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Numero do processo: 10880.914759/2006-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação contábil-fiscal suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
VERDADE MATERIAL. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE.
Não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou nenhuma prova capaz de infirmar a apuração consolidada no despacho decisório. Considerar as provas insuficientes pressupõe a sua análise, sendo portanto improcedente o argumento de nulidade da decisão por ofensa à verdade material.
DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
Numero da decisão: 3003-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação contábil-fiscal suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. VERDADE MATERIAL. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou nenhuma prova capaz de infirmar a apuração consolidada no despacho decisório. Considerar as provas insuficientes pressupõe a sua análise, sendo portanto improcedente o argumento de nulidade da decisão por ofensa à verdade material. DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova.
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ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação contábil-fiscal suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. VERDADE MATERIAL. ANÁLISE DAS PROVAS PELO JULGADOR. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. Não há que se falar em ofensa ao princípio da verdade material quando a autoridade julgadora apreciou as provas dos autos e não encontrou nenhuma prova capaz de infirmar a apuração consolidada no despacho decisório. Considerar as provas insuficientes pressupõe a sua análise, sendo portanto improcedente o argumento de nulidade da decisão por ofensa à verdade material. DIREITO DE DEFESA. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade das decisões administrativas: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 47 59 /2 00 6- 61 Fl. 127DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 Descabe a realização de diligência relativamente à matéria cuja prova deveria ser apresentada já em manifestação de inconformidade. Procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson da Costa. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: 4. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fIs. 06 a 10), transmitida em 06.10.2003, na qual o contribuinte informa compensação de débito próprio com suposto crédito referente a Pagamento Indevido ou a Maior de CIDE do período de apuração de 07.2003. 5. A Delegacia de Administração Tributária de São Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório eletrônico de fls. 01 homologando parcialmente a compensação declarada. Na fundamentação do Despacho Decisório consta: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/COMP: 14.962,35. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 6. O contribuinte, inconformado corn Despacho Decisório, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 13, na qual argumenta que: 6.1 A requerente apresentou DCOMP do valor que indevidamente recolheu a titulo de CIDE, referente ao período de apuração de 31.07.2003, no importe de R$ 14.962.35; 6.2 No período em questão a requerente apurou como devido a titulo de CIDE o valor de R$ 3.090,70 (conforme contratos de câmbio juntados às fls 25 a 61) e, por manifesto equivoco, recolheu a importância de R$ 17.997,76 (R$ 17.648,32 mais R$ 349,44 de multa por atraso no recolhimento); 6.3 Constatado o equivoco, a requerente apresentou pedidos de compensação relativamente ao valor recolhido a maior; 6.4 A requerente já apresentou Declaração retificadora relativa a essa ocorrência, bem como informa que efetuou o recolhimento do valor compensado a maior; 6.5 Requer a reforma do despacho decisório. Fl. 128DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 A 9ª Turma da DRJ em São Paulo I proferiu decisão, negando provimento à impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Data do fato gerador: 31/07/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. O erro de preenchimento da DCTF, de cuja correção resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante documentos contábeis e fiscais. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual alega, em síntese: (i) que a decisão recorrida deve ser julgada nula por cerceamento do direito de defesa. Neste ponto, a recorrente afirma que o colegiado a quo, além de não apreciar os argumentos apresentados, deixou de analisar as provas juntadas, eximindo-se, assim, de seu dever de ofício de buscar a verdade material, inclusive por meio de diligência; (ii) que os documentos apresentados na manifestação são suficientes para comprovar todas as suas alegações, de maneira que "(q)uanto aos registros contábeis e demais documentos fiscais, sua juntada era de todo desnecessária, pois a informação era de conhecimento do fisco e passível de confrontação das informações e dos documentos já juntados". Assevera, ainda, que a falta de apresentação da escrituração contábil não seria motivo para a decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, pois "as informações solicitadas estavam convenientemente prestadas, e registradas nos livros da Recorrente", cabendo ao colegiado a determinação de diligência, na hipótese de insuficiência dos documentos apresentados. Assinala que traz, junto ao recurso voluntário, documentos que reproduzem e confirmam aqueles já juntados à manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da CIDE, período de apuração de julho de 2003, a ser compensado com débito próprio. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que parte do crédito indicado já havia sido utilizado para quitação de débito confessado em DCTF. Foi, então, emitido Despacho Decisório cuja decisão homologou parcialmente a compensação declarada. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou que o débito de CIDE, período de apuração 07/2003, foi de R$ 3.090,70, conforme contratos de câmbio juntados ao processo, divergindo, portanto, do valor informado na DCTF orignal. Da diferença entre o valor confessado e o valor alegado como correto adviria o crédito indicado na declaração de compensação. Fl. 129DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos para comprovar o direito creditório alegado, em especial, para demonstrar o valor da CIDE apurada no período de julho de 2003, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, nos termos do voto condutor, transcrito, em parte, a seguir (grifei partes): (...) 14. Conforme já relatado o Despacho Decisório combatido aponta como causa da homologação parcial o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP corno origem do crédito, o valor correspondente fora parcialmente utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. 15. Registre-se que nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 16. Nesse contexto, o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada nesta instancia administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condiciona-se à comprovação da liquidez e certeza do crédito. Dessa forma, deve restar demonstrado que este tem apoio não só legal como documental. 17. Em sua defesa alega a interessada ter se equivocado no preenchimento das informações da DCTF, e informa que procedeu à retificação dessa declaração, isso após a ciência da não homologação da compensação. 18. Ocorre que a DCTF é instrumento de confissão de divida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.° do Decreto- lei n°2.124, de 1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). 19. Eventual retificação dos valores antes nela informados pelo interessado devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte. 20. Afinal, nos termos dispostos no art. 923 do RIR/99, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. 21. Dessa forma, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca do real valor devido a titulo da contribuição apurada para o período de apuração em questão, são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório indicado na DCOMP, não bastando a retificação da DCTF. 22. Porém, não foram trazidas aos autos cópias da escrita contábil e fiscal do interessado, hábeis A comprovação do equivoco alegado. 23. Os contratos de câmbio apresentados pela impugnante (fls 25 a 61) por si sós não comprovam o suposto pagamento a maior de CIDE. Somente a escrita contábil e fiscal do interessado é apta para comprovar que o contribuinte recolheu tributo a maior do que o efetivamente apurado.(...) Da leitura dos excertos transcritos, depreende-se que o aresto recorrido negou provimento à impugnação porque não restou comprovado, por meio de documentação contábil- fiscal, o direito creditório alegado, especificamente o erro da DCTF original, com a apuração da CIDE de julho de 2003. O colegiado de primeira instância entendeu que somente a escrituração contábil e demais documentos fiscais poderiam confirmar o valor da CIDE para o período em questão, de maneira a infirmar o débito regularmente constituído em DCTF, não servindo, a tal propósito, os documentos juntados pela manifestante. Verifica-se que o colegiado a quo se debruçou sobre os documentos trazidos aos autos, valorou-os e entendeu que não eram suficientes para a demonstração da redução da CIDE de julho de 2003, conforme a DCTF retificadora, fato que ensejaria, diante do pagamento efetuado, crédito daquela contribuição. Observa-se, além disso, que o aresto recorrido assume que o ônus da prova recai sobre a manifestante, de maneira que a não comprovação do direito creditório deve ensejar a negativa de provimento por parte do órgão julgador. Fl. 130DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 Tendo em mente tais considerações e voltando às alegações preliminares da recorrente, não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida. Com efeito, não há que se falar em cerceamento de defesa e ofensa ao princípio da verdade material, uma vez que a decisão recorrida se volta à análise dos elementos dos autos e conclui, após valorá-los, que não há prova do crédito alegado: considerar como insuficientes os documentos apresentados pressupõe a sua análise, sendo portanto improcedente o argumento de nulidade da decisão por ofensa à verdade material e cerceamento de defesa. Além disso, está correta a decisão recorrida ao assumir que o ônus da prova é do sujeito passivo. Neste caso, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência, visto que todas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas no momento da impugnação. O órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. Descabe, entretanto, a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada já em manifestação de inconformidade: procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus da prova. Há que se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. Nesse contexto, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos, sobretudo processuais. Importa lembrar, ainda, que diante de decisões minuciosas, com fundamentos claros e suficientes, não vislumbro ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. A partir da decisão recorrida, pôde a recorrente compreender plenamente a razão da homologação parcial da compensação declarada, tendo apresentado, em sede de recurso, contestação que ataca diretamente os fundamentos da decisão. Pela leitura do recurso voluntário, depreende-se que a recorrente demonstrou possuir pleno conhecimento dos fundamentos da decisão administrativa, tendo formulado defesa específica contra tal decisão. Em suma, pode-se dizer que não há que se cogitar em nulidade da decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa. Voltando ao mérito do recurso, observa-se, pela análise dos autos, que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal apta a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Os documentos então apresentados referem-se, tão somente, a contratos de câmbio avulsos, sem a devida escrituração contábil-fiscal apta a demonstrar a base de cálculo da CIDE. Como se sabe, a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito, de maneira que sua comprovação se revela como pressuposto fundamental para a concreção da compensação. Nesse contexto, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 131DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a manifestação de inconformidade - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, no recurso voluntário, escrituração contábil-fiscal apta a demonstrar o valor de CIDE de julho de 2003. Para afastar o débito informado na DCTF original, faz-se necessário a prova de erro mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, não sendo suficiente a transmissão de DCTF retificadora ou de documentos que não se prestam à demonstração do valor do tributo devido. Em síntese, verifica-se que não há provas para (i) confirmar a veracidade das informações prestadas na DCTF retificadora, tornando-a apta a infirmar o débito de CIDE regularmente constituído na DCTF original, nem para (ii) atestar a devida escrituração contábil do pagamento indevido e da compensação declarada. Explico. Quanto à confirmação do valor devido da CIDE, a recorrente deveria ter apresentado o Razão da conta CIDE a Recolher (juntamente com suas contrapartidas), a fim de demonstrar a apuração da CIDE em julho de 2003. Fl. 132DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 Observe-se, neste contexto, que os contratos de câmbios juntado aos autos não servem à comprovação da apuração do tributo devido, uma vez que podem representar apenas parcela das operações de pagamento ao exterior que deram azo à incidência da CIDE. Nesse caso, a recorrente deveria ter apresentado o Razão das contas ligadas à apuração da CIDE. Restringiu-se, todavia, a apresentar contratos de câmbio sem as páginas do Razão atinentes a sua escrituração. A ausência dos registros contábeis, sobretudo do Razão das contas do passivo e de despesa atinentes ao pagamento ao exterior, impede aferir se os contratos de câmbio apresentados correspondem ao total dos valores que devem ser considerados na apuração da base de cálculo da CIDE em julho de 2003. Também a escrituração apresentada (fls. 100 a 119), juntada apenas em sede de recurso voluntário, não serve para demonstrar qual o valor da CIDE de julho de 2003. Com efeito, analisando as páginas do Diário e do Razão, pode-se apenas verificar que houve lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na conta 63010511 IRENDA/CID S/ REMESSA EXTERIOR, em 21/08/2003 e 03/09/2003, atinente às remessas ao exterior do mês de julho de 2003 - o histórico dos lançamentos faz referência ao período de 07/2003. Abaixo estão expressos os referidos lançamentos: Diário de 21/08/2008 (fl. 110) Razão do IRRF (fl. 113) Documento à fl. 115 Diário de 03/09/2003 (fl. 116) Razão do IRRF (fl. 119) Fl. 133DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.356 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.914759/2006-61 Dos registros acima, constata-se que houve lançamento de IRRF atinente às remessas ao exterior do mês de julho de 2003, perfazendo um total, a título de IRRF, de R$ 32.875,96 (R$ 17.997,76, em 21/08/2003, somado a R$ 14.878,20, em 03/09/2003). Tais registros não servem, como já assinalado, para comprovar o valor da CIDE em julho de 2003, mas a partir deles poderíamos estimar, a grosso modo, a base de cálculo usada para o cálculo do IRRF, encontrando, a partir dela, um valor de CIDE em torno de R$ 21.917,31: valor bem distinto daquele apurado na DCTF retificadora (fls. 91 a 94) no valor de R$ 3.090,70. Nesse ponto, a propósito, assinale-se que a recorrente juntou, para a CIDE de julho de 2003, outra DCTF retificadora (fls. 120 a 123) com débito da contribuição no valor de R$ 13.869,86, divergente, assim, do valor da DCTF retificadora apresentada com a manifestação de inconformidade (fls. 91 a 94), o que causa ainda mais dúvidas sobre o real valor da CIDE em 07/2003, sobretudo em face da ausência de qualquer explicação, no recurso voluntário, sobre qual valor deve ser considerado correto. Como se vê, os documentos apresentados no recurso voluntário não contribuem para demonstrar o valor de CIDE do período 07/2003, servindo, tão somente, para enfraquecer a alegação da recorrente, em sede de manifestação, de que o referido débito foi de R$ 3.090,70. Registre-se, ainda, que os documentos juntados aos autos não servem para demonstrar se houve escrituração das operações atinentes (i) ao pagamento indevido e (ii) à própria compensação litigiosa - tal escrituração se mostra fundamental para aferição da certeza, liquidez e disponibilidade do direito creditório pleiteado. Neste caso, a recorrente deveria ter necessariamente apresentado o Razão da conta CIDE a compensar, a fim de comprovar o lançamento do suposto pagamento indevido - lançamento a crédito na conta de despesas atinente à CIDE e lançamento a débito na conta do ativo CIDE a compensar - e da compensação declarada - lançamento a crédito na conta de CIDE a compensar e lançamento a débito na conta do passivo IRRF a recolher. Sublinhe-se que, em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000282/2008-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2002-001.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Recorrente IONE DE MEDEIROS LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 82 /2 00 8- 39 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 14041.000282/200839 Acórdão n.º 2002001.184 S2C0T2 Fl. 198 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 29/34), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$184,95 para saldo de imposto a pagar de R$11.395,62. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos do exterior, no valor de R$51.600,00, do PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (fl.33). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 22/2/2008, a contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, em 20/3/2008 (fls. 11/27). Cientificada do indeferimento da SRL em 23/1/2009, a contribuinte apresentou sua defesa em 30/1/2009 (fls. 89/131), assim sintetizada na decisão recorrida: Preliminarmente, por meio de transcrição dos artigos 43 e 45 do Código Tributário Nacional — CTN, sustenta que a responsabilidade pelo pagamento do Imposto de Renda Pessoa Física é da fonte pagadora (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD), independente de constar no contrato de trabalho que a obrigação pela retenção do IRPF seria do contratado. Por conseguinte, os valores recebidos são líquidos. Relata que foi contratada pelo PNUD, a fim de trabalhar com horário préestabelecido, sob subordinação hierárquica, em labor não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. De acordo com o previsto em convenções e acordos internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de isenção de Imposto de Renda em virtude de trabalhar para Organismo Internacional, mas, apesar de haver informado na Declaração de Imposto de Renda que gozava de isenção, foi surpreendida com o lançamento. A Notificação de Lançamento está a lhe exigir o Imposto de Renda devido em virtude da omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, que deveriam ser pagos sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão). Contudo, não era esta a sua situação, haja vista que era servidora de Organismo Internacional, do qual o Brasil participa. Logo, fazia jus a isenção prevista no inciso II do art.22 do RIR/ 1999 (transcrito), que tem como base legal o art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 14041.000282/200839 Acórdão n.º 2002001.184 S2C0T2 Fl. 199 3 Defende, então, a supremacia dos tratados internacionais em relação à legislação interna, por força do disposto no art. 5º, §2° da Constituição Federal e nos artigos 96 e 98 do CTN. A Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 1950, dispõe no artigo V que os funcionários da ONU serão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas, sem especificar se os rendimentos deveriam advir do trabalho assalariado ou não, com ou sem vínculo empregatício. A regulamentação da situação fática dos servidores de Organismos Internacionais é feita pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgada pelo Decreto n° 59.308, de 1966. O Acordo não estabelece distinções entre as categorias de funcionários do Organismo Internacional, para efeito de aplicabilidade da Convenção sobre Privilégios e Imunidades. Em seguida, com apoio em transcrição de doutrina pátria, faz distinção entre o trabalho eventual e o adventício, para concluir que a relação de trabalho que mantinha com o Organismo era de natureza adventícia. Dessa forma, a contribuinte era servidora do PNUD e gozava de isenção de Imposto de Renda. Transcreve o art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964 e defende ter havido um equívoco na interpretação da legislação em relação à Língua Portuguesa, pois a isenção prevista no inciso II é aplicável aos brasileiros. A intenção do legislador era tributar os rendimentos de domiciliados no Brasil como residentes no exterior em relação aos demais rendimentos produzidos no País. No tocante à lista exigida na IN SRF n° 208, de 2002, assevera que o descumprimento não acarreta qualquer responsabilidade a ser imputada aos funcionários, pois se trata de determinação a ser cumprida pelos Organismos Internacionais. Ocorre que as instruções normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN), mas não tem a mesma força e devem seguir o princípio da hierarquia das leis, sob pena de não terem validade. Contudo, as IN SRF nºs.73, de 1988 e 208, de 2002, ao criarem tal limitação, inovaram o texto da lei instituidora. Transcreve doutrina versando sobre o princípio da hierarquia das leis. Analisa, ainda,, os termos "servidor" e "funcionário' e conclui que, no Brasil, a palavra funcionário aplicase tanto ao servidor público como ao empregado de empresas privadas (fl. 53). É ilação lógica que a designação "funcionário' está inclusa na de "agente público" que está na de "servidor público'. Via de consequência, o conceito de servidor público engloba todos os demais. Destarte, é inegável que ela se insere no conceito de servidor e faz jus à isenção. Seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer CST n° 897, de 1973 e no Fl. 199DF CARF MF Processo nº 14041.000282/200839 Acórdão n.º 2002001.184 S2C0T2 Fl. 200 4 Parecer Normativo nº 717, de 06/04/1979. Colaciona, também, excertos jurisprudenciais favoráveis à sua tese. Por fim, solicita a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento e a conseqüente inexigibilidade do crédito tributário lançado. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 141/157): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitamse à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais de que o Brasil faça parte. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 20/7/2009 (fl. 165), a contribuinte, em 10/8/2009 (fl. 167), apresentou recurso voluntário, às fls. 167/191, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando que os valores tidos por omitidos seriam isentos, visto que se configuram em rendimentos recebidos do PNUD, no âmbito de projetos de cooperação técnica desenvolvidos pelo Brasil. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 14041.000282/200839 Acórdão n.º 2002001.184 S2C0T2 Fl. 201 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pela recorrente do PNUD. Os documentos acostados aos autos demonstram que a recorrente prestou serviços à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Unesco (fls. 121/131). Sobre a matéria, o STJ definiu que são isentos do IR os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviços das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do PNUD. Tratase do Recurso Especial nº 1.306.393DF, julgado em 24/10/2012, sendo relator o Ministro Mauro Campbell Marques, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 14041.000282/200839 Acórdão n.º 2002001.184 S2C0T2 Fl. 202 6 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. Ressalto que a Súmula CARF nº 39, que apontava a natureza tributável desses rendimentos, foi revogada por meio da Portaria nº 3, de 9/1/2018. Assim, deve ser cancelada a omissão de rendimentos consignada na NL em análise. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901746/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
O prazo para homologação tácita da compensação declarada, nos termos do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e alterações, é de 5 anos, e o termo inicial é a data da entrega da declaração de compensação. Esse é o prazo que o Fisco tem para analisar se o crédito fiscal do contribuinte é líquido e certo, conforme preconiza o art. 170 do CTN. Decorrido tal prazo sem que haja manifestação do Fisco ter-se-á homologação tácita.
O prazo decadencial de 5 anos para fins de lançamento de ofício, nos termos do art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, salvo na ausência de pagamento, ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - ELEMENTOS PROBATÓRIOS. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado.
Numero da decisão: 1201-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer o direito creditório adicional no valor original de R$ 5.901,32 (IR-Fonte Órgão Público, cód. 6147 e 6190, no valor de 592,47 e IR-Fonte, código 1708, no valor de R$ 5.308,85).
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O prazo para homologação tácita da compensação declarada, nos termos do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e alterações, é de 5 anos, e o termo inicial é a data da entrega da declaração de compensação. Esse é o prazo que o Fisco tem para analisar se o crédito fiscal do contribuinte é líquido e certo, conforme preconiza o art. 170 do CTN. Decorrido tal prazo sem que haja manifestação do Fisco terseá homologação tácita. O prazo decadencial de 5 anos para fins de lançamento de ofício, nos termos do art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, salvo na ausência de pagamento, ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para reconhecer o direito creditório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 17 46 /2 00 6- 10 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 361 2 adicional no valor original de R$ 5.901,32 (IRFonte Órgão Público, cód. 6147 e 6190, no valor de 592,47 e IRFonte, código 1708, no valor de R$ 5.308,85). (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório TOSHIBA MEDICAL DO BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 0531.028, proferido pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, em 14 de outubro de 2010. 2. Tratase de declarações de compensação, transmitidas em 2003 e 2004, em que o contribuinte compensou débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 2002, no valor originário de R$ 812.904,48. 3. A autoridade local, mediante Despacho Decisório de 06.04.2009, cuja ciência da recorrente ocorreu em 20.04.2009, indeferiu parcela do crédito no valor de R$ 254.000,00 e homologou parcialmente o montante de R$ 558.416,65, nos seguintes termos, vejase (efls. 149162): INDEFERIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO E HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO [...] V ANÁLISE DO MÉRITO O contribuinte declara na linha 18, da ficha 12 A, da DIPJ exercício 2003 (AC 2002), fls. 39 e 40, o Saldo Negativo no valor de R$ 812.904,48. Procedemos as seguintes verificações: I. Verificação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 156.354,92 declarado na linha 13, da ficha 12 A, fl. 40, e de R$ 95.908,81 informado na linha 07, da ficha 11, ambas da DIPJ exercício 2003 (AC 2002), totalizando R$ 252.263,72. Encontramos inconsistências entre os valores declarados quando confrontamos os valores declarados pelo contribuinte na ficha 43 da DIPJ, fls. 50 a 52, com o declarado na PERDCOMP inicial, fls. 4 a 6, e com declarado pelas fontes pagadoras em Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 362 3 DIRF, fls. 53 a 66, vide tabela a seguir. Intimamos o contribuinte a explicar e, se for o caso, proceder às devidas regularizações através do "item 3" do Termo de Intimação SEORT/DRF/BRE n° 253/2009, fl. 67. CNPJ DIPJ 2002 PER/DCOMP DIRF Cod Rend. Bruto IRRF IRRF Cod Rend. Bruto IRRF 00.000.000/504408 6800 164.736,70 32.947,34 32.947,34 00.834.072/000134 6800 6.528,94 1.305,71 1.305,71 6800 6.528,77 1.305,71 00.529.743/000189 8045 250.000,00 3.750,00 3.750,00 8045 250.000,00 3.750,00 03.209.812/000130 8045 72.840,00 1.092,60 1.092,60 16.676.520/000159 8045 61.560,00 923,40 923,40 8045 61.560,00 923,40 30.227.284/000114 8045 164.000,00 2.460,00 2.460,00 30.822.936/000100 6800 164.736,97 32.947,34 43.073.394/051530 6800 7.979,23 1.595,80 1.595,80 6800 7.980,47 1.596,04 43.310.218/000155 8045 24.490,00 367,35 367,35 47.115.449/000189 8045 30.000,00 450,00 450,00 48.015.119/0001/84 8045 169.349,33 2.540,24 2.540,24 1708 169.352,95 2.540,24 52.376.910/000177 8045 70.200,00 1.053,00 1.053,00 35.979.736/000145 1708 123.014,00 1.845,21 1.845,21 1708 123.013,73 1.845,21 60.251.527/000110 8045 39.930,00 598,95 598,95 60.498.557/000126 6800 193.115,60 38.623,12 66.483,83 6800 99.287,35 19.857,47 6800 93.828,25 18.765,65 60.518.222/000122 6800 238.690,70 47.738,14 86.693,68 6800 207.750,25 41.550,05 6800 30.940,45 6.188,09 60.701.190/000104 6800 111.545,48 22.308,86 22.308,86 6800 111.545,48 22.308,86 60.746.948/000112 6800 104.195,45 20.839,09 20.839,09 6800 65.729,14 13.145,69 6800 34.647,58 6.929,41 61.411.633/000187 6800 10.078,85 2.015,77 2.015,77 61.510.574/000102 6800 4.610,02 921,93 63.899.744/000100 8045 23.800,00 357,00 357,00 68,321,538/000131 8045 180.000,00 2.700,00 2.700,00 80.627.979/000161 8045 144.000,00 2.160,00 2.160,00 8045 144.000,00 2.160,00 Soma 2.190.054,28 187.671,58 254.487,83 1.575.511,41 176.735,09 Valores sem inconsistência DIRF vrs. DIPJ vrs. PERDCOMP 89.451,90 Para dar cumprimento aos §§ 1° e 2º do art. 943 do Decreto 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda RIR, intimamos o contribuinte a apresentar cópias autenticadas dos Informes de Rendimentos e de Retenção de IRRF do anocalendário de 2002 emitidos pelas fontes pagadoras, conforme artigos 941 e 942 do Decreto n° 3.000/99, vide fl. 40 item 2. O contribuinte não apresentou os Informes de Rendimentos e de Retenção de IRRF do anocalendário de 2002 solicitados na intimação. Este fato fica evidenciado no documento apresentado como resposta a intimação, fls. 71 a 74. A falta de apresentação dos referidos informes por força do que dispõe §§ 1º e 2º do art. 943 do Decreto 3.000/99, Regulamento Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 363 4 do Imposto de Renda RIR por si só impede o contribuinte de compensar estes IRRF na linha 13 da ficha 12 A da DIPJ ex. 2003 (AC 2002). Ademais o contribuinte em sua resposta confessa que está utilizando na PER/DCOMP n° 15902.42680.250907.1.7.02 0902 para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, IRRF de períodos anteriores. O que não é permitido. Além disso, sabemos que a ficha "Imposto de Renda Retido na Fonte" deve ser preenchida com os dados relativos ao imposto de renda retido, no período de apuração a que se refere o saldo negativo de IRPJ objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou da Declaração de Compensação, em pagamentos efetuados ao contribuinte detentor do crédito, desde que os referidos pagamentos tenham integrado a base de cálculo do IRPJ. O contribuinte admite em sua resposta não conseguir comprovar o oferecimento à tributação das receitas que geraram as fontes. Desta forma também fica inviabilizado o aproveitamento do IRRF em questão, vez que, só é defeso ao contribuinte o aproveitamento do IRRF para efeito de compensação se as receitas que o geraram tiver sido oferecidas à tributação. Diante do exposto proponho a glosa do valor de R$ 156.354,92 referentes aos IRRF's presentes na linha 13 da ficha 12 A da DIPJ ex. 2003 (AC 2002). II Verificação do Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público IRRFOP no valor de R$ 2.224,10 declarados na linha 14, da ficha 12 A, da DIPJ exercício 2003 (AC 2002), fl. 40: Para dar cumprimento aos §§ 1º e 2º do art. 943 do Decreto 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda RIR, intimamos o contribuinte a apresentar cópias autenticadas dos Informes de Rendimentos e de Retenção de IRRF do anocalendário de 2002 emitidos pelas fontes pagadoras, conforme artigos 941 e 942 do Decreto n° 3.000/99, vide fl. 67 item 4. O contribuinte não apresentou os Informes de Rendimentos e de Retenção de IRRF do anocalendário de 2002 solicitados na intimação. Este fato fica evidenciado no documento apresentado como resposta a intimação, fls. 71 a 74. A falta de apresentação dos referidos informes por força do que dispõe §§ 1o e 2° do art. 943 do Decreto 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda RIR por si só impede o contribuinte de compensar estes IRRF na linha 14 da ficha 12 A da DIPJ ex. 2003 (AC 2002). Ademais, o contribuinte não comprovou o oferecimento à tributação das receitas que geraram as fontes, alegando não conseguir identificar de forma individualizada as notas fiscais que geraram o saldo de IRRF. Desta forma também fica inviabilizado o aproveitamento, vez que, só é defeso ao contribuinte o aproveitamento do IRRF para efeito de compensação se as receitas que o geraram tiverem sido oferecidas à tributação, o que não foi comprovado. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 364 5 Diante do exposto proponho a glosa do valor de R$ 2.224,10 referentes aos IRRFOP presente na linha 14 da ficha 12 A da DIPJ ex. 2003 (AC 2002). III Verificação do Importo de Renda mensal pago por estimativa no valor de R$ 1.397.582,60 declarados na linha 16, da ficha 12 A, da DIPJ exercício 2003 (AC 2002), fl. 40: Verificamos que na Ficha 11, fls. 41 a 46, "Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa", o contribuinte declara como computo total das estimativas mensais a pagar, somatório das linhas 11, o valor de R$ 1.301.673,79 (meses de janeiro, fevereiro e março do anocalendário de 2002), tais valores encontramse devidamente declarados em DCTF fls. 47 a 49. Diante da inconsistência constatada nos valores informados como IRRF, intimamos o contribuinte a apresentar cópias dos DARF's correspondentes às estimativas pagas de IRPJ referentes ao anocalendário de 2002 e a explicação por escrito, com data e assinatura do representante legalmente habilitado, da diferença entre o valor declarado na DIPJ exercício 2003 (anocalendário 2002), Ficha 12 A, linha 16 "Imposto de renda pago como estimativa" de R$ 1.397.582,60 e os valores declarados na Ficha 11 "Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa" linha 11 "Imposto de Renda a Pagar", cujo computo total perfazem o valor de R$ 1.301.673,79 (referentes aos meses de Janeiro, Fevereiro e Março do referido período). O contribuinte apresentou em resposta, conforme fls. 71 a 74, 96 e 97, apenas 3 comprovantes de arrecadação referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março do anocalendário de 2002 cujos valores montam em R$ 1.301.673,79. Não apresentando a explicação da diferença solicitada na intimação. Para este item entendemos restarem comprovados apenas os valores de R$ 1.301.673,79 a título de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa. Diante do exposto propomos a glosa do valor de R$ 95.908,81 na linha 16, da ficha 12 A, da DIPJ exercício 2003 (AC 2002). VI MEMÓRIA DE CÁLCULO PARA O SALDO NEGATIVO COM AS GLOSAS PROPOSTAS: Linhas da Ficha 12 A da DIPJ exercício 2003 (anocalendário 2002) Declarado Glosa Valor Validado 01. A ALÍQUOTA DE 15% 464.178,76 464.178,76 03. ADICIONAL 285.452,51 285.452,51 DEDUÇÕES 05. () PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (6.374,13) (6.374,13) 13. () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (156.354,92) 156.354,92 14. () IMP DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO (2.224,10) 2.224,10 16. () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA (1.397.582,60) 95.908,81 (1.301.673,79) 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (812.904,48) 254.487,83 (558.416,65) [...] Conclusão Pelo exposto, considerando que as informações prestadas tem a apuração de valor de saldo negativo inferior ao declarado nas Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 365 6 declarações de compensação aqui analisadas, proponho o reconhecido o direito creditório parcialmente, no valor de R$ 558.416,65 para o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2002, e homologadas as compensações declaradas pelo contribuinte até o limite desse valor, na forma constante dos cálculos demonstrados às fls. 1741/1744 (sistema neosapo), com a apropriação de multa e juros pelo pagamento com atraso. (grifo nosso) 4. Em sede de manifestação de inconformidade a recorrente alegou, em síntese, legitimidade do direito creditório não reconhecido, na importância de R$ 254.487,83, motivo pelo qual deveria ser totalmente deferido o crédito e reconhecida a decadência do direito de o Fisco glosar parcela do saldo negativo de imposto de renda relativo ao ano calendário 2002. 5. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, em 14.10.2010, julgou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade e reconheceu, adicionalmente, parcela do direito creditório no montante de R$172.964,05, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. DEDUÇÕES. IRRF. Como se trata de declaração apresentada pelas fontes pagadoras, portanto, por terceiros, as informações constantes das DIRF podem ser utilizadas para a validação de dados informados pelos contribuintes em suas Declaração de Rendimentos, com a condição de que as receitas e os rendimentos sobre os quais incidiu o IRRF tenham sido, obrigatoriamente, oferecidos à tributação. DIREITO CREDITÓRIO EM LITÍGIO. COMPENSAÇÃO. Diante dos dados presentes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, reconhecese parcialmente o direito creditório pleiteado e homologamse as compensações declaradas, até o limite desse direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 6. Cientificada da decisão de primeira instância, em 10.12.2010, a recorrente interpôs recurso voluntário, em 06.01.2011, em que aduz, em resumo, os seguintes argumentos (efls. 335359): i) o saldo negativo apurado no ano calendário de 2002 foi informado na DIPJ/2003; assim, qualquer questionamento com relação à apuração e ao controle dos saldos Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 366 7 negativos de imposto de renda relativos ao ano calendário 2002, nos termos do art. 150, §4º do CTN, só poderia ocorrer dentro do prazo de 5 anos, a contar da data da entrega da DIPJ, ou seja, até 2008; "Constatase, portanto, a flagrante decadência do direito das autoridades fiscais em glosar os valores aqui exigidos"; ii) o contribuinte está obrigado a conservar os livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados até que ocorra a "decadência" do crédito tributário, nos termos dos parágrafo único do artigo 195 CTN (cita jurisprudência do STJ); iii) transcorrido prazo decadencial de 5 anos, não mais mantinha sob sua guarda documentação relativa ao ano calendário 2002; entretanto, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 253/2009, apresentou: planilha demonstrativa da apuração do IRFonte referente ao anocalendário de 2002; Livro Razão, com as retenções de IR efetuadas durante o ano de 2002; explicação por escrito, cópias de DARF's correspondentes às estimativas pagas de IRPJ referentes ao anocalendário 2002; iv) além do decurso do prazo decadencial de 5 anos, é contraditório a autoridade fiscal solicitar informe de rendimentos para comprovar os valores declarados na DIPJ, uma vez que "é a própria autoridade fiscal quem determina que as informações constantes nos informes de rendimentos não representam a totalidade das informações que deverão constar da DIPJ", conforme informação extraída do site da Receita Federal nos seguintes termos: “As informações apresentadas não substituem o Comprovante de Rendimento, emitidos pelas fontes pagadoras, assim como não representam, necessariamente, a totalidade dos rendimentos a que o contribuinte está obrigado a informar em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) ou Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)” v) a conclusão da autoridade fiscal às fls. 26 da decisão recorrida é desconexa porque, após manifestarse expressamente pela obrigatoriedade da apresentação dos Informes de Rendimento, concluiu pela homologação adicional de R$ 172.964,05, sem qualquer demonstração dos valores utilizados ou, tampouco, apresentação da memória dos cálculos efetuados; vi) após o reconhecimento do direito creditório adicional, no valor de R$ 172.964,05, temse um valor indeferido de R$ 81.523,73, entretanto, é absurda a cobrança no valor total de R$ 232.461,37 (cód. 2362, R$ 27.831,00; cód. 2484, R$ 22.068,60 e cód. 3548, R$ 182.561,77); vii) o acórdão recorrido e o despacho decisório devem ser revistos, sob pena de evidente infração ao principio da verdade material dos fatos; viii) por fim, requer a homologação integral da compensação declarada. 7. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 367 8 Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 8. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 9. O contribuinte apresentou declarações de compensação em que compensou débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 2002, no valor originário de R$ 812.904,48. A autoridade local, mediante Despacho Decisório de 06.04.2009, homologou parcialmente o crédito no montante de R$ 558.416,65. Interposta manifestação de inconformidade, decisão de primeira instância reconheceu o direito creditório adicional de R$ 172.964,05. 10. Cingese a controvérsia, portanto, ao direito creditório referente à parcela não homologada no montante de R$ 81.523,73. 11. Inicialmente, a recorrente alega decadência do direito de o Fisco glosar parcela do saldo negativo de imposto de renda relativo ao ano calendário 2002. Entende que, nos termos do art. 150, §4º do CTN, tal glosa só poderia ocorrer dentro do prazo de 5 anos, a contar da data da entrega da DIPJ/2003, ou seja, até 2008. Considerando que a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 2009, já teria transcorrido o prazo decadencial. Vejamos. 12. Tanto na decadência quanto na prescrição, modalidades de extinção do crédito tributário, o termo inicial começa fluir a partir do momento em que a parte detentora de determinado direito possa exercêlo. Afinal, se o direito não pode ser exercido a parte não pode ser penalizada com a perda desse direito, não há inércia. 13. Assim, na decadência, uma vez ocorrido o fato gerador, não confessado o débito, tem o Fisco o prazo decadencial de 5 anos para efetuar o lançamento, a contar da ocorrência do fato gerador, regra geral, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, salvo na ausência de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese em que o termo inicial se desloca para o primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 150, §4º c/c art. 173, I do CTN). 14. Na prescrição, por sua vez, efetuado o lançamento, e uma vez exigível o débito, o Fisco tem o prazo prescricional de 5 anos para efetuar a cobrança, cujo termo inicial é data em que o débito tornase exigível (art. 174, do CTN). 15. De igual forma, no caso de repetição do indébito, efetuado pagamento indevido ou a maior, o contribuinte tem o prazo de 5 anos para exercer seu direito à repetição a partir do pagamento, conforme arts. 165, I c/c 168, I do CTN, inclusive no caso de pagamento a título de estimativa (Súmula CARF 84). 16. O art. 170 do CTN, por sua vez, estabelece que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 368 9 administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". 17. Em consonância com o art. 170 do CTN, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 19961 e alterações, estabeleceu condições e garantias para a operacionalização da compensação, dentre as quais destacase: i) a compensação deverá ser efetuada mediante entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; ii) a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; iii) o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 anos, contado da data de entrega da declaração de compensação; iv) a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados. 18. Vejase que dentre as condições e garantias estabelecidas, a compensação declarada extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Temse na hipótese presunção de boafé do contribuinte em relação ao crédito declarado. Pois bem, uma vez declarada a compensação, o débito está extinto, porém, sob condição resolutória até ulterior homologação. 19. O crédito fiscal declarado, entretanto, pode não ser líquido e certo – condição sine qua non para homologação da compensação. Daí o legislador ter concedido ao Fisco prazo de cinco anos para homologar, ou não, a compensação, a contar da data de entrega da declaração de compensação. Esse prazo, portanto, é conferido ao Fisco para verificar a liquidez e certeza do crédito fiscal do contribuinte, conforme preconiza o art. 170 do CTN. Decorrido tal prazo sem que haja manifestação do Fisco terseá homologação tácita. Forçoso concluir, portanto, que o termo inicial da homologação tácita é a data da entrega da declaração de compensação e não a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) ou da entrega da DIPJ, como pretende a recorrente. 1 Lei. 9430/96. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 369 10 20. Na hipótese de o contribuinte apurar indébito tributário, a ocorrência do fato gerador faz nascer para o Fisco o direito de verificar a liquidez e certeza do crédito fiscal para fins de compensação? Ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador, o Fisco já pode exercer o seu direito de verificar a certeza e liquidez do crédito fiscal do contribuinte? Não, não pode. Esse direito nasce para o Fisco somente a partir da entrega da declaração de compensação. Afinal, se o contribuinte não exercer o seu direito de repetição do indébito não há que se falar em verificação de liquidez e certeza por parte do Fisco. 21. E Na hipótese de o Fisco verificar que o crédito declarado pelo contribuinte não é líquido e certo? Referido crédito não é homologado e o débito, até então extinto sob condição resolutória, é cobrado, uma vez tratarse de confissão de dívida. Essa não homologação implica glosa do crédito exatamente por ele não ser líquido e certo. 22. Situação diversa ocorre se durante a análise da liquidez e certeza do crédito o Fisco apurar infração sujeita a lançamento de ofício. Nessa hipótese aplicase o prazo decadencial do art. 150, §4º ou 173, I, do CTN, e o termo inicial será a data da ocorrência do fato gerador ou o primeiro dia do exercício do seguinte, a depender da situação fática (pagamento, dolo, fraude ou simulação). 23. Temos, portanto, dois prazos de 5 anos, com finalidade e termo inicial distintos. O primeiro, para fins de lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador ou o primeiro dia do exercício seguinte (art. 150, §4º ou 173, I, do CTN); o segundo, para que o Fisco verifique a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte e homologue, ou não, a compensação declarada, cujo termo inicial é a data de entrega da declaração de compensação (art. 74, §5 da Lei 9.430/96). 24. Considerar que o prazo de homologação de declaração de compensação tem como marco inicial a data da ocorrência do fato gerador seria conferir ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo de que dispõe o Fisco para homologar, ou não, a compensação declarada. Bastaria o contribuinte transmitir uma declaração de compensação no último mês do quinto ano a contar da data da ocorrência do fato gerador. Nessa hipótese teria o Fisco apenas um mês para verificar a liquidez e certeza do crédito e homologar, ou não, a declaração. Certamente, esse não é o objetivo da norma. Tal situação foi bem descrita pela Conselheira Edeli Pereira Bessa, vejase: Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do credito. Se utilizasse mais rapidamente seu credito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. (Acórdão CARF 1101001.084, de 08 de abril de 2014) 25. Por fim, desconsiderar a data de entrega da declaração de compensação como Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 370 11 termo inicial para contagem do prazo de homologação tácita seria negar vigência ao §5º do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e alterações; o que significa, por via indireta, considerálo inconstitucional, o que vai de encontro à Súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). 26. No mesmo sentido já se pronunciou este CARF, vejase: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. DECADÊNCIA CONTRA O FISCO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende aplicar os prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, para fins de reconhecer direito creditório e homologar compensação tributária, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) em relação à preclusão do direito do Fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2004, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra; (ii) em relação à glosa de estimativas compensadas em outra PER/DCOMP, pelo voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (Acórdão CARF 9101003.708, 1ª Turma, de 09 de agosto de 2018; grifo nosso). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 371 12 Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (Acórdão CARF 9101 003.994, 1ª Turma, de 18 de janeiro de 2019; grifo nosso). 27. Sem razão, portanto, a recorrente ao invocar decadência no caso em análise. Aceitar essa tese significa dizer que houve inércia do Fisco, o que não é o caso, porquanto o direito de verificar a liquidez e certeza do crédito fiscal nasceu para o Fisco somente após a entrega da declaração de compensação. 28. Passo à análise da compensação não homologada no valor de R$ 81.523,77. 29. Conforme visto acima, fazse necessário que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). 30. Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. 31. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindose à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. 32. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte colacionar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis; em não o fazendo fica prejudicada a apuração da liquidez e certeza do crédito vindicado. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 372 13 33. No caso em análise, de acordo com as DIRF's, constante dos autos, temse os seguintes rendimentos e retenções em nome da recorrente (efls. 282): Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF Anocalendário: 2002 CNPJ do beneficiário: 46.563.938/000110 Código Rendimento bruto Imposto retido 1708 353.926,69 5.308,85 5706 216,21 32,35 6147 127.057,72 7.718,51 6190 1.076,50 1.076,50 6800 827.584,73 165.516,24 8045 394.000,00 5.910,00 34. Mediante confronto entre os valores declarados em DIPJ (Ficha 43) e DIRF, a decisão de primeira instância confirmou os seguintes valores de IRFonte: i) R$ 165.516,24 (cód. 6800), ii) R$ 5.910,00 (cód. 8045) e iii) R$ 1.537,61 (cód. 6147 e 61902), o que resultou no montante de R$ 172.964,05 de crédito adicional. Tais valores foram assim discriminados na apuração do IRPJ: IR Fonte estimativa: R$ 95.908,60; IRFonte: R$ 75.517,64; e IRFonte Órgão Público: R$ 1.537,61. 35. Compulsando os autos, verificase que o IRFonte no valor de R$ 5.308,85 R$1.845,21, R$ 923,40 e R$ 2.540,24, esses dois últimos declarados equivocadamente no código 8045 deve ser confirmado, uma vez que também constam em DIPJ (Ficha 43) e em DIRF (efls. 293 e 294). 36. Em relação ao IRFonte Órgão Público (códigos 6147 e 6190), de acordo com o Anexo I, da IN SRF/STN/SFC nº 23, de 2001, as alíquotas de IRPJ, no anocalendário 2002, são: cód. 6147, 1,2 do total de 5,85; cód. 6190, 4,8 do total de 9,45. Assim, o valor de IRFonte deve ser R$ 1.583,28 e R$ 546,79, respectivamente, o que resulta no montante de R$ 2.130,08. Portanto, o valor de R$ 1.537,61 apurado pela DRJ deve ser acrescido de R$ 592,47. 37. Em relação aos demais valores cujo crédito não foi confirmado, o contribuinte foi devidamente intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE Nº 253/2009, a apresentar os seguintes documentos (efls. 7071): 2) Cópias autenticadas dos Informes de Rendimentos e de Retenção do IRRF do anocalendário de 2002 emitidos pelas fontes pagadoras, conforme artigos (...), a fim de subsidiar os valores declarados: na DIPJ exercício 2003 (anocalendário 2002), Ficha 12A, Linha Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$ 156.354,92; no PER/DCOMP n.º (...), páginas 3 a 5, cuja soma perfaz o valor de R$ 254.487,83 e na DIPJ exercício 2003 (anocalendário 2002), Ficha 43 2 Aplicouse a alíquota de 1,2% sobre o rendimento apurado (art. 64, §5º da Lei 9.430/96 c/c art. 15 da Lei 9.249/95). Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 373 14 “Demonstrativo Imposto de Renda Retido na Fonte” cujo cômputo total alcança o valor de R$ 187.671,58; 3) Explicação por escrito, com data e assinatura do representante legalmente habilitado, e, se for o caso, proceder às devidas regularizações no prazo estipulado para o cumprimento da presente intimação, das diferenças entre os valores especificados no item anterior; 4) Cópias autenticadas dos comprovantes de retenções do IRPJ decorrentes de pagamentos efetuados por órgãos públicos, conforme artigos 941 e 942 do Decreto n.º 3.000/99, a fim de subsidiar os valores declarados em DIPJ (...), Ficha 12A, Linha Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público, no valor de R$ 2.224,10; 5) Cópias autenticadas das páginas do Livro Diário e Razão (junto com o respectivo Plano de Contas), formalizadas de acordo com os artigos 251, 258 e 259 do Decreto n.º 3.000/99, onde se encontrem registradas as receitas que geraram os valores de “Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF” que estão suportando o Saldo Negativo pleiteado na PER/DCOMP n.º (...), ou seja, as receitas que geraram os IRRF’s relacionados na PER/DCOMP supra e os IRRF’s declarados em DIPJ exercício 2003 (anocalendário 2002), Ficha 43.” (grifo nosso) 38. No tocante aos comprovantes de retenção na fonte, a recorrente limitouse a apresentar "planilha demonstrativa da apuração do Imposto de Renda Retido na Fonte do ano calendário de 2002, assim como cópia autenticada do Livro Razão desse período no qual constam as retenções de IR efetuadas durante o ano de 2002" (efls. 7798, grifo nosso). 39. O art. 55 da Lei 7450, de 1985, por sua vez, estabelece que "o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". 40. Como argumento para não apresentar os comprovantes de retenção na fonte, referente ao anocalendário 2002, em sede de recurso voluntário, a recorrente invoca o parágrafo único do artigo 195 do CTN, o qual estabelece que "os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". 41. Em consonância com o exposto no início deste voto, o prazo de cinco anos a que se refere o parágrafo único do art. 195 do CTN, no caso de declaração de compensação, tem como termo inicial a data da entrega da declaração de compensação, exatamente o prazo concedido ao Fisco para verificar a liquidez e certeza do crédito fiscal do contribuinte, ocasião em que eventuais documentos podem ser solicitados, tal qual o caso em análise. 42. Além de não apresentar os comprovantes de IRFonte, o contribuinte informou ainda que as receitas que geraram as retenções de IR que dão suporte à parcela do saldo Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 374 15 negativo de IRPJ pertencem aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Vejase: “Conforme se verifica na documentação apresentada para cumprimento dos tópicos 2 e 4 acima, as receitas que geraram as retenções de IR e que suportam o Saldo Negativo pleiteado na referida PER/DCOMP são relativas aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 e não é possível identificar quais as notas fiscais de forma individualizada que geraram o saldo de IRRF”(grifo nosso). 43. Ocorre que, na hipótese, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica somente poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º). 44. Verificase ainda que não procede a alegação da recorrente no sentido de que é a “própria autoridade fiscal quem determina que as informações constantes nos Informes de Rendimentos não representam a totalidade das informações que deverão constar na DIPJ, todavia, em evidente contradição, exige a apresentação dos Informes de Rendimentos para comprovação dos valores apresentados em DIPJ (...)”. O que significa dizer que independentemente de o rendimento tributável sofrer retenção na fonte ele deve ser oferecido à tributação, portanto, deve constar da DIPJ. 45. Abaixo os valores de IRFonte declarados em DIPJ (Ficha 43) que foram confirmados na DIRF, bem como os valores não confirmados (cód. 8045), cuja glosa foi mantida: DIPJ/2003 DIRF AC2002 (crédito confirmado de IRFonte) CNPJ Cod Rend. Bruto IRRF CNPJ Nome Cód. Rend. Bruto IRRF 00.000.000/504408 6800 164.736,70 32.947,34 30.822.936/000169 BB Adm de Ativ 6800 164.736,97 32.947,34 00.834.072/000134 6800 6.528,94 1.305,71 00.360.305/000140 Caixa Econ Fed 6800 6.528,77 1.305,71 43.073.394/051530 6800 7.979,23 1.595,80 43.073.394/000110 Nossa Caixa 6800 7.980,47 1.596,04 99.287,35 19.857,47 60.498.557/000126 6800 193.115,60 38.623,12 60.498.557/000126 Bco. De Tojyo 6800 93.828,25 18.765,65 207.750,25 41.550,05 60.518.222/000122 6800 238.690,70 47.738,14 60.518.222/000122 Sumitomo 6800 30.940,45 6.188,09 60.701.190/000104 6800 111.545,48 22.308,86 60.701.190/000104 Banco Itaú 6800 111.545,48 22.308,86 65.729,14 13.145,69 60.746.948/000112 6800 104.195,45 20.839,09 60.746.948/000112 Bradesco 6800 34.647,58 6.929,41 61.411.633/000187 6800 10.078,85 2.015,77 61.510.574/000142 Banespa 6800 4.610,02 921,93 Subtotal 836.870,95 167.373,83 Subtotal 827.584,73 165.516,24 02.529.743/000189 8045 250.000,00 3.750,00 02.529.743/000189 Clin. Beroaldo 8045 250.000,00 3.750,00 80.627.979/000161 8045 144.000,00 2.160,00 80.627.979/000145 Servitom Serv 8045 144.000,00 2.160,00 03.209.812/000130 8045 72.840,00 1.092,60 30.227.284/000114 8045 164.000,00 2.460,00 43.310.218/000155 8045 24.490,00 367,35 47.115.449/000169 8045 30.000,00 450,00 52.376.910/000177 8045 70.200,00 1.053,00 60.251.527/000110 8045 39.930,00 598,95 63.899.744/000100 8045 23.800,00 357,00 68.321.538/000131 8045 180.000,00 2.700,00 Subtotal 999.260,00 14.988,90 Subtotal 394.000,00 5.910,00 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 375 16 35.979.736/000145 1708 123.014,00 1.845,21 55.979.736/000145 Dabi Atlante 1708 123.013,73 1.845,21 16.676.520/000159 8045 61.560,00 923,40 16.676.520/000159 Hosp. Mater Dei 1708 61.560,00 923,40 48.015.119/0001/64 8045 169.349,33 2.540,24 48.015.119/0001/64 Gnatus Eqtos 1708 169.352,96 2.540,24 Subtotal 353.923,33 5.308,85 Subtotal 353.926,69 5.308,85 Total 2.190.054,28 187.671,58 Total 1.575.511,42 176.735,09 CNPJ Nome Cód. Rend. Bruto IRRF global IRRF IRPJ (crédito confirmado de IRFonte) 00.394.502/014870 Hospital Naval Marcilio Dias 6147 303,4 303,4 62,24 03.568.867/000136 Hospital das Forças Armadas 6147 7.990,00 467,42 95,88 04.378.626/000197 Fundação Universidade do Amazonas 6147 51.000,00 2.983,50 612,00 06.279.103/000119 Fundação Universidade do Maranhão 6147 50.000,00 2.925,00 600,00 15.461.510/000133 Fundação Univers Fed MTS 6147 17.764,32 1.039,19 213,17 Subtotal 127.057,72 6.947,69 1.583,28 00.394.502/014870 Hospital Naval Marcilio Dias 6190 1.076,50 1.076,50 546,79 Total 128.134,22 8.024,19 2.130,08 46. Conforme visto acima, não colacionado aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, para fins de comprovação do direito creditório, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. 47. Confirmada a parcela de IRFonte no valor de R$ 5.308,85, o acréscimo ao IR Fonte Órgão Público no valor de R$ 592,47 e a glosa, desta feita, no valor de R$ 75.622,45, temse a seguinte apuração do IRPJ, anocalendário 2002: DIPJ/2003 (AC 2002) Valores confirmados Ficha 12A Declarado Desp. Decisório Dec. 1ª Instância CARF Parcela indeferida 01. IRPJ À Alíquota de 15% 464.178,76 464.178,76 464.178,76 464.178,76 03. Adicional 285.452,51 285.452,51 285.452,51 285.452,51 IRPJ Apurado – Total 749.631,27 749.631,27 749.631,27 749.631,27 Deduções 05. PAT 6.374,13 6.374,13 6.374,13 6.374,13 13.IRRF 156.354,92 0,00 75.517,64 80.826,49 75.528,43 14. IRRF Órgão Público 2.224,10 0,00 1.537,61 2.130,08 94,02 16. IRRF Estimativa 1.397.582,60 1.301.673,79 1.397.582,60 1.397.582,60 18. Imposto de Renda a Pagar 812.904,48 558.416,65 731.380,71 737.282,03 75.622,45 Parcela reconhecida pela DRJ R$ 172.964,05; Parcela reconhecida pelo CARF R$ 5.901,32 48. Insurgese a recorrente ainda contra os valores dos débitos cobrados decorrentes da compensação não homologada, os quais considera absurdos. No ponto, salientase que débitos compensados além do limite do crédito homologado estão sujeitos à cobrança com acréscimos legais nos termos do art. 61 e 74 da Lei 9.430, de 1996 e alterações. 49. Cumpre salientar ainda que, nos termos do §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e alterações, no caso de não homologação de compensação a matéria passível de ser submetida à apreciação das instâncias administrativas de julgamento diz respeito à não Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10882.901746/200610 Acórdão n.º 1201003.000 S1C2T1 Fl. 376 17 homologação da compensação, e não à cobrança de eventual saldo de débito remanescente dessa não homologação. Por outro lado, a competência para execução de atividades relativas à cobrança de crédito tributário é da Delegacia da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 224, inciso IX, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF 203, de 14 de maio de 2012, vigente à época da decisão de primeira instância. Conclusão 50. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para reconhecer, parcialmente, o direito creditório adicional no valor original de R$ 5.901,32 (IRFonte Órgão Público, cód. 6147 e 6190, no valor de 592,47 e IRFonte, código 1708, no valor de R$ 5.308,85). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Fl. 376DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720497/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE
A existência de ação judicial não obsta a formalização do crédito tributário, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei n. 9430/96.
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente.
Numero da decisão: 3302-007.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargado, impõe- se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE A existência de ação judicial não obsta a formalização do crédito tributário, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei n. 9430/96. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 04 97 /2 01 3- 17 Fl. 8012DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.279 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720497/2013-17 (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração opostos contra decisão que negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2009, 2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não-cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. Segundo a Embargante, houve omissão em relação a alegação de existir uma decisão judicial afastando qualquer restrição quanto ao direito aqui discutido. Às folhas 7.974-7.975 foi proferido despacho admitindo os Embargos Declaração para sanar a omissão supra citada. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. Os embargos de declaração teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Fl. 8013DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.279 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720497/2013-17 Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a omissão quanto ao fato de existir uma decisão judicial afastando qualquer restrição quanto ao direito aqui discutido. De fato, o acórdão embargado não se pronunciou sobre os argumentos suscitados pela Embargante em sede recursal, merecendo, assim, aclaramento. Inicialmente, insta tecer que a fiscalização efetuou o lançamento das glosas sobre os fretes internos sem a imposição da multa de ofício, com respeito ao art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, já que a exigibilidade do crédito tratado no presente feito prende-se ao destino decisório definitivo a ser proferido nos autos da ação de Mandado de Segurança (processo n° 0020812- 28.2010.4.03.6100) impetrado pela Copersucar e que beneficia a autuada no entender da autoridade lançadora. Em relação à constituição do crédito tributário, entendo que a propositura de ação judicial não se presta a obstar a formalização do lançamento, pois não há ou havia, na época do fato gerador, quaisquer óbices para que fosse formalizado, ao contrário, era poder dever da autoridade administrativa salvaguardar o crédito tributário, efetuando o lançamento para prevenção da decadência. Neste sentido: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (Acórdão 2402005.437, Recurso Voluntário, Rel. João Victor Ribeiro Aldinucci, data da sessão 16/08/2016) Como é de conhecimento, a decadência não se interrompe, nem se suspende, de tal sorte que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. A questão sobre a possibilidade de lançamento de crédito suspenso já foi sumulado por este Conselho, a saber: Súmula CARF nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 8014DF CARF MF https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.279 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720497/2013-17 Assim, entendo que o lançamento fiscal sob análise não descumpriu determinação judicial. Outro argumento trazido pela Embargante diz respeito a inaplicabilidade do artigo 170-A, do CTN, já que não se trata de compensação de direito de crédito que exige o trânsito em julgado de decisão que considere indevida determinada exação. A respeito desse assunto, constatasse que o Termo de Descrição dos Fatos não motivou o indeferimento do crédito nos termos do artigo 170-A, do CTN, mas sim com base no fato de inexistir decisão transitada em julgada, sendo, no entendimento deste relator, matéria estranha ao litígio, não devendo, assim, ser conhecida por este Colegiado. Por fim, entendo que deve ser aplicado a Súmula CARF 01 em relação a matéria levada ao judiciário que tratou das despesas com frete no transporte entre estabelecimentos Embargante ou entre estes e armazéns gerias e alfandegários, tópico "III.1.a - Fretes Internos", do acórdão Embargado. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanar a omissão, atribuindo-lhe efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 8015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900005/2009-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO DO IPI ART. 11 DA LEI 9.779/99.
O benefício fiscal a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99 só incide sobre aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial da adquirente, o que refoge ao caso dos autos em que a empresa os revende.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO DO IPI ART. 11 DA LEI 9.779/99. O benefício fiscal a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99 só incide sobre aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial da adquirente, o que refoge ao caso dos autos em que a empresa os revende. Recurso especial do contribuinte negado.
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O benefício fiscal a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99 só incide sobre aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo industrial da adquirente, o que refoge ao caso dos autos em que a empresa os revende. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 00 05 /2 00 9- 16 Fl. 639DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3301003.040, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO DO IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL O ressarcimento do IPI aplicase exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2.” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13819.900005/200916 Acórdão n.º 9303008.674 CSRFT3 Fl. 3 3 · A recorrente adquiriu produto intermediário, bem de produção com destaque do IPI e os revendeu à estabelecimento industrial que os utilizou no seu processo produtivo; · Nos termos do inciso I, do art. 11, do RIPI/2002, equiparase a estabelecimento industrial, estabelecimento comercial que der saída a bens de produção para estabelecimentos industriais ou revendedores; · A recorrente se creditou do IPI pela aquisição de chapas de aço que foram adquiridas com o destaque do r. imposto e, tendo em vista que a saída se deu com suspensão, por força do que dispõe o art. 29, da Lei 10.637/02, acumulou saldo credor · No entanto, o acórdão recorrido entendeu que a recorrida não teria direito ao ressarcimento do IPI, uma vez que não realiza qualquer processo industrial ou não realiza industrialização por encomenda; · Reputase existente o direito à restituição, no caso concreto, por existir, em qualquer hipótese, crédito do contribuinte para com o ente federativo tributante, o que ocasiona o dever inafastável da Administração Pública de restituir este imposto ao contribuinte como determina a lei, em obediência ao conceito de Justiça Fiscal e do Estado de Direito. Em Despacho às fls. 520 a 522, foi dado seguimento aos recursos especiais interpostos pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que, diante da prescrição normativa veiculada pelo art. 29 da Lei 10.637/02 e da regulamentação posta no art. 44 do RIPI/02 e na IN SRF 296/03, alterada pela IN SRF 429/04, a argumentação da defesa não deve prevalecer. É o relatório. Voto Vencido Fl. 641DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. O que concordo com o Despacho de admissibilidade de recurso. Vêse que a própria Fazenda Nacional traz que o recurso do sujeito passivo deva ser conhecido: “6. Com efeito, como concluiu o ilustre conselheiropresidente, o acórdão recorrido diverge em relação ao acórdão paradigma quanto à interpretação da legislação tributária relativamente ao aproveitamento de créditos de IPI. O acórdão paradigma não apresenta nenhuma restrição quanto ao fato de o estabelecimento ser equiparado a industrial "por opção", o que é ponto central no acórdão atacado.” Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto ao mérito, importante recordar que: · O sujeito passivo compra aço da CSN com destaque do IPI; · Posteriormente, vende o aço para a empresa que o processa (industrializa) com suspensão do IPI, restando, a rigor, credora da União – acumulando o crédito da aquisição do aço. Para melhor elucidar, importante trazer o art. 29 da Lei 10.637/02 – que trata da suspensão do IPI na saída do produto especificado nesse dispositivo que, por sua vez, corresponde ao caso vertente: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...]” Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13819.900005/200916 Acórdão n.º 9303008.674 CSRFT3 Fl. 4 5 Sendo assim, na saída do produto, a recorrente agiu corretamente ao observar a suspensão do r. tributo, eis que, nos termos do art. 11 do Decreto 4.544/02 (RIPI/2002 – vigente à época), ela seria equiparada a industrial: “Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; e II as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização.” Sendo assim, de forma singela, considerando os comandos legais, inegável que a recorrente tinha o direito ao ressarcimento do crédito do IPI da aquisição do aço, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Tal dispositivo é abrangente ao dispor que a equiparação deve valer “para todos os efeitos” da lei do IPI. Vêse que a equiparação a industrial teve a finalidade de colocar os distintos estabelecimentos na mesma condição, no mesmo patamar, sujeitandose às mesmas obrigações e adotando os mesmos procedimentos previstos na legislação do IPI. Fl. 643DF CARF MF 6 Dessa forma, considero que a Instrução Normativa nº 296, de 2003, especificamente o art. 23 (redação dada pela IN SRF 429/04 é de discutível legalidade, vez que os comandos legais não restringiam a equiparação a industrial para a recorrente: “Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I [...] II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º.” Tal IN restringe dispositivo de lei que trata de equiparação industrial, em confronto aos ditames do art. 100 do CTN. Frisese a inteligência da decisão dada pelo STF quando da apreciação do RE 950.841: “JURÍDICA. FATO GERADOR. IMPORTADOR. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO. BITRIBUTAÇÃO. FATOS GERADORES E CONTRIBUINTES DIVERSOS. 1. O IPI não recai sobre a atividade de industrialização, de elaboração do produto, mas sobre o resultado do processo produtivo, ou seja, a operação jurídica que envolve a prática de um ato negocial do qual resulte a circulação econômica da mercadoria. 2. Mostrase equivocada a assertiva de que a operação jurídica abrange somente o fabricante e o adquirente direto do bem industrializado, não abarcando situações em que a mercadoria não foi industrializada por nenhuma das partes envolvidas no negócio jurídico de transmissão da propriedade ou posse. [...]” Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13819.900005/200916 Acórdão n.º 9303008.674 CSRFT3 Fl. 5 7 Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Com a devida vênia, divirjo da ilustre relatora. O contribuinte em questão não é contribuinte do IPI. Assim, a meu sentir, é absolutamente despropositado quererse aplicar à hipótese a incidência da norma insculpida no art. 11 da Lei 9.799/99. No caso em testilha não se discute o direito à fruição da saída com suspensão do IPI incidente sobre as revendas da recorrente, e nem mesmo a legitimidade do acúmulo de créditos. A questão de fundo é se é possível a recorrente pleitear o ressarcimento de IPI nos termos do mencionado art. 11 da Lei 9.799/99, regulado pela IN SRF nº 33/99, pois este foi o fundamento do suposto crédito, que mesmo sem sua certeza o contribuinte já saiu a se compensar do mesmo. Dispõe a referida norma: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." De sua feita, reza o art. 4º da IN SRF 33/99. Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999. Ou seja, simplório que o incentivo a que se refere o art. 11 da Lei 9.779/99 aplicase exclusivamente em relação a créditos decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. E, estreme de dúvida, que as aquisições da recorrente deramse exclusivamente para fins de revenda, não se enfeixando na hipótese de incidência daquela norma incentivadora, vez que não se destinavam a serem aplicados na industrialização de produtos. Pelo que despicienda a discussão acerca de a recorrente ser equiparada à industrial por encomenda. Assim, sem reparos à r. decisão, que deve ser mantida pelos seus próprios termos. CONCLUSÃO Fl. 645DF CARF MF 8 Ante o exposto, nego provimento ao especial. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.934379/2016-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/08/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.934379/201671 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.470 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/08/2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 43 79 /2 01 6- 71 Fl. 46DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10680.934379/201671 Acórdão n.º 3401006.470 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 48DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.934379/201671 Acórdão n.º 3401006.470 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 50DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.983045/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
SIMPLES. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL, SOB O CÓDIGO DE RECEITA INCORRETO. APRESENTAÇÃO INDEVIDA DE PER/DCOMP. ERRO DE FATO. ACRÉSCIMOS LEGAIS EXIGIDOS. NÃO CABIMENTO.
A indevida apresentação de Declaração de Compensação de tributo pago pelo sistema SIMPLES, sob o código incorreto, ao invés de apresentação de pedido de retificação do DARF, caracteriza um erro de fato.
Não há, in casu, que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi, sendo inequívoca a intenção do contribuinte de apurá-lo e recolhê-lo, no período de apuração, na forma fixada pelo sistema Simples.
A exigência de acréscimos legais sobre o tributo já recolhido e outra vez confessado na DCOMP configuraria claro bis in idem e enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte dentro do prazo legal.
Trata-se de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária que, em atenção aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN, impõem o cancelamento dos acréscimos legais exigidos.
Numero da decisão: 1302-003.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.983040/2011-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL, SOB O CÓDIGO DE RECEITA INCORRETO. APRESENTAÇÃO INDEVIDA DE PER/DCOMP. ERRO DE FATO. ACRÉSCIMOS LEGAIS EXIGIDOS. NÃO CABIMENTO. A indevida apresentação de Declaração de Compensação de tributo pago pelo sistema SIMPLES, sob o código incorreto, ao invés de apresentação de pedido de retificação do DARF, caracteriza um erro de fato. Não há, in casu, que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi, sendo inequívoca a intenção do contribuinte de apurálo e recolhêlo, no período de apuração, na forma fixada pelo sistema Simples. A exigência de acréscimos legais sobre o tributo já recolhido e outra vez confessado na DCOMP configuraria claro bis in idem e enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte dentro do prazo legal. Tratase de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária que, em atenção aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN, impõem o cancelamento dos acréscimos legais exigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 30 45 /2 01 1- 60 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.983045/201160 Acórdão n.º 1302003.688 S1C3T2 Fl. 3 2 processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.983040/201137, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo contra o Despacho Decisório que reconheceu o direito creditório pleiteado relativo a recolhimento do Simples, mas homologou apenas parcialmente a compensação uma vez que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do acórdão recorrido, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, no qual alega, em síntese: a) que apurou e recolheu o imposto relativo ao Simples na forma devida e dentro do prazo legal; b) que cometeu mero erro no preenchimento do código do DARF e prontamente ao identificálo apresentou a DCOMP para corrigir o erro visando a extinção do tributo com o código correto; c) que não há que se falar em acréscimos legais em razão do pagamento fora do prazo, uma vez que o tributo foi liquidado dentro do prazo legal previsto; d) que o entendimento veiculado no acórdão recorrido que manteve a incidência dos acréscimos previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, vai de encontro ao princípio da razoabilidade, ao desconsiderar o pagamento realizado em razão da ocorrência de um simples erro formal que nenhum prejuízo causou aos cofres públicos. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.983045/201160 Acórdão n.º 1302003.688 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.682, de 13/06/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.983040/2011 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.682): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A questão controvertida nos autos referese ao fato de, em que pese tenha sido reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, a autoridade administrativa competente homologou apenas parcialmente a compensação pleiteada, tendo em vista a incidência de acréscimos legais em face do pagamento do débito compensado a destempo, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A recorrente se rebela contra o fato de a autoridade ter considerado a quitação do débito objeto de compensação fora do prazo de vencimento, por se tratar do mesmo tributo apurado e recolhido no prazo legal, porém com o código de receitas incorreto. Com efeito, examinando o PER/DCOMP verificase que o crédito informado referese à pagamento do Simples sob o código 7104 (grupo do tributo: Lançamento de Ofício), relativo ao período de apuração encerrado em 31/01/1996 e vencimento em 20/02/2006, no valor de R$ 1.476,91. Por outro lado, a contribuinte informa como débito compensado na DCOMP o valor devido a título de Simples sob o código 6106 (grupo de tributo: Simples) período de apuração: Janeiro de 2006 com vencimento em 20/02/2006, no valor de R$ 1.476,91. Verificase a quase absoluta identidade entre o crédito e débito pleiteado na PER/DCOMP, com exceção unicamente do código de recolhimento. O contribuinte recolheu o tributo sob o código equivocado, embora do mesmo tributo, pertencente ao grupo de código relativos a lançamento de ofício, quando o correto seria preencher com o código relativo ao grupo do tributo próprio do Simples. É gritante que a contribuinte adotou o procedimento equivocado para corrigir o seu erro no preenchimento do DARF. Bastava ter apresentado um pedido de REDARF na unidade de origem e a situação teria sido prontamente corrigida. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.983045/201160 Acórdão n.º 1302003.688 S1C3T2 Fl. 5 4 Ao utilizarse do instrumento da PER/DCOMP para tentar solucionar o erro cometido, a contribuinte acabou por confessar a liquidação do mesmo tributo (Simples), só que desta feita à destempo. Aplicandose friamente a norma, e observandose puramente o formalismo, não haveria outra opção senão imputar os acréscimos legais ao débito compensado. Todavia, penso que a solução para o presente caso deve ser feita com alguma temperança, posto que se encontra evidenciado um erro de fato por parte do contribuinte quando do cumprimento de sua obrigação de apurar e recolher o tributo devido no regime adotado (Simples). A rigor, o contribuinte cumpriu, embora com erro (na indicação do código da receita), a obrigação de adimplir sua obrigação de recolher o tributo dentro do prazo legal. Ao tentar corrigir o erro (no preenchimento do DARF), acabou confessando o mesmo débito (por meio da DCOMP), só que desta feita já fora do prazo de vencimento. O art. 61 da Lei nº 9.430/1996, estabelece a cobrança de juros e multa sobre os tributos pagos em atraso, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que, desta feita, não há que se cogitar de tributo não pago no prazo previsto na legislação específica (Simples), pois o foi. Ainda que feito com a indicação incorreta do código de recolhimento resta inequívoca a intenção do contribuinte de recolher o tributo devido no sistema Simples, naquele período de apuração. Assim, exigir acréscimos legais sobre o tributo confessado na DCOMP configuraria, ao meu ver, claro bis in idem, posto que se trata de tributo já recolhido no prazo legal, repito, ainda que sob o código errado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.983045/201160 Acórdão n.º 1302003.688 S1C3T2 Fl. 6 5 A imposição de penalidade de juros e multa de mora no presente caso configuraria, também, um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional, posto que o crédito tributário a que teria o direito de constituir e exigir foi satisfeito pelo contribuinte, ora recorrente, dentro do prazo legal. Não se desconhece aqui os efeitos da declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, mas sim de considerar o erro de fato cometido pelo contribuinte como um ato que não trouxe prejuízo ao Fisco. Entendo que teria sido o caso de cancelamento da declaração de compensação, indevidamente apresentada, posto que instrumento inábil para corrigir o erro cometido no recolhimento, seguido da simples retificação do código de recolhimento. A desistência do pedido de compensação, todavia, é vedada pelas normas que regem a compensação1, uma vez proferido o despacho decisório e, ainda, tal análise compete à autoridade administrativa. Releva observar, que o tratamento da compensação foi feito por meio dos sistemas eletrônicos da Receita Federal. Houvesse o tratamento manual dos dados, a autoridade administrativa poderia, ela mesma, ter constatado o equívoco do contribuinte na apresentação da DCOMP e intimálo a adotar o procedimento correto que seria a solicitação de retificação do código do DARF (REDARF). Tratase de situação absolutamente atípica, não prevista nas normas complementares emanadas da administração tributária, mas que demanda um solução que atenda aos interesses do Fisco e do contribuinte. Assim, com base nos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e equidade, cuja aplicação é prevista no art. 108 do CTN2, entendo que os acréscimos legais exigidos devem ser cancelados, homologandose integralmente a compensação pleiteada. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 1 IN.RFB nº 900/2008: CAPÍTULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 2 CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.983045/201160 Acórdão n.º 1302003.688 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.000772/2008-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DISPOSITIVOS LEGAIS.
INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em omissão da decisão recorrida por não ter se
manifestado sobre o dispositivo legal que embasa o lançamento, quando na fundamentação da decisão embargada consta expresso os dispositivos e os fatos que embasam a autuação
Numero da decisão: 1103-000.671
Decisão: ACORDAM os membros da lª câmara / 3ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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T3 Fl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo no 11070.000772/2008-08 Recurso n° Embargos Acórdão no 1103-00.671 — la Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente CASALI - MÓVEIS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DISPOSITIVOS LEGAIS. INOCORRENCIA. Mk) há que se sfá/ar em 0771iSSa0 da decisão recorrida por não ter se manifestado sobre o dispositivo legal que enibasa o lançamento, quando na fUndamentaçao da decisão embargada consta expresso os dispositivos e os fatos que embasam a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la câmara / 3' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, 0 e de votos, REJEITAR os embargos. 1 10 DA SILVA - Presidente ERIC CASTRO E SILVA - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio Jose Percinio da Silva. José Sérgio Gomes, Décio Lima Jardim, Hugo Correia Sotero e Marcos Shigueo Takata. Fl. 1720DF CARF MF Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16157.W328. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração tempestivamente aviados contra o acórdão desta Turma que julgou improcedente o Recurso Voluntário interposto pelo Embargante contra o acórdão da la Turma da DRJ de Santa Maria, Rio Grande do Sul, que manteve a exclusão do contribuinte do SIMPLES, "com o consequente arbitramento do lucro, sobre as receitas declaradas e mais as receitas tidas pelo Fisco como omitidas, estas idenlificadas por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidos em nome de terceira pessoa" (fls. 897). Aduz o Embargante que a decisão recorrida teria sido omissa, por não ter apreciado o item 20 do seu Recurso Voluntário, que requeria expressamente o seguinte: 20. Requer, igualmente, seja apreciada, sob o enfoque do pré-queslionamenlo, a determinação inserta no art. 281 do Decreto 3.000/99 e no art. 50, LV, da Constituição Federal, tendo por finalidade a propositura de Recurso Especial e Recurso Extraordinário it Camara Superior de Recursos Fiscal, caso tal situação se imponha" (fls. 893) Sustenta que tal pronunciamento é indispensável para a proposição de eventual Recurso Especial, razão pela qual requer o pronunciamento deste colegiado. É o relatório. 2 Fl. 1721DF CARF MF Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16157.W328. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Process() n" 11070.000772/2008-08 Acórao n.° 1103-00.671 SI-CIT3 VI. 2 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual admito-os e passo a apreciar suas razões meritórias. Inicialmente registre-se que o auto de infração originário não é decorrente da quebra de sigilo bancário, matéria cuja constitucionalidale se encontra em análise pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral e que, por disposição regimental deste CARF, impõe a suspensão do julgamento administrativo até o deslinde pela Suprema Corte. No caso dos autos, as informações bancárias foram fornecidas pela própria contribuinte, conforme se verifica nas fls. 01/02 dos autos. No mérito destes Embargos, como exposto no relatório, o Embargante entende que a decisão recorrida foi omissa por não ter se pronunciado sobre o item 20 do seu Recurso Voluntário, que mencionava o art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99_, que dispõe sobre omissão de receita, nos seguintes termos: Art. 281. Caracteriza-se coma omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei 11 ° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; - a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seta comprovada. Na realidade, a pretensão do contribuinte é demonstrar que no caso dos autos teria havido unia das três hipóteses elencadas nos incisos do artigo acima transcrito para afastar a presunção de omissão de receita, cerne da sua exclusão do Simples e conseqüente arbitramento da base de calculo dos tributos objetos do lançamento originário. Contudo, a decisão recorrida foi enfática e extremamente minuciosa ao fundamentar as razões que justificaram a presunção de omissão de receita combatida pelo contribuinte, conforme se verifica pela sua transcrição, verbis: "No que concerne à omissão de receitas, inferida a partir de movimentação financeira de origem não comprovada que transitou pela conta corrente mantida ell7 nome da Sra. Ilse Jost Casali junto à Caixa Econômica Federal de Três de Maio, é inconteste que tal movimentação, ao menos em parte, pertencia el recorrente. (03 Fl. 1722DF CARF MF Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16157.W328. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Segundo o Termo de Constatação Fiscal (fls. 590), o procedimento .fiscal se iniciou por constada a incompatibilidade, em ralação aos rendimentos declarados, da movimentação financeira da conta bancária n° 8452-3, mantida na CEF agencia de Três de Maio, de titularidade da Sra. use Jost Casali, em conjunto com o seu filho, Sr. José Antônio Casali, sócio administrador da recorrente. Intimada a esclarecer a incompatível movimentação, a Sra. use informou não possuir qualquer responsabilidade sobre tais recursos, atribuindo-os, integralmente, ao outro titular, Sr. João Antonio Casali, proprietário da recorrente. Informou ainda que o Sr. Joao mantinha com ela a conta em conjunto, o que se confirmou através do exame da documentação concernente a conta em foco, junto A CEF. Posteriormente, intimado o Sr. João a comprovar a origem dos recursos, este, após assumir inteira responsabilidade sobre aquela movimentação, informou que "utilizou a rejerida conta por estrita necessidade de valer-se do limite de crédito oferecido pela agência bancária, para caucionar e negociar cheques provenientes de aluguéis auferidos pela empresa Lojas Becker, pertencentes a ele e sua esposa e decorrente das vendas efetuadas pelas firmas Cantu Móveis e Utilidades Domésticas Ltda., CNAI 17" 89.675.88/001-76, Roberto Adriano Krug, CNP n° 06.948.387/0001-99 e Natal ‘lair Pes, CNPJ n° 05.739.042/001-62, das quais era procurador, exercendo inclusive a função de administrador financeiro destas '('tic. 591/592). Para comprovar eventual contabilização dos valores movimentados na conta em foco, na parte concernente à Casali, indicada em um livro caixa elaborada paralelamente contabilidade, onde também estavam indicadas as participações na movimentação financeira das outras duas empresas, o fisco examinou os livros e documentos postos it disposição pela Casali, não localizando nenhum documento ou registro que contemplasse a movimentação financeira operada na conta paralela. Posteriormente, o fisco intimou as três empresas que partilhavam a conta bancária em questão, dentre estas a recorrente, a comprovarem a origem dos valores nela depositados. Entretanto, embora todas tivessem assumido participação, nenhuma delas conseguiu .justijicar, cabalmente, a origem dos valores depositados. Antes esses fatos, o fisco, com fundamento não art. 58 da Lei n" 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 42 da Lei n" 9.430/96, atribui a movimentação financeira aos terceiros titulares, alocando a cada empresa os valores assumidos, rateando os demais depósitos em parks iguais, its três participantes. Diante disto restou comprovado o motivo que fundamentou a exclusão do Simples (inciso V, do art. 195, do RIR/99), restou comprovada a omissão de receita (art. 42 da Lei n°9.430/96), bem como, restou justificado o arbitramento do lucro (art. 530, inc. II, letra "a", do RIR/99), pois a escrituração apresentada pelo contribuinte revelou-se viciada, contendo erros e deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, especialmente a bancária" «is. 900/901). A fundamentação acima da decisão embargada deixa claro que não houve qualquer omissão quantos aos fatos que justificaram a presunção de omissão de receita e dos respectivos dispositivos legais que embasaram tal presunção, no caso o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Por todo o exposto, voto por conhecer, mas rejeitar os embargos de declaração. 4 Fl. 1723DF CARF MF Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16157.W328. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo IV 11070.000772/2008-08 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-00.671 Fl. 3 E como voto. Sala de Sessões, 08 de maio de 2012. Eric Moraes de Castro e Silva Relator. Fl. 1724DF CARF MF Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16157.W328. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS em 12/12/2012 12:03:43. Documento autenticado digitalmente por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS em 12/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0719.16157.W328 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: DCB0FCA32549756406CC37CC618BA48814230DA9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11070.000772/2008-08. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10880.900655/2014-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 55 /2 01 4- 89 Fl. 68DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.364 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900655/2014-89 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 69DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.364 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900655/2014-89 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 70DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.364 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900655/2014-89 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 71DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.364 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900655/2014-89 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 72DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.364 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900655/2014-89 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.969957/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.048
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 69 95 7/ 20 09 -4 8 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 15374.969957/200948 Resolução nº 3402002.048 S3C4T2 Fl. 3 2 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada, por se tratar de receita de exportação de serviços, com base nos documentos e demonstrativos anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.038, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.969941/200935. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.038): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, e compensação com débitos diversos. A unidade de origem não homologou a compensação pleiteada tendo em vista a utilização do valor indicado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo a compensar. A recorrente alega que cometeu um erro no preenchimento da DCTF, retificandoa posteriormente ao despacho decisório com a informação correta da apuração das contribuições. Tratase de recolhimento indevido sobre receita decorrente de exportação de serviços. Apresenta, como prova de suas alegações, contrato de câmbio (doc.06), planilha de faturamento (doc.07), e notas fiscais de serviço (doc.08). Dessa forma, entendo que é necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique as alegações da recorrente, comprove a natureza das receitas e a sujeição à incidência das contribuições, e apure saldo passível de restituição, considerando, exclusivamente, os documentos anexados aos autos. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário às fls. 63 a 81 e os documentos anexos 06 (fls. 173 a 223), 07 (fls.224 a 227) e 08 (fls.228 – arquivos não pagináveis), analise a suficiência de tais documentos, intimando a recorrente, caso entenda necessário, a apresentar outros documentos, e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente; (ii) apresente um Fl. 301DF CARF MF Processo nº 15374.969957/200948 Resolução nº 3402002.048 S3C4T2 Fl. 4 3 demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e documentos anexos, analise a suficiência de tais documentos, intimando a recorrente, caso entenda necessário, a apresentar outros documentos, e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 302DF CARF MF
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