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Numero do processo: 19515.000495/2002-75
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: VERBA DE GABINETE - INFORMAÇÃO DADA PELA FONTE PAGADORA DE QUE TAIS VALORES ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA - DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL ENTREGUE COM BASE NOS DADOS FORNECIDOS PELA FONTE PAGADORA - MULTA DE OFÍCIO AFASTADA PELA
DECISÃO RECORRIDA - RECURSO ESPECIAL NEGADO.
Normas relacionadas às obrigações acessórias das empresas determinam que ao término de cada exercício as pessoas jurídicas informem a todos a quem efetuaram pagamentos o valor pago sobre o qual não há incidência do imposto de renda; o valor pago sobre o qual há incidência do imposto de renda e o valor do imposto de renda retido na fonte Assim, no momento em que o sujeito passivo declara seus rendimentos com base nas informações prestadas pela fonte pagadora ele não pode ser penalizado nos casos em que a
Administração der interpretação diversa daquela informada pela fonte pagadora. (Precedentes Recurso 104-149 .682)
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Moises Goiacomelli Nunes da Silva (relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Moises Giacomelle Nunes da Silva
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Matéria IR.PF Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PAULO ROBERTO JULIÃO DOS SANTOS VERBA DE GABINETE - INFORMAÇÃO DADA PELA FONTE PAGADORA DE QUE TAIS VALORES ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA - DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL ENTREGUE COM BASE NOS DADOS FORNECIDOS PELA FONTE PAGADORA - MULTA DE OFÍCIO AFASTADA PELA DECISÃO RECORRIDA - RECURSO ESPECIAL NEGADO. Nourias relacionadas às obrigações acessórias das empresas determinam que ao término de cada exercício as pessoas jurídicas informem a todos a quem efetuaram pagamentos o valor pago sobre o qual não há incidência do imposto de renda; o valor pago sobre o qual há incidência do imposto de renda e o valor do imposto de renda retido na fonte Assim, no momento em que o sujeito passivo declara seus rendimentos com base nas informações prestadas pela fonte pagadora ele não pode ser penalizado nos casos em que a Administração der interpretação diversa daquela informada pela fonte pagadora. (Precedentes Recurso 104-149 .682) Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Moises Goiacomelli Nunes da Silva (relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda •unior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. . j{ _/ .. 1 VLL--/ CARLOS ALBER '8 FREITAS BARRETO- Presidente " MOISES IA 8 '; "I DA SILVA Relator . I ) SUSy. GOMES FIC:I FFMANN — Redatora-Designada EDITADO EM: j V051,20,4) Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire 2 Processo n° 19515 000495/2002-75 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00.739 Fi 2 Relatório Conforme se verifica dos autos, a Receita Federal do Brasil encaminhou correspondência ao Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo para que individualizasse os valores pagos aos Senhores Deputados a qualquer título, no período de janeiro de 1997 a 1998. Diante da relação com o nome de todos os Deputados e Suplentes que exerceram mandato na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, nos anos de 1997 e 1998, dentre os quais se encontra o recorrente, este foi intimado para "informar se os valores foram oferecidos à tributação, comprovando o evento," Não tendo oferecido à tributação os valores recebidos a título de "auxílio- encargos gerais de gabinete e auxílio hospedagem", a fiscalização considerou tais verbas como omissão de rendimentos, sob o entendimento de que a ajuda de custo isenta do imposto de renda é somente aquela que se reveste de caráter indenizatório, destinada a atender as despesas com transporte, frete e locação do beneficiário e seus familiares, expressamente identificada pelo inciso 1, do artigo 44, do RIR/94. Notificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. sustentando que nos termos do artigo 11 da Resolução 783/97, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, os valores objeto de autuação eram destinados a "cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, previstos nos artigos 1°,, inciso 1, e 8°., da Resolução 776/96.", sendo que tal valor não se constituía em remuneração pelo trabalho, mas sim para o trabalho. Na impugnação, caso o entendimento fosse pela tributação dos mencionados valores, alegou o contribuinte que a responsabilidade pela retenção era da fonte pagadora, constituindo-se em sujeito passivo da obrigação tributária, A DRI de São Paulo, julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão o sujeito passivo ingressou com recurso que resultou parcialmente provido pela Quarta Câmara do Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), que negava provimento ao recurso, e Remis Almeida Esto], que provia integralmente o recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de oficio o Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Intimada desta decisão., a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial alegando contrariedade à lei, Admitido o recurso, a parte recorrente, devidamente intimada,1 não apresentou contra-razões. É o relatório. É o relatório. 3 Voto Vencido Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto nc . 70.235 de 06 de março de 1972, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte leQítima, razão porque dele torno conhecimento e passo ao exame do mérito . A tributação correspondente à denominada "verba de gabinete" paga aos deputados de São Paulo já foi reiteradamente apreciada neste C.olegiado que nesta atual composição tem decidido pela exclusão intew-al da exigência, com base em fundamentos que assim podem ser sintetizados: VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS — NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA 1 A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandado A não exigência de prestação de contas das despesas correspondentes à referida verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração O . fato de não havei prestação de contas, por si só, não transforma em renda aquilo que tem natureza indenizatoria As verbas de gabinete recebidas pelos Deputados e destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares estão .fora do campo de incidência do imposto de renda. 2 Para que fosse possível a tributação das denominadas verbas de gabinete a Fiscalização deveria ter demonstrado que tais recursos não foram utilizados nas finalidades a que se destinavam, (Recurso rf Rel. Moisés Giacomelli Nunes da Silva, 102 -451210 Na condição de relator de alguns recursos, quanto ao mérito da exigência, tenho destacado que o exame da matéria passa, obrigatoriamente, "pela análise da natureza .juridica das verbas de gabinete recebidas pelos senhores deputados. Há que se identificar se se tratam de valores recebidos pelo trabalho ou para o trabalho. Os valores recebidos pelo trabalho se constituem rendimentos e estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda. As importâncias recebidas para o trabalho, isto é, os recursos que são alcançados para que alguém possa executar determinada atividade, sem os quais não poderia desenvolver da forma esperada, não se constituem em rendimentos, mas sim meios necessários ao exercício da .fiinção, do encargo ou do trabalho. Sem entrar- no mérito político da decisão da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo de aprovar a Resolução 783, de 1997, cujo artigo 11 prevê a instituição do denominado "Auxilio Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem" destinado a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos Gabinetes, hospedagens, combustível, lubrificantes, extração de cópias reprogr4ficas, expedição de cartas e telegramas, assinaturas de jornais e revistas, fornecimento de materiais de escritório, impressão de livretos e tabloides parlamentares etc, periódicos e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares", cabe perquirir se a referida verba tinha natureza indenizatória ou remuneratória Processo n" 19515 000495/2002-75 CSRF-T2 Acórd5o n.' 9202-00..739 Fl 3 i Em regra, nas verbas de natureza indenizatória, a .fonte que alcança os recursos necessários ao seu adimplemento exige prestação de contas. No caso dos autos, entretanto, no período em questão, apesar da Assembléia Legislativa mencionar que tais verbas destinavam-se ao pagamento das despesas inerentes ao exercício do mandado de Deputado Estadual (art 11, § 2 0, 1 a VII da Resolução 783, de 01 de julho de 1997, não exigia prestação de contas, exigência que somente iniciou afazer a partir da Resolução n° 822, de 14 de dezembro de 2001, cujos artigos 1' e 2', assim dispõem: Resolução a' 822 de 14 de dezembro de 2001 Ail 1° - A aplicação do Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio-Hospedagem, devidos mensalmente, destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos gabinetes, previstos MS artigos 1°, inciso 1, alínea "1" e 8' da Resolução n° 776/96, C0171 hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares, a que se refere o artigo 11 da Resolução n° 783, de 1° de .julho de 1997, obedecerá, doravante, o contido na presente Resolução. .Art 2' - Toda despesa efetuada pelo gabinete de Deputado da assembléia Legislativa, de acordo com o artigo 11 da Resolução n° 783, de 1° de julho de 1997, deverá .ser individual e adequadamente comprovada, sob pena de não ser ressarcida , Para este relator, no momento em que os dispositivos legais acima transcritos exigem que todas as despesas correspondentes à aplicação da verba denominada Auxílio-Encargos Gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio-Hospedagem" devem ser de forma individual e adequadamente comprovada, sob pena de não ser ressarcida, não deixam dúvidas que se tratam de verbas de natureza indenizatória e não reinuneratária, Questão a ser enfrentada diz respeito à natureza jurídica do citado "auxilio" antes da Resolução n° 822, de 14 de dezembro de .2001, em que a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo não exigia a devida comprovação das despesas. O ,fato da . fonte que aporta os recursos não exigir a comprovação das despesas seria suficiente para mudar a natureza jurídica dos valores correspondentes? . Entendo que a exigência ou não de comprovação das despesas não transforma em renda aquilo que não é renda. Se eu digo que a comprovação dos valores correspondentes aos meios necessários ao exercício de determinada atividade não se constitui em rendimentos, não será 0 ./ato da fonte que alcança os recursos, destinados ao mesmo .fim, dispensar a respectiva comprovação, que tais valores se transformarão em renda, aqui entendida como riqueza nova, acréscimo patrimonial. Ao apreciar a natureza jurídica da "verba de gabinete", o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário de n° 204,143-2, julgado em 25-03-97, em que foi relator o Ministro Octávio Gallotti, assentou que os subsídios dos Deputados Estaduais são fixados nos termos do artigo 27, § 2°, da Constituição Federal, na razão de, no máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabelecido, em espécie, para as Deputados Federais, observados o que dispõem os artigos 39, § 40, .57, § 7°, 150, Hl, § 2°, 1, O artigo 39, § 4 0 •, da Constituição Federal, por sua vez, prevê que "o timembro de Poder, o detentor de mandato eletivo, o.s Ministros de Estado e os Secretário .. , 5 Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio .fixado em parcela nica, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no artigo 37, X e Os dispositivos constitucionais acima referidos, a exemplo do que já decidiu o Supremo Tribunal Federal, em especial nos fundamentos contidos na decisão do Ministro Sepúlveda Pertence, que ao suspender a segurança deferida no acórdão atacado por meio do Recurso Extraordinário n 204 143-2, afastou a tese de natureza remuneratória da denominada "verba de Gabinete'', arrimando sua decisão com a seguinte passagem que transcrevo "Que o caráter supostamente indenizatório da referida verba viesse a dissimular a indevida evasão do imposto de renda e a regra constitucional da equivalência dos tetos (CF, art 37, Al) — segundo alega a impetração (17 43) — e, de sombra, c r .fraudar o limite de 75% da remuneração dos congressistas (an 27, 2) — é questão que diz apenas com a legitimidade do seu pagamento aos parlamentares estaduais em exercido Tenho que a "verba de gabinete" se constituem nos meios necessários para que o parlamentar possa exercer seu mandado .4 não exigência de prestação de contas da .forma com que ..fbi gasta a citada verba é questão que diz respeito ao controle e a transparência da Administração. Isto, todavia, não transporta a "verba de gabinete" do campo da indenização para o campo dos rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial Em certos casos, a Administração, por exemplo, quando paga diária com valor previamente fixado, pode exigir que o servidor comprove sua participação no evento, sem precisar o quanto _foi gasto. Em tais hipóteses, se o servidor gastar mais do que o valor presumido como meio suficiente &finalidade a que se destina, não terá direito de reclamar a dif erença Entretanto, se o mesmo servidor que recebeu os reCLUSOS destinados à alimentação e, por qualquer razão, resolver ficar sem se alimentar, tais recursos não se transformarão em rendimentos para sobre eles incidir contribuição social, imposto de renda e reflexos no cálculo do valor da aposentadoria. Nas palavras de Luigi Vittorio Berliri, citado por Roque Antonio Carrazza, em sua Obra Imposto sobre a Renda, 2 a Edição, Ed. Malheiros, 2006, pág. 37, "A renda tributável não pode ser constituída senão por uma nova riqueza, produ2ida do capital, do trabalho ou de um e outro conjuntamente, e que seja destacada de uma causa produtiva, conquistando uma autonomia própria e uma aptidão própria e independentemente para produzir concretamente outra riqueza Dito de outro modo, segundo o autor citado, "renda e proventos de qualquer natureza são acréscimo patrimoniais experimentados pelo contribuinte ao longo de um determinado período de tempo Ou, se preferirmos, são o resultado positivo de uma subtração que tem por diminuendo os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte entre dois marcos temporais, e por subtraendo o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afirmam permitem jazer. No exame do caso concreto ainda se pode considerar as disposições do artigo 11, § 2', Ia VII, da Resolução 783, de 1997, que instituiu a citada "verba de gabinete", "in verbis ": • 6 Processo n u 19515 000495/2002-75 CSRF-T2 Acórdão n u 9202-00:739 R 4 Ar!. 11 — FiCa177 instituídos as Auxílios-Encargos gerais de Gabinete de Deputado e Auxílio Hospedagem, devidos mensalmente, correspondentes a 1 ..2.50 (hum mil duzentos e cinqüenta) UPFs., destinados a cobrir gastos com o funcionamento e manutenção dos gabinetes, previstos nos artigos, 1°, inciso I, alínea "1" e 8° da Resolução n° 776/96, com hospedagem e demais despesas inerentes ao pleno exercício das atividades parlamentares • •• § 2' - Em razão da instituição do Auxílio de que trata o artigo 11, ficam cessados.. 1 —fornecimento de combustível e lubrificantes, II — reembolso de despesas efetuadas com reparos de avarias mecânica.s, inclusive com troca de peças e componentes, bem como de aquisição de combustível e lubrificantes; Ill - impressão de livretos e tablóides parlamentares, IV— extração de cópias i•eprogr4ficas; V - expedição de cartas e telegramas,. T/7 — expedição de cartas e telegramas; VI — fornecimento de materiais de escritório classificados como despesas de consumo, e VII — assinaturas de jornais e periódicos Pelo que se depreende da norma ora transcrita, as despesas acima referidas são necessárias para que o parlamentar possa desempenhar o seu mandato. Assim, têm natureza indenizatória. Não é pelo .fato da Casa Legislativa editar norma prevendo que o reembolso das referidas despesas seria feito, mensalmente, mediante valor . fixo, que tais rubricas transportar-se-ão do campo da indenização para a esfera da remuneração Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN, No ponto em que o acórdão recorrido alicerçou sua tese no fundamento de que os Estados-Membros não têm competência para concederem isenção, entendo que se faz necessário distinguir os conceitos de não incidência e de isenção. Só é possível conceder. isenção em relação a tributo se houver uma regra-matriz de incidência tributária sobre o fato juridicamente qualificado Não cabe ..falar em isenção do imposto de renda sobre o denominado "auxílio de gabinete", na medida que tais verbas não se inserem no conceito de subsídio de que tratam os artigos .27, § 2°. e 39, ssç. 4° . da Constituição Federal, nem no conceito de renda do artigo 43 do CTN Pelos fundamentos acima expostos, concluo que as verbas de gabinete. recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividad •s ,2 parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Em relação aos argumentos daqueles que, enfrentando o presente, alicerçam sua tese no fundamento de que os Estados-Membros não têm competência para concederem isenção, entendo, com a devida vênia, que se faz necessário distinguir os conceitos de não incidência e de isenção. Só é possível conceder isenção em relação a tributo se houver uma regra-matriz de incidência tributária sobre o fato juridicamente qualificado. Não cabe falar em isenção do imposto de renda sobre o denominado "auxilio de gabinete", na medida em que tais verbas não se inserem no conceito de subsídio de que tratam os artigos 27, § 2 0 e 39, § 4°. da Constituição Federal, nem no conceito de renda do artigo 43 do CTN Apesar do entendimento acima referido. o caso em julgamento diz respeito apenas ao afastamento da multa de oficio. e a decisão recorrida deve ser mantida, pois nas hipóteses em que o sujeito passivo é induzido em erro pela fonte pagadora, como bem observada no voto recorrido, sua obrigação é em relação ao pagamento de tributo, com juros legais, excluída a multa de oficio. Neste ponto, é preciso que se tenha presente que as normas relacionadas às obrigações acessórias das empresas determinam que ao término de cada exercício as pessoas jurídicas informem a todos a quem efetuaram pagamentos os seguintes dados: a) o valor pago sobre o qual não há incidência do imposto de renda, b) o valor pago sobre o qual há incidência do imposto de renda e c) o valor do imposto de renda retido na fonte. Assim, no momento em que o sujeita passivo declara seus rendimentos com base nas informações prestadas pela fonte pagadora ele não pode ser penalizado nos casos em que a Administração der interpretação diversa daquela informada pela fonte paQadora. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso É o voto. 411iik • Moisés Giacome 1 unes ia Silva — • elator 8 Processo n 19515 000495/2002-75 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00,739 Fl 5 Voto Vencedor Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Designada Inicio a redação do voto vencedor esclarecendo que comungo o entendimento de que as verbas de gabinete recebidas pelos Senhores Deputados, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 4.3 do CTN. Todavia, há que se registrar que, no presente caso, o contribuinte não 'ovou êxito em seu recurso voluntário e esta tese foi vencida. Tampouco, conseguiu trazê-la novamente à discussão em sede de Recurso Especial, restando transitada em julgado este tema. Por sua vez, o acórdão recorrido excluiu a multa de oficio sob a argumentação de que o erro pela não indicação das referidas verbas dentro das rendas tributáveis ocorreu pela informação equivocada do ente que efetuou o pagamento, sendo um CITO escusável e, por conseqüência, feita a exclusão da multa de oficio, Não vejo como prosperar tal entendimento, uma vez que a regra do artigo 44, inciso I da Lei 9 430/96 é clara no sentido do cabimento da multa de oficio quando não há o pagamento do tributo. Ora, se prosperou o lançamento tributário quanto à exigência do tributo, não há como não prosperar a cobrança da multa de oficio. Não há no ordenamento jurídico vigente a possibilidade do afastamento da multa de oficio com base no erro escusável. Assim, de forma clara e simples, não vejo como afastar a cobrança da multa de oficio sem que haja ofensa à lei Por este motivo, voto para DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. 2 Susy Gon es--H ffinann Redffóra-Designada 9
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Numero do processo: 16327.001122/2006-74
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS.
Devem ser acrescidas à base de cálculo do Lucro Presumido as receitas de aplicações financeiras de renda fixa e variável obtidas no período de apuração.
BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. RECONHECIMENTO.
Correta a decisão de primeiro grau que reconheceu e sanou as incorreções contidas no lançamento que majoraram indevidamente a exigência.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS
Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações - de forma sistemática e reiterada -, ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõe-se a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL
Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ.
PIS E COFINS. FATURAMENTO X RECEITAS FINANCEIRAS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/91, pelo pleno do STF, cancelam-se as exigências de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras apuradas.
Numero da decisão: 1103-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as exigências de PIS e Cofins e, por voto de qualidade, em manter a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Leonardo Henrique M. de Oliveira e Hugo Correia Sotero (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso,.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percinio da Silva - Presidente.
Hugo Correia Sotero - Relator.
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Hugo Correia Sotero, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gervásio Nicolau Recktenvald.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 31/09/2015.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. Devem ser acrescidas à base de cálculo do Lucro Presumido as receitas de aplicações financeiras de renda fixa e variável obtidas no período de apuração. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. RECONHECIMENTO. Correta a decisão de primeiro grau que reconheceu e sanou as incorreções contidas no lançamento que majoraram indevidamente a exigência. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. PIS E COFINS. FATURAMENTO X RECEITAS FINANCEIRAS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. Tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/91, pelo pleno do STF, cancelamse as exigências de PIS e Cofins sobre as receitas financeiras apuradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 22 /2 00 6- 74 Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.581 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as exigências de PIS e Cofins e, por voto de qualidade, em manter a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Leonardo Henrique M. de Oliveira e Hugo Correia Sotero (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso,. (assinado digitalmente) Aloysio José Percinio da Silva Presidente. Hugo Correia Sotero Relator. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Redator designado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Hugo Correia Sotero, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gervásio Nicolau Recktenvald. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Hugo Correia Sotero não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 31/09/2015. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.582 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela interessada em face do Acórdão nº 1611.904, proferido pela 10ª Turma da DRJSão PauloI, em 11 de dezembro de 2006, que considerou parcialmente procedente o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no valor total de R$ 61.280.354,60, tendo em vista a omissão de rendimentos de aplicações de renda fixa e variável apuradas pela fiscalização, que foram adicionadas à base de cálculo do lucro presumido para fins de cálculo do IRPJ e CSLL e das contribuições sociais ao PIS Cofins. Cientificada do auto de infração a interessada impugnou tempestivamente o lançamento, trazendo as alegações que foram sintetizadas no acórdão de primeiro grau, verbis: PRELIMINARES Incompetência do Órgão Autuante Alega a requerente que nao é entidade financeira e que, portanto, está sujeita à fiscalização da DRF de jurisdição de seu domicilio. Reportase ao art. 172 da Portaria MF n° 30/2005, do Regime Interno da Secretaria da Receita Federal, e conclui pela incompetência da Delegacia Especial de Instituições Financeiras/São Paulo para autuála. Erros Materiais Cometidos no Trabalho Fiscal Alega que foram cometidos erros de várias naturezas durante o trabalho fiscal, conforme expostos a seguir, o que invalida o prosseguimento do feito, a saber: 1) Utilização da Base de Cálculo de Valores Referentes a Outro Contribuinte e Operações não Imputáveis à Impugnante. As operaçoes de fls. 1.093 a 1.125 correspondem a informações da Bolsa de Mercadorias & Futuros contendo movimentação da empresa Fair Corretora de Câmbio e Vls. Ltda empresa que nada tem a ver com a lmpugnante. Essas operações, que representam a quase totalidade dos tributos exigidos e contestados, não podem ser atribuídas à Impugnante, tratando tratandose de erro cometido durante a ação fiscal e deve ser devidamente corrigido. 2) Erro de Soma O Termo de Verificação Fiscal apresenta em relação ao 4° trimestre de 2002 o seguinte I. Renda a Compensar: (...) total de 32.997,02, quando a soma de 32.584,20 + 8.645,31 + 412,82 é igual a 41.642,32. 3) Erro de não Compensação de PIS e Cofins recolhidos e de parte do IRPJ e da CSLL Não foram compensados os valores referentes às contribuições para o PIS e Cofins, conforme relação às fls.1368/1369 dos autos. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.583 4 Não foram compensados o IRPJ relativo ao 3° trimestre de 2002 no valor de R$ 4.737,43 e também o valor da CSLL referente ao mesmo período, R$ 1.065,92. 4) Artigo 149 do CTN . Esses erros estao a exigir a aplicação do disposto no artigo 149 do Código Tributário Nacional (inciso V). Cerceamento do Direito de Defesa Consta do Termo de Encerramento do Trabalho Fiscal: “Item IV Após formalização do processo, havendo necessidade de vista do mesmo, esta só será concedida ao próprio contribuinte ou ao seu representante legal, devidamente comprovado ou habilitado nos autos processuais. O interessado deverá comparecer no seguinte endereço: DIF SÃO PA ULO Endereço: Rua Avanhandava, n” 55 Cerqueira César ~ SÃ O PA ULO/SP Em decorrência dessa informação inexata, aconteceu que representante legal da lmpugnante ao comparecer no endereço acima e dentro do prazo de impugnação foi informado que o processo fora encaminhado para a Agência de Mogi das Cruzes, atrasando a obtenção de cópias reprográficas do trabalho fiscal que não lhe foram fornecidas oportunamente, conforme determina a legislação este atraso de localização de processo e no fornecimento das cópias prejudicou de maneira substancial a preparação de sua defesa. Quebra de Forma Irrcgular e Indevida do Sigilo Financeiro Não consta do processo a devida autorização para solicitação ou a forma regular que o Fisco teria utilizado para solicitar as informações junto à Bolsa de Valores de São Paulo e à Bolsa de Mercadorias & Futuros, contrariando o art. 197 do CTN (transcritos o caput, inciso II e IV, e parágrafo único). DO MERITO Do valor dos rendimentos obtidos Após transcrição do art. 521 do RIR/99, capitulação legal aplicada no auto de infração, expõe que, embora não disponha de escrituração contábil, desobrigada pela forma de apuração do resultado pelo lucro presumido, registrou entre suas operações as aplicações financeiras efetuadas, confonne constante dos seus Livros Caixa (cópia constante às fls.124 a 163 do processo), a saber: Caixa n° 000001 2002 relação de aplicações financeiras e resgate parcial às fls.1371 dos autos, com indicação de saldo em 31/12/2002 de R$ 1.521.001,00; Caixa n° 000002 2003 relação de valores às fls.1371 dos autos, com indicação de saldo em 31/12/2003 de R$ 160.800,00. Assim, na ânsia de apuração de valores tributáveis, a ação fiscal ao tratar da matéria de maneira global decidiu separar operações que deveriam ter sido apuradas como ganho de capital, tendo em vista tratar‹se de operações de compra e venda e não de rendimento financeiro, seja operação de renda fixa ou renda variável. Formas Utilizadas para Apuração da Base de Cálculo No caso de apuração pelo lucro presumido, excluemse do regime de competência os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e os ganhos Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.584 5 líquidos auferidos em aplicações de renda variável, o que nao foi observado no auto de infração contestado. Mercados à Vista Ao ser obtida de forma geral a diferença entre o custo de aquisição (media ponderada) e o valor de alienação constatamse irregularidades: os ativos (tipos de títulos ou direitos) são perfeitamente identificados não sendo de se utilizar média ponderada; ao empregar apenas as diferenças positivas a ação fiscal não levou em conta as diferenças negativas perdas ocorridas, perfeitamente compensáveis; não houve observância do disposto no art. 25 da IN 25/2001. Da Sonegação. Da Fraude e do Conluio Não Comprovados e do Indevido Agravamento da Multa de Ofício A autoridade autuante, com base no disposto nos artigos 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/64 insinua que o contribuinte teria praticado as infrações ali descritas como sonegação, fraude e conluio, de uma forma genérica, sem especificar ou demonstrar concretamente onde, como ou em que circunstâncias teriam ocorrido as condutas ou ações delituosas, que exigem o dolo específico para sua perpetração. O contribuinte manifesta seu inconformismo quanto aos aspectos materiais do lançamento acerca das alegadas omissões de rendimentos descritas na peça acusatória, eis que, em tese, apenas para argumentar, estariam tipificadas no art. 44, I, da Lei n” 9.430/96, nunca no inciso II, do mesmo dispositivo legal. Reportase a textos legais e considerações doutrinárias a respeito de sonegação, fraude, conluio e dolo e afirma ue o auditorfiscal, não demonstra “in concretu” a ocorrência, dessas figuras, que não comportam presunções, que, para esses casos, a lei não as erigiu ao conceito das presunções legais. São presunções “juris tantum”, de responsabilidade de quem alega (o FISCO) fazer a prova. Para justificar a aplicação da multa de oficio agravada, o auditor fiscal autuante presume o dolo do contribuinte conducentes à prática das também presumidas infrações de sonegação e fraude. Inicialmente cabe enfatizar que 0 dolo não se presume, pelo contrário, deve ser evidenciado com provas cabais, irrefutáveis, da vontade do agente na prática das condutas infracionais. O auditorfiscal fundamenta o referido agravamento em três fatos que, se ocorridos, revelariam infraçoes fiscais puníveis na forma do art. 44, l, da Lei n° 9.430/96 (multa de 75%). Não comprova, pois, o dolo, condicionante do inciso II, do mesmo artigo, continuando no terreno das presunções. Pelo contrário, verificase de todo o processado que o contribuinte em momento algum praticou ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), sua natureza ou circunstâncias materiais, nem a ocorrência do fato gerador de tais tributos, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. A ocorrência dos fatos geradores foi informada pelo contribuinte ou constatada pelo FISCO através de elementos ou documentação fornecida por aquele em atendimento a todas as intimações de que foi objeto, ou através de outros Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.585 6 elementos legalmente disponíveis e aptos a produzir os efeitos fiscais buscados pelo FISCO, sem terem sido excluídos, modificados ou qualquer outra ação ou omissão de iniciativa do contribuinte que era conhecedor da liberdade de ação investigatória da autoridade fiscal na busca da verdade material. Daí, a proceder a ilações subjetivas ao resultado das pesquisas e análises fiscais como decorrentes de conteúdo doloso é procedimento interpretativo vedado pelo nosso sistema jurídico, que, nesse aspecto, não comporta presunções sem provas contundentes e cabais. Neste sentido é vastíssima a jurisprudência e também a produção doutrinária. Quanto ao alegado dolo, por parte da autoridade autuante, em lugar de demonstrar especificamente em que circunstâncias, documentação ou atos praticados pelo contribuinte nesse sentido, a mesma autoridade, a respeito limitase a discorrer sobre considerações doutrinárias e transcrição da legislação tributária específica às fls. 33/35 do auto de infração. Verificase que as três situações descritas pelo auditor fiscal autuante, às fls.34, no inicio do item V, para justificar o agravamento da multa de ofício, apenas confirmam, se ocorridas, o tipo descrito no inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96. Se o FISCO logrou constatar a ocorrência do fato gerador através de elementos fornecidos pelo contribuinte ou em pesquisas por outras fontes (fls.32 a 95) sempre a sua disposição pelos meios legalmente autorizados, não houve ocultação do fato gerador, muito menos de levar à conclusão de que nesses casos sempre há dolo do contribuinte. Por que então, os dois incisos, do artigo 44? No caso, o FISCO, ressaltese, não demonstra, através de elementos concretos e específicos o evidente intuito de fraude, nem o dolo, exigidos para os tipos descritos nos artigos 7l e 72 da Lei n° 4.502/64 e do inciso II, do artigo, 44 da Lei citada. Em seguida é transcrita jurisprudência administrativa a esse respeito (fls.1374/1377). Dos juros de mora A fiscalização invocou o art. 61, § 3°,d a Lei n° 9.430/96 para cobrar juros de mora sobre a cobrança dos tributos pretendidos. Ocorre que referido texto legal tratase de lei ordinária e, segundo o Ato Complementar n° 36/1967, a Lei n° 5172/66 passou a denominarse Código Tributário Nacional, com natureza de lei complementar. Dessa forma, e nos termos do an. 146 da CF/88, não poderia ter sido alterado por lei ordinária, e o art. 161 do CTN não foi alterado nem revogado por lei posterior, estando em plena vigência. Portanto, afirma a defesa, a aplicação do art. 61, § 5°,d a Lei n° 9.430/96 não tem amparo legal nem constitucional. Da base de cálculo Pis/Cofins Transcrito caput do art. 10, e seus parágrafos 1° e 2° (inciso I e II), do Decreto n° 4.524/2002. A 1ª turma da DRJSPOI, analisou os argumento e proferiu o Acórdão nº 16 11.904, considerando parcialmente procedente o lançamento, conforme sintetizado na seguinte ementa: Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.586 7 VALIDADE DA AUTUAÇÃO. PESSOA COMPETENTE. O procedimento fiscal será válido, mesmo que formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo e a formalização da exigência, nesses termos, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Apresentada a impugnação no prazo legal e com farto arrazoado de defesa, descabe falar em cerceamento de defesa em face da localização do processo na DRF de jurisdição e não na DRF autuante. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS FINANCEIROS. ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, exceto se, no decorrer do Anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. As irregularidades, incorreções e omissões, diferentes das referidas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para 0 sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. RENDIMENTOS FINANCEIROS. PRATICA REITERADA. Constatada a prática reiterada de omissão integral dos rendimentos decorrentes de operações realizadas no mercado financeiro, apuradas pela fiscalização ao amparo da Lei Complementar n° 105/2001, devida é a multa qualificada por evidente intuito de fraude. TRIBUTAÇÕES DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Em se tratando de lançamentos decorrentes, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz, constitui prejulgado na decisão da matéria denominada decorrente. Lançamento Procedente em Parte Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou todas as alegações de nulidade e, no mérito, identificou incorreções nos cálculos dos tributos apurados nas planilhas constantes do Termo de Verificação Fiscal, principalmente de rendimento em operações com Futuros/BMF, cancelando parcialmente as exigências e mantendo a aplicação da multa qualificada. Cientificada em 08/02/2007, a interessada apresentou recurso voluntário em 07/03/2007, no qual abandona as alegações de nulidade e no mérito, reitera as alegações trazidas na impugnação, em especial quanto ao não cabimento da multa qualificada, dada a ausência de comprovação do dolo. É o relatório. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.587 8 Voto Vencido Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Hugo Correa Sotero, por ocasião do julgamento realizado em 30/08/2010, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Portanto, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos dos autos e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 30/08/2010, às quatorze horas, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. Recurso de Ofício. O recurso de ofício foi conhecido, em obediência às disposições normativas vigentes. O colegiado entendeu correta a decisão de primeira instância que reconheceu a ocorrência de erros na apuração da base de cálculo dos tributos pela fiscalização, conforme exposto no voto (fls. 1461 e processo), verbis: Embora os erros apontados pela defesa não tenham se verificado, constatouse equívoco quanto ao valor tributável conforme será analisado em seguida. DO ERRO DE FATO E OS VALORES TRIBUTÁVEIS MANTIDOS Como se depreende da planilha de fls. 131 1, denominada de RENDA VARIAVEL RESUMO GERAL, os valores autuados foram extraídos dessa planilha mais os valores de renda fixa de fls. 1315. Contudo, uma vez que o lançamento do crédito tributário deve se pautar pela verdade material, é dever de oficio apontar o equívoco que se observa na referida planilha, a qual nada mais é que transposição dos valores constantes das planilhas de fls. 1226 (Bovespa à Vista), fls. 1309 (Bovespa Opções Não Day Trade), fls. 1138 (Futuros BMF), fls. 1158 (DayTrade Bovespa). O equívoco está no item de maior relevância “FuturosBMF”, e os valores apontados estão acumulados, ao longo do ano, como se pode verificar dos valores que constam da planilha respectiva de fls. 1138 em comparação com os de fls. 1311. Quanto ao prejuízo de fev/2003 de R$ 485.366,70 (fls.1138) verificase que deve ser alterado para\prejuízo de R$ 737.702,60, por erro na soma (fls. 1129). Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.588 9 Com relação a erros materiais, o Decreto 70.235/1972 dispõe que: Decreto 70. 235/72 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, adotandose os valores da tabela de fls. 1138 em relação às operações com Futuros/BMF (exceto quanto a fev/03 como acima esclarecido) e com os valores das demais operações constantes às fls. 131 1, temos o total da renda variável, que somado ao total das operações de renda fixa (fls.1315) resulta no total tributável conforme demonstrativo abaixo. Cabe esclarecer que os valores apurados levaram em consideração apenas os itens omitidos da tributação, razão pela qual não foram deduzidos os valores pagos relativos à declaração de rendimentos, deduzindo se, no caso do IRPJ, o IRRF indicado pela fiscalização sobre os rendimentos financeiros (fls. 1316). Pelo exposto, votouse por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e, portanto, devidamente conhecido. Analisando as razões recursais, o colegiado rejeitou as alegações da recorrente no que concerne a apuração do IRPJ e da CSLL, confirmando a decisão de primeira instância. No entanto, o colegiado entendeu que as exigências relativas às contribuições ao PIS e à Cofins deveriam ser canceladas, tendo em vista o entendimento do pleno do STF no julgamento do RE. nº 527.6023/SP, em 05/08/2009, que julgou inconstitucional o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/99 que estabeleceu o alargamento da base de cálculo dessas contribuições, com a inclusão das receitas financeiras no conceito de faturamento. Ante ao exposto, votouse por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exigência do PIS e da Cofins. Acórdão formalizado em, 31 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001122/200674 Acórdão n.º 1103000.286 S1C1T3 Fl. 1.589 10 Voto Vencedor Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso Peço vênia ao relator para discordar quanto a desqualificação da multa. Nos autos, verificase que o contribuinte de forma reiterada, no período de agosto/2002 a dezembro/2003, omitiu da escrituração do Livro Caixa e da Declaração de Rendimentos os valores de rendimentos financeiros de operações realizadas na Bovespa e BM&F, e deixou de recolher os valores dos tributos devidos sobre tais rendimentos. Tal prática reiterada não pode ser atribuída a erro, mas evidencia omissão intencional (dolosa), e, assim, deve ser aplicada a multa qualificada nos termos da autuação. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Redator designado Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 22/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 18471.001119/2005-31
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COOPERATIVAS. DESPESAS DE CONFRATERNIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
As despesas de confraternização de cooperativas, quando enquadradas no conceito legal de ato cooperativo e destinadas à interação de todos os cooperados, realizadas a preços de mercado e nos limites da capacidade financeira da entidade, não sofrem incidência do Imposto sobre a Renda.
Numero da decisão: 1201-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COOPERATIVAS. DESPESAS DE CONFRATERNIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. As despesas de confraternização de cooperativas, quando enquadradas no conceito legal de ato cooperativo e destinadas à interação de todos os cooperados, realizadas a preços de mercado e nos limites da capacidade financeira da entidade, não sofrem incidência do Imposto sobre a Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 19 /2 00 5- 31 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.001119/200531 Acórdão n.º 1201000.844 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao anocalendário de 2000, no valor de R$ 4.275,00, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, com crédito tributário total de R$ 11.012,40 além de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 2.565,00, acrescido da multa e juros de mora, com crédito tributário total de R$ 6.607,44. A autuação originouse da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas infrações, relativas à insuficiência na determinação da base de cálculo da contribuição e consequente falta de recolhimento da CSLL. No termo de início de fiscalização, de 10 de janeiro de 2005, a Contribuinte foi intimada a compor trimestralmente as contas, com a indicação do número constante no Razão, para o anocalendário de 2000. Durante o transcorrer dos trabalhos, foi também intimada a apresentar documentação hábil e idônea sobre diversos elementos da contabilidade, notadamente comprovantes de despesas e gastos efetivados no período sob fiscalização. Em 13 de junho de 2005, mediante intimação fiscal, a Recorrente foi intimada a apresentar, no prazo de cinco dias: 1. Relação completa dos cooperados no período de 01/01/2000 a 31/12/2000; 2. Discriminação de todos os serviços prestados no período de 01/01/2000 a 31/12/2000, identificando de forma nominal a participação de cada um na execução; 3. Relação de bens e direitos suscetíveis de registro público, para fins de cumprimento da IN SRF n. 264/02. A Contribuinte informou à autoridade fiscal, mediante documento de 16 de junho de 2005, a dificuldade na produção de todos os documentos e informações solicitados, sob o argumento de que seriam muitos cooperados e que o levantamento seria bastante complexo, para, na sequência, solicitar o prazo de 6 (seis) meses para o cumprimento das intimações. No Termo de Verificação e Constatação, lavrado em 04 de agosto de 2005, a autoridade lançadora considerou como “Despesas não necessárias” as seguintes situações, conforme estabelecido no artigo 299 do RIR: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.001119/200531 Acórdão n.º 1201000.844 S1C2T1 Fl. 4 3 1. Foram identificados gastos pertinentes à Ficha 06 (Despesas Operacionais), da DIPJ, relativos à conta 3582.3.1.1.38, que são despesas não necessárias, em razão de não haver previsão legal, constituindose, portanto, em mera liberalidade; 2. As despesas são as seguintes: Nota Fiscal Floresta Pr. Artísticas R$ 8.250,00 (cheque 883111) e Recibo Clube Ginástico Português R$ 20.250,00. Devidamente intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação em 02 de setembro de 2005, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Não há lucro nas atividades das cooperativas, sendo indevida a cobrança do IRPJ atinente a sua atuação; 2. O gasto desnecessário não é hipótese de incidência de tributo, o que violaria o princípio da capacidade contributiva; 3. No caso em tela está claro que tais despesas não foram deduzidas do lucro líquido porque, simplesmente, este não se configura para as cooperativas, lembrando que os resultados operacionais são denominados sobras; 4. Mesmo que assim não fosse, devese frisar que a descaracterização da despesa em tela como não operacional é duvidosa. Portanto, expedientes como festas de confraternização são essenciais para a integração dos trabalhadores cooperados; 5. Alega ainda o caráter confiscatório da multa e a inconstitucionalidade da taxa Selic. Em sessão realizada no dia 20 de agosto de 2008, a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou procedentes o lançamento de IRPJ, no valor de R$ 4.275,00, e o da CSLL, no valor de R$ 2.565,00. A decisão baseouse na premissa de que a despesa exigida pelo fisco, tendo em vista ser considerada mera liberalidade, se não for devidamente justificada pela interessada para ser dedutível do lucro real apurado pela cooperativa, há de ser adicionada. No mesmo sentido, o voto argumenta que seria necessário, para a dedutibilidade das despesas que foram glosadas, o fato de a confraternização alcançar todos os funcionários, entendimento lastreado em diversas decisões do Conselho de Contribuintes. Os julgadores afirmam, ainda, que não foi trazido aos autos qualquer elemento que comprovasse que a festa tenha sido de confraternização de todos os funcionários. A recorrente foi intimada da decisão da Delegacia de Julgamento, em 23 de setembro de 2008, e interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1. A decisão de 1ª instância, embora tenha admitido a possibilidade de que gastos em confraternização de final de ano fossem enquadrados como despesa operacional, condicionou tal dedutibilidade à prova de que a confraternização envolvesse todos os empregados e membros da cooperativa; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.001119/200531 Acórdão n.º 1201000.844 S1C2T1 Fl. 5 4 2. Por ausência de prova, a despesa foi caracterizada como "mera liberalidade dos administradores”; 3. O recibo, juntado na impugnação, referese à confraternização de fim de ano, para 500 (quinhentos) convidados; 4. Na decisão de 1ª instância não foi questionada a legitimidade dos recibos juntados; 5. O ônus passa a ser do Fisco, a quem caberá comprovar, se assim tiver indícios, que tal informação não condiz com a realidade; 6. Sendo uma das despesas datadas de julho de 2000, considera se, em virtude da natureza do IRPJ que é um imposto complexivo, parte do crédito se encontra maculado pela decadência; 7. Sendo o valor cobrado no Auto de infração indevido, os valores exigidos a título de juros e multa são totalmente indevidos. Requereu a reforma da decisão de 1ª instância, para declarar improcedente o lançamento de IRPJ e CSLL. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão discutida nos autos cingese, fundamentalmente, à possibilidade de se considerar, como despesa dedutível, os gastos incorridos em festa de confraternização anual da entidade, que se configura como sociedade cooperativa. As normas para a tributação das cooperativas estão dispostas nos artigos 182 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, promulgado pelo Decreto n. 3000/99. Como regra geral temos a não incidência do imposto de renda para a espécie, nos seguintes termos: Art.182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.001119/200531 Acórdão n.º 1201000.844 S1C2T1 Fl. 6 5 lucro (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). § 1º É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Portanto, as hipóteses de incidência tributária ocorrem por exclusão, ou seja, quando a sociedade cooperativa pratica atos estranhos à sua finalidade, desviandose do objeto e da proteção legal que lhe foram conferidos. Tais hipóteses podem ser encontradas no artigo 183 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, que estabelece: Art.183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Conquanto a norma tenha, em princípio, apenas apresentado um rol exemplificativo das possibilidades de incidência, deixando em aberto a análise sobre quais seriam, efetivamente, os atos estranhos à finalidade das cooperativas, entendo que a melhor exegese deve confrontar a situação fática com as demais normas do direito positivo, de forma a perceber o alcance e a extensão do comando citado. A base legal para os dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda é a Lei n. 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. No artigo 79 do citado diploma legal temos a definição do que seria ato cooperativo, conceito essencial para o deslinde do caso sob exame: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.001119/200531 Acórdão n.º 1201000.844 S1C2T1 Fl. 7 6 cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. De se notar que a conduta típica das sociedades cooperativas implica relações entre a entidade e os seus associados, de modo que tais atividades são justamente as que se encontram protegidas pela não incidência tributária, na medida em que tenham por finalidade a consecução dos objetivos sociais. Este Conselho já decidiu, por diversas vezes, que as despesas de confraternização podem ser deduzidas, na apuração do lucro real das empresas, desde que devidamente comprovadas e que o evento seja destinado a todos os empregados. Ora, se o raciocínio se aplica às empresas pareceme razoável que possa ser emprestado, sem maiores dificuldades, para as sociedades cooperativas, haja vista a própria natureza de tais entidades, nas quais a interação com os associados representa a essência do ato cooperativo, conforme definido em lei. Claro que os abusos devem ser coibidos, pois não se pode admitir que sob o manto da não incidência toda e qualquer despesa de caráter social ou praticada a título de confraternização possa ser considerada dedutível. No caso trazido aos autos, contudo, pareceme evidente que as despesas glosadas pela autoridade lançadora são compatíveis com a atividade da recorrente: tratase de evento único, com o objetivo de confraternização de fim de ano, realizado em dezembro, por preços de mercado e realizado dentro da capacidade financeira da entidade. Ademais, a confraternização envolveu 500 pessoas, número bastante expressivo em relação à quantidade de associados, o que nos leva à conclusão de que o evento foi de natureza social, dentro do âmbito da entidade, sem a característica de exclusão ou benefício restrito aventada na decisão de primeira instância. Como em nenhum momento a fiscalização questionou a idoneidade dos recibos apresentados ou a efetiva ocorrência das despesas, pareceme incontroverso que eles representam a verdade dos fatos e, nesse contexto, os referidos gastos possam ser considerados dedutíveis. Essa conclusão afasta discussões colaterais e desnecessárias ao presente caso, pois a aderência das despesas ao conceito de ato cooperativo reduz a matéria ao campo da não incidência, nos termos da lei, inclusive para fins de CSLL, conforme já decidido pela Câmara Superior deste Conselho, a exemplo do teor exarado nos Acórdãos nº 4010561, de 2007 e nº 40105874, de 2008. Em relação à CSLL, inclusive, a matéria já se encontra sumulada, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 83 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA Processo nº 18471.001119/200531 Acórdão n.º 1201000.844 S1C2T1 Fl. 8 7 O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/09/2 013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por ROBERTO CAPAR ROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 15374.966351/2009-51
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Conforme já pacificado pela Súmula CARF n° 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não tendo sido verificada a liquidez e certeza do crédito tributário e, uma vez afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, os autos devem retornar à DRF, para que seja reexaminada a compensação efetivada
Numero da decisão: 1301-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para afastar a obscuridade apontada e para eliminar a omissão na fundamentação do acórdão, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO - Relator.
EDITADO EM: 27/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Conforme já pacificado pela Súmula CARF n° 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não tendo sido verificada a liquidez e certeza do crédito tributário e, uma vez afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, os autos devem retornar à DRF, para que seja reexaminada a compensação efetivada
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PETROBRÁS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Conforme já pacificado pela Súmula CARF n° 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não tendo sido verificada a liquidez e certeza do crédito tributário e, uma vez afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, os autos devem retornar à DRF, para que seja reexaminada a compensação efetivada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos para afastar a obscuridade apontada e para eliminar a omissão na fundamentação do acórdão, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO Relator. EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 63 51 /2 00 9- 51 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 Relatório Tratase de despacho decisório que não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte com crédito oriundo de pagamento indevido de estimativa do imposto de renda relativo ao mês de abril de 2007. A 6° Turma da DRJ/RJ1 concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, mantendose a não homologação das compensações, com base no art. 10 da IN RFB n° 600/05. Em sede de recurso de voluntário, a questão foi reexaminada por este Colegiado, o qual decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso reconhecendo, portanto, a compensação efetivada pela contribuinte com base nos montantes recolhidos a maior a título de estimativas mensais, sob o fundamento da Súmula CARF n° 84, que assim dispõe: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Inconformada com esta decisão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando obscuridade verificada no Acórdão nº 1301001.520. Sustenta que a redação do dispositivo do voto enseja dúvida quanto ao alcance do resultado do julgamento, uma vez que a parte final do voto reconhece a validade da compensação apresentada, inclusive com menção à extinção do crédito tributário, contudo, não faz qualquer ressalva acerca da possibilidade de análise pela DRF do cumprimento dos requisitos da compensação, o que inclui o exame da certeza e liquidez do crédito indicado na DCOMP. Requer, ao final, que esta Turma esclareça se, após o retorno dos autos à Delegacia de origem, a DRF poderá, ou não, analisar o mérito da DCOMP, o que compreende o exame da certeza e liquidez dos créditos nela indicados. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou caso seja omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. É certo que, diante da publicação da súmula nº 84, restou superado o impedimento antes contido na IN SRF nº 600/2005. Contudo, relendo a parte dispositiva do Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.966351/200951 Acórdão n.º 1301002.017 S1C3T1 Fl. 135 3 voto se suscita realmente a dúvida, pois, o mesmo, não esclareceu quanto à efetiva liquidação do crédito. Sendo assim, no fim de seu voto o ilustre relator aduz sobre o reconhecimento da validade da compensação apresentada, bem como menciona a extinção do crédito tributário, entretanto, como já dito, sem qualquer destaque acerca da possibilidade de análise pela DRF do cumprimento dos requisitos da compensação, o que inclui o exame da certeza e liquidez do crédito indicado na DCOMP. De fato, verificase a obscuridade da decisão ora embargada ao não deixar claro se a liquidez e certeza do crédito tributário poderá, ou não, ser objeto de nova análise pela DRF. Alinhome à jurisprudência majoritária deste Colegiado, a qual determina que, nesses casos, seja procedido o reexame do direito creditório do contribuinte à vista de sua certeza e liquidez, uma vez que o despacho decisório limitouse a analisar a possibilidade de compensação de saldos negativos de IRPJ. Nesse sentido, cito os seguintes precedentes: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. (ACÓRDÃO 1802001.846) (...) Vejase que a questão da impossibilidade de compensação de antecipação paga indevidamente ou a maior no curso do anocalendário está superada. No entanto, considerando que os requisitos da liquidez e da certeza do crédito tributário ainda não foram verificados no presente caso, devem os autos retornar à jurisdição de origem para que a autoridade administrativa o faça. (ACÓRDÃO 1801002.072) (...)Por conseguinte, o acórdão recorrido deve ser reformado para prevalecer o entendimento no sentido da viabilidade da compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas. Superado esse óbice, entreta nto, não é possível prosseguir na análise do direito creditório, uma vez que nem a DRF nem a DRJ se pronunciaram a respeito da questão de fundo, ou seja, se o pagamento é ou não indevido. De ssa forma, entendo que os autos devem retornar à DRF de origem para prosseguir na análise da existência e suficiência do Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 direito creditório, procedimento este que não configura novo despacho decisório, com posterior ciência ao contribuinte, sem prejuízo de ulterior manifestação de inconformidade. (ACÓRDÃO 1801001.83) Os precedentes trazidos à colação, em suma afastam a aplicação da IN nº 600/2005 e apontam no sentido de utilização da Súmula nº 84 do CARF, segundo a qual “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Cabe destacar que nem a DRF nem a DRJ adentraram na análise do mérito do pedido, limitandose a apontar o impedimento à compensação de estimativas antes do encerramento do período de apuração, previsto na IN SRF nº 600/2005. O aludido regulamento, entretanto, foi expressamente revogado pelas disposições da IN SRF 900/2008, que, corrigindo o equívoco, assim então fez constar em suas disposições: Art. 11 . A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim sendo, corroboro do entendimento exposto pela douta Procuradoria em sua peça aclaratória que entende: "uma vez afastado o óbice em relação à possibilidade de compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, fazse necessário analisar o mérito do pedido, isto é, a validade da compensação, o que inclui o exame da certeza e liquidez dos créditos indicados na DCOMP." Portanto se faz mister, vez que afastado o fundamento que levou à negativa do pedido de compensação, o retorno dos autos à Delegacia de origem. Ante todo o exposto, conheço dos embargos e, no mérito, doulhes provimento a fim de que o crédito tributário possa ser reexaminado pela DRF competente, verificandose sua certeza e liquidez. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15374.966351/200951 Acórdão n.º 1301002.017 S1C3T1 Fl. 136 5 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 16327.001942/2006-66
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INEXATA. ANO-CALENDÁRIO 2003. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. DIFERENÇA DE SALDO DO IMPOSTO A PAGAR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO COM MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Restando comprovado que na declaração de ajuste anual o sujeito passivo anulou ou reduziu indevidamente o saldo do imposto a pagar por dedução de de crédito inxistente (estimativa não paga ou não quitada), impõe-se a revisão interna de declaração inexata, e procede a exigência via auto de infração da diferença de saldo do imposto a pagar, multa de ofício e juros de mora respectivos.
Numero da decisão: 1802-001.873
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e no mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que dava provimento parcial ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INEXATA. ANO-CALENDÁRIO 2003. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. DIFERENÇA DE SALDO DO IMPOSTO A PAGAR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO COM MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Restando comprovado que na declaração de ajuste anual o sujeito passivo anulou ou reduziu indevidamente o saldo do imposto a pagar por dedução de de crédito inxistente (estimativa não paga ou não quitada), impõe-se a revisão interna de declaração inexata, e procede a exigência via auto de infração da diferença de saldo do imposto a pagar, multa de ofício e juros de mora respectivos.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INEXATA. ANOCALENDÁRIO 2003. PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. DIFERENÇA DE SALDO DO IMPOSTO A PAGAR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO COM MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Restando comprovado que na declaração de ajuste anual o sujeito passivo anulou ou reduziu indevidamente o saldo do imposto a pagar por dedução de de crédito inxistente (estimativa não paga ou não quitada), impõese a revisão interna de declaração inexata, e procede a exigência via auto de infração da diferença de saldo do imposto a pagar, multa de ofício e juros de mora respectivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 42 /2 00 6- 66 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 479 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e no mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que dava provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 480 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 151/156) interposto pelo contribuinte em face da decisão proferida pela 10ª Turma da DRJ/São Paulo I que manteve o lançamento fiscal (fls. 135/144). Quanto aos fatos, consta que, em 18/12/2006, foi lavrado auto de infração do IRPJ contra o sujeito passivo pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo DEINF São Paulo, pela falta de pagamento do saldo do IRPJ (declaração de ajuste), atinente aos anoscalendário 2001 e 2003, cuja infração imputada está assim narrada (fls. 01/09): (...) FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme representação constante do processo 16327.000037/200603, cujas peças fazem parte integrante do presente auto de infração. O contribuinte CNPJ 01.028.049/000115, Cia. de Investimentos Participar, incorporado pelo contribuinte autuado, uma vez que este é o responsável tributário, não efetuou o recolhimento do ajuste de IRPJ do anobase de 2001 no valor de R$ 30.221,23 e da estimativa do anobase de 2003, no valor de R$ 76.124,11. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 30.221,23 75,00 31/12/2003 R$ 76.124,11 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. (...) Obs: Quanto ao anocalendário 2003, o contribuinte na declaração de ajuste – situação especial (DIPJ), apurou saldo do IRPJ a pagar nulo (zerado), ou seja, o valor do IRPJ apurado coincidiu com o IRPJ estimativa mensal dos meses dos meses de janeiro a abril/2003. Entretanto, para a fiscalização da RFB o contribuinte cometeu um equívoco na apuração do saldo nulo ou zerado do IRPJ a pagar do anocalendário 2003 (declaração de ajuste). Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 481 4 Vale dizer, em relação ao IRPJ apurado o contribuinte poderia subtrair, como crédito, as estimativas pagas e/ou validamente compensadas dos PA de janeiro a abril/2003; que, no caso, diversamente, o contribuinte aproveitou crédito inexistente de estimativa mensal do IRPJ do PA março/2003, pois o valor do IRPJ estimativa mensal de R$ 76.124,11, desse PA, não foi pago, nem foi extinto por compensação tributária válida. Então, o fisco glosou o crédito utilizado pelo contribuinte atinente ao IRPJ estimativa de março/2003, revisando de ofício a declaração anual (DIPJ), apurando saldo de imposto a pagar.. Por isso, o saldo do IRPJ a pagar do anocalendário 2003, na revisão da DIPJ, foi alterado de R$ 00,00 para R$ 76.124,11. O crédito tributário lançado de ofício dos anoscalendário 2001 e 2003, em procedimento de revisão de declarações, perfaz montante de R$ 245.155,75, assim especificado: Auto de Infração IRPJ Principal Juros de Mora (calculados até 30/11/2006) Multa de Ofício 75% TOTAL (R$) AC 2001 30.221,23 25.122,90 22.665,92 78.010,05 AC 2003 76.124,11 33.928,51 57.093,08 167.145,70 Total 106.345,34 59.051,41 79.759,00 245.155,75 O contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 19/12/2006, por intermédio de seu representante legal (fl.04), e apresentou impugnação em 18/01/2007 (fls. 35/40). Embora o lançamento de ofício trate de infração do IRPJ dos anoscalendário 2001 e 2003 (fls. 02/07), na primeira instância o sujeito passivo contestou apenas o crédito tributário do anocalendário 2003. Quanto ao crédito tributário do ano–calendário 2001, o sujeito passivo solveu o débito com redução do seu valor, via pagamento/recolhimento dentro do prazo de contestação, conforme cópia do DARF, de 18/01/2007 (fls. 103/107). A propósito, quanto ao crédito tributário do anocalendário 2001 não impugnado na instância a quo, consta do voto condutor do acórdão recorrido, de forma expressa, esse fato (fl. 135), verbis: (...) O contribuinte, ora impugnante, ante a análise do auto de infração, mesmo discordando da não homologação da compensação, feita no período de 2001, não logrou êxito na localização de documentos. Neste sentido, entendeu por bem efetuar o pagamento (...), em relação ao período de 12/2001, conforme demonstrativo abaixo e comprovante anexo (fl. 103). Portanto, não há litígio em relação ao lançamento efetuado pela fiscalização relativo ao IRPJ do ano calendário de 2001. (...) Quanto ao anocalendário 2003, na peça de impugnação apresentada em 18/01/2007, consta, em síntese, as seguintes razões do contribuinte contra o auto de infração: que o auto de infração, quanto ao anocalendário 2003, é indevido; Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 482 5 que, antes do início do procedimento de ofício, o débito do principal do IRPJ do anocalendário 2003, de que trata o auto de infração, fora objeto de compensação tributária; que tem direito à compensação tributária; que o débito do IRPJ do anocalendário 2003, ora objeto dos autos , decorreu de erro ou equívoco na formalização da compensação – PER/DCOMP n.° 10551.19849.270504.1.7.023342, ou seja, erro material quanto ao PA informado; que o contribuinte pretendeu compensar débito do PA março/2003; que o analista da DEINF entendeu que a compensação envolvia débito do IRPJ estimativa mensal do PA abril/2003 e não do PA março/2003 e que não poderia corrigilá de ofício para alterar o PA, conforme Despacho Decisório de 20/01/2006, proferido nos autos do Processo de Compensação nº 11831.006986/200235, com cópia juntada aos presentes, cuja fundamentação transcrevo (fl. 26): (...) 5. No que tange à compensação dos débitos de IRPJ e PIS referentes a abril/2003, descabe a esta altura alterar o período de apuração de abril/2003 para março/2003 como pretendido pelo interessado ao amparo do art. 58 da IN SRF n° 600/05. Constatada a inexatidão, o interessado poderia ter procedido à correção, mediante cancelamento da DCOMP inexata, conforme disposto no art. 9º e 10 da IN SRF n° 414/04 (e instruções normativas subseqüentes) e entrega de nova DCOMP incluindo nesta o débito pretendido. Entretanto, assim não procedeu. Desta forma, cabe a esta autoridade rever de ofício apenas o valor dos débitos declarados na DCOMP n° 10551.19849.270504.1.7.023342, relativamente ao IRPJ de abr/03 para R$ 72.708,48 e ao PIS também de abr/03 para R$ 5.301,49, conforme apurado pelo interessado nas Ficha 11 e 19 A da DIPJ/03 entregue e processada sob n° 031946769. (...) que a autoridade administrativa, como demonstrado, retificou a declaração de compensação n.° 10551.19849.270504.1.7.023342, reduzindo o valor do débito informado de abril/2003 de R$ 76.124,11 para R$ 72.708,48, mantendoo como atinente ao PA de abril/2003 (decisão acatada pelo contribuinte); que, em 16/01/2007 (após a ciência do auto de infração), providenciou a retificação de outra declaração de compensação, apresentando PER/DCOMP retificador nº 15864.15328.160107.1.7.021970 (PER/DCOMP retificado nº 27514.20379.270504.1.3.02 8330), informando, inserindo nessa compensação, o débito estimativa do IRPJ da incorporada (Cia de Investimentos Participar) do período de apuração março/2003, no valor do principal R$ 76.124,11, juros de mora R$ 14.935,55 e multa de mora R$ 15.224,82, perfazendo o montante de R$ 106.284,48(fls. 96/100); Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 483 6 que tal compensação retificadora resta, ainda, pedente de análise (na data de apresentação da impugnação ao lançamento fiscal); que, desse modo, retificou a declaração de compensação, mas não foi possível a retificação da DCTF, a não ser que se faça de ofício. Nesse sentido, pediu que seja revista a DCTF de ofício; Por fim, com base nessas razões, o impugnante alegou que efetuou a retificação da declaração de compensação, inserindo o débito do IRPJ estimativa do PA março/2003, e que tem direito à homologação da compensação, não podendo prevalecer o auto de infração, sendo inaplicável os juros de mora e a multa de ofício. Por sua vez, a decisão da DRJ/São Paulo I, à luz dos fatos e diversamente do entendimento do contribuinte em suas razões, manteve, integralmente, o lançamento fiscal desses anoscalendário, cuja ementa transcrevo a seguir: (...) Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocaledório: 2001, 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE. ESTIMATIVAS MENSAIS. Somente poderão ser deduzidas do imposto a pagar, na declaração de ajuste (a titulo de estimativa), as estimativas efetivamente recolhidas ou compensadas no curso do ano calendário. JUROS DE MORA. CABIMENTO O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja seja qual for o motivo determinante da falta. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE Nos casos de lançamento de ofício cabe a aplicação da multa no percentual de 75%, conforme previsto na legislação de regência. ÔNUS DA PROVA. O erro de fato no preenchimento da DCTF deve ser comprovado pelo sujeito passivo por meio de documentos hábeis e idôneos. Lançamento Procedente. (...) Ciente dessa decisão em 05/02/2009 – quintafeira, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 147/152, em 09/03/2009 – segundafeira, juntando ainda os documentos de fls. 153/222, rebelandose contra a exigência do crédito tributário atinente ano calendário 2003 (IRPJ R$ 76.124,11; multa de ofício de 75% R$ 57.093,08 e juros de mora calculados até 30/11/2006, no valor de R$ 33.928,51), alegando, em síntese, nas suas razões: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 484 7 1) – Quanto ao direito: que a decisão recorrida não pode prosperar, pelo seguinte: 1.1) – Da extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, I): que, em face dos processos de compensação nºs 11831.006986/200235, 11831.000349/200336, 11831.007706/200214, 16327.00284/200776 e 16327.001622/2006 14, foi instado a recolher resíduos de IRPJ estimativa mensal do anocalendário 2003, por Aviso de Cobrança, na medida em que o Despacho de Cobrança proferido em 02/07/2008 (fls. 211/215), assim determinou, in verbis: (...) 1. PER/DCOMP n° 17379.62837.280806.1.7.027885 Retificado pelo PER/DCOMP n° 18955.16251.220807.1.7.022576, que corrigiu o exercício de 1999 para 2000, sendo os débitos inseridos no Sistema de Apoio Operacional SAPO para serem compensados com o crédito remanescente controlado através do processo n° 11831.006986/200235. (...) 3. PER/DCOMP n° 38547.56848.150903.1.3.020489 Retificado pelo PER/DCOMP n° 00665.29110.070308.1.7.024306 que corrigiu o exercício de 2003 para 2000, sendo os débitos inseridos no Sistema de Apoio Operacional SAPO para serem compensados com o crédito remanescente controlado através do processo n° 11831 006986/200235. (...) Os débitos a compensar constantes dos PER/DCOMP retificadores discriminados nos itens 1 e 3 supra, foram inseridos no Sistema de Apoio Operacional SAPO, constatandose que o saldo de crédito controlado pelo processo n° 11831.006986/200535, foi insuficiente para a compensação integral dos débitos, devendo o contribuinte ser intimado a pagar o débito remanescente indevidamente compensado, conforme Listagem de Débito/Saldo Remanescente no valor de R$ 183.256,40, a título de PIS/PASEP do PA 08/2003. Diante do exposto, proponho que se proceda à inserção dos dados resultantes deste nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal com o aceite dos cancelamentos, cientificando o contribuinte do presente despacho, intimandoo para, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos dos §§ 7º a 9º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n° 10.833/03 pagar o débito remanescente indevidamente compensado ou, querendo, apresentar manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP. (...) Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 485 8 que, impende destacar, o débito do IRPJ relativo ao ajuste de 2003, há de ser extinto em virtude do recolhimento do saldo residual das compensações não homologadas; que dos R$ 183.256,40 não compensados por insuficiência de direito creditório, a quantia de R$ 116.394,88 referese às estimativas de IRPJ do anobase de 2003, razão pela qual não há como sustentar a subsistência do presente lançamento de IRPJ – AJUSTE; que, se deduzido o quanto exigido pelo próprio fisco nos autos do PAF 11831.006986/200535 (a titulo de estimativa), não há que se falar em saldo de ajuste do IRPJ para o ano de 2003, consoante DIPJ de ajuste – situação especial; que consta dos autos cópia do DARF, data de recolhimento 29/08/2008 (fl.474), código de receita 2319 (IRPJ estimativa mensal): valor do principal (imposto) R$ 116.394,88; multa de mora R$ 23.278,97 e juros de mora R$ 91.534,39, perfazendo o montante recolhido de R$ 231.208,24 (fl. 206). Discriminação do débito do IRPJ estimativa mensal pago, por período de apuração (fl. 205); que à luz do do artigo 156, I, do CTN, deve ser extinta a presente exigência, ante a novel informação relativa ao pagamento da estimativa do IRPJ do anocalendário (residual) e que, outrora, não fora a tempo e modo recolhida, mas que neste momento processual há de ser acatado/alocado o seu pagamento para efeito de extinção do crédito aqui constituído. Sendo irrelevante, porém, o fato de ter sido o recolhimento feito após o encerramento do anocalendário a que se refere, pois, inexoravelmente, foi comprovado o seu recolhimento devidamente acrescido de todos os encargos moratórios. Por fim, com base nessas razões, o contribuinte pediu provimento ao recurso. Em face das razões suscitadas pelo recorrente, esta Turma de Julgamento, na Sessão de 10 de abril 2010, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 180200.011 (fls. 229/237) para apuração, nos termos do voto condutor, se o débito do imposto estimativa mensal do PA março/2003 (que gerou a falta de pagamento do saldo do imposto na declaração de ajuste/2003), objeto dos autos, foi ou não adimplido, seja antes ou depois do início do procedimento de fiscalização (fls. 235/236). A propósito, transcrevo, nessa parte, o voto condutor da referida Resolução que converteu o julgamento em diligência, in verbis: (...) Como houve homologação da compensação do débito do IRPJ de abril/2003 como sendo débito de IRPJ estimativa mensal de abril/2003, e não como débito de IRPJ ajuste anual (PER/DCOMP n° 10551.19849.270504.1.1.023342), não há possibilidade, não há condições de resolver essa controvérsia agora, pois em face das alegações do recorrente, há dúvida quanto à efetiva existência desse saldo do IRPJ a pagar, apurado de ofício, do anocalendário 2003 objeto dos autos, pelas razões abaixo: 1) O débito do IRPJ é da CIA DE INVESTIMENTOS PARTICIPAR, CNPJ: 01.028.049/000115, que foi incorporada pelo Banco Bandeirantes S/A em 30/04/2003, atualmente com a denominação UNICARD BANCO MÚLTIPLO S/A. Logo, a DIPJ (declaração de ajuste) foi transmitida em face da incorporação entrega em situação especial em 29/05/2003, referindose ao Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 486 9 período de 01/01/2003 a 30/04/2003 da incorporada, conforme comprova o Recibo da Declaração (fl. 214); 2) Como não há, nos autos, cópia completa da DIPJ 2003 (ano calendário 2003) da incorporada, mormente as fichas atinentes ao IRPJ estimativa mensal dos meses de janeiro a abril/2003, há dúvida, então, se o saldo do IRPJ a pagar declaração de ajuste seria mesmo R$ 76.124,11 ou se seria outro valor. Há dúvida, ainda, se o valor da estimativa mensal de março/2003 foi deduzido pelo contribuinte na apuração do saldo do IRPJ a pagar, na respectiva declaração de ajuste. Por conseguinte, tornase necessário a juntada, aos presentes autos, de cópia da DIPJ completa do anocalendário 2003 (anocalendário 2003) da incorporada, CNPJ: 01.028.049/000115; 3) Há necessidade, ainda, de verificar na escrituração contábil da incorporada se ela teve movimento receitas da atividade em geral no mês de abril/2003. 4) Verificar na escrituração contábil os valores dos débitos do IRPJ estimativa.mensal da incorporada nos messes de janeiro/2003, fevereiro/2003, março/2003 e abril/2003. Apurar, em termos de IRPJ estimativa mensal, o que foi deduzido na declaração de ajuste entregue em maio de 2003. Verificar quais as estimativas mensais do IRPJ foram pagas ou compensadas, em relação ao anocalendário 2003 da incorporada. 5) Verificar se os pagamentos de resíduos no processo de compensação PAF 11831.006986/200235 DARF (fls. 198/199 e 202) interferem, ou não, no crédito tributário objeto destes autos, quanto ao anocalendário 2003. 6) Ainda quanto ao PAF 11831.006986/200235, verificar que débitos foram inseridos no Sistema Operacional de Apoio SAPO, qual a composição desses débitos, se interferem no crédito objeto deste processo, pois segundo o recorrente ele foi instado a recolher o IRPJ aqui constituído, na medida em que o Despacho Decisório proferido em 02.07.2008 (fls.205/208), assim determinou (fl. 208) : (...) 7) Ainda, no mês seguinte à lavratura do auto de infração, o contribuinte transmitiu em 16/01/2007 o PER/DCOMP retificador 15864.15328.160107.1.7.021970, informando compensação do débito de IRPJ estimativa mensal de março/2003 no valor de R$ 76.124,11. O PER/DCOMP retificado foi o de 27514.20379.270504.1.3.028330 de 27/05/2004 (...) (fls. 92/101). Verificar que situação está essa compensação. Apurar se esse débito do IRPJ estimativa mensal de março de 2003, da incorporada, informado nessa PER/DCOMP, foi extinto ou não, mediante homologação expressa. (...) Em face da realização da dligência fiscal, foram juntados aos autos os documentos de fls. 238/391. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 487 10 Consta dos autos o resultado da diligência fiscal Relatório lavrado pela fiscalização em 08/08/2011, informando que o IRPJ estimativa mensal do PA março/2003 não foi pago, nem compensado validamente e que os resíduos recolhidos nos processos de compensação citados nas razões do recurso (mormente processio nº 11831.006986/200235) não interferem na exigência do crédito tributário deste processo (fls. 392/393). Porém, os autos retornaram, na época, a este CARF sem comprovante de ciência, por parte do contribuinte, do resultado da diligência. Então, na Sessão de Julgamento de 05/12/2012, conforme Resolução nº 1802000.134, o julgamento foi convertido em diligência, com retorno dos autos à unidade de origem da RFB, para juntada do Aviso de Recebimento –AR ou, na sua inexistência, para ciência do resultado daquela diligência (fls. 403/415). Sanada a questão da ciência do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse nos autos em 28/02/2013 (fls. 421/425), aduzindo, em síntese: que, preliminarmente, o lançamento fiscal, na parte recorrida, padece de vício e a exigência deve ser cancelada. Vale dizer: que, relativo ao anocalendário 2003, o auto de infração trata da exigência de IRPJ estimativa mensal, e não de saldo de IRPJ; que a jurisprudência deste CARF é pacífica, no sentido de que é incabível a exigência de IRPJ estimativa mensal lançada após encerrado o anocalendário, pois deve prevalecer o imposto apurado com base no lucro real (na declaração de ajuste), e não o apurado por estimativa (Súmula CARF nº 82); que, se houvesse estimativa mensal em aberto após o encerramento do anocalendário, seria caso, no máximo, para exigência de multa isolada, e não exigência do IRPJ estimativa mensal; que o lançamento foi efetuado sem observância do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e que seja reconhecida sua nulidade. que, caso seja vencido na preliminar suscitada, o lançamento fiscal, ainda assim, não merece prosperar, pelo seguinte: a) o débito do IRPJ estimativa mensal do período de apuração de março de 2003, no montante de R$ 76.124,11, foi objeto de várias tentativas de compensação que foram indeferidas em razão de erros na formalização dos PER/DCOMP; b) em uma dessas tentativas, o recorrente transmitiu o PER/DCOMP 10551.19849.270504.1.7.023342 (retificador), pretendendo compensar o débito de 76.124,11 (IRPJ estimativa mensal de março de 2003), só que, por equívoco, declarou que o período de apuração era abril de 2003, quando o correto seria março de 2003; c) que a autoridade fiscal, por sua vez, muito embora tenha reconhecido a existência do crédito, entendeu que a compensação envolvia débito de IRPJ estimativa mensal do período de apuração de abril de 2003 e não de março de 2003 e retificou de ofício o pedido de compensação n.° 10551.19849.270504.1.7.023342, reduzindo o valor do débito informado de R$ 76.124,11 para R$ 72.708,48, acatando a compensação como sendo relativo ao PA abril de 2003; d) não obstante o débito de estimativa de IRPJ de abril de 2003 já ter sido quitado via compensação como demonstrado, algum tempo depois em razão do desfecho do processo administrativo n.° 11831.006986/200535 foi emitida Carta Cobrança n.° 146/2008 e o recorrente foi instado a recolher os valores de R$ 43.689,40 (IRPJ estimativa de fevereiro Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 488 11 de 2003), de R$ 9.639,09 (COFINS de abril de 2003), de R$ 5.301,49 (PIS de abril de 2003) e de R$ 72.708,48 (IRPJ estimativa de abril de 2003); e) todavia, indiferente a esse fato, qual seja homologação do pedido de compensação do débito de IRPJ de abril de 2003, o recorrente efetuou o recolhimento do valor principal de R$ 116.394,88 que se refere à parte do débito de estimativa de IRPJ do PA fevereiro de 2003, no valor de R$ 43.386,40 e ao débito de estimativa de IRPJ do PA abril de 2003, no importe de R$ 72.708,48 (DAR – fl. 474); f) assim, denotase que houve quitação em duplicidade da estimativa de IRPJ relativa do PA abril de 2003 (via pedido de compensação n.° 10551.19849.270504.1.7.023342 e via recolhimento do DARF de R$ 116.394,88) e, por conseguinte, verificase que o recorrente é detentor de um crédito que é suficiente para saldar o débito de estimativa de IRPJ de março de 2003; g) nesse sentido, não merece prosperar o resultado da diligência, na medida em que o pagamento do DARF de R$116.394,88 nos autos do processo administrativo n.° 11831.006986/200535 interfere sim na cobrança do débito objeto deste processo, uma vez que verificada a duplicidade do recolhimento da estimativa de IRPJ do PA abril de 2003, constata se que o recorrente possui um crédito que pode ser alocado de ofício para o pagamento da estimativa de IRPJ de março de 2003; h) dessa forma, face à duplicidade do recolhimento da estimativa de IRPJ do PA abril de 2003 e em atenção ao princípio da verdade material, requer o recorrente que esse crédito seja alocado de ofício para o pagamento do débito objeto dos autos.. i) diante do exposto, requer o prosseguimento do feito, com a remessa dos autos ao CARF, para que seja reconhecida a nulidade do lançamento e o cancelamento do presente lançamento. Se por remota hipótese não for reconhecida a nulidade do presente Auto de Infração, requerse que o valor pagao em ducplicidade do PA abril 2003 seja alocado de ofício para o pagamento da estimativa de IRPJ do PA março/2003. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 489 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, em relação ao crédito tributário lançado de ofício dos anoscalendário 2001 e 2003, a lide persiste apenas quanto ao anocalendário 2003. Nesta instância recursal, o contribuinte suscitou, quanto ao ato de lançamento do anocalendário 2003: a) preliminarmente, a existência de vício de nulidade, ou seja, que foi produzido o auto de infração com inobservância do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235/72; que a exigência do anocalendário 2003 não tem respaldo legal, pois o auto de infração foi lavarado após expirado o anocalendário, para exigência de IRPJ estimativa mensal, e não do saldo do IRPJ do anocalendário 2003; b) que, se vencido nessa preliminar, o lançamento também não merece prevalecer, pois deve ser alocado o crédito do pagamento em duplicidade do IRPJ estimativa do PA abril /2003, para quitação do IRPJ estimativa do PA março/2003; que houve, sim, quitação em duplicidade do IRPJ estimativa mensal do PA abril/2003; primeiro, pela DCOMP nº 10551.19849.270504.1.7.023342 homologada em 20/01/2006 – fls. 25/27 e, por último, em face de cobrança de resíduo do IRPJ no processo de compensação nº 11831.006986/200535, Carta de Cobrança nº 146/2008 com demonstrativo, data 21/07/2008 (fls. 204/206), houve recolhimento do IRPJ estimativa mensal do PA abril/2003 (vencimento 30/05/2003), conforme cópia DARF de pagamento de 29/08/2008 fls. 206 e 474 e demonstrativo de pagamento – extrato de encerramento daquele processo de compensação – fl. 242. LANÇAMENTO FISCAL. ANOCALENDÁRIO 2003. VÍCIO DE CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Diversamente do alegado pelo contribuinte, o lançamento de ofício do ano calendário 2003 não contém vício algum que o pudesse macular de nulidade, pois apresenta adequada descrição dos fatos e respectivo enquadramento legal, situação que permitiu (ao contribuinte) pleno conhecimento da acusação fiscal objeto dos autos e pleno contraditório e ampla defesa. O lançamento, por conseguinte, foi lavrado em consonância com os art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. O lançamento decorreu de revisão da declaração –DIPJ (declaração inexata), conforme art. 841, incisos I, III e IV do RIR/99. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 490 13 Ainda, compulsando os autos, constatase que na declaração de ajuste anual da incorporada Cia de Investimentos Participar – DIPJ 2003, entregue em 30/05/2003 – situação especial –evento incorporação ocorrido em 30/04/2003, foi informado saldo de imposto a pagar nulo (valor R$ 0,00), na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (fl.284), cujos dados transcrevo: Imposto sobre o Lucro Real 01.Alíquota de 15% 205.850,89 02. Alíquota de 6% 129.233,92 16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 335.084,81 18. Imposto de Renda a Pagar 0,00 Entretanto, o fisco apurou discrepância no montante do IRPJ Estimativa Mensal adimplido, quanto ao anocalendário 2003. Vale dizer, o valor pago ou compensado validamente a título de IRPJ estimativa mensal, diversamente do informado pelo contribuinte na DIPJ, perfaz apenas o montante de R$ 258.960,70 e não R$ 335.084,81, conforme demonstrativo abaixo: Anocalendário 2003 IRPJ Estimativa Mensal DIPJ IRPJ Estimativa Mensal solvida antes do procedimento de fiscalização Janeiro 2003 (PA) 70.197,00 Compensação – DCOMP 26939.15425.260504.1.3.026794 Feveriro 2003 (PA) 116.055,22 Compensação – DCOMP 18636.35315.260504.1.3.024122 (parte) e parte quitado por recolhimento (fls.204/206) Março 2003 (PA) 76.124,11 Débito em aberto – Representação Fiscal– fl. 20. Abril 2003 (PA) 72.708,48 Débito confessado na DCOMP n° 10551.19849.270504.1.7.023342. Compensação homologada, de 20/01/2006. (fls. 25/27) TOTAL 335.084,81 R$ 258.960,70 Obs: Os valores de IRPJ estimativa mensal foram extraídos da DIPJ 2003, anocalendário 2003 Ficha 11A – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa – DIPJ 2003 (fls.282/283). Logo, em face da revisão de ofício da declaração do anocalendário 2003, o saldo do IRPJ a pagar – declaração de ajuste, diversamente do apurado pelo contribuinte R$ 0,00, totalizou R$ 76.124,11 = (R$ 335.084,81 – R$ 258.960,70) . Esse valor do saldo a pagar foi apurado, justamente, pela glosa do crédito inexistente do PA março/2003, que o contribuinte utilizou indevidamente, uma vez que a estimativa do PA março/2003 não foi adimplida validamente. Como visto, houve equívoco, sim, do contribuinte na apuração do saldo IRPJ a pagar do anocalendário 2003. O lançamento, justamente, foi efetuado para exigir essa diferença de saldo do IRPJ a pagar do anocalendário 2003. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 491 14 Entretanto, o recorrente, pelo fato do saldo do IRPJ a pagar apurado de ofício do anocalendário 2003 coincidir com o IRPJ estimativa mensal não pago do PA março/2003, argumenta que o lançamento teria sido efetuado para exigir o IRPJ estimativa mensal e não para exigir o saldo do IRPJ desse ano. Tal alegação do recorrente não merece prosperar. A descrição dos fatos no auto de infração, quanto ao anocalendário 2003, por ser breve, suscinta, mas suficiente, não pode ser analisada isoladamente ou fora do contexto do procedimento de fiscalização. É necessário situála no contexto da revisão da declaração, a qual foi levada a efeito para lançamento do saldo do imposto a pagar. A propósito, consta da descrição dos fatos no auto de infração: FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme representação constante do processo 16327.000037/200603, cujas peças fazem parte integrante do presente auto de infração. O contribuinte CNPJ 01.028.049/000115, Cia. de Investimentos Participar, incorporado pelo contribuinte autuado, uma vez que este é o responsável tributário, não efetuou o recolhimento do ajuste de IRPJ do anobase de 2001 no valor de R$ 30.221,23 e da estimativa do anobase de 2003, no valor de R$ 76.124,11. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 30.221,23 75,00 31/12/2003 R$ 76.124,11 75,00 Observese que a data do fato gerador indicada acima, quanto ao lançamento do anocalendário 2003, corresponde à data de encerramento do anocalendário, e não à data do PA março/2003. A intenção, o espírito, do lançamento fiscal, destarte, foi exigir o saldo do imposto com respectiva multa de ofício, pois se reporta ao encerramento do exercício e não ao PA março/2003. O enaquadramento legal, também, é esclarecedor, pois a exigência decorreu de revisão de declaração inexata (Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99), onde o saldo de imposto apurado pelo recorrente, na declaração de ajuste anual, estava incorreto ou equivocado, pois utilizou/subtraiu, em relação ao imposto apurado, crédito atinente estimativa não quitada. Glosado o crédito inexistente, o saldo de imposto a pagar de 0,00 passou para R$ 76.124,11 (revisão de declaração). Há, ainda, outros elementos constantes dos autos – no contexto do lançamento fiscal –que permitem, concluir, que se trata de lançamento do saldo do IRPJ do anocalendário 2003. Senão vejamos: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 492 15 1) A descrição dos fatos, de forma expressa, faz alusão que o auto de infração decorreu de Representação constante do processo 16327.000037/200603 (cópia das peças foram juntadas aos presentes autos – fls. 20/33) onde consta a determinação para lançamento do saldo do IRPJ do anocalendário 2003 por declaração inexata, por conta da estimativa mensal de março/2003 que não foi quitada, mas que, indevidamente, foi utilizada como crédito pelo contribuinte para zerar o saldo do IRPJ a pagar na declaração de ajuste. Consta, ainda, determinação para lançamento, simultâneo, da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ estimativa mensal e do saldo do imposto a pagar (ajuste anual). A propósito, transcrevo as informações constantes da Representação de 18/01/2006 processo nº 16327.000067/200603 (fl. 01) e dos presentes autos (fl. 20), in verbis: (...) Em decorrência da reapreciação do Processo n° 11831.006986/200235 e apensos de interesse da CIA DE INVESTIMENTOS PARTICIPAR,: CNPJ n°.01.028:049/000115 (incorporada por UN1CARD BANCO MÚLTIPLO, CNPJ n° 61.071.387/000161), proponho seja representada a DEINF/SPO/DIFIS para, em substituição à representação anterior, lançar os débitos abaixo, aparentemente não extintos, sem prejuízo das penalidades cabíveis, conforme arts. 836 e par. único, 841, 957, inc. I, e par. único, inc. IV, do RIR/99. Tributo/Contrib. PA Principal Auto de Infração IRPJ Março/03 76.124,11 Multa Isolada (...) (...) (...) (...) IRPJ Ajuste 2003 76.124,11 Principal, Multa de Ofício e Juros de mora (...) Ainda, consta do despacho da autoridade administrativa que recebeu a Representação (fls. 32/33), in verbis: (...) Trata a Representação de fl. 01 de débitos do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa nos períodos de apuração nela indicados, os quais não foram recolhidos. Entretanto, os mesmos foram compensados no Ajuste como se o tivessem gerando saldo negativo inexistente. Dessa forma, há a necessidade de constituir multa sobre as estimativas não recolhidas e a diferença de IRPJ e CSLL apurados no Ajuste. (...) Considerando, por fim, que se trata de ANÁLISE SUMÁRIA das DIPJ envolvidas e não de compensação indevida cf. Despacho Decisório às fls. 02 a 08, compete a Difis efetuar os lançamentos dos respectivos tributos. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 493 16 (...) 2) – A autoridade fiscal que efetuou o lançamento fiscal, em momento algum, discordou da Representação e, muito menos, discordou do despacho acima que determinou o lançamento do saldo do IRPJ. Logo, o lançamento do anocalendário 2003 trata do saldo do IRPJ a pagar desse ano. Como demonstrado, não tem plausibilidade fática, nem jurídica, a alegação do contribuinte de que o lançamento foi efetuado para exigência do IRPJ estimativa mensal do PA março/2003, pois tal determinação sequer consta da Representação, mas sim consta determinação para lançamento do saldo do imposto a pagar, em face de revisão da declaração inexata do anocalendário 2003. Por conseguinte, não é hipótese para aplicação da Súmula CARF nº 82, pois o lançamento trata de saldo do IRPJ do anocalendário 2003 – Ajuste anual, e não de estimativa mensal. Ainda, não se vislumbra a ocorrência de vício algum que pudesse inquinar de nulidade o lançamento fiscal, pois o auto de infração contém descrição dos fatos e pertinente fundamentação legal. A jurisprudência deste CARF é mansa e pacífica, no sentido de que o auto de infração somente deve ser declarado nulo quando não houver, inexistir, adequada descrição dos fatos e não houver adequada fundamentação legal, que não é o caso; pois, o auto de infração tem adequada descrição dos fatos e respectivo enquadramento legal. A propósito, trancrevo precedentes de jurisprudência deste CARF pela rejeição de preliminar de nulidade do lançamento fiscal quando o lançamento contém descrição dos fatos e perntinente fundamentação legal, ajustandose perfeitamente à situação dos presentes autos, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA –CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA –O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 494 17 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse diapasão, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Como demonstrado, o lançamento fiscal foi produzido de acordo com o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada. DECLARAÇÃO INEXATA. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ANOCALENDÁRIO 2003. SALDO DO IRPJ A PAGAR. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O resultado da diligência ao revelar a inexistência de pagamento ou inexistência de quitação do débito do IRPJ estimativa do PA março/2003 (crédito inexistente utilizado pelo recorrente como dedução do imposto apurado na declaração de ajuste anual, que implicou indevida anulação do saldo de imposto a pagar), reafirmou a legalidade do Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 495 18 lançamento fiscal, ou seja, reafirmou a legitimidade da exigência do saldo do IRPJ a pagar do anocalendário 2003. Inexistindo antecipação de pagamento do imposto ou inexistindo quitação do imposto do PA março/2003, respectivo valor não poderia ter sido utilizado como crédito para redução, anulação, do saldo do IRPJ a pagar de R$ 76.124,11 para valor R$ 0,00 na DIPJ 2003. Por isso da exigência, por via de auto de infração, do saldo de IRPJ a pagar do anocalendário 2003, principal R$ 76.124,11, com multa de ofício e juros de mora, em procedimento de revisão interna de declaração inexata. Nas razões apresentadas contra o resultado da diligência fiscal, o contribuinte reconhece a falta de antecipação de pagamento ou quitação do IRPJ estimativa mensal do PA março/2003, na medida que pediu fosse alocado de ofício, para quitação desse débito em aberto, o crédito relativo ao valor quitado em duplicidade do PA abril/2003. Diversamente do alegado pelo recorrente, a diligência fiscal não constatou essa alegada duplicidade de quitação do débito do PA abril/2003 em suas conclusões, mas reafirmou que o IRPJ estimativa mensal do PA março/2003 não foi adimplido, o que confirma e reafirma a legalidade e legitimidade do auto de infração, para exigência do saldo do IRPJ – Ajuste do anocalendário 2003. A propósito, transcrevo, nessa parte, o resultado da diligência (fls. 292/293), in verbis: (...) Os quesitos 5, 6 e 7 (fls. 227verso) foram objeto de análise pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) desta delegacia, que se posicionou no documento às fls. 263, nos seguintes termos: "Respondendo ao quesito nº 5, informamos que os DARF de fl. 18, 199 e 202 não interferem no crédito tributário objeto destes autos, tendo sido alocados conforme detalhado na fl. 242. Respondendo ao quesito nº 6, informamos que os débitos controlados no processo nº 11831.006986/200235 são aqueles constantes do extrato de débitos, já encerrados por pagamento ou compensação, não interferem no crédito do presente processo. Respondendo ao quesito 7, informamos que o PER/DCOMP 27514.20379.275504.1.3.02 8330 (fls. 250 a 254) foi cancelado pelo próprio interessado, conforme Pedido de Cancelamento nº 21417.38108.190508.1.8.024408 (fls. 255 a 256). O PER/DCOMP retificador n° 15864.15328.160107.1.7.021970 (fls. 257 a 262) não foi admitido conforme despacho decisório defl. 258.” Logo, podemos concluir, pela documentação acostada pelo contribuinte e pelo despacho DIORT acima transcrito, que o débito objeto do presente processo não foi extinto. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 496 19 (...) Como já dito, a questão se houve, ou não, a quitação em duplicidade do IRPJ estimativa do PA abril/2003, é matéria, questão, que não interfere na legalidade e legitimidade do lançamento fiscal. Vale dizer, na data data do auto de infração – lançamento de saldo de imposto a pagar (revisão da declaração de ajuste anual) não havia quitação do imposto do PA março/2003 (e ainda não existe!), mas o crédito de estimativa desse PA (como se houvesse pagamento) foi utilizado pelo recorrente, indevidametne, para zerar o saldo do imposto a pagar na declaração de ajuste anual; por isso, da revisão de ofício da declaração. E o pretenso pagamento do imposto estimativa do PA abril/2003 que teria gerado duplicidade foi efetuado, muito tempo, após a ciência do auto de infração. Ainda, o pretenso crédito alegado (pagamento em duplicidade) que, se fosse existente, não seria caso para seu aproveitamento (alocação) para quitação do débito do PA março/2003, mas sim do saldo do IRPJ a pagar do anocalendário 2003 lançado de ofício, em face da glosa do crédito inexistente do PA março/2003 pela revisão da DIPJ 2003, ano calendário 2003, conforme auto de infração. Ainda, apenas a título de argumentação, compulsando os autos, constato que, em tese, o débito do IRPJ estimativa mensal do PA abril/2003 teria sido quitado, inicialmente, por compensação homologada (fls. 25/27) e, por último, ou seja anos depois, por DARF, conforme demonstrativo abaixo: Anocalendário 2003 IRPJ Estimativa Mensal DIPJ Situação Período de Apuração Abril 2003 72.708,48 Débito confessado na DCOMP n° 10551.19849.270504.1.7.023342. Compensação teria sido homologada em 20/01/2006 (fls. 25/27). Ainda, o referido valor do principal foi recolhido por DARF, em 29/08/2008 (fls. 204/206 e 474). Obs: O contribuinte tomou ciência do auto de infração em 19/12/2006 (fls. 35/40). Vale dizer, o IRPJ estimativa mensal do PA abril/2003, principal R$ 72.708,48, primeiro, tal débito teria sido extinto pela DCOMP homologada em 20/01/2006 (fls. 25/27) e, por último, esse débito teria sido, novamente, quitado pelo DARF de 29/08/2008 recolhimento do principal de R$ 116.394,88, código de receita 2319, IRPJ estimativa mensal dos seguintes períodos de apuração: fevereiro/2003 (vencimento março/2003), principal R$ 43.686,40, e PA abril/2003 (vencimento 30/05/2003), principal R$ 72.708,48, conforme demonstrativo anexo da Carta de Cobrança (fls.204/206). Mas, não há certeza cabal, nos autos, dessa alegada quitação em duplicidade do IRPJ estimativa mensal do PA abril/2003 (por isso, duplicidade em tese!), pois consta das Cartas de Cobrança nºs 131/2008 e 146/2008 a exigência de resíduos do Processo de Compensação nº 11831.006986/200235 (inclusive do débito do PA abril/2003, o qual, na verdade, não teria sido compensado; por isso, do pagamento pelo DARF de 29/08/2008 – Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 16327.001942/200666 Acórdão n.º 1802001.873 S1TE02 Fl. 497 20 fls. 204/2006 e 474), em face de insuficiência do crédito utilizado pelo contribuinte no citado processo de compensação – cobrança de resíduos (fls.205/215). Há, portanto, nos autos informações contraditórias, que não permitem concluir, ou formar convicção, pela existência ou não da indigitada duplicidade de quitação do IRPJ estimativa do PA abril/2003. Mas, como já demonstrado anteriormente, essa situação (se houve ou não duplicidade de quitação do IRPJ estimativa do PA abril/2003) não interfere na legalidade e legitimidade do lançamento fiscal.. Não obstante, entendo que a unidade de origem da RFB, no caso a DEINF São Paulo, deverá, de ofício, antes da exigência do crédito tributário objeto destes autos (execução do presente Acórdão), apurar, de forma criteriosa, nos sistemas internos/informatizados da RFB, se houve ou não a alegada quitação em duplicidade do imposto estimativa do PA abril/2003. E, se caso restar caracterizada a quitação em duplicidade do PA abril/2003, aproveitar tal crédito, se disponível, para alocação/abatimento do valor da exigência objeto dos presentes autos. Diante do exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13708.001845/90-27
Data da sessão: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando -se de
lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é
aplicável no julgamento do processo decorrente, devido à relação de
causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-40.757
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA : DRF - MO DE JANEIRO - RJ SESSÃO DE :20 DE SETEMBRO DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102-40.757 PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando -se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, devido à relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DROGARIA MEIER LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. d_...1"...._ ANTONIO DÊ/LITAFS DUTRA PRESIDENTE AS SENr"4 LA •RA FORMALIZADO EM: 1 8 OUT 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIF'FONI. MESA MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES „ PROCESSO N°. : 13708/001.845/90-27 ACÓRDÃO N°. : 102-40.757 RECURSO N°. : 82.633 RECORRENTE : DROGARIA MEI PR LTDA. RELATÓRIO O presente processo trata de Auto de Infração de fls. 01 e anexos, lavrado em 19/10/90, contra DROGARIA METER LTDA., CGC n° 33 120 643/0001-28, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro - RJ, formalizando a exigência de PIS/FATURAMENTO relativa ao exercício de 1986, em valor correspondente a 52,20 BTNs e respectivos gravames legais. O lançamento, com base no artigo 3 0, alínea "b" e art. 6° e parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70 e Regulamento do PIS/PASEP, decorreu de irregularidades apuradas em procedimento de fiscalização em que foi apurada omissão de receita operacional, conforme demonstrado no processo n° 13708/001.843/90-00. A contribuinte, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 02/09, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz.. Na decisão de primeira instância, proferida às fls. 15, em consonância com o decidido no processo principal, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular, a contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, reiterando, em suas Razões anexadas às fls. 18/21, os argumentos formulados na fase impugnatória. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o Relat 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13708/001.845/90-27 ACÓRDÃO N°. : 102-40.757 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n° 13708/001.843/90-00. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 21 de março de 1994, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n° 102-28.889. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida, e; Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro, 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA 1-» -. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13708/001.845/90-27 ACÓRDÃO N°. : 102-40.757 Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 20 de setembro de 1996. R irNSEN 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 12749.000367/2008-24
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Daniel Mariz Gudiño.
Joel Miyazaki Presidente atual.
Daniel Mariz Gudiño - Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma, à época), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño.
RELATÓRIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Joel Miyazaki Presidente atual. Daniel Mariz Gudiño - Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma, à época), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. RELATÓRIO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencido o conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Joel Miyazaki – Presidente atual. Daniel Mariz Gudiño Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma, à época), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. RELATÓRIO O presente processo trata de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 12.549.130,03, referente à multa prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decretolei nº 1455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, em decorrência de alegada “interposição fraudulenta de terceiros”. Por bem demonstrar os fatos, transcrevese Relatório constante do Acórdão da DRJFlorianópolis, verbis: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 12.549.130,03, referente a multa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 49 .0 00 36 7/ 20 08 -2 4 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por DANIEL MA RIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12749.000367/200824 Resolução nº 3201000.164 S3C2T1 Fl. 354 2 prevista no parágrafo 3° do artigo 23 do Decretolei tf 1455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada foi submetida a auditoria nos temos da Instrução Normativa SRF n° 228/2002, que foi encerrada com proposta de inaptidão de sua inscrição no CNPJ/MF, em razão de não ter sido comprovado a integralização do Capital Social e, portanto, ter sido considerado inexistente de fato, alem de ter realizado operações de comercio exterior sem a devida comprovação da origem dos recursos empregados, ocorrendo o custeio das importações por terceiras pessoas. Dessa forma, foi presumida a interposição fraudulenta de terceiros. O procedimento fiscal assim concluído enseja a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas desde a constituição da sociedade, pela caracterização do previsto no inciso V do artigo 23 do Decretolei n" 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei no. 10.637/2002. Intimada a apresentar as mercadorias, a interessada informou têlas vendido, fato que ensejou a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias não localizadas, nos termos do parágrafo 3° e inciso V do artigo 23 do Decretolei no 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Foram autuadas todas as Declarações de Importação registradas pela interessada e desembaraçadas pela Receita Federal, no período, com exceção daquelas registradas no período de realização do procedimento especial. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência às fls. 02 e 3655) a interessada a apresentou a impugnação tempestiva de folhas 3704 a 3717. A impugnante alega que a autuação do presente processo se baseou no resultado de processo diverso, sem o acompanhamento de provas, fato que cerceou sua defesa. Alega que foi utilizado relatório de procedimento fiscal que concluiu pela inaptidão de seu CNPJ, para justificar a sanção imposta pelo auto de infração do presente processo. Faz considerações contra o que entende ser uso indevido de prova emprestada. Alega que não foi considerada a Lei n° 11.488/2007, apesar de o procedimento fiscal datar de agosto de 2008. Defende, assim, que a sanção a ser aplicada seria aquela prevista no artigo 33 daquela lei, ou seja, 10% da operação acobertada. Traça considerações sobre as acusações de ausência de capacidade financeira baseadas na nãocomprovação da integralização do Capital Social, assim corno contra a extensão dos efeitos da fiscalização realizada com base na IN SRF No. 228/2002 a todas as importações realizadas pela interessada, extrapolando aquelas verificadas no procedimento especial. Discute também a impropriedade das conclusões da fiscalização acerca da proposta de inaptidão do CNPJ que, segundo defende, sequer foi apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância. Defende que não houve dano ao Erário. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por DANIEL MA RIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12749.000367/200824 Resolução nº 3201000.164 S3C2T1 Fl. 355 3 Requer seja julgado improcedente o auto de infração c cientificado da data de julgamento para realizar sustentação oral perante o Colegiado. É o relatório. Após analisar a impugnação da interessada, a DRJ – Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0714.827, em 12 de dezembro de 2008, (fls. 3.737/ss), por meio do qual declarou o lançamento nulo, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/09/2005 a 29/10/2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A exigência fiscal deve estar fundamentada em descrição clara e precisa dos fatos, acompanhada das provas que embasam a caracterização do cometimento da infração imputada, de forma a não cercear o direito à defesa do contribuinte. Lançamento Nulo Foi interposto Recurso de Ofício em razão do limite de alçada (fls. 3.738). A Recorrente foi cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Florianópolis em 10/06/2009 (fl. 3.750 a 3.752). Não consta do processo a apresentação de Recurso Voluntário. A Turma, por maioria de votos, acolheu o pedido de diligência formulado por este Conselheiro, sendo vencido o Conselheiro Daniel Mariz Gudiño. Este Conselheiro foi então designado como redator para formular a Resolução com o pedido de diligência. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. Verificase que o fundamento da decisão da DRJ – Florianópolis para declarar o lançamento nulo, em apertada síntese, decorreu do fato que as provas juntadas ao processo administrativo que resultou na proposta de inaptidão da empresa não foram juntadas a este processo administrativo de exigência de crédito tributário, restando, assim, cerceado o direito à defesa e ao contraditório do contribuinte. Entendo que as “provas” eventualmente existentes, anexadas ao processo administrativo de proposta de inaptidão da empresa, devem ser trazidas aos presentes autos. Não se trata da produção ou apresentação de novas provas após o prazo previsto para tal (artigos 9º, 15 e 16 do Decreto no. 70.235/72), mas sim de mera juntada de provas já produzidas regularmente em outro processo administrativo, que devem ser juntadas também a este processo. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por DANIEL MA RIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12749.000367/200824 Resolução nº 3201000.164 S3C2T1 Fl. 356 4 Assim, visando propiciar a oportunidade de ampla defesa e ao contraditório às partes, bem como para que sejam esclarecidos adequadamente os fatos, entendo necessário que sejam juntados a este processo de exigência de crédito tributário (nº 12749.000367/200824) o inteiro teor das peças processuais produzidas e constantes daquele processo de proposta de inaptidão. O direito ao contraditório e a ampla defesa são princípios constitucionais basilares que devem permear todo processo administrativo fiscal. O contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes, em decorrência do principio da igualdade das partes, tão importante para o embate processual. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa representa garantia constitucional prevista no art. 5.º, inciso LV, da Constituição Federal. Não seria demasiado dizer que a ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso de Ofício em diligência, para que a autoridade fiscal da DRF – Nova Iguaçu – RJ tome as seguintes providências: 1 Juntar cópias de inteiro teor do processo administrativo de proposta de inaptidão, com todas as provas existentes e o Relatório Final do procedimento especial de fiscalização (IN SRF nº 228/2002); 2 Encerrada a instrução processual, intime a Interessada para tomar ciência e manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução deste processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Redator Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por DANIEL MA RIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900217/2008-15
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 17 /2 00 8- 15 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.801, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 61 a 64, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 63 a 75, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900217/200815 Acórdão n.º 3803000.665 S3TE03 Fl. 102 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900217/200815 Acórdão n.º 3803000.665 S3TE03 Fl. 103 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 17546.000553/2007-82
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2006
INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC. SÚMULA 03
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETENÇÃO. PROVA.
Uma vez constatada a divergência entre GFIP e GPS, cabe ao contribuinte provar que não só realizou o desconto destes valores dos segurados empregados e contribuintes individuais, mas também, demonstrar que recolheu as respectivas contribuições.
INCRA. EMPRESAS URBANAS.
As empresas urbanas devem pagar a contribuição ao INCRA.
MULTA. RECÁLCULO. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91. LIMITADA A 20%. MP 449. LEI 11.941/09. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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TAXA SELIC. SÚMULA 03 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETENÇÃO. PROVA. Uma vez constatada a divergência entre GFIP e GPS, cabe ao contribuinte provar que não só realizou o desconto destes valores dos segurados empregados e contribuintes individuais, mas também, demonstrar que recolheu as respectivas contribuições. INCRA. EMPRESAS URBANAS. As empresas urbanas devem pagar a contribuição ao INCRA. MULTA. RECÁLCULO. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91. LIMITADA A 20%. MP 449. LEI 11.941/09. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 05 53 /2 00 7- 82 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 2403002.246 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 05 18.433, fls. 119/125, que julgou procedente o lançamento para manter o crédito tributário exigido no AI DEBCAD 37.013.8503, no valor de R$ 56.672,11 (cinqüenta e seis mil seiscentos e setenta e dois reais e onze centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2005 a 09/2006,tendo sido lavrado em 21/12/2006 e almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias, parte empregado e contribuinte individual, uma vez que a empresa realizou o desconto dos valores de folha de pagamento destes segurados e, no entanto, não os recolheu aos cofres da União. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil apurou divergências apuradas no batimento realizado entre valores declarados em Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social – GFIP e os recolhimentos efetuados em Guia de Recolhimento à Previdência Social – GPS. Segundo Relatório Fiscal, fls. 112/113, in verbis: 2 – FATO GERADOR 2.1. Constituise como fato gerador das contribuições lançadas o exercício de atividade remunerada pelo segurado empregado e pelo contribuinte individual. 2.2. As contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais foram declaradas em GFIP e/ou Folhas de Pagamento. Não foram encontradas Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) no Sistema AGUIA, tela CCOR – Consulta Conta Corrente de Estabelecimento ou as existentes eram insuficientes para cobrir os valores de contribuição dos segurados. Tal situação caracteriza, em tese, crime contra a Seguridade Social, previsto no inço I, parágrafo primeiro, do artigo 168A, da parte especial do Decretolei 2.848 de 07.12.40 – Código Penal Brasileiro, com as alterações introduzidas pela Lei no. 9.983 de 14.07.2000 e será objeto de Representação Fiscal, para a competente apuração em instância própria. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe, conforme instrumento de fls. 68/73. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas, DRJ/CPS, prolatou o Acórdão n° 0518.433, fls. 119/125, julgando improcedente a impugnação para manter o crédito tributário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/11/2005 a 30/09/2006. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A empresa é obrigada a recolher as contribuições retidas sobre as remunerações pagas, a qualquer título, aos segurados empregados, e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pela DRFB, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, e ainda juros utilizandose a taxa SELIC. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 130/141, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Deveria a autoridade apurar os valores indevidamente pagos a título de contribuições ao INCRA, na forma da Lei 7.787/89 e compensar com os demais apurados no período da fiscalização em tela; 2. Anatocismo da SELIC; 3. Enriquecimento ilícito do erário em razão da multa aplicada; É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 2403002.246 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls.129/130, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidade se não estiverem às exceções acima. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 2403002.246 S2C4T3 Fl. 5 7 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA A Recorrente alega que, por se tratar de empresa urbana, não estaria submetida à incidência de contribuição ao INCRA, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão eminentemente rural. Entretanto, tal argumento não merece prosperar ante a apreciação da matéria por parte do Superior Tribunal de Justiça, a qual decidiu pela legalidade da referida exação em julgado submetido à sistemática do art. 543C, do Código de Processo Civil (Recurso Repetitivo), cuja ementa a seguir é transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice , ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. (STJ REsp: 977058 RS 2007/01903560, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 22/10/2008, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 10/11/2008) Portanto, ante a vinculação deste Conselho à aplicação dos julgados decididos sob a sistemática do art. 543C do CPC, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, não pairam dúvidas acerca da legalidade da exação tratada neste tópico. DA APURAÇÃO DA DIVERGÊNCIA ENTRE GFIP E GPS O presente auto de infração visa a cobrança das divergências apuradas no batimento realizado entre os valores declarados pelo contribuinte em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência – GFIP, e os recolhimentos efetuados em Guia de Pagamento da Previdência – GPS, e referese às contribuições sociais dos segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 2403002.246 S2C4T3 Fl. 6 9 Para infirmar as imputações do fiscal, a recorrente afirma que as informações prestadas pelo fiscal não podem ser consideradas como verificas em sua totalidade e que seria necessário a produção de perícia. No entanto, a recorrente não apresenta em momento algum, provas do pagamento das contribuições sob exigência. Conforme se percebe do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fls. 10/12, estão listadas todas as guias de recolhimento de 01/2000 a 09/2006, com as respectivas competências, datas e códigos de pagamento. Também, esclareça se que ao recorrente foi dada a oportunidade em apresentar os documentos oportunos para a fiscalização, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, fls. 31/32. Assim, percebese que a alegação é frágil, por não encontrar respaldo em qualquer prova. É que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (A PROVA NO PROCESSO TRIBUTÁRIO, Dialética: São Paulo, 2010), quando afirma que “Ino processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Sendo assim, sem haver qualquer prova do recolhimento das contribuições, resta inviabilizada a procedência do argumento expendido. DAS MULTAS APLICADAS No que se refere a multa aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17546.000553/200782 Acórdão n.º 2403002.246 S2C4T3 Fl. 7 11 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o recurso voluntário para, no mérito, dar parcial provimento para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10830.720048/2009-65
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 04/12/2003 a 07/12/2006
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA.
Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no § 2º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002.
CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. RETROAÇÃO BENIGNA QUANTO AO PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional por tratarem-se de penalidades distintas.
RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO
CREDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
Numero da decisão: 3101-001.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 29/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/12/2003 a 07/12/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no § 2º do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. RETROAÇÃO BENIGNA QUANTO AO PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional por tratarem-se de penalidades distintas. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO CREDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃOCOMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002. CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. RETROAÇÃO BENIGNA QUANTO AO PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 48 /2 00 9- 65 Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO CREDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 29/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Adoto parte do relato do órgão julgador de primeiro grau, até a fase de impugnação: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para a cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, (artigo 618, incisos VI, XXII, § 1º do RA, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 (artigo 689 e incisos do Decreto n° 6.759/09, Novo Regulamento Aduaneiro), que assim dispõe: "Art. 618 Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário: VI — estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; XXII —estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. " (grifei) O Autuação consta em nome do contribuinte acima identificado e também foram autuados os responsáveis solidários abaixo, que segundo a fiscalização concorreram em conluio, tudo conforme Termo de Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10830.720048/200965 Acórdão n.º 3101001.525 S3C1T1 Fl. 4 3 Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, parte integrante do Auto de Infração: Maria de Los Angeles Santander, CPF n° 238.438.700 63, Benedito Cioffi Júnior,, CPF n°238.581.688 15, Ricardo Scramim, CPF n° 098.678.76806, Wander Geromel, CPF n° 050.894.70812, Xose de Enrique Vida, CPF n° 014.008.03411, René Castagnaro, CPF n° 768.177.09849, Leda Dufau Silveira, CPF n°472.141.98053; Stella Mans Araújo Guimarães, CPF n°379.717.191 91, Maria Alejandra Tejera Piegas, CPF n°541.001.350 68 De acordo com o relatado pela fiscalização, em decorrência dos dados coletados em diligência realizada em 08/2006, constatouse fortes indícios da não existência de fato da empresa. A empresa COMPET Indústria e Comércio, é atualmente constituída por dois sócios pessoas jurídicas domiciliadas no URUGUAI, sendo que consta como responsável pelas mesmas no Brasil o Sr. RICARDO SCRAMIM CPF, desde 09/2006, que também é seu procurador, conforme 12a alteração contratual. De acordo com pesquisas nas bases do CNPJ e do CPF a fiscalização encontrou forte vinculação entre empresas e pessoas com a fiscalizada, conforme listou as fls. 09/10 do processo. A Autuada promoveu importações (valor CIF) sob o amparo do regime Drawback no valor total de R$ 11.419.000,00. Quando do inicio da ação fiscal em 16/08/2007 para a verificação da regularidade dos atos DRAWBACK, a fiscalização encontrou no lugar de uma indústria, somente uma pequena sala com um único funcionário, cuja função conforme declaração prestada era de emissão de NFs de remessa dos produtos adquiridos pela empresa, para terceiros. Sendo que os veículos não descarregavam neste local, seguindo direto, ao amparo da nova NF ali emitida para terceiras empresas. O funcionário afirmou não saber o motivo desta operação bem como declarou que se reportava ao advogado da empresa, tudo conforme Termo lavrado. Foram apreendidos todos os documentos e cópias das NFs de saída de emissão da COMPET Indústria e Comércio Ltda, encontrados no local, sendo a empresa intimada para comparecimento em data e local para deslacrar os volumes retidos na ocasião, e ainda, apresentação dos Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 livros fiscais e contábeis, tudo conforme termo de inicio de ação fiscal, retenção, constatação. Após uma série de diligenciasfiscais, internas e externas (mediante intimações empresa autuada e também oitiva de pessoas, conforme consta do minucioso Relatório Fiscal), ficou evidente que: 1) a empresa não possui instalações industriais que possibilitasse a industrialização objeto do ato drawback; fato este corroborado pelas declarações em depoimentos dos ditos administradores do profissional contabilista; 2) Na análise das Declarações de Importação, através dos extratos constantes no SISCOMEX, apurouse que as Matérias Primas foram adquiridas de empresas americanas, particularmente da INTERCHEM USA e INTERCOASTAL POLYMERS, LLC; 3) As exportações registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, estão vinculadas aos atos drawback e foram declaradas como destinadas ao importador estrangeiro INTERCHEM USA; 4) Foi constatado nos extratos das REs e DDEs verificados, que os embarques foram averbados, forma de pagamento: "cobrança" em 1 parcela; 5) A soma dos valores das exportações à época é de R$ 5.161.588,96. Dentre os documentos entregues pela fiscalizada consta a notificação do Banco Central contra a mesma e respectiva defesa administrativa referente ao não fechamento do câmbio no tocante as exportações efetuadas. A defesa da empresa se pauta no pressuposto não aceite dos produtos por ela exportados devido a vícios de qualidade. Quanto ao câmbio referente às importações, constam pendências pelo não pagamento conforme os dados provenientes do SISBACEN — Banco Central, referente às importações de 2005 e 2006, conforme demonstrado As fls. 41 do Auto de Infração. Segundo a fiscalização existem claros indícios que de fato ou a exportação não ocorreu ou ainda foram quitadas pelo importador estrangeiro INTERCHEM USA diretamente a fiscalizada ou à ordem deste, no estrangeiro, sem que houvesse registro de tal fato na contabilidade. Por fim constatou a fiscalização que "não resta dúvida de que a empresa COMPET foi criada com o propósito de promover operações de comércio exterior de forma fraudulenta, fraudou o regime de suspensão DRAWBACK e escondeu o real beneficiário do fruto das fraudes e para tal concorreram os seguintes agentes em conluio" (lista nome dos responsáveis solidários acima descritos". A empresa mesmo intimada diversas vezes não comprovou a forma de integralização do Capital Social com a devida apresentação dos documentos comprobatórios dessa integralização (extratos bancários, escritura de transferência de bens imóveis, etc.). Também não consta registro em sua escrituração contábil e nos documentos remetidos pelas Instituições financeiras com as quais opera, nos termos dos itens 30 a 33 do capitulo II— "Do contexto" da real ocorrência do empréstimo de mútuo firmado com a empresa FONTEIA Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10830.720048/200965 Acórdão n.º 3101001.525 S3C1T1 Fl. 5 5 TRADING no valor de R$ 1.750.000,00, "efetuado em moeda corrente" — itens 2 do capitulo III — "da análise dos documentos apresentados." Assim, destacou a fiscalização que a empresa foi criada com o Único propósito de praticar sonegação fiscal. Utilizouse para usa formação empresas com sede no URUGUAI (possivelmente formada por ações ao portador) e representantes no Brasil pessoas que, em troca de remuneração em dinheiro, emprestaram seus nomes. Por fim concluiu que.a falta de comprovação da origem dos recursos necessários a efetivação das operações no comércio exterior imputa na presunção prevista no Decreto Lei n° 1.455/76, art. 23, § 1º e § 3º, sendo esta norma regulamentada pelo Artigo 618, incisos VI, VII, XI e XXII, do RA, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 (art. 689 e incisos do Decreto 6759/09, novo Regulamento Aduaneiro). A empresa autuada apresentou impugnação de fls. 432 a 470, alegando, em breve síntese, que a empresa existia e estava em situação regular, tendo apenas cessado suas atividades econômicas no ano de 2008, mantendo, no entanto, sua personalidade jurídica; que todo o capital social estaria integralizado e que a simples transferência de sua sede, de um galpão para uma sala comercial, não representaria sua inexistência; informou que teria impetrado Mandado de Segurança contra decisão administrativa, proferida em outro processo, que determinara a inaptidão do seu CNPJ, ao argumento de que as razões da inaptidão não se teriam configurado, já que a empresa respondeu a todas as intimações que lhe foram enviadas e só não apresentou os documentos solicitados porque os mesmos não estavam sob sua posse; explicou que adquiria matéria prima importada, sob o regime de DRAWBACK suspensão, utilizada na fabricação de PET's exportadas que, no entanto, não teriam sido aceitas pela importadora INTERCHEM e por essa razão ela não teria recebido o pagamento de tais transações; afirmou ter havido autuação com base em meras presunções; por fim, defendeu a desproporcionalidade da multa, bem como aduziu que a referida penalidade violaria, ainda, os princípios constitucionais da razoabilidade, da proibição ao confisco, da equidade e da individualização da pena. Alguns dos responsáveis tributários autuados também impugnaram a decisão, repetindo os argumentos trazidos pela pessoa jurídica e acrescentando o seguinte: • Benedito Cioffi (fls. 2132/2173): alegou que sua responsabilidade era exclusivamente de operacionalizar pagamentos e recebimentos da empresa, sem poder de gerência; • Wander Geromel (fls. 1695/1735): afirmou que exerceu a administração da empresa após a realização da maioria das operações de DRAWBACK descritas no Auto de Infração; • Ricardo Scramim (fls. 1273/1313): argumentou que somente se tornou administrador em 11/09/2006, ou seja, após a realização da maioria das operações de DRAWBACK descritas no Auto de Infração; • René Castagnaro (fls. 852/892): afirmou ser contador externo da empresa autuada, sem exercer funções administrativas ou financeiras na sociedade, ou seja, sem poder de gerência. Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento, ementando assim o acórdão 1734.081: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/12/2003 a 07/12/2006 INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. O que diferencia as infrações tipificadas no artigo 23, V, do DL 1.455/1976 e no artigo 33 da Lei 11.488/2007 é o fato de que a prevista na lei 11.488 tem como agente apenas o importador ou exportador ostensivo, ao passo que a do DL 1.455 destinase a punir o sujeito oculto, o verdadeiro responsável pela operação. Com o advento do artigo 33 da Lei 11.488/2007 deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em coautoria, a infração do artigo 23, V, do DL 1.455/1976. Pelo mesmo motivo, não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da lei 11.488. Tal conseqüência é fruto do principio do "non bis in idem" o qual, no direito aduaneiro, está albergado nos artigos 99 e 100 do DL 37/1966. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (DL 1.455/1976, artigo 23, V) e, ao interveniente ostensivo, aquele em cujo nome é realizada a operação (aquele que "cede o nome"), é aplicável a multa de 10% do valor da operação (lei 11.488/2007, artigo 33, caput). O parágrafo único do artigo 33 constitui norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente "cede o nome". Por outro lado, se além de "ceder o nome", a empresa não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no artigo 81, § 1 2, da Lei 9.430/1996. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei 11.488/2007, aplicase o artigo 33 retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Como o auto de infração foi lavrado posteriormente à entrada em vigor da lei 11.488/2007, impondose a conversão da pena de perdimento ao importador, é manifesta sua improcedência. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O presidente da 2ª turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada, recorreu de ofício a esse Conselho. A Fazenda Nacional apresentou razões do Recurso de Oficio interposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, requerendo o seu regular processamento, conhecimento e provimento. Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10830.720048/200965 Acórdão n.º 3101001.525 S3C1T1 Fl. 6 7 A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Trata o presente julgamento de apreciação do Recurso de Ofício apresentado pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada. Aquela turma de julgamento exonerou o crédito tributário por entende que a penalidade aplicada à empresa autuada, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, não seria mais imputável ao importador ostensivo, por força de derrogação por lei posterior (art. 33 da Lei nº 11.488/2007), que submeteu o importador ostensivo apenas à multa de 10% sobre o valor da operação acobertada. Em que se pese os argumentos utilizados pelo julgador de primeira instância, tal decisão não pode prosperar. A empresa COMPET foi autuada pela infração de ocultação mediante interposição fraudulenta, caracterizando dano ao erário sujeito a pena de perdimento, com a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de sua apreensão, em razão da não comprovação da origem, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de comercio exterior. A contribuinte sequer apresentou toda documentação solicitada para comprovar sua existência e sua capacidade econômica. Entre as constatações efetuadas pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 9 a 57 do eprocesso), merecem destaque: · Quando do inicio da ação fiscal em 16/08/2007 para verificação da regularidade dos atos drawbacks, o auditor encontrou no lugar de uma indústria somente uma pequena sala com um único funcionário, Sr. Marcilio Becker, RG 39.468.8107 e CPF 413.876.51668, cuja função conforme declaração prestada era de emissão de NF's de remessa dos produtos adquiridos pela empresa, COMPET INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, para terceiros. Sendo que os veículos não descarregavam neste local, seguindo direito, ao amparo de nova NF ali emitida para terceiras empresas; · Que a empresa não possuía instalações industriais que possibilitassem a industrialização objeto do ato drawback; fato este corroborado pelas declarações em depoimento dos ditos 'administradores' e do profissional contabilista; · Que os livros diários apresentados pela fiscalizada, se restringiam basicamente ao registro das notas fiscais e vendas, sendo que as operações financeiras e bancárias não foram discriminadas, com registro pelo saldo ao final de cada mês, sem que que fosse sequer discriminado os bancos e contas operadas, impossibilitando a confirmação da veracidade dos lançamentos sintéticos; Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 · Que a empresa, mesmo intimada diversas vezes, não comprovou a forma de integralização do Capital Social com, a devida apresentação dos documentos comprobatórios dessa integralização (extratos bancários, escritura de transferência c/c bens imóveis, etc.); · Que o Sr RICARDO SCRAMIM, CPF 098.678.76806, responsável pela empresa COMPET no CNPJ e seu procurador conforme 12ª alteração contratual, não exerce e nunca exerceu de fato a função de administrador da empresa, conforme suas próprias declarações iniciais, posteriormente contestada; · Que o Sr RICARDO SCRAMIM declarou a participação dos Advogados do escritório Oliveira Neves na gestão da empresa COMPET; · Que o significativo aporte de capital para a COMPET, efetuado em janeiro de 2005 em moeda nacional (R$ 1.750.000,00) no Brasil, declarado como “efetuado em moeda corrente”, contrato esse firmado com a empresa FONTEIA FACTORING LTDA CNPJ 05.638.593/000130 domiciliada em SANTANA DO PARNAIBA SP BR e a JEWKES S A (sócia estrangeira da fiscalizada sediada no Uruguai) em 06/01/2005, não foi registrado na escrituração contábil da fiscalizada e nos documentos remetidos pelas Instituições Financeiras com as quais ela operava, impedindo a constatação da real ocorrência desse empréstimo; · Que pela análise sumária das informações remetidas pelos bancos Bradesco e Itaú relativas à movimentação financeira da fiscalizada, demonstraram que existia expressiva ocorrência de cheques emitidos pela COMPET à própria COMPET, endossados pelo Sr Benedito Cioffi Jr e sacados no caixa, bem como diversos cheques emitidos para beneficiários pessoas físicas, não ligadas a empresa, de valores expressivos, sem comprovação documental; · Que a falta de comprovação da origem dos recursos necessários a efetivação das operações no comércio exterior imputou na presunção prevista no Decretolei nº 1.455/1976, art 23 inciso V, § 2° e § 3°. Não resta dúvidas quanto à adequação da situação fática com o tipo previsto no inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, e parágrafo segundo: a empresa autuada não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, presumindo a interposição fraudulenta. A infração prevista na norma, ocultação mediante fraude ou simulação, através da interposição fraudulenta, caracterizou o dano ao Erário, sujeito à aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas. Tratase de ocultação mediante interposição fraudulenta presumida, que se materializa com a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação, na qual o sujeito oculto não é identificado. Nesse caso, a fiscalização não identifica o sujeito oculto, mas se utiliza da presunção legal trazida pelo parágrafo segundo do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, pela inexistência de comprovação, por parte do importador, da origem, disponibilidade ou transferência de recursos empregados na operação de importação. Apesar de todas essas evidencias, a DRJ considerou o disposto no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 e decidiu pela improcedência do lançamento, ponderando para tanto que o referido artigo teria criado uma nova disciplina para a infração cometida pela autuada, importadora ostensiva, que teria passado a ser penalizada com a multa de 10% do valor da operação. Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10830.720048/200965 Acórdão n.º 3101001.525 S3C1T1 Fl. 7 9 O que diferenciaria a infração prevista no artigo 33 da Lei nº 11488/2007 daquela tratada no DecretoLei nº 1455/1976 seria, no entender da DRJ, o agente infrator. Enquanto a Lei trata da multa imposta ao importador ou exportador ostensivo, o DecretoLei penaliza o sujeito oculto, verdadeiro responsável pela operação. Na verdade, o artigo 33 da Lei 11.488/2007 criou urna penalidade especifica para empresas que fazem a cessão de seus nomes e documentos para realização de operações de comércio exterior, cm substituição à inaptidão do CNPJ, sem, no entanto, excluir as demais penas previstas para o caso. Vejamos: O art. 23 do DL n° 1.455/1976, com a redação alterada pela Lei n° 10.637/2002, prevê a aplicação da pena de perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro, pela ocorrência de dano ao erário, relativo às mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. No presente caso, claramente o real adquirente das mercadorias importadas ficou oculto, de forma a ficar a margem do devido controle aduaneiro, além de outras razões patrimoniais e fiscais porventura existentes. A ocultação mediante interposição fraudulenta foi presumida, pela não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de importação, sendo perfeitamente cabível a aplicação da penalidade prevista nos parágrafos 1º e 3º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por caracterizar dano ao erário. Com o advento da Lei nº 11.488/2007, a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, ficou sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, conforme dispôs seu artigo 33. Não se trata de derrogação daquele dispositivo legal, mas apenas uma penalidade específica para a infração tipificada como cessão de nome com vistas no acobertamento dos reais intervenientes na operação de comércio exterior, anteriormente apenada com a inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81 da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 34, III e 41, III, da IN SRF n.º 568/2005), sem nenhum reflexo na aplicação da penalidade prevista no art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Mesmo após o advento da Lei nº 11.488/2007, o importador ostensivo deve responder pela multa substitutiva do perdimento de mercadoria prevista no art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Não houve derrogação deste dispositivo legal, sendo certo que tal regra convive harmonicamente com a disposição do art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Não há que se falar no presente caso na aplicação do princípio da retroatividade benigna, quanto à aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 em substituição à multa de conversão do perdimento. Esse dispositivo legal não derrogou aquele (perdimento, por dano ao erário). Também cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). [...] § 3º A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Portanto, não merece reparos o auto de infração quanto à aplicação da multa substitutiva do perdimento de que trata o art. 23, V, §§ 1.º e 3.º do DecretoLei n.º 1.455/76, devendo ser reformado o Acórdão 1734.081. Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 23 de outubro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/11 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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