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Numero do processo: 23034.041728/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. (Súmula CARF 196)
Numero da decisão: 2301-011.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos formalizados em face do Acórdão nº 2301-010.631, de 10/07/2023, com efeitos infringentes, para, sanando as omissões apontadas pelo embargante, (i) constar, tanto de sua ementa quanto na parte dispositiva, o não conhecimento do recurso de ofício e (ii) reduzir a multa de mora, nos termos da Súmula CARF nº 196, limitando-a 20%. Sala de Sessões, em 3 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Rodrigo Rigo Pinheiro e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY

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CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. (Súmula CARF 196) Fl. 5623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos formalizados em face do Acórdão nº 2301-010.631, de 10/07/2023, com efeitos infringentes, para, sanando as omissões apontadas pelo embargante, (i) constar, tanto de sua ementa quanto na parte dispositiva, o não conhecimento do recurso de ofício e (ii) reduzir a multa de mora, nos termos da Súmula CARF nº 196, limitando-a 20%. Sala de Sessões, em 3 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Rodrigo Rigo Pinheiro e Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do acórdão n° 2301-010.631, de 10/07/2023 (e-fls. 5.500 a 5.510), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, e assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2006 CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista que o relato dos fatos constante dos relatórios anexos ao lançamento, tem-se que a recorrente teve a correta ciência dos seus motivos de fato e de direito e, portanto, inexiste o cerceamento de direito de defesa alegado. DEDUÇÃO DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO. CONDIÇÕES. O artigo 10 do Decreto 3.142/1999 prevê a participação facultativa das empresas obrigadas ao recolhimento do salário-educação no programa “Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental”, programa esse que permite a dedução dos Fl. 5624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 3 valores comprovadamente despendidos na manutenção de ensino nas modalidades de aquisição de vagas, escola própria e indenização de dependentes. Nessa hipótese, as deduções previstas nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, estão condicionadas ao credenciamento da empresa nas referidas modalidades e à elaboração dos formulários RAC ou CA, e RAI, entre outras exigências. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e negar provimento ao recurso. Pela clareza e síntese dos fatos, transcrevo o seguinte excerto do “Despacho de Admissibilidade de Embargos”: Da tempestividade A contribuinte teve ciência do acórdão em 28/08/2023 (e-fl. 5.514), apresentando, tempestivamente, em 30/08/2023 (e-fl. 5.516), os embargos de declaração de e-fls. 5.518 a 5.613. Dos embargos de declaração Os embargos de declaração foram apresentados com fundamento no art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, no qual a contribuinte alega: a) omissões contidas na ementa e na parte dispositiva do acórdão embargado com relação ao julgamento do recurso de ofício; e b) omissão quanto à limitação da multa de mora ao percentual de 20%. (...) Dos vícios alegados a) Das omissões contidas na ementa e na parte dispositiva do acórdão embargado com relação ao julgamento do recurso de ofício. Sobre a questão, argumenta a embargante conforme abaixo: 3.1. Como visto no item 2.1 acima, o julgamento ocorrido no dia 10.07.2023 foi tanto do RO quanto do RV interpostos no processo em epígrafe. 3.2 Tanto é assim que, no decorrer do voto do ACÓRDÃO EMBARGADO, proferido pelo Ilustre Conselheiro relator MAURÍCIO DALRI TIMM DO VALLE, restou expressamente consignado que o RO não foi conhecido por força do novo valor de alçada do referido recurso, combinado com o disposto na Súmula CARF n° 103. Confira-se o respectivo trecho do voto do ACÓRDÃO EMBARGADO, cujo entendimento foi corroborado pela unanimidade dos Conselheiros que compõem a Turma julgadora: Conhecimento Fl. 5625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 4 (...) Sobre o recurso de ofício, é imprescindível a observância do que prescreve a Súmula CARF n° 103: (...) "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Considerando que o limite de alçada atual é de R$ 15.000.000,00, bem como que o valor exonerado pela decisão recorrida foi inferior a esse montante, deixo de conhecer do recurso de ofício. 3.3. Não obstante, a ementa e a parte dispositiva do ACÓRDÃO EMBARGADO apenas fizeram menção ao julgamento do RV, não tendo feito quaisquer referências ao julgamento do RO. Para evitar duplicidade, a EMBARGANTE se reporta à transcrição feita no item 2.2, acima, que evidencia tais omissões. 3.4. Possivelmente em razão dessas omissões, o processo em epígrafe sequer foi remetido à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para ciência do ACÓRDÃO EMBARGADO, notadamente da parte que não conheceu do RO, por unanimidade de votos. 3.5. Como se sabe, a ementa e a parte dispositiva dos Acórdãos devem conter um resumo das suas conclusões/razões de decidir. Quando isso não ocorre, cabem embargos de declaração para sanar essa omissão, conforme decidido no Acórdão n° 2401-005.535, de 05.06.2018, de que foi relatora a Conselheira ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO: [...] 3.7. Dessa forma, devem ser sanadas as omissões na ementa e na parte dispositiva do ACÓRDÃO EMBARGADO, com a posterior intimação da PGFN, para que delas passem a constar que o julgamento ocorrido em 10.07.2023 também foi do RO e que a decisão da Turma julgadora foi, por unanimidade de votos, pelo não conhecimento do referido recurso. (grifos da embargante) Entende-se assistir razão à embargante. Verifica-se que, de fato, tanto a conclusão do voto quanto à parte dispositiva do acórdão embargado não fazem referência ao não conhecimento do recurso de ofício. Sendo assim, tem-se por evidenciado o vício alegado, devendo, pois, ser apreciado e sanado pela Turma Julgadora. b) Da omissão quanto à limitação da multa de mora ao percentual de 20%. A embargante alega que o acórdão restou omisso quanto à aplicação retroativa da penalidade mais benéfica à embargante, ressalvando que tal matéria foi apresentada em sede de memoriais anteriormente ao julgamento do recurso Fl. 5626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 5 voluntário e em sustentação oral no julgamento por videoconferência do presente processo. Argumenta que: 4.1. Conforme se verifica no "Quadro de Atualização de Débito" que acompanha a NRD, as diferenças de contribuição ao FNDE foram exigidas da EMBARGANTE com acréscimos de juros e de multa de mora, obedecidos os mesmos critérios aplicáveis às contribuições previdenciárias. [...] 4.6. Na seção 6 do memorial transmitido eletronicamente aos Ilustres Conselheiros desta E. Turma julgadora, em 05.07.2023 (DOC. 01), bem como na sustentação oral feita pelo patrono da causa no julgamento por videoconferência do presente processo ocorrido em 10.07.20231, a EMBARGANTE arguiu, subsidiariamente, que, caso as diferenças de contribuição ao FNDE não fossem inteiramente canceladas, o que se admitiu somente para argumentar, a multa de mora exigida pela NRD ficasse limitada ao percentual de 20%, em face da aplicação retroativa da Lei n° 11.941/09. 4.7. Naquelas ocasiões, a EMBARGANTE também demonstrou que a aplicação dessa retroatividade benigna, nos termos acima, é corroborada pela PGFN (Parecer SEI n° 11.315/220/ME e na Nota SEI n° 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME) e pela jurisprudência de diversas Turmas do CARF (Acórdãos nºs 2202-009.096, de 02.12.2021, e 9202-010.017, de 26.10.2021) e do STJ (REsp n° 1.585.929/SP, de 19.04.2016, e REsp 1.216.186/RS, de 03.12.2013). 4.8. Não obstante, o ACÓRDÃO EMBARGADO se omitiu sobre esse ponto, devendo tal vício ser sanado. 4.9. A análise do critério e da limitação da multa de mora em razão da aplicação retroativa de norma que culmina penalidade mais benéfica ao contribuinte também se justifica porque se trata de matéria de ordem pública, sobre a qual esta E. Turma julgadora pode e deve se pronunciar, de ofício. 4.10. Nesse sentido, cite-se o entendimento adotado no Acórdão n° 2202- 009.184, de 14.09.2022, de que foi relatora a Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira: [...] 4.11. Outro ponto importante que merece ser destacado é que, recentemente, em face do exposto no item 4.7 acima, foi revogada a súmula CARF n° 119, que estabelecia critério de comparação diferente para os lançamentos de ofício de contribuições previdenciárias. Fl. 5627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 6 4.12. Esse mesmo critério de comparação (já ultrapassado) previsto na súmula CARF n° 119 também era previsto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04.12.2009 (vigente à época da interposição do recurso voluntário), que dispôs sobre "a aplicação do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, nos casos em que especifica". 4.13. Apesar dos critérios de comparação previstos na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009 terem sido ultrapassados (item 4.7, acima), o art. 2°, § 3°, inciso II da referida Portaria sempre deixou claro que a matéria é de ordem pública, na medida em que previu a possibilidade de ela ser reconhecida "de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação". 4.14. Assim, por ter sido arguido pela EMBARGANTE no seu memorial e na sustentação oral, e por se tratar de matéria de ordem pública, esta E. Turma do CARF deve se pronunciar sobre a aplicação retroativa da penalidade mais benéfica à EMBARGANTE, para, com efeitos infringentes, determinar que a multa de mora exigida pela NRD sobre a parcela do crédito tributário mantida pelo ACÓRDÃO EMBARGADO fique limitada ao percentual de 20% (vinte por cento). Da leitura do inteiro teor do acórdão, verifica-se que assiste razão à embargante, uma vez que sobre referida matéria nada disse o acórdão embargado, sequer sobre seu conhecimento. Assim, resta verificada a omissão alegada. Por fim, salienta-se que o presente despacho perfaz uma análise apenas quanto ao preenchimento dos requisitos para a admissibilidade dos embargos de declaração, não quanto à análise de mérito da matéria em discussão. Conclusão Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, dou seguimento aos embargos de declaração opostos pela contribuinte. Depreende-se que os Embargos de Declaração foram opostos e acolhidos para a correção da omissão referente ao recurso de ofício e à aplicação da multa de mora mais benéfica, de 20%. É o relatório. VOTO Conselheiro Diogo Cristian Denny – Relator Fl. 5628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 7 Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF, nos termos do artigo 115 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 21 de dezembro de 2023, são cabíveis os seguintes recursos: Art. 115. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I - Embargos de Declaração; e II - Recurso Especial. Parágrafo único. Das decisões do CARF não cabe pedido de reconsideração. No que diz respeito aos embargos de declaração e inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, assim dispõem os artigos 116 e 117 do referido RICARF: Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao Presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da data da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de determinação de retorno dos autos à 1ª instância, por decisão de colegiado do CARF; V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou VI - pelo Presidente da Turma encarregada do cumprimento de acórdão de recurso especial. (...) Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. (...) No caso dos autos, os embargos foram admitidos, em primeiro lugar, por conta da omissão referente à ausência de manifestação, na ementa do acórdão e na parte dispositiva, sobre o recurso de ofício. O voto, sobre o conhecimento do recurso de ofício, assim se manifestou: Sobre o recurso de ofício, é imprescindível a observância do que prescreve a Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103: “Para fins de conhecimento de recurso Fl. 5629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 8 de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. Considerando que o limite de alçada atual é de R$ 15.000.000,00, bem como que o valor exonerado pela decisão recorrida foi inferior a esse montante, deixo de conhecer do recurso de ofício. Assim, deve constar da ementa: RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. E, na parte dispositiva, deve constar expressamente que o recurso de ofício não foi conhecido. Os embargos também foram interpostos para provocar o colegiado a se manifestar sobre a aplicação da multa de mora mais benigna ao crédito tributário lançado. Em relação à aplicação da retroatividade benigna da multa, extraio entendimento exposto no Acórdão nº 2401-010.804, sessão de 02/02/2023, de relatoria da Conselheira Miriam Denise Xavier, que adoto como razões de decidir: A fiscalização, aplicando o entendimento exarado na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, efetuou o comparativo das multas, aplicando a mais benéfica, para cada competência. Assim, para algumas competências foi aplicada a multa de mora de 24% e para outras a multa de ofício de 75%. Porém, como se verá no próximo tópico, a multa aplicada deverá ser corrigida para 20%. RETROATIVIDADE BENIGNA – RECÁLCULO DA MULTA Deve-se ponderar a aplicação da legislação mais benéfica advinda da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. O Parecer SEI N° 11315/2020/ME, ao se manifestar acerca de contestações à Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, foi aprovado para fins do art. 19-A, caput e inciso III, da Lei 10.522/2002, pelo Despacho nº 328/PGFN-ME, de 5 de novembro de 2020, estando a Receita Federal vinculada ao entendimento de haver retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35- A, da Lei nº 8.212, de 1991. Sendo assim, para os autos de infração com lançamento de obrigação principal, a multa aplicada deve ser corrigida para 20%. Quanto aos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória relacionados à omissão de fatos geradores em GFIP, a Súmula CARF n° 119 foi cancelada justamente pela prevalência da interpretação dada pela jurisprudência Fl. 5630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 9 pacífica do Supremo Tribunal de Justiça de incidência do art. 35-A da Lei 8.212/1991, apenas em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP n° 449, de 2009. Por conseguinte, ao se adotar a interpretação de que, por força da retroatividade benigna do art. 35 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, a multa de mora pelo descumprimento da obrigação principal deve se limitar a 20%, impõe-se o reconhecimento de a multa do § 6°, inciso IV, do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à dada pela MP n° 449, de 2008, deve ser comparada com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, para fins de aplicação da norma mais benéfica. Este entendimento foi exarado pela CSRF no Acórdão 9202-009.753, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 28/02/2006 PRESSUPOSTOS RECURSAIS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO IDENTIFICADA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO Considerando a ausência de abordagem, no acórdão paradigma, quanto à matéria objeto da controvérsia sobre a qual se pretende o reexame, resta inviável a identificação da divergência jurisprudencial suscitada, razão pela qual o recurso não pode ser conhecido. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. No presente caso, a fiscalização apurou multa por omissão de fatos geradores em GFIP nos processos 10830.004431/2010-14 (CFL 68) e 10830.004432/2010-51 (CFL 78), conforme a competência. A multa aplicada deverá ser avaliada em ambos os processos, por competência, efetuando-se o comparativo da multa do § 6°, inciso IV, do art. 32 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação anterior à dada pela MP n° 449, de 2008, com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, para fins de aplicação da norma mais benéfica. Observo que esse tema fora recentemente sumulado: Súmula CARF 196: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, Fl. 5631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 10 sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos formalizados em face do Acórdão nº 2301-010.631, de 10/07/2023, com efeitos infringentes, para, sanando as omissões apontadas pelo embargante, (i) constar, tanto de sua ementa quanto na parte dispositiva, o não conhecimento do recurso de ofício; e para (ii) reduzir a multa de mora, nos termos da Súmula CARF nº 196, limitando-a 20%. Assim, a redação da ementa e da parte dispositiva deve ser assim retificada: Ementa RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA No caso de multas por descumprimento de obrigação principal, bem como de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, a retroatividade benigna deve ser aferida da seguinte forma: (i) em relação à obrigação principal, os valores lançados sob amparo da antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deverão ser comparados com o que seria devido nos termos da nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Medida Provisória nº 449/2008, sendo a multa limitada a 20%; e (ii) em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória, os valores lançados nos termos do art. 32, IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212/1991, de forma isolada ou não, deverão ser comparados com o que seria devido nos termos do que dispõe o art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/1991 (Súmula CARF nº 196). Parte dispositiva Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, afastar as preliminares e dar-lhe parcial provimento para determinar o recálculo da multa, aplicando-se a retroatividade benigna, comparando-se a multa do § 6°, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, na redação anterior à dada pela MP n° 449, de 2008, com a multa do art. 32-A da mesma lei. Fl. 5632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.512 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 23034.041728/2006-01 11 Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny Fl. 5633DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13875.720035/2013-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Honorários advocatícios e despesas judiciais pagos podem ser deduzidos dos valores recebidos em ações judiciais, desde que comprovado nos autos OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA APLICADA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando verificada a omissão de rendimentos, a autoridade lançadora deve lançar, além do tributo omitido, multa de ofício, sob pena de prevaricação.
Numero da decisão: 2002-008.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Henrique Perlatto Moura (relator), André Barros de Moura e Carlos Eduardo Ávila Cabral, que lhe deram provimento parcial para reconhecer o direito da Recorrente à dedutibilidade das despesas com advogados no importe de R$ 24.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, na parte em que ficou vencido o relator. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente e Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA

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MULTA APLICADA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando verificada a omissão de rendimentos, a autoridade lançadora deve lançar, além do tributo omitido, multa de ofício, sob pena de prevaricação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Henrique Perlatto Moura (relator), André Barros de Moura e Carlos Eduardo Ávila Cabral, que lhe deram provimento parcial para reconhecer o direito da Recorrente à dedutibilidade das despesas com advogados no importe de R$ 24.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, na parte em que ficou vencido o relator. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente e Redator Designado Fl. 73DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.975 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13875.720035/2013-44 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada para exigir da Recorrente Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por rendimentos omitidos no Ano-Calendário 2007 da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (fls. 24-25). A Recorrente opôs impugnação informa que recebeu o rendimento omitido, embora tenha arcado com honorários advocatícios para a condução de procedimento administrativo e não foram declarados por um erro de preenchimento de pessoas alheias, além de alegar que a multa foi aplicada em patamar exorbitante (fl. 2-3). Sobreveio o acórdão nº 16-67.145, proferido pela 15ª Turma da DRJ/SPO (fls. 36- 43), que entendeu pela improcedência da impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 ISENÇÃO. CONTRIBUINTE MENOR DE 65 ANOS O limite de isenção do imposto de renda para rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão abrange apenas o contribuinte maior de 65 anos relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário dos rendimentos recebidos. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE O contribuinte, na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária principal. O Contribuinte deve suportar as conseqüências da má escolha do terceiro ou da má execução dos serviços delegados. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Apenas são dedutíveis os honorários advocatícios quando se tratar de despesa necessária à percepção dos rendimentos recebidos por força de decisão judicial. Fl. 74DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.975 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13875.720035/2013-44 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, é feita pelo regime de caixa, aplicando-se as tabelas e alíquotas vigentes no ano-calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. DIFICULDADES FINANCEIRAS Tendo auferido rendimentos tributáveis, o imposto deve ser pago, independentemente da situação financeira do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 13/04/2015 (fl. 48), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 26/04/2015 (fl. 52-54) em que reitera os argumentos trazidos na inicial e alega que a multa aplicada ofende a dignidade de pessoa idosa, o que viola o Estatuto do Idoso. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. A lide versa sobre a possibilidade de dedução de honorários advocatícios arcados pela Recorrente em processo administrativo junto ao INSS e sobre a abusividade da multa aplicada. No tocante à dedutibilidade dos honorários advocatícios, entendo que assiste razão à Recorrente. Isso, pois não há distinção entre o trabalho do advogado em âmbito judicial e administrativo que justifique a impossibilidade da dedução de despesa arcada para a aferição do rendimento. Além disso, veja-se que a redação do artigo 12, da Lei nº 7.713, de 1988, deixa margem à interpretação de que toda despesa com advogado referente ao recebimento do crédito seria dedutível: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do Fl. 75DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.975 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13875.720035/2013-44 4 valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Isso, pois não há uma vinculação expressa entre a expressão “ação judicial” e advogados, mas sim entre “diminuídos do valor das despesas” e “inclusive de advogados”. Assim, entendo que a legislação não vedou a possibilidade de dedução de honorários advocatícios arcados pela Recorrente para o recebimento dos valores, mas sim a condicionou ao pagamento pelo contribuinte, sem indenização. A interpretação restritiva adotada pela fiscalização do dispositivo em questão não coaduna com a disposição trazida no artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN) no sentido de que a interpretação deve ser literal, ou seja, se ater ao que está escrito na norma jurídica interpretada. Uma vez que as despesas com advogados foram incluídas na categoria de despesas dedutíveis em conjunto com aquelas de ação judicial, entendo que não há a restrição invocada pela DRJ para negar o direito à dedução da despesa comprovadamente arcada pela parte. Inclusive, apenas para elucidar o absurdo da interpretação restritiva realizada, a distinção estimularia a adoção de medidas judiciais mesmo em hipóteses em que a situação pudesse ser resolvida administrativamente, majorando a litigiosidade e aumentando custos que seriam arcados pela sociedade, como seria o caso de honorários advocatícios sucumbenciais que seriam devidos em desfavor do INSS, apenas para que fosse dedutível a despesa incorrida para a geração do rendimento omitido. Assim, tem-se que: (i) o artigo 12, da Lei nº 7.713, de 1988, apesar de possuir uma redação confusa, não vincula expressamente a despesa de advogado à ação judicial; (ii) o artigo 111, inciso II, do CTN, determina que a interpretação da legislação deve ser literal; (iii) ante a inexistência de vinculação expressa entre a despesa de advogado e ação judicial, deve ser reconhecido o direito à dedução. Cumpre registrar que essa matéria já foi assim decidida pelo CARF, embora com argumentação diversa da ora sustentada, como se verifica do acórdão nº 2301-004.685, abaixo ementado: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A dedução de despesas com advogado que atuou na esfera administrativa é cabível tanto quanto na esfera judicial, desde que devidamente comprovada a despesa por meio de recibo ou contrato. No caso concreto, não havendo indícios de inidoneidade do recibo apresentado, deve ser considerado apto e hábil a comprovar o dispêndio a título de honorários advocatícios. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO. Fl. 76DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.975 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13875.720035/2013-44 5 O julgamento do recurso voluntário deve ficar adstrito à infração capitulada no Auto de Infração, não sendo cabível o julgador apreciar matéria estranha ao lançamento. (Acórdão nº 2301-004.685, proferido pela 3º Câmara da 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção na sessão de 11/05/2016, relatoria de Alice Grecchi) Desta forma, ainda que a própria Recorrente pudesse conduzir o processo junto ao INSS, uma vez que foi comprovada a contratação de profissional habilitado, que possui registro junto ao Conselho Nacional da Advocacia (CNA), é imperioso que o lançamento considere o valor dos honorários arcados no importe de R$ 24.000,00, comprovado por recibo do profissional, valor que se revela compatível com trabalho conduzido. Sobre a abusividade das multas, entendo que a súplica da Recorrente não traz nenhum elemento que seja capaz de infirmar a penalidade aplicada. A multa de ofício é aplicada por força legal quando se apuram rendimentos omitidos, ponto que não é rebatido pela Recorrente. As alegações de hipossuficiência de pessoa idosa e sobre uma suposta corrupção do CARF não podem servir de baliza para que sejam afastadas as penalidades legais e, neste particular, entendo que a DRJ tratou muito bem da questão, razão pela qual declaro a concordância com os fundamentos da decisão recorrida, conforme autorizado pelo artigo 114, § 12, inciso I, da Portaria MF nº 1.634, de 2023. Por fim, cumpre mencionar que desde a origem foi alegado que os valores recebidos se referem a rendimentos acumulados e a DRJ chegou a enfrentar essa matéria de ofício e negou o pleito da Recorrente, embora não tenha sido uma matéria expressamente trazida pela defesa e tampouco no Recurso Voluntário. Pelas alegações trazidas, é provável que a aplicação do regime de competência leve ao cancelamento senão da integralidade, de grande parte do auto de infração e, consequentemente, também das multas aplicadas, tendo em vista que o valor do benefício auferido mensalmente, que seria de R$ 1.374,00. Por não ter sido uma matéria expressamente sustentada pela Recorrente e por não ter sido comprovado de forma inequívoca acerca de quais competências se referem os rendimentos acumuladamente recebidos, entendo não ser possível a reforma deste ponto do acórdão recorrido. Não obstante, ressalto que a Recorrente poderá buscar a revisão de ofício do lançamento para que seja recalculado o valor devido junto à autoridade administrativa competente mediante apresentação de provas de que se trata de rendimento recebido acumuladamente e informe o que foi recebido em cada competência, questão que poderá reduzir o crédito tributário devido e, consequentemente, também reduzirá o valor da penalidade aplicada. Fl. 77DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.975 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13875.720035/2013-44 6 Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer o direito da Recorrente à dedutibilidade das despesas com advogados no importe de R$ 24.000,00. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura VOTO VENCEDOR Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, redator designado A lide versa sobre a possibilidade de dedução de honorários advocatícios arcados pela Recorrente em processo administrativo junto ao INSS e sobre a abusividade da multa aplicada. Primeiramente, esclareço que meu voto diverge do ilustre relator apenas no diz respeito à dedutibilidade de honorários advocatícios arcados pela Recorrente em processo administrativo junto ao INSS, conforme passo a expor. A Lei Nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e o § único do art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, expressamente, prevê que a possibilidade de dedução está limitada às despesas com a ação judicial, nas quais se incluem os pagamentos a advogados. Vide: Lei Nº 7.713, de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Regulamento do Imposto de RIR/99 (Decreto n º 3.000/1999) Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n º 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n º 7.713, de 1988, art. 12). (negritou-se) Nesse sentido, analisando-se os termos da legislação pátria, cumpre verificar que há a expressa possibilidade de dedução dos honorários advocatícios comprovadamente pagos para Fl. 78DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.975 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13875.720035/2013-44 7 patrocínio de ação judicial, uma vez que a expressão “inclusive com advogados” estaria vinculada as despesas com ação judicial, pois, no meu entender, essa seria a interpretação literal, do artigo 111, inciso II, do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sáteles Fl. 79DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 10320.003338/2007-39
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 NULIDADE - NÃO ENFRENTAMENTO MATÉRIA ARGUÍDA NA IMPUGNAÇÃO. As decisões, no rito do Decreto 70.235, devem enfrentar todas matérias articuladas em sede de impugnação.
Numero da decisão: 204-03.584
Decisão: ACORDAM os membros da quarta câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão recorrida, inclusive.
Nome do relator: JORGE LOCK FREIRE

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RReeccoorr rr iiddaa DRJ BELÉM/PA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 NULIDADE - NÃO ENFRENTAMENTO MATÉRIA ARGUÍDA NA IMPUGNAÇÃO. As decisões, no rito do Decreto 70.235, devem enfrentar todas matérias articuladas em sede de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão recorrida, inclusive. assinado digitalmente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente em exercício assinado digitalmente JORGE LOCK FREIE Relator ad hoc designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Junior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan. Relatório Fl. 878DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10320.003338/2007-39 Acórdão n.º 204-003.584 CC02/C04 Fls. 879 _________ 2 Trata-se de recurso voluntário contra decisão que julgou procedente o lançamento, com juros de mora, levado a efeito para prevenir a decadência, tendo em vista que o contribuinte ajuizou ação judicial com o fito de ver reconhecido seu direito a assegurar direito aos créditos de IPI, pretéritos e vincendos, gerados na aquisição de insumos com isenção ou não incidência daquele imposto, bem como compensar esses créditos. Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: Contra o sujeito passivo em—epígrafe apurou-se -o -crédito tributário na importância correspondente a R$ 7.596.166,76, relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e juros de mora, em razão do contribuinte ter se creditado de compras de insumos isentos, cujos créditos estão "sub-judice", conforme relatado na descrição dos fatos, cujo crédito encontra-se consubstanciado no Auto de Infração de fls. 03/11. Consoante consta da "Descrição dos fatos" o lançamento foi efetivado pelo fato de que "Em procedimento de fiscalização de IPI créditos básicos, ano calendário 2003, filial 09, foi constatado que o contribuinte se creditou da compra de insumos isentos, conforme demonstrado no Demonstrativo do Cálculo do Crédito de, IPI, apresentado pelo mesmo" e "Para justificar esse creditamento no Livro Registro de Apuração de IPI, argumentou estar sendo beneficiado por tutela antecipada em vigor, referente ao processo n° 1998.51.01.025453-6, originário da 17' Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro". Insurgiu-se a contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 335/343, que assim pode ser resumido: "Apesar de se tratar, reconhecidamente, de lançamento destinado a prevenir 'a decadência, o Auditor Fiscal acresceu aos pretensos créditos tributários a imposição de juros de mora"; "O auto de infração que ora se impugna deixou de observar que a Impugnante não se encontra em mora, tendo em vista que deixou de pagar certo tributo antes do vencimento, com amparo em medida judicial"; Se a mora é uma conseqüência da exigibilidade, logicamente não pode ela existir em relação a pretensões inexigíveis"; "Assim pelas razões acima expostas requer-se seja anulado o lançamento tributário no que toca aos juros e mora, desconstituindo-se, o pretenso crédito dele decorrente"; "No tocante ao mérito da autuação ora impugnada, cabe destacar que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, de forma pacifica e remansosa, reconhece o direito à apuração de crédito relativo ao IPI na hipótese de aquisição de insumos isento, questão essa que foi objeto de apreciação por ocasião do Julgamento do Recurso Extraordinário n° 212.484"; Fl. 879DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10320.003338/2007-39 Acórdão n.º 204-003.584 CC02/C04 Fls. 880 _________ 3 "Ficou, desse modo, firmado que o reconhecimento de um direito de crédito "ficto" na aquisição de insumos isentos é a única forma de neutralizar o efeito de recuperação, incompatível com a leitura abrangente do principio da não-cumulatividade"; "Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado a inconstitucionalidade da vedação da apuração créditos em relação a insumos adquiridos com isenção, resta clara a necessidade desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento anular o auto de infração ora impugnado também no que toca à obrigação principal" "A jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda há muito reconhece a possibilidade de afastar a aplicação de norma declarada inconstitucional j)elo Supremo Tribunal Federal, mesmo na hipótese de tal declaração ter ocorrido em seda de controle difuso de constitucionalidade"; "Desse modo, também no tocante ao mérito, requer seja anulado o auto de infração impugnado, nos termos do disposto pelo parágrafo único, ao art. 4º do Decreto n° 2.346/97, haja vista o Supremo Tribunal Federal ter declarado a inconstitucionalidade da vedação à apurado de créditos em n relação a insumos adquiridos 'com isenção". A guerreada decisão julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/Belém nº 01-10.491, de 26/02/2008 (fls. 763/775). Cientificado da decisão a quo, o contribuinte interpôs o presente Voluntário, no qual, em suma, repisa os argumentos da peça impugnatória. É o relatório. Voto Por intermédio do Despacho de folha 871, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, designou-me o presidente da atual Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF para formalizar a decisão não entregue à Secretaria pelo relator original, conselheiro Ali Zraik Jr., o qual não mais integra este Colegiado. Desta forma, a elaboração deste Acórdão reflete a posição adotada pelo relator original nos termos do que consta da Ata de Julgamento. Assim, o voto a seguir proferido, espelha o entendimento externado por ocasião do julgamento original, não tendo necessário vínculo com o entendimento deste redator designado sobre a matéria. Em suma, o contribuinte, na impugnação, alem de insurgir-se contra os juros de mora, pugnou em seu pedido (fl. 689) pela nulidade do auto de infração ante os termos do art. 4º do Decreto 2.346/97, uma vez que a matéria objeto da ação judicial já estaria pacificada pelo STF, consoante Acórdão no Recurso Extraordinário nº 212.484. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10320.003338/2007-39 Acórdão n.º 204-003.584 CC02/C04 Fls. 881 _________ 4 Contudo, analisando a r. decisão, percebe-se que a mesma não enfrentou o pedido de anulação do lançamento frente aos termos do Decreto 2.346/97, restringindo-se a asseverar que "a peça de defesa trouxe à esfera administrativa assunto alheio à discussão judicial". Assim, tendo em vista esta omissão da r. decisão, voto no sentido de anulá-la, para que outra seja prolata enfrentando o ponto. JORGE LOCK FREIRE Conselheiro designado ad hoc para redação do acórdão. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 24/06/ 2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO

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Numero do processo: 10283.005278/2007-82
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/2001 a .31/03/2001 IPI CRÉDITOS SOBRE INSUMOS ISENTOS. INAPLICABILIDADE, Incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a entradas em que não houve o pagamento do imposto, por qualquer que seja o motivo, inclusive a isenção, APLICAÇÃO IMEDIATA DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. REQUISITOS, O artigo 49 da Portaria MF n° 147/2007 não obriga os Conselheiros à imediata aplicação de decisões plenárias do STF, a qual somente deve ser feita quando convencido o Conselheiro da exata subsunção dos fatos à decisão a aplicar e da sua irreversibilidade. Recurso negado.
Numero da decisão: 204-03.531
Decisão: ACORDAM os membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan, Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Daniel Santiago.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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INAPLICABILIDADE, Incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a entradas em que não houve o pagamento do imposto, por qualquer que seja o motivo, inclusive a isenção, APLICAÇÃO IMEDIATA DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. REQUISITOS, O artigo 49 da Portaria MF n° 147/2007 não obriga os Conselheiros à imediata aplicação de decisões plenárias do STF, a qual somente deve ser feita quando convencido o Conselheiro da exata subsunção dos fatos à decisão a aplicar e da sua irreversibilidade. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ali Zraik Júnior, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan, Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Daniel Santiago. 14- do°4-HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente • \ v0- J 1 CESAR VES ' MOS R!ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta e Sílvia de Brito Oliveira. Relatório Em exame recurso do contribuinte contra decisão que indeferiu pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI acumulado no terceiro trimestre de 2003 no montante de R$ 209.749701,82. Este saldo credor decorreu de entradas ocorridas desde 1° de janeiro de 1999 e consubstanciou o processo administrativo de n° 10281005276/2003-77 tendo sido desmembrado em dezoito processos administrativos, um para cada trimestre, providência adotada pela DRF Manaus. Posteriormente, o pedido original foi substituído por Perdcomps que vincularam saldos credores trimestrais à compensação de débitos da empresa. Em petição entranhada nos autos às fis. 04 a 08, a empresa esclarece a origem dos créditos da seguinte forma: "A Requerente escriturou no livro de Registro de Apuração do IPI - Modelo 8, no 3 0 decêndio de Setembro de 2003, crédito relativo aos valores de IPI lançados nas declarações de importação de insumos adquiridos do mercado exterior, utilizados na produção da Requerente e aos valores que consubstanciam descontos de IPI nas Notas fiscais de aquisições de insumos no mercado interno, também utilizados na produção da Requerente." Embora tenha afirmado que nas declarações de importação houvera "valores de IPI lançados", esclarece em seguida, ainda na mesma petição, que as importações se deram com isenção do IPI visto o seu estabelecimento estar situado na Zona Franca de Manaus Defende o seu procedimento com base no entendimento firmado no Supremo Tribunal Federal de que a isenção dos insumos não impede a escrituração de créditos em obediência ao princípio constitucional da não-cumulatividade do imposto. Essa mesma petição esclarece ainda que também os produtos elaborados pela empresa saem do seu estabelecimento com isenção na forma deferida aos estabelecimentos situados naquela zona de incentivos fiscais que cumpram os requisitos de lei. Ainda assim entende que tem aplicação o comando emanado da Lei n° 9.779/99, que prevê a possibilidade de ressarcimento do saldo credor oriundo de insumos aplicados em produtos elaborados que o contribuinte não puder aproveitar em virtude, inclusive, de isenção concedida ao seu produto. Em suma, no pedido procura-se conjugar a faculdade deferida pela Lei n" 9.779/99 com a interpretação oriunda do STF de que há direito a crédito mesmo que os insumos não tenham sofiido a efetiva oneração pelo imposto em virtude de isenção. Vale enfatizar que a empresa não informa ser titular de ação específica em que tenha postulado a aplicação daquela interpretação do STF ao seu caso concreto, entendendo-a, ao que parece, aplicável a todos os contribuintes mesmo na ausência de Súmula daquela Casa ou da Resolução do Senado Federal de que cuidam, respectivamente, os artigos 52 e 103 da Constituição, 2 itNn Processo o" 0283005278/2007-82 CCO2/C04 Acórdão o 204-03,531 Eis 794 O pedido foi denegado. Em despacho exarado (fis, 642 a 653), o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF Manaus justificou sua denegação pela inexistência de qualquer direito creditório, uma vez que só há crédito de IPI quando nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem há IPI destacado na nota fiscal. Entendeu ainda que a alegação de que o art. 153 da Constituição albergaria tal crédito mesmo quando o insumo fosse isento implicaria a declaração de inconstitucionalidade de norma legal (embora não aponte com clareza qual), o que é vedado à instância administrativa. Esta também não pode estender o alcance de julgados, ainda que do STF, a contribuintes que não tenham integrado a lide específica em que a decisão foi formulada. Desse despacho a empresa recorreu tempestivamente à DRJ Belém aduzindo que: a) não existe lei impeditiva do aproveitamento do crédito nas aquisições de insumos isentos, motivo pelo que a decisão do STF simplesmente interpretou o princípio constitucional da não-cumulatividade e entendeu que a apropriação daqueles créditos não o contraria; b) esse entendimento não implica extensão do significado dos vocábulos "devido" e "cobrado" previstos na Constituição e no CTN, que significam "incidido"; c) nas aquisições isentas ocorre incidência de IPI; d) essa interpretação já se tornou pacífica tanto no âmbito judicial como no administrativo, neste último em função de decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais e de Parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional; e) sua aplicação a contribuintes que não tenham ingressado com ações específicas no Poder Judiciário é obrigatória por força das disposições do Decreto n° 2,346/97. Por esses motivos, o crédito seria legítimo. E segundo o contribuinte, também é legitimo seu ressarcimento com base nas disposições da Lei 9.779 porque ali não se exige, como disse o despacho, que os créditos advenham de insumos onerados pelo imposto. Apenas se exigiu que eles decorram da aquisição de insumos aplicados nos produtos fabricados e não possam ser aproveitados por dedução de IPI devido nas saídas acumulando-se como saldo credor no final do trimestre. Os créditos pretendidos pela empresa cumprem os dois requisitos, Como último tópico de sua manifestação de inconformidade, postulou a aplicação de juros selic sobre os créditos a partir da data de protocolo do pedido administrativo na forma de decisões proferidas por este Conselho. A DRJ ratificou, no entanto, a decisão proferida pela DRF inclusive nos seus fundamentos e negou a inclusão de juros selie por entendê-la aplicável apenas às restituições e não aos ressarcimentos, por falta de previsão legal. A empresa recorre tempestivamente dessa decisão, basicamente com os mesmos motivos de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. 3 - Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator A matéria principal em discussão — direito a crédito de IPI em aquisições de insumos isentos — já está amplamente pacificada nesta Câmara. O recurso ora em discussão apenas diverge dos "padrões" porque também o produto fabricado pelo requerente é isento. Desse modo, como bem apontado pelo i. relator que me antecedeu o deferimento do crédito em dinheiro ao contribuinte constituiria um verdadeiro subsídio e não mero ressarcimento, Isto porque a empresa nada pagou a título de IPI nas operações que praticou, nem sobre os insumos que adquiriu nem na saída de seu produto. Além disso, sendo os insumos adquiridos no mercado externo, sequer se pode aventar aqui a tese defendida por alguns de que se estaria ressarcindo FPI pago em alguma operação anterior, Pode-se estar "ressarcindo", quando muito, algum imposto pago pelo produtor do insumo no seu País de origem... De todo modo, concordo inteiramente com o raciocínio da empresa de que, em se aplicando o entendimento do STF acerca da viabilidade do creditamento, a norma legal — art, II da Lei 9,779/99 —, impõe o ressarcimento postulado. Para essa conclusão vale transcrever novamente o art., 11 já tantas vezes mencionado: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - 1P1, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9 430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Como se vê, obrigatório concordar com a afirmação da recorrente de que a Lei 9.779 nada mais exigiu senão que os insumos geradores dos créditos sejam aplicados nos produtos fabricados pelo contribuinte mas não possam ser efetiva e integralmente aproveitados, seja porque a alíquota dos produtos é inferior à dos insumos, seja porque aqueles são isentos ou de alíquota zero (não há na lei nenhuma referência a "imunes", apenas incluídos pela IN SRF 33/99), A segunda restrição ali mencionada é que somente é objeto de ressarcimento o saldo acumulado no final de cada trimestre-calendário. Assim, somente não se pode ressarcir "crédito" proveniente de não-insumo. Por exemplo, a estabelecimentos equiparados a industrial em virtude da mera comercialização de produtos. Ou créditos apurados antes do final do trimestre. De se notar que a lei não restringiu sequer o aproveitamento aos insumos fabricados no País. Portanto, não havendo contestação de que os produtos importados são mesmo insumos e foram aplicados no processo produtivo da empresa, certo ainda de que o pleito se refere ao saldo acumulado no final do trimestre, nenhum impedimento há na Lei ao seu ressarcimento. 4 Processo n" 10283 005278/2007-82 CCO2/C04 Acórdão n 204-03-531 F1s 795 O que se tem de examinar é se há direito a crédito. E é aí que divirjo da postulação. É que tenho entendimento inteiramente concorde com as argumentações aduzidas na decisão quanto ao princípio da não-cumulatividade e à aplicação a outros contribuinte das decisões emanadas do STF. Sobre ambos, já me pronunciei em outras ocasiões e repito aqui aquelas considerações. A tese de que tal creditamento é necessário, pois, em caso contrário, ter-se-ia mero diferimento do imposto e não se cumpriria o que prevê o princípio da não-cumulatividade foi inicialmente esboçada em relação aos produtos isentos. Posteriormente, o STF a estendeu aos produtos de alíquota zero e aos NT na TIPI. Data máxima vênia, mesmo em relação aos isentos não consigo chegar à mesma conclusão. Para elucidar este ponto cumpre ressaltar que, ao lado do princípio ora em discussão, o IPI é regido também pelo princípio constitucional da seletividade em função da essencialidade do produto. É por força deste último que as alíquotas aplicáveis a produtos diferentes são diferentes, e é também por sua aplicação que se concedem beneficios fiscais a alguns produtos isoladamente, que não se estendem aos demais, mesmo àqueles que os utilizem como insumos. De não ser assim, cairíamos no absurdo de que uma eventual redução de alíquota do fumo (hoje tributado sob alíquota específica, quando já submetido a beneficiamento) deveria atingir também o cigarro que o usa como insumo„.ou que um produto oriundo da Zona Franca de Manaus (ZFM) fosse usado como insumo na fabricação, em outra região do País, de armas e que essas armas de alguma forma se deveriam beneficiar daquela isenção... Assim, quando se isentam, por exemplo, produtos industrializados na ZFM, pretende-se reduzir o valor cobrado por estes produtos como produtos finais, permitindo que eles compitam com os produzidos em outras regiões do país. Essa redução se materializa no valor total da nota fiscal, que passa a não mais incluir qualquer parcela a título de IPI. Cumpre- se, assim, plenamente, o objetivo da legislação, que foi, repita-se, beneficiar os produtos da ZFM e não os com ele produzidos. Reforça o argumento a consciência de que o princípio da não-cumulatividade visa sim a impedir o chamado efeito cascata, caracterizado pela acumulação em etapas posteriores de imposto cobrado numa etapa anterior, Aqui, a expressão negritada é da própria Carta Magna (art, 153, § 3°., II). Quando um produto é beneficiado com isenção, o imposto não é cobrado, e, respeitadas todas as opiniões em contrário, não vejo como entender não cobrado como sinônimo de cobrado. Sinônimo de cobrado pode ser o usado pelo CTN, em seu artigo 49: pago. Ora, a simples leitura desses dispositivos leva à inexorável interpretação de que para existir crédito é preciso que tenha havido imposto exigido, cobrado, pago, na etapa anterior. Se o imposto cobrado, exigido, pago é zero, zero é também o crédito. E isto como dissemos acima em nada ofende o princípio da não-cumulatividade, desde que se parta do único raciocínio correto: o que se pretende com o princípio da não- cumulatividade é evitar a sobreposição de imposto sobre imposto; é garantir que apenas o montante devido (base de cálculo vezes alíquota, na sistemática ad valorem, mais comum de tributação) de cada produto seja, em qualquer hipótese, o valor efetivamente recolhido aos cofres públicos, Este valor pode estar concentrado em uma única etapa ou distribuído ao longo de todas as operações necessárias à produção daquele bem, não importa, \\ 5 Enfatizando este último ponto: sob a não-cumulatividade uma etapa que adicione R$ 100,00 na produção de um bem tributado a 10% pelo imposto pode pagar qualquer valor superior a R$10,00, limitado esse valor apenas ao que resulta da aplicação da aliquota sobre o valor total da operação. Tudo depende de quanto já tenha sido cobrado nas etapas anteriores.. Mantendo, então, o exemplo e supondo que R$ 1000,00 sejam o valor total da operação, a legislação (começando pela própria Carta Política) está a exigir que a industrialização e saída desse produto seja tributada no valor de R$100,00, Esse valor pode, perfeitamente, ser recolhido unicamente pelo produtor final — caso não possua créditos — ou então ser distribuído ao longo da cadeia produtiva, no caso de os insumos adquiridos e empregados já estarem, eles próprios, sujeitos ao imposto. Assim, supondo que o produtor acima adquira insumos com imposto destacado no montante de R$ 50,00, ele deverá recolher apenas os R$ 50,00 faltantes; se passa a ser isento o produto que lhe serve de matéria-prima, ele passa a recolher os R$ 100,00 devidos. Não há nisso nenhum diferimento, há simplesmente a exigência do valor que a legislação estabelece para este produto. Do contrário, o produto final, que não foi objeto de qualquer beneficio fiscal, teria recolhido apenas R$ 50,00 quando a legislação lhe exige R$ 100,00. Destarte, ainda que respeite as abalizadas opiniões em contrário, entendo que não integra o "objetivo da isenção" concedida a dado produto beneficiar aquele que é produzido utilizando-o como matéria prima ou produto intermediário ou material de embalagem. O que se pretendeu foi desonerar um dado produto, como produto final, de modo a que pudesse competir com um concorrente produzido em condições mais favoráveis, por exemplo, quanto à distância dos principais centros consumidores. Por isso, entendo que, data máxima vênia, não pode haver conclusão mais equivocada do que aquela que apregoa que a ausência de creditamento anularia o efeito isencional! Com a isenção conseguiu-se efetivamente reduzir o montante pago pelo comprador e era isso o tudo que se queria, nada mais! Se antes da isenção o produto não tinha condições de competitividade porque seu custo original (sem o imposto) é maior, consegue-se, retirando a tributação, igualá-lo ou, pelo menos, aproximá-lo das condições prevalecentes em outras regiões. Repita-se: não é lícito supor que o legislador, ao instituir isenção para o produto A, pretendia alcançar também o produto B - isso é jogar por terra o princípio da seletividade. Quando a legislação efetivamente o pretendeu, fê-lo expressamente: vide o art. 6 0. § 1°. do Decreto-lei 1.435/76, que concede ao industrial comprador de produtos industrializados com isenção na Amazônia Ocidental, para uso como insumo em seu processo produtivo, um crédito ficto, calculado como se a tributação efetivamente existisse. Ora, sendo cediço que a lei não contém palavras vazias, para quê se teria editado uma norma que apenas diz o que já está previsto na Constituição? A apontada incongruência com o ICMS que, embora igualmente não- cumulativo, tem expressa negativa constitucional quanto à possibilidade de creditamento, decorre de que este incide sobre a operação, enquanto o IPI, sobre o produto. Por isso, para o ICMS é lícito falar em mero diferimento. No entanto, naquele tributo a nova operação, ainda que com o mesmo produto, é totalmente independente da anterior, diferentemente do que ocorre com o IPI. O inciso II do § 2°. do art. 155 da CF longe de constituir uma antinomia, realiza a perfeita equiparação dos dois impostos. De fato, se a operação seguinte, no caso do ICMS, não gozou de beneficio, deve ser tributada integralmente. Substitua-se "operação" por "produto", no caso do IPI, e a norma é a mesma. Dispensável essa ressalva quanto a este último face ao princípio da seletividade, obrigatório neste, e apenas facultado ao ICMS. Não é demais ressaltar que as isenções do IPI são, em geral, de caráter objetivo (Lei 4,502/64, art. 9°.); atingem, portanto, o produto e acompanham-no enquanto este continuar 6 %\ Processo Tf 10283.005278/2007-82 CCO2/C04 Acórdão n ° 20401531 Fls 796 sua vida econômica. Por exemplo, o produto industrializado na ZFM é isento mesmo quando sai daquela região e se submete a uma nova operação sujeita ao IPI, desde que o produto continue o mesmo (v,g. remessa a uma filial atacadista, sem uso da suspensão admitida, e posterior saída dessa filial: Parecer CST L367/79), A isenção o acompanha e lhe é indissociável, não fica restrita à operação em que se originou. Quando, porém, esse produto desaparece, incorporado que tenha sido na produção de outro, não há mais como se falar nessa isenção, cabendo perquirir se o novo produto goza de algum beneficio. É possível, por isso, distinguir ao menos três alcances de incentivos fiscais concedidos por meio de isenções na área do IPI. O mais restrito alcança apenas o valor adicionado na etapa beneficiada. Ele ocorre quanto um produto é isentado mas não se assegura expressamente a manutenção do crédito relativo aos insumos nele aplicados. Mesmo antes da edição da Lei 9,779 não conhecemos exemplo concreto. Mesmo ali mantinha-se o direito ao crédito, embora nem sempre assegurando o ressarcimento em dinheiro (caso, aliás, da ZFM). Nesse caso, o imposto efetivamente pago na aquisição dos insumos vira custo para o produtor e continua onerando o produto. O beneficio, assim, alcança apenas o IPI que seria "acrescido" nesta etapa. Uma segunda possibilidade (e, como dissemos, a mais comum) autoriza a isenção e a manutenção e amplo aproveitamento (inclusive por ressarcimento) do crédito relativo aos insumos. Nesse caso, este IPI dos insumos deixa de integrar o custo de aquisição e o beneficio alcança todo o IPI que seria devido sobre aquele produto. Ambas as modalidades visam a reduzir o preço final do produto isentado, mas na condição de produto final. Quando este produto integra urna cadeia produtiva seus efeitos não se estendem. Não se trata, como disse, de diferimento, mas sim do respeito ao principio da seletividade em função da essencialidade do produto, tão constitucional quanto o da não- cumul atividade. Apenas quando o legislador pretende estender tal beneficio à etapa seguinte da cadeia produtiva é que age na conformidade do apontado art. 6 0. § 1°. do Decreto-lei L435/76, isto é, isenta o produto e, além disso, autoriza que quem o adquira como insumo mantenha o crédito. E que essa previsão deve ser expressa assegura-o artigo 150, §6" da Carta Magna, Forte nessas considerações, é que entendo impossível o creditamento de IPI em qualquer aquisição não efetivamente onerada pelo imposto, ainda que em razão de isenção deferida aos insumos. E não afeta em nada a conclusão considerar ter havido incidência de IPI nas aquisições beneficiadas com isenção; tanto no texto constitucional como no CTN o que se exige é a cobrança do imposto e não sua incidência. É certo, porém, que essa minha posição pessoal não tem encontrado guarida nos julgados do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Com efeito, ali tem ainda prevalecido o entendimento de que, para os isentos, é válido o creditamento. Aquela instância final apenas reviu, por enquanto, tal posicionamento quando a desoneração decorra de não incidência ou redução a zero da alíquota. O contribuinte postula, por isso, que se adote administrativamente tal entendimento reiterado, com base nas disposições do decreto 2.346/97. Divirjo também disso. 7 E repito aqui conclusões já expendidas em outros julgados no sentido de que mesmo após a aprovação do novo Regimento do Conselho de Contribuintes seus membros não estão obrigados a aplicar imediatamente decisão do STF que, no controle difuso da constitucionalidade dos atos legais editados, tenha afirmado inconstitucional norma regularmente editada. Tal obrigação só surge após a extensão dos efeitos de reiteradas decisões nesse sentido por meio de Resolução do Senado Federal na forma prevista no art, 52 da Constituição Federal. É que como se sabe o inciso XXXV do artigo 50 da Carta Política da República estabeleceu o princípio da Unicidade de Jurisdição: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito". Com isso, o Poder Judiciário exerce o primado sobre o "dizer o direito" e suas decisões imperam sobre qualquer outra proferida por órgãos não jurisdicionais. Entretanto, integra, igualmente, o nosso ordenamento jurídico o princípio de que as decisões proferidas pelo Poder Judiciário, ainda que em última instância, apenas fazem coisa julgada entre as partes. Desse modo, mesmo quando o STF, no exercício do controle difuso da constitucionalidade dos atos legais editados, declare em sessão plena a inconstitucionalidade de uma lei, essa decisão produz efeitos apenas para aquele(s) que integrou(aram) a lide. A extensão dos efeitos de uma tal decisão, ainda segundo as regras emanadas da Carta Magna, depende de expedição de ato, de exclusiva competência do Poder Legislativo. Mais especificamente, Resolução do Senado Federal que suspenda a execução do ato declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (CF, art. 52, inciso X). Somente é desnecessária tal medida quando a ação que deu causa ao pronunciamento do STF for ação declaratória de constitucionalidade ou direta de inconstitucionalidade, nos ternos do art. 103 da Constituição Federal. No esteio desse entendimento, vale aqui a transcrição do art. 77 da Lei n° 9.430, de 30 de dezembro de 1996: Art 77, Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: - abster-se de constitui-los; II - retificar o seu valor ou declará-los extintos, de oficio, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - . formular desistência de ações de execução .fiscal já ajuizadas, bem como deixar de inteipor recursos de decisões judiciais. Com o objetivo aí previsto foi editado o Decreto n" 2..346, de 04/10/1997, cujos artigos 1° a 40 disciplinam a aplicação, em julgamentos administrativos, das decisões proferidas pelo Poder Judiciário. Confira-se: Art. 1" As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto 8 Processo n° I 0283 .005278/2007-82 CCO21C04 Acórdão o." 204-03.531 Fls 797 áç I" Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais .for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2' O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionandade proferida, incidentahnente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3" O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto. Art. 1"-A. Concedida cautela,- em ação direta de inconstitucionalidade contra lei ou ato normativo .federal, .ficará também suspensa a aplicação dos atos normativos regulanientadores da disposição questionada, (Artigo incluído pelo Decreto n°3.001, de 26.3.1999) Parágrafo único. Na hipótese do caput, relativamente a matéria tributária, aplica-se o disposto no art. 151, inciso IV, da Lei n" 5,172, de 25 de outubro de 1966, às normas regulamentares e complementares, (Parágrafo incluído pelo Decreto n" 3..001, de 26 .1 1999) Art. 2° Firmada jurisprudência pelos Tribunais Superiores, a Advocacia-Geral da União expedirá súmula a respeito da matéria, cujo enunciado deve ser publicado no Diário Oficial da União, em conformidade com o disposto no art. 43 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993. Art, 3°À vista das súmulas de que trata o artigo anterior, o Advogado- Geral da União poderá dispensar a propositura de ações ou a interposição de recursos judiciais. Art. 4" Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinai; no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitticionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que' - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11 - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111 - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; 1V - sejam formuladas desistências de ações de execução ,fiscal. Parágrafo único, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua 4 constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Vê-se que o disciplinamento do assunto é exaustivo. A hipótese ora em exame amolda-se à perfeição ao que dispõe o parágrafo único do art. 4'. Sua aplicação, no entanto, só pode ser feita respeitando a disposição do capta. Destarte, somente há autorização aos membros do Conselho para afastar a aplicação da lei em relação à qual o Secretário da Receita Federal e/ou o Procurador da Fazenda Nacional já se tenham pronunciado, dispensando a constituição de créditos ou a interposição de recursos. Fiz questão de citar os artigos 1°, 2° e 3' do Decreto 2.346, embora os mesmos não se dirijam especificamente aos julgadores administrativos, para enfatizar que nem mesmo os demais servidores incumbidos da aplicação do direito podem deixar de aplicar a norma até que a Advocacia Geral da União faça publicar Súmula nesse sentido. Isto quer dizer que até lá, mesmo sabendo que irão inapelavelmente perder, caberá aos advogados da União promover a defesa judicial do crédito tributário. De se notar, ainda, que o art. 1° vincula toda a Administração Federal e não apenas a Administração Tributária_ Tem-se alegado recentemente que o art. 49 do novo Regimento Interno desta Casa passou a acolher tal possibilidade sempre que a decisão do STF tenha sido proferida pelo seu Pleno. Para clareza, vale aqui a transcrição: Art. 49 No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitticionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, 11 - que fundamente crédito tributário objeto de, a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n." 10„522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art 43 da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art 40 da Lei Complementar n" 73, de 10 de ,fevereiro de 1993 Ocorre que, a todas as luzes, o cotejo dos dois atos administrativos, de um lado o Decreto do Presidente da República, de outro, a Portaria Ministerial que aprovou o novo Regimento dos Conselhos, revela que a última instituiu nova modalidade de apreciação dos casos de inconstitucionalidade não expressamente prevista no Decreto. /6\jj\ Processo n° 10283005278/2007-82 CCO2/C04 Acórdão n ° 204-03.531 Fls 798 Com efeito, fora os casos do art. 1 0, o Decreto apenas autoriza os julgadores administrativos a não aplicar norma que já tenha sido objeto de dispensa de constituição de créditos ou de defesa administrativa, respectivamente pelo Secretário da Receita Federal e pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional. De fato, o decreto não faz qualquer ressalva quanto à decisão ter sido proferida pelo Pleno do STF. Não há, conclusivamente, qualquer autorização adicional para que o Conselho de Contribuintes considere improcedente lançamento de oficio consubstanciado em lei cuja inconstitucionalidade não tenha ainda sido declarada em ação direta ou cuja inconstitucionalidade, reiteradamente reconhecida pelo STF em ações individuais, tenha sido estendida aos demais contribuintes que não tenham proposto qualquer ação. Nesses termos, entendo que a inovação introduzida pelo art 49 do Regimento Interno dessa Casa é, ela própria, de constitucionalidade bastante questionável, na medida em que, por via inadequada, acrescentou hipótese não contemplada no Decreto 2346/97 que a deveria reger. Isso porque a autorização legal (art. 77 da Lei n° 9.430/96) contemplou apenas o Podei Executivo Reconheço que ela, por certo, visou ao descongestionamento do Poder Judiciário e à economia de recursos, e promoveu uma equiparação dos Conselheiros ao Secretário da Receita Federal e ao Procurador-Geral da Fazenda Nacional, já autorizados pelo Decreto a desistir da constituição ou da defesa de créditos lavrados com base em lei declarada inconstitucional. Porém, entendo que isso deveria ter sido feito acrescendo um dispositivo ao Decreto regulamentar, não por meio de Portaria Ministerial. Isso não obstante, não se pode deixar de aplicá-la por considerá-la inconstitucional. Isso seria contradizer tudo que até aqui se disse. Não o farei. Ocorre que, felizmente, ela não obriga à aplicação imediata de toda e qualquer decisão Plenária. De fato, a norma nova apenas retira o impedimento que antes havia. Como se sabe, do ponto de vista lógico, "não ser impedido de" não significa "ser obrigado a" Ou seja, em respeito aos princípios da presunção de legitimidade dos atos administrativos, a única interpretação que permite integrá-la às disposições do Decreto a que devia obedecer, é entender que ela deixou ao alvedrio dos julgadores a aplicação imediata daquelas decisões, quando convencidos da exata correlação entre os fatos do processo e o conteúdo da decisão proferida na mais alta Corte e da irreversibilidade do entendimento ali expresso. E a gravidade da sua adoção obriga a que essa análise seja, caso a caso, extremamente cuidadosa. E no caso concreto é forçoso reconhecer que embora até o momento as decisões tenham caminhado todas no mesmo sentido, já se esboça naquela Corte final, entendimento divergente. Refiro-me a recentes pronunciamentos do ministro Eros Grau — v. g. no Recurso Extraordinário: 372,005 — em que deixa clara sua posição de que não há direito ao crédito mesmo nas aquisições de insumos desonerados por meio de isenção. Ali afirma textualmente não vislumbrar nenhuma diferença importante entre a isenção, a redução de aliquota a zero e a não incidência, que justifique reconhecer o direito ao creditamento no primeiro caso e negá-lo nos outros dois. Em vários julgados em que expressou esse entendimento, o Ministro Eros Grau foi acompanhado, ao menos, por maioria. Ainda que se deva reconhecer que em nenhum deles se analisava situação de isenção, é lícito supor que a matéria será abordada diferentemente naquela Casa assim que recurso dessa ordem chegue daquele Ministro. E se assim for, estará criada a divergência justificadora de nova apreciação da matéria pelo Pleno do STF. Nesses termos, não se pode afirmar que o entendimento repetido naquela Corte seja mesmo irreversível, condição que considero imprescindível para dar imediata aplicação a ela no âmbito administrativo com base no art 49 do novo Regimento. Com essas considerações, repilo também esse argumento e nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de novembro de 2008 \ r-4, 0 4' 0, k LIO CESAR VES • a OS Jit 12

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Numero do processo: 10803.720099/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. Não comprovada a fraude, o crédito tributário constituído no âmbito do lançamento de ofício deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, segundo a qual o prazo decadencial será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN-MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN-MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza.
Numero da decisão: 3101-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, em relação ao Recurso Voluntário, conhece-lo em parte, não conhecendo dos argumentos atinentes ao item “3.2.C. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS”, rejeitar o argumento preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em dar parcial provimento no sentido de afastar a multa qualificada remanescente da decisão da DRJ e, consequentemente, reconhecer a decadência de parte do crédito tributário (no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2009), bem como para reverter a glosa de créditos referentes à rubrica “Móveis e Utensílios; Equipamentos”. Por maioria de votos, o colegiado negou provimento em relação aos tópicos “DA ANÁLISE DOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE ANTES DE 31/10/2003” e “DOS CONTRATOS ENTABULADOS COM FIAT, BIOSEV, PIRELLI, COMPANHIA CACIQUE, ELECTROLUX, AÇOMINAS, TECUMSEH, VALE DO RIO DOCE e RASIP”, vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que dava provimento em relação aos contratos firmados antes de 31/10/2003 e aos contratos firmados com as empresas PIRELI, COMPANHIA CACIQUE, ELETROLUX, AÇOMINAS, VALE DO RIO DOCE e RASIP. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Laura Baptista Borges, Renan Gomes Rego, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. Não comprovada a fraude, o crédito tributário constituído no âmbito do lançamento de ofício deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, segundo a qual o prazo decadencial será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN-MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN-MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza.

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FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. Não comprovada a fraude, o crédito tributário constituído no âmbito do lançamento de ofício deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, segundo a qual o prazo decadencial será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço Fl. 8606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 2 para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN- MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 8607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 3 REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN- MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. Fl. 8608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 4 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, em relação ao Recurso Voluntário, conhece-lo em parte, não conhecendo dos argumentos atinentes ao item “3.2.C. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS”, rejeitar o argumento preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em dar parcial provimento no sentido de afastar a multa qualificada remanescente da decisão da DRJ e, consequentemente, reconhecer a decadência de parte do crédito tributário (no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2009), bem como para reverter a glosa de créditos referentes à rubrica “Móveis e Utensílios; Equipamentos”. Por maioria de votos, o colegiado negou provimento em relação aos tópicos “DA ANÁLISE DOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE ANTES DE 31/10/2003” e “DOS CONTRATOS ENTABULADOS COM FIAT, BIOSEV, PIRELLI, COMPANHIA CACIQUE, ELECTROLUX, AÇOMINAS, TECUMSEH, VALE DO RIO DOCE e RASIP”, vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que dava provimento em relação aos contratos firmados antes de 31/10/2003 e aos contratos firmados com as empresas PIRELI, COMPANHIA CACIQUE, ELETROLUX, AÇOMINAS, VALE DO RIO DOCE e RASIP. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Fl. 8609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 5 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Laura Baptista Borges, Renan Gomes Rego, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada contra o Auto de Infração lavrado para a cobrança de PIS e COFINS, relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009. A multa de ofício lançada foi qualificada (150%). Por estar bem detalhado e resumir bem os fatos, transcrevo parte do relato do Auto de Infração constante no acórdão proferido pela DRJ: “De acordo com o RAF, o trabalho fiscal foi detalhado dentro da seguinte estrutura: 1) Contratos firmados pela empresa - Tributação indevida de parte da receita no regime cumulativo do PIS e da Cofins (fls. 4.323 a 4.374); 2) Glosa de créditos do Pis e da Cofins (fls. 4.375 a 4.400); 3) Glosa de créditos do Pis e da Cofins decorrentes de "devoluções de vendas" (fls. 4.401 a 4.434); 4) Omissão de receitas (fls. 4.435 a 4.439). No item 1, a autoridade fiscal explica detalhadamente os motivos que a levaram a tributar na sistemática não cumulativa, de ofício, as receitas auferidas pela empresa e classificadas no regime cumulativo, com aplicação da multa qualificada de 150% sobre as diferenças apuradas das contribuições. Segundo o RAF, a fiscalização verificou que os contratos firmados pela empresa não se enquadravam nos dispositivos do art. 10, inciso XI, alínea b, da Lei nº 10.833/2003 e da IN SRF nº 658/2006, não podendo, portanto, ser tributados pelo regime cumulativo do PIS e da Cofins. A fiscalização, em contrapartida, apropriou créditos de custos/despesas vinculados à receita tributada indevidamente pela contribuinte no regime cumulativo, no período de janeiro a abril de 2009, informando que, "nos demais períodos a totalidade dos custos/despesas geraram créditos do PIS e da Cofins não cumulativos". No que tange à multa qualificada aplicada, a autoridade fiscal justifica pelo fato de que a contribuinte, de forma intencional e deliberada, tributou parte de suas receitas na sistemática cumulativa do PIS e da Cofins, com a finalidade de diminuir os valores devidos desses tributos. Aduz ainda que a fiscalizada deixou de apresentar à fiscalização contratos/aditivos, tentando ocultar evidências da tributação indevida pelo regime cumulativo. Fl. 8610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 6 No item 2 do RAF, a autoridade fiscal discorre, de forma detalhada, sobre os itens que tiveram seus créditos glosados, por não se enquadrarem no conceito de insumo de que tratam os arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, nem nas demais hipóteses de crédito permitidas nestas leis. Foram glosados os créditos informados nos Dacon referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009, relativos a "Serviços Utilizados como Insumos" e "Outras Operações com Direito a Crédito", compreendendo "Gêneros de Limpeza", "Uniformes", "EPI - Material de Proteção/Proteção Individual", "Móveis e Utensílios; Equipamentos de Restaurantes", "Eventos/Promoção/Confraternização; Viagens e Estadias; Suporte e Manutenção de Software" e "Combustíveis e Lubrificantes". O item 3 do RAF trata da glosa efetuada pelo Fisco dos créditos decorrentes de "devoluções de vendas", em função da falta de comprovação das operações. A autoridade fiscal verificou que, além da fiscalizada não apresentar todos os documentos fiscais necessários à comprovação das "devoluções de vendas" que tiveram seus créditos apropriados no Dacon, parte desses créditos estavam vinculados a receitas cumulativas. Verificou ainda que a empresa contabilizou como "devoluções de vendas" valores não informados no Dacon, relativos a contas do ativo circulante onde são registradas as aquisições de mercadorias armazenadas nos centros de distribuição da empresa, operações que não se enquadram como "devoluções de vendas". A fiscalização também considerou que as notas fiscais de devolução apresentadas eram inidôneas, aplicando multa qualificada sobre as diferenças apuradas em decorrência da utilização de créditos indevidos a título de "devoluções de vendas". E no item 4 do RAF a fiscalização demonstra que a contribuinte, para calcular o valor devido do PIS e da Cofins, partiu de uma receita bruta mensal inferior à registrada na sua escrituração contábil. A autoridade fiscal entendeu que houve por parte da contribuinte conduta fraudulenta, o que levou o fisco a lançar multa qualificada sobre as diferenças apuradas na base de cálculo das contribuições. A fiscalização emitiu ainda Termo de Constatação Fiscal, às fls. 4.473 a 4.475, com ciência pessoal da interessada em 30/12/2014, referente ao auto de infração complementar, de 29/12/2014, relativo à mesma infração descrita no item 1 do RAF. Além disso, a fiscalização formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do Decreto nº 2.730/1998, por considerar que as infrações fiscais descritas nos itens 1,3 e 4 do RAF caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme previsto nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990.” A Recorrente é empresa que atua principalmente como prestadora de serviços no ramo de alimentação. Entre as atividades desenvolvidas pela empresa, destacam-se: i) Fl. 8611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 7 fornecimento de refeições por meio da exploração de cozinhas industriais próprias ou de terceiros; ii) comercialização e distribuição de gêneros alimentícios e utensílios de cozinha; iii) consultoria, planejamento e assessoria na elaboração de programas alimentares; e iv) fornecimento de outros bens, produtos e serviços relacionados à sua atividade principal. Cientificada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 4.504/4.663), trazendo, em síntese, as seguintes alegações: i. Preliminarmente, a nulidade material da autuação por vício de motivação; ii. A decadência do direito de constituir o crédito tributário; iii. Já no mérito, discorreu sobre o regime cumulativo de apuração do PIS/COFINS incidentes sobre os contratos de fornecimento de refeições celebrados antes de 31/10/2003; iv. Do direito ao crédito do PIS/COFINS pelo regime não-cumulativo e da impossibilidade de restrição infralegal ao conteúdo legal; v. Da glosa indevida dos créditos de PIS/COFINS decorrentes das devoluções de vendas; vi. Da inexistência de omissão de receitas vii. Do afastamento da multa qualificada; viii. Da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e ix. Por fim, a necessidade de realização de perícia. Em julgamento da Impugnação, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE decidiu baixar o presente processo em diligência (4830/4838). Realizada a diligência, a DRJ/BHE (fls. 5625/5717), proferiu o Acórdão 02-89.794, de 05/02/2019 que julgou procedente em parte o lançamento (fls. 8.211/8.293). Porém, em virtude de inconsistências detectadas na conclusão do citado Acórdão, conforme despacho de fls. 8.300, foi prolatado, em 30/07/2020, o Acórdão Revisor 106-000.005 – 1ª Turma da DRJ06 (fls. 8.302/8.307), tão somente para corrigir a redação do item II, letra “b”, da conclusão do voto, sem qualquer alteração de fundamentação. Ato contínuo, em 02/08/2021, foi emitido pela autoridade preparadora o despacho de fls. 8.353, onde é apontado outro erro no resultado do Acórdão, correspondente ao item 1 do Relatório Fiscal, que diz respeito à tributação indevida de receitas pelo regime cumulativo (item II, letra “a”, da conclusão do voto). Os autos então retornaram à DRJ para correção, tendo sido, enfim consignado o acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Fl. 8612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 8 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Na ausência de prova de dolo, fraude ou simulação, o crédito tributário constituído no âmbito do lançamento de ofício deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4°, do CTN, segundo a qual o prazo decadencial será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. O IGP-M descaracteriza o preço predeterminado, pois, sendo um índice que apura a variação dos preços de uma forma geral, não se amolda ao disposto no § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. RECOLHIMENTOS EM OUTRO REGIME. APROVEITAMENTO. A tributação de ofício de receitas no regime não cumulativo deve levar em consideração recolhimentos efetuados anteriormente pelo contribuinte no regime cumulativo. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS NA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. Fl. 8613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 9 A fiscalização ao tributar no regime não cumulativo receitas que foram erroneamente tributadas no regime cumulativo, deve considerar seus créditos para fins de apuração do valor devido. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN-MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MÃO DE OBRA. Os gastos com pagamento de mão de obra temporária efetuado a empresa subcontratada geram créditos a título de insumos, porquanto são empregados no processo produtivo da empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS E PRODUTOS DE LIMPEZA E HIGIENE. DEDETIZAÇÃO. Serviços e materiais de higienização e limpeza, incluindo os serviços de dedetização são considerados insumos na atividade de fornecimento de refeições coletivas, porquanto atendem ao critério da relevância, haja vista a obrigação legal imposta pelos órgãos de vigilância sanitária. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. UNIFORMES. MATERIAL DE PROTEÇÃO. Uniformes e materiais de proteção são considerados insumos na atividade de fornecimento de refeições coletivas, porquanto atendem ao critério da relevância, haja vista a obrigação legal imposta pelos órgãos de vigilância sanitária. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Fl. 8614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 10 Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. CRÉDITOS. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA NO DACON. A classificação incorreta no Dacon não inviabiliza a utilização de créditos decorrentes da aquisição de insumos. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. REGIME MONOFÁSICO. CONFIRMAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo sido a omissão de receitas apurada por presunção, e, confirmando-se a pertinência da tributação monofásica de parte dessas receitas, é de se excluir os respectivos valores da base de cálculo do lançamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Na ausência de prova de dolo, fraude ou simulação, o crédito tributário constituído no âmbito do lançamento de ofício deve observar a regra de decadência estabelecida no artigo 150, § 4°, do CTN, segundo a qual o prazo decadencial será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS ANTERIORES A 31/10/2003. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos Fl. 8615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 11 termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. O IGP-M descaracteriza o preço predeterminado, pois, sendo um índice que apura a variação dos preços de uma forma geral, não se amolda ao disposto no § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A prorrogação do contrato após 31 de outubro de 2003, a qualquer título, sujeita as receitas à incidência não-cumulativa da contribuição. RECOLHIMENTOS EM OUTRO REGIME. APROVEITAMENTO. A tributação de ofício de receitas no regime não cumulativo deve levar em consideração recolhimentos efetuados anteriormente pelo contribuinte no regime cumulativo. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS NA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. A fiscalização ao tributar no regime não cumulativo receitas que foram erroneamente tributadas no regime cumulativo, deve considerar seus créditos para fins de apuração do valor devido. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN-MF. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MÃO DE OBRA. Os gastos com pagamento de mão de obra temporária efetuado a empresa subcontratada geram créditos a título de insumos, porquanto são empregados no processo produtivo da empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS E PRODUTOS DE LIMPEZA E HIGIENE. DEDETIZAÇÃO. Serviços e materiais de higienização e limpeza, incluindo os serviços de dedetização são considerados insumos na atividade de fornecimento de refeições coletivas, porquanto atendem ao critério da relevância, haja vista a obrigação legal imposta pelos órgãos de vigilância sanitária. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. UNIFORMES. MATERIAL DE PROTEÇÃO. Fl. 8616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 12 Uniformes e materiais de proteção são considerados insumos na atividade de fornecimento de refeições coletivas, porquanto atendem ao critério da relevância, haja vista a obrigação legal imposta pelos órgãos de vigilância sanitária. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO IMOBILIZADO. Não podem gerar créditos como insumos os bens passíveis de escrituração no ativo imobilizado da empresa, assim como os serviços neles aplicados, assim entendidos aqueles que resultam em aumento da vida útil do bem superior a um ano ou que possuem valor superior ao estabelecido na legislação que rege a matéria. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não podem gerar créditos como insumos os combustíveis e lubrificantes que não tenham sido comprovadamente utilizados no processo produtivo da empresa. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES. FALTA DE CONTROLE. Incabível o creditamento da contribuição em relação a devolução, quando não se mantém escrituração e controles capazes de comprovar a condição de detentor de tal direito. NOTA FISCAL DE DEVOLUÇÃO PARA CANCELAR NOTA FISCAL EMITIDA COM ERRO. GLOSA DE CRÉDITOS. Cabível a glosa de créditos originados de notas fiscais emitidas pelo contribuinte sob a justificativa de que a nota fiscal de venda fora emitida com erro. Inexistência de base legal para o aproveitamento de créditos dessa natureza. CRÉDITOS. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA NO DACON. A classificação incorreta no Dacon não inviabiliza a utilização de créditos decorrentes da aquisição de insumos. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. REGIME MONOFÁSICO. CONFIRMAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Tendo sido a omissão de receitas apurada por presunção, e, confirmando-se a pertinência da tributação monofásica de parte dessas receitas, é de se excluir os respectivos valores da base de cálculo do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. INEXATIDÕES MATERIAIS. CORREÇÃO. Fl. 8617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 13 As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Restando comprovada nos autos a conduta dolosa do sujeito passivo, cabe a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. NÃO CABIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar plenamente comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, sendo, neste caso da autoridade fiscal o ônus da prova. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA LANÇADA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a totalidade do crédito tributário, do qual faz parte a multa lançada de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A conclusão do voto condutor, se deu no seguinte sentido: “I - PRELIMINARMENTE, a) REJEITAR as arguições de nulidade suscitadas; b) RECONHECER A DECADÊNCIA do crédito tributário referente aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2009, da Contribuição para o PIS e da Cofins, a seguir especificados: b.1) lançamento decorrente da glosa de créditos, de que trata o item 2 do Relatório de Auditoria Fiscal (Quadro 15 - CUSTOS/DESPESAS - CRÉDITOS GLOSADOS DE PIS/COFINS), nos seguintes valores: (...) b.2) parte do lançamento decorrente da glosa de créditos, de "devoluções de vendas" de que trata o item 3 do Relatório de Auditoria Fiscal, nos seguintes valores: (...) b.3) lançamento decorrente da omissão de receitas, de que trata o item 4 do Relatório de Auditoria Fiscal, nos seguintes valores: Fl. 8618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 14 (...) II - NO MÉRITO, a) MANTER PARCIALMENTE O LANÇAMENTO decorrente da tributação indevida, pelo regime cumulativo, das receitas que deveriam ter sido tributadas pelo regime não-cumulativo, de que trata o item 1 do Relatório de Auditoria Fiscal, a ser acrescido da respectiva multa qualificada de 150%, nos seguintes valores: (...) b) MANTER O LANÇAMENTO decorrente da glosa de créditos de que trata o item 2 do Relatório de Auditoria Fiscal, bem como a multa de ofício de 75%, referente ao mês de dezembro, exceto em relação aos valores gastos com: b.1) terceirização de mão de obra; b.2) limpeza, higiene e dedetização; e b.3) uniformes e Equipamentos de Proteção Individual. c) MANTER o lançamento decorrente da glosa de créditos de "devoluções de vendas" de que trata o item 3 do Relatório de Auditoria Fiscal, referente ao mês de dezembro, equivalente a R$ 5.584,95 e R$ 25.724,62, para o PIS e a Cofins, respectivamente, conforme item 3.a deste voto. d) EXTINGUIR o lançamento decorrente da glosa de créditos de "devoluções de vendas "de que trata o item 3 do Relatório de Auditoria Fiscal, conforme item 3.i deste voto. e) MANTER PARCIALMENTE o lançamento decorrente das diferenças apuradas entre os valores das receitas contabilizados e os declarados em DCTF, de que trata o item 4 do Relatório de Auditoria Fiscal, referente ao mês de dezembro, equivalente a R$ 15.878,40 e R$ 73.136,86, para o PIS e a Cofins, respectivamente. f) AFASTAR a multa qualificada, em relação aos valores de que tratam as letras "c" e "e" acima, para dar lugar à aplicação da multa de ofício calculada no percentual de 75%.” Ante o valor exonerado quando o julgamento da Impugnação, houve a interposição de Recurso de Ofício. Irresignada, a Recorrente interpôs seu Recurso Voluntário (fls. 8440/8561), pretendendo a reforma parcial do acórdão da DRJ, alegando o seguinte: i. Preliminarmente, a nulidade do lançamento em razão da ausência de motivação e erro na determinação da matéria tributável; ii. A decadência do direito de a fiscalização promover alterações no lançamento originário do presente processo administrativo; Fl. 8619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 15 iii. Já no mérito, discorreu sobre o regime cumulativo de apuração do PIS/COFINS incidentes sobre os contratos de fornecimento de refeições celebrados antes de 31/10/2003; iv. Do direito ao crédito do PIS/COFINS pelo regime não-cumulativo e da impossibilidade de restrição infralegal ao conteúdo legal; v. Da glosa indevida dos créditos de PIS/COFINS decorrentes das devoluções de vendas; vi. Da inexistência de omissão de receitas; vii. Do afastamento da multa qualificada; e viii. Por fim, a necessidade de realização de perícia. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. 1. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Alega a Recorrente que o lançamento seria nulo, em razão de ausência de motivação, já que em relação à alteração de regime das receitas provenientes dos contratos que se sujeitavam à incidência de PIS e COFINS cumulativos, a d. Autoridade Fiscal teria feito acusações genéricas de que todo e qualquer contrato que contivesse cláusula de reajuste de preços, por algum índice ou pela repactuação das partes, sugeriria tributação pela sistemática da não cumulatividade. Isso porque, nas palavras a Recorrente, a “fiscalização cingiu-se a aduzir, de forma evidentemente incompleta e desprovida de embasamento, que tais contratos não se enquadrariam na hipótese autorizadora de recolhimento de referidas contribuições pelo regime da cumulatividade, prevista no artigo 2°, inciso II, combinado com o artigo 3°, §§ 1° e 3°, ambos da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006”. Inicialmente, entendo que o vício de motivação suscitado pela Recorrente não existe. A fiscalização, em seu relatório fiscal, faz detalhada análise dos contratos apresentados durante o procedimento fiscal, citando os itens e motivos que levaram à não aceitação dos contratos e indicando a base legal aplicada. Fl. 8620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 16 Como se sabe, o Código Tributário Nacional assim aduz acerca do lançamento de ofício: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Por sua vez, o Decreto n.° 70.235/72, assim determina: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No caso, entendo que o lançamento preenche todos os requisitos de validade exigidos na legislação, e, eventual incorreção, como inclusive algumas já reconhecidas pela DRJ ensejam a sua improcedência total ou parcial, mas não tem o condão de tornar nulo o lançamento. Além disso, alega a Recorrente que a diligência fiscal realizada teria efetuado novo lançamento em substituição àquele originalmente feito. Destaca, como evidência, os seguintes trechos da diligencia fiscal: Fl. 8621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 17 Aduz, por fim, que a DRJ também reconheceu os erros do lançamento, nos seguintes sentidos: “De fato, a autoridade fiscal comete um equívoco ao preencher o referido quadro, uma vez que os valores constantes na coluna relativa à Cofins correspondem ao valor integral devido da contribuição calculada pelo regime não-cumulativo, ou seja, esses valores equivalem ao percentual de 7,6% da base de cálculo apurada pelo fisco, e não à diferença de alíquotas apontada no quadro. Desta forma, os valores mensais da Cofins que foram lançados no item 1 do auto de infração correspondem ao valor total devido da contribuição apurada pelo regime não-cumulativo (o percentual de 7,6% aplicado sobre a base de cálculo apurada pelo fisco), sem que tenham sido descontados os valores declarados e pagos pela contribuinte, correspondentes à apuração efetuada pelo regime cumulativo. No entanto, esse não foi o único equívoco ocorrido nos cálculos do referido quadro. Vejamos: Diferentemente da apuração efetuada pelo regime cumulativo, a apuração pelo regime da não-cumulatividade implica na possibilidade de se descontar os créditos relativos às respectivas receitas. Sendo assim, a fiscalização procedeu ao levantamento dos créditos relativos às receitas cujo regime de tributação foi alterado de ofício. De acordo com o quadro 12 elaborado pelo fisco, a base de cálculo utilizada para a apuração das contribuições decorre da dedução desses créditos sobre os valores das respectivas receitas. Por conseguinte, ao se aplicar Fl. 8622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 18 sobre a base de cálculo obtida os percentuais de 1,0% (para o PIS) e 4,6% (para a Cofins), relativos às diferenças de alíquotas dos regimes de apuração (1,65% - 0,65% e 7,6% - 3,0%, respectivamente), a fiscalização deu aos créditos descontados o mesmo tratamento dispensado às receitas, embora nenhuma parcela dos referidos créditos tivesse sido utilizada quando da apuração efetuada pela contribuinte no regime cumulativo. Para que não haja tal distorção, necessário se faz que se apure o valor da contribuição devida, calculada pelo regime não-cumulativo - após o desconto dos créditos -, e, somente depois, se desconte os valores já pagos anteriormente. Conclui-se, portanto, que cabe razão à contribuinte, no que diz respeito ao erro de cálculo apontado nas diferenças apuradas pelo fisco, relativas às receitas tributadas pelo regime cumulativo.” Como se vê, a diligência realizada, e, posteriormente, a decisão da DRJ reconhecem que houve erro no lançamento e, por isso, afastam parte do Auto de Infração. Ainda que o auto não seja integralmente procedente, a exclusão de parte dos valores não significa que houve novo lançamento. Isso porque, não houve, na diligência, alteração de período, inclusão de novo fundamento legal, nem de qualquer elemento essencial ao Auto de Infração de forma a configurar um novo lançamento. O que se deu foi a exclusão de valores indevidos. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento fiscal. 2. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE A FISCALIZAÇÃO PROMOVER ALTERAÇÕES NO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Alega a Recorrente que o “novo lançamento” promovido pela d. Fiscalização quando da diligência realizada teria se dado depois de transcorrido o prazo decadencial para revisão da base tributável do lançamento, inclusive o de glosar créditos de PIS e COFINS relativamente ao período de maio a dezembro de 2009. A alegação de decadência se baseia na premissa de que os ajustes realizados quando da diligência constituiriam novo lançamento, ocorrido fora do prazo decadencial. Conforme demonstrado no tópico anterior, entendo que não houve, na diligência, alteração de período, inclusão de novo fundamento legal, nem de qualquer elemento essencial ao Auto de Infração de forma a configurar um novo lançamento: o que se deu foi a exclusão de valores indevidos. Aduz a Recorrente que a elaboração de novo quadro demonstrativo do crédito comprovaria a realização de novo lançamento, como abaixo em destaque: Fl. 8623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 19 “Ora, Srs. Conselheiros, está evidente que houve verdadeira substituição do auto de infração, com modificação substancial dos montantes nele consubstanciados, posto que, ao rever a apuração realizada originalmente, com a consideração neste cálculo dos créditos, bem como a glosa de parte destes, antes não considerados inicialmente (terceirização de mão de obra, dedetização, serviços de auditoria, contabilidade, uniformes, despesas, equipamentos e restaurantes, dentre outros), o Sr. Agente Fiscal reapurou a exação a ser exigida nestes autos. Com isso, tem-se que a diligência fiscal realizada promoveu novo lançamento nestes autos, posto que não apenas substituiu as planilhas, mas uma verdadeira alteração na base tributável. Nesta toada, tratando-se de lançamento por homologação, inquestionável ser aplicável ao caso o teor do artigo 150, §4 do CTN, para se reconhecer ter decaído o direito de o Fisco realizar esta reapuração da base de cálculo autuada.” Sobre esse ponto, entendo que a existência de novo quadro é consequência do reconhecimento da parcial improcedência do lançamento e não necessariamente a elaboração de um novo auto de infração. Neste contexto, como não houve novo lançamento, não há que se falar em extinção do crédito tributário pela decadência, motivo pelo qual rejeito a preliminar de decadência do crédito tributário. 3. DO MÉRITO. 3.1. DA ADOÇÃO DO REGIME CUMULATIVO INCIDENTES SOBRE OS CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES CELEBRADOS ANTES DE 31 DE OUTUBRO DE 2003. O cerne da questão que permeia o Auto de Infração é o regime de apuração do PIS e da COFINS aplicável às receitas oriundas dos contratos firmados entre a Recorrente e diversas empresas, para a prestação de serviços de fornecimento de refeições. Tal discussão tem como origem a alteração legislativa promovida na sistemática de apuração do PIS e da COFINS. A Medida Provisória n.° 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n.° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituiu o regime não-cumulativo para o PIS, produzindo efeitos, no que tange a este regime, a partir de 1º de dezembro de 2002. O regime não-cumulativo da COFINS teve sua origem na Medida Provisória n.° 135, de 30 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, produzindo efeitos, em relação a este regime, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Fl. 8624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 20 Como se vê, houve substancial alteração da sistemática de apuração do PIS e da COFINS que saiu tão somente do regime cumulativo e passou para o regime não cumulativo, com o confronto de débitos e créditos e aumento das alíquotas. Diante da necessidade de prevenir discussões sobre revisões de contratos entre pessoas jurídicas integrantes de contratos já aperfeiçoados anteriormente à instituição do regime não-cumulativo para as contribuições em tela, a Lei n.° 10.833/2003 manteve obrigatoriamente na sistemática anterior, ou seja, sob incidência cumulativa do PIS e da COFINS, um extenso rol de pessoas jurídicas e de receitas, listadas em seu artigo 10, dentre as quais se incluem as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, in verbis: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI - as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (…) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V - nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)” Conforme se verifica da legislação, a regra é de que o regime de apuração das contribuições é o da não-cumulatividade, sendo a permanência na cumulatividade excepcional e transitória. Destarte, em respeito ao princípio da segurança jurídica, impunha-se que se preservassem as condições já pactuadas, não se permitindo que alteração superveniente na legislação tributária refletisse nos custos relativos à execução do contrato. Neste caso, de início, o caminho natural era manter o contrato e seu respectivo preço temporariamente, posto que as receitas da empresa passariam oportunamente a ser tributadas pela regra da não-cumulatividade, quando ocorridos os reajustes dos preços contratados. Fl. 8625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 21 Posteriormente, o artigo 109 da Lei n.° 11.196, de 21 de novembro de 2005, trouxe a regra que, retroativamente a 01°/11/2003, o reajuste de preços com base no custo de produção ou em índice que reflita a variação dos custos dos insumos não invalidaria a condição de preço predeterminado: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se desde 1o de novembro de 2003.” Buscando interpretar os dispositivos legais, a Instrução Normativa SRF n.° 658, de 4 de julho de 2006, que expressamente revogou a IN SRF n.° 468, de 2004, tendo em vista particularmente as inovações trazidas pelo artigo 109 da Lei n.° 11.196, de 2005, em seu artigo 3º, estabeleceu o conceito de preço predeterminado: “Art.3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. §1º Considera-se também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I - de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II - de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Como se vê, o §2º do art. 3º da IN SRF n.° 658, de 2006, considera que cláusulas de reajuste, periódico ou não, bem como regras de reajuste para a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato retirariam o caráter predeterminado do contrato, quando da ocorrência do primeiro reajuste. A leitura dos dispositivos legais acima transcritos trazem as premissas que entendo que devem ser utilizadas no presente julgamento: Fl. 8626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 22 1) Contrato a preço predeterminado é aquele cujo preço esteja fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto ou, alternativamente, aquele cujo preço seja fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. 2) O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003, decorrente da aplicação de: (i) cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou (ii) regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei n.° 8.666/1993. 3) Somente dois tipos de índices, quando utilizados em reajuste ou revisão de preços, não descaracterizam o preço predeterminado: (i) os que reflitam acréscimos dos custos de produção; e (ii) os que reflitam a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Com a definição de tais premissas, passo a analisar o caso concreto. 3.1.A. DA ANÁLISE DOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE ANTES DE 31/10/2003. Passo a analisar a parte do Auto de Infração lavrada em decorrência do entendimento da d. Autoridade Fiscal de que não vigoravam mais no período fiscalizado os contratos por tempo determinado firmados entre a Recorrente e as empresas: Cimento Tupi S/A (CNPJ nº 33.039.223/0006-26); Companhia Brasileira de Bebidas - AMBEV (CNPJ nº 60.522.000/0013-17); Companhia Vale do Rio Doce - CVRD (CNPJ nº 33.592.510/0001-54); Dupont Cipatex S/A (CNPJ nº 04.210.314/0001-70); Industrial de Alimentos Biscosul Ltda. (CNPJ nº 87.045.217/0001-04); Nestlê Brasil Ltda. (CNPJ nº 60.409.075/0100-34); Pirelli Pneus S/A e outras; Polibrasil Resinas S/A (CNPJ nº 59.682.583/0001-20); Sachas Automotive Brasil Ltda. (CNPJ nº 57.000.317/0001-98); e Satélite Distribuidora de Petróleo Ltda. (CNPJ nº 70.052.352/0001-70). Em suas razões, a Recorrente demonstra que atua, essencialmente, como prestadora de serviços no ramo de alimentação e que firmou diversos contratos de fornecimento de refeições que ora tinham por escopo o fornecimento de refeições por prazo indeterminado e ora tinham tal obrigação a ser cumprida por prazo determinado. Alega a Recorrente que a renovação de tais contratos por aditivos não constituiria novo contrato de forma a alterar a sistemática de apuração do PIS e da COFINS. Veja-se: “Pois bem. A acusação fiscal e a decisão recorrida baseiam-se em pilares claudicantes, a seguir destacados: Fl. 8627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 23 I. Impossibilidade de os prazos de vigência dos contratos serem prorrogados após o marco de 31/10/2003 e II. Impossibilidade de haver, nos contratos firmados pela RECORRENTE, cláusulas prevendo reajuste dos preços predeterminados para a execução dos serviços, com eleição ou não de índice ou mesmo mediante a repactuação das partes. No primeiro caso - prorrogação de prazos de vigência do contrato originariamente firmado -, há que se considerar que o instrumento tendo como objetivo a manutenção dos serviços dantes contratados não tinha o condão de criar ou alterar relação jurídica já estabelecida, apenas e tão somente conferir continuidade nos lindes do primeiro pactuado. Com efeito, o instrumento denominado aditivo não pode ser tratado como se novo contrato fosse, porquanto não atende aos requisitos inerentes a tal fenômeno jurídico. (...) Pois bem. Tais elementos, inegavelmente, encontravam-se presentes naqueles instrumentos que a RECORRENTE firmara com seus contratantes, não havendo nenhum vício que os maculasse. Tanto é assim que o fornecimento de refeições sempre se deu regular e satisfatoriamente, culminando com o interesse, no caso dos contratantes de serviços por prazo determinado, em diferir o prazo de vigência inicialmente pactuado. E neste ponto, havemos de considerar que as prorrogações, que foram formalizadas por intermédio de aditivos deu-se antes que se esvaísse o prazo contratual original, que já vigorava antes de 31.10.2003 e por prazo superior a um ano. Desta feita, não se operou nenhuma das causas de extinção de contrato previstas no codex civil, quais sejam: distrato (artigo 472 e seguintes), cláusula resolutiva (artigo 474 e seguintes), exceção do contrato não cumprido (artigo 476 e seguintes) e resolução por onerosidade excessiva (artigo 478 e seguintes). Ora, se assim o é, não há que se falar que fora firmado novo contrato após o interregno legal de 31.10.2003, para efeitos de exclusão da RECORRENTE do regime de recolhimento de PIS/COFINS, mormente porque o termo aditivo não promoveu nenhuma alteração no tocante ao objeto do contrato que já vinha sendo executado! (...) Diante do quanto narrado, a pretensão de atribuir à prorrogação do contrato de fornecimento de refeições - formalizada por aditivo ou não – contornos de novo contrato para fins de exclusão da RECORRENTE do regime da cumulatividade no que toca às Contribuições ao PIS e COFINS deve ser infirmada, haja vista que a prorrogação das relações jurídicas já estabelecidas antes de 31.10.2003 não Fl. 8628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 24 configuram "novo contrato", bem como que os contratos originariamente firmados vigoravam por prazo superior a um ano, preenchidos. portanto, todos os requisitos necessários para afastar a tributação de PIS/COFINS pelo regime da não cumulatividade.” Neste ponto, é importante destacar que, apesar das alegações trazidas pela Recorrente acerca dos aditivos que prorrogaram os contratos firmados por prazo certo, a mesma não produziu qualquer prova neste sentido e não apresentou os ditos aditivos nem quando da fiscalização, nem quando de sua Impugnação. Com relação ao tema, a DRJ assim decidiu: “Ocorre que, entre os contratos e aditivos apresentados à fiscalização, os quais se encontram listados nas planilhas às fls. 4.152 a 4.163, não consta nenhum aditivo referente a essas empresas, assim como não consta entre os documentos apresentados junto com a impugnação ora apreciada. Na prática, a contribuinte defende a tese de que os contratos firmados por tempo determinado (e cujo prazo se extinguiu antes do período fiscalizado) poderiam ser prorrogados, porém não comprova que o tenham sido de fato. Note-se que na planilha elaborada pela fiscalização, onde lista os contratos apresentados pela contribuinte, a própria autoridade fiscal já destaca, na coluna de observações, que o contrato vencido poderia ser modificado por meio de aditivo firmado pelas partes, o que denota a sua disposição em considerar eventuais prorrogações desses contratos, desde que ocorridas nos termos estabelecidos pela legislação tributária, caso tivessem sido devidamente comprovadas. Assim, com base nos elementos acostados aos autos, não há fundamentos para a tributação pelo regime cumulativo das receitas decorrentes dos contratos firmados por prazo determinado e vencidos anteriormente ao período fiscalizado, conforme apontado pelo fisco.” Cumpre ressaltar que mesmo com a expressa menção, pela DRJ, da falta de apresentação de provas, a Recorrente não trouxe os referidos documentos quando da interposição do Recurso Voluntário. Entendo, tal como a DRJ, que com base nos elementos acostados aos autos, não há fundamentos para manter a tributação pelo regime cumulativo das receitas decorrentes dos contratos firmados por prazo determinado e vencidos anteriormente ao período fiscalizado. Além disso, em relação aos contratos por prazo indeterminado, a Recorrente assim defende: “Noutro giro, no que toca à previsão de cláusulas de reajuste de preços previstos contratualmente, menos razão respalda a autuação mantida no âmbito da DRJ, que Fl. 8629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 25 pretendia atribuir à previsão de reajustamento e seu índice a aptidão de descaracterizar o "preço predeterminado" estipulado na avença originária. Em verdade, de uma fria análise presume-se que por ocasião do lançamento de ofício, a fiscalização estava a almejar restaurar a revogada Instrução Normativa SRF n° 468, de 8 de novembro de 2004, que previa: "Art. 2° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1o Considera-se também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2° Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1°." E nesse malfadado entendimento, lamentavelmente fora acompanhada pela DRJ. Ora, pelo que se depreende da leitura de referida norma, vê-se que tais disposições orientaram as conclusões da fiscalização, que ávida pela autuação, aplicou-a em detrimento da IN nº 658/2006, vigente à época dos fatos geradores para autorizar a previsão de reajustamento de preços sem que isso fulmine sua predeterminação contratual, a qual pedimos vênia para novamente transcrever: (...) Pois bem. Como a própria fiscalização aferiu, muitos dos contratos firmados pela RECORRENTE preveem o reajustamento dos preços predeterminados nas seguintes bases: Fl. 8630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 26 Ressalvadas as hipóteses de diferença de aplicação dos percentuais relativos ao custo alimentar e à mão de obra empregada na execução dos serviços, o que se tem, em verdade, é que tal cláusula labora em favor da RECORRENTE, atendendo, em plenitude, ao que a IN SRF 658/2006 preconiza. Isso porque é o índice IGP, coluna 6, que reflete os preços da matéria prima adquirida pela RECORRENTE para a efetiva prestação dos serviços: fornecimento de refeições! Por outro lado, é indispensável que o reajuste pondere, conjuntamente, a variação do preço da mão de obra dos funcionários que laboram para a RECORRENTE, a fim de que ele reflita a realidade de mercado. Dito isto, tem-se que nada obsta o reajustamento de preços conjugando preço de insumo e mão de obra empregada.” Sobre a questão, a DRJ assim decidiu: “Por disposição das já transcritas previsões da IN SRF nº 658/2006, considera-se, a partir de 01/02/2004, para fins de interpretação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003, contrato a preço predeterminado aquele cujo preço esteja fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato ou, alternativamente, aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução, nele subsistindo o caráter predeterminado somente até a implementação, após 31/10/2003, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste Fl. 8631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 27 para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Caráter predeterminado que igualmente não resiste na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, devendo as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31/10/2003 ser sujeitas à incidência não- cumulativa das contribuições. Feitos tais esclarecimentos, voltados a permitir a identificação pela contribuinte de eventual caráter predeterminado de preços contratuais, bem como dos limites temporais de tal caráter, não se mostra excessivo também apresentar sintéticas observações a respeito das disposições dos contratos cujas cópias foram trazidas aos autos. Cabe, pois, mais uma vez destacar que as regras constantes no inciso XI do art.10 da Lei nº 10.833, de 2003, são regras de transição que visam assegurar o equilíbrio econômico dos contratos firmados antes da mudança no regime de apuração da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins. Nos contratos apresentados, há presença de cláusula com disposição de que "os preços contratuais permanecerão fixos e irreajustáveis, porém a cada 12 (doze) meses, a contar de ..., as partes se comprometem a reanalisá-los de modo a restabelecer o equilíbrio econômico/financeiro do contrato, se constatado eventual desequilíbrio", disposição que, evidentemente, permite alteração de preços que poderia vir por si só assegurar o equilíbrio econômico dos contratos eventualmente atingidos pela mudança no regime de apuração das contribuições em pauta, o que implica descaracterização do caráter predeterminado de preços estabelecidos na forma prescrita pelo art. 3º da IN SRF 658, de 2006. Identificam-se, comumente, cláusulas prevendo reajustes de preços com base em índices como, por exemplo, "IGP, coluna 6" e “IGP-M”, ambos calculados pela Fundação Getúlio Vargas, e “IPC”. A própria impugnante admite que utiliza tais índices, defendendo que o IGP reflete os preços da matéria prima adquirida para a efetiva prestação de seus serviços. Ocorrência de reajustes em tais bases afronta as previsões da IN SRF nº 658/2006, em seu supra transcrito art. 3º, §3º, o qual, lastreado no art. 109 da Lei 11.196, de 2005, dispõe que reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, não descaracteriza o caráter predeterminado de preços apenas se efetivado em função do custo de produção, ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Referido inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, ao qual remete o art.109 da Lei 11.196, de 2005, assim dispõe, in verbis: Fl. 8632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 28 “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá dar-se pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r - IPC-r. § 1º O disposto neste artigo NÃO se aplica: I - às operações e contratos de que tratam o Decreto-lei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II - aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III - às hipóteses tratadas em lei especial. (...)” (grifou-se) Do próprio dispositivo legal tem-se nítido, pois, que correção de preços por variação do Índice de Preços ao Consumidor, prevista pelo caput do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, e, assim, de índices gerais de preços que o tenham sucedido, é legalmente diferenciada de correção na forma do §1º, inciso II, daquele mesmo art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, forma esta a qual foi expressamente selecionada em 2005 pelo art. 109 da Lei nº 11.196, daquele ano, como aquela da qual não decorreria descaracterização de preço predeterminado. Portanto, reajustes de preços com qualquer base na variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, dado claramente se tratar de índice médio de mercado, que não reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção, descaracterizariam os preços praticados pela contribuinte como predeterminados, na hipótese ora descrita. O mesmo se diz do IGP, coluna 6, que mede a variação de preços por atacado dos gêneros alimentícios, e o IPC, que se trata de mero indicador do custo de vida das famílias. Assim, em que pese o laudo apresentado pela impugnante, segundo o qual "os preços praticados não foram superiores aos indicadores ao custo total ou índice de preços ao produtor amplo - disponibilidade interna", a opção pelo regime cumulativo não se justifica, ao contrário do que conclui aquele documento. Neste ponto, importa lembrar que a simples possibilidade de se reajustar os preços dos contratos por esses índices já afasta a tributação pelo regime de exceção (cumulativo), uma vez que a legislação que permitiu a permanência excepcional em tal regime, repita-se, tinha o condão de proteger aqueles que estavam impedidos de Fl. 8633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 29 alterar as regras pactuadas anteriormente à alteração das alíquotas das contribuições, trazida pelo regime não-cumulativo.” Como se vê, a decisão recorrida afastou a tributação pela sistemática da cumulatividade, por entender que os contratos da Recorrente estavam nas hipóteses de exceção do “regime de transição” autorizado pela legislação aos contratos com preço predeterminado, pelos seguintes fundamentos: 1 – Os contratos previam a possibilidade de reajuste de preço para o reequilíbrio econômico/financeiro (artigo 3º. §2º, II, da IN. SRF nº 658/2004) e 2 – Os contratos teriam correção por índice diferente daquele previsto na legislação para a manutenção do recolhimento de PIS e COFINS pela sistemática da cumulatividade (artigo 3º. §3º, da IN. SRF nº 658/2004). Para a correta análise da questão, fundamental se faz novamente a transcrição da Instrução Normativa SRF n.° 658, de 4 de julho de 2006: “Art.3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. §1º Considera-se também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I - de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II - de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Conforme já mencionado no tópico anterior, a permanência no sistema cumulativo autorizada pela legislação foi excepcional e transitória e teve por objetivo o respeito ao princípio da segurança jurídica, que impunha que se preservassem as condições já pactuadas, não se permitindo que alteração superveniente na legislação tributária refletisse nos custos relativos à execução do contrato. Fl. 8634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 30 Neste contexto, considerando a razão da legislação, e em observância ao artigo 3º, §2º, II, da IN. SRF nº 658/2004, a DRJ concluiu pela existência de cláusula que prevê o reequilíbrio financeiro dos contratos em razão de alteração superveniente que afetasse o equilíbrio contratual. É o que se extrai do trecho abaixo: “Nos contratos apresentados, há presença de cláusula com disposição de que "os preços contratuais permanecerão fixos e irreajustáveis, porém a cada 12 (doze) meses, a contar de ..., as partes se comprometem a reanalisá-los de modo a restabelecer o equilíbrio econômico/financeiro do contrato, se constatado eventual desequilíbrio", disposição que, evidentemente, permite alteração de preços que poderia vir por si só assegurar o equilíbrio econômico dos contratos eventualmente atingidos pela mudança no regime de apuração das contribuições em pauta, o que implica descaracterização do caráter predeterminado de preços estabelecidos na forma prescrita pelo art. 3º da IN SRF 658, de 2006.” Além do exposto pela DRJ, relevante se faz a transcrição de cláusulas dos contratos juntados aos autos quando da impugnação apresentada, todos eles constantes no arquivo (Parte11\10803720099201481_004694_004694_COPIA_Arquivo Não Paginável_DOCUMENTOS_ DIVERSOS_202408080837142.zip, exemplos de pág. 33, 352 e 369). Não resta dúvida de que os contratos autorizavam a adequação do preço em razão da alteração da legislação tributária. Ocorre que, me parece que a mera previsão contratual de readequação das condições contratuais não é suficiente para a alteração da sistemática de apuração do PIS e da COFINS. Isso porque, a leitura do artigo 3º, §2º, II, da IN supratranscrita determina que caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Fl. 8635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 31 Portanto, nos termos na legislação, é necessário que haja a efetiva implementação de alteração de preço em decorrência da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio contratual. O Recurso Voluntário interposto vai no sentido de que o reajuste contratual que utiliza o IGP, IGPM e outros índices não pode ser considerado como acima do reajuste dos contratos. De fato, sobre esse ponto, o mero reajuste contratual não caracteriza condição de perda do preço predeterminado. Neste sentido, assim julgou a CSRF em acórdão recente: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/07/2005 CONTRATAÇÃO A PREÇO PREDETERMINADO. APLICAÇÃO DE REAJUSTE PELO ÍNDICE DO IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO. REGIME DE INCIDÊNCIA CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo “a preço predeterminado”, condição essencial para manter as receitas decorrentes do contrato no regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, conforme art. 10 da Lei 10.833/2003, salvo nas hipóteses em que o postulante ao crédito comprove que tal índice foi inferior aos patamares estabelecidos no § 3o do art. 3o da IN SRF 658/2006 (e nas que lhe sucederam, na missão de disciplinar o art. 109 da Lei 11.196/2005). (Acórdão nº 9303-015.097 – CSRF / 3ª Turma. Sessão de 11 de abril de 2024) Nesse sentido, vale dizer que a análise do ajuste do referido “índice” dos contratos foi verificado quando da diligência na 1ª instância, sendo certo que a Recorrente juntou em sua Impugnação parecer técnico sobre o assunto. Contudo, da diligência realizada (fls. 5625/5717), a Autoridade Fiscal acabou por desqualificar o parecer técnico apresentado, conforme abaixo destaco: “60. Na fase impugnatória, a Sapore apresentou o parecer técnico denominado de “Reajustes dos Preços Praticados pela Sapore S. A.: 2003-2009", fls. 104 e seguintes do arquivo não paginável de fl. 4694, com a finalidade de demonstrar que os percentuais de reajuste praticados nos contratos não foram superiores aqueles Fl. 8636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 32 correspondentes à variação do indice que julgou refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados: IPA - DI da Fundação Getúlio Vargas (Indice de Preços por Atacado - Disponibilidade Interna). 61. O parecer técnico mencionada que foi considerada uma amostra de 67 contratos, que representa o percentual de 59,82% dos 112 contratos da planilha de fls. 4152 a 4160, quando, na realidade, foram somente 36 (32,14%). Isto porque foram relacionados 24 estabelecimentos correspondentes a um único contrato firmado com o Carrefour e 4 relativos ao contrato assinado com empresa Johnson Controls, por exemplo. E, por incrível que pareça, foi incluído nesse levantamento o contrato celebrado com a SIMISA – Siminioni Metalúrgica Ltda, datado de 03/11/2003!!!” Ora, o percentual de 32,14%, incluindo um contrato firmado após 31/10/2003, de fato, afeta a credibilidade do documento apresentado. Neste contexto, entendo que a análise da manutenção ou não das receitas na sistemática da cumulatividade vai depender da análise individualizada de cada contrato, seus aditivos e forma de reajuste de preço efetivada. Ocorre que a Recorrente não juntou aos autos os contratos, dados do reajuste e outros documentos que corroborem sua tese de defesa, motivo pelo qual não é possível confirmar o direito alegado. 3.1.B. DOS CONSUMIDORES FINAIS E TERCEIROS ABRANGIDOS PELOS CONTRATOS PRINCIPAIS. A d. Autoridade Fiscal também autuou valores referentes a contratos que não foram entregues e, por isso, não foi possível verificar se preenchiam os requisitos para a manutenção da tributação do PIS e da COFINS na sistemática do regime cumulativo. Neste ponto assim foi a acusação fiscal: Fl. 8637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 33 Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente aduz: “Insta rememorar que como a RECORRENTE asseverou em sua Impugnação, seus contratantes são grandes empresas, como metalúrgicas, fábricas de eletrodomésticos, indústrias alimentícias e automobilísticas conhecidas nacionalmente, tais como Electrolux, Toshiba, Monsanto, Nestlé, Parmalat, Pirelli Pneus e Fiat, dentre tantas outras, as quais terceirizam parcela de suas atividades, contratando outras empresas menores, sendo que estes terceirizados acabam por laborar nas próprias dependências da tomadora dos serviços. De igual sorte, citou a RECORRENTE os contratos com as empresas Fiat, Pirelli e Tecumseh, colacionando-os aos autos, cujos objetos deixam claro e cristalino que sua obrigação é “fornecer refeições aos empregados, dirigentes e a terceiros autorizados pela CONTRATANTE”. Informou, ademais, que classificou como “consumidor final” as receitas advindas daqueles que solicitam produtos que, embora ofertados por força contratual (cláusula 2.3 dos contratos citados), estão além da refeição padrão (cláusula 2.4) ou se trata da refeição de um visitante ou cujo valor era inferior a R$ 300,00. Todavia, ressaltou a RECORRENTE que as exceções à refeição padrão também não consubstanciaram novo contrato de fornecimento de refeições. Neste momento, oportuno reiterar que, ainda que os contratos firmados previssem as exceções supramencionadas, com fornecimento de alimentação avulsas e a terceiros, bem como a oferta de outros produtos além do padrão, ainda assim, tais fatores não dão azo ao entendimento que se estaria diante de um novo contrato ou de restaria descaracterizado o preço predeterminado. Corroborando este raciocínio, tome-se por amostra o caso da empresa FIAT (contrato originário acostado às fls. 1274/1291 dos autos). Fl. 8638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 34 Dentre as previsões contratuais de variadas ordens, estão expostos desde o local onde se daria o fornecimento de refeições, especificando os restaurantes que compõem o complexo industrial, até os tipos de refeições oferecidas além do serviço padrão, passando, inclusive, pelos processos e documentos que indicam quantidade de refeições e liberam seu fornecimento, para fins de controle e separação por centro de custo. Nessa sendo, resta claro e inconteste que mesmo as exceções estão previstas em contrato, e a refeição ofertada fora do padrão segue o preço predeterminado para o contrato global, não havendo que se falar, portanto, em valores destoantes do preço predeterminado a fim de validar a exclusão de tais contratos e, por conseguinte, das receitas dele decorrentes, do regime de apuração cumulativa de PIS/COFINS.” Conforme bem pontuado pela DRJ, e mais uma vez não rebatido pelo Recurso Voluntário, não há, na escrituração contábil da Recorrente qualquer distinção quanto às receitas obtidas de terceirizados ou dos chamados por ela "clientes principais". A d. Autoridade Fiscal, na diligência realizada, confrontou a planilha por ela apresentada (arquivo não paginável à fl. 4.709) com os contratos entregues, e confirmou a falta de diversos contratos constatada durante a fiscalização. Em sua análise, a d. Fiscalização verificou ainda, entre outras irregularidades, haver "clientes principais" constantes na planilha apresentada pela Recorrente, cujos contratos não foram entregues, que sequer haviam iniciado suas atividades em 31/10/2003, de forma que eventuais receitas recebidas em 2009 jamais poderiam ser tributadas pelo regime cumulativo, conforme item 48 da informação fiscal (fls. 5637): Fl. 8639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 35 Além disso, o argumento de que os referidos valores se referem à refeições extras, também não merece prosperar, na medida em que, os contratos por ela mencionados e que abarcariam tais operações não teriam o preço predeterminado de tais refeições, motivo pelo qual, a receita dele advindo não deveria estar sujeita à sistemática cumulativa do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vale a transcrição das precisas razões da DRJ: “No que tange à rubrica "consumidor final", constante na planilha apresentada ao fisco, em que a contribuinte lista as receitas tributadas pelo regime cumulativo, com identificação do cliente, a defendente explica que se refere às receitas decorrentes do fornecimento de refeições distintas da refeição padrão constante nos contratos com as empresas principais, cuja diferença de preço é paga pela solicitante; ou, em alguns casos, a identificação como "consumidor final" corresponde a receitas de refeição avulsa fornecida a um visitante, ou, ainda, a receitas de empresas cuja demanda não era superior a R$ 300,00. Vejamos: se o contrato firmado prevê o fornecimento de refeições a um determinado valor, sendo facultado à contratante solicitar refeição distinta, arcando com a diferença de valor, essa diferença de preço não se encontra "engessada" pelo contrato, de forma a justificar a tributação dessas receitas pelo regime cumulativo. Fl. 8640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 36 Em outras palavras, ainda que se considere o preço da refeição padrão como sendo predeterminado, no caso de haver solicitação de refeição extra, com pagamento da diferença de preços dessas refeições, a diferença pode ser cobrada com base no valor atualizado da refeição solicitada, já que seu preço não consta no contrato. Independentemente de se tratar ou não de um novo contrato, o preço aqui cobrado não está inserido no conceito de preço predeterminado, que poderia ser atribuído à refeição padrão, constante no contrato de fornecimento firmado. Desta forma, não há razões para que se tribute tais receitas pelo regime cumulativo, com base nos dispositivos do art. 10, inciso XI, alínea b, da Lei nº 10.833/2003 e da IN SRF nº 658/2006. O mesmo pode-se dizer das receitas decorrentes do fornecimento de refeição avulsa a um visitante, já que, como afirma a própria impugnante, configura uma exceção ao serviço padrão. Quanto à alegação de que parte dessas receitas seriam de empresas que não tinham demanda superior a R$ 300,00, em nada socorre a defendente, no sentido de respaldar a sua tributação pelo regime cumulativo. Ora, a fiscalização solicitou que a contribuinte identificasse os clientes relacionados às receitas tributadas por tal regime, apresentando os respectivos contratos. A contribuinte não pode querer utilizar o valor do serviço como justificativa para a ausência de comprovação. De fato, embora a contribuinte tenha explicado o motivo de apontar em sua planilha o cliente como "consumidor final", não logrou comprovar que essas receitas estavam relacionadas a contratos que atendiam ao disposto no art. 10, inciso XI, alínea b, da Lei nº 10.833/2003.” Portanto, não merecem prosperar as alegações da Recorrente. 3.1.C. DOS CONTRATOS ENTABULADOS COM FIAT, BIOSEV, PIRELLI, COMPANHIA CACIQUE, ELECTROLUX, AÇOMINAS, TECUMSEH, VALE DO RIO DOCE e RASIP Neste ponto, o cerne da discussão é sobre a análise se determinados contratos aos quais entende a d. Fiscalização que faltavam características a fim de que fosse possível mantê-los na tributação cumulativa de PIS/COFINS. Relembro aqui que a Fiscalização conseguiu obter os contratos que abaixo analiso por meio de diligência fiscal, diretamente com os Contratados, já que a Recorrente não os apresentou. Vejamos: (i) FIAT AUTOMÓVEIS LTDA. (FIASA) Fl. 8641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 37 Alega a Recorrente que seu contrato com a Fiat Automóveis Ltda. (FIASA) teria vigência de 22/09/2003 a 21/09/2005, com prorrogação para 1º/06/2011. Em que pese ser a fornecedora do contrato, a Recorrente não apresentou os ditos aditivos com a prorrogação do prazo. Em diligência realizada junto à FIAT, a d. Fiscalização obteve cópia dos aditivos contratuais 6º ao 11º (fls. 2964/3043), sendo que já no oitavo aditivo datado de 04/04/2008, foram convencionados novos valores para os serviços de alimentação e a prorrogação do término do contrato. Como os aditivos pactuaram novos preços em data posterior à entrada em vigor da nova sistemática de tributação do PIS e da COFINS, as receitas referentes ao novo preço pactuado devem ser tributadas pela sistemática da não cumulatividade. Neste contexto, não é possível acatar a alegação da Recorrente de que as referidas receitas decorreriam do mesmo contrato e que a revisão de preços ocorrida não poderia descaracterizar a condição do preço predeterminado. (ii) BIOSEV S/A Alega a Recorrente que parte das receitas foram tributadas pelo regime cumulativo na medida em que os contratos teriam sido firmados em data anterior a 31/10/2003, pela empresa Nutriself, posteriormente incorporada pela autuada. Sobre esse ponto vale a transcrição da decisão da DRJ, que corretamente analisou a questão: “A fiscalização, no entanto, obteve da Biosev dois outros contratos, firmados em 01/09/2007 e 01/04/2009, respectivamente. A impugnante menciona os dois contratos obtidos pela fiscalização junto à empresa contratante, alegando que não abrangeriam os dois estabelecimentos daquela empresa que foram tributados pelo regime cumulativo (as filiais Maracaju, CNPJ nº 15.527.906/0006-40, e Rio Brilhante, CNPJ nº 15.527.906/0007-21), para os quais já havia contratos anteriores. De fato, o primeiro contrato obtido pela fiscalização, firmado em 01/09/2007, previa o fornecimento de alimentação da unidade situada na Fazenda Ibura, CNPJ nº 15.527.906/0009-93; o segundo contrato, por sua vez, firmado em 01/04/2009, pactuava o fornecimento de refeições a diversos estabelecimentos industriais da contratante, entre eles as Unidades Maracaju e Rio Brilhante, cujas receitas a contribuinte tributou pelo regime cumulativo. Note-se que o contrato firmado em 01/04/2009 previa o fornecimento de refeições para diversas unidades, de forma que não há nenhuma justificativa para que as Fl. 8642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 38 receitas de duas unidades sejam tributadas de forma diferente das demais receitas, se todas são decorrentes de um mesmo contrato. Assim, em que pese a alegação da impugnante de que haveria outros contratos firmados anteriormente para as duas unidades, o fato de haver um novo contrato firmado 01/04/2009, que abrangia aquelas unidades, já obrigaria a contribuinte a tributar as receitas pelo regime não-cumulativo.” Em seu Recurso Voluntário a Recorrente tão somente repete os argumentos trazidos quando da impugnação, sem rebater os pontos bem destacados pela decisão da DRJ. Neste contexto, em razão do novo contrato celebrado pela Recorrente em data posterior a 2003, devem as receitas do contrato em questão serem tributadas pela sistemática da não cumulatividade. (iii) PIRELLI PNEUS S/A Em relação ao contrato da Pirelli, entendeu a DRJ da seguinte forma: “Sobre o reajuste dos preços com base na variação do IGP, já se esclareceu neste voto a respeito da sua descaracterização da condição de preço predeterminado. Quanto aos contratos mencionados pela contribuinte em sua impugnação, tratando-se de contratos firmados com prazo determinado, evidentemente não poderiam continuar respaldando a tributação pela sistemática cumulativa indefinidamente. De fato, não há nenhuma previsão legal para que se mantenha a tributação pelo regime cumulativo, no caso de receitas que eventualmente venham a ser auferidas em função de uma suposta "prorrogação tácita" de um contrato após o seu prazo de vigência, conforme alega a impugnante. Ao contrário, o art. 4º da IN SRF nº 658/2006 é claro ao determinar que, na hipótese de prorrogação do contrato, pactuada a qualquer título, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitar-se- ão à incidência não-cumulativa das contribuições. Isto porque, não estando a contratante obrigada a prorrogar qualquer contrato, nas mesmas condições em que tenha sido firmado, após o prazo contratado, cabe a ela, contratante, avaliar a conjuntura do momento, decidindo pela prorrogação ou não, conforme lhe convier. Desta forma, não há como referendar a tributação pelo regime cumulativo das receitas em questão.” Conforme demonstrado no tópico anterior, entendo, com base na legislação e na jurisprudência do CARF que o reajuste pelo IGP, por si só, não é fator que exclui o preço predeterminado. No caso, a Recorrente trouxe aos autos laudo técnico que atesta que os reajustes Fl. 8643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 39 contratuais foram realizados em patamares inferiores à correção dos custos incorridos para a prestação do serviço ou fornecimento contratado. Ocorre que, no caso, conforme reconhecido pela própria Recorrente, os contratos firmados eram por prazo certo. Conforme cláusula abaixo: Ora, não estando a Recorrente obrigada a prorrogar qualquer contrato, nas mesmas condições em que tenha sido firmado, após o prazo contratado, cabe a ela, contratante, avaliar a conjuntura do momento, decidindo pela prorrogação ou não, conforme lhe convier. Pelo exposto, entendo que deve ser mantido o lançamento na medida em que a prorrogação dos contratos se deu após o advento da nova sistemática de apuração do PIS e da COFINS. (iv) COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL Conforme mencionado em tópico acima, o ajuste no preço em virtude da readequação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato é causa de descaracterização de preço predeterminado dos contratos. O aditivo contratual celebrado em 01/02/2005 traz reajuste em razão de expressa necessidade de readequação do equilíbrio contratual (fls. 3132/3133), veja-se: Fl. 8644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 40 Como o ajuste em razão da necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato foi realizada em 2005, quando já em vigor a nova sistemática de apuração do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo, não há que se falar em manutenção de preço predeterminado. Dessa forma, não há como respaldar a tributação das receitas decorrentes deste contrato pelo regime cumulativo. (v) ELETROLUX DO BRASIL S/A Conforme se verifica dos autos, o contrato celebrado entre a Recorrente e a Eletrolux tinha prazo indeterminado e reajuste previsto nos seguintes termos: Como acima já comentado, entendo que a previsão de reajuste de preço, não descaracteriza, por si, a existência de preço preestabelecido capaz de alterar a sistemática de tributação do PIS e da COFINS. Ocorre que, o aditivo contratual de fls. 3477 e seguintes, assinado em 01.03.2008 altera o preço anteriormente estabelecido e, por isso, afasta também a condição do preço preestabelecido. Veja-se: Neste contexto, considerando que no quinto termo aditivo ao mencionado contrato, datado de 01/03/2008, as partes resolveram, de comum acordo, rever os preços Fl. 8645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 41 cobrados pela refeição servida, na ordem de 6%, tendo em vista a antecipação de reajuste acordado entre as partes, sendo o reajuste retroativo a 1º de outubro de 2007, com a diferença dos valores faturados em nota fiscal complementar, não há como se manter a tributação do PIS e da COFINS pela sistemática da cumulatividade. (vi) AÇO MINAS GERAIS S/A - AÇOMINAS (GERDAU AÇOMINAS S/A) Neste ponto, perfeita a decisão da DRJ, motivo pelo qual transcrevo suas razões: “A contribuinte, ao ser intimada pelo fisco, apresentou o contrato firmado em 03/06/1998, para fornecimento e distribuição de refeições, com exclusividade, nos restaurantes da Açominas, aos empregados e às pessoas por ela credenciadas ou indicadas, justificando assim a tributação pelo regime cumulativo das receitas recebidas desta contratante. De pronto já se verifica que o referido contrato possuía cláusula de reajuste de preços, a cada 12 (doze) meses, "de modo a restabelecer o equilíbrio econômico- financeiro do contrato, se constatado eventual desequilíbrio". Conforme já debatido neste voto, a simples possibilidade de reajuste de preços nestes termos já implicaria, por si só, na descaracterização do preço predeterminado, obrigando a contratada a tributar as receitas pelo regime não-cumulativo a partir de então. Afora essa questão, a autoridade fiscal obteve, junto à empresa contratante, contrato diverso, datado de 14/09/2009, com vigência de 36 meses, a partir de 01/03/2007, cujo objeto foi o fornecimento e distribuição de lanches e refeições aos empregados e às pessoas credenciadas ou indicadas pela contratante, nos restaurantes da Usina Arthur Bernardes e demais unidades da Gerdau Açominas. Sobre isto, a impugnante alega que, tratando ambos os contratos do mesmo objeto, evidencia-se uma mera continuação um do outro, de forma que deve ser considerada a data em que foi firmado o primeiro, ou seja, 03/06/1998, para efeitos de tributação das respectivas receitas. Tal tese, contudo, não pode prosperar. Por certo, não haveria sentido algum em se firmar um novo contrato, que pretendesse a simples continuação do primeiro. E, ainda que se pretendesse tão somente incluir no contrato original novos pontos de distribuição, bastaria que se fizesse um aditamento ao contrato original, sem necessidade de se redigir um novo contrato para tal. Com efeito, confrontando-se os dois contratos firmados com a empresa, fica evidente a descontinuação do primeiro contrato firmado, em função da assinatura do segundo, dadas as diversas diferenças que se verificam entre um e outro, tais como a exclusão de cláusula de exclusividade, inclusão de prazo de vigência do contrato, alterações nas obrigações da contratante e da contratada e nas cláusulas Fl. 8646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 42 de rescisão, e, principalmente, estipulação de novos preços para todos os itens, incluindo-se muitos que sequer constavam no contrato original. Registre-se, por fim, que, ainda que o contrato com vigência a partir de 01/03/2007 não apresentasse qualquer mudança em relação ao anterior, não se poderia deixar de considerar a descaracterização do preço predeterminado, em função da previsão de revisão dos preços constante no contrato original. Desta forma, seja por haver cláusula de previsão de reajuste do contrato original, seja por ter sido firmado contrato distinto, após 31/10/2003, que substituiu o primeiro, não é possível referendar a tributação pelo regime cumulativo das receitas obtidas desta empresa no ano de 2009.” Por concordar com os termos do acórdão recorrido no que tange a ao contrato em análise, acolho-os como minhas razões de decidir, nos termos do artigo 114, §12, do Regimento Interno do CARF. (vii) TECUMSEH DO BRASIL LTDA. Trata-se de contrato originalmente assinado por prazo indeterminado, com reajuste de preço com base no índice IGP, o que, conforme já mencionado, no meu entender, não afastaria, por si, a incidência do regime cumulativo. Ocorre que, conforme se verifica do contrato de fls. 3210 e seguintes, houve nova pactuação de preço em 26.03.2009: Sendo assim seja por ter sido prorrogado o contrato original, após 31/10/2003 seja pelo reajuste implementado por meio dos aditivos analisados, é de se respaldar o procedimento adotado pelo fisco, no que diz respeito à tributação das receitas pelo regime não cumulativo das contribuições. (viii) COMPANHIA VALE DO RIO DOCE - CVLR (VALE S/A) Conforme se verifica do contrato de fls. 3291 e seguintes, verifica-se que o mesmo tem por objeto o fornecimento de alimentação industrial, que compreende o preparo e a distribuição para os empregados das contratantes e para terceiros nas localidades descritas no Quadro de Quantidade e Preços pela Contratada, de acordo com as condições e critérios estabelecidos naquele contrato e seus anexos. Entre as localidades descritas no referido Quadro, Fl. 8647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 43 datado de 15/10/2008 (fls. 3.309/3.318), se encontram aquelas abrangidas pelo contrato anterior, qual seja, as minas localizadas em Itabira e Ouro Preto, em Minas Gerais, bem como o Complexo Portuário de Tubarão, no Espírito Santo, entre outras. Sendo assim, por ter sido o contrato assinado após 31/10/2003 é de se respaldar o procedimento adotado pelo fisco, no que diz respeito à tributação das receitas pelo regime não- cumulativo das contribuições. (ix) RASIP AGROPASTORIL S/A Em relação ao contrato com a RASIP, a simples leitura do contrato obtido pela d. Autoridade Fiscal quando da diligência realizada é suficiente para a conclusão que não existe preço predeterminado no caso em questão. Veja-se a cláusula de preço constante de fls. 3160/3161: Portanto, de acordo com a mencionada cláusula IV, a remuneração a ser paga à contratada é calculada sobre uma somatória que inclui as contribuições do PIS e da Cofins por ela suportadas (item 1.3 da cláusula IV), o que não deixa dúvida sobre a ausência do caráter de preço predeterminado no referido contrato. Fl. 8648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 44 3.1.D. DO AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA: INOCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO NO RECOLHIMENTO DE PIS/COFINS PELO REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONSEQUÊNCIA DE RECONHECIMENTO PARCIAL DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO FISCAL. A d. Autoridade Fiscal aplicou a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, por entender que a contribuinte teve intenção de reduzir, deliberada e intencionalmente, as importâncias devidas das contribuições, o que caracterizaria a fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Portanto, entendeu a d. Fiscalização que a fraude teria se dado sobre as diferenças apuradas decorrentes da tributação indevida pelo regime cumulativo de receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Conforme se verifica do acórdão proferido pela DRJ, foram considerados indícios para a manutenção da multa qualificada, partindo das seguintes premissas: 1 - A tributação pelo regime cumulativo, das receitas decorrentes de contratos firmados antes da introdução do regime não-cumulativo para o PIS e a Cofins, é medida excepcional e transitória, de forma a garantir que, num primeiro momento, as empresas que tiveram contratos firmados em data recente não se vissem prejudicadas com a mudança da alíquota no cálculo dessas contribuições; 2 - A Recorrente não apresentou boa parte dos contratos por ela celebrados; 3 - Verificou a fiscalização, a partir da investigação nos sistemas da RFB ou dos contratos obtidos junto a alguns contratantes, que havia empresas cujas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo que sequer haviam iniciado suas atividades antes de 31/10/2003; 4 - Em outros casos, foram obtidos aditivos, que demonstram reajustes nos preços ou mesmo encerramento do contrato antes do período fiscalizado; 5 - A alegação de que tais contratos teriam sido prorrogados não foi comprovada com nenhum aditivo sequer – o contrato venceu e a Recorrente alegou que houve prorrogação tácita; 6 - Chama atenção a padronização dos contratos analisados, todos com cláusulas de reajuste e de revisão. Ainda que se possa discutir a respeito da natureza de determinados índices de reajustes, como por exemplo o IGP, o benefício da dúvida desaparece, quando o contrato não determina o índice a ser aplicado; Fl. 8649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 45 7 - O parecer técnico apresentado afirma ter sido de 59,92% dos contratos listados pela contribuinte a amostra analisada, mas quando se verificou que esse percentual foi na verdade de 32,14%, incluindo um contrato firmado após 31/10/2003, o que se entendeu que afeta a credibilidade do documento apresentado; e 8 - Por fim, é de se observar que, ao impetrar Mandado de Segurança no sentido de se reconhecer a ilegalidade da IN SRF nº 468/2004, a interessada demonstra que tinha plena ciência de que, segundo as normas vigentes, já naquela época estava obrigada a apurar suas contribuições pelo regime não-cumulativo. Ora, da leitura dos autos do presente processo, é fácil perceber que a Recorrente efetivamente não colaborou com a fiscalização. Deixou de juntar inúmeros contratos relacionados ao Auto de Infração e junta laudo técnico bastante questionável em razão da amostra utilizada na sua elaboração. Quanto ao laudo técnico, não concordo que sua apresentação significa a intenção da Recorrente em cometer conduta dolosa ou fraudulenta até porque o parecer foi elaborado em 2014 e não vejo relação direta com o fato gerador do tributo. Em relação aos contratos que deixaram de ser juntados, efetivamente trata-se de conduta reprovável, passível de aplicação de multa por embaraço à fiscalização, mas não configura, no meu entendimento, por si só, dolo, fraude ou simulação passível de atrair a multa qualificada aplicada. Quanto ao fundamento de que a Recorrente sabia da existência de reajuste do preço em momento anterior ao período autuado, o que caracterizaria a quebra do preço predeterminado e, consequentemente, obrigaria a tributação na forma da sistemática não cumulativa, entendo que também não é suficiente para a aplicação da multa qualificada. Isso porque, o mero reajuste não é suficiente para a alteração da sistemática de tributação. A matéria é controvertida e há inúmeros precedentes do CARF em sentido contrário ao entendimento da d. Autoridade Fiscal. Vejamos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.” Fl. 8650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 46 (Acórdão nº 3803005.947 – 3ª Turma Especial. Terceira Seção de Julgamento) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/04/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS FIRMADOS ANTES DE 31/10/2003. CLÁUSULA DE REAJUSTE EM DESCONFORMIDADE COM O ART. 109 DA LEI Nº 11.196, DE 2005. PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. Consideram-se como contratos com preço predeterminado aqueles com preços fixados em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato, por unidade de produto ou por período de execução. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, somente não descaracteriza o caráter predeterminado do preço se efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.” (Acórdão nº 3003-001.406 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária) Neste contexto, entendo que apesar de procedente o lançamento, não é possível confirmar com certeza que a Recorrente agiu com o intuito de dolo, fraude ou simulação, motivo pelo qual afasto a aplicação da multa qualificada. Por consequência, deve ser reconhecida a decadência dos créditos tributários referentes aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2009, já que a ciência do auto de infração se deu em 30/12/2014. Conforme já reconhecido pela própria DRJ, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), para a contagem do prazo decadencial, o que significa dizer que, no presente caso, concluo que o lançamento referente a esses períodos se encontra fulminado pela decadência. Fl. 8651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 47 3.2. DO DIREITO AO CRÉDITO DE PIS/COFINS PELO REGIME NÃO-CUMULATIVO E DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONTEÚDO LEGAL. Alinhado com a orientação jurisprudencial do STJ, o aresto recorrido também reconheceu a legitimidade do direito creditório decorrente das despesas incorridas pela RECORRENTE para com i) terceirização de mão de obra (fls. 8261), ii) limpeza, higiene e dedetização (fls. 8262), bem assim iii) uniformes e EPI (fls. 8262/8263), mantendo, para o mês de dezembro/2009, as demais glosas. Sobre o conceito correto a ser adotado, é fundamental que se observe os termos do REsp 1.221.170/PR, julgado em Recurso Repetitivo, quando o Superior Tribunal de Justiça – STJ definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de COFINS, deve observar o critério da essencialidade e relevância, considerando-se a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo, conforme ementa abaixo em destaque: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Fl. 8652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 48 Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando- se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” (REsp n.° 1.221.170/PR, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018) A partir do julgado acima transcrito, não restou mais dúvidas de que as despesas e custos essenciais à atividade do contribuinte devem implicar, como regra, no seu respectivo abatimento na base de cálculo. Assim, a observância do binômio da “essencialidade e relevância” acaba por atingir uma ampla gama de produtos e serviços aplicados na cadeia produtiva de determinada atividade. E, por assim ser, é fundamental a análise, caso a caso, dos itens contratados para a conclusão sobre a definição de insumo. À luz de tais considerações, passa-se a analisar as glosas ainda objeto de discussão nos presentes autos. 3.2.A. MÓVEIS, UTENSÍLIOS E EQUIPAMENTOS DE RESTAURANTES. Da mesma forma, os créditos classificados como "móveis e utensílios; equipamentos de restaurantes", não foram validados pela fiscalização, por serem classificáveis no ativo não circulante da pessoa jurídica. Veja-se o entendimento da DRJ com relação ao ponto: “Neste caso, em que pese não mais se aplicarem as restrições decorrentes das IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, para efeito de enquadramento como insumos de bens utilizados na produção ou prestação de serviços, permanece a ressalva de que, se estiverem no ativo imobilizado, esses bens deixarão de ser consideradas insumos e somente poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso VI, combinado com o seu § 1º, inciso III, e na Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso VI, c/c com o seu § 1º, inciso III, regulamentados, respectivamente, pelo art. 66, inciso III, da IN SRF nº 247, de 2002, e pelo art. 8º, inciso III, da IN SRF nº 404, de 2004. A interessada, no entanto, embora não trate desta glosa de forma específica em sua impugnação original, o faz na sua manifestação em relação ao resultado da diligência efetuada pelo fisco, alegando que os aludidos créditos foram calculados em relação a utensílios como talheres, pratos, panelas, cardápios e outros, que Fl. 8653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 49 não foram integrados no ativo imobilizado da empresa, devido ao seu valor individual, inferior ao mínimo estabelecido pela legislação para tal. (...) Ora, considerando-se a atividade desenvolvida pela interessada, não se pode pensar na utilização dos utensílios citados na impugnação, tais como talheres, pratos, panelas e cardápios, de outra forma senão em conjunto. De fato, dado o volume de refeições fornecidas pela interessada aos seus clientes, mediante os contratos firmados, não se pode admitir que os utensílios utilizados na prestação dos serviços sejam adquiridos por unidade, de forma que possa ser considerado seu valor unitário, para efeito de classificação desses bens fora do ativo imobilizado da empresa. Ademais, a impugnante não logrou comprovar que tais utensílios possuem prazo de vida útil inferior a um ano, outra condição necessária para que não estejam incluídos no ativo imobilizado da empresa e possam gerar créditos a título de insumos. Desta forma, não pode ser acatada a tese da impugnante de que tais utensílios não foram integrados ao ativo imobilizado, devido ao seu pequeno valor.” Tal como já visto anteriormente, a Recorrente é empresa que atua principalmente como prestadora de serviços no ramo de alimentação. Entre as atividades desenvolvidas pela empresa, destacam-se: i) fornecimento de refeições por meio da exploração de cozinhas industriais próprias ou de terceiros; ii) comercialização e distribuição de gêneros alimentícios e utensílios de cozinha; iii) consultoria, planejamento e assessoria na elaboração de programas alimentares; e iv) fornecimento de outros bens, produtos e serviços relacionados à sua atividade principal. Entendo, assim, que os créditos classificados como "móveis e utensílios; equipamentos de restaurantes" estão abarcados no conceito de essencialidade e relevância abordados pelo STJ. Reverto, portanto, as referidas glosas. 3.2.B. GÊNEROS ALIMENTÍCIOS, BEBIDAS FRIAS (ALÍQUOTA ZERO E INCIDÊNCIA MONOFÁSICA). Quanto à glosa de créditos referentes às bebidas sujeitas à alíquota zero e incidência do regime monofásico, a acórdão da DRJ é irretocável e encontra amparo na vasta jurisprudência do CARF: Fl. 8654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 50 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 31/08/2012 a 31/12/2016 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. BEM SUBMETIDO AO REGIME MONOFÁSICO. ARMAZENAGEM E FRETE NA VENDA. POSSIBILIDADE. Embora seja vedado o desconto de crédito das contribuições não cumulativas em relação à aquisição de bem para revenda submetido ao regime monofásico, há previsão legal autorizando o desconto de crédito quanto a dispêndios com armazenagem e frete em operações de venda, ainda que se tratando de revenda sujeita à alíquota zero e de bem submetido à tributação concentrada (monofasia).” (Acórdão nº 3201-011.242 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/09/2007 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. COMERCIANTE ATACADISTA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO EXPRESSA. No âmbito do sistema não-cumulativo, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos calculados com relação a produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. COMERCIANTE ATACADISTA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO EXPRESSA. No âmbito do sistema não-cumulativo, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos calculados com relação a produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda” (Acórdão nº 3402-009.025 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 8655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 51 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.” (Acórdão nº 3402-006.759 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Mantenho, portanto, as referidas glosas. 3.2.C. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Conforme se verifica do Recurso Voluntário, alega a Recorrente que a d. Fiscalização teria deixado de reconhecer créditos extemporâneos quando da realização da diligência fiscal. O acórdão recorrido não se manifesta acerca dos créditos extemporâneos desconsiderados quando da realização da diligência fiscal, se seriam passíveis de glosa ou não. Na realidade, ao verificar a Impugnação apresentada, bem como a manifestação apresentada após a diligência, constata-se que tal matéria nunca foi objeto de defesa pela Recorrente, e, por isso deve ser tratada como matéria não impugnada. Neste contexto, não cabe agora a análise de matéria não levada anteriormente ao conhecimento da DRJ, em especial por não se tratar de matéria de ordem pública. Preclusos, portanto, os argumentos da Recorrente no que tange os créditos extemporâneos. 3.2.D. DEMAIS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. Neste ponto, defende a Recorrente que “é certo que, em respeito ao princípio da não cumulatividade, TODOS os bens e serviços essenciais e relevantes utilizados pela RECORRENTE no exercício de suas atividades são "insumos", devendo ser afastadas todas as glosas realizadas, restabelecendo-se, assim, os valores indevidamente glosados”. O argumento exposto pela Recorrente é válido e encontra amplo respaldo na jurisprudência. Fl. 8656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 52 Ocorre que, apesar de alega a essencialidade dos bens e serviços aos quais tiveram o crédito glosado, não especifica quais são, não traz elementos que comprovem e quantifiquem a existência de tais crédito. Neste contexto, não há elementos para promover qualquer alteração no lançamento realizado. 3.3. DA INDEVIDA GLOSA DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DECORRENTES DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS. Entende a Recorrente que deve ser revisado o acórdão recorrido na parte que manteve a glosa dos demais créditos de PIS/COFINS decorrentes das devoluções – os quais se encontram listados no item 3 do Relatório Fiscal, uma vez que o procedimento por ela adotado estaria de acordo com a legislação de regência. 3.3.A. DA RAZÃO DA UTILIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE DEVOLUÇÃO DE VENDAS PELA RECORRENTE. Conforme se verifica dos autos, a d. Fiscalização efetuou o lançamento em razão da existência de vultuosos valores de crédito a título de devolução de vendas informados nas Fichas 06ª e 16ª, linhas 12 das DACONs e que tais números chamaram a atenção porque a atividade econômica principal da Recorrente não comportaria devolução de mercadorias em razão do perecimento das mesmas e do risco à saúde pública. Em suas razões, alega a Recorrente que: “De acordo com a fiscalização, a atividade econômica preponderante da autuada - que é o fornecimento de refeições - não comporta as operações de devolução de vendas, porque não há como promover o retorno ao estoque de mercadoria de consumo imediato (parágrafo 287 do Relatório Fiscal). Ocorre que, no caso concreto, as Devoluções de Venda promovidas pela RECORRENTE não tiveram como objetivo o "retorno da mercadoria ao seu estoque", não sendo, pois, relevante no presente caso se as mercadorias e refeições fornecidas são perecíveis e se poderiam ou não retornar ao estoque da empresa RECORRENTE. Na realidade, a RECORRENTE utilizou-se das Notas Fiscais de Devolução para anular em sua contabilidade os efeitos das notas fiscais de faturamento que foram recusadas pelos destinatários em razão de conter erros e que não poderiam mais ser canceladas em razão de já ter ocorrido a circulação da mercadoria ou a prestação de serviço ou por ter transcorrido o prazo existente para tal procedimento. Fl. 8657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 53 A este respeito, convém esclarecer que o cancelamento da nota fiscal, ainda que emitida manualmente pelo contribuinte, apenas poderá ser cancelada antes da efetiva circulação da mercadoria ou da prestação do serviço, conforme consignam os Estados da Federação. A título de exemplo, citamos abaixo a legislação do Estado do Rio de Janeiro e do Estado de Minas Gerais: No caso em tela, como bem pontuado pela DRJ, o lançamento se deu em relação aos valores que foram indevidamente apropriados como créditos. Segundo aduz a própria Recorrente, a emissão da nota fiscal de devolução caracteriza mero recurso utilizado para anular os efeitos tributários decorrentes da emissão de nota fiscal emitida anteriormente. A decisão recorrida entendeu que “pelos elementos constantes nos autos, não resta nenhuma dúvida de que inexistem os créditos de devolução utilizados pela contribuinte ou qualquer um dos créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que é o dispositivo legal que define a possibilidade de descontar créditos das contribuições do PIS e da Cofins, respectivamente, na apuração pelo regime não-cumulativo. Neste sentido, em decorrência do Princípio da Legalidade, o lançamento efetuado pelo fisco é absolutamente procedente”. Ocorre que, além da inexistência de previsão legal que respalde o procedimento adotado pela Recorrente, a mesma se desincumbiu de provar suas alegações por meio de documentos que demonstrem com exatidão a conduta narrada em seu recurso. A Recorrente deveria ter tido o cuidado mínimo de vincular, ao emitir as notas fiscais de devolução, a nota fiscal cujos efeitos pretendia anular, ou ao menos ter incluído na nova nota fiscal qualquer observação que pudesse identificar as notas que estariam sendo substituídas por outras, seja porque a interessada sequer conseguiu apresentar todos os documentos solicitados pelo fisco, de forma a comprovar tais operações. Portanto, não há como prosperar o recurso interposto. 3.3.B. DA NOTA FISCAL DE FATURAMENTO Nº 18325 DA FIAT. Em relação à nota fiscal 18325, da Fiat, entendeu a DRJ que haveria elementos mais robustos no sentido de comprovar que o creditamento se deu como forma de cancelamento do débito gerado em razão da escrituração da nota fiscal recusada. Veja-se: “Entre os créditos de devolução de vendas glosados, a fiscalização glosou o crédito relativo à nota fiscal de devolução nº 19412, da Fiat Automóveis S/A, no valor de R$ 2.164.681,04, afirmando, em seu Relatório Fiscal, que não foi identificada pela contribuinte a nota fiscal que teria substituído a nota fiscal de faturamento nº 18325, a qual a contribuinte alega ter sido substituída, por erro de preenchimento. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a receita correspondente à referida nota fiscal teria sido tributada pelo regime cumulativo. Fl. 8658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 54 A contribuinte, por sua vez, afirma que a nota fiscal de faturamento nº 18325 foi substituída pela de nº 18383, juntando aos autos documento que intitula "espelho da nota fiscal". De fato, em que pese não constar no corpo da nota fiscal de devolução o número da nota fiscal de vendas correspondente, é possível afirmar, da análise dos documentos acostados aos autos, que a nota fiscal de devolução nº 19412, emitida em 10/08/2009, possui os mesmos valores e produtos descritos nas notas fiscais de faturamento de nºs 18325 e 18383, emitidas em 30/06/2009 e 13/07/2009, respectivamente, o que poderia, em tese, robustecer a alegação apresentada pela contribuinte, de que as referidas notas se referem à mesma operação.” Ocorre que, apesar de perfeitamente plausível, não há na legislação possibilidade de aproveitamento do crédito relativo à referida nota fiscal de devolução, em face da tributação das respectivas receitas pelo regime cumulativo. 3.3.C. DEVOLUÇÕES DE VENDA COM RECEITAS TRIBUTADAS NO REGIME CUMULATIVO – POSSIBILIDADE DE ABATIMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. A d. Autoridade Fiscal entendeu que a Recorrente não poderia se creditar das contribuições relativas à devolução de vendas cuja receita de faturamento tenha sido tributada pelo regime cumulativo. Isso porque, o desconto de créditos de devoluções só é cabível em relação às vendas tributadas pelo regime não-cumulativo. Por sua vez, a Recorrente alega que não se apropriou dos créditos das contribuições, conforme afirma o fisco, mas tão somente promoveu o abatimento do valor das devoluções da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme lhe assegura a legislação tributária, que assim prevê, em relação às devoluções cuja receita tenha sido tributada pelo regime cumulativo. Neste contexto, temos que a autoridade fiscal afirma que a Recorrente teria se apropriado dos créditos relativos a essas devoluções, e esta, por sua vez, tenta provar que apenas deduziu os valores das referidas devoluções da base de cálculo das contribuições. Entendo que neste ponto, o acórdão da DRJ foi preciso em sua análise, e, como o Recurso Voluntário apresentado apenas repisa as alegações já trazidas quando da impugnação, sem rebater os fundamentos de decisão da DRJ, passo a transcreve-lo como razão de decidir: “Aprofundando-se na análise dos fatos, constata-se que a autoridade fiscal parece ter se baseado nas informações prestadas pela própria contribuinte, que, em resposta à intimação do fisco (fls. 297 a 299), onde se pede para "apresentar as notas fiscais que comprovem as 'Devoluções de Vendas' que geraram créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos (Fichas 06A, linha 12 e 16A, linha 12 do Dacon)", apresenta planilha (arquivo à fl. 317) com relação das notas fiscais de Fl. 8659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 55 devolução de vendas, entre as quais se inclui as emitidas em nome das empresas Fiat Automóveis Ltda. e Segmenta Farmacêutica Ltda., entre outras. A defendente, por outro lado, afirma que as memórias de cálculo constantes nos autos, que foram apresentadas à autoridade fiscal ainda à época da ação fiscal, atestam que as devoluções mencionadas no relatório fiscal foram devidamente deduzidas da base de cálculo, na apuração cumulativa das contribuições. De fato, nos demonstrativos juntados aos autos às fls. 300 a 313, a contribuinte apresenta de forma destacada, as apurações cumulativa e não-cumulativa das contribuições, mês a mês do ano-calendário de 2009. Na primeira coluna, a contribuinte detalha a apuração do valor dos créditos lançado na linha 14 das fichas 06A e 16A do Dacon, o qual engloba o valor lançado na linha 12 das mesmas fichas (R$ 10.463.359,16, no mês de agosto; e R$ 8.885.420,46, no mês de dezembro), relativo às devoluções de vendas de receitas tributadas pelo regime não-cumulativo. Os demonstrativos apresentados deixam claro que esses valores não se confundem com aqueles relativos à apuração cumulativa das contribuições, a qual é detalhada na segunda coluna. Na apuração cumulativa apresentada pela contribuinte, verifica-se a dedução de valores relativos a devoluções de vendas equivalentes a R$ 2.760.758,52 e R$ 296.544,74, nos meses de agosto e dezembro, respectivamente. Detendo-se somente nos exemplos das empresas citadas, verifica-se que as notas fiscais de devolução em nome da Fiat Automóveis Ltda., que constam na planilha apresentada pela contribuinte, somam o equivalente a R$ 2.523.158,30, enquanto as da empresa Segmenta Farmacêutica Ltda. somam o equivalente a R$ 200.302,80, ou seja, valores inferiores aos apresentados nos demonstrativos da apuração cumulativa nos respectivos meses de sua emissão. Tem-se então a seguinte situação: Por um lado, a contribuinte, em determinado momento da ação fiscal, inclui as notas fiscais de devolução das referidas empresas numa planilha que seria para, a pedido da fiscalização, comprovar os créditos incluídos no Dacon, em sua apuração nãocumulativa; por outro lado, apresenta, em outro momento, demonstrativo da apuração cumulativa, segundo o qual nos meses de emissão das referidas notas fiscais houve a dedução da base de cálculo de valores até superiores aos constantes na planilha, o que a leva a afirmar, em sua impugnação, que as respectivas devoluções de vendas estão incluídas nos valores descontados da base de cálculo das contribuições apuradas pelo regime cumulativo. Importante salientar que, nas memórias de cálculo apresentadas pela impugnante, ficou demonstrado que houve devoluções de vendas relativas a receitas tributadas tanto no regime cumulativo, quanto no regime não-cumulativo, e que estas não se confundem. As glosas aplicadas pela fiscalização incidiram sobre os valores das Fl. 8660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 56 devoluções de venda constantes no Dacon, ou seja, relativas a receitas tributadas pelo regime não-cumulativo. Dos valores extraídos do Quadro 16, anexo ao RAF, pode-se extrair o seguinte resumo: Ora, ao intimar a contribuinte a apresentar as notas fiscais de devolução de vendas que geraram créditos do PIS e da Cofins, a fiscalização visava apenas comprovar a legitimidade dos créditos lançados no Dacon (regime não-cumulativo), no valor de R$ 9.425.748,19 (desconsiderando-se os valores ref. às contas Standard Cubatão e Standard Colombo, que serão analisados em item próprio). Entre as notas apresentadas, a interessada incluiu as das empresas Fiat Automóveis Ltda. e Segmenta Farmacêutica Ltda., entre outras, que se referem a receitas tributadas pelo regime cumulativo. No entanto, ao afirmar que não se creditou das contribuições relativas às notas de devolução dessas empresas, cujos valores apenas foram descontados da base de cálculo das contribuições apuradas pelo regime cumulativo, a própria contribuinte desqualifica a informação prestada na planilha apresentada ao fisco para comprovar os seus créditos da não-cumulatividade. De fato, não poderiam as notas fiscais de devolução constantes da planilha apresentada servir de comprovação do valor do crédito descontado na apuração não-cumulativa efetuada no Dacon, se a própria contribuinte afirma que serviram apenas para reduzir a base de cálculo das contribuições devidas pela apuração cumulativa. Em outras palavras, não poderiam as mesmas notas fiscais de devolução gerar créditos na apuração não-cumulativa e, ao mesmo tempo, reduzir a base de cálculo na apuração cumulativa. Sendo assim, essas notas devem ser desconsideradas, para efeito de comprovação dos créditos informados no Dacon, utilizados para reduzir as contribuições apuradas pelo regime não-cumulativo. Neste sentido, as alegações apresentadas pela contribuinte neste item, de que os valores das notas fiscais de devolução emitidas em nome das empresas Fiat Automóveis Ltda. e Segmenta Farmacêutica Ltda. foram deduzidos da base de cálculo da contribuição apurada pelo regime cumulativo, em nada prejudicam as glosas aplicadas pelo fisco, as quais se deram em função da falta de comprovação dos créditos informados no Dacon a título de devolução de vendas, na apuração não-cumulativa das contribuições. Fl. 8661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 57 Disso se conclui que, ainda que se pudesse convalidar o procedimento alegado pela contribuinte (creditamento, a título de devolução de vendas, para correção de erros em notas fiscais), deveriam ser mantidas as glosas aplicadas pelo fisco, no valor total de R$ 6.226.527,13 (conforme quadro acima), correspondente às devoluções não comprovadas por notas fiscais e às notas fiscais relativas a vendas tributadas pelo regime cumulativo, incluindo-se as emitidas em nome das empresas Fiat Automóveis Ltda. e Segmenta Farmacêutica Ltda.” Nego, portanto, provimento ao Recurso Voluntário. 3.3.D. DEVOLUÇÕES DE VENDA - NOTAS FISCAIS QUE FORAM RECEBIDAS PELOS DESTINATÁRIOS/CLIENTES. O parágrafo 325 do Relato Fiscal, aduz a d. Autoridade Fiscal que as notas fiscais de faturamento abaixo descritas e - que se encontram documentadas às fls. 2538, 2532, 2544, 2540, 2712, 2707, 2817, 2813, 2845, 2841, 2914, 2922, 2916, 2932, 2828, 2945, 2941, 2773 e 2768 dos autos - foram efetivamente recebidas pelo destinatário respectivo e que, por esta razão, não poderiam ter sido objeto de procedimento de devolução: Alega a Recorrente que o recebimento firmado na nota fiscal não significa necessariamente que tenha sido paga, explicando que muitas vezes somente após o seu recebimento na recepção da empresa destinatária, a nota fiscal é remetida ao setor competente para conferência e efetivo pagamento, onde são identificados eventuais erros, com a sua consequente devolução, sem que tenha sido sequer escriturada pela empresa destinatária, de forma que, sem a sua escrituração, a nota fiscal não produz seus efeitos regulares. Também nesse ponto, não merece reparo o acórdão da DRJ, que foi preciso em sua análise, e, como o Recurso Voluntário apresentado apenas repisa as alegações já trazidas quando da impugnação, sem rebater os fundamentos de decisão da DRJ, transcrevo os seguintes trechos do acórdão que adoto como minhas razões de decidir, nos termos do artigo 114, §12, do Regimento Interno do CARF. Fl. 8662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 58 : “Conforme já debatido no item "3.a" deste voto, não é possível convalidar créditos apurados a título de devolução de vendas, quando na realidade tal operação nunca ocorreu. Ademais, exceção feita às notas fiscais da empresa BMZ Couros Ltda., os documentos apresentados para comprovar as alegadas substituições (páginas 1.088 a 1.182 do arquivo à fl. 4.694) foram meros espelhos de notas fiscais, de forma que a interessada não logrou comprovar a ocorrência e a natureza das operações. Neste ponto, cumpre esclarecer que os documentos intitulados de “espelho de nota fiscal” não são suficientes para comprovar o que a contribuinte pretende. Tais documentos, assim como quaisquer outros registros e declarações elaboradas e apresentadas pela contribuinte ao Fisco, para o fim de comprovar direito de crédito que alegue, devem estar calcados em documentos fiscais, ou seja, nas notas fiscais representativas das operações registradas. Com efeito, a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Assim, ao não juntar à sua impugnação as notas fiscais das operações alegadas, a contribuinte não levou a efeito o ônus de comprovar que efetivamente substituiu o documento invalidado pela nota fiscal de devolução, uma vez que documentos e informações produzidas por ela própria durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar de forma inequívoca as operações alegadas, que ensejariam o cancelamento das glosas efetuadas pelo fisco. Além disso, embora afirme que a nota fiscal continha erros, a contribuinte não justifica a demora para emitir a nota de devolução, apenas alegando que a legislação não lhe impõe limite de tempo para tal. É de se observar que a fiscalização, ao final da diligência realizada, não foi conclusiva, no sentido de afirmar, com segurança, que as notas apresentadas pela contribuinte se refiram a uma única operação, com um único recebimento da receita correspondente, apontando diversos motivos para tal, no item 156 da sua informação fiscal. Por tudo isso, conclui-se que, em relação às devoluções de vendas constantes em notas fiscais recebidas pelos destinatários, de que trata este item, deve ser ratificado o lançamento efetuado pelo fisco.” Nego, assim, provimento às alegações. Fl. 8663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 59 3.3.E. DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA RECORRENTE À ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO S/A E DAS NOTAS FISCAIS DE FATURAMENTO SUPOSTAMENTE QUITADAS QUE FORAM OBJETO DE DEVOLUÇÃO DE VENDAS. Com relação a esse tópico entendo, de igual forma, que não assiste razão a Recorrente, que novamente não trouxe elemento novo em seu Recurso Voluntário. Assim, por concordar com os termos do acórdão recorrido, acolho-os como minhas razões de decidir, nos termos do artigo 114, §12, do Regimento Interno do CARF: “A fiscalização acusa que, entre as notas de devolução apresentadas para comprovar os créditos apropriados, encontra-se as da Engepack Embalagens São Paulo S/A, emitida vários meses após o faturamento. A contribuinte admite a sua falta de controle, neste caso, mas argumenta que não há vedação a esse fato, uma vez que inexiste norma que estabeleça prazo máximo para emissão desse documento fiscal. Ora, inicialmente, é de se registrar que, além da questão já debatida no item "3.a" deste voto, pesa sobre as notas fiscais emitidas em nome da Engepack Embalagens São Paulo S/A a mesma falta de comprovação apontada no item anterior, uma vez que a interessada apresentou tão somente os espelhos das notas fiscais que alega terem substituído as notas emitidas inicialmente. Além disso, a contribuinte não logrou comprovar que as notas fiscais apresentadas se referem à mesma receita das notas emitidas meses antes e que esta tenha sido devidamente tributada à época de sua emissão. Devem, portanto, ser ratificadas as glosas dos créditos relativos a essas notas fiscais. (...) Ainda entre as notas fiscais apresentadas pela contribuinte para comprovar os créditos de devolução de vendas utilizados no Dacon, a fiscalização aponta o fato de haver notas de devolução que se referiam, segundo os registros contábeis da empresa, a notas de faturamento que foram pagas. Sobre isso, a impugnante alega ter havido erro no registro do pagamento, que foi vinculado à nota original, quando deveria ter sido vinculado à nota substitutiva. No caso aqui tratado, a situação é a mesma daquela já abordada nos itens anteriores, especialmente no item "3.a", em que a contribuinte utilizou-se de créditos calculados sobre devoluções que de fato não ocorreram. Fl. 8664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 60 Afora esta questão, é de se notar que, em relação à operação da empresa Kraft Foods Brasil S.A., a defesa se restringe à questão da emissão da nota fiscal de devolução para anular os efeitos de uma nota fiscal de faturamento emitida em duplicidade. No entanto, a fiscalização observa que a receita auferida em tal operação teria sido tributada pelo regime cumulativo, fato que a impugnante não contesta. Ocorre que, conforme já longamente abordado no item 3.c deste voto, não é possível validar créditos calculados sobre o valor da nota de devolução relativa a receitas que foram tributadas pelo regime cumulativo. Assim, ratifica-se o entendimento de que deve ser mantida a glosa efetuada pelo fisco, em relação à referida nota fiscal de devolução de que trata este item.” 3.3.F. DOS FATURAMENTOS SUPOSTAMENTE NÃO CONTABILIZADOS E DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADA (DEVOLUÇÕES) NÃO CONTABILIZADAS NA CONTA "DEVOLUÇÕES DE VENDAS". Também com relação a esse ponto, a Recorrente não rebate o acórdão da DRJ, mas tão somente reproduz suas argumentações de impugnação, pelo que adoto também as razões do acórdão recorrido para decidir: “À parte a questão relacionada à utilização de créditos calculados indevidamente sobre devoluções, a fiscalização justificou a glosa dos créditos das notas fiscais de devolução relativas às notas fiscais nºs 916 e 938, emitidas em nome da empresa Novartis Biociência S/A, e nº 926, em nome da empresa Clariant S/A, pelo fato de que as respectivas receitas não teriam sido tributadas. Sobre a falta de registro na Escrituração Contábil Digital - ECD das notas fiscais de faturamento nºs 916, 938 e 926, conforme apontado pelo fisco, a defendente alega que as respectivas receitas foram, sim, oferecidas à tributação, através da emissão de cupom fiscal. Inicialmente, registre-se que a contribuinte não apresenta nenhum elemento de prova, no sentido de comprovar a sua alegação de que as referidas receitas teriam sido levadas à tributação do PIS e da Cofins, através do registro de cupons fiscais. Como bem observou a autoridade fiscal na informação prestada por ocasião da realização da diligência, aquele que pleiteia um direito tem o dever de prová-lo, de forma que, sendo os créditos da não-cumulatividade um benefício que irá diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre à interessada em usufruir tal benefício o ônus de provar que possui tal direito. A fiscalização, por sua vez, não se limita à falta de registros das notas fiscais, para fundamentar o seu lançamento. Segundo o relatório fiscal, as referidas receitas não Fl. 8665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 61 constam nas planilhas fornecidas ao fisco pela própria contribuinte, em que detalha as suas receitas que foram tributadas pelos regimes cumulativo e não-cumulativo. De fato, verifica-se que, no termo de intimação fiscal nº 6 (fl. 499), a fiscalização intima a interessada a apresentar planilha com as receitas mensais submetidas à tributação do PIS e da Cofins no regime cumulativo, contendo o CNPJ do estabelecimento prestador do serviço, a fonte pagadora e o valor tributado no mês. Em sua resposta encaminhada ao fisco, a contribuinte apresenta, entre outros documentos, a planilha constante às fls. 526 a 559, onde não se verifica nenhuma informação relacionada à referida empresa. Situação análoga ocorre em relação às receitas tributadas pelo regime não- cumulativo, cuja solicitação pelo fisco se deu através no termo de intimação fiscal nº 8 (fl. 2.382), a qual foi atendida pela intimada com a apresentação da planilha constante às fls. 2.388 a 2.446, onde também não constam as referidas receitas. Sendo assim, a falta de apresentação de provas pela defendente, robustecida pelos elementos mencionados pela autoridade fiscal, os quais foram acostados aos autos a partir das diversas intimações feitas à contribuinte, respaldam a tese da fiscalização de falta de tributação das receitas relativas às notas fiscais de faturamento nºs 916, 938 e 926, que a levou à glosa dos créditos relativos às notas de devolução correspondentes. De outro giro, a contribuinte afirma em sua impugnação que "as notas fiscais de faturamento somente foram utilizadas pela Defendente para possibilitar a cobrança do valor das refeições que foram por ela fornecidas aos seus clientes", e complementa, mais adiante, que "se os cupons fiscais foram registrados na contabilidade da empresa Defendente e os faturamentos respectivos levados à tributação, não há que se falar que estas operações não foram contabilizadas pela empresa e que não compuseram a base de cálculo do PIS e da Cofins, para fins de tributação". Em outras palavras, a própria contribuinte admite que, no caso em comento, a tributação teria se dado uma única vez, em relação aos valores dos cupons fiscais, que afirma terem sido registrados em sua contabilidade. Ora, neste caso, se a fiscalização admitisse a utilização dos créditos relativos às notas fiscais de devolução emitidas pela contribuinte, estaria permitindo que a contribuinte "anulasse" os efeitos da tributação devida sobre a operação. É de se lembrar que toda a defesa apresentada pela contribuinte até o momento, no sentido de justificar a emissão de notas fiscais de devolução para as notas de faturamento emitidas anteriormente, se baseia na premissa de que tal procedimento fora adotado como um recurso para que não se tributasse em duplicidade uma mesma operação, já que, para cada nota de devolução emitida, a Fl. 8666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 62 contribuinte alega ter emitido uma outra nota de faturamento, substitutiva da primeira. Vê-se, portanto, que, no caso das notas de devolução de que trata este item, ainda que se admita que a contribuinte tenha efetivamente tributado as receitas registradas por meio de cupons fiscais, não há que se falar em aproveitamento de créditos, pois, neste caso, sequer haveria a possibilidade de contabilização das contribuições do PIS e da Cofins em dois momentos distintos, conforme defende a interessada, nos casos em que alega ter emitido duas notas fiscais relativas à mesma operação. (...) Sobre a acusação do fisco de que a contribuinte teria deixado de contabilizar as notas fiscais de devolução de vendas nºs 0024099 e 0020535, esta se defende, alegando que a falta de escrituração apontada nenhum prejuízo traz ao fisco federal, mas tão somente a ela própria, a contribuinte, que ficaria impedida de utilizar-se dessas notas para a tomada de créditos de PIS e Cofins no regime da não- cumulatividade. Ocorre que, ao ser intimada, durante o procedimento fiscal, a apresentar as notas fiscais que comprovem as "Devoluções de Vendas" que geraram créditos do PIS e da Cofins não-cumulativos, informados na linha 12 das fichas 06A e 16A do Dacon, referente ao ano-calendário de 2009 (item 4 do Termo de Intimação Fiscal nº 4, às fls. 297 a 299), a contribuinte apresentou, entre outros documentos, a planilha das notas de devolução, constante no arquivo não paginável à fl. 317, onde consta, na linha 77, a informação relativa à nota fiscal nº 20.535, emitida em 21/09/2009, em nome da TRW, no valor de R$ 23.107,45. Posteriormente, ao ser reintimada a complementar a entrega das notas fiscais faltantes na planilha anterior (item 2 do Termo de Intimação Fiscal nº 5, às fls. 411/412), a contribuinte apresentou uma nova planilha (fls. 420 a 432), em que consta a informação relativa à nota fiscal nº 24.099, emitida em 13/10/2009, em nome da Renault, no valor de R$ 317.000,00 (penúltima linha da fl. 431), além de repetir as informações prestadas anteriormente, incluindo-se a relativa à nota fiscal nº 20.535. Em resumo, a contribuinte alega, em sua impugnação, que não se creditou dos valores das contribuições devidas sobre as notas fiscais de devolução mencionadas pelo fisco, porém, na documentação apresentada à fiscalização, durante o período fiscalizatório, a contribuinte inclui as referidas notas fiscais na relação fornecida ao fisco para comprovar os créditos lançados no Dacon. Sendo assim, no que tange às notas fiscais de devolução nºs 24.099 e 20.535, não pode ser acatada a alegação apresentada pela defendente, ratificando-se as glosas aplicadas pelo fisco.” Fl. 8667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 63 3.4. DA OMISSÃO DE RECEITAS. Conforme se verifica dos autos, o acórdão da DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento, afastando parte dos valores indicados no Auto de Infração como omissão de receita. No que se refere à parte das omissões mantida pela DRJ, entendeu a d. Fiscalização e que teria havido omissão de receitas pelo fato de a Recorrente ter entregado as planilhas de fls. 300/311 com o valor de receita bruta anual correspondente a R$ 855.903.310,59 (oitocentos e cinquenta e cinco milhões, novecentos e três mil, trezentos e dez reais e cinquenta e nove centavos), quando intimada a informar o valor total das receitas auferidas, enquanto que o valor da receita bruta escriturada em sua contabilidade correspondia a R$ 889.318.056,14 (oitocentos e oitenta e nove milhões, trezentos e dezoito mil, cinquenta e seis reais e quatorze centavos), ocasionando numa diferença de R$ 33.414.736,55. Aduz a Recorrente que algumas razões levaram ao não computo de parte da receita à apuração do PIS e da COFINS, quais sejam: 1 – Exclusão do total de suas receitas aquelas que foram obtidas em virtude da venda das bebidas citadas no art. 58-A da Lei 10.833, de 2003, as quais estão sujeitas à tributação monofásica do PIS e da COFINS; e 2 – Falha na parametrização do sistema reconhecido apenas quando do recebimento do Auto de Infração. Conforme demonstrado nos autos e bem analisado pela DRJ, apesar a Recorrente não ter trazido aos autos elementos capazes de identificar os valores que alega terem sido tributados pelo regime monofásico, a fiscalização, na diligência realizada a pedido desta autoridade julgadora, buscou apurar, com base nos arquivos magnéticos obtidos junto à interessada, os alegados valores, a partir do levantamento da venda dos produtos submetidos à incidência monofásica, excluindo-os das diferenças inicialmente encontradas. Neste sentido, a autoridade fiscal elaborou o Quadro 14A - Receitas Brutas Mensais - Exclusão da Receita dos Produtos Monofásicos - Diferenças a Tributar", em substituição ao Quadro 14, parte integrante do RAF. Intimada, a Recorrente não se manifestou em relação aos valores apurados na diligência, motivo pelo qual a DRJ entendeu que os valores dos créditos tributários lançados, relativos a omissão de receita devem ser alterados nos exatos termos apurados na diligencia. Cumpre ressaltar que, em suas razões, a Recorrente não traz, em Recurso Voluntário qualquer argumento ou prova no sentido de afastar a omissão de receita apurada na diligência fiscal. Neste contexto, deve ser mantida a decisão da DRJ. Fl. 8668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 64 4. DO RECURSO DE OFÍCIO. Quanto ao Recurso de Ofício, entendo que não merece prosperar. A parte da decisão da DRJ que julgou parcialmente improcedente o lançamento tem respaldo na legislação e na jurisprudência dp CARF. Vejamos cada um dos pontos objeto do Recurso de Ofício, que, por concordar integralmente com os termos do acórdão recorrido, acolho-os como minhas razões de decidir, nos termos do artigo 114, §12, do Regimento Interno do CARF. - Da Decadência do Direito de Constituir o Crédito Tributário: “No presente caso, não se discute a existência de pagamentos em relação aos fatos geradores que foram objeto de lançamento. No entanto, os autos de infração compreendem dois tipos distintos de infração: uma, decorrente da simples glosa de créditos de insumos utilizados pela contribuinte, que implicou no lançamento de multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996; a outra, que a fiscalização considerou envolver sonegação ou fraude na apuração de tributos, e que resultou na aplicação da multa qualificada prevista no § 1º do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Portanto, há que se distinguir entre o crédito tributário lançado com incidência de multa de ofício simples, de 75%, para o qual se aplica o art. 150, § 4º do CTN, daquele sobre o qual incidiu a multa qualificada de 150%. Para este, a decadência se dá segundo o art. 173, I do CTN. Sobre o crédito tributário decorrente da glosa de créditos de insumos, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o art. 150, § 4º do CTN: (...) No caso concreto, devemos considerar que, tendo havido pagamento em todos os períodos lançados, o direito de se efetuar o lançamento do tributo decai cinco anos após a ocorrência do fato gerador. Sendo assim, como os fatos geradores se iniciam em janeiro de 2009, em 31/01/2014 se inicia a decadência prevista no o art. 150, § 4º do CTN. Por conseguinte, somente o crédito tributário referente ao fato gerador de dezembro de 2009 escapou da decadência, uma vez que a ciência, como já dito, se deu em 23/12/2014.” - Do Lançamento Incorreto da Cofins pela Alíquota Cheia (7,60%) e da Forma de Apuração do Valor do Lançamento: “Da análise dos autos, verifica-se que os valores de PIS e de Cofins lançados no item 1 dos autos de infração, referente às receitas tributadas pelo regime cumulativo, foram extraídos da planilha denominada "Quadro 12 - Diferenças apuradas de PIS e Fl. 8669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 65 Cofins - Receitas Indevidamente Tributadas no Regime Cumulativo" (fl. 4.452), que acompanha o Relatório Fiscal. Esse quadro, por sua vez, foi elaborado pela fiscalização para demonstrar as diferenças apuradas mensalmente entre os valores de PIS e Cofins devidos pelo regime não-cumulativo (alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente) e os devidos pelo regime cumulativo (alíquotas de 0,65% e 3,0%, respectivamente), os quais foram recolhidos pela contribuinte. De fato, a autoridade fiscal comete um equívoco ao preencher o referido quadro, uma vez que os valores constantes na coluna relativa à Cofins correspondem ao valor integral devido da contribuição calculada pelo regime não-cumulativo, ou seja, esses valores equivalem ao percentual de 7,6% da base de cálculo apurada pelo fisco, e não à diferença de alíquotas apontada no quadro. Desta forma, os valores mensais da Cofins que foram lançados no item 1 do auto de infração correspondem ao valor total devido da contribuição apurada pelo regime não-cumulativo (o percentual de 7,6% aplicado sobre a base de cálculo apurada pelo fisco), sem que tenham sido descontados os valores declarados e pagos pela contribuinte, correspondentes à apuração efetuada pelo regime cumulativo. No entanto, esse não foi o único equívoco ocorrido nos cálculos do referido quadro. Vejamos: Diferentemente da apuração efetuada pelo regime cumulativo, a apuração pelo regime da não-cumulatividade implica na possibilidade de se descontar os créditos relativos às respectivas receitas. Sendo assim, a fiscalização procedeu ao levantamento dos créditos relativos às receitas cujo regime de tributação foi alterado de ofício. De acordo com o quadro 12 elaborado pelo fisco, a base de cálculo utilizada para a apuração das contribuições decorre da dedução desses créditos sobre os valores das respectivas receitas. Por conseguinte, ao se aplicar sobre a base de cálculo obtida os percentuais de 1,0% (para o PIS) e 4,6% (para a Cofins), relativos às diferenças de alíquotas dos regimes de apuração (1,65% - 0,65% e 7,6% - 3,0%, respectivamente), a fiscalização deu aos créditos descontados o mesmo tratamento dispensado às receitas, embora nenhuma parcela dos referidos créditos tivesse sido utilizada quando da apuração efetuada pela contribuinte no regime cumulativo. Para que não haja tal distorção, necessário se faz que se apure o valor da contribuição devida, calculada pelo regime não-cumulativo - após o desconto dos créditos -, e, somente depois, se desconte os valores já pagos anteriormente. Fl. 8670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 66 Conclui-se, portanto, que cabe razão à contribuinte, no que diz respeito ao erro de cálculo apontado nas diferenças apuradas pelo fisco, relativas às receitas tributadas pelo regime cumulativo.” - Da Indevida Desconsideração dos Créditos da Impugnante na Apuração das Contribuições Devida: “Sobre a reclamação de que teria deixado de incluir os créditos devidos no período de maio a dezembro de 2009, a fiscalização admite, em sua informação fiscal relativa à diligência realizada, que não foi considerada, quando da constituição dos créditos tributários, a parcela dos custos/dispêndios vinculada à receita tributada pela contribuinte pelo regime cumulativo. Neste sentido, a contribuinte foi intimada a apresentar os arquivos digitais relativos aos créditos pretendidos, de forma a permitir à fiscalização a devida análise quanto à liquidez e certeza desses créditos. Apesar das inúmeras inconsistências encontradas nos arquivos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal procedeu à análise dos créditos, adotando os mesmos critérios adotados anteriormente, no curso da ação fiscal, na análise dos créditos relativos aos custos/despesas vinculados à não-cumulatividade, conforme descrito no tópico 2 do Relatório de Auditoria Fiscal (RAF). Os valores dos custos e despesas que tiveram seus créditos admitidos pelo fisco se encontram na coluna "E - CUSTOS E DESPESAS" dos Quadros 12A e 12B, que acompanham a informação fiscal, totalizando o montante de R$ 62.286.975,94, para o período de maio a dezembro de 2009. O valor desses custos, no entanto, de acordo com os critérios adotados pela contribuinte, soma R$ 112.803.799,35. A divergência apontada decorre basicamente do conceito de insumo adotado por um e outro, o que será discutido mais adiante, em item próprio deste voto. Assim, uma vez que as alegações constantes na impugnação apresentada em relação ao resultado da diligência reproduzem aquelas anteriormente apresentadas na impugnação do lançamento, serão devidamente apreciadas no item 2 deste voto, que irá tratar do direito aos créditos do PIS e da Cofins pelo regime não-cumulativo, à luz da legislação vigente.” - Da Glosa dos Créditos de Terceirização de Mão de Obra (Item A.1 do RAF): “No entanto, essa subcontratação evidentemente se enquadra no conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Fl. 8671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 67 assentado no julgamento do Resp 1.221.170/PR, pois o serviço subcontratado se torna relevante para a prestação principal, neste caso por opção do prestador principal. Desta forma, não resta outra providência a esta autoridade julgadora senão determinar o cancelamento das referidas glosas, com a reconstituição dos respectivos créditos na apuração das contribuições devidas no período.” - Da Glosa dos Créditos de Limpeza e Higiene (Itens A.3 e B.1) e de Dedetização (A.4): “Assim como no julgamento citado, no presente caso a higiene sobressai em importância. Não há como negar que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela contribuinte na sua prestação de serviços configuram-se essenciais e imprescindíveis ao desenvolvimento de suas atividades. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações, se não atendidas, implicam na própria impossibilidade da prestação do serviço e em substancial perda de qualidade do alimento fornecido. Considere-se ainda que, sendo o serviço prestado pela interessada o de fornecimento de refeições aos seus clientes, está obrigada a manter os padrões de limpeza determinados por órgãos de vigilância sanitária.” - Da Glosa dos Créditos de Uniformes (Item B.2) e de E.P.I. - Material de Proteção/Proteção Individual (Item B.3): “No caso presente, a fiscalização afirma, no item 271 do seu RAF, tratar-se de equipamentos obrigatórios na atividade desenvolvida, tais como aventais, luvas, tocas, botas, óculos de proteção, utilizados pelos colaboradores alocados nas unidades operacionais (restaurantes da empresa). A impugnante, por sua vez, adentra na questão da necessidade de tais equipamentos, explicando tratar-se de luvas de aço para corte de alimentos, casacos para entradas nas câmaras frias, etc. Não resta dúvidas, portanto, de que tais gastos são passíveis de gerar créditos da contribuição para o PIS e da Cofins.” - Das Operações "Standard Cubatão" e "Standard Colombo": “Neste ponto, é preciso ponderar que as alegações da contribuinte são no sentido de que os valores relativos às contas Standard Cubatão e Standard Colombo se referem a aquisições de insumos que foram alocadas indevidamente como devoluções de vendas. Tal suposição não se mostra incompatível com as irregularidades apontadas pelo fisco. Com efeito, a fiscalização demonstrou que não há comprovação de entrada ou saída das mercadorias dos armazéns da Standard, mas não evidencia Fl. 8672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 68 que não tenham ocorrido as aquisições de insumos alegadas, que, segundo a impugnante, foi o que efetivamente gerou os créditos em questão. A fiscalização conclui que não há documentação hábil que possa confirmar um acordo firmado entre a contribuinte e as empresas Standard para armazenamento de mercadorias ou operação de outra natureza, e que as notas fiscais apresentadas na impugnação não preenchem os requisitos exigidos pela legislação tributária, no caso de aquisição de mercadoria para entrega diretamente no armazém geral, por conta e ordem da interessada. Reclama ainda a falta de apresentação das notas emitidas para remessa à Standard e as de retorno à Sapore, "juntamente com as notas fiscais juntadas aos autos (emitidas pelos fornecedores)". Tal assertiva, por outro lado, parece confirmar a aquisição de mercadorias, embora não tenha sido comprovada a sua passagem efetiva pelas empresas Standard. Sendo assim, ainda que se reconheça o trabalho extenso e cuidadoso do fisco no exame da documentação apresentada pela contribuinte, forçoso admitir que a autoridade fiscal não conseguir evidenciar a ausência da situação fática que teria gerado os créditos, segundo as alegações apresentadas, qual seja, a aquisição de insumos utilizados na prestação de serviços. Com efeito, em momento algum a fiscalização contesta este fato, se detendo tão somente em demonstrar a falta de evidências das operações envolvendo a Sapore e a empresa Standard. Lado outro, a impugnante rebate os fatos apontados pelo fisco, no que diz respeito à falta de cumprimento das formalidades previstas na legislação tributária, explicando que as mercadorias adquiridas não foram transferidas para nenhum depósito ou armazém, mas foram adquiridas pelas próprias filias de Colombo e Cubatão, onde a empresa Standard apenas prestava serviço de logística e transporte, atuando como um centro de distribuição, o que não desvirtua a natureza da operação de aquisição de mercadoria devidamente comprovada pelas notas fiscais e lançamentos contábeis apresentados. Em seu favor, demonstra que, nos meses de maio a dezembro de 2009, a soma desses valores com os valores das aquisições corretamente lançados no Dacon são compatíveis com os valores das aquisições lançadas nos meses anteriores (janeiro a abril), o que aponta para a confirmação do erro de preenchimento alegado. Reforçando a sua tese, a impugnante demonstra que, se considerados os referidos valores como aquisições de insumos, o total anual extraído do Dacon corresponde ao total das aquisições informado na DIPJ, se considerado o valor informado como "Outros Custos" (linhas 04 e 14 da ficha 04). Junte-se a isto as notas fiscais dos fornecedores, apresentadas pela contribuinte, bem como os registros contábeis, que, naturalmente, constituem testemunho em seu favor. Fl. 8673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 69 A fiscalização, segundo sua informação fiscal, desconsidera as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, para efeito de validação dos créditos apropriados, por não preencherem os requisitos exigidos pela legislação, no caso de aquisição de mercadorias para entrega pelo fornecedor diretamente no armazém geral, mas não contesta que as aquisições tenham ocorrido. No item 277 da informação fiscal relativa à diligência realizada, a autoridade fiscal assim conclui: "277. Isto posto, não restou comprovado, cristalinamente, que as mercadorias adquiridas pela Sapore teriam sido remetidas aos armazéns da Standard Logística e Distribuição S/A, razão pela qual os valores informados em "devoluções de vendas" nos Dacons referentes meses de maio a dezembro de 2009, não devem gerar créditos do PIS/Pasep e da Cofins. (grifo original) Diante do exposto, forçoso concluir que as evidências apontam para a existência do crédito decorrente da aquisição de insumos, embora incorretamente informado no Dacon como "devoluções de vendas", e apesar de a fiscalização ter demonstrado não se tratar de mercadoria estocada em armazéns de terceiros. Por conseguinte, devem ser canceladas as glosas relativas a esses valores.” - Do Afastamento da Multa Qualificada: “No caso concreto, embora a emissão de nota fiscal de devolução decorra de uma conduta intencional e consciente da impugnante, não se pode falar, a priori, que tal comportamento se caracteriza como fraude, haja vista que, embora desprovido de base legal, o procedimento que a impugnante alega ter adotado não implicaria, em princípio, na redução indevida das contribuições a pagar. De fato, os argumentos da autuada apoiam-se no fato de que, para cada nota de devolução emitida, teria sido emitida uma nova nota fiscal substituta para a original, de forma a anular os efeitos das devoluções inexistentes. Quando a autoridade fiscal consignou em seu RAF que a contribuinte lançou no Dacon créditos de devolução de vendas que efetivamente não ocorreram, demonstrou a impropriedade do procedimento da empresa, sem que tenha, contudo, conseguido demonstrar, diante das alegações e provas apresentadas, que tal procedimento tenha resultado de fato em prejuízos aos cofres públicos, conforme apontado. Em que pese tenha a fiscalização correlacionado diversos fatos como a falta de apresentação das notas fiscais solicitadas, ou a inobservância das formalidades exigidas para o cancelamento de notas fiscais, é preciso reconhecer que a própria fiscalização não foi conclusiva, no que tange ao procedimento adotado pela contribuinte, conforme se depreende do item 175 de sua informação fiscal: Fl. 8674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 70 175. Diante do exposto, não é possível afirmar, com segurança, que cada grupo de nota apresentado (nota original, de devolução e substitutiva), se refere a uma única operação, com o único recebimento da receita correspondente. Por tudo isso, é preciso reconhecer que a fiscalização, embora tenha apresentado muitos indícios, não logrou comprovar que a fiscalizada tenha, com o procedimento adotado, "impedido ou retardado, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador do PIS e da Cofins, ou que tenha excluído ou modificado as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento". Neste contexto, embora corroborando a glosa aplicada pela fiscalização, em relação aos créditos apropriados como "devolução de vendas", não é possível respaldar a aplicação da multa qualificada, por insuficiência na demonstração da fraude. Dessarte, a multa qualificada deve ser afastada para dar lugar à aplicação da multa calculada no percentual de 75% (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I). Por consequência, deve ser reconhecida a decadência dos créditos tributários referentes aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2009, de que trata o item 3.a deste voto. Conforme explicitado na análise das alegações preliminares, afastadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, aplica-se o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), para a contagem do prazo decadencial, o que significa dizer que, no presente caso, o lançamento referente a esses períodos se encontra fulminado pela decadência.” 5. DA CONCLUSÃO. Pelo exposto, em relação ao Recurso Voluntário, voto por conhecê-lo em parcialmente, não conhecendo dos argumentos atinentes ao item “3.2.C CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS”, rejeito o argumento preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa qualificada remanescente da decisão da DRJ e, consequentemente, reconhecer a decadência de parte do crédito tributário (no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a novembro de 2009), bem como para reverter a glosa referente aos créditos referentes à rubrica “Móveis e Utensílios; Equipamentos”. Quanto ao Recurso de Ofício, nego provimento. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 8675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 71 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Em que pese a robusta motivação posta pela i. Relatora em sua decisão, durante os debates divergi do seu decisum em relação aos tópicos “3.1.A. DA ANÁLISE DOS CONTRATOS FIRMADOS PELA RECORRENTE ANTES DE 31/10/2003.” e “3.1.C. DOS CONTRATOS ENTABULADOS COM FIAT, BIOSEV, PIRELLI, COMPANHIA CACIQUE, ELECTROLUX, AÇOMINAS, TECUMSEH, VALE DO RIO DOCE e RASIP.”. Antes de preconizar minhas razões, peço vênia para fazer uma breve exposição sobre os requisitos legais necessários para adoção do regime cumulativo das contribuições nos contratos entabulados a preço determinado antes de 31/10/2003. Dada a atividade da recorrente qual seja, fornecimento de refeições, como bem colocado pela i. Relatora a receita auferida pela recorrente sujeita-se ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS excetuando-se os contratos firmados antes de 31/10/2003, estes submetidos ao regime de tributação cumulativa (alínea ‘b’ do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, e inciso V do art. 15 da Lei nº 10.637/2002). Na esteira dos critérios elencados pela i. Relatora, são requisitos para apuração na sistemática cumulativa que o contrato de prestação de serviços seja: (i) com preço predeterminado; (ii) celebrado antes de 31/10/2003; (iii) tenha prazo superior a 1 (um) ano; e, (iv) revisado com fins de reajustar os preços em relação aos custos de produção. De acordo com o Código Civil, nos artigos 485, 486 e 487, a determinação do preço se dá no momento da assinatura do contrato, caso contrário estar-se diante de contrato determinável cujo preço será fixado em momento posterior à celebração do negócio. Logo, o reajuste contratual, por si só, não descaracteriza a predeterminação do preço, mesmo que venha dispor sobre reajuste para considerar o valor atualizado dos insumos e mão de obra bem como, prever indexadores econômicos (IPCA, PIB, IPP, IGPM, INPC) ou atualização monetária contratualmente prevista. A meu ver, mantem-se à circunstância, inclusive, nas alterações realizadas por meio de aditivos uma vez que, não correspondem a novos contratos quando conservadas as obrigações assumidas nas cláusulas originalmente firmadas. Dessa maneira, a confirmação da natureza contratual, se a preço predeterminado, ou não, deve ser apreciado caso a caso. Quanto aos contratos firmados pela recorrente junto às empresas RASIP, Vale, Açominas, Eletrolux, Pirelli e Companhia Cacique, objetos da minha divergência, o pilar argumentativo da i. Relatora guarda relação com a celebração de novos contratos, uma vez que estariam os originais sujeitos a prazo determinado ou dada a ausência do caráter de preço predeterminado, como visto. Fl. 8676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 72 Partindo das premissas elencadas inicialmente, entendo que as referidas empresas demonstraram, sim, que os seus contratos de prestação de serviços foram acordados com preços pré-fixados e em data anterior a 31/10/2003. Além disso, que os ajustes feitos após a mencionada data (aditivos) têm o condão de sopesar os custos dos insumos e da mão de obra como, ainda, adequar o fornecimento das refeições ao consumo de carne bovina, suína ou frango, dentre outras obrigações impostas pela legislação em programas de alimentação e nutrição do trabalhador. Trago como exemplos os aditivos nºs 10, 17, 19 e 20 ao contrato assinado em 27/06/1998 entre a empresa Cacique e Gran Sapore, respectivamente: Fl. 8677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 73 Fl. 8678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.930 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.720099/2014-81 74 Inobstante, os índices dos reajustes de preço não foram analisados e/ou constados pela fiscalização, ou seja, não se discutiu que o ajuste realizado em função do custo de produção foi estabelecido em patamar superior àquele correspondente à variação de índice que reflita à média ponderada dos custos dos insumos utilizados pela recorrente e, por essa razão, cuidavam de novos preços. Logo, não é possível desqualificar os aditivos levando-se em consideração os índices que, repito, sequer foram objeto de apuração pela fiscalização. Nesse sentido, dou provimento ao recurso voluntário em maior extensão para excluir dos lançamentos os contratos firmados pela recorrente com as empresas RASIP, Vale, Açominas, Eletrolux, Pirelli e Companhia Cacique. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa Fl. 8679DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto

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10777868 #
Numero do processo: 11020.722432/2015-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. Possibilidade de dedução pela apresentação de documentação pertinente em sede recursal. APRESENTAÇÃO DE NOVAS ALEGAÇÕES E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO. As alegações de defesa e as provas cabíveis devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, cabendo a relativização da mesma caso os novos argumentos e provas prestem-se a complementar os já apresentados em sede impugnatória.
Numero da decisão: 2002-009.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo de Souza Sateles - Presidente Assinado Digitalmente Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente o Conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. Possibilidade de dedução pela apresentação de documentação pertinente em sede recursal. APRESENTAÇÃO DE NOVAS ALEGAÇÕES E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO. As alegações de defesa e as provas cabíveis devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, cabendo a relativização da mesma caso os novos argumentos e provas prestem-se a complementar os já apresentados em sede impugnatória.

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IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré- escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual determinado pelo dispositivo legal pertinente. Possibilidade de dedução pela apresentação de documentação pertinente em sede recursal. APRESENTAÇÃO DE NOVAS ALEGAÇÕES E PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. RELATIVIZAÇÃO DA PRECLUSÃO DO DIREITO. As alegações de defesa e as provas cabíveis devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, cabendo a relativização da mesma caso os novos argumentos e provas prestem-se a complementar os já apresentados em sede impugnatória. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo de Souza Sateles - Presidente Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.135 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.722432/2015-48 2 Assinado Digitalmente Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente o Conselheiro João Maurício Vital. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 95 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 87 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, procedente em parte a Impugnação parcial do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 73 e ss.), lavrada pela constatação de Dedução Indevida de Previdência Privada e FAPI, de Dedução Indevida com Despesas de Instrução, e de Dedução Indevida de Despesas Médicas. Adota-se o Relatório da DRJ, abaixo transcrito, por esclarecer os fatos ocorridos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por Auditor-Fiscal da DRF/Caxias do Sul/RS, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2014, ano-calendário 2013. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 1.554,39, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: - Dedução Indevida de Despesa com Instrução Dedução indevida de despesa com instrução, por falta de comprovação. Valor glosado: R$ 3.230,46. - Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi Dedução indevida de contribuição à previdência privada e fapi, por falta de comprovação. Valor glosado: R$ 7.403,02. - Dedução Indevida de Despesas Médicas Dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação, sendo glosadas as seguintes despesas: Alexandre Chiarello -R$ 140,00; Benevix Administradora de Benefícios - R$ 4.158,45 e R$ 1.479,39; Ana Paula Reis da Costa - R$ 300,00; Bianchi Ortodontia Ltda - ME - R$ 2.670,00. Valor glosado: R$ 8.747,84. O Enquadramento Legal encontra-se na referida notificação. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 29/07/2015, conforme Aviso de Recebimento (fl. 81) e em 07/08/2015, no pedido de impugnação (fl. 04/05), Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.135 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.722432/2015-48 3 acompanhado dos documentos de fls. 06/61, questiona a glosa de previdência privada, despesa com instrução e, parcialmente a despesa médica. Afirma que as despesas médicas são próprias e com a dependente Valentina de Martini Ricardo. Concorda a glosa da despesa médica no valor de R$ 140,00. Requer acolhida a impugnação. É o relatório. O Acórdão foi exarado desprovido de ementa conforme art. 2º da Portaria RFB nº 2.724, de 27/09/2017. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/06/2018 (AR de e-fl. 95), o sujeito passivo interpôs, em 11/06/2018 (protocolo de e-fl. 96), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas com instrução estão ora comprovadas nos autos através de Declaração de quitação emitida pela Instituição de Ensino (e-fl. 98) e por documentos bancários (e-fls. 99 e ss.). É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio remanescente recai sobre dedução indevida de despesas com instrução no valor remanescente de R$1.835,46. Não há questões preliminares a serem apreciadas. Neste diapasão, verifique-se o conteúdo enriquecedor dos seguintes excertos da decisão de piso para a formação do arcabouço decisório desta lide, que apresentam a referência legal correlata e os argumentos denegatórios da primeira instância: ... - Dedução Indevida de Despesas com Instrução O art. 81, do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, relaciona quais as despesas com instrução são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física: Art.81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.135 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11020.722432/2015-48 4 ... Conforme descrito na legislação acima, somente podem ser deduzidas despesas pagas a estabelecimentos de ensino de educação regular, quais sejam, educação pré-escolar, ensinos fundamental, médio e superior e cursos de especialização ou profissionalizantes. Para comprovar as despesas com instrução, o impugnante apresenta boletos bancários emitidos pelo Colégio São José - Caxias do Sul (fls. 21/), referente ao ano-calendário 2013, e respectivos agendamento de pagamento e comprovantes de pagamento, tendo como beneficiária da despesa Valentina de Martini Ricardo (fls. 21/44). Somente serão considerados para comprovação da despesa com instrução os comprovantes de pagamento de fls. 26, 34 e 42 que totalizam R$ 1.395,00, uma vez que agendamento de pagamento de títulos não são aceitos para atestar o pagamento. Assim, restabelece-se a dedução de despesas com instrução no valor de R$ 1.395,00. ... Em seu socorro, apresenta o interessado novas provas junto ao recurso voluntário (e-fls. 98/107) que podem, na espécie, ser conhecidas com relativização de sua preclusão, com base no disposto no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III e § 4º, uma vez que visam à complementação dos argumentos e provas já expostos em sede impugnatória e a contrapor os argumentos denegatórios de primeira instância. Assim, os documentos acostados comprovam o valor total pago de R$5.580,00 com despesas de instrução da dependente do interessado. Tendo em vista que dentro deste valor a primeira instância já reconheceu a despesa de R$1.395,00 e o limite de dedução a título de despesas com instrução no exercício 2014 era de R$3.230,46, pertinente é, assim, o afastamento do lançamento remanescente relativo a glosa de dedução indevida com despesa de instrução. Verifica-se, portanto, que, apreciados todos os argumentos e provas apresentados pelo contribuinte, há motivo para retificação da Decisão a quo proferida e reconhecimento total da pretensão recursal. Conclusão Isso posto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 138DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10776843 #
Numero do processo: 10950.720524/2020-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2016 a 30/06/2016 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITO. FRETES PARA FORMAÇÃO DE LOTE DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. É permitido o desconto de crédito das contribuições em valores pagos a título de fretes para formação de lotes de exportação, por se tratar de operação de venda, conforme exigido no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, aplicando-se ao PIS por força do art. 15, II, da mesma lei. PALETES. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados como embalagens enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, os pallets como embalagem utilizados para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVAS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICO). DIREITO A CRÉDITOS SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM DESPESAS COM FRETES. POSSIBILIDADE O frete incidente sobre a aquisição de insumos, quando este for essencial ao processo produtivo, constitui igualmente insumo e confere direito à apropriação de crédito se este for objeto de incidência da contribuição, ainda que o insumo transportado receba tratamento tributário diverso, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero.
Numero da decisão: 3202-001.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, na seguinte forma: I) por unanimidade, em reverter as glosas sobre despesas: 1) com recepção, limpeza, secagem e expedição, classificadas como armazenagem; 2) de frete de insumos adquiridos sujeitos a não incidência das contribuições, observados os requisitos da Súmula Carf nº 188; 3) de aquisição de paletes de madeira; e 4) despesas com encargos de depreciação com o departamento administração de frota e dos demais centros de custos operacionais da recorrente; e II) por maioria de votos, em reverter as glosas sobre despesas 1) com gastos com combustíveis, óleo diesel e lubrificantes utilizados, no transporte de produtos acabados utilizados em frota própria; e 2) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação. Vencido o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negava provimento quanto aos temas. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-001.970, de 21 de agosto de 2024, prolatado no julgamento do processo 10950.720521/2020-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2016 a 30/06/2016 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITO. FRETES PARA FORMAÇÃO DE LOTE DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. É permitido o desconto de crédito das contribuições em valores pagos a título de fretes para formação de lotes de exportação, por se tratar de operação de venda, conforme exigido no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, aplicando-se ao PIS por força do art. 15, II, da mesma lei. PALETES. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados como embalagens enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, os pallets como embalagem utilizados para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVAS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICO). DIREITO A CRÉDITOS SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM DESPESAS COM FRETES. POSSIBILIDADE O frete incidente sobre a aquisição de insumos, quando este for essencial ao processo produtivo, constitui igualmente insumo e confere direito à apropriação de crédito se este for objeto de incidência da contribuição, ainda que o insumo transportado receba tratamento tributário diverso, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, na seguinte forma: I) por unanimidade, em reverter as glosas sobre despesas: 1) com recepção, limpeza, secagem e expedição, classificadas como armazenagem; 2) de frete de insumos adquiridos sujeitos a não incidência das contribuições, observados os requisitos da Súmula Carf nº 188; 3) de aquisição de paletes de madeira; e 4) despesas com encargos de depreciação com o departamento administração de frota e dos demais centros de custos operacionais da recorrente; e II) por maioria de votos, em reverter as glosas sobre despesas 1) com gastos com combustíveis, óleo diesel e lubrificantes utilizados, no transporte de produtos acabados utilizados em frota própria; e 2) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação. Vencido o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negava provimento quanto aos temas. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-001.970, de 21 de agosto de 2024, prolatado no julgamento do processo 10950.720521/2020-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).

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CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITO. FRETES PARA FORMAÇÃO DE LOTE DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. É permitido o desconto de crédito das contribuições em valores pagos a título de fretes para formação de lotes de exportação, por se tratar de operação de venda, conforme exigido no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, aplicando-se ao PIS por força do art. 15, II, da mesma lei. PALETES. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados como embalagens enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, os pallets como embalagem utilizados para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVAS. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA (MONOFÁSICO). DIREITO A CRÉDITOS SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM DESPESAS COM FRETES. POSSIBILIDADE Fl. 1970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 2 O frete incidente sobre a aquisição de insumos, quando este for essencial ao processo produtivo, constitui igualmente insumo e confere direito à apropriação de crédito se este for objeto de incidência da contribuição, ainda que o insumo transportado receba tratamento tributário diverso, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, na seguinte forma: I) por unanimidade, em reverter as glosas sobre despesas: 1) com recepção, limpeza, secagem e expedição, classificadas como armazenagem; 2) de frete de insumos adquiridos sujeitos a não incidência das contribuições, observados os requisitos da Súmula Carf nº 188; 3) de aquisição de paletes de madeira; e 4) despesas com encargos de depreciação com o departamento administração de frota e dos demais centros de custos operacionais da recorrente; e II) por maioria de votos, em reverter as glosas sobre despesas 1) com gastos com combustíveis, óleo diesel e lubrificantes utilizados, no transporte de produtos acabados utilizados em frota própria; e 2) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação. Vencido o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negava provimento quanto aos temas. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-001.970, de 21 de agosto de 2024, prolatado no julgamento do processo 10950.720521/2020-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a Fl. 1971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 3 reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2016 a 30/06/2016 CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de créditos utilizados como dedução do PIS/COFINS devido na sistemática da não-cumulatividade é do contribuinte. Não sendo essa prova produzida nos autos, correta a glosa das deduções efetuadas. IMPUGNAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para a revisão do lançamento. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2016 a 30/06/2016 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BENS PARA REVENDA E INSUMOS PROVENIENTES DE ASSOCIADOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, as sociedades cooperativas de produção agropecuária podem apurar créditos na aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos adquiridos de não associados, sendo vedado o creditamento em relação a bens e serviços provenientes de associados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Demonstrada a correta apuração da base de cálculo pelo Contribuinte, restabelece-se o creditamento sobre as diferenças dos valores das Notas Fiscais que foram glosadas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. FUNDAMENTO DA GLOSA NCM 90189090. Demonstrado se tratar de itens não sujeitos a alíquota zero, pois produtos que não são acessórios de “neuroestimuladores para tremor essencial/Parkinson”, restabelece-se o creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS PARA REVENDA. SUSPENSÃO. FUNDAMENTO DA GLOSA NCM 23099000. Fl. 1972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 4 A suspensão das contribuições prevista no art. 54, II da Lei nº 12.350/2010 é para preparações classificadas na NCM 2309.09 destinadas a alimentação de suínos e aves. Restabelece-se o creditamento das aquisições de preparações não destinadas a alimentação de suínos e aves. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. No regime da não cumulatividade da Contribuição para a COFINS e o PIS/Pasep aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CRÉDITO PRESUMIDO ART.8º DA LEI Nº 10.925/04. As notas fiscais glosadas sob este fundamento indicam que são produtos industrializados e não agropecuários. Situação não compatível com os requisitos que constam no art. 8º da Lei nº 10.925/04 para fundamentar a glosa, cabendo-se restabelecer o creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SORO DE LEITE EM PÓ. A aquisição de Soro de Leite em Pó gera direito ao crédito básico. A alíquota zero prevista no art. 1º, XIII da Lei nº 10.925/2004 diz respeito ao Soro de Leite Fluído. A produção de Soro de Leite em Pó não é atividade agropecuária para ser incluída na previsão do art. 491 e 504 da IN nº 1911/19 (geradora apenas de crédito presumido). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. GASTOS POSTERIORES AO PROCESSO PRODUTIVO. COMBUSTÍVEL. FROTA PRÓPRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. As despesas referentes a etapas posteriores ao término do processo produtivo, tais como gastos com aquisição de combustíveis para a frota própria para transporte de produtos acabados, não são considerados insumos para fins de apuração de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. As despesas de armazenagem e frete na venda só dão direito a crédito da contribuição nas operações de venda, desde que o ônus tenha recaído sobre o vendedor, inexistindo previsão legal para a inclusão de outras despesas, mesmo que complementares a essas operações. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Fl. 1973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 5 O crédito sobre o valor do frete na aquisição é admitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição do bem adquirido e a este está jungido e submetido como elemento acessório. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES PARA FORMAÇÃO DE LOTES DE EXPORTAÇÃO. Os gastos com transporte para a formação de lote de exportação, não se caracterizam como insumos, por serem suportados em momento posterior à etapa da produção dos bens ou da prestação dos serviços, estando alheios ao dispositivo legal que somente autoriza o crédito de bens e serviços utilizados na produção; e também não se enquadram no conceito de frete na operação de venda, por não corresponder a transporte nas operações de vendas de produtos diretamente ao adquirente. Tratam-se de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. O crédito sobre o valor do frete na aquisição é admitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição do bem adquirido e a este está jungido e submetido como elemento acessório. NÃO CUMULATIVIDADE. RECEPÇÃO E EXPEDIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS COMO DESPESAS DE ARMAZENAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para creditamento da contribuição sobre despesas com recepção e expedição. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não-cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a título de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Não geram direito ao creditamento os encargos de depreciação relativos aos bens utilizados nas áreas administrativas, jurídicas, contábil, etc.. Irresignada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho, no qual, em sua defesa pugna pela reforma do acórdão recorrido, requerendo a reversão das glosas e, por consequência, o deferimento integral do crédito pleiteado. Em suma, é o Relatório. VOTO Fl. 1974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 6 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência de preliminares prejudiciais de mérito do Recurso, passo a apreciá-lo. DO MÉRITO Do Conceito de insumo sob a ótica do RESP 1.221.170/PR Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Fl. 1975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 7 Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins de se definir se Fl. 1976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 8 determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Com efeito, o conceito de insumo a ser utilizado nesse voto será a sua relação direta com o processo produtivo. Feitos os devidos comentários, passemos à análise do presente do mérito. DAS GLOSAS AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA Aquisição de BENS PARA REVENDA sujeitos à não incidência das contribuições Após análise do direito creditório vindicado pela Recorrente, constatou-se que os itens adquiridos como bens para revenda havia mercadorias classificadas na NCM 90189099- Outros instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, etc.”, Alega a Recorrente que tais itens estão sujeitos a alíquota zero os produtos destinados para uso hospitalar ou para portadores de necessidades especiais (uso humano), o que não foi o caso em testilha, pois se trata de Sociedade Cooperativa Agroindustrial. Alega a Recorrente que adquiriu mercadoria para fornecimento aos seus associados para uso veterinário (não humano) e na condição tributada. Sendo assim, tratando-se de matéria de direito, é possível concluir que a aplicação de alíquota zero previsto no inciso XXXV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004 ao NCM 90189099 é para equipamentos e seus acessórios para uso humano, e não Fl. 1977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 9 veterinário, e considerando, que a Recorrente adquiriu mercadoria para fornecimento aos seus associados para uso veterinário. Todavia, tais glosas já foram revertidas pelo julgador de piso, portanto, não conheço do pleito. Aquisição para revenda de bens de pessoas jurídicas associadas Alega a Recorrente que as aquisições de bens para a revenda realizadas de associadas foram tributadas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, portanto, em razão do princípio da não cumulatividade, teria direito ao creditamento. Entretanto, ratificando a fiscalização e o julgador de piso, também entendo que ela não tem razão. Pois as sociedades cooperativas de produção agropecuária sujeitas à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apenas podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a bens para revenda, adquiridos de não associados nos termos do art. 298 da Instrução Normativa nº 1911/2011. Aqui também se mantém as glosas pelo mesmo motivo “Associado da COAMO// Produto (NCM-23099000 – Cód Agrupado) Sujeito à Suspensão da Contribuição”, conforme consta no tópico “Das Aquisições para Revenda de Bens de Pessoas Jurídicas Associadas da Contribuinte.”. Aqui não há reforma a fazer. Aquisição de BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Aquisição de bens utilizados como insumos de pessoas jurídicas associadas Alega a Recorrente que as aquisições de bens utilizados como insumos de pessoas jurídicas associadas foram tributadas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, portanto, em razão do princípio da não cumulatividade, teria direito ao creditamento. Entretanto, ratificando a fiscalização e o julgador de piso, também entendo que ela não tem razão conforme as razões expostas no item i.1.2. Pois as sociedades cooperativas de produção agropecuária sujeitas à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apenas podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a insumos adquiridos de não associados. Aqui, igualmente, não há reforma a fazer. Créditos dos centros de custos e os insumos Fl. 1978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 10 Do Parecer se extrai que houve glosa de créditos sob a égide que os centros de custos e os insumos (centros de custos referentes as fazendas de reflorestamento, implantação e manejo, chapa de papelão, filme de polietileno, graxas para veículos leves e pesados, materiais para conservação de prédios e pátios) não estariam vinculados ao processo de industrialização da Cooperativa Recorrente. Por sua vez, alega a Recorrente que tais dispêndios são essenciais para o seu processo produtivo. O presente tópico trata-se de matéria de provas. Entendo não haver insumo em tese, dada a ausência da comprovação da essencialidade e relevância de tais dispêndios, as glosas merecem manter-se hígidas. Combustíveis e lubrificantes para transporte de produtos acabados em frota própria Do parecer se extrai que houve glosa de crédito oriundo da aquisição de combustíveis, óleo diesel e lubrificantes consumidos no transporte de produtos acabados, ou seja, posteriormente à finalização da produção, do bem destinado à operação de venda, utilizado em frota própria de veículos, bem como aquele consumido em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica, tais como na área administrativa, contábil, jurídica, etc. Entendo que a lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de bens adquiridos para revenda e de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à operação de venda, e que incluem o custo dos bens adquiridos e dos insumos, os gastos com o transporte destes bens e insumos e os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei 10.833/2003 e da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, então, em princípio, poderiam ser admitidos os créditos com os gastos de combustíveis consumidos nos veículos utilizados na atividade-fim da pessoa jurídica. Entretanto, entendo que é vedado que combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica, tais como na área administrativa, contábil, jurídica, para fins de aproveitamento de crédito, de fato, é vedado. Por isso, reverto as glosas, unicamente, com gastos com combustíveis, óleo diesel e lubrificantes utilizados no transporte de produtos acabados utilizados em frota própria. Despesas com ARMAZENAGEM (outros serviços: Recepção, Limpeza, Secagem e Expedição) Fl. 1979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 11 Houve glosas com despesas de armazenagem, pois entendeu a fiscalização que o direito ao aproveitamento do crédito sobre o serviço de armazenagem, não pode compor a base de cálculo do crédito outros serviços (serviços de recepção, limpeza, secagem e expedição). Sendo assim, foram consideradas como crédito apenas as despesas referentes à armazenagem e glosadas aquelas oriundas de outros serviços de “valores globais dos serviços de logística”. Por sua vez, alega a contribuinte que esses outros serviços são inerentes para a armazenagem, e por isso também devem compor a base de cálculo para o aproveitamento do crédito, uma vez que os serviços de limpeza e secagem, apresentam-se como essenciais para a manutenção da qualidade das mercadorias armazenadas. Sem tais serviços a mercadoria perderia sua qualidade. Aqui entendo que não assiste razão a fiscalização. Pois, com o devido respeito ao bom trabalho da fiscalização, entendo que as despesas com serviços de recepção, limpeza, secagem e expedição são dispêndios de armazenagem em sentido lato, e, que têm por fito a preservação e acondicionamento de grãos e alimentos, como é o presente caso, entendo que tais despesas revestem-se da condição da essencialidade, um dos pressupostos do creditamento. Por isso, reverto as glosas com serviços de recepção, limpeza, secagem e expedição. FRETES Quanto aos fretes, houve as seguintes glosas: a- Frete na compra de bens não sujeitos à incidência das contribuições; b- Frete na aquisição – não consta como item para revenda e também não é utilizado no processo produtivo- (paletes de madeira para embalagens de transporte de produtos acabados) c- Frete na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação. Primeiro, quanto aos Fretes na compra de bens sujeitos à alíquota zero, tributação monofásica e tributação concentrada, alega a contribuinte que, de acordo com o Art. 17 da Lei 11.033/2004, as vendas efetuadas com alíquota zero tributação monofásica, substituição tributária, crédito presumido e tributação concentrada não impedem a manutenção do crédito dessas operações, pois o que está em debate é o frete pago e tributado que foi utilizado para transportar as mercadorias. Entretanto, alega a Fiscalização que o crédito oriundo da aquisição de serviço de transporte (frete) de bens utilizados como insumo está vinculado à mercadoria Fl. 1980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 12 transportada, daí, a aquisição de bens sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição também não dará direito ao crédito ao adquirente desses bens. Com efeito, segundo se colhe da decisão recorrida, houve o entendimento de que, considerando que haveria a restrição ao desconto de créditos sobre a aquisição, para revenda, de produtos sujeitos a incidência monofásica das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, e, considerando estarem os fretes nas operações de venda vinculados à entrega destes mesmos produtos monofásicos, igualmente não poderia haver o desconto de créditos. Por sua vez, o julgador de piso manteve a glosa por entender que o frete pago pelo adquirente na compra de bens para revenda ou de insumos para produção integra o custo de aquisição nos termos do art. 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. No meu entendimento, assiste razão a Recorrente, pelas seguintes razões, vejamos. Com efeito, segundo se colhe da decisão recorrida, houve o entendimento de que, considerando que haveria restrição ao fato de o frete pago pelo adquirente na aquisição de mercadorias, em si e por si, não consta como custo, despesa e encargo passível de creditamento de PIS e da COFINS no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, por tal razão, o direito de crédito somente se justificaria se a própria mercadoria fosse geradora de crédito das contribuições, aqui, indubitavelmente, aplicou-se o velho brocardo jurídico: “o acessório segue o principal”. Pois bem. A meu ver, e, com a devida vênia, existe um equívoco de interpretação cometido pela fiscalização, pois as despesas comerciais com fretes na operação de venda têm disciplina própria, não estando vinculadas a um outro direito de crédito, existem por si, melhor explicando, não são acessórios de nada, simplesmente, por conta de previsão legal expressa, independentemente, do tratamento tributário dado à mercadoria comercializada. Entendo que o entendimento da fiscalização constituiu uma restrição ao uso do crédito inexistente na Lei nº 10.833/03. O art. 3º que relaciona as operações que geram crédito no inciso I dispõe que gera crédito os bens adquiridos para a revenda, exceto aqueles sujeitos ao regime monofásico, entretanto, a exceção contida neste item, limita exclusivamente o crédito relativo à aquisição dos bens/mercadorias e assim o faz porque estas quando revendidas não terão a incidência de PIS e COFINS. No presente caso, a Recorrente adquire produtos sujeitos à alíquota zero, tributação concentrada e/ou monofasia, porém ela arca com o frete de entrega destes produtos, como ressalta a própria decisão recorrida, logo, não há como Fl. 1981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 13 negar o seu direito ao crédito previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, É de se registrar que apesar do produto não ser sujeito a tributação de PIS e COFINS, o frete o é, o serviço de transporte prestado pela transportadora contratada pela Recorrente será tributado em PIS/COFINS devido por aquela, sobre o valor pago por ela. O valor aqui creditado será lá tributado, mantendo a lógica da não cumulatividade, no momento em que o creditamento aqui é negado e a tributação lá é mantida, quebra-se, sem fundamento legal, a não cumulatividade prevista na Lei nº 10.833/03. Pois entendo que as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Contudo, haja vista não haver controvérsia nos autos sobre os custos suportados pela Recorrente com relação aos fretes sobre os quais pretende o creditamento, e, considerando os mesmos fundamentos acima reproduzidos, merece ser reconhecido o direito creditório relativo aos custos com fretes na compra de bens não sujeitos à incidência das contribuições, desde que observado os requisitos da Súmula CARF 188, desde que tais serviços tenham sido registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Segundo, quanto as despesas com fretes de itens não considerados para revenda e nem utilizados no processo produtivo da Recorrente tratam-se de paletes de madeira para embalagens de transportes de produtos acabados, a glosa merece ser revertida, entendo serem relevantes e essenciais para o processo produtivo dela a utilização de paletes para o transporte de mercadorias, por isso, voto por reverter as glosas com paletes de madeira. Por último, quanto aos Fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação, entendeu a fiscalização que houve também gastos com pagamentos de serviços de transporte (frete) de produtos/mercadorias entre os estabelecimentos da própria contribuinte cujas Notas Fiscais, de produtos/mercadorias transportadas, vinculadas aos Conhecimentos de Transporte, constam CFOPs de nºs 5502/6502 que se referem à “Remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação” e CFOP de nº 5505 equivalente à “Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação” os quais pelas suas próprias denominações (de CFOPs) estão evidentes que não se tratam de despesas de Frete nas operações de vendas, mas sim, de Remessas de mercadorias/produtos para formação de lote que são Fl. 1982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 14 diferentes de transportes de mercadorias/produtos vendidos, entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente comprador. Este tema não é novo nesta Turma, em situação análoga, sob relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, acórdão nº 3202-001.760, a reversão da glosa deu-se pelas seguintes razões: A decisão recorrida entendeu que as remessas para formação de lote para exportação, embora decorrentes de necessidade logística, não constituem despesas vinculadas a uma operação de venda ou a um adquirente determinado, deste modo, tal operação não se enquadra na hipótese do art. 3º, IX, e 15, II, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, que se refere exclusivamente ao frete na operação de venda. A razão de decidir não é desarrazoada, deu-se através da interpretação literal da letra da norma, já que o destino da mercadoria, ao menos temporário, é o recinto alfandegado e somente em momento posterior haverá a exportação. Apesar de razoável, a interpretação neste caminho não me parece a melhor para o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, no que diz respeito às operações de remessa para formação de lote para exportação. Revisito a legislação. De acordo com o texto que rege as contribuições sujeitas ao regime da nãocumulatividade, o serviço de frete que concede direito a desconto de crédito de PIS e COFINS se dá, somente, em dois enquadramentos: 1. no art. 3º, II, das leis de regência, quando se tratar de serviço adquirido como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou 2. no art. 3º, IX e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor Apesar da existência de duas regras legais que autorizem o crédito, não existe a possibilidade de utilização indiscriminada do serviço de frete. A lógica do regramento é a relação com o produto a ser vendido ou com o serviço a ser prestado. Nesse sentido, ou o frete liga-se, intimamente, às matérias-primas adquiridas, que serão transformadas no bem acabado, ou o frete vincula-se ao produto finalizado, precisamente na operação de venda. Sublinho que a questão ora analisada afasta-se daquele frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Sobre este tema, entendo ser incabível a aplicação do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, de acordo com jurisprudência consolidada do STJ, exposta na decisão do REsp 1.745.345-RJ, publicado em 18.06.2019, da Ministra Assusete Magalhães. Destaco que este entendimento dominante não é vinculante perante a este Conselho, por inexistência de decisão transitada em julgado proferida na sistemática de recursos repetitivos. Nesse sentido, importante reproduzir os seguintes precedentes do STJ: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. Fl. 1983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 15 IMPOSSIBILIDADE. CONCLUSÕES FÁTICOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. (...) 2. Em casos que tais, esta Corte já definiu que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. 3. Agravo interno não provido.” (STJ, AgInt no AgInt no REsp 1.763.878/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 1º/03/2019). “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS NºS 10.637/02 E 10.833/03. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS A TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O direito ao creditamento na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, decorre da utilização de insumo que se incorpora ao produto final, e desde que vinculado ao desempenho da atividade empresarial. 2. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Precedentes. 3. “A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica” (AgRg no REsp nº 1.335.014, CE, relator Ministro Castro Meira, DJe de 08.02.2013) . 4. Agravo regimental desprovido” (STJ, AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, DJe de 14/12/2015) “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controverte-se sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 1984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 16 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não-cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido” (STJ, REsp 1.147.902/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2010). “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido” (STJ, AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 08/02/2013). Pois bem. As rubricas da matéria controvertida, a meu ver, devem ser analisadas sob a possibilidade de enquadramento no art. 3º, IX, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. Para isso, deve-se verificar se a remessa para formação de lote vincula-se à “operação de venda”, nos termos exigidos pelo dispositivo citado. Não parece haver contestação de que exportação é, efetivamente, uma operação de venda, bem como, não há elementos para descaracterizar o fato de que houve exportação. Logo, trata-se de uma questão de direito e não de fato. Fl. 1985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 17 A autoridade fiscal embasou a glosa na premissa da Solução de Divergência/Cosit nº 11, de 2007, de que a legislação exigiu, para gerar direito ao crédito, a entrega dos bens vendidos diretamente aos adquirentes. A recorrente, de outro modo, entende que todas as despesas relacionadas à logística com a finalidade de venda são passíveis de crédito. Entendo que tanto a interpretação restritiva quanto a extensiva encontram empecilhos para acolhimento. Isso porque a questão está na resolução do que vem a ser “operação de venda”, como exige a legislação, não havendo restrição sobre a espécie de venda, como defende a Solução de Divergência, nem há liberalidade para se admitir com base, apenas, na intenção de venda. Avançando na busca pela solução da questão, ao dispor sobre o imposto sobre a exportação, o parágrafo único do art. 24 do CTN considera a entrega como efetuada no porto ou no lugar da saída do produto. E, em obediência ao art. 214 do CTN, o Poder Executivo conveniou com os Estados medidas para regulamentar o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias – ICMS. Nesse sentido, celebrou-se o Convênio ICMS nº 83, de 2006, que dispõe sobre procedimentos de controle das remessas de mercadorias para formação de lote de exportação em recintos alfandegados: Cláusula primeira: Por ocasião da remessa para formação de lotes em recintos alfandegados para posterior exportação, o estabelecimento remetente deverá emitir nota fiscal em seu próprio nome, sem destaque do valor do imposto, indicando como natureza da operação “Remessa para Formação de Lote para Posterior Exportação”. Parágrafo único. Além dos demais requisitos exigidos, a nota fiscal de que trata o caput deverá conter: I - a indicação de não-incidência do imposto, por se tratar de saída de mercadoria com destino ao exterior; II - a identificação e o endereço do recinto alfandegado onde serão formados os lotes para posterior exportação. Cláusula segunda Por ocasião da exportação da mercadoria o estabelecimento remetente deverá: I - emitir nota fiscal relativa a entrada em seu próprio nome, sem destaque do valor do imposto, indicando como natureza da operação “Retorno Simbólico de Mercadoria Remetida para Formação de Lote e Posterior Exportação”; II - emitir nota fiscal de saída para o exterior, contendo, além dos requisitos previstos na legislação de cada Unidade Federada: a) a indicação de não-incidência do imposto, por se tratar de saída de mercadoria com destino ao exterior; b) a indicação do local de onde sairão fisicamente as mercadorias; c) os números das notas fiscais referidas na cláusula primeira, correspondentes às saídas para formação do lote, no campo “Informações Complementares”. (Redação original, efeitos até 31.08.19) Fl. 1986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 18 Parágrafo único. Na hipótese de ser insuficiente o campo a que se refere a alínea “c” do inciso II desta cláusula, poderão os números de notas fiscais serem indicados em relação anexa ao respectivo documento fiscal. (Redação original, efeitos até 31.08.19) (destaquei) O Convênio ICMS nº 119, de 2019, e o Convênio ICMS nº 169, de 2021, alteraram o Convênio ICMS nº 83, de 2006, contudo, tais alterações não estavam vigentes à época dos fatos ora analisados. O que a reprodução da norma acima visa demonstrar é que a remessa para formação de lote de exportação é uma etapa da operação de venda mediante exportação, na medida em que, após a efetiva exportação, o remetente deverá emitir nota fiscal de entrada de retorno simbólico de mercadoria remetida para formação de lote e, em seguida, uma nota fiscal de saída para o exterior. Em outras palavras, se inicialmente há uma nota fiscal de saída de remessa para formação de lote e, após a exportação, há uma nota fiscal de entrada de retorno simbólico, verifica-se, de grosso modo, uma “neutralização” dos efeitos da operação remessa, que se converterá definitivamente em venda mediante a emissão da nota fiscal de saída para o exterior. Todo esse fluxo comprova, a meu ver, que a remessa para formação de lote se trata de uma etapa exigida pela legislação para a exportação, configurando, portanto, operação de venda para efeitos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003. Desta maneira, modifico, a partir deste voto, meu entendimento no sentido de ser possível o desconto de crédito sobre as despesas com fretes na remessa para formação de lote de exportação, uma vez que a mercadoria encontra-se já vendida, com destino a território estrangeiro, apenas aguardando o embarque para exportação em recinto alfandegado, enquadrando-se tal operação como venda, conforme disposto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833, de 2003, para a COFINS, estendendo-se ao PIS por força do art. 15, II, da mesma lei. Nesse caso, entendo que tal glosa merece ser revertida, pois entendo que o processo de produção de bens, em regra, encerra-se com a finalização das etapas produtivas do bem e que o processo de prestação de serviços, geralmente, se encerra com a finalização da prestação ao cliente, por isso, reverto as glosas com despesas de fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação Créditos básicos sobre Encargos de Depreciação: despesas do departamento administração de frota e demais centros Analisando-se os créditos provenientes dos Encargos de Depreciação, constatou- se que foram incluídos diversos bens do ativo imobilizado (caminhões) utilizados nas demais áreas no departamento de administração de frotas e demais centros da empresa, tais como: área de transporte (caminhões tombador basculante; Fl. 1987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 19 tombador moega); rosca varredora, secador de cereais, passarelas metálicas e balança. Alega a Recorrente que tais centros de custos possuem papel fundamental no processo produtivo, pois são eles que recebem e armazenam toda a produção agrícola dos seus associados, devendo mantê-la e conservá-la em perfeitas condições a, na sequência, redistribuir essa produção agrícola para suas unidades fabris, que dizem respeito, às 02 unidades de recebimento de grãos da Recorrente: em Cândido de Abreu/ PR e Aral Moreira/ MS. Nestes centros de custos, alega a Recorrente que, para escoar a produção de grãos, se utiliza de caminhões e outros bens do ativo imobilizado, por isso, entendo que tais glosas merecem ser revertidas. Explico. O caminhão tombador basculante hidráulico é utilizado para realizar o aproveitamento dos grãos. Fl. 1988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 20 Caminhão Tombador/Moega, quanto a este item do ativo imobilizado igualmente ao tombador/hidráulico utilizado nos caminhões, permite que os caminhões dentro da moega sejam erguidos na diagonal permitindo que suas cargas sejam basculadas e dessa forma descarregar os produtos agrícolas transportados por esses caminhões. A Rosca Varredora, demonstra a Recorrente, a essencialidade dela para a operação de descarga dos silos, pois ela realiza uma varredura no fundo dos silos, transportando os grãos para os registros de descargas. Fl. 1989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 21 O Secador de Cereais, por sua vez, trata-se de um item do ativo imobilizado utilizado nos silos que armazenam os grãos destinados ao processo produtivo para realizar a secagem dos grãos que chegam com um certo teor de umidade maior do que o recomendado para o armazenamento em silo. Quanto a Passarela Metálica consiste em um equipamento utilizado na movimentação dos grãos do local onde está até o local de armazenamento por meio de fitas transportadoras nelas instaladas. Fl. 1990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 22 E balanças rodoviárias permite a pesagem dos produtos recebidos (os grãos) Ante a cabal demonstração da relevância e essencialidade, à luz da pacificada tese no STJ, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”, no meu entender, foi incorreta a glosa dos encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado ensejam apuração de créditos das contribuições, por isso, reverto as glosas com encargos de depreciação com o departamento administração de frota e dos demais centros de custos operacionais da Recorrente. Por último, voto por conhecer em parte do recurso, e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para reverter as seguintes glosas: - Gastos com combustíveis, óleo diesel e lubrificantes utilizados no transporte de produtos acabados utilizados em frota própria; - Despesas com armazenagem (serviços de recepção, limpeza, secagem e expedição); - Frete na aquisição de insumos não sujeitos à incidência das contribuições; - Frete na aquisição de paletes de madeira para embalagens de transporte de produtos acabados; Fl. 1991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-001.973 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10950.720524/2020-97 23 - Frete na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação; e - despesas com encargos de depreciação com o departamento administração de frota e dos demais centros de custos operacionais da Recorrente. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, dar-lhe parcial provimento, em reverter as glosas sobre despesas: 1) com recepção, limpeza, secagem e expedição, classificadas como armazenagem; 2) de frete de insumos adquiridos sujeitos a não incidência das contribuições, observados os requisitos da Súmula Carf nº 188; 3) de aquisição de paletes de madeira; 4) despesas com encargos de depreciação com o departamento administração de frota e dos demais centros de custos operacionais da recorrente; 5) com gastos com combustíveis, óleo diesel e lubrificantes utilizados, no transporte de produtos acabados utilizados em frota própria; e 6) fretes na transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa para formação de lote de exportação. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 1992DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10778712 #
Numero do processo: 13819.902413/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo, além da demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN, manifestar-se precisamente sobre os fatos presentes nos autos, devendo ser afastadas alegações genéricas. Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1402-007.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações em relação à matéria tratada no Processo nº 11080.731446/2017-18, por impertinentes, e, em relação ao discutido neste PA nº 13819.902413/2013-81, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. 18 de novembro de 2024. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo, além da demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN, manifestar-se precisamente sobre os fatos presentes nos autos, devendo ser afastadas alegações genéricas. Não se desincumbindo a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, descabe o provimento do recurso voluntário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações em relação à matéria tratada no Processo nº 11080.731446/2017-18, por impertinentes, e, em relação ao discutido neste PA nº 13819.902413/2013-81, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. 18 de novembro de 2024. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macêdo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 2 RELATÓRIO Trata-se de analisar recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 10ª Turma da DRJ/SPO, sessão de 11 de abril de 2019 (fls. 280/285) que negou provimento à manifestação de inconformidade acostada pela interessada (fls. 2/6) e manteve o decidido pela DRF/São Bernardo do Campo/SP através o Despacho Decisório nº de Rastreamento 057855903, de 02/08/2013 (fls. 106) e Anexos (fls. 107/113), conforme abaixo reproduzido: E nos Anexos (fls. 107/108): Fl. 317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 3 Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 2/6) requerendo o deferimento integral do direito creditório remanescente não reconhecido (R$ 274.490,77). Em 11 de abril de 2019, após analisar todos os itens apostos pela interessada na sua peça recursal, a 10ª Turma da DRJ/SPO prolatou decisão negando provimento à MI, mantendo o decidido pela DRF/SBC. Excertos do voto condutor mostram a posição assumida pela Turma a quo:, com análise minuciosa dos argumentos e documentos juntados pela contribuinte na tentativa de validar seu pleito: “Inicialmente, observa-se que o questionamento da manifestante com relação à responsabilidade sobre o repasse de valores retidos a título de IRRF recair sobre a fonte pagadora não será conhecido, posto que a decisão do despacho atacado apenas se refere ao reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de 2010. Portanto, quanto a esse ponto, a manifestação não será conhecida. Com relação ao mérito, o questionamento recai sobre as parcelas referentes a IRRF referente ao ano-calendário de 2010, no valor total de R$274.490,77. Segundo a interessada, tais valores se referem a pagamentos realizados em nome da sucedida, porém de sua titularidade, vez que as posições jurídicas teriam sido vertidas à manifestante. Passa-se à análise de cada uma das parcelas: Retenções de R$33.850,38 realizadas por 10.751.878/0001-12, sob código de receita 3426 Alega a manifestante que tal retenção se refere a “valores recebidos via cisão da Tomé Equipamentos e Transportes LTDA, para Tomé Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 4 Engenharia S.A., comprovado o valor de 35.850,38, conforme explicação e documentação anexa”. No entanto, a documentação apresentada (fls. 38-41) corresponde a notas de negociação de títulos, do banco Itau BBA S/A, em nome de Consórcio Tome Alusa Galvão (portanto, não estando no nome da manifestante tampouco da sucedida), além de extrato de conta corrente e investimentos no Banco Itaú de Consórcio Tomé Alusa Galvão. Consulta ao sistema Dirf mostra que a pessoa jurídica de CNPJ 10.751.878/0001-12 não apresentou declaração referente ao ano- calendário de 2010. Retenções de R$161.785,25 realizadas por 33.000.167/0001-01, sob código de receita 6190 Alega a manifestante que tal retenção se refere a “valores recebidos via cisão da Tomé Equipamentos e Transportes LTDA, para Tomé Engenharia S.A., comprovado o valor de 162.755,36, conforme explicação e documentação anexa”. Na documentação apresentada (fls. 42 a 49) a manifestante demonstra uma série de pagamentos realizados durante o ano de 2009. Por esse motivo, não cabe apontar as retenções referentes a esses pagamentos como antecipações do IRPJ referente ao ano de 2010, período de apuração indicado na DCOMP como referência para o saldo negativo utilizado. Retenções de R$43.298,36 realizadas por 33.479.023/0001-80, sob código de receita 3426 Na própria manifestação, a interessada afirma não serem comprovados tais pagamentos, em relação aos quais não foram apresentados documentos comprobatórios. Retenções de R$35.556,78 realizadas por 58.580.465/0001-49, sob código de receita 1708 Alega a manifestante que tal parcela seria comprovada “com documentos emitidos em 2010 conforme notas fiscais anexa número 2, 3 e 12 e informe recebido em 2012, sendo que os créditos são de 2010 conforme nota fiscal, por esse motivo não foi usado em 2012, comprovado o valor de 35.556,78”. Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 5 Entre os documentos apresentados (fls. 50-54), estão comprovante anual de rendimentos emitido por Alusa Engenharia S.A. apontando a manifestante como beneficiária, porém referente ao ano de 2012. Em consulta ao sistema DIRF, a fonte pagadora declarou que os valores apontados (rendimentos de R$1.562.500,00, imposto retido de 23.437,50) referem-se a pagamentos sob o código 1702 referentes a abril de 2012. Os demais valores apontados no demonstrativo (R$10.119,36 e R$1.999,92) não constam em DIRFs como retidos pela Alusa Engenharia nem no ano de 2010 nem no ano de 2012. Observe-se, por fim, que a manifestante apresentou notas fiscais de serviço emitidas como provas da alegação de que os recebimentos apontados teriam ocorrido em 2010. Passa-se, a confrontar o material probatório apresentado com a legislação referente à matéria. Em relação às retenções na fonte, para que o contribuinte possa deduzir o IRPJ retido na fonte na apuração do saldo negativo de IRPJ, é necessário que possua a documentação comprobatória das retenções na fonte, conforme previsto nos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): (...) Desse modo, verifica-se que a apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora é requisito exigido por lei para que o beneficiário dos rendimentos utilize o tributo retido como antecipação do valor devido ao final do período. No presente caso, a contribuinte não apresentou o “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica”, instituído pela IN SRF nº 119/2000, relativamente às retenções na fonte objetos do litígio. Cabe destacar que, no processamento eletrônico do Per/Dcomp, já foram consideradas as retenções na fonte de IRPJ constantes das Dirf das fontes pagadoras. Além disso, o reconhecimento do direito creditório (e a consequente homologação das compensações) requer a comprovação de sua liquidez e certeza, conforme prevê o art. 170, do CTN. Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 6 Portanto, não tendo sido comprovada a retenção na fonte, não deve ser reconhecido o crédito ora em litígio. A corroborar o entendimento acima manifestado, citam-se decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: (...) Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado”. Decisão dispensada de ementa, nos termos do art. 2º, II, da Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017, com o seguinte dispositivo de acórdão: Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignada, a contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 292/303) no qual fex alegações genéricas acerca do acórdão recorrido, não trouxe provas documentais nem novos argumentos e centrou o fulcro de sua discussão no lançamento de “multa isolada por compensação não homologada”, controlado em outro processo administrativo (nº 11080.731446/2017-18). É o relatório do essencial, em apertada síntese. VOTO Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 7 Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O recurso voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 08/05/2019 – fls. 289, protocolização da peça recursal em 05/06/2019 – fls. 290), a representação processual da recorrente está corretamente formalizada (fls. 15/37) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. No mérito, a contribuinte limita-se a fazer, em poucas linhas, alegações genéricas acerca do decidido pela Turma de 1º Grau e sobre seu possível direito em relação à parcela remanescente ainda em discussão junto a este Colegiado (R$ 274.490,77), centrando seus argumentos contra o lançamento de “multa isolada por compensação não homologada”, controlado em outro processo administrativo (nº 11080.731446/2017-18), reprodução abaixo: Fragmentos do RV, com apontamentos deste Relator, mostram o quadro e as incongruências da narrativa da recorrente: “Inicialmente, esclarece a Recorrente que a presente peça se trata de Recurso Voluntário, ora interposto em face do v. Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 8 Acórdão nº 16-86.916, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada nos autos, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Insta novamente relembrar que a origem deste procedimento (*) decorre da lavratura da Notificação de Lançamento nº NLMIC-1654/2017, por conta de Despacho Decisório nº 057855903, proferido no procedimento nº 13819- 902413/2013-81, que não homologou a totalidade das compensações realizadas pela Recorrente conforme PER/DCOMP nº 26079.19847.050712.1.7.02-4280, quanto à créditos de saldo negativo de IRPJ – Imposto incidente sobre a Renda de Pessoas Jurídicas, apurados no ano-calendário de 2010, com originário valor de R$ 292.067,33, aplicando-lhe multa isolada quanto aos mencionados aproveitamentos de créditos, supostamente indevidos. (*) É exatamente o inverso! Este processo (nº 13819.902413/2013-81), é que deu origem ao outro de multa isolada (nº 11080.731446/2017-18). Seguindo: Muito embora tenha sido apresentada pela Recorrente sua oportuna manifestação de inconformidade de negativa de PER/DCOMP, no referido procedimento nº 13819- 902413/2013-81, a prolação do Despacho Decisório nº 057855903 ensejou a lavratura da Notificação de Lançamento nº NLMIC- 1654/2017, que origina este presente feito administrativo fiscal (**), sob a exigência de multa isolada de 50% dos débitos objeto de compensações não homologadas, com fundamento no parágrafo 17, do artigo 74, da Lei Federal nº 9.430/96. (**) Novamente se equivoca a recorrente. Este processo a que se refere a interessada seria o de multa, quando na verdade o que aqui está em discussão é a compensação e o direito creditório buscado no PA nº 13819.902413/2013-8. Mais De tal jaez, Nobres Julgadores, pela discordância quanto aos termos de tal v. Acórdão 16-86.916, vez que não fora apreciada a contentu a questão meritória jurídica discorrida neste feito, é imperioso que seja realizada nova análise deste embate Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 9 (***), por meio das presentes razões de Recurso Voluntário, que demonstram nova e cabalmente o necessário acolhimento dos argumentos defensivos da Recorrente, nos termos dos julgados de nossos Tribunais pátrios, em especial administrativo conforme este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo imperiosa a reforma recursal in casu, albergando o pedido impugnativo de origem, com fito de anular a guerreada Notificação de Lançamento nº NLMIC-1654/2017 (***), já que foram inobservados princípios e dispositivos legais, sendo o valor pretendido efetivamente indevido, inexistindo qualquer albergue jurídico a tal decisium, bem como originária pretensão. (***) Os argumentos focam na anulação da multa e, genericamente, requer-se nova análise do “embate”, o que soa absolutamente irrazoável, tendo em vista a profunda apreciação feita pela Turma de 1º Grau acerca da matéria, argumentos e documentos, inclusive pesquisa nos bancos de dados da Receita federal. DA INEXIGIBILIDADE DO DÉBITO PRETENDIDO Conforme já demonstrado, a Notificação de Lançamento nº NLMIC-1654/2017, que origina este feito, ora novamente guerreada, estão embasados em alegado não recolhimento de valores retidos dos faturamentos da Recorrente, demonstrando-se indevido procedimento autuante. A penalidade pretendida face à Recorrente, nos termos da Notificação de Lançamento nº NLMIC-1654/2017 (****), exige multa isolada com fundamento no parágrafo 17, do artigo 74, da Lei Federal nº 9.430/96, tratando-se de sanção com intuito de coibir a prática de indevida compensação pelos contribuintes, mas conforme comprova a vasta documentação anexada ao presente procedimento, tal situação NÃO se faz presente. (****) Como já citado, foco total no lançamento de multa isolada. Para finalizar (RV - fls. 302): Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 10 Resumindo, nenhuma linha efetiva visando rebater as conclusões do Despacho Decisório da DRF/SBC ou o Acórdão da 10ª Turma da DRJ/SPO.; Só argumentações genéricas. Ora, com as adaptações necessárias e suporte nos artigos 341 e 373, II, do CPC, aplicáveis subsidiariamente ao PAF, cabe lembrar ser inadmissível no ordenamento jurídico pátrio contestação genérica, cabendo ao réu alegar toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor. Os fatos não contestados presumem-se verdadeiros. Em suma, por princípio básico do direito, alegações devem vir acompanhadas de força probatória por quem as aduzem, caso contrário só podem ser tidas exatamente como se mostram, meras alegações, desprovidas de prova, por isso ignoradas. Como assenta clássico brocardo jurídico “allegare nihil, et allegatum non probare paria sunt”, ou, em vernáculo, “alegar e não provar o alegado importa nada alegar”. CONCLUSÃO Pelo exposto, não conheço das alegações em relação à matéria tratada no Processo nº 11080.731446/2017-18), por impertinentes, e, em relação ao discutido NESTE PA nº 13819.902413/2013-81, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.152 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13819.902413/2013-81 11 Fl. 326DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10774183 #
Numero do processo: 10880.954594/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. Inexistência de aproveitamento em duplicidade do saldo credor do IPI. Estorno realizado nos termos do artigo 23, da IN RFB nº 900/08 vigente à época dos fatos. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3002-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente).
Nome do relator: GISELA PIMENTA GADELHA

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A RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. Inexistência de aproveitamento em duplicidade do saldo credor do IPI. Estorno realizado nos termos do artigo 23, da IN RFB nº 900/08 vigente à época dos fatos. Recurso Provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Marcos Antonio Borges – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Catarina Marques Morais de Lima, Keli Campos de Lima, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Neiva Aparecida Baylon, Marcos Antonio Borges (Presidente). Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.327 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.954594/2009-11 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas na PER/DCOMP 33377.41126.260804.1.3.01-9111 e não homologou as compensações declaradas na PER/DCOMP 04188.45425.310305.1.3.01-0195, referente ao ressarcimento de IPI apurado no 2º trimestre/2004. A DERAT São Paulo, por meio do despacho decisório de fls. 71/76, homologou parcialmente as compensações declaradas em razão da glosa de crédito referente às notas fiscais recebidas de empresas com o CNPJ em situação irregular e da suposta utilização, na composição do saldo credor, de valores que já haviam sido objeto de pedido de restituição, o que configuraria duplicidade de ressarcimento. Cientificada do despacho, a ora Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 77/89, na qual aduz que não houve pedido de ressarcimento em duplicidade na medida em que os valores anteriormente objeto de pedido de restituição foram estornados na apuração do saldo credor objeto do presente processo. Ao analisar a questão, a C 2 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), por meio do Acórdão n.º 11-59.910, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 185/193) no qual alega não houve pedido de ressarcimento em duplicidade na medida em que os valores anteriormente objeto de pedido de restituição foram estornados na apuração do saldo credor objeto do presente processo. Em 16 de julho, esta Colenda 2ª Turma Extraordinária houve por bem converter o julgamento em diligência através da Resolução n. 3002-000.331 para que, na busca da verdade material, a Delegacia de origem: a) esclarecesse, com base no Livro de Registro de Apuração do IPI juntado pela Recorrente, se os valores de R$297.890,04 e R$193.511,60, já utilizados em DCOMPS anteriormente transmitidos, foram objeto de glosa, como lançamento de débito, na segunda quinzena de maio de 2004. b) cientificasse a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestar-se no prazo de trinta dias. A diligência foi cumprida e a Interessa se manifestou reforçando seus argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.327 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.954594/2009-11 3 VOTO Conselheira Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Relatora. O recurso é tempestivo, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Conforme se verifica dos autos, o direito creditório da Recorrente não foi integralmente reconhecido por dois motivos: I - Glosa de crédito referente às notas fiscais recebidas de empresas com o CNPJ em situação irregular; e. II – A utilização pela Recorrente, na composição do saldo credor, de valores que já haviam sido objeto de pedido de restituição, o que configuraria duplicidade de ressarcimento. Em relação à glosa dos créditos relativos às notas fiscais emitidas por empresas com CNPJ em situação irregular, não houve impugnação na Manifestação de Inconformidade nem no Recurso Voluntário. Por isso, tal matéria não é objeto do presente julgamento. O cerne da presente questão é o crédito de ressarcimento de IPI, especificamente sobre o valor de R$ 491.401,64, relativo à 1ª quinzena de abril de 2004, que, no entender a d. Autoridade Fiscal, estaria sendo considerado em duplicidade pela Recorrente. A C. DRJ assim delimitou e julgou a questão: “A par disso, observa-se no caso em análise que a importância de R$ 491.401,64, que o contribuinte, com base nos valores constantes do “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível”, à fl. 73, reclama não ter sido considerada em seu favor como saldo credor, já foi objeto de reconhecimento em períodos anteriores, na medida em que se configura como sendo o somatório de dois pleitos, nos valores de R$ 193.511,60 e R$ 297.890,04, formulados pelo interessado por meio de PER/DCOMP transmitidos em 12/05/2004 e que foram objeto de homologação total, conforme estampado nas telas abaixo extraídas do sistema SIEF-Web: (...) Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.327 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.954594/2009-11 4 Note-se que os pleitos explicitados nas telas acima referem-se ao 4º trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de 2004, ambos anteriores ao sob análise (2º trimestre de 2004). Nesse ponto, é importante deixar claro ao contribuinte que o “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível” não é espelho do Livro de Apuração RAIPI, de modo que o seu saldo inicial não corresponde, necessariamente, ao mesmo valor registrado no citado Livro. Com efeito, o Despacho Decisório emitido pelo SCC, ao definir o saldo credor do período anterior ao período em exame, já faz o abatimento dos créditos de períodos anteriores utilizados em Pedidos de Ressarcimento ou Declarações de Compensação transmitidos pelo contribuinte. Esta é a conclusão que se extrai da segunda observação constante do já mencionado “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível”, na qual se encontra informada a seguinte anotação para definir o saldo credor de período anterior não ressarcível: “Coluna (b): Para o primeiro período de apuração, será igual ao Saldo Credor apurado ao final do trimestre- calendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores. Esse saldo (saldo credor inicial) não é passível de ressarcimento” (g.n.). Dessa forma, já tendo ocorrido o aproveitamento dos valores em questão, correto foi o procedimento do SCC ao não considerá-los novamente, sob pena de acarretar em uma inaceitável utilização de créditos em duplicidade.” Neste contexto, a DRJ entendeu que o valor de R$ 491.401,64 já teria sido objeto de reconhecimento em períodos anteriores, na medida em que se configura como sendo o somatório de dois pleitos, nos valores de R$ 193.511,60 e R$ 297.890,04, formulados pelo Recorrente por meio de PER/DCOMP transmitidos em 12/05/2004 e que foram objeto de homologação total. A Recorrente admite que o valor de R$ 491.401,64 foi utilizado em compensações anteriores, mas alega que, para não utilizar o crédito em duplicidade, estornou os referidos valores (R$ 193.511,60 e R$ 297.890,04) na segunda quinzena de maio de 2004. A necessidade de estorno está expressamente prevista na IN RFB nº 900/08, vigente à época dos fatos: Art. 23. No período de apuração em que for apresentado à RFB o pedido de ressarcimento, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado. Pois bem, conforme se verifica do Livro de Apuração do IPI, fl. 148, o débito referente às saídas de maio de 2004 foi de R$ 161.254,38. Além dos débitos das saídas, a Recorrente realizou estornos de crédito, nos valores de R$ 297.890,04 e R$ 193.511,60, e, indicou, inclusive, que os estornos eram referentes às PER/DCOMPs transferidas anteriormente. Fl. 238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.327 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.954594/2009-11 5 Neste contexto, temos que o total do débito do período foi de R$ 652.656,02, resultado das saídas para o mercado nacional (R$ 161.254,38) e o estorno dos créditos já anteriormente utilizados (R$ 297.890,04 e R$ 193.511,60). De forma bastante elucidativa, a apuração do IPI do período objeto do ressarcimento, foi assim demonstrada pela Recorrente, e é aqui reproduzida por condizer exatamente com o que restou comprovado pelos autos: Por outro lado, importante observar que, conforme afirmado pela C. DRJ, “o Despacho Decisório emitido pelo SCC, ao definir o saldo credor do período anterior ao período em exame, já faz o abatimento dos créditos de períodos anteriores utilizados em Pedidos de Ressarcimento ou Declarações de Compensação transmitidos pelo contribuinte.” Ao mesmo tempo em que já fez o abatimento dos créditos de períodos anteriores utilizados em Pedidos de Ressarcimento ou Declarações de Compensação transmitidos pela Recorrente, o Sistema de Controle de Crédito – SSC, considerou o débito de IPI no período da 2ª quinzena de maio de 2004, no total de R$ 652,656,02: Fl. 239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.327 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.954594/2009-11 6 Ora, se o SSC ao determinar o saldo credor do período anterior fez o abatimento dos créditos de períodos anteriores utilizados em Pedidos de Ressarcimento ou Declarações de Compensação transmitidos pela Recorrente, evidente que não poderia ter considerado o débito total de R$ 652,656,02, na medida em que este, conforme acima demonstrado, é composto por uma parcela de débito no período e outra, no valor de R$ 491.401,64, referente aos créditos utilizados em Pedidos de Ressarcimento ou Declarações de Compensação já transmitidos pela Recorrente. Para afastar qualquer dúvida a respeito do direito da Contribuinte, o julgamento foi convertido em diligência, ocasião em que foram prestados os seguintes esclarecimentos pela Unidade de Origem: “O Livro de Apuração de IPI demonstrado no sistema confere com o escriturado pelo requerente, e confirma a dedução na segunda quinzena de maio do valor já abatido do saldo inicial no valor de R$ 491.401,64, que somado ao débito do período no valor de R$ 161.254,38 totalizou o valor de R$ 652.656,02. (...) Ante o exposto, os indícios apontam que o valor de R$ 491.401,64 foi excluído em duplicidade, o que acarretou a homologação parcial das compensações declaradas na PER/DCOMP 33377.41126.260804.1.3.01-9111 e não homologação das compensações declaradas na PER/DCOMP 04188.45425.310305.1.3.01-0195, referente ao ressarcimento de IPI apurado no 2º trimestre/2004”. Evidente, portanto, que o despacho decisório excluiu duplamente o valor anteriormente compensado. A 1ª vez ao desconsiderá-lo do saldo credor de período anterior, e a 2ª vez quando da consideração dos mesmos valores no débito da 2ª quinzena de maio de 2004. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.327 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.954594/2009-11 7 Fl. 241DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10774355 #
Numero do processo: 10845.720815/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 2301-011.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Declaratórios. Sala de Sessões, em 3 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Rodrigo Rigo Pinheiro e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.

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CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos Declaratórios. Sala de Sessões, em 3 de dezembro de 2024. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Rodrigo Rigo Pinheiro e Diogo Cristian Denny (Presidente). Fl. 1232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.514 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720815/2011-91 2 RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do acórdão n° 2301-010. 806, em 9/08/2023 (fls. 1098 e ss), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, e assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS E PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. O direito de usufruir da isenção das contribuições sociais/previdenciárias requer da entidade o cumprimento, cumulativo, de todos os requisitos estabelecidos em lei. Se observado o descumprimento de um deles a fiscalização deve proceder ao lançamento das contribuições devidas OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Pela clareza e síntese dos fatos, transcrevo o seguinte excerto do “Despacho de Admissibilidade de Embargos”: Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. a) Da omissão quanto à aplicação do entendimento proferido na ADI 4480 A embargante alega que o acórdão restou omisso quanto à alegação da necessária aplicação do entendimento exarado pelo STF na ADI 4480. Alega que apresentou a questão na tribuna (sustentação oral) e em memoriais, não havendo manifestação no acórdão. Da leitura do inteiro teor do acórdão e compulsando os autos, verifica-se que, ás fls. 1086 e ss, consta memoriais que trazem a alegação acerca de referida matéria, que no entender da contribuinte, por ser de ordem pública, deve ser cogniscível a qualquer tempo. Por sua vez, no acórdão embargado não há nenhuma menção à matéria, assim como não há relato acerca dos memoriais apresentados, nem mesmo quanto ao seu conhecimento, motivo pelo qual, entendo que deve ser acolhida a pretensão do embargante quanto à omissão apontada.. Fl. 1233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.514 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720815/2011-91 3 b) Da omissão quanto à existência de CEBAS expedido pelo Ministério de Desenvolvimento Social A embargante alega também que, mesmo que não seja reconhecida a necessária aplicação da ADI 4480 no caso dos autos, há também expressa manifestação do Ministério certificador (no caso, Ministério do Desenvolvimento Social) quanto à regularidade da entidade. Sobre tal argumento também aponta que não houve manifestação no acórdão embargado incorrendo em omissão. Da mesma forma que no item antecedente, tal matéria foi apresentada em memoriais de fls. 1086 e ss, sobre os quais não há qualquer manifestação no acórdão embargado, nem mesmo quanto ao conhecimento (ou não) da referida peça processual. Assim, resta evidenciada a omissão alegada. Depreende-se que os Embargos de Declaração foram opostos e acolhidos para a manifestação acerca do julgamento proferido na ADI 4480 e existência de CEBAS. É o relatório. VOTO Conselheiro Diogo Cristian Denny – Relator Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF, nos termos do artigo 115 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 21 de dezembro de 2023, são cabíveis os seguintes recursos: Art. 115. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I - Embargos de Declaração; e II - Recurso Especial. Parágrafo único. Das decisões do CARF não cabe pedido de reconsideração. No que diz respeito aos embargos de declaração e inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, assim dispõem os artigos 116 e 117 do referido RICARF: Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Fl. 1234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.514 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720815/2011-91 4 § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao Presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da data da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de determinação de retorno dos autos à 1ª instância, por decisão de colegiado do CARF; V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou VI - pelo Presidente da Turma encarregada do cumprimento de acórdão de recurso especial. (...) Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. (...) No caso dos autos, os embargos foram admitidos por conta de omissão quanto ao entendimento constante da ADI 4480 e sobre a existência de CEBAS. Observo que tais questionamentos não foram trazidos em sede de impugnação e nem de recurso voluntário, constando apenas de memoriais apresentados. Inexistindo razão superveniente, estão preclusos, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972. No ponto, cabe asseverar que não se trata de matéria de ordem pública, como quer fazer crer o contribuinte, mesmo porque a atuação foi embasada em outras razões de suporte. Deveras, como constou do julgado recorrido: Primeiramente, pretende a Autuada que o lançamento seja revisto, em decorrência de fatos supostamente não conhecidos pela fiscalização acerca de suas atividades. Repita-se que para a fruição da isenção das contribuições sociais/previdenciárias, as entidades beneficentes de assistência social devem atender exigências estabelecidas em lei, conforme estabelece o art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Embora o art. 55 da Lei nº 8.212/1991 – que tratava da isenção das contribuições previdenciárias – tenha sido revogado pela Medida Provisória nº 446, de 07/11/2008, que foi convertida na Lei nº 12.101, de 12/11/2009, não se deve esquecer o disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 1235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.514 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720815/2011-91 5 Note-se, portanto, que o lançamento possui caráter retrospectivo e se reporta, quanto aos aspectos materiais, à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, regendo-se pela lei então vigente, ainda que, posteriormente, modificada ou revogada. Assim, a regra geral, é que o fato regula-se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. A lei incide sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente. Surgindo uma lei nova para regular fatos do mesmo tipo, ainda assim, aqueles fatos acontecidos durante a vigência da lei anterior foram por ela qualificados juridicamente e a eles, portanto, aplica-se a lei antiga. Assim, para o período da ação fiscal (01/01/2006 a 31/12/2007), devem ser aplicados os dispositivos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Merece seja repetido que para usufruir do direito de isenção das contribuições sociais/previdenciárias a entidade dever cumprir, CUMULATIVAMENTE, todos os requisitos do art. 55, acima transcritos. O que significa dizer que na hipótese de descumprimento de um desses requisitos cabe ao Fisco adotar as providências necessárias à cobrança das contribuições que deixaram de ser recolhidas, adotando as disposições contidas no art. 32 e §§ 1º e 2º, da Lei 12.101/2009. Uma vez demonstrado que a exigibilidade das contribuições está fundamentada na legislação aplicável e em plena vigência na época da ocorrência dos fatos geradores, ao agente público, por estar atrelado ao princípio da legalidade, resta o dever de seguir e aplicar os mandamentos impostos por essa legislação, não podendo dela se afastar, sob pena de ser responsabilizado por esse ato. Portanto, a atividade da autoridade administrativa encontra-se vinculada aos dispositivos normativos vigentes, não podendo afastar sua aplicação, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN e do art. 116, inciso III, da Lei n.º 8.112, de 11/12/1990. Dessa forma, ao constatar situações que implicassem no descumprimento dos requisitos obrigatórios à fruição da isenção, como acima relatado, restaria à autoridade fiscal adotar os procedimentos legais previstos, no caso, a lavratura dos competentes Autos de Infração por descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, como se procedeu. Ratifique-se que foram diversas as irregularidades encontradas, como se observa do Relatório Fiscal (fls. 92 a 146). Repitamos: => adiantamentos de valores a empregados, sem que tenha havido o correspondente desconto em folha de pagamento, mas que foram contabilizados como empréstimos, porém, sem a apresentação de contratos, além do que existem empréstimos que se arrastam ano após ano, sem qualquer explicação pela entidade, e mais, não há critério para a baixa desses empréstimos, que às vezes se dá por intermédio da folha de pagamento ou por depósito bancário; => pagamento pela realização de festa no valor de R$ 16.000,00 (Buffet Roma); Fl. 1236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.514 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720815/2011-91 6 => pagamentos pela aquisição de três mil (3.000) brindes e por dois (2) televisores doados a empregados em razão de casamento e um (1) microondas, pelo reconhecimento de trabalho prestado; => pagamentos em pecúnia de mensalidades de cursos superiores para alguns empregados (de baixa renda) e ex aprendiz; => os valores dessas mensalidades pagas aos empregados foram considerados como remunerações indiretas; => não existe contrato de empréstimo com os funcionários e que os valores emprestados, não pagos, foram considerados como remunerações; => registros contábeis de despesas sem obediência aos princípios contábeis, conforme exigido pelo Conselho Federal de Contabilidade – CRC e pela Norma Brasileira de Contabilidade – NBC (Resolução nº 877/00, item 10 e 10.19), uma vez que não registra em contas específicas o que realmente foi despendido em gratuidade, de forma clara e objetiva, afim que permita verificar o que aplicou em gratuidade; => não conseguiu comprovar a aplicação da gratuidade mínima de 20 % (trinta por cento), de que trata o inciso VI do art. 3º do Decreto nº 2.536/1998 (vigente à época); e => aplicação de renda e/ou receita em atividades diversas do seu objetivo social, o que constitui descumprimento do inciso IV do Decreto citado no item anterior. Em face dessas irregularidades a Autuada se manifestou. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny Fl. 1237DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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