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Numero do processo: 18471.001316/2005-51
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
É da fiscalização o ônus de comprovar que o contribuinte mantinha no passivo obrigações já pagas, não podendo tal fato ser presumido.
Numero da decisão: 1103-000.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso de ofício por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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PASSIVO FICTÍCIO. É da fiscalização o ônus de comprovar que o contribuinte mantinha no passivo obrigações já pagas, não podendo tal fato ser presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso de ofício por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 16 /2 00 5- 51 Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.086 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2002, no valor total de R$ 660.365,69 (seiscentos e sessenta mil, trezentos e sessenta e cinco reais e sessenta e nove centavos), sobre o qual incidem multa de ofício (75%) e juros de mora (fls.288/315). As infrações, quanto ao IRPJ, foram assim descritas no campo “Descrição do Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. 1. Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações incomprovadas, conforme ‘relação em aberto de 2002 Sports Gear’ (fl.55/62), apresentada pelo Contribuinte, em atendimento ao item 13 da Intimação datada de 14/06/2005 (fl.53/54). Regularmente intimada (f1.63/65) em 20/07/2005 (AR), item 7, ‘Documentos suportes das Duplicatas elencadas no rol apresentado a esta fiscalização em sua resposta anterior no valor total de R$ 1.287.130,32’, o Contribuinte apresentou Notas Fiscais (cópias de fl.66/630), onde procura justificar a manutenção no passivo daquele valor. Ou seja, o contribuinte não logrou apresentar os documentos hábeis, legais e necessários à comprovação do solicitado por esta fiscalização (Duplicatas quitadas). 2. Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações incomprovadas. Regularmente intimada (fl.63/65) em 20/07/2005 (AR), item 8, ‘Documentos suportes que justifique os Lançamentos efetuados à Conta 2302010000 Receitas de Exercícios Futuro Ficha 39A Linha 23 da DIPJ/2003 no valor de R$ 509.155,39’, o Contribuinte apresentou algumas Notas Fiscais de 2002 e depósitos bancários de 2002 (cópias de fl.631/719), onde procura justificar a manutenção no passivo daquele valor. Ou seja, o contribuinte não logrou apresentar os documentos hábeis, legais e necessários à comprovação do solicitado por esta fiscalização (p.ex.: contratos de.fornecimento, pedidos de compra, notas fiscais de saída posteriores ao ano de 2002, conhecimento de transportes, tudo coincidentes em datas e valores). 002 – OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Omissão de receita financeira caracterizada pela falta de contabilização de rendimentos oriundos de aplicações financeiras – fundos de investimento em quotas de fundos de investimentos Boston (cópias de fl.720), gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação. Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.087 3 Regularmente intimado conforme item 10 da Intimação de fl.63/65, ‘Justificar o valor de R$ 21.926,89 de rendimentos oriundos de Aplicação de Investimento em Renda Fixa no Banco de Boston S A que não consta de sua DIPJ/2003’, o Contribuinte requereu um prazo até o dia 02/08/2005 e não apresentou o solicitado até a presente data (fl.).” A ciência do contribuinte efetivouse em 16/9/05 (fls.721, 727, 734 e 741). Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Terceira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.1.602/1.609): OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Não restando caracterizada a ocorrência de passivo fictício, deve ser cancelado o lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O lançamento se consolida administrativamente no que se refere à matéria não impugnada, considerandose como tal a matéria que não tenha sido expressamente contestada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Em decorrência do valor exonerado, recorreuse de ofício. Devidamente cientificado de tal decisão em 14/5/08 (fl.1.620), o contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. O processo foi encaminhado ao CARF em 8/5/09 (fl.1.622). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Conforme relatado, a matéria devolvida ao CARF limitase à autuação a título de omissão de receitas (passivo fictício), exonerada integralmente em primeira instância. A Terceira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) decidiu, in verbis: 1. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Neste item, a fiscalização apurou omissão de receita caracterizada pela manutenção, no Passivo, de obrigações incomprovadas. O art. 281 do RIR/1999 determina, verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.088 4 improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: (...) II – a falta de escrituração de pagamento efetuado; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. A norma legal acima, no item III, separa em dois tipos a imputação de omissão de receitas: Passivo Fictício e Passivo nãocomprovado. O Passivo Fictício propriamente dito constitui a manutenção, em conta de Passivo, de obrigações já quitadas, enquanto que o Passivo Não Comprovado se revela ante a não apresentação de provas da existência de obrigações a pagar. Para a confirmação da existência de qualquer uma das espécies acima, o demonstrativo ou rol da composição analítica da conta de Passivo é peça fundamental na instrução do Auto de Infração, conquanto só a partir de tal demonstrativo é que se poderá afirmar a inexistência ou a nãocomprovação dos elementos que integram a dita conta contábil. Em relação à espécie Passivo Fictício, é da fiscalização o ônus da prova de que o pagamento ocorreu antes do encerramento do exercício. Em relação à espécie Passivo nãocomprovado, cabe ao interessado o ônus da prova dos valores por ele escriturados em conta de Passivo. Observase que o item II (citado no enquadramento legal) não trata do tipolegal Passivo Fictício. O art. 845, §1º, do RIR/1999, dispõe que ‘os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão’. O art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, determina, verbis: Art. 9°. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis comprovação do ilícito. (sublinhei) Na Descrição dos Fatos, a fiscalização aponta que o interessado, regularmente intimado (fls.63/65), não apresentou os documentos solicitados no item 7, ‘Documentos suportes das Duplicatas elencadas no rol apresentado a esta fiscalização em resposta anterior no valor total de R$ 1.287.130,32’, uma vez Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.089 5 que apresentou Notas Fiscais (fls.66/630), mas não apresentou duplicatas quitadas. Na Descrição dos Fatos, a fiscalização aponta, ainda, que o interessado não apresentou os documentos solicitados no item 8, ‘Documentos suportes que justifiquem os Lançamentos efetuados à Conta 230210000 Receitas de Exercícios Futuros Ficha 39 A Linha 23 da DIPJ/2003 no valor de R$509.155,39’, uma vez que apresentou algumas Notas Fiscais e depósitos bancários (fls.631/719), mas não apresentou contratos, pedidos de compra, etc. Observase que, conforme alega o interessado, o valor considerado pela fiscalização como omissão de receitas corresponde aos totais apresentados na DIPJ/2003, nos itens 1 (Fornecedores) e 23 (Resultado de Exercícios Futuros) da Ficha 39 A Passivo Balanço Patrimonial (fl.49). Em relação ao valor de R$ 1.287.130,32, a fiscalização juntou a relação de fls.55/62, onde temse o demonstrativo da composição analítica da conta. Em relação ao valor de R$ 509.155,39, a fiscalização não juntou demonstrativo da composição analítica da conta; em sede de impugnação, o interessado juntou a planilha de fls.1.284/1.286. Na análise do lançamento referente ao valor de R$ 1.287.130,32, verificase que a fiscalização mesclou, indevidamente, as duas espécies, Passivo Fictício e Passivo não comprovado. Apresentadas as notas fiscais, tinha a fiscalização o dever de examinálas, em confronto com a escrituração do interessado. A recusa dos documentos apresentados teria que ser fundamentada. Acrescentese que não consta dos Autos ter a fiscalização, após a apresentação das notas fiscais recusadas, ter solicitado qualquer outro esclarecimento ou documento. Uma vez que não se pode exigir prova negativa, não se pode solicitar ao interessado a prova de não ter pago determinada obrigação e, muito menos, diante de vencimento da obrigação previsto para o anocalendário subseqüente, presumir pagamento antecipado. Diante da prova da manutenção, no Passivo, de obrigações já pagas, a legislação autoriza a presunção de omissão de receitas, invertendo o ônus da prova. Porém, não se pode presumir o fato base que autoriza a presunção, que é a inclusão, no saldo de conta de Passivo, de obrigações já pagas. Este fato há que ser provado. Deve, então, ser afastada a presunção de omissão de receitas referente ao valor de R$ 1.287.130,32, posto que a fiscalização não provou o fatobase que a autoriza, que é a inclusão, no saldo da conta Fornecedores, de obrigações já pagas. Quanto ao lançamento referente ao valor de R$ 509.155,39, primeiramente, observo que o grupo Resultado de Exercícios Futuros é de utilização muito restrita, pois só deverão dele Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.090 6 constar valores recebidos que não serão, em hipótese alguma, devolvidos pela empresa, nem representem obrigação qualquer de sua parte de entregar bens ou serviços. Na hipótese de valores recebidos de clientes por conta de mercadorias ou serviços a entregar, tais montantes representam uma obrigação da empresa de produzir ou entregar tais bens. Logo, sua classificação adequada e única é no Passivo, Circulante ou Exigível a Longo Prazo, conforme o previsto para o cumprimento da obrigação. Na impugnação, o interessado alega que as obrigações incomprovadas relacionadas à conta Receitas de Exercícios Futuros são referentes a depósitos a titulo de vendas antecipadas. Deste modo, registrese ser inadequada a classificação contábil adotada pelo interessado. A fiscalização efetuou o lançamento em face de o interessado não ter apresentado os documentos solicitados no item 8, uma vez que apresentou algumas Notas Fiscais e depósitos bancários (fls. 631/719), mas não apresentou contratos, pedidos de compra, etc. Diante da apresentação de Notas Fiscais e de depósitos bancários, tinha a fiscalização o dever de examinar tais documentos, em confronto com a escrituração do interessado. A recusa dos documentos apresentados teria que ser fundamentada. Acrescentese que não consta dos Autos ter a fiscalização, após a apresentação dos documentos recusados, ter solicitado qualquer outro esclarecimento ou documento. Em se tratando de adiantamentos de clientes, tendo havido a emissão de nota fiscal, a apuração da matéria tributável deveria estar relacionada com possível inexatidão quanto ao período de escrituração da receita. Assim, se apurada postergação no reconhecimento de receita, caberia lançamento com base no art. 273, do RIR/1999. Deve, então, ser, também, afastado o lançamento referente ao valor de R$ 509.155,39, por não ter restado caracterizada a ocorrência da infração imputada ao interessado.” Pois bem. Vêse, da narrativa fiscal e da decisão a quo, que o suposto passivo fictício desdobrase em duas parcelas: uma, no valor de R$ 1.287.130,32; outra, de R$ 509.155,39. A) Valor de R$ 1.287,130,32 De acordo com a fiscalização, o contribuinte, em atendimento ao item 71 do Termo de Intimação Fiscal (fls.63/64), apenas teria disponibilizado as notas fiscais (fls.66/630), sem, entretanto, entregar as duplicatas quitadas. Anteriormente, o autuado já havia 1 "[...] 7. Documentos suportes das Duplicatas elencadas no rol apresentado a esta fiscalização em sua resposta anterior no valor total de R$ 1.287.130,32 [...]"; Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.091 7 sido instado a “Apresentar rol de duplicatas em aberto da Conta Fornecedores em 31.12” (item 13 do Termo de Início de Fiscalização – fl.53). Pelo relato fiscal, realmente se trataria, como identificado pela DRJ, de imputação de manutenção no passivo de obrigações já pagas (art.281, III, primeira parte, do RIR/99). Acontece que a fiscalização sequer aprofundou a auditoria. Após receber o rol de duplicatas em aberto, entendeu que se tratavam de obrigações já quitadas no curso do anocalendário. Cabialhe o ônus de comprovar que o contribuinte mantinha no passivo obrigações já pagas e não simplesmente presumir que relativamente às notas fiscais relacionadas os pagamentos ocorreram ainda em 2002. Na impugnação, o contribuinte esclareceu que “...reuniu os valores constantes da ‘relação em aberto 2002’ (base para o lançamento, conforme descrito no Auto de Infração) em grupos, conforme a situação de cada um dos valores lá referidos”: Grupo I : Notas fiscais com vencimento no ano de 2003; Grupo II: Notas fiscais cujo pagamento só se deu em 2003 (vencimento em 2002); Grupo III: Notas fiscais com vencimento prorrogado para 2003 (vencimento em 2002, com prorrogação de prazo para pagamento); Grupo IV: Descontos (vencidas em 2002 e não pagas por não serem devidas); Grupo V: Simples remessas (notas fiscais de remessas de produtos ao beneficiador, relativas a serviços de beneficiamento de produtos – v.g. tingimento/lavanderia ou bordados); Grupo VI: Notas Fiscais não pagas (notas fiscais vencidas em 2002 e que não foram pagas naquele ano). A verdade é que, de posse das notas fiscais, deveria a autoridade fiscal ter solicitado maiores informações ao contribuinte (v.g., pedidos, planos de pagamento das obrigações) ou mesmo aos fornecedores. Passados alguns anos, a realização de uma diligência poderia até servir para trazer ao autos elementos sobre as informações prestadas pelo impugnante, porém, caso se verificasse que ao final do anocalendário 2002 constaram realmente obrigações pagas na conta do passivo, o lançamento ainda assim não subsistiria, pois tal fundamentação, inclusive lastreada em provas documentais, teria sido construída em sede de julgamento, o que caracterizaria inovação por autoridade sem competência para tanto. Sem reparos a fazer, portanto, na decisão de primeira instância, que concluiu: “[...] Apresentadas as notas fiscais, tinha a fiscalização o dever de examinálas, em confronto com a escrituração do interessado. A recusa dos documentos apresentados teria que ser fundamentada. Acrescentese que não consta dos Autos ter a Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.092 8 fiscalização, após a apresentação das notas fiscais recusadas, ter solicitado qualquer outro esclarecimento ou documento. Uma vez que não se pode exigir prova negativa, não se pode solicitar ao interessado a prova de não ter pago determinada obrigação e, muito menos, diante de vencimento da obrigação previsto para o anocalendário subseqüente, presumir pagamento antecipado. Diante da prova da manutenção, no Passivo, de obrigações já pagas, a legislação autoriza a presunção de omissão de receitas, invertendo o ônus da prova. Porém, não se pode presumir o fato base que autoriza a presunção, que é a inclusão, no saldo de conta de Passivo, de obrigações já pagas. Este fato há que ser provado.” B) Valor de R$ 509.155,39 O contribuinte, em atendimento ao item 82 do Termo de Intimação Fiscal (fls.63/64), apenas teria disponibilizado algumas notas fiscais e depósitos bancários de 2002 (fls.631/719), “onde procura justificar a manutenção no passivo daquele valor”, sem “apresentar os documentos hábeis, legais e necessários à comprovação do solicitado por esta fiscalização (p.ex.: contratos de fornecimento, pedidos de compra, notas fiscais de saída posteriores ao ano de 2002, conhecimentos de transportes, tudo coincidentes em datas e valores”. Pelo relato fiscal, tratarseia de autuação por manutenção no passivo de obrigações com exigibilidade não comprovada (art.281, III, parte final, do RIR/99). Na impugnação, o contribuinte afirmou que o valor se referia a vendas antecipadas. Esclareceu que, “...Nestes casos, a Impugnante recebe antecipadamente o valor da venda, que muitas vezes só se concretizará meses depois – em alguns casos, somente no exercício seguinte”. Todos os depósitos em 2002 totalizariam R$509.155,39. Parte dos valores recebidos antecipadamente, no total de R$185.250,16, seria relativa a “...vendas concretizadas somente no exercício seguinte (2003)”. Por serem “...receitas que só se realizarão no exercício seguinte (2003), está correta a sua manutenção no passivo, em conta de ‘Receitas de Exercícios Futuros’”. Teria havido incorreção contábil, pois “...as notas fiscais emitidas em 2002 foram lançadas como receita de venda, e sua contrapartida contábil foi na conta ‘Clientes a Receber’, enquanto deveriam ter sido lançadas a débito da conta vendas antecipadas, zerando parte do seu saldo”. Tais incorreções teriam sido ajustadas no fechamento do balanço de 2003. Quanto à parcela restante (R$ 323.897,79), em razão de erros contábeis deixou de efetuar a baixa nas referidas receitas. Na pior das hipóteses, o lançamento deveria ter sido realizado com base em postergação do pagamento do imposto (art.273 do RIR/99), jamais por omissão de receitas. O grupo denominado pela Lei nº 6.404/76 de “Resultados de Exercícios Futuros” compunhase, na vigência do seu art.181, revogado pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, das “receitas de exercícios futuros, diminuídas dos 2 "[...] Documentos suportes que justifique os Lançamentos efetuados à Conta 2302010000 Receitas de Exercícios Futuros Ficha 39A Linha 23 da DIPJ/2003 no valor de R$ 509.155,39 [...]"; Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.093 9 custos e despesas a elas correspondentes”. Neste grupo, ao contrário do que entendeu o Recorrente, não deveriam, como alertam Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke (in Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável também às demais sociedades. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1994, p.409) ser registradas as contrapartidas de eventuais faturamentos antecipados, não sendo os valores ali escriturados representativos de qualquer tipo de obrigação por parte da sociedade. Ainda de acordo com os autores: “Podese perceber que o grupo Resultados de Exercícios Futuros é de utilização muito restrita, pois só deverão dele constar valores recebidos que não serão, em hipótese alguma, devolvidos pela empresa nem representam obrigação qualquer de sua parte de entregar bens ou serviços. Além disso, esses recebimentos devem referirse a transações que afetarão o patrimônio nos exercícios seguintes.” (p.411) A rigor, ao menos formalmente, não se tratava de conta de passivo. Interessam, no entanto, os fatos contábeis. Como dito, o contribuinte acostou aos autos planilha com a relação dos depósitos efetuados em 2002 (fls.1.284/1.286), supostamente realizados por seus clientes, e dos respectivos comprovantes e notas fiscais a eles correspondentes. Tais documentos de per si não comprovam que tais operações relacionamse a vendas antecipadas. Aqui não se descarta de antemão que os cheques depositados sejam de clientes que tenham concluído pedidos de roupas e acessórios, porém, muitos comprovantes não auxiliam no esclarecimento, a exemplo dos seguintes: Data Histórico Valor (R$) Folha 08/07/02 TRANSF. ENTRE AGENC. DINH 550,09 2.424 11/07/02 AUTODEP. TRANS. ENTRE AG. 73,14 2.422 17/09/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 30.000,00 2.450 23/09/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 15.000,00 2.488 03/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 20.000,00 2.518 07/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 3.000,00 2.532 07/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 3.000,00 2.540 08/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 8.500,00 2.538 10/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 2.000,00 2.544 10/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 4.000,00 2.548 15/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 6.000,00 2.556 15/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 8.000,00 2.562 16/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 1.500,00 2.572 16/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 1.500,00 2.578 17/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 11.000,00 2.584 21/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 10.000,00 2.596 22/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 1.500,00 2.618 28/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 2.000,00 2.622 28/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 3.000,00 2.626 28/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 7.000,00 2.632 31/10/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 8.000,00 2.642 04/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 21.000,00 2.669 06/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 3.000,00 2.695 13/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 2.500,00 2.753 Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.094 10 13/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 3.500,00 2.759 13/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 4.000,00 2.763 18/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 25.054,88 2.791 19/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 10.000,00 2.821 25/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 10.000,00 2.834 26/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 19.000,00 2.848 28/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 8.000,00 2.868 28/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 6.000,00 2.878 28/11/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 14.000,00 2.888 03/12/02 TRANSF. ENTRE AGENC. DINH 4.300,00 2.892 04/12/02 DEPÓSITO EM C/C 306,00 2.894 05/12/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 12.000,00 2.898 09/12/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 25.000,00 2.902 13/12/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 8.000,00 2.924 16/12/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 20.000,00 2.936 20/12/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 18.000,00 2.976 23/12/02 DEPÓSITO EM DINHEIRO 13.000,00 3.002 A relação dos depósitos/transferências, que diriam respeito aos adiantamentos dos clientes, totaliza R$ 509.147,95, conforme planilha acostada pelo contribuinte (fls.2.398/2.402), valor bem próximo ao glosado. Considerando a documentação anexada quando da impugnação, podese concluir, por verossimilhança, que os depósitos, que totalizam o valor escriturado como “Receita de Exercícios Futuros”, informado em DIPJ (Ficha 39 A, Linha 23 fl.99), dizem respeito a vendas realizadas, algumas faturadas no próprio anocalendário 2002, outras apenas em 2003. Em que pese a auditoria pudesse ter sido aprofundada, notese que o contribuinte apresentou os detalhes relacionados à comprovação de sua tese apenas em sede de impugnação, quando procurou esmiuçar as operações que lastrearam o valor escriturado na conta “Receita de Exercícios Futuros”, com a correlação dos depósitos/transferências às respectivas notas fiscais. De acordo com estes documentos, uma parcela das vendas (R$ 185.250,16) apenas foi faturada no ano seguinte. Quanto ao restante (R$ 323.897,79), deveria o contribuinte ter realizado as respectivas baixas em 2002 (R$ 323.897,79). Assim, caso os lançamentos contábeis tenham ocorrido da maneira como afirmou (crédito em Receitas de Vendas e débito em Clientes, quando da emissão da nota fiscal), deveria ter baixado da conta Adiantamento de Clientes (ou, no caso, Receitas de Exercícios Futuros), em contrapartida a Clientes, os valores inicialmente adiantados3. Entretanto, tal impropriedade não caracteriza passivo não comprovado de modo a reclamar a incidência do art.281 do RIR/99. Em se tratando de vendas, como demonstram as notas fiscais e os depósitos, a omissão resultaria de suposto não oferecimento à tributação das respectivas receitas, que, frisese, não foi o que imputou a autoridade fazendária. Desnecessário, por conseguinte, averiguar, por exemplo, os lançamentos contábeis 3 No momento inicial, quando do adiantamento, deveria ter sido creditada a conta Adiantamento de Clientes (ou, no caso, incorretamente Receitas de Exercícios Futuros) em contrapartida à conta Banco. Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.001316/200551 Acórdão n.º 1103000.932 S1C1T3 Fl. 3.095 11 mencionados pelo contribuinte, bem como se houve postergação do pagamento, pois a manutenção, se for o caso, de qualquer parcela do crédito tributário constituído decorreria necessariamente da premissa de inovação de fundamentação, vedada em sede de julgamento. Conforme ressaltado pela DRJ, “...em se tratando de clientes, tendo havido a emissão de nota fiscal, a apuração da matéria tributável deveria estar relacionada com possível inexatidão quanto ao período de escrituração da receita”. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10530.724527/2009-35
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/12/2009
DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL DO BRASIL TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DO INTERESSE DA MESMA.
A empresa é obrigada a prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O não atendimento à regular intimação fiscal configura infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.507
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/12/2009 DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL DO BRASIL TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DO INTERESSE DA MESMA. A empresa é obrigada a prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O não atendimento à regular intimação fiscal configura infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini.
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Obrigação Acessória Recorrente COMPOJET BIOMEDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2009 DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL DO BRASIL TODAS AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DO INTERESSE DA MESMA. A empresa é obrigada a prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O não atendimento à regular intimação fiscal configura infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 45 27 /2 00 9- 35 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724527/200935 Acórdão n.º 2803002.507 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724527/200935 Acórdão n.º 2803002.507 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter prestado à fiscalização esclarecimentos acerca dos contratos de prestação de serviços firmados, constantes no TIPF, também não prestou esclarecimentos sobre os valores escriturados na conta 32007Serviços prestados por terceirosPF, que divergem do que consta da DIPJ 2006 e deixou de prestar esclarecimentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal 003 sobre o valor declarado na DIPJ/2006, referente ao exercício de 2005 na Ficha 05A Linha 03 prestação de serviço PF sem vínculo empregatício, ao qual declarou o valor de despesa de R$ 102.948,44 (cento e dois mil novecentos e quarenta e oito reais e quarenta e quatro centavos). O r. acórdão – fls 117 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Todos os documentos foram apresentados, exceto os que não existem, no caso os contratos firmados informalmente. · Excesso no valor da multa. Mera portaria não tem o condão de estabelecer valor da multa. · Requer a improcedência do auto lavrado. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724527/200935 Acórdão n.º 2803002.507 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A empresa foi autuada por não ter apresentado todos os esclarecimentos a fiscalização. In casu, não foram apresentados os contratos de prestação de serviços firmados, constantes no TIPF, também não prestou esclarecimentos sobre os valores escriturados na conta 32007Serviços prestados por terceirosPF, que divergem do que consta da DIPJ 2006 e deixou de prestar esclarecimentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal 003 sobre o valor declarado na DIPJ/2006, referente ao exercício de 2005 na Ficha 05A Linha 03 prestação de serviço PF sem vínculo empregatício, ao qual declarou o valor de despesa de R$ 102.948,44 (cento e dois mil novecentos e quarenta e oito reais e quarenta e quatro centavos). A legislação previdenciária, em especial a lei 8212/91 art. 32, III e parágrafo 11 c/c art. 225, III do decreto 3048/99, determina a obrigatoriedade de apresentação todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil. Uma vez não apresentadas as informações na forma prevista na legislação previdenciária, cabe a lavratura do respectivo auto de infração. Transcrevemos o art 32,III da lei 8212/9. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Eventual improcedência da autuação darseia, e.g. com a demonstração de que tais esclarecimentos foram devidamente prestados dentro do prazo determinado pela autoridade fiscal no Termo de Intimação entregue ao contribuinte ou fosse apontada alguma irregularidade no procedimento fiscal, o que não ocorreu. Por certo que os contratos podem ser firmados verbalmente, mas isso não afasta a responsabilidade de a empresa, ante a intimação apresentada, reduzir a termo o que contratado e apresentar ao Auditor requisitante as bases do que acordado, o que não restou demonstrado. O próprio termo de intimação informa que todos os esclarecimentos devem ser feitos por escrito. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10530.724527/200935 Acórdão n.º 2803002.507 S2TE03 Fl. 6 5 Além disso, não se manifestou acerca de outras condutas apontadas na autuação não prestou esclarecimentos sobre os valores escriturados na conta 32007Serviços prestados por terceirosPF e sobre o valor declarado na DIPJ/2006, o que por si só seria bastante a fundamentar a autuação, que tem valor fixo, não variando em razão do número de infrações praticadas. O recorrente se insurge ainda contra o valor da multa aplicada, entendendo que a Portaria MPS n. 48 de 12.02.2009, que atualizou os valores das multas, não é instrumento hábil para tanto, sendo necessária lei para tal alteração. Tenho que não assiste razão a recorrente. A legislação que fundamentou o auto é a vigente no momento do fato gerador, sendo que o art. 102 da lei 8.212/91 autoriza a correção do valor da multa nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social e este valor é aplicado quando da lavratura do respectivo auto. A portaria em questão apenas deu publicidade à correção efetivada por lei, não alterando seus índices. Assim sendo, o valor da multa aplicada foi corretamente calculado, não havendo reparo a ser efetivado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13888.000474/85-37
Data da sessão: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 1986
Ementa: IRPJ - ANULABILIDADE DA DECISÃO RECORRIDA
Se esta deixa de julgar o mérito do litígio, sem ter havido preliminar prejudicial a ele, deve ser anulada para que
o processo seja sanado e restaurado o duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 101-76.357
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro
Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida para que outra seja prolatada, na boa e devida forma, no termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Agostinho Serrano Filho
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P IRACICABANA DE AUTOMÓVEIS Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM LIMEIRA (SP) . IRPJ - ANULABILIDADE DA DECISÃO RECORRI- DA - Se esta deixa de julgar o mérito do litígio, sem ter havido preliminar preju dicial a ele, deve ser anulada para que o processo seja sanado e restaurado o du_ pio grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CIA. PIRACICABANA DE AUTOMÓVEIS: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida para que outra seja prolatada, na boa e devida forma, no termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgadopf Sala das S g s õe(DF), em 14 de janeiro de 19861/I I," < irf jw, AMADOR 04t ' -7 ERNÃNDEZ - PRESIDE),,i ,/, ,/, jor 4.,, ,... ....0 o ...._ ...... TIN • R•À o FILHO - RELATOR ',f 1 ---f # AGOST NHO FL0,-- - PROCURADOR DA FAZENDA VISTO EM NACIONAL SESSÃO DE; 16 IAN 191f, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: SYLVIO RODRIGUES,, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GON ÇALVES NUNES, JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, ALCEU DE AZEVEDO FONSE= CA PINTO e RAUL PIMENTEL. 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Ni g 13888-000.474/85-37 RECURSO N9: 89 .839 ACÓRDÃO N9: 101 -76.357 RECORRENTEN9: CIA. PIRACICABANA DE AUTOMÓVEIS RELATORI O A empresa em epígrafe, jã qualificada nos autos, irresignada com a decisão singular de fls. 12, que julgou proceden- te o AViso de Cobrança, aposto *ás fls. 02, exigindo multa suplemen tar, recorre a este Conselho. Em sua impugnação, ã. fls. 01, alega o seguinte, em síntese: - que o lançamento suplementar foi motivado pelo fa to de a empresa ter pago o imposto de renda apenas com o acréscimo da correção monetãria, usufruindo dos benefícios do Decreto-lei n9 2.163 de 19.09.84, revigorado pelo Decreto-lei n9 2.176 de 29de no vembro de 1984; - que, por isso, requer o cancelamento da notifica- ção suplementar. Esta é a ementa da decisão recorrida: "Aviso de cobrança não instaura fase litigiosa. Im- 2 pugnaçâo improcedente". Em seu recurso, de fls. 14 e 15, alem de reiterar a defesa da impugnação, ainda DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13888-000.474/85-37 3.- ACÓRDÃO N9 101-76,357 1 - preliminarmente, protesta pela forma como foi conduzido o processo, pois, sendo algo tão simples, a empresa se vê na obrigação de recorrer. 2 - De acordo com o artigo 142 do C.T.N., o lança mento está constituído e s6 através de uma impugnação ou recurso a empresa poderá ilidi-lo, estranhando o fato de não ter havido ne_ nhuma decisão pela primeira instância. 3 - Idêntico lançamento foi feito á empresa Revel, localizada em Campinas, e, tendo havido impugnação, a Delegacia decidiu simplesmente pelo arquivamento do processo, como provamos documentos anexados. É o relatõrio. VOTO Conselheiro AGOSTINHO SERRANO FILHO, Relator: Foram interpostos, com, guarda do prazo legal, tan to a impugnação como o recurso. Por isso, deste tomo conhecimento. Esta é a ementa da decisão recorrida: "Aviso de cobrança não instaura fase litigiosa". Contudo, de acordo com o artigo 14 do Decreto núme_ ro 70.235, de 6 de março de 1972, "a impugnação da exigência ins- taura a fase litigiosa do procedimento". Portanto, data venia à decisão recorrida, quando a empresa se defendeu, através de sua impugnação de fl. 0.1, dizendo que pagou o Imposto de Renda com correção monetãria, sem multa, baseada nos decretos-leis n9 2.163 , e 2.176 de 1984, instaurou a fase litigiosa do processo e deve t _ 0 , 41 ria ter sido julgada sua pretensão. IV Considerando que a respeitável decisão de la. in - (t v.v ,..,/ - - tância não considerou o mérito do litígio, voto pela anulação da decido recorrida, a fim de que outra seja rolatada com o julgamento do merit ,1 na +oa e devida forma 'C O' 0 dP '9 -.' r 40?' 411 TI HO SERRANO FILHO - REL OR , ,., - „ - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.721067/2009-17
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 67 /2 00 9- 17 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 117/156, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de PIS do período de 01/07/2008 a 30/09/2008, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório de fls. 47 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 09283.31661.221009.1.5.106487 e homologando as compensações declaradas nas Dcomp nºs 33106.53588.221009.1.7.101978, até o limite do crédito reconhecido de PIS, reconhecendo o crédito de R$ 183.688,40, dos R$ 453.369,42, decorrentes de operações no mercado interno, referentes ao 3º Trimestre/2008. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF e estão controlados pelo processo eletrônico de cobrança nº 08.1.04.002010 002082. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 3302002.971 S3C3T2 Fl. 7 3 Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal”. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Ciente da decisão, a Interessada interpôs o Voluntário, e em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de PIS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721067/200917 Acórdão n.º 3302002.971 S3C3T2 Fl. 8 5 Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceira pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003305/94-07
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - RERRATIFICAÇA0 DE JULGADO - Cabível a retificação do
Acórdão, quando o Relator não enfrentou todas as matérias.
Numero da decisão: 102-42.064
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RERRATIFICAR o Acórdão n° 102-41.191 de 25/02/97, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Antonio de Freitas Dutra
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GLAYDSON BEZERRA MARTINS. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, RERRATIFICAR o Acórdão n° 102-41.191 de 25/02/97, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DEFREITAS DUTRA PRESIDENTE e RELATOR FORMALIZADO EM: 1 7 OUT 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros URSULA HANSEN, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. CMA MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.003305/94-07 Acórdão n°. :102-42.064 Recurso n°. :06.317 Recorrente : GLAYDSON BEZERRA MARTINS RELATÓRIO Retorna o processo para meu exame em razão do despacho de fl. 49 onde a autoridade executora do Acórdão de n° 102-41.191 (fls. 42/47) alerta para o fato de que a glosa das deduções das despesas com instrução não foram enfrentadas. Com efeito, este Relator cometeu um lapso, ao deixar de apreciar a matéria cima mencionada. A outra matéria, ou seja, Contribuições e Doações já foi matéria apreciada pela Câmara no Acórdão n° 102-41.191. É o relatório. t( 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBULNTES Processo n°. : 10380.003305/94-07 Acórdão n°. : 102-42.064 VOTO Conselheiro Antonio de Freitas Dutra, Relator Recebo os autos, nos termos do despacho de fl. 49 já mencionado no relatório. Transcrevo o voto proferido no Acórdão n° 102-41.191, acrescentando a matéria não abordada. O recurso é tempestivo, dele conheço. O litígio trazido a julgamento desta Câmara diz respeito glosa de despesa com doações, e glosa de despesas com instrução. Na análise da cópia da declaração de rendimentos do exercício de 1993, ano calendário de 1992 observa-se que: - O valor pleiteado como dedução a título de "Contribuições e doações" foi o equivalente a 1.953,82 UFIR (documento de folha 13). e o valor pleiteado a título de despesas com instrução foi de 102,00 UFIR.A„. 3 e..; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, ze Processo n°. : 10380.003305/94-07 Acórdão n°. : 102-42.064 Apenas para argumentar, não procede o inconformismo do recorrente de que a autuação deu-se com base no RIR/80, e que o julgador monocrático fundamentou sua decisão na Lei N° 3.830/60, porquanto, os artigos 1° e 2° da Lei N° 3.830/60 são a base legal do artigo 76 do RIR/80. Assim, não há que se falar que o RIR/80, aprovado pelo Decreto N° 85.450180 derrogou a Lei n° 3.830/60. Apenas, como já disse, a Lei N°3.830/60, está ínsita no artigo 76 do RIR/80. Não subsistindo desta forma qualquer conflito. Esta exigência foi equivocadamente registrada no Manual de Orientação para preenchimento da declaração de Rendimentos do exercício em pauta, quando na página 21 no título "CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES - LINHA - 12" constou: h" as instituições filantrópicas, de educação , de pesquisa científica ou de cultura, inclusive artística, que estejam legalmente constituídas no Brasil e funcionando com observância dos estatutos aprovados. É preciso, porém, que estas entidades sejam reconhecidas como de utilidade pública em nível federal OU estadual e não distribuam lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto". Portanto, induzindo o contribuinte ao erro. Sobre o assunto a Câmara Superior de Recursos fiscais já se manifestou no Acórdão CSRF/01-1.027/90, de que os manuais de orientação identificam-se com as normas complementares admitidas no art. 100 do C.T.N, já que são atos normativos por excelência e resultam de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa.k_ 4 L MINISTÉRIO DA FAZENDAa„, 11%, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBULNTES •n?; Processo n°. : 10380.003305/94-07 Acórdão n°. : 102-42.064 Quanto à despesa com instrução, não há como socorrer o recorrente, tal como bem esplanou a DRJ/Fortaleza na parte final de fl. 32. Diante disso e do fato que o contribuinte comprovou, pelo documento anexado ao recurso (fis., 03/08). que a entidade beneficiada é reconhecida de utilidade pública a nível estadual, VOTO no sentido de conhecer o recurso, por tempestivo, para rerratificar o Acórdão n° 102-41.191, de 25/02/97 e no mérito dar-lhe provimento parcial para restabelecer a dedução pleiteada como "Contribuições e Doações" no valor equivalente a 1.953,82 UFIR. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 17 de setembro de 1997. ANTONIO DE FREITAS DUTRA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 19740.000460/2003-53
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a tempestividade dos embargos, bem como a efetiva ocorrência de omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe conhecer e acolher os embargos, para retificar tais equívocos. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece de recurso voluntário quanto a matéria concomitante com ação judicial (Súmula 2 do CARF).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1402-000.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, e no mérito, retificar o acórdão 140200.356, de 02/09/2010, para não conhecer o recurso voluntário, em razão da discussão da mesma matéria
em ação judicial, nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a tempestividade dos embargos, bem como a efetiva ocorrência de omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe conhecer e acolher os embargos, para retificar tais equívocos. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece de recurso voluntário quanto a matéria concomitante com ação judicial (Súmula 2 do CARF). Embargos Acolhidos.
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Constatada a tempestividade dos embargos, bem como a efetiva ocorrência de omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, cabe conhecer e acolher os embargos, para retificar tais equívocos. CONCOMITÂNCIA. Não se conhece de recurso voluntário quanto a matéria concomitante com ação judicial (Sumula 2 do CARF). Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, e no mérito, retificar o acórdão 140200.356, de 02/09/2010, para não conhecer o recurso voluntário, em razão da discussão da mesma matéria em ação judicial, nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 529DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 140200.720 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL apresentou Embargos de Declaração, contra o acórdão 140200.256, proferido na sessão de 2/9/2010. Vejamos a transcrição dos fundamentos dos embargos (fls. 520): Eméritos Julgadores, O r. acórdão afastou a Embargada sob o fundamento de que "lucro", mas sim "superávit". Inexistindo fato gerador da Contribuição Social Sobre sujeição passiva da mesma não apuraria no ver do r. acórdão, o Lucro Liquido. Outrossim, o r. acórdão acolheu o entendimento que não houve erro na identificação do contribuinte, tendo havido regular sucessão empresarial em 2000 entre a Coifa e a Mongeral. Ocorre que o r. acórdão, smj, passou ao largo da questão prejudicial, relatada pela Mongeral em sede de impugnação, que a referida empresa havia impetrado o MS n° 2002.51.010125572, perante a 14a Vara Federal do Rio de Janeiro, as fls. 89 a 127. No referido mandamus é requerido que "(...) seja afastada das impetrantes entidades de previdência privada aberta, atualmente regidas pela Lei Complementar n° 10901 a incidência da contribuição social sobre o lucro liquido, com base no entendimento de que as demandantes são entidades sem fins lucrativos, (...)"A segurança foi denegada, tendo a ora Embargada interposto apelação ao Colendo TRF da 2a. Região. Vêse, portanto, que a questão relativa ‘a sujeição passiva da Embargada encontra se sub judice. Sendo defeso em sede do contencioso administrativo discutir a referida questão. Nunca demais lembrar que a respeito do tema o e.CARF editou o enunciado de Sumula n° 01 (..). Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. Mediante despacho de 5/7/2011 este Relator propugnou pela conhecimento dos embargos, nos seguintes termos: Os embargos são tempestivo e atendem os preceitos regimentais (art. 64, inciso I do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009). Pela análise das alegaçoes, em confronto com o voto condutor do acordão guerreado, formei convecimento de que se faz necessário a reapreciação da matéria pelo colegiado. Embora a matéria não tenha sido objeto da decisão de 1a. instância, muito menos abordada no recurso voluntário, tendo a contribuinte impetrado Mandado de Segurança e sendo a questão trazida aos autos antes do julgamento, em principio a matéria não poderia ser apreciada sem considerar os efeitos dessa ação judicial. Diante do exposto, propugno sejam os embargos conhecidos, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, cabendo reincluir o processo em pauta de julgamentos da turma. É o sucinto relatório. Fl. 530DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 19740.000460/200353 Acórdão n.º 140200.720 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Conforme relatado, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos alegando que o contribuinte teria ingressado com ação judicial relativa ao mesmo objeto do presente litígio, qual seja, a não incidência da CSLL sobre os resultados da entidade.. Realmente, o pleito da contribuinte no âmbito do Mandado de Segurança nº MS n° 2002.51.010125572, as fls. 89 a 127, tem objetivo o reconhecimento de que não é cabível a incidência da CSLL sobre seus superávits. Portanto, não cabe a este Conselho apreciar a matéria, em face da concomitância da ação judicial. Neste sentido dispõe o enunciado da súmula no. 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Outrossim, em que pese este Conselho, a DRJ e da DRF não terem competência para manifestar sobre a aludia matéria, em face da ação judicial, a unidade de origem deve cumprir rigorosamente a sentença judicial, quando transitada em julgado. Por sua vez, a contribuinte deve fazer prova do trânsito em julgado da ação judicial e da decisão que lhe foi favorável, se for o caso. Frisese que não cabe a este Conselho analisar os efeitos ou a extensão da decisão judicial. Na hipótese de contribuinte entender que a decisão judicial não está sendo devidamente cumprida, deverá buscar guarida junto ao próprio poder judiciário. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, para sanar omissão, e no mérito retificar o Acórdão 140200256, de 2/09/2010, para não conhecer do recurso em face da concomitância entre o processo administrativo e ação judicial. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 531DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10855.000130/90-11
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS FATURAMENTO - DECORRÊNCIA -
Tratando se de lançamento reflexivo, a decisão
proferida no processo matriz se projeta no julgamento
do processo decorrente recomendando o mesmo
tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 102-30.041
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PIERINI COMERCIAL DE VEÍCULOS LIDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Sala das Sessõe - mi _064 julho de 1995 n 11, ri~ t s PAIVA - PRESIDEN' I OLIVEIRA - RELATOR I VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Ursula Hansen, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva, José Clóvis Alves e José Carlos Passuello. „ , MINISTÉRIO DA FAZENDA 02 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10855/000„ 130/90-11 RECURSO N°: 80.615 ACÓRDÃO N°: 102-30.041 RECORRENTE: PIERINI COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA RELATÓRIO PIERINI COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA.., empresa sediada na cidade de Ta-1W, Estado de São Paulo, na guarda do prazo legal, recorre a este Conselho do ato do titular da DRF em Sorocaba - SP., que, indeferindo sua impugnação, manteve lançamento suplementar em sua declaração de rendimentos apresentada para o exercício de 1985, ensejando a. cobrança do imposto no valor de Cr$ 0,56, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a Pessoa Jurídica, processo matriz, culminando com a lavratura do auto de infração de fls. 10, de onde se transcreve: "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL - Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foi apurada omissão de receita operacional, ocasionando, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo desta contribuição. ANEXOS: Demonstrativos de Cálculo do PIS e dos acréscimos legais respectivos, e cópia do auto de infração matriz (TRP.1)”. Notificado do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 18/20 procurando demonstrar a improcedência do feito, fazendo referência ao mérito, vinculando a decisão deste processo ao que vier a ser decidido no processo principal. A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 28/29, indeferindo a impugnação apresentada pelo contribuinte, cujos fundamentos se acham sintetizados na seguinte ementa: . \\ ' \\\ ./-..--- MINISTÉRIO DA FAZENDA 03 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10855/000.130/90-11 Acórdão N° 102-30.041 "PIS FATURAMENTO - Auto de Infração para exigência de contribuirição ao PIS FATURAMENTO calculado sobre omissão de receita operacional caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, em 21.12.84. Impugnação não acolhida. Lançamento mantido." Não se conformando com a decisão retro, a empresa interpôs recurso a este Conselho às fls. 34/35, cujas razões são lidas na íntegra em sessão. É o relatório MINISTÉRIO DA FAZENDA 04 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NI' 10855/000.130/90-11 Acórdão N° 102-30.041 VOTO Conselheiro WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, Relator: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex-officio levado a efeito contra a pessoa jurídica relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fis. 10„ Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da recorrente revelado na peça impugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo matTiz. Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica foi objeto de julgamento por esta Câmara em sessão realizada em 17 de março de 1993, que, por unanimidade de votos negou-lhe provimento, consoante faz certo o acórdão 102-27.960. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo recomendando o mesmo tratamento dada a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto nego provimento ao recurso. Brasília - DE, 06 is e julho de 199.5 WALDEVAN IS DE OLIVEIRA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.002139/2003-51
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 29/04/2003
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERFUMES (EXTRATOS).
As mercadorias referidas como "perfumes" (extratos') no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com teor de composição aromática superior a 10%.
Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 10% nos produtos descritos pela empresa importadora como "Champs Elysées Eau de Toilette Agua
de Colônia, há que se considerar tais produtos como "perfumes" ("extratos"), e, por conseguinte, classificá-los no código 3303.00.10 da NCM, como o fez a Fiscalização.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA
A multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada quando o
importador proceder a classificação fiscal incorreta das mercadorias por ele importadas.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.730
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Maria Teresa Martínez López
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/04/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERFUMES (EXTRATOS). As mercadorias referidas como "perfumes" (extratos') no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com teor de composição aromática superior a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 10% nos produtos descritos pela empresa importadora como "Champs Elysées Eau de Toilette Agua de Colônia, há que se considerar tais produtos como "perfumes" ("extratos"), e, por conseguinte, classificá-los no código 3303.00.10 da NCM, como o fez a Fiscalização. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada quando o importador proceder a classificação fiscal incorreta das mercadorias por ele importadas. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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PERFUMES (EXTRATOS). As mercadorias referidas como "perfumes" (extratos') no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com teor de composição aromática superior a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 10% nos produtos descritos pela empresa importadora como "Champs Elysées Eau de Toilette Agua de Colônia, há que se considerar tais produtos como "perfumes" ("extratos"), e, por conseguinte, classificálos no código 3303.00.10 da NCM, como o fez a Fiscalização. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro deve ser aplicada quando o importador proceder a classificação fiscal incorreta das mercadorias por ele importadas. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 21 39 /2 00 3- 51 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo, interposto pela Contribuinte ao amparo do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais em face do Acórdão nº 30134.067, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 29/04/2003 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. TIPI. PERFUMES (EXTRATOS). As mercadorias referidas como "perfumes" ("extratos") no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom n° 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequarse ao disposto no Decreto nº 79 094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração superior a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 15% em se tratando de fato gerador ocorrido na vigência da Nota Coana nº 253/2002, há que se considerar os produtos como "perfumes" ("extratos") e incorreta a classificação adotada pela importadora, própria para águas decolônia. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. RECURSO DESPROVIDO Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 396 3 O cerne do presente litígio diz respeito classificação fiscal dos produtos importados pela empresa, especificamente, no que tange ao critério de classificação fiscal: deve ou não ser levado em consideração o grau de concentração da composição aromática, baseado nos seguintes teores de concentração: (i) se a participação da substância odorífera for inferior a 10%, o produto seria "águadecolônia", classificada no código NCM 3303.00.20, com alíquota de IPI de 10%; e (ii) se a participação da referida substância for entre as proporções mínimas de 10% e máxima de 30%, produto seria perfume (extrato), classificado no código NCM 3303.00.10, com alíquota de IPI de 40. A fiscalização e a decisão recorrida entendem que o grau de concentração da referida substância é determinante para fins de enquadramento tarifário dos citados produtos, logo, como eles apresentavam teor de concentração da substância odorífera acima do limite mínimo estabelecido (10%), tratase de "perfume" (extrato) e não "águadecolônia". Sob entendimento de terem sido cumpridos as condições de admissibilidade do recurso foi dado seguimento, conforme Despacho de fls 350, de 30 de outubro de 2008. Às fls. 354/359, contrarrazões da Fazenda Nacional. Em síntese, pede pelo não provimento ao recurso especial da contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso interposto preenche os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria não é nova, tendo precedentes favoráveis nesta Eg. CSRF. Insurge se a recorrente, contra o r. acórdão proferido pela então Conselhos de Contribuintes, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso da contribuinte. No mérito, é matéria litigiosa a classificação de mercadorias importadas pela ora recorrente, por ela classificadas no código NCM 3303.00.20, específico para as águasde colônia, enquanto que a fiscalização entende correto o código NCM 3303.00.10, próprio para os perfumes (extratos). A fiscalização fundamenta sua exigência em dois pressupostos: (a) em laudos técnicos ( emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angeram) que indicam o teor de substâncias odoríferas compreendido entre 10,9% e 18,2% (valores encontrados por diferença); e (b) no enunciado das alíneas “a” e “b” do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, que estabelece em 10% o limite máximo da concentração da composição aromática das águas de colônia e considera extratos os produtos de concentração aromática superior àquela. O laudo juntado aos autos concluiu que o produto importado é um extrato, mediante a apuração da quantidade de substâncias odoríferas por diferença, por meio de Fl. 440DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 cálculo aritmético, sob a premissa de que todos os componentes que não correspondem à água ou ao álcool seriam considerados substância odorífera; entretanto, não restou comprovado que o percentual apurado por diferença seja composto somente de essências; Penso que a técnica utilizada é falha, pois desconsidera as outras substâncias que compõem os produtos em tela (além do etanol, da água e das substâncias odoríferas), bem como as variações que podem ocorrer no percentual de álcool em virtude de mudanças de temperatura na execução dos testes. Nesse sentido a contribuinte argui que: Notese que não foi mencionado o modelo de cromatógrafo utilizado nas análises. Também as "referências bibliográficas" (que não foram especificadas no laudo), indicam considerarse "perfume" a solução hidroalcoólica contendo de 10 a 25% de essências, e "águadecolônia" a que contém de 2 a 6%, sem explicitar o que seriam os produtos que contêm de 6 a 10% de essências. Ressaltese, ainda, a contradição existente entre o Auto de Infração, que cita norma da ANVISA, enquanto o laudo se baseia na aludida "bibliografia"; Entendo assistir razão à contribuinte eis que no entender desta Conselheira, o Decreto 79.094, de 1977, específico para o registro no sistema de vigilância sanitária, não se presta para o fim pretendido pela fiscalização. Nessa norma, perfume é gênero com cinco espécies: extrato é a primeira das espécies; águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares são os sinônimos da segunda espécie. A Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, sobre esse aspecto, também se manifestou conforme excertos retirados do Acórdão nº 30239.163, a seguir reproduzidos: A fiscalização aduaneira tem optado por adotar o Decreto nº 79.094, de 1977, que em seu art. 49, inciso II, alínea “a” estabelece que são extratos as fragrâncias cuja concentração varia de um mínimo de 10% até 30% e águas de colônia águas perfumadas, loções e similares, as diluições até 10%. No meu entender essa atuação é a menos indicada para o caso. (O Decreto Regulamenta a Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, que submete a sistema de vigilância sanitária os medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneamento e outros.). E mais: De fato, a classificação tarifária internacional não menciona percentuais de extrato, essência ou misturas odoríferas para determinar o enquadramento das fragrâncias. E nem o faz a nomenclatura Comum do Mercosul. Consultandose as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, concernentes à posição 3303, que abriga os “Perfumes e Águas de Colônia”, encontramos o que se segue: “A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido [compreendendo os Fl. 441DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 397 5 bastões (“sticks”)], e as águas de colônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contém ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, água de colônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 3301, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais baixa concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado do álcool empregado.” (grifos do original) Pela transcrição acima, verificase que as NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que poderia vir a diferenciar os “perfumes propriamente ditos” das “águas de colônia”, apenas informando que as “águas de colônia” apresentam mais fraca concentração de óleos essenciais e um título geralmente menos elevado do álcool nelas empregado. Consultandose a NCM – Nomenclatura Comum do MERCOSUL 1, também não existe qualquer especificação que venha a permitir a distinção entre tais produtos, mesmo com a criação dos itens e subitens correspondentes, (...): (...) O Sistema Harmonizado foi desenvolvido pela Organização Mundial de Aduanas como nomenclatura internacional de produtos comercializados em quantidades economicamente significativas visando, entre outros propósitos, possibilitar a confecção de estatísticas internacionais de comércio, constituir base para a aplicação de regras de origem, monitoramento de mercadorias controladas, elaboração de mecanismos de defesa comercial. É mantido sob constante revisão para que possa estar adaptado às mudanças tecnológicas e aos padrões comerciais. Pela orientação contida no Sistema Harmonizado entendo que os perfumes caracterizamse pela concentração elevada da substância odorífera, geralmente oleosa, diferentemente das águas de colônia, águas de perfume, águas de cheiro, que são menos concentradas. A Tarifa Externa Comum (TEC) dispõe de forma diversa: na posição 3303, sem desdobramento em subposições de primeiro nem de segundo nível, estão os perfumes e as águasdecolônia; enquanto no item 10 estão os perfumes, sinônimos de extratos; e no item 20 as águasdecolônia. Vale lembrar que na estrutura do Sistema Harmonizado (SH) o gênero está indicado nas posições, o subgênero nas subposições e as espécies das mercadorias são identificadas pelos itens ou subitens. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Nenhuma nota de seção ou de capítulo trata do tema. Fazendose uso subsidiário das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para distinguir os perfumes (extratos) das águasdecolônia temse que: 33.03 PERFUMES E ÁGUASDECOLÔNIA. A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, águadecolônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. [sublinhado do relator deste recurso voluntário] A Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN também defendeu esse posicionamento ao enfrentar a mesma matéria. Vejase excertos externados no Acórdão nº 301 34.076 e declaração de voto apresentado neste processo: Ocorre que, ao entender desta Conselheira, não há que se classificar o produto em perfume ou água de colônia de acordo com o percentual de substituição odorífera, pois as regras NESH não fizeram esta distinção, ademais, mundialmente, a distinção entre águas de colônia e perfumes não é feita pelo percentual de substituição odorífera e o órgão nacional competente para analisar, para fins de registro do produto, também não adota tal classificação. E, além disto, a conclusão do laudo é discutível em vista do método utilizado Cumpre salientar que as Notas Explicativas do Sistema Integrado não fazem nenhuma referência ao teor de substâncias odoríferas que um produto deve conter para ser classificado como perfume ou como água de colônia, conforme abaixo transcrito: "33.03 — Perfumes e águas de colônia A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks), e as águas de colônia cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes, propriamente ditos, também chamados de extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 398 7 elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águas de colônia que não devem confundirse com as águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 3301, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado". A rega supra transcrita em momento algum versa sobre os limites de concentração aromática que devem ser adotados pela Fiscalização a fim de determinar a distinção entre águas de colônia e extrato. Portanto, está claro para esta Conselheira que a forma de distinção entre águas de colônia e perfume é comparativa, dentro da mesma linhagem do produto, dada a impossibilidade de ser indicado um percentual parâmetro para fazer tal distinção em todos os casos. Por outro giro é indiscutível que a ANVISA classificou o produto, para fins de licença em ÁGUAS DE COLÔNIA, afastando, assim, a previsão do estabelecido pelo inciso II do art. 49 do Decreto n°. 79.094/77. E, notese, que consoante meu entendimento não há que se aplicar este Decreto ao presente caso, posto que as regras de classificação fiscal, como acima apontado, não fazem qualquer menção a ele ou a forma de classificação de acordo com o percentual de substância odorífera. Aplicar tal decreto à classificação fiscal é extrapolar os limites das NESH. E, além do mais, não há como concordar com o entendimento expresso na Nota Coana/Cotac/Dinom n°. 2006/00344, de 13 de dezembro de 2006 (que reformou a Nota Coana/Cotac/Dinom n°. 253, de 2002), classificando no código 3303.00.10 da NCM "mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% (dez por cento)" e classificando no código 3303.00.20 "mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática, em concentração inferior ou igual a 10% (dez por cento), em álcool de diversas graduações". Na mesma linha de pensamento é o entendimento do ilustre Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, externado no Acórdão nº 30333.697, cuja ementa está assim reproduzida: Ementa: Classificação de mercadoria. Perfume (extrato) ou águadecolônia. Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águasdecolônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 águasdecolônia independe dos valores absolutos da concentração da composição aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia. Recurso voluntário provido. Consta do Acórdão nº 30333.697, de interesse da própria recorrente, os seguintes excertos, os quais reproduzo como sendo as mesmas razões de decidir desta Conselheira: Portanto, para a classificação fiscal desses produtos, entendo irrelevantes os valores absolutos da concentração da composição aromática de cada um deles e conseqüentemente equivocados os fundamentos da denúncia fiscal. No meu sentir, é o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia, fato sequer noticiado nos autos deste processo administrativo. No mesmo entendimento, penso ser irrelevante os valores absolutos da concentração da composição aromática apurados pela fiscalização. CONCLUSÃO: Com essas considerações, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com o devido respeito ao entendimento da Insigne Relatora, ouso divergir, pelas razões a seguir alinhavadas. A teor do relatado, a controvérsia a ser dirimida centrase em se determinar a correta classificação dos produtos descritos pela empresa importadora, na DI n° 03/0358354 6, de 29/04/2003, como "Champs Elysées Eau de Toilette — Agua de Colônia", nas embalagens de 50 e 100 m1. A autuada classificou esse produtos no código NCM 3303.00.20, próprio para "águasdecolônia", enquanto a Fiscalização aduaneira, por entender tratarse de Perfume, em função do teor de substâncias odoríferas encontrado em laudos técnicos, reclassificou no código NCM 3303.00.10. Inicialmente, devese enfrentar os argumentos de defesa contrários ao laudo técnico. Neste ponto, insurgiuse a autua contra o método utilizado nos Laudos de Análise, mediante a apuração da quantidade de substâncias odoríferas por diferença, sob a alegação de que os produtos analisados possuiriam "outros componentes" que não teriam sido detectados nos exames em questão. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 399 9 Para proceder a reclassificação fiscal das mercadorias ora sob exame, a fiscalização utilizou o Laudo de Análise n°3211.01, que trata do exame de produto igual ao aqui sob exame, importado por meio de outra DI, a de nº 03/03583546. De outro lado, ambas as DIs versam sobre importação de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, com isso, como bem asseverou a decisão de primeira instância, é legítima, nesse caso, a utilização da prova emprestada, uma vez comprovado o atendimento dos quesitos estabelecidos no 1art. 30, § 3°, letra 'a' do Decreto n° 70.235/72. Ressaltese, por oportuno, que preditos laudos foram emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, órgão público federal que integra o Ministério da Fazenda, e que detém a competência específica para proceder à análise laboratorial dos produtos importados. Assim, nos termos do disposto no caput desse artigo, esses laudos devem ser adotados em seus aspectos técnicos, salvo se demonstrada sua improcedência, o que não é o caso sob exame, vez que recorrente, em momento algum, juntou outro laudo que contrapusesse os resultados constantes do Laudo em discussão. Caso a interessada possuísse elementos capazes de contestar os resultados obtidos nos referidos Laudos, poderia ter solicitado a realização de novo exame da contra prova, o que não ocorreu. Ressaltese que os Laudos de Análise, ora em exame, indicam que o teor dos componentes dos produtos analisados foi identificado mediante o teste de Cromatografia Gasosa, atendendo, ao disposto, ao disposto no 2art. 36, inciso I da IN SRF n° 157/1998, acrescido pela IN SRF n° 152/2002. De outro lado, à quantificação por diferença é método cientificamente válido, posto que se os componentes de determinada substância são conhecidos, identificandose a proporção individual de cada um deles temse a do todo. Assim, por exemplo, se uma 1 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 2 "Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: I explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; II exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; III indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. Parágrafo único. Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)." Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 substância X é composta dos elementos A, B e C, a soma desses elementos vai representar o todo, pois A + B + C = X. Partindose dessa equação, podese encontrar a quantidade de qualquer um dos elementos. Se A, B e X são conhecidos, para se encontrar o valor de C, basta armar a equação: C = X – A – B. O resultado se obtém com a resolução de uma simples equação de primeiro grau. Aliás, esse método é simples e seguro. No caso dos autos, segundo o Laudo de Análise, fls. 08/09, o perfume é constituído de solução HidroAlcoólica e de substâncias odoríficas. Os exames apontaram que o teor de álcool representava 64,7%, e o de água 10,4%. Utilizandose o método da diferença, temse que: Produto (100%) = 64,7 % Álcool + 10,4 % água + X % substância odoríferas. 100% = 64,7% + 10,4% + X% => X = 100 – 64,7 – 10,4 => X = 24,9. Como se ver, o método da diferença é simples e matematicamente irrefutável. No caso sob exame, a composição da substância odorífera é de 24,9%. Ultrapassada a questão da metodologia adotada no laudo de análise acima aludido, passase, à questão da classificação fiscal os produtos mencionados. A origem do perfume se perde na noite dos tempos, é quase tão antigo quanto o homem. Nos primórdios da civilização era utilizado somente em rituais religiosos, quando queimavamse substâncias aromáticas em oferenda aos deuses. Daí a origem da palavra perfume, que vem das palavras latinas “per” e “fumare”, que significam, respectivamente, origem de e fumaça de onde eram obtidas as primeiras fragrâncias aromáticas. Com o passar do tempo, o perfume deixa de ser apenas um componente de ritual sacro e passa a ter uma utilidade mais profana, sob a influência das mulheres orientais que se perfumavam, como Cleópatra. O hábito de se perfumar foi associado à paixão e à sedução. O perfume é uma mistura de óleos essenciais aromáticos, álcool e água, utilizado para proporcionar um agradável e duradouro aroma, a diferentes objetos e principalmente ao corpo. A arte da elaboração do perfume nasceu na França e Espanha,e transpuseram os limites dos tempos e se transformaram em um acessório apreciado por ricos e mortais, ao invés de ser privilégio unicamente dos deuses e dos mortos, o que o transformou em produto de grande sucesso mercadológico, que movimenta cifras bilionárias no comércio mundial. As pessoas, em geral, e até mesmo fabricantes e vendedores costumam chamar de perfume as diversas misturas de óleos aromáticos (fragrâncias) dissolvidos em álcool hidratado, utilizados para aromatizar o corpo, mas existe uma classificação técnica, baseada na concentração da essência de perfume, que diferencia o perfume, propriamente dito, de outras fragâncias, como a águadecolônia, por exemplo. A concentração de uma fragrância pode ser classificada de acordo com a quantidade de óleos aromáticos diluídos em um solvente (mais comumente etanol e agua): Extrait ou parfum (extrato de perfume): É o produto mais nobre da linha; e também o mais envolvente e o mais rico dos produtos alcoólicos. Possui a forma mais concentrada de compostos aromáticos (essência), e de maior duração na pele. Em seguida, vem a Eau de parfum (deo perfume) e Eau de toilette de concentração e duração intermediária; e, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 400 11 finalmente, a Eau de cologne (deo colônia) com baixa concentração de essência e de duração efêmera. Como visto, a diferença básica dessas fragâncias está na concentração das essências, Eau de cologne é a menos concentrada, seguida de Eau de toilette. Depois vem Eau de parfum e Extrait ou parfum, que é o mais concentrado. A concentração da essência aromatizante para efeito de enquadramento de uma fragância em uma ou outra classificação, não é muito precisa, varia de acordo com a fonte classificadora. Todavia, para efeitos de codificação fiscal, que vai ter repercussão no gravame tributário, não pode ficar ao alvedrio do intérprete, tem de ser parametrizada, de forma a dar um mínimo de segurança jurídica às partes interessadas. Assim, o critério a ser adotado não é o da associação de fabricantes, ou de importadores, ou de consumidores ou de estudiosos, mas sim , o da lei, in casu, o inciso II do art. 49 do Decreto n° 79.094/1977, que classifica os perfumes, as águas perfumadas e de cheiro, de acordo com a concentração da fragância, nesse dispositivo estabelecida. Vejamos: II — Perfumes: a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. Uma vez identificado o produto, se perfume ou se água perfumada, e essa identificação é feita de acordo com a concentração estabelecida nesse dispositivo legal, para se proceder a codificação desses produtos na NCM/SH, na TEC ou na TIPI, basta seguir as regras de classificação de mercadorias, como corretamente procedeu a Fiscalização e os órgãos julgadores de primeira e de segunda instância. Aliás, devo aqui render as homenagens de costumes aos ilustres relatores que me precederam, tanto o de primeira como o de segunda instância, e peço licença para transcrever excertos dos respectivos acórdãos, para fundamentar este voto. O relator de primeira instância, o julgador Leonardo Daleva Rocha, enfrentou exaustivamente os argumentos trazidos pela defesa no tocante à questão da classificação fiscal aqui em debate, e o fez nos termos seguintes: Nesse aspecto, ao contrário do que alega a impugnante, é importante ressaltar que o Laudo de Análise de fls. 20 e 21 foi emitido pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, órgão público federal que integra o Ministério da Fazenda, e que detém a • competência especifica para proceder à análise laboratorial dos produtos importados.. A posição 3303 da NCM/SH possui os seguintes desdobramentos: 3303— PERFUMES E ÁGUASDECOLÔNIA 330100.10 Perfumes (extratos) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 3303.00.20 Águasdecolônia Cumpre ressaltar, aqui, que o Sistema Integrado de Designação e Codificação de Mercadorias cuja Convenção Internacional foi promulgada pelo Decreto n° 97.409/1988 e aprovada pelo Decreto Legislativo n° 71/1988 é formado por posições (de 4 dígitos), que são subdivididas em subposições de 1° nível (5º dígito) e subposições de 2° nível (6° dígito). De acordo com a mencionada Convenção do SEI, cada País contratante pode criar, no âmbito de sua nomenclatura, subdivisões para a classificação de mercadorias em nível mais detalhado que o Sistema Harmonizado, utilizando subdivisões ao nível de item (7° dígito) e subitem (8° dígito). No caso da posição 3303, resta claro que o desdobramento nas espécies "Perfumes (extratos)" e "Águasdecolônia" foi criado ao nível de item (7° dígito), o que demonstra que se trata de uma abertura válida somente para o Brasil, eis que o 7° digito não compõe o código do Sistema Harmonizado. Essa observação explica o motivo pelo qual as NESH da posição 3303, embora apontem a existência de "Perfumes (extratos)" e "Águasdecolônia", não estabeleceram os critérios merceológicos de diferenciação dessas categorias, pois tal desdobramento não existe no Sistema Harmonizado. Nesse contexto, a interpretação sistemática e teleológica da legislação tributária relativa ao comércio exterior leva à conclusão de que, sendo a diferenciação dos itens "Perfumes (extratos)" e "Águasdecolônia" válida somente para o País, é certo que os critérios de distinção desses conceitos deve ser inferida a partir da legislação nacional específica do setor. Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros". Seu artigo 49, inciso II, que trata dos Perfumes, apresenta as seguintes definições: II — Perfumes: a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. Como se observa, o critério de diferenciação entre os "extratos" e as "águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares", encontrase definido de forma objetiva na legislação pátria, atendendo ao desdobramento da posição 3303 efetuado no País, ao nível dos itens relativos aos "Perfumes (extratos)" e às "Águasdecolônia". Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 401 13 Tendo em vista que o Laudo de Análise indica a presença de substâncias odoríferas na proporção de 24,9 %, resta claro que o produto analisado é considerado um "Perfume (extrato)", já que o percentual apurado excede em muito o limite de 10 % definido na legislação especifica (v. fl. 20). Ao seu turno, o Conselheiro José Luiz Novo Rossari, especialista em classificação fiscal de mercadorias, com maestria enfrentou as questões aqui trazidas a debate, arrimado nos seguintes argumentos: Tratase de estabelecer a correta classificação do produto descrito pela empresa importadora na DI ri° 03/03583546, registrada em 29/4/2003, como "Champs Elysees Eau de Toilette ÁguadeColônia". A declarante classificou a mercadoria no código NCM 3303.00.20, própria para "águas de colônia", enquanto que a fiscalização aduaneira entendeu que a mercadoria deveria ter sido classificada no código NCM 3303.00.10, como "perfumes" ("extratos"), em função do teor de substâncias odoríferas encontrado em laudo técnico. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) referentes à posição 3303 dão as seguintes informações sobre os produtos dessa posição, verbis: "A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas farinas de liquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolónia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contém ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, águadecolónia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundir se com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc, e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado." Conforme se constata, os regramentos estabelecidos pelas NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que permita a diferenciação entre tais produtos. Apenas explicita que as águasdecolônia diferem dos perfumes pela sua mais fraca concentração de óleos essenciais e pelo titulo menos elevado de álcool empregado. E em nível nacional a NCM também não estabeleceu qualquer especificação que tendesse à distinção entre tais produtos, tendo em vista que, ao instituir para a posição 3303 os itens e subitens correspondentes (7º e 8º dígitos), apenas discriminou: 3303.00.10 Perfumes (extratos) Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 3303.00.20 Águasdecolônia ......................................................................................................... O Decreto acima citado regulamenta a Lei nº 6.360/1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, cosméticos, saneantes e outros produtos, inclusive na importação e na exportação (art. 554 do RA). Com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Lei nº 9.782/1999, ficou afeta a esse órgão a competência para conceder o registro dos produtos tratados no Decreto n° 79.094/1977, entre eles os perfumes. Assim, a competência da Anvisa, prevista no art. 72 da Lei nº' 9.782/1999, diz respeito ao registro dos produtos dependentes de vigilância sanitária. No caso sob exame, a matéria foi objeto de manifestação da CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro da SRF, que através da Nota Coana/Cotac/Dinom n'a 253, de 12/8/2002, e em resposta à consulta formulada pela Divisão de Informação Comercial do Ministério das Relações Exteriores, pronunciouse no sentido de esclarecer os critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "perfume" ou "extrato", ou como "águadecolônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul, explicitando, verbis: "7.1 "Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90° GayLussac (GL). E o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7.2 "Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 15° diluída em álcool etílico de 90° GL, cujo efeito de fixação chega a ultrapassar as 12 horas. 7.3 "Eau de toilette" tem concentração de essência entre 5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85° GL. Seus índices de fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Águadecolônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5%, e seu grau alcoólico fica entre 70° e 80 0 GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. 7.5 "Eau fraîche" é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina). Por isto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70° ou 80 0 GL, havendo poucas variantes de "eau fraiche" que não empregam álcool. Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002139/200351 Acórdão n.º 9303001.730 CSRFT3 Fl. 402 15 8. Tendose em mente o exposto e considerando as NESH pode se afirmar que os "perfumes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águasdecolónia" englobam as chamadas "eau de parfum", "eau de toilette", "eau de cologne" e "eau fraiche" (subitem 7.2 a 7.5)" Tendo em vista a existência de dúvidas sobre a classificação dos produtos, em função de divergência existente com a legislação referente à inspeção sanitária, a matéria foi objeto de submissão, determinada por esta Câmara, à CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, órgão da SRF responsável pela classificação tarifária de mercadorias. Em resposta, esse órgão informou que para adequarse ao Decreto nº 79.094/77, foi reformado pela Nota Coana/cotac/Dinom nº 2006/344, de 13/12/2006, o entendimento anteriormente explicitado na Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253/2002, de forma que a partir dessa alteração passaram a ser classificadas no código 3303.00.10 da NCM as mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% e no código 3303.00.20 as mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%, em álcool de diversas graduações. Estabelecida pelo órgão competente para se pronunciar sobre a classificação de mercadorias a confirmação de que para esse mister, e relativamente aos produtos da posição 3303, há que se levar em consideração os teores de composição aromática estabelecidos no art. 49, II, do Decreto n° 79.094/77, norma vigente relativa à inspeção sanitária, resta apenas a necessidade de se cuidar da existência de laudo que identifique esses teores, para os efeitos da classificação pretendida. Não vejo a discrepância apontada pela recorrente no que respeita ao que consta na Informação da Coma. O Decreto é claro ao dispor quanto à dissolução de composição aromática em álcool; e bem assim as NESH da posição 3303, acima transcritas, ao se referirem sobre dissolução de óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou misturas de substâncias odoríferas artificiais, em álcool, o que também respeita à dissolução de uma composição aromática, variando apenas a concentração de essências e o título mais ou menos elevado do álcool. De outra parte, não houve, como alegado pela recorrente, qualquer manifestação da Coana no sentido de que o laudo técnico emitido pelo Labana é nulo e afronta a IN SRF 157/98, que trata da assistência técnica para identificação e quantificação de mercadorias, tendo em vista que no laudo que embasou este processo não consta a indicação de enquadramento em posição ou código da NCM. De mais, essa Fl. 452DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 restrição foi estabelecida apenas a partir da IN SRF nº 492/2005, o que não invalidaria laudo que na época tivesse sido elaborado com esse elemento. ........................................................................................ No caso presente, verificase do laudo n° 3211.01 (fls. 8/9) que o teor de substâncias odoríferas do produto é de 24,9%,, percentual que permite considerálo como "perfume" ("extrato") por ultrapassar os limites estabelecidos no art. 49, II, do Decreto n° 79.094/77 e na Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1º/8/2002, que, para efeitos de classificação fiscal, orientava no sentido de considerar o produto como "perfume" ("extrato") quando o teor de essência fosse superior a 15%. Em vista dos elementos constantes do processo e da legislação aplicável, os produtos sob exame devem ser considerados como "perfumes" ("extratos") e classificados no código NCM 3303.00.10, o mesmo adotado por ocasião do lançamento. No que respeita à multa por classificação incorreta, tratase de penalidade prevista expressamente na legislação aduaneira e que tem plena aplicação ao caso presente, visto bastar o erro de classificação tarifária para ficar caracterizada a ocorrência da infração, como ocorreu inequivocamente no caso sob lide. ........................................................................................ Diante do exposto, e considerando a plena vigência do Decreto nº 79.094/77, entendo que deve ser considerada incorreta a classificação tarifária adotada pela recorrente e voto por que se negue provimento ao recurso. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 453DF CARF MF Impresso em 25/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/01/ 2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPE Z, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002988/89-07
Data da sessão: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao julgamento do processo matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito
Numero da decisão: 102-30.137
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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Numero do processo: 15504.019087/2010-75
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
A opção do contribuinte pelo parcelamento após o lançamento tributário importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 1202-001.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário devido a pedido de parcelamento, nos termos do artigo 78, § 1º, do RICARF, e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte pelo parcelamento após o lançamento tributário importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 5.893 1 5.892 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.019087/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.245 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria Omissão de Receitas IRPJ, IRF e CSLL Recorrente RIO BRANCO ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte pelo parcelamento após o lançamento tributário importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondose o não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário devido a pedido de parcelamento, nos termos do artigo 78, § 1º, do RICARF, e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues de Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 90 87 /2 01 0- 75 Fl. 5893DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15504.019087/201075 Acórdão n.º 1202001.245 S1C2T2 Fl. 5.894 2 Tratase de Autos de Infração lavrados em face da empresa para a cobrança de créditos tributários a título de Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor total de R$ 36.320.074,78, tendo sido aplicada multa qualificada de 150%. Todos os lançamentos decorreram do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0610100.2009023798, cujo entendimento da D. Autoridade Fiscal foi o da configuração de omissão de receitas. As autuações fiscais foram realizadas da seguinte forma, de acordo com cada tributo e com a prática considerada indevida: (I) Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ) (a) Omissão de receita caracterizada pela manutenção do passivo de obrigação já paga, deixando de contabilizar, na data correta, os pagamentos efetuados a diversos produtores rurais, pessoas físicas, decorrentes da aquisição de insumo; (b) Omissão de receitas decorrente da contabilização a menor de valores relativos à aquisição de máquina de grampear automática e de máquina peletizadora, (bens do ativo permanente); (c) Existência de custos ou despesas operacionais contabilizados, sem suporte em documentação hábil ou idônea. O lançamento decorreu da glosa dos custos ou despesas operacionais relativas às notas fiscais relacionadas; (d) Glosa de Custos decorrentes do pagamento para a empresa Rios & Associados, no anocalendário de 2006, diante da falta de comprovação da efetividade da despesa. O pagamento caracterizouse como remuneração recebida pelo Sr. Paulo Ribeiro Rio, proprietário da referida empresa e da empresa Swissfarma. A empresa Swissfarma foi relacionada no esquema de industrialização fictícia engendrado pela Recorrente; (e) Glosa de custos, despesas operacionais e encargos não necessários decorrentes do pagamento efetuado ao escritório de advocacia Juvenil Alves Advogados e Associados; (f) Glosa de despesas de juros contabilizados, incidentes sobre empréstimos externos (custos, despesas operacionais e encargos não necessários); (g) Glosa de custos ou despesas dedutíveis na apuração do lucro líquido, decorrentes de variações cambiais passivas; e (h) Glosa de diversas despesas operacionais, custos e encargos não necessários, contabilizados pela Recorrente, motivados pela operação denominada “reorganização societária” que, na realidade, tratouse de blindagem patrimonial, objeto da “Operação Castelhana”. (II) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – lançamento reflexo da autuação fiscal do IRPJ. Fl. 5894DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15504.019087/201075 Acórdão n.º 1202001.245 S1C2T2 Fl. 5.895 3 (III) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (a) Omissão de receita decorrente da falta de recolhimento da COFINS, incidência nãocumulativa, decorrente de valores apurados em virtude de omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga, e pela glosa de custos de aquisições de mercadorias que geraram créditos das contribuições não cumulativas; (b) Omissão de receitas decorrente da falta de recolhimento da COFINS, incidência nãocumulativa, caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas. A Recorrente não contabilizou, na data correta, os pagamentos efetuados a diversos produtores rurais, pessoas físicas, decorrentes da aquisição de insumos; e (c) Omissão de receitas decorrente da falta de recolhimento da COFINS, incidência nãocumulativa, caracterizada pela contabilização, a menor, do valor relativo à aquisição de máquina de grampear automática e de máquina peletizadora (bens do ativo imobilizado) (IV) Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) – lançamento com base nos mesmos fatos geradores da COFINS. (V) Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF) (a) IRRF sobre pagamentos sem causa – importâncias pagas pela Recorrente por meio de cheques emitidos em favor de diversas pessoas jurídicas e físicas que não guardam relação com transações normais da empresa; e (b) IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, consistentes em empresas inexistentes. Segundo o Termo de Encerramento Fiscal (fls. 476/491), a Recorrente ocupa posição destacada no mercado mineiro e nacional, integrante do grupo Pif Paf, de propriedade do empresário Avelino Costa e seus familiares, principal responsável pela industrialização e comércio de alimentos produzidos pelo grupo, especialmente frangos e derivados, suínos, produtos de salsicharia e outros derivados de carne de aves, suínos e bovinos. O grupo também atua na produção de sucos (Tropical Alimentos – marca Tial). Antes da implementação do denominado processo de “reorganização societária”, que posteriormente foi verificado como blindagem patrimonial, os seus negócios eram concentrados na empresa Pif Paf S/A Indústria e Comércio. As operações de blindagem patrimonial foram comprovadas por intermédio de documentação apreendida na sede das empresas do grupo e no escritório do advogado Juvenil Alves durante a Operação Castelhana, deflagrada em 23/11/2006. O Ministério Público Federal ofereceu denúncia, aceita pela Justiça Federal, contra 26 pessoas, integrantes de organização criminosa para a prática de crimes. A D. Fiscalização concluiu, com base em documentos, planilhas e em fiscalizações anteriores de ICMS e IPI, que a reestruturação societária tratouse, na verdade, de blindagem patrimonial com suporte logístico dos serviços do advogado Juvenil Alves. Fl. 5895DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15504.019087/201075 Acórdão n.º 1202001.245 S1C2T2 Fl. 5.896 4 Segundo apurado pela D. Fiscalização, a blindagem patrimonial ocorreu da seguinte forma: o Grupo Pif Paf desenvolvia suas atividades pela empresa Pif Paf S/A Indústria e Comércio, constituída em 1972 por Avelino Costa e familiares. A blindagem patrimonial iniciouse em 2001 com a constituição das empresas A. Costa Empreendimentos e Participações S/A, Rio da Mata Empreendimentos e Participações S/A e RBA Alimentos S/A. Através de complexa operação, os ativos da Pif Paf foram transferidos para as novas empresas, periodicamente. Ao final ocorreu esvaziamento da Pif Paf diante das operações de transferência dos ativos, de funcionários e da própria atividade da empresa para as demais empresas, bem como das sucessivas reduções de capital. A Pif Paf ficou apenas com o passivo tributário e previdenciário que somava 50 bilhões de reais. A D. Autoridade Fiscal entendeu pela aplicação de multa qualificada de 150%, com fundamento no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º da Lei nº 9.430/96. Intimada da lavratura dos autos de infração, a Recorrente apresentou Impugnação que, submetida ao julgamento pela C. DRJBelo Horizonte/MG, foi julgada parcialmente procedente nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2004, 2005, 2006 e 2007. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS – PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Caracterizase como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. OMISSÃO DE RECEITAS – PASSIVO FICTÍCIO. Caracterizase como omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. GLOSA FISCAL – CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. Sujeitamse a glosa fiscal os custos e as despesas com aquisição de mercadorias e serviços cujo efetiva realização não é comprovada por meios de documentação hábil e idônea. GLOSA FISCAL – CUSTOS E DESPESAS DESNECESSÁRIOS. Sujeitamse a glosa fiscal os custos e as despesas com encargos e com a aquisição de mercadorias e serviços que se revelam desnecessários e inúteis para a realização das atividades da empresa e para a manutenção de suas fontes produtivas. MULTA DE OFÍCIO – PERCENTUAL DE APLICAÇÃO Aplicase a multa de ofício no percentual de 150% se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES – CSLL, PIS, COFINS, IRRF O decidido para lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2005, 2006 e 2007. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fl. 5896DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15504.019087/201075 Acórdão n.º 1202001.245 S1C2T2 Fl. 5.897 5 Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento, ou entrega de recursos, efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 e 2006 ARGUIÇÃO DE NULIDADE – COMPARTILHAMENTO DE PROVAS Havendo decisão judicial que expressamente determina o seu compartilhamento, não é ilícito, nem constitui causa de nulidade, o emprego pelo fisco de provas obtidas por meio de operações policiais. Não cabe à autoridade julgadora administrativa rejeitar essas provas a pretexto de irregularidade na operação policial se não existe decisão judicial que as considere ilícitas. Impugnação procedente em parte. Crédito tributário mantido em parte” Em decorrência da parcial procedência da Impugnação, foi interposto Recurso de Ofício com relação ao reconhecimento da decadência parcial do direito de cobrança dos créditos tributários referentes à Contribuição ao PIS e à COFINS. A Recorrente foi intimada do teor do acórdão em 11/11/2011 (fls. 5752) e interpôs Recurso Voluntário em 09/12/2011, consoante comprovante de emissão pelo Correio de fls. 5755, sob os seguintes fundamentos, em síntese: (i) Nulidade do v. Acórdão em decorrência do indeferimento do pedido da Recorrente para realização de perícia; (ii) Decadência em decorrência da aplicação do artigo 150, parágrafo 4º do CTN, para os créditos tributários de PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e IRRF; (iii) Alternativamente, decadência em decorrência da aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, para os créditos tributários de IRPJ, IRRF e CSLL, tendo em vista a apuração trimestral; (iv) Alternativamente, decadência em decorrência da aplicação do artigo 173, inciso I do CTN no caso de apuração mensal de tributos; (v) Nulidade das provas apresentadas nos autos, pela fiscalização; (vi) Impossibilidade de utilização da presunção; (vii) Impossibilidade de glosa de despesas; (viii) Impossibilidade de aplicação de multa qualificada; (ix) Impossibilidade de incidência de taxa Selic. Em 20/12/2013 a Recorrente protocolizou petição de desistência do Recurso Voluntário em decorrência da adesão ao Programa de Parcelamento Especial – REFIS, bem como renunciou ao direito sobre o qual se fundamentou o presente processo administrativo, em atendimento às disposições das Leis nº 11.941/2009 e 12.865/2013 (reabertura do prazo para adesão ao programa de parcelamento). Fl. 5897DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15504.019087/201075 Acórdão n.º 1202001.245 S1C2T2 Fl. 5.898 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. Inicialmente cumpre consignar que houve desistência total do Recurso Voluntário apresentados às fls. 5752, consoante petição de desistência e renúncia apresentada pela Recorrente em 20/12/2013. A confissão do débito pela Recorrente acarreta no prejuízo da apreciação de todo o mérito, inclusive no que concerne à matéria submetida ao Recurso Ofício (decadência do direito de cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS – fevereiro, março, maio, julho, outubro e novembro de 2004), na hipótese de parcelamento da integralidade do crédito tributário, como ocorreu no caso. A superveniência de pedido de desistência para adesão ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 importa em desistência do recurso. Desta forma, diante deste cenário, imperioso se faz observar a determinação do artigo 78 do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo, nos termos da Portaria nº 256/2009, in verbis: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º. A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer das suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º. No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse”. Logo, o fato do contribuinte ter postulado a adesão ao programa de parcelamento referente aos créditos tributários objeto da autuação fiscal e do presente processo administrativo acarreta no reconhecimento de que são devidos. Isso, por sua vez, implica na regulamentação do artigo 78 acima destacado, bem como na desistência de qualquer discussão que possa ter o sujeito passivo trazido aos autos no que se refere aos períodos de apuração em questão. Nesse sentido, considerando a apresentação de desistência do recurso voluntário e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o referido recurso, deve ser mantido o v. Acórdão proferido pela DRJBelo Horizonte/MG, em sua integralidade, por seus próprios fundamentos. Fl. 5898DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15504.019087/201075 Acórdão n.º 1202001.245 S1C2T2 Fl. 5.899 7 Dessa forma, voto em negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do art. 78, § 1°, do RICARF, em decorrência do pedido de desistência integral formulado pela Recorrente, por conta da adesão ao programa de parcelamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 5899DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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