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Numero do processo: 15224.001313/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que negavam provimento. Designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir a resolução. Houve sustentação oral do advogado Douglas S. A. Domingues, OAB/RJ nº 198.453.
Robson José Bayerl Presidente substituto e relator
Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que negavam provimento. Designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir a resolução. Houve sustentação oral do advogado Douglas S. A. Domingues, OAB/RJ nº 198.453. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Eloy Eros da Silva Nogueira – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência dos tributos e multas devidos pelo extravio de mercadoria apurado em procedimento de Vistoria Aduaneira, cuja descrição dos fatos tomo por empréstimo da decisão de piso, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 24 .0 01 31 3/ 20 06 -2 1Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15224.001313/200621 Resolução nº 3401000.921 S3C4T1 Fl. 3 2 “Na descrição dos fatos (fl. 03), o autuante informa que a empresa Placibrás da Amazônia Ltda solicitou à fiscalização aduaneira, por meio do processo administrativo nº 15224.000987/200617, a realização de Vistoria Aduaneira referente à carga amparada pelo conhecimento aéreo 54911604504 4150140117, que, por ocasião do armazenamento, havia sido registrada pelo depositário no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (Mantra), com indisponibilidade 22 – divergência de peso e avaria "C" amassado, informação avalizada pelo transportador na ocasião, e que os registros do peso bruto da mercadoria feitos no mesmo sistema pelo transportador e depositário são divergentes, o primeiro informou 134,5 kg, conforme o constante no conhecimento aéreo, enquanto o segundo informou 8,5 kg. O fiscal ainda narra que em 24/07/06 compareceram os representantes do importador, do transportador e do depositário à conferência do volume armazenado na Infraero e que foi constatado que ele encontravase levemente amassado, sendo, ainda, apurada a falta de 4.640 unidades de processadores P42.80 GHz, classificados no código 8542.21.22 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).” Em impugnação o contribuinte argumentou, em resumo, que não houve extravio, mas sim embarque parcial da mercadoria descrita, o que justificaria a grande diferença de peso, tendo transportado exatamente o que recebera para despacho. A DRJ Fortaleza/CE julgou improcedente a impugnação mediante decisão assim ementada: “TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE POR EXTRAVIO. O responsável pelo extravio, identificado pela autoridade aduaneira em regular procedimento formal, deve indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em consequência, deixarem de ser recolhidos, sendo que, para efeitos fiscais, os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes quando forem descarregados com peso ou dimensão inferior ao manifesto ou documento de efeito equivalente, ou ainda do conhecimento de carga.” Em recurso voluntário o contribuinte sustentou a presunção de extravio, ressaltando que houve equívoco ao registrar a carga que deixou de ser transportada; que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL 37/66; que não houve apuração adequada do extravio, ante a documentação acostada; que não ocorreu o fato gerador dos tributos ou da multa, ante a ausência de extravio; que não teria sido apurada a responsabilidade do recorrente pelo extravio das mercadorias; e, que não houve concretização do suporte fático necessário |à incidência tributária. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15224.001313/200621 Resolução nº 3401000.921 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Inicialmente foi proposto ao colegiado negar provimento ao recurso, basicamente pela ausência de, ao menos, um princípio de prova a corroborar as alegações do recorrente, tal qual postas em recurso voluntário, e que justificasse a realização de diligência. Todavia, vencido em plenário, excluí o voto originalmente confeccionado e remeto o exame meritório para o retorno da diligência, proposta vencedora, tendo em conta a incompatibilidade entre os seus termos e a decisão da turma. Robson José Bayerl Voto vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Redator designado. Ao consultarmos o que consta neste processo, sentimos que faltam informações para que possamos analisar o contraditório e chegarmos a alguma convicção para sua decisão. Podemos notar que, na chegada do transportador em 09 de julho de 2006, o depositário fez constar "conhecimento sem carga". Em 13 de julho seguinte, o importador teria solicitado a realização de vistoria aduaneira, para apurar o desaparecimento dessa carga. Em 18 de julho de 2006, a autoridade administrativa pediu que o depositário registrasse no sistema de controle MANTRA que o volume de 8,5 kg identificado com DISC [documento que identifica volume de carga ao qual não foi reconhecido o respectivo conhecimento de transporte] fosse atribuído àquele conhecimento de transporte que em 09 de julho não havia sido encontrada a carga. A vistoria foi feita em 26 de julho de 2006. Considerando que os documentos de transporte e os comerciais informavam uma quantidade maior de mercadorias do que a encontrada nesse volume de apenas 8,5 Kg, concluíram que houve extravio. O transportador aventa a hipótese de que houve embarque parcial no caso. Os volumes dessa carga teriam sido enviados ao Brasil em diferentes vôos. Considerando a cronologia acima resumida e a alegação da recorrente, convertemos o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição tome as seguintes providências: 1) verificar se houve embarque parcial no caso; 2) se foram identificados os volumes e mercadorias faltantes como chegados ao país (ex.: em outra ocasião, ou através de outros DSIC, ou outras hipóteses); Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 15224.001313/200621 Resolução nº 3401000.921 S3C4T1 Fl. 5 4 3) se o importador confirma que, após a realização da diligência, não recebeu as mercadorias faltantes. Se necessário, que a autoridade de jurisdição solicite informações aos interessados ou a terceiros, para atender a esta diligência; e, 4) que se dê ciência ao contribuinte antes e após a diligência, e que ele possa se manifestar no prazo de 30 dias dessa ciência. Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720304/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos Alberto Mees Stringari (Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Realizou sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Barbara Cristina Ronani Silva, OAB DF nº 43792. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Relator.
assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos Alberto Mees Stringari (Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Realizou sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Barbara Cristina Ronani Silva, OAB DF nº 43792. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Relator. assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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CONCOMITANTE. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos Alberto Mees Stringari (Relator). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Realizou sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Barbara Cristina Ronani Silva, OAB DF nº 43792. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 04 /2 01 2- 15 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator. assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0944.867 da 5ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte em razão da necessidade de retificações no lançamento apontadas pela diligência fiscal. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de processo de Autos de Infração lavrados em razão do descumprimento de obrigações tributárias previdenciárias, conforme a seguir discriminado, por número DEBCAD: 1) AI DEBCAD 37.354.5142: lançamento de contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da notificada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei 10.256/2001 (subrogação), no valor consolidado de R$929.000,43 (novecentos e vinte e nove mil reais e quarenta e três centavos); 2) AI DEBCAD 37.354.5150: lançamento de contribuições devidas a Terceiros (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da notificada, na qualidade de pessoa jurídica adquirente, nos termos da Lei 10.256/2001 (subrogação), no valor consolidado de R$87.168,12 (oitenta e sete mil, cento e sessenta e oito reais e doze centavos); 3) AI DEBCAD 37.354.5134: multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$97.027,20 (noventa e sete Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 3 3 mil e vinte e sete reais e vinte centavos), aplicada com fundamento no art. 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212, de 1991 (FL 68), considerando o disposto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), por informar a menor, em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), o valor da comercialização da produção rural. Conforme Relatório Fiscal, fls. 43/51, a empresa adquiriu CAFÉ EM GRÃOS diretamente de produtores rurais pessoas físicas, tendo sido apurados os fatos geradores através dos levantamentos “PR, PR1 e PR2 – Comercialização de Produção PF” e “PP e PP1 – Comercialização de Produção Rural NF Inidôneas”. Nos levantamentos PR, PR1 e PR2 foram lançadas as diferenças de contribuições devidas, conforme Anexo I, aferidas com base nas notas fiscais de entrada relacionadas no Anexo II, comparadas com os valores declarados em GFIP. Em relação aos levantamentos “PP e PP1 – Comercialização de Produção Rural NF Inidôneas”, o citado Relatório Fiscal explicita o que segue: 1.3.1. O contribuinte, com a intenção de se eximir da responsabilidade tributária quanto a contribuição incidente sobre a produção rural (subrogação) e de se apropriar indevidamente de crédito de PIS/COFINS, com vistas ao posterior pedido de ressarcimento desses valores junto à RFB, formalizou as aquisições de café negociados diretamente com produtores rurais pessoas físicas como se fossem aquisições de pessoas jurídicas, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas emitidas por empresas de “fachada”, conforme demonstrado no Termo de Constatação em anexo. 1.3.2 Na análise do processo nº 10675.720799/201055 Pedido de Ressarcimento de PIS e Processo nº 10675.720867/201086 Pedido de Ressarcimento de COFINS, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal concluíram que o contribuinte realizou o “aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de café no mercado interno passíveis de glosa” nas operações relacionadas a aquisições de atacadistas, por se tratarem de empresas inexistentes de fato. 1.3.3 O próprio contribuinte, diante das evidências das irregularidades apuradas, providenciou, em 26/04/2011, a transmissão de PERDCOMP retificadoras referentes ao período de apuração 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2009, excluindo o “crédito” originalmente informado relativo às operações com as empresas “atacadistas”. 1.3.4 Originalmente havia sido pleiteado ressarcimento de PIS/COFINS no montante de R$ 4.180.285,97. Após a transmissão das PER retificadoras o valor total do crédito Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 foi reduzido para R$ 631.237,30, tendo sido excluído, pelo contribuinte, créditos indevidos no valor de R$ 3.549.048,67. 1.3.5 Diante desta constatação, foram formalizadas representações para baixa de ofício do CNPJ das empresas inexistentes de fato utilizadas pelo contribuinte, cuja medida ainda não havia sido adotada, conforme Termo de Constatação em anexo. 1.3.6 Dessa forma, os valores das aquisições de café formalizados através de notas fiscais inidôneas emitidas por estas empresas inexistentes de fato foram considerados como aquisições de produtores rurais pessoas físicas, com base no art. 33, § 3º da Lei 8.212/91 e art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que dispõe que na hipótese de apresentação de informação diversa da realidade, a RFB lançará de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) 1.3.6 Os valores da comercialização da produção rural foram extraídos dos Livros Contábeis, Notas Fiscais de Produtor, Notas Fiscais de Entrada e de Registro de Entrada de Mercadorias. A autoridade lançadora informa que o interessado apresentou decisão judicial proferida no processo nº 000752856.2010.4.01.3400, movida pelo CONSELHO DE EXPORTADORES DE CAFÉ DO BRASIL – CECAFÉ em benefício de seus associados, com o seguinte dispositivo: “Ante o exposto, concedo a segurança para declarar o direito dos filiados do impetrante a se absterem de reter e recolher, por subrogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei nº 8.212/95, com redação dada pela Lei nº 8.540/95.” Neste item, o Relatório Fiscal informa o que vem abaixo: 1.4.2. De fato, o Supremo Tribunal Federal – STF, ao apreciar o Recurso Extraordinário – RE nº 363.852/MG, decidiu que a alteração introduzida no artigo 25 da Lei nº 8.212/91 pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 contribuição sobre a comercialização da produção rural infringiu o § 4º do art. 195 da Constituição, por instituir nova fonte de custeio da Previdência Social sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar. 1.4.2.1. Na decisão proferida no RE nº 363.852/MG, no entanto, o relator Ministro Marco Aurélio ressalvou a declaração de inconstitucionalidade até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, viesse a instituir a contribuição. (...) Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 4 5 1.4.2.2 Ocorre que com a edição da Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao artigo 25 da Lei nº 8.212/91, restou superada a inconstitucionalidade da contribuição, uma vez que foi instituída na vigência da Emenda Constitucional nº 20/98, nos exatos termos da decisão do STF. 1.4.2.3 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita”. Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade. 1.4.2.4 Neste sentido, decidiu a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal TRF 4ª Região, na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.70.03.0049589/ PR: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. (...) 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” 1.4.2.5 Assim, são devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/01, em 10.07.2001, sendo a empresa responsável, por substituição tributária, pela retenção e recolhimento. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 1.4.2.6 Dessa forma, não há demanda judicial da empresa quanto à contribuição instituída pela Lei nº 10.256/2001, fazendose necessário o lançamento tributário do valor devido para resguardar o direito da fazenda pública. Em relação ao prazo decadencial para efetuar o lançamento, foi aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN, em razão da ocorrência de dolo, fraude e simulação, tendo em vista a utilização de notas fiscais de compra de café inidôneas, emitidas por empresas inexistentes de fato. A base de cálculo considerada foi o somatório mensal do valor dos produtos adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, inclusive os formalizados mediante utilização de notas fiscais de empresas inexistentes de fato, conforme Anexos I, II, III e IV, deduzidos os valores declarados em GFIP. Tendo em vista a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, e o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais pela prática, em tese, dos crimes previstos no art. 337A do Código Penal e art. 1º da Lei nº 8.137/90. Às fls. 83/229 foi juntado o Termo de Constatação referido no Relatório Fiscal, formalizado pelos auditores fiscais, acompanhado dos respectivos elementos de prova, para fins de ineficácia, para efeitos tributários, de todos os documentos emitidos, em favor do contribuinte, pelas pessoas jurídicas que identifica: CONTRIBUINTE CNPJ CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA 02.177.534/000113 TERRA MINAS CO.ML.E EXPORT.DE CAFÉ 08.859,933/000140 FUTURA ALIMENTOS LTDA 00.435.922/000121 PORTO SEGURO COM. E EXP. D E GAFE LTDA ME 01.970,960/000147 INTERCOFÊE IMPORTAÇÃO E EXP. LTDA. 08.084.305/000130 VINCULO DISTRIB. DE PRODUTOS ALIMENT. 08.795.4717000145 TAVARES COMERCIO DE CAFE LTDA ME 04.316.561/000155 MINAS COM. E REPRESENTAÇÕES LTDA 00.492,197/000204 CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO LTDA 00.837.387/000135 AGAR COMERCIO LTDA ME 05.073.665/00019 MARAGOGIPE COMERCIO DE CEREAIS LTDA 10.221.099/000105 Consta do referido Termo: III DESCRIÇÃO DOS FATOS Em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n.°06.1.09.00201200107 junto à empresa VELOSO TRADING NEW COFFEE COMERCIAL EXPORTADORA S/A SUCESSORA DE VELOSO TRADING COFFEE LTDA, CNPJ Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 5 7 10.900.779/000155, constatouse que o contribuinte realizou compras, de fato, diretamente de produtores rurais, no entanto, simulou etapas intermediárias envolvendo empresas "atacadistas" de café, de existência apenas escritural. A adoção desse modus operandi no processo de aquisição do café se deve à alteração da legislação tributária federal que introduziu a sistemática da nãocumulatividade na tributação do PIS e da Cofins (Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, com as suas alterações posteriores). É fato que até o advento da nova Lei,. os produtores rurais vendiam diretamente o seu produto, sem qualquer intermediação, sendo que na nota fiscal do produtor constava o nome da empresa adquirente (comercial exportadora). A nãocumulatividade do PIS e da Cofins fez com que essas empresas redirecionassem sua forma de operar, vez que sobre o valor das vendas passou a incidir as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, a título de PIS e COFINS (passíveis de compensação/ressarcimento), e não mais de 0,65% e 3%. sem direito ao crédito, como era na antiga sistemática de tributação. Assim, em contrapartida, as pessoas jurídicas passaram a se creditar sobre o valor das aquisições efetuadas de empresas intermediárias. No caso da aquisição de café, a legislação estabeleceu que o montante do crédito presumido é determinado mediante aplicação sobre o valor das aquisições de alíquota correspondente a 35%. A comercial atacadista (empresa intermediária) que só revende o produto não faz jus sequer ao crédito presumido quando adquire café do produtor rural, porém destaca na nota fiscal o valor das contribuições federais que nunca recolhe. As exportadoras vislumbraram o grande negócio que seria a obtenção de crédito no valor de 9,25% sobre o valor da aquisição. Um crédito ficto, visto que, ao longo da cadeia de produção, nada foi recolhido aos cofres federais. Neste contexto, a exportadora VELOSO TRAIDING, com a intenção de se eximir da responsabilidade tributária quanto às contribuições incidentes sobre a comercialização rural e se apropriar indevidamente de crédito de PIS/COFINS, com vistas a posterior pedido de ressarcimento desses valores junto á RFB, formalizou as aquisições de café negociados com produtores rurais pessoas físicas como se fossem aquisições de pessoas jurídicas atacadistas, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas emitidas por empresas de "fachada". Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Na análise do processo n° 10675.720799/201055 Pedido de Ressarcimento de PIS – e Processo n° 10675.720867/201086 Pedido de Ressarcimento de COFINS, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal concluíram que o contribuinte realizou o 'aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de café no mercado interno passíveis de glosa" nas operações relacionadas a aquisições de atacadistas, por se tratarem de empresas inexistentes de fato. O próprio contribuinte, diante das evidências das irregularidades apuradas, providenciou, em 26/04/2011, a transmissão de PER/DCOMP retificadoras referentes ao período de apuração 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2009, excluindo o "crédito" originalmente informado relativo às operações com as seguinte empresas "atacadistas": (...) Originalmente havia sido pleiteado ressarcimento de PIS/COFINS no montante de RS4.180.285,97. Após a transmissão das PER retificadoras o valor total do crédito foi reduzido para RS 631.237,30, tendo sido excluído, pelo contribuinte, créditos indevidos no valor de RS3.549.048,67, conforme demonstrado no Anexo VI. Figuram como sócios no contrato social dessas empresas pessoas físicas que possuem perfil econômico incompatível com essa condição, conforme demonstrado nos respectivos processos de baixa de ofício de CNPJ. Em suas declarações, os sócios cotistas das empresas declaram não possuir quaisquer bens ou direitos que pudessem justificar a aplicação de recursos na atividade empresarial em questão. A inexistência física dos estabelecimentos comerciais pode ser comprovada pelas imagens dos domicílios fiscais declarados à RFB, constantes do Anexo II, obtidas em consulta ao google maps. Os imóveis que correspondem aos endereços declarados demonstram não haver no local a atividade econômica supostamente realizada. Algumas dessas empresas se encontram em situação cadastral NÃO HABILITADA, pelo Fisco Estadual, em razão de não terem sido encontradas fisicamente, conforme Anexos I e IV. Outro fato que demonstra serem tais empresas de "fachada" é a inexistência de empregados, ou quando existentes, em número incompatível com a atividade da empresa, conforme demonstram as consultas ao sistema Gfip WEB, Anexo III. A empresa Veloso Traiding, intimada, não apresentou quaisquer documentos que comprovem a existência de fato das empresas em questão, nem mesmo a cópia dos contratos das operações de compra e venda. IV RELAÇÃO DOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 6 9 Anexo I Quadro Sintético dos Resultados das Pesquisas; Anexo II Imagens dos Endereços Cadastrais; Anexo III Consulta Dados da Gfip; Anexo IV Consulta Pública ao Cadastro Estadual; Anexo V – Demonstrativo de Retificação de Per/Dcomp; Anexo VI – Relação de Notas Fiscais Emitidas; Anexo VII – Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral na RFB; Anexo VIII – Contrato Social e Alterações Em 24/12/2012 o autuado foi cientificado da presente autuação, conforme Aviso de Recebimento de fls. 349/350, e apresentou impugnações em 25/01/2013, por DEBCAD, juntadas às fls. 355/1026, alegando, em síntese, sua tempestividade e o que vem abaixo descrito. Das impugnações AI DEBCAD 37.354.5134 Afirma ter demonstrado o desacerto dos lançamentos constantes dos AI DEBCAD 37.354.5142 e AI DEBCAD 37.354.5150, devendo ser cancelada a multa aplicada no presente AI, relativa ao descumprimento de obrigações acessórias, previstas no art. 32, IV, §5º da Lei nº 8.212/91, em conseqüência da improcedência do lançamento principal. Alternativamente, remanescendo alguma multa, requer a observância das alterações da Lei nº 8.212/91 introduzidas pela Lei nº 11.941/2009: a revogação do § 5º do art. 32 e a introdução do art. 32A, I, visto que a nova penalidade é mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c, do CTN). Nesse sentido, colaciona decisões judiciais e administrativas. Insurgese contra a metodologia utilizada pela fiscalização para o cálculo da multa mais benéfica prevista no art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n 14/2009, pois entende que as penalidades previstas nos artigos 32 e 35, ou 32A e 35A da Lei nº 8.212/91 se referem a infrações distintas, de forma que não podem ser cumuladas para fins de comparação. Diz que na comparação não é feita menção à infração atualmente prevista para o caso de omissão de informação em GFIP. Afirma não querer que o órgão colegiado declare a eventual ilegalidade da Portaria mencionada, mas que dê pleno cumprimento ao disposto no art. 106, II, c, do CTN, até porque, em face da legalidade a que se vincula a autoridade Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 administrativa, não há como justificar a lavratura de uma autuação baseada inteiramente em legislação revogada. Requer, portanto, caso seja mantida alguma exigência no julgamento do lançamento principal, que os autos sejam baixados em diligência para que seja retificada a multa aplicada, afastandose o § 5º do art. 32 e aplicandose o art. 32A, ambos da Lei nº 8.212/91. AI DEBCAD 37.354.5142 e AI 37.354.5150 Da decadência parcial do lançamento Afirma a decadência parcial do lançamento, relativo ao período de 01/2007 a 11/2007, em razão da ciência em 24/12/2012 e do disposto no § 4º do art. 150 do CTN, Entende não ser cabível a aplicação do art. 173, I, do CTN, para as contribuições relativas às pessoas jurídicas consideradas inidôneas pela fiscalização (levantamentos PP e PP1), visto que, apesar do alegado pela fiscalização, não ocorreram as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Ainda, em relação aos valores não retidos e recolhidos sobre os pagamentos realizados às pessoas físicas (levantamentos PR, PR1, PR2), diz não ter havido qualquer alegação de dolo, fraude ou simulação, mas apenas ausência de recolhimento, que não justifica a aplicação do referido art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, cita decisões administrativa e judiciais e observa que o STJ, em sede de recurso repetitivo, que não pode ser ignorado pelos órgãos de julgamento administrativo, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF, pacificou o entendimento de que o art. 150, § 4º do CTN deve ser aplicado em casos de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias e o art. 173, I, do CTN nos casos em que não tenha sido efetuado qualquer recolhimento pelo contribuinte. Da desnecessidade de retenção e recolhimento das contribuições ao FUNRURAL referentes às aquisições de mercadorias de pessoas físicas, no caso concreto –alterações promovidas pela Lei nº 10.259/2001 (sic) e ofensa a princípios constitucionais. Discorre acerca da desnecessidade de retenção e recolhimento das contribuições ao FUNRURAL referentes às aquisições de mercadorias de pessoas físicas, por ser detentora de decisão judicial no Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400. Alega ser equivocado o entendimento da fiscalização acerca da possibilidade de cobrança da referida contribuição e aduz que a Lei nº 10.256/2001, apesar de editada após a EC nº 20/98 e também tratar da contribuição ao FUNRURAL, não alterou o seu fundamento de validade, que continua sendo a Lei nº 8.540/92, declarada inconstitucional pelo STF no RE 363.852/MG. Diz que a citada Lei nº 10.256/2001 apenas deu nova redação ao “caput” do art. 25 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo, pela Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 7 11 primeira vez, que o produtor rural deve arcar apenas com a contribuição sobre a receita bruta e não mais sobre a folha de salários. Conclui, do exposto, não ter se materializado a situação projetada pelo ministro relator do referido RE 363.852/MG, que reconheceu a inconstitucionalidade da exação “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição” Destaca o tempo verbal adotado pelo referido relator, pois considera que, na data da lavratura do acórdão do RE mencionado, em 03/02/2010, a Lei nº 10.256/2001 já havia sido publicada há anos, sendo certo que dela os ministros tinham pleno conhecimento, de forma que, caso pretendessem a ela se referir como válida instituidora do tributo, teriam utilizado o tempo “viesse” e não “venha”. Acrescenta que o recolhimento da contribuição era feito por subrogação, com base no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, também declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 363.852/MG. Assim, mesmo que se entendesse que a Lei nº 10.256/2001 reinstituiu validamente a exação, inexistiria disposição legal válida que permitisse imputar a terceiros o dever de reter ou recolher por subrogação o tributo, já que a referida lei não promoveu qualquer alteração no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91. Ressalta que posteriormente, em 08/2011, foi julgado, pelo pleno do STF, o RE 596.177/RS pelo rito do recurso representativo de controvérsia em repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, matéria idêntica à tratada no RE 363.852/MG, tendo sido adotados pelo ministro relator os mesmos fundamentos do voto do relator do referido RE, restando esclarecido que o fundamento principal para declaração de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 1º da Lei nº 8.540/92 foi a falta de previsão constitucional da nova fonte de custeio da seguridade social e a necessidade de sua instituição por meio de lei complementar. Destaca ainda ser impossível que a EC nº 20/98 tenha constitucionalizado a Lei nº 9.528/97, vez que a higidez de toda lei tributária é sempre aferida com base no ordenamento constitucional vigente na data da sua publicação. Assim, tendo a norma ingressado no ordenamento de forma incompatível com a Constituição, o seu vício é original, impossível de ser suprido por modificação constitucional superveniente, conforme julgado que transcreve. Resume seu entendimento, afirmando a insubsistência da autuação, em razão de o lançamento ter por fundamento situação regulamentada por legislação objeto do julgamento do RE 363.852/MG e do RE 596.177/RS, este com repercussão geral, sem que qualquer modificação introduzida pela Lei nº 10.256/2001 seja capaz de restringir os limites objetivos daquela decisão, e por ter sido concedida a segurança no Mandado de Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Segurança citado para os filiados do CECAFE, como a impugnante, para “se absterem de reter e recolher, por subrogação, a contribuição denominada FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café, instituída pela Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 8.540/95”. Da efetiva realização das operações de compra de mercadorias diretamente de pessoas jurídicas e da comprovação da idoneidade das notas fiscais referentes a tais operações. Aduz a arbitrariedade e ilegalidade da declaração de inidoneidade das notas fiscais que lastrearam as operações comerciais realizadas pela impugnante nos anos de 2007 e 2008, explicando que adquiriu mercadorias de pessoas jurídicas que ainda permanecem ativas e ou habilitadas junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e aos cadastros de contribuintes estaduais ou que tiveram a baixa perante os referidos cadastros efetuada em data posterior àquelas em que houve a aquisição de mercadorias, conforme documentação anexa (doc 03) Argui não haver causa jurídica para se imputar à impugnante a intenção de contratar, de forma dolosa, as empresas supostamente “de fachada” com o objetivo de evitar o recolhimento da contribuição ao FUNRURAL/SENAR, como pretende a fiscalização. Isso porque não houve, de sua parte, negligência na apuração das referências comerciais e fiscais das empresas fornecedoras de café, não se podendo atribuir ao contribuinte de boafé uma responsabilidade que é exclusiva da Administração, inerente ao próprio ato de lançamento, conforme art. 142 do CTN. Diz que, conforme se constata das provas anexas, se a alteração nos status dos cadastros fiscais para “inapto” e “desabilitado” das empresas fornecedoras não tinha ocorrido e, portanto, sequer sido formalizada na época da ocorrência das transações, a declaração de inidoneidade das notas fiscais em comento é desarrazoada. Salienta que a publicação do ato administrativo é condição sine qua non para a produção de seus efeitos contra terceiros. Nesse sentido, cita o art. 5º, XXXVI e 150, III da Constituição Federal, os artigos 106, 103 e 100, I, do CTN, e decisões judiciais. Cita a teoria da aparência e o princípio da boafé, destacando a inviabilidade da imputação de responsabilidade à impugnante pelo recolhimento da contribuição em tela, visto ter a mesma agido de boafé, ao verificar a regularidade da situação de seus fornecedores junto aos cadastros federal e estaduais. Salienta que parte das aquisições de mercadorias é feita mediante intermediação da Bolsa de Mercados e Futuros, conforme documentação anexa (doc. 04), pelo que sequer havia contato direto entre a empresa fornecedora e a impugnante em relação a tais aquisições. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 8 13 Cita decisões judiciais e administrativas sobre a aplicação da teoria da aparência e do princípio da boafé. Alega que as digressões da fiscalização consignadas no Termo de Constatação no sentido de que os sócios das empresas fornecedoras não dispunham de bens para serem proprietários de tais empresas e ainda de que, pelas imagens dos domicílios fiscais das referidas empresas, há a comprovação de que se trata de empresas de fachada não tem o condão de imputar à impugnante qualquer responsabilidade quanto ao pagamento da contribuição ao FUNRURAL/SENAR por supostamente se tratar de pessoas físicas. Reitera não ser dever da impugnante investigar a situação financeira dos sócios de seus fornecedores nem verificar in loco a real existência de seus estabelecimentos. Cita decisão judicial. Por outro lado, rechaça o entendimento da fiscalização de que a retificação da PER referente ao ressarcimento de PIS e COFINS, por meio da qual a impugnante reduziu o crédito oriundo da aquisição de café de pessoas jurídicas, configura elementos comprobatório suficiente para fundamentar a presente autuação. Explica que a retificação da PER não impede que a impugnante possa futuramente pleitear o aproveitamento dos créditos em questão, não se tratando de um “atestado de confissão”. Ainda, se de fato a impugnante entendesse que os créditos de PIS/COFINS oriundos da aquisição de mercadorias de pessoas jurídicas não pudessem ser aproveitados por se tratar na verdade de pessoas físicas, certamente os créditos seriam aproveitados na sistemática da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, em relação à aquisição de mercadorias diretamente de pessoas físicas. Da inexistência de obrigação de retenção em decorrência da aquisição de café de pessoas jurídicas, equivocadamente consideradas pessoas físicas, e da cobrança em duplicidade. Diz haver equivoco na planilha constante do Anexo II – NOTAS FISCAIS DE ENTRADA PRPF em razão da inclusão indevida de produtores rurais pessoas jurídicas regulares como produtores rurais pessoas físicas, abaixo citados e identificados por número CNPJ; Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Ressalta que os fornecedores considerados irregulares pela fiscalização foram incluídos na planilha do Anexo IV – NOTAS FISCAIS DE ENTRADA – NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS, onde não constam as empresas acima mencionadas, o que demonstra a procedência do exposto. Por outro lado, diz que a Nota Fiscal nº 359 emitida por SEBASTIAO JUSIMAR DE SOUZA foi considerada em duplicidade, uma vez que consta tanto do Anexo II quanto do Anexo IV, pelo que deve ser excluída. Da desconsideração de contribuições já recolhidas pela impugnante Alega ter recolhido o montante de R$ 25.107,63, conforme tabela que apresenta e GPS anexas (doc. 09), o qual não foi considerado pela fiscalização no Anexo II e deve, por conseguinte, ser excluído. Da equivocada aplicação da lei n° 11.941/09 e da impossibilidade de aplicação da multa de ofício ao presente caso Entende, ao contrário da fiscalização, que a multa de ofício de 75% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96 não veio em substituição a duas anteriormente previstas (arts. 32, § 5º e 35, II da Lei n° 8.212/91, nas redações pretéritas ao advento da MP n° 449/08), porque, até o advento da MP n° 449/08, a multa aplicada tanto nos casos de recolhimento espontâneo em atraso, quanto de lançamento de ofício de créditos previdenciários era a multa de mora, como expressamente dispunha o art. 35 da Lei n° 8.212/91. Assevera que a natureza de multa de mora dessa penalidade, mesmo nos casos em que ocorria notificação de lançamento, não se configurava apenas em função da denominação comum prevista na legislação, mas, principalmente, pelo fato de que continuava sendo majorada após sua constituição. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 9 15 Diz que, apenas com o advento da MP n° 449/08, passou a se aplicar também aos créditos previdenciários a sistemática de penalidades previstas na Lei n° 9.430/96: multa de mora para os recolhimento em atraso (limitada a 20%, nos termos do art. 61, §2°, da lei) e multa de ofício para os casos de constituição do crédito via atividade fiscal (em geral 75%, conforme art. 44 da lei). E como a multa de mora aplicada com base no art. 35 da Lei n° 8.212/91 teve sua aplicação limitada ao patamar de 20% pela MP n° 449/08, tornase compulsória a aplicação desse percentual em substituição a todos aqueles mais gravosos previstos anteriormente, sob pena de afronta à retroatividade benéfica determinada pelo art. 106, II, c, do CTN. Reitera não haver como se considerar a aplicação da multa de ofício ao presente caso, nem mesmo para fins de comparação, uma vez que penalidade dessa natureza não estava legalmente prevista para os casos de contribuições previdenciárias. Conclui que a penalidade aplicada no presente lançamento deve ser reduzida ao patamar de 20%, por ser essa a multa de mora atualmente prevista também para as contribuições previdenciárias e por se tratar, evidentemente, de penalidade mais benéfica do que a anteriormente prevista e aplicada nesse caso (24% ou 30%). Cita decisões judiciais. Diz ser necessária a observância, no caso, do disposto no art. 112 do CTN, segundo o qual a legislação que prevê penalidades deve sempre ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte, haja vista que se está diante da interpretação de "regimes jurídicos" distintos. Argui não haver possibilidade, para fins de comparação, da cumulação das penalidades previstas na Lei n° 8.212/91, em sua redação anterior à MP n° 449/08, para os casos de falta de recolhimento com lançamento de ofício (art. 35, II) e de ausência de entrega de GFIP ou omissão de fatos geradores na declaração (art. 32, §§ 4º e 5º), para que o valor resultante dessa soma seja confrontado com a multa de 75%, atualmente prevista, também para os casos de lançamento de ofício das contribuições tratadas pela Lei n° 8.212/91. Isso porque não se pode cumular penalidades referentes a infrações distintas, tratandoas como coisa única, ou confrontar um regime de multas que vigorava anteriormente ao advento da MP n° 449/08 com o novo regime confirmado pela Lei n° 11.941/09. Entende que as multas atualmente previstas no art. 32A da Lei n° 8.212/91 devem sempre ser confrontadas apenas com aquelas previstas nos revogados §§ 4o e 5o do art. 32 da mesma lei (lançadas ou não em conjunto de penalidades aplicadas pelo descumprimento da obrigação principal). E a multa hoje prevista no art. 35A da Lei n° 8.212/91, se fosse possível ser comparada com penalidade anterior (o que se viu não ser o caso, haja vista a inexistência de previsão de multa de igual natureza na legislação pretérita), somente o seria de forma válida se considerada exclusivamente a multa então prevista Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 para os casos de lançamento de ofício de contribuições não recolhidas, definida pelo revogado inciso II do art. 35. Por essas razões, requer ao menos o cancelamento das multas aplicadas ao presente caso, de forma que as mesmas sejam substituídas pela multa de mora atualmente prevista pela legislação no patamar de 20% ou, quando muito, aplicandose os percentuais previstos na redação do art. 35, II da Lei n° 8.212/91 vigente até o advento da MP n° 449/08. Do pedido Pelo exposto, a impugnante requer: a) a declaração da decadência relativa ao período anterior a 12/2007, com fundamento no art. 150, § 4º do CTN; b) o cancelamento da autuação no que se refere às aquisições de mercadorias de pessoas físicas, nos termos do art. 62A do CARF, tendo em vista a inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE 596.177/RS e à segurança concedida à impugnante no MS 000752856.2010.4.01.3400; c) o afastamento da exigência relativa à aquisição de mercadorias de pessoas jurídicas, haja vista a comprovação da boafé da impugnante e impossibilidade de lhe ser transferido o dever de fiscalização; d) alternativamente, a exclusão do valor de R$ 360.731,50 da planilha constante do Anexo II, relativo a aquisições de pessoas jurídicas equivocadamente consideradas pela fiscalização como pessoas físicas; e) a exclusão do valor de R$ 25.107,55 da planilha constante do Anexo II, conforme detalhado, tendo em vista tratarse de valores já recolhidos pelo impugnante; f) o cancelamento das multas aplicadas e sua substituição pela multa de mora prevista na legislação atual de 20% ou, quando muito, dos percentuais previstos art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à MP nº 449/2008. Da diligência Em 12/04/2013 os autos foram baixados em diligência, através do Despacho nº 31 desta Turma de Julgamento, de fls. 1034/1039, para que a autoridade lançadora, entre outras informações, esclarecesse se foram considerados no lançamento os valores recolhidos pelo autuado, constantes das GPS anexadas à impugnação; confirmasse a inclusão indevida nos Anexo I e II das empresas Agropecuária Doristo Ayusso, em 01/2007, Faria Comércio de Café Ltda, em 07/2007, Sebastião Jusimar de Souza, em 09/2007, e Josimar Motta Pelosi ME, em 10/2007; esclarecesse se as empresas indevidamente incluídas nos Anexos I e II citadas deveriam integrar o Anexo IV; confirmasse a duplicidade do lançamento referente à Nota Fiscal nº 359 de Sebastião Jucimar de Souza – ME. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 10 17 Em 22/04/2013 foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1040/1045, no qual a autoridade lançadora, preliminarmente, refutou as alegações da impugnante de ter agido de boafé ao utilizar os documentos inidôneos que ensejaram os lançamentos tributários, pelas seguintes razões: a) A impugnante foi a principal, senão única, beneficiária das operações fraudulentas b) os produtores rurais pessoas físicas são antigos fornecedores da impugnante e até 2006 a empresa efetuava a retenção e recolhia as contribuições devidas; c) a maior parte dos produtos envolvidos nas operações já se encontrava em Armazém Geral integrante do Grupo Veloso, localizado ao lado do estabelecimento da impugnante; d) esta prática fraudulenta era de conhecimento geral na cadeia produtiva do café e se proliferou de tal forma que ensejou a alteração na legislação do Pis/Cofins não cumulativo, através da edição da MP545/2001, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2012, que instituiu a suspensão das contribuições nestas operações. A autoridade lançadora propôs a retificação do lançamento, anexando Anexos I e III retificados, considerando: i) a apropriação dos recolhimentos apresentados pelo impugnante; ii) a exclusão, dos Anexos I e II, das empresas Agropecuária Doristo Ayusso, em 01/2007, Faria Comércio de Café Ltda, em 07/2007, Sebastião Jusimar de Souza, em 09/2007, e Josimar Motta Pelosi ME, em 10/2007; iii) afirmou que as empresas Faria Comércio de Café Ltda, em 07/2007, e Sebastião Jusimar de Souza, em 09/2007, devem integrar os Anexos III e IV, por tratarse de empresas inexistentes de fato; e iv) confirmou a duplicidade da NF nº 359 de Sebastião Jucimar de Souza – ME. O autuado foi cientificado do Relatório de Diligência em 29/04/2013, conforme comprovante de fls. 1046, e apresentou Manifestação em 29/05/2013, juntada às fls. 1048/1088, em que alega o que vem abaixo descrito, em síntese. Inicialmente, afirma que os Autos de Infração ainda padecem de erros materiais, não obstante a fiscalização ter reconhecido todos aqueles anteriormente apontados na impugnação, e alega a improcedência dos argumentos no tocante às desconsideração das notas fiscais de aquisição de café de pessoas jurídicas. Argui a boafé na aquisição de mercadorias de pessoas jurídicas mediante a comprovação da idoneidade das notas fiscais referentes a tais operações, através dos documentos anexados, afirmando que todas as empresas que efetuaram vendas de café para a Veloso durante dos anos de 2007 e 2008 estavam inquestionavelmente ativas e, portanto, regulares, nos cadastros federal e estaduais, pelo que se verifica a arbitrariedade e Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 ilegalidade da declaração de inidoneidade das referidas notas fiscais. Reitera os argumentos da impugnação e esclarece que, além das empresas inicialmente consideradas como “de fachada” pela fiscalização, as empresas Sebastião Jusimar de SouzaME e Faria Comércio de Café Ltda também se encontravam regulares perante a Receita Federal e a Secretaria de Fazenda do Estado de MG à época da aquisição do café, conforme documentos anexos. Repete que i) parte das aquisições das mercadorias pela Veloso é feita mediante intermediação da Bolsa de Mercados e Futuros, pelo que sequer havia contato direto entre a empresa fornecedora e a impugnante; e ii) é equivocado o entendimento da fiscalização de que a retificação da PER referente ao ressarcimento de PIS e COFINS configura elemento comprobatório suficiente para fundamentar a presente autuação. Aduz que a fiscalização acrescentou dois novos argumentos no Relatório de Diligência contra os quais se opõe: i) a afirmação de que os produtores rurais pessoas físicas (na verdade as pessoas jurídicas consideradas como empresas de fachada) eram antigos fornecedores da Veloso e que, até 2006, a empresa efetuava a retenção das contribuições, e ii) que a maior parte dos produtos envolvidos nas operações já se encontrava nos armazéns da Veloso. Em relação ao primeiro ponto, afirma que a Veloso já realizava aquisições de pessoas jurídicas que constam do Anexo IV – Notas Fiscais de Entrada – Notas Fiscais Inidôneas mesmo antes de 2006 e, por se tratar de pessoas jurídicas, não era efetuada a retenção, como se verifica nas notas fiscais juntadas. Quanto à armazenagem do café, afirma que a empresa mantém um Armazém Geral destinado à armazenagem de café de produtores rurais da região, que não possuem local para sua estocagem, e negociam a venda desse café para empresas atacadistas de outras localidades, as quais, por não possuírem logística imediata, ali mantêm o café até que ele seja retirado. Diz que, dessa forma, nos Armazéns Gerais da Veloso estão estocadas mercadorias de propriedade da empresa e de terceiros, os quais pagam pela utilização do espaço, conforme notas fiscais anexadas. Discorre, em seguida, acerca dos erros materiais que subsistem nas autuações e da necessidade de nova retificação. Diz que a base de cálculo da competência 09/2007, relativa à NF nº 359 de Sebastião Jusimar de Souza, foi diminuída em R$59.495,83 em vez de 60.000 (sessenta mil), pelo que requer a exclusão da diferença de R$504,17. Ainda, diz não ter sido excluído da base de cálculo da competência 10/2007 o valor de R$38.304,00, relativo à NF nº 852 de Josimar Motta PelosiME, conforme verifica às fls. 1042. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 11 19 Por fim, alega ausência de compensação dos valores pagos a maior com os valores supostamente devidos, objeto do lançamento, conforme observa no Anexo I, nas competências 05/2008, 06/2009, 07/2009 e 08/2009, que totalizam o importe de R$88.731,84, que deveria ser retirado da base de cálculo. Requer então a improcedência do lançamento pelas razões acima expostas ou a concessão de novo prazo de trinta dias, após a realização da retificação pleiteada, para análise e manifestação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência. Artigo 150, §4º do CTN. · Desnecessidade de retenção e recolhimento das contribuições ao Funrural e RAT referentes às aquisições de mercadorias de pessoas físicas. · Efetiva realização das operações de compra de mercadorias diretamente de pessoas jurídicas com comprovação da idoneidade das notas fiscais. · Multa de ofício. · Multa de mora. · Multa obrigação acessória. Equivocada aplicação da retroação benigna. É o relatório. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. A recorrente pleiteia, para a decadência, a aplicação da regra do artigo 150 § 4º do CTN, do que resultaria decadente o período de 01 a 11/2007, visto que a ciência do lançamento ocorreu em 24/12/2012. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entendo que não cabe razão à recorrente, que correta foi a aplicação da regra do artigo 173, I, do CTN e que o lançamento não foi atingido pela decadência. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No processo, várias vezes (Termo de Constatação Fiscal, folhas 83 a 86; Relatório Fiscal, folhas 43 a 51; acórdão da impugnação, folhas 1091 a 1113) ficou demonstrada a atitude dolosa da recorrente Termo de Constatação Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 12 21 Relatório Fiscal 1.3 Levantamento PP e PP1 – Comercialização de Produção Rural NF Inidôneas 1.3.1. O contribuinte, com a intenção de se eximir da responsabilidade tributária quanto a contribuição incidente sobre a produção rural (subrogação) e de se apropriar indevidamente de crédito de PIS/COFINS, com vistas ao posterior pedido de ressarcimento desses valores junto à RFB, formalizou as aquisições de café negociados diretamente com produtores rurais pessoas físicas como se fossem aquisições de pessoas jurídicas, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas emitidas por empresas de “fachada”, conforme demonstrado no Termo de Constatação em anexo. 1.3.2 Na análise do processo nº 10675.720799/201055 Pedido de Ressarcimento de PIS e Processo nº 10675.720867/201086 Pedido de Ressarcimento de COFINS, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal concluíram que o contribuinte realizou o “aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de café no mercado interno passíveis de glosa” nas operações relacionadas a aquisições de atacadistas, por se tratarem de empresas inexistentes de fato. 1.3.3 O próprio contribuinte, diante das evidências das irregularidades apuradas, providenciou, em 26/04/2011, a transmissão de PERDECOMP retificadoras referentes ao período de apuração 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2009, excluindo o “crédito” originalmente informado relativo às operações com as empresas “atacadistas”. 1.3.4 Originalmente havia sido pleiteado ressarcimento de PIS/COFINS no montante de R$ 4.180.285,97. Após a transmissão das PER retificadoras o valor total do crédito foi reduzido para R$ 631.237,30, tendo sido excluído, pelo contribuinte, créditos indevidos no valor de R$ 3.549.048,67. 1.3.5 Diante desta constatação, foram formalizadas representações para baixa de ofício do CNPJ das empresas inexistentes de fato utilizadas pelo contribuinte, cuja medida Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 ainda não havia sido adotada, conforme Termo de Constatação em anexo. 1.3.6 Dessa forma, os valores das aquisições de café formalizados através de notas fiscais inidôneas emitidas por estas empresas inexistentes de fato foram considerados como aquisições de produtores rurais pessoas físicas, com base no art. 33, § 3o da Lei 8.212/91 e art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que dispõe que na hipótese de apresentação de informação diversa da realidade, a RFB lançará de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ... 1.5 Prazo Decadencial 1.5.1 Em se tratando de lançamento por homologação, a contagem do prazo de decadência para não homologar e efetuar o lançamento de ofício se inicia na data do fato gerador (art. 150, § 4º), "salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". 1.5.2 Se houve dolo, fraude ou simulação, ou se não houve pagamento antecipado, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 173, I). 1.5.3 No presente lançamento, conforme demonstrado no Termo de Constatação em anexo, o contribuinte, com a intenção de se eximir da responsabilidade tributária quanto à subrogação e de se apropriar indevidamente de crédito de PIS/COFINS, com vistas ao posterior pedido de ressarcimento desses valores junto à RFB, formalizou as aquisições de café negociadas com produtores rurais pessoas físicas como se fossem aquisições de pessoas jurídicas, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas emitidas por empresas inexistentes de fato. 1.5.4 Dessa forma, estando devidamente comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação por parte do contribuinte, na forma descrita no item anterior, aplicouse o prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 173, I). Acórdão 0944.867 Todavia, conforme já explicitado no Relatório Fiscal, aplicase ao caso a norma contida no inciso I do art. 173 do mesmo CTN, segundo a qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 13 23 Isso porque, de acordo com o citado §4 do art. 150 do CTN, o prazo para homologação do lançamento é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso, considerando que o lançamento envolve valores contidos em notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas de fachada, resta caracterizada a simulação. ... Além disso, conforme Termo de Constatação, fls. 83/86, figuram como sócios, no contrato social das empresas mencionadas, pessoas físicas que possuem perfil incompatível com essa condição, uma vez que, em suas declarações, declaram não possuir quaisquer bens ou direitos que possam justificar a aplicação de recursos na atividade empresarial em questão. Ainda, verificouse a inexistência física dos estabelecimentos comerciais, pois, em consulta ao “google maps” na internet, observouse que os imóveis encontrados nos endereços declarados demonstraram não haver naqueles locais a atividade econômica das empresas. As informações declaradas em GFIP pelas empresas em tela, quando existentes, também reforçam o entendimento da fiscalização, já que foram declarados poucos ou nenhum empregado nas competências em que houve emissão de nota fiscal, o que é incompatível com as atividades desenvolvidas. Além disso, os pedidos de ressarcimento de PIS/COFINS e sua ulterior retificação, de acordo com a descrição apresentada, são mais um elemento que corrobora a tese da autoridade lançadora. Por outro lado, devese destacar que, na grande maioria das notas fiscais juntadas à impugnação (fls. 508, 644/646, 648, 650, 651, 1068, 1069, por exemplo), verificase o registro de uma observação segundo a qual a mercadoria (café cru), adquirida pela autuada das diversas empresas atacadistas, desconsideradas como tal pela fiscalização, “se encontra depositada na própria Veloso Trading Coffee Ltda, onde permanece à sua disposição, conforme nota fiscal de depósito nº xxx”. Todavia, não foram apresentados contratos ou notas fiscais de prestação de serviço de armazenagem, estabelecidos entre a autuada e as empresas vendedoras do café, que comprovassem que a mercadoria deu entrada no depósito, não sendo de propriedade da empresa depositária, ora autuada. Ainda, observase que a Veloso Trading Coffee não contestou, nos autos dos processos 10675.720799/201055 e 10675.720867/201086, mencionados no Relatório Fiscal, o indeferimento do crédito pleiteado, relativamente à empresa TAVARES COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, CNPJ Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 04.316.561/000155, a qual foi declarada INAPTA por INEXISTÊNCIA DE FATO. As conclusões apresentadas ultrapassam a condição de meras conjecturas, na medida que as irregularidades apuradas demonstram, no caso concreto, semelhante modus operandi ao constatado em esquema de vantagens tributárias ilegais entre empresas comerciantes, exportadoras e torrefadoras de café no Espírito Santo e em Manhuaçu (MG), esquema desvendado por operações deflagradas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal (Tempo de Colheita e Broca), amplamente divulgado na mídia. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE PRODUÇÃO RURAL ADQUIRIDA DE PESSOAS FÍSICAS A recorrente alega a desnecessidade da retenção e recolhimento das contribuições ao chamado Funrural e ao RAT com base no Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400, que tem por objeto a contribuição prevista no art. 12, V, e VII, art. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n° 8.212/91, com redações dadas pelas Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, declarada inconstitucional no RE 363.852/MG. Não concordo com a recorrente. Conforme apresentado no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, a contribuição objeto do lançamento é prevista no art. 25, I e II, §§3º e 4º da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 10.256/2001, a qual não foi objeto das decisões judiciais mencionadas. 214 CONTRIBUIÇÃO DA PESSOA FÍSICA EQUIPARADAA TRABALHADOR AUTÔNOMO (SOBRE A PRODUCAO RURAL) 214.10 Competências : 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 04/2008, 06/2008 a 09/2008, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25, (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) e paragrafos 3. e 4. (com as alterações da Lei n. 8.540, de 22.12.92, e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.2001); Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., I e V, ¨a¨, art. 200, I, paragrafos 1.(revogado, posteriormente pelo Decreto 4.032, de 26.1.01), 4., 5., 7. e art. 216, III e IV e paragrafo 5., com as alteracoes dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99. A PARTIR DE 06.2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com as alteracoes posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), I (com as alteracoes da Lei n. 9.528, de 10.12.97) paragrafos 3 (com as alteracoes da Lei n. 8.540, de 22.12.92 e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), 10 e 11 (com as alteracoes da Lei n. 11.718, de 20.06.08, art. 30, incisos X e XII (acrescentado pela Lei n. 11.718, de 20.06.08); Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, paragrafos 4., 5., 7, III, e 9 (acrescentado pelo Decreto n. 6.722, de 30.12.08). e art. 216, IV . 306 CONTRIBUICAO (PESSOA FISICA EQUIPARADA AO AUTONOMO) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFICIOS Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 14 25 EM RAZAO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZACAO DO PRODUTO 306.07 Competências : 01/2007 a 12/2007, 01/2008 a 04/2008, 06/2008 a 09/2008, 12/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com a redacao posterior dada pela Lei n. 10.256, de 10.07.01, II (com a redacao dada pela Lei n. 9.528, de 10.12.97), e paragrafos 3. e 4. (acrescentados pela Lei n. 8.540, de 22.12.92); Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 9., V, ¨a¨, art. 200, II, paragrafos 1. (revogado, posteriormente, pelo Decreto 4.032, de 26.11.01), 4., 5. e 7. e art. 216, III, IV e paragrafo 5..A PARTIR DE 06.2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25 (com as alteracoes posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), II (com as alteracoes da Lei n. 9.528, de 10.12.97) paragrafos 3 (com as alteracoes da Lei n. 8.540, de 22.12.92 e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.01), 10 e 11 (com as alteracoes da Lei n. 11.718, de 20.06.08, art. 30, incisos X e XII (acrescentado pela Lei n. 11.718, de 20.06.08); Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9., VII, art. 200, paragrafos 4., 5., e 7, III, e 9 (acrescentado pelo Decreto n. 6.722, de 30.12.08). e art. 216, IV. No julgamento do RE 363.852/MG, o STF declarou: “conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita" e em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” MULTA DE OFÍCIO ATÉ A COMPETÊNCIA 11/2008 Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 A recorrente questiona a multa de ofício aplicada até a competência 11/2008. Concordo com a recorrente. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 15 27 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Por essa inexistência à época dos fatos geradores, até a competência 11/2008, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. MULTA DE MORA Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA GFIP No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 16 29 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008; o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte e o recálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Assinado Digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Quadros Pierre, Redator Designado Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário. Como já informado pelo Ilustre Relator, a recorrente alega a desnecessidade da retenção e recolhimento das contribuições ao chamado Funrural e ao RAT com base no Mandado de Segurança nº 000752856.2010.4.01.3400, que tem por objeto a contribuição prevista no art. 12, V, e VII, art. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n° 8.212/91, com redações dadas pelas Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, declarada inconstitucional no RE 363.852/MG. Ao contrário do Relator, tenho o entendimento que resta clara a concomitância entre o referido processo judicial e o presente processo administrativo. É que foi juntada pela Recorrente decisão do Tribunal Regional da Primeira Região no seguinte sentido (doc. pág. 1191 dos autos); in verbis: Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10970.720304/201215 Acórdão n.º 2201003.128 S2C2T1 Fl. 17 31 Como se observa, o Poder Judiciário está sim apreciando a constitucionalidade da contribuição, objeto do lançamento, prevista no art. 25, I e II, §§3º e 4º da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 10.256/2001. Não restam dúvidas, portanto, que o objeto da ação judicial guarda identidade com o objeto do presente lançamento, sendo aplicável, à espécie, a Súmula CARF n° 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Deste modo, já que o resultado da ação judicial tem repercussão direta no processo administrativo fiscal de lançamento, é dever considerar prejudicado o exame do mérito, não conhecendo do recurso apresentado, devendo prevalecer o que for decidido pelo Poder Judiciário. É que, nos termos da Súmula CARF n° 1, de aplicação obrigatória para os conselheiros, há a renuncia às instâncias administrativas; in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH , Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10680.720868/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.952
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 68 /2 01 0- 51 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10680.720868/201051 Acórdão n.º 2201002.952 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte, Acórdão 0242.428 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela Fiscalização contra o Sindicato acima identificado no montante de R$ 2.606.651,84, consolidado em 26/4/10, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social parte devida pela Empresa, no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV, no período de 01/2005 a 12/2007. A interessada foi cientificada do presente auto de infração – AI em 30/4/10, conforme documento de fl. 2, e apresentou impugnação, às fls. 54/66, que contém, em síntese: Informa que impetrou Mandado de Segurança, processo nº 2000.38.00.0170783, onde discute a inconstitucionalidade da contribuição social prevista na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 201, inciso III. Assim, deixou de recolher tal contribuição social por força da liminar concedida pelo juízo federal, que conferiu o direito ao Sindicato de se abster do recolhimento até o julgamento final do processo citado, que se encontra sobrestado por força de decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal nos autos em sede de Recurso Extraordinário nº 580.811/MG interposto pelo impugnante, provocando o retorno dos autos ao tribunal a quo, conforme movimentação processual extraída do site do STF. Acrescenta que a questão é discutida em vários outros recursos extraordinários o que levou o Relator Cezar Peluso a estender a aplicação do artigo 543B do CPC aos recursos cujo tema constitucional apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário. Diante disso, o STF tratou de decretar o sobrestamento do RE 580.811/MG interposto pelo impugnante, pois versava sobre a matéria cuja repercussão geral fora reconhecida no RE 595.838RG/SP. Também foi ajuizada a ADI 2594 pela Confederação Nacional das Indústrias – CNI, seguida pela Confederação Nacional de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Dirigentes Lojistas – CNDL, onde de discute o mesmo tema, que já tem parecer favorável do Ministério Público Federal perante o STF, pugnando pela inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei 8.212/91 que teve a redação modificada pelo artigo 1o da Lei 8.876, de 26/11/99. Diante da situação jurígena posta, a impugnante entende que poderia deixar de recolher aos cofres públicos a exação. Ademais, o impugnante reputase uma entidade sem fins lucrativos que apenas tratou de oferecer aos seus dirigentes, funcionários e sindicalizados/associados acesso à saúde. Alega ser irregular o processo, pois além de ter sido autuado por questão que se encontra em discussão judicial, a fiscalização quer aplicar retroativamente norma diversa de lei (IN RFB 971/2009) aos fatos ocorridos de janeiro de 2005 a dezembro de 2007. Além de querer cobrar contribuição social que está prestes a ser declarada inconstitucional, ainda impõe juros e multa de mora, que é inexistente, haja vista a discussão judicial que se perdura, onde o impugnado estava amparado por liminar que suspendera a exigência do pagamento da contribuição ora lançada. Argumenta que apenas era interveniente entre seus dirigentes, empregados e sindicalizados/associados que se valiam do plano de saúde ofertado pela UnimedMG, jamais fora tomadora dos serviços. Apenas descontava os valores relativos à mensalidade do plano de saúde e os repassava à UnimedMG. Aduz que o suposto erro nas GFIPs do período de 01/05 a 12/07, conforme destacado no Relatório Fiscal da Infração – CFL 68, do AI 37.244.3028, ocorrera apenas por conta das circunstâncias peculiares que envolvem o caso. Diz que houve erro na soma dos valores que serviram de base de cálculo das contribuições, conforme planilha anexada à defesa (fl. 119). Alega que a fiscalização considerou notas fiscais/faturas que não poderiam ser consideradas porque não houve destaque por parte da Unimed e por se tratar de valores alheios à prestação de serviços. Entende que por se tratar de matéria subjudice, não poderia ser objeto de autuação, pois em caso de derrota processual, o INSS estaria amparado para promover o levantamento e cobrança do débito a partir do impetramento do Mandado de Segurança. Conclui serem irregulares os processos 37.244.3028 e 37.244.3036. Discute a constitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91, e entende que é ilegal a eventual cobrança do crédito tributário ora lançado, bem como a multa e juros de mora. Requer o cancelamento da exigência e que as intimações sejam remetidas aos advogados constituídos, no endereço Rua Tomaz Fl. 292DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10680.720868/201051 Acórdão n.º 2201002.952 S2C2T1 Fl. 4 5 Gonzaga, 802, conjunto 706/707, Lourdes, Belo Horizonte, MG, CEP 30.180140, bem como para o impugnante. Conforme despacho de fl. 168 e documentos de fls. 169/175, o sujeito passivo ajuizou ação cautelar e obteve liminar que atribuiu efeito suspensivo ao recurso extraordinário até ulterior deliberação do STF quanto ao mérito do RE 59.838RG/SP. Os autos foram baixados em diligência, nos termos do despacho de fls.176/177, para que a fiscalização se manifestasse sobre o argumento do sujeito passivo de que a base de cálculo apurada contém erros de soma. Em Informação Fiscal de fls. 207/209 foi esclarecido que não cabe retificação do lançamento correspondente às notas fiscais emitidas pela Cooperativa dos Trabalhadores Multiprofissionais ONICOOP. Quanto às notas fiscais emitidas pela Unimed Vale do Aço Cooperativa de Trabalho Médico, do confronto as notas que foram objeto de levantamento no presente processo, com as apresentadas em diligência fiscal, constatouse que os valores lançados estão corretos, não sendo apurado diferença nas notas utilizadas. Concluiu a fiscalização que não procede o argumento do sujeito passivo sobre o erro na apuração da base de cálculo ora lançada, não cabendo retificação do presente lançamento. Foi aberto o prazo de 30 dias a contar da ciência da informação fiscal para que o sujeito passivo se manifestasse sobre o resultado da diligência. O contribuinte foi cientificado da informação fiscal em 7/5/12 (assinatura à fl. 209), e o prazo para regulamentar de manifestação expirava em 6/6/12, conforme despacho de fl. 229. Em 13/8/12 os autos foram encaminhados para esta DRJ e não consta nenhuma manifestação do sujeito passivo sobre o resultado da diligência fiscal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde reapresenta as alegações presentes na impugnação. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo. Passo à análise das questões pertinentes. O presente lançamento referese às contribuições previdenciárias que estão sendo discutidas judicialmente através de Ações Judiciais. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Nesse sentido, ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver “mesmo objeto” sobre o qual versa o processo administrativo. Esse procedimento está padronizado pela Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONCLUSÃO Pelo exposto, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não conheço do recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10680.720868/201051 Acórdão n.º 2201002.952 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 13888.724573/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/03/2007
TRIBUTO NÃO PAGO E NÃO DECLARADO. LANÇAMENTO.
Constatada a existência de tributo não pago e não espontaneamente declarado, correto o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
MULTA QUALIFICADA
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 31/03/2007 TRIBUTO NÃO PAGO E NÃO DECLARADO. LANÇAMENTO. Constatada a existência de tributo não pago e não espontaneamente declarado, correto o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. MULTA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR DE FATO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo responsável indicado no Termo de Responsabilização. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 45 73 /2 01 1- 05 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724573/201105 Acórdão n.º 3402001.134 S3C4T2 Fl. 650 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos e com a devida concisão, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 539/547, constituindo o crédito tributário de R$ 2.527.908,46, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional de 150%, em virtude do estabelecimento industrial não efetuar o recolhimento do imposto, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme apuração constante do Termo de Informação Fiscal de fls. 530/538. Segundo o Termo de Informação Fiscal, o procedimento de fiscalização foi autorizado em virtude, principalmente, de o sujeito passivo FIRE Comércio de Ferros Fundidos e Serviços de Usinagem Ltda, CNPJ 01.417.162/000192, estar omisso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ2007), anocalendário de 2006, embora neste ano tenha tido um movimento financeiro de aproximadamente 55 milhões de reais. O presente lançamento de ofício foi efetuado em face do IPI a recolher de 07/2006 a 03/2007, escriturado no conta contábil 2.1.1.04.0001.3 IPI A RECOLHER, deixou de ser declarado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Embora intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou o Livro Registro de Apuração do IPI da filial dos anos de 2006 e 2007. Por isso, o imposto foi apurado com as informações do IPI debitado constante no Livro Registro de Saídas e do IPI creditado do Livro Registro de Entradas para o ano de 2006. Como o contribuinte deixou de apresentar os Livros de Entradas e Saídas de 2007, o imposto em 2007 foi apurado na conta contábil 2.1.1.04.0001.3 IPI A RECOLHER, e considerando que em todo o período lançado, o saldo desta conta sempre esteve credor, a Fiscalização considerou não haver saldo anterior de créditos de IPI a descontar do débito apurado. O IPI apurado pela Fiscalização coincide com o escriturado pelo contribuinte na conta IPI A RECOLHER. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724573/201105 Acórdão n.º 3402001.134 S3C4T2 Fl. 651 3 Ao declarar em DCTF tributos com valores muito inferiores daqueles que o próprio sujeito passivo apurou em sua contabilidade, ficou claro para a Fiscalização que os sócios administradores da FIRE, agindo em conluio (art. 73 da Lei 4.502/64), procuraram impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária do montante real dos tributos devidos (art. 71 da Lei 4.502/64). Por isso, a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento). Foi imputada responsabilidade solidária em desfavor dos sócios administradores da FIRE, os srs. Clóvis Penteado de Castro (CPF 665.064.41887) e Mário César Mendes (CPF 160.979.63904), e a empresa Indústria Mecânicas Alvarco Ltda (CNPJ 54.365.416/000132). Em decorrência dos administradores do contribuinte incorrerem, em tese, no crime contra a Ordem Tributária, previsto nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90, formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais. A 8ª Turma da DRJ/RPO, em 08/05/2012, julgou improcedente a impugnação (fls. 606/620), mantendo a responsabilização de todos os responsáveis solidários imputados, ou por não terem impugnado o lançamento em nome próprio, caso da Ind. Mecânicas Alvarco Ltda., ou por não terem impugnado, como os demais. Irresignada com a r. decisão, foi interposto recurso voluntário (fls. 626/639), no qual, em síntese, a autuada argui: que o Fisco não teria comprovado os fatos que fundamentaram o lançamento, não cabendo a ele, contribuinte, produzir prova negativa da ocorrência do fato gerador, reportandose ao art. 9º do Decreto 70.235/72; não se discutiu a sistemática de apuração do imposto exigido no auto de infração, mas apenas como se procedeu ao lançamento, "sem as premissas básicas para convalidar a sua exigência", não restando demonstrada pela fiscalização a efetiva ocorrência do fato gerador para que a cobrança do IPI pudesse ter sido contestada e lançada para fins de cobrança, não tendo sido "possível em momento algum a recorrente ter localizado no auto de infração, os lançamentos realizados pela fiscalização, porque estes certamente não comprovam qualquer fato imponível da exação"; no que tange à multa qualificada, aduz que embora conste do relatório fiscal que o lançamento decorreu de "valores que não foram recolhidos e não foram declarados em DCTF", "não houve a devida comprovação dos fatos imponíveis pela fiscalização, tendo sido baseado o lançamento por hipótese". Alega que a r. decisão não mencionou "de forma incisiva qual foi o dolo cometido pela recorrente. Averba que "é necessário de forma material demonstrar a suposta conduta ilícita e fraudulenta, o que não foi feito", e que "a simples constatação de conduta omissiva por parte do contribuinte não é condição suficiente para qualificála". Afirma que "em momento algum, a empresa deixou de prestar informações a fiscalização" ou "agiu de meio fraudulento para com o Fisco"; quanto à responsabilidade solidária alega, em suma, que "não há provas nos autos do processo administrativo de cientificação dos mesmos, conforme preconiza o caput do art. 145 do CTN". Afirma, ao final que não apresentou defesa em nome de terceiros, tendo Fl. 651DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724573/201105 Acórdão n.º 3402001.134 S3C4T2 Fl. 652 4 apenas deixado claro "que a imposição de responsabilidade solidária pela fiscalização à empresa ALVARCO é totalmente descabida, posto que pessoas jurídicas distintas". É o relatório Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. A recorrente subverte a lógica jurídica do lançamento, talvez por lhe faltar argumentos para confrontar a exação. O procedimento fiscal teve origem, inicialmente, no fato de que a empresa estava omissa quanto à DIPJ 2007. Em 09/11/2010, a filial 000354 (autuada) foi cientificada do MPF, mas endereçado à matriz, pois se encontrava com suas atividades suspensas e também porque seu endereço era o mesmo daquela. Mas, afirmou a fiscalização no Termo de Informação Fiscal (fls. 530/538), seu endereço era o mesmo da matriz, pois o complemento de sala 12A (matriz) e 12B (filial), à Rua Campos Salles, 1.818, "na verdade não existe, visto que a identificação das salas no local é utilizado apenas os números inteiros". Esse fato já nos dá um indício da postura da empresa. Em 03/10/2011 foi lavrado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, reintimando a matriz a apresentar o livro de apuração do IPI de 01/2006 a 12/2007 da filial 0003, ora recorrente, pelo fato de que esta encontravase com suas atividades interrompidas desde 30/05/2008. Em 22/11/2010 (fl. 26/27), a matriz foi reintimada "a apresentar, em virtude da interrupção das atividades da filial, o Livro Registro de Apuração do IPI de 01/2006 a 12/2007 da filial e os Livros Registros de Entrada e Saídas". Contudo, recebida a intimação em 24/11/2010 (fl. 28), não foi atendida. Informa adicionalmente a fiscalização que no período da autuação a empresa tinha como objeto social a fundição de ferro e aço, com CNAE 34.436/00, correspondente à fabricação de peças e acessórios para o sistema de freios. Portanto, sem dúvida que a autuada tratavase de um estabelecimento industrial, o que por ela não foi confrontado. O que de fato ocorreu foi que a empresa não se desincumbiu de cumprir com seu dever de prestar ao Fisco as informações por ele solicitadas, quedandose silente ao longo da ação fiscal que se desenrolou por um bom tempo. Inconsteste, porém, que o IPI a recolher de 07/2006 a 03/2007 (período lançado) escriturado na conta contábil 2.1.1.04.0001.3, "IPI A RECOLHER", deixou de ser declarado em DCTF, tampouco recolhido. E o procedimento para o cálculo da exação, estreme de dúvida, foi assaz esclarecedor e devidamente bem motivado, nos seguintes termos: Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724573/201105 Acórdão n.º 3402001.134 S3C4T2 Fl. 653 5 Assim, mera tergiversação asseverar que o Fisco não comprovou devidamente a autuação. E falarse em prova negativa é despropositado, porque toda documentação fiscal era dever seu de estar em sua de posse, eis que dentro do prazo decadencial. Portanto, sem reparos ao lançamento quanto ao mérito. Alem do mais, falaciosas suas afirmações recursais de que "não deixou de entregar todos os seu documentos fiscais para realização do lançamento" e "que jamais se negou a prestar informações". A recorrente, sem dúvida, quis tornar mais difícil ao Fisco a obtenção das informações solicitadas, certamente porque não cumpria com suas obrigações tributárias. Igualmente sem reparos quanto à motivação do interesse comum dos solidários, conforme o item VI do Termo de Verificação. Gizese, no entanto, que essa matéria está preclusa, conforme bem articulado na decisão vergastada. Nada obstante, mais uma vez, inverídica a afirmação da recorrente de que não teriam as pessoas solidárias tomado ciência dessa responsabilização solidária. Conforme AR às fls. 552, 555 e 560, resta inconteste que as pessoas físicas e jurídica foram devidamente cientificadas dos respectivos termos de sujeição passiva solidária. MULTA QUALIFICADA Com relação à multa de ofício agravada, por tratarse de infração qualificada, a defesa argúi que não restou configurada qualquer conduta infracional de omissão de prestação de informações à fiscalização, não restando evidenciado pela recorrente qualquer circunstância qualificadora que desse azo à aplicação da multa mais gravosa, assim como não consta do relatório fiscal uma descrição hábil e necessária do "evidente intuito de fraude". Cediço que para aplicar a multa qualificada não bastam simples indícios; é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar, cuja prova deve ser produzida com acuidade, apta a demonstrar a indelével intenção de cometer um dos três ilícitos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O "animus dolandi", ficou evidenciado e provado nos autos, conforme a descrição da ação fiscal relatada no Relatório da Atividade Fiscal. Claro está que não foi mero erro de escrituração fiscal, mas sim ato doloso de não recolhimento do imposto devido. Aliás, sequer apresentou DCTF, com evidente conduta de esconderse do Fisco com o fito de não pagar o IPI, ou seja, com explícita conduta sonegatória. Dessarte, a multa foi aplicada em face de a cobrança darse por meio de lançamento de ofício, sendo que foi qualificada, e devidamente motivada a conduta dolosa, como acima colocado, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64. Dessa forma, correta sua aplicação, porque ao amparo de lei válida, vigente e eficaz.Forte no exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724573/201105 Acórdão n.º 3402001.134 S3C4T2 Fl. 654 6 assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 18471.002790/2003-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF - DECADÊNCIA - DEPÓSITO BANCÁRIO - FATO GERADOR.
Conforme consolidado pela Súmula CARF nº 38, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-003.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário relativas ao período para o qual a decadência foi afastada.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário relativas ao período para o qual a decadência foi afastada. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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Conforme consolidado pela Súmula CARF nº 38, o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário relativas ao período para o qual a decadência foi afastada. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora EDITADO EM: 20/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 27 90 /2 00 3- 38 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 9202003.969 CSRFT2 Fl. 509 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recuso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão de nº 10616.030, da lavra da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho, haja vista auto de infração lavrado pela constatação da omissão de rendimentos caracterizada por créditos/depósitos bancários de origem não comprovada. O acórdão ora recorrido recebeu a seguinte ementa: MOMENTO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Excetuadas as hipóteses expressamente definidas em lei como de fato gerador anual, a regra de tributação dos rendimentos percebidos pelas pessoas físicas é no momento da percepção do rendimento. De acordo com o § 4º do art.42 da Lei nº 9.430, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos em instituições financeiras sem comprovação da origem, o imposto incide no mês e tem por base a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Após o advento do Decreto – lei nº 1.968/1982 (art. 7 º), que estabelece o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento do imposto sobre a renda das pessoas físicas passou a ser do tipo estatuído no artigo 150 do CTN. Nos termos do art. 43 do CTN, o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Fixada pela norma legal a tributação mensal, o termo de início para contagem do prazo de cinco anos para o lançamento é a ocorrência do fato gerador, ou seja, o mês em que o imposto incide. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional apresentou Recurso de Divergência contra o reconhecimento de ofício da decadência parcial do lançamento. O Colegiado a quo, por maioria dos votos, acabou por entender que no presente caso sendo o tributo sujeito ao lançamento por homologação e não tendo havido dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 150, §4º do CTN. Ainda no entendimento daquele Colegiado, considerando que o fato gerador do tributo em questão seria mensal, teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento em relação aos meses de janeiro a novembro de 1998. Citando acórdãos paradigmas afirma a Fazenda Nacional que tal entendimento contraria a jurisprudência pacifica deste Conselho Administrativo. O contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram acolhidos em parte por meio do Acórdão nº 220200.334: Fl. 814DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 9202003.969 CSRFT2 Fl. 510 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXTENSÃO. O acolhimento dos embargos não significa o reexame de matéria já devidamente apreciada pelo Colegiado de Segundo Grau ou, muito menos, a apreciação de matéria não préquestionada no Recurso Voluntário, restringindose a sanear eventual obscuridade, omissão ou contradição existente no acórdão guerreado apontada pelo embargante, e não proceder um novo julgamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COMERCIAL. COMERCIAL. A alegação de que a movimentação financeira na conta da pessoa física é decorrente do exercício de atividade comercial desenvolvida por seu titular, desacompanhada de documentação hábil e idônea que a confirme, não basta para afastar a presunção de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos nela efetuados. Embargos parcialmente acolhidos. O contribuinte apresentou também Recurso Especial o qual foi não foi admitido por falta de cumprimento dos requisitos formais. É o relatório. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 9202003.969 CSRFT2 Fl. 511 4 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora O recurso atende seus requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Apesar de já ter havido grande discussão sobre a matéria e em que pese todos os argumentos apresentados ao longo do processo, devemos destacar que esse Conselho já pacificou o entendimento de que em se tratando de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, o fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro do anocalendário. Esse é exatamente o teor da Súmula CARF nº 38, valendo citar a integra: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, inaplicável a argumentação de que o fato gerador do imposto em questão seria mensal, não existindo qualquer fundamentação capaz de sustentar a manutenção do acórdão recorrido. Assim, considerado que o período autuado compreende os meses de janeiro à dezembro de 1998 e que a ciência do lançamento se deu em 08/12/2003, e considerando a citada Súmula CARF nº 38, deve o acórdão ser reformado para afastar a decadência declarada. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento afastando a decadência, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário relativas ao período para o qual a decadência foi afastada. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 816DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002790/200338 Acórdão n.º 9202003.969 CSRFT2 Fl. 512 5 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724568/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE, SÚMULA N.º 63 DO CARF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO.
O contribuinte não faz jus ao direito de isenção do Imposto de Renda de pessoa Física, quando descumprido o requisito legal de comprovação da natureza dos rendimentos recebidos.
Numero da decisão: 2201-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 16/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE, SÚMULA N.º 63 DO CARF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. O contribuinte não faz jus ao direito de isenção do Imposto de Renda de pessoa Física, quando descumprido o requisito legal de comprovação da natureza dos rendimentos recebidos.
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MOLÉSTIA GRAVE, SÚMULA N.º 63 DO CARF. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. O contribuinte não faz jus ao direito de isenção do Imposto de Renda de pessoa Física, quando descumprido o requisito legal de comprovação da natureza dos rendimentos recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 16/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 45 68 /2 01 4- 15 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 15/12/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2012, anocalendário 2011, decorrente da omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 346.083,93 recebidos pelo titular e/ou dependentes da fonte pagadora Itaú Vida e Previdência S/A. Constou da mencionada notificação que "a isenção do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei n.º 7.713/88 referese à aposentadoria ou pensão. O VGBL de R$ 292.229,88 e o resgate de previdência privada, em agosto, no valor de R$ 53.854,05 são tributáveis. O rendimento de previdência privada é isento quando se trata de complementação de aposentadoria e esta complementação é recebida na forma de renda mensal". Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação, fls. 2/5, alegando, em síntese, o direito à isenção do imposto de renda, conforme laudo pericial anexo, desde o ano de 2010, de modo que não se sujeita ao pagamento de imposto de renda relativo à pensão por morte de seu cônjuge e à previdência privada, devendo ser realizada a restituição do imposto retido, no valor de R$ 40.938,60. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) quanto à análise do primeiro requisito, qual seja, se a interessada seria portadora de moléstia grave no anocalendário objeto da autuação, verificase que o laudo médico pericial, de fl. 23, emitido pela Universidade Federal do Paraná, corresponde à moléstia isentiva prevista na legislação de regência (paralisia irreversível e incapacitante); b) no que tange à outra condição cumulativa, ou seja, à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, verificase que a impugnante não comprovou nos autos terem a natureza de aposentadoria ou pensão os rendimentos auferidos do Itaú Vida e Previdência S.A. no montante de R$ 346.083,93; c) com relação ao alegado pela contribuinte a respeito de já ter pago o valor cobrado, cabe informar que de acordo com o artigo 54 da IN nº 15/2001 as informações contidas na declaração retificadora substituem às informadas na declaração original. Logo, após a análise da declaração retificadora, o Fisco pode revisála e se for o caso alterála, conforme foi feito no presente caso; d) foi corretamente aplicada a multa em face da infração, cuja responsabilidade do contribuinte é objetiva, na forma do art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), isto é, 'a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.724568/201415 Acórdão n.º 2201003.099 S2C2T1 Fl. 89 3 responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato'. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte aduz, em síntese, o direito à isenção com base da comprovação do acometimento de moléstia grave, bem como em razão da demonstração, por meio de comprovante do banco Itaú, do recebimento de renda de previdência privada, sendo cabível a restituição do imposto. Assim, a recorrente assevera não estar sujeita ao recolhimento do imposto de renda relativo à pensão por morte e cônjuge e à previdência privada, observando que não há dispositivo legal referente à forma de pagamento seja ela mensal ou anual, enfatizando que a restituição é devida. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, restou considerada no lançamento a omissão de rendimentos tributáveis recebidos por pessoa física, em razão da ausência de comprovação da natureza dos rendimentos recebidos para fins de isenção por moléstia grave. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca existência da moléstia grave, tendo em vista a comprovação por meio de laudo médico oficial, fl. 23, conforme reconheceu a DRJ, fazse necessário apreciar a natureza dos rendimentos auferidos. A fim de esclarecer a questão referente à natureza dos rendimentos, a contribuinte foi intimada a apresentar os comprovantes de todos os rendimentos recebidos por ela e/ou por seus dependentes no anocalendário, fl. 35. De acordo com o disposto na notificação de lançamento, fl. 10, não restou comprovado que o rendimento recebido pela contribuinte a título de previdência privada (Itaú Vida e Previdência Privada S/A) referese à complementação de aposentadoria. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.724568/201415 Acórdão n.º 2201003.099 S2C2T1 Fl. 90 5 Na fase recursal, a contribuinte, além dos documentos atinentes à comprovação da moléstia grave, efetuou a juntada do Informe de Rendimentos Financeiros (anocalendário 2011) da fonte pagadora, bem como a cópia da Portaria de concessão da sua pensão vitalícia, de 30/05/2011. Contudo, não obstante a apresentação dos mencionados documentos, diante da ausência dos comprovantes de rendimentos mensais e dos demais documentos atinentes aos planos de previdência, não foi possível aferir se, de fato, os valores provenientes da previdência privada foram recebidos a título de complementação de pensão ou decorreram mero resgate da renda. Cumpre destacar que o Decreto 3000, de 26 de março de 1999, em seu art. 39,§ 6º, dispôs sobre a isenção da complementação da pensão, quando recebida por portador de moléstia grave, nos seguintes termos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (...).” No mesmo sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014, assim salientou: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicamse: III à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão recebida por portador de moléstia grave. Acrescentase que o Ato Declaratório Interpretativo da Receita Federal do Brasil n.º 11 de 30/9/2014, a respeito da incidência do IRPF sobre os valores recebidos por portadores de moléstia grave a título de resgate das contribuições para as entidades de previdência complementar, assim dispõe: Artigo único. Os valores percebidos por portador de moléstia grave a título de resgate das contribuições recebidas de entidades de previdência complementar, antes da data contratualmente prevista para início do pagamento do benefício, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda, tendo em vista não se configurarem como complemento de aposentadoria. Dessa forma, para que a contribuinte fizesse jus ao direito à isenção, no presente caso, deveria comprovar efetivamente o recebimento da complementação de pensão, o que não se pode inferir a partir da documentação que foi apresentada aos autos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Portanto, ausente a comprovação do cumprimento do requisito legal atinente à natureza dos rendimentos (complementação de pensão), não se vislumbra o direito à isenção da contribuinte, em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 16/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15463.721264/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2014
IRPF. JUROS DE MORA RECEBIDOS NO ÂMBITO DE AÇÃO JUDICIAL. PERDA DO VÍNCULO LABORAL. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. VERBA NÃO TRABALHISTA. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP 1.227.133/RS. INCIDÊNCIA.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, o STJ assentou que são considerados isentos os juros incidentes sobre verbas trabalhistas recebidas em decorrência de ação judicial, devidos no contexto de rescisão do contrato de trabalho.
A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, restringiu-se aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei 7.713/1988.
No caso dos autos, o pedido da reclamatória trabalhista, proposta pela Recorrente, restringiu-se a complementação de aposentadoria, verba de natureza previdenciária e não trabalhista, e sujeita à incidência do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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JUROS DE MORA RECEBIDOS NO ÂMBITO DE AÇÃO JUDICIAL. PERDA DO VÍNCULO LABORAL. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. VERBA NÃO TRABALHISTA. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP 1.227.133/RS. INCIDÊNCIA. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, o STJ assentou que são considerados isentos os juros incidentes sobre verbas trabalhistas recebidas em decorrência de ação judicial, devidos no contexto de rescisão do contrato de trabalho. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, restringiuse aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei 7.713/1988. No caso dos autos, o pedido da reclamatória trabalhista, proposta pela Recorrente, restringiuse a complementação de aposentadoria, verba de natureza previdenciária e não trabalhista, e sujeita à incidência do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 12 64 /2 01 5- 15 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.721264/201515 Acórdão n.º 2402005.216 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 08/18, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2014, anocalendário de 2013, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$774.560,62. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 50/52), reproduzido a seguir: O lançamento decorreu da revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2014 fls. 37/44, apresentada pelo(a) contribuinte à RFB, cujo resultado era de imposto a restituir, no valor de R$3.191,56. Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 10/13, foram apuradas: 1) omissão de rendimentos recebidos acumuladamente tributação exclusiva, no valor de R$774.560,62: REND.RECEBIDOS ACUMULADAMENTE opção tributação: exclusiva Processo 0031 000 93 200 250 100 34 Alv. Jud. n.0385/2013val.originário R$1.548.048,56 Alv. Jud. n.1688/2013IRRFval.originário + R$ 94.930,27 Rendimentos Tributáveis= R$1.642.978,83 (fls.971) Total de Nº de meses:março/1998 a março/2012 => 183 meses Não comprovou contr. prev. oficial empregado; não apresentou despesa com honorários advocatícios; 2) compensação indevida de IRRF sobre RRA tributação exclusiva, no valor de R$4.723,75 (R$99.654,02 R$94.930,27), sob a justificativa: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do IRRF sobre rendimentos declarados como recebidos acumuladamente. Cientificado(a) da exigência, o(a) interessado(a), apresenta a impugnação de fls. 2/3, instruída com os documentos de fls. 19/36. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal argumentando, sobre a parcela dos rendimentos considerada omitida, que esta Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 se trata de indenização por danos morais, isentos do IR, e de juros moratórios, sobre os quais não há incidência de IR, inclusive com jurisprudência pacífica do CARF. Quanto ao IRRF glosado afirma que a parcela foi sim retida sobre os RRA recebidos. A decisão de primeira instância (fls. 50/56) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/10/2015 (fls. 67/68), o interessado interpôs, em 09/11/2015, o recurso de fls. 69/90. Nas razões recursais aduz, em síntese, que é isento do imposto de renda os juros incidentes sobre as verbas trabalhistas recebidas no âmbito de ação judicial, quando se trata de verbas recebidas por rescisão de contrato de trabalho, tal como ocorrido no presente caso. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.721264/201515 Acórdão n.º 2402005.216 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A controvérsia instaurada nos autos se restringe a omissão de rendimentos recebidos pela interessada da fonte pagadora Itaú Unibanco S/A (Banco Banerj S/A), decorrentes de Ação Trabalhista (Processo TRT 1ªR 003100093.2002.5.01.0034), no valor de R$774.560,62. IMPOSTO DE RENDA E JUROS MORATÓRIOS NO ÂMBITO DE AÇÃO JUDICIAL Segundo a decisão de primeira instância, os valores recebidos de ação judicial referentes aos juros moratórios seguem a do principal a que estão vinculados, assim, se o principal é tributado pelo imposto de renda, seus acessórios também o são, nos seguintes termos: “Inicialmente, sobre a tributação dos juros moratórios e da correção monetária encontra respaldo nos artigos 55, 56, 72 e 640 do RIR/1999, abaixo transcritos. A lei deixou claro que os valores recebidos a esses títulos são tributáveis. Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I):(...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;(...) (grifei) Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art. 72. Para fins de incidência do imposto, o valor da atualização monetária dos rendimentos acompanha a natureza do principal, ressalvadas as situações específicas previstas neste Decreto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nºo 8.134, de 1990, art. 3º). Sobre a matéria, já se manifestou a Receita Federal, por intermédio do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) nº 05, 06 de novembro de 1995, segundo o qual: “4. Integram os rendimentos recebidos acumuladamente, ainda que por força de decisão judicial, o principal e quaisquer outras parcelas de rendimentos tributáveis recebidas, adicionais referentes a pagamentos de períodos anteriores, inclusive os juros e a correção monetária eventualmente devidos". (grifei)” A Recorrente afirma, na peça recursal, que recebeu o valor bruto de R$1.661.131,27, sendo R$868.418.21 referente ao principal sem juros, tendo sido recolhido o imposto de renda na fonte no valor de R$94.930,27, conforme determinação do Juízo trabalhista (doc.2), e o valor restante de R$792.713,06 corresponde aos juros. Com isso, ela entende que os juros de mora não estariam sujeitos à incidência do imposto de renda e cita o entendimento do STJ manifestado no REsp 1.227.133/RS. Pelo que consta dos autos, percebese que a Recorrente teve rescindido o seu contrato de trabalho com o Banco Banerj S/A (fls. 82), e, imediatamente, aposentouse pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) em 17/03/1998. Passados alguns anos, inconformado com a sua aposentadoria, decidiu propor ação judicial trabalhista em face do Banco Banerj S/A, responsável solitário da Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Integrado Banerj (PreviBanerj), e do Banco Itaú S/A (fls. 77/81), por meio da qual requereu a complementação de sua aposentadoria prevista no incentivo à aposentadoria na base de 30/30 avos da sua remuneração, prestações vencidas desde a sua demissão e vincendas, tudo, com juros e atualização monetária, conforme reclamatória trabalhista de fls. 77/82. Vejamos o pedido dessa reclamatória trabalhista proposta pela ora Recorrente deste processo administrativo tributário: Do Pedido: 15. Face ao exposto, propõe a Autora a presente ação, postulando a condenação solidária dos Reclamados a lhe pagar, com juros e correção monetária: a) a complementação de sua aposentadoria prevista no incentivo à aposentadoria na base de 30/30 avos da remuneração especificada no item 3 desta, prestações vencidas desde a sua demissão e vincendas, com os mesmos reajustes concedidos ao pessoal da ativa, tudo, com juros e atualização monetária, na forma da Lei, admitindose, desde já, o desconto das contribuições estatutariamente devidas pela autora desde janeiro de 1997 até o final do contrato de trabalho; (Reclamatória Trabalhista, fls. 81) No tocante aos juros moratórios, observarse que, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, submetido à sistemática do art. 543C do antigo CPC (recurso repetitivo), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) encaminhou pela não incidência de imposto de renda sobre os valores pagos a esse título, em acórdão assim ementado: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.721264/201515 Acórdão n.º 2402005.216 S2C4T2 Fl. 5 7 RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. (g.n.) Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ocorre que, posteriormente, o STJ acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional (União) para esclarecer que o tema de mérito discutido no REsp 1.227.133/RS circunscrevese à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza exclusivamente trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, o que não se amolda ao presente caso ora analisado, já que este se trata de complementação de aposentadoria, configurandose como um benefício previdenciário. Nesse passo, com o objetivo de melhor compreensão do assunto, vejamos trechos do acórdão que esclareceu a questão: Todas as discussões trazidas pela embargante passam pelo exame de cada um dos sete votos proferidos no acórdão embargado, daí que passo a fazêlo neste momento, começando pelos três votos vencidos: (...) Quanto aos votos vencedores, temos: 3º) Ministro Mauro Campbell Marques (fls. 597607): Divergindo do relator, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mas por fundamentos diversos do meu. Entendeu que "a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigentes" (fl. 602), mas que "o art. 6º, inciso V, da lei trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho" (fl. 602). Com base no referido dispositivo legal, então, foi que reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate. 4º) Ministro Arnaldo Esteves Lima (fls. 618624): Proferiu votovista negando provimento ao recurso especial, explicitando que o tema de mérito circunscrevese à "exigência de imposto de renda sobre os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho" (fl. 619). E acrescentou que "não se está a examinar a tributação dos juros de mora em qualquer outra hipótese" (fl. 619). Sobre a questão de mérito, no caso específico dos autos, adotou fundamentos semelhantes aos do em. Ministro Mauro Campbell Marques, concluindo que "os juros de mora pagos em virtude Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei" (fl. 624). (g.n.) (...) A ementa do julgado, entretanto, deve ser revista, tendo em vista que os votos vencedores dos em. Ministros Mauro Campbell Marques e Arnaldo Esteves Lima adotaram fundamentos menos abrangentes, limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate, por força de lei específica de isenção (art. art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/1988). A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Diante desse contexto da decisão proferida no REsp 1.227.133/RS, percebe se que não há espaço fático nem jurídico para a aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015 – segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF –, ao caso em análise, haja vista que a tese fixada no recurso submetido ao rito do art. 543C do antigo CPC (recurso repetitivo) se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da regra isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei 7.713/1988, ao passo que os juros de mora cobrados no presente lançamento fiscal se referem aos valores pagos a título de complementação de aposentadoria, possuindo natureza de um seguro privado previdenciário e não trabalhista. Lei 7.713/1988: Art. 6o. Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.721264/201515 Acórdão n.º 2402005.216 S2C4T2 Fl. 6 9 V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. No julgamento do AgRg no AgRg no REsp 1.235.772/RS, o STJ confirmou que a tese fixada no REsp 1.227.133/RS se restringe à exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. "Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg no REsp 1235772/RS, julgado em 26/06/2012) O embasamento jurídico firmado no REsp 1.227.133/RS é pela regra isentiva do imposto de renda prevista no art. 6º, V, da Lei 7.713/1988, e sua interpretação deve ser restritiva/literal (art. 111 do CTN1). Cumpre esclarecer que a verba de natureza trabalhista está vinculada ao trabalho que foi prestado efetivamente pela Recorrente (empregada) ao Banco Banerj S/A, ou seja, tal verba deverá estar ligada à atividade laboral realizada durante o contrato de trabalho. Na hipótese dos autos, o montante sobre o qual incidiram os juros moratórios não tem natureza trabalhista, já que as verbas trabalhistas decorrem do exercício de atividades 1 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 desempenhadas pelo empregador, no caso dos autos Banco Banerj S/A, e devem ser relacionadas com a contraprestação devida ao empregado pela prestação de serviço. E, no caso dos autos, a complementação de aposentadoria decorre do vínculo previdenciário, possuindo natureza de seguro privado e não trabalhista, pois fora proposta ação judicial pelo vínculo que a Recorrente possuía com a Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Integrado Banerj (PreviBanerj) para o pagamento de verba oriunda de previdência privada. Ultrapassada esta questão, cabe perquirir se incide o imposto de renda sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de complementação de aposentadoria. Neste particular, entendo que a regra é a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios, pois se o legislador estabeleceu uma isenção de imposto de renda para os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho (Lei 7.713/1988, art. 6º, V), é porque os juros de mora estão no campo de incidência do imposto de renda. Se não estivessem, desnecessária seria a instituição, por lei, de uma hipótese de isenção tributária. Nesse caminhar, pareceme que não é possível adotar o entendimento de que a verificação da incidência do imposto de renda deve ter por base unicamente o caráter remuneratório ou indenizatório da parcela que se quer tributar, já que não são apenas as verbas remuneratórias que podem representar aumento de patrimônio daquele que as recebe. De fato, as indenizações, em regra, são valores destinados à recomposição do patrimônio (material ou imaterial) daquele que foi lesado em seu direito. Contudo, uma análise mais jurídica do conceito de indenização denota que, embora tenha em algumas situações função de reposição patrimonial (reparação de danos emergentes), o pagamento de indenização pode, por vezes, representar aumento do patrimônio de quem a recebe, na medida em que visem à reparação de ganhos que deixou de obter, como no caso de lucros cessantes. Logo, tanto há situações em que a indenização não acarretará ganho patrimonial, como ocorre no caso de reparação de dano emergente efetivamente suportado, como existem situações em que a indenização tem função apenas compensatória, como ocorre no caso de reparar aquilo que o lesado em seu direito deixou de ganhar (lucro cessante), nesta última hipótese o pagamento da indenização acarretará aumento patrimonial. Nessa linha de raciocínio, mesmo sobre os valores classificados como indenização, vislumbrase que o caminho determinante para se verificar a incidência ou não do imposto de renda não é simplesmente o seu caráter remuneratório ou indenizatório, mas sim a ocorrência ou não de acréscimo na esfera patrimonial do beneficiado, nos exatos termos da regra matriz de incidência do imposto de renda (CTN, artigo 43, I e II2). 2 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.721264/201515 Acórdão n.º 2402005.216 S2C4T2 Fl. 7 11 Assim, se o recebimento da indenização importa acréscimo patrimonial, em regra, estará sujeito à incidência do imposto de renda, só havendo dispensa de seu pagamento se houver previsão legal expressa (isenção) ou regra constitucional concedendo imunidade. No caso em comento, os juros moratórios não foram destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal decorrente da complementação de aposentadoria e, portanto, configuram um acréscimo patrimonial. Dessa maneira, constatado que os valores foram pagos a título de juros moratórios, oriundos de ação judicial que se pleiteia a complementação de aposentadoria, distinta da verba de natureza trabalhista, configurados como um acréscimo patrimonial, é forçoso afirmar a incidência do imposto de renda no caso ora analisado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15463.720230/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 54 63 .7 20 23 0/ 20 14 -2 2 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 15463.720230/201422 Resolução nº 2402000.559 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por SEBASTIAO JOSE MARTINS SOARES, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento relativa ao anocalendário 2009/exercício 2010, sem saldo de imposto a pagar/restituir, em face da constatação de infração à legislação tributária, pois o recorrente efetuou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 114.733,60 (fls. 7/11), por entender ser portador de moléstia grave. A glosa deveuse a ter o contribuinte ter efetuado compensação de imposto de renda retido na fonte cuja exigibilidade encontravase suspensa por decisão judicial e cujos valores estavam depositados nos autos do processo n. 001117670.2001.4.02.5101. A DRJ entendeu por manter a notificação de lançamento em face dos seguintes argumentos: a) Se o contribuinte lograr êxito na demanda judicial, o valor depositado lhe será restituído e, caso se aceitasse a compensação em Declaração de Ajuste Anual, ocorreria em duplicidade a devolução do valor, o que não se pode admitir; b) não ser merecedor da isenção em razão de que, a atestada cardiopatia isquêmica multilateral é doença que não consta do rol do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88, que a ser ver é taxativo; Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: que já transitou em julgado o processo n. 001117670.2001.4.02.5101, motivo pelo qual já requereu a conversão em renda da UNIÃO dos valores de IRRF que ali se encontravam depositados, conforme é atestado por certidão de objeto e pé emitida pela 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, acostada no recurso voluntário (fls. 60), motivo pelo qual, não mais há que se falar em duplicidade de pagamentos, de modo que deve ser autorizada a compensação pleiteada; no que concerne a pleiteada isenção, aponta que cumpre com os requisitos autorizadores para a benesse, sendo que sua cardiopatia grave foi atestada por profissional habilitado para tal providência; por fim, requer a restituição do valor de R$ 114.733,60, após a confirmação da conversão em renda da UNIÃO; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 15463.720230/201422 Resolução nº 2402000.559 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Antes mesmo de adentrar ao mérito da discussão objeto do recurso voluntário, tenho que existe questão que deva ser melhor esclarecida nos autos do presente processo. Conforme já relatado, a notificação de lançamento ora combatida originouse da glosa de pedido de compensação em declaração efetuado pelo recorrente, relativamente a valores de IRRF que estavam depositados nos autos do processo n. 0011176 70.2001.4.02.5101. Em que pese ter sido juntada aos autos a certidão de objeto e pé constantes às fls. 60 e dela já constar a informação do trânsito em julgado daquela ação, fato é que, uma das últimas providências determinadas pelo juízo responsável pela ação, foi a intimação da UNIÃO para que se manifestasse acerca da devida conversão dos valores ali depositados em renda. Pois bem, entendo que antes de analisar o pleito objeto do recurso voluntário, fazse necessário que este órgão julgador tenha informações consistentes sobre o montante e também sobre a devida correlação dos valores que foram convertidos em renda da união, com os valores objeto de compensação pela parte e que geraram a notificação de lançamento combatida. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos baixem a autoridade de origem, sendo esclarecido se: (ii) os valores depositados nos autos do processo 001117670.2001.4.02.5101 pelo ora recorrente já foram definitivamente convertidos em renda da UNIÃO; (ii) os valores convertidos correlacionamse com aqueles objeto da compensação glosada pela SRFB, além de totalizar o montante de R$ 114.733,60 glosado pela fiscalização. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10920.900679/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA.
É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência do direito creditório pleiteado pela interessada.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3201-002.146
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência do direito creditório pleiteado pela interessada. Recurso Voluntário provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 409 1 408 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.900679/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.146 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria IPI. RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente MARISOL INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência do direito creditório pleiteado pela interessada. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 06 79 /2 00 8- 76 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 A interessada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com origem no 1° trimestre de 2005, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão anteriormente proferida por este Colegiado Administrativo: Em 24/04/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 90 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 33.814,00 referente ao 3º trimestrecalendário de 2002, nada reconheceu, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 26323.04261.12103.1.3.014594. Motivos da redução do valor pleiteado: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor estão disponíveis para consulta no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil e com cópias às fls. 04/06. A requerente, inconformada com a decisão administrativa cientificada por AR em 06/05/2008, conforme comprovante de fl. 129, apresentou, em 05/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 91/111, subscrita pelo patrono devidamente constituído, em que, em síntese, sustenta que há nulidade do Despacho Decisório, nos termos do PAF, art. 59, II, em virtude de erro de capitulação legal, ou até falta de fundamentação legal, que implica cerceamento do direito de defesa; houve um erro no PER/DCOMP nº 01132.53940.150794.1.3.013276 quanto ao primeiro decêndio de dezembro de 2003, tendo sido considerado como débito (estorno de crédito) o valor de R$ 133.840,64 alusivo, na verdade, a estorno de ressarcimento de créditos; a requerente tem direito à compensação conforme previsão legal. Por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja recebida e acatada e que a compensação declarada no PER/DCOMP seja deferida, sendo legítima a existência do crédito A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestrecalendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900679/200876 Acórdão n.º 3201002.146 S3C2T1 Fl. 410 3 PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO PARCIALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR INFERIOR AO VALOR PLEITEADO. Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento parcialmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é inferior ao valor pleiteado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: essas informações a que o julgador cita que a contribuinte consegue no site da Receita Federal do Brasil não é verdadeira, pois nem todas elas estão disponíveis para consulta. Como exemplo, citase a questão do saldo credor do período anterior considerado pelo fisco; a questão debatida nos autos não se refere tão somente as informações complementares da análise do crédito, mas também ao enquadramento legal apontado no despacho decisório e que não foram sequer analisadas pelo julgador de primeira instância; insiste que o erro incorrido foi que, neste PER/DCOMP original, o valor de R$ 133.840,64 (cento e trinta três mil, oitocentos e quarenta reais e sessenta e quatro centavos) foi informado na linha “ Estorno de Créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”; ao elaborar o demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível após a apresentação de PER/DCOMP, o Fisco considera o valor de R$ 133.840,64 como débito, conseqüência do lançamento tido como “estorno de crédito”, fato este que resultou na apuração do menorsaldo credor se zero fosse; a partir da correção no lançamento do valor de R$ 133.840,64, exsurge o crédito passível de ressarcimento requerido pela Contribuinte, de maneira que se mostra inerente o acatamento do PER/DCOMP em tela. Por fim, requereu que seu recurso você recebido para: acatar as preliminares arguidas, determinado a nulidade do despacho decisório e consequente deferimento do Pedido de Ressarcimento/Compensação, por inexistência de dispositivo legal infringido; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 que fosse reconsiderada a decisão do julgador simples a fim de que seja determinada a homologação das compensações realizadas. Posteriormente, apresentou outra petição denominada “Esclarecimentos ao Recurso Voluntário” em que requer a juntada do Livro de Apuração de IPI para comprovar a legítima existência de crédito originado de ressarcimento de IPI a fazer frente às compensações realizadas. Após esclarecer a apuração de seu saldo credor de IPI, pontua que as cópias do Livro RAIPI comprovam que em junho de 2002, o saldo credor da contribuinte era de R$ 96.989,40, e não R$ 12.258,40 como apurou a fiscalização. Aduz que do montante de R$ 133.840,64 lançados a débito pelo Fisco, comprovase pelo livro fiscal de IPI de 12/2003 que o valor de R$ 131.191,85 referese a estornos de ressarcimentos de créditos de IPI, não devendo, portanto, fazer parte da apuração realizada pelo fiscal, haja vista que o saldo credor do período anterior já está ajustado pelos ressarcimentos realizados. Reitera que as cópias do Livro RAIPI comprovam que o saldo credor do período anterior, ao invés de R$ 12.258,40, totalizava R$ 96.989,40. Por último requer o recebimento de sua petição com a juntada do Livro de Apuração de IPI. É o relatório. Com fundamento nas razões que expôs, a então 1ª Turma Especial, por meio da Resolução nº 3801000.798, de 19/8/2014, baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade de origem apurasse a legitimidade do ressarcimento pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil e que cientificasse a interessada quanto ao teor dos cálculos a serem realizados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779, de 1999, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. O indeferimento parcial deveuse ao fato de que no Livro Registro de Apuração do IPI no Período de Ressarcimento Saídas, utilizouse indevidamente a linha Estorno de Créditos quando o correto seria a linha Ressarcimento de Créditos. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900679/200876 Acórdão n.º 3201002.146 S3C2T1 Fl. 411 5 Depois de proferida decisão pela DRJ, os autos chegaram, por interposição de recurso voluntário, a este Colegiado. Em julgamento anterior, a então 1ª Turma Especial, em face dos argumentos delineados na irresignação, baixou os autos em diligência, a fim de que, com base nos documentos colacionados, recalculasse o crédito de IPI que a Recorrente teria direito. No Relatório de Diligência de fls. 397 e ss., a fiscalização promoveu a reapuração do saldo credor de IPI, estimandoo, para o 1º trimestre de 2005, em R$ 33.814,00, valor idêntico ao pleiteado pela Recorrente no PER/DCOMP (fl. 04). Portanto, não há mais litígio. A controvérsia restou dirimida com a realização da diligência. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005339/2002-51
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ - ARBITRAMENTO - ESCRITURAÇÃO NÃO APRESENTADA -
Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao fisco, após reiteradas tentativas, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, Probatórios do regime de tributação, conforme as regras do Lucro Real, comprovadamente, a mesma operava comercialmente,embora alegasse inatividade.
ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS - O arbitramento foi calculado com base nas notas ficais das compras de veículos, amparado pela legislação em vigor.
MULTA AGRAVADA - Configurado o dolo em face de estar comprovado
nos autos a utilização de interposta pessoa, cabível é o agravamento da multa para 150%.
JUROS DE MORA - É ilegítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa SELlC, nos termos do art. 84, I, da Lei nO8.981/1995, alterado pela Lei n° 9.065/1995, pois não representa ofensa ao disposto no 1° do art. 161 do CTN.
CSLL - Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele.
Contribuição para o PIS/Pasep
Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele.
Numero da decisão: 103-22.342
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pelacontribuinte, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e votoque passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Alexandre Barbosa Jagueribe
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ementa_s : IRPJ - ARBITRAMENTO - ESCRITURAÇÃO NÃO APRESENTADA - Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao fisco, após reiteradas tentativas, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, Probatórios do regime de tributação, conforme as regras do Lucro Real, comprovadamente, a mesma operava comercialmente,embora alegasse inatividade. ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS - O arbitramento foi calculado com base nas notas ficais das compras de veículos, amparado pela legislação em vigor. MULTA AGRAVADA - Configurado o dolo em face de estar comprovado nos autos a utilização de interposta pessoa, cabível é o agravamento da multa para 150%. JUROS DE MORA - É ilegítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa SELlC, nos termos do art. 84, I, da Lei nO8.981/1995, alterado pela Lei n° 9.065/1995, pois não representa ofensa ao disposto no 1° do art. 161 do CTN. CSLL - Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele. Contribuição para o PIS/Pasep Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele.
turma_s : Terceira Câmara
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 103-22.342; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-05-04T12:53:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 103-22.342; xmpMM:DocumentID: uuid:45d279fd-b4be-4004-b436-27cda6a13347; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 103-22.342; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-05-04T12:53:43Z; created: 2016-05-04T12:53:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; Creation-Date: 2016-05-04T12:53:43Z; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-05-04T12:53:43Z | Conteúdo => 144.048*MS R*31 /03/06 ALEXANDR RELATOR JUROS DE MORA - É ilegítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa SELlC, nos termos do art. 84, I, da Lei nO8.981/1995, alterado pela Lei n° 9.065/1995, pois não representa ofensa ao disposto no ~ 1° do art. 161 do CTN. CSLL - Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele. Contribuição para o PIS/Pasep MULTA AGRAVADA - Configurado o dolo em face de estar comprovado nos autos a utilização de interposta pessoa, cabível é o agravamento da multa para 150%. ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS - O arbitramento foi calculado com base nas notas ficais das compras de veículos, amparado pela legislação em vigor. IRPJ - ARBITRAMENTO - ESCRITURAÇÃO NÃO APRESENTADA - Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao fisco, após reiteradas tentativas, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, cO'11Probatórios do regime de tributação, conforme as regras do Lucro Real, comprovadamente, a mesma operava comercialmente, embora alegasse inatividade. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 144.048 : IRPJ E OUTROS - Ex(s): 1997 e 1998 : STEIN INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTOA. : 1a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I : 22 de março de 2006 : 103-22.342 Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto porSTEIN INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTOA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pelacontribuinte, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e votoque passam a integrar o presente julgado. Processo nO Recurso nO Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 FORMALIZADO EM: 2 8 ABR ?n06 " , . ~,' Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ , PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURíCIO PRADO DE ALMEIDA, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, FLÁVIO FRANCO CORRÊA e •. VICTOR Luís DE SALLES FREIRE. , . " ~ . ! I.r " . j .., ,. ,1 ' ; i 144.048*MSR*31/03/06 1 j 2 8.981/95. 3 RELATÓRIO : 144.048 : STEIN INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recurso nO Recorrente DA DESCRiÇÃO DOS FATOS ENQUADRAMENTO LEGAL IRPJ - Art. 47, inciso 111, da Lei nO8.981/95; art. 51, inciso V da Lei nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 O presente processo tem origem no Auto de Infração de fls. 291/292, do qual a interessada acima identificada foi intimada em 25/11/2002, consubstanciando exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, referente aos anos calendário de 1996 e 1997, com a multa de ofício agravada de 150%, além das atuações reflexas referentes a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, às fls. 298/299, Contribuição Social sobre o Lucro Arbitrado - CSLA, às fls. 302/303. PIS - Art. 3°, ~ 2°, da Lei Complementar nO07/70, título 5, capítulo 1, seção 6, itens I e 11 do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF nO 142/82. CSLA - Art. 2° e ~~, da Lei nO7.689/88 e art. 55 da Lei nO8.981/95; art. 19da Lei nO9.249/95. 144.048*MSR*31/03/06 A empresa Stein Investimentos e Participações Ltda. (nova razão social de Cresul Comércio e Representações Ltda.) foi selecionada para fiscalização em 18/11/1999, porque foi constatado que apesar de ter apresentado declaração de tributos noano de 1997 como inativa, teria adquirido, no decorrer dos anos calendário de 1994 a 1997,grande quantidade de caminhões da fábrica SCANIA Latin América, pela forma de venda denominada Faturamento Direto ao Cliente. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 ,. i .\ :1 Às fls. 12 do volume I (Termo de Início de Fiscalização), a interessada foi intimada em 18/11/1999 a apresentar os livros e registros contábeis e fiscais, não o fazendo, pois alegou a inexistência dos mesmos na empresa, por não haver movimento operacional (fls. 13 do volume I). E o Sócio José Carlos Stein informou às fls. 26, do volume I, que desconhecia a realização de qualquer tipo de operação em nome de CRESUL. ; ~ ", ,~, t Tendo em vista a necessidade de ter que se apurar a verdade material quanto aos fatos acima narrados, se fez necessário efetuar diversas diligências e investigações em outros órgãos, o que demandou um grande lapso temporal, o que resultou no encerramento da auditoria. A reabertura do procedimento fiscal foi autorizada em 05/07/2002 pelo Delegado da Receita Federal em Vitória-ES, conforme documento de fls. 07 a 10, do Volume I e Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01 do Volume I). Em 26/10/1998, ocorreu a primeira alteração contratual registrada na JuntaComercial do Estado do Espírito Santo - ES, havendo mudança da razão social para Cresul Empreendimentos e Participações LTDA., troca do endereço para Av. NossaSenhora dos Navegantes, nO495 sala 603 - Enseada do Suá - Vitória - ES e do 4144.048*MSR*31/03/06 Apurou-se então que a constituição da empresa é datada de 05/09/1991, com a razão social de CRESUL Comércio Representação e Empreendimentos Ltda., com sede à Rua Wilson P. Vieira - Ed. Wilson - sala 12 - Glória - Vila Velha Es, tendo como objetivo social "o comércio de produtos derivados de petróleo, peças e acessórios para veículos em geral, pneus e câmaras e empreendimentos em geral", sendo que a participação societária do Sr. Ubirajara Pinheiro e do Sr. José Carlos Stein Junior é, para cada um, de 50% das cotas do total de3000 cotas (fls. 14 a 16 do volume I). f ~' ( \ \ f. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 objeto social para prestação de serviço em intermediações de negócios e participação societária em outras empresas (fls. 17 e 18 do Volume I). f, , f Em 13/10/1999, foi feita a segunda alteração contratual, com a modificação social para Stein Investimentos e Participações Uda., atualização do valor do capital em virtude da política monetária nacional, bem como o aumento do mesmo para R$ 10.000,00 (dez mil reais). Registrou também a retirada da sociedade do sócio Ubirajara Pinheiro que teria cedido e transferido 1.000 quotas de capital no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais) para Elissa Belesa Ammar, admitida na sociedade e também cedeu 4.000 (quatro mil) cotas para o sócio José Carlos Stein Junior (fls. 19 a 21 do Volume I). Conforme informação de fls. 33/34 do Volume I, do Sr. Paulo Vieira Pinto da empresa Centro Contábil Uda., CNPJ 27.233.659/0001-44, que foi responsável pelas alterações contratuais, as despesas com os procedimentos descritos foram pagas pelo escritório do Sr. José Carlos Stein Junior. ~,, Às fls. 215/216 do Volume I, a sócia Elisa Belesa Ammar, CPF 009.650.127-86, em depoimento feito ao Departamento da Polícia Federal declarou ter prestado serviços para o escritório do Sr. José Carlos Stein onde trabalho durante 03 anos como gerente, admitindo ter ouvido falar da Cresul Comércio e Representação Ltda., entretanto jamais tomou conhecimento das transações comerciais realizadas naquela empresa, e por ser pessoa de confiança do Sr. Stein forneceu seus dados para utilização na composição societária da dita empresa, reconhecendo como sua a assinatura aposta no contrato social. 5144.048*MSR*31/03/06 O Sr. Ubirajara Pinheiro, faleceu em, 28/01/1998, conforme Certidão de Óbito às fls. 22, do volume I, então foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal de fls. 56 a 59 do Volume I, a sua esposa para prestar esclarecidos, sendo que a resposta ao referido termo foi prestada pelo Sr. Márcio Pires Pinheiro •.CPF n° 449.159.936-04, ;. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MSR*31/03/06 As operações de venda eram implementadas pela distribuidora (concessionária) Venac-Veículos Nacionais Ltda., CNPJ O Sr. José Carlos Stein, CPF nO817.964.127-91, foi intimado conforme Termo de fls. 28 a 31 do Volume I, a esclarecer os fatos relativos às compras realizadas pela Cresul, alegou em resposta às fls. 45 a 55, também do VOLUME I, desconhecer as operações realizadas e que sempre a concepção da empresa esteve voltada a participação em procedimento licitatório junto a Capitania dos Portos do Estado do Espírito Santo, objetivando a exploração econômica de área localizada no centro da capital e que a as atividades da empresa nunca tiveram como objeto a aquisição e comercialização de veículo, bem como jamais manteve qualquer relacionamento comercial com a empresa Scania do Brasil. Conforme apurado pelo fisco a autuada adquiriu caminhões da fábrica SCANIA através do sistema de faturamento direto ao cliente, conforme documentos de fls. 70 a 72 do Volume I. Apesar do relato acima, foi apurado pela fiscalização a participação de uma filha do Sr. Ubirajara, a Sra. Isabella Pires Pinheiro em operação com veículos da Cresul (fls. 142/143 do volume I). Alega que seu pai foi arrendatário do Posto Garoupa, situado ao lado da empresa Venac, todavia assegura que seu pai jamais comercializou caminhões no referido posto. por representar o espólio do pai informando que não conhecia a empresa Cresul, acrescentando que a mesma não fez parte dos bens arrolados no inventário do pai, não podendo assim esclarecer nada sobre as aquisições dos caminhões (fls. 61 a 63 do Volume I) e (fls. 217 a 222 do Volume I), e estranha a participação da concessionária Venac nas transações, sob a gentileza de gratuidade de revisão de entrega. Processo nO Acórdão nO autorizada da marca SCANIA para o Estado do Espírito Santo, através do documento denominado "AUTORIZAÇÃO DE FATURAMENTO- DIRETO AO CLIENTE", às fls. 74 (volume I), dirigidos à SCANIA. 7144.048*MSR*31/03/06 Apesar do grande volume de compras realizadas nos anos de 1994, 1995, 1996 e 199? e o total de vendas levantado pelo somatório das notas fiscais de fls. 02 e 139 do anexo I, a autuada somente apresentou declaração de Imposto de Renda pessoa jurídica para o ano-calendário de 1997, e como inativa. Figurou como inativa desde a inscrição no CNPJ até o final do ano-calendário de 1997. A CRESUL não utilizou os caminhões para cumprir seus objetivos sociais, uma vez que os veículos foram imediatamente repassados para terceiros conforme declaração dos mesmos às fls. 132/133, 147/148 e 188 do Volume I e comprovados por informação do DETRAN às fls. 24 do Volume I. Não constam do sistema de recuperação de pagamentos (sinal-O?) da SRF, (fls. 242/243 do volume I), quaisquer recolhimentos de tributos e contribuições referentes a comercialização de veículos adquiridos ou receita p'uferida com o uso dos I ditos caminhões. A VENAC enviava o referido documento, juntamente com o comprovante de depósito bancário de pagamento do veículo (fls. 83 do Volume I) e após a confirmação do pagamento, o caminhão era faturado pela Scania em nome do cliente (a empresa Cresul Investimentos e Participações Ltda.) e entregue à transportadora Trans Ritmo Trans. Turismo Ltda., CNPJ 59.169.953/0001-20, que fazia o transporte de São Paulo até a VENAC Veículos Nacionais Ltda., no Espírito Santo (fls. 204 do Anexo I), sendo que a concessionária participa necessariamente das operações de venda, por estar incumbida de promover a "Revisão de entrega", com o ulterior encaminhamento à SCANIA do cupom, para controle da garantia de fábrica oferecida ao comprador e assumia a despesa com o frete dos veículos. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão n° : 103-22.342 8144.048*MSR*31/03/06 A VENAC participou ativamente das vendas por intermédio de seus funcionários, Sr. Francisco Fernando Marques e Sr. Lael Vilair' Varella Filho gerente de Consta no documento de fls. 83 do Volume I o pagamento no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) feito para quitar duplicata do Banco do Brasil S/A - agência3662. Tal agência fica localizada no município de Cariacica-ES que está situada bempróxima da sede da Venac. A fábrica SCANIA forneceu também copias das autorizações de Faturamento Direto emitidas pela concessionária VENAC, para compra de veículos em nomeda CRESUL, atual STEIN, às fls. 74 do volume I, bem como uma cópia de um depósito efetuado pela CRESUL em sua conta bancária no banco Itaú, referente ao pagamento do caminhão às fls. 83, E apresentou também planilha com Demonstrativo de Faturamento e baixa de duplicatas CRESUL com os valores e datas de pagamento às fls. 75 a 82 do volume I. Informou ainda a SCANIA às fls. 70 a 72 do Volume I, que manteve com a VENAC "concessionária autorizada exclusiva" um único contato comercial que conduziu a realização das vendas, concretizadas em autorização de faturamento emitidas pela Venac (fls. 70- item 4). E que as vendas realizadas direto a consumidores é uma praxe usual de mercado no segmento de veículos pesados. Ainda buscando comprovar a participação da Cresul atual STEIN nas operações denominadas "Faturamento Direto", a fábrica de caminhões SCANIA foi intimada conforme termo de fls. 64 do volume I, a apresentar cópia das notas fiscais de venda de veículos para a CRESUL, atendida às fls. 02 a 139 do anexo I. Efetuado o exame das mesmas ficou comprovado a comercialização para a CRESUL, sendo que na documentação de fls. 95 a 139 do anexo I, consta a observação de que o veículo transitaria obrigatoriamente pela VENAC para fins de Revisão de Entrega e início da garantia de fábrica. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 vendas e diretor comercial respectivamente, que declararam que as negociações de compra de veículos de carga pela Cresul eram feitas sempre por intermédio do sócio da mesma Dr. Ubirajara. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MS R*31/03/06 Baseado em informações obtidas nas notas fiscais de vendas fornecidas pela SCANIA e pesquisa no sistema Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), foram contactados alguns proprietários dos caminhões, que informaram terem adquirido os mesmos por intermédio da concessionária Venac, conforme, registrado no Termo de Constatação de fls. 271/279. Com a finalidade de esclarecer as declarações prestadas pelo Sr. Francisco foi intimada a concessionária Venac, conforme o documento de fls. 88 a 90 do Volume I, que em resposta às fls. 91 a 96, informou que foi sempre o Sr. Ubirajara quem respondeu pela CRESUL em todas as operações de vendas ocorridas no período entre a Venac que foi representada pelo seu gerente de vendas ocorridas no período entre a Venac que foi representada pelo seu gerente de vendas Francisco Fernandes Marques e a CRESUL, sendo que os benefícios financeiros obtidos pela empresa foram as comissões recebidas da SCANIA, e que pelo fato de as operações de vendas a vista não oferecerem riscos inexistiu a preocupação com o objetivo social dos clientes no caso das referidas vendas, sendo que o pagamento era efetuado diretamente a SCANIA e a VENAC recebia uma comissão da SCANIA. Declarou o Sr. Francisco Fernando Marques, às fls. 113/114, que fez bastantes indicações de compradores de caminhões ao Sr. Ubirajara, sem cobrar nada pelas indicações e com o devido conhecimento das mesmas pelo diretor da concessionária Venac, que às vezes cedia o seu pátio para estacionar os veículos sem também receber nenhuma remuneração, pelo fato de ser ele um grande comerciante de caminhões, sendo que as operações eram efetuadas por preço inferior ao praticado pela Venac, uma vez que não tinha encargos a pagar, e o pagamento das vendas indicadas eram efetuados diretamente ao Sr. Ubirajara Pinheiro. Processo nO Acórdão nO 10144.048*MSR*31/03/06 A forma de pagamento para um dos veículos foi feita à vista por R$ 90.000,00através de um cheque do Banco Banerj no valor de R$ 73.000,00 (fls. 134 do volume I) e outro cheque do Banco Real no valor de R$ 17.000,00, totalizando os R$ 90.000,00. Já para o outro veículo o pagamento deu-se através de contrato de arrendamento mercantil firmado com Banco BMG Leasing S.A., conforme o documento de fls. 119 a 121 do volume I; no referido contrato consta como "fornecedora dos veículos"a Sra. Isabella Pinheiro. O cheque no valor de R$ 73.000,00 de emissão da Transcampo foi nominalao Sr. Antonio Correa e endossado pelo mesmo, com o carimbo da agência em quefoi compensado (3662-5) e o nome Venac manuscrito. Os veículos em questão foram vendidos pela fábrica SCANIA para a empresa CRESUL, no ano de 1995, conforme notas fiscais 818.574 e 824.426 às fls. 105e 108 do anexo I, sendo que a Transcampo apresentou o certificado de Registro do Veículo Chassis 9BSTH4X2ZS3257357, às fls. 122, (do Volume I), datado de 30/03/1995, em que a Cresul consta como alienante e a Sra. Isabella Pires Pinheiro como adquirente, havendo ainda em tal documento a quitação do veículo, em 11/04/1995, para Transcampo. Registre-se que a Sra. Isabella é filha do Sócio Ubirajara Pinheiro(fls. 128 do Volume I). Foram então iniciadas diligências para apurar as operações de vendas, onde primeiramente foi ouvida a empresa Transcampo Transportadora Campo Ltda., CNPJ 28.497.030/0001-74, domiciliada à Rua dos Artistas, s/no - Bairro Operário - Cariacica/ES que em resposta ao Termo de intimação de fls. 116/117, do Volume I, declarouter efetuado os contatos para aquisição dos Caminhões SCAN IA T113, chassis 9BSTH4X2ZS3257559 e chassis 9BSTH4X2ZS3257357, com a VENAC, através do seu funcionário Sr. Francisco Fernando Marques (fls. 118 a 132 do Volume I). MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão n° : 103-22.342 11144,048*MSR*31/03/06 Outra empresa ouvida foi a J.E.S Transportes Ltda., CNPJ nO 39.370.408/0001-90, domiciliada à Rodovia BR 101, km 306 sala 01 - Bairro Araçatiba - Viana- ES, que informou através de Declaração de seu sócio Sr. José Elpídio Pereira das Posses às fls. 147/148 do Volume I, que procurou a concessionária Venac em 02/01/1997, para compra de um caminhão Scania e foi atendido pelo vendedor Paulo Cotta que o comunicou não existir no momento caminhão disponível para venda, mas quehavia um veículo em outra empresa do grupo; manifestando interesse pelo mesmo, recebeuo veículo um caminhão SCANIA T113, chassi 9BSTH4X2ZT3264673 já no dia seguinteno pátio da VENAC. O pagamento do referido veículo foi feito mediante a compra de "um consórcio premiado" da Batistella Adm. Cons. Ltda. (Consórcio Nacional Scania). O Sr. JoséElpídio informou ter adiantado de imediato 32 quotas (de um total de 60), conforme ,~ cópiasde cheques de fls. 156 do volume I. O Sr. Antônio Salles Mariano, CPF nO252.331.907/10, que é conhecido pelo"nome de guerra" de Pereira ou Pereirinha, disse às (fls. 145/146 do volume I), que era funcionário da VENAC subordinado ao Sr. Fernando Marques e trabalhava como despachante da VENAC e admitiu conhecer o Sr. Ubirajara Pinheiro, porém não conhecia a Sra. Isabella e não se recordava de nada sobre o assunto. Intimada a prestar esclarecimentos sobre os fatos às fls. 135 do Volume I, a Sra. Isabella Pinheiro CPF N° 492.942.456/91, declarou às fls. 138 a 139, ter trabalhado com o pai o Sr. Ubirajara Pinheiro no posto de gasolina denominado Garoupa, localizado no município de Viana/ES, onde eram abastecidos os caminhões das empresas do grupo VENAC, o que fez autorizada por seu pai, sem nunca ler o que estava assinando, e que deixou de assinar tais documentos em outubro de 1997, quando foi procurada pelo Sr. Pereira em sua casa para assinatura de documentos e queao ligar para o seu pai, o mesmo muito nervoso a desautorizou que o fizesse. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 Às fls. 152 do volume I, conforme cópia do Certificado de Registro do veículo, se constata que o mesmo foi registrado inicialmente em nome de Raimundo SouzaA. Sobrinho. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 A Transportadora Transfinal Ltda., CNPJ nO 31.491.590/0001-26, domiciliada à Rodovia BR 101, Km 291 - Bairro Nova Valverde - Cariacica/ES, informou atravésde resposta ao Termo de Intimação de fls. 186/187 do Volume I, que procurou a concessionária Venac para comprar um caminhão Scania e foi atendido pelo vendedor PauloCorta, com quem adquiriu o veículo Scania T113 chassis 9BSTH4X2ZT3263621 - PLACA- GUK 5456 (fls. 188 do Volume I). O Termo de Constatação às fls. 275, registra que o Sr. Raimundo foi localizado em Governador Valadares (MG) e declarou que assumia a propriedade dos veículos a pedido dos funcionários da COVEPE, que é concessionária Scania de Governador Valadares (MG) pertencente aos mesmos sócios da Venac (doc. 223 volume I). Ficou comprovado que ele atuava como interposta pessoa, face a declarações às fls. 230/231 do volume I. O referido veículo foi vendido inicialmente pela Scania para a CRESUL conformeNota Fiscal nO023.146 de 21/08/1996 documento de fls. 203, do volume I e foi transportado pela Transportadora TransRitmo, CNPJ n° 59.169.953/0001-20, conforme Conhecimento de Transporte n° 34157 às fls. 206 do Anexo I, s.endo que o frete foi pago pelaVenac conforme documento de fls. 204 do Anexo I.,~ ~ 144.048*MSR*31/03/06 12 l' Processo nO Acórdão nO ~. O veículo citado foi vendido inicialmente pela fábrica SCANIA para a empresa CRESUL, conforme Nota Fiscal nO 061.732 de 19/12/1996 às fls. 149 do .;:' Volume I e Transportado pela Transportadora TransRitmo, CNPJ 59.169.953/0001-20, 4''1: conforme Conhecimento de Transporte n° 36728 às fls. 240 do Anexo I, sendo que o ,',~ valor do frete foi pago pela venac conforme doc. de fls. 204 do anexo I. .~ 13144.048*MSR*31/03/06 Em declaração espontânea às fls. 226 do volume I o Sr. Raimundo de Souza Argolo Sobrinho, domiciliado à Rua Cícero Siqueira, nO41 no Bairro Esplanada em Governador Valadares/MG, declarou que é auxiliar de despachante e que nunca vendeu nem comprou nenhum caminhão com seus próprios recursos, mas admitiu que emprestou o nome para a comercialização de veículos por empresa do grupo Lael Varella, ganhando para isso de R$ 100,00 a R$ 200,00 por veículo sendo ainda o Às fls. 211 do volume I está o documento de crédito no Banco do Brasil, em nome José Cláudio Oliveira Filho e o recibo de compra e venda assinado pelo Sr. Raimundo está às fls. 212 e às fls. 213 o Certificado de Registro do Veículo. O banco Fibra Leasing informou às fls. 209 do Volume I que o valor da operação de arrendamento mercantil realizado com a empresa Transfinal, foi entregue a José Cláudio Oliveira Filho, por autorização de Raimundo de Souza Argolo Sobrinho, em29/06/1996 conforme documento de fls. 214 do volume I; esclareceu que no campo docontrato que identifica o fornecedor constou erroneamente o nome da Venac, e, para quenão houvesse rasura, ratificou a informação (fls. 209 do Volume I). O pagamento do Veículo foi efetuado mediante contrato de leasing às fls. 193 a 198 do volume O, em que consta como fornecedor a empresa Venac Veículos Nacionais Ltda., com a retificação para Raimundo de Souza Argolo Sobrinho, CPF nO 308.108.496-87. Às fls. 204 do Volume I na cópia do Certificado de Registro do Veículo consta o nome do Raimundo de Souza Argolo Sobrinho, registro este feito em Governador Valadares (MG), datado de 26108/1996. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 O Sr. Raimundo confirmou que atuava como interposta pessoa a pedido .\ dosfuncionários de empresas do grupo Leal Varella (fls. 230/231 do Volume I). responsável por efetuar os serviços de despachantes dos veículos para aumentar seus ganhos. 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MSR*31/03/06 Os veículos foram adquiridos com a intenção de revenda, corroborando para tal entendimento a inexistência de registros no DETRAN dos veículos adquiridos pela fiscalizada, indicando o não ingresso no ativo imobilizado. O Termo de Constatação fiscal de fls. 279 a 290 do volume 11, conclui que as operações envolvendo grande quantidade de caminhões por uma empresa tida como inativa, e a comprovação de que tais veículos foram transferidos para terceiros, conforme os fatos relatados e efetivamente comprovados nos itens 3, 4, 5 e 6, do referido termo, não deixa dúvidas quanto à ocorrência de fatos geradores dos tributos IRPJ e seus reflexos nas transações efetuadas pela CRESUL atual STEIN.r Ao contrário do que afirma a fiscalizada (fls. 11 e 13 volume I) ela não esteve inativa, pois como relatado acima foram constatadas a ocorrência de compras de veículos nos anos-calendário de 1994 a 1997, e de que tais veículos não foram utilizados pela empresa em seu objetivo social, uma vez que foram transferidos para terceiros (fls. 24 do volume I), limitando-se o sócio Sr. José Carlos Stein a contestar a aquisição dos veículos citados na investigação fiscal, procurando transferir a responsabilidade do resultado das vendas dos veículos para a concessionária VENAC, sem apresentar provas que eximissem a interessada pelos tributos devidos. As declarações do Sr. Raimundo foram confirmadas pela fiscalização, conforme documentos às fls. 152, 213/214 do volume I. A empresa Cresul e a concessionária Venac Veículos Nacionais Ltda. utilizaram-se de pessoa sem instrução e de poucos recursos para realizar as operações ao arrepio da Lei. O Sr. Raimundo emprestou seu nome, pois, aparentemente, não possuía discernimento suficiente para avaliar a gravidade dos fatos em que estava envolvido. Processo nO Acórdão nO "Art. 51 _ o lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 Não sendo conhecida a receita bruta, o arbitramento do lucro foi realizado com base no valor das compras conhecidas realizadas nos meses de janeiro, maio, junho a dezembro do ano calendário de 1996 e no mês de janeiro de 1997, de acordo com as planilhas de fls. 75 a 82 do volume I e documentos de fls. 02 a 66 do anexo I e conforme o disposto no inciso V do art. 51 da Lei nO8.981 de 20 de janeiro de 1995. ... (\ ~~quatro décimos do valor das compras de mercadori (s'~~ uadas no mês". 144.048"MSR"31103J06 15 -1t Assim, não restou outra alternativa se não a do arbitramento do lucro, como previsto no artigo 44, do CTN, e nos termos do inciso 1 e 111 do artigo 539 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/01/1994 - RIR/94. Intimada para apresentar livros e documentação contábil e fiscal deixou de fazê-lo, sob o argumento de nunca ter operado e não ter movimentação mercantil nosanos-calendário de 1996 e 1997, que justifica-se a apresentação de contabilidade naforma da legislação de regência (fls. 3, 4, 12 e 13 do volume I). Com base nas investigações e na documentação obtida, observa-se que a interessada tinha como objeto social o comércio de produtos derivados de petróleo, peçase acessórios para veículos em geral e foi constituída em, 08/08/1991, declarando nuncater exercido suas atividades; entretanto, as intimações feitas à Scania do Brasil Ltda.e à concessionária Venac Veículos Nacionais Ltda., revelaram várias operações comveículos por parte da fiscalizada, que utilizava uma linha de venda direta para o cliente indicado pela concessionária (autorização de faturamento às fls. 140 a 201 do anexo I) e cópias das notas fiscais (às fls. 02 a 66 do anexo I) referentes as aquisições arroladasàs fls. 75 a 82 do volume I). ProcessonO Acórdãon° Tal fato não foi concretizado, restando ao referido espaço atualmente a atividade de estacionamento de veículos; 16144.048*MSR*31/03/06 Com base no valor das supostas compras, entendeu o fisco em arbitrar o lucro supostamente auferido pela interessada; Foi autuada por ter apresentado declaração de tributos como inativa no ano calendário de 1997, e no entendimento do fisco, tendo adquirido nos anos de 1994 a 1997, inúmeros caminhões da marca SCANIA, via sistema de faturamento direto do fabricante e também pela não apresentação de seus livros e registros contábeis e fisca.is nomesmo período; É pessoa jurídica de direito privado concebida em 12/91, criada com a finalidade de participar em procedimento Iicitatório junto à Capitania dos Portos do EspíritoSanto, para exploração comercial de uma área no centro de Vitória/ES; DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada em 25/11/2002 (fls. 291,298, 302), apresenta a interessada em 23/12/2002 impugnação ao IRPJ (fls. 315/358) instruída com os documentos de fls. 359/638, bem como a impugnação ao PIS (fls. 641/684) e à CSLA (fls. 960/1004), com os mesmos argumentos expendidos na impugnação do IRPJ, alegando que: A aplicação da multa qualificada se deu em face da existência de dolo em relação à omissão de informações obrigatórias da parte da empresa para com o fisco, tanto no decorrer das investigações, quanto nos exercícios em que ocorreram as aquisições dos veículos, com a finalidade de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou a excluir ou modificar a suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ProcessonO : 11543.005339/2002-51 AcórdãonO : 103-22.342 ..- _ .._ ..~_.--_ ..--_._----~~, 17144.048*MSR*31/03/06 Entretanto a autuação em tela aponta a suposta aquisição por parte da interessada, de uma grande quantidade de caminhões da mar9,~ SCANIA no período de "foi vítima da utilização, sem a necessária autorização, de sua razão socialpela empresa VENAC VEíCULOS NACIONAIS l TOA., e seus prepostos, para a realização de negócios consubstanciados na compra e venda de veículos da merca SCANIA"; Como se verá adiante, em momento algum a interessada firmou qualquernegócio com a empresa SCANIA latin América Ltda., com relação a aquisição decaminhões dessa marca e nem a "posteriori" efetuou a revenda dos mesmos; Foi também aplicada multa de 150% sobre o crédito tributário apurado, bemcomo juros de mora, com percentual equivalente à Taxa Referencial do Sistema Especialde Liquidação e Custódia - SELlC; Face a condição de inativa em sua declaração de imposto de renda pessoa jurídica, o Auto de Infração em questão, é peça fiscal tendente a constituir supostocrédito tributário a favor da Fazenda Nacional; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ProcessonO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 Se não bastasse a insubsistência de meios para prosperar a tentativa da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário em questão, a multa aplicada é confiscatória, bem como corrigido por índices de atualização monetariamente inconstitucionais, motivo pelo qual a interessada impugna na totalidade o valor , apresentado como devido; "a interessada não tem legitimidade para figurar no pólo passivo da relaçãojurídica tributária que está lhe sendo imputada, com o que merece ser anulado o .. autode infração ora impugnado"; , I _. \ 18144.048*MSR*31/03/06 Entretanto no caso em tela onde os veículos foram faturados em nome da CRESUl, a Autoridade Fazendária entendeu que o lançamento de ofício do IRPJ e reflexos, fossem feitos contra a própria CRESUl (STEIN Investimentos e Participações Ltda.), ou seja, as Auditoras Fiscais tratam casos idênticos de forma diferenciada, em prejuízoda impugnante; O mesmo modus operandi utilizado pela empresa VENAC em relação à interessada, foi também adotado contra a empresa AlM Transportes Ltda., sendo que nessecaso a Polícia Federal reconheceu a verdadeira infratora, instaurado inquérito e indiciandoos sócios da empresa VENAC; Na realidade a interessada foi vítima da concessionária VENAC; Os inúmeros veículos faturados em nome de AlM Transportes Ltda., foram lançados na autuação do IRPJ e reflexos feita contra a VENAC, reconhecendo a Autoridade Fazendária que a VENAC era a real adquirente dos veículos; Tal fato, "restou incontroverso ao longo da instrução do processo administrativo nO11543.005339/2002-51 "; O que de fato ocorreu foi a utilização indevida por parte da VENAC VEíCULOS NACIONAl l TOA., da razão social da CRESUl EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES l TOA. nas indigitadas operações, sema devida autorização de sua parte; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ProcessonO : 11543.005339/2002-51 Acórdãon° : 103-22.342 1994 a 1997, apresentando como prova notas fiscais emitidas pela SCANIA DO BRASil LTDA; Não admite que lhe venha ser imputada a responsabilidade pela compra , ea revenda dos diversos caminhões aqui citados; É um contra senso se atribuir "as responsabilidades penal e tributária de ummesmo fato a duas pessoas diversas (cada uma com responsabilidade diversa da outra),tendo-se em vista que o agente, em ambos os ilícitos, no caso, só pode ser um"; 19144.048*MSR*31/03/06 No transcurso das argumentações serão demonstradas as inúmeras contradições, que por si só serão suficientes para que as autuantes reconheçam como verdadeiras as afirmações da autuada e o equivoco que se cqnsumará no caso de ser ( "foi solicitada junto à 1a Vara da Seção Judiciária de Vitória/ES a cópiado inteiro teor da referida ação penal, sendo que até o momento não obteve o deferimento de seu pedido, e face ao exposto requer desde logo prazo para juntadado mesmo, o que fará tão logo obtenha estas cópias"; Os Inquéritos citados acima foram concluídos, com o indiciamento dos proprietáriosda VENAC, o Sr. Lael Vieira Varella Filho e Luciano Ferreira Varella, sendo posteriormente remetido ao Ministério Público Federal, que ofereceu denúncia contra os sóciosda VENAC acima citados, tramitando a respectiva ação penal junto a 1a Vara da SeçãoJudiciária de Vitória/ES sob o nO2001.50.01.0045200; No início da ação fiscal, foi feito representação fiscal para que a Polícia Federalauxiliasse na produção de provas, surgindo o inquérito Policial n° 092/01, onde foramouvidas várias pessoas físicas e jurídicas e também o Inquérito Policial nO432/00; "se tanto a CRESUL como a ALM Transportes figuram no mesmo papel nas operações fraudulentas realizadas pela VENAC, tendo ambas sua razão social indevidamente utilizada para faturamento de veículos junto ao fabricante SCANIA, por quêapenas a impugnante foi responsabilizada e a ALM Transportes não? Porque no casoda ALM Transportes a responsabilidade foi (corretamente) atribuída à VENAC e, nocasoda impugnante, que é idêntico, a responsabilidade foi atribuída a ela própria?" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ProcessonO : 11543.005339/2002-51 AcórdãonO : 103-22.342 mantido o auto em questão, não restando, outra alternativa senão a da anulação; é o querequer a interessada; Como foram feitas as operações, não se fazia necessária a intervenção da interessada, pois qualquer pessoa física ou jurídica, querendo, poderia, adquirir qualquer coisa no nome de quem bem entendesse, sem que esta tivesse conhecimento da utilização indevida da sua razão social; 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MSR*31/03/06 Caso os bens fossem destinados para revenda, ficariam no seu estoque, equando se operassem as vendas seria indispensável a emissão das respectivas notas fiscais; Como já informado, a autuada nunca obteve talonários fiscais, e inexiste no processouma só nota fiscal de venda emitida pela autuada; Para que tal fato não ocorresse seria necessário a existência de exigências feitas ao comprador por parte do vendedor. A mera compra não significa, pelofato de não ter havido saída de recursos da interessada, o que se comprovaria com aquebra do seu sigilo bancário; Com base neste fato, os argumentos sustentados pelas autuantes, constantes no item 06 do Termo de Constatação Fiscal, questionando a inatividade da autuadano período de 1997 a 1997, por existirem aquisições de veículos em seu nome, tornam-se descabidas, bem como o fato dos veículos supostamente adquiridos, não teremsido incorporados ao ativo da empresa, por terem sido transferidos para terceiros; Nunca foi requerido pela autuada junto à Secretaria de Fazenda do Estadodo Espírito Santo/Es, autorização para a impressão de documentos fiscais, como faz prova a certidão emitida pela Agencia da Fazenda Estadual de Vila Velha, seu domicíliofiscal; ProcessonO AcórdãonO 21144.048*MSR*31/03/06 Caso fosse respondido seria possível identificar quem foi o responsável pelos depósitos efetuados na conta corrente nO 00624-6, a, encia 0910, mantida no "o Termo de Intimação n° 03 enviado pela SRF à SCANIA DO BRASIL LTOA., às fls. 84 do processo administrativo, em anexo, simplesmente não foi respondido"; Outro indício de que a razão social da autuada foi utilizada indevidamente é o fato de no campo inscrição estadual das notas fiscais emitidas constaro nO32200528722 que é o número da inscrição na Junta Comercial do Estado doEspírito Santo, sendo que o número da inscrição estadual é o 081.514.97-2; As operações de compra pura e simplesmente nada provam, e menos aindaa entrada de recursos em seu patrimônio, decorrente das supostas vendas. Isto porquenunca restou provado a entrada de recursos no patrimônio da autuada, muito pelo contrário, pois todos os cheques trazidos aos autos sem exceção foram depositados em conta de titularidade da VENAC a de laranjas por ela constituídos; Desse modo, os caminhões supostamente adquiridos pela interessada nãoforam registrados no seu estoque e tampouco no seu ativo permanente, tornando claroque os mesmos não foram adquiridos pela autuada, mas sim, por terceiros com o usoindevido de sua razão social; A inexistência de registros no DETRAN dos veículos adquiridos pela fiscalizada, indica o não ingresso no ativo imobilizado da autuada e reforça o argumento deque não autorizou ninguém a adquirir caminhões em seu nome; Caso fosse para uso próprio e incorporado ao ativo permanente imobilizado, igualmente seria necessária a emissão de nota fiscal para a sua venda, sendosomente utilizado um modelo de nota fiscal diferente; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ProcessonO : 11543.005339/2002-51 AcórdãonO : 103-22.342 Houveram contradições da VENAC nas declarações prestadas às fls. 91, tentando colocar a culpa no Sr. Ubirajara que já é falecido; Banco Itaú, de titularidade da empresa SCANIA, que correspondem aos pagamentos efetuadospelos verdadeiros adquirentes dos caminhões; 22144.048*MSR*31/03/06 Os clientes que adquiriram os caminhões supostamente da CRESUL, nuncamantiveram um contato sequer com qualquer representante da mesma, somente comprepostos da empresa VENAC, ficando assim evidente que o nome da interessada '\ foi usado indevidamente; , A justificativa da inexistência de documentos por parte da VENAC das ditas operações, também foi amparada nas argumentações de que os negócios aconteciam pessoalmente e algumas vezes por telefone; A VENAC afirma que os contatos eram mantidos com a interessada através de telefone ou com o seu titular, porém não comprova a citadas ligações telefônicas e as autuantes nada fizeram para comprovar tal situação; Os esclarecimentos prestados pela SCANIA levam à constatação de que a relação dos veículos faturados à empresa VENAC em comparação com as supostas compras realizadas pela autuada que representam em torno de 50%, percentual este demasiado alto, dando a impressão de que a quase totalidade das vendasefetuadas pela VENAC dependiam da autuada; Registre-se que até o final dos procedimentos esta intimação não foi atendidae, em face disso a autuada está sendo penalizada, fato que não ocorreria caso asautuantes dispusessem de tais informações; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA ProcessonO : 11543.005339/2002-51 AcórdãonO : 103-22.342 "O contrato de leasing carreado aos autos do processo administrativo, misteriosamente pula da fI. 01 para a fI. 03, ou seja, a fi. 02 "sumiu"; 23144.048*MSR*31/03/06 Os esclarecimentos prestados pelo JES Transportes Ltda. e pela TRANSFINAL Ltda., demonstram o "modus operandi" da em esa VENAC;('. O cheque que foi objeto do pagamento do caminhão adquirido pela empresaTRANSCAMPO foi endossado à empresa VENAC; Nos esclarecimentos prestados pela empresa TRANSCAMPO a SRF, em momento algum é citado ó nome do Sr. Ubirajara nem tampouco o da CRESUL, demonstrando que os veículos eram na verdade, adquiridos e comercializados pela empresaVENAC; As declarações feitas a termo pelo Sr. Francisco Fernando Marques, gerente de vendas da empresa VENAC, às fls. 113/114 do processo administrativo nO 11543.005338/200-15, são completamente antagônicas às prestadas nos autos do inquérito policial às fls. 235; Embora a VENAC alegue não dispor de informações de como eram feitas as transações dos veículos comprados pela CRESUL, nas folhas dos autos e no Termo de Constatação Fiscal, várias foram as operações registradas de leasing com caminhões supostamente de propriedade da autuada e intermediado pela própria VENAC. Embora a VENAC afirme não se preocupar com o objetivo social dos seus clientes, em razão do número de caminhões comercializados em nome da CRESUL, que no caso é uma parcela significativa dentro do faturamento direto só é permitida aos que chamam de "frotistas", ou seja, pessoas que façam jus a tais condições, para o que devem demonstrar através de seus atos constitutivos; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 Pelo fato de nunca ter negociado com terceiros os caminhões em questão, não dispõe de elementos concretos para apuração do seu lucro tributável; Existe a necessidade de ampla produção de provas no contencioso administrativo, principalmente para que possa a interessada demonstrar a legitimidade deseu procedimento; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 Se a empresa não auferiu nenhum lucro, não tem legitimidade para figurar no pólo passivo nem pode ser responsabilizada pelo pagamento de tributo algum, devendo assim ser afastado o arbitramento de lucro com base em supostas compras, devendo ser o Auto de Infração em questão de ser anulado; Assim, em conformidade com o artigo 16, inciso IV, do Decreto nO 70.235/72, com alteração pela Lei nO8.748/1993, vem requerer a produção de prova pericial, além, de diligências imprescindíveis ao deslinde da questão, uma vez que várias indagações restaram sem respostas; Face às evidências demonstradas, deve ser considerado que a interessada não negociou caminhão algum para terceiros utilizando-se da VENAC, comoafirmam as autuantes, e que na realidade teve seu nome utilizado indevidamente pelaconcessionária da marca SCANIA; Processo nO Acórdão nO Para ajudar no esclarecimento dos fatos, elabora os quesitos de 01 a 17,às fls. 336/338, a serem respondidos por perito técnico; 24144.048*MSR*31/03/06 Requer que sejam trazidos aos autos, via diligência, copias dos microfilmes, frente e verso, referentes aos cheques depositados na conta nO00624-6, agencia 0910, Banco Itaú, referentes aos recebimentos, pela Sca ia do Brasil, de todos constitucional; referencial do 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MSR*31/03/06 A lei federal em questão faz mera Sistema Especial de Liquidação e Custódia; A taxa SELlC tem previsão em lei, mas especificamente na Lei Federal nO9.065/95, mais precisamente no artigo 13°; O artigo 161,9 1° do Código Tributário Nacional regula a estipulação de juros,caso a lei não o faça, em 1% (um por cento) ao mês; O princípio do não confisco está previsto no inciso IV, art. 150, da carta Deve ser observado o flagrante inconstitucionalidade da multa aplicada, umavez que o percentual de 150% revela-se confiscatório; Requer seja intimada a SCANIA DO BRASIL LTDA., para fornecer tais documentos e, caso assim não proceda, que seja intimado o Banco ITAÚ para que assimo faça; Tal diligência é de capital importância, uma vez que ficará demonstrado efetivamente quem efetuou o pagamento pelos veículos faturados indevidamente em nome da interessada, que é quem deve ser responsabilizado pela irregularidade em os veículos supostamente vendidos à CRESUL, como solicitado anteriormente pela fiscalização às fls. 84 dos autos; Entretanto a previsão normativa é nitidamente insuficiente para atender I ao disposto no art. 161, 9 1°; do CTN, bem como aos princípios constitucionais da legalidade e da estrita legalidade tributária; Sendo assim, é impossível adotar a referida "taxa" de juros, razão pela qualdeve ser desconsiderada para fins de cálculo do crédito tributário constituído pela autoridadeadministrativa; 26 A referida taxa, não foi instituída propriamente por lei; Na verdade foi criada por instrumentos normativos infralegais; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103.;22.342 144.048*MSR*31/03/06 Em face a todo exposto, requer o acolhimento da impugnação em causa julgando improcedente o Auto de Infração contestado e conseqüentemente, que seja desconstituído o respectivo crédito tributário em tela e caso assim não for entendido, queao menos seja excluída a multa de 150%, claramente confiscatória, sendo aplicada umamais branda e que seja excluída a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa SELlC,por sua manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade. "Não há, no ordenamento jurídico brasileiro, lei instituindo a taxa SELlC. Os instrumentos legais apenas tomaram e tomam índice remuneratório cuja criação e definiçãoencontram-se em veículos infralegais;" A meta da Taxa SELlC é cobrir a defasagem da moeda ocasionada pela inflação e remunerar os investidores, refletindo a Iiquidez dos recursos financeiros do mercado; Em 15 de junho de 1986 foi emitida pelo Conselho Monetário Nacional Resolução nO1.124, que criou o índice, que cuidava do rendimento definido pela média ajustada dos financiamentos apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, calculado pelo valor nominal e pago no resgate do título; Processo nO Acórdão nO ! . I I Registre-se, por oportuno, o processo nO 11543.005338/2002-15, em anexo, que trata da Representação Fiscal para fins Penais. 27 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1996, 31/05/1996, 30106/1996, 3110711996, 31/08/1996, 30109/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/03/1997 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE - Foge à competência da autoridade administrativa a discussão sobre inconstitucionalidade de normas legais. Ementa: NULIDADE - Incabível a alegação de nulidade para procedimento formalizado nos moldes da legislação em vigor. PEDIDO DE PERíCIA - Rejeita-se os pedidos de perícia e diligência, em virtude do não cumprimento das normas que regem a matéria em questão. ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DAS COMPRAS - O arbitramento foi calculado com base nas notas ficais das compras de veículos, amparado pela legislação em vigor. MULTA AGRAVADA - Configurado o dolo em face de estar comprovado nos autos a utilização de interposta pessoa, cabí el é o agravamento da multa para 150%. ~ Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/1996, 31/05/1996, 30106/1996, 31/07/1996, 3110811996, 30109/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/03/1997 Ementa: ESCRITURAÇÃO NÃO APRESENTADA. Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao fisco, após reiteradas tentativas, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, comprobatórios do regime de tributação, conforme as regras do Lucro Real, comprovadamente, a mesma operava comercialmente, embora alegasse inatividade. "Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/1996, 31/05/1996, 30106/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30109/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/03/1997 144.04S*MSR*31/03/06 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, julgou o lançamento procedente, tendo ementado a sua Decisão na forma abaixo transcrita: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 Afirma que em razão dos fatos apurados no presente processo, foram instaurados os Inquéritos Policiais n° 092/01 e 432/00. Posteriormente, com a conclusão dos inquéritos, os sócios da VENAC VEíCULOS NACIONAIS LTDA. - Lael Vieira Varella Filho e Luciano Ferreira Varella - foram denunciados, pelo Ministério Público Irresignada apresentou Recurso Ordinário a este Conselho, onde aduz, emsíntese, a nulidade do auto de infração em razão indeferimento do pedido de perícia e de diligências os quais reputa essenciais ao deslinde dos fatos colocados em discussão. 28 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/1996 Ementa: Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/01/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996, 31/03/1997 Ementa: Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o Auto de Infração lavrado por mera decorrência daquele. Lançamento Procedente." JUROS DE MORA. É ilegítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa SELlC, nos termos do art. 84, I, da Lei nO8.981/1995, alterado pela Lei nO9.065/1995, pois não representa ofensa ao disposto no ~ 1° do art. 161 do CTN. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MSR*31/03/06 No mérito, repete as razões alocadas em sua impugnação, ou seja, nega que a empresa tenha firmado qualquer negócio com a empresa SCANIA LATIN AMÉRICA LTDA., afirmando que a recorrente foi vítima da utilização indevida de seu nomepela VENAC VEíCULOS NACIONAIS LTDA., nos mesmos moldes que a empresa ALMTransportes Ltda .. Processon° Acórdão n° -.ipa, 29 É o relatório. f MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 144.048*MSR*31/03/06 Contesta, ainda, a aplicação da multa de agravada de 150%, dizendo ser ela confiscatória e ilegal e, por derradeiro, contesta a aplicação da taxa Selic, afirmando ser ela inconstitucional. Traz à baila uma série de "evidências e contradições" extraídas de depoimentos prestados por pessoas ligadas às operações negociais em análise, pretendendo com isso que se cancele o lançamento guerreado. Federal de Vitória e que a respectiva ação penal, tramita na 1a Vara da Sessão Judiciária de Vitória sob o nO2001.50.01.0045200. Processo nO Acórdão n° Processo n° Acórdão n° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11543.005339/2002-51 : 103-22.342 VOTO Conselheiro ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE - Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições para a sua admissibilidade. Dele conheço. A recorrente aduz preliminar de nulidade alegando que o indeferimento do pedido de diligência e de perícia estaria a macular o seu amplo direito de defesa. Todavia, do exame dos autos, não vislumbro tal mácula. Preliminarmente e da análise dos autos, entendo, assim como também entendeu a autoridade lia quo", que o processo contém elementos suficientes para o seu julgamento, independentemente do acréscimo de perícia ou diligência adicional, como requerido. t' Destarte, o juízo sobre a necessidade ou não da perícia e/ou' da diligência, a teor do que dispõe o artigo 18, do Decreto 70.235/72, e suas alterações, cabe à autoridade julgadora, quando entendê-Ias necessárias. No caso, a autoridade recorrida entendeu que as mesmas eram desnecessárias, tendo fundamentado adequadamente a sua decisão. 30144.048*MSR*31/03/06 Agrego aos fundamentos da Decisão recorrida, ainda, que não vislumbro, para a análise e deslinde de fatos meramente fiscais, que são objeto e a finalidade do processo e para o presente julgamento, a necessidade de se diligenciar para se conhecer quem pagou pelos veículos - como pleiteado pela recorrente - uma vez que restou comprovado pelo fisco que os veículos foram faturados em nome da ora recorrente - fato que isoladamente, e, repita-se, feitos fiscais, comprova a , \.; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 aquisição e inverte o ônus da prova para o sujeito passivo, que a seu turno não logrou comprovar que não adquiriu os referidos veículos. Assim, rejeito a preliminar argüida. Mérito Após exaustivo trabalho de investigação, restou comprovado que a recorrente mantinha atividades desde 1994, e, diante dos fatos apurados, o seu o Lucro foi arbitrado, nos anos de 1996 e 1997. Tendo em vista a impossibilidade de se conhecer a receita bruta da empresa, que não mantinha escrituração contábil e fiscal, o referido arbitramento teve por base o valor das compras conhecidas, realizadas nos meses de janeiro, maio, junho a dezembro, do ano calendário de 1996 e no mês de janeiro de 1997, conforme as planilhas de fls. 75 a 82 do volume I e documentos de fls 02 a 66, do anexo I, nos exatos termos do que está disposto no inciso V, do artigo 51, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, pelo que está correto o arbitramento levado a efeito. Do ponto de vista fático a recorrente tenta eximir-se da tributação, mediante alegações, não comprovadas, do seu sócio - Sr, José Carlos Stein, CPF n° 817.964.127-91 - que informa desconhecer as operações realizadas e que a empresa, desde a sua concepção, da estava voltada para a participação em procedimento licitatório junto à Capitania dos Portos do Estado do Espírito Santo, objetivando a exploração econômica, de área localizada no centro da Capital e que as atividades da empresa nunca foram voltadas para a aquisição e comercialização de veículos, assim como jamais manteve qualquer relacionamento comercial com a empresa Scania do Brasil. No mesmo sentido, afirma que a empresa foi vítima da utilização (, indevida de sua razão social pela Venac Veiculos Nacionais~\~a. e seus prepostos e 144.048'MSW31103J06 31 ~. f I I I: I I f 1 i t i ~ 1 i•1 .i I. t J "1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 que as operações de compra não nada provam. Todavia, repito, entendo que restou comprovado pelo fisco que a, ora recorrente, de fato adquiriu caminhões da fábrica SCANIA, utilizando o sistema de faturamento direto ao cliente. Tal fato é inconteste, dado a presença de notas fiscais atestando as referidas compras. Restou caracterizado, ainda que, nada obstante o grande volume das compras, realizadas nos anos de 1994, 1995, 1996 e 1997, e o total das vendas levantado pelo somatório das notas fiscais, de fls 02 a 139 do anexo I, que a recorrente apresentou somente, para o ano calendário de 1997, declaração do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ e, assim mesmo, como inativa. A recorrente, em seu recurso voluntário, não agregou nenhum fato novo que pudesse alterar a realidade factual, apurada pelo fisco, ou seja, de que restou comprovado, mediante a juntada de notas fiscais de compra, dando conta que a empresa STEIN, adquiriu uma série de veículos da marca SCANIA. Ademais, está demonstrado que os referidos veículos foram, posteriormente, vendidos e que a empresa, não apontou nenhuma movimentação em seus registros contábeis e fiscais a registrar tais operações. Assim, como a recorrente ficou no campo das especulações, não tendo logrado desconstituir as fortes provas de que de fato praticou a compra e venda de veículos e operou com a empresa, em período em que afirmava estar inoperante, não há que dar azo a qualquer modificação no lançamento guerreado. 32144.048*MS R*31 /03/06 A multa agravada, a seu turno, tem previsão legal no artigo 44, da Lei 9.430/96, não é confiscatória e nada tem de inconstitucional, devendo ser mantida, uma vez que o conjunto dos fatos e dos indícios denotam, a toda evidência, que a empresa agiu com o intuito de fraude, ao deliberadamente comprar e vender grande quantidade de veículos, por meio de interpostas pessoas e sem que houvesse qualquer anotação das operações em seus assentamentos contábeis e fiscais. ] 33 ~., 22 de março de ~006 OSA JAGUARIBEALEXANDRE B Sala de Sessões - 144.048*MSR*31/03/06 CONCLUSÃO A solução dada ao IRPJ aplica-se aos demais tributos, em razão da decorrência dos fundamentos. Diante de tudo quanto foi exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, negar provimento ao recurso. Releva observar que a incidência de juros moratórios sobre os valores de tributos não pagos no respectivo vencimento é uma imposição da lei tributária como forma, entre outras razões, de compensar a Fazenda Pública pela demora em receber os tributos, bem assim de dar efetividade ao princípio da isonomia tributária para equilibrar a relação Fisco-contribuinte entre os sujeitos passivo da relação jurídico- tributária que cumprem fielmente as suas obrigações e aqueles que somente o fazem a posteriori e, muito mais, quando em decorrência de lançamento de ofício. Taxa Selic Não há como se dar abrigo às alegações da recorrente com referência à aplicação dos juros SELlC, tendo em vista que a respectiva inclusão dos mesmos no cálculo do crédito tributário lançado decorreu da aplicação de expressa disposição de lei. MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 11543.005339/2002-51 Acórdão nO : 103-22.342 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033
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