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Numero do processo: 13961.720076/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-009.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2006, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência), se mais benéfico ao contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2006, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência), se mais benéfico ao contribuinte. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 1. 72 00 76 /2 01 1- 08 Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.817 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13961.720076/2011-08 Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 5/8, ano-calendário 2006, que apurou imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista no valor de R$ 77.519,66. Em impugnação apresentada às fls. 2/3, o contribuinte alega que os rendimentos são isentos por ter optado pelo plano de demissão incentivada do Banco do Brasil. Que ajuizou a ação trabalhista porque verificou divergência nos cálculos. Entende que a retenção do imposto na fonte foi indevida. A DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 06-52.330 de fls. 14/17, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas para justificar suas alegações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 12/6/15 (Documento de postagem de fl. 23), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 6/7/15 (Despacho de fl. 44), fls. 26/28, que contém, em síntese: Informa que a ação trabalhista se refere ao período de janeiro/1991 a julho/2005. Que informou na DAA os valores recebidos, FGTS e outros, como valores isentos. Alega que conforme jurisprudência, os tribunais entendem que os contribuintes estavam sofrendo penalização em excesso, por não terem recebido seus vencimentos salariais nos prazos. Explica que aderiu ao plano de demissão voluntária e discutiu suas perdas na Justiça do Trabalho. Os valores recebidos na ação se referem a saldo de PDV ou outros créditos trabalhistas, que foram tributados à alíquota máxima, 27,5%. Cita jurisprudência sobre apuração do imposto de renda mês a mês, a IN RFB 1.127/2011 e a IN RFB 1.500/2014. Aduz que sobre os valores recebidos não incide tributação, conforme demonstrativo em anexo. Requer a anulação da pretensão fiscal. O contribuinte anexou ao recurso a petição inicial da ação trabalhista, documento informativo que os rendimentos se referem a 55 meses e que se a apuração for mensal, o rendimento é isento (aparentemente utilizou o PGD 2015 para simular seus cálculos). É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.817 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13961.720076/2011-08 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO O sujeito passivo afirma que os rendimentos recebidos decorrentes da ação trabalhista são isentos, contudo não traz prova de suas afirmações. Pelo contrário, na petição inicial juntada aos autos, verifica-se que a reclamação principal era remuneração pelas horas- extras e reflexos. Valores recebidos a título de horas extras têm caráter remuneratório e estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Não foi juntado aos autos nenhum documento relativo à decisão judicial, nem qualquer discriminação sobre os valores recebidos, a que título foram, se, de fato, constituem parcelas indenizatórias, como alega o recorrente, ou parcelas remuneratórias. Sendo assim, não há como acolher o argumento de que os rendimentos recebidos são isentos. Por outro lado, o recorrente tece argumentos no sentido da apuração mensal do imposto sobre os valores recebidos acumuladamente e não pelo valor total quando do recebimento das verbas. Para o rendimento recebido acumuladamente - RRA até ano-calendário de 2009, deve-se observar o disposto na Lei 7.713/98, art. 12, na redação vigente à época do fato gerador: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vê-se, portanto, que o comando legal vigente à época determinava que o imposto incidiria no mês do recebimento dos valores acumulados, utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotando-se como base de cálculo o montante global pago. Contudo, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário - RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Tal decisão afastou o regime de caixa, determinando o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. O Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3/5/16, dispõe que: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, deve ser adotado por este órgão julgador o entendimento exarado pelo STF e para o cálculo do IRPF incidente sobre os RRA, decorrentes de ação judicial, ano- Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.817 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13961.720076/2011-08 calendário 2006, deve-se considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2006, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928474/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, relator, Maria do Socorro F. Aguiar e Jorge L. Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, relator, Maria do Socorro F. Aguiar e Jorge L. Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a Resolução nº 330200.149, proferida na Sessão de 11 de agosto de 2011, que segue integralmente transcrito: A empresa CERAN Companhia Energética Rio das Antas transmitiu, em 22/01/2009, o PER/DCOMP n°. 37885.81467.220109.1.3.043581 (fls. 01 e ss.), pretendendo compensar débitos próprios de tributos administrados pela Receita Federal com crédito de PIS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 28 47 4/ 20 09 -3 8 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 639 2 A DRF, através de Despacho Decisório (fls. 06), não homologou a compensação sob a fundamentação de inexistência de crédito para realização desta operação. A ciência do despacho decisório deuse em 20/10/2009 (AR às fls. 07). Irresignada, a Recorrente apresentou, em 16/11/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 08) contra referida decisão, afirmando, em suma, que faz jus a compensação em questão eis que, com a apresentação, em 10/11/2009, da DCTF retificadora (fls. 14 e ss.), referente ao 2º semestre/2005, o valor do crédito original da PER/DCOMP tornouse disponível para compensação dos débitos informados. O colegiado de primeira instância, por unanimidade de votos, negou provimento a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente a decisão prolatada pela unidade de origem, sob o fundamento de que a DCTF retificadora ter sido apresentada em 10/11/2009, após o despacho decisório e visto que, até aquele momento processual, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. O acórdão da decisão de primeira instância tem a seguinte ementa: “DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho. Em síntese, sustenta que a decisão de primeiro grau deve ser reformada, declarandose a homologação da compensação em baila, visto que na apreciação da compensação levouse em consideração tão somente o que estava informado na DCTF, sem considerar o informado no DACON retificador (apresentado em 11/08/2008, antes, portanto, da emissão do Despacho Decisório, que ocorreu em 07/10/2009), juntando vasta documentação. Sucessivamente, aduz a necessidade de diligência e, também, a nulidade da decisão de primeira instância por preterição do direito de defesa, visto que não foi determinada a realização de diligência. Por meio da referida Resolução, o julgamento foi convertido em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para que autoridade fiscal verificasse “a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimandoo se necessário, para apresentar informações e documentos complementares” e do resultado da diligência fosse cientificada a recorrente para se manifestar. Por meio da Informação Fiscal de fls. 674/585, após exaustiva análise dos preços e respectivos índices de reajuste relativos aos “Contratos de Compra e Venda de Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 640 3 Energia Elétrica CERCO/ 2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e o Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica CERCEEE, de 11/11/2002”, a autoridade fiscal concluiu que, como os referidos contratos foram reajustados com base na variação do IGPM restara descaracterizado o preço predeterminado, previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, logo, as correspondentes receitas auferidas estavam sujeitas ao regime cumulativo e não ao regime não cumulativo, equivocadamente aplicado pela recorrente. Para mais detalhe, leia o exceto extraído da referida informação que segue transcrito: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de julho de 2005, no total de R$ 5.052.626,20, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CERCEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Em 23/4/2016, a recorrente foi cientificada da citada informação fiscal e apresentou a manifestação de fls. 587/609, em que alegou, em síntese, equívoco na conclusão apresentada na informação fiscal, haja vista que, segundo o conceito de preço predeterminado do direito privado e o disposto no art. 109 da Lei 11.196/2005, os contratos celebrados anteriormente a 31 de outubro de 2003 eram por preço determinado, logo, para descaracterizá los, a fiscalização deveria ter demonstrado que o reajuste pelo IGPM fora superior aos custos de produção, o que não fora feito. Asseverou ainda que não houve pronunciamento expresso da autoridade fiscal sobre a ocorrência ou não de equívoco na apuração da base de cálculo da contribuição no mês de agosto de 2005, o que dava entender que a autoridade fiscal concordara com o valor da receita do referido mês, informado no Dacon retificador do 3º trimestre 2005. Em cumprimento ao despacho de fl. 631, os autos retornaram a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Em 11/5/2017, por meio da petição integrante do arquivo não paginável de fl. 634, a recorrente compareceu novamente aos autos, desta feita para alegar que: a) somente na diligência foi que surgiu o argumento da fiscalização de que os contratos apontados pela recorrente não possuiriam a características de preço predeterminado; e b) ainda que a análise da legislação levasse à conclusão de que o IGPM não descaracterizava o preço predeterminado dos contratos, caso superado esse entendimento, o que admitia apenas para argumentar, como elemento subsidiário apresentava laudo elabora pela KPMG, que reconhecia que os reajustes dos preços dos contratos foram inferiores aos custos de produção da recorrente. O referido laudo consta o arquivo não paginável de fl. 637. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 641 4 O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide envolve questões preliminar e de mérito. No mérito a recorrente a alegou a nulidade da decisão recorrida e no mérito o direito à homologação da compensação declarada. Da preliminar de nulidade Em sede de preliminar, a recorrente alegou a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que, ao determinar a realização de diligência de ofício, para fim de apurar a certeza e liquidez do indébito compensado, o órgão de julgamento de primeiro grau havia afrontado o princípio e causado evidente prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Previamente, cabe esclarecer que, na telegráfica impugnação de fls. 11/12, a recorrente limitouse a apresentar a DCTF retificadora, sem contudo apresentar qualquer documento comprobatório do valor do novo débito da Cofins declarado. E sequer a recorrente solicitou a realização de diligência. Nesse contexto, diferente do alegado pela recorrente, o órgão de julgamento de primeiro grau não estava obrigado a determinar a realização, de ofício, de diligência fiscal, para fim de produzir prova em favor da recorrente. Aliás, no âmbito do processo administrativo fiscal, a autoridade julgadora é destinatária da prova, que deve ser produzida por quem alega possuir o direito alegado. E na ausência dessa prerrogativa, seja por parte do sujeito passivo, seja por parte autoridade fiscal, a autoridade julgadora não tem a obrigação suprir, de ofício, a omissão de produção de prova a cargo das partes intervenientes no processo. Somente quando entender necessária a realização de diligência, a autoridade julgador determinará, de ofício, a realização da diligência. Portanto, em vez de obrigação, como alegou a recorrente, a realização de diligência é uma prerrogativa atribuída a autoridade julgadora que a determinará, de ofício ou a requerimento das partes, somente se se convencer de que tal providência revelase imprescindível para o deslinde da contenda. Esse é o entendimento que se extrai da interpretação combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...]Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 642 5 Assim, por se tratar de uma prerrogativa e não de uma obrigação, a autoridade fiscal de primeiro grua não estava obrigada a determinar de oficio a realização da alegada diligência. Entretanto, como na peça recursal em apreço, além do expresso pedido de realização de diligência, a recorrente apresentou elementos que convenceu a antiga composição deste Colegiada da realização da diligência, por meio da Resolução nº 330200.147, proferida na Sessão de 11 de agosto de 2011, os autos foram convertidos em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para fosse verificada “a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras”. Com base nessas considerações, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Da análise do mérito Inicialmente, cabe esclarecer que, como na telegráfica manifestação de inconformidade, a recorrente limitouse a mencionar a existência de erro na DCTF, sem indicar a origem erro, bem como apresentar qualquer ele probatório que confirmasse novo valor indicado na DCTF retificadora. Dada essa circunstância, sob o entendimento de que a simples entrega de DCTF retificadora, sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito não era elemento suficiente para comprovar o indébito apontado, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve o despacho decisório denegatório da compensação por ausência de comprovação da certeza e liquidez do suposto indébito compensado. Somente com o presente recurso voluntário, a recorrente alegou que a origem do crédito compensado era decorrente da mudança da tributação do regime cumulativo para o não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas provenientes dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31 de outubro de 2003. E para comprovar o alegado a recorrente trouxe aos autos os elementos de prova que até então não tinham sido apresentados. Após a realização da diligência, surge nova questão decorrente da análise dos elementos probatórios coligidos aos autos na fase recursal, que, no entendimento deste Relator, na está alcançada pela preclusão, uma vez que está diretamente relacionado com o motivo da decisão recorrida (ausência de provas). De fato, o cotejo entre a conclusão apresentada no citado Relatório de Diligência Fiscal e o teor da contestação apresentada pela recorrente revelam que a controvérsia cingese ao atendimento ou não da condição concernente “a preço determinado” dos contratos de compra e venda de energia celebrados pela recorrente anteriormente a 31 de outubro de 2003, para fins de permanência de tributação da receita auferida no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos definidos na alínea “b” do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/2003 e art. 109 da Lei 11.196/2005, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8o: Fl. 642DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 643 6 [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Lei 11.196/2005: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1odo art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. (grifos não originais) O assunto também foi abordado no art. 3º da Instrução Normativa SRF 658/2006, a seguir transcrito: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1ºdo art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. (grifos não originais) A leitura conjunta dos referidos preceitos legais e normativo revela que, para a não descaracterização do preço predeterminado de que trata art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003, o índice de reajuste de preços dos contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003 deveria ser feito em função: (i) do custo de produção, ou (ii) de índice que reflitisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do bem reajustado. Dessa forma, para que não fosse descaracterizado o preço predeterminado dos referidos contratos, necessariamente, o reajuste do preço da energia comercializada deveria refletir a variação do custo de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 644 7 utilizados na produção da energia comercializada pela recorrente ou não ser superior ao reajuste determinados por esses índices. No caso, é incontroverso que a recorrente utilizou o IGPM como índice reajuste de preço dos contratos de compra e venda de energia celebrados, antes de 31 de outubro de 2003, entre ela e seus clientes. Assim, por ser um índice de preço setorial, que registra a inflação do setor, até prova em contrário, ele não reflete nem os custos de produção da recorrente e tampouco os custos dos insumos utilizados na produção de energia. O IGPM é um índice de inflação setorial de abrangência nacional. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). Ele é medido pela FGV e registra a inflação de preços em geral, desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. No mesmo sentido, o entendimento manifestado nos excertos da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, que seguem transcritos: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa. (destaques originais) Com base nessas considerações, resta demonstrado que, por ser o IGPM um índice de preço setorial, a utilização da sua variação para o reajuste dos referidos contratos de comercialização de energia descaracteriza a condição de preço de predeterminado, necessária para manutenção da apuração das referidas contribuições pelo regime cumulativo. Na referida manifestação, embora a recorrente tenha admitido que os reajustes dos citados contratos foram feitos com base na variação do IGPM, ela alegou que o reajuste com base nesse índice não descaracterizava o preço predeterminado, por que atendia o disposto no art. 27, § 1º, II, da Lei 9.069/1995 e, consequentemente, ao disposto no art. 109 da Lei 11.196/2005, conforme orientação da ANEEL, por meio da Nota Técnica nº 224/2006 SFF/ANEEL. O art. 109 da Lei 11.196/2005 foi anteriormente transcrito e, portanto, já conhecido o seu teor. Por sua vez, o art. 27 da Lei 9.069/1995, que trata da correção monetária, por seu turno tem a seguinte redação: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 645 8 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1 o de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumidor, Série r lPCr. § 1 º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (grifos não originais) Em relação ao assunto, aqui adotase como razão de decidir os fundamentos apresentados nos excertos da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, que seguem transcritos: 25. É claro a diferenciação feita pela lei: o reajuste baseado na correção monetária não se confunde com os reajustes baseados ou no custo de produção ou na variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A contrario sensu, a lei posicionouse no sentido de excluir do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, o reajuste baseado na correção monetária. Vale reproduzir o estudo feito pela SFF/ANEEL, reproduzido na Nota Técnica nº 224, de 2006: Nos termos do dispositivo anteriormente citado, a regra geral era no sentido de que a correção monetária de quaisquer negócios jurídicos seja calculada com base no IPCr (índice de Preços ao Consumidor série r). Nada obstante, no caso de fornecimento de bens e serviços a serem produzidos, a regra geral não se aplicaria, sendo que o índice de reajuste deveria ser calculado reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (Grifouse) Ressaltese que IPCr, previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/95, já foi extinto (vide art. 8º da Lei nº 10.192, de 14/02/2001), sendo substituído, a partir de lº/07/1995, nas obrigações e contratos pelo índice previsto contratualmente. Confirase: "Art. 8o A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste será substituído, a partir de 1° de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. 34. Além do mais, o art. 2º desta mesma lei estabeleceu que: "Art. 2° E admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano." 26. Ora, a extinção do IPCr e a sua substituição por outro índice equivalente, permitido pela Lei nº 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, não tem o condão de transformar esse novo índice em um coeficiente que reflita a variação dos custos de produção ou dos insumos. Pelo contrário, nesse ponto a Lei 10.192, de 2001, em nada inovou, posto que o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, já permitia contratos com cláusulas de reajuste baseados em índices que expressassem a variação dos custos de produção ou dos insumos. Assim, segundo o art. 2º da Lei nº 10.192, de 2001, acima transcrito, admitese a estipulação de reajuste por: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 646 9 a) índices de preços gerais; b) índices de preços setoriais; c) índices que reflitam a variação dos custos de produção; d) índices que reflitam a variação dos custos dos insumos utilizados. (grifos não originais) No mesmo sentido, o entendimento exarado pela Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, cujos excertos pertinentes seguem reproduzido: 3. Na redação original da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, não havia esta disposição. Isto quer dizer que uma vez em vigor a nãocumulatividade, obrigatória para determinadas pessoas jurídicas. rapidamente foi detectado que a mudança criou um desequilíbrio nos contratos em que os preços foram acertados pela sistemática anterior. Assim sendo, no Projeto de Lei de Conversão foi apresentada emenda que criou a regra de transição que pode ser lida no texto vigente da lei. 4. Por este regime provisório, os contratos deveriam obedecer a quatro requisitos para que as suas receitas permanecem na cumulatividade: anterior a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano, construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, e a preço predeterminado. Eram, portanto, exceção à regra da nãocumulatividade. Alguma ocorrência que prejudicasse o atendimento aos requisitos, obriga a tributação dos valores recebidos seguindo a nãocumulatividade. 5.A idéia central deste dispositivo é a nãosurpresa do contribuinte que calculou seu preço antes da vigência da M.P. n° 135, de 2003, utilizando para tanto a alíquota menor. Ademais, somente com o passar de certo tempo é que as empresasacumulariam os créditos a serem compensados com o valor devido pelos tributos ese efetivaria a nãocumulatividade. Passada a surpresa da alteração legislativa, einiciado o processo de aquisição de créditos, o certo seria que todos os contratospassassem para a nãocumulatividade. 6. Entretanto, algumas empresas ao fazer o cálculo dos tributos devidos perceberam que teriam que pagar um valor maior no sistema da não cumulatividade do que no sistema da cumulatividade. Dessa forma, começaram a buscar meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores. Como os três primeiros requisitos legais são bastante objetivos, passaram a tecer ilações sobre o mais impreciso dos conceitos: o de preço predeterminado. 7. Os contribuintes passaram a reajustar seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Acreditavam que estava mantido o caráter de preço predeterminado e, em conseqüência, poderiam manter aquelas receitas na sistemática da cumulatividade. Dessa forma, por hipótese, um contrato com prazo de vinte anos poderia passar todo este período na cumulatividade, alterando periodicamente o seu preço com aplicação de qualquer índice de inflação. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 647 10 8. É justamente para evitar este tipo de situação que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal buscaram esclarecer o que seria aceito como preço predeterminado para fins de contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. Não há um conceito legal ou técnico que defina com clareza "preço predeterminado". Existia a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 21, de 1979, referente ao imposto de renda e em período de inflação elevada. Com a nova legislação da contribuição para o PIS e da COFINS foi necessária a edição de novas instruções que constituíram mais um instrumento para que aquelas situações provisórias não se eternizassem, como desejam alguns contribuintes. Como dito no §2° do art.2º da IN n° 468, de novembro de 2003: § 2° Se estipulada em contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. 9. O eventual aumento de carga tributária causado pela mudança da cumulatividade para a nãocumulatividade irá refletir no preço cobrado pela contratada, repassando o ônus para o contratante. Deve se atentar que um aumento geral de carga tributária reflete em aumento de preços. Consequentemente um índice que traga um incremento de inflação, também inclui a elevação de carga tributária. A conclusão para este ciclo é que as empresas pretendem repassar aos seus clientes o eventual aumento de tributos devidos, e não desejam repassar estes valores ao Fisco. 10. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, trouxe em seu art. 109 a seguinte norma interpretativa:I Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei|n° 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde de novembro de 2003.' 11. Assim como na lei anterior, este dispositivo não constava da Medida original, sendo incluído por emenda parlamentar. 12. Para que se possa entender bem a regra, é preciso lembrar que a Lei 9.069, de1995, é a que instituiu o Plano Real. A referência presente no artigo acima citado é justamente para excepcionar "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos do insumos utilizados" da regra de aplicação geral do IPCr (caput do art. 27). 13. A inovação do art. 109 da Lei n° 11.196, de 2006, trouxe nova exceção à anterior disciplina, e com efeitos expressamente retroativos. Antes o conceito de "preço predeterminado" era amplo, agora há limitação para "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 648 11 produzidos" (referência ao inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995). Para que estes sejam considerados de "preço predeterminado" é preciso que não sejam reajustados com a aplicação de índice ao seu próprio preço, mas sim, que demonstrem que aquele reajuste se deu em virtude do reajuste dos custos de produção ou da variação de custos de insumos utilizados. 14. Neste ponto, estabelece a lei uma diferenciação entre os índices de preços gerais ou setoriais daqueles que refletem os custos de produção ou os custos dos insumos. Enquanto os primeiros auferem a variação de preços ao consumidor (IPC, p. ex.) ou no atacado (IPA), quando a lei se refere aos custos de insumos, tratase dos índices que pesquisam os preços dos materiais, equipamentos e pessoal utilizado por determinadas empresas para a consecução de suas finalidades econômicas (CUB, p. ex., utilizado pela construção civil) 15. Relendo o art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, podese inferir que salvo nas hipóteses expressas, os reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. Essas duas únicas possibilidades são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da nãocumulatividade, a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores foi modificado. Somente nestes casos, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da contratada. O que é óbvio porque no caso de revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente levarseia em conta a modificação legislativa da Lei n° 10.833, de 2003, dando ensejo à entrada no campo da não cumulatividade. (destaques dos originais) Cabe registrar ainda que, ao apreciar essa questão, as Turmas Ordinárias desta Terceira Seção proferiram decisões divergentes, que, por meio recurso especial, foram submetidas ao crivo da Terceira Turma da CSRF e solucionadas em consonância com o entendimento esposado nos referidos Nota Técnica e Parecer. Dentre os inúmeros julgados no mesmo sentido, merece destaque o Acórdão nº 9303004.538, em que o assunto foi apreciado com pelo nobre Relator Andrada Márcio Canuto Natal, que com o brilhantismo que lhe é peculiar, assim se manifestou nos pertinentes trechos extraídos do voto condutor do julgado que seguem transcritos: Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 649 12 Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. (destaques dos originais) Portanto, com base nessas condições, este Relator também está plenamente convencido de que, diferentemente do que alegou a recorrente, o reajuste dos referidos contratos com base na variação do IGPM, índice de natureza setorial, descaracterizou o preço predeterminado dos referidos contratos, o que obriga a tributação da receita deles provenientes pelo regime não cumulativo das referidas contribuições. Enfim, cabe analisar o último argumento suscitado pela recorrente de que, para fim de descaracterizar o preço predeterminado dos referidos contratos, a fiscalização deveria ter demonstrado que o reajuste pelo IGPM fora superior aos custos de produção, o que não fora feito. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 650 13 O argumento da recorrente não se sustenta, pois, com base no que dispõe o art. 373, I, do Código de Processo Civil, cabia à recorrente e não à autoridade fiscal diligente o ônus da prova de que o reajuste o reajuste pelo IGPM fora inferior ao seu custo de produção. E se foi a recorrente quem alegou ser a detentora do direito creditório utilizado na compensação em questão, por força do art. 170 CTN, inequivocaemnte, o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito era da sua inteira responsabilidade. Ressaltese ainda que, além da obrigação legal de provar o alegado, as circunstâncias práticas que envolvem o fato a ser provado levam a inequívoca conclusão de que era da recorrente ônus de produzir tal prova, uma vez que se trata de dados e informações existentes ou que deveria existir na sua contabilidade de custos. E esse entendimento, implicitamente, foi admitido pela própria recorrente ao apresentar, extemporaneamente, com intuito de produzir tal prova, o citado laudo técnico elaborado pela KPMG, que, por não atender as exceções estabelecidas nas alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972, a este Colegiado é expressamente vedado proceder a sua análise. Entretanto, apenas a título meramente argumentativo, uma rápida leitura do teor do referido laudo técnico verificase que ele não presta como prova do alegado pela recorrente, uma vez que não trata de custo de produção da recorrente, mas da evolução dos custos de produção da energia elétrica, sem contudo está acompanhado dos elementos probatórios dos valores utilizados na apuração dos índices, o que caracteriza o referido laudo como uma peça meramente teórica ou de cunho estritamente especulativo. Dessa forma, como não foi demonstração que o reajuste dos referidos contratos foram feitos com base nos custos de produção ou da variação de custos de insumos utilizados na produção da energia comercializada pela recorrente o condição de preço predeterminado foi descumprida, consequentemente, a recorrente não poderia continuar a tributação das referidas contribuições pelo regime cumulativo. Por fim, cabe registrar que, ao apreciar questão idêntica, por interméido do Acórdão nº 3302004.797, julgado na recentemente Sessão de 28 de setembro de 2017, com respaldo no brilhante voto da lavra do nobre Conselheiro Walker Araújo, este Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O enunciado da ementa do referido julgado restou assim redigido, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Da conclusão. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 651 14 Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acórdão de primeiro grau. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, RedatorDesignado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de utilização do IGPM, conforme razões a seguir. A lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 652 15 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não seria considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 653 16 § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 654 17 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 655 18 implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 656 19 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 657 20 § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 658 21 contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 659 22 Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 não se limitou, exatamente, à redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". A redação da instrução normativa não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 660 23 internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Concluindo, entendo que não se pode descaracterizar o preço prédeterminado em função da aplicação do IGPM, a priori, devendo ser comparado o percentual do reajuste do IGPM com o percentual do acréscimo dos custos de produção, uma vez que não existe, para este setor econômico, índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, para cada contrato, deve ser avaliado se o percentual utilizado é inferior à evolução dos custos de produção, apurado no mesmo período de variação do IGPM, sendo que a primeira apuração se refere ao período compreendido entre o último reajuste anterior a 31/10/2003 e o primeiro reajuste posterior a esta data. A comparação se estenderá, período a período, até a data do reajuste imediatamente anterior ao período objeto da lide, sendo que uma vez detectado que o percentual de variação do IGPM seja superior à variação dos custos de produção, todas as receitas auferidas após tal reajuste ficam sujeitas ao regime nãocumulativo das contribuições, definitivamente. Ressalvase, ainda, que o laudo apresentado pela recorrente não está acompanhado dos lançamentos contábeis, bem como houve dissociação, aparentemente, entre os períodos de variação do IGPM com os períodos de evolução dos custos de produção. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal intime a recorrente a: 1. Discriminar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 3. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 4. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos de produção e o reajuste adotado, relativo aos períodos correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP, disponibilizando os lançamentos contábeis e fiscais que suportaram o comparativo, em meio digital ou papel, a critério da autoridade fiscal. Após concluída a resposta à intimação, a autoridade fiscal deve certificar a veracidade dos dados apresentados e elaborar relatório fiscal, expondo as razões sobre eventual discordância com a metodologia adotada pela recorrente ou com os dados apresentados, bem como separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução. Ao final, deve ser facultado à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11080.928474/200938 Resolução nº 3302000.698 S3C3T2 Fl. 661 24 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 661DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910747/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.294
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento foi a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte aduziu ser fornecedor da pessoa jurídica CATERPILLAR BRASIL LTDA., detentora de Ato Declaratório Executivo – ADE homologatório do RECOF, o que lhe confere a suspensão do IPI, PIS/Pasep e Cofins sobre as compras nacionais, mas que, por equívoco, não excluíra as vendas correspondentes da apuração das contribuições em comento, o que ensejou indébito objeto de compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 74 7/ 20 12 -2 3 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.910747/201223 Resolução nº 3401001.294 S3C4T1 Fl. 3 2 Ocorre que, também por lapso, não providenciou a retificação prévia da DCTF e DACON, o que motivou a não homologação da compensação aviada. Na oportunidade, demonstrou a apuração do recolhimento a maior, defendeu o direito à repetição da quantia indevida, a impossibilidade de simples erro no cumprimento de obrigações acessórias obstaculizar o seu exercício, invocou a ausência de prejuízo ao erário, a prevalência da verdade material e a vedação ao enriquecimento ilícito. Foram juntados comprovantes de arrecadação, PERDCOMP, notas fiscais de saída e DCTF. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não fora juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O recurso voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do PN Cosit nº 02/2015; e, por fim, ratificou as alegações já deduzidas com reafirmação do direito pleiteado. Foram anexados a esta peça o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA., admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.275, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 13888.910728/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.275: "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Registro, inicialmente, que a singela retificação de declaração, isoladamente considerada, da mesma forma que não ampara o direito à restituição de indébito, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. Fixada a premissa, observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.910747/201223 Resolução nº 3401001.294 S3C4T1 Fl. 4 3 Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.910747/201223 Resolução nº 3401001.294 S3C4T1 Fl. 5 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), para, querendo, manifestarse acerca das conclusões. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001930/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração:01/04/2006 a 31/12/2007
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aplicação da retroatividade benigna, a multa exigida com base nos dispositivos da Lei nº 8.212/91 anteriores à alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09 deverá ser comparada com a nova penalidade de 75% prevista para os casos de lançamento de ofício, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte. Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
Numero da decisão: 2201-005.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna, a multa exigida com base nos dispositivos da Lei nº 8.212/91 anteriores à alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09 deverá ser comparada com a nova penalidade de 75% prevista para os casos de lançamento de ofício, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte. Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 19 30 /2 01 0- 06 Fl. 182DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 Relatório Cuida-se de recurso voluntário de fls. 145/155, interposto contra decisão a DRJ em Belo Horizonte/MG, de fls. 131/142, a qual julgou procedente em parte o lançamento por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIPs com omissão de fatos geradores das contribuições previdenciárias – CFL 68), conforme descrito no auto de infração DEBCAD 37.287.960-8, de fls. 2/17, lavrado em 17/08/2010, referente ao período de abril/2006 até dezembro/2007, inclusive, com ciência do RECORRENTE em 20/09/2010, conforme AR de fls. 25. O crédito não tributário objeto do presente processo administrativo foi aplicado com base no art. 284, inciso II, do Decreto nº 3.048/1999 e no art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/1991, no valor histórico de R$ 22.908,64 atualizado até a lavratura do auto de infração. Segundo o relatório fiscal da infração, de fls. 7, a ora RECORRENTE apresentou as GFIPs como se fosse optante do SIMPLES. Por conta disto, não recolheu as contribuições previdenciárias patronais, no montante de 20% da folha de pagamento, tampouco as contribuições SAT/RAT e de terceiros, além de deixar de informar a parte das contribuições referentes aos segurados empregados do período de 5/2007 a 8/2007; recolheu apenas a parte descontada dos segurados nas competências 04/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 12/2007. Assim, foi lavrado o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória referente aos valores não declarados em GFIP, constantes na planilha de fls. 8/13, sendo a multa de cada período calculada conforme planilha de fl. 15. Em decorrência da entrada em vigor das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009, foi elaborada a planilha de fls. 16/17, na qual a fiscalização faz a comparação de qual multa é mais benéfica para a RECORRENTE, por competência, e lançou o menor valor. Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 27/35 em 01/10/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela a DRJ em Belo Horizonte/MG, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificada do presente auto em 02/09/2010 (conforme assinatura à. fl. 01), a empresa autuada apresentou defesa em 01/10/2010 (fls. 22/30), na qual, basicamente, alega: - que tem por objeto social a prestação de serviços na agricultura, como a realização de atividades de preparo de terreno, cultivo e colheita; - que a presente exigência fiscal se fez, "(...) por entender que a contribuinte, micro empresa que é, estaria sujeita a tributação com base no lucro presumido (...)", mas que, entretanto, desde sua constituição era optante pelo SIMPLES Nacional regido pelas disposições da Lei n° 123/2006; - que o sujeito passivo ao preencher o requerimento de empresário perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB deixou claro o seu enquadramento como Fl. 183DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 microempresa e que sua atividade estava dentro daquelas que autorizam a opção pelo regime do SIMPLES Nacional; - que, entretanto, por um erro de fato não intencional deixou de assinalar no programa "FCPJ" que a mesma era optante pelo SIMPLES; - que a partir de sua constituição a contribuinte passou a recolher regularmente todos os impostos e contribuições determinados pela legislação do SIMPLES; - que posteriormente, constatando o equivoco passou a "proceder com sua regularização" perante a RFB; - que em 12/10/2006 protocolou na Agência da Receita Federal de Teófilo Otoni, pedido de enquadramento ao regime do SIMPLES em caráter retroativo à data de 01/03/2006, tendo em vista o mencionado equivoco; - que a decisão da Delegacia da Receita Federal, SACAT, no processo n° 13634.000471/2006-15, indeferiu o pedido da impetrante de inclusão retroativa no SIMPLES fundamentando a decisão no fato de que ao preencher a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica — FCPJ teria sido assinalado o código evento 101 (inscrição da matriz) não tendo sido assinalado o código evento 301 (inclusão no SIMPLES); - que ante a referida decisão, em 04/02/2010 apresentou manifestação de inconformidade em razão do indeferimento da inclusão no SIMPLES com data retroativa; - que em 08/07/2010 recebeu a comunicação ARF/TOUMG no 027/2009 com a decisão proferida pela la Turma da DRJ/JFA indeferindo a manifestação de inconformidade fundamentando tal decisão no fato de que não teria sido manifestada de forma inequívoca sua intenção de se enquadrar no SIMPLES, pois para tanto, deveria ter comprovado, concomitantemente, os pagamentos dos DARF-SIMPLES e a entrega da Declaração Anual Simplificada - que em tal decisão consta que em relação aos DARF-SIMPLES é inequívoca sua apresentação, porém no que se refere à Declaração Anual Simplificada, a mesma foi substituida pela Declaração IRPJ — Lucro Presumido; - que ante o seu erro de fato ao deixar de assinalar que era optante pelo SIMPLES o sistema da Receita Federal não autorizou a emissão de Declaração Anual Simplificada e para não ficar com pendências acessórias com a RFB entregou sua Declaração como Lucro Presumido em relação aos exercícios financeiros 2007 e 2008; - que a referida declaração foi entregue em branco não caracterizando dessa forma a opção pelo Lucro Presumido, - que após o despacho decisório proferido a impugnante regularizou sua situação apresentando sua Declaração Anual Simplificada nos exercícios de 2007 e 2008; - que protocolou recurso dirigido ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, pendente de Julgamento. -que o presente Auto de Infração é nulo de pleno direito por violar o Principio da Legalidade Tributária tendo em vista que tanto o CTN quanto o Decreto n° 70.235/1972 prescrevem que a pendência de processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Cita legislação; - que estando as contribuições, cujas obrigações acessórias são as constantes no presente Auto de Infração abrangidas pelo regime do SIMPLES não pode a autoridade exigir da impugnante o pagamento de tais contribuições enquanto pendente recurso administrativo com efeito suspensivo relativamente a sua opção por esse regime; Fl. 184DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 - que este Auto de Infração é nulo; - que ademais considerando que a contribuinte optou inequivocamente pelo SIMPLES e efetuou recolhimentos por meio de DARF_SIMPLES englobando impostos e contribuições determinados pela Lei Complementar 123/2006 não há crédito a ser exigido; - que exigir o recolhimento integral do tributos elencados nesta autuação é verdadeiro bis in idem; - que corre o risco de ter o seu nome inscrito em divida ativa seguido de ajuizamento na respectiva execução fiscal; - que versando o Auto Impugnado sobre o recolhimento de multa administrativa por ter apresentado GFIP enquadrando-se no SIMPLES, a pendência de julgamento pelo Conselho de Contribuintes do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES constitui vedação para que a Autoridade Tributária adote atos para sua cobrança; - que requer seja este lançamento extinto face a nulidade do presente Auto de Infração. Por ocasião da impugnação o Sujeito Passivo juntou cópias de documentos (fls. 31/116), dentre as quais: - cópia de Requerimento de Empresário, protocolado na Junta Comercial em 03/03/2006 (fls. 31/32). - cópia de Acórdão n° 09-22301, de 29/01/2009 exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que não acatou o pedido constante na manifestação de inconformidade do sujeito passivo (fls. 37/39); - cópia de Manifestação dirigida ao CARF quanto a decisão em 1 a instância administrativa consubstanciada no Acórdão 09-22.301 (fl. 40) e; - cópia do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares de 20/12/2006 (fls. 47/48). Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Belo Horizonte/MG, às fls. 131/142, julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. SIMPLES. LANÇAMENTO FISCAL. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE. SOBRESTAMENTO DO' PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. MULTA. Apresentar GFIP omitindo fatos geradores ou contribuições previdenciárias constitui infração à legislação. O contribuinte não optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, deve declarar em GFIP e recolher as Contribuições Previdenciárias como as empresas em geral. Fl. 185DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a inclusão da empresa do SIMPLES Federal não impede a constituição do crédito tributário. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora observou, por meio das telas de consulta de fls. 148, 150 e 151, e com base nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/GVS n° 266211, de 22/08/2008 (fl. 149), que a RECORRENTE esteve incluída no SIMPLES Nacional de 01/07/2007 a 31/12/2008, tendo sido excluído apenas em 30/10/2008 com efeitos a partir de 01/01/2009. Assim, deu provimento em parte à impugnação, pois ficou comprovado que a partir de 07/2007 a RECORRENTE era optante do Simples Nacional, razão pela qual as contribuições previdenciárias relativas a parcela da empresa estava dispensada por força do art. 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006, com redação anterior à modificação estabelecida pela Lei Complementar nº 127/2007, que entrou em vigor em 14/08/2007. É que a partir da LC 127/2007, o recolhimento das contribuições previdenciárias através do SIMPLES Nacional deixou de ser permitido para as atividades de prestação de serviços de transportes intermunicipais e interestaduais, devendo a contribuição ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes. A autoridade julgadora entendeu que a RECORRENTE exerce, dentre outras, a atividade de transporte (fl. 36), o que a exclui da substituição prevista pela Lei n° 123/2006, art. 13, inciso VI, em relação aos fatos geradores ocorridos após a entrada em vigor da LC n° 127 de 14/08/2007. Assim, para os fatos geradores ocorridos de 08/2007 a 12/2007, entendeu que a RECORRENTE, mesmo optante pelo SIMPLES Nacional, deveria ter efetuado o recolhimento da mesma forma que as empresas em geral. Ademais, sobre a multa relativa ao período de 07/2007, a autoridade julgadora apenas retificou a multa aplicada, pois, apesar de não ser devida a contribuição previdenciária no mencionado período, seria devida apenas a multa pela não inclusão em GFIP da parte dos segurados empregados, conforme planilha de fls. 12/13: Nesse caso, tendo em vista que o contribuinte também deixou de incluir em GFIP segurados empregados conforme discriminados no anexo de fls. 08/09, as multas aplicadas nas competências de 07/2007 deve ser retificada e reduzida para R$ 383,88 já que essa importância corresponde a omissão da parte dos segurados, devida inclusive pelas empresas optantes pelo SIMPLES Nacional. Deste modo, a multa da competência 07/2007 foi reduzida de R$ 2.863,58 para R$ 383,88. Do Recurso Voluntário Fl. 186DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 A RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 30/03/2011, conforme AR de fl. 144, apresentou Recurso voluntário de fls. 145/155 em 28/04/2011. Em suas razões de recurso, reiterou os argumentos da Impugnação. Da Resolução convertendo em diligência Durante a sessão de julgamento realizada em 13/05/2014, a Egrégia 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara entendeu por converter o julgamento deste processo em diligência, conforme Resolução nº 2403-000.253 de fls. 161/167, para que fosse informado o resultado do julgamento do processo nº 13634.000471/2006-15, que tratava da inclusão retroativa da empresa RECORRENTE no SIMPLES, o que teria reflexo no mérito do crédito tributário deste caso. Em resposta, a Secretaria da Câmara proferiu o despacho de encaminhamento de fls. 169 no qual informou a impossibilidade de manter sobrestado processos de matéria cuja competência seja de outra Seção do CARF. Ato contínuo, foi proferida a solicitação de vinculação e sobrestamento de julgamento, proferida pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, solicitando, mais uma vez, a vinculação deste processo ao processo nº 13634.000471/2006-15 e o sobrestamento do julgamento nesta 2ª Câmara até que seja prolatada a decisão relativa ao processo principal. Posteriormente, foi juntado aos autos o acórdão nº 1003-000.079 (fls. 174/180), de 05/07/2018, que deu provimento ao recurso voluntário da ora RECORRENTE apresentado no processo nº 13634.000471/2006-15. Tendo sido cumprida a diligência, o processo foi encaminhado para 2ª Seção para novo sorteio, conforme despacho de fls. 181. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Fl. 187DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 MÉRITO Como pontuado, trata-se de retorno de diligência que teve por finalidade juntar a este processo o resultado do julgamento do processo nº 13634.000471/2006-15, que tratava sobre a inclusão retroativa da RECORRENTE no Simples. O resultado daquele julgamento é relevante para o presente caso na medida em que o deferimento da inclusão retroativa no Simples afeta a obrigação tributária principal do recolhimento das contribuições previdenciárias, cuja multa por falta de inclusão em GFIP é cobrada nestes autos. Depreende-se do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação Pois bem, como cediço, existe distinção clara entre as obrigações principais e acessórias. Apesar da obrigação principal não se confundir com a obrigação acessória (a obrigação principal é de pagar o tributo, ao passo que a obrigação tributária acessória é declarar em GFIP a ocorrência do fato gerador, são condutas independentes. Ora, tanto o são que poderia o contribuinte ter declarado em GFIP a ocorrência do fato gerador mas não tê-lo pago, conduta que viola apenas a obrigação principal, como poderia ter regularmente pago o tributo sem tê-lo declarado em GFIP, conduta que fere a obrigação acessória) o reconhecimento da inexistência da obrigação principal necessariamente implica na inexigibilidade da obrigação acessória aqui exigida. Isto porque, se inexistia o dever da RECORRENTE de recolher a contribuição previdenciária patronal (contribuição da empresa), por estarem inclusas nas guias de recolhimento para o SIMPLES, também inexistia qualquer obrigação legal de incluí-las em Fl. 188DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 GFIP, na medida em que o recolhimento destas contribuições será feito no documento de arrecadação do simples nacional (“DARF-SIMPLES”) e não através da GFIP. Em consulta ao acórdão colacionado às fls. 174/180, verifica-se que foi dado provimento ao recurso voluntário da RECORRENTE e deferida a inclusão retroativa no Simples para os anos calendários de 2006 e 2007, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2006,2007 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. A conclusão do voto foi a seguinte (fls. 179/180): Em relação às Declarações de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anos-calendário de 2006 e 2007, fl. 54, infere-se que foram substituídas nos sistemas internos da RFB, pelas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782 e do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395, apresentadas em 16.07.2010. Logo, é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) nos anos- calendário de 2006 e 2007. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, tem cabimento. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Do acima exposto, entendo que o acórdão proferido no processo nº 13634.000471/2006-15 teve o condão de reconhecer a inclusão retroativa da RECORRENTE na sistemática do Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317/1996, e que vigorou até 30/06/2007. A partir de 07/2007, passou a vigorar a sistemática do Simples Nacional, instituído pela LC 123/2006 (apesar de ter sido publicada em 15/12/2006, o seu art. 88 fez a ressalva de que o Fl. 189DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte entraria em vigor em 1º de julho de 2007). Preliminarmente, destaca-se que, no período objeto do auto de infração (04/2006 a 12/2007), a RECORRENTE estava incluída em 2 programas distintos: até 06/2007 no SIMPLES FEDERAL, e a partir de 07/2007 no SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, aplicando-se os termos do que restou decidido no processo nº 13634.000471/2006-15, no período de 04/2006 a 06/2007, a RECORRENTE estava dispensada da arrecadação – sob a sistemática regular – das contribuições para seguridade social, relativa a parcela da empresa, por força do art. 3º, §1º, alínea “f” da Lei nº 9.317/1996, abaixo reproduzido: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: (...) f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Portanto, em razão do deferimento da inclusão retroativa da RECORRENTE no Simples Federal, não existem dúvidas quanto à inclusão desta contribuição no valor por ela já arrecadado mediante a sistemática simplificada, devendo ser excluído da base de cálculo da multa os valores de contribuições a cargo da empresa não declarados em relação ao período de 04/2006 a 06/2007, por desobrigação da contribuinte em informar tais valores em GFIP. Os valores das contribuições a cargo dos segurados empregados nas competências 05/2007 a 08/2007, e que também serviram de base de cálculo para a multa, serão analisados em tópico específico adiante. Quanto ao período de 07/2007 a 12/2007, a autoridade julgadora de primeira instância constatou que a RECORRENTE estava incluída no SIMPLES Nacional de 01/07/2007 a 31/12/2008. No entanto, retificou apenas a multa relativa ao período de 07/2007 (conforme será tratado em tópico específico) e manteve a multa de 08/2007 a 12/2007 por entender que a partir das modificações instituídas pela Lei Complementar nº 127/2007 (que vigorou a partir de 08/2007), a contribuinte passou a não poder realizar o recolhimento de contribuições previdenciárias através do SIMPLES em razão de sua atividade (serviços de transportes). Quanto ao argumento levantado pelo DRJ de que a RECORRENTE prestava serviço de transporte, razão pela qual estaria enquadrado na regra contida no art. 18, §5º, inciso VI da Lei nº 123/2006 (com redação dada pela Lei nº 127/2007) que determina que as contribuições previdenciárias não estão incluídas no SIMPLES NACIONAL, entendo que o entendimento não merece prosperar. Fl. 190DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10256.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10256.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10034.htm Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 De fato, no período entre 14/08/2007 até 31/12/2007 estava em vigor a seguinte redação para o art. 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006: Art. 13 [...] VI - Contribuição para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços previstas nos incisos XIII e XV a XXVIII do § 1o do art. 17 e no inciso VI do § 5o do art. 18, todos desta Lei Complementar; [...] (Grifou-se) Por sua vez, assim determinava o art. 18, inciso VI, da referida lei: Art. 18 [...] §5º [...] VI - as atividades de prestação de serviços de transportes intermunicipais e interestaduais serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar, acrescido das alíquotas correspondentes ao ICMS previstas no Anexo I desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo esta ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis. Pela leitura dos dispositivos em comento, é possível concluir, a princípio, que as empresas que explorem as atividades de prestação de serviço de transportes intermunicipais e interestaduais não devem recolher as contribuições previdenciárias através da arrecadação unificada do Simples Nacional. Contudo, para que isto seja possível, é necessário que seja comprovada a efetiva prestação do transporte interestadual e intermunicipal, não bastando apenas a existência de tal atuação no objeto social da empresa. Neste sentido, entendeu o CARF: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA CONSTANTE EM CONTRATO SOCIAL. NECESSIDADE DE PROVA DO DESEMPENHO PELO CONTRIBUINTE. TRANSPORTE INTERESTADUAL E INTERMUNICIPAL. NOTAS FISCAIS ACOSTADAS AOS AUTOS DEMONSTRANDO EFETIVA PRESTAÇÃO. INDEFERIMENTO. A denegação da opção de apuração de tributos pelo regime do SIMPLES Nacional demanda a verificação do efetivo desempenho pelo contribuinte de atividade econômica vedada, não bastando estar arrolada tal atuação empresarial em contrato ou estatuo social. Uma vez verificada a emissão pelo contribuinte de Notas Fiscais, registrando a prestação de serviços de transporte de passageiros, tanto interestadual como intermunicipal, no segundo semestre do ano de 2007, confirma-se o indeferimento da opção para tal período. (Acórdão nº 1402003.618, de 12/12/2018) (Grifou-se) No julgado acima mencionado, em que analisava se a empresa poderia ser excluída do Simples Nacional por ter em seu contrato social a previsão da prestação de serviço de transporte intermunicipal de passageiros, conduta vedada à época pelo art. 17, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006, o CARF entendeu que a simples previsão não é suficiente para fazer incidir a vedação, sendo necessária a efetiva comprovação da prestação do serviço. Fl. 191DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8212cons.htm#art22 Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 No presente caso, a DRJ baseou-se exclusivamente no requerimento de empresário de fls. 36, que assim dispõe: Percebe-se que apesar da atividade de transporte de cana de açúcar estar incluída na descrição do objeto, em análise a classificação CNAE eleita (vigente à época do fato gerador), as atividades da RECORRENTE são classificadas como atividades rurais, e não atividades de transporte de cargas: Atividade principal: Atividades secundárias: Até mesmo o item 0161-9/99, também incluído no objeto social da RECORRENTE, não inclui o serviço de transporte intermunicipal e interestadual, conforme observa-se da nota explicativa: Fl. 192DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 Infere-se, portanto, que a RECORRENTE não tem como objeto social a prestação de serviços de transportes intermunicipais e interestaduais, como a autoridade julgadora leva a entender, mas sim a prestação de serviços relacionados a agricultura, dentre eles colheita e, talvez, o transporte da produção. Sobre o transporte da produção, não existe nenhuma comprovação que se trata de transporte intermunicipal ou interestadual nos autos, ou que a RECORRENTE preste este serviço de maneira autônoma e exclusiva. Assim, entendo que a simples menção na descrição do objeto social do termo “transporte de cana de açúcar” não é suficiente para fazer incidir a previsão contida no art. 18, §5º, inciso VI da Lei nº 123/2006. Logo, as contribuições previdenciárias devidas pela empresa estavam incluídas na guia de arrecadação unificada, razão pela qual inexistia obrigação da RECORRENTE declarar em GFIP, no período fiscalizado, os valores de contribuições previdenciárias patronais devidas. Quando do julgamento do processo nº 10630.001990/2010-11, apreciado na mesma sessão de julgamento do presente caso, esta Egrégia Turma entendeu por dar provimento ao recurso da contribuinte. Assim, concluiu que, em todo o período fiscalizado, a contribuinte estava desobrigada a recolher, de maneira autônoma, as contribuições previdenciárias relativa a parte da empresa. Ou seja, para o período até 06/2007 prevaleceu a decisão dos autos do processo nº 13634.000471/2006-15 (a qual teve o condão de reconhecer a inclusão retroativa da RECORRENTE na sistemática do Simples Federal) e a partir de 07/2007 (quando já havia o expresso reconhecimento de que a contribuinte estava incluída no SIMPLES Nacional) restou decidido que não havia impedimento para o recolhimento das contribuições previdenciárias mediante a guia de arrecadação unificada do Simples Nacional (não houve a efetiva comprovação de que a empresa prestava serviços de transportes intermunicipais e interestaduais). Portanto, além do período de 04/2006 a 06/2007 (pelas razões já expostas), os valores das contribuições a cargo da empresa devem ser excluídos da base de cálculo da multa também para o período de 07/2007 a 12/2007, por desobrigação da contribuinte em informar tais valores em GFIP. Fl. 193DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 Com isso, passa-se a analisar a possibilidade de manutenção da multa CFL 68 com base nos valores da contribuição a cargo dos segurados empregados nas competências 05/2007 a 08/2007, que, apesar de recolhidas, não foram declaradas em GFIP. Da contribuição a cargo dos segurados empregados como base da multa CFL 68 De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 07), a RECORRENTE deixou de informar a contribuição a cargo dos segurados empregados nas competências 05/2007 a 08/2007. A análise deste tópico é importante pois, conforme planilha de fl. 15, a multa CFL 68 foi calculada com base em apenas 2 parâmetros: (i) a contribuição patronal a cargo da empresa (empregados e contribuintes individuais), em todos os períodos fiscalizados; e (ii) a contribuição parte dos segurados, apenas nos períodos de 05/2007 a 08/2007. Como já exposto, entendo que deve ser excluída da base da multa o valor da contribuição patronal a cargo da empresa. Resta analisar a manutenção da multa a ser calculada sobre o valor da contribuição parte dos segurados, nas competências 05/2007 a 08/2007. A DRJ de origem, então, concluiu por reduzir a multa de 07/2007 de R$ 2.863,58 para R$ 383,88, pois apesar de a contribuinte não estar obrigada a arredar as contribuições patronais no período de 07/2007 (quando ela estava sob a sistemática do Simples Nacional), ela tinha a obrigação de declarar em GFIP a contribuição relativa aos segurados empregados, o que deixou de fazer nas competências 05/2007 a 08/2007 (fl. 07 e fl. 15). Assim, em 07/2007, a DRJ excluiu da base da multa a contribuição patronal, porém manteve o valor das contribuições dos segurados não declarada em GFIP (R$ 383,88). O valor das contribuições previdenciárias relativas a parte dos segurados nas competências 05/2007 a 08/2007 foi calculado conforme planilha de fls. 12/13. Esta contribuição, diferentemente da contribuição a cargo da empresa, não está incluída nos tributos arrecadados através do Simples Nacional, nos termos do art. 13, §1º, inciso IX, da Lei nº 123/2006, com sua redação vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: (...) § 1º O recolhimento na forma deste artigo não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: (...) IX - Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador; Fl. 194DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 Apesar de ter recolhido tais contribuições, conforme informou o Relatório Fiscal da Infração (fl. 07), a multa CFL 68 decorre da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; ou seja, se era devida a contribuição previdenciária relativa a parte do trabalhador, seu valor deveria ser informado em GFIP pela contribuinte, sob pena da aplicação da multa correspondente a 100% do valor da contribuição devida e não declarada. Numa análise preliminar, apenas levando em consideração a legislação vigente à época dos fatos, a conclusão da autoridade julgadora de primeira instância estaria perfeita. Ou seja, deveriam ser mantidas as multas referentes às competências de 05/2007 a 08/2007, nos montantes de R$ 386,78 (05/2007), R$ 473,51 (06/2007), R$ 383,88 (07/2007) e R$ 284,64 (08/2007), por representarem 100% do valor relativo à contribuição parte dos segurados não declarada em GFIP. Afinal, repita-se, a base de cálculo da multa CFL 68 (segundo a redação anterior à MP 449/2008) não era a obrigação principal que deixou de ser recolhida, mas sim a contribuição (patronal ou parte dos segurados) que deixou de ser declarada em GFIP. Contudo, por se tratar de penalidade, deve-se levar em consideração o princípio da retroatividade benigna, o que culminara no cancelamento da penalidade ora aplicada. Explica- se: Como cediço, o art. 106, II, “c” do CTN estipulou que a Lei se aplicará a fatos pretéritos quando lhe comine penalidade menos severa do que aquela prevista na lei vigente no tempo da prática do ato: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições previdenciárias (obrigação principal), antes da Lei nº 11.941/2009, eram aplicadas ao contribuinte a multa de mora da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 mais a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, §5º, da mesma Lei nº 8.212/91. Importante observar que a Lei nº 11.941/2009 revogou o § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, assim como promoveu importantes alterações na redação do art. 35 e incluiu os arts. 32 -A e 35-A à Lei nº 8.212/91. Assim, para os casos de lançamento de ofício de obrigação principal, após a Lei nº 11.941/2009, a multa aplicada passou a ser apenas aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 35-A da Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212/91 Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/96 Fl. 195DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Com isso, a multa que passou a ser regida pelo art. 32-A da Lei nº 8.212/1991 trata apenas da não apresentação da GFIP ou da sua apresentação com incorreções ou omissões, porém sem o lançamento de ofício de obrigação principal. Ou seja, a multa do art. 32-A é aplicada de forma isolada somente pelo descumprimento da obrigação acessória, sem estar atrelada a qualquer descumprimento/recolhimento de obrigação principal: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: Sendo assim, a multa do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991 não é aplicável ao presente caso, pois este envolve o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias (obrigação principal), enquanto a referida penalidade pressupõe o lançamento isolado da multa. É válido mencionar tal fato a fim de deixar claro ao contribuinte que a verificação da retroatividade benigna (quando há lançamento de obrigação principal) no presente caso enseja a comparação das seguintes penalidades: - a nova multa de 75% sobre o valor do principal devido; - a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 sobre o valor do principal devido + a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme antiga redação do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. O menor valor de penalidade dentre as duas hipóteses acima citadas é o que deve prevalecer para ser cobrado do contribuinte, conforme determina o art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476-A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I - até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II - a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 196DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. Sobre o caso, cito a Súmula CARF nº 119: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). No presente caso, a comparação das multas (a fim de aplicar a retroatividade benigna) já foi analisada antes do lançamento, conforme fls. 16/17. Para as competências 05/2007 a 08/2007 (analisadas no presente tópico), foi mantida a multa anterior à MP 449/2008 por ser mais benéfica. Por se tratar de apenas 4 competências e com base em apenas 2 parâmetros (contribuição patronal e parte segurados), a comparação das multas é possível de ser feita neste voto sem maiores complicações. Primeiramente, importante rememorar que, em decorrência do cancelamento da obrigação principal de contribuições patronais (processo nº 10630.001990/2010-11, julgado na mesma sessão do presente caso sob minha relatoria) não havia obrigação da contribuinte em informar tais valores em GFIP (se não há obrigação de pagar, não há obrigação de declarar). Assim, o único parâmetro que serve como base da multa CFL 68 são as contribuições parte dos segurados que a contribuinte tem a obrigação de pagar (não estão englobados no Simples), porém apenas deixou de declará-los em GFIP nas competências 05/2007 a 08/2007 (o valor foi recolhido, conforme aponta a autoridade fiscal à fl. 07, por isso não houve lançamento de obrigação principal sobre tais parcelas). Fazendo a comparação das penalidades, a legislação atual prevê que a multa seja 75% da obrigação e, no caso, não mais existe obrigação principal, não mais deve subsistir a multa. Utilizando a mesma planilha elaborada pela autoridade lançadora, verifica-se o seguinte: Fl. 197DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.563 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001930/2010-06 Competência (1) Multa Anterior (2) AI 68 (3) Total Multa Anterior (1 + 2) (4) Multa atual (5) Multa menos severa (3 ou 4) 05/2008 0,00 386,78 386,78 0,00 Atual 06/2008 0,00 473,51 473,51 0,00 Atual 07/2008 0,00 383,88 383,88 0,00 Atual 08/2008 0,00 284,64 284,64 0,00 Atual As colunas “Multa anterior” e “multa atual” estão zeradas pois tais multas são um percentual do crédito tributário de obrigação principal lançado. Como houve o cancelamento da obrigação principal, não há valor base para referidas multas. É evidente que a multa deve ser afastada, pois a legislação atual do art. 35-A da Lei nº 8.212/91 (que deve ser aplicada por ser mais benéfica ao contribuinte) não atrela a multa de ofício à ausência de declaração em GFIP, mas sim à falta de pagamento do crédito tributário, o que não ocorreu no presente caso. Por se tratar de lançamento que teve a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal (processo nº 10630.001990/2010-11) a comparação das multas deve ser feita nos moldes acima apresentados, e não comparando-se a multa anterior com a atual multa do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, conforme disciplina o art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, já citado. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904820/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Tratase de processo em que a contribuinte transmitiu Pedido de Restituição em que o direito creditório pleiteado tem como origem o pagamento a maior, ou indevido, de CSLL Lucro Presumido; Entretanto, a unidade de origem da RFB indeferiu o pedido de restituição, pois referido valor reclamado fora consumido, utilizado integralmente pela contribuinte para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 82 0/ 20 12 -7 9 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 3 2 Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que requer: a) restituição de valores do IRPJ e da CSLL pagos indevidamente com coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% (atividade em geral); que, entretanto, sua atividade envolveria prestação de serviço de natureza hospitalar e, assim, os percentuais dos coeficientes de presunção do lucro seriam inferiores aos que utilizara na apuração e pagamento desses tributos; b) o pedido de repetição do indébito tributário, para verificação do alegado erro de fato atinente à aplicação dos coeficientes de presunção na apuração e pagamentos dos tributos; a existência do erro de fato na apuração dos débitos desses tributos e recolhimentos, cujos coeficientes corretos de presunção do IRPJ e da CSLL seriam, respectivamente, de 8% e 12% e não 32%; Por fim, a contribuinte reiterou o pedido de reconhecimento do direito creditório pleiteado. Obs: O procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795 se restringiu apenas ao anocalendário 2006. A 3ª Turma da DRJ/Recife, por inexistir conexão processual/probatória, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, conforme Acórdão, cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, bem como, no que pertinente, o seu voto condutor, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição ou compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. Mantémse o despacho decisório que indeferiu pedido de restituição quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Inconformada com a decisão da DRJ/Recife a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, argumentando, in verbis: (...) A causa do indeferimento, por outro lado, foi essencialmente o fato, relatado pela autoridade fazendária, de que tal pagamento, [...], seria relacionado a tributo (CSLL) declarado pelo contribuinte, em DCTF por ele apresentada [...] Ocorre que, embora seja inegável que a recorrente apresentou a referida DCTF, é preciso observar que aquela declaração se deu quando ela erroneamente apurava o imposto de renda (IRPJ) e a CSLL, pela sistemática do lucro presumido, mediante aplicação do percentual de 32% para apuração da base de cálculo sobre a qual incidiriam referidos tributos, quando na realidade, por exercer Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 4 3 atividades hospitalares, deveria aplicar o percentual de apenas 8% para o IRPJ, e 12% para a CSLL, em tal determinação, tendo sido exatamente esta, a causa para os recolhimentos indevidos. (...) É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1301 000.538, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/201245. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1301000.538): O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e atende às demais condições de admissibilidade. Por isso, tomo conhecimento do recurso. A lide objeto dos autos trata do pedido de repetição do indébito tributário de pagamento indevido ou a maior de tributo (s) apurado (s) pelo regime do lucro presumido, no (s) período (s) especificado (s) no PER. Argumenta a recorrente que, nesse (s) períodos (s), exerceu atividade de prestação de serviços hospitalares, fazendo jus à utilização dos coeficientes reduzidos de presunção do lucro, ou seja, 8% (oito por cento) para o IRPJ e 12% (doze por cento) para a CSLL quanto a receitas (faturamento) dessa atividade; que, entretanto, apurara e pagara os tributos com coeficiente de presunção de 32% (atividade em geral), gerando o crédito reclamado nestes autos. As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 5 4 nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: Serviços hospitalares: O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251PR). Serviços hospitalares são "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Custos diferenciados: A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. Sociedade empresária: Entende o STJ que a partir da data da vidência da Lei 11.727 , de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249 /95 para atividade de serviços de natureza hospitalar. Nesse sentido, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp nº 951.251PR da 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Castro Meira, Sessão de Julgamento de 22/04/2009, publicado no DJe 03/06/2009, in verbis: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇAO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, 1º, III, A, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. O art. 15, 1º, III, a, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa . Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº11.727/2008. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 6 5 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (STJ REsp: 951251 PR 2007/01102360, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 22/04/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: 20090603 > DJe 03/06/2009 Ainda, transcrevo a ementa do Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, que se reporta ao citado REsp nº 951.251PR in verbis: (...) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1 . Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares"prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 7 6 restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR , da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que,"em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. (...) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 8 7 Por fim, ainda por ser esclarecedor e sintetizar o entendimento do STJ, quanto às condições para apuração do IRPJ e da CSLL mediante coeficientes reduzidos de presunção do lucro, transcrevo a ementa do Acórdão do TRF/4ª Região, Primeira Turma, Sessão de Julgamento de 22/04/2015, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, in verbis: Ementa TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. LEI Nº 9.249/95. LEI 11.727/98. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. 1. Os artigos 15, § 1º, III, a e 20, da Lei nº 9.249/1995, prevêem a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL para as prestadoras de serviços hospitalares. 2. O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse no sentido de que o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos 'relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade' (RESP nº 951.251). 3. A jurisprudência do STJ consolidouse no sentido de que a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL não inclui as consultas médicas, visto que somente os serviços especializados de saúde, com custos diferenciados, inseremse no conceito de serviços hospitalares. 4. A partir da data da vidência da Lei 11.727, de 2008, apenas as sociedades empresarias fazem jus ao benefício previsto na Lei 9.249/95. (TRF4 APELREEX: 50285396820124047000 PR 5028539 68.2012.404.7000, Relator: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE, Data de Julgamento: 26/11/2014, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 27/11/2014) Como visto, pelo entendimento do STJ o benefício fiscal previsto na Lei nº 9.249/95 deve ser concedido de forma objetiva, a empreendimentos "relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade" (RESP nº 951.251). Compulsando os autos, constato que: 1) Quanto à natureza da atividade prestação de serviço hospitalar: No seu objeto social, a contribuinte possui diversas atividades, além da prestação de serviço hospitalar. Ou seja, juntou aos autos cópias dos Atos Constitutivos e Alterações, com objeto social diversificado, senão vejamos: a) consta do Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil de Quotas de Responsabilidade Ltda, com denominação de PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LIMITA, de novembro/1989, registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, em 18/01/1990 (efls. 18/30), como objeto social, conforme CLÁUSULA, in verbis: SEGUNDA O Objeto da sociedade será o de prestação de serviços, na área de saúde, através de assistência médica, odontológica, farmacêutica e outras atividades afins. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 9 8 b) consta do Instrumento Particular de Alteração Contratual da Firma PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/12/2001, registrado no 1º Ofício de Belém do Pará Registro Civil das Pessoas Jurídica, em 20/12/2001 (efls. 18/30), como objeto social, na Cláusula Quinta, in verbis: CLÁUSULA QUINTA O objetivo da sociedade passa a ser o seguinte: 1 Prestação de Serviço na Área de Saúde, através de Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica; inclusive, Laboratoriais e de Diagnóstico, Plano de Saúde, Consultoria, Planejamento, Assessoria, Auditoria, Perícia Médica, Medicina do Trabalho, Administração de Sistemas e Serviço de Saúde, Locação de Mão de Obra, Limpeza, Agenciamento, Conservação, Higienização, Assepsia e Aluguel de Imóveis, Utensílios e Equipamentos. c) consta da cópia da Décima Alteração do Contrato Social da Sociedade PRE SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA, de 14/06/2007, registrado 03/07/2007 na Junta Comercial do Estado do Pará, como objeto social consignado na Cláusula Segunda (efls. 18/30): Cláusula Segunda DO OBJETIVO SOCIAL O objetivo social é a prestação de serviços nas Atividades de Atenção à Saúde Humana, através de: Serviços Móveis de Atendimento a Urgências e de Remoção de Pacientes; Atividades de Atenção Ambulatorial executada por Médicos e Odontólogos; Atividades de Serviços de Complementação Diagnóstica e Terapêutica; Atividades de Profissionais da Área de Saúde; Atividades de Apoio à Gestão da Saúde; Atividades de Atenção à Saúde Humana Integrada com Assistência Social, Prestada em Residências Coletivas e Particulares. Planos de Saúde; Fornecimento e Gestão de Recursos Humanos Para Terceiros; Limpeza em Prédios e em Domicílios e Aluguel de Bens Móveis, Imóveis, Utensílios e Equipamentos; Atividade Odontológica com Recursos para Realização de Procedimentos Cirúrgicos; Laboratórios Clínicos; Serviços de Diagnósticos por Registro Grágico ECG, EEG e Outros Exames Análogos. Como demonstrado, a contribuinte tem por objeto social atividades diversificadas, e algumas atividades não configuram serviço hospitalar quanto ao (s) PA (s) objeto dos autos, conforme se observa dos seus atos constitutivos. Mesmo em relação à atividade que se considera, em tese, serviço hospitalar, a contribuinte não juntou provas aos autos de que só exercera atividade de serviço hospitalar, que sua receitas decorreram exclusivamente da prestação de serviços hospitalares, quanto ao (s) PA objeto (s) do pedido de restituição de pretenso pagamento indevido ou maior. A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 10 9 Por outro lado, a contribuinte juntou cópia do resultado do procedimento de fiscalização realizado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Belém de que trata o processo nº 10280.002739/200795, mas, diversamente do alegado pela contribuinte, referese apenas ao ano calendário 2006, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, de 23/03/2011. Portanto, período de apuração diverso do objeto destes autos. A propósito quanto à falta de provas da existência do direito creditório pleiteado, transcrevo, nessa parte, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) 19. Não há, nos autos, prova alguma de que a interessada atendeu, no período de apuração de que se cuida, aos pressupostos estabelecidos para que fosse enquadrada como prestadora de serviços hospitalares. 20. O procedimento fiscal invocado pela inconformada, cujo termo se acha às fls.31/32, dá conta de que o Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, à vista da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, bem como das notas fiscais, contratos de serviços e atestado da Secretaria Municipal de Saúde, concluiu que, no anocalendário 2006, 71% das receitas da empresa tiveram origem em serviços hospitalares, razão pela qual poderia utilizarse dos percentuais de presunção de 8% e de 12% respectivamente para o IRPJ e para a CSLL. (...) Assim, em relação à natureza da atividade exercida pela contribuinte, quanto ao (s) P.A (s) objeto do pedido de restituição do direito creditório, tornase necessário instrução processual complementar para apuração da receita especificamente da atividade de prestação de serviço hospitalar, seu percentual em relação à receita bruta total do (s) do (s) respectivo (s) período (s) considerado (s) objeto (s) dos autos. 2) Custos diferenciados: Em observância do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na interpretação da Lei nº 9.249/1995 ao julgar Recurso Especial representativo de controvérsia, na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que há necessidade do contribuinte comprovar a existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual, de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Portanto, a contribuinte terá que comprovar custos diferenciados da sua atividade de prestação de serviços hospitalares em relação ao mero exercício intelectual e pessoal de profissão regulamentada, atividade exercida nos consultórios médicos (consultas médicas). 3) Forma da exploração da atividade hospitalar: Diz respeito à organização da atividade de prestação de serviço hospitalar em caráter empresarial, existência de custos diferenciados, adicionais, em relação a mera sociedade civil de profissão regulamentada (atividade intelectual de prestação de serviço de consulta médica, serviço prestado em consultório médico). Segundo o STJ, a partir da vigência da Lei 11.727/2008 (art.29), ou seja, a partir de 01/01/2009, ainda é condição sine qua non a Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10280.904820/201279 Resolução nº 1301000.567 S1C3T1 Fl. 11 10 exploração da atividade de serviços hospitalares na forma de sociedade empresária para fazer jus ao benefício fiscal da redução dos coeficientes de presunção do lucro. Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722211/2017-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. NÃO EVENTUALIDADE. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. NATUREZA SALARIAL
A gratificação tem nítida natureza salarial, pois tem contornos de abono concedido ao empregado que visa agraciá-lo pela prestação dos serviços, e constitui verba remuneratória que deve integrar o salário de contribuição, amoldando-se ao conteúdo do artigo 28, I da Lei nº 8.212/91 e não se ajusta às hipóteses contidas no seu § 9º, alínea e, item 7
BÔNUS DE DESEMPENHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA.
Diante da natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, pelo e não para o trabalho, há, portanto, a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica.
PAGAMENTOS COM RUBRICAS DEFERENTES. DENOMINAÇÕES DIVERSAS PARA NÃO INCIDÊNCIA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO PRÊMIO, BÔNUS E DEMAIS ENCARGOS. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Os pagamentos efetuados com habitualidade e com denominações diversas, bem como não observados a legislação previdenciária, mesmo que à título de prêmios ou abono incide a respectiva contribuição previdenciária, uma vez que caracteriza salário indireto de verbas que não estão contempladas pela Lei, em razão das características que possuem.
ABONO E PRÊMIOS.
Apenas o abono e os prêmios previstos em Convenção Coletiva de Trabalho- CCT, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, por força de norma exarada pela PGFN, deve ser excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
PRÊMIO INVENTOR E PREMIO APOENA.
A Lei nº 9.279/98 prescreve desvinculação ao salário do pagamento de prêmios, quando cumpridas as condições legais, o que remete à esfera trabalhista, não incidindo natureza salarial e consequentemente não havendo contribuição previdenciária.
GRATIFICAÇÃO GERENCIAL
A referida gratificações possui natureza salarial, pois tem contornos de abono concedido ao empregado que visa agraciá-lo pela prestação dos serviços, e constitui verba remuneratória que deve integrar o salário de contribuição, amoldando-se ao conteúdo do artigo 28, I da Lei nº 8.212/91 e não se ajusta às hipóteses contidas no seu § 9º, alínea e, item 7.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Súmula CARF n.º 28.
A Súmula 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
SÚMULA CARF 88. VINCULANTE.
Nos termos da Súmula Vinculante do CARF n.º 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 2301-006.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para, por unanimidade, excluir do lançamento os valores relativos ao Prêmio Apoena (rubrica 0171) e ao Prêmio Inventor (rubrica 646) e, por voto de qualidade, manter o lançamento relativo à Gratificação Contingente, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que excluíam também essa gratificação. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.
(assinado digitalmente)
JOÃO MAURÍCIO VITAL - Presidente
(assinado digitalmente)
WESLEY ROCHA - Relator
(assinado digitalmente)
CLEBER FERREIRA NUNES LEITE - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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NÃO EVENTUALIDADE. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. NATUREZA SALARIAL A gratificação tem nítida natureza salarial, pois tem contornos de abono concedido ao empregado que visa agraciá-lo pela prestação dos serviços, e constitui verba remuneratória que deve integrar o salário de contribuição, amoldando-se ao conteúdo do artigo 28, I da Lei nº 8.212/91 e não se ajusta às hipóteses contidas no seu § 9º, alínea “e”, item 7 BÔNUS DE DESEMPENHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Diante da natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não “para” o trabalho, há, portanto, a incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica. PAGAMENTOS COM RUBRICAS DEFERENTES. DENOMINAÇÕES DIVERSAS PARA NÃO INCIDÊNCIA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO PRÊMIO, BÔNUS E DEMAIS ENCARGOS. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Os pagamentos efetuados com habitualidade e com denominações diversas, bem como não observados a legislação previdenciária, mesmo que à título de prêmios ou abono incide a respectiva contribuição previdenciária, uma vez que caracteriza salário indireto de verbas que não estão contempladas pela Lei, em razão das características que possuem. ABONO E PRÊMIOS. Apenas o abono e os prêmios previstos em Convenção Coletiva de Trabalho- - CCT, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, por força de norma exarada pela PGFN, deve ser excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias. PRÊMIO INVENTOR E PREMIO APOENA. A Lei nº 9.279/98 prescreve desvinculação ao salário do pagamento de prêmios, quando cumpridas as condições legais, o que remete à esfera AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 22 11 /2 01 7- 61 Fl. 4925DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 trabalhista, não incidindo natureza salarial e consequentemente não havendo contribuição previdenciária. GRATIFICAÇÃO GERENCIAL A referida gratificações possui natureza salarial, pois tem contornos de abono concedido ao empregado que visa agraciá-lo pela prestação dos serviços, e constitui verba remuneratória que deve integrar o salário de contribuição, amoldando-se ao conteúdo do artigo 28, I da Lei nº 8.212/91 e não se ajusta às hipóteses contidas no seu § 9º, alínea “e”, item 7. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Súmula CARF n.º 28. A Súmula 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. SÚMULA CARF 88. VINCULANTE. Nos termos da Súmula Vinculante do CARF n.º 88, a Relação de Co- Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para, por unanimidade, excluir do lançamento os valores relativos ao Prêmio Apoena (rubrica 0171) e ao Prêmio Inventor (rubrica 646) e, por voto de qualidade, manter o lançamento relativo à Gratificação Contingente, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que excluíam também essa gratificação. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite. (assinado digitalmente) JOÃO MAURÍCIO VITAL - Presidente (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA - Relator (assinado digitalmente) CLEBER FERREIRA NUNES LEITE - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e Fl. 4926DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela recorrente PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A., em face do Acórdão de julgamento n.º 16-82.667, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo-SP (14ª Turma da DRJ/SPO), que julgou improcedente a impugnação apresentada. O Acórdão recorrido, possui o seguinte relatório (e-fls. 4.716 a 4.754): 1.1. O presente processo administrativo corresponde a lançamento de ofício contra a empresa em epígrafe, consolidado em 10/08/2017, em virtude do descumprimento das seguintes obrigações tributárias: empresa, prevista no art. 22, I, da Lei 8.212/91, incidente sobre as remunerações pagas a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 769.495.820,55 (setecentos e sessenta e nove três milhões, setecentos e setenta e seis mil, trezentos e trinta e seis reais e quatorze centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. com FAP, prevista no art. 22, II, da Lei 8.2121/91, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 165.321.384,71 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e vinte e um mil, trezentos e oitenta e quatro reais e setenta e um centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. ida ao FNDE - Salário Educação, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 18.580.628,59 (dezoito milhões, quinhentos e oitenta mil, seiscentos e vinte e oito reais e cinquenta e nove centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. INCRA, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregos, totalizando o montante de R$ 7.694.947,80 (sete milhões, seiscentos e noventa e quatro mil, novecentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. SENAI, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 38.474.781,14 (trinta e oito milhões, quatrocentos e setenta e quatro mil, setecentos e oitenta e um reais e quatorze centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. Principal (Código de Receita 2323), referente à contribuição devida ao SESI, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 57.712.176,55 (duzentos e vinte e três mil, cinquenta e cinco mil, setecentos e cinquenta e dois reais e quarenta e nove centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. Fl. 4927DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 SEBRAE, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, totalizando o montante de R$ 23.084.864,33 (vinte e três milhões, oitenta e quatro mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e trinta e três centavos), incluídos a multa e os juros, abrangendo o período 01/01/2013 a 31/12/2014. 1.1. No Relatório Fiscal (fls.718/731), a autoridade fiscal informa que constituem fatos geradores das contribuições lançadas, referentes ao período fiscalizado, as remunerações pagas aos segurados empregados a título das seguintes rubricas de folha de pagamento: 195 - GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE; 2195 - DIF GRAT CONTINGENTE; 5195 - DESC GRAT CONTINGENTE 367 - ADIANT GRAT CONTINGENTE; 2367 - DIF AD GRAT CONTINGENTE 5367 - DESC AD GRAT CONTINGENTE;- 664 - GRAT EXTRA GER FUNCAO GR; 2664 - DIF GRAT EXT GER FUN GRAT; 103 - BÔNUS DESEMPENHO; 171 - PREM APOENA RECONH; 215 - REC DESEMP TOPADOS PCAC; 646 - PREM INV PROP CONC PATENT; 1.2. No Relatório Fiscal é informado, ainda, que em resposta ao TIF, a empresa apresentou as seguintes explicações sobre a natureza das rubricas, indicando a fundamentação legal para não as considerar base de cálculo previdenciária: Fl. 4928DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 1.3. Outras rubricas de folha de pagamento objeto do presente lançamento, seguindo a sistemática de codificação adotada pela empresa, representam parcelas acessórias, de diferenças ou descontos, sobre as rubricas do quadro anterior, com codificações acrescidas, respectivamente, de 2000 ou 5000 sobre a codificação da rubrica principal. Assim, são extensíveis às rubricas abaixo as mesmas explicações do quadro anterior. 2195 - DIF GRAT CONTINGENTE 5195 - DESC GRAT CONTINGENTE 2367 - DIF AD GRAT CONTINGENTE 5367-DESCAD GRAT CONTINGENTE 2664-DIF GRAT EXT GERFUN GRAT 1.4. A autoridade fiscal enfatiza que a rubrica 195 – Gratificação Contingente consta dos Acordos Coletivos de Trabalho vigentes no período de 2013 e 2014 e trata-se de simples abono ou gratificação no valor de 100% da remuneração normal. 1.5. A respeito das outras rubricas lançadas (códigos 664, 103, 171, 215 e 646), a autoridade fiscal esclarece que o contribuinte não apresentou justificativa de pagamento como decorrência de Acordo Coletivo de Trabalho, limitando-se a afirmar que se referem a abonos não incorporados ao salário, fundamentando sua não incidência no Art. 28, § 9°, alínea "e", item 7 da Lei 8.212/91 1.6. A autoridade fiscal ao incluir referidas verbas como passíveis de incidência de contribuições previdenciárias, salienta que o § 9º, do art. 28 c/c § 2º do art. 22, ambos da Lei nº 8.212/91 definem as verbas não integrantes da contribuição previdenciária e não devem ser interpretados extensivamente, mercê do art. 111 do CTN. Assim se manifesta no Relatório Fiscal: Não resta qualquer dúvida de que a norma supracitada que regulamentou o § 9º, alínea "e", item 7, do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, ao acrescentar a expressão "por força de lei", não modificou o que a lei já determinava, quando dizia "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados dos salários". É evidente que a expressão "expressamente", no contexto do citado parágrafo, refere-se àquilo que esteja expresso em lei. Há que se considerar, outrossim, que o parágrafo 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 é uma norma isentiva, cuja interpretação não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada nos termos do art. 111, II, do CTN. Do contrário, estaria imprimindo-lhe um alcance que a norma não tem, nem poderia ter, posto que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. Neste diapasão, há que se concluir que os Acordos e Convenções Coletivos, que possuem a natureza de convenção particular e seus efeitos, consoante o disposto no art. 123 do CTN, não podem ser opostos à Fazenda Pública, não afastando, portanto, a incidência da contribuição previdenciária. Dessa forma, os termos neles convencionados têm eficácia restrita às partes aderentes, não podendo se contrapor às disposições da Lei n° 8.212/91, nem ampliar o rol de isenções legalmente previstas. 1.7. A Fiscalização esclarece, por fim, que como não houve qualquer demonstração de que as remunerações pagas pelo contribuinte, a título das rubricas citadas no Relatório Fiscal estariam submetidas à Lei que expressamente as desvinculasse do salário de contribuição, tais remunerações foram consideradas parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas no presente Auto de Infração. DAS DIFERENÇAS DE GILRAT Fl. 4929DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 1.8. Conforme consta do Relatório Fiscal, no presente lançamento, ainda foram apuradas diferenças de alíquota RAT, no período de 01/01/2013 a 31/12/2013, resultante da aplicação do FAP, não declaradas em GFIP. Informa a Fiscalização que: - para as competências de 01/2013 a 13/2013, a autuada informou nas GFIP's o FAP com código 1,000; - o RAT, ajustado pelo FAP, está previsto na Lei nº 8.212/91, art. 22, II c/c Lei nº 10.666/03, art. 10 e Decreto nº 3.048/99, art. 202-A; - o RAT ajustado foi calculado mediante multiplicação de RAT pelo FAP, ou seja, 3% x 1,0625, equivalente à 3.1875%; - o FAP foi extraído do programa SISCOL da RFB; 1.9. Em relação ao RAT/FAP, a autoridade fiscal assim se manifestou: Intimado a justificar porque informou, em relação ao ano de 2013, um FAP de 1,0000, o contribuinte explicou que: "Assim, a partir da publicação do Decreto n° 7.126/2010 em 04/03/2010, a Petrobrás passou a informar nas suas GFIP's o FAP nulo (1,0000) em virtude da suspensão da exigibilidade do FAP atribuído à empresa pelo ingresso de Contestação." Em função dessa resposta, enviou-se o Ofício 007/2017 - RFB/DEMAC/RJO/Difis, de 27/11/2017, (Doc. 9 - "Ofício 15_2017 - FAP 2013") a Coordenadoria Geral de Monitoramento dos Benefícios por Incapacidade, solicitando que se informasse a situação atual do FAP, referente ao processo n° 1211010005258011, da empresa Petrobrás S.A., com relação ao ano de 2013. Por meio da resposta ao aludido ofício, veiculada pelo Ofício n° 15/2017 - CGMBI/SRGP/SPREV/MF, de 04/12/2017, teve-se notícia de que a Petrobrás S.A. contestara o FAP estabelecido para o ano de 2103 conforme o referido processo, obtendo decisão administrativa que alterou o valor do FAP original (antes do julgamento) de 1,0714 para 1,0625. Após tal decisão, a Petrobrás S.A. protocolou recurso em 2a instância, o qual se encontra atualmente com o status "Aguardando Análise da Autoridade". Em 26/12/2017, foi publicado no Diário Oficial da União - DOU - Seção 3, a decisão da autoridade competente em relação ao recurso protocolado pela Petrobrás S.A. no âmbito do processo n° 1211010005258011, que resultou no Indeferimento Total do seu pleito ("Doc. 10 - Decisão RAT -DOU 26_12_2017"). Sendo assim, ratificou-se o índice de 1,0625 constante da base de dados da Receita Federal do Brasil, efetuando-se os cálculos com base nesta informação. Assim, lançaram-se neste Auto de Infração as diferenças verificadas entre as contribuições previdenciárias apuradas pela aplicação dos percentuais de RAT Ajustado e aquelas declaradas pela empresa em GFIP, como demonstrado no Anexo 02 "Diferença RAT_FAP em GFIP 2013". 1.10. Sobre as bases de cálculo consideradas, foram apuradas as seguintes contribuições a cargo da empresa: a) contribuições previdenciárias destinada à Seguridade Social, conforme enquadramento no código 5070 do FPAS - Fundo de Previdência e Assistência Social, com incidência da alíquota de 20% (vinte por cento); b) contribuições previdenciárias destinada à Seguridade Social, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa Fl. 4930DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 decorrentes dos riscos ambientais do trabalho de 3,0000%, ajustada pelos FAP de 1,0625 e 1,0000, em relação aos anos de 2013 e 2014, respectivamente; c) contribuições sociais destinadas a outras Entidades e Fundos, com incidência da alíquota de 5,8% (cinco vírgula oito por cento), sendo FNDE - 2,5%, INCRA - 0,2%, SENAI - 1,0%, SESI - 1,5% e SEBRAE - 0,6%. 1.11. Foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), conforme dispõe o art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 1.12. Formalizou-se o processo de "Representação Fiscal Para Fins Penais", COMPROT n° 16682.720.172/2018-49, tendo em vista que se constataram condutas que, em tese, configuram crime de sonegação de contribuição previdenciária, definido no art. 337-A, inciso III, do Código Penal -Decreto-Lei n°. 2.848, de 07 de dezembro de 1940 (publicado no DOU de 31 de dezembro de 1940), com redação dada Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000 (publicada no DOU de 17 de julho de 2000) e crime contra a ordem tributária, definido no art. 1°, inciso I, da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 (publicada no DOU de 28 de dezembro de 1990). DA IMPUGNAÇÃO 2. Devidamente cientificada em 29/01/2018 (fls. 3.991), a empresa apresentou impugnação em 27/02/2018, por meio do instrumento de fls. 4.282/4.346. Da Preliminar de Nulidade 2.1. De início, a impugnante sustenta que há flagrante vício de nulidade material do lançamento, tendo em vista que a ampla defesa e o contraditório não puderam, por ela, ser exercidos, de forma plena, em razão da confusa narração dos fatos que levaram a fiscalização a apurar supostas divergências nas contribuições previdenciárias. 2.2. Segundo o seu entendimento, tal fato ocorre porque grande parte das alegações trazidas pela fiscalização revestem-se de preocupante superficialidade, baseando-se por diversas vezes, em meras suposições, em frontal violação ao Decreto n° 70.235/1972, que determina expressamente, em seus arts. 10 e 59, os requisitos obrigatórios dos autos de infração, dentre os quais a correta descrição dos fatos e as disposições legais infringidas. Cita decisões do CARF, com reconhecimento de nulidade por não ter sido observada a necessidade de fundamentação ao auto de infração que é imposta pela legislação. 2.3. Enfatiza que a motivação, como pressuposto de validade dos atos administrativos também está prevista no § 1o do art. 50 da Lei n° 9.784/99, de observância obrigatória a toda a Administração Pública, bem como, no at. 15 da Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil - CPC), que deve ser aplicada subsidiariamente no processo administrativo tributário. 2.4. Conclui que, se das razões expostas no auto de infração não decorrer logicamente a conclusão pelo lançamento do que fora apurado, há cerceamento do direito de defesa do contribuinte, por ausência de determinação daquilo que a responsável pela fiscalização entende que deva ser, na sua visão, objeto de lançamento e, como consequência, será possível, ao longo da peça impugnatória, pedidos de realização de diligência, como forma de tentar delimitar o objeto da autuação. 2.5. Solicita, então, de forma preliminar, o reconhecimento da nulidade do auto de infração, por preterição do seu direito de defesa. Do Direito 2.6. A Impugnante passa, então, a discorrer sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, citando e transcrevendo, primeiro, o art. 195 da Constituição da Federal Fl. 4931DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 e, depois, o art. 22 da Lei 8.212/91, para enfatizar que a referida base de cálculo é constituída de todas as contraprestações destinadas a retribuir o trabalho do empregado, devendo-se acrescentar, ainda, a necessidade dessa remuneração ser habitual, como expressamente determinado pela norma transcrita. 2.7. Alega que, pela definição trazida pelo art.22 da Lei 8.212/91, resta claro que tudo aquilo que não decorrer de uma retribuição ao trabalho ou de uma retribuição de um serviço prestado não integra o conceito de remuneração, de modo que os pagamentos, por ela efetuados aos seus empregados, a título de "Gratificação Contingente", "Bônus de Desempenho" etc, foram feitos sem qualquer correlação com a prestação de serviços, não constituindo remuneração para os efeitos previdenciários. Cita doutrina a respeito. 2.8. Enfatiza que o art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91, apenas exemplifica as hipóteses de não-incidência da contribuição previdenciária, estando longe de representar uma isenção, apenas explicita, a contrario sensu, o que já está contido na norma legal de incidência, isto é, somente integram a base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas de natureza remuneratória que sejam percebidas de forma habitual. 2.9. Com base no disposto no art. 28, § 9º, item 7, da Lei 8.212/91, conclui que o sobre o ganho eventual e expressamente desvinculado do salário, seja por lei, norma interna ou acordo ou convenção coletiva de trabalho, não há incidência da contribuição previdenciária, enfatizando que o dispositivo em questão não faz qualquer menção à necessidade de que a "desvinculação do salário" seja determinada por lei. 2.10. Assim, defende que não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo da empresa: (I) as verbas indenizatórias ou ressarcitórias; (II) as verbas que não correspondam à contraprestação pelos serviços prestados; (III) as parcelas que não possam ser substituídas por algum benefício previdenciário equivalente e (IV) os ganhos eventuais expressamente desvinculados do salário. 2.11. A seguir, a Impugnante passa a tecer considerações sobre as verbas que, segundo o seu entendimento, foram incluídas indevidamente na base de cálculo do presente lançamento Gratificação Contingente (Rubricas 0195, 367, 2195 e 5367) 2.12. Destaca que o Colendo Tribunal Superior do Trabalho declarou expressamente que estes abonos (Gratificação de Contingente) não tem natureza salarial, entendimento firmado na Orientação Jurisprudencial 64/2008, consolidado para o caso concreto da Petrobrás, ora autuada. 2.13. Ressalta que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 07/02/2018, por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Impugnante em face do Acórdão n° 2401-004.562 (PAF n° 16682.721450/2013-71), decidiu por maioria pela não incidência da Contribuição Previdenciária sobre essa verba ("Gratificação Contingente"). 2.14. Alega que a “Gratificação Contingente” foi decorrente dos Acordos Coletivos de Trabalho firmados no ano de 2013 (Acordos e Termos Aditivos que vigoraram entre 01/09/2013 e 31/08/2015), paga uma única vez durante a vigência dos acordos e desvinculada expressamente do salário, o que configura não incidência, ou subsidiariamente, isenção por força do art. 28, § 9º, “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91; 2.15. Sustenta que a “Gratificação Gerencial” tem natureza de bonificação (liberalidade da empresa) e se enquadra como abono eventual, desvinculado do salário; consiste em parcela contraprestativa ao empregado em razão de evento ou circunstância tida como relevante pelo empregados ou por norma jurídica; não carece de razões especiais de produtividade e merecimento, como os prêmios, mas, decorre de fato externo; todas as Fl. 4932DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 verbas correspondentes à remuneração e vantagens diretas foram objeto de disposições distintas no acordo; 2.16. Informa que foi necessário, nos anos de 2013 e 2014, efetuar adiantamento e ajustes nos cálculos da gratificação, bem como pagar diferenças, seja em razão de ajustes salariais ou de inclusão na base de cálculo da gratificação dos reflexos desse reajuste, o que deu causa a alguns pagamentos menores que o efetivamente devido aos empregados. Tais retificações foram registradas nas rubricas indicadas pela fiscalização (DIF GRAT CONTINGENTE, DESC GRAT CONTINGENTE, ADIANT GRAT CONTINGENTE, DIF AD GRAT CONTIGENTE e DESC AD GRAT CONTINGENTE), representando todas parcelas de um único pagamento. 2.17. A Impugnante passa, então, a repetir, citando os artigos 28, parágrafo 9o, alínea "e", item 7 da Lei n° 8.212/91, e 22 da mesma Lei, que os valores recebidos a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, ou seja, as importâncias recebidas de forma não habitual por cada segurado, não integram o salário de contribuição para fins de cálculo das contribuições previdenciárias. 2.18. Cita doutrina e jurisprudência visando demonstrar a necessidade da habitualidade e da não eventualidade do pagamento para a inclusão do valor correspondente na base de cálculo das contribuições previdenciárias. 2.19. Enfatiza que o mesmo entendimento foi observado no Acórdão n° 2401-003.117 prolatado em sessão de 17 de julho de 2013 pela C. 1a Turma Ordinária da 4a Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que analisou pagamentos que foram feitos em anos consecutivos (2004 e 2005). 2.20. Salienta que a própria PGFN editou o Ato Declaratório nº 16, de 20.12.2011 (DOU de 22/12/2011) reconhecendo que não há contribuição sobre abono único, previsto em convenção coletiva e desvinculado do salário, o que impediria a RFB de constituir a presente exação, com base na firme jurisprudência dos Tribunais Regionais pátrios, além do entendimento dominante do STF, representados pelos casos REsp n° 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp n° 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp n° 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp n° 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Transcreve o Ato Declaratório nº 16 e várias ementas de Acórdãos dos vários Tribunais Regionais Federais e do STJ. 2.21. Sustenta que, nos termos do §4° do artigo 19 da Lei n° 10.522/2002, a Receita Federal do Brasil também não pode constituir mais créditos tributários decorrentes de edição de Atos Declaratórios da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. 2.22. Alega que a exclusão dos referidos pagamentos da base de cálculo das contribuições previdenciárias não decorre de qualquer "isenção"; trata-se, isso sim, de hipótese de não-incidência, de verdadeira atipicidade, sendo que o rol do § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212/91 é exemplificativo, não podendo ser interpretado restritivamente. 2.23. Ressalta que, no âmbito da Justiça do Trabalho, o Tribunal Superior do Trabalho editou a Orientação Jurisprudencial 346, da SDI-I, em que expressa seu entendimento segundo o qual é perfeitamente possível que acordo ou convenção coletiva estipulem a desvinculação de determinado pagamento do salário dos obreiros e a legislação tributária ordinária não pode alterar definição, conteúdo e alcance de institutos, conceitos e formas jurídicas estabelecidos pelo direito privado , conforme dispõe o art. 110 do CTN.. Gratificação Extra Ger. Função (rubrica 664) e Dif Grat. Ext. Ger Fun Grat (Rubrica 2664) 2.24. Quanto às rubricas Gratificação Extra Ger Função ( 664) e Dif Grat. Ext. Ger Fun Grat (2664), a Impugnante alega que tais pagamentos não devem integrar a base de Fl. 4933DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de corresponderem ao complemento da Gratificação Contingente, paga aos segurados empregados que possuem função gerencial, devendo ser aplicada a mesma linha de raciocínio acima utilizada. Bônus de Desempenho (rubrica 103), “Prêmio Apoena” (rubrica 171), “Valor monetário Pago a Empregados Topados” (rubrico 215), “Prêmio Inv Prop Conc Patente (646). 2.25. Alega que prêmio é benefício extraordinário dado pelo empregador em reconhecimento da excelência do Empregado, Presidente ou Diretor na prestação do trabalho sob determinados aspectos objetivos e busca promover o constante aprimoramento do desempenho profissional destes, não se confundindo com as parcelas remuneratórias do trabalho, não integrando o salário para fins trabalhistas e previdenciários, eis que não são passíveis de incorporação pelo empregado em sua remuneração. 2.26. Enfatiza que, embora haja decisões do STJ, em casos concretos, que reconhecem a natureza salarial de prêmios instituídos pelo empregador, quando relacionados com a prestação laboral, de sorte que sobre os mesmos incidiriam contribuições previdenciárias, tais decisões não se aplicam ao caso em exame, eis que se trata de “prêmio-troféu”, para destacar empregados, de caráter eventual, não extensível aos demais empregados pelo atingimento de determinado objetivo, como assiduidade, pontualidade ou determinada meta. 2.27. Enquanto a gratificação não requer razões especiais de produtividade e merecimento, decorrendo de fato externo considerado como relevante pelo empregador, o prêmio é fixado em razão de desempenho específico e pessoal do empregado, pago em situações eventuais de interesse do empregador. 2.28. Informa que a rubrica "Bônus por Desempenho" foi paga a ocupantes da Diretoria e Presidente da Impugnante e estava prevista no item VII das Atas das Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária da Petrobrás (2013 e 2014), destacando que o seu pagamento não tem relação direta como contraprestação dos serviços dos administradores, representando uma recompensa ou reconhecimento pelo desempenho do ano anterior, subsumindo-se então à figura do prêmio, que, conforme já apontado, não possui natureza remuneratória quando pago de forma eventual. 2.29. No que se refere ao "Valor Monetário pago a topados (0215)", alega que tais verbas foram pagas visando reconhecer a contribuição de cada empregado nos resultados da Companhia e a aquisição de experiências, habilidades e conhecimentos para desempenho das atividades, não devendo ser entendidos como ganho eventual, verba esta que não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 9°, "e", 7 da Lei n° 8.212/91 2.30. No que concerne ao "prêmio-inventor" (rubrica 646), a Impugnante alega que referido prêmio foi concedido pela primeira vez no final de 2001, contemplando duas situações: a) depósito de patente de pedido de invenção no INPI - o empregado faz jus a uma premiação pontual; b) licenciamento de patente - o empregado faz jus a uma participação mensal dos resultados financeiros auferidos pela Companhia. 2.31. No que tange à primeira situação contemplada pelo Prêmio Inventor, afirma que se trata de "verdadeiro" prêmio, na medida que é parcela paga por liberalidade da Companhia, de forma esporádica e que visa estimular conduta individual própria do empregado, não possuindo natureza salarial, não repercutindo para o pagamento de aviso-prévio, décimo terceiro salário, férias, etc. 2.32. Esclarece que a segunda situação contemplada pelo Prêmio Inventor, mostra-se importante esclarecer que o pagamento de participação dos resultados financeiros auferidos pela Companhia a partir da exploração econômica da invenção não decorre de Fl. 4934DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 expressa determinação legal, não se tratando de mera liberalidade concedida pela Companhia. 2.33. Sustenta que, de acordo com o art. 4o, do Decreto n° 2.553/98, tal prêmio "não se incorpora, a qualquer título, aos salários dos empregados ou aos vencimentos dos servidores", razão pela qual depreende-se que, nesta situação, em virtude de disposição legal específica, a parcela paga pela Impugnante, apesar de habitual, não integra o salário dos empregados. 2.34. Por fim, conclui que os pagamentos a título de bônus de desempenho, recurso desempenho de topado, prêmio Apoena e prêmio Inventor, no caso em exame, não podem ser tidos como parcelas componente da base de cálculo da contribuição previdenciária, ficando afastada a incidência do pagamento de contribuições de natureza previdenciária sobre tais valores, pelo que incide a norma do art. 28, § 9o, aliena "e", item 7 da Lei n° 8.212/91 e art. 89, parágrafo único da Lei n° 9.279/95. Diferenças de Contribuição paro o RAT - 2013 2.35. Informa que os pagamentos que foram efetuados para o "RAT" levaram em consideração a alíquotas (FAP) de 1% e 1,3480 %, vez que havia processo administrativo em curso para contestação dos percentuais aplicados (3%), entretanto, o Ministério da Previdência Social ajustou o RAT da PETROBRÁS, exercício 2013, para 3,1875% (3% x 1,0625). Não obstante, alega que referido índice ajustado estaria errado uma vez que: (a) na GFIP competência 13/2011 do CNPJ 33.000.167/0001-01, n° controle MrK3IBkzqC80000-3, que serviu de base para o cálculo da FAP ano 2013, havia sido informada incorretamente como atividade preponderante da PETROBRAS (Subclasse da Classificação Nacional) a CNAE 01.11-2/01 relacionada às empresas que atuam no ramo de cultivo de arroz, mesmo tendo a impugnante procedido à retificação da GFIP em 03/12/2012 - transmitida com a correção da CNAE preponderante para 19.217/00; (b) o julgador deixou de considerar a alteração na legislação previdenciária que excluiu os acidentes de trajeto do cômputo para cálculo do FAP (Resolução n° 1.329 do Conselho Nacional de Previdência - CNP, de 25/4/2017). 2.36. Alega que, conforme pode se depreender da decisão do MPS, a PETROBRÁS sequer foi comparada com empresas da mesma Sub-Classe do CNAE e também não teve em consideração a retificação das GFIPs por ela efetuada. 2.36. Ressalta que a metodologia estabelecida pelo Conselho Nacional da Previdência Social para o cálculo do FAP desrespeita o princípio da publicidade, já que utiliza comparativamente os dados de todas as empresas da mesma subclasse do CNAE mas não possibilita que os contribuintes tenham acesso a essas informações para que possam exercer seu direito de ampla defesa e contraditório. 2.37. Destaca que, em um passado recente, a legislação considerava os acidentes de trajeto no cômputo do RAT ajustado, entretanto, a Resolução n° 1.329 do Conselho Nacional de Previdência, publicada no DOU de 25/4/2017, excluiu tais acidentes do cômputo do RAT ajustado, de modo que norma tem caminhado para um posicionamento mais favorável para o contribuinte, razão pela qual requer a incidência do preceito insculpido no artigo 106, inciso II, alínea "b" do CTN para afastar a aplicação da norma pretérita ao caso concreto. Das Contribuições Sociais Destinadas a Terceiros e Fundos 2.38. Alega que as contribuições devidas em função do risco ambiental do trabalho (RAT) e as destinadas à outras entidades ou fundos (terceiros) são incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a empregados no decorrer do mês, nos Fl. 4935DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 termos do art. 22, inciso II e 109, §5° da IN RFB n° 971/09, razão pela qual, em função de todo o já exposto nos itens anteriores, são por consequência indevidas as referidas contribuições, posto não serem bases tributáveis as remunerações não informadas em GFIP, não merecendo subsistir o lançamento fiscal. Da Representação Fiscal Para Fins Penais 2.39. Por fim, sustenta que é descabida a representação fiscal para fins penais, por entende como praticado o crime no artigo 337-A, III do Código Penal, pois da simples leitura do texto legal não é difícil perceber que o ilícito penal pressupõe a omissão de fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias, o que, contudo, não ocorreu no presente caso concreto. 2.40. Enfatiza que não houve culpa ou dolo para a prática de qualquer crime, pois, no caso em questão, entende que cumpriu corretamente a legislação previdenciária ao praticar as condutas questionadas pelo responsável pela fiscalização e a divergência se dá apenas quanto ao alcance de determinados conceitos. 2.41. Conclui que, caso prevaleça a tese defendida pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, qualquer entendimento dos contribuintes a respeito da incidência ou não de determinado tributo que, depois, seja rechaçado pela autoridade tributária poderá ser considerado como ilícito penal, trazendo uma gigantesca insegurança jurídica. Do Pedido 3. Pelo exposto, a Impugnante requer: a) o recebimento da impugnação e o seu provimento, para o fim de ser declarada a nulidade do Auto de Infração impugnado; b) que caso assim não ocorrer, que seja, no mérito, o lançamento fiscal cancelado integralmente em virtude do reconhecimento da total improcedência das alegações apresentadas pela d. fiscalização; c) a imediata exclusão dos diretores, sócios e demais cargos de gerência e responsáveis legais da Impugnante do pólo passivo da presente autuação. Após julgamento da impugnação de forma improcedente, a recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 4.822 a 4.967), reiterando as argumentações da sua defesa em primeira instância. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Assim, passo a analisar o mérito. DA AUTUAÇÃO FISCAL Inicialmente, cabe ressaltar que não há preliminares a ser analisada. Fl. 4936DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 Conforme consta do minucioso relatório fiscal (e-fls. 718 e seguintes), de uma mesma ação fiscal resultou em diversas constatações, em que a recorrente teria incorrido em omissão e não recolhimento de Contribuições Sociais Previdenciárias, uma vez que a Contribuinte teria compreendido que não seriam verbas submetidas à tributação, por não haver caracterização de verba salarial, fato gerador do tributo exigido. Ainda, tanto o auto de infração, relatório fiscal quanto a decisão já mencionaram exaustivamente a legislação aplicada na autuação, ao passo que nesse momento passo a transcrever os dispositivos conforme a necessidade do caso, ao decorrer da análise do recurso. Segundo consta do relatório fiscal foram autuados por meio de códigos as infrações do presente processo, conforme transcreve-se abaixo: "2. Lançaram-se neste procedimento fiscal as seguintes contribuições a cargo da empresa, incidentes sobres as remunerações pagas a qualquer título a segurados empregados: Contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, conforme inciso I do artigo 22 da Lei 8.212/91; Contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, conforme inciso II do artigo 22 da Lei nº 8212/91, de 24/07/91 (DOU 25/07/91) e com art. 10 da Lei nº 10.666/03, de 08/05/2003 (DOU 09/05/2003); Contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, conforme enquadramento no código 5070 do FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social, com incidência da alíquota total de 5,8% (cinco vírgula oito por cento), sendo: FNDE 2,5%, INCRA 0,2%, SEBRAE 0,6%, SENAI 1,0% e SESI 1,5% Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, referentes ao período fiscalizado: as remunerações pagas aos segurados empregados a título das seguintes rubricas de folha de pagamento: Fl. 4937DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 Assim, passa-se a analisar cada infração por códigos. Da Gratificação Contingente (rubricas 195, 367, 2195 e 5367) A decisão da DRJ resultou no seguinte: 4.36. No caso em tela, a Impugnante afirma que os pagamentos foram efetuados a título de “Gratificação Contingente” por liberalidade, sem habitualidade, mediante Acordos Coletivos de Trabalho, razão pela qual não incidiria contribuição previdenciária. 4.37. No caso dos autos, a fiscalização demonstra muito bem que a chamada "Gratificação Contingente" (códigos 195 e 367), que consta dos Acordos Coletivos de Trabalho vigentes no período de 2013 e 2014, trata-se de simples abono ou gratificação no valor correspondente a 100% (cem por cento) da remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 7.200,00 (sete mil e duzentos reais), o que for maior. 4.38. No Acordo Coletivo de Trabalho 2013-2015, celebrado entre a Petrobrás e a Federação Única dos Petroleiros e Sindicatos representativos da categoria profissional dos trabalhadores na indústria da refinação e destilação do petróleo, dos trabalhadores na indústria de extração do petróleo e dos trabalhadores na indústria química e petroquímica do Estado da Bahia, dispõe: "Cláusula 172a - Gratificação Contingente A Companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2013 e que estejam em efetivo exercício até 31 de agosto de 2013, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporado aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 7.200,00 (sete mil e duzentos reais), o que for maior". 4.39. A mesma disposição contratual vem expressa, na cláusula 99ª, do Acordo Coletivo de Trabalho 2013-2014, celebrado entre a Petrobrás e o Sindicato dos Marítimos. Fl. 4938DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 Alega a recorrente que: "é completamente descabida a exigência de contribuição previdenciária sobre a parcela "Gratificação de Contingente" por força do Ato Declaratório n° 16, de 20 de dezembro de 2011 (DOU de 22.12.2011), editado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com a chancela do Ministro de Estado da Fazenda". O referido Ato reconhece expressamente que sobre o abono único previsto em convenção coletiva de trabalho, e desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não incide contribuição previdenciária, in verbis: "A PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária’. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009)". Aduz a recorrente que há precedentes da justiça trabalhista sobre a mesma rubrica aqui exigida. Referente ao tema, consoante destacado pela Contribuinte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, em reiterados julgados, tem se manifestado nos seguintes termos: “RECURSOS DE REVISTA INTERPOSTOS PELAS RECLAMADAS. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. ANÁLISE CONJUNTA. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE E PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PREVISTAS EM NORMA COLETIVA A EMPREGADOS DA ATIVA. NATUREZA JURÍDICA NÃO SALARIAL. NÃO INTEGRAÇÃO NA COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Segundo a diretriz fixada na Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI1 do TST, as parcelas gratificação contingente e participação nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a empregados da Petrobras em atividade, pagas de uma única vez, não integram a complementação de aposentadoria. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. Recurso de revista parcialmente conhecido e provido.”(TST, RR 12320009.2008.5.04.0202 , Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, Data de Julgamento: 27/09/2017, 1ª Turma, Data de Publicação:DEJT29/09/2017) “RECURSO DE REVISTA DA PRIMEIRA RECLAMADA PETROBRAS COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA COMPETÊNCIA JUSTIÇA DO TRABALHO DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. No dia 20/2/2013, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs RE 586.453 e RE 583.050, proferido com repercussão geral, concluiu que cabe à Justiça Comum julgar processos decorrentes de contrato de previdência complementar privada, ainda que oriunda do contrato de trabalho. Contudo, os efeitos da decisão, por questões de segurança jurídica, foram modulados para estabelecer que permanecerão na Justiça do Trabalho todos os processos com sentença de mérito proferida até aquela data. Logo, como na situação a decisão de primeiro grau com resolução de mérito foi prolatada antes do julgamento da matéria pela Corte Suprema, fica preservada a competência da Justiça do Trabalho para a resolução do litígio. Recurso de revista da primeira reclamada não conhecido. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA PETROBRÁS PETROS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE NORMA COLETIVA NATUREZA INDENIZATÓRIA EXTENSÃO AOS APOSENTADOS IMPOSSIBILIDADE. Fl. 4939DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 O art. 7º, XI, da Constituição Federal estabelece a natureza jurídica indenizatória da participação nos lucros. Além disso, nos termos do art. 7º, XXVI, da Constituição da República, deve ser prestigiado o pactuado em norma coletiva, invocando-se o princípio da autonomia da vontade coletiva, desde que não haja o desrespeito a norma de ordem pública ou má-fé. Logo, a participação nos lucros e a gratificação contingente, previstas em norma coletiva e pagas em parcela única, são devidas apenas aos empregados em atividade e têm natureza jurídica indenizatória, sendo descabida a extensão das referidas parcelas aos inativos e a sua integração aos proventos de complementação de aposentadoria. Incide a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI1 do TST. Recurso de revista da primeira reclamada conhecido e provido. RECURSO DE REVISTA DA SEGUNDA RECLAMADA PETROS PERDA SUPERVENIENTE DO OBJETO. Ante o conhecimento e provimento do recurso de revista da primeira reclamada, com a improcedência dos pedidos iniciais dos autores, fica prejudicado o exame do apelo de revista da segunda reclamada, em razão da total perda superveniente do seu objeto. Recurso de revista da segunda reclamada prejudicado.” (TST, RR 14630082.2002.5.01.0041 , Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Data de Julgamento: 26/10/2016, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/10/2016). “I EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. OMISSÃO. Reconhecida a omissão em relação ao tema gratificação contingente, dá-se provimento aos embargos de declaração para sanar omissão e analisar o recurso de revista quanto ao tema em questão. Embargos de declaração conhecidos e providos, com efeito modificativo. II RECURSO DE REVISTA. GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. A decisão regional em que se deferiu a inclusão da parcela denominada "Gratificação Contingente" no cálculo da complementação de aposentadoria, está em contrariedade aos termos da OJ 64 da SBDI1 Transitória, segundo a qual "As parcelas gratificação contingente e participação nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a empregados da Petrobras em atividade, pagas de uma única vez, não integram a complementação de aposentadoria". Recurso de revista conhecido por contrariedade à OJ Transitória nº 64 da SBDI1 e provido, no particular.” (TST, EDARR 21140086.2008.5.04.0203, Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: 22/11/2016, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 25/11/2016) Cumpre destacar que a autoridade fiscal registrou em seu relatório que houve pagamentos desta gratificação durante os anos anteriores (2007 a 2011). Assim, em que pese a convenção mencionar o pagamento em parcela única, esses pagamentos foram registrados em anos anteriores. Logo, possui caráter remuneratório, não eventual, onde o trabalhador tinha ciência de que receberia essa verba. O Tribunal Superior do Trabalho buscou uniformizar a jurisprudência, resultando na edição da OJ-Transitória 64-SBDI-1,nos seguintes termos: “64. Petrobrás. Parcelas gratificação contingente e participação nos resultados deferidas por norma coletiva a empregados da ativa. Natureza jurídica não salarial. Não integração na complementação de aposentadoria. (DeJT 03/12/2008). As parcelas gratificação contingente e participação nos resultados, concedidas por força de acordo coletivo a empregados da Petrobrás em atividade, pagas de uma única vez, não integram a complementação de aposentadoria.” Por sua vez, a Lei 8.212/91, em seu art. 28, inciso I, e demais incisos, assim dispõe sobre o salário contribuição: "Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: Fl. 4940DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5 o ; IV - para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5 o . § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Alínea “e”, item 7: " Não integram o salário-de-contribuição (remuneração) para os fins desta lei, exclusivamente: (...) as importâncias(...) recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário". Por oportuno, transcrevo a ementa de julgado deste Conselho, pelo afastamento da incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica gratificação contingente: [...] GRATIFICAÇÃO CONTINGENTE. NORMA COLETIVA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. Nos termos do art. 7º, XXVI, da Constituição da República, deve ser prestigiado o pactuado em norma coletiva, invocandose o princípio da autonomia da vontade coletiva, desde que não haja o desrespeito a norma de ordem pública ou máfé. Logo, a gratificação contingente, prevista em norma coletiva e paga em parcela única, é devida apenas aos empregados em atividade e têm natureza jurídica indenizatória, sendo descabida a extensão das referidas parcelas aos inativos e a sua integração aos proventos de complementação de aposentadoria. Incide a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 64 da SBDI1 do TST. [...] (Acórdão nº 2401005.284, Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa, julgado em 07.02.2018.) Assim, constato que no presente caso se encontram presentes os requisitos estabelecidos no art. 28, §9º, ‘e’, item 7, da Lei 8.212/91, para a não incidência da contribuição previdenciária, tendo em vista que as importâncias recebidas são expressamente desvinculadas do salário, conforme determinam os Acordos Coletivos (não incorporados os respectivos salários) e pagos sem habitualidade, não possuindo natureza salarial. Portanto, deve ser afastada a contribuição previdenciária sobre a rubrica gratificação contingente. Da Gratificação Gerencial (rubricas 664, 264, 2664) O colegiado de primeira instância assim decidiu: "(...) Fl. 4941DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 4.69. Com relação à Gratificação Gerencial, podem aqui ser extensivos os mesmos argumentos que determinaram a tributação da verba Gratificação Contingente, principalmente quanto: - ao caráter geral e abrangente de remuneração integradora do salário de contribuição, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.212/91; - à influência da habitualidade e da eventualidade para a incidência de contribuições previdenciárias; - à não subsunção à norma isentiva alguma, precipuamente, à prevista art. 28, § 9º, “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91, considerando a não eventualidade do ganho e inexistência de desvinculação salarial, nem por lei, nem por acordo coletivo algum, dado que tal gratificação, sequer foi estipulada em ACT; e - à não aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 16, de 20.12.2011, considerando que a gratificação não foi prevista em ACT, não foi paga eventualmente, possui vinculação ao salário e ainda foi paga com habitualidade, durante todos os anos do período do débito, consoante planilha “Gratificações e Prêmios por Trabalhador”. Sobre essas rubricas, entendo que mesma sorte não assiste a recorrente. Nesse caso, entendo que não foram preenchidos os requisitos legais para a não incidência da verba previdenciária, devendo ser mantida as rubricas exigidas nesse tema. Do Bônus Desempenho e Reconhecimento Desempenho Topados (rubricas 103, 215, 669 e 2669) Nesse quesito, a DRJ assim decidiu: "(...) 4.71. Embora a Impugnante argumente que os citados pagamentos deram-se como forma de indenização pelos desempenhos dos empregados, exurge cristalina a natureza contraprestacional destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos pela execução do trabalho e não para que a execução do trabalho fosse possível. 4.72. Referidas verbas nada têm de indenizatória, tendo em vista que não há qualquer prejuízo ou dano causado ao empregado que possa ser vinculado ao pagamento destas verbas pela empresa (indenização). Tampouco há quaisquer despesas ou gastos suportados pelo empregado, na execução do trabalho, passíveis de ressarcimento pelo empregador, que justificassem tais pagamentos. 4.73. Portanto, tais verbas têm natureza remuneratória, devendo fazer parte do conceito de salário-de-contribuição previsto no art. 22, I e 28, I, da lei 8.212/91". Nessa parte do lançamento, compartilho da conclusão da DRJ de origem. O bônus concedido nada mais é do que uma remuneração mensal adicional aos funcionários da empresa recorrente, sem qualquer vinculação a metas, resultados, objetivos, atuação profissional ou qualquer outro requisitos de performance. Apenas, única e exclusivamente, o bônus é devido pelo simples fato da atuação de cada um dos profissionais da empresa autuada, o que corrobora o caráter salarial da verba, concessão proporcionada “pelo” trabalho executado. Fl. 4942DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 Ademais, o tema já foi objeto de pronunciamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF, conforme se verifica do processo administrativo fiscal n.º 16682.721450/201371, Acórdão n.º 2401004.562, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, 2ª Seção, cujo julgamento se deu em sessão de 19/01/2017, por voto proferido pela Conselheira Relatora Luciana Matos Pereira Barbosa onde se transcreve parte dele abaixo: "O Recorrente alega que os citados pagamentos deram-se como forma de indenização pelos desempenhos dos empregados, exsurge cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não, “para”, o trabalho. Nesse tocante, torna-se irrelevante se há ou não previsão de extensão a todos os empregados, dado que a lei não trata da abrangência das citadas rubricas como critério de incidência de contribuição. Aliado a isso a (artigos. 22, I, c/c art. 28, ambos, da Lei nº 8.212/91), ausência de norma que isenta em lei ou ACT a inaplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 16, de 20.12.2011. Dessa forma, mostra-se firme o lançamento nos moldes efetuados." Assim, entendo que as rubricas acima destacadas (Bônus Desempenho, Reconhecimento e Desempenho Topados) têm natureza remuneratória, devendo fazer parte do conceito de salário-de-contribuição previsto no art. 22, I e 28, I, da lei 8.212/91, e mantidos nessa autuação. Prêmio Apoena (rubrica 0171) e Do Prêmio Inventor (rubrica 646) Inicialmente, sobre essas rubricas, cumpre destacar que a reforma trabalhista estipulada pela Lei n. 13.467/2017 trouxe nova redação ao artigo 457 da CLT, restando a seguinte previsão legislativa: "Art. 457 Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber: § 2º As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio- alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. § 4º Consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades". Assim, a interpretação de "habitualidade" estaria superada pela nova redação. A Legislação Previdenciária (Lei 8.212/1991) também foi modificada, sendo que o Art. 28, §9º, alínea “z”, fez questão de incluir os prêmios e abonos como não incidentes de contribuição previdenciária: "Art. 28. Entende-se por salário de contribuição: § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: z) os prêmios e os abonos". Assim, a nova legislação trouxe como único requisito para a caracterização do prêmio e, consequentemente, não incidência de contribuição previdenciária, a necessidade de identificar que os pagamentos, mesmo que habituais, são a retribuição ao empregado pelo Fl. 4943DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades, ou seja um prêmio, e que não se confunde com o bônus de desempenho. Em que pese o lançamento fiscal estar vinculado à norma anterior da reforma acima citada, e se tratar de incidência previdenciária, mas que ao mesmo tempo é excluído da exigência do tributo pela a própria legislação vigente, entendo que essa desvinculação é possível, tendo em vista a interpretação da nova norma, da atual e também de precedentes do próprio CARF, a exemplo do Acórdão nº. 2201-004.072, julgado em 05.02.2018, da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara, da 2ª Seção, que a unanimidade deu provimento a recurso voluntário para cancelar autuação que exigia contribuição devida pelos empregados, que deve ser descontada pela empresa, incidente sobre pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados (PLR) e prêmio aos empregados, assim ementado: "PAGAMENTO DE VALORES COMO PREMIAÇÃO POR IDÉIAS DOS SEGURADOS APROVADAS PELA EMPRESA. AUSÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO DA VERBA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos, pela empresa aos segurados, por idéias consideradas boas e úteis relativas ao meio ambiente, processos industriais e de trabalho, desperdício de matérias e/ou matérias primas, em razão da ausência de caráter contraprestacional, de tempo à disposição ou por não se referir aos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, não integrando, portanto, as parcelas remuneratórias percebidas pelos segurados". Nesse sentido, afasto a exigência da verba tributária sobre a referida rubricas (Prêmio Apoena -rubrica 0171, e do Prêmio Inventor -rubrica 646). Das Diferenças RAT/FAP Não Declaradas em GFIP - Ano de 2013 Conforme o relatório fiscal, bem como o Acórdão recorrido a acusação pesa sob a seguinte circunstância: "4.83. No lançamento em questão, também foram apuradas diferenças não declaradas em GFIP, correspondentes à contribuição devida à Seguridade Social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), prevista no art. 22, inciso II, da Lei 8.212/91, ajustada pelo FAP - Fator Acidentário Previdenciário, previsto no art. 10 da Lei 10.666/2003, no período de 01/01/2013 a 31/12/2013". Por outro lado, a recorrente alega o seguinte: "(...) No caso dos autos, o Ministério da Previdência Social ajustou o RAT da PETROBRAS, exercício 2013, para 3,1875% (3% x 1,0625). Contra esta decisão, a Recorrente apresentou impugnação naquele processo administrativo (n° 1211010005258011), pontuando que o índice ajustado estaria errado. A uma porque, na GFIP competência 13/2011, do CNPJ 33.000.167/0001-01, n° controle MrK3IBkzqC80000-3, que serviu de base para o cálculo da FAP ano 2013, havia sido informada incorretamente como atividade preponderante da PETROBRAS (Subclasse da Classificação Nacional) a CNAE 01.11-2/01, relacionada às empresas que atuam no ramo de cultivo de arroz, mesmo tendo a Fl. 4944DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 Recorrente procedido à retificação da GFIP em 03/12/2012 indicando a CNAE Preponderante para 19.21-7/00. A duas porque o julgador teria deixado de considerar a alteração na legislação previdenciária que excluiu os acidentes de trajeto do cômputo para cálculo do FAP (Resolução no 1.329 do Conselho Nacional de Previdência -CNP, de 25/4/2017). Por esta razão, com base na mutação normativa com a adoção de um posicionamento mais favorável para o Recorrente, deveria ter sido atraída a incidência do preceito insculpido no artigo 106, inciso II, alínea "b" do CTN para afastar a aplicação da norma pretérita ao caso concreto, que assim prevê: Nesse tópico me filio à decisão de primeira instância, onde menciona no item 4.94. que: "A Petrobrás, no período de 01/01/2013 a 31/12/2013, informou em GFIP o FAP – Fator Previdenciário de Prevenção com o índice 1,00 (nulo), apurando e recolhendo a contribuição RAT ajustado com a alíquota de 3,00% (SAT/RAT 3% X FAP 1,000). Entretanto, conforme demonstrado pela Fiscalização, o FAP correto seria 1,0625, de modo que a alíquota correta para o cálculo do RAT ajustado seria 3,1875 % (SAT/RAT 3 X FAP 1,0625). Dessa forma, há diferenças correspondentes a 0,1875% sobre as remunerações pagas no período, que não foram declaradas e tampouco recolhidas pela impugnante, apuradas no presente lançamento, conforme demonstrado no Anexo 02 do Relatório Fiscal (fls. 3886/3955)". Restou, portanto, uma diferença a ser recolhida, e que o processo administrativo mencionado pela recorrente, em tese, não faz coisa julgada ao presente caso, havendo a necessidade de ser obedecida a norma geral imposta, em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), ajustado pelo FAP - Fator Acidentário de Prevenção, no período de 01/01/2013 a 31/12/2013 ser, conforme apontamento fiscal o de grau 3 (RAT ajustado seria 3,1875 % (SAT/RAT 3 X FAP 1,0625). Das Contribuições Destinas a Outra Entidade e Fundos. Nesse tópico tem-se a seguinte infração: "4.101. Em relação às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), cabe salientar que as mesmas são incidentes, conforme reconhece a Impugnante, sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a empregados no decorrer do mês. 4.102. Então, referidas contribuições também são incidentes sobre os pagamentos efetuados pelo Petrobrás a seus empregados, no período de 01/01/2013 a 31/12/2014, a título de Gratificação Contingente (Rubricas 0195, 367, 2195 e 5367), Gratificação Gerencial (rubricas 664, 264, 2664), Bônus Desempenho, Prêmio Apoena e Reconhecimento Desempenho Topados (rubricas 103, 171, 215, 669 e 2669) e Prêmio Inventor (rubrica 646), dada a natureza remuneratória das referidas verbas, conforme foi acima demonstrado". Diante da compreensão desse julgador que não incide a contribuição previdenciária sobre as rubricas Gratificação Contingente (Rubricas 0195, 367, 2195 e 5367), Prêmio Apoena (rubrica 171) e Prêmio Inventor (rubrica 646), logo deve ser retirada a exigência das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), destas rubricas, mantendo-se a exigência quanto as demais verbas que não foram afastadas nesse julgado. Fl. 4945DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% PREVISTA NO ARTIGO 44, INCISO I DA LEI 9.430/96 Aduz a recorrente que: "não enseja a aplicação da pena de multa, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto perdurava a discussão administrativa. Com efeito, como narrado pelo próprio fiscal no termo de verificação, quando a fiscalização ainda estava em curso, não havia decisão definitiva a respeito do percentual que deveria ser considerado como correto a título de FAP". Isso porque o citado processo que tratava sobre a alíquota do FAP, AINDA estaria sendo discutida no processo administrativo citado pela recorrente, paralelo a esse e que só teve decisão definitiva em segunda instância somente foi publicada no Diário Oficial da União de 26/12/2017, quando a fiscalização já tinha sido iniciada, não há o que se falar em aplicação da penalidade de multa. Ocorre que não há previsão legal para o pedido da recorrente, e multa DE 75% prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 possui efeito vinculante e obrigatório. Logo, por essas circunstâncias, entendo que a multa deve ser mantida. DA IMPOSSIBILIDADE DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Aduz a recorrente ser descabida a representação fiscal para fins penais. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF n. 28, este Tribunal não é responsável para se pronunciar sobre o tema, conforme transcrição, in verbis: "Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010)". Cabe mencionar a Súmula Vinculante n.º 88, do CARF, da qual indica que a Relação dos representantes legais no auto de infração não os coloca como responsáveis diretos dos respectivos débitos: "Súmula CARF nº 88 A Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg" e a "Relação de Vínculos -VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PARCIAL provimento para excluir da autuação fiscal as infrações no que dizem respeito, abono (Gratificação Contingente), Prêmio Apoena (rubrica 0171) e Prêmio Inventor (rubrica 646), bem como as respectivas exigências das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), destas rubricas, mantendo-se as demais rubricas da exigência fiscal . Fl. 4946DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 (assinatura digital) Wesley Rocha- Relator Voto Vencedor Cleber Ferreira Nunes - Redator Designado Discordo do Ilustre. Relator exclusivamente quanto à Gratificação Contingente (RUBRICAS 195, 367, 2195 e 5367). Pois, além do caráter habitual, as importâncias recebidas a este título, não estão desvinculadas do salário do trabalhador, embora devida de um só vez aos segurados empregados durante o período de vigência do respectivo acordo, conforme cláusula da negociação coletiva, a previsão de pagamento repete-se de maneira sistemática em todos os acordos firmados. Portanto, não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção, bem como, pelo fato de que as parcelas recebidas estarem vinculadas ao salário e corresponderem a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador. A recorrente alega que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, editou o Ato Declaratório n° 16, de 20 de dezembro de 2011 (DOU de 22.12.2011), em que reconhece expressamente que sobre o abono único previsto em convenção coletiva de trabalho, e desvinculado do salário, não incide contribuição previdenciária. Transcreve-se o Ato declaratório nº 16/2011, abaixo: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Da análise observa-se que os requisitos considerados a fim de caracterizar o abono como parcela não integrante do salário de contribuição são os seguintes: previsão em acordo ou convenção coletiva; seja único ou sem habitualidade; e desvinculado do salário. A jurisprudência deixa clara a necessidade de que estejam presentes os três aspectos do pagamento, sob pena de integrarem a base de cálculo da contribuição. Portanto, não é o caso da gratificação de contingência discutida no presente processo, dado o caráter não eventual de seus pagamentos, além de sua vinculação ao salário por se constituir em percentual deste. A propósito, transcrevo a ementa de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo afastamento do Ato Declaratório 16/2011 da PGFN e pela incidência de contribuição previdenciária sobre abonos pagos em caráter habitual e vinculados ao salário: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. Fl. 4947DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. Tampouco, não se deve considerar, para fins de não incidência da contribuição previdenciária, os pagamentos recebidos a título de ganho eventual, considerando-se a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que não se amolda à interpretação pretendida pela recorrente no recurso voluntário, conforme abaixo transcrito: Art. 28 Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) O ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado para fins de incidência da contribuição previdenciária. Portanto, Tal gratificação tem nítida natureza salarial, pois tem contornos de abono concedido ao empregado que visa retribuí-lo pela prestação dos serviços, e constitui verba remuneratória que deve integrar o salário de contribuição, amoldando-se ao conteúdo do artigo 28, I da Lei n 8.212/91 e não se ajusta às hipóteses contidas no seu § 9º, alínea “e”, item 7, como alegou a Recorrente. Voto, pois, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a Gratificação Contingente (RUBRICAS 195, 367, 2195 e 5367). (assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 4948DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 2301-006.049 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.722211/2017-61 Fl. 4949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720009/2016-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
O interesse comum, a ensejar a responsabilidade solidária de terceiro, ocorre no fato ou na relação jurídica vinculada ao fato gerador do tributo, ainda que de forma indireta. Verifica-se o interesse comum em relação ao grupo econômico de fato quando há identidade do corpo diretivo ou confusão patrimonial entre empresas do grupo.
Numero da decisão: 9303-011.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. O interesse comum, a ensejar a responsabilidade solidária de terceiro, ocorre no fato ou na relação jurídica vinculada ao fato gerador do tributo, ainda que de forma indireta. Verifica-se o interesse comum em relação ao grupo econômico de fato quando há identidade do corpo diretivo ou confusão patrimonial entre empresas do grupo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 09 /2 01 6- 40 Fl. 2344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.695 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720009/2016-40 Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 2238/2276) e pelo responsável solidário SUPER MIX COMÉRCIO DE PRODUTOS DE PERFUMARIA LTDA (fls. 2210/2235) em face do Acórdão 1301-003.827 (fls. 2112/2129), de 17/04/2019. O aresto recorrido possui a seguinte ementa quanto à matéria processada: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. O interesse comum, a ensejar a responsabilidade solidária de terceiro, ocorre no fato ou na relação jurídica vinculada ao fato gerador do tributo, ainda que de forma indireta. Verifica-se o interesse comum em relação ao grupo econômico de fato quando há identidade do corpo diretivo ou confusão patrimonial entre empresas do grupo. O despacho de admissibilidade de fls. 2305/2316 negou seguimento ao recurso especial do contribuinte e deu seguimento ao do responsável tributário SUPER MIX, o qual versa sobre a tese de que a atribuição de responsabilidade inserta no artigo 124, inciso I, do CTN, depende da comprovação de que o responsável e o contribuinte tenham conjuntamente realizado o fato gerador do tributo ou que ambos tenham aproveitado o resultado da fraude praticada. Em síntese, entende o responsável tributário que o simples fato de a contribuinte e ele terem um sócio comum não seria suficiente para “validar a inclusão da empresa na qualidade de coobrigada”. Acresce que “não há, entre sociedades de um mesmo grupo econômico, interesse comum a justificar a solidariedade com fulcro no art. 124, I, CTN, uma vez que não há entre as sociedade integrantes do grupo a correalização dos fatos geradores que lhes qualifiquem como contribuintes por tais fatos”. Alega ainda: Logo, a infração tributária porventura praticada por uma sociedade do grupo não pode ter sua sanção validamente imposta às outras integrantes, pelo simples fato do pertencimento ao mesmo grupo, por faltar nexo de causalidade entre os atos das demais sociedades do grupo e a infração cometida por uma delas. Somente a sociedade que pratica o ato infracional é que pode ser sancionada e responsabilizada. Desta forma, a imputação da sujeição passiva solidária a Recorrente com supedâneo no art. 124, inciso I, CTN, é totalmente equivocada e arbitrária, uma vez que em momento algum participou das situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais exigidas nos Autos de Infração, razão pela qual a reforma do acórdão recorrido se impõe, sendo aplicado os acórdãos indicados como paradigma. ... Com efeito, a utilização de um caixa único não pode ser utilizado como fundamento para inclusão da Recorrente na qualidade de responsável solidária dos Autos de Infração, tendo em vista que tal fato confirma na realidade a inexistência de seu interesse jurídico nos fatos geradores, pelo que se faz necessário a reforma do acordão recorrido. Pede, alfim, provimento do seu apelo especial para excluí-lo do polo passível dos autos de infração (IRPJ e CSLL). A Fazenda, em contrarrazões (fls. 2334/2341), pugna pela manutenção da sujeição passiva solidária. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Fl. 2345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.695 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720009/2016-40 Conheço do recurso nos termos em que foi admitido. No mérito, por concordar in totum com a r. decisão, tomo emprestado como meus os fundamentos da mesma, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Da Imputação de Responsabilidade Solidária à pessoa jurídica SUPER MIX A empresa Super Mix Comércio de Produtos de Farmácia Ltda foi arrolada como responsável tributária, nos termos do art. 124, I, do CTN. A autoridade fiscal concluiu em seu relatório que: As informações colhidas na fiscalização que relacionam os vínculos do quadro societário, o destino das mercadorias, a realização das operações da Laviga através de mão de obra vinculada à Super Mix Comércio de Produtos e Perfumaria Ltda e até pagamento de aquisições teoricamente realizadas pela Laviga comprova que Laviga e Super Mix (CNPJ raiz nº 02.696.867) têm interesse comum nestas operações e fazem parte de um mesmo grupo econômico. Desta forma, respondem, solidariamente pelo débito. Por sua vez, a relatora também reconhece que a Laviga não comprovou o pagamento de todas as suas aquisições e que parte dos pagamentos foi efetivado pela Super Mix, bem como possuíam mesma direção, todavia concluiu que não havia como imputar responsabilidade solidária pela omissão de receitas, nos seguintes termos: É certo e claro que existia esse contrato de gestão de caixa entre ambas, assim como mencionado por um dos fornecedores que os pagamentos eram feitos à Super Mix. Ambas possuem mesma direção, e ao que parece, atuavam de forma conjunta. Porém, voltando para a infração, que foi a de omissão de receitas decorrentes de falta de contabilização, que a própria recorrente alega que foi erro, não vejo como atribuir a um terceiro, ainda que ligados, a responsabilidade tributária. Com efeito, o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. O interesse comum, a ensejar a responsabilidade solidária de terceiro, ocorre no fato ou na relação jurídica vinculada ao fato gerador do tributo, ainda que de forma indireta. Verifica-se o interesse comum em relação ao grupo econômico de fato quando há identidade do corpo diretivo ou confusão patrimonial entre as empresas do grupo. No caso em tela, em análises comparativas realizadas entre notas fiscais de compras e vendas, restou demonstrado que os preços de venda praticados pela Laviga eram similares aos preços de aquisição, algumas vezes inferiores; restou demonstrado ainda a falta de comprovação do pagamento das aquisições pela Laviga e pagamentos realizados pela Super Mix, através de um caixa único instituído entre as duas empresas. Ou seja, restou configurada a confusão patrimonial entre a Laviga e a Super Mix, não só no que se refere aos pagamentos, bem como pela transferência de mercadorias a preço de custo ou inferior ao custo e ainda direção em comum. Reconhece-se, portanto, o interesse comum e o nexo causal da participação consciente da Super Mix na situação que deu ensejo ao fato gerador, restando caracterizada sua responsabilidade solidária. Nesse sentido, transcrevo trecho do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 04/2018 que dispôs sobre a responsabilidade solidária do art. 124, inciso I do CTN, e que ratifica o entendimento de que a participação na realização do fato gerador não se dá Fl. 2346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.695 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720009/2016-40 necessariamente do mesmo lado da relação jurídica, mormente nas hipóteses de confusão patrimonial, e que a participação pode ser dar de forma indireta, in verbis: Sobre o Interesse Comum 11. A terminologia "interesse comum" é juridicamente indeterminada. A sua delimitação é o principal desafio deste Parecer Normativo. Ao analisa-la, normalmente a doutrina e a jurisprudência dispõem que esse interesse comum é jurídico, e não apenas econômico. 11.1. O interesse econômico aparentemente seria no sentido de que bastaria um proveito econômico para ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. 11.2. O interesse jurídico, por sua vez, se daria pelo vínculo jurídico entre as partes para a realização em conjunto do fato gerador. Para tanto, as pessoas deveriam estar do mesmo lado da relação jurídica, não podendo estar em lados contrapostos (como comprador e vendedor, por exemplo). 11.3. Ambas as construções doutrinárias são falhas e não devem ser aplicadas no âmbito da RFB, pois tenta-se interpretar um conceito indeterminado com outro conceito indeterminado. 12. Como norma geral à responsabilidade tributária, o responsável deve ter vínculo com o fato gerador ou com o sujeito passivo que o praticou. Segundo Ferragut: (...) 13. Voltando-se à responsabilidade solidária, o interesse comum ocorre no fato ou na relação jurídica vinculada ao fato gerador do tributo. É responsável solidário tanto quem atua de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que constitui o fato gerador, como o que esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que deu origem ao fato jurídico tributário mediante cometimento de atos ilícitos que o manipularam. Mesmo nesta última hipótese está configurada a situação que constitui o fato gerador, ainda que de forma indireta. (...) 14.1. Ora, não se pode cogitar que o Fisco, identificando a verdadeira essência do fato jurídico no mundo fenomênico, não responsabilizasse quem tentasse ocultá-lo ou manipulá-lo para escapar de suas obrigações fiscais. 14.2. Na linha aqui adotada, ocorrendo atuação conjunta de diversas pessoas relacionadas a ato, a fato ou a negócio jurídico vinculado a um dos aspectos da regra- matriz de incidência tributária (principalmente mediante atuação ilícita), está presente o interesse comum a ensejar a responsabilização tributária solidária, conforme preconizado por Araújo, Conrado e Vergueiro: Por esse entendimento, haveria uma extensão da interpretação a ser dada ao interesse comum, tomando como presente se houver a realização conjunta do fato jurídico tributário ou na hipótese de comprovação da atuação com fraude ou conluio. (...) Sem prejuízo dessas colocações, é preciso admitir: como a expressão "interesse comum" é, em si, vaga (e, por conseguinte, abrangente), seria possível entende-la a partir de outros critérios como os que governam, nos termos do art. 50 do Código Civil, a desconsideração da personalidade jurídica; "interesse comum", nesse contexto, poderia decorrer (i) da "identidade de controle na condução dos negócios" (definido pela identidade do corpo diretivo de empresas envolvidas em situação de afirmado "grupo de fato"), (ii) da "confusão patrimonial" (outro elemento de referência comum nos casos de grupo de fato) e (iii) da Fl. 2347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.695 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720009/2016-40 detecção de eventual fraude (derivada, por exemplo, da ocultação ou da simulação de negócios jurídicos). 15. Apesar de neste parecer concordar-se com a linha da consulente no sentido de ser possível a responsabilização pelo inciso I do art. 124 do CTN para situação de ilícitos, em geral, ele não implica que qualquer pessoa possa ser responsabilizada. Esta deve ter vínculo com o ilícito e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição, comprovando-se o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. 16. Não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito. (...) Pelo exposto, considero procedente a inclusão no pólo passivo da obrigação principal da empresa Super Mix Comércio de Produtos de Farmácia Ltda, CNPJ nº 02.696.867/0001-59, pelo fato de ser a administradora, operadora e provedora de recursos da Laviga, na figura de seu sócio-administrador. Ou seja, em razão da existência de confusão patrimonial entre a Laviga e a Super Mix, bem como a direção em conjunto, há de se reconhecer o interesse comum da Super Mix na situação que constituiu o fato gerador da obrigação. Dessarte, é de ser mantida a r. decisão. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do contribuinte e nego-lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 2348DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.731122/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento da contribuição (PIS/Cofins) pleiteado, decisão essa lastreada em relatórios fiscais elaborados pela Fiscalização, em que se detectaram divergências em relação às informações prestadas pelo contribuinte no Dacon, na Escrituração Fiscal Digital das Contribuições (EFD Contribuições) e nos arquivos digitais de notas fiscais. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado (i) cerceamento do seu direito de defesa (motivação genérica do despacho decisório), (ii) relação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 31 12 2/ 20 13 -6 1 Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 10120.731122/201361 Resolução nº 3301000.924 S3C3T1 Fl. 3.342 2 de causa e efeito existente entre este e o processo administrativo nº 10120.725.254/201516 (auto de infração), (iii) o conceito de insumo na não cumulatividade das contribuições abrange qualquer gasto estritamente necessário para a obtenção das receitas que são a sua base de cálculo, (iv) direito a crédito em relação a fretes entre estabelecimentos da empresa (matérias primas e produtos acabados), às despesas com armazenagem e frete extemporâneos, às despesas com armazenagem consideradas indevidamente como prescritas, a bens e serviços utilizados como insumos e a despesas com material de uso e consumo e (v) crédito presumido (biodiesel, produtos destinados à alimentação e farelo de girassol). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando todos os itens pleiteados pelo contribuinte por falta de previsão legal, bem como em razão da ausência de comprovação eficaz do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. Foram juntados aos autos contratos, memorandos de exportação, telas do Siscomex e do Sisbacen, documentos de confirmação de exportação, Danfe, notas fiscais de armazenagem e notas fiscais de compra de sebo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.908, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10120.730834/201363, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.908): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tendo em vista o princípio da verdade material, que é diretriz básica de todo o processo administrativo fiscal, verificamos que a contenda se originou da análise de créditos pleiteados em Pedido Eletrônico de Ressarcimento, de créditos de PIS/COFINS não cumulativos. A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, fretes e despesas de armazenagem. Neste quadro, destacamos os seguintes fatos : OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS 1 – Com relação à recorrente : em seu recurso voluntário, no item 2.4 – das despesas de armazenagens e fretes extemporâneos (fls. 277 dos autos digitais), a recorrente, citando Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 10120.731122/201361 Resolução nº 3301000.924 S3C3T1 Fl. 3.343 3 Acórdãos do CARF, expõe que “quanto a este tópico, entendeu a fiscalização por glosar o aproveitamento de créditos com despesas de armazenagem incorridas no período ali mencionado. Isso ocorreu porque, segundo a autoridade administrativa, o aproveitamento de tais créditos foi extemporâneo, já que a recorrente teria informado, nos DACON de junho de 2011, o total das despesas com armazenagem havidas no período de fevereiro de 2004 a maio de 2011.” no item 2.4.28 (fls. 284 dos autos digitais) a recorrente afirma que “ por fim, no tocante ao argumento constante do Acórdão recorrido, de que o fiscal não chegou a analisar a qualidade do crédito e, por isso, inexistem liquidez e certeza do mesmo, também não assiste razão, pois, ao fisco foi disponibilizada toda a documentação comprobatória dos gastos, tais como os Contratos e Notas Fiscais de Armazenagem aqui anexados por amostragem (Doc_Comprabatórios0030 a 0058)”. a recorrente junta documentos de fls. 309 a 3204 dos autos digitais, em fase de recurso voluntário 2 – Com relação ao Acórdão DRJ : o Acórdão DRJ, ao analisar este item (fls 227 a 230 dos autos digitais) deixa claro que “ a fiscalização glosou créditos decorrentes de despesas com armazenagem e fretes incorridas no período de fevereiro/2004 a junho/2011 informados no DACON de junho de 2011, sob o argumento de que o aproveitamento de crédito extemporâneo não é válido á luz da legislação vigente. Ressaltou ainda da necessidade da impugnante retificar os DACON correspondentes para pleitear o crédito extemporâneo.” o mesmo Acordão DRJ, ainda analisando este item (fls 230 dos autos digitais), informa que ' quarto, a fiscalização não atestou a validade dos créditos, uma vez que o próprio auditor da ação fiscal disse “se o crédito pudesse ser apurado e informado a qualquer momento no Dacon, inviabilizaria a fiscalização das contribuições, já que qualquer procedimento teria que abranger desde o mês em que a pessoa a ser sujeita ao regime da não cumulatividade”. O período fiscalizado se restringiu a 04/2010 a 06/2012, e o crédito extemporâneo é a partir de 2004. Assim ,entendo que inexiste liquidez e certeza do crédito, nem cabe à DRF, nem a esta DRJ, apurar/reconhecer crédito não declarado, ou diverso do declarado, pela contribuinte.”. 3 – Com relação ao Relatório de Fiscalização : ainda com relação a este mesmo item, os Relatórios de Fiscalização – PER (fls. 30 a 44 dos autos digitais) e Processos (fls. 45 a 51 dos autos digitais) elaborados pela fiscalização, mais especificamente o Relatório de Fiscalização PER, traz em seu item I.D – Despesas de Armazenagem Extemporâneas, uma análise dos créditos apurados neste período. Entretanto, é de se salientar as seguintes afirmações : “ 13. Na consolidação das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda feitas a partir das planilhas apresentadas pelo contribuinte, constante da planilha anexa ao TIF Nº 9, há despesas de armazenagem incorridas no período de fevereiro/2004 a outubro/2011.' “ 14. Conforme apurado e para fins de registro, a fiscalização verificou que os valores das despesas de armazenagem incorridas no período de abril/2010 a Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 10120.731122/201361 Resolução nº 3301000.924 S3C3T1 Fl. 3.344 4 maio/2011 não foram informados nos respectivos Dacons. Quanto aos anteriores, não foi possível verificar tal fato, até porque o período de fevereiro/2004 a março/2010 não é objeto do presente procedimento.' (grifos nossos) “16. Se tal procedimento fosse válido, ainda assim os valores estariam incorretos, conforme quadro abaixo…..” “17. Este quadro e a planilha em anexo “Extemporaneidade – Despesas de Armazenagem e Fretes nas Vendas – RELATÓRIO” foram elaborados a partir da planilha mencionada no item I.E a seguir, feitos os devidos ajustes, para considerar válida, se assim fosse possível, a apropriação extemporânea dos créditos e, supondo que as despesas de armazenagem de fevereiro/2004 a março/2010 não tenham sido apropriadas em período diverso do aqui fiscalizado' (grifos nossos) “ 18. Contudo, entendemos que tal procedimento não é válido á luz da legislação, conforme demonstraremos a seguir.” neste Relatório a fiscalização, interpretando a legislação a seu modo, entende que os créditos extemporâneos devem ser analisados em fase de apuração e fase de utilização, sendo que a fase de apuração obedece aos requisitos impostos pela legislação á apuração dos créditos básicos, para concluir seu raciocínio de que os créditos extemporâneos não podem ser utilizados fora dos seus períodos de apuração. DA AUSÊNCIA DE INCLUSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS EM ARQUIVOS DIGITAIS o Acórdão DRJ, ao analisar o item Dos Bens Utilizados como Insumos – da Glosa (indevida) de créditos do PIS/PASEP e COFINS pela suposta ausência de inclusão de documentos fiscais em arquivos digitais, ás fls. 230 – 231 dos autos digitais, informa que “ A fiscalização diz que apenas os créditos das notas fiscais (uso e consumo) de aquisição de pessoa jurídica e constante dos arquivos digitais foram consideradas. Informa que as notas fiscais não encontradas nos arquivos digitais e cujos valores foram desconsiderados na apuração dos créditos de PIS e Cofins estão relacionadas na planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO Encontradas". Por outro lado, narra a impugnante que, embora tenha se manifestado a despeito do equívoco da fiscalização, dado que as notas fiscais geradoras de créditos de PIS/PASEP e COFINS constavam do arquivo da EFD/Fiscal, parte dos créditos foram glosados pelo auditor (planilha "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas"). Para demonstrar que as notas fiscais listadas na planilha foram informadas no EFD/Fiscal, a requerente anexou o "DOC.06", informando o número da linha em que os documentos fiscais estão registradas no arquivo digital transmitido (número do recibo de entrega do arquivo e data de sua transmissão). Se as notas fiscais são de pessoas jurídicas e registradas nos arquivos digitais transmitidos para o SPED das respectivas competências, não vejo motivo em manter a glosa dos créditos das notas fiscais não localizadas pela fiscalização (As notas fiscais não localizadas está listada na planilha denominada "Rateio Notas Fiscais NÃO encontradas ). Ocorre que as notas fiscais juntadas pela contribuinte são de pessoas físicas ou foram (inferese) incluídas nos arquivos digitais (SPED) de outros períodos de competência/apuração11. Reproduzo parcialmente o "DOC.06 para demonstrar tal constatação.” Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 10120.731122/201361 Resolução nº 3301000.924 S3C3T1 Fl. 3.345 5 já a recorrente, em sua defesa, em relação ao mesmo item, no seu recurso voluntário, ás fls. 293 dos autos digitais afirma que “ 2.7.1.5. Nesse diapasão, o Acórdão combatido buscou descaracterizar as provas carreadas pela Recorrente, afirmando que, dentre outras impropriedades, as aquisições foram realizadas de pessoas físicas. 2.7.1.6. Entretanto, ilustres Conselheiros, o que ocorreu é que a planilha juntada pela Recorrente foi em formato de "exceli", o qual, como é de conhecimento geral, despreza a informação do numeral "0" quando colocado a esquerda. Essa ação, comum em arquivos nesse formato (exceli), fez com que o CNPJ dos fornecedores que se encontram nessa situação (zero a esquerda) pareçam se referir a CPF (Exemplo: Fornecedor com CNPJ 00.048.496/000173 segue na planilha contida no DOC. 03 da Impugnação com o número 484.960.000173). 2.7.1.7. Sobreleva reiterar, como abordado em linhas anteriores, que eventual erro formal cometido no cumprimento de obrigação acessória transmitida ao banco de dados da Receita Federal do Brasil, não possui o condão de obstar direito que assiste ao contribuinte, especialmente se se provar ser este irrefutável, como o é na situação em testilha. 7. Assim, diante destes fatos narrados, entendo que o presente processo não está em condições de julgamento, antes de que tais pontos sejam esclarecidos. 8. Neste diapasão, entende este Conselheiro que o presente processo deve ser alvo de diligência, para que se esclareçam tais pontos. CONCLUSÃO 9. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem : a) diante do fato de os documentos acostados ás fls. 309 a 3.204 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. 10. Entretanto, diante da petição de fls. 3.234, apresentada pela recorrente, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. 11.Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 10120.731122/201361 Resolução nº 3301000.924 S3C3T1 Fl. 3.346 6 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que se esclareçam os seguintes pontos: a) diante do fato de os documentos acostados às fls. 409 a 3.291 se constituírem em fato novo, manifestese a fiscalização sobre tais documentos; b) analise a origem, natureza, validade e pertinência dos créditos extemporâneos apropriados, mesmo sem as DACON/DCTF retificadoras, para quantificálos, desprezando os critérios de apuração exigidos para os créditos básicos e considerando a data de prescrição como a data de emissão da nota de fiscal de aquisição ou contabilização de tais créditos; c) manifestese a respeito das alegações da recorrente a respeito do erro formal na informação constante da planilha Excell quanto às aquisições de pessoas físicas ou jurídicas, se são procedentes ou não; d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. Entretanto, diante da petição de fls. 3.234 a 3.237 do processo paradigma (10120.730834/201363), apresentada pela recorrente, abrangendo os demais processos com recursos repetitivos, verificase que já existe processo vinculado a este, por conexão, em trâmite pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da 3ª Seção deste CARF, de nº 10120.725254/201516. Assim, diante deste fato, deve ser este processo redistribuído, por conexão, para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3346DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917085/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada Acórdão nº 2301-005.389, de 03/07/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifique-se da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
RELATÓRIO
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada Acórdão nº 2301005.389, de 03/07/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifiquese da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 08 5/ 20 09 -3 2 Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 3 2 Tratase de embargos de declaração, opostos pelo respeitado Conselheiro JOÃO João Bellini Júnior o qual fez parte integrante como Presidente deste Colegiado (1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento), contra Acórdão de julgamento de Recurso Voluntário, no qual consta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN". Recurso Voluntário Não Conhecido". Nos embargos declaratórios opostos, está sendo questionada o não recebimento do Recurso Voluntário apresentado, quando foi declarada a incompetência do colegiado, em que o foi feito nos seguintes termos: "Como visto, o acórdão decidiu pela incompetência do Carf em conhecer do recurso voluntário, “isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF”. Em assim fazendo o acórdão entrou em contradição, pois, ao mesmo tempo em que se fundamenta no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, nega vigência ao §9º desse artigo, pelo qual “é facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação”. Ora, se é aplicável ao caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, também é o seu § 9º, que abre a via do processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto 70.235, de 1972, aos casos de não homologação da compensação. Sendo a manifestação de inconformidade julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), a competência para o julgamento do recurso voluntário que ataca tal decisão é dada pelo art. 1º do Anexo II do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Caso não seja aplicável ao caso o § 9º do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, o acórdão embargado incidiu em omissão, ao não motivar a decisão. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 4 3 Por tais razões, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, EMBARGO DE OFÍCIO o acórdão em questão, para que seja sanados os vícios apontados". Diante dos fatos, é o breve relatório. VOTO Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos declaratórios possuem previsão pelos os artigos 64, 65 e 66 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015), que assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciar se a turma". Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão". Com isso, os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. No presente caso, entendo que guarda pertinência o questionamento apresentando. Senão vejamos. O embargante apresenta a seguinte contradição do julgado: "Em assim fazendo o acórdão entrou em contradição, pois, ao mesmo tempo em que se fundamenta no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, nega vigência ao §9º desse artigo, pelo qual “é facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação”. Ora, se é aplicável ao caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, também é o seu § 9º, que abre a via do processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto 70.235, de 1972, aos casos de não homologação da compensação". Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 5 4 Quanto a esse ponto específico, o pedido de compensação tem seu procedimento regulado pela Lei 9.430, de 1996. Nesse sentido, tenho que de fato, a decisão foi contraditória, pois o parágrafo 10º, da referida Lei, diz que da decisão que não homologar a compensação, cabe apresentar a devida Manifestação de Inconformidade, e posterior a isso, caso persista a irresignação, cabe então recurso ao Conselho de Contribuintes, ou seja, ao CARF, conforme transcrição in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Assim, a referida Lei abre caminho para que seja aplicado o rito processual do PAF (Decreto Nº 70.235, de 6 de março De 1972), a fim de que seja apreciado o recurso do contribuinte perante este Tribunal Administrativo. Nessas circunstâncias, devem ser acolhidos os embargos, nos limites de seu recebimento, tendo nesse caso efeitos modificativos, para sanar a contradição apontada, e oportunizando o aclaramento ao disposto do que já foi decidido. CONCLUSÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO aos embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanar o vício da decisão proferida, em contradição no que diz respeito à decisão lançada que utilizou como fundamentação Lei que impõe o próprio conhecimento do recurso apresentado. Assim, acolhendo os embargos, passo os fundamentos do mérito do recurso. DO VOTO DO RECURSO RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, o qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 6 5 ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nessa ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses equívocos ocorreu também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo, decorrentes também por informações equivocadas quando do seu processamento em razão de um de seus milhares de participantes ter falecido ou por terem sido acometidos por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; ou, c) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento. vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 7 6 Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito pleiteado. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e da busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório do recurso voluntário. VOTO DE MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 8 7 No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações —Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor devido sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seria mais possível fazer por retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impedida a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outros casos por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios do possível crédito apresentado e que merecem análise aprofundada da questão, já que são indícios suficientemente fortes a embasar os créditos gerados, mas que ainda carece de total convicção. Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 9 8 Já nos casos em que houve possível erro material no preenchimento da DCTF, a contribuinte alega que foi feita a retificação, quando não estava em fiscalização. Nesse sentido, em análise dos documentos apresentados e do PER/DCOMP apresentado, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional, mas que, como já dito, os fatos narrados e os documentos juntados trazem relativas convicções do direito da recorrente. O art. 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas ,cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Ademais, o Parecer COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, alega que não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB 1.110, de 2010, revogado pela Instrução Normativa RFB n.º 1.599, de dezembro de 2015, conforme conclusão esposa no referido parecer, abaixo transcrito: "Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Resolução nº 2301000.812 S2C3T1 Fl. 10 9 d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Nesse sentido, entendo que a recorrente colacionou diversas provas que possam dar azo ao direito pleiteado, mas que precisa ser analisado na origem seu possível recolhimento a maior. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade preparadora certifique se de fato houve o recolhimento a maior, diante das provas apontadas pela recorrente, verificando, se for o caso, a consolidação do crédito gerado, pago e possível saldo, caso houver. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1750DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.911444/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência .
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em SP Deinf proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 11 44 4/ 20 09 -7 6 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.911444/200976 Resolução nº 1402000.620 S1C4T2 Fl. 3 2 sob o fundamento de que foi constatada improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compro saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que os valores excedentes dos pagamentos das suas estimativas mensais, superiores ao apurado de IRPJ/CSLL a pagar no período de apuração, e que tal diferença deva ser necessariamente reconhecida como saldo negativo. Neste sentido, o artigo 74 da Lei 9. 430/96 dispõe que aquele que apurar crédito em decorrência de pagamento indevido ou a maior de tributos federais, poderá, mediante à entrega de declaração de compensação/restituição à RFB pleitear a compensação e/ou restituição de seus créditos com débitos vencidos ou vincendos dos tributos também administrados pela RFB. Logo, valendose desta previsão legal o ora requerente procedeu à entrega da presente declaração de compensação. O aludido pedido de compensação só foi entregue após o encerramento do período de apuração, e portanto, após a efetiva constatação de que não havia montante a pagar de IRPJ/CSLL na apuração, tendo sido apurado saldo negativo do referido tributo. Pela leitura do despacho decisório depreendese que a compensação não foi homologada por supostamente não existirem créditos suficientes para tanto, uma vez que, segundo a Fiscalização, não seria possível a utilização de montante recolhido a título de estimativa mensal da IRPJ/CSLL que evidentemente compõe o saldo negativo do imposto ou contribuição apurado ao final do anocalendário em questão para a compensação de seus débitos, mas somente para a eventual composição de saldo negativo ou mesmo para a compensação com o próprio IRPJ e a CSLL devidos. Não assiste razão ao Fisco devendo ser reconhecido o seu direito à compensação do débito de IRPJ ou CSLL em foco no presente processo, com créditos líquidos e certos advindos de parte do seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL apurados no período. Apesar do crédito de IRPJ ou CSLL oferecido à compensação ter sido apurado em momento anterior ao encerramento do exercício, a entrega da declaração de compensação somente ocorreu quando já havia se encerrado o anocalendário, quando já se havia constatado a existência de saldo negativo. Portanto, não assiste razão à fiscalização quanto à alegação de que o pagamento informado pelo requerente teria origem no recolhimento a maior de estimativa mensal, mas sim, efetivamente, do saldo negativo apurado ao final do ano. Isto porque uma vez constatado que os valores pagos por estimativa mensal superam o montante efetivamente devido da exação no encerramento do exercício a diferença deve ser reconhecida como saldo negativo do período em questão. Tanto que o Conselho de Contribuintes já manifestou o entendimento de que os recolhimentos efetuados a título de estimativas mensais deve compor o saldo negativo e consequentemente integram o montante de créditos a ser objeto de compensação. O que se verifica no presente caso é o mero cometimento de um simples erro formal no preenchimento do PER/DCOMP pois, ao invés de a Requerente informar que a Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.911444/200976 Resolução nº 1402000.620 S1C4T2 Fl. 4 3 origem do seu crédito decorre da apuração de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acabou informando que seu crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior. O cometimento de mero erro formal não pode, em hipótese alguma, prejudicar a utilização de seu saldo negativo para a quitação, via compensação, de seus débitos, isto porque o preenchimento de declarações, como a declaração de compensação, encontrase no rol das obrigações acessórias, que tem como razão de ser a garantia do cumprimento da obrigação tributária principal, ou seja, visa possibilitar o controle, por parte do Fisco, das atividades exercidas pelo contribuinte, com o objetivo de verificar a adequação dos montantes levados por este a título de tributos aos cofres públicos. Se por qualquer outro meio, a autoridade administrativa puder verificar a adequação dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, bem como proceder ao devido controle de suas atividades, temse que reconhecer que o eventual descumprimento dos deveres instrumentais não poderá prejudicar o direito do contribuinte, no presente caso o direito do requerente à compensação de seus débitos com saldo negativo de IRPJ ou CSLL devidamente comprovado, sendo certo que a fiscalização possuía todas as informações necessárias à verificação deste direito. Assim, segundo o § 2° do artigo 147 do CTN deve ser efetuada a retificação de ofício da PER/DCOMP ora analisada, a fim de que passe a constar a informação de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado. Por fim, solicita que seja a presente manifestação de inconformidade julgada integralmente procedente, reconhecendose o direito à compensação declarada com a conseqüente extinção do débito vinculado, bem como seja determinada a retificação de ofício do referido pedido de compensação para que passe a constar a informação de que a origem do crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do exercício em foco no presente processo, nos termos em que autorizados pelo artigo 147 § 2° do CTN ou, sucessivamente, que seja aplicada a mesma interpretação dada na Solução de Consulta n° 90/2009. Requer ainda, enquanto perdurar o julgamento, que o crédito tributário advindo da não homologação da compensação tenha a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN e conforme a previsão constante do artigo 66, § 5° da IN SRF n° 900, de 30.12.2008. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. No seu fundamento, estabelece os seguintes pontos: o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP apresentado envolveria num efetivo erro de critério jurídico por parte da recorrente, uma vez que a alteração do tipo de crédito interfere na natureza do próprio direito que se pretende demonstrar, alterando sua essência. Haveria a necessidade da reanálise de todos os elementos, agora com a sua perspectiva de ser um saldo negativo. Além do mais, da leitura do artigo 78 da IN 900/2008 (que repete o artigo 58 da IN SRF 600/2005), combinado com o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, haveria a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP, tanto do contribuinte quanto de ofício. No caso em tela, deveria ter sido cancelada a DCOMP e apresentada outro PER/DCOMP; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.911444/200976 Resolução nº 1402000.620 S1C4T2 Fl. 5 4 mesmo que se adentrasse no mérito, a eventual análise do crédito de saldo negativo alegado, envolveria a geração de novo Despacho Decisório, já que a autoridade administrativa competente não fez a análise devida com base no informado no PER/DCOMP entregue. Isso confirma que um novo pedido de compensação deveria ter sido formalizado em instrumento próprio, para ser possível esta análise; o Despacho Decisório que denegou o pedido formulado no PER/DCOMP encontrase perfeito, pois à luz do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, havia mesmo o impedimento ali apontado, sendo que o suposto indébito só poderia ser utilizado para reduzir o tributo apurado ao final do período de apuração ou na composição do saldo negativo; apesar da publicação da IN RFB nº 900/2008, que revogou a IN SRF nº 600/2005, que retirou a restrição do art. 10 desta, numa eventual análise do mérito, a manifestação de inconformidade não apresentou provas de que à época o pagamento tenha sido efetuado de forma maior que o efetivamente devido, isto porque a primeira DCTF entregue, com o débito de onde o crédito supostamente se originaria, mostrava que o pagamento era totalmente alocado ao valor declarado, não restando assim qualquer diferença a ser aproveitada pelo contribuinte. A DCTF retificadora não veio acompanhada de documentação hábil e idônea que demonstrasse que a retificada estava equivocada. Entendeu a recorrente bastar alegar que seu crédito seria na realidade saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, o que também não comprovou originalmente. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: a DRJ optou se apegar ao rigor formal, em detrimento ao direito da recorrente, pois bastaria ter baixado os autos para reanálise dos créditos pleiteados. Ou melhor, ter acatado sua confissão acerca do erro cometido; a posição do CARF é de constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, e a existência do crédito em favor do contribuinte, a compensação deve ser homologada. Cita ementas de acórdãos do CARF para tanto; a recorrida, no caso, RFB, teria a obrigação de retificar de ofício o erro cometido na DCOMP apresentada pela recorrente, nos termos do art. 147 § 2º do CTN; a solução de consulta interna Cosit nº 19/2001 orientou que deixou de existir a vedação no que concerne à compensação de parcelas pagas a maior a título de estimativa, devendo ser aplicado ao caso concreto o princípio da retroatividade benigna; desnecessário à recorrente apresentar elementos comprobatórios que viessem a retratar a apuração do tributo a menor, pois a retificação das declarações do contribuinte, ao serem admitidas, consubstanciam confissões de dívida e substituem integralmente as originalmente apresentadas. Colocase a disposição para eventuais esclarecimentos adicionais. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.911444/200976 Resolução nº 1402000.620 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.606, de 11.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 16327.911446/200965, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.606): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. A discussão aqui cingese ao fato de que a recorrente tenta compensar, nas suas palavras, valores recolhidos a maior de estimativa de IRPJ/CSLL, com débitos do mesmo período de apuração, ou seja, antes do encerramento do exercício respectivo. Para tanto, aduz no seu PER/DCOMP que houve o pagamento indevido de estimativas, como fundamento do seu direito creditório. O Despacho Decisório denegou tal pleito, pois, no seu entender, o pagamento de estimativa mensal só poderia utilizado na dedução do IRPJ e CSLL devido ao final do período de apuração ou compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL, com base no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, que criava, então, tal impedimento. Contudo, com a edição da IN RFB nº 900/2008, não subsiste mais tal impedimento motivador do despacho decisório. A decisão a quo analisou tal circunstância, e entendeu que mesmo entendendo não mais aplicável tal regramento do art. 10 da IN SRF nº 600/2005, não há provas acostadas nos autos de que à época do pagamento, tenha sido efetuado de forma maior que o efetivamente devido. Compulsando os autos, notase nitidamente que os únicos elementos trazidos para comprovar a situação pela recorrente, na esfera a quo foram partes da DIPJ e DCTF, ambos retificadoras, sem condições de se precisar exatamente se se referem após o primeiro Despacho Decisório emanado. Cabe lembrar que o tema aqui envolve direitos creditórios referentes a períodos dos anos de 2004 e 2005, todos sob a mesma alegação da recorrente, e todos com decisão a quo negando com praticamente os mesmos fundamentos. Já na sua peça impugnatória, a recorrente alega que no preenchimento da sua PER/DCOMP, houve um erro formal, pois acabou preenchendo tal documento fazendo constar como tipo de crédito o "pagamento indevido ou a maior" em lugar do "saldo negativo de IRPJ" e que o Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.911444/200976 Resolução nº 1402000.620 S1C4T2 Fl. 7 6 mero erro apontado não pode ilidir o seu real direito à compensação supostamente comprovado por meio dos elementos trazidos. Aqui, cabe destacar a importância da distinção entre o direito creditório se baseie em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual, e há valores de vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos. Não seria admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito, conforme já sumulado nesta Corte (súmula nº 841). Contudo, não resta comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte. Há poucos elementos disponíveis nos autos para se verificar tal situação, partes da DCTF e DIPJ, em parte retificados pela recorrente já transcorrido um lapso grande temporal, e quando possível verificar, após o Despacho Decisório de algum período do anocalendário constante em outro processo. Nestes elementos verificase que apurou a estimativa, simplesmente, pagou e depois de algum tempo, entendeu que formaria saldo negativo, ou seja, estaria recolhendo acima do necessário, e passou a solicitar a compensação como se indébito fosse. Não agiu de forma a requerer um balanço de redução ou suspensão, como seria esperado. Não há elementos para se apurar o porque disso. Um indébito, válido para qualquer tributo, e igualmente para uma estimativa recolhida a maior ou totalmente indevida, é com base em erro de apuração da sua base de cálculo. Na prática, no transcorrer do ano, quando optante do lucro real anual, a estimativa convertese numa situação similar ao lucro presumido, em que sua base de cálculo são as receitas brutas e acréscimos mensais do contribuinte. Eventualmente, neste cálculo, pode adicionar valores indevidos, e notar somente depois, mas ainda dentro do exercício em foco. Há nitidamente um erro de apuração, e o contribuinte acabou recolhendo a maior que deveria. Nestes casos, cabível o pedido de repetição, e a 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.911444/200976 Resolução nº 1402000.620 S1C4T2 Fl. 8 7 atualização monetária ocorrer a partir do mês seguinte do recolhimento. Contudo, não está demonstrado nos autos tal situação de indébito. Alias, na sua argumentação, resta bem nítido que quer se valer do direito de tratar o saldo negativo como indébito, provavelmente procurando a atualização monetária mais próxima possível do recolhimento da estimativa. Para tanto, aparente que desde que reconheça sua PER/DCOMP nos moldes que foi transmitida, não se importa com o critério jurídico a ser aplicado ao seu direito creditório. Contudo, conforme já explicitado, envolveria em atualização monetária dos valores bem antes do devido, em prejuízo ao Erário. Tal situação fica mais manifesta quando rejeitado seu PER/DCOMP no Despacho Decisório, aceita ser alterado o crédito como saldo negativo. O quer que seja feito de ofício, e provavelmente alterando só esta referência, certamente, sem prejudicar as demais variáveis envolvidas. Necessário, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, o que não foi realizado até o momento em nenhuma instância a quo A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução do período do crédito pleiteado, e a sua adequação para a formação do indébito, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ ou CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER EM DILIGÊNCIA ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 167DF CARF MF
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