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Numero do processo: 13851.902190/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 90 /2 00 9- 79 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902190/200979 Acórdão n.º 1302002.504 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902190/200979 Acórdão n.º 1302002.504 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902190/200979 Acórdão n.º 1302002.504 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902190/200979 Acórdão n.º 1302002.504 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902190/200979 Acórdão n.º 1302002.504 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13858.720057/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO.
São isentas as verbas indenizatórias recebidas na rescisão do contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO. São isentas as verbas indenizatórias recebidas na rescisão do contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 97 1 96 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13858.720057/201584 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.019 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JACOMO CARLOS FAVARO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO. São isentas as verbas indenizatórias recebidas na rescisão do contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 72 00 57 /2 01 5- 84 Fl. 97DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13858.720057/201584 Acórdão n.º 2402006.019 S2C4T2 Fl. 98 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 46, tomado contra Acórdão da 8ª Turma de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à Impugnação de fls. 8, reconhecendo parcialmente o direito creditório perseguido. A r. decisão recorrida, teve seu relatório assim redigido: "O contribuinte acima qualificado entregou declaração de ajuste anual do exercício 2012, anocalendário 2011, indicando saldo de imposto de renda a restituir de R$ 8.321,66, do qual já recebeu R$ 903,95. Em virtude da constatação de irregularidades foi lavrada Notificação de Lançamento, às fls. 03/07, reduzindo a restituição para o valor de R$ 52,37. A fiscalização informa que apurou omissão de rendimentos do trabalho de R$ 26.783,06 recebidos da fonte pagadora Açúcar e Álcool Oswaldo Ribeiro de Mendonça Ltda. O contribuinte interpôs impugnação, às fls. 08, alegando que o rendimento indicado como omitido não deve ser tributado por se tratar de valor pago em pecúnia a título de licençaprêmio, férias não gozadas por necessidade de serviço e/ou respectivo adicional de um terço previsto no art. 7º, XVII da Constituição Federal." Eis, a seu turno, a ementa do Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ISENÇÃO. São isentas as verbas indenizatórias recebidas na rescisão do contrato de trabalho até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em seu apelo, reprisa, o recorrente, em um primeiro momento, os argumentos enunciados em sua peça de defesa quanto à isenção referente a rescisão de contrato de trabalho. Em seguida, apresenta cópia da Convenção Coletiva de Trabalho homologada pela Justiça do Trabalho que teria considerado isenta de tributação a verba recebida a título de “indenização cláusula convenção coletiva”, conforme exprimido na tabela de fls. 25. Assim, requer o provimento do recurso para que seja cancelado o lançamento objurgado. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal postos no Decreto nº 70.235/72 e, por isso, merece ser conhecido. Anoto, por primeiro, que os documentos juntados pelo recorrente após a Impugnação, a saber, a Convenção Coletiva que instituiu a indenização que constituiu o crédito ora perseguido e a Declaração de Ajuste Anual (exercício 2012), devem ser recebidos, em respeito aos Princípios da Instrumentalidade e da Verdade Material, em especial pelo fato de sua ausência ter sido aludida na decisão recorrida como impeditiva do reconhecimento de seu direito: "Por outro lado, não pode ser considerada isenta a verba recebida a título de “indenização cláusula convenção coletiva” porque não foi juntada aos autos a convenção coletiva homologada pela Justiça do Trabalho que supostamente a autorizou. Portanto, deve ser mantida a omissão de rendimentos no valor de R$ 13.391,54." Segundo já decidido pelo c. Superior Tribunal de Justiça, “nas instâncias ordinárias, é lícito as partes juntarem documentos aos autos a qualquer tempo (até mesmo por ocasião da interposição de apelação)...” (STJ – 3ªT – Resp. 660.267. Min. Nancy Andrighi, j. em 7.5.07). De mesmo modo, o que é decidido por este e. Conselho Administrativo. Confirase: “PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido.” (Ementa parcial) (Acórdão nº 2301 003.738. Sessão de 19/09/2013) Mesmo porque, a recusa da prova acostada aos autos iria de encontro direto com o que determinado pelo art. 399, inc. II, do Código Processual Civil, uma vez que a própria decisão objurgada sustenta a improcedência do pedido justamente pela falta da documentação trazida em sede de recurso, assim, nada mais correto que recebêla de pleno direito. Com a condição processual superada, temse que o recurso merece provimento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13858.720057/201584 Acórdão n.º 2402006.019 S2C4T2 Fl. 99 5 Isso porque, restou claro, com a juntada da Convenção Coletiva às fls. 48 usque 63, que o valor recebido não se caracteriza como renda por ter claro caráter indenizatório. É que tal pagamento está abrangido na regra referente à indenização paga por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, prevista no art. 6º, V, da Lei 7.713/88 e repetida no art. 39, XX, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Os dispositivos têm a seguinte redação : "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS "XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28);" Na mesma esteira, a 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp 876.446/RJ, da relatoria do eminente e saudoso Min. Teori Zavascki, firmou o entendimento no sentido de que "relativamente às indenizações pagas em razão de extinção do contrato de trabalho, estão isentas de imposto de renda não apenas as previstas em lei em sentido estrito, mas também as impostas por convenção ou acordo coletivo do trabalho, dada a força normativa desses atos no direito trabalhista”. Assim, restam cobertos os pagamentos ora em testilha. O referido julgamento restou assim ementado: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. ISENÇÃO PARA PROGRAMAS INSTITUÍDOS EM CUMPRIMENTO DE CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. (omissis). 2. O pagamento de indenização por rompimento de vínculo funcional ou trabalhista, embora represente acréscimo patrimonial, está contemplado por isenção em duas situações: (a) a prevista no art. 6º, V, da Lei 7.713/88 ("Ficam isentos do imposto de renda (...) a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei (...)") e (b) a prevista no art. 14 da Lei 9.468/97 ("Para fins de incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos, serão considerados como indenizações isentas os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário"). 3. No domínio do Direito do Trabalho, as fontes normativas não são apenas as leis em sentido estrito, mas também as convenções e os acordos coletivos, cuja força impositiva está prevista na própria Constituição (art. 7º, inc. XXVI). Nesse entendimento, não se pode ter por ilegítima a norma do art. 39, XX, do Decreto 3.000/99, que, ao regulamentar a hipótese de isenção do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, inclui entre as indenizações isentas, não apenas Fl. 101DF CARF MF 6 as decorrentes de ato do poder legislativo propriamente dito, mas também as previstas em "dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho (...)". 4. Podese afirmar, conseqüentemente, que estão isentas de imposto de renda, por força do art. 6º, V da Lei 7.713/88, regulamentado pelo art. 39, XX do Decreto 3.000/99, as indenizações por rescisão do contrato pagas pelos empregadores a seus empregados quando previstas em dissídio coletivo ou convenção trabalhista, inclusive, portanto, as decorrentes de programa de demissão voluntária instituídos em cumprimento das referidas normas coletivas. 5. Assim, ao estabelecer que "a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda", a súmula 215/STJ se refere não apenas a "pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário" do serviço público (isenção prevista no art. 14 da Lei 9.468/97), mas também a indenizações por adesão de empregados a programas de demissão voluntária instituídos por norma de caráter coletivo (isenção compreendida no art. 6º, V da Lei 7.713/88). 6. No caso concreto, não tendo sido demonstrado que a indenização seja decorrente de qualquer desses programas, não está configurada a liquidez e certeza do direito a isenção, razão pela qual o recurso merece provimento, para, sem prejuízo das vias ordinárias, denegar a segurança. 7. Recurso especial provido.” E não é outro o entendimento deste e. Conselho: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. INDENIZAÇÃO POR ESTABILIDADE. RELATIVIZAÇÃO DAS PROVAS TRAZIDAS AO PROCESSO. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF em virtude de indenização prevista em Convenção Coletiva de Trabalho, homologada pela Justiça do Trabalho, necessária a comprovação de que o contribuinte recebeu a mencionada indenização. Em respeito ao princípio da verdade material considerouse a Convenção Coletiva de Trabalho, homologada pela Justiça de Trabalho, e a declaração da fonte pagadora esclarecendo a natureza do montante recebido à título de indenização, para declarar o direito do recorrente à isenção. Recurso voluntário Provido. (grifouse) (Acórdão nº 2401004.319. Sessão de 14/04/2016)" Portanto, tratandose, aqui, de pagamento recebido em razão da extinção do contrato de trabalho, bem como acordada em convenção coletiva de trabalho, tal verba constrói natureza indenizatória, sendo alcançada, assim, pela isenção perseguida em sede recursal. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.007815/91-89
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2000
Ementa: Estando o equipamento descrito com todos os elementos necessários à sua identificação e não tendo sido comprovado qualquer intuito doloso ou de má-fé, por parte do declarante, não há a caracterização da "declaração inexata" para efeito da aplicação da multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91.
Recurso de Divergência parcialmente provido.
Numero da decisão: CSRF/03-03.094
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda (Relator), João Holanda Costa e Edison Pereira
Rodrigues, no item da multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Márcia Regina Machado Melaré.
Nome do relator: Henrique Prado Megda
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Matéria Recorrente Recorrida Interessadã Sessão de Acórdão n° : 10845.007815/91-89 : RD/303-0.228 : CLASSIFICAÇÃO : TEXTIL J. SERRANO LTDA : 3a CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES : FAZENDA NACIONAL : 11 DE ABRIL DE 2000 : CSRF/03-03.094 Estando o equipamento descrito com todos os elementos necessários á sua identificação e não tendo sido comprovado qualquer intuito doloso ou de má-fé, por parte do declarante, não há a caracterização da "declaração inexata" para efeito da aplicação da multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91. Recurso de Divergência parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEXTIL J. SERRANO LTDA ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir a multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda (Relator), João Holanda Costa e Edison Pereira Rodrigues, no item da multa. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Márcia Regina Machado Melaré. MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATORA DESIGNADA FORMALIZADO EM: 2 7 MAR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLI. PROCESSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE INTERESSADA 10845.007815/91-89 CSRF/03-03.094 TEXTIL J. SERRANO LTDA FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO O presente processo teve origem em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe, para exigir o imposto de importação, multa capitulada no art. 4° da Lei 8.218/91 e juros de mora, devidos por ter sido constatado, ao se procedér à conferência fisica das mercadorias importadas, que as mesmas não possuíam as especificações técnicas exigidas para serem enquadradas no destaque tarifário ("ex") pleiteado para a posição declarada, 8445.30.0100, como segue: Pelo laudo n° 1.419/91, anexo, foi constatado que a retorcedeira importada, modelo VTS-05-C é uma retorcedeira denominada CABLEADORA "DIRECT CABLER", não sendo do tipo fuso oco e muito menos do tipo "MOULIN" como declarado nos documentos de importação, além de não efetuar a dupla torção. Consta do laudo técnico que foram encontradas peças que, adaptadas à máquina, permitem a reversão do tipo VTS-05-C para a máquina VTS-05, denominada retorcedeira tipo "TWO FOR ONE", que opera com fuso oco, efetua a dupla torção porém, não é do tipo "MOULIN", como declarado. Pelo acima exposto e ainda, pelo fato de a interessada haver falseado a declaração da máquina, induzindo a fiscalização a acreditar que se tratava de uma máquina cuja importação é de interesse nacional, daí o tratamento tarifário preferencial "EX", fica a importadora intimada a recolher diferença de tributos decorrente da descaracterização acrescida da multa prevista na Lei n° 8.218/91, art. 4°, inciso I, pela declaração inexata e ainda juros de mora. Após impugnada, a ação fiscal foi julgada procedente em primeira instância administrativa e o sujeito passivo, inconformado, interpôs tempestivo recurso ao Egrégio 3° C.C. o qual confrrmou a decisão da autoridade monocrática, por unanimidade de votos, através do acórdão 303-28.126, da Colenda Terceira Câmara, com a seguinte ementa: Classificação - Preliminar rejeitada por não ter configurado cerceamento de defesa. . 2 PROCESSO N° ACÓRDÃO N° 10845.007815/91-89 CSRF/03-03.094 Identificada pelo Laudo Técnico n° 1419/91 que as três máquinas combinadas, retorcedeiras de dupla tração/cableadoras ''volkman'', não são do tipo "MOULIN" sua posição tarifária é no mesmo código, mas não se enquadra no "EX", criado pela Portaria MEFP n° 669/91. Em não sendo o produto classificado no destaque "EX" da posição 8445.30.0100, o importador não se beneficia com a alíquota zero para o Imposto de Importação. Irresignada; a autuada interpôs recurso especial de divergência a esta CSRF, nos termos do art. 3° do Decreto n° 83.304/79, apresentando como paradigmas o acórdão n° 301-27.901, da la Câmara do 3° Conselho de Contribuintes e outros, que, versando sobre o mesmo assunto, decidem de modo diverso do que consta no acórdão ora recorrido. Requer a reforma, declarando-se a nulidade da autuação, pela falta de indicação precisa dos fatos que ensejaram o procedimento fisca~ ou da r. decisão de primeira instância, por preterição do direito de defesa e, no tocante ao mérito, se for o caso, que se decrete o descabimento da penalidade cominada, reiterando todas as alegações de sua impugnação e de seu recurso ordinário e considerando especialmente: Em seu laudo, ao responder os quesitos formulados pela Fiscalização, no tocante à identificação das mercadorias submetidas a despacho, o engenheiro Fábio Campos Fatalla não encontrou nenhuma discrepância entre as mercadorias declaradas na D.I. e aquelas, objeto de inspeção técnica. - A dúvida que surgiu, e que motivou a presente ação fiscal, consistia em se saber se o equipamento despachado, ou seja, as (3) retorcedeiras, se enquadravam no CONCEITO de "mou1in", para efeito de enquadramento na norma jurídica (Portaria MEFP n° 669/91), que estabelecia tratamento favorável, de "EX", com alíquota zero, para a mercadora que cumpria aquele requisito. - Portanto, não encontramos nos autos nenhuma PROVA, nenhum começo de prova, nenhum indício, nenhuma indicação, que pudesse vir a respaldar a afrrmação constante do V. Acórdão, segundo a qual ela, recorrente, teria "falseado a declaração da / máquina", por conseguinte, cometido a infração do art. 4°, I, da Lei n° 8.218/91 "pela declaração inexata" ... 3 PROCESSO N° ACÓRDÃO N° 10845.007815/91-89 CSRF/03-03.094 _ Ao exigir a multa do art. 4°, I, da Lei n° 8.218/91, o AFfN autuante não aftrmou que assim procedia em virtude de o contribuinte ter feito "declaração inexata". - A decisão de primeira instância limitou-se a manter a exigência da multa do art. 4°, I, da Lei nO8.218/91, sem motivar aquele seu ato e, em conjunto momento nenhum, mencionado naquele decisório conftgurar-se, in casu, "declaração inexata". Referida anotação passou a existir nos autos a partir do V. Acórdão recorrido. _ No que concerne à multa do art. 4°, I, da Lei n° 8.218/91, o V. Acórdão louvou-se em pressuposto que não tinha a confrrmá-Io a prova dos autos, contentando-se com o parecer técnico do engenheiro designado pela fiscalização, quando a recorrente já houvera requerido a realização das provas pertinentes. o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, com guarda de prazo e legalmente representado, foi acolhido pelo Sr. Presidente da Colenda Câmara recorrida, estando configurada a divergência apontada e satisfeitos os demais pressupostos para sua admissibilidade, fazendo os autos presentes a d. Procuradoria da Fazenda Nacional, que se absteve de ofertar contra-razões, e, posteriormente, encaminhados a esta CSRF para apreciação e julgamento. É o relatório. 4 PROCESSO N° ACÓRDÃO N° 10845.007815/91-89 CSRF/03-03.094 VOTO VENCIDO CONSELHEIRORELATORHENRIQUE PRADO MEGDA Com efeito, examinando-se atentamente os elementos constantes do processo verifica-se que o auto de infração encontra-se solidamente fundado no laudo pericial n° 1419/91, emitido sob solicitação da autoridade aduaneira, por Assistente Técnico credenciado junto à Secretaria da Receita Federal, após inspeção fisica das mercadorias e respondendo aos quesitos formulados pelo autor do feito, merecendo destaque os seguintes tópicos: - Toma-se importante esclarecer, que a máquina modelo VTS-05- C é uma retorcedeira tipo cableadora (direct cabler), que executa um processo misto de torcer e entrelaçar. Contudo, não se trata de uma retorcedeira tipo fuso oco (moulin) e não efetua dupla torção. - Convém citarmos que, entre as peças examinadas nas 123 caixas de madeira, identificamos peças que poderão ser utilizadas na conversão de máquina modelo VTS-05-C para máquina modelo VTS-05 denominada "two-for-one", que executa o processo de dupla torção, isto é, com uma evolução ela efetua duas torções no cabo de ftlamentos, porém, neste caso, também não se trata de uma retorcedeira tipo moulin, como declarado nos documentos de importação. - A título de esclarecimento, uma retorcedeira tipo fuso oco (moulin) é uma máquina de concepção diferente, pois trabalha alimentada por carretel, que tem como função recobrir/amarrar um cabo de fIlamentos (alma). Podemos concluir que a máquina em questão não se similariza nem mecanicamente como também na realização do produto final a que se destina. Releva registrar que, posteriormente, em atendimento ao pedido de esclarecimentos referente às questões levantadas na impugnação, o Assistente Técnico confirmou, integralmente, as conclusões do referido laudo, discorrendo amplamente sobre os conceitos utilizados, com apoio em ilustrações extraídas dos catálogos 5 I / PROCESSON° ACÓRDÃON° 10845.007815/91-89 CSRF/03-03.094 técnicos fornecidos pelo próprio fabricante da máquina, lembrando, ao fmal, que o assunto foi exaustivamente debatido com outros técnicos especializados na área pertencentes a importantes organizações, tanto do setor público quanto do privado. Por outro lado, a defendente, na peça impugnatória e em todos os atos processuais subsequentes, limitou-se a atacar os conceitos contidos e as conclusões a que chegou o trabalho pericia~ reafirmando que a máquina, objeto da lide, é do tipo "moulin" e apresenta todos os requisitos para ser enquadrada no destaque tarifário que pleiteia, sem contudo, trazer aos autos qualquer tipo de prova, tais como, laudo pericial, literatura técnica, catálogos, declarações do fabricante, etc. Convém registrar que, já na impugnação, alegando a pretensão de robustecer a instrução processual, a autuada requereu a produção de todas as provas em direito permitidas, dentre elas a realização de perícia técnica, sem, contudo, indicar perito e formular quesitos, descumprindo, assim, o disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei 8.748/93. Destarte, em face do amplo conjunto probatório acostado aos autos, transparece com clareza que as alegações da recorrente não foram suficientes para vulnerar a tese defendida pelo fisco, solidamente fundamentada, devendo ser mantido em sua totalidade o r. Acórdão recorrido, até mesmo no tocante à penalidade do art. 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, na verdade, a única matéria sobre a qual se comprovou dissídio jurisprudencial, por efetiva ocorrência da hipótese legal e não de meras inexatidões materiais, como alegado. Voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de Abril de 2000 6 PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10845,007815/91-89 : CSRF/03-03.094 VOTO VENCEDOR Conselheira Relatora MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Trata-se de questão de classificação tarifária em que , exigida a multa prevista no art. 4°" inciso I, da Lei 8.218/91. Contudo, estando o equipamento descrito com todos os elementos necessários á sua identificação e não tendo sido comprovado qualquer intuito doloso ou de má-fé, por parte do declarante, não há a caracterização da "declaração inexata" para efeito da aplicação da multa prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, atualmente disposta no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996, mas simples caso de classificação tarifária errônea a demandar a exigência das diferenças dos tributos. Nesse sentido dispõe o Ato Declaratório Normativo SRF nOI0/97, sendo também este o entendimento constante do Acórdão paradigma de fls. 162/173 (Acórdão n° 302-33.133) : " No que se refere à multa capitulada no art. 4°., inciso I, da Lei n° 8218/91, não a considero pertinente, no caso, uma vez que a mera invocação de beneficio, entendido como incabível pela autoridade fiscal, não constitui infração (PN CST n°. 255/71). Tal posicionamento está agora respaldado pelo disposto no Ato Declaratório (Normativo) CST n°. 36, de 03 de outubro de 1995." Mas, ainda que assim não fosse, a exclusão da multa lançada com base no artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91 seria de rigor por falta de atendimento ao princípio da tipicidade. 7 PROCESSON° ACÓRDÃON° : 10845.007815/91-89 : CSRF/03-03.094 o inciso I do artigo 4° da Lei 8.218/91 prevê, genericamente, três hipóteses fáticas que ensejariam a aplicação da multa, constituindo um tipo aberto, não utilizável em direito tributário . Nessa área, imperativa a utilização do tipo cerrado, que defme de modo preciso e exaustivo seus elementos e características. "Neste tipo há subsunç~o do fato concreto ao tipo, isto é, o fato concreto deve apresentar todas as notas características do tipo, deve "cair" dentro do tipo legal para que este lhe possa ser aplicado."(Younne Dolácio de Oliveira - Curso de Direito Tributário, vol. 1, edições CEJUP). Além do mais, ainda que estivesse a norma perfeitamente adequada ao princípio da tipicidade, para poder prevalecer a penalização, a fiscalização deveria, fundadamente, explicitar por qual daquelas três hipóteses constantes da regra legal o contribuintes estaria sendo apenado. Não o fazendo no momento oportuno do lançamento ou da lavratura do auto de infração, de forma expressa, caracterizada fica a violação ao direito do amplo exercício da defesa por parte do contribuinte. Nesse sentido é, também, a posição adotada no Acórdão n° 301.27.640, de fls. 145/150, trazido como paradigma da divergência: "Nenhuma outra consideração foi feita, objetivando fundamentar a aplicação da mencionada multa. A aplicação da multa questionada exibe várias hipóteses distintas. É imprescindível que a autoridade fiscal, quando da penalização do infrator, indique explicitamente qual das hipóteses ocorreu. A vaga alegação de ,que a multa "possui todos os elementos necessários para sua exigência" não informa adequadamente ao autuado qual ato ou omissão a ele imputável estaria ensejando a punição. No caso vertente, as hipóteses elencadas pela lei não poderiam ocorrer simultaneamente. Ao deixar de explicitar, entre as hipóteses contidas no dispositivo legal, aquela que ensejou a aplicação da punição, a autoridade cerceou o direito de defesa do autuado. Impõe-se que autoridade descreva o fato , concreto passível de punição, apontando a norma que foi transgredida". 8 PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10845.007815/91-89 : CSRF/03-03.094 Assim sendo, voto no sentido de ser dado provimento parcial ao recurso de fls., a ftm de ser excluída a multa imposta com base no artigo 4°, I, da Lei 8.218/91. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2000. r--~--,..--~ MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ 9 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002262/2003-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Cerceamento do Direito de Defesa. A decisão de primeira instância administrativa deve enfrentar todas as razões de defesa
suscitadas pelo impugnante. Caso não o faça, impede que esta
corte as conheça, sob pena de supressão de instância e,
conseqüentemente, violação da ampla defesa.
Numero da decisão: 1402-000.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, e determinar que outra decisão seja proferida com a inclusão do enfrentamento da matéria não apreciada, nos termos
do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Cerceamento do Direito de Defesa. A decisão de primeira instância administrativa deve enfrentar todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante. Caso não o faça, impede que esta corte as conheça, sob pena de supressão de instância e, conseqüentemente, violação da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, e determinar que outra decisão seja proferida com a inclusão do enfrentamento da matéria não apreciada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. EDITADO EM: 15/10/2010 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vice-Presidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Diniz Raposo Silva e Sergio Luiz Bezerra Presta. Relatório Naratex Confecções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Brasília/DF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3º da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XII-"f" e V-4º do art. 9º da referida lei . A manifestante contesta, em síntese, sua exclusão do Simples sob os seguintes argumentos: Há ofensa a princípios constitucionais. Os efeitos da exclusão devem ser a partir da decisão definitiva na esfera administrativa. Não exerce atividade impeditiva. Assim, requer que seja reconsiderada a decisão que determinou sua exclusão e que se determine sua permanência no Simples.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) proferiu em 24/09/2007 o Acórdão nº 22.521 (fls. 111-113), que traz a seguinte ementa: “Opção pelo Simples - Condição Vedada - Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/03/2008 (A.R. de fl. 115), a recorrente interpôs recurso voluntário em 11/04/2008 (fl. 118-129) onde alega não exercer condição vedada à opção pelo Simples e, mesmo caso se entendesse de forma diferente, que os efeitos da exclusão não poderiam retroagir a 01/01/2002. Quanto a esse último item, sustenta que a DRJ teria deixado de apreciá-lo em seu acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. De se destacar, de plano, que cabe razão à recorrente em questão preliminar levantada. A matéria, questionada (fls. 101-104) pela recorrente em sua manifestação de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13971.002262/2003-24 Acórdão n.º 1402-00.169 S1-C4T2 Fl. 133 3 inconformidade, sobre o alcance temporal dos efeitos da exclusão da recorrente do Simples não foi enfrentada pela autoridade julgadora de primeira instância, que se limitou a afirmar que “No que tange aos efeitos da exclusão, registre-se que, no caso, a exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente.” Esclareça-se, nesse sentido, que a falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância de razões de defesa apresentadas na impugnação caracteriza preterição do direito de defesa da recorrente. O conhecimento da matéria por este Conselho, sem discussão pela Delegacia de Julgamento, constituir-se-ia em supressão de instância e, conseqüentemente, em violação da ampla defesa. Ex positis, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, determinando que outra seja proferida com a inclusão do enfrentamento da matéria não apreciada. Sala das Sessões, em 17 de maio de 2010. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/10/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 15/10/2010 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 25/10/2010 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15455.720023/2014-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 45 5. 72 00 23 /2 01 4- 77 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15455.720023/201477 Acórdão n.º 1001000.255 S1C0T1 Fl. 52 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1451.623, de 30/06/2014 (efls. 21/26), objetivando a reforma do referido julgado. Em 07/01/2014, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 14/02/2014 (efl. 11), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na situação impeditiva de débitos com a Secretaria da Receita Federal de natureza não previdenciária, cujas exigibilidades não estavam suspensas.A relação dos vinte e três (23) débitos está disposta no Termo de Indeferimento, à efls.12/15. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando que antes de fazer o parcelamento entrou em contato telefônico com a RFB que informou que todos os débitos entrariam no parcelamento. No entanto, um dos débitos não foi parcelado A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS. PENDÊNCIAS IMPEDITIVAS. VEDAÇÃO DE INGRESSO NO REGIME DIFERENCIADO. A existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não regularizados até o prazo para solicitação da opção ao regime do Simples Nacional, é circunstância impeditiva para ingresso no referido sistema. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 22/07/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 28, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 13/08/2014 (efls. 30/31), conforme carimbo aposto à efl. 30. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15455.720023/201477 Acórdão n.º 1001000.255 S1C0T1 Fl. 53 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) E o artigo 31, §2º, tem a seguinte redação: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso Fl. 53DF CARF MF Processo nº 15455.720023/201477 Acórdão n.º 1001000.255 S1C0T1 Fl. 54 4 não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que efetuou o parcelamento dos débitos, anexa a primeira parcela e informa que as demais prestações estão sendo pagas dentro do prazo, mas que a multa não entrou no parcelamento. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: A contribuinte reconhece que não regularizou todos os débitos impeditivos dentro do período de opção 31/01/2014. Alega que um dos débitos não entrou no parcelamento. (omissis) No entanto, ainda que conste Pedido de Parcelamento nos termos da Resolução CGSN n° 94/2011 e Instrução Normativa RFB n° 1.229/2011, não há comprovação do pagamento da 1ª parcela ou que o parcelamento esteja deferido e ativo. O Decreto 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, cuja aplicação no presente caso encontra respaldo no art. 109 da Resolução CGSN n° 94/2011, dispõe em seu artigo 16, § 4° que a prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade. Cabe ao autor a comprovação de sua alegação. Como referido, o contribuinte não comprovou que o parcelamento ocorreu e que o débito impeditivo estaria portanto, com exigibilidade suspensa. Comprova apenas o Pedido de parcelamento. Além de que consta débito decorrente de obrigação acessória, que não foi regularizado, bem como não é passível de parcelamento, pois o tipo de parcelamento requerido é destinado àqueles decorrentes do Simples Nacional conforme Resolução do CGSN e Instrução Normativa referidas, expressas no próprio Pedido de Parcelamento juntado pela requerente às fls. 16. Para elucidar transcrevese o artigo 1° da Instrução Normativa RFB n° 1.229, de 21 de dezembro de 2011: CAPÍTULO I DA ABRANGÊNCIA DO PARCELAMENTO Art. 1 º Os débitos de responsabilidade das Microempresas (ME) e das Empresas de Pequeno Porte (EPP), apurados no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos devidos pelas Microempresas, pelas Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) poderão ser parcelados em até 60 (sessenta) parcelas mensais e sucessivas, observadas as disposições constantes desta Instrução Normativa. § 1 º O parcelamento de que trata esta Instrução Normativa não se aplica: I aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União (DAU); Fl. 54DF CARF MF Processo nº 15455.720023/201477 Acórdão n.º 1001000.255 S1C0T1 Fl. 55 5 II aos débitos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) inscritos em dívida ativa do respectivo ente; III às multas por descumprimento de obrigação acessória; IV à Contribuição Patronal Previdenciária para a Seguridade Social, no caso de empresa optante, tributada com base: a) nos Anexos IV e V à Lei Complementar n º 123, de 14 de dezembro de 2006 , até 31 de dezembro de 2008; b) no Anexo IV à Lei Complementar n º 123, de 2006 , a partir de 1 º de janeiro de 2009; (omissis) Diante do exposto, VOTO pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e manutenção do Termo de Indeferimento da Opção em questão. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção (31/01/2014), voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.904600/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2006
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.746
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 00 /2 01 2- 01 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06045.488, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.904600/201201 Acórdão n.º 3402004.746 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.002145/2009-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 45 /2 00 9- 18 Fl. 108DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Cabe esclarecer que, existindo dúvida quanto a efetividade dos gastos médicos declarados, especialmente quando se mostrarem exagerados, a legislação tributária permite que a autoridade tributária não acate simples recibos como provas suficientes para evidenciar as efetivas realizações de tais gastos podendo solicitar elementos adicionais que demonstrem de modo absoluto a veracidade das deduções pleiteadas. Assim, para se gozar de deduções referentes a despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação do pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando os pagamentos forem questionados pela fiscalização. Diante do exposto, foi efetuada a glosa do valor de R$33.531,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10640.002145/200918 Acórdão n.º 2001000.040 S2C0T1 Fl. 3 3 No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: Fl. 110DF CARF MF 4 “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10640.002145/200918 Acórdão n.º 2001000.040 S2C0T1 Fl. 4 5 incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 112DF CARF MF 6 Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722909/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2003
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Decisão judicial transitada em julgado que negou reconhecimento da ocorrência de decadência para o lançamento em questão deve ser reproduzida pelos demais órgãos da Administração Pública.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. JUIZ INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Decisão judicial transitada em julgado que reconhece a validade do procedimento de quebra de sigilo bancário para o lançamento em questão deve ser reproduzida pelos demais órgãos da Administração Pública.
NULIDADES DO LANÇAMENTO.
Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-005.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer do recurso voluntário, (b) rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2003 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Decisão judicial transitada em julgado que negou reconhecimento da ocorrência de decadência para o lançamento em questão deve ser reproduzida pelos demais órgãos da Administração Pública. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. JUIZ INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Decisão judicial transitada em julgado que reconhece a validade do procedimento de quebra de sigilo bancário para o lançamento em questão deve ser reproduzida pelos demais órgãos da Administração Pública. NULIDADES DO LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Decisão judicial transitada em julgado que negou reconhecimento da ocorrência de decadência para o lançamento em questão deve ser reproduzida pelos demais órgãos da Administração Pública. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. JUIZ INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Decisão judicial transitada em julgado que reconhece a validade do procedimento de quebra de sigilo bancário para o lançamento em questão deve ser reproduzida pelos demais órgãos da Administração Pública. NULIDADES DO LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer do recurso voluntário, (b) rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 09 /2 01 2- 92 Fl. 219DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1644.522 (e fls. 162/182), proferido em sessão de 6 de março de 2013 pela 17ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação em relação à preliminar de decadência, rejeitou as demais preliminares e, no mérito, julgou improcedente a impugnação apresentada. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 28/11/2012, o Auto de Infração de efls. 42 a 49, relativo ao IRPF, exercícios 2002 e 2004 (anoscalendário 2001 e 2003, respectivamente), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 1.961.490,01, decorrente da seguinte infração: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados, nos anoscalendário 2.001 e 2.003, em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fato Gerador Valor Tributável Multa(%) 2.001 R$ 598.200,00 75,00 2.003 R$ 1.931.100,70 75,00 Enquadramento legal: Art. 849 do RIR/99; art. 42 da Lei nº 9.430/1.996; art. 4º da Lei nº 9.481/1.997; art. 1º da Lei nº 9.887/1.999; art. 1º da Medida Provisória nº 22/2.002, convertida na Lei nº 10.451/2.002. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 3 3 Extraise do Termo de Verificação Fiscal (efls. 35 a 41) as seguintes informações: trata de reexame de período já fiscalizado referente ao IRPF 2001 e 2003, autorizado pelo MPF nº 08.1.90.002011000855; o auto de infração original foi lavrado e tomado ciência em 26/04/2007 com base no MPF nº 08.1.90.0020060263701, PAF nº 19515.001051/200761, e anulado por vício formal de lançamento. Na ocasião foi protocolada Representação Fiscal para Fins penais PAF nº 19515.001113/200735; a base de cálculo utilizada no reexame foi a mesma do AI original, sendo a única alteração a descrição da infração, no lugar de "Omissão de Rendimentos caracterizada por recursos financeiros movimentados no exterior" consta agora " Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada", não alterando nada mais, nem trazendo nenhum elemento novo à fiscalização já realizada; esclarece que o procedimento fiscal teve por base trabalho elaborado por Equipe Especial de Fiscalização que, apoiado com base em decisão da Justiça Federal de Curitiba/PR, a pedido da Polícia Federal do mesmo Estado, autorizou a quebra de sigilo bancário de contas mantidas no exterior por Instituições Financeiras que atuavam como prepostos bancáriosfinanceiros de pessoas físicas e jurídicas representadas por cidadãos brasileiros. Dentre essas pessoas físicas encontrase o contribuinte sob fiscalização, como beneficiário de recursos financeiros movimentados no exterior; que, com base nas investigações promovidas, foi apresentado ao contribuinte planilha contendo os valores por ele movimentados em contas no exterior, intimandoo a comprovar a origem dos valores e que o mesmo disse desconhecer as transações relacionadas, não apresentando nenhum documento que pudesse ser utilizado pela fiscalização. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese o descrito no relatório da decisão recorrida, cujos excertos transcrevo:. 3. Cientificado do Auto de Infração em 30/11/2.012 (fl. 50), o contribuinte, por intermédio de seu representante legal (fls. 77 a 79), apresentou, em 13/12/2.012, a impugnação de fls. 56 a 76, acompanhada dos documentos de fls. 77 a 159, alegando, em síntese, que: I DOS FATOS 3.1 no referido Auto de Infração, muito embora constasse que o Impugnante não apresentou os extratos bancários ou outros documentos que pudessem ser utilizados pelo Fisco, o contribuinte solicitou à fiscalização da Receita Federal que apresentasse documentos nos quais baseou sua presunção, não tendo até esta data sido atendido; 3.2 é necessário consignar que, anteriormente a lavratura do Auto de Infração ora impugnado, o contribuinte teve a seu favor, no Conselho de Contribuintes, decisão que anulou o Auto de Infração anteriormente lavrado sob o n.° 08190002006026370 (fls. 96 a 113). que tratou sobre o mesmo assunto em questão Fl. 221DF CARF MF 4 neste feito, inclusive decisão que considerou decaído o direito da Fazenda de lançar em face deste contribuinte; 3.3 na medida em que o acórdão prolatado anteriormente pelo CARF analisou o caso em questão, julgando decaído o direito da Fazenda Nacional (fls. 106 a 113) e também declarando nulo o lançamento anteriormente impugnado, que teve o mesmo objeto do presente lançamento (fls. 96 a 105), o Recorrente, surpreendido com nova fiscalização sobre este assunto que já estava resolvido, foi obrigado a impetrar Mandado de Segurança que foi distribuído sob n.° 000771672.2012.403.6100, junto à 14a Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, que, conforme decisão (fls. 114 a 140), e recurso de apelação anexo (fls. 141 a 158), aguarda julgamento no E. Tribunal Regional Federal da 3a Região (fl. 159); 3.4 no presente caso, ocorreu também a quebra ilegal do sigilo bancário do contribuinte, uma vez ter ocorrido em decorrência de decisão de Juiz incompetente; II DO DIREITO II.1 DOS VÍCIOS FORMAIS DO AUTO DE INFRAÇÃO 3.5 o Auto de Infração, encontrase eivado de vícios formais, uma vez que não traz os documentos hábeis a comprovar as referidas infrações apontadas pelo Fisco, muito menos informa de onde foram retirados os números utilizados para atribuição dos valores principais e, além disso, informa que o Impugnante, ora é beneficiário dos referidos valores, ora é remetente, ora é ordenante, de modo que não se sabe, certamente, em qual sujeição está enquadrado, fatos que impedem o direito ao contraditório e à ampla defesa, assegurados pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal de 1.988; II.2 DOS VÍCIOS MATERIAIS DO AUTO DE INFRAÇÃO 3.6 a Fiscalização baseouse apenas em mídia eletrônica para lavrar o Auto de Infração ora impugnado, mídia esta que não pode ser considerada como meio de prova, eis que despida de qualquer validade oficial, conforme se verifica do primeiro Auto de Infração lavrado (fls. 96 a 105), que foi considerado nulo pelo CARF; 3.7 o documento a ser considerado como prova cabal para atestar a veracidade dos fatos deve não apenas ter um conteúdo escrito, mas também possuir elementos que lhe atestem validade e veracidade, sendo que, no caso em foco, na primeira autuação lavrada (que ora se relançou) a Fiscalização apresentou apenas a cópia simples de um documento impresso pela própria Secretaria da Receita Federal, com indicações de movimentações financeiras no "MTB Hudson Bank" pelo ora Impugnante, o que não se presta a comprovar os fatos alegados, pois, caso assim fosse, qualquer documento escrito, sem assinatura ou timbre oficial, teria validade e eficácia indiscutível para provar fatos alegados, observandose, por outro lado, que o referido documento não tem forma nem figura de documento oficial, pois não se trata de ofício ou qualquer outra forma usual Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 4 5 de comunicação entre autoridades, ainda mais de países distintos; 3.8 o documento em análise foi emitido de forma eletrônica, prejudicando a segurança (jurídica) no que tange à identificação do emitente e à autenticidade de seu conteúdo, devendo a Fiscalização, para comprovar, validamente, os fatos alegados, ter juntado cópia das remessas, recebimento ou beneficiamento de valores supostamente efetuados pelo Impugnante, e por ela afirmadas, ou, no mínimo, documento oficial do banco "MTB Hudson Bank'' a fim de comprovar os fatos, eis que nem a Impugnada sabe identificar, ao certo, em que relação figura o Impugnante autuado; 3.9 desta forma, verificase nitidamente a inexistência de provas cabais a fim de atestar possíveis remessas ou recebimento de valores do exterior, afirmadas pela Secretaria da Receita Federal e supostamente efetuadas pelo Impugnante, eis que os documentos apresentados não possuem forma válida admitida pelo ordenamento jurídico brasileiro como meio de prova; II.3 DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO 3.10 considerando que o fato gerador (hipótese de incidência) ocorreu em 2.001 e 2.003 e a obrigação tributária só foi formalizada através do lançamento, inicialmente em 2.007 (considerado nulo pelo CARF) e agora em 2012, nitidamente verificase a ocorrência da decadência, eis que ultrapassado o prazo legal de 5 (cinco) anos para sua constituição definitiva (reproduz Jurisprudência); 3.11 mesmo que em toda a extensão do Acórdão prolatado pelo CARF se entendeu pela decadência do período autuado de 2.001, somente na sua parte final é que mencionou a nulidade de lançamento por vício formal, brecha essa que o Fisco utilizou como justificativa para promover a refiscalização, mesmo não atentando a todo o teor do referido Acórdão do CARF; 3.12 considerando que o fato gerador ocorreu, primeiro em 2.001 e depois, em 2.003, o novo lançamento em foco, efetuado em 30/11/2.012, estava maculado pela decadência, eis que passados os cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, tendo o prazo para efetuar o lançamento expirado em 31 de dezembro de 2.006 e 31 de dezembro de 2.008, respectivamente (reproduz Jurisprudência e Doutrina); II.3.1 DO LANÇAMENTO RECONHECIDAMENTE NULO POR ACÓRDÃO DO CARF 3.13 não bastasse a ocorrência da decadência do direito da Fazenda em lançar o crédito ora impugnado, certo é que, em decisão anterior, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF reconheceu ser nulo o lançamento anteriormente impugnado, que teve como análise o mesmo objeto do Auto de Infração que ora se impugna, conforme se comprova pelos docs. Fl. 223DF CARF MF 6 03 e 04 anexos (fls. 96 a 113), ou seja, se nulo ele era, jamais existiu e, decorrido o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador, não há mais que se falar em lançamento, tendo em vista o instituto da decadência, conforme disposto no CTN; 3.14 é de se ressaltar, inclusive, que o vício constante da primeira fiscalização e abordada no Acórdão do CARF não foi, de forma alguma, vício formal e, por tal razão, a toda evidência, não enseja tal acórdão a aplicação do disposto no art. 173, inciso II, do CTN, abrindo a possibilidade de nova autuação do contribuinte em tela (reproduz Doutrina); 3.15 se nulo foi considerado o lançamento anteriormente impugnado, não poderia a Receita Federal autuar novamente este contribuinte para cobrar e/ou discutir matéria que já foi objeto de processo administrativo transitado em julgado; II.4 DA DECISÃO DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO EMANADA DE JUIZ INCOMPETENTE 3.16 o Impugnante é sediado em São Paulo e, portanto, qualquer quebra de sigilo seu está adstrita ao ordenamento judicial sediado em São Paulo, o que não ocorreu no caso dos autos, pois a Receita Federal efetuou a quebra do sigilo bancário baseada apenas na decisão judicial da Justiça Federal do Paraná, conforme consta da própria exposição de motivos do Auto de Infração que foi anulado pelo E. CARFdoc. 03 anexo fls. 96 a 105 (reproduz Jurisprudência e Doutrina); (...) III DO PEDIDO 3.20 ante o exposto, requer seja o Auto de Infração julgado totalmente improcedente e integralmente desconstituído, tendo em vista: a) os vícios materiais que maculam o auto impugnado, eis que nem a Impugnada sabe, ao certo, dizer se o impugnante foi ordenante, beneficiário ou remetente de valores ao exterior; b) a inexigibilidade dos valores apontados no Auto de Infração ora impugnado, a título de Imposto de Renda Pessoa Física referente o período de 2.001 e 2.003; c) a ocorrência da decadência referente os supostos débitos cujo fatos geradores ocorreram em 2.001 e 2.003 (como bem já entendeu o próprio CARF quando do julgamento do mesmo objeto, conforme acórdão anexo doc. 04), ainda mais porque seu lançamento somente se deu em 2.007 e 2.012; d) também, em decisão anterior, o CARF considerou nulo o lançamento efetuado em face deste contribuinte e, se nulo foi considerado, ele jamais existiu; e, se jamais existiu, um novo lançamento está nitidamente atingido pela decadência, no seu todo; e) que a quebra do sigilo bancário deste contribuinte foi emanada de Juiz incompetente para tal. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 5 7 A impugnação foi julgada improcedente, sendo a ementa do Acórdão assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001,2003 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO PROCESSO JUDICIAL A propositura de ação judicial implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso, acaso interposto. Preliminar não conhecida. PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO EFETUADA MEDIANTE DECISÃO JUDICIAL. Descaracterizada a quebra do sigilo bancário, decretada mediante decisão judicial e ratificada pelo Poder Judiciário em sentença de mérito que negou provimento a Mandado de Segurança interposto pelo contribuinte. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE VÍCIO MATERIAL NO AUTO DE INFRAÇÃO. Uma vez que os documentos que apontam remessas, por parte do contribuinte, de recursos para o exterior originaramse de procedimentos efetuados pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Judiciário, conjuntamente com as autoridades americanas e que tais documentos encontramse convalidados por Laudos de Exame EconômicoFinanceiro emitidos pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, não pode subsistir a alegação de vício material no lançamento. Preliminar rejeitada. PRELIMINARES. VÍCIOS FORMAIS NO AUTO DE INFRAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de vícios formais no Auto de Infração e de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal e o interessado, ciente dos depósitos bancários que lastrearam a presente ação fiscal e que encontram ressonância nos documentos constantes do processo em apenso ao presente, teve, tanto na fase de autuação referente ao lançamento objeto de anulação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da presente impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes no Fl. 225DF CARF MF 8 sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. Preliminares rejeitadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Omissão de rendimentos mantida. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Em consonância com a legislação de regência, a apuração de omissão de rendimentos com base na existência de depósitos bancários de origem não comprovada enseja a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), lastreada na ocorrência de falta de declaração por parte do contribuinte. MULTA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não pode ser inquinado pela alegação de confisco o lançamento do imposto de renda da pessoa física que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de rendimentos, bem como impôs multa de ofício que apresentou como base de cálculo o correspondente imposto apurado. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 06/09/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/09/2013 (efls. 187/206) em que repisa as alegações da impugnação, a saber: a) nulidade da autuação por vício formal; b) nulidade da autuação por vício material; c) decadência do débito lançado; d) nulidade do lançamento reconhecida pelo CARF (Acórdão 220200.214); e) lançamento baseado em quebra de sigilo bancário por juiz incompetente. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do recurso, passo à sua análise. Decadência Quebra de Sigilo Bancário Mandado de Segurança nº 000771672.2012.403.6100 Inicialmente cabe salientar que o contribuinte ao buscar a via judicial para questionar a validade do procedimento de refiscalização, em especial a ocorrência de decadência, abre mão da discussão na esfera administrativa, como já ressaltado pela decisão da DRJ, e Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Todavia, havendo decisão judicial transitada em julgado sobre a matéria, os órgãos da Administração Pública devem adotar o posicionamento judicial, sob pena de afronta à coisa julgada. Conforme informado no Acórdão da DRJ, na data daquele julgamento, o Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte sob n.° 000771672.2012.403.6100, junto à 14a Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, teve seu pedido de liminar indeferido e aguardava julgamento da apelação do contribuinte no E. Tribunal Regional Federal da 3a Região (fl. 159). Em consulta ao sítio do TRF3 verificase que a 6ª Turma do Tribunal, em 07/04/2016, negou provimento à apelação nos seguintes termos: APELAÇÃO CÍVEL Nº 000771672.2012.4.03.6100/SP 2012.61.00.0077164/SP EMENTA APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENDIDA ANULAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO, LAVRADO À CONTA DE DADOS OBTIDOS COM QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ORDENADO POR JUÍZO DA 2ª VARA FEDERAL DE CURITIBA (CASO "BANESTADO"). POSSIBILIDADE, POIS É POSSÍVEL O COMPARTILHAMENTO DE DADOS (PRECEDENTE DO STF). OMISSÃO DE RENDIMENTOS: Fl. 227DF CARF MF 10 DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Tratase de apelação interposta por ARMINDO MASANOBU TAKENAKA, contra decisão que denegou seu pedido de segurança, no sentido de cancelar procedimento fiscal de apuração, realizado pela segunda vez (o primeiro fora anulado pelo CARF), alegando que foram usadas informações protegidas pelo sigilo bancário, mas cujo acesso foi permitido mediante autorização no bojo do processo 2004.70000082670, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Porém, como o impetrante é domiciliado em São Paulo, aquele juízo não teria jurisdição para determinar a quebra em seu desfavor. Afirma, ainda, a decadência do direito de lançar a suposta dívida (decorrente de omissão de receita tributada pelo IRPF). 2. A alegada incompetência do juízo da quebra do sigilo, haja vista o domicílio do impetrante, não merece prosperar, pois a determinação de acesso às informações bancárias dos envolvidos nas transações financeiras deuse no bojo de ação penal onde foi autorizado o compartilhamento das informações entre a Polícia Federal e a Receita Federal. A propósito, o compartilhamento de dados obtidos por ordem judicial já foi chancelado pelo STF: Pet 3.683QO, Relator Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2008, DJe035 DIVULG 19022009 PUBLIC 20022009 EMENT VOL02349 05 PP01012 RMDPPP v. 5, n. 28, 2009, p. 102104. (grifamos) 3. Segundo entendimento do STJ, em havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial dos tributos lançados por homologação será aquele previsto no art. 173, I, do CTN, cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado (AGARESP 20130411045, REsp 1.086.798/PR, AgRg nos EREsp 1.199.262/MG). Entende a Corte Superior que, ainda que verificada a omissão de rendimentos pela Administração Tributária, o prazo decadencial a ser aplicado será também aquele previsto no art. 173, I, do CTN, pois ainda que o contribuinte tenha declarado o tributo e efetuado o pagamento antecipado, a omissão exigiria o lançamento de ofício (EDAGRESP 201201925073 e AGRESP 1.345.659). 4. Situação fática em que há veementes indícios de omissão de rendimentos decorrente de recursos financeiros remetidos ao exterior pelo impetrante, já que não foi comprovada a origem desses recursos; operação, com forte indício da ocorrência do crime de lavagem de dinheiro, o que ensejou persecução penal. É seguro afirmar que, seja pelo caráter da infração, seja porque há fortes indícios de que a origem dos recursos que propiciaram as operações financeiras foi propositadamente não declarada pelo contribuinte, devese aplicar ao caso o prazo decadencial previsto no art.173, I, do CTN. (grifamos) 5. Não foi fulminado pela decadência o direito da impetrada de lançar o imposto de renda relativo aos anoscalendário de 2001 e 2003, haja vista que o prazo decadencial quanto ao ano de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 7 11 2001 teve início em 01.01.03, enquanto a ciência do auto de infração então anulado data de 27.04.07. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. A decisão do TRF3 conferiu higidez ao procedimento de refiscalização, no tocante à inocorrência do instituto da decadência e ainda firmou o entendimento acerca da validade do procedimento de quebra de sigilo bancário, também alegada pelo contribuinte, conforme os seguintes excertos do voto do relator: VOTO Conforme auto de infração então anulado administrativamente (fls. 24/30), as informações bancárias do impetrante foram obtidas a partir de investigação realizada pela CPMI do BANESTADO (Banco do Estado do Paraná), sobre transações financeiras realizadas no exterior que traduziriam indícios de crime de lavagem de dinheiro, cujo acesso à CPMI foi autorizado pela Justiça norteamericana. Por seu turno, nos autos da representação criminal nº 2004.70000082670, o juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba autorizou que essas informações fossem compartilhadas à Receita Federal, dentre outros órgãos. Demonstrase, portanto, que foi respeitado o permissivo constitucional previsto no art. 5º, XII, da CF quanto ao sigilo bancário, cuja aplicação já foi reconhecida pelo STF. A alegada incompetência do juízo, haja vista o domicílio do impetrante, não merece prosperar, pois a determinação de acesso às informações bancárias dos envolvidos nas transações financeiras deuse no bojo de ação penal onde foi autorizado o compartilhamento das informações entre a Polícia Federal e a Receita Federal. (...) Em atenção ao auto de infração então anulado, teria ocorrido omissão de rendimentos decorrente de recursos financeiros remetidos ao exterior pelo impetrante, já que não foi comprovada a origem desses recursos. A operação, dentre várias outras, configurava forte indício da ocorrência do crime de lavagem de dinheiro, o que ensejou persecução penal junto à Justiça brasileira e norteamericana. Logo, sendo seguro afirmar que, seja pelo caráter da infração, seja porque há fortes indícios de que a origem dos recursos que propiciaram as operações financeiras foi propositadamente não declarada pelo contribuinte, devese aplicar ao caso o prazo decadencial previsto no art.173, I, do CTN. Fl. 229DF CARF MF 12 Assim, não foi fulminado pela decadência o direito da impetrada de lançar o imposto de renda relativo aos anoscalendário de 2001 e 2003, haja vista que o prazo decadencial quanto ao ano de 2001 teve início em 01.01.03, enquanto a ciência do auto de infração então anulado data de 27.04.07 (fls. 30). ... Após anulação do auto de infração por vício formal, em decisão prolatada pelo CARF na sessão de 19.08.09 (fls. 82), novo procedimento fiscal foi realizado em 2012 (fls. 20); ou seja, dentro do prazo decadencial previsto no art. 173, II, do CTN, contado agora da data em que a decisão pela anulação se tornou definitiva. Portanto, resta afastada por completo a configuração de decadência ao caso. A possibilidade de inserir o anocalendário de 2002 como objeto da fiscalização foi afastada pela própria impetrada ao prestar informações, atentando que a inclusão se deu por erro. Como não houve requisição de informações ou lançamento suplementar quanto a esse período, o fato não enseja a necessidade de intervenção judicial para correção do ato administrativo ora impugnado. Pelo exposto, nego provimento à apelação. Com relação à quebra do sigilo bancário cabe transcrever o voto do acórdão recorrido sobre a matéria: I.2 DA PRELIMINAR DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. DO MANDADO DE SEGURANÇA 15. Conforme consta às fls. 199 a 221 do processo nº 19515.001051/200761, em apenso, o contribuinte, em 26/01/2.007, havia impetrado Mandado de Segurança contra o Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (processo n° 2007.61.00.0017640, distribuído na 8ª Vara Cível Federal da Subseção Judiciária de São Paulo), a fim de afastar a necessidade de entrega de documentação referente a extratos bancários e a pagamentos efetuados com cartão de crédito, além de requerer o afastamento da possibilidade da quebra do seu sigilo bancário e a suspensão da fiscalização, bem como a não aplicação da multa agravada. 16. Com o indeferimento do pedido de liminar (fls. 221 a 229 do processo apenso), o interessado interpôs, em 12/02/2.007, Agravo de Instrumento perante o Tribunal Regional Federal – 3ª Região (fls. 231 a 246 do processo apenso), que, em 07/03/2.007, foi parcialmente deferido, determinado o afastamento da obrigatoriedade de apresentação dos citados documentos, obstando a quebra do sigilo bancário e a imposição de multa (fls. 247 a 249 do processo apenso). 17. Ocorre que, em 17/04/2.007, após a mencionada decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal – 3ª Região, o Juízo de 1ª Instância prolatou a decisão de mérito, julgando improcedente o pedido e denegando a segurança (fl. 295 do processo apenso), fato que confere validade jurídica à presente autuação. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 8 13 18. Observese, ainda, que na presente autuação não foi requisitado ao contribuinte nenhum novo documento, aproveitandose aqueles que instruíram a apuração anterior, objeto de anulação, e que foram obtidos mediante respaldo de decisão judicial que decretou a quebra do sigilo bancário do interessado (processo nº 2004.70000082670, da 2ª Vara Criminal Federal de CuritibaPR – fls. 80 a 84 do processo apenso). Portanto, com base nas decisões judiciais transitadas em julgado, rejeito as preliminares de decadência e quebra de sigilo bancário por juiz incompetente. Nulidade do Lançamento Existência de Vícios Materiais e Formais Alega o recorrente a existência de vícios materiais do procedimento de fiscalização, que "a Recorrida baseouse apenas em mídia eletrônica para lavrar o Auto de Infração,mídia esta que não pode ser considerada como meio de prova, eis que despida de qualquer validade oficial. Que "faltam a "tal documento" as qualidades intrínsecas para que possa ser considerado como documento apto a embasar um procedimento fiscal", documento esse emitido pela própria RFB "com indicação de que extraiu movimentações financeiras no "MTB Hudson Bank" pelo ora recorrente", não podendo ser aceito como documento oficial, pela falta de quaisquer formalidades. Argumenta, outrossim, que, a fim de comprovar, validamente, os fatos alegados, "deveria o Fisco ter juntado cópia dos recebimentos ou das remessas de valores, supostamente efetuadas pelo contribuinte, ou, no mínimo, documento oficial do banco "MTB Hudson Bank", a fim de comprovar os fatos". Com relação à existência dos vícios formais aduz que "o Auto de Infração não traz os documentos hábeis a comprovar as referidas infrações apontadas pelo Fisco, muito menos informa de onde foram retirados os números utilizados para atribuição dos valores principais e, além disso, informa que o contribuinte, ora é beneficiário dos referidos valores, ora é remetente, ora é ordenante, de modo que não se sabe, certamente, em qual sujeição está enquadrado, fatos que impedem o direito ao contraditório e à ampla defesa". Em processo administrativo fiscal, as nulidades estão elencadas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 231DF CARF MF 14 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Demais irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”, nos termos do art. 60 do mesmo diploma legal: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, não se verifica quaisquer das irregularidades descritas acima. A fiscalização tomou o cuidado de mencionar que se tratava de reexame de período já fiscalizado e que nenhum elemento novo à fiscalização já realizada estava sendo trazido aos autos. Como muito bem delineado pela decisão de piso às efls. 171 e ss, a documentação acostada aos autos do processo originário (apenso PAF nº 19515.001051/2007 61) identificam o contribuinte como possuidor das contas nº 00030172802 e 00030173019, junto ao banco "MTB Hudson Bank", tendo enviado recursos para essas contas, nos anos calendário 2001 e 2003, no montante de US$ 929.000,00, fatos constantes dos registros magnéticos enviados pelas autoridade americanas. Com relação à validade da documentação em que lastreado o lançamento, reportome aos fundamentos do voto da decisão de piso, que passo a utilizar como meus: 20. Refutase a argumentação de nãovalidade da documentação que lastreou o presente lançamento, uma vez que os documentos de fls. 95 a 109 do processo apenso ("Caso Beacon Hill e Similares Resumo das Operações Constantes em Mídia") apontam, de forma clara e inequívoca, a remessa de recursos, por parte do contribuinte, nos anoscalendário 2.001 e 2.003, para as contas 00030172802 e 00030173019, mantidas no banco "MTB Hudson Bank", encontrandose tais documentos convalidados pelos Laudos de Exame EconômicoFinanceiro n° 2.171/2005INC (fls. 110 a 121 do processo apenso) e n° 2.296/2005INC (fls. 122 a 134 do processo apenso). 21. Frisese que não houve violação ao art. 9° do Decreto n° 70.235/1.972, abaixo transcrito (falta de provas instruindo o Auto de Infração), uma vez que a prova de autoria dos depósitos bancários foi produzida pelos trabalhos conjuntos das polícias e ministérios públicos do Brasil e dos Estados Unidos da América. Decreto n° 70.235/1.972 "Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 9 15 indispensáveis a comprovação do ilicito." (redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1.993) grifos nossos Ademais, o contribuinte pode se manifestar e defenderse ao longo do processo fiscal, não ficando caracterizada o cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. Não se verificando nenhuma dessas ocorrências, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Sem razão o recorrente. Depósito Bancários de Origem não comprovada A autuação com base em depósitos bancários tem sua fundamentação legal precípua no art. 42 da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando Fl. 233DF CARF MF 16 interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Também aqui, valhome da fundamentação do acórdão recorrido, a qual não merece reparos: O dispositivo legal acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. 34. É a própria lei definindo que os depósitos bancários de origem não comprovada caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não se cogitando de meros indícios de omissão, não há como se descaracterizar a movimentação financeira como fenômeno a dar ensejo à apuração de omissão de rendimentos. Nesse caso, o acréscimo patrimonial que fornece suporte à apuração de omissão de rendimentos consubstanciase com a entrada de recursos em contas de depósitos ou de investimento, recursos esses cuja origem e cujo destino não forem objetos de comprovação por parte do beneficiário desses créditos. Mesmo a inexistência de sinais exteriores de riqueza ou de acréscimo patrimonial na declaração de ajuste anual, que pode resultar, inclusive, da sonegação de informações por parte do contribuinte, não tem o condão de refutar a presunção legal de omissão de rendimentos, ora analisada. ... 36. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de ilidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Há que se frisar que a imputação do ônus da prova ao contribuinte não se traduz na produção de prova negativa, na medida em que impõe ao contribuinte a necessidade de comprovação da origem dos créditos depositados em suas contas bancárias, e não a prova do nãorecebimento dos respectivos valores. 37. Na busca da verdade material – princípio este informador do processo administrativo fiscal – forma o julgador seu Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 10 17 convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. 38. É que o julgador administrativo não está adstrito a uma pré estabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo estabelecer sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem – desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. 39. Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e este não a faz — porque não pode ou porque não quer — é lícito concluir pela pertinência da respectiva tributação. 40. A presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1.996 não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Tratase de prova que deve ser feita pelo próprio contribuinte interessado, uma vez que a legislação define os depósitos bancários de origem não comprovada como fato gerador do imposto de renda, sem impor outras condições ao sujeito ativo, além da demonstração dessas circunstâncias. ... 42. Quando a lei fala em “documentação hábil e idônea”, referese a documentos que estabeleçam uma relação objetiva, direta, cabal e inequívoca, em termos de datas e valores, entre eles e os créditos bancários cuja origem pretendese ver comprovada, esclarecendo, também, a que título esses créditos bancários ingressaram na conta bancária do contribuinte. 43. Observese, também, que a comprovação da origem dos créditos bancários prescinde de qualquer regulamentação para sua exigência, sendo desnecessário para a efetivação dessa comprovação o fato do beneficiário dos créditos bancários manter escrituração formal das movimentações bancárias, requisito, aliás, nem exigido pelo Fisco e pela legislação de regência. 44 Não havendo comprovação da origem dos depósitos bancários, a correspondente tributação fica legalmente amparada, independentemente da existência de uma compatibilidade aparente entre a movimentação financeira do contribuinte e os rendimentos por ele recebidos/declarados. Se o contribuinte não comprova que os rendimentos por ele percebidos foram convertidos nos depósitos bancários objetos de análise pelo Fisco, a presunção relativa de omissão de rendimentos não fica afastada, uma vez não ficar ilidida a possibilidade dos créditos bancários terem origem diversa da dos rendimentos eventualmente percebidos/declarados pelo contribuinte. Fl. 235DF CARF MF 18 45. Nessa linha de raciocínio, quando não houver comprovação inequívoca da correlação, em termos de datas e valores, entre os rendimentos/recursos recebidos pelo contribuinte e os respectivos depósitos bancários, nem o esclarecimento das operações/fatos/circunstâncias que ensejaram esses créditos, tornase inviável a consideração desses rendimentos/recursos para justificação da origem dos créditos bancários. 46. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento (fls. 95 a 121 do processo apenso), analisar as respectivas declarações de rendimentos (fls. 36 a 46 do processo apenso) e intimar o beneficiário desses créditos (titulares e/ou cotitulares das correspondentes contascorrentes) a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1.996 (fls. 8 a 10 e 16 a 18 do processo apenso). Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. 47. A aplicação da presunção relativa de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/1.996, é legal e legítima para impor obrigação tributária ao contribuinte, e não contraria o princípio da verdade material. A exigência de que o contribuinte comprove a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias e/ou de investimento encontra pleno respaldo legal, é plenamente razoável pela possibilidade de ser cumprida pelo sujeito passivo e em nada macula o princípio da verdade material. 48. O contribuinte, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória, apresentou argumentos/comprovação capazes de ilidir a tributação dos recursos financeiros movimentados no exterior por meio de conta mantida no “MTB Hudson Bank”, recursos esses que foram objetos de discriminação nos Demonstrativos de fls. 8 e 17, elaborados com base em documentos obtidos durante a fase de autuação. 49. Observese que a atividade do Agente Administrativo encontrase vinculada à lei, não podendo ele furtarse à sua aplicação por força da consideração de fatores ou princípios que extrapolem o direito positivo materializado. 50. Destarte, não comprovada/justificada a origem dos recursos financeiros em análise, tem a Autoridade Fiscal o poder/dever de autuar, como omissão de rendimentos, os depósitos bancários cuja tributação o contribuinte não logrou ilidir na impugnação apresentada. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao Agente, tão somente, a inquestionável observância do diploma legal aplicável ao caso em espécie. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19515.722909/201292 Acórdão n.º 2301005.170 S2C3T1 Fl. 11 19 É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.004771/2004-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000
EMBARGOS INOMINADOS. EFEITOS INFRINGENTES. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO NO DECISIUM CONSTANTE EM ATA E ACÓRDÃO.
A existência de equívoco no registro da ata da sessão de julgamento e no acórdão justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF.
Numero da decisão: 9202-005.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.171, de 26/01/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira."
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: Relator
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EFEITOS INFRINGENTES. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO NO DECISIUM CONSTANTE EM ATA E ACÓRDÃO. A existência de equívoco no registro da ata da sessão de julgamento e no acórdão justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, reratificando o Acórdão nº 9202005.171, de 26/01/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira." (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 47 71 /2 00 4- 29 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.779 CSRFT2 Fl. 288 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de embargos inominados opostos por esta Conselheira. Em sessão plenária de 26 de janeiro de 2017, foi julgado o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, proferindose decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202 005.171, o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimiIa da base de cálculo para apuração do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Ocorre que após a formalização da decisão identifiquei erro manifesto no registro do decisium na ata e no acórdão ora embargado, uma vez que o que se faz é dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional como o constante do voto vencedor. Analisando os autos e constato o erro, os embargos foram recebidos pelo Presidente deste Conselho nos termos do artigo 66 do Anexo II do RICARF. É o relatório. Voto Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10675.004771/200429 Acórdão n.º 9202005.779 CSRFT2 Fl. 289 3 Conselheira Patrícia da Silva Relatora Tratase de embargos inominados interpostos por esta Conselheira nos termos do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho, o qual determina que o vício material caracterizado por lapso manifesto deve ser sanado mediante a prolação de novo acórdão: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Conforme narrado, analisando os autos e ainda a pauta de julgamento publicadas no sítio do CARF é notório o equívoco na indicação do decisium. Diante do exposto, acolho os embargos, com efeitos infringentes o Acórdão no 9202005.171, retificando o decisium para: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em DARLHE provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722527/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
IPI. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA.
No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1301-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e em relação ao recurso voluntário: (i) por unanimidade de voto rejeitar a arguição de decadência e o pedido de diligência, e, no mérito, negar-lhe provimento; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007 IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 25 27 /2 01 2- 45 Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.535 2 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e em relação ao recurso voluntário: (i) por unanimidade de voto rejeitar a arguição de decadência e o pedido de diligência, e, no mérito, negarlhe provimento; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto ao pedido de não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.536 3 Relatório PLASFAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1442.121) que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Em razão do montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 03, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Ressaltese que mesmo com o advento da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que elevou o limite para interposição de recurso de ofício para R$ 2.500.000,00, o montante exonerado ainda exige novo pronunciamente desta Corte Administrativa. Tratase de exigência reflexa de IPI decorrente de lançamento de IRPJ em razão de suposta omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) encontrase formalizada no processo 13896.722525/201256. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Versa o presente Processo Administrativo Fiscal (PAF) sobre impugnação à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 19.364.318,43 – inclusos os consectários legais (juros de mora calculados até “10/2012” (R$ 4.509.305,39); e multa de ofício no percentual de 75% (R$ 6.366.434,17)) – constituído por Auto de Infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 1.2211.227), referente a períodos de apuração compreendidos no ano de 2007. Referida exigência (de IPI) deuse no âmbito de ação fiscal iniciada com o objetivo de verificar a correta apuração do IRPJ (e reflexos em CSLL, PIS e Cofins) – e da qual também resultou nos lançamentos de ofício que são objeto do processo (principal) nº 13896.722525/201256. A impugnação respectiva será apreciada na mesma sessão de julgamento relativa ao presente processo. A discriminação analítica da exigência (de IPI) consta do citado Auto de Infração, bem como em seus elementos integrantes (especialmente no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal – TVEF, fls. 1.0891.099) – inclusive descrição dos fatos e do enquadramento legal, bases de cálculo, períodos de apuração, alíquotas, juros de mora, percentuais das multas aplicadas etc. Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.537 4 De acordo com a autoridade autuante, o citado TVEF compreende os Anexos I (Depósitos bancários sem origem comprovada; fls. 1.1001.137) e II (Documentos com informação errada/omissa nos arquivos magnéticos apresentados; fls. 1.1381.188); e, de outra parte, o TVEF integra o Auto de Infração acima descrito (conforme nele consignado) – sendo que, em seu bojo, encontrase descrição sobre: o histórico do procedimento fiscal (título 1); a análise dos documentos (título 2; dos extratos bancários, das contas de titularidade da fiscalizada, “e outros documentos apresentados (...), buscando a origem e contabilização dos seus respectivos lançamentos de crédito bancário”; as Constatações fiscais (título 3), discriminadas nos itens 3.1 (Do IRPJ e tributos reflexos; com remissão ao citado Anexo I), 3.2 (Do IPI), 3.3 (Da Multa de Ofício), 3.4 (Dos Juros de Mora) e no item 3.5 (Da multa pela apresentação de arquivo magnético com informações erradas; com remissão ao mencionado Anexo II). Por fim, os títulos 4 e 5 versam, respectivamente, sobre a Lavratura e Formalização dos Autos de Infração e acerca do Encerramento da ação fiscal. Cientificada da exigência, em 29/10/2012 (A.R. à fl. 1.219), a interessada, apresentou (em 28/11/2012) impugnação (de fls. 1.242 a 1.250; subscrita por procurador com poderes outorgados pelo instrumento de mandato incluso, à fl. 1.254), e respectivos anexos, manifestando sua inconformidade contra a autuação, mediante as alegações sumariadas a seguir: · (1. DA TEMPESTIVIDADE) A Impugnante foi notificada da lavratura do presente auto no dia 29/10/2012, podendose inferir a tempestividade da impugnação pela data de seu protocolo (28/11/2012); · (2. DOS FATOS) É empresa que atua no ramo de fabricação e comércio de plásticos. Foi autuada em razão de presunção de omissão de receita em virtude de depósito em conta corrente de origem não comprovada. Para fins de IPI, tais depósitos foram considerados como saída de mercadorias e como tal sujeitos ao recolhimento desse imposto, o que levou a lavratura do Al, ora guerreado. Todavia, como restará cabalmente demonstrado, referida autuação não merece prosperar; · (3. PRELIMINARMENTE. 3.1 – DA CONEXÃO COM O PROCESSO Nº 13896.722525/201256) Consoante se infere do AI ora combatido, os valores (de IPI) supostamente devidos decorrem de o AuditorFiscal considerar os depósitos de origem não comprovadas como recurso oriundo da venda de mercadoria. Ocorre que nos autos do Processo nº 13896.722525/201256 foram argüidas questões preliminares que podem ter conseqüências no presente feito. Assim, imperioso destacar que o processo em questão deve ficar sobrestado até o julgamento do processo referido, haja vista que a anulação daquele será aproveitada para o presente caso, haja vista a relação de causa e efeito entre ambos. · (4. DO DIREITO 4.1. DA DECADÊNCIA DO IPI) De plano, cumpre à Impugnante ressaltar que se operou a decadência do direito de a D. Autoridade Fiscal constituir o crédito tributário em relação ao período de janeiro a outubro de 2007, uma vez que o Auto de Infração foi recebido em 29/10/2012, ou seja, após o decurso do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador do IPI relativo ao interregno de janeiro a outubro de 2007. · O IPI é modalidade de tributo“cujo lançamento é por homologação, fato este que pressupõe a aplicação da regra contida no §4º, do artigo 150 do CTN (...)”, que estabelece que a contagem do prazo decadencial ocorre a partir da ocorrência dos seus respectivos fatos geradores. Nesse sentido, de acordo com os artigos 35 e 36 (transcritos) do Decreto 7.212/10 – Regulamento do IPI – é inelutável que o fato gerador do IPI é mensal, Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.538 5 demonstrando, conseqüentemente, a decadência do período de janeiro a outubro de 2007. Nesse sentido, a jurisprudência do “Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF é pacífica, consoante podemos observar dos julgados abaixo colacionados (transcrito)”. Assim, “resta claro que o suposto direito do Fisco de constituir o crédito tributário de IPI, em 29/10/2012 (ciência do AI), já havia decaído, razão pela qual não poderia ser objeto de autuação por parte do Fisco, devendo ser cancelado o débito de janeiro a outubro de 2007”, nos termos do artigo 156, incisos V e VII, do CTN; · (4.2 – DO ARBITRAMENTO DA ALÍQUOTA E NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA PARA RETIFICAR O AI) O AuditorFiscal aplicou sobre a base de cálculo receitas supostamente omitidas a alíquota de 15% evidenciando no Termo de verificação fiscal que esta é a maior alíquota atribuída pela Impugnante no período de 2007, ou seja, independentemente do tipo de produto e saída, tributada ou não, fora considerada a alíquota de 15%. Este procedimento não é possível dentro de um estado democrático de direito em que não se admite o enriquecimento sem causa, como se verifica no presente caso, haja vista que o Sr. AFRF não individualizou os produtos e aplicou as respectivas alíquotas do IPI conforme a tabela constante do seu regulamento, simplesmente aplicou a maior alíquota das operações da Impugnante, qual seja, 15%, procedimento que não encontra respaldo legal. Assim, diante dessa arbitrariedade, requer que o processo seja convertido em diligência e baixado para a repartição de origem para apuração da base de cálculo e alíquota efetiva do IPI no período de novembro e dezembro de 2007; · (5 – DO PEDIDO) Requer o recebimento da impugnação, para sobrestar o julgamento do presente processo até o julgamento do processo nº 13896.722525/201256, em razão da relação de causa e efeito de ambos. Caso não seja esse o entendimento, que no mérito seja reconhecida a decadência do direito ao lançamento do IPI referente o período de janeiro a outubro de 2007 e, consequentemente, extinto o crédito tributário deste período, assim como os respectivos consectários legais, e conversão do processo em diligência para responder ao seguinte quesito: Identificar a alíquota efetiva aplicada a cada produto referente às operações de novembro e dezembro de 2007, conforme sua NCM. A decisão recorrida julgou a impugnação parcialmente procedente, acolhendo a preliminar de decadência do lançamento relativa aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2007. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de julho de 2013 (fls. 1409 1410), apresentando recurso voluntário em 06 de agosto de 2013 (fls.13791393). Em resumo, utilizouse dos mesmos argumentos expendidos em impugnação, complementando, tão somente, discordar da decisão da DRJ quanto à ausência de impugnação de algumas matérias (alega que impugnou todos os pontos do lançamento). Houve interposição de recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.539 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso de ofício deve ser conhecido, uma vez que exonerada parcela de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00. De igual forma, deve ser conhecido também o recurso voluntário, posto que tempestivo e dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade. 1 RECURSO DE OFÍCIO A turma de julgamento a quo recorreu de ofício a este Colegiado em razão da exoneração de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00. O provimento parcial à impugnação se deu pelo reconhecimento da decadência de IPI relativamente aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2007, posto que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 29 de outubro de 2012. Mostrase correta a decisão recorrida. Isso porque, conforme bem analisado pelo ilustre relator a quo, na ausência de dolo, fraude ou simulação, e, comprovado o pagamento antecipado de IPI, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN para contagem do prazo decadencial, conforme já pacificado pelo STJ no julgamento do REsp 973.733. Convém ressaltar que tal precedente do STJ foi julgado na forma do art. 543 C do Código de Processo Civil, implicando, portanto, a adoção cogente de tal entendimento por este Colegiado, conforme determina o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA Aduz a recorrente que deve ser extinto o crédito tributário relativo aos períodos de apuração de janeiro a outubro de 2007. No que diz respeito aos fatos geradores de janeiro a setembro de 2007, a decisão de primeira instância já havia exonerado o crédito tributário correspondente, e o recurso de ofício, conforme já analisado alhures, deve ter provimento negado pelo colegiado. No que diz respeito à decadência do mês de outubro de 2007, não assiste razão à recorrente. Tratandose de apuração mensal, ainda que ausente dolo, fraude ou simulação, e ainda que ocorrendo pagamento antecipado, a contagem da decadência somente se inicia ao final do período de apuração, no caso, 31 de outubro de 2007, data da ocorrência do Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.540 7 fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Considerandose que o lançamento foi realizado em 29 de outubro de 2012, não há que se falar em decadência, uma vez que realizado dentro do lapso de 50 anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, deve ser rejeitada a arguição de decadência. 2.2 DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O interessado requereu em sua impugnação, reforçandose em sede de recurso voluntário, a fim de que fosse aferida a correta alíquota de IPI e os valores corretos de bases de cálculo. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de diligência, devendo, de igual forma, ser rejeitado. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Os pontos levantados pela recorrente a fim de justificar a possível diligência dizem respeito à correta base de cálculo de IPI e à alíquota aplicável, matérias atinentes ao mérito da lide e que serão abordadas em ponto específico deste voto. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.541 8 Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência. 2.3 DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratandose de auto de infração reflexo, baseado nos mesmos elementos de prova, adoto o fundamento do voto condutor do acórdão 1402001.681: Embora a Recorrente se insurja quanto às conclusões da DRJ relativas à definitividade das infrações não impugnadas, não há reparos a fazer em relação à decisão recorrida. Basta verificar que a infração relativa a omissão de receitas não foi atacada pela interessada, quer em sede de impugnação, quer no presente recurso voluntário. 2.4 DA BASE DE CÁLCULO E DA ALÍQUOTA PLICÁVEL Aduz a recorrente, ainda que em manifestação complementar após apresentação de recurso voluntário (fl. 14881501), que a aplicação da maior alíquota de produtos industrializados e saídos do estabelecimento industrial do contribuinte não encontra amparo legal, pois era necessário que a autoridade fiscal identificasse cada produto vendido e aplicasse a alíquota correspondente, não se aplicando o disposto no § 2º do art. 448 do RIPI por não se tratar de hipótese de impossibilidade de apuração do produto final. Questiona ainda a aplicação de IPI sobre os produtos fabricados. Tais matérias, contudo, encontramse preclusas, pois não foram matérias deduzidas em sede de impugnação. Isso porque, conforme determina o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A apreciação de tais matérias em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância e, eventualmente, cerceamento do direito de defesa da Fazenda Nacional que, em caso de provimento do recurso nesse ponto, teria suprimido seu direito ao duplo grau de jurisdição em relação às matérias. E mesmo que assim não fosse, os argumentos da recorrente não se sustentam, conforme se demonstra a seguir por mero amor ao debate. E mesmo que assim não fosse, não assiste razão à recorrente. A aplicação da alíquota de 15%, sobre a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, está um absoluta sintonia com o disposto no RIPI/2002 (vigente à época dos fatos geradores em questão), em seu art. 448 (§1º). Vejase sua redação: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.542 9 produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1ºApurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) §2ºApuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) (destaques na transcrição) Portanto, a autoridade fiscal, ao aplicar a maior alíquota dos produtos fabricados pelo contribuinte sobre a receita omitida tão somente aplicou a literalidade de dispositivo regulamentar e legal que tratam a matéria. No que diz respeito à incidência de ISS, e não IPI sobre os produtos fabricados, além de matéria absolutamente inovadora em tal petição complementar, tratase da mera aplicação das alíquotas previstas na TIPI. Os argumentos atinentes à razoabilidade do critério, bem como outros afetos à constitucionalidade das normas em questão são matérias que fogem da competência desta Corte Administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 21. A respeito da base de cálculo do lançamento, efetivamente, não há qualquer argumento sobre qual seria a incorreção no critério adotado do lançamento. Desse modo, não há reparos a se fazer em relação ao mérito da exigência. 2.5 DA MULTA “POR INCORREÇÕES EM ARQUIVO MAGNÉTICO”: Tal matéria é estranha à presente exigência, tendo sido tratada no julgamento do processo principal. 2.6 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.543 10 Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner. O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.544 11 De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.545 12 Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.546 13 Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1301002.691 S1C3T1 Fl. 1.547 14 O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, por rejeitar a arguição de decadência e o pedido de diligência, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1547DF CARF MF
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