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Numero do processo: 37324.002546/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola dos Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola dos Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
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Recorrente SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espíndola dos Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, correspondendo à contribuição destinada ao FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços no período de 01/1996 a 12/2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 73 24 .0 02 54 6/ 20 07 -3 7 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37324.002546/200737 Resolução nº 2301000.431 S2C3T1 Fl. 679 2 O Relatório Fiscal aduz que a Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI) dirige, supervisiona e administra a Pontifícia Universidade Católica de Campinas e o Hospital e Maternidade Celso Pierro. Assegura que a isenção foi cancelada por descumprimento ao disciplinado nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/91, que transitou em julgado no âmbito administrativo em 28/03/2006, quando o CRPS emitiu o Acórdão 240/2006 mantendo o cancelamento da isenção de cota patronal a partir de 01/01/1994; O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando o direito à isenção. Em 07 de fevereiro de 2007, foi emitida a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21424.4/124/2007, considerando o lançamento procedente. Foi interposto recurso voluntário, o qual foi acolhido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para anular a citada decisão, já que não havia se manifestado sobre aspectos fundamentais trazidos em impugnação. A DRJ de Campinas acolheu parcialmente a impugnação para reconhecer a decadência nos moldes do artigo 173, inciso I, conforme ementa abaixo: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais, na forma da Lei. DIREITO ADQUIRIDO À MANUTENÇÃO DE REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA Inexiste direito adquirido em regime jurídico, motivo pelo qual não há razão para se falar em direito à imunidade por prazo indeterminado. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, julgar a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos e havendo pagamento a menor, o prazo de decadência é de cinco anos contados da data do fato gerador, na forma da legislação. Foi interposto recurso voluntário pela recorrente sustentando que: i) nos autos da ação ordinária 1999.61.05.0095167 foi confirmado o direito à imunidade da recorrente; a entidade atendeu os requisitos da Lei 8.212/91; ainda que assim não fosse a entidade está submetida a Lei nº 3577/59. É o relatório. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37324.002546/200737 Resolução nº 2301000.431 S2C3T1 Fl. 680 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. A r. decisão recorrida, ao tratar das questões suscitadas pelo sujeito passivo acerca do direito à isenção prevista na Lei 3.577/79 e de que não houve remuneração ao Monsenhor José Machado Couto, matéria essa repisada em recurso voluntária, não poderia ser analisada nesses autos, uma vez que essa matéria já foi apreciada pelo CRPS nos autos originados do Ato Cancelatório 21.727.1/002/2004. Considerando que nesses autos não há cópia referente ao processo cancelatório de modo que esse E. CARF possa averiguar se há identidade de matéria versada no recurso voluntário e naqueles autos, VOTO no sentido de converter em diligência, a fim de que sejam anexados a esses autos o Ato Cancelatório 21.727.1/003/2004, defesas e recursos contra este apresentado, bem como Acórdão nº 240, de 28/03/2006 do Conselho de Recursos da Previdência Social. Após, intimese o sujeito passivo a se manifestar no trintídio legal. Ultrapassado o prazo retornem os autos ao CARF para processamento e julgamento do recurso. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 680DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000065/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
A ausência do MPF ou a falta da prorrogação do prazo nele fixado não se constitui ato essencial à validade do lançamento e não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador.
MULTA DE OFÍCIO 75%. LANÇAMENTO EM NOME DE HERDEIROS. INAPLICABILIDADE.
Conforme legislação vigente, o lançamento não comporta multa de ofício de 75% quando o crédito tributário é constituído em nome dos herdeiros após a homologação da partilha.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD) do exercício de 2003 a remessa de recursos ao exterior no valor de U$60.000,00 e cancelar a multa de ofício aplicada ao exercício de 2004. Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho (relator) e José Raimundo Tosta Santos, que davam provimento em menor extensão, apenas para cancelar a multa de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Realizou sustentação oral a Dra. Jandira de Souza Ferreira, OAB/RJ nº 149.721.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
Assinado digitalmente.
Núbia Matos Moura Redatora Designada.
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A ausência do MPF ou a falta da prorrogação do prazo nele fixado não se constitui ato essencial à validade do lançamento e não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. MULTA DE OFÍCIO 75%. LANÇAMENTO EM NOME DE HERDEIROS. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 00 65 /2 00 7- 59 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 111 2 Conforme legislação vigente, o lançamento não comporta multa de ofício de 75% quando o crédito tributário é constituído em nome dos herdeiros após a homologação da partilha. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD) do exercício de 2003 a remessa de recursos ao exterior no valor de U$60.000,00 e cancelar a multa de ofício aplicada ao exercício de 2004. Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho (relator) e José Raimundo Tosta Santos, que davam provimento em menor extensão, apenas para cancelar a multa de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Realizou sustentação oral a Dra. Jandira de Souza Ferreira, OAB/RJ nº 149.721. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. Assinado digitalmente. Núbia Matos Moura – Redatora Designada. EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 322 a 331: Tratase de ação fiscal levada a efeito no espólio de Aldir Raposo Martins, que implicou lançamento de crédito tributário, em face da contribuinte acima qualificada, na qualidade responsável por sucessão, conforme consta do Auto de Infração de fls. 150/152, acompanhado dos demonstrativos de fls. 153/154; relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendários 2002 e 2003, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 190.010,07, sendo R$ 95.660,39, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 112 3 referentes ao imposto; R$ 44.610,36, à multa proporcional; e R$ 49.739,32, aos juros de mora (calculados até 28/02/2007). 2. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 151), o lançamento veicula as seguintes infrações: a) Acréscimo Patrimonial a Descoberto, importando apuração de imposto no valor de R$ 41.746,04, sujeito à multa proporcional de 10%, relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2002; e b) Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado Pagos a Sócio ou Acionista, importando apuração de imposto valor de R$ 53.914,35, sujeito à multa de 75%, relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2003. 3. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido encontrase relatado no Termo de Constatação de Infração de fls. 143/147, relevando destacar o que se segue: a) com relação ao anocalendário de 2002, a apuração de patrimônio a descoberto está demonstrada na planilha de fls. 148/149, evidenciando o excesso de aplicações sobre as origens de recursos, nos valores de R$ 3.654,04, R$ 181.948,01, e R$ 118.014,49, nos meses de janeiro, agosto e dezembro, respectivamente, relevando destacar o que se segue: a.l) Dentre as aplicações consideradas, foi incluída a remessa de divisas para o exterior, que teria sido ordenada pelo contribuinte Aldir Raposo Martins, no valor de US$ 60.000,00, efetuada em 16/08/2002, conforme documentos acostados às fls. 25/38; a.2) Dentre as origens, deixouse de considerar os rendimentos isentos e não tributáveis, informados pelo contribuinte, vez que não fora comprovado a efetiva saída dos recursos da pessoa jurídica e o efetivo ingresso desses mesmos recursos na pessoa física, não obstante as intimações dirigidas ao espólio Aldir Raposo Martins (fls. 41 e 53); b) com relação ao ano calendário de 2003, a apuração da infração caracterizada por rendimentos tributáveis declarados como isentos e não tributáveis, teve por fundamento os seguintes elementos: b.l) em resposta ao termo de Intimação de fls. 43, o impugnante juntou os documentos de fls. 44/47, afirmando que os rendimentos isentos e não tributáveis informados na DIRPF 2004 decorreram de distribuição de lucros da empresa Airbras Assessoria Aeronáutica Ltda; b.2)após diligências empreendidas com vistas à verificação dos assentos contábeis da pessoa jurídica, consoante documentos acostados às fls. 56/142, a fiscalização verificou que a escrituração contábil veicula receita muito superior à declarada, constando, pois, suposta inconsistência contábil da escrita. Dessa forma, considerou como rendimentos isentos e não tributáveis somente o montante do Lucro Presumido, diminuído dos tributos sobre ele incidentes. c) por se tratar de ação fiscal levada a efeito em desfavor do espólio de Aldir Raposo Martins, cuja partilha dos bens fora homologada em 30/08/2004, o crédito tributário foi lançado contra os sucessores, na qualidade de responsáveis, cabendo à impugnante, na condição de meeira do de cujos, a responsabilidade por 50% do crédito tributário decorrente das infrações retroelencadas. 4. Às fls. 311/321, extrato do sistema DCTF, permitindo constatar que as DIPJs Retificadoras, dos anos calendários de 2002 e 2003, apresentadas pela pessoa jurídica AIRBRAS, CNPJ 29.639.242/000101, em 19/10/2006 (fls. 224/292), tiveram seus débitos confessados em DCTFs Retificadoras, apresentadas em 20/10/2006, e validamente processadas, o que implicou a constituição dos correspectivos créditos tributários. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 113 4 5. Cientificada da autuação em 19/03/2007 (AR às fls. 155), a contribuinte protocolizou impugnação, em 18/04/2007, às fls. 162/203, por intermédio de seus procuradores, mandato às fls. 158, cujas teses defensivas seguem sumariadas: a) argúi a tempestividade; b) alega cerceamento do direito de defesa em face da dificuldade da impugnante em obter cópia do processo administrativo junto à unidade da SRFB. Aduz que a defesa, ao se dirigir à CAC/Ipanema, com a finalidade de obter cópia do processo, foi informada de que esta somente ficaria pronta em 17/04/2007, "portanto, apenas um dia antes do término do prazo para impugnar". Traz à colação jurisprudência administrativa alinhada com a tese de que o acesso do sujeito passivo às partes e peças processuais constitui garantia do amplo direito de defesa; c) alega cerceamento do direito de defesa consistente na ausência de intimação da impugnante acerca da última prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal n" 2006.004231/4030140711, ainda que fosse juntamente com a intimação do auto de inflação, o que teria violado, supostamente, ainda, o disposto no inciso II do art. 3° da Lei n° 9.784, que assegura ao administrado, dentre outras garantias, ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado; d) alega que a fiscalização baseouse em DIPJ retificada (fls. 108/141), da pessoa jurídica AIRBRAS, para fins de apuração do crédito tributário referente ao anocalendário de 2003, quando essa pessoa jurídica já havia apresentado DIPJ Retificadora (fls. 260/293), validamente processada, recepcionada via internet em 19/10/2006 (fls. 259), o que caracterizaria a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa; e) alega que a fiscalização teria efetuado cálculos com elementos estranhos aos documentos constantes dos autos, valendose de "números fantasiosos e aleatórios" com relação à apuração do lucro distribuído pela pessoa jurídica AIRBRAS, no anocalendário de 2003. Alega que os valores de lucro distribuídos referidos no Termo de Constatação de Infração, (que montam em R$ 450.238,23), superam o valor declarado pelo contribuinte na DIRPF 2004 (R$ 429.517,86). Tal fato também caracterizaria cerceamento do direito de defesa, ensejando a nulidade do lançamento, dada a incerteza quanto à base de cálculo pretendida pela autoridade fiscal. f) alega a inexistência de provas robustas nos autos acerca da autoria da remessa de recursos ao exterior, no valor de US$60.000,00, em 16/08/2002. Aduz que os documentos relatados pelo AFRF como "provas", não teriam sido entregues à impugnante, juntamente com o Auto de Infração. Não obstante, "mesmo sem acesso aos referidos documentos", a defesa afirma que nenhum deles serviria de prova inconteste da acusação, já que, pela própria natureza dos documentos, eles não demonstrariam a participação do contribuinte na referida operação, posto que não contêm sua assinatura e não foram por ele produzidos. g) com relação ao “item 001" do Auto de Infração, que veicula infração decorrente de rendimentos excedentes ao lucro presumido, pagos a sócio ou acionista, com imposto apurado de R$53.914,35, referente ao anocalendário de 2003, alega que o referido item está em contradição com o "item 002", que apurou acréscimo patrimonial a descoberto, com imposto apurado de R$41.746,04, referente ao anocalendário de 2002. Ocorre que no primeiro item, a autoridade lançadora admitiu parte do lucro distribuído pela pessoa jurídica como isento e não tributável (valor do lucro presumido, obtido mediante a aplicação dos percentuais definidos em Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 114 5 lei, incidentes sobre a receita bruta, deduzidos de todos os tributos incidentes sobre a mesma receita), ao passo que, no item 002, deixou de adotar o mesmo critério para fins do computo do lucro distribuído na apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Alega que a escrituração apresentada pela AIRBRAS seria absolutamente regular e compatível com suas DIPJs e com as DIRPFs do contribuinte. Alega que o art. 663 do RIR, que limita a isenção em referência aos lucros que tenham servido de base para a apuração do imposto, deduzido do imposto correspondente, careceria de base legal, vez que contrariaria norma de hierarquia superior, qual seja, o art. 10 da Lei nº 9.429, de 1995. Referese ao art. 48 da IN SRF n° 93/1997, que admite a isenção que exceda o limite preconizado pelo referido art. 663 do RIR, desde que a pessoa jurídica mantenha escrituração contábil, feita em observância da lei comercial. Alega que os rendimentos isentos e não tributáveis informados pelo contribuinte, no curso da ação fiscal (fls. 44), divergem dos valores considerados pela autoridade lançadora (Termo de Constatação de Infração, às fls. 146). Questiona o critério adotado pela autoridade lançadora para desconsiderar a escrituração contábil da pessoa jurídica AIRBRAS livro Diário e Razão, de 2003 por terem sido registrados na Junta Comercial apenas em 12/04/2006, data posterior ao início da ação fiscal, haja vista que a pessoa jurídica, com personalidade distinta do contribuinte, somente foi intimada em 24/10/2006, portanto, "muito depois da autenticação dos livros"; h) Com relação ao item 002 do auto de infração, que veicula a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, no anocalendário de 2002, no valor de R$ 303.607,54, com imposto apurado de R$ 41.746,04, alega que a autoridade lançadora teria utilizado critério ilegítimo, por não ter considerado os lucros distribuídos pela empresa AIRBRAS; por ter presumido que o contribuinte teria sido o real autor da remessa de US$ 60.000,00 (R$ 187.672,00); por ter escolhido, arbitrariamente, o mês de janeiro como o mês de pagamento da dívida de R$ 23.438,61, pagos por Aldir Raposo à Jacob Stenberg; por não ter incluído, no mês de agosto/2002, a alienação do automóvel Renault Scenic 1.6, placa LCW 1095, realizada em 20/05/2002, conforme estaria ''devidamente'' declarado na DIRPF do contribuinte. Com relação aos lucros distribuídos pela empresa AIRBRAS, assevera que os livros contábeis, desde que devidamente escriturados e registrados, como seria o caso em tela, seriam suficientes à comprovação da existência de lucros e da sua efetiva distribuição. Às vista do exposto, refazendo o fluxo financeiro, como acolhimento dessas teses, não haveria variação patrimonial a descoberto no ano calendário de 2002; i) alega que as multas de 10% e 75%, respectivamente para os exercícios de 2003 e 2004, teriam caráter punitivo, sendo aplicável apenas ao autor da própria infração, e não aos responsáveis por sucessão. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, por maioria de votos, afastou as preliminares de cerceamento de defesa e de nulidade do lançamento e no mérito, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo o imposto no valor de R$69.951,37, multa proporcional passível de redução no valor de R$34.258,81, multa proporcional não passível de redução no valor de R$2.427,29 e juros de mora na forma da legislação aplicável. A revisão do lançamento pela DRJ, se deu para que os lucros distribuídos, que já foram tributados na pessoa jurídica, bem como o valor tributável apurado pela autoridade lançadora, sejam considerados com base na DIPJRetificadora (fls. 259/293), bem como na DIRPF. Ainda, na Infração 002, a DRJ acolheu o pedido de considerar a dívida de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 115 6 R$23.438,61 paga ao longo de 12 meses, ajustado no Demonstrativo do APP de fls. 148/149. Assim, o valor tributável, relativo à infração "Rendimentos Excedentes ao Lucro Presumido/Arbitrado pagos a Sócio ou Acionista", relativa ao fatogerador ocorrido em 31/12/2003, foi reduzido para R$ 332.206,71, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A nulidade do processo, por cerceamento do direito de defesa, requer a prova de que esse direito tenha sido, efetivamente, violado, de modo a impedir o seu pleno exercício. Com efeito, divergências apontadas com relação a aspectos materiais do lançamento, devidamente contestadas na impugnação; bem como eventuais dificuldades, supostamente enfrentadas pela defesa, em obter cópia dos autos, notoriamente sanadas pelo oferecimento de impugnação que contesta, integralmente, a matéria objeto do lançamento, antes de caracterizar a violação da ampla defesa, afirmam o seu pleno exercício. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. ESCRITURAÇÃO INTEMPESTIVA DOS LIVROS CONTÁBEIS. A apresentação de livros contábeis e fiscais, registrados na junta comercial após a entrega das correspectivas DIPJ, não caracteriza a escrituração regular, a justificar a distribuição de lucros em valores superiores ao apurado na DIPJ, dada a violação dos preceitos contábeis aplicáveis, em especial o princípio da oportunidade, a determinar que os registros contábeis sejam feitos no momento em que o fato ocorra (tempestividade). LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão/ a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. ART. 663 DO RIR. LEGALIDADE. Não compete à Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil apreciar a legalidade dos atos regulamentares emanados do Chefe do Poder Executivo. DIPJ RETIFICADORA. A apresentação de DIPJ retificadora pela pessoa jurídica, em que foi apurado lucro presumido, validamente processada nos sistemas informatizados, cujos correspectivos débitos foram confessados em DCTF Retifícadora, implicando constituição definitiva desses créditos tributários, autoriza o pagamento ou crédito desse mesmo lucro aos correspectivos sócios. VARIAÇÃO PATRIMONIAL. REMESSAS DE RECURSOS. EXTERIOR. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal e fielmente reproduzidos no processo, constituem elementos de prova incontestáveis de que o sujeito passivo efetuou remessas de recursos, ao exterior, por meio de uma subconta administrada por uma instituição bancária ou financeira americana. LANÇAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. DÚVIDA. DÍVIDA PAGA NO ANOCALENDÁRIO. Remanescendo dúvidas acerca das Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 116 7 circunstâncias materiais do fato gerador, a legislação tributária deve ser interpretada da forma mais favorável ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. ESPÓLIO. Os sucessores são responsáveis solidários pelos débitos decorrentes de infrações à legislação tributária, cometidas pelo espólio, cujos débitos não tenham sido saldados pelo inventariante. MULTA DE MORA. As infrações à legislação tributária, cometidas pelo de cujus, ensejam o lançamento de ofício, com aplicação de multa de mora de 10%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 339 a 389, contendo os seguintes pedidos: PRELIMINARES (i) seja reconhecida a nulidade do auto de infração impugnado, em razão da violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório, em função dos seguintes fatos: Impossibilidade de obtenção de cópias dos autos do processo administrativo em tempo hábil; ausência de intimação da última prorrogação do MPF; lançamento equivocadamente feito com base em DIPJ já retificada; cálculo efetuado com elementos estranhos à recorrente e não esclarecidos pelo AFRF; e carência de provas de autoria de remessa de recursos para o exterior. MÉRITO (ii) caso, POR ABSURDO, a nulidade acima seja rejeitada, seja reconhecida a total improcedência do item 001 do auto de infração, em função da impossibilidade de lançamento de IRPF sobre rendimentos excedentes ao lucro presumido apresentação de escrituração contábil regular. (iii) seja, ainda, reconhecida a parcial improcedência do item 002 do auto de infração, acréscimo patrimonial a descoberto, em razão de diversos erros do AFRF na elaboração do quadro demonstrativo e insuficiência de provas da autoria da remessa de recursos no valor de US$ 60.000,00. (iv) em qualquer hipótese, o item 001 do auto seja julgado sistematicamente com o item 002; (v) em qualquer hipótese, sejam canceladas as multas lançadas no auto de infração, em razão da inaplicabilidade das multas lançadas impossibilidade da aplicação de penalidades a sucessores; e (vi) o presente processo seja julgado em conjunto com os processos administrativos relativos aos autos de infração lavrados contra os demais herdeiros do Sr. ALDIR [Processos nºs 18471.000061/2007 71 (Liane Martins), 18471.000062/200715 (Laise Martins), 18471.000063/200760 (Flávio Martins) e 18471.000064/200712 (Leila Martins)], uma vez que todos decorrem da mesma fiscalização e dos mesmos fatos. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 117 8 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Vencido Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Esclareço que conforme indicado no Auto de Infração e Termo de Constatação Fiscal, a sujeição passiva do presente lançamento de oficio, tratase de Espólio cuja partilha dos bens, determinou como responsáveis pelo crédito tributário devido pelo de cujus, a meeira Araunã Hipólito da Costa Martins, e os demais sucessores (herdeiros) na proporção de 12,5% para cada um, Liane Martins Lindner, Leila Martins,. Laise Martins e Flavio Hipólito da Costa Martins, cujos processos estão sendo julgados em conjuntos nessa sessão de julgamento. PRELIMINARES Nulidades e cerceamento do direito de defesa Pede que seja reconhecida a nulidade do auto de infração impugnado, em razão da violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório, em função dos seguintes fatos: Impossibilidade de obtenção de cópias dos autos do processo administrativo em tempo hábil; ausência de intimação da última prorrogação do MPF; lançamento equivocadamente feito com base em DIPJ já retificada; cálculo efetuado com elementos estranhos à recorrente e não esclarecidos pelo AFRF; e carência de provas de autoria de remessa de recursos para o exterior. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus recursos durante a fiscalização, como se vê, v.g., nas intimações e prorrogações de prazo às fls.: 23, 41, 43, 48, 53, 57, 59 e 62, e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Acerca do MPF, o entendimento consolidado neste Conselho é de que o MPF constituise um instrumento de controle da administração tributária. A falta deste ou vícios em Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 118 9 sua emissão/prorrogação não traz qualquer prejuízo ao processo administrativo fiscal, tampouco se trata de um vício formal passível de correção, quando muito seriam faltas funcionais, sujeita a penalidades administrativas ao servidor. Nesse sentido destacase o seguinte julgado, dentre outros: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.” (Acórdão nº 20308.483 de 16/10/2002). Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. Destarte, por estas razões associadas aos argumentos do acórdão recorrido, fls. 324verso a 325, afasto, pois, todas as alegação de nulidade. As questões das alegações do lançamento ter levado em conta DIPJ já retificada e a carência de provas de autoria de remessa ao exterior, serão objeto, ainda, de análise mais a frente nesse voto. MÉRITO Impossibilidade de lançamento de IRPF sobre rendimentos excedentes ao lucro presumido e apresentação de escrituração contábil regular. Em sede de recurso, não foram apresentados novos elementos de prova para contestar os argumentos utilizados pelo relator do voto do acórdão da DRJ acerca destas questões, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese que da possibilidade de isenção da distribuição de lucros excedentes ao lucro presumido e que a escrituração estaria regular, apta a socorrer o recorrente. O cerne da questão é que não encontramos nos autos documentação hábil e idônea que suportasse os números apresentados pela contribuinte, não obstante as tentaivas da fiscalização reduzidas no Termo de Constatação Fiscal: Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 119 10 De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade para que seja aceita a tese da defesa, impedindo o cancelamento do lançamento, conforme se vê nos seguintes excertos do julgado de primeira instância que transcrevo livremente: (...fl.326) 16. Passase a analisar a defesa de mérito apresentada com relação ao item 1 do Auto de Infração, que veicula infração decorrente de rendimentos excedentes ao lucro presumido, pagos a sócio ou acionista, com valor tributável de R$ 392.104,35 (=220.000,00+30.804,39+141.299,96) e correspectivo imposto apurado de R$ 53.914,35, referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2003. 17. A alegação do que os itens 1 e 2 do auto de infração estariam em contradição merece acolhida. Com efeito, a autoridade lançadora admitiu, no item 1, como rendimentos isentos e não tributáveis, o valor do lucro presumido apurado na pessoa jurídica AIRBRAS, deduzido de todos os tributos incorridos, para fins de desqualificar, com isentos e não tributáveis, os rendimentos informados a esse título, pelo impugnante, na DIRPF 2004 (fls. 10/13) que excederam àquele valor. Dessa forma, esse mesmo critério, que encontra fundamento nas disposições do art. 662 do Decreto n° 3.000, de 1999, deverá ser utilizado para fins de aceitação dos lucros distribuídos por essa pessoa jurídica, no anocalendário de 2002, não havendo repercussão sobre a infração referida no item 1 do auto de infração, que trata do ano calendário de 2003. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 120 11 18. Com relação à alegação de que a escrituração apresentada pela pessoa jurídica seria apta a comprovar a distribuição de lucros, em valores superiores ao lucro presumido, deduzidos dos impostos devidos, essa tese não merece acolhida. Com efeito, o livro Diário, autenticado na repartição competente, em data posterior ao início de sua utilização, não se presta a comprovar a regularidade da escrita. Ocorre que o art. 1.182 do Código Civil Brasileiro (Lei n" 10.406, de 2002), cuja vigência deuse a partir de 11 de janeiro de 2003 (vide art. 2.044 do CC), exige o registro do Livro Diário no Registro Público de Empresas Mercantis, previamente ao início de sua utilização (...fl.327) 22. No caso vertente, conforme documento de fls. 73 e 74, os Livros Diários, destinados ao lançamento das operações contábeis da pessoa jurídica AIRBRAS, referente aos anoscalendários de 2002 e 2003, somente foram levados a registro em 12/04/2006, com defasagem temporal de 4 anos e 3 anos, respectivamente para cada anocalendário referido. Verificase, pois, a imprestabilidade dessa escrituração, para fins de comprovação de distribuição de lucros, em valores superiores ao lucro presumido, dada sua substancial intempestividade, violando flagrantemente o principio contábil da oportunidade. Irrelevante, no caso, que os registros dos referidos livros contábeis tenham ocorrido em data anterior ao início da ação físcal empreendida na pessoa jurídica. 23. Com relação à alegação do impugnante de que o art. 663 do RIR, que limita a isenção em referência aos lucros que tenham servido de base para a apuração do imposto, deduzido do imposto correspondente, careceria de base legal, vez que contrariaria norma de hierarquia superior, qual seja, o art. 10 da Lei n" 9.429, de 1995 (sic, tratase, efetivamente, da Lei if 9.249, de 1995), essa tese não merece acolhida. Primeiro, essa Delegacia de Julgamento está obrigada a observar as normas legais e regulamentares, ex vi do art. 7° Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, não cabendo a essa instância administrativa apreciar a legalidade dos atos normativos emanados do Poder Executivo. Segundo, o art. 663 do RIR deve ser interpretado sistematicamente, considerando os demais dispositivos legais e regulamentares pertinentes, em especial o art. 662 do RIR; e inciso I do § 2° do Art. 48 da IN SRF n° 93, de 1997. Com efeito, a recusa em admitir a isenção de lucros distribuídos, em valor superior ao referido nesses dispositivos, decorre da violação do dever da pessoa jurídica AIRBRAS (da qual o contribuinte Aldir Raposo Martins era sócio administrador e detinha 95% do capital social) em manter a escrituração contábil de forma regular. Como se verifica os registros contábeis não foram apresentados com documentação de suporte competente e assim as alegações do contribuinte nesse ponto não têm como prosperar por essa razão. DA SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA REMESSA DE US$ 60.000.00 Toda a defesa do recorrente desde a fase impugnatória se resume em negar a sujeição passiva, ou seja, que não seria a pessoa indicada na documentação como a responsável pelas transações bancárias indicadas na documentação. Em sua DIRPF 2003, fls. 06 a 09, o contribuinte, sócio majoritário de empresa de assessoria aeronáutico, se identifica assim: Fl. 440DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 121 12 Nessa declaração, encontramos as seguintes informações, DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS (Fl. 08) Dessa forma, com o liame, entre o nome completo, endereço e o fato do contribuinte ter contas no exterior, não resta dúvidas que o Recorrente é a mesma pessoa investigada na ação fiscal, decorrente da Representação Fiscal nº 03172/05, de fls., 24 a 49, senão vejamos o documento acostado à fl. 25, assim com o aprofundamento da Representação Fiscal descrita, resta perfeitamente qualificado na conduta de sujeito passivo da remessa no exterior: Cumpre ressaltar todo o trabalho feito nas investigações acerca da sujeição passiva do interessado, minuciosamente, detalhada no acórdão recorrido cujos excertos principais transcrevo: (...fl. 329verso e seguintes) A fim de subsidiar a ação fiscal, a Equipe Especial de Fiscalização encaminhou a Representação Fiscal n" 3172/05 à Superintendência Regional da 7" Região Fiscal (fl. 24), na qual foram relacionados os seguintes documentos: Laudo Pericial Fede/al elaborado para cada conta/subconta onde foram localizadas as transações, relação/transcrição das operações em que o Sr. Aldir aparece como beneficiário, ordenante e/ou remetente de divisas. A fl. 25, consta a descrição da operação da remessa de US$60.000,00 ao exterior, na qual figura o nome do Sr. Aldir como ordenante. Em complemento, às Fl. 441DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 122 13 fls. 26 a 38 foi juntado o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal, onde restam explicitados, em detalhes, todos os procedimentos adotados no curso da investigação. A impugnante restringiu sua argumentação de mérito em alegar que os documentos acostados não são hábeis à comprovação das operações por deixarem dúvidas quanto à autenticidade. E que, dessa forma, não restaria comprovada a materialidade e autoria do ilícito. O presente trabalho fiscal teve origem em investigações anteriores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Equipe Especial de Fiscalização (Portaria SRF n° 463/04), devidamente autorizada por decisão judicial, emitiu a Representação Fiscal n° 3172/05, descrevendo as operações em que a pessoa física "Aldir Raposo Martins, CPF n° 041.424.38700, aparece como ordenante das remessas, por meio da conta "MIDLER n° 530765055", administrada por "Beacon Hill Service Corporation BHSC".. A empresa "Beacon Hill Service Corporation BSHC" foi identificada como intermediária de diversas ordens de pagamento. Sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, ela atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do "JP Morgan Chase Bank", administrando contas ou subcontas específicas, entre as quais a subconta n" 530.765.055, denominada MIDLER CORP. S.A. Assim, embora o contribuinte alegue que não existem provas de que seja ele o responsável pelas remessas, essa não é a verdade dos autos, como se viu, pelo que as provas acostadas são suficientes para comprovar a transferência a ele atribuída e a omissão de rendimentos. Ressalto que a atividade fiscal é vinculada. Diante do ilícito, instituído em lei deve a autoridade cobrar mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Foi o que ocorreu nesse caso, diante das provas levantadas pela Representação Fiscal nº 03172/05, a autoridade procedeu o lançamento. Por sua vez, o autuado, teve totais condições de esclarecer o contrário, inclusive se apresentando junto a instituição financeira competente para esclarecer um possível equívoco de sujeição passiva mas preferiu em todas as fases processuais apenas alegar a ilegitimidade. Diante de tantos argumentos que sustentam a autuação deveria o contribuinte ter indicado fatos, argumentos e provas atestando a impossibilidade da sujeição passiva mas não o fez, apenas alega sem juntar nenhum documento que indique que ele não e a mesma pessoa discriminada na remessa dos US$60,000.00. Por último não encontramos documentação que permita considerar como origem de recurso a venda do veículo, RENAULT SCENIC, pois, somente temos a referência na DIRPF dziendo que foi um veículo dado em troca de outro. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria Fl. 442DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 123 14 fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Em se tratando de uma questão de prova, incumbe o seu ônus a quem alega ou aproveita. É princípio consagrado em direito “quem alega tem que provar”. Allegatio et non probatio quasi non allegatio (alegar e não provar é quase não alegar). Por todo o exposto resta claro nesse processo, que essas informações são suficiente para que seja subsumida ao recorrente as respectivas transações bancárias a ele imputadas as remessas que deram origem ao lançamento. MULTAS DE OFÍCIO. O Recorrente pede que sejam canceladas as multas lançadas no auto de infração, em razão da inaplicabilidade das multas lançadas impossibilidade da aplicação de penalidades a sucessores. Multa Fato Gerador 31/12/ 2002 Multa de 10% Para este Fato Gerador, foi lançada multa de 10% com o enquadramento legal do Art. 964, inciso I, alinea "b" do RIR/99, verbis: Capítulo IV INFRAÇÕES ÀS DISPOSIÇÕES REFERENTES À DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Art.964.Serão aplicadas as seguintes penalidades: Imulta de mora: a)de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§2ºe 5ºdeste artigo (Lei nº8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº9.532, de 1997, art. 27); b)de dez por cento sobre o imposto apurado pelo espólio, nos casos do §1ºdo art. 23 (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 49); Assim sendo, entendo perfeito o enquadramento legal da multa lançada e, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 124 15 Com fundamento legislação regente indicada e aplicável ao fato julgado, não há possibilidade legal para se considerar a exclusão ou redução da multa no lançamento impugnado. Multa Fato Gerador 31/12/ 2003 – Multa de 75% Já para este Fato Gerador foi lançado multa de 75%, com o enquadramento legal do art. 44, inciso I, da Lei n°9.430, de 1996. Sobre esse ponto, vejamos o que diz o Art. 23 do RIR/99, verbis: RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Art.23.São pessoalmente responsáveis (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 50, e Lei nº5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III): I o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; II o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. §1ºQuando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar seá do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 49). §2º Apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e da multa prevista no art. 950, observado, quando for o caso, o disposto no art. 874. §3º Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, observado o disposto no inciso I. Contudo, conforme o Termo de Constatação de Infração, a partilha dos bens foi homologada em 30/08/2004, fl. 147, ou seja, antes da lavratura da autuação em 08/03/2007, fl. 211. Diante da cronologia dos fatos e do que é estabelecido pela legislação destacada, art. 23 do DecretoLei nº 5.844, de 1943 c/c art. 964 do RIR, seria devido para este Fato Gerador, também, a multa de 10% e não de 75%. Destarte, tendo sido equivocado o enquadramento legal e sendo ilegal a mitigação dessa multa de ofício, voto pelo seu cancelamento. CONCLUSÃO Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 125 16 Pelo exposto, voto para dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar a multa de ofício aplicada ao exercício de 2004, mantendo os demais aspectos da decisão recorrida. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 126 17 Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do ilustre relator quanto às suas conclusões acerca da sujeição passiva, no que concerne à remessa de recursos ao exterior, no valor de US$ 60.000,00. Para o estudo da questão, vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Devese, ainda, observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte. Se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pelo agente fiscal, sem vigor restará o cenário construído, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação. No voto vencido, o relator afirma que não resta dúvida de que o de cujus fez a remessa de recursos para o exterior, dada a coincidência do nome completo e do endereço do mesmo e também pelo fato de o de cujus ser detentor de conta bancária no exterior. Entretanto, do exame dos documentos que compõe o processo verificase que o nome do de cujus somente é mencionado na Representação Fiscal nº 03172/05, e na relação das operações, documentos estes elaborados pela Equipe Especial de Fiscalização, constituída pela Portaria SRF nº 463/04. Nos documentos oriundos da Justiça Federal o nome do de cujus não é mencionado sequer uma única vez. Ora, tal Representação e seu anexo (relação das operações), em que pese ter sido elaborada por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova suficiente de que o de cujus de fato tenha realizado a operação ali indicada. Sabese que as informações constantes da referida relação elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização foram extraídas das planilhas eletrônicas recebidas das autoridades americanas, nas quais constam os movimentos a débito e a crédito das contas e subcontas da Beacon Hill Service Corporation. Temse, portanto, como certo que o nome do de cujus foi de fato mencionado como ordenante da remessa de recurso ao exterior, nos Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 127 18 documentos que se encontram transcritos nas planilhas eletrônicas encaminhadas ao governo brasileiro pelas autoridades americanas. É certo, ainda, que nas mencionadas planilhas eletrônicas o nome do de cujus vinha acompanhado de endereço, que coincide com o indicado em suas Declarações de Ajuste Anual, de modo que são fortes os indícios de o de cujus ter realizado a remessa de recurso indicada no Auto de Infração. No entanto, tais fatos são apenas indiciários. Não se pode descartar a possibilidade de uso indevido do nome do contribuinte. Vale ressaltar que não foram acostados aos autos documentos assinados pelo de cujus ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais indicassem o de cujus como ordenante de recursos ao exterior. O nome do de cujus aparece nas ordens de pagamentos por indicação dos titulares das contas e subcontas da Beacon Hill Service Corporation (doleiros). Tais informações não são inteiramente confiáveis, dado que os doleiros poderiam, na intenção de encobrir o verdadeiro titular dos recursos, mencionar um nome qualquer. Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o de cujus realizou as remessas de recursos ao exterior, de modo que tais valores – correspondentes à remessa de recursos ao exterior, devem ser excluídas do demonstrativo de variação patrimonial a descoberto. Destaquese, ainda, que exigir que os herdeiros do de cujus trouxessem aos autos documentos que atestassem a impossibilidade de sua sujeição passiva, conforme sugerido pelo relator do voto vencido, equivale a exigir a apresentação de prova negativa, sendo certo que não se pode esquecer que o ônus da prova, quando da imputação de infração de omissão de rendimentos, é da autoridade fiscal. Ou seja, não é o caso de o contribuinte ter que provar que não fez a remessa de recursos para o exterior e sim de a autoridade fiscal demonstrar, de forma inequívoca, que a remessa foi realizada pelo contribuinte. E mais, ainda que se admitisse que o de cujus efetivamente tivesse realizado a remessa de recursos ao exterior, no valor de US$ 60.000,00, estarseia diante da hipótese prevista na Súmula CARF nº 68, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Veja que a remessa de recursos ao exterior equivale a uma transferência bancária, de modo que sua inclusão em demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial somente poderia ser admitida, caso restasse comprovado nos autos a destinação dos recursos remetidos ao exterior. Ou seja, a autoridade fiscal teria ainda que demonstrar que tal remessa foi consumida em gastos, aquisições ou aplicações. Sem tal comprovação, a remessa de recursos ao exterior não pode compor planilha de apuração de acréscimo patrimonial. Nestes termos, voto por excluir da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto (APD), do exercício de 2003, a remessa de recursos ao exterior, no valor de US$ 60.000,00. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 18471.000065/200759 Acórdão n.º 2102002.833 S2C1T2 Fl. 128 19 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Redatora Designada Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assina do digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910085/2011-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2003
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 85 /2 01 1- 24 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910085/201124 Acórdão n.º 3801003.448 S3TE01 Fl. 108 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910085/201124 Acórdão n.º 3801003.448 S3TE01 Fl. 109 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910085/201124 Acórdão n.º 3801003.448 S3TE01 Fl. 110 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910085/201124 Acórdão n.º 3801003.448 S3TE01 Fl. 111 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910085/201124 Acórdão n.º 3801003.448 S3TE01 Fl. 112 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910085/201124 Acórdão n.º 3801003.448 S3TE01 Fl. 113 7 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11128.007671/2008-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/05/2008
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010.
Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 3803-006.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Corintho Oliveira Machado e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, faz-se necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Corintho Oliveira Machado e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/05/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do DecretoLei nº 37/66. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 76 71 /2 00 8- 47 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Corintho Oliveira Machado e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de auto de infração com valor total de R$ 5.000,00, em decorrência do cumprimento intempestivo de obrigação tributária acessória de informar os dados de transporte de mercadorias pelo agente marítimo. Irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação onde alega: a) não deixou de prestar informação no prazo e, por não ser uma empresa de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. b) ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação por não se tratar de transportador marítimo ou representante deste, mas de agente marítimo; c) não houve atraso na prestação da informação, mas retificação, a qual independe de sua vontade por depender de informações prestadas pelos exportadores, desta feita, a presunção de sua boafé exclui a ilicitude diante da total ausência de qualquer dano ou prejuízo ao erário. Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário e o arquivamento deste processo. A 24ª Turma da DRJ/SPI julgou a Impugnação improcedente e manteve o crédito tributário. Ementou como se segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.007671/200847 Acórdão n.º 3803006.066 S3TE03 Fl. 11 3 O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/05/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa do artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, por retificação extemporânea de informação correspondente ao manifesto e respectivos conhecimentos eletrônicos. Nos termos do § 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543/2002, não se considera espontânea a denúncia apresentada pelo transportador depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual alega: a) há denúncia espontânea, uma vez que as informações retificadas pelo Requerente, foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração, prejudicando totalmente o auto de infração, à vista disso há exclusão da punibilidade; b) por não ser uma empresa de transporte internacional ou uma prestadora de serviços de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar; c) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade; d) não existia atraso na conduta, uma vez que o prazo estipulado no art. 22 da IN RFB 800 não era obrigatório antes de 1º de abril de 2009 e) não houve atraso na prestação de informações, mas sim, simples retificação, que não dificulta ou impede a fiscalização. Desta forma devese presumir a boafé do contribuinte de forma a excluir a punibilidade. Ao final requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal e arquivese o presente processo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira– Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Da preliminar de ilegitimidade passiva O contribuinte afirma que não há qualquer legislação que permita a tipificação do agente marítimo como infrator da obrigação acessória em comento e que sua responsabilidade se restringe ao pagamento do Imposto de Importação, ainda defende que o agente marítimo, quando no exercício exclusivo de suas funções, não é responsável tributário. Em resposta colaciono entendimento do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro no julgamento do processo administrativo 13901.000033/200811, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3 Seção de Julgamento do CARF: Por outro lado, ainda que não se considere que a recorrente assumiu o lugar do próprio transportador, certamente haveria responsabilidade solidária em razão da coautoria da conduta de prestar informações em dissonância com as exigências fixadas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse ponto, cabe registrar a opinião deste relator no sentido de que a ausência de menção expressa à figura do agente marítimo nos incisos II a VI desse mesmo art.951 não conduz à impossibilidade de impor a tal agente a coresponsabilidade pela infração. Com efeito, como é possível perceber, tal e qual se verifica no art. 124 do Código Tributário Nacional2, o legislador estabeleceu duas modalidades de solidariedade, a factual e a decorrente da fixação legal. Nesse aspecto, afirma Maria Rita Ferragut3: 1 II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) 2 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. 3 Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002.São Paulo. Noeses, 2005, p. 69. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.007671/200847 Acórdão n.º 3803006.066 S3TE03 Fl. 12 5 O art. 124, I e II do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário e (ii) designação expressa em lei. (...) Qual a diferença, então, entre os incisos I e II do artigo 124? Entendemos que, no inciso II, as pessoas solidariamente obrigadas não têm interesse comum no fato jurídico tributário, já que, se tivessem, enquadrarseiam na hipótese contemplada no inciso I. Trazendo tal debate doutrinário para o presente litígio, o que se verifica é, feitas as devidas adaptações, o mesmo fenômeno.A imposição de penalidade com fundamento no inciso I do art. 95. Os incisos II a VI tratam da responsabilidade de terceiros que, independentemente da coautoria ou participação, responderão pela infração enquanto que o inciso I trata das hipóteses em que a coresponsabilidade é fruto da coautoria ou participação. Observese, por outro lado, o que diz o art. 136 do CTN (os destaques não constam do original): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Acerca dessa modalidade de responsabilidade solidária, lembro a lição de Luciano Amaro4, que, analisando o art. 136 do CTN, esclarece: “Responsabilidade aí nada tem a ver com a sujeição passiva indireta; é responsabilidade noutra acepção, qual seja, a sujeição de alguém às conseqüências dos seus atos. Se cometi uma infração, ‘respondo’ por ela. Ora, nesse sentido, a responsabilidade tanto se aplica ao sujeito passivo indireto (responsável), como ao contribuinte (sujeito passivo direto), como, ainda, a outras pessoas que não são contribuintes, não são responsáveis, mas eventualmente descumprem algum dever acessório (obrigação acessória ou obrigação formal). Se o indivíduo descumpre uma obrigação formal, embora não deva nada de tributo, sofre as conseqüências do seu ato, ou seja, ‘responde’ pelo seu ato.” Ou seja, o artigo 136 codificado, apesar de não cindir as duas modalidades de agente, tal e qual o art. 124 do mesmo código estabeleceu a responsabilidade por infração factual. Ou seja, que decorre da ação ou omissão do responsável pela sua perpetração. 4 Infrações Tributárias, apud Paulsen, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre. 2007. Livraria do Advogado. 9ª ed. p. 925 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Finalmente, descabe falar em violação à Súmula nº 192 do TFR, na medida em que, como é cediço a responsabilidade tributária do agente resta perfeitamente delineada no parágrafo único do art. 32 do Decretolei nº 37, de 1966, cuja redação atual, fornecida pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é a seguinte: Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Grifo Nosso) Com essas considerações, afasto a preliminar de ilegitimidade, pois o contribuinte é representante, no País, do transportador estrangeiro e, por consequência, responsável solidário. Denúncia espontânea O contribuinte alega que os dados foram retificados antes da lavratura do auto de infração, de tal forma que sua conduta é caracterizada como denúncia espontânea. Apesar desse assunto não constar em Manifestação de Inconformidade, sua apreciação se faz necessária por se tratar de fato novo, respeitando o princípio da Retroatividade Benigna conforme art. 106 do CTN5, uma vez que a possibilidade da denúncia espontânea se deu com a alteração do parágrafo 2º do art. 102 do DecretoLei 37/66 com o advento da Medida Provisória 497/2010, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010. Cita se o dispositivo com a nova redação: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. 5 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifo Nosso) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.007671/200847 Acórdão n.º 3803006.066 S3TE03 Fl. 13 7 § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Grifo Nosso) Observase que a denúncia espontânea é um incentivo para que as irregularidades sejam sanadas sem intervenção de qualquer autoridade administrativa. Esse também é um entendimento doutrinário de Leandro Paulsen: O objetivo da norma é estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco, com o que este recebe o que lhe deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. A previsão legal é absolutamente consentânea com uma estrutura tributária incapaz de procede à fiscalização efetiva de todos os contribuintes e que precisa, demais, estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, seja tempestiva, seja tardiamente. Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservase a higidez do sistema. Nesse caso, as informações utilizadas para basear a autuação foram as próprias informações do contribuinte sem que existisse qualquer procedimento de fiscalização. Resta esclarecer a natureza da obrigação acessória e sua compatibilidade com o instituto da denúncia espontânea. Interessante notar que até então não se aplicava o instituto da denúncia espontânea para penalidades de natureza administrativa. O auto de infração afirma que se trata de uma infração de natureza administrativa(fl. 10), citase: De natureza administrativa, detectado o fato pelo agente do fisco, materializada está a hipótese de infração, independente de dolo ou de culpa do interveniente, pois a lei criou uma ficção legal que impõe ao interveniente a responsabilidade pelo descumprimento da norma em comento. Como visto anteriormente, as infrações administrativas foram adicionadas ao §2º do art. 102 do DecretoLei 37/66. Desse modo, por ser infração de natureza administrativa e por não ter ocorrido no curso de despacho aduaneiro ou após início de procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea. No mesmo sentido há vários julgados do CARF: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/01/2005 a 28/12/2005 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º, DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350/2010. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RETROATIVIDADE BENIGNA. Considerando que o dispositivo que autoriza a exclusão de multa administrativa em razão de denúncia espontânea entrou em vigor antes do julgamento da peça recursal, fazse necessário observar o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional e afastar a multa prevista no art. 107, IV, e, do DecretoLei nº 37/66. (Acórdão nº 3201001.212, 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/05/2008, 10/06/2008 MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA . Confirmado que as informações de obrigação do operador no comércio exterior, apesar de intempestivas, foram realizados em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplicase o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea c do CTN Recurso Voluntário Provido (Acórdão de nº 3102001.686, 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.007671/200847 Acórdão n.º 3803006.066 S3TE03 Fl. 14 9 Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/10/2008, 07/11/2008, 08/11/2008, 12/11/2008, 14/11/2008, 17/11/2008, 18/11/2008, 03/12/2008, 04/12/2008, 08/12/2008, 13/12/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 3101001.509, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento) Da mesma forma os Acórdãos de nº 3401002.443, da 1ª Turma Ordinária da 4º Câmara da Terceira Seção de Julgamento e o de nº 3201001.084 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Entre outros. Conclusão Ante o exposto resta caracterizada a denúncia espontânea, a penalidade de multa sobre a obrigação acessória aduaneira deve ser excluída em virtude da retroatividade benigna da Medida Provisória 497/2010, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010. Por fim voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 06/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13802.001411/95-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1992
Encargos de Diferença Correção Monetária IPC x BTNF
Não há previsão legal que autorize a dedução, da base de cálculo da CSLL, dos encargos decorrentes da diferença entre a correção monetária calculada pelo IPC e a medida pelo BTNF, no caso de saldo devedor da conta.
Prescrição.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Diferença IPC x BTNF
A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder a diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor - IPC e a variação do BTN Fiscal. Terá seguinte tratamento fiscal poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anos-calendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor.
Lançamento de Ofício. Penalidade.
A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata.
In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Juros Moratórios. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
Numero da decisão: 1801-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1992 Encargos de Diferença Correção Monetária IPC x BTNF Não há previsão legal que autorize a dedução, da base de cálculo da CSLL, dos encargos decorrentes da diferença entre a correção monetária calculada pelo IPC e a medida pelo BTNF, no caso de saldo devedor da conta. Prescrição. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Diferença IPC x BTNF A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder a diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor - IPC e a variação do BTN Fiscal. Terá seguinte tratamento fiscal poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anos-calendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. Lançamento de Ofício. Penalidade. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor. Juros Moratórios. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. PRESCRIÇÃO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DIFERENÇA IPC X BTNF A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder a diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor IPC e a variação do BTN Fiscal. Terá seguinte tratamento fiscal poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 2. 00 14 11 /9 5- 72 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para tributos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 ENCARGOS DE DIFERENÇA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC X BTNF Não há previsão legal que autorize a dedução, da base de cálculo da CSLL, dos encargos decorrentes da diferença entre a correção monetária calculada pelo IPC e a medida pelo BTNF, no caso de saldo devedor da conta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Salvador/BA: Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes ao períodobase de 1992, de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, as fls. 72 a 83, no valor de 128.952,54 UFIR (cento e vinte oito mil, novecentas e cinqüenta e duas Unidades Fiscais de Referência e cinqüenta e quatro centésimos); e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, às fls. 84 a 93, no valor de 25.973,79 UFIR (vinte e cinco mil, novecentas e setenta e três Unidades Fiscais de Referência e setenta e nove centésimos), acrescidos das cominações legais pertinentes. 2. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de postergação do pagamento do imposto, em virtude da antecipação, para o ano de 1992, de custos/despesas relativos à diferença de correção monetária IPC/BTNF, de 1990, sobre a Fl. 21DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13802.001411/9572 Acórdão n.º 1801001.991 S1TE01 Fl. 3 3 depreciação, que só poderiam ser deduzidos a partir de 1993, de acordo com a lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, apurada nos meses de maio a dezembro de 1992, em conformidade com Termo de Verificação, em anexo. O enquadramento legal aponta infração aos artigos 155, 157 e § 1°, 171, 172, 173, 280, 281 e 387, inciso II, do RIR/1980. 3. O Auto de Infração relativo à CSLL decorreu dos mesmos fatos geradores do Auto de IRPJ, sendo tributada nos mesmos períodos de apuração, e o enquadramento legal apontou infração aos artigos 38 e 39 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e ao artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988 4. No Termo de Verificação, à fl. 69 (frente e verso), o Agente Fiscal, resumidamente, declara que: • a Contribuinte deixou de oferecer à tributação do IRPJ o total da correção monetária da depreciação sobre a diferença IPC/BTNF, instituída pela Lei n° 8 200/91, no total de Cr$ 1.882.394.205,53, conforme relaciona os valores mensais. Tais valores somente seriam dedutíveis a partir dos períodos base (mensais) de 1993, tendo a Contribuinte deduzidoos, indevidamente, nos períodosbase (mensais) de 1992; • assim, sendo dedutíveis a partir dos períodosbase seguintes, há que se compensar os valores não deduzidos nesses períodosbase. Como nos meses de novembro e dezembro de 1993 a Contribuinte apurou lucro tributável, nos valores de Cr$ 23 694 745,00 e Cr$ 9.935.273,00, respectivamente, ou 174.804,42 UFIR e 53.669,34 UFIR, apurando imposto a pagar, feitas as imputações proporcionais (acréscimo de multa e juros), esses valores devem ser compensados das bases de cálculo dos valores deduzidos indevidamente em 1992, • após as imputações proporcionais (multa de 20% e juros de 22% e 21%, respectivamente), esses valores resultam em 123.101,70 UFIR e 38.063,36 UFIR, relativos aos lucros de novembro e dezembro de 1993, totalizando 161.165,06 UF1R e compensando as bases tributáveis de janeiro, fevereiro, março e parte de abril de 1992, restando a tributar do mês de abril (parcialmente) a dezembro de 1992. 5. As fls. 98 a 110, a Autuada apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: 5.1 houve confusão por parte da autoridade fiscal, pois se afirma que os valores devidos nos períodosbase de 1993 devem ser compensados da base de cálculo dos valores indevidamente deduzidos nos períodos base de 1992, e se o total de 101 165,06 UFIR compensam as bases tributáveis de janeiro a abril de 1992, por que motivo incluiu os valores apurados nesses quatro meses entre aqueles não oferecidos à tributação?, 5.2 sabemos que o ato administrativo do lançamento fiscal, para ser legitimo, deve conter elementos essenciais, sob pena de ser considerado nulo. A importância desse ato é tanta que ele foi definido através do artigo 142 do Código Tributário Nacional (transcreve) Vêse com clareza absoluta que improcede o lançamento fiscal, por inexistência do fato jurídico que legitime a prática daquele ato administrativo; 5.3 a Suplicante efetuou pagamento do tributo referente ao anobase de 1990, cujos elementos contábeis foram apurados, ajustados e corrigidos monetariamente com base no BTNF, verificandose a existência de saldo devedor na conta de correção monetária. Como se sabe, os referidos índices não refletiram a verdadeira Fl. 22DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 desvalia da moeda ocorrida no período, não espelhando a real defasagem do poder de compra da moeda sobre os elementos patrimoniais que compõem a base de cálculo do imposto em questão, 5.4 a União Federal editou a Lei n° 8.200, de 29/06/1991, estabelecendo o IPC como índice a ser utilizado retroativamente, para fins de correção monetária das demonstrações financeiras do anobase de 1990 (transcreve seu art. 3°). Esse reconhecimento da União gerou o aumento do saldo devedor e, portanto, da despesa e, decorrentemente, a diminuição do lucro real. Assim, à Suplicante assiste o direito liquido e certo de apropriar o resultado corrigido do saldo devedor, deduzindo do lucro tributável, o valor relativo à variação integral do IPC, 5.5 todavia, em seqüência, o mesmo dispositivo legal postergou essa compensação para efetivála somente em quatro períodos base, a partir de 1993, à razão de 25% ao ano, quando se tratar de saldo devedor. De um lado, o art. 3° da norma em comento reconheceu o direito das despesas ínsitas no saldo devedor, e de outro, em seu inciso I. impediu o contribuinte de ressarcirse do recolhimento gerado pela questionada diferença IPC/BTNF, desaguando em manifesto desrespeito ao direito de propriedade constitucionalmente assegurado, ao mesmo tempo mascarando empréstimo compulsório, além de odioso confisco, expressamente vedado pela Carta Magna, em seu art. 150 (transcreve); 5.6 mas não é só. A liquidez e certeza do direito ora invocado prescindiria até a edição da própria Lei n° 8.200/91, porquanto já esse direito era intangível à pretensão do Fisco, que expungiu a atualização pelo IPC, através da Lei n° 8.024/90, de 12/041990, com flagrante violação do principio da anterioridade, contido no art. 150, III, "b", da Constituição Federal e no art. 104 do Código Tributário Nacional, bem como por contrariar o art 43 dessa referida Lei Complementar; 5.7 a jurisprudência dominante entende que a Lei n° 8.200/91 foi editada, entre outras finalidades, com a de reconhecer o direito do contribuinte de compensar aquela diferença. Nesse sentido, transcreve pronunciamento da Juíza Federal Dra Tánia Terezinha Cardoso Escobar. Nada obstante, a fixação do marco temporal em que se operaria a dedução em foco, estabelecida no inciso I do art. 3° da Lei n° 8.200/91, ponto fulcral da questão, foi alterada seis meses depois, na sobrevinda Lei n° 8.383/91, cujo art. 66 ( que transcreve) permitiu o procedimento compensatório imediatamente; 5.8 destarte, por todo o exposto restou evidente o direito do contribuinte, em se verificando pagamento indevido ou a maior de tributos federais, no caso o Imposto sobre a Renda, de efetuar a compensação imediata desse valor (diferença entre o BTNF e o IPC) no recolhimento de importância devida em períodos subseqüentes (IR do anobase 1991) por ser tributo da mesma espécie (§ 10 do art. 66). Nestes termos, requer seja considerado legitimo o procedimento contábil adotado, julgando procedente sua tese e determinando a anulação do lançamento ora impugnado. A Turma Julgadora de 1a. Instância, ao apreciar o litígio, manteve em parte a autuação. Exonerou as exigências de IRPJ dos meses de maio a setembro de 1992, reduziu os valores exigidos a título de CSLL, nos meses de agosto a dezembro de 1992, por terem sido lançados em valores maiores que os devidos e também reduziu a multa de ofício, de 100% para 75%. Notificada da decisão, em 09/05/2008, apresentou a interessada, em 06/06/2008, recurso voluntário. Nas razões preliminares, em extenso arrazoado em que tece considerações doutrinárias a respeito da decadência e da prescrição, invoca a decadência em virtude do decurso do prazo de 5 anos contados da data da impugnação afirmando que a Fl. 23DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13802.001411/9572 Acórdão n.º 1801001.991 S1TE01 Fl. 4 5 decisão definitiva de constituição do crédito tributário deveria ter sido proferida até 28/11/2000. Afirma, ainda, ter se operado a prescrição da pretensão do Fisco em cobrar o crédito tributário No mérito aduz ter o direito liquido e certo de retroativamente ajustar o balanço/90 com a finalidade de apropriar o resultado corrigido do saldo devedor da conta de correção monetária do balanço o que teria sido expressamente reconhecido pelo Poder Público, permitindose a dedução, do lucro tributável, do valor relativo à variação integral do IPC, que em confronto ao BTN, resulta na diferença que poderá ser deduzida na determinação do lucro real. Afirma que estando reconhecido legalmente este direito não cabe a nenhum dispositivo legal postergar o seu exercício efetivo podendo o contribuinte fazer o uso imediato desse direito constitucionalmente resguardado, respeitando a propriedade já lhe fora garantida na lei e que o Decreto n° 332/91 teria extrapolado os limites legais suprimindo direitos conferidos pela Lei. Especificamente no que toca à CSLL, afirma que o lançamento é nulo por inexistência de previsão legal para a tributação da CSLL do saldo credor da diferença de correção monetária do balanço da diferença entre o IPC X BTNF de 1990. Aqui também afirma que o Decreto n° 332/91 teria extrapolado os limites legais da Lei n º 8.200, de 1991, ao determinar a adição dos encargos de depreciação na base de cálculo da CSLL. Colaciona jurisprudência administrativa a favor de sua tese. Consigna que as multas impostas tem caráter confiscatório e que deveriam ser limitadas ao percentual de 30%. Defende a inaplicabilidade de juros e da taxa Selic, considerada inconstitucional. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 24DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminares 1.1 DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO A primeira questão a ser analisada no presente recurso diz respeito à preliminar de decadência. O prazo decadencial do IRPJ e demais tributos federais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispos, no artigo 150, parágrafo 4o., a respeito de prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O IRPJ, dentre outros tributos, está sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Não basta, entretanto, a atribuição, ao sujeito passivo, pela legislação, do dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. Para que referido regra seja aplicada é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o Fl. 25DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13802.001411/9572 Acórdão n.º 1801001.991 S1TE01 Fl. 5 7 pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura IRPJ devido e nos casos em que apesar de apurar IRPJ devido, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareço que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), com efeitos de Repetitivo, julgado em 12 de agosto de 2009, no acórdão relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 26DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso a recorrente optou, no anocalendário 1992, pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ com base nas regras do lucro real anual, com recolhimentos por estimativa no curso do período. Assim, na apuração do lucro real anual com recolhimentos efetuados por estimativa o fato gerador do IRPJ ocorre em 31 de dezembro, por ocasião da apuração final com levantamento de balanços e demonstrações do resultado do exercício. O prazo decadencial, como visto, é aquele regulado pelo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, que no presente caso ocorreu em 31/12/1992. Assim, o prazo decadencial de cinco anos para constituição do crédito tributário começou a fluir em 31/12/1992, vencendose em 31/12/1997. A ciência do lançamento se deu em 21/10/1995, logo, dentro do prazo legal, razão pela qual não se consumou a decadência. No que toca a pretensão da recorrente em ver reconhecida a prescrição, este órgão colegiado já tem sua jurisprudência mansa e pacífica no sentido de não haver prescrição no curso do processo administrativo fiscal, como se verifica da seguinte súmula, de observação obrigatória: Súmula CARF n º 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. 2 Mérito No mérito verificase que a recorrente se apropriou, no anocalendário de 1992, de despesas de depreciação oriundas da diferença entre os índices de correção monetária Fl. 27DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13802.001411/9572 Acórdão n.º 1801001.991 S1TE01 Fl. 6 9 IPC x BTNF aplicados ao balanço encerrado em 1990, mas que somente poderiam ser deduzidos a partir do anocalendário 1993. A propósito do tema, cumpre transcrever a legislação de regência: Lei n º 8.200, de 1991: Art. 3° A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder a diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor IPC e a variação do BTN Fiscal. Terá seguinte tratamento fiscal: I Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. O dispositivo legal acima reproduzido já se encontra redigido com as alterações da Lei n º 8.682, de 1993 Vêse, pois, que a lei reconheceu a defasagem entre os índices utilizados para a correção monetária das contas do balanço patrimonial encerrado em 31/12/1990, mas condicionou a apropriação das diferenças apuradas entre a aplicação dos índices, em parcelas, a partir do anocalendário 1993. Regulamentando o quanto foi disposto pela Lei, foi editado o Decreto n º 332, de 04/11/1991: Art. 39.Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal somente poderá ser deduzida a partir do exercício financeiro de 1994, período base de 1993. § 1º Os valores a que se refere este artigo, computados em conta de resultado anteriormente ao períodobase de 1993, deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real. § 2º As quantias adicionadas serão controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real, para exclusão a partir do exercício financeiro de 1994, corrigidas monetariamente com base no INPC. Tendo a recorrente antecipado a apropriação de uma despesa, caberia, então, à auditoria fiscal, efetuar os ajustes e adicionar tais despesas ao lucro real apurado no ano calendário 1992 e aplicar ao caso os efeitos da postergação, já que o lucro reduzido em 1992, foi compensado posteriormente com aquele apurado em 1993. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 No entanto, quando verificada a inexatidão no regime de competência com a aplicação dos efeitos da postergação, deve a autoridade fiscal proceder, quando for o caso, à imputação proporcional de pagamentos, já que, além do imposto que deixou de ser recolhido no períodobase devido, também deixaram de ser recolhidos os acréscimos legais incidentes sobre esse débito. Esse é o procedimento correto, determinado pela legislação de regência: Decretolei n º 1.598, de 1977: Art. 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 4º. Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento do imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º. O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência.” Constatase, assim, que a auditoria fiscal agiu nos exatos termos da lei. A Turma Julgadora de 1a. Instância notou os erros cometidos pelo agente fiscal nos cálculos efetuados nos autos de infração, corrigindoos e expurgou, do crédito tributário lançado, os valores indevidamente exigidos. O inconformismo da defesa relativamente aos aspectos legais ou constitucionais dos comandos legais que ampararam as exigências não podem ser opostos à Administração Tributária, já que cabe ao Poder Judiciário se pronunciar sobre tais questões. Nesse sentido também já é pacífica a jurisprudência administrativa, como se verifica da seguinte súmula: Fl. 29DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13802.001411/9572 Acórdão n.º 1801001.991 S1TE01 Fl. 7 11 Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que toca à CSLL, como bem salientou a Turma Julgadora de 1a. Instância, a Lei n º 8.200, de 1991, nada dispôs acerca da dedutibilidade dos encargos da diferença de correção monetária do balanço da base de cálculo da CSLL, dispondo expressamente a respeito, unicamente, da apropriação das parcelas no cálculo do lucro real. Assim, por ausência de permissão legal, são indedutíveis, da base de cálculo da CSLL, os encargos de depreciação decorrentes da diferença de correção monetária IPC/BTNF, nos valores relacionados à fl. 69 dos autos. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. No que respeita à inconformidade da recorrente em relação à incidência de juros calculados com base na taxa SELIC, este órgão de julgamento já consolidou seu entendimento, como se verifica do enunciado de súmula abaixo reproduzido: Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 30DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13639.000593/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PLANO DE SAÚDE. COBERTURA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. PRÓ-LABORE. SALÁRIO-CONTRIBUIÇÃO.
Se a cobertura do plano de saúde pago pela empresa não abrange a totalidade de seus empregados e dirigentes, o valor a ele relativo integra o salário-contribuição.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos e Liege Lacroix Thomasi, acompanharam pelas conclusões, porque entenderam que a concessão de plano de saúde sem o oferecimento a todos os segurados, integra o salário de contribuição.
LIEGE LACROIX THOMASI- Presidente
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR
EDITADO EM: 21/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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COBERTURA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. PRÓLABORE. SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. Se a cobertura do plano de saúde pago pela empresa não abrange a totalidade de seus empregados e dirigentes, o valor a ele relativo integra o salário contribuição. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 05 93 /2 01 0- 30 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Paulo Roberto Lara dos Santos e Liege Lacroix Thomasi, acompanharam pelas conclusões, porque entenderam que a concessão de plano de saúde sem o oferecimento a todos os segurados, integra o salário de contribuição. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR EDITADO EM: 21/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa, não declaradas em GFIP e não recolhidas para o período de 01/2008 a 12/2008. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a título de remunerações indiretas relativas ao pagamento de plano de saúde pago ao sócio Gilson Gervásio de Souza Júnior e seus dependentes. Segundo a fiscalização, a cobertura não abrange a totalidade dos empregados. Em atenção ao disposto na Lei n. 11.941/2009 e o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte [75%]. Cientificado da autuação em 26/10/2010, o Contribuinte apresentou impugnação [fls. 58/74] que, em síntese, alega: os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de plano de saúde não integram a remuneração dos segurados, base de cálculo da contribuição previdenciária, sob pena de ofensa aos artigos 195 da Carta Magna, 457 e 458, da CLT; e Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000593/201030 Acórdão n.º 2302002.218 S2C3T2 Fl. 14 3 afirma ser unívoco o conceito de salário e remuneração expresso na CF/1988 para fins trabalhistas e previdenciários. Em 01/06/2011, a 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora prolatou acórdão que julgou procedente a autuação [fls. 84 e ss]. Intimado do decisum em 26/07/2011 [fl. 91], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário tempestivo [17/08/2011] que reitera os argumento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestiva a interposição e preenchidos os demais requisitos para conhecimento da peça recursal, passo ao exame das questões de mérito. Como dito acima, tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa, não declaradas em GFIP e não recolhidas para o período de 01/2008 a 12/2008. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a título de remunerações indiretas relativas ao pagamento de plano de saúde pago ao sócio Gilson Gervásio de Souza Júnior e seus dependentes. Segundo a fiscalização, a cobertura não abrange a totalidade dos empregados. Assim, depreendese da leitura da transcrição acima que o fisco está exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre “a remuneração paga a título de Assistência Médica a segurados empregados e diretores” por entender que a Assistência Médica concedida aos empregados, diretores e autônomos traduz em “verbas indiretas”, pois a cobertura não abrange todos os empregados e dirigentes da empresa. E sobre a questão, entendo que a tese da autoridade administrativa não merece prosperar conforme passarei a demonstrar. A norma legal de regência da matéria é o artigo 214, § 9º, inciso XVI, do Decreto n.º 3.048/99, que dispõe sobre a assistência médica não integrar o salário para fins de contribuição previdenciária, verbis: “Art. 214. Entendese por salário de contribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XVI – o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” 21. No mesmo sentido, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 encontramos disposição na Lei 8.212/91, artigo 28, §9º, alínea “q”: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” Desse moto, surge o primeiro entrave à exigência, qual seja, a ausência de norma legal autorizativa para a incidência da contribuição previdenciária almejada pelo Fisco, tendo em vista que somente a Lei pode criar ou extinguir obrigação tributária. É o que dispõe o art. 97, inciso I, do Código Tributário Nacional: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção;” Qualquer passo neste sentido não pode ser dado sem a devida observância do que dispõe o art. 5º, inciso II da Carta Política de 1988, que não aceita a possibilidade de criação de uma obrigação sem que a Lei assim o declare, conforme se transcreve: “Art. 5º (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei." O princípio da legalidade consubstancia garantia imanente ao Estado Democrático de Direito, e assegura que somente a lei, editada pelos órgãos legislativos competentes de acordo com o processo legislativo constitucional, pode criar direitos e obrigações. Importante ressaltar que a norma celetista expressamente excluiu da definição legal de salário a parcela referente ao segurosaúde e ao seguro de vida e de acidentes pessoais, inclusive sem o requisito de que a utilidade fosse oferecida à totalidade dos empregados. Senão vejamos: "Art. 458Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000593/201030 Acórdão n.º 2302002.218 S2C3T2 Fl. 15 5 IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde, seguros de vida e de acidentes pessoais;” No meu sentir, para os efeitos de recolhimento das contribuições sociais, a utilidade ora em questão não integra o salário de contribuição. Evidentemente que, em atendimento ao princípio da especificidade das normas, a lei trabalhista deve ser considerada sempre com muita cautela para que não invada a esfera do ordenamento legal previdenciário, notadamente no que se refere à cobrança de contribuições sociais. Ocorre que o conceito jurídico de salário não é originário do direito previdenciário, mas sim do direito trabalhista. Assim é que, para a exata definição de salário contribuição, foi que o art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91 utilizou a expressão ‘remuneração’, termo técnico advindo do direito do trabalho. Nesse sentido, peço licença para transcrever ementa de Acórdão da lavra da Juíza Tânia Terezinha Cardozo Escobar, do TRT da 4ª Região, que deu correto tratamento à questão: “GRATIFICAÇÃO NÃO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, DA LEI Nº 8.212/91. 1. Para definir o saláriodecontribuição, o art. 28, I, da Lei n.º 8.212/91, utiliza a expressão ‘remuneração’. Tratase de termo técnico próprio do Direito do Trabalho. Portanto, devemos entendêlo tal como formulado no campo desta ciência. E neste campo, remuneração é a soma das parcelas de natureza salarial com as gorjetas recebidas pelo empregado, conforme arts. 457 e 458 da CLT. Se a gratificação eventual paga pela empregadora aos seus empregados não é salário, também não é remuneração. Logo, não há incidência de contribuições previdenciárias. (..)” (AC 9504540686/PR) É dizer: para a incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a título de utilidade devese levar em conta o conceito construído pelo direito privado, por força do disposto no art. 110, do CTN. Este dispositivo traz uma relevante regra de conduta tributária ao dispor que "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias". A rigorosa discriminação de campos materiais para o exercício da atividade tributária, tendo estatura constitucional, por si só já determina essa inalterabilidade. De maneira que a definição de cada instituto utilizada pela Carta Magna não pode ser manipulada pelo fiscal tão somente no afã de ampliar o campo de incidência tributária. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Vejase que tal afirmação não resulta somente violação da regra escrita no art. 110, do CTN, mas também na ofensa à própria norma constitucional que definiu a regra matriz de incidência da contribuição previdenciária. Essa orientação é pacífica não apenas entre os doutrinadores, mas foi confirmada pelo próprio Supremo Tribunal Federal que, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 166.7729/ RS, afastou a exigência da contribuição social sobre a remuneração paga a administradores e autônomos a pretexto de que a tributação estaria na equiparação desta remuneração ao salário, olvidandose do conceito infraconstitucional deste, extraído da Consolidação das Leis do Trabalho pelo Constituinte. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201, "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” Com efeito, o STF proclamou que "O conteúdo político de uma Constituição não é conducente ao desprezo do sentido vernacular das palavras, muito menos ao do técnico, considerados institutos consagrados pelo Direito”. Mais recentemente, em 2005, ao apreciar a instituição do Pis e da Cofins sobre o faturamento, a Suprema Corte foi categórica ao não permitir a equiparação do conceito de faturamento, incorporado expressamente pela Constituição Federal, no seu art. 195, I, "b", ao de receita bruta, institutos totalmente distintos para o direito comercial. Na ocasião, foi declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista que o novo conceito de faturamento foi além do que previu a Constituição. Assim, a vinculação do conceito expresso na Constituição àquele definido no direito privado à época da sua promulgação, referido nas decisões acima, também prevaleceu na decisão do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento de tema assemelhado, a respeito da incidência do imposto sobre serviços sobre a locação de bens móveis. Frisase, porque importante, que o empregado nada usufrui pelo seguro de saúde, o que descarta então a possibilidade de considerarse o valor pago como sendo salário utilidade para efeitos de cobrança de contribuições previdenciárias. Enfim, cobrar contribuições sociais sobre estes benefícios é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade no bem estar e segurança dos trabalhadores, para que os familiares não passem dificuldades em caso de falecimento do mantenedor da família. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000593/201030 Acórdão n.º 2302002.218 S2C3T2 Fl. 16 7 Feitas essas considerações, entendo que o caso se difere um pouco da explanação acima registrada, pois: a uma, os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a título de remunerações indiretas relativas ao pagamento de plano de saúde pago ao sócio Gilson Gervásio de Souza Júnior e seus dependentes, ou seja, considerado como prólabore; a duas, porque a nãoincidência que trata a CLT referese a salário pago ao empregado, que, por óbvio, não é o caso do auto de infração [sócio]; e a três, a regra aplicável ao caso para isenção deve ser aquela da alínea “q”, do §9º, do art. 28, da Lei n. 8.212/91. Dessa forma, entendo que deve ser mantido incólume o lançamento no que se refere a este fato gerador. DA MULTA DE OFÍCIO Argumenta com razão o Recorrente ser é indevida a multa de ofício de 75% sobre tributo recolhido fora do prazo, referente a fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência da Lei nº 11.941/2009. Conforme enaltecido no tópico que a este antecede, vigora no Direito Tributário o princípio tempus regit actum, nos termos assinalados no art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Acontece que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000593/201030 Acórdão n.º 2302002.218 S2C3T2 Fl. 17 9 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nessa perspectiva, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, enquanto que a legislação anterior previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Ocorre que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Cada macaco no seu galho. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000593/201030 Acórdão n.º 2302002.218 S2C3T2 Fl. 18 11 A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000593/201030 Acórdão n.º 2302002.218 S2C3T2 Fl. 19 13 tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Além disso, não caberá a agravante da multa [adicional de 50%] consubstanciada no §2º, do art. 44, da Lei n. 9.430/96, haja vista que o fato gerador objeto do presente lançamento está devidamente especificado no auto de infração lavrado. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10580.008365/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 1402-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica e dos coobrigados José Fernandes de Brito Pires, Antonio Leite e Antonio Araújo de Jesus. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso do coobrigado Manoel Mairton de Souza. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que excluíam a responsabilidade deste coobrigado. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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VIA POSTAL IMPROFÍCUA. USO DE EDITAL. CABIMENTO. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS DECURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. 1. Nos casos em que os Correios, diligenciando no endereço do destinatário informado junto à Secretaria da Receita Federal, não logrem êxito na entrega de correspondência enviada por AR, é cabível é válida a intimação por edital. 2. Assim, não são nulas as intimações feitas por edital e são intempestivas as impugnações apresentadas após o decurso do prazo previsto no artigo 15, combinado com o artigo 23, IV, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica e dos coobrigados José Fernandes de Brito Pires, Antonio Leite e Antonio Araújo de Jesus. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 83 65 /2 00 6- 56 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 2 do coobrigado Manoel Mairton de Souza. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que excluíam a responsabilidade deste coobrigado. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório AYMORE EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, coobrigados: ANTÔNIO ARAÚJO DE JESUS, JOSÉ FERNANDES DE BRITO PIRES, GILMÁRIO COSTA, ANTONIO LEITE e MANOEL MAIRTON DE SOUZA recorrem a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Tratase de lançamento feito por meio do auto de infração de fls. 03/54, exigindo o pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, com multa de 150% (cento e cinquenta por cento) e juros de mora. De acordo com a “descrição dos fatos”, (fls. 14 a 16 e TVF de fls. 65 e seguintes), foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos nos anoscalendário de 2001 a 2003, com base no artigo 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), tendo em vista que a contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação em anexo, deixou de apresentálos. O arbitramento do lucro foi efetuado com base nas receitas operacionais provenientes de prestação de serviços, apuradas conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos anexos, parte integrante do Auto de Infração, com enquadramento legal no artigo 532 do RIR/1999. O lançamento decorreu do cruzamento das informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras PETROBRÁS, FURNAS, CHESF, PETROBRÁS DISTRIBUIDORA e CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, e os valores declarados na DIPJ pela empresa AYMORÉ EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA. (fl. 175). A multa foi qualificada em razão da prestação de informações falsas nas declarações fiscais, contrato social e dados cadastrais da pessoa jurídica autuada. O lucro restou arbitrado pela falta de apresentação de livros e documentos e foi calculado com base no valor das receitas de prestação de serviços informadas pelas fontes pagadoras. A intimação de fl. 03 dos autos, assinada pelo representante da empresa, registra “in verbis: “A presente intimação é extensiva aos responsáveis solidários Antonio Leite CPF 425.703.01515; Manoel Mairton de Souza CPF 311.816.94515; Antonio Araujo de Jesus CPF 481.882.55572; José Fernandes de Brito Pires CPF 335.971.03553 e Gilmário Costa de Pinho CPF 285.658.00504, na forma do artigo 124 inc I e como responsáveis conforme art 135 inc II e II do CTN. Para melhor compreensão da matéria em litígio, destaco os seguintes pontos apontadas pela autoridade fiscal às fls. 55/63: Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 4 a) a AYMORÉ declarou receita bruta nos seguintes valores: AC 2001 R$ 1.582.617,78; AC 2002 zero; AC 2003 – zero. Como remuneração por serviços prestados, recebeu os seguintes montantes: AC 2001 R$ 3.436.802,46; AC 2002 R$ 7.510.232,00; AC 2003 R$ 9.066.514,29; b) na DIPJ de 2001 a empresa informou lucro zero e IRPJ e CSLL igualmente zero; nas DCTF informou débitos zero de IRPJ e CSLL, e débitos mensais de COFINS e PIS, em valores constantes em todos os meses de R$ 525,32 e R$ 113,82 (fls. 181/222 e 479/481); c) na DIPJ de 2002 e 2003 informou receita bruta, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS igual a zero; nas DCTF apresentadas também informou IRPJ, CSLL, COFINS e PIS devidos igual a zero (fls. 223/334); d) as notas fiscais e contratos de prestação de serviços entregues pelas fontes pagadoras informam que os contratos eram assinados por ANTÔNIO LEITE e MANOEL MAIRTON na condição de diretores da empresa; e) as contas bancárias da AYMORÉ eram administradas com amplos poderes por ANTÔNIO LEITE, MANOEL MAIRTON, ANTÔNIO ARAÚJO e JOSÉ FERNANDES; f) ANTÔNIO LEITE assinou a maioria dos contratos de prestação de serviços com as empresas PETROBRÁS, FURNAS, CHESF, PETROBRÁS DISTRIBUIDORA e CEF, assim como assinou cheques da empresa, sacou e transferiu para sua conta pessoal a ordem de R$ 709.206,91 (fls.); g) os extratos bancários da AYMORÉ demonstraram que cerca de R$ 2.757.189,18 foram destinados à empresa N M SANTOS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA. (fls.); h) a N M SANTOS, intimada na pessoa da ROSIANE DOS SANTOS, informou que não tinha conhecimento dos movimentos nem da existência das contas, imputando a responsabilidade a ANTÔNIO LEITE, ANTÔNIO ARAÚJO e JOSÉ FERNANDO (fls.); i) sobre a N M SANTOS foram tomados os depoimentos das sócias ROSENILDA DE SOUZA e ROSIANE DOS SANTOS, e do esposo desta última, ELISAEL DUYPRATH DE ANDRADE SOBRINHO. ELISAEL informou o seguinte (fl. 419): foi empregado da AYMORÉ, exercendo a função de supervisor até maio de 2004; prestou serviços para N M SANTOS; quem gerenciava as empresas durante este período era ANTÔNIO LEITE, MANOEL MAIRTON era dono do imóvel em Lauro de Freitas, onde fica a empresa AYMORÉ, não sabendo se este último gerenciava algum contrato; DORIANE DE ALMEIDA é esposa de ANTÔNIO LEITE; Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 5 ANTÔNIO ARAÚJO e JOSÉ FERNANDES eram funcionários da AYMORÉ; foi procurado por ANTONIO LEITE para que arranjasse duas pessoas de confiança para funcionar como sócias da N M SANTOS uma vez que estava precisando participar de uma concorrência na refinaria REDUC em Duque de Caxias e não poderia constar no contrato social uma vez que já figurava como administrador da AYMORÉ e o pessoal na PETROBRÁS já o conhecia por gerenciar contratos com a mesma. Assim, pediu ao depoente que sua esposa ROSIANE DOS SANTOS assinasse o contrato social e procurou o marido de ROSENILDA DE SOUZA COSTA, EDSON ROCHA DE MELO e pediu para que esta assinasse o contrato social; EDSON ROCHA DE MELO tinha um carro alugado à AYMORÉ; ANTONIO LEITE pediu que ROSIANE assinasse procurações com amplos poderes para gerenciar a empresa e movimentar contas bancárias, contudo, ROSIANE não ficou de posse de qualquer documento pertencente à empresa; ROSIANE e ROSENILDA confirmam o depoimento de ELISAEL. Informaram o seguinte (fls. 415/417): assinaram o contrato social de forma gratuita e que nunca receberam qualquer remuneração pelo favor prestado; não sabiam onde funcionava a empresa N M SANTOS e não sabem se a mesma funciona e nem para onde se mudou; não sabiam qual o ramo de atividade da empresa e nem para quais empresas prestavam serviço; assinaram gratuitamente procurações com amplos poderes para ANTÔNIO LEITE, ANTÔNIO ARAÚJO e JOSÉ FERNANDO gerenciar a empresa com amplos poderes, abrir contas bancárias e movimentar contas correntes; nunca assinaram cheque da empresa. ANTÔNIO ARAÚJO informou o seguinte (fls. 454/455): emprestou o nome à empresa e foi sócio da AYMORÉ, tendo ingressado no seu quadro social em dezembro de 1999, com uma participação de 1% do capital; não pagou nada pela aquisição das cotas e quando se retirou da sociedade não recebeu nada pela sua participação no contrato social, tendo apenas recebido diferença salarial em janeiro de 2004; não possui os livros contábeis, fiscais ou outros documentos da empresa, e nem sabe onde eles se encontram; não sabe onde a empresa funciona, nem se a mesma funciona mais; exercia a atividade de supervisor de campo, geralmente no Rio de Janeiro prestando serviços na Refinaria Duque de Caxias; o dono da empresa era ANTÔNIO LEITE, figurando a DORIANE DE ALMEIDA no contrato social apenas como fachada; possuía procuração para assinar cheque; Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 6 a AYMORÉ prestava serviços para a PETROBRÁS e CHESF; existem dois processos trabalhistas no Fórum de Bom Jesus da Lapa contra o mesmo, ANTÔNIO ARAÚJO, AYMORÉ e DORIANE, decorrentes de ações movidas por exempregados da AYMORÉ que prestavam serviços à CHESF e que teve uma conta bancária pessoal no Banco do Brasil, bloqueada pela Justiça Trabalhista em decorrência dos processos trabalhistas; a AYMORÉ depositava dinheiro em sua conta pessoal para fazer pagamentos a funcionários e fornecedores, em razão de bloqueios judiciais das contas bancárias da autuada; JOSÉ FERNANDES era o gerente do setor de pessoal e tinha procuração para assinar cheques; assinou contratos de prestação de serviços da AYMORÉ; a AYMORÉ utilizou a conta bancária de GIMÁRIO COSTA DE PINHO; conhece a empresa N M SANTOS através de ANTÔNIO LEITE. Observações do Fisco sobre o depoimento de ANTONIO ARAÚJO ANTONIO ARAÚJO agiu com amplos e ilimitados poderes conforme atestam as procurações fornecidas pelas instituições financeiras em que a pessoa jurídica possuía contas correntes (fls.); conforme demonstrativos e cópias de cheques, assinou diversos cheques e foram transferidos para sua conta corrente pessoal recursos da ordem de R$ 709.319,79 (fls.). os recursos transferidos para sua conta não eram para pagar funcionários e fornecedores, pois conforme se observa nos extratos do Banco do Brasil e Banco Real a folha de pagamento da empresa era debitada em contacorrente. (fls.); que em seu depoimento alegou apenas conhecer N M SANTOS através de ANTÔNIO LEITE, porém, conforme documentos e extratos bancários, foram transferidos para a N M SANTOS, que era administrada por ANTÔNIO LEITE, JOSÉ FERNANDES BRITO e ANTONIO ARAÚJO, recursos vultosos, figurando terceiros como interpostas pessoas no contrato social (fls). MANOEL MAIRTON informou o seguinte (fls. 460/461): foi sócio da AYMORÉ em 1999, com 5% de participação no capital social e que se retirou da sociedade em 17/01/2000; foi convidado para participar da sociedade por ANTÔNIO LEITE, por ser advogado e para melhorar o quadro societário da empresa, pois pretendia concorrer a um contrato, não lembrando o contrato, porém não saiu vitorioso na disputa da licitação; não sabe para onde a empresa se mudou, apenas que se mudou para o Rio de Janeiro; não possui os livros da empresa e nem onde os mesmos se encontram; que após sair da sociedade continuou a trabalhar na empresa como empregado, até o ano de 2003 e que recebia em torno de R$2.000,00 de salário por mês; ANTÔNIO LEITE é que era o dono da empresa e era quem a gerenciava; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 7 é o dono do imóvel onde funcionava a AYMORÉ, na Rua Carlos Alberto Santos, térreo n° 07, sendo que alugava o imóvel por um valor mensal de R$1.000,00; a AYMORÉ prestava serviços de limpeza, terceirização de mão de obra de obra e outros; não conhece quais as empresas para as quais a AYMORÉ prestava serviços; as intimações dirigidas à AYMORÉ e a ANTÔNIO LEITE, no endereço da Rua Carlos Alberto Santos, eram devolvidas aos Correios em razão da autuada não funcionar mais lá, nem ser endereço de ANTÔNIO LEITE; não conhece DORIANE ALMEIDA e que não conhece o nome dos outros sócios que ingressaram na sociedade após sua saída; não recebeu incumbência de fazer pagamentos nem recebimentos da AYMORÉ durante o período de 2001 a 2003. Observações da Fiscalização sobre o depoimento de MANOEL após a sua saída da sociedade, continuou MANOEL MAIRTON, vinculado à empresa exercendo gerência com amplos poderes conforme atestam cópias de procurações e fichas de abertura de autógrafos obtidas nas instituições financeiras, anexas, inclusive, assinando diversos contratos de prestação de serviços como diretor financeiro; consta o contrato 117.2.024.038 com a PETROBRÁS, no qual assina como Gerente, em 04/04/2003, e aditivos assinados em 19/01/2004 e 31/03/2004; contrato 123.5.007.017 com a PETROBRÁS, no qual representa a AYMORÉ como diretor, celebrado em 09/04/2001; contrato 120.2.085.001, celebrado com a PETROBRÁS em que representa a AYMORÉ como Diretor, em 03/10/2000; o depoente assinou diversos cheques da empresa (OBS do relator: apesar do TVF, à fl. 69, destacar que cópias dos citados cheques estariam em anexo, assim como as procurações antes referidas, da análise dos documentos de fls. 73 a 484, não localizei tais documentos) 1. é empresário atuante no ramo de couros e foi o beneficiário econômico de diversas operações de transferências e pagamento de recursos efetuados pela AYMORÉ; foi beneficiário de vultosos pagamentos durante os anos de 2001 a 2003, além de transferências e pagamentos de numerários da AYMORÉ ao seu pai, MANOEL DE SOUZA, e a seu irmão, MANOEL MÉDICE DE SOUZA, seus sócios na empresa CURTUME SOUZA LTDA., e à empresa da qual é sócio juntamente com sua esposa, a FRIGOCOURO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE COUROS LTDA. Também efetuou pagamentos à USINA SÃO JOSÉ DO PINHEIRO, por conta de vendas de açúcar efetuadas ao seu pai; foi beneficiário dos recursos relacionados no demonstrativo elaborado no corpo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 61 e 62); elaborouse, também, demonstrativo de pagamentos efetuados, com recursos da AYMORÉ a outras empresas que operam no ramo de couros (INTERCOUROS LTDA, BAHIA COUROS, RECÔNCAVO COMERCIAL DE COUROS e RECÔNCAVO COMERCIAL LTDA); 1 À fls. 484, 486 e 488 constam procurações datadas de 14/07/2003 da empresa N.M. Serviços em favor de Antônio Leite, Antônio Araújo de Jesus e Fernandes de Brito Pires.. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 8 JOSÉ FERNANDES, também administrava a empresa com amplos e ilimitados poderes, assinou diversos cheques e teve transferido para suas contas pessoais e sacado recursos da empresa da ordem de R$ 747.518,24, além de ter gerido os recursos da N M SANTOS, com amplos e ilimitados poderes; GILMÁRIO COSTA recebeu da AYMORÉ recursos em sua conta pessoal de pelo menos R$ 491.239,26, assinou carta de autorização para reforma do prédio da GETRAN da PETROBRÁS, na condição de gerente de planejamento, além de ter sido o sócio da N M SANTOS, antes de transferir a participação societária para interpostas pessoas; a sócia majoritária DORIANE DE ALMEIDA, durante o período fiscalizado, configurase como interposta pessoa no contrato social; já a sócia que ingressou em substituição a ANTÔNIO ARAÚJO, em 09/03/2004, com um capital social de R$ 490.000,00, se afigura como interposta pessoa, uma vez que não possuía rendimentos nem origem de recursos para tanto e conforme alteração do contrato social consta como residência a Rua Carlos Alberto Santos, n° 07, imóvel de propriedade de MANOEL MAIRTON. Além de não justificada a origem dos recursos, não há indícios de que a empresa ainda possuísse patrimônio que justificasse aquisição de participação societária em tal valor. DAS IMPUGNAÇÕES As partes autuadas AYMORÉ, ANTONIO ARAÚJO DE JESUS, ANTONIO LEITE, JOSÉ FERNANDES DE BRITO PIRES e GILMÁRIO COSTA, obtiveram ciência do lançamento em 06/10/2006, através do edital de fl. 529. MANOEL MAIRTON DE SOUZA foi cientificado em 28/09/2006, conforme AR de fl. 527. A empresa AYMORÉ, e os responsáveis solidários ANTONIO ARAÚJO DE JESUS, ANTONIO LEITE, e JOSÉ FERNANDES DE BRITO PIRES apresentaram impugnação em 08/11/2006 (fls. 637/698), que foi considerada intempestiva. GILMÁRIO COSTA não apresentou defesa. MANOEL MAIRTON DE SOUZA protocolizou, tempestivamente, impugnação em 30/10/2006 (fls. 535/547), com os seguintes argumentos: I – DA TEMPESTIVIDADE · alega ser tempestiva a impugnação tendo em vista que foi notificado no dia 28 de setembro de 2006, iniciandose assim o prazo no dia 29 de setembro de 2006, com prazo final para o dia 28 de outubro de 2006, sábado, prorrogandose até o primeiro dia útil, 30 de setembro (sic) de 2006; II – DOS FATOS 1 – DA CONSTITUIÇÃO SOCIETÁRIA DA AYMORÉ EMPREENDIMENTOS LTDA · pela análise do contrato social e suas alterações, documentos estes que já se encontram anexos, não restam dúvidas de que a Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda foi criada em 1988, permaneceu e permanece sob o controle da família Leite, tendo como seu gestor, de forma direta e indireta, ao longo de todo o seu tempo de existência, o Sr. Antônio Leite, também autuado e responsável de fato e de direito pela Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 9 completa gestão da empresa, iniciandose com o pai e irmão do Sr. Antônio Leite – Antônio Saturnino Leite e Carlos Antônio Gomes Leite e parentes, estando atualmente com a Sra. Doriane de Almeida, esposa e companheira do Sr. Antônio Leite, fato este inclusive admitido e confirmado pelo próprio em seu depoimento prestado na Receita Federal; · o ora impugnante MANOEL MAIRTON DE SOUSA participou do contrato social por curto período, não figurando como sócio durante o período autuado, já que se retirou do contrato social em 15 de dezembro de 1999, registrado na Junta Comercial em 17/01/2000, passando a constar como diretor financeiro; 2 – DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS POR MANOEL MAIRTON COM A AYMORÉ · efetivamente o Sr. Manoel Mairton nunca foi gestor da empresa, seja quando compôs o seu contrato social, com pequena participação de 5% e mesmo após a sua saída quando figurou como Diretor Financeiro, agindo como procurador única e exclusivamente com representação perante instituições financeiras, através das procurações de fls. 10 e 11 do anexo XI; · ao contrário do quanto afirmado no relatório do Auto de Infração, os poderes outorgados pela AYMORÉ ao Sr. Manoel Mairton não são totais e ilimitados, nem amplos com poderes de gestão e realização de negócios. As procurações possuem poderes específicos e limitados para “...administrar junto a estabelecimentos bancários...” e só; · pelo confronto entre as procurações outorgadas ao Sr. Antônio Leite, por exemplo (fls. 23, 146 e outras), este sim, possuía poderes “amplos e gerais para administrar e gerir em todos os seus desdobramentos, nos negócios e interesses da outorgante, referente à firma supracitada”, representando ainda em procedimentos licitatórios, repartições públicas, sindicatos, bancos, podendo constituir advogados, etc. Percebese assim, com tamanha clareza, que as posições de um e de outro são diametralmente opostas, não podendo ser enquadrado o ora impugnante no mesmo patamar do Sr. Antônio Leite; · em verdade, a ligação do Sr. Manoel Mairton com o Sr. Antônio Leite, seu irmão Sr. Paulo César Gomes Leite e com a própria AYMORÉ EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA sempre foi de empréstimo financeiro, realizando ao longo de quase sete anos operações de “factoring”, com antecipação de receitas financeiras e posterior recebimentos acrescidos de pequena taxa de juros; · como se depreende das Notas Promissórias anexas (docs. 01 a 10), apenas a título de ilustração, as quais são juntadas neste momento em seus originais, já em 1997, fazia antecipação de receitas à Aymoré com garantias tanto da empresa quanto dos sócios e familiares do Sr. Antônio Leite; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 10 · com referência ao período fiscalizado, da mesma forma manteve o Sr. Manoel Mairton a mesma posição, fazendo antecipações de receitas com posterior crédito dos valores emprestados; · requer neste ato a juntada de documentos (docs. 11 a 45) que comprovam as diversas antecipações de receitas feitas à Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda, ao longo do período de 2000 a 2003, ora em seu nome, ora através de uma de suas empresas SERGICOUROS ou FRIGOCOUROS, ou através de seu irmão MANOEL MÉDICI ou da VITAPELLI (empresa com a qual mantém relação comercial), e que autorizava créditos de favorecimento para a AYMORÉ; · como se depreende dos documentos juntados (valendo registrar de logo que em razão do lapso de tempo, alguns documentos possuem mais de cinco anos e o curto prazo de 30 dias para obter toda a documentação junto aos setores de microfilmagens das instituições financeiras, mas serão juntados posteriormente, tão logo sejam disponibilizados pelos referidos bancos) alguns créditos foram feitos das contas de titularidade de MANOEL MAIRTON, SERGICOUROS, FRIGOCOUROS ou MANOEL MÉDICI, ou foram feitos pagamentos diretos a fornecedores, tais como MULTI SALE COM. LTDA, IRMÃOS RIBEIRO LTDA, PAULO VAZ, VESTI SERVIÇOS ou para o Sr. ANTÔNIO LEITE, ANTÔNIO ARAÚJO ou para a NM LTDA (empresa gerida pelo Sr. Antônio Leite) que recebiam em suas contas créditos para evitar que fossem bloqueados por credores da AYMORÉ, sobretudo créditos oriundos de reclamações trabalhistas, que continuam em curso no Estado do Rio de Janeiro; · como se pode ver, por amostragem dos documentos conseguidos até a presente data, os créditos de antecipações de receitas para a AYMORÉ ultrapassam ao longo de quase quatro anos o valor de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), valendo registrar mais uma vez que é uma amostragem, tendo sido repassado muito mais do que um milhão. Aliás, a AYMORÉ sempre se comprometeu a liquidar todos os créditos de antecipações de receita, fazendo por diversas vezes programações de pagamentos (doc. 46), sem, contudo, ter honrado, arcando o Impugnante, até a data da impugnação, com prejuízo superior a R$1.000.000,00 (um milhão de reais); · demonstrase, assim, que ao contrário do quanto afirmado no Auto de Infração, os valores creditados pela AYMORÉ para o Impugnante, suas empresas, familiares, ou fornecedores do Impugnante (fls. 61 e 62), nada mais eram do que pagamentos de empréstimos, resultado de operações de antecipação de receitas (factoring) e não uma sociedade de fato onde o Impugnante era gestor e decidiu apropriarse de receitas de impostos, colocando interpostas pessoas e beneficiandose pessoalmente. O impugnante efetivamente nunca foi sócio nem gestor da AYMORÉ, limitandose a sua participação a promover os recebimentos de empréstimos feitos longo de quase sete anos; Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 11 · por fim, da verificação dos poderes outorgados pela AYMORÉ para o Impugnante, nos instrumentos procuratórios referidos, resta claro que não possuía poderes para assinatura de contratos com os seus clientes, seja PETROBRÁS ou outra qualquer, tendo por equívoco assinado os contratos referidos e seus aditivos, a pedido do Sr. Antônio Leite; · mesmo quando foi sócio no contrato social, a única participação do Impugnante foi a de controlar os recebimentos dos seus créditos, estando plenamente demonstrado que não é nem nunca foi sócio de fato e, portanto, não tem como figurar no pólo passivo do presente processo administrativo; · esses são os aspectos fáticos que por si só demonstram à exaustão a participação e as relações do Impugnante com a AYMORÉ EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, não se confundindo com qualquer ato que pudesse caracterizar ser sócio de fato, ter praticado atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, pelo que não pode responder de forma solidária com a AYMORÉ e o seu gestor ANTÔNIO LEITE, ficando de logo requerido a sua exclusão do processo; III – DO DIREITO 1 – RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO · vários são os aspectos legais, além das questões de fato já trazidas, que impedem a responsabilização de terceiros, no caso, o Impugnante MANOEL MAIRTON DE SUZA, pelo crédito tributário; · registra que não possui nos seus arquivos quaisquer elementos de defesa de mérito e informações se foram pagos os valores cobrados, como demonstrar que a empresa tinha lucro ou prejuízo, gastos, folha de pagamento, ou qualquer outro aspecto, pois, como já afirmado não era seu gestor e nunca teve poder de decisão, atribuição esta única e exclusiva do Sr. Antônio Leite que era quem definia e praticava os verdadeiros atos de gestão, fato esta fora de qualquer dúvida; · o primeiro aspecto a ser focalizado é que a participação societária do ora Impugnante foi de 5% do capital social, valor este à época integralizado e por período muito pequeno, pouco mais de um ano, e a sua saída foi em data anterior ao período fiscalizado (cita acórdão do TRF, 4ª Região, 3ª Turma, com o entendimento de que o registro na Junta Comercial de alteração do contrato social geram efeitos extunc, de modo que o sócio só deve responder pelo débito até a data da alteração do contrato social que prevê a sua retirada da sociedade); · assim, não sendo mais sócio da empresa no período fiscalizado e tendo provado a origem dos créditos recebidos após o período em que foi procurador única e exclusivamente para representar a AYMORÉ perante bancos, não resta dúvidas que a decisão acima se aplica in totum ao caso do Impugnante; Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 12 · outro aspecto então poderia ser levantado para que pudesse o Impugnante ser responsabilizado, que seria a responsabilidade advinda da regra do artigo 135, II do CTN, mas, também, por este ponto, não prospera o Auto de Infração, pois a responsabilidade do mandatário, preposto ou empregado, só se configura quando provém de atos dolosos praticados contra os contribuintes substituídos, passando assim a ser pessoal do agente referenciado e não de forma solidária ou subsidiária; · diriase então que, como procurador ou diretor financeiro, teria o Impugnante deliberado pelo não pagamento de tributos, pela declaração de falta de faturamento e se apropriado de valores em detrimento da empresa, dos demais sócios e do fisco. Não foi assim que aconteceu e esta afirmação vem acompanhada de elementos que distanciam qualquer dúvida. Ainda que tal argumentação se mostre repetitiva, é de crucial importância a sua efetivação em cada um dos pontos analisados; · o Impugnante figurou como procurador para instituições financeiras apenas, assinando, ainda que de forma equivocada, pois não possuía poderes, dois contratos e alguns aditivos, limitandose no mais a promover recebimentos de valores por ele próprio emprestados; · ainda que tivesse poderes via instrumento de procuração para administrar todas as contas correntes de titularidade da AYMORÉ, apenas assinou cheques do BANCO DO BRASIL e ITAÚ, o que reforça que efetivamente não tinha uma atuação de gestão ampla, mas de controle dos seus recebimentos; · da mesma forma, aportou recursos vultosos na empresa e por isso foi creditado de parte dos valores, funcionando como uma empresa financeira, como atual os bancos, não podendo por esse aspecto ser considerado como praticante de ato de gestão com excesso de poder ou infração de lei; · não praticou qualquer outro ato de gestão, tais como demitir, contratar fornecedores, ou outro qualquer que possa caracterizar a gestão e escolha dos rumos da empresa; · por outro lado, tais aspectos não são objeto de apuração na esfera administrativa, como já bem posicionado pelo Conselho de Contribuintes em decisão que exclui terceiros por ausência de sujeição passiva (cita ementas de acórdãos atribuídos ao Conselho de Contribuintes); · da mesma forma, a responsabilidade de terceiro, prevista no art. 134 do CTN, não é adequada ao caso concreto (transcreve comentário de José Jayme de Macedo Oliveira sobre este dispositivo legal); · pelo exposto, além de não ser o momento oportuno para se incluir qualquer terceiro, já que a defesa e a responsabilidade originária é sempre do CONTRIBUINTE, só respondendo o terceiro na ausência do contribuinte, o que não é o caso, espera seja logo excluído do processo o Impugnante; Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 13 2 – OUTROS ASPECTOS LEGAIS · ainda sem entrar no mérito da discussão, pois, como já dito, nunca foi o gestor da empresa, não respondendo pelas decisões da AYMORÉ em pagar, informar ou mesmo caracterizar a situação de dificuldade financeira, argüi, todavia, alguns aspectos legais que favorecem o Impugnante; 2.1 – REDUÇÃO DA MULTA DE 150% PARA 75% PREVISTA NO ARTIGO 44, I, DA LEI Nº 9.430/96 · outro aspecto legal a ser argüido é que embora conste no Auto de Infração a incidência do inciso I do art. 44 (transcrito), que é de 75%, no cálculo está sendo computado o patamar de 150%; 2.2 – REDUÇÃO DA MULTA DO PIS DE 150% PARA 50% · o Auto de Infração informa ser a multa que incide sobre os créditos tributários referentes ao PIS de 150%, pois incidente na regra do artigo 21, “c”, do Decreto nº 401/68, quando em verdade em relação ao Impugnante, e só em relação ao próprio pode afirmar, não há qualquer elemento de caracterização de fraude, devendo assim incidir a letra “b” do mesmo artigo 21 do referido Decreto 401/68; 2.3 – BASE DE CÁLCULO · caso tivesse o terceiro aqui impugnante que responder por prática de ato com excesso de poder, a sua responsabilidade não poderia ser solidária e igual a do contribuinte originário, mas unicamente pela base de cálculo incidente sobre as operações financeiras de empréstimos/antecipações de receita realizadas com a AYMORÉ, e nunca sobre o faturamento identificado pela Receita Federal, já que não era o gestor da empresa; · por todo o exposto, espera e confia seja excluído do presente processo administrativo, tendo em vista não possuir qualquer responsabilidade sobre o crédito tributário por total ausência de participação de gestão da AYMORÉ EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA; · protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente, a juntada de documentos. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ de origem, às fls. 758 e seguintes, por unanimidade, conheceu da impugnação apresentada por MANOEL MAIRTON e negou provimento. As demais impugnações foram consideradas intempestivas. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA E SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO DAS DEMAIS QUESTÕES PRELIMINARES E DO MÉRITO. A impugnação apresentada fora do prazo, se caracterizada ou suscitada a tempestividade, instaura a fase litigiosa do Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 14 procedimento e suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas impede o conhecimento das demais preliminares e razões de mérito de defesa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Contribuinte. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela Contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando comprovado nos autos que os atos praticados pelo contribuinte, consistentes em reiteradas informações falsas nas DIPJ e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e na utilização de interpostas pessoas no contrato social e nos dados cadastrais da pessoa jurídica, perante o CNPJ, para encobrir os sócios de fato, tiveram o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência ou o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO. A pessoa, física ou jurídica, que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, ademais quando concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie, responde solidariamente pelo crédito Tributário decorrente. Lançamento Procedente DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS MANOEL MAIRTON DE SOUZA, JOSÉ FERNANDES DE BRITO PIRES, AYMORÉ EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, ANTONIO LEITE e ANTÔNIO ARAÚJO DE JESUS, em peça única, apresentaram recurso voluntário em 17/05/2007 (fls. 853/909), alegando, preliminarmente, a tempestividade das impugnações apresentadas em 08/11/2006 e a nulidade da intimação por edital. No mérito, foram feitas alegações específicas a cada recorrente. MANOEL MAIRTON alegou, em síntese: a) cerceamento de defesa em razão da juntada de documentos supervenientes à impugnação, sem que fosse concedida oportunidade de manifestação; b) do cerceamento de defesa pela quebra de sigilo fiscal de empresa diversa da contribuinte autuada; c) a possibilidade de reanálise pelo tribunal de segunda instância de toda a matéria objeto de apuração; d) que a ligação com o ANTÔNIO LEITE, com o seu irmão, e com a AYMORÉ sempre foi de empréstimo financeiro, com antecipação de receitas financeiras e posterior recebimentos acrescidos de pequena taxa de juros, ora em seu nome, ora através de uma de suas empresas SERGICOUROS ou FRIGOCOUROS, ou através de seu irmão MANOEL MÉDICI ou da VITAPELLI. Neste ponto, alega que eram feitos pagamentos diretos Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 15 a fornecedores, ou para ANTÔNIO LEITE, ANTÔNIO ARAÚJO ou para a NM SANTOS, que recebiam em suas contas créditos para evitar que fossem bloqueados por credores da AYMORÉ, sobretudo créditos oriundos de reclamações trabalhistas; e) que não possuía poderes para assinatura de contratos com os seus clientes, tendo por equívoco assinado os contratos referidos e seus aditivos, a pedido de ANTÔNIO LEITE; f) que o lucro da empresa nos três anos analisados teria sido positivo em apenas R$ 82.924,97. No 1º trimestre de 2001 na base de cálculo seria de R$ 55.040,58, no 2° trimestre seria de R$ 144.857,88, no 3° trimestre seria de prejuízo no valor de R$ 585.001,49 e no 4º trimestre seria de R$ 468.028,00, positivos, que seria compensado com o prejuízo do 3° trimestre e ainda teria saldo negativo a abater. No ano de 2002 a base de cálculo é muito menor do que o arbitramento feito pela Receita Federal e no ano de 2003, a situação é de prejuízo completo para o 3º e 4° trimestres. Em confronto com o percentual de 38% arbitrado, o que só acontece por suposição, pois nenhum empreendedor consegue este percentual de lucro, notadamente na área de atuação da AYMORÉ, verificasse que o valor supostamente devido para o IRPJ e CSLL e a CSLL é muito inferior ao arbitrado no auto de infração; g) que a aplicação da multa arbitrada é absurda, pois o que houve foi a falta de declaração ou declaração inexata e não qualquer das condições referidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 1964; h) que a DRJ limitouse a ratificar a responsabilidade solidária de MANOEL MAIRTON, não analisando e nem fundamentando a sua conclusão, o que fere princípio constitucional de que toda decisão deve ser fundamentada; i) que a responsabilidade do mandatário, preposto ou empregado só se configura quando provém de atos dolosos praticados contra os contribuintes substituídos. JOSÉ FERNANDES alegou o seguinte: a) que desde 2001 passou a ser procurador da AYMORÉ, exercendo o controle de toda área administrativa; b) que não atuou com excesso de poder, pois nunca foi sócio da empresa ou recebeu qualquer valor que não fosse o seu salário; c) que não recebeu em suas contas pessoais o valor de R$ 747.518,24, aliás, o próprio demonstrativo de fls. 76 e 77 confirma este equívoco, tendo em vista que o referido valor ainda assim está errado, uma vez que a Receita Federal contabilizou em duplicidade diversos saques que totalizam R$ 224.307,67; d) pelas datas dos referidos saques, muitos deles no início do mês, eram feitos especificamente para pagamento de folha aos funcionários que recebiam salários menores, rescisões de contrato de trabalho, TFF, ISS, GRFC, alguns fornecedores, como se demonstra do levantamento anexo (doc. 13), o montante totaliza R$3 29.156,70, devidamente demonstrado pelas cópias dos comprovantes (doc. 14); e) na sua maioria os valores sacados referemse a pagamentos na boca do caixa do Banco do Brasil, isto é, FGTS, GRFC guia de recolhimento rescisória dos 40% do Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 16 FGTS, pagamento de verbas rescisórias em carteira, reposição do fundo fixo, depósito para fornecedores em outros bancos e pagamento em espécie de acordos firmados com fornecedores em razão de inadimplência de pagamentos feitos por cheque; f) a partir de junho de 2003, foi transferido para a filial do Rio de Janeiro, em razão da concentração das operações naquela cidade, passando também a ser procurador da empresa NM SANTOS que foi introduzida como intermediária por ANTÔNIO LEITE para fazer movimentação financeira, em virtude da AYMORÉ estar com restrições financeira bancária. Os depósitos que aparecem na conta da NM SANTOS referemse a transações bancarias da AYMORÉ que descontava os seus boletins de medições mensal com os bancos ARBI e PROSPER, para fazer pagamentos de salários da folha da AYMORÉ. AYMORÉ, ANTONIO LEITE e ANTÔNIO ARAÚJO alegaram, sem síntese: a) que em decorrência de uma greve dos funcionários dos prestadores de serviço ocorrida entre o período de março a abril de 2004 resultou em uma depredação, com saques de equipamentos e o impedimento da entrada dos gestores da empresa, assim não foi possível o acesso a tudo o quanto entendia ser necessário, pois até o presente momento por obstrução da PETROBRÁS, continuam com créditos, equipamentos e documentos fiscais retidos na REDUC, sob o pretexto de que existem débitos trabalhistas e fiscais arcados pela PETROBÁS e que é objeto de discussão judicial; b) que a administração da empresa coube durante todo o período a ANTÔNIO LEITE, mas não houve qualquer intenção ou manobra fraudulenta, estando hoje o recorrente e sua família passando por dificuldades financeiras sérias, tendo deixado de recolher o que seria devido ao Fisco em razão de total impossibilidade financeira de cumprir com todos os seus compromissos fiscais; c) a inadimplência das obrigações fiscais resultou em prejuízos, pois sempre participou de licitações e com o advento do Plano Real viu a margem de lucro cair e a possibilidade de realizar operações financeiras a uma taxa real baixa desaparecer do mercado; d) as restrições de crédito levaram inclusive a que recorresse a várias empresas de factoring e empréstimos fora do mercado financeiro formal, levandoa a efetiva paralisação de suas atividade em 2004, quando abandonaram a REDUC tendo os seus contratos rescindidos pela sua principal cliente PETROBRÁS; e) ademais, os outros autuados participaram de forma diversa no quadro da empresa. Uns efetuando empréstimos e antecipações de receita à empresa, outros como funcionários que recebiam recursos em suas contas correntes para fazer pagamentos a fornecedores e obrigações de folha de pagamento e demais despesas, nunca, nenhum deles se beneficiaram de qualquer recurso em detrimento do fisco, havendo movimentações financeiras nas suas contas em virtude de ser uma forma de viabilizar o pagamento de funcionários outros da empresa e demais obrigações por força de ordens de bloqueios expedidas pela Justiça do Trabalho; f) que ANTONIO LEITE não tinha outra intenção senão a de tentar fazer a gestão possível, mesmo que para isso fizesse movimentações financeiras em contas de pessoas físicas com o intuito de evitar os diversos bloqueios oriundos de ordens judiciais e que essa rotina tenha levado o Fisco a interpretar como apropriação dos recursos em seu desfavor; Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 17 g) que houveram diversos empréstimos, notadamente através de antecipações de receita com aporte de capital por parte de MANOEL MAIRTON, que acabaram por gerar um grande déficit de capital na empresa e de até a presente data não ter honrado com os empréstimos tomados; h) na tentativa de ganhar o maior número de licitações possível e conseguir honrar seus compromissos a recorrente acabou por acordar inúmeros contratos que davam apenas prejuízo, ou mal davam para pagar os custos das obras e da folha de pagamentos, o que inviabilizou o pagamento dos impostos na forma devida; i) emprestou o seu nome, sem receber nada por isso, para que a sociedade limitada pudesse permanecer ativa, sendo que os depósitos recebidos em sua conta corrente pessoal foram todos para pagamento de despesas da empresa para fugir de bloqueios judiciais. O mesmo mecanismo foi usado para os valores repassados para a NM SANTOS, outra empresa vinculada a ANTÔNIO LEITE e que foi criada para tentar evitar que a AYMORÉ tivesse os seus créditos bloqueados; j) os bancos ABIS E PORPER sempre aceitaram trabalhar com empresas de risco, como a AYMORÉ, sem se importar com o cadastro e por isso sempre trabalharam com taxas altas em razão do risco alto. Antecipavam receitas para a NM SANTOS que em verdade efetuavam pagamentos de despesas da AYMORÉ e quando a AYMORÉ faturava para a PETROBRAS, creditavamse dos valores antecipados. Essa era a rotina financeira que ligava as duas empresas. A NM SANTOS nunca faturou em contratos, em verdade ela trabalhava com a receita da AYMORÉ com operações triangulares para permitir que a AYMORÉ continuasse a funcionar; l) os valores dos depósitos realizados na conta corrente pessoal do recorrente eram imediatamente sacados para pagamento de folhas de salário. Os bancos BRADESCO, ITAU E REAL que efetuaram os pagamentos das folhas de pagamento de alguns contratos da AYMORÉ podem atestar que era essa a rotina e identificar a origem do dinheiro, cruzando as datas e valores recebidos pelo Recorrente sua conta corrente e os pagamentos feitos para os empregados. Em várias oportunidades eram efetivados pagamentos em dinheiro a parte dos funcionários que prestavam serviço na REDUC, os quais seriam facilmente demonstrados com os comprovantes e recibos que se encontram em depósito com a PETROBRÁS; m) a necessidade de realização de uma perícia contábil nos documentos carreados aos autos para que a Receita Federal possa apurar o real quantum do imposto devido pela autuada. À fl. 553 da numeração digitalizada que corresponde à fl. 514 da numeração digital, consta dos autos o termo de destruição de informações de natureza financeira recebidas em meios magnéticos contendo extratos bancários do Banco do Brasil, Banco Itaú, Bradesco, Banco Arbi. À fl. 561 consta o termo de juntada dos anexos I a VIII, correspondente aos contratos de prestação de serviços e os anexos IX a XVI, referente aos extratos bancários. Porém, os referidos anexos, até a data em que o presente voto foi elaborado e o processo colocado em pauta não se encontravam digitalizados. Observo que após a certidão de fls. 561, o que há são as solicitações de cópias, os ARs de fls. 567/568, o edital de fls. 569/589, que foi instruída com os documentos de fls. 590/693. Todavia, dado ao fato de que o recorrente Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 18 Manoel Mairton apresentou inúmeros extratos bancários com seu recurso, tais documentos supriram os indicados nos anexos antes referidos. É o relatório. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 19 Voto Vencido Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Considerando a intimação do recorrente Manoel Mairton em 18/04/2007 e o recurso protocolizado em 14/05/2007, em peça única, encabeçado por Manoel, José Fernandes Pinto de Brito Pires, Amoré Empreendimentos e Serviços, Antônio Leite e Antônio Araújo de Jesus, conheço do recurso para analisar a questão relacionada à alegação de nulidade da intimação por edital e das questões de mérito contidas no recurso de Manoel Mairton cuja impugnação a DRJ considerou tempestiva. Em síntese, alegam os recorrentes José Fernandes Pinto de Brito Pires, Amoré Empreendimentos e Serviços, Antônio Leite e Antônio Araújo de Jesus que merece ser reformado o acórdão da DRJ no ponto que considerou válida a intimação por edital. Manoel Mairton de Souza sustenta ilegalidade da quebra do sigilo fiscal de empresa diversa da autuada; cerceamento do direito de defesa; inexistência de situação fática capaz de caracterizar sua conduta como algo ilícito para lhe responsabilizar pelo pagamento dos tributos. Diz que sempre foi sempre foi empresário de "empréstimo financeiro", realizando ao longo de quase sete anos operações de "factoring", com antecipação de receitas financeiras e posterior recebimentos acrescido de pequena taxa de juros. De forma subsidiária, caso mantida sua responsabilidade, destaca que em relação a ele não há qualquer elemento que o imponha responsabilidade pela multa qualificada. Quando se analisa o item 29 do TVF (fl. 72), verificase que ele não se ateve a descrever, em item separado, como é de praxe, as condutas pelas quais imputou responsabilidade à Antônio Leite, Manoel Mairton, Antônio Araújo, José Fernandes de Brito Pires e Gilmário. Mais, sustenta que a responsabilidade decorre da aplicação do artigo 124, I, por terem interesse comum no fato gerador e artigo 135, II e III, do CTN. Apesar do destaque feito no parágrafo anterior, quando se analisa o TFV como um todo, no item 23 verificase a descrição de conduta imputada a Manoel Mairton de Souza que, se comprovada, caracteriza a situação descrita no artigo 135, III, do CTN. Inexiste, em relação a este, a descrição de fato capaz de caracterizar a incidência do artigo 124, I, do CTN. Diante da confusão verificada entre solidariedade e responsabilidade de terceiro, antes de adentrar ao mérito passo a fazer a distinção entre os institutos e para tanto recorro ao seguinte quadro ilustrativo: Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 20 contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Do quadro acima depreendese que não pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do no Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN. Necessário distinguir sujeito passivo de responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 21 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR2.. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos 2 Neste sentido é a posição do STJ. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. .... LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...]4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. .... 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 15.10.2007). Grifei. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 22 já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação). (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve a situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 23 Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que pensam alguns Conselheiros, entendo que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por outro lado, em atenção aos debates que esta matéria costuma suscitar, registro que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Ademais, conforme bem destacado quando do julgamento do processo nº 10945.720214/201151, julgado neste colegiado na sessão de 07/03/2014, de relatoria do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, “o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.” I Do recurso de Manoel Mairton de Souza Fixados os limites jurídicos em relação à matéria, passo ao exame das questões relacionadas a Manoel Mairton de Souza, cuja impugnação e o recurso foram apresentados tempestivamente. Na apuração dos fatos, para definir a responsabilidade dos coresponsáveis arrolados, a autoridade fiscal tomou os seguintes depoimentos: Depoimento de ELISAEL. que foi empregado da AYMORÉ, exercendo a função de supervisor até maio de 2004; quem gerenciava as empresas durante este período era ANTÔNIO LEITE; que MANOEL MAIRTON era dono do imóvel em Lauro de Freitas, não sabendo se este último gerenciava algum contrato; que DORIANE DE ALMEIDA é esposa de ANTÔNIO LEITE; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 24 que pediu também que sua esposa ROSIANE DOS SANTOS assinasse procurações com amplos poderes para gerenciar a empresa e movimentar contas bancárias, contudo, sua esposa não ficou de posse de qualquer documento pertencente à empresa. Depoimentos de ROSIANE e ROSENILDA: que confirmam o depoimento de ELISAEL. e que nunca receberam qualquer remuneração pelo favor prestado; que assinaram gratuitamente procurações com amplos poderes para ANTÔNIO LEITE, ANTÔNIO ARAÚJO e JOSÉ FERNANDO gerenciar a empresa com amplos poderes, abrir contas bancárias e movimentar contas correntes; que nunca assinaram cheques da empresa. Depoimento de ANTÔNIO ARAÚJO informou o seguinte: que foi sócio da AYMORÉ, tendo ingressado no seu quadro social em dezembro de 1999, com uma participação de 1% do capital; que foi convidado por ANTÔNIO LEITE para participar da empresa, porém não pagou nada pela aquisição das cotas; quando se retirou da sociedade não recebeu nada pela sua participação no contrato social tendo apenas recebido diferença salarial em janeiro de 2004; que apenas emprestou o nome à empresa; que o dono da empresa era o ANTÔNIO LEITE, figurando a DORIANE DE ALMEIDA no contrato social apenas como fachada; que possuía procuração para assinar cheques. que a AYMORÉ prestava serviços para a PETROBRÁS e CHESF; que a AYMORÉ depositava dinheiro em sua conta pessoal para fazer pagamentos a funcionários e fornecedores, em razão de bloqueios judiciais das contas bancárias da autuada; que JOSÉ FERNANDES era o gerente do setor de pessoal e tinha procuração para assinar cheques; que assinou contratos de prestação de serviços da AYMORÉ; que a AYMORÉ utilizou a conta bancária de GIMÁRIO COSTA DE PINHO; que conhece o MANOEL MAIRTON. MANOEL MAIRTON informou o seguinte: que já foi sócio da AYMORÉ em 1999, com 5% de participação no capital social; que se retirou da sociedade no final de 1999; que foi convidado para participar da sociedade por ANTÔNIO LEITE, por ser advogado e para melhorar o quadro societário da empresa, pois pretendia concorrer a um contrato, não lembrando o contrato, porém não saiu vitorioso na disputa da licitação; que não sabe para onde a empresa se mudou, apenas que se mudou para o Rio de Janeiro. que após sair da sociedade continuou a trabalhar na empresa como empregado, até o ano de 2003; que recebia em torno de R$2.000,00 de salário por mês; que ANTÔNIO LEITE é que era o dono da empresa e era quem a gerenciava; que é o dono do imóvel onde funcionava a AYMORÉ, na Rua Carlos Alberto Santos, térreo n° 07, sendo que alugava o imóvel por um valor mensal de R$1.000,00 (mil); Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 25 que a AYMORÉ prestava serviços de limpeza, terceirização de mão de obra e outros. que não conhece as empresas para as quais a AYMORÉ prestava serviços; que não conhece DORIANE ALMEIDA e que não conhece o nome dos outros sócios que ingressaram na sociedade após sua saída; que não recebeu incumbência de fazer pagamentos nem recebimentos da AYMORÉ durante o período de 2001 a 2003. As pessoas ouvidas no caso concreto não vinculam a pessoa de Manoel Mairton de Souza a qualquer ato ilícito em prejuízo da empresa. No entanto, segundo o Termo de Verificação Fiscal, a incidência da regramatriz de responsabilidade tributária (art. 135) em relação a Manoel Mairton de Souza deuse pelas seguintes razões: “.... Após a sua saída da sociedade, continuou, o Sr. Mairton, vinculado à empresa exercendo gerencia com amplos poderes conforme atestam cópias de procurações e fichas de abertura de autógrafos obtidas nas instituições financeiras, anexas, inclusive assinando diversos contratos de prestação de serviços como diretor ou diretor financeiro. Ilustrando o processo consta o contrato 117.2.024.038 com a PETROBRÁS, no qual assina como Gerente, em 04/04/2003, e aditivos assinados em 19/01/2004 e 31/03/2004; contrato 123.5.007.017 com a PETROBRÁS, no qual representa a AYMORÉ como diretor, celebrado em 09/04/2001; contrato 120.2.085.001, celebrado com a PETROBRÁS em que representa a AYMORÉ como Diretor, em 03/10/2000 (fl 60.); assinou diversos cheques da empresa; é empresário atuante no ramo de couros e foi o beneficiário econômico de diversas operações de transferências e pagamento de recursos efetuados pela AYMORÉ; foi beneficiário de vultosos pagamentos durante os anos de 2001 a 2003, além de transferências e pagamentos de numerários da AYMORÉ ao seu pai, MANOEL DE SOUZA, e a seu irmão, MANOEL MÉDICE DE SOUZA, seus sócios na empresa CURTUME SOUZA LTDA.e à empresa da qual é sócio juntamente com sua esposa, a FRIGOCOURO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE COUROS LTDA. Também efetuou pagamentos à USINA SÃO JOSÉ DO PINHEIRO, por conta de vendas de açúcar efetuadas ao seu pai; foi beneficiário dos recursos relacionados no demonstrativo elaborado no corpo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 61 e 62); Assim, a autoridade fiscal lhe imputou responsabilidade com base nos seguintes fundamentos, que extraio a partir da fl. 69 dos autos: a) que após sair da sociedade em 15/12/1999, continuou vinculado à empresa exercendo amplos poderes, conforme atestam cópias de procurações e fichas de abertura de autógrafos obtidas nas instituições financeiras, anexas, inclusive assinando diversos contratos; b) Ilustrando o processo consta o Contrato 117.2.024.038 com a Petrobrás, no qual assina como Gerente, em 04 de abril de 2003, e aditivos assinados em 19/01/04 e 31/03/04; c) contrato 123.5.007.017 com a Petrobrás no qual representa a Aymoré como diretor, celebrado em 09/04/2001; contrato 120.2.085.001 celebrado com a Petrobrás em que representa a Aymoré como Diretor, em 03/10/2000; Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 26 d) Assinou, o Sr. Manoel Mairton, diversos cheques da empresa conforme cópias de cheques anexos; e) É empresário atuante no ramo de couros e foi o beneficiário econômico de diversas operações de transferências e pagamento de recursos efetuados pela Aymoré. d) há inúmeros depósitos de prestação de serviços como diretor ou diretor financeiro. e) Exemplificando, apenas com base em amostragem das maiores valores solicitados aos bancos: Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 27 Em sua defesa Manoel Mairton de Souza diz: a) que em 1999 deixou de ser sócio da empresa; b) que nunca foi gestor da empresa e que após sua saída continuou na condição de empregado exercendo o cargo de gestor financeiro; c) que as procurações que recebeu são limitadas a “administrar junto a estabelecimentos financeiros, situação bem diferente era a situação, por exemplo, de Antônio Leite, este sim com poderes gerais; d) Que sua ligação, na verdade, com a empresa foi de operações de “factoring”, com antecipação de receitas financeiras e posterior recebimento com juros, atividade esta que já fazia desde 1997; e) que de 2000 a 2003, ora em seu nome, ora em nome de suas empresas (SERGICOUROS ou FRIGOCOURO), ou através de irmão Manoel Médici ou da empresa Vitapelli, com quem tinha relação comercial, autorizava créditos de favorecimento para a Aymoré; f) que a amostragem que junta ao autos dá conta de que ao longo do período de quatro anos antecipou à Aymoré valor superior a R$ 1.000.000,00 e que os valores que a Aymoré creditou em suas contas são resultado de antecipações de receitas (factoring). fez , prejuízo que arca até hoje. g) Que o sócio só deve responder por débitos até a data da alteração contratual e não sendo mais sócio no período fiscalizado e tendo justificado a origem dos créditos recebidos, não pode ser incluído como responsável solidário. h) Que a responsabilidade do artigo 135 do CTN só advém de atos dolosos praticados contra os contribuintes substituídos. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 28 i) Que no caso concreto não se aplica as disposições do artigo 134. j) Que a multa de 150%, não se aplica em relação ao impugnante. k) Por fim, caso tivesse o terceiro que responder por prática de ato com excesso de poder, a sua responsabilidade não poderia ser igual a do contribuinte originário, mas unicamente pela base de cálculo incidente sobre as operações financeiras de empréstimos/antecipações de receita realizadas com a AYMORÉ, e nunca sobre a o faturamento total da empresa. A empresa foi constituída em 1988, pelos sócios Carlos Antônio Gomes Leite, Luiz Antônio Alves de Oliveira e Antônio Saturnino Leite, referido nos autos, por várias vezes, como ANTÔNIO LEITE. O documento de fl. 410 indica que o recorrente ingressou na sociedade em 06/10/1998 e, formalmente, dela se retirou em 17/12/1999, com registro na Junta Comercial em 17/01/2000. (fl. 421). Na análise da prova, quer para formar convencimento quanto à necessidade de reconhecer a responsabilidade do recorrente, quer para afastála, há dados que considero relevantes. O início do procedimento fiscal deuse em 22/05/2005. As testemunhas ouvidas pela autoridade fiscal em momento algum, no que diz respeito ao período fiscalizado, vinculam o recorrente Manoel Mairton de Souza à condição de sócio de fato ou de direito. Dizem que o dono da empresa era ANTÔNIO LEITE, que aparece no contrato original firmado em 1988. O contrato social dá conta de que Manoel foi sócio da empresa, com 5% de capital, no período de 06/10/1998 a 17/12/1999. Em fevereiro de 2001 foi formalmente admitido pela Aymoré no cargo de Diretor Financeiro, onde permaneceu até 30/12/2003, conforme registro existente em sua CTPS (fl. 638) e termo de rescisão contratual homologado junto ao Sindicato da Categoria (fl. 636). A autoridade fiscal imputou a condição de terceiro responsável ao recorrente Manoel Mairton de Souza em face da existência de procuração em nome deste e da transferência de valores das contas da fiscalizada para as contas do recorrente ou de empresas vinculadas a este que se defende dizendo: a) que de 2000 a 2003, ora em seu nome, ora em nome de suas empresas (SERGICOUROS ou FRIGOCOURO), ou através de irmão Manoel Médici ou da empresa Vitapelli, com quem tinha relação comercial, concedia empréstimos à empresa Aymoré; b) que amostragem que junta ao autos dá conta de que ao longo do período de quatro anos antecipou à Aymoré valor superior a R$ 1.000.000,00 e que os valores que a Aymoré creditou em suas contas são resultado de antecipações de receitas (factoring). Destaca que tais operações ocorriam desde o ano de 1997, conforme notas promissórias de fls. 631 a 634. Por esta linha de raciocínio, se acolhida, não existiria nenhum problema do fato de cheques emitidos em favor da Aymoré serem transferidos, por endosso, depositados ou utilizados por este para pagar compromissos junto a terceiros. Neste sentido, a testemunha Antônio Araújo, ouvida pela fiscalização, esclarece que também emprestava sua conta pessoal à Aymoré, para que esta pudesse evitar os bloqueios judiciais determinados nas contas da empresa. A atividade de factoring pressupõe operações de débito e crédito, ou melhor, há necessidade de se comprovar, ainda que mediante procedimento de amostragem segura, que Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 29 Manoel Mairton de Souza, quer por si, suas empresas ou seu irmão, anteciparam recebíveis à empresa Aymoré e esta os restituiu. A autoridade fiscal só considerou os valores que a Aymoré repassou ao recorrente, sem fazer o trabalho inverso, isto é, verificar a procedência ou não e emitir juízo conclusivo quanto à versão sustentada pelo recorrente. A contabilidade da fiscalizada, praticamente zerada, não serve de elemento de prova. Assim, há de se avaliar se há provas nos autos que sustentam a versão do recorrente para, juntandoas aos depoimentos das testemunhas, afastar a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. À fl. 87 a autoridade fiscal elaborou denominado de "demonstrativo de valores lançados a débitos em contas correntes da pessoa jurídica levantadas conforme levantado em cópias de documentos de maior valor solicitados às instituições financeiras nas quais a pessoa jurídica mantinha contas". Neste quadro aparece os nomes, dentre outros, de Manoel Mairton de Souza e Usina São José do Pinheiro S/A, relacionados a pagamentos efetuados pela Aymoré. À fl. 503 a autoridade fiscal intimou a Usina São José do Pinheiro S/A para informar "a causa da operação que resultou nos pagamentos efetuados por AYMORE EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA a esta empresa, na data de 10/10/2001 no valor de R$101.080,00 e na data de 06/05/2002 no valor de R$50.000,00, encaminhando cópia das notas fiscais e/ou outros documentos que deram causa aos pagamentos". Em resposta, à fl. 506, a fiscalizada informou constatou a existência dos depósitos acima referidos que foram contabilizados como venda antecipada de açúcar efetuada aos Estados de Sergipe e Bahia, Sr. Manoel de Souza, a crédito em conta específica. Para comprovar suas alegações juntou o contrato de comissão mercantil de fls. 508, firmado entre a Usina e Manoel de Souza, irmão do recorrente Mairton." Apesar da empresa Aymoré ter alcançado a Manoel de Souza os cheques acima referidos e este ter depositado na conta da Usina antes nominada, não é elemento capaz de afastar o conteúdo dos depoimentos contidos nos depoimentos colhidos pela autoridade fiscal. O que é preciso identificar, para ratificar a tese de que o recorrente desenvolvia, de forma regular, atividades de factoring com a empresa Aymoré é a demonstração de que este, por si, por suas empresas ou por seu irmão alcançou recursos à fiscalizada, já que este tipo de operação dáse, normalmente, de maneira informal. Em sua impugnação o recorrente traz aos autos os seguintes documentos que merecem análise: a) planilha de fls. 640/641, em que relaciona os valores que teria empresados à empresa AYMORÉ, ora depositados na conta do Banco Itaú.ora na conta de Antônio Araújo, ora na conta de NM SANTOS, ora na conta de ANTÔNIO LEITE, ora na conta de outras pessoas. Detalhe a ser considerado é a informação contida na referida planilha quanto à origem dos valores, que por vezes indicam o nome de MAIRTON, outras o nome MEDICI, outras SERGICOUROS, FRIGOCOURO e VITAPELLI, conforme exemplos que seguem: Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 30 (...) (...) Conferindo, por amostragem, valores indicados na planilha acima se verifica que os mesmos efetivamente ingressaram na conta corrente da empresa Aymoré. Vamos aos exemplos (fl. 642 e seguintes): Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 31 O crédito, na conta da fiscalizada, dos valores indicados na planilha de fl. 640, por si só, não é prova segura de que se referem a empréstimos concedidos pelo recorrente Mairton. Procurei aterme a outros detalhes das provas para, em seu conjunto, formar convencimento. Analisei a conta corrente de Manoel Mairton de Souza (fl. 650) para, quem sabe, a partir dela, encontrar transferências à conta da empresa Aymoré. Neste sentido, conforme demonstra a indicação de fl. 650, abaixo copiada, em 03/05/2002, aparece uma TED da conta de Manoel para a conta nº 211152/100.000, pertencente à empresa AYMORÉ. Idêntica situação se constata quando se analisa os extratos bancários das contas correntes das empresas de Manoel, a saber SERGICOUROS e FRIGOCOUROS. Destas contas também se extrai prova coincidente com nome, data e valores indicados na planilha de fls. 640/641. Neste sentido segue o seguinte exemplo (fl. 651): Em síntese, o recorrente, a partir de extrato bancários de suas contas particulares ou de suas empresas identificadas pela fiscalização, faz prova que transferiu à empresa Aymoré valor superior a R$ 1.000.000,00. Nesta linha, quem pretende praticar atos lesando a pessoa jurídica, não transfere a esta recursos próprios ou de terceiros e sim retira recursos desta. Ainda na análise da prova, à fl. 87, aparece o nome do recorrente Manoel favorecido com um pagamento de R$ 103.000,00, no dia 22/05/2003. Procurando avaliar os elementos de provas indiciária para formar convicção, identifiquei nos autos o documento de Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 32 fl. 693, datado de 02/05/2003, em que a empresa Aymoré promete pagar a Manoel, no dia 20/05/2003, o valor de R$ 150.000,00. É certo que dos elementos de prova existentes nos autos, nem o valor de R$ 103.000.00 indicado pela fiscalização e tampouco o de R$ 150.000,00 prometidos pela empresa Aymoré, aparecem creditados no extrato de conta de Manoel. Assim, tal detalhe só tem relevância para análise em conjunto com os demais elementos de prova. A demonstração feita pela autoridade fiscal de que foram transferidos recursos da empresa Aymoré para o recorrente Manoel Mairton de Souza ou para empresas deste, no conjunto probatório, considerando inclusive os depoimentos das pessoas ouvidas que não vinculam a pessoa de Manoel Mairton de Souza à condição de "dono da empresa" e tampouco apontam qualquer ato por meio do qual este tivesse se apropriado de recursos da empresa ou agido com excesso de poderes, ainda que na condição de procurador, causando danos à empresa, me conduzem à conclusão de verossimilhança da defesa de Manoel quando diz que exercia atividade de factoring com a empresa Aymoré. Não seria lógico o recorrente transferir à empresa valor superior a R$ 1.000.000,00, sem recebêlo de volta. Isto me conduz à conclusão de que o recorrente Manoel efetivamente exercia atividade informal de factoring e que os recursos transferidos da empresa para ele o foram em pagamento daqueles que ele, por si ou por meio de suas empresas, em data anterior havia transferido à Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda. No entanto, tendo o Colegiado, pelo voto de qualidade, entendido em manter a responsabilidade tributária de Manoel Mairton, cabe enfrentar o recurso deste no ponto em que sustenta, a redução da multa do percentual de 150% para 75%, sob o argumento de que " embora conste no auto de infração a incidência do inciso I do art. 44 (transcrito), que é de 75%, no cálculo está sendo computado o patamar de 150%" O auto de infração foi lavrado em 14/09/2006 e em relação à multa, quanto aos aspectos legais, está assim fundamentado (FLS. 23/24): MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. 150%. art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303/96. Neste sentido, conforme repisado em sustentação oral, argumenta o recorrente a Medida Provisória acima indicada não foi convertida em Lei, razão pela qual não serve como fundamento legal para fundamentar a multa de 150%. Na época dos fatos, isto é, nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, estava em vigor o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, cujo inciso I previa multa de 75% e o inciso II, multa de 150%, para as situações que especificava. Em 29 de junho de 2006 foi editada a Medida Provisória 303, publicada no dia 30/06/2006, cujo artigo 18 atribuiu nova redação ao artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, que passou a vigorar com a seguinte redação: O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 33 I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Comparando a redação primitiva do artigo 44, I e II, da Lei 9.430, de 1996, verificase que as multas de 75% de 150% continuaram inseridas no sistema jurídico, alterandose, apenas, a disposição destas no conteúdo da norma. Enquanto que na redação anterior a multa de 150% estava prevista no inciso II, pela redação atribuída pela MP 303, a multa de 150% passou a estar prevista no parágrafo primeiro, conforme citado no auto de infração. Diante do fato da citada Medida Provisória 303/2006 não ter sido aprovada no prazo previsto no artigo 62, § 3º, da Constituição Federal, ela perdeu a vigência em 27 de outubro de 2006. Pois bem, questiona o recorrente quanto aos efeitos da citada Medida Provisória não ter sido convertida em lei. A resposta à questão apontada pelo recorrente e repisada da tribuna está no § 11 do artigo 62 da Constituição Federal que assim dispõe: "§ 11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)" No caso concreto, não houve edição de decreto legislativo de que trata o preceito constitucional acima apontado, razão pela qual permaneceram hígidos os efeitos dos atos praticados durante a vigência da citada Medida Provisória, inclusive em relação à multa de 150%. Observo, ainda, que em 22 de janeiro de 2007, foi editada a Medida Provisória 351, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, cujo artigo 14 ratificou a redação que o artigo 18 da MP 303 tinha atribuído ao artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Com tais fundamentos, rejeito a alegação do recorrente que sustenta insubsistência da autuação em relação ao fundamento legal relacionado à multa qualificada. Quanto ao percentual das citadas multas, por ser questão de ordem constitucional, à luz da Súmula 02 do Carf, entendo que este órgão não tem competência para Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 34 se posicionar. Neste sentido, em atenção ao que foi destacado da tribuna pelo ilustre patrono, repito o que destaquei na sessão de 13 de março de 2014, quando do julgamento do processo nº 19515,002450/201015, transcrevendo o seguinte trecho do acórdão 1402001.622, de minha relatoria: "Da alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada com valor superior ao crédito tributário...". O recorrente invoca o artigo 412 do Código Civil para destacar a impossibilidade de exigência de multa em valor superior ao crédito tributário. Tenho que a norma aqui invocada não se aplica em matéria tributária, pois regidas por normas específicas, quais sejam, os preceitos contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que seguem transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). "Apesar de rejeitar as alegações da parte recorrente que invoca a incidência das disposições do artigo 412 do Código Civil, para que não lhe seja exigido multa punitiva em valor superior a 100%, eis que confiscatórias, tenho que a matéria deve ser analisada à luz dos preceitos contidos no artigo 44 da Lei 9.430, de 1996 e do princípio da individualização da pena e do não confisco, de que trata a Constituição de 1988. Inicio o exame da matéria analisando a natureza das multas fiscais, isto é, se têm caráter reparatório quanto ao tributo devido ou sancionatório da infração praticada. O caráter reparatório pelo não pagamento do tributo devido é satisfeito por meio da exigência de juros. em rela artigo. Já o caráter sancionatório a ser aplicado ao infrator, em matéria tributária, está contido nas multas previstas nas respectivas legislações. Há muito indagome se pode se aplicado o princípio da individualização da pena em relação às questões tributárias. Ou melhor, se deve ser avaliada a conduta do Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 35 agente infrator para graduar a pena aplicada de modo que esta corresponda na sanção adequada à infração aplicada. Não se pode ignorar que mesmo nos casos de dolo, fraude ou simulação há graus de intensidade na conduta do agente. A título de exemplo cito as situações previstas no artigo 121 do Código Penal3, com penas de reclusão de 6 (seis) a 20 (vinte) anos ou de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. A questão a ser enfrentada é se em matéria tributária a multa também deve ser graduada, conforme a gravidade da conduta do agente, ou em havendo dolo será sempre de 150%, conforme prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Ao meu sentir, a sanção em matéria tributária deve ser graduada na proporção da gravidade da conduta e o peso da punição. É necessário um juízo de proporcionalidade entre o ilícito e a penalidade, sem que esta possa ultrapassar o valor do tributo devido. Desta forma, o artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, ao fixar, em toda a situação de dolo, multa de 150% afronta preceitos de ordem constitucional. Ratificando meu entendimento, destaco os seguintes precedentes do Supremo Tribunal Federal: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. §§ 2.º E 3.º DO ART. 57 DO ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. FIXAÇÃO DE VALORES MÍNIMOS PARA MULTAS PELO NÃORECOLHIMENTO E SONEGAÇÃO DE TRIBUTOS ESTADUAIS. VIOLAÇÃO AO INCISO IV DO ART. 150 DA CARTA DA REPÚBLICA. A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em contrariedade ao mencionado dispositivo do texto constitucional federal. Ação julgada procedente. (ADI 551/RJ . Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Julg. 24/10/2002. Órgão Julgador: Tribunal Pleno). Sublinhei. EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. PROPORCIONALIDADE DE MULTA DE 100%. IMPOSSIBILIDADE DE REAPRECIAÇÃO DE FATOS E DE PROVAS. SÚMULA 279/STF. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTES DO SUPREMO 3 Art. 121 Matar alguém: Pena reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos. § 2º Se o homicídio é cometido: I mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II por motivo fútil; III com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; IV à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; V para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime. Pena reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 36 TRIBUNAL FEDERAL. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 30.9.2008. É necessário um juízo de proporcionalidade entre o ilícito e a penalidade para constatação da violação do princípio do não confisco tributário (art. 150, IV, da CF/1988). Pressupõe, pois, a clara delimitação de cada um desses elementos. Assim, a aferição, por esta Corte, de eventual violação do princípio do não confisco, em decorrência da aplicação de multa de 100% (cem por cento) do valor do imposto devido encontra óbice na natureza extraordinária do apelo extremo e, em especial, no entendimento cristalizado na Súmula 279/STF, a teor da qual, “para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. Agravo regimental conhecido e não provido. (RE 760783 AgR / SP. Rel. MIN. ROSA WEBER. Jul. 25/02/2014. Órgão Julgador: Primeira Turma). Sublinhei. EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. MULTA DE 50% DO VALOR DO IMPOSTO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE REAPRECIAÇÃO DE FATOS E DE PROVAS. SÚMULA STF 279. A aplicação do princípio do não confisco tributário (art. 150, IV, da CF/1988) às sanções pecuniárias envolve um juízo de proporcionalidade entre o ilícito e a penalidade. Pressupõe, portanto, a clara delimitação de cada um desses elementos. Diante da controvérsia acerca do ilícito praticado, a aferição, por esta Corte, de eventual violação do princípio do não confisco, em decorrência da aplicação de multa de 50% (cinquenta por cento) do valor do imposto devido, encontra óbice na natureza extraordinária do apelo extremo e, em especial, no entendimento cristalizado na Súmula STF 279: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. Agravo regimental conhecido e não provido. (AI 769089 AgR / MG. Rel. MIN. ROSA WEBER. Jul. 05/02/2013. Órgão Julgador: Primeira Turma). Sublinhei. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. MULTA. DESPROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO AO USO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS NO CASO EM EXAME. A análise da alegação de confisco ou de desproporcionalidade depende da contraposição entre a gravidade da conduta punida e a sanção pecuniária imposta. Segundo a jurisprudência desta Suprema Corte, a releitura do quadro fático a partir dos documentos juntados aos autos não implica necessariamente reexame de fatos e de provas . Porém, no caso em exame, as razões de recurso extraordinário e de agravo regimental não versam sobre a gravidade da conduta punida. Sustentase a incompatibilidade pura e simples da norma com a Constituição, para toda e qualquer condição. Assim, para que o acórdão pudesse ser revertido nos moldes pleiteados, seria necessário reabrir a instrução probatória (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 565341 AgR / PR. Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA. Jul. 05/06/2012. Órgão Julgador: Segunda Turma). Sublinhei. EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MULTA. VEDAÇÃO DO EFEITO DE CONFISCO. APLICABILIDADE. RAZÕES RECURSAIS PELA MANUTENÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO PRECISA DE PECULIARIDADE DA Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 37 INFRAÇÃO A JUSTIFICAR A GRAVIDADE DA PUNIÇÃO. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme orientação fixada pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da vedação ao efeito de confisco aplicase às multas. 2. Esta Corte já teve a oportunidade de considerar multas de 20% a 30% do valor do débito como adequadas à luz do princípio da vedação do confisco. Caso em que o Tribunal de origem reduziu a multa de 60% para 30%. 3. A mera alusão à mora, pontual e isoladamente considerada, é insuficiente para estabelecer a relação de calibração e ponderação necessárias entre a gravidade da conduta e o peso da punição. É ônus da parte interessada apontar peculiaridades e idiossincrasias do quadro que permitiriam sustentar a proporcionalidade da pena almejada. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 523471 AgR / MG . AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA. Jul. 06/04/2010. Órgão Julgador: Segunda Turma). Sublinhei. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. MULTA. 50%. UTILIZAÇÃO COM EFEITO DE CONFISCO. PROPROCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. DEFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. NECESSIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS NO CASO CONCRETO. Esta Suprema Corte firmou orientação quanto à possibilidade do controle de constitucionalidade das multas desproporcionais, isto é, que tenham efeito confiscatório sem justificativa. A questão de fundo, portanto, é saberse se a intensidade da punição é ou não adequada à gravidade da conduta da parte agravada. Porém, a então recorrente não indicou com precisão a conduta que teria deflagrado a imposição da multa nem as razões pelas quais essa penalidade seria inadequada à gravidade da infração. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (ARE 682546 AgR / SC. Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA. Julgamento: 05/06/2012. Órgão Julgador: Segunda Turma. Concluída a questão relacionada à necessidade de graduação da multa que deve estar relacionada à intensidade do dolo ou da fraude, quanto ao limite da sanção imposta por meio da penalidade de multa, o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que estas não podem ultrapassar ao valor do tributo devido. Neste sentido, a título ilustrativo, destaco os seguintes precedentes: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MULTA FISCAL. CARÁTER CONFISCATÓRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AGRAVO IMPROVIDO. I – Esta Corte firmou entendimento no sentido de que são confiscatórias as multas fixadas em 100% ou mais do valor do tributo devido. Precedentes. II – Agravo regimental improvido. (RE 657372 AgR/RS. Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Jul. 28/05/2013. Órgão Julgador: Segunda Turma. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 38 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – ALEGADA VIOLAÇÃO AO PRECEITO INSCRITO NO ART. 150, INCISO IV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO DA MULTA TRIBUTÁRIA COMINADA EM LEI – CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA PROIBIÇÃO CONSTITUCIONAL DE CONFISCATORIEDADE DO TRIBUTO – CLÁUSULA VEDATÓRIA QUE TRADUZ LIMITAÇÃO MATERIAL AO EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA E QUE TAMBÉM SE ESTENDE ÀS MULTAS DE NATUREZA FISCAL – PRECEDENTES – INDETERMINAÇÃO CONCEITUAL DA NOÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO – DOUTRINA – PERCENTUAL DE 25% SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO – “QUANTUM” DA MULTA TRIBUTÁRIA QUE ULTRAPASSA, NO CASO, O VALOR DO DÉBITO PRINCIPAL – EFEITO CONFISCATÓRIO CONFIGURADO – OFENSA ÀS CLÁUSULAS CONSTITUCIONAIS QUE IMPÕEM AO PODER PÚBLICO O DEVER DE PROTEÇÃO À PROPRIEDADE PRIVADA, DE RESPEITO À LIBERDADE ECONÔMICA E PROFISSIONAL E DE OBSERVÂNCIA DO CRITÉRIO DA RAZOABILIDADE – AGRAVO IMPROVIDO. (RE 754554 AgR / GO. Rel. Min. CELS0 DE MELLO. Jul. 22/10/2013. Órgão Julgador: Segunda Turma). EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. APLICABILIDADE ÀS MULTAS TRIBUTÁRIAS. INOVAÇÃO DE MATÉRIA EM AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I – A vedação à utilização de tributos com efeito de confisco (art. 150, IV, da Constituição) deve ser observada pelo Estado tanto na instituição de tributos quanto na imposição das multas tributárias. II – A questão referente à não demonstração, pelo recorrido, do caráter confiscatório da multa discutida nestes autos, segundo os parâmetros estabelecidos pela jurisprudência desta Corte, não foi arguida no recurso extraordinário e, desse modo, não pode ser aduzida em agravo regimental. É incabível a inovação de fundamento nesta fase processual. III – Agravo regimental improvido. (RE 632315 AgR / PE. Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Jul. 14/08/2012. Segunda Turma. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRECEDENTES. 1. O princípio da vedação do confisco, previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, também se aplica às multas. Precedentes: RE n. 523.471AgR, Segunda Turma Relator o Ministro JOAQUIM BARBOSA, DJe de 23.04.2010 e AI n. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 39 482.281AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, DJe de 21.08.2009. 2. In casu o acórdão recorrido assentou: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. MULTA PREVISTA NO ARTIGO 71, INCISO II, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO ESTADUAL. Diante da declaração de inconstitucionalidade do artigo 71, inciso II, do Código Tributário Estadual, o dispositivo perdeu sua eficácia e, consequentemente, os valores que nele sustentavam o título exequendo. Assim sendo, acolho a exceção de pré executividade, ante a declaração de inconstitucionalidade do artigo 71, inciso II, do Código Tributário Estadual frente ao artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Agravo conhecido e provido. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (ARE 637717 AgR / GO. Rel. Min. LUIZ FUX. Jul. 13/03/2012. Órgão Julgador: Primeira Turma. No mesmo sentido RE 455011 AgR / RR. Jug. 14/04/2010. Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA. Analisando os fundamentos do acórdão do RE 754.554, da lavra do Ministro CELSO DE MELO, dele extraio as seguintes razões que impõem a limitação das multas, sejam sancionatórias ou moratórias, em matéria tributária: 1. O princípio da vedação do confisco, previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, também se aplica às multas. 2 A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em contrariedade ao mencionado dispositivo do texto constitucional federal. 3 Entes estatais não podem utilizar a extraordinária prerrogativa políticojurídica de que dispõem em matéria tributária, para, em razão dela, exigirem prestações pecuniárias de valor excessivo que comprometam, ou, até mesmo, aniquilem o patrimônio dos contribuintes. Apesar dos fundamentos acima destacados, é necessário ter presente que a validade do ato administrativo pressupõe que o agente que praticao tenha atribuições para tal. Em que pese os inúmeros julgados acima destacados, da rápida pesquisa que fiz junto a jurisprudência do STF, não encontrei acórdão do Pleno da Corte adentrando na questão específica do parágrafo único do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, razão pela qual, (....), entendo que o CARF, na condição de órgão que integra a Administração, salvo na hipótese prevista no artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não pode deixar de aplicar lei por entendêla inconstitucional. Do recurso da empresa Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda, e dos coobrigados Antônio Araújo de Jesus, José Fernandes Pires e Antonio Leite Ao tratar das intimações o artigo 23 do Decreto nº 70.235, assim dispõe: Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 40 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito). O AR de fl. 183, que corresponde à fl. 171 da numeração digitalizada, conforme destacado no acórdão recorrido, efetivamente foi remetido ao endereço do recorrente José Fernandes de Brito Pires, indicado em sua Declaração de Imposto de Renda. Os serviços dos Correios, entre os dias 09/08/06 e 15/08/06, diligenciaram três vezes no endereço indicado, sem mencionar o porquê não foi entregue a correspondência. Tudo indica que nos horários diligenciados não se encontrava ninguém no domicilio indicado. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 41 Observo que a situação acima indicada é diferente daquela relacionada à correspondência encaminhada à Antônio Leite em que a informação prestada pelos Correios, à fl. 163, é a de que o destinatário havia mudado de endereço e, desconhecido quanto ao endereço indicado à fl. fl. 178. Se era pacífico o cabimento da intimação por edital em relação à fiscalizada e demais corresponsáveis, quanto ao recorrente José Fernandes de Brito Pires a situação não se mostra tão clara. Tenho que nestas hipóteses em que os Correios adotam procedimento semelhante ao acima indicado cabe à autoridade fiscal fazer diligências e não, simplesmente, proceder a intimação por edital. Contudo, este entendimento não encontra respaldo junto ao Carf e integrantes do Colegiado que entendem que esta situação também se encaixa na previsão contida no § 1º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, tendo a intimação da Contribuinte Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda e os corresponsáveis Antônio Leite, José Fernandes de Brito Pires, Gilmário Costa, Antonio Araújo de Jesus, e Gilmário Costa, ocorrido por edital afixado em 21/09/2006 e desafixado em 09/10/2006 (fl. 529), em 08/11/2006, quando apresentaram as impugnações de fls. 637/698, já havia decorrido o prazo legal de 45 dias (15+30), portanto, intempestivas. ISSO POSTO, voto no sentido de: a) Negar provimento ao recurso da empresa Aymoré empreendimentos Ltda e dos responsáveis tributários José Fernandes de Brito Pires, Antonio Leite e Antônio Araújo de Jesus. b) Dar provimento ao recurso de Manoel Mairton de Souza para excluílo da condição de responsável tributário. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 42 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Redator Designado. Inicialmente, registro que o presente recurso limitase à questão relacionada à corresponsabilidade de Manoel Mairton de Souza, em que o relator resultou vencido. Quanto aos demais aspectos em que foi negado provimento ao recurso da fiscalizada e dos corresponsáveis José Fernandes de Brito Pires, Antonio Leite e Antônio Araújo de Jesus, ratificando a decisão da DRJ que considerou intempestivas as impugnações, não há divergência, razão pela qual não se tratará de tal matéria neste voto. Peço vênia ao ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas conclusões a respeito da corresponsabilidade atribuída ao Senhor Manoel Mairton de Souza. A decisão recorrida analisa com propriedade os fatos atinentes ao caso, motivo pelo qual adoto suas razões como fundamento de meu voto: [...]o que se verifica nos autos é que o Sr. Manoel Mairton de Souza, apesar de não mais figurar como sócio no Contrato Social da contribuinte, desde 15/12/1999, continuou vinculado à Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda, participando ativamente da sua gerência, exercendo, durante todos os anoscalendário autuados, a gerência financeira da empresa, conforme atestam as cópias de procurações e de fichas de abertura de autógrafos obtidas das instituições financeiras, que lhe conferiam amplos e ilimitados poderes para agir, conjunta ou separadamente, administrar junto a quaisquer estabelecimentos bancários, em qualquer agência, sucursal, filial ou matriz..., e como tal movimentou as contas bancárias da empresa, e foi beneficiário de vultosas quantias depositadas em contas correntes de sua titularidade e de titularidade de suas empresas e familiares. Os documentos trazidos pelo impugnante, às fls. 574 a 578 e 583/636, com o intuito de comprovar os alegados empréstimos feitos por ele, por suas empresas e por seus familiares, à Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda, consistem em: • 10 notas promissórias datadas de 1997, totalizando R$35.000,00, supostamente emitidas e assinadas por Paulo César Gomes Leite ; • planilha relacionando valores que teriam sido destinados a: Aymoré; Antonio Araújo; Gilmário C Pinho; NM Santos; Multi Sale Com Ltda; Paulo Roberto M Vaz; Antonio Leite; Irmãos Ribeiro Ltda; Prestadora de Serviços e; Vesti Serviço Ltda, por Manoel Mairton, Medice, Sergiocouros, Frigocouros e Vitapelli, nos anos de 2000 a 2003; • extratos bancários de contacorrente de: Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda; Manoel Mairton de Souza; Frigocouros Com Couros Ltda e; Sergicouros Com. Couros Ltda; • comprovantes de documentos de créditos feitos pela Sergicouros Com Couros Ltda para: Gilmário C. de Pinho; Jorge Luis Rocha; NM Santos; Multi Sale Comercial Ltda; Aymoré Empreendimentos Ltda e; Vesti Serviço Ltda; Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 43 • comprovante de transferência de crédito feita por Vitapelli Ltda para: NM Ltda; Antônio Leite e; Aymoré Ltda; • autorização do Sr. Manoel Mairton de Souza para o Banco Itaú realizar uma TED para débito na Frigocouros Comercial de Couros Ltda, e crédito em conta corrente do Banco do Brasil em nome de Irmãos Ribeiro Ltda. e respectivo comprovante da transação; • comprovante de emissão de DOC eletrônico feito pela Frigocouros Com Couros Ltda para a MM Santos Const. e Serv. Ltda; • correspondência em papel timbrado da Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda, datada de 02/05/2003, sem identificação do assinante, dirigido ao "Sr. Mairton", referente a "Programação de Pagamento", mencionando o débito aproximado, no Banco Prosper S/A e no Banco Prosper S/A ou Banco Arbi S/A, saldo de prestações, observação sobre aguardo de empréstimo com o Banco Real e condições de pagamento e valores de receita da empresa (bruto, líquido e empréstimo do mês); Sobre o argumento de que o impugnante realizava, com a contribuinte, operações de factoring, com antecipações de receitas financeiras e posterior recebimentos acrescido de pequena taxa de juros, convém destacar que factoring é atividade empresarial descrita no artigo 58 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, como sendo a atividade de empresas que "explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prrazo ou de prestação de serviços ". Como empresa, a factoring tem diretores, gerentes, operadores financeiros e funcionários, contabiliza seus negócios regularmente e paga impostos. A receita operacional das empresas de factoring tem dois componentes: a comissão cobrada dos serviços que tem de prestar e o diferencial na compra dos créditos mercantis oriundos das vendas de seus clientes. Sobre a nota fiscal de serviços emitida em cada operação, a empresa de factoring recolhe os tributos devidos. Ressaltese que de acordo com a Lei n°. 9430, de 1996, as empresas de fomento mercantil estão obrigadas a apurar o resultado tributável pelo regime do Lucro Real. O impugnante diz que funcionava "como uma empresa financeira, como atual os bancos...". Devese frisar que há uma fundamental distinção entre uma instituição financeira e uma empresa de factoring. Esta presta serviços e compra créditos. Empresa que, sem autorização do Banco Central, capta recursos no mercado e empresta dinheiro a juros, por exemplo, embora se rotule como factoring, está à margem da Lei, sujeita às penalidades previstas no artigo 44, § 7o, da Lei n° 4.595, de 1964 e no artigo 16 da Lei n° 7.492, de 1986, pois está praticando operações com características daquelas privativas das instituições financeiras. No caso concreto, é inaceitável a arguição do impugnante no sentido de que ele e suas empresas realizavam, com a contribuinte, operações de factoring, primeiramente, porque, como pessoa física, estaria legalmente impedido de exercer tal atividade. Além disso, em relação às suas empresas, por absoluta falta de provas hábeis e idôneas capazes de comprovar a prática regular da referida atividade. Na realidade, os documentos apresentados pelo impugnante consistem em algumas notas promissórias, emitidas e supostamente subscritas pelo Sr. Antônio Leite, no Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 44 ano de 1997, totalizando R$35.000,00, sem o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem devem ser pagas (promissóriocredor) e sem data de vencimento do título, e comprovantes de créditos bancárias feitos de contascorrentes do Impugnante e de suas empresas, sendo que algumas delas foram para contascorrentes da contribuinte e de pessoas físicas a ela vinculadas, nada mais. Portanto, por si sós, tais documentos não permitem identificar qual é a natureza, a título de que e qual a finalidade daqueles recursos. Não há como considerálos empréstimos feitos à contribuinte, muito menos relacionálos com os depósitos efetuados pela Aymoré Empreendimentos e Serviços Ltda, nas contascorrentes do impugnante e das suas empresas e familiares. Não foram trazidos aos autos quaisquer contratos firmados, notas fiscais, nem registros contábeis que permitam o conhecimento daquelas operações. A propósito das empresas SERGICOUROS COM COUROS LTDA CNPJ n° 96.803.267/000196 e FRIGOCOUROS COM COUROS LTDA CNPJ n° 96.797.709/000139, convém destacar que, consoante extrato de consulta feitas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal (fls. 739/757) tais empresas não se dedicam à atividade de factoring. Verificase, ainda, que a SERGICOUROS, apesar de ter efetuado transferências bancárias em 2002, da ordem de R$93.718,00, e em 2003, de R$53.370,00 sem considerar os valores informados na planilha de fl. 583 e 584, e não comprovados, informou na Declaração IRPJ/2003 que se encontrava INATIVA e apresentou a DIPJ/2004, no Formulário do Lucro Presumido, com receitas igual a ZERO. Já a FRIGOCOUROS, nos anoscalendário de 2002 e 2002, apurou os resultados tributáveis pela sistemática do SIMPLES, declarando valores de receitas bastante modestos se comparados com as transferências de recursos que diz ter realizado. Logo, a alegada relação do impugnante com a contribuinte, unicamente de empréstimo financeiro, é insustentável. A responsabilidade imputada ao impugnante foi a prevista no artigo 124, inciso I, da Lei n° 5.172, de 1966, e no artigo 135, incisos II e III, também do CTN. A previsão legal contida no art. 124 do CTN é clara: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Para que a responsabilidade seja apurada, basta estar configurado o chamado interesse comum no fato. As provas nos autos demonstram a participação e o interesse do impugnante no fato gerador da obrigação tributária em questão, pois era um dos responsáveis pela movimentação dos recursos constantes das contas bancárias da empresa e deles se Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 45 beneficiou, apossandose de vultosas quantias depositadas em suas contas correntes, em detrimento do pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. Fica, assim, configurada sua solidariedade em relação ao crédito tributário, nos termos do inciso I do art. 124, do CTN. Referente à jurisprudência citada na impugnação, no sentido de que "o registro na Junta Comercial de alteração do contrato social gera efeitos extunc, de modo que o sócio só deve responder pelo débito até a data da alteração contratual que prevê a sua retirada ", primeiramente, é importante assinalar que o citado acórdão aproveita apenas às partes integrantes daquela ação judicial (art. 472 do Código de Processo Civil). Ademais, repitase, no caso em apreço, o impugnante nunca se desvinculou, de fato, da sociedade, pois após a retirada do seu nome do Contrato Social, continuou administrandoa com amplos e ilimitados poderes junto às instituições financeiras, como também, assinou alguns contratos firmados entre a Aymoré e a Petrobrás. O artigo 135, incisos II e III, do CTN, tem a seguinte redação: Art. 135 — São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: [...] II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Aqui, está caracterizado que na condição de mandatário com amplos poderes de representação da empresa junto a instituições financeiras o impugnante praticou atos que concorreram para o não pagamento dos tributos devidos ao locupletarse com os recursos não recolhidos à Fazenda Pública, portanto, com evidente infração à lei, e que resultaram na sonegação dos tributos exigidos no presente processo. Por todo o exposto, concluise que as circunstâncias descritas e demonstradas nos autos como geradoras da responsabilidade atribuída ao Sr. Manoel Mairton de Souza conformamse com as hipóteses legais de responsabilização pelo crédito tributário, previstas nos artigos 124, inciso I, e 135 do CTN, estando correta sua qualificação como responsável solidário pelo crédito tributário em discussão, destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional caso o débito em questão venha a ser objeto de inscrição na Dívida Ativa da União. Além das conclusões acima transcritas podese citar como elementos de formação de convicção: em relação às supostas operações de factoring: a ausência de prova de realização de qualquer operação com terceiros, além da apresentação de quantidade módica de documentos como tentativa de comprovação de qualquer outra operação do gênero. Ademais, os documentos acostados de forma alguma demonstram a realização de operação de factoring, servindo tão somente para demonstrar que houve remessa de recursos do coobrigado Manoel Mairton de Souza para o contribuinte, o que poderia implicar, inclusive, demonstração de suprimento de numerários de outra origem que não a alegada pelo Recorrente; Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.008365/200656 Acórdão n.º 1402001.642 S1C4T2 Fl. 0 46 assinatura de contratos com Petrobrás na condição de diretor da empresa anos após sua suposta retirada dos quadros de sócios do contribuinte. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso do coobrigado Manoel Martins de Souza. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11962.000886/2001-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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(sucessora por incorporação de ADM EXPORTADORA E IMPORTADORA S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativos ao 3° trimestre do anocalendário de 2001 e referentes incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados, foram em parte glosados pela RFB. O feito foi objeto de Resolução n° 3101000.143, de 07 de abril de 2011, cuja diligência proposta pelo Conselheiro Corintho Oliveira Machado, aprovada por unanimidade, descreve os fatos conforme consta de fls. 493 e seguintes (que leio em sessão), determinando as providências abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 62 .0 00 88 6/ 20 01 -2 9 Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11962.000886/200129 Resolução nº 3101000.348 S3C1T1 Fl. 1.264 2 1) verificar a existência, de fato, das Declarações de Despacho de Exportação dos Registros de Operações de Exportação que devem corresponder às notas fiscais arroladas nas fls. 295 e 296 deste processo; 2) se existentes os documentos apontados no item 1, supra, verificar se os produtos indicados nas notas fiscais correspondem aos produtos relacionados nos documentos apontados como comprovantes de exportação, notadamente no que diz com suas descrições classificações fiscais, quantidades, valores, CFOP, etc. 3) se houver discrepância entre os produtos indicados nas notas fiscais e os produtos relacionados nos documentos, intimar a recorrente e as empresas comerciais exportadoras para trazer aos autos os demonstrativos instituídos pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício, acompanhados das notas fiscais, das Declarações de Despacho de Exportação e dos despachos correspondentes à cada nota fiscal; 4) elaborar Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que contenha quadro pormenorizado, por nota fiscal, acerca da comprovação das exportações por parte da recorrente, acompanhado dos documentos encontrado e (v) após a juntada do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias”. Concluída a diligência foi juntado relatório com as seguintes conclusões: (i) em relação ao “item a”, afirmam a veracidade das DDE e RE informadas pela recorrente, em nome de outros contribuintes por se tratar de exportação indireta; (ii) os produtos possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal e que, ainda que se tratem do mesmo produto, possivelmente não haverá correlação entre o valor de venda e o CFOP para a comercial exportadora e o valor de venda e o CFOP para a exportação; quanto ao “item c”, não houve divergência entre as informações contidas nas notas fiscais e as DDE apresentadas; (iii) quanto ao “item d”, afirmou o acerto da fiscalização com a glosa em razão das normas vigentes à época e que, ainda mais, porque no presente caso, o contribuinte não comprovou sequer a exportação indireta, concluindo que, embora em alguns casos haja a mesma quantidade declaradas em ambos os documentos (notas fiscais e DDE/RE) o mesmo descumpriu com suas obrigações acessórias legais. Em resposta, manifestouse o contribuinte, informando a omissão do AFRFB em relação ao item “d”, uma vez que apresentou as notas fiscais acompanhadas dos seus respectivos relatórios de exportação, reiterando os termos do recurso voluntário e postulando pelo seu deferimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Verifico que, ante a ausência de discrepância entre as informações contidas nas notas fiscais e as DDE apresentadas, o item “c” resta prejudicado. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11962.000886/200129 Resolução nº 3101000.348 S3C1T1 Fl. 1.265 3 Contudo, o item “d” não foi integralmente cumprido. Vejo o que restou determinado na Resolução n° 3101000.143 à repartição de origem: “elaborar Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que contenha quadro pormenorizado, por nota fiscal, acerca da comprovação das exportações por parte da recorrente, acompanhado dos documentos encontrados.”, o que não conta do relatório fiscal elaborado. Inobstante, a Recorrente confeccionou um quadro pormenorizado em sua manifestação (fls. 1109 a 1111), que não foi objeto de verificação por parte da administração. Mais uma vez, importa considerar que, assim como não cabe à fiscalização a discricionariedade para resolver quais itens da diligência será ou não cumprido, esta não pode deixar de observar o quanto determinado na Resolução de diligência. Ante o exposto, CONVERTO o julgamento em diligência, para retornem os autos à origem a fim de que confirme se o quadro produzido pela Recorrente encontra pleno respaldo fático, apontando as divergências que por ventura encontrar. Após regular intimação da Recorrente para, querendo, no prazo de 30 (dias), manifestarse sobre o resultado da diligência, retornem os autos para julgamento. Luiz Roberto Domingo Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004436/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. VÍCIO DO PROCEDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR PARA PROCEDER AO ARBITRAMENTO SEM AUTORIZAÇÃO DE AUTORIDADE SUPERIOR.
Ao formalizar o lançamento o auditor fiscal deve obediência exclusivamente ao que determina a lei. Nenhuma autoridade administrativa, de qualquer grau hierárquico, detém competência para autorizar ou não que o fiscal pratique o lançamento na forma prevista na lei (o lançamento é ato vinculado e obrigatório).
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Ao julgador administrativo integrante do CARF cabe, exclusivamente, analisar a legalidade do ato administrativo do lançamento, faltando-lhe competência para se pronunciar sobre violação de preceitos e princípios constitucionais.
QUEBRA DE SIGILO SEM DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE.
Impertinente alegar ilicitude de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte. Além disso, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA.
Crédito em conta bancária sem apresentação de documentos e comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita, que o contribuinte pode elidir, mediante apresentação de documentos hábeis comprobatórios de origem diversa.
ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO.
A não apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, impõe o arbitramento do lucro.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
A omissão receita influencia a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Por conseguinte, o decidido quanto à infração aplica-se a todas essas exações.
Numero da decisão: 1301-001.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE. VÍCIO DO PROCEDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR PARA PROCEDER AO ARBITRAMENTO SEM AUTORIZAÇÃO DE AUTORIDADE SUPERIOR. Ao formalizar o lançamento o auditor fiscal deve obediência exclusivamente ao que determina a lei. Nenhuma autoridade administrativa, de qualquer grau hierárquico, detém competência para autorizar ou não que o fiscal pratique o lançamento na forma prevista na lei (o lançamento é ato vinculado e obrigatório). ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgador administrativo integrante do CARF cabe, exclusivamente, analisar a legalidade do ato administrativo do lançamento, faltando-lhe competência para se pronunciar sobre violação de preceitos e princípios constitucionais. QUEBRA DE SIGILO SEM DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE. Impertinente alegar ilicitude de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial quando os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte. Além disso, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Crédito em conta bancária sem apresentação de documentos e comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita, que o contribuinte pode elidir, mediante apresentação de documentos hábeis comprobatórios de origem diversa. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. A não apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, impõe o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A omissão receita influencia a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Por conseguinte, o decidido quanto à infração aplica-se a todas essas exações.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. VÍCIO DO PROCEDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR PARA PROCEDER AO ARBITRAMENTO SEM AUTORIZAÇÃO DE AUTORIDADE SUPERIOR. Ao formalizar o lançamento o auditor fiscal deve obediência exclusivamente ao que determina a lei. Nenhuma autoridade administrativa, de qualquer grau hierárquico, detém competência para autorizar ou não que o fiscal pratique o lançamento na forma prevista na lei (o lançamento é ato vinculado e obrigatório). ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgador administrativo integrante do CARF cabe, exclusivamente, analisar a legalidade do ato administrativo do lançamento, faltandolhe competência para se pronunciar sobre violação de preceitos e princípios constitucionais. QUEBRA DE SIGILO SEM DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE. Impertinente alegar ilicitude de “quebra de sigilo bancário” sem autorização judicial quando os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte. Além disso, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Crédito em conta bancária sem apresentação de documentos e comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita, que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 36 /2 01 0- 86 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 3 2 contribuinte pode elidir, mediante apresentação de documentos hábeis comprobatórios de origem diversa. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. A não apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, impõe o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A omissão receita influencia a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Por conseguinte, o decidido quanto à infração aplicase a todas essas exações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Relatório Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo (SP1) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados para exigir, de SET Comércio e Serviços Ltda., créditos tributários referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, alcançando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006 e 2007. A infração apontada pela fiscalização é omissão de receitas apurada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 4 3 O voto condutor da decisão recorrida traz uma síntese do desenvolvimento do procedimento fiscal, da qual me sirvo para relatar os fatos. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 54 e 55), a apresentar, em 20 dias úteis, Livros Caixa ou Diário e Razão, Contrato Social e Alterações, e Extratos de todas as contas bancárias. A correspondência foi devolvida com o registro “mudouse”, conforme Aviso de Recebimento às fls. 56 e 57. Registra a responsável pela fiscalização (Termo de Constatação Fiscal, de 18/03/10, à fl. 58) que em diligência junto ao endereço da empresa que consta no cadastro da RFB (Rua Coronel Diogo, 635 casa 2 – Jardim da Glória, São Paulo) verificouse que no local está instalada a empresa Oficina de Mídia Consultoria em Comunicação Integrada Ltda. (CNPJ 08.698.286/000132), tendo sido informado pela sócia (Sra. Solange Aparecida Melendez – CPF 989.639.108.49) que a mencionada empresa encontrase instalada no local desde 2007, e que ela desconhece a empresa objeto da fiscalização. Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 59 e 60) foi enviado aos Sócios da recorrente, nos mesmos termos do anterior, tendo a correspondência enviada ao Sr. Cláudio Porcelli sido devolvida (AR à fl. 61, com registro “desconhecido) e a enviada ao Sr. Carlos Valente de Almeida sido recebida pelo próprio em 29/03/10 (AR à fl. 62). Em carta datada de 26/04/10 (fl. 63), o sócio Sr. Carlos Valente de Almeida apresentou Alteração Contratual de 16/08/07 (registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo – fls. 64 a 68), Distrato Social de 22/10/07 (registro na Jucesp – fls. 69 e 70) e Boletim de Ocorrência (nº 6345, de 19/09/07) com registro do furto de Livros Fiscais e Notas Fiscais da empresa (fls. 71 a 74). Termo de Continuidade de Procedimento Fiscal foi exarado à fl. 75 (ciência pessoal do Sr. Carlos Valente de Almeida em 26/05/10), sendo novamente emitido, com ciência pessoal do citado sócio em 29/07/10 (fl. 77). Termo de Constatação e de Intimação Fiscal foi prolatado (fls. 78 e 79, com recebimento em 15/10/10 – AR – fl. 80) para registro da apresentação do citado Boletim de Ocorrência, e para intimar a defendente a apresentar, nos termos do art. 264 do RIR/1999, comprovação de que houve publicação do fato em jornal de grande circulação, de que deu minuciosa informação ao órgão competente do Registro do Comércio e que remeteu cópia do comunicado à RFB, bem como para intimála a apresentar os novos livros reconstituídos e legalizados. Consigna a autuante no Termo de Verificação Fiscal (fl. 157) que nenhum documento foi apresentado. Termo de Intimação (fl. 81, recebido em 27/11/10 – AR – fl. 153) foi remetido para intimar a interessada a comprovar, no prazo de dez dias, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, conforme cópias de extratos apresentados (fls. 309 a 698) e Planilha anexa ao T.I. (fls. 82 a 152), com esclarecimentos por escrito e comprovados com documentação hábil e idônea, sendolhe informado que o não atendimento do pleito da fiscalização ensejaria o lançamento de ofício, a título de omissão de receita, nos termos do art. 849 do RIR/1999. Acostouse aos autos correspondência da impugnante, recebida em 08/12/10 (fls. 154 e 155), nos seguintes e exatos termos: “(...) Em atenção ao Termo de Intimação recebido em 27/11/2010, relativo ao RPF/MPF 0819000/00549/2010, vem o contribuinte informar que, conforme já comunicou formalmente a esta fiscalização, todos os documentos contábeis e fiscais relativos ao exercício de 2005, dentre outros, foram furtados, razão pela qual Fl. 775DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 5 4 não tem o contribuinte condição de apontar precisamente a origem de cada depósito/crédito apontados no Anexo. Não por este motivo, o contribuinte cumpriu regularmente com todas as suas obrigações fiscais relativas não só a este exercício, como os demais, inclusive em relação ao pagamento/recolhimento de todos os tributos federais administrados pela RFB, circunstância que pode ser devidamente conferida e comprovada por esta fiscalização, através de consulta ao próprio sistema da RFB, no qual estão registrados todos os recolhimentos, não tendo existido qualquer omissão/supressão de receita. Agindo assim, estará esta fiscalização agindo com moralidade, justiça fiscal e respeitando o principio da verdade real que rege o procedimento fiscal. Ademais, o ônus de demonstrar a ocorrência do fato gerador dos respectivos tributos é do fisco e não pode ser transferido para o contribuinte, que, embora não possa neste ato demonstrar a regularidade de sua situação fiscal, em razão da citada ocorrência, cumpriu com todas as suas obrigações, estando a RFB apta a verificar esta circunstância. Também carece de legalidade a apresentação do próprio Anexo, fato que significa quebra de sigilo bancário em total dissonância com o que preceitua a Constituição Federal de 88 e a legislação tributária de regência, sendo certo, como é sabido por esta fiscalização, que nem todos os créditos apontados em conta corrente significam receita da empresa, que, conforme se infere de seu próprio objeto social, recebe diversos valores apenas para repassar a empresas terceirizadas, assim como a titulo de reembolso de despesas. Tal documento não confere legalidade a qualquer lançamento tributário. Por estes motivos, solicita sejam verificados as informações apontadas no próprio sistema da RFB, que atestam a regularidade fiscal da contribuinte e seja assim determinado o encerramento da presente fiscalização. (...)” Por não ter o contribuinte atendido a intimação para esclarecer a origem dos valores creditados nas contas de sua titularidade, a fiscalização, com base no art. 42 da lei nº 9.430/96, considerouos omissão de receitas, após deduzir os cheques devolvidos e os valores de receita declarados nas DIPJs e DACONs. O montante dos valores creditados nos anos calendário de 2006 e 2007, após a exclusão dos cheques devolvidos, totalizou R$ 47.312.909,23, e nos mesmos períodos a receita bruta declarada nas DIPJs totalizou R$ 4.111.542,91. Foram lavrados os autos de infração para tributar as receitas omitidas (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Para o IRPJ e a CSLL, a base de cálculo foi obtida pelo lucro arbitrado, uma vez que não foram apresentados os livros e documentos para levantar o lucro real. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 6 5 Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (ciência por Edital à fl. 271), para caracterizar, como sujeitos passivos solidários, os sócios Cláudio Porcelli (Termo às fls. 213 e 214) e Carlos Valente de Almeida (Termo às fls. 215 e 216). Os Termos de Sujeição Passiva Solidária registram que a pessoa jurídica apresentou Distrato Social registrado na Jucesp em 22/10/07 (fls. 69 e 70), mas não comunicou o fato à RFB para baixa do CNPJ, sendo tal procedimento considerado “Dissolução Irregular”, tendo como consequência a baixa de ofício do CNPJ, com fulcro no art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 1.005/2010. Neste caso, a contribuinte é representada pelo sócio responsável e deve continuar a responder pelo crédito tributário, conforme Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça (transcrita à fl. 214), sendo o sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa e pelos tributos devidos no período em que exerceu suas operações comerciais, nos termos dos arts. 210 do RIR/99, combinado com os artigos 121 e § único, 124, Incisos I e II, 135, Inciso III do CTN, e artigos 1011, 1016 e 1033 da Lei n° 10.406 de 2002 Código Civil. Em impugnação tempestiva a interessada alegou, em síntese: (i) ilicitude da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, por ferir os incisos X e XII da Constituição Federal; (ii) inidoneidade da análise da movimentação financeira para verificação da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, pois a movimentação financeira não reflete acréscimo patrimonial; (iii) nulidade do auto de infração por ausência de pedido de autorização à autoridade superior da DRF para proceder ao arbitramento; (iv) duplicidade de lançamentos sobre um mesmo fato, pois a autoridade fiscal incluiu no arbitramento as receitas já informadas nas DIPJs e DACONs; (v) ilegalidade do agravamento do percentual para arbitramento, em relação ao lucro presumido, ferindo o CTN, por significar majoração indireta do tributo; (vi) discrepância entre a receita auferida com a venda de mercadorias e a prestação de serviços, representando esta apenas 12% da receita da empresa, e assim, o coeficiente de arbitramento deveria ser o de venda de mercadorias; (vii) por ser ilegal a consideração dos créditos tributários em conta corrente para apuração do Lucro Arbitrado para o IRPJ e CSLL, não podem eles ser considerados receita também para fins de PIS e COFINS. A Turma de Julgamento manteve integralmente os lançamentos, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos Fl. 777DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 7 6 contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. Impugnação Improcedente Ciente da decisão em 07 de agosto de 2012, a interessada ingressou com recurso em 05 de setembro, subscrito também pelos responsabilizados solidariamente. Inicialmente, alega que os autos de infração foram lavrados em desrespeito à Constituição Federal, conforme decidiu o STF no julgamento do RE 398.808SC, onde foi proclamada a indispensabilidade de autorização judicial para quebra do sigilo bancário, inquinando de nulidade o procedimento. Em seguida, passa a discorrer sobre “equívocos cometidos na decisão de 1ª instância”. Como primeiro ponto, contesta a decisão que assentou ser improcedente a preliminar de nulidade arguida por não se enquadrar nas hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, alegando que a decisão deixou de considerar que o caso se enquadra na ressalva contida no art. 60, por influir diretamente na solução do litígio. Alega nulidade da decisão por essa omissão, que alega cercear sua defesa, bem como reitera a preliminar suscitada, de nulidade do auto de infração levantada na impugnação. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 8 7 Reedita as alegações de ilicitude de prova obtida mediante quebra de sigilo bancário, de inidoneidade da análise da movimentação financeira para verificação de fato gerador do imposto de renda. Afirma que a motivação é requisito de validade do ato administrativo, e que, no caso, os lançamentos foram motivados pelo cotejo dos dados da movimentação financeira com as declarações (DACON e DIPJ) e pagamentos efetuados, que revelou disparidade. Argumenta que não há correlação entre esses eventos e, assim, o motivo se revela vazio. Passando ao “Mérito”, repete o já dito nas preliminares: que o lançamento é nulo por não ter sido observada formalidade exigível para o arbitramento, que é a autorização de autoridade superior, e que a decisão é nula porque não apreciou essa preliminar. Reedita as alegações de duplicidade de lançamento sobre um mesmo fato imponível, requerendo sua anulação ou, no mínimo, conversão em diligência para serem efetuadas as necessárias deduções. Reedita, também, a alegação de que o agravamento do coeficiente de arbitramento fere o conceito de tributo, conforme art. 3º do CTN, por conferir caráter punitivo. É o relatório. . Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Inicialmente, observo que as alegações sobre violação a preceitos e princípios constitucionais não serão levadas em consideração, pois cabe ao julgador administrativo integrante do CARF, exclusivamente, analisar a legalidade do ato administrativo do lançamento, faltandolhe competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Observo, ainda, que o que for decidido quanto à infração apontada (omissão de receitas) aplicase a todos os tributos em cuja base de cálculo influenciou (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Sobre a questão da quebra de sigilo sem autorização judicial, nada há nos autos que indique que as instituições financeiras forneceram os extratos bancários à Secretaria da Receita Federal. A emissão de Requisição de Movimentação Financeira aos bancos, como autoriza o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, disciplinado pelo Decreto no 3.724/2001, não foi necessária, pois os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte, conforme atesta o auditor fiscal às fls. 74, quando registra: Os extratos bancários apresentados pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Inicio de Procedimento Fiscal compõem o Anexo I.(destaquei). Fl. 779DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 9 8 Portanto, impertinente a alegação de “indispensabilidade de autorização judicial para quebra de sigilo” (além do quê, incabível a discussão neste foro, enquanto não declarada pelo STF a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei Complementar 105/2001 que autoriza o fornecimento das informações à fiscalização). O segundo aspecto a ser enfrentado é a alegação de nulidade por vício do procedimento, levantada na impugnação e renovada no recurso. Na impugnação, a preliminar está assim redigida: Também incorreu mais uma vez em vicio de procedimento a AFRFB, porquanto ao realizar o arbitramento do lucro da Impugnante não solicitou autorização para a autoridade superior da DRF de jurisdição do contribuinte, à qual está lotada. A AFRFB agiu sem competência para tanto. Seu labor ocorreu sem a devida autorização da autoridade competente, ato que o legitimaria a proceder ao arbitramento do lucro. Desta forma, também incorreu na nulidade prevista no Decreto n 70.235/72, desta vez alcançando todo o Auto de Infração, o que desde já requer seja declarado. No recurso a interessada renova a preliminar, e suscita nulidade da decisão por não ter enfrentado a preliminar sob o prisma do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, alegando que a situação se enquadra na ressalva prevista no dispositivo “salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Diz ser este exatamente o caso, pois a nulidade apontada influencia diretamente na solução do litígio, pois a ilegalidade do procedimento fiscalizatório faz caírem por terra os autos de infração. Inicialmente, destaco o equívoco da Recorrente na interpretação do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Ao dispor sobre nulidades, reza o diploma legal do PAF: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A ressalva contida no art. 60 (“salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”) não enuncia, como sugere a Recorrente, que as “irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior”, quando Fl. 780DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 10 9 influírem na solução do litígio, importarão em nulidade. A ressalva se dirige ao saneamento das irregularidades. A mensagem do artigo é que irregularidades incorreções e omissões que não se enquadrem no artigo 59 não causam nulidade, e não precisarão ser sanadas se: (i) não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo; (ii) não influírem na solução do litígio; ou (iii) ainda que causem prejuízo ao sujeito passivo, este lhes tiver dado causa. Equivocase o contribuinte quando afirma que a auditora fiscal agiu sem competência porque “seu labor ocorreu sem a devida autorização da autoridade competente, ato que o legitimaria a proceder ao arbitramento do lucro. O auditor fiscal em exercício de mandado de procedimento fiscal, ao constatar fato jurídico tributário, tem o dever de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, de proceder ao lançamento obedecendo exclusivamente ao que determina a lei. Nenhuma autoridade administrativa, de qualquer grau hierárquico, detém competência para autorizar ou não que o fiscal pratique o lançamento na forma prevista na lei (o lançamento é ato vinculado e obrigatório). Constatada omissão de receita, a autoridade fiscal está obrigada a formalizar o lançamento de acordo com a lei. E a lei determina que o lucro será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal (RIR/99, art. 530, III). Portanto, não prospera a preliminar de nulidade do procedimento. Também não incorreu em nulidade a decisão, pois, além de assentar que não se evidencia nos autos a ocorrência de quaisquer das hipóteses do art. 59 do Dec. 70.235/72, apreciou devida e expressamente a arguição, como a seguir: 52. Pugna a requerente que ao realizar o arbitramento do lucro o AFRFB não solicitou autorização à autoridade superior da DRF de jurisdição da contribuinte, à qual está lotada, sendo cabível a nulidade do AI. 53. Neste quesito esclareçase que não há qualquer norma que preconize que o autuante deve, em caráter prévio, solicitar autorização de qualquer autoridade superior para proceder o arbitramento do lucro. Alega ainda a Recorrente que o fisco se baseia em informações oriundas dos números de arrecadação da CPMF, tributo que incide sobre a movimentação financeira, mas que a análise da movimentação financeira não consiste em meio idôneo para verificação de fato gerador do imposto de renda. Diz que os lançamentos foram motivados pela disparidade entre a movimentação financeira com os valores declarados e os pagamentos efetuados, mas não havendo corelação entre a movimentação financeira e as declarações/pagamentos, o motivo se revela vazio, deixando de estar presente o requisito de validade representado pela motivação. Os dados relativos à CPMF, que deixam vislumbrar a grandeza da movimentação financeira, em confronto com as declarações/pagamentos efetuados, consistiu apenas indício de omissão de oferecimento de receitas à tributação, mas não motivou os lançamentos. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 11 10 Muitos são os parâmetros de que a fiscalização pode se utilizar para deflagrar uma investigação (noticiário de imprensa, dados obtidos junto a fornecedores ou clientes, sinais exteriores de riqueza, etc.). A disparidade entre a movimentação financeira revelada pela arrecadação da CPMF e a receita declarada constitui forte indício de omissão de receita, que deflagra uma fiscalização. Os lançamentos não incidiram sobre a movimentação financeira (fato gerador apenas da CPMF), mas sim, sobre as receitas omitidas, apuradas pela fiscalização a partir dos créditos em contas correntes de titularidade da Recorrente, cuja origem não foi comprovada. A jurisprudência (administrativa e judicial) e a Súmula 182 do TFR, invocadas pela Recorrente, são inaplicáveis, pois tratam de fatos ocorridos antes da edição da Lei nº 9.430/96, cujo artigo 42 instituiu a presunção legal relativa de omissão de receita para os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa nova norma, ocorrendo a hipótese nela prevista (não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados para créditos em conta de depósito ou de investimento de titularidade do contribuinte), a lei tem como indiretamente comprovada a omissão de receita, que autoriza o lançamento de todos os tributos em cuja base de cálculo influencie (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). O contribuinte só tem uma forma de elidir a presunção legal: mediante a apresentação da prova documental de que os valores creditados ou não têm origem em receita (mútuos, titularidade de terceiros, etc.) ou, se oriundos de receita, sejam não tributáveis ou já tenham sido tributados. Não procede também a alegação de duplicidade de lançamento sobre um mesmo fato imponível, por terem composto a base de cálculo do arbitramento as receitas já oferecidas à tributação. O procedimento da autoridade fiscal foi rigorosamente dentro do que prescreve a lei. A contribuinte havia apresentado suas declarações pelo lucro presumido, apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8,00% sobre as receitas de vendas de mercadorias. Uma vez que a não foram apresentados os livros e documentos da escrituração, a tributação pelo lucro presumido restou inválida. A autoridade fiscal, então, apurou os tributos devidos (IRPJ e CSLL) pelo critério determinado pela lei (lucro arbitrado), determinando a base de cálculo mediante aplicação do coeficiente de arbitramento (9,6%) sobre o montante total das receitas (declaradas + omitidas) e sobre essa base fazendo incidir a alíquota aplicável (e adicional, no caso do IRPJ). Do valor do tributo devido assim apurado, deduziu os valores declarados em DCTF apurados sobre o lucro presumido, disso fazendo menção expressa no “Demonstrativo de Apuração” integrante dos autos de infração. Finalmente, a alegação de que o coeficiente de arbitramento, por resultar do agravamento do coeficiente de presunção, fere o conceito de tributo, por representar punição, não pode ser objeto de apreciação nesta instância administrativa. Tratandose de disposição legal em vigor, não podendo deixar de ser aplicado. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.004436/201086 Acórdão n.º 1301001.457 S1C3T1 Fl. 12 11 Pelas razões expostas, rejeito as preliminares suscitadas, para no mérito NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13830.000805/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 08 05 /2 00 6- 26 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Ribeirão PretoSP, que julgou procedente o auto de infração de fls. 07/18, cientificado à contribuinte em 03/04/2006 (fl. 284), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBREPRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional ( CTN). LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CABIMENTO. LIMITES. Decorre do artigo 63 da Lei 9.430/1996, de forma clara e unívoca, que se encontrando a matéria sub judice é cabível, mesmo porque obrigatória, a constituição do crédito tributário, por meio de lançamento de ofício e sem a incidência de multa punitiva, para prevenir os efeitos da decadência, sob a única condição de que deverá permanecer suspensa a exigibilidade do crédito enquanto viger os efeitos da medida judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta dos autos que estabelecimento filial (CNPJ nº 61.149.589/010222) deixou de recolher o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI , por ter utilizado indevidamente o crédito presumido do IPI recebi do em transferência da matriz (CNPJ nº Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000805/200626 Acórdão n.º 3301001.729 S3C3T1 Fl. 383 3 61.149.589/000189), nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2000 a 2003. De acordo com os Termos de Verificação Fiscal que são parte integrante dos Autos de Infração lavrados, constata se que o estabelecimento matriz não faz jus ao crédito presumido do IPI, pelas razões abaixo expostas: a) A norma concedente do beneficio fiscal não tipificou em seu corpo a situação fática praticada pela empresa, ou seja, a empresa não produz a mercadoria que exporta e também não é comercial exportadora, logo não está abrangida pelo favor fiscal; b) A interpretação extensiva da norma tributária, concedente do beneficio fiscal, é vedada pelo Código Tributário Nacional, impedindo que o contribuinte se enquadre como uma empresa Comercial Exportadora. Em decorrência das glosas efetuadas, e a partir da escrituração do Livro de Registro do IPI apresentado pelo contribuinte, elaboramos o Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, onde ficam demonstrados os saldos da escrita reconstituídos por período de apuração; Neste Auto de Infração estão sendo lançados os períodos de apuração do 3° Decêndio de Abril /2003 (parcial ), 1° Decêndio de Maio/2003 (parcial), e do 2° Decêndio de Maio/2003 ao 3° Decêndio de Dezembro/2003, COM SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, em conformidade com o art. 151 do CTN, pois o contribuinte entrou com Ação Medida Cautelar n°2005.03.00.0727229, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que teve como origem o M andado de Segurança n°2003.61.00.0077588, e obteve liminar (Certidão de Objeto e Pé anexa) contra a cobrança do IPI incidente sobre o açúcar da Safra de 2003/2004, conforme cópias das principais peças, anexas a este, todas apresentadas pelo contribuinte. Consequentemente, em relação ao mérito, a decisão recorrida entendeu que a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar) , apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial, para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Cientificada em 01/03/2012 (AR – fl. 358) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 360 e seguintes, em 30/03/2012, aduzindo, em síntese, que as vendas efetuadas pela cooperativa são vendas dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a certidão de inteiro teor, de objeto e pé do Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0077588, a Recorrente obteve a Medida Cautelar n°2005.03.00.0727229, junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que teve como origem o M andado de Segurança n°2003.61.00.0077588, contra a cobrança do IPI incidente sobre o açúcar da Safra de 2003/2004, conforme cópias das principais peças, anexas a este, todas apresentadas pelo contribuinte. Logo, não há concomitância entre as vias administrativa e judicial, porquanto os objetos são distintos, visto que, no presente processo o que se discute é a possibilidade do crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, ser apurado e requerido pela cooperativa e não pelo produtor exportador. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000805/200626 Acórdão n.º 3301001.729 S3C3T1 Fl. 384 5 Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador. Igualmente não há nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os Fl. 398DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000805/200626 Acórdão n.º 3301001.729 S3C3T1 Fl. 385 7 quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000805/200626 Acórdão n.º 3301001.729 S3C3T1 Fl. 386 9 (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 402DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000805/200626 Acórdão n.º 3301001.729 S3C3T1 Fl. 387 11 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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