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Numero do processo: 13502.000444/2001-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DEPENDE DO PREQUESTIONAMENTO OBJETIVO DA MATÉRIA RECORRIDA.
Infere-se no presente caso que, além de o sujeito passivo não ter arguído em qualquer peça processual a impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de CSLL, a decisão recorrida se limitou a manter as penalidades, sem fazer qualquer menção à tese defendida, não se prestando a dedução de que assim estaria compreendendo possível a cumulação das multas para fins do prequestionamento exigido regimentalmente, que deve ser pontual e analítico, sob pena de também obstar o cotejo necessário à comprovação da divergência.
Numero da decisão: 9101-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DEPENDE DO PREQUESTIONAMENTO OBJETIVO DA MATÉRIA RECORRIDA. Inferese no presente caso que, além de o sujeito passivo não ter arguído em qualquer peça processual a impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de CSLL, a decisão recorrida se limitou a manter as penalidades, sem fazer qualquer menção à tese defendida, não se prestando a dedução de que assim estaria compreendendo possível a cumulação das multas para fins do prequestionamento exigido regimentalmente, que deve ser pontual e analítico, sob pena de também obstar o cotejo necessário à comprovação da divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 44 /2 00 1- 25 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 548 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela SANSUY S.A. em face do Acórdão n. 1402001.292, proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que por unanimidade de votos negou provimento ao seu recurso voluntário, mantendo a exigência da CSLL e multas de ofício e isolada. A exigência em questão decorre de autuação fiscal referente aos anos calendários 1998 a 2000, pautada em exclusões indevidas de despesas denominadas “créditos tributários” e insuficiência da base de cálculo negativa da CSLL, pelo que, conjuntamente à multa de ofício pelo não pagamento do tributo, aplicouse a multa isolada prevista no artigo 44, parágrafo 1o, IV, da Lei n. 9430/96. Insurgindose contra o lançamento, a Recorrida apresentou Impugnação, alegando, objetivamente, que (a) os valores questionados se tratavam de compensações de tributos efetuados pela empresa cuja validação dos créditos ainda aguardava decisão judicial, (b) as despesas com o pagamento de tributos “devem ser debitadas a ‘perdas’ logo que incorridas, pelo principio de que toda despesa intrinsecamente necessária, a qual a pessoa jurídica obrigatoriamente deverá incorrer, deve ser deduzida da [sic] para efeito de apuração do resultado do exercício”, (c) deve se aplicar por analogia a jurisprudência que considera que a recuperação de créditos de ICMS não configura receita para CSLL e IRPJ, porque consiste em fonte do direito, (d) necessidade de compensação de um terço da COFINS com a CSLL no exercício de 1999, (e) impossibilidade de aplicação de juros superiores a taxa de 1% ao mês, (f) ilegalidade da Taxa Selic, (g) conduta de boa fé e (h) necessidade de perícia para apurar o débito sob pena de cerceamento de defesa. O posicionamento da Administração Tributária foi mantido pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, que por unanimidade de votos considerou não formulado o pedido de perícia e procedente o lançamento da CSLL, em decisão que restou assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: APLICAÇÃO DA TAXA SELIC AOS JUROS MORATÓRIOS. INAPLICABILIDADE DA LEGISLAÇÃO CIVIL E COMERCIAL. O Código Civil, Comercial e a Lei de Usura regulam a cobrança de juros vinculadas a acordos de vontades na esfera privada, sendo inaplicáveis às Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 549 3 relações do Estado com o contribuinte quando aquele atua com poder de império, incidindo, neste caso, as leis próprias do direito público. LIMITAÇÃO DOS JUROS MORATÓRIOS A UM POR CENTO AO MÊS PELO CTN. LEI ORDINÁRIA QUE ESTABELECE TAXA MAIOR. O Código Tributário nacional estabelece o limite de 1% ao mês como taxa de juros moratórios a menos que lei determine de forma diversa, podendo, esta, elevála ou diminuíla. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem a compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO CRÉDITO COMPENSÁVEL. O crédito compensável nasce com o pagamento indevido ou a maior de tributo ou contribuição, em nada se relacionando com o regime de competência ou com a despesa contabilmente incorrida. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES DE DIFERENTES ESPÉCIES A compensação de tributos ou contribuições de diferentes espécies ocorre em procedimento de ofício, quando requerida a restituição ou o ressarcimento, ou a requerimento do interessado, sujeitandose à análise e autorização prévias da Secretaria da Receita Federal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. A propositura de ação judicial não dá direito a crédito compensàvel, por ausência de liquidez e certeza, sendo indispensável a decisão judicial transitada em julgado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA DE FORO. O foro administrativotributário não detém a competência para o julgamento de constitucionalidade de norma jurídica, uma vez que a própria Constituição a atribui ao Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente os motivos que o justifiquem, a formulação de quesitos e a qualificação do perito do sujeito passivo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO DE UM TERÇO DA COFINS. É defesa a compensação de um terço da Cofins com a CSLL quando aquela não foi efetivamente paga. Lançamento Procedente” Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, informando preliminarmente que não teria juntado a efetivação do depósito ou prestação de garantia em valor correspondente à quantia mínima de 30% do débito, porque estaria discutindo a ilegalidade de sua exigência Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 550 4 no Mandado de Segurança n. 200133000240967, em trâmite perante a Justiça Federal de Salvador, e deduziu os mesmos argumentos relacionados em sua impuganção. Ao recurso foi negado seguimento em 25.01.2002, por despacho do Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Camaçari, porque o contribuinte não teria apresentado prova administrativa do depósito recursal (Fl. 268), seguido de termo de perempção pela não apresentação de recurso contra esse ato decisório (Fl. 271), respectiva carta cobrança (Fl. 272), inscrição em dívida ativa do débito e novo despacho que manteve o procedimento, independentemente do resultado de ação judicial sobre a CSLL. Em 01.08.2008 foi proferido despacho sobre o cancelamento da inscrição em dívida ativa e a remessa do processo ao antigo Conselho de Contribuintes por determinação judicial no Mandado de Segurança n. 2001.33.00.0240967 (Fl. 361), que entendeu indevida a exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens, como também consta no ofício da PGFN na Fl. 372. O recurso voluntário do contribuinte foi então julgado e, por unanimidade de votos, foilhe negado provimento, em acórdão que considerou que a parte apenas repisou os argumentos de sua impugnação administrativa, sem qualquer insurgência contra a decisão recorrida, que por sua vez não mereceria reforma, sendo assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1998, 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem a compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. A propositura de ação judicial não dá direito a crédito compensável, por ausência de liquidez e certeza, sendo indispensável a decisão judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO DE UM TERÇO DA COFINS. É defesa a compensação de um terço da Cofins com a CSLL quando aquela não foi efetivamente paga. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 551 5 (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.” A contribuinte apresentou Recurso Especial defendendo – unicamente – o suposto prequestionamento da matéria relativa à impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isoalda pela falta de recolhimento de estimativas pelo acórdão recorrido ao manter as duas penalidades, na passagem em que as considera previstas no ordenamento, ao lado da apresentação de razões para o conhecimento da divergência com o acórdão paradigma n. 110300.360 e argumentos favoráveis a essa tese, no sentido de que ambas incidiriam sobre um mesmo fato. As “demais” matérias objeto do acórdão recorrido (como se a cumulatividade de multas nele constasse) não foram mencionadas pelo Recurso Especial, tornandose não recorridas. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade que analisou, face à decisão recorrida, esse único acórdão paradigma apresentado considerandoo suficiente a demonstrar a divergência. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse nos autos para informar que não apresentaria recurso, também não juntando aos autos contrarrazões. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 552 6 Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, identificase que a contribuinte foi intimada do acórdão que julgou o recurso voluntário em 06.02.2013 (AR à efl. 403) e protocolizou Recurso Especial no dia 21.02.2013 (Efl. 404), portanto, dentro do prazo de 15 dias definido pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do CARF, que assim dispõem: “Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão.” Por essas razões, considerase o Recurso Especial interposto pela SANSUY S.A. tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Pois bem, voltandose ao caso concreto, antes que se verifique a existência da demonstração da divergência apontada sobre a vedação à concomitância das multas de ofício e isolada, um ponto que se destaca e deve ser analisado é o seu prequestionamento. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 553 7 Inferese que o referido tema em nenhuma peça do processo foi tratado pela contribuinte, sendo apenas suscitado no próprio Recurso Especial, em que esta se vale da manutenção de ambas as multas pelo colegiado a quo para se deduzir que na decisão recorrida então se considerou – subliminarmente – a possibilidade de cumulação das penalidades, sendo possível assim fazer seu cotejo com os paradigmas apresentados, para fins de demonstração da divergência exigida para o conhecimento do recurso. Ocorre que, embora quando se posicione pelo cabimento da aplicação simultânea das penas o resultado seja o mesmo quanto à sua manutenção, não se pode presumir peremptoriamente que o julgador o tenha feito com base na tese defendida, sobretudo para efeitos de prequestionamento do tema para demonstração da divergência objeto do recurso especial, que deve regimentalmente ser feita de maneira analítica, inclusive com o apontamento das devidas peças processuais em que realizado. No presente caso, compreendese o esforço da Recorrente em utilizar essa inferência para configurar o acórdão recorrido como a peça em que presente o prequestionamento, mas não se consegue considerálo suficiente para tal fim. O Recurso Especial possui natureza de recurso de revisão; revisase, até mesmo pelo espectro delimitado de seu efeito devolutivo, aquilo que já decido na decisão a quo, especialmente numa busca pela formação da jurisprudência do Órgão, a partir da solução de divergência, sobre as teses levadas à sua apreciação. Tem o prequestionamento, portanto, função de trazer à Câmara Superior, em regra por meio da manifestação na decisão recorrida, os temas a serem debatidos. Há entendimento inclusive que o qualifica somente se verificada a provocação da parte no processo, ainda que seja por meio da oposição de embargos declaratórios exclusivamente com esse fim, conforme artigo 1022 do novo Código de Processo Civil e Súmula 98 do Superior Tribunal de Justiça. Aqui, porém, a SANSUY S.A. não suscitou o tema em nenhuma peça processual e o colegiado a quo, naturalmente porque não provocado, mantevese silente quanto à matéria em questão. A parte também não embargou, o que também demandaria algum esforço, afinal, como seria alegar omissão de algo não suscitado ou a obrigatoriedade de o julgador se manifestar particularmente sobre essa tese específica para configurar uma omissão interna à própria decisão? Diferente seria se a parte tivesse levado o tema e o julgador a quo não houvesse se manifestado no acórdão recorrido. Ainda que fosse possível o levantamento da tese de que não estaria vinculado a se posicionar sobre todos os fundamentos colocados, nesse caso poderia se apontar a necessidade de apreciação de todos as questões centrais recorridas e também o cabimento dos embargos de declaração apenas para fins de prequestionamento, mesmo que não viesse a ter uma resposta positiva do colegiado. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 554 8 É que aí se poderia defender o cabimento dos embargos para o chamado prequestionamento ficto, que não deixaria a parte ao talante do tribunal, na orientação do Superior Tribunal Federal (Súmula n. 536), chancelada pelo novo Código de Processo Civil em seu artigo 1025, que assim dispõe: “Consideramse incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de préquestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.” Portanto, diante das linhas sobre a necessidade de provocação da parte e/ou de constar o tema prequestionado do acórdão recorrido, entendese minimamente que a metéria deva ter sido apreciada para que se consiga comprovar a divergência entre tal decisão e os acórdão paradigmas, como exige o artigo 67 do Regimento Interno do CARF, mesmo que em decisão resultante da oposição de embargos de declaração, exceção aberta apenas no caso de prequestionamento ficto. A verdade é que, na leitura feita do caso concreto, seja por qual dessas orientações se adotar, a matéria da impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada não foi prequestionada no presente processo, não bastando a manutenção das duas penalidades pelo acórdão recorrido para se deduzir o acolhimento da tese para fins de prequestionamento. Dandose mais um passo, se a matéria objeto da divergência não se encontra presente na decisão recorrida, resta prejudicada a possibilidade de cotejo analítico entre esta e o acórdão apresentado como paradigma. É verdade que a contribuinte envidou esforço no sentido de demonstrar tanto o prequestionamento da tese em questão, já iniciando seu recurso para dizer que este haveria ocorrido, como os trechos que supostamente tratariam do tema na decisão. Para tanto, recortou os poucos textos que fazem menção à simples aplicação de multa, como adiantado, sem qualquer referencia à concomitância. O primeiro deles, apontado pela recorrente para demonstrar a similitude fáctica dos casos, foi inclusive retirado do relatório dos fatos da decisão da DRJ, tomado emprestado como relatório do acórdão recorrido. Segue transcrito: “O processo trata de lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente aos anos calendáriode 1998, 1999 e 2000 e multa cobrada isoladamente sobre o valor da contribuição calculada por estimativa não recolhidanos meses de setembro a dezembro de 1998; janeiro e setembro a dezembro de 1999; e agosto a novembro de 2000.” Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 555 9 Além deste, que nada diz sobre a tese da cumulatividade de multas, a não ser indicar a aplicação da isolada no auto de infração, o outro excerto utilizado no cotejo analítico, como reconhecido pela própria recorrente, que o chama de “singelo fundamento” (Efl. 411), se limita a afirmar que a exigência das duas penalidades estão de acordo com a legislação e foram fundamentadas no auto de infração. Leiase a passagem do Recurso Especial, antes de concluir que assim estaria demonstrada a divergência: “Realmente, as soluções dadas pelos julgados ora conforntados à matéria foram diametralmente opostas. De um lado o v. Acórdão recorrido entendeu pela manutenção das multas aplicadas, sob o singelo fundamento de que ‘tais exigências estão de acordo com a legislação, e foram fundamentas no auto de infração’”. (grifos do original) Se olhado no seu contexto, o trecho citado ainda se refere exclusivamente à multa de ofício. Vejase (Efl, 395): “(…) A contribuinte alega, ainda, que a exigência da multa de oficio 75% e dos juros de mora a taxa Selic são confiscatórios. Todavia, tais exigências estão de acordo com a legislação, e foram fundamentadas no auto de infração.” A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, caso dos autos. (…)” Nesse sentido, até se compreende que a contribuinte buscou fazer um cotejo analítico entre a decisão recorrida e o único paradigma apresentado, acórdão n. 110300.360, e que este se prestaria como tal – porque trata, sim, favoravelmente, da impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada. Ocorre que aquela decisão não se manifestou positiva e expressamente sobre a possibilidade de cumulação das penalidades e não se entende que se possa fazer tal inferência, não só para fins de prequestionamento, como também de cotejo da decisão recorrida com o paradigma para a demonstração de divergência. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 556 10 Assim sendo, diante da ausência do preenchimento dos requisitos formais previstos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, VOTASE POR NÃO CONHECER do Recurso Especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000636/2005-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano calendário: 2003
Ementa: INCOMPETÊNCIA FUNCIONAL DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL E DA NÃO ASSINATURA DO AUDITOR FISCAL. O lançamento de ofício do crédito tributário compete a Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendo-se como tal o Delegado da Receita Federal.
Inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica.
DISPENSA DE MPF O inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais).
PRECLUSÃO DO JULGAMENTO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a
prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso
na entrega da Declaração (DCTF), dos quatro trimestres do ano calendário de 2003 é de se exigir a multa prevista em lei pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-001.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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O lançamento de ofício do crédito tributário compete a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendose como tal o Delegado da Receita Federal. Inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica. DISPENSA DE MPF O inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais). PRECLUSÃO DO JULGAMENTO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso na entrega da Declaração (DCTF), dos quatro trimestres do ano calendário de 2003 é de se exigir a multa prevista em lei pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório LUCIO SILVEIRA & FILHOS, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), recorre a este Conselho Administrativo contra a decisão proferida pela DRJ/Recife/PE em primeira instância, mediante o Acórdão nº 1122.239, de 15 de maio de 2008, fls.47/51, que julgou procedente a exigência tributária. Por bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fl.48) que a seguir transcrevo: Contra a empresa acima identificada, foi lavrado o auto de infração, fl. 20, no valor de R$ 64.938,76, para a cobrança das multas por atraso na entrega das DCTF, dos quatro trimestres do anocalendário de 2003, entregues em 12/11/2004, posterior mente, portanto, ao encerramento do prazo legal de entrega, ocorrido em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente. 0 enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com o item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7° da MP n° 16/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls.01/19, solicitando o cancelamento das multas. Como preliminares de nulidade, alega em síntese: a) a inexistência de processo protocolado, o que afeta o principio da publicidade e prejudica o contraditório ao impedir o direito de vista; b) a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; c) a incompetência da autoridade autuante, que foi o próprio Delegado da Receita Federal em Mossoró; d) a falta de assinatura no auto de infração. No mérito, argumenta: a) a falta de base legal para a exigência de declarações por parte da Receita Federal, em face da perda de validade do DecretoLei n° 2.124/84, cuja eficácia foi retirada pelo art. 25, I do ADCT, da Constituição Federal de 1988, e também da insuficiência do art. 16 da Lei n° 9.779/99 para instituir obrigações acessórias; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 b) a falta da prévia intimação para a apresentação das DCTF, conforme estabelecida no art. 7° da lei n° 10.426/2002; c) a desproporção da pena aplicada; d) o caráter confiscatório das multas. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Confirmada a apresentação da DCTF intempestivamente, procedente é o auto de infração lavrado para a cobrança da multa pelo atraso na entrega da mesma. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRAVÉS DE NORMAS COMPLEMENTARES A instituição de obrigação acessória não está submetida ao principio da estrita legalidade conforme se depreende da interpretação conjunta dos art. 113 § 2º, 96 e 100, inciso I da Lei n° 5.172/66 (CTN). Lançamento Procedente A empresa interessada foi cientificada da decisão mencionada, conforme Aviso de Recebimento (AR), de 16/06/2008, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , em 03/07/2008. Essencialmente, a recorrente alega as mesmas razões expendidas na impugnação, e, finalmente requer o provimento do recurso voluntário, pelos motivos a seguir relacionados, em síntese, (fl.70): • 1a Preliminar da inexistência processual, falta de número de protocolo, o que impossibilitou a publicidade aos interessados, bem como o direito de vista; • 2a Preliminar da inexistência de MPF; • 3a Preliminar da incompetência funcional do Delegado da Receita Federal: • 4a Preliminar da nãoassinatura do Auditor; • 5a Preliminar da preclusão do julgamento, art. 24 da Lei da SuperReceita, e . No mérito, porque lavrado ao arrepio do principio da reserva legal, uma vez que o artigo 7º da lei 10.426 exige como pré requisito das multas o "será intimado", que jamais o foi; É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço e passo a analisálo na mesma ordem dos tópicos apresentados pela defesa. 1) Preliminar da inexistência processual, falta de número de protocolo, o que impossibilitou a publicidade aos interessados, bem como o direito de vista. Sobre a questão em epígrafe, verifico que a decisão de 1ª.instância não merece qualquer reparo, pelo que peço vênia para adotar seus fundamentos, haja vista que o contribuinte repisa as mesmas alegações da peça impugnatória. (...) Não procede a alegação preliminar quanto à existência de processo administrativo como condição obrigatória para a validade do auto de infração. 0 art. 10 do PAF trata do conteúdo obrigatório para a formalização do citado ato administrativo e entre os sete incisos nada consta sobre formalização de processo. Obviamente, a partir da impugnação do auto, instaurase o contencioso administrativo e toda a documentação relativa a tal procedimento fica reunida num processo, como este que ora se analisa. Lavrado o auto de infração e regularmente cientificado ao contribuinte, cabe a este instaurar a fase contenciosa com a protocolização da defesa se inconformado com a autuação sofrida. Quanto a protocolização do auto de infração, a defesa trata de rito processual, no âmbito de uma realidade que não se adapta ao processo eletrônico. Depreendese da defesa um ato mecânico, em que o autuante elabora o auto de infração em três (03) vias, uma para o contribuinte, outra para a formalização do processo administrativo e ainda outra, se for o caso, para um arquivo geral. Ora, na dinâmica do moderado formalismo do processo eletrônico o rito processual administrativo acima, pretendido pelo interessado, encontrase ultrapassado na hodierna administração tributária. Inadmissível, pois, a protocolização do auto de infração eletrônico. É incontroverso que, o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração (eletrônico) ou “de computador” como se expressa a defesa, e fez a impugnação no prazo legal. Desse modo,estando o contribuinte regularmente cientificado do Auto de Infração, em comento, tem conhecimento da pretensão do Estado e resistida pela impugnação a qual de acordo com o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, instaura a fase litigiosa do procedimento. Por Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 óbvio, não há falar em protocolização processual e “direito de vista” do processo, antes da formalização da impugnação. Preliminar afastada. 2) Preliminar da inexistência de MPF. O artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim prescreve, verbis: Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, nos casos de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; IV relativo à revisão interna de declaração, inclusive na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso em sua apresentação (malhas fiscais); V destinado, exclusivamente, à aplicação de multa por não atendimento à intimação efetuada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em procedimento de diligência realizado mediante a utilização de MPFD; VI destinado à aplicação de multa por não atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001; e VII destinado à verificação de ocorrência de avaria ou extravio de mercadorias sob controle aduaneiro. (grifei) Como se vê, o inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais). Com efeito, o caso presente é de aplicação de penalidade por atraso na apresentação das DCTF, dos quatro trimestres do anocalendário de 2003, entregues em 12/11/2004, posteriormente ao encerramento do prazo legal de entrega, ocorrido em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente, razão pela qual não se exige a expedição do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ainda que não fosse ressalvado o caso de aplicação de penalidade por atraso na apresentação das DCTF , considero correto o entendimento da decisão recorrida no sentido de que o MPF é um controle administrativo interno da relação fiscocontribuinte e não uma formalidade processual cujo cumprimento seja legalmente exigido, ao ponto de na sua falta anular, por si só, o auto de infração. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 4 7 Preliminar rejeitada. 3) Preliminar da incompetência funcional do Delegado da Receita Federal e da nãoassinatura do Auditor. Quanto a tais argumentos, melhor sorte não tem a defesa. Do Auto de Infração, fl.20 , consta a assinatura da autoridade autuante devidamente identificada, no caso o Auditor Fiscal da Receita Federal JORGE LUIZ DA COSTA – matrícula SIPE/SIAPE:60423. Não consta que o mesmo seja o Delegado da Receita Federal. Vale ressaltar que inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica. Ademais o lançamento de ofício do crédito tributário compete a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendose como tal o Delegado da Receita Federal. Vejamos o artigo 31 do Decreto 7.574, de 29/09/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos administrativos relativos às matérias de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ipsis litteris: Art.31. O lançamento de ofício do crédito tributário compete: Ia AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 7º e 10; Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, arts. 5o e 6º, com a redação dada pela Lei no 11.457, de 2007, art. 9o); ou IIao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 11; Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º). ... Portanto, sendo o autuante, Auditor – Fiscal e/ou chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é competente para a formalização da exigência fiscal. Preliminar afastada. 4) Preclusão do julgamento A Recorrente alega que a Lei nº 11.457, DOU.19.3.2007, estabeleceu, a partir de sua publicação, um lapso de tempo (anualidade) de 360 dias para o julgamento obrigatório. Diz que, para os processos em andamento, o prazo cumpriuse em 19/03/2008, portanto, fulminando com a preclusão o julgado de primeira instância, fls. 47/51. Sobre o assunto existe a Súmula nº 11/CARF, verbis: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim, por se tratar de matéria sumulada não comporta mais discussão no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Preliminar também rejeitada. Finalmente, no mérito, o Recorrente alega que o Auto de Infração viola o artigo 7º da Lei 10.426, de 24/04/2002, porque lavrado ao arrepio do principio da reserva legal, uma vez que o mencionado dispositivo legal exige como prérequisito das multas o "será intimado", que jamais o foi. Para melhor compreensão do assunto, vale transcrever o aludido dispositivo legal, vejamos: Lei 10.426, de 24/04/2002 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos (Grifei) Do mencionado dispositivo legal extraise que o sujeito passivo deve ser intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação. Por óbvio, não é o caso dos autos. O sujeito passivo apresentou com atraso as DCTFs, dos quatro trimestres do ano calendário de 2003, entregues em 12/11/2004, portanto, fora do prazo legal, ocorrido em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente. Eis, o motivo da aplicação da penalidade prevista em lei. Não vislumbro qual o objeto da intimação pretendida pelo Recorrente, para declarações já apresentadas ainda que extemporâneas. Com a entrega das DCTFs, em atraso, o Fisco detinha todos os elementos suficientes para a lavratura do Auto de Infração independente de esclarecimentos do sujeito passivo, portanto, desnecessária a intimação prévia ao contribuinte. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 5 9 Nesse mesmo sentido, é o entendimento expresso na Súmula CARF nº 46 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), vejamos: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário O atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Diante do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas pelo Recorrente, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004415/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/10/2008
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS.
O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos.
Numero da decisão: 2202-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/10/2008 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos.
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LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 44 15 /2 00 8- 36 Fl. 291DF CARF MF 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, por bem descrever a questão, as considerações efetuadas por ocasião do despacho de admissibilidade dos embargos, datado de 9 de novembro de 2016 (fl. 288): Tratase de embargos inominados em face do Acórdão nº 2202 003.250, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 264 a 272), julgado na sessão plenária de 08/03/2016, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANÍSTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Recurso Voluntário Provido. O dispositivo do acórdão foi assim redigido: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negavam provimento. O Relator do referido acórdão, Eduardo de Oliveira, não mais integra o CARF, tendo em vista a extinção do seu mandato. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 274 a 279. A DRF/JFA, em 22/09/2016, solicitou a juntada de documentos, os quais correspondem à solicitação de devolução do processo, em virtude da inclusão do DEBCAD nº 371475279, objeto do litígio, na consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 283 a 286). É o relatório. Examinandose os documentos juntados ao processo pela DRF de origem após a decisão do colegiado (fls. 283 a 286), verifica se que, de fato, o Contribuinte, em 27/10/2009, havia Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10640.004415/200836 Acórdão n.º 2202004.012 S2C2T2 Fl. 292 3 consolidado o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo incluído o DEBCAD nº 371475279, objeto do presente litígio, o que implica desistência do recurso interposto, importando em renúncia a qualquer alegação de direito, conforme disposto no § 3º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 e no § 2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (RICARF). Assim, concluise que ocorreu efetivamente uma inexatidão material, devida a lapso manifesto, quando da decisão ora embargada, pois o colegiado não tinha conhecimento da desistência do recurso, uma vez que não existia nenhuma referência a ela no processo naquela ocasião. (...) Dessa forma, com a constatação de que ocorreu desistência do Recurso Voluntário pelo Contribuinte, em virtude de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, antes do julgamento pelo Colegiado, resta evidente a ocorrência de lapso manifesto, o qual merece ser reparado. Ante o exposto, recepciono a informação prestada pela DRF de origem como embargos inominados, acolhendoos para que se corrija o lapso apontado. Os embargos foram assim admitidos pelo ilustre Presidente desta Turma Ordinária, no uso de sua competência regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso interposto atende as condições legais, conforme analisado no despacho de admissibilidade. Como foi dito no despacho de admissibilidade: Examinandose os documentos juntados ao processo pela DRF de origem após a decisão do colegiado (fls. 283 a 286), verifica se que, de fato, o Contribuinte, em 27/10/2009, havia consolidado o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo incluído o DEBCAD nº 371475279, objeto do presente litígio, o que implica desistência do recurso interposto, importando em renúncia a qualquer alegação de direito, conforme disposto no § 3º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 e no § 2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (RICARF). (destaquei) Citese a jurisprudência desta Turma Ordinária: Acórdão 2202003.802, Sessão de 06/04/2017 Fl. 293DF CARF MF 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS INOMINADOS. ADMISSIBILIDADE. Constatado que existe desistência total do recurso interposto pelo Contribuinte, abrangendo a integralidade dos débitos lançados, inclusive com expressa renúncia das alegações de direito em que se funda, para efeitos de inclusão do débito em parcelamento, da qual o colegiado não tinha conhecimento ao proferir o acórdão embargado, verificase a ocorrência de omissão que merece ser sanada. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões favoráveis proferidas posteriormente, por meio de embargos de declaração. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. (destaquei) Bem como de outras Turmas desta Seção: Acórdão 2402005.545, Sessão de 18/01/2017 EMBARGOS INOMINADOS. Constatada erro material no aresto embargado, cabível o acolhimento dos embargos para saneamento da erronia. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. Constatandose no CARF a existência de pedido de parcelamento do crédito tributário objeto da discussão administrativa, declarase a desistência do recurso interposto. Embargos Acolhidos. Acórdão 2301004.898, Sessão de 20/01/2017 PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões favoráveis proferidas posteriormente, por meio de embargos de declaração. (sublinhei) Ainda, o Regimento Interno do CARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10640.004415/200836 Acórdão n.º 2202004.012 S2C2T2 Fl. 293 5 § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, constatado o pedido de parcelamento, com a inclusão do DEBCAD que foi objeto do Acórdão embargado, a solução correta é reconhecer que houve desistência do recurso voluntário, tendo como efeito a anulação da decisão proferida posteriormente ao parcelamento. Dessa feita, perde também o objeto o recurso oferecido pela Fazenda Nacional, na folha 274 (Embargos de Declaração em face da omissão existente no acórdão proferido por essa Turma, no processo administrativo em epígrafe). CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000969/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2003
VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA 100%, MP 2.158-35/2001. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. DESCABIMENTO.
Há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento, cada qual com sua particularidade, destacando-se o fato de que, diversamente do subfaturamento, na subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas, portanto, a sanções distintas.
Não se configura o subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas.
Para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESQUALIFICAÇÃO DO 1º MÉTODO DO AVA. INDÍCIOS. NÃO CONFIGURADOS
Para a desqualificação do 1º método de valoração previsto do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA, não aceitando o valor de transação declarado pelo importador, a fiscalização deve demonstrar os indícios previstos no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.980
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA aplicando-se, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA 100%, MP 2.158-35/2001. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. DESCABIMENTO. Há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento, cada qual com sua particularidade, destacando-se o fato de que, diversamente do subfaturamento, na subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas, portanto, a sanções distintas. Não se configura o subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESQUALIFICAÇÃO DO 1º MÉTODO DO AVA. INDÍCIOS. NÃO CONFIGURADOS Para a desqualificação do 1º método de valoração previsto do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA, não aceitando o valor de transação declarado pelo importador, a fiscalização deve demonstrar os indícios previstos no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA aplicando-se, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1929; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 773 1 772 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.000969/200613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.980 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria Valoração Aduaneira Recorrente MALHARIA SANTA INÊS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA 100%, MP 2.15835/2001. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. DESCABIMENTO. Há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento, cada qual com sua particularidade, destacandose o fato de que, diversamente do subfaturamento, na subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas, portanto, a sanções distintas. Não se configura o subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESQUALIFICAÇÃO DO 1º MÉTODO DO AVA. INDÍCIOS. NÃO CONFIGURADOS Para a desqualificação do 1º método de valoração previsto do Acordo de Valoração Aduaneira AVA, não aceitando o valor de transação declarado pelo importador, a fiscalização deve demonstrar os indícios previstos no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA). Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 09 69 /2 00 6- 13 Fl. 773DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira AVA aplicandose, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 774 3 Relatório José Henrique Mauri Relator Contra a Recorrente foi lavrado o auto de infração em decorrência de procedimento de valoração aduaneira, através do qual foi desqualificado o valor aduaneiro com base no valor de transação e arbitrado de novo valor, com lançamento dos tributos incidentes sobre a diferença de valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor arbitrado, acompanhado de seus consectários legais e da multa administrativa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Segundo a fiscalização (Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, fls. 26 ss.), com base nos incisos I e II do art. 82 dp Regulamento Aduaneiro, não foi possível apurar o valor aduaneiro pelo valor de transação em decorrência de: (i) Descrição incompleta das mercadorias, (ii) Divergência de assinaturas apostas em faturas e (iii) Não comprovação do valor comercial. Em síntese, alega a fiscalização: A) Que a Recorrente teria realizado 37 (trinta e sete) importações do produto têxtil classificado no código tarifário NCM 5407.5210, de diferentes produtores e fornecedores, sendo objeto dessa fiscalização as 18 importações dos fornecedores estrangeiros SHAOXING NANGUANG TEXTILE e DAMIN SORTEX; B) Que concluiu pela impossibilidade de apuração do valor aduaneiro pelo valor de transação declarado nas importações objeto desta ação fiscal em decorrência das mercadorias não terem sido suficientemente descrita nos documentos instrutivos das Declarações de Importação DI e, por conseguinte, nas próprias declarações de importação, acrescido de divergência entre assinaturas do mesmo signatário nas faturas da DAMIN SORTEX e da não apresentação de correspondência comercial capaz de comprovar o valor de transação nas operações, na forma prevista no art. 82 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro – RA); C) Que em 14 (catorze) das declarações objeto da ação fiscal a descrição da mercadoria importada é realizada apenas de forma genérica, sem detalhar especificações próprias e comerciais do produto, indispensáveis à sua perfeita identificação, na forma prevista no art. 497 do RA; D) Que nenhuma das faturas comerciais instrutivas das declarações objeto da ação fiscal informa as dimensões (largura) e gramatura dos tecidos importados, situação que não se verifica nas importações de outras empresas provenientes dos mesmos fornecedores das importações objeto da ação fiscal, nas quais descrevem a mercadoria de forma detalhada; E) Que a insuficiência na descrição dos produtos importados observase igualmente na escrituração contábil e comercial da d. Impugnante, sendo destacado nas notas fiscais de entrada e saída apenas “tecido 100% poliéster”; Fl. 775DF CARF MF 4 F) Que, haja vista acentuada divergência na assinatura da fatura comercial nº DPM 230 em relação às demais do mesmo exportador DAMIN SORTEX CO. LTD, intimou a d. Impugnante a identificar o signatário daquelas faturas divergentes, sendo informado serem do Sr. Hyung Rark Ju, presidente da empresa coreana exportadora; G) Que intimados a apresentar documentos no interesse da ação fiscal, a Recorrente teria deixado de apresentar quaisquer documentos comprobatório da negociação comercial, como correspondências facsímiles ou eletrônicas, contratos particulares, etc; H) Que, a fim de esclarecer as dúvidas existentes quanto ao efetivo preço declarado para as mercadorias, intimou a d. Impugnante, na forma prevista no artigo 30, inciso II, combinado com o item 4 do Anexo III da Instrução Normativa no 327/2003, a apresentar os documentos oficiais de exportação da mercadoria no país exportador, ao que, após seguidas respostas evasivas do intimado, considerou como não atendido tal pedido de esclarecimento; I) Que, em relação ao exportador estrangeiro SHAOXING NANGUANG TEXTILE, a Recorrente realizou 13 (treze) importações em 2003, ao valor médio de US$ 3.20/Kg para o produto “tecido 100% poliéster”, sendo este o menor valor declarado para as demais 44 (quarenta e quatro) importações no país do mesmo exportador em 2003, com as ressalvas que destaca na fl. 31; J) Que para as 05 (cinco) importações realizadas em 2003 pela Recorrente de tecido 100% poliéster do exportador estrangeiro DAMIN SORTEX, também declaradas ao preço de 3,20 US$/kg, apenas uma outra empresa registrou importação do mesmo exportador, cujo menor preço declarado foi de US$ 3,66/Kg para o mesmo produto, conforme destaca no quadro 4 (fl. 32); K) Que dentre as 65 (sessenta e cinco) importações registradas em 2003, de produtos classificados no código tarifário NCM 5407.52.10, originários da Coréia do Sul, em apenas três delas consta preço unitário inferior a 3,20 US$/kg, com 42 (quarenta e duas) outras com preço unitário declarado superior a US$ 3.20; L) Que na aplicação dos métodos substitutivos de valoração, os 2º e 3º métodos não foram aplicados em razão da não identificação de importações de mercadorias idênticas ou semelhantes que tenham sido objeto de valoração aduaneira; M) Que a aplicação dos 4º e 5º métodos de valoração também não foi possível em razão da não disponibilidade de documentos que permitam fazêlo, ressaltando que tal deficiência poderia ter sido sanada pelo importador, caso julgasse conveniente, restando a aplicação do 6º método, artigo 7 do AVA GATT; N) Que para as importações realizadas do exportador SHAOXING NANGUANG TEXTILE, utilizouse a importação paradigma DI nº 03/03423964, adição 01, registrada em 30/08/2003, em razão da maior semelhança de descrição da mercadoria com aquelas objeto da ação fiscal (tecido 100% poliéster oxf. HC ND), proveniente do mesmo fornecedor e produtor, do mesmo pais de origem, mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade, com valor declarado de US$ 3,60 US$/kg, na condição FOB; O) Que para as importações realizadas do exportador DAMIN SORTEX, utilizouse a importação paradigma DI nº 03/00354546, adição 01, registrada em 15/01/2003, em razão da maior semelhança de descrição da mercadoria com aquelas objeto Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 775 5 da ação fiscal, maior proximidade da data de registro das importações, do mesmo pais de origem, e com preço declarado de US$ 3,80 US$/kg, na condição FOB; P) Que o importador foi intimado a apresentar contestação à desqualificação do primeiro método de valoração, no prazo de 30 (trinta) dias; Q) Que a contestação apresentada pela d. Impugnante não foi aceita, em razão do reconhecimento que a assinatura aposta na fatura comercial DMP230 não pertenceria à pessoa indicada, da deficiência na descrição dos produtos e da ausência de apresentação de quaisquer outros documentos comprobatórios da transação comercial, além daqueles de instrução do despacho; De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela d. Impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 664 a 674). (A) Arguiu a d. Impugnante que no decorrer desses 12 anos promoveu parcerias com empresas estabelecidas no continente asiático, mais precisamente nos países da China, Taiwan, Hong Kong e Coréia, com o intuito de adquirir para revenda produtos têxteis de grande aceitação no mercado nacional e internacional, além de excelente qualidade e melhor preço; (B) Que a maioria de suas operações comerciais no exterior é negociada e estabelecida verbalmente, através de viagens efetuadas pelo sócio da empresa ao exterior, Sr. Vicente de Castro Barbosa, ou de visitas semestrais ou anuais dos diretores das empresas exportadoras, ocasião na qual o preço e forma de pagamento são pactuados; (C) Que, atendendo intimação para contestar a desqualificação do primeiro método de valoração, prestou os devidos esclarecimentos sobre os fatos, tendo mesmo assim sido lavrado o auto de infração em questão; (D) Que a assinatura aposta na fatura comercial DMP230 não corresponde com as das demais faturas assinadas pelo Sr. Hyung Rark Ju, presidente da companhia, por se tratar da assinatura de seu preposto, apenas por isto querendo a fiscalização considerar inidônea todas as demais faturas da mesma empresa exportadora; (E) Que pelo mesmo critério acima utilizado para considerar inidôneas todas as faturas do mesmo exportador, a fatura DMC3033/3034 apresentada pela fiscalização como paradigma para composição do método de valoração também o seria, uma vez que apresenta assinatura divergente das encontradas nas faturas assinadas pelo Sr. Hyung Rark Ju; (F) Que por ocasião do registro de importação, as mercadorias foram discriminadas obedecendo a forma em que eram negociadas na época, onde eram comercializadas com sua descrição de forma simplificada, uma vez que o próprio comércio de tecidos era realizado por peso, com tecidos embalados em rolos de largura média de 150 cm, dispensandose a gramatura do mesmo, motivo pelo qual consta em toda a contabilidade da empresa a simples descrição como Tecido 100% Poliéster; Fl. 777DF CARF MF 6 (G) Que o próprio fisco não encontrou elementos para desclassificar a NCM utilizada, por considerar que a descrição tem elementos suficientes para confirmar a classificação fiscal utilizada; (H) Que a classificação utilizada para as mercadorias importadas tratase da posição NCM 5407.52.10, ou seja, outros tecidos contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados, tintos, sem fios de borracha e que o fato da mercadoria ter sido descrida apenas como “Tecido 100% poliéster ou Tecido 100% poliéster, OXF. HC, ou ainda, Tecido 100% poliéster OXF. OS” não desqualifica a NCM ou mesmo a descrição a mercadoria, uma vez que caracteriza o tecido como 100% de filamentos de poliéster; (I) Que o acima destacado fica bem evidenciado na própria relação apresentada pela fiscalização ao lavrar o Termo de Desqualificação do Método Aduaneiro, onde todos os importadores selecionados apresentam descrição sucinta da mercadoria, sem informar composição do produto têxtil; (J) Que entendimento pacifico do Conselho de Contribuintes aceita que produtos divergentes quanto ao teor de concentração, sem no entanto modificar sua estrutura molecular, não podem ser considerados diferentes para efeitos de imposição da penalidade prevista no art. 526, II do antigo Regulamento Aduaneiro; (K) Que em relação às empresas denominadas "BETA" E "ALFA", citadas no quadro comparativo utilizado pela fiscalização, destaca que a primeira não identificou o percentual de poliéster e a segunda importou mercadoria diferente daquela importada pela mesma (Koshibo, Georgette e Chameuse), sendo inaceitável utilizarse de tais descrições como referências às importações objeto da ação fiscal; (L) Que todas as importações objeto da ação fiscal foram amparadas por Licença de importação emitidas pela SECEX, a qual, dentre outras atribuições, verifica a descrição dos bens importados e preço praticado; (M) Que em relação à fatura comercial NGO3Y2084, houve quebra do sigilo fiscal por parte do auditor ao identificar o nome do adquirente da mercadoria, no caso, TEXTIL SUÍÇA LTDA, Av. Cel. Nogueira Padilha, 1.635, CEP 18020003, Sorocaba/SP, CNPJ 05.003.162/000105, burlando assim o que determina o art. 25, da Instrução Normativa 327/03; (N) Que em consultas ao Sistema ALICE WEB do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, a média de preço praticado no Brasil no período fiscalizado (2003) foi de FOB USD 2,88/kg, sendo no Ceará de FOB USD 3,17/kg, demonstrando, assim, por si só, que a d. Impugnante não subfaturou preços, como sugere a fiscalização; (O) Que a fiscalização alega que o preço de USD 3,20/KG praticado pela empresa GAMA não serve de parâmetro para as importações da d. Impugnante, sob o argumento que esta última importou quantidades superiores a sua, o que reconhece como certo, o que não impede, porém, a comparação de preços por se tratar do mesmo produto, sendo mera especulação a premissa tomada pela fiscalização que o volume comprometeria o preço pago, uma vez que a mesma não comprova tal vinculação; (P) Que a negociação com os fornecedores é realizada através de telefonemas, emails, fax, contato com representantes e/ou fornecedor, os quais não foram disponibilizados à fiscalização por não terem sido arquivados; Fl. 778DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 776 7 (Q) Que os documentos do exportador não foram apresentados à fiscalização pelo fato da d. Impugnante não ter acesso aos mesmos, uma vez se tratar de documentos emitidos por outrem e de domínio junto ao país exportador, não tendo a mesma meios para obrigálo a dispor, ressaltando não se tratar de obrigação acessória às importações no Brasil, motivo pelo qual se encontra dispensado a apresentalos, tendo sido, porém, comprovada a transação comercial através da fatura comercial e conhecimento de transporte apresentados, cabendo à Aduana Brasileira, na forma dos acordos e legislação vigente, solicitar as devidas informações junto à administração aduaneira do país exportador. Na seqüência, os membros da 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife/PE, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 14044.571, fls 702 ss., decidem por manter íntegro o lançamento, mantendose o crédito exigido, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DE APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO PELO VALOR DE TRANSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. O valor de transação é a base principal de valoração em conformidade com o Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994. A Administração Aduaneira, deparandose com casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados pelos negociantes para justificar um valor declarado, em conformidade com o Artigo 17 do Acordo, parágrafo 6º do Anexo III do Acordo e Decisões do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, poderá solicitar ao importador o fornecimento de explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, com possível descaracterização do primeiro método de valoração, caso ainda permaneça dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, mantido o contraditório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acordo da DRJ em 23/6/2014, fl. 727. Fl. 779DF CARF MF 8 Lavrado Termo de Perempção, fl. 729. Em 5/8/2014, fls. 734 e 751, foi recepcionado, no eprocesso, o Recurso Voluntário, fls. 735 ss, que ora se aprecia. Na peça recursal, além de ratificar os argumetnos apresentados em sede de Impugnação, a Recorrente assim se manifestou, em síntese: · A manutenção da autuação pela DRJ deuse de forma simplista, fundamentando se, genericamente, pelo fato de ter, a fiscalização, procedido corretamente, cumprindo as regras legais e procedimentais. · alega que as descrições das mercadorias utilizadas nas DI são completas e suficientes para descreverlas, cita ex.: "Tecido 100% polilester", "Tecido 100% polilester OXF.HC"; ou "Tecido 100% polilester OXF.OS, sendo todas amparadas por Lincenças de Importação (LI). · A fiscalização utiliza como "descrição completa" para descaracterizar a descrição das Declarações de Importação (DI), paradigmas que são tão, ou mais, "incompletas" do que as informadas pela Recorrente, ou são transcrições reduzidas da descrição da própria NCM. Apresenta alguns exemplos. · afirma que as descrições da mercadorias, constantes das DI, são comumente utilizadas pelos importadores de tecidos em sua comercialização, tanto na importação, como na venda no mercado interno. · A fiscalização considerou inidônea uma fatura pelo simples fato de que a assinatura constante era de preposto, e ainda, pior, invalidou todas as outras faturas, por constarem o mesmo preço. · Juntou aos autos documentos que comprovam que o preposto estava autorizado a assinar pelo exportador e que o preço efetivamente praticado foi o de US$ 3,20 por quilo. · Quanto a não apresentação de correspondência comercial, alega que, v.r., as negociações se dão por meio de telefonemas ou de forma presencial, a validação dos termos (tecido, quantidade, preço) são espelhados nas faturas proformas. · Em relação à divergência entre o preço declarado pela Recorrente e outras importações, sustenta que a fiscalização trouxe como paradigmas para comparação importações de mercadorias de variam de preço para mais ou para menos, bem assim não são idênticas às importações realizadas pela Recorrente. · Sustenta que só poderiam ser utilizadas como paradigmas as importações de tecidos 100% poliéster, dispensandose as demais. · Se a descrição utilizada pela Recorrente não forem suficientes para identificar corretamente os psrodutos importador, aquelas Fl. 780DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 777 9 apresentadas pela fiscalização também não o permitem. Portanto, afirma a recorrente, estas últimas não podem balizar a valoração pretendida pela fiscalização. · A própria decisão recorrida corrobora no sentida de afastar dois dos quatro itens utilizados pela fiscalização para justificar a valoração: a descrião da mercadorias e divergênica de assinaturas nas faturas. · O subfaturamento deve ser comprovado pela fiscalização, o que não se vê nos autos, sequer uma prova. Em primeira assentada esse colegiado, por meio da Resolução nº 3301000.261 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, fls. 753 ss, converteu o julgamento em diligência em dirimir dúvidas para fins de atestar a tempestividade do recurso. Nos termos regimental, foime distribuído o feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua necessária síntese. Fl. 781DF CARF MF 10 Voto Conselheiro José Henrique Mauri 1 Dos Pressupostos de Admissibilidade Por meio da Resolução 3301000.261, o presente processo foi encaminhado à Unidade de Origem com vistas a confirmar a autenticidade do carimbo com assinatura aposto à fl. 736 e, conseqüentemente, manifestarse acerca do Termo de Perempção de fl. 729. Considerando os documentos e informações acostados aos autos em face do atendimento à Diligência, decido por descaracterizar o Termo de Perempção de fl. 729, declarar tempestiva a apresentação do Recurso Voluntário e, preenchidos os demais requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2 Da Valoração Aduaneira 2.1 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL No âmbito do direito positivo brasileiro, a valoração aduaneira encontrase disciplinada pelo Regulamento Aduaneiro (RA), artigos 75 a 83 (Decreto 4.543/02, revogado pelo Decreto nº 6.759/09, mantidos os dispositivos), que consolidam a aplicação das regras do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio – Gatt (Acordo de Valoração Aduaneira AVA), aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/1994 e promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994. O valor aduaneiro deve ser apurado por meio da aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira AVA, conforme previsto no art. 75 do RA. Incluemse ainda na base normativa de valor aduaneiro, as Notas explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA) aprovados, conforme previsto pela Instrução Normativas SRF nº 318, de 4 de abril de 2003. Pelas regras estabelecidas no AVA/Gatt, a valoração aduaneira pode ser apurada consubstanciada em seis Métodos, sendo que o 1º Método, o valor de transação, representa o princípio basilar a ser perseguido e observado prioritariamente, no entanto, na impossibilidade de aplicálo, adotase um dos outros cinco, aplicados sucessivamente: o método do valor de transação de mercadorias idênticas; o de mercadorias similares; o do valor de revenda (ou do valor dedutivo do custo de produção); o do valor computado e, o método do último recurso, o arbitramento, moldado pelo critério da razoabilidade. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 778 11 No caso específico, a fiscalização, desqualificando o valor de transação, arbitrou o valor aduaneiro consubstanciada no Termo de Desqualificação de fls. 26 ss, aplicandose em conseqüência a multa ao controle administrativo das importações, nos termos do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02 (RA): Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) Art. 633, inciso I Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); ............................................................... Ainda sobre a matéria, temos, no interesse do presente processo, os dizeres do Regulamento Aduaneiro, Decreto 4.543/02, artigos 76 a 89, que cuidou, à época, da valoração aduaneira, especialmente o art. 82, incisos I e II, fundamentos da desconsideração do valor de transação, por parte da fiscalização: Fl. 783DF CARF MF 12 Do Valor Aduaneiro Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. [...] Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994): I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Parágrafo único. Nos casos previstos no caput, a autoridade aduaneira poderá solicitar informações à administração aduaneira do país exportador, inclusive o fornecimento do valor declarado na exportação da mercadoria. [...] Art. 84. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. [...] Quanto a Base de cálculo do Imposto de Importação, dispõe o DecretoLei nº 37/66, art. 2º: Art.2º A base de cálculo do imposto é: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I quando a alíquota for específica, [...] Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 779 13 II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Complementarmente, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou diversas Instruções Normativas, especialmente a IN 80/96 que instituiu a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) e a IN 327/2003, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada. 2.2 VALORAÇÃO ADUANEIRA BREVES CONSIDERAÇÕES O valor aduaneiro é o instituto que identifica a base de cálculo do Imposto de Importação e, por conseqüência, irá refletir, ainda que indiretamente, em toda a cadeia tributária subseqüente. Por essa razão, à primeira vista vislumbrase tratar de matéria de natureza aduaneira/arrecadatória, entretanto, a espécie deve ser caracterizada especialmente como de natureza aduaneira/econômica, vinculada ao controle do comércio exterior. conforme se segue. É notória a relevância, no Controle Aduaneiro, da correta valoração aduaneira. A manipulação artificial desse valor pode gerar prejuízos incalculáveis e imensuráveis, em quantidade e qualidade, aos pares da indústria nacional, em relação aos importadores, equiparados a industrial, com conseqüências danosas à toda a sociedade, especialmente pela potencial possibilidade da concorrência desleal que poderá advir de uma eventual subvaloração ou um subfaturamento. Afinal, o Controle Aduaneiro pode, analógica e didaticamente, ser entendido como um "sistema governamental" que monitora diuturnamente um "mega complexo Industrial" compreendendo todos os recintos alfandegados, de zona primário e secundária, responsável pela "produção virtual" de todos os produtos, acabado ou não, que ingressem no território aduaneiro, por meio de operações de importação. Portanto, antes de se atribuir relevância ao aspecto arrecadatório da valoração aduaneira (ainda que tenha sua importância), deve se atentar que a burla desse instituto é extremamente nocivo à economia do país, propiciando uma concorrência desleal em relação ao produtor nacional, afetando diretamente o parque industrial, comercial e agroindustrial brasileiros. Feitas essas breves considerações iniciais, retornemos ao caso concreto. Fl. 785DF CARF MF 14 3 Do Mérito Conforme relatado, contra a Recorrente foi lavrado auto de infração em decorrência de procedimento de valoração aduaneira com lançamento dos tributos incidentes sobre a diferença de valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor apurado pela fiscalização, acompanhado de seus consectários legais e da multa administrativa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro), vigente à época da ocorrência dos fatos. O valor aduaneiro deve ser apurado por meio da aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira AVA. Assim dispõe o artigo 1º do AVA: 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: [...] Segundo tal dispositivo, que estabelece o primeiro e preferencial método de valoração aduaneira, adotase como valor aduaneiro o valor efetivo da transação das mercadorias, ou seja, o preço efetivamente pago pela mercadoria importada. Conforme já explicitada em tópico precedente, caso não seja possível a apuração do valor real da transação, utilizase os demais métodos previstos no AVA, que devem ser aplicados de forma seqüencial e sucessiva. A fiscalização, por meio do Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, fls 26 ss, desqualificou o 1º método de valoração, utilizado pelo importador, ora recorrente, não aceitando, portanto, o valor de transação declarado em 18 Declarações de Importação (DI). Por conseqüência, lavrouse o Auto de Infração, ora apreciado, tendo por objeto os seguintes lançamentos tributários: 1. Multa administrativa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02. 2. Imposto de Importação relativo à diferença entre o valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor arbitrado pela fiscalização, com os acréscimos legais. e 3. Multa de Ofício de 75%, Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06. 3.1 DA MULTA ADMINISTRATIVA DO ART. 88, PARÁGRAFO ÚNICO, DA MP Nº 2.15835/2001, DISCIPLINADO PELO ART. 633, INCISO I, DO DECRETO Nº 4.543/02. De imediato, vislumbro incabível a multa aplicada. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 780 15 Eis o disposto no referido art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e no art. 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02): Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. xxx Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); Depreendese que para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos. Vejamos. Regra geral, o controle de valoração aduaneira consiste em procedimento de fiscalização, no curso do despacho aduaneiro de importação, objetivandose verificar se o valor aduaneiro declarado pelo importador encontrase adequado com o Acordo de Valoração Aduaneira, bem assim com as normas aduaneiras brasileiras que versam sobre essas valorações. Desse procedimento fiscal pode resultar que o Auditor Fiscal identifique apenas subvaloração, por discordar do preço declarado na DI, sem contudo identificar ocorrência de fraude, simulação ou conluio, aplicandose, nestes casos, um dos métodos substitutivos, com exigência da diferença do tributo acrescida de juros de mora e, em caso de lançamento de ofício, de multa de 75% (Lei nº 9.430/1996, art. 42, I). Fl. 787DF CARF MF 16 Sobre a matéria, assim se manifestou o relator Solon Sehn, em seu voto proferido no Acórdão nº 38020004.098: 1 “É nesse contexto que se opera com o conceito de subvaloração, que nada mais é do que a aplicação indevida de um dos métodos de valoração aduaneira pelo importador, sem a ocorrência de fraude de valor.” Entretanto, em se constatando a manipulação dolosa, para menos, do valor aduaneiro, mediante fraude, simulação ou conluio, não haverá subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira justamente em razão da ilicitude da conduta do importador. É o que se extrai ainda, daquele voto do Relator Solon Sehn: Portanto, o subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emitese uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica) 2 . [...] Nos casos de subfaturamento, devem ser adotadas as providência do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001. [...] Sobre o tema, eis o que ensina Rodrigo Mineiro Fernandes, Ex Conselheiro da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em estudo doutrinário: É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material) 3. Assim, temos que há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento,4 cada qual com sua particularidade, destacandose o fato de que, diversamente do subfaturamento, na 1 Acórdão 3802004.098 2ª Turma Especial da 3ª Seção, 25 de fevereiro de 2015, Relator Solon Sehn. 2 COSTA JUNIOR, Paulo José. "Comentários ao Código Penal". 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 926927 3 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Valoração aduaneira e subfaturamento. In: DOMINGO et.al., Tributação..., op. cit., p. 250251. 4 abstraindose, propositadamente, das correlacionadas infrações relativas à supervaloração e superfaturamento, que são igualmente sujeitas às sanções legais. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 781 17 subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas portanto a sanções distintas. Aos casos subvaloração, além da diferença de tributo e juros, aplica se multa de ofício, conquanto para os casos de subfaturamento, aplicase também a multa de controle administrativo de 100%, prevista no art. art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/2001. Outrossim, tornase imprescindível que a fiscalização promova no Auto de Infração a subsunção dos fatos ao adequado enquadramento da infração, especialmente quanto a identificar tratarse de subvaloração ou subfaturamento, em face de reportaremse a diferentes dispositivos normativos. Analisandose os elementos trazidos aos autos, pela fiscalização, especialmente no Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, não se verifica configurado fraude, simulação ou conluio, em relação à quaisquer dos motivos que fundamentam o referido Termo, sequer em relação à declaração de inidoneidade à fatura comercial, a meu ver também equivocadamente caracterizada pela fiscalização, conforme veremos oportunamente. Todavia, ainda que se entendesse inidônea a fatura, nos termos preconizados pela fiscalização, ainda assim não vejo caracterizado o subfaturamento, mormente não haver a fiscalização acostado aos autos nenhuma informação, ato ou fato que apontasse uma atitude dolosa por parte da recorrente, de forma que se caracterizasse o subfaturamento, seja por meio de fraude, simulação ou conluio, que, em se configurado, ensejaria aplicação da multa do art. 88, parágrafo único. Ademais, o importador apresentou, conforme intimado, documentos que procuram demonstram a lisura das operações, em sua plenitude, notadamente Nota fiscal de entrada, comprovante de pagamento do Frete internacional e contrato de câmbio, não se verificando contestação dos mesmos, por parte da fiscalização, tampouco indicação de existência da falsidade, seja ideológica ou material. Com o exposto, entendo que os fatos apontados pela fiscalização não se subsumem ao disposto no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001, assistindo razão o contribuinte, nesse pormenor. 3.2 DO TERMO DE DESQUALIFICAÇÃO DE MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA Por meio do Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, fls. 26 ss., a fiscalização, com base no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA), desqualificou o 1º método de valoração, não aceitando o valor de transação declarado em 18 Declarações de Importação (DI), referentes a operações de importações realizadas pela Recorrente. Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994): Fl. 789DF CARF MF 18 I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Em conseqüência apurouse o valor aduaneiro pela aplicação do 6º Método, artigo 7 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), utilizandose de critérios razoáveis, assim entendido pela autoridade aduaneira. A não aceitação do 1º método de valoração aduaneira e a conseqüente aplicação de método substitutivo deuse em razão de três fundamentos: (i) descrição incompleta das mercadorias, (ii) divergência de assinaturas apostas em fatura, (iii) não apresentação de correspondência comercial. Além disso, segunda a fiscalização, os preços declarados das mercadorias importadas ao amparo das DI fiscalizadas foram significativamente inferiores aos de outras importações de mercadorias similares. Analisareios, na seqüência. 3.2.1 Descrição Incompleta das Mercadorias Segundo o Auditor Fiscal que as mercadorias importadas não foram suficientemente identificadas na fatura comercial e, por conseguinte, nas próprias DI, nos termos do art. 497, inciso III, do Regulamento Adauneiro (RA), de 2002. Vejamos o requisitos que obrigatoriamente devem constar da fatura comercial para sua validade formal ou material, consoante dispõe o art. 497 do RA/2002 (também disponível no antigo RA/2009): Art. 497. A fatura comercial deverá conter as seguintes indicações: I nome e endereço, completos, do exportador; II nome e endereço, completos, do importador III especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ou, se em outro idioma, acompanhada de tradução em língua portuguesa, a critério da autoridade aduaneira, contendo as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis a sua perfeita identificação; IV marca, numeração e, se houver, número de referência dos volumes; V quantidade e espécie dos volumes; VI peso bruto dos volumes, entendendose, como tal, o da mercadoria com todos os seus recipientes, embalagens e demais envoltórios; VII peso líquido, assim considerado o da mercadoria livre de todo e qualquer envoltório; VIII país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; IX país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; X país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Fl. 790DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 782 19 XI preço unitário e total de cada espécie de mercadoria e, se houver, o montante e a natureza das reduções e dos descontos concedidos; XII custo de transporte a que se refere o inciso I do art. 77 e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; XIII condições e moeda de pagamento; e XIV termo da condição de venda (INCOTERM). Vêse que pelo teor do inciso III, a mercadoria deve conter as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis a sua perfeita identificação. Aduz que quatorze das DI fiscalizadas, de um total de dezoito, informam apenas descrição genérica "tecido 100% poliester", As outras quatro DI conteriam também referências do produto: TECIDO 100% POLIESTER, OXF. HC e TECIDO 100% POLI ESTER, OXF.OS. Nesse contexto a fiscalização considerou para completar a descrição das demais quatorze DI “uma dessas referências, para fins de assinalação da DI paradigma”. Em contrapartida, sustenta a recorrente que as expressões "TECIDO 100% POLIESTER", com ou sem os sufixos "OXF. HC" ou "OXF.OS", vinculadas à NCM 5407.52.10 (outros tecidos contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados tintos, sem fios de borrachas), são completas o suficientes para descrever as mercadorias importadas, até porque foram amparadas por Licenças de Importação (LI). Traz à luz as expressões consideradas pela fiscalização como "descrições completas", quais sejam: · Tecido de filamento sintético de poliéster texturizado sem fios de borracha. · Tecido de filamento sintético de poliéster texturizado sem fios de borracha (OXFORD). · OXF. N/S P/D. · OXF. TWS P/D. · OXF. HC P/D. · Tecido 100% poliéster OXF. HC P/D · OXF. JC PRT · Tecido 100% polyster Koshibo P/D · Tecido 100% polyster Chameuse P/D · Tecido 100% polyster chiffon P/D · Tecido 100% polyster tinto 58 Assiste razão a recorrente. Das descrições de mercadorias acima relacionadas, confrontandoas com a descrição utilizada pela recorrente, "Tecido 100% poliéster", vislumbro apenas duas conclusões plausíveis: (i) que todas as descrições são incompletas ou (ii) se houver alguma descrição completa, a utilizada pela recorrente também o será. Isso porque para fins de classificação fiscal da NCM 5407.52.10 (outros tecidos contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados tintos, sem fios de borrachas), por óbvio, o percentual de poliéster é Fl. 791DF CARF MF 20 parâmetro relevante e imprescindível. Outrossim, os textos de descrições de mercadorias quem indicam conterem 100% de poliéster indica estar correta a NCM, pelo menos quanto a esse parâmetro. É o que ocorre com as DI da recorrente e em mais quatro DI de terceiros, utilizadas como parâmetros para o trabalho fiscal de valoração. Quanto às demais DI, todas igualmente utilizadas como parâmetros, por parte da fiscalização, para descaracterização do valor de transação, não há indicação do percentual de poliéster, o que as invalidam, de pronto, para classificar as respectivas mercadorias, na NCM utilizada. A fiscalização, corroborada pelo Acórdão recorrido, entendeu que a inclusão do termo "OXF" (considerada como redução do termo OXFORD) à descrição, representa mais especificidade ao produto. Essa afirmação não procede. É fato que o termo OXFORD indica que o tecido é composto de poliéster, entretanto essa denominação identifica igualmente pelo menos três diferentes composições:5 (i) 100% poliéster, (ii) 48% de poliéster com 52% de viscose e (iii) 97% de poliéster com 3% de viscose. Portanto a denominação OXFORD também não supre a necessidade de se indicar o percentual de poliéster, pois para manterse na NCM 5407.52.10 o tecido deve conter um percentual igual ou superior a 85%, caso contrário será classificado em outra NCM. Ressaltese que a sucinta descrição da mercadoria na fatura comercial, na forma utilizada pela recorrente, era uma das formas usualmente utilizada no seio comercial brasileiro, à época, conforme se verifica nos paradigmas que a própria fiscalização trouxe à luz. Ademais, tal inconsistência, se assim fosse entendida, mostrarseia irrelevante juridicamente, haja vista tratarse de um, dentre quatorze indicações que devem conter a fatura comercial, nos termos do art. 497, do RA, e, ainda assim, tem se que a mercadoria foi descrita, frisese, em melhores, ou igual, condições que os paradigmas utilizados pela fiscalização. Portanto, considerando o contexto em que a autuação se consubstanciou, vislumbro que a descrição utilizada pela recorrente na identificação das mercadorias constantes das DI fiscalizadas, não obstante sucinta, não se presta como parâmetro hábil à descaracterizar o 1º método de valoração aduaneira, nos termos do AVA. 3.2.2 Da Divergência entre Assinaturas Apostas em Comercial Invoices Dentre as DI fiscalizadas existem cinco faturas comerciais, referentes ao exportador Damin Sortex CO. LTD., a fiscalização detectou que a fatura DMP230, instrutiva da DI nº 03/00250074, apesar de constar ter sido emitida pelo mesmo signatário das demais, Sr. HyungRark, Ju, presidente da empresa, foi assinada por uma terceira pessoa. 5 tabela de composição textil dos tecidos disponível em: http://www.luagrupo.com/index.php/luapedia/textil/107tabeladecomposicaotextildostecidos [consultado em julho/2017] Fl. 792DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 783 21 A recorrente, intimada, informou tratarse de preposto do exportador, porém, à época do procedimento fiscal, não logrou êxito em identificar a referida pessoa. Entretanto, apresentou documentos demonstrando que havia solicitado esclarecimentos junto ao exportador asiático. Em face dessa divergência na assinatura da fatura comercial, o Auditor Fiscal entendeu por declarar inidônea a referida fatura, estendendo os efeitos dessa decisão às demais faturas fiscalizadas, nos seguintes termos: Na mencionada fatura (doc.07 fls. 117) consta a identificação do signatário HyungRark Ju, portanto, a assinatura de pessoa diversa à signatária, caracteriza a inidoneidade da mesma. O fato dessa fatura inidônea trazer preço unitário (FOB) da mercadoria igual ao das demais importações fiscalizada configura veemente indicio de que o preço declarado das mercadorias importadas ao amparo dessas DI também não seja o efetivamente praticado. Vêse que o Auditor Fiscal, além de declarar a inidoneidade da fatura com a divergência de assinatura, estendeu os efeitos dessa inidoneidade às faturas instrutivas das demais DI fiscalizadas, para fins de descaracterizar o preço declarado, no todo. Nesse pormenor, a DRJ entendeu não haver situação de fato ou de direito capaz de inferir inidoneidade de todas as demais faturas do mesmo exportador, nos seguintes termos: De fato, a assinatura em punho deve ser daquele que se declara subscrever o documento, 6 eivando de nulidade 7 plena o documento subscrito por outrem, como se assinado não estivesse, situação que bem poderia se aplicar exclusivamente à fatura em questão, inclusive para efeito de penalidade relacionada à não apresentação do documento. Porém, não consigo perceber de que forma tal ocorrência (restrita à fatura citada) contamina ou expõe os preços declarados em relação àquele exportador, além daquelas evidências anteriormente já citadas. 6 O art. 371 do Código de Processo Civil (CPC) dispõe sobre a assinatura de documento, nos seguintes termos: Art.371. Reputase autor do documento particular: I aquele que o fez e o assinou; II aquele, por conta de quem foi feito, estando assinado; III aquele que, mandando compôlo, não o firmou, porque, conforme a experiência comum, não se costuma assinar, como livros comerciais e assentos domésticos. 7 Decisões dos Tribunais Superiores referentes à assinatura de próprio punho, também, corroboram o entendimento de que a assinatura é um requisito de validade do documento. No acórdão ao RMS 24257 AgRED/ DF, dentre outros de igual teor, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu negar admissão ao embargo de declaração apresentado sem assinatura de próprio punho, afirmando: “Não é possível em sede de embargos de declaração rediscutir matéria de fundo a pretexto de existência de equívoco material. Assinatura digitalizada não é assinatura de próprio punho. Só será admitida, em peças processuais, depois de regulamentada. (...)”. Igual entendimento verificase nas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “o agravo regimental é intempestivo, já que protocolada a peça assinada fora do prazo legal, não surtindo qualquer efeito petição sem assinatura e sem comprovação adequada de que recebida nesta Corte por ‘email’ mediante assinatura eletrônica, ausente, ainda, regulamentação interna a respeito desta forma de protocolar (...)”.(AGRESP 437258/RS – 2002/00604606). Fl. 793DF CARF MF 22 Muito embora a justificativa da d. Impugnante não sane o vício formal em relação àquela fatura, a mesma se mostra perfeitamente razoável à realidade do comércio exterior, onde uma cadeia de funcionários da área comercial e de logística se envolvem na subscrição de faturas comerciais. [Destaquei] Com esses fundamentos o julgador de primeiro grau limitouse em desconsiderar a "divergência de assinaturas na fatura" como elemento motivador da descaracterização do 1º método do AVA, sem conhecer, por entender desnecessários, os documentos acostados, pela recorrente, às fls. 681/700, referentes à cópias autenticadas de declarações do exportador DAMIN SORTEX CO., LTD., e respectivas traduções juramentadas, identificadas pelos nº 004/07 (em relação As assinaturas do exportador nas faturas comercial) e 005/07(em relação ao preço praticado pelo exportador), da lavra do Tradutor Público Sr. Gilberto Fábio Egypto da Silva, datadas de 09/01/2007. Assim textualizou o relator: [...] os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e julgamento do feito, demonstrandose despicienda e meramente procrastinatória a providência solicitada pela defendente na juntada posterior de outros documentos que se façam necessários à sua defesa, sem se quer mencionálos, fundamentar sua importância ou motivar sua apresentação em momento posterior ao prazo de impugnação. Nesse ponto, concordo com o colegiado a quo, exclusivamente quanto à desconsiderar a divergência de assinaturas como parâmetro para a descaracterização do valor de transação, contudo divirjo quanto ao tratamento dado aos documentos oriundos do exportador estrangeiro, em face de sua relevância na apreciação da lide. A uma porque houve petição específica, fls. 681 e ss., onde, diversamente do que externou o julgador primário, constam os fundamentos e respaldo legal para sua apreciação pelo colegiado a quo, a duas porque os documentos acostado, advindos do exportador asiático, além de identificar o preposto que assinou a fatura questionada, traz autenticidade a ela, convalidando o preço praticado de US$ 3,20, contrariamente aos indícios originariamente detectados pela fiscalização, que, ressaltese, irradiaramse às demais faturas, por força de decisão do Auditor Fiscal. Portanto, nesse pormenor, sou pelo conhecimento dos documentos de fls 681/700 para considerar idôneas todas as dezoito faturas fiscalizadas e desconsiderar a divergência de assinaturas como parâmetro para a descaracterização do valor de transação. 3.2.3 Da Não Apresentação da Correspondência Comercial Aduz a fiscalização que a recorrente atendeu parcialmente à intimação, em razão da não apresentação de documentos relacionados à negociação das mercadorias, tais como facsímiles, correspondências eletrônicas e contratos particulares. Contrapondose a recorrente alega que as negociações com os fornecedores, usualmente, se dão através de telefonemas, ou mesmo, de forma presencial nas indústrias exportadoras. Sendo os termos (tecido, quantidade, preço) Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 784 23 das negociações espelhados nas faturas proforma, para fins de obter as licenças de importação, sendo posteriormente substituídas pelas invoices. Nessa seara, assim se manifestou a recorrente, em resposta à intimação da fiscalização: Condições gerais do negócio? Os Tecidos 100% Poliéster constantes nas DI'S de Ws., 03/02386364, 03/02368380, 03/02386372, 03/02903318, 03/00250074, 03/11094966, 03/08926913, 03/08926883 e a 03/08926840 nos foi ofertado pelo exportador a Us 3,20 o kilo, com o pagamento podendo ocorrer em até 180 dias contados da data do embarque. Os Tecido 100% Poliéster constantes nas DI'S de Ws., 03/02386356, 03/11095024, 03/11095008, 03/04156366, 03/03380793, 03/00627720, 03/00333620 e 03/00250104 nos foi ofertado pelo exportador lt U$ 3,20 o kilo, porém com condição de pagamento 100% CAD, ou seja, à vista. Após ser efetuada verbalmente a compra dos Tecidos entre o Sr. Vicente de Castro Barbosa e os Dirigentes das empresas exportadoras, os produtos levam em média de 30 a 45 dias para serem produzidos e após, mais 60 dias de viagem da origem até o destino final que é o Porto de Fortaleza, sendo formalizado toda a negociação através da Commercial Invoice. As aquisições dos produtos importados, também podem ocorrer por meio de comunicação via telefone, intemet ou fax, onde é discutido livremente com os nossos fornecedores, as condições gerais do objeto de compra, tais como quantidades, preços, prazos para embarque, condições de pagamento, etc. De fato a recorrente não apresentou, à época do procedimento fiscal, elementos que demonstrassem cabalmente as negociações realizadas. Em resumo a recorrente entende que a não apresentação de outros documentos, além daqueles já entregues à fiscalização, deuse pela impossibilidade de fazêlo, seja por não deter meios coercitivos para obtêlos, p. ex.,documentos de exportação, ou seja pelo fato da própria inexistência do documento, p.ex, contrato de compra e venda. Embora não seja razoável, é possível que transações comerciais, no âmbito de comércio exterior, se materialize sem que ocorra a formalização por escrito das negociações, sendo, nesses casos, realizadas por meio da internet, telefone ou reuniões presenciais, conforme alega a recorrente. Por certo, a ausência desses elementos não socorre a recorrente. Para a fiscalização esses fatos representam indícios de irregularidades que, inseridos em um conjunto de outros elementos indiciários, acaba por corroborar na materialização da infração. Representará mais um elemento na fundamentação da autuação. Todavia, no presente caso, considerandose que os demais elementos indiciários (inidoneidade de invoices, divergências de assinaturas, descrição incompleta) foram descaracterizados, conforme constatase nos tópicos precedentes, há que se reconhecer a fragilidade do presente indício, visto isoladamente, especialmente conhecendose o conjunto de documentos que a recorrente apresentou à fiscalização, no curso do procedimento fiscal, contendo, v.r. para cada operação de importação: Notas fiscais de entrada, Packing list, Invoice, Bill of Lading, Recibo de transporte internacional, Licença de Importação, Contrato de câmbio e Notas fiscais de vendas, bem assim cópias de passaportes, com vistos entre os anos de 1999 a 2004, na pretensa comprovação das viagens negociais feitas por seus representantes. Fl. 795DF CARF MF 24 Ademais, o objetivo de se exigir tais documentos era a comprovação do preço praticado pela recorrente em suas operações, o que se mostrou atendido, ainda que parcialmente, pela anexação posterior dos documentos de fls. 696/700, já tratados no tópico "3.3.2 Da divergência entre assinaturas apostas em Comercial Invoices", oportunizados pelo atendimento, por parte do exportador estrangeiro, de solicitação da recorrente. Por meio de referidos documentos, ficou demonstrado que o preço de UR$ 3,20/Kg, constante da comercial invoice, foi o preço efetivamente praticado na transação comercial, representando, portanto, o valor de transação do 1º método do AVA. Com o exposto, vislumbrase que o "Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira", lavrado pela autoridade aduaneira, não deve prosperar, conquanto não preenche o disposto no art. 82, incisos I e II do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 4.543/02. 4 Do Imposto de Importação e da Multa de Ofício A fiscalização formalizou o lançamento do Imposto de Importação relativo à diferença entre o valor aduaneiro inicialmente declarado pela recorrente e o valor arbitrado pela fiscalização, com os acréscimos legais e Multa de Ofício de 75%, Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06, consubstanciado no Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira. Conforme explicitado, referido Termo não deve prosperar, perdendo sua força mandatária, em face de inexistem, nos autos, elementos que caracterizem subfaturamento ou subvaloração nas operações de importação autuadas, restando insubsistente os lançamentos realizados, por falta de fundamentos que os respaldem. 5 Dispositivo Ante os fundamentos expostos, voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira AVA aplicandose, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas. É como voto. José Henrique Mauri relator Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.725422/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. PROVIMENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Comprovado pelo contribuinte ser portador de moléstia grave e militar aposentado, seja da reserva ou reforma, por força da Súmula CARF nº. 43, estão atendidos os requisitos para fazer jus à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-005.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier- Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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PROVIMENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Comprovado pelo contribuinte ser portador de moléstia grave e militar aposentado, seja da reserva ou reforma, por força da Súmula CARF nº. 43, estão atendidos os requisitos para fazer jus à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 54 22 /2 01 5- 78 Fl. 53DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 19985.725422/201578 Acórdão n.º 2401005.090 S2C4T1 Fl. 54 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 44/45) interposto em face do Acórdão nº. 0654.719 (fls. 35/40), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 RENDIMENTOS DO TRABALHO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. A isenção concedida aos portadores de moléstia grave está condicionada à apresentação de laudo médico oficial atestando a data de início da doença e à comprovação de que os rendimentos são decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DOENÇA GRAVE. MILITAR INTEGRANTE DA RESERVA. A isenção do imposto de renda conferida aos portadores de moléstia grave não contempla os proventos da reserva remunerada, em face da interpretação literal da norma. Tratase o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 03/07) originada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, que reduziu o saldo de imposto a restituir de R$ 3.493,80 para R$ 1.584,00, sob a acusação de rendimentos terem sido indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no montante de R$ 34.425,21. Vejamos (fl. 26): Intimado do referido acórdão em 07/06/2016 (fl. 42), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 44/45) em 27/06/2016, onde alega, em síntese: Fl. 55DF CARF MF 4 a) seu pleito de isenção foi indeferido sob o fundamento de que seria militar integrante da reserva remunerada, não sendo abarcado pela hipótese de isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº. 7.713/88; b) é policial militar reformado (e não da reserva remunerada), conforme Resolução nº. 5.900, publicada no DOE 09/01/2009 (fls. 46/48), que transferiu para a reforma os militares constantes na relação anexa àquela, na qual o recorrente não foi incluído; c) a invalidez encontrase constatada desde 01/04/2011, conforme documentos de fls. 09/14. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 19985.725422/201578 Acórdão n.º 2401005.090 S2C4T1 Fl. 55 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega ser isento do Imposto de Renda Pessoa Física por atender aos dois requisitos cumulativos necessários, quais sejam ter como rendimento aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Conforme extraise do art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713/88, os proventos recebidos de aposentadoria por portadores de moléstia grave devem ser isentos do tributo ora discutido, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: a) documentos (laudos e portarias) conferindo a retroatividade do reconhecimento da sua doença grave, para a data de 01/04/2011 (fl. 09/14); b) Resolução nº. 5.900, publicada no DOE 09/01/2009 (fls. 46/48), que transferiu para a reforma os militares constantes na relação anexa àquela, na qual o recorrente não foi incluído, o que atestaria sua condição de militar reformado e não da reserva remunerada. Portanto, verificase que o contribuinte é portador de doença de parkinson reconhecida desde o anocalendário de 2011, tendo sido atestado e acompanhado por profissionais especializados das juntas médicas da Polícia Militar do Estado do Paraná. Quanto a natureza dos seus vencimentos: a Notificação de Lançamento aponta que o recorrente é aposentado pela Reserva Remunerada (e não pela reforma) e o contribuinte alega que a Resolução nº. 5.900, publicada no DOE 09/01/2009 (fls. 46/48), que Fl. 57DF CARF MF 6 transferiu para a reforma os militares constantes na relação anexa àquela, na qual não consta o seu nome, seria suficiente para demonstrar a sua condição. Ocorre que a eventual controvérsia quanto a sua condição de aposentado por reforma ou da reserva é absolutamente irrelevante para fins de isenção do IRPF, por força da Súmula CARF nº. 43: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Assim, estando comprovada a moléstia grave e que os rendimentos se tratam de aposentadoria que faz jus à isenção, o recurso voluntário merece provimento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001856/2003-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Exercício: 2003
EFICÁCIA.
O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES.
Não é permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica no ano calendário em que as causas da exclusão não foram afastadas.
EFEITO RETROATIVO.
A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
Numero da decisão: 1801-000.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 EFICÁCIA. O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Não é permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica no ano calendário em que as causas da exclusão não foram afastadas. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos.
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O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Não é permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica no anocalendário em que as causas da exclusão não foram afastadas. EFEITO RETROATIVO. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 91DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 92 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RJO/RJ nº 446.373, de 07 de agosto de 2003, fl. 03, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 30/04/1999 Situação excludente: (evento 311): Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 553.297.13749 CNPJ 02.066.638/000150 40.407.132/000157 00.191.010/000151 00.480.035/000175.30.249.676/000184 36.468.361/000104 33.118.779/000101 27.870.492/000122 e outros. Data da ocorrência: 31/12/2001 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º, IX; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória nº 2.15834 , de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002: art. 20, IX; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, fl. 01, com pedido de revisão do ato em rito sumário: EMPRESA SOLICITA QUE SEJA RECONSIDERADA SUA EXCLUSÃO DO SIMPLES COM DATA RETROATIVA A 0110112002, PELOS MOTIVOS TRANSCRITOS A SEGUIR: DURANTE TODO O ANO CALENDÁRIO DE 2002 E 2003, A EMPRESA CUMPRIU TODAS AS SUAS OBRIGAÇÕES DE ENQUADRAMENTO NO SIMPLES, COMO O PAGAMENTO DOS TRIBUTOS E ENTREGA DE DECLARAÇÕES, SEM QUE TIVESSE SIDO INFORMADA DA IMPOSSIBILIDADE DE PERMANECER ENQUADRADA NESSE REGIME, ( INFORMAÇÃO RECEBIDA APENAS EM 0812003 ), O QUE TERIA EVITADO OS TRANSTORNOS QUE POR CONSEQUENCIA VIRÃO COM ESSA EXCLUSÃO RETROATIVA. ENTENDEMOS QUE, CASO SEJA IMINENTE A EXCLUSÃO, QUE SE PROCEDA À MESMA A PARTIR DE 0110112004, AFIM DE EVITAR OS Fl. 92DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 93 3 PROBLEMAS JÁ CITADOS E TRANSTORNOS ADVINDOS DA REFERIDA EXCLUSÃO. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 02, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o sócio Jorge Humberto Coelho Moitinho, CPF 553.297.13749, participa com mais de 10% do capital de diversas pessoas jurídicas e o somatório da receita bruta ultrapassou o limite legal, fls. 30/38. Cientificada em 28/02/2008, fl. 42verso, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 31/03/2008 (segundafeira), fls. 50/52, com as alegações abaixo sintetizadas. Discorda da exclusão retroativa à data do início da atividade efetuada de ofício, uma vez que agiu de boafé e cumpriu todas as obrigações tributárias. Alerta que o motivo do procedimento foi afastado, já que o sócio se retirou da sociedade. Conclui Por todo o exposto, requer a Empresa que seja reconsiderada tal exclusão, para que a mesma retome a condição de enquadramento pelo SIMPLES, assim como, que não sejam cobrados valores retroativos à data de 01/01/2002. Termos em que se espera por deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1219.434, de 30 de maio de 2008, fls. 62/67: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 RECEITA BRUTA GLOBAL. SÓCIO PARTICIPANTE DE OUTRA EMPRESA. Caracterizase situação excludente do Simples, a participação societária de um dos sócios da interessada com mais de 10% no capital de outra empresa e o faturamento global superar, em todo o anocalendário, o limite máximo legalmente estabelecido para permanência na condição de Empresa de Pequeno Porte EPP. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 69/72, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Esclarece que o sócio se retirou da sociedade em 08/12/2003, fl. 16 e por esta razão a exclusão somente poderia prevalecer no período de 01/01/2002 a 12/12/2003. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 94 4 Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados. Conclui À Vista de todo o exposto, espera e requer a recorrente, seja acolhido o presente recurso, a fim de que seja reconsiderada a mencionada exclusão, retomando sua condição de enquadrada pelo SIMPLES, desde 01/01/2002, assim como, que não sejam cobrados valores retroativos a essa data, sob pena de violação ao artigo 146 do CTN. Termos em que se espera por deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício e solicita que seja mantida no Simples a partir de 13/12/2003. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Analisando as condições excludentes legais e cumulativas restou esclarecido que nos anoscalendário de 2002 e 2003, fls. 30/38: o sócio Jorge Humberto Coelho Moitinho, CPF 553.297.13749, participa com mais de 10% do capital de diversas pessoas jurídicas (CNPJ 02.066.638/000150 40.407.132/000157 00.191.010/000151 00.480.035/000175.30.249.676/000184 36.468.361/000104 33.118.779/000101 27.870.492/000122); a receita bruta global das as pessoas jurídicas ultrapassou no anocalendário de 2001 o limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Fl. 94DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 95 5 A descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento concomitante das condições legais de exclusão nos anos calendário de 2002 e de 2003. Em relação aos anoscalendário de 2004 e seguintes, a Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, determina: Art. 119. A existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. (Renumerado do art. 120 pela Lei nº 6.216, de 1975). A Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que trata sobre o registro público da empresa mercantil, prevê: Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; [...] Art. 32. O registro compreende: I a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais; II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; Consta na 1ª Alteração do Contrato Social registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 05/12/2003, fls. 74/78: Retirase e Desligase da sociedade o sócio JORGE HUMBERTO COELHO MOITINHO, já acima qualificado no preâmbulo do presente instrumento, cedendo e transferindo elo seu valor total suas cotas de capital social a sócia, KEIVELLANE DE MOURA FREIRE, brasileira, solteira, comerciante, filha de Francisco Jansen de Melo Freire e Telma Maria de Moura Freire, nascida em 12/11/82, portadora da carteira de identidade n° 134621424 expedida pelo IFP/RJ e CPF/MF n°056.124.45709, residente e domciliada na Rua Aristides Caire n° 324 apt° 301 — Meier, Rio de Janeiro RJ, CEP: 20775090, pelo preço certo e ajustado de R$ 1.000,00 (hum mil reais), em moeda corrente do país, dando ao mesmo, plena, geral e irrevogável quitação. O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Assim, desde 05/12/2003, com o registro da alteração contratual na JUCERJ, este ato jurídico produziu todos os efeitos legais de modo, inclusive, a comprovar que a Recorrente Fl. 95DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 96 6 exerce atividade expressamente permitida para opção pelo Simples Nacional. Estas informações constam nos registros internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, fl. 16. Permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica a partir do anocalendário subseqüente em que as causas da exclusão foram afastadas. Assim, a Recorrente deve ser mantida no Simples a partir de 01/01/2004, uma vez que a causa excludente foi afastada pela apresentação de provas. A Recorrente discorda dos efeitos retroativos da exclusão. A Lei nº 9.317, de 1996, prescreve: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] § 1° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 97 7 Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STF e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente, cujas matérias vinculam esta segunda instância de julgamento. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16/06//2010 (https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&s Reg=200900296277&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 01/02/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.124.507 MG (2009/00296277) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : MADEPLACAS LTDA ADVOGADO : HÉLCIO GERALDO DE OLIVEIRA CORRÊA E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...] 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 98 8 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. A situação impeditiva da opção pelo Simples se encontra positivada no ordenamento jurídico e por esta razão o ato de exclusão tem natureza meramente declaratória e a legislação tributária permite a retroatividade de seus efeitos. Não é permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica no anocalendário em que as causas da exclusão não foram afastadas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a requerente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RFB. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2002, a Recorrente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Por conseguinte, o efeito retroativo da exclusão de ofício do Simples não pode ser alterado, uma vez foi aplicada regularmente a legislação de regência. No que se refere à interpretação da legislação, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos aos quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13708.001856/200338 Acórdão n.º 180100.572 S1TE01 Fl. 99 9 Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para manter a Recorrente no Simples a partir de 01/01/2004. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 99DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10909.720691/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
O lançamento é obrigatório todas as vezes que a autoridade fiscal constatar irregularidade, obrigando-a constituir o crédito tributário, mesmo existindo provimento judicial autorizando o contribuinte a deixar de incluir à base de cálculo o valor questionado judicialmente, desde que, seja constituído com inexigibilidade do crédito como dispõe o art. 151 do CTN e sem exigência da multa de ofício nos termos que dispõe a Súmula CARF nº 17.
NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Havendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, que será decidida na esfera judicial.
MANDADO DE SEGURANÇA. EXTENSÃO DOS EFEITOS ALÉM DA JURISDIÇÃO DA AUTORIDADE COATORA.
A indicação errônea da autoridade coatora não implica ilegitimidade ad causam se aquela pertence à mesma pessoa jurídica de direito público, pessoa titular do direito e quem cabe suporta os ônus da sentença, desse modo os efeitos jurisdicional do provimento concedido em sede de Writ produz conseqüência em jurisdições distintas daquela indicada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
(assinado digitalmente)
SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA - Redatora Ad Hoc.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, José Luiz Feistauer, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O lançamento é obrigatório todas as vezes que a autoridade fiscal constatar irregularidade, obrigando-a constituir o crédito tributário, mesmo existindo provimento judicial autorizando o contribuinte a deixar de incluir à base de cálculo o valor questionado judicialmente, desde que, seja constituído com inexigibilidade do crédito como dispõe o art. 151 do CTN e sem exigência da multa de ofício nos termos que dispõe a Súmula CARF nº 17. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Havendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, que será decidida na esfera judicial. MANDADO DE SEGURANÇA. EXTENSÃO DOS EFEITOS ALÉM DA JURISDIÇÃO DA AUTORIDADE COATORA. A indicação errônea da autoridade coatora não implica ilegitimidade ad causam se aquela pertence à mesma pessoa jurídica de direito público, pessoa titular do direito e quem cabe suporta os ônus da sentença, desse modo os efeitos jurisdicional do provimento concedido em sede de Writ produz conseqüência em jurisdições distintas daquela indicada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA - Presidente. (assinado digitalmente) DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. (assinado digitalmente) SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA - Redatora Ad Hoc. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, José Luiz Feistauer, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O lançamento é obrigatório todas as vezes que a autoridade fiscal constatar irregularidade, obrigandoa constituir o crédito tributário, mesmo existindo provimento judicial autorizando o contribuinte a deixar de incluir à base de cálculo o valor questionado judicialmente, desde que, seja constituído com inexigibilidade do crédito como dispõe o art. 151 do CTN e sem exigência da multa de ofício nos termos que dispõe a Súmula CARF nº 17. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Havendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, não haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, que será decidida na esfera judicial. MANDADO DE SEGURANÇA. EXTENSÃO DOS EFEITOS ALÉM DA JURISDIÇÃO DA AUTORIDADE COATORA. A indicação errônea da autoridade coatora não implica ilegitimidade ad causam se aquela pertence à mesma pessoa jurídica de direito público, pessoa titular do direito e quem cabe suporta os ônus da sentença, desse modo os efeitos jurisdicional do provimento concedido em sede de Writ produz conseqüência em jurisdições distintas daquela indicada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 91 /2 01 2- 33 Fl. 156DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente. (assinado digitalmente) DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. (assinado digitalmente) SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA Redatora Ad Hoc. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, José Luiz Feistauer, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Foime designado formalizar o presente voto como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 155 eprocesso, Acórdão nº 3302003.233, proferido na sessão de 21 de junho de 2016, com as correções previstas no despacho de efl. 155, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF: Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de primeira instância que manteve na integra o lançamento que exigiu contribuição para a COFINS e PIS sobre importação de mercadorias no ano calendário de 2008. As acusações se referem aos fatos do contribuinte deixar de incluir à base de cálculo das contribuições sociais o montante referente ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, e, por ter deixado de prestar informação de natureza administrativa tributária ao registrar as “DIs”. O contribuinte valendose de provimento judicial exarado em sede de Agravo de Instrumento em Mandado de Segurança, que afastou provisoriamente à inclusão do ICMS à base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, deixando assim de recolher as contribuições incidentes sobre o valor do ICMS incluído no preço da mercadoria, motivando desse modo a lavratura do auto de infração. Pende, também, acusação de que a Recorrente deixou de preencher adequadamente a Declaração de Importação, quando informou a existência do Mandado de Segurança no campo reservado aos “Dados Complementares”. O entendimento da fiscalização é de conduta típica com o intuito de desviar da conferência aduaneira os produtos importados. Além desses acontecimentos, extraíse do relato fiscal que o Mandado de Segurança nomeou como Autoridade Coatora o Delegado da Receita Federal no Estado do Rio Grande do Sul, quando na verdade o desembaraço das mercadorias ocorreu no Porto de Itajaí SC, motivo que levou a Autoridade Aduaneira deixar de considerar a decisão judicial e exigir a Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10909.720691/201233 Acórdão n.º 3302003.233 S3C3T2 Fl. 3 3 diferença das contribuições decorrente da não inclusão do valor do ICMS à base de cálculo por meio do lançamento. A recorrente contestou todos os argumentos da fiscalização, sustentou tanto em sede de impugnação, bem como, em razões recursais o alcance dos efeitos da decisão proferida em sede mandamental, sustentando que essa medida alcança outra Autoridade Administrativa Fiscal por tratarse de interesse da União Federal, e, por derradeiro afirma que o fato de registrar existência da Medida Judicial no campo de dados complementares configura mero erro material quando do preenchimento da Declaração de Importação, passível de correção e que o mesmo não causou dano ao erário público. Intimado da decisão em 17 de fevereiro de 2014, interpôs o Recurso Voluntário em 07 de março de 2014. É o que se fazia necessário relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, devendo por tanto ser conhecido. A questão apresentada se refere o alcance dos efeitos do mandado de segurança, e, se o fato do contribuinte anotar somente no “campo complementar” a informação da existência de medida judicial que autorizava afastar da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS o valor do ICMS é motivo capaz de dar azo ao lançamento. DO ALCANCE DOS EFEITOS DO PROVIMENTO JUDICIAL EM SEDE MANDAMENTAL. Entre os requisitos básicos do Writ está necessidade da indicação da autoridade coatora. A discussão travada nestes autos se refere à medida jurisdicional expedida contra Autoridade que representa a União Federal, no entanto, não quem deve cumprir a ordem judicial. No que diz respeito à discussão atinente a de se reconhecer que a questão tem ensejado posicionamento diverso no seio da comunidade jurídico pátria, seja no que se refere à interpretação da sistemática legal ora vigente, seja em que se reporta ao alcance, e, de certa forma, representa a constante e polêmico embate entre fatos cujo relacionamento nem sempre se evidência de forma cristalina, por ocuparem sempre pólos diametralmente opostos. No palco de dissensões erguido em torno do debate em apreço, é preciso alguns comentários e reflexão. Fl. 158DF CARF MF 4 Considerase autoridade Coatora aquela que encampa e defende o ato praticado, que tenha competência para dotar a providência necessária a satisfação do direito vindicado. De outro lado, a jurisprudência vem caminhando no sentido de destacar que a autoridade coatora participa do mandamus como parte no sentido formal, enquanto a pessoa jurídica de direito público interno é o destinatário dos efeitos da decisão, é quem participa da parte material, posição do STJ, 1ª Turma, Resp 179.818. “A doutrina e a jurisprudência não são pacificas quanto à possibilidade de a pessoa jurídica ser parte legítima para figurar no pólo passivo da ação mandamental. Parte da doutrina considera que o mandado de segurança deve ser impetrado não contra o ente público, mas sim contra a autoridade administrativa que tenha poderes e meios para a correção da ilegalidade apontada. Outra parte, enveredando por caminho totalmente oposto, afirma que a legitimidade passiva é da pessoa jurídica e não da autoridade administrativa. Não é possível reclamar da parte o conhecimento da complexa estrutura da Administração Pública, de forma a precisar quem será a pessoa investida de competência para corrigir o ato Coator. A pessoa jurídica de direito público a suportar os ônus da sentença proferida em mandado de segurança é parte legítima para figurar no pólo passivo do feito, por ter interesse direto na causa”. (STJRP 118/267 e 129/196 – Resp 547.235). No mesmo sentido o STF Pleno – RTJ/139/133. Como se vê, caso estivesse no pólo passivo à pessoa de direito público, aqui a União Federal, essa contenda inexistia, o fato que a autoridade coatora sempre estará representando o titular do direito, aquele que os efeitos patrimoniais da decisão alcançarão. Com bem alegou a Recorrente, a finalidade precípua do Writ é a proteção do direito liquido e certo, que se mostre configurado no plano, bem como, a garantia individual perante o Estado. A meu sentir, tanto o delegado da Receita Federal no Estado do Rio Grande do Sul, quanto do Estado de Santa Catarina, decidiriam do mesmo modo, pois estão a defender o interesse do ente público o qual representam. O sujeito ativo da obrigação é a União Federal, condição essa a legitimar a figurar no pólo passivo da ação mandamental, pois é a titular do direito e quem cabe suporta os ônus da sentença que vier a ser proferida. Registrase, na jurisprudência do STJ, assentamento de que a indicação da errônea da autoridade coatora não implica ilegitimidade ad causam se aquela pertence à mesma pessoa jurídica de direito público, cuja relatoria foi do então Min. Luiz Fux: “Considerando a finalidade precípua do mandado de segurança que é a proteção do direito líquido e certo, que se mostre configurado de plano, bem como da garantia individual perante o Estado, sua finalidade assume vital importância. Consequentemente, o Juiz, ao deparase, em sede de mandado de segurança, com a errônea indicação da autoridade coatora, deve determinar a emenda da inicial ou, na hipótese de erro escusável, corrigilo de ofício, e não extinguir o processo sem julgamento do mérito. A errônea indicação da autoridade coatora não implica ilegitimidade ad causam passiva se aquela pertence à mesma pessoa jurídica de direito público”. (STJ, 1ª Turma, RMS 19.945, Min. Luiz Fux, j. 3.5.07, DJU 31.05.07). Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10909.720691/201233 Acórdão n.º 3302003.233 S3C3T2 Fl. 4 5 Tanto é assim que a norma contida do art. 2º da Lei nº 12.016, de 7.8.09, Lei do Mandado de Segurança, atribui a qualidade a outras pessoas condição de autoridade federal desde que as conseqüências patrimoniais sejam suportadas pela União, veja o que dispõe: “Art. 2º Consideraseá federal, a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada”. Por essa razão tenho como certo a extensão dos efeitos da liminar concedida em sede de mandado de segurança a outras autoridades coatora quando tratarse de interesse da União Federal. NO MERITO. O afastamento do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS incidentes nas importações é assunto já resolvido em sede de extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal (RE 559937, Relator (a): Min. ELLEN GRACIE, Relator (a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe206 DIVULG 16102013 PUBLIC 17102013 EMENT VOL02706 01 PP00011), ementa que se transcreve: "EMENTA Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de Fl. 160DF CARF MF 6 cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação,não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 559937, Relator (a): Min. ELLEN GRACIE, Relator (a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe206 DIVULG 1610 2013 PUBLIC 17102013 EMENT VOL0270601 PP00011)." Por força da norma do art. 62 do Regimento do CARF, impõem aplicar a decisão do STF ao caso concreto, por essa razão impõe dar provimento ao recurso para afastar à incidência das contribuições. ERRO DE PREENCHIMENTO “DI’. O erro cometido quando do preenchimento da Declaração de Importação se revela erro material incapaz de causar dano administração fiscal. O fato é que restou mencionado a existência da medida judicial, mesmo em campo diferente daquele indicado como próprio para tal informação. O importante de um modo ou de outro o registro constou o número do processo judicial. Sendo assim afasto a imputação de que tenha sido intencional o erro para afastar da conferência as mercadorias importadas. Com essas considerações, dou provimento para afastar à incidência das contribuições nos termos da decisão do STF em repercussão geral e da multa pelo preenchimento do número do mandado de segurança em campo não indicado para tal. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10909.720691/201233 Acórdão n.º 3302003.233 S3C3T2 Fl. 5 7 Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000927/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003, 2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. NECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF.
A partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim - DIF-Papel Imune -, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003, 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. NECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF. A partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune , independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 27 /2 00 5- 91 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.000927/200591 Acórdão n.º 9303004.954 CSRFT3 Fl. 239 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340300.159, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que deu provimento ao recurso voluntário para afastar a multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIF Papel imune em períodos em que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza. Transcrevo a ementa do referido Acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. ENTREGA INTEMPESTIVA. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/09, ART. 1°, §4° O artigo 1°, §4°, da Lei n° 11.945/09, veicula norma sancionatória especifica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP n° 2.15835, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIFPapel Imune, penalidade esta correspondente a R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração omitida ou, sendo o infrator microempresa ou empresa de pequeno porte, a R$2.500,00. Retroatividade da sanção benigna prevista no artigo 106, II, c do CTN. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES IMUNES NO PERÍODO. DESNECESSIDADE DE ENTREGA DA DIF. INTERPRETAÇÃO TELEOLOGICA. Se o contribuinte demonstra que não realizou no trimestre operações de entrada e saída com papel imune, a obrigação acessória tornase excessiva e despropositada, e pois afrontosa ao art. 113, §2° do CTN, devendose interpretala teleologicamente. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.000927/200591 Acórdão n.º 9303004.954 CSRFT3 Fl. 240 3 Recurso Provido. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que a partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, o sujeito passivo passou a se sujeitar ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune , independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade à fl. 24. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fl. 24). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigma os Acórdão 20403.437. Enquanto o acórdão recorrido entendeu pela improcedência na aplicação da multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIF Papel imune em períodos em que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza, o paradigma decidiu que mesmo não havendo operação com papel imune no período a declaração em tela deveria ser entregue, decorrendo daí a incidência da multa pelo cumprimento da obrigação acessória a destempo. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, em casos de inexistência de operações com papel imune no período. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.000927/200591 Acórdão n.º 9303004.954 CSRFT3 Fl. 241 4 aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.000927/200591 Acórdão n.º 9303004.954 CSRFT3 Fl. 242 5 Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. No entanto, a Lei nº 11.945/2009, trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19515.000927/200591 Acórdão n.º 9303004.954 CSRFT3 Fl. 243 6 I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. No caso dos autos, discutese a obrigatoriedade de apresentação da declaração pelo contribuinte em períodos que não houve movimentação (entrada e saída) de papel dessa natureza. A IN SRF 159/2002 acima reproduzida esclarece a questão: a apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Com efeito, as empresas que operam com papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos (papel imune), ainda que não efetuem operações com esse papel em um dado período, permanecem obrigadas a apresentar a declaração em comento para esse período. Sendo assim, a partir do momento da concessão do registro especial e a partir do momento em que realiza a primeira operação com papel imune, a contribuinte se sujeita ao controle do mesmo, devendo, obrigatoriamente, apresentar a declaração instituída para esse fim DIFPapel Imune , independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção das multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculadas conforme o referido dispositivo legal, Fl. 243DF CARF MF Processo nº 19515.000927/200591 Acórdão n.º 9303004.954 CSRFT3 Fl. 244 7 cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.903773/2011-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de pedido eletrônico de ressarcimento (PER) nº 40414.63954.291208.1.1.114190, (fls. 02/04), transmitido em 29/12/2008, de créditos da Contribuição para a Cofins de incidência não cumulativa, vinculados à receita não tributada no mercado interno, apurados no 2º trimestre calendário de 2008, no valor de R$ 7.246.763,23. Do procedimento fiscal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .9 03 77 3/ 20 11 -4 4 Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10940.903773/201144 Resolução nº 3201001.041 S3C2T1 Fl. 3 2 Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício das contribuições bem como dos PER/Dcomp apresentados pela Batávia S/A, no período entre 2007 e 2008, ano de sua incorporação pela interessada de acordo com a cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária a empresa Batávia S/A foi incorporada pela Brasil Foods S.A, CNPJ 01.838.723/000127 (nova denominação de Perdigão S.A.).. Relativos a ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, dos 1°, 2° e 3° trimestres de 2008 (em nome da sucedida), e lançamento de débitos das mesmas contribuições, dos quatro trimestres de 2008 (em nome da sucessora), tramitam os seguintes processos: Período N° do proc de Ressarcimento N° do proc Auto de Infração 1° trim 2008 PIS/Pasep 10940.903776/201188 11516.721220/201229 1° trim 2008 Cofins 10940.903772/201108 2° trim 2008 PIS/Pasep 10940.903777/201122 2° trim 2008 Cofins 10940.903773/201144 3° trim 2008 PIS/Pasep 10940.903775/201133 3° trim 2008 Cofins 10940.903774/201199 Como, à época do procedimento fiscal, a contribuinte não havia apresentado Per/Dcomp para o 4° trimestre de 2008, a verificação de ofício da regularidade dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins foi feita dentro do procedimento normal de fiscalização. As irregularidades no aproveitamento de créditos das contribuições estão relatadas nos anexos (Anexo I e Anexo II) do Termo de Verificação Fiscal processo de n° 11516.721220/201229. Em decorrência das glosas efetuadas nos créditos utilizados pelo contribuinte, o saldo remanescente dos créditos foram reduzidos. Além disso, aproveitouse parte deste saldo para abater valores não oferecidos à tributação, à título de "CREDITO PRESUMIDO DE ICMS", conforme consta do processo de n° 11516.721220/201229. O pleito foi deferido parcialmente, sendo reconhecido o crédito no valor de R$ 6.158.460,70. Posteriormente, em 2013, a sucessora da interessada, a empresa BRF S. A., apresentou pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vinculados à receita não tributada no mercado interno, apurados pela sucedida no 4° trimestre calendário de 2008, os quais foram tratados nos processos 10983.900863/201420, 10983.900864/201474, os quais serão analisados e julgados conjuntamente aos processos acima mencionados. Dos valores informados em Dacon, foram excluídos os valores que seguem. (i) Linha 01 Bens para Revenda: valores das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; (ii) Linha 02 Bens Utilizados como Insumos: das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, de insumos sujeitos à Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10940.903773/201144 Resolução nº 3201001.041 S3C2T1 Fl. 4 3 alíquota zero e de insumo, no caso, o leite in natura, que se sujeita à suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; (iii) Linha 03 Serviços Utilizados como Insumos: valores das aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo; Também foram excluídos da base de cálculo do crédito pleiteado os valores constantes do Dacon que não foram devidamente comprovados na memória de cálculo, para as quais não houve a apresentação das notas fiscais de tais operações. As divergências encontradas são em relação as seguintes linhas do Dacon: Linha 04 Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de vapor; Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda. Manifestação de Inconformidade Inicialmente, a Recorrente, com base no Princípio Constitucional da Não Cumulatividade, defende o direito ao crédito em relação a todos os bens e serviços relacionados com o processo produtivo, os que sofreram a incidência das sobreditas contribuições e os sujeitos ao regime de incidência monofásica (ou por substituição). No mais, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo, à luz da legislação e da jurisprudência: afirma que o conceito de insumo está relacionado com o fato de o bem ou serviço ser utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou na prestação dos serviços, caracterizandose, e assim sendo contabilizado, como custo de produção, conforme dispõe o RIR/99 em seu artigo 290. Defende, assim, crédito em relação às "despesas com assepsia, uso de desinfetantes, dedetização e equipamentos de proteção individual utilizados no processo produtivo" por consistirem de "insumos vinculados à produção. Acrescenta que em se tratando de atividade sujeita ao controle diversos órgãos públicos tais como: ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal e Ministério da Saúde a noção de insumo deve ser interpretada observandose as inúmeras exigências que são feitas para esse tipo de atividade. Contra a legalidade do procedimento fiscal, alega que somente a partir da análise do CD ROM contendo cópias de notas fiscais não é possível a autoridade administrativa afirmar que, dentre tantos produtos, a "fita transparente adesiva", o "detergente", a "caixa benco", a "faca", o "óleo" e o "pallet de madeira" não consistem de insumo. Afirma que a pretensão de inverter o ônus da prova para o contribuinte, com base no art. 333 do CPC, é ilegal, aduzindo que quem deve fazer a prova da improcedência do crédito é o Fisco, em virtude do que dispõem os artigos 923 e 924 do RIR/99. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente, trazendo as alegações que segue. A interessada defende o direito ao crédito em relação aos bens cujo "motivo da glosa" está identificado na listagem do fiscal como "CAP 78"; cita "frutas vermelhas", "coco ralado fino", "pêssego em cubos", "morango em polpa sem sementes", "queijo mussarela em pó", "preparado de abacaxi em pedaços". Alega que tais produtos não são tributados a alíquota zero (redução prevista no inciso III do artigo 28 da Lei n.° 10.865/2004), pois não são meramente frutas em estado cru ou meramente, in natura, mas consistem de "preparados industrializados que envolvem pasteurização, secagem, desidratação, corte, descaroçamento, congelamento, etc". A interessada defende o direito ao crédito apurado a partir dos valores de aquisição de bens sujeitos à suspensão das contribuições, alegando: que a decisão recorrida encontrase equivocada ao equiparar o regime de suspensão à não incidência do tributo; que na suspensão, não é que não ocorra o fato gerador que dá origem à incidência das contribuições em tela e sim que o momento do pagamento fica diferido para o futuro; que o recolhimento das Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10940.903773/201144 Resolução nº 3201001.041 S3C2T1 Fl. 5 4 contribuições suspensas quando da aquisição dos insumos é realizado por ocasião da saída dos produtos finais onde aqueles foram empregados; em obediência ao princípio constitucional da não cumulatividade tributária, pouco importa se o tributo devido na operação anterior será pago imediatamente na saída, ou em momento posterior em virtude do regime de suspensão; o que realmente é necessário para efeito do direito ao creditamento por parte da Requerente, enquanto adquirente de produto com suspensão, é a efetiva utilização dos insumos adquiridos no seu processo de produção e que, na saída do produto final, incidam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Contesta a glosa dos créditos decorrentes das aquisições de serviços de assistência técnica, serviço de operador logístico, serviço de instalação elétrica e aterramento e de reforma de pallets, ao pressuposto de não estarem enquadrados no conceito de insumos. Afirma que os referidos são necessários ao processo de produção pois referemse a "serviços intrinsecamente ligados ao processo produtivo", o que aduz será provado com a juntada aos autos do laudo técnico que está sendo providenciado. Acrescenta que o deslinde da lide depende da realização de diligência ou da análise de laudos técnicos. Quanto aos serviços de frete, a interessada defende que o direito ao crédito em relação aos custos, por ela suportados, com fretes nas operações de venda está previsto em lei. Requer a reunião do presente processo ao processo n° 11516721.220/201229 e o restabelecimento dos valores glosados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10940.903773/201144 Resolução nº 3201001.041 S3C2T1 Fl. 6 5 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO ADQUIRIDO DE AGROPECUARISTA. CRÉDITO REGULAR. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumo de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária não geram créditos calculados nos termos do art. 3° das Leis n° 10.833/2003 e n° 10.637/2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10940.903773/201144 Resolução nº 3201001.041 S3C2T1 Fl. 7 6 contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos e a vinculação dos insumos ao processo produtivo; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10940.903773/201144 Resolução nº 3201001.041 S3C2T1 Fl. 8 7 Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 816DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900274/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.698
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 74 /2 01 3- 12 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.732, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.900274/201312 Acórdão n.º 3301003.698 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 203DF CARF MF
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