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Numero do processo: 11060.002574/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PROVAS E DE ALEGAÇÕES.
O acórdão deve referir-se, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio.
BOLSA DE ESTUDO. TRIBUTAÇÃO.
Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa de estudo para pesquisa, realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a multa de ofício relativo ao ano-calendário de 2004.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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APRECIAÇÃO DE PROVAS E DE ALEGAÇÕES. O acórdão deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. BOLSA DE ESTUDO. TRIBUTAÇÃO. Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa de estudo para pesquisa, realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 25 74 /2 00 9- 71 Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.418 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a multa de ofício relativo ao anocalendário de 2004. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NILO ZANATTA foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2007, exercícios 2005 e 2008, no valor total de R$ 87.631,95, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório de Fiscalização, fls. 06/09, encontrase assim descrita: Reclassificação de rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de bolsa de estudo e pesquisa declarados indevidamente como isentos na Declaração de Ajuste Anual, conforme explanado no Relatório de Fiscalização, que é parte integrante e indissociável do presente lAuto de Infração. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 103/136, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1029.380, de 25/01/2011, fls. 2238/2250. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/03/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 2253, o contribuinte apresentou, em 24/03/2011, recurso voluntário, fls. 2254/2265, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.419 3 que a decisão recorrida não analisou a vasta documentação acostada pelo contribuinte nos autos, eis que nada mencionou sobre a especificidade dos projetos em que atuou, da forma como se deu sua atuação nos referidos projetos, etc. Os julgadores simplesmente optaram por não analisar nenhuma das provas carreadas pelo contribuinte. que suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação. O recorrente recebeu bolsas, doações, isentas de tributação pelo imposto de renda. que o recorrente atuou em projetos de pesquisa. Em nenhum dos projetos a Fatec ficou com o monopólio dos resultados da sua pesquisa. Tais também não foram privilégio da UFSM ou de qualquer outra empresa ou entidade. Os resultados das pesquisas foram publicados em centenas de artigos e periódicos de âmbito nacional e internacional. Ou seja, o conhecimento desenvolvido pelo autor se tornou público. Ninguém obteve lucro com essa pesquisa (a não ser a humanidade como um todo, haja vista o conhecimento obtido). que o Poder Judiciário vem decidindo no sentido de reconhecer a isenção de bolsas de estudo doadas pela Fatec. É o Relatório. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.420 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte afirma em sua peça recursal que a decisão recorrida não analisou a vasta documentação acostada aos autos. Nesse sentido, importa dizer que a decisão recorrida encontrase devidamente fundamentada, sendo certo que a motivação para a manutenção do lançamento está fartamente demonstrada nos autos, conforme se infere do trecho a seguir transcrito: Conforme consta do Relatório da Fiscalização contido no auto de infração às fls. 06 a 09, os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo e pesquisa da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, considerados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis, foram objetos de lançamento, por entender que tais bolsas não satisfazem os critérios previstos para usufruir o benefício de isenção previsto em lei. Diante da minuciosa descrição dos fatos feita pela fiscalização e da farta documentação constante dos autos, constatase que os valores percebidos pelo impugnante foram em virtude de prestação de serviços à Fundação. No caso, verificase que há prestação de serviço da FATEC para a UFSM, sendo que a fundação contrata servidores pertencentes aos quadros da própria universidade para comporem a equipe técnica que atuará na execução do projeto, mediante o pagamento de bolsas. Assim, a FATEC efetua os pagamentos aos servidores participantes como remuneração pelos serviços prestados nos diversos projetos. Destarte, as atividades desenvolvidas pelos bolsistas representam uma vantagem para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta, descaracterizando a isenção nos termos do inciso VII do art. 39 do RIR/99, pretendida pelo impugnante. Digase, ainda, que o acórdão, resultante da apreciação da impugnação, deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. Logo, não assiste razão ao recorrente quando afirma que a decisão recorrida deixou de apreciar os documentos juntados aos autos. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.421 5 No mérito, o contribuinte afirma que os valores recebidos da Fatec caracterizamse como bolsas de estudo (doações) e que se enquadram nas condições de rendimentos isentos e não tributáveis. De pronto, devese ter em mente que, no que se refere à bolsa de estudo, a regra geral é a tributação, como se depreende pela leitura do art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), abaixo transcrito: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1ºe 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; A isenção se restringe à hipótese descrita no artigo 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, matriz legal do artigo 39, inciso VII do citado RIR/1999: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Do dispositivo acima transcrito resta claro que somente são isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo que se caracterize como doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo e pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize contraprestação de serviço. No presente caso, a autoridade fiscal demonstrou no Relatório de Fiscalização, fls. 06/09, que é parte integrante do Auto de Infração, que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Fatec não preenchem os requisitos estabelecidos no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Por pertinente, transcrevese a seguir trecho do Relatório de Fiscalização: Para esclarecermos a natureza de tais rendimentos (isentos ou tributáveis), analisaremos as cópias dos seguintes projetos de que o sujeito passivo participou: 20206 – Consultoria química em matrizes de interesse fitossanitário; 95201 – Agroquímica residual em matrizes de interesse fitossanitário; e 95211 – Análise de resíduos orgânicos em matrizes de interesse industrial, entregues pela FATEC mediante Termo de Recebimento de 16/06/09, fls. 33 a 57. Projeto 20206 Consultoria química em matrizes de interesse fitossanitário Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.422 6 (...) Tratase de prestação de serviços da FATEC para as empresas contratantes com interesse em consultoria na área de resíduos agroquímicos, fl. 87. Entre as interessadas figuraram, de acordo com consulta aos arquivos digitais de lançamentos contábeis entregues pela FATEC em 07/02/08, obtidos em decorrência de ação fiscal em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 1010300.2008.00045: Universal Leaf Tabacos Ltda, Klabin S/A, Dimon do.Brasil Tabacos Ltda, Kannenberg & Cia Ltda e Meridional de Tabacos Ltda, cujo contrato foi anexado às fl. 35 a 38. Nas cláusulas.e condições de um dos contratos vinculados ao projeto, contrato de prestação de serviços n° NAPO 001/94, fl. 35 a 38, está claramente definido o papel que cada uma das partes deve desempenhar no cumprimento de suas obrigações com a nítida interferência da contratante no desenvolvimento.do projeto, prevendose que "os resultados técnicos decorrentes da execução do contrato pertencerão integralmente à contratante, podendo ser usados para qualquer propósito definido pela mesma"; sendo, facultado, à contratante "o direito de visitar as instalações da contratada, mediante consulta prévia, a fim de verificar as condições ou o estágio de desenvolvimento das análises contratadas para seus produtos". (...) Projeto 95201 – Agroquímica em matrizes de interesse fitossanitário (...) Conforme descrito no Plano de Trabalho (item 2.2), o projeto tem o mesmo objetivo do projeto 20206, sendo que as empresas apoiadoras. do projeto teriam “benefícios diretos no que diz respeito a qualidade e competitividade de seus produtos na economia globalizada, bem como oferecerá condições de tais indústrias em busca da qualidade total (Certificados ISO 9000 e/ou ISSO 14000)” (item 2.4 do Plano de Trabalho Resultados Esperados), fl.47. Embora a apresentação formal seja diferente, introduzindo a UFSM no negócio que antes era tratado diretamente entre a FATEC e o interessado, este projeto mantém, no cerne, a mesma natureza do projeto anterior, reproduzindo seus objeto/objetivos, justificativa e resultados esperados, sendo mantido por "recursos financeiros arrecadados pela CONTRATADA provenientes dos repasses dos clientes", nos termos da cláusula segunda do contrato. Ou: seja,tratase de prestação de serviços que, agora, a UFSM, por intermédio da FATEC, oferece aos interessados no projeto mediante pagamento. Projeto 95211 Análise de resíduos orgânicos, em matrizes de interesse industrial Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.423 7 Tratase de renovação do projeto anterior, que expiraria em março/2005, mantendose o mesmo objetivo do projeto 20206, conforme/descrito no Plano de Trabalho (item 2.2), (...) (...) Analisandose os objetivos e finalidades dos projetos acima descritos, fica claro que não se trata de doação das pessoas físicas e jurídicas neles interessadas à UFSM, mas verdadeiros contratos, com a definição do papel que cada uma das partes deve desempenhar no cumprimento de suas obrigações. Existe, na realidade, uma prestação de serviço da UFSM aos financiadores do projeto intermediada pela FATEC, que contrata os docentes pertencentes aos quadros da UFSM, para comporem a equipe técnica que atuará na execução do projeto. Do acima transcrito, resta evidenciado que os valores recebidos pelo contribuinte não se enquadram nas condições de isenção previstas no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995, posto que os trabalhos realizados eram do interesse de empresas privadas, tais como: Universal Leaf Tabacos Ltda, Klabin S/A, Dimon do Brasil Tabacos Ltda, Kannenberg & Cia Ltda e Meridional de Tabacos Ltda, que em última análise arcaram com os pagamentos recebidos pelo contribuinte da Fatec. Digase, ainda, que tal entendimento está em linha com a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que em seus julgados vem decidindo que incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa para pesquisa realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes. Citese as decisões proferidas nos processo 500369306.2011.404.7102, de 19/03/2013, 500370435.2011.404.7102, de 26/02/2013 e 500160932.2011.404.7102, de 19/09/2012, trazendose a ementa da decisão do último processo citado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA.BOLSA DE ESTUDO OU PESQUISA. NÃO ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Para que seja concedida a isenção do imposto de renda pretendida, é necessário que sejam cumpridos os requisitos previstos na legislação de regência, acima transcrita, ou seja, que o pagamento a bolsa objetive estudos ou pesquisas, cujo resultado da atividade não represente vantagens ao doador, de forma a poder caracterizálas como doação. 2. Logo, por óbvio, se a bolsa for concedida com o único objetivo de remunerar a prestação de serviço realizada pelo bolsista, não há como isentálo do pagamento do imposto de renda. 3. Resta claro que os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM relativamente à prestação de serviços pela FATEC às pessoas jurídicas ou entes públicos interessados apresentam nos itens denominados "Plano de Aplicação de Recursos" a previsão de remuneração quanto à taxa de administração da FATEC. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.424 8 4. Há retorno econômico tanto para a UFSM quanto para a FATEC, visto que ambas entidades são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos. 5. As atividades desenvolvidas pelos participantes dos projetos relacionadas aos programas não são eminentemente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visam a consecução de resultados econômicos em favor dos doadores, mediante aprimoramentos técnico de procedimentos realizados pelos mesmos em suas áreas de interesse e/ou atuação, o que é obtido a partir da prestação de assessoria administrativa/contábil. 6. Ainda que o alcance de tais resultados possa ocorrer em função de realização prévia de estudos, bem assim da aplicação de conhecimento científico consolidado, o escopo primordial das atividades é indisfarçavelmente a contraprestação de serviços aos doadores. 7. Em face da inversão da decisão, condenase a autora ao pagamento de custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados em 10% sobre o valor da causa, ex vi do art. 20, §§ 3º e 4º do CPC. Nestes termos, devese manter a tributação sobre s rendimentos recebidos pelo com da Fatec, sob a denominação de bolsa de estudo. Por fim, devese aplicar ao presente caso, a Súmula CARF nº 73, abaixo transcrita, no que se refere aos rendimentos recebidos no anocalendário 2004, posto que consta do autos Comprovante de Rendimentos, fls. 65, fornecido pela fonte pagadora, com a indicação de que tais rendimentos seriam isentos e não tributáveis. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Já no que pertine aos demais anoscalendário não há que se falar em aplicação da Súmula CARF nº 73, posto que nos Comprovantes de Rendimentos, fls. 68, 70 e 74, não há a indicação de que os rendimentos em questão fossem isentos, não restando caracterizado que o contribuinte tenha sido induzido a erro pela fonte pagadora. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício relativo ao anocalendário de 2004. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002574/200971 Acórdão n.º 2102002.740 S2C1T2 Fl. 2.425 9 Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11686.000184/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS
O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI - restrito às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ.
Ambas as posições (restritiva/IPI e extensiva/IRPJ) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas - despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado.
No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições.
As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis.
GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições.
Numero da decisão: 3202-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INSUMOS Recorrente AGROFERTIL SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERTILIZANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 84 /2 00 8- 28 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 677 2 Os gastos gerais de fabricação são necessários, essenciais e pertinentes ao processo produtivo da empresa, portanto, geram direito de crédito das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins cumulado com compensação – PER/DCOMP, decorrentes de vendas no mercado interno com alíquota zero (art. 16 da Lei nº 11.116/2005), no valor de R$ 140.248,79, período de apuração 1º trimestre/2006 (efls. 5/ss). Consta da Informação Fiscal (efls. 63/ss) e do Despacho Decisório nº 018/2009 (efls. 77), exarados pela DRF – Porto Alegre, que foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 129.541,72, sendo glosado o restante do crédito pleiteado sob o seguinte fundamento, verbis: “(...) Despesas e custos indiretos como gastos gerais de fabricação, etc, embora necessários à realização das atividades da empresa, não são considerados insumos para a prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, para fins de apuração dos créditos no regime da sistemática nãocumulativa. Assim, não dão direito a crédito os valores despendidos com gastos gerais de fabricação.” (n.g.) Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de COFINS nãocumulativa, vinculado às vendas no mercado interno com alíquota zero, analisado no período de 01/01/2006 a 30/03/2006. Conforme o relatório fiscal, a interessada incluiu indevidamente, na base de cálculo dos créditos, valores referentes a gastos gerais de fabricação, que não podem ser Fl. 677DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 678 3 caracterizados como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Desta forma, foi apurado um crédito passível de ressarcimento e compensação no valor de R$ 129.541,72, ao invés de R$ 140.248,79, conforme pleiteava originalmente o contribuinte, que apresentou manifestação de inconformidade contra a glosa parcial, argumentando, em síntese: Que os gastos gerais de fabricação, objeto da glosa, se tratariam de despesas aplicadas diretamente na produção do fertilizante, seriam essenciais ao seu processo industrial e portanto passíveis de inclusão na base de cálculo dos créditos apurados. Acrescenta que a RFB já teria reiteradamente decidido no mesmo sentido, cita e transcreve Soluções de Consulta e Soluções de Divergência para embasar seus argumentos. Conclui que a interpretação da nãocumulatividade, conforme a Constituição, levaria ao reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias a produção do resultado econômico, especialmente em se tratando de "gastos gerais de fabricação". Quanto aos efeitos do cancelamento da DCOMP, anexou fotocópia de cancelamento da DCOMP que utilizou o crédito aqui parcialmente indeferido. Aponta que o cancelamento se deu antes da ciência do despacho decisório aqui impugnado, o que estaria de acordo com o disposto no Art. 82 da IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o qual entende que apenas obstaria o cancelamento quando já existente decisão administrativa sobre a DCOMP que se pretende cancelar. Diante de todo o exposto, pede que o Despacho Decisório em comento seja declarado nulo por ter ignorado a redução do capital social da contribuinte, com os lançamentos de sua movimentação, e a tributação correspondente, pela Fertibras. Alternativamente, requer o recebimento de sua Manifestação de Inconformidade para que se reforme a decisão proferida, com o reconhecimento da possibilidade de inclusão dos créditos relativos a gastos de fabricação na base de cálculo dos créditos apurados na contribuição nãocumulativa, ou, sucessivamente, o reconhecimento da inexistência do débito conforme DIPJ aqui anexada. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 1036.646, em 19 de janeiro de 2012 (e folhas nº 642/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/03/2006 Ementa: DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 07/02/2012 (efolha 654), interpôs Recurso Voluntário em 28/02/2012 (efls. 656/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 679 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A matéria em discussão neste litígio – conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Cofins – tem dado azo a profundos debates no CARF e, também, à decisões com entendimentos divergentes. Existem julgados que têm dado interpretação mais restritiva ao conceito de insumos, equiparandoos ao conceito utilizado na legislação do IPI (vide Acórdãos nº 3801 001.855, de 23/05/2013 e nº 330100.929, de 3/05/2011), adotando o entendimento constante das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004; há julgados que aplicaram conceito mais elástico, adotando o conceito de insumo como todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos moldes da legislação do IRPJ (vide Acórdãos nº 320200.226, de 08/12/2010 e nº 203 12.741, de 11/03/2008); há julgados, em uma linha intermediária, que têm aplicado critérios próprios para tentar definir o conceito de insumo para fins das citadas contribuições (vide Acórdãos CSRF nº 930301.741, 09/11/2011 e nº 930301.042, de 23/08/2010). Esta última posição, ao que nos parece, tem sido majoritária. A meu ver, ambas as posição extremas (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Desse modo, é preciso deixar assentado que, de um lado, o conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI – restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção, de outro lado, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Neste ponto, transcrevo as precisas palavras da ilustre Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, proferidas no voto vencedor do Acórdão nº 3302001.784, de 22/08/2012, com as quais concordo plenamente, verbis: A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e para a COFINS, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Fl. 679DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 680 5 CARF emprestam o conceito de “custo” e de “despesa” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com os sistemas do IPI, do ICMS ou do IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. (grifos existentes) Muito bem. Partamos para delimitar o conteúdo semântico do vocábulo “insumos” aplicável ao PIS e a Cofins. Compartilhamos do entendimento (da escola do Constructivismo Lógico Semântico) pelo qual o intérprete, sempre, deve partir dos enunciados prescritivos para construir a norma aplicável ao caso concreto, atribuindo sentido e definindo o alcance ao texto bruto da lei. Assim, a partir dos enunciados da Lei nº 10.637/2002 (e, também, Lei nº 10.833/2003, para a Cofins), alterada pela Lei nº 10.865, de 2004, é que devemos construir os critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições, definindo quais as rubricas que podem gerar direito de crédito (aspecto quantitativo da regramatriz de incidência). Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Fl. 680DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 681 6 Devese, destarte, apurar quais foram os gastos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regra matriz de incidência). Ademais, observese que o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 (com a nova redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) incluiu na delimitação do sentido do termo “insumos”, além dos bens, também os “serviços”, denotando claramente, a meu ver, a intenção de ampliar o conceito de insumo, não o restringindo apenas ao da legislação do IPI. Por óbvio, os bens e serviços citados no artigo 3º, II, das referidas leis, não “são” insumos, mas são “utilizados como” insumos no processo produtivo, como advertiu Marco Aurélio Grecco (http://arquivos.portaldaindustria.com.br). E essa noção é de extrema importância: devemse perquirir quais são os gastos, em bens e/ou serviços, utilizados no processo produtivo, sem os quais a produção da empresa seria inviabilizada, e com isso não haveria geração de receitas. De igual modo, o legislador incluiu como insumo os “combustíveis e lubrificantes” (o que seria um disparate na legislação do IPI!), demonstrando, mais uma vez, o intento de permitirse o creditamento de todos os gastos necessários e pertinentes ao processo produtivo do contribuinte. Os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo produtivo e não diretamente no produto, reforçando a distinção a ser feita entre as legislações do IPI e das contribuições. De outro lado, a meu ver, também não houve intenção do legislador em ampliar o conteúdo semântico do vocábulo “insumo”, equiparandoo aos conceitos de custos e despesas operacionais previstos na legislação do IRPJ. Se assim o fosse, não seria necessário relacionar, de forma exaustiva, todas as hipóteses permissivas de créditos nos incisos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Além, é claro, de disporem sobre materialidades distintas como já anotado linhas acima (receita não é lucro!). Por fim, destaco a doutrina de Marco Aurélio Grecco (in “Não cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Pausen (cood.). São Paulo: IOB Thomson, 2004), em reforço ao entendimento exarado neste voto, verbis: Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apoiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. (n.g.) Pois bem. Passemos à jurisprudência sobre a matéria. No STJ há dois julgados relevantes e divergentes sobre a matéria: (i) o REsp nº 1.246.317 – MG, Ministro Relator Mauro Campbell (2ª Turma), em linha com o entendimento exarado neste voto; (ii) o REsp nº 1.020.991 – RS. Ministro Relator Sérgio Kukina (1ª Turma), que adota posição mais restritiva (legislação do IPI), de modo a possibilitar Fl. 681DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 682 7 o creditamento do PIS e da Cofins apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Conforme noticiado por Fabiana Del Padre Tomé (artigo “Definição do conceito de insumo para a nãocumulatividade do PIS e da COFINS”, consulta ao endereço eletrônico http://ibet.provisorio.ws), o Ministro Relator Mauro Campbell proferiu seu voto no REsp nº 1.246.317 – MG no seguinte sentido, verbis: Ementa: (...) 5. São ‘insumos’, para efeitos do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.8332003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo ‘insumo’ para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. (...). (grifos no original) Registrese que o Ministro Relator Mauro Campbell foi acompanhado pelos Ministros Castro Meira e Humberto Martins. O Ministro Herman Benjamin pediu vistas dos autos, em 16/06/2011 (fonte: consulta processual no site do STJ, em 07/11/2013). Portanto, aguardase o resultado final do julgamento. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF manifestouse no Acórdão nº 930301.741, de 09/11/2011, Conselheira Relatora Nanci Gama, em consonância com a linha intermediária por nos adotada (definição de insumos por critérios próprios), conforme ementa abaixo transcrita: PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. No caso concreto tratado nos autos, os citados “gastos gerais de fabricação”, como a própria fiscalização admite – necessários à realização das atividades da empresa (vide Informação Fiscal efls. 63/ss), em meu entendimento, são inerentes, pertinentes e necessários Fl. 682DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11686.000184/200828 Acórdão n.º 3202001.022 S3C2T2 Fl. 683 8 ao processo produtivo da Recorrente e, por esta razão, devem dar direito ao crédito da contribuição. Destarte, em face de tudo o que foi exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 683DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 12/12/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10314.004038/2001-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 07/06/1999 a 28/10/1999
BEBIDAS. PRODUTOS APRESENTADOS PRONTOS PARA CONSUMO. CLASSIFICAÇÃO. CAPÍTULO 22.
Os produtos apresentados como bebidas prontas para consumo classificam-se no capítulo 22, ainda que contenham propriedades alimentares.
TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - TIPI. EX TARIFÁRIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TEXTO DA POSIÇÃO. REGRAS.
Para fins de classificação fiscal da mercadoria na Tabela de Incidência do IPI, a classificação em ex tarifário observa os mesmos critérios de classificação em subitens. O ex, no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados, representa um desdobramento da Tabela, aplicando-se-lhe as regras próprias do Sistema Harmonizado.
Até o advento do Decreto nº 3.360/00, de 09/02/2000, os produtos identificados como bebidas alimentares enquadravam-se no ex 01 do código 2202.9000 da TIPI.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 29/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 07/06/1999 a 28/10/1999 BEBIDAS. PRODUTOS APRESENTADOS PRONTOS PARA CONSUMO. CLASSIFICAÇÃO. CAPÍTULO 22. Os produtos apresentados como bebidas prontas para consumo classificam-se no capítulo 22, ainda que contenham propriedades alimentares. TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - TIPI. EX TARIFÁRIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TEXTO DA POSIÇÃO. REGRAS. Para fins de classificação fiscal da mercadoria na Tabela de Incidência do IPI, a classificação em ex tarifário observa os mesmos critérios de classificação em subitens. O ex, no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados, representa um desdobramento da Tabela, aplicando-se-lhe as regras próprias do Sistema Harmonizado. Até o advento do Decreto nº 3.360/00, de 09/02/2000, os produtos identificados como bebidas alimentares enquadravam-se no ex 01 do código 2202.9000 da TIPI. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 29/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 07/06/1999 a 28/10/1999 BEBIDAS. PRODUTOS APRESENTADOS PRONTOS PARA CONSUMO. CLASSIFICAÇÃO. CAPÍTULO 22. Os produtos apresentados como bebidas prontas para consumo classificamse no capítulo 22, ainda que contenham propriedades alimentares. TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS TIPI. EX TARIFÁRIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TEXTO DA POSIÇÃO. REGRAS. Para fins de classificação fiscal da mercadoria na Tabela de Incidência do IPI, a classificação em “ex” tarifário observa os mesmos critérios de classificação em subitens. O “ex”, no caso do Imposto sobre Produtos Industrializados, representa um desdobramento da Tabela, aplicandoselhe as regras próprias do Sistema Harmonizado. Até o advento do Decreto nº 3.360/00, de 09/02/2000, os produtos identificados como bebidas alimentares enquadravamse no “ex” 01 do código 2202.9000 da TIPI. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 40 38 /2 00 1- 61 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 3 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 29/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 14/09/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multa de mora e juros de mora, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. Em ato de revisão aduaneira, a autoridade revisora constatou que a empresa acima qualificada desembaraçou, por meio das declarações de importação relacionadas nos autos de infração (e também às fls. 147), no período de 07/06/1999 a 28/10/1999, mercadoria descrita como – Composto Líquido Pronto Para Consumo – Red Bull Energy Drink – classificandoa no código NCM 2106.90.90 (cuja posição (2106) compreende as Preparações Alimentícias Não Especificadas nem Compreendidas em Outras Posições), sujeita a alíquota de imposto de importação no período mencionado de 19% e de IPI vinculado de 0%. Ocorre que referida mercadoria, de acordo com a autoridade revisora, classificase no código NCM 2202.90.00, que abrange as Outras Águas, incluídas as Águas Minerais e as Águas Gaseificadas, Adicionadas de Açúcar ou de Outros Edulcorantes ou Aromatizadas e Outras Bebidas Não Alcoólicas, Exceto Sucos de Frutas ou de Produtos Hortícolas, da Posição 2009, sujeita a imposto de importação de 23% e IPI vinculado de 40%. Em decorrência foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento do imposto de importação e IPI apurados em razão da mudança de classificação fiscal, acrescidos da multa de mora, prevista no § 2º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, totalizando, com juros calculados até 31/08/2001, o valor de R$ 1.522.645,71. Cientificado do auto de infração, em 24/10/2001 (fls. 02, 55 e 58), o contribuinte por intermédio de seus advogados e procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 87/88), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 23/11/2001, de fls. 59 a 79, alegando, em síntese, que: 1) os “Energy Drink” são bebidas consideradas como produto alimentício na Comunidade Européia e nos Estados Unidos. No Brasil, também foi considerado como produto alimentício, de acordo com a Portaria nº 868/98 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, de fls. 89 a 92, suprindo o organismo de energia através de carboidratos, taurina, cafeína, glucoronolactona, inositol, vitaminas e sais minerais; Fl. 300DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 4 3 2) transcreve trecho do Parecer Técnico (fls. 93 a 110), elaborado pelo Prof. Daniel Romero Muñoz, médico e professor responsável pela disciplina de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da USP, concluindo que o Red Bull Energy Drink tratase de uma bebida alimentar; 3) apresenta as propriedades e efeitos fisiológicos dos componentes do Red Bull Energy Drink, dentre eles a cafeína, que atua no sistema nervoso central e no sistema cardiovascular como estimulante, com efeitos nem sempre consistentes; 4) a Portaria SVS/MS nº 868/98 (de fls. 89 a 92) define as bebidas energéticas como Composto Líquido pronto para Consumo, mas não traz qualquer definição quanto à classificação fiscal do produto; ressalta a Decisão COANA nº 001/1999 (cópia de fls. 124 a 127), cujo entendimento foi confirmado pela OMA de que as preparações com caráter alimentício estariam enquadradas na subposição 2106.90; 5) o laudo técnico elaborado pelo perito Luiz Aurélio Alonso, de fls. 113 a 120, concluiu que as bebidas energéticas são verdadeiros complementos alimentares compreendidos no Capítulo 21; 6) não havia qualquer determinação expressa por parte das autoridades fazendárias no que diz respeito à classificação fiscal dos produtos conhecidos como Compostos Líquidos Prontos para Consumo, até que, em 30/04/2001, foi publicado no DOU, o Ato Declaratório Executivo SRF nº 15, que indiretamente enquadrou referidos produtos no código 2202.90.00 da TIPI; 7) o enquadramento oficial do Red Bull, por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1/2001, publicado em 03/05/2001, só poderia ser exigido após a publicação desta norma administrativa, não assistindo razão a qualquer pretensão de revisão da classificação fiscal utilizada em operações de importação anteriores à publicação do referido ADI; defende que o código utilizado NCM 2106.90.90 nessas importações foi escolhido com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado; 8) a subposição 2106.90 da NCM – Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas em outras posições é a subposição mais específica para o produto, prevalecendo sobre quaisquer outras mais genéricas, conforme dispõe a Regra 3.a) das RGISH; 9) o laudo técnico nº 2063, de fls. 121 a 123, concluiu que o produto Red Bull Energy Drink tratase de uma bebida alimentar e deve ser classificado no “Ex” tarifário 001 do código 2202.90.00 da TIPI, que engloba, de acordo com o texto legal as “bebidas alimentares à base de leite, cacau, etc”, quaisquer espécies de bebidas alimentares e não só os produtos que contenham em sua composição leite ou cacau; 10) a redação do ex tarifário permaneceu inalterada até o Decreto nº 3.360/2000, que retirou o vocábulo “etc” da descrição da exceção tarifária. Assim, até a publicação desse Decreto no DOU em 09/03/2000, quaisquer bebidas alimentares, independentemente de sua composição, poderiam ser enquadradas nesta exceção tarifária, entendimento este confirmado pela COANA, por meio da Decisão COANA nº 001/99, cópia de fls. 124 a 127; 11) as alíquotas de IPI observam os conceitos de seletividade e essencialidade do produto, e de acordo com o laudo técnico do Prof. Dr. Daniel Muñoz, o produto em tela oferece uma complementação nutricional para situações de esforço físico ou mental; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 5 4 12) ainda que houvesse ocorrido uma mudança na legislação em relação à classificação fiscal do produto e à alíquota, ainda assim a impugnante teria o direito ao regime fiscal vigente no dia do registro das declarações de importação; alega ser ilegal a revisão da classificação fiscal do produto após o pagamento dos tributos incidentes sobre a importação; que a revisão do lançamento tributário só poderia ser iniciada na ocorrência das hipóteses previstas nos incisos do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 07/06/1999 a 28/10/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RED BULL ENERGY DRINK bebida energética contendo taurina e cafeína deve ser classificada no código NCM/SH 2202.90.00, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 2202 e da subposição 2202.90) c/c RGC1 da TEC/NCM e TIPI/NCM, vigentes à época, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 e alterações posteriores), em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 30/04/2001 (DOU de 03/05/2001). Multa de mora considerada não impugnada, por não ter sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). Inconformada com a decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reafirmando entendimento expresso em sede de impugnação ao lançamento. Afirmou que o produto se trata de "um tônico à base de cafeína, aminoácido e vitaminas que se tornou internacionalmente conhecido, por volta de 1994, como bebida energética, posicionandose como um alimento funcional com características nutricionais específicas no combate ao cansaço, exaustão, desgaste físico e mental". Que ao iniciar programa de importação das mercadorias deparouse com um mercado incipiente, para o qual ainda não existia adequada regulamentação, com vistas ao correto enquadramento tarifário das mercadorias. Havia dúvidas se se tratava de uma bebida ou um alimento. Considera que o laudo apresentado pela recorrente e o próprio laudo utilizado pelo Ministério da Fazenda atestam tratarse de uma bebida alimentar, contendo um sua composição produtos da indústria alimentar. Que só em 1998 a ANVISA baixou norma que permite classificar o produto como composto líquido pronto para consumo e que, por tudo isso, Red Bull Energy Drink é um alimento e não uma bebida. Que ante tais circunstâncias, considerando que não havia, assim como não há, posição específica para a classificação da mercadoria, e na falta de manifestação do Fisco acerca do assunto até o ADI SRF 01/01, não seria razoável exigir que a empresa escolhesse outra classificação. Ainda mais, que não havia respaldo legal para classificação adotada pelo Fisco. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 6 5 Que a decisão recorrida parte da falsa premissa de que o produto é uma bebida com propriedades alimentícias, enquanto, na verdade, tratase de um alimento em forma líquida. Por fim, reitera a possibiidade de enquadramento no "ex" tarifário, da posição escolhida pelo Fisco, o que seria confirmado pelo Parecer Coana nº 01/99. Requer a conexão de processos. De uma primeira análise do Processo, considerouse necessária a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos. Se depreende dos autos uma questão bastante controvertida. Refirome à possibilidade de que o produto objeto da lide seja enquadrado no “Ex” 01 do código escolhido pela fiscalização, a NCM 2202.90.00. Assim manifestouse a i. Julgadora de primeira instância. Esta relatora discorda do entendimento do contribuinte. A inclusão de à base de leite, cacau ao texto já restringe o enquadramento de qualquer bebida alimentar no Ex tarifário 01 mencionado. Leite e Cacau denotam caráter incontestavelmente nutricional, qualidade que deveriam apresentar as bebidas para usufruir da redução tarifária de 0%. Tanto era essa a interpretação a ser dada que, como bem notou o contribuinte, o Decreto nº 3.360/2000, DOU de 09/02/2000, retirou o “etc” do texto legal. E, corroborando ainda com o nosso entendimento, o Decreto nº 3.581/2000, DOU 01/09/2000, alterou a redação do Ex 01 do código 2202.90.00 para “bebidas alimentares à base de soja ou de leite e cacau” (sublinhei). Ora, o Red Bull é uma bebida caracterizada como energética, estimulante, pela presença de cafeína e taurina. Portanto, não é uma bebida que apresenta as características dos produtos que deveriam usufruir da redução tarifária. Por sua vez, a contribuinte defende que a presença, no texto do “ex”, do vocábulo “etc”, cujo signficado é “e as demais coisas”, admite que qualquer bebida alimentar seja ali enquadrada. Em favor de seu entendimento, cita a Decisão Coana nº 1/99, que, ao decidir sobre a classificação fiscal de repositores hidroeletrolícos, atribui exatamente este efeito à presença da expressão etc. De fato, não me parece tarefa nada simples decidir sobre o efeito da expressão etc tendo como critério exclusivamente a interpretação gramatical. É certo que, na medida em que se inclui as demais coisas à pequena lista de dois ingredientes alimentares (leite e cacau), ampliouse o universo de possibilidades a todas os produtos enquadrados no conceito definido pelo texto. Contudo, difícil afirmar com certeza qual é este conceito, se restrito aos alimentos com propriedades nutricionais, como entende a i. Julgadora de primeira instância, ou a todos os alimentos como defende a recorrente. Não vejo outra solução no presente feito, se não conhecer as particularidades próprias do processo de concessão do “ex” tarifário em comento. Ante o exposto, VOTO CONVERTER o julgamento em diligência, para que o processo seja instruído com a íntegra do processo de solicitação e concessão do “ex” tarifário 01 à NCM 2202.90.00. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 7 6 Atendida a demanda, o Processo retorna agora a este Conselho para decisão final do litígio. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Extraise da narrativa acima, que o julgamento foi convertido em diligência para instrução do Processo com a cópia da íntegra do processo de concessão do “ex” tarifário da NCM 2202.90.00, em busca de esclarecimento a respeito da inclusão da expressão etc ao final do texto do “ex”. Embora os esforços empreendidos pela Unidade Preparadora, não houve como atender ao pedido, pois o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC não possui registros de pleitos de redução de tarifa para o Imposto de Produtos Industrializados, apenas para o Imposto de Importação. Com efeito, como bem apontado pela Fiscalização ainda em resposta ao pedido veiculado na diligência “as concessões de extarifário de IPI são feitas diretamente pela Presidência da República, por meio de Decreto, como qualquer outras alterações da Tabela do IPI (TIPI)”. Posto isso, inicio a análise do mérito pela correta classificação do produto. A questão central referese ao enquadramento do produto no capítulo 21 ou no capítulo 22 da TIPI, decisão que depende de identificálo como sendo uma comida ou uma bebida. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias da posição 2106, defendida pela Recorrente, contém informações relevantes para a solução da lide. 21.06 Preparações alimentícias não especificadas nem compreendidas em outras posições. 2106.10 Concentrados de proteínas e substâncias protéicas texturizadas 2106.90 Outras (...) Classificamse especialmente aqui: 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 8 7 diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferirlhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o nº 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. 16) As preparações designadas muitas vezes sob o nome de “complementos alimentares”, à base de extratos de plantas, concentrados de frutas, mel, frutose, etc., adicionados de vitaminas e, por vezes, de pequenas quantidades de compostos de ferro. Estas preparações apresentamse acondicionadas em embalagens, nos quais consta que se destinam à manutenção da saúde e do bemestar geral. Excluemse as preparações análogas, próprias para evitar ou tratar doenças ou afecções (posições 30.03 ou 30.04). O que se observa é que, sempre que as Notas fazem menção a produtos com características merceológicas semelhantes às identificadas nos produtos fabricados pela empresa, e isso somente acontece nos itens 07 e 12 acima transcritos, deixam claro que esses produtos não estão prontos para serem consumidos. No item 07, ao referirse às preparações compostas, alcoólicas ou não, dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas há clara advertência de que, tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Da mesma forma, o item 12 inclui na posição as preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, mas esclarece que estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 9 8 Pareceme muito claro que há uma importante distinção entre os produtos compreendidos no capítulo 21 e os incluídos no capítulo 22, quando o assunto gira em torno da classificação de mercadorias da espécie das que são produzidas pela autuada. A questão que se apresenta como elemento de identificação dos produtos de um e de outro capítulo referese, simplesmente, a possibilidade ou não de reconhecer a mercadoria como sendo uma bebida. Os itens 07 e 12 das Notas Explicativas, acima comentados, são determinantes a esse respeito. Estivesse o produto sub examine apresentado nas condições neles especificadas e certamente deveriam, por força de seus próprios dizeres, ser enquadrados na posição 2106. Todavia, estando o produto, como está, pronto para ser consumido como uma bebida, impossível que seja classificado no Capítulo 21. Por esta mesma razão, não há como enquadrar tais produtos na especificação contida no item 16 também acima transcrito, tal como pretende a Recorrente, pois, se onde encontrase a mais textual menção aos produtos suscetíveis de serem enquadrados nos dois capítulos – itens 07 e 12 – não se admitem bebidas prontas para consumo, por certo não será como complementos alimentares que os mesmos haverão de ser enquadrados no Capítulo 21, a menos que não fossem identificáveis como bebidas. Noutro giro, o que se extrai das Notas Explicativas à Posição 2202 também orienta em sentido contrário ao pretendido pela recorrente, se não vejamos. Capítulo 22 Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres 22.02 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos (sumos*) de frutas ou de produtos hortícolas, da posição 20.09. 2202.10 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas 2202.90 Outras A presente posição engloba as bebidas não alcoólicas tal como são definidas na Nota 3 do presente Capítulo, exceto as compreendidas em outras posições, em particular nas posições 20.09 ou 22.01. A) Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas. Este grupo inclui, entre outras: 1) As águas minerais (naturais ou artificiais) adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas. 2) As bebidas tais como refrescos ou refrigerantes, cola, laranjadas ou limonadas, constituídas por água potável comum, com ou sem açúcar ou outros edulcorantes, aromatizadas com sucos ou essências de frutos ou com extratos compostos e adicionados, por vezes, de ácido tartárico e de ácido cítrico; estas bebidas são freqüentemente tornadas gasosas, por meio de dióxido de carbono. Apresentamse quase sempre em garrafas ou em outros recipientes fechados hermeticamente. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 10 9 B) Outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas da posição 20.09. Este grupo inclui, entre outros: 1) Os néctares de tamarindo tornados próprios para consumo sob a forma de bebida, por adição de água, açúcar ou outros edulcorantes e filtração. 2) Certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, tais como certas bebidas à base de leite e de cacau. (grifos meus) Estão excluídos desta posição: a) Os iogurtes líquidos e outros leites e cremes fermentados ou acidificados, adicionados de cacau, frutas ou de aromatizantes (posição 04.03). b) Os xaropes de açúcares da posição 17.02 e os xaropes de açúcar aromatizados da posição 21.06. c) Os sucos de frutas ou de produtos hortícolas, mesmo que sejam diretamente utilizados como bebidas (posição 20.09). d) Os medicamentos das posições 30.03 ou 30.04. Como se vê, é o capítulo 22 que destinase às bebidas tais como refrescos ou refrigerantes, cola, laranjadas ou limonadas, constituídas por água potável comum, com ou sem açúcar ou outros edulcorantes, inclusive certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, como pode ser o caso do produto sub examine, uma vez identificado como complemento alimentar. No que se refere ao Ato Declaratório Interpretativo nº 01/01, de se observar que tratase de um Ato Normativo destinado ao esclarecimento a respeito da classificação tarifária. Por ter caráter interpretativo, pode ser aplicado a fatos pretéritos, mas não contém os critérios para classificação das mercadorias. Estes encontramse no texto das posições, nas notas de capítulo e sessão e nas regras próprias do Sistema. Em outras palavras, o Ato nada mais fez do que interpretar com base das regras válidas para o momento; regras essas que, no caso concreto, foram objeto de uma pequena mas importante modificação. Resulta que tem aplicação a fatos pretéritos, mas no limite daquilo que não foi modificado. Em termos práticos, o ADI declara que a classificação do produto sempre foi na NCM 2202.90.00, inalterada no tempo, mas não declara que o “ex”, alterado no tempo, nunca se aplicou. Em relação às decisões da Anvisa, apenas necessário esclarecer que a competência para classificação de mercadorias é exclusiva da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Desta forma, rejeito de plano a possibilidade de que os produtos sub examine se classifiquem no Capítulo 21. Outrossim, uma vez que corretos os critérios adotados pelo Fisco para o enquadramento tarifário das mercadorias, confirmo a classificação das mesmas na NCM 2202.90.00, que abrange as Outras Águas, incluídas as Águas Minerais e as Águas Gaseificadas, Adicionadas de Açúcar ou de Outros Edulcorantes ou Aromatizadas e Outras Bebidas Não Alcoólicas, Exceto Sucos de Frutas ou de Produtos Hortícolas, da Posição 2009. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 11 10 Resolvido isso, remanesce a questão da possibilidade de seu enquadramento no “ex” tarifário da NCM escolhida. Uma vez que a diligência não tenha acrescentado elementos novos à tomada de decisão como se pretendia, necessário que a solução seja pautada nas disposições específicas do texto “ex” identificado no código 2202.90.00 que, no período entre 07/06/1999 a 28/10/1999, época em que ocorreram os fatos gerados objeto da lide, era “bebidas alimentares à base de leite, cacau, etc”, somente sendo alterado para “bebidas alimentares à base de leite, cacau” com o advento do Decreto 3.360/00. Essa Turma de julgamento decidiu a respeito do assunto nos autos do Processo 11128.006518/200126, Acórdão nº 310200.467, de 14 de agosto de 2009, Relatoria da i. Conselheira Anelise Daudt Prieto. Reproduzo e acolho o entendimento e fundamentação do Voto na parte a seguir transcrita. Entretanto, entendo que cabe razão à empresa no que concerne ao enquadramento da mercadoria no EX 01 do código 2202.90.00 da TIPI. Com efeito, estabelece a Regra Geral Complementar da TIPI (RGCTIPI) que: “As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, ‘mutatis mutantis’, para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o ‘Ex’ aplicável, entendendose que apenas são comparáveis ‘Ex’ de mesmo código.” Tal regra deixa claro que, no âmbito da TIPI, a classificação em EX segue a mesma metodologia da classificação em subitens. Isto porque o EX, no caso do IPI, é simplesmente mais um desdobramento da tabela para discriminar mercadorias que a configuração da Nomenclatura Comum do Mercosul com 8 dígitos não possibilita. E, à época dos fatos geradores o texto do referido EX era: “bebidas alimentares à base de leite, cacau, etc”. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (1ª ed. Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2001) “etc” é abreviatura de “Et cetera”, que significa “e outras coisas” (encerrando enumeração como informação genérica e, ao mesmo tempo, conclusiva, definitiva ou comprobatória da extensão do que vinha sendo enumerado)”. (...) Somente com o advento do Decreto nº 3.360/2000, publicado em 09/02/2000, foi retirada expressão “etc” do texto. Portanto, somente daí para frente é que ficaram restritos ao EX os produtos alimentares à base de leite e cacau. Por todas as razões expostas, VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência o valor correspondente ao Imposto sobre Produtos Industrializados e multas e juros sobre ele incidentes. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.004038/200161 Acórdão n.º 3102002.037 S3C1T2 Fl. 12 11 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13433.000525/2010-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/04/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decisão recorrida foi realizada em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. O lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.983
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/04/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão recorrida foi realizada em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. O lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão recorrida foi realizada em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. O lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 05 25 /2 01 0- 87 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000525/201087 Acórdão n.º 2803002.983 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000525/201087 Acórdão n.º 2803002.983 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente à contribuições previdenciárias de segurados empregados, decorrentes de obra de construção civil, matrícula CEI 70.000.54443/62, apurada por meio de aferição indireta. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 08 de julho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/04/2009 AFERIÇÃO INDIRETA DE MÃO DE OBRA. CUB. Na falta de prova regular e formalizada acerca da remuneração dos segurados, pela execução de obra de construção civil, esta pode ser obtida e lançada de ofício mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Fazenda Pública. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Ao procurar a Receita Federal, a fim de obter a certidão negativa do INSS CND, processo administrativo, requerendo os efeitos decadenciais, tendo em vista a construção ser de 1991, apresentando documentos comprobatórios de licenciamento legais. Todos os argumentos de defesa foram desconsiderados pelo voto do conselho. O auto de infração é ilegal, pois não foi oferecido o total direito de defesa ao contribuinte. Como pode ser observado na decisão deste processo, não houve fundamentação na decisão, cerceando o direito de defesa do contribuinte. Tendo o sujeito passivo protocolado a defesa referente ao reconhecimento da decadência, os lançamentos são errôneos, considerando que tal cobrança deverá ser suspensa. O imóvel não pertence mais ao impugnante e sim a sua ex cônjuge que durante o divórcio judicial houve esta transmissão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000525/201087 Acórdão n.º 2803002.983 S2TE03 Fl. 5 4 O requerente tem legitimidade para obter certidões. Ocorre que a construção foi em 1991, conforme documentos anexos, ou seja, a mais de 10 (dez) anos e no contexto das regras próprias aplicáveis ao regime de lançamento por homologação, que, se a Fazenda não fizer o lançamento até antes de transcorrido 10 anos da data da ocorrência do fato gerador do tributo, o crédito tributário será definitivamente extinto. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamando. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000525/201087 Acórdão n.º 2803002.983 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte reedita os mesmos argumentos contidos na impugnação. Alega, inicialmente, que procurou a Receita Federal com objetivo de obter a CND relativamente a imóvel construído em 1991, mas que foi surpreendido com o auto de infração ora em discussão. Afirma ainda que apresentou os documentos comprobatórios de licenciamento legais. Contudo, apesar da defesa apresentada (impugnação), todos os argumentos foram desconsiderados pelo Fisco. Assevera que a decisão recorrida não esta fundamentada, situação que caracteriza efetivo cerceamento de defesa do contribuinte e que o crédito encontrase fulminado pela decadência, tendo em vista terse passado mais de 10 (dez) anos, pois a construção é de 1991. Por último, diz o contribuinte que o imóvel não lhe pertence, tendo sido transferido a sua excônjuge por ocasião do divórcio judicial. Os argumentos do contribuinte estão totalmente divorciados da realidade, conforme se pode observar das abalizadas argumentações do julgador a quo, in verbis: Conforme ARO (fls. 20/22), a referida obra iniciouse em 16/02/2009, sendo mencionada data corroborada pelo alvará de licença para construção, à fl. 29 do presente processo. Logo, a constituição do crédito em comento, ocorrida em 07/07/2010, fezse no prazo legal, a que alude o art. 173, I, do CTN. Por sua vez, a licença trazida à fl. 46, que remonta a 13/08/1991, foi emitida por outro Município (Prefeitura Municipal de Grossos), não havendo qualquer comprovação de que se refira à obra em questão. Quanto à acusação de erro no cálculo da área a regularizar, a impugnante não trouxe aos autos prova de suas alegações. Como já frisado, a área de 70 m2, a que alude o alvará de fl. 46, não pode ser deduzida, pelas razões expostas no parágrafo anterior deste voto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000525/201087 Acórdão n.º 2803002.983 S2TE03 Fl. 7 6 De igual sorte, a planta baixa (fl. 48), carreada ao feito pela defesa, não está assinada pelo responsável técnico que a elaborou. Tampouco consta tenha a mesma sido aprovada pela prefeitura de Tibau / RN. Sequer possibilita saber a área dos alpendres, dado que não especifica a alegada área coberta, correspondente aos quartos/sala/cozinha e banheiros. Também, não há na referida planta baixa, qualquer comprovação de que a mesma seja atinente à obra em discussão, porque não há nela qualquer referência neste sentido. Não há, igualmente, nos autos qualquer comprovação de não seja o Sr. Antônio Silveira Albano legitimado a compor o polo passivo da exigência em questão, mesmo porque todos os documentos relativos à citada obra, integrantes do presente processo, encontramse em seu nome. Como se pode observar, o lançamento foi realizado em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. Portanto, o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725374/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DAS TESES DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO, DE QUEBRA DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO AO PRIMEIRO E AO TERCEIRO FUNDAMENTOS ACIMA REFERIDOS.
Não é de se conhecer dos embargos quanto a alegada quebra do princípio constitucional da isonomia, de vez que já suficientemente enfrentada a questão pelo acórdão recorrido, conhecendo-se do recurso quanto aos demais fundamentos nele contidos.
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. ACRÉSCIMO À DECISÃO RECORRIDA DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO AO DESCABIMENTO DE TAL ALEGAÇÃO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
Não tendo sido enfrentada a alegação de ilegitimidade ativa da União para exigência de IRPF que deveria ter sido retido na fonte por Estado da Federação, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do descabimento de tal tese, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
Não se havendo enfrentado suficientemente a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, é de acrescer-se fundamentação à decisão recorrida no sentido do caráter tributário de tais verbas, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
Embargos acolhidos em parte, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE os embargos de declaração para acrescentar fundamentação à decisão embargada, sem alteração da parte dispositiva, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente).
Carlos André Ribas de Mello Relator.
EDITADO EM: 19/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DAS TESES DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO, DE QUEBRA DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO AO PRIMEIRO E AO TERCEIRO FUNDAMENTOS ACIMA REFERIDOS. Não é de se conhecer dos embargos quanto a alegada quebra do princípio constitucional da isonomia, de vez que já suficientemente enfrentada a questão pelo acórdão recorrido, conhecendo-se do recurso quanto aos demais fundamentos nele contidos. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. ACRÉSCIMO À DECISÃO RECORRIDA DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO AO DESCABIMENTO DE TAL ALEGAÇÃO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. Não tendo sido enfrentada a alegação de ilegitimidade ativa da União para exigência de IRPF que deveria ter sido retido na fonte por Estado da Federação, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do descabimento de tal tese, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. Não se havendo enfrentado suficientemente a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, é de acrescer-se fundamentação à decisão recorrida no sentido do caráter tributário de tais verbas, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. Embargos acolhidos em parte, sem efeitos infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE os embargos de declaração para acrescentar fundamentação à decisão embargada, sem alteração da parte dispositiva, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 19/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DAS TESES DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO, DE QUEBRA DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO AO PRIMEIRO E AO TERCEIRO FUNDAMENTOS ACIMA REFERIDOS. Não é de se conhecer dos embargos quanto a alegada quebra do princípio constitucional da isonomia, de vez que já suficientemente enfrentada a questão pelo acórdão recorrido, conhecendose do recurso quanto aos demais fundamentos nele contidos. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. ACRÉSCIMO À DECISÃO RECORRIDA DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO AO DESCABIMENTO DE TAL ALEGAÇÃO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. Não tendo sido enfrentada a alegação de ilegitimidade ativa da União para exigência de IRPF que deveria ter sido retido na fonte por Estado da Federação, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do descabimento de tal tese, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 74 /2 00 9- 58 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. Não se havendo enfrentado suficientemente a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, é de acrescerse fundamentação à decisão recorrida no sentido do caráter tributário de tais verbas, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. Embargos acolhidos em parte, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER PARCIALMENTE os embargos de declaração para acrescentar fundamentação à decisão embargada, sem alteração da parte dispositiva, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello – Relator. EDITADO EM: 19/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello (Relator). Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Trata a presente hipótese de embargos de declaração opostos por Célia Oliveira Boaventura, nos quais alega a Embargante a existência de omissão acerca dos seguintes fundamentos veiculados em seu recurso voluntário: (i) Ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo; (ii) Quebra do Princípio Constitucional da Isonomia, e; (iii) Não incidência do Imposto de Renda sobre Juros de Mora. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725374/200958 Acórdão n.º 2802002.535 S2TE02 Fl. 301 3 Destarte, analisando o Acórdão embargado, é de se reconhecer que a questão da ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo e da não incidência do imposto de renda sobre os juros de mora da verba paga a destempo não restaram suficientemente enfrentadas, razão pela qual é se de recomendar a admissão dos embargos neste particular. Todavia, o mesmo não se pode admitir com relação ao fundamento da suposta quebra de isonomia, a qual restou suficientemente decidida, nos termos em que se segue (fls. 244): “Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora.” É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, apesar de tempestivos os embargos, é necessário examinar sua admissibilidade em face de cada um dos fundamentos apresentados pelo recorrente e indicados no relatório supra. Dessarte, analisando o Acórdão embargado, é de se reconhecer que a questão da ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo e da não incidência do imposto de renda sobre os juros de mora da verba paga a destempo não restaram suficientemente enfrentadas, razão pela qual é de admitiremse os embargos neste particular. Todavia, o mesmo não se dá com relação ao fundamento da suposta quebra de isonomia, a qual restou suficientemente decidida, nos termos em que se segue (fls. 290): “Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora.” Desta forma, é de se conhecer dos presentes embargos para que haja decisão sobre as alegações de ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo e da não incidência do imposto de renda sobre os juros de mora da verba paga a destempo. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. Não procede a alegação, uma vez que a prerrogativa dada pelo artigo 157, I, da Constituição Federal, aos Estados, de arrecadarem em definitivo o IRRF sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem, apenas implica em dispositivo relativo a repartição constitucional de receitas tributárias, sem qualquer implicação na legitimidade ativa da União para exigir o IRPF por meio de Auto de Infração. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725374/200958 Acórdão n.º 2802002.535 S2TE02 Fl. 302 5 inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Assim sendo, acolho parcialmente os embargos, mantendo a decisão recorrida em sua parte dispositiva, mas acrescendo na sua fundamentação tudo quanto acima se contem. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 15374.720002/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-000.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado REJEITAR os presentes embargos.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os Embargos de Declaração não são considerados o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado REJEITAR os presentes embargos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 00 02 /2 00 7- 22 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios apresentados pela contribuinte em face do Acórdão 140100.612, de 01 de julho de 2011, desta Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório constante do acórdão embargado, fls. 278280: 0 presente processo tem como objeto a declaração de compensação 1808499858.231006.1.7.030056, retificadora da de n° 36768.23606.151203.1.3.030391, por meio da qual a interessada pretende utilizar crédito no valor de R$ 2.938.786,75, oriundo de saldo negativo da CSLL referente ao ano de 1999, apurado pela sucedida Telecomunicações de Minas Gerais, CNPJ 17.184.201/000199. Em 18/07/2008 foi solicitada, através do despacho de fls 37, diligência com fins de verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. No âmbito da diligência, foram formalizadas as intimações de fls 39, 41/42 e 45. Do relatório conclusivo da diligência realizada (fls 59/60), datado de 04/03/2009, consta que : " ...a análise conclusiva a respeito do valor do saldo negativo fica completamente prejudicada, tendo em vista que não há como saber o valor do lucro liquido do período e, por conseqüência, a base de cálculo da CSLL. Tampouco, aferir a veracidade das adições e exclusões efetuadas, pela ausência da documentação respectiva." (sic) Em despacho decisório do qual a interessada foi cientificada em 07/06/2010 (fls 63/67), a compensação foi não homologada sob a justificativa de que não teriam sido apresentados os documentos necessários a demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 105, na qual alega, em síntese, que : • Com o objetivo de verificar a liquidez e certeza do crédito foi solicitada a realização de diligência. Em 21/10/2008 (fls 39) a interessada foi intimada a apresentar balancete de verificação, Lalur e planilhas demonstrando a Cofins efetivamente paga no período. Foram ainda solicitados esclarecimentos quanto a natureza jurídica das exclusões informadas na linha 19 da ficha 17 da DIPJ (reversão de provisões); • A interessada solicitou dilação de prazo (fls 40), foi novamente intimada em 07/01/2009(fls 40/41) e em 16/01/2009 apresentou sua resposta aos questionatnentos e pedidos a ela dirigidos; Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 15374.720002/200722 Acórdão n.º 1401000.979 S1C4T1 Fl. 3 3 • 0 relatório conclusivo da diligência realizada simplesmente asseverou a impossibilidade de apurar o saldo negativo que é objeto da lide, tendo em vista a falta de apresentação dos documentos que seriam necessários. Com base tão somente neste elatório e pelos mesmos motivos nele aduzidos, o despacho recorrido declarou não homologadas as compensações; • A conclusão de que não seria possível apurar a liquidez e certeza do crédito devese ao fato de o fiscal, segundo afirmou, "não possuir senha para acessar os pagamentos de um contribuinte de Minas Gerais ..." (sic) — fls 60 • Pela afirmação acima depreendese que por questões burocráticas internas não foi reconhecido o crédito da interessada. Ademais, o não reconhecimento foi genérico, não havendo sido discriminadas quais parcelas da apuração da interessada teriam sido rejeitadas; • 0 fisco deveria ter especificado relativamente a que rubricas houve insuficiência de comprovação e, ainda, o efeito das respectivas desconsiderações sobre o saldo negativo pleiteado; • É do fisco o ônus de comprovar a inexistência de crédito, quando estiver este registrado nas declarações e documentos fiscais do sujeito passivo; • Se o fisco não apontou de forma especifica e precisa a existência de eventual irregularidade na apuração da DIPJ, não pode simplesmente desconsiderála, tratando por inveridicos seus registros; • Incabível, por força do art 150, § 4° do CTN, que em 2010 o fisco rejeite itens da apuração realizada em 1999. A 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão 1233.693, assim ementado (fls. 156): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. ONUS DA PROVA. Nos termos do art 333 do CPC, é da interessada o ônus de comprovar o direito que alega possuir. SALDO NEGATIVO . LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A não apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período, quando o sujeito passivo tenha sido intimado a tanto, é fato que impede o reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 16/11/2010 (fls. 168), a contribuinte, em 15/12/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 169182, reiterando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. A recorrente arguiu a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação válida. Argumentou que a contribuinte não é obrigada a guardar os documentos fiscais, após o decurso no prazo decadencial. Afirmou que o crédito da Requerente, apurado em sua DIPJ do anocalendário de 1999 “representa uma situação jurídica consolidada, impossível de desconstituição pelo Fisco, em razão da preclusão temporal” (v. fls. 182) Ao final, requereu o provimento do presente recurso voluntário, para homologar a compensação aqui discutida. Esta Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 277: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO . LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A falta de apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período constitui fato impeditivo do reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL. Cientificada do retrocitado Acórdão em 28/05/2012 (fls. 292), a contribuinte interpôs Embargos de Declaração, arguindo omissão na retrocitada decisão. No que tange à alegada omissão, assim se pronunciou a embargante, fls. 298 e seguintes: Como visto, ao contrário do que sustenta a Embargante, o acórdão embargado não entendeu que o despacho decisório que negou o direito creditório teria deficiência na fundamentação. [...] Entretanto, o acórdão recorrido não se manifestou sobre a alegação de nulidade do procedimento de verificação do saldo negativo por cerceamento de defesa. Como já exposto, a cpnclusão da autoridade administrativa no sentido de ausência de certeza quanto à existência do crédito compensado se deveu ao fato de que estaria ele impossibilitado de confirmar os pagamentos que compuseram o saldo negativo, por “não possuir senha para acessar os pagamentos de um contribuinte de Minas Gerais, pesquisa esta que pode ser facilmente efetuada pela DIMCO/DERAT/RJO.” (fl. 60) [...] Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 15374.720002/200722 Acórdão n.º 1401000.979 S1C4T1 Fl. 4 5 Além disso, a autoridade administrativa não apontou nenhuma irregularidade ou inconsistência concreta na apuração da empresa informada em sua DIPJ. [...] Na verdade, repitase, a autoridade fiscal optopu por negar genericamente o crédito, sem dizer as razões pelas quais a declaração fiscal da empresa não podia ser considerada válida, ou ainda sem justificar a necessidade dos documentos (de períodos anteriores a 05 anos) que estavam sendo solicitados. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade, razão por que deles tomo conhecimento. De plano, considero importante consignar que os embargos declaratórios não constituem instrumento recursal adequado para rediscussão da matéria, inovação do feito ou mera manifestação de inconformismo, devendo ele aterse às questões tratadas no processo. Esclareço, outrossim, que ao órgão julgador cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento motivado, não sendo obrigado a rebater, um a um, todas as teses e argumentos trazidos à baila pela recorrente. Neste sentido, há conhecida jurisprudência do STJ (EDcl no AgRg no Ag 1107719 – RS). Feitas essas observações, passo a me manifestar sobre os presentes embargos. Segundo a embargante, este colegiado teria se abstido de analisar sua alegação no sentido de que a Receita Federal deixou de reconhecer o direito creditório da empresa por meras questões burocráticas internas, representada pelo fato de o Auditor Fiscal ter ou não senha de acesso aos sistemas mantidos pela Receita Federal). Não assiste razão à embargante. A ementa do acórdão embargado, por si só, bem esclarece o verdadeiro motivo pelo qual a Receita Federal abstevese de reconhecer o direito creditório pleiteado pela contribuinte, verbis (fls. 277): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO . LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A falta de apresentação dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período constitui fato impeditivo do reconhecimento da liquidez e certeza de alegado crédito, oriundo de saldo negativo de CSLL. Vale dizer que este entendimento, adotado unanimemente por esta Turma encontrase devidamente justificado, no voto condutor do acórdão recorrido, fls. 282283: Com fundamento no parágrafo único do art. 195 do CTN, a recorrente considera que estava desobrigada a guardar os documentos fiscais que embasaram a apuração do saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 1999. Com base nesse entendimento, considera que “o crédito da Requerente apurado em sua DIPJ do anocalendário de 1999 representa uma situação jurídica consolidada, impassível de Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 15374.720002/200722 Acórdão n.º 1401000.979 S1C4T1 Fl. 5 7 desconstituição pelo Fisco, em razão de preclusão temporal” (fls. 111). Não assiste razão à recorrente, por duas razões. Em primeiro lugar, devese ter em conta que, no momento em que a contribuinte apresentou a declaração de compensação objeto do presente processo, automaticamente começou a correr o prazo quinquenal para o fisco homologar a referida declaração, nos termos do art. 74, §§ 5° da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei 10.833, de 29.12.2003. Consequentemente, durante todo o referido prazo a contribuinte continuou obrigada a guardar os documentos fiscais que embasaram a apuração do saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, tendo em vista que é da interessada o ônus de comprovar o direito que alega possuir (art. 333 do CPC). Em segundo lugar, devese ter em conta que a DIPJ da contribuinte foi retificada fora do prazo regulamentar. Tal fato, por si só, exclui completamente a liquidez e certeza dos dados ali consignados. [...] [...] cabendo o ônus da prova a quem alega, na compensação incumbe à interessada a demonstração da efetividade do crédito pleiteado. Não ha que se aplicar a esta tarefa, do sujeito passivo, o prazo de que trata o art 150 do CTN, destinado unicamente ao fisco para realizar tarefa diversa: constituir o crédito tributário. Como facilmente se percebe, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte não decorreu de supostas “questões burocráticas internas” da Receita Federal, conforme indevidamente alegado pela embargante. O indigitado não reconhecimento decorreu, isso sim, da falta de apresentação, pelo contribuinte, dos documentos que permitiriam a ratificação do resultado contábil do período. Importante repetir os valores consignados na DIPJ foram retificados pela contribuinte fora do prazo regulamentar. Tal fato, por si só, exclui completamente a liquidez e certeza dos dados ali consignados. De todo o exposto, facilmente se conclui que o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que a contribuinte entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10940.000075/2002-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO A RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI EM VISTA DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA SAÍDA DE OUTROS PRODUTOS. POSSIBILIDADE.
O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 faculta à empresa o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO A RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI EM VISTA DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA SAÍDA DE OUTROS PRODUTOS. POSSIBILIDADE. O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 faculta à empresa o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Declarou voto o conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 75 /2 00 2- 02 Fl. 973DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 459/463), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do Acórdão nº 14 27.329, proferido em 27 de janeiro de 2010. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A interessada protocolizou, em 15/01/2002, o pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no 4° trimestre calendário de 2001, com esteio na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, e no montante de R$ 2.303.980,27, concomitantemente com pedido de compensação (fl. 1). Os dispositivos indicados no pedido, Decretolei n° 491, de 1969, art. 5°, e Decretolei n° 1.803, de 1980, art. 1°, foram derrogados, sendo as ocorrências fáticas regidas, a partir de 01/01/1999, conforme o regime jurídico inaugurado pela Lei n° 9.779, de 1999, art. 11. No Despacho Decisório de 24/02/2006, de fls. 392/399, a DRF em Ponta Grossa, PR, deferiu apenas parcialmente a solicitação de créditos de IPI, no valor de R$ 2.209.000,06 (saldo credor passível de ressarcimento), sem direito a juros compensatórios, e homologou a compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido: houve, em relação ao total de créditos relativos a insumos aplicados na industrialização (R$ 2.824.705,99), a redução no montante de R$ 615.705,93 correspondente aos débitos do imposto no trimestrecalendário, conforme demonstrativo de fl. 398. As aquisições com CFOP 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12 foram objeto de compensação na escrita fiscal, mas os respectivos créditos não fazem jus a ressarcimento. Insubmissa à decisão administrativa da qual teve ciência em 06/03/2006, conforme o AR nos autos, a interessada apresentou, em 05/04/2006, a manifestação de inconformidade, de fls. 402/409, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica, qualificado no instrumento de fls. 429/430, em que, resumidamente, afirma que a decisão recorrida é nula por preterição do direito de defesa (PAF, art. 59, II) e violação do principio da motivação (Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 2°), uma vez que a requerente não tem condições de conhecer as verdadeiras razões do deferimento apenas parcial do pleito; como a requerente não incluiu na apuração do ressarcimento os créditos relativos às aquisições com CFOP 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12, não poderia haver a dedução dos débitos referentes as saídas com CFOP 5.12 e 6.12, e, portanto, a diminuição dos créditos da interessada é decorrente da duplicidade de débitos considerados na apuração do saldo credor; por fim, requer o conhecimento e provimento da manifestação de inconformidade, sendo julgado procedente o pedido de restituição formulado e anulada a decisão proferida. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000075/200202 Acórdão n.º 3802002.078 S3TE02 Fl. 487 3 Em 15/03/2007, conforme o despacho de fl. 433, por força da Portaria SRF n° 179, de 13 de fevereiro de 2007, este processo foi encaminhado a esta DRJ. A requerente juntou ao processo (fls. 435/440), em 17/04/2007, cópia da Resolução n° 20400.313 de 07/11/2006 da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que fora determinada, em diligência, a exclusão, do saldo credor do trimestre, dos débitos referentes às saídas com CFOP 5.12 e 6.12. Nova juntada pela contribuinte em 12/01/2009 (fls. 445/457): Acórdão no 20403.146, de 08/04/2008, da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que é dado provimento ao recurso da interessada em virtude de sucessiva mudança de critério jurídico para indeferir o direito creditório em questão, prejudicial ao direito de defesa da requerente. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acatados pela primeira instância de julgamento, que, não obstante haver reconhecido a falta de clareza do despacho decisório de fls. 459/463, entendeu serem legítimas as exclusões correspondentes aos CFOP 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12. O correspondente Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR ESCRITURAL. Ao cabo do trimestrecalendário, somente o saldo credor resultante do confronto entre créditos (relativos a insumos utilizados na industrialização) e débitos em cada período de apuração é passível de ressarcimento/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Ainda que haja deficiência na motivação de um despacho decisório, outros elementos presentes nos autos são aptos a evitar o cerceamento de defesa e elidir a respectiva nulidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 25/05/2010 (conforme AR de fls. 465), a interessada, em 23/06/2010 (fls. 468), apresentou o recurso voluntário de fls. 468/478, onde aduz o seguinte: a) que o único fundamento utilizado para deferir apenas parcialmente o pleito foi a impossibilidade de cômputo, para fins de ressarcimento ou compensação, das aquisições de insumos destinados à comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra situação que não integre o processo produtivo, haja vista que não se subsumem ao conceito de “aplicados na industrialização”; tais aquisições, correspondentes aos CFOP 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12 “[...] já foram utilizados pelo contribuinte na escrita Fl. 975DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração do saldo no RAIPI” (grifos e destaque da recorrente); b) que a interessada, atendendo a requerimento do próprio Auditor Fiscal, foi obrigada a elaborar as tabelas 3.2, 3.3 e 3.4A considerando todas as entradas sujeitas a crédito passível de ressarcimento, por serem destinadas à industrialização, bem como todas as operações com débito do imposto, ainda que já consideradas na apuração decendial do saldo no RAIPI; todavia, “[...] em nenhum momento o Auditor Fiscal logrou demonstrar, ou fazer qualquer referência, a quais insumos teriam sido computados pela Recorrente em seu livro de Registro que não seriam passíveis de crédito, posto que o montante informado pela contribuinte coincidiu com aquele constante da Tabela final, da página 07, do Despacho Decisório; c) que a conclusão a que chegou o despacho decisório não coincide com os lançamentos existentes no RAIPI, e que “[...] tal resultado tem origem no equivocado entendimento do Auditor Fiscal, reiterado em inúmeros outros procedimentos administrativos de ressarcimento de créditos apresentados pela empresa, de considerar, no cálculo do saldo credor, operações de saída já compensadas com outros créditos não passíveis de ressarcimento, distorcendo o resultado final”; d) que a decisão recorrida “[...] se baseou apenas [...] no Demonstrativo constante da página 07, do Despacho Decisório, para refutar as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade”; e) que “a Recorrente, em síntese, suscitou, basicamente, dois argumentos distintos para contestar o aludido Demonstrativo e sua metodologia de cálculo, quais sejam: a) a nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e; b) o indevido cômputo, nos demonstrativos requeridos pela fiscalização (Tabelas 3.2 a 3.4), que ensejaram o Demonstrativo da página 07, das operações realizadas com CFOP 5.12 e 6.12, posto que tais operações foram anteriormente confrontadas com os créditos gerados por operações de igual natureza (aquisição para revenda e material para uso e consumo), os quais não eram passíveis de ressarcimento”; f) reproduz trecho do voto de primeira instância em que a decisão vergastada reconhece a falta de “clareza e objetividade” do despacho decisório, embora tenha entendido não estar caracterizado o cerceamento ao direito de defesa da recorrente, e, portanto, a nulidade; g) que “o Despacho Decisório trouxe como único argumento para o deferimento parcial o de que não poderiam ser geradores de créditos passíveis de ressarcimento aquelas aquisições não destinadas a integrar o processo produtivo, todavia, não declinou quais insumos seriam esses [...]”; h) que inexiste lançamento de créditos não passíveis de ressarcimento no pleito da recorrente; i) que “o que motivou o deferimento apenas parcial do pleito de ressarcimento foi o critério adotado pelo Auditor na elaboração das tabelas 3.2 a 3.4A, já que, de um lado a Recorrente teve que discriminar os créditos passíveis de ressarcimento (Coluna A, da tabela da página 07) e, de outro, Fl. 976DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000075/200202 Acórdão n.º 3802002.078 S3TE02 Fl. 488 5 teve que lançar todas as operações com débito de imposto, mesmo aquelas que já teriam sido objeto de batimento com os créditos não passíveis de ressarcimento, como o próprio Auditor Fiscal reconheceu no início da página 7, do Despacho Decisório”; j) que “se as operações com CFOP 5.12 e 6.12 já haviam sido utilizadas na escrita fiscal, não poderiam, mais uma vez, ser consideradas na coluna de débitos do IPI”; “esse procedimento, totalmente irregular, gerou a diferença indeferida pelo Auditor Fiscal”; k) que, tendo sido demonstrado que não houve pleito de ressarcimento de créditos que não eram passíveis de ressarcimento, o despacho decisório tornouse imotivado; l) no tópico DO ERRO NA RECOMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR DO IPI, ressalta a recorrente que, não obstante tenha adquirido outros produtos cujo crédito não possibilitava o pedido de ressarcimento segundo o artigo 11 da Lei no 9.779/99, o fato desses créditos constarem do total creditado no período não permitiria a conclusão de que os mesmos integraram o pleito de ressarcimento da Recorrente; m) que “ao proceder à recomposição do saldo credor do IPI, o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal manejou em evidente equívoco, pois, a ora Recorrente, ao apresentar os documentos que suportaram os créditos do imposto federal, não considerou créditos decorrentes de operações de entrada com Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP's 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12, ou seja, devoluções de vendas, outras entradas não especificadas e compras para comercialização, ainda que registrados no Livro de Apuração, tanto que ressaltado pelo próprio Auditor Fiscal, às fls. 07 do Despacho Decisório, que tais créditos foram utilizados na apuração decendial do imposto”; n) “assim, não poderia a Secretaria da Receita Federal considerar como débitos, no quadro constante no despacho decisório do processo administrativo, aqueles referentes as saídas com CFOP's 5.102 e 6.102, vale dizer, saída de produtos para revenda, 6.556, devolução de compra de material de uso ou consumo, já que tais saídas somente poderiam ser confrontadas com os créditos gerados por operações de mesma natureza”; o) que “considerando, que os CFOP's 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12, não foram considerados no quadro de entradas com créditos de IPI no demonstrativo de pedido de ressarcimento e compensação apresentado ao fisco federal, não poderia haver deduções de débitos de operações com CFOP's 5.102, 6.102 e 6.556, pois se assim ocorresse estarseia diminuindo o crédito a que teria direito a Recorrente de forma indevida e sem previsão legal”; p) que “os créditos das entradas de bens para revenda (importados para venda no mercado nacional) são compensados com saídas de bens de revenda e, desta forma, não devem ser considerados como utilizados nos Fl. 977DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 casos descritos no artigo 11, da Lei n° 9.779/99, ou seja, como insumos para fabricação de produtos com saída com códigos 5.102, 6.102 e 6.556”; q) que “o procedimento adotado pela fiscalização federal provocou a compensação de créditos de aquisição de matériasprimas, materiais intermediários e materiais de embalagem destinados à produção com débitos de saída de produtos de revenda e devoluções de compra de material de uso ou consumo, de CFOP's 5.102, 6.102 e 6.556, operações essas que já haviam sido compensadas anteriormente com créditos decorrentes de entradas de produtos com CFOP's 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12”; r) que “o próprio Auditor Fiscal reconhece tal fato ao lançar, às fls. 07 do Despacho Decisório, que ‘... estes valores já foram utilizados pelo contribuinte na escrita fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração decendial do saldo no RAIPI’”; s) cita julgado de pleito da recorrente objeto do processo no 10940.000557/200049, em que “o então Conselho de Contribuintes teve o entendimento claro e pacífico de que improcederia computar no cálculo do saldo do IPI a ser ressarcido, na coluna dos débitos, saídas ocorridas cuja entrada dos insumos não geravam créditos ressarcíveis e que, por conta disto, foram normalmente batidos na apuração normal do tributo, não havendo razoabilidade que aqueles pudessem ser novamente contabilizados, como de fato fez o Sr. Auditor Fiscal, neste caso”. Por todo o exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a glosa parcial do pleito foi fundamentada na impossibilidade de cômputo, para fins de ressarcimento ou compensação, das aquisições de insumos destinados à comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra situação que não integre o processo produtivo, haja vista que não se subsumem ao conceito de “aplicados na industrialização”. A tabela 3.2 (fls. 33/47) – confeccionada pela empresa – diz respeito à apuração do crédito do IPI pela aquisição de insumos utilizados no processo produtivo durante o quarto trimestre de 2001 (CFOP 1.11, 2.11 e 3.11). A soma dos correspondentes créditos no período corresponde a R$ 2.824.705,99. Quanto a esse valor não há qualquer controvérsia, constando o mesmo da apuração feita pela SAORT da DRF Ponta Grossa, como consignado às fls. 398 (despacho decisório). Assim, conforme afirmado pela própria DRJ Ribeirão Preto no voto condutor do acórdão de primeira instância, tal montante não aborda “os créditos concernentes às entradas com CFOP 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12”. Tais códigos, de fato, não estão relacionados com o processo industrial. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000075/200202 Acórdão n.º 3802002.078 S3TE02 Fl. 489 7 Diversamente, consta do despacho decisório que glosou parcialmente o direito creditório vislumbrado que aludida glosa foi decorrente das “compras dos insumos” inerentes aos citados CFOP (1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12). De forma paradoxal, é afirmado, no referido despacho, que tais valores “[...] já foram utilizados pelo contribuinte na escrita fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração decendial do saldo no RAIPI”. Confirase o trecho do citado despacho decisório de onde foram extraídas as afirmações acima colacionadas (v. fls. 397/398): Com respaldo no art. 11 da Lei n° 9.779/1999, inferese não caber direito ao postulante de incluir o crédito do IPI relativo às aquisições de insumos não integrantes dos produtos fabricados, para fins de ressarcimento em espécie ou compensação com outros tributos administrados pela SRF, excluindose a parcela relativa a esses insumos destinada à comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra situação que não integre o processo produtivo, haja vista que não se subsumem ao conceito de "aplicados na industrialização". Logo, não entram no cômputo do ressarcimento e da compensação os créditos do IPI destacados nas compras dos insumos com os seguintes códigos CFOP: 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12. Entretanto, estes valores já foram utilizados pelo contribuinte na escrita fiscal, no batimento dos créditos versus débitos, na apuração decendial do saldo no RAIPI. Foram verificadas as notas fiscais referentes às entradas de mercadorias com direito ao crédito de IPI e as notas fiscais de saídas do estabelecimento industrial, por amostragem (fls. 100/365), e ficou constatada a correta escrituração fiscal desta amostra, não se constatando outras discrepâncias, exceto os casos já comentados. Deste modo, o saldo credor em moeda corrente correspondente ao 4°. trimestre de 2001 ficou assim constituído: O estorno disposto no art. 17 da IN SRF no 600/2005 está demonstrado à fl. 98, na escrituração fiscal do 1o decêndio de janeiro de 2002. Diante do exposto, proponho o reconhecimento parcial do direito creditório da importância de R$ 2.209.000,06 [...]. (grifos nossos) Fl. 979DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 Não obstante os fundamentos apresentados pela autoridade administrativa responsável pelo exame do pleito (v. despacho decisório, especialmente fls. 397/398 – trecho acima reproduzido), constatase, do teor da planilha de cálculo objeto do referenciado despacho, que o direito creditório foi apurado de forma diversa à fundamentação aduzida. Com efeito, o saldo do IPI a ressarcir foi obtido pela simples diferença entre: i) o crédito do IPI pela aquisição de insumos utilizados no processo produtivo (apurado na tabela 3.2 – Demonstração das operações de crédito do IPI (Entradas) – CFOP 1.11, 2.11 e 3.11), e; ii) o valor do IPI nas saídas de mercadorias (tabela 3.3 – Demonstração das operações de débito do IPI (Saídas) – CFOP 5.12, 5.95, 6.12, 6.31, 6.95 e 6.99). Na verdade, tal apuração nada mais é do que a reprodução da tabela 3.4 do sujeito passivo – Demonstração dos totais 2001 4o Trimestre – acostada às fls. 74 dos autos, a qual não representa o cálculo, pela interessada, do imposto passível de ressarcimento, mas unicamente o atendimento à intimação no 121/2005 (fls. 26/28), onde a autoridade fiscal exige referida declaração no leiaute prescrito (v. fls. 27), qual seja, o reproduzido no despacho decisório e na referenciada tabela 3.4. Do que foi acima exposto, resta evidente que a autoridade administrativa, ao examinar o pleito, muito embora tenha atestado, primeiramente, o escorreito levantamento do crédito do IPI relativo à aquisição de insumos (pois não incluiu as operações relativas aos CFOP 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12), apresentou, no entanto, demonstrativo de cálculo onde o levantamento do crédito foi realizado sem respaldo nas razões apresentadas. Além disso, a apuração do direito creditório pela autoridade administrativa revelase equivocada, já que o montante do crédito passível de ressarcimento (correspondente à aquisição de insumos para industrialização) foi diminuído com base nos valores lançados a débito do imposto pela venda de mercadorias adquiridas de terceiros. Enfim, correlacionou indevidamente rubricas de naturezas distintas. Com efeito, a apuração do saldo trimestral no contacorrente do IPI é necessária para verificar se há saldo credor do imposto, o qual, se equivalente ou inferior ao montante creditório decorrente da aquisição de insumos utilizados na industrialização (artigo 11 da Lei no 9.779/99) – calculado separadamente –, poderá ser objeto de ressarcimento. Em outras palavras, o saldo credor do imposto decorrente da aquisição de insumos para industrialização, que remanescer ao final do trimestrecalendário (depois dos débitos no acerto do contacorrente), poderá ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação, como, aliás, autorizam expressamente o artigo 11 da Lei no 9.779/99 e o § 2º do artigo 2o da IN SRF no 33, de 04/03/1999. Isso é bastante para evidenciar o erro procedimental adotado pela autoridade administrativa, que, conforme acima exposto, confundiu a apuração dos créditos passíveis de ressarcimento com o levantamento do saldo credor do imposto. Em outras palavras, referida autoridade não distinguiu a forma de apuração do crédito com a condição para a obtenção do incentivo na forma de ressarcimento ou compensação, tendo laborado em erro ao confrontar operações de naturezas diversas. A decisão de primeira instância também não é feliz em demonstrar a legitimidade da glosa parcial do crédito pleiteado pela interessada. Nos fundamentos da referida decisão, muito embora esteja registrada a falta de clareza do despacho decisório em comento, tentase explicar a glosa com a simples citação “[...]das planilhas de fls. 33/74, da cópia da escrita fiscal de fls. 75/98 e da planilha de fl. 398 [...]”; todavia, a decisão de primeira instância não atesta efetivamente o suposto cômputo indevido, por parte da interessada, de créditos passíveis de ressarcimento. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000075/200202 Acórdão n.º 3802002.078 S3TE02 Fl. 490 9 De fato, em análise do Registro de Apuração do IPI constatase que a suplicante apurou e escriturou corretamente o saldo credor do imposto ao qual tem direito mediante ressarcimento, como se pode ver do demonstrativo abaixo, elaborado com base nos lançamentos efetuados em sua escrituração. Demonstrativo de apuração do saldo credor do IPI no 4º trimestre de 2001 passível de ressarcimento segundo o artigo 11 da Lei nº 9.779/99 (apuração decêndio a decêndio) Período Créditos, Débitos e Saldo do IPI no período Valor fls. eProc Saldo credor trim. anterior antes pedido ressarcimento 2.150.458,43 153 () Pedido de ressarcimento proc. 10940.001384/0119 2.428.453,65 " (=) Saldo (devedor) do trimestre anterior 277.995,22 1º Dec out/2001 (+) Créditos 314.586,92 153 () Débitos 78.769,65 " (=) Saldo DEVEDOR do decêndio 42.177,95 " (+) Recolhimento realizado em 11/10/2001 42.177,95 " (=) Saldo credor do decêndio 0,00 " (+) Créditos 180.761,62 159 2º Dec out/2001 () Débitos 38.669,37 " (=) Saldo credor do decêndio 142.092,25 " (+) Créditos 543.930,74 165 3º Dec out/2001 () Débitos 94.073,77 " (=) Saldo credor do decêndio 591.949,22 " (+) Créditos 270.986,21 169 1º Dec nov/2001 () Débitos 76.151,10 " (=) Saldo credor do decêndio 786.784,33 " (+) Créditos 273.431,27 173 2º Dec nov/2001 () Débitos 67.636,56 " (=) Saldo credor do decêndio 992.579,04 " (+) Créditos 498.376,61 179 3º Dec nov/2001 () Débitos 59.172,87 " (=) Saldo credor do decêndio 1.431.782,78 " (+) Créditos 233.828,88 183 1º Dec dez/2001 () Débitos 80.573,77 " (=) Saldo credor do decêndio 1.585.037,89 " (+) Créditos 421.005,59 189 2º Dec dez/2001 () Débitos 60.904,90 " (=) Saldo credor do decêndio 1.945.138,58 " (+) Créditos 425.359,24 195 3º Dec dez/2001 () Débitos 66.517,55 195 (=) Saldo credor do decêndio/trimestre (passível de ressarcimento) 2.303.980,27 195 e 197 Valor pleiteado do ressarcimento 2.303.980,27 195 e 197 Diferença 0,00 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente, reconhecendo o direito creditório de R$ 2.303.980,27, conforme demonstrado acima, devendo ser homologadas as compensações até o limite do crédito em tela. Esclareçase que no referido montante de R$ 2.303.980,27 está incluído o valor de R$ 2.209.000,06 já deferido pela unidade preparadora. Assim, em conseqüência do presente recurso, reconhecese o direito creditório adicional de R$ 94.980,21. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Declaração de Voto Do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no 4° trimestrecalendário de 2001, com esteio na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, no montante original de R$ 2.303.980,27, concomitantemente com pedido de compensação (fl. 1). No Despacho Decisório de 24/02/2006, de fls. 392/399, a DRF em Ponta Grossa, PR, deferiu apenas parcialmente a solicitação de créditos de IPI, no valor de R$ 2.209.000,06 (saldo credor passível de ressarcimento), sem direito a juros compensatórios, e homologou a compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido: houve, em relação ao total de créditos relativos a insumos aplicados na industrialização (R$ 2.824.705,99), a redução no montante de R$ 615.705,93 correspondente aos débitos do imposto no trimestrecalendário, conforme demonstrativo de fl. 398. Foram desconsiderados da escrita fiscal os créditos relativos às operações com CFOP 1.32, 2.22, 2.32, 2.99 e 3.12. Manifestação de inconformidade acostada a fls. 402 a 409, em que o interessado alega que foi equivocada a recomposição do saldo credor feita pelo auditor fiscal, pois não considerou os créditos relativos às aquisições para revenda (CFOP 1.12, 2.12 e 3.12), mas computou os débitos referentes às saídas para revenda (CFOP 5.12 e 6.12). A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte. Em recurso voluntário, a interessada repisa que “ao proceder à recomposição do saldo credor do IPI, o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal manejou em evidente equívoco, pois, a ora Recorrente, ao apresentar os documentos que suportaram os créditos do imposto federal, não considerou créditos decorrentes de operações de entrada com Códigos Fiscais de Fl. 982DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10940.000075/200202 Acórdão n.º 3802002.078 S3TE02 Fl. 491 11 Operações e Prestações – CFOP's 1.32, 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12, ou seja, devoluções de vendas, outras entradas não especificadas e compras para comercialização, ainda que registrados no Livro de Apuração, tanto que ressaltado pelo próprio Auditor Fiscal, às fls. 07 do Despacho Decisório, que tais créditos foram utilizados na apuração decendial do imposto”; A matéria em apreço encontra tratamento normativo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, que faz menção ao saldo credor acumulado no trimestre e não ao total de créditos do trimestre: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda”. A Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, art. 2º, é absolutamente didática sobre o assunto: “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos;II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)”.(g.m.) Fl. 983DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Analisando a questão, penso que incorreram em equívoco fiscalização e contribuinte. Explico. O valor correto a ser ressarcido, entendo, é o saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte ao final do 4º trimestre de 2001: no valor de R$ 2.303.980,27 (fl. 97, 195 digital) consoante requerido. A Fiscalização deveria, após apurar o total de créditos de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, ter subtraído eventual saldo devedor existente na escrita fiscal e não o total de saídas. Ora, uma vez consideradas todas as saídas de produtos, haveria que se considerar também todas as entradas. A lógica da sistemática, penso, seria, a uma, não permitir que créditos oriundos de operações não afetas a industrialização própria fossem objeto de ressarcimento, e, a duas, priorizar a utilização dos créditos de aquisição de insumos inicialmente na compensação realizada na escrita fiscal. Noutro giro, o valor a ser ressarcido corresponderia ao saldo credor apurado na escrita fiscal, considerandose todas as entradas e saídas, tomandose o cuidado de se averiguar se o seu valor é inferior ou igual ao total de créditos decorrentes da aquisição de insumos para se evitar o ressarcimento de créditos não admitidos pela IN SRF nº 33/99. Assim, além do valor de R$ 2.209.000,06 já reconhecido pelo despacho decisório, reconheço ainda o valor de R$ 94.980,21, totalizando o valor de R$ 2.303.980,27 (fl. 97, 195 digital) consoante requerido que corresponde ao saldo credor apurado na escrita fiscal do contribuinte (e inferior ao total de créditos decorrentes da aquisição de insumos), homologando a respectiva compensação até o limite do valor reconhecido. Da conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 984DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10510.721235/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Súmula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO.
Configurada a falta de retenção do imposto sobre a renda na fonte em data posterior ao prazo fixado para a entrega da DIRPF, é cabível a aplicação da multa isolada, pelo cumprimento da referida obrigação, com percentual de 75%, não prosperando a qualificação da multa.
Numero da decisão: 1101-001.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dá provimento parcial para exonerar a multa qualificada somente no relativo ao IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Súmula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO. Configurada a falta de retenção do imposto sobre a renda na fonte em data posterior ao prazo fixado para a entrega da DIRPF, é cabível a aplicação da multa isolada, pelo cumprimento da referida obrigação, com percentual de 75%, não prosperando a qualificação da multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dá provimento parcial para exonerar a multa qualificada somente no relativo ao IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
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De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Súmula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. MULTA ISOLADA. FALTA DE RETENÇÃO. Configurada a falta de retenção do imposto sobre a renda na fonte em data posterior ao prazo fixado para a entrega da DIRPF, é cabível a aplicação da multa isolada, pelo cumprimento da referida obrigação, com percentual de 75%, não prosperando a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dá provimento parcial para exonerar a multa qualificada somente no relativo ao IRRF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 12 35 /2 01 3- 65 Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.176 2 (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.177 3 Relatório A 1a Turma da DRJ/Salvador submete a reexame necessário decisão que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 14/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$13.120.931,18. Trata o presente processo dos Autos de Infrações de folhas n°s. 03 a 29, lavrados contra a Contribuinte acima identificada, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 13.120.931,18: Imposto de Renda Pessoa Jurídica...............................R$ 3.253.592,40 Juros de Mora (calculados até 30/12/2010).................R$ 1.396.620,16 Multa Proporcional (Passível de Redução)..................R$ 4.323.419,75 Multa Exigida Isoladamente (Passível de Redução)....R$ 697.922,81 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL...R$ 1.170.703,35 Juros de Mora (calculados até 30/12/2010)..................R$ 522.617,70 Multa Proporcional (Passível de Redução)...................R$ 1.756.055,01 Consta da decisão recorrida o seguinte relato: De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica e o “Termo de Verificação Fiscal” (docs. de fls. n°s. 03 a 20 e 31 a 43), o crédito tributário ali lançado foi constituído em razão de a Fiscalização indicar que a Contribuinte, no decorrer do anocalendário de 2006 e de 2007, teria cometido diversas infrações, cujos fundamentos e consequências podem ser assim resumidos, como segue: a) “001 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS”: qualificados como despesas indedutíveis na apuração do lucro real em razão de “baixa gratuita de duplicatas, equivalente a perdão de dívidas, emitidas contra a empresa New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ 58.634.536/000149, comprovadamente ligada ao contribuinte autuado, e deduzidas indevidamente na apuração do lucro real como despesas financeiras”, nos valores de R$ 1.398.279,30; R$ 663.001,62; R$ 2.288.764,71 e R$ 2.379.096,14, no total de R$ 6.729.141,77, correspondente aos fatos geradores do 1º ao 4º trimestre do ano calendário de 2006, encerrados, respectivamente, em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12/2006, tendo como enquadramento legal os artigos 249, inciso I; 251, parágrafo único; 299 e 300, todos do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999); Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.178 4 b) “002 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS”: por não corresponder à despesa necessária à atividade da empresa nem a manutenção da fonte produtora, foram glosadas como indedutíveis as despesas classificadas contabilmente como “Programa de Marketing” e escrituradas na conta de “Despesas de Propaganda”, relativas aos valores pagos, conforme notas fiscais, à empresa Incentive House que os repassava aos beneficiários pessoas físicas determinados pela Autuada, conforme contrato, através de cartões de premiação, nos valores de R$ 1.572.221,25; R$ 809.799,01 e R$ 793.000,83, no decorrer, respectivamente, do 1º, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2006, tendo como enquadramento legal, os artigos 247; 249, I, 251, parágrafo único; 299 e 366, todos do RIR/1999; c) “003 – PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS”: porque no anocalendário de 2006 a Contribuinte teria contabilizado como perda e deduzido em sua Apuração do Resultado do Exercício, transcrita no LALUR, o valor de R$ 2.556.531,44, correspondente às duplicatas emitidas no decorrer dos anoscalendário de 2005 e 2006 contra a empresa New Work Comércio e Participações Ltda., CNPJ n° 58.634.536/000149, sem qualquer providência de cobrança e em razão do grau de parentesco existente entre os sócios da autuada e a empresa sacada, com infringência ao artigo 9º, § 6º, da Lei n° 9.430, de 17 de dezembro de 1996, reproduzido no § 6º, do artigo 340, do RIR/1999, o qual veda a dedução das perdas pelo não recebimento de créditos de pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas, tendo como enquadramento legal, além do já citados, os artigos 249, I e 251, parágrafo único do RIR/1999; d) “004 – PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES”: que em decorrência dos lançamentos realizados neste Auto de Infração, o prejuízo fiscal relativo ao 1º (primeiro) trimestre de 2006 foi reduzido para R$ 1.092.419,31, resultando em saldos de prejuízos insuficientes para serem utilizados em períodos posteriores, e, por consequência, foram glosadas as compensações realizadas nos seguintes trimestres de 2006: no 2º (segundo), o valor de R$ 1.084.226,54; no 3º (terceiro), o valor de R$ 313.189,68, e no 4º (quarto), o valor de R$ 1.573.083,96, tendo como enquadramento legal os artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510, do RIR/1999; e) “005 – RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS – FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO APURADO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL”: no valor de R$ 743.507,14, correspondente ao lucro real do 4º trimestre, apurado no LALUR,porque a Contribuinte “não declarou IRPJ e CSLL nas DCTF referentes ao anocalendário 2006, nem efetuou qualquer recolhimento, tendo informado na DIPJ 2007, que optou pelo Lucro Real Anual com levantamentos mensais de balancetes de suspensão/redução”, entretanto ela declarou, expressamente, que não foram levantados tais balancetes, bem como não foram escriturados em seu Livro Diário, nem no LALUR, tendo como enquadramento legal os artigos 220, 221, 222 e 230, do RIR/1999; f) “006 – MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA”: relativa ao mês de junho de 2007, uma vez que a Contribuinte teria apurado, naquele mês, com base em balanço de suspensão, lucro real tributável no valor de R$ 97.894,62, e não teria recolhido a correspondente estimativa no montante de R$ 22.473,65, cuja conseqüência foi a aplicação da Multa Isolada de 50%, no valor de R$ 11.236,82, tendo como Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.179 5 enquadramento legal o artigo 44, inciso I, alínea “b”, da Lei n° 9.430, de 1996, c/c os artigos 222 e 843, do RIR/1999; g) “007 – MULTA ISOLADA – RETENÇÕES NA FONTE”: Qualificada com a aplicação do percentual de 150%, totalizando R$ 686.685,99 (fls. 11, 12 e 1976 a 2012), sobre os valores do Imposto sobre a Renda que deixou de ser retido na fonte sobre a remuneração a diversas pessoas físicas devidamente identificadas, conforme relação apresentada pela empresa Incentive House S/A, contratada pela Autuada para efetuar os repasses dos pagamentos, no período compreendido entre janeiro e setembro de 2006, com infringência do § 1º, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, observandose que a base tributável foi reajustada onde os valores pagos foram considerados rendimentos líquidos do imposto que deveria ter sido retido, pela aplicação da seguinte fórmula: RR = (RPD)/[ 1( T/100)], sendo RR = Rendimento Reajustado; RP = Rendimento Pago; D = dedução da classe de rendimentos a que pertence o RP; e T = a alíquota da classe de rendimentos a que pertence o RP. Tendo como enquadramento legal o artigo 9º, da Lei n°10.426, de 24 de abril de 2002; h) MULTA QUALIFICADA DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO): “tendo em vista que as condutas acima, que caracterizam a intenção de, utilizandose de meio fraudulento, reduzir o imposto de renda e a contribuição social, assim como no item 5, também suprimir o recolhimento da contribuição previdenciária, deve ser aplicada a duplicação da multa prevista no § 1º, do art. 44, da Lei n° 9.430/96” (destaquei). 3. Em decorrência dos referidos fatos foi apontada, também, a falta de recolhimento da CSLL, sendo lavrado o correspondente Auto de Infração, estando ali discriminadas as ocorrências relacionadas nas alíneas “a” a “e”, do item 2, precedente, como se segue: a) a glosa de “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS”; b) a apontada ocorrência de “DESPESAS INDEDUTÍVEIS” relativas às despesas classificadas contabilmente como “Programa de Marketing” e escriturada na conta de “Despesas de Propaganda”; c) a glosa das “PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS” ; d) a ocorrência do “lucro real trimestral, apurado no LALUR, mas não declarado” (Lucro Líquido relativo ao 4º trimestre de 2006, no montante de R$ 743.507,14, uma vez que a “Contribuinte não declarou IRPJ e CSLL nas DCTF referentes ao anocalendário 2006, nem efetuou qualquer recolhimento, tendo informado na DIPJ 2007, que optou pelo Lucro Real Anual com levantamentos mensais de balancetes de suspensão/redução”; e) MULTA QUALIFICADA DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO) “tendo em vista as condutas acima, que caracterizam a intenção de, utilizandose de meio fraudulento, reduzir o imposto de renda e a contribuição social, assim como no item 5, também suprimir o recolhimento da contribuição previdenciária, deve ser aplicada a duplicação da multa prevista no § 1º do artigo, 44, da Lei n°9.430/96”. 4. Observandose que no Auto de Infração relativo à CSLL foram indicados como Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.180 6 enquadramento legal, principalmente, os artigos 2º e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; artigo 1º, da Lei n° 9.316, de 1996, artigo 28, da Lei nº 9.430, de 1996 e o art. 37, da Lei n° 10.637, de 2002. A contribuinte apresentou impugnação lastreada nos seguintes fatos e argumentos, a seguir elencados, em síntese: Preliminarmente pede nulidade do auto de infração por falta de provas. Cita art. 142 do CTN, doutrina e jurisprudência. Alega ausência de fraude e improcedência da multa qualificada do art. 44, parágrafo 1o da Lei 9.430/1996 e que resta claro que não há prova de qualquer fraude, seja em razão da ausência de documentos juntados pela fiscalização que comprovem o alegado, seja em decorrência da existência de culpa, ou dolo, na prática do contribuinte. Cita o art. 72 da Lei no 4.502/1964 e que a presunção de legitimidade dos atos administrativos não é suficiente para afastar o dever de provar da fiscalização. Cita doutrina e jurisprudência. Adentrando ao mérito, coleciona doutrina e jurisprudência para embasar a afirmação que o auditor fiscal equivocouse ao enquadrar os descontos concedidos, perda do recebimento de créditos e juros sobre operações financeiras como despesas desnecessárias, nos termos do art. 299 do RIR/99. Explica que o caput do artigo 299 exige que “tais despesas, para serem dedutíveis, sejam necessárias à atividade da empresa, enquanto o seu primeiro parágrafo prevê que são necessárias aquelas despesas relacionadas à realização de transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, enquanto o parágrafo segundo exige que tais despesas sejam usuais.” E que não há dúvidas que as despesas ocorridas resultam de intensas negociações comerciais, extremamente comuns no mercado de confecções, para garantir a manutenção do seu principal cliente. Em sua defesa, afirma que “estratégias de fidelização dos seus cliente mais relevantes, bem como de incentivo às pessoas físicas que estão envolvidas na venda dos seus produtos (vide mais adiante a glosa dos valores referentes aos benefícios da Incentive House), são práticas comuns adotadas pelas empresas no mercado. Isso se intensifica ainda mais em relação aos fornecedores que, diante da alta concorrência existente, decorrente, entre outros fatores, do aquecimento da economia no Brasil, se submetem freqüentemente aos pedidos de redução do preços realizados pelos seus clientes, como ocorre no caso da Intergriffe”s em relação à New Work.” Diz que o setor da indústria de confecções vivia em 2006 e 2007 uma situação difícil, em face da concorrência desleal de produtos importados e que se não fossem concedidos descontos por toda a indústria nacional do ramo de confecções aos grandes varejistas, esses passariam a adquirir mercadorias importadas. Afirma que apresentou documento enviado pela New Work (doc.2) solicitando descontos, entre outros assuntos e que os pedidos realizados pela New Work, ainda que com a concessão dos descontos, representavam cerca de 56% da receita da contribuinte. Questiona “qual empresa no Brasil não daria descontos de 13 a 20%, se o seu segmento permitir tal estratégia, como forma de manter o cliente que representa mais de metade de sua receita?” Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.181 7 Aduz os descontos concedidos eram condicionais, não havendo dedução da base de cálculo do PIS, COFINS ou ICMS e que a afirmação do autuante de que a concessão de descontos demonstrou uma forma inequívoca da intenção de transferir resultado positivo, através diminuição do lucro tributável, teria resultado à contribuinte a um enorme prejuízo e seria um planejamento tributária inócuo. Adiciona que os descontos eram concedidos periodicamente, durante todos os meses de 2006, portanto, de forma habitual. Diz que a forma como foram contabilizados estes descontos a seu principal cliente, a saber: descontos financeiros, perdas no recebimento de créditos, juros sobre operações financeiras, não são relevantes em vista da verdade material, que seria o valor total pago pelo cliente. Subsidiariamente, alega que o enquadramento da glosa de perdas no recebimento de crédito (art. 340, §6o do RIR/99) não se aplica aos autos, pois a Intergriffe’s e a New Work não possuem qualquer relação societária. Quanto à dedução dos valores pagos a título de Incentive House, registrados como propaganda e publicidade, decorrentes de pagamento de benefícios a terceiros, empregados da New Work, por meio da Incentive House e glosados pela fiscalização, aduz que a razão para o pagamento é a mesma da concessão de descontos financeiros, ou seja, incentivar a venda de seus produtos e prestigiar a relação comercial com seu principal cliente. Cita jurisprudência administrativa. Adiciona que é possível equiparar os benefícios concedidos às comissões pagas a terceiros para que promovam a venda de seus produtos e que não há duvidas de que se tratam de despesas necessárias, intrinsecamente relacionadas às atividades empresariais da contribuinte, configurando meios hábeis de otimização de vendas. Relativamente às multas aplicadas pela não retenção de imposto de renda dos valores pagos por meio da Incentive House e pela ausência de recolhimento de parcelas do regime de estimativas, alega, citando doutrina e jurisprudência, que os cálculos para aplicação da multa são indevidos pois os valores pagos foram considerados líquidos e que vieram a ser recolhidos pelos beneficiários quando do recolhimento do IRPF. Especificamente sobre a multa aplicada pela ausência de recolhimento da parcela da estimativa, alega que se houve prejuízo para a União Federal, seria única e tão somente a indisponibilidade no período compreendido entre quando o valor deveria ser recolhido e o valor devido ao final do anocalendário e que a multa só poderia ser aplicada sobre o valor do prejuízo efetivamente causado aos cofres públicos, nunca sobre o valor do principal que veio a ser considerado quando do ajuste do final do anocalendário de 2007. A 1a Turma Julgadora da DRJ/SDR acatou estes argumentos em parte decidindo por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO para rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, manter integralmente o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no montante de R$ 3.253.592,40 (três milhões, duzentos e cinqüenta e três mil, quinhentos e noventa e dois reais e quarenta centavos); à Multa Isolada pela falta de recolhimento de estimativa no montante de R$ 11.236,82 (onze mil, duzentos e trinta e seis reais e oitenta e dois centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no montante de R$ 1.170.703,35 (um milhão, cento e setenta mil, setecentos e três reais e trinta e cinco centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, observandose, entretanto, a redução da Multa de Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.182 8 Ofício de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); manter a Multa Isolada relativa ao Imposto sobre a Renda incidente na fonte no valor de R$ 343.343,03 (trezentos e quarenta e três mil, trezentos e quarenta e três reais e três centavos); e exonerar o montante de R$ 343.342, 96 (trezentos e quarenta e três mil, trezentos e quarenta e dois reais e noventa e seis centavos), juntamente com os correspondentes acréscimos legais. Foi exarado o acórdão 1527.562 cuja ementa transcrevese a seguir ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação que rege a matéria. ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Considerase sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe à pessoa que alega os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de direito do autor. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de sua competência o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. DESCONTOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. PESSOA LIGADA. Cabível a glosa das despesas registradas contabilmente a título de descontos concedidos e de baixa de juros, quando se constata que tal procedimento só foi adotado para um único cliente, pessoa ligada à contribuinte, o que caracteriza a existência de tratamento privilegiado em detrimento a outros clientes da contribuinte, e se configura em liberalidade, o que torna tais despesas indedutíveis na apuração do lucro real. DESPESAS DE PROPAGANDA. AUTORIDADE LANÇADORA. PAGAMENTOS. GLOSA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CAUSA. Cabível a contestação e a consequente glosa, pela Autoridade Lançadora, dos pagamentos realizados a título de despesas de propaganda, quando a contribuinte não demonstra a vinculação entre os pagamentos realizados e a alegada prestação de serviços que lhe teria dado causa. CRÉDITO. PERDAS NO RECEBIMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.183 9 Cabível a glosa das despesas lançadas a título de perdas no recebimento de duplicatas, diante da ausência de providências para a cobrança dos correspondentes créditos, requisito essencial para que tais perdas sejam admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real. GLOSA DE DESPESAS. BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL. NOVA REALIDADE TRIBUTÁRIA. Confirmadas as glosas das despesas objeto do lançamento de ofício, deve ser recomposta a base de cálculo tributável apurada pela contribuinte, de forma a se adequar à nova realidade tributária dali decorrente, inclusive quando resultar na glosa de prejuízo fiscal compensado. LUCRO REAL TRIMESTRAL. IMPOSTO. FALTA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Apurada a existência de lucro real trimestral escriturado no LALUR e não declarado, é cabível a realização do lançamento para a constituição do correspondente crédito tributário. A ausência de contestação específica relativamente ao mérito da questão, nos termos do artigo 17, do Decreto n° 70.235, de 1972, torna tal matéria não impugnada. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Incabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), a qual deve ser reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) pelo descumprimento da obrigação principal apurada em procedimento de ofício, se a autoridade tributária não apresenta os elementos objetivos que comprove, de forma inequívoca, a ocorrência de ato fraudulento e do intuito de praticálo. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto sobre a renda devido por estimativa sujeita a pessoa jurídica, sob procedimento de ofício, à penalidade da multa isolada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, mutatis mutantis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL. Configurada a falta de retenção do imposto sobre a renda em data posterior ao prazo fixado para a entrega da Declaração de Ajuste da pessoa física, é cabível a aplicação da correspondente Multa Isolada pelo descumprimento da referida obrigação, cujo percentual deve ser reduzido de 150% para 75% (setenta e cinco por cento), se a autoridade tributária não apresenta os elementos objetivos que Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.184 10 comprove, de forma inequívoca, a ocorrência de ato fraudulento e do intuito de praticálo. Cientificada em 14/07/2001 (fl. 2.142) e transcorrido o prazo regulamentar do Decreto 70.235/72, sem apresentação de recurso voluntário, foi lavrado termo de perempção (fl. 2.146). O processo original 10510.720114/201134 foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva . Para possibilitar a análise pelo CARF do recurso de ofício, foi formalizado o processo 10510.721235/201365. Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI A decisão de 1a instância sob reexame validamente exterioriza as justificativas para afastar as preliminares de nulidade do lançamento e manter o mérito da impugnação. O crédito tributário foi exonerado somente na parte relativa à multa qualificada, exigida pela autoridade lançadora nos termos do §1o do art. 44 da Lei no 9.430/96 e a decisão foi recorrida de ofício. Cientificada da decisão de 1a Instância em 14/07/2011 (AR fl. 2142), e transcorrido o prazo regulamentar sem apresentação de recurso ao CARF, foi lavrado termo de perempção (fl. 2.146). Cabe análise, portanto somente da parte recorrida de ofício, qual seja, redução da multa qualificada de 150% para 75%. A Lei nº 9.430/96 assim trata o agravamento de penalidades: · Redação anterior: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) [...] · Redação vigente a partir da Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.185 11 declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Por sua vez, prevêem os art. 71, 72 e 73 da Lei. 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No item 7 do Termo de Verificação, a autoridade fiscalizadora justificou a qualificação da multa nos seguintes termos: “Tendo em vista as condutas acima, que caracterizam a intenção de, utilizandose de meio fraudulento, reduzir o imposto de renda e a contribuição social, assim como no item 5, também suprimir o recolhimento da contribuição previdenciária, deve ser aplicada a duplicação da multa prevista no §1o do art. 44, da Lei no 9.430/96.” Compulsando o termo de verificação verificase que não o que se falar em Contribuição Previdenciária, pois não há nenhuma relação com este auto de infração. Com relação às demais glosas de despesas, verificouse que a contribuinte entregou as DIPJs dos anos sob procedimento fiscal pelo Lucro Real anual, informando as despesas posteriormente glosadas, como se dedutíveis fossem. Este é ponto central da autuação. A autoridade julgadora de 1a Instância explicitou as razões de decidir a respeito de qualificação da multa, com as quais compartilho neste caso, em razão do constante no Termo de Verificação e dos demais documentos constantes nos autos. Transcrevo a seguir as razões de decidir de lavra do relator Wellington José Araújo Lima: Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.186 12 66. Conforme já aqui visto, a Fiscalização, no item “7. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA”, do Termo de Verificação – Parte Integrante do Auto de Infração”, ao qualificar a multa, ela se refere às demais condutas ali anteriormente descritas, e, em especial, àquela de “também suprimir o recolhimento da contribuição previdenciária”. 67. No que diz respeito à possível supressão do recolhimento da contribuição previdenciária, não consta, nos autos, a existência de lançamento para a constituição de eventual crédito relativo a tal contribuição ou de outros elementos que tal afirmação. Ademais, ainda que tivesse sido configurada tal situação, ou seja, eventual falta de recolhimento de contribuição previdenciária, tal situação, por si só, não se configuraria em ocorrência de fraude a se comunicar com a apontada falta de recolhimento dos tributos ora aqui discutidos na presente lide. 68. Quanto à declaração de “tendo em vista as condutas acima, que caracterizam a intenção de, utilizandose de meio fraudulento, reduzir o imposto de renda e a contribuição social,” observase que a Fiscalização faz referência às situações anteriormente descritas no referido “Termo de Verificação”, que deram causa ao lançamento do IRPJ, e, conforme já aqui examinado, em sua essência, tratamse de despesas glosadas por indedutíveis na apuração do lucro real, principalmente porque elas, embora existentes, não seriam necessárias à produção da fonte produtora dos rendimentos, isto porque foram classificadas como liberalidade da fonte pagadora. 69. Dentre as definições de fraude contidas no conhecido “Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva”, da Editora Forense, transcrevo a seguinte, que me parece pertinente a matéria ora em lide: Fraude. Além do sentido de contravenção à lei, notadamente fiscal, possui o significado de contrafação, isto é, reprodução imitada, adulteração, falsificação, inculcação de uma coisa por outra. 70. O transcrito artigo 72, da Lei n° 4.502, de 1964, determina que para a existência de fraude é necessária a intenção dolosa do agente fraudador da obrigação tributária. 71. Nos termos do artigo 15, inciso I, do nosso Código Penal, a existência do dolo, “é quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi‐lo”. 72. Ou seja, para que exista a ocorrência de fraude, é necessário que nos autos estejam especificamente indicados os elementos que demonstrem a ação do contribuinte visando impedir ou retardar, de forma inequívoca, com a utilização de conduta fraudulenta (adulteração, falsificação, inculcação de uma coisa por outra – simulação, etc.), sem sombra de dúvidas, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. 73. Nesse sentido vide as seguintes ementas do então Primeiro Conselho de Contribuintes ( atual Conselho Administrativo de Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.187 13 Recursos Fiscais – CARF), prolatadas pela Oitava Câmara no Acórdão nº 10809836, na sessão de 05/02/2009, que transcrevo, no pertinente: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE – Nos termos do que determina a Súmula nº 14 do 1º Conselho de Contribuintes, a simples apuração de omissão de receita ou rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Possível, portanto, a desqualificação da multa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Obs.: destaquei. 74. Dentre as conclusões expedidas pela da Fiscalização no “Termo de Verificação” que poderiam indicar tal propósito (fl. n° 37), a Impugnante, em sua defesa, destaca o seguinte trecho, que transcrevo no pertinente: “após a leitura de todo o Termo de Verificação Fiscal, observa se que, basicamente, só há um ponto em que o I. Agente Fiscal faz suposições que podem levar a crer que existem condutas fraudulentas. Vejamos: ‘todas as operações entre essas empresas são efetuadas em condições altamente favoráveis à New Work, que não são dadas a outros clientes (...) podese verificar claramente que a separação societária visou apenas possibilitar a criação de despesas que reduzirão o lucro real da Intergriffe’s Nordeste e, por outro lado, transferir parte do resultado positivo para a New Work, que apresenta prejuízos.’” “ora, conforme será demonstrado adiante (vide tópico 111.A, infra), a concessão de descontos financeiros nada mais é do que prática negocial da empresa com o seu principal cliente, pressionada pela competitividade enfrentada em decorrência do aparecimento de outros fornecedores com estratégias ousadas de ingresso no mercado de vestuário.” Obs.: alguns dos destaques não constam no original. 75. À folha de n° 39, do referido Termo de Verificação, a Fiscalização reitera suas assertivas da seguinte forma: tais descontos demonstram, inequivocamente, a intenção de transferir resultado positivo, através do aumento de despesa, com o objetivo de reduzir o Imposto de Renda a pagar. Trata‐ se de verdadeiro Perdão de Dívida, mera liberalidade, sem a demonstração da necessidade da concessão, não sendo, pois, dedutíveis na apuração do lucro tributável”. Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.188 14 76. Contudo, apesar de a Fiscalização declarar que “de todas as constatações anteriores podese verificar claramente que a separação societária visou apenas possibilitar a criação de despesas que reduzirão o lucro real da Intergriffe’s Nordeste e, por outro lado, transferir parte do resultado positivo para a New Work, que apresenta prejuízos” e, afirmar a existência de perdão de dívida e de mera liberalidade, tais afirmativas encerram uma contradição, isto porque, caso fosse considerada uma única empresa como sugere tais afirmativas, as despesas da Impugnante resultantes das operações com a New Work se anulariam, isto porque se do lado da Impugnante os descontos e o perdão de dívidas são contabilmente considerados despesas, do outro lado, no caso da New Work, tais descontos e perdão de dívidas são considerados receitas, e, em eventual desconsideração da dita separação, que implicaria em uma situação de desconsideração da personalidade jurídica com a consolidação das duas empresas em uma única (que sequer é aventada nos autos), teria que haver a soma algébrica de tais despesas e receitas, as quais se anulariam, ou seja, não haveria o referido efeito tributário. 77. No presente caso, o que se constata é a existência de despesas que, embora admissíveis em uma relação comercial – descontos concedidos, pagamentos diversos e perdas no recebimento de créditos –, conforme já aqui visto, por força da legislação do IRPJ não podem ser admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real, e, por isso, deveriam ter sido adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, verificandose, por outro lado,que referida falta de adição não implica em situação de fraude. 78. Assim, não sendo apresentados pela Fiscalização elementos objetivos que comprovem, de forma inequívoca, a ocorrência de atos fraudulentos, nem do intuito de praticálos, afasto a qualificação da Multa de Ofício ora aplicada, a qual deverá ser reduzida para 75% (setenta e cinco por cento) do IRPJ mantido, eis que ausente, nos autos, os elementos que demonstrem o evidente intuito de fraude nos termos dos artigos 72 a 73, da Lei n° 4.502, de 1964. Conforme consta o Auto de Infração do IRPJ, foi também aplicada Multa Isolada pela ausência de retenção na fonte do Imposto sobre a Renda incidente sobre o valor da remuneração de diversas pessoas físicas devidamente identificadas, no período compreendido entre janeiro e setembro de 2006, com infringência do § 1º, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, tendo como enquadramento legal o artigo 9º, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. A multa foi qualificada com a aplicação do percentual de 150%, totalizando R$ 686.685,99, observandose que a base tributária foi reajustada, sendo que o valor originalmente pago foi considerado líquido do imposto que deveria ter sido retido (fls. 11, 12 e 1.976 a 2.012). As razões de decidir da DRJ, neste ponto, das quais também compartilho, estão transcritas a seguir: Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.189 15 “92. Portanto, se, no presente caso, a própria Impugnante afirma que deixou de reter o imposto de renda incidente na fonte sobre os valores pagos por intermédio da “Incentive House”, e a legislação determina expressamente, que nestes casos o rendimento pago deve ser considerado líquido, caberia a ela trazer a prova de que os valores pagos não seriam líquidos, para, assim, rever a base tributável prevista legalmente, eis que a legislação pátria determina que o ônus da prova compete a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (artigo 16, III, do Decreto n° 70.232, de 1972 c/c o artigo 333, do CPC). 93. Assim, configurada a ausência de retenção do Imposto sobre a Renda, em data posterior ao prazo fixado para a entrega da Declaração de Ajuste da pessoa física, cuja responsabilidade é da Impugnante, é cabível a aplicação da Multa Isolada pelo descumprimento da referida obrigação. 94. Por outro, conforme já aqui visto nos itens 61 a 78, precedentes, não foi demonstrada a apontada ocorrência de fraude, e, não sendo apresentadas novas razões além daquelas ali apreciadas, adota as conclusões ali expendidas, e afasto, também, a qualificação da Multa de Ofício ora aqui aplicada para reduzir o percentual de 150% para 75% (setenta e cinco por cento), conseqüentemente, o valor lançado ficará reduzido de R$ 686.685,99 para R$ 343.343,03 (trezentos e quarenta e três mil, trezentos e quarenta e três reais e três centavos).” Não tendo sido apresentada pela fiscalização a existência dos atos previstos nos artigos 71, 72, e 73 da Lei no 4.502/64, confirmo a decisão da DRJ para afastar a multa qualificada de 150%. Meu voto, portanto, é no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, mantendo a exoneração da multa qualificada. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.721235/201365 Acórdão n.º 1101001.026 S1C1T1 Fl. 2.190 16 Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.915581/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 15 58 1/ 20 09 -7 4 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10680.915581/200974 Resolução nº 3402000.609 S3C4T2 Fl. 162 2 Relatório Versa o processo de compensação declarada na PER/DCOMP, de nº. 11556.69504.151206.1.3.043004, no qual foi apontado como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior realizado pelo sujeito passivo no valor de R$94.389,77 (noventa e quatro mil, trezentos e oitenta e nove reais, setenta e sete centavos), relativo à COFINS (cód. 2172) no período de 09/2003. O Despacho Decisório Eletrônico de fls. 04 – numeração eletrônica, não homologou a compensação pretendida ao argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Na sua Manifestação de Inconformidade às fls. 02/03 (numeração eletrônica), a Recorrente alegou homologação do pedido de compensação ocorreu em razão de erro que deixou de ajustar a DCTF de forma a demonstrar o pagamento indevido, tendo então, em 28/05/2009, na tentativa de demonstrar o pagamento indevido, retificado a DCTF do 3º trimestre de 2003, e anexou cópia da declaração retificadora apontada. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, através do Acórdão nº. 0237.258, houve por bem em considerar improcedente o pleito do contribuinte, por entender que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), na data de 28/05/2009, estão atingidas pelo instituto da decadência. No Recurso Voluntário, tempestivo, a Recorrente aduz que a origem do direito creditório decorre de decisão judicial transitada em julgado em 17/02/2006, obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865 na qual pleiteava a não exigência da Cofins sobre a receita bruta total, prevista na Lei nº. 9.718/98. Portanto, após trânsito em julgado, a Recorrente passou a transmitir PER/Dcomp’s relativos aos recolhimentos efetivados a partir do período de novembro/2002, período a partir do qual passou a recolher mediante DARF a parcela da Cofins apurada sobre “Outras receitas”. Anexou à peça recursal cópias da certidão de inteiro teor emitida pelo TRF da 1ª Região acerca do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865, bem como, petição inicial, sentença e decisão final, com respectiva certidão de trânsito em julgado, Ofício TRF1 nº 0154/02 –STTUR, de 05/02/2003 ordenando a conversão em renda dos depósitos judiciais, Ofício CEF nº 349/2003, confirmando a conversão em renda dos depósitos judiciais; Livro Razão do exercício de 2003 e Extrato de pagamentos obtidos junto à RFB. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10680.915581/200974 Resolução nº 3402000.609 S3C4T2 Fl. 163 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende os pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Entretanto, entendo que não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência visando verificar se no período apontado como "originador" do indébito, em se aplicando a base de cálculo da LC nº 70/91, a Recorrente teria o crédito decorrente de pagamento a maior. Conforme acima relatado, o contribuinte efetivou compensações após o trânsito em julgado de decisão judicial própria que reconhecera ser inconstitucional o alargamento da base de cálculo da Cofins, porém, quando da apresentação da DCTF, bem como quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, deixou de informar que o seu crédito era oriundo da referida decisão judicial. Apesar de a Recorrente ter retificado somente após o despacho decisório a sua DCTF, e de não ter trazido à primeira instância as provas que juntou no seu Recurso Voluntário, entendo que, se efetivamente tiver recolhido a contribuição sobre “outras receitas” nos termos do alargamento previsto pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, poderemos estar efetivamente de um pagamento indevido ou a maior, e portanto, ser viável analisar a legitimidade da compensação declarada. Isto porque, no caso, quem origina o crédito é o pagamento indevido, e não a retificação (ou não) da DCTF (seja ela possível ou não, pelo decurso do prazo). A questão do prazo para se retificar a DCTF, no caso em concreto, é irrelevante para verificar se houve pagamento a maior, pois que não é a DCTF que constitui o crédito tributário, mas sim o pagamento indevido. E o pagamento indevido é decorrência de reconhecimento contido em decisão judicial própria do contribuinte, o que muda este caso na comparação com os casos de mero pagamento indevido em DARF. Neste caso, é a ação judicial, transitada em julgado em 02/2006, que permite a compensação, e não meramente o pagamento indevido feito sem ação. Daí porque a retificação (ou não) da DCTF é irrelevante para o deslinde da conclusão quanto a existência (ou não) do indébito, pois que esse não nasce do "documento eletrônico", mas do efetivo pagamento indevido, assim como o crédito tributário em favor da Administração não nasce do documento eletrônico, mas da efetiva ocorrência do fato gerador. De fato, os documentos trazidos no recurso servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: a) Pautandose na decisão transitada em julgado da ação judicial, verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, com relação ao mês em que está sendo apontada a existência de crédito utilizado para compensação veiculada na DCOMP em análise; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10680.915581/200974 Resolução nº 3402000.609 S3C4T2 Fl. 164 4 b) Manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante; c) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000726/00-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO
Tendo em vista inexistir omissão, contradição ou erro, os embargos não devem ser conhecidos. Inexistência de concomitância entre o presente processo e processos judiciais. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente com o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER dos embargos. Declarou-se impedido de participar do Julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
Karem Jureidini Dias Relatora
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias,Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO Tendo em vista inexistir omissão, contradição ou erro, os embargos não devem ser conhecidos. Inexistência de concomitância entre o presente processo e processos judiciais. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente com o acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER dos embargos. Declarou-se impedido de participar do Julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Karem Jureidini Dias Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias,Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO Tendo em vista inexistir omissão, contradição ou erro, os embargos não devem ser conhecidos. Inexistência de concomitância entre o presente processo e processos judiciais. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente com o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER dos embargos. Declarouse impedido de participar do Julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Karem Jureidini Dias – Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias,Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 07 26 /0 0- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13839.000726/0041 Acórdão n.º 9101001.737 CSRFT1 Fl. 5 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional ao Acórdão de n° 910100.300, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 25 de agosto de 2009. O acórdão embargado, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Especial do Procurador, aplicando a regra decadencial do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, em detrimento da regra do artigo 173, I do mesmo diploma legal, em decisão que restou assim ementada: IRPJ. DECADÊNCIA. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplicase a regra decadencial prevista no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nos casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, apenas na ocorrência de dolo fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). A Fazenda Nacional, em sede de Embargos, aduz que o referido acórdão incorreu em omissão, sustentando que há probabilidade de existir julgados conflitantes sobre a mesma matéria, uma vez que a presente infração tributária vem sendo discutida no processo judicial de n° 95.06035334, em trâmite perante a Justiça Federal da 3ª Região e que as decisões judiciárias têm decidido pela aplicação do art. 173, I do CTN, na hipótese de ausência de pagamento, como é o caso dos autos, citando tese já pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, em decisão proferida pela Primeira Seção, no Recurso Especial 973.733/SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os embargos são tempestivos tendo em vista que o embargante tomou ciência do v. acórdão no dia 23/11/2009 (segundafeira) e apresentou seus embargos em 24/11/2009 (terçafeira). Muito embora exista tempestividade na apresentação dos presentes embargos, o conhecimento da questão também depende da efetiva ocorrência da apontada omissão na decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conforme relatório, o Recurso Especial da Fazenda Nacional utilizou apenas argumentos que buscaram comprovar que, nos casos em que não há recolhimento do tributo Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13839.000726/0041 Acórdão n.º 9101001.737 CSRFT1 Fl. 6 3 devido, o lançamento é efetuado de oficio, devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional para a contagem do prazo decadencial e não o artigo 150, § 4°. Da leitura do Recurso Especial da Fazenda Nacional não é possível extrair a informação de que houve, em qualquer momento, alegação de que a mesma matéria dos presentes autos estivesse sendo discutida em processo judicial distinto. Tal fato ensejaria, em primeira análise, o não conhecimento dos presentes embargos, por ausência de qualquer omissão no acórdão embargado, a despeito do que alega a d. Procuradoria. Ocorre que uma decisão neste sentido seria prejudicada se fosse confirmada a existência de vício relativo à concomitância entre processo administrativo e judicial, o que ensejaria conhecimento de ofício, inclusive em sede de embargos. Mister se faz, portanto, analisar se existe concomitância entre o processo judicial de n° 95.06035334, em trâmite perante a Justiça Federal da 3ª Região, e o presente processo. Da análise dos presentes autos, podemos verificar que o Lançamento de Oficio, realizado em 27 de abril de 2000, se deu em razão da PLASCAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (incorporada pela ora Interessada) ter efetuado compensação de prejuízo fiscal para além do limite legal de 30% do lucro real, relativamente aos meses de fevereiro, maio, outubro e novembro de 1995. Em sua impugnação, a contribuinte alegou (i) a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativo ao período de fevereiro/95, nos termos do art. 150, §4° do CTN e, (ii) que impetrou Mandado de Segurança (n° 95.06035334), "objetivando ver reconhecido o seu direito liquido e certo de não se subordinar aos efeitos dos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95 e, conseqüentemente, o direito de aproveitar integralmente os resultados negativos (prejuízos fiscais e bases negativas da contribuição social sobre o lucro) apurados até 31 de dezembro de 1.994 com lucros apurados a partir de janeiro de 1.995, sem a limitação de 30% do lucro liquido ajustado imposta por aqueles dispositivos legais” Ao receber a Impugnação, a autoridade preparadora constatou a existência de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e negou seguimento à impugnação na parte onde a decadência não foi argüida (fl. 113/114), formalizando o processo administrativo 13839.001806/0014 para o qual foram transferidos os créditos tributários exigidos nos períodos de apuração objeto de impugnação pela decadência, sendo que o acórdão embargado versa exclusivamente sobre a decadência do lançamento produto do objeto (mérito) discutido no Mandado de Segurança. Com isso, é possível compreender que a parte que remanesceu sendo discutida no presente processo é relativa ao período da alegada decadência, restando claro que o processo judicial aventado pela embargante (Mandado de Segurança n° 95.06035334) não trata da questão relativa à decadência do IRPJ do mês de fevereiro 1995, mas sim do direito do contribuinte de não ficar submetido à trava de 30%. Se não há concomitância, então não há vício no processo ou no acórdão embargado. Por outro lado, é bem verdade que quanto ao prazo decadencial houve alteração do posicionamento da CSRF em razão da aplicação da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, decisão esta bem apontada pela d. Procuradoria. Referida decisão, inclusive, foi objeto de divergência quanto à sua interpretação nos diversos Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13839.000726/0041 Acórdão n.º 9101001.737 CSRFT1 Fl. 7 4 momentos em que aplicada por esta Colenda Turma. Entretanto, tratandose de julgamento anterior à alteração da jurisprudência e, não havendo erro de fato, omissão ou contradição no acórdão embargado, a via estreita dos embargos não se presta a rediscutir o mérito da decisão, ainda que para aplicação do posicionamento atual, sob pena de tornar indefinidos os julgamentos, tornando infindável a discussão acerca do direito aplicável. Pelo exposto, uma vez comprovado que o objeto do presente processo administrativo não se confunde com o processo judicial, não há que se falar em concomitância no caso analisado. Ainda, no que tange à tentativa de reexame de mérito, lembro que processualmente é impossível a utilização dos embargos como meio de simples rediscussão do mérito, motivo pelo qual voto por NÃO CONHECER dos Embargos de Declaração. Sala das Sessões, em 18 de setembro de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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