Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13963.000073/94-28
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 14 00:00:00 UTC 1998
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - Pedido de parcelamento do débito tributário,
pelo sujeito passivo, implica em reconhecimento da exigência e conseqüente perda do objeto, pelo recurso interposto.
Recurso voluntário a que não se conhece, pela perda do objeto.
Numero da decisão: 203-05.005
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por falta de objeto.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 199810
ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS - Pedido de parcelamento do débito tributário, pelo sujeito passivo, implica em reconhecimento da exigência e conseqüente perda do objeto, pelo recurso interposto. Recurso voluntário a que não se conhece, pela perda do objeto.
turma_s : Terceira Câmara
numero_processo_s : 13963.000073/94-28
conteudo_id_s : 5905924
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 203-05.005
nome_arquivo_s : 20305005_139630000739428_199810.pdf
nome_relator_s : SEBASTIÃO BORGES TAQUARY
nome_arquivo_pdf_s : 139630000739428_5905924.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por falta de objeto.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 14 00:00:00 UTC 1998
id : 7436367
ano_sessao_s : 1998
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:45 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117318932168704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20305005_139630000739428_199810; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-09-22T17:29:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20305005_139630000739428_199810; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20305005_139630000739428_199810; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-09-22T17:29:29Z; created: 2017-09-22T17:29:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-09-22T17:29:29Z; pdf:charsPerPage: 904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-09-22T17:29:29Z | Conteúdo => '. ..~~ Processo Acórdão Sessão Recurso Recorrente : Recorrida : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000073/94-28 203-05.005 14 de outubro de 1998 102.673 CERÂMICAURUSSUNGA S/A DRJ em Florianópolis - SC NORMAS PROCESSUAIS - Pedido de parcelamento do débito tributário, pelo sujeito passivo, implica em reconhecimento da exigência e conseqüente perda do objeto, pelo recurso interposto. Recurso voluntário a que não se conhece, pela perda do objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CERÂMICAURUSSUNGA S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por falta de objeto. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 1998 Otacílio~ artaxopreside~MJas\c e~'~7Relator U Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Francisco Sérgio Nalini, Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva, Renato Scalco Isquierdo, Mauro Wasilewski, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Elvira Gomes dos Santos. climas 1 Processo Acórdão Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000073/94-28 203-05.005 102.673 CERÂMICA URUSSUNGA S/A RELATÓRIO No dia 23.02.94 foi lavrado o Auto de Infração (fls. 24) contra a empresa CERÂMICA URUSSANGA S/A, dela exigindo, por falta de recolhimento, a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, mais juros, correção monetária e multa de 100%, no total de 512.468,72 UFIRs, por fatos geradores ocorridos de 31.10.91 a 31.11.93. Defendendo-se, a autuada apresentou a Impugnação de fls. 30/32, negando a eXlgencla, quanto à multa e os juros, aos argumentos de que decisão judicial já negou a legitimidade dessas exigências, inclusive, porque a multa não se enquadra na regra do inciso I do art. 4° da Lei n° 8.218/91. A Decisão Singular (fls. 50/56) não conheceu da impugnação, quanto à matéria discutida na Justiça, e manteve a exigência de muita e juros, aos argumentos assim ementados: "É incabível a apreciação de impugnação, quando tenha o contribuinte ingressado com apelo ao Poder Judiciário, para discutir matéria relativa à exigência de crédito trihutário. IMPUGNAÇÃO QUE NÃO SE CONHECE. ENCARGOS LEGAIS O fato de haver ingressado emjuízo, não significa "imunizar" o contribuinte da incídência das leis que tratam dos encargos legais exigidos no auto de infração. " Com guarda do prazo legal (fls. 57), veio o Recurso Voluntário de fls. 58/63, R postulando o cancelamento da exigência de muita e de juros, ao argumento de que pedira t1Jj parcelamento apenas do principal. 2 Processo Acórdão MINISTêRIO OA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000073/94-28 203-05.005 Na Sessão desta 3" Câmara, do dia 9 de dezembro de 1997, o presente feito fiscal foi convertido em Diligência sob o n° 203-00.639, segundo o voto do então relator, conselheiro RICARDO LEITE RODRIGUES, nestes termos: "Nos autos consta que a contribuinte requereu parcelamento, fls. 41, do crédito tributário lançado somente em relação ao principal e referente aos fatos geradores de novembro/91 a novembro/93. Entretanto, não foi trazido ao processo se este parcelamento foi deferido ou não. Entendo ser necessário para o bom julgamento desta lide que nos seja dado tal informação. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que a repartição de origem nos informe se o pedido de parcelamento constante do Processo nO 13963.000073/94-28foi deferido ou não." A repartição de origem remeteu a ficha de fls. 74 e a informação fiscal de fls. 78, onde se esclarece que o pedido de parcelamento, da ora recorrente, foi deferido em 13.04.94, e que a mesma se acha em dia com os pagamentos decorrentes desse parcelamento. É este o recurso em exame. É o relatório. 3 ,. Processo Acórdão MINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13963.000073/94-28 203-05.005 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIÃO BORGES TAQUARY Verifico, dos autos, que houve, realmente, o pedido de parcelamento, deferido a partir de 13 de abril de 1994, não apenas quanto ao principal, conforme quis dar a entender a recorrente, em suas razões de recurso. Está bem claro, às fls. 41, que o requerimento do parcelamento tem por objeto seus débitos relativos ao processo nO13963-000073/94-28, quanto aos débitos relativos ao PIS. Ora, os débitos insertos no presente Processo Administrativo Fiscal (proc. nO 13963-000073/94-28) constituem-se da Contribuição ao PIS, juros e multa, conforme se pode conferir do Auto de Infração de fls. 24. Ademais, os acessórios de juros e multas não se desagregam do principal, mercê de meras alegações ou postulações carentes de respaldo fático-legal, principalmente, quando, como é o caso, não resultou exitada a pretensão da recorrente, perante o Poder Judiciário. Entendo, pois, que o pedido de parcelamento alcançou o principal e seus acessórios, no caso; tanto que o pedido foi o parcelamento dos débitos relativos ao PIS e não Só do principal. Aliás, do contrário, não teria havido o deferimento. E, é certo, tendo havido, como houve, o pedido de parcelamento, houve, por conseqüência, o reconhecimento do débito, tomando sem objeto o recurso. Por todo o exposto, e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 1998 4 j 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723471/2016-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2013, 2014
SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. APROPRIAÇÃO DE CUSTOS COM DOCUMENTOS INIDÔNEOS. MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a utilização de documentos fiscais inidôneos e a subavaliação de estoques, resta caracterizado o dolo do contribuinte para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo legítima a aplicação da multa qualificada (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 c/c arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64).
MULTAS DE OFÍCIO. CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
A análise de alegações de confisco ou desproporcionalidade de multas é vedada à esfera administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 2.
RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 14.689/2023. REDUÇÃO PARA 100%.
Em razão da superveniência da Lei nº 14.689/2023, art. 14, que fixou em 100% sobre o principal como limite do patamar para aplicação de multas, impõe-se a adequação da penalidade, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014
NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Não se reconhece nulidade do lançamento quando atendidos os requisitos do art. 142 do CTN. A utilização de prova emprestada é válida desde que assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, o que se verificou no caso.
Numero da decisão: 1002-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício qualificada, em relação à infração “apropriação de custos com lastro em documentos falsos”, de 150% para o patamar máximo de 100% do montante do tributo exigido, em face do princípio da retroatividade benigna e da nova redação dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Ângelo Carneiro Baptista.
Assinado Digitalmente
Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relatora
Assinado Digitalmente
Ailton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 202510
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2013, 2014 SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. APROPRIAÇÃO DE CUSTOS COM DOCUMENTOS INIDÔNEOS. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a utilização de documentos fiscais inidôneos e a subavaliação de estoques, resta caracterizado o dolo do contribuinte para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo legítima a aplicação da multa qualificada (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 c/c arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64). MULTAS DE OFÍCIO. CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. A análise de alegações de confisco ou desproporcionalidade de multas é vedada à esfera administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 2. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 14.689/2023. REDUÇÃO PARA 100%. Em razão da superveniência da Lei nº 14.689/2023, art. 14, que fixou em 100% sobre o principal como limite do patamar para aplicação de multas, impõe-se a adequação da penalidade, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Não se reconhece nulidade do lançamento quando atendidos os requisitos do art. 142 do CTN. A utilização de prova emprestada é válida desde que assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, o que se verificou no caso.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_processo_s : 11516.723471/2016-71
anomes_publicacao_s : 202511
conteudo_id_s : 7316388
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 1002-003.937
nome_arquivo_s : Decisao_11516723471201671.PDF
ano_publicacao_s : 2025
nome_relator_s : MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO
nome_arquivo_pdf_s : 11516723471201671_7316388.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício qualificada, em relação à infração “apropriação de custos com lastro em documentos falsos”, de 150% para o patamar máximo de 100% do montante do tributo exigido, em face do princípio da retroatividade benigna e da nova redação dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Ângelo Carneiro Baptista. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relatora Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ailton Neves da Silva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
id : 11130327
ano_sessao_s : 2025
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:31 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117318947897344
conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-20T19:33:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-20T19:33:29Z; Last-Modified: 2025-11-20T19:33:29Z; dcterms:modified: 2025-11-20T19:33:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-20T19:33:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-20T19:33:29Z; meta:save-date: 2025-11-20T19:33:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-20T19:33:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-20T19:33:29Z; created: 2025-11-20T19:33:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2025-11-20T19:33:29Z; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-20T19:33:29Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11516.723471/2016-71 ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 7 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ARXO INDUSTRIAL DO BRASIL LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2013, 2014 SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE. APROPRIAÇÃO DE CUSTOS COM DOCUMENTOS INIDÔNEOS. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a utilização de documentos fiscais inidôneos e a subavaliação de estoques, resta caracterizado o dolo do contribuinte para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo legítima a aplicação da multa qualificada (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 c/c arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64). MULTAS DE OFÍCIO. CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. A análise de alegações de confisco ou desproporcionalidade de multas é vedada à esfera administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 2. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 14.689/2023. REDUÇÃO PARA 100%. Em razão da superveniência da Lei nº 14.689/2023, art. 14, que fixou em 100% sobre o principal como limite do patamar para aplicação de multas, impõe-se a adequação da penalidade, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Não se reconhece nulidade do lançamento quando atendidos os requisitos do art. 142 do CTN. A utilização de prova emprestada é válida desde que assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, o que se verificou no caso. Fl. 16155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício qualificada, em relação à infração “apropriação de custos com lastro em documentos falsos”, de 150% para o patamar máximo de 100% do montante do tributo exigido, em face do princípio da retroatividade benigna e da nova redação dada ao artigo 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Ângelo Carneiro Baptista. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relatora Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (e-fls. 16130-16150) interposto por ARXO Industrial do Brasil Ltda., contra decisão da 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, consubstanciada no Acórdão nº 02-74.708, de 26/09/2017 (e-fls. 16112-16122), que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes aos anos-calendário de 2013 e 2014. Na origem, a ação fiscal resultou na lavratura de Autos de Infração (e-fls. 15545- 15587) que formalizaram crédito tributário de R$ 2.547.597,65 (valores de principal, juros e multa de ofício), sendo: IRPJ, R$ 1.873.233,63 e CSLL, R$ 674.364,02. Em razão disso, além da exigência dos tributos, aplicou-se multa de ofício, tanto simples de 75% (subavaliação estoque) quanto a qualificada de 150% (apropriação de custo com documentos falsos), esta última prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude, definido nos Fl. 16156DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 3 artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964”. As principais infrações apuradas foram: 1. Subavaliação de estoque: no valor de R$ 2.285.407,24, decorrente de inconsistências entre os registros contábeis, fiscais e de produção (fls. 15.605/15.612 do processo), que levaram à indevida redução do resultado fiscal. 2. Apropriação de custo com lastro em documentos falsos: utilização de notas fiscais consideradas inidôneas (empresas LINKCOM Comercial Eireli – EPP e RPK Comercial Eireli), resultando em redução indevida do lucro tributável. Em razão da caracterização de dolo e fraude (arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964), aplicou-se multa de ofício qualificada de 150%. O relatório fiscal destacou que os fatos investigados estavam relacionados a provas obtidas em operações policiais (Lava Jato), evidenciando pagamentos à margem dos registros regulares e manipulação contábil com o intuito de ocultar tais operações. Ao apresentar impugnação, arguiu nulidades formais, ausência de provas e indevida aplicação das penalidades. No curso da tramitação em primeira instância, em 17/05/2017a empresa formulou pedido de desistência parcial quanto ao principal de IRPJ e CSLL (códigos 2917 e 2973, total de R$ 1.131.742,33), para fins de adesão ao PRT – MP nº 766/2017, posteriormente migrado para o PERT. Por restrição do sistema SIEF, a parte objeto da desistência foi desmembrada para o processo nº 11516.722272/2017-27, permanecendo em litígio apenas as multas punitivas. Quando do julgamento, a 7ª Turma da DRJ/BHE, por meio do Acórdão nº 02-74.708, julgou improcedente a impugnação, entendendo que: (i) estavam comprovadas as infrações de subavaliação de estoque e utilização de documentos inidôneos; (ii) correta a aplicação da multa de ofício qualificada, diante da constatação de dolo/fraude; (iii) não havia nulidade no lançamento nem cerceamento de defesa; (iv) não se aplicava denúncia espontânea, porquanto já instaurada a ação fiscal; (v) os princípios constitucionais alegados pela empresa não foram violados. Assim, manteve-se integralmente a exigência das multas punitivas. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ao CARF, no qual pleiteia o cancelamento das multas punitivas, sustentando em síntese: a) Nulidade do lançamento – por vícios formais, utilização indevida de prova emprestada e desconsideração de provas da defesa; b) Violação a princípios constitucionais – devido processo legal, contraditório, ampla defesa e presunção de inocência; c) Aplicabilidade da denúncia espontânea – alegando ter se antecipado à fiscalização; d) Excessividade e caráter confiscatório das multas – percentuais de 75% e 150% seriam desproporcionais e inconstitucionais. Fl. 16157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 4 Ao ser remetido a este Conselho, o processo foi a mim distribuído e indicado para a presente pauta de julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Relatora I – Admissibilidade Conheço do recurso voluntário, porquanto tempestivo e atendidos os requisitos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. II – Preliminar: da alegada nulidade do lançamento e da utilização de prova emprestada A Recorrente sustenta nulidade do lançamento por vícios formais, afirmando que a autoridade fiscal teria se valido de provas emprestadas sem observância do contraditório. Nesse aspecto, importa verificar que o lançamento tributário foi regularmente formalizado nos termos do art. 142 do CTN, com descrição clara dos fatos, da matéria tributável, dos fundamentos legais e da identificação do sujeito passivo. A jurisprudência consolidada deste Conselho estabelece que a nulidade somente se caracteriza quando há vício formal capaz de comprometer a própria constituição do crédito, o que não se verifica no caso concreto. No que concerne ao uso de prova emprestada, importante salientar que o processo administrativo fiscal brasileiro é regido pelos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LIV e LV da CF/1988). O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o contencioso administrativo federal, assegura ao sujeito passivo o direito de ciência dos atos processuais; acesso aos documentos que instruem o processo; apresentação de defesa, inclusive impugnação de provas; e, interposição de recursos. Assim, a prova emprestada, quando colhida em outros procedimentos, somente pode ser utilizada desde que garantido ao contribuinte o conhecimento e a possibilidade de impugná-la — o que ocorreu neste feito. A Recorrente foi formalmente intimada, teve acesso integral aos elementos colhidos e apresentou impugnação administrativa, exercendo o contraditório e a ampla defesa. De igual modo, o ônus da prova é do sujeito passivo quando se trata de afastar a presunção de legitimidade do lançamento (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). No caso concreto, a empresa não trouxe aos autos demonstração contábil, laudos técnicos ou documentos que infirmassem os achados fiscais ou a regularidade das provas utilizadas. Fl. 16158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 5 Portanto: não há nulidade do lançamento, pois atendidos os requisitos formais do art. 142 do CTN; não há violação ao contraditório ou ampla defesa, uma vez que o contribuinte teve pleno acesso às provas e oportunidade de manifestação; não há irregularidade na utilização de prova emprestada, dado que respeitado o devido processo legal administrativo. Esse entendimento encontra respaldo também na jurisprudência do CARF, que reiteradamente reconhece a validade de provas emprestadas desde que respeitados o contraditório e a ampla defesa: Numero do processo: 10820.000984/2005-41 Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/1999 TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO. No caso dos tributos lançados por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai, em regra, no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Verificada, todavia, a ocorrência de dolo, o termo inicial da contagem do prazo extintivo desloca-se para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser realizado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; a prova refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento de ofício desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Numero da decisão: 1001-000.793 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Fl. 16159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 6 Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Numero do processo: 11065.723590/2014-18 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL. A dilação probatória no âmbito do processo administrativo tributário não está limitada aos registros contábeis e fiscais do contribuinte, podendo a autoridade tributária buscar elementos perante terceiros ou em qualquer outra fonte, conforme autorização do artigo 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, no que se incluem as provas colhidas em sede de investigação criminal e regularmente encaminhadas ao Fisco pelo Poder Judiciário ou pelo Ministério Público. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011 SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA. LEGALIDADE. O ato administrativo de exclusão retroativa alcança período anterior ao seu surgimento, mas isso não significa que tenha havido aplicação retroativa de lei, a qual estava em vigor na data em que ocorreram os atos ilícitos que motivaram a exclusão. Assim, fica garantida a legalidade do ato de exclusão, em todo o seu alcance. Numero da decisão: 1201-003.011 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE Numero do processo: 15578.720031/2013-46 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção Fl. 16160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 7 Câmara: Terceira Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA EMPRESTADA PROCESSUAL. VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova carreada de outro processo administrativo, cujo valor probante dependerá de nova valoração, sendo assegurado novo contraditório e ampla defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVISAR. INEXISTÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o poder/dever de constituir o crédito tributário estaria obstado. Não se submetem à decadência do direito de o fisco revisar seus assentamentos contábeis e fiscais os saldos negativos de IRPJ apurados direta ou indiretamente nas declarações apresentadas a serem regularmente comprovados quando objeto de pedido de restituição ou declaração de compensação. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO NO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. A receita proveniente da recuperação de créditos de tributos dedutíveis, que foram objeto de declaração de compensação, é tributável e somente está sujeita à exclusão no lucro real nas hipóteses de não homologação da compensação, de cancelamento da declaração de compensação ou de declaração considerada “não declarada”. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Numero da decisão: 1302-003.311 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, prejudicialidade e de decadência apontadas, votando pelas conclusões, quanto à preliminar de decadência, os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Edgar Bragança Bazzumi (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente Fl. 16161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 8 momentaneamente o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho, substituído no colegiado pelo conselheiro Edgar Bragança Bazzumi. Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO Assim, inexiste nulidade a ser reconhecida. Não acolho, portanto, a preliminar de nulidade. III – Mérito O presente recurso voluntário versa exclusivamente sobre as multas aplicadas, remanescendo em litígio após a desistência parcial homologada. Assim, passo a análise das alegações que dizem respeito à aplicação d III.a – Da alegação de denúncia espontânea A Recorrente sustenta que teria se antecipado à fiscalização, razão pela qual não poderiam subsistir as penalidades, invocando o art. 138 do CTN. Todavia, tal alegação não prospera. O art. 138 do CTN dispõe que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Contudo, o parágrafo único do mesmo artigo é categórico ao afirmar que “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. No caso concreto, consta dos autos que a fiscalização foi formalmente instaurada por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, com ciência inequívoca da contribuinte. Assim, quando a empresa apresentou supostas informações ou retificações, a espontaneidade já se encontrava juridicamente afastada. A interpretação do art. 138 do CTN consolidou-se na jurisprudência do CARF no sentido de que, uma vez instaurado procedimento fiscal, não há que se falar em denúncia espontânea, ainda que o contribuinte venha a retificar declarações, efetuar pagamentos ou confessar débitos. Além disso, a mera confissão ou retificação em ambiente de fiscalização não configura denúncia espontânea, mas sim reconhecimento de débito em curso de apuração, o que não afasta a aplicação das penalidades. Ressalte-se que, no presente caso, sequer há comprovação nos autos de que a contribuinte tenha efetuado recolhimento integral do tributo devido com os correspondentes juros de mora, condição legal indispensável para a configuração da denúncia espontânea. Ao contrário, a adesão ao Programa de Regularização Tributária (PRT/PERT) se deu muito tempo depois do início da ação fiscal, tratando-se de hipótese distinta do art. 138 do CTN. Fl. 16162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 9 Portanto, por dois fundamentos independentes – (i) início formal da fiscalização e (ii) ausência de pagamento imediato com juros de mora – não há como reconhecer a denúncia espontânea. A pretensão da Recorrente, nesse aspecto, não encontra respaldo nem na legislação, nem na jurisprudência reiterada do CARF e dos Tribunais Superiores, que interpretam restritivamente o benefício, justamente por constituir hipótese de exclusão de penalidade. Assim, nego provimento ao recurso neste ponto. III.b – Da alegação de desproporcionalidade e suposto caráter confiscatório das multas As multas de ofício foram aplicadas de forma adequada e legítima pela fiscalização, em estrita observância ao art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, combinado com os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Conforme consignado na decisão da DRJ/BHE, restou demonstrado que a Recorrente: promoveu subavaliação sistemática de estoques, reduzindo indevidamente o resultado tributável; apropriou-se de custos lastreados em documentos fiscais inidôneos emitidos pelas empresas Linkcom Comercial Eireli – EPP e RPK Comercial Eireli, reconhecidas como fraudulentas em outros procedimentos fiscais e operações de investigação; e, com isso, reduziu artificialmente o lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Em relação à subavaliação de estoque a multa foi aplicada no patamar simples, de 75%. Já em relação à apropriação de custos com lastro em documentos falsos a multa foi aplicada no patamar qualificado em 150%. Em relação a essa segunda infração, a caracterização do dolo e da fraude não decorreu de presunção, mas da análise minuciosa da escrituração contábil e fiscal e da identificação de operações fictícias, como bem destacou a DRJ. Nessas condições, é inequívoco que a penalidade qualificada foi corretamente aplicada, diante da comprovação de fraude. No tocante às alegações de desproporcionalidade e caráter confiscatório, trata-se de matéria de natureza constitucional, insuscetível de apreciação no âmbito do processo administrativo fiscal, consoante a Súmula CARF nº 2. Contudo, em que pese a regularidade da autuação e a caracterização da fraude, deve-se atentar para a superveniência da Lei nº 14.689/2023, art. 14, que reduziu o patamar de exigência de multas para o nível máximo de 100% do valor do tributo. Por se tratar de norma mais benéfica em matéria sancionatória, de aplicação retroativa nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, impõe-se a adequação da penalidade em relação à infração “apropriação de custos com lastro em documentos falsos” para o novo limite legal de 100%. Fl. 16163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.937 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.723471/2016-71 10 Assim, reconhecida a correção da autuação e a ocorrência de dolo e fraude, mas em atenção ao princípio da retroatividade da lei mais benéfica em matéria sancionatória, a multa de ofício qualificada, em relação à infração “apropriação de custos com lastro em documentos falsos” deve ser reduzida de 150% para o patamar máximo de 100% do montante do tributo exigido. IV – Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, dar parcial provimento para reduzir a multa de ofício qualificada, em relação à infração “apropriação de custos com lastro em documentos falsos”, de 150% para o patamar máximo de 100% do montante do tributo exigido. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó Fl. 16164DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007326/98-07
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 203-00.649
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência,nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita.
Nome do relator: CESAR PIANTAIGNA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 200510
turma_s : Terceira Câmara
numero_processo_s : 10830.007326/98-07
conteudo_id_s : 7316228
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 203-00.649
nome_arquivo_s : Decisao_108300073269807.pdf
nome_relator_s : CESAR PIANTAIGNA
nome_arquivo_pdf_s : 108300073269807_7316228.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência,nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
id : 11130127
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:30 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117318961528832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20300649_108300073269807_200510; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2018-05-04T14:16:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20300649_108300073269807_200510; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20300649_108300073269807_200510; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-05-04T14:16:21Z; created: 2018-05-04T14:16:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-05-04T14:16:21Z; pdf:charsPerPage: 808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2018-05-04T14:16:21Z | Conteúdo => " Processo n° Recurso n° Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10830.007326/98-07 130.129 : USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A DRJ em Ribeirão Preto - SP RESOLUÇÃO N° 203-00.649 ~.'bJ • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento o DI. Selmo Augusto Campos Mesquita . Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2005. f} 1~/, &~io- Preside e Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Maria Teresa Martínez López, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Eaal/mdc MIN DA FAlt:NDA - 2.0 CC CONFERE COM O OHiG1NAL BRASluA O~Jg~, ~~~ 1 • Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10830.007326/98-07 130.129 ~.bJ Recorrente USINA AÇUCARElRA ESTER S/A RELATÓRIO • Pedidos de ressarcimentos de créditos de IPI, apresentados em 09/12/1998 pela Recorrente, dispersos entre às fls. 01 a 71 desses autos, solicitaram lhe fossem pagas diversas importâncias. Decisão judicial proferida em agravo por instrumento (fl. 292) aparentemente constaria amparando a pretensão da contribuinte, figurando em sentido contrário sentença acostada às fls. 301/305. Aliás, numerosas peças acostadas ao feito retratam investidas judiciais, e desdobramentos das mesmas, relacionadas às compensações dos créditos, cujos ressarcimentos são buscados no presente feito administrativo. "Informação Fiscal" (fls. 307/310) dá conta que o ressarcimento buscado está baseado no artigo 1°, inciso II, da Lei n° 8.402/92, e no artigo 5° do Decreto-Lei n° 491/69, isto é, refere-se ~ manutenção e utilização de créditos gerados pelas aquisições de insumos empregados na produção de .artigos exportados. Reportou, outrossim, que os materiais adquiridos pela empresa não se enquadrariam na definição normativa de insumos, na medida em que não aplicados diretamente na composição de artigo resultante do processo de industrialização desenvolvido pela empresa, em vista do que o citado expediente conclui pela inexistência de créditos ressarcíveis. No mesmo documento salientou-se que os ressarcimentos postulados não estão associados a períodos de apurações, como também que os levantamentos relacionados aos valores postulados confundem créditos referentes ao artigo 5° do Decreto-Lei n° 491/69 com créditos presumidos de IPI (Lei nO9.363/96), tendo a empresa aplicado-lhes indevidamente a UFIR no intuito de atualizá-los. Decisão (fls. 311/312) dá a entender que se operara opção pela via judicial, com base na qual deixou de conhecer (indeferiu) a pretensão da contribuinte. "Recurso" (fls. 316/320) ataca a ventilada opção pela via judicial salientando, . demais disso, que o ressarcimento buscado encontra respaldo na regra constitucional da não- cumulatividade, indicando julgados administrativo e judiciais que escorariam a pretensão deduzida pela empresa no feito em tela. Expediente (fls. 354/357) aborda o cumprimento de ordem judicial relacionada a "documentos comprobatórios de compensações (DCC)", mencionando planilhas e demonstrativos apresentados pela contribuinte em processos administrativos indicados em petição apresentada em mandado de segurança (fl. 354), formulando questionamentos para resposta pela Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP, que atende à solicitação por meio da manifestação anexa às fls. 360/361. Neste documento assinala-se (fl. 360) que a empresa ofertou informações à Receita Federal relacionadas com os créditos que pretende ver 2 • Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10830.007326/98-07 130.129 MIN DA FAl\:NOA - 2. e CC CONf'Ei1E COM O OR1S:NAL BRASll~t5í ~~_Ja6- ~ I. "CC-MF IFI. • • reconhecidos no processo administrativo em exame, e que a empresa não poderia aniquilar pendências próprias com créditos vinculados a outro CNPJ, por força de regramentos da Instrução Normativa SRF 41/00 e do artigo 170-A do CTN, aplicável à situação sob enfoque. Às fls. 380/382 encontra-se anexado "Demonstrativo" de valores relacionados ao crédito cujo reconhecimento é buscado no presente processo administrativo. Cópia de auto de infração (fls. 570/613 e 623/638), na qual a Recorrente é assinalada como devedora da importância de R$ 48.914.261,13 por ter se aproveitado de créditos indevidos de IPI para cobrir pendências tributárias da mesma exação (fls. 573/575), tendo sido o expediente instruído com registros extraídos da escrita fiscal da contribuinte (fls. 580/581), concernentes a valores de créditos aproveitados em compensações. Demonstrativo (fls. 639/685) detalhado de "insumos" cujas aquisições a empresa entende darem ensejo a creditamento de IPI. Decisão (fls. 720/727) da instância de piso acolhe parcialmente irresignação da contribuinte, anulando o despacho decisório anteriormente aludido, determinando o retomo dos autos ao Órgão de origem para exame do mérito da matéria, que não fora abordado . Parecer (fls. 744/752) opina. pela rejeição do pleito ressarcitório, sendo acolhido por decisão emanada da Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP (fl. 752). A questão seguiu adiante com a apresentação de "manifestação de inconformidade" (fls. 774/828) na qual se argüiu a nulidade e a ausência de fundamentação da decisão expedida, pois ao invés de ter abordado o pleito da contribuinte formulado nesses autos preferiu enveredar por questões estranhas ao processo sob enfoque, notadamente: (i) sobre considerações a respeito de mandado de segurança impetrado pela contribuinte, no qual a mesma postulou o creditamento de IPI em virtude de aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes ao citado tributo; (ii) bem como sobre auto de infração no qual se promoveu o lançamento de tributos que a empresa tentou compensar com os créditos cogitados no feito em tela, dentre outros créditos vinculados a processos administrativos distintos, cujas aplicações em compensações constariam amparadas por liminar judicial. Em síntese: o exame da matéria não teria sido promovido com observância dos ditames normativos pertinentes à situação, mas sim com atenção à disciplina inaplicável ao contexto desses autos, não obstante também peque p-or não se ater, exclusivamente, aos elementos existentes nos autos, mas sim, e unicamente, a material que nele não se encontra agregado e que diz respeito a questões outras não encartadas nos limites objetivos da análise da pretensão deduzida pela contribuinte. Ainda sob o pálio de falta de fundamentação sustentou-se, no expediente revisional, a precária análise da prova produzida pela contribuinte, pois a decisão baseara-se meramente em relatório fiscal acostado às fls. 307/310, no qual são mencionados singelos 27 itens que seriam aplicados no processo de industrialização desenvolvido na empresa, ao invés dos mais de 100 artigos retratados nas notas fiscais constantes desses autos. Além disso, a decisão ora optaria por enjeitar a pretensão r.essarcitória com base em tal circunstância, ora por discordar que aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes ao IPI 3 I Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10830.007326/98-07 130.129 12'C~MF 1FI. • acarretariam créditos do citado tributo, fator que revelaria confusão no édito administrativo, também configurada pela'afirmação de não estar a solicitação da empresa amparada em planilhas e demonstrativos que teriam sido aproveitados, exatamente, para a expedição do auto de infração anteriormente cogitado. . No mérito a empresa alega ser imprescindível reconhecer que aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes ao IPI, geram creditamento na conta-corrente do aludido imposto, sob pena de, violação à regra de não-cumulatividade ínsita 'à exação. O creditamento cogitado igualmente seria vislumbrado nas aquisições de itens integrados ao ativo imobilizado da empresa, não obstante as respectivas compras não se realizem com o objetivo de implementação de estoque voltado à industrialização implementada pela contribuinte. O mesmo argJlmento é invocado para refutar a recusa ao reconhecimento de crédito nas aquisições de artigos que não seriam aplicados diretamente na composição de elementos resultantes do processo industrial desenvolvido pela contribuinte, ou que sendo aplicados na industrialização não gerariam créditos em razão dos produtos com eles confeccionados destinarem-se ao mercado externo (situação esta inatingível pelo IPI - imunidade - artigo 153, S 3°, lII, da Constituição brasileira). Decisão (fls. 872/897) da instância de piso rejeita a postulação revisional. _ ..,-. ~. . R~curso (fls. 900/916) renova a argüição de nulidade pautada na impertinência da abordagem promovida pela instância de piso, e na ausência de fundamentação da decisão dela emanada (cerceamento de defesa). Prossegue dizendo que o creditamento ventilado pela empresa para embasar o ressarcimento tratado nesses autos é inferência decorrente da regra constitucional de não-cumulatividade do IPI, face ao que inevitável acobertar-se a pretensão sob exame. Postulou, em seguida, o cômputo da selic ao crédito visado nesses autos, sustentando, finalmente, a inocorrência de decadência ou de prescrição a seu respeito. É o relatório, no essencial. 4 • Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10830.007326/98-07 130.129 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR CESAR PlANTA VlGNA - Diligência - ~Ld • • Não apeneis afirmações feitas pela Recorrente nesses autos dão conta do envolvimento da matéria aqui enfrentada com exames que se procedem na seara judicial, conforme salientado no relatório feito linhas atrás, como também descrições (fls. 576/579) que constam do bojo de auto de infração cuja cópia encontra-se encartada no feito em tela. Sendo assim, reputo indispensável trazer ao conhecimento deste Colegiado o conteúdo de ações judiciais propostas pela Recorrente, a fim de examinar a afinidade e a intimidade das matérias nelas tratadas com a questão vertente. Opino, pois, pela realização de diligência que promova a anexação ao presente processo administrativo das cópias das iniciais, sentenças, recursos e acórdãos eventualmente encartados nos processos judiciais relativos a mandado de segurança e ação cautelar impetrados pela Recorrente (respectivamente Processos nOs98.0612502-9, da 43 Vara Federal de Campinas, e 1999.03.00.057337-6, do TRF da 33 Região), noticiados às fls. 576/579 dos autos. O servidor encarregado da diligência deverá reportar a situação em que se encontram as refeddas demandas, inclusIve apresentando certidão de objeto e pé 'fornecida pelas pertinentes instâncias judiciais a respeito das mesmas. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2005. CE&AVIGNA MIN DA FA7£N!\l\ •. 2 o CC---~ - .....----1 CONFEf'lE COM O OHh3;NAL BRASfuA ...Q~..$7 º-::LJ. ~ . ..9~-~" ISTO 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720607/2021-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/04/2021
VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. DÚVIDA RAZOÁVEL FUNDAMENTADA.
A ausência de comprovação das tratativas negociais e a incompatibilidade entre o preço declarado e valores usualmente praticados justificam o afastamento do método do valor de transação, conforme o art. 81 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) e o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT/1994).
ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MÉTODO BASEADO EM MERCADORIAS SIMILARES. LEGITIMIDADE.
É válido o arbitramento com base em declaração de importação de terceiro e consultas de mercado idôneas, quando demonstrada comparabilidade material e comercial. A legislação não exige número mínimo de paradigmas.
SUBFATURAMENTO. FRAUDE DOCUMENTAL. MULTA DE 100%.
Comprovada a falsidade ideológica do preço declarado, configura-se subfaturamento doloso, sujeitando o contribuinte à penalidade de 100% sobre a diferença dos tributos, conforme o art. 703 do RA c/c art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003.
ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. PRESUNÇÃO LEGÍTIMA DE FRAUDE. VALOR DECLARADO MANIFESTAMENTE INVEROSSÍMIL. PROVA INDICIÁRIA ROBUSTA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Quando o valor declarado pelo importador revela-se manifestamente incompatível com o custo da matéria-prima, com as condições de mercado e com operações idênticas de importação, resta configurada a presunção legítima de falsidade ideológica da fatura comercial, autorizando o afastamento do valor de transação e o arbitramento do valor aduaneiro, nos termos do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001. A prova direta de conluio ou pagamento paralelo não é requisito indispensável quando o conjunto probatório demonstra a inverossimilhança econômica da operação. Não cabe ao julgador substituir a valoração técnica da fiscalização por presunções de boa-fé, quando os indícios objetivos conduzem à conclusão lógica de fraude.
Numero da decisão: 3001-003.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Moreno Castillo (relator) e Larissa Cássia Favaro Boldrin, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa.
Assinado Digitalmente
Daniel Moreno Castillo – Relator
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente
Assinado Digitalmente
Wilson Antonio de Souza Correa – Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente) Ausente (s) o conselheiro(a) Marco Unaian Neves de Miranda, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Jose de Assis Ferraz Neto.
Nome do relator: Daniel Moreno Castillo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 202510
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/04/2021 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. DÚVIDA RAZOÁVEL FUNDAMENTADA. A ausência de comprovação das tratativas negociais e a incompatibilidade entre o preço declarado e valores usualmente praticados justificam o afastamento do método do valor de transação, conforme o art. 81 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) e o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT/1994). ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MÉTODO BASEADO EM MERCADORIAS SIMILARES. LEGITIMIDADE. É válido o arbitramento com base em declaração de importação de terceiro e consultas de mercado idôneas, quando demonstrada comparabilidade material e comercial. A legislação não exige número mínimo de paradigmas. SUBFATURAMENTO. FRAUDE DOCUMENTAL. MULTA DE 100%. Comprovada a falsidade ideológica do preço declarado, configura-se subfaturamento doloso, sujeitando o contribuinte à penalidade de 100% sobre a diferença dos tributos, conforme o art. 703 do RA c/c art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. PRESUNÇÃO LEGÍTIMA DE FRAUDE. VALOR DECLARADO MANIFESTAMENTE INVEROSSÍMIL. PROVA INDICIÁRIA ROBUSTA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Quando o valor declarado pelo importador revela-se manifestamente incompatível com o custo da matéria-prima, com as condições de mercado e com operações idênticas de importação, resta configurada a presunção legítima de falsidade ideológica da fatura comercial, autorizando o afastamento do valor de transação e o arbitramento do valor aduaneiro, nos termos do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001. A prova direta de conluio ou pagamento paralelo não é requisito indispensável quando o conjunto probatório demonstra a inverossimilhança econômica da operação. Não cabe ao julgador substituir a valoração técnica da fiscalização por presunções de boa-fé, quando os indícios objetivos conduzem à conclusão lógica de fraude.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2025
numero_processo_s : 10909.720607/2021-72
anomes_publicacao_s : 202511
conteudo_id_s : 7315321
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 3001-003.734
nome_arquivo_s : Decisao_10909720607202172.PDF
ano_publicacao_s : 2025
nome_relator_s : Daniel Moreno Castillo
nome_arquivo_pdf_s : 10909720607202172_7315321.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Moreno Castillo (relator) e Larissa Cássia Favaro Boldrin, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa. Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo – Relator Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente) Ausente (s) o conselheiro(a) Marco Unaian Neves de Miranda, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Jose de Assis Ferraz Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2025
id : 11125601
ano_sessao_s : 2025
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:26 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117318965723136
conteudo_txt : Metadados => date: 2025-10-28T12:30:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-10-28T12:30:16Z; Last-Modified: 2025-10-28T12:30:16Z; dcterms:modified: 2025-10-28T12:30:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-10-28T12:30:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-10-28T12:30:16Z; meta:save-date: 2025-10-28T12:30:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-10-28T12:30:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-10-28T12:30:16Z; created: 2025-10-28T12:30:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2025-10-28T12:30:16Z; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-10-28T12:30:16Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10909.720607/2021-72 ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 9 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SAK'ES COMERCIAL, EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/04/2021 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. DÚVIDA RAZOÁVEL FUNDAMENTADA. A ausência de comprovação das tratativas negociais e a incompatibilidade entre o preço declarado e valores usualmente praticados justificam o afastamento do método do valor de transação, conforme o art. 81 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) e o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA- GATT/1994). ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MÉTODO BASEADO EM MERCADORIAS SIMILARES. LEGITIMIDADE. É válido o arbitramento com base em declaração de importação de terceiro e consultas de mercado idôneas, quando demonstrada comparabilidade material e comercial. A legislação não exige número mínimo de paradigmas. SUBFATURAMENTO. FRAUDE DOCUMENTAL. MULTA DE 100%. Comprovada a falsidade ideológica do preço declarado, configura-se subfaturamento doloso, sujeitando o contribuinte à penalidade de 100% sobre a diferença dos tributos, conforme o art. 703 do RA c/c art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. PRESUNÇÃO LEGÍTIMA DE FRAUDE. VALOR DECLARADO MANIFESTAMENTE INVEROSSÍMIL. PROVA INDICIÁRIA ROBUSTA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Quando o valor declarado pelo importador revela-se manifestamente incompatível com o custo da matéria-prima, com as condições de mercado e com operações idênticas de importação, resta configurada a presunção Fl. 514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 2 legítima de falsidade ideológica da fatura comercial, autorizando o afastamento do valor de transação e o arbitramento do valor aduaneiro, nos termos do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001. A prova direta de conluio ou pagamento paralelo não é requisito indispensável quando o conjunto probatório demonstra a inverossimilhança econômica da operação. Não cabe ao julgador substituir a valoração técnica da fiscalização por presunções de boa-fé, quando os indícios objetivos conduzem à conclusão lógica de fraude. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Moreno Castillo (relator) e Larissa Cássia Favaro Boldrin, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa. Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo – Relator Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente) Ausente (s) o conselheiro(a) Marco Unaian Neves de Miranda, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Jose de Assis Ferraz Neto. RELATÓRIO Fl. 515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 3 O caso concreto trata de lavratura de auto de infração sob a alegação de fraude no valor do preço declarado em fatura comercial como manifestamente inferior aos valores praticados no mercado. Solicitou ao autuado, então, comprovações acerca das negociações com o fornecedor estrangeiro (China), tendo sido informado que tal contato teria ocorrido de forma direta e pessoal entre um sócio da empresa e o fornecedor como resposta à inexistência de tratativas com o mesmo. Ademais, invocou a ausência de documentos de negociação, sob o argumento de que o importador teria alegado que a tratativa ocorreu de forma presencial, em viagem feita por um dos sócios à China. A fiscalização demonstrou que o último deslocamento do sócio havia ocorrido mais de dois anos antes da data do registro da declaração de importação. Indício, mas não prova por si só. Com base nessa premissa de que a fatura comercial seria falsa, apenas em razão do preço ser baixo, pois nenhuma prova de fraude em relação à existência de eventual divergência entre os valores de embarque foi apurada pela fiscalização junto ao porto estrangeiro. Por outro lado, o pagamento das mercadorias já havia sido realizado de forma antecipada, em relação ao prazo concedido de até 180 dias para o pagamento. Para respaldar o arbitramento, inclusive para efeitos de parâmetro para o estabelecimento de um valor de referência com o qual julgou o valor da operação, a Fiscalização apoiou-se em um único paradigma, consistente em uma declaração de importação de terceiro, e poucas cotações obtidas em sítios eletrônicos, sem a adequada comprovação de comparabilidade. Diante da diversidade de apresentações do produto importado, que se encontrava disponível em embalagens unitárias e em conjuntos variados de recipientes, a Fiscalização aplicou ainda um suposto redutor de complexidade, estabelecendo um valor médio por peso do material de forma a estabelecer parâmetro não previsto no AVA-GATT. Adicionalmente, aponta para a cotação do principal material que compõe o produto importado para demonstrar que o valor da matéria prima é mais caro do que o valor do peso dos produtos. Concluiu, então, pelo subfaturamento e aplicação do arbitramento, com as correspondentes penalidades. O acórdão da DRJ mantém a autuação na sua integralidade, acolhendo a fraude em razão exclusiva do seu valor e inexistência da apresentação dos documentos que instruiriam a operação. Assim, a fiscalização desconsiderou o valor de transação declarado (art. 81 do RA/Dec. 6.759/2009 c/c art. 1º do AVA/Dec. 1.355/1994), por entendê-lo incompatível com o mercado, e procedeu ao arbitramento com base em DI de terceiro e pesquisas de preços (arts. 82 e 83 do RA). Fl. 516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 4 Exigiu, por fim, todos os tributos sobre o valor arbitrado segundo metodologia própria de valoração que foi aplicada, e aplicou a multa de 100% sobre a diferença (art. 703 do RA c/c art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003). O contribuinte recorrente, no seu recurso voluntário, argui que, em síntese, o caso não é de fraude em ralação ao valor declarado, não tendo sido essa provada a fraude nem a intensão de fraudar pela fiscalização. Que se trata de caso de subvaloração, onde não há intenção de lesar a Fazenda ou o Erário, ao ponto em que o subfaturamento reflete a intencionalidade da conduta. Segundo a recorrente, essa intencionalidade, que distingue o subfaturamento da subvaloração é elemento decisivo na adequada interpretação e aplicação do direito aduaneiro e tributário. É o relatório. VOTO VENCIDO O ponto de partida da análise deve ser a verificação da constatação de fraude no caso concreto, suportada que está tal imputação apenas pelo fato de o preço ser baixo, de acordo com metodologias que não seguem o padrão legal de valoração aduaneira para casos de subvaloração. O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT 1994), promulgado no Brasil pelo Decreto nº 1.355/1994, que estabelece de forma inequívoca que o valor aduaneiro é, prioritariamente, o valor de transação, entendido como o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias vendidas para exportação ao país importador, devidamente ajustado. Esse regime de prevalência do valor de transação só pode ser afastado diante de dúvida razoável, devidamente fundamentada, quanto à veracidade ou exatidão das informações prestadas. O mesmo Acordo é explícito ao vedar a utilização de valores arbitrários ou fictícios. Feita essa moldura normativa, importa distinguir, como a doutrina e a jurisprudência reiteradamente têm feito, entre subvaloração e subfaturamento. A primeira corresponde a uma irregularidade sanável, decorrente de falha na comprovação do valor de transação ou de equívocos no método de cálculo, sem prova de dolo. A segunda caracteriza-se pela fraude documental, isto é, pela falsidade material ou ideológica, quando a fatura não reflete o preço efetivamente pago. Enquanto a subvaloração conduz ao arbitramento, a imputação de subfaturamento reclama prova robusta da falsidade do preço, sem a qual não se justifica a aplicação da multa de 100% prevista no artigo 703. O simples fato de o preço declarado se revelar bem inferior ao de mercadorias similares específicas, não basta para caracterizar de pronto, como silogismo, subfaturamento, devendo haver prova de falsidade, o que não existe nos autos. Outra prova de fraude seria a Fl. 517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 5 existência de um pagamento diverso daquele apontado no documento indigitado pela fiscalização. Essa também está ausente no processo em questão, em que há comprovação do pagamento realizado sem dúvidas sobre a origem dos recursos. A mera atribuição de valor a menor não autoriza a imputação de fraude, sendo necessária a demonstração de um subfaturamento qualificado por outros meios de fraude, o que não se verifica presente nos autos. No caso concreto, o preço declarado abaixo de paradigmas de mercado e a ausência de documentos de negociação podem gerar dúvida razoável quanto à veracidade do valor de transação, mas não constituem, por si, prova de fraude. Por sua vez, a ausência de documentação formal de negociação, ainda que fragilize a defesa do contribuinte, não inverte o ônus da prova, e bem por isso há previsão normativa de que a autoridade alfandegária pode solicitar informações à autoridade exportadora. Essa seria uma excelente prova concreta, não mero indício, porém não foi produzida pela fiscalização, que não se valeu de todos os seus meios de produção de prova para invadir o campo das presunções indevidas. O lapso temporal de dois anos entre a viagem do sócio e a importação pode ser considerado um indício, mas não supre a necessidade de demonstrar objetivamente que o preço pago divergiu do declarado. Quanto ao arbitramento, sua validade está condicionada ao respeito à ordem sequencial dos métodos do AVA e à utilização de mercadorias idênticas ou similares, com a necessidade de atenção às condições de venda, volumes envolvidos e nível comercial, o de nem de longe foi realizado pela fiscalização no caso concreto. O caso concreto teve um critério de estabelecimento do valor aduaneiro médio que não possui nenhuma previsão legal, consubstanciado na utilização de um único paradigma de importação de terceiro. Não se pode imaginar que uma média de mercado, em situação que exige a aplicação do menor preço, possa ser aferida por meio de um único precedente, cujos volumes não podem ser aferidos. Somado a essa metodologia não ortodoxa, há nos autos pesquisas superficiais em sítios eletrônicos de itens similares ao importado, sem guardar nenhuma relação, nas pesquisas, a ponderação de preços em relação aos volumes negociados, ao ponto em que se distancia das normas de determinação do valor aduaneiro. Distanciando-se ainda mais das normas específicas de aferição por arbitramento, a fiscalização traz aos autos um comparativo que se vale da aplicação de um critério artificial de “média por peso” para diferentes apresentações de produto. Além dessa metodologia ferir os acordos internacionais em questão em razão do uso de suposições, viola frontalmente os artigos 82 e 83 do Regulamento Aduaneiro, por implicar método arbitrário e fictício. Cumpre destacar, de forma autônoma, que não existe no ordenamento jurídico aduaneiro brasileiro qualquer presunção legal de fraude baseada unicamente na circunstância de Fl. 518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 6 o preço declarado ser inferior ao de mercado, ou mesmo abaixo do custo da matéria-prima. O que há é a possibilidade, de a autoridade aduaneira formar dúvida razoável e fundamentada quanto ao valor declarado e, diante disso, exigir esclarecimentos ou documentos adicionais, que no caso não foram apresentados. Ao que tudo indica, a redação introduzida pelo §3º-A do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, pelo Decreto nº 10.550/2020, deixa claro que a falsidade ideológica relativa apenas ao preço declarado não autoriza a aplicação da pena de perdimento. É certo que o caso não trata de perdimento, porém, houve o afastamento da sanção mais grave que antes se tentava impor em tais casos. Com isso, reconheceu-se, no plano normativo, que o simples descompasso de valores não deve ser confundido com fraude em sentido estrito. Assim, o preço baixo pode constituir indício, mas não é suficiente para caracterizar subfaturamento sem a demonstração de falsidade da fatura ou de divergência entre o preço pago e o declarado. Do ponto de vista doutrinário, prevalece a distinção entre subvaloração e subfaturamento. A primeira traduz mera irregularidade sanável, sujeita ao arbitramento e ao recolhimento complementar de tributos; a segunda exige dolo e falsidade documental. Confundir uma situação com outra implica desrespeitar a gradação de condutas prevista na legislação e impor ao contribuinte sanções desproporcionais. Portanto, o valor baixo — por si só — não comprova fraude. É apenas um sinal de alerta que autoriza a instauração do procedimento de revisão, mas que necessita de elementos adicionais para transformar-se em prova de subfaturamento. A imputação de fraude não pode decorrer de presunção abstrata, mas de fatos e documentos concretos que demonstrem a falsidade da fatura comercial. Finalmente, quanto à invocação do custo da matéria-prima, importa observar que tal parâmetro não integra os critérios legais de valoração e artificializa a diferença apontada pela fiscalização. Conclusão Em face de todo o exposto, concluo que o preço declarado abaixo de paradigmas de mercado, a ausência de documentos negociais e a narrativa inconsistente do importador constituem indícios, mas não provas suficientes de fraude. Não há demonstração de que o preço efetivamente pago tenha sido superior ao declarado, razão pela qual não se configura subfaturamento. Um único paradigma e algumas pesquisas de sites, de fato, não podem ser consideradas uma métrica adequada para o estabelecimento de um método comparativo que busque identificar uma média de valor e o menor valor aplicável. Conclusões. Fl. 519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 7 O arbitramento efetuado é nulo, por não observar os métodos e critérios do AVA e por adotar paradigma único. Tampouco cabe a multa de 100% prevista no artigo 703 sem prova da divergência entre o preço declarado e o efetivamente pago pelo importador, não sendo a mera previsão de pagamento em até 180 um indício concreto de fraude. Dou provimento ao recurso voluntário, para anular o arbitramento e afastar as penalidades aplicadas, restabelecendo o valor de transação declarado pelo importador, elemento primário de aferição. É como voto. Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo VOTO VENCEDOR Conselheiro, Wilson Antonio de Souza Correa redator designado Peço vênia ao nobre Relator, em que pese seu perfulgente voto, onde não me insurjo com relação ao seu raciocínio lógico e tampouco com sua base legal decisória, mas sim com a motivação fática que conduz a constatação de fraude, onde, para ele ficou claro que a constatação de fraude, como quer a Fiscalização, não ficou cristalino considerando que i) o preço declarado abaixo de paradigmas de mercado, ii) a ausência de documentos negociais e a iii) narrativa inconsistente do importador constituem indícios, mas não provas suficientes para configurar a fraude. E, nesse sentido é que divergimos, eis que, aos olhos desse julgador há indícios evidentes da fraude. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela SAK’ES Comercial, Exportadora e Importadora Ltda., contra decisão da 7ª Turma da DRJ03, que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o auto de infração lavrado por subfaturamento de valores declarados em importação de potes de vidro borossilicato com tampa plástica de origem chinesa. A Fiscalização apurou que os valores declarados estavam muito abaixo dos preços de mercado, inclusive inferiores ao custo da própria sílica, matéria-prima do vidro. O relatório apontou ainda que o sócio da empresa alegou negociação presencial na China, mas não viajou ao país nos anos da transação, e que não foram apresentados documentos comprobatórios da negociação. Fl. 520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 8 Com base nessas evidências, a autoridade afastou o valor de transação e aplicou o arbitramento previsto no art. 88 da MP nº 2.158-35/2001, utilizando como referência uma DI de terceiro com produto idêntico e pesquisas de mercado. A DRJ manteve a autuação integralmente, reconhecendo a existência de fraude. O Relator deste Colegiado, por sua vez, votou por dar provimento integral ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que não houve prova concreta de fraude, mas apenas indícios de sub-valoração. Com a devida vênia, divirjo integralmente dele (Relator). FUNDAMENTAÇÃO Da natureza da fraude aduaneira e do ônus da prova O art. 88 da MP nº 2.158-35/2001 confere à autoridade aduaneira o poder-dever de arbitrar o valor aduaneiro quando comprovadas fraude, sonegação ou conluio. A comprovação, no contexto aduaneiro, não exige confissão ou prova direta, bastando indícios objetivos, consistentes e convergentes capazes de demonstrar a falsidade do valor declarado. Da distinção entre sub-valoração e subfaturamento Com a devida vênia ao relator, não se trata aqui de simples sub-valoração. A sub- valoração pressupõe dúvida sobre o valor, sanável pelos métodos do AVA-GATT; o subfaturamento, por outro lado, decorre da falsidade ideológica do documento comercial. A discrepância de mais de 500% entre o preço declarado e o de mercado é inverossímil e caracteriza fraude. Da legitimidade do arbitramento e da metodologia adotada A autoridade fiscal utilizou DI de mercadoria idêntica da mesma origem e fabricante. Mesmo com paradigma único, a diferença acentuada de valores autoriza o arbitramento Das penalidades aplicadas Comprovado o subfaturamento, corretas as penalidades de 100% (art. 703 do RA/2009) e 150% (art. 44, §1º, II, Lei nº 9.430/1996), pois configurado o dolo específico de reduzir tributos por meio de falsidade documental. O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT/1994), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994, confere primazia ao valor de transação desde que não existam dúvidas quanto à sua veracidade ou exatidão. No caso concreto, a fiscalização identificou preço declarado muito inferior às referências de mercado e ausência de documentação negocial mínima que comprovasse as tratativas com o fornecedor estrangeiro. Esses elementos configuram dúvida razoável (art. 81, §1º, RA), legitimando o afastamento do valor de transação. Superado o método 1, o arbitramento foi corretamente efetuado com base em mercadorias similares (método 2), conforme o art. 82 do RA. O uso de uma DI de terceiro, devidamente motivada e comparável, é legítimo e amplamente aceito pela jurisprudência do CARF (v.g., Acórdãos Nº 3302-008.134 (2ª TO / 3ª Câmara / 3ª Seção) – sessão 29/01/2020). As consultas eletrônicas serviram apenas como reforço de razoabilidade e não como base exclusiva do cálculo. Fl. 521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.734 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10909.720607/2021-72 9 O ônus da prova foi corretamente distribuído: cabia à Recorrente comprovar a veracidade do valor declarado (art. 82, RA). A ausência de documentos idôneos consolida a dúvida e sustenta o arbitramento. A conduta caracteriza falsidade ideológica quanto ao preço declarado, enquadrando-se no art. 703 do RA e art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, que prevê multa de 100% sobre a diferença dos tributos. Concluo que deve ser mantida a autuação em sua totalidade, negando provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 522DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007327/98-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Estando a matéria agitada em recurso voluntário submetida ao crivo do Poder Judiciário, inviável o seu conhecimento pelo órgão de julgamento administrativo.
PRESCRIÇÃO. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE IPI. Os créditos de IPI ventilados em ressarcimento representam ativos de natureza financeira, por isso a pretensão neles baseada está sujeita à prescrição fixada no Decreto nº 20.910/32.
AQUISIÇÕES DE MATERIAL DE CONSUMO E DE PRODUTOS PARA O ATIVO FIXO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DO IPI DESTACADO NAS RESPECTIVAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. Não há como cogitar creditamento de IPI baseado em aquisições de material de consumo e de produtos destinados ao ativo fixo da empresa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-11.331
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso na parte em que houve opção pela via judicial, inclusive quanto à atualização monetária; II) na parte conhecida, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: a) para considerar prescritos os períodos anteriores a 09/12/1993; e b) quanto ao aproveitamento de crédito oriundo de materiais de consumo e ativo fixo.
Nome do relator: CESAR PIANTAVIGNA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 200609
ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Estando a matéria agitada em recurso voluntário submetida ao crivo do Poder Judiciário, inviável o seu conhecimento pelo órgão de julgamento administrativo. PRESCRIÇÃO. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE IPI. Os créditos de IPI ventilados em ressarcimento representam ativos de natureza financeira, por isso a pretensão neles baseada está sujeita à prescrição fixada no Decreto nº 20.910/32. AQUISIÇÕES DE MATERIAL DE CONSUMO E DE PRODUTOS PARA O ATIVO FIXO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DO IPI DESTACADO NAS RESPECTIVAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. Não há como cogitar creditamento de IPI baseado em aquisições de material de consumo e de produtos destinados ao ativo fixo da empresa. Recurso negado.
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10830.007327/98-61
anomes_publicacao_s : 200609
conteudo_id_s : 4126705
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 203-11.331
nome_arquivo_s : 20311331_130128_108300073279861_008.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : CESAR PIANTAVIGNA
nome_arquivo_pdf_s : 108300073279861_4126705.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso na parte em que houve opção pela via judicial, inclusive quanto à atualização monetária; II) na parte conhecida, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: a) para considerar prescritos os períodos anteriores a 09/12/1993; e b) quanto ao aproveitamento de crédito oriundo de materiais de consumo e ativo fixo.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
id : 4674893
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:44 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117318973063168
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T18:33:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T18:33:58Z; Last-Modified: 2009-08-05T18:33:59Z; dcterms:modified: 2009-08-05T18:33:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T18:33:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T18:33:59Z; meta:save-date: 2009-08-05T18:33:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T18:33:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T18:33:58Z; created: 2009-08-05T18:33:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-05T18:33:58Z; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T18:33:58Z | Conteúdo => . > t./. ' ;.1X:st: 22 CC-MF -...:..-- .:,.. é d F . Ministério a Fazenda - -:.,---. ..t. Fl. z1; 1: i- Segundo Conselho de Contribuintes .;“(Ai r> - AWNtsundoa., 1 12'113cm...regro" 4 etnobvin Processo n° : 10830.007327/98-61 i_citelkitt:. • I,/ a Recurso n° : 130.128 %tis • - Acórdão n° : 203-11.331 41%, ilra's ..- Recorrente : USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A . Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Estando a matéria agitada em recurso voluntário submetida ao crivo do Poder Judiciário, inviável o seu conhecimento pelo órgão de julgamento administrativo. PRESCRIÇAO. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE IPI. Os i créditos de IN ventilados em ressarcimento representam ativos , de natureza financeira, por isso a pretensão neles baseada está sujeita à prescrição fixada no Decreto n° 20.910/32. - AQUISIÇÕES DE MATERIAL DE CONSUMO E DE MINIST RIO DA FAZEN DA PRODUTOS PARA O ATIVO FIXO DA EMPRESA. % 0 deCOflfl tContnbuitim. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DO LPI CONFERE 2.0 ORIGI Lai-r6---- DESTACADO NAS RESPECTIVAS NOTAS FISCAIS DE BRAGILlA, ENTRADA. Não há como cogitar creditamento de IPI baseado L.i. si em aquisições de material de consumo e de produtos destinados/smist_i mo ao ativo fixo da empresa. .........---Yar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em não conhecer do recurso na parte em que houve opção pela via judicial, inclusive quanto à atualização monetária; II) na parte conhecida, em negar provimento ao recurso da seguinte forma: a) para considerar prescritos os períodos anteriores a 09/12/1993; e b) quanto ao aproveitamento de crédito oriundo de materiais de consumo e ativo fixo. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006. 4i. cv, A 'rani° zer. r'raiug9eto Presi , -n • n, Cerilkan .v.gna Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Damas de Assis, Silvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig, Odassi Guerzoni Filho, Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Eaal/ I 4 • FAZENDA MINIS RIO DA 22 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE çom O ORIGINAL Fl. BRAGkIA, 615 ilta Lss__ Processo n° : 10830.007327/98-61 Recurso n° : 130.128 Acórdão n° : 203-11.331 t • Recorrente : USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A RELATÓRIO Pedidos de ressarcimentos de créditos de IPI, apresentados em 09/12/1998 pela Recorrente, dispersos entre às fls. 01 a 53 desses autos, solicitaram lhe fossem pagas diversas importâncias. Decisão judicial proferida em agravo por instrumento (fl. 59) aparentemente constaria amparando a pretensão da contribuinte, figurando em sentido contrário sentença acostada às fls. 263/267. Aliás, numerosas peças acostadas ao feito retratam investidas judiciais, e desdobramentos das mesmas, relacionadas às compensações dos créditos cujos ressarcimentos são buscados no presente feito administrativo. "Informação Fiscal" (fls. 269/272) dá conta que o ressarcimento buscado está baseado no artigo 1°, inciso II, da Lei n° 8.402/92, e no artigo 50 do Decreto-Lei n°491/69, isto é, refere-se à manutenção e utilização de créditos gerados pelas aquisições de insumos empregados na produção de artigos exportados. Reportou, outrossim, que os materiais adquiridos pela empresa não se enquadrariam na definição normativa de insumos, na medida em que não aplicados diretamente na composição de artigo resultante do processo de industrialização desenvolvido pela empresa, em vista do que o citado expediente conclui pela inexistência de créditos ressarcíveis. No mesmo documento salientou-se que os ressarcimentos postulados não estão associados a períodos de apurações, como também que os levantamentos relacionados aos valores postulados confundem créditos referentes ao artigo 5° do Decreto-Lei n° 491/69 com créditos presumidos de IPI (Lei n° 9.363/96), tendo a empresa aplicado-lhes indevidamente a UFIR no intuito de atualizá-los. Decisão (fls. 273/274) dá a entender que se operara opção pela via judicial, com base na qual deixou de conhecer (indeferiu) a pretensão da contribuinte. "Recurso" (fls. 277/282) ataca a ventilada opção pela via judi22 salientando, demais disso, que o ressarcimento buscado encontra respaldo na regra constitucional da não- cumulatividade, indicando julgados administrativo e judiciais que escorariam a pretensão deduzida pela empresa no feito em tela. Expediente (fls. 314/317) aborda o cumprimento de ordem judicial relacionada a "documentos comprobatórios de compensações . (DCC)", mencionando planilhas e demonstrativos apresentados pela contribuinte em processos administrativos indicados em petição apresentada em mandado de segurança (fl. 314), formulando questionamentos para resposta pela Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP, que atende à solicitação por meio da manifestação anexa às fls. 320/321. Neste documento assinala-se (fl. 320) que a empresa ofertou informações à Receita Federal relacionadas com os créditos que pretende ver reconhecidos no processo administrativo em exame, e que a empresa não poderia aniquilar pendências próprias com créditos vinculados a outro CNPJ, por força de regramentos da Instrução Normativa S_RF 4 1/00 e do artigo 170-A do CTN. aplicável à situação sob enfoque. • . MINIST RIO DA FAZENDA Seg=fo Conselho de Contruintes Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL 2 CC-MF • BRASÍLIA, (s.91̀ Z / Fl. ..,nt; Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10830.007327/98-61 ilabout nfi . • Recurso n° : 130.128 Acórdão n° : 203-11.331 À fl. 340 encontra-se anexado "Demonstrativo" de valores relacionados ao crédito cujo reconhecimento é buscado no presente processo administrativo. Cópia de auto de infração (fls. 517/560 e 570/585), na qual a Recorrente é assinalada como devedora da importância de R$ 48.914.261,13 por ter se aproveitado de créditos indevidos de IPI para cobrir pendências tributárias da mesma exação (fls. 520/521), tendo sido o expediente instruído com registros extraídos da escrita fiscal da contribuinte (fls. 527/528), concernentes a valores de créditos aproveitados em compensações. Demonstrativo (fls. 586/632) detalhado de "insumos" cujas aquisições a empresa entende darem ensejo a creditamento de IPI. Decisão (fls. 66.7/674) da instância de piso acolhe parcialmente irresignação da contribuinte, anulando o despacho decisório anteriormente aludido, determinando o retorno dos autos ao Órgão de origem para exame do mérito da matéria, que não fora abordado. Parecer (fls. 694/702) opina pela rejeição do pleito ressarcitório, sendo acolhido por decisão emanada da Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP (fl. 702). A questão seguiu adiante com a apresentação de "manifestação de inconformidade" (fls. 724/778) na qual se argüiu a nulidade e a ausência de fundamentação da decisão expedida, pois ao invés de ter abordado o pleito da contribuinte formulado nesses autos preferiu enveredar por questões estranhas ao processo sob enfoque, notadamente: (i) sobre considerações a respeito de mandado de segurança impetrado pela contribuinte, no qual a mesma postulou o creditamento de IPI em virtude de aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes ao citado tributo; (ii) bem como sobre auto de infração no qual se promoveu o lançamento de tributos que a empresa tentou compensar com os créditos cogitados no feito em tela, dentre outros créditos vinculados a processos administrativos distintos, cujas aplicações em compensações constariam amparadas por liminar judicial. Em síntese: o exame da matéria não teria sido promovido com observância dos ditames normativos pertinentes à situação, mas sim com atenção à disciplina inaplicável ao contexto desses autos, não obstante também peque por não se ater, exclusivamente, aos elementos existentes nos autos, mas sim, e unicamente, a --material-que nele-não-se encontra_agregada_e_que_diz_respeito a questões outras não encartadas nos limites objetivos da análise da pretensão deduzida pela contribuinte. Ainda sob o pálio de falta de fundamentação sustentou-se, no expediente revisional, a precária análise da prova produzida pela contribuinte, pois a decisão baseara-se meramente em relatório fiscal acostado às fls. 269/272, no qual são mencionados singelos 27 itens que seriam aplicados no processo de industrialização desenvolvido na empresa, ao invés dos mais de 100 artigos retratados nas notas fiscais constantes desses autos. Além disso, a decisão ora optaria por enjeitar a pretensão ressarcitória com base em tal circunstância ', ora por discordar que aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes ao MI acarretariam créditos do citado tributo, fator que revelaria confusão no édito administrativo, também configurada pela afirmação de não estar a solicitação da empresa amparada em planilhas e demonstrativos que teriam sido aproveitados, exatamente, para a expedição do auto de infração anteriormente cogitado. No mérito a empresa alega ser imprescindível reconhecer que aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes ao IPI, geram credimmento na conta-corrente 3 • - 25' CC-MF --ri. Ministério da Fazenda •z- Fl. ,è "t Segundo Conselho de Contribuintes ';.W.W:45• Processo n° : 10830.007327/98-61 Recurso n° 130.128 Acórdão n° : 203-11.331 do aludido imposto, sob pena de violação à regra de não-cumulatividade ínsita à exação. O creditamento cogitado igualmente seria vislumbrado nas aquisições de itens integrados ao ativo imobilizado da empresa, não obstante as respectivas compras não se realizem com o objetivo de implementação de estoque voltado à industrialização implementada pela contribuinte. O mesmo argumento é invocado para refutar a recusa ao reconhecimento de crédito nas aquisições de artigos que não seriam aplicados diretamente na composição de elementos resultantes do processo industrial desenvolvido pela contribuinte, ou que sendo aplicados na industrialização não gerariam créditos em razão dos produtos com eles confeccionados destinarem-se ao mercado externo (situação esta inatingível pelo LPI - imunidade - artigo 153, § 3 0, III, da Constituição Brasileira). Decisão (fls. 822/847) da instância de piso rejeita a postulação revisional. Recurso (fls. 850/866) renova a argüição de nulidade pautada na impertinência da abordagem promovida pela instância de piso, e na ausência de fundamentação da decisão dela emanada (cerceamento de defesa). Prossegue dizendo que o creditamento ventilado pela empresa para embasar o ressarcimento tratado nesses autos é inferência decorrente da regra constitucional de não-cumulatividade do [PI, face ao que inevitável acobertar-se a pretensão sob exame. Postulou, em seguida, o cômputo da selic ao crédito visado nesses autos, sustentando, finalmente, a inocorrência de decadência ou de prescrição a seu respeito. Diligência determinada por Resolução (fls. 945/949) deste colegiado trouxe aos autos peças de processos judiciais (fls. 968/1.049, 1.051/1.053 e 1.056/1.175) referentes a lides nas quais a Recorrente figura como parte. É o relatório, no essencial. MINIST RIO DA FAZENDA -5•4 conscho de Cor.! .n.50!rt2s. CONFERE COMO C: BRASILIA, Oatjaj_ÇÁP 4 • MINIS RIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Cord,tuintes CONFERE CAM O ORiGINAL 20 CC-MF Ministério da Fazenda ztz- BRASILJA, a.1 Ir fia/ 06 Fi. Ilep.'-:n?r Segundo Conselho de Contribuintes • :-ei,"3-'4 40' 111,11 - Processo n° : 10830.007327/98-61 T• Recurso n° : 130.128 Acórdão n° : 203-11.331 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR CESAR PIANTAVIGNA Não apenas afirmações feitas pela Recorrente nesses autos dão conta do envolvimento da matéria aqui enfrentada com exames que se procedem na seara judicial, conforme salientado no relatório feito linhas atrás, como também descrições (fls. 523/526) que constam do bojo de auto de infração cuja cópia encontra-se encartada no feito em tela. Esta foi a razão pela qual este Colegiado (fls. 945/949) entendeu pela realização de diligência, a fim de que se trouxessem peças dos processos 98.0612502-9, da 4' Vara Federal de Campinas, e 1999.03.00.057337-6, do TRF szU 3 4 Região. A controvérsia estampada nesses autos circunda sobre ressarcimento de TI, conforme já alinhavado. O requerimento está baseado no artigo 5° do Decreto-Lei n° 491/69, conforme inclusive grafado no formulário acostado à fl. 01. Trata-se da mesma matéria focalizada nos autos de mandado de segurança impetrado pela contribuinte, tombado sob o n° 98.0612502-9, aviado inauguralmente na 4' Vara Federal de Campinas, que hoje, por conta de recursos especial e extraordinário, encontra-se em análise pelos Tribunais Superiores (STJ e STF — certidão datada de 17/01/2005— fl. 1055). Outra não é a conclusão que se alcança ao se consultar, especialmente, as peças juntadas às fls. 1.059/1.060, 1.066/1.068, que fazem parte da inicial do aludido mandado de segurança. Tal panorama não se altera pelo fato de a contribuinte tentar relacionar o ressarcimento buscado nos presentes autos com a tentativa de creditar-se de valores de EPI pagos na confecção de produtos imunes, isentos e sujeitados à aliquota zero. Pelo contrário: cuida-se, apenas, de uma questão incidental a ser considerada para o deslinde da pretensão principal, qual seja, o ressarcimento em si. • Com efeito, o ressarcimento é buscado com base na exportação de produtos. O pleito fulcra-se no artigo 5° do Decreto-Lei n° 491/69. Daí que para o exame do ressarcimento basta verificar se a pretensão tem como vingar frente ao seu fundamento, isto é, à conta da conclusão da exportação de produto na égide do dispositivo legal fundamentador do requerimento. O ressarcimento está voltado, como verifica-se da passagem do mandado de segurança anexada à fl. 1.067, ao excesso de créditos que a impetrante haveria incorrido pelas exportações de produtos, independentemente das exportações referirem-se a artigos que foram confeccionados com insumos imunes, isentos e sujeitados à aliquota zero. A questão — tudo indica — ainda está sob o crivo do Judiciário, circunstância que arreda o seu conhecimento na via administrativa, na conformidade de iterativos pronunciamentos do Conselho de Contribuintes: "NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A escolha pela via judicial implica a renúncia da discussão na esfera administrativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. Não deferida em face de opção pela via g): 5 Ministério da Fazenda Scçiund° con O ORIGINAL 1.,tipzx: Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM MINIS wIR10 9 4eA FAZENDA 22 CC-M FAZENDA A-112—/±L" Fl. '1;:f54.4A;S- BRASILiA. Processo n° : 10830.007327/98-61 Recurso n° 130.128 vi•• Acórdão n° : 203-11.331 judicial. PIS. MULTA. A multa aplicada circunscreve-se na legislação de regência_ TAXA SELIC. Sustentada legalmente no art. 13 da Lei n° 9.065/65. Recurso não conhecido, em pane, por opção pela via judicial, e negado na pane conhecida." (Recurso 121.859. 2° Conselho de Contribuintes. 3' Câmara. Rel. Cons. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Julgado em 17/02/2004. Acórdão 203-09.463. Processo n°10940.000654/98-17) Estou de acordo, no que se pode tomar conhecimento nesses autos, com o pronunciamento da instância de piso, que reputou parcialmente prescrita a pretensão da contribuinte no tangente à postulação, porquanto baseada em crédito financeiro, dessarte sujeitada aos termos do artigo 1° do Decreto n° 20.910/32. Este entendimento alinha-se à posição do STJ na matéria: • TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL IN. CRÉDITO ESCRITURAL APROVEITAMENTO. PRAZO PRESCRICIONAL QÜINQÜENAL DECRETO N° 20.910/32. PRECEDENTES. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. I. Trata-se de agravo regimental interposto frente a decisão que negou provimento a agravo de instnimento. Argumenta-se que o não-aproveitamento de eventual crédito escritura! do IPI motivado por impedimento criado pelas autoridades fiscais equivale a verdadeiro recolhimento de tributo indevido ou a maior, incidindo, dessarte, a legislação que regula o prazo para a restituição dos indébitos tributários, qual seja, o CTN. 2. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que, nas ações que visam ao reconhecimento do direito ao creditamento escritura( do IPI, o prazo prescricional é de 5 anos, sendo atingidas as parcelas anteriores à propositura da ação. Confiram-se: AgRg no REsp n° 507.313/PR, ReL Min. José Delgado, 1° Turma, DJ de 22/09/2003; REsp n° 498.766/SC, Rel. Min. Luiz Fux, I° Turma, DJ de 15/09/2003; REsp n° 449.768/PR, 2° Turma, Rel° Min° Eliana Calmon, 2° Turma, DJ de 04/08/2003; AgRg nos EDcl nos EREsp n° 392.257/PR, ReL Min. Francisco Peçonha Martins, DJ de 09/06/2003; REsp n° 4627254/RST-Rel—Min.—losé—DelgaTurma,—Drdé-7-6/7272001; Rtsp n" 358.750/RS, Rel° Min° Eliana Calmon, 2° Turma, DJ de 02/09/2002. 3. As ações que objetivam o recebimento do crédito-prémio do IPI não se confundem com as demandas de restituição oriundas do recolhimento de tributo indevido ou a maior, motivo pelo qual não se lhes aplica a disciplina do C77V, mas a do Decreto n° 20.910/32 que estabelece o prazo prescricional qüinqüenal. 4. Decisão agravada mantida. 5. Agravo regimental não-provido. (AgRg no Ag 715.380/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16.05.2006, DJ 08.06.2006 p. 125) A intenção da Recorrente de integrar ao requerimento de ressarcimento supostos créditos provenientes de aquisições de bens para o ativo fixo e de material de consumo também improcede, haja vista não representarem artigos que viabilizam creditamentos. --„,p 6 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de CoNiNu.retes t. Já: CONFERE COM O ORIGINAL 2g CC-MFtt;v- Ministério da Fazenda BRASIL!" on ID ! ti? Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 0# Processo n° : • 10830.007327/98-61 y; o Recurso n° : 130.128 Acórdão n° : 203-11.331 A matéria é conhecida nesse sodalício, consoante verifica-se dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. O auto de infração lavrado com observância das normas procedimentais e calçado nos elementos de prova que dão suporte a cada uma das denúncias fiscais não viola o princípio da verdade material. Preliminar rejeitada. OPÇÃO PEIA VIA JUDICIAL. A impetração de medida judicial onde se discute a mesma matéria objeto da autuação fiscal importa em renúncia ao debate nas instâncias administrativas, devendo ser analisados apenas os aspectos do lançamento não discutidos judicialmente. IN. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS (NT). O Princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, por serem eles tributados à alíquota zero, não há valor algum a ser creditado. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. É inadmissível o creditamento do imposto pago nas aquisições de bens destinados ao ativo permanente ou nas de bens de consumo não utilizados diretamente na produção fabril do estabelecimento industrial. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORA TÓRIOS O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de oficio no percentual de 75% do valor do imposto lançado de oficio e de juros moratórios calculados com base na variação da Taxa SELIC, nos termos da legislação tributária especifica. Recurso negado. (Recurso 124076, Proc. 1)516002829/2002-23, Ac. 202- 15.515, 2° Câmara, 2° Conselho de Contribuintes, Rel Conf. Henrique Pinheiro Torres, sessão 13/04/04) IPI - CRÉDITOS PRESUMIDOS NA EXPORTAÇÃO - RESSARCIMENTO DE PIS E DE COFINS - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS - A Lei n° 9.363, de 13/12/96, estabelece que a base cálculo do crédito presumido compreende o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, sem condicionar-sua-utilização-.a fatores--outrosi-como-o de-somente-ser-possível-sobtr insumos que tenham sido onerados pela contribuição na etapa do processo produtivo imediatamente anterior à obtenção do produto final acabado, conseqüentemente, abandonando-se as fases anteriores da comercialização desses mesmos insumos. ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL DE CONSUMO E TRANSPORTE - A Lei n°9.363/96, instituidora do incentivo em causa, não prevê a inclusão dessas aquisições na sua base de cálculo, pois as mesmas não se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. TAXA SELIC - Inaplicável ao caso, por falta de previsão legal, pois o § 40 do art. 39 da Lei n° 9.250/95 autoriza sua aplicação apenas quando se tratar de compensação ou restituição. Recurso parcialmente provido. (Recurso 116382, Processo 10980011177/99-21, 3' Câmara, 2° Conselho de Contribuintes, Ac. 203-07520, sessão 12/07/01) Ante ao exposto, não conheço do recurso, face à opção pela via judicial, confirmando a decisão da instância de piso no que se refere à prescrição e à impossibilidade de 7 • e CC-MF Ministério da Fazenda Fl.ti‘t.fr.t.x' Segundo Conselho de Contribuintes ‘4, Processo n° : 10830M07327/98-61 Recurso n° : 130.128 Acórdão n° : 203-11.331 creditamento de TI em decorrência de aquisições de produtos para o ativo fixo da empresa, ou para simples consumo. Sala da , s .t ões, em 20 de setembro de 2006. CE "t1.44 • 0.1/4y7WIGNA ,n DA FAZEtip WHIST g'" de conuir07,4- segunc"reelOmbiN O ORIGINALcoNFER_, rl Bat,,SILIA, 1, Pd ;c. 8 Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730691/2018-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
GANHO DE CAPITAL. PERMUTA SEM TORNA.
Nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei n. 7.713/1988, a permuta configura alienação para fins de apuração do ganho de capital, sendo indiferente, à luz da legislação vigente, a existência de torna na permuta de bens móveis, imóveis ou ações.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
ESTIMATIVAS MENSAIS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO -CABIMENTO.
É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto apuradas em procedimento fiscal, em razão de expressa disposição legal e em face das incidências ocorrerem em situações fáticas distintas.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Matéria pacificada pela Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória no contencioso administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1102-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e,por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, tanto no tocante às exigências principais, quanto no que se refere às multas isoladas exigidas por inadimplemento de estimativas mensais.Vencidos os Conselheiros Cristiane Pires McNaughton (Relatora), Gustavo Schneider Fossati e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento ao recurso voluntário.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roney Sandro Freire Correa.
Assinado Digitalmente
Cristiane Pires McNaughton – Relatora
Assinado Digitalmente
Roney Sandro Freire Correa – Redator designado
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires McNaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 202510
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 GANHO DE CAPITAL. PERMUTA SEM TORNA. Nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei n. 7.713/1988, a permuta configura alienação para fins de apuração do ganho de capital, sendo indiferente, à luz da legislação vigente, a existência de torna na permuta de bens móveis, imóveis ou ações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 ESTIMATIVAS MENSAIS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO -CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto apuradas em procedimento fiscal, em razão de expressa disposição legal e em face das incidências ocorrerem em situações fáticas distintas. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Matéria pacificada pela Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória no contencioso administrativo fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
numero_processo_s : 10380.730691/2018-33
anomes_publicacao_s : 202511
conteudo_id_s : 7314579
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 1102-001.762
nome_arquivo_s : Decisao_10380730691201833.PDF
ano_publicacao_s : 2025
nome_relator_s : CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON
nome_arquivo_pdf_s : 10380730691201833_7314579.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e,por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, tanto no tocante às exigências principais, quanto no que se refere às multas isoladas exigidas por inadimplemento de estimativas mensais.Vencidos os Conselheiros Cristiane Pires McNaughton (Relatora), Gustavo Schneider Fossati e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento ao recurso voluntário.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roney Sandro Freire Correa. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Roney Sandro Freire Correa – Redator designado Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires McNaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
id : 11125003
ano_sessao_s : 2025
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:26 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117318986694656
conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-17T14:57:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-17T14:57:55Z; Last-Modified: 2025-11-17T14:57:55Z; dcterms:modified: 2025-11-17T14:57:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-17T14:57:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-17T14:57:55Z; meta:save-date: 2025-11-17T14:57:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-17T14:57:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-17T14:57:55Z; created: 2025-11-17T14:57:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2025-11-17T14:57:55Z; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-17T14:57:55Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10380.730691/2018-33 ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 22 de outubro de 2025 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMERCIO S. A. FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 GANHO DE CAPITAL. PERMUTA SEM TORNA. Nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei n. 7.713/1988, a permuta configura alienação para fins de apuração do ganho de capital, sendo indiferente, à luz da legislação vigente, a existência de torna na permuta de bens móveis, imóveis ou ações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 ESTIMATIVAS MENSAIS - FALTA DE RECOLHIMENTO - MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO -CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, em concomitância com a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento/declaração das diferenças do imposto apuradas em procedimento fiscal, em razão de expressa disposição legal e em face das incidências ocorrerem em situações fáticas distintas. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Matéria pacificada pela Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória no contencioso administrativo fiscal. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, tanto Fl. 3246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 2 no tocante às exigências principais, quanto no que se refere às multas isoladas exigidas por inadimplemento de estimativas mensais. Vencidos os Conselheiros Cristiane Pires McNaughton (Relatora), Gustavo Schneider Fossati e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roney Sandro Freire Correa. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Roney Sandro Freire Correa – Redator designado Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires McNaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se, na origem, de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 11 a 20, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 02 a 10, lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 41.467.712,94. Consoante o Relatório Fiscal, às fls. 21 a 37, o lançamento decorreu de: a) adição não computada na apuração do Lucro Real, b) exclusão indevida do lucro líquido e c) falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL - o que motivou a aplicação de multa isolada. Qualificou-se a multa de ofício (150%). Foi responsabilizada pelo crédito a "Imobiliária e Agropecuária Jereissati S.A.". Abaixo, trago os principais tópicos do Relatório Fiscal (fls. 21 a 62): II - ANÁLISE E CONCLUSÃO. Ante os fatos expostos e analisando os esclarecimentos e documentos apresentados tanto pela CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S/A quanto pela Fl. 3247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 3 JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, em resposta às intimações em curso, vinculadas aos seus respectivos procedimentos fiscais e, em cotejo com seus registros contábeis e fiscais e informações declaradas em suas DIPJ's, relativas aos anos-calendário de 2012 e 2013, constata-se: (termos, respostas e documentos, em anexo) 1 - com relação a CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S/A, destaca-se nos esclarecimentos apresentados pelo sujeito passivo às intimações anteriormente citadas, que: 1.1- o acionista Tasso Ribeiro Jereissati no ano de 2012, era detentor de 1.062.633 ações de emissão da CALILA, o equivalente a 99,9973% de seu capital social, fato confirmado na documentação apresentada em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização; 1.2- na Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 26 de agosto de 2013, está consignado no quadro demonstrativo de acionistas presentes à referida Assembleia, que a sociedade empresária JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A - JCC, detém 873.019 ações da CALILA e o Sr. Tasso Ribeiro Jereissati, é detentor de outras 189.614 ações, cujo somatório é o montante de 1.062.633 ações da CALILA, o equivalente a 99,9973% de seu capital social, conforme citado no item 1.1; 1.3- nos esclarecimentos prestados pela CALILA, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal No. 05/2017, são reafirmados os fatos citados em 1.1 e 1.2, precedentes, e apresentado documentos confirmando a operação de alienação/transferência de ações do acionista Tasso Ribeiro Jereissati para a Jereissati Centros Comerciais S/A, conforme abaixo: (documentos, em anexo) 1.3.1- na cópia do Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas N° 01 da Calila Administração e Comércio S/A, está consignada, no TERMO DE TRANSFERÊNCIA N° 10, datado de 05/03/2013, a transferência de 873.019 ações ordinárias nominativas "Classe A" de emissão da CALILA de titularidade do Sr. Tasso Ribeiro Jereissati para a Jereissati Centros Comerciais S/A, por permuta; 1.3.2- na cópia da Ata da Assembleia Geral Extraordinária de JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, realizada em 14/03/2013 e registrada na JUCEC em 18/04/2013, que delibera sobre a aprovação da presente ata na forma sumária é autorizada a permuta sem torna do percentual de 15% (quinze por cento) da fração ideal dos imóveis das matrículas que nomeia, por 873.019 (oitocentas e setenta e três mil e dezenove) ações ordinárias nominativas de emissão da CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S/A e a lavratura da Escritura Pública de Permuta sem Torna da operação; 1.3.3 - na cópia da Escritura Pública de Permuta Sem Torna, firmada entre o Sr. Tasso Ribeiro Jereissati e a Jereissati Centros Comerciais S/A - JCC, está consignada a permuta das 873.019 ações de emissão da CALILA pertencentes ao Fl. 3248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 4 Sr. Tasso, por 15% da fração ideal dos imóveis nela listados de propriedade da JCC, conforme indicado em 1.3.2, precedente; e, 1.3.4- complementando os esclarecimentos ao Termo de Intimação Fiscal No. 05/2017, é declarado pela CALILA em 02/10/2018, em suma, o que se segue: (resposta e documentos, em anexo) a - que o valor contábil da fração ideal de propriedade de Jereissati Centros Comerciais S/A (JCC) no imóvel objeto da operação descrita no item 1.3 e subitens 1.3.1 a 1.3.3, era de R$71.992.793,63 (setenta e um milhões, novecentos e noventa de dois mil, setecentos e noventa e três reais e sessenta e três centavos), registrados na escrituração comercial da JCC, nas seguintes contas contábeis: -Conta 13020101R$ 18.890.261,33 -Conta 13020102 /13020202R$ 53.102.532,30 (a) Total R$ 71.992.793,63 Observação: (a) - valor líquido da depreciação acumulada b - e frisa que, o valor contábil acima apresentado refere-se à propriedade de JCC sobre 80% da fração ideal do imóvel, dos quais apenas 15% foram objeto da operação de permuta descrita no item 1.2 do Termo de Intimação Fiscal No. 05/2017. Por esta razão, por ocasião do registro contábil da mesma, a JCC efetuou lançamento credor no valor de R$10.798.919,04 (R$71.992.793,63 x 15% de 80%)). Note-se apenas que o referido lançamento contábil foi integralmente creditado à conta n° 13020102. 1.4 - nos esclarecimentos apresentados pela CALILA, em resposta ao Termo de Intimação fiscal No. 07/2017, é confirmado que no evento de "Permuta Sem Torna", efetivado entre as partes, a quantidade de ações permutadas é de 873.019 (oitocentas e setenta e três mil e dezenove) ações e o valor patrimonial por ação utilizado no cálculo, foi de R$52,1032; para comprovar suas alegações, junta na oportunidade, a Ata onde está registrado o número de ações e o balancete onde está consignado o montante do capital social da Companhia, à época do referido evento. 2 - com relação a JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A - JCC, destaca-se nos esclarecimentos apresentados por sua sucessora (CALILA ADM e COM S/A), em resposta às intimações citadas anteriormente, que: (termo e respostas, em anexo) 2.1- ao ser solicitado no Termo de Diligência Fiscal No. 01/2018, o laudo de avaliação da aquisição das 873.019 ações de emissão da CALILA, tituladas pelo Sr. Tasso Ribeiro Jereissati na época do evento, bem como os registros contábeis dessa operação e as Atas onde a operação encontra-se registrada, o intimado esclarece em suma, que não foi elaborado laudo de avaliação para a aquisição, por JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, das 873.019 ações ordinárias nominativas classe "A", de emissão de CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S/A, tendo em vista que não havia, nas legislações comercial e fiscal vigentes à época Fl. 3249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 5 do evento, qualquer dispositivo que determinasse a confecção do referido laudo no caso de operações de permuta; (grifo Nosso) 2.2- a CALILA ADM e COM S/A, na qualidade de sucessora da JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, apresenta os documentos objeto do Termo de Diligência Fiscal No. 02/2018; e, 2.3- a sucessora CALILA ADM e COM S/A, em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal No. 03/2018, esclarece que a JCC reconheceu o valor de R$34.688.000,00 (trinta e quatro milhões, seiscentos e oitenta e oito mil reais) em contas de resultado em razão do que determinavam as normas contábeis brasileiras, editadas após o processo de convergência com as normas contábeis internacionais ("IFRS") e para fins fiscais, contudo, JCC exclui de tributação o referido valor já que, durante a vigência do Regime Tributário de Transição ("RTT"), as inovações contábeis decorrentes do processo de convergência com o IFRS tiveram seus efeitos neutralizados, prevalecendo, para fins fiscais, o conjunto de normas contábeis editadas até 31.12.2007, que determinam o registro do referido valor em contas patrimoniais até o momento da realização dos investimentos a que se vinculam. Essa fiscalização considera esses esclarecimentos inconsistentes haja vista que, conforme acima demonstrado, a operação sob exame trata-se de uma alienação onerosa de bens e direitos de que resultou receita de ganho de capital, o que não gera qualquer ajuste do RTT, como o sujeito passivo alega em sua resposta. Isto se evidencia pelo valor (-R$1.315.630,70) referente ao RTT (Ficha 09A - Demonstração do Lucro Real - PJ em Geral, linha 02.Ajuste do Regime Tributário de Transição - RTT) informado pelo próprio contribuinte em sua DIPJ/2014, bem como pelo Fcont relativo ao ano-calendário de 2013 -DEMONSTRATIVO XI, em anexo -, enviado ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), em que fica demonstrado que o ajuste de RTT realizado pela empresa decorre de critérios distintos de apropriação de despesas financeiras. Além disso, esse fato também se evidencia pelo cotejo entre o valor informado na Ficha 06A - Demonstração do Resultado -PJ em Geral, linha 51. (-) Outras Despesas Financeiras (R$1.903.488,63), e o valor informado na Ficha 07A - Demonstração do Resultado - Critérios em 31.12.2007 - PJ em Geral, linha 51.(-) Outras Despesas Financeiras (R$3.219.119,33), cuja resultante é o ajuste negativo no RTT no valor de R$1.315.630,70, declarado em sua DIPJ/2014 e registrado em seu LALUR. Da análise do conjunto dos elementos apresentados, objetivando determinar os efeitos tributários derivados da operação de alienação das 873.018 ações da CALILA pertencentes ao Sr. Tasso Ribeiro Jereissati em troca da fração ideal de 15% (quinze por cento) dos imóveis pertencentes a JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A - JCC, conforme relatado e documentado, CONCLUI-SE: 1 - que a operação de permuta sem torna, firmada entre as partes envolvidas (Tasso Ribeiro Jereissati / JCC / CALILA ADM e COM ) e documentada pelo contribuinte, não se deu conforme alegado pelo sujeito passivo, pois Fl. 3250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 6 EFETIVAMENTE trata-se de uma operação de alienação de bens e direitos, haja vista que a JCC, ao receber as 873.018 ações da CALILA antes pertencentes ao Sr. Tasso Ribeiro Jereissati em troca dos 15% (quinze por cento) da fração ideal de seus imóveis, em 05/03/2013, obteve um ganho de capital de R$34.688.173,62 (trinta e quatro milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, cento e setenta e três reais e sessenta e dois centavos), registrado, em sua contabilidade na conta 13010102 -Calila Administração e Comércio S/A e contrapartida de Equivalência Patrimonial Ativa -conta 460101001 -, conforme indicado nos DEMONSTRATIVOS I, III, VI, IX e IX.l. Esse registro é reproduzido em seu Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, entre os meses de março a novembro de 2013. Ao contabilizar o investimento proveniente da aquisição das 873.019 ações da CALILA, em 31/03/2013, a JCC registra a débito de conta de seu ativo permanente/investimento - conta 13010102 - Calila Administração e Comércio S/A -, o valor desse investimento (R$45.487.092,66) e em contrapartidas a crédito, a baixa em seu imobilizado, no valor de R$10.798.919,04, equivalente aos 15% dos imóveis negociados (conta 13020102 - Edificações) e o ganho de capital no valor de R$34.688.173,62, travestido em seus registros contábeis de Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001, com histórico de lançamento de "VR REF DESAGIO INVESTIMENTO CALILA ADM", o que confirma o efeito tributário da operação, pois conforme declarado pelo sujeito passivo em sua resposta ao Termo de Diligência Fiscal No. 01/2018, datado de 26/11/2018 - abaixo transcrita -, não foi elaborado laudo de avaliação para a referida operação de aquisição. Portanto, não há que se falar de deságio na operação contabilizada em 31/03/2013, à conta 13010102 - Calila Administração e Comércio S/A e correlatas: (termo, resposta e demonstrativos, em anexo) A PETICIONÁRIA informa quanto ao item 2.1, que não foi elaborado laudo de avaliação para a aquisição, por JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S.A. das 873.019 ações ordinárias nominativas classe "A " de emissão de CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S.A. tendo em vista que não havia, nas legislações comercial e fiscal vigentes à época do evento, qualquer dispositivo que determinasse a confecção do referido laudo no caso de operações de permuta. (GRIFO NOSSO) 2 - que em 31/12/2013, a JCC ao apurar Equivalência Patrimonial no investimento registrado na conta 13010102 - Calila Administração e Comércio S/A, contabiliza a crédito da citada conta, o valor de R$17.468.447,52 (dezessete milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e dois centavos), e sua contrapartida é debitada na conta 460101002 - Equivalência Patrimonial Passiva (Resultado negativo em participação societária). O valor contabilizado a débito de Equivalência Patrimonial Passiva (RS 17.468.447,52), para efeitos tributários, deveria ter sido ADICIONADO ao Lucro Líquido quando da apuração do Lucro Real - IRPJ e CSLL -, para neutralizar o efeito da Equivalência Patrimonial derivada da perda do investimento registrado na contabilidade à conta 13010102 e suas contrapartidas, cujos espelhos encontram- se nos DEMONSTRATIVOS I, VII, IX e IX.l, conforme determinado na legislação Fl. 3251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 7 pertinente. O que não ocorreu, conforme seus registros no LALUR, ano-calendário de 2013 e em sua DIPJ, ano-calendário de 2013, na Ficha 06A - Demonstração do Resultado - PJ em Geral e linha - 53. (-) Resultados Negativos em Participações Societárias; na Ficha 07A - Demonstração do Resultado - Critérios em 31.12.2007 - PJ em Geral e linha 53. (-) Resultados Negativos em Participações Societárias; na Ficha 09A - Demonstração do Lucro Real - PJ em Geral e linha 14. Ajustes por Diminuição Valor de Invest. Aval. p/ PL; e na Ficha 17 - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - linha 14. A jus tes por Dimin. Valor de Invest. Aval. p/ PL (Demonstrativos, LALUR e DIPJ, AC 2013, em anexo). Conforme os fatos citados no item 1, precedente, vinculado ao ganho de capital no valor de R$34.688.173,62, a qual foi registrada erroneamente pelo sujeito passivo em sua escrita contábil e fiscal, como Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001, e replicada em seu LALUR, entre os meses de março a novembro de 2013, CONCLUI-SE que: 2.1 - na apuração do Lucro Líquido e por ocasião de seu ajuste na determinação do Lucro Real, registrado em seu LALUR e em sua DIPJ, ano-calendário de 2013, a JCC em 31/12/2013, realiza uma operação matemática de subtração envolvendo o ganho de capital apurado em 05/03/2013 e contabilizado em 31/03/2013, no valor de R$34.688.173,62 e registrada erroneamente a crédito em sua contabilidade como Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001 (conta 13010102) e a Equivalência Patrimonial Passiva - conta 460101002 -, registrada a débito no montante de R$17.468.447,52, gerando um saldo de R$17.219.726,10. Em função dos valores apropriados erroneamente pelo contribuinte em sua contabilidade e no LALUR e declarado em sua DIPJ, ano-calendário de 2013, tais operações geraram os seguintes valores a tributar: 2.1.1- Falta de adição ao Lucro Líquido quando da apuração do Lucro Real, no período de apuração do ano-calendário de 2013, do montante de R$17.468.447,52 (dezessete milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil e quatrocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e dois centavos), proveniente da Equivalência Patrimonial Passiva - Conta 460101002 -, subtraída da receita de ganho de capital no valor de R$34.688.173,62, contabilizada erroneamente como Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001, em 31/03/2013. A presente autuação encontra-se tipificada nos artigos 247, 248,249, inciso I e II, 250, incisos I e II, 251 e seu parágrafo único, combinado com os artigos 384,385,387,389,391,418, 425,426, todos do RIR/99 e alterações posteriores e IN SRF n° 107/88 e PARECER/PGFN/CAT N° 1722/2013 e sua apuração encontra-se nos DEMONSTRATIVOS I, VI, VII, IX e IX.l, anexos ao presente relatório fiscal. Ante todos os fatos acima descritos, dentre eles os relatados no item 2 e desdobramentos da Análise e Conclusão, em que ficou caracterizada, pelos atos praticados, a efetiva intenção do sujeito passivo de elidir-se do pagamento dos tributos - IRPJ e CSLL -, que está obrigado a recolher em decorrência da operação de alienação onerosa de bens e direitos de que resultou a infração referente à Fl. 3252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 8 falta de adição ao Lucro Líquido quando da determinação do Lucro Real - item 2.1 e subitem 2.1.1, a multa de ofício aplicada será de 150% (cento e cinquenta por cento) conforme determinado no artigo 44, § Io da Lei N° 9.430, de 27/12/1996 e alterações posteriores. 2.1.2- Exclusão indevida do Lucro Líquido quando da apuração do Lucro Real, no período de apuração do ano-calendário de 2013, no montante de 17.219.726,10 (dezessete milhões, duzentos e dezenove mil e setecentos e vinte e seis reais e dez centavos), originado do saldo de receita de ganho de capital, apurada na operação matemática de subtração realizada pelo sujeito passivo, envolvendo o ganho de capital apurado em 05/03/2013 e contabilizado em 31/03/2013, no valor de R$34.688.173,62 e registrado erroneamente a crédito em sua contabilidade como Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001 (conta 13010102) e a Equivalência Patrimonial Passiva - conta 460101002 -, registrada a débito no montante de R$17.468.447,52. A presente autuação encontra-se tipificada nos artigos 247, 248,249, inciso I e II, 250, incisos I e II, 251 e seu parágrafo único, combinado com os artigos 384,385,387, 389, 391, 418, 425, 426, todos do RIR/99 e alterações posteriores e IN SRF n° 107/88 e PARECER/PGFN/CAT N° 1722/2013 e sua apuração encontra-se nos DEMONSTRATIVOS I, VI, VII, IX e IX.l, anexos ao presente relatório fiscal. Ante todos os fatos acima descritos, dentre eles os relatados no item 2 e desdobramentos da Análise e Conclusão, em que ficou caracterizada, pelos atos praticados, a efetiva intenção do sujeito passivo de elidir-se do pagamento dos tributos - IRPJ e CSLL -, que está obrigado a recolher em decorrência da operação de alienação onerosa de bens e direitos de que resultou a infração referente a exclusão indevida do Lucro Líquido quando da determinação do Lucro Real - item 2.1 e subitem 2.1.2, a multa de ofício aplicada será de 150% (cento e cinquenta por cento) conforme determinado no artigo 44, § Io da Lei N° 9.430, de 27/12/1996 e alterações posteriores. 2.1.3 - Multa Isolada de 50% (cinquenta por cento), apurada sobre a base de cálculo estimada do IRPJ e da CSLL, após ajustes, relativas ao mês de março de 2013 - nos valores abaixo -, em razão de não ter sido apropriado o ganho de capital de R$34.688.173,62 (trinta e quatro milhões, seiscentos e oitenta e oito mil e cento e setenta e três reais e sessenta e dois centavos), decorrente da operação de alienação de bens e direitos firmada entre JCC/CALILA ADM COM S/A e o Sr. Tasso Ribeiro Jereissati, envolvendo ações nominativas de emissão da Calila Administração e Comércio S/A, tituladas pela pessoa física do Sr. Tasso e imóveis registrados no imobilizado da sociedade empresária Jereissati Centros Comerciais S/A - JCC. Os fatos ocorridos foram relatados e documentados pelas partes envolvidas, quando do atendimento aos diversos termos lavrados no transcorrer dos procedimentos fiscais, envolvendo ambas as empresas. A presente autuação encontra-se tipificada nos artigos 221, 222, 223, 224, 225, 228, 230, 247, 248, 249, inciso I e II, 250, incisos I e II, 251 e seu parágrafo único, combinado com os artigos 393, 418, 425, 426 e 843, todos do RIR/99 e artigo 44, Fl. 3253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 9 inciso II da Lei n° 9.430/96, alterado pelo artigo 14 da n° 11.488/2007, e sua apuração encontra-se nos DEMONSTRATIVOS X, X.l, X.2 e X.3, embasados nos DEMONSTRATIVOS I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, VIII.l, VIII.2, VIII.3, IX e IX. 1, anexos ao presente relatório fiscal. -Multa Isolada de 50% - IRPJ - R$4.338.677,51 -Multa Isolada de 50% - CSLL - R$1.561.923,91 Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 3.041 a 3.087) contraponto os argumentos da fiscalização. Em seguida, sobreveio o julgamento da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) – DRJ/REC que deu parcial provimento ao pedido da contribuinte para fins de reduzir a multa qualificada para 75%. Confira-se a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Delegacias de Julgamento devem observar a legislação tributária vigente no País, sendo-lhes defeso apreciar arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de normas regularmente editadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2013 ALIENAÇÃO. PERMUTA DE BENS IMÓVEIS POR AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Incide IRPJ sobre o ganho de capital decorrente de permuta entre bens imóveis e ações, que deve ser tributado no período concernente à sua apuração. LUCRO LÍQUIDO. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. ADIÇÃO NÃO COMPUTADA. EXCLUSÃO INDEVIDA . APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A falta de adição ao lucro líquido, em face de lançamento de despesa decorrente de equivalência patrimonial, bem assim a exclusão indevida, para efeito de apuração do lucro real, enseja a consideração do respectivo valor na apuração do lucro e a consequente formalização do crédito dimanante. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A opção pela forma de apuração anual do imposto sujeita a pessoa jurídica ao recolhimento de antecipações mensais, determinadas sobre base de cálculo estimada. O não recolhimento, ou o recolhimento a menor, da antecipação enseja o lançamento da multa de ofício isolada prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 3254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 10 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº11.488, de 2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição social devidos ao final do respectivo ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão houve Recurso de Ofício nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. ) no qual defende, em síntese: (a) Apesar de as permutas serem uma forma de alienação de bens, de um modo geral, elas são incapazes de gerar consequências fiscais. Isso porque os ganhos de capital somente podem ser submetidos à incidência do IRPJ e da CSLL guando efetivamente realizados e, em regra, esse fato não se verifica nas permutas. (b) Na permuta pura, em que não há pagamento de torna (parcela adicional necessariamente expressa em moeda), cada parte quer adquirir um bem que pertence à outra e para tanto se dispõe a transferir-lhe bem próprio sobre o qual não mais tem interesse em manter o domínio. É elemento da permuta pura o consenso das partes sobre a eguivalência intrínseca dos valores dos bens permutados. Na permuta com torna esse segundo elemento se desdobra no consenso das partes sobre a diferença de valores intrínsecos entre os bens permutados, que deve ser compensada em dinheiro por uma à outra. (c) A permuta não tem preço, pois é alheia à moeda, já que se funda em consenso das partes sobre equivalência dos valores intrínsecos dos bens permutados. No caso de permuta com torna, essa contrapartida monetária não é preço, mas compensação para atingir-se a equivalência de valores acima referida. Fl. 3255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 11 (d) Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a Lei n° 8.383/91 não se restringe a afastar a apuração de resultados na troca de "moeda podre" por ações de empresas integrantes do PND. Ela qualifica a operação como uma permuta e aponta seu tratamento fiscal, fazendo-o de forma a evidenciar a impossibilidade de ela (a permuta) gerar resultados fiscais. Com efeito, se o bem recebido em permuta ingressa no patrimônio dos permutantes pelo valor do bem entregue em permuta, não há ganho a apurar. Por outro lado, reitere-se o caráter declaratorio da lei. (e) Por sua vez, o Parecer PGFN n° 454/92 é textual ao afirmar que não havia (e ainda não há) qualquer norma legal que previsse a tributação de ganho em permuta e, indo além, ainda qualifica como inconstitucional qualquer lei que viesse a dispor em contrário. (f) O relatório e a decisão utilizam-se do Parecer PGFN-CAT n° 1722/2013 para afastar o tratamento previsto nos pareceres acima mencionados, sob a alegação de que estes tratariam da hipótese específica de entrega de títulos públicos e outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição de ações ou quotas leiloadas no âmbito do PND. Ora, não se questiona o contexto em que os atos foram baixados, mas dizer que eles apenas revelavam a posição do Governo no que se refere às operações específicas nele tratadas é ignorar por completo o seu histórico e conteúdo, abordados nos itens anteriores. Como demonstrado, tais pareceres inequivocamente manifestaram a posição do Governo pela neutralidade fiscal das permutas em geral. Em outras palavras, pela clareza dos termos desses pareceres, é um despropósito alegar que a orientação neles contida limita-se às mencionadas operações. (g) Como bem pontuado no Parecer PGFN n° 454/92, a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, ou isenção, mas sim o reconhecimento da não incidência da regra de tributação. (h) A decisão afirma, ainda, que, por meio do PN CST n° 504/71, a RFB já teria se posicionado no sentido de que o resultado positivo decorrente de alienação por permuta deve ser tributado e, ao fazê-lo, não teria condicionado a tributação pelo ganho de capital à existência de torna; bastando haver o ganho para que ocorra a tributação. Cabe esclarecer que o referido PN CST n° 504/71 foi editado antes da promulgação do DL n° 1.598/77, que adaptou a legislação do IRPJ à LSA. Com a promulgação do DL n° 1.598/77, os ganhos passaram a ser tributados somente quando realizados, como deixa claro o seguinte trecho da Exposição de Motivos do projeto do referido DL. (i) Os Pareceres PGFN nos 970/91 e 452/92, editados na vigência do DL n° 1.598/77, adotaram a mesma linha da sua Exposição de Motivos, o que demonstra que a Fl. 3256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 12 intenção do legislador era, de fato, tributar os ganhos de capital apenas quando efetivamente realizados. (j) Ademais, como afirmado no Parecer PGFN n° 454/92, a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, ou isenção, mas sim o reconhecimento da não incidência da regra de tributação. A não incidência de IRPJ e CSLL, nos casos de permuta, jamais poderia decorrer de uma IN. Se a permuta pura fosse realmente apta a gerar ganho de capital tributável, nenhuma norma regulamentar (de decreto ou outra, de hierarquia inferior à de lei) poderia: (i) exclui-lo de tributação, no todo ou em parte; (ii) afirmar o caráter fiscalmente neutro da permuta sem torna, (iii) restringir à torna a base de cálculo do imposto na permuta, nem (iv) limitar a aplicação dessas regras apenas às permutas de bens imóveis. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO Recorreu-se de ofício em razão da exoneração ocasionada pela parcial procedência da impugnação ter ultrapassado o limite de alçada estar, à época, de acordo com o art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972. Ocorre que o referido Decreto atualmente é regulado pela Portaria MF nº 2, de 17/01/23 que estabeleceu o valor mínimo de quinze milhões de reais, o qual não foi alcançado no caso concreto. Nesse sentido, aplico a Súmula n. 103 do CARF, que dispõe: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Em virtude disso, voto por não conhecer do recurso de ofício. 2 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Razão, pela qual, dele conheço. Fl. 3257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 13 3 MÉRITO O Imposto sobre a Renda tem como materialidade a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda que é definida como o acréscimo patrimonial da pessoa jurídica. Essa conclusão da acepção do termo “renda” é obtida pela intepretação que se faz da inteligência do inciso II do artigo 43 do CTN que se refere a proventos como “outros acréscimos patrimoniais” e que nos leva a concluir que “renda” também é oriunda de “acréscimo patrimonial”, como bem ensina Ricardo Mariz de Oliveira.1 A noção de disponibilidade de renda está vinculada à realização. Como ensina José Luiz Bulhões Pedreira2: A aquisição de renda financeira não consiste no fato jurídico da aquisição de direitos patrimoniais, mas na disponibilidade do objeto desses direitos, que é moeda ou valor em moeda (v. obs. 1 ao nº 110). Se os direitos recebidos na troca são dinheiro, não há dúvida de que o lucro está realizado. Mas se não têm valor em dinheiro determinável com precisão, ou não podem, com facilidade, ser convertidos em dinheiro, ainda não há lucro real ou efetivo. É o caso, por exemplo, de permuta de um bem por outro cuja realização em dinheiro, ou em direitos com liquidez, depende de nova troca no mercado. Nesse caso não há realização do lucro potencial, mas sua transferência de um bem para outro. Essa visão de disponibilidade como a exigência de se receber um bem “quase líquido”, além da noção de certeza, acima mencionada, satisfaz o princípio do não-confisco. Pondero que a alíquota do IR costuma ser mais “agressiva” entre os tributos, justamente por envolver uma situação em que o sujeito passivo exprime capacidade contributiva por excelência. Mas se a riqueza nova revelar um ativo de baixa liquidez, o sujeito passivo ficará simplesmente impossibilitado de pagar o tributo no prazo aventado pela legislação, revelando uma situação confiscatória. Por isso mesmo, a legislação federal distingue a tributação de alienações em duas grandes perspectivas: a perspectiva da alienação e da aquisição. Enquanto o ganho da “alienação” é tributado – porque quem aliena, como regra geral, obtém um recurso dotado de liquidez - o ganho da “aquisição” não é tributado – alguns dizem, impropriamente, “diferido”. De fato, a tributação sob a perspectiva da alienação é prevista no artigo 31 do Decreto-lei n. 1.598/77 a seguir transcrito: Art. 31. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo não circulante, classificados como investimentos, imobilizado ou intangível. 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 41. 2 BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a renda – pessoas jurídicas, I. Rio de Janeiro: Justec, 1979, p. 281. Fl. 3258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 14 Por outro lado, a não tributação sob a perspectiva da “aquisição” – isto é, a compra vantajosa ou o deságio - pode ser encontrada em diversos dispositivos. A título de exemplo, a Recorrente alega que o deságio não seria tributável haja vista que as normas contábeis em 2007, aplicáveis em matéria de Imposto sobre a Renda por conta do Regime Transitório de Tributação - RTT, exigiam o reconhecimento do “deságio” no caso em tela. O deságio era definido pelo inciso II do artigo 20 do Decreto-lei n. 1.598/77 como a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da investida adquirido. Ocorre que o lançamento do deságio deveria ser motivado economicamente nos termos do §2º do artigo 20 do Decreto-lei n. 1.598/77, sendo certo que a depender de seu fundamento econômico, poderia impactar o lucro real em diferentes momentos nos termos do artigo 23 ou 33 do Decreto-lei n. 1.598/77. Ocorre que nesse quebra-cabeça, a “permuta” pode ser vista tanto como uma “alienação” como uma “aquisição”. É “alienação”, porque o contribuinte “entrega” um bem; mas é também uma aquisição porque o contribuinte “recebe” um bem. O que prevalece nessa hipótese? O ganho de capital da alienação ou o “diferimento” (na verdade, não-incidência) da aquisição? O “permutante” deve reconhecer um “ganho” ou “perda” com base no valor do bem que recebe, ou deve reconhecer um “ágio” ou “deságio” (ou compra vantajosa) referente à aquisição com base no valor do bem que entrega? A resposta para o IRPJ está no artigo 65 da Lei n. 8.383/93. Sua previsão é a seguinte: Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação. § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título. Fl. 3259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 15 O caput do dispositivo diz que “terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização”. Não há dúvida, portanto, que a aquisições de ações, mencionada no caput, e a permuta são dotados, a rigor do mesmo tratamento tributário. Ora, o tratamento tributário para as pessoas jurídicas do lucro real é especificado pelo §3º do artigo 65. Ali é dito que “no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação.” Isso significa que o valor contábil dos “bens entregues” é o que define o valor da operação sob a perspectiva de quem o entrega. E se assim o é, é impossível que haja ganho ou perda de capital na permuta, de modo que o eventual deságio poderá ser tributado, quando realizado o ativo, nas hipóteses previstas pela legislação. Poder-se-ia argumentar que o dispositivo, acima, tem como objeto, apenas, a licitação no Programa Nacional de Licitação. No entanto, o comando de que tal operação terá o mesmo tratamento da permuta é expresso. Não é uma mera recomendação do legislador, mas, repito, uma norma expressa. E por seu grau de especialidade prevalece sobre a norma de tributação prevista no artigo 31 do Decreto-lei n. 1.598/77. Pondero, ainda, que mesmo pelo regime da Lei n. 12.973/14 as permutas não são tributadas. O §6º do artigo 13 da referida lei expressamente prevê que “no caso de operações de permuta que envolvam troca de ativo ou passivo de que trata o caput, o ganho decorrente da avaliação com base no valor justo poderá ser computado na determinação do lucro real na medida da realização do ativo ou passivo recebido na permuta, de acordo com as hipóteses previstas nos §§ 1º a 4º “. Ora, a não tributação da permuta, mencionada pelo caput do artigo 65 não é, digamos assim, um descuido do legislador. Trata-se de uma política persistente – mantida, inclusive, com a Lei n. 12.973/14 - que, em minha visão torna o IRPJ mais condizente com a ideia de “realização da renda”, com o primado da certeza do direito e do não-confisco. 4 COBRANÇA DA MULTA DE OFÍCIO CUMULADA À MULTA ISOLADA A Recorrente sustenta que a cobrança da multa isolada concomitantemente à multa proporcional em razão da mesma infração configura patente “bis in idem”. Para resolver a controvérsia em questão, é necessário determinar se a multa isolada pela falta de apuração e recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, quando o auto de infração é lavrado após o encerramento do exercício fiscal. De acordo com a Súmula CARF n. 82, “após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. Esse Fl. 3260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 16 entendimento fundamenta-se no fato de que tais estimativas, independentemente de terem sido pagas ou não, representam apenas antecipações dos tributos, cujo fato gerador se concretiza somente ao final do período de apuração, geralmente em 31 de dezembro. Ao estabelecer a sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro real anual, o legislador tributário, de forma lógica, não determinou a cobrança simultânea das estimativas e do tributo devido após o encerramento do exercício fiscal. Da mesma maneira, também não prevê a aplicação cumulativa das multas, pois tal prática violaria, entre outros princípios, a proibição da consunção. Não bastasse isso, é preciso analisar se a Súmula CARF n. 105 é aplicável também aos períodos posteriores à edição da Lei n. 11.488/2007, de forma a ter eficácia sobre o julgamento do presente caso. Diz a referida súmula: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n. 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. O art. 44, §1º inciso IV da Lei n. 9.230/96 mencionado pela súmula dispunha que: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente. Após as alterações advindas com a Lei n. 11.488/2007, o indigitado dispositivo passou a ter a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) Fl. 3261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 17 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Vislumbro que embora a Súmula CARF nº 105 faça referência expressa à antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, sua ratio decidendi permaneceu intacta e inalterada após a alteração daquele artigo, ocorrida em 2007. Isso ocorre porque a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o tributo não pago já abrange a penalidade referente à multa isolada de 50% sobre a estimativa não recolhida, que representa apenas uma antecipação do imposto devido. Qualquer interpretação em sentido contrário resultaria em penalização dupla ao contribuinte, configurando uma violação aos princípios da consunção – como já dito –, da legalidade estrita e da proporcionalidade. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribu nal de Justiça, como se observa do seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplica-se aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitam-se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Fl. 3262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 18 (STJ, REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Por essa razão, ainda que a Lei 9.430/1996 tenha sido alterada pela Lei 11.488/2007, entendo que, nos casos de dupla penalização, devem prevalecer os fundamentos jurídicos (ratio decidendi) que embasaram a edição da Súmula CARF nº 105. Pelas razões acima expostas, voto pelo afastamento da cobrança das multas isoladas. 5 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A Recorrente se insurge contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que, em suas palavras, isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade, e não se poderia falar em mora na exigência da multa. A respeito do tema, registre-se que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Além da previsão legal, registre-se também que, a teor das disposições contidas nos artigos 113, § 1º, e 139, do CTN, depreende-se que a penalidade pecuniária, a despeito de não ser tributo, faz parte do crédito tributário e, por conseguinte, deve receber o tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por derradeiro, reproduzimos o texto da Súmula CARF nº 108, a qual, por ser vinculante, põe fim a essa questão no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, voto por negar provimento ao referido pleito da Recorrente. 6 DISPOSITIVO Assim, voto por não conhecer do Recurso de Ofício e por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 3263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 19 VOTO VENCEDOR Conselheiro Roney Sandro Freire Corrêa, redator designado Ouso divergir da Ilustre Relatora, apresentando aqui o voto divergente, modulando à questão quanto ao controverso aspecto meritório e no tocante a multa isolada, pela falta de apuração e recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL poder ser exigida cumulativamente com a multa de ofício. No espectro meritório, a relatora entendeu como permuta sem torna a estruturada operação, fundamentando-se no §6º do artigo 13 da lei nº 12.973/2014, que expressamente prevê que “no caso de operações de permuta que envolvam troca de ativo ou passivo de que trata o caput, o ganho decorrente da avaliação com base no valor justo poderá ser computado na determinação do lucro real na medida da realização do ativo ou passivo recebido na permuta, de acordo com as hipóteses previstas nos §§ 1º a 4º “. Ressalto, ainda, que não obstante a Jereissati Centros Comerciais S/A ter obtido ganho de capital no montante de R$ 34.688.000,00, em decorrência da alienação onerosa consubstanciada na permuta (sem torna) de 15% de seu acervo com 873.019 ações ordinárias nominativas classe "A", emitidas pela Calila Administração e Comercio S/A, não o teria oferecido à tributação (vide itens 2.1.1, 2.1.2 e 2.1.3, às fls. 36 e 37). Resgatamos, cronologicamente, os fatos narrados pela fiscalização e não contestados pela recorrente: O acionista Tasso Ribeiro Jereissati no ano de 2012, era detentor de 1.062.633 ações de emissão da CALILA, o equivalente a 99,9973% de seu capital social. Em 26 de agosto de 2013, na ata da AGE, está consignado no quadro demonstrativo de acionistas presentes à referida Assembleia, que a sociedade empresária JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A — JCC, detém 873.019 ações da CALILA e o Sr. Tasso Ribeiro Jereissati, é detentor de outras 189.614 ações, cujo somatório é o montante de 1.062.633 ações da CALILA, o equivalente a 99,9973% de seu capital social. No Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas N° 01 da Calila Administração e Comércio S/A, foi consignado, no TERMO DE TRANSFERÊNCIA N° 10, datado de 05/03/2013, a transferência de 873.019 ações ordinárias nominativas “Classe A” de emissão da CALILA de titularidade do Sr. Tasso Ribeiro Jereissati para a Jereissati Centros Comerciais S/A, por permuta. Na Ata da Assembleia Geral Extraordinária de JEREISSATI CENTROS COMERCIAIS S/A, realizada em 14/03/2013 e registrada na JUCEC em 18/04/2013, deliberaram sobre a aprovação da presente ata na forma sumária é autorizada a permuta sem torna do percentual de 15% (quinze por cento) da fração ideal dos imóveis das matrículas que nomeia, por 873.019 ações ordinárias nominativas de emissão da Fl. 3264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 20 CALILA ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO S/A e a lavratura da Escritura Pública de Permuta sem Torna da operação. Na Escritura Pública de Permuta Sem Torna, firmada entre o Sr. Tasso Ribeiro Jereissati e a Jereissati Centros Comerciais S/A - JCC, está consignada a permuta das 873.019 ações de emissão da CALILA pertencentes ao Sr. Tasso, por 15% da fração ideal dos imóveis nela listados de propriedade da JCC. Sob a ótica contábil, verifica-se que a fiscalização foi cirúrgica, ao ter identificado no curso da fiscalização, a contabilização do investimento proveniente da aquisição das 873.019 ações da CALILA, em 31/03/2013, que a JCC registrava a débito de conta de seu ativo permanente/investimento — conta 13010102 — Calila Administração e Comércio S/A -, o valor desse investimento (R$45.487.092,66) e em contrapartidas a crédito, a baixa em seu imobilizado, no valor de R$10.798.919,04, equivalente aos 15% dos imóveis negociados (conta 13020102 — Edificações) e o ganho de capital no valor de R$34.688.173,62, travestido em seus registros contábeis de Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001, com histórico de lançamento de “VR REF DESAGIO INVESTIMENTO CALILA ADM”, o que confirma o efeito tributário da operação. Desta forma, tal valor vinculado ao ganho de capital de R$34.688.173,62, foi registrado erroneamente em sua escrita contábil e fiscal, como Equivalência Patrimonial Ativa na conta 460101001, e replicada em seu LALUR, entre os meses de março a novembro de 2013. Na sequência, em 31/12/2013, a JCC ao apurar Equivalência Patrimonial no investimento registrado na conta 13010102 - Calila Administração e Comércio S/A, contabilizou a crédito da citada conta, o valor de R$17.468.447,52 (dezessete milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e dois centavos), e sua contrapartida é debitada na conta 460101002 - Equivalência Patrimonial Passiva (Resultado negativo em participação societária). O valor contabilizado a débito de Equivalência Patrimonial Passiva (R$17.468.447,52), para efeitos tributários, deveria ter sido ADICIONADO ao Lucro Líquido quando da apuração do Lucro Real — IRPJ e CSLL -, para neutralizar o efeito da Equivalência Patrimonial derivada da perda do investimento registrado na contabilidade à conta 13010102 e suas contrapartidas. Ante todos os fatos acima descritos, ficou caracterizado, pelos atos praticados, a efetiva intenção do sujeito passivo de elidir-se do pagamento dos tributos — IRPJ e CSLL —, que está obrigado a recolher em decorrência da operação de alienação onerosa de bens e direitos de Fl. 3265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 21 que resultou a infração referente à falta de adição ao Lucro Líquido quando da determinação do Lucro Real. Se não bastasse o aspecto meramente contábil, soma-se ao fato, à definição da operação, ser permuta sem torna ou alienação. Como se sabe, a permuta é uma das formas de alienação; que resta explicitado no §3º do art.3º da Lei 7.713, de 1988, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...)§ 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Segundo Parecer Normativo nº 504/1971, a Receita Federal já se posicionou no sentido de que o resultado positivo decorrente de alienação por permuta deve ser tributado, sem citar se a condição é com torna ou não: Parecer Normativo No. 504, de 3 de agosto de 1971. 3 – Também a pessoa jurídica que permutar ações por outras ações de valor equivalente ao de aquisição das cedidas, por consequência, não alterando quantitativamente o patrimônio social, não estará sujeita à imposição de tributo. 4 – Todavia, se resultar lucro para a pessoa jurídica na alienação de ações, quer esta se faça sob a forma de venda, troca por bens de outra natureza ou permuta por outras ações, será ela necessariamente computado no resultado do exercício para fins de tributação. Por estes fundamentos, fatidicamente, não há como acolher a pretensão da Recorrente. Quanto à concomitância da exigência da multa isolada com a multa de ofício, embora o tema seja controvertido no âmbito deste CARF, alinho-me aos que admitem a exigência e adoto, como razão de decidir, o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado no acórdão nº 9101-005.695, de 13/08/2021: Inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo em conjunto com a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. Desde logo afasto a aplicação da súmula CARF nº 105, porquanto o lançamento da multa isolada, sobre os períodos abrangidos no recurso especial, foi fundamentado no Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Fl. 3266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 22 Com efeito, o alcance da referida súmula é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. O enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art.44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007. Na mesma data, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. Foram alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência da multa (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado). Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõe-se a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que "a lei não contém palavras inúteis". Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. Interpretação nesse sentido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146-A e Art. 173, § 4°). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu "Caixa" e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É cediço os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferir-se-ia, além da legalidade, o princípio da isonomia. Rejeito, também, o argumento, que tem sido reiteradamente utilizado pelos que defendem a impossibilidade de coexistência das duas penalidades, quanto a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um "bis in idem": aplicação da multa isolada e da multa de ofício sobre um mesmo fato. Não vejo como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. Fl. 3267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 23 A lei é cristalina ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o ano-calendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado "bis in idem!". Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei n° 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea "c" do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc. V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a penalidade aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que é vedado no âmbito deste colegiado. Por fim quanto à alegação da recorrida sobre a aplicação do princípio penal da consunção, valho-me da precisa fundamentação trazida pelo d. conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no acórdão nº 1302-001.080, apontado como um dos paradigmas pela recorrente, para afastá-la, verbis: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, Fl. 3268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.762 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.730691/2018-33 24 assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Em conclusão, se a lei não prevê a possibilidade de aplicação de uma penalidade em detrimento da outra não cabe ao intérprete afastá-la ou modular sua aplicação. Por estes fundamentos, não há como acolher a pretensão da Recorrente, impondo- se a manutenção da multa isolada aplicada pela autoridade fiscal. Quanto à multa isolada do mês de dezembro, adoto, com lastro no previsto no art. 114, § 12, inciso I do RICARF, por concordar com eles, os fundamentos da decisão recorrida sobre o tema: MULTA ISOLADA SOBRE AS ESTIMATIVAS DE DEZEMBRO 8. Como explicitado anteriormente, o julgador da DRJ é vinculado, não somente às leis vigentes, mas também ao entendimento da RFB expresso em atos normativos. Sabemos que o artigo 1º da Lei nº 9.430/1996 determina que o IRPJ seja apurado em período trimestral, permitindo o art. 2º da mesma Lei, que o contribuinte faça a apuração do IRPJ apenas no final do ano. O pagamento do tributo apurado no final do ano e o pagamento das estimativas mensais estão determinados pelo artigo 6º da mesma Lei nº 9.430/1996, sendo certo que o §3º do artigo 6º, dispõe sobre a diferença o imposto apurado no final do ano e a estimativa de dezembro, não existindo confusão. Já, se o disposto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995 é adotado pelo contribuinte, prevalece uma coincidência numérica entre a estimativa de dezembro e o imposto anual, contudo esta coincidência não autoriza o entendimento de que existiria uma identidade entre essas duas obrigações tributárias, a ponto de elidir o pagamento da estimativa de dezembro, quando quitado o tributo anual. Portanto, não merecem prosperar as alegações do impugnante. Por estes fundamentos, não há como acolher a pretensão da Recorrente. Assinado Digitalmente Roney Sandro Freire Corrêa Fl. 3269DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 ADMISSIBILIDADE do recurso de ofício 2 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO 3 mérito 4 Cobrança da MULTA DE OFÍCIO CUMULADA À MULTA ISOLADA 5 Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício 6 dispositivo Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720194/2023-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO.
Estando o crédito tributário constituído no rigor da lei (art. 142 do CTN), devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DO SISTEMA HARMONIZADO. INOBSERVÂNCIA.
A atividade de classificação fiscal exige a perfeita identificação das mercadorias sub examine, de tal sorte que seja possível esclarecer todas as especificidades que influem na escolhe do código tarifário correto, conforme determinado nas Regras Gerais do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, sob pena de restar prejudicado o trabalho da fiscalização.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO “ZIGNAL”. FUNÇÃO FUNGICIDA E ACARICIDA. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO (RGI). CARÁTER ESSENCIAL.
A classificação fiscal deve observar não apenas o texto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mas também a finalidade predominante do produto. No caso do produto “Zignal”, cujo ingrediente ativo Fluazinam apresenta função essencialmente fungicida, aplica-se a RGI 3-b, reconhecendo-se a classificação em 3808.92.99 – Outros Fungicidas.
Numero da decisão: 3402-012.732
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, em relação ao Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração suscitada para, no mérito, dar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Cynthia Elena de Campos – Relatora
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo Honório dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 202508
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no rigor da lei (art. 142 do CTN), devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DO SISTEMA HARMONIZADO. INOBSERVÂNCIA. A atividade de classificação fiscal exige a perfeita identificação das mercadorias sub examine, de tal sorte que seja possível esclarecer todas as especificidades que influem na escolhe do código tarifário correto, conforme determinado nas Regras Gerais do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, sob pena de restar prejudicado o trabalho da fiscalização. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO “ZIGNAL”. FUNÇÃO FUNGICIDA E ACARICIDA. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO (RGI). CARÁTER ESSENCIAL. A classificação fiscal deve observar não apenas o texto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mas também a finalidade predominante do produto. No caso do produto “Zignal”, cujo ingrediente ativo Fluazinam apresenta função essencialmente fungicida, aplica-se a RGI 3-b, reconhecendo-se a classificação em 3808.92.99 – Outros Fungicidas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
numero_processo_s : 10314.720194/2023-88
anomes_publicacao_s : 202511
conteudo_id_s : 7314493
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 3402-012.732
nome_arquivo_s : Decisao_10314720194202388.PDF
ano_publicacao_s : 2025
nome_relator_s : CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10314720194202388_7314493.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, em relação ao Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração suscitada para, no mérito, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo Honório dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
id : 11124323
ano_sessao_s : 2025
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:23 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117319023394816
conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-17T04:00:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-17T04:00:10Z; Last-Modified: 2025-11-17T04:00:10Z; dcterms:modified: 2025-11-17T04:00:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-17T04:00:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-17T04:00:10Z; meta:save-date: 2025-11-17T04:00:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-17T04:00:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-17T04:00:10Z; created: 2025-11-17T04:00:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2025-11-17T04:00:10Z; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-17T04:00:10Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10314.720194/2023-88 ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 19 de agosto de 2025 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES FMC QUÍMICA DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. TIPIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no rigor da lei (art. 142 do CTN), devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DO SISTEMA HARMONIZADO. INOBSERVÂNCIA. A atividade de classificação fiscal exige a perfeita identificação das mercadorias sub examine, de tal sorte que seja possível esclarecer todas as especificidades que influem na escolhe do código tarifário correto, conforme determinado nas Regras Gerais do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, sob pena de restar prejudicado o trabalho da fiscalização. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO “ZIGNAL”. FUNÇÃO FUNGICIDA E ACARICIDA. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO (RGI). CARÁTER ESSENCIAL. A classificação fiscal deve observar não apenas o texto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mas também a finalidade predominante do produto. No caso do produto “Zignal”, cujo ingrediente ativo Fluazinam apresenta Fl. 667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 2 função essencialmente fungicida, aplica-se a RGI 3-b, reconhecendo-se a classificação em 3808.92.99 – Outros Fungicidas. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, em relação ao Recurso Voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração suscitada para, no mérito, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo Honório dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos contra o Acórdão nº 109-021.548, proferido pela 16ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09 que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve parcialmente o crédito tributário lançado de ofício, conforme Ementa abaixo: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/04/2019 a 18/01/2022 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRODUTO DENOMINADO COMERCIALMENTE ZIGNAL. Produto com ação fungicida e acaricida não pode ser classificado em código da NCM que contemple apenas uma das funções. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem demonstrar os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo parcialmente o relatório da decisão de primeira instância: Fl. 668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 3 Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 313/370 e relatório fiscal de fls. 371/398, lavrados para exigência de Imposto de Importação, acompanhado de juros de mora e multa de ofício, bem como da multa por erro de classificação fiscal, importando no crédito tributário exigível no valor de R$ 83.964.789,06. Segundo relato da fiscalização a autuada importou no período de 02/04/2019 a 18/01/2022 o produto descrito nas DI como: “NOME COMERCIAL: ZIGNAL NOME QUÍMICO: 3- chloro-N-(3-chloro-5-trifluoromethyl-2-pyridyi)-alfa-alfaalfa-trifluoro- 2,6-dinitro-p-toluidine – GRUPO QUÍMICO: Fenilpiridinilamina - COMPOSIÇÃO: Ingrediente Ativo: Fluazinam 500,0 g/L ou (50,0 %m/v) + Ingredientes Inertes - APLICAÇÃO: Uso Agrícola (De acordo com aprovado na bula) - Industria Defensivo Agrícola - CLASSE DE USO: Fungicida/Acaricida.” O produto foi originalmente classificado no subitem de “3808.92.99 – Outros Fungicidas”. No curso da ação fiscal foi solicitado laudo técnico do produto em questão o qual foi elaborado pelo laboratório Falcão (fls. 7/8), tendo o mesmo concluído que se tratava de a seguinte conclusão: “Não se trata somente de Preparação Fungicida. Trata-se de Preparação Fungicida e Acaricida, na forma de Suspensão Aquosa, à base de Fluazinam e Composto com Caráter Aniônico, na forma líquida, acondicionada em galão plástico de 5L. Segundo informações na bula da mercadoria o produto é uma Suspensão concentrada que será diluída para formar a calda e aplicada na agricultura para o controle de doenças e ácaros conforme as indicações. O ingrediente ativo Fluazinam além de apresentar ação fungicida também apresenta ação acaricida.” A partir da conclusão do laudo e do constante nos documentos obtidos no curso da ação fiscal, a autoridade fiscal entendeu que os produtos não se classificavam no código da NCM adotada pela importadora, reclassificando-os no código 3808.99.93, “Outros acaricidas”. Fundamentou a reclassificação aplicando as Regras Gerais de Interpretação- RGI- 1, para posicionar na posição 3808, a RGI-6 na suposição 3808.9. Como o laudo e a bula do produto confirmam que se trata de um fungicida/acaricida, verificou o desdobramento da subposição nos seguintes níveis: 3808.91 Inseticidas 3808.92 Fungicidas 3808.93 Herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas 3808.94 Desinfetantes 3808.99 Outros A NESH da posição 3808, no tocante aos fungicidas, dispõe que: II) Os fungicidas Fl. 669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 4 Os fungicidas (preparações à base de compostos cúpricos, por exemplo), são produtos destinados a evitar o desenvolvimento de fungos (produtos anticriptogâmicos). Outros fungicidas (tais como os à base de formaldeído), destinam-se a destruir os fungos já existentes. Assim, considerando que na definição dos fungicidas na NESH não inclui sua associação com acaricidas e nem sugere qualquer possibilidade dessa ou outra associação, a fiscalização concluiu que o produto sob análise não poderia ser classificado nessa subposição. Alega que não cabe a aplicação da RGI-3 no presente caso, conforme sugerido pela autuada em sua fundamentação legal para a classificação na subposição adotada (3808.92 – Fungicidas), se a leitura do texto dessa subposição, conjuntamente com a Nesh da posição 3808, já descarta sua adoção. Assim, o produto classifica-se na subposição residual “3808.99 – Outros”. Com a RGC-1, chegou na NCM 3808.99.9 (outros), já que as duas primeiras não se aplicam ao produto. O item 3808.99.9 está dividido em 7 subitens, a saber: 3808.99.91 Acaricidas à base de amitraz, de clorfenvinfós ou de propargite 3808.99.92 Acaricidas à base de ciexatin ou de óxido de fembutatina 3808.99.93 Outros acaricidas 3808.99.94 Nematicidas à base de metam sódio 3808.99.95 Outros nematicidas 3808.99.96 Raticidas 3808.99.99 Outros Não existe nas notas de capítulo e NESH da posição uma definição explícita para os acaricidas e seus usos, nem alguma possível restrição à sua associação aos fungicidas, destacando que o termo ”outros” usado no subitem, por si só, amplia a gama de possibilidades para contemplar os produtos que também possuam função fungicida. Assim, por falta de enquadramento mais específico, a fiscalização reclassificou o produto em análise no subitem “3808.99.93 - Outros acaricidas”. Além do Imposto de Importação com os acréscimos legais exigidos na nova classificação, foi ainda exigida a multa prevista no artigo 84, caput da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e no artigo 711, inciso I do Decreto nº 6.759/2009, pelo erro de classificação fiscal. Devidamente intimada autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 431/446, alegando, em síntese, o que segue: 1- Preliminarmente protesta pela nulidade do auto de infração pela ausência de elementos de prova que justifiquem o lançamento. A autuação foi baseada na Fl. 670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 5 conclusão de que o componente ativo do produto ZIGNAL (Fluazinam) possui, além da função fungicida, propriedades acaricidas. Contudo, a simples afirmação do Laudo Técnico de que o ativo Fluazinam, além de apresentar ação fungicida também apresenta ação acaricida, não é suficiente para concluir que a função acaricida é tão importante quanto a fungicida, como pretende a D. Fiscalização, já que o laudo técnico utilizado pela fiscalização não trouxe documentos e embasamento técnico para chegar nessa conclusão, tratando-se de uma simples afirmação. O que se verifica é que a D. Fiscalização não apresentou provas técnicas robustas de que as funções fungicida e acaricida seriam equivalentes de modo a justificar a reclassificação fiscal da mercadoria com base na regra 3-c das Regras Gerais do Sistema Harmonizado, a qual somente pode ser utilizada quando nenhuma das substâncias ou funções que formam o produto prevalecem uma sobre a outra, o que não é o presente caso, uma vez que a função primordial do produto é a fungicida. Tal fato, por si só, macula o auto de infração de vício de nulidade material, visto que não identificou os elementos de prova que justificaram a autuação. Nos termos dos artigos 9º do Decreto n° 70.235/19722 e 50, parágrafo 1º da Lei n° 9.784/993, o auto de infração deve ser considerando nulo quando não há a identificação dos elementos de prova que justificam a autuação. Aponta acórdãos do CARF sobre a falta de provas na reclassificação fiscal. 2- No mérito defende a classificação adotada contestando a conclusão da fiscalização de que a mercadoria possui, além da função fungicida, propriedades acaricidas devendo ser classificada na última subposição suscetível de validade (NCM 3808.99.93), já que as funções fungicida e acaricida não se sobrepõem. No entanto o laudo diz se tratar de uma preparação fungicida e acaricida, sem tratar de preponderância de uma ou outra. A simples afirmação do Laudo Técnico de que o ativo Fluazinam, além de apresentar ação fungicida, também apresenta ação acaricida não é suficiente para concluir que a função acaricida é tão importante quanto a fungicida ou que a esta se sobrepõe, como afirma a Fiscalização. Ao contrário disso, ao analisarmos a Bula do Zignal existente na época das importações, bem como o Registro perante o Ministério da Agricultura (MAPA - docs. n°s 5 e 6), nota-se que o produto era utilizado para combater diversas doenças, sendo que apenas uma delas é uma doença originária de ácaro, enquanto TODAS as restantes são originárias de fungos. Assim, é evidente que, com base na bula anterior do Zignal, a função primordial ou essencial do Zignal já era a fungicida. Inclusive este produto é classificado FRAC, comitê formado por representantes dos principais produtores de fungicidas Fl. 671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 6 no Brasil, o ativo Fluazinam do Zignal, apesar de ter função subsidiária como acaricida, é classificado como um fungicida (no Grupo C5). Traz dois laudos técnicos elaborados em outras importações do mesmo produto onde o técnico conclui que a função principal do mesmo é fungicida (doc. 7/8). Os mencionados laudos corroboram a informação de que o Fluazinam (princípio ativo do ZIGNAL) aplica-se predominantemente como Fungicida e, subsidiariamente ou residualmente, como Acaricida, devendo o produto ser classificado com base na sua característica principal e essencial, ou seja, NCM 3808.92.99 (Outros), com origem na subposição “Fungicidas” (3808.92), nos termos da 3.b) RGI/SH. Corroborando esse entendimento é importante destacar que recentemente o Ministério da Agricultura e Pecuária (“MAPA”) reconheceu que a função primordial do Zignal é atuar como fungicida e, dessa forma, determinou a exclusão do alvo ácaro da bula do defensivo agrícola Zignal, conforme o Ato nº 21, de 16 de maio de 2023 publicado no Diário Oficial da União e a Bula atualizada (vide docs. n°s 3 e 4). Assim, conforme reconhecido pelo próprio MAPA, não há sequer previsão de doenças combatidas por ácaros no Zignal que foi importado, mas somente doenças combatidas por fungos, confirmando que o produto deve ser classificado com base na sua única característica, ou seja, NCM 3808.92.99 (Outros), com origem na subposição “Fungicidas” (3808.92), nos termos da 3.b) RGI/SH. De acordo com o artigo 110 do CTN, a lei tributária não pode alterar a definição ou o conteúdo de conceitos utilizados em outras áreas de direito para definir ou limitar competências tributárias. Ou seja, sob a perspectiva do CTN, a regulamentação aplicável do ponto de vista regulatório (enquadramento como Fungicida) deverá ser observada para identificar o enquadramento do produto para fins tributários. O MAPA atestou se tratar de fungicida e emitiu certificado nesse sentido, tendo inclusive excluído a função subsidiária de acaricida da bula. Portanto, a D. Fiscalização está deixando de observar o enquadramento regulatório do Zignal com o objetivo de tributá-lo por uma alíquota maior do imposto de importação e aplicar multas aduaneira. Cita jurisprudência judicial acerca de classificação. 3- Ao final requer a seja acolhida e provida a presente Impugnação, para que, em preliminar, seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, uma vez que este foi lavrado sem provas técnicas suficientes para justificar a alteração da classificação fiscal e, no mérito, sejam julgados improcedentes os Autos de Infração objeto do presente processo. A intimação sobre a decisão de primeira instância ocorreu pela via eletrônica em 06/05/2024 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 642), sendo o Recurso Fl. 672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 7 Voluntário protocolado em 26/05/2024 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 645), pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido para que seja julgada a improcedência do Auto de Infração e o cancelamento da multa de 1% sobre o valor aduaneiro aplicada em razão do suposto erro na classificação fiscal do produto Zignal. Por sua vez, a decisão igualmente foi submetida à reexame necessário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na forma prevista pelo art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023. Após, o processo foi encaminhado para inclusão em lote e sorteio para julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso de Ofício igualmente preenche os requisitos de admissibilidade, nos termos da Portaria do Ministro da Fazenda nº 23, de 17 de janeiro de 2023 e Súmula CARF nº 103, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Do Recurso Voluntário 2.1. Preliminar A Recorrente pede que seja declara a nulidade material do Auto de Infração pela ausência dos elementos de prova que justificam o lançamento, uma vez que foi motivado exclusivamente na conclusão de que o componente ativo do produto ZIGNAL (Fluazinam) possui, além da função fungicida, propriedades acaricidas. Sustenta que a simples afirmação do Laudo Técnico de que o ativo Fluazinam, além de apresentar ação fungicida também apresenta ação acaricida, não é suficiente para concluir que a função acaricida é tão importante quanto a fungicida, já que o laudo técnico utilizado pela fiscalização não trouxe documentos e embasamento técnico para chegar nessa conclusão, tratando-se de uma simples afirmação. Sem razão à defesa. Fl. 673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 8 Por sua vez, o auto de infração foi lavrado indicando a motivação e enquadramento legal, conforme apuração consignada em Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 7198 a 7210, no qual detalhou o escopo desta ação fiscal, fatos, histórico da auditoria e respectivas apurações. Constata-se que a Autoridade Fiscal procedeu na estrita observância dos ditames contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, tendo sido observados todos os requisitos essenciais previstos em lei para ao final se aplicar a penalidade cabível. O lançamento foi devidamente cientificado aos sujeitos passivos, instaurando-se a fase litigiosa do procedimento com a apresentação tempestiva das impugnações, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Ademais, o artigo 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato. Vejamos: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Em síntese, da análise dos autos, verifica-se que os documentos que compõem o caderno processual, contêm a descrição pormenorizada dos fatos que ensejaram a instauração do procedimento, bem como a indicação do direito em que se baseiam com suficiente especificidade, de modo a delimitar com clareza o objeto da autuação e permitir a plenitude da defesa. Tanto é que a Recorrente demonstrou em defesa que teve plena compreensão de tudo aquilo do que está sendo acusada. O Decreto nº 70.235/1972 (que dispõe sobre o procedimento administrativo fiscal, dentre outras), em seu artigo 59 assim estabelece: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 9 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Do que se extrai que, os argumentos da defesa não estão entre as hipóteses previstas para que seja declarada a nulidade da autuação, motivo pelo qual afasto a preliminar suscitada pela defesa. 2.2 Mérito Conforme relatório, versa o presente litígio de autos de infração lavrados sobre o período de 02/04/2019 a 18/01/2022, para exigência de Imposto de Importação, acompanhado de juros de mora e multa de ofício, bem como da multa por erro de classificação fiscal, resultando na constituição de crédito tributário no valor de R$ 83.964.789,06. A Recorrente importou o produto descrito nas DI como: “NOME COMERCIAL: ZIGNAL NOME QUÍMICO: 3- chloro-N-(3-chloro-5-trifluoromethyl-2-pyridyi)-alfa-alfaalfa-trifluoro- 2,6-dinitro-p-toluidine – GRUPO QUÍMICO: Fenilpiridinilamina - COMPOSIÇÃO: Ingrediente Ativo: Fluazinam 500,0 g/L ou (50,0 %m/v) + Ingredientes Inertes - APLICAÇÃO: Uso Agrícola (De acordo com aprovado na bula) - Industria Defensivo Agrícola - CLASSE DE USO: Fungicida/Acaricida.” O produto foi originalmente classificado no subitem de “3808.92.99 – Outros Fungicidas”. Todavia, no curso da ação fiscal foi solicitado laudo técnico do produto ao Laboratório Falcão, tendo o mesmo concluído que se tratava de a seguinte conclusão: Não se trata somente de Preparação Fungicida. Trata-se de Preparação Fungicida e Acaricida, na forma de Suspensão Aquosa, à base de Fluazinam e Composto com Caráter Aniônico, na forma líquida, acondicionada em galão plástico de 5L. Segundo informações na bula da mercadoria o produto é uma Suspensão concentrada que será diluída para formar a calda e aplicada na agricultura para o controle de doenças e ácaros conforme as indicações. O ingrediente ativo Fluazinam além de apresentar ação fungicida também apresenta ação acaricida. Diante da constatação, a Autoridade Fiscal entendeu que os produtos não se classificavam no código da NCM adotada pela importadora, reclassificando-os no código 3808.99.93, “Outros acaricidas”. A reclassificação foi fundamentada nas Regras Gerais de Interpretação- RGI-1, para posicionar na posição 3808, a RGI-6 na suposição 3808.9. Como o laudo e a bula do produto confirmam que se trata de um fungicida/acaricida, verificou o desdobramento da subposição nos seguintes níveis: Fl. 675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 10 3808.91 Inseticidas 3808.92 Fungicidas 3808.93 Herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas 3808.94 Desinfetantes 3808.99 Outros A NESH da posição 3808, no tocante aos fungicidas, dispõe que: II) Os fungicidas Os fungicidas (preparações à base de compostos cúpricos, por exemplo), são produtos destinados a evitar o desenvolvimento de fungos (produtos anticriptogâmicos). Outros fungicidas (tais como base de formaldeído), destinam-se a destruir os fungos já existentes. Assim, considerando que na definição dos fungicidas na NESH não inclui sua associação com acaricidas e nem sugere qualquer possibilidade dessa ou outra associação, a fiscalização concluiu que o produto sob análise não poderia ser classificado nessa subposição. Alega que não cabe a aplicação da RGI-3 no presente caso, conforme sugerido pela autuada em sua fundamentação legal para a classificação na subposição adotada (3808.92 – Fungicidas), se a leitura do texto dessa subposição, conjuntamente com a Nesh da posição 3808, já descarta sua adoção. Assim, o produto classifica-se na subposição residual “3808.99 – Outros”. Em síntese, concluiu a Fiscalização que está incorreto o NCM 3808.92.99 (Outros), indicado pela Recorrente, pois a subposição 3808.92 refere-se a fungicida. A DRJ de origem proferiu o v. Acórdão nº 109-021.548 julgou parcialmente procedente a Impugnação, concluindo que tanto o código NCM indicado pela Recorrente (3808.92.99 – fungicidas) quanto o sugerido pela fiscalização (3808.99.93 – acaricidas) estavam incorretos, pois o produto possui funções fungicida e acaricida, o que impediria seu enquadramento exclusivo em qualquer dessas classificações. Dessa forma, embora tenha reconhecido a improcedência da reclassificação feita pela fiscalização e cancelado os créditos referentes ao imposto, multa e juros, o Acórdão manteve a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Inconformada com essa manutenção parcial, a Recorrente interpõe Recurso Voluntário, pleiteando a reforma do Acórdão para também excluir a referida penalidade, sustentando que o produto deve ser classificado em 3808.92.99 (Fungicidas), com base na RGI 3-b, por possuir função essencialmente fungicida, sendo a função acaricida apenas residual. Fl. 676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 11 Argumenta a defesa que o auto de Infração revela que ele foi baseado exclusivamente na conclusão de que o componente ativo do produto ZIGNAL (Fluazinam) possui, além da função fungicida, propriedades acaricidas. Sustenta que a Fiscalização não apresentou provas técnicas robustas de que as funções fungicida e acaricida seriam equivalentes de modo a justificar a reclassificação fiscal da mercadoria com base na regra 3-c das Regras Gerais do Sistema Harmonizado. Sustenta, ainda, que a divergência que deve ser esclarecida para definição da correta classificação fiscal da mercadoria importada diz respeito tão somente em saber qual a função essencial ou principal do produto Zignal, ou seja, trata-se de um Fungicida ou Acaricida primordialmente. Inicialmente, cumpre salientar que a classificação fiscal de mercadorias fundamenta-se nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, nas Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM), na Regra Geral Complementar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (RGC/TIPI), nos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), nos ditames do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh)1. A RGI/SH 1 dispõe que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (RGI/SH 2 a 5). Com isso, as Regras 1 a 5 estabelecem a classificação ao nível das subposições dentro de uma mesma posição. Já a RGI/SH nº 6 dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para os efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo- se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção desta Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Por sua vez, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) representam a interpretação oficial do SH oriunda da Organização Mundial das Alfândegas. Pelo § único do art. 1º do Decreto nº 435/1992, elas “constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. Em síntese, a controvérsia em análise versa sobre as seguintes descrições e argumentos das partes: 1 Art. 2º - In RFB nº 2057/2021 Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 12 CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA PELA CONTRIBUINTE CLASSIFICAÇÃO FISCAL ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO NCM 3808.92.99 38 - Produtos diversos das indústrias químicas. 3808 – Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata-moscas. 3808.9 – Outros 3808.92 – Fungicidas 3808.92.99 - Outros NCM 3808.99.93 38 - Produtos diversos das indústrias químicas. 3808 – Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel mata-moscas. 3808.9 – Outros 3808.99 – Outros 3808.99.93 - Outros acaricidas ARGUMENTOS: •O ingrediente ativo Fluazinam foi desenvolvido e é comercializado principalmente como fungicida. •Dos usos registrados em bula, 13 de 14 doenças combatidas são de origem fúngica, havendo apenas 1 uso contra ácaro. •A função acaricida é subsidiária e residual, não representando a essência do produto. ARGUMENTOS: •O laudo técnico confirmou que o produto é fungicida e acaricida. •As NESH da posição 3808 não contemplam associações (fungicida + acaricida). •A classificação como fungicida (3808.92) não seria adequada, devendo ser utilizado o desdobramento residual 3808.99 – Outros, enquadrando em 3808.99.93 – Outros acaricidas. Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 13 •Deve prevalecer a RGI 3-b, que impõe a classificação pelo caráter essencial do produto. •A aplicação da RGI 3-c pela fiscalização é indevida, pois somente se aplica quando nenhuma função prevalece, o que não ocorre neste caso. •Aplicou a RGI 1 e 6, afastando a RGI 3- b, e ainda defendeu a aplicação da RGI 3-c, por entender inexistente característica essencial predominante. O laudo técnico do produto ao Laboratório Falcão analisou o produto e emitiu a seguinte conclusão, que serviu de embasamento para a autuação: Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 14 Ao examinar o laudo técnico apresentado pelo Fisco, nota-se que a conclusão do laudo é de que o Zignal se trata de preparação fungicida e acaricida, sem indicar a preponderância de uma ou outra. De fato, a simples afirmação do Laudo Técnico de que o ativo Fluazinam, além de apresentar ação fungicida, também apresenta ação acaricida não é suficiente para concluir que a função acaricida é tão importante quanto a fungicida ou que a esta se sobrepõe. Sustenta a defesa que na Bula do Zignal existente na época das importações, bem como o Registro perante o Ministério da Agricultura (fls. 475), consta que o produto era utilizado para combater diversas doenças, sendo que apenas uma delas é uma doença originária de ácaro, enquanto todas as restantes são originárias de fungos. Alega que o princípio ativo Fluazinam possui função eminentemente fungicida, sendo criado e comercializado principalmente para combater fungos, sendo que a bula do produto indica que das 14 doenças tratadas, 13 são de origem fúngica e apenas uma refere-se a ácaros. Vejamos o que discrimina a bula em referência: Outro argumento que demonstra verossimilhança nas alegações da defesa é que segundo a FRAC, comitê formado por representantes dos principais produtores de fungicidas no Fl. 680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 15 Brasil, o ativo Fluazinam do Zignal, apesar de ter função subsidiária como acaricida, é classificado como um fungicida (no Grupo C5), conforme indicado na Bula: Entendo que é razoável a dúvida suscitada pela Recorrente com relação à função preponderante do produto, passível de determinar o enquadramento na Nesh. Ademais, a solução deste litígio deve atentar à posição mais específica, que prevalece sobre as posições com um alcance mais geral. Em que pese o laudo do laboratório Falcão Bauer ter atestado a presença de ação fungicida e acaricida, é importante destacar que o perito não pondera a relevância funcional de cada uso, limitando-se à análise laboratorial da substância. Por sua vez, a bula oficial do produto, registrada no MAPA, demonstra que a função fungicida é preponderante, sendo essa a característica pela qual o produto é amplamente comercializado e utilizado. Em análise às Regras Gerais de Interpretação com relação ao produto, é possível chegar à seguinte conclusão: RGI 1: remete ao texto das posições da NCM e das NESH. A posição “fungicidas” contempla produtos destinados à destruição ou inibição de fungos. RGI 3-b: aplicável quando o produto é composto de elementos com diferentes funções, devendo ser classificado conforme o caráter essencial. RGI 3-c: apenas aplicável quando não for possível determinar o caráter essencial. No caso, considerando que a própria bula comprova que o caráter essencial do Zignal é o controle de fungos, sendo a ação acaricida marginal, entendo que a RGI 3-c não deve ser utilizada, sob pena de violação ao princípio da especialidade. Por sua vez, igualmente em razão da possibilidade de identificar o uso predominante ou a função essencial, não deve prevalecer a conclusão do ilustre julgador de primeira instância ao aplicar as RGI 1 e 6 e RGC-1, por entender que o fato deste produto ser também utilizado como acaricida afasta esta subposição que somente trata de fungicidas. Fl. 681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.732 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720194/2023-88 16 Portanto, em razão da função fungicida essencial e preponderante do ingrediente ativo Fluazinam, está correta a Contribuinte ao aplicar a RGI 3-b, classificando o produto Zignal na NCM 3808.92.99. Por sua vez, por estar correta a classificação fiscal adotada pela Contribuinte, não há que se falar em penalidade, devendo ser afastada a multa prevista no artigo 84, caput, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e no artigo 711, inciso I do Decreto nº 6.759/2009. 3. Do Recurso de Ofício Considerando a mesmas razões acima, conclui-se que está correta a decisão recorrida ao afastar a Classificação Fiscal adotada pela Fiscalização, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso de Ofício, o que faço com os mesmos fundamentos já demonstrados neste voto. 4. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso de Ofício, e conheço do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, dou provimento ao recurso. É como voto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 682DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10820.721399/2019-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014, 2016, 2017
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APURAÇÃO E REGISTRO CONTÁBIL DOS LUCROS DISTRIBUÍDOS VERSUS DATA DE SUA REPERCUSSÃO FISCAL.
A apuração e o registro contábil dos lucros acumulados que foram distribuídos não é, em si, fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração de omissão de receita decorrente de distribuição de lucro excedente ao lucro arbitrado tem início com a efetivação de tais distribuições, eis que este é o momento em que elas repercutem no âmbito tributário. Não ocorrência de decadência no caso concreto.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURA. SÚMULA CARF Nº 163
O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA.
A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014, 2016, 2017
IRPJ. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO ARBITRADO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES.
Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada combase no lucro arbitrado,poderáser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro arbitrado. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE PRAZO NA LEGISLAÇÃO COMERCIAL.
A legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal.
ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade.
REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014, 2016, 2017
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA.
Discussões acerca da constitucionalidade das leis, incluindo evocação do Princípio do Não Confisco para afastar a aplicação de multa tributária ou reduzir o seu percentual, exorbitam a esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada e vigente, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Referido princípio são destinados ao legislador infraconstitucional, cabendo à autoridade administrativa tão somente a aplicação das multas previstas no ordenamento jurídico.
MULTAS DE OFÍCIO. ANÁLISE PRINCIPIOLÓGICA. RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE.
A análise principiológica do sistema jurídico cabe ao Poder Judiciário. A autoridade julgadora administrativa encontra-se vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, não podendo afastar a incidência de multa quando regularmente aplicada conforme os preceitos legais.
RESPONSABILIDADETRIBUTÁRIA.NÃOCABIMENTO.
Nos termos do art. 135, III, do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhado de provas que demonstrem de forma inequívoca a atuação pessoal do sujeito passivo do sujeito responsabilizado ao referido ato, o que não vislumbramos na espécie, dessa forma, afasta-se as responsabilidades aplicadas.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃOCABIMENTO.
A condição de Administrador não é suficiente para caracterizar interesse comum na situação que constitui o fato gerador, para fins de aplicação da hipótese de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2014, 2016, 2017
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Numero da decisão: 1201-007.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento aos recursos voluntários para: a) rejeitar a prejudicial de decadência; b) manter em parte as exigências atacadas, nos termos do voto do relator. Acompanharam o relator pelas conclusões os Conselheiros Renato Rodrigues Gomes, Isabelle Resende Alves Rocha e Lucas Issa Halah; e c) afastar as responsabilidades tributárias imputadas. O Conselheiro Lucas Issa Halah manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Entretanto, dentro do prazo regimental, declinou da intenção de apresentá-la, que deve ser considerada como não formulada, nos termos do nos termos do art. 114, § 7º, da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 (RICARF).
Sala de Sessões, em 24 de outubro de 2025.
Assinado Digitalmente
Raimundo Pires de Santana Filho – Relator e Presidente
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antônio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral) e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Nilton Costa Simões.
Nome do relator: RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 202510
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
numero_processo_s : 10820.721399/2019-84
anomes_publicacao_s : 202511
conteudo_id_s : 7314573
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 1201-007.301
nome_arquivo_s : Decisao_10820721399201984.PDF
ano_publicacao_s : 2025
nome_relator_s : RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10820721399201984_7314573.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento aos recursos voluntários para: a) rejeitar a prejudicial de decadência; b) manter em parte as exigências atacadas, nos termos do voto do relator. Acompanharam o relator pelas conclusões os Conselheiros Renato Rodrigues Gomes, Isabelle Resende Alves Rocha e Lucas Issa Halah; e c) afastar as responsabilidades tributárias imputadas. O Conselheiro Lucas Issa Halah manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Entretanto, dentro do prazo regimental, declinou da intenção de apresentá-la, que deve ser considerada como não formulada, nos termos do nos termos do art. 114, § 7º, da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 (RICARF). Sala de Sessões, em 24 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Relator e Presidente Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antônio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral) e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Nilton Costa Simões.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2025
id : 11124955
ano_sessao_s : 2025
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APURAÇÃO E REGISTRO CONTÁBIL DOS LUCROS DISTRIBUÍDOS VERSUS DATA DE SUA REPERCUSSÃO FISCAL. A apuração e o registro contábil dos lucros acumulados que foram distribuídos não é, em si, fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração de omissão de receita decorrente de distribuição de lucro excedente ao lucro arbitrado tem início com a efetivação de tais distribuições, eis que este é o momento em que elas repercutem no âmbito tributário. Não ocorrência de decadência no caso concreto. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURA. SÚMULA CARF Nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 IRPJ. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO ARBITRADO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada combase no lucro arbitrado,poderáser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro arbitrado. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE PRAZO NA LEGISLAÇÃO COMERCIAL. A legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade. REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Discussões acerca da constitucionalidade das leis, incluindo evocação do Princípio do Não Confisco para afastar a aplicação de multa tributária ou reduzir o seu percentual, exorbitam a esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada e vigente, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Referido princípio são destinados ao legislador infraconstitucional, cabendo à autoridade administrativa tão somente a aplicação das multas previstas no ordenamento jurídico. MULTAS DE OFÍCIO. ANÁLISE PRINCIPIOLÓGICA. RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE. A análise principiológica do sistema jurídico cabe ao Poder Judiciário. A autoridade julgadora administrativa encontra-se vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, não podendo afastar a incidência de multa quando regularmente aplicada conforme os preceitos legais. RESPONSABILIDADETRIBUTÁRIA.NÃOCABIMENTO. Nos termos do art. 135, III, do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhado de provas que demonstrem de forma inequívoca a atuação pessoal do sujeito passivo do sujeito responsabilizado ao referido ato, o que não vislumbramos na espécie, dessa forma, afasta-se as responsabilidades aplicadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃOCABIMENTO. A condição de Administrador não é suficiente para caracterizar interesse comum na situação que constitui o fato gerador, para fins de aplicação da hipótese de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:26 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117319047512064
conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-17T14:47:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-17T14:47:57Z; Last-Modified: 2025-11-17T14:47:57Z; dcterms:modified: 2025-11-17T14:47:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-17T14:47:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-17T14:47:57Z; meta:save-date: 2025-11-17T14:47:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-17T14:47:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-17T14:47:57Z; created: 2025-11-17T14:47:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; Creation-Date: 2025-11-17T14:47:57Z; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-17T14:47:57Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10820.721399/2019-84 ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 24 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE TANGER PARTICIPACOES E PUBLICIDADES LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APURAÇÃO E REGISTRO CONTÁBIL DOS LUCROS DISTRIBUÍDOS VERSUS DATA DE SUA REPERCUSSÃO FISCAL. A apuração e o registro contábil dos lucros acumulados que foram distribuídos não é, em si, fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial para a lavratura de auto de infração de omissão de receita decorrente de distribuição de lucro excedente ao lucro arbitrado tem início com a efetivação de tais distribuições, eis que este é o momento em que elas repercutem no âmbito tributário. Não ocorrência de decadência no caso concreto. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURA. SÚMULA CARF Nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. Fl. 1047640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 2 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 IRPJ. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO ARBITRADO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. FORMALIDADES. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro arbitrado, poderá ser distribuída, sem incidência de imposto, parcela de lucros ou dividendos excedentes, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pelo lucro arbitrado. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, que deverá conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. AUSÊNCIA DE PRAZO NA LEGISLAÇÃO COMERCIAL. A legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal. ESCRITURAÇÃO DO LIVRO DIÁRIO. REGISTRO E AUTENTICAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio até antes do início da ação fiscal, sob pena de perda da espontaneidade. Fl. 1047641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 3 REGISTROS CONTÁBEIS. PROVA. SE COMPROVADOS POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Discussões acerca da constitucionalidade das leis, incluindo evocação do Princípio do Não Confisco para afastar a aplicação de multa tributária ou reduzir o seu percentual, exorbitam a esfera de competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir o que determina a legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada e vigente, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Referido princípio são destinados ao legislador infraconstitucional, cabendo à autoridade administrativa tão somente a aplicação das multas previstas no ordenamento jurídico. MULTAS DE OFÍCIO. ANÁLISE PRINCIPIOLÓGICA. RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE. A análise principiológica do sistema jurídico cabe ao Poder Judiciário. A autoridade julgadora administrativa encontra-se vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, não podendo afastar a incidência de multa quando regularmente aplicada conforme os preceitos legais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO CABIMENTO. Nos termos do art. 135, III, do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhado de Fl. 1047642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 4 provas que demonstrem de forma inequívoca a atuação pessoal do sujeito passivo do sujeito responsabilizado ao referido ato, o que não vislumbramos na espécie, dessa forma, afasta-se as responsabilidades aplicadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO CABIMENTO. A condição de Administrador não é suficiente para caracterizar interesse comum na situação que constitui o fato gerador, para fins de aplicação da hipótese de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2014, 2016, 2017 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, PIS e COFINS em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, dar parcial provimento aos recursos voluntários para: a) rejeitar a prejudicial de decadência; b) manter em parte as exigências atacadas, nos termos do voto do relator. Acompanharam o relator pelas conclusões os Conselheiros Renato Rodrigues Gomes, Isabelle Resende Alves Rocha e Lucas Issa Halah; e c) afastar as responsabilidades tributárias imputadas. O Conselheiro Lucas Issa Halah manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Entretanto, dentro do prazo regimental, declinou da intenção de apresentá-la, que deve ser considerada como não formulada, nos termos do nos termos do art. 114, § 7º, da Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 (RICARF). Sala de Sessões, em 24 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Relator e Presidente Fl. 1047643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 5 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antônio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral) e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Nilton Costa Simões. RELATÓRIO Da Autuação e da Impugnação Trata o presente de Recurso Voluntário, às fls. 1.047.555/1.047.637, apresentado em face do acórdão nº 16-94.692, exarado pela - 1ª Turma da DRJ/SPO, em 13/05/2020, às fls. 1.047.504/1.047.529, que julgou improcedente a Impugnação protocolada pela TANGER PARTICIPACOES E PUBLICIDADES LTDA(doravante denominada TANGER PARTICIPAÇÕES) em conjunto com os responsáveis tributários, às fls. 575/651, contra Autos de Infração lavrados pela DRF Araçatuba-SP, às fls. 482/546, através dos quais foram constituídos os tributos abaixo relacionados, no montante total de R$ 40.397.385,62, apurados em conformidade com o regime tributário do Lucro Presumido, referente aos anos-calendário de 2014, 2016 e 2017. Além disso, também foi caracterizada a responsabilidade tributária de: Lojas Tanger Ltda, José Maria Ribeiro; e Edgard Domingues, em relação ao crédito tributário constituído: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ R$ 13.619.897,94 JUROS DE MORA (Calculados até 11/2018) R$ 2.963.180,67 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 10.214.923,44 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 26.798.002,05 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL R$ 4.909.643,25 JUROS DE MORA (Calculados até 11/2018) R$ 1.068.583,41 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 3.682.232,42 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 9.660.459,08 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP R$ 354.585,33 Fl. 1047644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 6 JUROS DE MORA (Calculados até 11/2018) R$ 80.927,95 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 265.938,99 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 701.452,27 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS R$ 1.636.547,74 JUROS DE MORA (Calculados até 11/2018) R$ 373.513,69 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 1.227.410,79 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 3.237.472,22 Por bem descrever os fatos que desembocaram no presente processo, reproduzo os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, complementando-o ao final: O RELATÓRIO FISCAL apresentou, em síntese, as seguintes razões: Lojas Tanger Ltda, no período de 2009 a 2017, não possui escrituração comercial que comprove que o lucro efetivo é maior que o valor da base de cálculo do lucro arbitrado diminuído dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). Após imputação do valor pago a título de distribuição de lucros ao saldo isento da conta Lucros Acumulados após 1995, apurou-se excesso de distribuição de rendimentos isentos realizados por LOJAS TANGER LTDA Considerando-se o descumprimento das normas legais que tratam da isenção, o valor excedente não pode ser considerado isento e deverá integrar a base de cálculo do beneficiário TANGER PARTICIPAÇÕES E PUBLICIDADES LTDA, para fins de apuração dos tributos e contribuições devidas, conforme artigo 43 a 45 do Código Tributário Nacional- CTN c/c artigo 25, inciso II, e artigo 29, incisos II, da Lei 9.430/1996, artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro arbitrado, como Lojas Tanger Ltda, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: o I - o valor da base de cálculo do imposto, diminuído do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que estiver sujeita a pessoa jurídica*; o II - a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo Fl. 1047645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 7 as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. o III - a parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica, a título de lucros ou dividendos distribuídos, que exceder o valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores. No caso das Lojas Tanger Ltda, no período examinado, os valores de lucros distribuídos, ficaram acima do limite legal de isenção correspondente à base de cálculo do imposto diminuída do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Considerando-se que o valor distribuído excedeu ao valor da base de cálculo do imposto diminuído dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), para verificar a existência e apuração de lucro efetivo por meio de escrituração contábil elaborada de acordo com a lei comercial, conforme Termo de Intimação de 03/08/2018, o contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Diário e Razão, já que não houve apresentação da Escrituração Contábil Digital ao Sistema SPED. A IN RFB 1420/2013 estabeleceu a obrigatoriedade de apresentação ao SPED da Escrituração Contábil Digital, que compreende a versão digital dos Livros Diário e Razão nos termos da legislação comercial, desde 2014. Em atendimento, foram apresentados arquivos digitais gerados no formato do Sistema Integrado de Coleta-SINCO, contendo supostos registros referentes a Livros Diário e Razão de 2013 a 2017, e cópias digitalizadas (PDF) das Demonstrações do Resultado do Exercício-DRE, que foram recebidos e autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais-SVA. Junto à apresentação dos arquivos digitais, Lojas Tanger Ltda apresentou declaração na qual informou que os lucros distribuídos no período de 2013 a 2017, referem-se a lucros acumulados no período de 2005 a 2011. Conforme Termo de Intimação datado de 31/10/2018, Lojas Tanger Ltda foi intimada a apresentar os Livros Diário e Razão revestidos das formalidades legais ou transmitir a Escrituração Contábil Digital-ECD ao SPED, referentes ao período de 2007 a 2017, para comprovação da sua escrituração comercial e da existência de lucros. No período de 14/11/2018 a 20/12/2018, os Livros Diário dos anos de 2007 a 2013 foram apresentados, em meio físico. Com exceção dos Livros dos anos de 2007 e 2008, que foram autenticados à época dos fatos, os demais livros de 2009 em diante foram emitidos e autenticados no ano de 2018, após o recebimento da intimação. Os Livros Razão não foram apresentados. Fl. 1047646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 8 o contribuinte Lojas Tanger Ltda foi intimado por meio do Termo de Intimação datado de 08/01/2019 e de 01/02/2019, a apresentar a motivação e embasamento legal para o autoarbitramento do lucro, nos períodos de 2008 a 2012, e de 2013 a 2017 e apresentou resposta datada de 21/01/2019, na qual informa não ter reunido documentos contábeis e fiscais que pudessem determinar o lucro real, tendo escriturado o Livro Diário com atraso e não tendo escriturado o Livro Razão: Em resposta de 11/02/2019, o contribuinte Lojas Tanger Ltda também declarou que procedeu conforme artigo 531 do RIR/99, quanto ao autoarbitramento. De acordo com o informado pelo próprio contribuinte, os seus livros foram emitidos para ·atender à fiscalização (fato confirmado pelas características físicas dos livros), não foram ·escriturados em conformidade com a legislação comercial e fiscal, os livros Razão sequer ·foram escriturados, não houve adequação da contabilidade às normas introduzidas pelas Leis·nº11.638/2007 e nº11.941/2009, não houve escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real-Lalur, do Livro Apuração Contribuição Social- Lacs, não houve apresentação da escrituração ·ao Sped. Tais fatos levam ao arbitramento do lucro, conforme determinado nos incisos I, III, VII e VIII do artigo 47 da Lei 8.981/95. Estando a escrituração em desacordo com a legislação comercial e fiscal, não há escrituração válida para comprovação contábil da existência de lucro efetivo superior ao lucro arbitrado diminuído dos tributos no período dos livros apresentados (2009 a 2017), emitidos e autenticados somente no ano de 2018 para atendimento de intimação. Na DIPJ referente ao ano-calendário de 2007, apresentada à RFB com base no Lucro Real, Lojas Tanger Ltda informou a existência de saldo em conta de Lucros Acumulados. As demonstrações financeiras constantes no Livro Diário referentes ao ano de 2007, elaborado e autenticado à época dos fatos, ou seja, livro que não foi emitido apenas para atender à Fl. 1047647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 9 fiscalização, conforme dito pelo contribuinte em relação aos demais livros apresentados, também registra a existência de saldo na conta Lucros Acumulados. Considerando-se que conforme Instruções Normativas SRF e RFB citadas no item 2 deste Termo, a parcela de lucros distribuídos, excedente aos valores da base de cálculo do arbitramento diminuído dos tributos, pode ser imputada à conta de Lucros Acumulados, por meio do Termo de Intimação de 08/03/2019, nos termos do artigo 37 da Lei 9.430/96, o contribuinte foi intimado a apresentar Livros Diário, já escriturados e autenticados, com as demonstrações financeiras que comprovem, por meio de escrituração contábil elaborada de acordo com as leis comerciais, o valor da conta Lucros Acumulados, bem como os razões das contas que componham tal saldo. Os livros Diário anteriores a 2007 foram apresentados. Tais livros foram escriturados e autenticados à época dos fatos, e registram a existência de saldo em conta de Lucros Acumulados. Junto com a entrega destes Livros, de modo contrário ao que havia informado anteriormente sobre a sua escrituração comercial, Lojas Tanger Ltda apresentou declaração, datada de 25/03/2019, na qual alegou que seus Livros Diário encaminhados à RFB foram escriturados em conformidade com a legislação comercial, e que a dificuldade transitória em adequar a contabilidade nos anos de 2013 a 2017 às normas introduzidas pelas Lei nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, envolveu só a apuração do Lucro Real, motivando o autoarbitramento: Como se vê, Lojas Tanger Ltda apresentou alegações divergentes quanto à validade de sua escrituração comercial. No entanto, para que a escrituração contábil seja válida e comprobatória, ela deve ter sido elaborada cumprindo-se todo o regramento prescrito na legislação comercial e fiscal, observandose as normas da legislação pertinente. As pessoas jurídicas optantes pelo lucro arbitrado podem distribuir com isenção os lucros contábeis apurados pelas normas tributárias, desde que Fl. 1047648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 10 comprovem que tais lucros são superiores ao limite isento da base de cálculo do lucro arbitrado diminuído dos tributos. Esta comprovação se dá por meio da escrituração regular dos Livros Diário e Razão, com a transcrição no livro Diário das demonstrações financeiras, apuradas e registradas na época própria determinada pela legislação. Portanto, para comprovar que os valores pagos se referem a lucros isentos, é necessário a elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício e o levantamento do Balanço Patrimonial do período da distribuição, na forma da legislação em vigor à época da distribuição, e para conferir-lhes autenticidade, estas demonstrações devem constar na regular escrituração dos Livros Diário e Razão, sendo que estes livros também devem ter sido elaborados e autenticados na Junta Comercial. Dessa forma, não basta que a pessoa jurídica efetue um pagamento ou outra forma de quitação (transferência bancária, encontro de contas etc) numa data qualquer, e depois informe que tal pagamento se trata de distribuição de lucros isentos. É condição necessária que antes do pagamento sejam levantados a DRE e o BP do período, conforme já tratado acima, e que a DRE e BP sejam transcritos e registrados no livro Diário, exigido pela legislação, para sejam conferidas autenticidade e veracidade a tais demonstrações e comprovem se tratar realmente de lucros. E ainda, que tais livros tenham sido elaborados e autenticados quando da ocorrência dos fatos e informações contábeis que devam registrar. Se a escrituração comercial não foi realizada em época própria, se os livros não foram elaborados e autenticados nas Juntas Comerciais nas épocas correspondentes aos fatos contábeis, não há como dar autenticidade a pagamentos realizados como sendo lucros apurados de acordo com a legislação comercial e fiscal, e considerar tais pagamentos como isentos. A elaboração, registro e autenticação dos Livros Diário, a juntada da DRE e do BP aos mesmos, em data atual, não retroagem à data de pagamentos de rendimentos realizados no passado para garantir o benefício da isenção. A obrigação da contabilização com base em escrituração uniforme dos seus Livros, que devem corresponder ao que consta na documentação das atividades da empresa, bem como a obrigação do levantamento das Demonstrações Financeiras, da escrituração e autenticação na Junta Comercial do Livro Diário e Razão está expressa nos artigos 1179 a 1189 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), nos artigos 176 e 177 da Lei 6.404/1976, em normas do Conselho Federal de Contabilidade, quais sejam, Interpretação Técnica Geral (ITG) nº 2000(R1), aprovada pela Fl. 1047649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 11 Resolução CFC nº 2014/ITG2000(R1) publicada no DOU em 12/12/2014 e Comunicado Técnico Geral (CTG) nº 2001(R3), aprovada pela Resolução CFC nº 2017/CTG2001(R3) publicada no DOU em 23/08/2017. Ao deixar de elaborar os livros e demonstrações financeiras obrigatórias, e deixar de autenticá-los na Junta Comercial, em época própria, conforme exposto acima, o contribuinte descumpriu sistematicamente a legislação citada. O art. 1.179 prescreve a obrigatoriedade das sociedades efetuarem a contabilização com base na escrituração uniforme de seus livros de inventário, Diário e Razão que devem corresponder ao que consta na documentação referente às atividades da pessoa jurídica, e a obrigatoriedade de levantamento anual do BP e da DRE. O livro Diário é indispensável e deve conter o BP e a DRE (art. 1.180), devem todos ser assinados pelo contabilista e pelos responsáveis pela administração (art. 1.184), bem como devem ser autenticados e levados a registro na Junta Comercial (art. 1.181). Tais prescrições legais não foram cumpridas pelo contribuinte, de forma sistemática durante os anos de 2009 a 2017. Os livros Diário, em meio físico, apresentados foram elaborados após a ocorrência dos fatos contábeis e para atender intimação fiscal, conforme declaração do contribuinte, datada de 11/02/2019, comprovada pelas datas de autenticação dos livros (livros dos anos de 2009 em diante autenticados em novembro e dezembro de 2018, após intimação - vide tabela no item 2 deste Termo). O contribuinte informou que os livros Razão sequer foram escriturados. Não houve apresentação da ECD ao SPED. A escrituração comercial sofreu mudanças com as novas normas introduzidas pelas Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, que devem ser observadas por todas empresas, conforme item 2 e 62 da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 1159/2009 (CTG 2000). Segundo Lojas Tanger Ltda, tais alterações ocorridas em 2007 e 2009 geraram dificuldades transitórias em adequar a contabilidade dos anos de 2013 a 2017, que envolveram unicamente os ajustes necessários a apuração do lucro real, motivando o autoarbitramento. No entanto, as novas práticas contábeis não estão refletidas em nenhuma Demonstração de Resultado de Exercício e Balanço Patrimonial constante nos livros Diário apresentados, referentes aos anos de 2008 a 2017. Constata-se que: o não há registros de ajustes a valor presente de elementos do ativo e do passivo, de ajustes a valor de mercado; o a estrutura do plano de contas constante nos livros apresentados é a mesma de antes das alterações da Lei 11.941/2009; o os Balanços Patrimoniais não contem a classificação correta das contas do Ativo (Ativo Circulante e Ativo não Circulante, composto Fl. 1047650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 12 por Ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível) e do Passivo (Passivo Circulante e Passivo não Circulante, e Patrimônio Liquido). Nos balanços apresentados, as contas ainda possuem a classificação anterior a mudança da Lei 11.941/2009 (registros de ativo permanente, ativo realizável a longo prazo); o Demonstração dos Fluxos de Caixa não foi elaborada; Constata-se também que os livros apresentam demonstrações financeiras anuais, contrariando a legislação tributária que prescreve que as demonstrações devem ser trimestrais, já que a apuração do lucro arbitrado é trimestral. A cláusula IX do contrato social prescreve a possibilidade de levantamento de balanços patrimoniais em período inferiores a um ano, quando o lucro apurado nas demonstrações intermediárias poderá ser distribuído. No presente caso, não houve apresentação das demonstrações intermediárias nas datas das distribuições dos rendimentos. Conforme artigos acima, os sócios administradores são obrigados anualmente a prestar contas justificadas, bem como elaborar o inventário, o BP e a DRE. Na cláusula VIII do contrato social da Lojas Tanger Ltda, datado de 01/04/2013, consta expressamente essa mesma obrigação. A prestação de contas ocorre com o levantamento das demonstrações financeiras, que devem ser transcritas nos Livros Diário devidamente autenticados. Isto não ocorreu com a administração de Lojas Tanger Ltda, que deixou de escriturar seus livros nos períodos próprios, descumprindo a legislação e o contrato. Os fatos e documentos acima comprovam que Lojas Tanger Ltda não possui escrituração contábil de acordo com a legislação comercial, no período de 2009 a 2017, já que os Livros Diário foram elaborados e autenticados após a ocorrência dos fatos contábeis, estão em desconformidade com as normas vigentes, e não há Livros Razão escriturados. Fica demonstrado que o contribuinte incidiu nos incisos I, VII, VIII da Lei 8.981/1995. A incompleta escrituração comercial e fiscal apresentada, referente aos anos de 2009 a 2017, é imprestável para comprovação da apuração e existência de lucro efetivo acima do valor do lucro arbitrado diminuído tributos neste período. Desta forma, o valor dos rendimentos distribuídos acima do lucro arbitrado diminuído dos tributos será imputado ao saldo comprovado da conta de lucros acumulados após 1995, valor que pode ser distribuído com isenção. Será considerado o saldo final no ano de 2008, já que nos anos seguintes (2009 a 2017) não há escrituração de acordo com a legislação comercial. Fl. 1047651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 13 Cabe observar que o saldo da conta “Lucros Acumulados” no Balanço Patrimonial constante no Livro de 2008, que foi elaborado e autenticado à época dos fatos, com formalidades cumpridas, de acordo com a legislação comercial, é de R$ 86.461.207,25. Conforme razões analíticos apresentados, este valor é composto pelo saldo de R$ 2.115.172,03 (devedor) da conta Prejuízos Acumulados, do saldo de R$ 8.724.890,81 da conta “Lucros Acumulados de 1992 a 1995”, e de R$ 79.851.488,47 da conta “Lucros Acumulados após 1995”. Dessa forma, foi considerado o saldo comprovado da conta “Lucros Acumulados após 1995” no valor de R$ 79.851.488,47. Os valores que os excederem serão considerados rendimentos tributáveis distribuídos. Os comprovantes de pagamento/quitação referentes aos valores distribuídos (resposta ao Termo de Intimação de 01/02/2019), extrato das DCTFs, e as DIPJs/ECFs dos períodos constantes na tabela acima, foram juntados ao processo. Conforme demonstrado em tabela, mesmo após imputação do valor distribuído ao saldo da conta lucros acumulados, houve distribuição de rendimentos em valor superior aos previstos na legislação na condição de isento. Este valor será tributado. Considerando-se o descumprimento das normas legais que tratam da isenção, o valor excedente não pode ser considerado isento e deverá integrar a base de cálculo do beneficiário TANGER PARTICIPAÇÕES E PUBLICIDADES LTDA, para fins de apuração dos tributos e contribuições devidas, conforme artigo 43 a 45 do Código Tributário Nacional- CTN c/c artigo 25, inciso II, e artigo 29, incisos II, da Lei 9.430/1996, artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98: Considerando que Lojas Tanger Ltda deixou de efetuar a escrituração de acordo com a legislação comercial, descumprindo as normas legais e as estabelecidas em contrato social (incisos I e III do artigo 135 do CTN), bem como efetuou distribuição de rendimentos considerados indevidamente como isentos, o que era de conhecimento da controladora, de sua controlada e de seus sócios administradores, fica caracteriza a solidariedade prescrita no inciso II do artigo 124 do CTN, conforme artigos 1009 e 1080 do Código Civil. Ainda, considerando-se que Lojas Tanger Ltda e Tanger Participações e Publicidades Ltda possuem quadro societário em comum, que os sócios pessoas físicas de Lojas Tanger foram os administradores que descumpriram as normas tratadas no parágrafo anterior, e que, ao final, são beneficiados indiretos da distribuição dos valores dos rendimentos considerados indevidamente isentos, pois são os sócios majoritários (com Fl. 1047652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 14 mais de 99%) da controladora, fica evidenciado o interesse comum na situação, conforme inciso I do artigo 124 do CTN. Conforme legislação transcrita abaixo, todos se responsabilizam solidariamente pelos tributos devidos: Fica caracterizada a sujeição passiva solidária de Lojas Tanger Ltda, CNPJ 51.663.763/0001-53, José Maria Ribeiro, CPF 012.474.768-04 e Edgard Domingues, CPF 023.862.598-20, conforme legislação citada. Cientificada em 27/08/2019 (fls. 562), a impugnante apresentou sua IMPUGNAÇÃO (fls. 572) em 25/09/2019, conjuntamente com os demais responsáveis solidários, alegando, em síntese, que: DECADÊNCIA - Os anos calendários que formaram o lucro estariam abrangidos pela decadência: “Assim, toda o lançamento tributário está decaído, pois a distribuição do lucro contábil, mais recente, é do ano- calendário de 2011, apurado, informa, cujo prazo decadência já se operou, não podendo as contas apresentadas pelo contribuinte ser afastadas pela fiscalização.”. O Lucro Contábil distribuído diria respeito aos anos calendários de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, todos atingidos pelo prazo decadencial. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. DISPENSA PELA FISCALIZAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. FALTA DE CLAREZA DO RELATÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Teria ocorrido nulidade e cerceamento de defesa, pois a fiscalização teria exigido o Razão e dispensado a sua apresentação, mas feito constar no Relatório que os Livros Razão não foram apresentados. Haveria falta de clareza no relatório fiscal, pois ao mesmo tempo em que a fiscal declara que os livros (Razão) não foram entregues, foi dispensada a sua apresentação, em face do gigantesco volume. O Relatório Fiscal e as planilhas de débito acostados ao auto de infração não descreveriam de forma clara e precisa a origem dos créditos glosados. Ausência de prévio exame dos documentos contábeis e fiscais apresentados pelos Impugnantes. A fiscalização teria dispensado a apresentação do Livro Razão ao pedir que fossem apresentados os Livros Diário e Razão apenas da conta Lucros Acumulados, conforme o seguinte diálogo transcrito: Fl. 1047653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 15 CONTABILIDADE REGULAR. CUMPRIMENTO DAS FORMALIDADES EXTRÍNSECAS E INTRÍNSECAS. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS SOBRE OS LUCROS APURADOS CONTABILMENTE EM FACE DOS LIVROS ATENDER A LEGISLAÇÃO. A empresa possuiria contabilidade regular, de acordo com as leis civis, comerciais e fiscais, atendendo todas as formalidades legais.. A única alegação para não homologar a distribuição dos lucros, de forma isenta, foi no sentido de que os Livros Diários e Razão não foram apresentados. Teriam sido apresentados arquivos digitais gerados no formato do Sistema Integrado de Coleta-SINCO, contendo os registros referentes a Livros Diário e Razão de 2013 a 2017. O Livro Razão estaria contabilizado digitalmente, e apenas não impresso em papel. O Parecer Técnico Contábil (juntado a defesa) refutaria plenamente a alegação de que a contabilidade não teria sido apresentado. O excedente (lucro contábil efetivo) do lucro arbitrado da requerente poderia ser distribuído, sem incidência de tributos ao titular, sócio ou acionista, uma vez que a pessoa jurídica teria demonstrado, via escrituração contábil feita de acordo com as leis comerciais, que esse último é maior que o lucro presumido. AUSÊNCIA DE PREJUÍZOS AOS FISCO E A IMPOSSIBILIDADE DA FISCALIZAÇÃO IGNORAR A CONTABILIDADE APRESENTADA. NÃO OBSERVÂNCIA DO LUCRO FISCAL ACUMULADO - A autoridade administrativa teria desconsiderado a existência do lucro contábil acumulado contido nos documentos contábeis e fiscais apresentados no decorrer do procedimento de fiscalização, em razão da ausência de formalidade extrínseca não cumprida, ou cumprida de forma extemporânea (autenticação dos livros comerciais), sem se imiscuir, no entanto, no conteúdo do que lhe fora apresentado. Foi considerado apenas o Lucro Fiscal do trimestre em que ocorreu a distribuição, deveria a fiscalização ter considerado o lucro fiscal acumulado desde o ano- calendário de 2005, diminuído de todos os impostos e contribuições (inclusive adicional do IR, CSLL, Cofins, PIS/Pasep) a que estiver sujeita a pessoa jurídica. Fl. 1047654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 16 EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA - é de se afastar a multa no percentual de 75%, estribada no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96), pela inexistência de dolo/fraude no caso em tela, bem como em observância aos princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. SOLIDARIEDADE PASSIVA - Não haveria qualquer motivo que autorizasse a permanência dos Srs. José Maria Ribeiro e Edgard Domingues no pólo passivo, uma vez que esses não tiveram qualquer responsabilidade nos apontados fatos - deveria a autoridade administrativa individualizar a(s) conduta(s) imputada(s) aos Recorrentes que, em sua intelecção, se subsumiria às hipóteses descritas nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN. ART. 124, I, DO CTN - para ser responsável solidário pelos créditos tributários, a pessoa (física ou jurídica) teria que ter tido participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Não teria havido, por parte da fiscalização, qualquer ilação e/ou apontamento, no que concerne à participação dos Recorrentes nos fatos que deram origem ao nascimento da obrigação tributária, bem como do elo referente ao interesse comum, que deveria ser um interesse jurídico e não meramente econômico. ART. 135, III, DO CTN - a norma precitada traz consigo a exigência da externalização de condutas (comissivas ou omissivas) perpetradas pelos terceiros apontados pelo Relatório Fiscal, e que tragam em seu bojo o timbre do excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatuto. É imprescindível para a responsabilização pessoal a atuação dolosa do gerente ou diretor, devendo ser cabalmente provada. Requer a realização de diligência, consistente no exame, pela autoridade administrativa, dos documentos referentes à sua escrituração fiscal; exclusão da sujeição passiva dos responsáveis solidários; cancelamento do lançamento ou a reapuração do lucro, e a juntada do áudio e sua degravação, para prova de que a fiscalização teria dispensado a apresentação dos Livros Razão. Da Decisão Recorrida Após apreciar os Autos de Infração, às fls. 482/525, o Relatório Fiscal (RF), às fls. 526/546, e a Impugnação apresentada pela contribuinte conjuntamente com os responsáveis tributários, às fls. 575/651, a 1ª Turma da DRJ/SPO exarou o Acórdão nº 16-94.692, em 13/05/2020, às fls. 1.047.504/1.047.529, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido e as responsabilidades tributárias de: Lojas Tanger Ltda; José Maria Ribeiro; e Edgard Domingues. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Fl. 1047655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 17 Ano-calendário: 2014, 2015, 2016, 2017 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O registro contábil de operações não é, em si, fato gerador de tributo nem há, aí, lançamento. O prazo decadencial deve ser contado somente a partir da data de ocorrência do fato gerador do tributo, e não da data da realização dos atos/negócios jurídicos que tenham repercussão tributária futura. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Todos os procedimentos adotados pela Fiscalização foram de conhecimento da empresa, o que lhe possibilitou exercer plenamente o seu direito de defesa. CONTABILIDADE EXTEMPORÂNEA. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. Se a escrituração comercial não foi realizada em época própria, não há como dar autenticidade a pagamentos realizados como sendo lucros apurados de acordo com a legislação comercial e fiscal, e considerar tais pagamentos como isentos. LUCRO FISCAL ACUMULADO. OBSERVÂNCIA. O valor dos rendimentos distribuídos acima do lucro arbitrado diminuído dos tributos foi imputado ao saldo comprovado da conta de lucros acumulados, valor que pode ser distribuído com isenção. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. OFENSA A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. NÃO CABIMENTO DA ANÁLISE PELO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O contencioso administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os dirigentes no que agirem com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. FACULDADE DA AUTORIDADE JULGADORA DE 1ª INSTÂNCIA. É facultado ao julgador de primeira instância indeferir a realização de diligências e perícias quando entender desnecessárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dos Recursos Voluntários Fl. 1047656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 18 A TANGER tomou ciência da sobredita decisão em 26/10/2020, através de Aviso de Recebimento - AR, às fls. 1.047.550, e os responsáveis tributários: A LOJAS TANGER LTDA tomou ciência em 26/10/2020, através de AR, às fls. 1.047.551; o Sr. JOSÉ MARIA RIBEIRO em 27/10/2020, através de AR, às fls. 1.047.549; e o Sr. EDGARD DOMINGUES em 27/10/2020, através de AR, às fls. 1.047.552. Dos Recursos Voluntários Impetrados Pela TANGER e Responsáveis Tributário Irresignada a TANGER juntamente com os Responsáveis Tributários, em peça única, apresentaram, em 17/11/2020, Recurso Voluntário, às fls. 1.047.555/1.047.637. Nessa quadra, citando doutrina e jurisprudência administrativa e judicial, além da tempestividade, requereu a reforma integral do Acórdão atacado com base nas seguintes razões de fato e de direito: a) Das Preliminares: i. De Cerceamento do Direito de Defesa; ii. Da Falta de Clareza do Relatório; iii. Da Ausência de Prévio Exame dos Documentos Contábeis e Fiscais Apresentados; iv. Da Ausência de Fundamentação do Lançamento; e v. Da Ausência de Motivação Quanto à Imputação da Solidariedade Passiva ou de Responsabilidade Tributária com base no Art. 124, inciso I, e Art. 135, III, ambos do CTN. b) Do Mérito: i. Da Prejudicial de Decadência; ii. Da Inobservância do Lucro Fiscal Acumulado; iii. Da Não Incidência De Tributos sobre os Lucros Apurados Contabilmente em Face dos Livros Atenderem a Legislação; iv. Do Cumprimento das Formalidades Extrínsecas e Intrínsecas pela Recorrente; v. Da Contabilidade Regular e Distribuição do Lucro Contábil Efetivo, consoante Art. 48 da IN 93/97 e ADN 4/96; vi. Da Ausência de Prejuízos ao Fisco e a Impossibilidade da Fiscalização Ignorar a Contabilidade Apresentada. c) Do Efeito Confiscatório da Multa de Ofício d) Da Responsabilidade Tributária i. Da Sujeição Passiva Solidária com Esteio no Art. 124, I, do CTN Fl. 1047657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 19 ii. Da Ausência de Responsabilidade Tributária Prevista no Art. 135, III, do CTN e) Do Pedido de Realização de Diligência É o Relatório VOTO Conselheiro Raimundo Pires de Santana Filho, Relator 1 DA ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. 2 DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que os acórdãos das instâncias administrativas, bem como decisões judiciais e posicionamentos doutrinários, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, dado que não têm o condão de alterar determinações expressas na legislação. Ademais, no que diz respeito às decisões judiciais, além de não se constituírem em normas complementares do direito tributário nos termos do art. 100, do CTN1, devem ser respeitadas as limitações impostas pelo Decreto nº 2.346/1997, e as determinações contidas no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. Quanto às citações doutrinárias que a defendente traz lume em 1 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 1047658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 20 seu petitório, em diversos tópicos da peça recursal, ressalva-se que a doutrina não integra a legislação tributária, conforme define o art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN2. Também as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa de Julgamento, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do art. 26 A, do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/20053. Veja-se também a conclusão do Parecer Normativo Cosit nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013, que se presta a bem elucidar o tema: Diante do exposto, conclui-se que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. 3 DAS PRELIMINARES 3.1 DA NULIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Os recorrentes protestaram em favor de que seja decretada a nulidade dos atos administrativos – Autos de Infração e Termos de Sujeição Passiva Solidária - pelas seguintes razões: 2 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sôbre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 3 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1047659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 21 a) Por cerceamento do direito de defesa, visto que a Autoridade Fiscal faltou com a verdade ao afirmar que a Lojas Tanger não possuía Livro Razão quando em verdade dispensou a apresentação, causando manifesto prejuízo à Recorrente que não pode comprovar os fatos constitutivos de direito; b) Falta de clareza no Relatório Fiscal, relativamente a questão de que declara que os Livros Razão não foram entregues e concomitante dispensa a apresentação; c) Da ausência de prévio exame dos documentos contábeis e fiscais apresentados pelos Recorrentes, não tendo havido a demonstração, pela Autoridade Administrativa Tributária, da indevida inserção de lucros e dividendos nas competências questionadas; d) Da Ausência de Fundamentação do Lançamento, por entender que não foram observados todos os requisitos estampados no art. 10, do Decreto nº 70.235/72, notadamente a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Assim, resta clarividente a afronta ao Princípio da Motivação que rege o Processo Administrativo; e e) Da ausência de motivação quanto à imputação da responsabilidade tributária com base no art. 124, inciso I, e art. 135, III, ambos do CTN, pois não foram individualizadas as condutas imputadas aos Recorrentes. Inicialmente, antes de aprofundarmos a análise dos sobreditos questionamentos, é salutar esclarecer que em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa esculpidos no inciso LV, art. 5º, da Constituição Federal4, tem-se como dispositivo legal aplicável no âmbito da Administração Tributária o Decreto nº 70.235, de 1972, que versa a respeito do processo administrativo fiscal e do julgamento do contencioso (PAF), por conseguinte, no tema, não demanda aplicação subsidiária de outros dispositivos da lei geral do processo administrativo federal (Lei no 9.784/1999). A par disso, tem-se que consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235, de 19725, a fase processual da relação fisco-contribuinte inicia-se com a impugnação tempestiva da exigência e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração Tributária. Ainda, nos termos do Decreto nº 70.235, de 19726, somente se pode cogitar de declaração de nulidade do ato administrativo de lançamento quando o ato tiver sido lavrado por 4 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 6 Das Nulidades Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1047660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 22 agente incompetente (art. 59, inciso I) ou, quando a preterição do direito de defesa se der em uma fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária (art. 59, inciso II). Veja-se que as demais irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio, conforme o art. 60, do assinalado dispositivo. Retomando a análise dos pleitos de nulidade, a priori, à luz dos dispositivos legais que regem a matéria, no caso em exame não se evidencia motivos capazes e suficientes para decretar a nulidade dos atos administrativos, uma vez que os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. Quanto à celeuma suscitada pela Defesa de que o Fisco declarou que a Lojas Tanger não tinha os Livro Razão, mas, em verdade, dispensou a apresentação, fundamento também para alegação de falta de clareza do Relatório Fiscal, além de não configurar cerceamento ao direito de defesa e contraditório, os quais se instauram apenas quando do protocolo da impugnação, ilação consolidada e simulada neste Tribunal, consoante Súmula CARF nº 1627, conforme será demonstrado no âmbito meritório, corroboro do entendimento da decisão da instância anterior que o diálogo transcrito pela impugnante não comprova a alegada dispensa de apresentação do Livro Razão, mas tão somente a restrição naquele momento à apresentação da conta “Lucros Acumulados” do Livro Razão em relação aos anos 2007 e 2008, o que permitiu à fiscalização comprovar o valor citado. Os livros Diário e Razão, a partir do ano de 2009, conforme o mesmo diálogo transcrito, não se encontravam prontos. Esse mesmo racional aplica-se a alegação de ausência de prévio exame dos documentos contábeis e fiscais apresentados, posto que também, consoante o exposto, não configura cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório, e será demonstrado no mérito que a Autoridade Fiscal afastou a isenção do lucro distribuído baseada justamente no que a Defesa alega ser mera ausência de formalidades extrínsecas e intrínsecas dos Livros Diário apresentados, portanto descabido qualquer outro exame dos documentos fiscais e contábeis carreados. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 7 Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 1047661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 23 No tocante a alegação de que os Autos de Infração e os Termos de Sujeição Passiva devem ser declarados nulos por vício de motivação e fundamentação, com a devida vênia, entendo que também se equivoca a Defesa. A saber. Inicialmente peço vênia para transcrever excertos do voto prolatado pelo eminente Conselheiro Rosaldo Trevisan, parte integrante do Acórdão nº 3401-006.532 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sessão de 17/06/2019: 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência - seguindo em parte a Supreme Court - apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos "à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio" eivando de nulidade o procedimento administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa.(g.n.) Desse modo, impende ressalvar que é possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, contudo esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato - corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato -; ou fundamentos de direito - dispositivo legal em que se baseia o ato. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão torna-se nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade de refutá-la, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. Nessa linha intelectiva, é fato que não pode prosperar a alegação de suposta ausência de motivação e fundamentação da autuação e da imputação de responsabilidade tributária, posto que os elementos de prova se encontram todos nos autos, que foram devidamente cientificados ao Sujeito Passivo e responsáveis, inclusive o Relatório Fiscal (RF), contendo 21 laudas, às fls. 526/546, parte integrante dos Autos de Infração. Ademais, quanto aos fundamentos de direito, tanto a base legal das autuações, como das Responsabilidades encontra-se estampados, respectivamente, nos autos de infração e no Termo de Sujeição Passiva, bem como no citado Relatório Fiscal. Quer dizer, contrariamente ao que pensa a Defesa, os lançamentos de ofício e as corresponsabilidades da controladora e dos administradores da TANGER PARTICIPAÇÕES estão Fl. 1047662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 24 devidamente motivadas e fundamentadas, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Nessa quadra, podem os Recorrentes não concordarem com tais conclusões. Contudo, isso não torna os lançamentos combatidos nulos. Pelos mesmos argumentos, não procede a alegação de nulidade das Responsabilidades Tributárias por ausência de motivação e fundamentação. Em suma, indubitavelmente os atos administrativos estão motivados de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica e os responsabilizados foram regularmente cientificados. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade pretendida. Ademais, conforme exaurido, os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos possibilitando o julgamento dos recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridades fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo. Houve observância das normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 98, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Fl. 1047663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 25 Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. No que diz respeito ao sobredito entendimento, nos acompanha a jurisprudência do CARF, consoante ementas abaixo transcritas: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão n° 1401 003.149. Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. (Acórdão n° 3401-006.532 - Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan) ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não constatada a existência de vício de motivação ou ausência de análise de fundamentos e elementos de prova utilizados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e capazes de infirmar o Despacho Decisório que não homologou declaração de compensação, incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa e nulidade da decisão de primeira instância. (Acórdão n° 3001- 001.253 - Relator: Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche) Face ao exposto, não acato as preliminares de nulidade à epígrafe. Todavia, apesar de não serem passíveis de anulação, as questões relativas à procedência das autuações e à imputação das responsabilidades tributárias, por serem afeitas ao mérito, serão apreciadas no momento oportuno. Fl. 1047664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 26 4 DO MÉRITO 4.1 DA PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA Antes de darmos seguimento a análise meritória dos pleitos sob julgo, merece relevo destacar que a DECADÊNCIA se trata de um tema de direito material, portanto de mérito ou, melhor dizendo, prejudicial do mérito. Essa acepção é ratificada pelo disposto no art. 487, do Código Processual Civil - CPC (Lei nº 13.105/2015)8. Nessa senda, no que diz respeito a este tópico, os Recorrentes protestaram em favor de que os créditos tributários constituídos de ofício encontram-se fulminados pelo instituto da decadência, nos termos do art. 156, inciso V, c/c art. 150, §4º, ambos do CTN, visto que foi cientificado da autuação em 27/08/2019, e transcorreu mais de cinco anos da apuração dos lucros contábeis distribuídos que dizem respeito aos anos-calendário de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, cujas contas apresentadas não podem ser afastadas pela Fiscalização. A decisão de piso rechaçou asseverando que os lançamentos combatidos referem- se a omissão de receitas devido a distribuição de lucros indevidamente considerados isentos, nos anos-calendário 2014 a 2017. Destarte, levando-se em conta que os fatos geradores se deram a partir do ano de 2014 e a data da ciência sinalada, a autuação efetivou-se antes de caducar. Irretocável o Aresto atacado. A saber. Inicialmente, ouso afirmar que a temática fulcral do tópico à epígrafe é análoga ao já sumulado por este CARF com relação à contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo à glosa de amortização de ágio, que recebeu o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 116: "Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança." De fato, a apuração e o registro contábil dos lucros acumulados a serem distribuídos não consistem em fato gerador de tributo, inclusive, nem há, nessas ocorrências, lançamento. Ora, partindo da premissa que o prazo decadencial é aquele após o qual o Fisco perde o direito de constituir o crédito tributário, e sendo tal constituição possível apenas quando ocorre o fato gerador, resulta claramente perceptível que não há que se falar em início de contagem do prazo decadencial pelo mero registro contábil dos lucros passíveis de distribuição. 8 Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: (...) II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;(g.n.) Fl. 1047665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 27 Dessarte, similar ao tratamento dispensado ao ágio, o prazo decadencial para a lavratura de auto de infração de omissão de receitas fundamentada na distribuição de lucros arbitrados indevidamente considerados isentos pela Fiscalização, como na espécie, tem início com a efetivação de tais distribuições, eis que este é o momento em que elas repercutem no âmbito tributário. Ante o exposto, compreendo que não há que se falar em decurso do prazo decadencial no caso concreto, tendo em vista que a ciência do auto de infração - 27/08/2019 - ocorreu dentro dos cinco anos contados da data em que os fatos repercutiram na esfera tributária – a distribuição de lucros mais antiga, 31/12/2014, caducou em 31/12/2019 -. Assim, oriento meu voto no sentido de manter a decisão recorrida quanto a este tópico. 4.2 DOS FATOS No âmbito meritório, conforme relatado no RF, às fls. 526/546, foram lançados de ofício, nos autos sob julgo, na forma de apuração pelo lucro arbitrado, relativos aos anos- calendário de 2014, 2016 e 2017, o IRPJ e reflexos a CSLL, o PIS e a COFINS, por terem sido considerados rendimentos tributáveis percebidos pela TANGER PARTICIPAÇÕES, os valores distribuídos pela Lojas Tanger que excederam o lucro arbitrado apurado por esta. Indignada, a Autuada alegou que os lançamentos combatidos não devem prosperar, uma vez que: a) Possuía escrituração contábil elaborada com observância das leis comerciais e contábeis; e b) A autoridade administrativa teria desconsiderado a existência do lucro contábil acumulado contido nos documentos contábeis e fiscais apresentados no decorrer do procedimento de fiscalização, em razão da ausência de formalidade extrínseca não cumprida, ou cumprida de forma extemporânea (autenticação dos livros comerciais), sem se imiscuir, no entanto, no conteúdo do que lhe fora apresentado. O Aresto recorrido, às fls. 1.047.504/1.047.529, por unanimidade de votos, julgou improcedente os sobreditos pleitos apresentados pela TANGER PARTICIPAÇÕES, mantendo o crédito tributário exigido, em razão de ter: a) No que toca a alegação que possuía contabilidade regular, rebateu asseverando que: i. A fruição do benefício de isenção na distribuição de lucros depende da tempestiva escrituração fiscal. Quer dizer, trata-se de uma condição para proveito do benefício, assim, ainda que os documentos fiscais tenham sido apresentados extemporaneamente com o cumprimento das formalidades extrínsecas e Fl. 1047666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 28 intrínsecas, tal apresentação não retroage para permitir a fruição do benefício em questão; e ii. Ademais, o Parecer Técnico Contábil apresentado pelo Sujeito Passivo nada diz sobre a tempestividade da apresentação da escrita fiscal, bem como os Livros Diário juntados ao processo comprova que a autenticação foi feita apenas em 2018. b) No que diz respeito a observância do lucro fiscal acumulado, aduziu: i. A fiscalização considerou o saldo comprovado da conta “Lucros Acumulados após 1995” no valor de R$ 79.851.488,47, pois o Livro Diário de 2008 foi autenticado à época dos fatos escriturados; e ii. Além disso, no que tange à alegada dispensa de apresentação dos Livros Razão, o diálogo transcrito pela impugnante, não comprova que prescindiu da apresentação, mas tão somente a restrição naquele momento à apresentação da conta “Lucros Acumulados” do Livro Razão em relação aos anos 2007 e 2008, o que permitiu à Fiscalização comprovar o valor citado. Os livros, a partir do ano de 2009, conforme o mesmo diálogo transcrito, não se encontravam prontos. A TANGER PARTICIPAÇÕES e os Responsáveis Tributários atravessaram uma única peça recursal, às fls. 1.047.555/1.047.637. Suscitam vários pleitos meritórios, os quais sinteticamente, advogam no sentido de que: a) Não deve incidir tributação sobre os lucros apurados contabilmente em face: i. Dos livros carreados aos autos foram apresentados em sistema informatizado e atenderem a legislação contábil e comercial, notadamente quanto ao cumprimento das formalidades extrínsecas e intrínsecas, consoante o disposto no art. 258, do RIR/99, c/c o art. 1.181, do CC (autenticação); ii. Do Agente Fiscal não ter apontado qualquer vício, erro ou deficiência que tornasse a escrituração apresentada imprestável. Ademais, segundo Parecer Técnico Contábil carreado aos autos, sua escrita contábil atende as leis comerciais e fiscais e identifica corretamente a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, de acordo com o disposto no artigo 530, do RIR/1999; iii. Da distribuição do lucro contábil em comento ter atendido aos preceitos do art. 10, da Lei nº 9.249/1995, c/c art. 48, § 2º, II, da IN SRF nº 93/1997; iv. De que, apesar do fundamento da autuação, e mesmo que se considere que os documentos tenham sido apresentados sem as supostas formalidades extrínsecas, (...) verifica-se que não houve, em momento algum, o exame e apuração, por parte da referida autoridade autuante, da veracidade e legitimidade do lucro contábil apontado; e v. Da ausência de prejuízos aos Fisco. Fl. 1047667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 29 b) Da Inobservância do Lucro Fiscal Acumulado: i. Assevera que, em razão da constatação da ausência de formalidade extrínseca que supostamente não fora cumprida, ou cumprida de forma extemporânea (autenticação dos livros comerciais), a acusação fiscal deixou de observar o lucro contábil acumulado contido nos documentos contábeis e fiscais apresentados no decorrer do procedimento inquisitorial; e ii. Acrescenta que foi considerado apenas o Lucro Fiscal do trimestre em que ocorreu a distribuição, o que não se pode admitir, pois o Fisco, mesmo em prol do intento de não admissão da isenção do lucro contábil apurado na contabilidade, deveria considerar todo lucro fiscal acumulado. Nessa linha apresentou planilha, às fls. 56/57, onde demonstra que, a partir do lucro acumulado considerado pela Fiscalização, foi obtendo lucros trimestralmente desde 2009, e, concomitante, demonstra a distribuição, concluindo que só há distribuição sem isenção no 2º trimestre de 2017; Feito o resumo dos fatos, em benefício de otimizar a lógica argumentativa deste voto, antes de nos inclinarmos à apreciação dos pleitos da Defesa, a seguir peço vênia para expor os entendimentos jurídicos, doutrinários e jurisprudenciais, que envolvem o tema isenção dos lucros excedentes ao lucro arbitrado apurado passíveis de distribuição. 4.3 DA ISENÇÃO DOS LUCROS EXCEDENTES AO LUCRO ARBITRADO APURADO Prosseguindo no desiderato proposto, cumpre pontuar que a isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10, da Lei no 9.249/19959. As condições para distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas foram estabelecidas inicialmente na Instrução Normativa SRF 11/96, artigo 51, §§ 2º e 3º, e reproduzida de forma similar nas Instruções 9 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1047668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 30 Normativas seguintes: IN SRF 93/97, artigo 48, § 2º, incisos I e II, e § 3º, a IN RFB 1515/14, art. 141, § 2º, incisos I e II, e §3º, e a IN RFB 1700/17, art. 238, § 2º, incisos I e II, e §3º10. No mesmo sentido o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 04/96: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 51 da Instrução Normativa nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I - no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, a título de lucros, sem incidência do imposto, o valor correspondente à diferença entre o lucro presumido ou arbitrado e os valores correspondentes ao imposto de renda da pessoa jurídica, inclusive adicional, quando devido, à contribuição social sobre o lucro, à contribuição para a seguridade social - COFINS e às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. II - na hipótese do § 2º do art. 51 da IN nº 11, de 1996, a parcela dos lucros e dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto da pessoa jurídica, a ser distribuída também sem a incidência do imposto, será determinada deduzindo-se do lucro líquido do período, após o imposto de renda, o valor determinado na forma do inciso anterior. Em suma, a empresa tributada com base no lucro arbitrado poderá distribuir a título de lucros, com isenção do imposto de renda, o valor correspondente à diferença entre o 10 DOS LUCROS E DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS Art. 238. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. (..) § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderão ser pagos ou creditados sem incidência do IRRF: I - o valor da base de cálculo do imposto, diminuído do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II - a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período-base não encerrado, que exceder o valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. Fl. 1047669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 31 lucro arbitrado e os tributos a que está sujeita. Caso deseje distribuir valores acima deste limite, deverá demonstrar por meio de escrituração contábil elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro arbitrado. Mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. Melhor dizendo, essa comprovação se dá por meio da escrituração regular dos Livros Diário – para efeito de apuração do IRPJ, o art. 258, do RIR/9911, vigente à época dos fatos, preceitua as formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente (o art. 1.181, do CC12, também exige a autenticação deste livro) - e Razão, com a transcrição no livro Diário das demonstrações financeiras - Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e o Balanço Patrimonial (BP) -, apuradas e registradas na época própria determinada pela legislação – no caso a periodicidade é trimestral -. Resumidamente, para comprovar que os rendimentos pagos estão abarcados pela multicitada isenção, é essencial que sejam elaborados os DRE e levantados os BP dos períodos de distribuição, na forma da legislação em vigor, e para conferir-lhes autenticidade, estas demonstrações devem estar transcritas na regular escrituração dos Livros Diário e Razão, sendo que estes livros também devem ter sido elaborados e autenticados na Junta Comercial. 11 Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admite-se a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). 12 Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Fl. 1047670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 32 Quer dizer, apesar dessas escriturações contábeis não serem obrigatórias para as optantes pelo lucro arbitrado, são necessárias para que seja permitida a distribuição de valores superiores ao lucro arbitrado com isenção do imposto de renda. Portanto, registro, verificado ausência das formalidades extrínsecas e intrínsecas nas multicitadas escriturações contábeis, deve ser considerada inapta a demonstrar a apuração do lucro efetivo. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos controversos, a fim de solucionar a lide. 4.4 DA ANÁLISE DO CASO CONCRETO 4.4.1 DA ISENÇÃO DOS RENDIMENTOS DISTRIBUÍDOS PELA CONTROLADA LOJAS TANGER Inicialmente, destaca-se que estamos diante de isenção13 relativa à distribuição de lucros excedentes que possui condições para sua fruição, inclusive formalidades intrínsecas e extrínsecas que devem ser observadas. Mais do que a existência das escriturações contábeis, essas devem regulares, além de guardarem harmonia entre as informações prestadas, sob pena de se desqualificar sua força probante. Não se trata de formalismo vazio, pois a autenticidade dos livros contábeis e a confiabilidade das informações que ali constam, é condição para a fruição da isenção. Na espécie, a Fiscalização constatou, a partir de informações prestadas no SPED, que a TANGER PARTICIPAÇÕES percebeu rendimentos isentos a título de lucros distribuídos por pessoa jurídica da qual é sócio controlador – Lojas Tanger - em valores superiores ao lucro arbitrado apurado por essa empresa em cada ano-calendário, deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ao ser provocada, a Lojas Tanger declarou que os lucros distribuídos no período de 2013 a 2017, referem-se a lucros acumulados no período de 2005 a 2011. Ao compulsar a 13 Sobre a isenção, vale as seguintes observações: “(i) há inúmeros fenômenos que ocasionam a não incidência tributária, estando a imunidade tributária e a isenção, incluídas nesse rol; (ii) nesse sentido, o resultado da isenção, isenção heterônoma, imunidade, definição limitada de critério normativo e criação normativa reduzida é a própria não incidência tributária; (iii) isenção não é dispensa legal de pagamento de tributo devido, pois admitir isso implica em ferir o princípio da não contraditoriedade das normas jurídicas, dado que não é possível admitir certo descompasso de normas no tempo, ou seja, uma norma que tribute e uma outra que logo em seguida realiza a dispensa do pagamento do tributo; (ii) dessa forma, tanto na isenção, quanto na imunidade tributária, ocorre a não incidência; (iii) a diferença da imunidade tributária para a isenção, enquanto técnicas utilizadas pelo legislador, é eminentemente formal, pois a imunidade tributária possui assento em norma constitucional de competência, sendo que a isenção opera no plano da legislação infraconstitucional, voltada à construção da norma tributária. A isenção, portanto, decorre de enunciados que informarão a norma (de conduta) tributária. A imunidade, por sua vez, está contida, integra a norma constitucional de competência”. LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 105/106. Fl. 1047671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 33 escrituração, o Agente Fazendário atestou que os Livros Diário e Razão, relativos ao ano- calendário de 2008, foram elaborados e autenticados à época dos fatos, com todas as formalidades cumpridas, de acordo com a legislação comercial, motivo pelo qual considerou como comprovado o valor de R$ 79.851.488,47, constante da conta “Lucro Acumulados após 1995”. Todavia, igual sorte não tiveram os livros contábeis e fiscais dos anos posteriores, já que os Livros Diário foram elaborados e autenticados após a ocorrência dos fatos contábeis, em desconformidade com as normas vigentes, e não havia Livros Razão escriturados, como observou a fiscalização: Os fatos e documentos acima comprovam que Lojas Tanger Ltda não possui escrituração contábil de acordo com a legislação comercial, no período de 2009 a 2017, já que os Livros Diário foram elaborados e autenticados após a ocorrência dos fatos contábeis, estão em desconformidade com as normas vigentes, e não há Livros Razão escriturados. Fica demonstrado que o contribuinte incidiu nos incisos I, VII, VIII da Lei 8.981/1995. A incompleta escrituração comercial e fiscal apresentada, referente aos anos de 2009 a 2017, é imprestável para comprovação da apuração e existência de lucro efetivo acima do valor do lucro arbitrado diminuído tributos neste período. Desta forma, o valor dos rendimentos distribuídos acima do lucro arbitrado diminuído dos tributos será imputado ao saldo comprovado da conta de lucros acumulados após 1995, valor que pode ser distribuído com isenção. Será considerado o saldo final no ano de 2008, já que nos anos seguintes (2009 a 2017) não há escrituração de acordo com a legislação comercial. Neste ponto, é mister registrar que a malfadada transcrição carreada aos autos pela Recorrente, inúmeras vezes citadas na peça recursal, como justificativa de que o Fisco teria dispensado a apresentação do Livro Razão, ao pedir que fossem apresentados os Livros Diário e Razão apenas da conta Lucros Acumulados, carece de fundamento. Primeiro, em virtude justamente da exigência de apresentação desse livro que possibilitou a consideração do saldo da conta lucros acumulados do ano de 2008. Segundo, quanto ao diálogo que menciona, abaixo transcrito, corroboro com o entendimento do aresto atacado de que (...) não comprova a alegada dispensa de apresentação do Livro Razão, mas tão somente a restrição naquele momento à apresentação da conta “Lucros Acumulados” do Livro Razão em relação aos anos 2007 e 2008, o que permitiu à fiscalização comprovar o valor citado. Os livros a partir do ano de 2009, conforme o mesmo diálogo transcrito, não se encontravam prontos. Fl. 1047672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 34 Dando continuidade, no que diz respeito ao argumento de que os lucros distribuídos eram isentos, pois: os livros da controlada carreados aos autos atendiam a legislação civil, contábil e fiscal, inclusive apresentou Parecer Técnico Contábil que atesta a regularidade comercial e fiscal de sua escrituração contábil; teriam sido apresentados arquivos digitais gerados no formato do Sistema Integrado de Coleta-SINCO, contendo os registros referentes a Livros Diário e Razão de 2013 a 2017; não foram apontados quaisquer vícios, erros ou deficiências que tornasse a escrituração apresentada imprestável; atendeu as condições impostas pela legislação vigente; e que não restou demonstrado prejuízo ao Fisco, entendo que não merece prosperar pelos seguintes motivos. A intimação para que as Lojas Tanger apresentasse os livros Diário e Razão em prol de verificar a existência e apuração de lucro arbitrário efetivo por meio de escrituração contábil elaborada de acordo com a lei comercial, decorreu da constatação de que não tinha apresentado a Escrituração Contábil Digital ao Sistema SPED, obrigatória desde 2014, pela IN RFB 1.420/2013. Conforme já pontuamos, os Livros Diário dos anos de 2007 a 2013 foram apresentados, em meio físico, sendo que os de 2009 em diante foram emitidos e autenticados no ano de 2018, APÓS O RECEBIMENTO DA INTIMAÇÃO. Os Livros Razão não foram apresentados quando do procedimento inquisitorial. Ademais, a própria recorrente, objetivando explicar a motivação do autoarbitramento do lucro da sua controlada – registro que a opção pelo autoarbitramento não fez parte da lide -, nos períodos de 2008 a 2012, e de 2013 a 2017, confessa que a Lojas Tanger não detinha escrituração regular e os livros colacionados aos autos foram elaborados e autenticados em 2018 em favor de atender o pedido da Fiscalização. Seguem passagens da peça recursal que ratificam nossa ilação: (...) o que aconteceu, há época dos anos-calendários, é que a Lojas Tanger Ltda. não conseguiu efetuar a escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, em tempo hábil, virtude do volume de operações praticadas nos estabelecimentos da empresa, não sendo reunir, em tempo hábil, documentos contáveis e fiscais devidamente conciliados, capazes de fornecer critérios Fl. 1047673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 35 seguros para a determinação do lucros real trimestral ou da base de cálculo para recolhimento das estimativas, consoante justifica apresentada, repetimos. (...) E mais, que constante atrasos na escrituração contábil e fiscal, necessárias à apuração dos tributos impuseram a adoção de uma base de cálculo substitutiva para o recolhimento nos respectivos prazos de vencimentos, e que os lançamentos nos Livros Diários somente foram concluídos em período posterior ao do vencimento dos impostos como se pode observar pela data de autenticação dos mesmos e que a emissão dos mesmos foram feitos para atender o pedido da fiscalização. (...) Ademais, pode se observar que de acordo com a fiscalização e pelo laudo anexado, que os Livros Diários foram encaminhados e analisados pela fiscalização, em conformidade com a legislação, foi mantida em estrita observação das prescrições legais, ocorrendo apenas dificuldade transitória em adequar a contabilidade dos anos de 2013 a 2017 às normas introduzidas pelas Leis ns. 11.638/2007 e 11.941/2009, envolveu unicamente ajustes do lucro real, o que motivou o arbitramento dos lucros. E mais, os Livros também estavam sendo apresentados. Além disso, outras contatações registradas pelo Fisco contribuem para acepção de que a escrituração contábil apresentada pela controlada da Fiscalizada não atendia ao regramento prescrito na legislação comercial e fiscal vigente à época dos fatos: os DRE e os BP apresentados foram anuais, contrariando a legislação tributária que prescreve que as demonstrações devem ser trimestrais, já que a apuração do lucro arbitrado é trimestral; e não foram observadas na elaboração destes demonstrativos as mudanças introduzidas pelas Leis nº11.638/2007 e nº11.941/2009, obrigatório para todas as empresas, constatação acatada pela Recorrente. No tocante ao Parecer Técnico Contábil mencionado pela TANGER PARTICIPAÇÕES, também não tem a capacidade de atestar a tempestividade da apresentação da escrita fiscal, bem como o Livro Diário juntado ao processo comprova que a autenticação foi feita apenas em 2018, conforme trecho copiado abaixo: Ora, conforme exaurimos, a fruição do benefício de isenção na distribuição de lucros arbitrado acima do limite, depende da demonstração por meio de escrituração contábil tempestiva e elaborada com observância da legislação comercial que o lucro efetivo é maior que o apurado segundo as regras do lucro arbitrado, o que não vislumbramos na espécie. Fl. 1047674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 36 Embora este signatário defenda a linha de pensamento de que a legislação comercial não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. Destarte, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar a acusação fiscal, entendimento, inclusive, que já foi adotado em julgado do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, conforme ementa abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO TRIBUTÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENDIMENTOS PESSOA JURÍDICA. IRPJ. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIO. LIVROS CONTÁBEIS. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. I - O impetrante qualificado como sócio das pessoas jurídicas Osvaldo Pereira Sociedade de Advogados e JOPE Gestão de Bens e Participações Societárias, tributadas com base no lucro presumido, sustentou que recebeu distribuição dos lucros de referidas empresas, sem a incidência de impostos, com fundamento no art. 51, § 2ºm IN/SRF nº 11, de 21.02.1996, e assim, declarou mencionada verba, na sua declaração de ajuste anual, como rendimento isento e não tributável. O impetrante sustenta que foi fiscalizado pela Receita Federal do Brasil, com o objetivo principal de verificar sua variação patrimonial, não resultando apurada a existência de valores que pudessem caracterizar o acréscimo patrimonial a descoberto, a serem considerados como rendimentos obtidos. II - Entendeu a autoridade fazendária que referida verba tinha natureza tributável, uma vez que os livros diários das citadas empresas teriam sido apresentados a destempo. Assim, foi lavrado o auto de infração em desfavor do impetrante por dedução indevida de despesas médicas e por omissão de rendimentos recebidos a título de lucro distribuído, em valor excedente ao lucro presumido, relativamente ao ano-calendário 2009. Todavia, a isenção foi criada como incentivo ao investimento na empresa pelos acionistas. Observe-se, que a isenção foi criada para prestigiar os acionistas, como instrumento de política fiscal. III - A interpretação restritiva é mandamento do Código de Tributário Nacional, que determina em seu artigo 111, inciso II, que "interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção". Além disso, o caput do artigo em questão fala da possibilidade de o beneficiário ser pessoa física ou jurídica. A figura do acionista realmente pode ser a de uma pessoa física ou a de uma pessoa jurídica e, ainda, podemos observar que o parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249/95 fez expressa referência ao sócio e ao acionista da empresa. IV - O impetrante declarou como não tributáveis, na sua declaração de ajuste anual do ano calendário de 2009, rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativos à distribuição de lucros excedentes àquele apurados para o fim da tributação pelo regime do lucro presumido. V- As pessoas jurídicas estão obrigadas a manter escrituração contábil de acordo com a lei, conforme o disposto no artigo 45 da Lei nº 8.981/95 e artigo 527 do Decreto nº 3000/99. Além disso, os livros precisam conter termos de abertura e encerramento e autenticação no órgão competente. Para a escrituração dos mencionados livros, a lei não prevê qualquer prazo. A escrituração contábil das pessoas jurídicas obedece, observadas eventuais Fl. 1047675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 37 exigências previstas em lei especial, aos critérios estabelecidos no Código Civil (art. 1179 ss.) e no Decreto-Lei nº 486/69. VI - Conforme a fundamentação da r. sentença, a legislação comercial, assim como a Instrução Normativa MDICE/SCS/DNRC nº 102/06 (que dispõe sobre a autenticação de instrumentos de escrituração dos empresários e sociedades empresárias), não prevê qualquer prazo para que os livros sejam autenticados ou penalidade decorrente do atraso. VII - Assim, a escrituração dos livros a destempo não configura argumento para fundamentar autuação fiscal. VIII - Apelação e remessa oficial tida por interposta não providas. (TRF-3 - Ap: 00226601120144036100 SP, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO CEDENHO, Data de Julgamento: 01/08/2018, TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: e-DJF3 Judicial 1 DATA:13/08/2018) Contudo, no caso em questão, há clara perda de espontaneidade da Lojas Tanger, uma vez que os Livros Diário de 2009 em diante foram emitidos e autenticados no ano de 2018, após o recebimento da intimação fiscal, e os Livros Razão não foram apresentados. Ademais, não podemos olvidar que outras discrepâncias foram detectadas. Quer dizer, mesmo que superássemos a questão de que os documentos fiscais foram apresentados extemporaneamente com o cumprimento das formalidades extrínsecas e intrínsecas, tal apresentação não retroage para permitir a fruição do benefício em questão, já que a escrituração fiscal tempestiva é condição para a fruição desse benefício, conforme muito bem sinalado pela Fiscalização: Se a escrituração comercial não foi realizada em época própria, se os livros não foram elaborados e autenticados nas Juntas Comerciais nas épocas correspondentes aos fatos contábeis, não há como dar autenticidade a pagamentos realizados como sendo lucros apurados de acordo com a legislação comercial e fiscal, e considerar tais pagamentos como isentos. A elaboração, registro e autenticação dos Livros Diário, a juntada da DRE e do BP aos mesmos, em data atual, não retroagem à data de pagamentos de rendimentos realizados no passado para garantir o benefício da isenção. Nesse sentido, a meu ver, diante da ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta a ser realizada pela controlada da Fiscalizada limita-se ao valor da base de cálculo do imposto (lucro arbitrado), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, podendo ser acrescido do saldo reconhecido da conta lucros acumulados ou reservas de lucros, também alicerçada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios, em respeito aos termos das normas infralegais citadas vigentes à época dos fatos. Dessa forma, sem razão à Recorrente, estando, neste ponto, hígido o lançamento que ora se combate. Fl. 1047676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 38 4.4.2 DA INOBSERVÂNCIA DO LUCRO FISCAL ACUMULADO A TANGER PARTICIPAÇÕES assevera que, em razão da constatação da ausência de formalidade extrínseca que supostamente não fora cumprida, ou cumprida de forma extemporânea (autenticação dos livros comerciais), a acusação fiscal deixou de observar o lucro contábil acumulado contido nos documentos contábeis e fiscais apresentados no decorrer do procedimento inquisitorial. Dessarte, o Fisco, conforme tabela abaixo integrante do Relatório Fiscal, objetivando reconstituir a distribuição dos lucros, a partir de 2009, imputando-se o excesso do valor pago a título de distribuição de lucros ao saldo comprovado da conta “Lucros Acumulados após 1995”, e, por conseguinte, levantar o rendimento distribuído passível de tributação, considerou apenas o Lucro Fiscal do trimestre em que ocorreu a distribuição. Fl. 1047677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 39 Advoga que tal procedimento é inadmissível, pois o Fisco, mesmo em prol do intento de não admissão da isenção do lucro contábil apurado na contabilidade, deveria considerar todo lucro fiscal acumulado. Nessa linha apresentou planilha, às fls. 56/57, onde demonstra que, a partir do lucro acumulado considerado pela Fiscalização, foi obtendo lucros trimestralmente desde 2009, e, concomitante, demonstra a distribuição, concluindo que só há distribuição sem isenção no 2º trimestre de 2017. Fl. 1047678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 40 Entendo que assiste razão à Recorrente. Vejamos. Ao cotejarmos as sobreditas planilhas, observamos que os valores dos lucros apurados trimestralmente, desde o 1º trimestre de 2009 até o 4º trimestre de 2017, são idênticos e as datas e os valores das distribuições coincidem, contudo, a única diferença reside no fato da Fiscalização ter ignorado os valores - que intitulou como “lucros passíveis de distribuição” - dos trimestres em que não ocorreu a efetiva distribuição. Quer dizer, não incrementou a coluna “lucros acumulados após 1995” com os lucros obtidos trimestralmente que, por coincidirem com a planilha da Recorrente, entendemos que acatou. Até porque, nos trimestres em que se concretizaram as distribuições, o Agente Fazendário os abateu do valor distribuído antes da redução do saldo da conta lucros acumulados. De outro giro, a Recorrente, à medida que foi apurando o lucro contábil trimestral passível de distribuição com isenção, adicionou-os ao saldo considerado pela Fiscalização de “lucros acumulados após 1995”, bem como, em datas coincidentes com as consideradas pelo Fisco, abateu dos montantes efetivamente distribuídos. Nesse raciocínio, demonstrou que só ocorreu distribuição de lucro em excesso passível de tributação, no segundo trimestre de 2017, no montante de R$ 8.064.597,59. À luz de tudo que foi exposto e em respeito ao princípio da adstrição do julgador aos limites da lide, entendo que o procedimento adotado pela TANGER PARTICIPAÇÕES seja o mais escorreito. A uma, em razão dos lucros arbitrados apurados a partir do primeiro trimestre de 2009 ao quarto trimestre de 2014, cujos valores coincidem nas sobreditas planilhas, portanto, repiso, considero acatados pela Fiscalização, representam a parcela líquida – já diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a controlada – passível de distribuição com isenção e, por se tratar de autoarbitramento, dispensada qualquer escrituração. A duas, por haver incongruência no procedimento adotado pelo Fisco visto que, nas datas em que houve a distribuição excedente, antes da redução do saldo de lucros acumulados, abateu a parcela trimestral isenta apurada no trimestre. Todavia, quando não houve distribuição excedente, as desconsiderou, melhor dizendo, não as acresceu ao saldo de lucros acumulados apurado no último trimestre de 2008. Baseado nesse racional, oriento meu voto no sentido de que apenas seja considerado passível de tributação a parcela no valor de R$ 8.064.597,59, do total do lucro distribuído em 30/06/2017, exonerando a exações fiscais relativas as demais. Fl. 1047679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 41 5 DA MULTA DE OFÍCIO – NÃO CONFISCO Subsidiariamente, a Recorrente requer o afastamento da multa de ofício no percentual de 75%, dado que no caso em tela inexistiu dolo/fraude, bem como em observância aos princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Na espécie, registro que o Fisco aplicou a multa de ofício ordinária nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007), a seguir transcrito in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (g.n) Dessa forma, de plano, saliente-se que a exoneração postulada pela defesa não pode ser acatada, na medida em que não encontra respaldo legal. Até porque, nesta contenda foi aplicada por subsunção ao preceptivo indicado, sem qualquer referência a constatação de ações ou omissão tipificadas como sonegação, fraude ou conluio nos termos dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que levaria a sua qualificação, consoante dispõe o art. 44, § 1, inciso VI, c/c § 1º-C, da Lei nº 9.430/9614. 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) § 1º-C. A qualificação da multa prevista no § 1º deste artigo não se aplica quando: (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) I – não restar configurada, individualizada e comprovada a conduta dolosa a que se referem os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) Fl. 1047680DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art71 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art73 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4502.htm#art73 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 42 Outrossim, tampouco prosperam as alegações no sentido que o percentual aplicado teria o caráter de confisco (vedado pela Constituição Federal), em desrespeito aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pelos seguintes motivos: a) A Constituição Federal de 1988, em seu art. 145, § 1º, determina que os impostos serão graduados em função da capacidade contributiva do contribuinte. E mais, em seu artigo 150, inciso IV, veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Deduz-se, então, que o princípio em questão é direcionado exclusivamente ao tributo e este não deve ser confundido com penalidade, equívoco cometido pelo impugnador; b) A vedação ao confisco é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco; c) Afastar a aplicação da multa por considerá-la atentatória as garantias constitucionais exigiriam o exame da norma legal em face de disposições constitucionais, o que, sem dúvida, caracterizaria controle de constitucionalidade da lei, que é atividade inserta no âmbito de competência exclusiva do Poder Judiciário; d) O contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza, questão inclusive sumulada por este Tribunal, de acordo com o enunciado da Súmula Carf nº 215; e e) Por fim, o princípio que norteia a imputação penal, cujo caráter é agressivo, tem o condão de compelir o contribuinte a se afastar de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade. Perante o apresentado, percebe-se claramente que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, na qual habita a devida fundamentação normativa da aplicação de multa de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430/96). Logo, as alegações de ofensa aos princípios de vedação ao confisco e da razoabilidade e proporcionalidade não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que estas se encontram totalmente vinculadas aos ditames legais (art. 116, inciso III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142, do Código Tributário Nacional - CTN). Em verdade, de acordo com o parágrafo único, do art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontra-se limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. 15 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1047681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 43 Assim, por existir perfeito enquadramento da ação do Sujeito Passivo com os dispositivos legais acima citados, entendo que a imputação da multa de ofício combatida é irrefutável, devendo, portanto, ser mantida. 6 DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS 6.1 DOS FATOS Na espécie, a Autoridade Fiscal entendeu que, ao não efetuar a escrituração de acordo com a legislação comercial, a Lojas Tanger descumpriu as normas legais e as estabelecidas em contrato social, cabendo imputação de Responsabilidade Tributária, nos termos do art. 135, I e III, do CTN. Ademais, distribuiu rendimentos considerados indevidamente como isentos, o que era de conhecimento da controladora e de seus sócios administradores, restando caracterizada a responsabilidade solidariedade prescrita no inciso II, do art. 124 do CTN, de acordo com os arts. 1.009 e 1.080, do Código Civil. Por fim, levando-se em conta que Lojas Tanger Ltda e a Recorrente possuem quadro societário em comum, e que os sócios pessoas físicas de Lojas Tanger – Srs. José Maria Ribeiro e Edgard Domingues - foram os administradores que descumpriram as normas mencionadas no parágrafo anterior, configurando-se como beneficiados indiretos da distribuição dos valores dos rendimentos considerados indevidamente isentos, visto que são os sócios majoritários (com mais de 99%) da controladora, fica evidenciado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN. Indignados os Responsabilizados combateram as apontadas imputações alegando que a Autoridade Fiscal não individualizou as condutas essenciais a subsunção ao preceituado nos dispositivos citados. O Aresto recorrido refutou asseverando que o Agente Fiscal fundamentou a responsabilidade solidária dos Srs. José Maria Ribeiro e Edgard Domingues pelo descumprimento de forma sistemática, durante os anos de 2009 a 2017, da legislação concernente à escrituração de livros fiscais, bem como individualizou as condutas imputadas aos Recorrentes, demonstrando que descumpriram de maneira reiterada não apenas as obrigações tributárias acessórias de escrituração tempestiva das operações comerciais, mas também as disposições contratuais da própria empresa, caracterizando a “infração de lei, contrato social ou estatuto”. Em sede de Recurso Voluntário, os Recorrentes repisaram as alegações apresentadas na fase impugnatória, notadamente, que careceu de motivação as imputações de responsabilidade em comento, posto que a Autoridade Administrativa limitou-se a tecer meras considerações genéricas, sem, contudo, demonstrar: (i) que os eventuais responsáveis tinham Fl. 1047682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 44 interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, em prol do devido enquadramento no art. 124, I, do CTN; ou (ii) individualizar as condutas comissivas ou omissivas perpetradas pelos responsabilizados que se amoldariam à previsão abstrata contida no art. 135, III, do CTN. Antes de avaliarmos as razões da combatida responsabilização, a seguir teceremos comentários sobre entendimentos jurídicos, doutrinários e jurisprudenciais sobre a responsabilidade solidárias nos termos do art. 124 e 135, do CTN. 6.2 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, COM BASE NO ART. 124, DO CTN Inicialmente, é mister destacar que, no Direito Civil, a solidariedade pode se dar tanto entre os devedores como entre os credores, decorrendo de lei ou da vontade das partes, conforme estabelecem os arts. 264 e 265, do Código Civil16. Diferentemente, no Direito Tributário a solidariedade decorre sempre de lei e só pode ocorrer no polo passivo. O art. 124, do CTN17, cuida das hipóteses de solidariedade, estabelecendo em seu inciso I, a chamada solidariedade de fato, para as pessoas que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Já no inciso II, estabelece a chamada solidariedade de direito, que ocorre entre as pessoas expressamente designada em lei, sem que seja necessária a presença do interesse comum. Nesse diapasão, com relação à atribuição de responsabilidade com fundamento no art. 124, do CTN, cabe destacar que a autoridade fiscal constitui o crédito tributário identificando uma relação obrigacional tributária que vincula o sujeito ativo (ente tributante) a dois ou mais sujeitos passivos (contribuinte e responsável). O sujeito passivo solidário é integrante da própria relação jurídico-tributária ab inicio, de maneira que sua sujeição passiva é congênita ao acontecimento do fato gerador, ou seja, a obrigação tributária já nasce apresentando dois ou mais sujeitos passivos igualmente responsáveis pelo adimplemento da obrigação, em solidariedade. Na solidariedade passiva existe uma única obrigação e mais de um devedor obrigado por ela como um todo. Não há um devedor “principal” e um responsável “solidário”. Há dois ou mais devedores, que são obrigados por uma única, idêntica e indivisível obrigação. 16 Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. 17 Art. 124. São solidàriamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interêsse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 1047683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 45 Conforme disposto no parágrafo único do referido art. 124, a solidariedade não admite o chamado “benefício de ordem”, que seria a condição de o credor primeiro dirigir sua exigência para um devedor e, apenas se insolvente este, impossibilitado de adimplir a obrigação, sucessivamente, direcionar-se ao outro devedor, “solidário”. Pode então traduzir que a solidariedade não é, stricto sensu, um instituto voltado à garantia do adimplemento da obrigação pelo devedor, posto que diz respeito à própria constituição do crédito tributário sobre uma pluralidade de devedores, todos responsáveis pela obrigação como um todo. Os sujeitos passivos tributários estão visceralmente ligados por um vínculo de origem, congênito ao surgimento da obrigação tributária. Paulo de Barros Carvalho18 ensina que existe solidariedade sempre que houver mais de um devedor na mesma relação jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral: No direito tributário, o instituto da solidariedade é um expediente jurídico eficaz para atender à comodidade administrativa do Estado, na procura da satisfação dos seus direitos. Sempre que haja mais de um devedor, na mesma relação jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral, dizemos existir solidariedade, na traça do que preceitua o art. 264 do Código Civil brasileiro. (g.n) Nas palavras de Mizabel Abreu Machado Derzi, atualizadora da obra de Aliomar Baleeiro19, a solidariedade não é forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, mas apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o polo passivo: A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. (...) Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, um contribuinte e um responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. (g.n) Assim, no momento em que a autoridade fiscal detecta que está diante de uma das situações previstas no art. 124, do CTN, é seu dever efetuar o lançamento sobre a pluralidade de 18 CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 17ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 317 19 BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., atualizada por Mizabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 729 Fl. 1047684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 46 sujeitos passivos solidários, constituindo o crédito tributário de maneira a identificar corretamente as pessoas ligadas ao polo ativo solidariamente. Dando seguimento, no tocante à solidariedade de fato, prevista no art. 124, I, do CTN. Trata-se do tema “responsabilidade solidária por interesse comum” bastante controvertido no âmbito da doutrina e da jurisprudência, mormente a administrativa. Para tanto, é preciso entender o que venha ser o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Segundo a doutrina, existe interesse comum entre duas ou mais pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato gerador. Quer dizer, há que se constate a existência da comunhão na posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária. Ademais, para configurá-lo, observamos a presença de três vertentes na jurisprudência deste Tribunal destacadas em texto acadêmico 20 elaborado por ilustres Conselheiros que a seguir transcrevo: A imputação da responsabilidade tributária solidária com fundamento no art. 124, I do CTN, frequentemente debatida em casos de tentativa de responsabilização de sociedades integrantes do mesmo grupo econômico e sócios de fato, vem sendo enfrentada sob três principais vertentes na jurisprudência do CARF: (i) a que entende bastar o interesse econômico, (ii) a que demanda o interesse jurídico, e (iii) a vertente intermediária, pela qual o interesse não pode ser meramente econômico, nem precisa ser jurídico, devendo haver alguma participação direta em ato que visa a adulterar a obrigação tributária.(g.n.) Embora admita que a expressão interesse comum encarte um conceito indeterminado, ao interpretar de forma sistemática as normas tributárias, inclino-me à linha de pensamento que o interesse comum não é meramente econômico, mas, necessariamente, jurídico. A ver. Conforme exemplifica Paulo de Barros Carvalho21, é o que ocorre em relação ao ITBI, quando dois ou mais são os compradores, ao ICMS, quando dois ou mais forem os comerciantes vendedores, e ao ISS, quando dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador. 20 EVARISTO PINTO, Alexandre. CHAMAS Henrique Nimer. HALAH, Lucas Issa. A responsabilidade cível e tributária dos cooperados e diretores das sociedades cooperativas. In: FORNECETE, Rodrigo. Peixoto, Marcelo Magalhães. Tributação das cooperativas: impactos da reforma tributária. São Paulo: MP Editora, 2025 21 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed.. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 220. Fl. 1047685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 47 Para elucidar a questão, vale reproduzir lição de Marcos Vinícius Neder22 sobre a expressão “interesse comum”, utilizada no art. 124, inciso I, do CTN: Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situam-se em cada um dos pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. [...] Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Conclui-se, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (g.n.) Nessa cognição, o Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”. Confira-se: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1.A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídico-tributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma 22 NEDER, Marcos Vinícius. Responsabilidade Tributária. Coord. Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007. p. 39/42. Fl. 1047686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 48 delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato, a co-propriedade é-lhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ encarte um conceito indeterminado, é mister proceder-se a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, tem-se que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível (**). 10. “Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucro auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico.” (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, Dje 15/12/2008). 11. In casu, verifica-se que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tão-somente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo Fl. 1047687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 49 econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deu-se entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.”(REsp 884.845/SC (2006/02065654), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, Dje 18/02/2009 – grifos nossos) (*) destaques do original (**) destaques acrescidos Por derradeiro, mas não menos importante, concluo apontando que a sobredita acepção encontra consonância em jurisprudência administrativa prevalente do CARF, notadamente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme ementas transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas física e jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. (Acórdão nº 9101-003.889 – CSRF/1ª Turma. Sessão de 07/11/2018) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. (Acórdão nº 9101-002.349 – CSRF/1ª Turma. Sessão de 14/06/2016) A seguir, discorreremos sobre a imputação de responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, do CTN. Fl. 1047688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 50 6.3 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA FUNDAMENTADA NO ART. 135, III, DO CTN No que toca ao tema, a princípio, importa sinalar que é plenamente possível os sócios administradores responderem pessoalmente, perante a sociedade e terceiros prejudicados (Fazenda Pública, inclusive), por culpa no desempenho de suas funções, ou seja, pelos fatos decorrentes de sua má gestão, consoante disposto no artigo 1.016 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)23. Todavia é imperioso que, para aplicação do mencionado preceito, a Autoridade Fazendária comprove, para além de qualquer dúvida, que os administradores agiram com excesso de poderes ou infração à lei. O ato ilícito ensejador da responsabilidade tributária do administrador pode ser tanto culposo quanto doloso, mas tanto um quanto o outro satisfaz a hipótese do art. 135, III, do CTN24. Sobre o assunto, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 assim se manifestou: 59. A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de ‘infração de lei’ (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa-se com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; 23 Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. 24 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de podêres ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1047689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 51 b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; e) O ato ilícito ensejador de responsabilidade tributária pode ser tanto culposo quanto doloso; f) A prova da prática de ato ilícito por parte do administrador compete à Fazenda Pública (salvo normas especiais probatórias, como a relativa à CDA). 61. De tudo isso, é importante guardar que o ‘sócio-gerente’, de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, torna-se responsável não por ser ‘sócio’, mas por ter cometido ato ilícito enquanto ‘gerente’. Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Destarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. (g.n) Destarte, é relevante ressaltar ilações relativas à responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN, que contribuem para sua caracterização, corroboradas pelo Parecer supra. A primeira refere-se a natureza da pessoa jurídica. Trata-se de uma ficção da lei, não sendo capaz, portanto, de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, quem demonstra capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. A segunda diz respeito a interpretação do capitulado no inciso III, do art. 135, do CTN, uma vez que o malefício que decorre da norma não se corporifica com uma simples participação como sócio-gerente, administrador, diretor ou equivalente nos atos da empresa que determina a responsabilização tributária pessoal. Há que se reconhecer a existência do excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja, só se configura com a junção dos dois fatores. Feitas as considerações sobre os entendimentos jurpidicos, doutrinários e jurisprudenciais relativos aos fundamentos das responsabilidades tributárias questionadas, passa- se a analisar o caso em concreto. Fl. 1047690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 52 6.4 DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS IMPUTADAS A princípio, merece registro que nossa análise se restringirá à participação dos Interessados nos fatos e condutas apurados e demonstrados pela Fiscalização, nos estritos limites dos autos, dos entendimentos expostos e da competência deste Conselho. Fixada a premissa, em benefício de decidirmos com a máxima segurança e justiça no que diz respeito às responsabilidades imputadas, alicerçado na linha interpretativa exaurida, é mister a imersão no Relatório Fiscal, às fls. 526/546, notadamente a transcrição dos únicos trechos através dos quais a Autoridade Fiscal as fundamentou: Considerando que Lojas Tanger Ltda deixou de efetuar a escrituração de acordo com a legislação comercial, descumprindo as normas legais e as estabelecidas em contrato social (incisos I e III do artigo 135 do CTN), bem como efetuou distribuição de rendimentos considerados indevidamente como isentos, o que era de conhecimento da controladora, de sua controlada e de seus sócios administradores, fica caracteriza a solidariedade prescrita no inciso II do artigo 124 do CTN, conforme artigos 1009 e 1080 do Código Civil. Ainda, considerando-se que Lojas Tanger Ltda e Tanger Participações e Publicidades Ltda possuem quadro societário em comum, que os sócios pessoas físicas de Lojas Tanger foram os administradores que descumpriram as normas tratadas no parágrafo anterior, e que, ao final, são beneficiados indiretos da distribuição dos valores dos rendimentos considerados indevidamente isentos, pois são os sócios majoritários (com mais de 99%) da controladora, fica evidenciado o interesse comum na situação, conforme inciso I do artigo 124 do CTN. (...) Fica caracterizada a sujeição passiva solidária de Lojas Tanger Ltda, CNPJ 51.663.763/0001-53, José Maria Ribeiro, CPF 012.474.768-04 e Edgard Domingues, CPF 023.862.598-20, conforme legislação citada. Prosseguindo, no que toca à responsabilidade embasada no art. 124, CTN, infiro que não restou hialino o cabimento da atribuição de responsabilidade tributária solidária, em razão da Fiscalização não ter logrado êxito em demonstrar o interesse comum – interesse jurídico - dos responsabilizados nas situações que constituam os fatos geradores das obrigações principais combatidas. Da situação posta, denota-se que só há um único devedor e obrigado pelos tributos atinentes aos autos sob julgo, ou seja, a TANGER PARTICIPAÇÕES. É o legítimo responsável pelos Fl. 1047691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 53 dispêndios combatidos, cuja personalidade, registre-se, não se confunde com a da Lojas Tanger, tampouco com a das pessoas físicas que compuseram a sua administração. Ad argumentandum tantum, a espécie também não se subsome a capitulação da solidariedade de direito, entabulada no art. 124, II, do Codex Fiscal. A uma, em virtude do caso em tela não se tratar de distribuição de lucros ilícitos ou fictícios, como entendeu o Fisco ao mencionar o art. 1.009, do Código Civil (CC)25, posto que os lucros arbitrados apurados pela controlada da Recorrente foram efetivos - inclusive como vimos reconhecidos pela Autoridade Fiscal - e apenas parte do excedente não preenchia as condições para isenção tributária. A duas, em virtude de não se pode extrair dos trechos descritos ou de qualquer prova carreada aos autos, a mínima ilação que os administradores expressamente aprovaram deliberações infringentes do contrato ou da lei e, dessa forma, responsabilizar nos termos do preceptivo tributário combinado com o art. 1.080, do CC26. Já no que diz respeito à responsabilização com base no art. 135, do CTN, conforme apontado neste voto, restou clarividente que a condição de administrador não é relevante para imputá-la, e se trata de modalidade de responsabilidade tributária eminentemente subjetiva, por fundar-se na pessoalidade e na conduta dolosa ou culposa do agente, posto que brota a partir da constatação de um ato ilícito. Neste prisma, pelo explanado, entendo que o Agente Fiscal também não logrou êxito em provar o vínculo dos responsáveis – elemento subjetivo - com os fatos geradores da obrigação tributária, igualmente que praticaram o ato ilícito assinalado ou que o toleraram quando deveriam evitar, igualmente o aresto combatido. Por tudo exposto, oriento meu voto no sentido de afastar as responsabilidades tributárias imputadas. 7 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Por derradeiro, os Recorrentes defenderam a conversão do julgamento em diligência em favor do exame dos documentos referentes à sua escrituração fiscal. Em que pese o seu arrazoado, por tudo exposto neste voto, demonstraremos que não se fazem necessárias. 25 Art. 1.009. A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade solidária dos administradores que a realizarem e dos sócios que os receberem, conhecendo ou devendo conhecer-lhes a ilegitimidade. 26 Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as aprovaram. Fl. 1047692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 54 Como é cediço, a autoridade julgadora, na formação de sua livre convicção é que avaliará a necessidade de eventual diligência ou perícia, indeferindo aquelas que forem consideradas desnecessárias. Nessa linha intelectiva, deve-se levar em conta que os pedidos de diligência e perícia não servem para suprir a deficiência no cumprimento do ônus da contribuinte de apresentar os elementos probatórios necessários para afastar as conclusões da Autoridade Autuante. Desta forma, afiguram-se desnecessários e devem ser indeferidos. No presente caso, restou hialino que a escrituração apresentada pela Recorrente, essencial para justificar a isenção do lucro excedente distribuído, mesmo que superada a questão do cumprimento das formalidades extrínsecas e intrínsecas legalmente exigidas – pois não podemos obliterar que várias incompatibilidades constatadas foram admitidas pela Recorrente - foi autenticada após a intimação da Autoridade Autuante, quer dizer carente de espontaneidade, não atendendo a condição essencial para fruição do benefício vindicado. Ora, conforme expomos, a determinação de diligência, nesta fase processual, teria cabimento na formação do juízo de convencimento, para sanar eventuais dúvidas ou a chancelar o demonstrado na completude das provas trazidas aos autos pela parte que postula o direito, o que não vislumbramos nestes autos. Por derradeiro, insta destacar que cabe a aplicação do seguinte enunciado sumular (Súmula CARF nº 163): O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, na espécie, portanto, a realização de diligência/perícia é desnecessária e deve ser indeferida conforme disposição do art. 18, do Decreto nº 70.235/7227. 8 DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS Quanto aos Autos de Infração de CSLL, PIS e COFINS decorrente das mesmas matérias fáticas descritas no Auto de Infração do IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado, mutatis mutandis, o que foi decidido para o Auto de Infração principal, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. 27 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 1047693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.301 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10820.721399/2019-84 55 9 DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, oriento meu voto no sentido de CONHECER DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS, para: a) REJEITAR as preliminares de nulidade; e b) No mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para: a. REJEITAR a prejudicial de decadência; b. MANTER em parte os lançamentos combatidos; e c. AFASTAR as responsabilidades tributárias imputadas. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho Fl. 1047694DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 3 das preliminares 3.1 Da Nulidade dos Atos Administrativos 4 DO MÉRITO 4.1 DA PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA 4.2 DOS FATOS 4.3 DA ISENÇÃO DOS lucros EXCEDENTES AO LUCRO ARBITRADO apurado 4.4 DA ANÁLISE DO CASO CONCRETO 4.4.1 Da Isenção dos Rendimentos Distribuídos pela Controlada Lojas Tanger 4.4.2 Da Inobservância do Lucro Fiscal Acumulado 5 DA MULTA DE OFÍCIO – NÃO CONFISCO 6 DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS 6.1 DOS FATOS 6.2 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, COM BASE NO ART. 124, DO ctn 6.3 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA FUNDAMENTADA NO ART. 135, III, DO CTN 6.4 DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS IMPUTADAS 7 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA 8 Dos Lançamentos Reflexos de CSLL, PIS E COFINS 9 DA CONCLUSÃO
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000223/00-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. VALOR DA TERRA NUA. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. VALOR DA TERRA QUESTIONADO. LAUDO TÉCNICO. NULIDADE ALEGADA E REJEITADA. IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE PÚBLICO NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. LANÇAMENTO MANTIDO EM SEU INTEIRO TEOR.
RECURSO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 301-32.128
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da notificação de lançamento. No mérito por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 200509
ementa_s : IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. VALOR DA TERRA NUA. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. VALOR DA TERRA QUESTIONADO. LAUDO TÉCNICO. NULIDADE ALEGADA E REJEITADA. IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE PÚBLICO NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. LANÇAMENTO MANTIDO EM SEU INTEIRO TEOR. RECURSO DESPROVIDO.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
numero_processo_s : 13866.000223/00-01
anomes_publicacao_s : 200509
conteudo_id_s : 4265188
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 301-32.128
nome_arquivo_s : 30132128_129840_138660002230001_008.PDF
ano_publicacao_s : 2005
nome_relator_s : VALMAR FONSECA DE MENEZES
nome_arquivo_pdf_s : 138660002230001_4265188.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da notificação de lançamento. No mérito por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
id : 4722003
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:45 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117319059046400
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T23:11:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T23:11:51Z; Last-Modified: 2009-08-06T23:11:51Z; dcterms:modified: 2009-08-06T23:11:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T23:11:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T23:11:51Z; meta:save-date: 2009-08-06T23:11:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T23:11:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T23:11:51Z; created: 2009-08-06T23:11:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-06T23:11:51Z; pdf:charsPerPage: 1210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T23:11:51Z | Conteúdo => 4',“ MINISTÉRIO DA FAZENDA 'hifl.,,p4t TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1.721‘,5 PRIMEIRA CÂMARA Processo n° : 13866.000223/00-01 Recurso n° : 129.840 Acórdão n° : 301-32.128 Sessão de : 13 de setembro de 2005 Recorrente(s) : NEIDE SANCHES FERNANDES Recorrida : DRJ/CAMPO GRANDE/MS IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ITR. VALOR DA TERRA NUA. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. VALOR DA TERRA QUESTIONADO. LAUDO TÉCNICO. NULIDADE ALEGADA E REJEITADA. IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE PÚBLICO NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. LANÇAMENTO MANTIDO EM SEU INTEIRO TEOR. • RECURSO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da notificação de lançamento. No mérito por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ; \NNN OTACILIO D • V A, CARTAXO Presidente • at A • RFar IPC • DE ENEZES Relator Formalizado em: 1-4 F EV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Atalina Rodrigues Alves, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Carlos Henrique Klaser Filho. Processo n° : 13866 000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. 'Trata o presente processo de impugnação apresentada pela interessada supra contra a exigência de pagamento do Imposto Territorial Rural - ITR e Contribuições Sindicais referente ao Exercício de 1996, no valor total de R$ 712,37,incidentes sobre o imóvel rural denominado Fazenda São Judas Tadeu, com área de 217,4 ha, localizado no município de Catanduva/SP, cadastrado na SRF sob • n.° 2405365-1, conforme Notificação de Lançamento de fls. 12. 2. Na impugnação de fls. 03 a 10, apresentada em 09/06/1999, por intermédio de seu advogado, a interessada argumentou, em suma, o que segue: 2.1-o lançamento apresentou inequívoco erro de fato com relação ao VTN, o que pode e deve ser retificado na via administrativa; entregou a Declaração de Informações do ITR relativa ao ITR Exercício 1994, onde declarou o valor da terra nua de R$ 55.876,01; 2.2- entretanto, a Receita Federal considerou o valor aleatório de R$ 221.238,55 e R$ 221.598,55 (sic) como VTN; o lançamento teve como fundamento a Instrução Normativa SRF n.° 16, de 27/03/1995, a qual não atendeu o disposto no parágrafo 2° do art. 3° da Lei n.° 8.847, de 28/01/1994, o qual transcreveu; a N afrontou o princípio da anterioridade protegido pelo art. 150, inciso III, letra • "h" da Constituição Federal; 2.3-o valor da terra nua informado nas declarações do ITR entregues em 22/12/97 e 13/11/98 importou no cálculo do ITR nos valores respectivos de R$ 221,23 e R$ 221,59, conforme DARFs; resta evidente que o VTN tributado no Exercício 1996 revela-se paradoxal, aleatório e arbitrário; contratou profissional habilitado para providenciar laudo técnico onde se verificará que o YEN atribuído ao imóvel é superior ao vigente na região à época do lançamento do tributo. 3. Ao final da impugnação, foi ainda solicitado o prazo de 45 dias para juntada do laudo técnico, a observância do direito de defesa e do princípio do contraditório, a reemissão da Notificação de Lançamento relativa ao 1TR/1996 e que 2 Processo n° : 13866.000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 o advogado seja comunicado do inteiro teor da decisão singular, como corolário do direito de petição, nos termos do art. 5°, XXXIV, "a" da Constituição Federal. 4. Em 23/07/1999 (fls. 63), a interessada requereu ajuntada aos autos do laudo técnico de avaliação de fls. 64 a 75. Às fls. 22 a 62 foram juntadas cópia de certidões de matrículas de Registro de Imóveis. 5. As autos foram remetidos para julgamento à DRJ/Ribeirão Preto/SP, que os remeteu a esta DRJ/Campo Grande/MS com a edição da Portaria MF n.° 466/2000 (fls. 82/83). 6. Foram ainda juntados aos autos consultas aos sistema ITR (fls. 84 a 95)." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa • transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1996 Ementa: PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VTN MÍNIMO. PRELIMINARES. Na esfera administrativa não é cabível a argüição de inconstitucionalidade de lei em vigor. A fixação do VTN mínimo por meio de Instrução Normativa está amparada em lei em vigor na data da ocorrência do fato gerador. O lançamento foi efetuado em consonância com a legislação tributária e foi garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa. VALOR DA TERRA NUA. O lançamento que tenha origem em valores oriundos de pesquisa nacional de preços da terra, publicados em atos normativos nos • termos da legislação, somente é passível de modificação se na contestação forem oferecidos elementos de convicção embasados em laudo técnico elaborado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que demonstre VTN menor para o imóvel. COMPARAÇÃO ENTRE V'TN DE EXERCÍCIOS DIVERSOS. A simples comparação dos valores de terra de vários exercícios não é suficiente nem tem base legal para permitir qualquer alteração do lançamento. Lançamento Procedente" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls., repisando argumentos. É o relatório. 3 Processo n° : 13866.000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 VOTO Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Esta Câmara já se pronunciou em processo de extrema similitude com este, quando por ocasião do julgamento do Recurso de no. 129.839, da relatoria da eminente Conselheira SusY GOMES HOFFMANN, onde, por unanimidade, se aprovou o brilhante entendimento esposado no voto condutor, o qual adoto, como • razões de decidir, para o presente caso, guardadas, obviamente, as devidas proporções, e que adiante, com a licença dos meus pares, transcrevo: "Preliminarmente, o contribuinte argüiu a nulidade de notificação de lançamento, por não atender o disposto nos artigos 11 e 142 do Código Tributário Nacional, vez que na notificação instituidora do crédito tributário não consta identificação e o número da matrícula do responsável pelo órgão expedidor. Citou-se para tanto vasta doutrina e jurisprudência em busca de confirmar a alegada nulidade. Todavia, compulsando os autos do processo, vê-se equivocada a alegação de nulidade, posto que, às fls. 12, está juntada a notificação de lançamento devidamente preenchida, com identificação e número de matrícula do servidor público responsável, Alberina Silva Santos de Lima, Delegada da DRF-SAO, Matrícula n 00019728. Neste sentido, anote-se julgado deste 3°. Conselho, por sua Terceira Câmara, Acórdõa 303-302273, com a seguinte ementa: 411 Ementa: ITR/BASE DE CÁLCULO - VALOR DA TERRA NUA mínimo. A base de cálculo do ITR, relativo ao exercício de 1996, é o valor da Terra Nua - VTN declarado pelo contribuinte. Entretanto, caso este valor seja inferior ao VTN mínimo - VTNm fixado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, de acordo com o § 2° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, este passará a ser o valor tributável, ficando reservado ao contribuinte o direito de provar, perante a autoridade administrativa, por meio de laudo técnico de avaliação, que preencha os requisitos fixados na NBR 8799/85 da ABNT, que o valor declarado é de fato o preço real da terra nua do imóvel rural especificado. O laudo técnico é de avaliação apresentado pelo recorrente não contém os requisitos estabelecidos no § 4° da Lei n° 8.847/94, 4 Processo n° : 13866.000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 combinado com o disposto na referida Norma da ABNT, razão pela qual deve ser mantido o VTNm, relativo ao município de localização do imóvel, fixado pela SRF para exercício 1995, por intermédio da IN-SRF n° 42/96. NOTIFICAÇÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO NOTIFICANTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. A falta de indicação do cargo ou função e da matrícula da autoridade lançadora, somente acarreta nulidade quando evidente o prejuízo causado ao notificado. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. (grifo nosso) Assim rejeito a preliminar No mais, cuida-se de pedido de impugnação apresentada pela interessada Neide Sanches Fernandes contra a exigência de pagamento de Imposto • Territorial Rural — 1TR e Contribuições Sindicais referentes ao exercício de 1995, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Santa Luzia Santa Olga, com área de 93,80 há, localizado no Município de Catanduva/SP, cadastrado sob n 2405348-1, conforme notificação de lançamento de fls. 12. Assim, tem-se que o lançamento é ato privativo, obrigatório e vinculado da Administração pelo qual se registra a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, apurando-se, dentre outros critérios, o critério quantitativo devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, consoante dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Pode-se observar dos autos que o lançamento impugnado foi efetuado a partir de dados fornecidos pelo contribuinte na Declaração do ITR, sendo oportunamente rejeitado o Valor da Terra Nua declarado em 1995 por ser inferior ao mínimo fixado por hectare para o município da localização do imóvel tributado, conforme disposto nos parágrafos 1° e 2°., do artigo 3°., da Lei 8847/94, e artigo 1°, da • IN n° 42/96. Nota-se ainda que a IN n° 16/95, citada em impugnação, fixou o valor do VTN por hectare para lançamento do ITR relativo ao exercício de 1994 e não para exercício de 1995, não se aplicando ao lançamento em exame. Ademais, importante destacar que para que o laudo técnico possa servir de prova para justificar a alteração do VTN tributado, deve-se demonstrar que se observou a NBR n° 8.799, norma esta da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), exigindo informações precisas referentes ao imóvel avaliado e a região de sua localização. A legislação vigente prevê que o VTN mínimo pode ser contestado pelo contribuinte, desde que este esteja amparado por laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, e que esse laudo atenda a requisitos essenciais que dêem convicção à autoridade fiscal para a alteração dos valores originalmente exigidos, nos termos do parágrafo 4°, do artigo 3°, da Lei 8.847/1994. Processo n° : 13866.000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 Embora conste em sua apresentação que a elaboração foi feita em conformidade com as determinações da NBR 8799 da ABNT, constata-se que o laudo anexado ao recurso para efeitos de alteração do VTN, assinado por engenheiro- agrônomo data de 03/06/1999 e não expressa a data de referência do valor final da propriedade individualizada, como determinado na norma técnica. Em vista dos fatos, entendo que o laudo que acompanha o recurso não tem a subsistência necessária para alterar o VTN constante da Notificação de Lançamento do ITR/1995, à época do fato gerador do tributo, por não se revestir de elementos essenciais e previstos como obrigatórios na norma técnica aplicável. De outra parte, também não foram trazidas aos autos outras provas quanto à produção e à utilização de área relacionadas na legislação em vigor. Neste sentido, anote-se julgado deste 2o. Conselho, por sua Segunda Câmara, Acórdão 302-35637, com a seguinte ementa: • Ementa: ITR - EXERCICIO 1996 - VALOR DA TERRA NUA O VTN mínimo aplicado pela SRF no cálculo do crédito tributário (ITR196) só pode ser revisto pela autoridade administrativa mediante a apresentação de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, na forma prevista no art. 3 0, § 40, da Lei n° 8.847, de 1994. Além disso, deve demonstrar, com a devida documentação comprabatória, inclusive os critérios de avaliação utilizados, as características que possam diferenciar o imóvel em discussão das demais terras do município de localização, colocando-o em situação inferior à da média dos imóveis em questão, justificando a aplicação do VTN tributável inferior ao mínimo fixado para o mesmo município. No caso dos autos, o laudo apresentado não satisfaz tais exigências.Negado provimento por unanimidade. (grifo nosso) • O laudo apresentado, apesar de emitido por profissional habilitado e estar instruído com a respectiva ART, refere-se a vários imóveis do contribuinte, e não especificamente ao imóvel delineado na notificação de lançamento. Outrossim, o método utilizado na elaboração do laudo foi de "avaliação expedita", sendo que, nos termos da NBR, define-se como: "Estas avaliações se louvam em informações e na escolha arbitrária do avaliador, sem se pautar por metodologia definida nesta norma e sem comprovação expressa dos elementos e métodos que levaram à convicção do valor". Desta feita, indubitável que o laudo deve ser visto com reservas, notadamente, quanto aos requisitos necessários para amparar a alteração do VTN tributado. E mais, conforme julgado deste 3° Conselho, por sua Terceira Câmara, Acórdão n° 303- 30670, tem-se a seguinte Ementa: Ementa: ITR/1996. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nenhuma decisão da corte constitucional invalidou a base legal do 6 Processo n° : 13866.000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 ITR. Antes disso houve a análise de constitucionalidade levada a efeito no âmbito das Comissões de Constituição e justiça da Câmara Federal e do Senado, que constitui no processo legislativo um dos níveis prévios de controle de constitucionalidade do ordenamento jurídito pátrio; o fato é que no decorrer da elaboração da Lei 8.847/94, no seu texto final nenhuma contradição com a Constituição ou com normas outras, que lhe fossem hierarquicamente superiores, foi constatada. De fato, não há contradição entre o art. 18 da Lei 8.847/94 e o art. 148 do CTN. a utilização do VTNm como base de cálculo do ITR não pode ser confundido com um arbitramento. A circunstância de utilização dessa base de cálculo alternativa, o rito de apuração dos valores de VTNm, e mesmo a sua desconsideração em face da apresentação de laudo competente, são procedimentos perfeitamente definidos no texto legal. • ITR - BASE DE CÁLCULO - VALOR DA TERRA NUA mínimo - REDUÇÃO DO VTI\Im. A base de cállculo do ITR /96 é o valor da Terra Nua - VTN declarado pela contribuinte. Entretanto, caso este valor seja inferior ao VTN mínimo - VTNm fixado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, de acordo com o § 2° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, este passará a ser o valor tributável, ficando reservado à contribuinte o direito de provar, perante a autoridade administrativa, por meio de laudo técnico de avaliação, que preencha os requisitos fixados na NBR 8799/85 da ABNT, que o valor declarado é de fato o preço real da terra nua do imóvel rural especificado. O laudo técnico de avaliação apresentado pela recorrente não contém os requisitos estabelecidos no § 4° da Lei n° 8.847/94, combinado com o disposto na referida Norma da ABNT, razão pela qual deve ser mantido o VTNm, relativo ao município de localização do imóvel, fixado pela SRF para exercício 1996, por • intermédio da IN-SRF N°58/96. Acrescenta, pois, que o VTN do Município é apurado pela Secretaria da Receita Federal, conforme previsto no parágrafo 2, do artigo 3°, da Lei 8.847/94. Razão pela qual não se requer, nestes autos, o VTN definido pelo ente político, mas tão somente o imóvel apontado na notificação de lançamento, que deveria ter sido individualizado e valorado individualmente, justificando-se a redução do seu VTN. No presente caso, se aplicam as mesmas argumentações que foram suscitadas pela nobre relatora, cujo voto, por questão de economia processual e por representar o meu entendimento e o da Câmara, tomo como meu para decidir a questão. 7 Processo n° : 13866.000223/00-01 Acórdão n° : 301-32.128 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 13 • - setembro de 2005 4011"/ Í V • • • • • I S 'CA DE ENEZES - Relator o Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002830/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão, que exonerou o sujeito passivo de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada, o qual deve ser aferido na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF.
DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL.
O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no ano-calendário, tem início na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO.
O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. A apresentação de declaração, desacompanhada de documentação comprobatória, não é suficiente para confirmar a inexistência de desembolsos considerados conforme Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO.
Somente pode ser distribuído, com isenção do imposto de renda, valor maior que o lucro presumido do período quando se comprovar que o lucro contábil excedeu o presumido, mediante levantamento dos demonstrativos contábeis com observância da legislação comercial.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO.
A isenção do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, que beneficia titular ou sócio de empresa tributada com base no lucro presumido, carece de comprovação do efetivo recebimento dos valores a título de distribuição de lucros, especificandose o meio utilizado e o momento em que ocorreu o pagamento, não bastando para tanto a simples informação em comprovante anual de rendimentos, livros contábeis e DIPJ.
AUMENTO PATRIMONIAL. MÚTUOS ENTRE ASCENDENTES E DESCENDENTES
A alegação da existência de recursos provenientes de empréstimos concedidos pelo pai, para justificar acréscimo patrimonial, deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência dos numerários, mediante apresentação de documentação hábil e idônea.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE.
A quantia correspondente a dinheiro em espécie constante da declaração de bens do contribuinte somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa Selic, encontra amparo na legislação tributária, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais.
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO.
Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 2402-013.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por não atingir o limite de alçada e, em relação ao recurso voluntário, conhecê-lo integralmente, rejeitar a prejudicial de decadência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Gregório Rechmann Junior – Relator
Assinado Digitalmente
Rodrigo Duarte Firmino – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Costa Loureiro Solar (substituta integral), Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria e Rodrigo Duarte Firmino.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 29 09:00:01 UTC 2025
anomes_sessao_s : 202510
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão, que exonerou o sujeito passivo de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada, o qual deve ser aferido na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no ano-calendário, tem início na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. A apresentação de declaração, desacompanhada de documentação comprobatória, não é suficiente para confirmar a inexistência de desembolsos considerados conforme Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO. Somente pode ser distribuído, com isenção do imposto de renda, valor maior que o lucro presumido do período quando se comprovar que o lucro contábil excedeu o presumido, mediante levantamento dos demonstrativos contábeis com observância da legislação comercial. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. A isenção do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, que beneficia titular ou sócio de empresa tributada com base no lucro presumido, carece de comprovação do efetivo recebimento dos valores a título de distribuição de lucros, especificandose o meio utilizado e o momento em que ocorreu o pagamento, não bastando para tanto a simples informação em comprovante anual de rendimentos, livros contábeis e DIPJ. AUMENTO PATRIMONIAL. MÚTUOS ENTRE ASCENDENTES E DESCENDENTES A alegação da existência de recursos provenientes de empréstimos concedidos pelo pai, para justificar acréscimo patrimonial, deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência dos numerários, mediante apresentação de documentação hábil e idônea. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. A quantia correspondente a dinheiro em espécie constante da declaração de bens do contribuinte somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa Selic, encontra amparo na legislação tributária, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO. Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial, salvo quando existir depósito no montante integral.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_processo_s : 13896.002830/2009-22
anomes_publicacao_s : 202511
conteudo_id_s : 7316412
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2025
numero_decisao_s : 2402-013.203
nome_arquivo_s : Decisao_13896002830200922.PDF
ano_publicacao_s : 2025
nome_relator_s : GREGORIO RECHMANN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13896002830200922_7316412.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por não atingir o limite de alçada e, em relação ao recurso voluntário, conhecê-lo integralmente, rejeitar a prejudicial de decadência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Gregório Rechmann Junior – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Costa Loureiro Solar (substituta integral), Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria e Rodrigo Duarte Firmino.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2025
id : 11130592
ano_sessao_s : 2025
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 29 09:42:32 UTC 2025
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1850117319096795136
conteudo_txt : Metadados => date: 2025-11-21T13:49:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-11-21T13:49:00Z; Last-Modified: 2025-11-21T13:49:00Z; dcterms:modified: 2025-11-21T13:49:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-11-21T13:49:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-11-21T13:49:00Z; meta:save-date: 2025-11-21T13:49:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-11-21T13:49:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-11-21T13:49:00Z; created: 2025-11-21T13:49:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; Creation-Date: 2025-11-21T13:49:00Z; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-11-21T13:49:00Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13896.002830/2009-22 ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 10 de outubro de 2025 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES FAZENDA NACIONAL E ÁLVARO DE JESUS TOMAS FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão, que exonerou o sujeito passivo de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada, o qual deve ser aferido na data de sua apreciação em segunda instância, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no ano- calendário, tem início na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe Fl. 1312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 2 margem a dúvida. A apresentação de declaração, desacompanhada de documentação comprobatória, não é suficiente para confirmar a inexistência de desembolsos considerados conforme Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO. Somente pode ser distribuído, com isenção do imposto de renda, valor maior que o lucro presumido do período quando se comprovar que o lucro contábil excedeu o presumido, mediante levantamento dos demonstrativos contábeis com observância da legislação comercial. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. A isenção do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, que beneficia titular ou sócio de empresa tributada com base no lucro presumido, carece de comprovação do efetivo recebimento dos valores a título de distribuição de lucros, especificandose o meio utilizado e o momento em que ocorreu o pagamento, não bastando para tanto a simples informação em comprovante anual de rendimentos, livros contábeis e DIPJ. AUMENTO PATRIMONIAL. MÚTUOS ENTRE ASCENDENTES E DESCENDENTES A alegação da existência de recursos provenientes de empréstimos concedidos pelo pai, para justificar acréscimo patrimonial, deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência dos numerários, mediante apresentação de documentação hábil e idônea. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. A quantia correspondente a dinheiro em espécie constante da declaração de bens do contribuinte somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa Selic, encontra amparo na legislação tributária, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO. Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 3 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por não atingir o limite de alçada e, em relação ao recurso voluntário, conhecê- lo integralmente, rejeitar a prejudicial de decadência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Gregório Rechmann Junior – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gregório Rechmann Junior, João Ricardo Fahrion Nüske, Luciana Costa Loureiro Solar (substituta integral), Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria e Rodrigo Duarte Firmino. RELATÓRIO Trata-se de recurso de ofício e de recurso voluntário interpostos em face da decisão da 21ª Turma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão 12-60.461 (p. 1.067), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Na origem, trata-se de Auto de Infração (p. 879) com vistas a exigir débito do imposto de renda pessoa física em decorrência da constatação, pela fiscalização, das seguintes infrações cometidas pelo Contribuinte: - Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado pagos a Sócio ou Acionista no valor total de R$ 60.830,56, sendo aplicada a multa de 75%; - Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF no valor de R$ 2.027.211,00, sendo aplicada a multa de 75%; e - Acréscimo Patrimonial a Descoberto no valor de R$ 3.399.944,44, sendo aplicada a multa qualificada de 115%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (p. 852), tem-se, em síntese, que a Fiscalização apurou os seguintes fatos: Fl. 1314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 4 1) Lucros e Dividendos Recebidos - Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido Intimado a informar a origem dos lucros e dividendos recebidos no ano-calendário 2004, no valor total de R$ 2.586.535,70, conforme informado na Declaração de Ajuste Anual - DAA, assim como a apresentar documentação comprobatória do pagamento, pelas fontes pagadoras, e do recebimento desses valores, pelo sujeito passivo, o mesmo informou ter recebido, conforme correspondência datada de 24/04/09, a quantia de R$ 214.900,00 da empresa ADR, "aproximadamente" R$ 1.511.522,00 da empresa CMS e "aproximadamente" R$ 848.100,00 da empresa CMSA, totalizando R$ 2.574.522,00, restando o valor de cerca de R$ 12.013,70 (R$ 2.586.535,70 - R$ 2.574.522,00 = R$ 12.013,70) a esclarecer. Ao ser confrontado, mediante Termo de Intimação Fiscal, com as informações de lucros distribuídos existentes na escrituração contábil da ADR e da CMS, assim como na informação de lucros e dividendos distribuídos declarados pelas mesmas nas respectivas DIPJ entregues à RFB, pertinentes ao ano-calendário 2004, o sujeito passivo retificou as informações prestadas, conforme correspondência recebida em 16/07/09, informando que recebeu a título de distribuição de lucros: a) R$ 114.100,00 da empresa ADR; b) R$ 442.365,50 da empresa CM; e. c) Dividendos de R$ 2.027.211,00 da empresa CMS, em decorrência de aumento de capital da empresa integralizado com reservas de capital. Logo, o montante informado de lucros e dividendos recebidos passou a totalizar R$ 2.583.676,50, restando diferença a esclarecer no valor de R$ 2.859,20 (R$ 2.586.535,70 - R$ 2.583.676,50 = R$ 2.859,20), em relação ao total originalmente informado na Declaração de Ajuste Anual. 1.1 Distribuição de Lucros - Empresa ADR De acordo com a 4ª Alteração do Contrato Social da ADR, o sujeito passivo ingressou no quadro societário da empresa em 07/04/04, adquirindo 35% do capital social. A Fiscalização constatou, através do exame dos Livros Diário e Razão da ADR, que foram escriturados os pagamentos de lucros e dividendos ao sujeito passivo, relativos ao ano-calendário 2004, nas datas e valores abaixo, mediante lançamentos a crédito da conta "Caixa Geral", código 1.1.1.01.0001, e a débito da conta "Álvaro de Jesus Tomas", código 2.4.3.01.0005: Explica o Fisco que a ADR adotou no ano-calendário 2004 o regime tributário do Lucro Presumido, conforme DIPJ apresentada à RFB, e constatou, através do Fl. 1315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 5 exame da escrituração contábil fornecida pela empresa, que não foram levantados balancetes mensais no período de Abril a Dezembro de 2004 para apuração de seu resultado contábil mensal. Corroborando essa constatação observou no Livro Razão que as contas de receitas e despesas, grupos contábeis 3 e 4, foram transferidas para a conta "Resultado do Exercício", código 6.1.1.01.0001, mediante um único lançamento do saldo das mesmas na data de 31/12/04. Diante da ausência de apuração contábil mensal do resultado da ADR, concluiu a autoridade fiscal que não há amparo para a distribuição de lucros mensalmente aos sócios no período de Abril a Dezembro de 2004, tal como foi praticado pela empresa. Nos termos do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 93/97, o lucro presumido passível de distribuição, sem incidência de imposto, limita-se ao valor da base de cálculo do imposto diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica. A parcela de lucros excedentes a esse valor somente é passível de distribuição, sem incidência de imposto, desde que a empresa tivesse demonstrado, através da sua escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo foi maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do lucro presumido. Dessa forma, com base nos dados da base de cálculo do imposto, do IRPJ e da CSLL a pagar transcritos da DIPJ, e de PIS e COFINS a pagar lançados na escrituração contábil da empresa, a Fiscalização apurou na tabela à fl. 860 o valor do lucro distribuível ao contribuinte sem incidência de imposto (R$ 53.269,44), considerado sua participação de 35% (trinta e cinco por cento) no capital da ADR. Diante do exposto, os valores de lucros pagos ao sujeito passivo pela ADR, em excesso àquele calculado à fl. 860, no montante de R$ 60.830,56 (R$ 114.100,00 - R$ 53.269,44 = R$ 60.830,56), sujeitaram-se à tributação. 1.2 Distribuição de Lucros - Empresa CMS O fisco constatou, através do exame dos Livros Diário e Razão da CMS, que foram escriturados os pagamentos de lucros e dividendos a sócios, relativos à distribuição de lucros acumulados em 31/12/03, nas datas e valores abaixo, mediante lançamentos a crédito das contas "Banco Itaú S.A. Personalité", código 101.022-0, e "Banco Itaú S.A.", código 101.007-7, e a débito da conta "Lucros Acum. Dez. 2003", código 290.612-0: Fl. 1316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 6 Esclarece que os registros contábeis não contêm informação relativa aos montantes que cada sócio recebeu individualmente. Todavia, na DIPJ consta que o sujeito passivo recebeu lucros e dividendos no valor de R$ 442.365,50, correspondente a sua participação de 50% no capital da empresa. Este foi intimado em duas oportunidades, a comprovar o efetivo recebimento dos lucros distribuídos pela empresa CMS em 2004, mediante a exibição de extratos bancários, comprovantes de depósitos, cópias de cheques, etc. A empresa CMS também foi intimada a comprovar o efetivo pagamento dos lucros a favor do sócio através do Termo de Intimação Fiscal n° E-08 (fls. 342 a 344), mediante apresentação de cópias de transferências eletrônicas de fundos, cópias de TEDs, DOCs, cheques, etc. Através do anexo ao citado termo, foram apontados inconsistências entre os valores contabilmente escriturados a título de distribuição de lucros aos sócios e os correspondentes lançamentos desses pagamentos nos extratos bancários da CMS, e, dessa forma, foram solicitados esclarecimentos específicos para cada pagamento. Verificou-se que a distribuição de lucros efetuada nas datas de 06/09/04, 21/09/04, 04/11/04 e 21/12/04, totalizando R$ 185.000,00, dos quais o sujeito passivo teria recebido a parcela de 50%, correspondente a sua participação societária no capital da CMS, foi efetuada mediante TEDs (Transferências Eletrônicas de Fundos) para a contracorrente n° 73484-2 da agência n° 1185 do Banco Itaú S.A., conforme histórico dos extratos bancários. Ocorre que referida contracorrente não corresponde à conta de titularidade do sujeito passivo mantida no Banco Itaú S.A., de acordo com informe fornecido pelo mesmo, o qual demonstra que o sujeito passivo manteve a contracorrente nº 52900-4 na agência n° 0152 do citado banco. Apesar de solicitados a fazê-lo, o sujeito passivo e a CMS não forneceram documentação comprobatória da titularidade da conta-corrente destinatária das transferências. Não foram identificados pela CMS os beneficiários dos pagamentos de lucros mediante TEDs, nas datas de 02/08/04, 25/08/04, 10/09/04, 24/11/04, 01/12/04 e 22/12/04, totalizando R$ 524.741,00, dos quais o sujeito passivo teria recebido o equivalente a 50%. Adicionalmente, a Fiscalização apontou diversas inconsistências relativas aos pagamentos de lucros mediante TEDs, conforme subitens 2.3, 2.4 e 2.5, do Termo de Intimação Fiscal n° E-08 (fls. 342 a 348), solicitando esclarecimentos a respeito, os quais não foram fornecidos pela empresa. Relativamente à distribuição de lucros realizada na data de 01/11/04, no valor de R$ 50.000,00, a qual foi efetuada mediante a TED n° 270189, conforme extrato bancário, foi recebida cópia do DOC de mesmo número (e não TED) através da correspondência do sujeito passivo datada de 15/06/09. Constatou-se que o beneficiário da transferência de recursos foi a empresa Ornare Comércio e Serv. Ltda. Apesar de a Fiscalização ter intimado a CMS a esclarecer a razão pela qual o pagamento à Ornare foi contabilizado como distribuição de lucros aos sócios, Fl. 1317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 7 conforme subitem 2.6 do Termo de Intimação Fiscal n° E-08, a mesma nada informou a respeito. Relativamente à distribuição de lucros realizada na data de 07/12/04, no valor de R$ 82.000,00, mediante cheque depositado pelo beneficiário e compensado, conforme histórico do extrato bancário, foi solicitado cópia do mesmo, a qual não foi fornecida pela CMS. Através da correspondência datada de 09/10/09 o contribuinte forneceu cópia de 6 (seis) DOCs relativos a transferências de recursos efetuadas pela CMS que corresponderiam à distribuição de lucros aos sócios. A correspondência informa ainda que Note que existem comprovantes aonde foram depositados diretamente a fornecedores por compra de mercadoria, feito assim para evitar cobrança de CPMF. Também aparece como credor em outros o meu pai, aonde no caso ele era o titular de conta conjunta. Os dados dos DOCs referidos estão sumarizados abaixo: Da tabela acima, constatou-se que o sujeito passivo não foi o beneficiário de nenhum desses pagamentos. A justificativa do mesmo, relativamente à distribuição de lucros a terceiros (Empresas Ornare e Decorbanho) e não aos sócios, foi no sentido de ser uma forma de evitar a incidência da CPMF, pois tais valores foram destinados a cumprimentos de suas obrigações pessoais. Argumenta a Fiscalização que tal justificativa não pode ser aceita uma vez que não há prova documental de que os sócios receberam os lucros. Para evitar a incidência da CPMF, e comprovar o regular recebimento de lucros pelos sócios, bastaria que a CMS emitisse cheques nominativos aos sócios, os quais, por sua vez, os endossariam aos beneficiários finais. Adicionalmente, os DOCs dos pagamentos efetuados nas datas de 25/08/04, 24/11/04 e 01/12/04, nos valores de, respectivamente, R$ 245.000,00, R$ 200.000,00 e R$ 53.000,00 não coincidem com os valores dos lucros pagos nas mesmas datas, nos valores de, respectivamente, R$ 174.500,00, R$ 91.500,00 e R$ 52.000,00. Tendo em vista que, apesar de intimados a fazê-lo, o sujeito passivo e a CMS não apresentaram documentação comprobatória do efetivo recebimento, pelo sujeito passivo, e do efetivo pagamento ao sujeito passivo, pela CMS, da distribuição de lucros declarada, a Fiscalização considerou como tendo sido efetivamente recebidos pelo sujeito passivo apenas as seguintes distribuições de lucros: a) efetuada na data de 02/09/04, no valor de R$ 20.000,00, mediante o cheque n° Fl. 1318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 8 00022, pago pelo banco através de seu caixa e não através do sistema de compensação bancária, conforme histórico do extrato bancário e b) efetuada na data de 07/12/04, no valor de R$ 18.000,00, mediante o cheque n° 00030, pago pelo banco através de seu caixa e não através do sistema de compensação bancária, conforme histórico do extrato bancário. Considerando-se o percentual de 50% de participação societária do sujeito passivo no capital da CMS, o fisco apurou o montante de R$ 19.000,00 ((R$ 20.000,00 + R$ 18.000,00) / 2 = R$ 19.000,00)), a título de lucros distribuídos pela CMS efetivamente recebidos pelo sujeito passivo. 1.3 Dividendos - Empresa CMS - Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF Na correspondência do sujeito passivo recebida pela Fiscalização em 16/07/09, o mesmo informou que em 2004 recebeu dividendos da CMS no valor de R$ 2.027.211,00, em decorrência do aumento de capital da empresa mediante a integralização de reservas de capital. Após efetuar as diligências descritas à fl. 863, concluiu o fisco que o aumento de capital mediante integralização de reservas de capital não corresponde a uma distribuição de lucros ou dividendos como o sujeito passivo pretendeu caracterizar, o que ocorreria na hipótese de o capital ter sido integralizado com reservas de lucros acumulados. Em decorrência o valor de R$ 2.027.211,00, informado pelo sujeito passivo, incorretamente, como lucros/dividendos recebidos de CMS, que se qualificariam como rendimentos isentos e não tributáveis, foi reclassificado para rendimentos recebidos de pessoa jurídica sujeitos à tributação. 1.4 Outros Valores Recebidos Conforme comprovantes apresentados, o sujeito passivo fez jus a rendimentos correspondentes a juros de capital próprio distribuídos por empresas de capital aberto no montante total, líquido do IRRF, no valor de R$ 3.530,88, conforme tabela constante do item 3.1.4 à fl. 864. Referidos valores foram classificados como Rendimentos Sujeitos a Tributação Exclusiva. Todavia, o mesmo declarou incorretamente o valor de R$ 2.559,20, correspondente ao valor total de juros pagos + juros declarados e não pagos por Confab Industrial (R$ 2.521,95 + R$ 37,25 = R$ 2.559,20), como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, adicionando- os ao montante de lucros recebidos. A Fiscalização efetuou de oficio as necessárias reclassificações e ajustes. Conclusão - 1) Lucros e Dividendos Recebidos - Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido Em suma do valor de R$ 2.586.535,70 declarado como lucros e dividendos recebidos pelo contribuinte, a Fiscalização manteve os seguintes valores: Fl. 1319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 9 Relativamente à diferença (R$ 2.586.535,70 - R$ 72.269,44 = R$ 2.514.266,26) temos: R$ 60.830,56 foram distribuídos por ADR em excesso ao limite de lucro presumido apurado; R$ 423.365,50, que teriam sido distribuídos por CMS, não há comprovação de recebimento desse valor pelo sujeito passivo; R$ 2.027.211,00, que teriam sido distribuídos por CMS, não correspondem ao pagamento de lucros/dividendos; R$ 2.559,20 correspondem a rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e para a diferença de R$ 300,00 não foi informada a fonte pagadora e/ou comprovado seu recebimento. 2) Variação Patrimonial a Descoberto A Fiscalização apurou a ocorrência de variação patrimonial a descoberto do sujeito passivo no ano-calendário 2004, em função do ajuste no valor dos lucros/dividendos declarados e da análise da variação no valor dos diversos itens informados pelo mesmo na Declaração de Bens e Direitos e no quadro de Dívidas e Ônus Reais da Declaração de Ajuste Anual do IRPF, assim como no valor de rendimentos declarados pelo sujeito passivo conforme detalhado a seguir: 2.1 Aquisição de Participação Societária na CMSA - Item 14 da Decl. Bens e Item 02 de Dívidas O sujeito passivo declarou a aquisição em 2004 de participação societária na CMSA pelo valor de R$ 6.000.000,00 e dívida relativa a essa aquisição nesse mesmo montante, conforme item 14 da declaração de bens e item 02 do quadro de dívidas e ônus reais. A alteração contratual da CMSA Anhanguera fornecida através da correspondência do sujeito passivo recebida em 16/07/09, informa em seus itens I e III, que as quotas cedidas e transferidas por Administração e Participações Walter Torre Jr. Ltda., CNPJ nº 58.338.427/0001-84, no valor de R$ 6.000.000,00, ao sujeito passivo, receberam "ampla e total quitação" do cedente, não existindo, pois, dívida a ser saldada. A empresa Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ n° 58.358.995/001-47, sucessora de Administração e Participações Walter Torre Jr. Ltda., forneceu cópia do instrumento particular celebrado entre esta última e o sujeito passivo. Na cláusula primeira desse instrumento verifica-se que a cessão das quotas da CMSA, pelo preço de R$ 6.000.000,00, deveria ser paga em 60 parcelas mensais no valor de R$ 100.000,00 cada uma, vencendo-se a primeira 30 dias da data de assinatura do instrumento, ocorrida em 10/02/04, e sujeita à correção anual pela variação do IGP-M da FGV. Relativamente aos pagamentos já recebidos do sujeito passivo a Montecchio informou estar "diligenciando na obtenção da documentação contábil solicitada". Reintimada a fornecer as Fl. 1320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 10 informações faltantes, através do Termo de Intimação Fiscal n° E-07, a empresa não atendeu ao solicitado. Através da correspondência datada de 03/08/09 o sujeito passivo informou que não havia dívida pendente com Walter Torre Jr. Ltda., mas existia uma dívida no valor de R$ 6.000.000,00 com seu pai, sem, contudo, apresentar documentação comprobatória. Foi examinada a declaração de ajuste anual de Jacob da Silva Tomas e constatou-se que o mesmo não declarou a existência de crédito contra o sujeito passivo no valor de R$ 6.000.000,00 na data de 31/12/04. Desta forma, alegou o fisco estar documentalmente materializado que o sujeito passivo possuía dívida com Administração e Participações Walter Torre Jr Ltda. e não com o Sr. Jacob da Silva Tomas como informado na correspondência. Ainda, de acordo com o documento, o sujeito passivo deveria ter pagado a quantia de R$ 1.000.000,00 ao credor, no ano-calendário 2004. Em função das informações obtidas junto ao real credor do sujeito passivo, Montecchio do Brasil, sucessora de Admin. e Particip. Walter Torre Jr. Ltda., a Fiscalização lançou, na planilha de reconstituição de usos e fontes de fundos para apuração da variação patrimonial, a título de saídas, as prestações devidas a Adm. e Part. Walter Torre Jr. Ltda., no valor de R$ 100.000,00 cada, nos meses de Março a Dezembro de 2004, totalizando desembolsos no valor de R$ 1.000.000,00. O valor do saldo dessa obrigação foi reduzido em valor equivalente ao da amortização. 2.2 Aumento de Capital da CMS - Item 03 da Decl. Bens O sujeito passivo declarou incremento no valor de R$ 4.652.211,00 na sua participação societária na CMS, que passou de R$ 900.000,00 em 31/12/03 para R$ 5.552.211,00 em 31/12/04, conforme item 03 da declaração de bens. R$ 2.027.211,00 seriam derivados de aumento de capital mediante integralização com reservas, tópico descrito no item Dividendos - Empresa CMS - Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF, e R$ 2.625.000,00 seriam derivados de aumento de capital integralizado em dinheiro. A 10a Alteração do Contrato Social da CMS, datada de 26/08/04 e registrada em 14/09/04 na JUCESP sob o nº 407.981/04-4, foi promovida para, entre outros assuntos, aprovar o aumento do capital social da empresa no valor de R$ 5.250.000,00, passando o mesmo de R$ 5.000.000,00 para R$ 10.250.000,00. De acordo com o documento o aumento foi totalmente integralizado mediante conversão de empréstimos de sócios, nas mesmas proporções que cada um já detinha anteriormente no capital social, cabendo ao sujeito passivo a conversão de empréstimos no valor de R$ 2.625.000,00 em capital. Analisando-se os Livros Diário e Razão da CMS, relativos a 2004, verificou-se que o saldo da conta do passivo n° 263.005-2 - Empréstimos de Sócios em 31/12/03 era de R$ 1.400.000,00 credor. No mês de Janeiro de 2004 foram contabilizados três novos empréstimos dos sócios, no valor global de R$ 4.150.000,00, elevando o Fl. 1321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 11 saldo de empréstimos a pagar aos sócios para R$ 5.550.000,00 em 31/01/04, conforme lançamentos à fl. 06 do Livro Diário - Jan/04 e fl. 05 do Livro Razão. Em 30/04/04, 31/05/04 e 30/06/04, a empresa pagou ao sócio Jacob da Silva Tomas parte dos empréstimos, totalizando R$ 300.000,00, conforme lançamentos às fls. 05, 06 e 07 do Livro Diário e fls. 23, 29 e 36 do Livro Razão, reduzindo o saldo a pagar de empréstimos dos sócios para R$ 5.250.000,00 em 30/06/04. Em 26/08/04 o saldo total da conta empréstimos dos sócios foi utilizado para integralização do aumento de capital, conforme lançamento à fl. 10 do Livro Diário e fl. 56 do Livro Razão. A contabilidade da CMS não informa o valor dos empréstimos que cada sócio, individualmente considerado, efetuou à empresa, pois a respectiva conta contábil é global. Todavia, tendo em vista que a conversão dos empréstimos em capital resultou na subscrição e integralização pelos sócios no valor de R$ 2.625.000,00 cada um, foi possível inferir que do saldo de empréstimos dos sócios existente em 31/12/03, no valor total de R$ 1.400.000,00, R$ 550.000,00 foram efetuados pelo sujeito passivo e R$ 850.000,00 foram efetuados pelo sócio Jacob da Silva Tomas. Em janeiro de 2004, cada sócio efetuou empréstimos no valor total de R$ 2.075.000,00, e apenas o sócio Jacob da Silva Tomás recebeu pagamentos de empréstimos no valor total de R$ 300.000,00, conforme a contabilidade da CMS. Através dos subitens 4.1.1 a 4.1.3 do Termo de Intimação Fiscal nº 05, intimou-se o sujeito passivo a informar os valores dos empréstimos efetuados à CMS, assim como esclarecer a origem dos recursos para realização dos mesmos, fornecendo documentação comprobatória. Através da correspondência recebida em 16/07/09, o sujeito passivo informou que não possuía empréstimos à CMS em 31/12/03 e que não efetuou empréstimos à empresa em 2004. Apesar da negativa inicial do sujeito passivo de que teria efetuado empréstimos à CMS, a contabilização dos mesmos nos Livros Diário e Razão e o aumento de capital integralizado com os empréstimos são provas de sua existência. Em decorrência, a Fiscalização lançou na apuração da variação patrimonial o desembolso no valor total de R$ 2.075.000,00 em Janeiro/2004, a título de empréstimos para a CMS. Adicionalmente, retificou de oficio a declaração de bens do sujeito passivo em 31/12/03, para incluir o valor do empréstimo à CMS no montante de R$ 550.000,00, conforme demonstrado. 2.3 Aquisição de Participação Societária na ADR - Item 16 da Decl. Bens e Itens 03 e 05 de Dívidas O sujeito passivo declarou a aquisição em 2004 de participação societária na ADR pelo valor de R$ 927.500,00, conforme item 16 da declaração de bens. De acordo com a 4ª Alteração do Contrato Social da ADR, o sujeito passivo adquiriu a participação societária na empresa em 07/04/04, de Jacob da Silva Tomas, CPF nº 024.905.528-72, pai do contribuinte, mediante a emissão de notas promissórias pro-soluto a favor do cedente, no mesmo montante da aquisição. Todavia, constatou-se que na Declaração de Bens e Direitos da Declaração de Ajuste Anual, Fl. 1322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 12 ano-calendário 2004, de Jacob da Silva Tomás, o mesmo declarou a venda da participação pelo valor de apenas R$ 700.000,00 e declarou ser titular de crédito nesse mesmo valor contra o sujeito passivo. No item 03 do quadro de Dívidas e Ônus Reais da Declaração de Ajuste Anual o sujeito passivo informou a existência, em 31/12/04, de obrigação relativa à aquisição de quotas da ADR no valor de R$ 227.500,00, sem informar nome e CNPJ/CPF do credor. Informou igualmente dívida junto a Jacob da Silva Tomas no valor de R$ 700.00,00, conforme item 05 do quadro de Dividas, sem, porém, indicar que era derivada da aquisição de quotas da ADR. Após ser intimado a apresentar instrumento/documentação comprobatória relativa à dívida/ônus no valor de R$ 227.500,00, informou: "A dívida foi contraída junto ao meu pai, não existindo assim documentação". Logo, a Fiscalização considerou como inexistente a dívida declarada pelo sujeito passivo, excluindo-a das fontes de recursos na apuração da variação patrimonial do mesmo. Em conseqüência, a Fiscalização alocou o pagamento do saldo do valor de aquisição das quotas da ADR, no montante de R$ 227.500,00 (Valor Total de Aquisição de R$ 927.500,00 - Valor da Dívida em 31/12/04, de R$ 700.000,00 = R$ 227.500,00) no mês de Dezembro de 2004, no demonstrativo de apuração da variação patrimonial. 2.4 Dívida no Valor de R$ 1.650.000,00 a favor de Jacob da Silva Tomas - Item 04 de Dívidas O sujeito passivo declarou a existência de dívida no valor de R$ 1.650.000,00 junto a Jacob da Silva Tomas na data de 31/12/04, conforme item 04 do quadro de Dívidas e Ônus Reais, a qual teria sido contraída durante o referido ano- calendário. Constatou-se que o Sr. Jacob da Silva Tomas informou em sua declaração de ajuste anual a existência em 31/12/04 de crédito contra o sujeito passivo no valor de R$ 1.650.000,00 (item 81 da Declaração de Bens e Direitos). A discriminação desse item informa: "Crédito com Álvaro de Jesus Tomas, portador do CPF n° 060.629.828-21, referente à venda de quotas da empresa A.D.R. Adm. Particip. Ltda. - Brasil". No item 80 da Declaração de Bens do Sr. Jacob da Silva Tomas, o mesmo declarou a existência de um outro crédito contra o sujeito passivo, no valor de R$ 700.000,00, também referente à venda de quotas da ADR. O somatório dos itens 80 e 81 da Declaração de Bens acima referida resulta num crédito contra o sujeito passivo no valor de R$ 2.350.000,00 (R$ 1.650.000,00 + R$ 700.000,00), relativo à transação de alienação das quotas da ADR. Todavia, como demonstrado no item anterior, a participação societária que Jacob da Silva Tomas detinha na ADR foi cedida ao sujeito passivo pelo valor de R$ 927.500,00, como informa a Alteração Contratual pertinente, e não R$ 2.350.000,00. Apesar de intimado em duas oportunidades a comprovar documentalmente a origem e o efetivo recebimento do montante declarado, não atendeu a nenhuma solicitação. Logo, a Fiscalização considerou como inexistente a dívida declarada Fl. 1323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 13 pelo sujeito passivo, excluindo-a das fontes de recursos na apuração da variação patrimonial do mesmo. 2.5 Numerário Disponível em 31/12/03 - Item 05 da Decl. Bens Através do subitem 1.3 do Termo de Intimação Fiscal n° 05, intimou-se o sujeito passivo a "Informar a origem da quantia de R$ 800.000,00 (item 05 da declaração de bens) declarada como disponível na data de 31/12/03, fornecendo prova inequívoca da existência da mesma (comprovante de resgate de aplicação financeira/saque de conta-corrente bancária, instrumento de alienação de bem/direito com recebimento em dinheiro, etc.)". Através da correspondência recebida em 16/07/09 o sujeito passivo informou que a disponibilidade em dinheiro era proveniente de diversos saques no decorrer do exercício. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 06 intimou-se novamente o sujeito passivo com o alerta de que a quantia correspondente a dinheiro em espécie constante da declaração de bens somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência. O sujeito passivo não forneceu a documentação solicitada. Em decorrência, a Fiscalização desconsiderou o valor de R$ 800.000,00 como fonte de recursos na apuração da variação patrimonial do sujeito passivo por inexistir comprovação inconteste da existência do numerário. 2.6 Crédito junto a José Carlos Teodoro de Oliveira, CPF 072.162.888-58 - Item 13 da Decl. Bens O sujeito passivo informou a existência de crédito no valor de R$ 114.100,00 junto a José Carlos Teodoro de Oliveira, constituído no decorrer de 2004, conforme item 13 da declaração de bens. Após expedições de Intimações e apresentação pelo contribuinte de cópias de cheques emitidos ela empresa ADR, bem como a análise dos livros fiscais desta empresa, a Fiscalização retificou o valor do crédito declarado junto a José Carlos Teodoro de Oliveira de R$ 114.100,00 para R$ 19.000,00. Explica o fisco que a redução no valor total do crédito é favorável ao sujeito passivo na apuração da variação patrimonial uma vez que diminui o valor das fontes de recursos a serem comprovadas. 2.7 Aquisição de imóvel - Item 11 da Decl. Bens Considerando que o contribuinte não contestou as alegações do Fisco sobre esse item, como se verá adiante, remete-se a leitura à fl. 872, onde os procedimentos e descrição dos fatos encontram-se relatados. Registre-se que esse procedimento será adotado nos demais itens não impugnados. 2.8 Saldo em Caderneta de Poupança no Banco 1 Net — item 09 da Decl. Bens Procedimentos e descrição dos fatos à fl. 873. 2.9 Saldo em Fundo de Investimento no Banco 1 Net — item 10 da Decl. Bens Fl. 1324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 14 O sujeito passivo informou que o saldo em fundos de investimento junto ao Banco 1 Net era de R$ 13.347,55 em 31/12/03 e estava "zerado" em 31/12/04, conforme item 10 da declaração de bens. Após obter os extratos bancários por meio de RMF, o fisco reconstituiu as movimentações em fundos de investimento efetuadas pelo sujeito passivo, conforme tabela à fl. 873, sendo que restou um saldo original aplicado no valor de R$ 18.000,00, que não foi informado pelo sujeito passivo em sua declaração de bens. Constatou-se também que o sujeito passivo não declarou os rendimentos isentos e não tributáveis derivados das aplicações em fundos de renda fixa no Banco 1, no valor total de R$ 526,76. Dessa forma, o saldo da aplicação em fundos de renda variável e os rendimentos obtidos com os fundos de renda fixa do Banco 1 foram considerados pela Fiscalização na elaboração do demonstrativo da variação patrimonial. 2.10 Saldo em Fundo de Investimento — Hedging Grifo — item 07 da Decl. Bens O sujeito passivo informou que o saldo em fundos de investimento junto à corretora de valores Heding Grifo era de R$ 27.241,77 em 31/12/03 e estava "zerado" em 31/12/04, conforme item 07 da declaração de bens. De acordo com o extrato da conta-corrente junto ao Banco 1, o resgate da aplicação ocorreu em 12/03/04, pelo valor de R$ 27.746,05, resultando em rendimentos isentos e não tributáveis no valor de R$ 504,28 (R$ 27.746,05 - R$ 27.241,77), os quais foram declarados pelo sujeito passivo em sua declaração de ajuste anual. 2.11 Alienação e Aquisição de Automóveis — itens 01, 08 e 15 da Decl. Bens Procedimentos e descrição dos fatos à fl. 874. 2.12 Demais Itens da Declaração de Bens e do Quadro de Dívidas e Ônus Reais - itens 04, 06 e 12 da Decl. Bens Procedimentos e descrição dos fatos às fls. 874 e 875. 2.13 Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica Procedimentos e descrição dos fatos à fl. 875 2.14 Rendimentos Isentos e Não Tributáveis Procedimentos e descrição dos fatos às fls. 875 e 876, sendo que a Fiscalização ajustou o valor dos lucros distribuídos pelas empresas ADR e CMS àquele descrito no item Lucros e Dividendos Recebidos do presente relatório. 2.15 Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva Procedimentos e descrição dos fatos às fl. 876 e 877. 2.16 Lucros Recebidos em Excesso ao Lucro Presumido Procedimentos e descrição dos fatos à fl. 877. Conclusão – Variação Patrimonial Fl. 1325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 15 Com base nos elementos descritos acima, e nos extratos bancários relativos à movimentação financeira do sujeito passivo junto ao Banco 1, a Fiscalização elaborou o Demonstrativo da Variação Patrimonial pertinente ao ano-calendário 2004, e apurou acréscimo patrimonial a descoberto conforme sumarizado na tabela à fl. 877. Agravamento da Multa A multa de oficio relativa à infração do acréscimo patrimonial a descoberto foi qualificada, majorada para o percentual de 112,50%, nos termos do Art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/96, face ao não atendimento da intimação para apresentação dos extratos bancários, os quais somente foram obtidos mediante RMF dirigida à instituição financeira. Cientificado do lançamento fiscal, o Contribuinte apresentou a sua competente defesa administrativa (p. 923), defendendo, em síntese, os seguintes pontos, conforme sumariamente descrito pela DRJ: Preliminar - Decadência Alega, preliminarmente, que o imposto de renda das pessoas físicas - IRPF é um tributo cuja exigibilidade sujeita-se ao lançamento pelo regime de homologação e, dessa forma, é evidente que a constituição do crédito tributário abrangendo o período de Janeiro a Novembro 2004, afigura-se viciada, posto que o mesmo está extinto. Explica que o IRPF, incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado e outros, devidos mensalmente, deixou de ter o condão de antecipação do imposto a ser apurado na declaração de rendimentos. É imposto efetivamente devido pela Pessoa Física beneficiária dos rendimentos no momento de sua efetiva percepção e, portanto, sujeito ao lançamento por homologação na forma do disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, o Imposto de Renda Pessoa Física deve ser tido e visto como o imposto exigido mensalmente do sujeito passivo direto da obrigação tributária, ou seja, o titular da disponibilidade econômica e jurídica do rendimento, o qual tem a obrigação de fazer, anualmente, um ajuste de contas com a Administração Tributária através da Declaração de Ajuste Anual, a fim de apurar eventuais saldos de imposto a pagar ou valor a ser restituído. Ao final de cada ano-calendário, o sujeito passivo tem apenas a obrigação acessória de apresentar a declaração anual de ajuste de contas. O imposto de renda exigido mensalmente na fonte não mais se alberga em nosso ordenamento jurídico-tributário vigente, como sendo antecipação do imposto a ser apurado na Declaração de Ajuste Anual. Trata-se, sim, de imposto efetivamente devido e pago pelo contribuinte em decorrência dos rendimentos auferidos mensalmente. O saldo do imposto a pagar apurado na Declaração de Ajuste Anual, compreende o complemento do imposto devido e exigido durante o ano-calendário sobre os rendimentos percebidos pelo beneficiário dos mesmos. Fl. 1326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 16 Conclui que é cristalino, portanto, que o prazo de 5 (anos), no caso do lançamento por homologação, deve ser contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, mensal Decorrido esse prazo, considera-se que o lançamento foi tacitamente homologado pela autoridade administrativa e o crédito tributário, definitivamente extinto. Dessa forma, é intolerável a pretensão da autoridade fiscal de transmutar o fato gerador da obrigação tributária, deslocando-o de cada um dos meses do ano-calendário de 2004, para o dia 31 de dezembro deste mesmo ano, considerando o débito vencido na data da entrega da Declaração de Ajuste Anual, ou seja, 29 de abril de 2004. A Declaração de Ajuste Anual é mera prestação de informações econômico-fiscais e não se presta a constituição do crédito tributário pelo lançamento na forma prescrita no art. 147 do CTN. 1) Lucros e Dividendos Recebidos - Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido 1.1 Distribuição de Lucros - Empresa ADR É totalmente descabida a pretensão da Fiscalização ao sugerir que a empresa, para ver a distribuição de lucros, esteja obrigada a levantar balancetes mensais. Não há legislação que obrigue a empresa tributada com base no Lucro Presumido, a promover o levantamento mensal de suas atividades econômico-financeiras, ainda que seja para propiciar a distribuição de lucros mensais. A disciplina legal contida no art. 48 da Instrução Normativa SRF no 93/07, em nenhum momento exige que o sujeito passivo seja obrigado a promover o levantamento de balancetes mensais a fim de promover a distribuição de lucros, ainda que por conta de resultados de período não encerrado. O Livro Diário da empresa ADR observou na escrituração de seus fatos econômico-financeiros os princípios de contabilidade geralmente aceitos e devidamente comprovados. Por obvio, é singular de que se houve distribuição mensal de lucro, houve apuração de resultado aonde as receitas e as despesas operacionais foram lançadas contra a conta de Resultado Econômico do Exercício, apurando-se, por conseqüência o lucro do período, no caso mensal, possibilitando o provisionamento do Lucro a Distribuir, como amplamente atestado na escrita contábil ofertada a Autoridade Fiscal. Por outro lado, a não apresentação do Balancete Analítico no período de Abril a Dezembro de 2004, não é motivo bastante para a Autoridade Fiscal descaracterizar as operações econômico-financeira-patrimoniais registradas no Livro Diário e Razão da empresa. Neste particular registre-se que a Autoridade Fiscal equivocou-se ao afirmar que não houve a apresentação do Balancete Analítico do mês de Dezembro/2004, pois dito balancete foi acostado aos autos às fls. 464 a 466, aonde se verifica que o total dos Lucros Acumulados soma a quantia de R$ 591.887,56 - fl. 466. Acresça-se que a Fiscalização acostou aos autos às fls. 467 a 469, o Balancete Analítico de encerramento do exercício social com o conseqüente encerramento de todas as contas de resultado, concluindo ter havido o Resultado do Período no montante de R$ 1.053.103,26 – fl. 469. Fl. 1327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 17 Registra que para a elaboração do Balancete Analítico do mês de Dezembro/2004, necessariamente os saldos anteriores ali apontados foram extraídos de balancete elaborado no mês anterior, ou seja Novembro/2004, e este, por sua vez, do mês de Outubro/2004, e, assim, sucessivamente. Por derradeiro, esclarece que o Razão Analítico n.° 09, acostado aos autos às fls. 483 a 553, resume fielmente e independentemente de balancetes mensais todas as operações realizadas pela empresa no curso do Ano-Calendário de 2004 e à fl. 525 sintetiza os lucros apurados contabilmente e distribuídos ao Impugnante. 1.2 Distribuição de Lucros - Empresa CMS Todas as distribuições foram levadas a débito da conta 290.612-0 - Lucros Acumulados - Dezembro de 2003 e a crédito das contas 101.022-0 - Banco Itaú S.A. Personalitte e 101.007-7 - Banco Itaú S.A., ou seja, os lucros foram pagos aos sócios através de saques em contas que a empresa CMS mantinha junto às citadas instituições financeiras. Os lucros distribuídos foram efetivamente pagos aos sócios da empresa CMS, os Srs. ÁLVARO DE JESUS TOMAS - Impugnante e JACOB DA SILVA TOMAS, na proporção de 50% (cinqüenta por cento) para cada um. Neste particular não há qualquer questionamento por parte da Fiscalização, pois reconhece o Autuante que os lucros foram efetivamente distribuídos, contudo insta o Impugnante a comprovar que os lucros que lhe foram distribuídos necessariamente transitaram por suas contas bancárias, desprezando outras formas de destinação dos lucros recebidos, como por exemplo, determinar que o valor que lhe foi devido seja transferido diretamente à terceiros a fim de cumprir com suas obrigações pessoais. Nos esclarecimentos prestados à Fiscalização em 09 de outubro de 2009 - fls. 253 a 255, em atenção ao Termo de Intimação Fiscal n.° 07, de 03 de setembro de 2009 - fls. 246 a 248, o Impugnante informou que, por sua conta e ordem, determinou que o lucro que lhe foi atribuído fosse direcionado diretamente à terceiro para cumprimento de obrigações pessoais. Confrontando-se o demonstrativo elaborado pela Fiscalização com base nas informações prestadas pelo Impugnante com os dados extraídos da contabilidade da CMS, verifica-se que os DOC's 308.552, datado de 10/09/2004, no valor de R$ 170.000,00 em favor de JACOB DA SILVA TOMAS; 157.783, datado de 01/12/04, no valor de R$ 53.000,00 em favor de ORNARE COM.E SERV. LTDA; 357.501, datado de 22/12/04, no valor de R$ 12.000,00 em favor de Decorbanho Acab.Ferragens Ltda. e 009254, datado de 28/12/04, no valor de R$ 4.990,00 em favor de JACOB DA SILVA TOMAS, coincidem em data e valor com os valores contabilizados a títulos de distribuição de lucros pela empresa CMS, conforme demonstrativo elaborado pela Fiscalização às fls. 827 dos autos. Os DOCs n°s 330.771, datado de 25/08/04, no valor de R$ 245.000,00 e 420.490, datado de 24/11/04, o valor de R$ 200.000,00 emitidos em favor do Sr JACOB DA SILVA TOMAS envolvem não só os lucros distribuídos nas mesmas datas como outros haveres do mesmo junto a empresa CMS. Fl. 1328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 18 Portanto, os valores descritos no demonstrativo elaborado pela Fiscalização às fls. 827 dos autos, totalizando a quantia de R$ 684.990,00, englobam parcelas de lucros atribuídos ao Impugnante e, como tal, deve ser reconhecido, ou seja, há que se acolher que a quantia de R$ 252.495,00 (174.500,00 + 170.000,00 + 91.500,00 + 52.000,00+ 12.000,00 + 4.990,00 = 504.990,00 : 2 = R$ 252.495,00), do total de R$ 442.365,50, corresponde a lucros que foram distribuídos ao Impugnante e por sua conta e ordem direcionados diretamente à terceiros em cumprimento de suas obrigações pessoais. No que se refere aos lucros distribuídos em 06/09/04, no valor de R$ 67.000,00; 21/09/04, no valor de R$ 73.000,00; 04/11/04, no valor de R$ 30.000,00 e 21/12/04, no valor de R$ 15.000,00, totalizando a quantia de R$ 185.000,00, cumpre esclarecer que atendendo o item 2.7 do Termo de Intimação E-08, datado de 03/09/09 - fls. 342, a empresa CMS - Empreendimentos Imobiliários Ltda à fl. 372, informou que a titular da conta 734.484-2 é a empresa TRITOM ENGENHARIA. Trata-se de lucro distribuído ao Impugnante que, por sua conta e ordem, foi transferido diretamente àquela empresa a fim de dar cumprimento a suas obrigações pessoais. Portanto e igualmente, 50% do valor acima, ou seja, R$ 92.500,00 deve ser considerado como lucro efetivamente distribuído ao Impugnante, ressaltando que não há nenhum impedimento legal para a adoção desta medida que teria o mesmo efeito da sugestão feita pela digna Autoridade Fiscal no sentido de se evitar a incidência da CPMF (fl. 828). Na ótica da Autoridade Fiscal, ao analisar a distribuição ocorrida no dia 7/12/04, só se comprova o lucro distribuído se houver apresentação da cópia do cheque. Relega-se a segundo plano a escrita contábil, a Declaração de Informações Econômico Fiscais e o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte elaborados sob a responsabilidade da empresa que promoveu a dita distribuição dos lucros. Finalmente, no que diz respeito à distribuição realizada no dia 01/11/04, no valor de R$ 50.000,00, a Fiscalização constatou que esse valor foi transferido diretamente para a empresa Ornare Comércio e Serv. Ltda., cujas razões já foram esclarecidas. 1.3 Dividendos - Empresa CMS - Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF Alega que o fato de ter informado equivocadamente como rendimentos isentos e não tributáveis, a título de lucros/dividendos recebidos de pessoa jurídica CMS - Empreendimentos Imobiliários Ltda., o montante de R$ 2.027.211,00, quando na realidade o mesmo decorre de aumento de capital com aproveitamento de Reservas de Capital, não autoriza a Autoridade Fiscal, em hipótese alguma, a reclassificá-los como rendimentos tributáveis e, como tal, submetê-los a tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. É evidente que não houve pagamento de rendimentos e muito menos o seu crédito em contas-correntes. Houve sim a distribuição de novas quotas de capital decorrente do aumento de capital com aproveitamento de reservas de capital, as Fl. 1329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 19 quais deveriam ter sido simplesmente informada no corpo da Declaração de Bens, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual. Por derradeiro é totalmente absurda e sem qualquer sustentação legal considerar o pretenso "Rendimento Tributável Recebido de PJ" como "Outros Recursos/Origens", no Demonstrativo de Variação Patrimonial - fl. 889 e, ao mesmo tempo, considerá-lo como "Aquisição de Bens e Direitos" pois em nenhum momento a Autoridade Fiscal provou ou comprovou que em decorrência do aumento de capital com aproveitamento de Reservas de Capital houve o ingresso de Ativos na empresa CMS - Empreendimentos Imobiliários Ltda. 2) Variação Patrimonial a Descoberto 2.1 Aquisição de Participação Societária na CMSA - Item 14 da Decl. Bens e Item 02 de Dívidas Fez constar em sua Declaração de Bens, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2005 - Ano-Calendário de 2004, a aquisição das referidas participações societárias no montante de R$ 6.000.000,00, entretanto acusou no campo Dívidas e Ônus Reais que devia idêntica quantia, sugerindo que naquele ano não houvera nenhum pagamento, o que de fato ocorreu - fl. 718. Ou seja, no curso do Ano-Calendário de 2004, o Impugnante não pagou nenhuma das parcelas devidas conforme consta do Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas firmado com a empresa Administração e Participações Walter Torre Jr Ltda., - fls. 408 e 409. Este fato está devida e comprovadamente atestado na Declaração firmada pela empresa Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda., anexada à fl. 1053. 2.2 Aumento de Capital da CMS - Item 03 da Decl. Bens Alega que não houve empréstimos de sócios e que todos os dados inseridos na contabilidade da empresa visaram, de forma equivocada e tecnicamente passível de críticas e objeções, regularizar a situação de imóveis nos registros contábeis da empresa. Aduz que constatou, no curso do Ano- Calendário de 2003, que o responsável pela elaboração da contabilidade da empresa houvera praticados atos que tornaram a sua escrita contábil praticamente imprestável sob todos os pontos de vista. Assim, resolveu determinar ao novo profissional responsável por sua escrita contábil, que promovesse um Balanço de Abertura em 1° de janeiro de 2004, a fim de ajustar sua situação econômico-financeira-patrimonial. No que diz respeito ao Ativo foram identificadas as disponibilidades existentes e os bens patrimoniais que compõem o Ativo Permanente - Investimentos e Imobilizado. No que se refere ao Passivo, com base nos dados disponíveis foram identificadas as obrigações inscritas no Passivo Circulante (obrigações trabalhistas e tributárias) e no que se refere ao Exigível a Longo Prazo o "Empréstimos de Sócios" no montante de R$ 1.400.000,00. A Fiscalização, equivocadamente, considerou que parte deste empréstimo, ou seja, R$ 550.000,00 foi feito pelo Impugnante o que é totalmente improcedente, tendo em vista que o aporte Fl. 1330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 20 destes recursos financeiros foi feito pelo sócio JACOB DA SILVA TOMAS (pai do Impugnante) e, prova disto está na sua Declaração de Bens, parte integrante da Declaração de Ajuste e Anual (fl. 724 – item 76). Ocorre que ao promover o inventário dos bens imóveis não foi observada a existência dos imóveis a seguir descritos: a) Largo do Arouche, adquirido por R$ 1.750.000,00 b) Rua Cardoso de Melo, adquirido por R$ 1.200.000,00, e c) Alameda Araguacema, adquirido por R$ 1.200.000,00. Verificada a inconsistência acima quando do levantamento do inventário dos bens imóveis para compor o Ativo Permanente, a empresa CMS, a fim de regularizar a situação acima, adotou procedimento contábil inadequado ou seja, no curso do mês de janeiro de 2004, debitou as contas 176.020-3 - Imóveis para Aluguel - Largo do Arouche; 176.023-8 - Imóveis para Aluguel - Rua Cardoso de Melo e 176.030-0 - Imóveis para Aluguel - Alameda Araguacema creditando a conta 263.005-2 - Empréstimos de Sócios - vide lançamento à fl. 561. Contudo, os imóveis já haviam sido adquiridos antes do Balanço de Abertura levantado em 1o de janeiro de 2004, conforme a seguir exposto: a) Imóvel sito no Largo do Arouche, adquirido pela quantia de R$ 1.750.000,00 - fls. 322 e 323 De acordo com a Escritura de fls. 322 e 323 datada de 02 de março de 2002, o HSBC Participações (Brasil) Ltda., alienou para CMS - Empreendimentos Imobiliários Ltda., um terreno situado no Largo do Arouche, pelo preço certo e ajustado de R$ 1.750.000,00, pagos da seguinte forma: R$ 526.000, pagos no ato da assinatura da Escritura em moeda corrente nacional e R$ 1.224.000,00 pagos em 12 parcelas fixas, mensais e consecutivas, no valor de R$ 102.000,00 cada uma, vencendo-se a primeira 30 dias a contar da lavratura da citada escritura. Ou seja, o saldo devedor foi pago no período de Abril de 2002 a Março de 2003. Logo, não seria possível que um imóvel adquirido a 1 (um) ano e 10 (dez) meses antes e totalmente quitado, possa ser novamente adquirido em 02 de janeiro de 2004, com recursos advindos de empréstimos de sócios. b) Imóveis sito na Rua Cardoso de Melo, adquiridos pela quantia de R$ 1.200.000,00 - fls. 323 e 324 De acordo com a Escritura Pública de Venda e Compra lavrada pelo 9° Tabelião de Notas da Capital - Estado de São Paulo, a ECONOMUS alienou à empresa C.M.S. os imóveis ali descritos pelo preço certo e ajustado de R$ 1.200.000,00 Muito embora a Escritura Pública de Venda e Compra tenha sido lavrada no dia 06 de janeiro de 2004, data da sua contabilização, fl. 562, há de se observar a Cláusula 2.2 da Escritura, que diz que a operação de compra e venda foi realizada em período anterior a 6 de janeiro de 2004 e, positivamente, em anos anteriores. Fl. 1331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 21 Se dúvida houver quanto a esta afirmação, nada impede que se converta o julgamento em diligência a fim de atestar junto a vendedora as datas do efetivo recebimento. c) Imóvel sito na Alameda Araquacema, adquirido pela a quantia de R$ 1.200.000,00 - fls. 335 a 341 A Escritura de Compra e Venda lavrada no dia 6 de junho de 2004, no Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas em Pirapora do Bom Jesus – Estado de São Paulo, atesta, prova e comprova que este imóvel foi adquirido de CLOVIS SALIONI e sua mulher RUYMAR DE MAGALHÃES SALIONI, através de instrumento particular firmado em 29 de novembro de 2002, pelo preço certo e ajustado de R$ 500.000,00, conforme consta na letra "b" do item II da referida escritura (fls. 336 e 337). Portanto, o imóvel acima descrito não foi adquirido em 02 de janeiro de 2004, conforme registrado nos assentamentos contábeis em empresa CMS – Empreendimentos Ltda. e, que por conseqüência, não teria ocorrido os aludidos empréstimos. Registra que no momento da contabilização a empresa ajustou seu valor de aquisição ao preço de mercado, daí a diferença entre o valor da escritura e o valor que lhe foi atribuído na contabilidade. Por derradeiro, ressalta que se a empresa CMS – Empreendimentos Imobiliários Ltda., ao promover o seu Balanço de Abertura levantado em lº de janeiro de 2004, tivesse incluído os imóveis acima no rol daqueles que compuseram o seu Ativo Permanente – Investimentos – Imóveis para aluguel, o valor de aquisição no montante de R$ 4.150.000,00, teria indubitavelmente como contra partida a conta "Reservas de Capital", única forma de manter a equação patrimonial. Conclui que está devidamente provado e comprovado que as operações de empréstimos objeto dos lançamentos contábeis registrados no Livro Diário – mês de Janeiro/2004, após o balanço de Abertura levantado em lº de janeiro do mesmo ano, são totalmente inexistentes e decorreram de um ajuste contábil inadequado, devendo, por conseqüência serem excluídos do Demonstrativo de Variação Patrimonial a título de DÍVIDAS PAGAS NO MÊS — EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS À TERCEIROS – fl. 889. 2.3 Aquisição de Participação Societária na ADR - Item 16 da Decl. Bens e Itens 03 e 05 de Dívidas Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.4 Dívida no Valor de R$ 1.650.000,00 a favor de Jacob da Silva Tomas - Item 04 de Dívidas Alega que realiza inúmeros negócios de interesse mútuo com o Sr. JACOB DA SILVA TOMAS, seu pai. Entre eles vários mútuos foram realizados no curso do Ano-Calendário de 2004, e tendo em vista a estreita relação de parentesco - pai e Fl. 1332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 22 filho - as referidas operações de empréstimos foram realizadas sem qualquer formalismo. Preocuparam-se, mutuante e mutuário, de fazer consignar ditas operações em suas Declarações de Bens, Direitos e Obrigações, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual, fatos estes devidamente atestados e historiados pela Fiscalização. Transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. 2.5 Numerário Disponível em 31/12/03 - Item 05 da Decl. Bens A Fiscalização através do Termo de Intimação n.° 05, datado de 07 de julho de 2009, pretendeu que o Impugnante fornecesse prova impossível, qual seja a existência do numerário em 31/12/2003, acrescendo que esta prova poderia ser feita através de comprovante de resgate de aplicação financeira/saque de conta- corrente bancária, instrumento de alienação de bem/direito com recebimento em dinheiro, etc., como se estas operações fossem suficientemente bastante para caracterizar a existência do numerário. Está amplamente comprovado nos autos que o Impugnante por suas atividades empresariais e pessoais realiza anualmente inúmeras operações imobiliárias as quais propiciam a existência de recursos em moeda corrente. Ademais, esclarece que a partir de 1° de janeiro de 2009, todos os atos praticados pelo Impugnante e constante da sua Declaração de Bens e Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2004 - Ano-Calendário de 2003, foram tacitamente homologados pelas Autoridades Fazendárias, tendo em vista que no período de 10 de janeiro de 2004 a 31 de dezembro de 2008, nenhum dado ali contido foi questionado pelos órgãos fazendários. Pelos motivos acima expostos o Impugnante protesta no sentido de ser reconhecido como fonte ou origem de recursos no Demonstrativo de Variação Patrimonial as disponibilidades existentes em 31 de dezembro de 2003, devendo o respectivo valor ser alocado no mês de Janeiro de 2004. 2.6 Crédito junto a José Carlos Teodoro de Oliveira, CPF 072.162.888-58 - Item 13 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante, mesmo porque, segundo o Autuante, o procedimento adotado pela auditoria fiscal é favorável ao sujeito passivo na apuração da variação patrimonial. 2.7 Aquisição de imóvel - Item 11 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.8 Saldo em Caderneta de Poupança no Banco 1 Net — item 09 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. Fl. 1333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 23 2.9 Saldo em Fundo de Investimento no Banco 1 Net — item 10 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. Contudo, registra que o Autuante deixou de consignar como fonte ou origem no Demonstrativo de Variação Patrimonial às fls. 889 os recursos existentes em lº de Janeiro de 2004, o Saldo em Fundo de Investimento —Banco 1, no valor de R$ 13.347,55, existentes em 31 de dezembro de 2003, devendo o mesmo ser alocado no referido Demonstrativo. 2.10 Saldo em Fundo de Investimento — Hedging Grifo — item 07 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante, com ressalva a seguir descrita. O Autuante deixou de consignar como fonte ou origem no Demonstrativo de Variação Patrimonial às fls. 889, os recursos existentes em lº de Janeiro de 2004, o Saldo em Fundo de Investimento — Hedging Grifo, no valor de R$ 27.241,77, existentes em 31 de dezembro de 2003, devendo o mesmo ser alocado no referido Demonstrativo. 2.11 Alienação e Aquisição de Automóveis — itens 01, 08 e 15 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.12 Demais Itens da Declaração de Bens e do Quadro de Dívidas e Ônus Reais - itens 04, 06 e 12 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.13 Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.14 Rendimentos Isentos e Não Tributáveis No que se refere aos Lucros Distribuídos por ADR e por CMS já foram objeto de questionamento acima relatado. Quanto aos demais questionamentos deste item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.15 Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva Quanto a este item o Impugnante nada tem a objetar acolhendo plenamente as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante. 2.16 Lucros Recebidos em Excesso ao Lucro Presumido Este item já foi objeto de questionamento acima relatado. Multa Agravada Fl. 1334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 24 Alega que o argumento utilizado pela Fiscalização a fim de justificar o agravamento da penalidade imposta e somente sobre a suposta infração capitulada como "Acréscimo Patrimonial a Descoberto", é totalmente infundado e desprovido de qualquer fundamentação fática ante a evidência das provas e documentos acostados aos autos. Discorre, às fls. 1014 e 1015, que por diversas vezes apresentou extratos bancários ao autuante em atendimento às intimações expedidas. Somente em relação ao banco Hipercard é que foi necessário a requisição de RMF (fl. 263), sendo esta atendida às fls. 268 a 285. Face ao exposto alega que, dentro de suas possibilidades, atendeu às múltiplas Intimações expedidas pela Autoridade Fiscal Autuante. O fato de não ter conseguido a totalidade dos extratos de caráter pessoal ou das empresas das quais é sócio-quotista, não impediu que a Fiscalização desse curso aos trabalhos de auditoria e da ação fiscal a que foi submetido, mesmo porque, como comprovado nos autos, o órgão fazendário requisitou à instituição financeira os extratos bancários do Impugnante, no que foi plenamente atendida, propiciando- lhe desenvolver sem percalços suas atividades fiscalizatórias. Acresça-se que no período sob fiscalização estava em plena vigência a cobrança da CPMF, instrumento largamente utilizada pelo fisco a fim de apurar incompatibilidades entre a movimentação financeira e a renda declarada. Desta forma há de se registrar que a fiscalização detinha de instrumental legal para alcançar os extratos bancários do Impugnante ainda que este, que não é o caso, tivesse se recusado a promover a entrega dos mesmos, não se justificando por decorrência a aplicação da multa agravada e ora questionada. Cita jurisprudência do CARF a respeito. Juros Moratórios e Taxa Selic Às fls. 1019 a 1028, manifesta seu protesto por ser simplesmente inconcebível que, ao tributo lançado, seja acrescida a cobrança de juros exorbitantes, calculados com base na Taxa SELIC, posto que o artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento, será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Argumenta que da forma como está aplicada no auto de infração, a Taxa SELIC assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. Transcreve jurisprudência do STJ. Juros Moratórios - Suspensão de sua Incidência e Exigibilidade no Curso do Contencioso Administrativo Fiscal Protesta pela suspensão da incidência dos Juros Moratórios e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização da Impugnação e a data em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa – lª e 2ª Instâncias. Isso porque não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais. Fl. 1335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 25 Argumenta que enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto n.° 70.232/72, não há que se falar em juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da impugnação até a decisão final da lide instalada. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do susodito Acórdão nº 12-60.461 (p. 1.067), conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no ano-calendário, tem início na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. A apresentação de declaração, desacompanhada de documentação comprobatória, não é suficiente para confirmar a inexistência de desembolsos considerados conforme Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO PRESUMIDO. Somente pode ser distribuído, com isenção do imposto de renda, valor maior que o lucro presumido do período quando se comprovar que o lucro contábil excedeu o presumido, mediante levantamento dos demonstrativos contábeis com observância da legislação comercial. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS. AUMENTO DE CAPITAL. Não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados a partir de 1996, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. A isenção do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, que beneficia titular ou sócio de empresa tributada com base no lucro presumido, carece de comprovação do efetivo recebimento dos valores a título de distribuição de lucros, especificandose o meio utilizado e o momento em que ocorreu o pagamento, não bastando para tanto a simples informação em comprovante anual de rendimentos, livros contábeis e DIPJ. Fl. 1336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 26 AUMENTO PATRIMONIAL. MÚTUOS ENTRE ASCENDENTES E DESCENDENTES A alegação da existência de recursos provenientes de empréstimos concedidos pelo pai, para justificar acréscimo patrimonial, deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência dos numerários, mediante apresentação de documentação hábil e idônea. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. A quantia correspondente a dinheiro em espécie constante da declaração de bens do contribuinte somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Incabível a aplicação da multa agravada de 112,5% nos casos em que o contribuinte atende, ainda que parcialmente, a intimação fiscal encaminhada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa Selic, encontra amparo na legislação tributária, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO. Os juros de mora serão devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial, salvo quando existir depósito no montante integral. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A propósito, o julgador de origem decidiu pela parcial procedência da impugnação apresentada pelo Recorrente, nestes termos (p.p. 1.111 e 1.112): Considerando o acatamento das alegações referentes aos itens abaixo listados, as infrações mantidas serão as constantes da tabela abaixo: a) 1.3 afastada a infração de CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF (fl. 883); b) Redução da multa de ofício para 75%. Em face da exoneração parcial do crédito tributário, a DRJ recorreu de ofício para esse Egrégio Conselho, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 e da Portaria MF nº 03/2008. Fl. 1337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 27 O Contribuinte, cientificado da decisão de primeira instância, interpôs o competente recurso voluntário (p. 1.141), ratificando os argumentos apresentados na impugnação. Na sessão de julgamento realizada em 07/11/2023, este Colegiado baixou os presentes autos em diligência para que fossem apresentados, em síntese, documentos e esclarecimentos referentes aos pagamentos de dividendos/distribuição de lucros relativo às sociedades autuadas neste processo (Resolução nº 2402-001.329, p. 1.216). Em resposta, o Contribuinte apresentou o expediente de página 1.242 e seguintes, com os seus esclarecimentos / informações. Ato contínuo, os presentes autos retornaram para esse Egrégio Conselho para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Pautado novamente para julgamento, os presentes autos foram baixados mais uma vez em diligência para que a autoridade administrativa fiscal se manifeste acerca dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo Contribuinte através da petição de página 1.242 e seguintes, consolidando o resultado de diligência em relatório conclusivo (Resolução nº 2402- 001.397, p. 1.259). Em atenção ao quanto solicitado, foi emitida a Informação Fiscal de p. 1.293, em relação à qual, devidamente cientificado, o Contribuinte apresentou a sua competente manifestação (p. 1.303). É o relatório. VOTO Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. Do Recurso de Ofício A DRJ recorreu de ofício para esse Egrégio Conselho em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 14-63.809 (p. 5.664), que excluiu do rol de responsáveis tributários o senhor Daltro Noronha Barros, exonerando-o, assim, integralmente do crédito tributário, o qual corresponde ao montante de cerca de R$ 4,5 MM (principal + multa de ofício + multa por descumprimento de obrigação acessória). Ocorre, entretanto, que a Portaria MF 2/2023 estabeleceu um novo limite para a interposição de tal recurso, elevando-o para R$ 15.000.000,00. O Enunciado de Súmula CARF nº 103 dispõe que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância, in verbis: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 1338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 28 Neste caso, observa-se que o crédito tributário exonerado não ultrapassa R$ 15.000.000,00, de tal maneira que o recurso de ofício não deve ser conhecido. Do Recurso Voluntário Conforme exposto linhas acima, trata-se o presente caso de lançamento fiscal com vistas a exigir crédito tributário referente ao IRPF em face da constatação, pela Fiscalização, das seguintes infrações cometidas pelo Contribuinte: - Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado pagos a Sócio ou Acionista; - Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF; e - Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Destaque-se desde já que, conforme igualmente exposto no relatório supra, a infração referente à “Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF” restou afastada pelo órgão julgador de primeira instância. No que tange às infrações remanescentes (“Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado pagos a Sócio ou Acionista” e “Acréscimo Patrimonial a Descoberto”) a controvérsia estabelecida nos presentes autos decorre da desconsideração, pela Fiscalização, dos lucros / dividendos declarados pelo Contribuinte. Em seu apelo recursal, o Contribuinte, reiterando os termos da impugnação apresentada, esgrime suas razões de defesa nos seguintes pontos, em síntese: * decadência do lançamento fiscal em relação às competências de janeiro a novembro de 2004; * regularidade da distribuição de lucros pela empresa ADR; * protesta pelo reconhecimento dos valores recebidos a título de lucros distribuídos pela empresa CMS, no montante de R$ 423.365,50, correspondente a 50% dos valores consignados pela fiscalização às de fls. 861 dos autos, deduzidas das parcelas referentes aos dias 02/09/2004 (20.000,00) e 07/12/2004 (18.000,00), reconhecidas pelo Autuante, devendo os mesmos ser considerados como fonte de Recursos/Origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial; * em relação à aquisição de participação societária na CMS, protesta pelo acolhimento integral do voto prolatado pelo insigne Julgador-Relator, DR. BRUNO PEREIRA DA COSTA, reconhecendo que no ano-calendário de 2004, não houve, como presumiu equivocadamente o Autuante, os pagamentos elencados neste item, devendo os mesmos ser excluídos do Demonstrativo de Variação Patrimonial no período de Março a Dezembro no montante de R$100.000,00 mês - fls. 889/891 dos autos; * no que tange ao aumento de capital da CMS, protesta pela exclusão do Demonstrativo de Variação Patrimonial — fls. 889/891dos autos, do valor de R$2.075.000,00 (dois milhões e setenta e cinco mil reais) registrado como Dispêndios/Aplicações" — EMPRÉSTIMOS Fl. 1339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 29 CONCEDIDOS A TERCEIROS', refazendo-se o quadro de variação patrimonial no período de Janeiro a Dezembro/2004; * em relação à dívida no valor de R$ 1.650.000,00 a favor de Jacob da Silva Tomas, esclarece que referido montante está intimamente vinculado a diversos mútuos havidos entre o Recorrente e seu genitor, pelo que protesta no sentido de que ditos empréstimos sejam considerados como fonte ou origem de recursos no Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls. 889/891 dos autos, alocando o seu valor no mês de Janeiro de 2004, observando-se neste particular os princípios que normalmente são adotados pela fiscalização em casos congêneres; * improcedência da Taxa SELIC, pelo que os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário constituído devem ficar limitado ao percentual de 1% ao mês; e * suspensão da exigibilidade dos juros moratórios no período compreendido entre a interposição da impugnação e julgamento do feito f esfera administrativa fiscal. Pois bem! Considerando que tais alegações em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento perfilhado por este Relator, em vista do disposto no inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, in verbis: Preliminar Decadência O contribuinte alegou que deve ser declarada a decadência quanto ao lançamento do IRPF do período de Janeiro a Novembro 2004, por força do disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN) e porque a legislação prevê fatos geradores mensais para o imposto em questão, citando doutrina e jurisprudência a seu favor. Entretanto, o prazo não é aquele como calculou e deu a entender o contribuinte na impugnação. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, observese que a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos arts. 9º e 11 da Lei nº 8.134, 27 de dezembro de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexo (complexivo), segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só Fl. 1340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 30 então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas (dedutíveis), as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Ajuste Anual a ser submetida à homologação do Fisco. Vê-se que o fato gerador do imposto de renda permanece anual conforme determina o ordenamento jurídico-tributário, ao contrário do que entendeu o Impugnante. Para as infrações apontadas tem-se que, embora as quantias sejam embolsadas e desembolsadas mensalmente, os valores apurados foram submetidos à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual (fl. 884). Vejase que o Fisco somente terá condições de apurar esses valores no momento da apresentação da DAA pelo contribuinte. Isso porque apenas após a efetiva entrega da declaração ou, na hipótese de não haver tal entrega, findo o prazo limite para sua apresentação é que o Fisco tem condições de verificar o descumprimento da obrigação tributária e efetuar o lançamento do tributo. O Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por ser um tributo sujeito ao lançamento por homologação, tem sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4º do art.150 do Código Tributário Nacional (CTN): § 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A Coordenação-Geral de Tributação da RFB, por meio da SCI nº 26, de 1º de novembro de 2005, concluiu que: SCI Cosit n° 26/2005 EMENTA O dies a quo da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao imposto de renda das pessoas físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no ano-calendário, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto pelo recolhimento a título de “carnê-leão” ou “mensalão”, ou mediante retenção do imposto pela fonte pagadora, tem início na data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. Desta forma, não procede a alegação de decadência arguida pelo Impugnante. Os valores apurados devem ser considerados na composição da base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual, cujo fato gerador somente se perfez em 31/12/2004. Com efeito, aplicando-se a regra estabelecida no § 4º do art. 150 do CTN, o prazo quinquenal para constituição do crédito tributário somente veio a concluir-se em 31/12/2009, posteriormente, portanto, à lavratura e ciência do auto de infração que ocorreu em 21/12/2009, fl. 910. Rejeita-se, desta forma, a prejudicial de decadência levantada pelo interessado. Fl. 1341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 31 1.1 Distribuição de Lucros Empresa ADR De acordo com o disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou de jurídica, domiciliado no País ou no exterior. (...) Do exposto, depreende-se que a legislação que regulamentou a possibilidade de se distribuir lucros e dividendos além do que foi apurado com base no lucro presumido diz, também, quais os procedimentos a serem adotados para a apuração do resultado dos lucros a serem distribuídos. Ficou estabelecido no Inciso II do § 2º do art. 48 da IN SRF Nº 93/97, acima transcrito, a observância da lei comercial na elaboração da escrituração contábil. Neste ponto, para efeito de comprovação de lucro contábil superior ao lucro tributário a norma não exige, de forma alguma, que os levantamentos de todas as demonstrações contábeis, também, sejam trimestrais, ou mensais. As demonstrações contábeis podem ser levantadas, anualmente, coincidindo com o ano civil. Não há problema nisso. Porém, em caso de distribuição de lucros mensal, por conta de períodos ainda não encerrados (distribuição antecipada de lucros), para contribuintes sujeitos ao lucro presumido (período de apuração trimestral), a legislação tributária (§ 3º do art. 48 da IN SRF Nº 93/97) exige que o contribuinte levante balancetes analíticos mensais, com base na escrituração contábil na forma da legislação comercial, para comprovação de que os lucros distribuídos têm lastro na escrituração contábil, na forma da legislação comercial. Ou seja, caso o contribuinte queira se valer da citada isenção ao longo do período- base não encerrado a demonstração deverá ocorrer, também, durante o ano e não somente no fim do ano-calendário. A possibilidade de distribuição com isenção encontra-se adstrita à demonstração do lucro que não pode ficar justificada apenas no final do período. Na obra Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática, os autores examinam esta questão e ratificam este entendimento, conforme se verifica abaixo: “O §3º do art. 48, da IN nº 93, de 241297, autoriza a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido a distribuir lucros ou dividendos de resultados apurados através de escrituração contábil, ainda que por conta de período- base não encerrado. Com isso, a pessoa jurídica poderá, por exemplo, levantar balanços trimestrais e distribuir o resultado apurado.” (HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso H.. Imposto de Renda das Fl. 1342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 32 Empresas – Interpretação e Prática, Atlas, 25ª Edição – São Paulo. Pág. 40) (grifou-se) Portanto, diante da ausência de apuração contábil mensal do resultado da ADR, não há amparo para a distribuição de lucros mensalmente aos sócios no período de Abril a Dezembro de 2004, tal como foi praticado pela empresa. Dessa forma, os valores de lucros pagos ao contribuinte pela ADR, em excesso àquele calculado à fl. 860, no montante de R$ 60.830,56 (R$ 114.100,00 R$ 53.269,44 = R$ 60.830,56), sujeitam-se a tributação, como bem indicou o fisco. 1.2 Distribuição de Lucros Empresa CMS No que se refere à pretensão do Impugnante de afastar a tributação de parcelas que seriam lucros distribuídos mas que, por sua conta e ordem, foram direcionados diretamente a terceiros em cumprimento de suas obrigações pessoais, cumpre interpretar os dispositivos acima mencionados em conjunto com o artigo 39 do RIR/1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 46); (destacou-se) Nesse sentido, informa-se que a isenção, portanto, se refere a valores pagos. Assim, não basta constar do comprovante anual de rendimentos de fl. 168, o qual está em desacordo com a IN SRF nº 120/2000 (vigente à época) pois não contém a assinatura do emitente (fl. 168), e da DIPJ a suposta distribuição de lucros, faz-se necessário comprovar o efetivo recebimento desses valores. As cópias dos livros contábeis trazidos também não comprovam tais pagamentos, pois a mera indicação do lançamento contábil não é prova do desembolso em favor do Impugnante. Além do mais, os registros contábeis não contêm informação relativa aos montantes que cada sócio recebeu individualmente Saliente-se ainda que todo lançamento contábil deve estar respaldado em documentos que estabeleçam uma relação objetiva, direta, cabal e inequívoca, em termos de datas e valores, entre eles e os lançamentos constantes dos livros. Ou seja, para se admitir a isenção, deve restar comprovada a vinculação material entre o valor pago pela pessoa jurídica e o correspondente ingresso do recurso na esfera da pessoa física, o que não se evidencia no presente caso. A título de exemplo, cita-se a afirmação da defesa de que o DOC 157.783, datado de 01/12/04, no valor de R$ 53.000,00 em favor de ORNARE COM.E SERV. LTDA, coincide em data e valor com os registros contabilizados a títulos de distribuição de lucros pela empresa CMS. Ocorre que o Livro Diário de fl. 356 demonstra que foi distribuído naquela data o valor de R$ 52.000,00 e à fl. 343 a Fiscalização Fl. 1343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 33 questionou a empresa CMS acerca dessa divergência, sendo que não foi obtido qualquer resposta a respeito: 2.5 A distribuição de lucros na data de 01/12/04 foi no valor de R$ 52.000,00, enquanto que a TED n° 157783, pertinente a esse pagamento, foi no valor de R$ 53.000,00. Constatamos que a diferença, no valor de R$ 1.000,00 (R$ 53.000,00 — R$ 52.000,00 = R$ 1.000,00), foi contabilizada pelo sujeito passivo a titulo de saque para abastecer a conta caixa. Esclarecer como foi possível que parte da transferência de numerário através da TED tenha sido, simultaneamente, sacado pelo próprio remetente e transferido para o caixa do sujeito passivo em dinheiro; Rejeitase, pois, o pedido para a consideração dos rendimentos isentos que teriam sido oriundos de distribuição de lucros da mencionada pessoa jurídica, por falta da comprovação do efetivo pagamento. 1.3 Dividendos Empresa CMS Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF Com base no Instrumento Particular de ReRatificação da 9ª Alteração do Contrato Social da CMS, datada de 19/07/04, reratificando a alteração datada de 03/05/04 e arquivada na JUCESP em 19/05/04 sob o n° 250.424/046, e nos lançamentos efetuados nos Livros Diário e Razão de 2004 da empresa, constatouse que o capital social foi aumentado em 19/05/04 no valor de R$ 4.054.422,00. O aumento foi totalmente integralizado com a capitalização de parte do saldo da conta "Reservas de Capital", conta n° 283.0108. Vide lançamentos à fl. 06 do Livro Diário (fl. 566), e fl. 29 do Livro Razão da CMS (fl. 621). Coube ao contribuinte a integralização de capital no valor de R$ 2.027.211,00, correspondente a sua participação de 50% no capital social. Concluiu o fisco que o aumento de capital mediante integralização de reservas de capital não corresponde a uma distribuição de lucros ou dividendos como o sujeito passivo pretendeu caracterizar. Em decorrência, o valor de R$ 2.027.211,00, informado pelo sujeito passivo, incorretamente, como lucros/dividendos recebidos de CMS, que se qualificariam como rendimentos isentos e não tributáveis, foi reclassificado para rendimentos recebidos de pessoa jurídica sujeitos à tributação. Em contrapartida, alegou o Impugnante que o fato de ter informado equivocadamente como rendimentos isentos e não tributáveis (fl. 48) não autoriza a Autoridade Fiscal, em hipótese alguma, a reclassificá-los como rendimentos tributáveis e, como tal, submetê-los a tributação do Imposto de Renda Pessoa Física. Aduz que não houve pagamento de rendimentos e muito menos o seu crédito em contas-correntes. Houve sim a distribuição de novas quotas de capital decorrente do aumento de capital com aproveitamento de reservas de capital, as quais deveriam ter sido simplesmente informada no corpo da Declaração de Bens, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual. Fl. 1344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 34 Inicialmente, cumpre destacar que a faculdade de a companhia aumentar o seu capital, mediante a capitalização de lucros ou reservas de lucros ou de capital, encontra-se prevista no art. 169 da Lei nº 6.404, de 1976, sendo chamada pela doutrina de aumento gratuito do capital social, porque não implica alteração no patrimônio líquido da sociedade1. De acordo com aquele dispositivo, a capitalização de lucros ou reservas pode realizar-se: a) sem a emissão de novas ações, quando as ações da companhia não têm valor nominal; b) mediante o aumento do valor nominal das ações existentes, ou, ademais, c) com a emissão de novas ações (isto é, operação de bonificações em ações), tendo ou não estas valor nominal. (...) Do exposto, depreende-se que, se o sócio receber quotas com base em reservas cuja capitalização não é tributada, por haverem sido apuradas a partir de janeiro de 1996, a parcela de tal reserva que cabe ao sócio não apenas está isenta de tributação para a pessoa jurídica que os capitalizar, como também tal isenção se estenderá à pessoa física beneficiária das quotas. No presente caso, o litígio, na realidade, restringiria-se à apuração do ganho de capital, base de cálculo do imposto, definido, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, como a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. Mais especificamente, restringiria-se a lide à definição do custo de aquisição das contas distribuídas em razão da incorporação de reservas ao capital social da empresa. (...) Observa-se, desse modo, que à luz das disposições da referida Lei, independentemente da natureza da reserva incorporada, o custo de aquisição das cotas distribuídas seria zero, exceto se o lucro incorporado ao capital social tivesse sido previamente tributado, hipótese em que o custo corresponderia ao valor relativo à parcela incorporada. À luz do exposto, não vejo como acolher as alegações da Fiscalização descritas à fl. 863. O fato de o contribuinte não ter informado a origem das reservas integralizadas, de modo a conhecer se o valor adicionado foi submetido à tributação, não admite a tributação para a pessoa física da capitalização efetuada. E nesse ponto, não tendo ocorrido a venda das cotas recebidas, não há que se falar em incidência tributária. O fato gerador da obrigação será, caso ocorra futuramente, a alienação de cotas de participação com ganho de capital eventualmente apurado (custo de alienação maior que o custo de aquisição). Logo, concluo que deve ser afastada a infração de CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF (fl. 883), sem que isto altere o valor apurado de ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (fl. 889), visto que o valor de R$ 2.027.211,00 deverá ser excluído como origem, por não ter ocorrido o recebimento de rendimentos, bem como não haverá aplicação, tendo em vista Fl. 1345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 35 que neste momento o contribuinte não justificou a origem da reserva de capital, o que permite considerar como custo zero a aquisição das novas cotas. 1.4 Outros Valores Recebidos Quanto a este item o Impugnante não apresentou contestação às conclusões da Fiscalização descritas à fl. 864, não havendo litígio. 2) Variação Patrimonial a Descoberto Inicialmente necessário esclarecer que o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto já estava previsto no Código Tributário Nacional em seu artigo 43, inciso II. Posteriormente, em 1988, a Lei 7.713, no artigo 3°, § 1°, preceituou que constituem rendimento bruto os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados: (...) Desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utiliza-se de fluxos de caixa com o objetivo de verificar a ocorrência de inconformidades entre a renda declarada e os dispêndios realizados pelo contribuinte. O resultado dos demonstrativos poderá indicar variação patrimonial a descoberto, ou seja, a aquisição de bens e/ou gastos acima dos rendimentos informados. Pode-se dizer que o levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos, posto que à autoridade lançadora cabe somente comprovar a sua existência que, uma vez ocorrido, a lei permite presumir a omissão de rendimentos. Trata-se de uma presunção que, além de legal, é perfeitamente lógica, posto que ninguém realiza gastos desprovido de disponibilidade financeira. Ressalte-se que a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 43, II) não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Trata-se de prova que deve ser feita pelo próprio contribuinte interessado, uma vez que a legislação define o acréscimo patrimonial não justificado como fato gerador do imposto de renda, sem impor outras condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio. Feita esta indispensável introdução, passa-se a análise de cada item. (...) 2.2 Aumento de Capital da CMS Item 03 da Decl. Bens O contribuinte declarou incremento no valor de R$ 4.652.211,00 na sua participação societária na CMS, que passou de R$ 900.000,00 em 31/12/03 para R$ 5.552.211,00 em 31/12/04, conforme item 03 da declaração de bens (fl. 49). R$ 2.027.211,00 seriam derivados de aumento de capital mediante integralização com reservas, tópico descrito no item 1.3 Dividendos Empresa CMS Classificação Indevida de Rendimentos na DIRPF, e R$ 2.625.000,00 seriam derivados de aumento de capital integralizado em dinheiro. Fl. 1346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 36 De acordo com o fisco, apesar da negativa do sujeito passivo de que teria efetuado empréstimos à CMS (fl. 165), em resposta ao item 4 de fl. 162, a contabilização dos mesmos nos Livros Diário e Razão e o aumento de capital integralizado com os empréstimos são provas de sua existência. Em decorrência, a Fiscalização lançou na apuração da variação patrimonial o desembolso no valor total de R$ 2.075.000,00 em Janeiro/2004, a titulo de empréstimos para a CMS. Adicionalmente, retificou de oficio a declaração de bens do sujeito passivo em 31/12/03, para incluir o valor do empréstimo à CMS no montante de R$ 550.000,00, conforme demonstrado no item 2.2 do relatório do presente Acórdão. Já o contribuinte alega que não houve empréstimos de sócios e que todos os dados inseridos na contabilidade da empresa visaram, de forma equivocada e tecnicamente passível de criticas e objeções, regularizar a situação de imóveis nos registros contábeis da empresa. Apresenta escrituras demonstrativas de que imóveis foram adquiridos e pagos em período anterior ao analisado pela Fiscalização. Para solucionar o presente litígio, relembro que no item anterior, 2.1 Aquisição de Participação Societária na CMSA Item 14 da Decl. Bens e Item 02 de Dívidas, o instrumento celebrado entre Adm. e Part. Walter Torre Jr. Ltda. e o contribuinte (fls. 408 a 411) indicava para o pagamento, no ano-calendário de 2004, de 10 parcelas de R$ 1.000.000,00. Contudo, o documento apresentado pelo contribuinte à fl. 1053 comprovou que não houve qualquer pagamento naquele ano. Logo, entendo que apara ser aceita as escrituras de fls. 322 e 323; 323 e 324; 336 e 337, deveria o Impugnante comprovar o efetivo pagamento daquelas parcelas lá indicadas. Não há como ter certeza de que os valores lá indicados foram de fato quitados e a empresa não necessitou se socorrer de empréstimos junto aos sócios. Ressalte-se que a contabilidade da empresa demonstra a realização dos empréstimos, como bem indicado pelo Fisco. E, nesse sentido, não há como acatar a solicitação do contribuinte para converter o julgamento em diligência a fim de atestar junto a uma determinada vendedora as datas do efetivo recebimento. Cabe ao contribuinte, se pretende refutar a infração estabelecida e comprovada contra ele, provar por meio de documentação hábil e idônea sua alegação, tal como fez no item anterior ao trazer aos autos declaração de fl. 1053. Já no que se refere à alegação de que a Fiscalização, equivocadamente, considerou que parte do empréstimo de R$ 1.400.000,00, relativo ao ano de 2003, ou seja, R$ 550.000,00 foi feito pelo Impugnante seria totalmente improcedente, tendo em vista que o aporte destes recursos financeiros foi feito pelo sócio JACOB DA SILVA TOMAS (pai do Impugnante) e, prova disto estaria na sua Declaração de Bens, parte integrante da Declaração de Ajuste e Anual (fl. 724 – item 76), cabe fazer as seguinte considerações. Fl. 1347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 37 Analisando-se os Livros Diário (fl. 557) e Razão da CMS (fl. 597), relativos a 2004, verificou-se que o saldo da conta do passivo n° 263.0052 Empréstimos de Sócios em 31/12/03 era de R$ 1.400.000,00 credor. No mês de Janeiro de 2004 foram contabilizados três novos empréstimos dos sócios, no valor global de R$ 4.150.000,00 (fls. 561 e 597), elevando o saldo de empréstimos a pagar aos sócios para R$ 5.550.000,00 em 31/01/04. Em 30/04/04, 31/05/04 e 30/06/04, a empresa pagou ao sócio Jacob da Silva Tomas parte dos empréstimos, totalizando R$ 300.000,00, conforme lançamentos às fls. 05, 06 e 07 do Livro Diário (fls. 565, 566 e 567) e fls. 23, 29 e 36 do Livro Razão (fls. 615, 621 e 628), reduzindo o saldo a pagar de empréstimos dos sócios para R$ 5.250.000,00 em 30/06/04 (fl. 628). Em 26/08/04 o saldo total da conta empréstimos dos sócios foi utilizado para integralização do aumento de capital, conforme lançamento à fl. 10 do Livro Diário (fl. 570) e fl. 56 do Livro Razão (fl. 651). Como bem registrou o fisco, a contabilidade da CMS não informa o valor dos empréstimos que cada sócio, individualmente considerado, efetuou à empresa, pois a respectiva conta contábil é global. Todavia, tendo em vista que a conversão dos empréstimos em capital resultou na subscrição e integralização pelos sócios no valor de R$ 2.625.000,00 cada um, ou seja, do valor total integralizado de R$ 5.250.000,00 houve a distribuição de novas quotas de capital em proporções iguais, subentendendo-se que cada sócio havia emprestado 50% desse montante. Dessa forma, foi possível inferir que do saldo de empréstimos dos sócios existente em 31/12/03, no valor total de R$ 1.400.000,00, R$ 550.000,00 foram efetuados pelo sujeito passivo e R$ 850.000,00 foram efetuados pelo sócio Jacob da Silva Tomas. Em janeiro de 2004, cada sócio efetuou empréstimos no valor total de R$ 2.075.000,00, e apenas o sócio Jacob da Silva Tomás recebeu pagamentos de empréstimos no valor total de R$ 300.000,00, conforme a contabilidade da CMS, de forma que os dois emprestaram a mesma quantia à empresa. Logo, entendo que não basta para amparar a alegação do Impugnante a simples informação na DIRPF pelo sócio JACOB DA SILVA TOMAS (fl. 724), em vista dos argumentos demonstrados. Necessitaria apresentar outros documentos para corroborar sua tese. Diante do exposto, não há como retocar os cálculos efetuados pelo fisco. 2.3 Aquisição de Participação Societária na ADR Item 16 da Decl. Bens e Itens 03 e 05 de Dívidas Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1008). 2.4 Dívida no Valor de R$ 1.650.000,00 a favor de Jacob da Silva Tomas Item 04 de Dívidas O contribuinte declarou a existência de dívida no valor de R$ 1.650.000,00 junto a Jacob da Silva Tomas na data de 31/12/04, conforme item 04 do quadro de Dívidas e Ônus Reais (fl. 50), a qual teria sido contraída durante o referido ano- Fl. 1348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 38 calendário. Apesar de intimado em duas oportunidades a comprovar documentalmente a origem e o efetivo recebimento do montante declarado, não atendeu a nenhuma solicitação. Logo, a Fiscalização considerou como inexistente a dívida declarada, excluindo-a das fontes de recursos na apuração da variação patrimonial do mesmo. Já o Impugnante alegou que realizou vários mútuos com seu pai, Jacob da Silva Tomas, no curso do Ano-Calendário de 2004, e tendo em vista a estreita relação de parentesco pai e filho as referidas operações de empréstimos foram realizadas sem qualquer formalismo. Preocuparam-se, mutuante e mutuário, de fazer consignar ditas operações em suas Declarações de Bens, Direitos e Obrigações, parte integrante da Declaração de Ajuste Anual. Do exposto, deve-se concordar com o Impugnante e com as decisões do CARF transcritas na Impugnação (fls. 1009 e 1010) no sentido de que é perfeitamente aceitável que exista uma informalidade dos negócios entre pais e filhos. Contudo, não é correto o raciocínio de que tal informalidade possa eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes (um empréstimo sem nota promissória, por exemplo), mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei, sem exceção. O grau de parentesco ou a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes, não eximindo o fiscalizado de apresentar a prova do recebimento do alegado empréstimo, solicitada pela a Fiscalização na Intimação à fl. 161. Contudo, cabe analisar os valores declarados pelo contribuinte como dívidas e ônus reais (fl. 50), à exceção dos dois primeiros itens declarados à fl. 50, que não serão úteis à presente análise: Na primeira linha da tabela acima, o contribuinte informou a existência, em 31/12/04, de obrigação relativa à aquisição de quotas da ADR no valor de R$ 227.500,00, sem informar nome e CNPJ/CPF do credor. Informou igualmente dívida junto a Jacob da Silva Tomas no valor de R$ 700.00,00, conforme segunda linha, sem, porém, indicar que era derivada da aquisição de quotas da ADR. De acordo com a 4a Alteração do Contrato Social da ADR (fl. 206), o contribuinte adquiriu a participação societária na empresa em 07/04/04, de Jacob da Silva Tomas, mediante a emissão de notas Promissórias pro-soluto a favor do cedente, no montante de R$ 927.500,00. Note-se que, diferentemente do que informou o contribuinte em sua Impugnação, não há qualquer informalismo neste negócio. Fl. 1349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 39 Todavia, a DAA/2005 de Jacob da Silva Tomás apresenta a venda da participação pelo valor de apenas R$ 700.000,00 (item 35 da fl. 734) e declarou ser titular de crédito nesse mesmo valor contra o sujeito passivo (item 80 – fl. 735). Considerando que após ser várias vezes intimado a informar as datas de vencimento e valores das notas promissórias emitidas a favor de Jacob da Silva Tomás, conforme mencionado na alteração do contrato social da empresa ADR, o contribuinte permaneceu inerte, a Fiscalização considerou como inexistente a dívida de R$ 227.500,00, entendendo que ocorreu o pagamento desta quantia no ano-calendário de 2004, sendo a real dívida do contribuinte, em 31/12/2004, o valor de R$ 700.000,00 (R$ 927.500,00 R$ 227.500,00). Dessa forma, estaria justificada a dívida constante da segunda linha em contrapartida à exclusão daquela constante da primeira. Sobre isso o contribuinte expressamente concordou (fl. 1008). Resta agora analisar o último valor declarado, no montante de R$ 1.650.000,00, o qual é o objeto deste item 2.4 Dívida no Valor de R$ 1.650.000,00 a favor de Jacob da Silva Tomas Item 04 de Dívidas. De fato, procede a alegação do Impugnante de que tanto o contribuinte quanto seu pai declararam esse suposto empréstimo. Isso porque o Sr. Jacob da Silva Tomas informou em sua declaração de ajuste anual a existência em 31/12/04 de crédito contra o sujeito passivo no valor de R$ 1.650.000,00 (item 81 da Declaração de Bens e Direitos – fl. 735). Ocorre que a discriminação desse item informa: "Crédito com Álvaro de Jesus Tomas, portador do CPF n° 060.629.82821, referente à venda de quotas da empresa A.D.R. Adm. Particip. Ltda. Brasil". De pronto, surge a seguinte dúvida: como seria possível existir esse novo empréstimo se o valor de aquisição das cotas foi R$ 927.500,00, sendo pago em 2004 R$ 227.500,00, restando uma dívida de R$ 700.000,00? Dessa forma, resta claro que a discriminação feita pelo pai do contribuinte não condiz com a verdade. Acrescente-se, ainda, que a informação na declaração de ajuste não é suficiente para fins de comprovação da alegada doação. A esse respeito, cabe registrar que a exigência fiscal da efetiva comprovação da doação está amparada no art. 806 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que dispõe, in verbis: Art. 855 A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069/62, art. 51, § 1°). Portanto, não tendo o interessado trazido aos autos cópias de extratos bancários ou mesmo outros meios de prova que demonstrassem a efetiva transferência financeira entre mutuante e mutuário, e, até mesmo, sequer informado qual seria o propósito do empréstimo, não é possível considerá-lo para efeito de comprovação do acréscimo patrimonial. 2.5 Numerário Disponível em 31/12/03 Item 05 da Decl. Bens Fl. 1350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 40 A Fiscalização, através do Termo de Intimação n.° 05, datado de 07 de julho de 2009 (fls. 160 a 162), solicitou ao Impugnante que fornecesse prova inequívoca da existência da quantia de R$ 800.000,00 (item 05 da declaração de bens – fl. 49) declarada como disponível na data de 31/12/03 (comprovante de resgate de aplicação financeira/saque de conta-corrente bancária, instrumento de alienação de bem/direito com recebimento em dinheiro, etc.). Através da correspondência recebida em 16/07/09 (fl. 165) o sujeito passivo informou que a disponibilidade em dinheiro era proveniente de diversos saques no decorrer do exercício. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 06 (fls. 232 a 235) intimouse novamente o sujeito passivo com o alerta de que a quantia correspondente a dinheiro em espécie constante da declaração de bens somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência. Contudo, não forneceu a documentação solicitada. Já em sua Impugnação, alegou que a Fiscalização lhe solicitou prova impossível, registrando que estaria amplamente comprovado nos autos que por suas atividades empresariais e pessoais realiza anualmente inúmeras operações imobiliárias as quais propiciam a existência de recursos em moeda corrente. Sobre esse assunto, entende-se que não há impedimento algum de que o contribuinte possua elevadas quantias de dinheiro em espécie guardadas em casa, em sua empresa, em cofres, embaixo de colchão, enterradas ou onde quer que deseje. Entretanto, ao contrário do que impugnação indica, é certo que essa prática não é usual seja pelos riscos que envolvem a manutenção destas elevadas quantias de dinheiro fora de instituições bancárias, seja pela própria perda financeira que isso acarreta. Mas é certo que não é proibido nem tampouco impossível. Contudo, como também indica a impugnação, o grande problema quanto a essas disponibilidades de recursos em moeda corrente é a prova de sua efetividade. Reconhecida a dificuldade quanto à prova da efetiva disponibilidade dos recursos, andou muito bem a impugnação quando alegou que realiza anualmente inúmeras operações imobiliárias as quais propiciam a existência de recursos em moeda corrente. Ocorre que, pecou a peça defensória ao não trazer aos autos provas de sua existência, que pudessem, ao menos, indicar o valor declarado como dinheiro em espécie, ou seja, como bem destacou o fisco, não apresentou qualquer comprovante, contrato ou recibo que remetesse àquela quantia. Além do mais, cabe destacar dois pontos. Primeiro: à fl. 165, o sujeito passivo informou que a disponibilidade em dinheiro era proveniente de diversos saques no decorrer do exercício. Ora, se eram saques, qual a dificuldade em apresentar os comprovantes ou extratos? Segundo: se as operações comerciais do impugnante possuíssem a rotina de movimentar dinheiro em espécie, por que o saldo de numerário disponível ao final do ano-calendário de 2004 está zerado? (fl. 49). E não há que se alegar que a partir de 1° de janeiro de 2009, todos os atos praticados pelo Impugnante e constante da sua DAA/2004 foram tacitamente Fl. 1351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 41 homologados, tendo em vista que nenhum dado ali contido foi questionado pelos órgãos fazendários. Se o fisco analisou a DAA/2005, resta claro que o saldo declarado como existente no início do ano-calendário é passível de verificação pelo fisco. Da mesma forma, não há como fazer paralelos com outros contribuintes, como citado na Impugnação (fl. 1011), visto que só analisando os autos relativos aquele é que é possível emitir algum juízo de valor. Portanto, não tendo ficado demonstrada a efetividade da posse do numerário na data sugerida, não há reparos a fazer ao procedimento da Fiscalização que não considerou tais valores como recursos em janeiro/2004. 2.6 Crédito junto a José Carlos Teodoro de Oliveira, CPF 072.162.88858 Item 13 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1011). 2.7 Aquisição de imóvel Item 11 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1012). 2.8 Saldo em Caderneta de Poupança no Banco 1 Net — item 09 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1012). 2.9 Saldo em Fundo de Investimento no Banco 1 Net — item 10 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante acolheu as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante (fl. 1012). Contudo, alega que o Autuante teria deixado de consignar como fonte ou origem no Demonstrativo de Variação Patrimonial à fl. 889 os recursos existentes em lº de Janeiro de 2004, no caso em questão, o Saldo em Fundo de Investimento Banco 1, no valor de R$ 13.347,55, existente em 31 de dezembro de 2003, devendo o mesmo ser alocado no referido Demonstrativo. Ocorre que o valor mencionado foi considerado como fonte de recursos para o contribuinte no demonstrativo de variação patrimonial (fl. 889). O valor da aplicação no Fundo de Investimento no Banco 1 Net em 31/12/03, no montante de R$ 13.347,55, foi resgatado em 09/03/04, pelo valor de R$ 13.626, 34 (fl. 276), compreendendo R$ 13.347,55 originais e rendimentos líquidos de R$ 279,79. O valor do resgate dos saldos existentes em 31/12/03 de desse fundo e o do descrito no item seguinte, 2.10, no total de R$ 41.372,39 (R$ 13.347,55 + R$ 27.241,77 = R$ 41.372,39), foi lançado pela fiscalização como Recursos/Origens, em Março/2004, na linha "Resgates em C/C de Aplicações Financeiras". Logo, não há o que retificar. 2.10 Saldo em Fundo de Investimento — Hedging Grifo — item 07 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante também acolheu as conclusões da Autoridade Fiscal Autuante (fl. 1012). Contudo, faz a mesma alegação constante do item Fl. 1352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 42 anterior no sentido de que o Autuante teria deixado de consignar como fonte ou origem o Saldo em Fundo de Investimento Hedging Grifo, no valor de R$ 27.241,77, existente em 31 de dezembro de 2003, devendo o mesmo ser alocado no referido Demonstrativo. Contudo, o valor da aplicação desse Fundo de Investimento em 31/12/03, no montante de R$ 27.241,77, foi resgatado em 12/03/04, pelo valor de R$ 27.746,05, compreendendo R$ 27.241,77 originais e rendimentos líquidos de R$ 504,28 (fl. 182). Conforme relatado no item anterior, o valor do resgate dos saldos existentes em 31/12/03 de ambos os fundos, no total de R$ 41.372,39 (R$ 13.347,55 + R$ 27.241,77 = R$ 41.372,39), foi lançado pela fiscalização como Recursos/Origens, em Março/2004, na linha "Resgates em C/C de Aplicações Financeiras". Portanto, aqui também não há o que retificar. 2.11 Alienação e Aquisição de Automóveis — itens 01, 08 e 15 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1013). 2.12 Demais Itens da Declaração de Bens e do Quadro de Dividas e Ônus Reais itens 04, 06 e 12 da Decl. Bens Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1013). 2.13 Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1013). 2.14 Rendimentos Isentos e Não Tributáveis Em relação aos Lucros distribuídos por ADR e por CMS, estes já foram analisados acima. Quanto às demais considerações, o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1013). 2.15 Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva Quanto a este item o Impugnante acolheu plenamente as conclusões da Fiscalização, não havendo litígio (fl. 1013). 2.16 Lucros Recebidos em Excesso ao Lucro Presumido Este item já foi analisado anteriormente (fl. 1014). (...) Juros Moratórios e Taxa Selic Sobre os juros de mora, calculados com base na taxa Selic, a Lei nº 8.981, de 1995 estabeleceu, no seu art. 84, I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Dívida Mobiliária Fl. 1353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 43 Federal Interna. A MP nº 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, a serem aplicados a partir de 01/04/1995. A MP nº 972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei nº 9.065 de 21/06/1995, no seu art. 13, reafirmou o art. 13 das duas Medidas Provisórias retromencionadas. Por último, os juros Selic, foram ratificados pelo art. 61 da Lei nº 9.430/96, e vigoram até hoje: (...) Sobre o tema, a Súmula nº 4 do CARF reconhece que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, havendo previsão legal para o cálculo dos juros de mora, efetuado em percentual equivalente à taxa referencial Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, correta a aplicação. Cumpre dizer, ainda, que no âmbito do processo administrativo, não cabe examinar a alegada violação aos princípios da vedação ao confisco. Referido princípio é destinado ao legislador e não ao aplicador da lei, a quem, exercendo atividade vinculada, não se permite deixar de observar a norma legal por entendê-la em desconformidade com a Constituição. Assim, é defeso ao agente fiscal e a este órgão julgador examinar uma possível desconformidade da lei com o aludido princípio. Neste contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade. Diante do exposto, não há como acatar as alegações do Impugnante. Juros Moratórios Suspensão de sua Incidência e Exigibilidade no Curso do Contencioso Administrativo Fiscal Protesta o Impugnante pela suspensão da incidência dos Juros Moratórios e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização da Impugnação e a data em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa – 1ª e 2ª Instâncias. Entretanto, as impugnações e recursos ao lançamento pelo sujeito passivo suspendem tão somente a exigibilidade do crédito tributário e não suas obrigações acessórias, conforme disposto no art. 151 do CTN: (...) A constituição definitiva do crédito tributário pressupõe a inexistência de discussão ou possibilidade de alteração. No caso concreto a exigência encontrase Fl. 1354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 44 impugnada, sua exigibilidade está suspensa e a constituição definitiva do crédito tributário ainda não se consumou, devendo ocorrer somente na data da ciência da decisão administrativa definitiva, todavia, a suspensão não alcança a obrigação acessória, como é o caso de juros moratórios, embora sua cobrança fique suspensa até que seja decidido o principal, o mesmo não acontece com sua fluidez. Ademais, quanto à exigência de juros de mora, dispõe o CTN, art. 161, que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento. Em consonância com essa regra o § 3o do art. 1º da Instrução Normativa SRF no 104/2000 e o item 19.3. do Parecer Normativo no 1, de 24 de setembro de 2002, dispõem: “Em qualquer hipótese, os juros de mora serão devidos sem qualquer interrupção desde o mês seguinte ao vencimento estabelecido na legislação ...”. Então, uma vez que o art. 161 do CTN estabelece a regra geral de incidência dos juros de mora, independentemente da motivação do não recolhimento do tributo, resta considerar que a impugnação apresentada pelo contribuinte não pode afastar a exigência dos juros, por falta de previsão legal. Cabe ressaltar que o contribuinte pode, se desejar evitar a fluência dos juros moratórios durante o julgamento administrativo, efetuar o depósito do montante discutido, que ser-lhe-á restituído ao final se o lançamento for considerado improcedente. (...) Item 2.1 Aquisição de Participação Societária na CMSA Item 14 da Decl. Bens e Item 02 de Dívidas) Durante os procedimentos de fiscalização foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 7, fls.246/248, constando entre os itens requisitados o item nº 7, abaixo reproduzido. “7 Na correspondência datada de 03/08/09, em seu item 1.5, o sujeito passivo informa, relativamente a aquisição da participação societária na empresa CMSA, que não existia em 31/12/04 a divida pendente com a empresa Walter Torre Jr. e que a divida seria com o Sr. Jacob da Silva Tomas, no valor de R$ 6.000.000,00, sem, contudo, apresentar documentação comprobatória. Todavia, a empresa Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ n° 05.507.498/000105, sucessora de Administração e Participações Walter Torre Jr. Ltda, alienante da participação societária na CMSA para o sujeito passivo, encaminhou a fiscalização cópia de "Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas". Citado documento, datado de 10/02/04, subscrito por Administração e Participações Walter Torre Jr. Ltda e Empresa Patrimonial Industrial II Ltda, CNPJ n° 02.643.897/000105, na qualidade de cedentes, e o sujeito passivo e a Sra. Maria Helena Baeta de Jesus, CPF n° 312.587.96805, na qualidade de cessionários, registra em sua Fl. 1355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 45 cláusula primeira que o sujeito passivo adquiriu as quotas de capital da empresa CMSA pelo valor de R$ 6.000.000,00, a serem pagos em 60 (sessenta) parcelas mensais, em moeda corrente, vencendo-se a primeira 30 (trinta) dias da data da assinatura do mencionado instrumento. Desta forma, está documentalmente materializado que o sujeito passivo possuía divida com Administração e Participações Walter Torre Jr Ltda e não com o Sr. Jacob da Silva Tomas como informado na correspondência. Ainda, de acordo com o documento, o sujeito passivo deveria ter pagado a quantia de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) ao credor, no ano calendário 2004. Esclarecer a inconsistência de informações apontada e informar as datas e valores pagos no ano-calendário 2004 relativamente a essa divida contratual.” Através do Termo de Intimação Fiscal nº E06, fls. 402, a empresa Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda foi intimada a: “1. Apresentar cópia do instrumento particular a que se refere o item I da "Terceira Alteração de Contrato Social da Sociedade Empresária Organizada sob a Forma de Sociedade Limitada Denominada WT Anhanguera Empreendimento Imobiliário SPE Ltda." (cópia encaminhada em anexo ao Termo de Intimação Fiscal n° E04); 2. Informar a(s) data(s) e valor(es) em que foi(ram) recebido(s) o(s) pagamento(s) relativo(s) à alienação da participação societária na empresa WT Anhanguera Empreendimento Imobiliário SPE Ltda, CNPJ no 05.507.498/000105, no valor de R$ 6.000.000,00, à Alvaro de Jesus Tomas, CPF no 060.629.82821; 3. Fornecer cópia dos comprovantes relativos ao recebimento dos pagamentos referidos no item 2 acima. Se recebidos em dinheiro, apresentar cópia da respectiva documentação contábil (lançamentos nos livros Diário e Razão) demonstrando a escrituração do numerário nas respectivas datas de pagamento. Se recebido através de cheques, depósito bancário, DOC, TED, etc, apresentar cópia dos extratos bancários demonstrando o crédito e cópia da respectiva documentação contábil (lançamentos nos livros Diário e Razão). Se através de outro meio, apresentar cópia da documentação pertinente e dos respectivos lançamentos contábeis nos livros Diário e Razão); Em resposta, fls. 405/406, a empresa Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários Ltda apenas se limitou a responder o item 1 da Intimação Fiscal E06 e, quanto aos itens 2 e 3, informou que estava diligenciando na obtenção da documentação contábil solicitada. Emitido o Termo de Intimação Fiscal Nº E07, fls. 412, no qual a empresa foi novamente instada a: “1. Informar a(s) data(s) e valor(es) em que foi(ram) recebido(s) o(s) pagamento(s) relativo(s) à alienação da participação societária na empresa WT Anhanguera Empreendimento Imobiliário SPE Ltda, CNPJ no Fl. 1356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 46 05.507.498/000105, no valor de R$ 6.000.000,00, à Alvaro de Jesus Tomas, CPF no 060.629.82821; 2. Fornecer cópia dos comprovantes relativos ao recebimento dos pagamentos referidos no item 2 acima. Se recebidos em dinheiro, apresentar cópia da respectiva documentação contábil (lançamentos nos livros Diário e Razão) demonstrando a escrituração do numerário nas respectivas datas de pagamento. Se recebido através de cheques, depósito bancário, DOC, TED, etc, apresentar cópia dos extratos bancários demonstrando o crédito e cópia da respectiva documentação contábil (lançamentos nos livros Diário e Razão). Se através de outro meio, apresentar cópia da documentação pertinente e dos respectivos lançamentos contábeis nos livros Diário e Razão); Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 865, a empresa não atendeu à solicitação. Considerando-se a existência de Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra de Quotas, que previu a aquisição de cotas no valor de R$ 6.000.000,00 a serem pagas em 60 (sessenta parcelas) mensais, vencendo-se a primeira 30 dias da data da assinatura do instrumento, a autoridade lançadora considerou como desembolso o valor de R$ 100.000,00 nos meses de março a dezembro de 2004 na apuração da Variação Patrimonial, conforme Demonstrativo de Variação Patrimonial, fls. 889/891. Durante os procedimentos de fiscalização foi solicitada à empresa Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários a apresentação de documentação comprobatória referente aos recebimentos de pagamentos, não tendo esta apresentado os documentos solicitados. Entretanto, na impugnação o Contribuinte apresenta uma Declaração emitida por Montecchio do Brasil Empreendimentos Imobiliários, sem que qualquer documento solicitado no Termo de Intimação Fiscal fosse apresentado. Entende-se que uma mera declaração da empresa, alegando que no ano de 2004 não foi efetuado pagamento referente ao Instrumento Particular de Compra e Venda, desacompanhada de documentação comprobatória correspondente ao alegado, não constitui prova, sendo tal documento insuficiente e frágil. Também poderia o próprio Contribuinte apresentar documentos que confirmassem que os pagamentos somente foram efetuados a partir do ano de 2005. Considerando a alegação contida na declaração de que os pagamentos iniciaram- se em 2005, as sessenta parcelas deveriam estar quitadas até o final do ano de 2009. Como o lançamento do Auto de Infração ocorreu em 14/12/2009 bastaria o sujeito passivo apresentar documentos que comprovassem os desembolsos do valor até a data do lançamento, o que ratificaria a declaração apresentada pelo sujeito passivo, de que o início do pagamento da dívida se deu no ano seguinte ao acordado. Fl. 1357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 47 Diferentemente do entendimento do voto do relator o Contribuinte, como sujeito da relação prevista no Instrumento Particular de Compra e Venda, tem total acesso a documentos que poderiam ser apresentados como meios de prova. Nem o contribuinte, nem a empresa intimada, apresentaram provas suficientes para que fosse desconsiderada a previsão contida no Instrumento de Contrato de Venda e Compra de Quotas. Dessa forma, uma vez que, com a impugnação apresentada, o interessado não logrou êxito em comprovar de forma inequívoca que não foram efetuados os pagamentos no ano de 2004, não se pode afastar a tributação dos referidos valores apurados através de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto. Pelo exposto, conclui-se pela manutenção dos valores lançados na apuração da Variação Patrimonial de desembolso de R$ 100.000,00 nos meses de março a dezembro de 2004, devendo ser mantido integralmente o valor de Acréscimo Patrimonial a Descoberto apurado no lançamento. Adicionalmente às razões de decidir supra reproduzidas, ora adotadas como fundamento do presente voto, cumpre destacar que, na sessão realizada em 07/11/2023, este Colegiado converteu o julgamento do presente processo administrativo em diligência fiscal para que o Contribuinte fosse intimado a (i) apresentar toda a documentação contábil, societária e comprobatória de pagamentos de dividendos/distribuição de lucros relativo às sociedades autuadas neste processo; (ii) comprovar, por intermédio da documentação solicitada e apresentação de planilha indicativa de tais, com respectivas razões, que o lucro distribuído pela sociedade ADR, no período do exercício fiscalização, não excedeu o limite legal para o regime do lucro presumido, mesmo não tendo levantado balancete mensais, bem como não tendo apresentando os balancetes analíticos do período de abril a dezembro de 2004 (Resolução nº 2402-001.329, p. 1.216). Em resposta, o Contribuinte apresentou o expediente de página 1.242 e seguintes, com os seus esclarecimentos / informações. Ato contínuo, em razão da Resolução nº 2401-001.397 (p. 1.259), foi emitida a Informação Fiscal de p. 1.293, por meio da qual o preposto fiscal diligente, debruçando-se sobre os documentos e esclarecimentos apresentados pelo Contribuinte, destacou e concluiu que: (...) O próprio interessado afirma e informa à fl. 1254 do processo o valor do lucro passível de distribuição na forma da legislação vigente à época dos fatos geradores, ou seja, R$ 152.198,39 (fl. 04 da denominada Planilha n° 3) (...) Fl. 1358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.203 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.002830/2009-22 48 sendo este exatamente o mesmo valor considerado pela autoridade fiscal, vide fl. 860 do processo (pág. 09 do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal), abaixo parcialmente transcrito: (...) E, à fl 1248 dos autos (fl. 03 da nominada Planilha n° 1, o contribuinte confirma ter recebido R$ 114.100,00 a título de lucro distribuído pela empresa ADR, como abaixo transcrito: (...) Desse modo, comprova-se pelos documentos anexados aos autos que a sociedade ADR excedeu o limite legal, para o regime do lucro presumido, na distribuição do seu lucro, uma vez que possuindo o contribuinte 35% da sociedade, faria jus ao lucro de R$ 53.269,44 (35% de R$ 152.198,39), valor considerado pela fiscalização no presente lançamento de ofício, tributando-se, de acordo com a norma de regência, o excesso, ou seja, R$ 60.830,57 (R$ 114.10,00 — R$ 53.269,44). (...) Reitero, portanto, que não restou demonstrado nos autos que o lucro efetivo (contábil) é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto optado, ou seja, o lucro presumido (art. 48, § 2° da IN n°. 93/97), sendo, desse modo, a parcela excedente submetida à tributação nos termos da legislação (destaquei). Conforme se vê, em face da diligência solicitada por essa Colenda Turma de Julgamento, restou constatado que o Contribuinte não logrou demonstrar / comprovar que a Sociedade possuía um lucro contábil superior ao presumido, razão pela qual, a parcela excedente deve ser, da fato, submetida à tributação. Neste espeque, não há qualquer ajuste a ser realizado na decisão de primeira instância, impondo-se a sua manutenção pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso de ofício, por não atingir o limite de alçada e, em relação ao recurso voluntário, voto no sentido de conhecê-lo integralmente, rejeitar a prejudicial de decadência suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Gregório Rechmann Junior Fl. 1359DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
