos tributos aqui discutidos. Desta forma, ao apurar os tributos daquela competência, incluiu o valor total de emissão de nota fiscal, sem considerar as retenções que, de fato, reduziu sua receita. Isto pelo fato de, ao mesmo tempo, a tomadora dos serviços, em que pese a ausência de destaque das retenções, no momento de emissão da documentação fiscal, efetivou, corretamente, o pagamento dos préstimos com o desconto das devidas retenções. Desta forma, extinguiu a obrigação tributária sobre o valor retido. Em tendo a contribuinte, inadvertidamente, incluído em sua base de cálculo, a totalidade das receitas, conforme as notas fiscais emitidas, incorre, sem dúvidas, no pagamento em duplicidade. Temse dos autos, que o fato gerador, conforme informações constante na Dcomp fls. 20, cuja data de ocorrência é maio de 2005 Na ocorrida seqüência fática, a contribuinte relata ter reavaliado apuração dos tributos, verificando a indevida inclusão na base de cálculo, dos valores anteriormente retidos. Mister salientar ser incontroverso o recolhimento da parte retida à autoridade fazendária, conforme extrato retirado do corpo do acórdão prolatado em primeira instância (fls. 31) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.906944/200942 Acórdão n.º 3001000.432 S3C0T1 Fl. 124 7 Certo da indevida inclusão dos valores recolhidos, em 2006, efetivou a mencionada Dcomp. Consoante relatado, houve emissão de despacho decisório eletrônico cujo conteúdo houve por bem indeferir o pedido de compensação efetivado. O motivo, foi a constatação, através da verificação de seus controles internos, a existência e vinculação de débito devidamente informado pela própria contribunte em DCTF originária. Isto posto, conforme se denota da relação de DCTF´s ativas, canceladas, originais e retificadoras, constante em fls. 17 destes autos, a recorrente, logo após a ciência do Despacho Decisório, emitiu a DCTF retificadora. Neste diapasão, não custa relembrar a decisão ora guerreada, fundamentada na ausência de comprovação, vez que julgou pela ausência de capacidade probatória, a planilha acostada em fls. 14, cujo motivo de existência, é demonstrar a evolução dos saldos a seu favor, em decorrência do já mencionado pagamento indevido. Por este motivo, a recorrente trouxe aos autos conjunto de notas fiscais sem o destaque das retenções realmente efetivadas, indicando forte indício da ocorrência do erro material alegado. DA NULIDADE DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Encontrase assente nesta turma extraordinária, o entendimento no qual a DCTF retificadora, e seus correspondentes fundamentos documentais, sob força do princípio da busca pela verdade material, devem ser analisados por força do artigo 9.º da IN 482/04, que dispõe sobre as regras aplicáveis à DCTF. Fl. 127DF CARF MF 8 Ao indicar o comando regulatório que prevê a necessidade de auditoria interna, nos dados constantes em DCTF, expressamente determina a vinculação da entidade fazendária, a verificar os dados transmitidos da DCTF retificadora de forma minuciosa, a fim de verificar a efetiva ocorrência do erro. Ao que se denota, do acórdão em primeira instância, limitase o colegiado a repudiar a capacidade comprobatória da DCTF retificadora,vez que sua tarefa, seria verificar tal planilha a fim de lhe conferir liquidez. A orientação trazida com o julgamento nesta Turma Extraordinária cujo resultado foi o acórdão 3001000.209, com ementa a seguir transcrita, indica a possibilidade de apresentação de DCTF após a prolação do competente despacho decisório, sendo que, uma vez constatado o erro material, develhe ser oportunizado o exames de todos os documentos comprobatórios. Seguese: DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. É salutar trazer a tona, trechos do voto vencedor do Conselheiro Cássio Schappo, que, em caso análogo, demonstra a necessidade das informações prestadas em sede de DCTF retificara passarem pelo crivo de autoridade competente: Me parece, apesar de dupla retificação de DCTF, diante de todos os argumentos e provas carreadas aos autos, que não foram objeto de análise pela unidade de origem, por prudência serem auditados por autoridade fiscal competente. Na seqüência, conclui o voto vencedor, cuja didática e precisão, ao argumentar pela essencialidade de apreciação das informações prestadas em DCTF, sob pena de indevida supressão de instância, torna obrigatória a transcrição: o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.906944/200942 Acórdão n.º 3001000.432 S3C0T1 Fl. 125 9 Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie as DCTFs retificadoras, juntamente com os demais documentos e provas carreadas aos autos e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Salientase, ainda, a existência do precedente CSRF no acórdão nº 9303005.396, DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer totalmente do recurso, e no mérito dar lhe parcial provimento, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16542.720293/2014-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 72 02 93 /2 01 4- 61 Fl. 33DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 23.203,98, em razão da falta de apresentação de sentença, acordo homologado ou escritura pública relativa a esta última pensão de Avanir Carvalho Ventura. Após a revisão, foi apurado o saldo de IRPF suplementar no valor de R$ 2.237,23, considerando juros e acréscimos legais. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não logrou o contribuinte em comprovar o seu direito eis que não tinha sido ainda apresentada a sentença para a pensão de Avanir Carvalho Ventura. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e apresenta a documentação restante para comprovar seu direito à dedução. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 34DF CARF MF Processo nº 16542.720293/201461 Acórdão n.º 2001000.485 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Observese, portanto, que o contribuinte somente tem o direito de deduzir na declaração de ajuste anual o valor de pensão alimentícia pago em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário foram apresentados cópia da sentença, e comprovantes de pagamento da pensão, entendo que foram cumpridos os requisitos legais exigidos para a aceitação da dedução de despesas desta natureza. Fl. 35DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 36DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002217/2007-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 22 17 /2 00 7- 17 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 11020.002217/200717 Acórdão n.º 9303006.907 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.124, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11020.002217/200717 Acórdão n.º 9303006.907 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11020.002217/200717 Acórdão n.º 9303006.907 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 461DF CARF MF
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