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Numero do processo: 16366.720324/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato gerador: 30/06/2010
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato gerador: 30/06/2010
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato gerador: 30/06/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato gerador: 30/06/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 03 24 /2 01 1- 10 Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de Cofins NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 955DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.057, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 956DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 959DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 961DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16366.720324/201110 Acórdão n.º 3201004.501 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 963DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001644/2005-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 21/02/2000 a 31/07/2000
MULTA DE MORA. DÉBITO DECLARADO.
Sobre o pagamento de tributo a destempo, desde que declarado em DCTF, incide a multa moratória, pois nessa hipótese não há que se falar em denúncia espontânea. Precedentes STJ.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-007.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.902057/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmentel)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmentel) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SEGURADORA. Recorrente BRADESCO SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmentel) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 20 57 /2 01 2- 44 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de restituição em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A título preliminar, requer a nulidade do ato administrativo em foco, posto que ausente requisito essencial (motivo). Uma vez insuficientes as razões declinadas pela autoridade fiscal, estaria caracterizado o cerceamento ao direito de defesa, conforme art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. No mérito, informa que o recolhimento indevido decorre da declaração da inconstitucionalidade do §1º ao art. 3º da Lei 9.718/1998. A exigência da contribuição, por isso, apenas seria possível com base no faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos. Todavia, foi incluído na base de cálculo da contribuição valores relativos a receitas financeiras. No seu entendimento, o faturamento, base de cálculo da contribuição em tela, não compreenderia, entre outros, receitas financeiras e prêmios de seguros, porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Reclama que, conquanto se entenda que as receitas advindas de prêmios comporiam a base de cálculo das contribuições do manifestante, subsistiriam receitas que teriam composto tal base somente por força do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. Referidas receitas não restariam elencadas no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, ensejando o direito à restituição dos correspondentes montantes. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 034.382, de 29/06/2015, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE SEGUROS. A atividade de seguro promovida pelas operadoras de seguro, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2º e 3º, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 4 3 Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de validade aos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, a nulidade do Despacho Decisório (vício de motivação) e do acórdão recorrido (proferida sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados). No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.415, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.902046/201264, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.415): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. No recurso voluntário, a Recorrente basicamente repete os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Em acréscimo, apenas a nulidade do acórdão recorrido. Antes de ingressar na análise das razões de defesa, cabe destacar que, consoante a própria Recorrente asseverou em sua manifestação de inconformidade, foi incluído, equivocadamente, no valor pleiteado, o montante de R$ 764.195,60, pois estaria sendo Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 5 4 discutido no bojo de uma ação judicial, de modo que, em discussão aqui, resta apenas R$ 1.133.222,04. Posto isso, entendemos assistir razão em parte à Recorrente. Inicialmente, sustenta ter havido, no Despacho Decisório, vício de motivação (sustenta que foi intimada, em 31/01/2012, através da Intimação Deinf/SPO/Diort nº 18), a apresentar documentos e esclarecimentos a respeito do crédito. E que o acórdão recorrido, no entender também nulo, foi proferido sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados em sua defesa. Motivação, como se sabe, é a explicitação dos motivos, de fato e de direito, do ato administrativo. No caso em exame, consistiu na afirmação de que o suposto crédito estava alocado para quitar débito da própria Recorrente, uma vez que não houvera, é evidente, retificação anterior da DCTF correspondente ao período de sua apuração. Nenhum defeito há no Despacho Decisório, não obstante singular o procedimento, uma vez que a repartição já sabia da não retificação da DCTF, daí que, para o entendimento que restou declinado no Despacho Decisório, não era necessária a intimação. Tampouco nulidade no acórdão recorrido há, pois a questão posta em litígio é eminentemente jurídica, de modo que não havia necessidade da análise de documentos. E, com relação aos esclarecimentos prestados pela Recorrente, a Turma não está vinculada à apreciação de todos, notadamente quando as razões adotadas no voto foram suficientes para fundamentála. No mérito, vemos que a Recorrente, uma sociedade seguradora, pretende dar tratamento tributário diverso a receitas oriundas dos prêmios de seguros (prestação paga pelo segurado, para a contratação do seguro, que se efetiva com a emissão da apólice por parte da empresa seguradora), porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 6 5 Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 7 6 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 8 7 MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 9 8 operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 10 9 inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tão somente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, refere se, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 11 10 quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente sustenta que também aufere outras receitas, tais como receitas financeiras e de aluguel de imóveis. Entendemos que, no caso do aluguel de imóveis, como o objeto social da Recorrente não se refere a esta atividade, mas apenas à realização de operações de seguros de danos e pessoas, em qualquer de suas modalidades (ver fl. 15), as receitas daí decorrentes devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, mas não as originadas nas atividades financeiras (decorrentes ou não de provisões técnicas). É que, segundo o Parecer SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, "as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS". Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16327.902057/201244 Acórdão n.º 3201004.421 S3C2T1 Fl. 12 11 Ainda, conforme o Parecer SUSEP/DITEC/CGASO/DIREF/ Nº 64/2013, do qual destacamos o seguinte excerto: “Neste ponto, no entanto, cabe ressaltar que a operação de seguros caracterizase por apresentar ciclo financeiro negativo. Em outras palavras, a operação securitária tem como característica a captação de recursos, uma vez que, em condições normais, os prêmios são recebidos antes do pagamento de sinistros. Tal característica, inerente à operação, permite que a seguradora aufira receitas financeiras que contribuem significativamente para o seu resultado, o que a assemelha a uma instituição financeira. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válida apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000757/2010-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
TRANSCRIÇÃO DE BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL SUFICIENTE. MULTA ISOLADA. AFASTAMENTO.
A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Súmula CARF nº 93)
Numero da decisão: 9101-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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AUSÊNCIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL SUFICIENTE. MULTA ISOLADA. AFASTAMENTO. A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Súmula CARF nº 93) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 57 /2 01 0- 10 Fl. 732DF CARF MF 2 Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 9101004.024 CSRFT1 Fl. 733 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 24/03/2010, em que foi lançada Multa Isolada referente à CSLL, anocalendário 2005, no importe de R$ 1.689.616,03. O Auto de Infração decorreu dos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 331 a 336), que identificou as seguintes infrações, com o enquadramento legal que segue. 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE A ESTIMATIVA, em cada um dos meses do anocalendário de 2005. Enquadramento Legal: arts. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso II, da Medida Provisória Nº 2.15833, de 2001 e reedições. Segundo Termo de Verificação Fiscal, "não constam dos Livros Diário mensais apresentados, os Balancetes de Suspensão a que se refere o art. 230 do RIR/99. Em conseqüência, o contribuinte ficou obrigado ao recolhimento por Estimativa. Não tendo feito estes recolhimentos, sujeitase à. multa isolada, de 75%, calculada sobre os valores que deveriam ser recolhidos com base na Estimativa." Notificada, a contribuinte apresentou a impugnação (efls. 345 e seguintes) alegando que demonstrou que possuía escrituração contábil regular, e que foi comprovado que havia calculado devidamente o IRPJ e a CSLL pelo regime do lucro real anual, adotandose, para todo anocalendário de 2005, a sistemática de suspensão e redução do imposto. O Acórdão da DRJ nº 1642.498, de 14 de dezembro de 2010 (efls. 524 a 549), decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação. Confirase a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos insertos no ordenamento jurídico, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Fl. 734DF CARF MF 4 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. Por fundamentada em dispositivos legais (art. 44, inciso II, da Lei no 9.430/96 e alterações) e por absolutamente vinculada a atividade do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, correta a exigência de multa de ofício isolada (porém, no percentual de 50%) sobre as parcelas não recolhidas de CSLL calculada por estimativa. Na sequência, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (efls. 557 a 583), requerendo o cancelamento do auto de infração lavrado em virtude da: a) violação ao Princípio da Verdade Material por conta da desconsideração dos balancetes de suspensão e redução por ela levantados; b) violação ao Princípio da Proporcionalidade desrespeitado quando da aplicação de vultosa multa calculada sobre contribuição não devida; c) ilegalidade da norma utilizada como fundamento para cominação da penalidade e, d) adoção de forma de penalização menos gravosa para o contribuinte quando existente dúvida quanto à correta base de cálculo para fixação da multa. O Acórdão do Carf nº 1402001.381, de 08 de maio de 2013 (efls. 644 a 652), deu provimento ao recurso voluntário. Confirase abaixo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. A ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução, no livro diário, por si só, não caracteriza infração que justifique a aplicação de multa isolada. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF (efls. 655 a 667), em face do acórdão nº 1402001.381, proferido pela 2a. Turma desta Câmara na sessão de 30/03/2011, com relação à matéria "multa isolada falta de transcrição dos balancetes de suspensão ou redução no livro diário". A recorrente aponta divergência com o acórdão paradigma no. 10708.433, que traz a seguinte ementa: “CSLL MULTA ISOLADA RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Nos termos da legislação de regência, é obrigatório ao contribuinte que opta pelo recolhimento mensal do CSLL por estimativa, a transcrição dos balanços e balancetes no Livro Diário e no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), mormente quando utiliza a prerrogativa suspender o pagamento do imposto (IN SRF n°. 93/1997, art. 10, I, § 5°, e art. 13). Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 9101004.024 CSRFT1 Fl. 734 5 Tendo a fiscalização acesso aos balanços e balancetes do contribuinte nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2001, a ausência de registros destes no Livro Diário não tem o condão de ensejar a aplicação de multa isolada. No exercício de 2000, não tendo o contribuinte apresentado o balanço, mantémse a multa isolada, limitada, nos termos do entendimento da C. CSRF, a 75% da contribuição apurada no ajuste anual.”a RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, com fulcro no art. 67 (anexo II) do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009 – RICARF, interposto pela PFN em face do acórdão nº 1402001.381, proferido pela 2a. Turma desta Câmara na sessão de 30/03/2011. O Despacho de Admissibilidade (efls. 675 a 676) entendeu estar comprovada a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, tendo dado seguimento ao Recurso Especial. Às efls. 684 a 694, a contribuinte apresentou Contrarrazões alegando: a) inexistência de divergência jurisprudencial e b) haver maciça e inconteste jurisprudência do CARF favoráveis à não aplicabilidade de quaisquer penalidades nos casos em que o contribuinte deixou de transcrever os balancetes, principalmente nos casos em que a fiscalização tem acesso à documentação apta a comprovar que sua escrituração contábil é regular, como ocorreu nos presentes autos. É o relatório. Fl. 736DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O presente recurso especial (efls. 655667), interposto pela Procuradoria, procura demonstrar divergência jurisprudencial quanto à aplicação da multa isolada para os casos de ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução, no livro diário. Contrapõese, portanto, ao acórdão recorrido nº 1402001.381 (efls. 644652) que decidiu, em maio de 2013, pautado, inclusive, em acórdão desta Câmara Superior (acórdão 9101001.423, de julho de 2012), que a ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução para o livro diário “não invalida o procedimento adotado pela parte recorrente”, naquele momento, o contribuinte. Entendeu o Despacho de Admissibilidade (efls. 675676) que o recurso atendia a todos os requisitos de admissibilidade, e assim lhe deu seguimento, sendo tal aval questionado pela recorrida em sede de Contrarrazões (efls. 684694), alegandose que o acórdão paradigma nº 10708433 não poderia ter sido aceito por convergir e não divergir do acórdão recorrido. Ocorre, neste caso específico, que independentemente da alegação relativa a admissibilidade do recurso especial elaborada pela recorrida, o presente recurso já encontra obstáculo para o seu conhecimento, no artigo 67, §3º e artigo 72, caput, do RICARF, nos seguintes termos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (…) §3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Art.72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A partir disto, temse que na sessão de 09/12/2013, foi aprovada pela Primeira Turma da CSRF, a SúmulaCARF nº 93, que assim dispõe: A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 737DF CARF MF Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 9101004.024 CSRFT1 Fl. 735 7 A leitura da mencionada súmula nos permite concluir que a condição para a não imputação direta da multa isolada quando da não transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no livro diário é a presença de escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. Compulsando os autos, mais especificamente nos três primeiros volumes (e fls. 01 a 523), podese atestar a diligência da recorrida ao apresentar farta documentação contábil e fiscal, conforme exigido pela fiscalização, lhe faltando tão somente a satisfação do critério formal atinente a transcrição dos balanços e balancetes de suspensão ou redução no livro diário, o que, pela inteligência da SúmulaCARF nº 93, afasta a multa isolada. Tanto é verdade, que o acórdão ora recorrido, logo no início de seu texto, assim dispõe: Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 457 (sic), a causa da autuação está na não transcrição dos Balancetes de Suspensão nos Livros Diários. Contudo, esta obrigação acessória não invalida o procedimento adotado pela parte recorrente. Neste sentido destacase a recente e unânime jurisprudência da CSRF: 1 (Grifos Nossos) Registrese ainda que, enquanto a SúmulaCARF nº 93 foi publicada em dezembro de 2013, o acórdão recorrido foi proferido em 08 de maio de 2013 e o despacho de admissibilidade do recurso especial emitido em 26 de setembro de 2013, motivo pelo qual este não pôde vedar o seguimento do recurso especial da Procuradoria. Não restando dúvidas, então, sobre a incidência de entendimento sumular no presente caso, voto por NÃO CONHECER do recurso especial da Procuradoria. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei 1 Compulsando os autos, verificouse que o TVF, em verdade, se encontra às efolhas 331 a 336. Fl. 738DF CARF MF 8 Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911682/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
Numero da decisão: 3002-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 16 82 /2 00 9- 11 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10120.911682/200911 Acórdão n.º 3002000.558 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 42/46 dos autos: "Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 40512.46506.200807.1.3.048636, transmitida eletronicamente em 20/8/2007, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 22), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 15.071,50. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 16/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que os sistemas da Receita Federal teriam considerado as informações constantes na DCTF original e que, teria sido transmitida uma DCTF retificadora, que já constava nos sistemas “na data da auditoria”. Argumenta que o Dspacho Decisório deveria ser cancelado, uma vez que nos próprios sistemas da RFB a DCTF original já teria sido substituída pela DCTF retificadora. Apresenta, em síntese, os seguintes pontos de discordância: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/4/2006 5856 38.807,59 15/5/2006 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10120.911682/200911 Acórdão n.º 3002000.558 S3C0T2 Fl. 4 3 a) não foi levado em consideração a análise da DCTF retificadora que permanecia como atual na data da análise; b) não foi observado que a DCTF original já se encontrava cancelada no sistema da Receita Federal; c) o processamento da auditoria foi feito somente por meio eletrônico, não sendo analisado o caso fisicamente através dos documentos. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade". Resumindo, o contribuinte em 20/08/2007 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (40512.46506.200807.1.3.048636) (fls. 30/34) no valor de R$ 38.807,59. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 22 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) requerendo em preliminar que "diante do fato exposto, solicitamos o cancelamento do despacho decisório nº 848534173, referente ao pedido de compensação através da PER/DCOMP supracitada, uma vez que com nova apreciação da auditoria fiscal, levando cm consideração os dados constantes na DCTF RETIFICADORA. demonstra claramente a existência do crédito compensado" e no mérito "de acordo com a os Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 4 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. os valores pagos indevidamente ou a maior, torna objeto de compensação por parte do contribuinte, uma vez demonstrado claramente, através dos demonstrativos (DCTF), respalda o direito do crédito". A DRJ/BSB proferiu o Acórdão nº 0349.264 (fls. 42/45) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar a compensação do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10120.911682/200911 Acórdão n.º 3002000.558 S3C0T2 Fl. 5 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 55/62) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a nulidade da decisão, concluindo que "não é lícito à autoridade fiscal desconsiderar o crédito fiscal que tem como origem apuração de pagamentos indevidos devidamente escriturados/fundamentados ao singelo argumento de falta de idônea comprovação". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10120.911682/200911 Acórdão n.º 3002000.558 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade alegando que a "decisão imotivada é decisão nula, viciada em sua forma, nulidade que consiste "na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato" (Art. 2°, parágrafo único, „b" da Lei no 4.717/65, que regula a Ação Popular)". Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados. Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10120.911682/200911 Acórdão n.º 3002000.558 S3C0T2 Fl. 7 6 Princípio da Razoabilidade Quanto ao afastamento da legislação aplicada por ferimento ao Princípio da Razoabilidade, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.720262/2016-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA SEM FUNDAMENTAÇÃO.
Para glosar documento que indica o valor de pensão paga o lançamento deve descrever os fatos e apontar fundamentos plausíveis, do contrário é indevida a glosa.
Numero da decisão: 2001-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA SEM FUNDAMENTAÇÃO. Para glosar documento que indica o valor de pensão paga o lançamento deve descrever os fatos e apontar fundamentos plausíveis, do contrário é indevida a glosa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA SEM FUNDAMENTAÇÃO. Para glosar documento que indica o valor de pensão paga o lançamento deve descrever os fatos e apontar fundamentos plausíveis, do contrário é indevida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de pensão alimentícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 72 02 62 /2 01 6- 30 Fl. 62DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. VALORES UTILIZADOS. DETERMINAÇÃO DEPÓSITO JUDICIAL. A autoridade revisora apurou a dedução indevida em comento, porquanto parcela do valor declarado serviu para determinar a base de cálculo daqueles rendimentos cuja tributação está com a exigibilidade suspensa, por força de depósito judicial. O lançamento na fl. 26, limitouse a glosa com o seguinte texto: "Valor alterado com base nas informações prestadas pela fonte pagadora." O recurso voluntário sustenta que foi informado na declaração o valor da pensão conforme comprovante recebido da fonte pagadora. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18050.720262/201630 Acórdão n.º 2001000.907 S2C0T1 Fl. 3 3 Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de pensão alimentícia. A pensão paga, que consta do comprovante de rendimentos recebido pelo contribuinte foi de R$ 90.082,70. O acórdão de impugnação baseia a glosa de parte desse valor, R$ 9.261,94, alegando que em relação à essa parte haveria tributação com a exigibilidade suspensa. Tratase de informação que não constava no lançamento. Devese observar também que o fato de estar a tributação com a exigibilidade suspensa, informação da DRJ, não significa que os valores não foram pagos, ainda mais os valores da pensão. A suspensão, conforme diz o título, até prova em contrário, é da tributação. A DRJ apresentou elementos que indicariam a necessidade de um detalhamento do que ocorreu, o que não foi feito. O lançamento não investigou o que ocorreu nem descreveu os fatos nem apresentou fundamentos para a glosa. Assim, entendemos indevida a glosa feita. Observese que argumentos do acórdão de impugnação foram examinados, mas não necessitam ser rebatidos, principalmente se o fundamento agora da segunda instância entendeu pela insuficiência ou falha no lançamento. Também se aponte que fundamentos adicionais, além do que foi disposto no lançamento original, se constituem em inovação, cerceando direito de defesa, suprimindo instância. Se o lançamento fundamentou a recusa com argumentos a, b ou c; não se pode em instâncias de julgamento recusarse documentos por x,y ou z, nem em primeira, nem em segunda instância. Aliás, no caso houve falta de descrição e argumentos. Além disso, a decisão de segunda instância reexamina o lançamento, em relação ao que o recurso voluntário litiga. Tratase de um novo julgamento. Tanto o acórdão de impugnação como o de recurso voluntário devem se restringir à legislação e aos fundamentos apontados no lançamento. O recurso voluntário pode solicitar reexame do lançamento e ignorar o acórdão de impugnação. Superados os problemas apontados no lançamento não podem ser colocados outros problemas nas instâncias seguintes. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 64DF CARF MF 4 Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910842/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.409
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BRADESCO S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 42 /2 01 1- 90 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de PIS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Alegou que seria corretora de títulos e valores mobiliários, e que o PIS e a Cofins incidiriam sobre suas principais receitas, ligadas ao seu objeto social e que seriam receitas de serviços prestadas a terceiros, como receitas de comissões de corretagem e administração de fundos de investimento. Argumentou que as receitas decorrentes de operações com recursos próprios, quando não haveria intermediação financeira, estariam excluídas do conceito de prestação de serviços. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 4 3 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.871, de 23/01/2017, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2000 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Como o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, que devia ter sido intimada para apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999) e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.399, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.910834/201143, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.399): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vejam que o § 4º do art. 3º da Instrução Normativa IN RFB nº 900, de 2008, citado pela Recorrente em seus recursos, referese aos documentos mencionados no parágrafo anterior, que trata, especificamente, de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o qual deverá apresentar à RFB o instrumento que respalda a sua representação: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 6 5 Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. (g.n.) Tratase de situação específica, não extensível a todos os casos. No mérito, vemos que a Recorrente, uma corretora de títulos e valores mobiliários (CTVM), pretende dar tratamento tributário diverso a suas receitas, conforme trabalhe com recursos próprios ou de terceiros. Argumenta que, como típica prestadora de serviços, não presta serviços a ninguém quando aplica recursos seus, de modo que a receita daí decorrente não pode ser tributada pelo PIS/Cofins. No passado, chegamos a adotar posição semelhante, mas hoje, depois de melhor meditar sobre o tema, colocamonos entre os que defendem que, na sistemática cumulativa (aqui aplicável!), a receita bruta de vendas de mercadorias e da prestação de serviços – o faturamento, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 – corresponde àquela originária da atividade típica da empresa. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 7 6 semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 8 7 Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 9 8 Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 10 9 ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 11 10 determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 12 11 bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, porém, a Recorrente também aufere receitas decorrentes da aplicação de seus próprios recursos, daí defender que, nesta hipótese, não haveria prestação de serviços. Bem, se há ou não prestação de serviços, isso nos parece de nenhuma importância para o deslinde da questão, visto que, na acepção que vimos de dar, o faturamento de uma instituição financeira, como uma corretora de títulos e valores mobiliários, corresponde a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, pouco importando se derivou da aplicação de recursos próprios ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." (...)1 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.399 (processo 16327.910834/201143). Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.910842/201190 Acórdão n.º 3201004.409 S3C2T1 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000511/2006-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS EXPIRADO O PRAZO LIMITE. INTEMPESTIVIDADE.PEREMPÇÃO.
É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de trinta dias a partir da data de sua ci-ência, ex vi do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Não se conhece do recurso interposto, apresentado após transcorrido o lapso temporal fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto.
Numero da decisão: 1301-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS EXPIRADO O PRAZO LIMITE. INTEMPESTIVIDADE.PEREMPÇÃO. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de trinta dias a partir da data de sua ci-ência, ex vi do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se conhece do recurso interposto, apresentado após transcorrido o lapso temporal fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto.
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INTEMPESTIVIDADE.PEREMPÇÃO. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de trinta dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se conhece do recurso interposto, apresentado após transcorrido o lapso temporal fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 05 11 /2 00 6- 47 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 357 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 358 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 337/346 ) em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 326/330) que julgou a Impugnação improcedente, quanto ao lançamento de ofício do SIMPLES Federal (IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS) e Multa Regulamentar Isolada, anocalendário 2005. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 06/12/2006, a fiscalização da RFB DRF/São Pessoa lavrou Autos de Infração do SIMPLES Federal (IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS), anocalendário 2005, ao imputar as seguintes infrações (efls. 05/72), in verbis: (...) 001 DIFERENÇA DE BASE DE CALCULO Ao se proceder a análise dos Livros fiscais do contribuinte, notadamente do Livro Registro de Saídas, detectouse a escrituração de receitas em valores bem superiores aos declarados pelo contribuinte em sua Declaração Anual Simplificada, relativa ao ano de 2005. Intimado em 09 de novembro, através de Termo de Constatação e Intimação Fiscal, a prestar os esclarecimentos necessários, em relação as discrepâncias detectadas, o contribuinte informou que a diferença constatada deveuse a venda de leite in natura, vendas essas que o contribuinte entendia estarem isentas de pagamento de impostos federais, além do ICMS. Tendo em vista não existir isenção para venda de leite in natura em relação ao contribuinte enquadrado no SIMPLES, lavramos o presente Auto de Infração a fim de substanciar a constituição do crédito tributário devido pelo contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal, que faz parte do presente Auto de Infração, fezse uma discriminação pormenorizada de todas as etapas seguidas pela fiscalização. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/01/2005 248.556,40 75,00 28/02/2005 226.571,97 75,00 31/03/2005 245.553,59 75,00 30/04/2005 236.517,04 75,00 31/05/2005 108.326,77 75,00 31/05/2005 150.600,14 75,00 30/06/2005 246.141,40 75,00 31/07/2005 261.020,10 75,00 31/08/2005 263.026,90 75,00 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 359 4 30/09/2005 254.365,90 75,00 31/10/2005 266.200,85 75,00 30/11/2005 259.530,80 75,00 31/12/2005 266.944,25 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 2° , § 2° , 3° , § 1° , alínea "a", 5° e 7° , § 1° , da Lei n° 9.317/96.; Art. 3º da Lei n o 9.732/98.; Arts. 186 e 188 , do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Na medida em que se detectaram receitas não declaradas pelo contribuinte, no curso do ano de 2005, surgiu automaticamente insuficiência de recolhimento em diversos meses do ano de 2005, pela aplicação de alíquotas maiores nos diversos meses do ano calendário. Para uma perfeita visualização das diversas etapas seguidas pela fiscalização, vide o Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente Auto de Infração, onde se fez um relato pormenorizado de todas as etapas seguidas pela fiscalização. (...) 001 FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SISTEMA SIMPLES Inobservância da comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, tendo em vista ter o contribuinte excedido o limite estabelecido de R$ 2 .400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), estabelecido na legislação, para permanência no SIMPLES. Vide Demonstrativo da Multa Devida, anexo ao presente Auto de Infração Folha 78 (ou efl. 81). (...) que quanto aos fatos consta do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 73/82), in verbis: (...) 1.2 Do motivo da seleção do contribuinte A seleção do contribuinte deuse pelo fato de terse detectado discrepâncias entre os valores das receitas declaradas pelo contribuinte à Secretaria de Finanças da Paraíba, através das Guias de Informação Mensal e as receitas declaradas pelo mesmo a Secretaria da Receita Federal em sua Declaração Anual Simplificada, relativa ao ano de 2005. (...) 2. Dos procedimentos efetuados pela fiscalização Fl. 359DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 360 5 (...) Intimada a apresentar seus livros fiscais e comerciais, o contribuinte os apresentou em 24 de outubro de 2006. Do Livro Registro de Saídas constavam diversas notas fiscais com código fiscal de operações e prestações — CFOP relativo à remessa para venda fora do estabelecimento. A fiscalização procedeu a exclusão dos valores relativos a essas operações e, assim, chegou a receita de vendas do contribuinte, registrada no Livro de Saídas, conforme tabela abaixo: Foi, então, o contribuinte intimado em 09 de novembro de 2006 a justificar as divergências apontadas, mês a mês, tendose em vista que o mesmo havia declarado uma receita anual de apenas R$ 297.382,31 (duzentos e noventa e sete mil, trezentos e oitenta e dois reais e trinta e um centavos), em sua Declaração Anual Simplificada, tudo em relação ao ano de 2005. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 361 6 Em resposta, em 22 de novembro de 2006, o contribuinte justifica as divergências apresentadas pela emissão de notas fiscais de venda de leite in natura no curso do ano, em decorrência de contrato celebrado com a Fundação de Ação Comunitária — FAC, fundação de direito público, ligado ao Governo do Estado da Paraíba. Alega o contribuinte que, pelo contrato celebrado, ficou estipulado que a FAC pagaria "a Gutlacta a quantia de R$ 1,15 (hum real e quinze centavos), por litro de leite beneficiado entregue no posto de distribuição, sendo que, compulsoriamente, retém deste valor o importe de R$ 0,70 (setenta centavos) por litro para ser repassado imediatamente ao respectivo agricultor familiar que o fornecer, ficando para a requerente contratada o valor de apenas R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos) por litro de leite que beneficiou, muito embora emita nota fiscal para a FAC dando ao produto o valor total (R$ 1,15)." Salienta "que o engano da requerente deveuse a que o leite beneficiado é isento de tributos estaduais, notadamente, o ICMS. Assim, entendia que também estaria isento de tributos federais, entre eles PIS e COFINS." Por fim, solicita que essa fiscalização dispenseo "do pagamento dos tributos pelo seu faturamento no exercício de 2005, ou, pelo menos, se assim não entender, que seja recolhido os tributos pelo valor que lhe é pago pelo leite entregue, ou seja, R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos), por ser da maior justiça." A análise do Contrato apresentado não deixa margens de dúvidas quanto ao faturamento do contribuinte; da leitura do contrato, podemos verificar que: A análise do Contrato apresentado não deixa margens de dúvidas quanto ao faturamento do contribuinte; da leitura do contrato, podemos verificar que: • Na cláusula quinta, está estabelecido que "a contratante (FAC) pagará a contratada (contribuinte) a quantia de R$ 1,15 (um real e quinze centavos) por litro de leite bovino pasteurizado.... (grifo nosso) • No parágrafo segundo da cláusula quinta consta que "A solicitação (para pagamento) deverá vir acompanhada de .... Nota fiscal contendo a descrição do quantitativo do produto, preço unitário do leite ...." • Na cláusula oitava, que trata das obrigações dos contratantes, no inciso II, "h" consta que cabe à contratada (contribuinte) "adquirir o leite dos agricultores familiares paraibanos " (grifo nosso) Tratase, portanto, de uma operação normal de mercado, onde o contribuinte ora fiscalizado adquire, por R$ 0,70 (setenta centavos) dos pequenos produtores de leite este produto; o Fl. 361DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 362 7 beneficia e embala, distribuindoo, recebendo por isso o valor de R$ 1,15 (um real e quinze centavos). O fato de constar do contrato autorização para que a própria FAC repasse o valor de R$ 0,70 (setenta centavos) aos pequenos produtores não desvirtua a operação mercantil em tela. Tratase de mera convenção entre as partes, incapaz de desvirtuar a operação mercantil existente, qual seja, de compra e venda. Temos, portanto, que as notas fiscais de vendas de leite devem fazer parte do faturamento do contribuinte, para fins de pagamento do SIMPLES. 3. Da exclusão do contribuinte do SIMPLES Pelo fato de o contribuinte estar inscrito no SIMPLES, na condição de empresa de pequeno porte, e o limite para permanência nessa condição ser de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), para o ano calendário de 2005, elaborouse Representação Fiscal, dirigida ao senhor Delegado da Receita Federal em João Pessoa, onde se relatou o ocorrido e se propôs a exclusão do contribuinte do SIMPLES, a teor da Lei 9.317/96, pelo fato de o mesmo ter extrapolado o limite estabelecido no inciso I do artigo 9° da citada Lei e não ter espontaneamente solicitado sua exclusão do SIMPLES na condição de microempresa. Através do Ato Declaratório Executivo n° 53, de 29 de novembro de 2006, efetivouse a exclusão do contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de janeiro de 2006. (...). A exclusão, contudo, não acarretou efeitos tributários imediatos, pois a fiscalização restringiuse ao ano de 2005. 4. Da tributação da receita do contribuinte Tendo em vista que a receita apurada pela fiscalização mostrou se ser bem maior que a declarada e paga pelo contribuinte, faz se necessário se efetuar o lançamento tributário quanto aos valores devidos a titulo de SIMPLES, para o ano de 2005. Neste aspecto, foram lançados os tributos devidos sobre a diferença de receita apurada, mensalmente, aplicandose a alíquota cabível em função da receita acumulada do contribuinte, na forma discriminada no Auto de Infração respectivo. Houve ainda lançamento de tributos sobre as diferenças resultantes da aplicação de uma alíquota mais elevada do que a utilizada na declaração anual simplificada do contribuinte. (...) Obs: A exclusão do Simples não é objeto dos presentes autos (a lide exclusão do SIMPLES Federal é objeto do processo nº 19647.015322/200841). Fl. 362DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 363 8 que, em suma, a diferença de receita tributável mensal e respectiva faixa de alíquotas do SIMPLES Federal, anocalendário 2005, constam do demonstrativo a seguir, extraído do lançamento fiscal (efl. 06): Obs: (i) Houve lançamento de diferença dos Tributos e Contribuições do SIMPLES Federal acerca de diferença de base de cálculo (omissão de receitas) e houve lançamento de diferença de pagamento a menor acerca da receita bruta informada ou declarada na declaração simplificada do Simples, anocalendário 2005. Os valores recolhidos foram descontados (abatidos ou dado crédito), conforme Demonstrativos (efls. 06/19). que o crédito tributário lançado de ofício do SIMPLES Federal, ano calendário 2005, na data da lavratura dos autos de infração do SIMPLES Federal, perfaz o montante de R$ 599.685,27 assim discriminado: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 30/11/2006) (R$) Multa de Ofício 75% (R$) Total (R$) IRPJSimples 21.817,90 4.077,16 16.363,36 42.258,42 Multa Regulamentar 3.379,74 IPISimples 17.760,07 3.407,31 13.320,00 34.487,38 PISSimples 21.870,90 4.077,16 16.363,36 42.258,42 CSLL Simples 35.520,11 6.814,70 26.640,04 68.974,85 Cofins Simples 71.040,22 13.629,45 53.820,11 137.949,78 Contrib. Seg. Social INSS Simples 139.733,98 25.842,30 104.800,41 270.376,69 Total (R$) 599.685,27 Ciente do lançamento fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação cujas razões, em apertada síntese, são as seguintes: Fl. 363DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 364 9 que, no anocalendário 2005, a impugnante celebrou com a Fundação de Ação Comunitária FAC, órgão pertencente à Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, um CONTRATO para fornecimento de leite bovino pasteurizado, tipo "C" padronizado, a fim atender as normas estabelecidas pelo Convênio 28/2003, celebrado entre a União, representada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome e o Estado da Paraíba, no âmbito do PROGRAMA "LEITE DA PARAÍBA", cujo programa tem por finalidade proporcionar condições de captação, beneficiamento e distribuição do produto entre as famílias cadastradas, viabilizando a aquisição de leite da agricultura familiar paraibana com garantia de preço mínimo, inserindo a pequena propriedade leiteira no mercado formal. que para atender essa garantia de preço a ser pago ao agricultor familiar, a própria FAC, compulsoriamente, retém do preço do leite ajustado entre si e o autuado (R$ 1,15) o valor de R$ 0,70 (setenta centavos) por litro de leite repassandoo diretamente ao agricultor fornecedor, pagando ao contratado/autuado/impugnante o valor de apenas R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos) por litro de leite que beneficiou e entregou aos Postos de Distribuição, muito embora seja este obrigado contratualmente a emitir a nota fiscal de venda no valor total ajustado de R$ 1,15; que, em verdade, a impugnante beneficia, embala e distribui o leite egresso dos agricultores familiares, recebendo por isso o valor de APENAS R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos), conforme sobejamente demonstrado. Induvidosamente, a as notas fiscais emitidas pelo contribuinte/autuado deveriam dar ao produto o valor efetivamente recebido da FAC, i. é, R$ 0,45, todavia seu equívoco, naturalmente, obedeceu a norma insculpida na parte inical da Cláusula Quinta do Contrato em referência (R$ 1,15); que, a título de exemplo, a impugnante apresentou à Fiscalização da RFB o movimento da segunda quinzena de Dezembro/2005, onde se pode constatar que foram entregues nos postos de distribuição a quantidade de 120.224 litros de leite beneficiado no valor total de R$ 138.257,60, sendo a parcela das Associações de Pequenos Produtores igual a R$ 84.156,80 (equivalente a 120.224 x R$ 0,70), enquanto a parcela da unidade de beneficiamento (GUTLACTA) igual a R$ 54.100,80 (equivalente a 120.224 x RS 0,45); que, da maneira como se encontra a escrituração fiscal/contábil da impugnante, inquestionavelmente levou o fisco federal a impor o pagamento de tributos de acordo com o faturamento da empresa no exercício de 2005, mas que, todavia, não são de sua responsabilidade como demonstrado, pelo menos considerandose que só lhe foi paga a quantia de R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos) por litro de leite recebido do agricultor familiar, a qual beneficia e entrega nos postos de distribuição; que, por oportuno, a FAC realiza o pagamento à impugnante, relativo ao leite beneficiado que entrega nos postos de distribuição, através de depósito bancário, no caso "sub examen ", em conta corrente do Banco do Brasil, vendose dos extratos bancários que apresentou ao Auditor autuante que os depósitos não correspondem ao "pseudo" faturamento correspondente ao período fiscalizado; que a defendente está sendo apenada por uma falha involuntária de escrituração, mas que, sem dúvida, apenas cumpria pacto assumido com a FAC, como se vê da já referenciada Cláusula Quinta do Contrato de Fornecimento n° 017/2005, celebrado entre as partes e apresentado ao digno Auditor autuante; Fl. 364DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 365 10 que espera a impugnante seja considerado irregular o crédito tributário de R$ 599.685,27, lançado pelo insigne Auditor fazendário, tornandoo improcedente, na esperança de que tenha conseguido provar que cometera um lamentável engano ao escriturar o produto (leite) ao preço total de R$ 1,15, incluindose aí a parte do agricultor familiar (R$ 0,70 ao litro "in natura"), por quem não pode responder pelos tributos a ele inerente, reconhecendo, todavia, ser devedor dos tributos calculados sobre R$ 0,45 (quarenta e cinco centavos), que efetivamente lhe eram pagos por litro de leite e que, dessa forma, deveria ter sido faturado, por ser o que mais se ajusta ao Direito e à Justiça. Na sessão de 11/07/2008, a 4ª Turma da DRJ/Recife julgou a Impugnação improcedente, ao entender que o faturamento bruto decorreu de operação de compra e venda normal, incidindo a correspondente faixa de alíquota do SIMPLES Federal de acordo com receita bruta acumulada para o respectivo período mensal de apuração, quanto anocalendário 2005, conforme Acórdão cuja ementa e parte dispositiva transcrevo (efls. 326/330), in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 APURAÇÃO DO SIMPLES BASE DE CÁLCULO RECEITA BRUTA O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida. Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Lançamento Procedente (...) Acordam os membros da 4a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedentes os lançamentos, nos termos do relatório, voto e conclusão que passam a integrar o presente julgado. (...) Ciente desse decisum em 06/08/2008 (quartafeira) por via postal, Aviso de Recebimento AR (efl. 349), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 08/09/2008 segundafeira (efls. 337/346), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a recorrente não se conforma com o resultado do procedimento fiscal que culminou com sua autuação; Fl. 365DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 366 11 que, de fato, conforme alegado, na sua peça de defesa, o produto de comercialização de sua empresa, qual seja, o leite, era vendido, também, para o Governo da Paraíba; que, por intermédio do programa LEITE DA PARAÍBA, existia uma garantia de preço a ser pago ao agricultor familiar e a autuada ficou responsável pelo BENEFICIAMENTO DO LEITE; que, dessa maneira, o valor de R$ 1,15 (um real e quinze centavos), por litro, pago, pelo órgão do Estado, R$ 0,70 (setenta centavos) NÃO FICAVA COM A DEFEDENTE. ia direto para o agricultor. Ora, este valor não pode ser considerado como renda, patrimônio da empresa, já que pertencente a terceiro; que, assim, cabia à defendente informar à RECEITA o valor que recebera derivado do BENEFICIAMENTO, e não daquele valor que o Governo determinara o repasse ao agricultor familiar; que, no caso, QUAL O PROVEITO ECONÔMICO TEVE A RECORRENTE com o valor de R$ 0,70 (setenta centavos) por litro de leite que foi repassado ao agricultor???????? que não houve omissão de receitas; cita e transcreve ementa do Acórdão do CARF nº 01 02.780, publicado no DOU de 06/12/2000, fundamentado em legislação revogada, in verbis: (...) IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção de omissão de rendimentos deve estar fundamentada em prova ou indícios veementes de falsidade ou inexatidão dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte. A falta de apresentação de declaração de rendimentos, acompanhada de esclarecimentos insuficientes do contribuinte não foram arrolados pela lei como fundamento do arbitramento. Os elementos que se dispuserem, a que se refere o art. 678 do RIR/80, são aqueles que trazem em seu conteúdo prova e evidência substancial. IRPF SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA LEI n ° 8.021/90 APLICAÇÃO No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em cheques ou ordens de pagamento, bancários, nos termos do art. 6 o , e seus §§, da Lei n ° 8.021/1990, é imprescindível que seja comprovado a utilização dos valores como renda consumida, evidenciado sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. Recurso negado. (CSRF Ac. n° 0102.780 1a. T. Rel. Remis Almeida Estol DOU 06.12.2000 p. 12). (...) que a interpretação de renda, na conformidade da Constituição Federal e em consonância com o artigo 43 do CTN, é no sentido de acréscimo patrimonial disponível; que o agente público do fisco tem o dever fundamental de obedecer a Constituição Federal e em seguida ao Código Tributário Nacional e, ainda, a partir deles, as demais normas do sistema tributário, inclusive a Lei n° 9.430/96, no artigo 42 e seus parágrafos; Fl. 366DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 367 12 que, destarte, nem a lei e nem o intérprete (aplicador da norma) poderão proceder tais alterações conforme previsão do art. 110 do CTN. Permitir ao legislador alterar determinado conceito previsto na Constituição Federal, por exemplo, é permitir que o legislador possa alterar a própria Constituição Federal; que, em suma, vale repetir GOMES DE SOUZA: "Só é renda o acréscimo de patrimônio que possa ser consumido sem reduzir ou fazer desaparecer o patrimônio que o produziu: do contrário a renda se confundiria com o capital"; que houve abuso de poder fiscal multa de ofício inexigível caráter confiscatório; que houve excesso de exigência de valor devido impossibilidade de acumulação de juros de mora visível anatocismo; Por fim, em face do exposto, a recorrente pediu: a) seja julgado totalmente improcedente o auto de infração lavrado; b) seja expurgada toda multa e juros, a fim de evitar a configuração do confisco vedado constitucionalmente e, muito principalmente, para coibir a prática do anatocismo. É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 368 13 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O Recurso Voluntário apresentado é intempestivo. A autoridade preparadora/saneadora dos autos, na unidade de origem da RFB, já havia constatado a intempestividade do recurso, ao proferir o seguinte despacho, em 10/09/2008 (efl. 350): (...) Tendo em vista que o contribuinte retromencionado apresentou Recurso Voluntário, INTEMPESTIVO, constante em processo n° 19.647.015322/200841, apensado ao principal em 08/09/2008, às fls 327 a 337, encaminho o presente processo à SAORT/DRF/JPA/PB, para a análise quanto ao mérito da preliminar de tempestividade e providências cabíveis. (...) Na verdade, a recorrente não suscitou preliminar de tempestividade nas razões de seu recurso. Porém, ainda que apresentado intempestivamente, o recurso subirá ao CARF para julgamento da perempção – Decreto nº 70.235/72 (art. 35), in verbis: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Quanto ao prazo recursal, o Decreto n° 70.23/72, diploma legal que regula o Processo Administrativo Tributário Federal, no seu art. 33 dispõe que da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrária ao contribuinte, caberá Recurso Voluntário, dentro do prazo de trinta dias contado a partir da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. A propósito, transcrevo o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art.33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso em tela, como já mencionado, restou caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 06/08/2008 (quartafeira), por via postal, conforme Aviso de Recebimento AR e cópia de tela Fl. 368DF CARF MF Processo nº 14751.000511/200647 Acórdão n.º 1301003.646 S1C3T1 Fl. 369 14 rastreamento da Agência dos Correios (efl. 349), tendo todavia protocolizado o encaminhamento de suas razões do Recurso Voluntário a este Colegiado somente no dia 08/09/2008, segundafeira (efls.337/346), tudo conforme registro ou carimbo de protocolo aposto na peça recursal (efl. 337). A contagem do prazo aponta o dia 05/09/2008 (sextafeira) como data fatal para apresentação da peça recursal, o que, no caso, não foi observado, pois foi protocolada, recepcionada a peça de defesa somente em 08/09/2008 (segundafeira), ou seja, com três dias de atraso. Portanto, tratase de recurso serôdio (apresentado a destempo). A não observância do prazo legal para interposição do recurso voluntário impede o seu conhecimento, na medida em que a tempestividade constitui um dos pressupostos objetivos de admissibilidade. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 369DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.905912/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
Ementa:
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ORLANDO RUTIGLIANI BERRI - Presidente.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 Ementa: EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ORLANDO RUTIGLIANI BERRI - Presidente. (assinado digitalmente) FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 Ementa: EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 12 /2 00 8- 13 Fl. 82DF CARF MF 2 receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ORLANDO RUTIGLIANI BERRI Presidente. (assinado digitalmente) FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.905912/200813 Acórdão n.º 3001000.632 S3C0T1 Fl. 3 3 do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Fl. 84DF CARF MF 4 Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.905912/200813 Acórdão n.º 3001000.632 S3C0T1 Fl. 4 5 editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio Fl. 86DF CARF MF 6 requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.905912/200813 Acórdão n.º 3001000.632 S3C0T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.909457/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.492
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.909457/201111 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.492 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL SANTA LUZIA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não atendimento do pleito do contribuinte na extensão por ele pretendida (Declaração de Compensação DComp), em razão do fato de que o pagamento informado não fora suficiente à quitação do débito informado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que apenas não procedera à retificação da DCTF, mas que possuía direito à compensação e que não se enquadrava em nenhuma das vedações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 94 57 /2 01 1- 11 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10166.909457/201111 Acórdão n.º 3302006.492 S3C3T2 Fl. 3 2 previstas no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Juntou a solicitação de retificação da DCTF, demonstrativo da base de cálculo da contribuição, DCTF retificadora não transmitida e cópia do DARF objeto do pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 03052.723, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando que o crédito era decorrente da venda de medicamentos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o art. 2º da Lei nº 10.147/2000, que haviam sido indevidamente tributadas pelo Recorrente. Para comprovar, juntou demonstrativo da base de cálculo. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.476, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10166.901895/201123, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.476): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente trouxe alegações de direito sobre a natureza do suposto direito creditório, porém, como prova, juntou apenas o demonstrativo de base de cálculo, indicando os valores de faturamento, os créditos da não cumulatividade, e os valores que seriam devidos, protestando pela posterior juntada do Livro Razão. A recorrente possui como objeto social a prestação de serviços hospitalares, conforme cópia abaixo de seu estatuto social: Não há indicação de revenda de medicamentos em seu objeto social. Ressaltase que a redução a zero é aplicada sobre a revenda de medicamentos especificados nos códigos NCM do artigo 1º da Lei nº 10.147/2000, pelas pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador, conforme abaixo: Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10166.909457/201111 Acórdão n.º 3302006.492 S3C3T2 Fl. 4 3 Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos no caput; Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. Todavia, tal redução não se aplica aos medicamentos utilizados como insumos na prestação de serviços, mas apenas na atividade comercial de revenda dos medicamentos especificados. Para tanto, a recorrente deveria ter demonstrado a existência de receitas auferidas com a revenda, o que, por seu estatuto social, não é possível deduzir tal situação. Destacase que a base de cálculo apresentada no demonstrativo de efl. 227 referese à apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, o que demandaria, para as receitas, ao menos, os balancetes analíticos como ponto de partida. Ademais, a redução a zero é específica para as posições e códigos mencionados no caput do artigo 1º e não para todos os medicamentos. Porém, não há demonstrativo de notas fiscais, com referência às NCM dos produtos vendidos, com alguma amostragem das referidas notas. Além disso, quanto aos créditos, também seriam necessárias, ao menos, planilhas demonstrativas, com amostragem de documentos e cópias do Livro Razão, demonstrando os valores os custos dos serviços prestados e das despesas contábeis incorridas. Ressaltase, ainda, que quanto aos honorários médicos, não é possível a tomada de créditos da não cumulatividade em pagamentos de mãodeobra a pessoa física, conforme §2º1 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, como foi considerado no demonstrativo. Ressaltase, mais uma vez, que a mera apresentação de um demonstrativo não é prova suficiente para a certificação do direito líquido e certo que está pleiteado. De fato, a decisão recorrida deixou expresso a necessidade de se apresentar documentos hábeis e idôneos, lastreados em escrituração contábil e fiscal para se comprovar o direito requerido, a saber: 1 § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10166.909457/201111 Acórdão n.º 3302006.492 S3C3T2 Fl. 5 4 "Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." Em suma, não houve qualquer preocupação em juntar documentos contábeis e fiscais de modo a comprovar o direito creditório alegado, apesar de sua necessidade ter sido ressaltada pela decisão recorrida, não se desincumbindo, a recorrente, do ônus que lhe cabia, a teor do artigo 333, inciso II do anterior Código de Processo Civil, atual artigo 373, inciso II da Lei nº 13.105/2015 (novo CPC) e do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Contribuição para o PIS, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 270DF CARF MF
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