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Numero do processo: 10530.720023/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
A aquisição de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, no sentido da procedência da inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas. Por maioria de votos, dado provimento com relação à aplicação da taxa SELIC, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki que negavam provimento por motivo de preclusão.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, no sentido da procedência da inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas. Por maioria de votos, dado provimento com relação à aplicação da taxa SELIC, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Joel Miyazaki que negavam provimento por motivo de preclusão. Joel Miyazaki Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 23 /2 00 7- 84 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. " Tratase de Manifestação de Inconformidade do interessado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana fls.401/403, que fundamentada no Despacho Decisório nº685, de 17/03/2011, fls.370/382, deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n°s 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, nos termos do art 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no valor de R$42.689,97, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, por empresas produtoras e exportadoras, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, relativo a período de apuração compreendido entre outubro/2002 e janeiro/2004, escriturado de forma extemporânea no 2° trimestre de 2006, pleiteada no valor de R$1.099.393,36, no PERPedido de Ressarcimento Eletrônico nº13437.56061.200706.1.1.015542 (fls. 01/52). Deste modo, fundamentado no Termo de Verificação Fiscal (366/368), foram glosados da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI todas as notas fiscais de compra junto a Associação APAEB, tendo em vista que se referiam à aquisição de refugo batido e sisal beneficiado que foram posteriormente comercializadas, portanto, não utilizadas no processo produtivo, em respeito ao que determina o art. 1º da Lei n° 9.363, de 1996; além disso glosa da base de cálculo do Crédito Presumido de compras de matériaprima, produto intermediário e embalagens informados, realizada junto a pessoas físicas e associações de produtores rurais não contribuintes do PIS e da Cofins, visto que, tais compras não dão direito à Crédito Presumido de IPI, conforme disposto no art. 3º, da Instrução Normativa nº 419, de 2004. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10530.720023/200784 Acórdão n.º 3201001.870 S3C2T1 Fl. 505 3 A interessada foi cientificada do parecer retro, às fls.406, em 11/08/2011e inconformada apresentou manifestação de inconformidade de fls.407/420, em 06/09/2011, alegando que: • o indeferimento não encontra respaldo na jurisprudência administrativa consolidada pelo Conselho de Contribuintes, não devendo prosperar; • conforme art.2º da Lei nº9.363/96, o crédito presumido será calculado sobre o valor total das aquisições, não fazendo qualquer dedução ou limitação, especialmente quanto à natureza jurídica do fornecedor/vendedor das respectivas mercadorias; • o auditor fiscal pretendeu criar uma condição não prevista em lei, qual seja, a de que o benefício restringese às aquisições efetuadas exclusivamente de pessoas jurídicas contribuintes do Pis e Cofins, o que não é justo, se adotada uma interpretação teleológica; • a interpretação do auditor fiscal extrapola todos limites constitucionais pela absoluta falta de previsão legal já que a Lei 9.363/96, e tendo sido a definição do incentivo dada pela lei não cabe a mera Orientação Normativa alterála, para restringir direitos e estabelecer critérios absurdamente inconstitucionais, no atendimento da sua ânsia arrecadatória; • o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem, reiteradamente, se posicionado favoravelmente aos contribuintes conforme os seguintes acórdãos: 2º CC Ac. 20172.590 DOU 06.08.1999 p. 29; 2º CC Ac. 20172754 DOU 16.11.1999; (2º CC Ac. 20173022 DOU 12.07.200007.12.2000 p. 10; 2º CC Ac. 20173637 DOU 21.12.200012.21.2000 p. 1, confirmadas por decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF: CSRF Ac. 0202149 Recurso n.° 201115072 DOU 07.08.2007 p. 26) e posicionamento dos Tribunais Superiores da Justiça Federal; • o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ratificou o entendimento manifestado pelo TRF da 5ª Região, • os atos administrativos devem atender ao Princípio da Razoabilidade, da Justiça e da Isonomia, que repousa no conceito de igualdade; • requer a procedência da manifestação de inconformidade, admissão do crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS, nas aquisições de insumos, mesmo em se tratando de insumos adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, bem como de associações rurais e homologação das compensações. Mediante a Comunicação nº257/2011, fl.404, a contribuinte foi cientificada do resultado do despacho decisório e para que se manifestasse quanto a compensação de ofício a ser realizada ante a constatação de débitos administrativos em aberto e/ou inscritos em Dívida Ativa da União. Não tendo a interessada apresentado contestação quanto a extinção dos débitos em aberto foi expedida Comunicação BRF/FSA/SEORT N° 488/2011, fl.429, ressaltando que todo o crédito reconhecido foi utilizado na compensação, tendo o Despacho de fls.430/431 encaminhado o processo para DRJ." Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo a aplicação da taxa Selic para correção do indébito e quanto ao mérito repisa as alegações apresentadas em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A teor do relatado a lide gira em torno da possibilidade de creditamento do IPI referente as aquisições de pessoas físicas e cooperativas de produtores rurais. O matéria já foi enfrentada pelo STJ no REsp 993164, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, quando foi decidido pela ilegalidade da IN 23/97 que determinava a exclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas e a correção dos valores a partir do protocolo do pedido. Transcrevo abaixo a ementa da decisão. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS.LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10530.720023/200784 Acórdão n.º 3201001.870 S3C2T1 Fl. 506 5 VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal.(grifo nosso) 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; Resp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI ,posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos Fl. 510DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10530.720023/200784 Acórdão n.º 3201001.870 S3C2T1 Fl. 507 7 utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).(grifo nosso) 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão Fl. 511DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques,Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Notas julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ.” A partir das alterações promovidas no Regimento Interno do CARF, com a edição da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, foi incluída a determinação de reproduzir nos julgamentos deste colegiado as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do CPC, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes..” Portanto, atendendo a determinação do Regimento Interno do CARF adoto o entendimento prolatado no REsp 993164, no sentido da procedência da inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de Pessoas Físicas e Cooperativas, bem como a sua correção pela taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso. Winderley Morais Pereira Fl. 512DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10530.720023/200784 Acórdão n.º 3201001.870 S3C2T1 Fl. 508 9 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 14479.000225/2007-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2006
PREVIDENCIÁRIO.VERDADE MATERIAL. FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. MÉRITO.
É um princípio específico do processo administrativo.
A inocorrência de fato gerador implica nulidade do lançamento.
Ausente o fundamento legal e sendo a descrição do fato insuficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontrará maculado por vício material.
Na forma do art. 59, II, § 3º do Decreto 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria, dar provimento ao recurso, pelo reconhecimento do vício material na caracterização do vínculo empregatício, vencido o relator Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ivacir Júlio Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Ivacir Julio de Souza
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. MÉRITO. É um princípio específico do processo administrativo. A inocorrência de fato gerador implica nulidade do lançamento. Ausente o fundamento legal e sendo a descrição do fato insuficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontrará maculado por vício material. Na forma do art. 59, II, § 3º do Decreto 70.235/72, “ quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ” Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria, dar provimento ao recurso, pelo reconhecimento do vício material na caracterização do vínculo empregatício, vencido o relator Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ivacir Júlio Souza. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 25 /2 00 7- 39 Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Ivacir Julio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, Acórdão 1726.464 da 9ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte determinando a exclusão do lançamento dos professores contratados exclusivamente para cursos livres. Verificase que, à exceção dos professores que recebem remuneração variável nos cursos livres e outras atividades sazonais (curadorias, pesquisas, fiscalização de provas etc.), as demais funções ali elencadas revestemse dos elementos caracterizadores do segurado empregado. São as discriminadas nas contas n° 311000000075 — Despesas Administrativas Gerais e, posteriormente, 5151010400010100 — Diretoria Mantenedora (auxiliar de serviços gerais, divulgador, assessor acadêmico e assessor administrativo),onde se observam os seguintes atributos; a) Trabalho pessoal, evidenciado pelo fato dos serviços serem prestados pelos próprios trabalhadores; b) Trabalho não eventual, visto que todos eles recebem mensalmente pelos serviços prestados; a) Trabalho subordinado, caracterizado pelo fato de ser da FAAP o poder decisório sobre que serviços serão da responsabilidade de cada uma das funções ali listadas; b) Remuneração fixa, pois receberam valores iguais e constantes. Com relação às funções discriminadas nas duas contas acima citadas, correta a desconsideração do vinculo pactuado, conforme impõe o RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 229, § 2°, e a exigência das contribuições decorrentes da remuneração paga a trabalhadores que se revestem da condição de segurados empregados. Quanto à função de professor de curso livre, entendemos faltarlhe o requisito da não eventualidade e da remuneração fixa e constante: Os fatos geradores e respectivas contribuições sociais do presente lançamento fiscal, excluindose a remuneração dos professores contratados exclusivamente para ministrarem cursos livres, assim ficariam: Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 ... Diante do exposto, é de se: a) Retificar o presente lançamento conforme planilha abaixo, excluindo as remunerações pagas aos professores Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 4 5 contratados exclusivamente para o ministério de cursos livres, fora da grade acadêmica da impugnante; Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 b) Declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário constante do Discriminativo Analítico de Débito Retificado — DADR (fls. 1168/1172), que passa a fazer parte da presente NFLD. CONCLUSÃO Voto, assim, no sentido de considerar o lançamento PROCEDENTE EM PARTE. Em harmonia com o acima decidido, o DADR apresenta como total da contribuição devida R$ 384.205,42. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD composta das seguintes contribuições sociais: Segurado empregado (contribuição não descontada da respectiva remuneração); Empresa (20%); financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT (1%); Salário Educação (2,5%); INCRA (0,2%); SESC (1,5%) e SEBRAE (0,3%), no montante de Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 5 7 R$1.120.083,45 (Um milhão, cento e vinte mil, oitenta e três reais e quarenta e cinco centavos), consolidado em 12/07/2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 54/56 (as folhas referidas neste acórdão pertencem ao processo administrativo ora em apreciação), os fatos geradores do crédito previdenciário foram as remunerações dos segurados contribuintes individuais declarados nas folhas de pagamentos denominadas "Folha de Autônomos não Registrados, caracterizados como segurados empregados pela fiscalização. 0 crédito previdenciário foi apurado nos seguintes documentos: folhas de pagamentos e lançamentos contábeis (por amostragem). A FAAP efetua normalmente a folha de pagamento de professores registrados como empregados. Porém, quando estes mesmos professores registrados ministram aulas nos chamados cursos "livres", é feita uma folha à. parte sob a denominação de "Folha de Autônomos Registrados" As duas folhas descontam a contribuição do segurado empregado até o limite legal. Há no entanto, professores não registrados que ministram identicamente aulas nos cursos "livres". Para estes, é feita uma folha de pagamento denominada "Folha de Autônomos não Registrados" onde não é feito qualquer desconto da contribuição do segurado. Estes segurados foram caracterizados pela fiscalização como empregados da FAAP e esta NFLD consigna a contribuição destes segurados que não foi descontada pela instituição da remuneração que lhes fora paga no período. Foram também caracterizados como empregados, a bibliotecária e os assessores da Diretoria, Sr. Sérgio Roberto F.S. e Marchese e Sr. Raul Edison Martinez os quais: a) recebem todos os meses valores iguais e constantes corrigidos anualmente; b) constam em algumas de suas folhas de pagamentos valores referentes a "desconto de adiantamento salarial (AT), e "seguro de vida" (SV); c) recebem com assiduidade na folha de dezembro valor idêntico à remuneração do mês classificada como sendo 13° salário. A Empresa tomou ciência da Notificação Fiscal de Débito — NFLD em 19/07/2006, conforme assinatura do Diretor Tesoureiro, Dr. Américo Fialdini Jr. na folha 01. A empresa foi regularmente cientificada da ação fiscal, bem como teve os documentos solicitados por MPF Mandado de Procedimento Fiscal, TIAF — Termo de Inicio de Ação Fiscal e Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fls42/53 e 59). Da impugnação Em 03/08/2006, a empresa protocolou defesa tempestiva de fls. 73/132, acompanhada de documentos de fls 133/901, alegando, em síntese, que: a) 0 lançamento é nulo porque: a. a contribuinte foi notificada em 19/07/2006, dois dias após o prazo de validade do MPF, vencido em 17/07/2006; b. sofreu inconteste cerceamenio de defesa ao ser cientificada do Termo de Encerramento da Fiscalização — TEAF apenas em 24/07/2006, o que retardou o recebimento das informações relativas aos elementos e demais considerações sobre o crédito previdenciário lançado; c. A planilha mencionada no Relatório Fiscal da NFLD, que deveria conter a lista dos nomes e caracterização dos supostos empregados da impugnante, simplesmente não foi anexada aos autos, descumprindo os arts. 660 e 661 da IN 03/2005, o que caracteriza cerceamento de defesa (CF art. 5°, LV) e evidencia nulidade do lançamento em virtude de ausência de documento essencial ao conhecimento dos fatos pelo impugnante; d. a fiscalização constituiu crédito inexistente, posto que incerto, visto ser a entidade imune. De fato, em 10/12/2004 foi emitido ato cancelatório da isenção de contribuições sociais a partir de janeiro de 1993. A impugnante interpôs recurso voluntário suspensivo, o qual não foi julgado até a presente data. Por outro lado, o MPF ajuizou a Ação Civil Pública n° 2004.61.00.1177842 requerendo liminarmente a suspensão da imunidade da impugnante, cuja decisão, embora deferindo o pedido, é intrinsecamente provisória. Finalmente, o próprio CNAS ainda não decidiu definitivamente se a impugnante tem ou não direito ao CEBAS, motivo pelo qual, até hoje, o último certificado que lhe foi concedido produz efeitos jurídicos válidos; e. a impugnante é imune nos moldes do § 7° do art. 195 da Constituição Federal, visto que a "isenção" ali concedida trata, na verdade, de imunidade, limitação constitucional ao poder de tributar que, conforme art 146, inciso II, da Carta Magna, cabe somente à lei complementar regular, ou seja, ao Código Tributário Nacional, nos termos do seu artigo 14, § 1 0, onde está estipulado que "na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 90, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio", não havendo qualquer menção sobre possível cancelamento do beneficio fiscal já concedido; f. como o que pode ocorrer, em tese, é a suspensão da imunidade no período em que a instituição não estiver preenchendo os requisitos de sua fruição, o ato administrativo para tal depende de fatos probatórios, de forma que qualquer lançamento deve ser precedido da demonstração de que o suposto contribuinte Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 6 9 continua a não preencher os requisitos que ensejaram sua suspensão; g. Por força da CF/88, somente a Justiça do Trabalho é competente para declarar a existência de vinculo empregatício, não podendo o INSS fazêlo sob pena de ferir o disposto no artigo 110 do CTN; b) 0 lançamento é improcedente porque: a. Inexiste vinculo empregatício nos cursos livres, posto que são eventuais; Inexiste habitualidade no trabalho da bibliotecária e inexiste subordinação no trabalho dos assessores, fatos que descaracterizam o vinculo empregatício constatado pela fiscalização; b. A cobrança da contribuição para o SAT é ilegal porque ofende os princípios da estrita legalidade, tipicidade e igualdade: A fixação da alíquota e a definição dos conceitos "atividade preponderante" e "grau de risco" deveriam ter sido determinados por lei. Além disto, o fiscal considerou o grau de risco de acordo com a atividade preponderante da empresa, quando deveria têlo feito por estabelecimento autônomo. c. a cobrança da contribuição do salário educação é indevida por ofender o principio da estrita legalidade, uma vez que o DecretoLei n° 1.422/75, posteriormente regulamentado pelo Decreto n° 76.923/75, tornouse inválido em virtude da ausência de regulamento da contribuição, nos termos do art.25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. d. a contribuição para o INCRA não pode ser cobrada, visto que a defendente nunca praticou qualquer das atividades descritas na Lei 2.613/55 e além do mais, esta exação foi extinta quando do advento da Lei n° 7.787/89. e. ilegal a cobrança das contribuições ao SESC e SEBRAE em relação aos contribuintes que não se enquadram na definição do sujeito passivo, tal como a impugnante que não é pessoa jurídica de natureza comercial cuja atividade comercial esteja arrolada no quadro anexo ao art. 577 da CLT (SESC), nem tampouco esta classificada entre as microempresas e empresas de pequeno porte (SEBRAE); Da diligência Em 09/10/2006 os autos do processo foram baixados em diligência (fls.905/906) para que fossem informados nome e remuneração dos segurados caracterizados como empregados Em 14/08/2007 foi emitido Relatório Aditivo à. Notificação Fiscal de Débito (fls.1044/1045), enviado pelo correio na mesma data e recebido pelo contribuinte em 21/08/2007 (fl. 1046, verso) onde o fiscal notificante anexou relatório com os nomes dos segurados considerados contribuintes individuais (autônomos) Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 pela FAAP e caracterizados como empregados pela fiscalização (fls. 909/1043). Dada a alteração relevante da relação jurídica entre as partes foi dado prazo de 15 dias para a manifestação da contribuinte. Da 1ª impugnação complementar Em 05/09/2007, a entidade apresentou impugnação complementar tempestiva, onde ratificou os argumentos anteriormente apresentados e acrescentou a seguinte argüição de nulidade do processo: A autoridade administrativa determinou prazo de impugnação de 15 dias, enquanto o Decreto 70.235/72, que já então regulava o processo administrativo fiscal, estipula que seja dado prazo de 30 dias para que a empresa apresente sua defesa. Da reabertura de prazo para a impugnação da entidade Em 15/01/2008 o processo retornou a origem para que fosse reaberto prazo de 30 dias para a defesa da FAAP (fl.1110). Em 14/05//2008 foi emitido o 2° Relatório Complementar à NFLD reabrindo prazo de 30 dia para a impugnação. A contribuinte tomou ciência do relatório em 16/05/2008, conforme assinatura do Diretor Tesoureiro, Dr. Américo Fialdini Jr, no documento (11. 1113). Da 2ª impugnação complementar Em 17/06/2008 a FAAP apresentou, tempestivamente, a 2 impugnação complementar em que ratifica todas as alegações apresentadas na la impugnação já sintetizadas acima e acrescenta: 1. A NFLD é nula porque: a. o Relatório Fiscal não apresentou os dispositivos legais nos quais está embasado o débito lançado; b. o Relatório Fiscal não expõe de forma clara e precisa o período de lançamento do crédito fiscal; c. na data da lavratura da NFLD a liminar que fundamenta o lançamento já havia sido revogada pela superveniência da sentença exarada na Ação Civil Pública n° 2004.61.00.007784 2, o que viola o artigo 468 do Código de Processo Civil segundo o qual "a sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas"; d. o crédito lançado é inexistente pois a referida sentença não é definitiva já que foi interposto recurso de apelação, não havendo por ora crédito liquido e certo; e. o crédito previdenciário é inexistente, uma vez que a sentença dada na ação acima citada ao revogar a liminar, determinou a suspensão da imunidade apenas para o período de 1996 a 2002. 2. A NFLD é improcedente porque a lista que o fiscal notificante anexou ao Relatório Fiscal Complementar encaminhado à contribuinte é uma cópia daquele apresentado pela FAAP na primeira impugnação onde constam, também, as respectivas Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 7 11 GFIP que comprovam a inexistência de crédito a ser apurado, visto que declaram as contribuições retidas dos segurados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: § NULIDADE DA NFLD Do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E DO TERMO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL. § se o prazo do MPF já havia se expirado, vêse, com toda clareza, que o agente já não mais possuía competência para a prática de quaisquer atos relativos à. fiscalização do contribuinte. § A autoridade fiscal incorreu em absoluta ilegalidade ao notificar a ora Recorrente da NFLD, no dia 19/07/2006, após o término do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, cujo vencimento ocorreu em 17/07/2006. § A nulidade também esta presente no fato de a Recorrente apenas ter recebido o Termo de Encerramento Fiscal em 24/07/2006, ou seja, cinco dias depois de ter sido cientificada da presente NFLD, que ocorreu em 19/07/2006. § EFETIVO LANÇAMENTO DE CRÉDITO INEXISTENTE § Da leitura do Relatório Anexo h. NFLD, notase que a fiscalização baseouse na liminar concedida na Ação Civil Pública n.° 2004.61.00.0077842 para efetuar o lançamento. § No entanto, referida liminar foi revogada em razão da superveniência da sentença na aludida Ação Civil Pública, o que acarreta a inexorável nulidade do lançamento. § Ausente, portanto, o requisito de constituição válida do crédito tributário, razão pela qual é de se cancelar o presente lançamento. § não foi demonstrada a ausência dos requisitos da imunidade da Recorrente § Imunidade/Isenção. § INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA DECLARAR A EXISTÊNCIA DE VINCULO EMPREGATÍCIO § o INSS, por sua fiscalização, não é órgão competente para declarar a existência de vinculo empregatício entre a Recorrente e os profissionais que lhe prestaram serviços. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 § somente a Justiça do Trabalho é competente para declarar a existência de vinculo empregatício. § INEXISTÊNCIA DE CREDITO LANÇADO § os valores objeto da autuação haviam sido efetivamente declarados em GFIP, durante todo o período de março de 2004 a março de 2006 § a fiscalização reconhece a ocorrência de cerceamento de defesa alegada pela Recorrente, tanto que, por meio do Relatório Aditivo, providencia a juntada da relação nominal dos profissionais que foram considerados segurados pela Autoridade Fiscal. § ao se examinar a relação de profissionais apresentada pela Autoridade Fiscal, observase que a relação apresentada junto com o Relatório Aditivo constituise exatamente de uma copia da lista de profissionais que foi apresentada pela Recorrente em sua primeira impugnação (doc. IV da primeira impugnação), a qual estava, inclusive, acompanhada de todas as GFIPs do período de março de 2004 a março de 2006. § INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO § deixou o Agente Fiscal de demonstrar a existência de subordinação entre as partes, averiguando apenas e tão somente os requisitos da nãoeventualidade e remuneração pelo serviço § A função que os assessores exercem é típica dos trabalhadores autônomos § os assessores nada mais são do que conselheiros que apresentam suas opiniões aos diretores de acordo com seus conhecimentos específicos e a experiência adquirida durante anos de trabalho § INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIO EDUCAÇÃO § INCRA § SESC § SEBRAE. § INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SAT É o relatório Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE MPF A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido Autoridade Segundo Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária TítuloAcórdão nº 20313579 do Processo 10680010593200404 Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Data06/11/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NÃO INDICAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO.PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. NÃO OCORRÊNCIA. Não é nulo o procedimento fiscal que, seja por meio de indicação expressa no MPF, seja por meio de teor de Termo de Intimação, deixou claramente evidenciado o escopo da ação fiscal. Da mesma forma, não procedente a alegação de que o MPF se encontraria com seu prazo de validade vencido quando da lavratura do auto de infração. Mas, ainda que estivesse, não seria isso motivo suficiente para anular o lançamento, dado o caráter de mero controle administrativo de que se reveste o MPF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/1997 a 31/08/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. Nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/Pasep é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/09/1999 a 31/12/2002 CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. MULTA DE OFà CIO DE 75%. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. AutoridadeConselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária TítuloAcórdão nº 120100425 do Processo 13931001193200812 Data24/02/2011 EmentaASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO:2002, 2003 AUTORIDADEFISCAL. COMPETÊNCIA. É VÁLIDO O LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO(SÚMULA CARF Nº 27). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).O DESCUMPRIMENTO DO PRAZO PREVISTO NO MPF PARA REALIZAÇÃO DA AÇÃO FISCAL NÃO INVALIDA O LANÇAMENTO EFETUADO PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA.ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2002,2003DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.A ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTES BANCÁRIA TÊM ORIGEM EM CONTRATOS DE MÚTUO CELEBRADOS COM PESSOAS LIGADAS DEVE Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 9 15 ESTAR AMPARADA EM UM CONJUNTO PROBATÓRIO ROBUSTO, SENDO INSUFICIENTE A APRESENTAÇÃO DO INSTRUMENTO CONTRATUAL.DECADÊNCIA.APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN, QUANDO NÃO HÁ PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL. CONTAGEM DO PRAZO A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.RECONHECIMENTO DA DECADÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL DO ANO CALENDÁRIO DE 2002, VISTO QUE O PRAZO DECADENCIAL SE INICIOU EM 01/01/2003, COM TÉRMINO DO PRAZO EM 31/12/2007. LANÇAMENTO EFETUADO APENAS EM 24/12/2008.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. POR UNANIMIDADE DE VOTOS, AFASTAR A PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. POR MAIORIA DE VOTOS, ACATAR A DECADÊNCIA PARA OS CRÉDITOS DE IRPJ E CSLL RELATIVOS AO ANO CALENDÁRIO DE 2002.VENCIDOS, NESTE PONTO, OS CONSELHEIROS GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS E MARCELO CUBA NETTO (RELATOR). DESIGNADO PARA REDIGIR O VOTO VENCEDOR O CONSELHEIRO RAFAEL CORREIA FUSO. QUANTO AO MÉRITO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMUNIDADE – ISENÇÃO A recorrente entende que a NFLD é nula, uma vez que a ausência de demonstração do não cumprimento dos requisitos da imunidade, aliada à ausência de trânsito em julgado da sentença da Ação Civil Pública n.° 2004.61.00.0077842, afasta completamente os requisitos de liquidez e certeza do crédito; Consulta efetuada no dia 13 de fevereiro de 2014 às 12:05 horas confirma que o processo não transitou em julgado. Número (CNJ, 20 dígitos) 000778403.2004.4.03.6100 Processo 2004.61.00.0077842 Número de origem 2004.61.00.0077842 Segredo de justiça (documentos) Classe 1267335 AC SP Vara 7 SAO PAULO SP Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 Data de autuação 14/12/2007 Partes Nome ApelanteFUNDACAO ARMANDO ALVARES PENTEADO AdvogadoJOSE PAULO SEPULVEDA PERTENCE ApeladoMinisterio Publico Federal AdvogadoSONIA MARIA CURVELLO Relator DES.FED. ANDRÉ NEKATSCHALOW Assuntos Descrição AssuntoContribuição sobre a folha de salários Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 1AÇÃO CIVIL PÚBLICA ... 03/12/2013SUSPENSO/SOBRESTADO POR DECISÃO DA VICEPRESIDÊNCIA Motivos de suspensão: STF RE 566.622/RS 03/12/2013RECEBIDO PROCESSO SOBRESTADO GUIA NR. : 2013254657 ORIGEM : ASSESSORIA JUDICIARIA DA VICE PRESIDENCIA 02/12/2013DECISÃO REX SOBRESTADO Ocorre que, conforme registra o acórdão recorrido, a recorrente teve cancelado seu direito à isenção por meio do ATO CANCELATÓRIO n.° 02/2004, de 28/12/2004. O CRPS negou provimento ao recurso contra o cancelamento. Em 28.12.2004 foi emitido o Ato Cancelatório n.° 02/2004 cancelando a isenção desde 01/01/1993. 0 contribuinte, inconformado, ingressou com recurso no CRPS, atual 2° Conselho de Contribuintes, provocando a emissão do Acórdão de n.° 830/2007 que conheceu do recurso e negoulhe provimento. Em razão do ATO CANCELATÓRIO n.° 02/2004, de 28/12/2004, entendo que não cabe razão à recorrente. Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 10 17 A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. SEGURADOS EMPREGADOS – RECONHECIMENTO. A recorrente afirma que a fiscalização não é competente para declarar a existência ou não de vinculo empregatício, tarefa essa exclusiva da Justiça do Trabalho, que a fiscalização deixou de demonstrar a existência de subordinação entre as partes, averiguando apenas e tãosomente os requisitos da nãoeventualidade e remuneração pelo serviço, que a função que os assessores exercem é típica dos trabalhadores autônomos, que eles nada mais são do que conselheiros que apresentam suas opiniões aos diretores de acordo com seus conhecimentos específicos e a experiência adquirida durante anos de trabalho Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 Entendo que o Fisco tem a obrigação de fiscalizar o correto cumprimento da obrigações tributárias. A legislação previdenciária definiu os segurados obrigatórios da Previdência Social (todos pessoas físicas), os classificou como empregados, empregados domésticos, contribuintes individuais, trabalhadores avulsos e segurados especiais. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; V como contribuinte individual:(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). VI como trabalhador avulso: quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviços de natureza urbana ou rural definidos no regulamento; VII – como segurado especial: a pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros a título de mútua colaboração, na condição de: (Redação dada pela Lei nº 11.718, de 2008). Cada tipo de segurado recebe tratamento tributário diverso, de modo que definir se alguém é empregado ou contribuinte individual é atribuição do fisco. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. ... § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 11 19 DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Decreto 3048/1999: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: ... §2ºSe o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Notase, assim a partir da transcrição do dispositivo legal que autoriza o uso dessa competência (desconsideração do vínculo pactuado e enquadramento como segurado empregado) que há a necessidade da fiscalização verificar condições para efetuar essa desconsideração. Portanto, a fiscalização deve constatar a ocorrência das seguintes condições: a) O segurado deve ser pessoa física; b) A prestação de serviço deve ser de natureza não eventual; c) O segurado deve trabalhar para empregador (empresa urbana ou rural); d) O segurado deve prestar serviço sob dependência do empregador (subordinação); e) O segurado deve receber salário (remuneração) pelo serviço prestado. A recorrente questiona que a subordinação não ficou comprovada. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 Analisemos os pressupostos da subordinação (dependência do empregado): A dependência a que a lei se refere não é econômica, embora ela se faça presente e até se presume na maioria dos contratos de trabalho. Mas essa dependência econômica não é pressuposto em todos os contratos. Há pessoas economicamente independentes que são empregadas. Por outro lado, também não é a simples subordinação técnica, em que o tomador do serviço pode e exige que a sua execução obedeça a determinados requisitos de ordem técnica, mesmo porque em muitos casos ela nem poderia ocorrer. Um advogado que fosse empregado de pessoa leiga em direito, certamente não teria subordinação técnica. Da mesma forma, o avicultor, obrigado na criação de aves, em decorrência de contrato de parceria, a cumprir determinadas exigências técnicas do parceiro abatedor, tais como, peso mínimo para abate, ração específica, instalações com características pré estabelecidas, exclusividade de fornecimento etc, terá caracterizado a subordinação técnica, mas não o vínculo empregatício. A dependência reconhecida pela lei e pela jurisprudência é a jurídica. Por força do contrato firmado com a empresa, o empregado se obriga a cumprir suas determinações, isto é, em função do contrato de trabalho, onde está sujeito a receber ordens, em decorrência do poder de direção do empregador. A subordinação é o estado de sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens. A subordinação estabelecida na lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação do trabalho e dispor dos serviços contratados como melhor lhe aprouver. Com efeito, se o empregador dirige a prestação do trabalho e o empregado está íntima e pessoalmente ligado ao trabalho, esse estará sob a dependência daquele, a cujas ordens deve obedecer, como ao seu superior hierárquico. Assim, o direito do empregador de definir, no curso da relação contratual e nos limites do contrato, a modalidade de atuação concreta do trabalho (faça isto, não faça aquilo; suspenda tal serviço, inicie outro). Segundo Délio Maranhão, da subordinação resulta para o empregador o poder de: 1) Dirigir e comandar a execução da obrigação contratual pelo empregado; 2) Controlar o cumprimento dessa obrigação; 3) Aplicar penas disciplinares (advertência, suspensão, dispensa) quando o empregado não satisfaz devidamente, a prestação a que se obriga, ou se comporta de modo incompatível com a confiança que está na base do contrato. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 12 21 A dependência é pessoal, isto é, não passa da pessoa do empregado; não atinge os seus familiares. O poder de mando não vai além do contrato de trabalho; tem limite no que se relaciona a trabalho e no tempo de vigência da relação de emprego. A lei não exige que o trabalho seja executado no estabelecimento do empregador. Pode ser feito na residência do empregado, desde que exista a sujeição pessoal. Se o empregador determina o conteúdo de cada prestação de trabalho, pouco importa o lugar onde ele é realizado. No presente processo, após as exclusões promovidas pela julgamento de primeira instância, ainda está em questão a tributação incidente sobre os assessores da Diretoria, Sr. Sérgio Roberto F.S. e Marchese e Sr. Raul Edison Martinez e sobre o ajudante Adenilo do Nascimento Filho e do divulgador Orlando Duarte Figueiredo. Para os assessores: Sério Roberto F. S. e Marchese, Assessor Administrativo Financeiro e Raul Edison Martinez, Assessor Acadêmico, o próprio Relatório Fiscal os nomina e discorre sobre a subordinação inerente às suas atividades. 14. Há também, afora os professores e a bibliotecária, outros dois segurados considerados pela FAAP como autônomos. São os assessores da Diretoria: Sr. Sério Roberto F. S. e Marchese, Assessor Administrativo Financeiro e o Sr. Raul Edison Martinez, Assessor Acadêmico. As funções que os mesmos exercem já denotam subordinação, pois estão sujeitos às ordens da Diretoria, e não eventualidade, pois são atividades necessárias à supervisão e gerenciamento das atividades da entidade. No sentido de configuração do vinculo destes dois segurados, ainda há outros elementos de convicção presentes: a)recebem todos os meses valores iguais e constantes, corrigidos anualmente. b) Hi folhas em que constam os códigos AT e SV, que significam, respectivamente, descontos de adiantamento salarial e seguro de vida. c) Recebem, geralmente na folha de dezembro, discriminado como 13°. Salirio, valor idêntico à remuneração do mês. Assessorar a diretoria, diferentemente do que afirma a recorrente, não é função típica de trabalhador autônomo. Entendo que nesse trabalho, o poder decisório está a cargo da FAAP. Entendo que os trabalhos desenvolvidos têm como característica a direção e o controle do cumprimento das obrigações por parte da recorrente. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 Para o ajudante Adenilo do Nascimento Filho, entendo evidente a subordinação, visto que presta serviço (ajuda) segundo a necessidade da recorrente. Para o divulgador Orlando Duarte Figueiredo, também entendo presente a subordinação, visto trabalhar na divulgação do que a recorrente quer ver divulgado, isto é, determina. SALÁRIO EDUCAÇÃO Com relação à contribuição social ao salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, conforme Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Súmula n° 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” INCRA É descabida a afirmação que a Lei 7.789/89, que trata do salário mínimo, revogou a contribuição para ao INCRA. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 13 23 Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 14 25 Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 26 REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” SESC Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 15 27 As prestadoras de serviços são destinatárias da referida contribuição em harmonia com a atual interpretação do conceito de "estabelecimento comercial", contemplado pelos Decretos Leis 9.853/46 e 8.621/46, que estabeleceram as contribuições para o SESC e SENAC. Embora não se trate de sociedade comercial no sentido clássico do termo, que indica a intermediação da venda de mercadorias, a sociedade civil que se dedica à prestação de serviços em caráter profissional, é considerada empresa para fins de incidência tributária. O STJ editou súmula acerca da sujeição das empresas prestadoras de serviços às contribuições ao Sesc e ao Senac, salvo se integradas em outro serviço social. STJ – SÚMULA CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS –Sujeição das empresas prestadoras de serviços às contribuições ao Sesc e ao Senac, salvo se integradas em outro serviço social. A Primeira Seção do STJ editou, em 13/3/2013, o Enunciado da Súmula nº 499, publicado no DJe em 18/3/2013, com o seguinte teor: “As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social” (Vide Boletins de Decisões Judiciais nºs 2/2007 e 5/2012). SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 28 Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 16 29 às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. A contribuição cobrada possui respaldo legal. SAT Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 30 Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 17 31 vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 32 V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Também não merece prosperar o argumento de que a cobrança ao SAT ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 18 33 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Conforme o primeiro parágrafo do Relatório do voto em tela, a Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, na forma do Acórdão 1726.464 da 9ª Turma, julgou a impugnação procedente em parte determinando a exclusão do lançamento dos professores contratados exclusivamente para cursos livres. Na seqüência o i. Relator registra que : “Verificase que, à exceção dos professores que recebem remuneração variável nos cursos livres e outras atividades sazonais (curadorias, pesquisas, fiscalização de provas etc.), as demais funções ali elencadas revestemse dos elementos caracterizadores do segurado empregado. São as discriminadas nas contas n° 311000000075 Despesas Administrativas Gerais e, posteriormente,5151010400010100 Diretoria Mantenedora (auxiliar de serviços gerais, divulgador, assessor acadêmico e assessor administrativo), onde se observam os seguintes atributos: (..) a) Trabalho subordinado, caracterizado pelo fato de ser da FAAP o poder decisório sobre que serviços serão da responsabilidade de cada uma das funções ali listadas. (..) Foram também caracterizados como empregados, a bibliotecária e os assessores da Diretoria..(..)” A Recorrente alegou que : “ Inexiste habitualidade no trabalho da bibliotecária e inexiste subordinação no trabalho dos assessores, fatos que descaracterizam Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 34 o vinculo empregatício constatado pela fiscalização” e que o Relatório Fiscal não apresentou os dispositivos legais nos quais está embasado o débito lançado e ainda : “ deixou o Agente Fiscal de demonstrar a existência de subordinação entre as partes, averiguando apenas e tão somente os requisitos da nãoeventualidade e remuneração pelo serviço A função que os assessores exercem é típica dos trabalhadores autônomos os assessores nada mais são do que conselheiros que apresentam suas opiniões aos diretores de acordo com seus conhecimentos específicos e a experiência adquirida durante anos de trabalho” É cediço que a relação de emprego ou o vínculo empregatício, se configura quando alguém presta serviço a uma outra pessoa, física ou jurídica, de forma subordinada, pessoal, nãoeventual e onerosa. A ausência de qualquer dos últimos 3 elementos dispostos mitiga a relação. Entretanto, embora possam estar presente, a ausência de subordinação fulmina o liame empregatício. Meras aparências não materializam a relação. Para que efetivamente não restem dúvidas da relação de emprego, devese produzir provas concretas da mediante a apresentação de contratos de trabalho, carteira profissional ou outros documentos do gênero e, se possível da descrição das tarefas realizadas ou a realizar. Com efeito, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS para comprovação do vínculo trabalhista, para obtenção do benefício de aposentadoria, exige que o segurado apresente provas materiais de que fora empregado. Prova testemunhal não é aceita. Logo o vínculo não se presume perfeito nem à luz de múltiplos testemunhos. Correta a exigência. Na condução do voto, o i. Relator também registra a necessidade de constatar, isto é de PROVAR, a ocorrência de que o segurado prestara o serviço sob dependência do empregado. Colacionou o disposto nos arts. 33 da Lei n 8.212/1991 e 229 do Decreto 3048/1999 e teve entendimento que o preceituado autoriza a desconsideração do vínculo pactuado e enquadramento como segurado empregado: § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Decreto 3048/1999: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para:... §2ºSe o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 19 35 condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. ... Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Registro, também , que: “Notase, assim a partir da transcrição do dispositivo legal que autoriza o uso dessa competência (desconsideração do vínculo pactuado e enquadramento como segurado empregado) que há a necessidade da fiscalização verificar condições para efetuar essa desconsideração. Portanto, a fiscalização deve constatar a ocorrência das seguintes condições: . O segurado deve ser pessoa física; A prestação de serviço deve ser de natureza não eventual; O segurado deve trabalhar para empregador (empresa urbana ou rural); O segurado deve prestar serviço sob dependência do empregador (subordinação); ” É relevante notar que embora no Item 17 do Relatório Fiscal se afirme que no documento FLD constam os fundamentos legais, às fls. 36, no elenco de Fundamentos Legais das Rubricas, se verifica que o auto se pautou sob o preceituado no art 22, I da Lei n 8.212/91 o qual atribuí alíquota mas não embasa o lançamento, verbis: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de : (...) I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa” Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 36 Além de não constar no lançamento o enquadramento aludido pelo i. Relator o que no caso teria motivado procedimento de aferição indireta com inversão do ônus da prova a fiscalização poderia ter efetivamente provado a ocorrência do vínculo empregatício mediante a juntada de cópias, de um ou de todos os documentos a seguir: dos contratos de trabalho, das Carteiras Profissionais, dos Cartões de Ponto, dos Livros de assinaturas de presença, do Livro de Registro de Empregados. Embora tenha exortado a necessidade de constatar a ocorrência, o i. Relator, na mesma linha da Autoridade autuante, expressando seu conceito de subordinação manteve o lançamento. É relevante observar que a presunção ou a convicção não podem atribuir materialidade ao fato gerador. Entendo pois precária a motivação. Ademais, no Relatório de Fundamentação Legal FLD, não se registram artigos de lei tipificando a irregularidade. Abaixo citando contratos de trabalho para o estabelecimento do vínculo trabalhista – não trazidos à colação no caso em comento, reiterese, com grifos de minha autoria, seguem os argumentos do i. Relator aos quais me antepus por ausência de prova material : “Analisemos os pressupostos da subordinação (dependência do empregado): A dependência a que a lei se refere não é econômica, embora ela se faça presente e até se presume na maioria dos contratos de trabalho. Mas essa dependência econômica não é pressuposto em todos os contratos. Há pessoas economicamente independentes que são empregadas. Por outro lado, também não é a simples subordinação técnica, em que o tomador do serviço pode e exige que a sua execução obedeça a determinados requisitos de ordem técnica, mesmo porque em muitos casos ela nem poderia ocorrer. Um advogado que fosse empregado de pessoa leiga em direito, certamente não teria subordinação técnica. Da mesma forma, o avicultor, obrigado na criação de aves, em decorrência de contrato de parceria, a cumprir determinadas exigências técnicas do parceiro abatedor, tais como, peso mínimo para abate, ração específica, instalações com características préestabelecidas, exclusividade de fornecimento etc, terá caracterizado a subordinação técnica, mas não o vínculo empregatício. A dependência reconhecida pela lei e pela jurisprudência é a jurídica. Por força do contrato firmado com a empresa, o empregado se obriga a cumprir suas determinações, isto é, em função do contrato de trabalho, onde está sujeito a receber ordens, em decorrência do poder de direção do empregador. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 20 37 A subordinação é o estado de sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens. A subordinação estabelecida na lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação do trabalho e dispor dos serviços contratados como melhor lhe aprouver. Com efeito, se o empregador dirige a prestação do trabalho e o empregado está íntima e pessoalmente ligado ao trabalho, esse estará sob a dependência daquele, a cujas ordens deve obedecer, como ao seu superior hierárquico. Assim, o direito do empregador de definir, no curso da relação contratual e nos limites do contrato, a modalidade de atuação concreta do trabalho (faça isto, não faça aquilo; suspenda tal serviço, inicie outro). (...) A dependência é pessoal, isto é, não passa da pessoa do empregado; não atinge os seus familiares. O poder de mando não vai além do contrato de trabalho; tem limite no que se relaciona a trabalho e no tempo de vigência da relação de emprego. A lei não exige que o trabalho seja executado no estabelecimento do empregador. Pode ser feito na residência do empregado, desde que exista a sujeição pessoal. Se o empregador determina o conteúdo de cada prestação de trabalho, pouco importa o lugar onde ele é realizado. No presente processo, após as exclusões promovidas pela julgamento de primeira instância, ainda está em questão a tributação incidente sobre os assessores da Diretoria, Sr. Sérgio Roberto F.S. e Marchese e Sr. Raul Edison Martinez e sobre o ajudante Adenilo do Nascimento Filho e do divulgador Orlando Duarte Figueiredo. Para os assessores: Sério Roberto F. S. e Marchese, Assessor Administrativo Financeiro e Raul Edison Martinez, Assessor Acadêmico, o próprio Relatório Fiscal os nomina e discorre sobre a subordinação inerente às suas atividades. 14. Há também, afora os professores e a bibliotecária, outros dois segurados considerados pela FAAP como autônomos. São os assessores da Diretoria: Sr. Sério Roberto F. S. e Marchese, Assessor Administrativo Financeiro e o Sr. Raul Edison Martinez, Assessor Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 38 Acadêmico. As funções que os mesmos exercem já denotam subordinação, pois estão sujeitos às ordens da Diretoria, e não eventualidade, pois são atividades necessárias à supervisão e gerenciamento das atividades da entidade. No sentido de configuração do vinculo destes dois segurados, ainda há outros elementos de convicção presentes: a)recebem todos os meses valores iguais e constantes, corrigidos anualmente. b) Hi folhas em que constam os códigos AT e SV, que significam, respectivamente, descontos de adiantamento salarial e seguro de vida. c) Recebem, geralmente na folha de dezembro, discriminado como 13°. Salirio, valor idêntico à remuneração do mês. Assessorar a diretoria, diferentemente do que afirma a recorrente, não é função típica de trabalhador autônomo. Entendo que nesse trabalho, o poder decisório está a cargo da FAAP. Entendo que os trabalhos desenvolvidos têm como característica a direção e o controle do cumprimento das obrigações por parte da recorrente. Para o ajudante Adenilo do Nascimento Filho, entendo evidente a subordinação, visto que presta serviço (ajuda) segundo a necessidade da recorrente. Para o divulgador Orlando Duarte Figueiredo, também entendo presente a subordinação, visto trabalhar na divulgação do que a recorrente quer ver divulgado, isto é, determina.” A lei não definindo que seria a subordinação, permite, eventualmente, a introdução de aspectos subjetivos exortados quando das motivações de lançamento. Existem diversas espécies de prestação de trabalho: o autônomo, avulso, eventual, temporário, entre outros. Todavia, a relação de emprego somente se configura na medida em que a subordinação se verifica. Fruto não de meu entendimento pessoal, trago à colação que a palavra subordinação tem como sinônimos : dependência, obediência, submissão, e sujeição, vide Novo Dicionário Aurélio 2 Ed. A legislação brasileira não menciona expressamente o termo subordinação, apenas nomeia o termo dependência, ao conceituar empregado. É o que consta no art. 3º da CLT, verbis:. “Art. 3º – Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Todavia, também a CLT não define o que seja dependência. Assim, a definição da relação de emprego, identificando e precisando cada um de seus elementos fático jurídicos, cabe ao fisco, diante de cada caso concreto. Para constatar a existência da relação empregatícia, o fato gerador deve ser provado e não subentendido. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000225/200739 Acórdão n.º 2403002.480 S2C4T3 Fl. 21 39 A doutrina estabeleceu o termo subordinação e a jurisprudência pacificou que empregado é a pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador mediante salário, com pessoalidade e subordinação. Não foram trazidos à colação elementos probantes da relação de dependência, da subordinação. Nos autos consta que a autoridade autuante e o i. Relator pautaram suas conclusões basicamente no que registra o item 14 do Relatório fiscal, inferindo que “ as funções que os mesmos exerciam já denotariam subordinação, pois que estariam sujeitos às ordens da Diretoria, verbis: “14. Há também, afora os professores e a bibliotecária, outros dois segurados considerados pela FAAP como autônomos. São os assessores da Diretoria: Sr. Sério Roberto F. S. e Marchese, Assessor Administrativo Financeiro e o Sr. Raul Edison Martinez, Assessor Acadêmico. As funções que os mesmos exercem já denotam subordinação, pois estão sujeitos às ordens da Diretoria, e não eventualidade, pois são atividades necessárias à supervisão e gerenciamento das atividades da entidade. No sentido de configuração do vinculo destes dois segurados, ainda há outros elementos de convicção presentes: a)recebem todos os meses valores iguais e constantes, corrigidos anualmente. b) Hi folhas em que constam os códigos AT e SV, que significam, respectivamente, descontos de adiantamento salarial e seguro de vida. c) Recebem, geralmente na folha de dezembro, discriminado como 13°. Salário, valor idêntico à remuneração do mês.” DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade. DA NULIDADE Relevante destacar que a nulidade é questão preliminar, entretanto, nas circunstâncias, somente fora notada na discussão do mérito. Na forma dos art.59, II, § 3º do Decreto 70.235/72 a nulidade não será declarada na hipótese de ser possível, no mérito, dar provimento a favor do sujeito passivo, verbis: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 40 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ” De tudo que foi exposto, embora a ausência de provas materiais e fundamentação legal defina nulo o crédito tributário constituído, NO MÉRITO assiste razão ao contribuinte. CONCLUSÃO Divirjo dos argumentos do voto em apreço para no MÉRITO DAR PROVIMENTO às alegações do contribuinte. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Designado Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/03/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002074/2008-78
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
SIMPLES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS.
Considera-se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontram-se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas.
A pessoa jurídica que é constituída por interpostas pessoas, encobrindo quem são os verdadeiros sócios, não tem o direito de permanecer inscrita no regime do Simples.
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA.
Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que realize operações relativas a locação de mão-de-obra.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Meigan Sack Rodrigues e Cristiane Silva Costa. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. SIMPLES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. A pessoa jurídica que é constituída por interpostas pessoas, encobrindo quem são os verdadeiros sócios, não tem o direito de permanecer inscrita no regime do Simples. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica que realize operações relativas a locação de mãodeobra. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 74 /2 00 8- 78 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 318 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Meigan Sack Rodrigues e Cristiane Silva Costa. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Tratase, o presente processo, de exclusão do Simples Federal, sob o fundamento de constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à cessão de mão de obra. Decorrente do procedimento de exclusão, também foi constituído processo de exclusão do Simples Nacional, protocolizado sob o número 10925002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/2009 83, 10925000033/200928, 10925.000034/200972, 10925.000035/2009 17,10925.000036/200961, l0925.000037/200914, l0925.000038/200951, 10925000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.00004l/200974, l0925.000042/2009 19, 10925.000043/200963, l0925.000044/200916, l0925.000045/200952, 10925.000046/200905, l0925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/2009 31, 10925000051/200918. Retrata a autuação que a recorrente foi excluída do Simples através do Ato Declaratório de Exclusão DRF/JOA nº 22, de 21/10/2008, em faze do disciplinado nos art. 9º e 16 da Lei nº 9.317/1996. Foi constatada prática de simulação de existênica de empresa autônoma, por meio de interposta pessoas, e prática de atividade vedada. Os efeitos da exclusão foram contados a partir de 01/12/2003, conforme disposto nos artigos 15 e 16 da referida norma. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 319 3 O processo administrativo teve origem na representação fiscal na qual informa que a recorrente, optante pelo Simples Federal, faz parte de um "grupo" empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose do tratamento diferenciado do Simples. Segundo o relatório fiscal, tratase na verdade, o referido grupo, de um única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência naquele regime simplificado de tributação. Temse que o referido "grupo" empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda.., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda.. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda.. ME. Os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr.José Schazmann. Ainda, temse que figuram, como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda.. ME na atualidade, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda.. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann. A empresa K.F. Industrial Ltda.., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fl. 5. De igual modo, constatouse que em relação à contabilidade das empresas, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contabil. A empresa K.F. Industrial Ltda.. não tinha autonomia como entidade empresarial, tendo suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda.. e assumindo existência apenas no campo formal. A K.F. Industrial Ltda.. foi constituída no mesmo contexto e com os mesmos objetivos que orientaram a movimentação societária da J.S Máquinas Ltda.., ou seja, através de simulação da existência de um grupo formado por três empresas distintas. A diferença é que a J.S. passou por um processo de depuração de seus sócios formais, e mudança de endereço de suas instalações, até ser completamente absorvida, de fato, pela Idugel Industrial Ltda... De outro lado, a K.F. já nasceu sob o completo controle do casal Schazmann, com sede no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, conforme relato da fiscalização (fl. 4) Prossegue o relato fiscal aduzindo que o controle da K.F. pelo Sr. José Schazmann tornase evidente por todas as circunstâncias verificadas e, especialmente, pelo fato de que seus atuais sócios formais, além de serem filhos, ingressaram na sociedade antes de completarem a maioridade civil, representados, nos respectivos atos de subscrição de cotas, pelo próprio Sr. José Schazmann, de modo coerente com a estratégia de nomear somente parentes muito próximos como sócios das pessoas jurídicas do pretenso “grupo” empresarial, mantendo para si e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, amplos poderes para “gerir e administrar”, conferidos por procuração (fl.14). Ainda, os objetos sociais das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda.. e Idugel Industrial Ltda.., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 320 4 podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócios, nada indica serem verossímeis a discrepâncias detectadas entre os percentuais da relação custos/receita das duas empresas (considerandose como “custos” os gastos com insumos em geral, incluindose matériasprimas e energia).Cita exemplo como segue: “Nos exercícios financeiros de 2004 e 2005, por exemplo, mesmo registrando receitas entre R$123.705,30 e R$266.623,09, a K.F não registrou sequer um centavo de real a título de custos, evidenciando sua total ausência de autonomia empresarial”. Em 2007, para uma receita de apenas R$8.298,04, a K.F. registrou custos não salariais de R$204.689,36, apresentando percentual custos/receita para extraordinários 2.467%, contra 16% da Idugel. “Já para a relação folha de pagamento/receita, no período de 2004 a 2007, comparandose as duas empresas, a discrepância também se mostra extremamente acentuada, no sentido inverso, variando entre 1 e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%%, no caso da K.F.. Estes dados (e outros apresentados no mesmo quadro de fl. 05) comprovam, para este período, a informação de fiscalização da RFB de que a Idugel concentra os gastos com insumos, e o faturamento com vendas, enquanto as outras pessoas jurídicas do “grupo” (inclusive a K.F..) assumem a maior parte dos gastos com mão deobra, com consideráveis vantagens tributárias, em razão de sua inclusão no Simples, especialmente com relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. Neste caminho, destaca, que a Idugel, com apenas dois a três empregados, em média, nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 3 a 5 milhões de reais, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, no mesmo local, e sob a mesma administração, precisou de 15 a 25 empregados para obter um faturamento da ordem de apenas R$ 8 a 266 mil reais anuais. Acrescenta que os empregados das empresas trabalham com o mesmo uniforme, com a inscrição “Grupo Idugel”, bem como os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc.) atendem indistintamente às duas empresas. Assim, diante dos fatos constatados, conclui que as pessoas que figuram formalmente como sócias da K.F. Industrial Ltda.., em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não dirigem por meio de iniciativa própria, nem exercem atividade empresarial de fato, pertencendo a K.F., de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda.., ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica, enquadrandose assim, na hipótese de exclusão do Simples Nacional prevista no art. 29, inciso IV, da LC n° 123/2006. E, afere que se considerasse que a empresa K.F. Industrial Ltda.. exerce atividade econômica autônoma, considerando apenas seus registros contábeis e abstraindose da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, estaria caracterizada a atividade de cessão de mão de obra, pois seus gastos com insumos são irrisórios e, ao contrário, são exagerados os gastos com mão de obra, todos em comparação com a Idugel, configurando assim, a vedação ao Simples Nacional prevista no art.14, inciso IV, da Lei nº 9.317/1996. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 321 5 Ainda que se considerasse que a empresa K.F. Industrial Ltda.. exercesse atividade econômica autônoma, considerando apenas seus registros contábeis e abstraindose da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, entende que estaria caracterizada a atividade de cessão de mão de obra, pois seus gastos com insumos são irrisórios e, ao contrário, é exagerado os gastos com mãodeobra, todos em comparação com a Idugel, configurando assim, a vedação ao Simples Federal prevista no art. 9°, inciso XII, alínea “f” da Lei nº 9.317/1996. No tocante à data de início dos efeitos da exclusão, a autoridade fiscal entedeu que os elementos que constam do processo permitem caracterizar de forma plena a ocorrência das referidas situações de exclusão a partir da abertura da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda.. ME, tendo sido iniciados os efeitos da opção pelo Simples em 01/12/2003. Assim, define os efeitos da exclusão do Simples a partir do mês de dezembro de 2003, nos termos do inciso VII do art. 24 da IN SRF 608/2006, que prescreve que os efeitos da exclusão se dão, a partir, inclusive, do mês de ocorrência dos fatos. Devidamente cientificada do Ato Declaratório de Esclusão, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação, alegando que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas foram, revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todo os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente para afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/12/2003), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 322 6 posterior a 30/06/2007. Aduz a recorrente que o presente processo fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente ou de seus dois sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a patir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa K.F., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Fellipe e Karínne desde 15/10/2003, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade ao longo dessa década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do Código Civil prevê o prazo de decadência de 03 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei nº 9.317/1996 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do Simples, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos beneficios e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade que é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesao dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 323 7 qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegitima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à situação excludente de locação de mão de obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mão de obra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem os sócios, Fellipe e Karinne, os verdadeiros titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo qua se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal utilizouse de documentos e fatos posteriores ao periodo de 01/12/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, afere que em razão da natureza das atividades da empresa, necessita de ponto de referênica para contato, o que é feito no imóvel sito à Rua Almirante Barroso, anexo a uma residência, cuja divisão e regularização foi devidamente providenciada inclusive por exigência de vigilância e para obtenção dos necessários alvarás. Aduz que o endereço efetivamente existe e é onde são desenvolvidas as atividades da empresa ora requerente, local em que são concentrados contatos com fornecedores, pessoal e comando das atividades a serem executadas. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 324 8 Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projets, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contrataçao por empreitada, como ocorre com a empresa K.F.. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e K.F. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fomecimento das máquinas principais e a K.F. pela montagem das mesmas. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Assim, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão.E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. A recorrente cita julgados deste Egrégio Conselho de Contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 325 9 O julgador de primeira instância entendeu por bem manter a exclusão na sua integralidade. Aduz que dentre os elementos que fundamentaram a exclusão do Simples, destaca o fato da recorrente fazer parte de um "grupo" empresarial, denominado "Grupo Idugel", constituído pelas empresas Idugel Industrial Ltda.., J.S. Máquinas Ltda.. e K.F. Montagens Industriais Ltda.., com o objetivo de segmentar, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples. Salienta que a empresa K.F. Industrial Ltda.. nao tem autonomia como entidade empresarial, tendo suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda.. e assumindo existência apenas no campo formal. Outro ponto contundente no seu entendimento para a exclusão diz respeito ao fato dos empregados das empresas trabalharem com o mesmo uniforme, com a inscrição "Grupo Idugel". Isso sem contar a questão dos setores administrativos (financeiro, pessoal, etc) atenderem indistintamente às duas empresas. Reflete também acerca do "grupo" empresarial ser comanandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda.., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda.. e K.F. Industrial Ltda... Segundo o entendimento da decisão de primeira instância, o grau de parentesco entre os sócios das três empresas é relevante. Frisa que os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann, sendo sua mãe, irmã e filhos. Em relação à contabilidade, salienta o julgador a quo restar constatado a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Ainda, a empresa está localizada, de fato, no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, conforme relato da fiscalização. Já no que tange aos objetos sociais registrados serem muito semelhantes, afere o julgador que me precedeu que os objetos das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda.. e Idugel Industrial Ltda.., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Atenta também quanto à discrepância detectada entre os percentuais da relação custos/receita das duas empresas (considerandose como “custos” os gastos com insumos em geral, incluindose matériasprimas e energia) varia entre 44 e 47% para Idugel, enquanto é “zero” para K.F., no período 2004 a 2005. Ao contrário, em 2007, a K.F. tem um custo equivalente a 2.467% de sua receita, contra 16% da Idugel. Outro ponto é em relação à folha de pagamento/receita, no periodo de 2004 a 2007, posto que se realizasse um comparativo entre as duas empresas, a discrepância também se mostra extremamente acentuada, no sentido inverso, variando entre l e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%, no caso da K.F.. A empresa Idugel, com apenas dois ou três empregados, em média, nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 3 a 5 milhões de reais, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 326 10 precisou de 15 a 25 empregados para obter um faturamento da ordem de apenas R$ 8 a 266 mil reais anuais. O julgador refere ainda, no tocante à discrepância verificada entre dispêndios e resultados, que demonstram que a empresa recorrente, na prática, cede mão de obra para a empresa IDUGEL, posto que esta concentra quase todo o faturamente e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos e entre três e quatro empregados nos anos de 2003 e 2004. Ademais, salienta que o faturamento global do "grupo" foi superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação no período de 2003 a 2007. No que diz respeito ao cerceamento do direito de defesa, entende o julgador a quo que as alegações realizadas pela recorrente nesse sentido, quais sejam: a exclusão sumária com aplicação de penalidades sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa, bem como acerca dos sócios formadores da recorrente, tornaria nulo o processo; não são procedentes. Esclarece que o processo administrativo é inquisitório e aos particulares cabe respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa esta investida e com ela colaborar. Isso porque ainda não se formou a relação jurídica processual, que somente se dará com o ato de exclusão do Simples e a respectiva manifestação de inconformidade, momento que se inaugura o contraditório e a ampla defesa. Atenta para o fato do polo passivo da exclusão do Simples ser a pessoa jurídica recorrente e que não são objetos do Ato de Exclusão suas sócias. Assim, o procedimento fiscal não feriu nenhum princípio constitucional, pois seguiu os tramites legais prescritos. Conforme se constata pelos elementos que fundamentaram a exclusão do Simples, não procede a alegação da recorrente quanto ao fracionamento da atividade produtiva, pois este decorreu do interesse da contribuinte em criar condições para enquadramento no Simples, o que ocorreu apenas do ponto de vista formal. Salienta que a falta de autonomia da empresa recorrente, como entidade empresarial são caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossimeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo “grupo empresarial”. Assim, juntando todos esses elementos, comprovase a administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann, posto que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda.., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda.. e K.F. Montagens Industriais Ltda... Atenta para o fato de que as citadas procurações outorgam poderes para “gerir e administrar a firma outorgante e tratar de todos os negócios que lhe são concernentes”, portanto, incluindo como sócios da recorrente seus parentes de primeiro grau (filhos e, até 2007, mãe), na realidade, José e Silvana Schazmann eram possuidores e administravam as três empresas do "grupo". Refere que o fato de haver alvará municipal de licença para funcionamento atestada pelo Municipio (fl. 196/198) no mesmo endereço residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni (mãe e imiã de José Schazmann), não demonstram a atividade como empresas distintas, pois todos os outros elementos corroboram pela total coincidência de atividades no mesmo local, como constatado pela fiscalização. Exemplifica com documentos juntados nos autos contendo dados de folha de salários e vale transporte das três empresas do “grupo” em único demonstrativo. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 327 11 Quanto à alegação de regularidade contábil, constatase, dos documentos juntados nos autos processuais, a prática de pagamento cruzados pelas empresas, autorizados pela Sra. Silvana Marques Schazmami, sócia de Idugel e “procuradora” da recorrente, ferindo se, desta forma, o princípio contábil da entidade. Atenta que a empresa que fazia os pagamentos contabilizava as saídas na conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa” e a empresa que tinha suas contas pagas, simplesmente contabilizava, esses valores, como saídas da conta “Caixa”, não refletindo assim a realidade dos atos praticados. Assim, entende que não há como acatar a alegação de que seriam empréstimos, corretamente contabilizados entre as empresas, pois não foi esta a realidade verificada através dos documentos apresentados pela fiscalização, bem como, nenhuma documentaçao trouxe em sua impugnação para comprovar a regularidade dos registros contábeis. Afere que resta clara a atuação “conjunta” das empresas pertencentes ao “Grupo Idugel”, não se podendo entender como “insignificantes” os inúmeros elementos juntados aos autos processuais. Ressaltese, ademais, que na busca pela verdade material princípio esse informador do processo administrativo fiscal a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita por prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios, que agrupados, têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma préestabelecida hierarquização dos meios de prova, sendo perfeitamente regular a formação da convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem. No tocante às jurisprudências colacionadas pela recorrente, trasncreve parte do acórdão juntado, aduzindo que a autoridade fiscal constatou que além de haver a instalação de fato de duas empresas na mesma área geográfica, também comprovou a mistura entre os registros contábeis, do quadro de empregados, da falta de claro desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, exceto que a recorrente locava mãodeobra para Idugel. Cita doutrina a respeito. Prossegue expondo sua compreensão quanto à interposta pessoa, já que argumenta a recorrente serem os sócios Fellipe e Karinne os verdadeiros titulares da sociedade, entretanto fundamenta sua alegação apenas no recebimento de prólabore mensal e distribuição de lucros/dividendos, não juntando nenhum documento para tal comprovação. Afere que há de se destacar que Felipe Marques Schazmann tem data de nascimento em 08/12/1988 e Karinne Marques Schazmann tem data de nascimento em 02/02/1993, portanto, quando do ingresso na empresa e outorga de procuração, civilmente incapazes, sendo representados/assistidos pelos seus pais. Ainda, frisa que nenhum documento junta para demonstrar o que alega, e, em especial, pertencer a empresa K.F. aos referidos “sócios”, ou que estas praticavam atos de gestão na empresa. Contudo, os elementos levantados pela fiscalização levam a concluir ao contrário, com procuração atribuindo poderes aos sócios da Idugel para “gerir e administrar a firma outorgante e tratar de todos os negócios que lhe são concementes”. Os documentos presentes nos autos demonstram transações determinadas pela “procuradora” Silvana Marques Schazmann, sócia da empresa Idugel Industrial Ltda... Cita o que refere o Código Civil quanto ao contrato de mandato, mas entende que na situação demonstada, verificase, não se tratar de “mera” outorga de procuração, mas sim, da constituição de empresa com interpostas pessoas, utilizandose de forma simulada do contrato de mandato, para atribuir aos proprietários de fato a gestão de sua própria empresa, constituída em nome de terceiros unicamente com o fim de obter favores fiscais de inclusão no Simples. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 328 12 Ao se referir à atividade de locação de mão de obra, o julgador de primeira instância refere que a recorrente caracteriza sua atividade como decorrente de contrato de empreitada e não de locação de mão de obra. Mas, atenta para o fato de que a própria discrepância entre os resultados e os custos, folha de pagamento e empregados, deixam claro que a recorrente apenas fornecia mãodeobra a Idugel. Entende não ser verossímel a argumentação de que o faturamento da Idugel é totalmente dispare ao da K.F., pelo fato da primeira deter o KnowHow e toda credibilidade do mercado, enquanto a impugnante fabricaria apenas partes de um todo fabril. Isso, porque se a K.F. apresenta, em geral, alto custo de folha de pagamento e baixíssimo custo de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia etc, não é fabricante, mas sim locadora de mão de obra para terceira (Idugel). Aliase a isso o fato dos empregados da K.F. desenvolverem suas atividade nas dependências da Idugel, caracterizando a atividade de locação de mãode obra. Por fim, observa que não cabe falar em cerceamento do direito de defesa, quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte e este se mostra conhecedor do motivo da exclusão, como se verifica no caso sob análise, em que a recorrente discriminadamente questiona todo o procedimento. E, entende não haver incompatibilidade dos enquadramentos para a exclusão, pois se fundamentou nos fatos da contribuinte ser constituída por interpostas pessoas, mãe e filhos dos reais sócios e administradores, como claramente demonstrado, bem como, pelo desenvolvimento da atividade de locação de mão de obra. O enquadramento legal da exclusão do Simples não negou a existência da empresa recorrente, mas sim que esta pertencia, de fato, aos sócios da empresa Idugel, ou a própria Idugel, como sócia pessoa jurídica, sendo assim, constituída por interpostas pessoas. Assim, não há incompatibilidade entre constituir empresa por interpostas pessoas e esta empresa locar mãodeobra. O entendimento da recorrente de que haveria “desconstituição” da pessoa jurídica, a levou alegar acerca da decadência prevista pelo Código Civil para anulação da constituição das empresas. Entretanto, não houve anulação da constituição da recorrente, mas sim, para fins da exclusão do regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e conforme constatado pela prova juntada nos autos processuais, foi esta considerada como constituída por interpostas pessoas. Afere que não houve qualquer alteração em nivel societário empresarial da constituição da pessoa jurídica. E, quanto à delimitação dos efeitos da Exclusão do Simples, salienta que da análise do Parecer Sacat n° 3512008, que fundamentou o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, concluise que, para fins de delimitação do início dos efeitos da exclusão, as informações contábeis apresentadas no quadro de fl. 05 mostraramse de fundamental importância na formação de convicção para enquadramento da empresa nos casos de vedação ao Simples Federal e Nacional. Tendo em vista que as referidas informações contábeis abrangeram os exercícios financeiros de 2003 a 2007, foi caracterizada de forma plena a ocorrência das referidas situações de exclusão a partir do início de atividades, ou seja, dezembro de 2003. Atenta para o fato de que as discrepâncias entre custo, folha de pagamento e empregados em comparação com a receita, concentrando, em geral, os empregados na recorrente e o faturamento e demais custos na empresa lndugel (não optante pelo Simples), como apresentados pelos quadros de folha 5, demonstram claramente que a situação ocorria Fl. 328DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 329 13 desde 01/12/2003. Exemplifica: como poderia a recorrente ter folha de pagamento em valor equivalente a 3.656% de sua receita em 2007, enquanto a empresa Idugel, no mesmo período, apresentava folha de pagamento em valor equivalente a 1% de seu faturamento? Não são verossímeis os indicadores apresentados, em especial sendo os objetos sociais registrados muito semelhantes. Cita a Lei nº 9.317/1996. No tocante à cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, modificando o Ato Declaratório Excludente a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. Discorre sobre o ato de exclusão do Simples e aduz que o mesmo não é instrumento modificador da base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente. Prossegue referindo que a exclusão e seus efeitos decorreram de previsão legal e uma vez positivada a norma, cabe aplicála sem perquirir acerca da justiça, injustiça; eventuais efeitos confiscatórios, à capacidade contributiva ou quanto à viabilidade da atividade, pois o lançamento é uma atividade vinculada. Frisa, ainda, que o ato apenas excluiu a recorrente do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído pela Lei nº 9.317/1996, não tendo o condão de impedir automaticamente a empresa dos beneficios e incentivos fiscais positivados. Portanto, o referido Ato foi elaborado dentro dos limites da competência legal e normativa atribuida a Autoridade Fiscal emitente, não violando direito de defesa da contribuinte e seguindo o devido processo legal prescrito. E, quanto à argumentação de que o art. 116 do CTN não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária, entende o julgador a quo não aplicável ao caso sob análise, pois ficou caracterizada prática de simulação, prevista em vários outros artigos do CTN, dentre os quais, citase o art. 149, VII do CTN. Assim, demonstrada a simulação na constituição fictícia da empresa, pelos proprietários da IDUGEL, com a participação de interpostas pessoas, tomouse obrigatório o ato de exclusão do Simples, nos termos da Lei nº 9.317/1996 e corroborado com a determinação do art. 149 do Código Tributário Nacional. Quanto ao pedido para que para que intimações relativas ao presente sejam feitas no endereço e na pessoa dos advogados identificados na procuração inclusa nos autos, refere que não pode acatar a solicitação, assim como não pode acatar o pedido de oitiva de testemunha, posto não ter previsão legal. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto em seara de impugnação. Toda numeração de folhas indicada nesse Voto Vencedor se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 329DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 330 14 Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de exclusão do Sistema Simples Federal em razão da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à cessão de mão de obra. A fudamentação do Ato de Exclusão se encontra nos arts. 9º e 16 da Lei nº 9.317/1996. A empresa defendese alegando que não há qualquer tipo de ato simulado, com fulcro a burlar as normas tributárias, antes a empresa é familiar e conjuntamente com as demais empresas do "grupo" trabalham em um ramo de atividade conjunta. A recorrente sustenta violação de uma série de princípios constitucionais e a nulidade do auto de infração. Da violação de Princípios Constitucionais No que tange à discussões sobre constitucionalidade de norma, sua legalidade ou mesmo violação a princípios constitucionas, entendo que a decisão de primeira instância encontrase correta, não merecendo reforma. Temse que a autoridade a quo muito bem colocou as questões de inconstitucionalidade levantadas pela empresa recorrente. E, conforme Súmula nº 02 do CARF, este órgão não possui competência para julgar questões que são da alçada exclusiva do Poder Judiciário. Senão vejamos: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Da nulidade do Processo Administrativo Alega, a empresa recorrente, a nulidade do processo administrativo, posto ter a autoridade fiscal efetuado lançamento de ofício com base no art. 149, VII do CTN. E, entende que o referido dispositivo legal prevê que o lançamento decerá ser efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. Assim, não tendo o auto em questão revisto de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, o processo administrativo seria nulo. Ocorre que se equivoca a empresa recorrente nesse momento. Não estamos diante de um lançamento, mas sim de um Ato de Declaratório de Exclusão do Simples, que possui rito próprio e divergente do argumentado e sustentado pela empresa recorrente. Nesse contexto, entendo que o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, que em nada se assemelha ao lançamento, foi efetuado em respeito aos ditames legais e obedecendo todas as normas pertinentes. Oportuno ressaltar, no entanto, que a nulidade do processo administrativo e a nulidade de auto de infração são regidas pelo Decreto nº 70.235/1972, em seus artigos 10 e 59, que assim refere: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 331 15 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou seja conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Do disposto nos artigos supra apreendese que estão voltados para o lançamento, que não se trata do caso em tela, e da nulidade que envolve o procedimento administrativo. Ocorre que não se verifica qualquer infração aos requeisitos que determinam a nulidade do procedimento administrativo, quando da elaboração do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, para o caso em análise. Assim, não é procedente a argumentação da recorrente quanto a esse ponto. Da decadência Alega a recorrente a decadência no presente feito, tomando em conta que o fato gerador teria sido um tributo previdenciário ocorrido há mais de cinco anos. Novamente, temse que a empresa recorrente confundese quanto à demanda em apreço. Isso porque a discussão no presente feito diz respeito aos atos, atividades e fundamentos que geraram a exclusão da mesma do sistema de apuração de tributos Simples. Razão pela qual não vislumbro a incidência da decadência, haja vista ter sido formulado, o Ato de Exclusão do Simples, dentro dos cinco anos previsto na legislação pátria. Atentemos para o fato de que não estamos julgando cobrança do crédito previdenciário, cujo entendimento da recorrente seja de que o mesmo dá ensejo ao prazo Fl. 331DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 332 16 decadencial. Desse modo, não merece procedência a alegação da recorrente quanto à decadência. Do Mérito Quanto ao mérito da demanda, temse que a recorrente foi excluída do Simples Federal com fundamento em dois pontos, quais sejam: exercer as suas atividades através de interposta pessoa e desenvolver atividade que envolve locação de mão de obra. Ambas os itens estão fundamentados nos artigos 9º, XIII, e art. 16 da Lei nº 9.317/1996. a) Da interposta pessoa Alega a autoridade que a empresa recorrente na realidade faz parte de um "grupo" econômico, na qual a administração única de todas as empresas se daria nas pessoas do Sr. José Schazmann e sua esposa Silvana Marques Schazmann. Atenta para o fato de que ambos figuram como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda.., desde 20/11/1998, mas exercem mediante procuração, a administração das empresas J.S Máquinas Ltda.. e da recorrente (K.F. Montagens Industriais Ltda..). Segundo a autoridade julgadora de primeira instância o fato dos sócios, da empresa Idugel, administrarem por procuração a empresa recorrente, aliada ao fato de que todos os funcionários vestirem o uniforme da empresa Idugel, de terem a localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndio (custos, folha de pagamento, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo grupo empresarial, contribuem para a caracterização da interposta pessoa. As argumentações da empresa recorrente são de que os sócios são os mesmos desde a sua constituição e o fato dos mesmos terem outorgado procurações para representálos, em situações específicas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interposta pessoa. De certo, temse por interposta pessoa aquela que comparece a frente de um negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo. Ainda, temse que a interposta pessoa seria aquela que empresta o nome, age em lugar do verdadeiro interessado que, por motivos diversos deseja ocultar sua participação em um ato negocial. Ocorre que no caso em tela não se observa a interposta pessoa, tal como rege o ordenamento pátrio. Isso porque os sócios da empresa recorrente não se encontravam ocultos em nenhum momento, tão pouco representavam outros senão eles mesmos, ainda que através de procurações. Da mesma forma, não é crível que a interposta pessoa se configure em um grupo de empresas de cunho familiar, na qual os pais representam os filhos, quando necessário, mas todos obtem ganhos e benefícios. Ademais, todos os atos proferidos pela empresa K.F., ora recorrente, foram realizados visando lucro aos seus sócios efetivos, que segundo demonstra os autos de infração, auferiram lucro e os declararam ao fisco. Neste sentido e apreciando o presente caso, entendo que o fato de serem todas as empresas familiares e estarem imiscuídas no mesmo ramo de atividade, não subsume a hipótese de interposta pessoa. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 333 17 O fato dos sócios terem sido representados pelos pais, por procuração, por si só não revela a intenção dos procuradores de beneficiaremse a si próprios, em detrimentos dos sócios que outorgaram os poderes. É próprio da outorga de poderes, bem como do instituto do mandato procuratório, a representação por terceiros. Entendo que somente caberia a subsunção da hipótese de incidência de interposta pessoa, se restasse claro e evidente que os procuradores auferiram lucro para si, em prejuízo dos sócios. No caso, temse que os lucros auferidos pela empresa recorrente estão declarados e distribuídos aos sócios de fato e de direito e não aos procuradores. Já no tocante às demais alegações do fisco, quais sejam: pagamento cruzado, contabilidade irregular, salário extrafolha, discrepância entre dispêndio e resultado, em nada contribuem para a caracterização da interposta pessoa, antes, por trataremse de parcas irregularidades, angariadas pela fiscalização, em toda a monta da contabilidade da empresa recorrente, em todos os períodos aferidos, não configuram requisito de exclusão do Simples ou mesmo se encontra tipificado como conduta que culmine na exclusão. Na realidade, referidas infrações, sequer podem ser consideradas como prova de simulação que se preste a descaracterizar toda a escrita contábil da empresa. Neste caminho, entendo que se houvesse realmente que ser descaracterizada, a presente empresa recorrente, para qualificála como interposta pessoa, o sujeito passivo teria que ser a empresa IDUGEL, legítimo ente a auferir os lucros. Mas, a fiscalização sequer comprovou que os valores percebidos pela recorrente deixaram de ser escriturados ou se encontram adjudicados na contabilidade da empresa IDUGEL, razão pela qual não merece procedência a exclusão sob o fundamento de interposta pessoa. b) da Cessão de Mão de Obra Outro ponto que fundamento o Ato de Exclusão, ora em apreço, diz respeito ao fato da empresa recorrente praticar a atividade de cessão de mão de obra. Isso porque segundo o entendimento da fiscalização, a recorrente, detentora do maior número de empregados, estaria cedendo apenas mão de obra para a empresa IDUGEL. Ocorre que a fiscalização não consegue comprovar esse fato e confunde o que seja contrato de cessão de mão de obra com o contrato firmado entre a recorrente e a Idugel, posto tratarse de terceirização da linha de produção de uma empresa. Atentese para o fato de que o contrato de cessão de mão de obra se perfaz em ato específico, e nesse sentido o Parecer Cosit nº69/1999, ao analisar a conceituação introduzida pela Lei nº 8.212/1991 e pela Lei nº 9.711/1998, observou a similaridade entre os conceitos de locação de mão de obra e cessão de mão de obra, concluindo que estão impedidas de optar pelo Simples as pessoas jurídicas que: a) tem como atividade a locação de mãodeobra; b) firmam contratos de prestação de serviços relativos à empreitada exclusivamente de mãodeobra; e c) contratam serviços mediante cessão de mãodeobra, estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à Fl. 333DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 334 18 empreitada e subempreitada de mãodeobra, aplicados à construção civil, independentemente do fomecimento de material (Lei n° 9.528/97, art. 4°). No caso em comento, temse que a contratação se dá para a entrega de bem concluído, pronto e acabado, não para o alcance de mão de obra tão somente. As peças produzidas pela recorrente possuem valor econômico isolado, ainda que possam agregar outras peças para formar um todo. Ademais, a fiscalização não está elidida de demonstrar e comprovar que o contrato firmado, entre as empresas de um grupo econômico, é exclusivamente de mão de obra. Resta claro que a recorrente é a responsável pela montagem das máquinas e possui como remuneração o valor decorrente do número de máquinas prontas e montadas entregues à contratante. Não se trata de contratar a mão de obra, até porque o que a fiscalização conseguiu demonstrar é que o contrato firmado entre a recorrente e a IDUGEL tem como objeto uma obrigação de resultado e não de meio, como ocorre na cessão de mão de obra. Atentemos, mais uma vez, para o fato de que a contratação de mão de obra busca um resultado de meio, qual seja, utilizar da mão de obra alheia para a conclusão de um serviço e para tanto a remuneração é fixada sob o montante de mão de obra cedida. No caso em tela, o preço do contrato está fixado pelo número de peças entregues, prontas e acabadas, ainda que para tanto a recorrente disponha de 01, 10 ou 100 empregados. O resultado buscado pela contratação é especificado em bens e não em pessoas para produzir outros bens. Nesse caminho entendo que não restou estabelecida a cessão de mão de obra, razão pela qual a exclusão do sistema simples sob essa fundamentação não possui cabimento. E, tomando em observação que o Ato de Exclusão fundamentouse apenas em dois itens: cessão de mão de obra e interposta pessoa, não restando subsumida a hipótese de incidência de nenhum dos itens estabelecido, a exclusão não merece procedência. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Voto Vencedor Conselheira Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Em que pese os argumentos da Ilustre Relatora, compulsando os presentes autos, adoto entendimentos distintos, pelas razões que passo a expor. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 335 19 Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O ato de exclusão foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o ato de exclusão e a decisão de primeira instância contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 336 20 defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. No presente caso, a Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA/SC nº 22, de 21.10.2008, fl. 136, com efeitos a partir de 01.12.2003, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil em Joaçaba Santa Catarina, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria Ministerial n° 095, de 30 de abril de 2007, declara: 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 337 21 Art. 1°. A pessoa jurídica abaixo identificada fica excluída da sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, denominada Simples, face ao disposto nos artigos 9° ao 16 da supracitada lei, observadas as alterações posteriores, e de acordo com 0 disciplinamento constante da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, em razão de constituição por interpostas pessoas e prática de atividade vedada, conforme fatos apurados no processo administrativo n° 10925.002074/2008 78. Art. 2°. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no artigo 15 e 16 da Lei n° 9.317, de 1996, observadas as alterações posteriores e o disciplinamento constante no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006. Art. 3°. Fica intimada a pessoa jurídica, ainda, de que no prazo de 30 (trinta) dias da ciência deste poderá manifestar, por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, assegurando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Art. 4°. Não havendo manifestação no prazo indicado no artigo anterior a exclusão tomarseá definitiva. Esse procedimento não gera qualquer efeito nos atos constitutivos da Recorrente, tendo alcance tão somente na sistemática de tributação e fundamentase nas justificativas jurídicas constantes no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135: Trata o presente processo administrativo de representação fiscal, de fls. 01 a 06, na qual se informa que a empresa em epígrafe, optante pelo Simples Federal, faz parte de um “grupo” empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal “grupo”, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência naquele regime simplificado de tributação. Segundo a mencionada representação fiscal, o pretenso “grupo” empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Industrial Ltda. ME (cujo nome original era K.F. Montagens Industriais Ltda. ME). Quanto aos sócios destas duas últimas empresas, todos possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, Sra. Elita Schazmann e Sra. Claudia Schazmann Perottoni, respectivamente, tendo a empresa K.F. Industrial Ltda. ME como únicos sócios consignados no contrato social o Sr. Fellipe Marques Schazmann e a Sra. Karinne Marques Schazmann, ambos filhos do Sr. José Schazmann, conforme quadro de fls. 03. Aduzse ainda, na representação fiscal, que as empresas KS Industrial Ltda. ME e J.S. Máquinas Ltda. ME, na prática, são meras fornecedoras de mãodeobra para a empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e os custos em geral (exceto custos com folha de pagamento, incluindo gastos com matériasprimas e outros insumos, como energia, etc.). Fl. 337DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 338 22 A fim de se demonstrar a distribuição do faturamento, custos, folha de pagamento, número de empregados registrados por empresa e as relações custos/receita, folha de pagamento/receita, e receita/empregado, incluiuse na representação fiscal um quadro específico (fls. 05 a 06), com dados anuais, para o período de 2003 a 2007. Em tal demonstrativo informase, por exemplo (fls. 05), que a empresa Idugel registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos (2005 a 2007), e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004. A respeito da contabilidade das empresas envolvidas, relatase, na representação fiscal, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade, ou seja, “quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recursos da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias” (fls. 04). São tecidas ainda outras considerações sobre as práticas contábeis e econômicas das empresas mencionadas, tendo sido anexadas cópias de documentos contábeis para exemplificação de tais práticas. Como fundamentos legais para a exclusão, no caso do Simples Federal, apontamse, na representação fiscal, o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96, dispositivo que trata da constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, e o art. 9°, inciso XIII, da mesma lei, que estabelece vedação à atividade de prestação de determinados serviços profissionais. Concluise, na representação fiscal, que a pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME não poderia ter optado pelo Simples Federal, nem pelo Simples Nacional, representandose, ao final, para a exclusão da empresa de ambos os regimes de tratamento diferenciado. [...] Em consonância com o Parecer SACAT n° 351, de 21 de outubro de 2008, que aprovo, e fazendo uso da competência delegada pelo artigo 238, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 095, de 30 de abril de 2007, com fundamento nos artigos 9°, XII, “f”; 14, IV; e 15, V, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e com observância dos artigos 20, XI, “e”; 22, II, “a”; 23, I e IV; e 24, VII, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, determino a exclusão da pessoa jurídica em epígrafe do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), instituído pela supracitada Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, com efeitos a partir do dia 01/12/2003. No que se refere à interposição de pessoas, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em qualquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; A interposição de pessoas consiste em uma pessoa, que não é a titular dos interesses em causa, praticar um ato jurídico no lugar daquela que é a verdadeiro titular desses Fl. 338DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 339 23 direitos. Esse instrumento pode ser utilizado para criação de pessoas jurídicas com o intuito formação de grupo econômico, mediante procuração com outorga de amplos poderes em que é nomeado como procurador o real titular dos interesses e sócio de uma delas para gerir e administrar todos os negócios concernentes às demais pessoas jurídicas integrantes. Considera se a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais pessoas jurídicas encontram se sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. A constituição de várias pessoas jurídicas, que ocupam um espaço físico contíguo, desenvolvem objeto social similar, utilizam os mesmos colaboradores e maquinários e, cujos sócios possuem grau de parentesco ou afinidade entre si, objetivando reduzir custos, usufruir tributação privilegiada e distribuir receitas, caracteriza constituição de grupo econômico de fato e impede a opção pelo Simples. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: O presente Parecer Sacat tratará somente da exclusão do Simples, regime diferenciado e favorecido instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, atualmente conhecido como Simples Federal. A exclusão do Simples Nacional, regime de que trata a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, será apreciada no processo administrativo n° 10925.002253/200813, originário do presente processo. A trajetória da J.S. Máquinas Ltda. ME e sua exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, foram abordadas, respectivamente, nos processos administrativos n° 10925002073/200823 e 10925.002252/200861. A Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, ao instituir e disciplinar o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, restringiu o universo de empresas aptas a aderir ao mesmo. Tais limitações tiveram como escopo não apenas vedar o acesso de empresas cujas características tomam prescindíveis qualquer tratamento tributário privilegiado, mas também impedir que empresas inicialmente inaptas a aderir ao Simples utilizem meios transversos para adquirir a legitimidade necessária à opção. No caso em tela, constatase com clareza que a criação da pessoa jurídica em epígrafe é o coroamento de uma movimentação orientada a manter sob o total controle do Sr. José Schazmann, e de sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, três pessoas jurídicas, com aparência de empreendimentos econômicos distintos, que formariam um pretenso “grupo” empresarial, o qual, na verdade, consiste em uma única empresa de fato, a Idugel Industrial Ltda., e duas empresas simuladas, sem autonomia econômica ou administrativa, as já citadas K.F. Industrial e J.S. Máquinas, mantidas na forma de pessoas jurídicas individualizadas, fundamentalmente para se proceder à segmentação artificial das atividades, do faturamento, e da contratação da mãodeobra do “grupo”, com o fim de se reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Federal, especialmente as contribuições previdenciárias patronais, manipulandose contabilmente os gastos com mãodeobra, alocados em sua quase totalidade às empresas simuladas, optantes do Simples Federal até 01/07/2007, e mantendoas com faturamento dentro dos limites para opção, uma vez que as receitas auferidas pelo “grupo” , como um todo, ultrapassam sistematicamente os limites para opção e permanência no Simples Federal, o que, em condições normais, impediria o ingresso do empreendimento, como empresa única, no citado regime diferenciado de tributação. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 340 24 Enquanto a J.S. Máquinas teve suas atividades incorporadas, na prática, pela Idugel Industrial Ltda., após ter sido aparentemente fundada como empresa de constituição autônoma, conforme constatado nos processos n° 10925.002073/2008 23 e 10925.002252/200861, a K.F. Industrial já nasceu sob o comando do Sr. e da Sra. Schazmann, quando estes já eram os únicos donos da Idugel e da J.S., sendo que, desta última, como proprietários de fato da pessoa jurídica, constituída, então, por interpostas pessoas, época em que a J.S., enquanto empreendimento econômico autônomo, já não passava de uma ficção. Por economia processual transcrevemos abaixo um trecho do Parecer Sacat n° 341/2008, desta DRF/JOASC, integrante do processo n° 10925.002252/200861, no qual analisamos a evolução societária da empresa Idugel e da pessoa jurídica J.S., bem como a questão de passarem ambas a ter sede no mesmo endereço comercial, assim como a K.F.. Isto propiciará o entendimento sobre a constituição do pretenso “grupo” empresarial. Em seguida, incluiremos considerações adicionais sobre o surgimento da K.F., no mesmo contexto. Assim nos pronunciamos no referido Parecer Sacat n° 341/2008: “..constatase com clareza que, pelo menos a partir de determinado momento, a pessoa jurídica em epígrafe perdeu, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda. A partir de tal momento, a empresa J.S. Máquinas Ltda. ME assumiu existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, da inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda., beneficiandose indevidamente, esta última (Idugel), pelo fato de acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda. ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente as contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo” empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Notase uma incontestável movimentação visando a que se submetesse o controle administrativo da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME ao casal que atualmente domina com exclusividade a composição societária da empresa Idugel Industrial Ltda., o Sr. José Schazmann e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann. Tal controle administrativo, sobre a J.S. Máquinas, vem sendo exercido tanto de fato, segundo constatou a fiscalização da RFB, quanto formalmente, em virtude dos amplos poderes conferidos ao casal para “gerir e administrar" a J.S. Máquinas Ltda. ME, segundo procuração de fls. 07 a 10. Também se cuidou para que o contrato social da J.S. Máquinas Ltda. ME evoluísse de modo a manter como únicos sócios formais parentes de primeiro grau do Sr. José Schazmann, o que reforça a intencionalidade de se atribuir o controle absoluto desta pessoa jurídica à vontade do casal detentor de todos os poderes para administrála. A dinâmica da composição societária da J.S. Máquinas Ltda. ME demonstra que desde sua constituição original, em 15/01/1997, o Sr. José Schazmann já estava em seu comando, como sócio fundador, ao lado de sua mãe, Sra. Elita Schazmann. Observase que o Sr. Schazmann optou por se retirar formalmente do quadro societário da empresa em epígrafe (J.S. Máquinas) para ingressar, juntamente com sua esposa, em 22/09/1997, no quadro societário da Idugel Industrial Ltda., criada em 06/02/1995. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 341 25 Pouco mais de um ano após o ingresso do casal na sociedade empresarial Idugel Industrial Ltda., ou seja, a partir de 20/11/1998, o Sr. e a Sra. Schazmann se tornaram oficialmente proprietários exclusivos das cotas societárias daquela empresa (Idugel), na mesma data em a J.S. Máquinas Ltda. ME passou a ter como sócias formais, exclusivamente, a mãe do Sr. Schazmann, e uma irmã deste, a Sra. Claudia Schazmann. Ao lado desta movimentação societária, verificase que a partir do ingresso do casal Schazmann no quadro societário da Idugel, em 22/09/1997. a J.S. deixou de ter sede própria, alterandose o endereço de sua sede, no contrato social, para o mesmo endereço no qual a Idugel passara a funcionar dois meses antes. na Av. Caetano Natal Branco. 3800. Centro. Joacaba/SC. conforme primeira alteração contratual da J.S., de 22/09/1997 (fls. 15 a 18), e alteração contratual da Idugel, de 31/07/1997 (fls. 28 a 30). Atualmente as duas pessoas jurídicas têm como endereço o imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC. Segundo os respectivos contratos sociais, a Idugel ocuparia o Bloco A, enquanto a J.S. Máquinas estaria instalada no Bloco B deste imóvel. Contudo, segundo constatou a fiscalização da RFB, esta pequena diferença é apenas formal. Para se ter uma ideia mais clara do grau de simulação da existência de um “grupo” formado por três empresas distintas, vale destacar, quanto à localização destas, o seguinte relato da fiscalização da RFB, às fls. 04 da representação de fls. 01 a 06, com alguns grifos nossos: “No mesmo imóvel situado na BR 282, Km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguellí, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. e J.S. MÁQUINAS LTDA. Embora a empresa K.F. MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, tratase na verdade de um endereço residencial, o mesmo das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S." (...) “A cessão de mãodeobra fica claramente caracterizada uma vez que as empresas envolvidas, JS e IDUGEL, ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas." (...) “As empresas IDUGEL, J.S. e K.F., na verdade, funcionam num mesmo estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a elas, com uniforme contendo a descrição 'GRUPO IDUGEL', trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. Portanto, a supremacia dos fatos revela tratarse de uma só empresa." A K.F. Industrial Ltda. ME, conforme elementos a seguir abordados, foi constituída no mesmo contexto e com os mesmos objetivos que orientaram a movimentação societária da J.S. Máquinas Ltda. ME, que culminou na atual constituição desta última. A diferença é que a J.S. passou por um processo de depuração de seus sócios formais, e mudança do endereço de suas instalações, até ser completamente absorvida, de fato, pela Idugel Industrial Ltda., conforme transcrição acima. De outro modo, a K.F. já nasceu, como dissemos, sob completo controle do casal Schazmann, com sede no mesmo endereço das outras duas pessoas jurídicas, em que pese o endereço consignado em seu contrato social ser o endereço Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 342 26 residencial das Senhoras Elita Schimidtz Schazmann e Cláudia Schazmann Perottoni, segundo relata a fiscalização da RFB, na representação fiscal (fls. 04). O controle da K.F. pelo Sr. José Schazmann tomase evidente por todas as circunstâncias verificadas e, especialmente, pelo fato de que seus atuais sócios formais, além de serem seus filhos, ingressaram na sociedade antes de completarem a maioridade civil, representados, nos respectivos atos de subscrição de cotas, pelo próprio Sr. José Schazmann, de modo coerente com a estratégia de nomear somente parentes muito próximos como sócios das pessoas jurídicas do pretenso “grupo” empresarial, mantendo para si e sua esposa, Sra. Silvana Marques Schazmann, amplos poderes para “gerir e administrar”, conferidos por procuração, conforme fls. 14. Até este ponto, analisamos a movimentação societária e a evolução da localização das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME, J.S. Máquinas Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., principalmente a partir de informações extraídas de seus contratos sociais. Abordamos também a questão do controle administrativo daquelas pessoas jurídicas. São elementos que corroboram o entendimento de que a constituição da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME como uma empresa autônoma é simulada, e que esta constituição fictícia conta com a participação de pessoas interpostas pelos proprietários da empresa Idugel. Contudo, tais elementos não devem ser isoladamente considerados, e sim em conjunto com as demais informações trazidas na representação fiscal que inaugurou o presente processo administrativo. A questão central do caso em apreço é a caracterização da simulação, conforme descrito na representação fiscal; se tal simulação é motivo para exclusão do Simples Federal, sob quais fundamentos, e com efeitos a partir de qual momento. Para tanto, tomase importante a análise do quadro demonstrativo incluído na representação fiscal, fls. 05, que relaciona dados contábeis referentes aos exercícios financeiros de 2003 a 2007. Neste demonstrativo foram separados os custos com folha de salários dos demais custos, estes na coluna “Total Custos” que incluem principalmente insumos, inclusive matériasprimas, energia, etc., podendo englobar também outros custos operacionais. Quanto ao objeto social da K.F., vale ressaltar que embora seu nome original fosse K.F. Montagens Industriais Ltda., que sugere serviços de montagem, alterado para o nome atual, K.F. Industrial Ltda. ME (fls. 35), mais identificado com a produção fabril, somente após a segunda alteração contratual, de 03/08/2007 (fls. 42), observase que desde sua constituição original está presente em seu objeto a “fabricação” de máquinas e equipamentos industriais. Apenas no período de 26/04/2007 (primeira alteração contratual, fls. 34) a 03/08/2007 (segunda alteração contratual, fls. 42) foi suprimida do objeto social a referência à atividade fabril, conforme as respectivas cláusulas de fls. 20, 28 e 36. Portanto, somente durante pouco mais de três meses a referência foi suprimida. Este detalhe formal (presença da referência da atividade fabril no objeto social) apenas vem reforçar a análise ora desenvolvida. Por outro lado, a ocorrência de período com supressão da atividade fabril no contrato social não tem o condão de provocar qualquer impacto na presente análise, frente a todos os elementos levantados, que comprovam a simulação de atividade empresarial autônoma para a K.F. Industrial Ltda. ME. Verificase, desse modo, que os objetos sociais das pessoas jurídicas K.F. Industrial Ltda. ME e Idugel Industrial Ltda., registrados em seus respectivos contratos sociais, são muito semelhantes, podendose afirmar que se trata do mesmo ramo de atividades, que envolve, essencialmente, a fabricação, o comércio, a Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 343 27 instalação e a manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócios, nada indica serem verossímeis as discrepâncias detectadas para os percentuais anuais da relação custos/receita das duas empresas. Nos exercícios financeiros de 2004 e 2005, por exemplo, mesmo registrando receitas entre R$123.705,30 e R$266.623,09, a K.F. não registrou sequer um centavo de real a título de custos, evidenciando sua total ausência de autonomia empresarial. Ainda que as receitas referidas hajam tido como contrapartida apenas a prestação de serviços de montagem, que demandariam principalmente custos com mãodeobra, notase a injustificável ausência de custos com aluguel da sede administrativa, energia elétrica, telefone, água, etc. Mesmo em 2003 quando não houve registro de receita, tais custos operacionais deveriam ter sido contabilizados, caso houvesse intenção de se construir uma atividade empresarial de fato. Conclui se que a K.F. não registrou tais custos simplesmente em razão de não haver distinção, na prática, entre sua atividade e a atividade da empresa Idugel, do modo como afirma a fiscalização da RFB. Embora no exercício financeiro de 2006 o percentual custos/receita da K.F. (24%) mostrese compatível com o da Idugel (34%), segundo os registros contábeis compilados no demonstrativo, observase que em para uma receita de apenas R$8.298,04, a K.F. registrou custos não salariais de R$204.689,36, elevando o percentual custos/receita da K.F. para extraordinários 2.467%, contra 16% da Idugel. Mais uma vez, não se encontra substrato para a existência de uma atividade empresarial real da K.F. Já para a relação folha de pagamento/receita, no período 2004 a 2007, comparandose as duas empresas, as discrepâncias alcançam patamares ainda mais absurdos, variando entre 1 e 2%, para a Idugel, e situandose entre 93 e 3.656%, no caso da K.F. São números que causam perplexidade. Importante também ressaltar que no ano de 2003, mesmo sem contabilizar receita, a K.F. manteve, em dois meses de funcionamento, o número médio mensal de 4 empregados contratados, que corresponde ao mesmo número médio de empregados da Idugel, contingente supostamente capaz de propiciar a geração da receita de R$1.164.065,76. O que chama mais à atenção, no referido quadro de fls. 05, efetivamente, são os valores relativos aos números de empregados. A maior prova isolada de que ocorre a simulação da existência de atividades empresariais autônomas, em nosso entendimento, é a informação contábil de que a Idugel, com apenas dois a quatro empregados (médias mensais) nos exercícios financeiros de 2004 a 2007, conseguiu obter um faturamento anual na ordem de aproximadamente R$ 1 a 5 milhões, ao passo que a K.F., no mesmo ramo de atividade, no mesmo local, e sob a mesma administração, precisou de 15 a 25 empregados (médias mensais) para obter um faturamento da ordem de apenas R$8 a 266 mil anuais. Verificase que estas discrepâncias tomaramse progressivamente mais profundas, chegandose a registrar para a K.F., em para uma receita de apenas R$62.482,54, a manutenção de vinte e cinco empregados contratados, em média, e custos salariais anuais de R$268.821,85, equivalentes a 430% da receita. O auge desta progressão ocorre em 2007, com receita de R$8.298,04, custos (exceto salários) de R$204.689,36 (2.467%), salários de R$303.340,20 (3.656%) para um número médio de vinte e quatro empregados. Desse modo, os dados tomam óbvio que a Idugel utiliza para obtenção de sua receita, os empregados contratados pela K.F. Industrial Ltda. ME. Conjugados com Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 344 28 os demais, já mencionados, são extremamente reveladores de que ambas as empresas, de fato, atuam como uma só, juntamente com a J.S. Máquinas Ltda. ME, com faturamento total superior ao permitido para ingresso e permanência no Simples Federal (mesmo que não considerados os faturamentos da K.F. e da J.S.). Estes dados (e outros apresentados no mesmo quadro de fls. 05) comprovam a informação da fiscalização da RFB de que a Idugel concentra o faturamento com vendas, enquanto as outras pessoas jurídicas do “grupo” (inclusive a K.F.) assumem a maior parte dos gastos com mãodeobra, com consideráveis vantagens tributárias, em razão de sua inclusão no Simples. especialmente com relação às contribuições previdenciárias patronais. Ocorre que outras informações trazidas pela fiscalização devem, ainda, ser levadas em conta. É também muito reveladora a informação incluída na representação fiscal, de que as empresas, além de ocuparem o mesmo espaço físico, têm seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas, trabalhando com o mesmo uniforme, com a inscrição “Grupo Idugel”. Além disso, e não menos importante, os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc.) atendem indistintamente às duas empresas. Verificou a fiscalização, também, a ocorrência de diversos pagamentos cruzados por meio da utilização frequente de contas bancárias de uma pessoa jurídica para pagar despesas de outra, ostensivamente, ferindose o princípio contábil da entidade, princípio reconhecido como essencial para caracterizar a autonomia de uma empresa em relação a seus sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou em relação a outras empresas do mesmo grupo empresarial. Foram incluídas no presente processo diversas cópias de documentos que comprovam as práticas contábeis acima descritas, as quais agridem frontalmente o princípio contábil da entidade (fls. 07 a 13 e 82 a 115). Em virtude dos argumentos e documentos trazidos aos autos pela fiscalização da RFB, consideramos fartamente provada a simulação da existência de empresas distintas e autônomas. Na representação fiscal, de fls. 01 a 06, como fundamento para a exclusão do Simples Federal, apontase o art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. [...] No caso em tela, encontrandose o patrimônio da empresa K.F. Industrial Ltda. ME, bem como os empregados contratados em seu nome, flagrantemente subordinados à direção e aos interesses econômicos dos sócios e administradores da empresa Idugel Industrial Ltda., concluise que a empresa K.F. Industrial Ltda. ME, não se constituindo como entidade empresarial autônoma, no mundo real, pertence, de fato, aos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., ou à própria Idugel, como sócia pessoa jurídica. As evidências comprovam amplamente, em nosso entendimento, que a K.F. Industrial Ltda. ME destinase apenas, como pessoa jurídica formalmente constituída, a que a Idugel Industrial Ltda., através dela, possa beneficiarse do Simples, não se constituindo de fato a J.S. como empresa, o que exigiria um propósito econômico próprio, hipótese incompatível com todos os dados já discutidos. Logo, segundo apontam as evidências, as pessoas que figuram formalmente como sócias da K.F. Industrial Ltda. ME, em seu contrato social, não são, na realidade, sócios verdadeiros desta pessoa jurídica, não a dirigem por meio de sua própria iniciativa, nem exercem atividade empresarial de fato. Pelo exposto, concluímos que se enquadra perfeitamente, a situação em apreço, no art. 14, inciso IV, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 345 29 Restou evidenciado que a Idugel Industrial Ltda tem com sócios Silvana Marques Schazmann e José Schazmann, que foram nomeados os bastantes procuradores com poderes amplos para gerir e administrar todos os negócios concernentes a Recorrente. Por seu turno, a Recorrente tem como sócios Fellipe Marques Schazmann e Karine Marques Schazmann, ambos filhos de José Schazmann, conforme consta expressamente no Contrato Social e alterações e no Instrumento Público de Procuração. Temse que a Idugel Industrial Ltda e a Recorrente têm objetos sociais similares, são domiciliadas em espaços físicos contíguos e ainda utilizam empregados, em cujos uniformes está estampado o logotipo do “Grupo Idugel”. As despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico de fato por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Atinente à locação de mão de obra, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XII que realize operações relativas a: [...] f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Para elucidar, cabe mencionar excertos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. [...] § 3ª Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4º Enquadramse, na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 346 30 II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Atinente à realização de operações relativas à locação de mãodeobra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas, fornece os equipamentos, bem como fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. Há ainda as operações nas quais o objeto contratado identificase com a apresentação de um resultado. A empresa contratada associase com a finalidade de apresentar um resultado específico, obra ou serviço. Ela obrigase a fazer alguma coisa para uso ou proveito da contratante, fica responsável pelo fornecimento da mão de obra necessária à produção desta coisa, objeto da contratação, assume o ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento dos trabalhos, e também a gestão do risco de apresentação do resultado, que pode ser uma obra completa ou a prestação de um serviço, ambos perfeitamente identificados como produto final. Se o recurso fornecido pela contratada é exclusivamente a mãodeobra, esta modalidade de contratação também é impeditiva da inscrição nos sistemáticas. Outra possibilidade reúne a colocação da mão de obra à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. Tem cabimento a aplicação subsidiaria da Consolidação das Leis do Trabalho que determina: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Neste sentido, os sujeitos do contrato de trabalho são: o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados; o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 347 31 Assim, podese inferir que a pessoa jurídica que não assume o risco da atividade econômica, ou seja, transfere os custos decorrentes do empreendimento realiza operação relativa à locação de mão de obra. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Por outro lado, em razão de tudo o que foi apurado, chegase à conclusão de que estas duas pessoas jurídicas são mantidas nesta condição, pelos seus verdadeiros controladores, primordialmente para a contratação de empregados em nome destas entidades jurídicas, K.F. e J.S., a fim de que esta força de trabalho seja cedida e se mantenha à disposição da única empresa de fato do pretenso “grupo” empresarial, a Idugel Industrial Ltda.. A atividade de cessão ou locação de mãodeobra realizada por uma empresa também constitui motivo impeditivo à opção ou permanência no Simples Federal, conforme dispõe o art. 9°, inciso XII, alínea “f”, da Lei n° 9.317, de 1996. Ainda que a K.F. Industrial Ltda. ME exercesse atividade econômica autônoma, esta seria, em grande medida, a de fornecer mãodeobra para a empresa Idugel Industrial Ltda., visto que, segundo seus próprios registros, os gastos da K.F. com mãodeobra mostramse extremamente exagerados e incompatíveis com seu faturamento, ainda mais quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. (fls. O5), conforme já abordado. Desse modo, mesmo se considerarmos apenas os registros contábeis da K.F. Industrial Ltda. ME, abstraindonos da questão da simulação da existência de atividades empresariais distintas, entre esta empresa e a Idugel Industrial, ainda assim, entendemos que fica caracterizada a incidência em vedação ao Simples Federal, também com fundamento no art. 9°. inciso XII. alínea “f". da Lei n° 9.317. de 05 de dezembro de 1996 (cessão de mãodeobra. Portanto, o exame conjunto dos dispositivos legais supracitados e dos documentos mencionados leva à conclusão da impossibilidade da permanência da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME no Simples Federal. Os documentos constantes nos autos evidenciam que a Recorrente realiza operação relativa à locação de mão de obra, uma vez que não assume o risco e não se responsabiliza pela atividade econômica, ou seja, as despesas incorridas e as receitas auferidas se confundem com aquelas da Idugel Industrial Ltda de modo a afastar a entidade e a autonomia patrimonial, bem como seus empregados usam uniformes com o logotipo do “Grupo Idugel”. Todos esses elementos estão efetivamente comprovados nos autos e explicitados minuciosamente de maneira clara, explícita e congruente no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC e no Ato Declaratório de Exclusão formando um conjunto probatório robusto da constituição de um grupo econômico por intermédio do instrumento de interposição de pessoas, o que impede a opção pelo Simples. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Relativamente aos efeitos da exclusão, a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prevê: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 348 32 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei. [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No presente caso o ato de exclusão surte efeito a partir da ocorrência das situações excludentes ainda que coincida com a data do início das atividades, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. Esclareçase que o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagem à data da efetiva ocorrência da situação excludente. Consta no Parecer SACAT/DRF/Joaçaba/SC nº 351, de 21 de outubro de 2008, fls. 121135, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Superada a questão do cabimento da exclusão, parecenos que o próximo ponto a ser enfrentado reside na data de início dos efeitos desta exclusão. Considerando que as informações analisadas, entendemos que os elementos que constam do presente processo permitem caracterizar de forma plena a ocorrência 7 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2014. 8 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 349 33 das referidas situações de exclusão a partir da abertura da pessoa jurídica K.F. Industrial Ltda. ME, tendo sido iniciados os efeitos da opção pelo Simples Federal em 01/12/2003. Definido que desde a sua constituição inicial é possível caracterizar plenamente a ocorrência de situações de exclusão do Simples Federal, com base nos documentos incluídos no processo, importante trazer à baila o disposto nos artigos 20, 22, 23 e 24 da Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, que ora transcrevemos [...] Uma vez que restou plenamente comprovada no presente processo, a nosso juízo, a ocorrência do fato mencionado no inciso IV, do art. 23, acima transcrito, desde o ingresso da pessoa jurídica no Simples Federal, e sendo este fato 0 principal e mais grave motivo para a exclusão, entendemos que prevalece a regra do inciso VII. do art. 24, da IN SRF n° 608/2006, acima reproduzido, incluindose, quanto aos efeitos da exclusão do Simples Federal. o mês de dezembro de 2003. As situações impeditivas de opção pelo Simples de interposição de pessoas para formação de grupo econômico e de locação de mão de obra estão efetivamente evidenciadas nos autos desde o início das atividade da Recorrente. Por essa razão os efeitos da exclusão do Simples desde 01.12.2003 está correta. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 9 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.002074/200878 Acórdão n.º 1803002.558 S1TE03 Fl. 350 34 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10983.720705/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTAS BANCÁRIAS NÃO CONTABILIZADAS. RECEITA CONHECIDA. LUCRO PRESUMIDO. DESCABE O ARBITRAMENTO DE LUCRO.
A falta de escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação, no entanto, descabe o arbitramento do lucro quando conhecida a receita através dos extratos bancários e o contribuinte opta pelo lucro presumido.
O arbitramento, conforme jurisprudência de longa data já consolidada neste Colegiado, é medida de exceção e, como tal, só deve ser promovida no caso de não haver segurança na apuração das bases segundo o regime ordinário de tributação do sujeito passivo, o que não se caracterizou no presente caso, uma vez que a autoridade teve conhecimento da movimentação financeira do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. CONTAS BANCÁRIAS NÃO CONTABILIZADAS. RECEITA CONHECIDA. LUCRO PRESUMIDO. DESCABE O ARBITRAMENTO DE LUCRO. A falta de escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação, no entanto, descabe o arbitramento do lucro quando conhecida a receita através dos extratos bancários e o contribuinte opta pelo lucro presumido. O arbitramento, conforme jurisprudência de longa data já consolidada neste Colegiado, é medida de exceção e, como tal, só deve ser promovida no caso de não haver segurança na apuração das bases segundo o regime ordinário de tributação do sujeito passivo, o que não se caracterizou no presente caso, uma vez que a autoridade teve conhecimento da movimentação financeira do contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.720705/201064 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.805 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS/ARBITRAMENTO DE LUCRO Recorrente CLC DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. CONTAS BANCÁRIAS NÃO CONTABILIZADAS. RECEITA CONHECIDA. LUCRO PRESUMIDO. DESCABE O ARBITRAMENTO DE LUCRO. A falta de escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação, no entanto, descabe o arbitramento do lucro quando conhecida a receita através dos extratos bancários e o contribuinte opta pelo lucro presumido. O arbitramento, conforme jurisprudência de longa data já consolidada neste Colegiado, é medida de exceção e, como tal, só deve ser promovida no caso de não haver segurança na apuração das bases segundo o regime ordinário de tributação do sujeito passivo, o que não se caracterizou no presente caso, uma vez que a autoridade teve conhecimento da movimentação financeira do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 07 05 /2 01 0- 64 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10983.720705/201064 Acórdão n.º 1301001.805 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração o qual lhe exige a importância de R$ 68.494,09, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, ano calendário de 2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora à época do pagamento. A empresa fiscalizada, então optante pelo Lucro Presumido, teve seu lucro arbitrado correspondente ao ano calendário de 2007, “[...] tendo em vista que o sujeito passivo descumpriu normas ao regime de tributação a que se submeteu (art.530, inciso II, alínea “a”, do RIR/99; não contabilizou movimentação financeira).” Na composição da base de cálculo do lucro arbitrado foi considerado (i) a receita omitida por conta de depósito bancário de origem não comprovada, com base no art.42 da Lei nº 9.430/96 (enquadramento indicado no Auto) e (ii) a receita declarada conhecida (art. 532 e 537 do RIR/1999). Em decorrência deste lançamento, foi ainda lavrado o Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, na importância de R$ 26.427,58, acrescida da multa de ofício de 75% e de juros de mora à época do pagamento. No Termo de Verificação Fiscal e Encerramento de Fiscalização (fls.223 a 228), temse, resumidamente: 2 – INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Na esteira das verificações empreendidas, abrangendo o ano calendário de 2007, restaram configuradas as infrações a seguir explicitadas. 2.1 Omissão de Receita: Depósitos/créditos bancários não escriturados Compulsando dados econômicos e financeiros, notadamente a movimentação de ativos financeiros com a receita da atividade escriturada, verificouse flagrante descompasso, não elucidado a partir dos assentos exibidos. A escrita apresentada em atendimento ao subitem 1.3.6 do ato inaugural (contábil), nem sequer consigna rubricas correspondentes às contas correntes mantidas em instituições bancárias, encontrandose os fatos atinentes às movimentações financeiras efetivamente realizadas totalmente obscuros da escrita que mantém. Neste cenário, as transações registradas nas contas correntes mantidas junto aos bancos: BRADESCO – Agência 3308 C/C nº 29009, ITAU – Agência 0289 C/C nº 618704, BESC – Agência 214 C/C nº 005.1003, BESC – Agência 055 C/C nº 088.9361, SUDAMERIS/REAL – Agência 1656 C/C nº 4.0010155, não foram devidamente escrituradas nos seus assentos, a crédito e a débito, via de regra, restam não elucidadas. Diante desse fato, através do “Termo de Intimação Fiscal” (fls. 10 a 30), o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados nas aludidas contas correntes bancárias, especificadamente dos créditos/depósitos relacionados nos Fl. 400DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 demonstrativos anexados à intimação sob os títulos: ANEXO – 1 (BRADESCO), ANEXO – 2 (ITAU), ANEXO – 3 (BESC) e ANEXO – 4 (SUDAMERIS/REAL), cujas operações representam, em tese, aportes de recursos financeiros decorrentes dos seus atos de negócios ao longo do ano calendário de 2007. Nos esclarecimentos apresentados em resposta à Intimação, consoante documento juntado às fls. 28 a 30, o contribuinte comprova a origem de parte dos créditos/depósitos listados e afirma que os demais foram, também, originados das receitas da atividade operacional. Assim, confrontandose os créditos/depósitos bancários (fls. 12 a 27), consolidados mensalmente, com as receitas brutas das vendas declaradas, DIPJ 2008 (fls. 185 a 199) e relatório de faturamento às fls. 181 a 182, resulta apurado valores, caracterizados como omissão de receitas da atividade, que não foram submetidos à tributação do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro, conforme o quadro abaixo. [...] Assim, pela falta de registro das contas bancárias supracitadas, conforme indica o livro Diário nas contas de ativo, balancete às fls. 166 a 169, a escrituração revela deficiências que a torna imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Portanto, Infringiu ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.981/95 pelo descumprimento de obrigações que se impõem às pessoas jurídicas habilitada ao regime de tributação pelo lucro presumido. Nesse contexto, com base no art. 47, inciso II, alínea “a” da Lei nº 8.981/95 e art. 42 da Lei nº 9.430/96, impõese aplicação do regime de tributação com base no lucro arbitrado, mas para tal se fez necessário determinar os critérios de arbitramento a partir de informações prestadas pelo próprio contribuinte ao fisco. [...] 2.2 – Arbitramento: Receita Bruta Conhecida Observada a legislação de regência e as circunstâncias evidenciadas no contribuinte ora fiscalizado, conforme explicitado no subitem “2.1”, o lucro bruto foi fixado em percentagem da receita bruta conhecida, assim considerada a totalidade das receitas que se encontram consignadas na DIPJ (fls. 185 a 199) e no relatório de faturamento às fls. 181 a 182. Na forma desses registros restou caracterizado que o contribuinte auferiu receitas suscetíveis no arbitramento ao percentual de 9,6% (artigo 16 c/c o artigo 15, caput, da Lei nº 9.249/95 e art. 27, inciso I da Lei nº 9.430/96). Assim, os valores constantes no quadro a seguir, apurados com base nas receitas declaradas ao fisco federal no ano calendário de 2007, que retratam as receitas de revenda de mercadorias, constituem base imputável na determinação do Lucro Arbitrado no percentual acima descrito. [...] 3 – IMPLICAÇÕES PECUNIÁRIAS DECORRENTES Devidamente caracterizadas as infrações à legislação tributária, na forma das circunstâncias expendidas nos subitens 2.1 e 2.2 supra, restou determinar as implicações pecuniárias decorrentes. Nesta seara, e observando o regime de tributação imposto ao sujeito passivo (Lucro Arbitrado), providenciamos a alimentação do sistema eletrônico de emissão Fl. 401DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10983.720705/201064 Acórdão n.º 1301001.805 S1C3T1 Fl. 13 5 dos Autos de Infração, aplicativo a partir do qual foi produzido o “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Lucro Arbitrado” (fls. 204 a 206), peça que detalha a apuração da exação decorrente das infrações ora imputadas ao sujeito passivo. Na forma do aludido demonstrativo, os valores delineados na forma dos subitens 2.1 e 2.2, por configurarem receitas da atividade operacional da empresa, subsumemse ao percentual de 9,6% na determinação da base imputável do imposto de renda, em conformidade com o disposto no artigo 537, do RIR/99. Ainda conforme evidencia o aludido demonstrativo de apuração, do montante do imposto determinado foi deduzido o declarado/pago constante em DCTF (fls. 201 a 202) e o retido pelas fontes pagadoras dos rendimentos, consoante os valores descritos no Demonstrativo de Retenção na Fonte às fls. 183 a 184. Esses valores compensados estão destacados no quadro abaixo. Os acréscimos legais incidentes sobre o imposto de renda não adimplido encontramse capitulados e determinados no “DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA – Imposto de Renda Pessoa Jurídica”, juntado às fls. 207. A autuada apresentou sua impugnação, onde insurgese contra a (i) tributação a título de omissão de receitas por ser juridicamente insustentável, pois depósito bancário não é fato gerador de imposto; que nem toda entrada na banco pode ser considerada como receita; menciona e transcreve jurisprudência que afirma dominante (súmula 182 – TFR); que mesmo com a Lei nº 9.430/96 o Fisco deve provar o nexo causal entre depósito e renda; e quanto (ii) ao arbitramento de lucro, a existência de receita bruta conhecida não justifica o arbitramento , muito menos o acréscimo de 20% sobre a base de cálculo. Ainda sobre a impugnação, alegou que trabalhava com várias formas de pagamento, tais como cartões, dinheiro e cheques, não possuindo controle dos depósitos lançados em sua conta e “Portanto, é impossível conseguir identificar como venda cada depósito, e sim, o montante correspondente a algumas vendas em períodos anteriores.” Assim, entende que deve ser excluído o faturamento que declarou em sua DIPJ, no montante de R$ 2.775.907,46, “[...] ainda que o fiscal tenha feito a dedução dos valores já pagos e os retidos na fonte, o montante que deve ser deduzido é o faturamento já declarado e tributado pela impugnante do montante levantado pelo fisco como suposta omissão de receitas.” A forma de apuração do Fisco estaria errada, por vício formal, consistente em equívoco na base de cálculo apresentada. Por fim, reclama do caráter confiscatório da multa de ofício lançada (75%) e da ilegalidade da aplicação da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. A DRJ/FLORIANÓPOLIS (SC) decidiu a matéria sintetizada pelo Acórdão 0729.150, Sessão de 31 de maio de 2012 (fls. 297), julgando improcedente sua impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPJ. Arbitramento de Lucro. Contas Bancárias Não Contabilizadas. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 Acertado o arbitramento quando a escrituração da empresa se revela imprestável para determinar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária (art. 47, inciso II, a, da Lei nº 8.981/1995, consolidado no RIR/99, art.530, inciso II). Receita Bruta Conhecida. Base de Cálculo. Lucro Arbitrado. Quando a receita bruta conhecida for utilizada como base de cálculo do Lucro Arbitrado, ao coeficiente de presunção aplicável deve ser acrescido o percentual de vinte por cento (20%). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Lançamento de Ofício. Multa Aplicável. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10983.720705/201064 Acórdão n.º 1301001.805 S1C3T1 Fl. 14 7 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. No recurso voluntário a interessada repete as argumentações iniciais (impugnação) aduzindo considerações com relação ao quanto decidido em primeira instância. Vejamos, em breve síntese, a questão central a ser examinada. Compulsando os autos constatase que a autoridade fiscal arbitrou o lucro da empresa fiscalizada por descumprimento às normas do regime de tributação a que se submeteu (Lucro Presumido), com base no art. 530, II, do RIR/1999, a saber: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n 8.981, de 1995, art.47 e Lei n 9.430, de 1996, art.1º): [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] A recorrente discute, entre outras matérias, o fato do fisco proceder ao arbitramento do lucro para efeitos de apuração dos tributos com argumento de falta de escrituração regular da totalidade dos depósitos bancários, muito embora, seja do seu conhecimento a totalidade da receita tributável. Portanto, possuindo o fisco a receita bruta da impugnante, nada justificaria o lançamento tendo por base o arbitramento, acrescendo o imposto de renda em 20% sobre a base de cálculo, pois o seu regime regular de tributação é pelo lucro presumido. De fato, constatase dois tipos de infração descritos nos autos: 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (base: depósitos bancários não escriturados e nem comprovados, enquadramento legal: art. 27, I e 42 da Lei 9.430/96; arts. 532 e 537 do RIR/99) e, Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 002 RECEITAS OPERACIONAIS/Revenda de Mercadorias (base: receitas declaradas em DIPJ. (Enquadramento Legal: art. 532 do RIR/1999). Numa primeira leitura do dispositivo acima transcrito (art. 530, II, do RIR/1999), poderíamos supor que a autoridade estaria obrigada a efetuar o lançamento com base no lucro arbitrado sempre que a escrituração da fiscalizada contivesse vícios tais que impedissem a identificação da efetiva movimentação financeira. Todavia, essa não deve ser a interpretação correta ao caso concreto. O arbitramento, conforme jurisprudência de longa data já consolidada neste Colegiado, é medida de exceção e, como tal, só deve ser promovida no caso de não haver segurança na apuração das bases segundo o regime ordinário de tributação do sujeito passivo (Lucro Presumido), o que não se caracterizou no presente caso, uma vez que a autoridade teve conhecimento da movimentação financeira do contribuinte. A Fiscalização procedeu o arbitramento do lucro da contribuinte com base na falta de elementos para apuração do lucro real (depósitos bancários não contabilizados), mas, no caso, conhecida a receita bruta (receita operacional declarada e obtida pela análise dos extratos bancários), poderia, de fato, apurar com base no regime ordinário da contribuinte (Lucro Presumido), nos termos do art. 24 da Lei 9.249/1995. Mesmo porque, após a Lei Complementar 105/01 e a Lei Ordinária n° 10.174/01, os vícios cometidos no registro contábil da movimentação bancária aptos a ensejar o arbitramento devem ser analisados com mais parcimônia. É o caso dos contribuintes submetidos ao regime do lucro real ou presumido. Se a receita considerada omitida em decorrência da presunção por não comprovação da origem de depósitos bancários representar parte significativa da receita total, seguramente a adoção do arbitramento do lucro (com coeficiente agravado em 20%), podese afirmar que penaliza o contribuinte. Ou seja, quanto ao arbitramento do lucro, cumpre observar que no ano calendário de 2007 o contribuinte, repito, optou pela forma de tributação pelo lucro presumido. O lucro presumido é uma forma de tributação simplificada para determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no ano calendário, à apuração do lucro real. Da mesma forma, a legislação simplificou o cumprimento das obrigações acessórias (artigo 527 do RIR/99). Como visto, no caso concreto a fiscalização considerou imprestável a escrituração do contribuinte, pois este não teria escriturado a totalidade de sua movimentação bancária. Daí a autoridade fiscal arbitrou o lucro da empresa fiscalizada com base no art. 530, II, do RIR/1999. Ocorre que, ao meu ver, as faltas apontadas acima não impõem o arbitramento do lucro, já que é medida extrema. Ora, o contribuinte é optante pelo lucro presumido, o que exige para cálculo do tributo o conhecimento da receita tributável, para então aplicar as alíquotas devidas. O presente auto tem por base a presunção de omissão de receitas, o que leva necessariamente a uma receita conhecida, porém, não declarada em sua totalidade, assim, para conhecermos o lucro basta aplicar a alíquota devida a essa receita conhecida; as faltas citadas pela fiscalização não impedem tal tarefa. Nesse contexto, verificandose que a receita conhecida no ano de 2007, após a soma do valor declarado e do valor omitido (R$ 2.775.907,46 + R$ 2.727.548,25), não ultrapassa o limite para opção pela tributação pelo lucro presumido, qual seja R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões), não se justifica o arbitramento nos termos realizado pela autoridade fiscal. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10983.720705/201064 Acórdão n.º 1301001.805 S1C3T1 Fl. 15 9 Considerando prejudicada a análise das demais matérias contidas na peça recursal, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 11080.732418/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 15/08/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 162 1 161 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.732418/201114 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.180 – 2ª Turma Especial Data 15 de agosto de 2013 Assunto IRPF Recorrente JOSE JAEGER BOCHEHIN Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 15/08/2013. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Tratase de Notificação de Lançamento, de fls. 07/11, na qual exigese o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de mora e juros de mora no valor total de R$ 14.527,03, decorrente as glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 10.606,78. Apreciada a impugnação de fls. 02/03, o lançamento foi mantido em parte reduzindo o imposto suplementar a pagar para R$ 2.159,35, sob fundamento de que: A fiscalização informa às fls. 09 que procedeu a glosa do imposto de renda retido na fonte informado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual pelo fato do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 32 41 8/ 20 11 -1 4 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Resolução nº 2802000.180 S2TE02 Fl. 163 2 mesmo não ter apresentado cópia do processo judicial com valores individualizados percebidos e da retenção do imposto de renda. Na Declaração de Ajuste Anual (cópia às fls. 65/82) o contribuinte informou rendimento recebido do Hospital Nossa Senhora da Conceição, por decorrência de ação judicial – processo 00515.2001.026.04.00, no valor de R$ 68.369,87, com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 20.962,10. O Hospital N. S. Conceição informou através da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF retificadora entregue em 22/04/2010 rendimento no valor de R$ 37.651,93 com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.355,32. Em razão da diferença constatada, no valor de R$ 10.606,78, agiu corretamente a fiscalização ao glosar o imposto retido na fonte declarado a maior. Em vista disso, a glosa deve ser mantida. Nas razões recursais (fl. 94/95), apresentou a juntada da cópia do processo judicial com a individualização dos valores recebidos em decorrência de ação trabalhista e a retenção do imposto de renda. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Ainda que o cerne do litígio não verse exatamente sobre a incidência do IRPF sobre rendimentos acumulados recebidos em virtude de ação judicial, a solução da presente lide fiscal e a exatidão do crédito tributário a ser exigido, depende da decisão ainda pendente no STF, sobre o Tema 368. Isso porque, ainda que a pretensão resistida do Recorrente se restrinja aos valores recebidos da fonte pagadora e do valor da retenção realizada, no entendimento da fiscalização, respectivamente recebidos e retidos em valores menores do que aqueles declarados, a melhor solução do litígio se encontra submetida a decisão a ser proferida pelo STF, na qual restará decidido, em definitivo, qual a metodologia a ser utilizada no cálculo de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. Logo, por também versar a presente ação fiscal sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física por ocasião do recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 9, e por se tratar de matéria sob Repercussão Geral no STF (Tema 368 leading case RE 614466), submetida ao rito a que se refere o artigo 543B do CPC, proponho o sobrestamento do feito, com fulcro no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF, c/c.o artigo 1 da Portaria CARF n. 1/2012. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003338/2008-59
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração a legislação previdenciária.
COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 22, INCISO IV DA LEI 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal - STF declarou a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/199, com a redação dada pela Lei 9.876/1999, que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decisão ocorreu no julgamento do Recurso Extraordinário - RE 595838/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração a legislação previdenciária. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 22, INCISO IV DA LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal - STF declarou a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/199, com a redação dada pela Lei 9.876/1999, que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decisão ocorreu no julgamento do Recurso Extraordinário - RE 595838/SP. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
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FATOS GERADORES Recorrente INST. BAHIANO DE ORTOP. E TRAUMATOLOGIA LTDA INSBOT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração a legislação previdenciária. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 22, INCISO IV DA LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal STF declarou a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/199, com a redação dada pela Lei 9.876/1999, que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decisão ocorreu no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595838/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 33 38 /2 00 8- 59 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003338/200859 Acórdão n.º 2803004.131 S2TE03 Fl. 102 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração n°37.059.6897/2008 lavrado contra o contribuinte acima mencionado, período 01/2004 a 12/2004, código de fundamentação legal 68, por entregar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com informações incompleta. Não informou os valores pagos as cooperativas de trabalho que lhe prestaram serviços, conforme planilha anexa aos autos. Em razão da infração cometida foi aplicada uma multa, nos termos do art. 32, inciso IV, §5° da Lei 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528/1997, c/c art. 284, II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, na redação do Decreto 4.729/2003, atualizada pela Portaria MPS nº 77/2008. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a multa é abusiva e cumula períodos sucessivos; a Constituição Federal veda utilização de tributo com efeito de confisco; o fisco pode apreciar matéria manifestamente inconstitucional; por fim, requer o cancelamento da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003338/200859 Acórdão n.º 2803004.131 S2TE03 Fl. 103 3 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal, fls. 9/24 dos autos digitalizados, que foi lavrado Auto de Infração n°37.059.6897/2008, período 01/2004 a 12/2004, por ter o contribuinte declarado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com informações incompleta. Não informou os valores pagos as cooperativas de trabalho que lhe prestaram serviços, conforme planilha anexa aos autos. Em razão da infração cometida foi aplicada multa nos termos do art. 32, inciso IV, §5° da Lei 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528/1997, c/c art. 284, II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, na redação do Decreto 4.729/2003, atualizada pela Portaria MPS nº 77/2008. COOPERATIVA DE TRABALHO O Supremo Tribunal Federal STF, em 23/04/2014, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/199, com a redação dada pela Lei 9.876/1999, que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595838/SP. Os embargos de declaração com objetivo de modulação dos efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade foram rejeitados, nos termos do voto do relator Ministro Dias Toffoli, data de publicação DJE 25/02/2015 Ata nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015, mantendo o entendimento da inconstitucionalidade da contribuição social a cargo de empresa prevista no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91. Destarte, em razão da inconstitucionalidade decretada pelo STF do dispositivo legal que embasou o lançamento fiscal, o mesmo deve ser anulado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003338/200859 Acórdão n.º 2803004.131 S2TE03 Fl. 104 4 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906516/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Periodo de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), 6 condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular débito e crédito liquido e certo, recíprocos e de valores equivalentes.
No procedimento compensatório, o ônus de provar a existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, mediante a apresentação do comprovante de pagamento do tributo indevido (Dart) e dos demais documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário.
Sem tais elementos comprobatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, resultando na não-homologação do procedimento compensatório declarado, por inexistência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Periodo de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), 6 condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular débito e crédito liquido e certo, recíprocos e de valores equivalentes. No procedimento compensatório, o ônus de provar a existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, mediante a apresentação do comprovante de pagamento do tributo indevido (Dart) e dos demais documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário. Sem tais elementos comprobatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, resultando na não-homologação do procedimento compensatório declarado, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), 6 condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular débito e crédito liquido e certo, recíprocos e de valores equivalentes. No procedimento compensatório, o thus de provar a existência do crédito restitufvel, passível de compensação, é do sujeito passivo, mediante a apresentação do comprovante de pagamento do tributo indevido (Dart) e dos demais documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário. Sem tais elementos comprobatórios não é possível a Administração tributdria verificar a existência da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação, resultando na não-homologação do procedimento compensatório declarado, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, (assinado digitalmente) Ar:sinado digi'almente em 1611012010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02112/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Autent:caclo thgaliflwIe em 16/1012010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emiutio em 36/12/2010 pelo 1v1inisii..lio do raZencia DP CA RP 17 1 70 Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 16/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, riz Verissimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes e Helder Massaalci Kanamaru. Re atório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão n° 10-18.487, de 27 de fevereiro de 2009 (fls. 35/36), proferido pelos membros da 2 ° Turma da Delegacia da Receita Pederal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/P0A), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Period° de apuraveio 01/04/2001 a : 30/0412001 • Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSA0 710 Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas Compensação não Homologada. Por meio da Declaração de Compensação (DComp) de 31250.79374.170904..1.3.04-0607 (fls. 02/06), a Interessada informou a compensação do crédito da Cofins do mês de abril de 2001 (fl. 04); originário de pagamento indevido, com parciela do débito da mesma Contribuição do Ines de agosto de 2004 (fl. 05). Segundo o Despacho Decisório de fl. 01, o pagamento declarado pela Interessada (IL 04) não foi localizado nas bases dados da RFB. Em decorrência da inexistência de crédito, a compensação não foi homologada. Inconformada, em 01/09/2008, a Interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 07/25, aduzindo as razões de defesa que foram resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, com os seguintes termos: A interessada pot sua vez contesta o Parecer alegando que ao laser levantamento de importáncias pagas a titulo de Pis e Cofins, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o Assinaclo ente em 16/10/S4101SAI4ORNIngq)03 r5U,0,40,0C4 V.frEz.41(9fAiidgcteMkgca o G1.1 ERRA DE CAStO Autenticado digit.,Imenle ern 16110/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 Emitido em 30/1k010 pelo tv1Inist6tio d Fazellcia Be DF CARE ME H 71 Processo n° 11080 90651612008-07 53-C112 Acnrdao n ° 3102-00.733 Fl 63 receitas, instituido pela lei acima referida Afirma que houve tributaolo indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido exchildos da base tributável com base no disposto no art 31 §2, inciso III, da Lei 9 718/1998, o que feria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla a lei pela falia de regulamentaçdo do dispositivo retrocitado, o que geraria ma joravilo indevida do tributo, Sobreveio o citado Acórdão, em que os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, não reconheceram o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologaram a compensação declarada, com base nos seguintes argumentos: a) não caberia àquele Colegiado se manifestar acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de normas que têm presunção de validade e devem ser observadas pela Administração; b) o preceito da Lei n° 9.718, de 1998 (o inciso III do § 2° do art. 3°), que previa a exclusão dos valores transferidos para outras pessoas jurídicas da base de cálculo da Cofins, como não tinha o atributo da autoexecutoriedade, não produziu efeitos no curso de sua vigência, pois não foi regulamentado pelo Poder Executivo até a sua revogação pela Medida Provisória n° 1.991-18, de 2000; e c) ademais, não havia nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido, por viola* do artigo 170 do CTN. Em 25/03/2009, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 39), do referido Acórdão. Inconformada, em 17/04/2009 (fl. 40), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 40/60, reafirmando as razes de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo o integral provimento do presente Recurso, para que fosse determinada a homologação das compensaçiies apresentadas. Em cumprimento ao despacho de fl. 61, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Em cumprimento ao disposto no art, 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do corrente ano, mediante sorteio, os presente autos foram distribuídos para este Conselheiro. o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator 0 presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. 0 presente processo trata de litígio referente ao direito da Recorrente de compensar crédito proveniente do pagamento indevido ou maior que o devido da Cofins, Atinado digitalmente ern 113/10 12010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 0211212010 por LUIS MARCELO OU ERRA DE CASTRO AurentIcadO ligitalmente ern 16/ '012010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 3 Errutido em 3011212010 pelo minislerio cIo Fozencla DE CAM' MF FL 72 referente ao mês de abril de 2001 (fl. 04), com parcela do débito da mesma Contribuição do mê de agosto de 2004 (fl. 05). De acordo com o Despacho de Decisório de fl. 01, os dados do pagamento ind vido, informados peta Recorrente na citada DComp (fl. 04), não foram localizados nos sist mas de dados da RFB, o que motivou a não homologação da compensação em apreço, por inexistência de crédito. Assim, fica evidente que a causa da não-homologação do procedimento compensatório em apreço foi a ausência da comprovação do valor do credito informado, o que derbandaria, para fins de reversão da decisão prolatada, a apresentação das provas eon irmatórias da existência do suposto indébito tributário. Entretanto, ao invés de apresentar os elementos probatórios do direito creditorio alegado, a defesa da Interessada limitou-se a questões de direito, acompanhada de farta citaçã.o doutrinária e jurisprudencial. Nem sequer o comprovante (o Dar 1) do pagamento indevido não localizado nos sistemas da RFB foi apresentado. Além disso, a Recorrente não se dignou trazer aos autos qualquer informação ou elemento de prova acerca dos valores que, computados como receita, alegou ter transferidos a terceiras pessoas jurídicas, no period° de fevereiro de 1999 a agosto de 2000, e supostamente excluidds da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com respaldo no inciso III do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718, de 1998. Diante da ausência de tais provas e informações, nap ha como saber o valor da receita transferida nem as pessoas jurídicas beneficiárias. Em decorrência, como aquilatar o pro edimento compensatório em apreço? Impossível! Dessa forma, ao meu juizo, o presente Recurso não passa de uma peça mer mente teórica, sem qualquer resultado pratico para o deslinde da presente controvérsia, que exigiria a comprovação cabal do valor do crédito utilizado na compensação em comento, Não é demais ressaltar que, em matéria processual, seja administrativa ou judicial, o Onus da prova cabe a quem alega possuir o direito pleiteado. Neste sentido, dispõe o inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. No âmbito do processo administrativo de exigência do crédito tributário, face a natureza vinculada do lançamento e do ato de aplicação de penalidade, 6 dever da autoridade fisc 1 apresentar os elementos de prova do fato jurídico tributário (fato gerador) ou do ilícito trib tário desencadeador do liame obrigacional, conforme expressamente determina o caput do art. 90 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAP). Por sua vez, na esfera do contencioso administrativo atinente ao pro9edimento compensatório (compensação espontânea ou autocompensagão) quem afirma possuir direito ao encontro de contas entre o crédito e o débito compensados é o próprio sujeito passivo, consequentemente, é dele o ônus de trazer ao processo os elementos probatórios da existência desse direito, cabendo a Administração tributária apenas a função de verificar a regularidade do procedimento em comento, somente homologando-o se devidamente comprovado os requisitos e As condições estabelecidos em lei, dentre os quais, por força do dispbsto no art, 170 do CTN, destaca-se a imprescindibilidade da comprovação da liquidez e certeza do crédito informado, o que não ocorreu no procedimento em análise. No que tange ao aspecto probatório, fazendo um paralelo entre o Assinado doeittarib-howakigehmFdYEHdifiRiibligiiiiiTVitifcrealiiiiati9rdóilifeeifiEfótKi-Verifica-se ERRA DE CASTRO Autenticado digitetmente em 15/1012010 pot JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 4 Emitido em 30/12/2010 pele Mmistério da Fazenda DF CAM,' MI: H. 73 Processo n°11080.906516/2008-07 S3-C1T2 AcOrd8o n ° 3102-00.733 P1 64 que no primeiro quem deve provar o fato jurídico tributário (ou fato gerador em concreto) é a autoridade fiscal, ao passo que no segundo quem tem o ônus de provar o fato jurídico do pagamento indevido é o sujeito passivo que o alega. Não é demais lembrar que, no âmbito do contencioso administrativo, a prova objetiva convencer o julgador acerca da verdade ou falsidade de um fato. E ela o instrumento adequado a construir a verdade no processo, fixando os fatos no mundo jurídico. Sem ela o processo se transforma numa peça de natureza meramente teórica ou abstrata, desvirtuando o escopo do processo, seja administrativo ou judicial, que consiste na solução jurídica de um conflito mediante aplicação da norma supostamente violada a um caso concreto. A importância da prova jurídica como instrumento de introdução dos fatos no mundo jurídico é ressaltada no excerto extraído da doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi l , a seguir transcrito: "0 direito não incide sobre fatos, incide sobre a prova dos fatos, ou dizendo de outra forma: o fato jurídico 6 fato juridicamente provado". Também não se deve olvidar que, em matéria processual, alegar e não provar, é o mesmo que não alegar, dai a origem do brocardo jurídico: aliegatio et non probatio, quasi non allegatio. Na esfera do processo administrativo fiscal, que se aplica ao contencioso em apreço, por expressa previsão legal (§ 11 do art. 74 da Lei rip 9.430, de 1996), corrobora o asseverado o disposto nos arts. IS e 16 do PAF, com as alteraçêles posteriores. Por tais razi3es, entendo que a completa ausência de provas, seja da origem dos valores que, computados como receita, foram transferidos a terceiras pessoas jurídicas, seja do valor do pagamento indevido declarado, é suficiente para a rejeição das alegaç6es aduzidas pela Recorrente. Porém, ad argumentandum, não me furtarei de analisar A questão jurídica de fundo suscitada pela Recorrente no presente Recurso, consistente no direito de dedução da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cans dos valores das receitas repassados a terceiras pessoas jurídicas, nos termos do inciso III do parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 9.718, de 1998, a seguir trasncrito: Art. 32 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica ,¢ 22 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 22, excluem-se da receita bruta III- os valores que, compilados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulantentadoras expedidas pelo Poder Executivo; ( . ), (grifos não originais) O referido inciso, que entrou em vigor em 10 de fevereiro de 1999, foi derrogado pela alínea "h" do inciso IV do artigo 47 da Medida Provisória n° 1991-18, de 09 de SA,NTI Eurico yarioapizcle...P?ciniiimcia e .prf?cri84o dteito trIputti.ÃM Èt i Limonad: Sao Paulo, A ci tiinao /2-661 1 .)/1,0i;iy. 1(/ por - - - NiAINUtb 7U • AbUllvii_ • u. 20 par lo PARA D1-7. DAEITRO Aviankica‘.10 ti gilalmerike cm 1511012010 por .10SE. FERNANDES DO NASCIMENTO 5 Erroido em 30112/2010 poior4nistarid d Fazenda DF CARP MP I' I. 74 junho de 2000, em 9 de junho de 2000, data da publicação da referida MP. Porém, embora vigente no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, cabe consignar que durante esse período, o citado preceito legal não produziu o efeito jurídico nele previsto, por falta da edieão da norma regulamentadora da incumbência do Poder Executivo, condição resolutória para desencadear eficácia da citado comando normativo. Da leitura do preceito legal em apreço, transparece de forma clara que ele veicula norma de eficácia e aplicabilidade limitada que, para produzir os efeitos jurídicos pre' istos, prescindia de uma regulamentação ulterior integrativa. Como a referida norma não foi Jeditada. o citado preceito legal surgiu e desapareceu do mundo jurídico sem produzir os efeitos jurídicos almejados. Dessa forma, com devida vénia ao entendimento contrario, entendo que o preceito legal em comento, no curso da sua vigência, não produziu o efeito jurídico programado, por falta de edição da norma regulamentar integrativa da alçada do Poder Ex cutivo. Ademais, ainda que assim não fosse, melhor sorte não teria a Recorrente haja vista que o crédito de pagamento indevido, informado na referida DComp (fl. 04) e utilizado na compensação em comento, refere-se à Co fins do mês de abril de 2001, ou seja, diz respeito b 'e cálculo determinada 10 (dez) meses após o término da vigência da norma que amparava o su osto direito de exclusão do valor da receita repassada a outra pessoa jurídica, origem do ale ado indébito tributário. Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, paia manter integralmente o Acórdão recorrido. Sala das Sessbes, em 26 de agosto de 2010. (assinado digitalmente) Jose Fernandes do Nascimento Assinacio digitalmente em 16/10/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO . 02/1212010 por LL/1S MARCELO GU ERRA DE CAtTRO Atnenticada di itatinente em 16110/2010 par JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emllido em 30/12/2010 pa10 Minisu:do da Fazenda 6
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Numero do processo: 16095.000867/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática do art. 543-B do CPC, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática do art. 543B do CPC, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 08 67 /2 00 8- 59 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16095.000867/200859 Acórdão n.º 2401003.935 S2C4T1 Fl. 425 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 05 25.756 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.197.9107. O crédito em questão referese à exigência da contribuição patronal para a Seguridade Social, incidente sobre os pagamentos por serviços médicos prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. As bases de cálculo foram determinadas a partir dos valores lançados nas respectivas notas fiscais (fls. 23/66), que informam os valores específicos cobrados. Cientificado do lançamento em 22/12/2008, o sujeito passivo ofertou impugnação na qual, em síntese, requestou pelo reconhecimento da decadência em atendimento ao que determina a Súmula Vinculante STF n.º 08. Depois suscitou equívoco cometido pela auditoria quanto à fixação da base de cálculo da contribuição, posto que teria sido aplicado a taxa de 30% sobre o valor bruto das notas fiscais. Asseverou que a Lei n.º 9.876/1999, que instituiu a contribuição em destaque, é inconstitucional. Finalmente contestou a aplicação dos acréscimos de juros e multa. O órgão de primeira instância, aplicando o § 4.º do art. 150 do CTN, declarou decadente o período de 01 a 11/2003. Quanto ao equívoco na determinação da base de cálculo, o órgão a quo concluiu que caberia retificação na base de cálculo apenas para a competência 08/2005, na qual teriam sido incluídos, além dos serviços médicos (ato cooperativo principal), outros valores não integrantes da base de cálculo. Os demais argumentos defensórios foram afastados. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 160/194, no qual, alegou que: a) o auto de infração, é nulo; posto que á fiscalização não procedeu conforme determinação da IN INSS03, que dispõe acerca da base de cálculo da exação; b) para o tipo de contrato firmado com a UNIMED, o valor da contribuição deveria ter sido calculado pela aplicação da alíquota de 4,5% sobre o valor bruto da fatura/nota fiscal; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 c) havendo erro na quantificação da base de cálculo, impõese a nulidade do lançamento, por força do art. 142 do CTN; d) apresenta precedentes judiciais e administrativos que confirmariam o seu entendimento; e) afirma que a instância administrativa de julgamento tem competência para o reconhecimento da inconstitucionalidade material da contribuição em destaque; f) também deve ser reconhecida a inconstitucionalidade formal da Lei n.º 9.876/1999, que instituiu a contribuição sobre as faturas emitidas por cooperativas de trabalho; g) a taxa Selic não se presta para fins tributários, devendose respeitar na espécie o limite de 1% ao mês para a taxa de juros; h) a multa progressiva em percentual superior a 20% mostrase confiscatória, atentando contra a própria Constituição Federal. Por fim, requereu o provimento integral do recurso, com reforma da decisão recorrida, ou, alternativamente que sejam reduzidos os juros a 1% a.m. e a multa ao patamar máximo de 20%. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16095.000867/200859 Acórdão n.º 2401003.935 S2C4T1 Fl. 426 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição sobre faturas relativas a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – inconstitucionalidade Em sessão plenária realizada em 23/04/2014, o Corte Constitucional, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do dispositivo questionado, em julgamento que teve o seguinte resultado: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014.” Contra essa decisão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que foram rejeitados por unanimidade pela Corte em julgamento, cuja ata foi publicada no DJE em 20/02/2015. Assim, em cumprimento ao que dispõe o “caput” do art. 62A do RICARF, devemos declarar a improcedência do Auto de Infração. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10140.001799/00-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1995
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3102-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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DCOMP Recorrente INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO E EXTENSÃO RURAL DE MATO GROSSO DO SUL – IDATERRA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1995 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato constitutivo, modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campo Grande que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 17 99 /0 0- 93 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10140.001799/0093 Acórdão n.º 3102002.307 S3C1T2 Fl. 11 2 que a ora Recorrente não teria comprovado, por meio de documento hábil, o indébito tributário relativo ao PASEP. Por bem descrever os fatos e tendo em vista todo o trâmite processual já ocorrido até o presente momento, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: 1. O Instituto De Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul Idaterra, autarquia já qualificada nos autos, apresentou pedido de restituição dos pagamentos referentes ao PASEP calculados com base nos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, período de apuração entre 07/88 e 12/95. 2. O pedido tem por motivo a inconstitucionalidade dos referidos Decretos Leis, declarada pelo Supremo Tribunal Federal. O valor do pedido de restituição é de R$ 307.143,85. 3. Por meio da Decisão no 747/2000 (fls. 81/86), o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, com fulcro no art. 165, I , combinado com o art. 168, I , ambos do CTN e no Ato Declaratório SRF no 96/99. O requerente apresentou manifestação de inconformidade contra tal Decisão (fls. 89/115). A Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campo Grande/MS julgou improcedente a impugnação através da Decisão DRJ/CGE nº 916/2001 (fls. 121/134). 4. Desta feita, foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 154/195), sendo os autos analisados pelo Segundo Conselho de Contribuintes. O Acórdão 201 75.757 (fls.254/276) deu provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: Quanto ao prazo decadencial: O termo inicial de contagem da decadência/prescrição iniciase com a data da publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu os diplomas legais considerados inconstitucionais. Quanto à base de cálculo: Até a edição da MP nº 1.212/95, os indébitos do PASEP deverão ser calculados considerando que sua base de cálculo seja o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Quanto à atualização monetária: até 31/12/95, a atualização monetária dos indébitos deverá ser calculada com base na Norma de Execução nº 08/97; a partir de 01/01/96, com base na SELIC, nos termos na Lei n° 9.250/95. 5. Por meio de intimações datadas de 01/02/2005, 15/03/2006 e 01/09/2006, foram solicitadas ao requerente cópias dos balancetes mensais orçamentários dos períodos constantes do pedido. 6. Em resposta à intimação, o requerente fez, em síntese, as seguintes argumentações: Fl. 603DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10140.001799/0093 Acórdão n.º 3102002.307 S3C1T2 Fl. 12 3 a) A empresa não mantém mais em seus arquivos os documentos solicitados e aqueles que já se encontram nos presentes autos são hábeis a demonstrar os valores a que o peticionário faz jus a título de restituição nos termos que lhe foi favorável. b) No caso dos autos o direito á restituição, conforme decisão favorável ao ora peticionário decorre da ilegal alteração do prazo de recolhimento do tributo, sendo que a base de cálculo da exação não sofreu alteração na época em que os valores foram recolhidos aos cofres públicos. c) A essência da questão, portanto, nos elementos constitutivos do tributo (fato gerador, base de cálculo ou alíquota), os quais, ocorridos há mais de uma década, conquanto a homologação do respectivo lançamento já se operou de forma tácita, nos termos do artigo 150, parágrafo 40 do Código Tributário Nacional, não sendo mais passíveis de revisão ou questionamento. d) Centrado especificamente no fato da antecipação do recolhimento das contribuições em apreço, o valor das importâncias recolhidas a maior a cada período pode ser aferido por simples cálculo matemático, confrontandose o importe de cada recolhimento efetuado com o do que seria de fato devido na respectiva ocasião, e que corresponde exatamente ao valor recolhido no sexto mês subsequente. e) Como as bases da apuração dos recolhimentos tendo sido homologadas, como visto, de forma tácita, a teor do artigo 150, parágrafo 40, do CTN, até mesmo o fato de a respectiva base de cálculo referirse ao próprio mês corrente configurase inquestionável, não mais passível de ser posta em dúvida ou revista por qualquer meio. f) Com o direito à restituição tendo se dado por conta do prazo de recolhimento do tributo, desnecessária e impertinente a recomposição das demais bases da incidência da contribuição, calculadas de acordo com as normas de regência da época e não questionadas ao tempo devido por quem de direito, implicando assim em sua inarredável homologação, para todos os efeitos legais, tendo decaído inclusive o direito da Fazenda Pública de rever os lançamentos do período cuja documentação é exigida. Em face da nãoapresentação dos documentos, não foi apurado qualquer crédito em favor da interessada. A ciência quanto a tal informação ocorreu em 16 de outubro de 2006 (ARs às f. 356 e 357). Às f. 358 a 363 foi juntado Recurso Inominado endereçado ao Superintendente da Receita Federal da Primeira Região Fiscal, justificando a nãoapresentação dos documentos solicitados por meio da intimação e sustentando a possibilidade de cálculo podia ser efetuado com os documentos já constantes nos autos. Houve a emissão de Despacho Decisório (f. 400) baseado na Informação supra referenciada, indeferindo o pedido de restituição. A ciência quanto a tal despacho ocorreu em 6 de agosto de 2007 (AR à f. 402). Fl. 604DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10140.001799/0093 Acórdão n.º 3102002.307 S3C1T2 Fl. 13 4 Em 27 de agosto de 2007 foi protocolada Manifestação de Inconformidade (f.403 a 418), na qual é aduzido, em síntese: a) a tempestividade da manifestação; b) o cabimento de manifestação de inconformidade a ser julgada pela DRJ/CGE; c) as mesmas razões já expendidas no Recurso Inominado sobre o direito de crédito, d) o cerceamento do direito de defesa; e) que a Fazenda Nacional se valeu de créditos havidos através de pedido de restituição para compensar supostos débitos de PASEP não lançados nem confessados; f) que há a necessidade de confissão de dívida e/ou lançamento dos créditos; que já houve homologação do lançamento, a teor do art. 150, § 4º do CTN e que também já se operou a decadência, com base no art. 173 do CTN; g) que há óbices jurídicos relativamente ao procedimento do fisco, sendo que a periodicidade do PASEP era mensal, não tendo cabimento serem compensados supostos saldos negativos, mês a mês e que houve afronta ao princípio da vedação ao enriquecimento ilícito; h) as compensações a pedido da contribuinte devem ser tomadas como formuladas e válidas até a instituição de norma que as vede, o que somente ocorreu em dezembro de 2004. Requer, ao final, o reconhecimento de que com os documentos constantes nos autos é possível a demonstração do valor dos créditos e a anulação da decisão por cerceamento do direito de defesa. No mérito, que sejam reconhecidas a homologação e a decadência dos valores pagos entre 1988 e 1995, nos meses em que, nos cálculos finais do direito de restituição, se demonstre que o recolhimento foi inferior ao valor que seria devido sob a égide da Lei Complementar n. 08/1970. Requer, ainda, o expurgo do “encontro de contas” todos os valores indicados como créditos tributários em aberto, que não foram objeto de lançamento regular nem de confissão por DCTF ou por outro meio (PASEP de 1988 a 1995) e, também, os expurgos inflacionários reconhecidos pela Justiça Federal. Por fim, requer sejam as compensações a pedido levadas em consideração nos termos da lei. Foram juntadas às f. 427 e 428, cópias do OFÍCIO/GAB/DRJ/CGE/MS/Nº 24/2007 e OF/PGE/GAB/Nº 908/2007. A manifestação não foi conhecida, conforme acórdão suprareferenciado (fls. 430 a 435, fls. 438 a 443 após digitalização dos autos). A contribuinte apresentou o documento de fls. 451 a 466, o qual denominou de recurso voluntário (anexos às fls. 467 a 481). Fl. 605DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10140.001799/0093 Acórdão n.º 3102002.307 S3C1T2 Fl. 14 5 Foi emitido o Parecer 175/2008 pela SAORT da DRF/CGE, não reconsiderando o despacho decisório proferido com base na Informação 109/2006. Os autos foram encaminhados à Disit 1ª RF e, posteriormente, à Cosit. Com base em entendimento emanado por esta Coordenação, o senhor Secretário da Receita Federal do Brasil determinou que a DRJ/CGE apreciasse a manifestação de inconformidade de fls. 403 a 418 (fl. 513). Em seguida foi emitido parecer da Coordenação Geral de Tributação também para que fosse apreciada a manifestação de inconformidade, tendo em vista que, o fato de existir decisão administrativa favorável à contribuinte, versando apenas a respeito do direito potencial, não interfere na competência definida pela norma tributária. Assim, caso seja instaurado novo contencioso que trate do direito creditório de fato, independentemente das decisões já proferidas devese obedecer ao rito processual definido pelo Decreto n° 70.235, de 1972. Por conta disso, a DRJ em Campo Grande julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não tendo havido apuração de crédito em face de não apresentação de documentos, não há cerceamento do direito de defesa por não demonstração de metodologia de cálculo. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. A administração pode rever documentos e cálculos para a apuração de certeza e liquidez de créditos, mesmo relativamente a períodos já alcançados pela decadência do direito de lançar tributos. COMPENSAÇÕES. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. A decisão que considerou não formuladas as declarações de compensação não foi proferida neste processo e dela não cabe manifestação de inconformidade. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho sustentando, em apertada síntese, que as planilhas e os DARF’s de recolhimento do tributo no período seriam suficientes para apurar o indébito, não sendo necessária a apresentação dos balancetes mensais e que a Receita Federal não pode rever a apuração de períodos alcançados pela decadência do direito de lançar. É o relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10140.001799/0093 Acórdão n.º 3102002.307 S3C1T2 Fl. 15 6 Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume a identificar se os documentos apresentados nos autos são suficientes para apurar o indébito tributário de PASEP, calculado considerando que sua base de cálculo seja o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária nos termos determinados pela decisão definitiva do então Conselho de Contribuintes. Com efeito, sustenta o Recorrente de um lado que a apresentação de (i) planilhas e (ii) DARF’s de recolhimento do PASEP do período em questão seria suficiente para tal, e, do outro lado, alega a Fazenda que, além desses documentos, teria o contribuinte que ter apresentado os balancetes mensais. Pois bem. Como já esclarecido, a decisão definitiva do então Conselho de Contribuintes reconheceu que, até a edição da MP nº 1.212/95, os indébitos do PASEP deverão ser calculados considerando que sua base de cálculo seja o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Nesse contexto, entendo que a mera comprovação do pagamento do tributo via DARF no período não seja suficiente para comprovar o indébito tributário. Isso por uma razão decisiva: o indébito tributário no caso concreto será apurado mediante o confronto (i) do valor efetivamente pago e (ii) aquele que poderia ser exigido nos termos determinados pela decisão definitiva do então Conselho de Contribuintes. No presente caso, os documentos apresentados pelo contribuinte são suficientes apenas para comprovar o valor efetivamente pago, mas não para demonstrar o valor que poderia ser exigido, já que não se tem acesso ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Assim, não é possível chegar à apuração do indébito que demandaria a comprovação deste segundo fator (valor devido) É certo que, neste momento processual a Receita Federal, caso detectasse qualquer irregularidade na escrita do contribuinte, não poderia rever a apuração de períodos em análise para fins de exigência de eventual diferença de tributo não paga, uma vez que já alcançados pela decadência do direito de lançar. Assim, teria que considerar a apuração tal como realizada pelo contribuinte para fins de quantificação do indébito reconhecido neste processo. Entretanto, tal circunstância não exime o contribuinte do dever de apresentar essa documentação, cuja ausência inviabiliza a apuração do indébito. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador prescreve expressamente no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de que o lançamento seja instruído com prova concludente de que o evento tributário ocorreu em estrita conformidade com a descrição da hipótese normativa. Logo adiante, determina, ainda Fl. 607DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10140.001799/0093 Acórdão n.º 3102002.307 S3C1T2 Fl. 16 7 que de forma implícita, que, caso o sujeito passivo apresente defesa contra o ato lavrado pelo Fisco, devidamente acompanhada de provas de suas alegações, o ônus passa a ser novamente da Fazenda, a quem incumbirá comprovar o descabimento da impugnação. Ao assim prescrever, deixou claro o legislador que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, quando o sujeito competente para expedila seja o Estado Administração, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Por outro lado, quando o fato seja alegado pelo próprio particular, a ele compete demonstrar a veracidade de suas afirmações, igualmente por meio de provas. Afinal, também aqui se aplica a máxima processual de que a prova compete a quem alega, prevista expressamente no art. 333, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. No caso concreto, o contribuinte insiste que a documentação apresentada nos autos é são suficiente para apurar o eventual indébito de PASEP. Entretanto, assim como a decisão recorrida, entendo que a demonstração do seu direito demandaria a apresentação dos balancetes mensais, o que não foi feito. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 608DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13864.000604/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/08/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÓ LABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.Em apuração da contabilidade do Contribuinte, saques, transferências bancárias ou depósitos, quando não comprovada a destinação e o caráter remuneratório, não podem lastrear lançamento fiscal.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial. No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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DECADÊNCIA. Recorrentes DSI DROGARIA LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/08/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÓ LABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.Em apuração da contabilidade do Contribuinte, saques, transferências bancárias ou depósitos, quando não comprovada a destinação e o caráter remuneratório, não podem lastrear lançamento fiscal. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DETERMINAÇÃO LEGAL. ART. 173, I, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN possui determinações legais que devem ser seguidas para a aplicação de regra decadencial. No presente caso, devido a ausência de recolhimento parcial, deve ser aplicada a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, que determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 06 04 /2 00 7- 12 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000604/200712 Acórdão n.º 2402004.593 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores retirados a título de prólabore, com fundamento no art. 22, III, da Lei nº 8.212/91 e artigos 12, V, "f", 21, 28, III, 30, II e parágrafos 2° e 4º e 33, parágrafo 3°, da mesma Lei. Relatório Fiscal às fls. 392/428. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 941/957, complementada às fls. 1161 a 1171, que restou procedente em parte às fls. 1179/1191, sob os seguintes fundamentos: 1) Segundo a corrente doutrinária apresentada, o inciso I do artigo 173 do CTN incidirá quando o contribuinte não tiver promovido qualquer recolhimento do tributo. Já o § 4° do artigo 150 do Diploma Tributário será aplicado quando houver recolhimento parcial passível de homologação; 2) Não há exigência de tributos em relação ao ano de 2002. Para o período anterior, decaiu o direito de o Fisco constituir o crédito em decorrência do disposto no inciso I do artigo 173 do CTN. Para o ano de 2003 e 2004, não há que se falar em decadência, pois as duas normas que tratam da decadência autorizavam o lançamento fiscal em 20/12/2007. Concluindo: decaiu o direito do Fisco de exigir as contribuições relativas ao período de 01/1998 a 10/2001; 3) Em relação aos “estornos" com crédito na conta Caixa e débito na conta “Clientes Diversos” sem comprovação documental, a Fiscalização concedeu diversas oportunidades à empresa para demonstrar suas alegações. Como a empresa não demonstrou o equivoco da Fiscalização, prevalece a presunção de que dinheiro foi retirado da empresa. Tendo em vista que o esvaziamento do Caixa foi registrado e que os sócios tinham plena ciência do ocorrido, considero razoável a presunção da Fiscalização de que os sócios se apropriaram deste dinheiro na forma de pro labore; 4) A lamentável maneira como se deu a contabilização do ocorrido não altera a natureza dos fatos: sócios, ao se retirarem da empresa, levaram consigo os lucros que lhe cabiam segundo o contrato social. Não houve retirada de pro labore; 5) A contribuição previdenciária foi prevista no artigo 195, I, da Constituição Federal para incidir sobre rendimentos do trabalho, não do capital. A remuneração do sócio registrada na contabilidade não será fato gerador de contribuição previdenciária se decorrer de rendimento do capital, que é o caso; Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6) A Fiscalização apurou o custo de mercadorias vendidas e não contabilizadas e as considerou como pro labore. Este é o menor valor admissível para as vendas. Como a empresa é lucrativa, é de se esperar que as vendas tenham sido realizadas em valores superiores ao custo de aquisição dos produtos, o que daria oportunidade para se tributar um valor ainda maior. Assim, temse que o procedimento fiscal foi razoável; 7) Caso a contabilidade fosse absolutamente imprestável, como quer fazer crer a notificada, a Fiscalização não teria condições sequer de apurar os desvios apontados. Aliás, se a impugnante acredita que sua contabilidade é tão imprestável, por que a apresentou à Fiscalização? Por que não fez qualquer representação contra o contador no Conselho Federal de Contabilidade? Por que não tomou providências para que fosse oportunamente corrigida? 8) O procedimento fiscal constatou desvios na contabilidade, mas pôde apurálos e mensurálos de modo a garantir um adequado arbitramento da base de cálculo. A tributação é regida por normas cogentes, não basta a empresa recolher o lucro arbitrado e imaginar que estará imune a qualquer espécie de ação fiscal; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 1213/1223 alegando, em síntese: 1) Os ditos "estornos de vendas a prazo" têm a finalidade de adequar o saldo da conta clientes com a realidade do saldo dessa conta baseado em vendas ainda não recebidas durante o período, pela existência de vendas que embora tenham a condição de pagamento a vista nem sempre são recebidas dentro do próprio mês. A palavra "estorno" foi utilizada incorretamente pela contabilidade, quando o correto seria "apropriação"; 2) No caso levantado pelos Diligentes Fiscais, não há referência a data do lançamento e também não existe no razão um lançamento em datas anteriores o respectivo lançamento objeto do estorno, o que comprova que não se trata de um estorno e sim de um erro de histórico; 3) A afirmação que houve diminuição do ativo não procede, pois, não há diminuição do ativo, uma vez que os fatos contábeis citados classificam se como fatos permutativos, nos quais há apenas a alteração da conta contábil, que pertence ao mesmo grupo e subgrupo de contas, Ativo, subgrupo Circulante, alterandose apenas o grau de liquidez da conta; 4) Ao prosperar a afirmação errônea dos Diligentes Fiscais, haveria uma total quebra das normas da Lei Federal n° 6.404/76, e normas de elaboração de lançamentos, pois daria margem a afirmação de que um deposito bancário de dinheiro do caixa, que resultaria no lançamento abaixo, diminuiu o Ativo, da mesma forma que foi afirmado no caso em tela, quando na verdade não altera nem o Ativo, nem o subgrupo da conta (Ativo Circulante), apenas ocorre o registro do fato contábil, e a demonstração no balanço em contas gráficas de grau de liquidez diferentes; 5) Os débitos das vendas são registrados na conta caixa e tem como contrapartida o credito na conta “Revenda de Mercadorias”. Se houver Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000604/200712 Acórdão n.º 2402004.593 S2C4T2 Fl. 4 5 venda de mercadorias tanto a vista como a prazo, não há possibilidade de registro sem a movimentação de contas de resultado; 6) A consideração de adequação contábil acima nunca pode ser confundida com prólabore, pois, há documentação de suporte que não foi verificada pelo Auditor Fiscal de Receita do Brasil, como por exemplo o livro de saídas, no qual consta o valor total das vendas do mês, que é exatamente o mesmo valor da soma das vendas lançadas na conta caixa mais as vendas lançadas na conta Clientes Diversos, referentes a parte a prazo; 7) Para se configurar o pró labore afirmado pelo Auditor, deverá ter o respectivo trabalho ou serviço prestado, o que não se prova em nenhum momento e, além disso, os sócios possuíam seu respectivo pró labore mensal, com o recolhimento do respectivo INSS mensalmente; 8) A empresa, na época dos fatos alegados, possuía um lucro acumulado de R$ 4.406.519,40, que poderia ter sido distribuído SEM NENHUMA TRIBUTAÇÃO DO INSS. Porque usaria de tal artifício de pagar pró labore através da alegada operação envolvendo a conta de clientes e caixa? 9) Os Diligentes Fiscais adicionaram valores encontrados em conta que apura o custo das mercadorias vendidas, e no mesmo passo de mágica transformaram esses mesmos valores em retirada de prólabore, sem qualquer fundamento legal; 10) É totalmente equivocada a presunção de que movimentação de mercadorias e custo das mercadorias vendidas possam ser utilizadas com base tributável do INSS, pois as mercadorias são necessárias ao cumprimento do objeto social da autuada; 11) Todo levantamento fiscal baseado em valores constantes de "conta mercadorias"; "clientes diversos", e "quotas em tesouraria", além da falta de tipificação, que é definida como a adequação do fato ou ato praticado pelo contribuinte, para o enquadramento legal como prólabore, seu volume se verdadeiro, provocaria alterações tão significativas nos resultados contábeis da empresa, que tornaria sua atividade totalmente inviável e improvável; Por fim, a Recorrente requereu a declaração da total improcedência da presente cobrança. A decisão de primeira instância foi submetida à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235/72 e da Portaria MF n° 03/08, por força de recurso necessário. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento dos Recursos de Ofício e Voluntário. É o relatório. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator Do recurso voluntário Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço. Sem preliminares. No Mérito Entendeu a Fiscalização que a retirada de ativos sem a devida comprovação foi destinada aos dirigentes (sóciosgerentes) da Empresa, em forma de pagamento pelos serviços prestados, devendo por isso incidir a alíquota destinada à contribuição sobre a retirada pro labore. Utilizou como base de cálculo da contribuição previdenciária três pontos específicos, sendo um excluído pelo julgador de primeira instância e que será analisado mais detalhadamente na apreciação do recurso de ofício adiante. Restaram, portanto, dois pontos a serem enquadrados na base de cálculo: 1) Valores estornados pela empresa sem a respectiva justificativa e informação da origem; 2) Diferença apurada entre o custo de mercadorias constante do balanço da empresa e o custo apurado pela fiscalização. No que se refere aos estornos não justificados, a fiscalização, ao analisar a escrituração contábil da empresa Recorrente, verificou a existência de diversos lançamentos denominados “estornos” sem identificação da origem e dos motivos do cancelamento da transação (dados da venda realizada e posteriormente cancelada, valor da venda, nota fiscal, data da venda, etc). Intimada a esclarecer as razões e detalhamento dos estornos verificados, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar a origem de cada uma das operações, restando à fiscalização concluir pela existência de divergência contábil na escrituração da empresa. Em sede de recurso voluntário a Recorrente afirmou que o termo ‘estorno’ utilizado por sua contabilidade foi aplicado de forma equivocada, esclarecendo que o termo a ser corretamente aplicado seria ‘apropriação’. De acordo com a Recorrente, os lançamentos se referem a vendas a prazo, em que o montante das vendas registradas como a vista em verdade foi pago de forma parcelada e, por isso, houve estorno dessas importâncias da conta caixa e adequadamente transferidas para a conta de Clientes Diversos até que efetivamente recebidas. Não demonstrou, entretanto, a quais operações esses lançamentos se referiam. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000604/200712 Acórdão n.º 2402004.593 S2C4T2 Fl. 5 7 Quanto à diferença apurada no custo de mercadorias, a fiscalização constatou que a soma do estoque inicial e das compras para revenda, com a subtração dos valores obtidos no estoque final era maior do que o informado pela empresa no balanço patrimonial, resultando em divergência de mais de três milhões de reais. A Recorrente, por sua vez, alega que os valores utilizados pela fiscalização como base estariam equivocados, pois conforme documento juntado (“Razão Contábil conta 596 – Mercadorias para revendas”) o estoque inicial em mercadorias era de R$ 5.089.988,47 e não R$ 8.642.728,93, como apontado pela autoridade fiscal. Não é consistente o argumento. Conforme verificado pelo próprio julgador de primeira instância (fls. 1190), os registros contábeis dos anos de 2002 e 2003, quanto ao estoque de mercadorias são contraditórios. Isto porque, às fls. 174 a Recorrente informou à fiscalização que o estoque final de 2002 era de R$ 8.642.728,93, o que leva à conclusão de que este seria o valor de estoque inicial em 2003, não sendo coerente a alegação da Recorrente de que o valor correto seria R$ 5.089.988,47. Pois bem. São inquestionáveis as divergências e os vícios apurados na contabilidade da empresa Recorrente. Todavia, a forma como tais divergências foram enquadradas pela autoridade fiscal e ratificadas pelo Ilmo. Julgador de primeira instância não possui respaldo legal. De fato, ficou evidente que valores consideráveis deixaram de ser lançados na escrituração contábil, mas não há, de forma alguma, que se admitir a presunção pelo fiscal de que tais valores tenham sido destinados à remuneração dos sócios. A nosso ver, seria perfeitamente possível o enquadramento destes valores na qualidade de pro labore se, e somente se, ficasse comprovado pela fiscalização que estes teriam ingressado no patrimônio dos sócios da empresa. Geralmente, essas comprovações são feitas mediante demonstração de transferências e/ou depósitos pela empresa em contas correntes de seus sócios. Ainda assim, é necessário que se comprove que tais depósitos ou transferências tenham ocorrido na forma de pro labore. Neste sentido já decidimos nesta Turma: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO RETIDAS E NÃO REPASSADAS. ÔNUSDOEMPREGADOR. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES STJ. As verbas a título de auxílioalimentação, ainda que não inscritas previamente no PAT, possuem natureza indenizatória. Por esta razão, tais verbas não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Desta forma tem decidido o STJ. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 SEGURADO. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. PRÓLABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais e segurados empregados, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do prólabore. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra valores depositados na conta corrente do sócio, bem como valores em espécie. A empresa alega serem empréstimos à serem restituídos pelo mesmo, mas nada comprova. Resta caracterizada a natureza remuneratória dos valores, passíveis de incidência de contribuições sociais. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, PAF 12897.000829/200991, Acórdão n° 2402004.283, Rel. Cons. Thiago Taborda Simões, sessão de 10/09/2014) No caso dos autos, porém, a fiscalização além de não ter como demonstrar a natureza de pro labore dos valores apurados, não restou comprovado sequer que tais valores tenham sido destinados ao patrimônio dos sócios. Isto fica claro da leitura da diligência fiscal (fls. 571), em que a fiscalização, chamada a esclarecer a autuação, informou: “2.1.3. Item ‘c’ – A diferença apurada pela fiscalização relativa ao CMV no período de 01/1998 a 12/2003 foi considerada retirada pro labore porque a empresa não escriturou em sua contabilidade tais valores. O montante da diferença foi considerado remuneração dos sócios, por arbitramento, já que a empresa não demonstrou o motivo e destinação da diferença apurada. [...]” Da mesma forma foi o entendimento do julgador de primeira instância ao considerar ‘razoável’ a presunção da autoridade fiscal: “Como a empresa não demonstrou o equívoco da Fiscalização, prevalece a presunção de que o dinheiro foi retirado da empresa. Tendo em vista que o esvaziamento do caixa foi registrado e que os sócios tinham plena ciência do ocorrido, considero razoável a presunção da fiscalização de que os sócios se apropriaram deste dinheiro na forma de pro labore. [...] Pois bem, não é aceitável que os produtos tenham sido efetivamente retirados pelos sócios. O mais provável é que tenham sido realizadas vendas sem registro na contabilidade. O dinheiro proveniente destas vendas não registradas pode ter remunerado os sócios. É a presunção da fiscalização, autorizada pela omissão da empresa durante a ação fiscal, nos termos do § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000604/200712 Acórdão n.º 2402004.593 S2C4T2 Fl. 6 9 [...] Ante as condições apresentadas, chego à conclusão de que o procedimento fiscal foi razoável.” Ora, não houve sequer indícios de que os valores apurados tenham ingressado nas contas ou no patrimônio dos sócios da empresa Recorrente. Há evidência sim de que a contabilidade possa ter sido objeto de fraude, mas sem provas. Ainda assim, a apuração de irregularidades na contabilidade não autoriza, por si só, que a fiscalização simplesmente presuma que tais valores foram dados a título de pro labore aos sócios e, por conseqüência, sejam considerados base de cálculo das contribuições sociais. Desta forma, não havendo comprovação nos autos de que os valores apurados pela fiscalização tenham sido destinados à remuneração dos sócios, voto pelo cancelamento do auto de infração e, por conseqüência, pelo provimento do recurso voluntário. Do Recurso de Ofício Inicialmente, o recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Decadência O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 8, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 que estabeleciam, respectivamente, prazo decadencial de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social, sob o fundamento de que não caberia a lei ordinária dispor sobre prazos decadenciais e prescricionais de tributo, sendo esta matéria de competência exclusiva de lei complementar, nos termos do art. 146, III, alínea b, da Constituição Federal. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, por meio de acórdão proferido em sede de Recurso Especial n° 973.733/SC, assim reconheceu em definitivo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000604/200712 Acórdão n.º 2402004.593 S2C4T2 Fl. 7 11 (STJ, REsp 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, S1, DJe 18/09/2009) Ante isto, o artigo 62A do Regimento interno do CARF estabelece que ‘as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869/1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF’. Assim, o prazo aplicável para fins de contagem da decadência é o quinquenal. A partir destes esclarecimentos, necessário verificar se no presente caso houve ou não pagamento a menor pelo contribuinte. Isto porque, nos casos em que não há pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial se inicia nos termos do art. 173, I, do CTN e, quando o pagamento é efetuado a menor, a regra aplicável é a do art. 150, § 4°. Não houve nos autos comprovação de recolhimento parcial das contribuições lançadas. Por tal razão, à presente autuação aplicase a regra contida no inciso I do artigo 173 do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” Assim, considerando que o lançamento do crédito tributário ocorreu em 12/2007 e aplicando o prazo quinquenal nos termos do art. 173, I, temse que todas as competências anteriores a 11/2002 foram atingidas pela decadência, restando a exclusão do crédito, portanto, apenas com relação ao período de 01/1998 a 10/2001. Creditamento de valores em favor de sócio retirado da sociedade Em acórdão de primeira instância, o Ilmo. Julgador decidiu pela exclusão do crédito tributário neste ponto sob o fundamento de que os valores concedidos aos sócios retirados não poderiam ser qualificados como pro labore na medida em que referentes a distribuição de lucros a que faziam jus e não a remuneração por serviços prestados. A retirada de um sócio de determinada sociedade gera a ele o direito de ter devolvido o capital investido quando do ingresso na sociedade, com as devidas atualizações. Ou seja, avaliase a valorização patrimonial da sociedade no momento da retirada e devolvese ao sócio dissidente o valor proporcional ao capital investido. No caso dos autos, a fiscalização constatou um crédito de R$ 2.000.000,00 em favor do Sócio Antonio Rodrigues de Oliveira quando de sua retirada da sociedade. Concluiu que este valor deveria ser convertido em pro labore em razão das irregularidades contábeis apuradas. O enquadramento pelo fiscal dos valores recebidos pelo sócio Antonio Rodrigues de Oliveira como pro labore não merece guarida porquanto não referentes à remuneração. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 O art. 12, V, alínea ‘f’, da Lei n° 8.212/91, ao enumerar os segurados obrigatórios da Previdência Social, estabelece que os sócios de uma empresa estarão sujeitos ao recolhimento de contribuição quando recebam da sociedade valores decorrentes do trabalho prestado, ou seja, quando recebe remuneração: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: [...] f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; No caso dos autos, o sócio retirado da sociedade recebeu valores não decorrentes da atividade prestada em favor da empresa. Os valores recebidos foram dados a título de devolução de capital a que fazia jus em razão da retirada da sociedade. Não há, portanto, que se falar em natureza remuneratória destes valores, já que não decorrentes do trabalho prestado. Além disso, conforme apurado pela própria fiscalização, os valores creditados ao sócio dissidente foram retirados da conta Lucros Acumulados (fls. 430), tornandose evidente o caráter não remuneratório, já que decorrente dos lucros auferidos pela empresa Recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto para CONHECER os recursos, dando provimento ao recurso voluntário e negando provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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