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Numero do processo: 11516.002027/2003-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1401-000.047
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 2 de setembro de 2010. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner — Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Noiva Monteiro - Relator 13 OUT 201e Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Alexei Marcorin Vivan, Viviane Vida! Wagner e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relatório Trata-se de Pedido de Restituição protocolizado em 04/09/03, inicialmente formulado nos seguintes termos: "Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras no Fundo Inv. Fie Dívida Pública Estadual — FAE, referentes aos e yercicios de 2002 e 1" semestre de 2003" (11.01). .i\rtalo digihrearee em -12f U , 20 . 10 v.)1' E.EAJARDO fvlARTINS NE1VA 13 n 10120 I O por VIVP\ t,'MGNER AelenticAcio digrneiOe on 12z1::i2010 por EDUARDO i',IARTINS NOIVA MCflfrEIRC E.:Inielo 1;1I10.2010 pIo i' ,..iinstérie da Rw.enda 1)F . CAIU I" I.. 2 Processo o" 11516.002027/2003-02 SI-C41 1 Resolução n " 1401-00.047 H 225 Em conformidade com a documentação anexada pelo requerente e Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER) transmitidos em 26/05/04, a Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis passou a tratar o pleito corno sendo decorrente de saldo negativo de IRRI (1° trimestre de 2002 ao 2' trimestre de 2003). Além disso, foi incluída na análise PER/DCOMP (de 14/01/05), vez que o suposto crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no 4° trimestre de 2003 foi indicado na compensação de débitos de PIS e COFINS (fL84) Em 01/03/07, por meio de Despacho Decisório (fisi63/168), houve reconhecimento parcial do direito creditório, no valor de R$ 98,688,73, tendo sido homologadas as compensações até tal limite, Com relação ao valor de IRRE informado no 4° trimestre de 2003 (R$ 538.395,88), no sistema SIEF/DIRF ".. não consta que o interessado constitua o beneficiário de tal retenção, tampouco a citada Fonte Pagadora, segundo o mencionado sistema, promoveu a retenção requerida. Destarte, não fbi comprovado mediante DIRF o IRRF por Órgão Público", Na Manifestação de Inconformidade o contribuinte reafirmou a retenção na fonte, tendo anexado suposto comprovante de rendimentos, sem assinatura da fonte pagadora e em desconformidade com o modelo estabelecido pela Instrução Normativa SRF ri° 41, de 22/04/98, ao tempo em que requereu: ''Intimação da CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA — CELESC — 83 878.892/0001-55 com o objetivo de sanar as irregularidades existentes, para comprovar o recolhimento e/ou retificar a DIRF' dos Anos-calendário 2003 (R$538.395,88), ( ), identificando como beneficiária a INVESC — CNPJ 00 897 864/0001- 58 com código de retenção 5706 (Juros sobre o capital próprio da Empresa CELESC), conforme comprovante de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Juridica (cópias anexas)" Em primeira instância manteve-se a decisão da DRF — Florianópolis (SC), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.199/205): COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO 'TRIBUTÁRIO — LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem compensação como forma de extinção da obrigação tribuiái ia, devem i estar revestidos de liquidez e certeza Assim, os tributos e contribuições sociais retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos poderão ser utilizados para fins de compensação ou restituição, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA — INDEFERIMENTO. A diligência não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos No Recurso Voluntário (fls.210/211) objetivamente aduziu-se: "1 — Considerando os termos do último parágrafo do acórdão, alegando ausência de comprovação da retenção e recolhimento dos valores requeridos para restituição, anexamos ao presente recurso cópia assinada dos Comprovantes Anuais de Awinaclo digmenle el p 1W102010 paï EDUARDO MARTU ,IS NEVA MONTEIRO 13! 020 F0 por VrVIANIE VIDAL. WAGNER Aptenticado d[nRairnonNr, oin 101001)1!] Por EDU ARDO IMARTrNS NE IVA MONTEIRO 2 Emii[do e:II 13/10/2010 r, lu iiijl0rjo da Dr (.ARI Ni I' El 3 Processo a" 11516.002027/2003-01 S1-C41 1 Resolução a 0 1401-00.047 Fl 226 Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica, dos anos — calendários de 200.3, 2004, 2005 e 2006 2 — Declaração assinada pelo Chefe do Departamento de Contabilidade Financeira das Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, informando sobre a retificação da DIRF, dos exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, relativo aos valores retidos e informados nos comprovantes acima citados 3 — Cópia dos DARFs para comprovar o efetivo recolhimento das retenções efetuadas." É o que importa relatar' Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator, A solução da controvérsia depende da comprovação do imposto de renda supostamente retido por Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, no valor de R$ 5.38,395,88 Como visto no relatório, em sede de recurso voluntário foram trazidos aos autos informes de rendimentos, DARFs e declarações que teriam sido emitidas pelo Departamento de Contabilidade Financeira daquela sociedade, em que se noticia inclusive a retificação das Declarações de Impostos Retidos na Fonte — DIRF antes da decisão de primeira instância Levando-se em conta a particularidade de tal documentação, produzida por terceira pessoa, ter sido carreada aos autos apenas com o recurso voluntário, é importante, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, que a Receita Federal se pronuncie acerca dos fatos trazidos pela recorrente. Por todo o exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC): a) confirme se a recorrente e as demais pessoas arroladas à 11.221 constam como beneficiárias de DIRF Retificadora relativa ao ano-calendário 200.3, apresentada por Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A (CNN n" 81878,892/0001-55); b) confirme o recolhimento no valor de R$ 1.972 710,80 (11.213), bem como, perante a respectiva pessoa jurídica, a emissão do Informe de Rendimentos (11.216) e da Declaração (11.212) acostados pelo recorrente; e) adote medidas outras que entender pertinentes ao deslinde da controvérsia; d) descreva, em relatório circunstanciado, todas as providências adotadas; e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento, (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro H í. ED1JAIMO MON-1'151RO 111 0-20 10 por V1VIAME V10AL 1/VAG1,1Elz; ...?" 10 1 20 I EDuA pDo IHS 1,111,1,1; EnJi{ido 13/f1.1,201 j)fo !viiniS,Iqir,`, 3 TERMO DE JUNTADA 1" Seção/4" Câmara Declaro que .juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00047, às fls. ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo.. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para cientificar o interessado e demais providências cabíveis. Brasília, Chefe da Secretaria MINISTÉRIO DA FAZENDA Vilp7i\".k CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .; ,.27( PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 11516002027200302 interessado: SANTA CATARINA PARTICIPAÇÃO E INVESTIMENTOS S/A 2N=
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000215/2002-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1401-000.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o
julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado pelo contribuinte, por bem retratar a situação ora analisada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Auto de Infração emitido contra a contribuinte acima identificada, decorrente da constatação de inconsistências em sua DCTF n° 0000100200048003782, apresentada ao primeiro trimestre de 1997, no importe de R$ 39.881,29. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 55, o Fisco apurou falta de recolhimento ou pagamento do principal, Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11256.UI20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13161.000215/200208 Resolução n.º 1401000.068 S1C4T1 Fl. 2 2 declaração inexata, considerando os valores apurados a título de IRPJ na DCTF acima identificada. Pela análise do Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fl. 56), o valor do débito apurado declarado na DCTF foi de R$ 0,00, pois foi informado que o imposto no valor de R$ 14.552,56 teria sido compensado pelo motivo "Comp. s/DARF — Outros — PJU" e informado o processo n° 13161.000310/9918, não tendo sido comprovado o processo judicial referido. Cientificada do auto de infração, em 14/03/2002, fl. 61, a contribuinte interpôs impugnação em 01/04/2002 (fls. 01/18), acompanhada de documentos (fls. 19/51), alegando, preliminarmente: a) a nulidade do lançamento por falta de descrição da matéria tributável e de capitulação legal, motivando o cerceamento do seu direito de defesa; b) a nulidade do lançamento lavrado na pendência de apreciação de recurso interposto em pedido administrativo de compensação de créditos decorrentes de pagamentos indevidos de PIS, citando as Leis n° 8.383/1991, art. 66, e Lei n° 9.430/1998, art. 73 e 74, regulamentados pelo Decreto n° 2.138/1997 e pelas IN/SRF n°21, 37 e 73, de 1997. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: a) o procedimento de compensação do PIS recolhido com base nos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, de 1988, é legítimo, pois o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais aqueles decretoslei e, em razão disso, o Senado Federal editou a Resolução n° 49/1995, retirandoos do mundo jurídico. A contribuição ao PIS, assim, permaneceu devida nos termos da Lei Complementar n° 7, de 1970, até a publicação da Medida Provisória n° 1.212/1995 e suas reedições; b) a Lei n° 8.383/1991, art. 66, expressamente autorizou a compensação de créditos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de tributos, com tributos de mesma espécie e destinação constitucional, independentemente de requerimento; c) também podem ser compensados ditos créditos com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, inclusive e especialmente com o IRPJ, mediante requerimento, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulados pelo Decreto n° 2.138/1997 e pelas IN/SRF n° 21, 37 e 73, de 1997; d) com o reconhecimento do seu direito de pagar o PIS nos termos da Lei Complementar n° 7/1970, especialmente do seu art. 6°, parágrafo único, apurou o montante pago a maior, em razão de ter recolhido a contribuição na conformidade dos decretosleis declarados inconstitucionais, e apresentou Pedido de Ressarcimento mediante Compensação ao órgão local da Receita Federal e passou a compensar os créditos apurados, informando, mensalmente, nas correspondentes DCTF, as compensações efetivadas; Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11256.UI20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13161.000215/200208 Resolução n.º 1401000.068 S1C4T1 Fl. 3 3 e) o lançamento consubstanciado no auto de infração improcede, pois o tributo nele exigido foi solvido por compensação, nos termos da legislação acima referida estando com a sua exigibilidade suspensa; f) mesmo que o lançamento tivesse como escopo a prevenção d decadência, ainda assim o auto de infração estaria maculado por vício insanável, pois contrariou ordem expressa do art. 63 da Lei n° 9.430/1996; g) a utilização da Selic não é possível na exigência de tributos, citando jurisprudência. Às fls. 62/63 a contribuinte apresentou pedido de cancelamento de Comunicação n° 577243223 (fl. 89), pois os débitos ali exigidos constaram do auto de infração contidos nestes autos, estando pendente de julgamento e, portanto, com sua exigibilidade suspensa. A DRF de origem juntou aos autos o recurso voluntário dirigido/ ao segundo Conselho de Contribuintes. (fls. 36/59), a Decisão DRJ/CGE n° 473 de 26/04/2001 (fls. 95/106), Acórdão 2° CC n° 20223.985 de 10/07/2002 (fls. 107/112), e petição da interessada informando a Revogação de Poderes de Mandato e indicação de outro procurador (fls. 113/117). Esta DRJ juntou cópia da concessão de liminar (fls. 129/130) e da sentença (fls. 131/140) dos autos do mandado de segurança n° 98.51104. Analisando a impugnação apresentada entendeu o órgão julgador a quo por julgar parcialmente procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastamse as preliminares de nulidade argüidas. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade de leis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11256.UI20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13161.000215/200208 Resolução n.º 1401000.068 S1C4T1 Fl. 4 4 LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Presentes a falta de recolhimento e a declaração inexata, apuradas em auditoria interna de DCTF, cabível o lançamento de ofício da contribuição correspondente. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conforme já mencionado no relatório, a compensação dos débitos de IRPJ aqui cobrados com créditos de PIS (Decretoslei n os 2.445/88 e 2.449/88), com base na sentença e acórdãos proferidos nos autos do mandado de segurança n o 98.0051104 que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Campo Grande/MS, e também com esteio no Processo Administrativo de Restituição/Compensação no 13161.00310/9918. O referido processo administrativo nº 13161.00310/9918 foi julgado improcedente em Primeira Instância e o recurso administrativo interposto pelo Contribuinte não foi conhecido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme noticiado às fls. 107 dos presentes autos. Todavia, conforme noticia o Recorrente, por meio de sentença proferida nos autos da ação anulatória nº 2004.34.00.0308083 o MM. Juízo da 20ª Vara Federal do Distrito Federal julgou JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para anular o acórdão da Segunda Câmara do 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda no processo administrativo 13161.000310/9918, da sessão de 10/7/2002, que não conheceu do proesso, e para assegurar ao Autor que aquele mesmo recurso tenha seu regular prosseguimento, com decisão de mérito. Em consulta no sítio do TRF da 1ª Região verificase que o recurso de apelação interposto pela União Federal foi distribuído para o Desembargador Federal Souza Prudente, da 8ª Turma, encontrandose, ainda, pendente de julgamento. Dessa forma, e considerando que o caso ora em análise depende do resultado do processo administrativo nº 13161.000310/9918 e que este, por sua vez, depende do julgamento definitivo da ação anulatória nº2004.30.0308083, não vejo como dar sequência ao julgamento do presente feito. Ante o exposto converto o julgamento em diligência para determinar a apensação ao processo nº 13161.000310/9918, do qual é dependente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0520.11256.UI20. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MAURICIO PEREIRA FARO em 01/02/2012 14:30:03. Documento autenticado digitalmente por MAURICIO PEREIRA FARO em 01/02/2012. Documento assinado digitalmente por: VIVIANE VIDAL WAGNER em 06/02/2012 e MAURICIO PEREIRA FARO em 01/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0520.11256.UI20 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1E9A744BF671A48AE6EA86A532124A8F7EC49935 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13161.000215/2002-08. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18471.002363/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.126
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva.. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.002363/200864 Resolução n.º 1401000.126 S1C4T1 Fl. 520 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1223.069, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Questionamse exigências de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 4.292.035,16, fls. 245, e, por reflexividade, do PIS, R$ 34.330,89, fls. 251, da COFINS, R$ 158.130,19, fls.256 e da CSLL, R$ 1.561.961,74, fls. 261, acrescidas de penalidade de ofício, 75%, e juros moratórios SELIC, atinentes aos anos calendário de 2004 e 2005, lastreadas nos seguintes elementos: 2. omissão de receitas, ano calendário de 2004, assim considerada pela fiscalização, fls. 222/223: 2.1.. a diferença entre o valor do saldo da conta fornecedores, constante do balanço de 31/12/2004 e a relação de fornecedores, apresentada pela empresa, R$ 455.163,63; 2.2. diferença entre a relação de fornecedores apresentada e os pagamentos efetuados no trimestre subsequente ao término do ano calendário, R$ 281.073,07; 2.3. existência de pagamentos efetuados em 2005 a empresa diferente daquelas listadas na relação de fornecedores, R$ 1.038.587,83, relativamente a obrigações emitidas no ano calendário de 2005, conforme controles internos do contribuinte; R$ 1.038.587,83 2.4. pagamentos originários de obrigações contraídos no ano calendário de 2005, R$305.835,91; 3. glosa de amortizações de ágio, anos calendário de 2004 e 2005, dado que: 3.1. a pessoa jurídica, instituída em 14/07/04, capital subscrito, R$ 400.000,00 foi reavaliada, pela investidora em função do valor de rentabilidade futura, R$ 92.000.000,00, mediante laudo de 10/08/04; 3.2. em etapa posterior, 30/10/04, reavaliada a investidora, para efeitos de cisão parcial, o valor patrimonial da reavaliação na cindida, R$ 92.000.000,00 por efeito da reavaliação na investida, reverteu à própria investida, por consequência da cisão parcial, sendo computado nesta última igualmente como ágio s/ Investimentos, fls. 225/226 e documentação de fls. 50/156. 3.3. Por conseguinte, de acordo com a fiscalização, a pessoa jurídica constituiu ágio de si mesma, lastreado na própria rentabilidade futura, cuja amortização foi utilizada à redução dos resultados dos anos calendário de 2004 e 2005. 4. Ciente das exigências em 01/0M)8, fls. 245, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls.312/345, apensada dos documentos de fls. 402/416, protocolada em 01/10/08, através da qual, alega, em síntese: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.002363/200864 Resolução n.º 1401000.126 S1C4T1 Fl. 521 3 4.1. em preliminar, da nulidade das autuações face à ausência de análise dos documentos fiscais e contábeis, apreendidos pela Polícia Federal na Operação Dilúvio, conforme fls. 183/203; 4.2. Quanto à omissão de receita: 4.2.1. os valores de R$ 1.038.587,83 e de R$ 305.835,91, se relacionam a obrigações assumidas em 2005, adimplidas no mesmo exercício; 4.2.2. quanto à diferença, R$ 736.236,70 (= R$ 455.163.63 e R$ 281.073,07) referemse a obrigações assumidas em 2004 e quitadas em 2005, conforme documentos anexados à impugnação, fls. 402/416, cujo montante se relaciona ao lançado pela fiscalização, R$ 2.441.053,19, fls. 344. 4.2.3. havendo a impugnante apurado prejuízo de R$ 2.640.502,5, estaria afastada a possibilidade de lançamento com fundamento em passivo fictício, R$ 2.080.660,44. 4.3. Quanto à glosa do ágio 4.3.1. da legalidade da reestruturação societária e fiscal idealizada; 4.3.2. da legalidade do aproveitamento do ágio pago na aquisição de participação societária; 4.3.3. do atendimento dos requisitos necessário ao aproveitamento do ágio; 4.3.4. da legalidade de, nas aquisições, existir ágio com fundamento em valor de rentabilidade futura de coligada ou controlada; 4.3.5. da amortização do ágio como despesa necessária. É o Relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A| RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004,2005 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, controladora, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de reavaliação de investimento de empresa constituída pela incorporada processandose, em seguida, a incorporação, restando caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora, caracterizando nesta o "ágio de si mesma". PASSIVO FICTÍCIO. LEI N° 9.430/96. ART. 40 A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada autoriza a presunção legal de omissão de receita. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.002363/200864 Resolução n.º 1401000.126 S1C4T1 Fl. 522 4 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005 Ementa; REFLEXIVIDADE. PIS, COFINS e CSLL Em matéria de reflexividade, a lançamentos tomados por reflexo, à falência de elemento relevante, impõemse o mesmo destino daquele que lhes de origem Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente e requerendo diligência. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 18471.002363/200864 Resolução n.º 1401000.126 S1C4T1 Fl. 523 5 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 441v referente à Intimação nº Intimação nª 2009/000264 de fl.441 como consignado expressamente nele, a ciência ocorreu em 25/03/2009 (quartafeira). A dúvida surge em relação a data da protocolização do Recurso. Dentre 4(quatro) carimbos constantes na fl.444, o mais favorável à Recorrente é a data de protocolo em 29/04/2009 (sextafeira), conforme o carimbo de protocolo aposto pela DERAT, superando em cinco dias o prazo regulamentar de 30(trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O termo final do prazo se deu em 24/04/2009 (sextafeira). Porém, em tempo, verifiquei que existe uma data sem identificação de carimbo e sem qualquer tipo assinatura exatamente no dia 24/04/2009. Não daria importância a esse marco, pois desprovido de qualquer formalidade, mas constato também que às fls. 482 a DRF fez despacho encaminhando o processo e dando conta da tempestividade do mesmo. Posto isso, inclinome por baixar o feito em diligência para que a DRF esclareça os fatos acima relatados, indicando a base fática que a levou a declarar a tempestividade do recurso. Ao final apresentar suas conclusões à interessada, se desfavorável, e conceder lhe prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 523DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13808.000542/00-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 107-00.488
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator .
Nome do relator: OCTAVIO CAMPOS FISCHER
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Processo n.o Recurso n.o Matéria Recorrente Recorrida Sessão de MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA : 13808.000542/00-01 : 137.556 : IRPJ e OUTROS. Ex.: 1997 : PEUGEOT - CITROEN DO BRASIL LTDA. (NOVA DENOMINAÇÃO DA EMPRESA PEUGEOT DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA.) : 5a TURMAlDRJ-SÃO PAULO/SP I : 11 DE AGOSTO DE 2004 RESOLUÇÃO N° 107-0.488 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PEUGEOT - CITROEN DO BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de v. tos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator . IMA FORMALIZADO EM: 2 7 OU T 2 O O 1, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA " "'1 ii Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução n° : 107-0.488 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros lUIZ MARTINS VAlERO, NATANAEl MARTINS, NEICYR DE ALMEIDA, HUGO CORREIA SOTERO, MARCOS RODRIGUES DE MEllO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. 2 Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 (ii) Custos/despesas não comprovadas, ao longo do ano calendário de 1996. Enquadramento legal: arts. 195, I, 197 e parágrafo único, 243 e 247 do RIR/94. RELATÓRIO : 137.556 : PEUGEOT - CITROEM DO BRASIL LTOA (NOVA DENOMINAÇÃO DA EMPRESA PEUGEOT DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTOA) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Recurso nO Recorrente A PEUGEOT - CITROEN DO BRASIL LTOA. foi autuada em 24 de março de 2000, pelo não pagamento de IRPJ e Reflexos, em razão das seguintes infrações: (i) Omissão de Receitas, em razão de abatimentos e descontos incondicionais realizados ao longo do ano calendário de 1996. Enquadramento legal: Arts. 195, 11, 197 e parágrafo único, 225, 226 e 227 do RIR/94. Art. 24 da Lei n° 9.249/95. Foi realizado lançamento decorrente de CSL e, apenas em relação à omissão de receita (i), de PIS e COFINS. Segundo o Termo de Constatação de Irregularidades, a autuada, "que tem, entre outras atividades, a de distribuição de automóveis importados de sua marca no mercado nacional, que são comercializados através de concessionários em seu nome, adquiriu diversas unidades no ano calendário em questão, de sua matriz na 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 França, denominada AUTOMOBILES PEUGEOT, e de suas fábricas, SEVEL ARGENTINA S/A - ARGENTINA e AUTOMATRIZ FRANCO URUGUAYA S/A - URUGUAI, unidades estas importadas através da CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX, estabelecida em Vitória do Espírito Santo". Após uma análise por amostragem de algumas dessas operações, "foi detectado por esta fiscalização que habitualmente a fiscalizada praticava a venda de diversas unidades aos concessionários por valor inferior ao valor de custo de aquisição das mesmas ..." (fls. 2825), o que foi justificado através de informações prestadas pela Autuada, no sentido de que (i) os preços praticados decorrem de uma estratégia de mercado da empresa, Oi) pois é notório que as empresas, por várias vezes, adotam políticas agressivas de preços, (iii) sendo que "os resultados das vendas tornam-se sensíveis a certos fatores, tais como flutuações de câmbio, preços no mercado local, nível de estoque e etc., o que leva algumas vendas serem efetuadas por valores inferiores aos dos respectivos custos" (fls. 2825-26). Todavia, a Fiscalização entendeu que a conduta da Autuada encaixa-se no conceito de descontos incondicionais, que, "para serem dedutíveis no Imposto de Renda, devem vir consignados nas próprias notas fiscais de venda no ato da respectiva emissão, e contabilizado em conta específica de DESPESAS, ajustando-se adequadamente a conta de CUSTOS DE MERCADORIAS", o que não se verificou no presente caso, resultando-se, assim, em redução indevida do lucro em relação às unidades vendidas abaixo do preço de custo (fls. 2826). Em sua Impugnação, a Autuada sustentou que, cotejando o Lançamento de Ofício com o Termo de Constatação supra, a Fiscalização entendeu que a sua conduta, em verdade, seria de prática de preço mais elevado, seguida de 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 concessão de descontos. Todavia, para se alcançar tal conclusão, seria fundamental que a Fiscalização tivesse demonstrado a "prática de preço diverso daquele constante da documentação que embasa e legitima toda a série de operações praticadas, demonstração essa que inexiste nos autos, já que não se verificou na prática" (fls. 2856). Desta forma, a Autuação seria inválida, pois não obedeceu ao art. 10 do Decreto nO70.235/72, que exige encadeamento lógico entre o fato e norma a ela aplicada. Ademais, o enquadramento legal aplicado pela Fiscalização não leva à consideração de que a Autuada tenha praticado qualquer ato irregular. A Autuação representa uma ficção, desconsiderando "a própria figura de mercado, tão enraizada não apenas no ordenamento jurídico mas na própria cultura das nações ocidentais ..., para supor que seja ilícito realizar operação mercantil desvantajosa, dada a 'falta de amparo legal'" (fls. 2859). A respeito desta questão, a i. DRJ entendeu que o lançamento não poderia subsistir. Isto porque, "o simples fato de o contribuinte ter vendido os veículos por um preço inferior ao preço de compra não caracteriza, nem evidencia, qualquer infração à legislação tributária. A autoridade autuante não arrimou o feito em qualquer indício de que o autuado estaria praticando, na realidade, um preço de venda superior àquele que consta consignado em sua escrituração e nos documentos que a alicerçam. Pelo contrário, a fiscalização qualificou como omissão de receita a própria diferença negativa existente entre os preços de venda e os preços de compra dos veículos vendidos, sem, todavia, carrear aos autos sequer outro elemento coligido junto aos compradores dosindigitados veículos, ou mesmo junto ao próprio fiscalizado, que apontasse na direção pretendida equivalência entre o prejuízo apurado pelo 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA '. Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 contribuinte, nas aludidas operações, e a concessão irregular de descontos incondicionais" (fls. 2914). Em relação à segunda infração, consta do Termo de Constatação de Irregularidades que a Impugnante foi intimada a demonstrar, através de documentação hábil e idônea, "os valores lançados na conta contábil 362.01.023 - DESCONTO COMERCIAL CONCEDIDO, declarados na Demonstração de Resultado do período, na ficha 05 - DESPESAS OPERACIONAIS, página 4, linha 28 - Outras Despesas Operacionais, escriturados no livro Diário e livro Razão" (fls. 2827). Em sua resposta, a Impugnante "apresentou contrato de ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES, realizado entre CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX e PEUGEOT DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTOA, respectivamente CEDENTE e ASSUNTORA, no qual a CEDENTE, cede e transfere neste ato todas as obrigações junto aos fornecedores de veículos DA ASSUNTORA, ou seja, AUTOMOBILES PEUGEOT -' FRANÇA, SEVEL ARGENTINA S/A - ARGENTINA e AUTOMATRIZ FRANCO URUGUAYA S/A - URUGUAI, e também neste ato, a CEDENTE, cede e transfere todos os créditos a que tem direito pelo envio das unidades junto a rede de revendedores da ASSUNTORA, tais créditos são compostos pelo valor unitário da unidade e mais os custos de importação, ..., o que totalizam o custo total da unidade ..., porém no momento da celebração de tais contratos, a ASSUNTORA concede DESCONTO COMERCIAL a sua rede de revendedores de parte do valor referente aos custos de importação, como não foram apresentados os documentos de escrituração comercia! que viessem a comprovar a efetividade das despesas efetuadas, a não apresentação destes caracteriza infração conforme Arts. 243 e 247 e 195, inciso I, e 197, parágrafo único do RIR/94" (fls. 2827-2828). 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 Em sua Impugnação, a Autuada sustentou que os dispositivos elencados pela Fiscalização não se aplicam ao presente caso. Especialmente os arts. 243 e 247, que "cuidam ...de disciplinar o tratamento de custos e despesas operacionais, sob o prisma de sua dedutibilidade" (fls. 2863). De um lado, porque a alegação de que a Autuada não apresentou comprovante da efetividade das despesas efetuadas "não se sustenta à luz da própria atividade de lançamento ora combatida, a qual pautou-se, estritamente, na escrituração comercial comprobatória das operações realizadas e dos valores nelas praticados, sendo certo que o livro razão da Impugnante, analisado pelos D. Agentes Autuantes, deu origem e serviu de base (sendo assim confirmados seus elementos) ao planilhamento e à identificação de valores (inclusive quanto aos descontos concedidos em razão de disposição contratual)" (fls. 2864). De outro lado, "o evento identificado na ação fiscalizatória correspondeu à concessão, em contrato de assunção de obrigações e de créditos, de desconto no adimplemento desses créditos por parte de rede de concessionárias de veículos automotores" . "Vale dizer, a Impugnante, recebendo contratualmente o direito de exigir a satisfação, por terceiros, de determinados créditos previamente ajustados, estipulou, no mesmo ato, que sobre aquelas dívidas haveria a concessão de desconto, de modo que os terceiros, por ocasião do admiplemento das obrigações previamente contratadas e ora cedidas à Impugnante, promovessem a extinção das mesmas mediante prestação de novo valor, inferior ao originalmente previsto. Nesse contexto, o 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA •• Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 direito de crédito de titularidade da Impugnante, ou seja, o valor exigível da rede de concessionárias, corresponde, desde o ajuste celebrado, ao valor da operação decorrente da aplicação do "desconto" contratualmente estabelecido. Nenhum outro valor maior do que o resultante desse ajuste pode corresponder, como pretende a D. Fiscalização, ao montante atribuível à Impugnante" (fls. 2864-65). "À luz de tal fato, todavia, pretende a D. Fiscalização sustentar que tais descontos seriam indedutíveis na apuração do lucro real, porque 'não foram apresentados os documentos de escrituração comercial que viessem a comprovar a efetividade das despesas efetuadas'. Essas despesas às quais faltaria a comprovação docu~ental corresponderiam, portanto, aos descontos ajustados em contrato de cessão de obrigações e de créditos, citado no próprio Termo de Constatação que instrui a autuação ora combatida." Todavia, a conduta da Fiscalização não se coaduna com a realidade. "Tanto é assim que o próprio texto empregado no Termo de Constatação traz em si a comprovação de inexistência da aparente falta invocada pela D. Fiscalização, ao explicitar inclusive a Cláusula do Contrato de Assunção de Obrigações que documenta pormenorizadamente a causa e o beneficiário do desconto então ajustado". "A concessão de desconto, contratualmente estabelecida, acarreta para a Impugnante um autêntico limite material à base imponível passível de oneração pelo imposto de renda, sendo certo que, aquilo que não foi percebido em razão do desconto ajustado certamente não é renda, não havendo que se falar em despesa incorrida e não dedutível. Cuida-se, isto sim, de uma 'não-renda', sobre a qual pretende a D. Fiscalização fazer recair o imposto cujo pressuposto material inafastável é a auferição de rendimento'(fls.2865). 8 ~ • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA • Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 Com tais considerações, a Impugnante concluiu que a exigência fiscal funda-se em ilegítima presunção de auferição de receitas, não se coadunando com as lições doutrinárias, como, também, ofendendo o conceito normativo de renda. Entretanto, a i. DRJ não acatou tal linha de raciocínio, mantendo neste ponto o Lançamento de Ofício, sob o argumento de que "É cabível a glosa de despesas operacionais que, ao desabrigo de documentação idônea e hábil à comprovação de sya efetividade, reduziram indevidamente o lucro líquido do período" (fls. 2907). Isto é, a Impugnante não teria demonstrado a efetiva realização das despesas supracitadas e, contraditoriamente, alegou "que o desconto em apreço, concedido no ato da celebração do contrato de assunção, teria estabelecido um novo valor para o crédito obtido contra a rede revendedora, mas, entretanto, fato é que o contribuinte contabilizou referidos descontos a título de despesas operacionais, reduzindo, na mesma medida, a receita operacional auferida e, por via de conseqüência, o lucro líquido do período". Ademais, "O fato de, erroneamente, ter classificado o desconto comercial como um desconto financeiro, ainda que isto possa dificultar a fiscalização, não chega a produzir materialmente efeitos tributários, todavia, o que é relevante na espécie é que o desconto comercial ou incondicional, igualmente reduz o lucro líquido do período, e deve ter a sua efetividade comprovada por documentos quelastreiem a concessão do referido desconto no tocante a cada crédito obtido contra a rede revendedora, pois, na mesma medida, cada revendedor teria a contabilizar uma receita em face da redução do valor inicial de sua obrigação". Além disto, "ainda que o impugnante tenha alegado ao fisco que o desconto em apreço teria sido estabelecido no contrato de assunção (fls. 101 a 130) firmado com a COIMEX, o 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA -:~:.' • Processo n° : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 que se verifica à cláusula V, item 5.1, deste contrato, é apenas a manifestação de transferência de créditos para o impugnante, referentes a despesas com as importações de veículos, no valor de US4.395.458,43, sem que haja no aludido documento qualquer menção a desconto no valor dos créditos recebidos pelo autuado". Enfim, o ônus de provar a existência e a efetividade da realização do desconto é do contribuinte, que, no caso, nada fez neste sentido (fls. 2915). Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte volta a questionar a validade do Lançamento de Ofício. Preliminarmente, sustenta que os dispositivos legais utilizados como fundamento para a Autuação, quais sejam, arts. 195, 197, 243 e 247 do RIR/94, não se aplicam ao presente caso, motivo pelo qual é possível falar-se em ofensa ao art. 10, 111 e IV do Decreto n.° 70.235/72 . O art. 243 "determina que sejam aplicados aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros, ou seja, para que seja aproveitada a dedutibilidade da despesa, deve-se ter comprovada sua relação com a atividade, com as operações da empresa. Neste ponto, não resta dúvida de que o fato de a Recorrente conceder desconto comercial à sua rede revendedora, encontra-se claramente relacionado às atividades por ela desenvolvidas" (fls. 2928). No que tange o art. 247, entendeu a Recorrente que o mesmo não se aplica ao presente caso, que se refere à glosa de despesa. 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 No mérito, sustenta que não houve qualquer desrespeito à legislação em vigor, "já que todos os registros contábeis realizados foram feitos em total harmonia com a legislação vigente" (fls. 2929). Para comprovar seus argumentos, traz aos autos, ainda, "os documentos contábeis relativos aos registros dos descontos comerciais concedidos (doc. 01 e 02) e aos contratos de assunção de dívida nos quais eram concedidos os descontos em questão (doc. 03)" (fls. 2930). Quanto aos fatos, relata que à época adotava uma política para as suas concessionárias, garantindo-lhes um preço tabelado na comercialização dos veículos importados de sua marca. A importação desses veículos - através da Argentina, França e Uruguai - era feita pela empresa COIMEX, que "possuía registrado um Contas a Pagar frente aos exportadores e um Contas a Receber perante a rede de concessionárias da Recorrente". Em razão de interesses comerciais, a Recorrente ea COIMEX assinaram um Contrato de Assunção de Dívida, "no qual a primeira passava a ser responsável pela dívida da segunda junto aos exportadores dos veículos, e, em contrapartida, assumia o ativo relativo ao Contas a Receber das concessionárias" (fls. 2930). Porém, em razão da sua política de preços adotada em relação às concessionárias, a Recorrente, por vezes, recebeu destas valores já deduzidos dos descontos, o que era registrado como despesa na Conta de Desconto Comercial Concedido (cta 362.01.023), contra uma conta transitória de passivo, "na qual era registrado todo o movimento existente en::e a Recorrente e a empresa Coimex, ~ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 seja, os valores dos descontos eram creditados nesta conta, haja vista que a Recorrente passou a ser credora dos revendedores em relação aos veículos comercializados e responsável pelo pagamento aos exportadores" (fls. 2931). Os preços garantidos pela Recorrente eram formalizados em Instrumento Particular de Assunção de Dívida com cada um de seus distribuidores, sendo emitidas Notas Promissórias e os descontos eram discriminados no Anexo desses contratos. Assim, é possível perceber que "as operações realizadas encontram-se devidamente registradas na escrituração comercial da Recorrente, e que toda a documentação que suportou os lançamentos contábeis glosados pela D. Fiscalização são hábeis e idôneos para tanto, não restando provado, em nenhum momento, intuito de redução indevida da carga tributária por parte da Recorrente" (fls. 2931). Em suma, tal situação demonstra que foram realizadas operações "em que existiram perdas efetivas, assumidas pela Recorrente em função de uma decisão gerencial da empresa para manter sua competitividade no mercado interno", com o que "as despesas glosadas pelo i. Representante da Fazenda Nacional devem ter assegurada a sua dedução" (fls. 2932). É o Relatório. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 VOTO Conselheiro - OCTAVIO CAMPOS FISCHER, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e é de ser admitido. A questão central nestes autos diz com a prova da efetiva da realização dos descontos supracitados. De um lado, a Fiscalização, diante dos documentos apresentados pela Recorrente, alegou que "não foram apresentados os documentos de escrituração comercial que viessem a comprovar a efetividade das despesas efetuadas" o que caracterizaria infração aos arts. 243 e 247 e 195, inciso I, e 197, parágrafo único do RIR/94. De outro, a DRJ, ao manter o Lançamento de Ofício nesta parte, alegou que a dedução dos descontos incondicionais, porque reduz o lucro líquido do período, deve "ter a sua efetividade comprovada por documentos que lastreiem a concessão do referido desconto no tocante a cada crédito obtido contra a rede revendedora, pois, na mesma medida, cada revendedor teria a contabilizar uma receita em face da redução do valor inicial de sua obrigação". Ademais, "ainda que o impugnante tenha alegado ao fisco que o desconto em apreço teria sido estabelecido no contrato de assunção (fls. 101 a 130) firmado com a COIMEX, o que se verifica à cláusula V, item 5.1, deste contrato, é 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA •• Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução n° : 107-0.488 apenas a manifestação de transferência de créditos para o impugnante, referentes a despesas com as importações de veículos, no valor de US4.395.458,43, sem que haja no aludido documento qualquer menção a desconto no valor dos créditos recebidos pelo autuado". Por sua vez, a Recorrente sustenta que a Autuação é contraditória, pois ela mesma se baseou na escrituração comercial comprobatória das operações realizadas, "sendo certo que o livro razão da Impugnante, analisado pelos D. Agentes Autuantes, deu origem e serviu de base (sendo assim confirmados seus elementos) ao planilhamento e à identificação de valores (inclusive quanto aos descontos concedidos em razão de disposição contratual)". De outro lado, "o evento identificado na ação fiscalizatória correspondeu à concessão, em contrato de assunção de obrigações e de créditos, de desconto no adimplemento desses créditos por parte de rede de concessionárias de veículos automotores". Sustenta, por isto, que não houve qualquer desrespeito à legislação em vigor, "já que todos os registros contábeis realizados foram feitos em total harmonia com a legislação vigente". Para comprovar seus argumentos, trouxe aos autos, ainda, "os documentos contábeis relativos aos registros dos descontos comerciais concedidos (doc. 01 e 02) e aos contratos de assunção de dívida nos quais eram concedidos os descontos em questão (doc. 03)". rf\ 14 ~ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA • Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 Assim, seria possível perceber que "as operações realizadas encontram-se devidamente registradas na escrituração comercial da Recorrente, e que toda a documentação que suportou os lançamentos contábeis glosados pela D. Fiscalização são hábeis e idôneos para tanto, não restando provado, em nenhum momento, intuito de redução indevida da carga tributária por parte da Recorrente" (fls. 2931 ). Em suma, tal situação demonstraria que foram realizadas operações "em que existiram perdas efetivas, assumidas pela Recorrente em função de uma decisão gerencial da empresa para manter sua competitividade no mercado interno", com o que "as despesas glosadas peloi. Representante da Fazenda Nacional devem ter assegurada a sua dedução" (fls. 2932). Na jurisprudência administrativa, verifica-se a necessidade da comprovação da efetiva realização dos descontos para que se possa admitir a sua dedutibilidade: DESCONTOS CONCEDIDOS - A dedutibilidade das despesas com descontos pressupõe a certeza quanto à sua realização (Recurso nO120668, 38 Câmara, Relatora Conselheira Lúcia Rosa Silva Santos). Vai-se além em algumas decisões para sustentar que não basta a demonstração da efetiva realização dos descontos, sendo ainda necessária a comprovação da sua necessidade: IRPJ - DESPESAS NÃO COMPROVADAS - A comprovação documental da despesa é requisito essencial para a aceitação da sua dedutibilidade. b 15 • " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA • Processo n° : 13808,000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 IRPJ - CUSTOS/DESPESAS NÃO COMPROVADOS - DESCONTOS CONCEDIDOS - O conceito de despesa no regulamento do imposto de renda, (RIR/1999, artigo 299 e Lei 4506/64, artigo 47), requer a comprovação da necessidade, efetividade e materialidade de sua realização. À falta de qualquer um desses elementos, sua dedutibilidade não se efetiva (Recurso nO 130744, 8a Câmara, Relatora Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). No presente caso, porém, o que está em jogo é apenas a demonstração da efetiva realização dos descontos. Constam dos Autos os seguintes documentos: (i) Declaração de Imposto de Renda de 97/96; (ii) Razão Analítico (fls. 43-61); (iii) Lançamentos Contábeis; (iv) Instrumento Particular de Assunção de Obrigações entre a COIMEX e a Recorrente, onde se verificam os fatos alegados por esta última; (v) Notificações aos Distribuidores da realização da transferência do crédito; (vi) Livro Diário (fls. 132-190); Intimação para justificar .as operações realizadas e apresentar cópia das notas fiscais de compra e venda dos veículos (fls. 191); (vii) Notas Fiscais de Venda (332-1760); (viii) Notas Fiscais de Aquisição (1762-2819). Há notícia de Representação Criminal (nO4401/00-01 de 28/08/00, fls. 2906). Diante do que verificou acima, chama a atenção a desproporção entre o número elevado de documentos apresentados pela Recorrente, ao longo de toda a fiscalização, e a enxuta e não fundamentada análise da Autoridade Fiscal que realizoyo lançamento, que encontraseu ~nto maisquestionávelna isoladaasserl~ ,. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA i • Processo nO : 13808.000542/00-01 Resolução nO : 107-0.488 de que a Recorrente não apresentou documentos de escrituração fiscal que comprovassem a realização das despesas em questão. A partir deste quadro processual, entendo ser necessária uma diligência, para que possam ser melhor explicitadas as premissas fáticas da exigência fiscal em tela. Isto posto, voto no sentido de que seja realizada diligência, para que a Autoridade Fiscal que realizou o Lançamento: (a) Indique, expressamente, quais os documentos de escrituração seriam necessários para a comprovação dos fatos em questão, uma vez que, do que se tem notícia dos Autos, todos os documentos que foram exigidos da Recorrente, a princípio, teriam sido apresentados e não há notícia de que outros documentos deveriam ter sido entregues. (b) Após, que seja dada ciência à Recorrente para se manifestar. -es-DF, em ~e2004 17 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017
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Numero do processo: 10480.903075/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO.
Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto.
Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final.
PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS.
Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3302-012.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: Larissa Nunes Girard
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CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 30 75 /2 01 3- 75 Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em síntese: Em análise no presente processo o litígio decorrente de Despacho Decisório emitido quando da análise do(s) PER/DCOMP n° 14149.36959.220113.1.1.01-1870, transmitido(s) para utilização do saldo credor do IPI apurado no 4° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. O reconhecimento parcial se deveu a glosas de créditos de aquisições de produtos que não atendem os requisitos para o creditamento. Conforme se vê do Relatório Fiscal, as glosas se referiram a aquisição de coque de petróleo, além de outros produtos (descrição constante do Anexo "Demonstrativo dos Créditos do IPI Passíveis de Ressarcimento”). A Manifestante alega, em síntese, que todas as aquisições referem-se a insumos utilizados e consumidos no processo industrial, sustentando sua afirmação em laudo técnico anexo à Manifestação de Inconformidade. A Turma da Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. Aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente REQUER: em sede de preliminar, que seja: a. a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança de todos os “débitos” albergados no processo administrativo n° 10480-900.310/2014-38 (Processo de Crédito nº 10480-903.075/2013- 75), face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados (art. 151, III, do CTN; art. 74, §§ 4°, 7°, 9°, 11, da Lei n° 9.430/96; o art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e 137, da Instrução Normativa RFB n° 1717, de 17 de julho de 2017); b. por força dos mesmos dispositivos legais, que tais processos “de débito” passem a constar como “exigibilidade suspensa” nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma seja não sejam impedimento à obtenção de imprescindível Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa - CPD-EN, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, tampouco sejam enviados ao CADIN, conforme art. 7° da Lei n° 10.522/2002; No mérito, que seja revisado e reformado o Acórdão proferido pela DRJ, o qual foi cientificado ao contribuinte, inclusive com realização de imprescindível prévia perícia, mais uma vez justificada e requerida, por prevalência da verdade material no âmbito administrativo, conforme determina o art. 149, IV e VIII do CTN e é o núcleo das Súmulas n°s 346 e 473 do STF. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto ao conhecimento, à tempestividade e ao mérito do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 02 de setembro de 2020, às e-folhas 222. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 02 de outubro de 2020, às e-folhas 223. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. Passa-se à análise. A ora Recorrente, em 20.12.2012, apresentou o PER/DCOMP n° 42333.36803.201212.1.1.01-4402, com crédito referente ao ressarcimento de R$ 1.009.251,51, transmitido para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99, sendo referido saldo credor relativo ao estabelecimento n° 10.656.452/0023-95. Sobre o direito aos créditos básicos de IPI, assim dispõe o art. 226, I do Regulamento do IPI de 2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) O Parecer Normativo CST n° 65/79 é um ato normativo expedido por uma autoridade administrativa, nos termos do art. 100, I do CTN, auxilia na determinação do conteúdo e alcance do art. 226, I do RIPI/2010, acerca de quais seriam os insumos que ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Em virtude de abordar precisamente os elementos fáticos e pelo seu didatismo, trago o Acórdão de Recurso Voluntário n° 3402-007.295, de Relatoria da ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a partir das folhas 06 daquele documento: Parecer Normativo CST n° 65/79 (DOU de 6/11/79) Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.18.01.00 - Crédito do imposto - Matérias-primas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem. A partir da vigência do RIPI/79, ex vi do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu Ativo Permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CSTn° 181/74. Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). O artigo 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8 a do artigo 2 o do Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1° do Decreto-lei n° 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3. Diante disto, ressalte-se serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 8a): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 - Note- se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo- se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matérias- primas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias- primas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias- primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2- Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em ‘incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias- primas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão ‘consumidos’ sobretudo levando-se em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...) 11 - Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ao que se observa do Parecer Normativo CST n° 65/79, a partir da vigência do RIPI/1979, o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI foi alterado, não se exigindo mais que o consumo se desse "imediata e integralmente" 4 no processo de industrialização, ou seja, o consumo do bem pode se dar após vários ciclos produtivos; e de outra parte, impedindo o creditamento aos bens classificados no Ativo Permanente. 5 A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC/73, cujos termos vincula este Colegiado, acolhe a tese, veiculada pelo Parecer Normativo CST n° 65/79, do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste apenas indireto, tendo sido assim ementada: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. [negritei] (Grifo e negrito próprios do original) No caso, a fiscalização sustentou as glosas de créditos nas aquisições de materiais refratários pelo não enquadramento no conceito de assemelhados a produtos intermediários para fins de creditamento de IPI (Parecer Normativo CST n° 65/79), conforme Relatório Fiscal. O Recorrente, já na Manifestação de Inconformidade, apresentou Laudo Técnico, a partir das e-folhas 101. Do próprio Laudo Técnico acostado pelo Recorrente à Manifestação de Inconformidade, extrai-se que: - Do coque de petróleo: A Manifestação de Inconformidade traz a seguinte alegação às folhas 08 daquele documento: 1) o produto COQUE DE PETRÓLEO, cujas aquisições pela Impugnante gerou crédito de IPI no montante de R$ 1.380.143,58, corresponde mais de 78,41% dos créditos glosados e é utilizado na industrialização de cimento (produto tributado à alíquota zero e se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo), conforme Laudo Técnico n° 115 6562-205 (doc. anexo); Desconsideração do coque de petróleo como matéria-prima ou produto intermediário na fabricação do cimento, tendo se entendido que o mesmo é mero combustível utilizado na geração de energia térmica. - Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si (e-folhas 107): TIJOLO ALUM. Cl (288927) TIJOLO BÁSICO (295208) TIJOLO BÁSICO (455103) TIJOLO BÁSICO (455108) TIJOLO BAS; MAG (445231) TIJOLO BAS; MAGN (445227) TIJOLO ALUM. C2 (288853) Os tijolos citados acima, 5.7 a 5.13, são utilizados como elementos protetores da estrutura do forno, sendo que são parcialmente consumidos na fabricação do clinquer em função do atrito e alta temperatura. Esses elementos são substituídos em intervalos não necessariamente periódicos. Atualmente esse intervalo é de aproximadamente 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do concreto alum (e-folhas 106): CONCRETO ALUM (377846) Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 CONCRETO ALUM (288146) CONCRETO SIC SU (376472) O material acima, 5.1 a 5.3, é utilizado para revestimento de regiões quentes do forno de clinquer e torre de ciclones. O material é aplicado em média a cada 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da argamassa (e-folhas 107): ARGAMASSA ALUM (146432) ARGAMASSA SIL-A (214001) ARGAMASSA BASIC (455132) Os materiais citados acima, 5.14 a 5.16, são utilizados para assentamento dos tijolos refratários quando instalados no forno de clinquer. Sua função principal é corrigir os desníveis presentes nas peças de refratário ou casco do forno. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do corpo moedor (e-folhas 106): CORPO MOEDOR; D (343023) CORPO MOEDOR; D (342918) CORPO MOEDOR; M (343037) Estes materiais, 4.1 a 4.3, possuem reposição mensal de acordo com medições de volume ocupado dentro do moinho, e que equivalem a 2 ton. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da chapa: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 18: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 6.2 CHAPA ESP 3733002301 HAVER&BOECKER (283870) O item 6.1 são telas que compõem a peneira da ensacadeira. A sua função é não deixar passar corpo com alta granulometria para não entupir os bicos. A cada 8 meses fazemos a sua troca em função do desgaste da passagem do material. Os itens 6.2 e 6.3 são as chapas de encosto e mangotes dos bicos, que também sofrem desgastes durante a expulsão dos sacos após atingir o seu peso. A cada 6 meses sofrem substituição, bem como o item 6.4 responsável pelo acionamento das duas correias transportadoras da “camara” de limpeza dos sacos cheios. Demais itens (6.5 a 6.9) são correias transportadoras que transportam os sacos de cimento ao sair da Ensacadeira até a Paletizadora. Elas sofrem desgastes pela abrasão do saco de papel e a borracha durante o transporte. Com frequência media de troca de 7 meses, variando em função da posição ou caso de quebra por algum acidente. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 - Da correia transp (e-folhas 104): O item acima citado, corresponde a correia de transporte de material advindo do britador primário que é levado para a pilha pulmão de material bruto. O desgaste das correias também ocorre em função do contato direto entre material transportado e superfície das mesmas. A substituição ocorre sob demanda a partir de avalição técnica, ou anomalia indesejada. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da placa eutectic: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 19: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. Quanto à conversão do julgamento em diligência, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com a devida vênia, divirjo quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Importante ressaltar inicialmente que se analisa o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no contexto do IPI, tributo para o qual tais definições foram há muito assentadas, a exemplo dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Por meio das referidas normas, ficou definido que partes e peças de máquinas não se confundem com as matérias-primas ou produtos intermediários. E, considerada essa exclusão, para além da matéria-prima, do produto intermediário stricto sensu e do material de embalagem, geram direito a crédito outros bens, desde que não contabilizados no ativo permanente e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não sejam partes e peças de máquinas. O segundo aspecto a se considerar é que se analisa os bens passíveis de serem classificados como insumo para a industrialização do cimento. Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-012.508 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903075/2013-75 Partindo dessas premissas, entendo por desnecessária a conversão do julgamento em diligência, haja vista que os produtos submetidos à apreciação pelo Colegiado estão adequadamente identificados e descritos nos autos. Resta-nos realizar uma discussão conceitual a partir das informações existentes, e suficientes, como realizado no julgamento de primeira instância. Portanto, rejeito a proposta de conversão do julgamento em diligência. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a diligência. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001480/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.010
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: CARLOS PELA
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score : 1.0
Numero do processo: 13851.000844/2001-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.086
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000844/200171 Resolução n.º 140200.086 S1C4T2 Fl. 548 2 Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em 31/07/2001 a interessada aviou pedido de restituição no valor de R$ 754.934,65 ao pressuposto de pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativa ao anocalendário de 1999, fazendose acompanhado de cópias do contrato social, instrumento de procuração, documentos do seu procurador e da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 01/54. Posteriormente, apresentou os pedidos de compensação de fls. 55/60 e as declarações de compensação de fls. 69, 98 e 127, como ainda, transmitiu pela internet à central de dados da Receita Federal as declarações de compensação de fls. 159/208, tudo visando a compensação do crédito peticionado com débitos da própria Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), relativos aos períodos de apuração de agosto, outubro e novembro de 2001; setembro e novembro de 2002; janeiro e dezembro de 2003 e janeiro a maio de 2004. Em agosto de 2007 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara intimou a interessada para esclarecimentos e apresentação de cópia do livro “Lalur”, fls. 209/210. Em atendimento, a então requerente ingressou com os documentos de fls.212/385. Adveio o despacho decisório de fls. 386/391 no qual a autoridade fiscal reconhece o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor originário de R$ 741.468,16, por conta de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999, e homologa as compensações até esse limite. Referido despacho consigna que a base de cálculo da CSLL informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) está condizente ao valor apresentado pelo livro “Lalur”, bem como, que a contribuinte comprovou a quitação da CSLL devida por estimativas dos meses de janeiro a maio, agosto e outubro do anocalendário de 1999 e ainda que houve pagamentos de COFINS possibilitando a dedução legal de até 1/3 (um terço) deste tributo, concluindo, enfim, pela existência de saldo negativo de CSLL na ordem de R$ 822.511,68. Registra, ainda, que as compensações espontâneas informadas no próprio pedido de fl. 01, a serem deduzidas desse saldo negativo de CSLL, não se limitam à cifra de R$ 67.577,03 mas sim totalizam a importância de R$ 81.043,52, já que a elas deve ser adicionada a parcela de R$ 13.466,49 noticiada pela própria contribuinte quando da prestação dos esclarecimentos. Regularmente cientificada, a interessada ingressou com a tempestiva peça recursal de fls. 405/410, acompanhada dos documentos de fls. 411/432, solicitando a reforma do despacho decisório para que se reconheça o direito creditório em sua integralidade e a homologação das compensações com base nele efetuadas. Aduz, em síntese, preliminar de homologação tácita de todos os pedidos de compensação, convertidos em declarações de compensação, protocolados na repartição fiscal anteriormente a 28/11/2002 em face do § 5º do artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação trazida pela Lei nº 10.833, de 30/12/2003. Quanto ao mérito diz que fez Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000844/200171 Resolução n.º 140200.086 S1C4T2 Fl. 549 3 compensações espontâneas pelo valor de R$ 81.043,52, dos quais R$ 67.577,03 correspondem ao crédito apurado em 1999 e R$ 13.466,49 referemse aos juros Selic, consoante planilha que anexa. Assevera que o saldo negativo é o produto da comparação entre os valores recolhidos por antecipação no curso do respectivo período de apuração e o montante final do tributo devido no encerramento do ano, enquanto os juros decorrem de previsão legal expressa (Lei nº 9.250, de 26/12/1995, artigo 36, § 4º) e têm por finalidade ressarcir o contribuinte pela demora na recuperação de valores pagos ao fisco, portanto, não possuem a mesma natureza jurídica. Recebi os autos em 27/05/2008 e despachei às fls. 435/436 no sentido de que a autoridade fiscal se manifestasse quanto a preliminar de homologação tácita. Em resposta de fls. 437/439 registrou aquela autoridade que nos campos da “decisão” e da “ordem de intimação” do despacho decisório essa questão fora suficientemente tratada, nos quais reconheceuse o evento em relação aos pedidos protocolizados há mais de 5 anos da ciência daquela decisão, bem assim, que não cabia fazêlo em relação às compensações espontâneas, mesmo porque nem mesmo a Recorrente suscitou aplicação quanto a estas. Cientificada desses trâmites a Recorrente ingressou com a manifestação de fls. 442/445, acompanhada dos documentos de fls. 446/464, da qual colho os seguintes excertos: “Outrossim, o valor da diferença, como é possível observar no despacho decisório, foi deduzido das compensações realizadas através de pedidos e declarações, e não das próprias “compensações espontâneas”. Assim sendo, por mais que possa ser reconhecida a ocorrência de decadência do direito do fisco de indeferir as “compensações espontâneas”, esta decisão não repercutirá na glosa efetuada. Diante de todo o exposto, considerando que a ocorrência de homologação tácita das compensações efetuadas por meio de pedidos e declarações há mais de cinco anos do recebimento da intimação do despacho decisório já foi reconhecida nestes autos, a peticionária requer o prosseguimento do julgamento de sua manifestação de inconformidade, com a análise dos fundamentos de mérito nela expostos, bem como seja cancelada a glosa “sub judice”.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1421.725 (fls. 470475) de 05/12/2008, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 01/04/2009 (A.R. de fl. 476v), a interessada interpôs recurso voluntário em 13/04/2009 (fls. 477492) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000844/200171 Resolução n.º 140200.086 S1C4T2 Fl. 550 4 Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se reconhecer, de plano, a vinculação da matéria discutida nos autos com aquela constante nos processos administrativos nº 13851.000430/9901 e 13851.000431/9965, conforme se depreende dos excertos a seguir transcritos, extraídos do voto condutor do aresto recorrido, fls. 474475. “Às fls. 327/329 constam cópias dos pedidos de compensação formulados por Cambuhy MC Industrial Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 72.003.544/000118, para que seus apontados créditos fossem utilizados na liquidação das estimativas de CSLL do ano de 1999 da interessada. Referidos pleitos, como visto, estão abrigados nos processos administrativos nºs. 13851.000430/9901 e 13851.000431/9965. Significa dizer, de antemão, que a efetividade do pagamento das estimativas do ano calendário de 1999, a compor a figura do saldo negativo apurado no final daquele período, encontrase umbilicalmente ligada à plena eficácia dessas compensações. Noutras palavras: o crédito de Cambuhy, utilizado para a liquidação dos débitos da interessada, há de estar plenamente reconhecido, a par da homologação dessas compensações, formal ou tácita.” Quanto ao crédito tratado no processo administrativo nº 13851.000431/9965, constatase que houve reconhecimento parcial do direito da peticionante, com a conseqüente homologação das compensações com débitos da própria Cambuhy MC Industrial Ltda. Restou, porém, nãohomologada a compensação com os débitos da ora Recorrente, segundo consta do Acórdão 1413.437 da d. 5a Turma de Julgamento da DRJ/POR, de 21 de agosto de 2006, relator o Julgador Antonio Carlos Trevisan. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000844/200171 Resolução n.º 140200.086 S1C4T2 Fl. 551 5 O processo administrativo nº 13851.000430/9901, conforme extrato abaixo, ainda não foi apreciado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de AraraquaraSP, pelo que não há decisão quanto ao reconhecimento do crédito da cedente. Nessa esteira, não se pode falar, até a presente data, do conseqüente pagamento da estimativa da cessionária, ora interessada. Pelos motivos apresentados acima, encaminho meu Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, com o envio do presente processo à unidade de origem para que acompanhe o processo nº 13851.000430/9901, onde parte do direito creditório está sendo discutido. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 12898.001045/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.139
Decisão: cordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 12898.001045/200970 Resolução n.º 1401000.139 S1C4T1 Fl. 3.878 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 327328): Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra o interessado em epígrafe em 25/06/2009. Foi constituído crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 70 a 74), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 86 a 89), de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 78 a 81) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 93 a 96), referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004. 2. O interessado tomou ciência dos autos de infração em 25/06/2009 (fl. 71) e apresentou impugnação em 23/07/2009 (fls. 01/21 do processo apenso n° 10768.006146/200997). 3. Em 06/07/2009, foi feita a revisão de ofício do lançamento, com o cancelamento dos autos de infração acima mencionados e com a lavratura de novos autos de infração (fls. 146 a 177). A revisão de ofício foi efetuada em razão da falta de inclusão do adicional do IRPJ, uma vez que o interessado apurou lucro trimestral superior a R$ 60.000,00 (fls. 178 a 180). 4. Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 145) que os autos de infração, depois de formalizados, totalizaram o valor de R$ 51.539,97, já incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de ofício de 75% e de juros de mora, calculados até 30/06/2009. 5. A primeira infração fiscal apurada decorre da falta de comprovação de parte do IRRF informado na DIPJ 2005, conforme quadro de fl. 102. 6. A segunda infração fiscal decorre da omissão da totalidade dos rendimentos de aplicação financeira de renda fixa escriturados no livro Razão, conforme quadro de fl. 101. 7. Os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS decorrem apenas da segunda infração. 8. O interessado, que tomou ciência dos autos de infração em 28/07/2009 (fl. 147), apresentou impugnação em 24/08/2009, nos termos da petição de fls. 188 a 208. 9. Alega, em síntese, que sofreu a retenção na fonte de IR informada na DIPJ 2005, de acordo com os documentos acostados aos autos (fls. 258 a 270). 10. Em relação às aplicações financeiras de renda fixa, afirma que acostou aos autos os informes de rendimentos financeiros, assim como o demonstrativo de cálculo dos impostos devidos (fls. 269 a 270). Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 12898.001045/200970 Resolução n.º 1401000.139 S1C4T1 Fl. 3.879 3 11. Concorda que não recolheu a CSLL incidente sobre os citados rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. Requer a aplicação do art. 1º da Lei n° 11.941/2009. 12. Aduz que não incide a Contribuição para o PIS e COFINS sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. 13. Afirma que o art. 3o , §1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n° 11.941/2009. 14. Ao final, ressalta que a partir de agosto de 2004, por força do Decreto n° 5.164, de 2004, ficaram reduzidas a zero as alíquotas de PIS e COFINS incidentes sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. A DRJ Ri de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o credito tributário exigido, por meio do Acórdão 1230.164 1ª Turma DRJRJ1, que recebeu a seguinte ementa (fls. 325): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. Quando há o pagamento do tributo, ocorre a decadência do dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício e, consequentemente, a extinção do crédito tributário, depois do prazo de cinco anos contados do fato gerador, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do 150, §4°, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÃO NA FONTE. E cabível a exigência da diferença de IRPJ não recolhida em decorrência de redução de Imposto de Renda Retido na Fonte em montante superior ao comprovado. OMISSÃO DE RECEITAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Mantémse o lançamento de ofício se não elidida a imputação de que as receitas auferidas e decorrentes de aplicações financeiras não foram devidamente oferecidas à tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS.COFINS. CSLL. Na ausência de fatos novos a ensejarem conclusões diversas, o decidido no lançamento principal se estende aos decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 12898.001045/200970 Resolução n.º 1401000.139 S1C4T1 Fl. 3.880 4 Intimada desse Acórdão em 20/09/2010 (fls. 340), a contribunte apresentou em 18/10/2010 o Recurso Voluntário de fls. 343375, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. A recorrente incorporou ao texto de sua peça recursal diversos relatórios de faturamento acumulado, separados por cliente, referente ao período de 01/04/04 a 31/12/2004 (fls. 346359). Demonstrativos semelhantes, referentes ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004, já haviam sido apresentados pela contribuinte, na fase impugnatória, conforme se verifica às fls. 257268. A recorrente juntou, também, ao seu recurso voluntário diversas “Listagens Analíticas de Notas Fiscais por Nº de Nota com Líquido Faturado”, que basicamente reproduzem os dados constantes dos demonstrativos supramencionados (incluídos no corpo de sua peça recursal). Por fim, juntou aos autos milhares de cópias de Notas Fiscais de sua emissão (fls. 4413874), indicando valores retidos a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. No entanto, um volume considerável destas cópias referemse a Notas Fiscais canceladas, tais como aquelas de fls. 645, 646, 647, 664, 1078, 2412, 2413, 2414, 2415, 2416, 2417 etc. Além disso, um volume considerável destas cópias encontramse completamente ilegíveis, tais como aquelas de fls. 2418, 2419, 2420, 2421, 2422, 2423, 2424, 2425, 2426, 2427, 2428, 2429, 2430, 2431, 2432 etc. É o relatório. Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 12898.001045/200970 Resolução n.º 1401000.139 S1C4T1 Fl. 3.881 5 Voto O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Antes de se prosseguir no julgamento do presente feito, entendo que o mesmo deva ser convertido em diligência para constatação da regularidade da documentação apresentada pelo Recorrente e, eventualmente, para recálculo do crédito tributário lançado. De fato, a Recorrente trouxe à baila milhares documentos (cópias) que, em tese, podem demonstrar a ocorrência de valores retidos a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS . Importante frisar que um volume considerável destas cópias referemse a Notas Fiscais canceladas, tais como aquelas de fls. 645, 646, 647, 664, 1078, 2412, 2413, 2414, 2415, 2416, 2417 etc. Além disso, um volume considerável destas cópias encontramse completamente ilegíveis, tais como aquelas de fls. 2418, 2419, 2420, 2421, 2422, 2423, 2424, 2425, 2426, 2427, 2428, 2429, 2430, 2431, 2432 etc. Pelo exposto, proponho retornem os autos à instância preparadora, com o objetivo de: a) confirmar a autenticidade dos documentos (cópias) juntados autos pela Recorrente; b) identificar se os aludidos documentos são hábeis para reduzir o montante do crédito tributário lançado; c) apresentar parecer conclusivo acerca do valor do crédito tributário remanescente, após a devida apreciação dos argumentos e documentos juntados aos autos pela Recorrente; d) promover a regular notificação do contribuinte acerca do resultado da diligência, facultandolhe a apresentação de manifestação escrita, no prazo de 30 dias. Cumprida a diligência, retornem os autos para julgamento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
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Numero do processo: 16004.000830/2006-31
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.027
Decisão: Resolvem os membros da presente sessão de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-02-04T15:30:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-02-04T15:30:01Z; Last-Modified: 2010-02-04T15:30:01Z; dcterms:modified: 2010-02-04T15:30:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-02-04T15:30:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-02-04T15:30:01Z; meta:save-date: 2010-02-04T15:30:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-02-04T15:30:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-02-04T15:30:01Z; created: 2010-02-04T15:30:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-02-04T15:30:01Z; pdf:charsPerPage: 1133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-02-04T15:30:01Z | Conteúdo => e -nL SI-C4T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16004.000830/2006-31 Recurso n° 161668 EX OFFICIO E VOLUNTÁRIO Resolução n° 1401-00.027 — 4" Câmara / P Turma Ordinária Sessão 26 de agosto de 2009 Matéria IRPJ e OUTROS - Ex.: 2001 e 2002 Recorrentes 5' TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP e LIGA RIO PRETENSE DE FUTEBOL DE SALÃO E OUTROS (RESPONSÁVEIS: Romuldo Hatty, Claudiney Faustino da Silva, Luís Augusto de Almeida Lima, Mauro Olivier) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da presente sessão de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator que passa a integrar o presegte julgado. =,--r-EaU4 TVG' ALÁOOTA-S,PESSOA MONTEIRO - Presidente ANTONIO ZERRA NETO - Relator (/EDITADO EM. u 0 0 9 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente), Alexandre Antônio Ananim Teixeira, Nelso Kichel (Suplente Convocado) e Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada). o Processo n° 16004.000830/2006-31 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 2 si RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 14-15.876, da 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Ribeirão Preto-SP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Em foco atos administrativos levados a efeito pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP tendentes à suspensão da isenção tributária da interessada, no rito preconizado pelo artigo 32 da Lei n° . 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim recomendado pelo artigo 14 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, bem como, à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), e ainda, à imputação de responsabilidade solidária a pessoas com interesse comum na situação que constitui os fatos geradores dos tributos. A suspensão da isenção tributária operou-se com a edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 58, de 04 de dezembro de 2006, cuja ciência à autuada se deu por remessa postal, conforme "aviso de recebimento-AR" de fl. 430, e publicação na Seção 1 do Diário Oficial da União do dia seguinte, o qual delimitou seus efeitos aos anos-calendário de 2000 e 2001, fl. 961. Referido ato tem por lastro a Notificação Fiscal lavrada em 10 de outubro de 2006, encartada às fls. 407/415, que imputou a inobservância dos requisitos de sustentação da isenção previstos no artigo 15 da lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, uma vez que detectadas as seguintes irregularidades, resumidamente: falta de escrituração de expressivas movimentações bancárias havidas em quatro (4) contas; falta de apresentação dos livros "diário" e "razão" referentes ao ano de 2000 e apuração de que o terceiro, pessoa jurídica de Rengaw Administração e Comércio Ltda., indicado pela autuada como responsável pelas movimentações financeiras ao argumento de administradora de jogos de bingo, inexistia de direito à época dos fatos. Essa Notificação Fiscal não logrou ser cientificada pelo correio, em face de recusa, fl. 420, motivo pelo qual foi expedido e fixado na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto em datas de 16/10/2006 e 17/10/2006, respectivamente, o Edital DRF/SJR/SAFIS/043/2006, fl. 422, despregado no final do expediente de 31/10/2006. Os autos de infração, todos lavrados em 13 de dezembro de 2006, fls. 1.027/1.058, complementados pelas descrição dos fatos e conclusão fiscal de fls. 972/1.026, com ciência à autuada por meio de remessa postal, conforme "aviso de recebimento-AR" de fl. 1.072, exteriorizam as seguintes exigências: 1) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Decorrente de omissão no registro de receitas caracterizada por falta de contabilização de depósitos bancários, no valor de R$ 4.561.125,36, havidos nos meses de janeiro de 2000 a junho de 2001. Em conseqüência, apurou-se imposto na ordem de R$ 401.867,98, acrescido de multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), na importância de R$ 602.801,96 e juros na quantia de R$ 408.244,14, sendo s\ 2 7 Processo n° 16004.000830/2006-31 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 3 elencados como infringidos e/ou incorridos os artigos 530, inciso II, 532, 537 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 e os artigos 27, inciso I, 42, 44, inciso II e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996. 2) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO (CSLL) Decorrente da mesma imputação na seara do IRPJ, acima transcrita, inclusive mesmo período de apuração, importando em contribuição na ordem de R$ 48.970,65, acrescida de multa de acrescido de multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), na quantia de R$ 73.455,95 e juros de R$ 49.715,20, sendo elencados como infringidos e/ou incorridos o artigo 2° e parágrafos da Lei n° 7.689, de 1988; os artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; os artigos 29, 44, inciso II e 61, § 3 0, da Lei n° 9.430, de 1996 e o artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e reedições. 3) CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) Decorrente da mesma imputação na seara do IRPJ, já transcrita, inclusive mesmo período de apuração, importando em contribuição na quantia de R$ 29.647,23, acrescida de multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), no valor de R$ 44.470,80 e juros de R$ 30.536,09, sendo elencados como infringidos e/ou incorridos os artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 07, de 1970; artigo 86, § 1 0, da Lei n° 7.450, de 1985; artigo 2° da Lei n° 7.683, de 1988; artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; artigos 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9° da Lei n° 9.715, de 1998; artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998 e artigos 44, inciso II e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996. 4) CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Decorrente da mesma imputação na seara do IRPJ, já transcrita, inclusive mesmo período de apuração, importando em contribuição no valor de R$ 136.833,68, acrescida de multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), na ordem de R$ 205.250,47 e juros de R$ 140.936,43, endo elencados como infringidos e/ou incorridos os artigos 1° e 10°, parágrafo único, da Lei complementar n° 70, de 1991; artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n°9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 1999 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições e artigos 44, inciso II e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996. Finalmente, através dos Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.059/1.066, foram chamados à responsabilidade solidária, na forma do artigo 124 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas físicas de Romualdo Hatty, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) sob o n° 185.367.438-91; Claudiney Faustino da Silva, inscrito no CPF sob o n° 042.593.588-47; Luis Augusto de Almeida Lima, inscrito no CPF sob o n° 018.574.378-10 e Mauro Olivier, inscrito no CPF sob o n° 042.641.868-97. Referidas pessoas foram cientificadas por remessa postal, consoante "avisos de recebimento-AR" de fls. 1.073/1.076. Em 10 de janeiro de 2007 o co-responsável Romualdo Hatty apresentou a peça recursal de fls. 1,083/1.104, acompanhada dos documentos de fls. 1.105/1.164, requerendo sua exclusão do pólo passivo da autuação, a declaração da extinção do crédito tributário em face de decadência e a oportunidade de juntada de novos ,72 documentos. 4:7 Processo n° 16004.000830/2006-31 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 4 Argumenta, em síntese, não existir qualquer demonstração ou prova no trabalho fiscal de que tenha movimentado as contas referidas na autuação e de que tenha qualquer interesse na ocorrência do fato gerador nela versado. Aduz que a autuação baseou-se em meras presunções e indícios, como informações de sua atuação no ramo de bingos, locações e comércio de equipamentos eletrônicos (caça-níqueis) colhidas em sites e que teria recebido um cheque de n° 0100591, compensado em 6 de fevereiro de 2001, segundo microfichas do banco sacado Unibanco, o qual não consta da listagem fornecida por este e nem tampouco foi juntado no trabalho fiscal. Assevera que embora no processo administrativo tributário sejam válidos todos os elementos de prova admitidos em Direito, inclusive as presunções e indícios, estas devem ser acolhidas com reservas e somente nas situações em que seja impraticável a produção de outro meio e que, no caso, o Fisco não se desincumbiu do ônus da prova, isto é, não demonstrou que os depósitos bancários tenham sido feitos pelo Recorrente e muito menos que tenha se beneficiado desses depósitos. Assim, desautorizada a imputação de interesse comum no fato gerador e a condição de sujeito passivo tributário, nos termos dispostos pelo artigo 124, inciso I, do CTN. E ainda que dessa forma não se entenda, o crédito tributário cobrado estaria extinto por decadência, em face do termo inicial de contagem do prazo qüinqüenal na data da ocorrência do fato gerador, consoante dispõe o artigo 150, § 4°, do CTN, ainda que presentes as figuras do dolo, fraude e simulação, que só servem para caracterizar a não homologação tácita da atividade apuratória do contribuinte. E mais, quanto ao ano de 2000, a decadência também se opera quando se tem em conta o marco de contagem previsto no artigo 173, inciso I, do codex. Pugna, também, pela inaplicabilidade do agravamento da multa em razão dos fatos não caracterizarem evidente intuito de fraude, como definido no artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964, sem contar que a exasperação da pena exige do Fisco minuciosa justificativa e comprovação nos autos, o que não ocorreu, e também porque a tributação deriva de simples presunção de omissão de receita que, embora legal, não caracteriza o dolo de omitir, entendimento este já esposado pelo Conselho de Contribuintes. Ainda quanto ao agravamento da multa diz que nem o conceito e nem os efeitos da solidariedade tratados nos artigos 124 e 125 do CTN, e nem a legislação tributária ordinária autorizam a extensão a terceiro, bem como, que a própria multa deve se submeter a patamares constitucionais válidos, isto é, a pena não deve ser igual ao gravame e muito menos superior, ainda que repreensiva ou sancionatória. Por fim, requereu a extensão do inconformismo às cobranças a título de PIS, COFINS e CSLL, face a íntima relação de causa e efeito. Em 11 de janeiro de 2007 foi encartada aos autos a petição de fls. 1.167/1.174, acompanhada dos documentos de fls. 1.175/1.200. No final desta peça, subscrita por procuradores, foi consignado que, se recebida como "pedido de esclarecimento de fatos relevantes do auto de infração e documentos necessários e obrigatórios", tão somente a Liga Riopretense de Futebol de Salão deverá ser considerada como requerente, porém, na hipótese de recebimento como "recurso administrativo", deverão ser incluídos, como recorrentes, os Srs. Claudiney Faustino da Silva, Mauro Olivier e Luis Augusto de Almeida Lima. 4 Processo n" 16004.000830/2006-31 SI-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 5 Argumenta-se, em síntese, que nas cópias dos autos de infração encaminhados para a interessada constam duas assinaturas, sendo uma em cópia e outra em caneta azul, além de constar marcas visíveis de corretivo e complementação de dados por meio de anotações manuscritas de páginas de documentos, deixando claro o preenchimento de campos de um auto elaborado em outra oportunidade, o que fere o artigo 2° do Decreto n° 70.235, de 1972. Também, que em data de 06/10/2006 foi realizado um pedido de prorrogação de prazo para a entrega de documentos e informações, o qual foi indeferido em 09/10/2006, seguindo-se o descredenciamento da entidade em 10 seguinte, sem que tal documento tenha sido entregue para a Liga ou seus dirigentes. Aduz-se que no devolvido envelope de fl. 420 não há indicação do que estava sendo encaminhado, bem como, que no "AR" n° 005.039.09/6-BR (fl. 421) não consta identificador do recebimento, sequer data e assinatura, e "se o documento encaminhado fosse a NOTIFICAÇÃO DE DESENQUADRAMENTO, está o procedimento crivado de ilegalidade, pois em desacordo com o artigo 23, incisos I e II do Decreto 70.235, de 06.03.1972". Adiante, alega-se que a publicação do ato no Diário Oficial não tem eficácia de notificação para fins do recurso administrativo cabível. Argüi-se que o prazo para a guarda de documentos que comprovem a origem das receitas e efetivação das despesas é de cinco anos contados da data da emissão, consoante artigo 12, § 2°, letra "d" da Lei n° 9.532, de 1997, de forma que não estaria obrigada à apresentação deles, ou dos livros, concernentes ao período anterior a 16/03/2001, uma vez que a ação fiscal iniciou-se em 15/03/2006, não justificando a suspensão da imunidade (sic). Pugna-se pela prescrição da exigibilidade à vista do artigo 150, § 4°, do CTN, principalmente porque não houve dolo, fraude ou simulação, e também não se aplica o artigo 173, incisos I e II deste código porque não está obrigada a manter e apresentar livros com mais de cinco anos da ocorrência de suas receitas e despesas. Argumenta-se que o trabalho fiscal divaga ao registrar que no período de 2000 e 2001 não houve escrituração bancária, pois dita movimentação estava a cargo de empresa administradora, denominada 'BINGO JARDINS", autorizada pelo artigo 63 da lei reguladora das atividades de bingos. Assevera-se que "em sendo a administradora da sala de bingo uma empresa comercial, com uso de conta corrente separada e distinta da conta corrente da entidade na sua sede (São José do Rio Preto/SP), sendo a conta mantida e administrada por DIRETOR ADMINISTRATIVO DA SUB-SEDE DE SÃO PAULO (uma exigência da Lei reguladora dos Bingos), não se pode concluir que toda movimentação financeira SEJA RECEITA BRUTA PAGO À ENTIDADE ". Assim, lhe caberia tão somente 7% (sete por cento) do total arrecadado, segundo a legislação de regência, daí porque os livros "caixa" e "razão" registram apenas dito patamar. Ao final, pugna-se pela nulidade do auto de infração e do ato de suspensão da imunidade à vista de erros na condução do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), extinto que foi pelo decurso de prazo legal e sem comunicação de continuação do procedimento, inclusive sem a nomeação de um novo Auditor Fiscal da Receita Federal para conclusão dos trabalhos." A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE os lançamentos e os respectivos termos de responsabilidade, nos termos da ementa abaixo: 5 / r Processo n° 16004.000830/2006-31 SI-C4T1 .1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 6 "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2001 ATO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. RESISTÊNCIA AVIADA DEPOIS DO PRAZO. A impugnação contra o ato suspensivo da isenção tributária, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, no particular. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A nulidade do auto de infração somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas na legislação. O atendimento aos preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional e na legislação do processo administrativo fiscal, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. A entidade isenta que deixar de atender a um ou mais dos requisitos estabelecidos em lei para gozo do beneficio, além de perder essa condição, estará sujeita ao lançamento de oficio para cobrança dos tributos que passaram a ser devidos, no caso, o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SISTEMÁTICA. ATIVIDADE DO SUJEITO PASSIVO TENDENTE À APURAÇÃO DO TRIBUTO. DECADÊNCIA. 'A sistemática de lançamento denominada por homologação exige o pagamento antecipado do tributo ou o conhecimento do Fisco acerca da atividade material exercida pelo contribuinte tendente à apuração daquele, que se dá pelo cumprimento de obrigações acessórias no tempo e modo, de sorte a incidir o beneficio (para o contribuinte) da antecipação do início da contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, assim previsto no sç' 4° do artigo 150 do CTN, salvo na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem deste prazo inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte, consoante artigo 173, I, desse diploma legal, aqui ocorrente. Como a ciência do auto de infração foi dada em 13/12/2006, os valores lançados referentes aos três primeiros trimestres do ano calendário de 2000 estão abarcados pelo fenômeno. Já no caso das contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS) o prazo decadencial é de 10 (dez) anos. 6 Processo ri° 16004.000830/2006-31 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 7 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n" 9.430/96, quando o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em uma ou mais das hipóteses tipificadas nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502/64. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis regularmente emanadas do Poder Legislativo, eis que da exclusiva alçada do Poder Judiciário, em face do principio da independência dos Poderes da República. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 0:1/01/2000 a 31/03/2000, 01/04/2000 a 30/06/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000, 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/04/2001 a 30/06/2001 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÓNUS DA PROVA. Por presunção legal contida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, os depósitos efetuados em conta bancária cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pela contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e PIS)." Irresignados com a decisão de primeira instância, os. interessados (Liga Riopretense de Futebol de Salão .e os imputados- 'co-obrigados, Sr. ..komualdo Hatty, Sr. Claudiney Faustino da Silva, Sr. Luis Augusto de Almeida Lima e Sr. Mauro Olivier), interpuseram recursos voluntários a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação . O Sr. Romualdo Hatty fez o seu recurso apartado dos demais interessados, os quais fizeram as suas defesas de forma conjunta com o recurso da empresa. O co-obrigado, Sr. Romualdo Hatty ao qual foi imputado Termo de Responsabilidade Tributária, no relevante, assim reforça a sua defesa na fase recursal: "O auto baseou-se em meras presunções, em meros indícios. Veja-se que o Sr. Auditor Fiscal limitou-se a fazer uma ilação, a partir de considerações de ordem subjetiva e esse procedimento do fisco afronta o principio da verdade material. Veja-se do trabalho fiscal e isso não foi objeto de análise mais profunda pelos julgadores "a quo" que, todas as pessoas ouvidas informaram desconhecer qualquer participação ou envolvimento do Recorrente na alegada movimentação financeira das contas abertas em nome da LIGA, objeto repita-se da autuação. ( Processo n° 16004.000830/2006-31 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 8 Conforme se verifica da fls. 43 a 52 do Termo de Descrição dos Fatos e Conclusão Fiscal anexo ao auto de infração, não há uma só prova de envolvimento do Recorrente na alegada infração descrita pelo Sr. Auditor. Percebe-se que a conclusão da fiscalização quanto à suposta ligação do Recorrente com a propriedade dos recursos financeiros movimentados nas citadas contas bancárias, revela-se insustentável. E a única constatação que faz o Sr. Auditor para tentar vincular o Recorrente com a infração imputada a autuada LIGA — essa mantida pelo v.acórdão — é a de que o recorrente "atua no ramo de bingos, locações e comércio de equipamentos eletrônicos (caça níqueis)", conforme informações obtidas em sites e a de que teria recebido um cheque de n° 0100591, compensado em 6 de fevereiro, que o Sr. Auditor alega ter verificado nas microfichas fornecidas pelo banco sacado, Unibanco. No entanto, esse cheque não consta da listagem fornecida pelo referido banco e tampouco foi juntado no trabalho fiscal, embora para o v.acórdão esse fato — diga- se ÚNICO de acusação contra a Recorrente — não seja condicionante para a exclusão da sua responsabilidade (...)" É o relatório. 8 • Processo n° 16004.000830/2006-31 S1-C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 9 VOTO Conselheiro — ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Esta diligência circunscreve-se ao esclarecimento de fatos ligados à resistência do co-obrigado, Sr. Romualdo Hatty, ao qual foi imputado Termo de Responsabilidade Tributária. A julgador de primeira instância, após fazer uma elucidativa exposição a respeito da possibilidade legal de se configurar urna prova através de um conjunto de indícios que levam a formação de convicção do julgador, conclui o seu voto a respeito desse aspecto da seguinte forma: "Nessa seara, creio que os indícios coletados pelo Fisco em desfavor de Romualdo Hatty, e devidamente juntados aos autos, são suficientes para caracteriza- lo como empresário do ramo de exploração de bingos. Noutro passo, quanto a sua íntima ligação com a autuada, não pairam dúvidas. Com efeito, existe, até mesmo, prova documental, a ver pelo ato de nomeação para exercer o cargo de diretor administrativo, e isso na mesma assembléia extraordinária em que se deu a criação de sua sub-sede (posteriormente transformada na própria sede) na cidade de São Paulo, exatamente no endereço de funcionamento dos jogos de bingo, fl. 485. Posteriormente, sua assinatura na ata da assembléia geral extraordinária de 29 de março de 1999, justamente a de adequação do Estatuto Social à Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998, que legalizou os jogos de bingos no País (artigo 59). (...)" Embora comungue em tese sobre a validez e necessidade da prova indiciária, por óbvio que a conclusão extraída da mesma pode levar a dissenso em função de um certo grau de subjetividade na análise dos requisitos necessários a transformação de um conjunto de indícios em efetiva prova. • Entre outros indícios, conforme abaixo se transcreve, o fiscal faz referência a uma possível referência a que o co-obrigado tenha se beneficiado economicamente dos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas: "Consta cheque n° 0100591, compensado em 06/02/2001, nominativo à Romualdo Hatty, conforme cópias das microfichas fornecidas pelo Banco sacado Unibanco." Por outro lado, a interessada a esse respeito, assim se defende em seu recurso: "O auto baseou-se em meras presunções, em meros indícios. Veja-se que o Sr. Auditor Fiscal limitou-se a fazer uma ilação, a partir de considerações de ordem subjetiva e esse procedimento do fisco afronta o princípio da verdade material. Veja-se do trabalho fiscal e isso não foi objeto de análise mais profunda pelos julgadores "a quo" que, todas as pessoas ouvidas informaram desconhecer qualquer participação ou envolvimento do Recorrente na alegada movimentação financeira das contas abertas em nome da LIGA, objeto repita-se da autuação. Processo n° 16004.000830/2006-31 SI -C4T1 Resolução n.° 1401-00.027 Fl. 10 Conforme se verifica da fls. 43 a 52 do Termo de Descrição dos Fatos e Conclusão Fiscal anexo ao auto de infração, não há uma só prova de envolvimento do Recorrente na alegada infração descrita pelo Sr. Auditor. Percebe-se que a conclusão da fiscalização quanto à suposta ligação do Recorrente , com a propriedade dos recursos financeiros movimentados nas citadas contas bancárias, revela-se insustentável. E a única constatação que faz o Sr. Auditor para tentar vincular o Recorrente com a infração imputada a autuada LIGA — essa mantida pelo v.acórdão — é a de que o recorrente "atua no ramo de bingos, locações e comércio de equipamentos eletrônicos (caça níqueis)", conforme informações obtidas em sites e a de que teria recebido um cheque de n° 0100591, compensado em 6 de fevereiro, que o Sr. Auditor alega ter verificado nas microfichas fornecidas pelo banco sacado, Unibanco. No entanto, esse cheque não consta da listagem fornecida pelo referido banco e tampouco foi juntado no trabalho fiscal, embora para o v.acórdão esse fato — diga- se ÚNICO de acusação contra a Recorrente — não seja condicionante para a exclusão da sua responsabilidade (...)"(destaquei). A princípio, esclareça-se que o autuante não indicou se tais provas constam ou não dos autos. Esta autoridade julgadora não conseguiu localizar e a interessada, por outro lado, também confirma esse fato. Em respeito sobretudo ao dever de cautela, bem assim, sem ainda pretender antecipar qualquer tipo de juízo de valor sobre a questão, pois a atribuição de responsabilidade pode ainda ser suportado por outros indícios constantes nos autos, o esclarecimento mais acurado a respeito daquele fato pode ser ponto de fundamental importância para formação da convicção não só deste julgador, mas também do Colegiado que pode dar um peso diferente para esse indício . Dessa forma, torna-se indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: a) Materializar a prova indicada nos autos, acostando cópia do referido cheque (n° 0100591) nominativo à Romualdo Hatty, se for o caso; b) Caso se foge êxito no item acima, intimar a recorrente a se defender a respeito; c) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. ANTONIc9EZERRA NETO 10
score : 1.0
Numero do processo: 36750.002574/2006-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/01/2006
VERDADE MATERIAL. NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.462
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso pelo reconhecimento da nulidade por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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NULIDADE . VÍCIO MATERIAL AB INITIO. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado, desde o início, por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso pelo reconhecimento da nulidade por vício material. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 166DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes, os Conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36750.002574/200681 Acórdão n.º 240300.462 S2C4T3 Fl. 163 3 Relatório Trata o presente processo da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.859.3590 e anexos de f. 01 a 47, através do qual se exige o valor consolidado resultado da soma das ações fiscais procedidas na empresa PA Confecções Ltda ME, autuada como sucessora bem como na empresa havida como sucedida Letice Comercial Ltda conforme fls 47 em 08/03/2006 no valor total de R$ 3.649,70 (três mil seiscentos e quarenta e nove reais e setenta centavos), com ciência em 16/03/2006. Segundo o Relatório Fiscal, os valores lançados às fls.45/47, correspondem às contribuições sociais, aferidas indiretamente nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional e arts. 596 e 597 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005, são referentes à somatória das concomitantes prestação de serviço pelo Sr. Clauber José de Souza Neckel, concomitantemente às empresas ora em comento, nas competências a partir de abril de 2003. Ainda sobre o Relatório Fiscal, o AuditorFiscal, afirma ter ocorrido a sucessão de Letice Comercial Ltda. por PA Confecções Ltda. ME, com fundamento no art. 133 do Código Tributário Nacional – CTN – baseandose nos fatos por ele verificados que segundo seu entendimento caracterizaram à sucessão: “ A—As empresas Letice Comercial Ltda e PA Confecções Ltda Me situamse no mesmo espaço físico sob o mesmo nome fantasia: 'Lojas Centauro; B—Os sócios fazem parte de uma mesma família; C—A empresa PA Confecções Ltda ME foi constituída na mesma localidade da empresa Letice Comercial Ltda, dando continuidade ao mesmo ramo de atividade comercial; D—Os empregados de Letice Comercial Ltda trabalham, de fato, para PA Confecções Ltda, ao lado dos empregados desta." Após arrazoar sobre a matéria com base em doutrina e jurisprudência, por fim, conclui o AuditorFiscal que será efetuada representação fiscal para fins penais, por ter havido omissão do segurado nas folhas de pagamentos e nas GFIPs, o que constitui, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária. ” DA IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 87 a 101, através da qual a interessada, expõe seus argumentos de defesa, com as seguintes alegações: Argüição de nulidade da NFLD por inexistir sucessão da Letice Comercial Ltda pela PA Confecções Ltda. ME; Que analisandose os presentes autos, entendese que não houve enquadramento dos fatos ao que prescreve a norma, mais precisamente o art. 133 do CTN; Fl. 168DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Que vêse que, o dispositivo acima transcrito, estabelece elementos capazes de identificar quando se caracterizará a sucessão e, de imediato, verificamos que o caso dos autos não correspondem aos preceptivos legais postos, uma vez que a PA Confecções Ltda não adquiriu a empresa Letice Comercial, não ocorrendo a sucessão; Que não houve a alteração do mundo societário conforme previsto no dispositivo acima, qual seja: a aquisição de uma sociedade por outra, por meio de um processo de compra e venda; que o Superior Tribunal de Justiça também se posiciona nesse sentido ao asseverar que a sucessão esta vinculada à completa subsunção ao disposto no art. 133 do CTN não podendo ser presumida, in verbis: “A imputação de responsabilidade tributária por sucessão de empresas está atrelada à averiguação concreta de elementos constantes do art. 133 do CTN, não bastando meros indícios da sua existência'. (RESP 600106/RJ. proc. 2003/01846878. Rel. Min. Castro Meira. 2a Turma. julg. 18/10/2005. p.197).”; que além disso, o simples fato de as empresas estarem localizadas no mesmo espaço, por si só não caracteriza a sucessão, eis que, são empresas diversas com objetos sociais distintos uma da outra. Cada uma possui personalidade jurídica própria, devendo responder individualmente pelas obrigações que contraírem ou vierem a contrair com terceiros. que de outro lado, o fato de os sócios fazerem parte de uma mesma família e de os empregados da Letice Comercial Ltda trabalharem ao lado da PA Confecções, não configura a sucessão. Aliás, tais fatos são irrelevantes para o direito, uma vez que o ordenamento jurídico pátrio prestigia o exercício da livre iniciativa privada não fazendo quaisquer diferenciações nesse sentido. Que, destarte, impõese seja anulado o presente auto de infração, desconsiderandose qualquer responsabilidade tributária por sucessão da empresa PA Confecções pelos eventuais débitos tributários que possam existir em seu nome e que pertençam a Letice Comercial. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 3ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campo Grande/MS DRJ/CGE, emitiu o Acórdão n ° 0412.165 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls.143 onde combateu a decisão e reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36750.002574/200681 Acórdão n.º 240300.462 S2C4T3 Fl. 164 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.160/161, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE NULIDADE DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. Neste sentido, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. A inteligência do artigo 59, II do decreto 70.235/72 permite constatar que em havendo preterição do direito de defesa , nulo é o ato: O Decreto 70.235/72 : “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou Fl. 170DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ( se a nulidade argüida não comprometer a decisão que será a seu a favor) SOBRE AÇÕES FISCAIS SIMULTÂNEAS Se, conforme relatado, foram emitidos 2 MPFs com início no mesmo mês e ano sob a mesma jurisdição, então ocorreram duas ações distintas, logo, por lógico, é de se esperar Termos de Encerramentos das Ações Fiscais TEAFs com resultados distintos. Desse modo incluir no pólo passivo empresa distinta que esteve concomitantemente sob ação fiscal diferenciada é inapropriado. Cumpre notar os inícios das ações Fiscais em ambas empresa relatado às fls. 37, nos itens 2.1 e 3.1 : “2.1. Emitido Mandado de Procedimento Fiscal — MPF Nr. 0928494700 e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, documentos estes assinados por Alexandre Fabris Pagnoncelli, CPF n° 639.488.26153, sóciogerente de PA Confecções Ltda Me. 3.1. Em janeiro de 2.006 iniciouse a fiscalização da empresa Letice Comercial Ltda (CNPJ 01.869.732/000185), cujo nome fantasia é "Lojas Centauro", procurando localizála em seu endereço na Rua 14 de Julho, 2276 — Campo Grande MS. (...) foram assinados o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF nr. 0928367800 e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD — da empresa Letice Comercial Ltda, pelo Sr. Alexandre Fabris Pagnoncelli, procurador e administrador, de fato, desta e sócioadministrador de PA Confecções Ltda, que pelo relato a seguir e documentação anexa constituise em sucessora de Letice Comercial Ltda. ” Caracterizado que a autoridade fiscal tinha por obrigação concluir cada ação fiscal com termo final próprio, resta claro que detinha elementos suficientes para proceder às autuações de forma autônoma. Sendo assim, o que se alcança é que era possível e coerente autuar o sujeito passivo legítimo de cada ação fiscal de per si posto que este produzira a fato gerador e cometera a infração sendo relevante destacar o registro do item 4.2 do relatório fiscal onde o Auditor Fiscal autuou a empresa, por aferição indireta, a partir das nas competências a partir de abril de 2003: “ 4.2. Através dos documentos apresentados, por exemplo: folhas de pagamentos e GFIPs, com o nome do contador no rodapé das páginas, verificamos que, pelo menos, a partir da competência abril/ 2003, o técnico de contabilidade Sr. Clauber José de Souza Neckel presta serviços profissionais à PA Confecções Ltda ME e Letice Comercial Ltda. Entretanto, não verificamos o lançamento em folha de pagamento ou GFIP, em período posterior a abril/ 2003, do nome do citado contribuinte individual.” SOBRE REQUISITOS CARACTERIZADORES DA SUCESSÃO Fl. 171DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36750.002574/200681 Acórdão n.º 240300.462 S2C4T3 Fl. 165 7 No corpo do voto, às fls. 132, item SUCESSÃO , notase que a Delegacia de Julgamento teve ali, basicamente, o núcleo da definição de seu Acórdão, que a meu juízo, restou precário o argumento, senão vejamos: Destacase no texto a afirmação de que : “ Notase que, ainda que não haja elementos que comprovem a formalização da sucessão, as circunstâncias verificadas no caso concreto permitam inferir que houve a continuidade.” Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua portuguesa, 2ª Edição , inferir significa tirar por conclusão, deduzir pelo raciocínio.Aproveitando a consulta, se observa ainda que presunção significa “ a conseqüência que a lei deduz de certos atos ou fatos , e que estabelece como verdade por vezes até contra prova em contrário”. Entretanto, o lançamento do crédito tributário não se infere, não se presume. Obedece o Princípio da verdade material. No mesmo diapasão se observa contraditória a conclusão na medida em que logo no primeiro parágrafo da referida seção consta que : a “notificação impugnada discrimina com precisão e clareza os elementos, as razões e os fatos que conduziram à caracterização da sucessão”. Como se vê, de maneira contraditória, em certo momento se afirma que houve precisão e clareza para em seguida concordar, ainda que de modo resistente, que não houve elementos que comprovassem a formalização da sucessão. Abaixo, a íntegra da seção “ sucessão”com os argumentos de primeira instância em apreço : “ O Relatório fiscal da notificação impugnada discrimina com precisão e clareza os elementos, as razões e os fatos que conduziram à caracterização da sucessão. De forma tópica, são estes os elementos conclusivos: a)as empresas Letice Comercial Ltda e PA Confecções Ltda ME estabeleceramse no mesmo espaço físico sob o mesmo nome fantasia: 'Lojas Centauro'; b)os sócios fazem parte de uma mesma família; c)a empresa PA Confecções Ltda ME foi constituída na mesma localidade da empresa Letice Comercial Ltda, dando continuidade ao mesmo ramo de atividade comercial; d) Os empregados de Letice Comercial Ltda trabalham, de fato, para PA Confecções Ltda, ao lado dos empregados desta. Notase que, ainda que não haja elementos que comprovem a formalização da sucessão, as circunstâncias verificadas no caso concreto permitam inferir que houve a continuidade da exploração econômica, sendo a empresa em atividade de fato sucessora da que anteriormente encontravase estabelecida no local, devendo a primeira responder por seus débitos próprios e pelos débitos remanescentes da segunda. O art. 133 do Código Tributário Nacional é bem claro ao atribuir à responsabilidade à sucessora, que adquiriu, por Fl. 172DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 8 qualquer título, fundo de comércio, estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração. Deve ser salientado que o dispositivo em comento fala da aquisição "por qualquer título" Ora, se a empresa atual encontrase ocupando o local em que a anterior encontravase estabelecida, é evidente que adquiriu um ou mais dos elementos caracterizados no artigo. Se assim não fosse, o estabelecimento ainda estaria ocupado pela sucedida, ou fechado, ocupado por outra empresa, ou destinado a outro fim.” Do exposto, se extrai que ao incluir no lançamento obrigações tributárias de sujeito passivo de ação fiscal diferente do referido no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n. 0928494700 a autoridade fiscal incorreu em NULIDADE do ato. Aduz que concorrendo de maneira agravante e DEFINITIVA para consolidar a nulidade, se revela o fato de a infração não ter sido demonstrada de forma contundente na medida em que a previsão da figura da sucessão encontrase preceituada no artigo 133, “caput” cujo elemento principal se resume no fato de uma empresa adquirir outra. Tal condição não foi efetivamente demonstrada no relatório fiscal: “ Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: ” A propósito o que se revela registrado na mesma seção supra, é que a aquisição ocorreu e foi a qualquer título em razão de que : “... se a empresa atual encontrase ocupando o local em que a anterior encontravase estabelecida, é evidente que adquiriu um ou mais dos elementos caracterizados no artigo. ” Entendo frágil e insustentável tal conclusão. Tais arrazoados confrontam com a inteligência do artigo 142 do CTN : “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Conforme o Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, restará configurado o vício material quando como no processo em comento há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: Fl. 173DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36750.002574/200681 Acórdão n.º 240300.462 S2C4T3 Fl. 166 9 O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Importa sublinhar que o Auditor Fiscal, sem acrescentar que houvera aquisição de uma empresa pela outra, entendeu de caracterizar a sucessão em virtude de ter encontrada a circunstância abaixo relatada : “A — As empresas Letice Comercial Ltda e PA Confecções Ltda Me situamse no mesmo espaço físico sob o mesmo nome fantasia: "Lojas Centauro". B — Os sócios fazem parte de uma mesma família. C — A empresa PA Confecções Ltda ME foi constituída na mesma localidade da empresa Letice Comercial Ltda, dando continuidade ao mesmo ramo de atividade comercial. D — Os empregados de Letice Comercial Ltda trabalham, de fato, para PA Confecções Ltda, ao lado dos empregados desta.” SOBRE VÍCIOS Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, é caso de nulidade (defeito na composição, explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, falta de materialidade ou determinação do sujeito passivo, da base de cálculo ou da alíquota aplicáveis). Em acontecendo isso, o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação constituindo óbice à ampla defesa e do contraditório restando claro prejuízo ao sujeito passivo na medida em que representem relevante influência na solução do litígio. DO VÍCIO FORMAL É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 10 obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. DO VÍCIO MATERIAL Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento.( gn) Conforme o Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, restará configurado o vício material quando como no processo em comento há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Fl. 175DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 36750.002574/200681 Acórdão n.º 240300.462 S2C4T3 Fl. 167 11 Não é razoável agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida , por exemplo, quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas o que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão é apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o responsável foi identificado corretamente e que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o responsável foi quem praticou o fato gerador da obrigação e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância da responsabilidade e do conteúdo. O Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes vem corroborar este entendimento: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). É relevante lembrar o Princípio da motivação das decisões onde se preceitua que “ os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores e com a indicação dos fundamentos e fatos jurídicos que o embasaram”. E, ainda que prova é o meio pelo qual, submetida ao contraditório, a alegação de fato é confirmada ou negada. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 12 Tudo que foi exposto concorre pacificamente para a declaração de nulidade. Sendo assim , por economia processual deixo de enfrentar as demais alegações. CONCLUSÃO Desse modo, EM PRELIMINAR, determino a NULIDADE do lançamento em virtude de ter ocorrido VÍCIO MATERIAL AB INITIO. Ivacir Júlio de Souza Fl. 177DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 03/04/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 05/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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