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Numero do processo: 10925.000393/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
SOCIEDADE COOPERATIVA. OPERAÇÕES COM ASSOCIADOS E OPERAÇÕES COM TERCEIROS. SEGREGAÇÃO.
A utilização, pela entidade cooperativa, de bases diversas na segregação dos resultados auferidos com cooperados e não cooperados, impõe uniformização por parte da autoridade fiscal, de modo a eliminar a distorção provocada na determinação dos coeficientes correspondentes.
SOCIEDADE COOPERATIVA. RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS. APROPRIAÇÃO DIRETA. POSSIBILIDADE.
Presentes condições que possibilitem promover a apropriação direta das despesas financeiras incorridas, não há de se falar em rateio proporcional dos correspondentes montantes.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas.
CSLL. COOPERATIVA. RESULTADOS COM COOPERADOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004 (SÚMULA CARF Nº 83).
Numero da decisão: 1301-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir de tributação os resultados com atos cooperados e a multa isolada decorrente da referida imputação. Pelo voto de qualidade, manter a exigência da multa isolada concomitante com a multa de ofício, decorrente das operações realizadas com não cooperados. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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OPERAÇÕES COM ASSOCIADOS E OPERAÇÕES COM TERCEIROS. SEGREGAÇÃO. A utilização, pela entidade cooperativa, de bases diversas na segregação dos resultados auferidos com cooperados e não cooperados, impõe uniformização por parte da autoridade fiscal, de modo a eliminar a distorção provocada na determinação dos coeficientes correspondentes. SOCIEDADE COOPERATIVA. RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS. APROPRIAÇÃO DIRETA. POSSIBILIDADE. Presentes condições que possibilitem promover a apropriação direta das despesas financeiras incorridas, não há de se falar em rateio proporcional dos correspondentes montantes. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. CSLL. COOPERATIVA. RESULTADOS COM COOPERADOS. NÃO INCIDÊNCIA. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004 (SÚMULA CARF Nº 83). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 93 /2 00 7- 68 Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.908 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir de tributação os resultados com atos cooperados e a multa isolada decorrente da referida imputação. Pelo voto de qualidade, manter a exigência da multa isolada concomitante com a multa de ofício, decorrente das operações realizadas com não cooperados. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.909 3 Relatório COOPERATIVA REGIONAL DE ITAIPU, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multa Isolada, relativas aos anos calendário de 2002 a 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) determinação incorreta da base da cálculo da contribuição, vez que foram considerados, apenas, os resultados decorrentes de atos com não cooperados; e b) falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Para a Fiscalização, ausente ato legal autorizador, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido deveria ter sido determinada considerandose os atos com cooperados e não cooperados. Esclarece a autoridade autuante que, ainda que se considerasse apenas os atos com não cooperados, a base de cálculo estaria incorreta, visto que os resultados financeiros foram apropriados de forma equivocada. Ressalta também a existência das seguintes irregularidades: i) segregação de "Despesas Operacionais" com base em "Coeficiente de Segregação de Despesas" elaborado de forma equivocada; ii) segregação de "Despesas Financeiras" por apropriação indireta quando a despesa poderia ter sido apropriada diretamente; iii) reduções da base de cálculo da CSLL pela apropriação, como despesa, de antecipações concernentes às apurações das estimativas mensais de IRPJ e CSLL; e iv) ausência de adição, na determinação do lucro real, de provisões indedutíveis. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 1.573/1602), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que examinandose com a devida atenção o auto de infração, juntamente com seus anexos, seria possível afirmar que cerca de 95% dos valores exigidos resultariam diretamente de três fundamentos básicos, quais sejam: 1) exigência de multa isolada conjuntamente com a multa por lançamento de oficio; 2) exigência do tributo sobre resultados de atos cooperativos; e 3) recomposição do resultado de atos cooperativos mediante (3.1) a utilização de novos índices percentuais para o rateio de despesas, e (3.2) tributação das receitas financeiras com desconsideração das despesas de idêntica natureza; Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.910 4 que a exigência cumulativa de ambas as multas citadas, calculadas sobre a mesma base de cálculo, seria manifestamente ofensiva ao princípio da proporcionalidade que deve informar os atos da Administração Pública, especialmente em se tratando de sanções tributárias, já que tipifica um verdadeiro bis in idem que atinge o patrimônio do contribuinte de maneira bastante irrazoável, motivo pelo qual tem merecido firme repúdio não apenas por parte dos especialistas na área tributária, como também dos próprios tribunais pátrios, inclusive no âmbito da Administração; que seria entendimento firme, inclusive junto à própria Administração Fazendária, o de que, em se tratando de sociedades cooperativas, as únicas operações com aptidão para gerar "lucro" seriam aquelas praticadas com não cooperados; que os resultados decorrentes das operações com cooperados denominam se, por disposição legal, de "sobras", e não há possibilidade de se estabelecer qualquer confusão entre estas as sobras e o lucro suscetível de tributação tanto pelo imposto de renda como pela própria contribuição social; que a sociedade cooperativa, como é o seu caso, não pode ter, segundo a sua própria lei de regência, finalidade lucrativa; que o conceito de lucro, para efeitos tributários, seja para o imposto de renda ou para a contribuição social, pressupõe necessariamente a ocorrência de mais valia, acréscimo patrimonial próprio, ou seja aquilo que se acrescenta ao patrimônio do contribuinte; que, em se tratando de cooperativas, é da essência de sua natureza, nos termos em que prevista no direito positivo pátrio, que ela preste os serviços que constituem o seu objeto, sem que para isso aufira qualquer ganho; que o artigo 32 da Lei nº. 5.764, de 16 de dezembro de 1971, é absolutamente claro neste sentido: "celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro"; que, relativamente à segregação dos resultados financeiros, ainda que se pudesse afirmar que os critérios adotados por ela não fossem os mais adequados, não haveria dúvida de que os critérios de que se valeram os Auditores Fiscais apresentamse claramente inaceitáveis porque despidos de razoabilidade mínima, causando distorções de tal monta que podem ser vistas pela simples consideração dos resultados alcançados (sustentou que, no exercício de 2002, embora a participação de terceiros nos resultados totais da cooperativa tenha sido de 24,87 % coeficiente, segundo ela, indicado pela própria Fiscalização – essa participação teria gerado um resultado de cerca de 47% do total; em 2003, o resultado das operações com terceiros teria alcançado o percentual de 43,19%, embora o coeficiente indicado pela própria fiscalização, relativo às operações praticadas com não associados, tenha sido de apenas 12,82%); que, para fins de tributação dos resultados de aplicações financeiras, adotou, basicamente, o seguinte critério: considerou tributável o valor das receitas obtidas em aplicações financeiras e integralmente dedutíveis as despesas de igual natureza pagas a instituições financeiras em decorrência de financiamentos contraídos; procedeu ao rateio proporcional das demais receitas e despesas de natureza financeira, formadoras das respectivas contas mas não vinculadas a operações bancárias; Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.911 5 que o procedimento acima descrito foi considerado incorreto pelo agente fiscal, pois, para ele, sua adoção implicaria na compensação do resultado positivo de aplicações financeiras, ato não cooperativo, com parte do resultado positivo dos atos cooperativos, porque as despesas financeiras incorridas pela sociedade estariam mais diretamente relacionadas às operações com associados; que o argumento da autoridade fiscal seria claramente tendencioso e não poderia ser aceito, não sendo razoável pretenderse que as receitas financeiras não são atos cooperativos, enquanto as despesas de idêntica natureza seriam; que tanto as receitas como as despesas derivaram, em grande parte, de operações acessórias praticadas pela sociedade junto ao mercado financeiro, e elas dizem respeito às atividades gerais da sociedade, praticadas tanto com associados como não associados; que, ao se considerar a receita ato não cooperativo, é imperativo que se considere também a despesa como ato não cooperativo, porque igualmente não compreendida no conceito fornecido pelo dispositivo legal de regência (art. 79 da Lei nº.5.764/71); que, caso fosse procedente o lançamento fiscal, haveria de ser considerada a nova base de cálculo para a apuração do valor passível de ser compensado, de modo que alcançando esta rubrica o valor de R$ 1.400.738,08 (R$ 4.669.129,95 x 30 %), todo o saldo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores (R$ 581.450,11), comportaria compensação imediata na base de cálculo de 2002, com os ajustes necessários nos exercícios seguintes; que o indicado no item anterior revelaria, também, a incorreção da exigência fiscal. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0717848, de 23 de outubro de 2009, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: SOCIEDADES COOPERATIVAS. OPERAÇÕES VINCULADAS A ATOS COOPERATIVOS E A ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SEGREGAÇÃO. COEFICIENTE DE PROPORCIONALIZAÇÃO. Apenas as operações vinculadas simultaneamente a atos cooperativos e a atos nãocooperativos, cujos valores não possam ser discriminados diretamente em cada uma dessas categorias, deverão ser segregadas por meio de coeficiente de proporcionalização composto a partir de bases uniformes. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica optante pela apuração da CSLL com base no lucro real anual deve promover o recolhimento das estimativas mensais, a título de antecipação do referido tributo, com base na receita bruta e acréscimos, ou valendose de balanços de suspensão ou redução. A falta de recolhimento das estimativas, na forma da lei, enseja a aplicação de penalidade, exigida isoladamente, correspondente a cinquenta por cento do valor do pagamento mensal não efetuado. Verificado o Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.912 6 recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Os contribuintes que deixarem de recolher, no curso do anocalendário, as parcelas devidas a título de antecipação (estimativa) da CSLL sujeitamse à multa de oficio de cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de oficio não se confunde com aquela aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual, não paga no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. Em vista disso, o lançamento da multa isolada é compatível coma exigência de tributo apurado ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de oficio. DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial quinquenal para formalização de lançamento de multa de oficio aplicada isoladamente, em relação às estimativas mensais da CSLL nãorecolhidas ou recolhidas com insuficiência, regese pelo disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Assim, seu termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.654/1.673, por meio do qual renovou os seguintes argumentos: impossibilidade de incidência da CSLL sobre resultados positivos obtidos em operações praticadas com associados (ato cooperativo), em razão da ausência de fato gerador; ausência de embasamento legal para se desconsiderar os percentuais de rateio utilizados na segregação das despesas operacionais e dos rendimentos de aplicações financeiras; ausência de razoabilidade e de fundamento legal que justifique considerarse a totalidade das receitas de aplicações financeiras como sendo operações com não associados e a totalidade das despesas financeiras como integrante do ato cooperativo; e ilegalidade da exigência da multa isolada juntamente com a multa de ofício. Em sessão realizada em 16 de dezembro de 2010, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara, por meio da Resolução nº 1.302000.066, resolveu converter o julgamento em diligência para que os responsáveis pela autuação prestassem os seguintes esclarecimentos: 1. confirmassem que, efetivamente, os valores indicados como provenientes de IRREGULARIDADES APURADAS, foram determinados com base nas seguintes imputações: impropriedade na utilização de coeficiente de segregação de despesas e na apropriação de despesas financeiras; redução indevida da base de cálculo da contribuição em razão da dedução de antecipações obrigatórias; e falta de adição de provisões indedutíveis no cálculo da contribuição devida; 2. indicassem, de forma segregada, a origem de cada uma das parcelas que compõe os montantes assinalados no item IRREGULARIDADES APURADAS; Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.913 7 3. esclarecessem se os montantes indicados no item IRREGULARIDADES APURADAS afetaram, apenas, o resultado com os não cooperados (em caso negativo, solicitouse a indicação da parcela que afetou o resultado com cooperados); 4. apresentassem as parcelas de multas isoladas que haviam derivado da falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) relativas aos resultados com cooperados (se as multas incidiram especificamente sobre a falta de recolhimento das estimativas devidas em razão dos resultados auferidos com cooperados, esclarecesse que providência havia sido tomada em relação às insuficiências de estimativas apuradas a partir das irregularidades descritas nos subitens 2.3, 2.4; 2.5 e 2.6 do Relatório da Atividade Fiscal); 5. considerando que no citado Relatório da Atividade Fiscal consta, primeiramente, que a não adição de provisões indedutíveis se deu no resultado líquido calculado nos balanços/balancetes de redução ou suspensão e, posteriormente, assinala que tal fato também se deu no ajuste anual, pediuse: a) que fosse informado se, de fato, as provisões indedutíveis afetaram tanto o cálculo das estimativas como do ajuste anual; e b) que fosse feita a segregação dos valores que afetaram o cálculo das estimativas e dos que influíram na determinação do ajuste anual, no caso de ambos os valores terem sido considerados na IRREGULARIDADE APURADA (atendida a decomposição de que trata o item 2 acima); 6. indicassem, de forma segregada, as receitas e despesas financeiras (valor e natureza) que foram consideradas relacionadas às operações com cooperados e as que foram associadas às operações com não cooperados, informando o critério utilizado para a referida segregação. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba, Santa Catarina, produziu o relatório de fls. 1.789/1.852. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte aportou ao processo o documento de fls. 1.859/1.868, aditando razões. É o Relatório. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.914 8 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multa Isolada, relativas aos anoscalendário de 2002 a 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) determinação incorreta da base da cálculo da contribuição, vez que foram considerados, apenas, os resultados decorrentes de atos com não cooperados; e b) falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Mantidos os lançamentos tributários em primeira instância, a contribuinte, em sede de recurso voluntário, sustenta não ser possível a incidência da CSLL sobre resultados positivos obtidos em operações praticadas com associados (ato cooperativo), em razão da ausência de fato gerador. Diz que não existe embasamento legal para se desconsiderar os percentuais de rateio utilizados na segregação das despesas operacionais e dos rendimentos de aplicações financeiras. Argumenta que não é razoável e que não existe base legal que justifique considerarse a totalidade das receitas de aplicações financeiras como sendo operações com não associados e a totalidade das despesas financeiras como integrante do ato cooperativo. Alega, ainda, ser ilegal a exigência da multa isolada juntamente com a multa de ofício. A autoridade autuante, por meio do RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL de fls. 24/63, esclarece que, relativamente à CSLL, foram apuradas cinco irregularidades, quais sejam: a) exclusão do "Resultado com Associados" da base de cálculo; b) segregação de "Despesas Operacionais" com base em "Coeficiente de Segregação de Despesas" construído de forma equivocada, implicando, por seguidos períodos de apuração, em redução do "Resultado com Não Associados"; c) segregação de "Despesas Financeiras" por apropriação indireta, quando poderiam ter sido apropriadas diretamente segundo a vinculação por tipo de operação que as originou, isto é, se a despesa foi originada por operação com associados ou por operação com nãoassociados; d) reduções da base de cálculo pela apropriação, como despesa, de antecipações concernentes às apurações das estimativas mensais de IRPJ e CSLL; e e) ausência de adição de "Provisões Indedutíveis" ao "Resultado Líquido" (calculado nos balanços/balancetes de redução/suspensão), em vários períodos de apuração nos anos calendário de 2002 e de 2003. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.915 9 A peça acusatória aponta, às fls. 10, matéria tributável total nos seguintes montantes: Anocalendário de 2002: R$ 3.863.679,54 Anocalendário de 2003: R$ 3.374.562,25 Anocalendário de 2004: R$ 3.750.619,27 Tomando por base o quadro de fls. 61, os totais acima podem ser decompostos da seguinte forma: Anocalendário de 2002: R$ 3.863.679,54 Resultado com cooperados não tributados: R$ 2.549.241,33 Irregularidades apuradas: R$ 1.314.438,21 Anocalendário de 2003: R$ 3.374.562,25 Resultado com cooperados não tributados: R$ 2.954.490,49 Irregularidades apuradas: R$ 420.071,76 Anocalendário de 2004: R$ 3.750.619,27 Resultado com cooperados não tributados: R$ 3.412.660,04 Irregularidades apuradas: R$ 337.959,23 As irregularidades apuradas, como já dito, decorreram das seguintes imputações: utilização de coeficiente impróprio na segregação de despesas operacionais; ausência de apropriação, por método direto, de despesas financeiras; redução indevida da base de cálculo da contribuição em razão da dedução de antecipações obrigatórias; e falta de adição de provisões indedutíveis no cálculo da contribuição devida. É importante observar que os agentes autuantes, não obstante terem considerado, para fins de tributação, tanto os resultados decorrentes de atos com cooperados como os realizados com não cooperados, tinham conhecimento de que a incidência da CSLL sobre o resultado advindo de atos com cooperados, mesmo antes da introdução de norma isentiva pela Lei nº 10.865, de 2004, não era pacífica, eis que até na seara administrativa havia divergência acerca da referida incidência. Com o intuito de obter informações mais precisas sobre a origem da matéria tributável, e de distinguir adequadamente a matéria tributável apurada de ofício que derivou de atos cooperados das que tiveram por base atos não cooperados, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara resolveu converter o julgamento em diligência para que os responsáveis pela autuação prestassem esclarecimentos complementares. Nesse sentido, foram requisitadas as seguintes informações: Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.916 10 1. confirmação de que os valores indicados como provenientes de IRREGULARIDADES APURADAS derivaram, efetivamente, das seguintes constatações: impropriedade na utilização de coeficiente de segregação de despesas e na apropriação de despesas financeiras; redução indevida da base de cálculo da contribuição em razão da dedução de antecipações obrigatórias; e falta de adição de provisões indedutíveis no cálculo da contribuição devida; 2. indicação, de forma segregada, da origem de cada uma das parcelas que compunha os montantes assinalados no item IRREGULARIDADES APURADAS; 3. esclarecimento se os montantes indicados no item IRREGULARIDADES APURADAS afetaram, apenas, o resultado com os não cooperados (em caso negativo, solicito se a indicação da parcela que afetou o resultado com cooperados); 4. apresentação das parcelas de multas isoladas que derivaram da falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas) relativas aos resultados com cooperados (se as multas incidiram especificamente sobre a falta de recolhimento das estimativas devidas em razão dos resultados auferidos com cooperados, esclarecimento acerca da providência que havia sido tomada em relação às insuficiências de estimativas apuradas a partir das irregularidades anteriormente descritas); 5. diante de um registro inicial no Relatório da Atividade Fiscal de que a não adição de provisões indedutíveis se deu no resultado líquido calculado nos balanços/balancetes de redução ou suspensão e que, posteriormente, foi assinalado que tal fato também se deu no ajuste anual, solicitouse: a) que fosse informado se, de fato, as provisões indedutíveis afetaram tanto o cálculo das estimativas como do ajuste anual; e b) que fosse feita a segregação dos valores que afetaram o cálculo das estimativas e dos que influíram na determinação do ajuste anual, no caso de ambos os valores terem sido considerados na IRREGULARIDADE APURADA (atendida a decomposição de que trata o item 2 acima); 6. indicação, segregada, das receitas e despesas financeiras (valor e natureza) que foram consideradas relacionadas às operações com cooperados e as que foram associadas às operações com não cooperados, informando o critério utilizado para a referida segregação. Em atendimento à diligência requerida, foi aportado o RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL de fls. 1.789/1.852, no qual consta a informação de que foi lavrado Auto de Infração referente ao IRPJ (processo nº 10925.000394/200711), em que restou apurado que a contribuinte praticou as mesmas irregularidades apuradas no presente processo. Quanto a tal aspecto, inclusive, assinala o responsável pelo procedimento de diligência: [...] Tal informação é oportuna, pois, tendo o Contribuinte praticado essas mesmas irregularidades tanto em relação à CSLL quanto em relação ao IRPJ, utilizando como base os mesmos balancetes/balanços e os mesmos critérios de rateio/apropriação/segregação e o mesmo cálculo de coeficientes de rateio, bem como, tendo o Fisco, ao elaborar os autos de infração, utilizado em ambas as lavraturas um mesmo critério fiscal de rateio/apropriação/segregação inclusive quanto à apropriação de resultados financeiros, despesas e receitas financeiras, aplicando no cálculo a forma direta ou a indireta conforme cabível, o Julgador, quando entender aplicável, poderá levar em conta essa similaridade de Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.917 11 procedimentos, para que haja uma harmonia nas decisões referentes aos assuntos contidos nos dois processos, quando se tratarem de um mesmo conteúdo. Adita ainda o signatário do Relatório de Diligência que o referido processo nº 10925.000394/200711, que contém o Auto de Infração de IRPJ e de multa isolada referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, já foi objeto de análise pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) e pela Primeira Secção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo mantido o lançamento fiscal integralmente nas duas instâncias. De fato, o processo nº 10925.000394/200711, do qual fui designado relator, já foi apreciado nesta instância julgadora, e, traçando um comparativo entre as matérias objeto da lide e as razões trazidas em sede de recurso voluntário, observo que, ressalvada a argumentação acerca da impossibilidade de incidência da CSLL sobre resultados positivos obtidos em operações praticadas com associados (ato cooperativo), elas, a matéria posta em discussão e as razões recursais, guardam total identidade com as retratadas nos presentes autos. Diante de tal constatação, no que diz respeito às alegações de ausência de embasamento legal para se desconsiderar os percentuais de rateio utilizados na segregação das despesas operacionais e dos rendimentos de aplicações financeiras; de ausência de razoabilidade e de fundamento legal que justifique considerarse a totalidade das receitas de aplicações financeiras como sendo operações com não associados e a totalidade das despesas financeiras como integrante do ato cooperativo; e de ilegalidade da exigência da multa isolada juntamente com a multa de ofício, sirvome dos mesmos fundamentos declinados no processo nº 10925.000394/200711 para refutálas. Nesse sentido, reproduzo fragmentos do pronunciamento consignado no referido processo, que abordam os argumentos de defesa acima referenciados. PERCENTUAL DE RATEIO – DESPESAS OPERACIONAIS [...] Em sua peça de defesa, a sociedade cooperativa sustenta que não há na legislação, mesmo nos próprios atos normativos expedidos pela Receita Federal a respeito do assunto, qualquer esclarecimento estabelecendo o modo como o coeficiente em questão deve ser apurado. Afirma que, de todo modo, não há qualquer embasamento legal para afirmarse que o coeficiente utilizado pela Fiscalização seja o efetivamente correto. Destaca, ainda, a pequena diferença entre os coeficientes determinados pela Fiscalização e os por ela utilizados. Cabe, de imediato, um reparo: o Parecer Normativo CST nº 73/75, apreciando a questão, esclarece que, “... desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas”. No mais, não identifico na peça de defesa trazida pela Recorrente contestação direta ao motivo utilizado pela Fiscalização para desconsiderar os coeficientes de segregação de despesas operacionais utilizados por ela na determinação do resultado com terceiros, qual seja, o uso de grandezas diversas (RESULTADO BRUTO DA ATIVIDADE e RESULTADO BRUTO DIMINUÍDO DE ALGUMAS DESPESAS). (GRIFEI) Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.918 12 Destaca a Fiscalização que a utilização dessas denominadas “grandezas diversas” descaracterizou o coeficiente de segregação, tornandoo inadequado para mensurar o nível de participação das operações com nãoassociados no total da operações da sociedade. Em que pese tal constatação, a Recorrente, ressaltando a pouca diferença entre os coeficientes apurados pela Fiscalização e os utilizados por ela, não traz ao processo qualquer justificativa capaz de explicar a aplicação de metodologia diferenciada na determinação dos citados coeficientes. Tenho, pois, por procedente a metodologia empregada pela Fiscalização, eis que, neste caso, a providência adotada visou, apenas, uniformizar a base de proporcionalização. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS FINANCEIRAS Aqui, o argumento da Fiscalização foi de que a sociedade cooperativa promoveu apropriação indireta das despesas financeiras, quando, respeitada a vinculação por tipo de operação (“com associado” ou “com nãoassociado”), referida apropriação poderia ter sido feita de forma direta. Sustenta a Fiscalização que, em regra, as despesas financeiras decorreram de operações realizadas com associados, de modo que a utilização do mesmo coeficiente utilizado para segregar as despesas operacionais gerou transferência indevida de despesas em operações com associados para o resultado das operações com nãoassociados. A título exemplificativo, a Fiscalização aponta as seguintes despesas: JUROS PAGOS SOBRE CONTA CORRENTE ASSOCIADOS e JUROS SOBRE FINANCIAMENTOS DE COTAS PARTES. Destacam os atuantes a ocorrência, neste caso, de duplo efeito, visto que além do desvio para o resultado com nãoassociados de despesas que deveriam ser computadas no resultado com associados, o coeficiente de segregação utilizado foi, conforme o item anterior, superestimado. (GRIFEI) A Recorrente, por sua vez, afirma que considerou tributável a totalidade de suas receitas resultantes de aplicações financeiras. Quanto às despesas, considerou como dedutível na apuração do resultado com nãoassociados a totalidade das despesas incorridas nas operações bancárias em que figurou como devedora, e, relativamente às demais despesas financeiras, promoveu rateio proporcional entre operações com associados e operações com nãoassociados. Nos termos da súmula STJ nº 262, resta fora de dúvida a incidência do Imposto de Renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas sociedades cooperativas. A questão, pois, dirigese no sentido de verificar se, para fins de tributação do resultado financeiro, seria possível, como alega a Fiscalização, distribuir as despesas financeiras segundo as operações realizadas com associados e nãoassociados. Na linha do esposado no Parecer Normativo CST nº 73/75, quando se trata de segregação de RECEITAS (operações com cooperados e operações com terceiros), não existe dificuldade. O problema, na verdade, repousa na apuração do RESULTADO, isto é, no momento em que, às receitas, devem ser computados os custos e despesas inerentes a cada um desses itens (operações com cooperados e operações com terceiros). A referida dificuldade, à evidência, relacionase aos denominados custos indiretos e despesas e encargos comuns às atividades com associados e às operações com terceiros. De acordo com o Relatório da Atividade Fiscal, a Recorrente segregou as despesas financeiras por meio de três métodos, quais sejam: a) com a utilização Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.919 13 do coeficiente de segregação das despesas operacionais; b) apropriação exclusiva ao resultado das operações com nãoassociados; e c) apropriação combinada (parte com o coeficiente de segregação, parte com apropriação exclusiva). (GRIFEI) Visando demonstrar a impropriedade das metodologias adotadas pela entidade, a Fiscalização, tomando por base determinado período (dezembro de 2004), discriminou analiticamente o saldo final da conta 3.11.02 – DESPESAS FINANCEIRAS. A partir de tal providência, ressaltou que não se poderia apropriar ao denominado RESULTADO COM NÃOASSOCIADOS, por exemplo, despesas como JUROS PAGOS SOBRE CONTA CORRENTE ASSOCIADOS; JUROS SOBRE FINANCIAMENTO DE COTAS PARTES; e JUROS SOBRE FINANCIAMENTOS PARA REPASSE. Diferentemente do alegado pela Recorrente, observo que a Fiscalização, para as despesas financeiras que entendeu de natureza comum, isto é, que tanto poderiam estar vinculadas às operações com associados como a nãoassociados, aplicou o coeficiente de segregação (vide TABELA 7, fls. 41, Relatório da Atividade Fiscal1). Nessa linha, foram consideradas despesas financeiras sem possibilidade de apropriação direta as seguintes rubricas: Descontos Concedidos Acertos; Descontos Concedidos; Juros sobre Empréstimos e Financiamento Capital de Giro; e Juros sobre Financiamento Investimento. Como passíveis de apropriação direta ao resultado com nãoassociados foram indicadas: Juros Pagos s/Contas Corrente de Associados; Atualização Conta Corrente a Pagar; Juros sobre Empréstimos Governo Federal EGF; Juros sobre Financiamento para Repasse; Juros sobre Financiamento Cotas Partes; e Juros sobre Financiamento Contrato de Custeio. Observo, inclusive, que as autoridades autuantes cuidaram de declinar, no Relatório da Atividade Fiscal (fls. 43) 2, os critérios adotados para o recálculo, para fins de apropriação ao resultado das operações com nãoassociados, das despesas financeiras. Não encontra respaldo nos autos, portanto, a afirmação da Recorrente de que a totalidade das despesas financeiras incorridas foi considerada como integrante do ato cooperativo. Assim, não obstante a constatação pela Fiscalização de que, consideradas as rubricas contábeis auditadas, a maior parte das despesas financeiras, dada a sua evidente vinculação, poderiam ser apropriadas diretamente ao resultado das operações com associados, parcela, determinada por meio de rateio, foi devidamente levada à apuração do resultado com nãoassociados, não havendo que se falar, pois, em tributação sobre a receita. MULTA ISOLADA Entende a Recorrente que a aplicação da multa isolada conjuntamente com a multa proporcional significa penalizar duplamente o contribuinte pela mesma falta. Adita que, tendo sido notificada em 03 de abril de 2007, não havia mais possibilidade de constituição de qualquer crédito relativamente aos fatos geradores ocorridos até 31 de março de 2002. 1 No caso dos presentes autos, a tabela referenciada encontrase às fls. 49. 2 No caso dos presentes autos, os critérios em questão enocntramse descritos às fls. 51/52. Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.920 14 No que diz respeito à aplicação cumulativa da multa em apreço com a incidente sobre o imposto apurado, filiome ao entendimento esposado na decisão recorrida no sentido de que inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto em razão de declaração inexata prestada à Receita Federal; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Em convergência com o decidido em primeira instância, entendo que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente; a segunda, decorrente da opção referida anteriormente, surge em conseqüência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. [...] Os excertos abaixo reproduzidos, extraídos do RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL de fls. 24/63, evidenciam a perfeita identidade entre os motivos que impulsionaram a autuação retratada no processo nº 10925.000394/200711 e os que foram declinados nos presentes autos, justificando, assim, o aproveitamento do pronunciamento esposado naquele processo relativamente às matérias antes elencadas (segregação das despesas operacionais e dos resultados de aplicações financeiras e multa isolada). [...] ... a sociedade cooperativa segregou despesas operacionais, entre as operações com associados e com nãoassociados, de acordo com "Coeficiente de Segregação de Despesas" construído de forma equivocada. Este coeficiente era composto pela soma de grandezas diversas, que eram tratadas como se da mesma ordem fossem, vindo a compor um índice utilizado para a apropriação de despesas. Assim, dependendo da atividade entrava para a composição do coeficiente o "Resultado Bruto" (por exemplo, nas Produções Agrícolas do Milho e da Soja), ou o "Resultado Bruto Reduzido de Algumas Despesas Operacionais" (por exemplo, Supermercados, Combustíveis e Lubrificantes, e, Agropecuária). O efeito dessa forma equivocada de calcular o coeficiente de segregação de despesas, somando e estabelecendo média de bases diversas, era, em vários períodos de apuração, aumentálo relativamente à participação das operações com não associados. Dessa forma, parcela maior das despesas operacionais viria a recair sobre o "Resultado com NãoAssociados", reduzindoo conseqüentemente. ... foram apuradas irregularidades com relação à apropriação de despesas financeiras. Isto é, com respeito a estas contas de resultado a sociedade cooperativa tem como prática aumentar as "Despesas Financeiras com NãoAssociados" apropriando parte das "Despesas Financeiras com Associados" ao "Resultado Financeiro das Operações com NãoAssociados”. A técnica utilizada é simples. Como em geral as Despesas Financeiras ocorrem preponderantemente na atividade com associados, a realização do rateio de despesas financeiras em proporção da participação, de acordo com o "Coeficiente de Segregação de Despesas" (que, como já foi comentado, na maior parte dos períodos de apuração era superestimado), gera uma transferência indevida de despesas nas Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.921 15 operações com associados para o "Resultado das Operações com NãoAssociados", reduzindo, portanto, este último. Então, com relação às despesas financeiras, a sua segregação envolve dupla irregularidade. Primeiramente, a não apropriação direta ao "Resultado com Associados" de despesas relacionadas ao ato cooperativo (como, por exemplo, "Juros Pagos sobre Conta Corrente de Associados" e "Juros sobre Financiamentos de Cotas Partes") e a respectiva apropriação indireta dessas despesas de acordo com o "Coeficiente de Segregação de Despesas", reduz indevidamente o "Resultado com NãoAssociados". E, segunda e finalmente, este efeito é potencializado pela composição equivocada do "Coeficiente de Segregação de Despesas" que, em diversos períodos de apuração, superestima a participação das operações com não associados para a distribuição das despesas operacionais. Este procedimento reduziu o "Resultado das Operações com NãoAssociados", tanto nas apurações das estimativas mensais quanto no ajuste anual. ... ... deve ser observada a forma como o contribuinte segrega as despesas financeiras. Foram constatados, durante o período objeto da fiscalização, pelo menos três métodos de apropriação/segregação dessas despesas, ou sejam: 1° MÉTODO Segregar as despesas financeiras da mesma forma que as despesas operacionais utilizandose do "Coeficiente de Segregação de Despesas" para definir a proporção de tais despesas a serem apropriadas aos resultados com associados e com nãoassociados. ... 2° MÉTODO Segregar as despesas financeiras apropriandoas exclusivamente ao "Resultado em Operações com não Associados"! ... 3º MÉTODO Segregar as despesas financeiras apropriando uma parte delas com base no "Coeficiente de Segregação de Despesas" e a outra parte exclusivamente ao "Resultado em Operações com não Associados" Registro ainda que, conforme consignado no RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL, foi constituído crédito tributário relativo à CSLL do ano calendário de 2001, objeto do processo nº 10925.002409/200605. A lide instaurada no referido processo foi apreciada pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção e, relativamente ao percentual de rateio das despesas operacionais e à segregação das despesas financeiras, o acórdão correspondente assinala (acórdão nº 1.101000.508, de 1º de julho de 2011): COEFICIENTE DE RATEIO DE DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. Inadmissível, na determinação do coeficiente de rateio, a imputação de despesas exclusivamente a atos cooperados, sem a demonstração das razões pelas quais esta natureza lhes foi atribuída. DESPESAS FINANCEIRAS. EVIDÊNCIAS DE VINCULAÇÃO APENAS A ATOS COOPERATIVOS. Somente as operações vinculadas simultaneamente a atos cooperativos e a atos não cooperativos deverão ser segregadas por meio de coeficiente de rateio. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.922 16 Consideradas as informações acima, o que temos, em apertada síntese, é que os agentes fiscais detectaram que a fiscalizada, pretendendo submeter à tributação da CSLL apenas o resultado apurado com os não cooperados, promoveu rateio de despesas operacionais de forma a reduzir a base de cálculo correspondente, e, além disso, apropriou no referido resultado dispêndios indedutíveis. Diante de tal circunstância, refizeram por completo o resultado com cooperados e com não cooperados, promovendo os devidos ajustes. Pronunciandose acerca das informações trazidas pelo Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.789/1.852, a Recorrente afirma, primeiramente, que “a questão relativa às diferenças apuradas pela Fiscalização e pela Requerente, e indicadas no Quadro 01 do relatório da diligência realizada, é pouco relevante para a solução do caso”. Adiante, sustenta que “a parte mais expressiva da exigência feita à Requerente decorre, como assinalado em seu recurso, do tratamento dado às receitas e as despesas financeiras apuradas pela empresa”. Em seguida, traz considerações acerca dos cálculos apresentados nas planilhas demonstrativas elaboradas pela Fiscalização e das explicações esposadas no Relatório de Diligência, considerações essas que, é importante ressaltar, não foram ofertadas por ocasião da interposição da peça recursal (e nem mesmo nos autos do processo nº 10925.002409/200605). Aprecio, contudo, referidas considerações. Argumenta a Recorrente que os agentes fiscais autuantes aplicaram de forma distorcida as disposições do Parecer Normativo nº 73/75. Para materializar o que afirma, assinala, in verbis: [...] VIII) Nos quadros 02 e 03 da diligência, são apresentadas as formas como a Requerente tratou suas receitas financeiras no período dezembro/2004, e como deveria ser o tratamento a ser dado no entendimento da Fiscalização. No referido período, a receita financeira total alcançou a importância de R$ 1.580.074,59, da qual a parcela de R$ 878.919,07 correspondia a atualização de contas a receber de cooperados, e a diferença, ou seja, R$ 701.154,62 a rendimentos de aplicações financeiras. IX) A Requerente entendeu de alocar integralmente ao resultado tributável as receitas obtidas em aplicações financeiras (R$ 701.154,62) e, por medida de coerência com que entendia correto para o caso, procedeu ao rateio proporcional da receita decorrente de atualização de contas a receber de cooperados (R$ 878.919,97), tendo levado ao resultado tributável uma parcela daquele montante no valor de R$ 155.835,68. Ofereceu, portanto, à tributação, a totalidade da receita obtida em aplicações financeiras, e mais uma parte proporcional da receita recebida de associados, o que totalizou o valor de R$ 856.990,30 (demonstrativo do quadro 03). X) Entendeu a Fiscalização, entretanto, que o critério utilizado não era de ser aceito. É que, tendo em vista a diferença constatada nos coeficientes de segregação utilizados pela empresa, relativamente à receita decorrente de atualização de contas a receber de cooperados, a parcela tributável haveria de ser no montante de R$ 199.764,92, e não aquela encontrada pela Cooperativa. XI) Não se levou em conta na devida consideração, porém, que aquela parcela que a Requerente houve por bem em considerar rendimento tributável, assim foi tratada por medida de coerência com os critérios então adotados pela empresa, coerência que, infelizmente, passou ao largo da ação fiscal. Se o critério da Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.923 17 Fiscalização era, como informado, imputar de forma direta ao resultado pertinente, sempre que possível, as receitas e as despesas de natureza financeira, parece ser inquestionável que toda a receita decorrente de “atualização de contas a receber de cooperados” haveria que, necessariamente, ser levada ao resultado das operações praticadas com associados – atos cooperativos – pelo que então o “equívoco” cometido pela Cooperativa, no particular deveria ser corrigido pela Fiscalização, e não agravado. Penso que não merecem acolhimento os argumentos da Recorrente. A meu ver, o procedimento adotado pela Fiscalização, que, a rigor, foi o mesmo adotado pela Recorrente, qual seja, aplicar sobre os montantes registrados a título de atualização de contas a receber de cooperados percentual de proporcionalização, revelouse até mesmo favorável a ela, uma vez que os referidos resultados financeiros não podem ser considerados como “atos cooperados”. Não identifico, pois, elementos capazes de caracterizar como atos cooperados os resultados financeiros advindos da atualização em referência. Penso que o fato de a receita financeira ter por base atualização de contas a receber de cooperados não a transforma em ato próprio da cooperativa, sendo, pois, improcedente a pretensão da Recorrente. Em seguida, a Recorrente, tomando por base quadros demonstrativos apresentados no Relatório de Diligência, discorre sobre o que, para ela, representou equívocos por parte da Fiscalização na apropriação das despesas financeiras segundo a natureza dos atos praticados (cooperativos ou não). Nesse sentido, questiona o fato de as autoridades fiscais não terem aplicado o critério de rateio relativamente a determinados dispêndios que, pelo que alega, relacionamse tanto a associados como a não associados. Nessa linha, faz referência às seguintes despesas: juros incorridos em financiamentos bancários contraídos em proveito de produtores em geral; empréstimos do governo federal; e financiamentos para repasse e para custeio agrícola. Partindo do mesmo período referenciado pela Recorrente (dezembro de 2004), observo que às fls. 80 dos autos consta o documento denominado PAPEL DE FISCALIZAÇÃO – APURAÇÕES DIVERSAS, no qual as autoridades fiscais detalharam o tratamento dispensado às despesas financeiras. As rubricas questionadas pela Recorrente estão inseridas no item JUROS SOBRE FINANCIAMENTOS, que assim foi decomposto: 1. JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTO CAPITAL DE GIRO; 2. JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS GOVERNO FEDERAL – EGF; 3. JUROS SOBRE FINANCIAMENTO PARA REPASSE; 4. JUROS SOBRE FINANCIAMENTO COTAS PARTES; 5. JUROS SOBRE FINANCIAMENTO CONTRATO DE CUSTEIO; Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.924 18 6. JUROS SOBRE FINANCIAMENTO INVESTIMENTO. Os itens “1” e “6” acima, foram submetidos ao critério de rateio, e, relativamente ao item 4, a Recorrente admite total relação com os atos cooperados. Ainda que se supere o fato de que a argumentação expendida pela Recorrente representa substancial mudança em relação às alegações trazidas por meio das contestações anteriormente apresentadas, destaco que ela não aportou um único documento capaz de efetivamente demonstrar a procedência das suas afirmações. Penso, pois, que a questão nuclear reside na apresentação de prova capaz de contaminar de incerteza a apuração promovida pela Fiscalização e, por decorrência, o crédito tributário constituído, o que, não obstante as inúmeras oportunidades que teve, a Recorrente não trouxe ao processo. Ademais, se os referidos dispêndios financeiros efetivamente aproveitaram tanto associados como não associados, o que a Recorrente deveria ter feito era a segregação contábil dos montantes correspondentes, não sendo razoável supor, nas específicas rubricas apontadas pela Fiscalização, que tal providência só seria factível a partir da utilização do critério de rateio. Não me parece razoável que 22,73% do que foi captado junto ao governo, e dos financiamentos obtidos para fins de repasse e custeio, tenham sido destinados a terceiros não associados. A meu ver, a providência adotada pela Fiscalização não é merecedora de reparos. No que diz respeito à MULTA ISOLADA decorrente da falta/insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), esclareço, complementarmente, que a autuação, nos termos do assinalado às fls. 12 do processo, teve por base as disposições do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, que foi convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Assim, não estamos diante da aplicação súmula CARF nº 105, eis que ela diz respeito à multa isolada lançada com fundamento no art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, antes da alteração promovida pela Medida Provisória referenciada. Relativamente à exclusão, da base de cálculo da contribuição, dos denominados “RESULTADOS COM ASSOCIADOS”, assinalo que a questão restou pacificada no âmbito deste Colegiado, eis que em sessão realizada em 10 de dezembro de 2012 foi aprovada a súmula CARF nº 83, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004. Tomando por base a detalhada análise apresentada no RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA e, especialmente, os quadros 31, 32 e 33, constantes do referido documento, a matéria tributável que serviu de suporte para o lançamento tributário pode ser segregada conforme quadros abaixo. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.925 19 ANO 2002 MATÉRIA TRIBUTÁVEL TOTAL ATO COOPERADO ATO NÃO COOPERADO 3.863.679,54 2.771.392,10 1.092.287,44 ANO 2003 MATÉRIA TRIBUTÁVEL TOTAL ATO COOPERADO ATO NÃO COOPERADO 3.374.562,25 2.485.415,47 889.146,78 ANO 2004 MATÉRIA TRIBUTÁVEL TOTAL ATO COOPERADO ATO NÃO COOPERADO 3.750.619,27 2.597.167,08 1.153.452,19 Relativamente às multas isoladas aplicadas, sirvome também dos demonstrativos trazidos pelo Relatório de Diligência para identificar as que derivaram de antecipações obrigatórias vinculadas ao resultado com cooperados e as que decorreram do resultado com não cooperados. Assim, temos: 2002 2003 2004 MULTA NÃO COOPERADOS MULTA COOPERADOS MULTA NÃO COOPERADOS MULTA COOPERADOS MULTA NÃO COOPERADOS MULTA COOPERADOS 49.301,28 121.006,46 41.733,88 105.238,18 65.433,58 124.601,23 Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir de tributação os montantes relativos aos atos cooperados (R$ 2.771.392,10 de 2002; R$ 2.485.415,47 de 2003; e R$ 2.597.167,08 de 2004), bem como as multas isoladas relacionadas aos referidos atos (R$ 121.006,46, de 2002; R$ 105.238,18 de 2003; e R$ 124.601,23, de 2004). Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10925.000393/200768 Acórdão n.º 1301001.830 S1C3T1 Fl. 1.926 20 Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909105/2011-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2001
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2001 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzem-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 05 /2 01 1- 30 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração dezembro de 2001, no valor de R$ 862,77.. O pedido foi transmitido através do PER nº 33776.03380.280606.1.2.044330, fls. 2/4, em 28/06/2006.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 5 3 comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 39/40). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 6 4 Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 197/199 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Dezembro de 2001 no valor de R$.5.544,88, e observado que o valor total recolhido foi de R$.5.687,65 (fls.196 – em 15/01/2002 R$.5.421,60 e em 29/01/2002 R$.266,05), concluímos que o valor recolhido a maior é de R$.142,77..” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via eletrônica e se manifestou alegando, em síntese: · a fiscalização não identificou o regramento conferido pela Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o, referentes dedução da base de cálculo da contribuição do valor total da venda de veículos usados, acarretando no indeferimento do direito creditório; · conforme se verifica nos documentos contábeis juntados anteriormente, bem como pela planilha de cálculo elaborada pela requerente (doc. 01), o valor de aquisição dos veículos usados vendidos não poderia ser incluído na base de cálculo da contribuição em foco. Os valores de aquisição e de venda estão devidamente abertos no balancete de verificação entregue à fiscalização, e comprovam que o cálculo realizado pela fiscalização não merece prevalecer. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 7 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência ao princípio da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 8 6 artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 9 7 *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a Informação Fiscal de fls. 197/199 na qual conclui que “Após, apuração da Contribuição da COFINS devida para o mês de Dezembro de 2001 no valor de R$.5.544,88, e observado que o valor total recolhido foi de R$.5.687,65 (fls.196 – em 15/01/2002 R$.5.421,60 e em 29/01/2002 R$.266,05), concluímos que o valor recolhido a maior é de R$.142,77..” Com base nessa Informação Fiscal a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório referente pagamento indevido ou a maior da Contribuição da Cofins do mês de Dezembro de 2001, recolhido em 15/01/2002, no código 2172, no valor original de R$.142,77 (Cento e Quarenta e Dois Reais e Setenta e Sete Centavos), requerido através do Pedido de Restituição na PERDCOMP de nº 33776.03380.280606.1.2.044330, transmitida em 28/06/2006 (fls.2/4).. A requerente alega que não foi deduzido da base de cálculo da contribuição o valor de aquisição dos veículos usados vendidos, conforme prevê a Instrução Normativa n. 247, de 21.11.2002, em seu art. 10, parágrafos 4o e 5o. Entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: Através da publicação da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, ficou estabelecido um tratamento diferenciado em relação a tributação das receitas auferidas pela venda de veículos usados por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. Houve também a regulamentação através da Instrução Normativa SRF nº 152/98, assim redigidos: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 10 8 dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Instrução Normativa SRF nº 152/98: (...) Art. 2º Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1º Na determinação das bases de cálculo de que trata este artigo será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição constante da nota fiscal de entrada. § 2º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. No que diz respeito ao Pis/Pasep e ao Cofins a matéria em tela consta ainda da Lei nº 10.637/02, art. 8º, VII, c e da Lei nº 10.833/03, art. 10, VII, c, e está regulada através da IN SRF nº 247/2002. Lei nº 10.637/02 (...) Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: VII as receitas decorrentes das operações: (...) c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; Lei 10.833/03 (...) Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 11 9 Art. 10.. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: VII as receitas decorrentes das operações: c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; Instrução Normativa SRF nº 247/2002: (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Assim, na determinação da base de cálculo da contribuição em foco deverá ser computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91 e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.909105/201130 Acórdão n.º 3801004.922 S3TE01 Fl. 12 10 É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, atendendose ainda ao disposto no art 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12963.000018/2009-59
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
MULTA. PREVISÃO LEGAL
Tendo a fiscalização aplicado a multa e juros legalmente previstas, não há que reformar o lançamento efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-004.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 169 1 168 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000018/200959 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.105 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente ALVORADA DO BEBEDOURO S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 MULTA. PREVISÃO LEGAL Tendo a fiscalização aplicado a multa e juros legalmente previstas, não há que reformar o lançamento efetuado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 00 18 /2 00 9- 59 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Alvorada do Bebedouro S/A Açúcar e Álcool em face acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 SUJEIÇÃO À RETENÇÃO. PROVA. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA. JUROS. ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANALISE. Incumbe ao impugnante demonstrar ter havido o cumprimento das suas obrigações tributárias não tendo isto sido detectado pela auditoriafiscal. Sujeitamse à retenção os serviços enunciados na legislação tributária incumbindose ao impugnante a prova de que algum dos serviços por ele contratados não se enquadraria entre os previstos dados os indícios de que se sujeitariam ao instituto. A multa e os juros empregados no lançamento são aqueles legalmente estabelecidos. É vedada, em sede administrativa, o afastamento de lei por inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Trata o processo em epígrafe de lançamento de créditos tributários envolvendo o Auto de Infração Debcad nº 37.208.8155, referente a lançamento de contribuições previdenciárias devidas a titulo de retenções incidentes sobre notas fiscais de prestadores de serviços contratados pela contribuinte. O relatório fiscal (fls. 14/18) narra que a contribuinte é empresa constituída na modalidade de sociedade anônima de capital fechado, sujeita ao sistema tributário denominado lucro real. Além disso, aponta que a contribuinte teria contratado e remunerado diversos prestadores de serviços (pessoas jurídicas que, por ocasião da emissão de notas fiscais, fizeram o destaque de retenção de contribuições previstas no art. 31 da Lei n°8.212/91), tendo deixado de recolher as contribuições previdenciárias decorrentes das citadas retenções. Os serviços prestados, pela sua natureza e regime de contratação, enquadram se no rol de serviços sujeitos a retenção discriminados §2° do art. 219 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/91 e alterações posteriores. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumenta que: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 12963.000018/200959 Acórdão n.º 2803004.105 S2TE03 Fl. 170 3 a) não haveria que se falar em falta de repasse de tributos destacados e retidos em notas fiscais de prestação de serviços, uma vez que cumpriu rigorosamente com suas obrigações tributárias; b) nem todos os serviços prestados seriam sujeitos à retenção, tendo citado as notas fiscais 538 e 584, que se referem a serviços de mecânica, não enquadrados no rol do § 2° do art. 219 do RPS; e c) a cumulação de multa com juros moratórios é ilegal por configurar anatocismo. Ao analisar as alegações da contribuinte, a DRJ de origem rejeitou integralmente as ponderações apresentadas, mantendo incólume o crédito tributário lançado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando, em apertado escorço, as alegações trazidas em sua peça de impugnação. Sem apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Multa Aplicada Em suas razões recursais a contribuinte não traz qualquer argumento que justificasse o afastamento da multa aplicada pela fiscalização, pelo contrário, limitase a afirmar que há, na multa aplicada, verdadeiro “anatocismo” o que seria vedado pela Súmula 211 do Supremo Tribunal Federal. Além disso, aduz que “quanto ao aspecto econômicofinanceiro, o montante objeto da cobrança, é absurdo, por trazer sérios prejuízos para a empresa, caso se veja obrigada ao recolhimento na forma pretendida no presente Auto de Infração e confirmada pela C. 5a Turma da DRJ/JFA.” Ora, ainda que me solidarize com a situação econômica da contribuinte, bem como com os percalços financeiros que todo o setor empresarial vive nos últimos anos em nosso país, não persiste qualquer subsídio fático ou jurídico que possa levar este conselheiro a afastar a multa aplicada, decorrente da própria desídia da contribuinte em não honrar com as obrigações fiscais que lhe competiam. Conclusão Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Pelo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720239/2013-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MUNICÍPIO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003 E ART. 22, III, DA LEI Nº 8.212/1991. ÓRGÃO PÚBLICO. REGRA DO INCISO I DO ART. 15 DA LEI Nº 8.212,1991. INOBSERVÂNCIA. CONSEQUENCIAS.
O valor devido está sendo cobrado de acordo com a regra estabelecida no art. 4º da Lei nº 10.666/2003 e art. 22, III, da lei nº 8.212, de 1991, independente da natureza jurídica do contribuinte.
Não se pode perder de vista que os municípios, para os efeitos da legislação previdenciária, são considerados empresas, a teor do inciso I do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.230
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MUNICÍPIO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 4º DA LEI Nº 10.666/2003 E ART. 22, III, DA LEI Nº 8.212/1991. ÓRGÃO PÚBLICO. REGRA DO INCISO I DO ART. 15 DA LEI Nº 8.212,1991. INOBSERVÂNCIA. CONSEQUENCIAS. O valor devido está sendo cobrado de acordo com a regra estabelecida no art. 4º da Lei nº 10.666/2003 e art. 22, III, da lei nº 8.212, de 1991, independente da natureza jurídica do contribuinte. Não se pode perder de vista que os municípios, para os efeitos da legislação previdenciária, são considerados empresas, a teor do inciso I do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 02 39 /2 01 3- 16 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.720239/201316 Acórdão n.º 2803004.230 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.720239/201316 Acórdão n.º 2803004.230 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente à contribuição social a cargo da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, bem como à parcela devida pelos mesmos contribuintes individuais, a qual não foi descontada pela Autuada de sua remuneração e nem recolhida aos cofres públicos, nas competências de 01/ a 12 de 2008. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 14 de abril de 2014 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. REGULARIDADE. ÓRGÃOS PÚBLICOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Os órgãos públicos da administração direta são considerados empresas em relação aos segurados não abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social – RPPS, ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. São devidas as contribuições para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados, apuradas em documentos contábeis e fiscais da empresa. É dever da empresa, descontar e arrecadar a parcela relativa às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Lei 10.666/2003. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional. Em se tratando de lançamento por homologação, aplicase a regra do artigo 150, § 4º. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.720239/201316 Acórdão n.º 2803004.230 S2TE03 Fl. 5 4 . A impugnação restou deferida em parte, somente no que tange à decadência dos créditos lançados anteriores à 02/2008, ou seja, o referente a competência 01/2008, conforme Acórdão n. 1264.758 – 13ª Turma da DRJ/RJ1. Ao realizar consulta às informações de crédito (em anexo), verificase que não foi dado o devido cumprimento à decisão mencionada, visto que consta como “Período da Dívida” de 01/2008 a 12/2008, ou seja, continua sendo cobrada a competência 01/2008. É coerente afirmar que o escopo do processo administrativo tributário que existe em nosso ordenamento jurídico é o autocontrole, a fiscalização dos próprios atos administrativos para o fim de evitar ilegalidades. Sua função, nessa busca de respeito à legalidade, é tanto de proteger o Estado como o contribuinte. Se um lançamento abusivo, ou com erros e defeitos, só pudesse ser objeto de impugnação na esfera judicial, isso significaria maiores ônus econômicos para as partes. Assim sendo, serve a presente para apontar tal irregularidade, ou seja, o descumprimento da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento no Rio de Janeiro I, resultando em lançamento abusivo. Acontece que para C. 13ª Turma da DRJ/RJ1, a aplicação das retenções pelo erário municipal eram de rigor porque, irrelevantes que os serviços prestados pela psicóloga Helena Reggiane Gonçalves Richter e pelo Médico Ribas Buffara por conta do Convênio com o Detran/PR, bem como no contrato realizado pela pessoa de Antonio Augusto Sobrinho, que disponibilizava palestras em seu ateliê operacionalizando a promoção de cultura local, posto que o entendimento predominante é que neste caso existiu de cessão de mão de obra, que com todo o respeito, neste caso não pode e nem deve prevalecer. E como as coisas são assim, rogase pela procedência do presente recurso, que bem analisando a questão haverá de isentar o ente público recorrente das sanções que lhe foram impostas pelo lançamento – crédito 373021208 e 373021216. Processo n. 10945 720.239/201316, por ser medida de direito e de justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.720239/201316 Acórdão n.º 2803004.230 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte continua insistindo que seu pedido relativamente à decadência não atendido na plenitude, e que continua sendo cobrada a competência 01/2008. No ponto, sem razão o contribuinte, pois o pleito foi atendido e referida competência foi excluída do lançamento. A operacionalização dessa exclusão, por questão óbvia, ocorrerá no momento posterior ao julgamento do processo na segunda instância administrativa, e se concretizará na Delegacia da Receita Federal de origem, local onde se apurará o crédito definitivo da Fazenda. No que diz respeito à parte não alcançada pela decadência, sem razão o contribuinte. O valor devido está sendo cobrado de acordo com a regra estabelecida no art. 4º da Lei nº 10.666/2003 e art. 22, III, da lei nº 8.212, de 1991, independente da natureza jurídica do contribuinte. Não se pode perder de vista que os municípios, para os efeitos da legislação previdenciária, são considerados empresas, a teor do inciso I do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 15. Considerase: I – empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Ademais, o contribuinte não pode alegar desconhecimento da legislação referida, pois no que diz respeito aos contratados, os contribuintes individuais, ele descontou os valores devidos à Seguridade Social, mas não os recolheu aos cofres públicos, como deveria fazêlo. De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores efetivamente ocorreram. Tendo em vista a regularidade do lançamento, bem como as contundentes razões contidas no acórdão recorrido, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas nego lhe provimento. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.720239/201316 Acórdão n.º 2803004.230 S2TE03 Fl. 7 6 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.911705/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2003 NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 05 /2 00 9- 71 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911705/200971 Acórdão n.º 3802004.203 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000311/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEIS 9.363/1996 e 10.276/2001. CONCESSÃO EM INOBSERVÂNCIA AO ART. 14 DA LEI Nº 10.833/2003. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. IMPOSSIBILIDADE. CONCEITO DE RECEITA. PRECEDENTES DO STJ.
Empresa optante pelo lucro real que apura PIS/Cofins pelo regime não-cumulativo não faz juz ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 14 da Lei n° 10.833/2003. Tal matéria encontra-se fora do objeto do litígio, razão pela qual se tomará os impactos tributários do crédito reconhecido, independente de sua real natureza jurídica não se amparar nas Leis n°s 9.363/1996 e 10.276/2001. Considera-se auferido o crédito erroneamente concedido na data em que foi deferido via despacho decisório. A não observância do regime de competência não autoriza a constituição de crédito tributário, posto que indubitável que tal disponibilidade restou reconhecida na apuração do resultado do período-base. Improcedente a exigência de IRPJ e CSLL. O conceito de receita deve ser buscado na Constituição, posto que esta empresta ao termo seus conceitos essenciais, os quais devem ser observados tanto pelo legislador infraconstitucional quanto pelo intérprete. Receita constitui acréscimo patrimonial decorrente de esforço próprio. Crédito presumido de IPI não se encaixa no conceito de receita, mas representa uma recuperação de custos, portanto não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 1801-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro (Relator) e Rogério Aparecido Gil que votaram em manter os lançamentos tributários das contribuições Pis e Cofins. O Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca foi designado para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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LEIS 9.363/1996 e 10.276/2001. CONCESSÃO EM INOBSERVÂNCIA AO ART. 14 DA LEI Nº 10.833/2003. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. IMPOSSIBILIDADE. CONCEITO DE RECEITA. PRECEDENTES DO STJ. Empresa optante pelo lucro real que apura PIS/Cofins pelo regime não cumulativo não faz juz ao crédito presumido de IPI, nos termos do art. 14 da Lei n° 10.833/2003. Tal matéria encontrase fora do objeto do litígio, razão pela qual se tomará os impactos tributários do crédito reconhecido, independente de sua real natureza jurídica não se amparar nas Leis n°s 9.363/1996 e 10.276/2001. Considerase auferido o crédito erroneamente concedido na data em que foi deferido via despacho decisório. A não observância do regime de competência não autoriza a constituição de crédito tributário, posto que indubitável que tal disponibilidade restou reconhecida na apuração do resultado do períodobase. Improcedente a exigência de IRPJ e CSLL. O conceito de receita deve ser buscado na Constituição, posto que esta empresta ao termo seus conceitos essenciais, os quais devem ser observados tanto pelo legislador infraconstitucional quanto pelo intérprete. Receita constitui acréscimo patrimonial decorrente de esforço próprio. Crédito presumido de IPI não se encaixa no conceito de receita, mas representa uma recuperação de custos, portanto não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro (Relator) e Rogério Aparecido Gil que votaram em manter os lançamentos tributários das contribuições AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 03 11 /2 00 8- 91 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 2 Pis e Cofins. O Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca foi designado para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Redator Designado Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados no dia 29/07/2008 em decorrência de OMISSÃO DE RECEITAS CRÉDITO PRÉMIO DO IPI NÃO CONTABILIZADO, referente a fato gerador ocorrido em 31/12/2004, ensejando a exigencia do IRPJ (efls. 192/196) e apuração reflexa do PIS/PASEP (efls. 197/ 201), COFINS (efls. 202/ 206), CSSL (efls. 207/ 211). O valor total do crédito tributário apurado, inclusos multa e juros de mora, à época perfazia R$ 47.295,77. Tal conclusão se baseou nas informações apuradas através de fiscalização realizada para verificação específica do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, primeiro trimestre do anocalendário de 2004, no tocante ao lançamento, a título de receitas, do valor do crédito presumido do IPI. Após a juntada do Mandado de Procedimento Fiscal (efl. 02) juntouse consulta à DIPJ/2005 (efls. 04/134), bem como Informação SAFIS N° 76/2007 (efls. 135/137), proveniente do processo n. 5943000.037/200740, que tratava de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pelas Leis n. 9.363/96 e 10.276/01, como ressarcimento de COFINS incidente sobre os insumos de produtos exportados. Naquele processo se apurou Crédito de Presumido do IPI no valor de R$ 48.742,17 em favor da empresa, embora esta tenha requerido o valor de R$ 67.720,46 (efls. 138/140). Em 25/07/2008 foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal (efls. 141/143), onde se apurou que o valor de R$ 48.742,17 percebido pela empresa a título de crédito presumido de IPI não foi contabilizado como receita e não integrou os resultados apurados, o que teria levado à diminuição da base de cálculo do IRPJ e demais tributos pertinentes. Consignouse ainda que em 2004 a autuada apurou o IRPJ pelo Lucro Real e que nos meses de janeiro a março de 2004 (período fiscalizado) a contribuinte acumulou resultado negativo em suas operações, nos montantes, respectivamente, de R$ 78.411,02, R$ 101.623,61 e R$ 396.505,26. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 361 3 Intimada do Auto de Infração em 04/08/08 (efl. 165) o contribuinte ofereceu Impugnação em 03/09/2008 (efls. 167/ 177), juntandose a DIPJ/2005 (efls. 216/303). A DRJ julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes argumentos (e fls. 309/315): a) Consignou que “o impugnante alega que as receitas relativas ao crédito presumido de IPI do primeiro trimestre de 2004 foram contabilizadas em 18/06/2004, quando da protocolização do pedido de ressarcimento, e oferecidas à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, integrando o valor informado na DIPJ do anocalendário de 2004 a título de receitas operacionais.” Entretanto, o Termo de Verificação Fiscal deixaria claro que a fiscalização restringiuse ao primeiro trimestre do anocalendário de 2004. Indicou que regulamentação da apuração do crédito presumido de IPI aplicável ao caso é aquela constante da Portaria MF nº 64/2003, onde se vê que “a apuração do crédito presumido de IPI é mensal, de modo que a respectiva contabilização deve se dar, observandose o regime de competência, ao final de cada um dos meses em que o contribuinte pretende exercer o direito à apuração do crédito.” Deste modo, se o crédito analisado é relativo ao primeiro trimestre de 2004, sua escrituração deveria constar da escrituração referente a este período. b) Outrossim, a contabilização do referido crédito se dar apenas em 18/06/2004, quando da protocolização do pedido de ressarcimento seria errônea, porquanto o regime de competência não teria sido observado. Lado outro, não juntou provas de sua alegação, tendo invocado os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. c) Aduziu que o contribuinte alega tratarse de crédito destinado à recuperação de custos, razão pela qual sua inclusão na base de cálculo do PIS e COFINS contraria a intenção do legislador. Teceu esclarecedores comentários sobre a natureza jurídica do crédito presumido de IPI, observando que este não decorre de um pagamento indevido, mas tratarseia sim de um incentivo com vistas a estimular a exportação. Invocou os arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718/98, onde a base de cálculo do PIS e COFINS seria “todas as receitas da empresa”, salvo exclusões legais. As Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, por sua vez, teriam reafirmado esta base de cálculo. Por fim, transcreveu julgado administrativo. A autuada foi intimada desta decisão em 30/11/2012 (efls. 319) e, irresignada, apresentou Recurso Voluntário em 02/01/2013 (efls. 321/343), onde apresentou os seguintes fundamentos: a) Alega que em seu caso, como não possui débitos de IPI, a possibilidade de utilizar os créditos presumidos somente é possível após a entrega de DCP – Demonstrativo de Crédito Presumido relativo ao trimestrecalendário de sua apuração e posterior protocolo do Pedido de Ressarcimento, nos termos do art. 18 da IN SRF n. 419/2004. Somente após tal procedimento é que seria possível alegar o crédito e o dever da empresa de o registrar em sua contabilidade. b) Lado outro, considerando que a autuada era optante do Lucro Real, apurando o IRPJ e a CSLL anualmente, não faz diferença seu registro contábil em 31/03 ou 18/06, pois ainda teria oferecido aquela receita à tributação. c) Aduziu que o Crédito Presumido de IPI é uma recuperação de custos relativos à incidência do IPI e COFINS no processo de produção, bem como um crédito do contribuinte junto ao Poder Público. Assim essa “receita” poderia ser reconhecida no momento Fl. 362DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 4 da compensação ou do ressarcimento em espécie. Colacionou ementa de julgado da Sétima Câmara do Conselho dos Contribuintes. d) Argumentou que o referido crédito consta da DIPJ da empresa, na Ficha 06A – Demonstração de Resultado – PJ em Geral, item 30. Outras Receitas Operacionais, onde se registrou o valor de R$ 83.459,53, que se compõe de: R$ 67.720,46 – Crédito Presumido de IPI; R$ 2,62 – Outras Receitas Operacionais; e R$ 15.736,45 – Crédito de IPI puro. Explica que contabilizou o Crédito Presumido de IPI, bastando olhar a conta contábil 50797 3.4.01.001.00001 – Crédito Presumido de IPI, onde efetuou o lançamento de R$ 67.720,46 em 18/06/2004, data de protocolo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento. Alega que na comparação entre a Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real PJ em Geral e a Ficha 06A – Demonstração de Resultado – PJ em Geral não houveram exclusões que suportem a conclusão da fiscalização. Destarte, não teria havido qualquer infração aos arts. 249, II; 251, parágrafo único; 278; 279; 280; e 288 do RIR/99. e) Quanto ao reflexo do crédito presumido do IPI no PIS e COFINS, argumenta que aquele crédito foi instituído pela Lei n. 9.363/96 para desonerar as exportações da referidas contribuições. Deste modo, não se trataria de receita, mas sim de recuperação de custos. Colacionou jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do Superior Tribunal de Justiça, bem como doutrina de José Antônio Minatel e julgados do CARF. Afirmou que o STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, o que deve ser respeitado pelo CARF. Invocou o art. 4º do Decreto n. 2.346/97 e arts. 62 e 62A do Regimento Interno do CARF. f) Por fim, salientou que a política de incentivo fiscal às exportações é determinação hierárquica constitucional prevista no art. 149, §2º, I da CF. Assim, ainda que o crédito aqui tratado fosse receita, as contribuições não poderiam incidir em função da disposição constitucional. Com base nestes argumentos, requereu o provimento do recurso. Procedeu à juntada dos documentos de efls. 345/ 357. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. A controvérsia envolve benefício fiscal de exportação instituídos pela Leis n°s 9.363/1996, e 10.276/2001, que concedem ao produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito presumido de IPI. Na dicção das referidas leis, tais créditos ostentam natureza de “ressarcimento” do valor de PIS e COFINS que incidiram sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens adquiridos no mercado interno para utilização no produto exportado. A ressaltar, que a recorrente não fazia jus a tal crédito, posto ter apurado PIS e Cofins, no exercício de 2004, pelo regime nãocumulativo recuperando desta forma, o impacto econômico exercido por esses tributos na aquisição de produtos e insumos destinados à exportação. Tal conclusão, encontrase fulcrada no Art. 14 da Lei 10.833: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 362 5 Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Art. 14. O disposto nas Leis nºs9.363, de 13 de dezembro de 1996, e10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2º e 3º daLei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Tal matéria, entretanto, encontrase fora do objeto do presente litígio, razão pela qual tomarseá, para fins de julgamento, os impactos tributários do crédito reconhecido, independente de sua real natureza jurídica não se amparar na Leis n°s 9.363/1996 e 10.276/2001. Segundo alude o Termo de Verificação Fiscal (efl 141) a ilicitude no comportamento da recorrente estaria consubstanciado em não ter contabilizado como receita, o valor de R$ 48.742,17, o qual teria sido deferido pela DRF, dentre R$ 67.720,46 requeridos, como crédito prêmio de IPI referente ao primeiro trimestre do ano de 2.004. Segundo a referida autoridade fiscal, tal omissão teria afetado irregularmente o resultado apurado “...havendo, portanto, diminuição da base de cálculo do Imposto de Renda e demais tributos pertinentes, recolhidos pela empresa”. Passemos à análise da irresignação recursal do contribuinte, tendo em vista a os tributos objetos do lançamento. IRPJ e CSLL Os §§ 4º a 7° do art. 6º do Decretolei n° 1.598/77 trazem preceitos objetivos sobre a forma como deverão ser tratados os casos de inobservância do regime de competência. O RIR/99 reproduz essas normas legais, inclusive regulando seus reflexos na atividade de lançamento fiscal, dispondo: RIR/99, Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. [...] Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): [...] § 4º Ocorrendo a inexatidão, quanto ao período de apuração de competência de escrituração de receita, rendimento, custo ou Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 6 dedução, ou do reconhecimento do lucro, será observado o disposto no art. 273. Os dispositivos supratranscritos revelam a preocupação do legislador quanto à inexatidão de escrituração quando dela resultar postergação ou redução indevida de lucro real tendo em vista outros períodos de apuração. A questão a ser dirimida nos presentes autos (se a escrituração haveria de ter se dado ao final do primeiro trimestre de 2004, como alude o fisco, ou em 18/06/2004, como demonstra ter feito o contribuinte, à efl. 348), não autoriza a constituição de crédito tributário, posto que indubitável que tal disponibilidade restou reconhecida na apuração do resultado do períodobase (ano de 2004) em que incorrida. Na linha do Parecer Normativo COSIT nº. 02/96, a antecipação ou postergação de receitas exige que no lançamento, seja recomposto os resultados dos períodos afetados de modo a verificar o efeito da contabilização indevida no tempo. 5.2 O § 4º, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao períodobase indevido e adicionála ao lucro líquido do períodobase competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do período base de competência. 5.3 Chamase a atenção para a letra da lei: o comando é para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real; não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2 Deve, portanto, ser o contribuinte exonerado quanto à exigência de IRPJ e CSLL, julgandose improcedente, nesta parte, o auto de infração. Cofins e PIS Merece provimento todavia, ser mantido o auto de infração quanto à exigência de PIS e Cofins sobre os valores referentes reconhecidos ao contribuinte a título de crédito presumido de IPI. Isso por que, na linha da jurisprudência do STJ, tal rubrica se enquadra no conceito de receita e, como tal deve compor a base de cálculo desses tributos, que para a recorrente, enquadrada à época na forma de apuração pelo regime não cumulativo encontrava se definida nos Arts. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 como o “...o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 363 7 1. No julgamento dos precedentes REsp. n. 957.153/PE, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 04.10.2012; e REsp. nº 1.349.837SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.12.2012, este Superior Tribunal de Justiça respaldou a conduta adotada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de considerar o "crédito presumido de IPI" como "receita operacional" para fins de composição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 2. Considerouse ali que a técnica adotada pela lei para atingir o Lucro Real foi a de incluir como "despesa" o valor pago a título de IPI e, por consequência lógica, a inclusão como "receita operacional" do crédito presumido do IPI. Mutatis mutandis, a mesma lógica é aplicável ao crédito presumido de ICMS. 3. Os valores relativos ao crédito presumido do ICMS, por serem "ressarcimentos de custos" integram a receita bruta consoante o art. 44, III, da Lei n. 4.506.54 (recuperações ou devoluções de custos). 4. A escrituração dos créditos de ICMS caracteriza a "aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de acréscimos patrimoniais", muito embora possa não significar aquisição de disponibilidade financeira quando há restrições ao uso dos créditos adquiridos, e, portanto, permite a tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Precedentes: REsp. n. 859.322 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14.09.2010; AgRg no REsp. n. 1.266.868 PR , Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 04.04.2013. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1448693/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 12/08/2014) O crédito sob análise, enquadrase no conceito de receita, pois representou ingresso que se incorporou à esfera patrimonial da pessoa jurídica beneficiada, influenciando em seu resultado.1 1 Durante o julgamento do RE 346.084 (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL 0224506 PP01170), para manifestarse pela inconstitucionalidade da equiparação legal do conceito de faturamento ao de receita bruta (Lei 9.718/98, Art. 1º, §3º), o exMin. César Peluso desenvolveu com brilhantismo a análise do conceito de receita que aqui faço reproduzir: “Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) "por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas". A Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976) prescreve que a escrituração da companhia "será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos" (art. 177), e, na disposição anterior, toma de empréstimo à ciência contábil os termos com que regula a elaboração das demonstrações financeiras, verbis: "Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I balanço patrimonial; II demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III demonstração do resultado do exercício; e IV demonstração das origens e aplicações de recursos." Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 8 Nesse quadro normativo, releva apreender os conteúdos semânticos ou usos lingüísticos que, subjacentes ao vocábulo receita, aparecem na seção relativa às "demonstrações do resultado do exercício". Diz, a respeito, o art. 187 daquela Lei: “Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita liquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; V o resultado do exercício antes do Imposto de Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo liquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1°. Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e (...)” Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque pode havêla não operacional. Segundo o disposto no art. 187 da Lei nº 6.404/76, distinguemse, pelo menos, as seguintes modalidades de receita: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 364 9 Voto portanto, por dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento exclusivamente quanto às exigências de PIS e Cofins. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator i) receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções entre gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um deficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da "atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços" (venda de mercadorias e de serviços). De modo que o conceito legal de faturamento coincide com a modalidade de receita discriminada no inc. I do art. 187 da Lei das Sociedades por Ações, ou seja, é "receita bruta de vendas e de serviços". Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início de vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 10 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Adoto o Relatório apresentado pelo Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, por sintetizar com excelência o caso em tela e estabelecer as premissas fáticas sobre as quais iremos debater. Entretanto, com toda a vênia, devo discordar do voto do ilustre Conselheiro Relator. A Constituição Federal possui um caráter eminentemente analítico em matéria tributária, estando repleta de princípios e regras concernentes à tributação. Contudo, uma análise rasa, ou ao menos fragmentada, da Carta Magna pode levar à conclusão de que o legislador constituinte não definiu certos vocábulos, deixando esta tarefa a cargo do legislador complementar. Vejamos, no tocante à presente discussão, a competência definida pela Constituição: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; O aparente impasse reside no fato de o Constituinte não dizer, ao menos expressamente, o que receita ou faturamento significam. Como bem assentado na lição de Martha Toribio LEÃO, que se apoia na doutrina de Celso Antônio BANDEIRA DE MELLO, “[n]ão há dúvida de que se tratam de termos vagos, fluídos ou até imprecisos; no entanto, não se pode ignorar que esse tipo de imprecisão é sempre relativa, já que em um sistema de normas há sempre referências que permitem circunscrever algum âmbito de significação das palavras vagas, reduzindo a sua fluidez a um mínimo possível”.2 Colocando em prática este exercício de interpretação, é claro enxergar, em uma primeira análise, que as definições de receita e faturamento não se confundem. Ora, o legislador constituinte derivado não teria se dado ao trabalho de alterar o texto constitucional, por meio da Emenda Constitucional n° 20 de 1998, incluindo a receita na hipótese de incidência das contribuições sociais em adição ao faturamento, que já figurava no texto original, caso os dois termos possuíssem exatamente a mesma definição. 2 LEÃO, Martha Toribio. A incidência das contribuições sociais sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, v. 214, p. 93107, 2013 (94). Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 365 11 Existe um debate doutrinário e jurisprudencial sobre se a Constituição adota conceitos ou tipos que, por óbvio, escapa à nossa competência debater3. De qualquer maneira, adotandose conceitos, que se definem a partir de seus contornos, mesmo que vagos, ou tipos, que possuem uma definição mínima, o chamado núcleo duro, fato é que tais termos possuem um conteúdo semântico mínimo que se pode depreender da própria Constituição. Como bem assinalado pelo então Ministro Cezar Peluso, em importante decisão do Supremo Tribunal Federal, ao tratar da definição de faturamento, é preciso compreender que, para outorga de competência tributária há um conteúdo semântico mínimo, “sem o qual seria impossível observar e controlar os limites dessa mesma competência constitucional, assim como seria impossível preservar todo o grave alcance da proibição constitucional da proibição por dívida (art. 5°, LXVII) se não fosse compreensível e restrita a condição jurídica de depositário infiel”4. Na mesma ocasião, o Ministro Cezar Peluso trouxe à luz o ensinamento do Ministro Luiz Gallotti: “Como sustentei muitas vezes, ainda no Rio, se a lei pudesse chamar de compra o que não é compra, de importação o que não é importação, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema constitucional tributário inscrito na Constituição” (voto no RE n° 71.758GB, RTJv. 66, p. 165)5 Mais enfático ainda é o Ministro Marco Aurélio, ao divagar sobre os perigos trazidos pela interpretação livre, pelo Fisco, dos termos que atribuem competência tributária na Constituição: “Realmente, a flexibilidade de conceitos, o câmbio do sentido destes, conforme os interesses em jogo, implicam segurança incompatível com o objetivo da própria Carta que, realmente, é um corpo político, mas o é ante os parâmetros que encerra e estes não são imunes ao real sentido dos vocábulos, especialmente os de contornos jurídicos. Logo, não merece agasalho o ato de dizerse da colocação, em plano secundário, de conceitos consagrados, buscandose homenagear, sem limites técnicos, o sentido político das normas constitucionais. [...] Assim enquadrado o direito, o meio justifica o fim, mas não este àquele. Compreendo as grandes dificuldades de caixa que decorrem do sistema de seguridade social pátrio. Contudo, estas não podem ser potencializadas, a ponto de colocarse em plano secundário a segurança, que é o objetivo maior de uma Lei Básica, especialmente no embate cidadãoEstado, quando as forças em jogo exsurgem em descompasso.”6 3 Sobre as diferenças entre tipos e conceitos na delimitação das competência tributárias, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas Tributárias Indutoras e Intervenção Econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005; DERZI, Misabel de Abreu Machado. Direito Tributário, Direito Penal e Tipo. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1988. 4 Voto do Ministro Cezar Peluso no Recurso Extraordinário nº. 346.084, STF, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator p/ Acórdão: Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005. 5 Idem. 6 Voto do Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº. 346.084, STF, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator p/ Acórdão: Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 12 Apoiamosnos também na Teoria dos Conceitos Constitucionais Vinculantes, segundo a qual a inclusão destes termos que atribuem competência tributária na Constituição gera a aquisição de uma densidade semântica que é incorporada pela própria Carta Magna, consubstanciandose num conceito que deve ser observado pelo legislador infraconstitucional. Ademais, nos casos em que a Constituição não se preocupou em revogar o sentido dos termos jurídicos vigentes então, subentendese a sua apropriação à nova ordem constitucional. Considerando que o caso em análise tem como ponto central a extensão do conceito de receita, é imprescindível analisálo. Sem perder de vista a primeira delimitação do conceito de receita, a de que este não se confunde com o de faturamento, passamos a dar mais um contorno ao seu significado. Não há dúvidas com relação à concepção de que a receita representa, essencialmente, um ingresso novo de recursos decorrente de um esforço próprio. Nesse sentido, vejamos, à título de exemplo, a doação, que representa um ingresso de recursos sem, contudo, ser considerada receita, já que não decorre de um esforço próprio, mas mera liberalidade de outrem. Fato é que não existe receita sem acréscimo patrimonial, entendimento este que é unânime na doutrina.7 Nesse sentido, andou bem Ricardo Mariz de OLIVEIRA: Entretanto, é relevante destacar que receita é um tipo de ingresso ou entrada no patrimônio da pessoa distinto de outros ingressos ou entradas, embora guarde com todos eles um elemento comum, que é o de se tratar da adição de um novo direito à universalidade de direitos e obrigações que compõem um patrimônio. Isto significa que toda receita é um “plus jurídico”, mas nem todo “plus jurídico” é receita. Claro, no mínimo, porque já vimos que uma transferência patrimonial igualmente é um “plus jurídico” no patrimônio, mas não se confunde com receita.8 Seguindo a mesma lógica, lecionou Aires Fernandinho BARRETO: As receitas são entradas que modificam o patrimônio da empresa, incrementandoo. Os ingressos envolvem tanto as receitas quanto as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem); são aqueles valores que não importam modificação no patrimônio de quem os recebe, porém mero trânsito para posterior entrega a quem pertencerem. [...] Apenas os aportes que incrementem o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas. [...] 7 MINATEL, José Antônio. Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. MP Editora, São Paulo, 2005, p. 99. 8 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do Imposto de Renda. Editora Quartier Latin. São Paulo, 2008, p. 83. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 366 13 Receita é, pois, a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo. 9 Configurandose a receita como um elemento essencialmente positivo (que se liga a um ingresso patrimonial) decorrente do esforço próprio, é lógico concluir que, se não há uma afluência de recursos para o patrimônio, principalmente quando ele não é oriundo do próprio esforço, não há receita. Assim sendo, uma recuperação de custos não constitui receita. Vejamos agora mais especificamente o crédito presumido de IPI. Com o propósito de tornar a indústria brasileira mais competitiva no mercado internacional e dentro da máxima econômica de que “não se exportam tributos”, a lei procurou diminuir a carga tributária das empresas que vendem seus produtos no mercado internacional. Nesse sentido, foi criado o crédito presumido de IPI, com o fim de ressarcir as empresas dos valores pagos a título de PIS e COFINS, de acordo com as hipóteses previstas no diploma legal. Contudo, tal benefício só subsiste na medida em que a empresa é tributada. Portanto, mais claro ainda ver que o crédito presumido de IPI não se trata de um elemento positivo, posto que ele existe apenas como contrapartida de um custo. O próprio Superior Tribunal de Justiça adota o entendimento de que o crédito presumido de IPI consubstanciase numa recuperação de custos, que perde o seu sentido se incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS: TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001 – NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtor 9 BARRETO, Aires Fernandino. “A Nova Cofins: Primeiros Apontamentos”. Revista Dialética de Direito Tributário, Editora Dialética, São Paulo, nº 103, abril, 2004, p. 7/16 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH 14 exportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. “4) do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo; o que gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e da COFINS, de forma cumulativa; ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam qualquer ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na acepção econômicofinanceira; 5) não merece prestígio o raciocínio de que, pelo fato de o ressarcimento do PIS e da COFINS ser meramente presumido, não se assemelhando à restituição de tributos, consiste em receita nova; conquanto não ocorra o pagamento indevido, há que se ter em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações; se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito;” (REsp 807.130/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 21/10/2008) (grifei) É pacífico o entendimento do STJ acerca da não inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS: TRIBUTÁRIO PIS COFINS AGRAVO REGIMENTAL INOVAÇÃO RECURSAL IMPOSSIBILIDADE BASE DE CÁLCULO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI INCLUSÃO IMPOSSIBILIDADE. 1. Descabe a esta Corte emitir juízo de valor em agravo regimental sobre tese que não foi objeto do recurso especial. Inovação do feito que não se admite. 2. É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que o crédito presumido do IPI não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido. “Quanto ao mérito, conforme demonstrado na decisão recorrida (fls. 115/116), é pacífico o entendimento desta Corte que é incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que o crédito não se constitui receita, mas importância destinada a corrigir custo.” (AgRg no Ag 1357791/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/06/2013, DJe 11/06/2013) (grifei) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 15940.000311/200891 Acórdão n.º 1801002.288 S1TE01 Fl. 367 15 Destarte, não vejo outra solução para o caso em tela que não a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para que seja desconstituído o crédito tributário aqui exigido da Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Redator Designado Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 08/04/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 12897.000031/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006
Ementa:
CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem- se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM.
Numero da decisão: 3402-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 31 /2 00 9- 49 Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Trata os presentes autos de lançamento tributário para constituir os créditos do PIS e da Cofins referentes aos períodos de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2005 e de 01/03/2006 a 31/03/2006. A Autoridade Fiscal efetuou o lançamento em virtude de o recorrente ter apurado as contribuições com incidência cumulativa, quando o correto seria com incidência nãocumulativa. No entender do Fisco, a aplicação do IGPM e da variação cambial como elemento de correção dos valores originais descaracterizaram o preço como predeterminado, porque tais índices não refletiam a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do serviço prestado pelo recorrente à CBEE. Já o recorrente alega que o próprio Governo Federal reconhece que o reajuste de contratos pelo IGPM não desqualifica o contrato como um a "preço predeterminado”, nos termos da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 19 de junho de 2006. Assim sendo, a pedra angular da lide posta nos autos restringese a decidir se o recorrente deveria apurar o PIS e a Cofins no regime cumulativo ou no regime não cumulativo. Compulsando os autos, não foi identificada a homologação pela ANEEL do contrato celebrado pela recorrente com a CBEE, informação de suma importância para o destino da lide. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para apurar a existência da homologação do contrato pela referida Agência reguladora. Os autos retornaram com a informação solicitada. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Resolução nº 3402000502, de 29/01/2013, discorreu exaustivamente sobre os fundamentos jurídicos e legais, de sorte que peço vênia aos pares, para reproduzila: A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa assim dispõe: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 3402002.494 S3C4T2 Fl. 126 3 § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...).” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência nãocumulativa dispôs: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...). XI – as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...).” Por sua vez, o art. 15, desta mesma lei, com vigência a partir de 01/05/2004, determinou: “Art. 15. Aplica se à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); V – nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 Assim, de conformidade com estes dispositivos, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento de bens e/ ou serviços, a preço predeterminado, com prazo superior a 1 (um) ano, a priori, estariam sujeitas à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. A Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho 2006, dispôs sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, in verbis: Do Âmbito de Aplicação Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 “Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas decorrentes dos tipos de contratos que especifica, quando firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Do Regime de Incidência Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 3402002.494 S3C4T2 Fl. 127 5 Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições.” Nos termos da legislação supracitada, mantêmse no regime cumulativo as receitas das pessoas jurídicas advindas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de fornecimento de bens a preço predeterminado. Regressando aos autos, entendo que não há lide sobre três dos quatro requisitos para a exclusão das receitas advindas dos contratos com CBEE, quais sejam: o fornecimento é de energia um bem sem nenhuma dúvida todos os contratos foram celebrados antes de 31/03/2003 e com prazos superiores a 1(um) ano. Resta, então, o último requisito que prevê a necessidade do preço ser predeterminado. A primeira instância entendeu que a legislação impõe a inclusão das receitas no regime nãocumulativo quando ocorrer a primeira alteração de preço do fornecimento do bem. No caso em questão, teria ocorrido a partir de 01/01/2004. A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”. Em resposta à consulta foi apresentado o Ofício 1431/2006 SFF/ANELL, com a seguinte conclusão: (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...) De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Nos termos da consulta formalizada pela APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. A ANEEL é a Agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos. Deste modo, uma resposta oficial sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, sob pena de arranhar a segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Feitas estas considerações, faltava nos autos a comprovação de que o contrato PIE 029.020, celebrado entre a recorrente e a CBEE, cumpriu os requisitos formais e foi aprovado pela ANEEL. Após a diligência proposta por esse Colegiado, os autos retornaram com a informação de que o referido contrato foi apresentado à ANEEL, por intermédio da Carta CBEE 064/02, de 19 de fevereiro de 2002. Ressalto que o Ofício nº 104/2013SEM/ANEEL afirmou categoricamente que o contrato PIE 029.020 cumpriu com todas as exigências previstas na Resolução nº 580, de 18 de dezembro de 2001, que autorizou a CBEE a comercializar energia elétrica no âmbito do mercado atacadista de energia elétrica. Portanto, resta evidente que o contrato PIE 029.020 foi aprovado pela ANEEL e possuía cláusula de reajuste em seu bojo, de sorte que os reajustes praticados foram dentro dos limites previstos na legislação, de forma a não descaracterizar o preço como predeterminado. Assim sendo, não vejo motivos para apurar o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso para determinar que as apurações do PIS e da Cofins, referentes aos períodos de apuração 01/01/2004 a 31/12/2005 e 01/03/2006 a 31/03/2006, sejam feitas no regime cumulativo. Sala das Sessões, em 17/09/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 3402002.494 S3C4T2 Fl. 128 7 Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 15374.723803/2009-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1232.688/2010, da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IRJ (fls. 1.457)1. Para descrição dos fatos, adoto por transcrição o relatório da decisão recorrida, tendo em vista a sua clareza e objetividade: "O presente processo tem como objeto o encontro de contas formalizado na declaração de compensação 3029686813.221104.1.7.040001 (fls. 23/26), bem como 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 23 80 3/ 20 09 -1 0 Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.723803/200910 Resolução nº 1103000.160 S1C1T3 Fl. 3 2 nas 524 outras declarações de compensação que, por utilizarem o mesmo crédito, estão vinculadas a aquela primeira. A listagem individualizada das declarações em referência consta das fls. 02/22. O crédito pleiteado tem o valor original de R$ 4.747.734,93 e seria oriundo, segundo informações da declarante, do processo administrativo de n° 10070.002938/200345. Em despacho decisório do qual a interessada foi cientificada em 17/10/2009 (fls. 1.413), foram não homologadas as compensações declaradas. O fundamento de assim decidir foi o de que o processo administrativo apontado como fonte do crédito alegado referiase, na verdade, a um processo de consulta de titularidade da própria Clinica Luiz Felipe Matoso, que não informava, quantificava ou indicava qualquer direito creditório a favor da referida pessoa jurídica. Em 11/11/2009 a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1.416/1.421, na qual esclarece e alega que: 1. o crédito pleiteado referese ao Imposto sobre a Renda e à Contribuição Social pagos a maior em razão da adoção equivocada do percentual de 32%, aplicado sobre a receita bruta trimestral, para fins de apuração do lucro presumido; 2. conforme decisão prolatada no processo de consulta 10070.002938/200345, o percentual a ser utilizado para apuração do lucro presumido pelas prestadoras de serviços de ultrassonografia, ressonância magnética, radiologia, tomografia, e congêneres é de 8%; 3. a decisão da consulta formulada está em consonância com a IN 304/2003 e com a jurisprudência administrativa; 4. não procede a exigência, imposta pela decisão recorrida, de que para requerer o crédito que decorreria da adoção do percentual de presunção equivocado a interessada necessitaria de decisão final em processo judicial; 5. se favorável à interessada a consulta por ela formulada impõese como conseqüência o reconhecimento do crédito decorrente do percentual equivocadamente utilizado, independentemente da interposição de prévia ação judicial; 6. homologaram tacitamente as declarações de compensação enviadas eletronicamente antes de 20/10/2005." O órgão de primeira instância, por unanimidade, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade da contribuinte para reconhecer a homologação tácita da compensação declarada no Perdcomp nº 3512460001.130204.1.7.047924 e não homologar as demais compensações. O aresto recebeu a seguinte ementa. "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Por força do § 5o do art 74 da Lei 9.430/1996, Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.723803/200910 Resolução nº 1103000.160 S1C1T3 Fl. 4 3 com a redação dada pela Lei 10.833/2003, a compensação declarada pelo sujeito passivo é homologada tacitamente em cinco anos a contar de sua transmissão eletrônica, dela decorrendo a extinção dos débitos correspondentes. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Falta liquidez e certeza ao crédito que, indicado como oriundo de pagamento indevido ou a maior, não venha acompanhado de informações mínimas que indiquem a sua origem, tais como fato gerador, tributo, data e código do documento de arrecadação." O relator registrou no seu voto a inexistência no despacho decisório de menção a requisito de prévia ação judicial para validação do crédito pleiteado, motivo pelo qual deixou de "reconhecer as alegações de defesa pertinentes ao tema." Cientificada da decisão por via postal em 07/08/2012 (fls. 1.554), a contribuinte interpôs o recurso no dia 6 do mês seguinte (fls. 1.557) por intermédio dos seus advogados constituídos mediante os instrumentos de fls. 1.604 e 1.606. Alegou, em síntese: a) diversamente da afirmação na decisão recorrida, constaram dos Perdecomp e da manifestação de inconformidade as indicações relativas aos créditos pleiteados acerca dos tributos, dos fatos geradores e códigos de arrecadação; b) não obstante reconheça a ausência de indicação individualizada da origem do crédito, tal lapso constitui mero erro de fato insuficiente para afetar o seu direito creditório, especialmente porque a própria Receita Federal detém informações e documentação que o atestam, o que permitiria o reconhecimento até mesmo de ofício. Era dever da Administração certificar a regularidade do crédito, em razão da sua comprovação mediante documentos disponíveis nos seus sistemas, observandose o comando do art. 37 da Lei 9.784/1999; c) para afastar quaisquer dúvidas a respeito da liquidez e certeza do crédito, juntou aos autos os comprovantes de pagamento sob os códigos 2089 e 2372, relativos a IRPJ e CSLL apurados pelo regime de tributação do lucro presumido nos 3 (três) primeiros trimestres de 2003; d) os comprovantes de pagamentos, as DCTF e as DIPJ comprovam a apuração dos tributos sob o percentual de 32% da receita bruta quando o correto seria 8% na forma reconhecida na Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT nº 333/2003. Assim concluiu o pedido: "Pelos motivos expostos, a RECORRENTE espera e confia seja reformado o Acórdão enfrentado neste Recurso na parte que lhe foi desfavorável, reconhecendose o direito creditório e homologandose integralmente as compensações declaradas." É o relatório. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.723803/200910 Resolução nº 1103000.160 S1C1T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme relatado, a compensação foi negada por falta de comprovação do crédito alegado, em razão de o processo administrativo indicado como origem do direito tratar de consulta formulada pela contribuinte acerca do percentual aplicável à receita da sua atividade para fins de cálculo do lucro presumido. Extraise do voto condutor da decisão recorrida: "Ora, em que pese a decisão ao processo de consulta (fls 1388/1393) ter firmado o entendimento de que as clínicas radiológicas e assemelhadas podem calcular o lucro presumido mediante a utilização do percentual de 8%, o referido ato, assim como todas as demais decisões de consulta, limitase a esclarecer dúvidas acerca da aplicação da legislação tributária a fato determinado (art 46 do Decreto 70.235/72) , jamais abrangendo questões inerentes a existência ou quantificação de eventual direito creditório, ainda que o mesmo decorra, ou possa potencialmente decorrer, da dúvida esclarecida. Isto posto, considerando que no caso concreto a interessada efetivamente não indicou a que fatos geradores, documentos de arrecadação e tributos se referem o crédito que alega possuir, a conclusão única é a de que falta ao referido crédito os requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art 170 do CTN." O ensinamento de Antônio da Silva Cabral22 bem resume a lógica da distribuição do ônus probatório nos processos administrativos de discussão acerca da exigência de créditos tributários constituídos mediante lançamentos de ofício: “Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte.” Nos casos de restituição ou compensação, como nos presentes autos, consagrou se a interpretação segundo a qual cabe ao contribuinte o ônus de juntar os elementos comprobatórios do crédito pleiteado. Examinando os autos, encontrase na cláusula segunda do contrato social da contribuinte (fls. 1.441) a definição do seu objeto social como "exploração de atividades na área de medicina em geral, especialmente diagnóstica, intervencionista, abrangendo radiologia, 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, São Paulo, Saraiva, 1993, pg. 298. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.723803/200910 Resolução nº 1103000.160 S1C1T3 Fl. 6 5 ultrassonografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada e outros exames afins, com internação em estabelecimento de terceiros." Muito embora a recorrente tenha reconhecido expressamente a sua omissão na indicação individualizada da origem do seu direito creditório, há bons indícios da sua existência, conclusão que se obtém do exame do contrato social e alterações (fls. 1.439,1.586 e 1.624), comprovantes de pagamentos (fls. 1.565/1.582), comprovante de inscrição e de situação cadastral do CNPJ (fls. 1.450) e Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT nº 333/2003 (fls. 1.398). Ademais, houve iniciativa sua, abandonando a inércia inicial, ao trazer aos autos, com o recurso, os referidos comprovantes de pagamentos, por entender suficientes como prova do direito alegado. São significativos os indícios da existência do crédito alegado e a conduta processual da recorrente para determinação do procedimento de diligência, ofertandolhe a oportunidade de completar a instrução processual, prestigiandose, desse modo, o princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário. Assim, os autos devem ser devolvidos à unidade de origem para adoção pela autoridade fiscal das providências adiante relacionadas: a) dar ciência desta resolução à recorrente, entregandolhe cópia; b) intimar a recorrente para: b.1) a demonstrar que a sua receita decorreu de atividade submetida a percentual de presunção do lucro de 8%, mediante a apresentação de notas fiscais, livros fiscais, contratos, etc; b.2) elaborar demonstrativo dos créditos alegados e débitos compensados, corroborado por documentação própria, sem inclusão dos valores cujas compensações foram homologadas tacitamente pela decisão recorrida; A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá (i) examinar a documentação apresentada pela contribuinte, (ii) elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, indicando de forma individualizada os itens cuja comprovação foi acolhida ou rejeitada, incluído o exame da disponibilidade dos créditos pleiteados (não aproveitamento em outras compensações), ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessárias, (iii) entregar cópia do relatório à contribuinte (recorrente) e (iv) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de contrarazões em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. Conclusão Pelo exposto, converto o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10855.003176/2003-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
DCTF. PAGAMENTO DO TRIBUTO. PROVA
Em não sendo comprovado o pagamento do tributo declarado em DCTF, mantém-se a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2201-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 28/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1998 DCTF. PAGAMENTO DO TRIBUTO. PROVA Em não sendo comprovado o pagamento do tributo declarado em DCTF, mantém-se a exigência fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003176/200377 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.656 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria IRRF Recorrente BARCELONA MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 DCTF. PAGAMENTO DO TRIBUTO. PROVA Em não sendo comprovado o pagamento do tributo declarado em DCTF, mantémse a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 28/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 31 76 /2 00 3- 77 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 83 e seguintes, lavrado em 16/06/2003, exigese do Contribuinte BARCELONA MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. o montante de R$ 1.104,75 de imposto de renda retido na fonte (IRRF), R$ 828,56 de multa de ofício, R$ 1.004,30 de juros de mora e R$ 158,72 de multa isolada, totalizando um crédito tributário de R$ 3.096,33 (atualizado até a data da autuação). A autuação foi originada em Auditoria Interna da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF do Contribuinte, na qual se constatou as seguintes irregularidades: (i) falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata –pagamento não encontrados – R$ 1.104,75 e (ii) recolhimentos efetuados após a data de vencimento do tributo sem pagamento de multa de mora. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 07/07/2003 (AR Postal fl. 94), tendo apresentado Impugnação, de fls. 03 e seguintes, em 06/08/2003, na qual trouxe as seguintes alegações: · A não localização dos pagamentos ocorreu em razão do imposto ter sido recolhido em alguns meses, através de DARFs diversos. · O IRRF relativo ao vencimento de 18/11/1998 teve R$ 65,38 declarado a maior na DCTF. Esse imposto pertence à empresa Hudson Haro de Freitas e Cia e foi pago por essa empresa. Indica DARF. · Quanto à multa de 75% exigida sobre o imposto pago em atraso, há de ser reduzida aos limites previsto no art. 61, §2º da Lei nº 9.430/96, ou seja, 0,33% ao dia até o limite de 20%, vez que o débito foi confessado através de procedimento espontâneo do contribuinte na DCTF, sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício para constituição do crédito tributário e da multa. A 5ª Turma da DRJ/POR, na sessão de 29/06/2012, pelo Acórdão 1438.138, de fls. 106, julgou procedente em parte a Impugnação para afastar a multa de ofício, nos seguintes termos: DCTF. AUDITORIA INTERNA, AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. Não comprovado o recolhimento tempestivo da exigência tributária é de se manter o lançamento. MULTA DE ÓFÍCIO. ENQUADRAMENTO LEGAL. NOVA REDAÇÃO. RETROATIVIDADE. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando, tratandose de ato não definitivamente julgado lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR, de fls. 119, em 08/10/2012, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fl.s 123 e seguintes, em 30/10/2012, aduzindo que: (i) embora tenha comprovado os pagamentos a Receita Federal, esse órgão ainda não procedeu as suas competentes imputações e (ii) embora o acórdão recorrido tenha determinado o afastamento da multa, ela continua sendo cobrada, conforme DARF encaminhado ao contribuinte. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.003176/200377 Acórdão n.º 2201002.656 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O Contribuinte requer a imputação dos Documentos de Arrecadação da Receita Federal (DARF) acostados aos autos aos créditos tributários declarados na sua Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF). A 5ª Turma da DRJ/RPO não acolheu o pleito do Contribuinte, pois os DARFs apresentados foram recolhidos com indicação do CNPJ de filial do Contribuinte. Observase que o CNPJ (50.333.517/000251) especificado no campo 03 dos DARFs acostados aos autos, é distinto do CNPJ (50.333.517/000170) do Contribuinte. Para fins de controle por parte da Autoridade Fazendária o referido campo é importante para imputação ao pagamento. Ainda que verossímil, o acolhimento do pleito do Contribuinte pela Corte Administrativa importaria em redução do recolhimento dos tributos federais imputados ao CNPJ 50.333.517/000251, sem a consequente apuração se a redução importará em surgimento de crédito declarado e não pago pela filial. Acrescentese que não é objeto do processo administrativo tributário retificar possível erro no preenchimento de DARF, devendo o Contribuinte proceder à retificação através dos meios próprios. Quanto à multa de ofício, o Contribuinte alega que os demonstrativos encaminhados e o DARF continuam cobrando a multa de ofício. A 5ª Turma da DRJ/RPO já decidiu acerca da exclusão da multa de ofício no presente caso, em não havendo recurso necessário para apreciação desse Colegiado, resta definitiva a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, pelo afastamento da multa de ofício. Caso a multa de ofício venha a ser cobrada por meio DARF, cabe ao Contribuinte pugnar pela correta execução do acórdão junto ao órgão da Receita Federal Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/01/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10580.722176/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA.
A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados.
CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA.
A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda no mês de seu recebimento.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73.
JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 2101-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à multa de ofício lançada e aos juros moratórios para, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar o lançamento da multa de ofício.
(assinatura digital)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinatura digital)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 18/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. IMPOSTO SOBRE A RENDA. UNIÃO. COMPETÊNCIA. LEGITIMIDADE ATIVA. A destinação do produto da arrecadação de tributos não altera a competência tributária nem a legitimidade ativa. A União é parte legítima para instituir e cobrar o imposto sobre a renda de pessoa física, mesmo nas hipóteses em que o produto da sua arrecadação seja destinado aos Estados. CORREÇÃO MONETÁRIA RECEBIDA. A correção monetária eventualmente incidente sobre as verbas recebidas acumuladamente pelo contribuinte devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda no mês de seu recebimento. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. O erro escusável do recorrente justifica a exclusão da multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF n° 73. JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 76 /2 00 8- 51 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, apenas quanto à multa de ofício lançada e aos juros moratórios para, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar o lançamento da multa de ofício. (assinatura digital) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinatura digital) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 18/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eduardo de Souza Leão, Maria Cleci Coti Martins, Daniel Pereira Artuzo e Heitor de Souza Lima Junior (Relator). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, no qual é cobrado Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2006 (exercícios 2005 a 2007) – efls. 03 a 12. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", decorrentes de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Na impugnação (efls. 34 a 38), o interessado alegou, em síntese, que teria sido induzido a erro escusável pela fonte pagadora pela mencionada Lei Complementar, ressaltando a sua boafé, alegando, ainda, a inclusão das parcelas recebidas de valores a título de 13o. salário e abono de férias. Propugnava pela aplicação do art.108, IV do CTN, combinado com o art. 112 do mesmo diploma, de forma a que fossem excluídos os juros moratórios e multa. Ao examinar o pleito, a 3a. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) decidiu pela procedência parcial da impugnação, por meio do Acórdão n.° 1526.813, de 13 de abril de 2011 (efls. 54 a 56), onde excluiu os montantes oriundos de valores devidos a título de 13o. salário e abono de férias (férias indenizadas) e cuja ementa a seguir se reproduz: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 250 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido e os juros de mora independem da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário (efls. 64 a 91), no qual, em síntese: a) retoma os argumentos trazidos em sede de impugnação quanto à inaplicabilidade de multa e juros de mora ao caso em questão, considerando sua aplicação ilegal quando considerada a boafé do contribuinte, trazendo, ainda a propósito, além de jurisprudência, parecer jurídico do Dr. Marco Aurélio Greco que sustentaria seu entendimento. b) Menciona a edição da Súmula STF 245/02, que considerou como indenizatória parcela, em seu entender, de natureza idêntica, paga aos Magistrados Federais, propugnando agora, ainda, pela não incidência do IR também sobre as parcelas de principal, mencionando também decisões emanadas deste CARF no âmbito dos Processos 10580.725741/200913 e 10580.727597/200950, de idêntico objeto. c) Alega que teria a Receita Federal invadido a competência do STF, declarando a referida Lei Complementar Estadual 80, de 2003, por inconstitucional, ao tributar os valores ali estabelecidos como de natureza indenizatória. d) Aduz que, a partir do disposto no art. 157, I da CRFB, a titularidade dos valores que não foram retidos pertenceria ao Estado da Bahia, inferindo que, após o fato gerador, poderia o Estado da Bahia intervir na gestão desta receita, não cabendo, assim, legitimidade ativa à União para promover a cobrança do mesmo. Cita, a propósito, decisão do STJ que sustentaria este entendimento, bem como cita o mesmo Parecer do Dr. Marco Aurélio Greco. e) Alega violação aos princípios constitucionais da isonomia, unicidade e indivisibilidade, ao art. 150, II da Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 mesma CF, bem como violação ao princípio constitucional da capacidade contributiva. Alega que o Estado estaria se beneficiando da própria torpeza, violando o princípio da presunção da inocência. f) Anexa, ainda, razões recursais utilizadas em processo de outro sujeito passivo e que deu origem a decisum anterior deste mesmo Colegiado (Acórdão 1528.393), bem como Parecer do Dr. Marco Aurélio Greco. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O Auto de Infração que integra os presentes autos foi lavrado contra a contribuinte em epígrafe, em virtude de ter sido verificada classificação indevida, como isentos/não tributáveis, de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV". De acordo com o relato da Fiscalização, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, por decorrerem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994. Por consequência, estariam sujeitas à incidência do imposto sobre a renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Já foram excluídas do lançamento, pela autoridade julgadora de 1a. instância, as diferenças salariais que tinham como origem (ii) o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, e (ii) abono de férias. Analiso o teor do pleito recursal do contribuinte. a) Quanto aos valores devidos objeto de lançamento não oriundos de multa de ofício ou juros de mora: Inicialmente, entendo que, em linha com a manifestação da autoridade julgadora de 1a. instância, só permanecem em litígio os valores lançados a título de juros de mora e multa de ofício, uma vez que o restante do montante objeto de lançamento, não provido no âmbito da referida impugnação (R$ 88.015,11), tratase de matéria não impugnada, inatacável, assim, a esta altura no âmbito administrativo. Assim, conheço do recurso exclusivamente quanto às matérias supra. Ad argumentandum tantum, todavia, quanto a parcela referente á matéria não conhecida, é de se observar quanto ao argumentado pelo contribuinte, que: a.1) Da Lei Complementar Estadual no 20, de 2003 e da natureza das verbas recebidas. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 251 5 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do imposto sobre a renda de pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a tributos cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Além disso, imprescindível a análise da natureza dessas verbas no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. São, portanto, tributáveis Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, no mês de seu recebimento, consoante art. 12 da Lei no. 7.713, de 22 de dezembro de 1988. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, no seu entender, ao ser estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.777, de 2002, aplicase também aos membros do Ministério Público dos Estados. A questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida por esta mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no já mencionado Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejamos: “ (...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 252 7 E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. a.3) Da legitimidade da União para cobrar o imposto sobre a renda No recurso, a contribuinte alegou ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto sobre a renda na fonte que não foi retido pelo Estado Membro. Nesse tema, de se salientar que o imposto sobre a renda é tributo de competência da União, que não pode delegála a qualquer outro ente, nem mesmo à unidade federada que o retém do seu servidor, na forma de imposto na fonte, e que é ela mesma destinatária do produto dessa arrecadação. E sobre isso o Código Tributário Nacional, no parágrafo único de seu artigo 6°, reafirma que os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Desse modo, compete somente à União legislar sobre o imposto sobre a renda, nos limites estabelecidos pela Constituição. O fato de o produto de parte da sua arrecadação destinarse ao Estado da Bahia não confere a este competência para produzir leis deliberando sobre o tributo, a teor do artigo 7° do Código Tributário Nacional. É também a União o sujeito ativo da obrigação tributária, titular de legitimidade ativa para cobrar o imposto porventura não pago, independentemente de qual seja o destino do produto da arrecadação. Cumpre à fonte pagadora dos rendimentos, no caso, o Ministério Público do Estado da Bahia, somente a incumbência de fazer a retenção do imposto de renda na fonte de seus servidores e demais empregados, o que não o torna sujeito ativo na relação jurídica tributária. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Sobre esse assunto, é de se registrar que esta mesma turma já se manifestou a respeito deste assunto, a teor do voto do Ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014, o qual se adota aqui também como razão de decidir, verbis: Com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Na oportunidade, a Turma Julgadora foi unânime em acolher o voto do Conselheiro relator. Entendese, assim, que o argumento da recorrente carece de procedência. Ainda, da mesma forma, em se tratando de entes federativos distintos, totalmente improcedente a argumentação tentada de que a União estaria se beneficiando de sua própria torpeza, ao arrecadar tributo insculpido em sua competência constitucional, quando nãoretido pelo Estado da Bahia na condição de responsável. a.4) Quanto à quebra de isonomia e de outros princípios constitucionais. No que diz respeito à decisão judicial citada que teria beneficiado os magistrados do Estado do Maranhão, bem como à tributação aplicável aos membros do MPU, verifico que não há nenhuma vinculação destas ao recorrente (que é membro da Procuradoria Geral de Justiça do Estado da Bahia) e que não se tem, aqui, qualquer decisão judicial proferida consoante o rito previsto no art. 543C, do CPC, o que tornaria sua obediência obrigatória por parte deste Colegiado, com fulcro no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009. Ainda, é de se ressaltar que não cabe a este CARF, na situação sob análise, afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do mesmo Regimento. b) Quanto à multa de ofício e aos juros de mora Passo, assim, a analisar o mérito das matérias conhecidas. b.1) Da multa de ofício Por fim, a recorrente pugna pelo reconhecimento da existência de erro escusável, haja vista ter espelhado, em sua declaração de ajuste anual, as informações prestadas pela fonte pagadora, sem dolo ou máfé. Com efeito, entendese aqui que, ao reproduzir, em sua declaração de ajuste anual, as informações fornecidas pela fonte pagadora, a contribuinte foi induzida a erro, e não agiu com máfé. Além do mais, entendeu que as informações prestadas pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia refletiam os comandos da Lei Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Nessas hipóteses, este Conselho já pacificou o entendimento que o erro escusável do contribuinte autoriza a exclusão da multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10580.722176/200851 Acórdão n.º 2101002.724 S2C1T1 Fl. 253 9 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de oficio. Destarte, de acordo com a Súmula CARF n° 73, devese excluir a multa de ofício, por ter sido constatado erro escusável. b.2) Dos juros de mora sobre o imposto A cobrança de juros de mora está prevista no caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional, sempre que o crédito tributário não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta. Sendo assim, os juros de mora são devidos, no pagamento em atraso do crédito tributário devido, independentemente da boafé manifestada pelo sujeito passivo. A partir de 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Neste ponto, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre a aplicabilidade da taxa Selic no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.° 4, que assim prevê: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, sobre o crédito tributário não pago na data do seu vencimento, são devidos os juros de mora, calculados segundo a taxa Selic, devendo ser mantido o lançamento nesta seara. Conclusão Ante todo o exposto, voto por conhecer em parte do recurso, exclusivamente quanto à multa de ofício e aos juros de mora lançados, para, no mérito, dar provimento em parte ao pleito, para excluir a multa de ofício, em razão de erro escusável. Heitor de Souza Lima Junior – Relator Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 03/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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