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10615674 #
Numero do processo: 16682.721190/2017-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 26/02/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996, que previa a multa isolada em razão da não-homologação de compensação, foi julgado inconstitucional pelo STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, ao apreciar o tema 736 da repercussão geral. Foi fixada a seguinte tese: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 3302-014.500
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.491, de 17 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 16682.721182/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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MULTA ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996, que previa a multa isolada em razão da não-homologação de compensação, foi julgado inconstitucional pelo STF nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, ao apreciar o tema 736 da repercussão geral. Foi fixada a seguinte tese: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-014.491, de 17 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 16682.721182/2017-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Fl. 398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.500 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721190/2017-67 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente de impugnação a auto de infração que constituiu multa isolada por compensação não homologada prevista no § 17 no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Contra essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em resumo: • A violação a direitos e garantias fundamentais, em especial o direito de petição, os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal, da proporcionalidade e da razoabilidade, como previstos nos incisos XXXIV, LIV e LV do art. 5º da CF/88, devendo a multa em questão somente deve ser aplicada na hipótese da comprovação da má-fé do contribuinte, o que não ocorreu no presente caso. A DRJ julgou improcedente a Impugnação. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ, apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O processo trata exclusivamente de multa isolada em razão da não- homologação de compensação, prevista no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/1996. Ocorre que este dispositivo legal foi julgado inconstitucional pelo STF em 17/03/2023, em decisão transitada em julgado na data de 20/06/2023, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, ao apreciar o tema 736 da repercussão geral. Foi fixada a seguinte tese: Fl. 399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.500 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.721190/2017-67 3 É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 400DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10552561 #
Numero do processo: 19515.720326/2016-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro tributável poderá haver o aproveitamento de prejuízo fiscal ou base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento de prejuízo fiscal ou base negativa acima do limite determinado. Precedentes da 1ª Turma da CSRF. Havendo norma expressa que limita a compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e bases de cálculo negativas da CSLL a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado do exercício em que se der a compensação, sem nenhuma ressalva à possibilidade de compensação acima desse limite nos casos de extinção da empresa, não pode o Judiciário se substituir ao legislador e, fazendo uma interpretação extensiva da legislação tributária, ampliar a fruição de um benefício fiscal. Precedentes da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça.
Numero da decisão: 9101-007.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso com retorno ao colegiado a quo, vencidos os Conselheiros Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e Jandir José Dalle Lucca que votaram por negar provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº 14.689/2023, a qual deverá ser observada quando do cumprimento da decisão. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto– Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Jandir Jose Dalle Lucca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: HELDO JORGE DOS SANTOS PEREIRA JUNIOR

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Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro tributável poderá haver o aproveitamento de prejuízo fiscal ou base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento de prejuízo fiscal ou base negativa acima do limite determinado. Precedentes da 1ª Turma da CSRF. Havendo norma expressa que limita a compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e bases de cálculo negativas da CSLL a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado do exercício em que se der a compensação, sem nenhuma ressalva à possibilidade de compensação acima desse limite nos casos de extinção da empresa, não pode o Judiciário se substituir ao legislador e, fazendo uma interpretação extensiva da legislação tributária, ampliar a fruição de um benefício fiscal. Precedentes da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso com retorno ao colegiado a quo, vencidos os Conselheiros Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e Jandir Fl. 435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 2 José Dalle Lucca que votaram por negar provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº 14.689/2023, a qual deverá ser observada quando do cumprimento da decisão. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto– Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Jandir Jose Dalle Lucca, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (PGFN) em face do Acórdão nº 1302-006.305, de 16/11/2022, que deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte acima identificada. O Acórdão Recorrido restou assim assentado “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. TRAVA DE 30%. EMPRESA INCORPORADA. Não se aplica, na empresa extinta por incorporação, o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal, sob pena de o benefício fiscal não poder ser exercido pela sucedida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a aplicação da denominada trava de 30% (trinta por cento) na compensação de prejuízos fiscais, com o consequente cancelamento da exigência fiscal, nos termos do relatório e voto do relator, Fl. 436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 3 vencidos os conselheiros Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo, que votaram por negar provimento ao recurso.” Conforme destacado no Despacho de Admissibilidade (fls. 400/404), “esse julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.304, de 16 de novembro de 2022, prolatado no julgamento do processo nº 19515.720327/2016-03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.” A PGFN alegada o dissídio jurisprudencial, com base nos Acórdãos Paradigmas nºs. 9101- 003.807 e 9101-002.861, que foram aceitos pelo Despacho de Admissibilidade acima mencionado. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 416/430) arguindo, de plano, suposta falta de identificação dos pontos de divergência com o Acordão Recorrido, de forma tópica. Alega que o argumento da PGFN se baseia no art. 33 do Decreto-Lei nº 2.341/87 e no art. 514 do RIR/99, não se tratando estes da “trava de 30%” para a situação especial de incorporação, caso da presente lide. Por fim, alega que os paradigmas não refletiriam “o entendimento mais recente deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”, e, no mérito, requer a manutenção do Acórdão Recorrido. O PAF nº 19515.720327/2016-03, que tratava da mesma matéria, mas para IRPJ, foi julgado por esta 1ª Turma da CSRF em 04 de junho p.p., cuja decisão foi exarada través do Acórdão nº 9101- 006.995, e cujo dispositivo se transcreve abaixo: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso com retorno ao colegiado a quo, vencidos os Conselheiros Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e Jandir José Dalle Lucca que votaram por negar provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº 14.689/2023, a qual deverá ser observada quando do cumprimento da decisão.” É o relatório, naquilo que julgo essencial. VOTO VENCIDO Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Relator Conforme destacado no relatório acima e no Despacho de Admissibilidade, “esse julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.304, de 16 de novembro de 2022, prolatado no julgamento do processo nº 19515.720327/2016-03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.”. Fl. 437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 4 Com efeito, permito-me transcrever as razões de decidir do Acórdão nº 9101- 006.995, no qual este Conselheiro foi o relator, e ainda que restando vencido, por voto de qualidade, o seu teor se aplica igualmente ao presente feito, ajustado apenas quanto ao tributo em questão - CSLL. A Admissibilidade foi analisada quando do exame de admissibilidade, sendo o Recurso Especial admitido como tempestivo. CONHECIMENTO Ao contrário do alegado pela Contribuinte, este Conselheiro não identificou motivos para não conhecer de ambos os Acórdãos Paradigmas, que pudessem macular o entendimento exarado no Despacho de Admissibilidade que os admitiu. Tratam-se de operações de incorporações nas quais houve o questionamento por parte da fiscalização quanto ao limite de uso dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de anos anteriores, que passou a ser denominado de “trava de 30%”. A base legislativa é a mesma, inclusive com as devidas referências aos julgados do STF, não vinculativos às decisões do CARF, por não serem decisões em repetitivos ou repercussão geral. Entende este Conselheiro que a menção ao art. 514 do RIR/99, norma que veda a utilização do prejuízo fiscal/base negativa da empresa incorporada pela incorporadora, não é a base para a impossibilidade de utilização da integralidade do prejuízo/base negativa em caso de extinção. Nota-se que este normativo se encontra inserido no contexto da construção da argumentação dos votos dos Acórdãos, inclusive no próprio Acórdão Recorrido: “Contudo, no caso de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, por expressa vedação da legislação, a entidade sucedida está impedida de aproveitar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa, nos termos do então vigente artigo 514 do RIR/99: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Por outro lado, mesmo que se entenda que a compensação seja um benefício fiscal, podendo este ser limitado pelo ente tributante, como restou decidido, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal nos autos dos REs 344.944 e 591.340, no caso da extinção da sociedade, o direito à compensação nunca poderá ser exercido, já que existe vedação legal expressa para a sucessora "compensar os prejuízos fiscais da sucedida". Não se pode olvidar que, quando se limita o direito à compensação em um percentual do lucro líquido, há um entendimento de que em períodos posteriores aquele prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa serão, de alguma forma, aproveitados, uma vez que é inerente às pessoas jurídicas em geral a continuidade. Fl. 438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 5 Por outro lado, quando houve a imposição da trava de 30%, não foi impedida a compensação total dos prejuízos fiscais e da base negativa. O que se fez foi apenas autorizar o aproveitamento dos saldos remanescentes em etapas futuras. Com aquela limitação, o legislador procurou assegurar a continuidade da arrecadação tributária, mas nunca limitar o direito de o contribuinte utilizar em compensações futuras a totalidade do saldo dos prejuízos fiscais e da base negativa.” Ou seja, não é o art. 514 a base legal para a decisão, mas o art. 16 da Lei nº 9.065/95. No que se refere ao argumento da não observância aos julgados mais recentes do CARF, trata-se, ao meu sentir, apenas de “argumentum ad populum”. Não identifico no presente feito, quaisquer das hipóteses legais para a adoção mandatória de um determinado entendimento, na esteira dos art. 98 e seguintes do RICARF (aprovado pela PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2023). O dissenso se mostra evidente, sem necessidade de maiores digressões minudentes ou tópicas sobre a matéria posta em discussão. Portanto, voto por conhecer do dissenso jurisprudencial na matéria “o limite para compensação de prejuízos fiscais no caso de pessoa jurídica em extinção”. MÉRITO O primeiro aspecto a ser considerado no presente caso é que tanto no Acórdão Recorrido quanto nos Acórdãos Paradigmas há expressa menção aos julgados do STF (RE 344.994/PR e RE 545.308/SP). No Acórdão Paradigma nº 9101-003.807, inclusive, há indicação de não haver decisão definitiva submetida ao rito do artigo 543B, do Código de Processo Civil, destacando: “Acrescente-se que as decisões anteriormente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal não são vinculantes para os julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, além disso, estas decisões não trataram da incorporação de pessoa jurídica, situação peculiar que há de ser enfrentada de forma distinta daquelas apreciadas pelo Supremo Tribunal Federal, conforme transcrição supra.” Que se diga o mesmo no Acórdão Recorrido. Vejamos: “Por outro lado, por lealdade processual aos demais conselheiros, não se pode deixar de mencionar que o STJ, em decisões da 1ª e 2ª Turmas da 1ª Seção de Julgamento do Tribunal, proferiu entendimento – Resp’s 1.805.925 e 1.925.025 – no sentido de vedar o aproveitamento, no caso de incorporação, da integralidade do prejuízo fiscal acumulado pela incorporada. Entretanto, os julgados mencionados não foram afetados na condição de recurso repetitivo e, por isso, não vinculam esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Fl. 439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 6 Portanto, entende este Conselheiro que não estamos diante, por enquanto, da observância mandatória de decisão judicial proferida no âmbito do STF ou mesmo do STJ. Quanto à questão da “trava de 30%” (inaugurada pela Lei nº 9.065/95), adoto as mesmas razões de decidir do I. Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, relator do Acórdão Recorrido, fazendo aqui a transcrição do seu voto, com o devido pedido de licença, e acrescido da merecida homenagem: (...)no caso de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, por expressa vedação da legislação, a entidade sucedida está impedida de aproveitar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa, nos termos do então vigente artigo 514 do RIR/99: “Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.” Por outro lado, mesmo que se entenda que a compensação seja um benefício fiscal, podendo este ser limitado pelo ente tributante, como restou decidido, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal nos autos dos REs 344.944 e 591.340, no caso da extinção da sociedade, o direito à compensação nunca poderá ser exercido, já que existe vedação legal expressa para a sucessora "compensar os prejuízos fiscais da sucedida". Não se pode olvidar que, quando se limita o direito à compensação em um percentual do lucro líquido, há um entendimento de que em períodos posteriores aquele prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa serão, de alguma forma, aproveitados, uma vez que é inerente às pessoas jurídicas em geral a continuidade. Por outro lado, quando houve a imposição da trava de 30%, não foi impedida a compensação total dos prejuízos fiscais e da base negativa. O que se fez foi apenas autorizar o aproveitamento dos saldos remanescentes em etapas futuras. Com aquela limitação, o legislador procurou assegurar a continuidade da arrecadação tributária, mas nunca limitar o direito de o contribuinte utilizar em compensações futuras a totalidade do saldo dos prejuízos fiscais e da base negativa. Contudo, quando há extinção da entidade, sendo vedada a utilização do prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa pela sucessora, é ilógico se pensar em limite para aproveitamento dos créditos pela sucedida. Desta feita, independentemente da modalidade de extinção da entidade (por incorporação, fusão ou cisão) e se esta extinção é total ou parcial, a sociedade com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, no caso de aplicação do limite (trava), ficaria privada de exercer o seu direito à compensação. Não se desconhece, por outro lado, que o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem sido alterado nos últimos anos. Anteriormente, os julgados convergiam no sentido de se autorizar a compensação, sem a limitação dos 30% (CSRF/01-05.100, CSRF/01-04.258, 108- Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 7 07456, 101-95856) e neste entendimento que se filia, em que pese precedentes em contrário recentes. Cita-se, apenas para se ilustrar, ementa de julgado que se amolda como uma luva ao presente caso. Veja-se: NORMAS PROCESSUAIS - ARGÜIÇÃO DE NULIDADE —Não é nula a decisão de primeira instância que não toma conhecimento de matéria submetida ao Poder Judiciário, IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE CISÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS -O artigo 33 do Decreto-lei n° 2.341/87 determina que a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida, dispondo seu parágrafo único que, no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Em relação à parcela proporcional ao patrimônio líquido transferido, a limitação retiraria a possibilidade de compensação. Por essa razão, no balanço da cisão, a parcela de prejuízos proporcional ao patrimônio transferido pode ser compensada independentemente da limitação de 30%. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO-DIFERENCIAL DO IPC/BTNF- PAGAMENTO COM O BENEFÍCIO DA LEI N° 8.541/92, ART. 31, V, E SEU § 3º . LEI N° 8.682/93, ARTS. 10 E 11: No período compreendido entre o advento da MP n° 312/93, que revogou a Lei n° 8.200/91, e o da Lei n° 8.682/93, não mais havia obrigatoriedade de o contribuinte calcular e computar lucro inflacionário referente ao diferencial IPC/BTNF, de modo que o pagamento do Imposto de Renda sobre o lucro inflacionário acumulado então existente, com o benefício previsto no art. 31, inciso V, e seu § 3°, da Lei n° 8.541/92, realizou e zerou todo o saldo existente. Os atos praticados com base naquela medida e suas reedições foram convalidados pelo art. 10 da Lei n° 8.682/93, não se podendo aplicar o disposto no artigo 11, seguinte, que revigorou a exigência contida no art. 30 da Lei n° 8.200/91, aos atos jurídicos perfeitos e acabados sob a égide da lei anterior. JUROS DE MORA- SELIC - A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação. Recurso provido em parte. (Processo nº 13807-009038/00-14 - Acórdão nº 01-94.515 - Sessão de março de 2004) (...)” Aqui faço apenas uma pequena complementação de minha lavra, para afirmar que, não obstante eventual limitação de utilização do prejuízo fiscal com lucros futuros, em um Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 8 contexto de existência indeterminada de uma pessoa jurídica, se há um momento mais que perfeito e genuíno de apuração de obtenção de uma renda ou acréscimo patrimonial de uma sociedade, este é o da sua extinção. Tomemos como exemplo uma determinada empresa que foi constituída com R$ 1.000 (mil reais) de capital. Adotou a sistemática de apuração dos tributos com base no lucro real anual. Nesse primeiro ano, não obteve renda alguma, e gastou os R$ 1.000,00. Ou seja, apurou exatos R$ 1.000,00 de prejuízo fiscal/base negativa. No segundo ano, obteve renda, que depois de pagas as despesas, resultou um lucro de exatos R$ 1.000,00, antes da apuração do IRPJ/CSLL. Entretanto, nesse mesmo instante, os sócios resolvem extinguir tal pessoa jurídica (e aqui, indiferente se por cisão total, incorporação, ou simples extinção, na linha do voto do Conselheiro Flavio Vilhena Dias), se a “trava de 30%” não é aplicada, o mesmo capital inicial da sociedade é devolvido aos sócios. Mas, de outro modo, se a “trava de 30%” é aplicada, forçoso concluir que estaremos diante de uma tributação do próprio patrimônio da sociedade (aqui representado pelo seu capital), e esse é um dos aspectos não julgado pelos tribunais superiores. Aqui é que o argumento de ser a utilização de prejuízo fiscal/base negativa um “benefício fiscal” encontra o seu maior “calcanhar de Aquiles”, no meu sentir. Neste ponto, permito-me transcrever trecho do artigo de Michell Przepiorka e Caio Cezar Soares Malpighi 1, cuja assertiva a seguir me alinho: “a ficção estabelecida pela legislação para apurar os lucros e os prejuízos em períodos predefinidos não pode se afastar da capacidade contributiva e do que se entende por renda, sob o risco de subversão de competência.” E, ainda. passagem do voto do Ministro Marco Aurélio, no RESP nº 591.340-SP, que igualmente reproduzo: “Surge impróprio classificar o direito em jogo como se benefício fiscal fosse. Ao contrário do que declarado pelo Tribunal de origem, não se está diante de concessão de benesse prevista em lei suscetível de limitação. Verifica-se, sim, a configuração do próprio processo formador da renda da empresa, do qual a despesa e, consequentemente, eventuais prejuízos são partes inerentes, impossíveis de ser ignoradas. Não há como se desvincular a despesa de certo ano da renda a ser auferida futuramente. Desconsiderar o investimento efetuado pela sociedade empresária para atingir o lucro posterior é desmembrar elementos indissociáveis [...] Sendo as despesas da empresa elementos necessários para a aferição do lucro, estancar a apuração da base de cálculo a períodos determinado, deixando de levar em conta o ocorrido em exercícios anteriores, pode gerar distorções na verificação da renda tributável” 1 BEVILACQUA, Lucas, CECCONELLO, Vanessa, PRZEPIORKA, Michell (coords), Tributação Federal: Jurisprudência do CARF em debate. São Paulo, SP: NSM Editora, 2023. Pg 421. Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 9 Lembre-se que o RESP nº 591.340-SP não aborda a questão da “trava de 30%” para os casos de extinção de uma sociedade, situação esta igualmente abordada pelo então Conselheiro Caio Quintella no Acórdão nº 9101-005.922, de 3 de dezembro de 2021, além de também abordar a questão da tributação do patrimônio e não do lucro como apontado anteriormente (grifos no original): “(...) Tal cenário é importante para a presente demanda, administrativa tributária, de duas maneiras: 1) não estão os Julgadores deste E. CARF sujeitos à observância e à repetição da conclusão ou qualquer elemento do conteúdo decisório de tais v. Arestos do E. STF - nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF e 2) os próprios Exmo. Ministros da C. Instância máxima do Poder Judiciário, inegavelmente, reconhecem haver legítimo discrímen jurídico e diferenciação na apuração de legitimidade da aplicação da trava dos 30% em hipóteses específicas de extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento regular de suas atividades, abarcando as hipóteses de cisão, fusão ou incorporação. Assim, independentemente de haver um entendimento de que a prerrogativa da compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas tenha natureza de benesse fiscal, a verificação de incidência e a aplicação das regras referentes a tal dinâmica devem se pautar pela observação sistemática e racional das demais normas legais que informam e constroem a tributação pelo IRPJ e pela CSLL, seus regimes de apuração, restando, inafastavelmente, submetidas ao conteúdo do art. 43 do CTN. Nesse sentido, a tributação da renda das pessoas jurídicas pelo regime do Lucro Real (e a correspondente apuração da base de cálculo da CSLL nessa modalidade), considerando as atuais opções legais de apuração do lucro tributável das pessoas jurídicas, mesmo sendo aquela que exprime e permite uma maior aproximação do lucro - conceitualmente considerado - efetivamente percebido pelo contribuinte no desempenho de suas atividades, ainda assim, é totalmente permeada por ficções, presunções, convenções e abstrações jurídicas, as quais permitem seu manejo prático e eficiente pelo Estado na arrecadação. A sazonalidade da incidência de tais tributos, adotando um período igual ou inferior ao anual para seu ciclo fenomenológico, é uma dessas construções ficcionais. Sobre isso, com muita clareza, é o comentário do Professor Luís Eduardo Schoueri2 Fica claro aqui que o lucro real, apesar da denominação que recebeu, nada mais é do que uma realidade construída, artificiosa, sobre a qual recai a tributação. A própria periodização do imposto de renda é construção artificial, na medida em que não é possível conhecer a efetiva capacidade contributiva de uma pessoa jurídica antes que esta encerre suas atividades. No entanto, a estipulação de um período para a apuração do imposto de renda é medida indispensável diante das necessidades financeiras do Estado e da supremacia do interesse público. Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 10 Afinal, fosse o Estado esperar que todas as pessoas jurídicas encerassem suas atividades (e todas as pessoas físicas falecessem, no caso do imposto de renda das pessoas físicas) para então exercer seu poder tributante, certamente os cofres públicos não teriam recursos para fazer frente a todas as despesas estatais, ainda mais se considerar a importância arrecadatória do imposto de renda. Absorvendo tal lição acadêmica, é evidente que o prejuízo e as bases de cálculo negativas verificadas pelas pessoas jurídicas são elementos diretamente vinculados ao conceito legal de renda, podendo se concluir pela efetiva necessidade de compensá-los em períodos posteriores, para, somente assim, revelar os (quase reais) ganhos percebidos pela entidade, que serão objeto de tributação (independentemente do fracionamento legal do vencimento das obrigações fiscais, em períodos cíclicos e sucessivos). E foi exatamente dentro de tal construção jurídica de periodização de apuração da renda, para servir à incidência tributária, em que foi inserida a regra presente nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, que estabelece a referida limitação do aproveitamento do prejuízo e de bases de cálculo negativas em cada período. Entende-se que não se está diante de regulamentação da concessão de benefício fiscal, mas, sim, de mera medida de diferimento do direito de aproveitamento dos resultados negativos, efetivamente verificados e plenamente compensáveis para uma adequada tributação da renda, como medida de garantir ao Erário federal valores mínimos de arrecadação dos tributos em cada período - apresentando, por consequência, uma razão de existir relacionada às ciências das Finanças Públicas e não ao ramo do Direito Tributário. Comprovando a natureza de simples diferimento de tal método controle arrecadatório, confira-se trecho da Exposição de Motivos da MP nº 998/05, convertida na controversa Lei nº 9.065/95: Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n° 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacacio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo (destacamos). Historicamente, a limitação do aproveitamento do prejuízo sempre foi temporal, que, quando muito, impunha ao contribuinte prazo para gozar do direito à compensação, a partir da sua formação, mas permitindo um abatimento integral da monta verificada. A limitação quantitativa é inovação do Legislador de 1995, que - exatamente visando preservar a capacidade contributiva e o devido limite material da incidência dos tributos sobre a renda – coincidiu-a com a retirada da referida limitação cronológica, anteriormente presente na legislação. Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 11 Assim, essa nova dinâmica de compensação de prejuízos acumulados instaurada em 1995 pressupõe a continuidade das operações do contribuinte, de forma que não haja supressão, quantitativa e material, de parcela do resultado negativo compensável. De fato, tal método apresenta-se lógico e juridicamente adequado dentro da possibilidade de sempre (vez que afastada a limitação temporal) se realocar, em períodos posteriores, a parcela do prejuízo não abatida no momento, então, presente. Contudo, a controvérsia e a celeuma apresenta-se nos casos de extinção da pessoa jurídica. Isso pois, se nesses casos for mantida interpretação que permite a aplicação da limitação da compensação dos resultados negativos aos 30% do lucro líquido ajustado, em relação aos valores de IRPJ e CSLL devidos após o levantamento do seu balancete de encerramento, por consequência se estará tributando parcela do patrimônio deste contribuinte e não do lucro.” Assim, oriento o meu voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da PGFN. CONCLUSÃO Voto por CONHECER do Recurso Especial, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior VOTO VENCEDOR Conselheira Edeli Pereira Bessa, Redatora designada. O I. Relator restou vencido em seu entendimento contrário ao recurso especial fazendário. A maioria qualificada do Colegiado compreendeu que deveria lhe ser dado provimento parcial, mas reformando o acórdão recorrido no ponto objeto de insurgência, em linha com o entendimento que esta Conselheira manifesta desde a participação no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 1101-00.691, exarado na sessão de julgamento de 16 de março de 2012. Transcreve-se, a seguir, o voto vencedor lá prevalente por qualidade2, que replica o entendimento afirmado por este Colegiado, também por voto de qualidade, desde o Acórdão nº 9101-00.401, exarado em 02 de outubro de 2009, antes da ocorrência do fato gerador aqui autuado: 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga, e divergiram na matéria os Conselheiros José Ricardo da Silva, Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 12 O presente voto expressa o entendimento majoritário desta Turma de Julgamento, no sentido de que a limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas é também aplicável no último período de atividades da pessoa jurídica, por ocasião de sua extinção. Argumenta o I. Relator que a lei, ao estabelecer tal limite, não objetivou eliminar, tampouco restringir o direito das empresas de compensação dos resultados negativos, visto que a norma legal assegurou esse direito, independentemente do prazo necessário para a compensação de todo o montante. Demais disto, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 998/95 explicitaria que tal restrição não se prestava a retirar do contribuinte o direito de compensar. Dispõe a Lei nº 9.065/95, fruto da conversão da Medida Provisória nº 998/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Importante destacar, de início, que, como se observa nesta transcrição, a Lei nº 9.065/95 não mencionou a possibilidade de posterior compensação dos prejuízos não utilizados em razão do limite então fixado. Este registro constava do dispositivo anterior da Lei nº 8.981/95, fruto da conversão da Medida Provisória nº 812/94: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anos-calendário subseqüentes. (negrejou-se) Assim, a lei que rege o período de apuração autuado limita-se a permitir a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas anteriores devidamente comprovados na escrituração comercial e fiscal, mas até o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. Fl. 446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 13 A Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998/95 ["Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n° 812194 (Lei 8.981195). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo."], por sua vez, somente esclarece que a limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. Inexiste qualquer menção à garantia de compensação dos saldos acumulados até o seu esgotamento. Em termos numéricos, a citação extraída da Exposição de Motivos em referência apenas admite que uma empresa que detenha saldo de $1.000 de prejuízos fiscais acumulados compense-os integralmente em um período de apuração no qual apure lucro líquido ajustado de R$ 3.400. Ou seja, a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas passou a depender, necessariamente, da produção de resultados positivos em montante do qual pudesse ser destacado, apenas, 30% para tal utilização. Os demais argumentos que fundamentam as decisões favoráveis invocadas no voto do I. Relator dizem respeito à impossibilidade de utilização dos saldos de prejuízos e bases negativas após a extinção da pessoa jurídica, aspecto que remete a análise à determinação da natureza da compensação autorizada em lei. Ensina Ricardo Mariz de Oliveira, em sua obra Fundamentos do Imposto de Renda (Editora Quartier Latin do Brasil, São Paulo: 2008, p. 895/900), ao tratar do poder legal para impedir, condicionar ou limitar a compensação de prejuízos fiscais: Para os que sustentam haver um direito verdadeiramente imanente à obrigação tributária relativa ao imposto de renda, inatingível por lei ordinária, portanto um meta-direito que até prescinde de declaração por lei ordinária, o seu fundamento está no fato de que a hipótese de tributação é sempre um acréscimo patrimonial, e acréscimo patrimonial exige que se deduzam prejuízos anteriores para que somente possa ser alvo de incidência o valor que representar efetivo aumento ao capital trazido pelos sócios para o empreendimento gerador do lucro. Se assim não for, estar-se-á tributando o próprio capital ou o patrimônio do contribuinte, descaracterizando e desnaturando o fato gerador do imposto de renda. E, sendo assim, não poderia haver limite de prazo ou de valor, assim como outras condições não poderiam ser impostas para o exercício (já que aquisição sempre existiria) desse direito. Muito menos ele poderia ser eliminado. Contrariamente a esta colocação, apresentam-se diversos fundamentos. O primeiro prende-se a que todo empreendimento econômico tem que ser segmentado em seu desenvolvimento temporal, para inúmeros efeitos empresariais e jurídicos, sob pena de que, somente no encerramento definitivo da própria atividade econômica que se pretende desenvolver através da pessoa jurídica, seria possível determinar com segurança e em definitivo a existência e o montante do incremento patrimonial produzido por tal atividade. Fl. 447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 14 Daí a lei predeterminar a segmentação da atividade em exercícios sociais, para fins de direito privado, e em períodos-base, para fins tributários, nos quais se compara se, entre o início e o final de cada um deles, houve ou não aumento de patrimônio, sendo que a diferença entre o patrimônio líquido no início e no final de cada período, descontadas as transferências patrimoniais, representa o lucro obtido nesse entretempo, se a mutação tiver sido positiva, ou o prejuízo suportado, se tiver sido negativa. Numa sociedade empresarial de prazo indeterminado, ou de longo prazo, essa segmentação não é apenas uma exigência legal, mas uma imposição natural, ante conveniências e necessidades múltiplas, nestas incluídas principalmente duas: - a necessidade, porque objetivo, de partilhar lucros entre os sócios, até face à mutabilidade do quadro social; - a necessidade de cobrir gastos públicos através da tributação da renda. Outrossim, a arrecadação tributária também é constitucionalmente segmentada em períodos orçamentários, não havendo, na Carta Republicana, qualquer dispositivo que impeça a fragmentação da vida das empresas em períodos de apuração dos seus resultados ou que imponha que a apuração se faça sempre por forma acumulada, isto é, necessariamente deduzindo-se dos ganhos atuais as eventuais perdas passadas. Nestas condições, a determinação de períodos-base é matéria de lei ordinária, assim como a determinação, quanto aos prejuízos, da independência absoluta de cada período em relação aos demais, na qual prejuízos não se transferem para frente ou para trás, ou a interdependência dos períodos, na qual se admite a comunicação de prejuízos anteriores com os lucros presentes (o chamado "carry forward"), ou dos presentes prejuízos com os lucros do passado (o chamado "carry back"). Qualquer dessas possibilidades, para se efetivar, depende de norma legal. Mesmo o parágrafo 2 o , inciso I, do art. 153 da Constituição Federal, segundo a qual o imposto de renda deve ser informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, não socorre à existência do direito impostergável e inalterável ora em comento. Muito pelo contrário, os princípios a que esse inciso alude conduzem inequivocamente à segmentação da vida dos contribuintes para fins do imposto de renda. Em primeiro lugar, esses princípios, que estudamos no capítulo III, são previstos para serem fixados e delineados por lei, dada a cláusula final do dispositivo constitucional, "na forma da lei". É verdade que a lei fixa a forma de aplicação dos referidos critérios, mas não pode ignorá-los ante a textual designação constitucional de que o imposto "será" informado por eles. Todavia, a aplicação desses princípios requer a separação dos períodos-base, pois, se todo o período de vida empresarial necessariamente tivesse que ser considerado, sempre em conjunto por seus efeitos acumulados, deveria sê-lo para todos os efeitos, inclusive para aplicação da própria progressividade da tabela de alíquotas de cálculo do imposto. Fl. 448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 15 Mas não é assim, pois em cada período-base se reinicia a progressão da aplicação das alíquotas, sobre a respectiva base de cálculo. Além disso, se, como visto, apenas ao final do empreendimento se poderá ter certeza absoluta de que haverá ganho a tributar, qualquer cobrança de imposto de renda antes desse final poderia assumir a condição de mero empréstimo compulsório, eis que os lucros até então gerados poderiam ser total ou parcialmente consumidos por prejuízos supervenientes. Em vista de tudo, a divisão da vida econômica da empresa em períodos de tempo chega a ser uma imposição natural e inevitável, tanto que, como vimos no capítulo III, dos mesmos princípios decorre uma exigência inafastável, que é a periodização da apuração do aumento patrimonial. Ademais, o que exsurge das garantias constitucionais, de forma clara e insofismável, é a irretroatividade das leis, qualificada pela exigência da anterioridade, de tal arte que fatos econômicos presentes, vale dizer, ocorridos na vigência das leis presentes, podem ser tomados em consideração para gerarem obrigações tributárias presentes, sem necessária consideração a fatos e ocorrências do passado. Daí a compensação de prejuízos ser matéria de lei ordinária, que pode dá-la ou não, para frente ("carry-forward") ou para trás ("carry-back"), com ou sem prazo, com ou sem limite de valor, com ou sem outras condições, apenas devendo ser observadas as exigências constitucionais quanto à vigência da lei, assim como os demais preceitos constitucionais aplicáveis. Outra argumentação comumente desenvolvida baseia-se em que a Lei n. 6404 exige a dedução dos prejuízos de exercícios sociais anteriores, o que obrigaria o legislador tributário a seguir idêntica trilha, mormente face ao art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados pela Constituição Federal para definir as competências tributárias. Já vimos várias vezes 33 a invalidade deste argumento, que decorre principalmente da própria Lei n. 6404, a qual admite a existência de critérios de apuração das demonstrações financeiras distintos daqueles que ela preconiza, fixados em outras leis para finalidades diversas, situações em que prevê o registro destas outras demonstrações em livros auxiliares (art. 177, parágrafos 2 o e 7 o ). Mais decisivo ainda é o fato de que o referido parágrafo 2 o ressalva expressamente critérios distintos decorrentes de "disposições da lei tributária", e é isto que ocorre com todas as regras de ajustes no lucro líquido para determinação do lucro real, que é a base de cálculo do imposto de renda, cujos ajustes são previstos na lei fiscal e registrados no livro auxiliar fiscal, que é o LALUR. Ora, dentre os ajustes previstos pela legislação tributária, feitos para fins exclusivamente fiscais e não integrados na contabilidade do lucro líquido, encontra-se exatamente a compensação de prejuízos fiscais. Portanto, a Lei n. 6404 não contém uma definição de lucro que seja imutável perante a legislação tributária, nos termos dos art. 109 e 110 do CTN. Aliás, exatamente por isso são diferentes em seus montantes os prejuízos fiscais e os prejuízos apurados contabilmente. Fl. 449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 16 Voltando ao argumento mais comum de que somente é possível tributar o aumento patrimonial e este somente existe após compensação de prejuízos anteriores, é necessário que se leve em conta um dado relevante, qual seja, o de que, na compensação de prejuízos fiscais, está em causa a apuração do aumento patrimonial dentro de um específico período de tempo. Sem qualquer dúvida, como já dito muitas vezes, o imposto de renda pressupõe a existência de acréscimo patrimonial, e este é o resultado dos ingressos ao patrimônio anterior, menos os gastos incorridos para produzir os ingressos. Se assim não for, ou se estará tributando a receita bruta, ou se estará tributando o próprio patrimônio, mas nenhuma destas alternativas se compadecerá com a competência da União para tributar a renda. A partir desta afirmação, não pode restar muita dúvida quanto à ilegitimidade da vedação da dedução de gastos essenciais à produção do acréscimo patrimonial no segmento de tempo que a lei tiver fixado como período-base, mesmo porque acréscimo somente haverá após os ingressos cobrirem os gastos incorridos para a sua obtenção. Vale dizer, somente há acréscimo quando as receitas ingressadas forem maiores do que os custos e as despesas que tiverem sido necessárias para a geração daquelas mesmas receitas. Em outras palavras, a base de cálculo, para ser representativa do efetivo aumento patrimonial e não desvirtuar a incidência tributária sobre este, deve refletir a diferença entre os ingressos ocorridos nesse patrimônio e as saídas dele ocorridas para aquisição dos ingressos. E tal mutação patrimonial universal deve ser medida entre dois pontos no tempo, predeterminados pela lei tributária. Já os prejuízos de períodos anteriores ao atual não interferem com o fato neste ocorrido, embora se reflitam no patrimônio da pessoa jurídica contribuinte. No período-base corrente, é inelutável a medição do acréscimo ou do decréscimo ocorrido no patrimônio do contribuinte, a partir do valor desse mesmo patrimônio na data de abertura deste mesmo período. Para que a mutação presente, em vias de processamento, seja adequadamente considerada, não se tolera a repartição do patrimônio de forma a medir variações em suas diversas partes, dissociadas e independentes umas das outras. O princípio da universalidade do lucro impõe a apuração global de todo o aumento ou de toda a redução do patrimônio em cada período-base, o que exige, portanto, a dedução dos prejuízos neste ocorridos, porque estes são fatos presentes, indissociáveis dos demais fatos que acarretam aumento ou redução na universalidade que constitui o patrimônio do contribuinte. Mas os prejuízos anteriores não interferem com a mutação ocorrida no período em curso, porque são o resultado de fatos do passado, pertencentes a outros períodos-base, que já se refletiram num patrimônio menor na data inaugural do período atual, quando se inicia a apuração de uma nova mutação patrimonial, para mais ou para menos. Fl. 450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 17 Enfim, tudo isto pode ser resumido na afirmação de que o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial ocorrido num período-base e é constituído pela diferença entre a universalidade patrimonial no início desse período e a universalidade patrimonial no final do mesmo, sendo essa diferença matematicamente formada pela universalidade de fatores positivos e negativos que afetam esse patrimônio durante o mesmo lapso temporal, descontadas as transferências patrimoniais. Ora, os prejuízos de períodos-base anteriores não integram essa universalidade de fatores positivos e negativos. Daí a lei, sem descaracterizar a base de cálculo própria dos tributos sobre a renda, poder admitir ou não a compensação das perdas passadas ou permiti-la sob determinadas condições, ou sob determinada limitação temporal, ou sob determinadas limitações de valor em relação ao montante da mutação patrimonial presente. (negrejou-se) Conclui-se do exposto que a sucessão de leis autorizando, reiteradamente, a compensação de prejuízos fiscais na apuração da base de cálculo do IRPJ, não altera a essência do acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, suscetível de tributação: diferença entre a universalidade patrimonial no início desse período e a universalidade patrimonial no final do mesmo, descontadas as transferências patrimoniais, e naquela diferença não se inserem os prejuízos e as bases negativas apurados em períodos anteriores. Esta concessão legislativa pode existir, ou não, e ainda assim a tributação da renda não padecerá de inconstitucionalidade. Veja-se que no mesmo sentido já havia se posicionado a autoridade julgadora de 1 a instância, na decisão recorrida, embora pautando-se em outros referenciais normativos e doutrinários: Neste cenário, conquanto as respeitáveis ponderações inseridas no bojo das decisões forenses e administrativas mencionadas pelo impugnante em favor da tese conduzida na peça impugnatória, exordialmente, importa acentuar que representa ponto incontradito as asserções que visam conduzir o campo de incidência da tributação do imposto de renda à configuração de um acréscimo patrimonial auferido em decorrência da aquisição econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza. Sob o aspecto do conceito de renda, todavia, vale destacar aquilo que foi traçado na obra do insigne jurista Leandro Paulsen, instruído na lição de Roque Antonio Carraza: “(...) renda é disponibilidade de riqueza nova, havida por dois momentos distintos (...) é o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte, ao logo de um determinado tempo, Ou, ainda, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e por subtraendo, o total das deduções ou abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. (...) tanto a renda quanto os proventos de qualquer natureza pressupõem ações que revelem mais- valias, isto é incrementos na capacidade contributiva. Só diante de realidades econômicas novas, que se incorporam ao patrimônio da pessoa ..., é que podemos juridicamente falar em renda ou proventos de qualquer natureza (Paulsen, Leandro, Impostos Federais, Estaduais e Municipais, Livraria do Advogado, Porto Alegre/RS, 5ª ed. rev. e atual., 2010, p. 48/49).” Fl. 451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 18 Por sinal, as aferições do acréscimo patrimonial ou do resultado positivo de determinado exercício financeiro traduzem fatos jurídico-tributários para concretude do nascimento da obrigação tributária passível de incidência do imposto de renda, aplicável às pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real, nos moldes da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, cuja apuração emerge, primordialmente, da resultante da confrontação do montante de despesas incorridas e receitas realizadas no encerramento do período de referência, que, por sua vez, em respeito ao princípio da competência, devem ser autônomos em relação ao resultado demonstrado em anos-base distintos. Ante este enfoque, cabe observar os fundamentos reguladores estabelecidos pela legislação societária quanto à produção dos pertinentes acréscimos patrimoniais, bem como a influência que a compensação de prejuízos de períodos anteriores exerce sobre o resultado final demonstrado no patrimônio líquido da entidade ao final do exercício financeiro. Tal aspecto fica evidente pela observância do teor do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976 (Lei das S/A), abaixo reproduzido sob a redação aplicável à época dos fatos geradores, na qual se nota a forma verticalizada de composição da Demonstração do Resultado do Exercício, principiando-se da receita operacional bruta e agregando-se, na seqüência, o conjunto de operações econômicas computadas em obediência ao princípio da competência para fins de obtenção do lucro ou prejuízo líquido da entidade: “Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI - as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.” Outrossim, o art. 189 do referido diploma legal determina que se deduzam do resultado do exercício os prejuízos acumulados antes de qualquer das participações, cuja aferição não traz nenhum efeito no sentido de transfigurar a apuração do lucro do exercício, mas, tão somente, determinar o valor de referência sobre o qual serão calculadas as importâncias destinadas às importâncias especificadas no art. 190 da mesma norma. Neste cenário, pode-se inferir tal exegese pela observação concomitante com os termos do art. 191 da Lei das S/A, uma vez que se define o conceito de Lucro Líquido Fl. 452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 19 do Exercício como sendo a demonstração da variação monetária entre o resultado do exercício e as mencionadas participações: “Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplica-se ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Art. 191. Lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190.” Assim sendo, fica patente que a caracterização do Lucro Líquido ou Lucro Contábil do exercício financeiro, demonstrado em observância com os ditames estabelecidos pela legislação societária, provém da hipótese de apuração de um resultado positivo contingente à incidência da tributação do pertinente imposto de renda e CSLL do período-base, a despeito a coexistência ou não de prejuízos acumulados de períodos anteriores a serem absorvidos no cômputo do patrimônio líquido da entidade. E, se a lei pode admitir ou não a compensação de perdas passadas, ou permiti-la sob determinadas condições, como dito por Ricardo Mariz de Oliveira no excerto antes transcrito, é possível concluir que a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, quando autorizada por lei, tem natureza de isenção, que atinge o critério material da hipótese de incidência, subtraindo parte do complemento de seu verbo, ou seja, parte da renda. Esta é a conclusão que se extrai da fenomenologia das isenções tributárias, exposta por Paulo de Barros Carvalho em sua obra Curso de Direito Tributário (Editora Saraiva, 17 a edição, São Paulo:2005, p. 489/491): De que maneira atua a norma de isenção, em face da regra matriz de incidência? É o que descreveremos. Guardando a sua autonomia normativa, a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da norma-padrão de incidência, mutilando-os parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regra-matriz, inutilizando-a como norma válida no sistema. O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente. [...] Outro exemplo: o queijo tipo Minas é isento do IPI. Quer significar que u’a norma de isenção foi dirigida contra a regra matriz daquele gravame federal, mutilando o critério material da hipótese, precisamente no tópico do complemento do verbo. Com isso, a amplitude do núcleo hipotético, que abarcava até aquele instante todos os produtos industrializados, perde um elemento de seu conjunto – o queijo tipo Minas. Fl. 453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 20 [...] E assim por diante, sempre o mesmo fenômeno: o encontro de duas normas jurídicas, sendo uma a regra-matriz de incidência tributária e outra a regra de isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da primeira (regra-matriz). Importa referir que o legislador muitas vezes dá ensejo ao mesmo fenômeno jurídico de recontro normativo, mas não chama a norma mutiladora de isenção. Não há relevância, pois aprendemos a tolerar as falhas do produto legislado e sabemos que somente a análise sistemática, iluminada pela compreensão dos princípios gerais do direito, é que poderá apontar os verdadeiros rumos da inteligência de qualquer dispositivo de lei. [...] Não confundamos subtração do campo de abrangência do critério da hipótese ou da conseqüência com mera redução de base de cálculo ou da alíquota, sem anulá- las. A diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção, traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum de tributo que deve ser pago. O nome atribuído pelo direito positivo e pela doutrina é isenção parcial. A Lei nº 9.065/95, contrapondo-se à regra-matriz do IRPJ e da CSLL, que tem por base de cálculo o lucro da pessoa jurídica aferido em determinado período de apuração, em observância ao princípio da universalidade, reduz seu campo de incidência, afirmando que não é renda 30% do lucro precedido de apuração deficitária. Nega, portanto, a existência de acréscimo patrimonial até que sejam esgotados os prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, mas observando-se o limite de 30% do lucro apurado. De outro lado, ainda que se enquadre esta determinação como mera redução de base de cálculo, minimamente a isenção parcial estaria presente, integrante do conjunto de exclusões do crédito tributário, referidas no art. 175 do Código Tributário Nacional. Consoante expresso na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 998/95, a limitação desta isenção teve cunho arrecadatório: o alcance máximo de sua aplicação é estabelecido em razão do lucro líquido ajustado do período de apuração, de modo que ao menos 70% do lucro seja tributado, caso o sujeito passivo faça uso do benefício fiscal. E este objetivo deve ser respeitado, ainda que se trate do último período de apuração da pessoa jurídica. Isto porque a interpretação da norma em referência deve ser literal, consoante dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (negrejou-se) Ao assim determinar, o Código Tributário Nacional impede o intérprete de aprofundar-se nos planos semânticos e pragmáticos, segundo entendimento de Paulo de Barros Carvalho, na obra antes citada (p. 107). No caso em análise, inviabiliza conjecturas acerca da impossibilidade de utilização futura dos prejuízos e bases negativas não compensados até o momento da extinção, e de eventual ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Fl. 454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 21 A esta mesma conclusão chegou a I. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, ao relatar caso semelhante e ter seu posicionamento acolhido por voto de qualidade na Câmara Superior de Recursos Fiscais, consubstanciado no Acórdão nº 9101-00.401. De seu voto, extrai-se: Confesso seduzir-me, inicialmente, a tese defendida pela Recorrente, de sorte que no acórdão paradigma, da então 8'. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com ela concordei. Todavia, melhor refletindo, revi meu posicionamento pelos motivos que neste voto discorro. Um dos exemplos trazidos a lume, também corno paradigma, é a decisão proferida no recurso 126597, Ac. CSRF/01-04,258 de 01/12/2002, do i, Conselheiro Celso Alves Feitosa, que negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional e está assim decidido e ementado: (..) Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva. COMPENSAÇÃO PREJUÍZO E BASE NEGATIVA — No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. Nesse julgado a decisão afirma que não há óbice a compensação integral, nos casos de declaração de encerramento de atividades, tanto do imposto de renda das pessoas jurídicas, quanto da contribuição social sobre o lucro E na mesma linha, com o brilhantismo habitual, o i. patrono da Recorrente sustenta que o limite imposto através do artigo 15 da Lei 9065/1995 não se aplica nos casos de extinção da pessoa jurídica em virtude de incorporação pois, caso contrário, a empresa incorporada perderia o direito à compensação de prejuízos, o que não corresponde à finalidade do mencionado artigo, conforme entendimento até então majoritário da jurisprudência deste Colegiado. Mas, esta não é a melhor interpretação para o conteúdo semântico do artigo 15 da Lei 9065/1995. Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº 307389 - RS, que ao enfrentar semelhante questão pronuncia-se da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva, O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das panes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer benefício fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva. Fl. 455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 22 Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.994-0 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de benefício fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4 Já quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. “A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazê- lo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o não-cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda - RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. Fl. 456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 23 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm crédito "oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à "socialização” dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal - atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos - que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, 111, a e b) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI) (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: Ementa: ..... I. A legislação pertinente ao Simples ao prever exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111, I do CTN (STJ REsp 825012/MG Rel.: Min. Castro Meira, 2 a Turma. Decisão: 16/05/06. DJ de 26/05/06, p. 250.) Ementa: ... I. Da leitura do art. 151 do CTN dessume-se que as possibilidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele estão exauridas, não comportando interpretação extensiva do seu conteúdo, ante o teor do art 111, inciso I, do CTN...” (STJ. Resp 7827291PR, Rel.: Min Castro Meira, 2 a Turma, Decisão: 06/12/05. DJ de 01/02/06, p.. 506.) “Ementa: ... I. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valer-se de uma equilibrada ponderação dos elementos lógico-sistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna metodologia de interpretação das normas jurídicas.....” (STJ. REsp 192531/RS, Rel.: Mm.. Octavio de Noronha, 2 a Turma. Decisão: 17/02/05. DJ de 16/05/05, p. 275.) Fl. 457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 24 "Ementa: ... II. Nos termos do art. 111 do CTN, a interpretação das normas de índole tributária não comportam ampliações ou restrições, e, sendo possível mais de uma interpretação, todas razoáveis, deve prevalecer aquela que mais se aproxima do elemento literal. ..." (TRF 2 a Região, AMS 94.02.14085-9/R1 Rel.: Des. Federal Poul Erik Dyrlun, 6 a Turma. Decisão: 15/12/04 DJ de 10/01/05, p. 52.) De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1°. da Lei 9065/1995, a saber: "Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação - BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um período-base com o lucro real determinado nos seis anos- calendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas." Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser reduzido pela compensação de prejuízos fiscais em até, no máximo, trinta por cento. (...) § 4 o O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais, bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação - BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei n°8.981 com a redação dada pela Lei nº 9.065, ambas de 1995. Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nas anos-base posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.113-32 de 21/06/2001, como segue: MP 2.113-32 de 21/06/2001 Art.41. O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Fl. 458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 25 Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. O destaque feito pela I. Conselheira às palavras da Ministra Ellen Gracie bem reflete a finalidade da norma em comento: socializar os prejuízos de empresas deficitárias para garantir sua sobrevivência. Admite-se excluir o crédito tributário correspondente a até 30% do lucro da pessoa jurídica, em razão de prejuízos e bases negativas pretéritos, como estímulo à subsistência da empresa em dificuldades. Logo, nenhuma razão há para ampliação deste benefício, mormente em face da extinção desta empresa. Portanto, se a isenção não foi ampliada pelo legislador, de modo a alcançar maior percentual do lucro da pessoa jurídica no momento de sua extinção, caso ainda disponíveis prejuízos e bases negativas para compensação, não pode o intérprete conferir- lhe este alcance. Relevante observar que Ricardo Mariz de Oliveira, embora reconheça ao legislador o direito de vedar qualquer compensação de prejuízos fiscais, manifesta-se favoravelmente à compensação superior ao limite de 30% no último período de apuração da pessoa jurídica, na mesma obra antes referida (p. 864/865): Quanto ao limite de trinta por cento, a jurisprudência administrativa 7 , firmou-se no sentido de não ser aplicável no período-base da pessoa jurídica extinta por incorporação, tendo em vista que a instituição do mesmo não visou impedir a total compensação dos prejuízos, mas apenas limitá-la em cada período, com transferência do saldo para os períodos posteriores. Assim, como após a incorporação o saldo de prejuízo fiscal até então não compensado não pode ser transferido para a incorporadora, por expressa disposição legal proibitiva, na última apuração de lucro real da pessoa jurídica a ser incorporada, que é feita exatamente para efeito da incorporação, a compensação não sofre a referida limitação. O mesmo ocorre com o lucro real final apurado na extinção da pessoa jurídica ou na sua fusão ou cisão, sendo que, se a cisão for parcial, a não aplicação do limite se dá sobre a porcentagem dos prejuízos fiscais correspondente à porcentagem do patrimônio líquido a ser vertido, porque é sobre ela que se dará a impossibilidade de compensação futura. Essa construção jurisprudencial tem fundamentos corretos e sólidos, que se resumem ao seguinte: - é necessário, para a correta compreensão da norma legal, que o intérprete perquira sobre a sua finalidade e leve em conta a "mens legis"; - a análise da exposição de motivos da Medida Provisória n. 998, de 1995, que foi posteriormente convertida na Lei n. 9065, evidencia que o legislador, em momento algum, pretendeu eliminar a compensação dos prejuízos fiscais; - conforme concluiu o relator do acórdão do "leading case" 8 , "a expressão 'sem retirar do contribuinte o direito de compensar 9 reforça o meu entendimento de que, em casos de descontinuidade da empresa, na declaração de encerramento cabe integral compensação dos prejuízos acumulados, sendo inaplicável a trava"; - a própria lei proíbe a transferência do prejuízo fiscal não compensado até o ato de fusão, incorporação ou cisão, para a sucessora da pessoa jurídica que tinha o prejuízo fiscal. Fl. 459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 26 Na verdade, a exclusão do limite de compensação, nos casos de incorporação, fusão e cisão, conta com um fundamento muito forte, não existente nos casos de liquidação da pessoa jurídica, para os quais apenas os demais são aplicáveis. Entretanto, nessas três operações, a exclusão decorre da combinação da norma limitadora, que não excluiu a compensação integral, mas apenas a limitou em cada período-base, com a norma proibitiva da transferência da compensação para as pessoas jurídicas sucessoras. Realmente, se a lei não impede a compensação integral, pois apenas a posterga, mas se ela não permite que a compensação venha a ser feita futuramente pela sucessora, o impasse se resolve através da permissão de compensação integral pela sucedida, em situação que não está abrangida pela hipótese de incidência da norma de limitação. Este tema ainda não se pacificou nas câmaras administrativas, pois existem algumas decisões em contrário à grande maioria que segue aquele entendimento. Não obstante, o entendimento predominante tem lastro inclusive em manifestações do Superior Tribunal de Justiça, não especificamente sobre este tema, mas sobre o limite de compensação. São julgados que, ao apreciarem a validade jurídica do limite de trinta por cento, entre outros fundamentos, manifestaram que a lei não vedou a compensação de prejuízos, mas apenas a transferiu para períodos futuros 10 . Porém, como dito, por veicular exclusão do crédito tributário, a Lei nº 9.065/95 não permite tal extensão interpretativa, e, demais disso, consoante explicitado no início deste voto, a referida Lei deixou de trazer a referência antes contida na Lei nº 8.981/95 acerca da possibilidade de compensação posterior dos saldos de prejuízos e bases negativas não utilizados em razão do limite estabelecido, assim como a Exposição de Motivos da Medida Provisória que a originou apenas ressalta a possibilidade de compensação integral se 30% do lucro apurado a comportasse. Por estas razões, correta se mostra a glosa procedida pela autoridade lançadora e, por conseqüência, a exigência do crédito tributário principal aqui lançado [...]. (destaques do original) O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, por sua vez, assim refere o voto condutor do Acórdão nº 9101-001.337, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, para fundamentar a negativa de provimento ao recurso voluntário no Acórdão nº 1402-002.529: A lide diz respeito à aplicação da limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL a 30% do lucro real/base de cálculo da CSLL do período quando da extinção da pessoa jurídica, no caso, em razão de operação de fusão. Por concordar integralmente com sua fundamentação, ainda que tratando de extinção de pessoa jurídica em razão de incorporação, peço vênia aos meus pares para adotar como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior nos autos do PAF 11065.001759/2007-56 (acórdão 9101-001.337), em julgamento ocorrido na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Com a devida vênia dos que defendem a compensação sem trava do prejuízo fiscal no último balanço da empresa a ser incorporada, ouso discordar, por enxergar, nos Fl. 460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 27 argumentos que assim sustentam, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta-se que o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estar-se-á a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributou-se, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo recorrente, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir "renda". Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Note-se que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu decréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazê-lo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial n° 188.855-GO, in verbis: Há que compreender-se que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributa-se. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores. Data maxima venia, confunde-se aqueles que citam o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que "o lucro societário somente é verificado após a compensação dos Fl. 461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 28 prejuízos dos exercícios anteriores". Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6° e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6º e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta-se também que a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um benefício fiscal. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que "somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados", conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiu-se que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). Engana-se também quem defende que a não submissão dos prejuízos à trava, nos casos de que se trata, não se encontra vedada pelas normas veiculadas pelos artigos 32 e 33 do Decreto-lei 2.341/1987, pois, teleologicamente, o art. 33 visa impedir que o saldo de prejuízo fiscal da empresa a ser incorporada cause qualquer impacto financeiro na incorporadora, o que ocorreria se, no seu último exercício, fosse permitido a incorporada pagar menos IRPJ compensando o saldo de prejuízos além dos 30% permitidos. Todavia, a questão principal não gira em torno do art. 33 do DL 2.341/87, mas da total falta de previsão legal para que se afaste a regra geral da trava de 30% no último período de apuração da empresa a ser incorporada. Isso mesmo, não há previsão legal, mas um mero esforço exegético do recorrente, o qual desborda os parâmetros hermenêuticos das normas de regência da matéria. Ademais, permissa venia, a interpretação, digamos, sistemática feita pelo recorrente já que não se baseia em nenhum dispositivo legal específico, mas no sistema jurídico como um todo é contraditória e ofende a isonomia, pois, "já que sustenta que o prejuízo fiscal deve ser integralmente compensável no tempo, para que a tributação não ofenda o conceito de renda, como fazer então se houver saldo remanescente de prejuízo no último período de existência da pessoa jurídica ainda que lhe fosse afastada a trava dos 30%? Ora, em alguns países, a exemplo dos Estados Unidos da América Unidos da América 3 , é permitida a compensação retroativa de prejuízos fiscais (ou seja, com lucros anteriores). Será então que, para respeitar o conceito de renda, o intérprete deveria também entender autorizada a compensação retroativa na situação em tela sem lei que a preveja? A resposta é, 3 Refiro-me ao carryback, previsto: na section 172 (b) do Internal Revenue Code. Fl. 462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 29 por tudo que já demonstramos antes, indubitavelmente, negativa. Ocorre, porém, que, nessa hipótese, o recorrente aceita que se perca o direito à compensação do saldo de prejuízo fiscal, criando um situação não isonômica entre a incorporada que tem lucro no seu último exercício suficiente para ser compensado 100% do saldo de prejuízos acumulados e aqueloutra que não o tenha, a qual ficará com saldo de prejuízo fiscal que jamais será compensado. Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refiro-me ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente. Portanto, conforme se observa, a limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores é prevista em lei, não havendo qualquer exceção legal no sentido de sua não limitação em caso de extinção da pessoa jurídica. Qualquer interpretação diversa implicaria o órgão julgador atuar como legislador positivo, o que é amplamente vedado inclusive aos órgãos do Poder Judiciário. Ainda no que atine à legalidade e à constitucionalidade de tal vedação, em qualquer hipótese, ressalta-se os seguintes julgados do STJ e STF: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. LUCRO DE EMPRESA INCORPORADA A SER COMPENSADO COM PREJUÍZO DA EMPRESA INCORPORADORA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A empresa incorporadora não pode compensar prejuízos apurados em determinado exercício com lucros obtidos por empresa incorporada, para fins de imposto de renda, por ausência de previsão legal. 2. O silêncio da lei sobre determinada situação não gera direitos para as partes que compõem a relação jurídico-tributária. 3. A homenagem ao princípio da legalidade tributária exige expressa disposição na lei da conduta a ser praticada pelo ente tributante e pelo contribuinte. 4. Compensação não permitida. Precedente: REsp 54348/RJ, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, 1ª Turma. 5. Recurso improvido. (Recurso Especial nº 307389 RS) TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – SUCESSÃO DE PESSOAS JURÍDICAS INCORPORAÇÃO E FUSÃO - VEDAÇÃO - ART. 3 DO DECRETO-LEI 2.341/87 - VALIDADE – ACÓRDÃO - OMISSÃO: NÃO OCORRÊNCIA. 1. Inexiste violação ao art. 535, II do CPC se o acórdão embargado expressamente se pronuncia sobre as teses aduzidas no recurso especial. 2. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido da legalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais, pois a referida faculdade configura benefício fiscal, livremente suprimível pelo titular da competência tributária. 3. A limitação a compensação na sucessão de pessoas jurídicas visa evitar a elisão tributária e configura regular exercício da competência tributária quando realizado por norma jurídica pertinente. Fl. 463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 30 4. Inexiste violação ao art. 43 do CTN se a norma tributária não pretende alcançar algo diverso do acréscimo patrimonial, mas apenas limita os valores dedutíveis da base de cálculo do tributo. 5. O art. 109 do CTN não impede a atribuição de efeitos tributários próprios aos institutos de Direito privados utilizados pela legislação tributária. 6. Recurso especial não provido. (Recurso Especial nº 1.107.518 - SC) RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N.8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (Recurso Extraordinário 344.9940) Assim sendo, entendo que a exigência deve ser mantida integralmente. (destaques do original) Neste Colegiado, esta Conselheira permaneceu acompanhando o entendimento da maioria qualificada, como o expresso no Acórdão nº 9101-004.2174, assim ementado: COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30%. Dispõe a legislação que na apuração do lucro real, poderá haver o aproveitamento da base negativa mediante compensação desde que obedecido o limite de trinta por cento sobre o lucro líquido. Eventual encerramento das atividades da empresa, em razão de eventos de transformação societária, como a incorporação, não implica em exceção ao dispositivo legal, a ponto que permitir aproveitamento da base negativa acima do limite determinado. Precedentes 1ª Turma da CSRF. Em acréscimo, vale a transcrição do voto condutor do ex-Conselheiro André Mendes de Moura: A matéria devolvida trata da possibilidade de aproveitamento integral do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL da pessoa jurídica incorporada pela sucessora. Transcrevo o disposto nas Leis nº 8.981, de 1995, e na Lei nº 9065, de 1995: [...] Verifica-se que nos comandos legais não há nenhuma disposição no sentido de que a regra que estabelece o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado apurado pela empresa, albergue a exceção alegada pela recorrente, qual 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luís Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo, e divergiram na matéria os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano. Fl. 464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 31 seja, de que em razão da extinção da pessoa jurídica por conta da incorporação, ou qualquer outro evento de reorganização societária, o prejuízo fiscal poderia ser aproveitado integralmente. Inclusive, quando o legislador pretendeu estabelecer exceções à aplicação da trava dos 30%, tal medida foi realizada de maneira expressa, conforme aduziu com precisão o voto proferido no Acórdão nº 9101-00.401, da sessão de 02 de outubro de 2009, da Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando dois exemplos. Primeiro, no que diz respeito às empresas inscritas no regime BEFIEX, nos termos do art. 95 da Lei nº 8.981, de 1995, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995: Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficias Fiscais a Programas Especiais de Exportação - BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um período-base com o lucro real determinado nos seis anos-calendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Inclusive, o art. 510 do RIR/99 contempla expressamente a hipótese: Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15, parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. ............................................... Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação - Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (Decreto-Lei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I - compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anos-calendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); (...) (Grifei) Fl. 465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 32 Segundo, quando o legislador tratou do aproveitamento de prejuízos fiscais referentes à atividade rural, na Lei nº 8.023, de 1990. De acordo com o diploma legal e as instruções normativas da Receita Federal sobre o tema (IN SRF nº 39, de 28/06/1996 e nº 257, de 11/12/2002), mediante o atendimento de determinadas condições, não se aplica o limite de 30% à compensação de prejuízos de atividade rural com (1) lucro apurado pela mesma atividade, em qualquer ano-calendário, e (2) lucro apurado pelas atividades em geral, desde que no mesmo período de apuração. Também se pode utilizar o saldo de prejuízos de atividade rural, acumulados de períodos anteriores, para compensar lucro apurado de atividades em geral, e vice-versa, casos em que se aplica a trava dos 30%. Como se pode observar, o aproveitamento de prejuízos fiscais, quando recebeu tratamento de exceção, foi mediante dispositivo legal próprio, específico para a situação positivada pela norma. Em relação à jurisprudência administrativa, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vale apreciar a evolução da questão, sob uma perspectiva histórica. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nas sessões de 02/12/2002 (Acórdão nº 01-04.258), e de 19/10/2004 (Acórdão nº 01-05.100), decidiu no sentido de que o limite de utilização de 30% não seria aplicado nos casos de extinção de pessoa jurídica. Ocorre que tal posicionamento foi modificado, conforme o já mencionado Acórdão nº 9101-00.401, de 02/10/2009, pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja publicação ocorreu em 02/01/2011: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (grifei) E, em oportunidade posterior, o entendimento foi ratificado, em vários precedentes: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindo-se, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. (Acórdão nº 9101- 001.337, 1ª Turma/CSRF, sessão 26/04/2012, redator do voto vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. A mesma limitação se aplica à compensação de bases negativas da CSLL. (Acórdão nº 9101-001.760, 1ª Turma/CSRF, sessão 16/10/2013, redator do voto vencedor Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) Fl. 466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 33 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. O encerramento das atividades da pessoa jurídica não é exceção ao dispositivo legal que limita a compensação de prejuízos acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%).(Acórdão nº 9101-002.481, 1ª Turma/CSRF, sessão 22/11/2016. Relatora Adriana Gomes Rêgo.) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Acórdão nº 9101-002.845, 1ª Turma/CSRF, sessão 12/05/2017. Relator Rafael Vidal de Araújo.) COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. (Acórdão nº 9101-004.107, 1ª Turma/CSRF, sessão 10/04/2019. Relatora Viviane Vidal Wagner) No que concerne ao voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, na decisão proferida no Acórdão nº 9101-001.760, peço vênia para transcrever excerto no qual rebate, com precisão, argumento de que o não aproveitamento do prejuízo fiscal implicaria em tributar o patrimônio: O quarto argumento sobre o qual se firma a outra posição é de que sem se aproveitar o prejuízo do período anterior estar-se-ia tributando o patrimônio, o qual é corroborado pela citação de renomados autores, trazidos no voto, e em memoriais. Com a devida vênia, contudo, este argumento também não procede, e o contra-argumento aqui é singelo. A distinção feita pela I. Relatora é meramente econômica, e não jurídica. Do ponto de vista econômico, mesmo um tributo indireto (como IPI e ICMS) atinge o patrimônio, pois se não fosse cobrado resultaria em patrimônio maior após a operação (tanto do contribuinte de fato quanto do contribuinte de direito). A análise da repercussão da aplicação da norma tributária, indubitavelmente direito de sobreposição, indica que ela se destaca do substrato Fl. 467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 34 ao qual se dirige, pois a norma elege algumas expressões econômicas para tributar, e o fato de que estes fenômenos econômicos estão interligados não invalida a incidência. O fato gerador do imposto de renda é a variação patrimonial positiva calculada de acordo com a norma tributária, e o fato de se apoiar em substrato normativo-contábil, não transmuta a norma tributária em norma contábil. Tributos sobre o patrimônio têm incidência instantânea, com comandos normativos do tipo "o fato gerador é a propriedade de bens do tipo X na data Y", e "o contribuinte é o proprietário". É fato que o Imposto de Renda, o IPI, o ICMS, o PIS/COFINS afetem o patrimônio disponível do contribuinte, mas não transforma essas exações fiscais em tributos incidentes sobre o patrimônio, embora, repise-se, a sua cobrança altere o patrimônio dos contribuintes (de fato e de direito). Quando a legislação do Imposto de Renda limita deduções ela afeta a renda tributável e, por conseguinte, o patrimônio, mas não pode ser considerada inconstitucional por isto. Isto é da natureza da metodologia do tipo tributário do imposto de renda. Como foi dito, o que a Constituição veda é tributar a não renda. Dado isto, como calcular a renda tributável até o limite da variação patrimonial positiva é matéria de lei. Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Trata-se de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. No âmbito do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal, em 25/03/2009, ao julgar o RE 344.994-0/PR (ocasião em que foi vencido relator Ministro Marco Aurélio), prevaleceu entendimento do Ministro Eros Grau, que redigiu o voto vencedor, conforme ementa a seguir. Fl. 468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 35 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2009, DJe-162 DIVULG 27-08-2009 PUBLIC 28-08- 2009 EMENT VOL-02371-04 PP-00683 RDDT n. 170, 2009, p. 186-194) No voto vista da Ministra Ellen Gracie, discorreu-se sobre a inexistência de direito adquirido quanto ao aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados em anos- calendários anteriores, constituindo-se em uma mera expectativa de direito: Como sabido, em matéria de Imposto de Renda, a lei aplicável é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Entendo com a devida vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o não-cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não tem ‘crédito’ oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à ‘socialização’dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. Na mesma direção do precedente anterior, foi proferido o acórdão no RE 545.308/SP (em que foi vencido o relator Marco Aurélio), no qual o voto vencedor da Ministra Carmen Lúcia foi assim ementado: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei Fl. 469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 36 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido.(RE 545308, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2009, DJe-055 DIVULG 25-03- 2010 PUBLIC 26-03-2010 EMENT VOL-02395-05 PP-01244 RTJ VOL-00214- PP- 00535) A jurisprudência, tanto no STF quanto no CARF, mostra-se convergente sobre a impossibilidade se aproveitar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, de pessoa jurídica incorporada pela sucessora, sem que seja observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado previsto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, para a matéria "possibilidade de compensação integral de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano de extinção da pessoa jurídica", e, no mérito, negar-lhe provimento. (destaques do original) Destaque-se que o citado voto do ex-Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, no Acórdão nº 9101-001.760, bem confronta a argumentação que conclui pela tributação de parcela de patrimônio e não de lucro do sujeito passivo. Oportuna, ainda, a transcrição do histórico legislativo traçado pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no voto declarado no Acórdão nº 9101-005.794: A limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores é prevista em lei, não havendo qualquer previsão no sentido de sua limitação em caso de extinção da pessoa jurídica. Por oportuno, passo a discorrer sobre os dispositivos legais que regem a matéria. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, inicialmente, era regulada pelo artigo 6º, §3º, alínea c, do Decreto-Lei nº 1.598/1977: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. [...] § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. Contudo, o art. 64 do mesmo diploma limitava o direito a essa compensação aos quatro exercícios posteriores ao que o prejuízo fiscal havia sido apurado: Art 64 - A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um período- base com o lucro real determinado nos quatro períodos-base subseqüentes. Fl. 470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 37 § 1º - O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no livro de que trata o item I do artigo 8º, corrigido monetariamente até o balanço do período-base em que ocorrer a compensação. Por meio da Lei nº 8.981/95, estabeleceu-se a limitação máxima de dedução de 30% do lucro real e da base de cálculo da CSLL mediante a compensação de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL apuradas em períodos anteriores, retirando-se, contudo, qualquer limitação quanto ao prazo para tal compensação. Veja-se: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anos-calendário subseqüentes. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos-base anteriores em, no máximo, trinta por cento. No mesmo sentido, a Lei nº 9.065/95 praticamente reproduziu o texto da norma estampada na Lei nº 8.981/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Conforme se observa, na realidade, não se trata, com a devida vênia, de inexistência de lei que preveja a aplicação das citadas normas em caso de extinção da pessoa jurídica, uma vez que tais dispositivos traduzem a regra geral de aplicabilidade de limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores limitado a 30% do lucro líquido ajustado antes dessa compensação. Fl. 471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 38 É importante salientar que o legislador, quando quis excepcionar a aplicação da trava de 30% para alguma situação específica, o fez de maneira clara. O art. 470 do RIR/1999, por exemplo, afasta a limitação de 30% para compensação o prejuízo fiscal com relação às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação (aprovados pela Comissão BEFIEX), verbis: Art. 470. Às empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação - Comissão BEFIEX, poderão ser concedidos os seguintes benefícios, nas condições fixadas em regulamento (Decreto-Lei nº 2.433, de 1988, art. 8º, incisos III e V, e Lei nº 8.661, de 1993, art. 8º): I - compensação de prejuízo fiscal verificado em um período de apuração com o lucro real determinado nos seis anos-calendário subseqüentes independentemente da distribuição dos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, não estando submetida ao limite estabelecido no art. 510 5 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 95, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º); [grifo nosso] No mesmo sentido, o art. 512 do RIR/99 excetua o limite de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores às pessoas jurídicas que exploram atividade rural. Veja-se: Art. 512. O prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no caput do art. 510 (Lei nº 8.023, de 1990, art. 14). A mesma inaplicabilidade da “trava de 30%” na atividade rural é tratada no art. 42 da Medida Provisória nº 1911-15, de 2000 (e reedições), conforme se transcreve a seguir: Art. 42. O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. [...] Além disso, se o raciocínio de que na extinção da pessoa jurídica haveria um direito líquido e certo à utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores sem utilização da trava de 30% em razão de tal saldo não poder ser utilizado posteriormente, o que ocorreria se nesse último período de apuração (o extinção da pessoa jurídica) o contribuinte tivesse apurado prejuízo fiscal/base negativa de CSLL? Haveria um direito à restituição de IRPJ e de CSLL em razão desses saldos de períodos anteriores não poderem ser utilizados no futuro? Com a devida vênia, seria esse o resultado caso fosse adotada a tese da ilustre relatora! Obviamente, tal exegese não se mostra possível, pois, conforme já decidido pelo STF a possibilidade de compensação de 5 Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). [...] § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470. Fl. 472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 39 prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores é tão somente um benefício fiscal, pois o resultado a se tributar seria sempre o apurado no período de apuração correspondente, tratando-se de mero favor fiscal a possibilidade de compensar parte do lucro real/base de cálculo da CSLL do período com prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, o que implica a necessidade de aplicação da regra geral de limitação de 30% do resultado do próprio período de apuração a ser compensado, exceto nos casos em que o legislador excetuou essa aplicação, o que, a toda evidência, não ocorreu no caso da extinção da pessoa jurídica. (destaques do original) Anote-se que o mesmo entendimento está expresso no voto vencido do acórdão paradigma nº 9101-005.728 no qual, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento, vencidos os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto (relator), Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob que votaram por negar-lhe provimento, sendo designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Caio Cesar Nader Quintela. Nesta mesma toada, metade deste Colegiado permaneceu decidindo contrariamente à limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas no período de extinção da pessoa jurídica. Em 05/10/2021, por força do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, este Colegiado assim decidiu no já referido Acórdão nº 9101-005.7946: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. NÃO APLICAÇÃO DA LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado integralmente com o lucro real, no encerramento das atividades da empresa, inclusive por incorporação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob que votaram por negar-lhe provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Caio Cesar Nader Quintella. Contudo, nesta mesma data, 05/10/2021, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em sentido contrário ao julgado deste Colegiado, alcançou a mesma conclusão antes afirmada por esta 1ª Turma da CSRF desde 2009, no julgado exarado no Recurso Especial nº 1.925.025/SC7, assim ementado: 6 Participaram do julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). 7 Trânsito em julgado em 08/11/2021. Fl. 473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 40 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA - IRPJ. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. APLICAÇÃO DOS LIMITES DE 30%, DOS ARTS. 15 E 16, DA LEI N. 9.065/95 E ARTS. 42 E 58, DA LEI N. 8.981/95 TAMBÉM PARA EMPRESAS EXTINTAS (INCORPORAÇÃO, FUSÃO, CISÃO) SOB PENA DE VIOLAÇÃO INDIRETA (FRAUDE À LEI) AO ART. 33, DO DECRETO-LEI N. 2.341/87. 1. A empresa contribuinte, ciente da regra jurídica cogente proibitiva consistente na vedação da utilização dos prejuízos fiscais prevista no art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87 ("art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida"), objetiva provimento declaratório para o aproveitamento integral dos prejuízos fiscais de IRPJ e bases negativas de CSLL, afastando- se os efeitos dos art. 42 e 58 da Lei 8.981/95, com redação dada pela Lei nº 9.065/95, quando de sua futura extinção (por incorporação, fusão ou cisão). 2. Na prática, pleiteia-se que a empresa futuramente sucessora (por incorporação, fusão ou cisão), também ciente da regra jurídica cogente proibitiva consistente na vedação da utilização dos prejuízos fiscais prevista no art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87, possa contornar essa regra ao fazer uso de 100% desses prejuízos fiscais dentro da própria incorporada, fusionada ou cindida antes de a incorporar, fundir-se a ela ou cindir (assim o faria sem dívidas tributárias), afastando ali a limitação de 30%, dos arts. 15 e 16, da Lei n. 9.065/95 e arts. 42 e 58, da Lei n. 8.981/95, ao argumento de que a "vedação de 30% estabelecida na Lei n. 8.981/95 somente faria sentido para as empresas que estão continuando a sua atividade e não para aquelas que estão se extinguindo". Nessas condições, a empresa futuramente sucessora estaria fazendo uso do prejuízo fiscal da sucedida a ser futuramente extinta (na própria sucedida e, por conseguinte, também em si mesma na condição de sucessora, já que ou eram ou se tornarão uma única empresa) para além do limite legal previsto. 3. A ótica reconhecida por ambas as Turmas desta Corte foi a de que o procedimento é uma burla ao art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87 através do afastamento da Lei n. 8.981/95, caracterizando violação indireta à lei (fraude à lei). Precedentes: REsp. n. 1.805.925 - SP, Primeira Turma, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/ acórdão Min. Gurgel de Faria, DJe 5/8/2020; EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl no REsp. n. 1.725.911 - SP, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 16.11.2020; REsp. n. 1.107.518 - SC, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 06.08.2009. 4. O conjunto normativo composto pelas limitações constantes do art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87; arts. 15 e 16, da Lei n. 9.065/95 e arts. 42 e 58, da Lei n. 8.981/95; deve ser interpretado à luz da cláusula antielisiva específica do art. 51, da Lei n. 7.450/85, dispositivo legal que já teve aplicação reconhecida no REsp. n. 1.743.918 / SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19.03.2019. 5. O conjunto produz norma antielisiva para reduzir os incentivos a que as empresas passem a fabricar prejuízos fiscais a fim de serem adquiridos no mercado mediante incorporação por outras (normalmente estando todas sob mesma orientação dentro de um grupo econômico de fato ou mesma consultoria tributária) com o propósito único de reduzir o IRPJ e a CSLL devidos (ausência de propósito negocial). Trata-se de um típico caso onde a empresa que assim procede busca a chancela do Poder Judiciário para realizar um Planejamento Tributário Abusivo. A compreensão do tema já havia sido feita no REsp. n. 1.107.518/SC (Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 06.08.2009), como bem observado no acórdão embargado. Fl. 474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 41 6. Recurso especial não provido. Veja-se que, frente à alegação de que o art. 33 do Decreto nº 2.341/87 vedaria a utilização de prejuízos fiscais pela sucessora e que, assim, deveria ser admitida a compensação para além do limite de 30% no último período de apuração da pessoa jurídica que seria extinta, a totalidade dos Ministros da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça8 concluiu que tal proceder representaria burla da regra jurídica cogente proibitiva consistente na vedação da utilização dos prejuízos fiscais prevista no art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87, porque a empresa futuramente sucessora estaria fazendo uso do prejuízo fiscal da sucedida a ser futuramente extinta (na própria sucedida e, por conseguinte, também em si mesma na condição de sucessora, já que ou eram ou se tornarão uma única empresa) para além do limite legal previsto. Tendo por premissa que: 1º) a Lei n. 8.981/95 e a Lei n. 9.065/95 não fazem o discrímen desejado pela empresa (situações de fusão, cisão e incorporação); 2º) o RE n. 591.340 - SP, em que o STF julga a constitucionalidade da limitação de 30%, não enfrenta esta especificidade da empresa em extinção para excepcioná-la da regra geral e 3º) há inúmeros julgados tanto do STF quanto do STJ no sentido da aplicabilidade da referida limitação de 30%, o Ministro Relator Mauro Campbell Marques conclui pela violação indireta do art. 33, do Decreto-Lei nº 2.341/87 consignando que: Observo ainda que o conjunto normativo composto pelas limitações constantes do art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87; arts. 15 e 16, da Lei n. 9.065/95 e arts. 42 e 58, da Lei n. 8.981/95; deve ser interpretado à luz da cláusula antielisiva específica do art. 51, da Lei n. 7.450/85 ("art 51 - Ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda"). O referido dispositivo legal já teve aplicação reconhecida por esta Casa no REsp. n. 1.743.918 / SP, de minha relatoria, julgado em 19.03.2019. O conjunto produz norma antielisiva para reduzir os incentivos a que as empresas passem a fabricar prejuízos fiscais a fim de serem adquiridos no mercado mediante incorporação por outras (normalmente estando todas sob mesma orientação dentro de um grupo econômico de fato ou mesma consultoria tributária) com o propósito único de reduzir o IRPJ e a CSLL devidos (ausência de propósito negocial). Trata-se de um típico caso onde a empresa que assim procede busca a chancela do Poder Judiciário para realizar um Planejamento Tributário Abusivo. O tema já foi enfrentado por ambas as Turmas desta Corte e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, sendo que a ótica adotada foi a de que o procedimento pleiteado pela CONTRIBUINTE (empresa a ser extinta compensando prejuízos fiscais para além do limite de 30%) é uma burla ao art. 33, do Decreto-Lei n. 2.341/87 através do afastamento da Lei n. 8.981/95. [...] (destacou-se) 8 A Sra. Ministra Assusete Magalhães, os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator Mauro Campbell Marques. Fl. 475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 42 Nota-se no referido julgado que inexistia qualquer referência diferenciada a eventual reorganização societária destinada à burla das disposições legais sob análise. A pretensão de inobservância do limite legal de compensação de prejuízos no momento da extinção da pessoa jurídica, associada à sua incorporação por pessoa jurídica que não poderia pretender a utilização dos prejuízos fiscais excedentes, foi suficiente para a afirmação de “planejamento tributário abusivo”. De fato, o revolvimento das fases processuais anteriores permite constatar que a demanda foi iniciada a partir de mandado de segurança preventivo, no qual a interessada pretendia o afastamento da limitação prevista desde os arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e, subsidiariamente, pleiteava seu afastamento no caso de extinção da pessoa jurídica. O pedido subsidiário, porém, foi sucessivamente negado em termos semelhantes ao expresso em sede de embargos de declaração à sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 5012572- 18.2019.4.04.7200/SC: Assim, inexistindo previsão legal a amparar a pretensão da contribuinte, ao mesmo tempo em que há vedação expressa à compensação de prejuízos fiscais além do limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, não há direito líquido e certo a ser amparado em sede de mandado de segurança, nem mesmo no caso de extinção de pessoas jurídicas. Em julgado contemporâneo, em sede de Agravo Interno no Recurso Especial nº 1.935.751/RS9, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça fez consignar na ementa, ainda, que havendo norma expressa que limita a compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e bases de cálculo negativas da CSLL a 30% do lucro líquido ajustado do exercício em que se der a compensação, sem nenhuma ressalva à possibilidade de compensação acima desse limite nos casos de extinção da empresa, não pode o Judiciário se substituir ao legislador e, fazendo uma interpretação extensiva da legislação tributária, ampliar a fruição de um benefício fiscal. Neste segundo caso também se tratava de mandado de segurança preventivo, e inclusive por esta razão o pedido subsidiário de afastamento da limitação no período de extinção da pessoa jurídica não fora apreciado em 1ª e 2ª instâncias, nos termos expressos no julgamento da apelação, que confirmou a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 5026802- 83.2019.4.04.7000/PR: Como não demonstra a situação concreta, a ensejar a inconstitucionalidade incidental, tenho que o pedido subsidiário carece de possibilidade jurídica, diante da impossibilidade de declaração de inconstitucionalidade em tese na via incidental. Também unânime é a manifestação da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça10, no mesmo sentido, como se vê no julgamento de Agravo Interno no Recurso Especial nº 1.908.071/PR, realizado em 17/05/202111, e assim ementado: 9 Trânsito em julgado em 29/11/2021. 10 Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com a Sra. Ministra Relatora Regina Helena Costa. 11 Trânsito em julgado em 11/06/2021. Fl. 476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 43 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS COM LUCROS FUTUROS. LIMITE DE 30% (TRINTO POR CENTO) DO LUCRO REAL POR ANO CALENDÁRIO. AMPLIAÇÃO PELO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO FUNDAMENTADA NAS SÚMULAS 83 E 568/STJ. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA SOBRE O TEMA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A legislação do IRPJ e da CSLL permite que eventuais prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores sejam compensados com os lucros apurados posteriormente, estabelecendo que a referida compensação é limitada a 30% (trinta por cento) do lucro real, por ano-calendário. III - Inexiste permissão legal para que, em caso de extinção da empresa por incorporação, os seus prejuízos fiscais sejam compensados sem qualquer limitação. IV - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. V - Agravo Interno improvido. Nos mesmos termos antes referidos pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, a Ministra Regina Helena Costa consigna que havendo norma expressa que limita a compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e bases de cálculo negativas da CSLL a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado do exercício em que se der a compensação, sem nenhuma ressalva à possibilidade de compensação acima desse limite nos casos de extinção da empresa, não pode o Judiciário se substituir ao legislador e, fazendo uma interpretação extensiva da legislação tributária, ampliar a fruição de um benefício fiscal. Também aqui o pedido subsidiário, originalmente deduzido em mandado de segurança preventivo, não foi apreciado em 1ª instância, conforme sentença proferida no Mandado de Segurança nº 5012531-66.2019.4.04.7001/PR: No que diz respeito ao pedido subsidiário, verifica-se que a parte impetrante não demonstrou pressuposto fático da pretensão (encontrar-se extinta ou prestes a extinguir- se), não sendo o mandado de segurança a via adequada para a declaração pretendida, na medida em que, de acordo com a Súmula 266 do Supremo Tribunal Federal, não cabe mandado de segurança contra lei em tese. Assim, em relação a esse pedido, o indeferimento da petição inicial, pela inadequação da via eleita, é medida que se impõe. No julgamento da apelação, apenas uma referência indireta foi consignada no acórdão do Tribunal Regional da 4ª Região: Acresce que não se verifica a alegada ofensa à isonomia, visto que a limitação dos 30% é a todos imposta, assim como é viabilizado a todas as empresas que permaneçam em Fl. 477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 44 atividade a utilização, no próximo exercício, de eventual saldo remanescente de prejuízo fiscal. Também não se cogita de cobrança de empréstimo compulsório, já que a instituição de benefícios fiscais a reduzir a base de cálculo do tributo não altera sua natureza jurídica (no caso: imposto e contribuição social). Enfim, em vez de ser verificar o alegado confisco, como alega a impetrante, a limitação de 30% é forma de aplicação de benefício fiscal estabelecido justamente a minorar os efeitos tributários da tributação sobre lucro e renda dos contribuintes que experimentaram prejuízo em exercícios anteriores, sem que se vislumbre a alegada tributação sobre o patrimônio. (destacou-se) As manifestações do Superior Tribunal de Justiça, portanto, não são dependentes da caracterização de operações para burla intencional do limite de compensação de prejuízos e bases negativas de CSLL, e assim expressam a interpretação das normas jurídicas aplicáveis a todas as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real e beneficiadas pela possibilidade de redução de suas bases tributáveis em razão do insucesso passado de suas atividades. Assim, ainda que se alegue que a tese aqui sustentada, até aqui, não se ampara em nenhum julgado do Supremo Tribunal Federal, tem-se ampla evolução do tema no Superior Tribunal de Justiça, em favor do entendimento da Fazenda Nacional. Logo, como sem nenhuma ressalva à possibilidade de compensação acima desse limite nos casos de extinção da empresa, não pode o Judiciário se substituir ao legislador, deve ser reformado o acórdão recorrido. Por fim, com respeito à menção, pelo Ministro Mauro Campbell Marques, no Recurso Especial nº 1.925.025/SC, de que o RE n. 591.340 - SP, em que o STF julga a constitucionalidade da limitação de 30%, não enfrenta esta especificidade da empresa em extinção para excepcioná-la da regra geral, releva notar que, em recente decisão, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal afirmou que a limitação de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, em 30% do lucro real apurado, aplica-se, inclusive, no caso de extinção da pessoa jurídica. Confira-se: AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IRPJ E CSLL. LIMITAÇÃO DE 30%. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO FIRMADO PELO PLENÁRIO DO SUPREMO NO JULGAMENTO DO RE 591.340. TEMA N. 117/RG. EXTINÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE O PODER JUDICIÁRIO AGIR COMO LEGISLADOR POSITIVO PARA CONCEDER BENEFÍCIOS FISCAIS NÃO PREVISTOS EM LEI. 1. O acórdão recorrido está em conformidade com o entendimento firmado pelo Supremo no RE 591.340, Tema n. 117/RG, Redator do acórdão o ministro Alexandre de Moraes, no sentido da constitucionalidade da limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL. 2. Quanto à restrição dos 30% (trinta por cento) na compensação dos prejuízos, em situações de extinção da pessoa jurídica, não cabe ao Poder Judiciário, atuando como legislador positivo, conceder ou estender benefício fiscal não previsto na legislação tributária. Precedentes. Fl. 478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.071 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 19515.720326/2016-51 45 3. Agravo interno desprovido. (RE 1357308, 2ª Turma da STF, Relator Ministro Nunes Marques sessão virtual de 23 a 30/06/2023) 12 Firmou-se, portanto, que a aplicação do limite de 30% no período de apuração de extinção da pessoa jurídica está em conformidade com o entendimento assim consolidado no Supremo Tribunal Federal: Tema 117 - Limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL: “É constitucional a limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL”. Correta, portanto, a glosa promovida pela autoridade lançadora. Observe-se, porém, que a Contribuinte também deduziu em recurso voluntário os seguintes tópicos de defesa:  Ilegitimidade da aplicação da multa, juros moratórios e correção monetária tendo em vista que as compensações foram realizadas pela recorrente com amparo nas reiteradas decisões administrativas ratificando o procedimento;  Impossibilidade de exigência da multa de ofício da incorporadora (art. 132 do CTN); e  Impossibilidade de exigência de juros sobre a multa de ofício Embora o art. 113, §5º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, dispense o retorno de processo quando a matéria remanescente na instância especial for objeto de Súmula do CARF – o que se verifica em relação ao segundo e ao terceiro item acima, objeto das Súmulas CARF nº 108 e 179 – o primeiro item passa a demandar apreciação do Colegiado quo com o restabelecimento da exigência principal. Daí a necessidade de retorno afirmada no presente caso e a impossibilidade de se dar provimento integral ao recurso especial fazendário para já restabelecer a exigência. Estas as razões para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno ao Colegiado a quo. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa 12 Os Srs. Ministros André Mendonça (Presidente), Gilmar Mendes e Dias Toffoli votaram com o Sr. Ministro Nunes Marques, divergindo o Sr. Ministro Edson Fachin, cujo voto vencido declarado, inclusive, refere o primeiro acórdão desfavorável à Fazenda Nacional no tema - 9101-005.728 - já sob o critério de desempate estabelecido no art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, sem registrar que o relator, Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, restou vencido naquele julgado. Fl. 479DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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4746039 #
Numero do processo: 10380.005488/2003-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/2003 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Numero da decisão: 9303-001.253
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 960          1 959  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10380.005488/2003­49  Recurso nº  226.818   Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­01.253  –  3ª Turma   Sessão de  06 de dezembro de 2010  Matéria  Cofins ­ Decadência ­ 150, § 4º x 173, I   Recorrente  YAMACOM NORDESTE S/A  Interessado  Fazenda Nacional    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 31/01/1998 a 31/03/2003  DECADÊNCIA PARA LANÇAR.   O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  é  de  05  anos,  contados do  fato  gerador na hipótese de  existência de  antecipação  de  pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que  o  lançamento  já  poderia  ter  sido  efetuado,  na  ausência  de  antecipação  de  pagamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Leonardo Siade Manzan, Maria  Teresa  Martínez  López  e  Susy  Gomes  Hoffmann  votaram  pelas  conclusões.  Ausente,  justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.    Caio Marcos Cândido ­ Presidente    Henrique Pinheiro Torres ­ Relator    EDITADO EM: 26/10/2010     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES   2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gileno Gurjão Barreto (Suplente  convocado), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta,  Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.     Relatório  A Câmara a quo, assim narrou os fatos:  Trata­se de Auto de Infração objetivando a cobrança da Cofins  relativa aos anos calendários de 1998 a 2003 em virtude da falta  de  recolhimento  da  contribuição  observada  no  confronto  entre  os valores pagos, declarados em DCTF ou parcelados e aqueles  constantes da escrituração contábil e fiscal da contribuinte.  A interessada apresentou impugnação alegando em sua defesa:  1.  nulidade  do  auto  de  infração  em  virtude  de  o  Termo  de  Verificação Fiscal  referir­se  a  vários  documentos  como “Livro  Razão,  Balancetes,  Declarações  de  Informações  Econômico­ Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  apresentados  pelo  autuado,  como  com suas DCTF”, sendo que “todos” deveriam ter sido juntados  aos  autos,  entendendo­se  como  “todos”  aqui  aqueles  que  embasaram as conclusões, pois dado o volume de documentação  torna­se difícil a verificação dos cálculos efetuados pelo Fisco;  2.  a  autuação  se  deu  em  02/06/03,  assim  todos  os  fatos  geradores ocorridos em data posterior aos cinco anos a contar  da  data  da  ciência  da  autuação  estariam  decaídos,  face  ao  disposto no art. 150,§ 4º do CTN, ou seja aqueles ocorridos até  02/06/98;  3.  em  relação  ao  exercício  de  1998  não  constam  dos  autos  as  “receitas de Vendas de Produtos – Demonstrativo  I” para  este  período  (inicia­se  a  partir  de  1999);  “Devolução  de  IPI  e  Descontos  –  Demonstrativo  II”  (apartir  de  1999);  “receitas  financeiras  – Demonstrativo  III”  (  a  partir  de  1999);  “Outras  Receitas”  – Demonstrativo  IV”  (  a  partir  de  1999)  e  “cálculo  das Contribuições para o PIS e a Cofins – Demonstrativo V” (a  partir  de  1999),  limitando­se  o  autuante  a  apresentar  “Composição da base de cálculo Apuração Sintética” para este  período, sem informar de onde vieram tais valores;  4. as receitas dos demais períodos não foram obtidas somando­ se as notas fiscais de saídas, mas com base nos lançamentos do  Livro Razão, não havendo, portanto comprovação de que houve  saída  superior  à  registrada  na  DIPJ,  nem  que  as  informações  prestadas em DCTF estavam incorreta;  5.  elabora demonstrativo  ,  fls. 783/787, no qual demonstra que  as bases de cálculo obtidas pelo Fisco estão a maior já que não  foram consideradas as deduções;  6.  o  valor  da  contribuição  relativa  ao  1º  trimestre  de  2003  foi  devidamente declarado em DCTF;  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.005488/2003­49  Acórdão n.º 9303­01.253  CSRF­T3  Fl. 961          3 7. a  fiscalização atualizou a base de cálculo do  tributo  (não se  sabe por que índice de correção) e sobre ela aplicou a alíquota  de 35%, não satisfeito, aplicou juros de mora à taxa Selic;  8. inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora; e  9. requer perícia para que seja deduzida da base de cálculo as  devoluções do IPI, indicando o perito e os quesitos formulados.  A  DRJ  em  Fortaleza  ­  CE  afastou  a  preliminar  de  nulidade,  denegou  a  perícia  e  no  mérito  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  para  excluir  a  parcela  relativa  ao  1º  trimestre  de  2003 por ter sido declarada em DCTF.  Cientificada  em  23/04/2004  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  17/05/2004  alegando  em  sua  defesa  as  mesmas  razões  da  inicial  acerca  da  decadência,  da  falta  de  provas  em  relação ao exercício de 1998, ao equívoco cometido em relação  aos demais exercícios por não ter sido efetuado o somatório de  todas  as  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa;  é  permitida  a  dedução  das  devoluções  e  do  IPI  da  base  de  cálculo  das  contribuições;  atualização  da  base  de  cálculo  e  utilização  da  taxa  Selic  como  juros  de  mora;  reitera  o  pedido  de  perícia  formulado.  Foi  efetuado  arrolamento  de  bens,  segundo  informação  de  fls.  863.  Segundo  documentos  de  fls.  864/890,  a  contribuinte  ingressou  com  ação  judicial  de  Mandado  de  Segurança  nº  2004.81.00.008617­5  pedindo  que  fosse  concedida  liminar  no  sentido  de  sustar  o  curso  dos  Processos  Administrativos  nºs  10380.005490/2003­18  e  10380.005488/2003­49  até  o  julgamento do mandado de segurança, e que  fosse concedida a  segurança no sentido de anular o julgamento com indeferimento  imotivado  de  pedido  de  produção  de  perícia  nos  processos  administrativos já mencionados.  O  Juiz  singular  mandou  ouvir  a  autoridade  impetrada  que  se  manifestou  às  fls.  886/890.  Não  consta  do  processo  nenhum  outro elemento em relação à referida ação judicial.  A Câmara  recorrida manteve  a  exigência  fiscal,  em  acórdão  que  recebeu  a  seguinte ementa:  COFINS.  PERÍCIA.  Constando  dos  autos  todos  os  elementos  de  prova  necessários para  a  solução do  litígio,  torna­se  desnecessária a  realização de perícia.  DECADÊNCIA.  O  prazo  para  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos.  BASE DE CÁLCULO. OBTENÇÃO. As informações prestadas à  SRF  pela  contribuinte,  os  registros  contábeis  e  fiscais  da  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES   4 contribuinte  são  documentos  hábeis  para  que  a  fiscalização  possa obter as bases de cálculo de tributo.  Havendo equívoco na sua documentação contábil fiscal caberia  à contribuinte produzir prova que as desconstituísse.  JUROS  DE  MORA.  É  cabível  a  exigência,  no  lançamento  de  ofício,  de  juros  de  mora  calculados  com  base  na  variação  acumulada da Taxa Selic.  Recurso negado.  A  Autuada  apresentou  recurso  especial  de  divergência,  onde  postula  a  decadência  parcial  dos  créditos  lançados,  termos  do  §  4º  do  art.  150  do  CTN.  Também  insurgiu­se  o  sujeito  passivo  contra  a  base  de  cálculo  da  contribuição,  adotada  pela  fiscalização, requerendo os ajustes postulados na peça de defesa.  O  apelo  do  sujeito  passivo  foi  admitido,  apenas,  no  tocante  à  questão  da  decadência. Cientificado do despacho de admissibilidade, não apresentou agravo. Desta feita,  definitivo o despacho de admissibilidade, e, por conseguinte, devolvida a este colegiado apenas  a questão da decadência..  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls. 943 a 951.  .  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator  O recurso apresentado pelo sujeito passivo é tempestivo e, na parte relativo a  decadência,  apresentou  o  dissídio  jurisprudencial, merecendo,  portanto,  ser  conhecido,  nesta  parte. A outra questão trazida no recurso especial não foi admitida pelo Presidente da Câmara  recorrida, e, portanto, não subiu a este Colegiado.  A  teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cinge­se à questão do  prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar  crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins.  A Câmara recorrida entendeu que o prazo é de dez anos contados do primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, como previsto no art. 45 da  Lei  8.212/1991.  Ao  seu  turno,  a  autuada  defende  o  prazo  de  5  anos,  contados  a  partir  da  ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN.   No  tocante  ao  prazo,  o meu  posicionamento  era  no  sentido  de  que  predita  contribuição estava sujeita ao prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/1991.  Todavia,  em virtude  da Súmula Vinculante  nº  08  do STF,  e  da  remansosa  jurisprudência  de  todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adoto o prazo limite de cinco anos  estabelecido no CTN.  Afastado a incidência do do art. 45 da Lei 8.212/1991, resta decidir o termo  inicial dos 5 anos previstos no CTN. Este Código traz duas situações, absolutamente, distintas  para definir o termo inicial da decadência: a primeira, regra geral, aplica­se a todos os tributos,  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.005488/2003­49  Acórdão n.º 9303­01.253  CSRF­T3  Fl. 962          5 e, a segunda, apenas aos tributos que incorram na modalidade de lançamento por homologação,  e, mesmo estes, dentro de certas condições.  A regra geral inserta no inciso I do art. 173 do CTN, fixa o termo a quo como  sendo  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  já  poderia  ter  sido  efetuado.  Já  o  §  4º  do  art  150  do  CTN  traz  regra  específica  que  alcança  os  tributos  cujo  lançamento é por homologação, quando atendidas certas condições. A primeira delas é que não  tenha  havido  fraude,  dolo  ou  simulação;  a  segunda,  que  o  sujeito  passivo  tenha  tomado  as  providências tendentes a apuração do tributo a pagar (fato imponível, base de cálculo, alíquota,  o quantum devido etc) e efetue o recolhimento devido. Assim procedendo o sujeito passivo, o  termo inicial de decadência desloca­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento já poderia ter sido efetuado para a data de ocorrência do fato gerador.  Note­se que não é o simples fato de o tributo estar sujeito a lançamento por  homologação que se dá o deslocamento do prazo previsto no inciso do 173 do CTN para o do§  4º do  art.  150 do CTN. É necessário que  todos  os procedimentos  a cargo do  sujeito passivo  tenha sido por ele efetuado,  inclusive, e, principalmente, a satisfação da obrigação  tributária.  Ora,  a principal  característica do  lançamento por homologação,  e  a  razão maior de  ser desta  modalidade  de  lançamento,  é  o  pagamento  antecipado  pelo  sujeito  passivo.  Daí,  no  meu  pensar,  não  fazer  o  menor  sentido  homologar­se  procedimento  que  não  tenha  como  conseqüência a antecipação do pagamento.  No caso dos autos, todavia, houve antecipação do pagamento da contribuição,  haja vista o lançamento ter sido efetuado pelas diferenças entre o tributo declarado/recolhido e  o  devido  de  acordo  com  a  base  de  cálculo  escriturada  pelo  sujeito  passivo  em  sua  contabilidade.  Desta  feita,  o  termo  inicial  é  a  data  de  ocorrência  do  fato  gerador. Assim,  considerando  que  a  ciência  do  lançamento  deu­se  em  17  de  junho  de  2003,  encontravam­se  decaídos os créditos tributários relativos a períodos de apuração anteriores a junho de 1998.  Com essas considerações, dou provimento ao recurso do sujeito passivo para  reconhecer  a  decadência  dos  créditos  tributários  relativos  aos  fatos  geradores  ocorridos  nos  períodos de apuração compreendidos entre janeiro e maio de 1998.    Henrique Pinheiro Torres                                Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 13603.903232/2015-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2011 a 30/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. A compensação de ofício somente pode ocorrer com créditos líquidos e certos do contribuinte, confirmados pela Receita Federal. Trata-se de situação distinta dos casos de pedido de restituição nos quais o pagamento supostamente efetuado a maior é integralmente utilizado para extinguir débitos do contribuinte apurados durante procedimento de fiscalização. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ENTRE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. Nos termos do art. 55, § 3º, do Código de Processo Civil, devem ser reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. ANÁLISE DE MATÉRIAS IDÊNTICAS JÁ DECIDIDAS EM OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. Restam preclusas para o julgador as matérias que forem idênticas (inclusive em relação ao tributo e período de apuração) já decididas em outro processo administrativo, não podendo ser novamente conhecidas, mas simplesmente aplicado ao processo conexo/vinculado o quanto decidido no processo principal, a teor do disposto no art. 505 do CPC, o qual determina que nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide.
Numero da decisão: 3302-014.701
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos pedidos para sobrestamento deste processo e para análise dos mesmos argumentos de mérito já apresentados no processo administrativo nº 13603.721216/2015-50; (ii) rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ; e, (iii) no mérito, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a aplicação da decisão referente ao processo administrativo nº 13603.721216/2015-50, homologando a presente compensação até o limite do crédito reconhecido após a reapuração dos saldos das contribuições. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-08-25T02:29:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-08-25T02:29:31Z; Last-Modified: 2024-08-25T02:29:31Z; dcterms:modified: 2024-08-25T02:29:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-08-25T02:29:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-08-25T02:29:31Z; meta:save-date: 2024-08-25T02:29:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-08-25T02:29:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-08-25T02:29:31Z; created: 2024-08-25T02:29:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2024-08-25T02:29:31Z; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-08-25T02:29:31Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13603.903232/2015-69 ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de julho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FCA FIAT CHRYSLER AUTOMÓVEIS BRASIL LTDA RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2011 a 30/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO INSUFICIENTE. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. A compensação de ofício somente pode ocorrer com créditos líquidos e certos do contribuinte, confirmados pela Receita Federal. Trata-se de situação distinta dos casos de pedido de restituição nos quais o pagamento supostamente efetuado a maior é integralmente utilizado para extinguir débitos do contribuinte apurados durante procedimento de fiscalização. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ENTRE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. Nos termos do art. 55, § 3º, do Código de Processo Civil, devem ser reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. ANÁLISE DE MATÉRIAS IDÊNTICAS JÁ DECIDIDAS EM OUTRO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. Restam preclusas para o julgador as matérias que forem idênticas (inclusive em relação ao tributo e período de apuração) já decididas em outro processo administrativo, não podendo ser novamente conhecidas, mas simplesmente aplicado ao processo conexo/vinculado o quanto decidido no processo principal, a teor do disposto no art. 505 do CPC, o qual determina que nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide. Fl. 516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos pedidos para sobrestamento deste processo e para análise dos mesmos argumentos de mérito já apresentados no processo administrativo nº 13603.721216/2015-50; (ii) rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ; e, (iii) no mérito, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a aplicação da decisão referente ao processo administrativo nº 13603.721216/2015- 50, homologando a presente compensação até o limite do crédito reconhecido após a reapuração dos saldos das contribuições. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente do exame da Dcomp nº 10088.36705.240613.1.3.04-9205 (fls. 2 a 6), que utiliza créditos de pagamento de indevido ou a maior no valor original de R$ 307.053,98, oriundos de recolhimento efetuado em 23/12/2011 por meio de DARF no valor R$ 18.344.158,00, referente à Cofins (5856) de 11/2011, com o fim de compensar débito da mesma contribuição de 05/2013, no valor de R$ 343.961,87. Por meio do Despacho Decisório de fl. 7, emitido eletronicamente, a autoridade fiscal não homologou a compensação pretendida em razão de não ter sido encontrado saldo disponível no pagamento apontado para compensação dos débitos constantes na declaração de compensação. Consta nas Informações Complementares da Análise de Crédito (fl. 8) que, em trabalho de fiscalização que resultou em lavratura do auto de infração constante do processo administrativo fiscal n° 13603.721.216/2015-50, o valor objeto da Dcomp foi utilizado na dedução dos valores apurados no auto de infração dentro do respectivo período de apuração, não subsistindo assim a origem dos créditos informada. A ciência ao sujeito passivo se deu em 14/01/2016. Insatisfeito, o sujeito passivo apresentou em 05/02/2016 Manifestação de Inconformidade (fls. 12/29), por meio da qual sustenta, em síntese, que: Fl. 517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 3 - no curso de um procedimento fiscalizatório (TDPF n° 06.0.01.00-2013- 00066-1), conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal ("TVF") anexo (Doc. 04), o Sr. Agente Fiscal procedeu à reapuração das bases do PIS e da COFINS da Requerente também no ano de 2011; - Nessa reapuração, o Sr. Agente Fiscal glosou créditos de PIS/COFINS utilizados pela Requerente (relativos aos serviços por ela tomados vinculados à sua atividade produtiva) e, por conseguinte, entendeu que haveria valores de PIS e de COFINS em aberto; - Na sequência, a Autoridade Fiscal utilizou de ofício créditos de titularidade da Requerente que já haviam sido objeto de compensação por meio de PER/DCOMP (entre os quais o crédito objeto do Despacho Decisório ora combatido), com a finalidade de amortizar os valores que supostamente seriam devidos após a glosa dos créditos; - O saldo devedor após essa compensação de ofício está sendo cobrado no processo administrativo n° 13603.721216/2015-50, em que a ora Requerente apresentou impugnação, pendente de julgamento; - Ou seja, a compensação de ofício procedida pela Fiscalização no processo administrativo n° 13603.721216/2015-50 acabou por consumir indevidamente o crédito da contribuição apurado pela Requerente em sua DCTF retificadora e objeto do Despacho Decisório ora guerreado; - Com isso, a Autoridade Fiscal, ao apreciar o PER/DCOMP que já havia sido apresentado pela Requerente, deixou de homologar a compensação nele declarada, sob a única justificativa de que o crédito objeto do presente PER/DCOMP havia sido utilizado de ofício na dedução dos valores apurados no auto de infração originário do processo administrativo n° 13603.721216/2015-50; - Ocorre, contudo, que a compensação de ofício realizada é manifestamente indevida, uma vez que foi feita em desacordo com a legislação atualmente em vigor e com o próprio entendimento da RFB (manifestado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 24/07), devendo ser considerada, portanto, nula por essa Turma Julgadora; - Assim, a partir da Declaração de Compensação transmitida pela Requerente houve a extinção dos débitos ali discriminados, o que torna irregular o procedimento adotado pela Fiscalização no PA n° 13603.721216/2015-50, consistente em utilizar de ofício o crédito compensado no referido PER/DCOMP; Fl. 518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 4 - A Solução de Consulta Interna COSIT nº 24/2007 é clara: havendo Pedido de Ressarcimento ou Compensação pendente de análise, a Autoridade Fiscal que lavrar Auto de Infração não deve aproveitar de ofício os créditos que já foram objeto destes PER/DCOMP apresentados pelo contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento confirma esse entendimento, como se verifica das seguintes decisões: Acórdão n° 06.484620, de 21 de agosto de 2014 – DRJ/Curitiba; e Acórdão n° 11.37980, de 30 de agosto de 2012 – DRJ/Recife; - No caso em foco, considerando que a própria Fiscalização já analisou o crédito e o reconheceu integralmente, pois utilizou o seu valor total para efetuar a compensação de ofício, o presente Despacho Decisório deve ser prontamente reformado, para que se homologue o PER/DCOMP n° 10088.36705.240613.1.3.04-9205; - Dada a intrínseca relação entre a não homologação da compensação efetuada no presente processo e a lavratura da autuação que deu ensejo à formalização do PA n° 13603.721216/2015-50, impõe-se que as decisões emanadas nos dois processos não sejam conflitantes, guardando, portanto, relação de coerência entre si; - Por essa razão, requer-se a esta E. Turma Julgadora que determine que o presente processo administrativo seja apensado ao processo administrativo n° 13603.721216/2015-50, para que ambos sejam julgados conjuntamente, evitando-se assim que sejam prolatadas decisões conflitantes em dois processos intrinsecamente relacionados. Consequentemente, na remota hipótese de não se homologar integralmente a compensação, requer-se a suspensão do crédito tributário em cobrança, até o julgamento definitivo dos processos apensados. A 16ª Turma da DRJ-RJO, em sessão datada de 18/01/2018, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 12- 95.504, às fls. 288/303, com a seguinte Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO INDISPONÍVEL. Utilizado integralmente o pagamento para extinção de débito apurado em procedimento de fiscalização relativo ao mesmo tributo e período, não há que se falar em disponibilidade de direito creditório dele decorrente. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A Fl. 519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 5 administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. VINCULAÇÃO. DIFERENTES INSTÂNCIAS. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que tratem de matéria conexa ou possuam o mesmo objeto, inexiste previsão legal para a vinculação de processos administrativos que se encontrem em diferentes instâncias de julgamento. JULGAMENTO. MATÉRIA JÁ APRECIADA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a Administração Tributária manifestar-se novamente sobre matéria já julgada, sob risco de, em prejuízo da segurança jurídica, emitir decisões dissímeis. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 06/02/2018 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 307), apresentou Recurso Voluntário em 06/03/2018, às fls. 474/506. É o relatório. VOTO Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. I - ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. II – DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ O recorrente alega que a Turma Julgadora da DRJ, ao julgar a Manifestação de Inconformidade, teria deixado de apreciar um dos principais argumentos trazidos pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em claro e evidente cerceamento do direito de defesa, o que deveria ensejar a nulidade da decisão recorrida. Isto porque teria trazido aos autos diversos argumentos pertinentes para demonstrar a impossibilidade de desconsideração do crédito utilizado para realização da compensação. Sem razão o recorrente. Com efeito, o acórdão da DRJ trouxe decisão sobre os pontos relevantes para o deslinde da causa, conforme se verifica dos seguintes excertos do voto do relator: Sobre a questão, apesar de o sujeito passivo se insurgir sobre a situação fática dos autos tratando-a como compensação de ofício, na verdade a situação em tela não se enquadra em tal instituto. Fl. 520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 6 A compensação de ofício em sentido estrito é prevista pelo art. 7º, § 1º, do Decreto-lei nº 2.287/1986, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005, abaixo transcrito, com grifos nossos: Art. 7º A Receita Federal do Brasil, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Existindo débito em nome do contribuinte, o valor da restituição ou ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Ocorre que a situação dos autos é completamente distinta. Não se trata aqui de compensação de ofício em sentido estrito, conforme acima descrito, e sim de utilização do pagamento efetuado pelo sujeito passivo em 23/12/2011 por meio de DARF no valor R$ 18.344.158,00 para quitar o débito do mesmo tributo e período o qual fora apurado em procedimento de fiscalização amparado pelo TDPF-F nº 06.0.01.00-2013-00066-1 no âmbito do processo nº 13603.721216/2015-50. Consta no Termo de Verificação Fiscal lavrado naquele processo (Doc. 04, fls. 69/135), no subtítulo “DCOMP” (fls. 133/134), o que segue, com grifos nossos: (...) Posteriormente, a FISCALIZADA solicitou compensação dos valores pagos a maior via DCOMP conforme especificado no quadro abaixo, entretanto baseado no trabalho da presente fiscalização, os valores objeto das DCOMPs foram utilizados na dedução dos valores apurados no auto de infração dentro do respectivo período de apuração, sendo assim não subsiste a origem de crédito informada nas DCOMPs mencionadas no quadro abaixo, devendo tais DCOMPs serem INDEFERIDAS. (...) É possível verificar também no Auto de Infração lavrado no âmbito do processo nº 13603.721216/2015-50, cuja cópia consta às fls. 230/287, que o valor de R$307.053.98 (oriundo do DARF que dá origem à compensação que se analisa) fora deduzido da contribuição apurada naquela fiscalização para o mês de 11/2011, no valor total de R$ 3.929.354,18, remanescendo uma contribuição devida de R$3.622.300,20 (fl. 262). Vale observar que o aludido DARF (de 23/12/2011, no valor de R$18.344.158,00) refere-se à própria Cofins do período de 11/2011, ou seja, não há aqui que se falar em compensação de ofício e sim de aproveitamento do pagamento da contribuição do período para dedução da contribuição apurada em procedimento de fiscalização. Fl. 521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 7 Acrescenta-se que o fato de o sujeito passivo ter promovido regularmente a retificação da DCTF do período de 11/2011 não mais tem relevância para o caso em análise. Primeiro – e principalmente – porque o resultado advindo do procedimento de fiscalização ocorrido sob amparo do TDPF-F nº 06.0.01.00-2013- 00066-1 se sobrepõe às informações contidas nas declarações e demonstrativos transmitidos pela Recorrente para a RFB. Em outras palavras, ainda que conste nos sistemas da RFB a retificação da DCTF alegada (a qual, em tese, teria o efeito de liberar parte do pagamento efetuado para ser utilizado na compensação pretendida), as informações ali constantes (interessando para nós o débito da Cofins de 11/2011) foram sobrepostas pelo resultado do procedimento fiscal ocorrido sob amparo do TDPF-F nº 06.0.01.00- 2013-00066-1. Além disso, tal retificação, por si só, não faz nascer o respectivo direito creditório pretendido, o qual decorre exclusivamente da efetiva ocorrência do recolhimento indevido ou a maior, a qual pode ser verificada pela autoridade fiscal dentro do prazo previsto na legislação tributária, como de fato ocorreu, uma vez que, à luz das conclusões daqueles autos, o pagamento em questão sequer foi suficiente para extinguir toda a contribuição devida no mês. Assim, em verdade, conclui-se que o objeto do presente litígio (disponibilidade de créditos de pagamento indevido) está sendo discutido nos autos do processo nº 13603.721216/2015-50, já que somente com a solução do mérito a respeito do real valor da contribuição devida no mês será possível determinar se há disponibilidade em relação ao pagamento apontado como origem do crédito que ora se pretende ver reconhecido para proceder à compensação aqui discutida. (...) A recorrente pugna para que alternativamente seja determinado à Delegacia Fiscal de Contagem a apresentação das razões para o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, seja oportunizado à Requerente novo prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade. Tal pleito igualmente não pode ser acatado. O presente Despacho Decisório é ato válido, emanado por autoridade competente e contém a devida motivação já exposta nesse voto, a qual não causou prejuízo ao direito de defesa da interessada. Ademais, com o intuito de evitar decisões conflitantes em dois processos intrinsecamente relacionados, requer a interessada que o presente processo seja apensado ao de n° 13603.721216/2015-50, para julgamento em conjunto – com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário em cobrança – ou que seja sobrestado até a decisão definitiva no processo do auto de infração. No que se refere ao pedido de sobrestamento do julgamento da autuação, não pode tal pretensão ser atendida nesta instância administrativa, por falta de previsão legal, uma vez que o Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não autoriza a suspensão de trâmite processual. Fl. 522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 8 (...) Em relação à vinculação, embora haja razoabilidade no pedido, não há na legislação que regula o processo administrativo fiscal a previsão para que tal pleito seja atendido, já que aquele processo já se encontra em outro órgão para julgamento, fugindo a competência desse colegiado determinar a vinculação pretendida. Venha a presente decisão ser recorrida, ficará ao juízo do CARF, à luz das disposições contidas no seu regimento, decidir pela vinculação e eventual julgamento em conjunto. Em relação ao pedido pela suspensão da exigibilidade, a manifestação de inconformidade enquadra-se no disposto no inciso III do art. 151 do CTN, relativamente ao débito objeto da compensação, pelo que o presente débito já está com a exigibilidade suspensa. Ante o exposto, entendo pelo indeferimento do pedido de sobrestamento do presente processo ou de vinculação ao processo nº 13603.721216/2015-50, prosseguindo-se no julgamento da manifestação de inconformidade apresentada. Por fim, pugna pela apreciação dos argumentos de mérito apresentados na impugnação ao auto de infração do processo n° 13603.721216/2015-50, os quais foram reiterados na presente manifestação de inconformidade. Sobre esse ponto, não pode a Administração Tributária manifestar-se novamente sobre matéria já julgada. Deve, dessa forma, ater-se a analisar as respectivas alegações tão somente no âmbito do processo que contém originariamente o mérito discutido. No caso em tela, a decisão emanada no despacho decisório recorrido é puro reflexo da insuficiência de créditos de pagamento a maior ou indevido decorrente da apuração realizada no procedimento fiscal ao amparo do TDPF nº 06.0.01.00- 2013-00066-1. Desse modo, não pode este colegiado novamente apreciar as mesmas alegações para os mesmos eventos, devendo esta análise ser efetuada no âmbito daquele processo. Da leitura dos trechos acima colacionados, concluo que a decisão foi devidamente fundamentada. Além disso, deve ser destacado que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos da defesa, bastando que indique, de forma clara, as razões para a decisão. Esse é o entendimento pacífico das Cortes Superiores, conforme precedentes a seguir: i) Habeas Corpus 170.014/PA, Relator Min. LUIZ FUX, Julgamento: 12/04/2019: De outro lado, cumpre destacar a ausência de vulneração ao artigo 93, IX, da Constituição Federal. O referido dispositivo resta incólume quando o Tribunal prolator da decisão impugnada, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, máxime quando o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, quando já tiver fundamentado sua decisão de maneira suficiente e fornecido a prestação jurisdicional nos limites da lide proposta. Nesse sentido, aliás, é a jurisprudência desta Corte, como se infere dos seguintes julgados: Fl. 523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 9 (...) Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao habeas corpus, com esteio no art. 21 do RISTF. ii) AgInt no REsp 2.096.771/RN, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, julgamento em 18/03/2024: 3. Constata-se que não se configurou a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Pelo exposto, voto por rejeitar esta preliminar de nulidade do acórdão da DRJ. III – DA ALEGAÇÃO DE INDEVIDO APROVEITAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO PELA AUTORIDADE FISCAL — APLICAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT Nº 24/2007 O recorrente alega que este aproveitamento de ofício do crédito pela autoridade fiscal é claramente indevido, uma vez que foi feito em desacordo com a legislação atualmente em vigor e com o próprio entendimento da RFB (manifestado na Solução de Consulta Interna COSIT n° 24/07), devendo ser considerado, portanto, nulo por este CARF. Sem razão o recorrente. Com efeito, esta matéria é objeto de expressa disposição de lei, conforme art. 7º, § 1º, do Decreto-lei nº 2.287/1986, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005: Art. 7º A Receita Federal do Brasil, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Existindo débito em nome do contribuinte, o valor da restituição ou ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Quanto à referida Solução de Consulta Interna COSIT n° 24/07, vejamos o seu teor da sua conclusão: Conclusão (...) Caso haja créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, a autoridade fiscal que constatar infração à legislação das aludidas contribuições não deve aproveitá-los de ofício. (...)". Fl. 524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 10 Me parece bastante claro que a orientação dada por esse normativo interno tem por fundamento o fato de que créditos vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendentes de verificação ainda não possuem os atributos de liquidez e certeza, ainda sendo passíveis de serem indeferidos. Logo, se o Auditor-Fiscal, ao efetuar um lançamento de ofício contra um contribuinte, e dos débitos apurados aproveitar estes créditos, poderá estar reduzindo indevidamente o montante do crédito tributário a ser lançado, pois ainda não se sabe se o crédito efetivamente existe. Com razão a DRJ ao diferenciar as hipóteses, pois aqui se trata de aproveitamento de pagamento, sobre o qual há certeza sobre a sua existência e seu exato valor. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. IV – DA ALEGAÇÃO DE NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DO PRESENTE PROCESSO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 13603.721216/2015-50 O recorrente alega que, dada a intrínseca relação entre a não homologação da compensação efetuada no presente processo e a lavratura da autuação que deu ensejo à formalização do processo administrativo nº 13603.721216/2015-50, impõe-se que as decisões emanadas nos dois processos não sejam conflitantes, guardando, portanto, relação de coerência entre si. Com razão o recorrente. Com efeito, por tudo quanto já exposto no relatório e neste voto, resta evidente a possibilidade de decisões conflitantes, de forma que os processos devem ser reunidos para julgamento em conjunto, conforme determina o CPC, em seu art. 55, § 3º: Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. (...) § 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. Observo, contudo, que esta medida já foi realizada pelo setor administrativo deste Conselho. V – DA ALEGAÇÃO DE NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ATÉ O JULGAMENTO DEFINITIVO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 13603.721216/2015-50 Trata-se de pedido que perdeu seu objeto, tendo em vista que os processos foram reunidos para julgamento em conjunto. Fl. 525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.701 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.903232/2015-69 11 VI – DA ALEGAÇÃO DE IMPROCEDÊNCIA DAS ACUSAÇÕES CONTIDAS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 13603.721216/2015-50 O recorrente alega que, a fim de se demonstrar a improcedência das acusações fiscais que deram origem ao processo administrativo nº 13603.721216/2015-50, reitera todos os argumentos de mérito desenvolvidos no Recurso Voluntário apresentado naqueles autos (Doc. 04), os quais deverão ser analisados por este CARF caso as razões desenvolvidas anteriormente não sejam acolhidas. Tendo em vista que nesta mesma sessão de julgamento foi proferida decisão sobre o processo administrativo nº 13603.721216/2015-50, com repercussão imediata sobre o resultado deste presente processo, entendo que não deve ser conhecido este pedido para análise dos mesmos argumentos, uma vez que deve ser simplesmente aplicado a este processo o quanto decidido no processo referente ao Auto de Infração, segundo o que determina o art. 505 do CPC: Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II - nos demais casos prescritos em lei. Pelo exposto, voto por não conhecer deste pedido. VII – DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por (i) não conhecer do pedido para sobrestamento deste processo e para análise dos argumentos de mérito desenvolvidos no Recurso Voluntário apresentado no processo administrativo nº 13603.721216/2015-50; (ii) por rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ; e, (iii) no mérito, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a aplicação da decisão referente ao processo administrativo nº 13603.721216/2015-50, homologando a presente compensação até o limite do crédito reconhecido após a reapuração dos saldos das contribuições. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 526DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4819107 #
Numero do processo: 10480.017749/2002-64
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DEFINIDA NO INCISO III DO § 2º DO ART. 3º A LEI nº 9.718/98. FALTA DE REGULAMENTAÇÃO. INEFICÁCIA. Não tendo sido baixada a norma regulamentar prevista no próprio dispositivo, não teve eficácia a exclusão estabelecida no inciso III, § 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CUSTOS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III, § 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não autoriza a exclusão de custos da base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, sendo defeso aos órgãos julgadores promover tal extensão por aplicação do princípio da isonomia tributária. Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.512
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10480.017749/2002-64 • Recurso n2 : 128.971 Acórdão n2 : 204-01.512 • MF-Segundo Conselho de Contribulntes• PublIcado no Diedo Oficial d ur a ao • Recorrente : ARMAZÉM CORAL LTDA. • Recorrida : DRJ. em Recife - PE Rubrico 411.92b • • •PIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DEFINIDA NO INCISO III DO § 2° DO ART. 3° A LEI n° 9.718/98. FALTA • DA FAZENDA DE REGULAMENTAÇÃO. INEFICÁCIA. Não tendo sido • tv‘CONN. M 10-12FERE CR O O_RIG baixada a norma regulamentar prevista no próprio dispositivo, BRASILIA e 19.k_ não teve eficácia a exclusão estabelecida no inciso III, § 2°, do eir a art. 3° da Lei n° 9.718/98. VIsTO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CUSTOS. • IMPOSSIBILIDADE. O inciso III, § 2°, do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não autoriza a exclusão de custos da base de cálculo • das contribuições ao PIS e Cofins, sendo defeso aos órgãos julgadores promover tal extensão por aplicação do princípio da isonomia tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ARMAZÉM CORAL LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de julho de 2006. • 4 e• Henrique Pinheiro Torres President • • 1_ Jú ti César Alve Ram s Re tor • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Leonardo Manzan e Adriene Maria de Miranda. 1 ' CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes • MIN. GA FAZ FNOL- 2° CC , CONFERE,ÇOM O ORIGINAL Processo n2 : 10480.017749/2002-64 BRASíLIA .2) Recurso n2 : 128.971 Acórdão 112 : 204-01.512 Recorrente : ARMAZÉM CORAL LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Recife - PE que julgou improcedente manifestação de inconformidade sua contra despacho denegatório de seu pleito de restituição de quantias pagas, a seu ver indevidamente, da contribuição ao PIS. A restituição pleiteada tem por base o inciso III, do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 relativo às receitas que a empresa considera que transfere a outras pessoas jurídicas. Como tais considera, (verbis) "os valores que computou como receita e depois transferiu a outras pessoas jurídicas, assim entendidos os dispêndios efetuados nas aquisições de insumos, mercadorias e serviços, inclusive impostos". A DRJ em Recife - PE, ao examinar os argumentos do contribuinte, cingiu-se à ausência de regulamentação do dispositivo, considerando-o não auto-aplicável com escudo no dever de seguir as instruções emanadas do próprio órgão de que faz parte, já que há orientação da SRF naquele sentido. No voto proferido e acompanhado por unanimidade não se enfrentou a natureza do que o contribuinte entende como receitas. Em seu recurso, a empresa repete as razões aduzidas junto à DRJ. É o relatório. 2 41, 22 CC-MF , Ministério da Fazenda : DA FA7fi\I0A - 29 V., Fl. 1.ç,'pz.w,0 Segundo Conselho de Contribuintes CO1',IFER'E AO, ZJI O ORIGINA BRASiLIA e:90 O Processo n2 : 10480.017749/2002-64 Recurso n2 : 128.971 o Acórdão n2 : 204-01.512 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso é tempestivo, por isso dele tomo conhecimento. Como sobressai do relatório, a matéria posta ao exame deste Colegiado já foi por mim enfrentada em alguns outros julgados. Naquelas ocasiões firmei minha convicção de que: 1. o dispositivo autorizador da exclusão não cobrou eficácia na medida em que faltou-lhe regulamentação que precisasse os exatos termos da expressão "receitas transferidas" nele contido; e 2. a maioria das tentativas de aplicação do dispositivo esbarra, antes mesmo da discussão sobre a sua auto-aplicabilidade ou não, na própria natureza do que se quer excluir, que quase sempre nada mais é do que o custo da atividade desenvolvida pela recorrente. Sendo este também o meu entendimento no presente caso, reproduzo a seguir considerações já tecidas quando do julgamento, em sessão passada, do Recurso de n° 129.742, cujo acórdão unânime recebeu o n°204-00.911. A figura da transferência de receita não é nem de longe algo corriqueiro. Muito mais comum é o pagamento de custos ou despesas necessários ao exercício da atividade. Ocorre que, em sentido lato, mesmo estes últimos podem ser considerados como "transferência de receita", na medida em que, via de regra, primeiro são recebidos, contabilizados como tal, e somente depois são destinados aos fornecedores. Qual o critério distintivo, pois, a autorizar a exclusão de alguns e a não exclusão de outros? Podemos antever apenas exemplos. Em nossa prática fiscalizatória já nos deparamos com situação que se aplica perfeitamente à matéria. Trata-se do chamado fundo de equalização de tarifas relativo ao serviço municipal de transporte coletivo de passageiros. Nestes casos, aquelas empresas que operam linhas de menores custos repassam uma parte de suas receitas àquelas que operam linhas mais custosas. A obrigação lhes é imposta pelo Poder concedente, com vistas a uniformizar o valor da tarifa cobrado. Pois bem, não há dúvida de que para a empresa obrigada a transferir, esses valores são receitas no melhor sentido técnico (contábil) da palavra. Não menos induvidoso, porém, que a empresa não se beneficia em nada desse valor. De todo justo, por conseguinte, que não seja tributada sobre uma receita que de fato não lhe pertence. Por que dizemos que esse é um exemplo perfeito do que, em nosso entender, pretendeu o legislador no caso do inciso BI do § 2° do art. 3° da Lei n°9.718/98? Por que se trata de "transferência de receitas" e não de pagamento de custos ou despesas? Pelo simples fato de que nenhum serviço é prestado às repassadoras pelas empresas recebedoras do valor. A obrigação que aquelas assumem decorre exclusivamente de diretriz do ente concedente do serviço. Muito bem, num exercício de "achismo" e trabalhando por analogia, visto que a ciência contábil não define o que sejam transferências de receitas, nem a legislação do Imposto de Renda trata dessa figura, entendemos que sua aplicação restringir-se-ia aos casos em que o repasse dos valores esteja integralmente dissociado de qualquer contraprestação em bens ou serviços por parte daquela PJ que recebe os valores transferidos àquela que lhos repassa. -1-3\ "tf .... 2 - Ministério da Fazenda 2 CC-MF Mirkl DA F.A7 - 2" , 4t. Segundo Conselho de Contribuintes .ENDA Fl. • BRASILM .. ... .. Processo n2 : 10480.017749/2002-64 CONFER:: (sA,; f0 Recurso n2 : 128.971 ....... • Acórdão n2 : 204-01.512 VISTO Ao caso concreto, nem é preciso esforço para adotar esse critério distintivo, vez que a própria empresa afirma textualmente que é exatamente os seus custos que pretende excluir, daí porque a DRF que examinou primeiramente o seu pedido tê-lo tachado de leviano. O adjetivo não nos parece mesmo despropositado. • A aceitação da tese da recorrente importaria antecipar, pela via administrativa, a não-cumulatividade da contribuição, que somente foi estabelecida mais de dois anos depois. • Também não nos sensibiliza o argumento que apela para a isonomia tributária com as regras das instituições financeiras, a quem o legislador deferiu abater os custos de captação dos recursos monetários. É certo que, por analogia, aqueles custos de captação de • dinheiro — a "mercadoria dos bancos - corresponderiam aos custos de aquisição de mercadorias nas demais empresas comerciais. Não é menos certo, porém, que os julgadores administrativos estão adstritos à letra da lei (seja ela justa ou não) e que a simples necessidade de referência legal expressa para aquelas instituições já demonstram que aquela dedução não corresponde ao que estabelece o artigo que a recorrente pretende aplicar. De qualquer modo, essa interpretação, que vincula a aplicabilidade do dispositivo à inexistência de contraprestação pela pessoa jurídica que recebe o repasse à que o faz é apenas uma (ainda que, ao nosso juizo, a melhor) dentre muitas interpretações. Somente a regulamentação poderia definir se é de fato o melhor critério ou qual o seria. É dessa incerteza que avulta a necessidade de regulamentação em cujos termos cinja-se a aplicação da norma, sob pena de o dispositivo prestar-se por inteiro à instituição da sistemática da não-cumulatividade à contribuição, a qual passaria a incidir sobre algo próximo do conceito contábil de lucro bruto e não sobre as receitas, como pretendeu a Lei n° 9.718/98. Dessarte, ainda que se entenda auto-aplicável, o dispositivo legal não se aplica à empresa ora recorrente, desde que se adote como critério delimitador do conceito de "transferência de receitas" aquele acima apontado. Por conseguinte, seja porque a norma requeria regulamentação, não tendo cobrado eficácia, seja porque a exclusão pretendida não se amolda no conceito de transferência de receitas, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de julho de 2006. , $ - \41\ J 10 CÉSAR ALV S RAMOS • 4 Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1

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Numero do processo: 16349.000212/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS ACOLHIDOS. OMISSÃO VERIFICADA. ERRO MATERIAL IDENTIFICADO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. No caso, a omissão no voto deve ser superada com o acréscimo de fundamentos para a decisão, e a ementa contraditória deve ser substituída por outra nessa decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE. INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. As despesas de fretes relativas às compras de insumos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições (Súmula Carf nº 188).
Numero da decisão: 3201-011.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão com os acréscimos dos fundamentos na forma do voto e substituir a ementa citada pela seguinte: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE. INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. As despesas de fretes relativas às compras de insumos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições (Súmula CARF nº 188). (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Enk de Aguiar - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: MARCELO ENK DE AGUIAR

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS ACOLHIDOS. OMISSÃO VERIFICADA. ERRO MATERIAL IDENTIFICADO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. No caso, a omissão no voto deve ser superada com o acréscimo de fundamentos para a decisão, e a ementa contraditória deve ser substituída por outra nessa decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE. INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. As despesas de fretes relativas às compras de insumos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições (Súmula Carf nº 188).

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS ACOLHIDOS. OMISSÃO VERIFICADA. ERRO MATERIAL IDENTIFICADO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. No caso, a omissão no voto deve ser superada com o acréscimo de fundamentos para a decisão, e a ementa contraditória deve ser substituída por outra nessa decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE. INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. As despesas de fretes relativas às compras de insumos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições (Súmula Carf nº 188). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão com os acréscimos dos fundamentos na forma do voto e substituir a ementa citada pela seguinte: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE. INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. As despesas de fretes relativas às compras de insumos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições (Súmula CARF nº 188). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 12 /2 00 9- 32 Fl. 1049DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Enk de Aguiar - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Robson Costa, Flávia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Relatório O contribuinte em epígrafe apresentou embargos de declaração em face do acórdão 3201-007.210, de 22/09/2020, que foram parcialmente admitidos. Aproveita-se o relatório elaborado pelo Presidente dessa turma de julgamento, Hélcio Lafetá Reis, por ocasião do exame de admissibilidade: Trata-se de exame de admissibilidade de Embargos de Declaração formalizados pelo contribuinte ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Os Embargos foram opostos em desfavor do Acórdão no 3201-007.210, de 22/09/2020. Transcrevem-se a ementa e o dispositivo de decisão integralmente: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. ESSENCIALIDADE. No âmbito do regime não cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, somente geram créditos passíveis de utilização pela contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES SOBRE COMPRAS. PRODUTOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativas às compras de produtos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a aquisição dos produtos transportados, assim, também não o haverá para o gasto com transporte. Fl. 1050DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETES DE PRODUTOS EM ELABORAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de mercadorias entre os estabelecimentos de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições (PIS e Cofins). NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geral direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. Os serviços portuários vinculados diretamente aos insumos importados são imprescindíveis para as atividades da Recorrente, onde ocorrerá efetivamente o processo produtivo de seu interesse. A subtração dos serviços de movimentação portuária privaria o processo produtivo da Recorrente do próprio insumo importado. (...) Houve Recurso Especial por parte da Fazenda Nacional, que foi admitido. Segue-se no relatório a partir da análise realizada, destacando o ponto sobre o qual os embargos foram admitidos: 2. Análise dos requisitos formais O prazo para interposição de Embargos de Declaração é de 5 (cinco) dias da ciência do acórdão recorrido, conforme o § 1o do art. 65 do Anexo II do RICARF. O Acórdão de Recurso Voluntário foi cientificado à contribuinte em 31/05/2022, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, e os Embargos foram apresentados em 06/06/2022, uma segunda-feira, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada. Portanto, são tempestivos. Não se encontram outros óbices formais. 3. Exame dos vícios suscitados. Contornos teóricos Sobre os Embargos de Declaração, veja-se o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma." A eventual existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte, a fim de oportunizar ao próprio órgão julgador suprir eventual deficiência no julgamento da causa. Cabe ressaltar que não é função dos embargos rediscutir uma mesma matéria já discutida ou alterar o que foi decidido, salvo se há decorrência imediata em vista de omissão de matéria determinante ou contradição entre os fundamentos do acórdão e seu resultado. Confira-se nesse sentido: STJ - Embargos. Decl. no Recursos em MS Edcl no RMS 6510/MG 1995/0065405-9 (e muitos outras decisões iguais) Fl. 1051DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADES INFRINGENTES. OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO SE PRESTAM PARA MODIFICAR O JULGADO, SALVO SE ISSO DECORRE IMEDIATAMENTE DO SUPRIMENTO DE ALGUMA OMISSÃO OU DA ELIMINAÇÃO DE CONTRADIÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. A omissão de matéria determinante pode ser ainda configurada quando se demonstre premissa fática equivocada. Nesse sentido: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO. ERRO MATERIAL. ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. I - O fundamento do acórdão erigido sobre uma premissa fática equivocada constitui erro material a ensejar o acolhimento dos embargos de declaração para a correção do julgado, atribuindo-lhe efeitos modificativos. [...] Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para negar provimento ao agravo interno. (EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 659.484/RS, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, julgado em 28/06/2007, DJe 05/08/2008)" Por outro lado, não há omissão quando o colegiado chegou à sua conclusão com motivos suficientes. Veja-se: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1 a Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Passa-se ao exame das suscitações de vícios na decisão embargada. (...) 3.2 Contradição na parte da ementa que trata sobre frete de insumos tributados à alíquota zero A embargante aponta erro na redação da ementa, na matéria em epígrafe. Com efeito, a ementa é contraditória ao permitir e negar o crédito sobre fretes de insumos com alíquota zero. Transcrevo: NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES SOBRE COMPRAS. PRODUTOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativas às compras de produtos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a aquisição dos produtos transportados, assim, também não o haverá para o gasto com transporte. Embora o dispositivo seja claro, a ementa deve ser corrigida, para evitar confusões. 3.3 Obscuridade nas razões de decidir sobre o frete de insumos tributados à alíquota zero Fl. 1052DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 A embargante sustenta que a matéria em foco, não obstante ter sido decidida de modo favorável a ela, não teria sido fundamentada na decisão embargada. Transcrevo: 29. Ocorre que, embora a decisão tenha sido correta quanto ao reconhecimento do crédito, incorreu em obscuridade ao não explicar os fundamentos que levaram a turma ao afastamento da glosa. [...] 31. Assim, tendo em vista que o relator e a Turma foram claros ao afirmar a possibilidade de apuração de crédito de PIS e COFINS não cumulativo sobre frete de insumos tributados à alíquota zero, seja no dispositivo do acórdão, na parte preambular da ementa que trata sobre o tema, nas conclusões constantes no corpo do voto, bem como no julgamento, não restam dúvidas de que a Embargante teve o seu crédito reconhecido sobre o tema. 32. A despeito disso, para que a decisão seja efetivamente clara e passível de correto cumprimento, é de rigor que a obscuridade sobre as razões de decidir do tema seja sanada. Em outras palavras, os motivos que levaram a turma a reverter a supracitada glosa devem constar de forma clara no corpo do acórdão embargado para que o direito de defesa da Embargante não seja cerceado. A reclamação, em princípio, merece atenção, pois, na matéria, o acórdão embargado resume-se em citar precedentes que não mencionam o fato de os insumos terem ou não alíquota zero. Transcreve-se: III.2.6 - Fretes sobre Insumos Tributados à Alíquota Zero e de Transferências A Recorrente contesta a glosa sobre os dispêndios com fretes sobre insumos tributados à alíquota zero e de transferências internas. A DRJ manteve a glosa sob o entendimento de que os fretes de mercadorias tributadas a alíquota zero não dariam direito ao crédito. Também menciona a falta de previsão legal para o creditamento dos fretes entre estabelecimentos. Sobre este ponto entendo que assiste razão a Recorrente. A questão dos créditos sobre fretes foi debatida neste CARF, sendo que me alinho a posição do frete dos insumos como sendo atividade de logística essencial para o processo produtivo. Nesse ponto, cito jurisprudência do CARF. CARF, Acórdão n° 9303-008.060 do Processo 13971.908776/2011-03, Data 20/02/2019 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. Geram direito aos créditos da não cumulatividade, a aquisição de serviços de fretes utilizados para a movimentação de insumos e produtos em elaboração no próprio estabelecimento ou entre estabelecimentos do contribuinte. CARF, Acórdão n° 3401-007.377 do Processo 11080.928603/2016-17, Data 17/02/2020 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2014 a 30/09/2014 PIS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas com controle de pragas, fretes de aquisição de insumos tributados sob alíquota zero ou Fl. 1053DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 com tributação suspensa, frete de retorno de mercadoria sob industrialização por encomenda e despesas com ativo imobilizado creditadas extemporaneamente. CONCOMITANCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF N° 01. Consoante determina a Súmula CARF n° 01, haverá concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. Conforme dispõe a referida súmula, nestes casos, a matéria comum não poderá ser conhecida pelo órgão de julgamento administrativo, cabendo a este tão somente analisar a matéria distinta da constante no processo judicial. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com frete entre estabelecimentos do contribuinte relativo ao transporte de produto já acabado não gera créditos de PIS/Cofins, tendo em vista não se tratar de frete de venda, nem se referir a aquisição de serviço a ser prestado dentro do processo produtivo, uma vez que este já se encontra encerrado. Diante do exposto, voto por reverter a glosa sobre o frete dos insumos tributados a alíquota zero, bem como os fretes internos de transferência entre estabelecimentos. Portanto, os autos devem retornar ao colegiado para esclarecer ou integrar a decisão. (...) 4. Conclusão Destaque-se que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos Embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Apenas não se rejeitam os Embargos de plano, posto que não restaram como manifestamente improcedentes. Diante do exposto, com base nas razões acima e com fundamento no art. 65 do Anexo II do RICARF, DOU SEGUIMENTO PARCIAL aos Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, para que o colegiado aprecie as matérias relativas a: -Obscuridade nas razões de decidir sobre o frete de insumos tributados à alíquota zero; -Contradição na parte da ementa que trata sobre frete de insumos tributados à alíquota zero. Considerando que as matérias admitidas para seguimento estão contidas no voto vencido, do relator, e não no voto vencedor, e que o relator não mais compõe o colegiado, encaminhe-se à DIPRO para sorteio entre os conselheiros desta turma. Portanto, as matérias acima indicadas foram admitidas para apreciação dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Enk de Aguiar, Relator. Os embargos são tempestivos e foram admitidos no que tange às seguintes matérias: Fl. 1054DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 Obscuridade nas razões de decidir sobre o frete de insumos tributados à alíquota zero; Contradição na parte da ementa que trata sobre frete de insumos tributados à alíquota zero. Primeiro, apreciando o item (a), já foi transcrito no relatório, através da citação do despacho de admissibilidade dos embargos, como dispôs o acórdão 3201-007.210 que apreciou o recurso voluntário. A apreciação sobre os fretes na entrada de insumos tributados à alíquota zero consta do voto vencido, na decisão em questão. Pela transcrição, é possível verificar que, inobstante o claro acolhimento do recurso voluntário, as razões não ficam esclarecidas, uma vez que se funda em outros acórdãos que não tratam expressamente de insumos não tributados ou expressam alguma motivação. Dessa forma, com base no entendimento ora adotado e na jurisprudência da própria turma (como no acórdão 3201-008.740, de junho de 2021, citado apenas como exemplo), é possível esclarecer o fundamento, a ser acrescentado. Ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições, ou onerado com alíquota zero, os serviços de transporte de um insumo para a empresa, desde que se trate de despesa comprovadamente onerada pela contribuição e arcada por ela, é um serviço essencial à atividade produtiva, a ser tratado de modo independente. Ou seja, tratando-se de um serviço utilizado como insumo deve ser-lhe garantido o crédito integral de PIS ou Cofins com fulcro nos arts. 3º, II, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003. A restrição ao crédito na legislação é apenas para o bem ou serviço não tributado, mas não alcança o serviço de frete a ele relacionado. Cabe registrar que bem recentemente foi aprovada súmula Carf sobre a matéria, na mesma direção do julgado: Súmula nº 188 - É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (publicada a Ata de aprovação no DOU de 27/06/2024). Com relação ao item (b), a redação da ementa atacada foi a seguinte: NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES SOBRE COMPRAS. PRODUTOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativas às compras de produtos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, uma vez que não havendo a possibilidade de aproveitamento do crédito com a aquisição dos produtos transportados, assim, também não o haverá para o gasto com transporte. Há clara confusão ou incongruência, uma vez que provê o crédito, mas o relaciona com o aproveitamento do crédito dos produtos transportados, justamente contra o quê se insurgiu o recurso. Entende-se que a ementa deve ser a seguinte, para manter a intenção do julgado favorável ao contribuinte, nesse ponto: Fl. 1055DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-011.970 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000212/2009-32 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE FRETE. INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO. As despesas de fretes relativas às compras de insumos tributados com alíquota zero das contribuições (PIS e Cofins) geram direito ao crédito no regime não cumulativo, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições (Súmula Carf nº 188). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão com o acréscimos dos fundamentos na forma do voto e substituir a ementa citada pela ementa que consta deste acórdão. (documento assinado digitalmente) Marcelo Enk de Aguiar Fl. 1056DF CARF MF Original

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10621534 #
Numero do processo: 11080.737930/2018-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/08/2013 MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.”
Numero da decisão: 3101-002.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA

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MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.360 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.737930/2018-23 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento, relativo ao Auto de Infração decorrente de multa isolada por compensação não-homologada. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A DRJ julgou a Impugnação improcedente e manteve a aplicação da multa. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual alega, em síntese, a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme ADI nº 4905. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de Notificação de Lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.° 9.430/1996. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não do crédito nos autos do processo administrativo que se discute o crédito, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.° 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: Fl. 189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.360 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.737930/2018-23 3 “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que Fl. 190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.360 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.737930/2018-23 4 inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.° 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 191DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4825142 #
Numero do processo: 10855.000728/00-90
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IPI. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram crédito de IPI as aquisições de insumos não tributados. Impossibilidade de aplicação de alíquota prevista para o produto final ou de alíquota média de produção, sob pena de subversão do princípio da seletividade. O IPI é imposto sobre produto e não sobre valor agregado. Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.528
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FLAVIO DE SÁ MUNHOZ

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ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE - • CONFERE COM ORIGINAL lNSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não • geram crédito de TI as aquisições de insumos não tributados. Brasília, 09-1- 1_1E1_1 v Impossibilidade de aplicação de aliquota prevista para o produto • jitcd final ou de aliquota média de produção, sob pena de subversão Neey Elatisd dos es do princípio da seletividade. O IPI é imposto sobre produto e Mat Siape 91806 não sobre valor agregado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA DE LATICÍNIOS DE SOROCABA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de julho de 2006. 1/?* enri4tie Pinheiro TO.trr."'°' Presidente • Flávio de Sá Munhoz • Relator • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan e Adriene Maria de Miranda. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL 2 CC-MF Ministério da Fazenda , 1j 7 aSegundo Conselho de Contribuintes Brasilia _2 OC I 6 Fl. eProcesso n2 : 10855.000728/00-90 Necy atistarlos Reis Mas. Siape 915116 Recurso n2 : 132.367 Acórdão n2 : 204-01.528 Recorrente : COOPERATIVA DE LATICÍNIOS DE SOROCABA RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por Cooperativa de Latclinios de Sorocaba contra decisão da Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto-SP, que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI formulado pela Recorrente, relativo aos quatro trimestres-calendário de 1999. Os fatos assim descritos no relatório que compõe a decisão recorrida: A empresa em epígrafe peticionou ressarcimento de saldo credor do IPI, relativo aos quatro trimestres do ano de 1999, no montante de R$ 18.181,09, decorrente da aquisição de insumos adquiridos e destinados à fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, com fundamento no art. 11 da Lei n°9.779, de 1999 e IN/SRF n°33, de 1999. 2. O pedido de ressarcimento foi cumulado com pedidos de compensação de fls. 34 e 90, que foram convertidos em declaração de compensação, conforme § 4° do artigo 49 da Lei n°10.637, de 30 de dezembro de 2002. 3. A DRF/SOROCABA indeferiu o ressarcimento, conforme despacho de fls. 98/100 em razão de os insumos terem sido utilizados na fabricação de mercadorias não tributadas (TIPI-N/7) pelo imposto, sendo esta hipótese não elencada no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, não conferindo direito ao aproveitamento dos créditos. 4. O interessado apresentou manifestação de inconformidade de fls. 107 a 112, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, alegando que o parágrafo 3° da IN/SRF n° 33, de 1999, vulnera o princípio constitucional da não-cumulatividade e que o art. 146 do Decreto n°2.637, de 1998 é bastante claro e objetivo ao estabelecer que o direito ao crédito nasce com a entrada dos produtos tributados pelo IPI no estabelecimento. 5. Ao final, pediu que seja deferido o seu pedido de ressarcimento de todos os créditos do IPI citados. 6. É a síntese do essencial. A DRJ em Ribeirão Preto-SP manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. 15k- s 2 's ir..........................-------.........................—...., MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes Brasília Og 1 / 0? / 06 Fl. Processo n2 : 10855.000728/00-90 Neey Eatistalos Reis Nlat ape ,?!Stit) Recurso n2 : 132.367 Si 1.1.....1e~ § imrea..4 Acórdão n2 : 204-01.528 ., Solicitação Indeferida Contra a referida decisão, a Recorrente apresentou o competente recurso voluntário ora em julgamento, no qual ratificou as suas razões. É o Relatório. 4? ./jtio. i , , , , . . 3 , . g. ,‘ • , - . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 2. cc-MF YfrZ.M- Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, .1 3 / O CL / 0-6" FI. .); • itt,--: .4.=>-:.,B,^ • . Processo 1.0 : 10855.000728/00-90 Necy florista dos Reis N:.. : .. . 1 - O 'oit Recurso n2 : 132.367 Acórdão n2 : 204-01.528 .,..: , VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FLÁVIO DE SÁ MUNHOZ i 1 Trata-se de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI apurado em decorrência do lançamento extemporâneo dos créditos relativos à aquisição de insumos não- tributados (Leite Pasteurizado Integral tipo "C" e "B" - classificação fiscal 0401.2090 e Leite UHT - classificação fiscal 0401.2010), conforme relatório da fiscalização de fl. 97. A questão objeto do presente processo, portanto, é relativa ao crédito extemporâneo decorrente da aquisição de insumos não-tributados (NT). O Imposto sobre Produtos Industrializados é regido pelo artigo 153 da Constituição Federal, vazado nos seguintes termos: Artigo 153 - Compete à União Federal instituir imposto sobre: *** IV - produtos industrializados ... Parágrafo 3°- O imposto previsto no inciso IV: II - será não-cumulativo, compensado-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; • O dispositivo acima transcrito, que trata da não-cumulatividade do IPI, estabelece que a compensação do valor do imposto devido em cada operação será procedida com o montante cobrado nas operações anteriores. A não-cumulatividade, em relação ao IPI, não comporta restrição, diferentemente da não-cumulatividade do ICMS, cujo texto constitucional foi alterado pela Emenda Constitucional n° 23/83, que, conferindo nova redação ao art. 23, II da CF/67, assim mitigou o direito ao crédito do tributo estadual: A isenção ou não-incidência, salvo determinação em contrário da legislação, não implicará crédito de imposto para abatimento daquele incidente nas operações seguintes. Referida restrição é clara, de modo a impedir o crédito de ICMS na hipótese de aquisições isentas. Para fins de IPI, não há tal restrição. Importante transcrever as manifestações da melhor doutrina a respeito da não- cumulatividade, ora vista como princípio, ora como regra constitucional. - /() 4 - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL 2 CC-MF • Ministério da Fazenda ; Brasília 09--/ ‘1 Fl.Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 10855.000728/00-90 Necy Bati -ta do. Reis Recurso n2 : 132.367 . Mat Siapc 91806 Acórdão n2 : 204-01.528 J Confira-se a seguir as judiciosas considerações de José Eduardo Soares de Mello e Luiz Francisco Lippo: A não-cumulatividade constitui um sistema peculiar que tem por objetivo regrar a forma pela qual se deverá apurar o montante do imposto devido, em cada uma das etapas de operação de circulação de mercadorias, de algumas prestações de serviços de transportes e de comunicações, e produção de bens (ICMS e 'PI). Já tivemos ocasião de demonstrar, com base na mais qualificada doutrina, que o princípio da não- cumulatividade é norma que possui eficácia plena, porquanto não depende de qualquer outro comando de hierarquia inferior para emanar seus efeitos. O legislador infraconstitucional nada pode fazer em relação a ele, posto faltar-lhe competência legislativa para reduzir ou ampliar o seu conteúdo, sentido e alcance. O Texto Constitucional quando estabelece a regra da não-cumulatividade o faz sem qualquer restrição. Não estipula quais são os créditos que são apropriáveis e quais os que não poderão sê-lo. Pelos seus contornos tem-se que todas as operações que envolvam produtos industrializados, mercadorias ou serviços e que estejam sujeitos à incidência dos impostos federal e estadual, autorizam o creditamento do imposto incidente sobre as operações por ele realizadas, sem qualquer aparte. A norma constitucional, no nosso entender, não dá qualquer margem para as digressões. (José Eduardo Soares de Melo e Luiz Francisco Lippo. "A não-cumulatividade Tributária". São Paulo: Dialética, pg. 128) É importante observar que, inexistindo restrição no texto constitucional, nenhuma outra lei, mesmo de índole complementar, poderá restringir referido princípio. Neste sentido, o Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 212.484-2, reconheceu, de forma inequívoca e definitiva, que há direito a crédito de IPI incidente sobre a aquisição de insumos isentos, em Acórdão assim ementado: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. IPL ISENÇÃO INCIDENTE SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF (art. 153, Parágrafo 3o, II) quando o contribuinte do IPI credita-se do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Recurso não conhecido. (STF — Plenário, RE 212.484-2-PR, Relator para Acórdão Min. Nélson Jobim, DJ 27.11.98.) A interpretação do texto constitucional pelo STF, fixado de forma inequívoca e definitiva, deve ser aplicado pela Administração, conforme estabelece o Decreto n° 2.346/97, nestes termos: Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. 5 • • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 2. CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia, n I a-6- Fl. Processo n2 : 10855.000728/00-90 Necy atista dos Reis Recurso n2 : 132.367 Maz Siape 91806 Acórdão n2 : 204-01.528 Adotando este entendimento, a Eg. Primeira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes, em decisão unânime, reconheceu a possibilidade de creditamento do valor do IPI sobre aquisição de produto dispensado de pagamento por força de isenção, bem como o abatimento do referido valor nas operações seguintes, em respeito ao princípio da não- - cumulatividade do imposto, em decisão assim ementada: IPI — JURISPRUDÊNCIA — É legítima a transferência de crédito incentivado de IPI entre empresas interdependentes. As decisões do Supremo Tribunal Federal, que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto Constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Publica Federal direta e indireta, nos termos do Decreto n°2.346, de 10.10.97. CREDITO DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS — Conforme decisão do STF, RE n° 212.484-2, não ocorre ofensa à Constituição Federal (art. 153, § 3°, II) quando o contribuinte do IPI credita-se do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. É legítima a transferência de crédito incentivado entre empresas interdependentes, se demonstrado. Recurso provido. (Acórdão n° 201-74.051, Relatora Cons. Luiza Helena Galante de Moraes, sessão de 18/1012000) De rigor observar que, no caso de aquisições isentas, o crédito do IPI deverá ser procedido com base na própria aliquota do insumo adquirido em regime de operação isenta (não é o insumo isento, mas sim a operação), tornando efetiva a isenção daquela etapa, evitando-se o chamado efeito recuperação, que implicaria tributação integral na etapa seguinte, cujo direito deve ser reconhecido não em decorrência da aplicação do princípio da não-cumulatividade, mas para dar validade à isenção, de modo a impedir que se transforme em mero diferimento. Assim, deve ser reconhecido o direito ao crédito de IPI decorrente de aquisições isentas, nos termos do que decido em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal. Diversa, no entanto, é a situação versada no presente recurso, no qual a recorrente pleiteia reconhecimento do direito ao crédito de IPI decorrente de aquisições de insumos não- tributados pelo imposto. Primeiramente é importante destacar que aliquota zero e não-tributados se diferenciam de isenção, conforme exposto por Marco Aurélio Greco, em parecer inédito, parcialmente transcrito: Estruturalmente, não há equivalência, pois, nesse plano a isenção implica reunião de duas normas, uma de incidência e outra de isenção que inibe parcialmente os efeitos daquela. Na ai (quota zero há apenas a norma de incidência cujo mandamento é dimensionado a zero para obter o mesmo efeito prático imediato consistente na inexistência de dever de recolher qualquer montante ao Fisco. Apesar dessa diferença, parte da doutrina afirma que isenção e alíquota zero são figuras idênticas, ou que alíquota zero nada mais é do que uma isenção. Para equiparar as figuras, esta postura coloca a tônica na circunstância de não haver um débito a cargo do contribuinte; por esta razão, as figuras seriam juridicamente idênticas.' ' É o que, do ponto de vista lógico, sustenta Pedro Lunardelli, Isenções tributárias, Dialética, São Paulo, 1999, pág. 118. 6 • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF - , X‘ Segundo Conselho de Contribuintes Brasffia 02/3— O 41 / Fl. Processo n2 : 10855.000728/00-90 Necy Ba ista d s Reis Recurso n2 : 132.367 mai Siape 91806 Acórdão n2 : 204-01.528 , Esta visão está focada exclusivamente num aspecto (o efeito patrimonial imediato do instituto) e apóia-se numa visão tipicamente formal do fenômeno jurídico, como se o Direito se resumisse a normas abstratas e não tivesse de conviver com fatos e valores. Pretender focar a análise apenas no efeito patrimonial imediato (que existe em ambas as figuras), conduz a uma confusão de conceitos, pois leva a reunir numa única categoria (a da isenção) todas as figuras que produzam esse efeito. Desta ótica, não haveria critério para distinguir a isenção de outras figuras que lhe estão próximas, mas com ela não se confundem, como por exemplo a não-incidência, ou até mesmo a inexistência de norma ou a simples lacuna do ordenamento. Todas conduzem ao mesmo efeito, qual seja a inexistência de dívida a pagar pelo contribuinte mas nem por isso são idênticas ou equivalentes. Esta posição teórica não encontra respaldo na jurisprudência. Alíquota zero e isenção já foram separadas como figuras inconfundíveis. Basta lembrar a Súmula n. 576 do Supremo Tribunal Federal.' O que as distingue é o caráter não- autônomo e provisório de que se reveste a alíquota zero. Por emanar de um ato do Poder Executivo editado com fundamento na faculdade constitucional de alterar alíquotas, poderá ser modificada a qualquer tempo desde que surjam fatos novos que o justifiquem. Como disse GIUSEPPE SANTANIELLO citado no item 7.2, as alterações de alíquotas são feitas 'com a intenção implícita de modificá-las quando a situação novamente mudar'. Na isenção há manifestação de vontade do legislador de liberar alguém do dever de pagar a exigência. A isenção se vocaciona à definitividade. Na alíquota zero, o Poder Executivo reduz a exigência em função de certas circunstâncias fáticas mutáveis. Daí sua natureza provisória. • Portanto, não são figuras formalmente equivalentes. Funcionalmente, também não são equivalentes. Como exposto anteriormente, o caso concreto não é de uma pura isenção tributária. Ao contrário, estamos diante de um incentivo fiscal viabilizado através de uma isenção. É uma isenção com função de incentivo. A interpretação da figura deve levar em conta este pano de fundo (=o incentivo) e a simples ocorrência de um efeito patrimonial imediato equivalente (=não pagamento) não é razão suficiente para afirmar que alíquota zero e isenção são figuras idênticas. Cumpre também ter em conta o efeito mediato das figuras, pois é ele que, junto com o imediato, compõe o conjunto cujo resultado final é o mecanismo que induz os agentes econômicos a terem a conduta desejada pelo ordenamento jurídico. Ora, o efeito mediato na isenção e na alíquota zero é manifestamente diferente. Realmente, o efeito mediato deve ser desdobrado em duas dimensões: a) uma dimensão tributária; e b) uma dimensão concorrencial, à luz do artigo 40 do ADCT. 2 "576 — É lícita a cobrança do imposto de circulação de mercadorias sobre produtos importados sob o regime de aliquota 'zero". 7 • •,•, MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ministério da Fazenda CONgERE COM O ORIGINAL 2. CC-MFxj---; =te 01-9 Fl. •-:.;` ,kr' Segundo Conselho de Contribuinte Brasília, • Processo n2 : 10855.000728100-90 Necy Batista os Reis Recurso n2 : 132.367 Mat. Siape 91806 Acórdão n2 : 204-01.528 , No plano tributário, a isenção inegavelmente gera direito a crédito para os adquirentes dos respectivos produtos; crédito na dimensão correspondente à alíquota legalmente fixada. Importante destacar, também, que o Supremo Tribunal Federal não concluiu o julgamento da questão relativa ao crédito de IPI decorrente de aquisições não-tributadas e tributadas à alíquota zero, encontrando-se a matéria pendente de julgamento pelo Plenário do referido Tribunal (RE 353.657-PR), sendo que seis dos onze Ministros que compõem aquela Corte proferiram votos contrários ao que sustenta a recorrente, negando o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, e apenas dois Ministros manifestaram entendimento a favor da tese que conclui pela possibilidade de crédito nas aquisições de insumos tributados por alíquota zero com base no percentual da alíquota do • produto final saído produzido pelo estabelecimento industrial. Pela relevância e pertinência ao tema, vale transcrever excertos dos votos proferidos no julgamento em curso, já disponibilizados para publicação: Voto-vista do Ministro Gilmar Mendes: O primeiro traço distintivo está no veículo normativo a autorizar tais favores. No caso da isenção exige-se lei (art. 150, § 6°, CF), enquanto a alíquota zero é estabelecida no âmbito do Poder Executivo, nos limites estabelecidos em lei (art. 153, § 1°, CF). Há outra diferença substancial. Ao contrário da isenção, hipótese de exclusão do crédito tributário, na alíquota zero o crédito tributário existe. Todavia, o que ocorre na alíquota zero é o que poderíamos designar por ineficácia do crédito, tendo em vista que este é quantificado em zero. Não vejo, pelo exposto, qualquer razão constitucional para que se reconheça crédito de IPI para aquele que adquire insumos não-tributados ou sujeitos à alíquota zero". (Voto- vista do Ministro Gilmar Mendes, nos autos do RE n° 353.657-PR, não publicado) Voto-vista da Ministra Ellen Gracie: "Com base nesses argumentos, Senhores Ministros, a primeira conclusão é a de inexistência de identidade entre as situações em que ocorre isenção e alíquota zero. Como a isenção é necessariamente produto de previsão legal, a lei pode autorizar o creditamento ou manutenção do crédito, que será aquele correspondente ao valor que resultaria da aplicação da alíquota fixada para o produto e incidente sobre o seu valor de venda. Nas hipóteses de alíquota zero o percentual é neutro; conseqüentemente a sua aplicação, que é a única possível porque é ela a prevista para aquele produto, não produzirá efeito algum, já que qualquer número multiplicado por zero corresponde a zero, portanto, nem para onerar o produtor com a obrigação de recolhimento nem para beneficiá-lo sob a forma de creditamento ou manutenção de crédito, tal alíquota terá o menor efeito." (Voto-vista da Ministra Ellen Gracie, nos autos do RE n° 353.657-PR, não publicado). 41k7 8 *4, - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ministério da Fazenda CONFER OIE COM ORIGINAL CC-MF - Segundo Conselho de Contribuintes Brasília 1-7 OC1 Fl. » 4 Processo n2 : 10855.000728100-90 Necy Bac sta do. Reis Recurso n2 : 132.367 Mat. Siape 9 806 Acórdão n2 : 204-01.528 Assim, o entendimento do STF a respeito da matéria está se firmando no sentido de que não há direito a crédito nas aquisições de insumos não-tributados ou tributados à alíquota zero pela alíquota da saída, já que o julgamento ainda não foi concluído, mas a maioria dos Ministros que compõem o Tribunal Pleno já votou neste sentido. Vale dizer, ainda, que o reconhecimento do direito de crédito pela alíquota da saída do produto resultante da industrialização inverteria a seletividade, aplicável ao Imposto. Isto porque, quanto menor a essencialidade do produto final, maior a alíquota do IPI. • Tomemos com exemplo a aquisição em regime de tributação à alíquota zero do malte, utilizado em larga escala para a fabricação de farinha, esta também tributada por alíquota zero, em razão de sua maior essencialidade. No processo de produção da farinha, os demais insumos também são tributados por alíquota zero ou não tributados, de modo que, nenhum crédito seria possibilitado, e, portanto, nenhuma redução no custo de fabricação seria facultada, mesmo se aplicada a tese da recorrente. De outro aspecto, o malte, quando utilizado na produção de cerveja de malte (2203.00.00), de acordo com a tese sufragada no presente recurso, permitiria o aproveitamento de créditos em percentual calculado com base na alíquota média de produção, afetada pela alíquota do produto final (80%) e demais insumos tributados progressivamente de acordo com o grau de essencialidade e, diga-se, a título comparativo, que o mesmo malte, quando utilizado no processo de fabricação de destilado uísque (2208.30), tributado pelo lPI pela alíquota de 130%, tenderia comportar crédito ainda maior. O) mesmo raciocínio é inteiramente aplicável aos casos de insumos não-tributados. Há nítida inversão do princípio da seletividade que norteia o IPI, inscrito no § 3 0 , inciso I do artigo 153 da CF/88, assim redigido: § 3 0 O imposto previsto no inciso IV: será seletivo, em função da essencialidade do produto; O IPI não é imposto sobre valor agregado, mas sim imposto real que recai sobre o produto e a regra da não-cumulatividade ao se opera pelo sistema base sobre base (esta sim, própria do IVA derivado do TVA francês, tendente a tributar valor agregado). No lPI, a não- cumulatividade se opera no sistema imposto sobre imposto, de modo a impedir, apenas, que o imposto de etapa anterior componha o valor tributável na etapa seguinte. Marco Aurélio Greco, em parecer intitulado "Alíquota Zero- IPI não é Imposto sobre Valor Agregado'', com apoio nas lições do festejado Alcides Jorge Costa, com argúcia, assim se manifestou: Num país em que o pressuposto de fato do imposto é o valor agregado, a não- cumulatividade tanto pode se operacionalizar "base sobre base" como "imposto sobre imposto", pois ambas são aptas a aferi-10. 4 Porém, na medida em que, no Brasil, o 3 Revista Fórum de Direito Tributário- RFDT n° 8, mar-abr/2004: Editora Fórum, p. 15 Vide ALCIDES JORGE COSTA, op. cit., pág. 26. 9 • 0, -éá MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF Ministério da Fazenda CONeWCOM O ORIGINAL Segundo Conselho de Contribuintes Brasilia / / Fl. Processo n2 : 10855.000728/00-90 Necy Batista os Reis Recurso n2 : 132.367 M Siape 918(16 Acórdão n2 : 204-01.528 ••••••nn•n•••n••n••nnn*"...ara......a.r..a........esnr pressuposto de fato do IPI é a existência do produto industrializado, esta técnica — no plano constitucional — não é concebida para dimensionar valor agregado (por ser realidade fora do pressuposto de fato); visa dimensionar quanto de imposto o contribuinte precisa recolher: se a totalidade que resulta da aplicação da alíquota sobre o valor da sua operação ou se o montante que resultar da dedução do imposto já cobrado em operações anteriores. O foco da norma constitucional não é a base (que indicaria o elemento "agregação"), mas sim a dimensão da dívida do contribuinte (o "imposto"). Por isso, entendo que pretender encontrar na não-cumulatividade um instrumento de viabilização de uma incidência sobre o valor agregado e fazer com que — da perspectiva constitucional — o IPI seja calculado de modo a onerar apenas a parcela de agregação, mediante aferição do valor da entrada versus o valor da saída, é afastar-se do pressuposto de fato do imposto constitucionalmente consagrado e afastar-se da regra do artigo 153, § 3°, II que consagra uma não-cumulatividade "imposto sobre imposto" e não "base sobre base". Atento à possibilidade de cumulatividade do IPI, no viés da incidência de imposto sobre imposto, o legislador reconheceu, na redação do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, o direito à manutenção de crédito do lPI, em situações nas quais, a isenção ou a aliquota zero têm ocorrência em etapa inversa à observada no presente caso, na etapa da saída do produto final. É que, no que interessa, caso a saída a zero ou NT fosse praticada em operação intercalar, seguida de nova etapa tributada, o 1PI estornado relativo à aquisição dos insumos, comporia o valor tributável seguinte, resultando em cumulatividade, ou seja em incidência de imposto sobre imposto. Tal, no entanto, não é a situação dos autos, de vez que a não-tributação está na entrada dos insumos e não na saída dos produtos finais, não alcançada, portanto, pelas disposições da Lei n° 9.779/99. O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 garante a manutenção de créditos de IPI e seu ressarcimento, em casos de aquisições de insumos, independentemente do regime de tributação das saídas, em regime de isenção, não-tributação ou em decorrência de aplicação de aliquota zero. No parecer citado linhas atrás, destacando seu entendimento de que o crédito de zero é zero, assim concluiu Marco Aurélio Greco5: Alterado o ponto de partida da análise, altera-se a conclusão. Ou seja, entendo que, no caso de entradas submetidas ao regime de alíquota zero, não se trata de buscar o conceito de "valor agregado" e construir um critério de aferição da agregação eventualmente ocorrida em determinada etapa. Trata-se de reconhecer que pressuposto de fato do IPI é a existência do produto industrializado e de aplicar a regra da não-cumulatividade imposto sobre imposto prevista na CF/88. 5 Op. cit. P. 16 ":„.2)»7 10 • 11- 410 M MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF inisté rio da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. V'?4,',g"'" Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, , Processo 112 : 10855.000728/00-90 fi.q Recurso n2 : 132.367 Necy Batis a ç d sR ris Siape 9 f Ror, Acórdão n2 : 204-01.528 prevista na CF/88. Disto resulta que — do montante do IPI devido na saída — deve ser deduzido o IPI que incidiu na entrada, calculado mediante aplicação da aliquota legalmente prevista, ou seja zero. Direito ao crédito pelas entradas existe; na dimensão resultante da aplicação da ah-quota sobre a base de cálculo, ou seja, zero. Além do todo exposto, necessário considerar que os créditos do TI guardam proporção com os produtos entrados e não com os produtos saídos, de acordo com as disposições do artigo 49 da Lei n ° 5.172/66 e artigo 25 da Lei n° 4.502/64, registrando-se a ausência de lei que autorize o crédito por alíquota virtualmente calculada com base na média da produção ou por alíquota de saída do produto final. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de julho de 2006 , FLÁVIO DE. SÁ MUNHOZ 11 Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1

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Numero do processo: 18220.720665/2020-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/06/2015, 19/06/2015, 29/06/2015, 30/06/2015 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA. Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. Número da decisão: 3301-012.300 . Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
Numero da decisão: 3401-013.268
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-013.134, de 19 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.732730/2018-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Ana Paula Giglio (Presidente-substituta).
Nome do relator: ANA PAULA PEDROSA GIGLIO

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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA. Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. Número da decisão: 3301-012.300 . Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-013.134, de 19 de junho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.732730/2018-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Ana Paula Giglio (Presidente-substituta). Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.268 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720665/2020-66 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão da DRJ que manteve a multa isolada por compensação não homologada, aplicada com fundamento no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96. Intimado do lançamento, a recorrente impugnou-o, alegando em síntese que a multa é descabida por afrontar o direito constitucional de petição; a apresentação de pedido de compensação ou ressarcimento não pode transformar em punição, sem infração; cita doutrina que entende balizar seu argumento. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, repisando os mesmos argumentos de impugnação. Em síntese, é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF. No entanto, em face do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, com repercussão geral, não conheço das matérias suscitadas no recurso voluntário, adotando, para o presente caso, a decisão deste Excelso Pretório. Sobre o assunto, o voto já proferido nesse CARF: Número do processo: 16682.722795/2016-94 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Número da decisão: 3301-012.300 Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.268 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720665/2020-66 3 Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Ressalta-se, que no julgamento do referido RE, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa isolada, em discussão, nos termos da seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796.939/RS – MULTA ISOLADA/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.268 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720665/2020-66 4 tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca a compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Por sua vez, o art. 98 do RICARF, assim dispõe: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.268 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720665/2020-66 5 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio – Presidente Redatora Fl. 314DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.724963/2017-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 DECADÊNCIA. ART. 150, § 4º DO CTN. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO COM BASE NO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a parte final do §4º do art. 150 do CTN, a contagem do prazo decadencial de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador não se aplica quando “comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Em tais hipóteses, a contagem do prazo decadencial se dá de acordo com o art. 173, I, do CTN, a partir o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES. AUSÊNCIA DE INDEPENDÊNCIA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. Não há qualquer norma societária ou tributária que obrigue a concentração do universo patrimonial de um indivíduo ou de uma sociedade em uma única pessoa jurídica, com a sujeição dos rendimentos consolidados à sistemática do lucro real, por ser esta a mais onerosa do ponto de vista tributário. Evidenciam a existência de simulação na segregação de atividades a ausência de independência operacional, laboral, patrimonial e técnica entre as empresas. Isso não significa que não possa haver o compartilhamento de instalações, equipamentos ou empregados, por exemplo. Mas, sim, que, em havendo compartilhamento de custos e despesas, o seu ônus deve ser devidamente arcado pela empresa que neles incorreu. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS ÀS HIPÓTESES DO ARTIGO 71 DA LEI Nº 4.502/64. OCORRÊNCIA. Tendo a Fiscalização demonstrado a prática de atos dolosos com o objetivo de desviar artificialmente as receitas de uma pessoa jurídica para outras do mesmo grupo econômico, tributadas pela sistemática do lucro presumido e, com isso, impedir o conhecimento pela Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador, caracterizada está a hipótes do artigo 71 Lei nº 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. Deve ser afastada a solidariedade dos sócios e administradores, quando inexistente comprovação de violação de lei, contrato social ou estatutos, e quando inexistente a individualização das condutas em relação a determinados lançamentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1301-006.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência parcial, vencidos o Relator, Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, e os Conselheiros Marcelo José Luz de Macedo e Eduardo Monteiro Cardoso; e, (ii) no mérito, (ii.1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter a autuação fiscal e a qualificação da multa, vencidos, quanto à autuação, o Relator, Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, e o Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo, e quanto à qualificação da multa, o Relator e os Conselheiros Marcelo José Luz de Macedo e Eduardo Monteiro Cardoso; e (ii.2) quanto à responsabilidade tributária, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522, de 2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Lizandro Rodrigues de Sousa, Fernando Beltcher da Silva e Rafael Taranto Malheiros, que lhe negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (documento assinado digitalmente) Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: Não informado

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ART. 150, § 4º DO CTN. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO COM BASE NO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a parte final do §4º do art. 150 do CTN, a contagem do prazo decadencial de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador não se aplica quando “comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Em tais hipóteses, a contagem do prazo decadencial se dá de acordo com o art. 173, I, do CTN, a partir o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES. AUSÊNCIA DE INDEPENDÊNCIA. INOPONIBILIDADE AO FISCO. Não há qualquer norma societária ou tributária que obrigue a concentração do universo patrimonial de um indivíduo ou de uma sociedade em uma única pessoa jurídica, com a sujeição dos rendimentos consolidados à sistemática do lucro real, por ser esta a mais onerosa do ponto de vista tributário. Evidenciam a existência de simulação na segregação de atividades a ausência de independência operacional, laboral, patrimonial e técnica entre as empresas. Isso não significa que não possa haver o compartilhamento de instalações, equipamentos ou empregados, por exemplo. Mas, sim, que, em havendo compartilhamento de custos e despesas, o seu ônus deve ser devidamente arcado pela empresa que neles incorreu. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS ÀS HIPÓTESES DO ARTIGO 71 DA LEI Nº 4.502/64. OCORRÊNCIA. Tendo a Fiscalização demonstrado a prática de atos dolosos com o objetivo de desviar artificialmente as receitas de uma pessoa jurídica para outras do mesmo grupo econômico, tributadas pela sistemática do lucro presumido e, com isso, impedir o conhecimento pela Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador, caracterizada está a hipótes do artigo 71 Lei nº 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DAS CONDUTAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 49 63 /2 01 7- 22 Fl. 3529DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Deve ser afastada a solidariedade dos sócios e administradores, quando inexistente comprovação de violação de lei, contrato social ou estatutos, e quando inexistente a individualização das condutas em relação a determinados lançamentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência parcial, vencidos o Relator, Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, e os Conselheiros Marcelo José Luz de Macedo e Eduardo Monteiro Cardoso; e, (ii) no mérito, (ii.1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário para manter a autuação fiscal e a qualificação da multa, vencidos, quanto à autuação, o Relator, Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, e o Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo, e quanto à qualificação da multa, o Relator e os Conselheiros Marcelo José Luz de Macedo e Eduardo Monteiro Cardoso; e (ii.2) quanto à responsabilidade tributária, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522, de 2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Lizandro Rodrigues de Sousa, Fernando Beltcher da Silva e Rafael Taranto Malheiros, que lhe negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (documento assinado digitalmente) Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Marcelo Jose Luz de Macedo, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Eduardo Monteiro Cardoso e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 12-94.404, proferido pela 3ª Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar improcedente a impugnação do sujeito passivo, para manter o crédito tributário exigido e o Termo de Responsabilidade Tributária em nome de Marco Antônio Rocha Nahas. Fl. 3530DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, complementando ao final: Trata-se de auto de infração para exigência de tributos com os respectivos acréscimos legais (multa de ofício de 150% e juros de mora), referentes aos anos-calendário 2011 a 2014, relacionados no quadro 1. 2 Conforme se lê no termo de verificação fiscal (fls. 827/849), em relação aos anos- calendário em exame, o interessado apurou Lucro Real anual (anos-calendário 2011 e 2014) e trimestral (anos-calendário 2012 e 2013) como forma de tributação do IRPJ e da CSLL. 3 No curso do procedimento fiscal, que se iniciou em 01/04/2016, a autoridade lançadora, conforme relatado no termo de verificação fiscal e na descrição dos fatos do auto de infração, apurou a seguinte infração: 4 O período de apuração e o enquadramento legal da autuação encontram-se descritos às fls. 853/854 (CSLL), fls. 880/881 (Cofins), fls. 893/894 (Pis) e fls. 906/907 (IRPJ). 5 Do Termo de Verificação Fiscal emitido pela autoridade lançadora, extraiu-se a parte conclusiva para melhor entendimento da infração (fls. 848/849): (...) Com todos os fatos e dados apresentados até o momento fica claro que tanto a empresa Coxilha Seguradora Ltda quanto a Carita Intermediação de Negócios Ltda foram usadas por outras empresas do grupo Iesa, no caso, a fiscalizada Iesa Veículos Ltda, para o desvio de parte do seu faturamento/receita com o intuito de reduzir tributos, diminuindo receitas e lucro, lembrando que pelo mapa de relacionamentos societários apresentado na página 02 deste Relatório, todas as empresas aqui envolvidas possuem o mesmo controlador, o Sr. Marco Antônio Rocha Nahas. As constatações descritas neste relatório a respeito da Coxilha: empresa sem funcionários, atividade empresarial básica ligada indissociavelmente à venda de veículos pela Iesa Veículos, uso de funcionários da Iesa Veículos, falta de estrutura física, patrimonial, custos irrelevantes, margem de lucro astronômica, e distribuição de lucros sem aplicação na própria atividade, demonstram que a Coxilha Seguradora nada mais é que um desmembramento contábil das receitas com a comercialização de seguros efetuada dentro da Iesa Veículos, e com a utilização de toda a sua estrutura, visando uma redução drástica da tributação. Os fatos apresentados neste Relatório para a Carita apresentam itens em comum com a Coxilha: localização em estabelecimentos filiais da Iesa Veículos; atividade indissociável da venda de veículos por empresas do grupo Iesa; uso de funcionários da Iesa Veículos; custos irrisórios, margem de lucro elevada e sua distribuição sem aplicação na própria atividade; além do reduzido número de funcionários e período de franca atividade sem funcionários. O diferencial da Carita é receber receitas de outras Fl. 3531DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 empresas do grupo, além da Iesa Veículos. Dessa forma, a Carita Intermediação de Negócios também nada mais é que um desmembramento contábil das receitas com comissões sobre comercialização de financiamentos efetuados dentro das empresas do grupo Iesa. E, como pode ser observado por toda narração deste Relatório, houve a intenção clara e óbvia de redução de tributos com criação de empresas dentro do grupo que servem apenas para receber (desviando) receitas de outras empresas e tributá-las em condições mais favoráveis. Diante dessa constatação, a multa de ofício a ser aplicada nos autos de infração dos diversos tributos será de 150% , conforme o artigo 44, §1º da Lei 9.430/96. (...) 6 Cientificado do auto de infração, em 04/07/2017 (fl. 945), o interessado apresentou impugnação em 01/08/2017 (fls. 954/1001), onde alega, em síntese, que: Omissão de receita 7 – há razão de existir e propósito negocial das empresas Coxilha e Carita, que são independentes, de ramos completamente diversos, que possuem atividades regulamentadas por órgãos específicos, não havendo como fundirem suas receitas com as percebidas unicamente pelo interessado; 8 – não há lógica para afirmar que as empresas Coxilha e Carita existem unicamente para desviar receitas do interessado e tributá-las de forma mais benéfica, uma vez que as receitas da Coxilha e da Carita são ínfimas frente à receita da IESA; 9 – caso a fiscalização não concordasse com algumas despesas constantes em nome do interessado, por entender que tais relacionavam-se com a Coxilha ou com a Carita, deveria, então, ter efetivado a glosa destas no interessado e as transferido para as outras duas empresas, mas não proceder na desconsideração da personalidade jurídica da corretora e da correspondente bancária, como ocorreu no presente caso; 10 – inexistem fatos que comprovem desvio de receitas e simulação de negócio jurídico para aplicação de tributação mais vantajosa; 11 – a fiscalização só poderia afirmar que houve omissão de receitas no interessado em razão do desvio de parte de seu faturamento para a Coxilha e para a Carita, se houvesse comprovado que efetivamente não se concretizaram materialmente as operações de venda de seguro e os serviços de intermediação de negócios por essas pessoas jurídicas; 12 No tópico “Existência de Propósito Negocial das Empresas Coxilha e Carita” (e-fls. 959/989), o interessado detalha as operações realizadas por essas pessoas jurídicas, no intuito de comprovar a materialidade das operações por elas realizadas e o cumprimento de todos os requisitos formais necessários para sua existência. 13 Além dos argumentos anteriores, o interessado sustenta em sua defesa que: Nulidade 14 – a autuação lavrada incorre em erro formal, que implica sua nulidade absoluta, uma vez que não há fundamentação legal que sustente a desconsideração da personalidade jurídica de fato praticada pela Fiscalização contra as empresas Coxilha e Carita; 15 – a autuação é nula, pois houve erro material devido à falta de fundamentação legal que autorize a desconsideração da personalidade jurídica da Coxilha e Carita; 16 – é requisito essencial do Auto de Infração a referência à “disposição legal infringida”, nos termos do inciso IV, do art. 10 do Decreto nº 70.235/72; 17 – a autuação lavrada não trouxe uma prova para embasar a acusação de que as empresas Coxilha e Carita existem unicamente para desviar faturamento do interessado; Fl. 3532DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 18 – mesmo sem utilizar tal nomenclatura, a fiscalização está afirmando que o interessado teria simulado ou dissimulado a existência de duas empresas com o único intuito de reduzir sua tributação; 19 – embora não tenha sequer citado o art. 116 do CTN, o que a fiscalização pretende com a autuação é desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados sob o fundamento de que se dissimulou a ocorrência de fato gerador; Decadência 20 – há decadência parcial da autuação, referente ao período de 2011 a junho de 2012, pois a ciência do lançamento ocorreu em 04/07/2017; 21 – em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação – como é o caso do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em que o contribuinte apura o montante devido e realiza o seu recolhimento –, deve ser aplicado o prazo de cinco anos (art. 150 § 4º CTN), entendimento que já foi, inclusive, consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo; 22 – no presente caso não se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que não foi comprovado e muito menos se verifica fraude, dolo ou simulação na conduta do interessado; Juros de mora sobre multa de ofício 23 – de acordo com a legislação pátria e com a pacífica jurisprudência do Carf, não é possível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; 24 – nos termos do art. 161 do CTN, sobre o valor devido a título de tributo incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de qualquer medida sancionatória que possa incidir cumulativamente sobre o débito. Isto é, tanto a multa quanto os juros incidem apenas sobre o “débito” tributário; 25 – somente incidiriam juros de mora sobre a multa de ofício quando esta fosse lançada de modo isolado, vez que o art. 61 da Lei 9.430/1996, que trata sobre o lançamento do crédito tributário, institui regime diferente para quando estas duas parcelas são exigidas em conjunto; Multa duplicada 26 – não há que se falar em aplicação de multa qualificada, no percentual de 150% do tributo apurado; 27 – o único fundamento da fiscalização para aplicação de multa em percentual tão elevado foi a afirmação de que houve a intenção de redução de tributos com a criação de empresas que servem apenas para receber (desviando) receitas de outras empresas e tributá-las em condições mais benéficas; 28 – uma vez que não restaram comprovados tais fatos, incabível é a autuação, mas caso assim não se entenda, ao menos deve ser reduzida a multa ao percentual de 75%, eis que não houve efetiva comprovação do intuito de fraude. 29 O interessado transcreve excertos de decisões administrativas e judiciais, acosta aos autos documentação trazida com a impugnação (documentos identificados – fl. 1.001) e encerra requerendo: 30 – a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 31 – o cancelamento da autuação, uma vez que pautada em premissa equivocada; 32 – a exclusão do seu sócio, Sr. Marco Antônio Rocha Nahas, do polo passivo da autuação, uma vez que não comprovado dolo ou evidente intuito de fraude em sua conduta, requisitos indispensáveis para sujeição passiva solidária; 33 – a anulação da autuação lavrada, eis que eivada de vícios formais; 34 – o reconhecimento da decadência quanto ao ano de 2011 e aos meses de janeiro a junho de 2012; Fl. 3533DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 35 – subsidiariamente, que seja reduzida a multa aplicada para o percentual de 75% sobre o tributo apurado; 36 – subsidiariamente, que seja afastada a incidência dos juros sobre a multa. 37 Na qualidade de sujeito passivo por responsabilidade tributária (fls. 946/949), Marco Antônio Rocha Nahas, cientificado do auto de infração, em 04/07/2017 (fl. 949), apresentou impugnação em 01/08/2017 (fls. 3.148/3.155), onde acrescenta, em síntese, que: 38 – não houve comprovação de fraude nas operações narradas pela fiscalização, o que implica o afastamento da responsabilização do impugnante; 39 – não existe um fato independente e imputável à pessoa física. 40 – o art. 135, III, do CTN, utilizado pela fiscalização, afirma que só poderão ser responsabilizados os representantes de pessoas jurídicas que efetivamente agirem com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, devendo haver comprovação de tais fatos para que possa ocorrer a responsabilização; 41 – no presente caso, tais provas da atuação pessoal da pessoa física não foram produzidas, não havendo como se manter a responsabilização solidária do impugnante. 42 – a simples divisão das atividades em empresas diversas, pertencentes a um mesmo grupo, desde que com substrato econômico, não é ilegal; 43 – as empresas foram criadas em momentos diferentes e espaçados no tempo - IESA em 1992, Carita em 2007 e Coxilha em 2011; 44 – as empresas pertencem a ramos diferentes e regulados por legislações próprias (Lei Ferrari, SUSEPE e BACEN), apresentam estruturas, fornecedores, consumidores e objetivos diferentes, além de mostrarem curvas de crescimento diferentes, que estão aumentando mais acentuadamente ao longo dos últimos anos justamente nas empesas Coxilha e Carita; 45 – ante a ausência da comprovação da existência de fraude no presente caso, é incabível a aplicação de multa qualificada, ao percentual de 150%; 46 – não é possível a atribuição da responsabilidade pessoal ao Diretor em conjunto com a responsabilidade da pessoa jurídica; 47 – a solidariedade da sujeição passiva prevista no artigo 124, II, do CTN, não pode ser cumulada com a responsabilização pessoal do art. 135, III, do CTN, tendo em vista as naturezas distintas dessas formas de responsabilização; 48 – a responsabilidade do art. 135, III, do CTN, é de natureza pessoal; 49 – a responsabilidade prevista no artigo 124, II, do CTN, é solidária, isto é, não faz parte dessa hipótese legal, a análise das condutas da pessoa. O responsável solidário substitui o principal para o adimplemento da obrigação. 50 – nessa linha de raciocínio, não são cumuláveis a atribuição de responsabilidade solidária com a atribuição de responsabilidade pessoal. Isso porque a pessoa é “responsável por seus atos” ou é responsável pelos atos de outrem. 51 O impugnante, na qualidade de responsável tributário, transcreve ementas/excertos de decisões administrativas acosta aos autos documentação trazida com a impugnação (documentos identificados – fl. 3.156) e encerra requerendo: 52 – a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em debate, nos termos do art. 151, III, do CTN; 53 – a sua exclusão do polo passivo da autuação; 54 – a anulação da autuação lavrada, eis que eivada de vícios formais que impõem a sua nulidade. 55 A localização nos autos das principais peças do processo está identificada no quadro 2. Fl. 3534DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 56 É o relatório do essencial. Na sequência, foi proferido o acórdão recorrido, que julgou improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente, em consonância com a legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 DECADÊNCIA. PARECER PGFN CAT/1.617/2008. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, quando há pagamento antecipado do tributo. Na inexistência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SÓCIO-ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 OMISSÃO DE RECEITA. DESLOCAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL. INDÍCIOS CONVERGENTES. É cabível a exigência dos tributos se não elididos os fatos que lhe deram causa. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, entre os quais se inclui a multa de ofício, incidem juros de mora. MULTA QUALIFICADA. Fl. 3535DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 É cabível a multa por infração qualificada (duplicação do percentual da multa de 75%), quando configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta seus argumentos.. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Análise do Recurso Voluntário Síntese dos Fatos Trata-se de lançamentos de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS, COFINS), referentes aos anos-calendário de 2011 a 2014, lavrados com base na alegada pulverização da receita bruta total, que teria implicado redução da tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Em decorrência, as bases de cálculo foram recalculadas com base no lucro real. Em conformidade com o termo de verificação fiscal, foram constituídas duas pessoas jurídicas, Coxilha Seguradora Ltda (Coxilha) e Carita Intermediação de Negócios Ltda (Carita), utilizadas no “grupo Iesa”, notadamente, pelo interessado, para o desvio de parte do seu faturamento/receita com o intuito de reduzir a base de cálculo dos tributos ora em exigência. Além de as referidas pessoas jurídicas pertencerem ao mesmo controlador (Marco Antônio Rocha Nahas – consultar e-fl. 828), outras características, descritas no item III (Dos Fatos Constatados) do termo de verificação fiscal (e-fls.830/842), convenceram a autoridade lançadora da ocorrência da infração apurada, que em síntese se referem à: Coxilha (corretora de seguros) (i) pessoa jurídica sem funcionário que, para se manter ativa, utilizou os funcionários do interessado; (ii) atividade empresarial básica ligada indissociavelmente à venda de veículos pelo interessado; Fl. 3536DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 (iii) falta de estrutura física e patrimonial; (iv) custos irrelevantes e margem de lucro astronômica, com distribuição de lucros sem aplicação do resultado na própria atividade. Carita (intermediação de negócios) (i) localização em estabelecimentos filiais do interessado; (ii) atividade empresarial indissociável da venda de veículos por pessoas jurídicas do “grupo Iesa”; (iii) uso de funcionários do interessado; (iv) custos irrelevantes e margem de lucro elevada, com distribuição de lucros sem aplicação do resultado na própria atividade; (v) reduzido número de funcionários e período de franca atividade sem funcionários. Tais fatos permitiram a autoridade lançadora concluir que as pessoas jurídicas Coxilha e Carita nada mais eram do que um “desmembramento contábil das receitas” de seguro e de intermediação de financiamento de veículos decorrentes de operações comerciais efetuadas dentro do interessado e do “grupo Iesa”. A fiscalização emitiu ainda o Termo de Responsabilidade Solidária contra a o sócio da empresa Recorrente, o Sr. Marco Antônio Rocha Nahas, com fundamento no art. 135, do CTN, e nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, que tratam sobre a ocorrência de fraude e sonegação fiscal. O contribuinte e o responsável tributário, após notificados, apresentam, em separado, as respectivas impugnações, com o intuito de rebater as conclusões a eles impostas. Aduz a empresa-autuada que essas conclusões foram construídas a partir de indícios fracos e plenamente justificáveis, e que a fiscalização não considerou inúmeros outros fatos e argumentos que as invalidam. Seus argumentos podem ser assim sintetizados: i) há razão de existir e propósito negocial das empresas Coxilha e Carita, que são independentes, de ramos completamente diversos, que possuem atividades regulamentadas por órgãos específicos, não havendo como fundirem suas receitas com as percebidas unicamente pelo interessado; ii) não há lógica para afirmar que as empresas Coxilha e Carita existem unicamente para desviar receitas do interessado e tributá-las de forma mais benéfica, uma vez que as receitas da Coxilha e da Carita são ínfimas frente à receita da IESA; iii) caso a fiscalização não concordasse com algumas despesas constantes em nome do interessado, por entender que tais relacionavam-se com a Coxilha ou com a Carita, deveria, então, ter efetivado a glosa destas no interessado e as transferido para as outras duas empresas, mas não proceder na desconsideração da personalidade jurídica da corretora e da correspondente bancária, como ocorreu no presente caso; iv) inexistem fatos que comprovem desvio de receitas e simulação de negócio jurídico para aplicação de tributação mais vantajosa. v) a fiscalização só poderia afirmar que houve omissão de receitas no interessado em razão do desvio de parte de seu faturamento para a Coxilha e para a Carita, se Fl. 3537DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 houvesse comprovado que efetivamente não se concretizaram materialmente as operações de venda de seguro e os serviços de intermediação de negócios por essas pessoas jurídicas. No tópico “Existência de Propósito Negocial das Empresas Coxilha e Carita” (e-fls. 959/989), o interessado detalha as operações realizadas por essas pessoas jurídicas, no intuito de comprovar a materialidade das operações por elas realizadas e o cumprimento de todos os requisitos formais necessários para sua existência. Além dos argumentos anteriores, o interessado sustenta em sua defesa que: i) Nulidade. A autuação lavrada incorre em erro formal, que implica sua nulidade absoluta, uma vez que não há fundamentação legal que sustente a desconsideração da personalidade jurídica de fato praticada pela Fiscalização contra as empresas Coxilha e Carita; ii) Decadência. Há decadência parcial da autuação, referente ao período de 2011 a junho de 2012, pois a ciência do lançamento ocorreu em 04/07/2017; iii) Multa qualificada. Não há que se falar em aplicação de multa qualificada, no percentual de 150% do tributo apurado. O único fundamento da fiscalização para aplicação de multa em percentual tão elevado foi a afirmação de que houve a intenção de redução de tributos com a criação de empresas que servem apenas para receber (desviando) receitas de outras empresas e tributá-las em condições mais benéficas. Como não restaram comprovados tais fatos, deve ser reduzida a multa ao percentual de 75%, eis que não houve efetiva comprovação do intuito de fraude. Por sua vez, o sujeito passivo por responsabilidade tributária, Marco Antônio Rocha Nahas, apresentou impugnação, onde acrescenta argumentos atinentes à sua exclusão do polo passivo da autuação. Apresentadas as referidas impugnações, sobreveio a decisão de 1ª instância, mantendo integralmente a autuação, utilizando-se, em síntese as seguintes conclusões: i) necessidade de constituir pessoas jurídicas distintas para o desempenho das atividades de venda, corretagem de seguros e intermediação de financiamento de veículos, em razão de dispositivos normativos específicos dessas atividades; (ii) ao fato de ser ínfima a receita operacional das pessoas jurídicas Coxilha e Carita em comparação ao interessado, o que afastaria a conclusão da autoridade lançadora sobre o desvio de receitas; (iii) à existência de contrato de locação em nome da Carita; (iv) e, por fim, ao entendimento de que a glosa de despesa seria o procedimento mais adequado em vez de se adicionar as receitas dessas atividades ao resultado fiscal do interessado. Para chegar a tais conclusões, a decisão fez uma análise conjunta da Coxilha e da Carita, não atentando às especificidades de cada empresa, além de afirmar que o lucro das 3 empresas é semelhante, embora o seu faturamento seja diverso, o que demonstraria que houve intensão única e exclusiva de reduzir a tributação quando da constituição das 3 empresas. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por seu provimento, onde apresenta em síntese os seguintes argumentos: 1) As 3 empresas são independentes e reguladas por órgãos próprios, e embora não haja vedação para que uma única pessoa jurídica explore as 3 atividades, não há obrigação Fl. 3538DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 legal e lógica na exploração e especialização das 3 atividades por uma única empresa, pois tal conduta não daria a eficiência buscada ao negócio; 2) Não há como “realocar as receitas” da Coxilha e da Carita para a IESA, como fez a autoridade fazendária, se não houver a desconsideração da personalidade jurídica das empresas. E, como o próprio Julgador reconheceu (parágrafo 62) a desconsideração da personalidade jurídica tem requisitos legais. E tais requisitos não foram respeitados no presente caso; 3) O Julgador diz que não realizou a desconsideração da personalidade jurídica, mas apenas “requalificou atos realizados pelo contribuinte” (parágrafo 118). Ora, para requalificar atos e realocar receitas de uma empresa para outra EVIDENTEMENTE que se está desconsiderando toda a estrutura legal dessa empresa. Ou seja, se está fazendo uma desconsideração da personalidade jurídica na prática; 4) Há concretude dos negócios jurídicos realizados pelas 3 empresas, o que se comprova documentalmente, não havendo que se falar em disfarce ou simulação de negócios no único intuito de alcançar redução fiscal; 5) A Coxilha e a Carita são empresas distintas, com realidades diversas, que devem ser analisadas separadamente, e não em conjunto, como fez a fiscalização e a decisão em debate; 6) Embora a Coxilha tenha se utilizado dos funcionários e do espaço físico da IESA durante determinado período, essa realidade jamais se verificou na Carita, e a decisão trata das duas empresas como se a realidade delas fosse a mesma; 7) A Carita sempre possuiu estrutura física própria, com contrato de aluguel e funcionários registrados, o que se comprova documentalmente, e o fato de possuir um sócio que faz parte também do quadro societário da IESA não denota qualquer irregularidade, como faz crer a autuação e a própria decisão recorrida; 8) O fato de ter ocorrido um equívoco pontual em relação ao rateio de despesas entre a IESA e a Coxilha não é suficiente para de se adicionar as receitas das atividades da Coxilha ao resultado fiscal da IESA; 9) As atividades desenvolvidas pela Coxilha não se resumem apenas à venda de seguro-automóveis, comercializando também seguro-residência e trabalhando com renovações e endossos, o que comprova a separação de suas atividades daquelas desenvolvidas pela IESA; 10) A Coxilha possui diversos contratos de seguros-automóvel referentes a veículos de marcas diversas das comercializadas pelo grupo, comprovando a sua dissociação dos negócios realizados pela IESA; 11) A maior parte da receita da Coxilha não advém da venda de seguros novos, mas sim pelas renovações, o que não possui relação com a venda de veículos novos pela IESA; 12) Se a atividade da Coxilha fosse indissociável da IESA, não teria como o crescimento da Coxilha ser de 186% entre 2011-2014 enquanto que a IESA cresceu apenas 15% no mesmo período; 13) As receitas pagas à Coxilha e à Carita são de fontes pagadoras que jamais realizariam pagamento à IESA, não havendo que se falar em transferência de receitas, como pretende a autuação e a decisão proferida. Ademais, ao atacar os fundamentos da decisão recorrida, a recorrente que: Fl. 3539DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 i) Quanto à alegação de que não haveria necessidade de constituir pessoas jurídicas distintas para desenvolvimentos de atividades diversas, serão demonstradas, no Tópico VII, as razões legais e estruturais para a tomada dessa decisão pelo contribuinte; ii) Quanto à afirmação de que as receitas operacionais da Coxilha e da Carita são baixas em relação à IESA, o que caracterizaria desvio de receitas, será demonstrado, nos Tópicos V, VI e VII, que são concretos os negócios jurídicos realizados, não havendo que se falar em desvio de receitas para tributação mais vantajosa; iii) Quanto à locação da Carita, será demonstrado no Tópico VII, item B, que consta nos autos cópia do contrato de locação em nome da empresa, bem como comprovado que as receitas deste aluguel foram levadas à tributação pela IESA, não havendo que se falar em qualquer irregularidade; iv) E por fim, será demonstrado no tópico IV e VII - itens A e B, que jamais poderia a autoridade fiscal ter adicionado receitas da Carita e da Coxilha à IESA, por ausência de requisitos para desconsideração da personalidade jurídica e porque as receitas percebidas pela Carita e Coxilha não tem qualquer relação com a atividade desenvolvida pela IESA. E conclui: Assim, seja pelos falsos argumentos ou porque a decisão não analisou pontos cruciais, não merece prosperar tanto a autuação quanto a decisão proferida, razão pela qual se requer sejam detidamente analisados os pontos a seguir, juntamente com todos os documentos trazidos aos autos neste momento e também quando da apresentação da impugnação, desconstituindo-se integralmente a autuação. DECADÊNCIA PARCIAL – NOTIFICAÇÃO EM 04/07/2017 E SUPOSTOS FATOS GERADORES DATADOS DE 01/2011 a 06/2012 O Auto de Infração em discussão abrange as competências referentes ao anos- calendário de 2011 a 2014. A notificação da Recorrente quanto à autuação lavrada, entretanto, deu-se apenas no dia 04/07/2017, sendo assim, parte do crédito atingido pela decadência. Veja- se. À evidência, os períodos referentes ao ano de 2011 e aos meses de janeiro a junho de 2012 não podem mais ser cobrados pela Fiscalização, pois o seu direito encontra-se atingido pela decadência, eis que já transcorridos mais de 5 (cinco) anos desde a ocorrência dos reputados fatos jurídicos tributários, sem que a autoridade fiscal tenha realizado o lançamento de qualquer diferença recolhida a menor. O critério a ser adotado, no caso em tela, para a contagem do prazo decadencial, encontra respaldo legal no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Isso porque a Recorrente informou e pagou os valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao ano de 2011 e aos meses de janeiro a junho de 2012. A Fiscalização, por sua vez, não se manifestou contrária à apuração e quitação realizadas durante o prazo correspondente aos 5 (cinco) anos seguintes, tendo esgotado, portanto, o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, com o que se deu a homologação tácita dos pagamentos realizados. Deve-se ter claro em mente que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação – como é o caso do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em que o contribuinte apura o montante devido e realiza o seu recolhimento –, deve ser aplicado o prazo de cinco anos (art. 150 § 4º CTN), entendimento que já foi, inclusive, consolidado pelo Superior Fl. 3540DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo, conforme se pode depreender da ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE. ART. 151, V, DO CTN. 1. Ausente a violação ao art. 535, do CPC, quando a Corte de Origem expressamente se manifesta a respeito dos artigos de lei invocados. Ademais, o Poder Judiciário não é obrigado a efetuar expresso juízo de valor a respeito de todas as teses levantadas pelas partes, bastando proferir decisão suficientemente e adequadamente fundamentada. 2. SE HOUVE PAGAMENTO ANTECIPADO POR PARTE DO CONTRIBUINTE, O PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO PELO FISCO DE EVENTUAIS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO É DE CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR, CONFORME ESTABELECE O § 4º DO ART. 150 DO CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006 p. 111; e EREsp. n. 101.407/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000. 3. Se não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, desde que não se tenha constatado a ocorrência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicando-se o art. 173, I, do CTN. Precedente representativo da controvérsia: REsp. n. 973.733 - SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009. 4. Em ambos os casos, não há que se falar em prazo decenal derivado da aplicação conjugada do art. 150, §4º, com o art. 173, I, do CTN. 5. O art. 151, V, do CTN, estabelece que suspende a exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar ou tutela antecipada. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1033444/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 24/08/2010) Assim, nos casos do art. 150, § 4º do CTN (lançamento por homologação), em que haja lançamento de ofício, como ocorreu no presente caso, tal ato é mera consequência da existência ou não de divergências entre os valores informados e pagos pelo contribuinte, relativamente àquilo que o Fisco entende devido. Havendo lançamento de ofício, entende-se que o pagamento foi parcial, segundo a compreensão da Fazenda Pública. Assim, fato é que, tal pagamento, será sempre insuficiente quando a Fazenda discordar dos valores declarados pelo contribuinte, o que não enseja, contudo, o afastamento da aplicação do art. 150, § 4º do CTN. E não se venha dizer que no presente caso possa-se aplicar o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que não foi comprovado e muito menos se verifica fraude, dolo ou simulação na conduta da Recorrente, conforme será adiante analisado, nos tópicos específicos. Fl. 3541DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Dessa forma, diante das considerações expostas, dada a evidência da decadência referente ao ano de 2011 e aos meses de janeiro a junho de 2012, há de se excluir do presente lançamento este período. DO MÉRITO A primeira questão de mérito que deve ser verificada diz respeito à existência ou não de simulação no fato de haver segregação de atividades entre três pessoas jurídicas, todas existentes, e com sócios comuns. Perfilho do entendimento de que tal fato, por si só, não comprova de que se trata de simulação, pois o simples desmembramento de atividades não caracteriza ato ilícito. Não há obrigação legal e lógica na exploração e especialização das 3 atividades por uma única empresa, pois me parece razoável a justificativa de que tal conduta não daria a eficiência buscada ao negócio; O direito de se auto-organizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta-se o entendimento de que se trata de simulação. “Simular” significa disfarçar uma realidade jurídica, encobrindo uma que é efetivamente praticada, ou que não existe, ou melhor, é aparentar algo que não existe. Assim, para que determinada operação seja considerada simulada (art. 167, I, do Código Civil 1 ), devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. Segundo a fiscalização, teria havido desvio de receitas da IESA para as empresas Coxilha e Carita, no único intuito de aplicar tributação mais vantajosa. A decisão recorrida adota este mesmo entendimento, quando afirma, no parágrafo 125, que “o que se verifica é que houve transferência de receitas do interessado para as pessoas jurídicas Coxilha e Carita”, Segundo a decisão, a IESA “utilizou-se de uma sociedade de passagem que se encontra em situação tributariamente mais favorável com o único intuito de deslocar a base tributável para essa sociedade e consequentemente, reduzir a tributação incidente sobre as receitas de seguros e de intermediação de financiamentos”. Assim, tanto o Agente Fiscal quanto a decisão proferida afirmaram, em suma, que a Recorrente estava simulando a realização de negócios jurídicos pela Coxilha e pela Carita, eis que o buscado pela Recorrente seria, efetivamente, “desviar” receitas percebidas pela IESA para poder tributá-las de forma mais benéfica. Ocorre que a Fiscalização só poderia afirmar que o procedimento adotado não é autorizado pelo ordenamento jurídico ou que houve o desvirtuamento dos atos praticados, se houvesse comprovado que efetivamente não se concretizaram materialmente as operações de venda de seguro e os serviços de intermediação de negócios pela Coxilha e pela Carita, respectivamente. 1 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem. II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados Fl. 3542DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Tanto a Coxilha quanto a Carita não se caracterizam por empresas que existem apenas formalmente, sendo uma pessoa jurídica de passagem, como afirma a decisão recorrida, em seu parágrafo 125, uma vez que realizam negócios jurídicos concretos, os quais são materialmente comprovados, não havendo dúvida quanto à efetiva existência e operação das empresas. Veja-se análise individualizada de cada uma dessas empresas: A) Coxilha Corretora De Seguros Ltda Segundo o fisco, não haveria razão para a existência da empresa Coxilha, pois todas as operações por ela praticadas seriam desenvolvidas pela IESA Por outro lado, a defesa relaciona uma série de requisitos que devem ser cumpridos para que a atividade de corretagem de seguros se desenvolva, os quais estão previstos na Lei nº 4.594/1964, no Decreto-Lei nº 73/1966 e na Circular SUSEP nº 510, de 22 de janeiro de 2015, E, conclui, todos eles são incompatíveis com a atividade de concessionária de veículos. Com efeito, extrai-se dos artigos 1º, 2º e 3º 2 da referida Circular SUSEP, para que se possa praticar a atividade de corretagem de seguros, é necessária autorização legal e registro junto à Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. E mais, para que a empresa corretora de seguros tenha registro junto à SUSEP, é obrigatório que em seu ato constitutivo, estatuto ou contrato social, tenha sido nomeado como administrador técnico da sociedade um corretor de seguros registrado na SUSEP, conforme o art. 9º, § 1º da Circular SUSEP 510/2015: Art. 9.º(...) § 1.º É obrigatório constar do ato constitutivo, estatuto ou contrato social do corretor de seguros pessoa jurídica que o administrador técnico seja corretor de seguros registrado na Susep, cabendo-lhe o uso do nome da empresa, relativamente aos atos de corretagem e aos documentos encaminhados à Susep. Para que o corretor de seguros pessoa física, que deve ser o administrador técnico da empresa corretora de seguros, tenha registro junto à SUSEP, é necessário que possua habilitação e certificação para tanto, a qual é obtida mediante a realização de cursos e provas, conforme previsto no art. 3º, §§ 1º e 3º da mesma Circular: Art. 3.º O requerimento de registro de que trata o artigo anterior deverá ser efetuado por meio de formulário contendo dados cadastrais do corretor de seguros e 2 Art. 1.º O registro e as atividades de corretagem de seguros, de capitalização e de previdência realizadas no país ficam subordinadas às disposições desta Circular. § 1.º O corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariar e promover contratos de seguro entre as sociedades seguradoras e o público consumidor em geral e seu registro obedecerá às instruções estabelecidas na presente Circular. (...) Art. 2.º Cabe à Superintendência de Seguros Privados – Susep conceder o registro para o exercício da atividade de corretagem de seguros, de capitalização e de previdência. (...) Art. 3.º O requerimento de registro de que trata o artigo anterior deverá ser efetuado por meio de formulário contendo dados cadastrais do corretor de seguros e declarações, e ser encaminhado por meio digital, por intermédio do sítio eletrônico da Susep na rede mundial de computadores. (...) § 2.º Tratando-se de corretor de seguros, pessoa jurídica, o requerimento a que se refere o caput deverá ser acompanhado de cópia digitalizada do ato constitutivo, contrato ou estatuto social, devidamente arquivado no registro competente. Fl. 3543DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 declarações, e ser encaminhado por meio digital, por intermédio do sítio eletrônico da Susep na rede mundial de computadores. § 1.º Tratando-se de corretor de seguros, pessoa física, o requerimento a que se refere o caput deverá ser acompanhado de cópia digitalizada do comprovante de aprovação no Exame Nacional de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou no Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros, promovido pela Funenseg ou por outra instituição autorizada pela Susep, referente aos ramos requeridos. (...) § 3.º A Funenseg e as instituições autorizadas a promover o Exame Nacional de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou o Curso de Habilitação TécnicoProfissional para Corretor de Seguros deverão disponibilizar para a Susep a relação definitiva dos aprovados nos Exames e Cursos que promoverem, no prazo máximo de até 10 (dez) dias úteis, da expedição definitiva da relação de aprovados, informando o nome e o número do Cadastro de Pessoas Físicas – CPF. Assim, para desenvolver a atividade de corretagem de seguros, não basta que uma empresa simplesmente resolva incluir em seu rol de atividades a corretagem de seguros, é necessário que ela cumpra requisitos, além de possuir autorização da SUSEP e habilitação mediante aplicação de exame específico a corretor de seguros (pessoa física) já registrado, o qual deve ser o seu administrador técnico. Mas as obrigações legais da empresa corretora de seguros continuam. No art. 4º da Circular, existe a obrigação quanto ao nome empresarial a ser adotado pela corretora de seguros, sendo obrigatório constar a expressão “corretor (a) de seguros” ou “corretagem de seguros”. E conforme o Decreto-lei nº 73, em seu art.124, e o art. 19 da Circular SUSEP 510, as comissões de corretagem devidas pelas empresas seguradoras em razão da corretagem de seguros só são pagas ao corretor de seguros devidamente habilitado: Decreto-lei nº 73 Art. 124. As comissões de corretagem só poderão ser pagas a corretor de seguros devidamente habilitado. Circular SUSEP nº 510 Art. 19. As comissões de corretagem só podem ser pagas ao corretor de seguros devidamente habilitado e registrado que houver assinado a proposta, não podendo haver distinção entre corretor de seguros pessoa física ou pessoa jurídica para efeito de pagamento de comissão. A IESA iniciou suas atividades em 1992, enquanto que a Coxilha iniciou suas atividades apenas em abril de 2011. Pelo raciocínio da Fiscalização e da decisão proferida, a criação da Coxilha teria o único intuito de desviar receitas da IESA, uma vez que todas as atividades da Coxilha teriam sido realizadas pela própria concessionária. Contudo, para que a IESA, uma concessionária de veículos, pudesse praticar a atividade de corretagem de seguros, seria necessário que fizesse as seguintes alterações em seu contrato social e estrutura, o que justifica, talvez, ausência de indicação de que estas mesmas receitas consideradas omitidas pela fiscalização (no período autuado) fossem auferidas pela empresa interessada, IESA. Veja-se as alterações obrigatórias: - registro e habilitação junto à SUSEP; - contratação de corretor de seguos habilitado e registrado junto à SUSEP, o qual deveria constar nos atos constitutivos da IESA como seu administrador técnico; Fl. 3544DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 - alteração de sua denominação empresarial de “IESA Veículos Ltda.” para “IESA Veículos e Corretora de Seguros Ltda.” Sendo IESA uma empresa familiar, administrada pela família Nahas , para que ela pudesse operar no ramo de corretagem de seguros, teria que incluir em seu contrato social um corretor de seguros como administrador técnico, pessoa que não seria de seu núcleo familiar. Além disso, seria necessário impor a um corretor de seguros dar aporte financeiro para entrar em uma sociedade (IESA) constituída há quase 20 anos antes da criação da Coxilha, e com patrimônio próprio e sólido, ao que também me parece. Diga-se mais, seria incluso no contrato social da IESA - uma concessionária de veículos Renault – um administrador técnico que é corretor de seguros e que não tem qualquer experiência no ramo de concessionárias. Não me parece razoável. Porém, o que tem franco e claro “propósito negocial”, é a criação de uma pessoa jurídica específica para desenvolver a atividade de corretagem de seguros, cujo sócio e administrador técnico seja pessoa habilitada para o desenvolvimento de tal atividade. E, pelo que se vê dos autos, é justamente essa a realidade verificada na Coxilha, na qual o sócio e administrador técnico, o Sr. Carlos Pinheiro Viana, que não parece ter qualquer vínculo com a família Nahas, é corretor de seguros habilitado, e, principalmente, não tem nenhuma intenção de ser sócio dos outros negócios da família, principalmente o negócio de venda de veículos. O fato de um dos sócios da IESA ser também um dos sócios da Coxilha não faz com que as atividades praticadas pela IESA sejam as mesmas desenvolvidas pela Coxilha, muito menos denota que houve a criação da Coxilha simplesmente para desviar receitas da IESA e obter tributação mais vantajosa, principalmente quando as atividades desenvolvidas pelas duas empresas são tão distintas e necessitam de autorizações legais tão específicas quanto se verifica no presente caso. Logo, penso que a Fiscalização adotou interpretação equivocada, quando impôs à IESA as receitas provenientes de empresa corretora de seguros, cujas receitas não teriam sequer como adentrar nas contas na Recorrente, uma vez que as comissões só são pagas a corretor de seguros, característica que a IESA não possui e atividade que efetivamente não desenvolve! Com relação ao compartilhamento de funcionários entre a IESA e a Coxilha, e o rateio dessas despesas, a defesa não impugna o fato da IESA ter cedido funcionários para a Coxilha, em certo período, aduzindo, porém, que mantinha em sua contabilidade um centro de custo para controle de tais despesas, incorrendo em equívoco quanto ao rateio. Na sequência, advoga que este fato não retirar a condição de entidades autônomas e independentes, e lembra que a própria fiscalização, à fl. 9 do Relatório de Ação Fiscal (fl. 835 dos autos), afirma que “nos tempos atuais, é comum que empresas compartilhem espaço físico e até funcionários sem perder a condição de entidades autônomas e independentes, existindo, no entanto, o reconhecimento das despesas em comum com o uso de alguma forma de cálculo ou rateio”. Também compartilho com este entendimento. O fato de compartilharem o mesmo espaço físico e até funcionários, não pode, em absoluto, justificar a alegação de que se trate de um único negócio, vez que inexiste qualquer ilegalidade nesta conduta, quando se observa a atividade desenvolvida pelas empresas em questão. Fl. 3545DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 A coincidência de endereços decorre do propósito de reduzir custos e aumentar a segurança nas atividades desenvolvidas, sendo, inclusive, como disse a própria fiscalização, prática de mercado. Enfim, sobre este tópico, penso que o melhor seria a glosa de tais despesas na contabilidade da IESA, e não a transferência das receitas da Coxilha para a IESA. Um outro argumento utilizado pela fiscalização, consiste em sua constatação de que “a maior parte” das receitas auferidas pela Coxilha decorre da corretagem de seguros automotivos, o que denota, no seu ponto de vista, que a atividade desenvolvida pela Coxilha seria indissociável da IESA. Sobre este ponto, após compulsar os autos, encontro acostados desde à impugnação, mais de 500 páginas de documentos destinados à comprovar que, na verdade, diferentemente do apontado no Auto de Infração, a maior parte dos negócios desenvolvidos pela Coxilha não têm relação direta com a Recorrente IESA. Conforme se verifica das diversas apólices juntadas aos autos (fls. 1409 e seguintes dos autos), a Coxilha possui seguros referentes a veículos de marcas diversas, concorrentes da Renault (marca representada pela IESA), o que denota que a atividade desenvolvida pela Coxilha não é indissociável da IESA, não sendo verdadeira a afirmação fiscal. Assim, o que se deve ter em mente é que, embora possa a Coxilha vender seguros para clientes da IESA no momento da venda de um automóvel, a Coxilha não fica restrita apenas a esse tipo de operação, sendo que sua receita mais relevante, inclusive, sequer decorre da venda de seguros novos. De fato, a Coxilha não trabalha apenas com seguro de automóveis, mas atua também em outros ramos, como residência e empresarial (patrimônio e vida). Somente por este fato já se demonstra a independência entre as empresas, pois, caso sua atividade estivesse atrelada unicamente à IESA, ela jamais atuaria em ramos de seguro patrimonial, residência e vida, pois, por óbvio, ninguém iria até uma concessionária de automóveis contratar um seguro de vida! Conforme se verifica das apólices constantes em anexo a impugnação, a Coxilha possui diversos contratos firmados referentes a seguro residencial e de vida, o que se pode verificar nas fls. 2388 e seguintes dos autos. Além disso, a maior parte das receitas auferidas pela Coxilha não decorre da VENDA de seguros automotivos, mas sim da RENOVAÇÃO e do ENDOSSO de apólices de seguro, o que não tem qualquer relação com a atividade de venda de veículos realizada pela IESA. A renovação de seguros ocorre quando o período pela qual estava vigente a apólice do seguro chega ao fim, e é necessário renová-lo por novo período. Quando isso ocorre, o cliente da Coxilha tem contato diretamente com os funcionários da Coxilha, seus corretores, a fim de fazer cotação, verificar as condições para renovação, etc. Essa operação, portanto, não tem relação direta com a venda de veículos pela IESA, uma vez que sequer se está diante de operação de venda de veículo, mas de operação totalmente diversa: a renovação do seguro de um automóvel que já é de propriedade de cliente da Coxilha, e não da IESA. Fl. 3546DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Ademais, para que se pudesse afirmar que a Coxilha está sendo utilizada para desviar receitas da concessionária IESA, deveriam os fornecedores da IESA realizarem pagamento à Coxilha! Seria o caso, por exemplo, dos produtos fornecidos pela própria montadora Renault, que quando vendidos a consumidores finais, geram a maior parte da receita da IESA (pois ainda existem as receitas de prestação e serviços de manutenção de automóveis), estar realizando pagamentos à Coxilha. Mas essa não é a realidade que se verifica. O que se tem comprovado pela própria Fiscalização é que a receita da Coxilha advém apenas de pagamentos a ela efetuados por seguradoras, que sequer poderiam realizar tais pagamentos a IESA, por vedação legal expressa! frise-se: os pagamentos realizados à coxilha somente poderiam ser efetivados a ela – corretora de seguros – não havendo como se falar em desvio ou desmembramento de receitas da IESA, como afirma a fiscalização. Veja-se que não há aqui promiscuidade de receitas, em que uma empresa recebe as receitas que claramente são decorrentes das atividades desenvolvidas por outra empresa. Não! O que se verifica é a Coxilha recebendo pagamento de seus próprios fornecedores, e não de fornecedores da IESA. E, por sua vez a IESA recebendo os pagamentos de seus fornecedores. Não há confusão patrimonial!! Dessa forma, claro está que a autuação não merece prosperar também quanto a esse ponto, eis que demonstrado está que as atividades desenvolvidas pela IESA e pela Coxilha não se confundem, bem como há perfeita concretização dos negócios jurídicos, não havendo como se falar em simulação de operações, desvio de receitas ou mero desmembramento contábil de faturamento com o único intuito de obter tributação mais vantajosa, como afirma a autuação. B) Carita Intermediação De Negócios Ltda. Especificamente à Carita, a decisão expõe suas razões nos parágrafos 87 a 91, onde afirma que: (i) a Carita tem localização em estabelecimentos filiais da IESA; (ii) a atividade empresarial da Carita é indissociável da venda de veículos por pessoas jurídicas do “grupo IESA”; (iii) a Carita usa funcionários da IESA; (iv) a Carita possui custos irrelevantes e margem de lucro elevada, com distribuição de lucros sem aplicação do resultado na própria atividade; (v) a Carita possui reduzido número de funcionários e período de franca atividade sem funcionários. No parágrafo 161, afirma ainda que o contrato de sublocação do espaço que utiliza não teria sido juntado aos autos, bem como seria prova frágil, pois (i) teria sido assinado pelo Sr. Marco Nahas, mesmo sócio administrador da IESA e (ii) não teria sido demonstrado que a receita oriunda da sublocação de imóvel pela IESA teria sido escriturada e oferecida à tributação. Primeiramente, inexistem provas nos autos, no sentido de evidenciar que a empresa Carita utilizou-se de funcionários da IESA, bem como não teve período de franca atividade sem funcionários. Fl. 3547DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Além disso, diferentemente do que afirma a decisão recorrida, o contrato de sublocação encontra-se juntados aos autos, conforme se pode verificar das fls. 3119 a 3122 dos autos. Destaca-se que o fato de o contrato ser assinado pelo Sr. Marco Nahas, e ele ser sócio de ambas as empresas não consiste em nenhuma irregularidade, eis que nosso ordenamento jurídico permite que uma pessoa seja sócia de mais de uma empresa, ainda mais quando se trata de um grupo empresarial, como ocorre no presente caso. Ora, em ambas as empresas o sócio administrador pode ser o mesmo, o que justifica o fato de ambos os contratos serem assinados pelo Sr. Marco Nahas. Ora, o contrato social de ambas as empresas dá poderes ao Sr. Marco para tanto, não podendo tal conduta ser tomada como indício de sonegação ou fraude, como pretende a decisão ora em debate. Por fim, vale consignar que as receitas decorrentes da sublocação, percebidas na IESA, foram devidamente escrituradas e oferecidas à tributação, conforme se pode verificar dos documentos juntados em recurso. Destaca-se que a juntada de documentos quando da interposição do recurso justifica-se, inclusive, por ter finalidade de contrapor argumento que não continha na autuação, mas foi trazido aos autos pela decisão proferida. Veja-se que no parágrafo 161, a decisão afirma que não houve comprovação de que a receita oriunda da sublocação do imóvel foi oferecida à tributação pela IESA. Diante dessas razões apresentadas, independentemente de quaisquer outros fundamentos, se justifica a apresentação de documentos nesse momento processual, eis que situação prevista no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto 70.235/72: Art. 16.(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Ademais, além dos pontos já referidos, ainda há muitos outros que merecem atenção em relação à Carita. Confira-se: Operação realizada: correspondente bancário – a Carita é uma extensão dos bancos no atendimento aos que necessitam de financiamento A defesa faz um longo arrazoado para demonstrar a autonomia e independência da Carita. Adoto suas considerações neste voto, como razões complementares de decidir. Passo a transcrição: A fim de demonstrarmos a higidez, autonomia e independência da Carita na execução das suas atividades, primeiramente é necessário entender a operação desenvolvida. Conforme se pode verificar dos contratos assinados pela Carita com as instituições financeiras que representa, constantes nos autos (fls. 2886 e seguintes), o objeto da atividade desenvolvida pela empresa é de CORRESPONDENTE BANCÁRIO, e como tal, ela se sujeita às normas do BACEN, constantes em sua Resolução nº 3.954. Fl. 3548DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 O correspondente bancário é uma pessoa jurídica que atua como agente intermediário entre as entidades bancárias/financeiras e os clientes particulares, prestando uma ampla variedade de serviços para as instituições bancárias e financeiras, sendo verdadeiros “braços” do banco junto aos particulares. Conforme prevê o art. 2º16 da Resolução BACEN 3.954, o correspondente atua sob as diretrizes do seu contratante, por sua conta e sob sua responsabilidade. Por força de tal disposição, nos contratos de correspondência bancária, há diversas obrigações impostas pelas instituições financeiras aos correspondentes, tais como: (i) identificações e informações a serem prestadas aos clientes em painéis visíveis mantidos nos estabelecimentos do correspondente, (ii) garantia de acesso do Banco Central aos contratos firmados com os particulares, (iii) observação do plano de controle de qualidade do atendimento, (iv) realização de cursos e exames de certificação da Febraban para seus colaboradores, etc., conforme se pode verificar das obrigações estabelecidas nos contratos juntados aos autos (fls. 2886 e seguintes dos autos). Ademais, é importantíssimo o fato de que funcionários das instituições financeiras representadas pelo correspondente bancário ACOMPANHAM o serviço prestado, instalando-se dentro do estabelecimento do correspondente (Carita) para auxiliá-lo e supervisionar as operações realizadas. Assim, o que se verifica, na prática, é que o correspondente bancário acaba por ser uma extensão da própria instituição financeira que representa, prestando os serviços por ela oferecidos, nos mesmos moldes, e sob a sua supervisão e responsabilidade. No presente caso, as operações ocorrem de forma semelhante tanto na Coxilha quanto na Carita. Quando o vendedor da IESA recebe um cliente que deseja adquirir um veículo mediante financiamento, ele informa ao cliente os serviços de financiamento oferecidos pela sua correspondente bancária parceira, a Carita, a fim de que o cliente possa optar em contratar com a Carita e obter esse tipo de serviço. Veja-se que o cliente da IESA não é obrigado a contratar os serviços da Carita para poder adquirir um veículo Renault mediante financiamento; ele pode ter um financiamento com seu próprio banco ou com outro correspondente bancário, não havendo uma obrigação de contratação de serviços de financiamento da Carita para aquisição do veículo. Trata-se de uma parceria: se o cliente optar por utilizar os serviços da parceira da IESA - a Carita - poderá utilizá-lo; se não, adquirirá o veículo à vista ou mediante financiamento realizado com outra instituição financeira ou outro correspondente. Na prática, a relação existente entre a Carita e a IESA é muito semelhante às parcerias firmadas entre as imobiliárias e os correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo. Quando uma pessoa dirige-se até uma imobiliária para adquirir um imóvel mediante financiamento, muitas das imobiliárias já possuem um correspondente da CEF parceiro, que auxilia na obtenção de um financiamento imobiliário para compra daquele imóvel. A lógica aqui é a mesma: a IESA possui uma parceria comercial com a Carita. A fim de facilitar a venda de veículos, que muitas vezes é realizada mediante a utilização de um financiamento bancário, firmou-se uma parceria com a Carita, que presta esse serviço aos clientes da IESA. Entretanto, embora as operações realizadas – a venda do veículo e o serviço de financiamento – tenham como destino o mesmo público, elas são realizadas por empresas distintas, de ramos diferentes, não havendo como fundir as operações e as receitas por ela obtidas. Quanto a esse ponto, veja-se quão equivocado está o raciocínio da Agente Fiscal. À fl. 11 do Relatório de Ação Fiscal, a autuação assim afirma: Fl. 3549DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 “Quando se observa o funcionamento do mercado de venda de automóveis, se constata que o financiamento e o arrendamento mercantil são operações intrinsecamente relacionadas à comercialização de veículos. Ou seja, só haverá a operação financeira se houver a venda do veículo ao consumidor. Torna-se mais claro ainda que essas operações financeiras se originam em revendas de veículos e são parte indivisível da comercialização do veículo quando se verifica que a comissão pela intermediação paga pela instituição financeira faz parte do valor a ser financiado pelo adquirente.” Ora, as premissas da Fiscalização estão inteiramente equivocadas. Primeiramente, porque a atividade de financiamento e comercialização de veículos são perfeitamente divisíveis, pois pode-se comprar um veículo sem se utilizar de qualquer financiamento, o que denota claramente a sua independência. Em segundo, afirmar que é a concessionária IESA quem realiza efetivamente as operações de financiamento disponibilizadas pela Carita - pois é somente a partir da venda de veículo que ocorre o financiamento –, é o mesmo que dizer que a Caixa Econômica Federal desenvolve atividades do ramo imobiliário, pois é só a partir da venda de um imóvel que surge a possibilidade de existência de um financiamento imobiliário. Admitir isso seria um absurdo! De igual modo, não há como manter-se a afirmação feita pela Fiscalização, pois segue exatamente esse raciocínio ilógico e irreal. Veja-se, ainda, que o fato dos sócios da Carita serem os mesmos sócios da IESA não denota que as empresas praticam as mesmas atividades, mas apenas que elas fazem parte do mesmo grupo empresarial, o que jamais foi negado pela Recorrente. Ocorreu que os sócios da IESA, no desenvolvimento de suas atividades, verificaram que havia um nicho de negócio que poderia ser explorado, qual seja: a correspondência bancária para venda de financiamento de veículos. Em razão dessa constatação, decidiram estruturar um novo negócio, no ramo de correspondência bancária, criando, para tanto, uma pessoa jurídica específica, que permite a obtenção de melhores condições e taxas junto aos bancos e financeiras, bem como otimiza as atividades praticadas pela empresa. NÃO HÁ qualquer VEDAÇÃO legal para criação de empresa específica para o ramo de correspondência bancária, bem como NÃO HÁ OBRIGAÇÃO legal para que a concessionária de veículos pratique esse tipo de atividade. E a empresa não pode ser punida por ter exercido uma faculdade legal! Note-se que a Lei nº 6.729/1979, conhecida como Lei Ferrari, que dispõe sobre a concessão comercial entre produtores e distribuidores de veículos automotores, quando trata das atividades que podem ser promovidas pelos concessionários, em seus arts. 3º e 4º, inclui o arrendamento mercantil e planos de financiamento: Art . 3º (...) § 3º É facultado ao concessionário participar das modalidades auxiliares de venda que o concedente promover ou adotar, tais como consórcios, sorteios, arrendamentos mercantis e planos de financiamento. Art . 4º Constitui direito do concessionário também a comercialização de: (...) Parágrafo único. Poderá o concessionário ainda comercializar outros bens e prestar outros serviços, compatíveis com a concessão. Percebe-se que a legislação faculta ao concessionário a possibilidade de prestar serviços que sejam compatíveis com a concessão, ficando a seu encargo a decisão de prestar ou não tais serviços. Fica claro que o concessionário pode optar por prestar outros serviços além da concessão, mas PODE, também, OPTAR POR NÃO PRESTÁ-LOS, preferindo ter uma empresa parceira ou, ainda, sequer tê-los à disposição de seus clientes. Ora, é no mínimo razoável que uma concessionária de veículos não queira ser, também, uma correspondente bancária. Fl. 3550DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 E essa recusa pode ter vários fundamentos, como as inúmeras obrigações assumidas perante os bancos e instituições financeiras, pelas cláusulas leoninas constantes nos contratos firmados com qualquer banco ou, simplesmente, por não querer misturar atividades distintas em uma única pessoa jurídica. Não se deve esquecer que existe o princípio constitucional da livre iniciativa, prevista no art. 1º17 da Constituição Federal, o que garante a todos os cidadãos explorarem a atividade econômica que assim lhes convir, desde que respeitados os limites legais. E aqui não se está diante de qualquer desrespeito a preceitos legais. Ao verificar um nicho de mercado, os sócios do grupo IESA decidiram criar empresa para explorar novo setor econômico, além do ramo de concessionárias de veículos por eles já desenvolvido. Qual a irregularidade nisso? Nenhuma! Ora, o simples fato de haver tributação mais vantajosa nas receitas auferidas pela empresa não é razão para alegação de simulação ou descaracterização da personalidade jurídica. Essa é a direção adotada no seguinte julgado da CSRF, confira-se: EMENTA: OMISSÃO DE RECEITAS. ACUSAÇÃO DE OPERAÇÕES SIMULADAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. É do Fisco o ônus da prova de que a contribuinte incorreu em omissão de receitas mediante simulação de operações envolvendo empresas situadas em paraísos fiscais. Diante da inexistência de provas, sequer indiretas de que os recursos saíram dessas empresas e ingressaram na autuada de alguma forma, a acusação fiscal não se sustenta. (...) Outro fato para a realização de um negócio jurídico, com a intenção de realização efetiva desse negócio jurídico, ainda que desse negócio, como ocorre no presente caso, importe em uma economia tributária em relação aos interessados. Realidade outra haveria se estivéssemos a tratar de um negócio que apenas formalmente existia, sem a sua concretização material. Não é o caso, pois temos como premissa o fato de que, substancialmente, as intermediações realmente ocorreram (...) (CARF – Câmara Superior de Recursos Fiscais – Processo nº 11020.003681/2009-92 – Acórdão 9101-01.402 – Sessão de 17 de julho de 2012) Se fosse criada empresa de fachada, em que restasse comprovado que não se realiza operações, existindo apenas formalmente, com o único intuito de desvio de receitas para obtenção de tributação mais vantajosa, aí sim se estaria diante de operação com claro impedimento legal, o que não poderia ser admitido. Contudo, não é essa a realidade que se verifica no presente caso! Ademais, com relação à alegação fiscal de que de que os lucros da Carita são todos distribuídos entre os seus sócios, não sendo utilizados para fomento da atividade, compreendo que tal alegação (ou constatação) não pode ser utilizada como prova de que a empresa existe no mero intuito de desvio de receitas da IESA, uma vez que não há qualquer vedação legal quanto a isso, muito menos obrigação legal de que os lucros auferidos pela pessoa jurídica sejam utilizados para fomento da atividade desenvolvida. Ora, é faculdade dos sócios deliberarem a respeito dos lucros da empresa que representam, podendo distribuí-los, retê-los ou aplica-los dentro da própria empresa. No presente caso, houve a opção pela distribuição da maior parte dos lucros aos sócios, o que não é e nem pode ser utilizado como prova de que se está diante de empresa sem propósito negocial ou de uma simulação de operações. Assim, não há como manter-se a autuação fiscal, uma vez que faltam provas de inexistência efetiva de realização de negócio jurídico ou de que se está diante de negócio meramente formal, sem concretização material. Fl. 3551DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 - Existência de funcionários registrados na Carita no período autuado, bem como de espaço físico próprio para o desenvolvimento de suas atividades Nos dizeres da Fiscalização e da decisão proferida, a Carita seria empresa sem funcionários, bem como estaria localizada em estabelecimentos filiais da IESA, o que deixaria claro que sua existência nada mais é do que um desmembramento contábil das receitas da IESA. Ocorre que tal afirmação está equivocada. De acordo com os autos, desde a sua criação, e durante todo o período autuado, a Carita sempre possuiu registro de funcionários próprios, em seu nome, sem qualquer relação com a IESA. Conforme se pode verificar dos registros e folhas de pagamento do período autuado (fls. 2922 e seguintes dos autos), a empresa sempre contou com gerentes, atendentes e vendedores registrados em sua contabilidade. Ainda que no início de suas atividades o número de funcionários fosse reduzido, o que é perfeitamente normal e corriqueiro no mercado, a empresa jamais operou sem funcionários. E quanto ao espaço físico utilizado pela Carita, embora a sua sede, no período autuado, ficasse localizada no mesmo prédio em que se localiza uma das filiais da IESA, o seu aluguel sempre foi objeto de contrato e pagamentos firmados diretamente pela Carita, possuindo estrutura própria para o desenvolvimento de suas atividades, o que é facilmente verificado pelos contratos de aluguel firmados, bem como pelos comprovantes de pagamento destes no período autuado, juntados autos às fls. 3119 e seguintes. Note-se que a própria Fiscalização, à fl. 9 do Relatório de Ação Fiscal (fl. 835 dos autos), afirma que “nos tempos atuais, é comum que empresas compartilhem espaço físico e até funcionários sem perder a condição de entidades autônomas e independentes, existindo, no entanto, o reconhecimento das despesas em comum com o uso de alguma forma de cálculo ou rateio”. Ora, se é reconhecida a autonomia e independência das empresas quando tais compartilham o espaço físico e até funcionários, mas há o rateio das despesas, quiçá no presente caso, em que sequer é necessário o rateio de despesas, uma vez que as empresas possuem funcionários próprios e arcam com sua própria despesa referente ao aluguel! Dessa forma, concluo que a recorrida agiu segundo a lei, não havendo que se falar em segregação ilegal de suas atividades e muito menos em pulverização dolosa de receitas, inexistindo a alegada sociedade de passagem para propiciar a redução da tributação incidente, vez que os fatos provam a licitude da organização societária perpetrada e a autonomia jurídica, laboral e patrimonial das sociedades envolvidas. Concluo também, como base nas evidências acima, ter sido preservado o princípio da Entidade. Tal princípio professa a verdade intuitiva e jurídica de que o patrimônio da entidade, objeto de contabilização, tem de estar completamente separado do patrimônio de seus sócios ou acionistas. Tal separação, por evidente, afeta também os patrimônios de pessoas jurídicas distintas, ainda que possuam quadro societário idêntico, como ocorre no caso aqui em espeque. Com efeito, não vejo provas de que o referido princípio tenha sido desrespeitado. Não houve confusão patrimonial entre as empresas em questão ou mistura no reconhecimento de receitas, custos e despesas, ressalvado o equívoco do critério de rateio de despesas, como acima restou evidenciado. Fl. 3552DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Estes fatos demonstram, em minha ótica, que o princípio da Entidade não foi violado, seja porque não há confusão patrimonial entre as empresas, seja porque existem de fato, cada qual operando independente uma da outra, ainda que, segundo o Fisco, exercendo a mesma atividade ou complementares. Assim, na esteira dessas considerações, despiciendo analisar o Termo de Responsabilidade Passiva Solidária. Como foi vencido até aqui, prossigo na análise dos argumentos do Contribuinte: A MULTA DE 150% DEVE SER REDUZIDA PARA 75%, POIS NÃO CARACTERIZADA A FRAUDE Como restou demonstrado, não há qualquer indício de fraude ou simulação nas operações realizadas pelas empresas autuadas. Logo, também não há que se falar em aplicação de multa qualificada, no percentual de 150% do tributo apurado. Veja-se que o único fundamento da Fiscalização para aplicação de multa em percentual tão elevado foi a afirmação de que houve a intenção de redução de tributos com a criação de empresas que servem apenas para receber (desviando) receitas de outras empresas e tributá-las em condições mais benéficas. Uma vez que não restaram comprovado tais fatos, incabível é a autuação, mas como restei vencido no mérito, ao menos deve ser reduzida a multa ao percentual de 75%, eis que não houve efetiva comprovação do intuito de fraude. O entendimento do CARF é no sentido de que a única justificativa para aplicação de multa no percentual de 150% é a comprovação minuciosa do intuito de fraude, conforme lemos: MULTA QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – O lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Inadmissível a qualificação da multa de ofício sobre a diferença do imposto de renda exigido, calculado sobre a receita declarada, originariamente tributada pelo contribuinte com base no lucro presumido, e posteriormente arbitrada em vista da desclassificação da escrituração contábil, por imprestável. A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em conta-corrente bancária caracteriza falta simples de presunção de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. (CARF – Processo nº 11020.002639/2001-05 – Acordão nº 101.94.258) Dessa forma, deve ser reduzida a multa aplicada ao percentual de 75% do tributo apurado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA AO SÓCIO MARCO ANTÔNIO ROCHA NAHAS Fl. 3553DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 No mesmo procedimento fiscal, a Autoridade Fiscal arrolou como sujeito passivo e responsável tributário solidário o sócio da empresa, o Sr. Marco Antônio Rocha Nahas, com fundamento no art. 135, do CTN, e nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, que tratam sobre a ocorrência de fraude e sonegação fiscal. Alega o recorrente, Marco Antônio Rocha Nahas, na qualidade de responsável tributário, que não houve comprovação de fraude, assim como não existiu um fato independente e imputável à pessoa física, o que afasta a responsabilização tributária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Além disso, sustenta que não é possível a atribuição de responsabilidade pessoal ao Diretor em conjunto com a responsabilidade da pessoa jurídica, visto que o art. 124, II, e art. 135, III, ambos do CTN tratam de situações distintas e incompatíveis (solidariedade e responsabilidade de tereceiros). Por sua vez, a decisão recorrida manteve “o sócio-administrador, Sr. Marco Antônio Rocha Nahas, na qualidade de responsável tributário pelo crédito tributário objeto do lançamento ora em análise, tal qual constou no auto de infração e no Termo de Responsabilidade Tributária (fls. 852 e 946/949)”. Confira-se trechos de interesse: 179 As provas coletadas pela autoridade lançadora demonstraram a prática de sonegação e fraude, definidas nos artigos 71 e 72, ambos da Lei nº 4.502, de 1964, como já descrito nos itens precedentes, notadamente, quando da análise da “omissão de receita” e da “multa qualificada”. 180 No que tange a alegada falta de fato imputável à pessoa física, é importante lembrar que a infração que deu origem ao lançamento decorre de omissão de receita constatada em razão da transferência artificial de receitas de corretagem de seguros e de intermediação de financiamentos para as pessoas jurídicas Coxilha e Carita. 181 Assim, a causa inicial da omissão de receita surge com a criação de tais pessoas jurídicas. Nesse contexto, a autoridade lançadora concluiu, com base nos documentos acostados aos autos, que o sócio-administrador, Sr. Marco Antônio Rocha Nahas, participou da criação dessas pessoas jurídicas que integram o grupo empresarial sob controle do recorrente, conforme se lê na motivação constante do item Responsabilidade Tributária do auto de infração a seguir transcrita (fl. 852): o sócio-administrador, Sr. Marco Antônio Rocha Nahas, também sócio controlador e administrador das pessoas jurídicas sócias da fiscalizada no período, Cebreiro Participações e FNI Corretora, participou da criação de empresas dentro do grupo empresarial do qual ele é o controlador: Carita Intermediação de Negócios e Coxilha Seguradora, para desvio de receita operacional de outras empresas do grupo de forma que houvesse uma incidência menor de tributação cujos resultados foram transferidos para distribuição de lucros, ficando caracterizada a sujeição passiva solidária dos termos do art. 135, III, da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) 182 Nesse ponto, é imperioso afirmar que o recorrente não apresentou elementos capazes de refutar tal constatação. 183 A pessoa jurídica é uma ficção da lei e, portanto, não é capaz de implementar ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus sócios, administradores, diretores, gerentes e representantes, os quais demonstram capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta responsabilidade. 184 A infração apurada no curso do procedimento fiscal revelou a prática de atos com intuito de burlar a legislação tributária, visando reduzir a base tributável, como já Fl. 3554DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 descrito anteriormente, o que configurou ato praticado com excesso de poder e infração de lei atribuído ao sócio-administrador ora recorrente. Pois bem. Como restou evidenciado, a autuação ora em debate parte de presunção equivocada, de que a empresa teria incorrido em fraude e sonegação e, por conseguinte, atribui- se a responsabilização pessoal ao Sr. Marco Nahas. Ocorre que, conforme acima demonstrado, inocorreu fraude ou sonegação fiscal no caso, uma vez que não há sequer uma prova de que as empresas Coxilha e Carita não realizam negócios jurídicos concretos ou que foram criadas unicamente para desviar receitas da IESA e tributá-las de forma mais benéfica. E sem a verificação da efetiva existência de tais institutos, não há como se admitir a desconsideração das pessoas jurídicas de fato, como ocorreu no caso em tela, muito menos a responsabilização pessoal do seu sócio, uma vez que não há qualquer amparo legal para tanto. Compreendo que para que estivesse apta a imputar tal conduta ao seu sócio da interessada, a Fiscalização deveria comprovar o intuito de fraude do Sr. Marco Nahas - a ocorrência do dolo específico. Caberia demonstrar e comprovar, ainda, quais foram as ações específicas praticadas por ele para que a suposta fraude fosse cometida. Deveria comprovar que ele teria sido, sim, o efetivo beneficiário dessa suposta fraude, ou, minimamente, comprovar o seu animus em fraudar o sistema tributário. Veja-se que o art. 135, III, do CTN, utilizado pela Fiscalização como fundamento para imputação da responsabilidade solidária do Recorrente, afirma que só poderão ser responsabilizados os representantes de pessoas jurídicas que efetivamente agirem com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, devendo haver comprovação de tais fatos para que possa ocorrer a responsabilização. Ora, como o sócio administrador atua em favor de terceiro (a sociedade), é necessário que autoridade fiscal demonstre o ato ilícito praticado pela pessoa física (pessoalidade de sua conduta), e não apenas o ato ilícito praticado pela empresa. O próprio Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral, decidiu a matéria nos seguintes termos, ocasião em que também tratou do art. 124 do Código Tributário Nacional: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A Fl. 3555DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão-somente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplica-se o art. 543-B, § 3º, do CPC. (RE 562276, Relator(a): ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-027 DIVULG 09-02-2011 PUBLIC 10-02- 2011 EMENT VOL-02461-02 PP-00419 RTJ VOL-00223-01 PP-00527 RDDT n. 187, 2011, p. 186-193 RT v. 100, n. 907, 2011, p. 428-442) Portanto, a lei desloca a responsabilidade pelo pagamento do tributo àqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica apenas quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, devendo haver a prática pessoal do ilícito por parte daqueles, de modo que não respondam por tributos que são devidos pela sociedade. Como se vê no relatório fiscal, a autoridade lançadora basicamente se fiou nas supostas condutas ilícitas perpetradas pelas pessoas jurídicas mencionadas na auturação e na Fl. 3556DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 condição de administrador do sujeito passivo, sem, todavia, atentar-se para a pessoalidade do ato ilícito, o que viola o precedente acima. Ademais, a autoridade fiscal não comprovou o interesse comum do sujeito passivo solidário no fato gerador, visto que, como já dito, fiou-se isoladamente na ilicitude praticada pelas pessoas jurídicas e na circunstância de que o solidário seria administrador delas. Ora, o agente lançador acabou por ignorar que a pessoa jurídica tem personalidade jurídica própria e que o seu patrimônio não se confunde com o patrimônio de seus sócios, acionistas, diretores, gerentes etc. É bem verdade que as pessoas jurídicas somente praticam seus atos através de seus representantes legais, mas isso não quer dizer que as pessoas físicas sejam sempre solidárias ou responsáveis. A admitir-se tal generalização, nem haveria necessidade do regramento constante do citado art. 135. Com estes fundamentos, excluo a responsabilidade tributária do Sr. Marco Antônio Rocha Nahas. CONCLUSÃO Portanto, diante do exposto, voto no sentido de acolher a alegação parcial de decadência e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário exigido. Como fui vencido, prosseguindo, voto também por reduzir a multa para o patamar de 75% e excluir a responsabilidade atribuída ao Sr. Marco Antônio Rocha Nahas. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Redatora designada Com todas as vênias ao I. Relator, quando dos debates ocorridos na sessão de julgamento, prevaleceu o entendimento de que deveria ser mantida a autuação fiscal e a qualificação da multa, com a consequente rejeição da preliminar de decadência parcial, pelas razões que serão tratadas a seguir. I – Decadência O Relator entendeu pela aplicação do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (“CTN”) ao presente caso, o que resultaria na decadência dos créditos tributário referente aos ano de 2011 e aos meses de janeiro a junho de 2012. Entretanto, com a devida vênia, entendo que tal dispositivo não pode aplicado ao presente caso tendo em vista a prática de atos dolosos pela Recorrente, por meio do desvio artificial de receitas para outras empresas do mesmo grupo econômico. Isso porque, de acordo com a parte final do §4º do art. 150 do CTN, a contagem do prazo decadencial de 5 anos a partir Fl. 3557DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 da ocorrência do fato gerador não se aplica quando “comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Em tais hipóteses, a contagem do prazo decadencial se dá de acordo com o art. 173, I, do CTN, que assim dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme relatado, os autos de infração em discussão referem-se aos fatos geradores de 31.12.2011 a 31.12.2014 e a Recorrente foi intimada da sua lavratura em 04.07.2017, portanto, dentro do prazo de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência. II – Exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins De acordo com a Autoridade Fiscal, tanto a empresa Coxilha Seguradora Ltda, quanto a Carita Intermediação de Negócios Ltda, ambas tributadas pela sistemática do lucro presumido, foram usadas pela Recorrente, Iesa Veículos Ltda, tributada pela sistemática do lucro real, para o desvio de parte do seu faturamento/receita com o intuito de reduzir tributos, diminuindo receitas e lucro. Cumpre destacar que não há qualquer norma societária ou tributária que obrigue a concentração do universo patrimonial de um indivíduo ou de uma sociedade em uma única pessoa jurídica, com a sujeição dos rendimentos consolidados à sistemática do lucro real, por ser esta a mais onerosa do ponto de vista tributário. Assim, para fins fiscais, devem ser reconhecidos os efeitos da efetiva segregação das fontes produtoras de rendimentos, tratando-se de planejamento tributário plenamente oponível ao fisco. E, na análise de eventual simulação na segregação de atividades, é preciso distinguir as empresas com rendimentos ativos (indústria, por exemplo), daquelas que apresentam apenas rendimentos passivos (aplicações financeiras, por exemplo). Isso porque, como bem explica o Conselheiro Luís Flávio Neto, no Acórdão nº 9101.002.397, proferido pela CSRF, em 14.07.2016, “[e]nquanto muitas vezes a obtenção dos primeiros (rendimentos ativos) pressupõe estrutura operacional robusta, a condução das atividades relacionados aos últimos (rendimentos passivos) pode exigir, por natureza, estrutura operacional mínima”. Além disso, evidenciam a existência de simulação na segregação de atividades a ausência de independência operacional, laboral, patrimonial e técnica. Isso não significa, entretanto, que não possa haver o compartilhamento de instalações, equipamentos ou empregados, por exemplo. Ou que as empresas do mesmo grupo não possam ser controladas pelos mesmos sócios. Mas, sim, que, em havendo compartilhamento de custos e despesas, o seu ônus deve ser devidamente arcado pela empresa que neles incorreu. Fl. 3558DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 No presente caso, a Autoridade Fiscal constatou a ocorrência dos seguintes fatos a evidenciar a ausência de efetiva segregação de atividades entre as empresas do Grupo Iesa: Coxilha Seguradora Ltda: As constatações descritas neste relatório a respeito da Coxilha: empresa sem funcionários, atividade empresarial básica ligada indissociavelmente à venda de veículos pela Iesa Veículos, uso de funcionários da Iesa Veículos, falta de estrutura física, patrimonial, custos irrelevantes, margem de lucro astronômica, e distribuição de lucros sem aplicação na própria atividade, demonstram que a Coxilha Seguradora nada mais é que um desmembramento contábil das receitas com a comercialização de seguros efetuada dentro da Iesa Veículos, e com a utilização de toda a sua estrutura, visando uma redução drástica da tributação (fl 23 do TVF). Carita Intermediação de Negócios Ltda: Os fatos apresentados neste Relatório para a Carita apresentam itens em comum com a Coxilha: localização em estabelecimentos filiais da Iesa Veículos; atividade indissociável da venda de veículos por empresas do grupo Iesa; uso de funcionários da Iesa Veículos; custos irrisórios, margem de lucro elevada e sua distribuição sem aplicação na própria atividade; além do reduzido número de funcionários e período de franca atividade sem funcionários. O diferencial da Carita é receber receitas de outras empresas do grupo, além da Iesa Veículos. Dessa forma, a Carita Intermediação de Negócios também nada mais é que um desmembramento contábil das receitas com comissões sobre comercialização de financiamentos efetuados dentro das empresas do grupo Iesa (fl 23 do TVF). Restou demonstrado, portanto, que os funcionários da Recorrente realizavam as atividades indevidamente atribuídas à Coxilha Seguradora Ltda e à Carita Intermediação de Negócios Ltda e que a Recorrente cedia, a título gratuito, espaço para a Coxilha Seguradora Ltda exercer suas atividades – o que foi, inclusive, informado pela Recorrente em resposta à intimação. Além disso, constatou a Autoridade Fiscal que as instituições financeiras tomadoras dos serviços das empresas do Grupo Iesa firmavam contratos, principalmente, com Iesa Veículos e a Ruah Veículos, e, posteriormente, depositavam os valores correspondentes na conta bancária da Carita Intermediação de Negócios Ltda, suposta “correspondente bancário do grupo” (TVF, fl. 12). Confirma a ausência de efetiva segregação de atividades o fato de as empresas Coxilha Seguradora Ltda e Carita Intermediação de Negócios Ltda registrarem custos e despesas irrisórios (inferior a 1% da receita operacional da Coxilha Seguradora Ltda e inferior a 8% da Carita Intermediação de Negócios Ltda) e margem de lucro altíssima; enquanto à Recorrente é imputada margem de lucro baixíssima, em razão de lhes serem atribuídos todos os custos e despesas do grupo. Por fim, cumpre ressaltar que as exigências regulatórias não afastam a constatação de que as receitas auferidas pela Recorrente eram artificialmente alocadas às Coxilha Seguradora Ltda e Carita Intermediação de Negócios Ltda – que, frise-se, não dispunham de estrutura operacional e laboral para exercer suas atividades. Diante do exposto, voto por manter a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins. III – Multa qualificada Fl. 3559DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1301-006.554 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724963/2017-22 Nos termos do art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n° 9.430/96, ao sujeito passivo será aplicada multa de ofício de 150% sobre a totalidade ou diferença de tributo sempre que a falta de pagamento, recolhimento ou declaração vier acompanhada de sonegação, fraude ou conluio. No presente caso, a qualificação da multa teve por base o art. 71 da Lei nº 4.502/64, que define sonegação como sendo a ação ou omissão dolosa capaz de impedir ou retardar o conhecimento pela Autoridade Fiscal (i) da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias; ou (ii) das condições pessoais do contribuinte capazes de afetar a obrigação ou crédito tributário. Portanto, para que haja a aplicação da multa de ofício qualificada em razão de sonegação, é preciso que a Fiscalização demonstre – e não “presuma” - a subsunção da conduta praticada pelo sujeito passivo a uma das hipóteses do artigo 71 Lei nº 4.502/64. Isto é, não basta que haja a imputação genérica de sonegação, é preciso que haja a individualização da conduta do agente e a comprovação inequívoca da existência de dolo. Nesse sentido: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano- calendário: 1996 MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE DOLOSO FRAUDULENTO. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964” (Acórdão nº . 9101-005.686, de 13.08.21). No presente caso, restou demonstrado que a Recorrente praticou atos dolosos com o objetivo de desviar artificialmente suas receitas para outras empresas do mesmo grupo econômico, tributadas pela sistemática do lucro presumido e, com isso, impedir o conhecimento pela Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador. Diante disso, evidenciada a subsunção da conduta praticada pelo sujeito passivo a uma das hipóteses do artigo 71 Lei nº 4.502/64, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. IV - Conclusões Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, manter a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, bem como a correspondente multa de ofício qualificada. (documento assinado digitalmente) Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic Fl. 3560DF CARF MF Original

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