Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,892)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,143)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,303)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,526)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14033.000449/2007-80
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Questões fáticas e jurídicas surgidas em diligência destinada à formação da convicção do julgador, em sede de recurso, quando determinantes da decisão proferida, devem ser apreciadas pela instância recorrida, sob pena de se configurar o cerceamento do direito de defesa.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUPERAÇÃO.
Superado o argumento que fundamentou a decisão da primeira instância, deve ela ser afastada para que outra seja proferida com exame das demais questões de fato e de direito suscitadas pelo órgão preparador do processo, na realização de diligência.
Numero da decisão: 3402-002.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Questões fáticas e jurídicas surgidas em diligência destinada à formação da convicção do julgador, em sede de recurso, quando determinantes da decisão proferida, devem ser apreciadas pela instância recorrida, sob pena de se configurar o cerceamento do direito de defesa. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUPERAÇÃO. Superado o argumento que fundamentou a decisão da primeira instância, deve ela ser afastada para que outra seja proferida com exame das demais questões de fato e de direito suscitadas pelo órgão preparador do processo, na realização de diligência.
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14033.000449/2007-80
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5310426
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.236
nome_arquivo_s : Decisao_14033000449200780.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14033000449200780_5310426.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-Substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5194977
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608111837184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 705 1 704 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000449/200780 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.236 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Recorrente INFRAERO Recorrida DRJ em BRASÍLIADF ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Questões fáticas e jurídicas surgidas em diligência destinada à formação da convicção do julgador, em sede de recurso, quando determinantes da decisão proferida, devem ser apreciadas pela instância recorrida, sob pena de se configurar o cerceamento do direito de defesa. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUPERAÇÃO. Superado o argumento que fundamentou a decisão da primeira instância, deve ela ser afastada para que outra seja proferida com exame das demais questões de fato e de direito suscitadas pelo órgão preparador do processo, na realização de diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho – PresidenteSubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 04 49 /2 00 7- 80 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitidas em 15 de fevereiro de 2006 para declarar a compensação de débito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de janeiro de 2006 com crédito dessa mesma contribuição decorrente de pagamento efetuado em valor maior que o devido no período de apuração de março de 2004. A compensação não foi homologada, pois parte do pagamento de que decorreria o crédito pleiteado estaria alocado ao débito de Cofins de março de 2004 e o saldo restante fora objeto de compensação tratada no processo administrativo nº 14033.000327/2007 21. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em BrasíliaDF (DRF/BSA), após informação da unidade preparadora destes autos sobre a retificação de PER/DCOMP e de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), manteve a nãohomologação da compensação. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário para alegar, em síntese, que retificou a DCTF do 2º trimestre de 2004 para corrigir o valor da Cofins retida por órgão público do período de abril de 2004 e, em 06 de setembro de 2005, enviou PER/DCOMP retificadora, pois o valor do pagamento de março de 2004, alocado para o débito de abril de 2004, passou de R$ 1.417.845,85 (um milhão, quatrocentos e dezessete mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e oitenta e cinco centavos) para R$ 1.293.002,24 (um milhão, duzentos e noventa e tres mil, dois reais e vinte e quatro centavos). A recorrente esclareceu que a DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2004 foi retificada por meio da DCTF retificadora recibo n° 41.58.64.33.3220, enviada em 12 de fevereiro de 2008. Assim, do pagamento do período de março de 2004, no valor de R$ 6.700.000,00 (seis milhões e setecentos mil reais), somente R$ 5.282.154,15 (cinco milhões, duzentos e oitenta e dois mil, cento e cinqüenta e quatro reais e quinze centavos) foram alocados para pagamento do débito relativo ao período de março de 2003, restando assim o crédito de R$ 1.417.845,85 (um milhão, quatrocentos e dezessete mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e oitenta e cinco centavos), do qual parte foi alocado para pagamento de débito do período de abril de 2004 (R$ 1293.002,24 (um milhão, duzentos e noventa e tiles mil, dois reais e vinte e quatro centavos)) e parte foi alocado para pagamento de débito do período de janeiro de 2006, no valor de R$ 137.645,61 (cento e trinta e sete mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e sessenta e um centavos), que, atualizado, corresponde ao crédito de R$ 179.242,61 (cento e setenta e nove mil, duzentos e quarenta e dois reais e sessenta e um centavos), consoante PER/DCOMP n° 02370.80939.150206.1.3.04/0482, enviada em 15 de fevereiro de 2006. Na peça recursal, a contribuinte argumentou que: I ao regulamentar o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por meio da IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a própria Secretaria da Receita Federal (SRF) tratou de distinguir a compensação entre tributos da mesma espécie da compensação entre Fl. 706DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 14033.000449/200780 Acórdão n.º 3402002.236 S3C4T2 Fl. 706 3 tributos de espécie distinta, para dispensar a primeira de requerimento à autoridade administrativa; III – antes da IN SRF nº 460, de 2004, a IN SRF nº 210, de 2002, inexistia esclarecimento sobre o procedimento a ser adotado para a compensação entre tributos de mesma espécie; IV – a DCOMP poderia ser enviada até o prazo previsto no art. 5º da IN SRF nº 255, de 2002; V – a DCOMP formulada pela recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 74, § 12, da Lei nº 9.430, de 1996, não podendo, por isso, a compensação feita ser invalidada sem que se incorra em ofensa ao princípio da legalidade; Ao final, solicitou a recorrente a reforma da decisão recorrida para que seja homologada a compensação declarada. Na sessão de 08 de dezembro de 2010, este colegiado resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que fosse verificada a existência do indébito diante da correta apuração dos tributos. Realizada a diligência, a unidade preparadora destes autos informou que era válida a redução do débito da Cofins apurado em abril de 2004; contudo, o pagamento em valor maior que o devido dessa contribuição apurada março de 2004 não seria suficiente para compensar totalmente o débito da Cofins de abril de 2004, não restando desse pagamento nenhum saldo passível de compensação. No relatório de diligência, afirmouse também que a diferença entre o valor do débito da Cofins de abril de 2004 apurado pela contribuinte e o valor desse mesmo débito apurado pelo fisco devese ao fato de que a contribuinte não atualizara o débito de acordo com a legislação em vigor. Sobre essa diligência, a contribuinte manifestouse para alegar, em apertada síntese, que: I – apesar da solicitação da diligência determinada por este colegiado, a recorrente foi intimada apenas a apresentar livro Razão e e comprovantes de retenção, não tendo sido aberto prazo para manifestação sobre o indébito, por isso, antes da remessa do processo ao CARF, é necessário emitir novo relatório para apreciar as questões debatidas nesta manifestação, sob pena de insubordinação administrativa e transgressão ao princípio constitucional do devido processo legal; II – o argumento de que o débito da Cofins de abril de 2004 não fora atualizado conforme a legislação de regência não foi suscitado sequer subsidiariamente e, não tendo sido apreciado tal argumento na primeira instância, não se pode incidir sobre ela o efeito devolutivo do recurso voluntário, o que obstaculiza sua apreciação pelo CARF; III – a nãoarguição dessa matéria pela DRJ/BSA implica a preclusão consumativa e, portanto, é imperiosa a admissão da compensação ora pleiteada; e Fl. 707DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 IV – eventual discussão desse argumento, em sede de recurso voluntário, geraria nulidade processual por supressão de instância, tendo em vista o claro prejuízo à ampla defesa da recorrente. A recorrente aliou também argumentos jurídicos para defender que a compensação processase automaticamente pela simples ocorrência de débitos recíprocos e, por isso, a DCOMP seria mera comunicação de compensação já existente e, conseqüentemente, não haveria fundamento legal para impor à Infraero obrigações moratórias. Ao final, a contribuinte solicitou: 1) a apreciação dos argumentos trazidos na diligência, antes da remessa para julgamento do recurso voluntário; 2) o reconhecimento da inexistência do efeito devolutivo e da ocorrência da preclusão consumativa quanto à suscitada atualização do débito; 3) a admissão da compensação declarada; ou 4) a remessa dos autos à Diort para decisão, para que a matéria inovada possa ser debatida desde a primeira instância. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Preliminarmente, sobre a preclusão consumativa, registrese que a manifestação da fiscalização decorreu da solicitação feita por este colegiado para apuração do débito em conformidade com a escrituração contábil da contribuinte e verificação de eventual indébito passível de repetição ou de compensação. Diligências e perícias estão previstas no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993. Assim, não se pode dizer que precluiu a faculdade de a fiscalização se manifestar sobre a compensação em questão, pois essa manifestação foi solicitada para a formação da convicção do julgador e a recorrente foi cientificada dessa manifestação fiscal e apresentou suas contestações ao feito. Contudo, cumpre reconhecer, à vista do relatório da diligência, que, em sede de recurso voluntário, o suporte fático para a nãohomologação da compensação pleiteada deixa de ser o aproveitamento integral do pagamento em outras compensações e passa a ser a insuficiência do crédito para a satisfação do débito, visto que esTe não fora atualizado de acordo com a legislação de regência. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 14033.000449/200780 Acórdão n.º 3402002.236 S3C4T2 Fl. 707 5 Não se pode dizer, porém, que seria nulo o despacho decisório proferido, pois, não tendo sido admitida a retificação da DCOMP, é certo que o crédito alegado foi integralmente aproveitado para compensar outros débitos da contribuinte e isso foi, para a DRF e para a DRJ, razão suficiente para decidir o pleito. Ocorre que, se afastada a questão da retificação da DCOMP, tendo em vista a comprovação pela fiscalização, por meio da realização de diligência solicitada por eSte colegiado, a decisão sobre a homologação ou não da compensação aqui pretendida resultará do debate em torno das datas para atualização dos débitos e créditos cotejados para essa compensação. Sobre essa matéria, não se manifestou a DRJ, visto que, com efeito, é matéria que só foi suscitada na realização da diligência determinada por este colegiado. Assim sendo, assiste razão à ora recorrente quanto ao cerceamento do direito de defesa pela supressão de instância. Destarte, embora tanto a DRF quanto a DRJ possam fundamentar sua decisão apenas no fato de não se ter admitido a retificação da DCOMP para reduzir o débito da Cofins de abril de 2004, é necessário que a matéria atinente à atualização do débito da contribuinte seja apreciada para resguardar o pleno exercício do direito de defesa à interessada. Do ponto de vista processual, impõese, pois, que seja superada a decisão recorrida, afastandose o óbice da retificação da DCOMP não admitida, para que seja proferida nova decisão, à luz de novo despacho decisório que agregue todas as questões fáticas e de direito suscitadas no relatório de diligência elaborado em atenção à Resolução nº 340200.121, de 08 de dezembro de 2010, observado o rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para afastar o óbice à compensação tratada nestes autos, que consiste na não aceitação da retificação da DCOMP tratada no processo nº 14033.000327/200521, superandose, pois, a decisão recorrida para que outra seja proferida com exame das questões relativas à atualização monetária dos débitos e créditos objeto da compensação surgidas em decorrência de diligência solicitada por este colegiado. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 709DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001558/2005-75
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n. 18).
SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS.
Verifica-se a simulação quando a exteriorização dos atos praticados revela incoerência com os institutos de direito privado adotados e o contribuinte não vivencia as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas.
SIMULAÇÃO RELATIVA. EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO.
Caracterizada a simulação relativa devem ser considerados em sua plenitude os efeitos tributários dos atos que se pretendeu esconder e desconsiderados em sua plenitude os efeitos dos atos aparentes/simulados, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis ao contribuinte.
Numero da decisão: 2202-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física.
(assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente.
(Presidente em exercício assinando pelo Ilmo. Conselheiro Nelson Mallmann, Presidente da 2ª Turma Ordinária à época do julgamento)
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201006
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n. 18). SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS. Verifica-se a simulação quando a exteriorização dos atos praticados revela incoerência com os institutos de direito privado adotados e o contribuinte não vivencia as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas. SIMULAÇÃO RELATIVA. EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO. Caracterizada a simulação relativa devem ser considerados em sua plenitude os efeitos tributários dos atos que se pretendeu esconder e desconsiderados em sua plenitude os efeitos dos atos aparentes/simulados, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis ao contribuinte.
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11040.001558/2005-75
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298290
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-000.586
nome_arquivo_s : Decisao_11040001558200575.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Gustavo Lian Haddad
nome_arquivo_pdf_s : 11040001558200575_5298290.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente. (Presidente em exercício assinando pelo Ilmo. Conselheiro Nelson Mallmann, Presidente da 2ª Turma Ordinária à época do julgamento) (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator. EDITADO EM: 10/09/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
id : 5108888
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608121274368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 22 1 21 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.001558/200575 Recurso nº 166.519 Voluntário Acórdão nº 2202000.586 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria IRPF Recorrente LINS SPEROTTO FERRÃO (ESPÓLIO) Recorrida 4ª TURMA/DRJPORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF n. 18). SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS. Verificase a simulação quando a exteriorização dos atos praticados revela incoerência com os institutos de direito privado adotados e o contribuinte não vivencia as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas. SIMULAÇÃO RELATIVA. EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO. Caracterizada a simulação relativa devem ser considerados em sua plenitude os efeitos tributários dos atos que se pretendeu esconder e desconsiderados em sua plenitude os efeitos dos atos aparentes/simulados, sejam eles favoráveis ou desfavoráveis ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 15 58 /2 00 5- 75 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente. (Presidente em exercício assinando pelo Ilmo. Conselheiro Nelson Mallmann, Presidente da 2ª Turma Ordinária à época do julgamento) (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. EDITADO EM: 10/09/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 16/12/2005, o Auto de Infração de fls. 03/11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001 a 2005, anoscalendário 2000 a 2004, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$385.194,90, dos quais R$252.305,89 correspondem a imposto, R$25.230,57 a multa de ofício, e R$107.658,44, a juros de mora calculados até 30/11/2005. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 04/05), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: “001 – RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURIDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIRNTES DA REMUNERAÇÃO RECEBIDA PELO TRABALHO PRESTADO NA CONDIÇÃO DE SÓCIODIRETOR DE PJ Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, provenientes de remunerações recebidas pelo trabalho prestado na condição de sóciodiretor, conforme detalhado no relatório de ação fiscal (fls. 018/042), que é parte integrante do presente auto de infração. O contribuinte exerceu o cargo de diretor da empresa Lins Ferrão & Cia Ltda. além de ter sido sócio da empresa. Como remuneração do trabalho que exerceu na empresa o contribuinte havia recebido rendimentos tributados como “prolabore” até o dia 30.11.1998. a partir daquela data, juntamente com todos os demais diretores (e também sócios da empresa à época) o contribuinte constitui outra empresa, Pompéia Participações e Serviços Ltda., que foi contratada para prestar serviços de “assessoramento administrativo” e “gestão empresarial” para Lins Ferrão & Cia Fl. 818DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 23 3 Ltda. A Pompéia Participações nunca teve quaisquer empregados e possui exatamente os mesmos sócios da Lins Ferrão & Cia. Ltda., os quais teriam sido “indicados” para prestar serviços de gestão a esta. Ou seja, o contribuinte, e todos os demais sóciosdiretores, continuaram exercendo as mesmas atividades e os mesmos cargos na condição de “profissional indicado” pela empresa contratada. Por ter contratado outra empresa para “indicálo” para exercer cargo de diretor de sua própria empresa, o contribuinte passou a declarar os rendimentos até então tributáveis (“prolabore”) como rendimentos isentos (lucros distribuídos pela contratada). Na medida que os valores pagos ao contribuinte remuneram o seu trabalho pessoal na administração de sua empresa, na condição de sóciodiretor da mesma, estes são tributáveis pelo imposto de renda na pessoa física, ensejando o presente lançamento de ofício que contemplou os anoscalendário de 2000 a 2004, não atingidos pela decadência. A contratação de pessoa jurídica para prestar serviços de “gestão” e “assessoramento” não apresentou qualquer efeito real (as mesmas pessoas continuaram exercendo os mesmos cargos), revelando indícios de tratarse de ato simulado, pelo qual o contribuinte teria visado tão somente colocarse em situação que lhe seria fiscalmente mais favorável, consoante se depreende da ata de reunião de diretoria de 30.11.1998 (ver cópia à fls. 114). Os rendimentos auferidos estão demonstrados em parte nas planilhas entregues pela Lins Ferrão & Cia. Ltda. (fls. 225/229), que demonstram os valores pagos a cada diretor, incluindo o contribuinte, e no demonstrativo dos rendimentos tributáveis (folhas 043/044), que demonstra também a apuração dos valores atribuídos ao contribuinte. O contribuinte faleceu no ano de 2005. Por conseguinte, em observância ao preceituado pelo artigo 23, parágrafo 1º, do RIR/99, está sendo aplicada a multa de 10% prevista no artigo 964, inciso I, alínea “b” do RIR/99. Ainda em virtude do falecimento, o lançamento de oficio é efetuado no espólio, consoante determina o artigo 23, inciso II e parágrafo 1º, do RIR/99, e o artigo 131, inciso III, da Lei nº 5.172/66 (CTN).” Cientificada do Auto de Infração em 17/12/2005 (AR de fls. 826), a contribuinte apresentou, em 13/01/2006, a impugnação de fls. 847/883, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “ a Lojas Pompéia configura o que se poderia qualificar, hoje, como uma tradicional “empresa familiar” no comércio varejista, ou seja, uma sociedade criada e mantida, maioritariamente, por membros de uma mesma família e cujo capital e controle permanecem, de forma significativa, nas mãos deste mesmo grupo unido por laços de parentesco; Fl. 819DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 promoveuse, assim, a sensata separação entre os papéis de sócios e de gestores. O intermédio de uma pessoa jurídica, no caso presente, facilita a fixação da remuneração pelo serviço prestado, sem a necessidade de deliberações acerca de prólabore; existia, portanto, legítimo interesse na constituição de uma personalidade jurídica integrada pelos sócios que originariamente desempenharam papéis de administradores na "Lojas Pompéia'", ligados por vínculos de parentesco e afinidade. Todos os membros da "Pompéia Participações" efetivamente prestaram serviços à "Lojas Pompéia", porém, não há que se confundir a constituição de sociedade entre prestadores de serviços com a prestação de serviços pessoais; não se desconhece a inovação de alguns autores na proposta de um conceito intermediário, o da “elusão tributária”, destinado a abarcar simulações envolvendo fraude à lei ou simulação através de negócios jurídicos aparentemente válidos, em oposição à noção de estrita "evasão", onde apenas compreenderseiam os descumprimentos frontais à legislação. Entretanto, não vislumbramos prejuízo prático na inserção das hipóteses deste chamado comportamento "elusivo" dentro de um conceito ampliado de evasão, mantendo, assim, correspondência com a majoritária tradição doutrinária e jurisprudencial; Evasão Fiscal, portanto, representa conduta ilícita do sujeito passivo da relação tributária que, de maneira direta ou indireta neste último caso, usando expedientes de fraude à lei, simulação ou dolo descumpre a legislação tributária. Já Elisão Fiscal constituirseia nas práticas que, sem contrastar com o ordenamento jurídico, permitiriam à contribuinte o alcance de uma economia tributária lícita, sujeitandoo – por meio de um planejamento prévio a um regime tributário mais favorável; no caso presente, equivocase a Receita Federal ao classificar como ilícitos atos que configuram, inequivocamente, caso de elisão fiscal e não de conduta evasiva. De forma alguma a constituição de sociedades destinadas à gestão da “Lojas Pompéia” pode ser tida como fictícia, simulada ou fraudulenta, visto que seus objetivos reais são estritamente correspondentes aos objetivos declarados, os serviços contratados são realmente prestados e, para tanto, nunca foi empregado qualquer tipo de recurso irregular ou que se pudesse configurar em fraude à lei. Apenas operouse a reengenharia – permitida pela legislação – da condução dos negócios, refletida na criação de uma nova sociedade gestora. Com isso, de maneira adequadamente planejada, alcançouse uma economia tributária desejada e não proibida pelo ordenamento jurídico; não se constata qualquer divergência entre a intenção declarada e a intenção real dos agentes – seja na constituição das sociedades gestoras, seja na contratação procedida com a “Lojas Pompéia”. Todo o procedimento foi claro e todos os atos efetivamente realizados. É inconteste que existiram as prestações dos serviços contratados. O suposto “negócio aparente” nunca escondeu qualquer espécie de “negócio subjacente”. O objeto da constituição das sociedades gestoras foi realizado. O objeto da Fl. 820DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 24 5 contratação entre a “Lojas Pompéia” e as sociedades gestoras – prestação de um serviço – também, de fato ocorreu; é importante recordar que a legislação não impede que pessoas físicas constituam sociedade com a finalidade de prestar serviços de gestão. Inexiste, tampouco, empecilho à contratação de pessoa jurídica para operar a gestão das “Lojas Pompéia”. Ausentase qualquer irregularidade de meios ou de fins. Não há que se confundir a personalidade jurídica de uma sociedade com a personalidade física de seus sócios integrantes, sendo este um equívoco primário na seara do Direito Privado; é absolutamente fantasiosa a tentativa de caracterizar simulação nas operações lícitas e escorreitas que o fisco questiona através da autuação fiscal, visto que o fato ocorrido foi uma reorganização, um planejamento societário que alterou a forma como determinado serviço era realizado, não cabendo falarse em descompasso de vontades; caso houvesse falha no recolhimento de parcela do IRPF do Sr. Cláudio José Ferrão, referente à percepção de valores característicos de prólabore, conforme argumentos utilizados no relatório da ação fiscal, em tal situação, indevida e ilegítima seria a cobrança do tributo, bem como a aplicação de multa diretamente sobre o “contribuinte”, vez que a responsabilidade pelo recolhimento do mencionado imposto é – por força de lei – da fonte pagadora, e não do beneficiário da renda; a partir da leitura conjugada das normas expostas, resta claro que a conclusão dos agentes é equivocada, visto que inexiste configuração de fraude e, portanto, tampouco de conluio no caso em exame. Para a caracterização de fraude – pela letra da lei – seriam necessários elementos específicos que não se encontram na autuação do falecido contribuinte ou mesmo das pessoas jurídicas envolvidas nos procedimentos ora examinados; Ao final, requer, em síntese: a) Seja reconhecida a regularidade dos procedimentos do falecido Contribuinte, no caso presente, inexistindo, de sua parte, simulação, fraude ou qualquer outra irregularidade tributária que o constituísse em falta para com a Receita Federal; b) Como conseqüência do reconhecimento acima mencionado, seja desconstituído o lançamento procedido pelo auto de infração lavrado em procedimento fiscal (MPF 1010200/00199/05), em face do Espólio de Lins Sperotto Ferrão; c) Caso não seja este entendimento do(s) Ilustre(s) Julgador(es), seja reconhecida a ilegitimidade passiva do Espólio de Lins Sperotto Ferrão para figurar na presente ação fiscal, vez que, o recolhimento do Imposto de Renda a que se refere é de responsabilidade da Fonte pagadora, Fl. 821DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 não constando, outrora, o falecido Contribuinte como parte de tal relação jurídicotributária; Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, trechos de obras de caráter doutrinário e ementas de decisões judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve.” A 4ª Turma da DRJ em Porto Alegre, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA A TÍTULO DE TRABALHO PRESTADO Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. SIMULAÇÃO. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente realização formal e o ato que se quer materializar oculto . Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestado publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. SIMULAÇÃO E RENDIMENTOS DE “PROLABORE” A realização de operações simuladas, com o objetivo de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens fiscais, não inibe a aplicação de preceitos específicos da legislação de regência, bastando que, pela finalidade do ato ou negócio, sejam obtidos rendimentos submetidos à incidência do imposto de renda da pessoa física, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 25 7 RESPONSABILIDADE DE FONTE PAGADORA Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.” Cientificado da decisão de primeira instância em 31/07/2006, conforme AR de fls. 917, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 24/08/2006, o recurso voluntário de fls. 915/957, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. Por meio do despacho de fls. 982/983 restou consignado que o bem oferecido para arrolamento em garantia pelo Recorrente, nos termos da legislação em vigor à época, não era de sua propriedade, razão pela qual foi negado seguimento ao recurso voluntário. Em 12/09/2006, foi lavrado o Termo de Perempção de fls. 984 e expedida a carta cobrança de fls. 986/988. Tendo em vista a ausência de pagamento o crédito tributário foi inscrito em dívida ativa (Processo Administrativo nº 11040.001558/200578). O Recorrente, no entanto, impetrou o mandado de segurança (Processo nº 2007.71.10.0002844) por meio do qual foi determinado o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o seguimento do recurso voluntário interposto (fls. 1015/1018vº). Cancelada a inscrição em dívida ativa (fls. 1021/1024) os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento do recurso voluntário (fls. 1025). É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente o Recorrente alega a ilegitimidade passiva do espólio tendo em vista a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora em reter eventual imposto de renda devido sobre o prolabore. Tratase de matéria conhecida e que já foi objeto da Súmula CARF nº 18, abaixo transcrita, que consagra entendimento (vinculante nos termos regimentais) contrário à tese defendida pelo Recorrente: Fl. 823DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 “Súmula nº 18: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Rejeito, assim, a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito o Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade dos procedimentos adotados, sustentando a inexistência de simulação que o constituísse em falta para com a Receita Federal. Antes de adentrar no exame e qualificação dos fatos que envolvem a controvérsia dos presentes autos permitome colocar em contexto minha visão acerca da aferição de simulação no caso concreto e de seu impacto no chamado planejamento tributário. Para tanto, reportome a trabalho de minha autoria, publicado na Revista do Advogado n. 94 (págs. 70 e seguintes), em que expus o seguinte: “Como premissa teórica é praticamente inconteste que o contribuinte tem o direito constitucionalmente pressuposto de estruturar sua vida e seus negócios com vistas a suportar o menor ônus tributário dentro dos quadrantes da lei. Também não se discute que o exercício desse direito sofre limites, que em última análise resultam na licitude ou não de sua conduta, ao menos quanto a seus efeitos fiscais. Quando lícita a conduta e oponível ao Fisco estáse diante do que se denomina elisão ou elisão fiscal. Quando ilícita a conduta fica caracterizada a evasão fiscal, resultante de fenômenos de diferentes tonalidades (erro de interpretação ou qualificação, simulação, fraude à lei, sonegação, fraude penal, etc.), embora aquele que costuma gerar maiores divergências na experiência prática seja o da simulação, que será enfrentado no presente voto. A distinção entre a elisão protegida pelo ordenamento e a evasão por ele repelida é tema extremante tormentoso, que tem ocupado lugar de destaque nos debates doutrinários e no julgamento de inúmeros casos por este Conselho de Recursos Administrativos Fiscais. Muitas vezes a partir das mesmas premissas teóricas e de circunstâncias fáticas muito assemelhadas temse alcançado resultados completamente díspares – ou se considera legítima a atuação do contribuinte por caracterizar elisão fiscal, mantendo se o tratamento fiscal menos oneroso, ou se considera sua conduta como ilícita, desconsiderandose seus efeitos e lançandose a diferença de imposto com a multa qualificada por evidente intuito de fraude, para alguns de inexorável aplicação sempre que caracterizada a simulação, gerando insegurança na atuação dos contribuintes e da administração fiscal. Tal discrepância se explica, em parte, pelo fato de que a qualificação dos atos como simulados (e portanto ilícitos) se faz a partir das circunstâncias de cada caso em concreto, não sendo possível, nessa matéria, considerações apriorísticas sobre um Fl. 824DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 26 9 outro tipo de negócio jurídico ou estrutura sem que sejam levadas em conta, na situação concreta, a efetiva realização do ato, suas causas e motivações. O que é preocupante, entretanto, é que por conta de um debate por demais centrado em dicotomias de base constitucional (por exemplo se nosso ordenamento admite uma norma “antielisão” ou se uma tal norma seria ofensiva ao princípio da estrita legalidade), não tem havido progresso significativo no sentido da sistematização dos requisitos substanciais (e não meramente formais) necessários à caracterização da elisão e da evasão (notadamente da simulação) no caso concreto. Nesse sentido, é mister que este Conselho, como órgão de julgamento dotado de quadros técnicos e de alguma forma orientador da conduta da administração e dos contribuintes, se esforce no sentido de procurar estabelecer parâmetros ou standards para a apreciação das questões relativas à elisão fiscal de modo a reduzir a níveis toleráveis o grau de subjetivismo que por certo sempre existirá no enfrentamento do tema. A experiência estrangeira no trato da elisão fiscal revela que o estabelecimento de referidos parâmetros, ao mesmo tempo em que não “engessa” a qualificação dos fatos na medida em que não define a priori se determinado tipo de negócio é legítimo ou não para fins fiscais, confere certa racionalização no exame dos casos futuros pelo órgão julgador, mesmo que seja para rever ou aprofundar determinado parâmetro anteriormente fixado pelo mesmo órgão. Foi assim que, por exemplo, a experiência das cortes inglesas cunhou a doutrina do “step transaction”, ou literalmente transações estruturadas em seqüência, que a partir das explicações de Marco Aurélio Greco foi mencionada no muito bem fundamento voto da I. Conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, veiculado no Acórdão n. 10420749 da antiga Quarta Câmara do Conselho de Contribuintes. Tal doutrina, construída inicialmente no final da década de setenta, já foi revista pelas cortes da Inglaterra em outras ocasiões, quando se tratou de flexibilizar ou enrijecer os parâmetros anteriormente fixados conforme o viés axiológico prevalente em determinado momento histórico, sem que sua estrutura conceitual básica fosse alterada. Feitas essas considerações, entendo que a atividade exercida pelo contribuinte no sentido de buscar o menor ônus tributário possível em sua vida e seus negócios é legítima e conduz à elisão fiscal quando preenchidos os seguintes requisitos. a) Anterioridade ao fato gerador. Os atos sejam praticados antes da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei; b) Licitude dos atos praticados. Os atos praticados sejam lícitos e possíveis e não vedados pelo ordenamento; e, Fl. 825DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 c) Não caracterização de simulação. Os atos praticados sejam reais e não sejam simulados. Como assevera com o tradicional brilhantismo Ricardo Mariz de Oliveira (in “Reflexos do Novo Código Civil no Direito Tributário”, Quartier Latin, p. 200), o terceiro requisito (não caracterização de simulação) é propositalmente redundante, já que está contido no segundo (licitude dos atos). De fato, a caracterização de simulação implica a ilicitude dos atos praticados, o que resulta no não preenchimento do segundo requisito. A ênfase à simulação, segregandoa em requisito apartado, decorre da circunstância de que experiência indica que na grande maioria dos casos (eu diria que em mais de 90% dos casos) é a sua verificação que conduz à evasão fiscal e à descaracterização dos efeitos fiscais mais vantajosos visados pelo contribuinte. Vislumbro, além da simulação, outras “patologias” do negócio jurídico que podem, se demonstradas pela fiscalização, conduzir à ilicitude do ato e à não oponibilidade de seus efeitos fiscais mais vantajosos. Refirome mais especificamente a duas figuras reguladas no Código Civil de 2002: a fraude a lei imperativa (art. 166, VI) e o abuso de direito (art. 187). Delas não tratarei no presente voto, eis que não aplicáveis ao caso, cabendo apenas referir que, como figuras reguladas pelo direito privado que são, sua caracterização pela fiscalização devese fazer nos quadrantes dessa regulação privatística, não cabendo confundilas com a “fraude à lei tributária” ou com o abuso do direito de estruturar as operações de maneira a sofrer a menor carga tributária possível, institutos quiçá existentes em outros ordenamentos (como no ordenamento espanhol, por exemplo) mas que a meu ver não podem ser importados feito modismos sem amparo no ordenamento pátrio. Exemplificando, a figura do abuso de direito pode restar caracterizada quando a fiscalização demonstra que o contribuinte se utiliza de determinado instituto de direito privado de maneira que, no âmbito do próprio direito privado, seja desproporcional, excessiva em relação às características daquele instituto. Aquelas figuras da experiência estrangeira a que me referi acima, como a teoria do propósito negocial construída inicialmente nos Estados Unidos e posteriormente refletida em outros países, voltaram à baila nas discussões causadas com o alvoroço provocado pela edição da Lei Complementar n. 104, de 2001, que pretendeu (a meu ver sem sucesso) estabelecer uma norma geral “antielisiva” (expressão que carrega consigo uma contradição em termos, já que resulta no combate ao que seria lícito), mas que ainda pende de regulação por lei ordinária para sua aplicação após a tentativa veiculada por meio da Medida Provisória n. 66, de 2002, que não foi convertida em lei. Estou convencido, entretanto, de tais figuras antielisivas não encontram, ao menos até o presente momento, guarida em nosso ordenamento, que continua repelindo apenas a evasão fiscal engendrada pela simulação e por outras patologias de menor Fl. 826DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 27 11 ocorrência, como a fraude civil, embora não se possa negar a influência da experiência estrangeira, especialmente daquela relacionada à teoria do propósito negocial, que cada vez mais tem influenciado os julgamentos deste Colegiado em matéria de simulação. Voltando à simulação, objeto de discussão nos presentes autos, é em sua caracterização que surgem as maiores divergências, embora muitas vezes elas não restem bem explicadas conceitualmente.” Passo a uma breve descrição dos atos praticados e atacados pela fiscalização sob a pecha de simulados, examinandoos em seguida à luz da concepção de simulação que adoto a partir do confronto com os respectivos elementos. Os atos praticados e a infração imputada ao Recorrente Passo à recapitulação dos atos relatados pela fiscalização, nos termos como sintetizados pela DRJ, comprovados a partir de documentação constante nos autos. “Em síntese, a autuação decorreu de ter a fiscalização constatado que o Sr. Lins Sperotto Ferrão recebeu rendimentos pela prestação pessoal de serviços, no exercício do cargo de Diretor Presidente e sócio da empresa Lins Ferrão & Cia Ltda. (Lojas Pompéia) nos anoscalendário de 2000 até 2004, os quais foram considerados pelo contribuinte como lucros distribuídos, isentos de tributação em suas declarações de ajuste nos respectivos anoscalendário. O fiscal autuante verificou, também, que a contratação de outra empresa para prestar serviços de “gestão” e “assessoramento” não apresentou qualquer efeito real (as mesmas pessoas continuaram exercendo os mesmos cargos), revelando indícios de tratarse de ato simulado, pelo qual o contribuinte falecido teria visado tão somente colocarse em situação que lhe seria tributariamente mais favorável. Para resumir a operação, aproveito para tanto, quando pertinente, trechos do Relatório da Ação Fiscal: “Conforme detalhado adiante, o presente lançamento de ofício trata da constatação de que o Sr. Lins Sperotto Ferrão recebeu rendimentos pela prestação pessoal de serviços, no exercício do cargo de Diretor Presidente e sócio da empresa Lins Ferrão & Cia Ltda. nos anoscalendário de 2000 até 2004, mas que tais rendimentos não foram tributados pelo imposto de renda da pessoa física, mas sim tributados por outras empresas. A partir de 01/12/1998 outras empresas foram contratadas para prestar serviços de “gestão empresarial” e “assessoramento administrativo” a Lins Ferrão & Cia Ltda., que, ao mesmo tempo, suspendeu o “pro labore” dos seus sóciosdiretores, por deliberação dos mesmos. (.....) Fl. 827DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 II AS EMPRESAS DO CONTRIBUINTE E OS SEUS SÓCIOS e EXSÓCIOS A – Lins Ferrão & Cia. Ltda. – CNPJ N° 87.345.021/0001 27 A empresa possui o nome fantasia de “Lojas Pompéia”, pelo qual doravante passa a ser denominada, e atua no comércio varejista de produtos têxteis, confecções, calçados, entre outros. Possui dezenas de filiais em várias cidades do Estado. A empresa opta pela tributação pelo regime do lucro real. Com efeito, os valores pagos ou creditados aos sócios diretores, quer sejam tratados como “pro labore” ou como serviços de gestão empresarial, foram integralmente considerados como despesas operacionais pela “Lojas Pompéia”, reduzindo o lucro líquido sobre o qual incidiram a contribuição social e o imposto de renda. (.....) Os diretores possuem relação familiar entre si. De acordo com o contrato social, apenas os sóciosdiretores Lins Sperotto Ferrão e Valdemar Sperotto Ferrão podem utilizar a firma social. Em 27/04/2005 foi registrada na Junta Comercial alteração contratual (de 12/02/2004) pela qual o contribuinte e os outros sóciosdiretores passaram a participar apenas de forma indireta do capital social da “Lojas Pompéia”, mediante subscrição de suas quotas em empresas “holdings”. Apenas o contribuinte e o sócio Valdemar S. Ferrão continuaram participando diretamente do capital social, além da sua participação indireta, via “holdings”. Fundamental destacar que a contribuinte e todos os demais diretores (exceto quanto ao sócio falecido em 2002) continuaram exercendo os respectivos cargos de diretores da “Lojas Pompéia” após a sua saída da sociedade, ou seja, são diretores mas não são sócios e nem tampouco empregados da empresa. B Pompéia Participações e Serviços Ltda. – CNPJ N° 03.066.951/000151 A empresa foi constituída no dia 30/11/1998, e tem por objeto a participação social em outras sociedades, administração de negócios e a gestão empresarial de outras sociedades, tendo optado pela tributação pelo regime do lucro presumido. A empresa, doravante denominada simplesmente de “Pompéia Participações”, é composta exatamente pelos mesmos sóciosdiretores da “Lojas Pompéia” relacionados na tabela anterior (alguns foram sócios até 27/04/2005). Da mesma forma que a empresa “Lojas Pompéia”, de acordo com o contrato social, apenas os sócios Lins Sperotto Ferrão e Valdemar Sperotto Ferrão podem utilizar a firma social. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 28 13 De acordo com a contabilidade da “Pompéia Participações”, a empresa não participa de outras empresas, e, de 01/01/2000 até 31/12/2001 sua única operação foi o faturamento dos serviços à “Lojas Pompéia”. Os registros contábeis efetuados pela empresa envolvem apenas o faturamento, a tributação do faturamento e o crédito dos valores restantes aos sócios, como antecipação de lucros. A certeza no lucro era tal que a empresa contabilizou a distribuição antecipada dos lucros junto com o faturamento, sem sequer aguardar a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, que ocorreu somente ao final de cada trimestre. Importante observar que esta empresa registrou distribuição antecipada de lucros na medida que não recebia os valores faturados, os quais foram, em grande parte, repassados diretamente aos seus sócios, que também eram sócios diretores da “Lojas Pompéia”, e o restante utilizado para quitar os tributos incidentes sobre o faturamento. C – Lifepart Ltda. CNPJ n° 02.614.992/000172 A empresa tem por objeto a participação em outras empresas, excetuadas as de responsabilidade solidária; aplicações em investimentos e empreendimentos, inclusive imobiliários; importação e exportação de artigos para vestuário, optando pela tributação pelo regime de lucro presumido. A empresa, doravante denominada simplesmente de “Lifepart”, é uma “holding” pois possui cotas da “Lojas Pompéia”, e é composta e administrada pelos seguintes sócios e respectivos cargos/funções. (.....) Todos são familiares, sendo que os três primeiros sócios também são, ou foram à época, sócios da “Lojas Pompéia” e da “Pompéia Participações”, e são os únicos que atuam na administração do negócio da família. Segundo consta do mesmo Relatório da Ação Fiscal, para que os rendimentos tributáveis nas pessoas físicas, decorrentes do “prolabore” que recebiam como dirigentes da Lojas Pompéia, tivessem o tratamento de rendimentos isentos, decorrentes de distribuição de lucros de uma nova empresa, o “de cujus” e seus sócios adotaram os seguintes procedimentos, in verbis: “1º Eliminação do “pro labore” na empresa tributada pelo lucro real Todos os então sócios e também diretores da “Lojas Pompéia” fizeram uma reunião de diretoria no dia 30/11/1998, conforme ata registrada na Junta Comercial Fl. 829DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 (folha 114), na qual decidiram reduzir o próprio “pro labore” pois, “in verbis”: “Tendo em vista que os altos encargos fiscais e previdenciários que oneram a remuneração dos diretores desta sociedade e considerando as alternativas legais oferecidas pelas leis tributárias, sobretudo aquelas que permitem a substituição do pro labore por distribuição de lucros isenta de tributos, recomendase a redução de referida rubrica, estabelecendose em R$ 2.905,00 (dois mil novecentos e cinco reais) mensais, que serão distribuídos de comum acordo entre os diretores.” 2º Criação de uma nova empresa, tributada pelo lucro presumido Todos os então sócios da “Lojas Pompéia” constituíram, no mesmo dia da reunião de diretoria em que todos participaram – 30/11/1998, a empresa “Pompéia Participações”, com objeto social de prestar serviços de gestão empresarial (folhas 305/309). 3º Contratação da nova empresa para prestar serviços de “gestão empresarial e assessoramento administrativo” para a empresa tributada pelo lucro real A empresa “Lojas Pompéia” contrata, no dia 02/12/1998, a nova empresa “Pompéia Participações”, para prestar serviços de gestão empresarial e assessoramento administrativo, a partir do dia anterior, 01/12/1998, por dois anos (folhas 295/296). O contrato foi assinado pelos sócios Lins Sperotto Ferrão, representando “Lojas Pompéia”, e Valdemar Sperotto Ferrão, representando “Pompéia Participações”. A “Pompéia Participações” passou a emitir mensalmente Notas Fiscais de Prestação de Serviços contra a “Lojas Pompéia”, referentes aos serviços de gestão empresarial e assessoramento administrativo. Em 2000, o contrato foi renovado até 2002, porém as Notas Fiscais de Prestação de Serviços continuaram sendo emitidas também no ano de 2003, além de uma nota emitida no ano de 2004, pela prestação de serviços que não tinham mais previsão contratual (folhas 355/361). A partir de 01/01/2004, os serviços passaram a ser prestados pelas “holdings” criadas pelos sócios, no caso do contribuinte, a empresa “Lifepart”, conforme contrato assinado em 17/09/2003, que passou a emitir mensalmente Notas Fiscais de Prestação de Serviços. Contudo, tais atividades não fariam parte de seu objeto social (folhas 310/316). Notase que o contribuinte, Sr. Sperotto Ferrão, assinou este contrato por ambas as partes (folhas 299/300), ou seja, assinou como “CONTRATADA” e também como Fl. 830DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 29 15 “CONTRATANTE”, conquanto seja representante das duas empresas. 4º Contratadas tributam receitas de prestação de serviços pelo lucro presumido enquanto que os valores são contabilizados como despesas da contratante As empresas contratadas que emitiram as Notas Fiscais, contabilizam tais receitas e tributam os valores com base no lucro presumido. A contratante, tributada pelo lucro real, registra como despesas operacionais os mesmos valores. 5º Contratadas contabilizam a distribuição de “Antecipação de lucros” aos sócios As empresas contratadas que emitiram as Notas Fiscais não possuem movimentação financeira, pois não receberam os valores. Assim, não registraram valores nas contas contábeis de “caixa” ou “bancos”. Os registros contábeis das “liquidações” das notas fiscais emitidas foram efetuados a crédito da conta de “Clientes” e a débito diretamente na conta “Antecipação de Lucros” aos sócios. Os valores distribuídos correspondem a quase totalidade das receitas, posto que as despesas verificadas basicamente são os tributos incidentes sobre a receita (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL – Lucro Presumido). O restante é lucro distribuído. IV – OS EFEITOS TRIBUTÁRIOS E PREVIDENCIÁRIOS Através dos procedimentos antes resumidos, os sócios pretenderam substituir a tributação pelo imposto de renda incidente sobre a remuneração do trabalho nas suas pessoas físicas (até 27,5% do total pago aos sócios), pela tributação menor aplicável às pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido (próxima de 10%), sem prejuízo do aproveitamento de despesas operacionais na redução do lucro real tributável na "Lojas Pompéia”. Além da tributação menor na pessoa jurídica, os sócios também pretenderam evitar o pagamento da contribuição previdenciária devida pela empresa pagadora ao Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, à razão de 20% do montante pago aos sóciosdiretores. E, a partir de abril de 2003, também foi evitada a contribuição previdenciária adicional, descontada dos beneficiários, no percentual de 11% sobre o montante pago.” (Grifos do original). A simulação no caso em exame Nunca foi tradição de nosso ordenamento a instituição de uma regulação tributária de simulação, permanecendo esta no âmbito do direito privado, embora com possibilidade de utilização na esfera fiscal. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 16 Estabelece o art. 167 do Código Civil de 2002 (reproduzido sem alterações o disposto no antigo art. 102 do Código Civil de 1916), vigente à época dos fatos examinados nos presentes autos, assim estabelecia: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1º. Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I –aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem se confere, ou transmitem; II –contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira; III –os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Todas as hipóteses no dispositivo conduzem a uma divergência entre a vontade real, efetiva, e a vontade declarada por quem pratica o ato. Nesse sentido, as hipóteses dos incisos I (declaração não verdadeira quanto à pessoa a quem se transmite o direito) e III (declaração não verdadeira quanto ao tempo da prática do ato) não deixam de estar contidas naquela mais genérica contida no inciso II, que sintetiza a formulação da simulação como o vício que inquina os atos que não sejam reais por conter declaração ou confissão, condição, ou cláusula não verdadeira. Tal declaração falsa pode ter por objetivo fingir uma realidade inexistente (simulação absoluta) ou fingir que não existe uma realidade efetivamente existente (simulação relativa ou dissimulação). E é precisamente neste ponto que residem as grandes divergências práticas de qualificação dos atos na esfera fiscal, muitas vezes envoltas em falsas dicotomias como aquela que trata da prevalência da forma sobre a substância ou viceversa. Em matéria fiscal parece haver três aspectos envolvidos na adequada caracterização dos atos simulados pela fiscalização e desconstituição de seus efeitos. Utilizarei referidos elementos como baliza para o exame dos atos envolvidos na presente autuação. a) Substância dos atos. Deve haver demonstração de que os atos praticados sejam substancialmente irreais, não verdadeiros. b) Nexo de causalidade. Deve haver demonstração do nexo de causalidade entre o intuito simulatório e o resultado fiscal mais vantajoso por ele visado. c) Efeitos da desconsideração. Como resultado da caracterização da simulação devese desconsiderar o efeito tributário da realidade inexistente que ela pretendeu criar (no caso da simulação absoluta) ou devese considerar os efeitos tributários dos atos a simulação pretendeu esconder (no caso da simulação relativa, a mais comumente verificada e de que se cuida nos presentes autos). O aspecto relativo à substância dos atos praticados é o que envolve maior carga de subjetivismo, já que tem relação direta com a aferição da existência de uma declaração não verdadeira ou de uma divergência entre a vontade real e a declarada. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 30 17 Como não há forma de adentrar à psique de quem praticou os atos para aferir com exatidão a existência de tal divergência, mister se faz examinar a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as conseqüências e ônus, de toda sorte (jurídico, fiscais, operacionais, negociais, etc.) da forma jurídica adotada. Não se cuida, com isso, de tributar o ato segundo o resultado econômico por ele perpetrado, no moldes da teoria da interpretação econômica incompatível com o princípio da legalidade, eis que o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alternativas juridicamente viáveis para atingir determinado objetivo econômico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal. Entretanto, ao escolher uma alternativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da carga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ônus dela decorrentes e deve haver coerência jurídica, no âmbito do direito privado, entre a forma adotada e sua implementação prática, mesmo que referida forma não esteja sendo adotada para o seu fim típico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indireto, plenamente viável em nosso ordenamento. É a ausência dessa coerência, por exemplo, que tem motivado esta C. Câmara a considerar simuladas estruturas que envolvem contratos de associação de duração efêmera (muitas vezes de horas), adotadas para evitar a tributação sobre o ganho de capital na alienação de bens, em que as circunstâncias de fato indicam que a substância do ato praticado não era de um contrato de sociedade, tendo em vista a ausência do elemento subjetivo a ele inerente – a affectio societatis. O que macula o ato nesse caso, a meu ver, não é a intenção de reduzir a carga tributária aplicável, mas a evidente não assunção das conseqüências da forma adotada ao se desfazer a associação imediatamente após a sua constituição. Marco Aurélio Greco aponta com bastante propriedade as preocupações que surgem quando o contribuinte tenta neutralizar os efeitos indesejáveis da forma fiscalmente menos onerosa por ele escolhida (“Planejamento Tributário”. Dialética, 2004. p. 358): “Outro conjunto de hipóteses que merece atenção é aquele da inclusão em negócios jurídicos típicos – de cláusulas neutralizadoras de seus efeitos indesejáveis. Vale dizer, as partes, por via indireta, não assume plenamente as conseqüências que decorrem de seus negócios típicos; formatam o negócio para atender exclusiva ou preponderantemente ao seu interesse de sofrer menos tributação.” No caso em exame, a análise dos atos praticados pelo contribuinte aponta para a incoerência dos atos e para tentativa de desconstituição de seus efeitos indesejáveis. Assim, aplicando o raciocínio anteriormente exposto à situação fática, e considerando que não há fórmula milagrosa para auferir a ocorrência ou não de simulação, entendo que o melhor caminho é examinar os vários aspectos que se revelam na exteriorização do ato para determinar se há coerência com os institutos e formas de direito privado adotados pelo contribuinte e que resultaram na economia fiscal. À mingua de designação específica referime a esses elementos como “índices” da simulação no referido trabalho publicado na Revista do Advogado anteriormente Fl. 833DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 18 mencionada. Dentre as acepções da palavra índice apontadas por Antônio Houaiss1 aquelas que mais se aproximam da noção que pretendemos transmitir são as de “ padrão indicador, guia de capacidade, tamanho ou função; paradigma” e “o que fornece indícios de; sintoma, indicador, sinal”. Referidos índices da simulação configuram elementos verificáveis a partir da exteriorização dos atos praticados e que revelam signos indicativos da efetiva (ou não) realização dos atos e da existência (ou não) de coerência entre as formas adotadas e a realidade exteriorizada. Antes de deles tratar mister ressaltar que não tenho qualquer pretensão, neste voto, de estabelecer um rol exaustivo de índices, tarefa provavelmente inatingível face ao caráter multifacetado das operações praticadas na vida negocial. (i) Aferição dos elementos do negócio jurídico típico Invariavelmente integram o suporte fático de negócios jurídicos típicos elementos objetivos e subjetivos (que exigem intenção específica além daquela genérica no sentido de praticar ou não o ato). A determinação desses elementos resulta da análise das disposições de direito privado aplicáveis ao negócio. A exteriorização do ato deve revelar a presença dos referidos elementos, ainda que o negócio praticado não seja usual para o objetivo visado. Se a exteriorização, ao contrário, infirmar os elementos do negócio jurídico a caracterização da simulação estará mais próxima. No presente caso verificase que embora a empresa Lins Ferrão & Cia. Ltda., a partir de 01/12/1998, tenha contratado uma nova empresa para prestar serviços de gestão empresarial anteriormente executados pelo Recorrente, ele (o Recorrente) continuou exercendo este mesmo cargo na Lins Ferrão & Cia em todo o período fiscalizado e durante a fiscalização. (ii) Neutralização de efeitos Ao escolher determinada forma jurídica é importante que as partes assumam as conseqüências e ônus da escolha feita, demonstrando que ainda que a motivação tenha sido tributária o ato é real, verdadeiro. Nesse sentido, a tentativa de neutralização de efeitos indesejáveis, ainda mais quando estes têm relação direta com os elementos do negócio jurídico típico, deve ser examinada com cautela. No presente caso, verificase que embora a “Lojas Pompéia”, a partir de 01/12/1998, tenha contratado uma nova empresa para prestar serviços de gestão empresaria anteriormente executados pelo Recorrente, essa nova empresa contratada jamais recebeu os pagamentos pelos serviços prestados. Todos os pagamentos foram efetuados pela contratante (Lojas Pompéia) diretamente ao Recorrente. A nova empresa constituída pelo Recorrente para a prestação de serviços não registrou nenhuma movimentação financeira contabilizada nas contas contábeis “caixa” ou “bancos”. 1 p. 1604, Ed. Objetiva, 2004. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 31 19 Ainda, como apontado pela fiscalização, os adiantamentos pagos aos sócios diretores foram denominados de “prolabore” nos documentos da própria empresa Lins Ferrão & Cia. Ltda, bem como que cada um dos diretores, incluindo o Recorrente, recebia uma importância mensal fixa. Logo, é imperioso concluir que os rendimentos pagos ou creditados diretamente ao Recorrente eram, de fato, rendimentos do trabalho da pessoa física, visto que são originários da retribuição do trabalho individual e pessoal prestado pelo Recorrente. (iii) Implementação operacional Este índice é mais relevante nas estruturas que envolvem alteração na forma de operação dos negócios da empresa. A adoção de determinada forma jurídica para viabilizar determinados negócios empresariais, ainda que motivada por razões de economia fiscal, devese fazer acompanhar da implementação, na prática, de estrutura operacional compatível. Nesse sentido, no presente caso, verificase que todas as empresas contratadas, incluindo a empresa do Recorrente, não possuem empregados (fls. 291/294) e os os livros contábeis e talões de notas fiscais de todas as empresas contratadas foram encontrados na sede da empresa contratante "Lojas Pompéia" (fls. 329/396). Ressaltese, também, que as empresas contratadas não tiveram quaisquer custos ou despesas, exceto quanto aos tributos incidentes sobre o faturamento, e distribuíram os lucros antecipadamente, antes da tributação pelo imposto de renda, que ocorria apenas ao final dos trimestres. Além disso, a empresa “Pompéia Participações”, constituída pelo Recorrente, foi contratada imediatamente após sua constituição, possuindo exatamente os mesmo sócios da contratante “Lojas Pompéia”, não tendo prestado qualquer outro serviço ou realizado qualquer outra atividade no período de 2000 a 2003. Assim, pelo conjunto de elementos colacionados e examinados acima concluo pela evidente caracterização de simulação relativa, merecendo ser atribuído o tratamento tributário da situação real “escondida” pela simulação – o recebimento de rendimentos de trabalho pelo Recorrente, tal como fez o agente fiscal autuante. Impõese também, no contexto de vários elementos de exteriorização indicativos de dolo na conduta do Recorrente, como o não recebimento de recursos pela pessoa jurídica e a ausência de contabilidade, a manutenção da qualificação da multa aplicada. Por outro lado, caracterizada a simulação relativa devem ser considerados em sua plenitude os efeitos tributários dos atos que se pretendeu esconder e desconsiderados em sua plenitude os efeitos dos atos aparentes/simulados. Nesta linha de raciocínio, se com a imputação de simulação deslocouse a tributação dos rendimentos da pessoa jurídica para a pessoa física, devese considerar que os tributos pagos pela pessoa jurídica sobre tais rendimentos devem ser compensados e deduzidos do quantum de principal apurado na autuação. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 20 Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de Pessoa Física. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator Fl. 836DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11040.001558/200575 Acórdão n.º 2202000.586 S2C2T2 Fl. 32 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 11040.001558/200575 Recurso nº : 166.519 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220200.586. Brasília/DF, __________________. ______________________________________ PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 837DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 22 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721975/2011-00
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - INCISO II, § 1º DA LEI No 10.865/2004 - RESULTADO DO SERVIÇO
Para a incidência de PIS e COFINS Importação é preciso se verificar a presença dos requisitos legais, ou seja, (i) os serviços devem provenientes do exterior; (ii) devem ser prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; (iii) devem ser executados no País ou (iv) executados no exterior, com resultado que se verifique no País. A inexistência destes requisitos descaracterizam a importação de serviços.
IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - TRANSPORTE INTERNACIONAL DE MERCADORIAS - NÃO INCIDÊNCIA
O resultado do serviço de transporte internacional é a entrega da mercadoria no exterior, não o pagamento do transporte e menos ainda a retirada do produto no Brasil. Não incidência do PIS e COFINS Importação.
IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - SERVIÇOS JURÍDICOS - INCIDÊNCIA
As empresas brasileiras que operam internacionalmente e precisam consultar advogados locais para a prestação de seus serviços, incorrem na importação dos serviços jurídicos para obter os necessários conselhos legais. O resultado do serviço jurídico importado é usufruído no Brasil pela empresa que o solicitou. O ato de os escritórios estrangeiros não atuarem nas leis brasileiras não influencia o serviço contratado, vez que a empresa pretende, justamente, atuar em outros países.
IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - REPRESENTANTES COMERCIAIS - NÃO INCIDÊNCIA
A atividade de representação comercial de vendas internacionais, quando realizadas por pessoas físicas/jurídicas estrangeiras e representam a exportação de mercadorias, ocorrem exclusivamente fora do Brasil. Apenas o efeito econômico da venda do produto ocorre no Brasil, todavia, este efeito financeiro não é o suficiente para a tributação pretendida,posto que não representa o conceito de resultado previsto no § 1o do inciso II da Lei no 10.865/04.
IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - LOGÍSTICA INTERNACIONAL - NÃO INCIDÊNCIA
A atividade de logística internacional ocorre exclusivamente fora do Brasil e tem como objetivo organizar e finalizar a exportação do produto. O efeito financeiro do pagamento do serviço pela empresa brasileira não é o suficiente para a tributação pretendida, posto que não representa o conceito de resultado previsto no § 1o do inciso II da Lei no 10.865/04.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a tributação na importação de serviços jurídicos, e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, que mantinha a tributação na importação do serviço de afretamento e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento integral ao recurso voluntário e dava provimento ao recurso de ofício. Quanto à tributação de serviço de afretamento, o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède acompanhou a relatora pelas conclusões.
Sustentação Oral: Walter de Sousa Lobato OAB/MG 61186.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - INCISO II, § 1º DA LEI No 10.865/2004 - RESULTADO DO SERVIÇO Para a incidência de PIS e COFINS Importação é preciso se verificar a presença dos requisitos legais, ou seja, (i) os serviços devem provenientes do exterior; (ii) devem ser prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; (iii) devem ser executados no País ou (iv) executados no exterior, com resultado que se verifique no País. A inexistência destes requisitos descaracterizam a importação de serviços. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - TRANSPORTE INTERNACIONAL DE MERCADORIAS - NÃO INCIDÊNCIA O resultado do serviço de transporte internacional é a entrega da mercadoria no exterior, não o pagamento do transporte e menos ainda a retirada do produto no Brasil. Não incidência do PIS e COFINS Importação. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - SERVIÇOS JURÍDICOS - INCIDÊNCIA As empresas brasileiras que operam internacionalmente e precisam consultar advogados locais para a prestação de seus serviços, incorrem na importação dos serviços jurídicos para obter os necessários conselhos legais. O resultado do serviço jurídico importado é usufruído no Brasil pela empresa que o solicitou. O ato de os escritórios estrangeiros não atuarem nas leis brasileiras não influencia o serviço contratado, vez que a empresa pretende, justamente, atuar em outros países. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - REPRESENTANTES COMERCIAIS - NÃO INCIDÊNCIA A atividade de representação comercial de vendas internacionais, quando realizadas por pessoas físicas/jurídicas estrangeiras e representam a exportação de mercadorias, ocorrem exclusivamente fora do Brasil. Apenas o efeito econômico da venda do produto ocorre no Brasil, todavia, este efeito financeiro não é o suficiente para a tributação pretendida,posto que não representa o conceito de resultado previsto no § 1o do inciso II da Lei no 10.865/04. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS - LOGÍSTICA INTERNACIONAL - NÃO INCIDÊNCIA A atividade de logística internacional ocorre exclusivamente fora do Brasil e tem como objetivo organizar e finalizar a exportação do produto. O efeito financeiro do pagamento do serviço pela empresa brasileira não é o suficiente para a tributação pretendida, posto que não representa o conceito de resultado previsto no § 1o do inciso II da Lei no 10.865/04. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Negado
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10611.721975/2011-00
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5426665
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-002.777
nome_arquivo_s : Decisao_10611721975201100.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 10611721975201100_5426665.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a tributação na importação de serviços jurídicos, e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, que mantinha a tributação na importação do serviço de afretamento e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento integral ao recurso voluntário e dava provimento ao recurso de ofício. Quanto à tributação de serviço de afretamento, o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède acompanhou a relatora pelas conclusões. Sustentação Oral: Walter de Sousa Lobato OAB/MG 61186. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5812912
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608138051584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10611.721975/201100 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3302002.777 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria COFINS Recorrentes ARCELORMITTAL BRASIL S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS INCISO II, § 1º DA LEI No 10.865/2004 RESULTADO DO SERVIÇO Para a incidência de PIS e COFINS Importação é preciso se verificar a presença dos requisitos legais, ou seja, (i) os serviços devem provenientes do exterior; (ii) devem ser prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; (iii) devem ser executados no País ou (iv) executados no exterior, com resultado que se verifique no País. A inexistência destes requisitos descaracterizam a importação de serviços. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS TRANSPORTE INTERNACIONAL DE MERCADORIAS NÃO INCIDÊNCIA O resultado do serviço de transporte internacional é a entrega da mercadoria no exterior, não o pagamento do transporte e menos ainda a retirada do produto no Brasil. Não incidência do PIS e COFINS Importação. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS SERVIÇOS JURÍDICOS INCIDÊNCIA As empresas brasileiras que operam internacionalmente e precisam consultar advogados locais para a prestação de seus serviços, incorrem na importação dos serviços jurídicos para obter os necessários conselhos legais. O resultado do serviço jurídico importado é usufruído no Brasil pela empresa que o solicitou. O ato de os escritórios estrangeiros não atuarem nas leis brasileiras não influencia o serviço contratado, vez que a empresa pretende, justamente, atuar em outros países. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS REPRESENTANTES COMERCIAIS NÃO INCIDÊNCIA A atividade de representação comercial de vendas internacionais, quando realizadas por pessoas físicas/jurídicas estrangeiras e representam a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 19 75 /2 01 1- 00 Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 exportação de mercadorias, ocorrem exclusivamente fora do Brasil. Apenas o efeito econômico da venda do produto ocorre no Brasil, todavia, este efeito financeiro não é o suficiente para a tributação pretendida,posto que não representa o conceito de “resultado” previsto no § 1o do inciso II da Lei no 10.865/04. IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS LOGÍSTICA INTERNACIONAL NÃO INCIDÊNCIA A atividade de logística internacional ocorre exclusivamente fora do Brasil e tem como objetivo organizar e finalizar a exportação do produto. O efeito financeiro do pagamento do serviço pela empresa brasileira não é o suficiente para a tributação pretendida, posto que não representa o conceito de “resultado” previsto no § 1o do inciso II da Lei no 10.865/04. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a tributação na importação de serviços jurídicos, e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva, que mantinha a tributação na importação do serviço de afretamento e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento integral ao recurso voluntário e dava provimento ao recurso de ofício. Quanto à tributação de serviço de afretamento, o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède acompanhou a relatora pelas conclusões. Sustentação Oral: Walter de Sousa Lobato OAB/MG 61186. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 11 3 Relatório Tratase de autos de infração lavrados para o fim de constituir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 2/71) e de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 72/144) em virtude da suposta “importação de serviços” incorrida no período de 02/01/2007 e 30/12/2008. Os serviços tributados pela fiscalização são: (i) serviços de afretamento na exportação; (ii) serviços de representação comercial; (iii) serviços de logística internacional e (iv) serviços jurídicos. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para adotar contido na decisão de primeira instância administrativa, a saber: “As autuações ocorreram em virtude da falta de recolhimento da Cofins e do PIS incidentes sobre a importação de serviços, nos períodos acima identificados, conforme o Relatório de Auditoria Fiscal, de fls. 146/222, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 200/221. No Relatório de Auditoria Fiscal a fiscalização descreve as previsões constitucional e legal e os aspectos da hipótese de incidência da Cofins e do PIS na importação de serviços (pessoal, material, quantitativo, espacial e temporal), destacando, quanto ao aspecto espacial, que, no caso de serviços executados no exterior, o “resultado do serviço” deve ser entendido como o resultado financeiro ou econômico da operação para o contratante do serviço ou para o beneficiário do serviço, no caso do contratante também ser residente ou domiciliado no exterior. Foram lançados os valores incidentes sobre: Serviços de afretamento na exportação, cujo resultado econômico ocorreu em território nacional, tendo em vista tratarse de serviços derivados de operações de exportação do contribuinte. A fiscalização ressalta, nesse caso, que ‘parte do serviço prestado ocorreu efetivamente no Brasil, visto que o serviço de afretamento iniciouse no local de embarque das mercadorias exportadas (porto localizado no território brasileiro) e desenvolveuse em águas territoriais brasileiras no início do trajeto. Apenas a parcela final do serviço de afretamento ocorreu em território estrangeiro, mas todo seu resultado deuse no Brasil (resultado comercial e econômico da venda internacional efetuada)’; Serviços de representação comercial, cujo resultado ocorreu efetivamente no Brasil, uma vez que se trata serviços correlatos às operações administrativas e comerciais da empresa fiscalizada, sendo que o resultado da venda comercial ocorreu em território nacional; Serviços de logística internacional, cujo resultado ocorreu efetivamente no Brasil, tendo em vista tratarse de serviços Fl. 3746DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 derivados de operações de exportação da empresa fiscalizada, cujo resultado econômico ocorreu em território nacional; e Serviços jurídicos, cujo resultado ocorreu efetivamente no Brasil, tendo em vista tratarse de serviços correlatos às operações administrativas da empresa fiscalizada. A fiscalização frisa que todas as operações referemse a serviços provenientes do exterior prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior, executados no País ou no exterior, cujo resultado se verificou no País, enquadrandose no conceito de “importação de serviços” previsto na Lei nº 10.865, de 2004. No caso de serviços executados no exterior derivados de operações de exportação, o resultado econômico da operação ocorreu em território nacional (sede administrativa e operacional da companhia). O fato gerador das contribuições ocorreu na data do pagamento às empresas fornecedoras dos serviços. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) dos referidos Autos de Infração (fls. 71 e 141). Irresignado, tendo sido cientificado em 29/11/2011 (fl. 2.347), o autuado apresentou, em 29/12/2011, acompanhadas dos documentos de fls. 3.363/3.612, as suas razões de defesa (fls. 3.333/3.362), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados na formalização dos presentes Autos de Infração, aduz que a premissa adotada pela fiscalização para o lançamento, ou seja, que o elo justificador da tributação é o benefício econômico, e puramente econômico, obtido pela empresa no Brasil, não negando que todo o serviço é executado no exterior e que não há qualquer materialidade (além do aspecto econômico) no Brasil, não convalida o procedimento adotado, pois a norma de competência, assim como a hipótese de incidência das contribuições jamais autorizaram a tributação que se tenta impor. E sequer a decisão do STJ mencionada no relatório fiscal tem o alcance desejado pela fiscalização, pois nos serviços considerados na autuação a consumação do serviço foi realizada no exterior e o beneficiário também encontrase no exterior. Em relação à importação de serviços de afretamento na exportação, não há como enquadrar os fatos na hipótese legal para a cobrança das contribuições, pois seria tributar indiretamente as exportações, advogando contra a vontade constitucional; não há materialidade jurídica dos fatos no Brasil (consumação, utilidade ou benefício), portanto, a norma brasileira não pode alcançar tais fatos; e esse item sequer se enquadra como serviço, na acepção técnica e consagrada pelo Texto Constitucional (art. 110, CTN) e, mesmo se serviço fosse, há uma norma que reduz a alíquota a zero. Quanto aos serviços de representação comercial, logística e assistência jurídica, o ponto fundamental para a cobrança é que o resultado econômico do serviço prestado teria ocorrido no território brasileiro, isto é, o resultado foi aqui auferido uma vez que se relaciona a empresa sediada no Brasil, argumentação Fl. 3747DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 12 5 puramente econômica e sem qualquer respaldo nos elementos de conexão consagrados pela doutrina e jurisprudência. Tal argumento não deve prosperar, pois, se assim fosse, qualquer transação internacional levaria necessariamente à existência de dois locais do resultado, quais sejam, os domicílios de ambos os polos contratuais, isso porque qualquer transação comercial sempre se relaciona com a atividade das empresas que participam do objeto da transação. Esse conceito não é utilizado pela doutrina e jurisprudência para definir o local do resultado de uma operação comercial, pois é trivial, subjetivo e leva a uma situação de bitributacão, distorcendo todo o sistema de tributação no destino. Em seguida, expõe as razões que justificariam o cancelamento da exigência. Transcreve o art. 149 da CF/1988, o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 6º da Lei nº 10.833, 2003, e discorre sobre a política do Brasil de tributar as importações, desonerando, por outro lado, as exportações (neutralidade fiscal). Caso seja seguida a lógica da fiscalização, parte das receitas das exportações serão afetadas pelas contribuições, ainda que de forma indireta, já que os itens afretamento, representação comercial e logística são custos das exportações. Assim, as exportações serão oneradas em contradição com o Texto Constitucional (imunidade) e com as leis instituidoras dos tributos, que buscam desonerar toda a cadeia de exportação, inclusive com a restituição dos créditos dos eventuais insumos adquiridos ao longo de tal cadeia. Diante disso, não é razoável a desoneração de toda cadeia produtiva das exportações e onerar custos específicos, ocorridos no exterior, que viabilizam tais exportações. Citando entendimento doutrinário e jurisprudência do STF, afirma que as imunidades devem ser interpretadas de forma ampliativa, rejeitandose a interpretação limitada e estritamente formal, pois nem a interpretação e nem a regulamentação podem restringir o alcance constitucional. E as regras de competência, que atribuem o poder de tributar às importações, devem ter seu alcance exato dentro dos limites impostos pelos conceitos constitucionalizados, ou seja, na definição da hipótese de incidência não se pode ampliar os conceitos constitucionais para tributar e nem tampouco para amesquinhar a vontade constitucional de desonerar toda cadeia produtiva das exportações. Portanto, não há qualquer lógica em tributar pelo PIS e pela Cofins os serviços de afretamento, logística e representação comercial, pois se referem a contratos firmados para serviços e locação intrinsecamente ligados (custo) às exportações, acabandose por tributar parte das próprias exportações, o que fere a intenção e o desejo do Texto Constitucional. Faz considerações, a partir de entendimentos doutrinários, acerca do conceito de serviço uma vez que a tributação é sobre bens ou serviços do exterior , chegando à definição consoante o Direito Privado: obrigação de fazer. Na obrigação de fazer o devedor serve o credor, usando de seu conhecimento e técnica, a Fl. 3748DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 fim de alcançar determinado resultado, e na obrigação de dar entregase, a que título for, para uso e gozo um determinado bem, móvel ou imóvel. Somente há que se falar em tributação de PIS e Cofins importação sobre obrigações de fazer, uma vez que são essas as obrigações que se encaixam na norma de competência prevista constitucionalmente. O item afretamento não se enquadra em tal definição. Os tipos de contrato de afretamento (a casco nu, por viagem e por tempo) possuem, em sua essência, natureza ainda que parcial de uma locação de embarcação. No afretamento a casco nu não resta dúvida que não há prestação de serviço, pois o fretador simplesmente loca o navio para o afretador, sendo que todo o resto (tripulação e custos em geral) corre por conta deste. As duas demais modalidades de afretamento possuem caráter híbrido (complexo), pois nelas está incutido um misto de locação de navio e prestação de serviço. É impossível, portanto, enquadrálas como se mero serviço fossem para fins de tributação do PIS e da Cofins. Nesse sentido, transcreve julgado do STJ acerca do ISS. Assim, no caso do afretamento não se chega a discutir sequer o critério espacial da norma de incidência, pois ele não se enquadra na descrição de serviços, não estando a sua tributação autorizada pela norma constitucional. Mas ainda que assim não fosse, consta expressamente no art. 8º, §14, da Lei nº 10.865, de 2004, que as locações de bens móveis e atividades de natureza complexa não devem ser tributadas pelo PIS e Cofins importação. E caso o legislador não tivesse abarcado na isenção do §14 a operação de afretamento, não haveria sentido em excepcionála, três parágrafos abaixo (§17), quando destinada ao transporte de pessoas para fins turísticos. Isso porque se uma espécie (afretamento turístico) é excepcionada em relação a um determinado dispositivo, há de se concluir que o gênero (afretamento) foi ali disposto pelo legislador. Logo, excetuandose a hipótese de afretamento turístico, é incontestável a isenção dada às demais modalidades desse contrato. Portanto, se não entendido que o afretamento não deveria ser tributado por não ter natureza jurídica de serviço, permanecerá sem possibilidade de tributação por conta da norma isencional citada. É evidente pelos documentos e pelo próprio relatório fiscal que nenhum dos itens autuados foi aqui executado (inciso I da Lei nº 10.865, de 2004). Portanto, é preciso partir para o inciso II da Lei, ou seja, devese verificar o conceito de resultado para fins de tributação do PIS e Cofins importação. Pela indefinição do que seja resultado na legislação, a doutrina e a jurisprudência caminharam em duas direções opostas: enquanto uns adotaram a teoria do resultadoconsumação, outros optaram pela teoria do resultadoutilidade. Lembra também, conforme a exposição de motivos da MP que deu origem à Lei nº 10.865, de 2004, que o PIS e a Cofins importação foram criados para equiparar o produtor interno com os bens e serviços importados, ou seja, se o interno pagava o PIS e a Cofins sobre o faturamento, seria justo que o bem ou serviço importado, que competisse com o interno, fosse também Fl. 3749DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 13 7 tributado. Por isso, o elemento de conexão correto seria o do resultado utilidade, segundo doutrina que transcreve. Assim, caso não seja comprovado o benefício decorrente do serviço para uma empresa nacional, não há que se falar em tributação sobre o PIS e a Cofins importação. Isso é exatamente o que ocorre no caso em tela: muito embora o contratante do serviço seja empresa brasileira, o seu verdadeiro beneficiário não está localizado no Brasil. No caso do PIS e Cofins importação devese distinguir a figura do contratante e a do beneficiário efetivo (beneficial owner) para que se verifique, com exatidão, o local do resultado da prestação. Conforme demonstra o art. 5º da Lei nº 10.865, de 2004, beneficiário e contratante são figuras distintas, em que pese, em certas situações, estarem centradas em um mesmo indivíduo. Sendo assim, a teoria do resultadoutilidade busca aquele que verdadeiramente se beneficia do serviço, não aquele que simplesmente o paga. O contratante só será responsável quando ele também for o beneficiário (relação bilateral). Não significa dizer que ele é responsável por ser contratante, mas que, sendo aquele que paga pelo serviço e único beneficiário na operação, necessariamente é o responsável tributário por ela. Na hipótese em que beneficiário e contratante forem pessoas distintas, aquele será o responsável pelo recolhimento do PIS e Cofins importação, desde que seja brasileiro, ao passo que contratante e prestador forem estrangeiros. Por outro lado, nessa hipótese o contratante do serviço nunca será o responsável pelo tributo. No caso em análise, os contratos de afretamento, serviços de representação comercial, logística e assistência jurídica equivalemse em um ponto: têm como contratante uma empresa brasileira (ArcelorMittal Brasil S/A), mas o beneficiário do serviço é estrangeiro. É certo que a contratação envolveu empresa brasileira, mas isso não implica em dizer que foi ela a beneficiária do serviço. Isso porque benefício (se considerado o critério utilidade) perpassa pela ideia de aproveitamento, fruição, utilidade (do ponto de vista jurídico) e os serviços autuados pela fiscalização nada mais são do que serviçosmeio, com a finalidade única de viabilizar a transação comercial com terceiro sediado no estrangeiro. É o terceiro, cliente sediado no exterior, que usufrui do serviço de afretamento e é para ele que é organizado o serviço de logística, a assistência jurídica e a representação comercial. A empresa autuada é apenas a contratante de serviços em prol de terceiro que dele aproveitará. Ninguém senão este pode ser considerado o beneficiário da prestação, pois é ele quem aproveita o seu resultado final, é ele quem se beneficia da viabilização da transação comercial, é ele quem usufrui do resultado das operações, enfim, é o terceiro no exterior que terá a materialização dos serviços em seu território. Assim, tendo em vista que o beneficiário do serviço encontrase no exterior e, por consequência, o local do resultado do serviço Fl. 3750DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 também, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins na importação. Contudo, se desprezada a teoria do resultadoutilidade e seguir na teoria do elemento de conexão resultadoconsumação, bastaria verificar o local de conclusão do serviço para definir onde estaria presente o resultado. E no que tange ao local de conclusão, não discordam a fiscalização e a empresa que a prestação dos serviços foi concluída no exterior. Nesse caso, necessariamente o resultado foi auferido fora do país, não havendo que se falar em incidência de PIS e Cofins na importação. Sobre o assunto, transcreve diversas Soluções de Consulta da RFB, as quais demonstram que os itens glosados pela fiscalização não se enquadram na hipótese de incidência do PIS e da Cofins importação. Quando muito, tais manifestações deveriam servir para trazer segurança jurídica, desonerando as empresas de serem surpreendidas com tais lançamentos (arts. 146 e 110 do CTN). E mesmo no precedente do STJ citado pelo relatório fiscal, fica evidente que aquela Corte considerou o local onde se consumou o serviço (em que pese a ressalva quanto ao critério utilizado), isto é, a referida decisão aponta o local do resultado do serviço como aquele onde efetivamente é concluída a sua prestação. O que não entendeu a fiscalização é que o posicionamento adotado pelo STJ de nenhuma forma pode ser aproveitado por esta autuação, na medida em que ela própria reconhece que os serviços foram prestados no exterior. Se a fiscalização realmente entende que, com base nesse acórdão, conclusão e resultado se dão no mesmo local, este auto nem deveria ter sido lançado. E a adoção do resultado consumação, conforme defendido pelo STJ e pela Receita Federal, se revela ainda mais benéfica para o contribuinte no caso do PIS e Cofins importação (TaxView n° 15 da Auditoria Ernst & Young). Isso porque, no julgado em questão, o STJ entendeu favoravelmente à incidência do ISS, haja vista a conclusão do serviço em território nacional. Traçando um paralelo com a presente autuação de PIS e Cofins importação, uma vez que a execução do serviço foi efetuada e integralmente concluída em território estrangeiro, não há que se falar em tributação pelas contribuições, já que o caso não se subsume a nenhuma de suas hipóteses de incidência. No que tange à autuação sobre a importação de serviços jurídicos de escritórios de advocacia estrangeiros, tais escritórios sequer têm autorização para consultar no que tange ao direito brasileiro, nos termos do provimento n° 91/2000 do Conselho Federal da OAB Ordem dos Advogados do Brasil. Como todos os escritórios elencados na autuação estão situados no estrangeiro, é indiscutível que tais serviços prestados relacionamse a consultoria em direito que não o brasileiro, porque a escritórios estrangeiros é expressamente vedada a atuação em consultoria sobre o direito brasileiro. No caso, o beneficiário do serviço está sediado no exterior, pois contratou o serviço jurídico com a finalidade de viabilizar a transação Fl. 3751DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 14 9 comercial em favor de terceiro, sediado no estrangeiro. Dessa forma, não poderia aproveitar a consultoria jurídica de um mercado no qual sequer está instalada. É o terceiro, domiciliado no exterior, que usufrui da prestação do serviço jurídico, na medida em que é ele quem aproveita as conclusões apontadas pela consultoria. Portanto, não há como se concluir que o resultado do serviço ocorreu em território nacional, pois o serviço jurídico não foi prestado em território nacional; o serviço tampouco se refere ao direito brasileiro, havendo inclusive restrição legal quanto a esse ponto; e o beneficiário do serviço encontrase no estrangeiro, não se confundindo com o contratante. Por fim, requer seja julgado insubsistente todo o crédito tributário, uma vez que seja qual for o critério (elemento de conexão) utilizado para dar materialidade à importação de serviços, os itens lançados (serviços jurídicos, logística para exportações, afretamento para exportações, representação comercial para exportações) não se consumam em território nacional e sua utilidade é apenas meio para o adquirente na mercadoria no exterior. Se assim não entender, que seja excluído o item afretamento, seja porque não se enquadra no conceito de serviço, seja porque há norma reduzindo a alíquota a zero. Por outro lado, com base nos inúmeros e expressos posicionamentos das autoridades fiscais, conforme Soluções de Consulta anteriormente descritas, jamais poderia sofrer os ônus da multa e dos juros de mora impostos, nos termos do art. 110 do CTN, parágrafo único. Protesta provar por todos os meios em Direito admitidos, especialmente a prova documental. Caso os julgadores entendam haver controvérsias quanto aos itens lançados serem instrumentais às exportações e prestados integralmente no exterior, podem os autos serem baixados em diligência.” destaquei Após analisar as razões da Recorrente trazidas em sua impugnação, a 1ª Turma da DRJ/BHE Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), proferiu o acórdão no 0239.651 (fls. 3618/3637), que restou da seguinte forma ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COFINSIMPORTAÇÃO. AFRETAMENTO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Quando o serviço de afretamento para o transporte de mercadorias do Brasil para o exterior for executado por Fl. 3752DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, ocorre a incidência da CofinsImportação. COFINSIMPORTAÇÃO. INTERMEDIAÇÃO DE VENDAS NA EXPORTAÇÃO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃOINCIDÊNCIA. Não há incidência da CofinsImportação na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços de intermediação de vendas, remunerados mediante comissões, concernentes às exportações realizadas pela pessoa jurídica. COFINSIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA NA EXPORTAÇÃO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃOINCIDÊNCIA. Não há incidência da CofinsImportação na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços de logística relativos às exportações realizadas pela pessoa jurídica. COFINSIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS DE CONSULTORIA JURÍDICA. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Há incidência da CofinsImportação na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços consultoria jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PISIMPORTAÇÃO. AFRETAMENTO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Quando o serviço de afretamento para o transporte de mercadorias do Brasil para o exterior for executado por pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, ocorre a incidência do PISImportação. PISIMPORTAÇÃO. INTERMEDIAÇÃO DE VENDAS NA EXPORTAÇÃO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃOINCIDÊNCIA. Não há incidência do PISImportação na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços de intermediação de vendas, remunerados mediante comissões, concernentes às exportações realizadas pela pessoa jurídica. PISIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA NA EXPORTAÇÃO. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃOINCIDÊNCIA. Fl. 3753DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 15 11 Não há incidência do PISImportação na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços de logística relativos às exportações realizadas pela pessoa jurídica. PISIMPORTAÇÃO. SERVIÇOS DE CONSULTORIA JURÍDICA. PRESTADOR RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Há incidência do PISImportação na prestação, por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior, de serviços consultoria jurídica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” destacamos Em resumo, a decisão recorrida exonerou os serviços de representação comercial (intermediação de serviços) e de logística internacional, por entender que são serviços prestados fora do território nacional e com efeitos também fora do Brasil, o que gerou a interposição de recurso de ofício. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 3640/3717) por meio do qual reiterou suas razões de impugnação. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 3720/3740. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme relatado, os autos de infração em análise referemse à intenção da fiscalização de tributar a suposta “importação de serviços” da Recorrente incorrida no período de 02/01/2007 e 30/12/2008. A tributação que se pretende encontra guarida no inciso II, § 1º da Lei no 10.865/2004, verbis: Lei no 10.865/2004 “Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso Fl. 3754DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. (...)” destaquei Percebese que o critério utilizado pela fiscalização para fundamentar o auto de infração é a condição de o resultado do serviço ter supostamente ocorrido no Brasil. Ainda, o Termo de Verificação Fiscal denota que a fiscalização dividiu os serviços tributados em quatro grupos, quais sejam: (i) serviços de afretamento na exportação; (ii) serviços de consultoria jurídica; (iii) serviços de logística internacional e (iv) serviços de representação comercial. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente pretende a não tributação dos serviços indicados nos itens (i) afretamento e (ii) serviços de consultoria jurídica enquanto discutese, em sede de Recurso de Ofício, os serviços de (iii) representação comercial e (iv) logística internacional. Inicialmente necessário traçar algumas considerações acerca da tributação sobre serviços. Conforme se denota dos termos dos autos, pretendese a tributação em referência em virtude de o contribuinte ter realizado o envio de valores para o pagamento de serviços, isto porque a fiscalização utilizou como premissa para a tributação o conceito de “resultado” como sendo o “resultado financeiro” da operação. Neste aspecto, no entender da fiscalização, o fato de o contribuinte ter realizado o pagamento do serviço é suficiente para a incidência de PIS e COFINS na importação deste serviço. Realmente, o fato gerador do PIS e Cofins Importação, conforme predispõe a Lei no 10.865/2004 consiste, efetivamente, no pagamento de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de serviço prestado, a saber: “Art. 3º. O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” – destaquei. Desta forma, a regra matriz de incidência tributária demanda (i) o pagamento do serviço (ii) à residentes e domiciliados no exterior. Todavia, a presença destes aspectos da regra matriz não é suficiente para que ocorra a incidência do tributo. É preciso que ocorram todos os aspectos da materialidade tributária, não apenas o financeiro que coincide in casu com o fato gerador. Divirjo, portanto, da premissa adotada pela fiscalização, razão pela qual passo à análise dos demais aspectos da materialidade. Fl. 3755DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 16 13 Para a incidência tributária primeiro é preciso que (i) seja prestado um serviço; (ii) que este serviço seja efetivamente pago; (iii) que seja proveniente do exterior; (iv) que seja executado no país ou (v) se executados no exterior, que tenha resultado produzido no Brasil. Em relação ao conceito de serviço, vale lembrar lição de outro Conselheiro desta Casa Sólon Sehn, “serviço, no sentido jurídico, consiste na prestação de utilidade material ou imaterial em benefício alheio, mediante remuneração, sob regime de direito privado e sem vínculo empregatício. Tem natureza de obrigação de fazer e sempre resulta de um contrato bilateral, o que pressupõe a presença de um prestador ou contratado e de um tomador ou contratante. Excluemse do conceito o trabalho prestado com vínculo empregatício e as obrigações de dar, como a locação, da cessão de direitos e a compra de bens e ativos.” 1 Conforme já mencionado, não resta dúvida de que houve pagamento (resultado financeiro) e que os serviços são provenientes do exterior. Todavia, em cada item autuado será preciso avaliar se houve efetivamente prestação de serviço e, uma vez que a tributação foi realizada com base no art. 1o, parágrafo 1o, inciso II, se houve resultado (além do financeiro) auferido no Brasil. Acerca do conceito de resultado auferido no Brasil necessário tecer algumas considerações. O conceito vago e com poucas definições. A jurisprudência e doutrina que se referem basicamente a dois conceitos: (i) resultadoconsumação e (ii) resultado – utilidade. Conforme citado pela Recorrente em suas razões de impugnação, Sérgio André Rocha define estes conceitos: “Analisandose as doutrinas e as decisões sobre a matéria, percebese que duas compreensões a respeito do conceito de resultado da prestação do serviço são normalmente apresentadas. A primeira seria no sentido de que esta significa a utilidade que o serviço proporciona para o seu contratante, sendo este entendimento sustentado por respeitável corrente doutrinária. A idéia é que sendo a prestação de serviços a realização de uma atividade em benefício de terceiros, o seu resultado seria exatamente a utilidade gerada para o contratante. A segunda, que se encontra perfeitamente nos limites da moldura da expressão resultado da prestação do serviço, seria na linha de que este corresponderia à consumação material da atividade desenvolvida pelo prestador de serviços, sendo esta a que até o momento prevalece nas decisões administrativas, tendo sido acolhida na decisão proferida no Recurso Especial 831.214.” destaquei A meu sentir, mais do que “utilidade” e “consumação” é preciso aferir se o serviço “importado” foi efetivamente usufruído pela empresa brasileira. E ainda assim, esta 1 RDIET, Brasília, V.¨, n.2, p.213232, JulDez, 2011. Fl. 3756DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 simples análise, não seria suficiente. Conforme têm entendido a própria Receita Federal em sede de respostas à consultas, é preciso, para o resultado do serviço ser efetivamente aferido, que o seu efeito/consequência seja imediato. Isto porque, resultado mediato todos os serviços prestados têm, posto que são bilaterais e demanda um dispêndio financeiro, todavia, nem todos os serviços possuem um efeito imediato. Neste aspecto, o elemento diferenciador para fim de aferição do resultado, se dá com a análise do seu efeito imediato2. Passo a análise de caso a caso. (I) SERVIÇOS DE AFRETAMENTO: De acordo com a fiscalização, incide PIS e COFINS sobre a importação do serviço de transporte internacional de mercadorias em virtude de o “resultado econômico” ter ocorrido em território nacional, a saber: Termo de Verificação Fiscal – EFls. 173 A empresa fiscalizada, para justificar o não recolhimento das contribuições para o PIS/Importação e COFINS/Importação relativo às importações de serviço acima relacionadas, alegou a não incidência, conforme previsto no § 1, II, do artigo, 1º da Lei nº 10.865/04. Entretanto, o resultado dos serviços prestados ocorreu efetivamente no Brasil, tendo em vista tratarse de serviços derivados de operações de exportação da empresa fiscalizada, cujo resultado econômico ocorreu em território nacional. Também podemos considerar que parte do serviço prestado ocorreu efetivamente no Brasil, visto que o serviço de afretamento iniciouse no local de embarque das mercadorias exportadas (porto localizado no território brasileiro) e desenvolveuse em águas territoriais brasileiras no início do trajeto. Apenas a parcela final do serviço de afretamento ocorreu em território estrangeiro, mas todo seu resultado deuse no Brasil (resultado comercial e econômico da venda internacional efetuada). Por sua vez, a decisão recorrida entendeu que o beneficiário do serviço é a empresa brasileira, a qual usufrui do resultado do serviço. É o que se percebe pela leitura do voto, verbis: Acórdão Recorrido – Fls. 3627 “Sobre os serviços de afretamento, o autuado entende que: não se trata de “serviço” (obrigação de fazer), pois os tipos de contrato de afretamento possuem natureza ainda que parcial de uma locação de embarcação; o art. 8º, §14, da Lei nº 10.865, de 2004, reduz a zero as alíquotas das contribuições incidentes sobre a locação de bens móveis; e o conceito de resultado para fins de tributação das contribuições deve ser o de “resultado utilidade”. Devese, de início, verificar se o afretamento caracterizase como prestação de serviços. Bernardo Ribeiro de Moraes, ao 2 Solução Consulta SRRF9º/Disit nº 90/2005, Solução Consulta SRRF9º/Disit nº 63/2006, Solução Consulta SRRF9º/Disit nº 64/2006, Solução Consulta SRRF8º/Disit nº 31/2006, Solução Consulta SRRF7ºRF/Disit nº 7/2007, Solução de Consulta SRRF4º/Disit nº 40/2008, Solução Consulta SRRF8º/Disit nº 325/2008, Solução Consulta SRRF7º/Disit nº 9/2010, Solução Consulta SRRF8º/Disit nº 100/2010. Fl. 3757DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 17 15 comentar o conceito de serviço para fins tributários, leciona (Doutrina e Prática do ISS, RT, 1984): Conforme se verifica, adotouse o conceito econômico de serviço, assim entendido o bem econômico (meio idôneo para satisfazer uma necessidade) que não seja bem material, isto é, que não seja extensão corpórea ou de permanência no espaço. Serviço, no sentido econômico, é sinônimo de bem imaterial, fruto do esforço humano à produção. No dizer de Albert L. Mayers, serviço ‘é qualquer bem não material’. [...]O conceito econômico de ‘prestação de serviços’ (fornecimento de bem imaterial) não se confunde e nem se equipara ao conceito de ‘prestação de serviços’ do direito civil, que é conceituado como fornecimento apenas de trabalho (prestação de serviços é o fornecimento, mediante remuneração, de trabalho a terceiros). O conceito econômico, não se apresentando acanhado, abrange tanto o simples fornecimento de trabalho (prestação de serviços do direito civil) como outras atividades, v.g.: locação de bens móveis, transporte, publicidade, hospedagem, diversões públicas, cessão de direitos, depósito, execução de obrigações de não fazer, etc. (vendas de bens imateriais). Conquanto constitua tributo municipal, a adoção do ISS na base de cálculo do PIS e da Cofins Importação denota que houve pelo legislador uma preferência pelo conceito econômico de prestação de serviços em detrimento do conceito de prestação de serviços do Direito Civil. A atividade de afretamento de navios, em suas diversas modalidades (afretamento a caso nu, afretamento por tempo ou afretamento por viagem art. 2º da Lei nº 9.432, de 1997), enquadrase no conceito de serviços, tal como este é entendido no direito tributário brasileiro. A esse propósito discorre Sérgio Pinto Martins (Manual do ISS, 2ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998, p. 40): Conforme se constata, serviço é bem imaterial na etapa da circulação econômica. Prestação de serviço é a operação pela qual uma pessoa, em troca do pagamento de um preço (preço do serviço), realiza em favor de outra a transmissão de um bem imaterial (serviço). Prestar serviços é vender bem imaterial, que pode consistir no fornecimento de trabalho, na locação de bens móveis ou na cessão de direitos. Seu pressuposto é a circulação econômica de um bem imaterial, ou, melhor, a prestação de serviços, onde se presume um vendedor (prestador de serviço), um comprador (tomador do serviço) e um preço (preço do serviço). O contribuinte aduz ainda que as locações de bens móveis e as atividades de natureza complexa estariam isentos da Cofins e do PIS Importação, nos termos do disposto no §14 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 2004, a seguir transcrito: Fl. 3758DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 §14. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições incidentes sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa. Ocorre que no presente caso há que ser observado o princípio da interpretação literal previsto no art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), pois a redução a zero de alíquota das contribuições resulta em desoneração de tributo. A lei não diz expressamente que os serviços de afretamento de embarcações utilizados na atividade da empresa serão tributados à alíquota zero, se referindo apenas às “locações de embarcações”. Os contratos de afretamento têm natureza específica e são regidos pelo art. 178 da Constituição Federal, pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, pela Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, e pelo Código Comercial Brasileiro. Quisesse o legislador se referir ao afretamento, teria feito de forma literal, como dispôs no §17 do mesmo artigo. Nesse parágrafo o legislador deixou claro que os valores pagos em decorrência da prestação de serviços a título de frete, afretamento, arrendamento ou aluguel de embarcações marítimas ou fluviais destinadas ao transporte de pessoas para fins turísticos não será beneficiada com a desoneração do tributo. Tal disposição não significa que o afretamento estaria desonerado, pelo fato de terse estabelecido uma exceção à regra. Novamente, se fosse essa a intenção do legislador, este teria disposto sobre o afretamento literalmente no §14. Vejase que, ao contrário da Lei que regulamenta a incidência da Cofins e do PIS sobre a importação, o inciso I do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, prevê expressamente que fica reduzida a zero a alíquota do imposto de renda incidente sobre as “receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamento de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias”. O contribuinte afirma que “fica evidente pelos documentos, bem como pelo próprio relatório fiscal que nenhum dos itens autuados foi aqui executado.” Entretanto, quanto aos serviços de afretamento, verificase a sua execução ainda que em parte no território nacional. O serviço de afretamento começa a ser executado no país de onde se originam as mercadorias a serem exportadas. Um serviço de transporte necessariamente começa em uma região e termina em outra. Então, ele é uma importação de serviço se a empresa que o contrata é residente e domiciliada em um país e a empresa transportadora das mercadorias é residente ou domiciliada em outro país. No presente caso, constatase, ao contrário do que aduz o impugnante, a materialidade no Brasil, pois o serviço de Fl. 3759DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 18 17 transporte de mercadorias é consumido no País (executado em parte). (...) Mas ainda que os serviços em apreço pudessem ser enquadrados no inciso II, do §1º, do art. 1º, da Lei nº 10.865, de 2004, e que fosse adotada a tese do resultadoutilidade, como defende o contribuinte, o beneficiário do serviço é a empresa que contratou o afretamento. Quem usufrui dos serviços em questão não é o cliente sediado no exterior, porque o serviço contratado resulta apenas no transporte das mercadorias do Brasil para o exterior. A realização da transação comercial (venda das mercadorias) é uma etapa posterior, que ocorre com a atuação dos representantes comerciais, que inclusive recebem comissões pelas vendas efetuadas. Portanto, o beneficiário do transporte, nesse caso, é a empresa que o contratou, que usufrui do resultado do serviço, isto é, que tem as suas mercadorias devidamente transportadas para o território estrangeiro. Em outras palavras, o resultado do serviço não é a exportação das mercadorias (ou a venda delas), mas tãosomente a transferência destas do Brasil para o exterior. Caso o transporte tivesse sido contratado por uma empresa brasileira e executado por uma empresa domiciliada ou residente no exterior que realizasse o transporte de mercadorias entre dois países estrangeiros, aí sim o resultado se verificaria no exterior.” destaquei Percebo que a fiscalização lançou PIS e COFINS sobre o serviço de afretamento por entender que (i) se trata de prestação de serviços e que (ii) houve “resultado financeiro” no Brasil, enquanto a decisão recorrida concluiu que o “resultado do serviço” foi usufruído no Brasil. Em primeiro lugar mister se faz analisar a questão da natureza dos contratos questionados pela fiscalização, justamente para que seja possível aferir seu natureza, se tratase de prestação de serviços. O contrato de afretamento marítimo embora não possua definição ou regulamentação expressa na legislação, tem três de suas modalidades definidas pela Lei n 9.432/97, que assim estabelece expressamente em seu artigo 2°, verbis: “Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma Fl. 3760DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens;(...)” Os dispositivos legais mencionados deixam claro que os contratos de afretamento consistem obrigação de dar, não obrigação de fazer. A natureza de tais contratos é de locação, seja em razão dos termos da lei, seja pela constatação de que essência do afretamento tem por finalidade a colocação à disposição, para uso pela parte, de coisa cuja propriedade não se transfere. Ademais, resta claro que o afretamento a casco nu equiparase ao contrato de locação simples, na medida em que locador disponibiliza ao locatória apenas a embarcação, para seu uso pelo tempo determinado no instrumento e para utilização nos termos contratados, sem transferência de propriedade, mas apenas da posse do bem. É cediço que a lei tributária não pode alterar conceitos apenas para alcançar a finalidade de tributação, conforme predispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional , verbis: “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” – destaquei. Discordo portanto do primeiro fundamento apresentado pela fiscalização no sentido de que o afretamento é prestação de serviços e por isso tributável pelo PIS e Cofins Importação nos termos pretendidos. Ademais, não coaduno com a argumentação da decisão recorrida de que a empresa brasileira, ao contratar o serviço usufruiu de resultado financeiro. Isso porque, a meu ver, a empresa não usufruiu de “resultado financeiro” positivo, mas contrariamente, negativo, já que a contratação representou um custo. Ainda, ao onerar o serviço de transporte internacional que permite a exportação de produtos brasileiros, pareceme claro que se está onerando a própria exportação dos produtos, sendo que tal interpretação é defesa por inconstitucional. Melhor sorte não acolhe o argumento de que o “resultado do serviço” foi usufruído pela empresa Brasileira porque o produto dela foi transportado, sendo que este fato justificaria a incidência do PIS e COFINS no transporte internacional de produtos. Valhome dos ensinamentos do então Conselheiro José Antonio Francisco que esclareceu, quando do julgamento do processo administrativo no 10611.721620/201111 que tratou de matéria idêntica à dos presentes autos, que o resultado do transporte não é retirar os produtos do país, mas entregálos em outro destino, a saber: “O frete internacional, no caso, retira uma mercadoria do território nacional (daí produziria efeito no País), mas não é essa a essência do serviço, que consiste no transporte da mercadoria até o destino no estrangeiro. O efeito de retirar a mercadoria do País não se confunde com o resultado, que é a sua entrega ao destinatário. Tratase, portanto, de serviço contratado no exterior que produz resultado fora do País. Fl. 3761DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 19 19 Não é o caso da importação, por exemplo, em que a entrega do produto seria efetuada no País, exemplo a que se aplicaria o dispositivo legal em questão. A Lei n. 9.611, de 1998, que trata do transporte multimodal de cargas, estabelece os seguintes conceitos devidamente destacados: ‘Art. 2º Transporte Multimodal de Cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal Parágrafo único. O Transporte Multimodal de Cargas é: I nacional, quando os pontos de embarque e de destino estiverem situados no território nacional; II internacional, quando o ponto de embarque ou de destino estiver situado fora do território nacional. (...) Art. 3º O Transporte Multimodal de Cargas compreende, além do transporte em si, os serviços de coleta, unitização desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, bem como a realização dos serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação documental de cargas.’ Muito embora tratem os autos de caso que utiliza uma só modalidade de transporte, é certo que o contrato de prestação de serviço engloba a coleta, união de cargas e movimentação até o veículo que fará o transporte para o exterior e, a partir daí, o transporte internacional em si e a movimentação, desunitização e entrega da carga ao destinatário.” Neste aspecto, não se coaduna com a realidade dos fatos que o resultado do assim considerado “serviço” é a retirada dos produtos na sede da empresa Brasileira. Cumpre ainda observar os efeitos do serviço prestado. Pela própria natureza do serviço e uma vez adotada a premissa de que o seu resultado é a “entrega” de bens no exterior, temse que o seu efeito imediato não ocorre para empresa brasileira, mas para a estrangeira. Desta forma, incabível a tributação que se pretende. (II) SOBRE OS SERVIÇOS DE CONSULTORIA JURÍDICA Os serviços jurídicos contratados, por sua vez, tiveram sua tributação justificada em razão de serem correlatos às operações administrativas da Recorrente. Termo de Verificação Fiscal – EFls. 173 Fl. 3762DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 “O resultado dos serviços prestados ocorreu efetivamente no Brasil, tendo em vista tratarse de serviços correlatos às operações administrativas da empresa fiscalizada.” Aliás, foi exatamente por esta razão que o acórdão recorrido manteve a tributação sobre estes serviços, a saber: Acórdão Recorrido – Fls. 1663 “Quanto aos serviços de consultoria jurídica, assim denominados pelo próprio contribuinte, podese verificar, pela análise dos contratos anexados aos autos, que tratase de serviços abrangentes, sendo que os contratos não especificam o tipo de serviço que será prestado. Ressaltese que o próprio autuado admite que tais serviços não estão vinculados às exportações, não podendo ser considerados como ‘custos das exportações’ (fl. 3.339). Portanto, não há dúvidas que se trata de serviços executados no exterior, mas cujo resultado se verifica no Brasil, pois a empresa pode aproveitar as conclusões das referidas consultorias para orientar as suas atividades, aqui desenvolvidas. Notese que o fato de os escritórios estrangeiros não poderem consultar no que tange ao Direito Brasileiro não pressupõe que as conclusões de uma consultoria jurídica contratada no exterior não serão aproveitadas (consumidos) no País. Está correto, portanto, o lançamento efetuado sobre tais serviços.” Não concordo com a alegação de que este serviço é tributado por ser correlato ao transporte internacional de mercadorias, a meu sentir é serviço individualizado e deve ser desta forma analisado. Entretanto, concordo com a alegação da decisão recorrida de que o serviço jurídico é aproveitado, usufruído no Brasil, inclusive que produz resultados para a empresa brasileira. Neste aspecto, o fato de os advogados estrangeiros não poderem analisar a legislação brasileira ou atuar no Brasil não faz qualquer diferença, até porque o que se analisa nos presentes autos é justamente a importação de serviços jurídicos. Pareceme evidente que os consultores jurídicos foram contratados para auxiliar a empresa brasileira acerca de suas operações internacionais para o fim de analisar a estratégia negocial da empresa. Os efeitos imediatos deste serviço é exatamente este, munir os executivos da empresa das informações necessárias para a tomada de decisões, neste aspecto, o serviço produz resultados no Brasil e deve ser tributado. (III) SOBRE O SERVIÇO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL Passemos a análise dos itens trazidos a este Colegiado em razão da interposição de RECURSO DE OFÍCIO pelas autoridades administrativas competentes. Conforme se verifica dos termos do acórdão recorrido, o serviço de representação comercial não consiste em hipótese de incidência do PIS/COFINS Importação por consubstanciar serviço prestado fora do país com resultado fora do país, a saber: Acórdão Recorrido – Fls. 3627 Fl. 3763DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10611.721975/201100 Acórdão n.º 3302002.777 S3C3T2 Fl. 20 21 “A prestação do serviço de representação comercial ou intermediação de vendas interfere apenas no processo de venda da mercadoria, configurando uma despesa incorrida com o objetivo de facilitar negócios no exterior. Nessa situação, a intermediação realizada no exterior, por empresa domiciliada no exterior, resulta em uma venda no exterior. Poderseia ter um resultado produzido no Brasil se a venda tivesse ocorrido em território nacional.” Com razão a decisão recorrida. Mais uma vez o resultado percebido no Brasil é apenas o resultado financeiro da venda do produto, o qual, por constituir faturamento da empresa, deve ter sido tributado regularmente pelas contribuições do PIS e COFINS. Ocorre que para a tributação do PIS e COFINS Importação, o resultado do serviço de intermediação deveria ter sido realizado aqui ou produzido outros efeitos, diverso do simplesmente financeiro. O efeito imediato do serviço de representação comercial é um custo, o valor que precisa ser pago para o pagamento do serviço. A empresa brasileira, com este custo pretende, mediatamente, aumentar suas vendas fora do país o que pode sequer acontecer. A meu ver, não há meios de se concluir que o resultado do serviço ocorreu no Brasil, razão pela qual mantenho a decisão recorrida neste particular. (IV) SERVIÇOS DE LOGÍSTICA INTERNACIONAL Outra gama de serviços que a fiscalização pretende tributar referese ao que denomina de serviços de logística internacional. Nos termos do acórdão recorrido, o serviço de Logística Internacional não pode ser tributado em razão de ser serviço prestado fora do país com resultado fora do país, a saber: Acórdão Recorrido – Fls. 3627 “As despesas com serviços pagos a agente de logística, por sua vez, caracterizam remuneração pela prestação de serviços executados no exterior, uma vez que se trata de serviços necessários quando da realização da exportação. Conforme os contratos anexados aos autos, tais serviços se referem a: descarregamento/carregamento de mercadorias, armazenagem, transporte para armazém, vistoria, pesagem, trânsito e formalidades de alfândega, etc. No entanto, apesar de serem considerados serviços prestados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, diante da hipótese prevista no §1º, II, do art. 1º da Lei nº 10.865, de 2004, verificase que não se enquadram no conceito de “importação de serviços”, uma vez que, além de prestados no exterior, seus resultados não se verificam no Brasil, mas sim, no próprio país para o qual a mercadoria é exportada. Isso porque o resultado dos serviços de logística em questão é a internação das mercadorias no país estrangeiro. Fl. 3764DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 Forçoso também convir que tais despesas não estão relacionadas à importação de serviços que poderiam ser executados no Brasil e, portanto, sujeitos à tributação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento em território nacional, porquanto, em tese, todo o serviço prestado no Brasil necessariamente sofre a incidência dessas contribuições sociais. Ressaltese que, conforme a Exposição de Motivos da MP nº 164, de 2004, que deu origem à Lei nº 10.865, de 2004, citada pelo contribuinte, o escopo da precitada lei foi evitar o prejuízo à produção nacional, tributando isonomicamente os serviços prestados no País e os serviços importados de residentes ou domiciliados no exterior.” Pareceme que a Logística em discussão no presente processo realmente ocorre fora do país, bem assim o seu resultado, posto que com este serviço pretendese a organização e finalização da entrega da carga para o comprador, que está no exterior. Em vista da natureza do serviço de logística e do fato de que ele se consuma fora do Brasil, pareceme claro que onde se verifica o efeito imediato é no exterior, bem como que quem usufrui é o comprador do produto . Ante o exposto conheço dos recursos apresentados para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado, mantendo a autuação no que se refere aos serviços jurídicos e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. É como penso, é como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 3765DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001380/2007-83
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
dt_publicacao_tdt : Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13161.001380/2007-83
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473786
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-000.615
nome_arquivo_s : Decisao_13161001380200783.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13161001380200783_5473786.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5959820
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608147488768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 15 1 14 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.001380/200783 Recurso nº Resolução nº 3403000.615 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 18 de março de 2015 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL COOAGRI "Em Liquidação" Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão de r. Acórdão proferido que manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS. Consta, também, que o presente feito é um dos 56 (cinqüenta e seis) processos vinculados ao MPF 0140200.2011.0005. A Fiscalizada, como medida de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização), deixou de anexar em cada processo os mesmos documentos, o que fez nos autos de nº n. 13161.001928/200795, que pretende evidenciar o seu direito, discorreu longamente em cada feito sobre os fundamentos que julga lhe assegurar o crédito complementar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .0 01 38 0/ 20 07 -8 3 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13161.001380/200783 Resolução nº 3403000.615 S3C4T3 Fl. 16 2 Assim, a Fiscalizada efetuou a juntada dos documentos no processo supra mencionado, acreditando que todos seriam julgados de forma simultânea e pelo mesmo Conselheiro. Voto Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. É imprescindível para o exame da contenda neste processado à análise das provas carreadas ao processo administrativo de número 13161.001928/200795. Justificado pelo apelo do Contribuinte, que a todo o tempo manifestou nesse sentido. Compulsando os autos, conclui que se revela de extrema importância que as provas anexadas pela contribuinte ao processo 13161.001928/200795 sejam transladas e anexadas a esse feito, considerando que, o contribuinte só anexou provas naqueles autos por economia processual, por entender que todos os processos administrativos seriam distribuídos a um só relator, o que até o momento não aconteceu. Em sendo assim, impõe converter o julgamento em diligência para que seja translado os documentos juntados pela recorrente a título prova no processo administrativo de número 13161.001928/200795, a esse processado. É como voto. Domingos de Sá Filhio Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728445/2009-74
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas ´para o pagamento de PLR.
PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA
A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR.
A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas ´para o pagamento de PLR. PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. Recurso Voluntário Negado
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10580.728445/2009-74
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.957
nome_arquivo_s : Decisao_10580728445200974.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580728445200974_5283552.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5007218
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608160071680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728445/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.957 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIO INDIRETO Recorrente TELEVISÃO SALVADOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas claras e objetivas ´para o pagamento de PLR. PLR AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 45 /2 00 9- 74 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.201.9153, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 30 a 38, o contribuinte apresentou Convenção Coletiva de Trabalho realizada entre a SERTEB Sindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/Ba Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia, referentes aos exercícios de 2005, 2007 e 2008, cuja previsão de pagamento de PLR está na cláusula 9º (cópias anexas ao relatório fiscal). Apresentou também os regulamentos para o pagamento do PLR, relativos aos anos de 2005 a 2008, assinados no dia 1° de janeiro de cada exercício, porém protocolados no SINTERP/BA, a destempo, em 03/03/2009, ou seja, somente após o início desta ação fiscal, conforme Termo de Início Procedimento Fiscal anexo. Além disso, os acordos de 2005 e 2006 não estabeleceram de forma clara e objetiva, consoante legislação específica, as metas a serem atingidas, nem as regras de aferição. Já para os acordos de 2007 e 2008 estabeleceuse como meta o alcance das metas de despesas operacionais da empresa. Meta esta não definida claramente por setores da empresa. Quais as metas de despesas para o setor de execução, recursos humanos ou administração? Quais valores deveriam atingir? Quais seriam os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado? Desta forma, concluise que a empresa descumpriu a legislação sobre a matéria. Assim, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de parcela de natureza remuneratória, integrante, portanto, do salário de contribuição. Ressaltese, a título de esclarecimento, que a PLR foi instituída, no ordenamento jurídico pátrio, como incentivo à produtividade dos empregados, daí a necessidade de estabelecimento de regras claras, objetivas e, principalmente, prévias, para permitir que todos os colaboradores possam estar alinhados com os interesses do empregador e, assim, contribuírem para o seu sucesso na concretização das metas e objetivos almejados. Por óbvio, quando falamos em objetivos e metas, estamos tratando do futuro, jamais do passado, como no caso presente. Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP o que ensejou a lavratura do presente AI com a multa de 75 % sobre o valor das contribuições apuradas, e a aplicação, após a devida comparação, da multa de ofício de 24% sobre o valor das contribuições apuradas, por descumprimento da obrigação principal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 14/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/12/2009. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 130 a 150. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 239 a 249. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. É devida a cota patronal atinente aos segurados empregados consoante preceituam os incisos I e II, do art. 22, da Lei n.º 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados realizados, pela empresa, sem o cumprimento de todos os requisitos impostos pela Lei n.º 10.101/2000, tem se que tais verbas integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas à Seguridade Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 256 a , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Impossibilidade de tributação previdenciária sobre o PLR – Participação nos Lucros e Resultados, posto que a verba não possui caráter remuneratório. Somente as remunerações pagas como retribuição pelo trabalho é que poderão ser objeto de incidência de contribuições, o que não é o caso. 2. Ademais, argumenta que a lei 10.101 e 8.212, apenas disciplinam a expressa ordem do legislador constituinte que , assegura no texto maior tal rubrica aos trabalhadores, excluindo da mesma o caráter remuneratório. Logo a norma infra que disciplina o pagamento da PLR surge em decorrência da CF, devendo regulamentála e não restringi la. 3. Da apreciação da referida lei, resta evidenciado que a participação do empregado nos lucros e resultados da empresa deve gozar de aprovação do sindicato, constando expressamente de acordo de vontade das partes (empregador e empregados) e não pode ser paga em período inferior a seis meses. 4. Pois então, quanto à disposição legal acerca do pagamento de PLR pela ora requerente, há que se frisar que as Convenções Coletivas de Trabalho firmado entre o SERTEB (sindicato patronal) e o SINTERP/BA (sindicato dos empregados) dispõe que podem as empresas negociar livremente com seus funcionários, apenas registrando o acordo no sindicato. 5. Nesta esteira, registrase que, conforme os documentos de formalização dos acordos para PLR, restou comprovado claramente que houve uma negociação entre a empresa e os Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 4 5 representantes de seus empregados para o pagamento de PLR, atendendo ao requisito legal. 6. Quanto a este tópico, impera registrar que apesar da fiscalização ter considerado que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n.° 10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa em relação ao ano anterior. Sendo, no entanto, levado em consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado para o ano. 7. Como isto vem sendo feito há mais de 10 (dez) anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários ou até mesmo do sindicato, em que estas regras constassem de modo detalhado no acordo. 8. Com efeito, quanto à verificação efetiva dos resultados, ao final de cada ano calendário a gerência da empresa se reúne com o Setor Financeiro para a demonstração do cumprimento da meta supramencionada, de modo que seja determinado o pagamento da PLR aos funcionários. Válido se faz juntar as atas destas reuniões, elaboradas com cunho de determinar a realização dos pagamentos. 9. Ainda, há que salientar quanto ao segundo fator utilizado pela fiscalização para a descaracterização do PLR, que em relação aos acordos efetuados para com os funcionários, de fato houve atraso nos registros dos mesmos perante o sindicato. No entanto, ressaltese, que o fato do registro ter sido tardio junto ao sindicato não pode acarretar, de sobremaneira, a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR, até porque o acordo coletivo não determina um prazo peremptório para o arquivamento. 10. Jamais houve qualquer deliberação da ora Requerente no sentido de que fosse pago a funcionário algum qualquer valor a título de PLR em período inferior a seis meses, respeitando, portanto, as regras estabelecidas pela Lei n.° 10.101/2000. 11. Do quadro acima, percebese que nenhum dos empregados recebeu participação nos lucros e resultados em intervalo inferior a seis meses, à exceção de um único pagamento realizado em favor da funcionária Lilia Gramacho Calmon no mês de julho de 2005. Neste ponto, especificamente, há que se destacar que este fato decorreu de um caso isolado, posto que houve solicitação de um adiantamento no pagamento da PLR por parte da funcionária Lilia Gramacho Calmon por conta de problemas financeiros. Assim sendo, a ora Impugnante efetuou o pagamento na forma de empréstimo, e no mês subseqüente abateu do PLR que seria pago à funcionária. 12. No entanto, levando já em consideração o constante rigor da Administração Pública Federal, há que se destacar que nos casos em que houve pagamento de PLR sem que fosse respeitado o prazo mínimo de 6 (seis) meses, determinou o STJ que fosse desconsiderada a natureza jurídica do pagamento de PLR apenas daquela parcela que não observou o prazo mínimo legal. 13. O que se vê nos presentes autos é que os valores pagos aos empregados são relativos a bônus oriundos da lucratividade da empresa, e por isso mesmo esporádicos e motivados Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 (lucros), as quantias, portanto, não se constituem em renda tributável pelas contribuições previdenciárias, pois não integra o conjunto salarial. 14. Assim, mantém a ora Impugnante à disposição da fiscalização toda a documentação que esta entender por necessária a fim de comprovar que as metas para o pagamento de PLR não só eram negociadas, como eram de conhecimento de todos, podendo, inclusive, este Julgador determinar a ouvida de funcionários. 15. Portanto, estabelecese uma primeira premissa: o pagamento da PLR, por si só, não acarreta a obrigação tributária do recolhimento de contribuição previdenciária e, conseqüentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP. 16. Ressaltase, assim, que somente com a lavratura do presente AI e de sua ciência pela ora recorrente foi que nasceu a obrigação tributária do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos então realizados a título de PLR. 17. Temse, desta sorte, que até a ciência da presente autuação, não havia obrigação tributária, por conseguinte, tão pouco crédito tributário. Logo, se não havia crédito tributário constituído, não existia também dever de recolhêlo, vencimento e muito menos inadimplemento tributário. 18. Temse, assim, que se firmar uma segunda premissa: sem que haja inadimplemento de obrigação tributária é completamente absurda a cobrança, pela Receita Federal, de qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo. 19. Desta forma, é flagrante a ilegalidade da exigência de multa de caráter moratório ou punitivo no presente Auto de Infração, devendo a mesma ser integralmente anulada. Primeiramente, há que se destacar a tamanha injustiça do tratamento dado pela Receita Federal na presente circunstância em comparação às demais autuações em que os contribuintes são autuados em virtude do não pagamento de tributos não declarados. 20. Na aludida circunstância, o agente administrativo lavra autuação fiscal exigindo do contribuinte inadimplente, frisese, que deixou de oferecer à tributação o fato gerador, uma multa punitiva de 75% (setenta e cinco por cento) além da cobrança do devido crédito tributário. 21. Desta forma, é forçoso evidenciar, compartilham o contribuinte autuado e a Receita Federal do Brasil que o pagamento de PLR não deve sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, restando como divergência o fato dos acordos efetuados atenderem ou não ao que determina a lei. 22. Estáse assim, diante de situações completamente distintas: a primeira, do contribuinte que omitiu o fato gerador da tributação, deixando de recolher e declarar tributos, e a segunda, da ora Impugnante, que agiu de acordo com a Lei, já que a PLR não constitui fato gerador das contribuições previdenciárias, mas que o Fisco não concorda com os termos do acordo firmado com os empregados (questão unicamente formal). A sutil diferença, ilustre julgador, reside no intuito do contribuinte, na completa ausência de dolo ou culpa da ora Impugnante, que sequer poderia imaginar em recolher o tributo ora exigido, uma vez que a Lei assim não o determina. 23. Assim, está cabalmente comprovado que a multa aplicada à ora impugnante afronta o texto constitucional, colidindo frontalmente com os princípios constitucionais da Razoabilidade, Proporcionalidade e do Não confisco, devendo, portanto, ser afastada. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 5 7 24. Diante das razões apresentadas, requer: 25. Seja declarada a improcedência do AI, haja vista que o pagamento de PLR não possui natureza salarial, na forma descrita acma. 26. Caso assim não entendam que se autue apenas a rubrica paga no período de julho de 2005, bem como sejam anuladas as multas aplicadas, uma vez que afrontam os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 207. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No mérito, foram atacados o fato de entender que a verba PLR é desvinculada do conceito de remuneração, como salário de contribuição para efeitos previdenciários, bem como a inaplicabilidade da multa imposta. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do PLR entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 6 9 Contudo, entendo que a questão tenha que ser melhor apreciada, considerando as caraterísticas dos pagamentos e as regras impostas pela lei aos seus pagamentos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, também requer seja excluída a multa, face a ausência de intenção em fraudar e seu caráter confiscatório, contudo entendo que não é esse o entendimento previsto na legislação. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 7 11 Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. DA ESTIPULAÇÃO DE METAS Quanto a previsão em AC/CC, temos por entendido, que este é apenas um dos requisitos, sendo que não conseguiu o mesmo demonstrar que houve a estipulação de metas, quando da realização do referido acordo. Ainda conforme descrito na informação fiscal, outro ponto que justifica o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros é o fato que inexistia estipulação de metas claras e objetivas, destacando os instrumentos o pagamento de uma parcela fixa em meses determinados. O próprio recorrente traz em seu recurso que as metas era de conhecimento, não identificando face a prática realizada nos anos anteriores a necessidade das mesmas constarem de forma clara e objetiva no AC/CC. Vejamos: Quanto a este tópico, impera registrar que apesar da fiscalização ter considerado que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n.° 10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa em relação ao ano anterior. Sendo, no entanto, levado em consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado para o ano. Como isto vem sendo feito há mais de 10 (dez) anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 8 13 ou até mesmo do sindicato, em que estas regras constassem de modo detalhado no acordo. Nesse sentido, entendo que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, ou mesmo basear o pagamento em condições anteriores. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento, devendo as mesmas serem negociadas no acordo firmado e não posteriormente em documento apartado junto a empresa. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, conforme transcrito acima, “dos instrumentos DEVERÃO constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (...). Entendo que a expressão “podendo”, descrita no final do dispositivo legal, visou apenas indicar os incisos I e II, como exemplos, mas de forma alguma, afastou o estabelecimento de critérios. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados. Bastanos apreciar tanto a convenção coletiva, quanto os acordos firmados, que identificamos não existir qualquer critério quanto a participação dos empregados nos lucros. DO ARQUIVAMENTO TARDIO. Outro ponto trazido pelo auditor para caracterizar a verba como salário de contribuição, foi o fato da empresa não ter cumprido a regra do arquivamento do acordo no sindicato respectivo. Quanto a este ponto, passemos a apreciar a lei: § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. É sabido, que o alcance de um acordo ou mesmo convenção coletiva restringese a categoria profissional abarcada na base territorial objeto do acordo dentro do seu prazo de vigência. Neste sentido, correto tratamento atribuído pela autoridade fiscal. Vejamos a Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 definição de acordos e conveções coletivas, que já foram esses os instrumentos adotados pela empresa. Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes respectivas relações de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967). Art. 613 As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatòriamente:(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) I Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e emprêsas acordantes;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) II Prazo de vigência;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) III Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) IV Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) V Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da aplicação de seus dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VI Disposições sôbre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VII Direitos e deveres dos empregados e emprêsas;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VIII Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as emprêsas em caso de violação de seus dispositivos.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados por escrito, sem emendas nem rasuras, em tantas vias quantos forem os Sindicatos convenentes ou as emprêsas acordantes, além de uma destinada a registro.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 614 Os Sindicatos convenentes ou as emprêsas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acôrdo, o depósito de uma via Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 9 15 do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos demais casos. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º As Convenções e os Acôrdos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Cópias autênticas das Convenções e dos Acordos deverão ser afixados de modo visível, pelos Sindicatos convenentes, nas respectivas sedes e nos estabelecimentos das emprêsas compreendidas no seu campo de aplicação, dentro de 5 (cinco) dias da data do depósito previsto neste artigo.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 3º Não será permitido estipular duração de Convenção ou Acôrdo superior a 2 (dois) anos. Art. 615 O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação total ou parcial de Convenção ou Acôrdo ficará subordinado, em qualquer caso, à aprovação de Assembléia Geral dos Sindicatos convenentes ou partes acordantes, com observância do disposto no art. 612.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º O instrumento de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação de Convenção ou Acôrdo será depositado para fins de registro e arquivamento, na repartição em que o mesmo originariamente foi depositado observado o disposto no art. 614.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º As modificações introduzidos em Convenção ou Acôrdo, por fôrça de revisão ou de revogação parcial de suas claúsulas passarão a vigorar 3 (três) dias após a realização de depósito previsto no § 1º.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Ora, alega a empresa que o arquivamento das mesmas após o início do procedimento fiscal, quase 3 anos após a realização do primeiro acordo, não fere a legislação, visto que a mesma não estabelece prazo para o arquivamento. No caso, a empresa formalizou o pagamento dos PLR por meio dos negociações coletivas, que possuem prazo de validade e referemse ao pagamento da verba em um determinado período. Como admitir que um acordo encontrase válido, se descumprido um requisito formal, que é o seu arquivamento no órgão competente. Se realmente a lei não exigisse o seu arquivamento para dar legitimidade, publicidade e vigência ao ato, qual sentido haveria na sua exigência. Ao arquivar os documentos no ano de 2009, não há que se falar que o acordo de 2005, 2006 ou 2007 ainda estivesse em vigor. Pelo contrário, haviam sido finalizados, os valores já haviam sido inclusive pagos. Não entendo que no presente caso, o arquivamento tardio, tenha convalidado um acordo, já inclusive sem validade! Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Ademais, as fls. 79 dos autos, conta cópia da Convenção coletiva, que em seu art. 9, possibilita o pagamento de PLR, podendo o mesmo ser negociado por meio de acordo coletivo, porém determina o seu arquivamento no sindicato e na DRT. Só para começar os acordos apresentados as fls. 118 a 125 não são acordos coletivos, portanto, não encontramse em consonância com a convecção coletiva firmada. Poderíamos entender tratarse então de acordo realizado entre a empresa e seus empregados, porém os mesmos não tem sequer a indicação do representante do sindicato, e ao não serem arquivados não possuem qualquer legitimidade, para determinar o pagamento de acordo com os propósitos da lei 10.101/2000. Ademais, ao apreciarmos o texto do art. 614, não nos restam dúvidas, a vigência de uma acordo só se inicia após 3 dias do seu arquivamento no órgão correspondente Nos termos do art. 616 da norma citada: “os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2ºNo caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. A participação do sindicato (seja na participação do acordo, ou mesmo arquivando o documento resultante), tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente êxito em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de salário de contribuição, razão porque correto o lançamento realizado. QUANTO A MULTA IMPOSTA Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 10 17 Em relação ao questionamento acerc do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 11 19 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentanado que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o pagamento de PLR não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Ademais, mesmo tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728445/200974 Acórdão n.º 2401002.957 S2C4T1 Fl. 12 21 No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.008614/89-48
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 1991
Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE
PIS/DEDUÇÃO - EXERCICIOS 85/86
Procedente o lançamento tributário maior que reconhe
cera determinadas diferenças a titulo de imposto de
renda da pessoa jurídica, é de se confirmar o lançamento
decorrente para exigir a contribuição em tela.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 103-11.788
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade . de votos, em rejeitar as
preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso.o
Nome do relator: Victor Luis de Salles Freire
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199111
ementa_s : LANÇAMENTO DECORRENTE PIS/DEDUÇÃO - EXERCICIOS 85/86 Procedente o lançamento tributário maior que reconhe cera determinadas diferenças a titulo de imposto de renda da pessoa jurídica, é de se confirmar o lançamento decorrente para exigir a contribuição em tela. Recurso a que se nega provimento.
numero_processo_s : 10845.008614/89-48
conteudo_id_s : 5538873
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 103-11.788
nome_arquivo_s : Decisao_108450086148948.pdf
nome_relator_s : Victor Luis de Salles Freire
nome_arquivo_pdf_s : 108450086148948_5538873.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade . de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso.o
dt_sessao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 1991
id : 6163933
ano_sessao_s : 1991
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608172654592
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-03T11:54:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-03T11:54:17Z; Last-Modified: 2009-08-03T11:54:17Z; dcterms:modified: 2009-08-03T11:54:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-03T11:54:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-03T11:54:17Z; meta:save-date: 2009-08-03T11:54:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-03T11:54:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-03T11:54:17Z; created: 2009-08-03T11:54:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-03T11:54:17Z; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-03T11:54:17Z | Conteúdo => T:. Sty44.,- *(tty, - MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Processo n9 10845/008.614/89-48 • .MFCT Sessão de 07 de novembro de 1991 AcoeoÃoN9103-11,288 Reeureon% 59.776 - PIS DEDUÇÃO - EXS: 1985 e 1986 Recorrente: DISTRIBUIDORA DE DISCOS E FITAS SANTISTA LTDA Recorrida : DRP em SANTOS - SP • LANÇAMENTO DECORRENTE PIS/DEDUÇÃO - EXERCICIOS 85/86 Procedente o lançamento tributário maior que reconhe cera determinadas diferenças a titulo de imposto de renda da pessoa jurídica, é de se confirmar o lança- mento decorrente para exigir a contribuição em tela. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DISTRIBUIDORA DE DISCOS E FITAS SANTISTA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade . de votos, em rejeitar as preliminares arge'ías e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sal d---.saes-DF., em 07 de novembro de 1991 s 'e MA • 100110,DEIRA - PRESIDENTE • /PI! • AtoR LUIS III4 " IRE - RELATOR 4:11 VISTO EM ZRITilTO HOL sP DA BRAGA - PROCURADOR DA FAZENDA NA- SESSÃO DE: 2 o FEV 1992 CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, D1CLER DE AS- SUNÇÃO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA e ILCENIL FRANCO. Ausente o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DEOLI VEIRA. • DAIWP/OF- !ECOO Ne 054/50 JP4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 10845/008.614/89-48 RECURSO N9: 59.776 ACCMDA00: 103-11.788 RECORRENTE: DISTRIBUIDORA DE DISCOS È FITAS SANTISTA LTDA RELATÓRIO O vertente procedimento é corolAriodeoutro,rmtior, onde se apuraram determinadas diferenças de imposto de renda da pessoa jurídica, a partir da caracterização de passivos fictí- cios, pagamentos não contabilizados e saldo credor de caixa. Nesta oportunidade exige-se diferenças a título de Pis/Dedução, entendendo a decisão monocrAtica de consagrar o lan- çamento acessório pelas mesmas condicionantes com que consagrou o lançamento maior. • Em seu recurso a parte recorrente, após repisar as preliminares levantadas no âmbito do recurso formulado no pro- cesso matriz, em mérito se reporta As razões ali produzidas. E o relatório. VOTO Conselheiro VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, Relator. Tomo conhecimento do apelo já que ofertaao no pra zo da lei. .4G2se• _ DANZIP/Of 3V.008 111 CleS/ 90 4.11. • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10845/008.614/89-48 2.. Acórdão n9 103-11.788 A seguir, inicialmente, pelas mesmas considerações prolatadas no voto proferido no âmbito do procedimento principal, que deram margem ao Acórdão n9 103-11.717, rejeito as preliminares suscitadas, por incipientes. E, em mérito, também por iguais funda- mentos, ao consagrar o 1 nçamento principal, tenho como absolutamen te correto o vertente 1 nçamento acessório. Ne o po s provimento ao recurso, ficando rejeitadas as preliminares. Br si i bF., em 7 novembro de 1991 VICTOR LUIS SALLES FREIRE - RELATOR MECT. Page 1 _0088900.PDF Page 1 _0089100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19814.000328/2006-83
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 23/01/2006, 14/03/2006
CONDIÇÕES DA PORTARIA MF N° 150/82 - A Recorrente não logrou êxito em demonstrar o cumprimento das condições que lhe tornariam elegível ao tratamento diferenciado das mercadorias defeituosas ou imprestáveis ao fim a que sc destinam.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO - Não há lei que preveja expressamente a aplicação dc juros sobre multa de ofício, não sendo possível fazê-lo com base na ilação de que multa de oficio é uma obrigação principal tanto quanto aquela que decorre da ocorrência do fato gerador do tributo. Os institutos da remissão c da anistia comprovam tal distinção.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-000.583
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, 2ª câmara / 1ª turma ordinária por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à preliminar de razoável duração do processo, e por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso quanto ao mérito, Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
ementa_s : Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 23/01/2006, 14/03/2006 CONDIÇÕES DA PORTARIA MF N° 150/82 - A Recorrente não logrou êxito em demonstrar o cumprimento das condições que lhe tornariam elegível ao tratamento diferenciado das mercadorias defeituosas ou imprestáveis ao fim a que sc destinam. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO - Não há lei que preveja expressamente a aplicação dc juros sobre multa de ofício, não sendo possível fazê-lo com base na ilação de que multa de oficio é uma obrigação principal tanto quanto aquela que decorre da ocorrência do fato gerador do tributo. Os institutos da remissão c da anistia comprovam tal distinção. Recurso Voluntário Provido em Parte.
numero_processo_s : 19814.000328/2006-83
conteudo_id_s : 5397388
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.583
nome_arquivo_s : Decisao_19814000328200683.pdf
nome_relator_s : Daniel Mariz Gudiño
nome_arquivo_pdf_s : 19814000328200683_5397388.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, 2ª câmara / 1ª turma ordinária por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à preliminar de razoável duração do processo, e por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso quanto ao mérito, Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
id : 5703913
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-31T17:54:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-31T17:55:56Z; Last-Modified: 2014-10-31T17:54:54Z; dcterms:modified: 2014-10-31T17:54:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:bc2d0a0e-0f43-4016-9397-c894094d248d; Last-Save-Date: 2014-10-31T17:54:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-31T17:54:54Z; meta:save-date: 2014-10-31T17:54:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-10-31T17:54:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-31T17:55:56Z; created: 2014-10-31T17:55:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2014-10-31T17:55:56Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2014-10-31T17:55:56Z | Conteúdo =>
_version_ : 1714076608174751744
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013439/85-71
Data da sessão: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPJ - EXERCÍCIO DE 1981/1982 - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
NO CREDITO TRIBUTÁRIO - ARGUIÇÃO DE IRREGULARIDADE - SILENCIO DA DECISÃO RECORRIDA
Quedando-se silente a decisão recorrida no tocante
a uma das matérias que compõe o litígio fiscal, impõe
o retorno dos autos ã instância de origem para
sua apreciação, a fim de que se exaura a prestação
jurisdicional ao nível da mesma.
Recurso provido de ofício.
Numero da decisão: 103-11.919
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão singular que não apreciou todos os itens da impugnação.
Nome do relator: Victor Luiz De Salles Freire
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 199201
ementa_s : IRPJ - EXERCÍCIO DE 1981/1982 - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS NO CREDITO TRIBUTÁRIO - ARGUIÇÃO DE IRREGULARIDADE - SILENCIO DA DECISÃO RECORRIDA Quedando-se silente a decisão recorrida no tocante a uma das matérias que compõe o litígio fiscal, impõe o retorno dos autos ã instância de origem para sua apreciação, a fim de que se exaura a prestação jurisdicional ao nível da mesma. Recurso provido de ofício.
numero_processo_s : 10680.013439/85-71
conteudo_id_s : 5539292
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 103-11.919
nome_arquivo_s : Decisao_106800134398571.pdf
nome_relator_s : Victor Luiz De Salles Freire
nome_arquivo_pdf_s : 106800134398571_5539292.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão singular que não apreciou todos os itens da impugnação.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 09 00:00:00 UTC 1992
id : 6163982
ano_sessao_s : 1992
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608194674688
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-23T14:18:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-23T14:18:47Z; Last-Modified: 2009-07-23T14:18:48Z; dcterms:modified: 2009-07-23T14:18:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-23T14:18:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-23T14:18:48Z; meta:save-date: 2009-07-23T14:18:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-23T14:18:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-23T14:18:47Z; created: 2009-07-23T14:18:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-23T14:18:47Z; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-23T14:18:47Z | Conteúdo => n 0¥1.47;3 f0::::::Og 4"frs- amastirtio DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Processo n9 10680/013.439/85-71 MFCT Soado cle..22..ide,-44310..trade 3.992 ACORMION9103 —11.219 Ruwmont 99.272 - IRPJ - EXS: 1981 e 1982 Recommte; FAZENDA NOVA GRANJA LTDA Recorrido: DRF em BELO HORIZONTE - MG IRPJ - EXERCÍCIO DE 1981/1982 - COMPENSAÇÃO DE PRE- JUÍZOS NO CREDITO TRIBUTÁRIO - ARGUIÇÃO DE IRREGULA RIDADE - SILENCIO DA DECISÃO RECORRIDA Quedando-se silente a decisão recorrida no tdcante a uma das matérias que compõe o litígio fiscal, im- põe o retorno dos autos ã instância de origem para sua apreciação, a fim de que se exaura a prestação jurisdicional ao nível da mesma. Recurso provido de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAZENDA NOVA GRANJA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão singular que não apreciou todos os itens da im _ pugnação. Sala das Sessões-DE', em 09 de janeiro de 1992 I! ,_ .0,...,7 ie- - MA /MAC 0 %• D IRA (.1:7 - PRESIDENTE VICTOÁ E S , • FREIRE - RELATOR Sei 'III t VISTO EM Z.nNUW. HOLANDA B . b0..• - PROCURADOR DA FAZEN - SESSÃO DE: 2 O FEV 1992 ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os segulitas Conselhei ros: MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, ' DICLER DE ASSUNÇÃO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA e ILCE - NIL FRANCO. , ANEFP/DF- SECO, Ne 014/10 4'°•1 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10680/013.439/85-71 RECURSO 9: 99.272 ACORDAONS : 103-11.919 RECORRENTE: FAZENDA NOVA GRANJA LTDA RELATÓRIO A partir do auto de infração de fls. 61, irrogou- -se ao contribuinte autuado, pelos exercícios de 1981 e 1982, respectivamente anos-base 1e.1980 e 1981, a prática dos seguin- tes ilícitos tributários: Exercício de 1981 - apropriação aos custos de produtos vendidos de parcelas correspondentes a amortizações da conta do ativo circu- lante e realizável a longo prazo "Matrizes-aves poedeiras5 Exercício de 1982 - apropriação aos custos dos produtos vendidos de parcelas correspondentes ã amortização da conta do ativo circulan- te e realizável a longo prazo "Matrizes-aves poedeiras"; - falta de adição ao lucro liquido, para a apuração do lu- cro real, do valor do excesso de remuneração apontado. Observa-se ainda do mencionado auto que a Fiscali zação procedeu à compensação, no crédito tributário, de prejuízo • dado como existente nos livros fiscais do autuado, indicado a 5c. J.14 MIEFP/ DF - SECOS Ni O 65/ 110 . , • _ . . _ • UfACOMIÊVati-11 VCORDt/0 54/L • slÊs;(143;30 ysó . • bm9s, F.:Sn(' :•.• •.• • 358:>»,;(+ bo grier Ç.-:fzz.0,Ew4r _ Si ?IMO MOUCO MUN. Processo n9 10680/013.439/85-71 2. Acórdão n9 103-11.919 fls. 47 a 49. . Formulando sua defesa inaugural, desde logo impugnou o contribuinte autuado o prejuízo manipulado pela Fiscalização, cha mando a atenção de que pelo acórdão cuja cópia se acha ans. 76/75 o lançamento suplementar reportado no Termo de Encerramento de Fis- calização, que modificara o prejuízo até então apurado, não mais po daria ser objeto de cogitação para a avaliação do real prejuízo a compensar nestes autos, dado que lograra sucesso na discussão da per lenga que embasara o referido lançamento. A seguir, formula contes- tação de mérito. A decisão monocrática julga improcedente a impugna- ção, atacando apenas o pano de fundo da discussão, e mantendo-se si lente sobre a apontada compensação irregular dos prejuízos no auto de infração vestibular. o breve relatório. VOTO Conselheiro VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, Relator. Conheço do recurso jã que ofertado no interregno pro cessual apropriado. De início tenho para mim que a decisão monocrática não aperfeiçou totalmente o lançamento tributário eis que, quedan- do-se no silàncio sobre a matéria relativa ã compensação irregular dos prejuízos, apenas enfrentou o mérito propriamente dito da ques- tão. Assim, para que uma nulidade dão venha futuramente a ser invocada, ainda que a parte recorrente se tivesse mantido si- lente sobre esta omissão, e em respeito ao princípio do duplo gral de jurisdição, dou provimento ao recurso para determinar que a ins tãncia singular, exaura o contraditório, apreciando, por igual, ("<;Ze SERVIÇO PuBLICOFEDERAI. processo n9 10680/013.439/85-71 Acórdão n9 103-11.919 pedido pertinente ã compensação dos prejuizos, pelo que a decisã fica anulada a fim de que outra seja proferida na boa e devida foí ma. Bras/1 ai:F., em •9 d j eiro de 1992 , qp . TOR LUIS DE gilLES FREIRE - RELATOR • • MFCT. Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1 _0016500.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001729/2003-87
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercícios: 1999, 2000
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. O pedido de prorrogação do prazo para impugnação, além de apresentado após o encerramento do prazo, carece de previsão legal, pelo que nenhum efeito pode produzir.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercícios: 1999, 2000 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. O pedido de prorrogação do prazo para impugnação, além de apresentado após o encerramento do prazo, carece de previsão legal, pelo que nenhum efeito pode produzir. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 19647.001729/2003-87
conteudo_id_s : 5530613
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.287
nome_arquivo_s : Decisao_19647001729200387.pdf
nome_relator_s : Waldir Viega Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 19647001729200387_5530613.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
id : 6146387
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608253394944
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:51:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:51:50Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:51:51Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:51:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:86aae5a4-9fc4-44a3-85eb-6af134e48a01; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:51:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:51:51Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:51:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:51:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:51:50Z; created: 2010-07-13T13:51:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-07-13T13:51:50Z; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:51:50Z | Conteúdo => SI-C3TI Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS „. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19647.001729/2003-87 • Recurso n° 167.564 Voluntário Acórdão n° 1301-00.287 — 3" Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente SPORT CLUB DO RECIFE Recorrida 4aTURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercícios: 1999, 2000 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. O pedido de prorrogação do prazo para impugnação, além de apresentado após o encerramento do prazo, carece de previsão legal, pelo que nenhum efeito pode produzir. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Ricardo Luiz Leal de Melo. ettyvvl SUAAJJ- evir LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEIGA OCHA - Relator EDITADO EM: 2 d A j Li Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Thiago D'Avila Melo Fernandes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Sandra Maria Dias Nunes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SPORT CLUB DO RECIFE, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 11-18.789, de 30/04/2007, da 4 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Jul gamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de Autos de Infração para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ — fl. 13), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL — fl. 42), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS — fl. 22) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins — fl. 32), com multas de 225% além de juros de mora. O crédito total lançado monta a R$ 21.219.712,44, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 12). As irregularidades constatadas pelo Fisco se encontram descritas em detalhe no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 51/64. Do relatório do processo em primeira instância, transcrevo os excertos abaixo, relevantes para a decisão que se há de tomar neste julgamento: O Contribuinte foi cientificado dos autos de infração do presente processo através de Aviso de Recebimento — AR, à fl. 561, no dia 23/09/2003. No dia 17/11/2003 foi lavrado o Termo de Revelia, à E. 563. Posteriormente foi juntado ao presente processo o processo de n° 19647.003098/2003-31, à fl. 570, no qual consta a solicitação do contribuinte para que fosse prorrogado o prazo para apresentar sua impugnação. Esta solicitação foi protocolizada no dia 24/10/2003. No dia 30/10/2006 a contribuinte apresenta sua impugnação, às Es. 586 a 611, alegando preliminarmente a questão relacionada com a tempestividade da impugnação. Afirma a contribuinte o seguinte: - Que foi cientificada dos autos de infração do presente processo no dia 23/09/2003, portanto a partir desta data, de acordo com o Decreto n° 70.235/1972 - Processo Administrativo Fiscal - PAF tinha trinta dias para apresentar suas contestações. No entanto, na data não dispunha da documentação necessária e requereu a prorrogação do prazo. Alega que este pedido de prorrogação não foi respondido pela DRF/Recife-PE. - Em seguida cita o art. 60 do Decreto n° 70.235/1972 - Processo Administrativo Fiscal - PAF e requer a correção desta falha. Diante do alegado também requer a consideração desta impugnação como tempestiva. Ainda complementa afirmando que o pedido de prorrogação foi apresentado dentro do prazo e que a falta de resposta por parte do fisco caracteriza cerceamento do direito de defesa. Cita ainda o ADN COSIT IN' 15/1996. - Nas fls. 588 a 611 a contribuinte apresenta alegações de mérito. A 4a Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 11-18.789, de 30/04/2007 (fls. 647/651), dela não conheceu, por considerá-la intempestiva, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ 2 Processo n° 19647.001729/2003-87 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.287 Fl. 2 Ano-calendário: 1998, 1999 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. EFEITOS. A defesa apresentada fora do prazo legal não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Ciente da decisão de primeira instância em 12/06/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 653, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/06/2007, conforme carimbo de recepção à folha 654. No recurso interposto (fls. 654/678), alega preliminarmente que sua impugnação teria sido tempestiva. Eis os fatos, por sua ótica: - Foi cientificado da autuação em 23/09/2003; - Por não dispor de todos os documentos exigidos pelo órgão fiscal, apresentou pedido de prorrogação do prazo de apresentação da impugnação; - Esse pedido de prorrogação de prazo não foi apreciado pela Secretaria da Receita Federal até a presente data (do recurso voluntário), o que caracterizaria omissão por parte do órgão federal; - Na ausência de pronunciamento deferindo ou indeferindo o pedido de prorrogação, a impugnação seria evidentemente tempestiva; Assim, requer a reforrna da decisão recorrida para determinar o retorno do processo à DRJ Recife para que analise o mérito da impugnação em face de sua tempestividade. Alternativamente, caso este Conselho assim entenda, requer o julgamento das questões de mérito, julgando improcedente a ação fiscal. Às fls. 656/678 a recorrente desenvolve seus argumentos acerca da decadência e, no mérito, contra a suspensão de sua isenção, o arbitramento do lucro e as multas aplicadas. É o Relató 3 • Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha O recurso é tempestivo e dele conheço. Desde que a impugnação não foi conhecida pela Autoridade Julgadora em primeira instância, por perempta, o objeto do recurso voluntário ora analisado restringe-se, tão somente, à alegação de tempestividade daquela peça processual. Desde já, deixo claro que não conheço dos argumentos trazidos pela recorrente que transbordam essa matéria. Acerca do terna, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 14. A. impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) Também sobre a matéria, pertinentes as disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15, de 12/07/1996 (DOU de 16/07/1996): O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1' da Lei 12° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Compulsando os autos, constato que a ciência da autuação se deu em 23/09/2003, terça-feira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 561. À luz dos dispositivos legais acima transcritos, a contagem do prazo para impugnação se iniciaria no dia seguinte, 24/09/2003, quarta-feira, e expiraria em 23/10/2003, quinta-feira. 4 Processo n° 19647.001729/2003-87 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.287 Fl. 3 Assim sendo, a impugnação de fls. 586/611, apresentada em 30/10/2006, mais de três anos após o prazo legal, é intempestiva, corno bem concluiu a Autoridade em pri m ei ra • i nstânci a. Quanto ao pedido de prorrogação do prazo para impugnação por mais trinta dias, protocolizado em 24/10/2003 (fl. 570), cabe observar: (i) a absoluta falta de previsão legal para a prorrogação pleiteada; (ii) que, ainda que fosse possível prorrogar o prazo, o pedido foi formalizado quando já expirados os trinta dias previstos no Decreto n°70.235/1972. Também' não se há de acolher o argumento da interessada de que, na falta de resposta formal ao seu pedido de prorrogação, a impugnação deveria ser considerada tempestiva. A urna, porque tenho que o termo de revelia (fl. 563) e a carta cobrança (fl. 564) constituem manifestação objetiva da Administração Tributária, suficiente para a ciência do contribuinte de que seu pedido fora indeferido, ainda que tacitamente. A duas, porque não se há de cogitar atribuir a um pedido extemporâneo e sem previsão legal o condão de suspender por três anos o prazo para impugnação ao lançamento. Ainda, ao contrário do que afirma a recorrente, o acórdão combatido apreciou expressamente, em preliminares, a questão da tempestividade, como determina o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15/96. Não vislumbro, pois, prejuízo nesse sentido à interessada, nem cerceamento ao seu direito à ampla defesa. Qualquer prejuízo que porventura lhe advenha deve ser imputado tão somente à sua própria inércia. Por todo o exposto, não faço reparos à decisão a quo, e voto por negar provimento ao recurso voluntário. [.° WALDIR VÉIGÂ OCHA - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000136/2002-61
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 14/02/1997, 14/03/1997, 15/04/1997
CRÉDITOS FINANCEIROS. MONTANTE. APURAÇÃO.
Compete à autoridade administrativa apurar o montante dos créditos financeiros (indébitos) reconhecidos na esfera judicial de conformidade com a decisão transitada em julgado.
DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS EXIGIDOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL.
A compensação de débitos tributários, informada em DCTF, realizada com amparo em decisão judicial, deve ser convalidada pela autoridade administrativa até o limite do montante do crédito financeiro reconhecido na ação judicial respectiva.
MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTF.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 14/02/1997, 14/03/1997, 15/04/1997 CRÉDITOS FINANCEIROS. MONTANTE. APURAÇÃO. Compete à autoridade administrativa apurar o montante dos créditos financeiros (indébitos) reconhecidos na esfera judicial de conformidade com a decisão transitada em julgado. DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS EXIGIDOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. A compensação de débitos tributários, informada em DCTF, realizada com amparo em decisão judicial, deve ser convalidada pela autoridade administrativa até o limite do montante do crédito financeiro reconhecido na ação judicial respectiva. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTF. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10920.000136/2002-61
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5312416
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-002.100
nome_arquivo_s : Decisao_10920000136200261.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 10920000136200261_5312416.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5204564
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608293240832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 394 1 393 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.000136/200261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.100 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria PIS AI Recorrente CAFÉ DAMASCO S/A. Recorrida FAZZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/02/1997, 14/03/1997, 15/04/1997 CRÉDITOS FINANCEIROS. MONTANTE. APURAÇÃO. Compete à autoridade administrativa apurar o montante dos créditos financeiros (indébitos) reconhecidos na esfera judicial de conformidade com a decisão transitada em julgado. DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS EXIGIDOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. A compensação de débitos tributários, informada em DCTF, realizada com amparo em decisão judicial, deve ser convalidada pela autoridade administrativa até o limite do montante do crédito financeiro reconhecido na ação judicial respectiva. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTF. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 36 /2 00 2- 61 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Curitiba (PR) que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de janeiro a março de 1997. O lançamento decorreu da não localização dos pagamentos informados nas respectivas DCTF, detectada, mediante a realização de auditoria interna. Intimada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando, em síntese, que as parcelas lançadas e exigidas foram compensadas com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou maior do PIS, efetuados sob à égide dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, com amparo em decisão judicial, na ação ordinária nº 96.00146594, interposta perante a 2ª Vara da Justiça Federal em Curitiba. Contestou, ainda, a multa de ofício, no percentual de 75,0 % do crédito tributário e a exigência de juros de mora à taxa Selic. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0615.599, datado de 26/09/2007, às fls. 362/3369, sob as seguintes ementas: “AUDITORIA INTERNA DE DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA E FALTA DE RECOLHIMENTO. Presente a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, autorizada está a formalização de oficio do crédito tributário correspondente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10920.000136/200261 Acórdão n.º 3301002.100 S3C3T1 Fl. 395 3 Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa ofício e juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase nãoformulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos legais.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 382/389), requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, as mesmas razões expendida na impugnação, defendendo, inclusive, a semestralidade da base de cálculo do PIS, nos termos da LC nº 7, de 1970, e a prescrição do direito de repetir/compensar os indébitos desta contribuição nos termos dos § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim dele conheço. O direito à compensação dos créditos financeiros (indébitos tributários), decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior de PIS, com os débitos, objetos do lançamento em discussão, foi reconhecido à recorrente, na esfera judicial, por meio da ação ordinária nº 96.00146594, interposta perante a 2ª Vara da Justiça Federal em Curitiba (PR). Assim, o montante dos indébitos, passível de compensação deve ser apurado pela autoridade administrativa competente, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive, em relação à atualização monetária, juros compensatórios e prescrição. A semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, nos termos da LC nº 7, de 1970, art. 6º, parágrafo único, constitui matéria sumulada por este Conselho Administrativo Recursos Fiscais (CARF), conforme Súmula nº 15: “Súmula 15. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Dessa forma, em relação à semestralidade da base de cálculo do PIS, aplica se esta súmula. Quanto à compensação realizada na DCTF e informada à Receita Federal, a recorrente efetuoua com amparo em decisão judicial pendente de trânsito em julgado. Assim, caberia à autoridade administrativa, ter aceitadoa sob condição resolutiva, permanecendo nesta condição até o trânsito em julgado da respectiva decisão, quando seria implementada ou não, de conformidade com a decisão. Como não o fez e a decisão transitou em julgado na data de 25 de outubro de 1999 (fls. 109), cabe àquela autoridade efetuála, nos termos da respectiva decisão judicial. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Já em relação à exigência da multa de ofício, como se trata de lançamento de parcelas declaradas DCTF cujas compensações não foram convalidadas, sua exigência deve ser cancelada, por força da retroatividade benigna das leis, aplicandose ao caso o disposto na Lei nº 10.833, de 29 de setembro de 2003, art. 18, c/c o CTN, art. 106, II, “c”. "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Por fim, a exigência de juros de mora à taxa Selic constitui matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos (CARF), nos termos da súmula nº 4 que assim dispõe: “Súmula nº 4. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Assim, por força no disposto no § 4º do art. 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), obrigatoriamente, adotase para este caso aquela súmula, reconhecendose a legalidade da exigência de juros de mora à taxa Selic. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício, reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS, o direito de a recorrente compensar os débitos tributários, em discussão, com créditos financeiros decorrentes do PIS, pagos a maior nos termos dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos nos termos das LCs nº 7. de 1970, e nº 17, de 1973, cabendo à autoridade administrativa apurar os indébitos (créditos financeiros) e seu montante, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado e convalidar as compensações até o limite apurado, exigindose possível saldo e/ ou débitos não extintos pela convalidação ora determinada. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
